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Numero do processo: 13932.000155/2001-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE.
A compensação não pode ser reconhecida quando resta comprovado em regular processo administrativo que o direito creditório decorrente de ação judicial não é suficiente para compensar os débitos lançados de ofício.
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com o princípio da retroatividade benigna, afasta-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declarações prestadas pelo contribuinte, de acordo com o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO.
A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, serão acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de oficio lançada no valor de 75%, mantendo-se os demais acréscimos previstos na legislação, multa de mora e juros de mora., nos termos do relatóio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. A compensação não pode ser reconhecida quando resta comprovado em regular processo administrativo que o direito creditório decorrente de ação judicial não é suficiente para compensar os débitos lançados de ofício. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. De acordo com o princípio da retroatividade benigna, afasta-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declarações prestadas pelo contribuinte, de acordo com o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, serão acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. A compensação não pode ser reconhecida quando resta comprovado em regular processo administrativo que o direito creditório decorrente de ação judicial não é suficiente para compensar os débitos lançados de ofício. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. De acordo com o princípio da retroatividade benigna, afastase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declarações prestadas pelo contribuinte, de acordo com o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, serão acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de oficio lançada no valor de 75%, mantendose os demais acréscimos previstos na legislação, multa de mora e juros de mora., nos termos do relatóio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 2. 00 01 55 /2 00 1- 66 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 11 2 Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Inicialmente, cabe esclarecer que o presente processo passou pelo processo de digitalização e, em função disso, sofreu a renumeração de suas folhas; assim, as referências de folhas que são feitas no presente julgamento (relatório e voto) dizem respeito a essa nova numeração (salvo quando mencionadas em transcrições). Trata o presente processo do Auto de Infração nº 0000242 (fls. 08/14), em que são exigidos R$ 48.269,23 de contribuição para Programa de Integração Social – PIS e R$ 36.201,92 de multa de ofício, além dos acréscimos legais. O lançamento fiscal originouse de Auditoria Interna na DCTF do primeiro trimestre de 1997, em que se constatou, para os períodos de apuração de janeiro a março de 1997, a falta de recolhimento ou de pagamento do principal e a declaração inexata. No anexo 1a do auto de infração, denominado “Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF”, constam valores informados na aludida declaração, cujos créditos vinculados, que seriam relativos a pagamentos efetuados, não foram localizados. Em 28/12/2001, a interessada apresentou impugnação, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após breve relato dos fatos, diz que “ajuizou perante o MM. Juiz Federal da 7ª Vara da Seção Judiciária de Curitiba/PR, Ação Ordinária de nº 96.00048630, com o objetivo de obter a declaração da inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2445/88 e 2.449/88.” Aduz, ainda, que “com a sentença definitiva transitada em julgado” efetuou os cálculos dos valores recolhidos a maior nos períodos de 31/01/1991 até 31/12/1995, e que, em decorrência, apurou crédito de PIS. Este crédito, afirma, foi compensado a partir de janeiro de 1997, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Ao final, pede o cancelamento do auto de infração. À vista das alegações e dos documentos apresentados, o processo foi devolvido em diligência para a DRF em Ponta Grossa para juntada de documentos relativos ao processo nº 10980.005710/9608 (fl. 109/110) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 13 4 Atendida a solicitação, fls. 111/162, foi proferido o despacho de fls. 163/164, sendo o processo, posteriormente, devolvido para julgamento. A DRJ em Curitiba (PR) julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: AUDITORIA INTERNA DE DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. Presente a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, autorizada está a formalização de ofício do crédito tributário correspondente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Preliminarmente, informa que a exigência de arrolamento de bens para fins de conhecimento do presente recurso não mais encontra amparo legal no ordenamento jurídico brasileiro, em face da decisão proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN n° 1976DF, ajuizada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, em que se decidiu pela inconstitucionalidade do arrolamento de bens para fins de seguimento de recurso voluntário. Em seguida, em breve arrazoado descreve os fatos e argumenta que não pode prosperar o acórdão recorrido. De início destaca que, por entender pela inconstitucionalidade da cobrança do PIS nos termos determinados pelos Decretos n°s. 2.445/88 e 2.449/88, a recorrente ingressou com a ação ordinária n° 96.00048630, que tramitou perante a 7a Vara da Justiça Federal de Curitiba. Esclarece que houve a prolação de sentença de procedência, transitada em julgado, para afastar a exigência do PIS nos termos debatidos que, posteriormente, foi confirmada em acórdão proferido pelo Eg. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Argumenta que em razão desta ação judicial houve o efetivo reconhecimento de que os valores de PIS recolhidos pela Recorrente nos termos determinados nos malfadados DecretosLeis eram indevidos, o que gerou um crédito em seu favor. Assim, passou a utilizar o referido crédito para compensar com os débitos de PIS apurados a partir de jan/97, tal como se demonstra por meio da planilha Insiste que os valores de PIS que estão sendo exigidos são exatamente aqueles que foram extintos em procedimento compensatório realizado pela recorrente em decorrência do crédito reconhecido em seu favor nos autos da ação ordinária n° 96.00048630, com fundamento no art. 66 a Lei 8.383 e alterações, bem como no disposto no art. 74 da Lei 9.430/96 e alterações. Em suas razões, sustenta que como direito conferido aos contribuintes, a compensação pode ser exercida sem qualquer restrição, bastando demonstrarse o crédito contra o fisco, oriundo de pagamento indevido. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 14 5 De outro lado, aduz que não há que se falar em incidência de multa de ofício nem em juros de mora, quando o contribuinte, como no caso presente, efetuou a compensação em face dos dispositivos legais em vigor. Defende que pela ausência de falta do contribuinte, uma vez que não é devido o crédito, não ocorre a multa, seja moratória ou de ofício. No mesmo sentido alega não é devida a incidência de juros de mora pois, como já frisado, tendo sido efetivada a regular compensação do débito ora exigido, não houve atraso em sua quitação, motivo pelo qual a decisão ora recorrida está a merecer integral reforma. Por fim, requer que seja acolhido o presente recurso voluntário, a fim de que seja reconhecido que os valores exigidos por meio do presente feito estão extintos em razão do procedimento compensatório efetivado pela Recorrente com os créditos reconhecidos em seu favor nos autos da ação ordinária n° 96.00048630. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Registrese, inicialmente, que assiste razão à recorrente em relação a inexigibilidade do arrolamento de bens para a interposição de seu recurso voluntário, visto que a Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio do Ato Declaratório nº 9/2007 dispôs que não será exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento de recurso voluntário em face que na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1976 o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o disposto no art. 32 da Lei nº 10.522/2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2º o Decreto nº 70.235/1972. Deste modo, uma vez que a administração tributária, não poderia ser de outra forma, reconheceu o efeito vinculante da decisão do STF, não se exige mais o arrolamento de bens para o conhecimento do recurso voluntário. Em suas razões, a recorrente sustenta que tem o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, os quais foram julgados inconstitucionais pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, com parcelas do próprio PIS, de acordo com o artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e art. 74 da Lei 9.430/96 e alterações, conforme decisão judicial no processo nº 96.00048630. Ocorre, todavia, que conforme robusto conjunto probatório, o direito creditório referente a citada ação judicial já foi apurado no processo administrativo nº 10980.005710/9608. A Delegacia de origem desatacou que não restaram saldos a compensar e sim débitos oriundos da insuficiência de recolhimentos. Destarte, o valor do direito creditório foi apurado no processo administrativo 10980.005710/9608, sendo que eventuais questionamentos em relação ao “quantum” do direito creditório, deveriam ser objeto de impugnação no citado processo, não havendo margens para discussões neste processo administrativo. Além disso, a recorrente em seu recurso voluntário deixou de apontar eventuais equívocos nos cálculos por parte da autoridade administrativa. Cumpre destacar que a requerente concordou implicitamente com os cálculos, pois parcelou (inclusão no REFIS) parte de débitos compensados com base na aludida ação judicial, além de ter pago saldos devedores remanescentes inscritos em dívida ativa e que tinham como suporte o crédito ora alegado. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 198DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 16 7 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) Destarte, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois o valor do crédito apurado decorrente da ação judicial nº 96.00048630 não foi suficiente para compensar os débitos constituídos de ofício. No tocante à aplicação da multa de ofício, assiste razão parcial à recorrente, visto que ela deve ser exonerada em razão do princípio da retroatividade benigna. A propósito, a Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, promoveu alteração no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Assim dispõe seu art. 18: Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. §1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. §2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. §3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Posteriormente, este dispositivo foi alterado pelo art. 25 da Lei nº 11.051/2004, abaixo transcrito: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Este artigo sofreu nova alteração nos termos do art. 18 da Lei 11.488/2007; “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 17 8 homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Extraise destes diplomas legais que a imposição da multa isolada nas situações de nãohomologação da compensação limitase aos casos em que fique caracterizada uma conduta dolosa, isto é, hipóteses de sonegação, fraude e conluio previstas no arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 ou quando se comprove falsidade da declaração. A conduta dolosa tem em sua essência uma ação ou omissão consciente de fraudar a Fazenda Nacional. Esclarecendo esse dispositivo, a Instrução Normativa SRF nº 482/2004 dispôs que os saldos a pagar relativos a cada tributo informado em DCTF, assim como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, seriam enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. Do Tratamento dos Dados Informados Art. 9o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. § 2º Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União.(grifou se) Esta instrução normativa foi revogada posteriormente, entretanto as demais instruções mantiveram as mesmas disposições. Como se nota a aplicação do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 ficou restrita à imposição de multa isolada nos casos de falsidade da declaração. Deste modo, após a vigência da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, deixou de ser considerada infração a declaração inexata prestada pelo sujeito passivo em DCTF, razão pela qual não mais haveria de ser exigida a multa de oficio. De outro giro, o art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I(...) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 18 9 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; ........ c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (...) (Grifouse) Assim sendo, constatase que para a hipótese dos autos não há mais previsão de lançamento de multa de ofício, portanto a exclusão da multa de ofício se impõe pela retroatividade benigna da legislação hoje vigente. Ressaltese que no lugar da multa de ofício deve ser exigida a multa de mora. Com respeito ao questionamento dos juros de mora, a recorrente defendeu a tese de que não é devida a incidência de juros de mora pois, como já frisado, tendo sido efetivada a regular compensação do débito ora exigido, não houve atraso em sua quitação. Não assiste razão à recorrente, visto que, ao contrário do alegado, não foram homologadas as supostas compensações decorrentes de ação judicial. Assim, os juros foram calculados em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme determinação dada pelo § 3º do artigo 61 da Lei 9.430/1996, “in verbis”: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(Grifouse) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13932.000155/200166 Acórdão n.º 3801002.151 S3TE01 Fl. 19 10 Outrossim, a questão do cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic é matéria já pacificada no âmbito deste Conselho nos termos da Súmula CARF nº 4, a saber: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vale lembrar que a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de normas jurídicas, in casu, o § 3º do artigo 61 da Lei 9.430/1996 (juros de mora), pois o controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, de tal sorte que a autoridade julgadora não pode se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade destes diplomas legais. Em remate, é mantida a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa Selic de acordo com a legislação mencionada. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para excluir a multa de oficio lançada no valor de 75%. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10480.903524/2010-32
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 03 52 4/ 20 10 -3 2 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.903524/201032 Resolução nº 1802000.302 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. A Recorrente apresentou a Declaração de Compensação DCOMP (fls. 02/06), por meio da qual procurou compensar crédito a título de pagamento indevido ou a maior de CSLL, do período de apuração de 30/06/2006, com débito de sua responsabilidade. A DRF Recife, por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fl. 7), não homologou a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado no PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12/17), argumentando e requerendo, em síntese, que: a) efetuou pagamento da CSLL relativa ao 2º semestre de 2006, no valor de R$ 154.375,55 quando deveria ter recolhido o valor de R$ 146.603,11 conforme declarado na DIPJ, entregou o PER/DCOMP para compensação de parte do valor recolhido a maior (R$ 2.593,00) com débito da CSLL relativa ao 3º trimestre de 2006; b) a DCTF retificadora não foi aceita pelo sistema, nem por ocasião do envio do PER/DCOMP nem após o Despacho Decisório; c) obteve junto à Receita Federal a informação de que a DCTF não teria sido aceita em razão do envio anterior da DCOMP, nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008; d) o envio da DCOMP não pode ser considerado início de procedimento fiscal a impedir retificação da DCTF; e) deve ser aplicado o § 4º do art. 11, que possibilita entrega de DCTF retificadora quando houver recolhimento a maior efetuado anteriormente ao início do procedimento fiscal; f) requer a retificação de ofício da DCTF com base no § 2º do art. 147 do CTN; g) os incisos I e II do art. 165 do CTN, asseguram ao contribuinte o direito de ser restituído do pagamento indevido de tributo ; h) requer reconhecimento e homologação da compensação declarada. A DRJ de Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.903524/201032 Resolução nº 1802000.302 S1TE02 Fl. 4 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual a ciência se deu por decurso de prazo em 23/10/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/11/2012, onde busca a reforma do acórdão da DRJ. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.903524/201032 Resolução nº 1802000.302 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, reconheceu que o Despacho Decisório, relativo ao PER/DCOMP 27462.82539.070207.1.7.041150, que não homologou o seu pedido, como estando o mesmo correto, ao mesmo tempo em que alega que as informações transmitidas nas DCTF apresentadas (original e retificadora) não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos no 2º Semestre de 2006 e, por isso, requer que sejam desconsideradas tais DCTF e que seja considerado o seu Pedido de Compensação com base na DCTF que ainda iria transmitir, com os valores dos débitos e créditos com exatidão e, que, assim, seja revisto o Despacho Decisório para que seja julgado procedente o seu pleito, e se assim não o fizer, que se arquivem os pedidos de compensação formulados, desconstituindo tanto o crédito postulado como os débitos apurados como devidos pela contribuinte. Ocorre que antes de qualquer procedimento fiscal foi vedado a contribuinte que retificasse sua DCTF para contemplar as alterações promovidas em razão do recálculo da base de cálculo da CSLL. Posteriormente a DRJ de Recife entendeu que não poderiam ser produzidas novas provas em razão de ter expirado o prazo de trinta dias contados da data em que foi feita a intimação. Nesse ponto discordo da decisão da DRJ, senão vejamos alguns julgados sobre o tema. A esse respeito: “(...) PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. (CARF – Ac. 240100135 – 1ª Turma – 4ª Câmara – 2ª Seção). E também: “QUESTÃO PROCESSUAL MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS PRECLUSÃO PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto nº. 70.235/72, com redação dada pela Lei nº. 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.903524/201032 Resolução nº 1802000.302 S1TE02 Fl. 6 5 material. Recurso especial não conhecido. (CSRF – 3ª Turma Ac. Nº 40305210 – Processo 10814.008031/9875). O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.903524/201032 Resolução nº 1802000.302 S1TE02 Fl. 7 6 Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar à sua defesa a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência e retorno a delegacia de origem para análise: a) do direito creditório alegado pela Recorrente a luz da sua escrita contábil, memórias de cálculo da CSLL e escrituração das notas fiscais de faturamento; b) juntar cópia integral da DIPJ referente ao anocalendário em questão; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10909.720177/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/10/2006 a 11/10/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. PREENCHIMENTO. REGULARIDADE.
Uma vez que tenham sido observados os requisitos legais previstos na legislação de regência, deve ser mantida a exigência constituída em auto de infração para prevenção da decadência de credito tributário suspenso pela concessão de mandado de segurança.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 26/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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TERMINAIS PORTUÁRIOS DE NAVEGANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/10/2006 a 11/10/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. PREENCHIMENTO. REGULARIDADE. Uma vez que tenham sido observados os requisitos legais previstos na legislação de regência, deve ser mantida a exigência constituída em auto de infração para prevenção da decadência de credito tributário suspenso pela concessão de mandado de segurança. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 01 77 /2 01 1- 17 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 16.273.105,98, referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal dos autos de infração que a interessada teve seu pedido de habilitação no Reporto – Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária indeferido pela Superintendência Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal. Referido regime possibilita a importação de bens, sem similar nacional, com isenção de impostos e contribuições, nos termos da Lei nº 11.033/2004. Em face do indeferimento de seu pedido, a interessada impetrou ação judicial – Mandado de Segurança, obtendo liminar para sua habilitação no Reporto em 21/03/2006. Amparada nas decisões vinculadas ao Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0080905, a autuada registrou as Declarações de Importação nº 06/12445903, 06/13498865, 07/06355193, 07/10544876, 07/12823993, 07/15358787, 07/17983832, 07/17983905, 07/08773618, 08/01445536, 08/02441968, 08/09981160, 08/13785361, 08/14121220 e 10//17881768, internalizando as mercadorias por elas amparadas com suspensão do pagamentos dos impostos e contribuições incidentes. Assim, com o fim de constituir o crédito tributário suspenso, relativo ao imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasep importação e Cofinsimportação, foram lavrados os autos de infração do presente processo, nos quais se informa que sua exigibilidade encontrase suspensa. Informam ainda os autos de infração que não foram lançadas as multas de ofício em razão do disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430/1996 e que as autuações se baseiam unicamente nas informações constantes das Declarações de Importação. Regularmente cientificada por via postal (AR fl. 177) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 178 a 223, com os documentos de folhas 224 a 227 anexados, alegando, em síntese, que: O auto de infração é nulo por não constar de seu corpo as razões e a cabal demonstração da suposta falta de recolhimento dos tributos e contribuições, mas apenas a vaga afirmação de falta de recolhimento. No campo de enquadramento legal o auto de infração restringese apenas a mencionar genericamente os diversos comandos normativos que tratam dos tributos e contribuições. Esses fatos comprometem a defesa da impugnante, pois caracterizam afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, desatendendo ao disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. Não há prova da alegada falta de recolhimento dos impostos e contribuições nas importações nos moldes determinados pela legislação que justifique a lavratura dos autos de infração, mas apenas simples e superficial alegação. Requer seja acolhida a preliminar declarando nulos os autos de infração e, no mérito, totalmente improcedentes. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10909.720177/201117 Acórdão n.º 3102001.975 S3C1T2 Fl. 3 3 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/10/2006 a 11/10/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE. O auto de infração lavrado por autoridade competente, sem cerceamento do direito de defesa do contribuinte, e que contenha todos os requisitos previstos na norma, especificamente no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, não padece de nulidade. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Improcedente a reclamação da Recorrente em relação à falta de descrição dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração controvertido e falta de enquadramento legal. Embora se trate de um Auto de Infração destinado apenas à prevenção da decadência do crédito tributário, tendo em vista a Recorrente ter ingressado com Mandado de Segurança perante o Poder Judiciário para reverter o indeferimento de pedido de habitação para o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – Reporto, a Fiscalização Aduaneira destinou nada menos que seis folhas para descrever os fatos que motivaram a autuação. Como se pode falar em ausência de descrição dos fatos? No mesmo sentido, encontrase às folhas 11 do Processo o enquadramento legal, que não foi “jogado”, mas listado, item por item. Também não se sustenta a alegação de falta de prova. Ora, o lançamento decorre da importação sem o pagamento de tributos pela aplicação do Regime por força da concessão de mandado de segurança, em caráter precário. Suficiente que haja provas de que concedeuse medida liminar e que as importações foram nestas condições realizadas. Nada mais. VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 21 de agosto de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.905102/2010-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
INTEMPESTIVIDADE
A apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade tem o efeito de tornar definitivo o Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1801-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação Retificador (Per/DComp) nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 51 02 /2 01 0- 45 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.905102/201045 Acórdão n.º 1801001.708 S1TE01 Fl. 156 2 24334.75706.310707.1.3.024790 em 31.07.2007, fls. 5864, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$19.282,20 do anocalendário de 2006. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 9295, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse [...] Parc. Crédito Pagamentos Soma Parc. Crédito Per/DComp 34.091,02 34.091,02 Confirmadas 31.783,70 31.783,70 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$19.282,20 Valor na DIPJ: R$19.282,20 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$58.102,62 IRPJ devido: R$38.820,42 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DComp observado que este cálculo resultar negativo é zero Valor do saldo negativo disponível: R$0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 20.07.2010, fl. 65, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 20.08.2010, fls. 0204, com os argumentos abaixo transcritos. Suscita A impugnante, demonstra abaixo o resultado obtido no PER/DCOMP, ora objeto de sua defesa apontando a regularidade dos créditos declarados no PERD/COMP já mencionado e recusados pela SRF. [...] A SRF lavrou o DESPACHO DECISÓRIO no valor original de R$20.339,26 (vinte mil, trezentos e trinta e nove reais e vinte e seis centavos) sob a alegação de Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.905102/201045 Acórdão n.º 1801001.708 S1TE01 Fl. 157 3 que não havia saldo negativo disponível para compensar os débitos informados pela AUTUADA, razão pela NÃO HOMOLOGOU compensação declarada no PER/DCOMP 24334.75706.310707.1.3.02.4790. [...] Argui a impugnante de fato ocorrem sua defesa que a compensação declarada na PER/DCOMPs em análise foram apuradas com base no saldo negativo devido e apurado de acordo com a DIPJ entregue em 18/06/2007, recibo n° 24.81.13.18.2209. O que aconteceu foi um erro no preenchimento do PER/DCOMP, onde não foi considerado os valores de IR retidos que foram utilizados para formação do saldo negativo do IRPJ do ano base de 2006, como pode ser comprovado através da ficha 54 da DIPJ 2007/2006 (pags. 22 a 32), que segue em anexo, juntamente com as cópias dos darfs recolhidos no código 5993, bem como a tela extraída do site da RFB, através do certificado digital, das fontes pagadoras do ano base de 2006. Assim, uma vez que se comprova as retenções e que as mesmas foram devidamente declaradas na DIPJ e utilizadas para formação do saldo negativo do IRPJ, e que os pagamentos efetuados estão em conformidade com os valores declarados na DIPJ e no PER/DCOMP, comprova, também, dessa forma, legítimo o crédito existente, bem como a compensação efetuada. Assim é legítima a existência dos créditos solicitados na declaração n° 24334.75706.310707.1.3.02.4790. Conclui Senhores Eméritos julgadores, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta manifestação de inconformidade, sendo certo e patente o direito que assiste a impugnante quanto ao reconhecimento dos créditos. [...] Isto posto e demonstrada a total procedência da compensação realizada e a insubsistência do despacho decisório, requer: seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, homologando a compensação acima informada relativo ao PER/DCOMP n° 24334.75706.310707.1.3.02.4790 com o respectivo cancelamento do despacho decisório em epígrafe; que nos termos do artigo 38 da Lei 9.784 de 29 de janeiro de 1999, lhe seja resguardado o direito da juntada das notas fiscais e documentos que comprovam a veracidade dos créditos objetos da compensação. Termos em que pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0235.571, de 19.10.2011, fls. 6770:“Manifestação de Inconformidade não Conhecida”. Consta no Voto condutor Conforme já relatado, a ciência do despacho decisório se deu em 20/07/2010. De acordo com o inciso II do art. 23 do Dec. n.º 70.235, de 1972 (inciso II do art. 10 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) , a intimação pode ser feita por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. De acordo com o § 2º do mesmo art. 23 do Dec. n.º 70.235 (inciso II do art 11 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011), considerase feita a intimação, quando por via postal, na data do seu recebimento. Na fl. 65, consta cópia do AR Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.905102/201045 Acórdão n.º 1801001.708 S1TE01 Fl. 158 4 que comprova a entrega do Despacho Decisório no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo no dia 20/07/2010. Conforme previsto no § 9º, combinado com o § 7º, ambos do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, bem como no art. 15 do Dec. 70.235, de 1972 (art. 56 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011), é de 30 dias, contado da ciência do despacho decisório, o prazo regulamentar para contestação da não homologação da compensação. Visto que a intimação do despacho decisório se deu em 20/07/2010 (terçafeira), referido prazo se encerrou em 19/08/2010 (quintafeira). O documento constante nas fls. 02 a 04 só foi apresentado em 20/08/2010, após o encerramento do prazo. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Eventual petição apresentada fora do prazo não caracteriza manifestação de inconformidade, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. INCOMPATIBILIDADE ENTRE PRELIMINAR E MÉRITO. Não se toma conhecimento das questões de mérito trazidas na manifestação de inconformidade julgada intempestiva. Notificada em 23.11.2011, fl. 74, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.12.2011, fls. 7576, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Requer a análise da manifestação de inconformidade, uma vez que tem o direito creditório líquido e certo. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente requer a análise da manifestação de inconformidade, uma vez que tem o direito creditório líquido e certo. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do Despacho Decisório que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.905102/201045 Acórdão n.º 1801001.708 S1TE01 Fl. 159 5 compensados. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Ainda contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha sido interposta. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Estes prazos legais são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pelas partes. Considerase definitivo Despacho Decisório Eletrônico quando esgotado o prazo legal para a manifestação de inconformidade sem que esta tenha sido apresentada pela Recorrente, uma vez que não foi instaurado o litígio no procedimento. Nesse sentido, A apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade tem o efeito de tornar definitivo o Despacho Decisório 1. No presente caso, verificase que a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório Eletrônico, fls. 9295, 20.07.2010, fl. 65, e apresentou a manifestação de inconformidade em 20.08.2010, fls. 0204, ou seja, intempestivamente. Por essa razão, não conheço do recurso voluntário por ausência de instauração de litígio no procedimento. Por todo o exposto, voto por negar provimento o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.905102/201045 Acórdão n.º 1801001.708 S1TE01 Fl. 160 6 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 12268.000721/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
É causa para aferição indireta do salário-de-contribuição o fato da empresa contabilizar os valores concernentes a várias obras de construção civil em um mesmo centro de custo, posto que impossibilita à verificação da regularidade fiscal de cada um dos empreendimentos.
AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO PARA EXECUÇÃO DE EDIFICAÇÕES. MÉTODO CUB.
Tratando-se de aferição indireta das remunerações utilizadas na execução de edificações, deve-se utilizar o método que leve em conta a área construída e o padrão da obra com base no Custo Unitário Básico - CUB.
CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA. FUNÇÕES E ATIVIDADES NÃO COMPONENTES DO CUB. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.
Na obtenção, mediante a aferição indireta, do salário-de-contribuição decorrente de execução de obra de construção civil, não devem ser consideradas as remunerações de trabalhadores e as retenções sobre notas fiscais de serviço que não componham o cálculo do Custo Unitário Básico - CUB.
AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Nos lançamentos em que se justifica aplicação da aferição indireta da base de cálculo, não tendo o sujeito passivo feito prova suficiente quanto à improcedência do lançamento, deve prevalecer o arbitramento levado a efeito pelo fisco.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996.
Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, ) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração o levantamento AF1 - PARQUE DOS TROPEIROS AFERIÇÃO. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial em maior extensão, ao limitarem o valor da multa em 20%, sendo que a conselheira Carolina Wanderley Landim, votou, também, por afastar toda a aferição indireta.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE INTERFERÊNCIA NO CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite o arbitramento das contribuições, motivado por falhas contábeis, quando estas não têm relevância para o cálculo das contribuições. CENTRALIZAÇÃO DE REGISTROS CONTÁBEIS DE VÁRIAS OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COM BASE NA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. PROCEDÊNCIA. É causa para aferição indireta do saláriodecontribuição o fato da empresa contabilizar os valores concernentes a várias obras de construção civil em um mesmo centro de custo, posto que impossibilita à verificação da regularidade fiscal de cada um dos empreendimentos. AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO PARA EXECUÇÃO DE EDIFICAÇÕES. MÉTODO CUB. Tratandose de aferição indireta das remunerações utilizadas na execução de edificações, devese utilizar o método que leve em conta a área construída e o padrão da obra com base no Custo Unitário Básico CUB. CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA. FUNÇÕES E ATIVIDADES NÃO COMPONENTES DO CUB. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Na obtenção, mediante a aferição indireta, do saláriodecontribuição decorrente de execução de obra de construção civil, não devem ser consideradas as remunerações de trabalhadores e as retenções sobre notas fiscais de serviço que não componham o cálculo do Custo Unitário Básico CUB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 07 21 /2 00 8- 23 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Nos lançamentos em que se justifica aplicação da aferição indireta da base de cálculo, não tendo o sujeito passivo feito prova suficiente quanto à improcedência do lançamento, deve prevalecer o arbitramento levado a efeito pelo fisco. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se aterse aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, ) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração o levantamento AF1 PARQUE DOS TROPEIROS AFERIÇÃO. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial em maior extensão, ao limitarem o valor da multa em 20%, sendo que a conselheira Carolina Wanderley Landim, votou, também, por afastar toda a aferição indireta. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 989DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 988 3 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 40.072 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.214.2745. O crédito em questão trata da exigência de contribuições para outras entidades ou fundos incidentes sobre a remuneração dos segurados que atuaram em obras de construção civil de responsabilidade da empresa autuada. Nos termos do relato do fisco, a remuneração foi aferida indiretamente com base na área construída e no padrão da edificação, tomandose como parâmetro o método do Custo Unitário Básico – CUB. Para justificar o procedimento adotado, a Autoridade Lançadora apresentou dados que comprovariam que a contabilidade da empresa continha informações não condizentes com a realidade econômicofinanceira, que houve a contabilização incorreta de custos das obras, além de que a mãodeobra declarada pela empresa na GFIP seria insuficiente para execução das obras de construção civil fiscalizadas. Para a obra denominada Condomínio Residencial Montreal (CEI n. 50024.83654/74), afirmou o fisco que a escrituração contábil não observou a obrigação de lançar os fatos contábeis em títulos próprios e por obra de construção civil, uma vez que os custos decorrentes da edificação foram registrados no centro de custo “2631 – obras em construção SCP – Jardim Canadá”, no qual eram alocados os lançamentos relativos a três obras independentes (Montreal, Quebec e Vancouver). Em relação à obra Residencial Parque dos Tropeiros (CEI n. 50025.65124/73), o fisco asseverou que fez o confronto dos valores das notas fiscais relativas à compra de concreto usinado com os lançamentos contábeis e verificou que houve lançamentos em duplicidade, com consequente aumento dos custos da obra. O fisco apresentou, para as obras Condomínio Montreal e Residencial Parque dos Tropeiros, estudo detalhado em que tenta demonstrar que a remuneração declarada em GFIP não seria suficiente para conclusão das citadas edificações. O referido estudo tomou como parâmetros o método do CUB e o método da Produtividade da MãodeObra, este baseado em índices de produtividade constantes na Tabela de Composições de Preços para Orçamentos – TCPO. Foram encontrados os seguintes resultados: Obras Rem GFI / Rem CUB Rem GFIP/ Rem TCPO Residencial Montreal 54,10% 35,40% Residencial Pq dos Tropeiros 58,89% 63,40% Fl. 991DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 989 5 Em 06/02/2009, a empresa ofertou defesa, na qual alegou a ausência de motivo para que a sua contabilidade fosse desconsiderada, haja vista não haver na Lei n.º 8.212/1991 a obrigação de que a escrituração contábil seja efetuada por obra de construção civil. Afirmou que a obra Residencial Montreal não teve o seu custo contabilizado em contas individualizadas porque faz parte do empreendimento “Condomínio Jardim Canadá”, composto de três condomínios distintos. Alertou que a contabilização unificada não alterou o recolhimento da contribuição previdenciária. Quanto aos lançamentos em duplicidade para a obra Residencial Parque dos Tropeiros, sustentou que a falha foi regularizada mediante ajuste de exercícios anteriores. Argumentou que o procedimento de comparação do custo da mãodeobra pelos métodos do CUB e da produtividade não autorizam a aferição indireta da remuneração, posto que não se comprovou a existência de erros e omissões contábeis e/ou recusa na apresentação de documentos. O fisco não conseguiu demonstrar, mediante análise contábil e documental, que existiria mãodeobra não declarada pela empresa nas referidas obras. A aferição da mãodeobra, asseverou, não levou em conta o aumento de produtividade provocado pela utilização de novas tecnologias, bem como da forma de execução dos serviços. Chamou a atenção para diversos erros cometidos pelo fisco na sua apuração, quais sejam: a) a Tabela CUB a ser utilizada deveria ser aquela específica para obras do Programa de Arrendamento Residencial – PAR da Caixa Econômica Federal; b) foram excluídos vários recolhimentos de trabalhadores que efetivamente atuaram nas obras em questão; c) Relativamente ao empreendimento Residencial Condomínio Parque dos Tropeiros, há, na competência janeiro de 2007, divergência entre o valor declarado pela empreiteira Sermontel Serviços de Montagens Elétricas Ltda (R$ 3.164,22) e o montante considerado pela fiscalização (R$ 609,40); d) não pode ser desconsiderada a retenção de contribuições sobre as faturas da prestadora KLS Construções, mesmo que a contratada não tenha preparado a GFIP; e) o fisco deixou de aplicar os redutores de área previstos na legislação. Alegou que o lançamento é nulo, por lhe faltar clareza quanto à ocorrência dos fatos geradores. O órgão de primeira instância converteu o julgamento em diligência, de modo que o fisco se pronunciasse sobre os erros apontados pelo sujeito passivo. O processo retornou com a Informação Fiscal, na qual o fisco ponderou que: Fl. 992DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 a) inexistiu erro quanto à aplicação da Tebela CUB, posto que o sujeito passivo, mesmo intimando, não comprovou que o Residencial Parque dos Tropeiros se referia a obra enquadrada como conjunto residencial popular; b) na aferição indireta da mãodeobra foram excluídas as remunerações das funções que não fazem parte do Custo do CUB, conforme determina a legislação; c) não procede a alegação de que tenha havido erro no valor declarado pela empreiteira Semontel Serviços, posto que o valor adotado pelo fisco foi aquele constante no banco de dados da RFB; d) deve ser feita retificação para incluir na apuração da remuneração da obra Residencial Montreal as notas fiscais n. 22.938; 19.405 e 19.369, todas emitidas pela empresa Hipermix Serviços de Concretagem; e) na apuração da mãodeobra são consideradas as remuneração dos trabalhadores alocados pelas prestadoras de serviço na obra e não o valor retido das notas fiscais de prestação de serviço; f) a base de cálculo dos créditos lançados constitui a diferença entre a remuneração aferidas pelo CUB e a remuneração declarada na GFIP; g) quanto às empresas Sala Impermeabilizações, Engrena Terraplanagens e KLS, não foram apresentadas GFIP específicas da matrícula, mas mesmo que o tivesse, não seriam consideradas, posto se tratarem de serviços de impermeabilização, pavimentação e terraplanagem, os quais não integram o cálculo do CUB; h) não há permissivo legal para redução da área do salão de festas; i) o redutor de área para a churrasqueira foi devidamente aplicado, conforme cálculo apresentado. Cientificada da diligência, a autuada reiterou as razões apresentadas na defesa. Na decisão de primeira instância, afastouse a nulidade do lançamento, sob a justificativa de que as informações e documentos trazidos pelo fisco permitem a perfeita identificação da origem das contribuições lançadas. No mérito, o órgão a quo acatou a retificação sugerida pelo fisco em sede de diligência e, por considerar que a empresa preparou a sua contabilidade de forma inadequada, além de que a mãodeobra declarada seria insuficiente para execução das edificações, julgou parcialmente procedentes as contribuições aferidas indiretamente pelo método CUB. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) todos os processos de débito relativos a mesma ação fiscal devem ser julgados conjuntamente, posto que tratam de matérias conexas; b) o arbitramento das contribuições é ilegítimo, uma vez que a empresa possui contabilidade regularmente formalizada e a sua desconsideração está fundamentada em premissa equivocada; Fl. 993DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 990 7 c) a aferição indireta do saláriodecontribuição somente deve prevalecer quando se verifique a total impossibilidade de se extrair da documentação apresentada as remunerações pagas aos trabalhadores a serviço da empresa; d) a estrutura jurídica do “Condomínio Jardim Canadá” (sociedade em conta de participação), formado por três obras independentes denominadas Residencial Montreal, Residencial Quebec e Residencial Vancouver, justifica que a contabilização dos custos tenha se dado em um único centro, a despeito de cada residencial ter sua matrícula no cadastro da Receita Federal; e) os lançamentos contábeis são consistentes e pautados na documentação relativa ao empreendimento, assim, ao contrário do que se afirmou na decisão recorrida, não houve atropelo à Lei n.º 8.212/1991; f) a previsão do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008, determinando a contabilização individualizada por obra, não se presta a impor obrigação aos contribuintes, posto que sua natureza é infralegal, além de que os registros, da forma como foram efetuados, em nada afetaram o recolhimentos das contribuições sociais; g) a força probatória da contabilidade quanto ao cálculo das contribuições não pode ser afastada pela existência das duplicidades de lançamentos apontadas pelo fisco no Residencial Parque dos Tropeiros, uma vez que as irregularidade cessaram em abril de 2007 e o saldo contábil irregular foi saneado mediante ajustes de exercícios anteriores; h) cópias da escrituração contábil comprovam cabalmente a correção do equívoco levantado pela fiscalização, não havendo razão para que não se considere as provas exibidas; i) é fato que as eventuais imprecisões não trouxeram qualquer prejuízo à apuração das contribuições previdenciárias devidas, cujo pressuposto de incidência é a remuneração dos trabalhadores envolvidos na consecução dos empreendimentos; j) ao contrário do que consta no relatório fiscal e na decisão recorrida, nem a falta de escrituração contábil individualizada por centro de custo específico, nem as eventuais duplicidades de lançamento, isoladamente, têm o condão de levar à desconsideração da contabilidade como um todo, mormente porque a tais circunstâncias não afetaram a apuração da contribuição previdenciária; k) a utilização do critério da aferição indireta somente é admissível quando for inviável a correção dos registros contábeis e houver a completa impossibilidade de se apurar o tributo devido com base na escrita; l) o próprio CARF, conforme decisões colacionadas, não chancela o arbitramento pela simples presunção de que a mãodeobra utilizada seria insuficiente para a realização do empreendimento imobiliário; m) o suposto indício de insuficiência de remuneração levantado pelo fisco se mostra inconsistente, na medida em que as particularidades fáticas que circunscrevem a hipótese confirmam que a mãodeobra efetivamente empregada no período considerado na autuação não pode ser comparada com os padrões normais de construção civil; Fl. 994DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 n) a recorrente demonstrou, exaustiva e justificadamente, os elementos que conduzem ao aumento da produtividade da mãodeobra e reduzem, por conseguinte, a sua utilização nos canteiros, assim, para averiguação da suficiência das horas trabalhadas empregadas nas obras em questão, devese observar as particularidades da tecnologia empregada e da forma de execução dos serviços, sob pena de distorção dos resultados o) o sistema construtivo adotado pela recorrente, em alvenaria estrutural, aliado à utilização do sistema de argamassa industrial, reduzem sensivelmente a utilização de mãodeobra nas suas edificações; p) especificamente para a obra Condomínio Montreal, além das observações acima, o fisco deveria ter considerado que a execução foi levada a efeito adotando a fundação tipo radier, bem como mediante o emprego de peças préfabricadas na confecção das lajes dos pavimentos e de escadas prémoldadas prontas; q) esclareçase que todo o revestimento externo das construções foi realizado com o sistema de argamassa projetada, não havendo trabalhadores envolvidos no transporte horizontal e vertical do produto; r) as instalações elétricas e hidráulicas também foram implementas por sistema construtivo mais célere e menos dispendioso, uma vez que as passagens de tubulações são previamente definidas no projeto, possibilitando a previsão de blocos especiais para tanto, sendo desnecessário cortar/quebrar paredes para embutir instalações, conforme figuras colacionadas; s) a TCPO, utilizada no cálculo das horas orçadas, depende da obra em análise e não pode ser adotada de forma indiscriminada, posto que representa uma média nacional, além de que sequer possui caráter normativo infralegal, capaz de sujeitar os contribuintes aos padrões ali definidos; t) há de se considerar ainda que diversos valores contabilizados não compõem o custo do CUB, o que torna imprecisa a comparação efetuada pelo fisco; u) a TCPO não é aplicável aos chamados “imóveis econômicos”; v) as particularidades dos imóveis em questão poderiam ter sido verificados in loco pela auditoria, porém, esta preferiu trilhar o caminho mais cômodo de fazer ilações que levassem ao arbitramento das contribuições; w) há serviços que não constam nas planilhas orçamentárias porque não foram executados, assim jamais poderiam ser considerados no cálculo das horas orçadas. Essa questão, por não ter sido considerada pela Autoridade Lançadora, levou a grandes equívocos na apuração; x) o quantitativo de horas utilizados pela fiscalização para os serviços de elétrica e hidráulica de ambas as obras está superestimado, conforme índices constantes em diversos trabalhos acadêmicos; y) ao orçar os custos de serviços de alvenaria, o fisco incorporou atividades de transporte, as quais não foram realizadas, posto que estas foram executadas de forma mecânica; z) verificase discrepâncias quanto ao orçamento dos serviços de piso, reboco e aplicação de azulejos, conforme explicações técnicas colacionadas; Fl. 995DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 991 9 a1) o método CUB não leva em conta a variação de produtividade entre as diversas regiões do país; b1) apresenta várias particularidades das obras em comento que indicam que a mãodeobra declarada está compatível com os serviços realizados, não havendo motivos para desconsideração de sua contabilidade; c1) no cálculo da remuneração por aferição indireta foram verificados vários erros que comprometem a imputação fiscal, os quais não foram saneados nem mesmo após a realização de diligência; d1) por outro lado, o órgão recorrido deixou de apreciar aspectos relevantes para o deslinde da contenda, limitandose a afirmar que “Quantos aos demais erros, a defesa não logrou comproválos...”; e1) tal procedimento inquina a decisão de nulidade, uma vez que foi preterido o direito de defesa do sujeito passivo, havendo a necessidade de que os autos retornem à primeira instância, de forma que analisem todas as inconsistências apontadas na impugnação; f1) o mais grave dos erros cometidos pelo fisco decorreu do enquadramento da obra, posto na aplicação do método CUB deverseia ter tomado o valor correspondente às obras do Programa de Arrendamento Residencial – PAR da CEF, conforme documentação comprobatória do tipo de edificação, a qual foi acostada aos autos; g1) foram indevidamente desconsideradas as remunerações de vários segurados que laboraram nas obras, sob o injustificável argumento de que esses trabalhadores não fariam parte da composição do CUB; h1) não foram computadas no cálculo da remuneração os custos dos equipamentos utilizados na produção, o que contraria o disposto na NBR 12.721/2006; i1) para o empreendimento Residencial Parque dos Tropeiros, na competência 01/2007, há divergência entre o valor declarado pela prestadora Sermontel – Serviços e Montagens Elétricas Ltda e o montante considerado pela fiscalização; j1) deixouse de considerar diversas remunerações de mãodeobra terceirizada, indiscutivelmente vinculadas às obras, cujas retenções da contribuição foram efetuadas sobre o valor das notas fiscais. Apresenta relação dos prestadores; k1) para aplicação da multa mais benéfica, devese utilizar o cálculo previsto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996. É relatório. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Julgamento conjunto O pedido para que os processos decorrentes da mesma ação fiscal sejam julgados em conjunto está sendo atendido, posto que foram distribuídos para relatoria deste Conselheiro e todos estão em pauta nesta sessão de julgamento. Nulidade da decisão recorrida Alegou o sujeito passivo que a decisão da DRJ seria nula por não ter apreciado todos os argumentos constantes da impugnação, deixando de enfrentar argumentos defensórios relevantes. Essa tese não merece sucesso. É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes Fl. 997DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 992 11 ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Portanto, descabe a alegação de nulidade pelo fato do órgão recorrido supostamente não ter enfrentado todas as alegações apresentadas pelo sujeito passivo na sua defesa, uma vez que a DRJ fundamentou sua decisão com esteio nos elementos que julgou mais se adequarem ao direito aplicável. Aferição indireta O sujeito passivo asseverou que não há justificativa legal para desconsideração de sua contabilidade, de modo que não deve prevalecer o arbitramento das contribuições lançadas, além de que não houve recusa em apresentar todos os elementos requeridos pela Autoridade Fiscal. Façamos um breve passeio acerca da legislação que dá guarida à aferição indireta da remuneração para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. A legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) Fl. 998DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o fisco justificou a adoção da aferição indireta em três razões, quais sejam: a) falta de contabilização individualizada para a obra Residencial Montreal; b) lançamentos de notas fiscais em duplicidade na contabilização dos custos da obra Residencial Parque dos Tropeiros; c) divergência entre os valores declarados na GFIP para ambas as obras e aqueles obtidos com pelo método CUB e pela Tabela de Composições de Preços para Orçamentos – TCPO. Os erros apontados quanto a escrita contábil foram punidos com a aplicação de multa nos autos de infração há pouco julgados, tendo esse colegiado concluído que efetivamente as infrações se configuraram. Uma pergunta, todavia, mostrase pertinente nesse momento: essas infrações seriam suficientes para que toda a escrita contábil fosse desconsiderada e as contribuições fossem apuradas por aferição indireta? Fazendose uma interpretação sistemática entre as disposições previstas nos §§ 3. e 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, podese chegar a conclusão de que é prerrogativa do fisco a utilização da aferição indireta para se calcular o montante das remunerações pagas para execução de obra de construção civil, desde que o sujeito passivo não apresente os documentos necessários ao cálculo da contribuição devida ou os apresente com deficiência. Nessa toada, somente cabível a aferição indireta do saláriodecontribuição quando o fisco se veja impossibilitado de apurar as remunerações com base nos documentos apresentados pela empresa. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 999DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 993 13 Na espécie, não se registrou a falta de apresentação de documentos necessários a quantificação da mãodeobra, eis que foram disponibilizados folhas de pagamento, GFIP, recibos e notas fiscais, todos com vinculação inequívoca às obras. As falhas contábeis relativas à duplicidade de lançamentos de notas fiscais relativas a obra Residencial Parque dos Tropeiros, foi punida com imposição de multa isolada, mas não leva, entendo, necessariamente à apuração do tributo por arbitramento, posto que não vejo que seja causa de desconsideração total da contabilidade, haja vista que o erro no lançamento de notas fiscais não impede o cálculo da remuneração paga para execução da obra. Sobre essa questão há precedentes do CARF no sentido de que falhas contábeis que não interfiram na apuração das contribuições previdenciárias não podem ser tomadas como motivo para desconsideração total da contabilidade, com consequente apuração das contribuições por arbitramento. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/01/2003 AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Não se pode adotar o método excepcional da aferição indireta sob o argumento de imprestabilidade da contabilidade apresentada, quando ocorridos meros equívocos em contas contábeis que em nada dizem respeito à apuração dos salários pagos pela execução de obra de construção civil. (Acórdão n. 2301003.016 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 16/08/2012) ................................................................................................... ..... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento.(...) (Acórdão n. 2401002.221 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 20/01/2012) ................................................................................................... ...... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2003 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, PELO FISCAL AUTUANTE, DA PRESENÇA DOS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do método da aferição indireta ser uma prerrogativa do Fisco para os casos em que a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, quando da lavratura do auto de infração deve ser demonstrada a presença de todos os requisitos indispensáveis para a sua validade, além da juntada dos documentos que orientaram a Autoridade Fiscal, e a apresentação de relatório fiscal devidamente fundamentado com todos os fatos que levaram à desconsideração da contabilidade da empresa, elementos estes que serão importantes para a defesa do contribuinte, não bastando a simples menção de que algumas notas fiscais ou folhas de pagamento não foram contabilizadas. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A base de cálculo e o cálculo do montante devido constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de métodos que resultem em base de cálculo incerta e duvidosa constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso voluntário provido. (Acórdão n. 2402002.126 – 4.ª Câmara /2.ª Turma Ordinária, de 30/09/2011). De se concluir que a apuração por arbitramento das contribuições relativas à obra Residencial Parque dos Tropeiros não deve prevalecer, posto que a justificativa do fisco para desconsideração da contabilidade se funda em falhas que não impedem a apuração do saláriodecontribuição com base nos documentos apresentados e na própria escrita contábil. Para o empreendimento denominado Residencial Montreal a situação muda de figura. O próprio sujeito admitiu que escriturou os custos envolvidos juntamente com os de duas outras obras, o Residencial Quebec e o Residencial Vancouver. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 994 15 É que a contabilização em um mesmo centro de custo de fatos contábeis relativos a três obras independentes, além de representar descumprimento de obrigação acessória, impede que o fisco possa fazer o cotejo entre a documentação apresentada e os lançamentos contábeis. Mesmo tendose em conta que houve a apresentação de folhas de pagamento, GFIP, recibos, etc, o fisco estaria impedido de verificar em qual das obras deramse os fatos geradores. Bastante elucidativo o pronunciamento do fisco, quando prestou informações em sede de diligência fiscal: ”A contabilização se fosse efetuada na forma prevista pela legislação em nada comprometeria “a relevância da demonstração da estrutura jurídica do empreendimento”, enquanto, na forma como foi feita, com todos os custos das três obras lançados em um único centro de custos, inviabilizou a auditoria fiscal com base na contabilidade da empresa. Este critério contábil adotado impossibilita a identificação e a segregação, de forma clara e precisa, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes da execução de cada obra de construção civil individualmente. Também há uma impossibilidade prática de segregar custos de uma e outra obra, o que inviabiliza qualquer tentativa de auditar a obra com base nos custos incorridos;” Esse posicionamento deixa bem clara a limitação imposta ao fisco pela contabilização centralizada do custo da obra. Posicionome, então, pela validade do procedimento de aferição indireta para apuração do saláriodecontribuição decorrente da execução da obra Residencial Montreal. Passemos então a analisar a possibilidade do arbitramento em face da discrepância entre a contribuição declarada e aquela apurada com esteio no método CUB e na Tabela – TCPO. A princípio o simples fato da mãodeobra declarada divergir dos valores apurados com base em métodos indiretos de aferição não é causa a justificar o arbitramento. Para que esse procedimento seja válido, deve haver o pressuposto da apresentação deficiente de documentos. Assim, a comparação entre os valores declarados em GFIP com as remunerações determinadas pelo método CUB e a pela Tabela – TCPO tem cunho apenas elucidativo, no sentido de reforçar as conclusões do fisco acerca da insuficiência de mãode obra na execução dos projetos de construção civil. À guisa de conclusão, posso afirmar que deve prevalecer o arbitramento em relação à obra Residencial Montreal, devendo ser afastada a aferição indireta para a obra Residencial Parque dos Tropeiros. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Aplicação do Método CUB Alega a empresa que a própria aferição levada a efeito pela auditoria, mediante a adoção do método CUB, revelase incorreta, posto que deixou de considerar a remuneração de vários profissionais que aturam na execução das obras. A aferição indireta das remunerações para os serviços prestados em obras de construção civil é feita com base na área e no padrão de execução da construção, conforme determina o § 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Na data do lançamento o procedimento de aferição era normatizado pela Instrução Normativa – SRP n. 03/2005, que assim dispunha: Art. 435 . Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. § 1º Custo Unitário Básico CUB é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de acordo com a Norma Técnica nº 12.721, de 2006, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. (Redação dada pela IN SRP nº 24, de 30/03/2007) (Vide art. 3º da IN SRP nº 24, de 30/04/2007) § 2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da emissão do ARO referente ao CUB obtido para o mês anterior. (Redação dada pela IN SRP nº 24, de 30/03/2007) (Vide art. 3º da IN SRP nº 24, de 30/04/2007) (Vide art. 3º da IN RFB nº 829, de 18/03/2008) § 3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; II na competência da emissão das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, quando a aferição indireta se der com base nestes documentos; III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. § 4º Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo SINDUSCON: I da localidade da obra ou, inexistindo estas; II da unidade da Federação onde se situa a obra; Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 995 17 III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP circunscricionante da obra. § 5º Para obras executadas fora da circunscrição da DRP do estabelecimento centralizador da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo SINDUSCON ao qual o município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas no inciso II do § 4º deste artigo. Assim, ao utilizar o método CUB para aferição indireta das remunerações decorrentes da execução das obras, o fisco respaldouse na legislação previdenciária, não havendo desvio quanto a utilização deste procedimento, o qual inclusive é admitido pelo Egrégio STJ, como se pode ver da decisão abaixo: PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IRREGULARIDADE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. ART. 33, § 4º, DA LEI 8.212/91. REEXAME DE MATÉRIA PROBATÓRIA. ÓBICE DA SÚM. 07/STJ. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO – CUB. UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 197, DO CTN. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA CDA. SUBSTITUIÇÃO DO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. ARTS. 202 E 203, DO CTN. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 13/STJ E ART. 255, DO RISTJ. PRECEDENTES. 1. Comprovada a irregularidade na escrituração contábil da pessoa jurídica, sujeito passivo da obrigação tributária, pode a Fazenda Pública, nos termos expressos do art. 33, § 4º, da Lei 8.212/91, valerse da aferição indireta dos valores devidos, conforme evidenciado na hipótese. 2. A verificação de eventual equívoco na fiscalização dos documentos contábeis da empresa recorrente, o que, em tese, afastaria a utilização do lançamento por arbitramento, é mister que encontra óbice intransponível na Súmula 07/STJ. 3. A Lei 4.591, de 16/12/64, determinou que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, estabelecesse, dentre outros, critérios e normas para o cálculo de custos unitários de construção, o que foi materializado por intermédio da NB 140, atual NBR 12.721/92, que define os padrões para a apuração do Custo Unitário Básico da Construção Civil – CUB. Esta unidade de medida é calculada mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil –SINDUSCON, não havendo neste ato Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 ingerência do agente previdenciário fiscalizador e tampouco estabelecimento de base de cálculo diversa da legalmente prevista. 4. Improcede a alegada ofensa ao art. 97 (inc. I e IV) do CTN, porquanto a Autarquia Previdenciária, ao utilizar o Custo Unitário BásicoCUB, não instituiu base de cálculo por intermédio de Ordem de Serviço, mas tãosomente aplicou um método para apurála, procedimento que se evidencia inteiramente em sintonia com o § 4º, art. 33, da Lei 8.212/91. 5. Na esteira dos precedentes da Corte, a mera substituição do fator de atualização monetária – na hipótese, a TRD pelo INPC , não induz à nulidade da Certidão de Dívida Ativa – CDA, considerando que foi verificado no título todos os elementos exigidos pela Lei 6.830/80, havendo o devedor exercido regularmente o direito à ampla defesa. Ausente, dessarte, qualquer ofensa aos artigos 202 e 203, do CTN (REsp 331.343/MG, DJ 18.03.2002 e REsp 167.592/MG, DJ 17/08/1998, Relator Min. José Delgado) 6. A demonstração do dissenso pretoriano exige a similitude das situações fáticas julgadas, sendo indispensável a realização do cotejo analítico entre as teses em confronto, não se prestando ao mister paradigmas originados no mesmo tribunal recorrido, requisitos que na espécie não foram atendidos. Presente, portanto, o óbice contido na Súmula 13/STJ e artigo 255 do RISTJ. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, nego provimento. (Resp n. 384.528/SC,DJ 10/06/2002) Acerca da exclusão de determinadas remunerações do cálculo do CUB, a IN n. 03/2005 determina que não sejam consideradas para fins de cálculo das contribuições à remuneração relativa a trabalhadores não vinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que estes trabalhadores estejam incluídos na GFIP. Essa é a inteligência do art. 453: Art. 453 . Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados não vinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP referente à obra. Por exigência da Lei n. 4.591/1964, os Sindicatos da Indústria da Construção Civil ficam obrigados a divulgar mensalmente até o dia 5 de cada mês, os custos unitários de construção a serem adotados nas respectivas regiões jurisdicionais, calculados com base nos diversos projetospadrão e levando em consideração os lotes de insumos (materiais e mãode obra), despesas administrativas e equipamento e com os seus respectivos pesos constantes nos quadros da NBR12.721:2006 da ABNT. Todavia, determinados profissionais do segmentos da construção civil não são incluídos na composição do CUB, os quais são enumerados no Anexo VIII da NBR 12.721:2006: Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 996 19 01 engenheiro e arquiteto projetistas; 02 encarregado; 03 almoxarife; 04 auxiliar de almoxarife; 05 apontador; 06 demais administrativos da obra. Tendose em conta que as remunerações desses profissionais não figuram no pacote de insumos que formam o CUB, não poderiam tais pagamentos, ainda que informados na GFIP, serem abatidos do cálculo efetuado com base neste parâmetro, uma vez que, por uma questão de lógica, não se pode retirar do custo um item que não foi ali incluído. Também não foram consideradas as retenções efetuadas sobre as faturas das empresas Sala Impermeabilizações, Engrena Terraplanagens e KLS, posto que os serviços executados (impermeabilização, pavimentação e terraplanagem) não compõem o cálculo do CUB. Assim, o inconformismo da recorrente quanto a esse ponto não merece acolhimento. Enquadramento da obra Outra questão que o sujeito passivo apresenta, a qual reputa como grande equívoco da fiscalização, diz respeito ao enquadramento das obras, para fins de aplicação da Tabela CUB. Eis os exatos termos constantes no recurso: “Com efeito, o presente auto de infração toma como base para aferição do saláriodecontribuição o valor do CUB/PR referente ao projetopadrão R8B/PR1 no valor de R$ 731,24. A norma NBR 12721:2006, em sua tabela 4, faz clara referência que, para as obras do Programa de Arrendamento Residencial PAR da Caixa Econômica Federal, que são classificadas como de interesse social, seja considerado o enquadramento como projetopadrão PIS (ANEXO VII). Para o projetopadrão PIS, o valor do CUB/PR em novembro de 2008 corresponde a R$ 553,16, ou seja, bem inferior àquele constante da memória de cálculo elaborada pela Fiscalização. (...) Em 02/05/2012, atendendo ao Termo de Intimação Fiscal n. 01, a Empresa apresentou à fiscalização toda a documentação comprobatória de que o empreendimento foi executado dentro do PAR, nos termos das Leis n. 10.188/2001 e n. 10.859/2004, tendo como agente gestor a Caixa Econômica Federal, tratandose de obra popular de interesse social, nos termos Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 da norma NBR 12721:2006 e art. 437, da IN/SRP n. 03/2005. Os contratos firmados com a Companhia de Habitação Popular de Curitiba – COHABCT e com a sua inclusão dentro do PAR/CEF, bem demonstram que se trata de construção de conjunto habitacional popular, tal como disposto na IN/SRP n. 03/2005. Além disso, o cumprimento dos requisitos para o enquadramento da obra no projetopadrão PIS também restou comprovado pelo Resumo do Quadro de Áreas apresentado à fiscalização.” Sobre essa questão, o fisco se pronunciou na informação fiscal decorrente da diligência. Eis as palavras do Auditor: “Intimada a empresa, através do Termo de Intimação Fiscal 01, de 25/04/2012, a comprovar que a obra atende a previsão do artigo 437, inciso V, c/c artigo 322, inciso XXV da IN 03/2005, (empreendimento classificado como econômico, popular ou outra denominação equivalente no código de posturas de obras do Município de Curitiba), deixou de fazê lo, limitandose, a partir de documentos que juntou, a afirmar: “Consoante se extrai da documentação anexa, o empreendimento “Residencial Parque dos Tropeiros” foi executado dentro do PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL – PAR, nos termos das Leis nºs 10.188/2001 e 10.859/2004, tendo como agente gestor a Caixa Econômica Federal – CEF, tratandose de obra de interesse social, cujo enquadramento deve ser efetuado como projetopadrão PIS, nos termos da Norma NBR 12.721/2006 e art.437, da IN/SRP nº 03/2005”; Não comprovado que o empreendimento atende ao contido na Instrução Normativa, e estando o auditor fiscal vinculado a esta, mantémse o enquadramento original;” Verificase, portanto, que a alegação de erro de enquadramento ficou restrita ao empreendimento Residencial Parque dos Tropeiros, para o qual me posicionei por afastar a aferição indireta, conforme vimos alhures. Assim, perdeu o objeto a alegação relativa à erro no enquadramento. Da prova em contrário Nos termos do § 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, tendose as contribuições sido apuradas por arbitramento, o ônus de fazer prova para desconstituir a exigência é do responsável pela obra. Para se desincumbir desse encargo, a empresa trouxe várias considerações de ordem técnica, no afã de demonstrar que a mãodeobra declarada fora suficiente para executar as obras em destaque. Embora tenha me sensibilizado com os argumentos da recorrente, não devo acatálos, haja vista que as inconsistências que levaram o fisco a seguir a trilha da aferição indireta não foram saneadas. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000721/200823 Acórdão n.º 2401003.151 S2C4T1 Fl. 997 21 Se antes da ação fiscal o fisco não pode verificar com base na contabilidade todos os fatos geradores, agora também não poderia, posto que a empresa não apresentou os dados relativos aos custos das obras segregados por matrícula CEI, pelo menos no que diz respeito ao empreendimento Residencial Montreal. Vejo que embora a empresa possa até ter razão em alguns dos argumentos lançados para comprovar a redução da mãodeobra utilizada em razão do aumento de produtividade, verifico que não há uma demonstração consistente da remuneração efetivamente paga aos segurados que laboraram nas obras, mas apenas tentativas de desqualificar o método utilizado pelo fisco para aferir indiretamente o saláriodecontribuição. Conforme, já afirmamos acima é legítima a aferição indireta nas situações em que a contabilidade não apresenta os elementos necessários à apuração da base de cálculo das contribuições, além de que o fisco, ao aplicar o arbitramento, não se desviou da norma previdenciária, portanto, a exigência relativa ao Residencial Montreal é legítima. Da multa aplicada Sobre as contribuições lançadas foi aplicada multa no patamar de 30%, conforme o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Requer o sujeito passivo que a multa seja imposta observandose a nova redação dada ao dispositivo em questão pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 (...) Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento de ofício. Às situações em que houve o sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, não há de se acatar o requerimento da empresa, posto que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, impõe multa mais gravosa (75% do tributo não recolhido) que aquela prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, devese manter a multa aplicada no lançamento, posto que a aplicação retroativa da nova legislação conduziria a um valor mais gravoso ao sujeito passivo. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração o levantamento AF1 PARQUE DOS TROPEIROS AFERIÇÃO. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10940.720254/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
Ementa:
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte.
Numero da decisão: 2201-002.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes e Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de quebra ilegal de sigilo bancário. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os juros de mora sobre a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 04/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.720254/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.205 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria IRPF Recorrente MARCOS MARCELO MESSIAS COMINESI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes e Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de quebra ilegal de sigilo bancário. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os juros de mora sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 02 54 /2 01 1- 42 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 04/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2008 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 572/643, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.900.449,90, calculados até 31/05/2011. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 648/659, na qual cita jurisprudência e alega, em síntese, que: 1) Requisição de Extratos pela Receita Federal O procedimento de requisitar diretamente às instituições bancárias os extratos bancários do contribuinte é repudiado pelo Supremo Tribunal Federal. Em vista disso, o AI impugnado é irregular, pois está lastreado em extratos bancários obtidos pela autoridade tributária sem pedido anterior ao Poder Judiciário; os dados inseridos nos extratos bancários foram utilizados para fins tributários, ao passo que o Supremo Tribunal Federal decidiu que tais valores somente poderão ser usados "para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal"; 2) Depósito Bancário não é Fato Gerador É inadmissível se exigir tributo com amparo em presunção; Com base em jurisprudência e na Súmula 182 do TFR, argumenta que a existência de depósito bancário não constitui fato gerador do imposto de renda. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 2201002.205 S2C2T1 Fl. 3 3 3) Nexo Causal O Auto de Infração contestado não comprovou haver nexo causal entre cada depósito e os fatos tributados como omissão de rendimentos; ... foram tributados depósitos bancários efetuados entre 2008 e 2009. No entanto, o artigo 849, parágrafo 2o, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda vigente) dispõe, taxativamente que "os créditos serão analisados individualizadamente". O procedimento de analisar 'individualizadamente" cada crédito bancário não foi obedecido pela autoridade fiscal e, com isto, não se apontou o "nexo causal" de cada um dos depósitos tributados, como exigem a legislação tributária e precedentes do Conselho de Contribuintes; 4 – Dedução dos recursos Declarados O Auto de Infração não deduziu a importância de recursos anteriormente declarados nos anoscalendário de 2008 e 2009; consoante apontado nas relações ora anexadas pelo impugnante, não podem ser tributados diversos valores referentes a TRANSFERÊNCIAS dessas mesmas pessoas jurídicas bem como DEVOLUÇÃO DE CHEQUE depositado, liberações de empréstimos e estornos...; Devese ressaltar que: a) Os rendimentos da pessoa física, já declarados e anteriormente citados, constituem origem dos depósitos bancários tributados; b) As receitas das pessoas jurídicas, antes relacionadas e declaradas, também constituem origem dos depósitos bancários tributados, visto que as referidas empresas pertencem exclusivamente ao impugnante e sua esposa e porque os fornecedores das pessoas jurídicas exigiam que os pagamentos fossem efetuados pelo próprio controlador, titular e esposo da titular; e c) As importâncias indicadas nas três relações anexas não constituem, de forma alguma, RENDIMENTO a ser tributado, pois são meros fatos PERMUTAT1VOS c não caracterizam renda tributável. Por fim, solicita a improcedências do auto de infração, dados aos vícios, erros e incorreções apontados, além de carecer de liquidez, certeza e exigibilidade. A 5ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Fl. 710DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE EMISSÃO DE RMF. NÃO OCORRÊNCIA DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. A prestação de informações, por parte das instituições financeiras, solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, mediante a emissão de Requisição de Movimentação Financeira RMF não constitui quebra do sigilo bancário se houver procedimento administrativo regularmente instaurado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Intimado da decisão de primeira instância em 25/11/2011 (fl. 691pdf), Marcos Marcelo Messias Cominesi apresenta Recurso Voluntário em 16/12/2011 (fl. 692pdf), sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, a exclusão dos rendimentos declarados, tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário de 2008 a 2009. Em sua peça recursal alega o suplicante, em preliminar, quebra ilegal de seu sigilo bancário. No mérito, afirma que é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários. Assevera, ainda, que “... os depósitos bancários não demonstram, jamais rendimentos omitidos ...”. Por fim, solicita a exclusão dos rendimentos declarados, tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, verificase que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Em relação à legalidade dos diplomas legais referenciados, esse Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF Fl. 711DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 2201002.205 S2C2T1 Fl. 4 5 para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) Além do mais, as Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar 105, de 2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o recorrente foi intimado a fornecer seus extratos bancários, no entanto, apresentou apenas parcialmente, razão pela qual não restou outra alternativa a fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Sobre a preliminar de sobrestamento arguida na peça recursal, penso que a mesma não deve ser acolhida, pois o caso em apreço não se subsume ao § 1º do art. 62A do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Ressaltese que de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 2002, assim dispõe, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Além do mais, diversamente do que faz crer o recorrente, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Ademais, diferentemente da tese defendida pelo suplicante, a autoridade fiscal não tem que comprovar sinais exteriores de riqueza e tampouco renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional2. Passando as questões pontuais de mérito, alega o suplicante que a autoridade lançadora deixou de considerar valores apontados na Declaração de Ajuste de 2008 e 2009 (rendimentos isentos e não tributáveis), bem como as receitas declaradas pelo Supermercado Triângulo do Ivaí, Marcos Marcelo Messias Cominesi empresa individual e Jacqueline Messias Cominesi empresa individual. Por fim, afirma que não podem ser tributadas as transferências dessas mesmas pessoas jurídicas, bem como devolução de cheque, liberações de empréstimos e estornos, etc. Pois bem, quanto à alegação de que a autoridade fiscal tributou receitas declaradas pelas empresas Supermercado Triângulo do Ivaí, Marcos Marcelo Messias Cominesi Empresa Individual e Jacqueline Messias Cominesi Empresa Individual, reproduzo, de antemão, a conclusão da fiscalização, conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal Anexo ao Auto de Infração” (fls. 678/583pdf): Face ao dever da fiscalização em buscar a verdade material sobre os fatos econômicotributários envolvidos no presente procedimento, por meio dos Termos de Intimação Fiscal n° 373/11, 374/11 e 375/11 (fls. 385 a 468), as entidades que assumiram a titularidade de parte dos depósitos existentes nas contascorrentes do fiscalizado: Supermercado Triângulo do Ivaí, CNPJ 02.113.046/000142, Marcos Marcelo Messias Cominesi CNPJ 08.034.074/000150 (empresário, nome fantasia Frigorífico Frigonesi) e Jacqueline Messias Cominesi, CNPJ 02.816.691/000121 (cônjuge do fiscalizado), foram intimadas a apresentara escrituração contábil e fiscal referente aos anos de 2008 e 2009, bem como a fazer a devida correspondência entre os depósitos bancários anteriormente justificados como de sua titularidade e os respectivos lançamentos contábeis, ou, caso não haja escrituração, apresentar documentação hábil a comprovar 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 2201002.205 S2C2T1 Fl. 5 7 a origem dos valores, todos ainda pendentes de comprovação como determina a Lei. (...) Novamente, em virtude da necessidade de busca da verdade material, a fiscalização promoveu tentativas de efetuar correspondências entre os depósitos bancários declarados como de titularidade das pessoas jurídicas com as respectivas escriturações contábeis ou fiscais, apesar de que as próprias entidades não tenham conseguido tal êxito. Percebese que na contabilidade das três pessoas jurídicas, em seus livros diários, as receitas de vendas têm como contrapartida essencialmente a conta caixa, como vendas à vista em espécie, mesmo quando os numerários não transitam por ela, no caso dos depósitos bancários, conforme também se percebe nas justificativas da origem dos depósitos apresentadas pelo fiscalizado nas planilhas já citadas. Mesmo assim, não foram encontradas correspondências entre datas (mesmo considerandose datas próximas) e valores na contabilidade, conta bancos ou caixa, com os depósitos bancários alegados como próprios. A título ilustrativo, segue exemplo de análise comparativa efetuada pela fiscalização entre os depósitos bancários (créditos) em determinadas datas com a escrituração contábil (débitos) e fiscal (saídas) no mesmo período, para a pessoa jurídica Jacqueline Messias Cominesi: (...) Igualmente ao sujeitos passivos, diversas tentativas de se encontrar correspondências entre os extratos bancários e a escrituração contábil ou fiscal das três empresas, em diversas datas, foram efetuadas pela fiscalização, todas sem sucesso. (...) Embora seja essa a alegação do fiscalizado, "de que há patrimônio de pessoas jurídicas em suas contas de depósito", os interessados pessoa física e jurídicas e a fiscalização não obtiveram êxito na comprovação de tais fatos, pois além de inexistir documentação probatória, as citadas entidades apresentam contas de depósitos próprias e distintas, informadas pelas instituições financeiras através da DIMOF (fls. 570). Apenas a título ilustrativo, a tabela a seguir demonstra os valores de Receita Bruta declarados pelas pessoas jurídicas em DIPJ ou DASN (valores iguais ou próximos aos declarados pelo fiscalizado às fls. 174), comparados com a entrada de recursos (créditos) em contas de depósitos próprias, dados da DIMOF (fls. 570), somadas com as supostas entradas na conta da pessoa física, conforme planilhas já citadas apresentadas pelo fiscalizado (fls. 297 a 374): Fl. 714DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 (...) Concluise que, não obstante não haver qualquer comprovação individualizada de que os depósitos existentes nas contas bancárias da pessoa física fiscalizada pertencem às cita as essoas jurídicas, além de não terem sido encontrados na contabilidade os respectivos os registros, também os valores totais dos depósitos, das contas em nome das pessoas jurídicas somados com os supostos depósitos na conta da pessoa física fiscalizada, superam os valores de Receita Bruta declarados, nas três empresas no ano de 2008 e na empresa individual do fiscalizado em 2009, em valores vultosos. Portanto, mais uma vez não foi possível atribuir às empresas os citados depósitos, ainda que a legislação vigente não exigisse a análise individualizada dos créditos na apuração da omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430/96), o que não acontece. Pelo que se vê, a análise da autoridade recorrida foi bastante criteriosa e, neste sentido, só resta reiterar e adotar os fundamentos transcritos acrescentando que, no caso em apreço, a comprovação, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430 de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, a entrada do recurso em seu movimento bancário. Portanto, há necessidade de se estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, não cabendo a comprovação feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento a comprovar vários créditos em conta. Portanto, como o recorrente não juntou ao recurso qualquer documentação comprobatória das alegadas origens, correta a tributação dos valores como renda omitida. No que tange a alegação de que de que a fiscalização tributou as devoluções de cheques, liberações de empréstimos e estornos, por total ausência de prova dessa ocorrência, não há como acolhêla. Quanto a alegação de que a autoridade lançadora deixou de considerar valores apontados nas Declarações de Ajuste de 2008 e 2009 (rendimentos isentos e não tributáveis), verifico, pois, que não foram encontrados nos extratos do contribuinte nenhum depósito que combinasse em datas, valores, histórico, etc., com os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis. Cabe novamente lembrar, que o ônus da prova da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias é do contribuinte, e que, não havendo coincidência entre datas e valores nos documentos apresentados, deve ele apresentar outros elementos de prova que permitam estabelecer uma relação entre as operações que alega terem ocorrido para comprovar a origem dos depósitos que pretende justificar. Alegar simplesmente que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte. Consolidouse nesse sentido a jurisprudência desse Conselho. Vejase: IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma Fl. 715DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 2201002.205 S2C2T1 Fl. 6 9 individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos. (Acórdão nº 10423276, de 25 62008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Ainda, em relação à venda do veículo GM Meriva no valor de R$ 28.000,00, como o suplicante não conseguiu estabelecer uma vinculação entre a referida venda e o crédito em conta, é forçoso concluir, da mesma forma que o item anterior, que o referido valor não transitou pela conta bancária do contribuinte, razão pela qual não há como excluílo. Por fim, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do art. 113, § 3º, do CTN, pois, tanto à multa quanto ao tributo compõe o crédito tributário, sendo, portanto, aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Esse entendimento encontrase precedentes na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), consoante a ementa destacada: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920201.991, Processo nº 16327.002244/9933) Ressaltese que em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 716DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15983.000744/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6.
Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA.
A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32-A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea c do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32-A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea c do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente TRANSPORTES SANCAP S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 44 /2 01 0- 65 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000744/201065 Acórdão n.º 2301003.517 S2C3T1 Fl. 177 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.299.5578, lavrado em 24/09/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte do empregado e contribuintes individuais, incidentes sobre remunerações de contribuintes individuais e de empregados apuradas em folha de pagamento, no período de 01/2006 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 236.991,79, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 06/10/2010, fls. 25, a recorrente apresentou impugnação, fls. 85/101, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 8ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 146/155, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 16/09/2011, fls. 158. O recurso voluntário, apresentado em 18/10/2011, fls. 159/172, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta que houve nulidade nas intimações feitas por via postal. Entende que o auto de infração deve ser lavrado no estabelecimento do fiscalizado sob pena de nulidade. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Conclui que inexistiu sonegação. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Intimação. Pessoal, postal ou por meio eletrônico. Ao contrário do que argumenta a recorrente, o Decreto 70.235/72 prevê várias formas de intimação, conforme podemos conferir no texto legal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Ademais temos a Súmula CARF nº 06: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, não havendo exclusividade de meio de intimação e sendo obedecidos os requisitos legais para a utilização do meio eleito, não há qualquer irregularidade nas intimações levadas a efeito pela fiscalização. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000744/201065 Acórdão n.º 2301003.517 S2C3T1 Fl. 178 5 Multa de ofício confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. A respeito da Representação Fiscal para Fins Penais Os argumentos quanto ao ilícito penal não são objeto da discussão administrativa regida pelo Decreto 70.235/72. Se foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, com natureza de notitia criminis, quando e se esta for enviada ao Ministério Público, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Afastamos, portanto, os argumentos dessa natureza. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000744/201065 Acórdão n.º 2301003.517 S2C3T1 Fl. 179 7 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000744/201065 Acórdão n.º 2301003.517 S2C3T1 Fl. 180 9 · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000744/201065 Acórdão n.º 2301003.517 S2C3T1 Fl. 181 11 fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a para as infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, determinar que devem ser comparadas estas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 23034.001014/2001-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1995 a 31/12/1998
DECISÃO PROFERIDA PELO FNDE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Tendo sido a decisão recorrida proferida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, ausente um dos pressupostos para instauração da competência do CARF, em obediência ao disposto no art. 1º Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 256 de 2009.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1995 a 31/12/1998 DECISÃO PROFERIDA PELO FNDE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Tendo sido a decisão recorrida proferida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, ausente um dos pressupostos para instauração da competência do CARF, em obediência ao disposto no art. 1º Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 256 de 2009. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 10 14 /2 00 1- 48 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 23034.001014/200148 Acórdão n.º 2302002.722 S2C3T2 Fl. 288 3 Relatório Trata se de Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, lavrada em face de BANCO DO ESTADO DE SANTA CATARINA S/A., no valor de R$ 644.103,75, referente às contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (SalárioEducação). Consta da aludida NRF (fls. 66) e da Informação Fiscal de fls. 4/10 que, em 30/11/1999, o INSS apurou débito referente a ações trabalhistas e às rubricas denominadas auxíliomoradia e verbas de quilometragem. Como a empresa mantinha convênio com o FNDE (1987 a 2000), a contribuição relativa ao salárioeducação não foi lançada naquela oportunidade pela então fiscalização do INSS, emitindose a aludida Informação Fiscal. Cientificado dos fatos, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação emitiu a Notificação para Recolhimento de Débito NRD em destaque, em fevereiro de 2001. Cientificada da NRF (fls. 70), a recorrente apresentou a defesa de fls. 76/84. Às fls. 92, consta informação do INSS referente ao débito originário, lançado pela Fiscalização daquele Instituto. No referido documento consta que o Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, por decisão proferida em 24 de maio de 2000, manteve apenas o lançamento da rubrica auxíliomoradia, excluindo, portanto do débitos os valores relativos a ações trabalhistas e a verbas de quilometragem. O FNDE seguiu a decisão do CRPS na análise da defesa da recorrente (fls. 108/110). Irresignada quanto à manutenção da rubrica de auxíliomoradia, a recorrente interpôs Recurso, sob exame, às fls. 146/177. O Recurso foi encaminhado ao ConselhoDeliberativo do FNDE, mas, em razão do advento da Lei n° 11.457/2007, os autos foram encaminhados à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (fls. 219/235). Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Da incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tratase de Recurso interposto contra decisão proferida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE. Segundo o art. 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 256 de 2009, ‘o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Deste modo, entendo que os presentes autos devam ser encaminhados para a DRJ de circunscrição da recorrente para que seja proferida decisão quanto à defesa administrativa apresentada pelo notificado. Dessa decisão, somente se houver interposição de recurso voluntário é que estará instaurada a competência deste Conselho. Deste modo, não deve ser conhecido o presente Recurso, uma vez verificada a ausência de um dos pressupostos para a instauração da competência do CARF. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 15504.020289/2008-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO.INTEMPESTIVIDADE
Sempre que o recurso for apresentado em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebê-lo, tendo em vista o fenômeno da preclusão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 02 89 /2 00 8- 45 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório O Auto de Infração AI em pauta, conforme relatório fiscal da infração de fl. 15, foi lavrado por ter a Fundação apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com omissão de fatos geradores de contribuições sociais à Seguridade Social, no período de 12/2003 a 12/2007, discriminados no Anexo I de fls.17/29. Segundo a autoridade fiscal, a Fundação deixou de informar nas GFIP a parcela in natura, fornecida a seus empregados a título de alimentação. Ressalta que, após devidamente intimada, não comprovou a sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador e, por isso, os gastos despendidos a esse título foram considerados salário de contribuição previdenciária. A omissão descrita caracterizou infração à Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o , combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, artigo 225, inciso IV e parágrafo 4o. Na impugnação , a Recorrente alega que esta lavratura decorre do lançamento da obrigação principal contido no processo n° 15504.020287/200856. Se a jurisprudência do STJ pacificou o entendimento de que não há contribuição previdenciária quando a própria empresa fornece alimentação para seus empregados, então entende que não praticou nenhum fato gerador da contribuição, não tendo, por conseguinte, obrigação de declarar em GFIP nada a esse título.Assim, se nada é devido no processo da obrigação principal, igualmente inválida é a presente exigência. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Por unanimidade de votos, na forma do Acórdão n° 0228.869, a 9ª da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, em 04 de outubro de 2010, julgou parcialmente procedente a impugnação. RECURSO A Recorrente interpôs Recurso voluntário na forma do documento de fls. 148. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.020289/200845 Acórdão n.º 2403002.005 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator A Recorrente alegando que teria sido notificada em 01.03.2011, interpôs Recurso voluntário em 30.03.2011 na forma do documento de fls. 148 : “ Da tempestividade Tendo sido intimada a Recorrente do v. acórdão n° 02 28.867 em data de 01.03.2011. terçafeira, o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação deste recurso teve início em 02.03.2011, quartafeira, para exaurirse em 31.03.2011. quintafeira.” Conforme Aviso de recebimento AR de fls. 147, a empresa fora notificada em 25/02/2011. Portanto o prazo para interpor Recurso expirou em 29/03/2011. Isto posto, concluise intempestiva sua peça recursal. CONCLUSÃO Diante do exposto, não conheço do Recurso por ser INTEMPESTIVO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720008/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. DESQUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não logrando a fiscalização comprovar que as transações utilizadas pela contribuinte na apuração dos preços de transferência segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados) foram realizadas entre pessoas vinculadas, descabe a desqualificação do referido método, devendo os correspondentes ajustes serem excluídos da tributação.
PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. CLÁUSULA CIF.
Como decorrência de expressa disposição legal (§ 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, antes do advento da Lei nº 12.715, de 2012) e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, o valor do frete, seguro e tributos incidentes na importação devem compor o preço praticado, quer nas operações com cláusula CIF (valor constante dos documentos de importação), quer nas operações com cláusula FOB (ônus suportado pelo importador).
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1402-001.403
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. DESQUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não logrando a fiscalização comprovar que as transações utilizadas pela contribuinte na apuração dos preços de transferência segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados) foram realizadas entre pessoas vinculadas, descabe a desqualificação do referido método, devendo os correspondentes ajustes serem excluídos da tributação. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. CLÁUSULA CIF. Como decorrência de expressa disposição legal (§ 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, antes do advento da Lei nº 12.715, de 2012) e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, o valor do frete, seguro e tributos incidentes na importação devem compor o preço praticado, quer nas operações com cláusula CIF (valor constante dos documentos de importação), quer nas operações com cláusula FOB (ônus suportado pelo importador). CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. DESQUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não logrando a fiscalização comprovar que as transações utilizadas pela contribuinte na apuração dos preços de transferência segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados) foram realizadas entre pessoas vinculadas, descabe a desqualificação do referido método, devendo os correspondentes ajustes serem excluídos da tributação. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. CLÁUSULA CIF. Como decorrência de expressa disposição legal (§ 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, antes do advento da Lei nº 12.715, de 2012) e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, o valor do frete, seguro e tributos incidentes na importação devem compor o preço praticado, quer nas operações com cláusula CIF (valor constante dos documentos de importação), quer nas operações com cláusula FOB (ônus suportado pelo importador). CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 08 /2 01 1- 31 Fl. 6609DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.606 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá. Fl. 6610DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.607 3 Relatório Tratamse de autos de infração de IRPJ e CSLL, por meio dos quais exigese da contribuinte ajustes adicionais nas bases de cálculo desses impostos, referentes ao ano calendário de 2007, relativos a preço de transferência. A fiscalização identificou supostas incorreções na utilização do Método dos Preços Independentes Comparados (PIC) e do Método do Preço de Revenda menos Lucro – margem de 20% (PLR20) para comprovação dos preços de transferência em relação a operações de importação de produtos de empresas coligadas destinados à revenda. Analisando os documentos e cálculos apresentados pela contribuinte para a comprovação do método PIC, a fiscalização concluiu pela não aceitação do referido método, entendendo imprestável a documentação apresentada, em função do disposto no § único do artigo 40 da IN SRF nº 243/2002 e pela não aceitação do ajuste declarado, espontaneamente, no decurso da fiscalização. Conforme entendimento fiscal, a utilização do método PIC para a apuração do limite de dedutibilidade fiscal de despesas incorridas na importação de pneus de sociedades coligadas situadas no exterior (Colômbia e Holanda) teria sido indevida, tendo em vista que para cálculo do referido método foram utilizados preços praticados em operações realizadas entre a coligada da contribuinte e revendedores varejistas autorizados, nas quais haveria exclusividade. Em função disso, a fiscalização adotou outro método para comprovação dos preços de transferência, o método PRL20 (alínea "a" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), uma vez que os produtos teriam sido importados de pessoas vinculadas e revendidos no país sem qualquer agregação de valor ao custo dos bens adquiridos, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens. O preço praticado pela fiscalização foi calculado de acordo com os custos constantes dos documentos de importação dos insumos/produto, sendo ele a soma do custo de aquisição da mercadoria FOB + valor dos fretes internacionais + valor dos seguros internacionais + o valor do Imposto de Importação, nos termos do § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002. Os produtos e valores para os quais foram apurados ajustes pelo método do PRL20 constam do demonstrativo de fls. 524/526. No que toca à parcela remanescente de produtos importados de empresas coligadas no referido período, para qual a contribuinte originalmente aplicou o método PLR20, afirma a fiscalização que a contribuinte deveria ter adicionado aos preços praticados nas respectivas operações as despesas incorridas com o pagamento de frete, seguro e Imposto de Importação, para fins de comparação com os preçosparâmetro calculados de acordo com este método. Assim, a fiscalização também procedeu ao arbitramento do cálculo dos preços de transferência dos aludidos produtos, de modo que foram realizados ajustes fiscais adicionais, dando origem aos valores lançados. Fl. 6611DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.608 4 Cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 6336/6367), alegando, em síntese, o seguinte: 1) A correta utilização do método PIC, uma vez que não há qualquer espécie de vinculo entre a sociedade coligada da contribuinte (Icollantas) com sede na Colômbia e os revendedores que dela adquiriram produtos nesse país, sendo certo que inexiste relação de exclusividade comercial entre tais partes. Anexa notas fiscais emitidas pelos revendedores para consumidores finais no exercício de 2007 (doc. 3 da impugnação), para evidenciar que o preço praticado na revenda de produtos de mesmo modelo e em datas muito próximas é absolutamente distinto; 2) Inexiste vinculação entre a Icollantas e os revendedores varejistas, porquanto estes não desenvolvem a atividade de agentes, distribuidores ou concessionários daquela nos termos do artigo 23, inciso IX, da Lei nº 9.430/96, restando totalmente afastada a possibilidade de manipulação de preços; 3) Os contratos celebrados entre a Icollantas e os revendedores varejistas prevêem tãosomente que estes não devem vender em seus estabelecimentos pneus idênticos ou similares de marcas concorrentes á Icollantas. Que, no entanto, é facultado aos revendedores varejistas vender pneus de marcas diversas em seus estabelecimentos, bastando para isso que se tratem de modelos distintos, bem como é perfeitamente possível que exista mais de um revendedor da Icollantas estabelecido na mesma área de um município. Que isso efetivamente ocorre no caso em tela, em que há revendedores localizados no mesmo bairro de Bogotá (Fontibón), como se verifica das faturas comerciais emitidas pela Icollantas para eles (doc. 05 da impugnação). Anexa documentos (doc. 06 da impugnação) para comprovar que existem 133 revendedores dos produtos vendidos pela Icollantas na Colômbia, sendo 32 deles somente no Departamento da Cundinamarca, onde está localizado o Distrito da Capital Bogotá. 4) A autoridade lançadora desconsiderou o cálculo efetuado em sua integralidade com base apenas no alegado vínculo entre uma de suas coligadas Icollantas e revendedores varejistas na Colômbia, ignorando por completo as operações realizadas pela primeira com sua coligada sediada nos Paises Baixos (Holanda), as quais também foram abrangidas pelo método PIC. 5) Considerando que os preços praticados pela coligada na Holanda e terceiros independentes são plenamente válidos para a aplicação do método PIC o que sequer foi contestado pela autoridade lançadora , resta claro que a mera desconsideração dos preços praticados entre a coligada colombiana e determinados revendedores não é suficiente para afastar a aplicação do método PIC. 6) No método PIC, é facultado à pessoa jurídica efetuar ajustes no valor dos bens importados em virtude de diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo, sendo certo que, no caso de produtos idênticos, os ajustes relativos às quantidades negociadas serão feitos com base em documentos de emissão da empresa vendedora (artigo 9º, § 1º, inciso II, e § 4º, da IN SRF nº 243/2002), como é o caso das notas ou cartas de crédito; 7) Apresentou à fiscalização toda a documentação referente às operações de venda de pneus por parte das empresas coligadas a terceiros, inclusive as notas de crédito emitidas por estas, que, por refletirem as devoluções de parte destas mercadorias, resultaram em alteração da média ponderada dos preços independentes comparados. Que a apresentação das notas de crédito em foco não teve a finalidade de propiciar quaisquer efeitos positivos para Fl. 6612DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.609 5 a contribuinte no que tange à apuração do preçoparâmetro dos produtos importados; pelo contrário, visou tãosomente demonstrar de forma escorreita à fiscalização os valores efetivamente praticados nas operações entre as coligadas e os terceiros independentes, mormente no que se refere à quantidade dos produtos vendidos, conforme memórias de cálculo apresentadas à fiscalização. 8) A fiscalização não poderia classificar os documentos apresentados pela contribuinte como imprestáveis se deles próprios se utilizou para efetuar seu cálculo do preço parâmetro mediante a aplicação do método PRL20, como é o caso do Livro de Registro de Inventário Modelo 7. 9) Os tributos incidentes na importação e o gasto com frete e seguro assumidos pelo importador não devem integrar o preço praticado, tampouco compor o cálculo do preçoparâmetro pelo método do PRL20, já que não são pagos a pessoas vinculadas; ou seja, já são regulados pelas condições de mercado. 10) Não há dúvidas de que o "valor de aquisição constante dos respectivos documentos" a que se refere o § 5° do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, cuja dedutibilidade estará limitada ao preçoparâmetro calculado de acordo com um dos métodos, corresponde ao preço FOB praticado entre as partes, e não ao custo contábil total da importação (CIF, acrescido do Imposto de Importação); 11) O artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002 limita, indevidamente, a dedutibilidade de despesas operacionais legítimas, pelo que não se coaduna com os preceitos contidos na Lei nº 9.430/96; 12) O aumento da base tributável do IRPJ e da CSLL imposta pela IN SRF nº 243/2002 através da obrigatoriedade de inclusão dos custos com frete, seguro e Imposto de Importação no preço praticado em operações de importação de produtos de empresa coligada viola frontalmente o principio da legalidade. Encaminhados os autos para a 5ª Turma da DRJ/SP1, esta, por meio do acórdão 1643.023 (fls. 6554/6575), julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. DESQUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não logrando a fiscalização comprovar que as transações utilizadas pela contribuinte na apuração dos preços de transferência segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados) foram realizadas entre pessoas vinculadas, descabe a desqualificação do referido método, devendo os correspondentes ajustes serem excluídos da tributação. Fl. 6613DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.610 6 MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte, por sua vez, apresentou recurso voluntário (fls. 6581/6602), repisando os argumentos de sua peça impugnatória na parte relativa à exigência mantida pela DRJ. É, no essencial, o Relatório. Fl. 6614DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.611 7 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Os recursos atendem a todos os pressupostos de admissibilidade. Devem, pois, ser conhecidos. Desqualificação do método PIC No caso em tela, a Recorrente indicou o método (PIC) para apuração do preço de transferência de parte das mercadorias importadas e apresentou a documentação suporte, a qual, no entanto, foi considerada pela fiscalização como imprestável para a apuração dos preços de transferência segundo esse método (PIC). O julgador a quo, procedendo à análise da documentação utilizada pela Recorrente na apuração do método PIC, entendeu pela inexistência de vínculo entre a controlada da Recorrente e seus distribuidores, legitimando a utilização de tais transações para a apuração dos preços de transferência pelo método PIC, ratificando, neste ponto, a regularidade do procedimento adotado pela Recorrente. Com efeito, merece ser mantido o entendimento de primeira instância, uma vez que, de fato, os distribuidores colombianos não possuem qualquer direito de exclusividade para distribuição dos produtos da coligada da Recorrente, não havendo que se falar em vinculação entre tais partes. Nesse ponto, faço minhas as razões de decidir da DRJ que passo a transcrever: A fiscalização entendeu que a relação comercial entre a Icollantas e seus distribuidores enquadravase na situação prevista no artigo 2º, inciso IX e § 4º, da IN SRF nº 243/2002, em síntese, pelos seguintes motivos: ∙ Examinando o contrato de concessão firmado entre a lcollantas e seus distribuidores/revendedores, a fiscalização constatou a existência de cláusula de exclusividade do produto (às fls. 517/518, a fiscalização reproduz algumas partes do contrato firmado entre a Icollantas e a Distribuidora Sullanta S.A, que no geral, segue o modelo padrão dos demais contratos); ∙ No contrato existe uma cláusula na qual a Icollantas exige que seus distribuidores comercializem com exclusividade os pneus adquiridos da Michelin (os produtos que deverão ser negociados com exclusividade são os pneus destinados a consumo nos ônibus, caminhões, tratores, camionetes e motos); Na cláusula segunda do contrato de concessão ficou nítido o caráter de exclusividade do produto exigido pela Icollantas ao seu representante comercial: "o concessionário se obriga a não Fl. 6615DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.612 8 comercializar em seus pontos comerciais e/ou estabelecimentos de comércio, nenhum outro produto igual ou similar aos adquiridos da Michelinlcollantas". Primeiramente, cumpre observar que o artigo 2º da IN SRF nº 243/2002 trata de caracterizar a vinculação entre a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (no caso, a contribuinte) com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, para determinar a aplicação da legislação dos preços de transferência, visando avaliar a dedutibilidade de custos de bens, serviços e direitos importados em operações entre essas empresas. Não trata da vinculação entre terceiras empresas, que não a contribuinte, vinculação esta que impediria a aplicação do método PIC, nos termos do artigo 8º, § único, da IN SRF nº 243/2002. No entanto, entendo que essa caracterização de vinculação pode ser “emprestada” ao caso em tela, que envolve outras empresas, todas situadas no exterior. Não obstante, a fiscalização equivocase na interpretação do supracitado artigo 2º, inciso IX e § 4º, da IN SRF nº 243/2002, ao analisar a “exclusividade” inserida na relação comercial entre a Icollantas e seus distribuidores. Isso porque a supracitada norma caracteriza como vinculados os distribuidores que têm, em relação ao fornecedor, um direito à exclusividade de compra e venda (relativamente a uma parte ou a todo o território do país), uma reserva de mercado que impede que sofra concorrência de outros distribuidores do mesmo produto numa determinada área; não uma obrigação (de não fazer algo), como no caso em tela, no qual a exclusividade favorece o fornecedor, não o distribuidor. A norma trata do distribuidor exclusivo, e não do fornecedor exclusivo, sendo, portanto, irrelevante a constatação da fiscalização de que no contrato de concessão há uma cláusula que determina que "o concessionário se obriga a não comercializar em seus pontos comerciais e/ou estabelecimentos de comércio, nenhum outro produto igual ou similar aos adquiridos da Michelinlcollantas". Dessa forma, não demonstrando a fiscalização ser aplicável o artigo 2º, inciso IX e § 4º, da IN SRF nº 243/2002, não resta caracterizada a vinculação entre a Icollantas e seus distribuidores, sendo, portanto, possível a utilização das transações entre eles para a apuração dos preços de transferência pelo método PIC, nos termos do artigo 8º, § único, da IN SRF nº 243/2002 e improcedente a desqualificação realizada pela fiscalização. Destaquese que mesmo o inciso X do artigo 2º da IN SRF nº 243/2002 (não citado pela fiscalização para justificar a vinculação) é inaplicável ao caso, pois ele também trata do Fl. 6616DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.613 9 distribuidor exclusivo, e não do fornecedor exclusivo, conforme texto a seguir transcrito: “Art. 2º Para os fins desta Instrução Normativa, consideramse vinculadas à pessoa jurídica domiciliada no Brasil: (...) X a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, em relação à qual a pessoa jurídica domiciliada no Brasil goze de exclusividade, como agente, distribuidora ou concessionária, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos. (...) § 4º Nas hipóteses dos incisos IX e X: (...) II será considerado distribuidor ou concessionário exclusivo, a pessoa física ou jurídica titular desse direito relativamente a uma parte ou a todo o território do país, inclusive do Brasil; (...)” (grifei). Assim, por todo o exposto, há que se excluir da tributação os ajustes relacionados na Tabela Icollantas acima (total de R$ 6.250.803,98). Assim, é legítima a utilização dos preços praticados nas operações entre a coligada da Recorrente (Icollantas) e estabelecimentos comerciais colombianos para apuração do preçoparâmetro através do método PIC, mostrandose incorreta a desqualificação, pela fiscalização, do método adotado pela Recorrente. Com efeito, não merece provimento o recurso de ofício. Inclusão de frete, seguro e Imposto de Importação De outro giro, a DRJ manteve parte dos valores exigidos nos autos de infração por entender correto os ajustes fiscais levados a cabo pela autoridade autuante, no tocante à inclusão das despesas com frete, seguro e imposto de importação ao preço praticado pela Recorrente no método PLR20 (cálculo CIF). Nesse ponto, merece razão a Recorrente. A autoridade autuante sustentou seu entendimento com base na redação do art. 18, § 6º da Lei nº. 9430/96 e no artigo 4º, § 4º da IN SRF nº 243/02, que possuíam a seguinte redação: Lei nº. 9430/96. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Fl. 6617DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.614 10 IN SRF 243/02. Art. 4º. § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. A interpretação conferida pela IN SRF nº. 243/2002 ao art. 18, § 6º da Lei nº. 9430/96 não me parece acertada, pois a lei não pretendeu incluir frete, seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas, tão somente, integrálos ao custo, para efeitos de dedutibilidade no cálculo do Lucro Real. Não por outra razão, o legislador fez constar a expressão “para efeito de dedutibilidade” no § 6º do art. 18 da Lei nº. 9430/96. Se a vontade do legislador fosse efetivamente incluir o frete, seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência pelos métodos PIC, PLR e CPL, bastaria dispor dessa forma, sem fazer qualquer menção à dedutibilidade. Abrase um parêntese aqui para esclarecer que o § 6º do art. 18 da Lei nº. 9430/96 é prescrição genérica que se aplica indistintamente a todos os métodos de cálculo previstos, inclusive o PLR20, e diferentemente dos § 1º, 2º e 3º desse mesmo dispositivo, que se aplicam, respectivamente, aos métodos PIC, CPL e PLR. Por isso, caso a previsão legal tivesse por escopo incluir as despesas com frete, seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo do preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro – e não simplesmente para fins de dedutibilidade , tal obrigatoriedade também se estenderia a todos os contribuintes optantes pelos métodos PIC e CPL, o que sabidamente não ocorre. A essa altura, vale lembrar que, no Brasil, as normas reguladoras do preço de transferência visam a impedir a evasão de tributos, pela manipulação de operações comerciais entre empresas brasileiras e suas coligadas domiciliadas no exterior, de maneira a garantir que os preços praticados nessas operações pautemse pelas condições usuais de livre mercado (Arm’s Length). Dessa forma, o art. 18 da Lei nº. 9430/96 tem como objetivo limitar a dedutibilidade do custo do bem importado ao valor aferido pelo preço parâmetro (preço praticado nas condições de livre mercado, apurado conforme os métodos), nas operações efetuadas com pessoa vinculada, como diz a lei. Ora, não restam dúvidas de que a manipulação de preços só pode acontecer entre partes vinculadas e naquilo que se refere ao valor dos bens, serviços e direitos efetivamente transacionados entre estas. Logo, está claro que somente os custos inerentes às operações praticadas com pessoas vinculadas são alvo do controle pelas normas de preço de transferência. Notese, nesse sentido, que as despesas com frete, seguro e os tributos incidentes na importação não decorrem de operação com empresa vincula, mas sim de operação com terceiros, que não possuem vínculo com a empresa no Brasil. Fl. 6618DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.615 11 Assim, nas operações de importação realizadas entre pessoas vinculadas, os valores de frete, seguro e os tributos incidentes na importação estão fora do escopo das normas de preços de transferência. Acrescentese, por oportuno, que é irrelevante se tais valores são pagos diretamente à pessoa vinculada, como ocorre nas contratações pela modalidade CIF, ou se os valores são pagos diretamente aos terceiros (seguradoras, transportadoras e Administração Pública Federal, etc), como ocorre nas contratações pela modalidade FOB. Uma vez que tais custos são decorrentes de operações entre partes não vinculadas, não estando sujeitos à manipulação, não devem ser incluídos no cálculo do preço de transferência. Finalmente, vale mencionar, que o próprio legislador reconheceu os equívocos interpretativos que vinham ocorrendo e veio a determinar, expressamente, a exclusão destes valores do cálculo do preço parâmetro, encerrando as discussões sobre o tema. Para tanto, editou a MP nº. 563/12, convertida na Lei nº. 12.715/12 que modificou a redação do § 6º do artigo 18 da Lei n. 9430/96 e inclui o § 6ºA. Vejamos: § 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) A justificativa do legislador para a alteração na redação dos citados dispositivos pode ser observada já na Exposição de Motivos da MP nº. 563/12 que vale à pena ser transcrita: 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: ... Fl. 6619DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.616 12 c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; As alterações recentes na legislação de preços de transferência e a leitura dos trechos em destaque demonstram de forma incontestável que a interpretação adotada pela Recorrente está correta. Portanto, é dizer que os valores de frete, seguro e os tributos incidentes na importação não devem ser incluídos no preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro calculado pelo método PLR, uma vez que tais preços já são aferidos em condições de livre mercado (arm’s length). Não é outro, aliás, o entendimento mais recente da E. CSRF, manifestado no acórdão nº. 910101.166, de 12/09/2011: A despeito dos posicionamentos acima referidos, pareceme que o cerne da questão gira em torno de erro semântico na adoção dos termos “preço praticado” e “preço parâmetro”. Pareceme, data maxima venia, que há equívoco na transposição da disposição acerca do preço praticado para parâmetro e vice versa. Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preço parâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no preço parâmetro, já que o preço parâmetro é presunção legal. Noutros dizeres, não há que se falar na inclusão de frete e seguro no preço praticado pelo contribuinte, independente de sua inclusão no preço parâmetro, pois apenas o preço parâmetro consiste em presunção legal. Por tudo quanto exposto, está claro que a IN 243/02 desbordou de sua função precípua, tal seja, regulamentar o comando contido no art. 18 da Lei 9.430/1996, de sorte a propiciar seu fiel cumprimento. Fl. 6620DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.617 13 Sobre o tema, a doutrina e a jurisprudência possuem entendimento firme no sentido de que não cabe aos atos normativos infralegais alterar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contrariando a lei. Portanto, ainda que não seja possível aqui, em esfera administrativa, declarar a ilegalidade do cálculo proposto pela IN 243/2002, devese garantir à Recorrente a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme ditames do art. 18 da Lei 9.430/1996, afastadas a interpretação trazida pela malfada IN 243/2002. Posto isso, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 6621DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.618 14 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. Com a devida vênia, discordo do entendimento do Eminente Conselheiro Carlos Pelá. Entendo que os valores relativos a frete, seguro e imposto de importação devem compor a apuração do preço praticado, uma vez que compõem também o preço parâmetro. Isso porque o § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/2002 reflete o disposto no § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos. Não se pode olvidar que, para fins de preço de transferência, a comparação entre preço praticado e preço parâmetro deve se dar a partir de grandezas semelhantes. Ora, se os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação são computados na apuração do preço de revenda, e o que se deseja é apurar o preço parâmetro em patamares similares aos mesmos bens ou serviços adquiridos no Brasil e de partes independentes, necessariamente o custo do frete, seguro e os tributos não recuperáveis de importação deverão ser considerados. Há de se ter simetria na comparação. As razões de decidir da Turma julgadora a quo merecem ser transcritas por bem refletirem meu entendimento sobre o tema: O supra transcrito artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é obvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei nº 9.430/96, supra transcrita, e do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a impugnante. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de Fl. 6622DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.619 15 modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora, e se analisa apenas o valor da mercadoria importada. No mesmo sentido podese citar precedente da extinta 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que, no acórdão 1051671, enfrentou a questão com propriedade: [...] A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos nãorecuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. [...] No que tange aos argumentos a respeito da nova redação do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, nos termos da Lei nº 12.715, de 2012, de modo oposto ao Conselheiro Pelá, entendo que seu teor depõe contra a recorrente. Explico. Em primeiro lugar, caso a tese da recorrente fosse adotada, bem como os fundamentos do I. Conselheiro Carlos Pelá, os custos de frete e seguro suportados pelo importador somente seriam despesas dedutíveis em razão do disposto na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Isso porque, conforme exposto no voto do D. Conselheiro, o alcance de tal dispositivo somente diria respeito à dedutibilidade de tais despesas. Ora, partindose de tal premissa, teríamos que concluir que a nova redação dada pela Lei nº 12.715/12 teria revogado a dedutibilidade das despesas com frete e seguro realizadas com pessoas não vinculadas nas operações de importações com pessoas vinculadas, uma vez que Fl. 6623DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.620 16 não mais comporão o cálculo do preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro. Não me parece, portanto, a melhor interpretação a tese de que a antiga redação do dispositivo tivesse como objetivo tornar dedutíveis tais desembolsos. Há de se encontrar outra interpretação ao enunciado em questão. Nesse sentido, entendo que a melhor exegese do dispositivo legal em tela coadunase com o disposto no § 4º do art. 4º da IN SRF 243/2002, ou seja: o custo de seguro e frete, bem como dos tributos incidentes na importação, à luz da redação original do § 6º do art. art. 18 da Lei nº 9.430/96, deveria ser incluído para fins de cálculo do preço praticado porque também estava contido na apuração do preço parâmetro. O objetivo da norma infralegal atacada era equalizar as bases comparativas, em nada desbordando do texto legal. Retornandose ao novo diploma legal, alguns outros comentários merecem ser feitos. Se por um lado o dispositivo passou a excluir do preço parâmetro as operações de frete e seguro contratadas com pessoas não vinculadas (e cujo ônus tenha sido do importador FOB), por outro deixou evidente que nos casos de tais ônus não serem suportados diretamente pelo importador (CIF) os respectivos valores devem compor o preço praticado. Sem dúvida, a partir de 2013 (início de produção de efeitos da Lei nº 12.715/12), o grau de litigiosidade tende a diminuir. Por outro lado, se é possível depreender que a nova redação pode alterar a exegese da anterior – por seu caráter, digamos, interpretativo , não se pode desprezar que também pode se extrair que o novo texto legal inovou, passando a surtir efeitos a partir do ano calendário de 2013. E podese enxergar ainda que há pontos interpretativos e pontos modificativos na norma. Assim, quem contratou com cláusula CIF pode enxergar que a Lei nº 12.715/12 aplicase somente a partir de 2013; por outro lado, quem contratou com cláusula FOB dirá que a nova norma somente interpreta a norma anterior, traduzindo o espírito da arm´s length. O Fisco, por sua vez, pode interpretar de maneira absolutamente inversa, entendendo que em relação à cláusula CIF o novo diploma foi interpretativo, mas no que tange à cláusula FOB aplicarseá somente a partir de 2013. O mesmo raciocínio aplicase aos valores referentes aos tributos incidentes na importação e demais gastos aduaneiros. Portanto, o caráter de mitigação da litigiosidade FiscoContribuinte estampado na exposição de motivos da MP 563 possui muito mais caráter prospectivo que retrospectivo. A meu ver, os pontos trazidos pela Lei nº 12.715, de 2012, revestemse de caráter inovador no que tange à exclusão do preço praticado de algumas despesas. Se na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, constava que “Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”, o novo mandamento legal foi claro ao passar a permitir a exclusão da apuração do preço parâmetro dos valores de frete e seguro, de ônus do importador (FOB), quando contratados com pessoas não vinculadas e não localizadas em “paraísos fiscais”. De outro ângulo, observase que manteve a inclusão de tais valores no preço praticado quando a importação se der com cláusula CIF, pois, quisesse alterar seu quantum, certamente o teria feito como o fez nos fretes e seguros contratados diretamente pela importadora com pessoas não vinculadas. A questão da inovação fica ainda mais clara ao analisarmos o tratamento dos tributos incidentes na importação. Se na redação original do dispositivo em tela constava explicitamente que tais valores deveriam compor o preço praticado, o § 6ºA inserto no art. 18 Fl. 6624DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 1402001.403 S1C4T2 Fl. 6.621 17 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 12.715, de 2012, passou a determinar a exclusão dos tributos incidentes na importação da composição do preço praticado. Tal alteração, indubitavelmente, não pode ser tachada de interpretativa, pois altera diametralmente o tratamento de tais valores, primeiro incluindoos no preço praticado, e, posteriormente, excluindoos de seu cálculo. Diante do exposto, concluo que, para fins determinação do preço praticado, qualquer exclusão, inclusive dos valores de frete, seguro, tributos, deve ser expressamente autorizada pela legislação, tal qual trazido pela Lei nº 12.715, de 2012. No presente caso, à época dos fatos geradores, além de não prever as exclusões de frete, seguro e tributos aduaneiros, a norma impunha sua inclusão para fins de cálculo do preço praticado. Portanto, correta a decisão recorrida ao confirmar, nesse ponto, o procedimento adotado pela Fiscalização. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Fl. 6625DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA P INTO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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