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Numero do processo: 12585.720427/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
Numero da decisão: 3401-005.968
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
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RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, devese parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendose observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 04 27 /2 01 1- 44 Fl. 5290DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (..) JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o julgamento administrativo, relativo a determinado auto de infração, ter sido efetuado em data anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência. ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício em processo administrativo de manifestação de inconformidade que não homologou a compensação, quando os débitos relacionados no PERDCOMP não foram objeto de lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório e que lhe foi oferecido prazo Fl. 5291DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 4 3 para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após seis meses da petição original, resta superada a discussão sobre nulidade por cerceamento do direito de defesa. (...) REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: (...) COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período de apuração abrangido por auditoria fiscal, que redundou na formalização de exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado. (...) Do Recurso Voluntário Fl. 5292DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 5 4 Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401005.953, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.720271/201100. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401005.953): "Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara. Ora, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a posteriori. Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento são aqueles previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das hipóteses ali encontradas, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. Do Mérito Em síntese, o cerne do presente recurso possui três grandes pontos que devem ser analisados por esse colegiado: Qual deve ser o critério utilizado para o reconhecimento de receitas de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos nãocumulativos de COFINS passíveis de ressarcimento? É possível a apropriação de créditos decorrentes da não cumulatividade em período de competência distinto daquele em que houve a aquisição do bem ou do serviço? Fl. 5293DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 6 5 No caso concreto, qual deve ser o critério adotado para “insumo”, para apropriação de créditos de COFINS não cumulativo, e os bens e serviços que geraram os créditos glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele conceito? Vejamos. SOBRE O MOMENTO PARA O RECONHECIMENTO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A previsão para a utilização do saldo credor de COFINS não cumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo cálculo via rateio proporcional decorre está na própria Lei Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º: Art. 3º (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I Apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II Rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 6º § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 5294DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 7 6 II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. §2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. §3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Ora, a legislação ordinária previu expressamente a possibilidade de se fazer a apropriação de créditos de exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria o critério temporal para se definir qual o momento que a receita bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida como gerada. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa 404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de ter sido legitimada pela legislação ordinária a fazêlo – tampouco o fez, limitandose a reprisar os ditames exarados na norma federal. Caberia então verificar se haveria outra norma complementar que pudesse ser aplicada na estipulação do momento em que a receita de exportação seria apurada. Nesse contexto, a decisão ora recorrida caminhou bem ao entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já que ela definira, há muito tempo, que A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. Não só isso, partindose da discussão sobre quando se aperfeiçoa a operação de venda ao exterior, é importante ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela não se adstringe à mera verificação da data da emissão das respectivas notas fiscais, mas sim quando houve a tradição do bem ao respectivo cliente no exterior: Fl. 5295DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 8 7 A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Sendo certa a adoção da premissa acima, caberia, no caso concreto, entender quando houve, de fato, a entrega dos bens objeto de exportação ao comprador no exterior. Diante desse cenário, talvez fosse relevante a condição de compra e venda para cada uma das notas fiscais através dos denominados INCOTERMS , porém, em se tratando de exportação, basta trazer à baila o fato de que, em qualquer hipótese de condição de venda, o responsável por proceder ao despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente, não sendo possível, em qualquer hipótese, conceber a tradição de bem antes da averbação do embarque para o exterior. Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial, pareceme razoável adotar como parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. Nessa linha, entendo a administração fazendária acertou ao se utilizar dessa premissa, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. Fl. 5296DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 9 8 SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Fl. 5297DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 10 9 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 5298DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 11 10 Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. SOBRE O CONCEITO DE INSUMOS. SUA APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO Seguindo a crescente orientação da Receita Federal sobre o tema, o despacho decisório veio a glosar créditos referentes a: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas Fl. 5299DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 12 11 e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, e despesas de transporte de funcionários. Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer reforma a decisão recorrida. Conforme vem sendo exaustivamente discutido pela doutrina e jurisprudência judicial, o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa deve ser alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de despesa dedutível, como chegouse a cogitar. De fato, a Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e da COFINS limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: Fl. 5300DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 13 12 (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Fl. 5301DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 14 13 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 5302DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 15 14 XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente trata se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 5303DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 16 15 circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Fl. 5304DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 17 16 Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 5305DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 18 17 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços Fl. 5306DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 19 18 geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 5307DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 20 19 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Seguindo essa linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, culminando na edição do Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: Fl. 5308DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 21 20 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT acima ementado, verificase que, no caso concreto, ainda que não guiado por esses, a fiscalização acertadamente glosou créditos sobre despesas que – evidentemente – não teriam conexão direta com a atividade da Recorrente a ponto de ser tratada como imprescindível ou essencial à sua geração de receitas. Por isso mesmo, entendo pela manutenção das glosas propostas no despacho decisória, não merecendo reforma a decisão de primeiro grau nesse particular. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso, e darlhe provimento parcial." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 5309DF CARF MF Processo nº 12585.720427/201144 Acórdão n.º 3401005.968 S3C4T1 Fl. 22 21 Fl. 5310DF CARF MF
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Numero do processo: 10215.900359/2009-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA.
O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório, sobretudo quando não configurada inexatidão material no preenchimento do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1001-001.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA. O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório, sobretudo quando não configurada inexatidão material no preenchimento do PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 90 03 59 /2 00 9- 63 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10215.900359/200963 Acórdão n.º 1001001.190 S1C0T1 Fl. 236 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 191/193) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 189, que não homologou a compensação constante da DCOMP 19508.82729.120906.1.3.043508 (folhas 33/40), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, tendo em vista que os valores do DARF de período de apuração 31/12/2003, data de vencimento e arrecadação 30/01/2004, código de receita 2484 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL) e valor total de R$ 11.458,89, informado como origem do crédito, foram integralmente utilizados para quitação do débito da contribuinte discriminado no DARF, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 186/187), a contribuinte alega, em síntese, que relativamente ao anocalendário de 2003, pagou CSLL por estimativas mensais no valor total de R$ 83.293,04 e apurou, em sua DIPJ, débito total de CSLL naquele anocalendário de R$ 52.218,63, correspondendo a um crédito de saldo negativo no montante de R$ 31.074,41. No acórdão a quo, a nãohomologação foi mantida tendo em vista a impossibilidade de substituir os créditos inexistentes utilizados na DCOMP (pagamento indevido ou a maior) por outro de natureza distinta (saldo negativo). Ciência do acórdão DRJ em 18/10/2011 (folha 197). Recurso voluntário apresentado em 17/11/2011 (folha 198). A recorrente, às folhas 198/215, alega, em síntese o erro de preenchimento da DCOMP já alegado na manifestação de inconformidade, que vinculou a compensação ao pagamento por estimativa e não ao saldo negativo de CSLL apurado. Argumenta que a análise conjunta dos DARF recolhidos e declarações apresentadas demonstra que há crédito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2003 para lastrear a referida compensação. Cita jurisprudência administrativa em casos supostamente semelhantes. Argumenta que a desconsideração do alegado saldo negativo fere os princípios da primazia da realidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, da moral pública, gerando confisco e enriquecimento ilícito da Fazenda Federal. Requer a atualização monetária dos supostos créditos, apreciação dos documentos comprobatórios juntados à manifestação de inconformidade, bem como perícia contábil, estipulando quesitos e nomeando perito assistente. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10215.900359/200963 Acórdão n.º 1001001.190 S1C0T1 Fl. 237 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A pretensão da contribuinte corresponde a retificar a DCOMP apresentada, substituindo o crédito declarado (pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL relativa a dezembro de 2003) pelo crédito que afirma efetivamente possuir (saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003). A possibilidade de retificar PER/DCOMP foi instituída originariamente pela Instrução Normativa 460/04, que permitiu efetuar alterações, em caso de inexatidões materiais, mas vedou incluir novos débitos ou aumentar o valor do débito compensado: Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Os dispositivos citados foram reproduzidos, em essência, nas instruções normativas SRF 600/05, RFB 900/08 e subsequentes. O erro alegado pela contribuinte não configura inexatidão material de preenchimento da declaração. Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. No presente caso, não se trata de erro material, mas de erro de direito, o que não é escusável. A regra é de que o PER/DCOMP somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todos editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. A pretensão de retificação do PER/DCOMP para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10215.900359/200963 Acórdão n.º 1001001.190 S1C0T1 Fl. 238 4 constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação dos dados declarados pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Assim, o fato de dados constantes de declarações e comprovantes de pagamento de DARF guardarem coerência com a suposta existência de crédito de saldo negativo naquele ano não socorrem as pretensões da recorrente, pois não se configurou erro material ou de fato na declaração apresentada, não se justificando a aceitação de um pedido equivalente à retificação da DCOMP após o proferimento da decisão administrativa original, que não a homologou. É importante esclarecer que o direito a restituição ou compensação de créditos tributários é uma faculdade da contribuinte, que pode exercêla mediante pedido ou declaração regularmente apresentados, bem como devida comprovação da liquidez e certeza dos referidos créditos. Não se trata de direito potestativo da contribuinte. A jurisprudência administrativa citada pela recorrente se aplica aos casos em que foi proferida em suas especificidades, não vinculando o entendimento nos julgamentos administrativos. A suposta violação dos princípios invocados em sede de recurso voluntário pela recorrente não se verifica, já que apenas se dá seguimento ao pleito elaborado pela própria contribuinte com respeito aos regramentos já expostos. A atualização monetária de eventuais créditos declarados estaria assegurada, caso fossem devidos e comprovados (Lei nº 9.250/95, art. 39, § 4º). Ainda que fosse aceitável a mudança no crédito alegado na DCOMP, os documentos acostados pela contribuinte, por sua vez, seriam insuficientes para comprovar o referido crédito, já que a mera apresentação de DIPJ, acompanhada dos DARF que comprovam os pagamentos e planilhas elaboradas pela própria contribuinte, não supre a necessidade de Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10215.900359/200963 Acórdão n.º 1001001.190 S1C0T1 Fl. 239 5 comprovação do crédito alegado mediante livros contábeis regularmente registrados e documentos fiscais. Por fim, o pedido de perícia contábil é prescindível, pela impossibilidade da retificação da referida DCOMP, bem como por decorrer da própria falta de apresentação de comprovação hábil por parte da contribuinte, além de conter quesitos que extrapolariam as funções de uma perícia contábil, como os que indagam sobre apropriação indébita e confisco. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11974.000511/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001
AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR
A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN.
Numero da decisão: 9202-007.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001 AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindose assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 97 4. 00 05 11 /2 01 0- 11 Fl. 710DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase Auto de Infração (Debcad 35.442.5056) para cobrança de contribuições sociais devidas pelos produtores rurais pessoas físicas à Seguridade Social e aos Terceiros – SENAR incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (bovinos), nas quais a empresa adquirente pessoa jurídica fica subrogada, nos termos do art. 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 8.540/92 e Lei nº 9.528/97, abrangendo o período de 02/2001 a 12/2001. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária manteve em parte o lançamento. O decisão foi assim registrada: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto: (a.1) à prejudicial de sobrestamento; (a.2) às preliminares de nulidade e, quanto ao mérito, às questões envolvendo: (a.3) a contribuição para o Senar, (a.4) a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001 (períodos de apuração 11/2001 e 12/2001) e (a.5) a incidência de multa de mora e juros para, na parte conhecida; (b) denegar o pedido de sobrestamento do feito; (c) rejeitar as preliminares, e, no mérito, (d) não reconhecer a decadência ou a prescrição do crédito tributário e (e) dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a multa de ofício dos períodos de apuração 02/2001 a 10/2001. Fazenda Nacional e Contribuinte apresentaram Embargos de Declaração que foram rejeitados nos termos dos despachos de fls. 452/457 e 501/507. Recurso Especial interposto pelo Contribuinte ao qual foi dado parcial seguimento, decisão confirmada pelo despacho de fls. 678/692 que rejeitou o recurso de Agravo apresentado. Com base no acórdão paradigma nº 2803003.319, é devolvida a este Colegiado a discussão acerca da "responsabilidade tributária por substituição relacionada á contribuição ao SENAR". Defende a recorrente que a responsabilidade tributária se deu indevidamente por meio do Decreto 566/92, quando deveria ter sido instituída por meio de lei, conforme previsto no art. 128 do CTN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Fl. 711DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 9202007.793 CSRFT2 Fl. 3 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Os recurso preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Conforme destacado no relatório, a matéria objeto de recurso cingese a discussão acerca da responsabilidade tributária atribuída ao adquirente, pessoa jurídica, de produção rural pelo recolhimento da contribuição devida pelo produtor ao SENAR, nos termos do Decreto nº 566/92. Vale destacar que os demais temas debatidos ao longo do processo, inclusive aqueles que versavam sobre a ilegitimidade do Contribuinte em razão da inconstitucionalidade do inciso IV da Lei nº 8.212/91 e sobre exigência de créditos relativo a período anterior a vigência da Lei nº 10.256/2001, foram enfrentados pela turma a quo, tendo sido negado seguimento ao recurso especial interposto quanto a essas partes. Assim, embora tenha o entendimento pessoal de que por meio do RE 363.852/MG o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do citado inciso IV da Lei nº 8.212/9, fato é que esse ponto não está mais em discussão. Neste cenário e analisando as razões do recuso, deve o presente julgamento se fixar na discussão acerca da ausência de lei em sentido formal que atribuía ao Contribuinte a responsabilidade pelo pagamento da contribuição devida pelo produtor rural. Este ponto já foi, por diversas vezes, submetido a apreciação desta Câmara Superior. Recentemente, por meio do acórdão nº 9202007.280, cujo lançamento envolvia o mesmo contribuinte, o Colegiado, por unanimidade, entendeu pela legalidade da cobrança pois as contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212/1991 e das contribuições instituídas a título de substituição. A Conselheira Relatora, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, após discorrer acerca das decisões proferidas pela Supremo Tribunal Federal e sobre seu entendimento acerca da abrangência da inconstitucionalidade declarada inclusive para afastar a exigência das contribuições relativas a fatos geradores anteriores a vigência da Lei nº 10.256/2001 concluiu seu voto da seguinte forma: Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei Fl. 712DF CARF MF 4 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: Fl. 713DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 9202007.793 CSRFT2 Fl. 4 5 I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo Fl. 714DF CARF MF 6 consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. Vale destacar que no presente caso, além da menção expressa ao art. 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91 que poderia suscitar discussões não fosse a limitação do conteúdo da peça recursal, o lançamento também faz menção ao art. 216. incisos III e IV e §5º do Decreto nº 3.048/99 (efls. 40), o qual regulamentando a previsão legal do também inciso III do art; 30 da Lei nº 8.212/91, e sobre o qual não há discussão acerca da sua validade, prevê expressamente a responsabilidade do adquirente pelo recolhimento da contribuição devida pelo produtor rural seja na redação anterior ou na redação atual do citado Regulamento da Previdência Social. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 9202007.793 CSRFT2 Fl. 5 7 Neste cenário, considerando que, como dito, as contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212/1991, ao contrário do alegado pela Recorrente, a responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindose assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 716DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.720078/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.897
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 07 8/ 20 10 -0 6 Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11080.720078/201006 Resolução nº 3402001.897 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11080.720078/201006 Resolução nº 3402001.897 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11080.720078/201006 Resolução nº 3402001.897 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11080.720078/201006 Resolução nº 3402001.897 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11080.720078/201006 Resolução nº 3402001.897 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11080.720078/201006 Resolução nº 3402001.897 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11080.720078/201006 Resolução nº 3402001.897 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 655DF CARF MF
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Numero do processo: 16024.000148/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1.972.
DECADÊNCIA.
Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoa-se no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de cada ano/calendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao Carnê-Leão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Durante a ação fiscal vige o princípio inquisitório. Somente na fase litigiosa, iniciada por impugnação válida, há que se falar em contraditório e ampla defesa, assegurados no presente caso.
PROVA LÍCITA. SIGILO BANCÁRIO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR.
Não procede a alegação de prova obtida de forma ilícita quando o repasse de informações e documentos foi efetuado pela própria Justiça Federal, mediante solicitação de extensão da quebra de sigilo decretada judicialmente.
As informações constantes de relatório da Secretaria da Receita Federal - SRF decorrem de Laudo Técnico do Instituto Nacional de Criminalística - INC, elaborado a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Justiça Federal, identificam o contribuinte como titular de conta bancária no exterior, e constituem prova plenamente válida.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430 / 1996.
LAUDO PRODUZIDO POR ÓRGÃO OFICIAL SEM ASSINATURA DOS PERITOS. MERA IRREGULARIDADE.
O laudo emitido por perito criminal federal para atender finalidades de inquérito policial se reveste de caráter oficial. A simples falta de assinatura dos peritos oficiais constitui mera irregularidade formal se no laudo constar a identificação dos nomes e dos números de matrícula dos peritos responsáveis pela elaboração.
PROVAS. Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior o laudo emitido pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de inquérito policial, onde consta o titular das remessas de numerário.
Numero da decisão: 2301-006.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, não acatar o pedido de perícia e não reconhecer a decadência; no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha e Virgílio Cansino Gil, que davam provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1.972. DECADÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de cada ano/calendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao CarnêLeão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Durante a ação fiscal vige o princípio inquisitório. Somente na fase litigiosa, iniciada por impugnação válida, há que se falar em contraditório e ampla defesa, assegurados no presente caso. PROVA LÍCITA. SIGILO BANCÁRIO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR. Não procede a alegação de prova obtida de forma ilícita quando o repasse de informações e documentos foi efetuado pela própria Justiça Federal, mediante solicitação de extensão da quebra de sigilo decretada judicialmente. As informações constantes de relatório da Secretaria da Receita Federal SRF decorrem de Laudo Técnico do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborado a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Justiça Federal, identificam o AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 48 /2 00 7- 91 Fl. 222DF CARF MF 2 contribuinte como titular de conta bancária no exterior, e constituem prova plenamente válida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430 / 1996. LAUDO PRODUZIDO POR ÓRGÃO OFICIAL SEM ASSINATURA DOS PERITOS. MERA IRREGULARIDADE. O laudo emitido por perito criminal federal para atender finalidades de inquérito policial se reveste de caráter oficial. A simples falta de assinatura dos peritos oficiais constitui mera irregularidade formal se no laudo constar a identificação dos nomes e dos números de matrícula dos peritos responsáveis pela elaboração. PROVAS. Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior o laudo emitido pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de inquérito policial, onde consta o titular das remessas de numerário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, não acatar o pedido de perícia e não reconhecer a decadência; no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha e Virgílio Cansino Gil, que davam provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Fl. 223DF CARF MF Processo nº 16024.000148/200791 Acórdão n.º 2301006.004 S2C3T1 Fl. 223 3 Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2002. De acordo com a fiscalização a presente autuação decorre de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Após a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou procedente a autuação e o contribuinte apresentou recurso onde alega em apertada síntese: E sede preliminar alega, cerceamento do direito de defesa, decadência e a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial Questiona a falta de provas da existência da conta bancária 41 1.150.97, bem como a titularidade em seu nome; Afirma que em nenhum dos documentos acostados aos autos constaria qualquer assinatura que atestasse sua participação nas transações; Defende ter sido violado o principio da irretroatividade tributária, tendo em vista que a Fiscalização teria utilizado o critério de conversão previsto na Instrução Normativa SRF n° 246/02 para fatos ocorridos em 2001. Suscita o pequeno valor probante do Laudo de Exame Financeiro alegando haver a possibilidade de alteração das informações obtidas com as autoridades estrangeiras; Ao fim requer; a) a intimação do Chefe do Setor de Fiscalização da Região Fiscal da RFB competente pela autuação dos pretensos “doleiros” mencionados . no Laudo de Exame EconômicoFinanceiro 137/05, ou quem lhe faça às vezes,_para que informe se as operações contidas na autuação ora guerreada também foram objeto de autuação em face dos “doleiros” ou de “terceiros”; b) a apresentação de cópia autenticada da solicitação de informações e documentos emitida pelo Governo brasileiro ao Governo norte americano, referente às operações objeto do presente lançamento, bem como do documento emitido pelo Governo norteamericano, com os critérios ou restrições que referidas informações poderiam ser cumprimento dos arts. IV e VII do Decreto 3.810/01); e , c) o deferimento de realização de sustentação oral do presente recurso,' intimandose, para tanto, o Recorrente acerca da data do julgamento do feito, sob pena de cerceamento do direito de defesa. d) O provimento do recurso para anular o auto de infração e a imposição da multa. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. l0 do Decreto n. 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade. Desta forma, não merece prosperar a alegação de nulidade do auto de infração suscitada pelo recorrente. PEDIDO DE PERÍCIA Encaro o pedido de a intimação do Chefe do Setor de Fiscalização da Região Fiscal da RFB e de a apresentação de cópia autenticada da solicitação de informações e documentos emitida pelo Governo brasileiro ao Governo norte americano, como pedido de diligência para produção de prova pericial. A recorrente não atendeu os requisitos para concessão da perícia, constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72 e a autoridade recorrida formou sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, não havendo a necessidade a produção de prova pericial. A produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...]§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16024.000148/200791 Acórdão n.º 2301006.004 S2C3T1 Fl. 224 5 [...]IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Caberia a recorrente ao apresentar a impugnação, produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Ao não fazêlo, deve ser mantido o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Ademais, assim como ocorreu durante o trâmite do presente processo administrativo, não foi apresentada nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade e que seria indispensável a realização de perícia. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Inicialmente temos que Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, no seu artigo 6° trouxe a seguinte redação: Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Este dispositivo foi regulamentado pelo Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme os seguintes dispositivos: Art. 1º Este Decreto dispõe, nos termos do art. 6° da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, sobre requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, em conformidade com o art. 12, §§12 e 22, da mencionada Lei, bem assim estabelece procedimentos para preservar o sigilo das informações obtidas. (..) §5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (.) Fl. 226DF CARF MF 6 Art.3°Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) VII previstas no art. 33 da Lei n° 9.430, de 1996; 0 artigo 33 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, traz em seu inciso I a seguinte hipótese autorizadora de requisição da movimentação financeira do contribuinte: Art.33.A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; Assim, não se vislumbra qualquer ilicitude nas provas obtidas, devendo ser rejeitada a preliminar arguída. DA DECADÊNCIA O Recorrente sustenta que deve ser aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4º. O fato gerador do imposto de renda, somente se completa ao final do ano calendário. Nesse sentido, cumpre citar a Súmula CARF n. 38 que dispõe que o fato gerador do imposto de renda relacionado a créditos bancários com origem não atestada acontece em 31 de dezembro, conforme observado abaixo: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Embora haja a individualização de cada uma das omissões havidas, a totalização dos créditos é feita no final do anocalendário, quando efetivamente se considera ocorrido o fato gerador do imposto. Assim, o resultado da adição dos valores omitidos mês a mês deverá ser exatamente igual à totalização geral aposta no dia 31/12, quando se considera ocorrido o fato gerador do imposto. Dessa forma, entendo que deve ser aplicada a regra decadencial na forma do 173, I, do CTN. Nesta situação, a contagem do qüinqüênio é feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia o Lançamento ser efetuado. Assim, como o lançamento fora efetuado em 08/2007 e referese a fatos geradores ocorridos em 2002, não somente não ocorreu qualquer nulidade em relação à forma de apuração do imposto, mas também não há que se falar em decadência. DO MÉRITO IRRETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16024.000148/200791 Acórdão n.º 2301006.004 S2C3T1 Fl. 225 7 Com relação a este questionamento transcrevo a fundamentação da decisão de primeira instância que muito bem abordou a questão: "Também alegou o contribuinte, em sua peça impugnatória, que teria sido violado o princípio da irretroatividade tributária, tendo em vista que a Fiscalização teria utilizado o critério de conversão previsto na Instrução Normativa SRF n° 246/02 para fatos ocorridos em 2001. Não lhe assiste razão. É que a NOTA/COSIT/COTIR/DIRPF N° 613, de 04/09/2000, já trazia a regra posteriormente explicitada pela Instrução Normativa SRF n° 246/02, conforme excerto a seguir transcrito:" Pergunta n° 5 Na hipótese do art. 42 da Lei 9.430, quando aplicada sobre depósitos existentes no exterior (se não comprovada a origem), qual deve ser o dólar/moeda de conversão aplicável? É de dólar/moeda de compra da data do depósito ou do último dia útil da 1ª quinzena do mês anterior? Resposta Deve ser utilizada a cotação de compra da data do depósito. Portanto correto o lançamento também neste aspecto. DA EXISTÊNCIA DA CONTA BANCÁRIA nº 411.150.97 Com relação à esta insurgência do recorrente, entendo lhe caber razão. Segundo consta no Termo de Constatação Fiscal de efls. 36 e seguintes, a autuação se deu por suposta movimentação de divisas no exterior durante o ano calendário 2001. Ainda de acordo com referido termo, estas movimentações teriam ocorrido na conta 411.150.97, que seria de titularidade do autuado junto ao MERCHANTS BANK. Vejamos a conclusão do Auditor Fiscal: "Concluo que foram creditadas na conta n° 411 150 97, ordens de pagamento efetuadas no banco Marchants Bank, tendo como beneficiário o contribuinte acima identificado.Os valores dessas ordens de pagamento, convertidos em reais e demonstrados no item 8.2, foram considerados como omissão de rendimentos, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, e lançados mediante o presente Auto de Infração." Após a impugnação do autuado, a Delegacia Da Receita Federal Do Brasil De Julgamento em Belém (PA), converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal tomasse (dentre outras) as seguintes providências: a) Cópia do Laudo n° 137105 — INC do IPL n° 1345120041SR/DPF/PR, contendo a identificação dos campos existentes nas ordens de pagamento — planilhas 06 eletrônicas. b) Cópia da Autorização constante dos autos do Processo n° 2003.70000303334 (inquérito 207198) — Justiça Federal — Seção Judiciária do Paraná. Fl. 228DF CARF MF 8 Em atendimento à diligência, foram juntados aos autos os documentos de efls 87 a 144. O autuado apresentou manifestação acerca da diligência e a DRF, julgou procedente a autuação. Inicialmente verifico que a decisão guerreada, quanto ao mérito, baseouse única e exclusivamente no Laudo de Exame EconômicoFinanceiro (efls. 127/138) e seu Anexo III (efls. 139/140) para firmar o entendimento de que restou demonstrada a ocorrência do fato gerador do imposto ora lançado. Entendeu ainda que, mesmo com a falta de assinatura em referido Laudo, este teria demonstrado a movimentação financeira em dólares por meio da conta do autuado. Ouso a discordar deste entendimento. Notese que todos os documentos juntados pela fiscalização, ainda que cópias, contém as assinaturas de seus emitentes. Porque apenas esse Laudo está apócrifo? A fiscalização não justificou esse questionamento. Ademais, não encontro no Laudo nenhuma menção ao nome do autuado, bem como da conta bancária nº 411.150.97 que à ele foi imputada a titularidade. Apenas no Anexo III conta a menção desta conta. Aliás, esta era uma das determinações contidas na diligência solicitada pelo órgão julgador de primeira instância e que, a meu ver, não restou devidamente comprovada. Como dito mais acima, no TCF o auditor afirma que a conta nº 411.150.97 existia junto ao Marchants Bank. Após a diligência afirma que era junto ao THE BANK OF TÓKIO MITSUBISHI TRUST CO. No autos do PA 10855.003674/200662 , cuja matéria é identica, o próprio relator de primeira instância identificou a fragilidade da autuação, porém restou vencido. Concordo com seu entendimento e transcrevo abaixo as razões que o levaram a votar pela improcedência da autuação: (...) " 9. Em sede diligência, a autoridade fiscal anexou, entre outros elementos, o “Laudo n° 137/05INC” (fls. 128/143). Nele consta como “Anexo III”, as fls. 140/143. 10. Ocorre que, em primeiro lugar, o referido Laudo não se encontra assinado, sem que tenha o agente fiscal justificado tal omissão. Outrossim, não é crível que um documento, conforme seus próprios termos, realizado “no interesse do IPL n° 1345/2004/SR/DPF/PR, a fim de ser atendida a solicitação da Delegada de Polícia Federal ERIKA MIALIK MARENA, " (Í1. 128), não se encontre firmado por seus autores na versão original. Um documento sem assinatura e, pior, sem garantia de autenticidade em relação ao seu conteúdo, não pode se converter em prova eficaz do fato jurídico tributário. 11. Obviamente, são perfeitamente possíveis em direito tributário a prova emprestada e sua documentação em mídia eletrônica, desde que fiquem garantidas a autoria e a autenticidade dos dados nele veiculados. Na espécie, em relação ao CDROM que resultou no Laudo n° 137/05INC e no Anexo III, não se assegurou a autenticidade do traslado a partir do supra:citado IPL para estes autos administrativos. Também não há como confirmar se o Anexo III de fls. 140/143 é o mesmo com código de autenticação “e44cf39b3bblec892e523a9a2bcib96e”, a que se refere o documento de fl. 138. E, por fim, repisese, o Laudo n° 137/05INC não se encontra assinado. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16024.000148/200791 Acórdão n.º 2301006.004 S2C3T1 Fl. 226 9 12. Demais disso, não se vislumbra nos autos, tampouco no Laudo n° 137/05 INC, a informação fiscal de fl. 147, no sentido de que a conta bancária do contribuinte pertenceria ao “The Bank of Tókío Mitsubishi Trust”, com endereço na “Av. Of America, 1251, New York, NY, USA”. 13. É verdade que a coleta de tais provas exigiria paciência da autoridade fiscal, porque requer trabalho conjunto com outros órgãos da Administração e ate' com entidades de outro Estado. 14. Por isso, relatei o presente processo para diligência, mediante resolução. No entanto, fiquei vencido em tal proposta, pelo fico obrigado a votar no mérito, na forma do artigo 17, parágrafo único, da Portaria MF n° 58/2006. 15. Muito embora o volume de divisas evadidas pelo esquema “Banestado”, segundo estimativas na ordem de US$ 30.000.000.000,00 (trinta bilhões de dólares americanos!), cause repugnância e indignação às pessoas de bem, o princípio da legalidade estrita e da segurança jurídica não podem ser mitigados, em função do disposto no artigo 142 do CTN e do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/ 1972, determinando que o auto de infração ‹: seus anexos devem demonstrar a ocorrência do fato gerador. 16. A Administração Fazendária foi provida de poderosas ferramentas de fiscalização, especialmente as presunções de omissão de receita, e, se ainda assim não conseguiu identificar com precisão o fato jurídico tributário e sua autoria, cabe infelizmente a resignação dos seus agentes, em prol da segurança das relações jurídicas. Por isso, a doutrina de forma pacífica amplia o significado do artigo 112 e seus incisos do Código Tributário Nacional, para que a lei tributária, não apenas a que define infrações, mas também a que imponha tributo, seja interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à autoria e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. É o princípio do “in dubio pro reo” em sua feição tributária. 17. É verdade que nunca se terá certeza absoluta sobre a ocorrência de determinado fato gerador. Isso porque seria necessário que a Administração Fazendária fiscalizasse “in loco” e no exato momento da ocorrência de tal fato jurídico, com câmeras filmadoras e demais equipamentos, o que tomaria o custo da fiscalização superior ao débito tributário envolvido. Mas, de outro lado, não se pode correr o risco de penalizar o contribuinte, sem que se tenha um razoável grau de probabilidade no sentido do acontecimento do fato tributário. 18. Assim, a Administração Tributária deve seguir a máxima da legalidade estrita, mesmo que isso eventualmente acarrete o êxito de algum sonegador. A contrapartida será a garantia de cidadania ao contribuinte, que não ficará sujeito a uma execução fiscal temerária. 19. Na espécie, não ficou provada a existência da conta bancaria n° 411.150.979, nem o endereço do banco no qual se localizaria a referida contacorrente, tampouco restaram demonstrados os depósitos bancários objeto do auto de infração. Logo, consubstanciado nas razões acima esposadas; Voto no sentido de Conhecer do Recurso, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência e NO MÉRITO Dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Voto Vencedor Fl. 230DF CARF MF 10 Conselheiro Antonio Sávio Nastureles Redator designado. 1. A despeito do entendimento professado pelo ilustre Conselheiro Relator, peço licença para manifestar posição divergente com relação a duas questões essenciais aventadas no presente recurso: a primeira, com pertinência à autenticidade e confiabilidade da documentação comprobatória anexada aos autos; a segunda, concernente à titularidade da conta nº 411 150 97. AAUUTTEENNTTIICCIIDDAADDEE EE CCOONNFFIIAABBIILLIIDDAADDEE DDOO ""LLAAUUDDOO NNºº 113377//0055 –– IINNCC"" EEXXPPEEDDIIDDOO EEMM 2255//0011//22000055 PPEELLOO IINNSSTTIITTUUTTOO NNAACCIIOONNAALL DDEE CCRRIIMMIINNAALLÍÍSSTTIICCAA DDOO DDEEPPAARRTTAAMMEENNTTOO DDEE PPOOLLÍÍCCIIAA FFEEDDEERRAALL.. 2. A questão sob exame tem pertinência com a autenticidade e confiabilidade do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal. 2.1. Ao tratar do assunto no tópico intitulado "MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR. SIGILO BANCÁRIO. PROVA LÍCITA", o voto inserto no acórdão recorrido1 perfaz análise criteriosa acerca da eficácia e aptidão do Laudo para demonstrar a ocorrência do fato gerador. Fazse a transcrição: Em relação à conta nº 411.150.97 mantida no THE BANK OF TOKYO MITSUBISHI TRUSTY CO., constam, às fls. 17 e 19, cópias de documentos referentes à ordens de recebimento (créditos) de valores, durante o anocalendário 2002. Os mencionados documentos foram obtidos a partir da quebra de sigilo bancário solicitada pela 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba às autoridades americanas (Processo nº 2003.700.003033341, inquérito 207/98, às fls. 86 / 91) e concedida pela Suprema Corte do Estado de Nova Iorque nos Estados Unidos da América (às fls. 92 / 94 e 95 / 105). As autoridades americanas entregaram às autoridades brasileiras toda a documentação referente às instituições financeiras que tiveram seu sigilo quebrado. Os documentos e mídias recebidos pelas autoridades brasileiras, bem como os Laudos Periciais elaborados pelo INC, entre os quais o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 137 / 05 INC (fls. 123 / 136), foram compartilhados com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, atendendo à decisão judicial proferida no Processo nº 2004.700.00082670 (às fls. 121). No item 26 do Laudo nº 137 / 05 INC, é esclarecido que os anexos com as informações de movimentação financeira foram gravados em um tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores, tendo sido procedida, inclusive, a uma autenticação eletrônica dos arquivos. Portanto, a mídia gravada e transcrita às fls. 17 e 19 representa a movimentação financeira em dólares americanos efetuadas por meio da conta analisada pela fiscalização, até pela impossibilidade de sua alteração, conforme salientado pelos Peritos Criminais Federais. 1 Acórdão nº 1735.714 (efls 161/178). Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16024.000148/200791 Acórdão n.º 2301006.004 S2C3T1 Fl. 227 11 Assim, não cabe a desqualificação das provas que embasaram o lançamento, e que se originaram a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados pela Justiça Federal, e dos Laudos Periciais elaborados pelo INC, constatandose nos documentos acostados aos autos o rigor na elaboração do laudo supracitado, a lisura dos peritos criminais do Departamento de Polícia Federal envolvidos e a confiabilidade dos dados. Acrescentese ao explanado acima que o contribuinte não logrou trazer aos autos provas incontestáveis que sustentem a sua argumentação. 2.2. Por ocasião do julgamento em segunda instância, o Conselheiro Relator manifestou discordância relacionada à eficácia do laudo, ao acolher a fundamentação extraída do voto vencido do Acórdão nº 0113.492, exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, anexado aos autos do processo nº 10855.003674/200662, de que se pode destacar o trecho que se transcreve a seguir: 11. Obviamente, são perfeitamente possíveis em direito tributário a prova emprestada e sua documentação em mídia eletrônica, desde que fiquem garantidas a autoria e a autenticidade dos dados nele veiculados. Na espécie, em relação ao CDROM que resultou no Laudo n° 137/05INC e no Anexo III, não se assegurou a autenticidade do traslado a partir do supra:citado IPL para estes autos administrativos. Também não há como confirmar se o Anexo III de fls. 140/143 é o mesmo com código de autenticação “e44cf39b3bblec892e523a9a2bcib96e”, a que se refere o documento de fl. 138. E, por fim, repisese, o Laudo n° 137/05INC não se encontra assinado. 2.3. Prevaleceu, contudo, na avaliação do Colegiado, entendimento favorável em reconhecer ao laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, as características de autenticidade e de confiabilidade, de maneira que a totalidade do conjunto documental (efls 127/140), se reveste de força probante, constituindo se em elemento de prova hábil a demonstrar a movimentação de divisas ao exterior. Somamse aos fundamentos expostos na decisão recorrida (subitem 2.1 supra), os motivos sintetizados nos subitens 2.4 e 2.5 infra. 2.4. No caso sob exame, constam ao final do capítulo conclusivo (efls 138) as identificações dos nomes e dos números de matrícula dos dois peritos criminais federais responsáveis pela elaboração do laudo, tendo o documento sido produzido para atender finalidades de Inquérito Policial devidamente instaurado (IPL nº 1345/2004/SR/DPF/PR), revestindose de caráter oficial. 2.5. A simples falta de assinatura dos peritos criminais constitui mera irregularidade formal sem ter a aptidão de desqualificar tal instrumento como pertencente à categoria "laudo" especificada no artigo 30 do Decreto 70.235/1972. 2.6. Ao reconhecer autenticidade e confiabilidade do laudo anexado aos autos, o Colegiado o considerou como elemento de prova hábil no presente processo administrativo fiscal. Esclareçase que tal conclusão diz respeito à totalidade do Laudo, com abrangência dos "Anexos em Mídia Computacional" referidos nos itens 26 a 29 (efls 137/138), circunstância que já havia sido muito bem esclarecida pela decisão de primeira instância. LLaauuddoo ttrraazz aa ccoommpprroovvaaççããoo ddaa ttrraannssffeerrêênncciiaa ddee ddiivviissaass.. FFaattoo IInnccoonnttrroovveerrssoo.. Fl. 232DF CARF MF 12 3. Superada a questão relacionada à autenticidade e confiabilidade do Laudo, é fato incontroverso que as informações dispostas nos documentos anexados às efls 139/140, extraídas do Anexo III do Laudo, trazem o detalhamento das ordens de remessa destinadas à conta nº 411 150 97, assim como a especificação dos elementos necessários à verificação do fato tributável. TTIITTUULLAARRIIDDAADDEE DDAA CCOONNTTAA NNºº 441111 115500 9977.. 4. Para se chegar à solução da lide tributária devolvida ao Colegiado é preciso prosseguir na questão concernente à titularidade da conta nº 411 150 97, tendo em vista alegação específica formulada sobre a identificação do beneficiário e/ou titular das remessas ao exterior. 4.1. A análise do conjunto probatório dos autos proporcionou plenas condições para a maioria dos integrantes do Colegiado formar convicção segura acerca da titularidade da referida conta e dirimir qualquer dúvida remanescente sobre o aspecto subjetivo do fato gerador. 4.2. Não há dúvida de que a pessoa do Recorrente, apontada como benefíciária dos recursos financeiros ao tempo do procedimento fiscal (efls 18/21) seja a titular das remessas de divisas destinadas à referida conta. Para conferir, basta o exame dos dados extraídos do Anexo III (efls 139/140), aptos a identificar a pessoa do Recorrente como titular da referida conta bancária no exterior. 4.3. Considerouse, enfim, que o conjunto probatório dos autos se reveste da robustez necessária para estabelecer o liame inequívoco entre a pessoa do Recorrente e a conta nº 411 150 97, não havendo plausibilidade nas alegações formuladas quanto à falta de prova de titularidade da referida conta. CCoonncclluussããoo 5. Em vista das razões delineadas quanto à autenticidade e confiabilidade do laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (item 2 supra), aliadas à constatação acerca da titularidade da conta nº 411 150 97 (item 4 supra), e respeitando os entendimentos contrários, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator Designado. Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.000575/00-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998, 1999, 2000
DCOMP. INDÉBITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Afastado o entendimento de que a retenção não pode ser comprovada por outros meios, que não a apresentação do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, os autos devem retornar à turma a quo, para o proferimento de nova decisão.
Numero da decisão: 9101-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise da documentação.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em exercício.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Nelso Kichel (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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INDÉBITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Afastado o entendimento de que a retenção não pode ser comprovada por outros meios, que não a apresentação do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, os autos devem retornar à turma a quo, para o proferimento de nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise da documentação. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em exercício. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Nelso Kichel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 05 75 /0 0- 98 Fl. 754DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 3 2 (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que foi decidido sobre as formas possíveis para comprovação de retenções na fonte, no contexto do julgamento de pedidos de compensação envolvendo saldos negativos de IRPJ e CSLL. A recorrente se insurge contra o Acórdão nº 130200.343, de 05/08/2010, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por voto de qualidade, negou provimento a recurso voluntário anteriormente apresentado, mantendo o não reconhecimento de uma parte das retenções na fonte que compunham os créditos de IRPJ reivindicados nos pedidos de compensação objeto do presente processo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. NECESSIDADE. Nos termos do disposto no art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985, para fins de restituição de indébito, o aproveitamento do imposto retido na fonte é condicionado à apresentação de documento próprio emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora. A indicação em nota fiscal do beneficiário acerca da referida retenção, acompanhada dos registros contábeis correspondentes, por si sós, não são suficientes para comprovar a efetiva retenção do imposto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente, justificadamente o Conselheiro Irineu Bianchi. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, quanto ao que foi decidido sobre as formas possíveis para comprovação de retenções na fonte. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: Fl. 755DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 4 3 DOS FATOS a recorrente pleiteou administrativamente a restituição e posteriormente a compensação do imposto de renda pessoa jurídica retido na fonte e contribuição social sobre o lucro liquido, relativamente aos anos calendários de 1997 a 1999, apurados em declaração de rendimentospessoa jurídica; o pedido foi parcialmente deferido, sendo reconhecido o direito creditório somente em relação aos valores que foram devidamente informados em DIRF pelas fontes pagadoras; inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual requereu fosse computado também o imposto de renda efetivamente retido na fonte, pois tal valor não foi recebido pela recorrente, ficando, no entanto, o pagamento por conta das empresas contra as quais foi efetuado o faturamento; em diligência, a recorrente foi intimada a apresentar os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora; em atenção à intimação supra citada, a recorrente apresentou fotocópia do Livro Diário e Razão. No entanto, por não possuir os comprovantes de retenção, deixou de apresentálos, requerendo, não obstante, fossem realizadas diligências junto à fonte pagadora. Entretanto, a 1ª Turma da DRF de Julgamento em Porto Alegre indeferiu a manifestação da recorrente; em face desta decisão foi interposto recurso voluntário, ao qual foi negado provimento; pelo que será demonstrado na seqüência, não merecem prosperar as alegações acima expostas diante do fato de haver interpretação divergente ao tema atribuída por outras Câmaras do Conselho de Contribuintes, por essa razão interpõese o presente recurso especial; DO DIREITO DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS em atenção às intimações expedidas, a recorrente juntou fotocópias das notas fiscais de prestações de serviço, onde constavam os valores do imposto de renda retido na fonte, além das cópias autenticadas dos Livros Diário e Razão; não obstante, a 1ª Turma da DRF de Julgamento em Porto Alegre não considerou os documentos apresentados prova suficiente para garantir o direito de crédito, requerendo os comprovantes de retenção emitidos em seu nome; ocorre que, além de já haver transcorrido o período em que tem a obrigatoriedade de guardar os comprovantes, somente a partir do ano 2000, a declaração de informações trouxe a ficha onde consta o demonstrativo do imposto de renda retido na fonte; Fl. 756DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 5 4 outrossim, oportuno esclarecer que as fontes pagadoras, na maioria das vezes, não encaminhavam os comprovantes de retenção; ademais, o Primeiro Conselho de Contribuintes, já entendeu que as escriturações contábeis são suficientes para garantir o direito a compensação do imposto. Veja se: IRRF COMPROVANTE DE RENDIMENTOS ERRO OU OMISSÃO DA FONTE PAGADORA PROVA DA RETENÇÃO O comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora faz prova a favor do contribuinte de que houve a retenção do imposto na fonte. À falta desse documento, por comprovado erro ou omissão da fonte pagadora, são admissíveis outros meios de prova. Recurso provido. (Acórdão 10419957 — 4ª Câmara — Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa — 12/05/2004). salientase que analisando analiticamente a divergência jurisprudencial existente entre o acórdão proferido pela 3ª Câmara e o prolatado pela 4ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, anteriormente mencionado, temse que: [...]; as circunstâncias fáticas de ambos os acórdãos são as mesmas, qual seja, a prova necessária para se fazer o aproveitamento do imposto de renda retido na fonte; com relação ao resumo dos fundamentos dos acórdãos e as teses jurídicas antagônicas utilizadas, confrontados temse que: a 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, julgando matéria idêntica a do v. acórdão recorrido, entendeu que na falta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte são admissíveis outros meios de prova para o reconhecimento da retenção, tal como a escrita contábil; já o v. acórdão recorrido, entendeu que o aproveitamento do imposto de renda retido na fonte é condicionado à apresentação de documento próprio emitido em nome do beneficiário da fonte pagadora; e que a indicação em nota fiscal do beneficiário acerca da referida retenção, acompanhada dos registros contábeis correspondentes, por si só, não são suficientes para comprovar a efetiva retenção do imposto; destarte, verificase que os acórdãos supra transcritos são aptos à demonstração do dissenso de interpretação. Partindo do suporte fático semelhante, chegase a uma conclusão antagônica, ou seja, constatase existirem duas teses jurídicas contrárias sobre um mesmo e idêntico suporte fático, restando configurado o requisito da interpretação divergente jurisprudencial, para que seja apreciado o presente recurso especial; assim sendo, não merece prosperar o r. acórdão, vez que provado através da escrita contábil que os rendimentos de aplicações financeiras foram oferecidos à tributação, deve ser reconhecido o direito à compensação do imposto de renda retido na fonte posto que fora quem suportou o ônus financeiro da retenção do referido imposto; outro fato a considerar é com relação ao imposto de renda recolhido por estimativa, cujo valor originário informado no pedido de restituição foi de R$ 1.625,36, enquanto que, nos DARFs de pagamento, é de R$ 1.073,26. A diferença entre esses dois Fl. 757DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 6 5 valores, R$ 552,10, referese ao imposto de renda retido na fonte e utilizado como compensação na época do recolhimento; diante o acima exposto, podese concluir que todos os documentos já apresentados são hábeis para que seja autorizada, em sua integralidade, a compensação pleiteada; DO PEDIDO pelo exposto, requer se digne Vossa Senhoria, com o devido respeito, admitir o presente recurso especial, remetendose os autos à Câmara Superior de Recursos Fiscais, para que dele conheça e dê provimento. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 134/2012, exarado em 17/10/2012, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A recorrente argumenta, em síntese, que o entendimento diverge de outras decisões do extinto Conselho de Contribuintes que admitem, à falta dos comprovantes de retenção, que a comprovação seja feita por outros meios de prova. Para demonstrar a divergência, cita jurisprudência da Quarta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, representada pelo acórdão paradigma nº 10419.957, de 12/05/2004, contido no processo nº 10805.002854/9742. [...] Para análise do recurso, transcrevo a ementa do acórdão paradigma, na parte que interessa ao presente exame: [...] De outra parte, está consignado na ementa do acórdão recorrido, igualmente no que pertine ao exame do primeiro aspecto questionado: [...] Tratam ambos os acórdãos (paradigma e recorrido) da mesma matéria, com conclusões distintas. A conclusão do acórdão paradigma é a de que a falta de comprovante de retenção fornecido pela fonte pagadora pode ser suprida por outros meios de prova. O acórdão recorrido, por seu turno, considerou que o aproveitamento do imposto retido está condicionado a apresentação do documento emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 7 6 Em 21/11/2012, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 26/11/2012, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO ORA RECORRIDO a exigência de apresentação do comprovante de retenção emitido em nome da empresa pela fonte pagadora (informe de rendimentos) para fins de comprovação da retenção de IRRF decorre de expressa disposição legal, in verbis: Lei nº 7.450/85 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. esta norma se encontra reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000/99, conforme sê lê abaixo: Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto Lei n°2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). (...) §2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7°, e no §1º do art. 8° (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). o mesmo Regulamento ainda dispõe o seguinte em seu art. 264: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). da análise dos textos normativos acima explicitados temse clara a condição imposta pelo RIR/99 para que o contribuinte possa compensar o valor retido a título de IRRF na declaração de pessoa jurídica, qual seja: a posse de comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora; desta forma, a não apresentação deste documento específico inviabiliza a compensação pretendida pelo contribuinte. Notese que o texto é claro ao exigir comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, mostrandose correta a decisão de 1ª instância, que glosou os valores do IRRF na apuração do saldo negativo pleiteado; Fl. 759DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 8 7 notese que pela leitura do art. 264 acima transcrito temos a instituição da obrigação de conservação, pela pessoa jurídica interessada, de todos os "livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial". Ou seja, neste contexto, caberia ao contribuinte comprovar, na forma exigida pelo art. 943, §2º do RIR/99 o seu direito. Em não fazendo, o que é o caso dos autos, não há que admitir sua pretensão, por falta de amparo legal; ressaltese que não se trata de matéria que admite qualquer meio de prova, mas sim de matéria cuja comprovação contém forma específica e legalmente estabelecida, não podendo o Julgador se furtar à observância de tal preceito; não logrando êxito o contribuinte em comprovar a retenção na forma estabelecida pelo RIR/99, não poderá valerse da compensação na declaração do IRPJ, por falta de atendimento dos requisitos legais, estando correta a glosa efetuada pela fiscalização na apuração do saldo negativo postulado nestes autos; colacionase abaixo excertos da acertada jurisprudência que corroboram o tanto quanto expendido acima: Acórdão nº 130200.015 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. INDISPENSABILIDADE. Ex vi do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 140100.115 RETENÇÃO NA FONTE COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. sobre a apresentação dos comprovantes de retenção do imposto de renda, o acórdão 130200.015 deixa clara sua imprescindibilidade no seguinte trecho do voto condutor, in verbis: [...]; sendo assim, diante de todo o exposto, temos por evidente que a decisão ora recorrida merece ser mantida sob pena de total afronta à disciplina normativa sobre a matéria; DO PEDIDO diante dessas considerações, requer a União seja negado provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte e mantido o acórdão proferido pela e. Câmara a quo. É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, porque ele preenche os requisitos de admissibilidade. Cabe registrar que no recurso especial a contribuinte também fez referência ao Acórdão nº 10318.825, proferido pela 3ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, e que, entretanto, ela não procurou caracterizar a alegada divergência jurisprudencial a partir dessa decisão, provavelmente porque o acórdão recorrido também foi proferido pela 3ª Câmara, mas 3ª Câmara do CARF. Com efeito, todo o cotejo analítico e argumentação para a caracterização da divergência jurisprudencial, bem como a juntada da cópia de ementa de decisão divergente, ficaram restritos ao Acórdão nº 10419.957, única decisão que foi corretamente considerada para fins do exame de admissibilidade do recurso. Nesses termos, o que se percebe é que a referência ao Acórdão nº 10318.825 configurou apenas um reforço para a argumentação apresentada no recurso, de modo que o despacho de exame de admissibilidade não merece nenhum reparo, e nem complementação. O presente processo trata de pedidos de restituição de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos aos anoscalendário de 1997 a 1999, cumulados com pedidos de compensação com débitos de terceiros. O direito creditório reivindicado nesses pedidos (saldo negativo) foi formado a partir de recolhimentos de estimativas e retenções na fonte. A Delegacia de origem reconheceu a maior parte do direito creditório, considerando as estimativas recolhidas de IRPJ e de CSLL, e os valores de IRRF que foram informados em DIRF pelas fontes pagadoras. As retenções que não constavam nas DIRF não foram aceitas. Ao julgar a manifestação de inconformidade da contribuinte, a decisão de primeira instância administrativa manteve a negativa das retenções que não constavam em DIRF, sustentando o entendimento de que as retenções na fonte (IRRF) somente podem ser utilizadas se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, conforme dispõe o art. 55 da Lei nº 7.450/1985. E a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), seguiu esse mesmo caminho. A negativa da parte do direito creditório (referente ao imposto de renda) foi motivada pela não apresentação dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, conforme evidencia o voto que orientou o acórdão recorrido: [...] Fl. 761DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 10 9 A controvérsia posta em discussão, como se vê, está representada pela seguinte questão: na ausência de comprovantes de retenção em nome do beneficiário emitidos pela fonte pagadora, as notas fiscais emitidas por esse mesmo beneficiário e a comprovação contábil dos registros pertinentes, autorizam a restituição dos valores supostamente retidos? Em convergência com o esposado em primeira instância, entendo que não. Isto porque, como bem ressaltou a autoridade julgadora recorrida, os documentos referenciados (notas fiscais e escrituração), aportados pela Recorrente, não constituem documentos hábeis para comprovar a efetiva retenção dos valores indicados, condição inafastável para que se possa repetir eventual indébito deles decorrentes. Como já registrado, mesmo não tendo a Recorrente trazido aos autos qualquer comprovante, a autoridade administrativa buscou, por meios próprios, identificar fontes pagadoras que lhe declararam ter promovido a retenção do imposto. O caso sob análise, como se vê, limitase à investigação acerca dos elementos colacionados ao processo que comprovam ter havido retenção do imposto, e, à evidência, a simples indicação da incidência do imposto nas notas fiscais, ainda que acompanhada dos registros contábeis pertinentes, não se presta para tal intento. Impróprio, a meu ver, o pedido da Recorrente para que a autoridade administrativa diligencie no sentido de obter tais comprovantes, vez que à ela (à Recorrente) competiria tal providência. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Em sede de recurso especial, a contribuinte suscita divergência jurisprudencial, defendendo que a ausência do documento específico instituído pela Receita Federal (informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora) não afasta o seu direito de comprovar por outros meios as retenções que dão sustentação à formação do crédito reivindicado. A questão sobre a possibilidade de se comprovar retenções na fonte por outros meios, que não a apresentação de informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, foi examinada por esta 1ª Turma da CSRF no ano passado, quando esteve em julgamento um recurso especial da PGFN: Acórdão nº 9101003.437 Sessão de 07 de fevereiro de 2018 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 11 10 O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. [...] Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ decorrente de IRRF retido no anocalendário de 1992, tendo em vista que a interessada apurou prejuízo fiscal no primeiro e no segundo semestre daquele anocalendário. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo/SP, que primeiro analisou os pedidos formulados pela interessada, os deferiu parcialmente, e as compensações vinculadas ao pedido de restituição foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o despacho decisório da Delegacia de origem (vol. 5 do eprocesso, efls. 148/153), a parte do direito creditório que foi reconhecida é relativa a retenções cujas receitas correspondentes foram integralmente oferecidas à tributação, e que constavam de "comprovantes de retenção" originais emitidos pelas fontes pagadoras. Ainda de acordo com o referido despacho, as razões para a glosa de parte do direito creditório foram: 1) a não contabilização, em todos os meses do período de janeiro a dezembro de 1992, de parte das receitas financeiras, o que implicou na glosa da integralidade do IRRF vinculado aos respectivos rendimentos informados pelas fontes pagadoras, conforme exigido pela legislação (art. 39, § 4º, c/c art 43 da Lei nº 8.383/1991; MAJUR/93, pág. 37); e 2) os documentos trazidos ao processo (quase todos cópias), objetivando comprovar o IRRF sobre rendimentos de Obrigações Eletrobrás e de levantamento de depósitos judiciais, para fins de compensação com o devido na Declaração, estão em desacordo com as normas de regência vigentes à época dos fatos (Art. 55 da Lei nº 7.450/1985, IN SRF nºs 09/1993 e 10/1993), tendo sido glosado o IRRF correspondente. A decisão de primeira instância administrativa manteve o mesmo entendimento da Delegacia de origem. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 12 11 A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário para fins de afastar a glosa integral do IRRF em razão de as receitas financeiras não terem sido contabilizadas pelo seu valor total. Foi admitido o aproveitamento das retenções correspondentes às receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo do imposto, respeitado o princípio da proporcionalidade (item "1" acima referido). E quanto ao item "2" acima referido, relativo ao IRRF sobre rendimentos de Obrigações Eletrobrás e de levantamento de depósitos judiciais, o acórdão ora recorrido admitiu a possibilidade de as retenções na fonte serem comprovadas mediante apresentação de documentos outros que não o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. É especificamente esse segundo ponto que configura o objeto do recurso especial apresentado pela PGFN. Em sede de contrarrazões, a contribuinte alega que o acórdão paradigma trazido pela Fazenda Nacional não se aplica ao caso em pauta, pois se refere a período de competência distinto (anocalendário 1999), e portanto, sujeito a diferentes exigências legais. A preliminar de não conhecimento é improcedente, porque a diferença nos períodos de competência em nada afeta a caracterização da divergência jurisprudencial. É que a controvérsia gira em torno do art. 55 da Lei 7.450/85, que ainda hoje é a base legal do §2º do art. 943 do atual Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Portanto, o fato de o recorrido tratar de situação ocorrida no anocalendário de 1992 e do paradigma se referir ao anocalendário de 1999 não prejudica a divergência suscitada pela PGFN. Vislumbro uma outra questão em relação à admissibilidade do recurso, mais perceptível que aquela apontada pela contribuinte em sede de contrarrazões. Constato que o paradigma não tratou propriamente da questão sobre a possibilidade de se comprovar retenções na fonte mediante apresentação de documentos outros que não o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. Até porque a contribuinte, no caso do paradigma, não tentou comprovar essas retenções por outros meios de prova. Naquele caso, a insurgência da contribuinte voltouse mais para aspectos temporais relativos à extinção dos débitos que a contribuinte pretendia quitar por compensação com os alegados créditos, para questões referentes à homologação tácita de compensação, etc. Aliás, no relatório do paradigma consta inclusive a informação de que o direito creditório já havia sido parcialmente reconhecido pela Delegacia de origem não apenas com base nas cópias de comprovantes de retenção apresentados pela contribuinte, mas também a partir de telas de consulta ao sistema SIEFDIRF. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 13 12 O referido relatório, portanto, evidencia que nem sempre há correspondência entre essas duas fontes de informação. Ou seja, pode haver DIRF e não haver emissão do comprovante de retenção, e viceversa, e isso não prejudicou o reconhecimento do direito creditório pela Delegacia de origem naquele outro caso. De qualquer forma, o acórdão paradigma, ao tratar das parcelas adicionais de direito creditório que a contribuinte continuou reivindicando, afirmou taxativamente em sua parte conclusiva que "o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos", e em razão da literalidade da afirmação, penso que não há como deixar de reconhecer a divergência jurisprudencial suscitada pela PGFN. Assim, concluo que a divergência restou caracterizada e que o recurso deve mesmo ser conhecido. Quanto ao seu mérito, entretanto, penso que o recurso não deve obter o mesmo êxito. E a razão para isso é bem simples. Não há como prejudicar um contribuinte por falha/infração cometida por outro. No caso, negar o direito de aproveitamento de retenção na fonte sofrida pelo beneficiário de um rendimento em razão de a fonte pagadora descumprir o dever instrumental de emitir e lhe fornecer o respectivo comprovante de rendimentos e de retenção na fonte. Não há como impor um ônus para um contribuinte cujo atendimento depende única e exclusivamente de conduta a ser praticada por outro contribuinte (emissão de comprovante de rendimentos e de retenção na fonte). A imagem de um empregado/servidor que recebe pagamento descontado do IRFonte e que não pode computar essa retenção na sua declaração de rendimentos porque a fonte pagadora não emitiu o correspondente informe de rendimentos e de retenção na fonte ilustra bem o que está sendo dito. O sentido que se dá ao texto da lei não pode conflitar de forma tão flagrante com o sistema jurídico. Se a fonte pagadora não emite o referido comprovante, ou se o beneficiário do pagamento não tem como obter esse documento da fonte pagadora (e isso pode ocorrer em função de várias situações), não se pode negar ao beneficiário do pagamento o direito ao aproveitamento da retenção que este sofreu e que consegue comprovar com outros meios de prova. Correto o acórdão recorrido nesse aspecto. Não é o caso aqui de reexaminar elementos probatórios, até porque não é esse o escopo do recurso especial de divergência. Mesmo assim, vale reproduzir as razões pelas quais o acórdão recorrido admitiu o aproveitamento das retenções na fonte em questão: Fl. 765DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 14 13 2. Do IRRF retido sobre o levantamento de depósitos judiciais e os rendimentos de Obrigações da Eletrobrás [...] É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art. 55 da Lei nº 7.450/1985, in verbis: [...] Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que possa fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega, conforme a jurisprudência deste CARF [...]. No que se refere ao IRRF sobre o levantamento de depósitos decorrentes de ações judiciais, o contribuinte apresentou diversos documentos que representam um robusto conjunto probatório do recebimento dos valores e da retenção na fonte realizada pelas instituições financeiras responsáveis pelo pagamento, além de estarem devidamente contabilizados conforme cópias do Livro Diário anexadas aos autos pela autoridade fiscal que realizou as diligências. A circunstância de terem sido apresentadas apenas em cópia reprográfica deve ser relativizada, ganhando especial relevo o fato das informações constantes dos documentos apresentados estarem detalhadamente registradas na contabilidade da recorrente e de não ter sido questionada sua autenticidade pela autoridade fiscal que realizou as diligências. De se observar que as ações judiciais se referem a ações de reparação de danos em face de acidentes em rodovias administradas pela recorrente e que diversas delas têm como parte indenizante (fonte pagadora) uma pessoa física, que não está obrigada a fornecer comprovantes de rendimentos. E ainda, nos casos de ações judiciais, por dever legal, o imposto é retido pela própria instituição financeira responsável pelo pagamento, por ordem da justiça. Assim, entendo que foram devidamente comprovadas a retenção do imposto na fonte e o reconhecimento das operações na contabilidade da recorrente, conforme quadro abaixo, no qual estão descritos os valores dos rendimentos e do respectivo IRRF, comprovantes apresentados e suas respectivas folhas nos autos, além das folhas dos autos na qual estão transcritos os lançamentos contábeis feitos no Livro Diário: [...] Assim, entendo que deve ser reconhecido o direito creditório da recorrente relativo ao IRRF retido, no montante de 23,19 UFIR no primeiro semestre e de 60,66 UFIR no segundo semestre, sobre os levantamentos de depósitos relativos a ações judiciais. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 15 14 Por fim, analiso a comprovação relativa ao imposto retido na fonte sobre o recebimento de Juros sobre Obrigações da Eletrobrás. A recorrente trouxe aos autos, em relação ao mês de abril/1992 cópias dos documentos denominados Resumo de Pagamento de Juros/Resgate de Obrigações emitidos pela Eletrobrás, nos quais estão descritos os rendimentos brutos e os valores descontados a título de IOF, IRRF, Adicional de IR e o valor líquido, com chancelas bancárias, que estão devidamente registrados no Livro Diário, cujas cópias constam dos autos. Com relação ao rendimento creditado no mês de agosto de 1992, apresentou cópia de Recibo de Pagamento de Juros e aviso de crédito do Banco Banespa, com o mesmo detalhamento de valores, devidamente registrado no Livro Diário. Não foram apresentados comprovantes do rendimento recebido no mês de dezembro de 1.992, no valor de Cr$ 260.05,98 e IRRF de Cr$ 65.126,50, conforme consta do Demonstrativo às fls. 43 dos autos. Embora o rendimento e respectiva fonte estejam contabilizados no livro Diário, entendo que esta operação não está suficientemente comprovada pela recorrente, devendo ser mantida a glosa do IRRF no pedido de restituição. Os valores dos rendimentos e do imposto retido e respectivas comprovações estão descritos no quadro abaixo: [...] Assim, entendo que deve ser reconhecido o direito creditório no montante de 156,51 UFIR, relativo ao IRRF retido sobre rendimentos recebidos sobre Obrigações da Eletrobrás. [...] O acórdão recorrido não merece nenhum reparo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Penso que a forma como o acórdão recorrido aplicou o art. 55 da Lei 7.450/85 caracteriza posição conflituosa com o sistema jurídico. Realmente, não há como prejudicar um contribuinte por falha/infração cometida por outro. No caso, negar o direito de aproveitamento de retenção na fonte sofrida pelo beneficiário de um rendimento em razão de a fonte pagadora descumprir o dever instrumental de emitir e lhe fornecer o respectivo comprovante de rendimentos e de retenção na fonte. Não há como impor um ônus para um contribuinte cujo atendimento depende única e exclusivamente de conduta a ser praticada por outro contribuinte (emissão de comprovante de rendimentos e de retenção na fonte). Se a fonte pagadora não emite o referido comprovante, ou se o beneficiário do pagamento não tem como obter esse documento da fonte pagadora (e isso pode ocorrer em função de várias situações), não se pode negar ao beneficiário do pagamento o direito ao aproveitamento da retenção que este sofreu e que consegue comprovar com outros meios de prova. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 16 15 Com efeito, a imagem de um empregado/servidor que recebe pagamento descontado do IRFonte e que não pode computar essa retenção na sua declaração de rendimentos porque a fonte pagadora não emitiu o correspondente informe de rendimentos e de retenção na fonte ilustra bem o que está sendo dito. A regra geral é que os contribuintes "somente" deduzam retenções que estejam amparadas por informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. Esse documento basta para que seja reconhecido o direito de aproveitamento da retenção, a menos que haja alguma fraude na emissão do informe de rendimentos, ou algo semelhante. Mas da mesma maneira que o informe de rendimentos não pode ter valor absoluto em favor do beneficiário do pagamento, a ausência desse documento também não pode ter efeito absoluto contra ele. Há sim outras formas possíveis de se comprovar uma retenção na fonte, mediante, por exemplo, a confrontação das notas fiscais/faturas emitidas pelo beneficiário do pagamento, com seus registros contábeis, e com os extratos bancários onde constam os valores líquidos recebidos. Não deixo de perceber que o art. 55 da Lei 7.450/85 não faz nenhuma ressalva sobre situações especiais, onde seriam admitidas outras formas para a comprovação de retenções, mas também não diz que é vedada qualquer outra forma de comprovação desses eventos. O voto acima transcrito evidencia, inclusive, que nem sempre há uma correspondência perfeita entre os comprovantes de retenção que o beneficiário do pagamento recebe da fonte pagadora e as informações que a fonte pagadora presta à Receita Federal, com a apresentação da DIRF; que há casos em que pode haver DIRF e não haver emissão do comprovante de retenção, e viceversa, e que isso normalmente não prejudica o reconhecimento do direito creditório pelas Delegacias da Receita Federal. Em relação ao próprio caso sob exame, o acórdão recorrido esclarece que as retenções que foram reconhecidas pela Delegacia da Receita Federal, o foram a partir do banco de dados da RFB (ou seja, das informações extraídas das DIRF), e não dos informes de rendimentos que a contribuinte recebeu de suas fontes pagadoras. Isso, por si só, já contrasta com o entendimento de que as retenções na fonte somente podem ser aceitas se o contribuinte apresentar o informe de rendimentos e de retenção na fonte que lhe foi entregue pela fonte pagadora. O relatório do acórdão recorrido, ao transcrever o resultado da diligência realizada na fase de primeira instância administrativa, noticia, entre outras coisas, que a empresa apresentou as cópias das Notas Fiscais Fatura de Serviços, onde constam informados todos os valores retidos na fonte no período analisado; que também foram entregues fotocópias de partes dos livros Razão Analítico, dos anoscalendário 1997 a 1999, contendo as contas e os registros relacionados aos eventos sob análise; e que os valores contabilizados ratificam aqueles constantes do Pedido de Restituição inaugural deste processo. Contudo, a análise desses documentos foi descartada, com o entendimento de que não há outra foram de se comprovar as retenções na fonte, que não seja pela apresentação do referido informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11080.000575/0098 Acórdão n.º 9101004.150 CSRFT1 Fl. 17 16 Pelas razões já expostas, não compartilho desse entendimento. Penso que há sim possibilidade de se comprovar retenções na fonte por outros meios. Mas há ainda alguns aspectos importantes a pontuar. O primeiro deles é que não cabe à Câmara Superior de Recursos Fiscais o reexame de provas, nem a determinação de diligências para essa finalidade. Com efeito, a valoração de prova e a decisão sobre a necessidade ou não de realização de diligências está no âmbito da competência dos julgadores de primeira e segunda instâncias. Outro aspecto importante é que o ônus de comprovar o direito creditório é da contribuinte, mas sempre cabe lembrar que nos processos iniciados pelos contribuintes, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica própria na apresentação de elementos de prova, o que às vezes se dá no próprio curso do processo. Feitas essas considerações finais, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da contribuinte, para afastar o entendimento de que a retenção não pode ser comprovada por outros meios, que não a apresentação do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, devolvendo os autos à turma a quo, para o proferimento de nova decisão. Em síntese, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise da documentação. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000070/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA 111SICA - IRPF
Exercício: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de
trabalho sem vinculo empregatício
Fato modificativo e extintivo do direito do fisco.
Ônus da prova, Matéria nao
Recurso Voluntario Negado
Numero da decisão: 2101-000.817
Decisão: ACÓRDÃO os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto o Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
1.0 = *:*
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Onus da prova, Matéria nao Recurso Voluntario Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACÓRDÃO os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NI G AR provimento ao recurs°, nos termos do )1. -6- o Relator.. es Relator 1".1)l'ADO .EM: 10/02/2011 Participaram da sessao de julgamento os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Ana. Neyle Olímpio I lolanda, Caio Marcos Cindido, Gonçalo 13onet Allage, Jose Raimundo Tosta Santos e Odrnir Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntario da d.ecisao da l a Turma de Julgamento da DRF do Rio de Janeiro/RI que manteve a exigencia do 1RPF do exercício de 1998, decorrente da: Otnissiio de tendanentos reeebidos de Pessoas Jurídicas, decorrenteN de trabalho .sern vinerdo empregaticio, de 11$ 3.894,45, da Bradesco Seguros S/A, R8 10 580,85, da Amil; e RS 7.529,04 da Unimed Rio A decisao reconida manteve a exig6ncia sob os seguintes fundamentos: 1) 0 contribuinte nao comprovon que os rendimentos omitidos, objeto da autuayao, foram declarados por equivoco como recebidos de pessoas fisicas; 2) A boa-t6 no exime o contribuinte da responsabilidade, após a acao fiscal Nas razões de recurso voluntario sustenta o recorrente que: 1) Nao omitiu rendimentos, apenas errou no preenchimento da Declaraeao de .Ajuste, vez q tic tais rendimentos foram declarados como recebidos de pessoas físicas; 2) Nao houve ma- fé; 1) Nao auferiu e nem teria , condições de au fern renda de pessoas fisicas no valor objeto da omissao; 4) A eNigalCia configura dupla tributaçao, pot se trata da mesma renda; 5) Omitiu apenas o valor de R!f; 432,68.. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator 0 recurso 6 tempestivo, preenche Os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria é unicamente de prova.. Houve omissao de rendimentos, conforme se comprovam os documentos da fonte pagadora, e isso nib o se nega Para se eximir da responsabilidade sustenta que a oniissao de rendimentos decorre de en o no preenchimento da. declaracao anual de ajuste.. .ksse uno, segundo sustenta, consistiu em. declarar s rendimentos recebidos da pessoa:juridica, como sendo de pessoa fisica Justifica o erro pelt) infortúnio do desabamento do piedio em clue residida e por nAo -ter condições de auferir a renda tida por ornitida de pessoa fisica., apenas de pessoa jurídica, com isso, sustenta, haveria dupla. tributaçao dos mesmos rendimentos. 2 ocesso n I $702 000070/2001-91 S2-C111 Acol (15o 11 2101-00..817- PI 2 Contudo, não existe qualquer prova nos autos do equivoco cometido na declaração anual on de que os rendimentos recebidos da pessoa . jurídica, objeto da exigência, sejam os mesmos declarados como recebidos da pessoa tisica Trata-se de prova é diiicit , mas de responsabilidade do contribuinte ao alegar tato moditicativo e extintivo do direito de o fisco de fiver a exigência da omissão dc rendinientos com a prova documental existente. 0 Recorrente trouxe um demonstrativo dos rendimentos que teria recebido, mas sem nenhuma. consistência corn a realidade dos fatos. A própria soma da exigência, recebida de pessoa .juridiea, não confere e nem se aproxima coin os iendimentos declarados cam° recebidos de pessoa 0 Recorrente possui livro caixa, nesse livro deveria haver a escrituração dos rendimentos recebidos lauto da pessoa física e da . juridica. \houvesse .isso teríamos a um inicio dc prova.. Os extratos bancários rambern .poderiam ser elemento indiciario de prova. As declarações de rendiinentos de anos anteriores ou mesmo o livro caixa desses anos poderiam ser outro elemento de prova, ainda que indiciario. Mas nada veio para os autos para comprovar ou levantar alguma dúvida do possível erro no preenchimCnt0 da declaração de rendimentos e da duplicidade da exigência Boa-fé não ex ime o contribuinte do pagamento do In buto; a ausência de dolo exi me da mill to qualificada, mas nao houve essa penal idade na hipótese- dos autos. Por tini, confessa a omissão de rendimentos de R$ 432,68, que não foi Objeto da autuação, e por isso nada existe para ser reparado. A conlissa.o, na -fOrma do art. 1..38, do (71N, deve vir acompanhada do pagamento do tributo, sob pena de não surtir qualquer efeito. Ante o ex posto, conheço e nego provimento ao recurso para [minter a decisão recotrida e autuação.
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722207/2014-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO.
Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
Numero da decisão: 1302-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.722205/2014-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.722205/2014-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente WEIDMANN TECNOLOGIA ELÉTRICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.722205/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 22 07 /2 01 4- 56 Fl. 884DF CARF MF Processo nº 13888.722207/201456 Acórdão n.º 1302003.541 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da 4ª Turma da DRJRecife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ pago por estimativa em 29/06/2007, conforme sintetizado na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em síntese: a) que o Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o crédito pleiteado, respaldado em pagamento indevido, não foi comprovado pela contribuinte; b) que apresentou manifestação de inconformidade esclarecendo que é optante do regime de recolhimento de IRPJ/CSLL por estimativa mensal, e que no período de apuração de maio de 2007, por um equívoco em sua apuração, recolheu valor acima do efetivamente devido, gerando um pagamento a maior de R$ 13.996,82; e, que os lançamentos estão em consonância com os seus documentos fiscais e que o artigo 165 do Código Tributário Nacional concede ao sujeito passivo o direito à restituição total ou parcial do tributo no caso de pagamento espontâneo indevido. d) que em atendimento à diligência determinada pela DRJ, a Autoridade Fiscal apresentou “Informação Fiscal”, aduzindo que, segundo seu entendimento, não seria possível reconhecer o direito creditório, pois haveria divergência entre o Lucro Líquido informado no LALUR e no Livro Diário, bem como que a contribuinte teria informado o crédito em duplicidade, vez que todo o recolhimento do valor pleiteado foi informado na estimativa que compôs o Saldo Negativo de IRPJ, compensado em outro PERD/DCOMP n°, discutido em outro processo administrativo. e) que manifestouse, esclarecendo que a divergência apontada pela Autoridade Fiscal não pode impedir o reconhecimento do direito creditório, visto que a apuração se deu com base no valor do Lucro Líquido e, também, demonstrou que os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade no processo de Saldo Negativo. f) que, contudo, a DRJ não acatou os argumentos apresentados e a manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ, com base na informação fiscal de diligência; g) que não pode ter seu direito creditório obstado por meros equívocos no preenchimento do PER/DCOMP ou em outros documentos, devendo a Autoridade Fiscal possibilitar a retificação das informações, com o escopo de convalidar eventuais erros no preenchimento do documento informativo do crédito, conforme a jurisprudência do CARF; Fl. 885DF CARF MF Processo nº 13888.722207/201456 Acórdão n.º 1302003.541 S1C3T2 Fl. 4 3 h) os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade; i) que em diversos meses a Recorrente recolheu o IRPJ em valor superior ao das estimativas apuradas, como no mês em referência; j) que os valores lançados a título de IRPJ para o período sempre foram aqueles constantes da DIPJ, uma vez que esta nunca foi retificada, concluindose, assim, que o imposto devido nunca restou incontroverso; k) que todos os lançamentos efetuados estão em consonância entre Livro Diário, Balancetes e LALUR, juntados ao autos e evidenciam que as estimativas apuradas em DIPJ pela Recorrente estão corretas e decorrem de cálculo baseado no lucro de cada período; l) que apesar disso, o crédito pleiteado não foi homologado, sob a premissa equivocada de que o valor integrou o Saldo Negativo do ano calendário de 2007, o qual foi reconhecido e utilizado para compensação dos débitos informados em outro PER/DCOMP; m) que não houve compensação em duplicidade, pois consta do Despacho Decisório que o montante total do crédito pleiteado no outro PER/DCOMP em que se compensou o Saldo Negativo, não inclui o valor dos recolhimentos feitos à maior no período de apuração ora em discussão; n) que, do total recolhido no ano calendário de 2007, apenas uma parte se refere ao pagamento efetivamente alocado de acordo com as estimativas mensais devidas e, portanto, passíveis de compensação de Saldo Negativo. Logo, todo o excedente de efetivamente não compôs a formação do Saldo Negativo de IRPJ de 2007, sendo relativa tão somente aos pagamentos indevidos ou a maior feito durante o ano e, portanto, os pagamentos a maior, não integrantes do Saldo Negativo, foram compensados mensalmente pela contribuinte, como no caso em questão; o) que a Recorrente faz jus ao crédito pleiteado neste processo administrativo, visto que restou comprovado que houve recolhimento indevido ou a maior do IRPJ, não havendo que se falar que o crédito foi compensado em duplicidade, devendo ser integralmente reformado o acórdão recorrido, em respeito ao princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, mesmo havendo erros formais no preenchimento do PER/DCOMP; e p) que o acórdão recorrido não deve prevalecer, vez resta demonstrado que o direito de compensação não se encontra extinto, uma vez que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF. É o relatório. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 13888.722207/201456 Acórdão n.º 1302003.541 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.540, de 17/04/2019 proferido no julgamento do Processo nº13888.722205/201467, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.540): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. O acórdão recorrido indeferiu a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o crédito pleiteado como pagamento indevido ou a maior no recolhimento da estimativa mensal foi integralmente utilizado na apuração do Saldo Negativo do tributo, pleiteado por meio da PER/DCOMP nº 30498.58765.111209.1.3.029897, cujo crédito restou integralmente reconhecido, homologandose as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. Ou seja, nas parcelas indicadas na referida PER/DCOMP, a interessada incluiu na composição do crédito apurado como saldo negativo, o valor integral da estimativa mensal recolhida no mês de apuração, ora em discussão, de sorte que, o valor indicado como recolhido à maior já foi integralmente utilizado naquela DCOMP. A recorrente alega que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF e que o pagamento indevido ou a maior restou efetivamente demonstrado. De fato, ao se analisar individualmente os valores informados mensalmente na DIPJ e na DCTF (retificadora), resta evidenciado que no período de apuração em discussão a interessada recolheu à maior exatamente o valor pleiteado na PER/DCOMP. O valor informado no LALUR como resultado acumulado do período também está em consonância com os dados da DIPJ. A única divergência que se observa na apuração do período é o montante do lucro líquido informado no balancete mensal apresentado que registra um valor menor que o informado no Lalur (o que, aparentemente, é desfavorável ao contribuinte que, inexplicavelmente, partiu de um valor maior para apurar o lucro real). Ocorre que, conforme observou a decisão de primeiro grau, ao indicar as parcelas que compunham o saldo negativo anual apurado, a recorrente informou o pagamento integral do período de apuração objeto da DCOMP ora discutida e este restou integralmente homologado. Desta feita, não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual, a despeito da possibilidade de, eventualmente, ter deixado de aproveitar Fl. 887DF CARF MF Processo nº 13888.722207/201456 Acórdão n.º 1302003.541 S1C3T2 Fl. 6 5 parcelas quitadas em outro períodos de apuração mensais e não utilizadas em outras compensações Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 888DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.001744/2003-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 10 .0 01 74 4/ 20 03 -3 8 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13710.001744/200338 Resolução nº 2401000.719 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório ANTONIO M DA MOTA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 0916.438/2007, às efls. 54/58, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, em relação ao exercício 2001, conforme peça inaugural do feito, às fls. 07/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 08/12/2003, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fatos geradores: a) OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATICIO, DE ACORDO COM DIRF ENTREGUE POR RIO DE JANEIRO CARTÓRIO 7° OFÍCIO DE NOTAS. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 60/63, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo que o total dos rendimentos tributáveis que recebeu no ano de 2000 do Cartório do 7° Oficio de Notas foi de R$ 19.920,16, conforme informado em sua declaração/2001 retificadora. Afirma não ter lançado os valores que constam do comprovante que recebeu do Cartório, cuja titular é Edyanne Moura da Frota Cordeiro, por serem esses maiores do que aqueles que efetivamente recebeu. Alega que todos os anos o Cartório está enviando comprovantes com valores maiores do que realmente recebeu, estando com ação em curso na 22° Junta do Trabalho, na qual denunciou tais fatos, com sentença já transitado em julgado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13710.001744/200338 Resolução nº 2401000.719 S2C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. Com efeito, dentre outras alegações, a contribuinte pretende seja decretada a improcedência do lançamento, suscitando o que segue: (...) II) — fui autuado pela Receita Federai a fim de retificar a minha declaração de • rendimentos, recebidos do CARTÓRIO DO 7° OFICIO DE NOTAS — CNPJ 30.715.3381000190 — Titular EDYANNE MOIRA DA FROTA CORDEIRO, do ano de RETENCÃO DE 2000 sob a alegação de que omiti rendimentos efetivamente a mim pagos, que seriam de R$ 44.593.44 brutos com IRPF de R5 6.594.72 sob o código 0561 (rendimento do trabalho assalariado, declarando ainda, que idêntica informação consta do Comprovante Anual de Rendimentos AC2000, à fls. 17, fornecido a mim, pela citada fonte pagadora, tendo esse órgão, impugnado o valor de R$ 19.920.16 lançado por mim, na declaração de rendimentos recebidos no cito ano de 2000,e que corresponde ao valor correio, efetivamente recebido; III) — mencionei na minha impugnação, que estava com ação em curso na 22° VARA DO TRABALHO, na qual denunciei tais fatos, e cobro da titular salários não pagos de 1999 e 2000, dentre outras importâncias a mim devidas, tendo alertado à Secretaria da Receita Federai, que em meu nome, estariam sendo remetidos dados errados ao dito órgão; IV) — não anexei cópia da petição da 224 Vara do Trabalho, o que ora faço (doc. 01), por julga que os fatos por mim denunciados, dariam subsídos suficientes para urna verificação ou fiscalização perante o dito CARTÓRIO DO 7° OFÍCIO DE NOTAS, para comprovar a veracidade do que eu estava alegando,e que quaisquer dúvidas seriam dissipadas, por esse ÓRGÃO FISCALIZADOR, • quando fossem anexados os comprovardes dos pagamentos, efetivamente a mim feitos, pela delegatária do Cartório do 7° Oficio de Notas, EDYANNE MOURA DA FROTA CORDEIRO, (...) Como se observa do trecho encimado, a argumentação da contribuinte é oportuna, pois, a ação fiscal baseouse em informação contida em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentada pela fonte pagadora. Conforme se depreende da transcrição acima, a contribuinte insurgese contra o lançamento alegando que o valor dos rendimentos lançados não se coaduna com o valor efetivamente recebido, anexando Reclamatória Trabalhista. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13710.001744/200338 Resolução nº 2401000.719 S2C4T1 Fl. 5 4 Assim, dada a argumentação da contribuinte e os documentos apresentados e, considerando ainda que as informações em DIRF são prestadas unilateralmente pela fonte pagadora, devem os autos serem baixados em diligência para: a) Seja intimada a fonte pagadora (RJ Cartório do Sétimo Ofício de Notas, CNPJ 30.715.338/000190) para informar o montante de rendimentos tributáveis efetivamente pagos ao contribuinte e o valor do imposto de renda retido na fonte, anexando aos autos os contracheques. b) Intime o contribuinte para que junte aos autos a cópia integral da ação trabalhista, preferencialmente, apontando as verbas ali pleiteadas e as providas que esclareçam as diferenças entre a DIRF e DIRPF, além de manifestarse acerca dos documentos anexados pela fonte pagadora (item a). Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos encimados, devendo ser oportunizado ao contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem, inclusive especificando a eventual diferença de valores com os pagos na ação trabalhista. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721188/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2009
PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ILEGALIDADE. ARTIGO 53, DA LEI FEDERAL 9.74/1999. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO
Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito declarado em PER/DCOMP não homologada somente poderia se referir à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Assim, a exigência dos débitos, declarados e não quitados em razão na não homologação, através de lançamento de ofício relativos período posterior àquela MP é manifestamente ilegal, de modo que, nos termos do artigo 53, da Lei Federal 9.784/1999, o auto de infração é improcedente.
Numero da decisão: 3401-005.952
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer, de ofício, que não deve prosperar o lançamento, em função de já estar o débito confessado, com o conseqüente provimento do recurso voluntário. O relator entendeu tal circunstância como ensejadora de nulidade, sendo acompanhado pelos Conselheiros Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Os demais conselheiros entenderam tratar-se de improcedência, devendo o relator agregar tal circunstância ao seu voto e à ementa, na forma regimental.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2009 PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ILEGALIDADE. ARTIGO 53, DA LEI FEDERAL 9.74/1999. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito declarado em PER/DCOMP não homologada somente poderia se referir à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Assim, a exigência dos débitos, declarados e não quitados em razão na não homologação, através de lançamento de ofício relativos período posterior àquela MP é manifestamente ilegal, de modo que, nos termos do artigo 53, da Lei Federal 9.784/1999, o auto de infração é improcedente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 11.105 1 11.104 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721188/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.952 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente VOITH HYDRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2009 PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ILEGALIDADE. ARTIGO 53, DA LEI FEDERAL 9.74/1999. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito declarado em PER/DCOMP não homologada somente poderia se referir à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Assim, a exigência dos débitos, declarados e não quitados em razão na não homologação, através de lançamento de ofício relativos período posterior àquela MP é manifestamente ilegal, de modo que, nos termos do artigo 53, da Lei Federal 9.784/1999, o auto de infração é improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer, de ofício, que não deve prosperar o lançamento, em função de já estar o débito confessado, com o conseqüente provimento do recurso voluntário. O relator entendeu tal circunstância como ensejadora de nulidade, sendo acompanhado pelos Conselheiros Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Os demais conselheiros entenderam tratarse de improcedência, devendo o relator agregar tal circunstância ao seu voto e à ementa, na forma regimental. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 88 /2 01 2- 01 Fl. 11105DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.106 2 Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 10990 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma, da DRJ/POA, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de dois Autos de Infração, exarado pela DEFIS SP, em 11.06.2012, referente a PIS e COFINS no período compreendido entre setembro de /2007 e setembro de 2009. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 10372 e seguintes) de R$2.569.901,98 e R$11.787.538,15 mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$29.941.782,49. Verificase que o lançamento de ofício decorreu do indeferimento de ressarcimentos de COFINS que culminaram com a nãohomologação de diversas PER/DCOMP utilizadas para quitação dos respectivos valores a pagar de PIS e COFINS. Naquela oportunidade, os despachos decisórios glosaram parte dos créditos de PIS/Cofins não cumulativo, acarretando em insuficiências de deduções pretendidas pelo contribuinte, de modo que se constatou a necessidade de constituição de ofício de contribuições, por meio de Auto de Infração, dos valores não declarados na Declaração de Débitos è Créditos Tributários Federais — DCTF e informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). O respectivo Termo de Verificação que deu azo ao lançamento elencou as seguintes irregularidades: VERIFICAÇÕES CONDUZIDAS PELA FISCALIZAÇÃO 20. O presente trabalho de auditoria foi norteado na verificação das rubricas das receitas e despesas (em especial os Bens Utilizados como Insumos e os Serviços Fl. 11106DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.107 3 Utilizados como Insumos, que representam, em média, mais de 90% da base de cálculo dos créditos do período) constantes das apurações e declarações fornecidas pela empresa, cujo resultado é o eventual saldo remanescente, objeto do presente Pedido de Ressarcimento. 21. Foi ainda auditada a exatidão dos índices de rateio utilizados para a apuração entre os custos referentes ao mercado interno e ao externo, além de verificações acerca da sistemática da empresa sobre os contratos de longo prazo e sua contabilização. 22. Para tal, foram confrontadas: as apurações e declarações transmitidas pela empresa (DACON, DCTF, PER/DCOMP, DIPJ); os livros, documentos e arquivos eletrônicos fiscais e contábeis; e as notas fiscais eletrônicas e originais apresentadas em conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de Outubro de 2001, por meio da utilização do ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício das atividades de fiscalização. (...) 26. Foram ainda requisitados, ao longo da fiscalização: a. Comprovantes de exportação; b. Notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; c. Descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na industrialização, com a respectiva classificação fiscal. (...) CONTRATOS DE LONGO PRAZO (...) 31. A sistemática é conhecida também como Método PoC (Percentage of Completion method). Ele exige o reconhecimento das receitas ao longo do período de realização do empreendimento, na proporção da evolução física ou financeira das obras. 32. Segundo a empresa, o momento desta realização já se inicia no instante em que são efetuadas as despesas (compra de insumos). 33. São previstos os faturamentos correspondentes a cada projeto em andamento, fixandose uma determinada margem de lucro, recolhendose os respectivos tributos de forma antecipada já no momento da compra dos insumos. (...) RECEITAS NO MERCADO EXTERNO 39. O momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês conforme o artigo 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de Novembro de 2002 (...) 40. Em vista das divergências encontradas entre o DACON e o SICOMEX acerca dos valores mensais das exportações, a empresa foi intimada a detalhar os Fl. 11107DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.108 4 valores informados na ficha 07A do DACON e ainda a apresentar todas as Declarações de Despacho de Exportação (DDE) do período. (...) 42. Em decorrência de todas as divergências apresentadas, as informações apresentadas pela empresa não foram aceitas por esta fiscalização sendo que os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) serão utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. RECEITAS NO MERCADO INTERNO 43. Foi observado que as notas fiscais de saída são apropriadas corretamente no momento da sua emissão. 44. Através das notas fiscais fornecidas pelo contribuinte no padrão da IN 86, foi possível comprovar as receitas do mercado interno (Rubricas do DACON): Receita da Prestação de Serviços, Receita da Revenda de Mercadorias e Receita da Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria. MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS RATEIO PROPORCIONAL 47. Ao longo de todo o período abrangido, a empresa utilizou o método do rateio proporcional para todos os custos (Bens:para Revenda, Bens Utilizados como Insumos, Serviços Utilizados como Insumos e Despesas de Armazenagem de Mercadoria, Frete na Operação de Venda, Despesas de Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas, Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil e Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado). 48. Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. MOMENTO DE APURAÇÃO DOS INSUMOS E SERVIÇOS COMO CRÉDITOS 51. A metodologia de apuração das entradas de mercadorias e serviços feita pela empresa baseiase no momento de lançamento da Nota Fiscal, em afronta à legislação citada acima: "dos itens (...) adquiridos no mês". (...) 53. Em estrito cumprimento às leis citadas acima, as notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS cujas emissões se deram fora do período da sua apuração foram glosadas. 54. A data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (critério este idêntico ao adotado pelo sistema ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente homologado pelos órgãos centrais da RFB para o auxílio do exercício das atividades de fiscalização). 55. Não cabe à Autoridade Fiscal flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem sim ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês Fl. 11108DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.109 5 seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes. (...) DEFINIÇÃO DE INSUMOS Insumos Caracterização SD 200815 (...) 64. A atividade da empresa é a “fabricação de motores e turbinas, peças e acessórios, exceto pata aviões e veículos rodoviários.” 65. Foram considerados como insumos típicos da atividade fim da empresa: tubos de plástico, produtos laminados de ferro, perfis de aço, parafusos, turbinas hidráulicas, máquinas motrizes, bombas de ar, válvulas, etc... 66. Seguindo a interpretação dada pela COSIT acerca do termo insumo, também foram considerados como insumos os "bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado". 67. Seguem alguns exemplos típicos da área de engenharia inerentes à atividade da empresa: prestação de serviços de engenharia, projetos de desenhos, impressões e plotagens, serviços de consultoria, de engenharia, montagem de equipamentos, inspeção, acompanhamento de obras, análises técnicas, manutenção, tradução técnicas e de projetos, calibrações, aferições, pinturas industriais, usinagens, testes e análises técnicas, gerenciamento de obras, perícia ambiental, inspeção de segurança para a NR 13, etc... 68. Também foram considerados como insumos serviços de apoio, todavia, essenciais para a entrega do produto e sua implementação. Seguem alguns exemplos: locação de rádios, transceptores e telecomunicações em obras, aluguel de containeres de banheiros e de escritórios, locação de galpões, serviços de interface de banco de dados, desenvolvimento de sistemas computacionais, manutenção de SW Solid Edge (Sistema CAD de modelagem), serviços subaquáticos, etc... 69. Não foram considerados como insumos: suporte administrativo feito por empresas terceirizadas, consultoria de implantação do BSC (Balanced Scorecard), locação de notebook e computadores sem especificação do local da sua utilização, reembolso de salários e encargos, correios, atividades de contabilidade, locação de mãodeobra temporária, atividades de consultoria em gestão empresarial, supervisão, diligenciamento, consultorias inespecíficas, consultoria de qualidade, atividades de serviços financeiros, locação de móveis, locação de salas, locação; de máquinas de café, locação de coberturas, locação de equipamentos de higiene, filmagens e fotos, cursos de capacitação (idiomas, MBA, etc..) para funcionários, custos para congressos de liderança, fornecimento de arranjo de flores, confecções de cartões de visita de funcionários, etc... (...) DO AUTO DE INFRAÇÃO 79. Na situação de os créditos reconhecidos serem insuficientes para realizar as deduções pretendidas, fazse necessária a constituição, de oficio, do valor não Fl. 11109DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.110 6 declarado em DCTF por meio de auto de infração, acompanhado da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. (...) 80. Além disso, constam do auto de infração os valores das glosas de créditos realizadas mês a mês relativa aos créditos de mercado Interno e de importação. Frisese que essas glosas não implicam necessariamente em saldo de contribuição a pagar, pois na maioria dos casos o crédito apurado foi suficiente para deduzir da contribuição devida. Apenas nos meses listados no parágrafo 5 deste Termo de Verificação Fiscal é que, devido a essas glosas, apurouse saldo de contribuição a pagar como já demonstramos. (...)” (fls 10956 e seguintes) Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 11.06.2012 (fl.10373), e interpôs impugnação, em 10/07/2012 (fls. 10464 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Existência de conexão • as mesmas infrações que são objeto dos autos de infração ora questionados, também são objeto de despachos decisórios que indeferiram PER/DCOMPs apresentados pela empresa e que são objeto de trinta e dois (32) processos administrativos. Tanto os autos de infração quanto os processos administrativos (DCOMPs) envolvem o período do quarto trimestre de 2005 ao terceiro trimestre de 2009. Há, portanto, identidade de partes e de objeto do presente processo administrativo com a lide travada nos mencionados 32 processos administrativos. Tal identidade configura genuína conexão, que demanda a reunião de todos os processos administrativos para julgamento conjunto, medida essa de caráter lógico e sistêmico, bem como questão de eficiência. Cerceamento de defesa • os autos de infração de PIS/COFINS, o Termo e as planilhas apresentadas, da maneira como foram lavrados, veiculam cerceamento de defesa, o que acarreta nulidade dos indigitados autos. Os autos de infração de PIS/COFINS lavrados indicam apenas, e de forma muito vaga, a suposta ocorrência de três infrações: (1) incidência nãocumulativa padrão; insuficiência de recolhimento; (2) glosa de créditos: crédito de aquisição no mercado interno constituído indevidamente; e (3) glosa de créditos: crédito de importação constituído indevidamente. Quanto às planilhas, verificase que não há a transparência necessária para se averiguar, de forma pormenorizada, se o cálculo realizado pela Fiscalização é consistente com o Termo, ou seja, se a apuração numérica do pretenso crédito tributário de PIS/COFINS realmente corresponde às alegações constantes do Termo, podendo estar sendo cobrados valores excedentes ou indevidos; • a empresa não logrou êxito em identificar a origem das diferenças de recolhimento e créditos glosados pela fiscalização, não conseguindo entender como os autos de infração chegaram nos valores glosados. Além disso, não foi demonstrada a metodologia adotada pela fiscalização para recalcular os índices de rateio utilizados para indeferir o pedido de homologação das PER/DCOMPs Fl. 11110DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.111 7 apresentadas, sendo que o respectivo cálculo baseiase em premissas não encontradas nos autos do presente processo, nos autos de infração, no Termo ou na planilha; Momento de reconhecimento das receitas de exportação • o procedimento contábil adotado pela empresa encontra sólido alicerce legal, sendo absolutamente equivocada a desconsideração feita pela Fiscalização. Mas, ainda que aceitas como corretas as premissas adotadas pelo Fisco, a metodologia de cálculo dos novos índices de rateio se mostra absolutamente absurda, sendo ofensiva aos princípios mais basilares do sistema tributário nacional; • a empresa celebra contratos de longo prazo com seus clientes, inclusive com clientes no exterior, que geram receitas de exportação, cujo momento de reconhecimento é questionado no Termo. Ao invés de reconhecer as receitas de exportação de forma antecipada e consistente com o reconhecimento para fins de tributação pelo IRPJ/CSLL, a empresa optou por diferir a tributação dessas receitas na apuração de PIS/COFINS. Esse procedimento (computar receitas de exportação apenas quando da emissão das notasfiscais aos clientes) beneficiou o Fisco, tendo em vista que ela poderia ter reconhecido tais receitas conforme o método PoC e reconhecido créditos passíveis de compensação com outros tributos federais, em razão dos arts. 6º e 8º da Lei nº 10.833/2003. Ainda que esse procedimento não tivesse beneficiado o Fisco, o que, por si só, já acarretaria no decreto de improcedência das infrações, a autuação não mereceria prosperar, pois a emissão da notafiscal também pode ser considerado momento legítimo para reconhecimento das receitas de exportação no presente caso. Momento de contabilização das receitas de exportação • o ADI SRF nº 22, de 2002, não determina o momento de contabilização da receita de exportação. Estabelece o momento em que se dá por ocorrida a condição resolutiva imposta pela legislação para que tal receita possa gozar das isenções prescritas respectivamente pelos arts. 5º, I, da Lei n° 10.637/2002 e 6º, I, da Lei n° 10.833/2003; • a NF é o instrumento previsto na legislação que visa justamente documentar a transferência de posse/propriedade de bens, sendo a DDE documento de natureza regulatória. A NF materializa o instrumento pelo qual a venda é, via de regra, documentada para fins fiscais. Sua emissão tem o claro objetivo de servir de estopim ao fenômeno da incidência tributária. No caso do ICMS/IPI, a NF registra um débito desses impostos; no caso do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a emissão da NF marca o momento da venda e, dependendo das particularidades das condições dessa operação, da receita. Para a empresa, o momento da emissão da nota é o momento correto de escrituração da receita de exportação para fins de PIS/COFINS, pois essa receita já foi anteriormente tributada pelo IRPJ/CSLL, tendo sido esse deslocamento de reconhecimento de receitas uma opção que beneficiou o Fisco; • se a falta de emissão de NF configura omissão de receitas, a emissão de NFs em operações de venda, contrário senso, implica necessariamente a contabilização de receitas de venda para fins de PIS/COFINS, especialmente em caso, como o presente, onde a mesma receita já foi anteriormente tributada em razão da aplicação do método PoC; • no momento de emissão da NF de exportação, o valor ali descrito deve ser reconhecido como receita de exportação, consagrando o regime de competência (no presente caso, a mesma receita já foi tributada para fins de IRPJ/CSLL). Qualquer Fl. 11111DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.112 8 mutação no preço entre essa data e a data de embarque deve ser considerada como receita operacional complementar, devendo ser emitida nova NF para documentar o lançamento contábil. A partir desse momento, novas receitas têm natureza financeira (variação cambial positiva); • o ADI SRF nº 22, de 2002, não trata de receitas de exportação em contratos de longo prazo, sujeitas à regra específica (art. 8º da Lei nº 10.833/2003), não sendo aplicável ao caso concreto. Tal ato trata de exportações ordinárias realizadas com base em contratos de execução imediata, como na venda de produtos para o exterior com base em cláusula FOB. Também por esse motivo a autuação de PIS/COFINS não resiste a uma melhor análise no que toca à questão do momento de reconhecimento de receitas de exportação. O entendimento exposto no Termo (as receitas de exportação somente receitas de exportação face à totalidade das receitas, o procedimento utilizado pela Fiscalização reduziu o valor dos créditos passíveis de utilização via PER/DCOMP; • assumindo que existe uma certa homogeneidade entre o percentual de receitas de exportação e locais, se mostra óbvio que eventual alteração no critério de reconhecimento de receitas de exportação somente produziria efeitos no primeiro mês. Nos demais meses, as receitas eventualmente desconsideradas seriam compensadas pelas receitas neles realocadas. Significa dizer que, matematicamente, a realocação de receitas a períodos posteriores eliminaria os efeitos da desconsideração das receitas supostamente não pertencentes àquele período de competência, de forma que os índices de rateio calculados pela empresa iriam necessariamente condizer (ou ser muito próximos) com a realidade atual; • se houver o entendimento de que o correto para o período de competência para reconhecimento de receitas de exportação é o período em que a DDE foi registrada no SISCOMEX (ignorandose que a mesma receita foi anteriormente tributada para fins de IRPJ/CSLL segundo o método PoC), se mostra necessária a reforma dos autos combatidos e das planilhas subjacentes, com a finalidade de promover o recalculo dos índices de rateio adotados pela fiscalização, sendo necessariamente realocadas as receitas de exportação desconsideradas em determinado período àquele de sua competência. Inexistência de duplicidade do registro de DDE’s • não houve registro em duplicidade da DDE 2060718565/1 (e de nenhuma outra DDE ou operação). A operação que deu origem à referida DDE foi contabilizada uma única vez (12/2006), sendo que todos os efeitos fiscais dela decorrentes estão exclusivamente relacionados a esse momento. A empresa não conseguiu identificar qual seria a motivação da Fiscalização ao mencionar tal operação, visto que não existe nada em suas demonstrações contábeis e fiscais que levem a esse fim (não existe registro em duplicidade). Não foi encontrado nas informações/documentos que instruem o presente processo administrativo nada que fundamente tal conclusão, o que reforça o argumento de que o direito à ampla defesa e contraditório está sendo cerceado; • a empresa requer a determinação de diligências, exigindo que a Fiscalização reexamine toda a vasta documentação apresentada e que, então, demonstre de forma clara e precisa as operações que foram objeto de registro em duplicidade; • ainda que os índices calculados pelo Fisco sejam inferiores aos originalmente calculados pela empresa, resta inegável que os créditos conexos a esses novos índices seriam passíveis de compensação/ressarcimento. Assim sendo, nada justifica o indeferimento integral dos pedidos formulados. Assim, se mostra Fl. 11112DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.113 9 absolutamente imprescindível a reforma dos despachos decisórios e dos autos combatidos ou, no mínimo, a determinação de diligências para que fosse calculado o valor do crédito de PIS/COFINS sobre o qual a empresa poderia buscar a compensação ou ressarcimento, com a realocação das receitas de exportação para os períodos que, na visão do Fisco, seriam os competentes. Equívoco na glosa de créditos de PIS/COFINS decorrentes da aquisição de insumos e serviços em período supostamente posterior ao mês competente • para embasar suas alegações, a Fiscalização utilizou amostra distorcida da realidade examinada, tentando transmitir sentimento de que a empresa adotou prática que prejudicaria os cofres públicos ou que violaria a lei. Considerandose que o Fisco não revelou, de forma pormenorizada e por NF, quais créditos foram desconsiderados, deverseá, caso não se reconheça o cerceamento de defesa ou se cancele os autos com base nos argumentos apresentados, converter o julgamento em diligência para que o Fisco detalhe tais NFs, permitindose verificar o preciso lapso temporal entre a data de emissão de cada nota e a data do reconhecimento do crédito respectivo; • ao escriturar os créditos de PIS/COFINS no mês de lançamento das notas dos fornecedores na contabilidade, e não no mês da emissão das mesmas (em período anterior), a empresa adotou prática que beneficiou os cofres públicos. A Fiscalização também ignorou que, como a própria Administração Tributária normatizou, qualquer discussão tributária em que haja a alegação de que o regime de competência foi desrespeitado exige que o Fisco identifique o regime competente, com os efeitos fiscais correspondentes; • com a negação dos custos dos insumos e serviços, com respectivos créditos de PIS/COFINS, em janeiro de 2008, em razão de alegação de desrespeito do regime de competência, o Fisco estaria obrigado a considerar tais custos e créditos em dezembro de 2007, refazendo a apuração das contribuições neste período e identificando o saldo de créditos passíveis de desconto ou compensação nos meses seguintes. A prática adotada pela empresa beneficiou os cofres públicos, representando postergação no reconhecimento de créditos de PIS/COFINS, não tendo havido recolhimento a menor dessas contribuições ou de qualquer outro tributo que tenha sido compensado com o ressarcimento dos créditos objeto do pedido sob exame; • concluiu que: 1) é totalmente equivocado o raciocínio posto no Termo ao alegar que os créditos de PIS/COFINS na aquisição de insumos e serviços foram apropriados em período posterior ao competente, eis que a contabilização de tal aquisição a posteriori constitui mera inexatidão contábil, que implicou em postergação de créditos de PIS/COFINS, em benefício dos cofres públicos; 2) é inadmissível a conduta da Fiscalização de não realocar as NFs aos períodos relativos aos meses de emissão, com violação à legislação que rege a matéria, pareceres normativos e princípios da lealdade (confiança legítima), razoabilidade e proporcionalidade; • a discussão relativa ao período de competência de aquisição dos insumos e serviços é um tema atinente à legislação civil e societária, sendo a legislação tributária uma conseqüência. Irrelevância do momento de emissão da NF Fl. 11113DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.114 10 • o momento de emissão da nota fiscal na venda de mercadorias não é, via de regra, o momento em que a compra e venda produz efeitos patrimoniais, não sendo esse o marco temporal para escrituração do custo na contabilidade do adquirente, mas sim a tradição efetiva ou simbólica dos insumos vendidos à empresa (também em virtude do conceito de ativo). No momento em que o fornecedor entrega insumos à empresa, com a tradição da coisa, os riscos passam a ser do comprador, e não do vendedor (art. 492 do CC). Esse é o momento no qual o adquirente escritura o custo da coisa e o passivo devido ao alienante; • para que a contabilização dos insumos ocorra, é necessário que a empresa tenha a propriedade dos mesmos, o respectivo controle, bem como os respectivos riscos e benefícios. Como normalmente o fornecedor está obrigado a entregar os insumos no estabelecimento da empresa, fácil concluir que o custo (e o desconto do crédito de PIS/COFINS respectivo) não deve ser apropriado quando da emissão da NF, mas sim no momento da entrega; • não pode o Fisco lavrar autos de infração com base em sistema (ContÁgil) simplesmente porque ele é o sistema interno do Fisco federal. Deve haver uma justificativa, um motivo, que permita à empresa analisar e questionar o raciocínio de tal sistema, o que não houve no caso. Isso caracteriza outra hipótese de cerceamento de defesa, confirmando a necessidade de decreto de nulidade dos autos de infração; • no que se refere ao crédito dos serviços, sua escrituração se dá apenas no momento em que a empresa recebe a fatura do prestador. Algumas vezes, o prestador emite a fatura em um dos últimos dias do mês, mas a empresa só a recebe posteriormente. Nesse momento a empresa aprova os serviços e o respectivo pagamento, razão pela qual os créditos de PIS/COFINS são então apropriados; • a própria legislação que regula o IRPJ determina que o período de competência para contabilização das aquisições de insumo é a data de registro/processamento das NFs que documentam a operação de compra, ou seja, quando da entrada. O procedimento adotado pela empresa deve ser considerado como correto, devendo ser cancelados os autos também nessa questão. Créditos apropriados posteriormente. Faculdade da empresa • a apropriação de créditos de PIS/COFINS em um dado período ou nos meses subseqüentes constitui uma faculdade, um direito do contribuinte. Conforme os arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a empresa poderá descontar créditos de PIS/COFINS das contribuições devidas, a fim de se alcançar o efeito não cumulativo das mesmas. Ou seja, podese subtrair do PIS/COFINS devidos em um dado mês os créditos dessas contribuições. A utilização do verbo poder indica uma faculdade para a empresa, que pode, querendo, em um mês pagar o PIS/COFINS integralmente (sem considerar os créditos), para apenas descontar os mesmos do débito de PIS/COFINS devido no mês seguinte. O § 4º daqueles artigos confirma também a faculdade da empresa de aproveitar o crédito de PIS/COFINS não utilizado em um determinado mês nos períodos seguintes. Em outras palavras, se o contribuinte não utiliza os créditos de PIS/COFINS em um certo mês, ele tem o direito de usar os mesmos nos períodos seguintes; • a leitura conjunta de tais dispositivos, combinada com o § 1º dos arts. 3º, demonstra que o contribuinte pode apurar créditos de PIS/COFINS com relação a insumos e serviços adquiridos no próprio mês corrente, ou nos meses anteriores (já que o crédito não aproveitado em um dado mês pode ser utilizado nos seguintes, do que decorre que o crédito não calculado e aproveitado em um período pode ser escriturado e utilizado nos períodos posteriores); Fl. 11114DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.115 11 • no caso concreto, em que há um lapso temporal entre a data de emissão da nota e a sua escrituração na contabilidade (quando da entrada do bem na planta), mesmo que a interpretação do Fisco estivesse correta (o crédito deveria ser apropriado no mês de emissão da notafiscal), também nessa situação o Termo deveria ser reformado, tendo em vista que a empresa estaria simplesmente exercendo um direito seu, baseado nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, de reconhecer créditos de PIS/COFINS em períodos posteriores ao mês em que os mesmos poderiam ser escriturados e aproveitados. Inexistência de desconto de créditos sobre bens adquiridos de pessoas físicas • a fiscalização incorre em equívoco ao afirmar que a empresa teria descontado créditos de PIS/COFINS sobre operações realizadas com pessoas jurídicas (sic). Nunca houve desconto de créditos sobre operações realizadas com pessoas físicas. O sistema eletrônico utilizado pela empresa para controlar sua contabilidade (Sistema SAP) é parametrizado de forma a somente autorizar o desconto de créditos sobre operações com pessoas jurídicas; • não foi encontrada, em nenhum dos documentos/planilhas que fundamentam o despacho decisório, qualquer menção a operações realizadas com pessoas físicas que supostamente tenham gerado créditos de PIS e COFINS. Tal fato, além de materializar novo exemplo de que o direito à ampla defesa e contraditório foi cerceado, também impede que se possa demonstrar a inexistência de desconto de créditos de PIS/COFINS nas operações realizadas com pessoas físicas. A autuação e as planilhas que a instruem não permitem a identificação de qual o montante de PIS/COFINS que estaria sendo exigido com base na alegação de desconto de créditos dessas contribuições em aquisições realizadas de pessoas físicas, materializando genuíno cerceamento de defesa; • a empresa requer a determinação diligências visando a levantar quais seriam as operações realizadas com pessoas físicas que geraram créditos de PIS/COFINS. Pede, ainda, que seja numericamente demonstrado o efeito dessa glosa na apuração do PIS e da COFINS exigidos, demonstração essa não encontrada em nenhum lugar nos autos. Conceito de Insumo • para fins de creditamento de PIS/COFINS, a empresa considera somente os bens e serviços adquiridos que estejam diretamente relacionados à produção de bens destinados à venda. Gastos de natureza administrativa não são creditados. A empresa estranha a menção dos mesmos no Termo, sendo que não encontrou nos documentos que o instruem nenhuma listagem a esse respeito; • requer sejam determinadas diligências para que se apresente listagem contendo as operações, por notafiscal, em a empresa tenha indevidamente descontado créditos de PIS/COFINS. O Fisco não apontou sequer um caso, uma nota fiscal que não caracterize insumos, que teria sido utilizada para fins de creditamento de PIS/COFINS. Tratamse de alegações genéricas, que não tem correlação fática com o presente caso. A empresa também está impedida de verificar qual a quantia de PIS/COFINS que está sendo cobrada com base nessa acusação. Inaplicabilidade da multa de 75% • a multa foi aplicada de forma equivocada. Foi utilizado percentual de 75% com base no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996 (item 79 do Termo). O Fisco Fl. 11115DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.116 12 desconsiderou, na aplicação da multa, que a empresa havia informado e utilizado os créditos de PIS/COFINS ora questionados em pedidos de ressarcimento dessas contribuições, vinculados a PER/DCOMPs, que foram homologados parcialmente ou totalmente indeferidos. Conforme o próprio Termo, o Fisco tinha ciência dos referidos PER/DCOMPs; • tratandose de créditos de PIS/COFINS utilizados em DCOMPs, importante observar o art. 74, §§ 4º e 6º da Lei n° 9.430/1996. O protocolo das DCOMPs, por si só, informam a existência do crédito ao Fisco e constituem confissão de dívida, sendo, desde aquele momento, aplicáveis todos os efeitos previstos em lei; • o reconhecimento da existência de declarações dos tributos e contribuições, e, principalmente, das DCOMPs é motivo suficiente para afastar a aplicação do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996. Os fatos objeto da autuação orbitam em volta das referidas DCOMPs, nas quais foram apontados os créditos de PIS/COFINS em debate no presente processo administrativo; • para a aplicação da multa de 75%, não foi verificada nenhuma das hipóteses que o dispositivo traz, quais sejam: falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. O caso em análise atrai as disposições legais previstas na Seção VII da Lei n° 9.430/1996. Tratandose de discussão que envolve créditos de PIS/COFINS compensados (DCOMPs), a autoridade fiscal deveria ter aplicado a multa de 50% (e não de 75%) prevista no art. 74, §§ 15 e 17 da Lei nº 9.430/1996; • não tendo o legislador instituído um critério de diferenciação, não cabe ao intérprete fazêlo. A multa aplicável aos créditos informados em DCOMPs é de 50%, ainda que os mesmos tenham implicado recolhimento a menor de tributo que podem ser cobrados separadamente em auto de infração como autoriza o art. 90 da MP nº 2.15835/2001; • o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 estabelece que o lançamento de ofício para exigir as diferenças apuradas decorrentes de compensação, exatamente como o caso sob exame, limitarseá à exigência da multa isolada nos casos em que seja comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Esse não é o caso do presente processo administrativo, onde a Fiscalização não alegou falsidade. Assim, não é aplicável o referido artigo; • na situação sob exame (o Fisco alega que existiriam diferenças de PIS/COFINS decorrentes de compensação indevida), a autuação poderia exigir não só a multa de 50%, como também os tributos em questão e juros, exatamente como fez, em respeito ao art. 74, §§ 15 e 17 da Lei nº 9.430/1996. Disso tudo decorre que o Fisco não poderia ter aplicado a multa de 75%, mas sim de 50%; • ainda que a presente impugnação não seja acolhida integralmente, deverá ela ser julgada procedente a fim de se reduzir a multa de 75%, aplicandose a de 50%, conforme determina o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 (§§ 15 e 17). Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa • o Fisco não pode exigir juros de mora sobre multas de ofício lançadas, eis que não há base legal para tanto. O CTN autorizou o legislador ordinário a exigir juros de mora sobre o montante do crédito tributário apurado, o que pode abranger tanto o tributo quanto a multa, estabelecendo como taxa de juros máxima o Fl. 11116DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.117 13 percentual de 1% ao mês sobre o valor do crédito pendente de pagamento. Muito embora o CTN tenha autorizado a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário, o legislador ordinário federal decidiu exigir juros de mora apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal (art. 61 da Lei nº 9.430/1996); • desde a vigência da Lei n° 9.430/1996 não há base legal para se exigir juros de mora sobre as multas de ofício. Assim, caso alguma parcela dos autos de infração venha a ser mantida, não poderão ser exigidos os juros de mora sobre as multas de ofício aplicadas; • é imperioso que seja reconhecida a impossibilidade de o Fisco exigir juros sobre as multas de ofício caso alguma parcela dos autos de infração seja mantida, por absoluta ausência de previsão legal, tendo em vista que o art. 61 da Lei n° 9.430/1996 referese somente a tributos e contribuições (e não a Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1045.071 (fls 10955 e seguintes), exarado pela 2ª Turma da DRJ/POA, em 11.06.2013, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 27.07.2013 (fls 10989, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos legais e não tendo ocorrido nenhuma das causas de nulidade descritas na legislação pertinente (Decreto nº 7.574, de 2011), não há que se falar em anulação da autuação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência posto na impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2009 CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS. MULTA APLICÁVEL Contribuição não declarada e não paga deve ser constituída de ofício, com o acréscimo da multa de 75% do valor não recolhido. Fl. 11117DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.118 14 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela RFB, mostrase regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2009 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2009 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 11118DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.119 15 Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Nulidade dos Autos de Infração. Cerceamento de Defesa A verificação das peças processuais permite inferir que os fatos foram perfeitamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal pertinente. Consubstanciaramse no entendimento da autoridade fiscal acerca das infrações apontadas. Demais disso, a fiscalização elaborou um conjunto de elementos (Termo/demonstrativos/planilhas), os quais, combinados entre si e com os demais elementos constantes do processo, demonstram cabalmente a forma como foram apuradas e calculadas as contribuições devidas, caracterizando plenamente todos os fundamentos do fato jurídico tributário. A propósito disso, deve a impugnante verificar o item imediatamente posterior cujo título é Apuração dos valores. Origem das Glosas. Informações em NFs. Não se Fl. 11119DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.120 16 vislumbra, pois, qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. Ademais, restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de existência de cerceamento do contraditório e da ampla defesa, ou seja, a autuada demonstrou, mediante as razões de impugnação ofertadas, ter compreendido os motivos das autuações, rebatendo as infrações apontadas, não havendo de se cogitar de violação a qualquer princípio constitucional ou administrativo (especialmente o contraditório e a ampla defesa). Apuração dos valores. Origem das Glosas. Informações em NFs Em que pese as alegações da contribuinte relativamente à existência de cerceamento de defesa, observase que a verificação/percepção dos valores apontados pelo autuante nos Autos de Infração não se configura difícil. Isso porque: 1. da atenta observação do demonstrativo Auditoria DACON 200X YY 1 (para cada período lançado há um) podese inferir a existência de uma coluna denominada Planilha de Origem. Abaixo desta denominação (seguindo a coluna) consta a informação de qual planilha/demonstrativo o autuante extraiu os valores que fundamentaram os AI (contágil, insumos, serv/sey, memorial); 2. da verificação de cada uma daquelas planilhas/demonstrativos se perceberá os valores que são encontrados no demonstrativo Auditoria DACON, estes matizados (hachurados/destacados) em amarelo (marcatexto); 3. em cada uma das planilhas/demonstrativos apontados constam informações sobre as NFs e seu aproveitamento (ou não) nos respectivos DACONs. Concluise, pois, que não procede a afirmação constante, por vezes, da impugnação, de que a Fiscalização não teria esclarecido/demonstrado as glosas que efetuou. Receitas de Exportação. Momento do Reconhecimento. Contratos de Longo Prazo A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Fl. 11120DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.121 17 Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Especificamente em relação às exportações, a legislação fixou um critério único para a definição do momento aqui tratado: Portaria MF nº 356, de 1988 I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. No mesmo sentido, a IN SRF nº 243, de 2002, que regulamentou normas relativas aos preços a serem praticados nas operações de compra e de venda de bens, serviços ou direitos efetuadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, consideradas vinculadas, dispunha: Art. 22. A receita de vendas de exportação de bens, serviços e direitos será determinada pela conversão em reais à taxa de câmbio de compra, fixada no boletim de abertura do Banco Central do Brasil, em vigor na data: I de embarque, no caso de bens; II da efetiva prestação do serviço ou transferência do direito. § 1º A data da efetiva prestação do serviço ou transferência do direito é a data do auferimento da receita, assim considerada o momento em que, nascido o direito à sua percepção, a receita deva ser contabilizada em observância ao regime de competência. § 2º Na hipótese em que o contribuinte seja optante pelo lucro presumido, com base no regime de caixa, considerarseá auferida a receita segundo o regime de competência. (os destaques não constam do original) Além disso, a RFB externou claramente sua posição acerca da matéria (ver http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2013/Capitulo_VIII_Lucro Operacional_2013.pdf): Receita de Exportação 039 Como é determinada a receita bruta de venda nas exportações de produtos manufaturados nacionais? Fl. 11121DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.122 18 A receita bruta de venda nas exportações de produtos manufaturados nacionais é determinada pela conversão, em moeda nacional, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior, assim entendida a data averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). (...) 040 Como é fixada a data de embarque para efeito de determinação da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais? Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior (momento da conversão da moeda estrangeira) aquela averbada no Siscomex. (...) 041 Como deverão ser consideradas as diferenças decorrentes de alterações na taxa de câmbio ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data de embarque? As diferenças decorrentes de alterações na taxa de câmbio ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque devem ser consideradas como variações monetárias ativas ou passivas, conforme o caso. Embora essas orientações tenham natureza fiscal, elas correspondem à prática contábil, conforme se verifica da seguinte orientação retirada do manual de contabilidade já citado: Na hipótese de exportações de produtos manufaturados nacionais, a receita bruta de vendas será determinada pela conversão, em moeda nacional, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior, entendida esta como o data averbada pela autoridade aduaneira, na Guia de exportação ou documento de efeito equivalente. As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias ativas ou passivas. (Op. cit., p. 333) (os grifos não constam do original) No concernente ao momento em que deve ocorrer o reconhecimento da receita derivada da exportação de mercadorias quando há um intervalo de tempo entre a emissão da NF de saída e a data do embarque dos produtos, verificase que o direito de crédito e a receita decorrentes desta venda apenas são reconhecidos, em moeda nacional, com o embarque das mercadorias vendidas, pois neste momento todos os riscos e benefícios significativos inerentes ao bem exportado são transferidos para o comprador. Eventuais ajustes em virtude de variações cambiais ou de outros motivos (pertinentes) que possam ocorrer entre a data de emissão da NF de saída e o momento do embarque desses bens, devem ser implementados na contabilidade da empresa. Assim, verificandose que as receitas de vendas para o exterior devem ser reconhecidas na data do embarque da mercadoria quando essa for divergente da data Fl. 11122DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.123 19 de emissão da NF, resta correta a interpretação adotada pela Fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, nada devendo ser alterado quanto a este item. Cumpre salientar, ainda, que por contrato de longo prazo é possível entender se, principalmente, aquele utilizado quando as partes se encontram em situação que envolve grandes fornecimentos de bens ou serviços, possibilitando, assim, maior certeza e segurança aos envolvidos no que tange ao acordado, bem como aos investimentos que serão realizados. Em seu TVF, a Fiscalização detalhou a forma de contabilização dos custos e sistemática de diferimento das realizações relativas aos contratos de longo prazo utilizada pela empresa, apontando, especialmente, o art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, e referindo ao chamado Método PoC, tendo reconhecido que as planilhas de controle dos projetos de longo prazo apresentadas pela contribuinte comprovaram os valores apontados, entendendo correto o procedimento adotado quanto a este aspecto (ver itens 31 a 35 do TVF). Apuração de Créditos de PIS/COFINS no Regime da Não Cumulatividade. Rateio Proporcional Conforme relatado pela Fiscalização (itens 21 e 47/48), o crédito pretendido pela empresa não foi integralmente admitido por conta de ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. A título ilustrativo cabe lembrar que os créditos decorrentes de custos e despesas vinculados às operações de exportação têm tratamento diferenciado pela legislação, vez que podem ser utilizados tanto na dedução do valor das contribuições a recolher como, em certas condições legalmente estipuladas, na compensação com débitos próprios ou, ainda, para ressarcimento. O regramento relativo ao método de determinação dos créditos no regime da nãocumulatividade, conforme critério estabelecido pela própria pessoa jurídica, consta dos §§ 8º e 9º dos arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Esses parágrafos foram regulamentados pelo art. 40 da IN SRF nº 594, de 2005 (PIS), e art. 21 da IN SRF nº 404, de 2004 (COFINS). Observados os critérios apontados pela legislação, verificase que a exemplo do que acontece no rateio entre as receitas submetidas em parte ao regime cumulativo e de outra ao regime não cumulativo, as receitas auferidas com exportações/mercado interno deverão ser comparadas com o total da receita bruta da empresa. E assim o fez a Fiscalização, tendo exposto no TVF, de maneira clara, seu procedimento (itens Receitas no Mercado Externo/Receitas no Mercado Interno). Observese que a apuração feita pelo Fisco baseouse em farta documentação apresentada pela empresa, inclusive informações prestadas nas fichas pertinentes dos DACONs (ver, por exemplo, as planilhas anexadas nas fls. 8.357/8.366 e 10.268/10.2772 relativas aos PAs, respectivamente, 09/2007 e 09/2009). Embora a impugnante tenha se mostrado descontente com o procedimento fiscal, o acatamento de suas argumentações resta impedido por conta da falta de comprovação, pela empresa, de eventuais erros de cálculos feitos pela Fiscalização, observandose que a ela caberia a demonstração de possíveis erros (ônus da prova). Assim, na medida em que a Fiscalização utilizouse, também, de informações disponibilizadas pela própria contribuinte, a desconstituição dos cálculos requereria a comprovação de que a grandeza dos valores que os compõem restariam Fl. 11123DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.124 20 efetivamente equivocados. No entanto, a impugnante limitase a alegar, sem juntar a seus argumentos demonstrativos/provas necessárias de eventuais erros. Considerase, portanto, corretos os percentuais de receitas de exportação/mercado interno calculados pelo autuante, com a conseqüente redução dos créditos da nãocumulatividade ligados às receitas de exportação o que, por conseqüência, reduz o montante dos créditos passíveis de compensação. Aquisição de insumos. Apuração de Créditos. Aspecto Temporal. Momento de Emissão da NF Quanto a este item, a empresa entende ser irrelevante a data (momento) de emissão da NF para fins de apuração dos créditos de PIS/COFINS, eis não ser aquele o momento da produção dos efeitos patrimoniais decorrentes da aquisição dos insumos (ou dos serviços). Entende que os efeitos somente se produzem no momento da entrega do bem/serviço, momento em que se dá a contabilização. Consoante relatado pela Fiscalização, o momento correto para apuração de eventuais créditos de PIS/COFINS decorrente da aquisição de insumos (regime da nãocumulatividade) está determinado no art. 3º, inciso II, § 1º, inciso I da Lei nº 10.637, de 2002 (PIS), e no art. 3º, inciso II, § 1º, inciso I da Lei nº 10.833, de 2003 (COFINS). No que se refere ao PIS, o citado artigo foi regulamentado pela IN SRF nº 247, de 2002, depois alterada pela IN SRF nº 358, de 2003 (art. 66, especialmente o inciso I), enquanto que em relação à COFINS o apontado artigo foi normatizado pela IN SRF nº 404, de 2004 (art. 8º, especialmente o inciso I). Portanto, em relação ao tema e quanto a estas contribuições existem regras próprias para o aproveitamento de créditos, que devem ser observadas. Nesse sentido, a verificação da legislação que disciplinou a matéria permite inferir que o momento em que pessoas jurídicas podem utilizar os créditos para o desconto da contribuição devida ou para pedido de ressarcimento/compensação deve ser entendido como a data de aquisição, momento da transmissão do direito de propriedade dos bens. Ou seja, o importante não é a posse física do bem ou, no caso, o momento de sua entrada no estabelecimento, mas o direito de sua propriedade e, sendo assim, devese considerar a data de emissão dos documentos fiscais como a data de aquisição. Ponto interessante a ser o observado é que sem a regra em questão, o DACON perde totalmente a sua finalidade, qual seja, a de demonstrar e controlar a apuração mensal do PIS/COFINS, o que, evidentemente, envolve não só a base de cálculo das contribuições devidas, mas também a base de cálculo dos créditos passíveis de dedução e seu aproveitamento. O procedimento adotado pela empresa inviabiliza o controle seguro, pela RFB e até por ela mesmo, de quais os custos e aquisições foram computados na apuração de créditos passíveis de dedução, pois se ela informa no DACON crédito referente a um determinado período de apuração e embute no valor apurado, créditos com origem em aquisições de insumos ou custos correspondentes a períodos diversos, correse o risco de uma única aquisição de bens ou insumos gerar crédito aproveitado em duplicidade, podendo ser incluído em mais de um pedido de ressarcimento/declaração de compensação. Ainda acerca do tema, devese ressaltar que nas planilhas apresentadas pela contribuinte quando da auditoria fiscal, mostramse claras as informações sobre a data de emissão de cada NF considerada pelo autuante, bem como quando se deu sua contabilização (ver, por exemplo, planilhas que se iniciam na fl. 5.6133), donde se pode concluir que, tendo a Fiscalização aplicado corretamente a legislação de Fl. 11124DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.125 21 regência quanto ao tema, nada dever ser modificado nos Autos de Infração quanto a este item. PIS/COFINS. Créditos Temporais e Atemporais. Escrituração/Utilização Nos termos da legislação de regência, no âmbito da sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS, a regra de aproveitamento dos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos é sua utilização para desconto da contribuição devida no mês. Diante da impossibilidade de desconto, é cabível pleitear o ressarcimento ou proceder à compensação dos referidos créditos apenas se eles forem vinculados a receitas de exportação ou a receitas de venda no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Como salientado pela Fiscalização, o § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determina que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes (neste item ver, também, os arts. 27 e 49 da IN RFB nº 1.300, de 2012). Ademais, no regime da nãocumulatividade e no tocante aos créditos extemporâneos, podese afirmar que: a) verificados os §§ 1º dos arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, observase a determinação de que os créditos devem ser apurados por via da aplicação da alíquota sobre o valor dos bens adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, ou seja, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos de apuração, e isto com o fim de que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro período específico de geração do crédito; b) se exige a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). O ressarcimento/compensação de eventuais créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, devendo eles ser pleiteados em procedimentos repetitórios/compensatórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. Assim, observada a legislação de regência, entendese sem razão a contribuinte quando alega que o crédito não calculado/aproveitado em determinado período pode ser escriturado/utilizado em período posterior, restando correto o procedimento da Fiscalização. Conceito de insumos Com a criação do regime nãocumulativo o PIS/COFINS não foram poucas as dúvidas e divergências que sobrevieram acerca da extensão e conteúdo de muitos dos conceitos e institutos postos nas novas disposições legais. Com efeito, em razão de comparações, por vezes devidas e por vezes nem tanto, com os contornos e feições de outras exações também submetidas a regimes nãocumulativos, bem como em face de interpretações díspares acerca de alguns dispositivos daquelas Leis Fl. 11125DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.126 22 regimentadoras, surgiram dissensões que dificultaram muito a operacionalização prática do novo regime de apuração daquelas contribuições sociais. Dentre os vários conceitos postos na legislação, um dos que mais se apresentou problemático se refere ao insumo. A importância da clarificação desse conceito está no fato de que grande parte dos créditos admitidos na sistemática da nãocumulatividade das contribuições estão vinculados à aquisição de insumos utilizados na prestação de serviços ou na fabricação de produtos destinados à venda. Assim, dependendo da acepção mais ampla ou mais restrita que se adote para o conceito de insumo, poderá haver uma variação muito grande no montante de créditos apropriáveis pelos contribuintes. Para a Administração Tributária o conceito de insumos tem merecido uma delimitação baseada, em linhas gerais, na afirmação de que só se caracterizam como tal as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem que sejam utilizados em ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Os contribuintes, no entanto, contestam esse entendimento, afirmando, em regra, que a delimitação do conceito não está expresso nas Leis, não cabendo imposições de restrição não posta em lei (esse entendimento tem sua gênese em uma interpretação isolada dos arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dispositivos estes que, ao preverem o creditamento em relação aos insumos adquiridos, o teriam feito mencionando insumos sem quaisquer delimitações). Observadas as Leis regimentais, entendeu a Administração Tributária que elas, ao referirem a insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, teriam criado uma delimitação estrita, vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta no processo produtivo. No caso, passíveis de observação, também, as INs SRF nºs 247, de 2002 – alterada pela IN SRF nº 358, de 2003 – e 404, de 2004. Essas INs estabeleceram, de forma explícita, que se deve ter por insumos aqueles bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Ou seja, estáse aqui diante de um conceito jurídico de insumo que, apesar de não necessariamente coincidir com o conceito econômico, está formalizado em atos legais que compõem a legislação tributária e que, como já dito, têm efeito vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. Nesse contexto, de forma clara e objetiva apontou a Fiscalização sobre quais operações aceitou a apuração de insumos. Relatou, ainda, que, fundamentada em documentos apresentados pela própria contribuinte, efetivou as necessárias verificações e, basicamente, concluiu ter havido, também, apuração de insumos sobre suporte administrativo feito por empresas terceirizadas, consultoria de implantação do BSC (Balanced Scorecard), locação de notebook e computadores sem especificação do local de sua utilização, reembolso de salários e encargos, correios, atividades de contabilidade, locação de mãodeobra temporária, atividades de consultoria em gestão empresarial, supervisão, diligenciamento, consultorias inespecíficas, consultoria de qualidade, atividades de serviços financeiros, locação de móveis, locação de salas, locação de máquinas de café, locação de coberturas, locação de equipamentos de higiene, filmagens e fotos, cursos de capacitação (idiomas, MBA) para funcionários, custos para congressos de liderança, fornecimento de arranjo de flores, confecções de cartões de visita de funcionários, serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas e hospedagens, Fl. 11126DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.127 23 sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, despesas de transporte de supervisores. Eventuais apurações de insumos sobre tais atividades foram glosadas. Por seu turno, afirmou a contribuinte que adota o conceito de insumos similar ao utilizado pela Fiscalização (somente são considerados insumo, para fins de creditamento de PIS/COFINS, os bens e serviços adquiridos que sejam diretamente relacionados à produção de bens destinados à venda). Disse que não constam do processo, informações acerca das operações glosadas (item já verificado anteriormente). No entanto, todas as informações que fundamentaram a apuração dos valores devedores de PIS/COFINS constam do processo, que inclusive contém planilhas apresentadas pela própria contribuinte. Como exemplo, para apuração dos valores devedores relativos ao PA 09/2007 devese analisar os documentos constantes das fls. 8.333 a 8.3764 (em especial, o demonstrativo DACON Auditado), considerando se, ainda, as cópias de despachos decisórios de fls. 8.377/8.4165. Como já referido, ao contrário do que efetivado pela Fiscalização, não se preocupou a contribuinte em demonstrar, por meio de documentos hábeis e idôneos, as argumentações que trouxe na impugnação. Neste sentido, pertinente as considerações contidas no item imediatamente posterior (Ônus da Prova). Ônus da Prova Da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. O art. 333 do CPC disciplina a distribuição do ônus probatório da seguinte forma: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Estatuiuse por meio desta norma que o ônus da prova no processo civil incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Comentando o citado artigo, Humberto Theodoro Júnior sustenta que: Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito. Quando, todavia, o réu se defende através de defesa indireta, invocando fato capaz de alterar ou eliminar as conseqüências jurídicas daquele outro fato invocado pelo autor, a regra invertese. É que, ao se basear em fato modificativo, extintivo ou Fl. 11127DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.128 24 impeditivo do direito do autor, o réu implicitamente admitiu como verídico o fato básico da petição inicial, ou seja, aquele que causou o aparecimento do direito que, posteriormente, veio a sofrer as conseqüências do evento a que alude a contestação. O fato constitutivo do direito do autor tornouse, destarte, incontroverso, dispensando, por isso mesmo, a respectiva prova (art. 334, n.º III). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. São Paulo: Forense, 23 ed., 1998, p. 424) Aplicandose tal conceituação à lide tributária, podese afirmar que à autoridade lançadora incumbe o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que deseja imputar ao contribuinte, enquanto que ao contribuinte incumbe provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Notese que a legislação processual administrativotributária inclui disposições que reproduzem este conceito. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário. Pelo contrário, mostrase fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do art. 38, § 1º, do Decreto nº 7.574, de 2011, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do art. 57 do mesmo Decreto, que determina que a impugnação conterá os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Ademais, a distribuição do ônus da prova possui ainda certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de PIS/COFINS no regime da nãocumulatividade (possibilidade de dedução, do valor a ser recolhido, de créditos calculados sobre encargos da pessoa jurídica, como por exemplo matériaprima, energia elétrica e aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos). Neste regime mantêmse a premissa de que compete à autoridade fiscal comprovar a ausência de recolhimentos em relação matéria tributável daquelas contribuições, qual seja a receita bruta do contribuinte. No que se refere aos créditos, todavia, diante das particularidades deste regime tributário, verificase que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Desta forma, o direito aos créditos da nãocumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Exigese a apresentação de documentos comprobatórios da existência do direito creditório, ou seja, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Caso o contribuinte não Fl. 11128DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.129 25 comprove possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. No caso em tela, a contribuinte, em regra, não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações, limitandose, basicamente, a negar a apuração dos créditos fundados em insumos, parte deles glosados (gastos de natureza administrativa não são creditados pela impugnante...). Dessa forma, não tendo a contribuinte carreado aos autos elementos comprobatórios de seu alegado direito, mantémse o entendimento da Fiscalização. Multa de Ofício. Percentual Aplicado Com relação à multa de ofício lançada no percentual de 75%, verificase que os valores principais objeto dos Autos de Infração não foram pagos/declarados. Dessa forma, a penalidade se mostra perfeitamente de acordo com a previsão legal (art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996). Ainda que a autuada conteste tal percentual, pleiteando a utilização de percentual inferior, sua alegação não procede, vez que os valores discriminados pelo Fisco decorrem de falta de informação nas DCTFs correspondentes, que não foram pagos ou incluídos em qualquer programa de parcelamento. A pretensão da contribuinte remete à multa isolada a ser formalizada com base nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (incluído pela Lei n° 12.249, de 2010). No entanto, tal penalidade deve ser aplicada nos casos de indeferimento de crédito pleiteado e compensação indevida não homologada, ou seja, a lei expressamente autoriza e determina a constituição de crédito tributário pelo lançamento de ofício, na forma de multa isolada, no percentual de 50% sobre o crédito indeferido ou, ainda, quando a declaração de compensação não for homologada, o que, como visto, não é o caso. Assim, verificado que a multa ora tratada encontra claro fundamento legal, não pode seu percentual ser alterado/excluído administrativamente, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, entendendose correto o procedimento fiscal no tocante à exigência da multa de ofício no percentual de 75%. Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Admitindose a competência deste órgão de julgamento para apreciar a questão, verificase que, ao contrário do que entende a autuada, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício resta plenamente configurada no art. 161, do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (o grifo não consta do original) Observandose que o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Fl. 11129DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.130 26 Nesse mesmo sentido, no art. 142 (CTN) que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, inciso II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Dessa forma, entendese restar esclarecida a possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (...) Conclusão do Voto Ante o exposto, não tendo a contribuinte carreado aos autos qualquer fundamento modificativo ou extintivo da pretensão do Fisco, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e julgar improcedente a impugnação apresentada, com a integral manutenção dos Autos de Infração relativos ao PIS e à COFINS. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e suscitar, ainda, a nulidade da decisão da DRJ, por suposta omissão quanto aspecto relevante da peça impugnatória. Como mencionado acima, a fiscalização não respeitou o método PoC na autuação em debate, para fins de determinação do momento de reconhecimento de receitas de exportação. No item 42. do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização reconhece expressamente que não aceitou esse critério adotado pela Recorrente (e nem a data de emissão da nota), tendo, por outro lado, utilizado a data de embarque dos equipamentos como marco para o reconhecimento da receita. Apesar da clareza dessa afirmação fiscal, o v. acórdão recorrido faz comentários acerca de contratos de longo prazo e do método PoC nos últimos dois parágrafos das suas fls. 20, como se esse assunto não fosse o cerne dessa discussão. Em decorrência desse claro equívoco, forçoso é concluir que o v. acórdão recorrido analisou hipótese que não corresponde ao caso concreto sob análise, veiculando genuíno erro material, do que decorre a sua indiscutível nulidade. (...) Entretanto, nas duas questões levantadas acima, que tratam de questões relativas a timing, verificase que o Eg. Órgão Julgador "a quo" não analisou a questão relativa à obrigação de o fisco realocar as receitas de exportação e custos de aquisição acima referidos para os meses que, na visão da fiscalização, seriam os competentes, o que, naturalmente, reduziria de forma substancial a autuação de PIS/COFINS em tela. Os itens 55. e 56. do Termo de Verificação Fiscal tratam exatamente desse assunto, que foi devidamente questionado na impugnação, mas ignorado no v. acórdão de fls. Fl. 11130DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.131 27 Os equívocos e falta de manifestação do Eg. Órgão Julgador de primeiro grau sobre as questões apontadas acima confirmam que o v. acórdão recorrido analisou hipótese que não corresponde ao caso concreto sob análise, veiculando genuíno erro material, e também não exauriu todas as questões em litígio, do que decorre a sua indiscutível nulidade. No sentido de que deve ser anulada a decisão de primeiro grau que não analisou argumento levantado pelo contribuinte, como ocorre no presente caso, este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já se pronunciou acerca da necessidade de a decisão de primeira instância administrativa fundamentar adequadamente suas conclusões e enfrentar todos os argumentos que lhe são postos, sob pena de nulidade. (...) Portanto, apenas pelas razões acima expostas, deve o presente recurso ser provido a fim de se declarar a nulidade do v. acórdão de primeiro grau, a fim de que seja prolatado novo julgamento, levandose em consideração a situação concreta da Recorrente e analisandose questão de suma importância no presente feito, que é a obrigação de o fisco realocar as receitas de exportação e custos de aquisição acima referidos para os meses que, na visão da fiscalização, seriam os competentes, com o consequente recálculo do PIS/COFINS, o que, naturalmente, reduzirá de forma substancial a autuação de PIS/COFINS questionada. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acórdão ocorreu em 27/07/2013 (fls. 10989) e o Recurso Voluntário foi protocolado em 23.08.2013 (fls. 10990 e seguintes), e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Das Preliminares (i) Nulidade do Acórdão Recorrido, A Recorrente alega que haveria nulidade do acórdão recorrido em razão de a decisão recorrida não haver se manifestado sobre pontos específicos de sua impugnação, importando em nulidade da decisão, especialmente para que, em novo acórdão, a DRJ pronunciese sobre a obrigatoriedade de o Fisco realocar as receitas de exportação e custos de Fl. 11131DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.132 28 aquisição acima referidos para os meses que, na visão da fiscalização, seriam os competentes, com o consequente recálculo do PIS/COFINS, o que, naturalmente, reduzirá de forma substancial a autuação questionada. Na visão da Recorrente, a ausência de manifestação representaria violação ao direito de ampla defesa. Sobre esse aspecto, é certo que a decisão não veio a abordar tal questão, mesmo porque entendeuse que não havia litígio na discussão quanto à aplicação do método PoC para alocação de custos e receitas em casos de contrato de longo prazo. Por outro lado, como o auto de infração trata de lançar os tributos, cuja obrigação tributária teria deixado de ser extinta em decorrência do não reconhecimento dos créditos originados de exportações e da conseqüente não homologação, o lançamento objeto de discussão não importaria em análise dos efeitos prospectivos da realocação. Nego, portanto, o cerceamento (ii) Nulidade Suscitada no Recurso por suposto “cerceamento de defesa” Igualmente não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do auto de infração sem ter lhe oportunizado, antes, a possibilidade de rebater as dúvidas levantadas pela fiscalização. Ora, o rito previsto no Decreto Federal 70.235/1972 viabiliza a réplica do contribuinte justamente via apresentação de impugnação, possibilidade que não foi negada ou restringida de nenhuma forma pela administração pública. A segunda justificativa para alegação de prejuízo à sua defesa decorre do seu entendimento que o auto de infração não fora devidamente fundamentado. Igualmente, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve carência de justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso. (iii) Nulidade do Auto de Infração – Reconhecimento de Ofício O presente lançamento, conforme já explicitado no relatório, e na análise da primeira preliminar, decorre da não homologação de diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação que não foram reconhecidas pela unidade de origem, após análise formalizada no MPF. Ocorre que as referidas PER/DCOMP’s foram apresentadas em 2009, com respectivos despachos decisórios exarados em 2011, portanto já sob a égide da redação atual do artigo 74, da Lei Federal 9.430/1996, com a inclusão do parágrafo sexto através da MP 135/2003. Com isso, o efeito da não homologação das compensações, de acordo com aquele dispostivo, é a confissão de dívida por parte do contribuinte, de modo que a cobrança Fl. 11132DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.133 29 dos débitos declarados ficaria diretamente a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional, com consequente inscrição de tais débitos em dívida ativa. Ora, pareceme claro que o AFRB, após a vigência da nova redação daquela Lei Federal, não tem competência para o lançamento dos tributos “em aberto”, importando em violação clara de suas prerrogativas e competências. Essa é, inclusive, a conclusão implícita na Solução de Consulta COSIT 3/2004, emitida na esteira das alterações trazidas pela MP 135/2003: 19. Tal sistemática perdurou até a edição da MP no 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, estabelecendo que o lançamento de ofício de que trata esse artigo, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar seá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. 20. Assim, com a edição da MP no 135, de 2003, restabeleceuse a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (DCTF, DIRPF, etc.), sistemática essa que vinha sendo adotada, com espeque no art. 5o do Decretolei no 2.124, de 1984, até a edição da MP no 2.15835, de 2001. Ainda que haja a previsão para a cobrança de multa isolada, prevista nos parágrafos 15 e 17, do artigo 74, da Lei Federal 9.430/1996, a penalidade incluída no auto de infração ora em análise não teve o condão de, tampouco, lançála, mas sim a multa de ofício genérica, aplicável ainda quando não havia a previsão de que a compensação não homologada importaria em confissão de dívida; de modo não há cabimento de manutenção do lançamento em nenhuma hipótese, eis que todo ele resta viciado, em nítida implicação do artigo 59, inciso I, do Decreto 70.235/1972. Todavia, após a deliberação do Colegiado, restou consignado que os vícios apontados com relação à lavratura do auto de infração não seriam ensejadores de nulidade por incompetência da autoridade fazendária, mas sim que o lançamento teria vícios de ilegalidade uma vez que havia vedação normativa expressa para fazêlo, sendo caso de improcedência em virtude do disposto nos artigos 2º e 53, da Lei Federal 9.784/1999. Nesse sentido, por ser hipótese de matéria de ordem pública, reconheço, de ofício, a improcedência do auto de infração. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 11133DF CARF MF Processo nº 19515.721188/201201 Acórdão n.º 3401005.952 S3C4T1 Fl. 11.134 30 Fl. 11134DF CARF MF
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