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Numero do processo: 10320.720034/2007-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Não é tributável o imóvel inteiramente localizado em área de interesse ecológico transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não é tributável o imóvel inteiramente localizado em área de interesse ecológico transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 00 34 /2 00 7- 30 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10320.720034/200730 Acórdão n.º 2801003.078 S2TE01 Fl. 341 2 “Tratase de auto de infração de ITR, no valor originário de R$ 258.005,20, decorrente de revisão interna de DITR2004. De acordo com a fiscalização, não teria sido comprovada com documentação hábil a Área de Preservação Permanente. Além disso, o Valor da Terra Nua VTN declarado não teria sido atestado por meio de laudo de avaliação. Para o município de Mirador (MA), o valor estabelecido para o ano 2004, constante do Sistema de Preços de Terra SIPT, seria de R$ 59,95/ha. Foi entregue no CAC/Floriano (PI) a documentação de fls.20/83, não analisada pela DRF São Luis (MA) por ter sido encaminhada após a emissão da notificação de lançamento. Devidamente cientificado do auto de infração, o contribuinte tempestivamente apresentou impugnação em 05/11/07 (fls.87/103) tempestividade atestada à fl.204 por meio da qual sustenta, em síntese: a) em 1980 adquiriu 21.519,70 ha, "..área esta excertada de uma gleba de terras (22.193,60 ha), a qual foi declarada, em Ação Discriminatória, pelo Juízo de Direito da Comarca de Colinas (MA), como de propriedade do Sr. José Ribamar Lima e outros"; b) o imóvel rural estaria situado no Parque Estadual do Mirador, instituído pelo Estado do Maranhão por meio do Decreto n° 7.641/80 para fins de preservação ambiental, o que estaria impedindo o proprietário de adentrar e promover a exploração do im6veL De acordo com o art.7°, "...esteio terminantemente proibidos os usos diretos, com quaisquer finalidades, dos recursos naturais da área, ressalvandose as atividades cientificas devidamente autorizadas pela autoridade competente ; c) sentença transitada em julgado, proferida pelo juízo da comarca de Colinas (MA) em Ação Demarcat6ria e Indenizatória, decidira, contrariamente ao que entende a Procuradoria do Estado do Maranhão, que as terras do imóvel não seriam devolutas, tendo excluídoas do patrimônio público estadual; d) apesar de o Ato Declaratório Ambiental ADA poder ser protocolizado perante o IBAMA, seria necessária a averbação da área de reserva legal não efetivada pelo cartório de Mirador em razão da disputa judicial travada com o Estado do Maranhão e a realização de levantamento técnico que estaria sendo impedido de ser realizado pela Administração do Parque Ambiental, que não permite o ingresso de profissional habilitado na área; e) de acordo com orientação da Receita Federal o não atendimento dos itens acima dispensaria a apresentação do ADA; f) o Superior Tribunal de Justiça dispensaria o ADA para fins de comprovação da existência de área de preservação permanente; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10320.720034/200730 Acórdão n.º 2801003.078 S2TE01 Fl. 342 3 g) os imóveis "Brejo Seco" e "Riachão" estariam localizados integralmente no interior do Parque do Mirador, conforme parecer da Assessoria Jurídica do Instituto de Colonização e Terras do Maranhao INTERMA e informações da Secretaria de Minas, Energia e Meio Ambiente do Estado do Maranhão (prestada em decorrência do processo n° 0687/1987) e do poder Executivo de Mirador (emitida em 1991); h) levandose em conta a situação fática, não há se falar em ocorrência do fato gerador, vez que não deteria o domínio AM, a posse ou mesmo a propriedade, "...mesmo inexistindo transmissão cartorária (situação jurídica) dos imóveis rurais (...)". Não seria proprietário de fato, pois não poderia usar, gozar ou dispor dos imóveis; i) conforme art.6° da Lei n° 5.868/72, "...para fim de incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a que se refere o Art.29 da Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966, considerase imóvel rural aquele que se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal ou agroindustrial e que, independentemente de sua localização, tiver área superior a 1(um) hectare"; j) de acordo com Instruções Normativas SRF n° 256, de 11/12/02, e n° 272, de 30/12/02, não poderia ser responsável pelo 1TR a partir da perda da posse ou da imissão prévia no imóvel pelo Poder Público; k) considerando a criação do Parque Estadual do Mirador, área de preservação e interesse ecológicoambiental, a Lei n° 9.393/96 conferiria isenção do 1TR, nos termos do artigo 10°, §1°, II, "b" e decisões administrativas proferidas em casos semelhantes. A defesa ainda requer produção probatória, bem como realização de diligência e perícia com o objetivo de "certificar a veracidade do abuso que sofreu e sofre". Indicou perito técnico e formulou os seguintes quesitos: A) Se as Plantas da área da reserva do Parque Estadual do MiradorMA e dos imóveis do Impugnante (Sr. Sebastião Beethoven Brandão), apresentados nesta impugnação, retratam a realidade; B) Se o Parque Estadual do MiradorMA, área na qual engloba 21.530,23 ha adquiridos pelo Sr. Sebastião Beethoven Brandão, perfaz espaço de defesapreservação ecológicoambiental? Em 16/12/2009 foi anexado aos autos requerimento do sujeito passivo acompanhado de Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício 2009 e certidão cartorária que atestaria estar o imóvel, desde sua aquisição, "...dentro do Parque Estadual de Mirador Maranhão, instituído pelo Decreto 7641, de 04 de junho de 1980, para fins ecológicos".” Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10320.720034/200730 Acórdão n.º 2801003.078 S2TE01 Fl. 343 4 A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 214/228, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2004 FATO GERADOR. CONTRIBUINTE. PROPRIEDADE. REGISTRO CARTORÁRIO. De acordo com o Código Tributário Nacional e legislação correlata, contribuinte do IT'R é o proprietário do imóvel rural, o titular do domínio Mil, ou o possuidor a qualquer titulo. Quando não restar comprovado que o autuado estava impossibilitado de exercer, por razões alheias a sua vontade, os poderes inerentes à propriedade, não há razão para excluílo do pólo passivo da relação jurídica tributaria. ÁREA TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE INTERESSE ECOLÓGICO. No cálculo da área tributável, podem ser excluídas aquelas consideradas a titulo de preservação permanente, de reserva legal e de interesse ecológico, desde que preenchidos os respectivos requisitos legais. VALOR DA TERRA NUA. SISTEMA DE PREÇOS. UTILIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. 0 Valor da Terra Nua refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 10 de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. À falta de comprovação do valor declarado, é possível a utilização de dados constantes de Sistema de Preços de Terras instituído pela Receita Federal (art.14 da Lei no 9.393/96).Apesar de o VTN ter sido fixado pela autoridade fazendária, não houve contestação expressa, razão pela qual deve a matéria ser considerada como não impugnada (art.17 do Decreto n° 70.235/72). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. IMPUGNAÇÃO. Afora as hipóteses excepcionais (impossibilidade, por motivo de força maior, de apresentação oportuna; referência a fato ou direito superveniente, ou destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), o sujeito passivo já deve instruir a impugnação com as provas que entender pertinentes (art16, §4°, do Decreto n° 70.235/72), sob pena de não poder fazêlo em momento posterior. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10320.720034/200730 Acórdão n.º 2801003.078 S2TE01 Fl. 344 5 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR. A autoridade julgadora pode determinar a realização de diligências ou perícias, quando forem necessárias ao deslinde da controvérsia. Não se mostram cabíveis tais providências, quando a defesa pretende carrear provas que já foram ou poderiam ter sido por ela produzidas a época própria. Regularmente cientificado daquele acórdão em 17/02/2010 (fl. 229), o interessado, representado por seu advogado (fls. 338/339), interpôs recurso voluntário de fls. 230/251, em 16/03/2010. Em sua defesa, alega, em síntese: · Cerceamento de defesa pela não produção de prova pericial, imprescindível ao deslinde da causa; · A ausência de fato, por parte do contribuinte, do domínio do imóvel rural vergastado; · É impossível se lavrar o ADA, pois os documentos que devem acompanhar o ato declaratório ambiental não são acessíveis suas consecuções ao contribuinte; · Que a existência de área permanente de preservação ambiental pode ser averiguada por outros meios, independente da emissão da ADA; · Que está evidente que o imóvel rural que enseja a cobrança do ITR do contribuinte está completamente inserido no Parque Estadual do Mirador e, foi declarado pelo Estado do Maranhão, como terras devolutas. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa procedida pela autoridade fiscal de 21.519,2 ha de área de preservação registrada na declaração em tela, que corresponde a integralidade do imóvel denominado “Brejo Seco e Riachão”, localizado no município de Mirador/MA, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 2.980.5872, tendo em vista a falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA. Compulsando os autos verificase que de acordo com o documento emitido pelo Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (fls. 54/56), Declaração da Secretaria das Minas, Energia e Meio Ambiente – SMEMA/Governo do Estado do Maranhão (fl. 60), Declaração da Prefeitura Municipal de Mirador (fl. 61) e Certidão de Registro de Imóveis de fl. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10320.720034/200730 Acórdão n.º 2801003.078 S2TE01 Fl. 345 6 293/294. o referido imóvel rural encontrase inserido no Parque Estadual do Mirador criado pelo Decreto n° 7.641 de 04 de junho de 1980: Art. 1°. Fica criado o Parque Estadual de Mirador, com uma área estimada de 700.000 hectares, ficando vinculada administrativamente à Secretaria de Recursos Naturais, Tecnologia e Meio Ambiente — SERNAT. Art. 2° A delimitação da área tem seu início a partir da desembocadura do riacho Boi Morto no Rio Itapecuru (Ponto 1), seguindo até às nascentes deste último (Ponto 2), deste ponto segue pelos limites municipais de Grajaú e Mirador até o rio Alpercatas (Ponto 3), seguindo no sentido de Jusante até o foz do rio Chuveiro (Ponto 4), seguindo daí até às suas nascentes (Ponto 5), deste ponto segue por uma reta no sentido sul até às nascentes do riacho Boi Morto (Ponte 6) e deste ponto, desce o rio até encontrar sua foz (Ponto 1), no rio Itapecuru. (...) Art. 7° Estão terminantemente proibidos os usos diretos, de com qualquer finalidades, dos recursos naturais da área, ressalvandose as atividades científicas devidamente autorizadas pela autoridade competente. (...) Art. 9° este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Palácio do Governo do Estado do Maranhão em São Luis, 04 de junho de 1980, 159° da independência e 92° da República. (Grifos Acrescidos) Portanto, em relação à referida área, estão terminantemente proibidos os usos diretos dos recursos naturais com qualquer finalidade, ressalvandose as atividades científicas devidamente autorizadas pela autoridade competente. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. Como se vê, as terras inseridas em parques nacionais não se prestam a qualquer tipo de exploração comercial, posto que seu único objetivo é a preservação de ecossistemas naturais, possibilitando, apenas, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, de recreação e de turismo ecológico. Em que pese à referida área não ter sido ainda desapropriada, a partir da edição do Decreto n° 7.641/1980 (art. 7°), ela passou a ser controlada pelo poder público, de forma a não haver possibilidade de qualquer tipo de exploração, a não ser ambiental e, mesmo assim, com autorização prévia dos órgãos governamentais de controle do meio ambiente. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10320.720034/200730 Acórdão n.º 2801003.078 S2TE01 Fl. 346 7 Dessa forma, na apuração e pagamento do ITR deverão ser observadas as prescrições constantes do art. 10, §1°, inciso II da Lei 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; O imóvel em questão encontrase efetivamente inserido em área de Parque Estadual e, por conseguinte, inaproveitável para prática agrícola. Esse entendimento encontra se precedentes neste Conselho Administrativo, consoante à ementa transcrita: ITR. Imóvel situado em área de Parque Nacional. Sendo economicamente inaproveitável por determinação legal (Lei nº 4.771/65, art. 5º, parág. único) não oferece matéria passível de tributação. (Acórdão 20300175 ) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900875/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.534
Decisão: RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 00 87 5/ 20 08 -3 3 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900875/200833 Resolução nº 3402000.534 S3C4T2 Fl. 1.335 2 Relatório Tratamse os autos de Declaração de Compensação realizada pelo contribuinte, decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS referente ao período de JUN/2004 sob o valor original de R$ 8.459,82 (oito mil, quatrocentos e cinquenta e nove reais e oitenta e dois centavos) com parte de débito oriundo da mesma contribuição de competência de OUT/2004 sob o valor de R$ 8.861,66, (oito mil, oitocentos e sessenta e um reais e sessenta e seis centavos). Em análise à compensação transmitida a DRF de Blumenau indeferiu o pleito sob o argumento da inexistência de crédito, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte insurgiuse, argüindo que a insuficiência de crédito para compensação se deveu a um erro no preenchimento da DCTF e da DACON e que em 21/05/2008 enviou DCTF e DACON retificadoras. Ainda, se diz estar amparado pelo princípio da Verdade Material, onde caberia ao fisco buscar esclarecimentos acerca das divergências encontradas, ofendendo ainda o princípio da razoabilidade, se apegando a um excesso de formalismo. O julgamento em primeira instância rechaçou os fundamentos da manifestação de inconformidade, apresentando entendimento de que, é ônus do contribuinte corrigir qualquer erro de informação em DACON e DCTF em tempo hábil. Esclareceu ainda que, como disposto no art. 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demandaria a existência de crédito liquido e certo, o que não se apurou no presente caso. Afirmou não haver dúvidas de que a contribuinte retificou sua DCTF, porém o fez em data posterior à apresentação da DCOMP, o que retirou do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. E ainda, finalizou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo a não homologação das compensações. O recurso foi apresentado nos mesmos termos da Manifestação de Inconformidade e no julgamento em 2ª instância o CARF houve por bem em converter o julgamento em diligência para que se verificasse a integralidade do crédito a ser compensado. Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo, no sentido de que “o crédito disponível teria sido suficiente para efetivar a compensação”. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 90 (noventa), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900875/200833 Resolução nº 3402000.534 S3C4T2 Fl. 1.336 3 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam estes autos de diligência, designada pela Resolução nº. 340200.103, na qual o Ilustre Relator, Julio César Alves Ramos, solicitou informações à Autoridade Preparadora afim de apurar fatos ocorridos nos autos, que lhe dessem suporte ao efetivo deslinde da causa. É que, conforme o relatório acima tratase o processo de compensação formalizada pelo sujeito passivo, na qual a origem do direito creditório, segundo consta, é o pagamento a maior efetuado pelo contribuinte. Bem ponderada a diligência estabelecida pela Resolução acima citada, pois que objetivou a verificação da efetiva existência ou não pagamento a maior, não considerando como suficientes (para fazer nascer o indébito apontado), apenas e tão somente as retificações das declarações efetuadas pelo contribuinte. Segundo a Resolução acima, “é o reconhecimento, agora pelo sujeito ativo da relação tributária, de que o sujeito passivo efetivamente recolheu tributo em excesso ou indevidamente, que dá a ele o direito à restituição. E se há direito a ela, há possibilidade de utilizálo para compensação de tributo”. Assim, foi designada a diligência, para apuração concreta do indébito alegado. Entretanto, de forma absolutamente breve, cumpre informar que ainda que a diligência realizada nos autos tenha de fato esclarecido pontos cruciais ao deslinde da causa, sendo extremamente conclusiva, o fato é que ao contribuinte não foi dada vistas de seu resultado, prejudicando o bom andamento do processo, em necessária observação ao princípio do contraditório e ampla defesa respeitado no processo administrativo fiscal. Sem mais delongas, mesmo que o resultado desta diligência permita a averiguação concreta da existência (ou não) do pagamento a maior, e por via de conseqüência, a materialização (ou não) do crédito apontado pelo contribuinte, ao mesmo não foi dada a oportunidade de se manifestar acerca das conclusões adotadas pela Autoridade Preparadora, nos termos do que dispõe o artigo 26 e seguintes da Lei 9.784/99. Sendo, assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, afim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902875/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator.
EDITADO EM: 17/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 17/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 17/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 02 87 5/ 20 09 -5 6 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902875/200956 Resolução nº 3401000.696 S3C4T1 Fl. 96 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação no valor de R$ 1.149,32 relativo a crédito de PIS, recolhido a maior em 31.3.2002. A DRF de Ribeirão Preto – SP, através de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, tendo em vista o fato de que o pagamento a maior indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no pedido de compensação. A interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: A totalidade do crédito apurado pela contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP é originária do indevido recolhimento da contribuição ao PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição; É de domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. Uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. A contribuinte apresentou cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre as receitas não operacionais e financeiras. Destacou que se a autoridade julgadora entender necessária a realização de perícia contábil, os documentos da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu a homologação da compensação pleiteada. Além disso, solicitou que nas intimações e notificações constasse o nome do advogado da empresa. Em 22.4.2010, a 4ª Turma da DRJ/POR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos, pois tratase de fatos contábeis, que estão no campo de conhecimento do auditor fiscal. A perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Quanto à solicitação de que em todas as intimações e notificações conste o nome do procurador da contribuinte com o respectivo endereço, não há previsão legal para que a intimação ocorra em nome ou no endereço do procurador do sujeito passivo. No que tange à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS sobre os efeitos da decisão do STF, citada pela contribuinte, se restringem às partes que figuram no processo, não beneficiando terceiros. De qualquer forma, mesmo que fosse reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, isso não significaria um reconhecimento automático do direito creditório, pois para comprovar que a totalidade do crédito compensado via Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902875/200956 Resolução nº 3401000.696 S3C4T1 Fl. 97 3 PER/DCOMP neste processo advém do indevido recolhimento do PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, a contribuinte inseriu no processo um simples extrato de balancete mensal. Esse documento, por si só, desacompanhado dos livros fiscais, razão e caixa estabelecidos e regularmente preenchidos na forma da lei, não representariam, em qualquer hipótese, prova hábil suficiente para reconhecimento do direito creditório. Em 10.6.2010, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 1º.7.2010, protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, alegando, em síntese: A prova pericial era indispensável neste processo administrativo, uma vez que a contribuinte apresentou mais de 40 PER/DCOMPs, tornando impraticável a juntada da cópia dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações da contribuinte e das préprovas constituídas, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo órgão Julgador Administrativo; A recorrente produziu, em sua Manifestação de Inconformidade, prova material apta a comprovar a existência do indébito, oriundo da incidência e recolhimento da contribuição PIS/Pasep sobre receitas não operacionais e financeiras. Dadas as condições para que seja verificada a conformidade do crédito apurado pela contribuinte, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados. É necessária a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos do PIS/Pasep que a recorrente possui. Já é de domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária, violou a redação original do art. 195, Inc. I, da Constituição Federal, ainda vigente, ao ser editada a mencionada norma legal. A base de cálculo da contribuição para o PIS e Cofins é o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços, restando afastado o disposto no artigo 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Por fim, a recorrente requer: Preliminarmente, que seja declarada a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado e, ainda, impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Que o julgamento seja convertido em diligência, para verificação e confirmação da exatidão dos créditos alvo do pedido de compensação, recolhidos indevidamente pela recorrente sobre a base de cálculo “receitas não operacionais e financeiras”. Que seja julgado procedente o recurso, com o fim de conferir regularidade às apurações fiscais realizadas pela contribuinte, como também, a regularidade dos créditos que esta faz jus, homologandose a declaração de compensação realizada. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902875/200956 Resolução nº 3401000.696 S3C4T1 Fl. 98 4 Em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa, requer intimação para apresentação de sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. É o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.902875/200956 Resolução nº 3401000.696 S3C4T1 Fl. 99 5 Voto Conselheiro Fernando Duarte Marques Cleto Conheço deste recurso por apresentar os requisitos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimentos de créditos de PIS/Pasep, recolhidos a maior em 31..2002. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, no qual defende a repercussão geral da decisão do STF que reconhece a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, que proclama o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Além disso, defende a nulidade do julgamento de primeira instância, pois foi negado o pedido de perícia contábil para a confirmação da existência e do valor dos créditos requeridos. Por fim, solicita o reconhecimento de seu Recurso Voluntário, requerendo o reconhecimento da nulidade da decisão da instância anterior e a conversão deste julgamento em diligência. À vista do exposto, voto por converter o julgamento em pedido de diligência a fim de que seja verificada a efetiva existência de crédito, o valor do débito e, por fim, o saldo credor ou devedor. Após o resultado da diligência, cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse. É como voto! Sala das Sessões, em Fernando Duarte Marques Cleto – Relator. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10540.720239/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 02 39 /2 01 0- 26 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 2 mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Peço licença aos i. Conselheiros para colacionar ao presente excerto do decisum recorrido que sintetiza bem o cerne da autuação [fls. 88/89]: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 13 3 Tratase do AI Auto de Infração, DEBCAD n° 37.279.4521, datado de 16/09/2010, e recebido, pelo contribuinte, em 22/09/2010, conforme atesta assinatura aposta na inicial, à fl. 01. Aludido AI foi lançado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no uso da competência de que trata o art. 33 da Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991), na redação dos arts. 2 o e 3 o da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, bem assim o art. 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. 2. Consoante se lê do AI (peça inicial e demais documentos que o integram, fls. 01 a 45), o contribuinte em tela, em relação às competências 05, 07 a 09/2006, 13/2007, 08 e 11/2008, abrangida no período de apuração em epígrafe, foi autuado, em virtude de apresentar a declaração a que se refere a Lei n° 8.212, de 1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997 (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP), e redação da Medida Provisória MP n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, com informações incorretas ou omissas. 3. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06 a 07), constatouse que, no período objeto da autuação, o contribuinte declarou nas GFIP, mas nelas não fez constar, a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (servidores públicos efetivos, comissionados, temporários e detentores de cargos eletivos), fato que foi observado a partir do confronto dos valores da massa salarial informada pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia TCM com os firmados nos resumos das folhas de pagamento e GFIP apresentadas, gerando diferenças. Aludidas diferenças foram apuradas, consoante planilhas anexas ao relatório, constando nos autos às fls. 18 a 21 . 3.1. Os fatos, ora relatados, caracterizam descumprimento da obrigação acessória consignada na fundamentação legal constante do item 2 acima, razão pela qual foi emitido o presente auto de infração. 4. No que tange à multa aplicada, expõe o Relatório de Aplicação da Multa (fls. 08 a 16) que, para a infração em apreço, a penalidade capitulada é a prevista no art. 32A, caput, inciso I e §§ 2 o e 3 o , da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pela MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009. A multa assim calculada, portanto, tratandose de omissão de declaração de fatos geradores de contribuição previdenciária, correspondeu a R$500,00 (quinhentos reais), em cada competência objeto da autuação. 5. O Relatório Fiscal menciona, ainda, que, para a aplicação da multa incidente sobre as contribuições lançadas, utilizouse a retroatividade benigna, prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, o que motivou a comparação entre Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 4 as penalidades aplicáveis com base na legislação vigente à época dos fatos geradores e as penalidades aplicáveis após a modificação ocorrida a partir da edição da MP n° 449, de 2008, transformada na Lei n° 11.941, de 2009. Esclareceuse, entretanto, que, considerando que no período de 01/2006 a 01/2007 os órgãos públicos eram isentos da multa de mora, a comparação entre a legislação atual e a anterior, nesse período, só aconteceu em relação às multas previstas pelo descumprimento das obrigações acessórias. 5.1. A planilha consignada no item 4.10 do Relatório Fiscal demonstra a comparação efetuada em cada uma das competências levantadas e a multa mais benéfica aplicada no presente AI, resultante dessa checagem, que importa em R$3.500,00 (três mil e quinhentos reais). Em impugnação interposta em 15/10/2010 (fls. 48 a 57, com anexos às fls. 58 a 74), o contribuinte autuado, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representálo, vem de contraporse ao presente lançamento fiscal. As razões de impugnar, em síntese, são as que, doravante, serão explicitadas. 6.1. Alega a peça impugnatória, em caráter de preliminar, que o AI em apreço, e os relatórios que o acompanham, não fazem referência aos fatos que motivaram o presente lançamento. Dessa forma, o contribuinte não sabe ao certo as razões que levaram o fisco a efetuar o lançamento no período objeto da autuação. Alega, também, que os precitados documentos consignam o montante da dívida, não informando, contudo, quais os fatos que motivaram o lançamento e o fundamento legal para tanto. Referidas omissões geram violações aos princípios da motivação, do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, o que macula de vício a autuação. 6.2. Já no mérito, argúi a impugnação que, na ação fiscal de que decorre o presente auto de infração, resultando na lavratura de três outros AI (DEBCAD n°s 37.279.451 3, 37.279.4556 e 37.279.4564), foram aplicadas multas e penalidades diversas sobre o mesmo fato gerador. Referida ocorrência estaria a demonstrar a existência, in caso, de bis in idem por biapenação (penalizarse mais de uma vez pelo mesmo fato). No caso, quádrupla apenação Afirma que, de acordo com o auditorfiscal autuante, o presente auto de infração foi lavrado e a respectiva multa aplicada porque o contribuinte autuado prestou informações, nas GFIP relativas às competências abrangidas no período de 02/2006 a 11/2008, sem, contudo, nela fazer constar a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Contrapõe, nesse sentido, que, diferentemente do quanto alega o auditor, o contribuinte prestou todas as referidas informações, no prazo legal, e que as informações faltantes são, justamente, aquelas discutidas nos AI n°s 37.279.4533 e 37.279.4548, lavrados, na mesma fiscalização, por descumprimento de obrigação principal. E indaga como teriam sido lançados estes AI, se o auditor alega que lhe foram sonegadas informações. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 14 5 Aduz que, como sabido e consignado nos precitados AI, é ilegal a cobrança da contribuição sobre o Décimo Terceiro Salário e o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, são indevidas a imposição de acréscimos, a utilização da TR/TRD, a incidência da contribuição previdenciária sobre contratos nulos e sobre a rubrica SalárioFamília. Avalia, nesse sentido, que, na verdade, o auditorfiscal confunde prestar informações com "prestar informações na forma desejada por ele", a qual, na hipótese presente, seria "admitir devidas contribuições que a autuada entende não devidas". E conclui: considerando que o acessório segue o principal, uma vez declaradas regulares as declarações efetuadas nas GFIP relativas ao período objeto da ação fiscal, não pode vingar a presente autuação. 6.4. Requer, ante o exposto, que seja considerado improcedente o auto de infração em lide. Em 28 de julho de 2011, foi prolatado Acórdão n. 1527.880 [fls. 86/] pela 6ª Turma da DRJ/SDR que julgou improcedente o pleito do contribuinte: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES COM INCORREÇÃO OU OMISSÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa, a apresentação de GFIP, pela empresa, com informações incorretas ou omissas, conforme previsto na Lei Orgânica da Seguridade Social. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA, IN CASU. Ocorre o fenômeno bis in idem quando um mesmo ente tributante cobra mais de um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador. Durante a ação fiscal de que resultou o presente auto de infração, o contribuinte foi apenado 04 (quatro) vezes, por 04 (quatro) fatos geradores diferentes. LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETRO ATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212, de 1991, pela MP n° 449, de 2008, os entes públicos passaram a responder pelas Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 6 infrações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado do decisum, o Sujeito Passivo interpôs tempestivamente recurso voluntário [fls. 94/102] que, em síntese, repete os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 15 7 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 8 indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO 2.1Obrigatoriedade Do Recolhimento O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Foram realizados os confrontos entre os valores declarados cm GFIP c os extraídos das Listagens de Processos Pagos, das Folhas de Pagamentos Avulsas e dos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA correspondentes ao Regime Geral dc Previdência, entregues pelo sujeito passivo supra qualificado, conforme planilhas 1 a V I I ! , constatouse o cometimento da infração à legislação tributária, razão por que lavramos os Autos de Infração específicos, identificados no presente Relatório Fiscal, para exigir do autuado o crédito tributário correspondente. Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informadas nas GFIPs com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas e nos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ter o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 16 9 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referentes às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, documentos de fls. 40 a 85 e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, fls. 87/98, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 10 O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese,, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente para as competências até 11/2008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, à época do fatos geradores, até a competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2302002.050 S2C3T2 Fl. 17 11 A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado. Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 12 Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001445/2007-25
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROFISSIONAL AUTÔNOMO. NÃO EXIBIÇÃO DE DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTO DE RENDIMENTOS OU DE RECIBOS DE AUTÔNOMO QUE DÊEM SUPORTE À DEDUÇÃO. DEDUÇÃO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE NOTIFICAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU POR INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS QUANDO OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO JULGAMENTO DA MATÉRIA ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS.
Tendo sido o contribuinte autuado por dedução indevida de imposto retido na fonte e sendo profissional autônomo, a não exibição de demonstrativos de pagamento de rendimentos ou de RPAs de que conste a retenção do imposto é suficiente para a manutenção da glosa, sobretudo quando o recorrente admite ter recebido tais demonstrativos. Artigo 55 da Lei nº.7450/1985 e art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997. Não há que se falar nesse caso em cerceamento de defesa, pela falta de deferimento de diligência e perícias requeridas, quando a questão se resolve pelas regras do ônus da prova no processo administrativo fiscal. Tampouco há cerceamento de defesa por falta de notificação anterior ao lançamento, nos termos da jurisprudência reiterada deste CARF e da legislação de regência, especialmente o RIR/99. Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-001.522
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 07/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROFISSIONAL AUTÔNOMO. NÃO EXIBIÇÃO DE DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTO DE RENDIMENTOS OU DE RECIBOS DE AUTÔNOMO QUE DÊEM SUPORTE À DEDUÇÃO. DEDUÇÃO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE NOTIFICAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU POR INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS QUANDO OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO JULGAMENTO DA MATÉRIA ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS. Tendo sido o contribuinte autuado por dedução indevida de imposto retido na fonte e sendo profissional autônomo, a não exibição de demonstrativos de pagamento de rendimentos ou de RPAs de que conste a retenção do imposto é suficiente para a manutenção da glosa, sobretudo quando o recorrente admite ter recebido tais demonstrativos. Artigo 55 da Lei nº.7450/1985 e art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997. Não há que se falar nesse caso em cerceamento de defesa, pela falta de deferimento de diligência e perícias requeridas, quando a questão se resolve pelas regras do ônus da prova no processo administrativo fiscal. Tampouco há cerceamento de defesa por falta de notificação anterior ao lançamento, nos termos da jurisprudência reiterada deste CARF e da legislação de regência, especialmente o RIR/99. Recurso improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 07/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Bandeira Toscano.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROFISSIONAL AUTÔNOMO. NÃO EXIBIÇÃO DE DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTO DE RENDIMENTOS OU DE RECIBOS DE AUTÔNOMO QUE DÊEM SUPORTE À DEDUÇÃO. DEDUÇÃO INCABÍVEL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA POR FALTA DE NOTIFICAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO OU POR INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS QUANDO OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO JULGAMENTO DA MATÉRIA ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS. Tendo sido o contribuinte autuado por dedução indevida de imposto retido na fonte e sendo profissional autônomo, a não exibição de demonstrativos de pagamento de rendimentos ou de RPAs de que conste a retenção do imposto é suficiente para a manutenção da glosa, sobretudo quando o recorrente admite ter recebido tais demonstrativos. Artigo 55 da Lei nº.7450/1985 e art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997. Não há que se falar nesse caso em cerceamento de defesa, pela falta de deferimento de diligência e perícias requeridas, quando a questão se resolve pelas regras do ônus da prova no processo administrativo fiscal. Tampouco há cerceamento de defesa por falta de notificação anterior ao lançamento, nos termos da jurisprudência reiterada deste CARF e da legislação de regência, especialmente o RIR/99. Recurso improvido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 14 45 /2 00 7- 25 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 07/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 06), o qual apurou supostas irregularidades (fl. 07) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2003, anocalendário 2002, por dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, por não constar dos sistemas da receita qualquer retenção na fonte para o CPF do contribuinte. O Contribuinte foi cientificado (fl.11). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01, alegando que é profissional liberal, advogado, ficando comprovados os valores recebidos pelo mesmo por meio de recibos de profissional autônomo – RPAs, segundo os quais o imposto é retido na fonte, recebendo valores líquidos e sendo dos tomadores dos serviços a responsabilidade do recolhimento do imposto retido, por se tratar de pessoas jurídicas, devendo as empresas serem chamadas a prestar esclarecimentos; que ainda que se admitisse a responsabilidade do contribuinte, a mesma só se estabeleceria quando da ciência ao mesmo da falta de recolhimento do imposto retido na fonte e, tendo o lançamento se dado sem a sua oitiva, não pode ser compelido ao pagamento de multa e de juros moratórios; protestando por outros meios de prova compatíveis com o presente procedimento. Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SPO2, em sessão realizada no dia 22/07/2009, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 17 33.576, aos seguintes fundamentos: nos termos do art.18 do Decreto n.70325/72, rejeita o pedido de diligência ou perícia, por tratarse de medida prescindível, de vez que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento; rejeita também o pedido de apresentação de documentos em momento futuro, em face do disposto no artigo 16 do mesmo diploma legal; o contribuinte não apresentou qualquer documento que instruísse sua impugnação, a dar fundamento às alegações de que foram emitidos recibos nos quais constou retenção de imposto na fonte, não tendo se desincumbido de provar as alegações que fez; na hipótese de as fontes Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 11831.001445/200725 Acórdão n.º 2802001.522 S2TE02 Fl. 49 3 pagadoras não realizarem no ano base a retenção, a responsabilidade pelo pagamento transfere se ao beneficiário dos pagamentos, salvo quando tratarse de retenção exclusiva na fonte ou de comprovada ocorrência da retenção, sem o correspondente recolhimento. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 33, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 34, atacando a decisão exarada pela DRJ e alegando que há cerceamento de defesa, pela rejeição do pedido de diligências, perícias e juntada posterior de documentos, de vez que as duas primeiras seriam imprescindíveis para apurar o recolhimento ou não do imposto devido pelas pessoas jurídicas pagadores de rendimentos ao contribuinte; que na falta de recolhimento a responsabilidade é das empresas e não do contribuinte; que a decisão da DRJ indevidamente referese a compensação do imposto na fonte, não versando os autos sobre compensação; que a situação presente é de substituição tributária, não cabendo ao contribuinte a responsabilidade por falta de recolhimento de imposto retido na fonte, nem possuindo meios para apurar se o imposto foi recolhido ou não; que o contribuinte pode ter sido ludibriado pelas fontes pagadoras, quando enviaram ao mesmo comprovantes de rendimentos pagos apontando a retenção de imposto na fonte, sem recolhê los; que em tal hipótese, a máfe da fonte pagadora não pode imputarse ao contribuinte que agiu de boafé; que as diligências são necessárias, pois pode ter havido pagamento do imposto, mas o DARF apresentar preenchimento irregular. Ao fim, pleiteia a anulação do acórdão com a devolução dos autos à primeira instância para as diligências requeridas e que o acórdão seja revisto para reconhecer a responsabilidade da fonte pagadora e não do contribuinte, em consequência da substituição tributária, bem como para reconhecer a desídia da Receita Federal em notificar o contribuinte, antes de lavrar a autuação, retirandose a multa e os juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo. Quanto ao cabimento do lançamento de ofício, nada tenho a acrescer as razões lançadas em seu acórdão pela DRJ, às quais me reporto, passando a integrar a presente decisão, não havendo, portanto, cerceamento de defesa, nem a alegada desídia da Receita Federal, pela falta de intimação do recorrente, em momento anterior ao do lançamento, exercendose o contraditório e ampla defesa, por meio da impugnação e de outros meios inerentes ao processo administrativo fiscal, como o próprio recurso voluntário. Quanto ao cerceamento de defesa pelo indeferimento das perícias e diligências requeridas pelo recorrente, também não ocorre. De fato, conforme afirmou a DRJ no acórdão recorrido, todos os elementos necessários ao julgamento da matéria encontramse presentes nos autos, como abaixo se demonstrará. O artigo 55 da Lei nº.7450/1985 dispõe, verbis: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 “Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” Em se tratando de profissional autônomo, dispõe o art.9º da Instrução Normativa SRF nº.08/1997: “Art. 9o O trabalhador autônomo e o transportador autônomo de cargas poderão utilizar, opcionalmente, como comprovante, em substituição aos modelos a que se refere esta Instrução Normativa, o Recibo de Pagamento de Autônomo RPA ou o Conhecimento de Frete, desde que contenha a identificação da fonte pagadora.” Se o recorrente, em momento algum do processo administrativo fiscal, apresentou qualquer comprovante de ter recebido pagamentos com retenção de imposto na fonte, não poderia ter lançado a retenção do imposto em sua DIRPF, nos termos das normas acima mencionadas. Não tendo se desincumbido do ônus da prova que lhe cabia, de fato, são prescindíveis quaisquer diligências adicionais. É ao menos incomum que o recorrente, por um lado, afirme que pode ter sido iludido pela fonte pagadora, quando enviaram ao mesmo comprovantes de rendimentos pagos apontando a retenção de imposto na fonte, sem recolhêlos e, por outro, não traga aos autos tais comprovantes, que afirma em seu recurso lhe terem sido fornecidos pela fonte pagadora. Pela mesma razão, não tendo o contribuinte exibido um só documento que desse fundamento ao lançamento em sua DIRPF de imposto retido na fonte e, mormente, afirmando que os respectivos demonstrativos lhe foram enviados pela fonte pagadora, malgrado não os exiba nos autos, não há que se falar em cancelamento da multa de ofício e dos juros moratórios. Diante da inércia do contribuinte em desincumbirse do ônus da prova, nos termos acima descritos, despicienda toda a discussão acerca de operarse ou não, no caso concreto, substituição tributária. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendose integralmente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 13603.720425/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação
Período de Apuração: 05/03/2003 a 23/08/2004
OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS
FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Incorrerão em multa correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência
estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação Período de Apuração: 05/03/2003 a 23/08/2004 OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Incorrerão em multa correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de SCIB – SERVIÇO E COMÉRCIO INDÚSTRIA DO BRASIL LTDA (doravante denominada “SCIB”), na qualidade de contribuinte, e de HOUSETECH SISTEMAS ELÉTRICOS LTDA (doravante denominada “HouseTech”), na qualidade de responsável solidário, para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, no valor total de R$ 18.811,61, em razão da conversão da pena de perdimento em multa (fls. 01/06). Conforme consta do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 07/41), em 26/09/2005, a empresa SCIB registrou a DI 05/10331534, por meio da qual importou 1.214 unidades de ventoinhas para ventilação, classificadas sob o código NCM 8414.59.90. Acontece, porém, que tais importações foram, de fato, integralmente pagas pela empresa HouseTech, a quem as mercadorias foram remetidas logo após o desembaraço, conforme constatou a autoridade fiscal, por meio da análise das notas fiscais de entrada e saída, que foram emitidas na mesma data, em números sequenciais e com as mesmas quantidades. O dinheiro foi transferido pela HouseTech antecipadamente à SCIB de forma indireta, por meio de seus despachantes aduaneiros, os quais, por sua vez, efetuaram depósitos bancários na conta da empresa SCIB. Entendeu, assim, a Fiscalização, ter havido o emprego de interposta pessoa na operação de importação acima, o que caracterizaria a interposição fraudulenta de terceiros, configurando dano ao erário, sujeitando a contribuinte, dessa forma, à pena de perdimento da mercadoria. Neste ponto, por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual abaixo transcrevo, excertos: “Da autuação Do Relatório de Auditoria de fls. 07/41, são extraídos os excertos abaixo que representam, de forma resumida, as razões aduzidas pela fiscalização para a constituição do lançamento: em procedimento especial de combate à interposição fraudulenta de pessoas no comércio exterior, realizado na empresa SCIB Serviço e Comércio e Indústria do Brasil Ltda. (SCIB), foi verificada a origem dos recursos aplicados nas operações Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 164 3 e a efetiva participação da empresa nas transações comerciais declaradas, mediante aplicação do rito definido na Instrução Normativa SRF n° 228/2002; ao final do procedimento não restou comprovada a irregular integralização e origem ilícita dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior. "Entretanto, constatamos a ocorrência de diversas operações de importação por conta e ordem de terceiros/ocultação do real adquirente, o que devido às alterações introduzidas pela lei 11.488/07, não configura mais hipótese de inaptidão do CNPJ"; o procedimento da IN 228 foi encerrado sem proposta de declaração de inaptidão do CNPJ, sendo aberto procedimento de fiscalização específico para os lançamentos referentes ao perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa e, ao mesmo tempo, realizada diligência na empresa HouseTech Sistemas Elétricos Lida (HouseTech), para a apuração de mais informações acerca das operações realizadas com a empresa SCIB; o foco principal da atividade da empresa SCIB é a importação de máquinas copiadoras usadas para posterior "reconstrução" e venda no mercado interno, cujo projeto foi aprovado pelo Decex pelo prazo de 3 anos (Comunicado Decex/CGDC 05/2176, de 23/11/05), fato comprovado por diligência realizada nas dependências da empresa, onde constatouse a estrutura montada para a atividade a que se dispõe; a HouseTech, adquirente oculto das mercadorias, está habilitada desde 02/06/08 para atuar no comércio exterior, sendo que não há registro de importação em nome da empresa; não é suficiente que o importador detenha capacidade econômica e operacional para que operação possa ser dita como "própria". A uma, porque a essência da operação "por conta e ordem de terceiros" consiste no interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que a motivação do importador para promover a nacionalização das mesmas não existiria. A duas, porque a hipótese da pena de perdimento introduzida pela Medida Provisória n° 66/02 (convertida na Lei n° 10.637/02) inclui também a simulação; a ocultação do adquirente ou, mais recentemente, do encomendante predeterminado, é artifício empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, quais sejam: (a) não figurar como contribuinte "equiparado a industrial" e evitar a incidência do IPI nas operações subsequentes; e (b) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior. Além disso, o uso da interposta pessoa interfere na avaliação do risco da operação, mensurada em função do perfil e histórico cadastral dos intervenientes aduaneiros envolvidos; a "importação direta", modalidade que sempre foi utilizada pela SCIB desde a sua constituição, corresponde ao método convencional, no qual o interessado (importador) contata (ou é contatado) pelo fornecedor (exportador) e negocia diretamente as condições e termos da compra, e, obviamente, as operações são realizadas com seus próprios recursos e por seu próprio risco, ou seja, não haveria problema nenhum se a SCIB importasse mercadorias pela modalidade de "importação direta" e as revendessem a quem quer que seja, desde que a operação de importação fosse realizada com recursos próprios; acontece que, durante o procedimento de auditoria, constatouse que a importadora SCIB recebeu antecipadamente os valores referentes à importação das mercadorias constantes da DI n° 05/10331534, concluindose que a operação de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 importação foi financiada por terceiros (HouseTech), ou seja, foi realizada por conta e ordem da House Tech, segundo demonstram os seguintes fatos: i) em 09/08/2008, a HouseTech já havia depositado o montante de R$ 44.871,91 na conta de seus despachantes; ii) em 16/08/2005 é depositado na conta da SCIB o valor de R$ 14.800,00, com o objetivo claro de que fosse efetuado o pagamento antecipado do câmbio, que foi fechado em 18/08/2005, no valor de R$ 14.501,23; iii) em 26/08/2005 foi depositado pela HouseTech, de forma indireta através de seus despachantes, o montante de R$ 16.661,68, o que mais uma vez demonstra o objetivo definido da operação, já que na mesma data foi efetuado o pagamento de taxas e tributos aduaneiros e do transportador VB CARGAS, no valor total de 16.124,89; de fato, não resta dúvida, que os depósitos foram realizados indiretamente pela HouseTech, conforme resposta à intimação da própria empresa (fl. 75 e 76), e comprovantes de depósitos (fls. 78 a 82); as notas fiscais de entrada e saída da mercadoria no estabelecimento importador possuem a mesma data de emissão e as notas fiscais de saída do estabelecimento importador correspondem à integralidade das mercadorias importadas através da DI n° 05/10331534, fatos que formam um quadro indiciário bem definido quanto à realização da importação exclusivamente para um adquirente (HouseTech); o conjunto dos fatos apresentados corrobora com a idéia de que a SCIB importou por conta e ordem de terceiros, entretanto, apenas o fato da operação ter sido financiada com recursos da HouseTech já é suporte fático suficiente para a caracterização, por presunção legal, da importação por conta e ordem de terceiros, conforme dispõe o art. 27, da Lei n° 10.637 de 30/12/02; concluise após os trabalhos de auditoria nas duas empresas, que a importação efetuada através da DI n° 05/10331534, apesar de ter sido registrada em nome da SCIB, foi toda financiada pela HouseTech, a quem as mercadorias foram remetidas logo após o desembaraço, como pode ser constatado na análise das notas fiscais de entrada e saída emitidas em número seqüencial e com as mesmas quantidades; em que pese as operações serem, presumivelmente, por conta e ordem, nos termos do art. 27 da Lei 10.637/02, não foram seguidos os preceitos previstos nos artigos 2° ao 5° da IN SRF n° 225 de 18 de outubro de 2002, configurando assim a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas; é certo que, independentemente do motivo de se utilizar esta sistemática, com ela buscouse ludibriar os controles aduaneiros; percebese que, no presente caso, houve coordenação entre o real adquirente das mercadorias estrangeiras e o importador por conta e ordem, o que implica que respondem conjuntamente pelas infrações praticadas, conforme o disposto no art. 95, inc. V, do DL n° 37/66. Sendo assim, estão solidariamente obrigados o contribuinte, a pessoa jurídica importadora SCIB — Serv. e Com. Ind. do Brasil Ltda, que procedeu à importação por conta e ordem da empresa adquirente, e o responsável solidário, adquirente das mercadorias, a empresa HouseTech Sistemas Elétricos Ltda, o qual tornase ciente através do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 86/87); por todo o exposto, aplicase a pena de perdimento das mercadorias, por ocultação do sujeito passivo, do real comprador e adquirente das mercadorias, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, conforme previsto no Regulamento Aduaneiro, art. 618, inc. XXII. Cumpre observar que o recolhimento dos tributos incidentes sobre as importações realizadas não descaracteriza o dano ao Erário; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 165 5 contatase da análise das notas fiscais de saída n° 4392 e 4393 (fls. 68/69), emitidas pela HouseTech, que as mercadorias importadas já foram entregues a consumo. Assim, aplicase a substituição da pena de perdimento pela multa prevista no § 1º, art. 618, do Decreto n° 4.543, de 26/12/02, de 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas; não sendo constatada nenhuma irregularidade quanto aos valores apresentados na DI, o valor aduaneiro é R$ 18.811,61, tendo sido este mesmo valor reconhecido pelo importador como valor aduaneiro e oferecido ao fisco como base de cálculo do imposto de importação. Da impugnação da empresa SCIB Cientificada pessoalmente do auto de infração em 18/02/09, conforme fls. 02 e 41, a empresa SCIB apresentou, em 20/03/09, a impugnação de fls. 90/101, de onde são extraídas as seguintes alegações: deixa a Fiscalização de observar que a DI em tela foi registrada em 26/09/05, data, portanto, posterior [sic] à edição das normas que passaram a apresentar uma série de requisitos para a realização de importação por encomenda; no caso em apreço, conforme esclarece e estabelece a Lei n.° 11.281/2006, a apontada conduta da Impugnante nada mais representaria do que importação por encomenda; procedimento esse plenamente legítimo e em nada contrário a qualquer disposição legal vigente; a exegese do art. 11, da Lei n° 11.281/2006, o qual veio ao ordenamento com o intuito de flexibilizar interpretações excessivas, como as aplicadas pelos fiscais no presente caso, tem como conseqüência, também, a rejeição do entendimento de que a "importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado" representa caso de interposição fraudulenta; ainda que houvesse um ganho tributário, o que se admite apenas para efeito de argumentação, não haveria fraude; a legislação do IPI, até 21/02/2006, tributava somente o estabelecimento importador, criando estímulos A verticalização das empresas, e a atuação das trading companies, corno ocorre em todo o mundo; não é crível que a legislação incentive, por um lado, a verticalização dentro dos grupos industriais, com a criação/contratação de empresas exclusivamente importadoras, e por outro considere este comportamento legitimo dos agentes econômicos como "interposição fraudulenta"; se a intenção do legislador, quando criou a figura da "interposição fraudulenta na importação", fosse tributar o produto importado pelo IPI ao longo de toda a cadeia de distribuição, bastaria equiparar a industrial o estabelecimento atacadista (ou mesmo varejista) que adquirisse produtos importados no mercado interno, para revenda. O que foi feito, através da edição da Lei n°. 11.281/2006 com efeitos a partir de 21/02/2006; sequer o fato de o encomendante promover adiantamentos ao importador está em desacordo com a legislação. Isso porque a encomenda, amplamente utilizada tanto no mercado interno quanto externo, sempre foi disciplinada tanto pelo direito civil quanto pelo direito tributário, a exemplo das legislações de IPI e ICMS, as quais não vedam que o encomendante promovesse adiantamentos ao contratado. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 Pelo contrário, tal fato é prática comum que visa a garantir o contratado, minimizando os riscos de eventual inadimplência; sendo o Direito Aduaneiro composto por normas de Direito Tributário e de Direito Civil, nada mais natural que as empresas se utilizassem destas disposições, diante da ausência de norma especifica para o comércio exterior; a alegação de que não existia importação por encomenda no direito brasileiro antes da Lei 11.281/06 não merece realmente crédito, eis que a encomenda é um instituto ou uma forma de negociação que remonta à origem do direito civil e empresarial, de todo o mundo em todos os tempos. Sendo este, inclusive, o entendimento da Superintendência da 7a Região Fiscal, exposto na decisão n° 45, de 1999, na qual reconhece, expressamente, não só a legitimidade da importação por encomenda, antes mesmo da publicação de qualquer norma específica, mas também a ausência de qualquer irregularidade no fato de o encomendante contratar uma importadora e de esta ser o único contribuinte de IPI; cabe destaque, também, o texto da exposição de Motivos da Emenda à MP 267 (que deu origem à citada lei 11.281/06), que é bastante lúcido e elucidativo e, de fato, joga uma pá de cal, na pretensão desmedida e absurda como a promovida através da lavratura do auto de infração ora combatido, vindo corroborar o entendimento no sentido de que o "encomendante da mercadoria importada" foi instituído na condição de contribuinte do IPI, a partir da edição da citada lei; ou seja, o fato de as mercadorias haverem sido repassadas a terceiros em nada invalidam a condição da SCIB como legitimo importador, devendo, portanto, ser afastada tal motivação do auto de infração, em vista de sua absoluta improcedência. Portanto, principalmente em se considerando que a importação promovida através da DI n° 05/10331534 foi anterior à edição da Lei instituidora de restrições e requisitos à importação sob encomenda, não há que se falar em infringência de lei, nem cometimento de infração. Por tal razão, há de ser, inexoravelmente, excluída deste auto a multa aplicada sobre o valor aduaneiro das respectivas mercadorias; a Fiscalização considerar que os depósitos em favor da SCIB representam indícios de fraude, corresponderia a um indevido ingresso na alçada comercial desta com seus clientes, o que não se pode permitir; a interposição ocorre quando a empresa que recebe o adiantamento não dispõe de recursos para realizar a operação por si mesma. Quando a importadora dispõe dos recursos, mas recebe o adiantamento por questões meramente comerciais, não há irregularidade alguma, que dirá interposição fraudulenta; o fato de uma empresa estar pronta para atender, no mercado interno, a uma possível ou provável demanda de um cliente não significa que seja um "laranja" desse cliente. Nada no ordenamento jurídico brasileiro impede que uma empresa importe com vistas a vender para outra; é preciso que se faça a distinção precisa de conceitos: uma coisa é "importar por alguém, ocupando o papel de alguém"; outra, bastante diferente, é "importar para vender para alguém". O que a legislação combate é a interposição fraudulenta na importação, a utilização de recursos de terceiros, às escuras, com vistas a excluir do controle do fisco os recursos utilizados no comércio exterior. Esta é a mens legis, que deve ser respeitada ao se analisar as operações de importação e na hora de se aventar em impor qualquer penalidade aos sujeitos passivos; desde o advento da IN SRF 229/2002 o exercício das atividades de importador e exportador, na prática, passou a depender de uma autorização prévia da Receita Federal, obtida mediante um penoso procedimento, no bojo do qual é Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 166 7 examinada a regularidade fiscal e a capacidade econômica da empresa e de seus sócios, para, ao final, ser atribuída a esta um limite, expresso em dólares, para as operações de comércio exterior que poderão ser realizadas, em cada período de seis meses; a fiscalização, após árduo procedimento fiscal, concluiu que a SCIB tem capacidade financeira comprovada para efetuar, semestralmente, suas importações. Portanto, a conclusão elementar a que se pode chegar é a de que, tendo a SCIB importado dentro do limite deferido, a capacidade financeira é indiscutível, razão pela qual deve ser afastada a hipótese de interposição fraudulenta; ao se confrontar o valor CIF constante nas DI, com aqueles apostos nas Notas Fiscais de entrada e de saída respectivas, vêse que os valores destas últimas são muito superiores. Ou seja, as saídas ocorreram com evidente lucro nas transações. Ora, em uma importação por conta e ordem, ao contrário, o valor pago pelo encomendante há de ser o valor efetivo da importação, ou, ao menos, um valor muito próximo a este, ao qual se acrescentaria uma comissão pelo serviço prestado pelo importador. Não é o caso das importações em tela, nas quais transparece claramente que o titular das mercadorias e condutor dos negócios é a SCIB; no art. 23, inc. V, do DL 1.455/76, fundamento legal deste auto de infração, é elemento do tipo a presença de fraude ou simulação, as quais, obviamente, não podem ser presumidas, mas provadas por quem as alega. No caso dos presentes autos não há sequer uma prova de fraude. A importação sob apreço é absoluta e completamente regular; o posicionamento da Administração é pacifico, no sentido de que, para ter validade, a autuação fundada no cometimento de fraude, esta tem de estar comprovada, conforme julgados da Delegacia de Julgamento em Florianópolis e do Terceiro e do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, citados a titulo de exemplo; considerando ser elementar do tipo o dolo de fraudar, inexistente nas importações objeto deste auto, concluise que não se cometeu a indigitada infração, não havendo fundamento válido para a aplicação da pena de perdimento, ora convertida em multa; caso ainda se entenda pela existência de interposição fraudulenta nas presentes importações o que não é verdade, é evidente a absoluta incoerência da autoridade aduaneira que, por um lado, pugna pela ocorrência de interposição fraudulenta na importação, acusando a SCIB de não ser a real adquirente das mercadorias, ou seja, de não ser a real importadora e, por outro, paradoxalmente, aplica ao suposto "laranja" a penalidade que deveria ser imposta ao "real adquirente" das mercadorias, promovendo, na linha de seu tortuoso e equivocado raciocínio, autêntica expropriação a non domino; ainda que a Fiscalização tivesse agido corretamente e efetuado o lançamento da conversão do perdimento em multa de 100% do valor aduaneiro o que não fez deve ser ressaltado que a SCIB não caberia tal multa e, sim, de 10% do valor aduaneiro, conforme disposto no art. 33, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Isto porque a SCIB foi autuada sob a imputação de haver cometido a infração descrita como interposição fraudulenta de terceiros na importação, não podendo ser considerada o "real sujeito passivo da obrigação tributária"; resta demonstrado que o auto de infração carreia evidente equívoco, não meramente em sua capitulação legal, mas na própria apuração dos fatos e aplicação Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 8 do direito. Afetase, assim, a regra inserta no artigo 142, do CTN, comprometendo irremediavelmente o lançamento ora impugnado; não cabe o argumento segundo o qual deva, de qualquer forma ser mantida a exigência, desta vez impondose a exigência à impugnante, não na condição de contribuinte, mas de responsável. Essa imputação simplesmente não é aceitável, visto que não cabe à instancia julgadora promover remendos no lançamento, com o fim de mantêlo a qualquer custo. É cediço que a fase de julgamento não é compatível com o aperfeiçoamento do lançamento, que deveria ter sido corretamente efetuado pela autoridade competente; assim, devese salientar que o auto de infração foi lavrado em face da SCIB, na qualidade de contribuinte, como se esta tivesse, diretamente, cometido o fato gerador da obrigação. Não cabe, portanto, agora, a pretexto de se manter a todo o custo a exigência, querer imputarlhe a condição de responsável pela infração, sendo certo que esta condição não se lhe foi atribuída em sede de descrição dos fatos e enquadramento legal; o artigo 149 do CTN rejeita inovação no lançamento, no tocante a matéria de direito, sendo, pois, ilegítimo esse tipo de aperfeiçoamento. É válido ressaltar que sobre os fatos ora em análise foi atribuída pela fiscalização significação jurídica incompatível com a norma que deveria ter sido aplicável. O lançamento, no que tange as questões de direito é definitivo e inalterável, exceto em caso de penalidade, em beneficio do contribuinte; é certo, pois que a lei nova, mais benéfica ao contribuinte, na medida em que atribui pena pecuniária de 10% à infração, antes apenada com a pena de perdimento, aplicase ao caso concreto, ex vi, artigo 106 do CTN; foi exatamente este o entendimento externado pela DRJ de São Paulo, que aplicou a citada Lei n° 11.488/07 a fatos geradores ocorridos em 2003 e rejeitou a tentativa de se punir o importador solidariamente ao adquirente; desta forma, mesmo em sendo considerada correta a imputação da autoridade lançadora, qual seja, a acusação de que a SCIB praticou "interposição fraudulenta", ainda assim deve o lançamento ser julgado improcedente, primeiro, pelos motivos antes expendidos e, segundo, porque, nos casos de interposição fraudulenta, aplicase o disposto na Lei n° 11.488/2007, tudo em conformidade com o prescrito no CTN. Por fim, a SCIB requer que seja "A) declarado improcedente, por completo, o auto de infração e/ou, B) reduzida a tributação a 10% do valor aduaneiro, em adequação ao comando da Lei n° 11.488/2007". Cumpre registrar que, cientificada do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 20/02/09, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 89, a empresa House Tech Sistemas Elétricos Ltda NÃO apresentou impugnação ao feito fiscal, sendo considerada revel nos termos do art. 21, do Decreto n°70.235, de 06/03/72.” A DRJFortaleza/CE julgou improcedente a impugnação (fls. 119/127), nos termos da ementa transcrita adiante: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 26/09/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 167 9 a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. No caso dos autos, encontramse delineados os contornos que caracterizam as operações em tela como importações por conta e ordem de terceiros, embora carentes de formalidades legais. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado, reproduzindo os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Ao final, requer a reforma da decisão de primeira instância, a fim de que seja declarado improcedente o Auto de Infração. Caso assim não o seja, requer a redução da multa aplicada para o percentual de 10% do valor aduaneiro. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, cuida a lide de Auto de Infração lavrado em desfavor de SCIB – SERVIÇO E COMÉRCIO INDÚSTRIA DO BRASIL LTDA, na qualidade de contribuinte, e de HOUSETECH SISTEMAS ELÉTRICOS LTDA, na qualidade de responsável solidário, para exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, no valor total de R$ 18.811,61, em razão da conversão da pena de perdimento em multa (fls. 01/06). Diante dos fatos verificados em auditoria, a Fiscalização entendeu que a importação registrada por meio da DI nº. 05/10331534, em nome da empresa SCIB, teve como real importador a empresa HouseTech, a qual seria a verdadeira adquirente das mercadorias importadas. Os fatos que levaram a tal entendimento encontramse minuciosamente narrados no Relatório de Auditoria constante às fls. 07/41, podendo assim ser resumidos: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 10 Em 26/09/2005, a empresa SCIB registrou a DI nº. 05/10331534, por meio da qual importou 1.214 unidades de ventoinhas para ventilação, classificadas sob o código NCM 8414.59.90; em 29/09/2005, o importador deu entrada das 1.214 .unidades, através da nota fiscal de entrada n° 823 (fl. 85); no mesmo dia, em 29/09/2005, o importador emitiu a nota fiscal de saída n° 881, em nome da empresa HouseTech Sistemas Elétricos Ltda, dando saída nas 1.214 unidades de ventoinhas para ventilação (fls. 84); em 09/08/2005, a HouseTech já havia depositado o montante de R$ 44.871,91 na conta de seus despachantes (Sra. Chystianne Gotlib Faleiro e Sr. José Octavio Faleiro); em 16/08/2005 foi depositado na conta da SCIB o valor de R$ 14.800,00, com o objetivo de que fosse efetuado o pagamento antecipado do câmbio referente à DI n° 05/10331534, o que ocorreu em 18/08/2005, tendo sido fechado o câmbio no valor de R$ 14.501,23; em 26/08/2005 foi depositado pela HouseTech, de forma indireta, através de seus despachantes, o montante de R$ 16.661,68, o que mais uma vez demonstraria o objetivo definido da operação, já que na mesma data foi efetuado o pagamento de taxas e tributos aduaneiros e do transportador VB CARGAS, no valor total de R$16.124,89; em 06/05/2008, a Fiscalização solicitou à empresa HouseTech os comprovantes de pagamento da Nota Fiscal nº. 881, por meio de apresentação de recebido, DOC, TED , cheques ou outro meio de comprovação, ao que obteve a seguinte resposta: "Em virtude da troca de escritório de contabilidade por duas vezes neste período, não foi possível até o momento localizar os comprovantes de pagamentos. Entretanto, tais faturas foram quitadas nos prazos estipulado.” em 27/05/2008, a empresa foi reintimada a comprovar os referidos pagamentos. Na oportunidade, a HouseTech informou o seguinte: 1. Em atendimento à intimação acima, estamos anexando ao presente as cópias dos extratos bancários e comprovantes de depósitos para pagamento das notas fiscais nºs 000864, de 13/04/2005 e 000881, 29/09/2005, emitidas Pela SCIB — Serviços e Comércio Internacional do Brasil Ltda. 2. Quando necessitamos da importação dos produtos constantes das notas fiscais acima, para atender a um de nossos clientes nos foram indicados como despachantes credenciados para tal, a Sra Chystianne Gotlib Faleiro, CPF n° 418.380.68600 e o Sr. José Octavio Faleiro, CPF n° 001.797.01649, que providenciaram todos os trâmites legais junto à importadora para a aquisição dos produtos que necessitávamos, não tendo a requerente nenhum contato com a referida empresa. 3. Fizemos todos os pagamentos aos intermediários conforme discriminado abaixo: , a) No dia 01/03/2005, foi feito um depósito para a Sra. Chrystianne Gotlib Faleiro, no valor de R$ 13.680,00, através dos cheques nºs 000649, no valor de R$ 2.575,10; 000650, no Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 168 11 valor de R$ 4.000,00, e 000651, no valor de R$ 1.604,90, todos do Banco Itaú S/A, agência 0937, C/C nº 306033; Cheque n° 001382, no valor de R$ 4.500,00, da Caixa Econômica Federal, agência 0089, C/C n°501702.5 (cópia do depósito e extratos bancários anexos) e R$ 1.000,00 em moeda corrente nacional, como adiantamento para que esta pudesse dar, início ao processo de importação. b) No dia 09/08/2005, foi feito um depósito para o Sr. José Octávio Faleiro, no valor de. R$ 31.191,91 através do cheque n° 000980, do banco Itaú, agência 0937, C/C. 306033 (vide cópia do depósito e do extrato bancário anexos), complementando o valor da importação. 4. Os depósitos totalizaram R$ 44.871,91, e as notas fiscais da importação somaram R$ 44.911,42, havendo um pagamento a menor de R$ 39,51, referente à variação cambial.” (grifos não constantes do original) De todo o conjunto probatório acima posto, claro está que, mesmo tendo a empresa SCIB aporte financeiro para executar a importação, esta não se deu por conta própria, tendo sido utilizados os recursos financeiros provenientes da empresa HouseTech para as operações que envolveram a importação. Em verdade, apresentase a HouseTech como a real adquirente da mercadoria, a importadora de fato, aquela que, efetivamente, foi a responsável por fazer vir a mercadoria de outro país, financiando a compra. Não importa, no caso, o fato de a empresa SCIB ter aporte financeiro para a realização das operações, visto não ser este o elemento necessário à infração prevista no inciso V do art. 23 da Lei nº. 10.637/2002. A interposição fraudulenta de terceiros ocorre sempre que o importador alega que realiza a importação com recursos próprios, mas, na prática, oculta quem efetivamente demandou e financiou a importação, como ocorreu no presente caso. Todo o conjunto probatório carreado pela Fiscalização comprovantes dos depósitos bancários, explicações fornecidas pela própria empresa HouseTech, notas fiscais de entrada e saída das mercadorias faz ver que a importação jamais se deu por conta da empresa SCIB, tampouco tratouse de importação por encomenda, conforme quer fazer crer a recorrente. Nesse ponto, irretocável a manifestação da autoridade julgadora de primeira instância: “De qualquer modo, a alegação de que a operação de 2005 se trata de uma importação sob encomenda não pode prosperar. A MP n° 66, de 29/08/02, publicada no Diário Oficial da Unido (DOU) em 30/08/02, já veio, em seu art. 29, a determinar que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste". Posteriormente à edição daquela MP, vários atos emanados do Poder Executivo enfatizaram aquela presunção legal: o Decreto n° 4.524, de 17/12/02, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, no seu art. 12, § 1°, inc. III; o Decreto n° 4.543, de 26/12/02 (Regulamento Aduaneiro vigente até fevereiro de 2009), no seu art. 105, § 2° e o Decreto n° 4.544, de 26/12/02 (Regulamento do IPI), no seu art. 9°, § 2°. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 12 Por seu turno, no âmbito da então Secretaria da Receita Federal, a disposição foi trazida no art. 5°, da IN SRF n° 225, de 18/10/02, e no art. 12, § 1º, inc. III, da IN SRF n°247, de 21/11/02. Finalmente, em 31/12/02, com a publicação da Lei n° 10.637/02, resultado da conversão da MP n° 66/02, a presunção legal em comento foi convalidada no art. 27. O advento do art. 11, da Lei n° 11.281/06 não teve o condão de afastar aquela presunção, pois apenas afirmou que "A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros". Observese que a lei utiliza o termo revenda. Revender segundo o dicionário Aurélio, significa "tornar a vender, vender (o que se tinha comprado para negócio)”, pressupõe, portanto, a utilização de recursos próprios da pessoa jurídica importadora na importação das mercadorias. No mister de regulamentar o dispositivo legal, a então SRF, no uso da prerrogativa dada no § 1º, inc. I, do mesmo artigo 11 da Lei n° 11.281/06, esclareceu no art. 1°, parágrafo único, da IN SRF n° 634, de 24/03/06 que "Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente". De modo que, desde 30/08/02, data da publicação da MP nº 66/02, está vigente no ordenamento jurídico nacional e amplamente divulgado no plano infralegal o preceito de que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001". Assim, a importação realizada por meio da DI n° 05/10331534, uma vez que, comprovadamente, se processou com a utilização de recursos da House Tech, conforme admitido e contabilizado pelas autuadas (vide documentos de fls. 47/48, 75/83), presumese realizada por conta e ordem daquela empresa, por força legal, não se configurando neste caso a modalidade de operação por encomenda, como quer fazer crer a empresa SCIB.” (grifos não constantes do original) Também não se pode aceitar tratarse de importação por conta e ordem de terceiros efetuada regularmente, conforme pretende a recorrente. Para que a importação por conta e ordem de terceiros seja regular, devem ser cumpridas diversas formalidades, exatamente para que revele o real adquirente da mercadoria, deixando este de ocultarse à sombra do importador. Primeiro, necessária se faz a existência de um contrato, por meio do qual a empresa adquirente (importadora de fato) contrata outra empresa (importadora ostensiva) para promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação. Além disso, devem ser atendidas algumas obrigações impostas pelo artigo 3º da IN SRF nº 225/02, o qual, dentre outras disposições, estabelece que na ficha “importador” da DI deve ser fornecido o número de inscrição no CNPJ da empresa adquirente; bem como determina que a fatura comercial deve identificar o adquirente da mercadoria, no intuito de refletir a transação efetivamente realizada. Demais disso, ainda devem ser atendidas as exigências dos arts. 86 e 87 da IN SRF nº 247/02, por meio dos quais resta estabelecido que a pessoa jurídica importadora deve evidenciar, em seus registros contábeis e fiscais, que se trata de mercadorias de propriedade de terceiros, registrando, ainda, em conta específica, o valor das mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros, pertencentes aos respectivos adquirentes. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 169 13 Nenhuma das condições acima foi preenchida. Sequer existe contrato firmado entre a SCIB e a HouseTech, pois a atuação se deu por meio de intermediários, no caso, os despachantes de nome Chystianne Gotlib Faleiro e José Octavio Faleiro, que recebiam o dinheiro da HouseTech em suas contas correntes e realizavam os depósitos bancários necessários à concretização da importação na conta da empresa SCIB, o que faz ver, claramente, a fraude perpetrada. Assim, vez que a importação ocorreu sem que fossem utilizados recursos próprios da empresa SCIB, mas sim recursos da empresa HouseTech, restou presumida a interposição fraudulenta de terceiros, na forma do art. 27 da Lei nº. 10.637/2002, infração penalizada com a pena de perdimento das mercadorias, por configurar dano ao Erário, conforme previsão legal do inciso V do DecretoLei n. 1.455/1976, com a redação pela Lei n. 10.637/2002, a saber: Lei nº 10.637/2002 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. DecretoLei nº. 1.455/1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1ºO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (...) Indubitável, portanto, a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a infração praticada, nos termos da lei e Das 1.214 unidades de “ventoinhas para ventilação” importadas pela SCIB, a HouseTech, por meio da nota fiscal de saída n° 4.392 (fl.68 ), destinou 200 unidades e, através da nota fiscal de saída n° 4.393 (fl.69), deu destino às outras 1.014 unidades restantes. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 14 Assim, dada a impossibilidade de localização das mercadorias, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, como determina o §3º, do artigo 23, do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002, vigente à época, in verbis: §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Por sua vez, a real adquirente das mercadorias importadas, a empresa House Tech, foi considerada devedora solidária, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, c/c o inciso V, do artigo 95 do Decretolei nº 37/66, com a redação introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, a saber: Decretolei nº 37/66, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001: “Art. 95. Respondem pela infração: (...) V – conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” Alega, por fim, a recorrente, que, mesmo que admitisse ter havido a interposição fraudulenta de terceiros, não caberia a aplicação da pena de perdimento da mercadoria convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, mas tão somente a aplicação da multa de 10% prevista na Lei n° 11.488/2007. Quanto a esta matéria, adoto como razões de decidir o entendimento do i. Conselheiro desta Turma, Gilberto de Castro Moreira Júnior, manifestado no voto condutor do Acórdão prolatado nos autos do processo nº. 12466.003544/2009, cujo teor abaixo transcrevo excerto: “(...) Por outro lado, argumenta a Recorrente que à interposição fraudulenta de terceiros não é mais aplicável a penalidade de perdimento da mercadoria, desde o advento do art. 33 da Lei n. 11.488 de 2007. Aduz, ainda, que a fiscalização somente poderá penalizar as empresas com a multa prevista no artigo acima citado. Necessário esclarecer que o art. 33 da Lei. 11.488/2007 não revogou expressamente o art. 23 do DecretoLei n. 1.455/1976 e, por conseguinte, não regulou inteiramente a matéria. Isso fica muito claro na decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região abaixo reproduzida, no sentido de que não houve revogação da pena de perdimento prevista no artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N. 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N° 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 170 15 (...) O artigo 33 da Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei n. 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto as demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (AMS 200572080051666, OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, TRF4 SEGUNDA TURMA, 01/08/2007) O mesmo entendimento, no sentido que as infrações não são idênticas e coexistem, é confirmado pelos acórdãos deste Conselho 310100.494 (redator designado Conselheiro Tarasio Campelo Borges) e 310200.566 (redator designado Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto), bem como o art. 727 do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei n° 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3° afirmando que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: "Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) § 3 A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." (grifouse) Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 04 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em “importação sem comprovação da origem dos recursos próprios” e “importação com recursos de terceiros” (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “ Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 16 presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei n 2 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996. Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 171 17 Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 18 Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Tratase, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros temos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, "de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976); e b) do real importado, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13603.720425/200857 Acórdão n.º 3202000.482 S3C2T2 Fl. 172 19 art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso. (...) Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplicase apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Tratase, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplicase apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009.” (grifouse) Além de receber vultosos adiantamentos de recursos financeiros, consubstanciando a presunção de importação por conta e ordem prevista no art. 27 da Lei 10.637/2002, vêse que a TWS não comprovou a origem lícita e a disponibilidade de recursos próprios nas operações de importação em discussão, o que tipifica, por presunção legal, a hipótese de interposição fraudulenta prevista no art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, com as alterações posteriores, possibilitando a imputação da responsabilidade pela pena de perdimento ao real adquirente da mercadoria, no caso a ora Recorrente. Sendo assim, a alegação de que, nos casos de interposição fraudulenta, simplesmente se aplica o disposto na Lei 11.488/2007, não merece prosperar.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 20 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 11610.009100/2002-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ILL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Para os recolhimentos efetuados há menos de dez anos contados da data de apresentação do pedido de restituição deve ser afastada a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição ou a compensação do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.034
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência da repetição do indébito dos recolhimentos posteriores a 04/06/1992, com retorno dos autos à câmara "a quo" para apreciação das demais questões.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Para os recolhimentos efetuados há menos de dez anos contados da data de apresentação do pedido de restituição deve ser afastada a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição ou a compensação do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência da repetição do indébito dos recolhimentos posteriores a 04/06/1992, com retorno dos autos à câmara "a quo" para apreciação das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 04/06/2002, a Bolsa de Imóveis do Estado de São Paulo Ltda, por meio dos documentos de fls. 01/28, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de ILL no período compreendido entre abril/1990 e setembro/1992, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10616.368, que se encontra às fls. 153/156 e cuja ementa é a seguinte: “ILL DECADÊNCIA — SOCIEDADE ANÔNIMA — TERMO INICIAL — No caso de sociedades anônimas, o prazo inicial para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL deve ser a data da publicação da Instrução Normativa n° 63, de 24.07.1997, da Secretaria da Receita Federal. Recurso negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Cientificada da decisão a Contribuinte apresentou os Embargos de Declaração de fls. 162/164, devidamente acolhidos pela C. 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste Conselho, conforme acórdão nº 210200.300 (fls. 168/ Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 2 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO Apurada contradição no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 30 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO Apurada omissão no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 3° do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. ILL DECADÊNCIA SOCIEDADE ANÔNIMA TERMO INICIAL No caso de sociedades anônimas, o prazo inicial para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL deve ser a data da publicação da Resolução n°82 do Senado Federal, que se deu em 19.11.1996. PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO PRAZO O prazo para pleitear a repetição do indébito tributário é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, no caso em exame, se deu por ocasião do pagamento indevido. Embargos acolhidos.” Dessa forma, a anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, acolheu os embargos para sanar a omissão e contradição apontadas, rerratificando o acórdão anterior sem alteração no resultado do julgamento. Intimada do acórdão em 21/01/2010 (fls. 173) a Contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 174/189, em que sustenta divergência entre o v. acórdão e a jurisprudência deste Conselho em relação a (a) momento do início do prazo de decadência, pleiteando que seja considerada a data da publicação da IN 63/1997 e (b) que o prazo decadencial deveria seguir a chamara regra dos “5+5” do Superior Tribunal de Justiça. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado parcial seguimento, conforme Despacho nº 21000254/2010, de 20/09/2010 (fls. 249/251). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Contribuinte a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 254/264. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade. O r. despacho de fls. 249/251 deu parcial seguimento ao recurso especial limitando a discussão nos presentes autos ao prazo decadencial para restituição de tributos que, no entender da Contribuinte, deveria seguir a chamara regra dos “5+5” do Superior Tribunal de Justiça. Em relação a este ponto, o acórdão recorrido (Acórdão nº 210200.300), exarado pela C. 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF, houve por bem negar provimento ao recurso voluntário por entender que o prazo para restituição de tributos recolhidos indevidamente é de 5 anos a contar do recolhimento Visando à rediscussão da matéria a Contribuinte indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 10244.353. Entendo que o acórdão indicado como paradigma analisou situação paralela ao presente caso, como se verifica da ementa abaixo transcrita: “IRRF RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA (...) 2. O prazo quinquenal (art. 168, I, do CTN) para restituição do tributo, somente começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário. No caso dos autos, como não houve a homologação expressa, o crédito tributário somente se tornou "definitivamente extinto" (sic § 4º do art.150 do CTN) após cinco anos da ocorrência do fato gerador ocorrido em janeiro de 1993, ou seja, extinguiuse em janeiro de 1998. Assim, o dies ad quem para a restituição se daria tão somente em janeiro de 2003, cinco anos após a extinção do crédito tributário. Pelo que afasto a decadência decretada pela decisão recorrida. 3. Não bastasse isto, o ente tributante concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n. 165 de 31.12.98, nos termos do Parecer COSIT n. 4/99.” O acórdão citado como paradigma concluiu pela aplicação da chamada tese dos 5 + 5, diferentemente do acórdão recorrido. Entendo assim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão citado como paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 3 5 No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição do ILL recolhido indevidamente, no caso de sociedade anônimas, era de 5 (cinco) anos, contados da data da publicação da Resolução n°82 do Senado Federal, que se deu em 19.11.1996. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito ao termo inicial do prazo de contagem da decadência no caso de tributo declarado inconstitucional, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Nos termos do entendimento consagrado no STJ temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 4 7 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11610.009100/200218 Acórdão n.º 920202.034 CSRFT2 Fl. 5 9 crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Dessa forma, como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 04/06/2002 devese reconhecer a decadência em relação aos recolhimentos indevidos efetuados anteriormente a 04/06/1992, afastandose a decadência em relação aos recolhimentos efetuados posteriormente a partir desta data. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para AFASTAR a decadência do direito de pleitear da recorrente em relação aos pagamentos indevidos efetuados a partir de 04/06/1992 e, com vistas a evitar a supressão de instância de julgamento, DETERMINAR o retorno dos autos à autoridade fiscal para que enfrente as demais questões relacionados aos recolhimentos não abrangidos pela decadência, e, a partir daí, dê regular andamento ao processo. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10972.720123/2011-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/05/2010
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS AGENTES POLÍTICOS. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005.
O STF, em sede de Repercussão Geral, sedimentou entendimento no sentido de ser aplicado o quinquênio prescricional aos pedidos de ressarcimento realizados após a entrada em vigor da LC nº. 118/2005, e não aos valores indevidamente recolhidos antes da vigência da referida Lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS AGENTES POLÍTICOS. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. O STF, em sede de Repercussão Geral, sedimentou entendimento no sentido de ser aplicado o quinquênio prescricional aos pedidos de ressarcimento realizados após a entrada em vigor da LC nº. 118/2005, e não aos valores indevidamente recolhidos antes da vigência da referida Lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 01 23 /2 01 1- 98 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 133/139, interposto em face do Acórdão n. 0940.157, fls. 122/126, que manteve em todos os seus termos o crédito tributário sob análise, cujo Auto de Infração, consubstanciado nos DEBCAD’s, fls. 02 e 07 nº. 51.017.1001 (Obrigação Principal – R$ 279,414,46) e 51.017.0994 (Obrigação Acessória – R$ 6.000,00), foi consolidado em 14/02/2012 e cientificado ao contribuinte em 22/02/2012. Lavrado no importe de R$ 285.414,46 (duzentos e oitenta e cinco mil quatrocentos e catorze reais e quarenta e seis centavos), a autuação é oriunda da glosa de compensações indevidas de contribuições previdenciárias mais descumprimento de obrigação acessória, cujos fatos foram narrados no Relatório Fiscal, fls. 11/19, in verbis: 1 – DO LANÇAMENTO A Parte I do presente lançamento fiscal, do qual este relatório fiscal e seus anexos ficam fazendo parte integrante, referese a contribuições previdenciárias devidas: à Seguridade Social, correspondentes a GLOSAS de compensações improcedentes, relativas às contribuições sobre as remunerações dos agentes políticos – VEREADORES, ocorridas de 02/1998 a 07/2003. 1.1 – DA COMPENSAÇÃOO INDEVIDA E DAS GLOSAS: O direito à compensação teve origem na declaração de inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inciso I, do artigo 12 da Lei 8.212/91, conforme decisão do STF no RE 351.7171PR, com efeitos erga omnes atribuídos pela Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21/06/2005. Com a referida decisão, os Agentes Políticos deixaram de ser considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, sendo indevidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ao Prefeito e VicePrefeito, no período de 01/02/1998 a 18/09/2004. 1.2 – DA IMPROCEDÊNCIA DA COMPENSÃO INDEVIDA E DAS GLOSAS: A compensação efetuada foi considerada improcedente pelos motivos relacionados no ANEXO II – ANÁLISE DA ORIGEM E REGULARIDADE DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS NAS COMPETÊNCIAS 10/2009 a 05/2010 – VEREADORES, a seguir relatados: a) O direito a compensar encontravase PRESCRITO, conforme itens 5 e 5.4 das observações do ANEXO II: 5 – Análise da Regularidade da Compensação 5.1 – Prescrição 5.2 – Data de prescrição do direito à compensação: cinco anos contados da data do pagamento, conforme art. 165 e 168, da Lei nº 5.172, (CTN), de 25/10/1966 e art. 253, do Decreto nº 3.048 (RPS), de 06/05/1999. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720123/201198 Acórdão n.º 2403002.100 S2C4T3 Fl. 3 3 5.3 – Mês da compensação na GFIP: competências em que a Prefeitura Municipal efetuou as compensações aqui analisadas, 10/2009 a 05/2010. 5.4 – Situação: conforme mês da compensação do Item 5.3, combinado com a data de prescrição do item 5.2, a compensação encontrase PRESCRITA ou NÃO PRESCRITA, conforme Legislação – Item 5.2. b) O contribuinte deixou de atender ao disposto no inciso I, e §§ 4º e 5º, do artigo 6º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/09/2006, a seguir reproduzidos: Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I – a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III, do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro (...) 9 AUTO DE INFRAÇÃO – AI 51.017.0994 – FUNDAMENTO LEGAL – 78. A infração capitulada constante do Auto de Infração – AI – DEBCAD nº. 51.017.0994, foi constatada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que o sujeito passivo apresentou à Secretaria da Receita Federal e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidas por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos das contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, a que se refere à Lei nº 8.212/ de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e alterações posteriores, com informações incorretas, referentes às compensações improcedentes relativas às contribuições indevidas sobre as remunerações dos agentes políticos – PREFEITO, VICEPREFEITO E VEREADORES, no período de 01/2007 a 04/2007 e 10/2009 a 05/2010. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 109/115. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), prolatou o Acórdão 0940.158, de fls. 122/126, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007. COMPENSAÇÃO. TERMOS E CONDIÇÕES. A restituição e compensação de pagamentos indevidos de contribuição social previdenciária sujeitase aos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O prazo prescricional para se efetivar compensações é de 5 anos, em consonância com a legislação tributária de regência. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 133/139, requerendo a reforma do Acórdão, alegando, em suma, os seguintes argumentos: A exigência prévia de retificação da GFIP não pode ser impedimento à compensação (direito principal), por se tratar de obrigação acessória sanável, possível de retificação a qualquer tempo, como foi verificado no caso, uma vez que tal providência já foi realizada pela Municipalidade, conforme pode se constatar na Receita Federal; Inexistência de prescrição, eis que se existe entendimento do STJ no sentido de que o marco inicial seria a homologação expressa pelo Fisco, ou passado o quinquênio sem manifestação, a homologação tácita, a partir da data da ocorrência do fato gerador. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720123/201198 Acórdão n.º 2403002.100 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com as fls. 131/133, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRESCRIÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a Contribuição Previdenciária, o Sujeito Ativo tinha o prazo de 5 (cinco) anos da data do fato gerador para homologar o lançamento, ou seja, extinguir o crédito tributário. Após esse prazo, o Sujeito Passivo tinha 5 (cinco) anos para pedir o ressarcimento de eventual pagamento feito a maior. Esse entendimento ficou conhecido como a tese dos “cinco mais cinco”. Almejando combater o prazo de dez anos para o pedido de restituição, foi publicada a Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005, que modificou o entendimento do art. 168, I do CTN, para considerar extinto o crédito tributário na data do pagamento, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, verbis: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. A edição da referida norma complementar deu ensejo a uma verdadeira celeuma jurisprudencial acerca da aplicação do novo prazo de cinco anos para o pedido de ressarcimento atinente a pagamento de tributo lançado por homologação antes do início da vigência da LC nº. 118/2005. Entre idas e vindas de posicionamentos dos Tribunais Superiores, finalmente a Corte Suprema, em sede de Repercussão Geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, prolatou decisão afirmando a ilegitimidade da aplicação retroativa do lustro prescricional para o pleito de ressarcimento, contudo, sedimentou entendimento no sentido de ser aplicado o quinquênio prescricional tão somente às ações ajuizadas após a entrada em vigor da LC nº. 118/2005, e não aos valores indevidamente recolhidos antes da vigência da referida Lei. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) E este é o posicionamento que vem sendo reiterado também pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720123/201198 Acórdão n.º 2403002.100 S2C4T3 Fl. 5 7 TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4º DA LC 118/2005. RE N. 566.621/RS. REPERCUSSÃO GERAL. PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL. AÇÕES AJUIZADAS APÓS A VIGÊNCIA DA LC N. 118/2005. DIREITO INTERTEMPORAL. AÇÃO AJUIZADA EM DATA POSTERIOR. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão padece de omissão, contradição ou obscuridade, consoante dispõe o art. 535 do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. Os embargos aclaratórios não se prestam a adaptar o entendimento do acórdão embargado à posterior mudança jurisprudencial. Excepcionase essa regra na hipótese do julgamento de recursos submetidos ao rito do artigo 543C do Código de Processo Civil, haja vista o escopo desses precedentes objetivos, concernentes à uniformização na interpretação da legislação federal. Nesse sentido: EDcl no AgRg no REsp 1.167.079/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 4/3/2011; EDcl na AR 3.701/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 4/5/2011; e EDcl nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 790.318/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 25/5/2010. 3. Pelas mesmas razões, estendese esse entendimento aos processos julgados sob o regime do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. O Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer a repercussão geral da matéria no RE 566.621/RS, proclamou que o prazo prescricional de cinco anos, previsto na Lei Complementar n. 118/2005, somente se aplica às ações ajuizadas após 9.6.2005. 5. Na espécie, a ação de repetição de indébito foi ajuizada em 13.1.2010, data posterior à vigência da LC n. 118/2005, sendo aplicável, portanto, o prazo prescricional de cinco anos. 6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para reconhecer a prescrição das parcelas anteriores ao quinquênio do ajuizamento da ação. (STJ, EDcl no AgRg no AREsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, julgado em 27/09/2011) (grifo nosso) Portanto, configurada a aplicação do prazo prescricional aos pedidos ressarcimento realizados após a edição e vigor da LC nº. 118/2005, não sobejam dúvidas de que o direito à compensação dos créditos pagos indevidamente durante o período de fevereiro/1998 a julho/2003 foi totalmente fulminado pela prescrição, eis que o pleito compensatório foi realizado apenas entre outubro/2009 a maio/2010. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 15889.000137/2008-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
IRPJ E CSLL. INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995.
Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ Recurso Repetitivo).
IRPJ E CSLL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO.
Em relação ao crédito tributário não objeto de recurso voluntário opera-se a preclusão, não cabendo mais sua discussão, tornando-se definitivamente constituído na órbita administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutivos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 IRPJ E CSLL. INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ Recurso Repetitivo). IRPJ E CSLL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. Em relação ao crédito tributário não objeto de recurso voluntário opera-se a preclusão, não cabendo mais sua discussão, tornando-se definitivamente constituído na órbita administrativa.
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INTERPRETAÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. LEI Nº 9.249, DE 1995. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo). IRPJ E CSLL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. Em relação ao crédito tributário não objeto de recurso voluntário operase a preclusão, não cabendo mais sua discussão, tornandose definitivamente constituído na órbita administrativa. Vistos, relatados e discutivos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 37 /2 00 8- 59 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 369 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.339/354 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 321/335) que julgou a impugnação procedente em parte, quanto aos autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Vale dizer, a decisão recorrida exonerou o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2003 e 2004, mas manteve o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL quanto ao anocalendário 2005. No caso, o recurso é parcial, pois, na parte que restou vencida na instância a quo, a recorrente ataca apenas parte do crédito tributário do anocalendário 2005, quanto aos autos de infração do IRPJ e da CSLL, ou seja: a) não recorreu quanto ao 1º (primeiro) trimestre/2005 e, quanto ao 2º (segundo) trimestre/2005, não recorreu em relação ao mês de abril/2005; b) recorreu apenas quantos aos meses maio e junho do 2º (segundo) trimestre/2005 e 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres/2005, Quanto aos fatos, consta dos autos de infração do IRPJ e da CSLL dos anos calendário 2003, 2004 e 2005, lavrados em 18/03/2008, a imputação das seguintes infrações: 1) Auto de Infração do IRPJ (fls.03/12): (...) 001 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93 (...). Aplicação incorreta do coeficiente de 8%(oito por cento) sobre as receitas da atividade de Laboratório de Análises Clinicas, quando o correto seria 32% (trinta e dois por cento), conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO e seus respectivos anexos, os quais são partes integrantes do presente AUTO DE INFRAÇÃO. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 30/09/2003 655.398,58 75% 31/12/2003 674.512,04 75% Fl. 396DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 370 3 31/03/2004 700.767,34 75% 30/06/2004 666.692,72 75% 30/09/2004 656.281,33 75% 31/12/2004 609.238,86 75% 31/03/2005 597.162,68 75% 30/06/2005 652.784,14 75% 30/09/2005 684.573,06 75% 31/12/2005 668.241,37 75% ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 518 e 519 do RIR/99. (...) 2) – Auto de Infração da CSLL (fls. 13/21): (...) 001 APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL Valores apurados conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e respectivas Planilhas anexas, os quais são partes integrantes do presente AUTO DE INFRAÇÃO. Fato Gerador Contribuição Multa (%) 31/12/2003 12.141,22 75% 31/03/2004 12.613,81 75% 30/06/2004 18.487,91 75% 30/09/2004 18.641,44 75% 31/12/2004 17.364,29 75% 31/03/2005 10.748,93 75% 30/06/2005 11.750,11 75% 30/09/2005 12.322,32 75% 31/12/2005 12.028,34 75% ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88 e art. 29 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n ° 10.637/02. (...) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 371 4 Ainda, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.22/36), parte integrante dos autos de infração, as razões do lançamento fiscal, que transcrevo no que pertinente, in verbis: (...) I – Da Descrição dos Fatos: A empresa fiscalizada tem como atividade econômica laboratório de análises clinicas (CNAEFiscal 85.146/12 — Atividades dos laboratórios de análise clinicas), conforme fez constar em suas Declarações de Informações Econômicos Fiscais e conforme corroboram o documentos anexos aos autos. Intimada, apresentou os documentos e razões constantes dos autos. Apurouse que durante os períodos em tela, a contribuinte aplicou a aliquota de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para a determinação do lucro presumido e 12% (doze por cento) sobre a receita bruta para fins determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sob o regime de tributação do lucro presumido, posto ter classificado sua receita bruta como prestação de "serviços hospitalares", exceção prevista no artigo 15 da Lei n.° 9.249/95. II Do Enquadramento Legal (...) "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, sera determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ......................................................................................................... III — trinta e dois por cento, para atividades de : a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares." (g.n) "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n.° 8.981, e 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês, do anocalendário, exceto para pesssoas jurídicas que exerçam a atividades a que se refere o inciso III do § 1.° do art. 15, cujo percentual corresponderá a Fl. 398DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 372 5 trinta e dois por cento." (Redação dada pela Lei n.° 10.684, de 30 de junho de 2003) A presente auditoria tem foco acerca do percentual de presunção a ser aplicado na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), ou seja, se 32% (serviços em geral) ou se 8% (serviços hospitalares) e na determinação da base de cálculo da CSLL, ou seja, se 32% (serviços em geral) ou se 12% (serviços hospitalares). (...) III – Da Necessidade de sociedade empresarial para prestação de serviços hospitalares (...) Para que se possam classificar como "hospitalares", os serviços devem ser prestados por pessoa jurídica constituída por empresário ou sociedade empresária, devidamente constituída e com estrutura físicofuncional que atenda ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 2002, comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal e exercidos com o fim de prestar atendimento de assistência à saúde da população, incluindo atividades de apoio ao diagnóstico e terapia. Ainda assim, não se consideram como tal, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica prestadora dos serviços, aqueles prestados, exclusivamente, pelos sócios ou referentes, unicamente, ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que para a sua realização concorra o auxílio ou a colaboração de outros profissionais de áreas diversas do conhecimento. Conforme Alterações de Contrato, de 11/11/2003, com protocolo n.° 3208 — 1º Oficial de Registro de Imóveis de Bauru/SP, na sua Cláusula I, cujas cópias seguem anexas, constatase que a empresa fiscalizada é constituída sob a forma de sociedade empresarial. IV – Da definição de Serviços Hospitalares (...) 20. (...), pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares seriam aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou daqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se considerariam como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda das pessoas jurídicas pelo regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clinica médica, de exames clínicos, de análises clinicas (laboratoriais, radiológicas, icnográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.) que não necessitam de um complexo Fl. 399DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 373 6 hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. (...) A descrição de sua atividade, fornecida pelo Laboratório sob esta ação fiscal, permite concluir que ele não atende a esses quesitos, posto que não é relatado, que a clínica tenha essas características. Além disso, o seu enquadramento no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) no código 85146 02 — "Atividades dos laboratórios de análises clínicas" denota que o serviço prestado não é hospitalar. (...) Claro, portanto, que os serviços prestados em laboratórios de análises clínicas, ainda que de natureza médica, não são serviços hospitalares, que supõe prestação em entidade hospitalar, cuja caracterização tem como elemento típico a existência de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internações de pacientes, praticados por estabelecimento devidamente aparelhados, destinados a recolher os enfermos ou acidentados, para diagnóstico, tratamento e internação de pessoas. (...) VI – Do ADI nº 19/2007 Espancando qualquer dúvida ainda existente, o Diário Oficial da União publicou, no dia 10.12.2007, o esclarecedor Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 7 de dezembro de 2007, que dispõe definitivamente sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda,(...) VII – Da Jurisprudência Os serviços hospitalares são aqueles prestados por estabelecimentos caracterizados por hospitais. Na determinação do lucro presumido, os serviços prestados por estabelecimentos não caracterizados como hospitais e que não visem remunerar, essencialmente, o serviço prestados pelos sócios que dependam de habilitação profissional legalmente exigida, sujeitamse aos percentuais estabelecidos para a prestação de serviços em geral. (...) VIII – Da Conclusão Em análise dos documentos apresentados pela empresa fiscalizada e de tudo o mais que dos autos consta e em obediência à legislação aplicável, concluise: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 374 7 a) a necessidade de ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil, condição suprida pela contribuinte. b) a empresa fiscalizada não atende às condições para ser classificada como "hospital" e sua prestação de serviços de análises clínicas não constitui prestação de "serviços hospitalares" para fins de definição do percentual de presunção a ser utilizado na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; c) a empresa fiscalizada não conta com estrutura material e de pessoal destinada a atender a internações de pacientes, sendo que sua atividade é a prestação de serviços exclusivos de análises laboratoriais, classificados nos diplomas legais acima citados como serviços gerais e, por obediência à legislação de regência, deve aplicarse o percentual de trinta e dois por cento no cálculo da base de cálculo do imposto e da contribuição social; d) não se pode dar à norma de isenção outra interpretação que não a literal, de acordo com o que determina o art. 111 do CTN. Dessa forma, em atendimento à legislação tributária federal, deve ser observado o conceito trazido pelo ADI SRF 19/2007 e pela IN RFB 791/2007, em harmonia com a Lei n° 9.429/95 e com o Código Civil, constatandose que a contribuinte fiscalizada não preenche os requisitos legais, não revestindo as características de serviços hospitalares, não podendo, portanto, usufruir dos percentuais reduzidos de tributação. (...) O crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 1.125.419,36, na data de lavratura dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, anoscalendário 2003, 2004 e 2005, conforme demonstrativo a seguir:: Auto de Infração Principal Multa Juros Total IRPJ 386.649,34 289.986,96 173.224,91 849.861,21 CSLL 126.098,37 94.573,74 54.886,04 275.558,15 Total 512.747,71 384.560,70 228.110,95 1.125.419,36 A contributinte tomou ciência dos autos de infração do IRPJ e da CSLL em 18/03/2008, por intermédio do seu Diretor (fls. 03 e 13), apresentando impugnação em 15/04/2008 (fls. 223/245), juntando ainda os documentos de fls. 246/316, aduzindo, em síntese, que: tem natureza jurídica de sociedade empresária, administrada pelos seus sócios; conta com quadro de servidores composto, dentre outros, por médico patologista, biólogas, bioquímicas e biomédica; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 375 8 sua atividade está enquadrada na Resolução RDC n. 50, da Anvisa, que em seu item 4 define como "prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia — atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado de saúde"; presta serviços a pacientes internos e externos de hospitais, o que caracteriza atividade de apoio, independentemente do local onde se realizam; sua estrutura fisica encontrase em conformidade não só com as regras da IN 539/2005, § 1º, como também com as normas da Prefeitura Municipal de Bauru, da Vigilância Sanitária, do Corpo de Bombeiros, do Conselho Regional de Medicina, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, a teor das licenças de funcionamento apresentadas à fiscalização; a Solução de Divergência n. 10, de 2007, editada pela Coordenação Geral de Tributação, cuja finalidade foi a de uniformizar o entendimento da administração tributária, aponta como correta a forma de tributação adotada pela contribuinte; o regramento instituído pelo ADI 19/2007 não pode produzir efeitos ex tunc e alterar as regras determinadas pelas diversas instruções editadas pela própria administração tributária sem afrontar a segurança jurídica dos contribuintes; tal circunstância é corroborada pelo advento do Parecer n. 2.710, emitido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a pedido da Secretaria da Receita Federal; a Administração Tributária ainda não conseguiu consenso sobre a amplitude do termo em questão (serviços hospitalares) o que fez com que nunca houvesse uma orientação uniforme aos contribuintes, tampouco fora editada lei interpretativa que fixasse o conceito de serviços hospitalares com efeitos retroativos, tal como determina o art. 106, I, do CTN; a matéria tributária em discussão não diz respeito à modalidade de isenção, como entendeu a autoridade fiscal. Ao final, ao mesmo tempo em que elaborou síntese de suas alegações, requereu seja acolhida a respectiva impugnação com vistas a que seja declarada improcedente a imposição tributária ora debatida. A DRJ/Ribeirão Preto, enfrentando o mérito das questões suscitadas, julgou a impugnação prodecente em parte, como já mencionado alhures, cuja ementa do acórdão reproduzo a seguir (fl. 321), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e Fl. 402DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 376 9 estrutura fisica do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, exonerar a contribuinte do valor de R$ 233.516,99 de IRPJ e R$79.248,67 de CSLL, ambos correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, manter o lançamento relativo ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 153.132,35 de IRPJ e R$46.849,70 de CSLL. (...) Ainda, cabe transcrever a fundamentação do voto condutor desse acórdão que, em relação aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, manteve o crédito tributário apenas do anocalendário 2005 (fls.331/ 35): (...) Para aferir se a receita da atividade desenvolvida pela contribuinte está sujeita ao percentual geral das prestadoras de serviço ou a exceção aplicável às prestadoras de serviços hospitalares, cumpre verificar qual o alcance desta expressão na legislação sob enfoque, considerandose cada um dos períodos de eficácia das normas correspondentes. Nesse sentido, a IN 306/2003 tem eficácia desde sua publicação até 29/12/2004; a IN 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005; a IN 539/2005 até 12/12/2007; além disso deve ser observado o que dispõe o ADI 18/2003 acerca da abrangência do conceito de serviços hospitalares, no que diz respeito a consideraremse enquadrados os estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias, com a ressalva de que não são considerados serviços hospitalares aqueles excepcionados pelo art. 2° do referido ato declaratório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 377 10 Considerandose que a imposição tributária abrange os anos calendário de 2003, 2004 e 2005, devese perquirir acerca da definição de serviços hospitalares para cada um dos períodos, observandose o entendimento da RFB expresso nas citadas instruções normativas. (...) Relativamente aos anoscalendário de 2003 e 2004, da leitura dos dispositivos transcritos, verificase que as exigências normativas dizem respeito a: a) caráter empresarial da pessoa jurídica; e, b) estrutura fisica condizente que permita exercer uma ou mais de uma das atividades previstas na IN 306/2003, art. 23. (...) De fato, além de ostentar natureza jurídica de sociedade empresária, a contribuinte montou quadro técnico estruturado para desempenho de sua atividadefim sem necessidade de atuação direta dos sócios. Há que se observar que além de atender ao requisito da empresarialidade, o interessado deve possuir estrutura fisica adequada para o desempenho de uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 306/2003. Dentre aqueles enumerados no inciso V figuram a prestação de atendimento ao apoio ao diagnóstico nas atividades de patologia clínica e anatomia patológica. Considero que tais requisitos estão atendidos não só formalmente, como também materialmente, a teor do que dispõe seu contrato social e a instrução probatória juntada na fase de impugnação, notadamente os certificados de proficiência expedidos pela Sociedade Brasileira de Patologia Clinica (fls. 272/4) e as requisições de serviços de diagnose e terapia expedidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (fls. 260/271). Pelo que foi exposto, entendo que os requisitos para que as atividades desenvolvidas pela contribuinte enquadremse como serviços hospitalares, na dicção da IN 306/2003, foram atendidos. Dessa forma, para o interregno em que vigeu a IN 306/2003, isto é, para os anoscalendário de 2003 e 2004, descabe a imposição tributária em foco. No que se refere ao período em que vigeram as regras instituídas pela IN 480/2004, isto é, primeiro e segundo trimestres de 2005, entendo que a impugnante não atendeu às normas nela prescritas. De fato, o art. 27 da IN 480/2004 estabelece claramente que somente são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. Por conseguinte, verificase que no caso da impugnante, cujo objeto social é o de análises clínicas, na área de bioquímica, Fl. 404DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 378 11 hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia, tal requisito não fora atendido, motivo por que o lançamento correspondente aos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2005 deve ser mantido. Quanto ao período compreendido entre o terceiro e o quarto trimestre de 2005, em que vigeram as regras prescritas pela IN 539/2005, há que se considerar que além dos requisitos consubstanciados em caráter empresarial e natureza das atividades desenvolvidas, a legislação estabeleceu outro, de ordem material, a saber, adequada estrutura física do estabelecimento, atestada por documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. A licença de funcionamento que a contribuinte apresentou (fl. 197), expedida pela Direção Regional de Saúde de Bauru, no âmbito do Sistema de Informação em Vigilância Sanitária, fora expedida em 29/12/2006, posteriormente ao período abrangido pela imposição fiscal. Em face do que foi anteriormente exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação apresentada para exonerar o contribuinte do valor de R$ 233.516,99 de IRPJ e R$ 79.248,67 de CSLL, ambos correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, mantendo o lançamento relativo ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 153.132,35 de IRPJ e R$ 46.849,70 de CSLL. (...) Ciente desse decisim em 29/03/2011 (fl. 338), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário parcial em 27/04/2011 (fls. 339/354), ou seja, em relação ao crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005, que restou vencida na instância a quo: a) não recorreu quanto ao 1º (primeiro) trimestre/2005 e quanto ao mês de abril/2005: b) recorreu apenas quantos aos meses de maio/junho/2005 e 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres/2005, juntando ainda os documentos de fls. 355/367), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que em relação ao período de vigência da IN SRF nº 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005, acata a decisão a quo, informando nas razões do recurso (fls. 347/350), in verbis: (...) Embora haja inquestionável polêmica em torno da interpretação que se empresta à expressão "serviços hospitalares", temos que, na melhor das hipóteses para a Receita Federal, o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido, estaria restrita ao primeiro trimestre e ao mês de abril, do anocalendário de 2005. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 379 12 Sendo assim, visando evitar procrastinações desnecessárias, o contribuinte, ora Recorrente, espontaneamente recolheu o IRPJ e a CSLL dos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril, do anocalendário de 2005, conforme Cálculo Presumido e guias de recolhimento anexas. (...) Por tudo se conclui que, com referência ao primeiro trimestre (Janeiro, Fevereiro e Março de 2005) está sendo recolhida a diferença de 8% para 32%, nos termos do Acórdão proferido. No que tange ao segundo trimestre, está sendo aferida a diferença de 8% para 32%, referente ao mês de Abril/2005, mantendose íntegro o cálculo de 8% para os meses de Maio e Junho/2005, vez que estão em conformidade com a IN n. 539, de 25/04/2005. Visando evitar procrastinação e em ato de evidente boafé, a Recorrente, espontaneamente, entendeu por bem proceder ao recolhimento do imposto e contribuição com os respectivos encargos legais, do período compreendido entre Janeiro a Abril de 2005, enquanto vigeu a IN nº 480/2004. Outrossim, a Recorrente entende estar dispensada do recolhimento da exigência referente ao período compreendido entre Maio a Dezembro de 2005, porque detinha Alvará expedido pela Vigilância Sanitária e apresentava estrutura física apta nos termos da normatização que se enquadrava nos ditames da IN 539/2005, com vigência a partir de 27/04/2005, até 12/12/2007, não podendo, pois, o contribuinte, ser penalizado a recolher sobre período no qual gozava de amplo e inquestionável amparo normativo. (...) o Recorrente detém os Alvarás de todos os outros períodos, notadamente o do anocalendário de 2005, cuja cópia neste ano se apresenta. Considerando que o Recorrente está exemplarmente regular perante a Vigilância Sanitária e que apresenta estrutura física apta e aprovada, não se justifica impedir a aplicação da IN nº 539/2005 —como determinado no acórdão em debate. (...) Por fim, a recorrente pediu que: a) sejam tidos como regulares os recolhimentos referentes aos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril do anocalendário de 2005, apresentados com este Recurso; b) sejam recebidos os Alvarás expedidos pela Vigilância Sanitária, referentes aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 380 13 c) seja reconhecido o enquadramento da Recorrente conforme a IN nº 539/2005, de modo a fixar em 8% o percentual para apuração do IRPJ e em 12% para a CSLL, no período compreendido entre Maio a Dezembro do anocalendário de 2005; d) seja declarada a regularidade dos recolhimentos já efetuados, referentes aos períodos compreendidos entre o mês de Maio a Dezembro do anocalendário de 2005; e) finalmente, seja cancelado, nessa parte, o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 381 14 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o fisco lavrou os autos de infração do IRPJ e da CSLL quanto aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, para exigência do crédito tributário (principal, juros de mora e multa de 75%), em face da contribuinte, empresa optante pelo regime de apuração do lucro presumido nesses anoscaléndario, ter efetuado a apuração dessas exações fiscais com aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% e 12% respectivamente (serviços hospitares), quando teria que ter aplicado o coeficiente de 32% (prestação de serviços em geral). A decisão a quo exonerou o crédito tributário dos anoscalendário 2003 e 2004, mantendo apenas a exigência fiscal do anocalendário 2005. A contribuinte apresentou recurso parcial (fls.339/354), concordando com a exigência fiscal quanto ao 1º trimestre/2005 e, quanto ao 2º (segundo) trimestre/2005, concordando apenas com a exigência fiscal do mês de abril/2005 (períodos de apuração na vigência da IN SRF 480/2004, de 30/12/2004 até 27/04/2005), e rebelandose contra a exigência do crédito tributário de parte do 2º (segundo) trimestre/2005 (meses de maio e junho/2005) e quanto aos 3º e 4º trimestres/2005, nos seguintes termos (347/350), in verbis: (...) Embora haja inquestionável polêmica em torno da interpretação que se empresta à expressão "serviços hospitalares", temos que, na melhor das hipóteses para a Receita Federal, o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido, estaria restrita ao primeiro trimestre e ao mês de abril, do anocalendário de 2005. Sendo assim, visando evitar procrastinações desnecessárias, o contribuinte, ora Recorrente, espontaneamente recolheu o IRPJ e a CSLL dos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril, do anocalendário de 2005, conforme Cálculo Presumido e guias de recolhimento anexas. (...) Por tudo se conclui que, com referência ao primeiro trimestre (Janeiro, Fevereiro e Março de 2005) está sendo recolhida a diferença de 8% para 32%, nos termos do Acórdão proferido. No que tange ao segundo trimestre, está sendo aferida a diferença de 8% para 32%, referente ao mês de Abril/2005, mantendose íntegro o cálculo de 8% para os meses de Maio e Fl. 408DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 382 15 Junho/2005, vez que estão em conformidade com a IN n. 539, de 25/04/2005. Visando evitar procrastinação e em ato de evidente boafé, a Recorrente, espontaneamente, entendeu por bem proceder ao recolhimento do imposto e contribuição com os respectivos encargos legais, do período compreendido entre Janeiro a Abril de 2005, enquanto vigeu a IN nº 480/2004. Outrossim, a Recorrente entende estar dispensada do recolhimento da exigência referente ao período compreendido entre Maio a Dezembro de 2005, porque detinha Alvará expedido pela Vigilância Sanitária e apresentava estrutura física apta nos termos da normatização que se enquadrava nos ditames da IN 539/2005, com vigência a partir de 27/04/2005, até 12/12/2007, não podendo, pois, o contribuinte, ser penalizado a recolher sobre período no qual gozava de amplo e inquestionável amparo normativo. (...) o Recorrente detém os Alvarás de todos os outros períodos, notadamente o do anocalendário de 2005, cuja cópia neste ano se apresenta. Considerando que o Recorrente está exemplarmente regular perante a Vigilância Sanitária e que apresenta estrutura física apta e aprovada, não se justifica impedir a aplicação da IN nº 539/2005 —como determinado no acórdão em debate. (...). Em relação à matéria recorrida, a contribuinte pediu: que, em relação aos meses de maio e junho do 2º (segundo) trimestre do anocalendário 2005 e 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres do anocalendário 2005, devem ser cancelados os autos de infração do IRPJ e da CSLL que estão exigindo diferença de crédito tributário em face de diferença de coeficiente de presunção do lucro presumido, pois deve prevalecer, como declarado na DIPJ respectiva, os coeficientes de 8% e 12%, respectivaamente, para o IRPJ e para a CSLL, uma vez que sua atividade econômica (“análises clínicas é prestação de serviços hospitalares) estando em conformidade, nesses períodos de apuração, com a IN nº 539, de 27/04/2005; que, vale dizer, de maio a dezembro de 2005 detinha Alvará expedido pela Vigilância Sanitária e apresentava estrutura física apta nos termos da IN 539/2005, com vigência a partir de 27/04/2005 até 12/12/2007, não podendo, pois, prevalecer o lançamento de ofício para exigência de diferença de coeficiente de presunção do lucro presumido, uma vez que gozava de amplo e inquestionável amparo legal ou normativo (atividade de serviço hospitalar). Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito da lide. Primeiro, em relação ao crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL do 1º (primeiro) trimestre/2005 e abril/2005, períodos não objeto do recurso (matéria não recorrida), ou seja, matéria preclusa, não cabe mais sua discussão na órbita administrativa, Fl. 409DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 383 16 tornandose, nessa parte, o crédito tributário definitivamente constituído nesta esfera administrativa. A contribuinte informou, ainda, nas razões do recurso que efetuou o recolhimento do crédito tributário não recorrido, juntando cópia de pagamentos/recolhimentos (fls. 357/363). Quanto à matéria litigiosa (objeto do recurso), o ponto crontrovertido, e do qual depende a resolução da lide, diz respeito se a contribuinte, no restante do anocalendário 2005 (maio a dezembro/2005), no período de vigência da IN SRF nº 539//2005, atendeu, ou não, às condições para ter o tratamento tributário atinente à pessoa jurídica prestadora de serviços hospitalares. Ou seja: tornase necessário enfrentar o seguinte ponto controvertido: a atividade econômica da recorrente, no período de maio/2005 a dezembro/2005, preencheu, ou não, as condições para ser reconhecida, para efeitos tributários, como sendo prestação de “serviço hospitalar”, no sentido de fazer jus a aplicação dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro na apuração do IRPJ e da CSLL. No meu entendimento a contribuinte, sim, preencheu as condições mínimas para fazer jus ao tratamento tributário diferenciado, ou seja, aplicação dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro para “serviços hospitalares”, nos períodos de maio a dezembro/2005. Primeiro, como os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, e Lei nº 8.541/92, faziam alusão ou menção a “serviços hospitalares” sem outras especificações, restou à RFB disciplinar, em nível infralegal, o que seria entendido como “serviço hospitalar” para efeito de aplicação dos coeficientes reduzidos de presução do lucro, na apuração do IRPJ e da CSLL. Houve uma profusão de atos normativos infralegais no tempo, no sentido de fixar, determinar o conteúdo e o alcance da expressão “serviços hospitalares”, exigindo, basicamente, três requisitos: a) serviços hospitalares são aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde; b) exploração em caráter empresarial; c) estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde. Quanto aos dois primeiros requisitos, não há dissonância significativa no tempo, nessa profusão de atos normativos infralegais que trataram da matéria. Pelo contrário, houve uma ampliação crescente das atividades consideradas “serviços hospitalares”, em face da interpretação extensiva da jurisprudência administrativa e judicial. Porém, quanto ao último requisito citado (estrutura física do estabelecimento assistencial à saúde), existiram, no decorrer do tempo, mudanças de critérios e dissonâncias inquietantes. No caso, vamos restringir nossa análise ao período de maio a dezembro/2005, objeto da pretensão resistida deduzida nos presentes autos. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 384 17 Nesse período citado, tem vigência a IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005 (art. 1º), que deu nova redação ao art. 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, in verbis: "Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1 ° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. § 2 ° São também considerados serviços hospitalares, para fins do disposto nesta Instrução Normativa, os seguintes serviços prestados por empresário ou sociedade empresária: I préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); II de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida."(NR) Quanto aos dois primeiros requisitos citados, desde os anoscalendário 2003 e 2004 a contribuinte tem satisfeito essas condições, conforme consta da fundamentação do voto condutor da decisão recorrida e que transcrevo a seguir (fls. 326/334), in verbis: (...) Em retrospectiva, temse que o artigo 23 da Instrução Normativa SRF (IN) n.° 306, de 2003, considerou serem serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que Fl. 411DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 385 18 possuam estrutura fisica condizente para a execução de uma ou mais atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capitulo 2, da Portaria GM n.° 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde. 0 inciso V do referido artigo 23 contempla as atividades que se encontram albergadas pela regra, a saber: V — prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: a. patologia clínica; b. imagenologia; c. métodos gráficos; d. anatomia patológica; Posteriormente à publicação da IN SRF n.° 306, de 2003, a Coordenação Geral de Tributação (Cosit) proferiu a Solução de Divergência n.° 11, de 21 de julho de 2003, com o seguinte entendimento: “a prestação de serviços de clínica médica de ortopedia e traumatologia, bem assim a prestação de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica (exames radiológicos), por se enquadrarem dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde, poderão ser enquadradas como serviços hospitalares, podendo ser aplicado às referidas atividades o percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido.” O alcance do referido artigo 23 da IN SRF n.° 306, de 2003, foi explicitado com a edição do Ato Declaratório Interpretativo do Secretário da Receita Federal (ADI) n.° 18, de 23 de outubro de 2003, o qual manifestou o entendimento que, para fins do disposto no artigo 15, § 1.°, III, "a", da Lei n.° 9.249, de 1995, consideramse serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. O referido ADI ainda declara que não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos. (...) Diante do exposto, na vigência de referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 360/2003, no artigo 27 da IN SRF n.° 480, de 2004 (tratadas pela RDC n.° 50, Fl. 412DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 386 19 de 2002), na redação dada pela IN SRF n.° 539, de 2005, e que possua estrutura fisica condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Notese, também, que a IN SRF n.° 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF n.° 539, de 2005, não alterou o conceito de serviços hospitalares; que no ADI SRF n.° 18, de 2003, também há o entendimento de que os serviços hospitalares alcançavam os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias e que a IN SRF n.° 306, de 2003, dispunha sobre a necessidade de os estabelecimentos possuírem estrutura fisica condizente com a atividade desenvolvida. Além disso, não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. (...) Por conseguinte, verificase que para a execução das atividades exercidas pela contribuinte é imprescindível a participação de médicos. Desse modo, considerando o que consta dos autos, notadamente o registro de profissionais da área médica, bem assim da declaração da própria autoridade fiscal, tenho comigo que tal requisito encontrase atendido. De fato, além de ostentar natureza jurídica de sociedade empresária, a contribuinte montou quadro técnico estruturado para desempenho de sua atividadefim sem necessidade de atuação direta dos sócios. Há que se observar que além de atender ao requisito da empresarialidade, o interessado deve possuir estrutura fisica adequada para o desempenho de uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 306/2003. Dentre aqueles enumerados no inciso V figuram a prestação de atendimento ao apoio ao diagnóstico nas atividades de patologia clínica e anatomia patológica. Considero que tais requisitos estão atendidos não só formalmente, como também materialmente, a teor do que dispõe seu contrato social e a instrução probatória juntada na fase de impugnação, notadamente os certificados de proficiência expedidos pela Sociedade Brasileira de Patologia Clinica (fls. 272/4) e as requisições de serviços de diagnose e terapia expedidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (fls. 260/271). Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 387 20 Pelo que foi exposto, entendo que os requisitos para que as atividades desenvolvidas pela contribuinte enquadremse como serviços hospitalares, na dicção da IN 306/2003, foram atendidos. Dessa forma, para o interregno em que vigeu a IN 306/2003, isto é, para os anoscalendário de 2003 e 2004, descabe a imposição tributária em foco. (...) Para o período de vigência da IN SRF 480, de 15 de dezembro de 2004 até a edição da da IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, a recorrente acatou a exigência fiscal, deixando, de forma expressa, de recorrer. Matéria preclusa. Ou seja, não cabe mais a agitação ou revolvimento dessa matéria na esfera administrativa. Nessa parte, o crédito tributário está definitivamente constituído na âmbito administrativo. Nesse ponto, inclusive consta da fundamentação do voto condutor da decisão a quo (fl. 334): (...) No que se refere ao período em que vigeram as regras instituidas pela IN 480/2004, isto e, primeiro e segundo trimestres de 2005, entendo que a impugnante não atendeu as normas nela prescritas. De fato, o art. 27 da IN 480/2004 estabelece claramente que somente são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. Por conseguinte, verificase que no caso da impugnante, cujo objeto social é o de análises clinicas, na área de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia, tal requisito não fora atendido, motivo por que o lançamento correspondente aos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2005 deve ser mantido. (...) Na verdade, a IN SRF nº 480/2004 teve vigência apenas de janeiro/2005 a abril/2005. Por isso, quanto ao período janeiro a abril/2005, a recorrente não recorreu, ou seja, acatou a exigência fiscal por não ter atendido ao requisito de atividade de “estabelecimento hospitalar”, em face desse recrudescimento da legislação infralegal que restringiu, drasticamente, o que deveria ser entendido como “serviços hospitalares”, passando a abarcar apenas serviços prestados por “estabelecimentos hospitalares” (IN SRF nº 480/2004, art. 27, caput). De modo que restou como pretensão resistida, nos presentes autos, apenas o crédito tributário atinente ao período de maio a dezembro/2005, período de vigência da IN SRF nº 539, de 25 de dezembro de 2005, que passou a ser aplicável a “hospital” e para “serviços hospitalares”, exigindo desses estrutura física do estabelecimento assistêncial à saúde (estrutura física mínima), ou seja, abrandou o rigor da IN SRF 480/2005 (art. 27, caput). Fl. 414DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 388 21 Como já disse, a irresignação da recorrente merece prosperar, merece ser acolhida quanto ao período de maio a dezembro/2005. Vale dizer, restou provado nos autos que, desde os anoscalendário 2003 e 2004, exceto para o período de vigência da IN SRF 480/2004, a recorrente tem estrutura física mínima suficiente para ser enquadrada, para efeitos tributários, como prestadora de “serviços hospitalares” (laboratório de análises clínicas). Por conseguinte, para o período de maio a dezembro do anocalendário 2005, também, dever ser enquadrada a recorrente, para efeitos tributários, como prestadora de “serviços hospitalares”. Entretanto, a decisão a quo, quanto ao período de maio a dezembro/2005, não reconheceu a condição de “serviço hospitalar, para efeito tributário, à atividade de “análises clínicas”, pois a licença de funcionamento que fora apresentada (fls. 196/197), expedida pela Direção Regional de Saúde de Bauru, no âmbito do Sistema de Informação em Vigilância Sanitária, tem data de expedição de 29/12/2006 com validade a partir dessa data, abarcando, destarte, período posterior ao da imposição fiscal. Nesse ponto, transcrevo a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida: (...) Quanto ao período compreendido entre o terceiro e o quarto trimestre de 2005, em que vigeram as regras prescritas pela IN 539/2005, há que se considerar que além dos requisitos consubstanciados em caráter empresarial e natureza das atividades desenvolvidas, a legislação estabeleceu outro, de ordem material, a saber, adequada estrutura física do estabelecimento, atestada por documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. A licença de funcionamento que a contribuinte apresentou (fl. 197), expedida pela Direção Regional de Saúde de Bauru, no âmbito do Sistema de Informação em Vigilância Sanitária, fora expedida em 29/12/2006, posteriormente ao período abrangido pela imposição fiscal. Na verdade, a IN SRF nº 539/2005, passou a ter efeito desde o início do mês de maio/2005, então o período abarcado, no caso, é de maio/2005 a dezembro/2005. Como visto, a contribuinte para o período maio a dezembro/2005 atendeu aos dois primeiros requisitos (natureza da atividade = análises clínicas diretamente ligada à atenção e assistência à saúde e exploração da atividade em caráter empresarial), ficando, por conseguinte, apenas o óbice da necessidade de licença de funcionamento expedida pela vigilância sanitária. De sorte que, juntamente com as razões do recurso, a recorrente complementou as provas atinentes às licenças da vigilância sanitária do seu estabelecimento, juntando quanto ao período de maio a dezembro/2005. Ou seja, a recorrente juntou cópias de licença de funcionamento, expedida pela Vigilância sanitária – protocolo 20/09/2004, vigência até 06/10/2005 (fl. 365) e protocolo 29/09/2005, vigência até 30/11/2006 (fl. 366) e 19/12/2006, vigência até 29/12/2007 (fl. 367). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 389 22 De modo que todo o período de maio a dezembro/2005 está com licença de funcionamento expedida pela Vigilância Sanitária. Além disso, a motivação para a autuação do período de maio a dezembro/2005 não foi só a falta de Alvará ou de licença da Vigilância Sanitária, mas sim que a atividade de “análises clínicas” não seria “estabelecimento hospitalar”. Porém, como visto na decisão recorrida, diversamente do entendimento da fiscalização, a contribuinte apresentava, detinha, sim, estrutura física mínima compatível de estabelecimento assistencial de saúde para o exercício de sua atividade de análises clínicas ( “serviço hospitalar”) para os anoscalendário 2003 e 2004. Por conseguinte, para o período de maio a dezembro de 2005, para efeito de fazer jus aos coeficientes reduzidos de apuração do lucro presumido para efeito do IRPJ e da CSLL, também apresentava estrutura física mínima do estabelecimento assistencial de saúde, ou seja, de “serviço hopitalar”. A propósito, como conclusão para a autuação, lançamento fiscal, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 34/35): (...) VIII – Da Conclusão Em análise dos documentos apresentados pela empresa fiscalizada e de tudo o mais que dos autos consta e em obediência à legislação aplicável, concluise: a) a necessidade de ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil, condição suprida pela contribuinte. b) a empresa fiscalizada não atende às condições para ser classificada como "hospital" e sua prestação de serviços de análises clínicas não constitui prestação de "serviços hospitalares" para fins de definição do percentual de presunção a ser utilizado na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (...) Ora, a atividade da recorrente, como demonstrado, “análises clínicas” é abarcada pelo “serviço hospitalar”. Não é necessário, em sentido estrito, ser um “hospital”. Nisso, a fiscalização, sem dúvida, exagerou. Ainda, o rigor da IN SRF nº 539/2005, em sede de jurisprudência administrativa e judicial, foi abrandado, quanto à estrutura física do estabelecimento assistêncial à saúde, no caso de establecimento de “análises clínicas”. Vale dizer, ademais como razão de decidir a presente lide adoto o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto à interpretação da Lei nº 9.249/1995 que, ao julgar Recurso Especial representativo de controvérsia na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento de que “a lei, ao Fl. 416DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 390 23 conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente Fl. 417DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 391 24 à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJ e 24/02/2010) Como visto o STJ consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)” excluindose as simples consultas médicas. Com efeito, na esteira do entendimento do STJ, tratandose de empresa que se dedica à prestação de serviços de “análises clínicas” (laborátório de exames – serviços laboratoriais), ou seja, na área de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia, os coeficientes de determinação do lucro presumido aplicáveis, em relação aos serviços prestados é de 8% (oito por cento) para IRPJ e de 12% para a CSLL. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010: Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15889.000137/200859 Acórdão n.º 1802001.366 S1TE02 Fl. 392 25 Por todo o exposto, voto para DAR provimento ao recurso, ou seja, para exonerar o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL quanto aos períodos de apuração de maio/junho do anocalendário 2005 e quanto aos 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestres do anocalendário 2005. A unidade de origem, ainda, quanto ao crédito tributário não recorrido dos autos de infração do IRPJ e da CSLL (matéria preclusa), ou seja, do 1º (primeiro) trimestre do anocalendário 2005 e do período de apuração abril do anocalendário 2005, deverá verificar se os valores respectivos foram recolhidos corretamente (fls. 357/363) e alocálos e, caso não recolhidos na forma da legislação de regência ou se existir diferença a pagar, intimar a contribuinte a efetuar o pagamento/recolhimento. Nelso Kichel (documento assinado digitalmente) Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10670.000560/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Esteve presente a Dra. Ariene D'Arc Diniz e Amaral.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Esteve presente a Dra. Ariene D'Arc Diniz e Amaral. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 00 56 0/ 20 06 -2 9 Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.882 ___________ Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição no valor original de R$6.802.065,80 (seis milhões, oitocentos e dois mil, sessenta e cinco reais e oitenta centavos) relativo à COFINS incidente sobre outras receitas que não o faturamento bruto, nos períodos de fevereiro de 1999 a setembro de 2003. Os períodos constantes do pedido em questão foram pagos e/ou compensados à época de seu vencimento e ensejaram o pedido de restituição em virtude da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei 9.718/98 (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS), nos termos da decisão transitada em julgado no Agravo de Instrumento nº. 426298. Posteriormente o contribuinte interessado apresentou declarações de compensação para a utilização do crédito pleiteado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG proferiu despacho decisório indeferindo a restituição pleiteada e não homologando as compensações declaradas, sob o fundamento de que estaria decaído o direito de utilizar em parte o crédito tributário, bem como de que parte dos créditos pleiteados teria sua condição de extinção ainda pendente de “ulterior condição resolutória da RFB”, e ainda, excluindose o crédito decorrente destas compensações ainda pendentes de análise, refez as bases de cálculo da COFINS do sujeito passivo, alocando os créditos evidenciados, aos débitos verificados, não restando assim crédito remanescente a ser aproveitado. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE: Relativamente à Manifestação de Inconformidade de fls. 1017 a 1031, apresentada em razão do Despacho Decisório acima mencionado e cientificado ao contribuinte em 16/03/2009, bem como, da diligência designada no processo pela Delegacia de Julgamento em 1ª Instância, e ainda, da Manifestação em Diligência Fiscal apresentada pelo contribuinte, transcrevo o relato efetuado pela DRJ/JFA – Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por bem reproduzir os fatos: “(...) o contribuinte alegou em síntese que: O direito da requerente de questionar os recolhimentos já fora exercido anteriormente à apresentação de seu pedido administrativo, tanto que o despacho decisório, no que se refere às parcelas não prescritas, nada mais fez do que dar cumprimento à decisão judicial apresentada. Não há, portanto, como se alegar que a requerente exerceu seu direito de pleitear a devolução dos valores recolhidos a maior apenas em 12/04/2006; Ainda que seja desconsiderada a ação judicial da requerente, não há que se falar em prazo prescricional de cinco anos no presente caso, haja vista ser pacifico o entendimento de que o prazo prescricional para a repetição de indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (caso da Cofins) decorre da conjugação do artigo 168, I Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.883 3 com o §4º do artigo 150, ambos do Código Tributário Nacional, perfazendo, normalmente, um prazo de dez anos. No que se refere aos demais períodos, a requerente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 985 a 1016, apontando, entre outras, as seguintes divergências: 1 – Saldo credor verificado em favor da contribuinte, em outros meses, não pode ser aproveitado para amortização dos débitos relativos a janeiro, março e julho, de 2002, nos valores de R$370.316,33, R$625.193,396 e R$821.090,65, vinculados a outros processos ou prescritos; 2 – desconsideração da conversão em renda dos depósitos judiciais nos valores de R$222.000,00 (setembro de 2001) e de R$543.685,73 (janeiro de 2003); 3 – a fiscalização desconsiderou o valor de R$259.942,84 (última linha para o mês de abril de 2003 na tabela 4) ao lançar os valores reconhecidamente extintos na tabela de fls. 924, relativa ao referido mês; 4 – não foram considerados outros processos administrativos em andamento e de decisões favoráveis à requerente, como os de nº. 10670.000334/200214 e 10670.000336/200211; 5 – a fiscalização desconsiderou compensações declaradas, via formulário papel, relativamente ao débito da Confis de fev/02, no valor de R$91.276,37 (processo nº. 10670.001270/200511) e de mar/02 no valor de R$183.448,02 (processo nº. 10670.000017/200621); À vista das alegações acima, da verificação dos autos e dos documentos juntados pela interessada, fezse necessário o envio do presente processo, em diligência, para a DRF de origem, dentre outras providencias, aguardar a análise de todas as declarações de compensação, relacionadas às fls. 887/889, porventura pendentes de despacho decisório por parte da DRF, antes de dar prosseguimento ao feito, ou analisálas de pronto, considerando as alterações porventura havidas no valor do crédito. Os autos retornaram com a Informação Fiscal de fls. 2555 a 2573, elaborada consoantes as diretrizes do despacho de fls. 1905 e 1906, na qual se encontra detalhado o crédito a favor da interessada no valor de R$2.675.178,40, conforme Demonstrativo de Origem do Crédito (fls. 2543 a 2522). Esse crédito foi utilizado nas compensações ativas declaradas pela requerente que resultou no Demonstrativo de Utilização de Créditos de Fls. 2553 e 2554. Cientificada da Informação Fiscal acima, a interessada apresentou defesa adicional, às fls. 2575 a 2592, na qual sustenta a glosa indevida dos créditos aproveitados a seguir discriminados: Competências de fevereiro a dezembro de 2000. Nesse tópico a defesa reitera as razões detalhadas na manifestação apresentada às fls. 1017 a 1031; Fl. 2883DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.884 4 Competência de setembro de 2001. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$473.279,43. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o valor de R$441.594,40, por entender que só foi convertido em renda o valor de R$190.314,96 (desconsiderando, inclusive, expressa determinação dessa DRJ no sentido da plena consideração no montante de R$222.000,00); Competência de Janeiro de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$111.207,69, mas a Fiscalização não reconheceu sua existência em virtude da não homologação das compensações referente às DCOMP’S nºs. 24452.51674.300403.1.3.016307 e 40671.56554.011105.1.3.016889; Competência de Fevereiro de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$51.894,94. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o valor de R$11.341,34, em virtude da não homologação da compensação do PTA nº. 10670.000560/200629; Competência Março de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$58.167,32. Ocorre que a Fiscalização não reconheceu a existência de crédito, em virtude da homologação parcial da DCOMP nº. 05781.18633.280703.1.7.04 2730, a qual é controlada pelo PTA 10670.720059/200500; Competência Junho 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$261.967,40, sendo que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$259.581,66, em virtude da não homologação da compensação referente à DCOMP nº. 24452.51674.300703.1.3.016307; Competência Julho de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$280.828,96. Ocorre que a Fiscalização não reconheceu a existência do crédito, em virtude da homologação parcial da DCOMP nº. 28809.62353.310503.1.3.016724 (e não “6723”, como consta do despacho), a qual é controlada pelo PTA nº. 10670.001088/200218; Competência Setembro de 2002. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$463.614,22. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$463.417,91, em virtude da não homologação da compensação referente à DCOMP 24452.51674.300703.1.3.016307; Competência de Janeiro de 2003. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$739.685,97. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$675.157,49, em virtude da não homologação das compensações referentes às DCOMP’S nº. 10147.87165.031005.1.3.011615 e 17436.00705.031005.1.3.018802; Competência de Abril de 2003. O crédito pleiteado na referida competência perfaz o montante de R$532.296,10. Ocorre que a Fiscalização reconheceu tão somente o crédito de R$494.261,34 em virtude da não homologação das compensações referentes às Fl. 2884DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.885 5 DCOMP’s nºs. 04909.45837.140803.1.3.018060 e 00708.38701.140803.1.3.012459;” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Após análise da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (em dois documentos separados), bem como, a apreciação do resultado da diligência designada no processo, e da manifestação apresentada pelo contribuinte em relação à esta verificação, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), houve por bem efetuar uma só análise quanto aos argumentos do contribuinte, pois que entendeu separados apenas na intenção de segregar em processos diferentes questões prejudiciais e de mérito, proferindo assim o Acórdão de nº. 0935.083, datado de 19/05/2011, cuja ementa restou assim consignada: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano Calendário: 1999, 2000, 2001 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – CONFINS AnoCalendário: 2002, 2003 CRÉDITO COMPENSADO. INCERTEZA. Os valores resultantes das compensações não homologadas, que integram o crédito solicitado, não se constituem em valores passíveis de compor o referido crédito, por que a não homologação dessas compensações torna o crédito em comento incerto, já que possui em sua composição valores que até então não deram entrada nos cofres públicos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito creditório Reconhecido em Parte. A DRJ/JFA afastou pela decadência, o pleito do contribuinte relativo à restituição dos valores pagos indevidamente entre as competências de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000, pois que entendeu que a demanda judicial (Agravo de Instrumento nº. 426298), nos termos em que transitada em julgado, não concedeu ao sujeito passivo o direito à repetição do indébito, mas sim, tão somente o de excluir as receitas operacionais da base de cálculo da Cofins. Quanto aos períodos não atingidos pela decadência, a análise de mérito efetuada pelo julgador de 1ª instância inicialmente considerou os resultados da diligência realizada para afastar a argüição do contribuinte em relação à não observação dos valores convertidos em renda à favor da União (para pagamento dos débitos cuja restituição se pleiteia), constatando que esta conversão utilizou integralmente os valores dos depósitos efetuados, uma vez que Fl. 2885DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.886 6 alocouos para o pagamento dos débitos nos períodos a que se refeririam. No entanto, incidiram sobre estes valores juros e multa, pois que depositados em atraso, não restando assim saldo a restituir. Consideraram também parcialmente homologadas no valor original de R$ 2.675.178,40 especificamente as DCOMP’s listadas na planilha elaborada em diligência fiscal, e por fim, para os demais períodos cuja restituição buscouse, a DRJ em questão entendeu não trataremse os créditos pleiteados de “líquidos, certos ou exigíveis”, em face de terem os mesmos sido objetos de outras compensações, não homologadas, ou não apreciadas ainda pela Autoridade Administrativa. DO RECURSO Cientificado da decisão de 1ª instância em 14/06/2011, conforme AR de fls. 2811, e não concordando com os termos em que foi proferida a mencionada decisão, o sujeito passivo apresentou, em 14/07/2011, Recurso Voluntário a este Conselho (fls. 2812 a 2831 dos autos), no qual sustenta os seguintes argumentos: · Relativamente às competências de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000 inexiste a prescrição apontada pela Autoridade Julgadora, pois que o reconhecimento – ainda que parcial de determinados créditos – tomou como base a existência da ação judicial interposta pelo contribuinte, o que leva o Fisco a ter de considerála como essencial ao direito de restituir o indébito pleiteado, bem como, tendo sido a referida ação ajuizada no prazo previsto pelo artigo 168, I do CTN, e ainda, tendo sido requerido o crédito dentro dos cinco anos após o trânsito em julgado da ação, sendo dominante o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes de que não há que se falar em contagem do prazo de prescrição ou decadência, a partir da data do recolhimento, e sim do trânsito em julgado; · Subsidiariamente, acaso não seja reconhecida a inexistência da prescrição do direito de pleitear a restituição em questão, deve ser reconhecido o direito da Recorrente pela forma da contagem do prazo decenal, nos termos do critério temporal estabelecido pelo STJ e reafirmado pelo STF, que alterou a aplicação da regra introduzida pelo art. 3º da LC 118/2005; · Para a competência de Setembro de 2001 – o acórdão recorrido encontra se equivocado, uma vez que o depósito judicial utilizado para o pagamento desta competência, ainda que efetuado com atraso (como asseverou a DRJ no acórdão proferido), foi na totalidade do valor a ser quitado para aquele período (calculado até 31.05.2002); · Para a competência de Fevereiro de 2002 – A Cofins devida neste período foi integralmente quitada através da compensação controlada no PTA 16770.000539/200271, conforme extrato do processo transcrito, devendo, desta forma, tal valor compor o saldo creditório da Recorrente, cancelandose a glosa discutida nos autos; Fl. 2886DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.887 7 · Para as demais competências – Ao argumento de que os demais valores pleiteados pela Recorrente não são “líquidos, certos ou exigíveis” por trataremse de “indébitos” resultantes de compensações não homologadas ou ainda pendentes de apreciação, mesmo que não sejam deferidas tais compensações, o valor dos débitos não compensados será oportuna e devidamente exigido da Recorrente (que ficará obrigada ao seu recolhimento), não desfazendo o crédito cuja restituição se pleiteia; · Para a competência de Janeiro de 2002 – o débito relativo a este período deveria ter sido considerado pela Fiscalização como extinto, pois que mesmo está integralmente depositado nos autos da Execução Fiscal nº. 2009.38.07.0045040, bem como, para a outra DCOMP que compõe este período, a mesma é objeto de cobrança no PA 10670.900877/200918, não podendo ser considerado em aberto na análise efetuada neste processo; · Para a competência de Março de 2002 – deveria também este período ser considerado extinto, uma vez que ele vem sendo objeto de cobrança no processo administrativo 10670.720059/200500, o qual possivelmente terá como destino final a homologação integral; · Para a competência de Junho de 2002 – Em parte pago por meio de DCOMP, em parte por meio de depósito judicial nos autos da Execução já mencionada, e ainda, em parte pago por meio de depósito judicial, este período também deve ser considerado extinto; · Competência de Julho de 2002 – Esta competência também deveria ser considerada extinta pela Fiscalização, pois que é objeto de cobrança no PA 10670.001088/200218, havendo ainda a dupla cobrança do débito decorrente, pois que além de exigido no PA mencionado, foi glosado no processo ora Recorrido; · Para a competência de Setembro de 2002 – Débito depositado nos autos da Execução já mencionada, devendo ser aplicado os mesmos argumentos da competência de Janeiro de 2002; · Para a competência de Janeiro de 2003 – Discutido em outros processos, as DCOMP’S que representam o pagamento desta competência certamente terão o destino de liquidação da corta cobrança emitida nos outros processos, ou então a homologação parcial das mesmas, devendo ser consideradas extintas para o fim da restituição pleiteada nestes autos; · Para a competência de Abril de 2003 – Débitos efetivamente pagos em virtude de solicitação de compensação de ofício solicitada em 06.08.2010, a qual incumbe ao Fisco efetuar os lançamentos pertinentes a este procedimento; Ao final, a Recorrente pleiteia a reforma do acórdão recorrido, no que se refere à parcela da restituição indeferida, sendo homologadas integralmente as compensações apresentadas, pelos termos expostos. Fl. 2887DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.888 8 DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 18 (dezoito) Volumes, numerado até a folha 2877 (dois mil, oitocentos e setenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Diligência Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento. Para simplificação e melhor elucidação da discussão travada nos autos, e justificar o entendimento condutor de minhas considerações , inicialmente destaco que o pedido do contribuinte restringese, essencialmente, a dois principais argumentos: 1 – De que não se operou a prescrição do direito de repetir o indébito de COFINS relativamente aos períodos compreendidos entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2000. 2 – De que os valores de créditos relativamente aos períodos não decaídos, sobre os quais se pleiteia a restituição, são líquidos e certos – ao contrário do que consignou decisão recorrida – pois que ainda que estejam os mesmos pendentes de decisão final acerca da “condição resolutória da Receita Federal do Brasil”, acaso esta pretensão reste inexitosa, serão efetivamente devidos e liquidados os valores naqueles respectivos processos, ensejando a garantia da pretensão repetitória destes autos. A despeito de serem, basicamente, estes únicos dois pontos enfrentados pelo contribuinte no recurso ora sob análise (além de pontuais questões de fato), entendo não ser possível, hoje, realizar um julgamento justo acerca do mérito discutido no processo, pelo que teço os comentários acerca dos fatos que me levam a este entendimento. É que, inobstante a DRJ ter julgado o processo em seu mérito, tenho que os argumentos apontados pelo contribuinte em seu recurso – os quais sou obrigado a enfrentar direta e fundamentadamente em caso de julgamento da matéria – conduzem à situação que, sob minha ótica, não seja possível aferir se os créditos pretendidos realmente existem, pois no estado em que se encontram as condições de (in)exigibilidade dos períodos em questão (bem como, dos processos que envolvem a liquidação dos mesmos), tornase impossível atestar ou não a existência, de fato, do referido direito creditório. Outrossim, essa impossibilidade igualmente não permite, sob minha ótica perfunctória, de simplesmente indeferir a compensação, pois assim se estará tumultuando ainda Fl. 2888DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.889 9 mais a resolução das questões postas, tanto naqueles processos em que se pretende a cobrança ou a homologação das compensações, quanto neste processo, que busca o indébito naqueles outros processos. Ao longo do tempo, assentouse o entendimento de que é inconstitucional o artigo 3º da Lei 9.718/98, sendo, consequentemente, inconstitucional a ampliação do conceito de faturamento lá determinado. Assim, o contribuinte que tenha realizado recolhimentos de COFINS utilizando a base de cálculo designada pela legislação dita inconstitucional, tem o direito a pleitear a restituição dos valores pagos indevidamente sob este aspecto. E esse indébito igualmente pode estar amparado em procedimento de compensação, eis que igualmente é modalidade de extinção do crédito tributário. Evidentemente que a extinção do crédito tributário pela via da compensação, fica submetida à condição resolutória de sua ulterior homologação. É dizer: se a condição é resolutória, importa que ela produz os efeitos positivos do pagamento desde a compensação, os quais somente deixam de irradiar os efeitos que lhe são próprios, se sobrevier a “não homologação” expressa por parte da Autoridade Pública. Diferentemente seria se a lei estabelecesse que a condição fosse suspensiva, o que não é a hipótese. Assim, ainda que venha a ser discutida a existência real do indébito pleiteado, é fato que, se pagos indevidamente, e não atingidos pela decadência e/ou prescrição, terão que ser contemplados para fins de restituição. Neste tocante é a celeuma que deslindase no caso em tela, no qual não se nega à Recorrente o direito à pleitear o indébito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei 9.718/98, mas sim, discutese a existência de um eventual indébito a se restituir, pois que os créditos teriam origem em processos de compensação que pende de apreciação por parte da própria Administração Pública. Conforme realização de diligência efetuada anteriormente, bem como, pelos próprios fundamentos da DRJ, aos quais, somase ainda os argumentos expendidos pela recorrente no recurso voluntário, têmse por verificada a existência de inúmeras outras discussões administrativas, concernentes à verificação (ulterior condição resolutória da RFB) dos pagamentos realizados pelo contribuinte relativos aos períodos cujo indébito se pleiteia por meio de restituição. Conforme expus acima, data maxima venia ao que determinou a DRJ, não vejo como simplesmente desconsiderar a potencial existência de um indébito a restituir, apenas por que estão sendo discutidos ainda os pagamentos que liquidam os períodos envolvidos neste processo. Não poderia a Administração justificar a iliquidez dos créditos em omissão dela própria em apreciar os pedidos, levando a cabo a entrega dos pleitos dos administrados. Há por exemplo, a fundamentação por parte do contribuinte de que existem períodos que aqui pretendese restituir parcialmente, que estão sendo discutidos até mesmo em sede de execução fiscal, tendo sido depositados judicialmente para garantia da discussão. Ora, existem neste caso dois lados da moeda, o de que reste devido o valor depositado judicialmente (convertendose o valor em renda à favor da União), caso em que restabelecese o indébito aqui discutido; bem como, o de que reste inexitosa a referida execução fiscal e lá sejam levantados pelo contribuinte os depósitos efetuados o que resultaria em inexistência do indébito atestado. Fl. 2889DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.890 10 Muitos períodos ainda têm pendência de discussão perante o Ministério da Fazenda, sendo objeto de outros processos administrativos em que não há decisão final quanto a homologação expressa dos créditos extinguendos via compensação. E se é certo que a condição que subordina a extinção do crédito tributário nos casos de compensação é resolutiva, deverseia emprestar efeitos de pagamento até que se decidisse sobre a homologação expressa, em curso. Por outro lado, é igualmente certo que para que se defira a compensação, deve haver crédito líquido, certo e exigível, o que pode ser questionável se o pagamento estiver submisso ainda à condição resolutiva. Portanto, me parece mais adequado que se aguarde a resolução dos processos em que se discute os créditos pretendidos pela Recorrente, atendendo assim tanto os efeitos jurídicos inerentes à “condição resolutiva” quanto a necessidade de haver “liquidez, certeza e exigibilidade” do crédito restituendo. Consequentemente, tenho que deve o feito ser convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Verificar o andamento dos processos relacionados no Recurso Voluntário (Processos Administrativos nºs. 10670.001270/200511; 16770.000539/200271; Processo Judicial – Execução Fiscal nº. 2009.38.07.0045040, e seus eventuais processos vinculados; Processo Administrativo nº. 10670.900818/200931 – Processo de Cobrança nº. 10670.900877/200918; Processos Administrativos nºs. 10670.720059/200500; 10670.001088/200218; 13971.003128/200855; 10670.900875/200911; 10670.900414/2010 81 e de outros que deixaram de se discutir em razão da aplicação da decadência/prescrição do direito de pleitear a restituição e que será igualmente objeto de julgamento em momento pertinente); 2 – Aguardar o término da tramitação dos referidos processos administrativos ou judiciais, certificando, então, o posicionamento final atribuído a cada um deles, por período em que se está pleiteando o indébito; 3 – Apontar, igualmente, a existência de conversão de depósitos judiciais em renda à favor da União, ou de levantamentos porventura efetuados pelo contribuinte, para fins de considerar indébito do contribuinte ou não, respectivamente; 4 – Ao final, elaborar “Relatório Conclusivo de Diligência”, pelo qual informe a este Conselho acerca da posição dos referidos processos (homologação ou não de compensação, pagamentos, conversões em renda, levantamento de depósitos pelo sujeito passivo etc.), consolidando referidas informações em demonstrativo de apuração de pagamentos do período objeto do PAF, focando a existência e montantes de créditos em favor do contribuinte; 5 – Finalmente, oportunizar à Recorrente que se manifeste sobre o referido Relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, encaminhando o processo a esse Conselho para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2890DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10670.000560/200629 Resolução nº 3402000.415 S3C4T2 Fl. 2.891 11 João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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