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Numero do processo: 13971.000230/2007-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006, 2007
SIMPLES FEDERAL - ATIVIDADES COMPLEMENTARES E AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL - O fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade mencionada no ADN 30/99 como serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação de que trata o inciso V do art. 9º da Lei 9.317/96 não é suficiente para impedir a opção pelo SIMPLES, sendo elementar que a atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação.
Divergência suscitada com base em paradigma cuja tese, na data da interposição do recurso, já se encontrava superada pela CSRF.
Numero da decisão: 9101-001.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL - ATIVIDADES COMPLEMENTARES E AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL - O fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade mencionada no ADN 30/99 como serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação de que trata o inciso V do art. 9º da Lei 9.317/96 não é suficiente para impedir a opção pelo SIMPLES, sendo elementar que a atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação. Divergência suscitada com base em paradigma cuja tese, na data da interposição do recurso, já se encontrava superada pela CSRF.
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ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL ATIVIDADES COMPLEMENTARES E AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL O fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade mencionada no ADN 30/99 como serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação de que trata o inciso V do art. 9º da Lei 9.317/96 não é suficiente para impedir a opção pelo SIMPLES, sendo elementar que a atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação. Divergência suscitada com base em paradigma cuja tese, na data da interposição do recurso, já se encontrava superada pela CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 02 30 /2 00 7- 18 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, contra decisão da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante Acórdão n° 110100.486, de 27 de maio de 2011, assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Exercício: 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. SERVIÇO DE PINTURA. ATIVIDADE NÃO VEDADA A prestação de serviços de pintura não consiste em construção de imóvel não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples Federal. A representante da Fazenda Nacional recorre à instância especial, nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno, alegando haver interpretação divergente para a matéria conferida por outro colegiado, consubstanciada no seguinte julgado: SIMPLES. EXCLUSÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que se dedique a construção de imóveis e/ou que realize serviços de pintura, ainda que sejam serviços auxiliares e complementares da construção civil. (3ºCC, 1° Câmara, Acórdão n° 30132.425, de 25/01/06). Postulando a reforma do Acórdão, lembra a representante da Fazenda Nacional que o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30, de 14.10.1999, declara, em caráter normativo, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como; (i) a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; (ii) sondagens, fundações e escavações; (iii) construção de estradas e logradouros públicos; (iv) construção de pontes, viadutos e monumentos; (v) terraplenagem e pavimentação; (vi) pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e (7) quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara, uma vez devidamente caracterizada a divergência de interpretação. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso especial tem por escopo a uniformização de entendimentos no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando identificada divergência de interpretação da lei tributária por colegiados distintos, integrantes do CARF. A questão ora submetida a esta Câmara Superior referese à definição da amplitude do § 4º do art. 9º da Lei nº 9.317/96, considerando a interpretação do Ato Declaratório Normativo n. 30/1999. O Acórdão recorrido entendeu que o fato de a pessoa jurídica desempenhar atividade compreendida no universo da construção civil, por si só, não impede a opção, sendo necessário que da atividade exercida resulte construção de imóvel. Confirase: “ Conforme se percebe, o § 4º apenas explica as diversas facetas da regra do inciso V, sem aumentar o seu alcance: 1°) ele explica que nem todas as obras de construção civil são consideradas construção de imóvel; 2') ele esclarece que é irrelevante a titularidade do imóvel; 3") ele informa que o conceito de imóveis alcança as edificações e as benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo (no que se aproxima da definição de imóvel do art. 79 Código Civil); 4") por fim, ele estabelece, por meio de exemplos (construção, demolição, reforma, ampliação), quais obras de construção civil estão alcançadas pelo conceito de construção de imóvel. O § 4º deixa claro que a vedação existente só afasta a possibilidade de opção pelo Simples para a empresa com atividades de construção civil que resulte na construção de imóvel. Ou seja, o fato impeditivo não é o fato de prestar alguma atividade dentro do universo da construção civil, mas sim se esta atividade resultar na construção de imóvel, tal como o § 4" definiu. É sob este prisma que deve ser interpretado o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30, de 1999, publicado no Diário Oficial da União em 18 de outubro de 1999: (...omissis...) Tais atividades, para impedirem o ingresso ou permanência da pessoa jurídica na sistemática simplificada de recolhimento, não podem ser analisadas isoladamente, mas sim demonstradas como integrantes dc um conjunto que resulte na edificação de imóveis. Mas, como se viu, a atividade do contribuinte consiste apenas em no comércio de material de pintura e na prestação de serviços de pintura. Deste modo, mesmo considerando o serviço de pintura, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 5 4 não sofre a restrição prevista na lei e não há razão para ser excluído do Simples. Por estas razões, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a exclusão do Simples. A ilustre Procuradora da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso no dia 23 de setembro de 2011, invocando interpretação divergente dada pela 1ª Câmara do antigo 3º Conselho de Contribuintes, que entendeu que não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedique a construção de imóveis e/ou que realize serviços de pintura, ainda que sejam serviços auxiliares e complementares da construção civil. Na verdade, o dissídio só pode ser identificado pela conjunção alternativa “ou” constante da ementa, pois que, da leitura da íntegra do acórdão paradigma, temse que as situações fáticas são distintas. De fato, consta do relatório que integra o paradigma que a exclusão do Simples deuse porque não pode optar a pessoa jurídica que “se dedique à construção de imóveis e à realização de serviços de pintura, atividades estas desenvolvidas pela contribuinte.” (destaquei) Consta ainda do relatório que a recorrente aduz que “labora para empresas privadas e residências ora construindo, ora realizando serviços de pintura, entretanto, que estas atividades são auxiliares e complementares à construção civil, portanto, não oponível aos dispositivos legais retrocitados.” (destaquei). A 1º Câmara do antigo 3º Conselho negou provimento ao recurso do contribuinte ao argumento de que a recorrente “não colacionou nos autos nenhum elemento de prova documental hábil e idôneo que ateste o caráter do exercício de atividade complementar e auxiliar a construção civil, consoante alegado”. Contudo, a redação da ementa, ao expressar que não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis e/ou que realize serviços de pintura, pode ser entendida como tendo atribuído ao § 4ª do art. 9º da Lei 9.317/96 uma amplitude tal, que alcance qualquer atividade que se insira no âmbito de complementar ou auxiliar da construção civil, ainda que dela não resulte construção de imóvel. Assim, o dissídio apontado restringese ao alcance do § 4º do art. 9º da Lei 9.317/96, que dispõe: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4° Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, Fl. 321DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 6 5 demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Essa questão já foi apreciada por esta 1ª Turma, em sessão de 03 de agosto de 2011, em situação fática relativa à atividade de instalação de esquadria, em recurso interposto pala Fazenda Nacional sob alegação de contrariedade à legislação tributária, sobretudo ao inciso V do artigo 9° da Lei nº 9.317/96, e o ADN/COSIT n° 30/99, pois os mesmos são claros ao definir que pessoas jurídicas que se dediquem à construção de imóveis estão impedidas de optar pelo Simples. Ponderava a PFN que a atividade de colocação de esquadrias se inclui entre as mencionadas no ADN 30, e, por conseguinte, o contribuinte não podia optar pelo sistema. A interpretação postulada pela Fazenda Nacional foi rejeitada à unanimidade por esta Primeira Turma, em acórdão de minha relatoria (Acórdão 9101001.162), cujo voto condutor traz os seguintes fundamentos: Não me parece que o seja essa a melhor compreensão da norma (art. 9º, inciso V e § 4º, da Lei 9.317/96), que dispõe: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4° Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. A lei vedou a opção à pessoa jurídica que se dedique à atividade de construção de imóveis, definindo que nesse conceito está compreendida a construção civil própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Transparece, dos autos, que a atividade exercida pela sociedade não é construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo, mas sim, o comércio das esquadrias (portas, janelas, batentes) de madeira, cuja colocação representa, apenas, atividade coadjuvante. Embora o ADN COSIT 30/99 insira, entre os serviços auxiliares e complementares da construção civil abrangidos pela vedação, a montagem de esquadrias, é elementar que essa atividade deve estar relacionada ao comando legal, qual seja, a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação. Assim, entendo que a decisão recorrida não contrariou a lei nem a prova dos autos, e nego provimento ao recurso. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000230/200718 Acórdão n.º 9101001.622 CSRFT1 Fl. 7 6 O § 10 do art. 67 do Regimento Interno dispõe: § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma. Isto posto, conheço do recurso e nego provimento. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001537/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de
mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor
bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E
OBRIGATÓRIO.
Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação principal prevista
em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de
infração das contribuições previdenciárias devidas, pois o lançamento é um
ato vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação principal prevista em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de infração das contribuições previdenciárias devidas, pois o lançamento é um ato vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação principal prevista em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de infração das contribuições previdenciárias devidas, pois o lançamento é um ato vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001537/201071 Acórdão n.º 2402002.607 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra, para as competências 06/2008 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 23/24) informa que os valores apurados decorrem de ação fiscal realizada junto ao Estado de Sergipe (Secretaria de Estado da Educação). Até a competência 01/2008, os documentos observados estavam relacionados ao CNPJ 13.130.497/000104. Para as competências seguintes, os documentos examinados estavam relacionados ao CNPJ 13.128.798/001418, utilizado atualmente pela Secretaria de Estado da Educação. Esse Relatório informa ainda que, mediante análise dos registros contábeis fornecidos em arquivo digital pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) e dos Contratos e Notas Fiscais de Prestação de Serviços, verificouse a contratação de entidade (Associação Alfabetização Solidária, CNPJ 02.871.771/000180) para a prestação de serviço de treinamento e ensino, sob o termo Capacitação, serviço este que se enquadra como realizados mediante cessão de mãodeobra. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/04/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 58/68) – acompanhada de anexos de fls. 69/82 –, alegando, em síntese, que: 1. ausência de comprovação dos pressupostos do lançamento pela Autoridade Fiscal. Inexistência de prestação de serviço mediante cessão de mão de obra. Objeto do contrato se traduz em verdadeira empreitada. Para que haja a retenção instituída no caput do art. 31 da Lei 8.212/1991, não basta que o serviço prestado esteja relacionado no § 2o do art. 219 do Regulamento da Previdência Social (RPS), é necessário que seja demonstrada, pela autoridade lançadora, nos autos do procedimento fiscal, efetivamente, a ocorrência de mão deobra cedida, na forma definida no § 3o do art. 31 da mencionada Lei. Entretanto, o que ocorre é exatamente o contrário. Analisandose o contrato firmado (cópia em anexo) com a Associação, prestadora do serviço, constatase que o objeto se refere à capacitação inicial e continuada de profissionais do Programa Sergipe Alfabetizado. Observe que o objeto do contrato se traduz em verdadeira empreitada para a empresa contratada, cujo resultado é a capacitação de cidadãos para executarem o programa Sergipe Cidadão, cujo ônus e encargo seria suportado pelo FNDE. Para se configurar a responsabilidade da retenção do contratante de serviços de treinamento e /ou ensino é imprescindível que os serviços sejam prestados mediante cessão de mão de obra e que haja a demonstração efetiva desta situação. É Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 imperioso, portanto, que haja a colocação pela contratada, de segurados à disposição da contratante, que realizem trabalhos contínuos, em suas dependências ou nas de terceiros, e ainda que os empregados fiquem sob o comando do contratante, o que no presente caso não ocorreu e nem a autoridade fiscal teve o cuidado de demonstrar no Relatório Fiscal. Colacionados vários entendimentos, nessa linha de opinião, do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho de Recursos Fiscais; 2. descumprimento de obrigação acessória. Imputação da obrigação tributária principal ao contratante, somente se não comprovado o recolhimento da contribuição previdenciária pelo contribuinte principal (prestador de serviços). É cediço que o valor retido pelo tomador é posteriormente compensado pelo contribuinte principal na apuração mensal do quantum devido. Assim, na eventualidade de não ocorrer a retenção dos 11% pelo tomador do serviço, mas recolhida a contribuição previdenciária normalmente pela empresa prestadora de serviço, não há tributo remanescente a ser cobrado pelo responsável por substituição. Em última análise, deve haver, no máximo, multa por infração à legislação tributária (descumprimento de obrigação acessória), mas nunca cobrança do tributo, sob pena de possível incursão no bis in idem. Deste modo, como o lançamento combatido não versa sobre multa acessória, somente diante de comprovação de que não houve recolhimento da contribuição previdenciária pelo contribuinte de fato é que se poderia manter o Auto de Infração; 3. do pedido. Diante do exposto, requer a contestante que sejam acolhidas as alegações apresentadas em sua defesa administrativa, sendo declarado extinto o crédito tributário em destaque. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão no 1525.952 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 116/127) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ocorreu a retificação dos valores lançados, excluindo o valor de contribuição de R$3.133,90 – nas competências 06/2008, 08/2008 e 12/2008 –, referente à retenção de 11% do valor bruto das notas fiscais de serviços de n° 8, 10 e 14. Tal retificação, nos termos dessa decisão, decorre do fato de que “(...) algumas competências foram definidas pela fiscalização a partir das datas em que foram realizados os empenhos e/ou pagamentos das notas fiscais de serviços, o que vai de encontro ao estabelecido no art. 31, da Lei n° 8.212, de 1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (05/2008 a 12/2008), pois este dispositivo legal determina que a empresa contratante deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher o valor retido no mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra (...)”. A Notificada apresentou recurso (fls. 133/144), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais alega improcedência dos valores apurados em decorrência da cessão de mãodeobra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Aracaju/SE encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 147). É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001537/201071 Acórdão n.º 2402002.607 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO MÉRITO: No mérito, insurgese sobre a retenção das contribuições sociais previdenciárias, referentes à obrigação da Recorrente, como contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra, de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. A Recorrente afirma que os serviços que lhe foram prestados junto à Secretaria de Estado da Educação (SEED) não estão sujeitos à retenção da contribuição previdenciária de 11% e que o Fisco se apoiou em presunções. Verificase que as pessoas físicas que prestaram serviços à Recorrente possuem vínculo com as contratadas, e não com a contratante (Recorrente). Ficou evidenciado nos autos que as contratadas colocavam os trabalhadores à disposição da contratante e os serviços eram prestados de forma contínua. Isso está consubstanciado no item 7 do Relatório Fiscal que registrou: “(...) por se tratar de prestação de serviço de treinamento, continuado e realizado em espaço físico (dependência) da contratante” (fl. 23). Além disso, percebese que o Fisco, mediante análise dos registros contábeis fornecidos em arquivo digital pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) e dos Contratos e Notas Fiscais de Prestação de Serviços, demonstrou que, dentro do programa “Sergipe Alfabetizado”, a execução do Contrato n° 08/2008, firmado entre o Estado de Sergipe (contratante) – por meio da Secretaria de Estado da Educação –, e a Associação Alfabetização Solidária (contratada), ocorreu mediante a cessão de mãodeobra prevista no art. 219, § 2o e XII, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo do Decreto 3.048/1999. O referido contrato tem como objeto a capacitação inicial e continuada de profissionais do programa “Sergipe Alfabetizado”. Como o serviço realizado (treinamento e ensino) está inserido no rol dos serviços sujeitos à retenção – nos termos do disposto no art. 219, § 2o e XII, do Decreto 3.048/1999 –, o Fisco, após constatar a existência dos pressupostos fáticos e jurídicos exigidos para o enquadramento da prestação de serviço como cessão de mãodeobra, lavrou o presente auto de infração. Regulamento da Previdência Social (RPS) – Decreto 3.048/1999: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) (...) § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) XII treinamento e ensino; Nesse mesmo sentido, o art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991 define o que seja cessão de mãodeobra para os fins da legislação previdenciária, exigindo serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, que o foi o caso do presente processo. Lei 8.212/1991: Art. 31. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Portanto, restou configurada a prestação de serviços com cessão de mãode obra e a obrigação da empresa autuada de reter e recolher o valor retido em nome das empresas cedentes de mãodeobra, em observância ao ditame legal. O entendimento defendido pela Recorrente de que o Fisco deveria verificar, inicialmente, se o tributo foi recolhido pela prestadora, antes de exigilo do responsável tributário, e a alegação de que os valores lançados foram supostamente recolhidos pelas empresas contratadas estão desprovidos de amparo legal. A Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/1998, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5º do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei no 9.711, de 211/11/98) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.( Redação dada peta Lei n° 9.711, de20/11/98) Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001537/201071 Acórdão n.º 2402002.607 S2C4T2 Fl. 4 7 Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a tomadora (Recorrente) está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a prestadora ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E o agente fiscal, ao constatar a prestação de serviço com cessão de mãode obra e a falta da retenção, lavrou corretamente os valores lançados da retenção no presente auto de infração, em observância ao disposto no § 5º do art. 33 da Lei 8.212/1991, abaixo transcrito: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.(g.n.) Ao contrário do que possa parecer para a Recorrente, conforme suas alegações postas no recurso, a retenção não é nova contribuição social nem modalidade de responsabilidade solidária, mas mera antecipação compensável, visando somente a garantir a arrecadação previdenciária, obrigando o tomador de serviços, no caso em tela a Recorrente, a reter o percentual de 11% sobre o valor bruto do documento fiscal e recolhêlo em nome das prestadoras de serviços. Com isso, entendo que a Recorrente contratante de mãodeobra, tomadora de serviços, cumpre uma obrigação legal, com aparência de obrigação de tributária acessória, ao efetuar a retenção, já que se trata de simples obrigação de fazer, e não de dar, pois não há reduções patrimoniais desta Recorrente, que simplesmente deverá repassar o valor devido por outrem. Com isso, se a obrigação legal é descumprida somente o tomador de serviço (Recorrente) será responsável exclusivo pelos valores devidos, em razão da presunção de recolhimento, prevista no art. 33, § 5º, da Lei 8.212/1991, ao qual remete o próprio art. 31 da mesma Lei. Dessa forma, o fato das empresas contratadas ter supostamente efetuados os recolhimentos previdenciários de forma devida, não afasta a responsabilidade do contratante (Recorrente) quanto a sua omissão em efetuar a retenção que estava legalmente obrigado, convergindo tal fato para a exigência que ora se discute. Nesse sentido, não há razão do Fisco diligenciar junto às prestadoras de serviços para verificar se houve recolhimento das contribuições. Logo, não há razão no argumento da Recorrente retromencionado. Vale ressaltar que o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou que é constitucional a retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário (RE) no 603.191/MT que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 8.212/1991, alterado pela Lei 9.711/1998, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Contribuição previdenciária de prestadoras de serviço: É constitucional a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte das empresas tomadoras de serviço, a título de contribuição previdenciária. Ao reafirmar esse entendimento, o Plenário, por maioria, desproveu recurso extraordinário em que pretendida a declaração incidental de inconstitucionalidade do art. 31 da Lei 8.212/91. Asseverou que o instituto da substituição tributária seria necessário nas sociedades complexas atuais, as quais exigiriam a participação de terceiros para adimplemento de todas as obrigações e para maior facilidade tanto na arrecadação quanto na fiscalização, além de impedir o prejuízo aos trabalhadores nos contratos de terceirizados (RE 603191/MT / i634). (Informativo no 634 do STF) Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01/08/2011. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.014011/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação.
PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995.
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75%.
INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC . INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Numero da decisão: 2201-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do pólo passivo o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB 36.531/DF.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75%. INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC . INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do pólo passivo o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB 36.531/DF. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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Tendo os julgadores de primeiro grau interpretado corretamente a legislação tributária, bem assim sua aplicação ao caso concreto, não há reparos a serem feitos à decisão que cancelou, parcialmente, as exigências tributárias. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75%. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC . INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 40 11 /2 00 7- 19 Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do pólo passivo o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior, OAB 36.531/DF. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls. 379/416), para exigir crédito tributário, no montante total de R$6.152.824,95, dos quais R$1.931.582,16 referemse a imposto, R$2.897.372,86 a multa de ofício de 150% e R$1.323.869,93 a juros de mora calculados até 28/09/2007, originado da falta de recolhimento de IRRF sobre pagamentos sem causa e/ou não comprovados, no anocalendário de 2003. Infração capitulada no art.61, da Lei nº8.981/1995. O Termo de Verificação Fiscal (fls.367/374) descreve, pormenorizadamente, os procedimentos de fiscalização e está assim sintetizado pelo relatório do acórdão de primeira instância: “1 — Tendo sido constatada vultosa movimentação financeira em conta corrente mantida no nome da pessoa física Sonia Maria Rouze, esta informou que tal movimentação pertencia integralmente a pessoa jurídica autuada, Giro Comércio de Pneus Ltda., que assumiu a titularidade da movimentação. Foram apresentados livros contábeis que supostamente comprovariam a alegação, mas os mesmos não foram aceitos pela fiscalização, pelas razões declinadas no TVF. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.559 3 2 — A fiscalização constatou, com base na documentação apresentada e devidamente listada no TVF, que depósitos no total de R$ 3.572.025,48 provêm de cobranças de clientes da pessoa jurídica autuada. Também constatou que a importância de R$ 130.119,18 provém do depósito de cheques relacionados com operações da empresa. E ainda, que a importância total de R$ 144.900,00 foi transferida diretamente da conta bancária da mesma empresa, perfazendo os ingressos o montante total de R$ 3.857.2235,33. 3 — Em contrapartida, foram constatadas duas transferências bancárias da conta da pessoa física para a conta da pessoa jurídica autuada, no importe total de R$ 270.000,00. 4— A fiscalização entende, pelos múltiplos fundamentos que descortina no TVF, que, ao contrário do que alegam a pessoa física e a pessoa jurídica autuada, a conta bancária foi efetivamente utilizada pela contribuinte Sonia Maria Rouze, conforme se vê no seguinte excerto (fls. 372373), que sintetiza sua convicção: "Relatamos, anteriormente, que as notas fiscais apresentadas corresponderam às cobranças bancárias no ano de 2003 no valor total de R$ 3.572.025,48. Neste ponto, esclarecemos que as notas fiscais da empresa justificariam habilmente o recebimento desse valor pela própria empresa emissora, comprovando a origem de depósitos em c/c de direito ou de fato) da própria empresa. Porém, tais documentos não justificam de forma alguma o recebimento desses mesmos valores através de c/c de qualquer outro contribuinte, em especial a contribuinte aqui fiscalizada que não possuiu, em momento algum, relação com a empresa e, principalmente, que usufruiu efetivamente dos valores depositados, como relatado anteriormente. Portanto, há comprovação de origem para o recebimento dos valores correspondentes em (?) notas fiscais por parte da empresa Giro, sendo suas receitas operacionais. Mas não há nenhuma comprovação da causa do repasse/recebimento desse mesmo valor da empresa Giro para a contribuinte Sonia. Da mesma forma, os cheques e as transferências da empresa para a contribuinte não tiveram comprovação de sua causa. Assim, todos os depósitos acima do ano de 2003 relativos a empresa giro, subtraídos do valor de R$ 270.000,00 que 'retornou' à empresa, consolidados em planilha anexa a este Termo de Verificação, serão considerados pagamentos sem comprovação de sua causa, sendo tributados de acordo com o art. 674 do RIR/99, a seguir reproduzido." (Os grifos e sublinhados constam do original). Os enquadramentos legais do lançamento, descritos no campo próprio do auto de infração (fls. 415), são o art. 674, § 1° do RIR/99; o art. 61, § 1° a 3° da Lei n°8.981, de 1995, e art. 20 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. Também foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 417418, por meio do qual se atribui a condição de sujeito passivo solidário ao Sr. Sironi Antonio Cavagnoli.” Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 DA IMPUGNAÇÃO Contra o lançamento, foi apresentada impugnação (fls.407/418), cujos principais argumentos foram sintetizados pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: aduzem que deveria ter sido comprovada a existência de pagamentos e a ausência de causa a justificálos, mas não há qualquer pagamento da empresa para a Sra. Sonia Maria Rouze; relatam que, no ano de 2003, a autuada passava por sérios problemas bancários e fiscais e, por essa razão, o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli, seu administrador de fato, solicitou que sua exesposa, Sra. Sonia Maria Rouze, emprestasse sua conta bancária para nela ser efetuada a movimentação da pessoa jurídica, o que veio a ocorrer, sendo que, a partir de então, a pessoa física não mais teria utilizado a conta bancária e nem se apropriado dos recursos nela depositados, posto que a conta teria passado a ser operada exclusivamente pelo Sr. Sironi; aduzem que a autuada forneceu à Sra. Sonia documentos fiscais e contábeis que deixavam claro ser ela a titular de fato da conta bancária, e que a fiscalização reconheceu que a conta era utilizada para o recebimento de valores decorrentes de suas operações; sustentam que além das notas fiscais e documentos contábeis fornecidos pela autuada, a fiscalização obteve do Banco do Brasil inúmeros documentos que demonstram que a conta bancária era gerida exclusivamente pelo Sr. Sironi, administrador da autuada; observam que as conjecturas da fiscalização seguem os seguintes pontos básicos, verbis: "(i) As NF's da empresa justificam os valores recebidos por esta empresa em c/c que seja de direito ou de fato de sua titularidade; (ii) Tais NF's não justificam o recebimento 'através de c/c de outro contribuinte' em especial se este não possuir relação com a empresa e tiver usufruído 'efetivamente' dos valores depositados; e (iii) Não há comprovação da causa dos pagamentos a Sr° Sonia." argumentam que a titularidade de fato ocorre quando não há identidade entre o nome do titular da conta bancária e o beneficiário dos recursos nela depositados; que essa é a situação dos autos; e que a utilização de conta bancária de terceiro é um fato, cuja existência já foi sobejamente reconhecida; relatam que a conta corrente e as movimentações nela realizadas estão reconhecidas na contabilidade da autuada; reiteram que a conta foi movimentada o tempo todo pelo Sr. Sironi; que nos cartões para a movimentação da conta constam claramente sua assinatura, e que a Sra. Sonia lhe outorgou procuração com amplos poderes para promover a movimentação da conta. Acrescentam que até mesmo os cheques nominais à se Sonia foram assinados e endossados pelo Sr. Sironi; reportandose aos investimentos aludidos pela fiscalização, alegam que se trata de previdência privada que, embora tenha sido colocada em nome da Sra. Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.560 5 Sônia, esta jamais a reconheceu como de sua propriedade, e que jamais se apropriou desses recursos; asseguram que o recebimento de alguns depósitos que comprovadamente seriam rendimentos próprios da Sra. Sonia não é suficiente para afastar o fato de que a autuada se utilizava, de fato, da referida conta bancária. Esclarecem que tais depósitos são decorrentes de aluguéis de bens de sua propriedade e representam apenas 0,009% dos depósitos ocorridos no ano de 2003, e que esses aluguéis sequer foram sacados por ela; argumentam que, das copias extraídas dos livros fiscais, se constata que as obrigações da empresa — tais como fornecedores, despesas e folha de pagamento foram pagas com recursos extraídos da conta bancária; alegam ser improcedente a autuação por supostos pagamentos sem causa, por ter sido embasada em depósitos — e não em pagamentos , e também por inexistir sequer prova de que tenha ocorrido pagamento à Sra. Sonia; argumentam que a autuada utilizou recursos depositados na conta bancária para custear suas atividades operacionais, e exemplificam com quadro demonstrativo estampado As fls. 454. Argumentam que as despesas se encontram devidamente contabilizadas e que, contrapondose estas despesas com os depósitos efetuados na conta bancária, observase que a empresa efetivamente utilizouse dos recursos nela depositados; argumentam que, não existindo compra de mercadorias a custo zero e nem vendedores que laborem de graça, há que se reconhecer, ainda que com base em percentual presumido, que a empresa utilizou de recursos advindos de sua atividade para o fim de pagar despesas operacionais, e que, portanto, não seria possível que a integralidade dos recursos depositados na conta representariam os supostos pagamentos sem causa; no propósito de apontar nulidade do auto de infração, destacam que a fiscalização confunde o que seria de responsabilidade da empresa autuada demonstrar, e o que seria de responsabilidade da Se Sonia. Alegam que a fiscalização afirma que a contribuinte teria sido intimada a comprovar a utilização dos depósitos para fazer frente aos negócios da empresa Giro, e que declarou não ter logrado êxito em tal comprovação. Afirmam que quem foi intimada foi a se Sonia, e que isso não faz sentido, e que quem deveria ser intimada era a autuada. Sustentam que esta foi intimada apenas a comprovar os pagamentos efetuados para a Sra. Sonia, os quais nunca teriam ocorrido; chamam a atenção para os esclarecimentos constantes do documento de fls. 965, cuja ausência dos autos estranham, e também para a contabilidade da autuada, que registraria o destino conferido aos recursos. A titulo de exemplo, apontam as notas fiscais de pagamentos de fornecedores acostadas is fls. 509953; afirmam que a tributação dos depósitos da forma pretendida pela fiscalização, sem a persecução da verdade real, sem qualquer diligência na empresa, com relação a eventuais pagamentos efetuados a terceiros, sem sequer se demonstrar que a Sra. Sonia teria de fato se beneficiado dos valores depositados na conta bancária, seria admitir violação de inúmeros princípios, inclusive de direito administrativo; argumentam que a fiscalização deveria ter intimado a autuada a comprovar todos os pagamentos efetuados por meio da conta bancária, o que não ocorreu. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 Afirmam que a fiscalização optou pelo caminho mais simplista para proceder a lançamento em função de tais valores; alegam que a fiscalização efetuou outro lançamento contra a Se Sonia (PAF n° 10980.013140/200790), atribuindolhe responsabilidade por outros depósitos na mesma conta, no importe de R$ 4,1 milhões, e que a autoridade fiscal pretende dobrar o efeito das saídas que alega terem sido em beneficio da Sra. Sonia; apontam que a fiscalização não autuou a empresa por falta de reconhecimento das receitas das operações, admitindo assim que tais receitas foram reconhecidas e validando a contabilidade que as reconheceu; suscitam a nulidade do auto de infração por ter sido lavrado contrariamente As provas dos autos e por se fundamentar em presunções. Acrescentam que a fiscalização desconsiderou os documentos da empresa em vista de supostos" equívocos formais e pela serôdia inclusão dos lançamentos contábeis relativos A conta bancária. Argumentam não fazer sentido desconsiderar os livros, quando eles refletem operações de fato realizadas, e que foram exemplificados pela fiscalização supostos lançamentos tardios relativos aos anoscalendário de 2001 e 2002, mas o lançamento versa sobre operações do anocalendário de 2003; argumentam que a autuada não estava sob fiscalização quando registrou os livros na Junta Comercial e que não há razões para serem desconstituídos, uma vez que existem e estão registrados. Acrescenta que, no anocalendário de 2003, a autuada era optante pelo lucro presumido, o que a desobrigava de manter escrituração contábil; alegam que a autuada movimentou conta bancária em seu nome somente até abril de 2002, mas o lançamento versa sobre o anocalendário de 2003; contestam a imposição da multa de oficio qualificada argumentando não existir nos autos comprovação de que a autuada e/ou seu administrador de fato, o Sr. Sironi, tenham agido com evidente intuito de fraude. Reiteram que não houve qualquer pagamento à se Sonia e que a contabilidade traduz exatamente as operações realizadas pela autuada. Dizem não ser possível presumir a existência de evidente fraude ou sonegação; indagam: qual teria sido o ato doloso praticado para ocultar o suposto fato gerador? Qual teria sido o ato doloso para retardar o suposto fato gerador? E qual seria o referido fato gerador? também se insurgem contra a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Sironi. Dizem não haver qualquer razão para desconsideração da personalidade jurídica da autuada. Dizem não existir qualquer indicio ou prova do interesse comum do Sr. Sironi nos supostos pagamentos sem causas. Argumentam que apenas em 03/09/2003, aludido senhor retomou as atividades da empresa. Afirmam, também, que a fiscalização não demonstrou qual ato abusivo ou ilegal do Sr. Sironi, queteria dado origem ao crédito tributário; dizem ser incabível a formulação de representação para fins penais, razão pela qual pedem seu indeferimento. Finalizam a peça requerendo, verbis: "Ante o exposto, requerem os impugnantes seja reconhecida a nulidade do auto de infração lavrado em vista de não terem sido respeitados princípios basilares de direito administrativo, dentre os quais o da busca da Verdade Real. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.561 7 Caso não seja este o entendimento de V.Sas. requerem seja julgada improcedente a autuação, de forma a afastar a exigência dos supostos débitos de IRRF, tendo em vista não existirem pagamentos (nem pagamentos sem causa) a Sra. Sonia Maria Rouze, ou, quando menos, por não existirem quaisquer PROVAS de que tais alegados pagamentos tivessem ocorrido, afastando se, assim, a aplicabilidade do disposto no artigo 61 da Lei 8.981/95 (artigo 674 do RIR/99), bem como por ter sido o auto de infração lavrado contra provas dos autos. Requerem, ainda, seja reconhecida a ilegitimidade passiva do Sr. Sironi Antonio Cavagnoli, por ser inaplicável no caso a regra de solidariedade ou de responsabilidade. Requerem, também, ad argumentandum, caso V.Sas. não entendam pela integral improcedência da autuação fiscal, seja reconhecida a inaplicabilidade da multa de 150%, reduzindoa para 75% em função da inexistência de qualquer justificativa a sustentar o agravamento da pena. Requerse, ainda, seja dada baixa da representação criminal, tendo em vista não ter sido comprovada a existência de fraude sonegação ou conluio na operação analisada." Dentre os documentos acostados aos autos, destacamse: · fls. 496507: procurações, contratos sociais, documentos de identidade, etc; · fls. 509953: notas fiscais de compra da empresa Giro; · fls. 955963: cópias de razão analítico da empresa Giro; · fls. 965: correspondência da Sra. Sonia; · fls. 967968: fichas de autógrafo da conta bancária em que ocorreu a movimentação objeto da autuação; · fls. 970: procuração outorgada pela Sra. Sonia ao Sr. Sironi; · fls. 972: correspondência da Sra. Sonia para o Banco do Brasil; · fls. 9741.242: cópias de cheques sacados contra a conta bancária; · fls. 1.2441.246: cópia da declaração de ajuste anual da Sr. Sonia; · fls. 1.2481.321: cópia, em complementação das cópias do Razão Analítico da empresa; · fls. 1.324: procuração outorgada pelo Sr. Sironi Antonio Cavagnoli; · fls. 13261341: extrato de Consulta da DIPJ do anocalendário de 2003 da Empresa. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, acordaram, por unanimidade de votos, em JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, substituindo a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, pela multa de ofício normal, no percentual de 75%, nos termos do Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 8 Acórdão DRJ/CTA n° 06.18.928, de 14 de agosto de 2008 (fls.1343/1366), em decisão assim ementada: UTILIZAÇÃO DE CONTA DE TERCEIRO. COMPROVAÇÃO. Para que a pessoa jurídica comprove ser a verdadeira titular de movimentação ocorrida em conta bancária de pessoa física, deve comprovar não apenas que os recursos nela ingressados provêm de seu patrimônio, mas, principalmente, que os valores sacados foram efetivamente utilizados na quitação de seus compromissos. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. Transferências de recursos do patrimônio de pessoa jurídica para conta bancária de pessoa física, inclusive créditos de recebíveis, constituem pagamentos cuja causa carece de ser devidamente comprovada. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. Carece de força probante o livro caixa cuja escrituração, no propósito de registrar ingresso de recursos sacados de contas de terceiro, omite receitas próprias em montante muitas vezes superior. MULTA QUALIFICADA. Reduzse a multa, do percentual de 150% para 75%, quando o Fisco não lograr demonstrar o evidente intuito de fraude. Lançamento Procedente em Parte. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte, através do seu representante legal, tomou ciência dessa decisão em 29/08/2008 (fls. 1380) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 29/09/2008, o Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 1388/1457, acompanhado dos documentos de fls.1458/1547, através do qual ratifica os fundamentos apresentados na peça impugnatória e rebate contundentemente os argumentos da decisão recorrida, através dos argumentos a seguir elencados. I DA INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO SEM CAUSA: Inaplicabilidade do art. 61 da Lei n° 8.981/95 (art. 674 do RIR/1999) A recorrente utilizouse da conta bancária em nome da Sra. Sônia para fazer movimentações e receber valores decorrentes de sua atividade empresarial, ou seja, era a empresa Giro a titular de fato da conta bancária. O Sr. Sironi, administrador da empresa, efetivamente realizou toda a movimentação bancária, inclusive assinando e endossando os cheques. A Sra. Sônia, titular da conta e sua exmulher, não efetuou qualquer movimentação na referida conta corrente. Para respaldar a autuação, o fisco deveria provar o efetivo pagamento, cuja causa o beneficiário não é identificado. Equivocase a DRJ ao desconsiderar os livros da recorrente por entender que havia disparidade entre as receitas declaradas na DIPJ e as escrituradas nos livros fiscais, bem como ao considerar que algumas vendas não teriam sido contabilizadas na conta caixa. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.562 9 No anocalendário de 2003, a Recorrente era optante pelo Regime de Tributação do Lucro Presumido e optou pela apuração de suas receitas pelo regime de competência. Assim, todas as receitas foram escrituradas, independentemente do seu efetivo recebimento, e,posteriormente, divididas em dois principais grupos: (i) receitas decorrentes de vendas à vista; e (ii) receitas decorrentes de vendas a prazo. A tabela comparativa de fls.1354, elaborada pela DRJ, partiu do pressuposto de que a empresa estaria no regime de caixa para a apuração do IRPJ — e, por isto, a suposta diferença encontrada. Na referida tabela, foram considerados apenas vendas de mercadorias e serviços à vista, com exceção das vendas de serviço do mês de janeiro, entretanto não foram consideradas as vendas a prazo. As vendas à vista totalizaram cerca de R$ 3,7 milhões, ao passo que, as realizadas a prazo se aproximaram de R$ 19,5 milhões. Nessa análise foi também considerada penas a conta caixa, desprezando a conta ”duplicatas a receber”. A empresa, por ter optado pelo regime de competência, mesmo não tendo recebido a integralidade do valor das vendas a prazo, ainda assim lançou corretamente a totalidade das "receitas" em sua DIPJ. Conforme se verifica às fls. 148203 do Livro Razão de 2003 (Doc. 01), e às fls. 131134 do balancete de verificação do Livro Diário de 2003 (Doc. 04), as despesas da empresa eram na monta de aproximadamente R$ 10 milhões. Em um cálculo superficial, considerandose os mais de R$ 10 milhões de despesas, somados ao aumento dos mútuos ativos (R$ 4,5 milhões), às distribuições de lucro realizadas pela empresa (R$ 4 milhões), referidos pela DRJ às fls. 1.356 e constantes do balancete de verificação do Livro Diário de 2003 (Doc. 04), bem como somandose, ainda, ao aumento do saldo das duplicatas a receber (vendas a prazo — R$ 5 milhões), chegase a um total aproximado de R$ 23,5 milhões — valor este bastante próximo às receitas declaradas em DIPJ, que foram de R$ 23,4 milhões. Ainda no que se refere a verificação da titularidade da conta corrente, a DRJ teceu comentários relativos ao saque, na "boca do caixa", pelo Sr. Sironi, de 65% dos valores depositados na conta corrente. Neste sentido, alegou que não haveria lógica a realização de tal procedimento para pessoa jurídica, bem como que deveriam ter sido apresentados comprovantes pormenorizados da utilização do numerário (fls. 1.358). Entretanto, esses saques representaram no máximo 20% das despesas da pessoa jurídica, a alegação de que algo não faz sentido — ou que é incomum — não é suficiente para amparar uma autuação fiscal de pagamento sem causa. A afirmação da existência de apenas duas transferências bancárias diretamente efetuadas para conta em nome da empresa GIRO (fls.1.352) não significa que somente estes valores tenham sido destinados à sua atividade. De outro modo, tal fato somente ratifica que a contabancária junto ao Banco do Brasil era de fato utilizada pela empresa. Restou incontestável, portanto, o fato de que os valores depositados na conta corrente foram utilizados para fazer frente às despesas da GIRO. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 10 II DA IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO COM BASE EM PRESUNÇÕES Para a aplicação do disposto no art. 61 da Lei n° 8.981/95, o fisco tem que demonstrar o preenchimento dos pressupostos previstos neste dispositivo legal, autorizadores da presunção de rendimentos, quais sejam: (i) a existência de pagamento; e (ii) a inexistência de causa que o justifique. Para a suposição de que inexistiriam saídas da conta corrente em questão que fizessem frente às despesas da GIRO, a DRJ partiu do pressuposto de que, como a Sra. Sônia não teria comprovado em que a GIRO teria aplicado os recursos sacados da conta corrente em questão, os ingressos havidos na aludida conta corrente seriam pagamentos sem causa desta para aquela. Destaquese que a empresa GIRO (e o Sr. Sironi) NUNCA foi intimada a comprovar os pagamentos realizados pela referida conta. Mesmo que a empresa tivesse sido intimada a comprovar as saídas realizadas através da aludida conta corrente e, posteriormente, não lograsse comproválas na sua integralidade, isto não implicaria que todos os depósitos havidos na conta corrente seriam pagamento sem causa. Tal situação implicaria exclusivamente na possibilidade de, eventualmente, aplicarse a regra de presunção em relação às saídas, mas nunca em relação aos depósitos ocorridos na aludida conta. Portanto, não procede a pretensão da DRJ de fundamentar a aplicação da presunção de pagamento sem causa em relação aos depósitos bancários por não ter sido comprovado, por terceiro, o destino que a GIRO teria dado aos recursos sacados da conta bancária. Ao julgar a Impugnação, a DRJ teceu uma série de elucubrações demonstrando a fragilidade dos fundamentos adotados pela DRJ. Ademais, contabilidade da empresa não foi, em momento algum, desclassificada, dessa forma não há porque não considerar os livros apresentados pela empresa. III — DA IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA DE 75% A decisão recorrida reconheceu a inexistência de evidente intuito de fraude, pelo que reduziu a multa aplicada na autuação fiscal, de 150% para 75%. Entretanto, não cabe à DRJ reduzir a multa aplicada, mas apenas excluir da autuação a multa aplicada indevidamente. Ou seja, não compete a ela lançar uma multa inicialmente não lançada. Portanto, ao afastar a aplicação da multa qualificada, a DRJ não poderia substituir os termos do lançamento efetuado pelo auditorfiscal, aplicando, em substituição à multa originalmente imposta, a multa de 75%. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.563 11 IV – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Requer ainda que, desqualificada a multa, deve ser afastada a representação fiscal para fins penais, por não haver fundamento legal que a justifique. V INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. A recorrente requer ainda que sejam apreciadas, em sede de preliminar, as seguintes nulidades: (i) Nulidade da Autuação Fiscal por vícios no processo de fiscalização; (ii) Nulidade da Decisão da DRJ por ter o órgão julgador extrapolado sua competência; (iii) Nulidade da Decisão da DRJ devido à ausência de fundamentação para manutenção da solidariedade passiva do Sr. Sironi. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Dois são os recursos postos à análise dessa Câmara: de ofício e voluntário. Conheço de ambos, pois presentes os seus respectivos pressupostos de admissibilidade. O lançamento referese apenas a valores movimentados no anocalendário de 2003, na conta n° 6.940X, agência n° 3.7923 do Banco do Brasil S/A, aberta e mantida em nome de Sonia Maria Rouze e cuja titularidade de fato era da empresa recorrente que a utilizava para fazer movimentações e receber valores decorrentes de sua atividade empresarial. DO RECURSO DE OFÍCIO Em face da exclusão da responsabilidade imputada e da redução da multa qualificada, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício de sua decisão por ter sido exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. As razões de decidir da decisão recorrida podem ser depreendidas do seguinte enxerto: “Os impugnantes também exteriorizam inconformismo contra a imposição da multa qualificada de 150%, alegando não existir nos autos comprovação de que a autuada e/ou o Sr. Sironi tenham agido com evidente intuito de fraude. Por seu turno, a fiscalização assim justificou o cabimento da multa qualificada (fls. 373): Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 12 "Tendo em vista a comprovação de que a c/c de fato pertence a contribuinte Sonia, principalmente por ser esta última a beneficiária dos valores depositados e que rendimentos próprios fora») recebidos através desta c/c; que foram apresentados pela contribuinte livros contábeis da empresa Giro contendo os lançamentos da c/c em análise, com declaração da própria empresa de sua autenticidade mas considerados inaceitáveis pela SRF, de acordo com o exposto acima; que a própria empresa Giro não comprovou documentalmente que os lançamentos da c/c se referiam à empresa; tudo em desacordo com a alegação da contribuinte de que esta c/c pertence de fato à empresa Giro, aplicamos a multa qualificada prevista no art. 44, I, ,¢ 1° da Lei n°9.430/06, por entendermos que houve o evidente intuito de fraude ao evitar a tributação dos pagamentos." (Transcrição literal). Por ter sido o auto de infração lavrado em 26/10/2007, como fundamento legal da multa qualificada constou o dispositivo aplicável da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação então vigente por força da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Contudo, tratandose de eventos ocorridos no anocalendário de 2003, há que prevalecerem as disposições enfeixadas na redação, então vigente da mesma lei, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabiveis." (Grifei). Apesar de veicularem disposições muito semelhantes, é de se reparar que a norma anterior, ao contrário da atual, dispunha expressamente que o cabimento da multa qualificada estava reservado aos casos em que estivesse evidente o intuito de fraude, conforme definido nos art. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Significa, portanto, que o intuito de fraude, além de estar evidente, não deve ser genérico, e sim aquele dolo especifico definido nos aludidos dispositivos legais. Assim como aos impugnantes, a mim também não pareceu, pela narrativa do Termo de Verificação Fiscal, estar evidenciado aquele dolo especifico, ou mesmo um dolo genérico. Em síntese, esses são os motivos que, pelo que a fiscalização relata, moldaram seu convencimento: 1 — A conta pertence A Sra Sonia; Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.564 13 2 — foram apresentados livros considerados inaceitáveis pelo Fisco; e 3 — a autuada não comprovou, com documentos, que os lançamentos da conta corrente se referiam As suas operações. Quanto ao fato de a conta pertencer A se Sonia, exesposa daquele que seria o titular de fato da empresa autuada, ainda que seja possível inferir que ela também tenha participação na sociedade, não me sinto autorizado a concluir que evidencie intuito de fraude. O convencimento até poderia ser outro, caso se tratasse de terceiro, a quem se pudesse atribuir a condição de laranja' para a percepção dos rendimentos. Entretarito , não consigo classificar de doloso o fato de alguém receber rendimentos em sua própria conta bancária. Ou, pelo Angulo inverso, alguém creditar rendimentos a outro, na conta bancária do próprio beneficiário. Quanto ao fato de os livros terem sido considerados inaceitáveis pelo Fisco, observo que este, em nenhum momento, afirma que os livros materializam fraude. 0 fato de não serem considerados idôneos não significa, ipso facto, que sejam fraudados. Quanto ao fato de a autuada não haver comprovado, com documentos, que os lançamentos da conta corrente se referem As suas operações, observo que a única conseqüência que extraio desse fato é a conclusão de que suas alegações não procedem, o que torna o lançamento procedente. Em face do exposto, entendo que a fiscalização não cumpriu seu dever de trazer para os autos elementos suficientes a evidenciar o intuito de fraude que a lei coloca como requisito imprescindível para a exasperação da multa. Por conseqüência, entendo que deve ser acolhida a alegação, e que a multa de oficio a ser aplicada é aquela normal, de 75%, em substituição à multa de 150%.” No mesmo sentido da decisão recorrida, entendo que os motivos apresentados, por si só, não são caracterizadores de evidente intuito de fraude, ensejador da aplicação da multa qualificada, prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, o qual deve restar inequivocamente demonstrado e comprovado nos autos, o que não me parece ser o caso. Ante ao todo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Quanto ao Recurso Voluntário, passemos inicialmente a análise das preliminares de nulidade arguidas pela recorrente. (i) Nulidade da Autuação Fiscal Referente à nulidade do lançamento, verifico que não procede qualquer arguição de irregularidade na formalização da exigência, no presente processo. A autoridade lançadora constituiu o crédito em estrita obediência à legislação mencionada. As peças produzidas pela fiscalização, bem como o auto de infração e seus anexos, estão devidamente Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 14 elaborados, devidamente fundamentados e com as descrições necessárias, possibilitando, portanto, uma perfeita compreensão dos fatos ali relatados pelas pessoas habilitadas à sua apreciação. Ademais, tendo a ação fiscal se desenvolvido de forma regular, as arguições em preliminar, mesmo que constituíssem irregularidades, deixam de ter importância após a lavratura dos Auto de Infração. O entendimento pacífico deste Conselho é que no processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art.59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93).” Estas são as hipóteses em que o legislador presume, de forma absoluta, ter havido prejuízo à ampla defesa e ao contraditório, o que efetivamente não vislumbro no presente processo. O argumento da recorrente de que, para a lavratura da autuação, deveria a empresa, que se declara titular da conta corrente, ter sido intimada a demonstrar as movimentações por ela realizadas, sobretudo quando se trata de perquirir a respeito do destino (pagamentos/aplicações) por ela efetuado, não merece guarida. Na verdade, essa é a tese de defesa de que a conta era usada pela pessoa jurídica e esse argumento não traz qualquer mácula ao lançamento. Até mesmo porque, no processo administrativo, somente com a apresentação da impugnação é que se instaura a fase litigiosa, a partir da qual se abre a oportunidade do contraditório e da ampla defesa, nos termos do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, conforme bem preceitua o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. No caso concreto, a contribuinte pôde exercer com desembaraço o exercício do direito de defesa. Assim, não havendo nulidade legalmente prevista, resta refutada essa preliminar. (ii) Nulidade da Decisão da DRJ por ter extrapolado sua competência A recorrente entende que a decisão de primeira instância é nula, pois extrapola a competência do julgador e traz alegações: “além de totalmente improcedentes, ofensivas, irônicas, sem qualquer pertinência com o objeto do presente processo administrativo fiscal e não condizentes com os elementos de prova existentes, não foram apresentadas durante a fiscalização e nem mesmo mencionadas no Termo de Verificação Fiscal.” A única prova nova acostada aos autos foi a cópia do extrato da consulta da DIPJ do anocalendário de 2003 da recorrente. Essa prova, não é nova, inclusive a DIPJ foi Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.565 15 elaborada pela recorrente. O extrato apenas foi anexado ao processo para facilitar a consulta do faturamento declarado da empresa. No meu entender, a decisão de primeira instância não inovou ou alterou a fundamentação fática da autuação, ela apenas elencou os fundamentos do seu convencimento. Mesmo que esse não esteja de acordo com a pretensão da recorrente, foi a linha de raciocínio traçada pelo Relator. Nesse ponto, também não merece prosperar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância aventada pela recorrente. (iii) Nulidade da Decisão da DRJ Ausência de fundamentação para manutenção da solidariedade passiva do Sr. Sironi. Por fim, em preliminar, a recorrente entende que a decisão recorrida é nula por não ter apresentado as razões de decidir para manter a solidariedade passiva do Sr. Sironi. Ocorre que a decisão recorrida entendeu que o Sr. Sironi é responsável pelos débitos da autuada, inclusive ressalta que esse entendimento não sujeita a PGFN, que deverá decidir quando da inscrição do débito na dívida ativa, ou Poder Judiciário, em uma eventual Execução Fiscal. Não vislumbro, portanto, o vício apontado, razão pela qual rejeito também essa preliminar. Afastadas as preliminares, passemos à análise do mérito. I DO PAGAMENTO SEM CAUSA A matéria posta aqui em julgamento referese à exigência calcada sobre operações não comprovadas e pagamentos tidos como sem causa, com fundamento legal no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995 e no Regulamento de Imposto de Renda – RIR/99, in verbis: “Seção II Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).” Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 16 Ora, resta evidenciado que se trata de uma incidência exclusiva, cujo fato gerador se materializa no momento do pagamento não justificado (como regra geral), sendo, inclusive, o imposto considerado devido nesse mesmo momento, reforçando e confirmando assim, que o fato gerador é instantâneo e exclusivo. Por esse motivo, nem mesmo está sujeito ao ajuste na declaração de rendimentos anual. Pela natureza desse tributo, por conseguinte, o que deve ser considerado é, única e exclusivamente, o seu fato gerador, que é o pagamento sem causa ou operação não comprovada. A legislação é clara, é obrigação das pessoas jurídicas efetuarem o registro de todas as suas operações, assim como manter a documentação comprobatória correspondente. No caso de empresas optantes pelo lucro presumido, esta regra está no art.527 do RIR/99: “Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III – em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A questão, portanto, se resolve por meio de prova, a cargo do contribuinte, a qual deve comprovar as operações feitas e demonstrar e/ou justificar, faticamente, quem são os beneficiários dos pagamentos realizados ou a causa dos pagamentos feitos. Há, assim, inversão do ônus da prova do Fisco para o contribuinte, que transfere para este o ônus de comprovação das operações e dos pagamentos efetuados. Não o fazendo, o contribuinte deve assumir as consequências legais, ou seja, pagar 35% de imposto de renda retido na fonte sobre estes pagamentos. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao Fisco, nesse caso, realizar presunções, mas ao contribuinte apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a respeito das operações e pagamentos questionados. Nesse sentido, bem discorre André Santos Zanon, em seu estudo “O regime das provas no processo administrativo fiscal” 1: “Conceito e finalidade de prova Ultrapassado o cumprimento de requisitos formais da impugnação administrativa (legitimidade, tempestividade, adequação formal, requerimentos, etc., previstos no art.16 incs. Ia IV do Decreto n.70.235/72), vem a tona a necessidade de convencer a autoridade julgadora da pretensão defendida. É necessário demonstrar a veracidade do alegado, a prática ou abstinência de certos atos, bem como a ocorrência (ou a inocorrência) de fatos que a lei reputa relevantes (leiase: necessários e suficientes) para a caracterização da imposição tributária, ou para aplicação de penalidades. 1 Andre Santos Zanon, em seu estudo publicado no livro de autoria coletiva Processo Administrativo Fiscal Federal. (Coord.) Rodrigo Francisco de Paula. Belo Horizonte, ed. Del Rey, 2006, pág.153 Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.566 17 Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se representa suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem o liame entre o alegado e ocorrido.” Argumenta a recorrente que apenas a Sra. Sônia era titular da conta bancária, e que apenas esta foi intimada a comprovar os pagamentos, no entanto, quem deveria ter sido intimada era a empresa. Durante o processo de fiscalização, bem como pelo acórdão de primeira instância restou claro que, para afastar o lançamento, a empresa, que afirma ser a titular de fato da conta, deveria comprovar que os recursos retirados da conta da Sra. Sônia foram para pagar atividades operacionais da empresa. Não há dúvidas de que boa parte dos recursos que transitaram na conta da Sra. Sônia era proveniente da empresa GIRO. Inclusive essa foi a constatação da fiscalização e da decisão recorrida ao afirmar, no início do voto condutor: “A fiscalização afirma — e não é contraditada que esse montante é composto pelas seguintes parcelas: a importância de R$ 3.572.025,48 provém do recebimento de cobranças relativas a operações comerciais da empresa autuada; a importância de R$ 130.119,18 provém do depósito de cheques também relacionados com operações da mesma pessoa jurídica; e a importância de R$ 144.900,00 foi transferida diretamente da conta bancária da pessoa jurídica para a conta da Sra. Sonia. Do somatório dos ingressos totais foi deduzida a importância de R$ 270.000,00, correspondente a duas transferências bancárias que retornaram da conta da pessoa física para a pessoa jurídica.” A tese da defesa, de que os recursos que entraram na conta da Sra. Sonia eram da pessoa jurídica, foi acolhida. Desde a fiscalização, constatouse que os depósitos feitos foram provenientes de cobrança da empresa, depósitos em cheque relacionados à movimentação da empresa ou transferência direta da conta de empresa para essa conta. Não obstante, para afastar o lançamento, deveria a recorrente ter comprovado a finalidade dos pagamentos efetuados através das contas da pessoa física. A situação dos autos pode ser facilmente compreendida pela figura abaixo: Entretanto, o que nos cabe indagar é o que foi feito com os recursos que saíram dessa conta. Para afastar o presente lançamento relativo a pagamento sem causa, é imperioso determinar se o que foi pago é relativo às atividades da empresa. No Termo de Verificação Fiscal, que descreve a vasta fiscalização efetivada, essa informação não é confirmada. Sequer os livros trazem prova cabal da movimentação da empresa, conforme se extrai dos seguintes enxertos do documento supramencionado: Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 18 Ainda, em relação aos Livros Diários apresentados, o de n. 8 corresponde ao ano de 2001 (fl. 164), e o de n. 9 corresponde ao ano de 2002 (fl. 179). Ocorre que, através de diligência anterior na empresa Giro no ano de 2005 (fl. 145), verificamos que os Livros Diário n°s 5, 6 e 7 também correspondem, respectivamente, aos anos de 2001 (n° 5 — fl. 146) e 2002 (n° 6 — fl. 151 e n° 7 — fls.160/161). Seus registros datam de 28/01/05 (fls. 146/151/160), sendo que a ciência da diligência anterior, através do qual foram solicitados os livros, foi em 05/01/05, isto é, 14 dias antes. (..) “Através do Termo de Intimação Fiscal n° 2 da empresa Giro (fl. 34), foi solicitada a apresentação dos Livros Diários de fls. 5, 6 e 7, assim como a justificativa para a confecção dos livros de nos 8 e 9, devidamente comprovada. (...) Não houve manifestação da empresa. Houve tentativas de conciliação entre os lançamentos dos livros Diários apresentados à RFB no ano de 2005 e de 2006, mas verificamos que muitos dos registros não são coincidentes. (..) Em relação ao dia 05/06/02,todos os lançamentos do livro n° 7 (fl. 161) constam do livro n° 9 (fl. 181), sendo que neste último foram acrescentados, exatamente, os registros de valores relacionados à fiscalização da contribuinte Sonia e, também, à fiscalização de seu excônjuge Sironi.” Tendo em vista o exposto acima, acerca da duplicidade dos livros apresentados sem a comprovação da justificativa de extravio, que os registros dos livros apresentados em 2005 foram feitos em data muito próxima A data em que sua apresentação foi demandada, que os registros dos livros apresentados em 2006 foram feitos em data próxima A da demanda pela comprovação das origens dos depósitos bancários da contribuinte Sonia e de seu excônjuge Sironi, que tentativas de conciliação entre as informações contidas nos livros registrados em 2005 e em 2006 foram frutíferas, que a própria empresa Giro não comprovou documentalmente os lançamento dos livros apresentados no intervalo de 1 ano, concluímos que os livros apresentados não podem ser aceitos pela SRF.” A justificativa para que os livros apresentados pela fiscalização não fossem aceitos está muito bem explicitada no Termo de Verificação Fiscal e no acórdão de primeira instância. Quanto à alegação da recorrente de que, a escrituração apresentada não pode ser desconsiderada, pois não houve arbitramento na tributação, esse argumento não faz sentido. Esses argumentos dizem respeito à situação fática totalmente diversa daquela que se cuida neste caso. A exigência do presente processo é IRRF e não de imposto incidente sobre lucros da própria autuada. Somente nessa segunda hipótese caberia falar em arbitramento. Não há qualquer irregularidade no procedimento fiscal, portanto, também não há quanto a esse aspecto. Agiu com acerto, a decisão recorrida, ao afirmar que: “O que se conclui, portanto, é que um fato inequívoco ocorreu: a Sra. Sonia recebeu um crédito que pertencia à impugnante, por determinação desta. A toda evidência, esse fato não carece de ser comprovado, uma vez que está sobejamente documentado e sobre ele não recai qualquer controvérsia. Eventual prova incumbe a quem pretender atribuir significado diverso ao fato evidente. Não é, portanto, o Fisco quem deverá comprovar que os recursos que ingressaram na conta da Sra. Sonia reverteram em proveito desta. São os impugnantes quem deverão Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.567 19 provar que os recursos reverteram em proveito da autuada, e jamais saíram de sua órbita patrimonial.” Esse é o ponto crucial, o dinheiro que era da pessoa jurídica foi transferido para pessoa física, neste ponto não há controvérsia. O importante é determinar o que foi pago através dessa conta. Mesmo que, apenas pequena parte tenha retornado diretamente às contas da empresa, é imprescindível determinar qual passivo da empresa foi saldado com esses pagamentos ou quais ativos foram gerados. Até mesmo porque, desde a fiscalização, ficou constatado que parte desses recursos foram utilizados para finalidades outras, se não aquelas obrigacionais das pessoas jurídicas. Inclusive no próprio Termo de Verificação constava: “Pela análise das saídas, comprovamos apenas 2 transferências bancárias destinadas à empresa Giro no valor total de R$ 270.000,00 (fls. 289/290), sendo uma delas no valor de R$ 230.000,00. Não houve comprovação de nenhum pagamento relativo as atividades operacionais da empresa como, por exemplo, aos fornecedores de mercadorias. 0 valor dessas 2 transferências correspondem a ínfimos 4% do valor total ajustado de débitos do ano. Esses dados demonstram que, apesar de créditos da empresa Giro terem sido feitos nesta c/c, não houve saídas (débitos na c/c) em valor correspondente, isto é, do valor total de R$ 3.857.225,33 de créditos houve apenas a saída de R$ 270.000,00 para a empresa Giro.” Se as saídas não foram feitas diretamente dessa conta para a pessoa jurídica, deveria a recorrente ter demonstrado detalhadamente quais foram os pagamentos da empresa efetuados com esse recurso. Estamos diante de uma situação anômala, na qual a empresa utiliza a conta de uma pessoa física, sem que tenha qualquer relação direta com ela, para movimentar recurso. Assim, a prova a ser trazida para formar o convencimento deveria ter sido mais forte que apenas livros, os quais não foram acolhidos desde a fiscalização e que apresentam tanta inconsistência. Se a tese da defesa não foi aceita também pela Turma julgadora de primeira instância, deveria a recorrente ter sido mais detalhista na demonstração da destinação dos recursos que passaram por referida conta. Certamente essa prova não é fácil, mas controlar recursos em contas de terceiros também não o é. A recorrente fez isso por um longo período. Assim, é desta a obrigação de apresentar subsídios para formarmos convencimento de que os recursos realmente saíram para saldar passivo da empresa, e tal ônus deveria ter restado melhor evidenciado. Ademais, sem julgar se esse é o caso do presente processo já que não há subsídios para tanto, esse colegiado se deparou com diversas situações em que os recursos movimentados em conta de interpostas pessoas eram usados para pagar contas “não oficiais”. Não resta dúvida de que, nesse processo, houve uma longa fiscalização, bem como que, instada a se pronunciar, a empresa muitas vezes ficou inerte e que a força probante de livros feitos em duplicidade e registrados a destempo é muito fraca. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 20 Por fim, quanto à falta de comprovação da saída dos recursos da referida conta, esta já havia sido aventada desde a fiscalização, quando no próprio Termo restou consignado: “Registramos que, intimada a comprovar a utilização dos depósitos para fazer frente aos negócios da empresa Giro (fl. 127), a contribuinte apenas declarou não ter logrado êxito em tal comprovação (fl. 128).” Essa questão também foi analisada pelo acórdão recorrido que frisou: Entretanto, para que se firmasse tal convencimento, como foi dito, deveriam existir indícios veementes de que os recursos iam para a titularidade da pessoa física e voltavam para a pessoa jurídica. Como não existe qualquer comprovação de que os recursos, depois de aportados na conta da Sra. Sonia, revertiam em beneficio da pessoa jurídica, seja diretamente em seu caixa, seja no pagamento de compras/despesas suas, (.). Assim sem a comprovação clara da saída dos recursos da conta questionada para pagar obrigações da empresa, não há como prosperar a pretensão do recorrente. E mais: “O que a autuada deveria comprovar é o vinculo entre os recursos sacados da conta bancária da Sra. Sonia e os seus pagamentos. Simples assim.” De fato, conforme afirmado pela empresa, a existência de apenas duas transferências bancárias diretamente efetuadas da conta da pessoa física para conta em nome da empresa GIRO (fls.1.352), não significa que somente estes valores tenham sido destinados à sua atividade. Entretanto, isso não ratifica que a contabancária não foi utilizada apenas pela empresa, mas “também” pela Sra. Sônia. O montante dessa utilização é que caberia a recorrente comprovar. E se, realmente fosse integral, como afirma, deveria ter restado grande parte comprovada. Portanto, como a recorrente não apresenta qualquer prova contrária à exigência, mantenho a autuação nos exatos termos concebidos pela autoridade fiscal. O dispositivo legal é claro ao prever duas hipóteses autônomas que justificam a incidência do IRF à alíquota de 35%: 1ª. Pagamentos a beneficiários não identificados; 2ª. Pagamentos sem causa ou cuja operação não for comprovada. Em ambas as situações, a questão se resolve por meio de prova, a cargo do contribuinte, o qual deve demonstrar e/ou justificar, faticamente, quem são os beneficiários dos pagamentos realizados ou a causa do pagamento feito. A propósito, essa questão – do ônus da prova – foi detalhada e precisamente analisada pelo Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão 10421.091, de 20.10.2005, cujas conclusões eu adoto integralmente e considero parte integrante desse voto: "Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Como também é de se observar que no âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.568 21 ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: ‘Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa.’ Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Ora, não é lícito obrigarse a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia." Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 22 No caso concreto, a Contribuinte, desde a fase da fiscalização, não conseguiu se desincumbir satisfatoriamente desse dever. Não cabe apenas alegar que “obviamente seria necessária a intimação da empresa para se verificar qual o destino que esta teria dado aos valores ingressados na conta corrente.” Essa prova, mesmo que não tenha sido solicitada pela fiscalização, deveria ter sido trazida quando da impugnação. A recorrente teve o momento da impugnação para apresentar prova dos pagamentos efetuados através de dita conta corrente, bem como poderia ter trazido os elementos de provas dos pagamentos, que afirma categoricamente ter, na presente fase recursal. A recorrente também se insurge contra a manutenção da multa de ofício, pois esta foi desqualificada e o percentual inicialmente lançado de 150% foi reduzido para 75%. No caso, não há novo lançamento da multa, apenas a autoridade julgadora de primeira instância acolheu parcialmente os argumentos da recorrente para desqualificála, e assim reduzir seu percentual. Não obstante, apesar de ter sido reduzida, a multa não pode ser afastada. A multa de ofício é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito, por ocasião de infrações às disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, já antes citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que, o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Consoante com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Assim, apesar de ter sido desqualificada e de ter reduzido seu percentual, o que restou remanescente foi aplicado de acordo com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. Inclusive, no que se refere à suposta inconstitucionalidade da multa, já é posição sumulada deste 1o Conselho que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário: Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10980.014011/200719 Acórdão n.º 2201001.692 S2C2T1 Fl. 1.569 23 Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, esta também já é matéria objeto de súmula deste Conselho, o que dispensa maiores considerações a respeito. Tratase da Súmula nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. II DA RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA No tocante à responsabilidade solidária do Sr. Sironi Antonio Cavagnoli, entendo que nesse ponto cabe razão à recorrente, por ser incompatível com a situação fática do presente processo, a aplicação dos artigos 124, I e 135, II e III. No meu entender, a solidariedade imputada deve ser averiguada pela Procuradoria da Fazenda Nacional quando da cobrança do crédito. Sobre esse tema, manifestouse com maestria, o nobre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que compõe atualmente essa turma, ao proferir o Acórdão nº.104 21.662, datado de 21/06/2006, o qual valhome dos bens traçados argumentos: “Notese que se trata de lançamento onde o sujeito passivo é expressamente designado pela lei, no caso pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Tratase, portanto, da hipótese de sujeição passiva referida no art. 121, II combinada com o art. 128 do CTN. E mais, de situação em que a lei não só atribuiu a responsabilidade a terceira pessoa, à fonte pagadora dos rendimentos, mas determinou que essa responsabilidade seria exclusiva, como previsto no mencionado artigo 128, que a seguir transcrevo. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Ora, é absolutamente incompatível a imputação de responsabilidade exclusiva a uma pessoa, na qualidade de fonte pagadora, por uma obrigação tributária com a indicação de uma terceira pessoa como responsável solidária por essa mesma obrigação, a pretexto de que estas teriam interesse comum no fato gerador. Isto é, a aplicação da regra do art. 121, II, e é disso que se trata, necessariamente exclui a aplicação do art. 124, I.” Ante ao todo exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e de, no mérito, dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir do polo passivo solidário o Sr. Sironi Antonio Cavagnoli. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10580.009548/2007-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao autor do pedido a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidos os atributos de certeza e liquidez pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72.
As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o contribuinte julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova.
Numero da decisão: 1802-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor do pedido a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidos os atributos de certeza e liquidez pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o contribuinte julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 95 48 /2 00 7- 70 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 279 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 242/247 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 239/240) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, mantendo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta: que, em 29/09/2005, a contribuinte transmitiu pela internet Declaração de Compensação, através do PER/DCOMP nº 17881.31247.290905.1.3.020010 (fls. 02/05), informando: a) débito do IRPJ –Entidades Financeiras/Estimativa mensal, período de apuração agosto/2005 (código de receita 231901), no valor de R$ 25.803,47, vencimento 30/09/2005; b) utilização, a título de direito creditório, o saldo negativo do IRPJ apurado em 01/09/2004 da empresa incorporada (empresa sucedida) UNIÃO DE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ nº 33.344.557/000107, no valor de R$ 22.103,37, de que trata a DIPJ apresentada, em 29/10/2004, em situação especial – evento incorporação (fls. 11/20). Ainda, consta do PER/DCOMP que esse crédito decorre do IRRF pela fonte pagadora CNPJ: 60.746.948/000112, código de receita 3426, acerca de rendimentos de aplicações financeiras, valor líquido R$ 110.516,89. Em 09/07/2007, o contribuinte foi intimado a a comprovar a regularidade da citada incoprporação, conforme intimação (fl. 21) e, finalmente, apresentou documentos (fls. 22/30). Em 10/10/2007, a DCOMP foi baixada para análise manual, gerando o presente processso, conforme despacho (fl. 31). Em 08/07/2009, o contribuinte foi intimado (fls. 33/35), desta vez, para comprovar a razão pela qual na DIPJ de situação especial (incorporação), na Ficha 06A – Demonstração do Resultado, apropriou receitas financeiras no valor de apenas R$ 38.183,65, e Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 280 3 não R$ 110.516,89 (fls. 14/15), pois, na Ficha 12A – Cálculo do Imposto sobre o Lucro Real, deduziu o IRRF, integral, no valor de R$ 22.103,37 incidente sobre aquele montante de receitas financeiras; deveria, por conseguinte, recuperar IRRF proporcional às receitas apropriadas. Em face dessa intimação fiscal, o contribuinte juntou alguns documentos de fls. 36/134 que, porém, não justificam a apropriação parcial de receitas financeiras e a apropriação integral do IRRF na DIPJ de situação especial (incorporação da empresa sucedida), conforme fundamentação do Despacho Decisório da DRF/Salvador (fls. 137/141), in verbis: (...) Fundamentos (...) A cópia do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real de fl. 55 revelou que a empresa apurou prejuízo fiscal no mês de setembro de 2004, sendolhe assegurado o direito ao crédito oriundo das retenções na fonte efetuadas no período. Não obstante, os dispositivos legais transcritos vinculam a dedutibilidade do imposto de renda retido na fonte à tributação dos rendimentos que ensejaram a retenção. No caso em tela, o cotejo entre os dados constantes na DIRF (fl. 134) e nas Fichas 06A e 53 da DIPJ/2004 (fls. 14 e 20) revelou inconsistências entre os valores das receitas financeiras integrantes do resultado do mês de setembro e o imposto de renda retido na fonte constitutivo do saldo negativo pleiteado. 0 crédito pretendido de R$ 22.103,38 corresponde a 20% (vinte por cento) dos rendimentos de R$ 110.516,89 consignados na ficha 53 (fl. 20). No entanto, na Ficha 06A da DIPJ foi informado apenas o valor de R$ 38.183,65 a titulo de receitas financeiras. Diante do exposto, a despeito de estarem as retenções na fonte integralmente lastreadas em DIRF (fl. 134), a empresa foi intimada a justificar a disparidade entre as receitas financeiras oferecidas à tributação na DIPJ da incorporação ocorrida no mês 09/2004 e as receitas financeiras concernentes ao imposto de renda retido na fonte indicado nas Fichas 12A e 53 (fls. 33/34). Conquanto tenha requerido prorrogação do prazo para atendimento à Intimação n° 428/2009 à fl. 36, a postulante não apresentou os documentos solicitados dentro do prazo adicional concedido. Por conseguinte, o imposto de renda retido na fonte constitutivo do saldo negativo do mês de setembro/2004 deverá ser ajustado na proporção dos rendimentos tributados na Ficha 6A conforme evidencia o demonstrativo a seguir: ITENS DA DIPJ VALOR INFORMADO NA FICHA 53 (fl. 20) IRRF PLEITEADO EM DCOMP (fl. 03) VALOR INFORMADO NA FICHA 06A (fl. 14) IRRF COMPENSÁVEL 1 2 3 = (2x20%) 4 5= (4x20%) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 281 4 REC. FINANCEIRAS 110.516,89 22.103,38 38.183,65 7.636,73 Em função da glosa parcial do imposto de renda retido na fonte, o saldo negativo do mês de setembro de 2004 foi reduzido de R$ 22.103,38 para R$ 7.636,36 na forma demonstrada nas planilhas 1 a 4 constantes no Anexo a este Despacho Decisório (...) De acordo com o extrato do Sistema PROFISC de fl. 136, o saldo negativo de R$ 7.636,73 foi insuficiente para quitação integral do débito consignado na DCOMP de fls.01/05, razão pela qual proponho a homologação parcial da compensação pleiteada. (...) Decisão Nos termos do relatório e fundamentação acima e no uso de competência delegada pela Portaria DRF/SDR n° 26, de 22/05/2007, DOU de 25/05/2007, decido HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação postulada consoante demonstrado na Planilha 4 do Anexo a este Despacho Decisório. (...) Ciente do citado despacho decisório em 31/08/2009 (fl. 142), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/09/2009 (fls. 143/147), cujas razões estão assim resumidas no relatório da decisão a quo (fls. 239verso e 240), in verbis: (...) Ciente da decisão em 31 de agosto de 2009, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde apresenta as seguintes razões em seu favor: a) Não concordar com os termos do despacho decisório em face do flagrante equívoco incorrido pela referida DRF ao fazer simples análise comparativa, de forma superficial e sumária, entre os valores de IRRF indicados na DIRF pelas respectivas fontes pagadoras e o montante indicado pelo requerente a titulo de receita financeira na DIPJ relativa ao evento especial de incorporação entregue ao Fisco em 01/09/2004, sendo inconteste o seu direito à homologação integral das compensações realizadas; b) o crédito de IRRF acima, na importância original de R$ 22.103,37 foi calculado mediante a aplicação da aliquota normal de 20% incidente sobre os rendimentos auferidos, em face daquelas aplicações financeiras, no montante de R$ 110.516,89; c) parte desses rendimentos, no valor de R$ 38.183,65 constaram da DIPJ especial da incorporação da União de Comércio e Participações Ltda. pelo Banco Alvorada S/A, realizada no mês Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 282 5 de setembro de 2004, visto que apropriados pro rata tempore ao resultado do períodobase encerrado pela sobredita incorporação e computados na apuração do lucro real desse mesmo períodobase, pelo regime de competência; d) as informações prestadas na DIPJ e na DIRF retratam situações diversas e, portanto, não comparáveis entre si, mormente quando utilizadas como parâmetro para aferir suposta omissão de receita financeira que não teria sido computada na apuração do lucro real, pelo requerente; e) transcreve ementas de julgados da DRJ Campinas que seguem a direção de seu entendimento; f) que (...) restou cabalmente demonstrado o direito creditório relativo ao IRRF a que faz jus o requerente e objeto do PER/DCOMP em tela, haja vista que a diferença de rendimentos entre DIPJ x DIRF, no montante de R$ 72.333,24 (R$ 110.516,89 — R$ 38.183,65) transitou pelo resultado do exercício e foi computada na apuração do lucro real de períodos anteriores ao mês de setembro de 2004 (mês da incorporação), consoante comprovam os documentos anexos à presente, pelo que deverão ser homologadas por completo as compensações pleiteadas no âmbito desse mesmo PER/DCOMP. g) requer a homologação total. (...) A DRJ/Salvador, analisando as razões aduzidas, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, mantendo a decisão da DRF de origem, conforme Acórdão (fls. 239/240) cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Uma vez que o sujeito passivo, após intimações e dilatações de prazo, bem como em sede de impugnação, não logra comprovar que as receitas financeiras relativas ao IRRF formadores do saldo negativo do IRPJ daquele anocalendário foram devidamente contabilizadas e oferecidas à tributação, mantémse os ajustes efetuados pelo Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 283 6 Irresignado com esse decisum do qual tomou ciência em 17/08/2010 (fl. 241), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/09/2010 (fls. 242/247), juntando ainda os documentos de fls.248/265, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que o acórdão recorrido está equivocado; que ofereceu à tributação a integralidade das receitas financeiras correspondentes ao IRRF pleiteado; que o saldo negativo de IRPJ apurado no mês de setembro de 2004 foi composto pelo IRRF incidente sobre aplicações financeiras contratadas, à época, pela extinta FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO S/A, empresa incorporada em 11/06/2004 pela UNIÃO DE COMÉRCIO PARTICIPAÇÕES LTDA que, posteriormente, restou incorporada pelo recorrente, em 01/09/2004; que parte dos rendimentos, o valor de R$ 38.183,65 (relativo ao período de 12/06/2004 a 01/09/2004), constaram da DIPJ especial de incorporação da União de Comércio e Participações Ltda (à época sucessora da Finasa Administradora) pelo Banco Alvorada S/A, realizada no mês de setembro de 2004, visto que apropriados prorata tempore ao resultado do períodobase encerrado pela sobredita incorporação e computados na apuração do lucro real desse mesmo períodobase, pelo regime de competência; que a empresa Finasa Administradora e Planejamento informou na Ficha 06A de sua DIPJ 2004, referente ao período de 01/01/2004 a 11/06/2004, o montante de R$ 698.721,52 a título de receitas financeiras (fls. 250/253), tendo sido o referido valor integralmente contabilizado no Balancete Mensal Junho/2004 e oferecido à tributação (fls. 254/265); que, destarte, no referido montante de receitas financeiras, estaria inclusa a diferença objetada pelo fisco, ou seja, R$ 72.333,24; que, assim, parte das receitas financeiras foram tributadas pela empresa Finasa Administradora e Planejamento sem aproveitamento do IRRF proprocional e parte, por sua sucessora, a União de Comércio e Participações, fazendo jus, a sucessora, ao direito creditório na integralidade em que foi pleitedo. Com base nessas razões, o recorrente pediu provimento ao recurso e, por fim, ainda protestou pela posterior juntada de documentos, caso necessários à comprovação do alegado. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 284 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam do pleito de direito creditório – saldo negativo do IRPJ do período 01/09/2004 a 30/09/2004 no valor de R$ 22.103,38, cumulado com a declaração de compensação tributária. O referido saldo negativo do IRPJ foi informado na DIPJ da empresa UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ: 33.344.557/000107 (empresa incorporada pelo ora recorrente Banco Alvorada S/A, CNPJ: 33.870.163/000184), entregue em 30/10/2004 situação especial – incorporação – evento ocorrido em 01/09/2004, e referese integralmente ao IRRF, código de receita 3426, incidente sobre rendimentos de aplicação financeira de renda, no valor de R$ 110.516,89 da incorporada. Fonte pagadora dos rendimentos: CNPJ: 60.746.948/000112 (fls. 10/17). A decisão recorrida reconheceu, parcialmente, o direito creditório pleiteado, ou seja, tãosomente o valor de R$ 7.636,73, valor proporcional aos rendimentos de aplicação financeira apropriados R$ 38.183,65 pela incorporada UNIÃO DE COMÉRICO E PARTICIPAÇÃO LTDA, homologando, por conseguinte, a compensação tributária em parte, até o limite desse crédito deferido. Nesta instância recursal, o recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pleiteando o deferimento integral do crédito pleiteado de R$ 22.103,38 e a homologação total da compensação tributária, alegando: a) que o rendimento integral de R$ 110.516,89 tem origem na aplicação financeira de renda fixa efetuada pela empresa FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO S/A, CNPJ: 61.582.870/000100, empresa incorporada, em 11/06/2004, pela UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÃO LTDA; b) que, desse rendimento total, o valor de R$ 72.333,24 seria de período anterior a essa data de incorporação, o qual já teria sido apropriado, oferecido à tributação, pela empresa FINASA (incorporada), mas sem aproveitamento do IRRF proporcional; c) que, assim, restou à empresa sucessora UNIÃO E COMÉRCIO E PARTICIPAÇÃO LTDA apropriar o rendimento tãosomente do período de 12/06/2004 a 01/09/2004 (período decorrido entre as incorporações), ou seja, R$ 38.183,65, porém fazendo jus ao aproveitamento integral do IRRF integral, como suscessora dos direitos e obrigações da sucedida. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 285 8 O recorrente, ainda, protestou, genericamente, pela juntada de documentos, caso necessários para a comprovação de suas alegações. CRÉDITO PLEITEADO. ORIGEM. ELEMENTOS DE PROVA Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio. Compulsando os autos, observase que, no anocalendário 2004, realmente houve uma série de atos de incorporação de empresas (incorporações em cadeia), envolvendo o recorrente. Nesse sentido, consta que, em 11/06/2004, a FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO S/A foi incorporada pela UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA que, por fim, em 01/09/2004, restou incorporado o BANCO ALVORADA S/A, ora recorrente. Diversamente do alegado pelo recorrente, não há prova cabal nos autos de que a empresa Finasa Administradora e Planejamento tivesse informado, apropriado, na Ficha 06A de sua DIPJ 2004, referente ao período de 01/01/2004 a 11/06/2004, o valor do rendimento de R$ 72.333,24 atinente à aplicação financeira de renda fixa objeto de discussão nestes autos. Não obstante, consta dos autos que a empresa FINASA apropriou, ofereceu à tributação, R$ 698.721,52 a título de receitas financeiras, nesse período, DIPJ do período de apuração 01/01/2004 a 11/06/2004 (fls. 250/253). Entretanto, não há especificação, identificação cabal, a que aplicações financeiras referese aquele montante de rendimentos apropriados. Ainda, o Balancete Mensal Junho/2004 (fls. 254/265), também, não permite concluir ou inferir que, no referido montante de receitas financeiras oferecidas à tributação, estivesse inclusa a diferença de receitas financeiras objetada, reclamada, pelo fisco, ou seja, R$ 72.333,24. Ademais, mero demonstrativo ou planilha de cálculo elaborado unilateralmente (constante do corpo das razões do recurso), sem documentos de suporte idôneos, não possui força probatória alguma, pois elaborado ao alvedrio do recorrente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO AUTOR É cediço que, ao peticionar, pleitear direito creditório, cabe ao autor comprovar o fato constitutivo do direito que alega ter. Nesse sentido, dispõe o art. 333, I, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 286 9 Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) (grifei) Por fim, o art. 170 do Código Tributário Nacional, para efeito de compensação tributária, exige que o crédito apresentado contra o fisco, para encontro de contas, tenha liquidez e certeza, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Por todas essas razões, conforme demonstrado, o recorrente não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PEDIDO INDEFERIDO Ainda, o contribuinte pediu juntada posterior de documentos e protesto por todas as provas admitidas em direito. Pretensão descabida. O recorrente teve várias oportunidades, nos presentes autos, de produzir provas da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém não o fez. A diligência não se presta para produzir prova cujo ônus é do autor do pedido do pretenso direito creditório pleiteado. Além disso, não comprovou motivo de força maior (Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º, “a”). Faculdade processual preclusa. Portanto, pedido rejeitado. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009548/200770 Acórdão n.º 1802001.435 S1TE02 Fl. 287 10 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11065.101290/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP.
A subvenções governamentais consistentes em incentivos
fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constitui-se em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.453
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se
impedido.
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente VIA UNO S/A CALÇADOS E ACESSÓRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. A subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constituise em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Fez sustentação oral, em favor da contribuinte, o advogado Daniel Earl Nelson – OAB/RS 45.438 José Luiz Novo Rossari Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Irene Souza da Trindade Torres Redatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação do PIS – Não Cumulativa (fls. 1/ss), referente ao 2º trimestre de 2006, em decorrência de Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Exportação (§1 ° do art. 5° da Lei n° 10.637/2002). A DRF – Novo Hamburgo (RS), por meio do Despacho Decisório (fls. 215) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 153.788,34, restando indeferido um saldo no valor de R$ 16.059,37 (fls. 212). A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 230/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe que reconheceu parcialmente o direito creditório. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : A contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de PIS não cumulativo dos meses de abril a junho de 2006 para fins de ressarcimento/compensação, conforme consta nos autos. A DRF de origem analisou o pleito da contribuinte, tendo deferido parcialmente o ressarcimento, conforme Relatório Fiscal e Despacho Decisório, de fls.201 a 215. A glosa parcial do ressarcimento ocorre porque a contribuinte não ofereceu à tributação as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICMS . Irresignada, apresenta manifestação de inconformidade, de fls.230 a 242.. Nesta, alega que os benefícios fiscais estaduais recebidos (valores de ICMS a serem utilizados na compensação com débitos do mesmo imposto), sob a forma de subvenção para investimento, não são receita bruta, pois estas são somente as receitas operacionais. As subvenções são classificadas como reserva de capital e não passam pela apuração do resultado do exercício, nos termos da Lei 6.404/1976, não sendo passível a tributação de contas do Patrimônio Liquido pela contribuição. Traz jurisprudência favorável a sua tese de defesa. Para fins de argumentação, alega que os créditos de ICMS presumidos, decorrentes da aplicação de um percentual sobre as vendas efetuadas, são abarcados pelo principio da não cumulatividade (art.155,§2°, inciso I, da Constituição), devendo ter o mesmo tratamento, haja vista que não se constituem em receita, mas em diminuição do custo dos produtos fabricados. Caso ainda seja aceita a tributação sobre as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 293 3 presumido de ICM, requer que os valores que lhe dariam crédito de ICMS na entrada dos produtos, mas não lhe deram, pois pela sistemática do beneficio fiscal fica impedido o creditamento na entrada, somente permitindo na saída, através de um percentual sobre o ICMS devido. Isto porque estes valores serviriam de crédito da contribuição e não foram considerados pela DRF de origem na apuração dos valores do ressarcimento. Ainda requer que a correção monetária do crédito já reconhecido e o requerido na manifestação de inconformidade do período existente entre a requisição do crédito e o efetivo ressarcimento/compensação, através da taxa SELIC (art.39 da Lei 9.250/1995),conforme jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos que estão vinculados ao créditos complementar não deferido e requerido na manifestação de inconformidade, nos termos do art.74, §11°, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.833/2003. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 10 27.404 (fls. 256/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUBVENÇÕES INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo do PIS e da COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 25/11/2010 (fl. 261/262). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 14/12/2010 (fls. 263/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, além de suscitar a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 É o relatório Voto O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O cerne do presente litígio referese à incidência, ou não, do PIS e da COFINS, regime nãocumulatividade (previstos, respectivamente, nas Leis Nos. 10.637/2002 e 10.833/2003), sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS recebidos do Governo da Bahia, no programa denominado “Probahia”. Ab initio, devemos entender qual a natureza jurídica dos citados “incentivos fiscais de ICMS”. Vejamos. O incentivo fiscal em discussão foi concedido pelo Estado da Bahia, com base na Lei Estadual n° 7.025 de 1997, alterada pela Lei Estadual 7.138 de 1997 e regulamentado pelo Decreto Estadual n° 6.734 de 1997 (ver fls.188/191). A concessão específica para a recorrente se deu através da Resolução 50/99 (fl. 192), do Conselho Deliberativo do PROBAHIA, fixando em 90% o percentual do crédito do imposto a ser utilizado pelo contribuinte e ratificada pela Resolução 17/02 (fl. 193) do mesmo Conselho, sendo de 15 anos o prazo de vigência do beneficio, contado a partir da emissão da primeira nota fiscal. Este prazo foi alterado para 20 anos através da Resolução No. 45/2006 (fls. 194). Para melhor compreensão da matéria transcrevemos abaixo o artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734 de 1997: Art. 1° Fica concedido crédito presumido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber: veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes, partes, peças, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados pneumáticos e acessórios: a) 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente, nos 5 (cinco) primeiros anos de produção; b) 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento) do imposto incidente, do sexto ao décimo ano de produção; II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; III móveis: 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. § 1° Somente estabelecimentos industriais, dos segmentos descritos neste artigo, inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado da Bahia (CAD/ICMS) a partir da vigência da Lei 7.025/97, poderão utilizar o tratamento tributário previsto nesta Seção. § 2° 0 crédito presumido de que trata este Decreto só se aplica às operações próprias do estabelecimento não alcançando às operações relativas à substituição tributária. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 294 5 § 3° A utilização do tratamento tributário previsto neste artigo constitui opção do estabelecimento em substituição a utilização de quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores. (grifos nossos) O mecanismo utilizado para concessão do incentivo, nos termos do que dispõe o artigo 1º, inciso II, acima transcrito, consiste no creditamento de ICMS (“crédito presumido”) em valor correspondente à aplicação de um percentual sobre o imposto incidente nas saídas da produção de cada estabelecimento instalado no Estado. No caso da Recorrente, o percentual autorizado era de 90%, conforme disposto na Resolução 50/99 do Conselho Deliberativo do PROBAHIA (fl. 192). Assim, ao meu sentir, o incentivo concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, através da concessão de um “crédito presumido”, tratase de um mecanismo de redução do valor do ICMS a pagar, e tem a natureza jurídica de uma redução do critério quantitativo (composto pela combinação da base de cálculo e alíquota) da regramatriz de incidência do imposto estadual. Em outras palavras, de uma redução no montante do ICMS incidente (ou, talvez, um “desconto disfarçado” do imposto a pagar). Com isso, o contribuinte, instalado no território da Bahia, ao fim e ao cabo, deixa de pagar uma parcela do imposto que seria devido. Se com isso, fica caracterizada a chamada “Guerra Fiscal” entre os entes federativos é outra questão, que deve ser debatida em foros próprios. O efeito do incentivo, efetivamente, é o de reduzir a carga tributária final do bem revendido, a qual não é repassada ao custo dos produtos vendidos e, por decorrência, ao consumidor final. Corrobora este entendimento a prescrição contida no §3°, artigo 1º do Decreto Estadual n° 6.734/1997 ao estabelecer que caso o contribuinte opte pela utilização do “crédito presumido” não poderá utilizarse de “quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores”, ou seja, confirma a tese de que efetivamente os “créditos presumidos” têm a finalidade de serem utilizados para deduzir o montante do imposto a pagar, no “sistema de débitos e créditos”, em atendimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade do ICMS (artigo 155, §2°, inciso I, CF). Registrese que, em discussão onde foi analisada a constitucionalidade de lei do Distrito Federal que concedia crédito presumido do ICMS (ADI No. 1.5877 DF, de 19/10/2000), o STF entendeu que o citado crédito resultaria em um redução da alíquota do imposto, verbis: Ementa: Arguição de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal, que mediante a instituição de crédito presumido do ICMS, redundou em redução da alíquota efetiva do tributo, independentemente da celebração de convênio com afronta ao disposto no art. 155, § 2°, XII, g, da Constituição Federal. Ação Direta julgada procedente. (grifamos) Pois bem. Passemos à análise do caso concreto em discussão – a incidência do PIS/COFINS sobre os valores decorrentes dos incentivos fiscais do “Probahia”. Sabemos que a Constituição Federal, quando outorga a competência para os entes federativos instituírem tributos, especifica a hipótese de incidência e base de cálculo de cada tributo, de forma diferenciálo dos demais. A base de cálculo, que juntamente com a alíquota aplicável compõe o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, tem por finalidade, entre outras, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 dimensionar a intensidade da incidência do tributo sobre determinado fato tributário. A base de cálculo, portanto, visa mensurar/quantificar os eventos ocorridos no mundo fenomênico, que denotem “signos de riqueza” (no sentido de capacidade contributiva), a fim de propiciar ao Estado a captação de recursos extraídos de parcela do patrimônio dos contribuintes. Neste sentido, o artigo 195, I, “b”, da Constituição Federal prescreve que a seguridade social será financiada, dentre outras formas, pela contribuição social das empresas incidentes sobre a “receita ou o faturamento”. Por sua vez, o artigo 1º da Lei 10.637/2002 dispõe que o PIS/PASEP, não cumulativo, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O parágrafo §2º estipula que a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput do artigo 1º. A norma de incidência tributária para a citada Contribuição tem, portanto, como critério material “auferir receita ou faturamento” e critério quantitativo “o montante da receita ou do faturamento auferidos, combinado com a alíquota prevista na lei”. Destarte, não consigo vislumbrar como uma redução do montante do ICMS a pagar, operacionalizada através de um mecanismo de “crédito presumido”, pode ser caracterizada como uma “receita auferida” ou “faturamento auferido” (no Dicionário Aurélio o termo “auferir” equivale a “colher” / “obter”). No meu entender, “receitas” decorrem do ingresso definitivo de recursos financeiros no patrimônio da empresa e, desde que, sejam provenientes de suas atividades empresariais (em acepção ampla); o “faturamento”, por sua vez, é uma espécie do gênero “receitas” e que decorre do ingresso definitivo de recursos oriundos exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Não os entendo como sinônimos. No caso em tela, não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, repitase, houve mera redução no montante do ICMS a pagar. Um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada. Portanto, os valores decorrentes do “crédito presumido do ICMS” estão fora do campo de incidência do PIS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. É desta forma que interpreto o texto normativo e construo a norma de incidência tributária. Veja que não há subsunção do fato concreto (redução do ICMS a pagar por meio da concessão de “crédito presumido”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Na doutrina muito se discute quanto ao conceito jurídico do termo “receita”. Vejamos a posição de alguns juristas a esse respeito. Tércio Sampaio Ferraz Júnior afirma que “receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida” (in Revista Forum de Direito Tributário, número 28). Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 295 7 Paulo de Barros Carvalho aduz que “...o termo ‘receita’ é gênero, susceptível de ser dividido em subclasses. O ‘faturamento’ figura como exemplo nítido, pois abrange apenas as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços”. Arremata o jurista: “Receita é o acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica, não a integrando quaisquer entradas provisórias, representadas por importâncias que se encontrem em seu poder de forma temporária, sem pertencerlhes em caráter definitivo.” (em Direito Tributário, Linguagem e Método. Noeses, São Paulo: 2008, p. 728/729). Geraldo Ataliba informa que “o conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo o dinheiro que ingressa no cofre de uma entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que a recebe” (em Estudos e pareceres de direito tributário”, Revista dos Tribunais, São Paulo. P. 81) Por fim, José Antônio Minatel afirma que “receita é o conteúdo material qualificado pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Caderno de Direito Tributário 2006, EMAGIS – Escola da Magistratura do TRF da 4ª. Região). Em outro giro, com todo respeito àqueles que têm entendimentos diferentes, penso que o conceito de “receita” deve ser buscado no âmbito da linguagem do Direito, e não em outras áreas do conhecimento, na esteira do que já lecionava Hans Kelsen (in “Teoria Pura do Direito”. Ed. Martins Fontes. São Paulo, 2006, p.1/2) ao afirmar que “quando a Teoria Pura empreende delimitar o conhecimento do Direito em face destas disciplinas, fálo não por ignorar ou, muito menos, por negar essa conexão, mas porque intenta evitar um sincretismo metodológico que obscurece a essência da ciência jurídica e dilui os limites que lhe são impostos pela natureza do seu objeto”. O conceito de “receita” trazido pela Ciência Contábil, pareceme, tem por finalidade a consolidação do resultado da empresa (estipulando regras e procedimentos para a escrituração contábil), de forma a apurar o seu lucro contábil (receitas – despesas/custos = lucro), que quando muito, servirá de partida (após os “ajustes” – adições, exclusões e compensações fiscais) para a definição do chamado “lucro real”, este sim, base de cálculo do imposto de renda das empresas (IRPJ). Veja que, mesmo neste caso, o direito positivo não se utiliza diretamente de um conceito da Ciência Contábil (“lucro líquido”) para fazer incidir o IRPJ, mas prescreve um conceito diferente – o “lucro real”. Por fim, destaquese, que a forma de se proceder ao registro contábil, informado pela Ciência Contábil, não deve sobreporse ao conceito jurídico do signo “receita”. Nesta linha de raciocínio, trago à colação lição de Leandro Paulsen (in “Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência" , editora Livraria do Advogado, 9ª ed., p. 471/472), in verbis : "Ressarcimento ou recuperação de custos tributários e de outras despesas. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Nem todo ingresso ou lançamento contábil a crédito constitui receita, que, para ser tributada, deve evidenciar riqueza reveladora de capacidade contributiva. Não pode o Fisco exigir contribuição sobre o simples ressarcimento por tributo pago indevidamente ou sobre o creditamento que visa a compensar custos tributários. (...) Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial...” Destarte, em minha concepção, o conceito de receita deve ser construído com base em prescrições eminentemente jurídicas. Neste diapasão, inclusive, dispõe o artigo 109 do CTN ao prescrever que podem ser utilizados princípios gerais do direito privado para a pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas. Assim, o conceito de “faturamento”, por exemplo, pode ser construído a partir de dispositivos do direito comercial (Código Comercial, art. 219, antes da fusão com o Código Civil; e Lei 5.474/69, arts. 1º a 5º), quando trata da obrigação de se emitir “fatura” nas vendas, denotando, por conseguinte, que “faturamento” decorre das vendas e prestações de serviços, ou seja, é espécie do gênero “receita”. Nesse gênero (“receita”) podem ser incluídas, ainda, outras receitas, dentre as quais receitas financeiras, receitas patrimoniais (“aluguel”), etc... No que toca à jurisprudência, na mesma linha de entendimento adotado em meu voto, transcrevo trechos do votovencedor do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, proferido no Acórdão No. 20313.634, sessão de 02/12/2008, processo No. 11065.000320/200714, da mesma Recorrente (em votação não unânime): “Para o deslinde da controvérsia, não dou qualquer relevo à contabilidade da empresa. Tampouco adentro no debate sobre a tributação (ou não) das subvenções em geral. O que me faz ver a impossibilidade de inclusão do incentivo na base de cálculo da Contribuição é a sua caracterização como crédito fiscal do ICMS, tal como estatuído nas normas estaduais concessivas do beneficio. No sistema de débitos e créditos de apuração do ICMS, os incentivos concedidos sob a forma de créditos fiscais servem à redução do imposto estadual devido, sendo os valores correspondentes redutores do saldo devedor. Dai não serem computados como faturamento ou receita bruta, mesmo nos termos do alargamento promovido pela Lei n° 9.718/98 (reputado inconstitucional porque anterior à PC n° 20/98) e Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003 (posteriores à citada Emenda e plenamente eficazes). Seria diferente, e ensejaria a tributação mediante o cômputo na receita bruta, tal como definida nas três leis retrocitadas, se o Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 296 9 incentivo fosse estabelecido como crédito em moeda corrente (em vez de crédito escritural), e servisse para pagamento do imposto. Do mesmo modo, também seria tributado se o incentivo se desse por meio de desconto no valor de empréstimo concedido ao contribuinte, mas que em função do beneficio Estadual é pago a menor.” Neste sentido, transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes, deixando consignado, entretanto, que a jurisprudência em relação a esta matéria ainda não é pacífica neste Tribunal Administrativo, existindo, do mesmo modo, decisões em sentido contrário (vide, por exemplo, Acórdão CSRF No. 930301.292 de 08/12/2010): (i) Recurso No. 139.098– Acórdão No. 20218.396, sessão de 18 de outubro de 2007: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1 2 DO ART. 32 DA LEI N2 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (ii) Recurso No. 139.268– Acórdão No. 20181.123, sessão de 02/06/2008: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui receita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo do PIS. CRÉDITO RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Recurso voluntário provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ – Superior Tribunal de Justiça: (i) AgRg No. REsp 1.229.134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido (ii) Recurso Especial No. 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 297 11 II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. (iii) AgRg no Recurso Especial No. 1.165.316 – SC: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO RELATIVA À INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, e, portanto, não assume a natureza de receita ou faturamento, pelo que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes: 1a. Turma, AgRg no REsp. 1.229.134/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 03.05.2011; 2a. Turma, REsp. 1.025.833/RS, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 17.11.2008. 2. Por outro lado, mostrase despropositada a argumentação relacionada à observância da cláusula de reserva de plenário (art. 97 da CRFB) e do enunciado 10 da Súmula vinculante do STF, pois, na decisão recorrida, não houve declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos legais suscitados, tampouco o seu afastamento. 3. Agravo Regimental desprovido Registrese, por fim, que não há previsão legal para a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros nos casos de aproveitamento dos créditos ora em discussão, a teor do disposto no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Contribuição o crédito presumido do ICMS e determinar o ressarcimento sem a glosa respectiva. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Voto Vencedor Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Redatora Divirjo do entendimento do i. Relator, que propugnou pela não inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, do “crédito presumido” do ICMS concedido ao contribuinte pelo Estado da Bahia, no programa denominado “Probahia”, ao entendimento de que “não houve “ingresso” de recurso para o contribuinte e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita” ou “faturamento”, (...) tendo havido “mera redução no montante do ICMS a pagar”. Afirma o relator que “um “desconto” obtido, sob a forma de crédito presumido (que reduzirá o valor do ICMS a pagar), não pode ser tratado como se fosse um ingresso de receita, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada”. Na minha compreensão, o incentivo fiscal ora em análise deve ser considerado como receita não operacional da empresa, vez que não decorre diretamente da alienação de bens ou serviços relativos à sua atividade fim, e, como tal, deve integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. O incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado da Bahia consiste em subvenção governamental, devendo ser enquadrado contabilmente como receita, como deixa claro o Pronunciamento Técnico CPC nº 07, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Referido Comitê foi criado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.055/2005, e tem por objetivo “o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais”. Por meio do predito Pronunciamento Técnico, vêse, claramente, que as subvenções governamentais (aí não se fazendo distinção entre subvenção para investimento ou de custeio), recebidas em dinheiro ou que se apresentem meramente como redução do passivo (como é o caso em questão), devem ser enquadradas como receita. Vejamos o que afirma o predito Pronunciamento Técnico: Definições 3. ..................................................................................................... Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 298 13 ......................................................................................................... 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. ......................................................................................................... Reconhecimento da subvenção ......................................................................................................... 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. ......................................................................................................... Contabilização 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. 13. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) Uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. (b) Subvenção governamental apenas excepcionalmente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. (c) Assim como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal, na demonstração do resultado. ......................................................................................................... 20. Uma subvenção governamental na forma de compensação por gastos ou perdas já incorridos ou para finalidade de dar suporte financeiro imediato à entidade sem qualquer despesa futura relacionada deve ser reconhecida como receita no período em que se tornar recebível. (alguns grifos não constam do original) Entendo que não há como se apartar o “conceito contábil” de “receita” de seu “conceito jurídico”, conforme se pronunciou o i. Relator. O conceito de “receita” nasce da Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Contabilidade e, quando a lei deseja afastálo de sua origem, assim expressamente o faz. Tanto assim o é que a Lei nº. 12.350/2010, em seu art. 30, veio expressamente excluir as subvenções de que tratam as Leis nº. 10.973/2004 e 11.196/2005 das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Se no alegado “conceito jurídico de receita” não estivessem incluídas as subvenções governamentais, seria desnecessária a edição da referida lei para expressamente excluílas da base de cálculo das preditas contribuições. Vejase: Art. 30. As subvenções governamentais de que tratam o art. 19 da Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, e o art. 21 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005, não serão computadas para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que tenham atendido aos requisitos estabelecidos na legislação específica e realizadas as contrapartidas assumidas pela empresa beneficiária. Por último, temse que tal assunto já foi apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo nº. 10283.001595/200568, Acórdão nº 930301.292, em sessão realizada em 08/12/2010, na qual a 3ª Turma daquela Câmara Superior, por unanimidade de votos, ao apreciar questão referente ao incentivo fiscal relativo ao “crédito presumido” de ICMS concedido pelo governo do Estado do Amazonas, pronunciouse no sentido de que as subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita na apuração da base de cálculo da Cofins. Por fim, temse que a recorrente suscita a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. Primeiramente, não se trata de caso de nulidade da decisão da DRJ, visto ter sido esta proferida por autoridade competente e ter observado amplamente o direito de defesa da contribuinte, não se subsumindo às hipóteses de nulidade das decisões administrativas previstas no processo administrativo fiscal, no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1972. Demais disso, ao caso em questão também não se faz necessária a formalização da exigência tributária por meio de lançamento, em razão de ter a contribuinte apresentado Declaração de Compensação (fls. 218/223), que se constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida, ou seja, na oportunidade em que o sujeito passivo entrega a DCOMP à Secretaria da Receita Federal, ele faz a discriminação dos créditos e também dos débitos objeto da compensação, de tal modo que estes débitos são confessados por meio daquele documento. É o que dispõe o §6º do já citado art. 74 da Lei nº. 9.430/1996: §6º.A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Na hipótese de não reconhecimento do pleito creditório, aplicamse as disposições do art. 22 da IN 210/2002, qual seja, a SRF efetua a comunicação do sujeito passivo da nãohomologação da compensação e o intima a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, a saber: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 3202000.453 S3C2T2 Fl. 299 15 Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Assim, diante da apresentação das DCOMP , em que a contribuinte elenca ali seus débitos, não há que se falar em inexigibilidade do crédito tributário em razão de ausência de lançamento. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE LUIZ N OVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10920.720298/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE
DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO
TEMPESTIVA DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do
Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR
em se tratando de áreas de preservação permanente.
ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA
Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação
permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral,
por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve
ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em
caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que
cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO
FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que
se funde e antes do início da ação fiscal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito
do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões
administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho,
posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só
produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem
prejudicando terceiros.
PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA.
Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender
que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide.
ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário,
incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos
procuradores do contribuinte.
Pedido de perícia indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Walter Reinaldo Falcão Lima
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos procuradores do contribuinte. Pedido de perícia indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação permanente ou de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve ser feita por ato de órgão ligado à proteção ambiental, federal ou estadual, em caráter específico para o imóvel rural objeto da tributação, e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 246 2 Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. ENVIO DE INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, incabível o pedido de que as intimações sejam feitas diretamente aos procuradores do contribuinte. Pedido de perícia indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 01/02 foi solicitada à contribuinte a apresentação da seguinte documentação, relativa ao ITR do exercício 2006: “Documentos referentes a Declaração do ITR do Exercício 2006: Ato Declaratório Ambiental ADA requerido dentro do prazo legal junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis lbama. Documentos, tais como Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas a até h do artigo 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 247 3 dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder publico que assim a declarou. Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de calculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à. convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1° de Janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1° de Janeiro de 2006 no valor de R$:” Como resposta, a interessada apresentou os esclarecimentos de fls. 09/11, juntamente com os documentos de fls. 12/24, que contém, entre outros, Laudo de Avaliação de Imóvel (fls. 13/19) e Ato Declaratório Ambiental – ADA (fls. 23) protocolado em 08/10/08. Por considerar não ter sido comprovada a isenção da área declarada a título de preservação permanente, foi efetuada sua glosa e expedida a notificação de lançamento de fls. 26/29, em que foi apurado um imposto suplementar de R$ 67.873,78, mais acréscimos legais, sendo que a infração encontrada foi assim discriminada na descrição dos fatos de fls. 27: “Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 248 4 Complemento da Descrição dos Fatos: A empresa não apresentou o Ato Declaratório Ambiental ADA requerido no prazo legal junto ao IBAMA e nem comprovou a existência das áreas de preservação permanente mediante Laudo Técnico ou Certidão de órgão público que declare que a área específica é de preservação permanente.” Cumpre esclarecer que, como consequência da glosa da área de preservação permanente – APP, foi apurado um novo Valor da Terra Nua Tributável e a alíquota incidente sobre este Valor também foi alterada. Entretanto o Valor da Terra Nua declarado pela contribuinte não foi objeto de autuação, como pode ser constatado nos cálculos constantes às fls. 28, no quadro denominado “Valor da Terra Nua”. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 31/38, juntamente com os documentos de fls. 39/124, expondo, em síntese, os seguintes argumentos, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 130): “7.1. Tratou do direito à impugnação, explanou sobre as características e registro da propriedade e sobre as razões das notificações de lançamento. 7.2. Mencionou da legislação que trata da isenção das áreas preservadas e afirmou que as NL não poderiam prevalecer. 7.3. Em da Descrição da Área disse que através de laudo técnico se afirma estar o imóvel localizado na Área de Preservação Ambiental — APA da Serra Dona Francisca, tomado por vegetação da Mata Atlântica. 7.4. Aprofundouse na questão de localização do imóvel e após outros argumentos, como a menção de parte da lei n° 9.393/1996 que exclui as áreas preservadas da tributação, disse que sendo 100,0% de APP é evidente ser zero a área tributável. 7.5. Em Do valor do imóvel disse que, em se admitindo o não acolhimento da isenção, seria imperativo que os cálculos sejam baseados nos valores apurados no lado técnico. 7.6. Na seqiiencia listou os valores dos créditos tributários impugnados e concluiu que, diante do exposto e as provas apresentadas, não restaria dúvida de que o imóvel em questão 6, de fato, APP, composto 100,0% de Mata Atlântica e, como tal, está isento de tributação. 7.7. Isto posto requereu: a) Sejam revistos e suspensos os atos de levantamentos tributários correspondentes ao ITR, relativo aos exercícios de 2004 a 2006, por ser indevidos. b) Como conseqüência sejam tornadas sem efeito as NL emitidas contra a requerente, medida esta que será da mais alta justiça. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 249 5 8. Na seqüencia listou os documentos que instrui sua impugnação, juntados das fls. 39 a 124, os quais são: cópia da NL, da procuração, da alteração contratual da empresa, de certidão do imóvel, do ADA/2008, de laudo de avaliação, de laudo de APP, de ART, entre outros.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente, nos termos das ementas reproduzidas a seguir (fls. 127/128): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Área de Proteção Ambiental APA Legalmente, a Área de Proteção Ambiental APA é uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR, mas, somente as Áreas de Preservação Permanente APP nela contidas, sejam as definidas pelo só efeito do Código Florestal ou assim declaradas por Ato do Poder Público em caráter especifico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais para tal exclusão tributária. Preservação Permanente Reserva Legal Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico especifico e averbação na matricula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de beneficio fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 250 6 Ressaltou, ainda, que o VTN não foi objeto de alteração pelo Fisco, tendo sido aceito o valor declarado pelo contribuinte. Mesmo assim, a título de esclarecimento, apreciou o questionamento feito pela impugnante, tendo concluído que “o Laudo trazido aos Autos não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, ser aceito levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento, o qual, aliás, é o mesmo informado na DITR em pauta, pois, não houve alteração de oficio”. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada do acórdão de primeira instância em 30/07/10 (fls. 141), a interessada apresentou, em 31/08/10, o Recurso de fls. 142/158, juntamente com os documentos de fls. 159/243, alegando, em suma, que: a) a área glosada é enquadrada como de preservação permanente, tanto pelas características descritas no art. 2° do Código Florestal (Lei n° 4.771/1965), como pela vegetação nela existente, seja pela sua declividade, como também restou declarada por ato do Poder Público, conforme comprovam os documentos de fls. 170/180; b) no laudo juntado, firmado por profissional devidamente habilitado no CREA, há menção expressa de se tratar o imóvel em questão de APP, pelas suas características, descrevendo trecho do laudo que trata do assunto; c) nos termos do artigo 10, § 7° da Lei 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, cuja aplicação pretérita encontra respaldo no art. 106 do Código Tributário Nacional, basta a simples declaração do contribuinte para a isenção do ITR sobre as áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e daquelas sob regime de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. Entretanto, só haverá pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade da referida declaração, conforme definido no artigo acima citado, o que não é caso dos autos. d) como restou comprovada a existência da APP declarada, que não foi contestada pela autoridade fiscal, a glosa efetuada é descabida; e) para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a APP não depende tão somente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de ADA ou da protocolização tempestiva de seu requerimento, uma vez que a sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de laudo técnico e outras provas documentais idôneas trazidas aos autos, conforme se verifica pelos documentos juntados; f) diversos acórdãos proferidos pela Primeira e a Segunda Câmara deste Conselho afastam a exigência da apresentação do ADA, para fins de exclusão da APP da base de cálculo do ITR, assim como decisões prolatadas pelo Poder Judiciário, reproduzindo ementas dos arestos citados; Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 251 7 g) caso não seja restabelecida a APP glosada, o VTN deve ser modificado, posto que valor atribuído ao imóvel para efeito de lançamento está divorciado da realidade fática; h) o VTN, atribuído unilateralmente pela Receita Federal, permite, sim, contestação, assegurada pelo parágrafo 4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, sendo que este Conselho e o Poder Judiciário vêm decidindo nesse sentido. i) a Receita Federal lançou de oficio o VTNm em total de 1.420.000,00 (notificação fiscal), dividido pelo número de hectares, 600,00 ha, o qual resulta no valor em reais de R$ 2.366,66 para cada hectare, sendo que, de acordo com o laudo juntado aos autos, o VTN por ela declarado no valor de R$ 300,56 deve prevalecer. Diante do exposto acima requer: 4.1. Por todo o exposto, requerse seja reformado in totum o acórdão n° 0421.092, conhecendose e dando provimento ao presente recurso voluntário para fins de que seja anulada a notificação fiscal combatida e/ou, no mérito, seja julgada a insubsistência da exigência fiscal, tudo de acordo com o que restou evidenciado ao longo deste recurso voluntário. 4.2. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental ora acostada e o laudo de caracterização de declividade que será anexado posteriormente, bem como, em se entendo pertinente, a realização da prova pericial para apurar o tamanho da área de preservação permanente do imóvel de propriedade da recorrente. 4.3. Requerse, por oportuno, que todas as intimações referentes ao presente feito sejam feitas diretamente em nome dos procuradores da contribuinte recorrente legalmente constituídos, com endereço profissional na Av. Brasil, n° 205, Ed. Trade Center, 50 e 6° andares, Ponta Aguda, Blumenau/SC, CEP 89050000. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que a alteração do VTN não foi objeto da notificação de lançamento em discussão, haja vista que, como pode ser observado no quadro Cálculo do Valor da Terra Nua (fls. 28), o VTN considerado pela autoridade lançadora foi o mesmo declarado pela recorrente, R$ 1.450.000,00. O que foi alterado foi o Valor da Terra Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 252 8 Nua Tributável, que leva em consideração a área tributável, que foi estabelecida pela fiscalização como sendo a área total do imóvel, em decorrência da glosa da APP. Por conseguinte o VTN tributável foi modificado de R$ 184.150,00 para R$ 1.450.000,00. Face ao exposto acima a questão relativa ao VTN não será objeto de apreciação por este Colegiado, por não fazer parte da lide. Convém ressaltar que não é permitido à contribuinte alterar o VTN declarado, como pretende em seu recurso, posto que configuraria uma retificação de declaração que, nos casos que visem a reduzir ou excluir tributo, somente pode ocorrer antes de iniciado o procedimento de ofício, de acordo com o disposto no art. 147, § 1º, do CTN, abaixo transcrito, e este requisito não se encontra preenchido neste caso. Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Quanto à questão da APP, convém ressaltar que o Laudo de Vistoria de fls. 110/122, cujo objetivo foi descrever a área de preservação permanente existente no imóvel, foi elaborado em outubro de 2008, posteriormente, portanto, à ocorrência do fato gerador, logo não pode ser aceito para amparar a pretensão da interessada em relação ao exercício em questão. Cumpre assinalar que o citado Laudo também não discrimina o quantum de área de preservação permanente que o imóvel em questão possui, limitandose a informar, de modo geral, que o imóvel está localizado em área de preservação permanente, sem benfeitorias (item 1), sendo que no item 7.1 consta a informação de que cursos d’água existentes na propriedade cursos determinam APP, “em função dos 30 metros de mata ciliar”, e no item 7.3 há relato de que existe dentro das terras varias escarpas com mais de 100% de declividade, que, por essa característica, são consideradas APP. Todavia para ambos os casos não há discriminação acerca do total de área que estaria enquadrada como APP. Quanto à alegação de que, pelo fato de o imóvel estar situado dentro de uma Área de Proteção Ambiental – APA toda a sua área deve ser considerada como de preservação permanente, também não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, cabendo destacar que a questão se encontra esclarecida na pergunta 184 do Manual de Perguntas e Respostas relativo à DITR/2001 (abaixo reproduzidas), que também se aplica ao exercício 2006, entendimento do qual compartilho: “184. Por que os imóveis rurais situados ern Área de Proteção Ambiental (APA) e nas Reservas Extrativistas são tributados? Desde o início, convém dizer o seguinte: um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e da legislação tributária é, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 253 9 indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, não se estende genericamente a todas as áreas do imóvel. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade particular, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental efetivamente situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de RPPN e área de proteção de ecossistema bom como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental. 0 reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental — ADA). O beneficio fiscal estendese apenas para essas áreas especificas do imóvel, uma vez que elas, em regra, não podem ser exploradas economicamente. Por outro lado, inclusive na APA e nas Reservas Extrativistas, há, em regra, áreas do imóvel rural destinadas ou utilizadas pela atividade agrícola, pecuária, florestal, industrial e mineral. Logo, impossível a concessão de isenção do 1TR para todas as áreas da propriedade situada na APA e na Reserva Extrativista, pois há áreas exploradas economicamente.” Vale dizer que não foram juntados aos autos documentos que comprovem que a área glosada pela fiscalização se refere à APP. Não obstante o acima exposto, é importante destacar que, a partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que a APP não seja tributada pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, §1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (destaque meu) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 254 10 Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, que compilou a legislação do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) Para o exercício 2006, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10920.720298/200813 Acórdão n.º 2801002.319 S2TE01 Fl. 255 11 Assim, como no presente caso, o ADA apresentado foi protocolado somente em 08/10/08 (fls. 23), após, portanto, o prazo de seis meses fixado para a entrega da DITR/2006, não se encontra atendida uma das condições previstas na legislação para a exclusão da APP declarada da base de cálculo do ITR. Entendo que a dispensa da exigência da protocolização tempestiva do ADA somente poderia ocorrer se a APP em questão tivesse sido reconhecida como tal pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. E nos autos não há prova de tais fatos. Acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por entender que a realização de perícia é desnecessária para a solução do litígio, haja vista que os autos contêm todos os elementos pertinentes para a realização do julgamento e o ônus da prova neste caso é da recorrente, indefiro, com base no art. 18, do Decreto n° 70.235/72, o pedido de perícia formulado. Por fim, quanto à solicitação de que todas as intimações sejam feitas diretamente aos seus procuradores, tal pretensão não merece acolhida, de acordo com o que disciplina o artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972. Diante do exposto acima voto por INDEFERIR o pedido de perícia e por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.915617/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA LIQUIDAR OS DÉBITOS.
Direito creditório reconhecido em parte pela Delegacia de Julgamento. Deve-se negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a ausência de direito creditório suficiente para quitar os débitos indicados em PerDcomp.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Cadeira Pereira da Silva Murgel
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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AUSÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA LIQUIDAR OS DÉBITOS. Direito creditório reconhecido em parte pela Delegacia de Julgamento. Deve se negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a ausência de direito creditório suficiente para quitar os débitos indicados em PerDcomp. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Cadeira Pereira da Silva Murgel Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 56 17 /2 00 9- 10 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.915617/200910 Acórdão n.º 3801001.798 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O ora Recorrente, Hospital Mater Dei S/A, apresentou pedido de PerdDcomp, visando compensar débito nela declarado com crédito de PIS pago a maior, com fato gerador em 31/12/2005. Ocorre que a compensação não foi homologada, uma vez que não foi identificado pelo sistema da Receita Federal do Brasil o crédito alegado no pedido de compensação apresentado. Não concordando com o despacho decisório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que, de fato, houve um erro de preenchimento na DCTF e que, por isso, os créditos não foram identificados pela RFB. Alegou, ainda, que promoveu a retificação de sua DCTF, o que comprovaria, a princípio, o seu direito creditório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, julgoua como PROCEDENTE, reconhecendo o direito creditório do contribuinte, no limite de R$7.027,44 (sete mil e vinte e sete reais e quarenta e quatro centavos). Devidamente intimado da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, repisando, basicamente, os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel, Relatora Como se depreende da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (MG), houve o deferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, quando restou reconhecido o seu direito creditório. Ressaltese, contudo, que o valor do crédito reconhecido na decisão recorrida (valor originário de R$7.027,44) presente no Termo de Ciência e Notificação é inferior aos débitos compensados nas DCOMPS ali listadas, que somam o valor total de R$27.541,84. Portanto, negase provimento ao recurso voluntário, tendo em vista que o crédito reconhecido foi inteiramente utilizado nas DCOMPS especificadas no Termo de Ciência e Notificação. (assinado digitalmente) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.915617/200910 Acórdão n.º 3801001.798 S3TE01 Fl. 13 3 Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relatora Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/08/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.001163/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL
Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos.
A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo.
A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização.
Numero da decisão: 1301-001.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001163/201047 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.251 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2013 Matéria IRPJ/APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM INSTITUIÇÕES NÃO COOPERATIVAS Recorrente COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL COOPERCITRUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 63 /2 01 0- 47 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001163/201047 Acórdão n.º 1301001.251 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 277 a 363) de (i) IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA/IRPJ, por Exclusões/Compensações Não Autorizadas na Apuração do Lucro Real, Resultados de Sociedades Cooperativas; (ii) de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO/CSLL, por Exclusão Indevida de Resultados Positivos e Omissão de Receita; (iii) de CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL/PIS, por Omissão de Receita, e (iv) de CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL/COFINS, por Falta/Insuficiência de Recolhimento, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006 e 2007, e lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras/DEINF/SPO, em 30/08/2010 e 02/09/2010. No Termo de Verificação (fls. 270 a 276), a autoridade fiscal noticia, em resumo, que: i) da análise efetuada nas DIPJ's dos anoscalendário de 2006 e 2007 (fls. 09 a 91), constatou a exclusão de todo o Resultado, na apuração do Lucro Real, tendo o autuado o considerado oriundo apenas de "atos cooperativos"; ii) consoante os atos lavrados no curso da ação fiscal e com base nas respostas e elementos documentais apresentados pelo autuado, verificou, em especifico, que foram indevidamente excluídos do Lucro Real os valores auferidos em aplicações financeiras realizadas em outras instituições financeiras não caracterizadas como cooperativas; iii) da mesma forma, não foram oferecidos à tributação os valores contabilizados na rubrica contábil "Outros Atos NãoCooperativos", bem como os valores referentes a "Comissões recebidas por Intermediação na Venda de Seguros"; iv) as aplicações financeiras realizadas em outras instituições financeiras ou a prestação de serviços de cobrança e intermediação a terceiros, em que pese possam visar a atender os objetivos sociais da cooperativa, não se incluem na categoria de "atos cooperativos", consoante a legislação de regência (fls. 272 a 274): os artigos 3o., 4o., 5o., 7o., 8°, 79, 86, 87 e 111 da Lei n° 5.764/71, o artigo 1o. da IN SRF 333/2003 e os artigos 182, 183 e 250 do RIR/99; portanto, estão sujeitas à incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; v) pelo menos no que respeita à COFINS, o autuado não considerou as receitas advindas de aplicações financeiras junto a outras instituições financeiras, como sendo resultante de "atos cooperativos", tendo em vista que as adicionou às bases de calculo da mencionada contribuição, consoante demonstrativos que apresentou (fls. 129 a 134); vi) na apuração das bases de cálculo dos tributos para o presente lançamento, foram elaborados Demonstrativos de Valores informados pelo autuado como receitas auferidas em aplicações financeiras (fls. 241 a 248, 254 a 261), os quais foram confrontados com os dados contabilizados em rubricas do razão (fls. 138 a 240); foram extraídos valores da contabilização efetuada na rubrica contábil 6.7.1.7.99.027, referente a receitas reconhecidas pelo autuado como advindas de "atos não cooperativos" (fls. 249 a 252, 262 a 265); além Fl. 667DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 disso, foram considerados os valores recebidos a titulo de Comissão, informados por terceiras pessoas em DIRF (fls. 253, 266 e 267); todos esses elementos foram resumidos, por mês, no mapa "Resumo da Base de Cálculo" (fls. 268 e 269). Cientificado do lançamento em 02/09/2010, o autuado impugnou o Auto de Infração em 30/09/2010 (fl. 365), oferecendo, em resumo, as seguintes razões: i) no que tange às exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre "Comissões recebidas por Intermediação na Venda de Seguro", reconhece que são devidas e, assim, efetuou o seu pagamento, conforme mostram os comprovantes juntados (fls. 385 a 392); ii) deixou de oferecer à tributação os Resultados dos anoscalendário de 2006 e 2007 porque, não prestando serviços a terceiros não associados, os tais Resultados derivaram integralmente de "atos cooperativos"; iii) assim, inexistiu fato gerador de IRPJ e CSLL, a saber, lucro, já que os resultados positivos obtidos pela sociedade cooperativa nas operações praticadas com seus associados não são legalmente qualificados como lucro, consoante, inclusive, entendimento da própria RFB, nos termos dos artigos 182 e 183 do RIR/99, invocados pela autoridade lançadora; iv) por outro lado, embora o "ato cooperativo" somente comporta essa denominação quando praticado entre a cooperativa e seus associados, ou entre duas cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais, nos termos do artigo 79 da Lei n° 5.764/71, requer, sempre e necessariamente, um outro ato, este de mercado, para a cooperativa poder cumprir sua finalidade; este ato é o que a doutrina denomina de "ato exterior" ou "ato de contrapartida", absolutamente necessário à implementação do "ato cooperativo", este, também, pela doutrina denominado "ato interno"; assim, o "ato externo", da mesma forma que o "ato interno", seria irrelevante para efeitos de tributos; v) tratandose de cooperativa de crédito, as aplicações financeiras realizadas em outras instituições financeiras correspondem ao referido "ato de contrapartida", pois que os recursos aplicados, vindos de seus associados, têm origem em "ato cooperativo"; essas aplicações financeiras equivalem à operação de venda de Cooperativas de Produção dos produtos rurais recebidos de seus associados; vi) esse é o entendimento já manifestado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF, e que também vem se firmando no Poder Judiciário, a exemplo de julgados do STJ e daquele Conselho, cujos excertos colaciona; vii) por fim, para o cálculo dos tributos, a autoridade não deduziu, das receitas financeiras consideradas, as despesas financeiras junto a instituições financeiras não cooperativas, fazendo incidir os tributos sobre a totalidade das receitas e não sobre o resultado efetivamente obtido; a autoridade, ainda, considerou as despesas financeiras como "atos cooperativos", e, as receitas financeiras, como "atos não cooperativos"; se a autoridade reconhece a receita como "ato não cooperativo", igualmente deveria considerar as despesas como "ato não cooperativo"; viii) pelos motivos expostos, requer o cancelamento do presente lançamento fiscal, na parte impugnada. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1630.290, de 17/03/2011, (fls. 469), julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: Fl. 668DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001163/201047 Acórdão n.º 1301001.251 S1C3T1 Fl. 13 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE CREDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO COOPERATIVAS. ATO NÃOCOOPERATIVO SUJEITO À TRIBUTAÇÃO. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em instituições financeiras nãocooperativas não se caracterizam como atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido nessas aplicações. APURAÇÃO DO RESULTADO LIQUIDO FINANCEIRO DE ATOS NÃOCOOPERATIVOS. IMPUTAÇÃO DE DESPESAS FINANCEIRAS. A imputação de despesas financeiras a receitas financeiras, para fins de obtenção do resultado financeiro liquido de aplicações de Cooperativa de Credito em instituições financeiras nãocooperativas, somente pode ser reconhecida se fundada em demonstrativos e lançamentos contábeis que segreguem os valores concernentes aos atos cooperativos e aos atos não cooperativos, e evidenciem a vinculação das despesas às aplicações realizadas. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As normas fiscais disciplinadoras do lançamento de IRPJ aplicamse ao da CSLL, no que cabíveis. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso apresentado é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório fica claro que a lide restringese ao lançamento apenas ao IRPJ e a CSLL lançado sobre “Aplicações Financeiras em outras Instituições”. Em suas razões recursais, a Recorrente requer a desconstituição do lançamento, argüindo, em suma, que os resultados por ele tributados são oriundos da prática de atos cooperativos, logo, situados fora do campo de incidência da norma tributária, conforme aponta não só a doutrina em torno do assunto, mas, também, a própria jurisprudência dominante no Poder Judiciário e do próprio CARF. Como visto, a presente controvérsia resumese na possibilidade ou não de sujeitar as receitas obtidas pelas cooperativas centrais de crédito, por meio de aplicações financeiras dos recursos de seus cooperados, à tributação de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica. É que, nos moldes da Lei n°. 9.430/96, o IRPJ incidirá sobre o lucro real, presumido ou arbitrado das pessoas jurídicas domiciliadas no país ou a elas equiparadas. Entretanto, embora as cooperativas sejam, nos termos da lei civil, pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, o regime jurídico aplicável a elas é diferente das sociedades empresárias ou simples, visto que possuem uma finalidade peculiar. Isto porque as cooperativas, na exegese dos arts. 3° e 4° da Lei n°. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Portanto, será considerado ato cooperativo todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. Nesse caso, a cooperativa atuará como intermediária entre o cooperado e o mercado financeiro, sendo que o resultado obtido com a realização deste negócio jurídico será, posteriormente, repassado ao cooperado. Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que "os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos". Desta forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, tem se que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001163/201047 Acórdão n.º 1301001.251 S1C3T1 Fl. 14 7 Sobre o tema, o STJ pacificou o entendimento na linha de aceitar, para as cooperativas de crédito, qualquer aplicação financeira como ato cooperado. Inclusive há relevantes precedentes nesta própria Corte Administrativa (CARF), conforme destaca o seguinte aresto: Número do Processo 16327.001215/200518 Órgão Julgador Quinta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte COOPERATIVA CENTRAL DE CREDITO DE SAO PAULO CENTRAL SICREDI SP Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 18/09/2008 Relator(a) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Nº Acórdão 10517.222 Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2002 e 2003 Em virtude do peculiar regime jurídico aplicável às cooperativas, o IRPJ não incide sobre os resultados dos atos cooperativos. As receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. Ademais, como toda a receita obtida no mercado financeiro é, posteriormente, repassada aos cooperados, não há de se falar em renda por parte da cooperativa central e sim de seus associados. CSLL NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ATOS COOPERATIVOS RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO COM O LANÇAMENTO DE IRPJ O lançamento de CSLL guarda estreita relação de causa e efeito com o lançamento de IRPJ, porquanto é dele decorrente. Assim, julgado improcedente o lançamento de IRPJ, o lançamento de CSLL, também, será. Recurso voluntário provido. Ressaltese, que esse entendimento foi acompanhado por unanimidade desta Turma , Julgadora, Sessão de 06/11/2012, Acórdão 1301001.082, da lavra do Conselheiro Relator Carlos Augusto de Andrade Jenier. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 671DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 8 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10120.007881/2004-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008
Ementa:
MULTA QUALIFICADA
Não obstante a prestação de declaração inexata não seja suficiente para caracterizar o dolo ensejador da qualificação da multa, se tal conduta é adotada de forma consistente e sistemática, não há como entender que se tratou de equívoco do contribuinte, e que não houve intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária o valor da contribuição devida.
Numero da decisão: 9101-001.517
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, Leonardo Henrique Magalhães (suplente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, Leonardo Henrique Magalhães (suplente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 78 81 /2 00 4- 19 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 2 VALMIR SANDRI – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 496/500) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, incisos I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 147, de 25 de junho de 2007. O presente processo administrativo cuida de auto de infração (fls.389/404) lavrado para constituição do crédito tributário relativo à COFINS do período compreendido entre 30/09/99 a 31/01/04, em razão da constatação de diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago pelo contribuinte. Consta na descrição dos fatos do mencionado auto de infração que a partir das receitas de vendas, devoluções de vendas e demais receitas registradas no Livro Razão entregas pelo próprio contribuinte juntamente com livros Diário, livros de Apuração de ICMS, conforme protocolos de fls. 12, 30 e 54, a fiscalização elaborou "Planilhas de Apuração de Receitas Mensais" (fls. 38 a 42) e “Planilhas de Composição da Base de Cálculo" (fls. 43 a 47), a partir das quais apurou os montantes de COFINS devidos mensalmente. A fiscalização afirmou, ainda, que por meio de análise dos Livros Razão (apresentados pelo contribuinte) foi constatado que a empresa provisionou o valor de COFINS devido mensalmente na conta COFINS a Recolher em montantes bem próximos ao apurado pela fiscalização, embora somente tenha recolhido e declarado parte dos mesmos, acumulando assim saldo credor crescente na referida conta de passivo (cópia às fls. 118, 125, 142, 143, 175, 182, 184). Concluiu que esse procedimento indica que a empresa conscientemente recolheu e declarou à SRF, por meio das DCTFs entregues, montantes de COFINS inferiores ao efetivamente devido, com evidente intuito de retardar parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que conforme art. 71, inciso I da Lei 4.502/64 configurase como sonegação. Observou que tal conduta ocorreu nos anos de 1999 a 2003, portanto de maneira continuada. Portanto, considerando a utilização de declarações em tese falsas, já que os Livros de Registro de Apuração de ICMS e os Livros Razão apresentavam valores de receitas de vendas em montantes significativamente superiores (entre 10 a 20 %, fl. 393) aos registrados nas respectivas DCTFs apresentadas ao Fisco Federal e, concluindo no sentido da omissão, de maneira continuada, impedindo o fisco de conhecer os reais valores tributáveis, para evitar o pagamento da obrigação tributária principal, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430/96, por configurar a prática da conduta prevista do artigo 71, inciso I, da Lei 4.502/64. O contribuinte impugnou a exigência afirmando: (i) preliminarmente, que o lançamento extrapolou o período fixado no MPF originário, devendo, portanto, ser julgado Fl. 567DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 3 3 nulo e (ii) no mérito, argumentou que é descabida a qualificação da multa porque não restou demonstrado nos autos o dolo ou evidente intuito de fraude. Nesse ponto ressaltou que apresentou ao fisco sua escrituração fiscal e contábil, por meio da qual o fisco verificou as diferenças lançadas, sendo impossível caracterizar, portanto, a conduta dolosa. A DRJ de Brasília/DF julgou o lançamento procedente. Em sede de Recurso Voluntário (fls.462/478) o contribuinte repisou os argumentos já sustentados na impugnação. Os Membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitaram as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, deram provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 75% (fls. 481/492) O acórdão proferido (nº 10809.603) foi assim ementado: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o principio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita, tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de nos. 1265/1999 e 3007/2001. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA — DESCABIMENTO Sobre os créditos apurados em procedimento de oficio só cabe a exasperação da multa quando restar tipificada a hipótese de incidência do artigo 1º inciso I da Lei 8137/1990. No caso dos autos se aplica a multa de oficio do inciso primeiro do artigo 44 da Lei 9430/1996. Súmula 14 do 1° CC. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Foi apresentado Recurso Especial (fls. 405/500) pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento na contrariedade à lei contra a parte do acórdão que desqualificou a multa de ofício. Nesse sentido, a Recorrente destacou que o §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 determina que nos casos previstos nos arts. 71 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, o percentual de multa de que trata o inciso I do art. 44 será duplicado. E, nesse contexto argumentou que, no caso dos autos, o contribuinte ofereceu à tributação um quantum menor que o devido e concluiu que com essa conduta tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Concluiu que a reiteração dessa Fl. 568DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 4 prática, aliada aos resultados obtidos evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por meio da ação dolosa prevista no inciso I, do art. 71, da Lei n° 4.502/64, o que justifica o agravamento da multa. Por fim, requereu o provimento do recurso pretendendo o restabelecimento da qualificação da multa. Em sede de exame de admissibilidade (fl. 502) foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No presente caso, o cerne da questão é a análise da aplicação da multa de ofício qualificada e sua adequação em função das peculiaridades do caso concreto. Insurgiuse a Recorrente contra a desqualificação da multa de ofício, pleiteando seu restabelecimento ao percentual de 150% com base no artigo 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96 em razão da constatação de diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago relativo à COFINS. Dispõe o artigo 44 da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (…) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (…) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (…) Para que seja aplicada a multa qualificada de 150% deve restar evidenciada nos autos alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, senão vejamos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 4 5 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Assim, para a aplicação da multa qualificada de 150% é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução de alguma das condutas previstas nos citados artigos. Insta observar que no caso dos autos a suposta conduta dolosa imputada ao contribuinte é aquela prevista no artigo 71, I, da lei 4.502/64, ou seja, teria o contribuinte praticado a conduta de sonegar. Cumpre esclarecer que a conduta de sonegar consiste em utilizar procedimentos que violem diretamente a lei fiscal, por meio da ação consciente do contribuinte (ato doloso) em se opor à lei. No presente caso, o contribuinte apresentou declarações DCTF nos anos de 1999 a 2003 informando valores relativos à COFINS a menor. As mencionadas irregularidades foram constatadas a partir do procedimento fiscal realizado junto ao contribuinte. E, conforme se verifica do próprio auto de infração as fontes de apuração das diferenças lançadas foram: (i) Declarações DCTF apresentas à SRF relativamente aos períodos de 1999 a 2003 e (ii) Livros Razão, Registro de Apuração do ICMS e Balancete Analítico, todos documentos apresentados pelo contribuinte. Sendo a sonegação ato doloso cuja finalidade é impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 71 lei 4502/64), é certo que este ato será decorrente da adoção dos mais variados artifícios por parte do sonegador. Nesse contexto, a constatação da sonegação dependerá de trabalho minucioso e detalhado da fiscalização e, isto porque, aquele que frauda ou sonega “camufla” a prática dos ilícitos de maneira planejada tornandoos imperceptíveis. Não foi o que ocorreu no caso dos autos. No presente caso, verificase que o contribuinte voluntariamente apresentou seus documentos e registros contábeis à fiscalização, o que permitiu que o Fisco apurasse as diferenças lançadas. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 6 Ora, é evidente que se houvesse intenção dolosa de sonegar, a conduta do contribuinte, diante do procedimento instaurado, seria obstaculizar a atividade da fiscalização e não facilitála. Ressaltese que no caso dos autos o fato gerador estava todo escriturado na contabilidade do contribuinte, que foi espontânea e prontamente apresentada ao Fisco durante o procedimento fiscal, tornando a declaração DCTF a menor incapaz de evidenciar o intuito de fraude do contribuinte para qualificação da multa. Nesse mesmo sentido é o entendimento deste Conselho: PENALIDADE AGRAVADA — Não se aplica a penalidade nos casos em que, embora a empresa tenha feito declaração inexata, informando receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados em livros fiscais. (Acórdão 101 92700) MULTA QUALIFICADA DE 150% – LEI 9430/96, ART. 44, II – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO – A hipótese prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de evidente intuito fraude em que tenha sido tipificada a ação em um dos institutos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/94, e desde que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. DECLARAÇÃO INCORRETA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – APLICAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO – As declarações inexatas do contribuinte, que diferem dos documentos e elementos contábeis e fiscais colocados à disposição do Fisco, não são, por si só, razão para aplicarse a multa qualificada. O lançamento de ofício desconsidera o ato do contribuinte denominado lançamento por homologação e deve se basear nos livros contábeis e fiscais, agindo nos termos do art. 142 do CTN; se não há vício nos livros e documentos contábeis e fiscais, não há que se falar em fraude. (Acórdão CSRF/0105.481) Ademais, cumpre ressaltar que em se tratando de pessoa jurídica, e tendose em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela Administração, bem como, o fato da receita auferida exprimirse na base de cálculo ou integrar a conceituação do fato gerador do PIS, COFINS, IRPJ e da CSLL, ao contribuinte cumpre emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, calcular o tributo devido e declarála ao Fisco. Assim, a conduta fraudulenta, para fins de gradação da multa pecuniária, só se caracteriza com a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade. Já as práticas de omissão no dever de declarar, ou da declaração inexata, que só se exteriorizam quando regularmente cumpridas aquelas primeiras, também foram textualmente qualificadas pelo legislador como reprováveis, de forma Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 5 7 que apenadas, em pecúnia, à razão de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago. É o que dispõe o artigo 44, I, da Lei 9430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) No caso dos autos a declaração a menor indica o descumprimento de obrigação acessória em razão do qual o contribuinte foi penalizado diante da aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Cumpre observar que a qualificação da multa deve ocorrer em casos extremos, em que o dolo específico, ou seja, o objetivo ilícito do contribuinte seja efetivamente demonstrado. Portanto, resta evidente que a penalidade para a declaração inexata está expressa na lei e teve o percentual fixado em 75%. Se a intenção do legislador fosse qualificar tal conduta, não teria criado multa específica para tanto. Assim, tendo em vista que a fraude, a sonegação e o conluio são artifícios maliciosos empreendidos por quem tem a intenção de burlar ou enganar terceiros ou ainda lesar os cofres públicos, obtendo vantagens e benefícios que não lhe são devidos, é notório que o elemento subjetivo necessário à qualificação da multa não se evidencia no caso dos autos. E, no caso em tela, o dolo é especialmente excluído a partir da apresentação dos livros fiscais e comercias pelo próprio contribuinte. Por todo o exposto, não demonstrado o dolo exigido para a qualificação da multa de ofício, entendo que deve ser mantida a desqualificação da multa. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Com a devida vênia do entendimento esposado pelo Ilustre Relator do voto vencido, que manteve a decisão recorrida para exonerar a qualificação da multa de ofício, ouso, no presente caso, dele discordar, ante as peculariedades aqui apresentadas, senão vejamos. Conforme consta dos autos, o contribuinte apresentou, de forma reiterada, declarações DCTF nos anos de 1999 a 2003 informando valores relativos à COFINS a menor, Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 8 denota conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, do real montante da obrigação tributária devida, subsumindo, portanto, a meu ver, na hipótese prevista no § 1º, I, art. artigo 44, da Lei n° 9.430/96. De fato, o que justifica a duplicação da multa é a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, conforme definem os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/94, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da redação desses dispositivos percebese que a qualificação da multa está diretamente ligada à conduta dolosa do contribuinte. Portanto, para decidir sobre a qualificação é preciso verificar não só a tendência da conduta num dos sentidos identificados nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, mas também se essa conduta foi dolosa (justificando a qualificação) ou culposa (afastando a qualificação), eis que o dolo é elemento subjetivo, na maioria das vezes não é simples identificar a situação que justifica a qualificação. No caso de que se trata, a fiscalização verificou com base nos livros fiscais que o contribuinte, de forma consistente, durante cinco anoscalendário, informou ao fisco, valores devidos a título de COFINS, muito aquém do que o efetivamente devido, e essa conduta tende a uma das direções apontadas no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, e dessa forma, necessário apenas definir se tal conduta foi dolosa ou culposa. Ora, conforme se depreende dos autos, o contribuinte, sistematicamente declarava parte ínfima da contribuição devida a Receita Federal e, diante desse quadro, não há como entender que não houve vontade e consciência por parte do contribuinte, de impedir (ou retardar) o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da verdadeira contribuição devida. Não se tratou, portanto, de mero erro no preenchimento das DCTFs, mas da vontade deliberada do contribuinte em esconder do fisco o efetivo valor da contribuição devida. Diante desse quadro, sou pelo provimento do recurso especial da D. Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.007881/200419 Acórdão n.º 9101001.517 CSRFT1 Fl. 6 9 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10983.902616/2009-09
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl, Relator
Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 85 1 84 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.902616/200909 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.485 – 1ª Turma Especial Data 23 de abril de 2013 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente SUL IMAGEM PRODUTOS PARA DIAGNÓSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram desta sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 02 61 6/ 20 09 -0 9 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 86 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Florianópolis, assim expresso: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC decidiu não homologála, em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que pagou indevidamente a Cofins, relativo à competência de julho de 2004, no valor de R$ 23.581,83. Explica a interessada que o débito em questão havia sido informado incorretamente como débito de outra competência, mas que este valor foi corrigido através de retificação da DCTF. Apresentada a Manifestação de Inconformidade a DRJ/Florianópolis julgou o presente processo com base na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformada a contribuinte apresenta o presente Recurso Voluntário no qual alega em síntese que efetuou pagamento a maior de tributos, acarretando crédito fiscal. Que ao apurar o pagamento a maior, não apresentou as DCTFs retificadoras relativas ao período do crédito com os novos valores devidos. Tal fato aconteceu apenas após o recebimento do despacho decisório que indeferiu o crédito e as compensações. Que somente a DCTF constava com erro e que as demais declarações estavam corretas. Que deve prevalecer o princípio da verdade material, onde a autoridade fiscal deve averiguar se a situação informada pela empresa corresponde à realidade. Requer a procedência de seu pedido. É o relatório, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme visto tratase de pedido de compensação nãohomologado pela autoridade de primeira instância sob o único argumento de que a retificação da DCTF após o despacho decisório não pode surtir efeitos. Expressa assim o referido acórdão (destaques nossos): O fato de a contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em Dcomp, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos) Deixou, entretanto, a autoridade de examinar quaisquer outros pontos, ou ainda, de instruir adequadamente o processo. Assim, o presente recurso somente foi interposto em decorrência do entendimento da DRJ de que a retificação da DCTF da Recorrente após a apresentação da PER/DCOMP não pode gerar os efeitos pretendidos pela mesma, não sendo possível sequer considerar seu eventual direito ao crédito pois o mesmo estava carente de liquidez e certeza à época da compensação, sendo irrelevante a retificação posterior da DCTF em função da sua característica de confissão de dívida. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 88 4 A discussão central desse recurso, limitada pela decisão da DRJ, é quanto aos efeitos da DCTF retificadora, ou seja, como se opera essa alteração com relação à possibilidade de homologação da compensação efetivada, considerando os valores declarados em DCTF retificadora, a qual apresentada após a transmissão da competente PER/DCOMP, a despeito do caráter de confissão de dívida da DCTF originalmente transmitida. A retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, artigo 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 e demais alterações). De acordo com a IN supra citada, que é vigente à época da retificação da DCTF pela contribuinte, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o despacho eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve que (os destaques são meus): Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 89 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso porquanto o procedimento fiscal não prescinde da efetiva ação fiscal, conforme disposto na Portaria RFB nº 11.371/2007, assim expressa (destaco novamente): Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Evidente, portanto, a inexistência de procedimento fiscal ou fiscalizatório impeditivo da retificação da DCTF, não havendo óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, mesmo porque, conforme anteriormente posto o despacho decisório é procedimento ligado à Per/Dcomp, não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Essa alteração, ainda, se opera, antes da IN SRF 1.110/2010, produzindo efeitos ex-tunc, conforme prevê a própria norma. Observese que o artigo 11 da IN 903 previa que a DCTF retificadora tinha a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, somente após a edição da IN 1.110, de 24 de dezembro de 2010 a Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 90 6 DCTF passa a ter apenas a a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, não mais substituindoa integralmente, ou seja, passando a ter apenas efeitos modificativos. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram nãohomologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. No presente caso era defeso à autoridade de primeira instância simplesmente desconsiderar a DCTF retificadora e deixar de instruir o processo, quando o despacho decisório considerou que não havia crédito ele tinha razão porque essa era a situação aparente da contribuinte, mas, com a retificadora o fundamento de que indébito não existe por conta da ausência de saldo de crédito também deixa de existir e a DRJ não poderia negar o pedido somente com base na impossibilidade de retificação da DCTF, conforme exposto. Dessa forma, tal indébito teria que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal quanto à sua liquidez e certeza, sendo essa a sua responsabilidade. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação, isso também, em observância aos princípios da moralidade, da eficiência, da finalidade, da verdade material, como suscitado através do Recurso ora intentado, e, ainda, do informalismo moderado, não me parece que o aparente direito da interessada possa ser sumariamente negado por conta de um apego excessivo às formalidades em detrimento da possibilidade de se comprovar que seu crédito era, sim, existente, a despeito da retificação tardia da DCTF. Entendo que, por força do princípio da verdade material, não se pode negar o direito à verificação da correção da base de cálculo utilizada pelo contribuinte para o recolhimento da contribuição considerada por ele como recolhida a maior. Tenho que o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto em diversas normas legais, apontamentos doutrinários e construções jurisprudenciais. Negar o direito do contribuinte ao aproveitamento de seu crédito e deixar de averiguar a sua real existência configuraria mais que enriquecimento sem causa do Estado, rompimento do mais basilar princípio da moralidade. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os ensinamentos de Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado1, que dizem: “O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não 1 Dialética, 2ª Ed., 2004, págs. 74 e 75. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 91 7 se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelos contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. No mais, é a própria Lei que fixa o dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.902616/200909 Resolução nº 3801000.485 S3TE01 Fl. 92 8 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame dessa Turma. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) Retorne esses autos à Delegacia de origem para que examine os documentos existentes e a escrita fiscal da Recorrente em relação à compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála. b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. c) Retorne esse processo para esse conselho para julgamento. É como eu voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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