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Numero do processo: 19515.000201/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Data do fato gerador: 28/02/2005, 30/06/2006, 31/07/2007
GANHO DE CAPITAL. PREÇO DE ALIENAÇÃO. SINAL.
A quantia recebida à título de sinal, antecipação ou arras, para assegurar a concretização da operação de compra e venda deve compor o valor de alienação, para fins de cálculo do imposto incidente sobre o ganho de capital.
PAGAMENTO DE DIVIDENDOS.
O pagamento de dividendos de ações nominativas somente se aplica à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. Na ocorrência de alienação das ações, os dividendos distribuídos depois da data de alienação serão recebidos pelo adquirente, ainda que tais dividendos se reportem à época em que o alienante era detentor das ações.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO.
Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO
Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas.
RO Provido em Parte e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora, e, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada do carnê-leão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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PREÇO DE ALIENAÇÃO. SINAL. A quantia recebida à título de sinal, antecipação ou arras, para assegurar a concretização da operação de compra e venda deve compor o valor de alienação, para fins de cálculo do imposto incidente sobre o ganho de capital. PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. O pagamento de dividendos de ações nominativas somente se aplica à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. Na ocorrência de alienação das ações, os dividendos distribuídos depois da data de alienação serão recebidos pelo adquirente, ainda que tais dividendos se reportem à época em que o alienante era detentor das ações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. RO Provido em Parte e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 312 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora, e, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada do carnêleão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Redatora designada EDITADO EM: 09/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLOTILDE RABINOVICH PASTERNAK Espólio foi lavrado Auto de Infração, fls. 89/99, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor total de R$ 53.078.210,95, incluindo multa de ofício, no percentual de 75%, multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/12/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Constatação, fls. 66/88, foram: (i) omissão de atualização monetária recebida em razão de venda a prazo de participação societária (fatos geradores 30/06/2006 e 31/07/2007), (ii) falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos de capital decorrentes de alienação a prazo de participação societária (fatos geradores 28/02/2005 e 30/06/2006) e (iii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (fatos geradores 30/06/2006 e 31/07/2007). Fl. 654DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 313 3 Do Termo de Constatação se infere que as infrações imputadas à contribuinte decorrem da alienação a prazo de 44.497.275 ações ordinárias de emissão da Vicunha Steel S/A, em 30/06/2005, conforme demonstrativo a seguir: VALORES APURADOS (R$) Custo de Aquisição (A) 44.497.275,00 Sinal e Principio de Pagamento cf compromisso 20.000.000,00 Preço 1ª parcela estipulada cf contrato Valor Máximo (p) 86.998.988,93 Demais Parcelas cf contrato Valor Máximo (E) 104.000.000,00 Preço da Alienação cf compromisso e contrato (P) = (4 x (E)) + (p) + sinal 522.998.988,93 Ganho de capital total = (P) (A) = (G) 478.501.713,93 Ainda conforme Termo de Constatação verificouse a falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos de capital, conforme a seguir demonstrado: R$ Preço Sinal (p) Imposto apurado s/GC diferido (91,49%) x (15%) Imposto pago (compensação) Diferença apurada Sinal 02/2005 20.000.000,00 2.744.700,00 0,00 2.744.700,00 R$ Preço 1ª parcela (p) Imposto apurado s/GC diferido (91,49%) x (15%) Imposto pago (compensação) Diferença apurada 30/06/2006 86.998.988,93 11.939.306,25 5.563.650,77 6.375.655,48 R$ Preço 2ª parcela (p) Imposto apurado s/GC diferido (91,49%) x (15%) Imposto pago (compensação) Diferença apurada a maior 02/07/2007 104.000.000,00 14.272.440,00 19.295.210,43 5.022.770,43 Inconformada com a exigência, a representante do espólio apresentou impugnação, fls. 106/150, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1735.148, de 24/09/2009, fls. 208/228. A referida decisão reduziu o valor do preço de alienação de R$ 522.998.988,93 para R$ 459.815.526,84, por entender que a quantia de R$ 63.183.462,09, fora recebida a título de dividendos distribuídos por Vicunha Steel S/A, em 30/06/2006, e determinou que quando da execução do acórdão, a repartição de origem deveria alocar eventual pagamento a maior efetuado pelo sujeito passivo nos anos de 2006 e 2007. A DRJ São Paulo II recorreu de ofício de sua decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão do limite de alçada fixado na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 314 4 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 18/11/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 230, a inventariante do espólio apresentou, em 16/12/2009, recurso voluntário, fls. 236/262, no qual traz as alegações a seguir resumidas: A recorrente aproveitou os benefícios instituídos pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, com relação à infração de omissão de atualização monetária recebida em razão de venda a prazo de participação societária, de modo que o recurso interposto voltase exclusivamente contra os seguintes itens da autuação: (i) inclusão do valor de R$ 20.000.000,00, recebido em fevereiro de 2005, no cálculo do ganho de capital, apurado na alienação das 44.497.275 ações ordinárias da Vicunha Steel S/A e (ii) multa isolada. A quantia de R$ 20.000.000,00 não constituía adiantamento de preço por quaisquer dos negócios, mas um sinal pelo total das ações e quotas a serem compradas e que seria alocado nos contratos definitivos. Constituía apenas uma demonstração firme da intenção dos compradores de adquirir e dos vendedores de alienar as participações societárias. Em 02/02/2005 foi firmado um primeiro précontrato, denominado “Compromisso de Compra e Venda de Ações”, com base no qual o Sr. Eliezer Steinbruch adiantou R$ 4.000.000,00 ao Espólio, sendo que em 22/02/2005, esse précontrato foi aditado e rescindido em 25/02/2005, quando substituído por outro précontrato com idêntica denominação, dando suporte ao adiantamento de mais R$ 16 milhões pelo Sr. Eliezer Steinbruch ao recorrente. Tais précontratos foram extintos e substituídos por três contratos de compra e venda finais, celebrados em 30/06/2005, sendo certo que da leitura do contrato 2 verificase que o preço máximo que receberia o Recorrente pela venda das ações de VicSteel seria de R$ 502.998.988,93 e não de R$ 560.000.000,00 , como estabelecido no AI. Esse falso valor do preço total foi criado pela fiscalização (com base em informações colhidas nos précontratos que foram extintos pelos contratos definitivos) para “acomodar” no contrato 2 o pagamento dos R$ 20 milhões recebidos pelo Espólio em fevereiro de 2005, inflando assim o valor do ganho de capital. Em verdade, ficou acordado entre as partes que os R$ 20 milhões relativos ao sinal e princípio de pagamento constituiriam parcela do preço do Contrato 1, onde não houve qualquer ganho de capital. Em resumo, a operação teve a seguinte seqüência: 1 em fevereiro de 2005, para demonstrar o seu firme propósito de adquirir todas as participações do Espólio nas empresas do Grupo Vicunha, o comprador, Sr. Eliezer Steinbruch, pagoulhe R$ 20.000.000,00; 2 o Sr. Eliezer Steinbruch tornouse credor do Espólio do valor de R$ 20 milhões, que ele teria de devolver caso o negócio não se viesse a realizar definitivamente, tendo tal devolução de ser em dobro na hipótese de desistência do vendedor; 3 no dia 30/06/2005, com a celebração do Contrato 1, a “CFL” (totalmente controlada pelo Sr. Eliezer Steinbruch) teria de pagar a “Belcampo” (totalmente controlada pelo Espólio) a importância de R$ 42.998.988,93; como nessa data nenhum valor seria pago pelo comprador ao Espólio pelas ações de “VicSteel” (a primeira parcela do preço venceria somente em 30/06/2006), utilizou Fl. 656DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 315 5 se a quantia de R$ 20.000.000,00 para quitar o débito de R$ 42.998.988,93, anteriormente mencionado. A sobreposição das disposições do précontrato às do contrato macula indelevelmente o trabalho fiscal e o torna juridicamente imprestável, já que demonstrado, à saciedade, que o valor de R$ 20 milhões, recebido pelo espólio, não integrou o preço de venda das ações de VicSteel. Baseado na jurisprudência administrativa predominante no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais temse que é ilegal e indevida a exigência da multa isolada em concomitância com a multa de ofício, por incidir sobre a mesma base de cálculo. Em 17/11/2010 a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário nos termos a seguir resumidos: II Do sinal de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) Renda efetivamente percebida pelo Espólio Recorrente. (...) O contorcionismo jurídico da operação para esquivar a tributação sobre o valor de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), por mais engenhoso que possa parecer, não merece guarida, data venia. Percebese que o Espólio Recorrente tentou fazer uma compensação entre obrigações contraídas por pessoas físicas o Espólio e o Sr. Eliezer Steinbruch com obrigações avençadas por pessoas jurídicas por eles controladas – “VicSteel”, “Belcampo” e “CFL”. Entretanto, tais atos não encontram esteio nas regras de compensação previstas na legislação pátria. (...) Na espécie, a dívida foi contraída pelo Sr. Eliezer Steinbruch com o Espólio, para que este transferisse suas ações relacionadas ao Grupo Vicunha. Tal dívida não se confunde com aquela contraída pela “CFL” junto à “Belcampo”(“Contrato 1” fls. 110/140 do Anexo II), objetivando transferência de ações do Grupo Vicunha, já que os contratantes não são os mesmos. Por isso, não se cogita falar em compensação, no que toca ao valor de R$ 20.000.000,00, à luz do Código Civil. A bem da verdade, o valor de R$ 20.000.000,00 correspondeu ao efetivo pagamento inicial das ações do Grupo Vicunha. Tal receita, indubitavelmente, ingressou no arcabouço patrimonial do Espólio Recorrente, tanto assim que ele deu plena, rasa, geral e irrevogável quitação do valor recebido. É o que consta do item 2.1.1 e 2.1.1.1 do “Compromisso de Compra e Venda de Ações” (fls. 99 do Anexo II), yerbis: (...) Fl. 657DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 316 6 Convém salientar que a cláusula de pagamento do referido instrumento précontratual acima teve imediato cumprimento das partes, isto é, o Espólio Recorrente (e demais Vendedores) obrigouse a repassar as ações do Grupo Vicunha aos Compradores, dentre eles o Sr. Eliezer Steinbruch, e, para tanto, o pagamento iniciouse com a transferência definitiva de R$ 20.000.000,00 ao patrimônio do Espólio. Com efeito, de acordo com o “Compromisso de Compra e Venda de Ações” não há qualquer regra que condicione o referido pagamento aos futuros contratos avençados pelas partes, afinal, ele concretizouse definitivamente no plano material mediante os serviços de compensação bancária e Transferência Eletrônica Disponível TED apresentada pela instituição financeira, a mando do Sr. Eliezer Steinbruch. Para elucidar quaisquer dúvidas no particular, o item 2.1.3 do précontrato determina que apenas o restante do preço (R$ 1.300.000.000,00) da operação seria regido por futuro instrumento contratual. (...) Sob outro prisma, o fato de o valor de R$ 20.000.000,00 ter sido intitulado pelo Espólio Recorrente como sinal e princípio de pagamento é inócuo para fins tributários. Primeiro, pois a tributação independe da denominação atribuída a tal valor. Segundo, pois o regramento das arras/sinal previsto no Código Civil determina que a sua eventual restituição deva ocorrer somente na hipótese de inexecução do contrato por aquele que as recebeu (art. 417/418), entretanto, in casu, o Espólio cumpriu as obrigações entabuladas nos contratos supervenientes e transferiu as ações do Grupo Vicunha aos Compradores, dentre eles o Sr. Eliezer Steinbruch. (...) Por outro lado, o Recorrente insiste na tese de que o “Compromisso de Compra e Venda de Ações” não poderia superporse ao contrato definitivo, depois da pactuação deste. A rigor, data venia, pouco importa discutir a superposição ou não dos instrumentos contratuais, pois o fato gerador da obrigação tributária ocorreu com a entrada do sinal de R$ 20.000.000,00 no patrimônio do Espólio Recorrente. Vale recordar que tão somente o valor remanescente da operação seria regulado pelos contratos subseqüentes (cláusula 2.1.3 do “Compromisso de Compra e Venda de Ações” às fls. 99 do Anexo II), de tal modo que eventual tensão entre o pré contrato e o contrato final não traria reflexos tributários no particular. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 317 7 Portanto, considerando que o sinal ou principio de pagamento de R$ 20.000.000,00 ingressou no arcabouço patrimonial do Espólio em fevereiro de 2005, concluise ser correta a respectiva tributação do imposto sobre o ganho de capital. III Da multa isolada. (...) Analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de oficio, prevista no art. 44, inc. I da Lei 9.430/96, resultou da omissão de rendimentos por parte do contribuinte, relativos aos anos calendário de 2006 a 2008. Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, "a" da Lei 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento, pelo contribuinte, da sistemática de recolhimento mensal antecipado do IR. (...) Sob essa ótica, percebese que o não recolhimento antecipado do IRPF através do carnêleão é infração bastante diversa daquela consistente na omissão de rendimentos apurada ao final do ano calendário. Sendo assim, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da omissão de rendimentos, decorre a multa de oficio prevista no art. 44, inc. I da Lei 9.430/96, enquanto que, do descumprimento do regime de antecipação pelo carnêleão, decorre a multa isolada prevista no art. 44, inc. II, "a" da mesma Lei. (...) Por fim, importa destacar que a Multa de oficio e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas, o que torna ainda mais sustentável o argumento aduzido pelo acórdão recorrido. Com efeito, a multa de oficio deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo contribuinte, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Já a multa isolada deve incidir sobre as antecipações que não foram pagas pelo Recorrido no decorrer do ano através do carnêleão. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada pelo então Conselho de Contribuintes, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido, já que, no cálculo do imposto, feito por ocasião do Ajuste Anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no decorrer do ano. Em suma, as multas de oficio e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem, como entendido pela e. Camara a quo. (...) Fl. 659DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 318 8 IV Do Recurso de Oficio IV.1 Impossibilidade de qualificar parcelas de pagamento como “dividendos” O acórdão prolatado pela DRJ de origem deu provimento parcial à peça impugnatória para afastar a exação sobre o valor de R$ 94.774.183,69, que foi pago ao Espólio pela empresa Vicunha Steel S.A., a titulo de “dividendos”. (...) De acordo com as cláusulas acima, na data de 30/06/2005, já foi estabelecido o valor total (e máximo possível) da operação: R$ 502.998.988,93 (quinhentos e dois milhões, novecentos e noventa e oito mil, novecentos e oitenta e oito reais e noventa e três centavos). (...) Ocorre que, no momento em que houve a transferência das ações (30/06/2005), não havia “dividendos” apurados ou declarados pela Vicsteel, que decorriam das Ações do Espólio no que toca aos anoscalendário 2004 e 2005. Tais dividendos somente poderiam ser declarados (e pagos), no mínimo, no exercício social de 2006, à luz do art. 205 e do art. 132, inciso II, ambos da Lei 6404/76. (...) O valor negociado (R$ 502.998.988,93), em verdade, não incluiu quaisquer dividendos; poderia ter qualquer natureza, exceto a de “dividendos”. Ao que tudo indica, o “Preço” convencionado pelos contratantes considerou o valor que as ações efetivamente valeriam, isto é, independentemente da natureza dos valores pagos. Por isso, o ganho de capital tributável deve recair sobre o valor distribuído pela Vicunha Steel S.A. na forma de “dividendos” (R$ 94.774.183,69), nos termos do art. 3°, § 2° da Lei 7713/88 (transcrito em tópico precedente). Em outras palavras, os “dividendos” foram enquadrados no “Preço” pelos contratantes tão somente para reduzir a base de cálculo do IRPF em face do ganho de capital do Recorrido com a venda das ações do Grupo Vicunha. Tal ilação decorre do fato de que tais valores ("dividendos") apenas poderiam ser auferidos após o fechamento do balanço da companhia Vicunha Steel S.A., ou seja, em 31/12/2005 (em relação aos dividendos do exercício 2005 e, eventualmente, do exercício 2004) e, não, no momento da realização do contrato. Para fins tributários, o que não se admite é concluir o contrato de compra das ações em 30/06/2005, fechando o “Preço” da operação em R$ 502.998.988,93, e querer deduzir os “dividendos” que sequer poderiam ser aferidos antes do Fl. 660DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 319 9 encerramento do anocalendário 2005 (em relação aos anos de 2004, se houvesse, e 2005). (...) Como o Espólio Recorrido estava ausente do quadro societário da Vicunha Steel S.A. desde 30/06/2005, data da celebração do “Contrato de Compra e Venda de Ações” com o Sr. Eliezer Steinbruch, os valores repassados ainda que provenientes de supostos exercícios anteriores não poderiam ser qualificados como dividendos, já que o Recorrido não mais titularizava as “Ações do Espólio” nas 2 (duas) únicas modalidades estipuladas pela Lei 6404/76 (originária ou derivada). (...) Assim sendo, a decisão a quo deve ser reformada para que o valor distribuído pela Vicunha Steel S.A. ao Recorrido (R$ 94.774.183,69) seja considerado como ganho de capital para fins de incidência do IRPF, provendose o recurso de oficio na sua integralidade. IV.2 Parcelas não isentas a partir de 01/07/2005 Ad Argumentandum. Ilustres Conselheiros, na hipótese de se considerar o valor pago pela Vicunha Steel S.A. ao Espólio Recorrido como “dividendos”, ainda assim incidiria o IRPF por ganho de capital no que toca às parcelas a ele distribuídas a partir de 01/07/2005. Urge salientar, dada a importância do aspecto temporal, que o Espólio e o Sr. Eliezer Steinbruch firmaram o “Contrato de Compra e Venda de Ações” em 30/06/2005. Com a alienação e transferência das ações do Grupo Vicunha, o Espólio Recorrido não poderia se beneficiar da isenção prevista no art. 39, XXIX do RIR/90 no que tange aos dividendos referentes a períodos posteriores à sua retirada. De fato, os referidos “dividendos” pagos pela Vicunha Steel S.A. contemplam parcela do segundo semestre do anocalendário 2005, oportunidade em que o Espólio já tinha se retirado da companhia e que, dessa forma, não estariam acobertados pela norma de isenção. (...) Notase que, do valor das “Ações do Espólio” que compunham o grupo Vicunha (inclusive a Vicunha Steel S.A.) e que pertenciam ao Espólio Recorrido, foi decotado o valor dos respectivos “dividendos” dos períodos 2004 (saldo) e da totalidade do exercício 2005. No mesmo diapasão, o item I da Ata de Reunião do Conselho de Administração (fls. 80/83 do Anexo I), realizada em 28/04/2006, autorizou a distribuição de dividendos aos acionistas da Vicunha Steel S.A. entre eles, o Recorrido referente aos lucros Fl. 661DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 320 10 apurados no exercício encerrado em 31/12/2005 e acumulados dos exercícios anteriores. Diante disso, constatase que, no montante global de “dividendos” pagos pela Vicunha Steel S.A. ao Espólio Recorrido (R$ 94.774.183,69), incluiuse quantia referente à totalidade dos “dividendos” devidos no anocalendário 2005, vale dizer, até mesmo do segundo semestre, ocasião em que o Espólio não mais pertencia ao quadro societário da empresa, haja vista sua retirada em 30/06/2005. (...) Como o Espólio Recorrido estava ausente do quadro societário da Vicunha Steel S.A. desde 30/06/2005, data da celebração do “Contrato de Compra e Venda de Ações” com o Sr. Eliezer Steinbruch, os valores repassados, a partir de 01/07/2005, não poderiam ser qualificados como dividendos, já que o referido Espólio não mais titularizava as ações. É o Relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 321 11 Voto Vencido Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida reduziu o valor do preço de alienação de R$ 522.998.988,93 para R$ 459.815.526,84, por entender que a quantia de R$ 63.183.462,09 fora recebida a título de dividendos distribuídos por Vicunha Steel S/A, em 30/06/2006, e determinou que quando da execução do acórdão, a repartição de origem deveria alocar eventual pagamento a maior efetuado pelo sujeito passivo nos anos de 2006 e 2007. No que diz respeito à redução do preço de alienação das 44.497.275 ações ordinárias da Vicunha Steel S/A, importa observar que a autoridade fiscal entendeu que a quantia de R$ 63.183.462,09 fora recebida pelo espólio em razão da alienação das referidas ações, enquanto a decisão recorrida considerou que tal quantia fora recebida a título de dividendos. Para a análise da questão que se impõe, importa observar o disposto no “Contrato de Compra e Venda de Ações”, fls. 07/27, anexo II: CLÁUSULA SEGUNDA. DO PREÇO. 2.1. O COMPRADOR pagará ao VENDEDOR pelas Ações o preço máximo de R$ 502.998.988,93 (quinhentos e dois milhões, novecentos e noventa e oito mil e novecentos e oitenta e oito reais e noventa e três centavos) (doravante o “Preço”), na forma e nas condições a seguir definidas. 2.2. O Preço será pago pelo COMPRADOR ao VENDEDOR, por meio Transferência Eletrônica Disponível TED, efetuada a cada vencimento, em (cinco) parcelas anuais, sendo a primeira de no máximo R$ 86.998.988,93 (oitenta e seis milhões, novecentos e noventa e oito mil e novecentos e oitenta e oito reais e noventa e três centavos) e as 4 (quatro) restantes de no máximo R$ 104.000.000,00 (cento e quatro milhões de reais) cada, vencendose cada uma no dia 30 do mês de junho dos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010 (em conjunto as “Datas de Vencimento” e cada uma, isoladamente, a “Data de Vencimento”). 2.2.1. O montante do Preço será ajustado pela subtração ao seu valor máximo, acima indicado em 2.1, dos dividendos que o VENDEDOR vier a receber pertinentes ao saldo do exercício de 2004 (se houver) e à totalidade daqueles devidos pelo exercício Fl. 663DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 322 12 de 2005, atribuídos às Ações do Espólio. O valor de tais dividendos será deduzido integralmente da primeira parcela do Preço, esta no valor de R$ 86.998.988,93 (oitenta e seis milhões, novecentos e noventa e oito mil e novecentos e oitenta e oito reais e noventa e três centavos) e, caso haja sobra, do valor das demais parcelas vincendas atualizadas monetariamente, observada a sua ordem, restando devido ao VENDEDOR pelo COMPRADOR apenas o montante do preço máximo após a subtração dos dividendos dos exercícios de 2004 (saldo) e de 2005 devidos por VICUNHA STEEL às Ações do Espólio. Da leitura da cláusula segunda acima transcrita resta cristalino que o valor dos dividendos integra o preço de alienação das ações. Veja que o contrato estabeleceu que os dividendos deveriam ser deduzidos do preço máximo, ou seja, na ausência de dividendos o comprador deveria pagar ao vendedor o preço máximo estipulado no contrato. Logo, a quantia recebida, no valor de R$ 63.183.462,09, compõe o preço de alienação e não pode ser admitida como dividendos recebidos. Aliás, como bem lembrou a Fazenda Pública em suas contrarrazões somente o proprietário ou o usufrutuário das ações podem receber dividendos, conforme disposto no art. 205 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. No presente caso, a quantia de R$ 63.183.462,09 foi recebida em junho de 2006, quando o espólio já não era mais detentor das ações que produziram os dividendos, posto que a alienação se deu em 30/06/2005, data em que foi celebrado o “Contrato de Compra e Venda de Ações”. Logo, os dividendos foram recebidos pelo comprador, proprietário das ações em junho de 2006 e, ato contínuo, foram repassados à vendedora. Observese que, caso os dividendos pagos em junho de 2006 fossem devidos ao espólio não haveria necessidade de o contrato estipular em suas cláusulas que os dividendos de 2004 e 2005 seriam de propriedade do vendedor. Na verdade, quem recebeu dividendos foi o comprador das ações. Tal fato está devidamente comprovado nos autos, conforme se demonstrará a seguir. A quantia de R$ 63.183.462,09 foi paga mediante duas TED realizadas ambas em 30/06/2006, uma de R$ 36.954.987,72 e a outra de R$ 26.228.474,37. No que se refere à primeira TED, consta nos autos correspondência encaminhada pelo comprador das ações à Vicunha Steel S/A, fls. 111 – anexo I, nos seguintes termos: Venho por meio desta solicitarlhes seja entregue ao ESPÓLIO DE CLOTILDE RABINOVICH PASTERNAK, na figura de sua inventariante, Sra. SUZANA PASTERNAK, (...), em 30 de junho p.f, o montante de R$ 36.954.987,72 (trinta e sei milhões, novecentos e cinqüenta e quatro mil, novecentos e oitenta e sete reais e setenta e dois centavos), referente a 50% (cinqüenta por cento) dos dividendos que deverão ser pagos a mim nos termos Fl. 664DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 323 13 da deliberação em Reunião do Conselho de Administração dessa Companhia realizada nesta data. Consta, ainda, cópia da correspondente TED, fls. 123 – anexo I, comprovando a transferência da quantia de R$ 36.954.987,72 da Vicunha Steel S/A para a inventariante do espólio, conforme solicitado pelo comprador das ações. Já no que concerne à segunda TED, no valor de R$ 26.228.474,37, cópia, fls. 106, resta comprovado que a quantia foi transferida da conta bancária do comprador, Eliezer Stenbruch, para a conta da inventariante, Suzana Pasternak. Nessa conformidade, temse que está devidamente comprovado que a quantia de R$ 63.183.462,09 foi recebida pelo espólio em decorrência da alienação das 44.497.275 ações ordinárias da Vicunha Steel S/A, devendo, portanto, compor o preço de alienação para fins de cálculo do ganho de capital. Assim, neste tópico, devese dar provimento ao recurso de ofício. A decisão recorrida também determinou que quando da execução do acórdão, a repartição de origem deveria alocar eventual pagamento a maior efetuado pelo sujeito passivo nos anos de 2006 e 2007. De fato, consta do Termo de Constatação, fls. 85, que o espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak efetuou recolhimento a maior, sob código de receita 4600, no ano calendário de 2007, no valor de R$ 5.022.770,43. De acordo com o inciso I do art. 156 do CTN o pagamento extingue o crédito tributário e estando o mesmo extinto não pode, por óbvio, ser exigido do contribuinte mediante lançamento de ofício. Ora, se a autoridade fiscal detectou que o espólio havia efetuado recolhimento a maior, deveria ter procedido à imputação de tal quantia e exigido do contribuinte apenas a diferença apurada. Assim, devese ajustar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, no que se refere ao imposto incidente sobre o ganho de capital, para exigir do contribuinte apenas o crédito tributário ainda não liquidado na data do lançamento. Neste aspecto, portanto, correta a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por DAR provimento parcial ao recurso de ofício para determinar que a quantia de R$ 63.183.462,09 deve compor o preço de alienação das ações para fins de determinação do ganho de capital apurado na alienação das ações ordinárias da Vicunha Steel S/A. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do relatório acima, inferese que no recurso voluntário o contribuinte se insurge tãosomente contra dois aspectos do lançamento: (i) inclusão do valor de R$ 20.000.000,00, recebido em fevereiro de 2005, no cálculo do ganho de capital, apurado na alienação das 44.497.275 ações ordinárias da Vicunha Steel S/A e (ii) multa isolada. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 324 14 No que se refere à quantia de R$ 20.000.000,00, a defesa afirma que tal valor não constituía adiantamento de preço por quaisquer dos negócios, mas um sinal pelo total das ações e quotas envolvidas na negociação e que seria alocado nos contratos definitivos. Assim, argúi a defesa que com a celebração do Contrato 1 a CFL Participações (controlada pelo Sr. Eliezer Steinbruch) teria de pagar a Belcampo (totalmente controlada pelo Espólio) a importância de R$ 42.998.988,93; e como nessa data nenhum valor seria pago pelo comprador ao espólio pelas ações de VicSteel (a primeira parcela do contrato 2, celebrado entre o Espólio e o Sr. Eliezer Steinbruch venceria somente em 30/06/2006), utilizouse a quantia de R$ 20.000.000,00 para quitar o débito de R$ 42.998.988,93. Frisese que se denomina contrato 1 aquele firmado entre Belcampo e Campo Belo, como vendedoras e CFL Participações e Rio Purus, como compradoras e contrato 2 aquele firmado entre o espólio e o Sr. Eliezer Steinbruch. Ocorre que os documentos que compõe o processo não sustentam a tese defendida pela defesa, muito pelo contrário. De pronto, devese afirmar que a quantia de R$ 20.000.000,00 foi recebida em razão das disposições contidas no Compromisso de Compra e Venda, fls. 92/106 – anexo II, celebrado em 25/02/2005, no qual atuam como vendedores: o espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak, Jacks Rabinovich, Campo Belo e Belcampo e como compradores: Dorothéa Steinbruch, Rio Purus, Eliezer Steinbruch e CFL Participações. Vejase o que consta da cláusula II do referido contrato: CLÁUSULA II DO PREÇO 2.1. Os Compradores pagarão aos Vendedores, pela compra das Ações, o preço certo e determinado de R$ 1.550.000.000,00 (um bilhão, quinhentos e cinqüenta milhões de Reais) (“o Preço”), na forma e nas condições a seguir definidas. 2.1.1. Os Compradores pagaram aos Vendedores, como Sinal e Principio de Pagamento, a quantia de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de Reais), distribuídos da seguinte forma: (i) R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de Reais) para o ESPÓLIO; e (ii) R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de Reais) para JACKS RABINOVICH. (...) 2.1.3. O restante do Preço, que totaliza R$ 1.300.000.000,00 (um bilhão e trezentos milhões de reais) (“o Saldo Devedor”) será pago, na forma a ser prevista no Contrato de Compra e Venda, sempre por meio de TED, em 5 (cinco) parcelas anuais de R$ 260.000.000,00 (duzentos e sessenta milhões de reais) cada, vencendose cada uma no mesmo dia e mês da Data de Fechamento nos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. (...) Fl. 666DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 325 15 2.6. A atribuição de valores do Preço a cada um dos Vendedores farseá no Contrato de Compra e Venda, deduzindose dos pagamentos a serem efetuados na Data de Fechamento ao ESPÓLIO e a JACKS RABINOVICH os valores por eles recebidos como Sinal e Principio de Pagamento. Como se vê, a quantia de R$ 20.000.000,00 foi recebida pelo espólio, restando determinado no contrato que a mesma seria deduzida dos pagamentos a serem a ele efetuados na data de fechamento do Contrato de Compra e Venda. Já o Contrato de Compra e Venda (contrato 1), fls. 07/27, anexo II, é omisso no que se refere ao sinal de R$ 20.000.000,00, já recebido em adiantamento do negócio, mencionando apenas que “o comprador pagará ao vendedor pelas ações o preço máximo de R$ 502.998.988,93”. A conclusão que se impõe é que o preço total da negociação referese à soma das duas quantias, sinal de R$ 20.000.000,00 mais a quantia de R$ 502.998.988,93. Qualquer outra conclusão somente seria possível caso o Contrato de Compra e Venda (contrato 1) mencionasse que da quantia de R$ 502.998.988,93, seria excluído o sinal já recebido em razão do Compromisso de Compra e Venda. Por outro lado, o Contrato de Compra e Venda (contrato 2), fls. 110/140 – anexo II, celebrado entre Belcampo e Campo Belo (vendedoras) e CFL Participações e Rio Purus (compradoras), em nada diz respeito ao Contrato de Compra e Venda de Ações (contrato 1), celebrado entre o espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak (vendedora) e Eliezer Steinbruch (comprador), ainda que o espólio e Eliezer fossem os sócios majoritários de Belcampo e CFL Participações, respectivamente, conforme afirma a defesa. Logo, não há que se falar em utilização da quantia de R$ 20.000.000,00, recebida pelo espólio, para quitar parte do preço das ações adquiridas da Belcampo pela CFL Participações. Também não pode prevalecer a tese da defesa de que houve por parte da autoridade fiscal uma sobreposição das disposições do précontrato às do contrato. Muito pelo contrário, a autoridade fiscal, ao apurar o preço de venda das ações da Vicunha Steel S/A, observou estritamente o disposto tanto no précontrato como no contrato. Se há que se falar em sobreposição de contratos, esta sobreposição é pretendida pela defesa, pois ao prevalecer sua tese, implicaria em considerar inexistentes os fatos jurídicos ocorridos em razão do précontrato, o que não se pode admitir. O précontrato foi celebrado e produziu seus efeitos entre as partes, sendo, inclusive, confirmado e ratificado, mediante posterior celebração dos contratos definitivos. Nestes termos, devese manter a quantia de R$ 20.000.000,00, recebida em fevereiro de 2005, no cálculo do ganho de capital, apurado na alienação das 44.497.275 ações ordinárias da Vicunha Steel S/A. Por fim, devese apreciar a alegação da defesa de ser indevida a cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício por entender que as ambas incidem sobre a mesma base de cálculo. A multa pela falta de recolhimento do imposto de renda mensal (carnêleão) está legalmente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996, que assim dispõem: Fl. 667DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 326 16 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) No presente caso, o contribuinte cometeu duas infrações distintas: omitiu rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual e deixou de recolher o imposto de renda mensal a que estava obrigado (carnêleão) e o não recolhimento do carnêleão já basta para que passe a dever a multa isolada, independentemente da circunstância de apurar ou não imposto a pagar na Declaração de Ajuste Anual. Adotase no Brasil o sistema de bases correntes para o pagamento do Imposto de Renda e os recolhimentos mensais configuramse como pressuposto básico. Tais recolhimentos compõem simetria com o compulsório recolhimento na fonte em relação aos salários e alguns outros rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Os recolhimentos que venham a se revelar excessivos, em função de deduções a que o contribuinte tem direito na Declaração de Ajuste Anual, deverão ser nesta apurados e, sendo o caso, devolvidos pela Fazenda Pública. Não é facultado ao contribuinte somente recolher o imposto apurado no ajuste, tanto que a legislação prevê expressa e especificamente a exigência da multa isolada, mesmo na hipótese de não vir a ser apurado imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. No caso dos autos, porém, houve ainda, efetivamente, falta de recolhimento do Imposto de Renda apurado e devido, fato que impõe a exigência da multa de ofício prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, incidente sobre o valor do imposto apurado, cumulativamente com a multa exigida isoladamente, sobre o carnêleão não recolhido, nos exatos termos da legislação acima transcrita. Diante do exposto, nada há a empanar a exigência fiscal quanto à aplicação da multa exigida isoladamente, pela falta de recolhimento do imposto de renda mensal devido, a título de carnêleão, cumulada com a multa de ofício proporcional, incidente sobre o imposto apurado anualmente, decorrente da omissão de rendimentos detectada. Nessa conformidade, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 327 17 Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício, para considerar que a quantia de R$ 63.183.462,09 deve compor o preço de alienação das ações para fins de determinação do ganho de capital apurado na alienação das ações ordinárias da Vicunha Steel S/A, nos termos em que apurado no Auto de Infração e NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Voto Vencedor Em que pese o brilhantismo do voto proferido pela Ilma. Conselheira Relatora, e o profundo respeito que tenho por ela, tomo a liberdade discordar de seu entendimento acerca da aplicação da multa isolada no caso em exame. Conforme relatado anteriormente, foi exigido do Recorrente o pagamento da multa isolada em razão da falta de recolhimento do carnêleão sobre os valores recebidos a título de atualização monetária. Quando o lançamento foi efetuado, entenderam as autoridades lançadoras que o valor recebido a título de atualização monetária deveria se sujeitar à tributação mas não integrando o ganho de capital, e sim como rendimentos recebidos de pessoas físicas e sujeitos à tabela progressiva. Particularmente, porém, entendo que o entendimento então esposado não deu aos fatos a melhor interpretação, já que a parcela recebida a título de atualização monetária deveria sim ter integrado o valor de alienação para fins de apuração do ganho de capital. Entretanto, como este não foi o entendimento esposado no lançamento que aqui se analisa, passase à análise desta parcela do Recurso Voluntário da forma como a questão foi posta nos autos, isto é, se caberia ou não a exigência de multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão sobre os rendimentos que também foram objeto do lançamento de ofício (por omissão). Neste sentido, vale lembrar que este Conselho vem decidindo de forma reiterada que a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão não pode ser exigida em conjunto com a multa de ofício quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se vê do seguinte julgado: MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.Recurso provido. (Ac. 10615.639, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) Fl. 669DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000201/200981 Acórdão n.º 210201.728 S2C1T2 Fl. 328 18 No mesmo sentido o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0104.987, Rel. Cons. Leila Maria Scherer Leitão) E foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, pois basta uma análise do Auto de Infração aqui em análise para que se perceba que a base para a exigência dos valores relativos à multa isolada é exatamente aquela utilizada pela fiscalização para a exigência do IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Assim, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de ofício), VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão da multa isolada do lançamento. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 670DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, As sinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.021030/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
SEGURADORA. BASE DE CÁLCULO DO PIS.
A base de cálculo do PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fím.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões quanto ao conceito de faturamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora
EDITADO EM: 07/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; José Antônio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SEGURADORA. BASE DE CÁLCULO DO PIS. A base de cálculo do PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fím. Recurso Voluntário Negado
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SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da Cofins para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SEGURADORA. BASE DE CÁLCULO DO PIS. A base de cálculo do PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefím. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões quanto ao conceito de faturamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 10 30 /2 01 0- 36 Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; José Antônio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Companhia de Seguros Minas Brasil, CNPJ 17.197.385/000121, em face do Acórdão n° 0233.013, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 27/06/2011, que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente os lançamentos do PIS, relativo aos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2006, e da COFINS, correspondente aos períodos de apuração de agosto/2006 a dezembro/2006, nos montantes respectivos de R$ 4.229.504,22 e R$ 2.032.792,66, incluindo multa de ofício e juros de mora. A Lavratura dos Autos de Infração do PIS e COFINS, contra a empresa acima identificada, CNPJ 17.197.385/000121, para exigir um crédito tributário total consolidado de R$ 6.262.296,88, ocorreu em virtude de insuficiência de recolhimento ou declaração das contribuições nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 19/29, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 30/43. Segundo informação da autoridade lançadora, os Autos de Infração foram formalizados neste único processo em decorrência do disposto no art. 1 inciso I e § 2 o da Portaria SRF n° 6.129, de 2 de dezembro de 2005, DOU de 6.12.2005. A COMPANHIA DE SEGUROS MINASBRASIL é uma empresa de direito privado cujo objeto social é a exploração de seguros dos ramos elementares e de vida, em quaisquer de suas modalidades ou formas, conforme consta no art. 3º de seu Estatuto Social, fl. 56. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização esclarece que as seguradoras e demais empresas financeiras, conforme rol estabelecido no art. 22, §1º da Lei nº 8.212/1991, tem a base de cálculo e exclusões estabelecidas em regramento próprio, diferente das demais empresas comerciais e prestadoras de serviços, levandose em conta as especificidades dessas atividades e destaca que a empresa COMPANHIA DE SEGUROS MINASBRASIL possui duas ações judiciais relativas à COFINS e ao PIS (Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0085022 e Ação Ordinária n° 2005.38.00.0436707, respectivamente), em relação Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.691 3 às quais restava decidido até o momento da lavratura pelo afastamento da aplicação do §1° do art. 3 o da Lei n° 9.718, de 1998, que reflete na discussão da base de cálculo das contribuições. Destaca, também, que com base nos balancetes e demais escriturações apresentadas, foi apurada a base de cálculo das contribuições, incluindose todas as receitas derivadas das atividades próprias da empresa e fazendose as exclusões pertinentes. Foram também deduzidas da contribuição apurada os valores declarados em DCTF. A fiscalização também menciona o Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), que contempla o enquadramento das atividades de seguros no setor terciário da economia (serviços). Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte, irresignada, apresenta impugnação, acatada pela autoridade de 1ª instância e cujos argumentos copiase do Acórdão recorrido por bem resumir as razões de defesa: “Afirma, inicialmente, que os débitos exigidos foram apurados com base em receitas que extrapolam o conceito de “faturamento”, base de cálculo das contribuições, nos termos de decisões judiciais proferidas em processos dos quais faz parte. Em relação à Cofins, impetrou em 05/03/1999 o Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0085022 (principais peças em anexo) visando a garantir o seu direito de não recolher a contribuição devido à revogação da isenção conferida às instituições financeiras ou, quando menos, o direito de recolher a Cofins em relação ao seu "faturamento", conforme definição do art. 2 o da LC n° 70, de 1991 (receita de prestação de serviços e vendas de mercadorias). A segurança foi denegada em I a instância e a sentença foi confirmada pelo TRF da I a Região, mas o STF conheceu e deu provimento integral ao seu recurso extraordinário. O trânsito em julgado deuse em 05/10/2006, em razão de a Fazenda Nacional não ter interposto qualquer recurso. Em 30/11/2005 ajuizou a Ação Ordinária n° 2005.38.00.043670 7 (principais peças em anexo) para que fosse garantido o seu direito de recolher o PIS, a partir de 01/01/2000 até a edição de lei que regulamente a nova redação do art. 195 da CR/88 dada pela EC n° 20/98, sobre o seu efetivo faturamento e não sobre a totalidade das suas receitas. Na petição inicial demonstrouse que o faturamento engloba a receita decorrente de prestação de serviços aos seus clientes. Em 15/09/2006 foi publicada sentença que confirmou todo o seu pleito, declarandose a inconstitucionalidade do §1° do art. 3 o da Lei n° 9.718, de 1998, e reconhecendose o consequente direito à compensação dos valores pagos a maior. Tratada em Embargos de Declaração a omissão quanto ao período do crédito decorrente da procedência dos pedidos indiciais, ambas as partes interpuserem recursos de apelação, recebidos apenas no efeito devolutivo, que se encontram pendentes de julgamento. Assim, a sentença exarada surte efeito para determinar que a base de cálculo do PIS que deve ser utilizada é a anterior à edição da Lei n° 9.718, de 1998, Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 ou seja, aquela definida no art. 2 o da LC n° 70, de 1991 (receita oriunda da prestação de serviços e da comercialização de bens) Considerando o teor das decisões citadas, passou a recolher o PIS e a Cofins com base na legislação anterior à edição da Lei n° 9.718, de 1998, posto que o §1° do art. 3 o foi declarado inconstitucional em controle difuso. Devido à existência de um parecer genérico da PGFN, cujo entendimento a respeito da base de cálculo do PIS e da Cofins difere de toda a legislação e jurisprudência pertinentes ao caso, foram efetuadas as autuações sob a alegação de vinculação da RFB por força de lei ao posicionamento desse parecer. No entanto, as diferenças apuradas são originadas do recolhimento de PIS e Cofins feito com a base de cálculo reduzida por determinação judicial, não havendo discricionariedade na sua conduta. Afirma que autuação fiscal desconsiderou totalmente as decisões judiciais e por isso ofendeu a decisão transitada em julgado (Cofins) e a sentença atualmente em vigor (PIS), ambas em seu favor, que expressamente determinaram que a base de cálculo das contribuições fosse calculada com base no faturamento, tal qual previsto na legislação anterior à Lei n° 9.718, de 1998, ou seja, como consignado na LC n° 70, de 1991. Argumenta ser falha a interpretação da fiscalização de que a decisão transitada em julgado teria afastado apenas a aplicação do §1° do art. 3 o da Lei n° 9.718, de 1998, mantendo intactos os demais dispositivos dessa Lei (art. 2 o e caput do art. 3o). Se fosse correto o entendimento da PGFN e da RFB de que mesmo antes da Lei n° 9.718, de 1988, a base de cálculo já era a totalidade de suas receitas com as exclusões legalmente autorizadas, não haveria o "inequívoco direito creditório" mencionado pelo Ministro do STF no julgamento do recurso extraordinário interposto. O auto de infração procedeu a uma indevida interpretação da decisão judicial e, com base no Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias. Assim, a base de cálculo da Cofins não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A fiscalização olvidou que a Fazenda Nacional empreendeu todos os esforços para fazer valer nos autos da ação judicial o entendimento manifestado no parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, mas prevaleceu a decisão do STF, que determinou inequivocamente que a base de cálculo da Cofins dever ser o faturamento, entendido como as receitas decorrentes de prestação de serviços e venda de mercadorias. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.692 5 Em relação ao PIS, afirma que enquanto não forem julgados os recursos de apelação apresentados na Ação Ordinária n° 2005.38.00.0436707, recebidos no efeito devolutivo, surte a sentença os efeitos decorrentes de seu dispositivo como se definitiva fosse sua eficácia, a qual deixa claro o fato de que, no seu caso específico empresa de seguros privados , a base de cálculo do PIS dever ser aquela insculpida no art. 2 o da LC n° 70, de 1991, e no art. 3 o da Lei n° 9.715, de 1998. Dessa forma, não há espaço para se forçar o entendimento que esposa o parecer PGFN/CAT n° 2.773, de 2007, e a vinculação ao conteúdo das consultas formuladas à PGFN não autoriza a fiscalização a agir de forma ilegal, afrontando decisão judicial vigente e eficaz, cujo conteúdo não deixa margem para dúvidas a respeito de qual é o conceito de faturamento para as empresas de seguros privados. A fiscalização não só ignorou as decisões proferidas no caso concreto, mas toda a jurisprudência do STF, que se firmou no sentido da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins pretendida pela Lei nº 9.718, de 1998, e que definiu, desde o julgamento do Finsocial, que a equiparação de faturamento e receita bruta só é possível desde que sejam entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, serviços, ou ambos. Observa que a tentativa do fisco de equiparar o faturamento a todas as receitas decorrentes do exercício das atividades previstas no contrato social implica em tributação das receitas de prêmios de seguros, de forma a extrapolar o conceito legal de “faturamento” e esvaziar completamente os efeitos das decisões judiciais proferidas em seu favor. Em seguida, explica o conceito de faturamento de acordo com a jurisprudência do STF (valor das receitas de uma empresa passíveis de serem registradas mediante faturas; valor que mede, que quantifica o “ato de faturar”, o qual está ligado a determinados tipos de receita: da venda de bens e mercadorias, em operação própria ou em conta alheia, e a receita da prestação de serviços) e registra os entendimentos adotados por esse Tribunal no julgamento da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ressalta que o STF não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que “faturamento” equivale à receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. No seu caso, a receita mais significativa auferida é oriunda dos pagamentos dos prêmios de seus segurados, a qual está absolutamente abrangida pelo êxito obtido nas ações judiciais, pois não é decorrente da venda de uma mercadoria ou da prestação de um serviço, mas sim da assunção de um risco por parte da seguradora. O comprometimento da seguradora se limita a uma contraprestação que pode ou não ocorrer, não constituindo tal atividade prestação de serviço, que é uma Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 obrigação de fazer e não de dar, nos termos do entendimento doutrinário que transcreve. Assim, considerando que a operação e o contrato de seguro configuram uma obrigação de dar, caso se implemente uma condição, e não uma obrigação de fazer, a receita de prêmio direto não pode ser tributável pela Cofins, nos termosda decisão do STF transitada em julgado. O STF, por sua vez, adota conceito restritivo de prestação de serviços,tanto é que julgou inconstitucional a tributação, pelo ISS, da “locação de bens móveis”, por considerar que se tratava de uma “obrigação de dar”. Para ser considerado “serviço”, este deve preencher os requisitos do conceito jurídico, que é “obrigação de fazer” e, para ser tributável, deve sempre existir um “preço”. E a operação de seguro também não implica venda de mercadorias, pois, conquanto exista por parte da seguradora uma obrigação de dar, tratase de obrigação condicionada a um evento futuro e incerto (indenização) e não presente e certa, como é o caso da entrega de uma mercadoria mediante contraprestação. Explica que o único bem material que a seguradora transmite ao segurado é a apólice, que é remunerada por um valor específico pago pelo segurado quando de sua emissão, verba que integra o faturamento de uma seguradora por ser uma prestação de serviço. E a própria Constituição reconhece a natureza financeira do contrato de seguro, que deve ser tributado essencialmente pelo IOF (art. 153, V), e não está sujeito ao ICMS e ao ISS. Destaca que a jurisprudência já não considera nem a venda de bens sinistrados, que pode ser equiparada à venda de mercadorias, como passível de tributação pelo ICMS, por se tratar de receita que compõe o contrato de seguro, que tem natureza sui generis. E se a receita decorrente dessa operação deve ser considerada como rendimento do contrato de seguro, com mais razão tal qualificação se aplica à receita de prêmios, que é a receita típica do contrato de seguro. Assim, a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das seguradoras engloba todos os tipos de taxas e comissões cobradas por elas para prestar serviços, correspondentes às seguintes contas: custo na emissão de apólice, comissão de coseguros e resseguros e salvados (receitas da carteira de seguros); e gestão de fundos e taxa de carregamento dos planos de previdência (receitas da carteira de previdência privada complementar). Por outro lado, as seguintes contas estão fora do conceito de “faturamento” determinado pelo STF: prêmio direto, co seguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações (receitas da carteira de seguros); e receitas financeiras, que têm duas naturezas distintas: a remuneração do próprio capital, pela aplicação em operações no mercado financeiro, como forma de buscar maior rentabilidade e evitar a perda do poder aquisitivo da moeda, e as aplicações financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, cujos rendimentos estão fora do âmbito de tributação do PIS/Cofins também por não Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.693 7 corresponderem ao faturamento, nos termos das medidas judiciais interpostas Ainda que se considere que autuação tem procedência e não viola os termos das decisões judiciais, as verbas deduzidas na apuração da base de cálculo não representam todas aquelas a que teria direito. No auto de infração não foram deduzidas da base de cálculo das contribuições as despesas com assistência 24 horas e sinistro DPVAT, que são despesas acessórias aos sinistros e que não estão registradas nas contas consideradas pelo fisco. Apresenta uma tabela que ilustra o efeito da diferença mencionada e afirma que os balancetes analíticos juntados corroboram o alegado. Assim, caso seja mantido algum valor de PIS/Cofins, deve ser sanada tal questão, de forma que sejam deduzidas da base de cálculo todas as despesas que se inserem no conceito de sinistros. Por fim, requer seja cancelada integralmente a autuação ou, quando menos, que sejam revistos os valores lançados em decorrência de não terem sido aplicadas todas as deduções pertinentes.. A DRJ em Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão n° 0233.013, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 27/06/2011, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente os lançamentos, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006 SEGURADORA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A base de cálculo da Cofins para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefím. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SEGURADORA. BASE DE CÁLCULO DO PIS. A base de cálculo do PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefím. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Acordam os membros da I a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.” A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0233.013, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 18/10/2011, por meio da Intimação nº 1774/2011, conforme Aviso de Recebimento de fl. 1.649. Assim, devidamente cientificada, não concordando com a decisão de 1ª instância, apresentou recurso voluntário, em 16/11/2011, no qual refuta as razões de decidir da autoridade julgadora a quo e reprisa os argumentos já efetuados na impugnação, exceto no que se refere às deduções da base de cálculo referentes às despesas acessórias aos sinistros, tais quais assistência 24 horas e sinistro DPVAT, alegações essas não mais abordadas, requerendo ao final que seja dado provimento ao presente recurso, reformandose integralmente o Acórdão DRJ/BHE nº 0233.013 de 27/06/2011, para que seja cancelado os lançamentos discutidos nos autos, pois, segundo alega, estáse diante de flagrante afronta ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte no Mandado de Segurança nº 1.999.38.00.0085022, bem como, da sentença exarada nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707 (PIS) e, subsidiariamente, requer o sobrestamento deste feito com base no art. 16 do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão da Repercussão Geral da questão constitucional suscitada no recurso Extraordinário nº 609.096. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Conforme se vê do relatório, a questão aqui discutida diz respeito ao conceito de faturamento para as empresas seguradoras, como base de cálculo do PIS/COFINS, nos termos previstos no Lei Complementar 7/70 e no art. 2º da LC nº 70, de 1991, e, no caso específico, em observância às decisões judiciais em favor da contribuinte prolatadas no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 (COFINS) e na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707 (PIS), que declararam inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A autoridade lançadora assevera que elaborou os demonstrativos referentes ao ano calendário de 2006, da base de calculo do PIS e do período de agosto de 2006 a dezembro de 2006 da COFINS, anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal, extraindo os dados dos balancetes e escriturações contábeis apresentadas, consolidando essas receitas conforme demonstrado nas planilhas denominadas de "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada", anexas ao presente. A contribuinte alega que a base de cálculo do PIS/COFINS assim apurada extrapola o conceito de “faturamento”, nos termos da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 e na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Que a autoridade lançadora, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.694 9 composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias, e que, assim, a base de cálculo do PIS/Cofins não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A contribuinte, também, alegou na impugnação que as deduções efetuadas na base de cálculo das contribuições não representam todas as que teria direito conforme o conceito de faturamento adotado na autuação, já que não teriam sido deduzidas as despesas com assistência 24 horas e sinistro DPVAT, que são despesas acessórias aos sinistros não registradas nas contas consideradas. A autoridade julgadora de 1ª instância, entendendo que a questão da inclusão ou não das receitas decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora no conceito de faturamento não foi objeto de contestação nas ações judiciais impetradas pela contribuinte, decidiu pela manutenção do lançamento. Conclui que as receitas geradas pelas atividades típicas das seguradoras, oriundas da carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, incluemse na base de cálculo da Cofins que deve ser adotada pelo contribuinte, nos termos da decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 e na decisão da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. E afirma que devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. Sobre as alegações acerca das deduções com as despesas com assistência 24 horas e sinistro DPVAT, que são despesas acessórias aos sinistros não registradas nas contas consideradas, argui que a contribuinte apenas elabora uma tabela para indicar as diferenças que não teriam sido deduzidas, sem especificar em quais contas contábeis estariam registrados os valores que alega não terem sido deduzidos das bases de cálculo. E acrescenta que “da análise dos balancetes anexados às fls. 1.525/1.607, verificase a existência de uma conta denominada "31271 Assistência 24 horas" (fl. 1.547), que foi devidamente considerada como exclusão da base de cálculo pela fiscalização, conforme os demonstrativos de fls. 29/40.” Antes da análise do mérito do litígio objeto deste recurso voluntário, mister se faz analisar o incidente de sobrestamento suscitada pela contribuinte, sob a alegação de reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 609.096. Assim, no tocante à questão de sobrestamento de recursos interpostos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Regimento Interno do referido conselho, RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010), assim prescreve: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº 586/2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Portaria MF nº 586/2010) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (AC) (Portaria MF nº 586/2010). O Art. 543 – B do Código de Processo Civil – CPC estabelece: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006).” Por sua vez, a Portaria CARF nº 01, de 03 de Janeiro de 2012, visando à uniformização, determinou os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que tratam o §1º do art. 62 A do anexo II do RICARF, nos seguintes termos: “Art. 1°. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.695 11 até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. Com base na análise da legislação acima posta e não obstante o entendimento pessoal de que o sobrestamento de recursos extraordinários que tratam de matéria similar àquela que já tenha sido reconhecida a repercussão geral pelo o STF se dá automaticamente por força da regra estabelecida no parágrafo 1º do art. 543 –B do CPC, é certo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, visando à uniformização dos procedimentos, determinou que o sobrestamento de julgamento de recursos em tramitação do CARF somente ocorrerá nos em que “tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso.” Assim, no caso em questão, com o fim de decidir sobre o incidente de sobrestamento suscitado pela recorrente, fazse necessário analisar se o aludido RE 609.096 trata de igual matéria do discutido neste processo; em caso positivo, se foi reconhecida pelo o STF a repercussão geral da matéria ali tratada e, principalmente – por ser o ponto que poderá, ou não, conduzir ao sobrestamento do julgamento do mérito do presente recurso voluntário, se houve no referido recurso extraordinário a determinação expressa proferida pelo o STF de sobrestamento de processos que tratem da mesma matéria, independentemente do reconhecimento da repercussão geral. Neste sentido, consoante pesquisa efetuada no sítio do STF, vêse que o RE 609.096 trata de recursos extraordinários interpostos pela a União e pelo o Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Portanto, no meu entender, há coincidência com a matéria sob litígio neste processo, haja vista que aqui se discute a definição da amplitude do conceito de “faturamento” para as seguradoras, ou seja, de quais receitas auferidas por seguradoras integram, ou não, como receitas operacionais, o faturamento dessas instituições. Passase, então, à análise do segundo ponto acerca do reconhecimento da repercussão geral do RE 609.096, sobre o qual se constata que efetivamente o plenário do STF, em 03/03/2011, reconheceu a repercussão geral da matéria tratada no recurso referido, consoante se demonstra pelo o acompanhamento do processo retirado do sítio do STF, a seguir transcrito e destacado em negrito: RE 609096 RECURSO EXTRAORDINÁRIO (Processo físico) [Ver peças eletrônicas] Origem: RS RIO GRANDE DO SUL Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RECTE.(S) MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) UNIÃO PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) BANCO SANTANDER BANESPA S/A ADV.(A/S) MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) AM. CURIAE. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS BANCOS FEBRABAN ADV.(A/S) ANTONIO CARLOS DE TOLEDO NEGRÃO E OUTRO(A/S) Data Andamento Órgão Julgador Observação Documento 07/07/2011 Conclusos ao(à) Relator(a) 07/07/2011 Juntada a petição nº 37236/2011.37236/2011 07/07/2011 Certidão de reautuação em razão do despacho de 10/06/2011. 05/07/2011 Recebimento dos autos 01/07/2011 Petição 37236/2011 01/07/2011 FAZENDA NACIONAL REQUER A JUNTADA DE DOCUMENTOS. 27/06/2011 Autos emprestados CLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 5557 / 2011 16/06/2011 Publicação, DJE DJE nº 115, divulgado em 15/06/2011 Despacho 10/06/2011 Despacho Na Pet 73.745/2010: "(...) defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido." 02/05/2011 Publicado acórdão, DJE DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 02/05/2011 ATA Nº 20/2011 DJE nº 80, divulgado em 29/04/2011 29/04/2011 Conclusos ao(à) Relator(a) 27/04/2011 Juntada do comprovante de restituição do processo emprestado. 27/04/2011 Juntada do comprovante de restituição do processo emprestado. 18/04/2011 Recebimento dos autos 14/04/2011 Autos emprestados à ProcuradoriaGeral da República para fins de intimação. 07/04/2011 Recebimento dos autos 29/03/2011 Autos emprestados CLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 1993 / 2011 28/03/2011 Recebimento dos autos 24/03/2011 Autos emprestados RODOLFO TSUNETAKA TAMANAHA Guia = 1890 / 2011 23/03/2011 Publicação, DJE DJE nº 54, divulgado em 22/03/2011 Despacho 18/03/2011 Certidão de reautuação, em cumprimento ao despacho de fls. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.696 13 1034. 17/03/2011 Prejudicado MIN. RICARDO LEWANDOWSKI (...) uma vez afastado o sobrestamento, julgo prejudicado o agravo regimental de fls. 637642. (em 16/3/2011) 04/03/2011 Decisão pela existência de repercussão geral PLENÁRIO VIRTUAL Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Luiz Fux, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie. 11/02/2011 Iniciada análise de repercussão geral 04/01/2011 Conclusos ao(à) Relator(a) 04/01/2011 Juntada a petição nº 73745/2010.73745/2010 15/12/2010 Petição 73745/2010 15/12/2010 FEBRABAN Federação Brasileira de Bancos REQUER INGRESSO COMO "AMICUS CURIAE". 22/11/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 22/11/2010 Juntada a petição nº 65094/2010.65094/2010. 12/11/2010 Petição 65094/2010 12/11/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A REQUER O RECONHECIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL E O NÃO CONHECIMENTO DO RE. 17/09/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 17/09/2010 Juntada a petição nº 49963/2010.49963/2010 13/09/2010 Petição 49963/2010 09/09/2010 SUBPROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA REQUER O SOBRESTAMENTO DO FEITO. 18/08/2010 Vista à PGR Para fins de intimação, em 05.08.2010 29/06/2010 Recebimento dos autos 24/06/2010 Autos emprestados CLÁUDIA APARECIDA DE SOUZA TRINDADE PFN Guia = 1475 / 2010 18/06/2010 Interposto agravo regimental Juntada Petição: 34915/2010 17/06/2010 Petição 34915/2010 17/06/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A AG.REG. 15/06/2010 Publicação, DJE DJE nº 107, divulgado em 14/06/2010 08/06/2010 Sobrestado MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Aguardando Julgamento: RE/400479.Em 1º/6/2010. 28/05/2010 Conclusos ao(à) Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 Relator(a) 28/05/2010 Juntada a petição nº 30294/2010.30294/2010. 26/05/2010 Petição 30294/2010 25/05/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A APRESENTA MANIFESTAÇÃO E REQUER O NAO CONHECIMENTO DO FEITO. 25/05/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) com parecer da PGR pelo provimento de ambos recursos. 28/04/2010 Vista à PGR Em 26/4/10. 20/04/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 20/04/2010 Juntada a petição nº 21400/2010.21400/10. 14/04/2010 Petição 21400/2010 14/04/2010 A FAZENDA NACIONAL REQUER SEJA RECONHECIDO NO FEITO À REPERCUSSÃO GERAL. 18/03/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 18/03/2010 Juntada a petição nº 10975/2010.10975/2010 09/03/2010 Distribuído MIN. RICARDO LEWANDOWSKI 03/03/2010 Petição 10975/2010 02/03/2010 BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A REQUER JUNTADA DE PROCURAÇÃO E/OU SUBSTABELECIMENTO E INDICA NOME PARA INTIMAÇÕES/PUBLICAÇÕES/NOTIFICAÇÕES. 25/02/2010 Autuado Resta, então, verificar o último ponto que se refere à determinação expressa do STF sobre o sobrestamento de processos que tratem de igual matéria ao do RE 609.096. Neste ponto, cabe destacar o teor do despacho (DJE nº 115, divulgado em 15/06/2011), naquilo que interessa à presente discussão, de autoria do relator, Ministro Ricardo Lewandowski, proferido em face da Petição 73745/2010STF da Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN, no curso do RE 609.096, que solicitava “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos”: “Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.697 15 Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011.” Da análise que se faz, constatase a existência de expresso indeferimento para suspensão de processos que tratam da mesma matéria versada no RE 609.096 que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição. Caso queira se entender que a exigência a que se refere a legislação do CARF (§1º do art. 62 A do RICARF c/c parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 01, de 03/01/2012) referese à determinação expressa de sobrestamento de Recursos Extraordinários pelo o STF e não do processo em si, em qualquer que seja a fase processual, temse a destacar que, não obstante existir menção do relator no despacho acima mencionado ao sobrestamento automático dos recursos extraordinários por força do próprio art. 543 – A, efetuada para fundamentar o indeferimento do pedido de suspensão dos processos, não se vislumbra a existência no referido RE 609.096 de expressa determinação proferida pelo o STF para sobrestamento dos demais recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria. Diante do acima exposto, entendo que não foi cumprido o requisito exigido pelo o §1º do art. 62 A do RICARF c/c o parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 01, de 03/01/2012, motivo pelo o qual conduzo o meu voto no sentido de se negar o incidente de sobrestamento suscitado. DO MÉRITO E, assim votando, passo a efetuar a análise do mérito do presente litígio, já acima destacada. Em resumo, no recurso voluntário a contribuinte alega que tendo o Acórdão n° 0233.013, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 27/06/2011, ao manter o lançamento do PIS/COFINS, tendo como base de cálculo as receitas operacionais oriundas do seu objeto social (empresa seguradora), pretende relativizar e, assim, extrapola o conceito de “faturamento”, base de cálculo da Cofins, para o caso específico das instituições financeiras e seguradoras, em evidente confronto com a coisa julgada, nos termos da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 e ofende também o decidido na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Ressalva o direito de recolher a contribuição para o PIS/COFINS em relação ao seu “faturamento”, conforme definição do art. 2º da LC nº 70, de 1991 (receita de prestação de serviços e vendas de mercadorias), no qual se exclui as receitas de prêmio direto, co seguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações (receitas da carteira de seguros). Como relatado, reprisa os mesmos argumentos da impugnação, exceto no que se refere às alegações acerca das deduções com as despesas com assistência 24 horas e sinistro DPVAT, que são despesas acessórias aos sinistros não registradas nas contas consideradas, alegações não mais abordadas no recurso voluntário, demonstrando, assim, sua concordancia tácita com o que foi decidido pela autoridade de julgamento a quo. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Preliminarmente, cabe analisar a alegação de que o lançamento, bem como o acórdão recorrido, mantendo parcialmente o lançamento, afrontou a coisa julgada no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 e a decisão da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Como já ressaltado, o Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022 declarou inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, nos seguintes termos: “(...) Assim, conheço e dou parcial provimento ao recurso (art. 557, §1ºA, do CPC) para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. (...)”. Mas, não afastou os demais artigos dessa lei. A decisão proferida no referido Mandado de Segurança, consoante se verifica pela leitura da cópia contida às fls. 1.358 e 1.359, bem como a decisão da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707 (fls. 225 a 244) foram, unicamente, no sentido de afastar a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em conformidade com as petições iniciais das respectivas ações judiciais, na qual a contribuinte discute a constitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições de PIS/COFINS promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com o objetivo de que a base de cálculo seja calculada sobre o seu faturamento, permanecendo válidas as regras dos demais artigos, inclusive a do art. 2º e a do caput do art. 3º, que prescrevem: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).” A contribuinte não questionou explicitamente se as receitas decorrentes das operações relacionadas aos contratos de seguros receita de prêmios, por exemplo por ele desenvolvidas integram, ou não, ao lado daquelas representadas pela cobrança de taxas/comissões, o conceito de faturamento para a base de cálculo da Cofins. E, não havendo questionamento na esfera judicial de igual matéria sob litígio na esfera administrativa, esta tem que ser analisada e decidida pela autoridade julgadora administrativa. O Recurso voluntário, então, no concernente à preliminar de ofensa do lançamento e do acórdão recorrido à coisa julgada, não merece provimento, haja vista verificarse que o Acórdão n° 0233.013, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 27/06/2011, decidiu pela manutenção dos lançamentos das contribuições do PIS/Cofins apenas sobre a receita bruta, justificando que esta corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividadefim, tudo em conformidade com o decidido no Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0085022, na Ação Ordinária nº 2005.38.00.043670 7,com a jurisprudência firmada pelo o STF, com o disposto no Parecer da PGFN/CAT/Nº 2.773, com a Lei nº 9.718/88. Passase assim, ao mérito da questão, qual seja, analisar e decidir qual exatamente a composição da base de cálculo da COFINS das empresas seguradoras, a partir da edição da Lei nº 9.718/88. Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.698 17 Tendo em vista o caput do art 3º de referida lei, acima transcrito, percebese que se trata de interpretar a expressão receita bruta, tarefa polêmica já enfrentada no judiciário e sobre a qual já se tem jurisprudência firmada. Até a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo do PIS/COFINS era o faturamento, cujo conceito restringiase às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, nos termos do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pretendeu ampliar esse conceito para nela fazer inserir toda e qualquer receita, de qualquer natureza, abrangendo assim, as receitas financeiras.“ Tal pretensão levou o judiciário a pronunciarse sobre a jurisprudência já firmada acerca do conceito de faturamento para incidência da PIS/Cofins, em decorrência das diversas ações impetradas pelos contribuintes, entre eles as empresas do setor financeiro e seguradoras, que não se conformaram com o término da isenção que possuíam até a edição dessa lei. O STF no julgamento do RE 346.0846 Paraná, que teve como redator, o Ministro Marcos Aurélio, em 09/11/2005, julgou pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 , cuja ementa abaixo se transcreve: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346084/PR PARANÁ Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO Redator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 18 venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (grifouse) Entendendose o alcance do conceito de receita bruta como sendo faturamento no sentido de venda de mercadoria e serviços, verificase que o conceito dado pelo STF, à luz da Lei nº 9.718, de 1998, e da LC nº 70, de 1991, é, definitivamente, o de receita operacional. Nos debates que então se desenvolveram na sessão.” Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE nº 346.084/PR, conforme ementa acima transcrita, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Cofins no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. O Acórdão recorrido fez menção aos posicionamentos dos Ministros explicitados no referido debate: “O Ministro César Peluso, no RE nº 346.084/PR, expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento, in verbis: ‘Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social.Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’.’ (grifouse) O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo RE nº 346.0846/PR, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no sentido da constitucionalidade do art. 3º da Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.699 19 Lei 9.718, de 1998, exceto para o §1º que expandira em demasia o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e que a receita bruta, como sinônimo de faturamento, referese à atividade principal da empresa, in verbis: ‘O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...)’ (grifouse) Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE nº 346.0846/PR a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no art. 2º da LC nº 70, de 1991, in verbis: ‘A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo ‘faturamento’, sem a conjunção disjuntiva ‘ou’ receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...): ‘Art. 22. (...) §1º (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia ‘faturamento’ e ‘receita operacional’, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio,enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2º assim dispõe (....). Ou seja, mais claro, impossível.”(grifouse) Na mesma linha, o Ministro Sepúlveda Pertence, no RE nº 346.0846/PR, pontuou que a identidade entre receita bruta e faturamento deve ser buscada na legislação do Finsocial, o Decretolei nº 2.397, de 1987. O art. 22, caput, e a alínea b desse Decreto determinavam que o Finsocial (criado pelo Decretolei nº 1.940, de 1982, e que antecedeu à Cofins) incidiria sobre as Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 20 rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas. E concluiu que a lei tributária chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis: ‘Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do §1º e o § 4º esse, então acrescentado ao art. 1º do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas: ‘Art. 22 (...) Parágrafo 1º A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.’ (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei RTJ 149/287; ‘(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei nº 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição.’ Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC nº 1, Moreira Alves. (...)” (grifouse) Do próprio Recurso de Apelação da contribuinte no curso do Mandado de Segurança citado (cópia anexada às fls. 1.469 a 1496 ), em face sentença nº 844/99 de primeiro grau que denegara a segurança pleiteada , item III DA JURISPRUDÊNCIA APLICÁVEL se extrai trechos da jurisprudência dos Tribunais Regionais, transcritas pela própria recorrente, no sentido de demonstrar que a jurisprudência firmada era de que Faturamento era compreendido como Receita Bruta, assim entendida a receita originária empresarial, de acordo com o objetivo societário, excluindose as receitas financeiras. Vejamos: No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.01.00.024444.5/DF, cuja relatora era a Exma. juíza Eliana Calmon, na qual se discutia o aumento de alíquota e ampliação da base de cálculo estabelecido pela lei 9.718/98, a mesma ressalvou que: ”Receita bruta é sinônimo de faturamento pelo o STF, entendendose como tal o total das vendas, de serviços e de mercadorias e serviços (Precedentes do STF – RE 150.746, RE Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.700 21 150.755, ADCnº01/DF). Em outras palavras, tudo o que se originar da atividade empresarial, de acordo com o seu objetivo societário é Receita Bruta ou faturamento. Fora do contexto ficavam o emprego do capital empresarial em investimentos mobiliários, ou especulação cambial, porque tais ganhos não poderiam ser rubricados como Faturamento ou Receita Bruta. Era uma zona ‘gris’, que sofria a tributação do Imposto de Renda, naturalmente, mas escapava à incidência da Cofins. Com a Lei nº 9.718/98 não somente pretendeuse estabelecer em diploma legislativo a identidade já assumida pelo o STF – Receita Bruta – Faturamento – mas ampliarse o conceito de Receita bruta para nela abrigar os investimentos mobiliários e de Câmbio. E, tanto é verdadeira a assertiva, que foi preciso explicitar o que se incluía no conceito de Receita Bruta (operações em mercados futuros e operações de câmbio). Consequentemente, a alteração ocorreu no sentido de darse ao conceito Receita Bruta, interpretada até então como o só resultado empresarial de suas atividades.” No julgamento do Agravo de Instrumento nº 1999.04.01.0022003.0/SC, cuja relatora era a Exma. juíza Tânia Escobar, do TRF da 4º região, DJU 2, de 31/05/1999, p.269, a mesma menciona que: “...mesmo considerando que foi com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 20/98 que formalmente se viabilizou a criação de contribuições sociais sobre a receita bruta, a cargo do empregador, já no regime anterior à referida emenda a Cofins já incidia sobre receitas, não decorrentes de faturamento , ex vi do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, tendo essa sistemática sido convalidada pela Suprema Corte no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1 1/DF, onde prevaleceu o entendimento de que ‘conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão somente nas vendas mercantis a prazo.’ (trecho do voto do relator, Ministro Moreira Alves, citando o votto do Ministro Ilmar Galvão no julgamento do RE 150.764/PE).” Assim, entendo, em conformidade com a jurisprudência firmada, que, de forma geral, o termo “faturamento”, ao longo de sua utilização na legislação tributária e das discussões doutrinárias e jurisprudenciais, afastouse do seu sentido inicial meramente mercantil, considerado como o ato de faturar, para alcançar as receitas decorrentes de todas as vendas de mercadorias, não só as faturadas, de mercadorias e serviços e de serviços, decorrentes das atividades típicas da empresa, que são aquelas constantes do objetivo social da empresa. A Lei n° 9.718, de 1998, por meio de seu §6° do art. 3° abaixo transcrito, introduzido pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999 (atualmente, art. 2º da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001), determinou a base de cálculo do PIS e da Cofins devidos pelas Seguradoras: Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 22 “§6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no §5º, poderão excluir ou deduzir: (...) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos”. A Instrução Normativa (IN) SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, normatizando o dispositivo legal citado, explicitou em seus arts. 28 e 96: “Art. 28. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I do coseguro e resseguro cedidos; II referente a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; III da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e IV referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de coseguros e resseguros, salvados e outros ressarcimentos. Parágrafo único. A dedução de que trata o inciso IV aplicase somente às indenizações referentes a seguros de ramos elementares e a seguros de vida sem cláusula de cobertura por sobrevivência. (...) Art. 96. As empresas de seguros privados, as empresas de capitalização e as entidades abertas e fechadas de previdência complementar deverão apurar o PIS/Pasep e a Cofins de acordo com as planilhas de cálculo constantes dos Anexos II e III, conforme o caso.” Conforme bem destacado pelo o Acórdão ora recorrido, da leitura dos dispositivos acima, depreendese que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições do PIS/Cofins, as seguradoras podem efetuar uma série de deduções necessárias ao auferimento das receitas derivadas da exploração de sua atividadefim, resultando que, ao final, tributase, basicamente, o resultado ou ganho líquido, e não a totalidade da receita. Tratase de situação sui generis, devido às especificidades e particularidades da atividade econômica desenvolvida pelo impugnante. Especificamente sobre a composição do faturamento, base de cálculo da PIS/Cofins, para pessoa jurídica incluída no rol do §1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de Julho de 1991 (instituições financeiras e assemelhadas), o acórdão recorrido traz à lume a decisão prolatada pela 2ª Turma do STF em 29/11/2005 (DOU de 09/12/2005), de lavra do Ministro César Peluzo, nos autos do RE nº 400.479, que traduz o entendimento do Excelso Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.701 23 Pretório acerca da aplicação do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, para aquelas pessoas, isto é, instituições financeiras e assemelhadas , no tocante à incidência das contribuições sociais para o PIS e Cofins e que se transcreve a seguir: “1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido por Tribunal Regional Federal, acerca da constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/98. 2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). (...) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.”(grifouse) Tal decisão foi objeto de agravo, sob os argumentos de que:a) a lide revela especificidades que não se exaurem com a decisão alcançada pelo o Plenário da Corte declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98: b) a limitação do conceito de faturamento às receitas de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços resultou na isenção das empresas seguradoras das contribuições para o PIS e COFINS, exatamente por não apresentarem nenhuma dessas receitas; c) as receitas de prêmio não podem ser tributadas pela COFINS por nãointegrarem sua base de cálculo, o contrato de seguro não envolve vendas de mercadorias e nem tão pouco prestação de serviços. O relator do agravo, o Ministro Cezar Peluso, apresenta, em 10/10/2006, o seu voto nos seguintes termos: “1. A decisão agravada invocou e resumiu o entendimento invariável da Corte, cujo teor subsiste invulnerável aos argumentos do recurso, os quais nada acrescentaram à compreensão e ao desate da quaestio iuris. Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas do contrato de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência para as contribuições para o PIS e a COFINS, mormente após a Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 24 declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 dada pelo o Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. É oportuno, aliás, advertir que o disposto no art. 544,§§ 3º e 4º , e no art.557, ambos do Código de Processo Civil, desvela o grau da autoridade que o ordenamento jurídico atribui, em nome da segurança jurídica, às súmulas e, posto que não sumuladas, à jurisprudência dominante, sobretudo desta Corte, as quais não podem ser desrespeitadas e nem controvertidas sem graves razões jurídicas capazes de lhes autorizar revisão ou reconsideração.De modo que o inconformismo sistemático, manifestado em recursos carentes de fundamentos novos, não pode deixar de ser visto senão como abuso do poder recursal. Ao presente recurso, que não traz argumentos consistentes para editar eventual releitura da orientação assentada pela Corte, não sobra, pois, senão caráter abusivo. 2. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendo a decisão agravada pelos seus próprios fundamentos”. Inferese das diversas manifestações dos Ministros do STF que, ao contrário do argumentado pela ora recorrente, o faturamento ou receita bruta que a LC nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998, elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS, corresponde à receita operacional da pessoa jurídica, a qual equivale aos ingressos decorrentes de sua atividade típica. Também, diante da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 pelo o STF, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu o entendimento de que as receitas oriundas das atividades empresariais devem compor a base de cálculo das contribuições, conforme consta da Nota Técnica Cosit nº 21, de 28 de agosto de 2006, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação: “Considerando que o artigo 195 da Constituição Federal, em sua redação originária, anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, somente previa a incidência de contribuição sobre o faturamento, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que conceituou o termo ‘faturamento’ como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da classificação fiscal ou contábil adotada. Em resumo, o STF decidiu que, sob o sistema constitucional em que aquela Lei foi promulgada, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) era o faturamento, aí compreendido o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da emissão de fatura. Dessa forma, a partir da referida decisão, a interpretação possível é a de que, no período de vigência da Lei nº 9.718, de 1998, as receitas financeiras, dentre outras que não se caracterizem como receitas Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.702 25 de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços, deixaram de compor a base de cálculo das contribuições. 2. A decisão do STF foi proferida no exercício do controle difuso de constitucionalidade. Aplicase, portanto, somente às empresas que integraram o pólo ativo da lide. Entretanto, é inegável que esta decisão constituise em verdadeiro leading case, que irá orientar futuros julgamentos sobre a questão. As pessoas jurídicas que ingressarem no judiciário com pleito semelhante certamente obterão sucesso em suas ações. Por sua vez, os processos ainda em andamento estão fadados a terem desfecho desfavorável para a União. 3. Após a decisão do STF, diversos questionamentos foram levantados sobre a aplicação da referida decisão às instituições financeiras e às seguradoras, sob o argumento de que tais entidades não possuem ‘faturamento’, propriamente dito, pois argumentam as entidades que a palavra faturamento teria acepção própria, tecnicamente construída, e corresponderia, taxativamente, ao conjunto de receitas obtidas pela pessoa jurídica na venda de mercadorias e na prestação de serviços. Não se confundiria, nem se equipararia, com receitas outras, como as receitas financeiras das pessoas jurídicas que se dedicam à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços. 4. Como decidido pela Suprema Corte, foi afastada a ampliação da base de incidência definida no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Entretanto, resta equivocado o entendimento dado pelas instituições do setor financeiro, com base no argumento referido no item 3 desta Nota, no sentido de que deverão recolher esses tributos apenas sobre as tarifas de emissão de extratos ou de talões de cheque, entre outras assemelhadas, considerandoas unicamente como receitas de serviços. 4.1. As instituições financeiras, em sustentação de sua tese, alegam que a maior parte de suas receitas não decorrem da prestação de serviços ou da venda de mercadorias, mas sim de atividades estritamente financeiras. Argumentam, ainda, que não importa que essas receitas financeiras sejam consideradas operacionais, já que o conceito de faturamento não é maleável a ponto de sofrer ampliações em função da natureza das atividades do contribuinte, visto que, como já decidiu o STF, tratase de conceito obtido em ciência própria, que como tal deve ser respeitado. 5. O argumento das empresas de seguros não é diferente, posto que alegam que receitas de prêmios de seguros também não se enquadram no conceito de faturamento por não se tratar de venda de serviços, de mercadorias e de serviços e mercadorias. 6. Ocorre que a interpretação lógica decorrente da citada decisão do STF é no sentido de que as instituições financeiras e de seguros não estão obrigadas a recolher a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins sobre receitas que não compõem o seu faturamento. No caso, que não se refiram à efetiva prestação de Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 26 serviços. Não devendo ser computadas, portanto, as receitas que não se enquadrarem no conceito de receitas de serviços. 6.1. No caso de instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil inclusive empresas de arrendamento mercantil (leasing), por terem sido consideradas como instituições financeiras enquadradas no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para fins do benefício da alíquota zero de CPMF, transitada em julgado não devem ser consideradas na apuração da base de cálculo as receitas não operacionais previstas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), tais como rendas de aluguel e outras rendas não operacionais. Entretanto, receitas da atividade própria dessas instituições se constituem no próprio faturamento destas, reconhecidas inclusive como operacionais pelo próprio Cosif. 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios. 7. O fato da incidência dessas contribuições sobre a totalidade das receitas somente ter sido autorizada com o advento da Emenda Constitucional nº 20/98 é pouco relevante para as instituições financeiras e seguradoras, posto que essas entidades continuam sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, de acordo com a Lei nº 9.718, de 1998. 8. Portanto, são frágeis os argumentos das instituições financeiras e seguradoras no que tange à não incidência dessas contribuições sobre suas receitas financeiras, sem que antes seja examinada a natureza jurídica dessas receitas em relação às suas atividades. 9. Com efeito, o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. 9.1. O Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) pode ser subdivido em dois grandes blocos. O primeiro é o próprio texto do Acordo contendo as regras e as obrigações aplicáveis a todos os Membros da OMC. O segundo é composto pelos anexos que tratam de problemas específicos de alguns setores. São eles: o anexo referente ao movimento de pessoas físicas fornecedoras de serviço, o anexo sobre os serviços de transportes aéreos e os de transportes marítimos, o anexo sobre serviços financeiros, e, finalmente, os anexos concernentes a telecomunicações. (...) Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.703 27 10. Assim, entendese que, sendo essas atividades caracterizadas como serviços, as receitas delas provenientes são receitas de serviços, e, portanto, integrantes do faturamento. 11. Ressaltese que o impacto dos tratados internacionais sobre a legislação tributária é disciplinado pelo art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, in verbis: ‘Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.’ 12. Por todo o exposto, propõese o encaminhamento de consulta à PGFN para avaliação da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz da decisão do STF.” (grifouse) Instada a dar o seu parecer sobre a base de cálculo da Cofins a ser utilizada pelas instituições financeiras e assemelhadas, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, emitiu, em 13 de dezembro de 2007, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773, nos seguintes termos: “O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. O Ministro Cezar Peluso, relator do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 400.4798 Rio de Janeiro, expôs com clareza meridiana o pensamento que vem sendo defendido no presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (grifouse)” Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 28 Mesmo considerando o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e diante do que foi acima exposto, podese inferir que relativamente às seguradoras, as receitas vinculadas à carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, especialmente os prêmios diretos, são receitas operacionais, que compõem a base de cálculo da Cofins e, ao contrário do que alega a recorrente, devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. Creio que as considerações feitas acima são elucidativas o bastante para concluir pela procedência do decidido no acórdão recorrido, cujos fundamentos foram extensivos, claros, e, por corroborar com os mesmos, adotoos e ratificoos, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, concluise que o acórdão recorrido em nada merece ser alterado. CONCLUSÃO Tendo em conta a análise e fundamentos efetuados acima, bem como os fundamentos proferidos no voto do acórdão recorrido, conduzo o meu voto no sentido de indeferir o incidente de sobrestamento suscitado pela contribuinte, rejeitar a preliminar de ofensa pelo acórdão recorrido à coisa julgada e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relator Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre as questões fáticas. Após a sustentação oral do patrono, fiquei com dúvidas em relação ao teor do processo judicial, assim como no que se refere ao teor das decisões proferidas. Ainda, atenteime para a particularidade da atividade de seguro que poderia resultar em conduta não típica da tributação pretendida. Ao analisar os autos constatei que as questões em discussão são: Inicialmente, por ser (i) preliminar, há a discussão sobre a possibilidade da matéria estar em Repercussão Geral, o que impediria o julgamento deste processo. Após, há a questão da (ii) afronta à coisa julgada, em virtude dos termos das decisões judiciais e (iii) da incidência do PIS e Cofins nas receitas das operadoras de seguro. Analisei os autos e a decisão da I. Relatora. É de se admitir que o voto proferido foi realizado com excelência, tendo todos os argumentos sido analisados de maneira detalhada e fundamentada. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.704 29 No tocante a os argumentos apresentados pela d. Relatora no que se refere ao Recurso Voluntário, estou de acordo com quase a totalidade dos termos do voto da Relatora, excetuando apenas o item (iii), no qual acompanho a Conselheira pelas conclusões. Realmente, em relação à preliminar, assim como a Relatora, sou da opinião de que a matéria (conceito de faturamento para empresas de seguros e financeiras) está em discussão em sede de Repercussão Geral, e entendo que a exposição minuciosa do voto condutor não deixa dúvidas em relação a este fato. Todavia, assim como também pontuado pela Relatora, a Portaria CARF nº 1 impede que o presente julgamento fique suspenso, razão pela qual passo a analisar o mérito. Após analisar os documentos referentes aos processos judiciais, constatei a mesma coisa que a Relatora, que os processos não esmiuçaram o conceito de faturamento para a atividade da Recorrente, inclusive, nos termos da exordial do mandado de segurança percebe se que o pedido realizada pela Recorrente foi, em relação a este tópico, genérico: “...seja ao final concedida a segurança, garantindose a impetrante do direito de não recolher a COFINS (revogação espúria da isenção conferida às instituições financeiras), ou quando menos, o direito de recolher a COFINS sobre o seu “faturamento”, entendido tal como nos termos do artigo 2º da lei Complementar nº 70/91 (receita de prestação de serviços e venda de mercadorias), declarandose incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3º, caput e seu §1º da Lei nº 9.718/98.” Não há aqui questionamento acerca da conceituação de “prestação de serviços” para a atividade de seguradora. Ante estes fatos, concordo com a Relatora no sentido de que a autuação não afrontou a coisa julgada, uma vez que a fiscalização analisou as receitas auferidas pela Recorrente e entendeu que estas receitas decorriam de seu faturamento. Todavia, não posso concordar com a fundamentação utilizada pela DRJ e avalizada pela Ilustre Relatora acerca do conceito de faturamento para as empresas de seguro. A despeito da bem colocada argumentação trazida a lume, meu entendimento é no sentido de que a Corte Suprema ainda não se manifestou sobre o assunto, tanto é assim que – conforme esclarecido em sede de preliminar se encontra pendente, em sede de Repercussão Geral, o leading case acerca da matéria. O que existe – e inclusive consta do voto da Relatora – são discussões entre os Ministros da Suprema Corte e alguns posicionamentos de Ministros neste sentido, que constam de notas taquigráficas mas, quando muito, representam o pensamento destes Ministros naquela oportunidade. Inclusive, alguns destes Ministros inclusive já encontramse aposentados, razão pela qual sequer estarão presentes no julgamento do leading case. Não vejo meios, portanto, de aplicar o entendimento de identidade entre faturamento e receita operacional. Ainda neste sentido mister registrar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inclusive, emitiu Parecer interpretando o julgamento do Supremo, para o fim de concluir que o conceito de faturamento entendido pela Suprema Corte era a receita bruta operacional. Se o julgado fosse exatamente neste sentido, não haveria necessidade de interpretação por parte da Procuradoria. Por outro giro, entendo a tese apresentada pela Recorrente. A questão trazida referese ao fato de que a natureza do contrato firmado entre a Recorrente e seus beneficiários Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 30 ser de seguro, e não de prestação de serviços. Nos termos do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal – STF – no julgamento do Recurso Extraordinario nº 346.084, leading case que analisou a (in)constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, pretendido pelo artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, o conceito de faturamento legal e constitucional não é o de “totalidade de receitas”, mas sim o simples faturamento entendido como a “receita de vendas de mercadorias e/ou serviços”. Aqui está a controvérsia trazida aos autos. A Recorrente não presta serviços, mas fornece seguros e o PIS/Cofins incide apenas sobre a venda de mercadorias e serviços. De fato, a Recorrente, ao firmar contratos com seus clientes, obrigase a cobrir eventos aleatórios, representativos de custos que podem ou não vir a ocorrer. Em troca, seus clientes pagam um valor fixo a titulo de premio. O contrato de seguro é aquele em que uma parte se obriga com a outra a defender seus interesses na ocorrência de riscos prédeterminados, mediante o recebimento de um pagamento. Percebese, portanto, que a principal característica do contrato de seguro é exatamente o pagamento desta indenização acerca do prejuízo resultante da ocorrência dos eventos previstos no contrato. Indiscutível que, ao contrario do contrato de prestação de serviços, o contrato de seguro é contrato aleatório, pois uma das prestações é sempre incerta, podendo inclusive não ocorrer, vez que sua ocorrência depende de evento futuro. Neste sentido ecoa a doutrina: “é o aleatório o contrato em que as prestações de uma ou de ambas as partes sao incertas, porque a sua quantidade ou extensão esta na dependência de um fato futuro e imprevisível (alea) e pode redundar em numa perda, ao invés de lucro. Exemplos: o contrato de seguro...” (Washington de Barros Monteiro, in Curso de Direito Civil, Direito das Obrigacoes, Vol. II, Saraiva, 1967, pag.30) “Contrato aleatório, por excelência, é o seguro, e que a prestação do segurado é certa e do segurador incerta, dependendo da realização de uma condição.” (Arnold Wald, in Curso de Direito Civil Brasileiro, 1969, pag.196) Admitida esta premissa, sendo atividade da Recorrente típica de seguro, cabível a tese pleiteada. Conforme ementa do acórdão proferido na ocasião do julgamento do leading case (Recurso Extraordinário nº 346.084), resta evidente o conceito de faturamento atualmente admitido pelo Supremo Tribunal Federal, para tributação por meio da Lei nº 9.718/98, verbis: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15504.021030/201036 Acórdão n.º 3302001.874 S3C3T2 Fl. 1.705 31 formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (destaquei) Neste sentido, uma vez que a Suprema Corte apresentou entendimento, pelo Pleno de seu Tribunal, no sentido que faturamento é apenas receita de venda de “produtos e serviços”, plausível o entendimento trazido pela Recorrente. Todavia, existe um senão no caso em análise. A questão é que de seguros está prevista da lista de serviços da Lei Complementar 116/031, sendo, portanto, passível de exigência de ISS pelos Municípios. Isto é, existe uma legislação que expressamente define como “prestação de serviço”, a atividade da Recorrente. Ocorre que é defeso a este tribunal administrativo julgar a constitucionalidade de lei. Neste sentido, independente da discussão acerca da incidência do PIS e Cofins; se no termos da Lei nº 9.718/98 incide sobre “faturamento” entendido como “receita de venda de produtos ou serviços” como o Supremo já declarou ou “receita operacional”, fato é que a LC 116/03 definiu que a atividade da Recorrente é de prestação de serviços. Ante o exposto, voto com a Conselheira Relatora, ainda que pelas conclusões, para manter o auto de infração da forma como lançado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 1 "Lei Complementar 116/03: ... 10 – Serviços de intermediação e congêneres. 10.01 – Agenciamento, corretagem ou intermediação de câmbio, de seguros, de cartões de crédito, de planos de saúde e de planos de previdência privada." Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10920.006635/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007
NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO DO INTEIRO TEOR DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
Em observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, os responsáveis solidários do crédito tributário lançado, in casu, com base na constatação de Grupo Econômico, devem ser intimados do inteiro teor da autuação/notificação fiscal e seus respectivos anexos de maneira oferecer condições ao insurgimento pleno de referidos contribuintes, sob pena de preterição do direito de defesa. A mera intimação dos responsáveis solidários
a partir de simples Termo de Sujeição Passiva ou mesmo Ofício, somente informando da atribuição da responsabilidade solidária, não se presta a demonstrar a observância de aludidos princípios/garantias constitucionais.
É nula a decisão de primeira instância que, em evidente preterição do direito de defesa, é proferida sem a devida intimação dos contribuintes responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito
tributário, oportunizando-lhes a interposição de impugnação.
INTIMAÇÃO ATOS PROCESSUAIS. SOLICITAÇÃO CÓPIA DO PROCESSO. DATA DA ENTREGA. VALIDADE COMO TERMO A QUO DO PRAZO DE DEFESA.
Uma vez comprovada à inexistência da intimação dos responsáveis solidários do inteiro teor da notificação/autuação fiscal, indispensável ao exercício da ampla defesa, impõe-se admitir como termo inicial do prazo de impugnação a data da entrega da cópia do processo, requisitada pela contribuinte, oportunidade em que teve conhecimento de referido ato, suprimindo, por conseguinte, o obstáculo à sua defesa.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-002.537
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a
decisão de primeira instância, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, bem como determinando a cientificação da empresa KOHLBACH S/A do inteiro
teor da notificação fiscal, reabrindo prazo para interposição de defesa.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007 NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO DO INTEIRO TEOR DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Em observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, os responsáveis solidários do crédito tributário lançado, in casu, com base na constatação de Grupo Econômico, devem ser intimados do inteiro teor da autuação/notificação fiscal e seus respectivos anexos de maneira oferecer condições ao insurgimento pleno de referidos contribuintes, sob pena de preterição do direito de defesa. A mera intimação dos responsáveis solidários a partir de simples Termo de Sujeição Passiva ou mesmo Ofício, somente informando da atribuição da responsabilidade solidária, não se presta a demonstrar a observância de aludidos princípios/garantias constitucionais. É nula a decisão de primeira instância que, em evidente preterição do direito de defesa, é proferida sem a devida intimação dos contribuintes responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito tributário, oportunizando-lhes a interposição de impugnação. INTIMAÇÃO ATOS PROCESSUAIS. SOLICITAÇÃO CÓPIA DO PROCESSO. DATA DA ENTREGA. VALIDADE COMO TERMO A QUO DO PRAZO DE DEFESA. Uma vez comprovada à inexistência da intimação dos responsáveis solidários do inteiro teor da notificação/autuação fiscal, indispensável ao exercício da ampla defesa, impõe-se admitir como termo inicial do prazo de impugnação a data da entrega da cópia do processo, requisitada pela contribuinte, oportunidade em que teve conhecimento de referido ato, suprimindo, por conseguinte, o obstáculo à sua defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007 NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO DO INTEIRO TEOR DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Em observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, os responsáveis solidários do crédito tributário lançado, in casu, com base na constatação de Grupo Econômico, devem ser intimados do inteiro teor da autuação/notificação fiscal e seus respectivos anexos de maneira oferecer condições ao insurgimento pleno de referidos contribuintes, sob pena de preterição do direito de defesa. A mera intimação dos responsáveis solidários a partir de simples Termo de Sujeição Passiva ou mesmo Ofício, somente informando da atribuição da responsabilidade solidária, não se presta a demonstrar a observância de aludidos princípios/garantias constitucionais. É nula a decisão de primeira instância que, em evidente preterição do direito de defesa, é proferida sem a devida intimação dos contribuintes responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito tributário, oportunizandolhes a interposição de impugnação. INTIMAÇÃO ATOS PROCESSUAIS. SOLICITAÇÃO CÓPIA DO PROCESSO. DATA DA ENTREGA. VALIDADE COMO TERMO A QUO DO PRAZO DE DEFESA. Uma vez comprovada à inexistência da intimação dos responsáveis solidários do inteiro teor da notificação/autuação fiscal, indispensável ao exercício da ampla defesa, impõese admitir como termo inicial do prazo de impugnação a data da entrega da cópia do processo, requisitada pela contribuinte, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 oportunidade em que teve conhecimento de referido ato, suprimindo, por conseguinte, o obstáculo à sua defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, bem como determinando a cientificação da empresa KOHLBACH S/A do inteiro teor da notificação fiscal, reabrindo prazo para interposição de defesa. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.006635/200777 Acórdão n.º 2401002.537 S2C4T1 Fl. 434 3 Relatório UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA. E OUTROS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0716.905/2009, às fls. 352/355, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, retidas e não recolhidas integralmente, em relação ao período de 07/2005 a 03/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 31/36, e Aditivo de fls. 205/209. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, consolidada em 31/10/2007, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 1.163.475,46 (Um milhão, cento e sessenta e três mil, quatrocentos e setenta e cinco reais e quarenta e seis centavos). Esclarece, ainda, o fiscal autuante que da análise dos documentos apresentados durante a fiscalização desenvolvida na notificada, restou constatada a existência de grupo econômico de fato formado entre as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA., KCEL MOTORES E FIOS LTDA., KOHLBACH S/A, consoante se infere das razões da fiscalização constantes do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, bem como do Relatório Fiscal Aditivo, às fls. 205/209, e demais documentos que instruem o processo. Inconformada com a Decisão recorrida, a notificada, UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA., apresentou Recurso Voluntário, às fls. 402/427, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato dos fatos ocorridos durante a fiscalização e demais atos do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, asseverando que a fiscalização não examinou a documentação acostada aos autos da forma que a legislação que regulamenta a matéria impõe, sobretudo em relação à inexistência do Grupo Econômico de fato caracterizado pela autoridade lançadora. Alega inexistir Grupo Econômico de fato ou de direito sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a coresponsabilização pretendida pela autoridade lançadora. Suscita que o Código Tributário Nacional e, bem assim, a legislação de regência, não autorizam a coresponsabilização das contribuintes integrantes do suposto Grupo Econômico por crédito previdenciário da empresa originalmente autuada, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, se apresentando como empresas absolutamente independentes e autônomas, com administrações e sócios distintos. Traz à colação vasta explanação a propósito do histórico, do quadro societário, objetos sociais e das operações realizadas pela União Motores e demais contribuintes, ora adotadas como responsáveis solidárias, concluindo inexistir o malfadado Fl. 467DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Grupo Econômico de fato, especialmente em relação à empresa Kcel Motores e Fios Ltda., ao contrário da pretensão fiscal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Devidamente intimada, a empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA., igualmente, interpôs recurso voluntário, às fls. 365/389, insurgindose contra o Acórdão de primeira instância, com base nos seguintes fundamentos. Preliminarmente, defende a tempestividade de sua impugnação, a qual não fora conhecida pelo julgador de primeira instância, uma vez que a contagem do prazo de defesa somente começou a correr em 22/02/2008, oportunidade em que lhe fora entregue a cópia do processo administrativo, inobstante a ciência do lançamento, mais precisamente do Ofício DRF/JOI/SC/SAFIS/EFI3 n° 083/2007, ter ocorrido em 07/12/2007, simplesmente dando conta da lavratura das notificações e autuações, informando, ainda, que os processos e seus anexos estavam disponíveis na Delegacia da Receita Federal de origem. Relata que, dentro do prazo de defesa, em 20/12/2007, a recorrente protocolizou nova petição perante a Receita Federal em Joinville, requerendo a devolução do prazo de 30 dias para a apresentação de defesa, contados a partir da data do recebimento das cópias da NFLD e seus anexos, através das quais poderia ter acesso as informações básicas para elaboração da impugnação. Reitera as alegações de fato e de direito suscitas pela União Motores Elétricos Ltda. relativamente à inexistência do Grupo Econômico caracterizado pela autoridade fiscal, explicitando as atividades desenvolvidas pela empresa, bem como seu quadro societário, pugnando pelo afastamento da responsabilidade que lhe fora atribuída por crédito tributário de outra contribuinte. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.006635/200777 Acórdão n.º 2401002.537 S2C4T1 Fl. 435 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por serem tempestivos, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitas pelas contribuintes pugnando pela decretação da insubsistência do lançamento, há nos autos vício processual sanável, ocorrido no decorrer do PAF, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal para a empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA. Destarte, extraise da decisão recorrida que a impugnação interposta pela empresa solidária KCEL MOTORES E FIOS LTDA. não fora conhecida em razão de ter sido considerada intempestiva. Assim, consoante jurisprudência firmada no âmbito administrativo, a impugnação interposta fora do prazo legal de 30 (trinta) dias enseja a preclusão administrativa relativamente às questões meritórias suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a este Egrégio Conselho tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória, o que se vislumbra na hipótese vertente. Em suas razões de recurso, a contribuinte KCEL defende a tempestividade de sua impugnação, aduzindo que a contagem do prazo de defesa somente teve início em 22/02/2008, oportunidade em que lhe fora entregue a cópia do processo administrativo, inobstante a ciência do lançamento, mais precisamente do Ofício DRF/JOI/SC/SAFIS/EFI3 n° 083/2007, ter ocorrido em 07/12/2007, simplesmente dando conta da lavratura das notificações e autuações, informando, ainda, que os processos e seus anexos estavam disponíveis na Delegacia da Receita Federal de origem. Relata que, dentro do prazo de defesa, em 20/12/2007, a recorrente protocolizou nova petição perante a Receita Federal em Joinville, requerendo a devolução do prazo de 30 dias para a apresentação de defesa, contados a partir da data do recebimento das cópias da NFLD e seus anexos, através das quais poderia ter acesso as informações básicas para elaboração da impugnação. Em que pese a argumentação da ilustre autoridade julgadora de primeira instância no sentido de não conhecer da impugnação da contribuinte (KCEL), o insurgimento da recorrente merece acolhimento, por espelhar a melhor intepretação a propósito da matéria, sobretudo em observância ao devido processo legal e ampla defesa. De início, impende elucidar que o deslinde da controvérsia se fixa em duas questões precípuas, quais sejam, a necessidade da intimação do inteiro teor da notificação fiscal e seus anexos aos responsáveis solidários, e o termo inicial da contagem do prazo de impugnação na hipótese de a primeira providência não ter sido tomada. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 CIENTIFICAÇÃO AOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS DO INTEIRO TEOR DA NOTIFICAÇÃO E SEUS ANEXOS NECESSIDADE Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, especialmente do Relatório Fiscal, às fls. 31/36, e Aditivo de fls. 205/209, no decorrer da ação fiscal desenvolvida na notificada, entendeu a fiscalização pela existência de grupo econômico formado entre as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA., KCEL MOTORES E FIOS LTDA., KOHLBACH S/A. Diante de aludida constatação, a partir da fiscalização ocorrida na UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA. com a consequente constituição de créditos previdenciários, as demais empresas integrantes do grupo econômico foram chamadas a responderem por tais débitos, em face da responsabilidade solidária insculpida no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, recebendo, respectivamente, os Ofícios de fls. 46/47. Referidos Ofícios informavam (davam notícia) tão somente da lavratura das notificações fiscais, com atribuição da responsabilidade solidária a todas empresas integrantes do grupo econômico, possibilitando a interposição de defesa administrativa no prazo legal, ressaltando, ainda, que os documentos que instruem os lançamentos foram entregues à devedora principal (UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA.), sendo assegurado, porém, às solidárias vista do processo administrativo fiscal, nos termos do artigo 749, parágrafo segundo da IN/SRP n° 03/2005. Ocorre que, a conduta levada a efeito pelo agente lançador, corroborada pelo julgador de primeira instância, ao deixar de intimar todas as empresas responsáveis solidárias da integralidade dos termos do lançamento, malfere o princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º.[...] LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Na mesma linha de raciocínio, para não deixar dúvidas quanto à nulidade da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos:[...] Fl. 470DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.006635/200777 Acórdão n.º 2401002.537 S2C4T1 Fl. 436 7 II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos) Por sua vez, a doutrina pátria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “ 1.2. Princípio do contraditório e da ampla defesa Como vimos, os direitos à ampla defesa e ao contraditório são manifestações do princípio do devido processo legal previsto no artigo 5o da CF. O princípio do contraditório tem íntima ligação com o da igualdade das partes e se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação e de todos os atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe foram desfavoráveis, ou seja, os litigantes têm direito de deduzir pretensões e defesas, realizarem provas que requereram para demonstrar a existência do direito, em suma, direito de serem ouvidos paritariamente no processo em todos os seus termos. (NEDER, Marcos Vinícius / LÓPEZ, Maria Teresa Martinez – Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – São Paulo: Dialética, 2002 – pág. 40) (grifamos) Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica nesse sentido, conforme faz certo o julgado do então Conselho de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita: “PAF – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Descumprimento do princípio da cientificação. E garantida ao sujeito passivo a ciência de todos os passos processuais. Atividades administrativas de interesse jurídico dos administrados devem ser formalmente comunicadas, a fim de assegurar o contraditório e o devido processo legal. Procedimentos de fiscalização ou julgamento não comunicados não são eficazes.” (8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Processo n° 13808.002654/98, Sessão de 17/10/2002) Com mais especificidade, em relação à necessidade da intimação dos responsáveis solidários do inteiro teor dos atos constitutivos do lançamento fiscal, a jurisprudência administrativa oferece proteção ao pleito das contribuintes, senão vejamos: “[...] Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 31/01/1999 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA NULIDADE. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 dias para apresentar defesa. Para que todos os solidários possam exercer o direito de defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser Fl. 471DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. Com o objetivo de preservar o sigilo fiscal dos sujeitos passivos não é possível o encaminhamento de notificação que contenha lançamentos de contribuições de diversos prestadores num mesmo documento. Processo Anulado.” (6a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes – Processo n° 12045.000329/200718, Acórdão n° 20601.693 – Sessão de 03/12/2008 – Relatora: Ana Maria Bandeira) “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA NULIDADE. Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. Com o objetivo de preservar o sigilo fiscal, não é possível o encaminhamento de notificação que contenha lançamentos de contribuições de diversos prestadores em um mesmo documento. Processo Anulado.” (6a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes – Processo n° 37172.001398/200552, Acórdão n° 20601.361 – Sessão de 07/10/2008 – Relatora: Bernadete de Oliveira Barros) Inobstante as decisões encimadas contemplarem a responsabilidade solidária na construção civil, traduzem muito bem a essência deste instituto, reafirmando a necessidade de cientificação de todos os responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito tributário. Na hipótese vertente, com mais razão aludida providência deve ser observada, objetivando conceder a todas responsáveis conhecimento das razões de fato e de direito que levaram o Fisco a efetuar o lançamento, sobretudo no que diz respeito à atribuição da responsabilidade solidária pelo crédito da devedora principal, a partir da constatação do Grupo Econômico. Imperioso ressaltar que o simples fato de cientificar/intimar as empresas solidárias com base em meros Ofícios, sem conquanto demonstrar as razões do lançamento e da própria atribuição da responsabilidade solidária pelo crédito, não tem o condão de suprir a necessidade da publicidade do ato administrativo do lançamento para as interessadas. Tal exigência, em verdade, tem complemento no próprio dever de fundamentação expressa do ato administrativo, de maneira a conferir a possibilidade de AMPLA defesa dos contribuintes. Melhor elucidando, in casu, a observância ao princípio da ampla defesa e contraditório se materializa juntamente com o dever de fundamentação do ato administrativo, porquanto somente de forma conjunta oferecem condições ao AMPLO insurgimento do (s) autuado (s). E, os responsáveis solidários só reunirão condições à apresentação de suas defesas, com a conjugação dos dois princípios supramencionados, se tiverem ciência integral das razões do lançamento fiscal. Neste sentido, aliás, valiosos são os ensinamentos de Alberto Xavier, em sua obra “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro” (3a Edição – Rio de Janeiro: Forense, 2005., pag. 178), de onde pedimos vênia para transcrever o seguinte excerto, in verbis: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.006635/200777 Acórdão n.º 2401002.537 S2C4T1 Fl. 437 9 “[...] Um pressuposto do direito de ampla defesa, do princípio do contraditório e do direito de acesso ao poder Judiciário consiste no dever de fundamentação expressa dos atos administrativos que afetem direitos ou interesses legítimos dos particulares. Com efeito, só a externação das razões de fato e de direito que conduziram a autoridade à prática de certo ato permitem ao cidadão compreender a decisão e livremente optar entre aceitá la ou impugnála administrativa ou jurisdicionalmente. Também só com essa externação será possível ao órgão julgador controlar a validade do ato impugnado. [...]” Ora, possibilitar vistas aos autos e extração de cópias por si só, com arrimo em uma mera Instrução Normativa, não oferece qualquer condição de defesa às contribuintes, mormente quando se exige o direito de AMPLA defesa e contraditório, amparados pela Constituição Federal. Aliás, percebese um verdadeiro contrassenso na conduta do Fisco. De um lado, quando efetuado o lançamento por responsabilidade solidária, nos termos do artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91, a responsável solidária e, bem assim, a devedora principal recebem o inteiro teor da notificação/autuação para se defender. De outro, na hipótese de atribuição de responsabilidade solidária com base em Grupo Econômico, deixa de cientificar as empresas interessadas da integralidade das autuações. Admitindose o entendimento da fiscalização nestes autos, tornase, igualmente, desnecessária a cientificação das empresas solidárias das decisões tomadas no decorrer do processo administrativo, bastando enviar Ofício dando conta do resultado da decisão sem anexala, possibilitando interpor recursos pertinentes, ter vistas aos autos e extrair cópias. No entanto, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito administrativo tributário, não é essa a conduta adotada por ocasião da intimação das decisões do PAF, oportunidade em que a autoridade fazendária cientifica todas as contribuintes, possibilitando a interposição de recursos cabíveis. Assim, a mesma conduta utilizada nos casos das decisões administrativas deve ser observada quando da lavratura do auto de infração/notificação fiscal. A rigor, nesta última hipótese, com mais razão a contribuinte responsável solidária deverá ter conhecimento da imputação que lhe esta sendo procedida, uma vez que seu insurgimento administrativo inicial vinculará e limitará o exame da demanda administrativa, com esteio, inclusive, na preclusão processual. Em outras palavras, não se pode exigir que o contribuinte solidário se defenda de algo que não tem pleno conhecimento, o que impossibilitaria a própria aplicação da preclusão processual. Ou seja, desde o término da ação fiscal, com a lavratura do auto de infração/notificação fiscal, devem todos os contribuintes interessados, in casu, as empresas integrantes do Grupo Econômico, ter conhecimento das razões e fundamentos da fiscalização para a realização do lançamento. Somente assim, se aperfeiçoará a exigência fiscal. Na esteira desse entendimento, ou não se atribui responsabilidade solidária ou se assim o for, que se faça de conformidade com as regras constitucionais e legais que Fl. 473DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 contemplam a matéria, oferecendo conhecimento a todas as responsáveis solidárias da integralidade da autuação, de maneira a oportunizar a apresentação de suas defesas com a amplitude que se exige. Firmada posição no sentido da necessidade da intimação das responsáveis solidárias do inteiro teor da notificação/autuação fiscal, passamos a analisar os fatos que permeiam os autos propriamente ditos, o que necessariamente nos conduz a contemplar o outro ponto crucial a presente demanda, qual seja, a efetiva data da ciência da contribuinte KCEL do lançamento, para efeito da contagem do prazo de impugnação, como demonstraremos abaixo. DA DATA DA EFETIVA CIÊNCIA DA CONTRIBUINTE – KCEL DO LANÇAMENTO – IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA Conforme se depreende dos autos, a empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA. procurou sanear a nulidade acima mencionada, justamente por ser indispensável à sua defesa, requerendo, em 14/12/2007, cópia integral do processo, consoante “Solicitação de Cópia de Documentos”, de fl. 295. Entrementes, somente lhe fora entregue referida cópia em 22/02/2008, como se verifica do mesmo documento de fl. 295. Daí porque a contribuinte pretende seja considerada tempestiva a sua impugnação, às fls. 214/231, protocolizada em 25/03/2008, sustentando que o prazo para apresentação da defesa inaugural somente passou a contar em 22/02/2008, oportunidade em que lhe foi entregue a cópia integral do processo, o que não fora acolhido pela decisão recorrida, que não conheceu daquela defesa da empresa. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito ao termo inicial do prazo de impugnação, mormente por não ter havido cientificação dos responsáveis solidários (integrantes do grupo econômico) do inteiro teor da notificação fiscal. De um lado a autoridade julgadora de primeira instância adotou a data da ciência da contribuinte (KCEL) do Ofício DRF/JOI/SC/SAFIS/EFI3 n° 083/2007, de fl. 47, dando conta do lançamento e possibilitando a extração de cópia do processo, ocorrida em 07/12/2007 (AR de fl. 192). Em outra via, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, por entender que somente com a entrega da cópia integral do processo, em 22/02/2008, pode se considerar aperfeiçoada a sua devida ciência do lançamento, portanto, termo de início da contagem do prazo para interposição da impugnação, entendimento que tem o condão de prosperar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, mister transcrever os dispositivos legais que regulamentam a matéria, como segue. O Decreto nº 70.235/72, em seu artigo 23, estabelece as formas/modalidades de intimação do contribuinte dos atos administrativos, senão vejamos: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 474DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.006635/200777 Acórdão n.º 2401002.537 S2C4T1 Fl. 438 11 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 475DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” (grifamos) A propósito da matéria, o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 6, de observância obrigatória pelos integrantes deste Colegiado, determinando ser válida a notificação da contribuinte via postal, conquanto que em seu domicílio fiscal, in verbis: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Conforme se depreende das normas acima transcritas, várias são as formas de notificação/ciência do contribuinte dos atos processuais que a legislação tributária enumera, quais sejam, pessoal, via postal e, por último, esgotadas as duas anteriores, via edital. Acrescentase, ainda, a via eletrônica, com regramento específico a partir da anuência do administrado. Entrementes, afora o caso da via editalícia, as demais modalidades (pessoal, postal ou eletrônica), a intimação do contribuinte deverá ser devidamente comprovada mediante assinatura do recebimento, seja no domicílio fiscal eleito por aquele (com o retorno do AR devidamente assinado) ou mesmo na repartição, com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. No presente caso, extraise dos autos que a contribuinte solicitou cópia integral do processo, às fls. 295, em 14/12/2007, somente tendo êxito em sua empreitada em 22/02/2008, quando lhe fora entregue a documentação requerida. Verificase, assim, que somente nesta data (22/02/2008) podemos considerar a contribuinte devidamente cientificada da notificação, tendo em vista que teve acesso a todas as razões da fiscalização que suportam o lançamento, possibilitando o exercício do direito da ampla defesa e contraditório. Ademais, imprescindível em casos de dúvida quanto à data da intimação de atos processuais, que se fixe um dia para tanto. Em casos dessa natureza, a jurisprudência administrativa é firme e mansa ao determinar que deverá ser adotado o dia em que a contribuinte teve acesso aos autos, na data da entrega da cópia do processo, senão vejamos: “EMENTA:PRAZO PEREMPÇÃO Comprovado nos autos a nulidade da intimação do auto de infração, temse o contribuinte por intimado na data em que lhe é dada "vista" dos autos e toma ciência da acusação nele contida, contandose daí o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de sua impugnação.” (grifamos) (7ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Recurso n° 118.109 – Acórdão 10705.794, Sessão de 09/11/1999) “PRAZO – Não tem início o prazo para impugnação enquanto perdurar obstáculo à defesa da parte, tendo em vista o princípio da utilidade dos prazos processuais.” (1ª Câmara do 1º Conselho Fl. 476DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.006635/200777 Acórdão n.º 2401002.537 S2C4T1 Fl. 439 13 de Contribuintes, Acórdão nº 10184.223, de 15 de outubro de 1992) Observase, que o obstáculo à defesa da contribuinte perdurou até o dia em que teve acesso aos autos, cuja cópia lhe fora comprovadamente entregue em 22/02/2008, passando o prazo de impugnação a correr a partir desta data, uma vez não ter sido devidamente efetivada a ciência (do inteiro teor da notificação) via epistolar, mediante retorno do AR assinado. Na esteira desse raciocínio, restando demonstrada que a devida ciência/intimação da contribuinte do lançamento (inteiro teor) ocorrera com a entrega das cópias requeridas, em 22/02/2008, impõese admitir aludida data para efeito do início da contagem do prazo da defesa inaugural, com encerramento previsto para o dia 25/03/2008, dia em que a empresa KCEL protocolizou sua impugnação, sendo, por conseguinte, tempestiva, devendo ser conhecida e analisada em seu mérito, sob pena de cerceamento do direito de defesa e contraditório da suplicante, impondo seja decretada a nulidade da decisão de primeira instância, com a finalidade de analisar a defesa da solidária KCEL MOTORES E FIOS LTDA., para que seja proferido novo Acórdão na boa e devida forma. Da mesma forma, na linha do entendimento acima alinhavado, impõese determinar a cientificação da empresa KOHLBACH S/A (integrante do grupo econômico de fato caracterizado pela fiscalização) do inteiro teor da notificação fiscal e respectivos anexos, reabrindo prazo para interposição da impugnação. Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDAL., devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 477DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11968.000892/2006-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/08/2006
LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do lançamento de ofício, sendo vedado ao órgão julgador modificar a fundamentação legal da exigência inicial.
Numero da decisão: 3803-004.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos o relator e o conselheiro Alexandre Kern. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/08/2006 MULTA. ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS RELATIVOS À DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA VÁLIDA. O lançamento de ofício relativo a multa de natureza administrativa depende de previsão normativa válida, contendo todos os contornos da obrigação de fazer, cujo descumprimento enseja a imposição de penalidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/08/2006 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do lançamento de ofício, sendo vedado ao órgão julgador modificar a fundamentação legal da exigência inicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator. Vencidos o relator e o conselheiro Alexandre Kern. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 92 /2 00 6- 31 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 86 2 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2/11, para exigência de multa administrativa, no valor de R$ 5.000,00, por descumprimento de obrigação acessória consistente de informação sobre desconsolidação de carga, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil por meio da Portaria ALF/SPE n° 06, de 14 de fevereiro de 2005, segundo consta do campo Descrição dos Fatos e demais documentos constantes dos autos. A referida Portaria dispõe que o agente de carga deverá apresentar à Alfândega do porto de Suape/PE a citada documentação até o terceiro dia útil seguinte à descarga da mercadoria, sob pena de aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, do DecretoLei n°37/66, alterado pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Em impugnação apresentada de fls. 40/48, a Interessada alegou, em síntese, que: a) a Lei n° 10.833/2003 estabeleceu sanções que possuem caráter gradativo, razão pela qual, apenas depois de aplicadas as penas de advertência, suspensão ou cancelamento, é que se torna possível a imposição da penalidade de multa; b) a aplicação de penalidade somente é cabível quando da existência de previsão legal e do preenchimento de todos os requisitos estabelecidos para sua imposição; c) a empresa jamais teve lavrado contra si auto dessa natureza; d) não houve atraso na prestação de informações e sim excesso de rigor da Autoridade Fiscal que não aceitou a documentação assinada por representante do grupo Global Logistics The Cargo Company, ao qual a empresa em apreço esta ligada, por entender que o referido não estaria habilitado a representála; e) a punição prevista encerra a pretensão de coibir a ausência de prestação de informação e não a sua apresentação, ainda que de forma tida como incorreta; f) o lançamento levado a efeito é injusto, desarrazoado, excessivo, desproporcional e ilegal; Em julgamento da lide, a DRJ/Recife referiu, primeiramente, que as informações cuja omissão gerou a lavratura do auto de infração deviam ser prestadas anteriormente às operações de carga e descarga de mercadorias, por força § 2º do art. 37 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03. Reiterouo nos seguintes termos: “a formalização da entrada do veiculo (lavratura Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 87 3 do Termo de Entrada), e consequentemente autorização para movimentação da carga transportada, estava condicionada à prestação das citadas informações.”. Buscou reforço dos art. 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 2002, para o entendimento expresso. Assim, considerou que a Impugnante, ao prestar informações oito dias após a chegada do veiculo e descarga das mercadorias, deixou, efetivamente, de cumprir o prazo regulamentar. Endossou a competência do Inspetor da Alfândega de Suape para disciplinar o prazo para apresentação das informações relativas aos conhecimentos de carga, com fulcro no art. 227 da Portaria MF n° 259, de 2001 e assentou que, mesmo que se cogite de sua incompetência para tal, ainda restaria caracterizado o descumprimento do prazo fixado em ato normativo hierarquicamente superior. Refutou os demais argumentos da Impugnante, quanto à aplicação gradual da penalidade, em advertência, suspensão e cancelamento ou cassação do registro, licença, autorização, credenciamento ou habilitação para utilização de regime aduaneiro, até a sua culminação na multa ora aplicada e o fato de esta injusta e desarrazoada. Nessa decisão ficou vencido o Relator, que deu provimento à impugnação por considerar que o Inspetor da Alfândega não tinha competência para regulamentar o DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, alterado pela Lei 10.833/03, e dispor sobre o prazo para a apresentação de informações remetido por este dispositivo legal à Secretaria da Receita Federal, por meio da citada Portaria. Cientificada de decisão em 20 de janeiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 09 de fevereiro de 2012, em que reiterou os mesmos termos da Impugnação, apresentando novos argumentos segundo os quais: a) não poderia ter prestado as informações em tempo hábil por depender da boa vontade do transportador em fornecer o número do Conhecimento Comum, indispensável à completude dos dados a serem fornecidos; b) reclama pela aplicação da denúncia espontânea, argumentando ser este instituto também aplicável às multas, uma vez que não houvera procedimento fiscal anterior ao cumprimento da obrigação acessória, independentemente de ter exorbitado o prazo fixado pela Portaria do Inspetor da Alfândega; c) o suposto atraso na prestação das informações acerca da desconsolidação da carga do navio Cap San Marco não causou nenhum embaraço à Fiscalização. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 88 4 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Inicialmente, registro que deixo de conhecer os argumentos com os quais a Recorrente inova a sua defesa, por falta do seu prequestionamento na primeira instância. Por interessar ao deslinde da presente controvérsia, segundo a óptica sob que a vejo, transcrevo o inteiro teor do voto vencido na decisão de primeira instancia, que, em síntese, apontar para a incompetência do Inspetor da Alfândega para editar a Portaria ALF/SPE n° 06/2005 regulamentando o art. 107, IV, do DecretoLei nº 37/66, com a redação da Lei nº 10.833/2003 e concluir pela exoneração da penalidade. Como se percebe da leitura do relatório acima, a lide se restringe ao exame de contestação, ante à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória imposta por ter se configurado, segundo a autoridade fiscal, o desatendimento de prazo estabelecido na Portaria ALFSPE n° 06, de 14/02/2005, expedida pelo Inspetor da Alfândega do Porto de Suape/PE. A penalidade imputada encontrase indicada no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que assim estabelece: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (....)” Inicialmente, devese observar que o dispositivo legal acima transcrito dispõe que a penalidade em tela será aplicada "na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal..", o que di margem a concluir que compete ao Fisco federal o estabelecimento dos requisitos a serem atendidos pelo responsável, no caso o agente de carga, em prestar as informações sobre as operações realizadas. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 89 5 Sendo assim, considerando que o dirigente máximo da instituição Secretaria da Receita Federal (atual Receita Federal do Brasil) é o Sr. Secretário, caberia a este, com fins de viabilizar a imposição da multa em apreço, editar ato normatizando a questão. Nesse sentido, cumpre destacar que o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, vigente à época do fato gerador, estabelecia ao seu dirigente máximo, entre outras, a seguinte competência: "Art. 209. Ao Secretário da Receita Federal incumbe: (...) III expedir atos administrativos de caráter normativo sobre assuntos de sua competência;" Aliás, vale lembrar que as Instruções Normativas n os 28 e 102, ambas de 1994, além da 800, de 2007, são exemplos de atos editados pelo Secretário da Receita Federal com a finalidade de disciplinar, entre outras questões atinentes à Área aduaneira, o estabelecimento de prazo para cumprimento de variadas obrigações acessórias cujo não atendimento impõe a aplicação da penalidade em discussão. Ocorre que, no caso em comento, inexistia à época do lançamento ato emanado da Secretaria da Receita Federal disciplinando as circunstancias que deram margem autuação, ou seja, a forma e o prazo para prestação de informações sobre unidade de carga transportada, inexistindo também competência expressa autorizando outro dirigente da instituição a disciplinar a matéria. Vejase que não estamos diante de situação onde a legislação faz menção unidade local ou ao titular da unidade ou ainda a autoridade aduaneira local, circunstancias que remeteriam a competência para o disciplinamento dos requisitos (forma e prazo) diretamente ao respectivo dirigente máximo da Unidade, no caso o Inspetor da Alfândega do Porto de Suape/PE. Dessa forma, em face da ausência de ato normativo disciplinando os requisitos para aplicação da multa nas circunstancias descritas no presente processo, entendo que o auto de infração não deve subsistir. Por prescindíveis ao deslinde da questão, não serão analisadas as demais alegações do impugnante. Ante a análise procedida, voto pela procedência da impugnação e pela exoneração do crédito tributário lançado de oficio. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 90 6 A meu ver, acertou o d. Relator quanto ao entendimento sobre a incompetência do Inspetor da Alfândega para editar a Portaria ALF/SPE n° 06/2005 regulamentando o art. 107, IV, do DecretoLei nº 37/66, com a redação da Lei nº 10.833/2003. Isso, porque nos termos da Portaria MF n 259, de 24 de Agosto de 2001, somente o Secretário da Receita Federal possui tal competência, quando lei remete essa prerrogativa à Secretaria da Receita Federal. Vejase que de acordo com o art. 96 combinado com o art. 100 do Código Tributário Nacional, somente os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas constituem normas complementares na linha de conformarse em legislação tributária: Art. 96 A expressão 'legislação tributária' compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem , no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100 são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Na distribuição de competências estabelecidas pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 259, de 24 de agosto de 2001, comparese e percebase que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, somente o Secretário da Receita Federal e o CoordenadorGeral da Cosit expede/aprova atos normativos, no sentido de compor o acervo da legislação tributária. As competências das demais autoridades limitamse a execução de serviços, nos limites das instruções dos órgãos que técnica e/ou administrativamente lhes subordinam, portanto, sem força normativa perante o contribuinte: Art. 209. Ao Secretário da Receita Federal incumbe: [...] III expedir atos administrativos de caráter normativo sobre assuntos de sua competência;[grifo aqui] [...] Art. 221. Ao CoordenadorGeral da Cosit incumbe, em particular: [...] IV aprovar atos normativos destinados a uniformizar a aplicação da legislação tributária; [...] Art. 226. Aos Superintendentes da Receita Federal incumbe: [...] Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 91 7 II editar atos relacionados com a execução de serviços, observadas as instruções da CoordenaçãoGeral a que se refira a matéria tratada; [...] Art. 227. Aos Delegados da Receita Federal e, no que couber, aos Inspetores e aos Chefes de Inspetoria, incumbe: [...] II editar atos relacionados com a execução de serviços, observadas as instruções da SRRF sobre a matéria tratada; Assim é que, nesse diapasão, a Instrução Normativa nº 800/2007, apesar de referirse, em sua ementa, apenas ao art. 64 da Lei nº 10.833/2003, que regula os documentos instrutivos de declaração aduaneira ou necessários ao controle aduaneiro, aborda pontualmente o prazo para cumprimento, entre outras, da obrigação acessória de que ora se cuida: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. A questão que exsurge é que a data da publicação dessa instrução normativa é posterior ao fato gerador da multa, não podendo surtir efeitos retroativos para alcançar os fatos sob enforque, não amparada pelo teor do art. 106, III, c, do Código Tributário Nacional. Contudo, a combinação da falta de norma regulamentadora dessa estatura ao tempo da infração capturada pelo Fisco com o entendimento de invalidade da Portaria da ALF/SPE n° 06/2005 não possui força capaz de socorrer a Recorrente na presente controvérsia para a exoneração da penalidade. A d. Redatora designada para formalização do acórdão de primeira instância, mesmo tendo confirmado a competência do Inspetor da Alfândega de Suape para expedir o ato conspurcado de invalidade pela Defendente, assentou que a lei instituidora da obrigação acessória ora em discussão já determinava que as informações deveriam ser prestadas antecipadamente à desconsolidação da carga pelo agente. Nesse sentido comungo desse seu entendimento e reputo correta a sua interpretação dos dispositivos legais do § 2º, do art. 37, do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966 (com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03) e dos arts. 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 2002, abaixo: Art. 37. 0 transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º 0 agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que. em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou descanso/ide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 92 8 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. § 2° Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo.[grifo na citação original} [...] Comparese este parágrafo 2º com a sua redação anterior: § 2º. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e os prazos para a prestação das informações de que trata este artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 38, de 2002) [...] Art. 30. O transportador prestará á Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veiculo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. § 2º agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3º Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente. Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art 30, e a efetiva chegada do veiculo ao Pais, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.[grifo na citação original] Observese que a norma do parágrafo segundo trazida pela redação da Lei nº 10.833/2003 é taxativa. Desse modo, vejo que a interpretação mais consentânea do art. 107, IV, “e” do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/031, deve ser feita à lume e no limite da taxatividade do disposto no § 2° do art. 37: “Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo.”, vale dizer, todo e 1 Art. 104. ........................................................................... [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; [...] Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 93 9 qualquer prazo a ser concedido por ato normativo do Secretário da Receita Federal havia/há de ser antecedente a quaisquer operações, sob pena do ato normativo exorbitar o seu poder regulamentar. Logo, o Inspetor da Alfândega, além de incompetente para expedir a Portaria ALF/SPE n° 06/2005, estipulou prazo fora da órbita do limite legal. Até que houvesse norma disciplinadora do prazo que menciona a norma sancionadora, as informações poderiam ser prestadas em momento qualquer antecedente à operação de carga ou descarga. Ao vir ao ordenamento a disciplina do prazo, fixando prazo antecedente mais amplo, com autorização do art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03, a esse prazo menos benéfico estaria vinculado o transportador/agende de carga. Consta do auto de infração, conforme transcrito a seguir, que as informações foram prestadas oito dias após a descarga do navio: Em 28/08/2006, oito dias depois da descarga, portanto, o endossatário do citado conhecimento de carga, na qualidade de agente desconsolidador, apresentou na Alfândega do Porto de Suape os documentos relativos à desconsolidação do B/L n° SUDU260010809389 (fls. 14/24), conforme atesta recibo aposto no formulário de fl. 14. Desse modo, de fato as informações foram prestadas ao arrepio da disposição legal, sujeitandose o agente de carga à aplicação da penalidade aplicada. Adoto as demais razões de decidir da decisão quanto aos outros argumentos da Recorrente, sobretudo quanto à aplicação de penalidade mais branda, graduada, prevista no art. 76, do DL 37/66, com redação da Lei nº 10.833/2003, nos termos da sua transcrição: Também não vejo, de outra banda, como condicionar a aplicação da multa em questão à prévia advertência ou suspensão do agente desconsolidador, na medida em que, nos termos do § 15 do art. 76 da Lei n° 10.833, de 2003 1 , tais penalidades independem da imposição de outras, como, por exemplo, a debatida no presente litígio, que, registrese não exige a reincidência. Ou seja, o fato do sujeito passivo nunca ter sido alvo da penalidade em litígio ou outra análoga não influencia a imposição da multa por atraso na prestação de informações. Finalmente, são igualmente incapazes de influenciar na solução do litígio as alegações de que o lançamento seria injusto, desarrazoado, excessivo, desproporcional e ilegal. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 19 de março de 2013 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 94 10 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Peço vênia ao relator para discordar da conclusão final de seu voto, em razão dos fundamentos a seguir apontados. Por outro lado, alinhome ao voto do relator na parte em que ele declara a invalidade da Portaria ALF/SPE n° 06/2005, em razão da incompetência do Inspetor da Alfândega para editar atos normativos que criem obrigações para os administrados. Em relação a essa questão, nada há a reformar no voto vencido. Contudo, a meu ver, no momento em que se decide pela invalidade da referida portaria, devese concluir, consequentemente, pela nulidade do auto de infração, pois a multa ali exigida teve por fundamento legal a mesma Portaria ALF/SPE n° 06/2005 e, uma vez que tal ato administrativo é considerado inválido, a obrigação de fazer nele estipulada tornase sem efeito. Pretendeu o relator, ao afastar a aplicação da Portaria ALF/SPE n° 06/2005, fundamentar a autuação com base no § 2º do art. 37 do Decretolei n° 37, de 1966 (com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03) e nos arts. 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 2002. No entanto, consultandose a descrição dos fatos presente no auto de infração (fls. 2 a 7), é possível verificar que a infração apurada consistiu no atraso da apresentação de documentos relacionados à desconsolidação de cargas, obrigação essa prevista, na época dos fatos e da autuação, na Portaria ALF/SPE n° 06/2005. Conforme o relator já havia apontado, a referida obrigação de fazer passou a ser prevista em ato normativo válido apenas a partir da edição da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, ato esse inaplicável ao presente caso por inexistir autorização legal à retroação de seus efeitos, pois nos termos do art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), a lei se aplica a ato ou fato pretérito somente (i) quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados, ou, (ii) em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração ou quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou, ainda, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No momento da autuação, a obrigação de apresentar os documentos relacionados à desconsolidação da carga2 em determinado prazo encontravase prevista somente na portaria considerada inválida, não sendo possível, a meu ver, em face dos 2 Nos termos da Descrição dos Fatos do auto de infração, a desconsolidação de carga, realizada sob responsabilidade do agente desconsolidador, "consiste na desagregação de mercadorias transportadas sob uma única operação de transporte, ou seja, consolidadas, e na liberação para os importadores dos seus respectivos conhecimentos de carga, denominados "houses" (ou filhotes)" (fl. 3). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 95 11 princípios da legalidade3 e da tipicidade, exigir do administrado o cumprimento de uma obrigação não determinada pela autoridade administrativa competente. O princípio da legalidade acima referenciado deve ser sopesado com o contido no art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional (CTN), em que se prescreve que “[a] obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, legislação essa que compreende, além das leis, decretos e tratados, as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (art. 96 do CTN), normas complementares essas que abarcam os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas competentes (art. 100, inciso I do CTN). O princípio da tipicidade, por seu turno, pode ser extraído do contido nos arts. 114 e 115 do CTN, em que se estipula, respectivamente, que (i) o fato gerador da obrigação principal (cujo objeto é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária) é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência e que (ii) o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Verificase, portanto, que, para se exigir do sujeito passivo, nos casos da espécie ora analisado, um crédito tributário consistente em multa (obrigação tributária principal), há que se ter por configurado o descumprimento de uma obrigação de fazer prevista na legislação aplicável (obrigação acessória). Uma vez que o ato administrativo do inspetor da Receita Federal não tem o condão de produzir efeitos jurídicos, em razão da incompetência da autoridade, não se pode exigir do administrado o cumprimento de uma obrigação não prevista na legislação tributária, nem mesmo penalizálo, por não se tratar de nenhuma das hipóteses obrigacionais previstas na legislação cujo descumprimento enseja a exigência da multa administrativa sob comento. Ao se tentar manter o lançamento da multa com base no § 2º do art. 37 do Decretolei n° 37, de 1966, estáse a inovar, em sede de julgamento administrativo, a fundamentação legal do lançamento, procedimento esse incompatível com a competência deste Colegiado de controle de legalidade, pois que consistente em uma nova feitura do auto de infração. Para se sanear ou complementar um lançamento de ofício já formalizado, com inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devese lavrar um novo auto de infração, de caráter complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação da matéria modificada, não cabendo ao órgão julgador essa providência, pois que da competência privativa, na esfera federal, do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da função de fiscalização. Ainda que os arts. 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro tenham constado do quadro identificado como “Fundamentação Legal” do auto de infração (fl. 7), o que não ocorreu em relação ao § 2º do art. 37 do Decretolei n° 37, de 19664, que não constou nem da fundamentação legal, nem da descrição dos fatos ensejadores do lançamento de ofício, a 3 Art 5º, II, da Constituição Federal: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei." 4 Registrese que, no corpo da Descrição dos Fatos do auto de infração, fezse referência ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966, mas somente em relação ao seu § 1º, que conceitua o chamado "agente de carga", nada dizendo sobre o § 2º do mesmo artigo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 96 12 obrigação de fazer prevista nesses atos normativos não coincide com aquela estipulada na Portaria ALF/SPE n° 06/2005, que serviu de fundamento à autuação sob comento, pois, na portaria, estipulouse um prazo para a desconsolidação da carga, o que não ocorreu naqueles artigos. Eis o teor desses dispositivos: Decretolei nº 37, de 1966 (...) Art. 37. 0 transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) § 2° Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo.(grifei) Regulamento Aduaneiro (...) Art. 30. O transportador prestará á Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veiculo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. § 2º agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3º Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente. Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art 30, e a efetiva chegada do veiculo ao Pais, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.[grifo na citação original] Vejase que o caput do art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966, remete à Secretaria da Receita Federal o estabelecimento da forma e do prazo em que deverão ser prestadas as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado, tratandose, por conseguinte, de norma de aplicabilidade limitada, dependente, para surtir efeito, de regulamentação do órgão competente. Além disso, as informações requeridas no referido dispositivo, quais sejam, dados sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado, não abrangem de forma expressa a atividade específica de Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 97 13 desconsolidação de carga, como se exige das previsões normativas relativas a obrigações de fazer, como aquela cuja falta ensejou a lavratura do auto de infração. Ainda que a apresentação de informações relativas à desconsolidação de cargas possa ser entendida como um dos procedimentos de controle necessários ao desembaraço das mercadorias, requerse, para fins de suporte do lançamento da multa, a sua previsão expressa no ato normativo, sob pena de violação dos princípios da legalidade e da tipicidade acima abordados. Indagase: com base na previsão legal de prestação de informações “sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”, é possível concluir que o transportador encontrase obrigado a apresentar os documentos relativos à desconsolidação de carga previamente a qualquer outro procedimento? A meu ver, não. E mais, em que prazo? Se a portaria do inspetor da Alfândega é inválida, que prazo deve ser observado, considerando que a norma é de aplicabilidade limitada? Ora, inexiste a fixação de um prazo determinado, não sendo possível, a meu ver, deduzilo de forma indireta, numa interpretação ampliativa, incompatível com a normatividade requerida nas hipóteses de obrigações de fazer. No que tange aos arts. 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro acima transcritos, inobstante haver, no § 2º do art. 30, a previsão de obrigatoriedade de o agente de carga prestar as informações relativas à consolidação e à desconsolidação de cargas, inexiste nos dispositivos a fixação de um prazo para o cumprimento dessa obrigação. A previsão do art. 31, a meu ver, não supre essa lacuna, pois que, ali também, há a remissão à regulamentação por parte da Secretaria da Receita Federal. No presente caso, o contribuinte, antes de qualquer atividade da Fiscalização concernente à informação requerida, ou seja, espontaneamente, apresentou os documentos relativos à desconsolidação da carga, não havendo nos autos qualquer indício de que o atraso, apurado nos termos da inválida portaria do inspetor da Alfândega, tivesse inviabilizado os demais procedimentos próprios do desembaraço aduaneiro das mercadorias. Além de tudo acima abordado, há que se considerar, ainda, a normatividade do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 98 14 penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo Decretolei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo a exceção apenas em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso na apresentação dos documentos relativos à desconsolidação de cargas. A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido5 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (Decretolei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância do prazo de cumprimento da obrigação acessória sob comento. Conforme se extrai da descrição dos fatos no auto de infração (fls. 2 a 7), a ação fiscal iniciarase após a apresentação dos documentos pelo responsável, antes, portanto, 5 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 99 15 de qualquer procedimento fiscalizatório, o que torna o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 6. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 7 A súmula CARF, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção deste entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, o seu disciplinamento abrange as declarações periódicas a que os sujeitos passivos se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de contribuinte ou de 6 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 7 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11968.000892/200631 Acórdão n.º 3803004.026 S3TE03 Fl. 100 16 responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. No caso sob análise, a apresentação em atraso dos documentos relativos à desconsolidação de cargas, frisese, considerando os termos da inválida portaria do inspetor, constituise em medida de controle meramente administrativo, em nada afetando o cumprimento da obrigação principal (impostos incidentes na importação). Ressaltese, ainda, que, de acordo com o § 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, anteriormente reproduzido, não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. Compulsando os autos, não se detecta qualquer informação ou mesmo indício de que, quando o contribuinte apresentara os documentos da desconsolidação de cargas, já tivesse iniciado o despacho aduaneiro das mercadorias, o que impede a aferição dessa condição. Logicamente que, por meio de uma diligência junto à repartição de origem, poderseia obter os dados necessários à confirmação da data de início do despacho aduaneiro, assim como da data do desembaraço da mercadoria. Contudo, tal providência se torna despicienda, tendo em vista as prejudiciais acima apontadas, quais sejam, ausência de previsão normativa válida definindo o prazo de apresentação dos documentos e a vedação à inovação, em sede de julgamento administrativo, referente à modificação da fundamentação legal do auto de infração. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalm ente em 01/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.920596/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-004.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 05 96 /2 00 9- 93 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920596/200993 Acórdão n.º 3803004.040 S3TE03 Fl. 60 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) retificador em 17/5/2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração setembro de 2002, no valor original de R$ 1.737,05, destinado a quitar débitos da titularidade do sujeito passivo. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação “in totum” do despacho decisório e o reconhecimento do crédito pleiteado com a correspondente homologação da compensação formulada, alegando o seguinte: a) o crédito decorre de recolhimento indevido da Cofins ocorrido em 14 de dezembro de 2002 no valor original de R$ 48.803,41; b) o despacho decisório não informa o número do PER/DCOMP em que o crédito pleiteado teria sido utilizado, nem o tributo compensado ou o período correspondente; c) “houve excesso de sanha arrecadatória por parte da Autoridade Fiscal e pouco empenho quer na análise do direito creditório quer no lastreamento com qualquer PERD/COMP; fato este que impossibilita e limita a Impugnante de formular sua defesa” (fl. 2). A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Válido o Despacho Decisório em que foi demonstrada a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/Dcomp em débito declarado pelo próprio contribuinte em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Campinas/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, sob pena de descumprimento de determinação judicial, arguindo o seguinte: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920596/200993 Acórdão n.º 3803004.040 S3TE03 Fl. 61 3 a) “é fato verdadeiro que o débito foi declarado em DCTF e utilizado para quitação da Cofins” (fl. 37); b) “também é fato verdadeiro que devido ao lapso temporal não se consegue retificar a fatídica DCTF” (fl. 37); c) “o Contribuinte promoveu medida judicial que recebeu decreto de provimento para fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigasse a Recorrente a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98 nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, bem como autorizou a Contestante (ora Recorrente) a promover compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior nos períodos supra, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para a correção do saldo devedor, devendo o Contribuinte, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei 9.430/06, quando do procedimento da compensação, efetuar entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos confessados, tudo como se vê do incluso documento” (fls. 37 a 38); d) a própria Procuradoria da Fazenda editou orientação de que o tema levado ao Poder Judiciário não fosse mais objeto de contestação ou recurso; e) está cumprindo determinação judicial, em conformidade com o contido no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN); f) os valores pleiteados são de fácil confirmação por parte da Receita Federal, pois que constam das DIPJs. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópia de documento obtido na internet, em que se faz referência à decisão de primeiro grau no processo judicial por ele referenciado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir explanados. Inovando em relação à primeira instãncia administrativa, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa a existência de ação judicial versando sobre a mesma matéria deste processo e traz cópia da sentença da 3ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP. Considerando a cópia da sentença supra referenciada, assim como o resultado da consulta ao sítio na internet da Seção Judiciária de São Paulo realizada em 5 de março de 2013, constatase que o processo judicial nº 2006.61.05.0101393, em que o ora Recorrente encontrase na condição de Impetrante, transitado em julgado em 7/11/2012, versa, de fato, sobre a mesma matéria sobre a qual se controverte nestes autos, qual seja, o direito de creditamento de indébitos decorrentes de pagamentos indevidos da Cofins efetuados com base Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920596/200993 Acórdão n.º 3803004.040 S3TE03 Fl. 62 4 na Lei nº 9.718, de 1998, o que evidencia a ocorrência de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, tendo em vista que a matéria já foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa, em razão do que os fundamentos de fato e de direito trazidos pelo Recorrente não serão apreciados por este Colegiado. 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920596/200993 Acórdão n.º 3803004.040 S3TE03 Fl. 63 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11072.000011/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2004
PRAZO RECURSAL – INICIO – CONTAGEM – INTEMPESTIVIDADE –
Conforme estabelece o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para
interposição de recurso voluntário é de 30 dias, iniciando-se
a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente ao do recebimento da intimação.
Numero da decisão: 2102-001.375
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por intempestividade. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Presente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi..
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2004 PRAZO RECURSAL – INICIO – CONTAGEM – INTEMPESTIVIDADE – Conforme estabelece o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, iniciando-se a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente ao do recebimento da intimação.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por intempestividade. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Presente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Chistian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11072.000011/200747 Acórdão n.º 2102001375 S2C1T2 Fl. 92 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 4a. Turma da DRJ/STM, de 06 de julho de 2.010 (fls. 67/70), que por unanimidade de votos manteve exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 06/11/200, quando foi intimado a recolher o valor total de R$ 4.033,75 (quatro mil, novecentos e setenta e três reais e sessenta e cinco centavos), sendo R$ 2.015,47 a título de imposto suplementar, R$ 506,68 de juros de mora e R$ 1.511,60 de multa. De acordo com o Auto de Infração (fls. 15/17), a exigência do imposto com os acréscimos legais referese ao complemento do valor do imposto devido, decorrente de atividade rural exercida pelo Recorrente, no exercício de 2.005, ano base 2004, com dedução do valor de R$ 11.754,00, que foi glosado, conforme demonstrativo de fls. 27. Em grau de recurso a este colegiado, às fls. 72, reitera que obteve como produtor rural, uma receita bruta de R$ 55.872,80, lançada na DAA, e uma despesa de R$ 12.555,53 como custeio investimento também lançado na página da atividade rural, e o valor de R$ 11.754,00, na página de deduções pelo livro caixa pelo motivo destas despesas serem de manutenção, como gastos com trabalhadores rurais, fretes, luz, água, dentre outras. É o Relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. Inicialmente, analisando os critérios de admissibilidade do recurso, constata se que o mesmo foi intempestivo, face à não observância do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Com efeito, a notificação da decisão de primeira instância foi entregue ao representante do Recorrente no dia 05/08/2010 (fls. 71), Sr. Luis André Schultz, sendo admitido na peça recursal tal fato, às fls. 72, porém, a mesma foi enviada a este colegiado, via AR, no dia 13 de setembro de 2.011, ou seja, já decorridos 39 dias da data inicial da contagem do prazo, que é de 30 dias. Conforme estabelece o art. 210 do Código Tributário Nacional, art. 66 da lei 9.784/1999 e art. 5o do decreto 70.235/72, os prazos processuais são contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, sendo que nenhum deles pode iniciar ou acabar em dia não útil ou sem expediente ao público. Na peça recursal, o Recorrente não apresentou qualquer motivo de força maior que justificasse tal atraso, devendo assim, ser declarada a sua intempestividade. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Assinado digitalmente Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11072.000011/200747 Acórdão n.º 2102001375 S2C1T2 Fl. 93 3 ATILIO PITARELLI Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000878/2004-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002
Estética. Vedação, Pessoa jurídica quo presta serviços profissionais de estética com a necessidade de acompanhamento e tratamento médico, seja concomitante, exclusivo ou secundário, enquadra-se na vedação legal do início XIII, art. 9º da Lei nº 9.317/96 não podendo optar pelo Simples.
Numero da decisão: 1202-000.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos opostos para reformar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 391.00-064, de 22/10/2008, para negar provimento ao recurso voluntário mantendo a exclusão do SIMPLES, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 Estética. Vedação, Pessoa jurídica quo presta serviços profissionais de estética com a necessidade de acompanhamento e tratamento médico, seja concomitante, exclusivo ou secundário, enquadra-se na vedação legal do início XIII, art. 9º da Lei nº 9.317/96 não podendo optar pelo Simples.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos opostos para reformar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 391.00-064, de 22/10/2008, para negar provimento ao recurso voluntário mantendo a exclusão do SIMPLES, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
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Vedação, Pessoa jurídica quo presta serviços profissionais de cstética com a necessidade de acompanhamento e tratamento médico, seja concomitante, exclusivo ou secundário, enquadrase na vedação legal do incio XIII, art. 9º da Lei nº 9.317/96 não podendo optar pelo Simples Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos opostos para reformar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 391.00064, de 22/10/2008, para negar provimento ao recurso voluntário mantendo a exclusão do SIMPLES, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horte, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10882.000878/200452 Acórdão n.º 1202000.786 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Com a devida permissão do colegiado, reproduzse inicialmente o relatório produzido pela autoridade julgadora de primeira instância: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10882.000878/200452 Acórdão n.º 1202000.786 S1C2T2 Fl. 3 3 A DRJ de Campinas julgou a solicitação indeferida, entendendo que a prática de estética encontrase vedada para opção pelo SIMPLES. A Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, mediante o Acórdão 39100.064, da sessão de 22 de outubro de 2008, acolheu o recurso voluntário, entendendo que a prestação de serviços de estética facial e corporal não se encontra vedada para admissão no regime SIMPLES. Ocorre que, devidamente intimada a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração suscitando o argumento de que o colegiado não apreciou a circunstância considerada relevante ao deslinde da questão, a ver dela, o fato de existirem serviços médicos sendo prestados dentro da atividade da Recorrente. Eis o breve relatório. Pois bem, considero que os embargos declaratórios têm pertinência, posto que se verifica na própria alegação da Recorrente em sede recursal, a fls. 39, a seguinte afirmativa: “ Por outro lado, é de ressaltar que a pesquisa efetuada pelo ilustre relator no site da Franqueadora Onodera (www.esteticaonodera.com.br), diz respeito aos serviços prestados pela mesma, sendo certo que o serviço prestado pela recorrente não são necessariamente todos aqueles, ou seja, que envolvem total acompanhamento médico e nutricional.” Essa assertiva abre uma dúvida real sobre a operação, objeto do contrato social, qual seja, seria a atividade de estética exercida por técnicos, de nível médio, sem profissão regulamentada legalmente, com ou sem a supervisão e responsabilidade técnica de um profissional de saúde, de nível superior e reconhecido oficialmente ? A Procuradoria da Fazenda Nacional tem razão em opor seus embargos, posto que o colegiado da Primeira Turma Especial do E.Terceiro Conselho de Contribuintes, de fato, omitiuse quanto ao pronunciamento desse importante aspecto operacional e de responsabilidade técnica profissional, no desempenho da atividade principal da Recorrente. Portanto, foi convertido o julgamento em diligência do presente colegiado, 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF no sentido de obter, mediante competente intimação da Recorrente pela autoridade administrativa de origem, os esclarecimentos necessários sobre as descrições das funções de profissionais de saúde, médicos e outros relacionados, que prestem seus serviços junto aos clientes da Recorrente, nas dependências de seu estabelecimento, comprovandose o vínculo jurídico dos mesmos nessa execução profissional, juntando documentos e/ou elementos comprobatórios do que informado e declarado, para todos os efeitos concretos documentais pretendidos. O processo foi baixado em diligência, sendo que retornou com manifestação do contribuinte, a fls. 112 a 114, conforme se reproduz: “Como bem definido no recurso impetrado a Recorrente prestadora de serviços estéticos visando a manutenção Físico Corporal. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10882.000878/200452 Acórdão n.º 1202000.786 S1C2T2 Fl. 4 4 2. Ocorre que, em determinados procedimentos estéticos faz se necessário que o cliente passe por urna AVALIAÇÃO MÉDICA, onde será verificado se está em condições físicas para receber o tratamento estético que contratou. Esta é uma medida de segurança para os clientes que se submetem aos tratamentos estéticos e para a Recorrente que é prestadora dos serviços, podendo ser considerada também medida de segurança pública. 3. Esta medida, sem a menor dúvida é o que diferencia a Recorrente das demais empresas que atuam no mesmo seguimento, pois, a avaliação e o acompanhamento de um profissional de saúde em alguns procedimentos estéticos proporciona tranqüilidade inquestionável para o tomador dos serviços prestados para Recorrente. 4. Por outro !ado, cumpre esclarecer que a avaliação médica ou acompanhamento deste profissional em tratamentos estéticos, que é a atividade principal da Recorrente, é diferente de tratamento médico propriamente dito, pois, este requer a intervenção geral e irrestrita do médico o que não acontece na Recorrente onde os profissionais centrais e responsáveis pelo desenvolvimento dos serviços prestados são esteticistas e massagistas. 5. Na realidade a disponibilização de um profissional da saúde para acompanhar os tratamentos estéticos ministrados por profissional de nível médio, é um plus da Recorrente e a prova cabal está na solidez com o que a marca "Onodera" se apresenta no mercado nacional. 6. Cumpre salientar que a midia televisiva apresenta com bastante freqüência situações de erro de procedimento estético quando não supervisionado por um profissional da saúde, fato que não ocorre com a ora Recorrente. 7. Para melhor elucidar a importância desta parceria de um profissional da área de saúde com a clinica de estética transcrevo abaixo decisão onde a ausência do parecer deste profissional gerou prejuízos para a empresa prestadora de serviços, bem como danos a saúde e a vida do cliente que submeteu se aos tratamentos estéticos: A clinica Estética Jardim Botânico foi condenada a indenizar em R$ 34.127,04, por danos morais, estéticos e materiais, o agente de turismo Renato Jose Feijó, que apresentou uma gravíssima reação alérgica após ser submetido aos serviços de depilação definitiva a laser na região da barba e do pescoço. A aplicação também lhe causou dores de cabeça e nos olhos, além de acnes que lhe deixaram com uma aparência horrível. Ele foi afastado do trabalho e, posteriormente, perdeu o emprego. A decisão é da la Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que acolheu, por unanimidade, o voto da relatora do processo, desembargadora Maria Augusta Vaz de Figueiredo. Segundo a relatora, a responsabilidade da clinica é objetiva, disciplinada no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor. "A relação jurídica estabelecida entre as partes é tipicamente contratual, uma vez que o autor optou pela clinica em que gostaria de realizar o tratamento, assinou contrato de prestação de serviços e efetuou o pagamento à vista, esperando, obviamente, obter o melhor resultado possível", considerou a desembargadora na decisão. Ela afirmou também que a clinica não conseguiu provar que não foi responsável pelo dano causado ao agente de turismo. Para a relatora, a alegação da clinica de que tomou todas as providências posteriores necessárias A reparação do dano não é capaz de afastar sua responsabilidade. "Haja vista que tais providências por ela adotadas não foram suficientes para anular os efeitos dos danos causados", justificou. Renato Jose Feijá contratou os serviços da clinica por R$ 2.576, 00. Ele foi submetido a uma entrevista preliminar com um técnico de estética e não por um médico e chegou a informar que tinha foliculite. Logo após a primeira aplica ção do laser, ele apresentou a rea ção alérgica. No processo, a vitima contou q ue não realizou exames prévios necessários ao tratamento e em razão dos problemas apresentados, ficou deprimido, teve seu trabalho prejudicado e manteve distanciamento do meio social. A clinica pagará ao a gente de turismo R$ 4.127,04 pelo dano material, R$10 mil pelo dano estético e R$ 20 mil pelos danos morais. "0 Juiz, ao valorar o dano moral, deve arbitrar uma quantia que, de acordo com seu prudente arbítrio, seja compatível com a reprovabilidade da conduta ilícita, a intensidade e duração do sofrimento experimentado peia vitima, a capacidade econômica do causador do dano, e as condições sociais do ofendido", salientou a desembargadora Maria Augusta Vai. Com a decisão, a Câmara Cível reformou sentença da 35q Vara Civet, que julgou t?rocedente em parte pedido do autor e condenou a clínica a pagar R$ 1.571,04 a titulo de danos Materiais e Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10882.000878/200452 Acórdão n.º 1202000.786 S1C2T2 Fl. 5 5 R$15 mil por danos morais. A decisão foi publicada na última terçafeira (dia 26 de (unho), abrindo prazo para recursos. Desta forma, a segurança posta a disposição dos clientes da Recorrente, não poderá ser entendia como motivo para alteração do objeto do contrato social, ou seja, prestação de serviços estéticos, até porque reconhecida na decisão emanada do Recurso Voluntário que teve como Relatora a Presidente PRISCILA TAVEIRA CRISTÓSTOM O. Assim, ante as explicações apresentadas a Recorrente espera ter de fato esclarecido a intimação acostada as fls. do Processo Administrativo em epígrafe.” Desta maneira, retorna os autos para o competente julgamento deste colegiado. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal embargos da Fazenda Nacional deles tomo conhecimento. Como relatado, a Fazenda Nacional se insurge relativamente a omissão apontada sobre o não pronunciamento da turma especial do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão 391.00064, de 22/10/2008, relativamente a responsabilidade técnica de profissional da saúde, com profissão regulamentada, na execução dos serviços prestados pela Recorrente, objeto do seu contrato social. Como resultado da diligência ficou registrado, perante a execução dos serviços prestados pela Recorrente que se faz, por medida de cuidados à saúde dos pacientes, necessário o acompanhamento médico, como disse, em parceria, a fim de tratar e prevenir possíveis questões de estética e outros físicos somente possíveis de serem tratados com a recomendação e acompanhamento médico. Evidentemente, como ficou decidido no citado acórdão do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, sob a ótica formal e estrita do objeto social da Recorrente, não há vedação quanto a opção de regime do SIMPLES, contudo assim seja, no que se refere a responsabilidade técnica de profissional de saúde médica, ficou demonstrado que a presença de um médico se torna medida necessária, senão indispensável, para prevenir conseqüências de eventuais problemas de saúde de seus pacientes, assim como adotar tratamentos somente administráveis por profissional médico, o que tipifica a atividade, na prática, como uma prestação de serviços que se relaciona à responsabilidade técnica profissional de um médico, a qual, por sua vez, tem expressa vedação na opção pelo regime SIMPLES. Há procedimentos médicos, inclusive propostos na própria divulgação dos serviços da Recorrente, que se fazem especificamente com presença de um médico, ou por ele mesmo. A manifestação da Recorrente, em resposta a diligência, vem corroborar tal reconhecimento da efetividade operacional médica, ainda que ora subsidiária, ora principal, ora secundária, mas existe a necessidade de um ou outros médicos, ainda que parceiros. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10882.000878/200452 Acórdão n.º 1202000.786 S1C2T2 Fl. 6 6 Desta feita, em se tratando de atividade excluída de ofício a partir de 2002, aplicase o disposto na expressa vedação do inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, por exercer ou prestar, efetivamente, serviços de responsabilidade técnica profissional médica, portanto, enquadrável na vedação citada, sendo acertada a decisão administrativa de origem, para manterse a exclusão do regime SIMPLES à Recorrente. Diante do exposto, é de se acolher os embargos, para retificar a decisão embargada, consubstanciada no acórdão 391.00064, de 22 de outubro de 2008, a fim de se negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exclusão do SIMPLES. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720284/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO.
A opção pela entrega mensal do Dacon é definitiva e irretratável para todo o ano-calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barretos, que davam provimento. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora
(assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barretos, que davam provimento. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 105 1 104 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720284/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.963 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria DACON ATRASO NA ENTREGA MULTA Recorrente MITTI ANDAIMES E EQUIPAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. A opção pela entrega mensal do Dacon é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barretos, que davam provimento. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 84 /2 00 9- 71 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração que constituiu multa por suposto atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições ao PIS e COFINS DACON, relativo o mês de março de 2008 (fl. 28/29) – modalidade mensal. A Recorrente alega em sua Impugnação (fls. 02/07) que a multa não poderia ser aplicada porque, em realidade, não houve atraso na apresentação do demonstrativo, mas sim erro de fato em seu preenchimento. Embora o DACON em questão se referisse aos 06 primeiros meses do ano de 2008, quando de seu preenchimento a Recorrente cometeu um erro e, ao invés de indicar se tratar de DACON Semestral, fez constar no formulário que se tratava de DACON Mensal. Embora o prazo para entrega do DACON Semestral ainda estivesse vigente, o do DACON Mensal não estava, razão pela qual, quando do processamento das informações, em virtude de constar a informação (equivocada) que se tratava de demonstrativo na modalidade Mensal, o sistema identificou atraso na entrega. A Recorrente alega que a multa não poderia ser mantida, pois se trata de mero erro de fato no preenchimento do demonstrativo. Informa que a legislação lhe permitia optar pela entrega mensal ou semestral, e que sempre fez a entrega de suas DACON’s na modalidade semestral – assim como também fazia a entrega semestral de suas DCTF’s (fls. 10/15 e 25). Esclarece ainda, que o fato de ter entregue a DACON ainda no prazo de entrega da modalidade semestral, porém, após o encerramento do prazo para entrega dos demonstrativos mensais dos 06 primeiros meses de 2008, evidencia o erro no preenchimento (opção semestral x mensal). Isto porque, se ainda estava em curso o prazo para entrega do demonstrativo na modalidade semestral, a Recorrente poderia entregálo nesta modalidade porque a lei assim permitia, não teria nenhuma razão para optar pela entrega na modalidade mensal (à qual não estava obrigada e cujo prazo para entrega já havia expirado, sujeitandose à aplicação da penalidade). Informa, ainda, que quando percebeu o erro cometido – antes ainda do prazo final para entrega dos demonstrativos semestrais – dirigiuse à Receita Federal, e apresentou pedido para que fosse efetuada a retificação dos demonstrativos (período), na medida em que não conseguiu fazêlo por meio eletrônico (fls. 07). Obteve, contudo, resposta de que não poderia promover a retificação, pois a única maneira seria através do sistema eletrônico a que tinha acesso, o qual, entretanto, não aceita retificação do período (mensal x semestral). A DRJ julgou improcedente a Impugnação, por entender que, tendo entregue a DACON na modalidade mensal, o fez com atraso, o que justificaria a aplicação da penalidade (fls. 36/39). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.720284/200971 Acórdão n.º 3302001.963 S3C3T2 Fl. 106 3 Sobreveio o Recurso Voluntário da contribuinte (fls. 43/48), no qual reitera seus argumentos, anteriormente apresentados em sede de Impugnação. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Cingese a controvérsia à questão da possibilidade ou não de aplicação de multa por atraso na entrega da DACON, sob a alegação de que o contribuinte cometeu mero erro de fato no preenchimento do demonstrativo. Da análise dos autos pareceme que realmente ocorreu erro de fato quando do preenchimento dos demonstrativos em questão. Afinal, não é mesmo razoável supor que um contribuinte que já vinha apresentando suas DACON’s na modalidade semestral, como é o caso da Recorrente, viesse a optar efetivamente pela entrega do demonstrativo mensal, quando o prazo deste já havia se esgotado, e enquanto ainda vigente o prazo para a entrega do demonstrativo semestral. Vale dizer, não seria razoável que um contribuinte, habituado a entregar demonstrativos semestrais, no curso do prazo para apresentação deste e podendo optar por tal modelo, optasse pelo demonstrativo mensal quando há muito já havia se esgotado o prazo para entrega da DACON na modalidade mensal, sujeitandose à penalidade em virtude da alteração de procedimento. Importa destacar que segundo informações constantes dos autos, a entrega das DCTF’s e DACON’s relativas aos anos de 2006 e 2007, foram feitas na modalidade semestral, como confirma a decisão da DRJ. Assim como em relação ao primeiro semestre de 2008, conforme relatório da própria Receita Federal (fls. 35). Ademais, a Recorrente promoveu, na mesma data – 07/10/2008 – a apresentação do DACON relativo não apenas ao mês/competência objeto deste processo, mas sim, dos meses do primeiro semestre de 2008 – a exceção daquela relativa ao mês de janeiro/08 que foi entregue na véspera (fls. 16/23). Vale dizer, na mesma data, a Recorrente apresentou DACON relativa aos meses do primeiro semestre de 2008, equivalente, portanto, à forma de apresentação que seria prestada por meio de DACON Semestral. As provas, ainda que na forma de indícios e procedimentos, levam à conclusão que a opção pretendida era mesmo a semestral. Corrobora esta conclusão o fato de que, assim que percebeu que havia cometido o erro no preenchimento dos demonstrativos, a Recorrente ter se dirigido à Receita Federal para solicitar a retificação da informação equivocada, na medida em que não conseguiu Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 fazêlo diretamente de seu sistema (petição endereçada à Receita Federal às fls. 07). Tal atitude comprova que a Recorrente agiu de boafé, informando a Receita Federal antes mesmo do esgotamento do prazo para entrega do DACON Semestral. Neste sentido, de se observar que se houvesse possibilidade via sistema, a Recorrente teria realizado a retificação da informação, o que a eximiria da incidência em comento. Todavia, conforme informações da própria Receita Federal, a alteração pretendida não era possível. Pareceme evidente que a Recorrente tomou todas as providências a seu alcance, reconhecendo a ocorrência do erro e agindo, com rapidez, nos limites das suas possibilidades para corrigilo. Foi o sistema eletrônico que, ao não permitir a retificação, inviabilizou que a questão fosse corrigida e esclarecida, acarretando o lançamento da multa ora sob análise. Em virtude destes fatos, é de minha opinião que a Recorrente demonstrou que incorreu em erro formal – erro de preenchimento – na elaboração da DACON. Assim, em observância à verdade dos fatos, devese reconhecer o equívoco ocorrido bem como os efeitos decorrentes da correção deste. Independentemente do momento em que se toma conhecimento da verdade dos fatos, esta verdade tem de prevalecer. Afinal, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equívoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.720284/200971 Acórdão n.º 3302001.963 S3C3T2 Fl. 107 5 evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Não bastassem as considerações acima, importa também ressaltar que este mesmo contribuinte já teve caso idêntico julgado por este Tribunal Administrativo, naquela ocasião a 3ª Turma Especial da 1ª Seção entendeu pelo cancelamento do lançamento, por ter entendido se tratar de mero erro de fato na indicação do período a que se referia o DACON, em decisão publicada em 30/03/12 e assim ementada, verbis: “MULTA ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2009 EMENTA: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. DACON MENSAL. DACON SEMESTRAL. ERRO DE FATO. Caracteriza erro de fato a opção feita pela apresentação de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) pela sistemática de apuração mensal, não obrigatória, em vez de semestral, quando comprovada a apresentação de DCTF nesta última forma de apuração, tendo, ainda, a empresa notificado, por escrito, a Receita Federal acerca do equívoco no preenchimento da declaração, anteriormente ao vencimento do prazo para sua entrega na versão semestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.” Diante do exposto, concluo pela ocorrência de mero erro de fato no preenchimento da DACON da Recorrente, que indicou periodicidade mensal quando, em verdade, pretendeu apresentar o demonstrativo semestral. Assim, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reformar integralmente o v. acórdão recorrido, cancelandose a multa aplicada por atraso na entrega da DACON objeto destes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Embora vários fatos sugiram que a Interessada possa ter cometido um erro de fato na apresentação dos demonstrativos, há inconsistências em suas alegações que fazem pensar tenha cometido erro mas não da forma alegada. Alegou a Interessada que somente teria indicado o demonstrativo incorretamente como mensal e não semestral. Entretanto, para o ano de 2008 ( http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/LegisAssunto/dacon.htm ), havia só um PGD (Dacon semestral e mensal) e, na 1ª ficha, o contribuinte teria que escolher, de início, se seria o demonstrativo mensal ou semestral e os dados alimentados seriam só os relativos a um mês. Vejase, o nome do PGD é “Dacon mensalsemestral” e, de início, deve haver a opção pelo tipo de demonstrativo, sendo apresentadas ao contribuinte aos contribuinte as opções de mensal ou semestral. Assim, não há como ter ocorrido o erro da forma como o contribuinte alegou, uma vez que selecionou e preencheu, no primeiro dia, somente os dados do mês de janeiro e assim os transmitiu. O que houve foi que, posteriormente, percebeu que fez a opção inadequada para a sua situação, o que não equivale a um erro no momento de fazer a opção. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10580.720284/200971 Acórdão n.º 3302001.963 S3C3T2 Fl. 108 7 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 05/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 21/03/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10880.928984/2008-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 15/05/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Numero da decisão: 3803-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 15/05/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 119 1 118 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.928984/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.949 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente JS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 15/05/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 84 /2 00 8- 46 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928984/200846 Acórdão n.º 3803003.949 S3TE03 Fl. 120 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 30/04/2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração abril de 2003, no valor de R$ 4.351,45, e débito da CSLL devida no primeiro trimestre de 2004. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação, alegando que o valor da contribuição devida no período havia sido recolhido a maior, tendo o despacho decisório se baseado nos dados declarados erroneamente em DCTF, cuja retificação providenciara por meio programa apropriado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP e da DCTF retificadora entregue em 24 de setembro de 2008. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, considerando que a DCTF retificadora fora entregue após a ciência do despacho decisório, não tendo havido, ainda, a apresentação de qualquer documento idôneo que justificasse as alterações promovidas. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ São Paulo I/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, arguindo que o crédito declarado efetivamente existe, em razão do que a DCTF retificadora deve ser analisada, em conformidade com o princípio da verdade material. Segundo o Recorrente, sendo a DCTF o meio apto a constituir o crédito tributário, o teor da retificadora deveria ter sido objeto de averiguação na primeira instância administrativa, pelo menos, via diligência à repartição de origem. Ao final, protesta pela juntada futura de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários e de identificação de seu representante legal. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928984/200846 Acórdão n.º 3803003.949 S3TE03 Fl. 121 3 Conforme o relator a quo já havia constatado, o contribuinte, ao ser cientificado da não homologação da compensação e do não reconhecimento do direito creditório, procurou retificar a DCTF no sentido de ajustar suas informações à realidade pretendida na Declaração de Compensação. No entanto, para que a DCTF retificadora produzisse efeitos imediatos, com alteração dos débitos confessados, ela deveria ter sido apresentada anteriormente ao início do procedimento fiscal, nos termos do art. 11, § 2º, inc. III, da Instrução Normativa RFB nº 786, de 14/12/2007, bem como da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Além disso, ainda que se considerasse a DCTF retificadora intempestivamente apresentada pelo Recorrente, ela não o socorreria, pois que desacompanhada de qualquer documento comprobatório do crédtio alegado, como a escrituração contábilfiscal que demonstrasse a apuração da contribuição devida no período. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP e da DCTF retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte nada 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928984/200846 Acórdão n.º 3803003.949 S3TE03 Fl. 122 4 acrescenta, trazendo aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários, protestando por entrega futura dos documentos comprobatórios que alega possuir. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928984/200846 Acórdão n.º 3803003.949 S3TE03 Fl. 123 5 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10907.001115/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 30/06/2008 FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO QUE NÃO IMPEDE A APURAÇÃO DOS FATOS. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO A falta de atendimento a intimação da Fiscalização, que não gera interferência na apuração dos fatos não configura a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto-Lei 37/66.
Numero da decisão: 3102-001.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 30/06/2008 FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO QUE NÃO IMPEDE A APURAÇÃO DOS FATOS. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO A falta de atendimento a intimação da Fiscalização, que não gera interferência na apuração dos fatos não configura a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei 37/66. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66, não sendo aplicável a multa prevista no art. xx do RIPI. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 7790DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 1.480/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 1.480/07. Recurso de Ofício e Voluntário Negados Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Sidney Eduardo Stahl, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício interposto pela turma julgadora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e Recurso Voluntário apresentado pela empresa autuada. Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância. " Trata o presente processo de Autos de Infração, no valor total de R$ 33.255.480,97, lavrados para constituição de crédito tributário referentes a: Multa Regulamentar IPI (R$ 31.537.991,36), Multa Regulamentar Embaraço (R$ 5.000,00), Multa II— Cessão de nome para ocultação (R$ 1.707.489,61), em função da interessada ter entregue a consumo produtos de procedência estrangeira importados irregular e fraudulentamente, tendo ocultado o real interveniente do comercio exterior e ainda, embaraçado a fiscalização, conforme apontado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls. Fl. 7791DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.001115/200827 Acórdão n.º 310201.521 S3C1T2 Fl. 2 3 04,14 e 15) e no "Termo de Verificação de Infração" (fls. 28 a 62) Depreendese do Termo de Verificação de Infração do auto de infração que a interessada foi submetida a auditoria nos temos da Instrução Normativa SRF n° 228/2002, tendo sido constatado: que nenhum dos sócios recebia rendimentos compatíveis e nem possuía bens suficientes que correspondam com o valor que foi supostamente integralizado em moeda; que a escrituração contábil não representa a verdadeira situação da empresa, não encontra amparo nos extratos bancários, fazendo crer que a empresa possuía valores expressivos em moeda corrente (caixa); que a interessada não possui instalações físicas suficientes para armazenar as mercadorias que foram importadas por sua própria conta e ordem, também não há registros de que a interessada contratasse armazéns de terceiros; que, os documentos retidos em diligência, e também os arquivos magnéticos referentes às mensagens eletrônicas comprovam o intuito de cometer fraude e simulação, ou seja as operações eram feitas por encomenda de outras empresas (reais adquirentes), situação que nunca foi declarada pela interessada. Aponta ainda a autuação que todas as 256 operações de importação foram registradas em nome próprio, e que apesar da ROTEC estar sediada em Paranaguá, houve apenas uma única operação de importação que foi desembaraçada nesta Cidade. A imensa maioria de seus clientes está no Estado de São Paulo, tendo realizado a imensa maioria de suas importações pelo Porto 1e Santos. Contudo, a interessada desenvolvia uma logística nada usual na medida em que as notas fiscais indicam que as mercadorias passavam por Paranaguá, o que efetivamente não ocorria. Relata ainda que as importações ditas "em nome próprio" foram na verdade realizadas "por conta e ordem de terceiros", ou seja, a empresa somente emprestou seu nome para registrar as declarações aduaneiras, ocultando o adquirente, real comprador ou responsável pela operação. Havia uma "taxa de utilização da empresa", a qual era cobrada dos reais adquirentes. Sendo constatado também (extratos bancários) que ocorriam depósitos antecipados pelos reais adquirentes das mercadorias. Considerando a ocorrência de simulação de operação de comércio exterior, que não foi comprovada a origem licita, de disponibilidade e de transferência de recursos, e ainda a interposição fraudulenta' de terceiros, as autoridades fiscais aplicaram o disposto no inciso I do artigo 490 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI), resultando em multa com valor igual ao valor comercial da mercadoria para importação irregular ou fraudulenta. Entende estar configurado o consumo em face da presença de notas fiscais de saída. As autoridades ainda informam também que a Lei n° 10.637/02, em seu artigo 59, alterou a redação do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, passando a incluir como dano ao Fl. 7792DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Erário a ocultação do adquirente, vendedor ou sujeito passivo, e estabelecendo como punição a pena de perdimento das mercadorias. Consta ainda que no Mandado de Segurança n° 2008.70.08.0002160/PR, relativo a procedimento especial aduaneiro que estava sendo conduzido, teve o pedido de liminar/antecipação de tutela indeferido. Considerando o disposto no artigo 33 da Lei no 11.488/07 as autoridades fiscais aplicaram também a multa de 10% do valor da operação acobertada (não podendo ser inferior a R$ 5.000,00). Finalmente, em virtude da interessada não apresentar os arquivos digitais contendo a contabilidade da empresa nos anos de 2003 a 2007, gerados pelo programa SINCO, fornecido pela RFB ( 1N SRF 86/01 e Ato Declaratório COFIS/SRF n° 15/01) e a planilha sobre todos os adquirentes das mercadorias importadas foi aplicada a multa por embaraço fiscalização. Cientificada, pela via pessoal (fl. 03, 13 e 73) a interessada apresentou a impugnação de folhas 7009 a 7036, anexando os documentos de folhas 7.037 a 7.554. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, no primeiro auto de infração aplicouse a penalidade prevista no art. 83, I,da lei no 4.502/64 (multa igual ao valor comercial da mercadoria), sob o fundamento de ter havido entrega a consumo de produtos de produtos de procedência estrangeira importados irregular e fraudulentamente, todavia, ao se analisar o conteúdo constante do Termo de Verificação de Infração, verificase que a autoridade fiscalizadora concluiu, a partir da presunção legal prevista no DecretoLei n° 1.455/76, que a autuada teria praticado conduta que se subsumiria à interposição fraudulenta prevista no art. 23, § 2°, cuja penalidade é a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Ocorre divergência entre a narrativa do contexto do auto de infração e a tipificação da infração nele descrita, clara está a nulidade; Que, no ano de 2007, quando as atividades da autuada foram mais expressivas (75% das operações fiscalizadas), possuía um patrimônio de mais de R$ 1.000.000,00, obtendo credito internacional no valor de U$ 2.000.000,00; Que, a empresa assume o risco das importações (documentos de inadimplência juntados), e possui R$ 7 527.185,64 a receber de clientes (cópia de boletos bancários juntados), não podendo ser considerada "laranja"; Que, a empresa existe de fato, junta fotos do escritório e show room, cópia do registro de empregados contatos com fornecedores estrangeiros, habilitação de operador de comércio exterior, habilitação nos termos da IN no 455 e 650; Que, a IN n° 118/02 não indica a necessidade de comprovação de armazenamento de toda as mercadorias importadas, não há nenhum impedimento legal, nem mesmo constitui evidência de Fl. 7793DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.001115/200827 Acórdão n.º 310201.521 S3C1T2 Fl. 3 5 interposição fraudulenta o fato de o importador já ter uma previsão de quem irá adquirir as mercadorias por ele importadas. Possui caminhões próprios para fazer os transporte de mercadorias, efetuando quando necessário o armazenamento em Paranaguá (terminal Transzella); Que, em 2007 os sócios possuíam patrimônio suficiente para a integralização do capital social, e a empresa sempre teve capital suficiente para suportar o volume de suas importações; Que, ocorreu interpretação equivocada dos emails, não ocorre a conotação dada pela autoridade fiscal; Que, a autoridade autuante não é competente para analisar qualquer questão que seja referente ao ICMS do é sonegação a utilização de beneficio fiscal; Que, é impossível o uso de presunção para a tipificação do artigo 33 da Lei n° 11.488/07, deve haver provas contundentes de que a empresa está cedendo o seu nome para a realização de operações de comércio exterior com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários; Que, é impossível aplicar retroativamente o previsto no artigo 33 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; Que, todos os documentos requeridos que estavam A. disposição do autuado foram entregues aos senhores fiscais, não houve nenhum prejuízo a não entrega dos arquivos digitais, e quanto as informações dos clientes da autuada, a fiscalização admitiu que estas foram obtidas no decorrer da fiscalização; Requer: preliminarmente, seja anulado o auto de infração referente à multa do RIPI; no mérito, seja julgado insubsistente os autos de infração; alternativamente, que o valor da multa referente à imputada interposição fraudulenta seja calculada com base no valor aduaneiro; e ainda, que seja excluída da multa prevista na Lei n° 11.488/07 as operações realizadas anteriormente ao inicio da sua vigência." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial a impugnação para cancelar o lançamento referente a pena prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por entender que a tipificação dos fatos ensejaria a aplicação da penalidade prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, por tratarse de penalidade mais específica. Cancelou o lançamento da multa por embaraço a fiscalização, por entender não estar caracterizado o embaraço alegado pela autoridade autuante. Por fim, entendeu a autoridade de piso em manter a pena de cessão de nome prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07, reduzindo parte da penalidade, por entender que a exigência somente poderia ocorrer a partir de 15/06/2007, data da publicação da Lei nº 11.488/07. A decisão foi assim ementada. Fl. 7794DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/06/2008 MULTA. ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. A descrição dos fatos da autuação não remete aplicação do dispositivo legal apresentado no enquadramento legal da autuação. 0 fato apresentado não se subsume à norma capitulada no enquadramento legal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Para que o nãoatendimento a intimação, no prazo estipulado, em procedimento fiscal, seja considerado infração, há que se observar se o ato ou omissão causou embaraço à fiscalização. PESSOA JURÍDICA. CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa. Lançamento Procedente em Parte" Cientificada da decisão a autuada apresentou recurso voluntário alegando que não existe nenhuma prova de que a Recorrente realizava a cessão de seu nome. As importações eram feitas em nome próprio e posteriormente os produtos importados eram revendidos a seus clientes. A decisão recorrida baseou sua autuação em mera presunção, pois, não existe nenhuma prova concreta de que a Recorrente cedia seu nome para que outras empresas realizassem importações. O fato de algumas mercadorias não transitarem pelo seu estabelecimento é uma mera questão de logística. No que concerne às correspondências eletrônicas, a interpretação dada pela Receita Federal foi absolutamente tendenciosa e desfavorável, buscando fazer com que o julgador acreditasse que a Recorrente apenas fornecia o seu nome o que não é verdade, tratandose de mera presunção por parte da Fiscalização. Por fim, alega a Recorrente que é pessoa jurídica idônea e a real importadora dos bens que adquire do exterior, sendo a única responsável pelos valores despendidos com a importação e não praticou a interposição fraudulenta. Não ocorrendo a cessão de nome para terceiros conforme consta do lançamento. Diante da decisão da DRJ, cuja exoneração do sujeito passivo ultrapassou o limite de alçada, foi também apresentado pela Turma Julgadora recurso de ofício. Fl. 7795DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.001115/200827 Acórdão n.º 310201.521 S3C1T2 Fl. 4 7 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Do Recurso de Ofício De início aprecio o recurso de ofício apresentado pela turma da DRJ, que por atender os requisitos de admissibilidade, merece ser conhecido. A autoridade de primeira instância ao apreciar a impugnação, decidiu por exonerar o lançamento por entender que identificado pela Fiscalização Aduaneira a interposição fraudulenta, caberia a aplicação da pena de perdimento e na sua impossibilidade a conversão em multa nos termos do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Ao analisar os autos e o trabalho fiscal, entendo estar caracterizado a ocorrência da interposição fraudulenta nas operação da Recorrente. Apesar do caráter irregular das operações, tenho o mesmo entendimento da autoridade da primeira instância, identificada a ocorrência da interposição é obrigatória a aplicação da penalidade prevista no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76, por tratarse de penalidade mais específica. Para esclarecer este entendimento, faço a análise a seguir da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior e as penalidades aplicadas a estes casos. O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias.. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do SiscomexImportação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a Fl. 7796DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A identificação de ilícitos nas operações ou a falta de comprovação da origem dos recursos implica na aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas por operações irregulares. Por força legal, considerase dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, conforme o art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. " Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, Fl. 7797DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.001115/200827 Acórdão n.º 310201.521 S3C1T2 Fl. 5 9 observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" É mister salientar que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas interposição fraudulenta. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.158 35/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados nas IN SRF nº 225/02 e 247/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Contudo, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento nas situações em que for comprovada ou presumida a interposição fraudulenta, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. A Fiscalização Aduaneira ao comprovar a existência da interposição não poderia aplicar penalidade diversa daquela prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, não sendo aplicável nestes casos a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. A multa por embaraço a fiscalização. Fl. 7798DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Também foi objeto da exoneração da autoridade de piso. A multa por embaraço a fiscalização prevista na alínea “c”, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/66. Aqui também não merece reparo a decisão da primeira instância. O não atendimento da intimação feita pela Fiscalização não caracterizou o embaraço a fiscalização. O embaraço pressupõe a interferência na atividade de fiscalização impedindo o seu prosseguimento ou criando obstáculos a sua execução. A teor do relatado, o não atendimento das intimações não impediram o prosseguimento da auditoria não gerando nenhum obstáculo as apurações e conclusões realizadas pela Fiscalização Aduaneira nos trabalhos de auditoria, portanto, não há como afirmar que houve qualquer impedimento ou dificuldade ao trabalho fiscal. Não existindo reparo na decisão da autoridade de primeira instância. A exoneração parcial pela autoridade de primeira instância da multa de 10% e o Recurso voluntário tratando da mesma matéria. O recurso voluntário também questionou a manutenção parcial da multa de 10% prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/2007, pedindo o cancelamento integral da penalidade. Por tratarse de matéria que afeta tanto o Recurso de Ofício quanto o voluntário. Analiso a matéria de forma conjunta. A multa de 10% foi prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/2007. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." A discussão que se apresenta é se a referida penalidade teria afastado a aplicação da multa de perdimento e conversão da multa, nos casos de interposição fraudulenta, previsto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A matéria foi disciplinada no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. " Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com Fl. 7799DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.001115/200827 Acórdão n.º 310201.521 S3C1T2 Fl. 6 11 vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. " A determinação do § 3º deixa cristalino que a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não prejudica a aplicação da pena de perdimento, assim não existe substituição das penalidade, tampouco, revogação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 por esta nova multa. No caso em tela, conforme farta documentação trazida aos autos, foi comprovada a interposição fraudulenta e portanto, a cessão do nome por parte da Recorrente para utilização nas operações de comércio exterior. Dai ser aplicável a penalidade em comento. No mesmo sentido, a posição adotada na decisão de piso, que considerou somente aplicável a penalidade a partir da data de publicação da Lei nº 11.488/07, não merece reparo. A legislação tributária de forma precípua, trata da vigência das leis sempre com visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 7800DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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