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Numero do processo: 10875.722871/2011-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 28 71 /2 01 1- 11 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 97 2 autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 98 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 49/65 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.37/42) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF do PA 1º semestre/2009 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fls. 31 e 34) que a contribuinte, em 15/09/2011, entregou ao fisco a DCTF do PA 1º semestre/2009, com atraso de 24 (vinte e quatro) meses. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 07/10/2009; b) data de entrega: 15/09/2011 montante dos tributos informados na DCTF: R$ 443.226,62; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos informados na DCTF; cálculo da multa: 20% x R$ 443.226,62 = R$ 88.645,32; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF) = R$ 88.645,32 x 50% = R$ 44.322,66 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais fora do prazo fixado enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante de tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) (...) A multa aplicada foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração(...) Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Noticação de Lançamente em 30/09/2011 (fl. 34), apresentou impugnação ao lançamento fiscal em 07/10/2011 (fls.02/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 99 4 que o lançamento fiscal deve obedecer requisitos obrigatórios do ato administrativo sob pena de nulidade; que o lançamento objeto dos autos está eivado de vícios (ilegalidades substanciais) que o tornam nulo.Vale dizer: que o art. 7º da Lei 10.426/2002, o qual comina penalidade pecuniária pela entrega intempestiva de DCTF, fere princípio constitucional, por estabelecer e autorizar a aplicação de multa desproporcional, confiscatória; que é vedado o uso de tributo com efeito de confisco; que a limitação de tributar também estendese às multas por descumprimento de obrigação tributária, ainda que a multa não tenha natureza de tributo; que a multa fixada pela citada lei é excessiva, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida; que, nesse sentido, invoca fato analógico (sic) do RIPI 2002 (Regulamento revogado pelo Decreto nº 7.212/2010): a) que o art. 16 da Lei nº 9.779/99 autorizou a RFB a criar, instituir obrigações acessórias por ato infralegal, o qual é matriz legal do art. 212 do RIPI 2002; que, por outro lado, a instituição de penalidade é matéria privativa de lei; b) que no RIPI 2002 o art. 212 seria genérico e o art. 368 seria específico para a DCTF; que, por conseguinte, a penalidade aplicável para entrega intempestiva de DCTF seria do art. 507 do RIPI, ou seja, R$ 31,65 e não o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/202, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004); c) que o dispositivo específico prevalece em relação ao genérico. que, no caso, houve aplicação equivocada do art. 7º da Lei 10.426/2002; que o lançamento seja declarado nulo por ferir princípios básicos do ato administrativo, devendo, no mínimo, ser retificado; que é pacífica a jurisprudência do STF pela anulação ou redução de multa com feição confiscatória (citou alguns precedentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros, multa moratória e ICMS). que a Administração Pública deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto à aplicação de multas pecuniárias. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, pediu a declaração de nulidade do lançamento fiscal, pois lastreado em norma flagrantemente confiscatória e inconstitucional. A DRJ/Campinas, à luz dos fatos e da legislação tributária de regência, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 27/03/2012 (fls.37/42), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 100 5 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 16/04/2012 – segundafeira (fls. 46/47), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2012 – quartafeira (fls. 49/65), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco imputou 24 (vinte e quatro) meses de atraso na entrega da DCTF e 20% de multa; que, na realidade, o referido atraso foi de 23 meses e 09 dias, posto que a entrega da DCTF deveria ter ocorrido em 07/10/2009, mas somente se efetivou em 15/09/2011; que, nesse sentido, a Lei n° 10.426/2002 (art. 7o, II) estabelece 2% (dois por cento) de multa AO MÊS OU FRAÇÃO sobre o montante de tributos informados na DCTF, ou seja, que se deve aplicar a fração quando for o caso; que o fisco deveria, na situação dos autos, ter apurado e imputado atraso de 23 meses completos e 09 (nove) dias, e não 24 (vinte e quatro) meses; que, em face dessse vício do lançamento, a defesa da autuada restou prejudicada. Por conseguinte, a contribuinte pediu que seja reconhecida a nulidade do lançamento. 2) – Mérito: que a penalidade pecuniária aplicada, cominada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não merece prosperar; que citado dispositivo legal viola, afronta a Constituição Federal, pois comina e autoriza a aplicação de multa desproporcional, confiscatória, não observando o princípio da capacidade contributiva; que, no caso, seria hipótese de aplicação da multa de R$ 31,65 (RIPI/2002, art. 368 c/c art. 507) e não da multa do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 (art. 506), com redação Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 101 6 dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004; que deve prevalecer a norma especial em relação à norma geral; que é pacífica a jurisprudência do STJ pela anulação ou redução da multa de feição confiscatória (citou alguns precentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros). que a Administração Tributária deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto a aplicação de multas. que, na hipótese improvável de suas teses não seram acatadas (nulidade do lançamento por multa confiscatória, erro na apuração do seu valor ou retificação do lançamento para exigência da multa de R$ 31,65), ainda assim a recorrente alega que o lançamento não merece prosperar em face de sua conduta de boafé, devendo ser aplicados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para redução da penalidade para o patamar mínimo de 2% sobre o montante de tributos declarados na DCTF, e não 2% por mês calendário ou fração. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 102 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. O litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF, ou seja, pela inobservância do prazo no cumprimento de obrigação acessória autônoma de que trata a IN RFB nº 903, de 30/12/2008 (art. 7º), in verbis: Art. 7ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a: I – (...) II DCTF Semestral: a) até o 5º (quinto) dia útil do mês outubro, no caso de DCTF relativa ao 1º (primeiro) semestre do anocalendário; e b) (...) Está narrado na Notificação de Lançamento (fl. 31), conforme já exposto no relatório, que o prazo limite para entrega tempestiva da DCTF do PA 1º semestre/2009 era 07/10/2009. Entretanto, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 15/09/2011. O cumprimento da obrigação acessória, por conseguinte, deuse 24 (vinte e quatro) meses calendário ou fração, após expirado o prazo tempestivo. Foi aplicada multa de 20% sobre o montante dos tributos informados na respectiva DCTF (multa de atraso de 2% por mês calendário ou fração de mês, limitada a 20%), com redução de 50% do seu valor por cumprimento espontâneo da obrigação acessória, conforme demonstrativo de cálculo já transcrito no relatório. ENTREGA INTEMPESTIVA DE DCTF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE MULTA PECUNIÁRIA. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente, preliminarmente, suscitou nulidade da notificação de lançamento – multa por apresentação intempestiva da DCTF do PA 1º semestre/2009, por vício na aplicação da legislação e na apuração do valor da penalidade, gerando prejuízo para sua defesa. De plano, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pois a notificação do lançamento da multa por descumprimento de prazo da obrigação acessória autônoma (apresentação intempestiva da DCTF) contém adequada descrição dos fatos, apuração precisa e perfeita dos fatos, do valor da multa e pertinente enquadramento legal, possibilitando amplo e pleno entendimento da infração imputada, não se justificando a alegação de prejuízo à defesa, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 103 8 pois não restou caracterizado o alegado vício de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Primeiro, o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal competente, apresenta descrição completa dos fatos, matéria tributável, demonstrativo preciso e exato de apuração da multa aplicada e pertinente enquadramento legal, tudo em consoância com o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/72 e com o art. 142 do CTN. Com relação ao fundamento legal da multa, percentual da multa e apuração do respectivo valor, tudo está em consonância com a legislação de regência vigente na data da infração, ou seja, o art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004. No entanto, a recorrente, ainda, apresentou tese contra o lançamento da multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, invocando o RIPI/2002, o qual trata da obrigatoriedade de apresentação da DCTF pelos contribuintes do IPI, argumentando que o citado Regulamento estaria possibilitando, no caso, a aplicação da multa fixa de R$ 31,65, e não a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002; que, então, houve: a) equívoco na aplicação da lei que impõe penalidade, pois, em vez do fisco aplicar legislação específica para entrega em atraso da DCTF, norma mais favorável em termos de penalidade, houve, diversamente, aplicação de legislação cominando multa mais pesada, confiscatória e, além disso, teria ocorrido erro na apuração do valor da multa aplicada. b) que o atraso, na entrega, seria de apenas 23 meses e 09 dias. Não tem respaldo jurídico a argumentação da contribuinte. O RIPI 2002 foi revogado pelo RIPI 2010 (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Não obstante, o art. 507 do RIPI 2002 tratava de multa de R$ 31,65 a cada falta de apresentação da declaração perídica do IPI (fundamento legal: DecretoLei nº 1.680, de 28/03/1979, art. 4º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Já, o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004) tratava da entrega intempestiva da DCTF. Essas multas permanecem em vigor no RIPI 2010, respectivamente nos arts. 594 e 593. Vale dizer, a multa de R$ 31,65 (art. 507/RIPI 2002 ou art.594/RIPI 2010) não se aplica ao caso objeto dos autos, pois tratase de multa aplicável a cada falta de apresentação da declaração periódica do IPI. No caso, a multa aplicada referese à entrega da DCTF em atraso, ou seja, 2% (dois por cento) sobre os tributos e contribuições informados na DCTF por mês calendário ou fração de mês calendário. Como demonstrado, diversamente da tese defendida pela recorrente, não restou caracterizada a alegada violação de principíos, pois as obrigações acessórias são diversas para cada dispositivo legal suscitado do RIPI, um trata de falta de declaração do IPI e, outro, trata de entrega intempestiva de DCTF. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 104 9 Destarte, houve correta aplicação do art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação pelo art. 19 da Lei 11.051/2004, que, de forma expressa, literal, impõe multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, para entrega intempestiva de DCTF. O texto do dispositivo legal é de aplicação direta, sentido literal, devido sua clareza, não comportando elucubração ou tese interpretativa. Cabendo lembrar, no caso, o brocardo latino in claris cessat interpretatio. A propósito, transcrevo o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2003, com redação do art. 19 da Lei 11.051/2004, in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III – (...) (Grifei) No caso, o fisco apurou atraso na entrega da DCTF de 24 meses calendário ou fração de anocalendário, conforme consta demonstrado na Notificação de Lançamento Fiscal. O cálculo da multa efetuado pelo fisco está correto, conforme demonstrado no relatório, pois, diversamente do alegado pela recorrente de que o mês seria o período sucessivo de 30 (trinta) dias completos a partir do termo final para entrega tempestiva da DCTF), a lei estabeleceu outro critério de contagem de prazo para aplicação da multa, qual seja: a contagem do prazo por mês calendário ou fração de mês calendário, a partir do termo final para entrega tempestiva dessa declaração. Assim, pela aplicação do texto legal, para efeito de apuração e aplicação da multa são, sim, 24 (vinte e quatro) meses calendário ou fração de atraso na entrega da DCTF do PA 1º (primeiro) semestre/2009. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 105 10 Portanto, não há ajuste ou reparo a fazer no valor da multa aplicada. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, apenas a falta de descrição dos fatos e a falta de enquadramentio legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, que não é caso, pois a notificação de lançamento contém correta descrição dos fatos, preciso ou exato valor apurado da multa, e respectivo enquadramento legal. Se houvesse erro na apuração do valor da multa, que não é ocaso, poderia o julgador de ofício ou por provocação da contribuinte corrigir o lançamento sem prejuízo de sua validade, pois a questão seria de mérito, e não para apreciação em sede de preliminar. A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à validade do lançamento fiscal que tem adequada descrição dos fatos e enquadramento legal. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 106 11 cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO DA DCTF. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. APLICAÇÃO DE MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente alegou que o art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação do art. 19 da Lei 10.051/2004, comina multa desproprocional, confiscatória, por entrega em atraso de DCTF e, portanto, essa legislação seria inconstitucional, por violação do princípio do não confisco. Primeiro, a instuição de obrigações acessórias (prestações positivas ou negativas), no interesse da Administração Tributária, estão autorizadas por lei (sentido amplo) e implementadas em documento específico por normas infralegais, ou seja, por normas complementares (normas infralegais), em obediência aos arts. 96, 97 e 100 do CTN. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 107 12 constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 108 13 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 109 14 uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Feitos esses esclarecimentos quanto à instituição de obrigação acessória por lei em sentido amplo, passemos à questão da multa pecuniária. A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 110 15 O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para o descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por conseguinte, não tem sentido, não tem o menor cabimento a tese da recorrente de que a multa a ser aplicada, no caso dos autos, para evitar suposto efeito confiscatório, deveria ser a do art. 368 c/c art. 507 (RIPI/2002), pois essas normas do RIPI tratam de multa para hipótese de não entrega de declaração do IPI, obrigação acessória diversa, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA PECUNIÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A contribuinte alegou da ilegalidade da multa; que teria caráter eminentemente confiscatório, violando, por conseguinte, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Como já dito alhures, a multa pela falta de apresentação ou entrega intempestiva da DCTF exige lei em sentido estrito; por isso, a multa, em abstrato, pela não apresentação da DCTF ou entrega extemporânea, está cominada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º. No caso, foi aplicada a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002. Quanto à alegação de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, incabível a apreciação, no mérito, de tal arguição, por falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo, por ser matéria de competência do Poder Judiciário. Nesse sentido, a questão está sumulada neste Eg. Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, o princípio do não confisco aplicase apenas para tributos (CF, art. 150, IV). A multa não é tributo. O princípio do não confisco dirigese ao legislador infraconstitucional e não ao julgador administrativo. Além disso, a multa pecuniária cominada, abstratamente, pela lei administrativotributária não segue o princípio da capacidade contributiva, mas sim o interesse jurídico tutelado, o interesse público. Na verdade, a pena pecuniária, em abstrato, fixada pela lei deve ser suficientemente significativa, para inibir ou afastar os contribuintes da prática de infração administrativofiscal, pelo receio, medo ou temor de serem apenados em concreto. Para aqueles contribuintes que a norma, em abstrato, não foi suficiente para demovêlos da conduta infracional independentemente do motivo, não resta ao fisco outro caminho, em face de sua atividade vinculada, a não ser a aplicação da lei ao caso concreto, para recompor, restaurar, a ordem jurídica violada. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722871/201111 Acórdão n.º 1802001.941 S1TE02 Fl. 111 16 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 15578.000216/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.362
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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COREANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO KOBRASCO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15578000216200873 Resolução n.º 3401000.362 S3C4T1 Fl. 286 2 Relatório Consta do “Relatório de Fiscalização” às fls. 66/67, que este processo foi formalizado a partir da lavratura de um auto de infração para a exigência de PIS/Pasep (não cumulativo) relativo ao período de apuração de setembro de 2003, valor este que, por sua vez, exsurgiu da análise realizada pela autoridade administrativa nas declarações de compensação de débitos, lastreadas em alegados créditos do PIS/Pasep apurados pela interessada sob o regime da não cumulatividade e constantes de outro processo administrativo, qual seja, o de nº 11543.0003609/200371. No referido “Relatório Fiscal” consta expressamente, verbis: “Uma vez que todos os elementos de prova concernente ao auto de infração foram decorrentes do processo administrativo que trata da compensação ora efetuada pelo sujeito passivo, foi feita a apensação do presente processo de n° 15578.000216/200873 ao processo administrativo de n° 11543.003609/200371, a fim de atender ao principio da economia processual. [...] Conforme citado acima, todo o detalhamento da apuração do saldo de Pis a pagar foi realizado no decorrer do processo administrativo de n° 11543.003609/200371, sendo apurado no mês de setembro o montante de R$ 1.008.243,57 (um milhão, oito mil reais, duzentos e quarenta e três reais e cinqüenta e sete centavos). Sobre esse valor foram acrescidos juros e multa totalizando o valor de R$ 2.430.875,23 (dois milhões, quatrocentos e trinta reais, oitocentos e setenta e cinco reais e vinte e três centavos), o qual foi demonstrado conforme auto de infração anexado às folhas 68 a 80. [...]” A ciência do referido auto de infração deuse em 1º/08/2008. Na impugnação a autuada inicialmente teceu considerações acerca de suas atividades principais – produção e venda de pelotas de minério de ferro e contestou o fato de ter sido incluída de oficio na base de cálculo da contribuição valores de receitas que, segundo ela, estariam imunes à incidência da contribuição em face de se tratarem de vendas realizadas para o mercado externo, não obstante tivessem tais operações sido realizadas junto à empresa situada no Brasil. Explicou ela que praticamente toda a sua produção é destinada para o exterior e que essas vendas tributadas pelo Fisco referemse a um excedente que, por disposição contratual, é vendido à Cia. Vale do Rio Doce com a finalidade precípua de exportação. Outro tema agitado pela Impugnante referese às variações cambiais ativas auferidas em face da variação da taxa de câmbio nos contratos de exportação que celebrou, as quais igualmente não haveriam de ser incluídas na base de cálculo da contribuição porquanto decorreriam exclusivamente de operações de exportação; ou seja, também gozariam da imunidade constitucional. Transcreveu a ementa do julgamento do STJ no REsp 761644/RS, na linha de seu entendimento. Protestou também contra a inclusão de oficio na base de cálculo da contribuição dos valores dos créditos de ICMS cedidos a terceiros, defendendo a tese de que os mesmos não poderiam ser considerados como receitas. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15578000216200873 Resolução n.º 3401000.362 S3C4T1 Fl. 287 3 Em seguida, fez considerações acerca da glosa de créditos efetuada pelo Fisco em face das aquisições de bens de consumo, partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, contestando os argumentos utilizados, quais sejam, de que deveria haver a aplicação direta dos insumos na operação industrial para serem admitidos os respectivos créditos. Em apertada síntese, defendeu a Impugnante a ideia de que o conceito de insumos deve ser mais abrangente e não limitarse ao contato direto apenas. Ainda sobre as glosas, insurgiuse também contra a glosa dos créditos relativos aos serviços de fretes e de operação das usinas de pelotização sob o argumento de a mesma consistiria numa violação à não cumulatividade trazida para a contribuição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento II do Rio de Janeiro/RJ não acatou nenhum desses argumentos e proferiu decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo ' 6 , contribuição ao PIS não alcança as.variações cambias Ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Lançamento Procedente.” Na fl. 173 consta que a ciência da referida decisão deuse no dia 21/10/2009 e na fl. 174 consta um “Termo de Perempção” firmado, salvo engano, no dia 11/03/2010, dando conta da ausência da apresentação de recurso à instância superior, o que parece ter sido lavrado sem que se considerasse a existência de recurso entregue tempestivamente, no dia 18/11/2009, consoante comprova o carimbo no documento de fl. 112. No Recurso Voluntário os argumentos da impugnação foram repetidos. No essencial, é o Relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15578000216200873 Resolução n.º 3401000.362 S3C4T1 Fl. 288 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator Considerações adicionais ao relatório Como dito acima, de se desconsiderar a existência do Termo de Perempção em face da apresentação tempestiva do Recurso Voluntário. Inicialmente, de se constatar que a Autoridade preparadora não observou a providência recomendada ao final do relatório do Acórdão da DRJ, à fl. 160, qual seja, a de que após a ciência do contribuinte das decisões proferidas nos dois processos – este e o nº 11543.003609/200371 – seguissem os mesmos apensados um ao outro. Isso fez com que o processo de 2003 que trata da Dcomp [aproveitamento em compensação de créditos do PIS/Pasep sob o regime da não cumulatividade, créditos esses não reconhecidos pelo Fisco ao ponto de implicar na não homologação da compensação e no exsurgimento de saldo devedor da contribuição no período de apuração de setembro de 2003] tivesse sido encaminhado ao Carf desacompanhado deste processo de 2008 [15578.000216/200873], que, como já dito acima, versa sobre a constituição de oficio do referido valor do PIS/Pasep em aberto exsurgido no período de apuração de setembro de 2003 em face das glosas dos créditos e da inclusão de valores na base de cálculo até então não levadas em conta pela interessada quando da formulação de suas pretensões no sentido de obter o reconhecimento do crédito e de seu aproveitamento na compensação de débitos. Mas, em suma, temse que o presente processo é inteiramente decorrente daquele em que a interessa postulou o reconhecimento de seus créditos do PIS/Pasep não cumulativo relativos ao 3º trimestre de 2003, créditos esses que, por não terem sido aceitos como válidos pelo Fisco, bem como em face de ter sido modificada de oficio a base de cálculo da contribuição devida no mês de setembro, implicou na necessidade do presente lançamento. Assim, não obstante estejamos diante de processos administrativos distintos – um, tratando de ressarcimento e compensação, e outro, tratando de auto de infração – não há como desvencilhar o segundo do primeiro, especialmente por conta do tratamento recebido pelas matérias contidas em ambos, tanto pela interessada quanto pela instância de julgamento de primeira instância. Ocorreu que as matérias agitadas pela interessada neste processo, tanto na sua impugnação quanto no Recurso Voluntário, são idênticas às matérias que agitou naquele processo que trata da compensação. Neste ponto esclareço que tal informação foi por mim obtida não pelo compulsar virtual das folhas deste processo, mas, sim, das folhas do referido processo 11543.0003609/200371, o que pude lograr fazer em consulta junto ao sistema e processo, ao qual, como se sabe, os Conselheiros do Carf têm acesso remoto. Naquele processo pude constatar, por exemplo, que os termos da Manifestação de Inconformidade foram indeferidos pela 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro IIRJ em sessão do dia 23/10/2008, através do Acórdão nº 1321.950, o qual é praticamente idêntico ao Acórdão nº 1321.949, proferido no mesmo dia pela mesma 5ª Turma de julgamento daquela instância de piso. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15578000216200873 Resolução n.º 3401000.362 S3C4T1 Fl. 289 5 Também verifiquei que naquele processo já houve manifestação do Carf, por meio do Acórdão nº 310200.861, proferido pela 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção, em 10/12/2010, assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PIS/PASEP. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. A contribuição para o PIS/Pasep apenas não incide sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais ativas têm natureza de receitas financeiras, não se enquadrando no conceito de receitas de exportação. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração do saldo a pagar no sistema de nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços aplicados diretamente na fabricação do produto. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. A receita decorrente da transferência onerosa de créditos do ICMS somente deixou de integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS a partir do dia 1º de janeiro de 2009, tal como disposto na Lei 11.945/09. Recurso Voluntário Negado” E, conforme eu dissera alhures, essas matérias são exatamente as mesmas agitadas pela Recorrente neste processo, de sorte que não vislumbro a possibilidade de que este Colegiado, representado pela 4ª Turma, possa emitir uma nova decisão; ou seja, entendo que a matéria que deu azo ao lançamento que se discute neste processo já recebeu apreciação do Carf, ainda que noutro processo. Esclareço ainda que contra referido Acórdão foi apresentado Recurso Especial pela interessada, o qual não mereceu ainda manifestação sobre sua admissibilidade, de sorte que não se tem decisão definitiva na esfera administrativa. Em face de todas essas considerações, voto pela conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem junte ao processo a decisão definitiva na esfera administrativa, por esta entendida aquela contra a qual não couber nenhum recurso, do processo nº 11543.003609/200371. Odassi Guerzoni Filho Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13804.001136/99-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1992
ILL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Recursos especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1992 ILL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Recursos especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 174 1 173 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13804.001136/9918 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.001 – 2ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2013 Matéria Restituição ILL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARINGÁ S.A. CIMENTO E FERROLIGA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1992 ILL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Recursos especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 11 36 /9 9- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de ILL, relativo ao anocalendário de 1992, protocolado em 07/04/1999, cujo valor a Contribuinte desejava compensar com débito de terceiro (Cia. Melhoramentos Norte do Paraná, CNPJ: 61.082.962/000121). Em sessão plenária de 1º/12/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 163.543, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 210200.995 (fls. 84 a 86), assim ementado: “Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte – IRPF. Anocalendário: 1992 ILL – RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA – DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades anônimas, se dá em 19.11.1996, data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82. Decadência afastada. Recurso provido.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, no sentido de afastar a decadência argüida pela autoridade administrativa de primeira instância e determinar, por conseguinte, a remessa dos autos à repartição de origem para a apreciação das demais questões de mérito da controvérsia, bem como para análise do pedido de compensação também formulado, nos termos do voto da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13804.001136/9918 Acórdão n.º 9202003.001 CSRFT2 Fl. 175 3 Relatora. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.” Sobre o mérito do pedido, a Relatora assim registra: “Muito embora se esteja afastando a decadência, com provimento ao recurso interposto pela contribuinte no que tange à decadência, não é possível analisar o mérito do pedido de restituição, sob pena de supressão de instância. Aliás, o mesmo ocorre com o pedido de compensação efetuado pela recorrente, urna vez que a matéria da compensação sequer foi objeto de análise em virtude da decadência do direito de restituição. Ademais, esta matéria também deixou de ser analisada pela DRJ São Paulo/SP, uma vez que os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros não foram convertidos em DCOMP, de forma que não competia às Delegacias de Julgamento a apreciação da matéria, sendo este mais um motivo para que os autos sejam remetidos A instância a quo competente para análise das respectivas matérias. Cientificada do acórdão em 18/04/2011 (fls. 87), a Fazenda Nacional interpôs, em 19/04/2011, com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado Pela Portaria MF nº 256, de 2009, o Recurso Especial de fls. 90 a 108, ao qual foi dado seguimento, conforme Despacho nº 210000.333/2011, de 10/06/2011. No recurso, a Fazenda Nacional pede, em síntese, a reforma do acórdão recorrido, reconhecendose a prescrição do direito à restituição, contada a partir de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Especial em 28/05/2012 (AR de fls. 112), o Contribuinte ofereceu, em 12/06/2012, as ContraRazões de fls. 124 a 133, pedindo a manutenção do acórdão recorrido. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Pedido de Restituição de ILL, relativo ao anocalendário de 1992, protocolado em 07/04/1999, cujo valor a Contribuinte deseja compensar com débito de terceiro (Cia. Melhoramentos Norte do Paraná, CNPJ: 61.082.962/000121). A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de ILL, recolhidos por sociedade anônima, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da Resolução do Senado nº 82, de 1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Conforme o artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso do ILL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13804.001136/9918 Acórdão n.º 9202003.001 CSRFT2 Fl. 176 5 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, no caso de pedido formalizado antes de 09/06/2005, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 07/04/1999, concluise que os pagamentos relativos ao fato gerador ocorrido em 1992 ainda são passíveis de restituição, após a análise das demais questões objeto do pedido, como bem registrou o acórdão recorrido: “Muito embora se esteja afastando a decadência, com provimento ao recurso interposto pela contribuinte no que tange à decadência, não é possível analisar o mérito do pedido de restituição, sob pena de supressão de instância. Aliás, o mesmo ocorre com o pedido de compensação efetuado pela recorrente, urna vez que a matéria da compensação sequer foi objeto de análise em virtude da decadência do direito de restituição. Ademais, esta matéria também deixou de ser analisada pela DRJ São Paulo/SP, urna vez que os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros não foram convertidos em DCOMP, de forma que não competia às Delegacias de Julgamento a apreciação da matéria, sendo este mais um motivo para que os autos sejam remetidos A instância a quo competente para análise das respectivas matérias. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10845.001485/2003-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. (Coordenação-Geral de Tributação, nos esclarecimentos prestados na Solicitação de Consulta Interna nº 01, de 04/01/2006).
Numero da decisão: 9101-001.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. (Coordenação-Geral de Tributação, nos esclarecimentos prestados na Solicitação de Consulta Interna nº 01, de 04/01/2006).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. (CoordenaçãoGeral de Tributação, nos esclarecimentos prestados na Solicitação de Consulta Interna nº 01, de 04/01/2006). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 14 85 /2 00 3- 21 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra o acórdão nº 180300.480, sessão de 08/07/2010 (fls. 402/403), assim ementado: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. Será considerada tacitamente homologada a compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido. A DCOMP em causa foi protocolizada em 14/05/2003, portanto antes da vigência da MP nº 135/2003, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que introduziu alterações no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, tendo o despacho decisório sido cientificado à contribuinte em 15/07/2008. Para caracterizar o alegado dissídio jurisprudencial a recorrente apresentou o acórdão nº 20311.648, sessão de 06/12/2006, assim ementado: “(...) COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003." (2°CC, 3ª Câmara, Acórdão n° 20311.648, de 06/12/06). No despacho de admissibilidade (fls. 409) foi transcrito trecho do voto condutor do acima ementado acórdão paradigma, o qual reproduzo a seguir: "(...) No ano seguinte, foram feitas novas alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, merecendo destaque para o presente caso a do parágrafo 5°, a saber: "§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" (redação dada pelo artigo 17 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, conversão da MP n° 135, de 30/10/2003). Até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de Fl. 439DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10845.001485/200321 Acórdão n.º 9101001.808 CSRFT1 Fl. 6 3 compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que toda DCOMP entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, "contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada, tenha sido homologada tacitamente, a teor do §5° acima reproduzido." Aduz a recorrente que ocorreu interpretação divergente quanto à aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP nº 135, convertendo em DCOMP os pedidos de restituição pendentes de apreciação em 30/10/2003, com relação ao início da contagem do prazo quinquenal para a homologação tácita, considerando que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação (fls. 413). (negritei) A recorrida apresentou contrarrazões às fls. 413/422, pugnando pelo não conhecimento do recurso especial e, no mérito, pela manutenção do quanto foi decidido pela Turma de julgamento a quo, pois, como na hipótese dos autos decorreram mais de 5 anos entre o protocolo do pedido de compensação, realizado em 14 de maio de 2003, e o despacho decisório da autoridade administrativa responsável pela sua análise, ocorrido em 15 de julho de 2008, é de rigor que se considere homologada tacitamente a compensação levada a efeito pela Recorrida, não podendo prevalecer a tese defendida pela Fazenda Nacional. (negritei) É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. A divergência argüida está devidamente demonstrada, devendo o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional ser conhecido. Conforme se extrai da leitura do relatório, o dissídio jurisprudencial foi instaurado quanto ao dies a quo a ser considerado para a contagem do prazo de cinco anos para que a DCOMP seja considerada homologada tacitamente, nos casos em que sua protocolização ocorrera em data anterior à vigência do art. 17 da MP nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que introduziu alterações no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, especialmente quanto ao que dispõe o seu § 5º, a saber: Lei nº 9.430/1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) Fl. 440DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (redação dada pelo artigo 17 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, conversão da MP n° 135, de 30/10/2003). (...). A decisão recorrida considerou tacitamente homologada DCOMP que fora protocolizada em 14/05/2003, portanto em data anterior à vigência da supramencionada MP nº 135, de 30/10/2003, tendo a recorrente propugnado pela contagem ser iniciada na mencionada data do início da vigência (30/10/2003) e não da data da protocolização (14/05/2003). Como o despacho decisório foi cientificado à contribuinte em 15/07/2008, para a recorrente, nessa data, ainda não havia transcorrido o lapso de cinco anos necessários à homologação tácita. Essa é a síntese da questão que se põe à nossa apreciação. A propósito, entendo que a Receita Federal do Brasil, através da sua Coordenação Geral de Tributação, nos esclarecimentos prestados na Solicitação de Consulta Interna nº 01, de 04/01/2006, delimitou a forma como deve ser efetuada a contagem do prazo para a ocorrência da homologação tácita, nos termos que a seguir transcrevo: ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. (destaques acrescidos) As decisões proferidas nesta instância especial de julgamento caminham nesse mesmo sentido, podendo ser citados como exemplos o acórdão nº 9101001.338, sessão de 15/05/2012, desta 1ª Turma da CSRF (Proc. 13811.002485/9888), sendo relator o i. Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes e o acórdão nº 9202002.625, sessão de 23/04/2013, da 2ª Turma da CSRF (proc. 10768.009040/9840), da relatoria do i. Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Coincidentemente, também na reunião de julgamento do corrente mês, sessão de 19/11/2013, a matéria foi posta à nossa apreciação, tendo sido confirmado o mesmo entendimento acima exposto, por unanimidade de votos, no processo nº 13502.000307/9979, acórdão nº 9101001.796, da relatoria do i. Conselheiro Valmir Sandri. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10845.001485/200321 Acórdão n.º 9101001.808 CSRFT1 Fl. 7 5 Pelo exposto, e acompanhando a reiterada jurisprudência deste Colegiado, voto no sentido de negar provimento ao recurso fazendário. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 442DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 23/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907767/2011-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 67 /2 01 1- 47 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907767/201147 Acórdão n.º 3803005.197 S3TE03 Fl. 74 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 09/05/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907767/201147 Acórdão n.º 3803005.197 S3TE03 Fl. 75 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 17 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos às vendas inadimplidas. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na falta de exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos às vendas inadimplidas. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre vendas não recebidas. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907767/201147 Acórdão n.º 3803005.197 S3TE03 Fl. 76 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907767/201147 Acórdão n.º 3803005.197 S3TE03 Fl. 77 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001182/2005-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA.
Com a edição da Súmula Vinculante nº 08 pelo Supremo Tribunal Federal, foi decretada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, aplicando-se as disposições do Código Tributário Nacional também às denominadas Contribuições Sociais. Consoante comando do art. 103-A da Carta Magna a aplicação da Súmula Vinculante tem aplicação imediata pela Administração, conforme reconhecido pelo Parecer PGFN CAT 1.617/2008, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. DIES A QUO.
Para os tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, o dies a quo para inicio da contagem da decadência ocorre a partir da data do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), desde que tenha havido qualquer pagamento ou retenção antecipada e afastada a constatação de dolo, fraude ou simulação. (Inteligência do REsp 973.733-SC do Superior Tribunal de Justiça)
Numero da decisão: 1803-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Acompanhou o julgamento o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Jr. OAB/DF 36.531.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante nº 08 pelo Supremo Tribunal Federal, foi decretada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, aplicando-se as disposições do Código Tributário Nacional também às denominadas Contribuições Sociais. Consoante comando do art. 103-A da Carta Magna a aplicação da Súmula Vinculante tem aplicação imediata pela Administração, conforme reconhecido pelo Parecer PGFN CAT 1.617/2008, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. DIES A QUO. Para os tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, o dies a quo para inicio da contagem da decadência ocorre a partir da data do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), desde que tenha havido qualquer pagamento ou retenção antecipada e afastada a constatação de dolo, fraude ou simulação. (Inteligência do REsp 973.733-SC do Superior Tribunal de Justiça)
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante nº 08 pelo Supremo Tribunal Federal, foi decretada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, aplicandose as disposições do Código Tributário Nacional também às denominadas Contribuições Sociais. Consoante comando do art. 103A da Carta Magna a aplicação da Súmula Vinculante tem aplicação imediata pela Administração, conforme reconhecido pelo Parecer PGFN CAT 1.617/2008, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. DIES A QUO. Para os tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, o dies a quo para inicio da contagem da decadência ocorre a partir da data do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), desde que tenha havido qualquer pagamento ou retenção antecipada e afastada a constatação de dolo, fraude ou simulação. (Inteligência do REsp 973.733SC do Superior Tribunal de Justiça) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 82 /2 00 5- 87 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Acompanhou o julgamento o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Jr. OAB/DF 36.531. Relatório SCHENCK DO BRASIL IND. COM. LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I , interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de impugnação à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, constituída pelo Auto de Infração de fls. 133/136, lavrado em 27 de abril de 2005, pela DEFIC/SPO, em razão da glosa de base de cálculo negativa compensada com inobservância do limite de 30%, com fulcro na legislação arrolada em fls. 134, no montante de R$215.921,00, incluídos juros de mora calculados até 31/03/2005. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 129/132, informa o autuante ter apurado em ação fiscal que: Em 10/11/04, atendendo ao solicitado no Termo de Intimação de 27/10/2004, foram entregues documentos fiscais e contábeis, em particular, o LALUR, partes A e B do Ano Base 1999, Contrato Social, assim como cópias de peças processuais das ações impetradas pela empresa relativo ao pedido de compensação de Prejuízos Fiscais sem a /imitação de 30% imposta pelas Leis 8.984/95 e 9.065/95; Em 22/11/2004, complementando o solicitado no Termo de 27/10/04, foram entregues Certidões de Objeto e Pé das ações judiciais em andamento, bem como Procuração particular, outorgando poderes de representação; Tendo em vista que o contribuinte está amparado por uma decisão judicial, em sentença na Ação Declaratória Cumulada com Condenatória Processo 96.00200629, procederseá a constituição de crédito tributário com EXIGIBILIDADE SUSPENSA conforme disposto no artigo 151, inciso IV e V da Lei 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN. Concluiu assim que, havia amparo judicial para afastar a exigibilidade do crédito tributário e lavrou o auto de infração em questão sem a multa de ofício. Cientificado, em 29/04/2005, por via postal, conforme AR de fls. 141, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 143/157, em 31/05/2005. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.001182/200587 Acórdão n.º 1803001.996 S1TE03 Fl. 296 3 Após desenvolver as suas razões de defesa, o impugnante, assim apresentou o seu pedido: ...requer o sobrestamento do presente processo administrativo até o trânsito em julgado de decisão final nos autos da Ação Ordinária n" 96.00200629. ...requer, preliminarmente, o cancelamento do presente auto de inflação, com a conseqüente decretação de sua nulidade, com fundamento no artigo 156, inciso V, do CTN, por ter se operado a decadência do direito de proceder ao lançamento dos valores de CSLL envolvidos, nos termos do artigo 150, § 4° do CTN, com base inclusive no posicionamento já assentado pelo Conselho de Contribuintes... Alternativamente, requer impugnação para que: o integral provimento da presente (i) seja o auto de infração declarado nulo por ter ignorado que os bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas utilizadas na ' compensação da base do tributo, caso se adotasse a limitação de 30%, teriam sido esgotados nos períodosbase subseqüentes. Ou, alternativamente, que sejam refeitos os cálculos, com a recomposição da base de cálculo, para que se apure devidamente o valor que deveria ser lançado; bem como (ii) sejam excluídos da autuação os juros de mora à taxa SELIC até decisão final transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária n° 96.00200629. Por fim, a impugnante pede vênia para a posterior juntada aos autos de planilha, nos termos do artigo 16, § 5°, do Decreto n° 70.235/72, demonstrando que, as bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas utilizados na compensação da base do tributo, caso se adotasse a limitação de 30%, teriam sido esgotadas nos períodosbase subseqüentes. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1616.084, de 15 de janeiro de 2008 (fls. 232/239), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Quando distintos os objetos da ação judicial e do processo administrativo, há de ser conhecida a impugnação, devendo este processo ter seu prosseguimento normal. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. Inexiste previsão legal para suspender o trâmite de processo administrativo fiscal por decisão de autoridade administrativa. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo às contribuições destinadas a financiar a Seguridade Social somente se extinguiria com o decurso do prazo de 10 (dez) anos, Fl. 297DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. O fato de o contribuinte, em período posterior, ter pago a contribuição social sobre o lucro líquido sobre base tributável que fora indevidamente compensada anteriormente, não é razão para que se cancele o auto de infração, o valor pago a título de CSLL de um determinado período não tem o condão de quitar a contribuição devida em período anterior. JUROS DE MORA Os acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 19/09/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 242), apresentou o recurso voluntário em 20/10/2008 fls. 243/258, onde reitera suas alegações da inicial. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração de CSLL, relativo ao ano calendário 1999, lavrado em virtude de compensação indevida de base negativa de CSLL, com exigibilidade suspensa. Alega a recorrente em síntese: a) A decadência para constituição do lançamento nos termos do art. 150, § 4º do CTN; b) O sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado do processo judicial onde se discute a validade do limite de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa; c) A nulidade do lançamento por falta de recomposição da base de cálculo em virtude do pagamento a maior nos períodos subseqüentes; d) Inaplicabilidade da taxa SELIC a título de juros de mora. Na análise da prejudicial de mérito em relação a decadência entendo estar com razão a recorrente. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.001182/200587 Acórdão n.º 1803001.996 S1TE03 Fl. 297 5 Com efeito, a aplicabilidade das normas contidas no CTN em relação a prescrição e decadência também para as denominadas contribuições sociais, ficou definitivamente consolidada com a Súmula Vinculante nº 08: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Assim, com a edição da Súmula Vinculante nº 08 do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram fulminados por eiva de inconstitucionalidade, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, aplicandose as disposições do Código Tributário Nacional, igualmente para as denominadas contribuições sociais. A Súmula Vinculante do STF tem aplicação imediata para a Administração Pública, conforme expressa disposição do art. 103A da Constituição Federal, a saber: “O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei”. Neste sentido o Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008 aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda, em despacho de 18 de agosto de 2008, suscitando a aplicação imediata da Súmula Vinculante por toda a administração tributária e do mesmo por este colegiado julgador administrativo, conforme preconiza o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Não havendo mais dúvida, tratarse a CSLL um tributo, sujeito ao lançamento por homologação (art. 150 do CTN), impende considerarse o dies a quo para contagem da decadência, a partir do fato gerador, conforme preconiza seu parágrafo § 4º e o entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça. Em acórdão proferido no rito dos recursos repetitivos (Art. 543C do CPC), o Superior Tribunal de Justiça exarou o seguinte entendimento sobre a matéria: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp 973.733SC, Relator Min. Luiz Fux, 12/08/2009. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.001182/200587 Acórdão n.º 1803001.996 S1TE03 Fl. 298 7 Conforme se observa dos autos, tratase de lançamento de ofício relativo a CSLL do ano calendário 1999 (apuração anual), cuja ciência se deu em 29/04/2005 (fl. 141). Como a contribuinte utilizou integralmente a base de cálculo negativa de CSLL absorvendo 100% do lucro líquido do período, não houve contribuição recolhida de forma antecipada. Constatase, no entanto, que de acordo com a planilha subscrita pela autoridade fiscal que realizou o lançamento de ofício (fl. 02), houve retenção e antecipação de CSLL no montante de R$ 694,00 em virtude de retenção de órgãos públicos, atendendo portanto o entendimento jurisprudencial emanado do Superior Tribunal de Justiça. Não se tendo qualquer notícia da ocorrência de dolo, fraude ou simulação que poderia deslocar o dies a quo para o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser realizado o lançamento, nos termos do art. 173, inciso I c/c art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, resta fulminado o lançamento pela decadência. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 19515.008048/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005
ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO.
Não afetam o auto de infração eventuais impropriedades na descrição dos fatos e no enquadramento legal, ou mesmo a inclusão de dispositivo inaplicável à matéria, quando o auto de infração contém, além das infrações equivocadamente imputadas, todos os elementos caracterizadores da infração efetivamente incorrida, de forma a não cercear o direito de defesa. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. SOCIEDADES QUE NÃO ESTAVAM SOB CONTROLE COMUM E NÃO PERTENCIAM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INAPLICABILIDADE.
A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp Nº 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC. Portanto, se a multa exigida não compunha o patrimônio adquirido pelo sucessor, ou seja, foi aplicada em face da sucedida por infração cometida pela sucessora, e ambas as empresas não pertenciam ao mesmo grupo econômico e não estavam sob controle comum, o crédito tributário deve ser exonerado. Aplicação, a contrário senso, da Súmula CARF nº 47.
Numero da decisão: 1402-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004, 2005 ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. Não afetam o auto de infração eventuais impropriedades na descrição dos fatos e no enquadramento legal, ou mesmo a inclusão de dispositivo inaplicável à matéria, quando o auto de infração contém, além das infrações equivocadamente imputadas, todos os elementos caracterizadores da infração efetivamente incorrida, de forma a não cercear o direito de defesa. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. SOCIEDADES QUE NÃO ESTAVAM SOB CONTROLE COMUM E NÃO PERTENCIAM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp Nº 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543-C do CPC. Portanto, se a multa exigida não compunha o patrimônio adquirido pelo sucessor, ou seja, foi aplicada em face da sucedida por infração cometida pela sucessora, e ambas as empresas não pertenciam ao mesmo grupo econômico e não estavam sob controle comum, o crédito tributário deve ser exonerado. Aplicação, a contrário senso, da Súmula CARF nº 47.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 404 1 403 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.008048/200850 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.485 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria CSLL MULTA DE OFÍCIO SUCESSÃO Recorrente COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. Não afetam o auto de infração eventuais impropriedades na descrição dos fatos e no enquadramento legal, ou mesmo a inclusão de dispositivo inaplicável à matéria, quando o auto de infração contém, além das infrações equivocadamente imputadas, todos os elementos caracterizadores da infração efetivamente incorrida, de forma a não cercear o direito de defesa. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. SOCIEDADES QUE NÃO ESTAVAM SOB CONTROLE COMUM E NÃO PERTENCIAM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INAPLICABILIDADE. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Precedente do STJ no REsp Nº 923.012/MG julgado sob o rito do art. 543C do CPC. Portanto, se a multa exigida não compunha o patrimônio adquirido pelo sucessor, ou seja, foi aplicada em face da sucedida por infração cometida pela sucessora, e ambas as empresas não pertenciam ao mesmo grupo econômico e não estavam sob controle comum, o crédito tributário deve ser exonerado. Aplicação, a contrário senso, da Súmula CARF nº 47. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 48 /2 00 8- 50 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 405 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 406 3 Relatório A exigência diz respeito à cobrança de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente anocalendário de 2005 e a multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de CSLL relativas aos meses de dezembro dos anoscalendário de 2004 e 2005. O lançamento foi cientificado ao contribuinte em 10 de janeiro de 2008 (fls. 50 e 53). O relatório da decisão recorrida bem reflete os argumentos lançados pelo contribuinte em sua impugnação, portanto, adotoo, transcrevendo seus termos a seguir: A impugnação, protocolada em 9 de janeiro de 2009, conforme carimbo aposto em sua primeira página, foi juntada às fls. 55 a 76 (anexos às fls. 77 a 228). Nela foi alegado, em apertada síntese, que: a) no mês de dezembro de 2005, foi apurada CSLL a pagar de R$ 786.975,33, devidamente informado em DIPJ; b) houve pagamento de R$ 521.229, 47 e o valor residual (R$ 265.745,86) foi compensado com créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, exercício de 2006, conforme Dcomp apresentada; c) a fiscalização indicou no auto de infração ora impugnado o artigo 44, § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430/96 como fundamento legal, dispositivo que não existe, uma vez revogado em 2007 pela Lei n° 11.488/07; d) a insuficiência de declaração de valores de IRPJ e CSLL por estimativa não pode ser entendido como uma infração sujeita a multa, dada a ausência de norma que disponha neste sentido; e) a ausência de tipificação do fato ilícito é causa de cancelamento da multa isolada; f) a multa isolada prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável quando verificada a falta de recolhimento das estimativas mensais antes do encerramento do anocalendário, entendimento que decorre das próprias regras referentes à tributação da CSLL; g) depois de encerrado o anocalendário, eventuais insuficiências de recolhimento da CSLL serão punidas mediante a aplicação da multa de ofício prevista no inciso I do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, e não mais pela exigência da multa isolada; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 407 4 h) inexiste qualquer valor exigível a título de estimativa nos períodos de apuração dezembro de 2004 e dezembro de 2005, uma vez eles terem sido integralmente recolhidos. A Fiscalização, embora tenha reconhecido o pagamento de R$ 1.062.712,91 (dezembro de 2004), deixou de considerálo para fins de reconhecimento da estimativa em razão de ter a fiscalizada indicado código incorreto no Darf, acarretando a divergência na informação constante na DCTF. Quanto ao mês dezembro de 2005, a estimativa foi integralmente paga (letras a e b supra); i) conforme art. 132 do CTN, a responsabilidade da incorporadora está limitada ao pagamento de tributos, não alcançando a responsabilidade por infrações praticadas pelos terceiros (incorporadas) estes sujeitos a multas (de oficio e isolada); j) no que concerne à CSLL apurada no mês de dezembro de 2005, sobre o valor de R$ 265.745,86 foram exigidas as multas de 75% (infração 001) e de 50% (multa isolada) de 50%, o que não pode ocorrer. A decisão de primeiro grau deu parcial provimento à impugnação, excluindo a exigência de CSLL relativa ao anocalendário de 2005 e a respectiva multa isolada aplicada. Mantevese, portanto, somente a exigência de multa isolada relativa ao mês de dezembro de 2004. Quanto à responsabilidade das penalidades aplicadas à sucessora, entendeu a decisão recorrida que mesmo as penalidades de ofício aplicadas. A ementa da decisão a quo ficou assim redigida: TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. ERRONIA NA INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. É válido o lançamento em que há erronia na indicação do dispositivo legal se o contribuinte se defende demonstrando pleno conhecimento dos fatos ocorridos. ESTIMATIVA COMPENSADA. LANÇAMENTO DO VALOR APURADO NO AJUSTE. Se a estimativa foi incluída em Dcomp, não prospera o lançamento do valor dela diminuído no ajuste anual. CSLL. ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRADO O ANOCALENDÁRIO. A multa isolada deve ser lançada mesmo que já encerrado o anocalendário a que se refere a estimativa não paga. INCORPORADORA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A incorporadora é responsável pelas infrações cometidas pela incorporada, mesmo que anteriores ao lançamento das multas correspondentes. MULTA ISOLADA. NÃO PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 408 5 Não tendo havido o pagamento da estimativa, correto o lançamento da multa isolada. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10 de janeiro de 2013 (fl. 256), apresentando recurso voluntário em 07 de fevereiro de 2013 (fls. 258 285). Em resumo, reforça os argumentos utilizados em sua impugnação, aduzindo ainda considerações adicionais sobre suposto vício na autuação ao citar como embasamento legal da exigência de penalidade isolada dispositivo legal revogado. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 409 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 1 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Alega a recorrente que o erro no enquadramento legal da penalidade isolada aplicada (citandose o dispositivo revogado, qual seja, art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96) implicaria nulidade da exigência. Não vislumbro nenhum motivo de nulidade dos autos de infração. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. O procedimento fiscal é a atividade investigatória desenvolvida pelo Estado visando à identificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinação da Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 410 7 matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível (artigo 142 do Código Tributário Nacional). Nessa fase, a autoridade fiscal tem ampla liberdade investigatória e probatória, inerente à função estatal, fundamentalmente no poder de polícia que ao Estado compete exercer com discricionariedade, autoexecutoriedade e coercibilidade. Ao identificar a desobediência a alguma norma da legislação tributária, a autoridade fiscal fica obrigada a lavrar o correspondente auto de infração, sob pena de ser responsabilizado pessoalmente. Para a lavratura de um auto de infração, o Código Tributário Nacional (art. 142) e o Decreto nº 70.235/1972, (art. 10), exigem certas formalidades: autoridade administrativa competente (AuditorFiscal); a verificação da ocorrência do fato gerador; identificação do sujeito passivo; determinação da matéria tributável; o calculo do montante do tributo e das penalidades devidas; a indicação das disposições legais infringidas; a cientificação; a intimação para pagamento ou impugnação da exigência no prazo de 30 (trinta) dias e a identificação ao auditor autuante. Sobre esses aspectos os lançamentos estão perfeitos, todas as formalidades foram cumpridas. Portanto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, até mesmo porque, conforme já salientado, a recorrente apresenta impugnação quanto à exigência da multa isolada, quer com base na redação revogada, quer com base no dispositivo já alterado, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Na impugnação apresentada, não há qualquer irregularidade que implique prejuízo ao sujeito passivo, logo, desnecessária também qualquer declaração de nulidade ou saneamento dos autos. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula nos autos de infração lavrados. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, devem ser afastadas as preliminares de nulidade arguidas. MÉRITO Da responsabilidade da sucessora A questão diz respeito à exigibilidade da multa de ofício aplicada sobre sucessora relativa a infração cometida pela sucedida, mas somente cominada pelo Fisco após a data da reestruturação societária. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 411 8 Por muito tempo a questão suscitou profundas discussões, em especial se prevaleceria a literalidade do disposto no art. 132 do CTN, o qual dispõe que a responsabilidade da sucessora somente diz respeito aos tributos devidos pela sucedida, ou se a interpretação de tal dispositivo deveria levar em consideração o art. 129 do Estatuto Tributário, qual seja, a responsabilidade diria ao respeito ao crédito tributário devido pelo sucedido, o que implicaria, por consequência, a responsabilidade dos sucessores também por penalidades aplicadas aos sucedidos. Pois bem, o STJ, no julgamento do REsp nº 923.012/MG sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) dirimiu de forma definitiva a questão, de forma que, a teor do que dispõe o art. 62A do RICARF, importa em adoção obrigatória da mesma tese pelos membros deste Colegiado. Por oportuno, transcrevese a seguir excerto da ementa do julgado em questão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. [...] 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...] 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 923.012/MG, 1ª Seção, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 09 de junho de 2010) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 412 9 Confesso que, tanto pelo teor da ementa, quanto pelos fundamentos do voto condutor do aresto, embora tenha me convencido de que a responsabilidade dos sucessores também se estende às multas punitivas, restoume uma parcela de dúvida quanto à extensão dessa responsabilidade em relação a multas aplicadas após a data da sucessão, ainda que diga respeito, por óbvio, a fatores geradores anteriores à mesma data. Isso porque o voto do M.D. Ministro Luiz Fux, por diversas vezes, faz menção de continuidade de integração das multas punitivas ao passivo da empresa sucedida. O meu ponto de indagação dizia respeito a como poderia continuar a integrar o passivo da empresa sucedida penalidade aplicada após a sua extinção. Contudo, compulsando os precedentes citados no voto do julgado em questão restou evidente que o entendimento fixado pelo Tribunal da Cidadania impõe à sucessora o ônus de responder pelas multas punitivas aplicadas a fatos geradores anteriores à sucessão, ainda que tal cominação se dê após tal interregno. Nesse sentido, transcrevo trecho do voto que fundamenta o decidido no REsp nº 959.389/RS, citado como precedente pelo Ministro Luiz Fux: A questão a ser dirimida referese à responsabilidade da empresa sucessora pela multa aplicada à sucedida em razão de descumprimento de obrigação acessória, que, muito embora se refira a período anterior à sucessão, somente foi objeto de lançamento após a constituição da nova sociedade. (grifos nossos) Importa consignar, de início, que a partir do descumprimento da obrigação acessória surge, imediatamente, nova relação obrigacional entre o Fisco e o sujeito passivo cujo objeto refere se à prestação pecuniária, nos termos do artigo 113, § 3º do CTN: "§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." No mesmo sentido, a lição de Hugo de Brito Machado: "[n]a verdade o inadimplemento de uma obrigação acessória não a converte em obrigação principal. Ele faz nascer para o fisco o direito de constituir um crédito tributário contra a inadimplente, cujo conteúdo é precisamente a penalidade pecuniária, vale dizer, a multa correspondente " (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros. 26 ed. pg. 135). Reiterese, a obrigação principal nasce simultaneamente ao inadimplemento da obrigação acessória, muito embora o lançamento ocorra posteriormente. O regramento da responsabilidade dos sucessores recebe o influxo direto do artigo 129 do CTN que determina:"Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data." Conclui, então, Kiyoshi Harada: "...as normas disciplinadoras da sucessão da responsabilidade tributária alcançam os créditos tributários decorrentes de obrigações tributárias surgidas antes do fato ensejador da sucessão " (Direito Financeiro e Tributário. São Paulo: Atlas. 10 ed. pg. 432). O que importa, como bem Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.008048/200850 Acórdão n.º 1402001.485 S1C4T2 Fl. 413 10 alertado por Hugo de Brito Machado, "é saber a data da ocorrência do fato gerador" (op. cit. pg. 160). Tratandose de obrigação existente antes da sucessão, nos termos do artigo 129 do CTN, a responsabilidade pode ser atribuída ao sucessor. [...] Portanto, tratandose de obrigação anterior à sucessão empresarial, a responsabilidade é transferida à sucessora, mesmo que a constituição do crédito seja posterior ao ato, nos termos do artigo 129 do CTN. (RECURSO ESPECIAL Nº 959.389/RS, 2ª Turma do STJ, Relator Ministro Castro Meira, sessão de 07 de maio de 2009). Portanto, se a penalidade não compunha o passivo da sucedida, como no presente caso, em que foi cominada já na sucessora por infração cometida pela sucedida, a exigência, em princípio, não deve prevalecer. Em princípio porque, no âmbito do CARF, consolidouse o entendimento de que a responsabilidade por multas persistirá se a sucessão ocorrer entre empresas do mesmo grupo ou sob controle comum (aplicação a contrário senso da Súmula CARF nº 47). Contudo, no caso dos autos, a sucessão se deu empresas sem qualquer ligação societária, implicando a inexigibilidade das multas aplicadas. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10730.007724/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, quando devidamente comprovados por laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
O artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7713, de 1988, e alterações posteriores, não exige a curatela para a caracterização da alienação mental, para fins de isenção do IRPF
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, quando devidamente comprovados por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7713, de 1988, e alterações posteriores, não exige a curatela para a caracterização da alienação mental, para fins de isenção do IRPF Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 62 1 61 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.007724/200859 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.411 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente AGUINALDO JÚLIO DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, quando devidamente comprovados por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7713, de 1988, e alterações posteriores, não exige a curatela para a caracterização da alienação mental, para fins de isenção do IRPF Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 77 24 /2 00 8- 59 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.007724/200859 Acórdão n.º 2801003.411 S2TE01 Fl. 63 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RJ2/RJ. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.03/05 relativo ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2005, para cobrança do crédito tributário de R$ 4.671,91. O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos recebidos das seguintes fontes pagadoras: * Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 15.934,99; * Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, no valor de R$ 17.178,00. 0 enquadramento legal encontrase is fls. 04/05. Inconformado, o interessado, por intermédio de sua procuradora (fls.02 e 06), ingressou com a impugnação de fl.01, alegando que o Sr. Aguinaldo Julio de Castro é portador de alienação mental, conforme laudo pericial oficial, entendendo que o montante considerado omisso no lançamento é totalmente isento pela legislação do imposto de renda pessoa física. Em face do exposto, requer a liberação do valor de R$ 295,89, referente ao resultado de sua declaração de ajuste/2006, retido indevidamente. Cumpre ressaltar que, em 17/10/2011 (fl.20), o interessado foi intimado a apresentar cópia do Termo de sua Curatela Judicial. E, em resposta, a representante legal do contribuinte informou, por meio da petição de fl.21, que, por motivos imperiosos o Termo de Curatela fora substituído por procuração, cuja copia encontrase à fl.23. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 38/41, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preenche os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.007724/200859 Acórdão n.º 2801003.411 S2TE01 Fl. 64 3 aposentadoria/reforma ou pensão, e o outro que relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal (a partir do mês da emissão do laudo ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 08/02/2012 (fl. 44), o contribuinte, representado por sua procuradora, interpôs recurso voluntário de fl. 46, em 08/03/2012. Em sua defesa alega ser portador de moléstia grave desde 1993 e que não há o que se questionar sobre o direito de isenção constante na Lei 7713 de 22 de dezembro de 1988. Quanto ao Termo de Curatela, determinado pelo art. 1767 do código civil, informa que não houve desvio de conduta, haja vista que "Ação de Interdição", fora requerida (doc. anexo), decidindo p/despacho o MM Dr. Juiz de Direito da 1ª Vara de Família de Niterói. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o recorrente sustenta que faz jus à isenção prevista no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações. Sobre a matéria, assim dispõe o inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)” Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995 determina: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.007724/200859 Acórdão n.º 2801003.411 S2TE01 Fl. 65 4 “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).” Cumpre destacar que a partir de 1º de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto a essa matéria, a decisão recorrida assim se manifestou: Primeiramente, é de se informar que, de acordo com o laudo de fl. 07, exarado pelo Instituto Nacional do Seguro Social, o contribuinte é portador desde 13/05/1993 da doença apontada na CID X sob o código F.33.2 ( transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos), caracterizando "de acordo com DMA às fls. 02 do processo quadro de ALIENAÇÃO MENTAL". Ressaltese, no entanto, que para ser acatada a moléstia grave alienação mental deveria ser trazida à colação o Termo de Curatela do interessado como solicitado na Intimação de fl.20, tendo em vista o que determina o Código Civil atual em seu artigo 1767 que define que, em razão de sua incapacidade, está sujeito à Curatela os que, "por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil". Sendo assim, deixase de analisar o outro requisito essencial à fruição da isenção ora pleiteada, qual seja, a natureza dos rendimentos auferidos pelo interessado no anocalendário ora em análise (2005). Frisese que a legislação do imposto de renda exige como condição de validade para o laudo médico que tal instrumento se revista do detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes para tornarse um meio capaz de formar a convicção da autoridade fiscal. Cabe ressaltar que, de acordo com o estabelecido na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.007724/200859 Acórdão n.º 2801003.411 S2TE01 Fl. 66 5 modo diferente o assunto. E que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Concluise, então, que o contribuinte não tem direito à isenção prevista na Lei n° 7.713/1988, artigo 6°, inciso XIV, com a redação da Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995, no anocalendário ora em análise. O Recorrente comprovou, pelo Laudo Médico Pericial emitido por Perito Médico do Instituto Nacional do Seguro Social em 01/12/2006 (fl. 47 ou 08), ser portadora de alienação mental desde 13/05/1993. Os rendimentos tidos como omitidos no presente caso, oriundos do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, referemse a proventos de aposentadoria, conforme demonstram os documentos de fls. 14 e 55/58. Portanto, estão presentes os dois requisitos legais para reconhecimento da isenção prevista no art. 6º da Lei 7.713/1988, inciso XIV. Ressaltese que não há na legislação tributária qualquer exigência para que a caracterização de alienação mental esteja condicionada à existência de uma curatela. Portanto, entendo ser descabida tal exigência. O fato de o autuado ter praticado atos próprios do agente capaz, como manifestação da vontade, incompatíveis com a alienação mental, não lhe retira esta condição de doente mental, sem prova firme e segura que possa infirmar o Laudo médico oficial constante dos autos. Com isso, até prova em contrário, ou existência de dolo, fraude ou simulação, o Laudo médico oficial deve prevalecer, mesmo diante da fé pública do tabelião que lavrou procuração, quando o autuada estava incapacitado para o exercício dos atos da vida civil. Assim, é de se reconhecer a isenção invocada e cancelar o lançamento referente à omissão de rendimentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.007724/200859 Acórdão n.º 2801003.411 S2TE01 Fl. 67 6 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 19814.000320/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/03/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.922
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 185 1 184 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19814.000320/200617 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3102001.922 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria Embargos de Declaração Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Reproduzo uma vez mais o teor do Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado. O presente Auto de Infração trata da cobrança de Multa do Controle Administrativo das Importações (100% Art. 88, parágrafo único, da Medida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 03 20 /2 00 6- 17 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 186 2 Provisória nº 2.1583501, regulamentado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02). De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração, em ato de conferência aduaneira a que se refere o artigo 504 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002 e, à vista do que determina a Portaria MF nº 150/82, entende a fiscalização que o Importador não faz jus aos direitos pleiteados, para importação dos bens objetos da DI de nº 06/02849068, registrada em 13/03/2006, fls. 89/98, sem a incidência do imposto de importação, na forma do disposto no artigo 71, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, pelas razões a seguir. O importador submeteu a despacho aduaneiro de exportação para substituição os bens descritos nas R.E.s de fls.14/22, fundamentando sua petição inicial na Portaria MF nº 150/82, modificada pelas Portarias MF nºs 326/83 e 240/86. Destacou a fiscalização que a Portaria MF nº 150/82, trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia e que apresentarem defeito de fabricação, dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Analisando os autos, não consta laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma da Portaria MF nº 150/82, que comprove a imprestabilidade da mercadoria substituída. Embora o interessado tenha especificado, no Campo 25, das REs (fls. 13/20) – Observações do Exportador as DIs de Nacionalização, na análise das referidas DI, fls. 35/62, podemos observar que não foram importados os Amplificadores destacados nas REs. As folhas 70/75 do presente processo encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77996/2005, emitido pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01 (um) amplificador de potência 40w 800 MHz, Part Number TTF1580A e 01 (um) amplificador de potência 40W 800 MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: “De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o amplificador de potência Part Number TTF1580A e o amplificador P/N CLF 1772F”, e que “de acordo com os resultados de inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N TTF1580A e o amplificador PN CLF 1772F”. As L.I.s foram deferidas sem a apresentação do necessário laudo técnico, conforme podemos observar nos próprios documentos, os termos: NÃO EXISTE LAUDO TÉCNICO PARA ESTA ANUÊNCIA, portanto, contrários ao que determina a Portaria MF nº 150/82. Segundo entendimento da fiscalização, na alteração do Part Number da mercadoria, principalmente tratando de bens de informática e telecomunicações, tais como: placas, disco rígido, amplificador de potência, o novo bem traz consigo inovações tecnológicas, face a rapidez nas evoluções tecnológica dessa área, tanto em software quanto em hardware, impondo uma depreciação acelerada tendo em vista da sua obsolescência. Os equipamentos importados em substituição com novo Part Number, vem com tecnologia atualizada, mais avançada, ou também poderão vir bem recondicionados ou manufaturados, como material, impossível de ser analisado no Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 187 3 ato do desembaraço, visto não dispormos do País, de Laboratórios de Análise que possa detectar defeitos em componentes eletrônicos de placas, discos rígidos e outros bens da área de informática e telecomunicações. Além do que, conforme comprova o Relatório de Inspeção emitido pela SGS com a alegação de que: “O amplificador de potência 40w 800MHZ não está mais sendo fabricado pela MOTOROLA INC., com o Part Number TTF1580A e por isso, está sendo substituído pelo Part Number CLF1772F”, de plano contradiz o que determina a Portaria MF 150/82. Quanto ao contrato, entende a fiscalização que entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o benefício de não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL). Isso porque, tratase de Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores e, conserto definido do módulo... “Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento”. Notase que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor. Através da Petição, protocolada em 14/03/2006, fls. 88, a interessada solicita a “REIMPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS OBJETOS DA D.I. nº 06/02849068, SEM INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS” fundamentando seu pedido nos artigos 74, inciso II e 409 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002. Os dispositivos legais citados, tratamse somente de exportação temporária, em nenhum momento fala de substituição de mercadorias nos termos da Portaria MF nº 150/82. Por fim, cabe destacar que, conforme citado pela fiscalização, em recente trabalho de representação fiscal contra a NEXTEL, processo nº 10831.008937/2003 55, ficou constatado, através de documentos da própria empresa, “Packing List” com valor FOB das mercadorias, encontrados no interior dos respectivos volumes”, trazendo com isso, valores muito superiores aos declarados nas importações, cujas mercadorias, naquele momento estavam sendo despachadas em regime de exportação temporária para conserto, levando a fiscalização a detectar fortes indícios de subfaturamento nas importações, conforme demonstrado as fls. 04/06 do Auto de Infração. Entre outros, conforme fls. 05 do Auto de Infração, encontravase no Packing List, o preço do Amplificador de Potência de 40W, no valor de US$ 15.473,00. (negritei) Em vista disso, foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 01 a 10, para a cobrança da multa prevista no artº 633, inciso I do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, multa esta de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Ciente do Auto e Infração em 22/05/2006 (fl. 01); em 21/06/2006, a interessada apresentou a impugnação de fls. 222/233, onde em síntese alegou: o procedimento adotado pela Impugnante na exportação para substituição dos equipamentos insertos nas DIs foi analisado pela fiscalização aduaneira, concluindo erroneamente pela diferença apurada entre o preço declarado e o preço Fl. 435DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 188 4 efetivamente praticado pela Impugnante, aplicando à mesma multa administrativa, ante os seguintes argumentos: (i) ausência de laudo técnico a amparar as exportações para substituição; (ii) que o contrato de garantia celebrado entre a Impugnante e o fabricante dos equipamentos sujeitos a reparo não ampara a substituição de peças e equipamentos sem a incidência de tributos; (iii) que a mera alteração de Part Number dos equipamentos implica na inovação tecnológica dos mesmos; e (iv) diferença de valores entre os equipamentos objeto da presente autuação fiscal e outros importados anteriormente pela Impugnante; forçoso concluir que o conjunto da autuação levada a efeito, não se sustenta, possivelmente pela especificidade da matéria em comento. É o que se passa a demonstrar; todos os requisitos previstos na Portaria MF nº 150/82, foram cumpridos, bem como inexiste qualquer subfaturamento apto a justificar a cobrança da multa administrativa aqui combatida; alega a fiscalização que as exportações para substituição procedidas pela Impugnante foram feitas sem o respaldo de laudo técnico, exigido pela Portaria MF nº 150/82; a Impugnante apresentou laudo técnico, elaborado pela empresa SGS do Brasil Ltda. Multinacional de renome mundial, presente em mais de 136 países e de idoneidade incontestável; referido laudo, denominado Relatório e Inspeção, teve por objetivo apresentar o resultado da inspeção realizada pela empresa nos equipamentos defeituosos embarcados para substituição ser promovida pela Motorola Inc., com o fito de identificar defeitos ou imprestabilidade ao fim a que se destina, concluindose que “a partir dos resultados descritos acima, constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando assim o seu uso ao fim a que se destinam.” (Doc. 02) grifou; o laudo técnico foi apresentado ao DECEX Brasília em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCOMEX.. Tanto assim que, cumprida tal exigência, foi deferido pelo mencionado órgão o competente Registro de Exportação, consoante demonstrado no cronograma (fls.226); o laudo técnico emitido pela empresa SGS do Brasil Ltda., no qual atesta a imprestabilidade dos equipamentos remetidos para substituição mediante exportação prevista na Portaria MF nº 150/82 faz parte integrante do referido processo de exportação para substituição; a Portaria nº 150/82, não exige descrição detalhada da mercadoria, Part Number e número de série, país de origem, etc; ainda que assim não fosse, é certo que os equipamentos exportados pela Impugnante para substituição tiveram suas descrições detalhadas no referido laudo, o que torna inconteste a possibilidade da fiscalização aduaneira identificar os equipamentos imprestáveis para uso e sujeitos à substituição; além do laudo, a Impugnante requereu a elaboração, pela mesma empresa SGS do Brasil Ltda., de laudo atestando a inexistência de diferenças técnicas entre os equipamentos substitutos e substituídos; Fl. 436DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 189 5 isso porque, alguns dos equipamentos objeto da exportação para substituição tiveram alterado o número de seu Part Number, sem que tal alteração trouxesse, contudo, qualquer melhoria funcional em tais equipamentos, (Doc. 03); a alteração de Part Number não traz qualquer inovação funcional e tecnológica nos equipamentos, que mantém a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos; a Portaria que disciplina a exportação de equipamentos para substituição foi publicada no ano de 1982, época em que a tecnologia era incipiente; a Impugnante possui com a empresa fabricante dos equipamentos substituídos Motorola Inc. contrato de garantia o que torna sem sentido, em termos comerciais, que a fabricante incremente a tecnologia de equipamentos suportados por garantia sem a cobrança de qualquer contraprestação; os equipamentos defeituosos foram substituídos por outros de mesma capacidade e função; para justificar o alegado subfaturamento, pautase na existência de um “Packing List” cujo valor declarado é superior àqueles declarados nas importações ora analisadas. Tais argumentos, todavia, são desprovidos de qualquer fundamento fático e legal, (cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes); o método de valoração aduaneira adotado pela Impugnante, cumulado com o acordo comercial estabelecido entre as partes pressupõe que a empresa autuada deverá considerar o preço efetivamente praticado na importação dos equipamentos e não aquele relacionado no referido “Packing List”, o que afasta integralmente o alegado subfaturamento e das mercadorias; não se pode deixar de mencionar que a Impugnante, até os dias atuais, á a única empresa que opera com referida tecnologia no Brasil, o que a coloca na condição de empresa importadora de grande quantidade dos equipamentos objeto da inspeção aduaneira e autuação fiscal aqui combatidas; a fiscalização aduaneira não possui sequer parâmetros de comparação dos preços praticados pela Impugnante com outras empresas do ramo de telecomunicações a amparar qualquer alegação de subfaturamento; nos casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia, não há prazo estipulado pra a exportação das mercadorias imprestáveis ao fim a que se destinam, razão pela qual, à vista do contrato de garantia dos equipamentos importados, o direito da Impugnante à exportação para substituição daqueles imprestáveis para uso, se, cobertura cambial, está garantido pela Portaria MF nº 150/82; requer o cancelamento das cobranças intentadas, com o conseqüente arquivamento dos autos deste contencioso administrativo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/03/2006 NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 190 6 Provado que a importação efetuada não atende às condições estabelecidas pela Portaria MF nº 150/82, com modificação da Portaria MF nº 240/86, é cabível a multa prevista no artº 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, por se tratar de importação comum. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. Referese ao artigo 24 da Lei 11.457/07. Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte A impugnação, informa, foi protocolizada perante a Inspetoria da Alfândega do Aeroporto de Viracopos em 21/06/2006, com decisão proferida, tãosomente, em 24/06/2009. No mérito, que o primeiro argumento trazido pela autoridade julgadora para manutenção do auto de infração, o prazo de 90 dias para reexportação, não leva em consideração a exceção prevista no item 3.2 da Portaria 150/82. Quanto à exigência de Laudo técnico, que o mesmo foi apresentado ao DECEX Brasília em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCO1VIEX. Tanto assim que, cumprida tal exigência, foi deferido pelo mencionado órgão o competente Registro de Exportação, consoante demonstrado no cronograma abaixo (...). Quanto à alteração do part number identificada pela Fiscalização Aduaneira. Ao contrário do que pretende fazer crer a fiscalização aduaneira, a alteração de part number não traz qualquer inovação funcional ou tecnológica nos equipamentos, que mantêm a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos, o que de nenhuma forma pode ser confundido com a modificação da mercadoria em si pela fabricante, sem lograr nenhum beneficio senão cumprir as obrigações pelas quais se comprometeu comercialmente. Em relação à acusação de subfaturamento do preço, baseada informações contidas em packing list, menciona “acordo comercial firmado entre a Recorrente e a Motorola Inc. para a aquisição dos equipamentos por ela produzidos, dentre outros, o qual autoriza a prática de preços diversa daquela constante da lista de referência dos preços cobrados pela Motorola Inc.. (vide Doc. 05 da defesa administrativa). E acrescenta. Ademais, a importação ora questionada é realizada sem cobertura cambial, posto que amparada na Portaria MF n° 150/82 e artigo 71, II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, o que denota inexistir qualquer beneficio para a empresa na atribuição de valores inferiores àqueles que efetivamente deveriam ser praticados. Essa importação não gera saída de divisas do País e não deve gerar obrigatoriedade de pagamento de quaisquer tributos, dada sua natureza jurídica de mera reposição de equipamentos defeituosos, anteriormente importados. (grifos no original) A decisão tomada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi assim ementada. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 191 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/03/2006 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. VALOR. ARBITRAMENTO. MULTA DE 100%. DOLO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. PENALIDADE. EXCLUSÃO. A imposição de multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço praticado, ou preço declarado e preço arbitrado, nos casos de subfaturamento na importação, exige a comprovação da ocorrência de fraude, sonegação ou conluio na operação investigada. A irregularidade constatada no curso de outro procedimento de fiscalização não traz, por si só, presunção absoluta de infração de caráter intencional praticada nas demais operações conduzidas pela pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido Comparece, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Alega omissão do Colegiado, ao deixar de levar em conta, na formação de juízo a respeito da infração por subfaturamento, além do Packing List correspondente a uma operação de exportação cuja importação ocorrera cinco anos antes da que era objeto da lide, outras provas acostadas aos autos pela Fiscalização Federal. Assim explica suas razões, Entretanto, ao assim decidir o E. Relator foi omisso ao não se manifestar sobre outra prova acostada pela Fiscalização para comprovar subfaturamento, qual seja: "Observamos que quando o exportador é o mesmo fabricante (MOTOROLA INC. os amplificadores de potência 40W tem como valor unitário 15.473,00 (quinze mil, quatrocentos e setenta e três dólares americanos), conforme comprova a DI 02110497607,...)” Ou seja, quando o próprio fabricante é o exportador temos que o valor da mercadoria é similar ao contido no packing list utilizado pela Fiscalização cujos valores estão muito acima do valor declarado pelo Autuado, em media de US$ 2.900,00. (...) Ora, esta prova aliada as demais contidas nos autos e consideradas indiciárias pelo relator (falta de laudo técnico, alteração de part number e tempo transcorrido entre a exportação e importação para reparo) já servem para amparar a autuação. É o Relatório. Voto Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 192 8 Reexaminando o processo, chego à conclusão de que não ocorreu a omissão acusada pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Conforme se depreende do teor do excerto abaixo reproduzido, extraído do Voto condutor da decisão embargada, a informação de suposta afetação do preço quando exportador e fabricante eram a mesma pessoa, Motorola, foi relatada e levada em consideração pelo Colegiado, se não vejamos. Conforme se extrai do texto, a autuação foi baseada em recente trabalho de representação fiscal contra a Nextel, processo n° 10831.008937/200355. Esse processo, fica claro, nada tem a ver com o procedimento veiculado no Auto de Infração sub judice. Se não pela ausência de elementos que indiquem qualquer vinculação do paking list com a importação realizada por meio da Declaração de Importação nº 06/02849068, na qual foram declaradas as mercadorias com preços considerados subfaturados, pelo simples fato de que tal representação ocorreu no ano de 2003, conforme indica o processo, e a importação em análise no ano de 2006. O texto da Descrição ainda menciona outros documentos que confirmam que o procedimento levado a efeito pela Fiscalização Federal tomou por base fatos identificados em outras operações. Neste sentido o esclarecimento de que a DI nº 01/05812794, de 11/06/2001, foi parametrizada para o Canal Cinza de importação, e que a DI nº 02/10497607, de 26/11/2002 confirma preços determinados em função do fabricante Motorola. (grifos incluídos) O fato é que, tanto quanto para os demais elementos de prova apresentados pela Fiscalização Aduaneira com vistas à comprovação do ilícito, a constatação de informação de preços subfaturados ou subvalorados quando a Motorola foi o exportador, estava respaldada em uma operação realizada ainda no ano de 2002. O raciocínio é o mesmo para todos os elementos de prova apresentados. A acusação de subfaturamento do preço requer a comprovação da presença do elemento volitivo. Conforme exposto no Acórdão embargado, infrações dessa natureza não podem basearse em ocorrências remotas, cuja reincidência sequer foi investigada. Vejase o pronunciamento contido no Voto. A acusação de subfaturamento do preço não se confunde com os demais casos revisão do valor aduaneiro declarado, seja a revisão decorrente da rejeição do primeiro método, seja da recomposição da base de cálculo, com a inclusão de valores que, embora não integrem o preço, devem ser acrescentados à base de cálculo dos tributos aduaneiros. No subfaturamento, é preciso que seja provado que o preço ou valor praticado naquela operação não foi o informado pelo importador na declaração de importação. Ao contrário, a rejeição do primeiro método ou recomposição do valor requer apenas o enquadramento do fato nas condições definidas na legislação de regência como aptas à rejeição do primeiro método ou inclusão de valores na base de cálculo. E, ainda, ao final, esclarece a razão por que considera que acontecimentos passados não sejam aptos à comprovação do ilícito. Em sentido diametralmente oposto, temse que também não é possível admitir que a constatação da ocorrência de uma infração dolosa em determinado momento se irradie para todas as demais operações conduzidas pela pessoa jurídica, trazendo a Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 193 9 presunção de fraude para todas as negociações que venham a ser consumadas dali por diante. Sopesando todas essas circunstâncias, é preciso que se diga que, no caso concreto, pelo teor da Descrição dos Fatos do Auto de Infração, a acusação de subfaturamento do preço está respaldada, exclusivamente, em um paking list encontrado pela Fiscalização em uma operação de exportação cuja importação correspondente ocorrera cinco anos antes da importação objeto da presente autuação, e nada mais. A falta de um laudo técnico, o tempo transcorrido entre a importação e a exportação para reparo, a diferença de part number entre os bens exportados e importados, poderiam oferecer elementos subsidiários na constituição de quadro indiciário, mas, isoladamente, pareceme, nada representam quando a intenção é a de comprovar o subfaturamento do preço. Pertinente esclarecer o porquê da menção ao paking list encontrado pela Fiscalização como único elemento de prova do subfaturamento. É que os outros elementos indicados pela Fiscalização, ainda que fossem atuais, seriam muito mais adequados ao procedimento de rejeição do Primeiro Método de Valoração do que à acusação por subfaturamento do preço. Explico. Tomando como exemplo a própria questão suscitada pela Embargante. Se, de fato, ao importar de uma empresa do grupo há evidência de que o preço praticado é inferior ao preço normal de mercado, temse, claramente, hipótese de rejeição do primeiro método. Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; (ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou (iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contra prestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000320/200617 Acórdão n.º 3102001.922 S3C1T2 Fl. 194 10 (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo (grifos meus) Ou seja, quando empresas, aproveitando a condição especial de relacionamento que têm entre si, praticam preços que lhes são mais convenientes, não há que se falar em subfaturamento do preço, mas em prática de mercado que enseja a valoração da mercadoria por método substitutivo. De outra banda, a existência de um packin list informando outros preços naquela operação específica demonstra que o valor declarado não foi o efetivamente praticado, o que tem força suficiente para a sustentar a acusação de subfaturamento do preço. Foi por esse motivo que o packing list considerado o único elemento de prova disponível. Contudo, como se disse, relacionado a fatos pretéritos, ocorridos mais de seis anos antes da importação em epígrafe e sem nenhuma conexão com o caso investigado. Ante tais considerações, VOTO POR REJEITAR os Embargos Declaração interpostos. Sala das Sessões, 27 de junho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13672.000127/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 2. 00 01 27 /2 00 8- 23 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13672.000127/200823 Acórdão n.º 2801003.378 S2TE01 Fl. 45 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a. Turma da DRJ/BHE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a.Turma da DRJ/BHE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra Maria CristinaTrindade Barbosa, fls. 04/06, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, cujo lançamento originouse da revisão dos dados informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007, ano calendário 2006, conforme demonstrativo abaixo: Demonstrativo do Crédito Tributário Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar 4.455,00 Multa de Oficio 3.341,2 5 Juros de Mora (calculado até 31/03/2008) 447,28 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 125,73 Multa de Mora (Não passível de redução) 25,14 Juros de Mora (calculado até 31/03/2008) 12,62 Valor do Crédito Tributário Apurado 8.407,02 A Notificação de Lançamento (NL) n° 2007/606450041544014 decorreu da glosa de despesas médicas pleiteadas com os profissionais Alexandra Rosa Oliveira (R$3.200,00), Juliana de Oliveira Takaki (R$3.000,00), Vaneza Ribeiro Batista Freire (R$5.000,00) e Sandro Lúcio O. Gadbem (R$5.000,00), totalizando R$16.200,00. Houve também a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$125,73, referente à fonte pagadora Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais. Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05, a glosa do valor de R$16.200,00 se deu por falta de comprovação com documentação adequada. A auditoria acrescenta que a contribuinte apresentou recibos incompletos, não se informando o beneficiário do tratamento. Alguns foram Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13672.000127/200823 Acórdão n.º 2801003.378 S2TE01 Fl. 46 3 preenchidos em dois tempos (grafia e canetas diferentes) e sem preenchimento da localidade (Sandro Lúcio O. Gadbem), outro sem carimbo da profissional (Juliana de Oliveira Takaki). A contribuinte foi cientificada da notificação em 31/03/2008 (fls.20), apresentando impugnação em 30/04/2008 (fls. 01/03), acompanhada dos documentos de fls. 04 a 13, alegando em síntese que: Quando da entrega de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais ainda não lhe havia entregado o comprovante de rendimentos e, para não perder o prazo final, informou o mesmo valor do IRRF do anocalendário 2005. Em 28/02/2008, antes da lavratura da Notificação, que se deu em 17/03/2008, foi efetuado o recolhimento da diferença apurada, acrescida de multa e juros, conforme Darf anexado. Assim, requer seja excluído da notificação, o valor referente à compensação indevida do IRRF. A glosa de despesas médicas foi procedida de forma generalizada, sem a observância minuciosa, detida e aprofundada das despesas de forma individualizada, presumindose a ilegalidade dos comprovantes apresentados. Os fatos descritos na notificação não merecem crédito, pois não se coadunam com os documentos apresentados. As despesas liquidadas junto a Vaneza R. B. Freire e Alexandra Rosa Oliveira estão regularmente comprovadas, não podendo ser inclusas nas descrições fáticas lançadas na notificação para fins de glosa. A inexistência de carimbo no recibo firmado por Juliana Takaki não justifica a glosa, pois os dados da profissional e a aposição da assinatura, por si só, eliminam dúvidas e questionamentos quanto à veracidade do documento. Os recibos emitidos por Sandro Lúcio O.Gadbem não podem ser desconsiderados por falta de localidade e/ou grafias diferentes, uma vez que é plenamente justificável tal fato, isso porque pode ocorrer o preenchimento por uma pessoa, isto é, secretária do profissional e, detectando a omissão de dados em alguns campos, não há óbice que o beneficiário do pagamento supra mencionada falha. Não se pode constituir crédito tributário por presunção, como fez a impugnada, que sustenta questionamento fiscal apenas em hipóteses, alienado de prova material concreta. Não se pode admitir tributação por fato provável, plausível, possível, mas somente por fato ocorrido, consumado. O art. 112 do CTN prevê o princípio in dúbio pro contribuinte, que autoriza o julgador, em caso de infrações tributárias, julgar de forma mais favorável ao contribuinte quanto à capitulação Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13672.000127/200823 Acórdão n.º 2801003.378 S2TE01 Fl. 47 4 legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão de seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade, à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Neste processo, demonstrase plenamente aplicável o art. 112 do CTN, visto que há dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. A dedutibilidade dos gastos realizados pela declarante foi embasada em documentação apropriada, sendo totalmente descabida e improcedente a desconsideração das referidas despesas. Sob os auspícios dos princípios descritos na Constituição Federal/1988, os da ampla defesa e contraditório, requer seja determinada a intimação dos beneficiários dos pagamentos pelos serviços prestados para prestarem informações acerca da autenticidade dos comprovantes. Requer seja considerada procedente a impugnação, com a conseqüente desconstituição do presente lançamento. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de ( fls.27/34), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. E mantida a glosa de despesas com saúde quando os documentos apresentados não comprovam que o paciente ou beneficiário dos serviços prestados seja o contribuinte ou seu dependente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 07.07.2011( fl.35 ), a contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso em 05.08.2011, às ( fls.36/40 ). Em sua defesa, argumentou em síntese o seguinte: ● Aduz que as despesas médicas liquidadas junto as profissionais Vaneza Ribeiro Batista Freire e Alexandra Rosa Oliveira, não foram mencionadas para efeito de glosa, estão regularmente comprovadas. ● Alega que a glosa de todas as despesas médicas demonstra que não houve análise detida, aprofundada e individualizada dos comprovantes apresentados. ● Argumenta que os recibos das profissionais Vaneza Ribeiro Batista Freire e Alexandra Rosa Oliveira atendem os requisitos legais do art. 8o,§ 2o, inciso II, da Lei 9.250/1995. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13672.000127/200823 Acórdão n.º 2801003.378 S2TE01 Fl. 48 5 ● Diz ainda que a falta de especificação de alguns dados dos profissionais Sandro Lúcio º Gadben e Juliana de Oliveira Takaki, não tem o condão de macular a verdade das despesas, portanto, deve ser considerada regular. ● Ao final requer seja julgado inteiramente procedente o presente recurso, por ser de inteira justiça. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS A controvérsia cingese à glosa da dedução de despesas médicas referentes as profissionais Alexandra Rosa Oliveira (R$ 3.200,00), Juliana de Oliveira Takaku (R$ 3.000,00),Vaneza Ribeiro Batista Freire (R$ 5.000,00 ) e Sandro Lúcio Gadbem (R$ 5.000,00), totalizando R$ 16.200,00, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Na impugnação a contribuinte não apresentou elementos de prova que suprissem as faltas apontadas pela fiscalização, nem tampouco nessa fase recursal. No que concerne ao IRRF no valor de R$ 125,73, a contribuinte reconhece a irregularidade. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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