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Numero do processo: 16561.720112/2011-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura.
FATO GERADOR. DEFINIÇÃO POR DECRETO. IMPOSSIBILIDADE.
Dispõe o artigo 97 do Código Tributário Nacional- CTN, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal.
O Decreto tem que ser aplicado em harmonia com a lei, por uma questão hierárquica. Qualquer natureza, prevista em lei, induz o entendimento de uma listagem não taxativa, por se tratar de uma norma secundária, não se pode inovar, mas apenas dar cumprimento a lei.
CIDE X CONDECINE .
A CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE. Enquanto aquela contribuição somente incide sobre os royalites remetidos ao exterior em decorrência da comercialização dos direitos autorais relativos às obras intelectuais e criativas, já CONDECINE, por sua vez, incide sobre os pagamentos devidos em razão da aquisição ou importação de tais obras, a preço fixo, ou seja, possui um âmbito de incidência muito mais amplo e genérico do que a CIDE-royalties.
INCLUSÃO DO IRRF NA BASE DE CÁLCULO DA CIDE. POSSIBILIDADE.
Sujeita-se, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE deve-se considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue.
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-005.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente Convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. A partir de 1/1/2002, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide também sobre o valor de royalties, a qualquer título, que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior, inclusive os royalties decorrentes de licença e direito de uso na exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura. FATO GERADOR. DEFINIÇÃO POR DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. Dispõe o artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto tem que ser aplicado em harmonia com a lei, por uma questão hierárquica. Qualquer natureza, prevista em lei, induz o entendimento de uma listagem não taxativa, por se tratar de uma norma secundária, não se pode inovar, mas apenas dar cumprimento a lei. CIDE X CONDECINE . A CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE. Enquanto aquela contribuição somente incide sobre os royalites remetidos ao exterior em decorrência da comercialização dos direitos autorais relativos às obras intelectuais e criativas, já CONDECINE, por sua vez, incide sobre os pagamentos devidos em razão da aquisição ou importação de tais obras, a preço fixo, ou seja, possui um âmbito de incidência muito mais amplo e genérico do que a CIDEroyalties. INCLUSÃO DO IRRF NA BASE DE CÁLCULO DA CIDE. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 12 /2 01 1- 26 Fl. 7052DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.053 2 Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente Convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 7053DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.054 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte (fls. 6.893 a 6.909, e documentos às fls. 6.910 a 7.003) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3101001.694 (fls. 6.827 a 6.845) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 16 de setembro de 2014, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ajustar a base de cálculo considerando a taxa de câmbio vigente à data de ocorrência do fato gerador para conversão do valor. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CIDE. INCIDÊNCIA. LICENÇA DE USO OU AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, e royalties. FATO GERADOR. DEFINIÇÃO POR DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade com suas disposições. CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A base de cálculo da CIDE é o valor do serviço contratado, creditado e/ ou pago ao prestador no exterior. Inexiste amparo legal para a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em nome e por conta a licenciante, da base de cálculo desta contribuição. CIDE. BASE DE CÁLCULO. CONVERSÃO EM MOEDA NACIONAL. Para determinar a base de cálculo da contribuição, o valor em reais das transferências externas será apurado conforme determina o artigo 143 do CTN, ou seja, com base na taxa de câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação. Fl. 7054DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.055 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Na data de 22/12/2011, a Contribuinte foi cientificada da lavratura de Auto de Infração (fls. 6.383 a 6.390) para exigência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) Remessas ao Exterior referente ao período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. O lançamento decorre do entendimento da Fiscalização pela incidência da CIDE sobre os pagamentos efetuados ao exterior em contrapartida pelo uso ou exploração de direitos autorais sobre obra artística, exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura, por terem natureza de royalties. Também é exigida a inclusão do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) na base de cálculo da referida contribuição. A impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo (fls. 6.439 a 6.459), foi julgada improcedente, mantendose o lançamento fiscal na íntegra, conforme Acórdão nº 16 38.338 (fls. 6.652 a 6.671), proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP). Não resignado com a decisão, apresentou recurso voluntário (fls. 6.679 a 6.708), o qual foi parcialmente provido tão somente para ajustar a base de cálculo considerando a taxa de câmbio vigente à data de ocorrência do fato gerador para fins de conversão, nos termos do Acórdão nº 3101001.694 (fls. 6.827 a 6.845), ora recorrido. Na sequência, a Contribuinte apresentou embargos de declaração (fls. 6.876 a 6.880) alegando contradição no julgado quanto à conclusão de que o Decreto nº 4.195/2002 não modificou a incidência da CIDE, os quais foram rejeitados por meio do despacho s/nº de 25/09/2015 (fls. 6.886 a 6.890). No ensejo, insurgese a Contribuinte por meio de recurso especial (fls. 6.893 a 6.909, e documentos às fls. 6.910 a 7.003) suscitando divergência jurisprudencial com relação aos seguintes pontos: (a) não incidência da CIDE nos pagamentos ao exterior pela aquisição de conteúdo, subdividindose o tópico em: Fl. 7055DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.056 5 (a.1) natureza jurídica dos pagamentos, por não se caracterizarem como royalties, uma vez efetuados diretamente ao autor da obra; e (a.2) aplicação do art. 10 do Decreto nº 4.195/2002; (a.3) impossibilidade de cobrança cumulativa da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine; (b) não inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE; e (c) exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos, respectivamente: (a) 30335.834 e 30134.753; (b) 320100.415; e (c) 9202 002.600. O recurso especial foi admitido parcialmente, tendo prosseguimento quanto à aplicação do Decreto nº 4.195/02 para não incidência da CIDE; impossibilidade de cobrança cumulativa da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine; não inclusão do IRF na base de cálculo da CIDE e à exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme Despacho s/nº, de 18 de dezembro de 2015 (fls. 7.010 a 7.015), proferido pelo Ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, e confirmado em sede de reexame de admissibilidade (fls. 7.016 a 7.017). Foi entendido como não comprovada a divergência jurisprudencial com relação ao enquadramento ou não dos pagamentos realizados para o exterior no conceito de royalties. No que tange aos tópicos do recurso especial que tiveram prosseguimento, a Recorrente sustentou, em síntese, que: (a) a diferença entre os conceitos de direitos autorais e royalties confirmase pelo Decreto nº 4.195/02, publicado com a finalidade de regulamentar a CIDE, tendoo feito nos exatos limites da Lei nº 10.168/00; (b) nos termos do art. 10 do Decreto nº 4.195/02, são passíveis de tributação apenas os contratos que tenham por objeto o fornecimento de tecnologia ou a utilização de conhecimento tecnológico, como é o caso dos serviços técnicos de sessão de marcas e patentes. Não estão contemplados no Decreto os direitos autorais, no caso em análise decorrente de mera cessão do direito de transmitir determinado conteúdo em canais de televisão por assinatura, estando direitos autorais fora do campo de incidência da CIDE; (c) a melhor interpretação a ser dada ao art. 10 do Decreto nº 4.195/02 é de que o mesmo é taxativo, por prestigiar a referibilidade e assegurar a adequação entre o fato gerador e a incidência da CIDE, conservandose a lógica interna e a utilidade do ato normativo; (d) os pagamentos efetuados pela Recorrente constituemse em remuneração por direito autoral e não royalties, razão pela qual estão Fl. 7056DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.057 6 sujeitos ao recolhimento da CONDECINE, a qual, assim como a CIDEroyalties, é uma contribuição de intervenção no domínio econômico, no entanto, voltada para o setor cinematográfico e videofonográfico, guardando referibilidade com o setor audiovisual, enquanto a CIDEroyalties tem referibilidade com o setor de tecnologia; (e) ainda que se admitisse que as operações tributadas pela CONDECINE são potencialmente também tributáveis pela CIDE royalties, a cobrança da segunda deve ser afastada para prevalecer apenas o gravame mais específico; (f) no que tange à inclusão do IRF na base de cálculo da CIDE nos pagamentos efetuados para as programadoras estrangeiras, não é necessário que haja lei prevendo a sua exclusão; (g) o IRF não compõe o valor pago, entregue, empregado ou remetido para o exterior, que é justamente a base de cálculo da CIDE; constituise, outrossim, em parcela de recursos já transferida para o Poder Público, não sendo justificável a sua tributação pela CIDE; (h) por fim, requer o afastamento da incidência dos juros de mora pela taxa Selic sobre a multa de ofício em exigência, pois essa penalidade não se enquadra no conceito de crédito tributário estabelecido no art. 161 do CTN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 7.019 a 7.033) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 7057DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.058 7 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora 1. Admissibilidade O recurso especial da Contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, devendo, portanto, ser conhecido. Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional alega ser inadmissível o recurso especial por não terem sido indicados de forma objetiva os dispositivos legais interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, desatendendo ao requisito estabelecido no §1º, do art. 67, do Anexo II do novo RICARF, publicado em 10/06/2015. Da análise da peça recursal, verificase ter sido atendido o requisito de indicação dos artigos de lei que estão sendo interpretados de modo divergente, tendo sido apontados ao longo da fundamentação do apelo especial os seguintes dispositivos, dentre outros: art. 10 do Decreto nº 4195/2002 (fl. 6.902); art. 32 da MP nº 22281 (fl. 6905) e art. 161 do CTN (fl. 6907). Embora não havendo tópico específico, em observância ao princípio do formalismo moderado, devese ter por atendida a exigência regimental, na medida em que apontados os artigos de lei pela Recorrente no corpo da fundamentação. Terseia a hipótese de desatendimento do requisito se não houvesse qualquer menção às disposições legais e não houvesse se estabelecido a necessária relação entre as mesmas e a matéria que e objeto de insurgência por meio da via especial. Com base nessas considerações, deve ser conhecido e ter prosseguimento o recurso especial da Contribuinte. 2. Mérito No mérito, delimitase a controvérsia suscitada pela Contribuinte, e que fora admitida para exame, os seguintes pontos: (2.1) não incidência da CIDE nos pagamentos ao exterior pela aquisição de conteúdo, no que tange à: (2.1.a) aplicação do art. 10 do Decreto nº 4.195/2002; e (2.1.b) impossibilidade de cobrança cumulativa da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine; (2.2) não inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE; e (2.3) exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 7058DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.059 8 A análise das matérias suscitadas no recurso especial será efetuada em separado, para dar mais clareza à decisão. Embora não tenha sido admitida a divergência relativa ao enquadramento dos pagamentos efetuados pela Recorrente no conceito de royalties ou de direitos autorais, a apreciação da controvérsia relativa à aplicação do art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 perpassa, necessariamente, por tais conceitos, sendo imprescindível introduzir a fundamentação da decisão mediante a delimitação de dos referidos institutos. Esclareçase que não haverá a análise do mérito relativo a tal ponto, evitandose a caracterização de decisão que extrapola os limites do despacho de admissibilidade do recurso especial. Nessa esteira, o art. 149 da Constituição Federal estabelece três espécies de tributos denominadas como contribuições: contribuições sociais, contribuições de intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. O mesmo dispositivo outorgaas à União, para utilização como instrumento de atuação em cada uma das áreas correspondentes. As contribuições de intervenção no domínio econômico, objeto de análise dos presentes autos, destinamse apenas a instrumentalizar a ação da União no domínio econômico, alcançandolhe recursos para fazer frente aos custos e encargos pertinentes. Nesse campo, a atuação do Poder Público foi moldada pelo art. 174 da Constituição Federal, o qual dispõe que o planejamento do Estado, em relação ao setor privado, é meramente indicativo. Nesse contexto, a Lei nº. 10.168, de 29 de dezembro de 2000, instituiu a contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, tendo este como objetivo principal "estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediantes programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo". Dispõe o art. 2º da referida lei: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, Fl. 7059DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.060 9 creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. § 6º Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (grifouse) Para regulamentar a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, foi editado o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2001, que em seu art. 10 especifica as hipóteses de incidência da CIDE instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168/2000, in verbis: Por outro viés, os direitos autorais são regulados pela Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, compreendidos nesses os direitos de autor e os direitos conexos, nos termos do art. 1º do diploma legal. Pertinente também ao caso, é a definição de obra audiovisual, estabelecida no art. 5º, inciso VIII, alínea i, da mesma Lei, como sendo "a que resulta da fixação de imagens com ou sem som, que tenha a finalidade de criar, por meio de sua reprodução, a impressão de movimento, independentemente dos processos de sua captação, do suporte usado inicial ou posteriormente para fixálo, bem como dos meios utilizados para sua veiculação". Concebida tal premissa, iniciase a análise das matérias objeto da insurgência do Contribuinte por meio do apelo especial. 2.1 Não incidência da CIDE nos pagamentos para as programadoras estrangeiras pela aquisição de conteúdo (filmes, programas, etc.) A Lei nº 10.168/2000, instituidora da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, estabeleceu como Sujeito Passivo da obrigação a "pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior". Originalmente previu a Lei nº 10.168/2000 a incidência de contribuição sobre a importação de tecnologia, a CIDETecnologia. A partir de 1º de janeiro de 2002, conforme alteração do §2º, do art. 2º do diploma legal em referência, introduzida pela Lei nº 10.332/2001, a contribuição passou a ser devida também: (a) por pessoas jurídicas signatárias de contratos de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior; e (b) por pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 7060DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.061 10 Esclareçase que a Lei nº 10.332/2001 teve por objetivo instituir mecanismos de financiamento para os seguintes projetos governamentais: Programa de Ciência e Tecnologia para o Agronegócio; Programa de Fomento à Pesquisa em Saúde; Programa Biotecnologia e Recursos Genéticos Genoma; Programa de Ciência e Tecnologia para o Setor Aeronáutico e Programa de Inovação para Competitividade. Nesse contexto, foi introduzida a alteração do §2º, art. 2º da Lei nº 10.168/2000 e criada a CIDERoyalties, diretamente ligada à CIDE Tecnologia. Na autuação fiscal da qual teve origem o processo administrativo, embora consignado pela Fiscalização no Termo de Constatação Fiscal trataremse os contratos de cessão de direito de uso de propriedade intelectual (direito autoral) (fl. 5267), sobreveio conclusão equivocada de que os pagamentos efetuados tratavamse de royalties, contemplados, assim, na hipótese de incidência tributária da CIDE do §2º, art. 2º da Lei nº 10.168/2000. O conceito de royalties está estabelecido no art. 22 da Lei nº 4.506/64 como sendo os rendimentos de qualquer espécie decorrente do uso, fruição, exploração de direitos, tais como, in verbis: [...] a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. [...] O enunciado legal acima transcrito, em razão de seu caráter exemplificativo e não taxativo, possibilitou a caracterização de royalty para qualquer rendimento decorrente do uso, da fruição e da exploração de direitos, gerando insegurança quanto à correta caracterização para fins tributários. O escopo da CIDE instituída pela Lei nº 10.168/2000 foi de fomentar a produção tecnológica brasileira, sendo devida sobre os pagamentos de royalties referentes aos contratos de propriedade industrial. Posteriormente, a Lei nº 10.332/2001 ampliou a hipótese de incidência da exação para os valores decorrentes de contratos de prestação de serviços técnicos e assemelhados, e além disso incluiu na sua incidência os royalties de qualquer natureza, fazendo emergir dúvidas quanto ao alcance da tributação da CIDE. Tendo em vista que o objetivo da Lei nº 10.168/2000 foi criar mecanismos de incentivo ao desenvolvimento tecnológico, a alteração introduzida pela Lei nº 10.332/2001 buscou reforçar o intuito inicial, estabelecendo a incidência da CIDE também para os royalties relacionados à tecnologia, no caso referentes a contratos de patentes e uso de marcas. O legislador não visou incluir na tributação da CIDE os pagamentos decorrentes das remessas decorrentes de direitos de autor. As contribuições, como espécie tributária autônoma, embora sejam diferenciadas dos impostos em função de sua destinação constitucional, mantém como ponto de relação a necessidade de a conduta do Contribuinte subsumirse à hipótese de incidência da Fl. 7061DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.062 11 norma para que possa ser exigido o tributo, fazendose cumprir o princípio da estrita legalidade. 2.1.a Aplicação do art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 Nessa linha relacional, o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, editado para regulamentar a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, elucidando o alcance pretendido pela Lei, dispôs no seu art. 10 a incidência da CIDE sobre os contratos relativos à propriedade industrial de (i) fornecimento de tecnologia, (ii) assistência técnica, (iii) serviços técnicos especializados, (iv) serviços técnicos e de assistência administrativa, (v) cessão e licença de uso de marcas, e (vi) cessão e licença de exploração de patentes, em nada referindose à exploração de direitos autorais. O art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 tem a seguinte redação: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Ainda, o Decreto nº 4.195/2002 restringiu o seu conteúdo e alcance aos da Lei nº 10.168/2000, em função da qual foi expedido, em observância às disposições dos artigos 97, 98 e 99, todos do Código Tributário Nacional (CTN). O diploma legal em referência não alterou as hipótese do fato gerador da obrigação principal CIDE, apenas fez constar explicitamente a abrangência pretendida pela Lei nº 10.168/00, instituidora da contribuição, uma vez editada no contexto de incentivo ao desenvolvimento tecnológico nacional, com o que não se pode relacionar o setor audiovisual. Os decretos expedidos pelo próprio Poder Executivo para a "fiel execução da lei", nos termos do art. 84, inciso IV, da Constituição Federal, são de observância obrigatória pela Autoridade Fiscal, fazendo cumprir os preceitos da vinculação e obrigatoriedade da atividade administrativa de lançamento, insculpidos nos artigos 3º e 142 do CTN. Portanto, o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, deve ser interpretado de forma taxativa, privilegiandose a referibilidade e a correta relação entre o fato gerador e a CIDEroyalties, nos termos em que estabelecido pela Lei. Não se propõe que o Decreto nº 4.195/02 seja aplicado e interpretado de forma autônoma e independente, até porque segundo as normas de hermenêutica a análise de Fl. 7062DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.063 12 determinado dispositivo legal darseá em conjunto com as demais normas previstas. As diretrizes interpretativas da legislação tributária estão explicitadas nos artigos 107 a 112 do CTN. A interpretação do art. 10 do Decreto nº 4.195/02 realizarseá em consonância com o alcance e o impacto pretendidos pelo legislador ao ser promulgada a Lei nº 10.168/2000, ambos relacionados ao setor de tecnologia, não havendo qualquer relação com o setor audiovisual. Assim, ainda que se pretenda ser o rol estabelecido no art. 10 exemplificativo, de acordo com os objetivos de sua regra matriz, não se pode incluir ali a tributação dos direitos autorais relacionadas às obras audiovisuais, razão pela qual não há de se falar na incidência da CIDE. Corrobora a argumentação aqui expendida, o tratamento dado aos rendimentos decorrentes da exploração de obras audiovisuais no Regulamento do Imposto de Renda, nos arts. 709 e 710: Subseção II Remuneração de Direitos, inclusive Transmissão por meio de Rádio ou Televisão Art. 709. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior pela aquisição ou pela remuneração, a qualquer título, de qualquer forma de direito, inclusive a transmissão, por meio de rádio ou televisão ou por qualquer outro meio, de quaisquer filmes ou eventos, mesmo os de competições desportivas das quais faça parte representação brasileira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 72). Subseção III Royalties Art. 710. Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties, a qualquer título (Medida Provisória nº 1.749 37, de 1999, art. 3º). Da análise dos dispositivos acima transcritos, depreendese ter a legislação dado aos direitos sobre obras audiovisuais tratamento específico, distinto de royalties, por não se confundirem com estes. Portanto, por mais esse argumento, incabível a incidência da CIDE. Importa, considerar, ainda que o regulamento é ato normativo subordinado à lei, de maior hierarquia no ordenamento jurídico, dandolhe os limites de suas disposições editadas pelo Poder Executivo, atrelado ao art. 150, inciso I da Constituição Federal. No entanto, poderá a norma regulamentar transitar dentro dos limites da lei, como ocorre no caso concreto, não havendo vedações ao seu conteúdo nesse sentido. A Administração Pública mostrarseia em confronto com o princípio basilar da segurança jurídica se, em um momento edita ato normativo pelo Poder Executivo regulamentando a incidência de determinado tributo em determinadas hipóteses e, posteriormente, viesse a exigilo sobre hipóteses distintas, penalizando o contribuinte, que atendeu a norma por ela estabelecida. Assim, de modo a afastarse quaisquer contradições que Fl. 7063DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.064 13 possam romper com a sistemática de interpretação do direito tributário, devese observar o que dispõe o art. 10 do Decreto nº 4.195/02, para afastar a incidência da CIDEroyalties no caso dos autos. Por fim, reforça a argumentação aqui expendida, a Solução de Consulta COSIT nº 06 de 2016, que traz ser taxativo o rol do art. 10 do Decreto nº 4.195/02, cuja ementa se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE CIDEREMESSAS. PATROCÍNIO DE EVENTOS NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a CideRemessas no pagamento relativo a contratos de patrocínio realizados com entidades promotoras de eventos domiciliadas no exterior. Dispositivos Legais: Lei nº 10.168, de 2000, art. 2º, caput e § 2º, com redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001; e Decreto nº 4.195, de 2002, art. 10. Extraise, ainda, da sua fundamentação: [...] 6. A Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico – Cide incidente sobre as remessas para o exterior foi criada pela Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. Originalmente a incidência foi apenas sobre os valores pagos a título de licença de uso ou de aquisição de conhecimentos tecnológicos, e dos resultantes de contratos que impliquem transferência de tecnologia firmados com residentes ou domiciliados no exterior: [...] 7. Com a edição da Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, ocorreu a ampliação do campo de incidência da CideRemessas. Esta lei deu nova redação ao § 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168, de 2000, acrescentando a incidência sobre os pagamentos relativos a serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, prestados por residentes ou domiciliados no exterior. 8. Com vistas a esclarecer as hipóteses de incidência previstas na lei supracitada, trouxe o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, a relação dos objetos contratuais sujeitos à CideRemessas: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: Fl. 7064DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.065 14 a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. 9. Cabe observar que o art. 10 do Decreto nº 4.195, de 2002, deixa claro que a incidência da CideRemessas ocorre em dois tipos de pagamentos: os pagamentos a título de royalties e os a título de remuneração (pela prestação de serviços). No entanto essa remuneração pela prestação de serviços restringese ao fornecimento de tecnologia (inciso I), à prestação de assistência técnica (inciso II) e aos serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (inciso III). 10. No caso em tela, o pagamento é relativo a contratos de patrocínio realizados com entidades promotoras de eventos domiciliadas no exterior. Por óbvio, não é corresponde a pagamentos a título de royalties. Também não existe a subsunção aos casos de remuneração pela prestação de serviços, que são limitados aos serviços descritos nos incisos I, II e III do art. 10 do Decreto nº 4.195, de 2002. Dessa forma, fica afastada a incidência da Cide Remessas sobre esse pagamento. Conclusão 11. Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo ao interessado que não incide a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Cide no pagamento relativo a contratos de patrocínio realizados com entidades promotoras de eventos domiciliadas no exterior. [...] Por esses argumentos, e sobretudo tendo em vista o disposto no art. 10 do Decreto nº 4.195/02, que regulamentou a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, afastase a incidência da CIDEroyalties sobre as remessas de valores efetuadas pela Recorrente ao exterior em contrapartida pelo uso ou exploração de direitos sobre obra artística, exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura, por não serem royalties e, assim, não estarem previstos no rol taxativo do art. 10 do referido decreto regulamentar. 2.1.b Impossibilidade de cobrança cumulativa da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine No que concerne à CONDECINE, o propósito do Governo Federal de impactar o setor audiovisual da economia foi externado com a criação da CONDECINE Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, por meio da Medida Provisória nº 2.2281/2001, que em seu art. 32, na redação vigente nos períodos de apuração em exame, estabelece como fato gerador da contribuição: Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional CONDECINE terá por fato gerador a Fl. 7065DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.066 15 veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas. Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo. (grifouse) A título de nota, a partir da Lei nº 12.485/2011, que dispõe sobre a comunicação audiovisual de acesso condicionado televisão por assinatura, a CONDECINE passou a incidir também sobre a prestação de serviços que se utilizem de meios de distribuição de conteúdos audiovisuais, sendo acrescidos ao art. 32 da Medida Provisória nº 2.2281/2001 os incisos I a III, in verbis: Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional Condecine terá por fato gerador: I a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas; II a prestação de serviços que se utilizem de meios que possam, efetiva ou potencialmente, distribuir conteúdos audiovisuais nos termos da lei que dispõe sobre a comunicação audiovisual de acesso condicionado, listados no Anexo I desta Medida Provisória; III a veiculação ou distribuição de obra audiovisual publicitária incluída em programação internacional, nos termos do inciso XIV do art. 1ª desta Medida Provisória, nos casos em que existir participação direta de agência de publicidade nacional, sendo tributada nos mesmos valores atribuídos quando da veiculação incluída em programação nacional. Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo. Do art. 32 da MP nº 2.2281/2001, em sua redação original, depreendese estar a Contribuinte sujeita ao recolhimento da CONDECINE sobre as remessas ao exterior efetuadas para as programadoras estrangeiras a título de remuneração por direito de transmissão de obra audiovisual, em razão de ser esta a contribuição de intervenção no domínio econômico específica para o setor de audiovisual. Portanto, é fato gerador da CONDECINE a aquisição de direitos relacionados à indústria cinematográfica e videofonográfica. A CIDE incidente sobre royalties e a CONDECINE, portanto, são duas contribuições de intervenção no domínio econômico idealizadas pelo legislador para atingir e regular setores distintos da economia, quais sejam, o de tecnologia e o audiovisual (cinematográfico e videofonográfico). Tendose em conta que as contribuições têm por característica a destinação específica, estando as remessas ao exterior a título de pagamento de Fl. 7066DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.067 16 direitos autorais às programadoras estrangeiras sujeitas à incidência da CONDECINE, invariavelmente estarão afastadas do campo de exigência da CIDE. O argumento é reforçado pelo fato de a Lei nº 10.168/00 não prever como destino do produto de arrecadação da CIDE o setor audiovisual, mas tão somente o setor da tecnologia nacional, ocorrendo o recolhimento da contribuição ao Tesouro Nacional e destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FNDCT. A CONDECINE, por sua vez, é recolhida diretamente à ANCINE Agência Nacional do Cinema e seu produto de arrecadação destinado ao Fundo Nacional da Cultura FNC e alocado em categoria específica denominada Fundo Setorial do Audiovisual, para aplicação nas atividades de fomento relativas aos Programas criados pela Medida Provisória. Conclusão inexorável é que a CIDEroyalties guarda referibilidade com o setor de tecnologia e a CONDECINE com o setor audiovisual (cinematográfico e videofonográfico), sendo cabível apenas a incidência desta última sobre as remessas efetuadas pela Contribuinte ao exterior a título de pagamento das programadoras estrangeiras pelos direitos de transmissão de obras audiovisuais, restando afastada a ocorrência do bis in idem, que não se justifica no contexto dessas contribuições. 2.2 Não inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE Na hipótese de prevalecer o entendimento pela manutenção do lançamento, com a incidência da CIDEroyalties sobre as remessas efetuadas pela Contribuinte ao exterior no anocalendário de 2006, há de se adentrar no exame do questionamento referente à inclusão ou não do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na base de cálculo da contribuição. Com relação a esse aspecto, entendeu o acórdão recorrido ser cabível a inclusão do IRRF na base de cálculo, amparandose no argumento da inexistência de dispositivos legais que determinem a exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE, bem como no Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2004, expedido pela Secretaria da Receita Federal e na Solução de Divergência nº 17/2011 da COSIT/RFB. A Lei nº 10.168/2000, em seu art. 2º, §3º, com redação da Lei nº 10.332/2001, estabeleceu como base de cálculo da CIDE os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a cada mês, como remuneração das obrigações contratadas. Da análise do dispositivo, verificase ter a lei previsto a incidência da CIDE tão somente sobre o valor da remuneração estipulada em contrato pactuado com o fornecedor domiciliado no exterior, não compreendida nessa o montante relativo ao IRRF ou quaisquer outros acréscimos. Importa mencionar que remuneração é o valor estipulado no contrato como a contraprestação devida pelo Contribuinte (contratante) às programadoras estrangeiras (contratadas) pela transmissão das obras audiovisuais, obrigação contraída pelas contratadas no âmbito dos contratos internacionais. O IRRF não faz parte da remuneração estabelecida entre as partes, constituindo se em parcela de valor já transferida ao Poder Público quando da remessa da contraprestação ao exterior pela Contratante à Contratada, não sendo cabível a sua tributação pela CIDE. Além disso, independentemente de qual das partes, se contratante ou contratado, assuma o ônus pelo IRRF, fazer incidir a CIDE sobre base de cálculo na qual esteja incluído o Fl. 7067DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.068 17 valor relativo ao imposto referido, e não somente sobre a remuneração conforme estabelecido pelo art. 2º, §3º da Lei nº 10.168/2000, é incorrer em flagrante violação ao princípio da estrita legalidade. 2.3 Juros de mora sobre a multa de ofício No Direito Tributário, a referência aos juros remete à mora, constituindose em uma indenização pelo atraso no pagamento do débito tributário, ocasionando a privação da Fazenda Nacional de utilizar a importância não recebida na data programada, e que ficou em poder do Contribuinte. Os juros moratórios visam remunerar o ente público pelo retardo no pagamento, sendo os mesmos aplicados na forma que a lei dispuser. A Lei nº 9.430/96 estabelece, em seu art. 61, a disciplina referente à multa de mora e aos juros de mora incidentes sobre o débito tributário. A multa de ofício, por sua vez, é tratada no art. 44 do mesmo diploma legal. Depreendese da leitura dos artigos de lei que a multa de ofício será aplicável nos casos de lançamento de ofício sobre o tributo ou contribuição, caracterizandose como uma penalidade mais gravosa que a multa de mora, pois o Contribuinte já perdera a oportunidade de realizar o recolhimento espontaneamente. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, haverá a incidência de juros de mora sobre "os débitos a que se referem o artigo", compreendido neste conceito apenas o valor principal do tributo, não servindo de amparo legal à Administração Tributária para proceder à exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício ao cobrar o crédito tributário. Com relação ao art. 161 do Código Tributário Nacional, o mesmo também não é fundamento a autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Isso porque o termo "crédito" empregado na sua redação referese ao tributo, e nesse conceito não se enquadra a multa. Não por outra razão, o próprio artigo de lei faz uma ressalva em relação às penalidades, ao citar "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta lei ou em lei tributária". Assim, a multa, que é uma sanção, não se confunde com o tributo, não sendo cabível a sua atualização monetária pela aplicação de juros moratórios. Assim, incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no caso dos autos. 3. Conclusão Portanto, celebrada a arguição, resta (a) afastada a incidência da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Contribuinte ao exterior a título de pagamento às programadoras estrangeiras por aquisição de direitos de transmissão de obras audiovisuais através de sinais de televisão por assinatura; (b) determinada a exclusão do IRF da base de cálculo da CIDE, caso seja mantida a sua exigência e, ainda, (c) reconhecida a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. 4. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Fl. 7068DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.069 18 É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator designado Em que pese os fundamentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de seus fundamentos. Explico: Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim uma Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Com efeito, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial sobre três aspectos: (i) incidência da CIDE propriamente dita; (ii) inclusão do IRRF na base de cálculo da contribuição; e (iii) correção da multa de ofício mediante a aplicação da taxa Selic. Do exame de admissibilidade, fls.7010/7015, o Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, admitiu parcialmente o Recurso, considerando como divergentes quatro matérias a saber: (i) Aplicação do Decreto nº 4.195/2002, (ii) possibilidade ou não de cobrança cumulativa da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine, (iii) Inclusão do IRRF na Base de Cálculo, (iv) Atualização da Multa de Ofício com Base na Selic. Houve Reexame de Admissibilidade, fls. 7016/7017, o Presidente do CARF manteve, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Sem embargo, esta E. Câmara Superior já firmou entendimento de que os valores remetidos ao exterior pela Contribuinte tratase de royalties. A remuneração pelo Fl. 7069DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.070 19 direito de transmissão efetuados ás programadoras estrangeiras, não poderiam ter outra natureza, considerando a contraprestação pela aquisição de obras criativas de autoria de terceiros. Aliás, a jurisprudência referente a esta matéria, encontrase pacificada e firme desde 2012, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303001.864, de relatoria do Ilustre ex Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Na atual composição desta E. Câmara Superior, tive a oportunidade de relatar alguns processos, em especial o acórdão nº 9303004.149, de 09 de junho de 2016, idêntico ao presente caso, envolvendo a mesma matéria, contribuinte e Conselheira Relatora Vencida, o qual por maioria de votos, o Colegiado entendeu que os valores remetidos ao exterior pela Contribuinte tratase de royalties, em razão disto, devem sofrer a incidência da CIDE sobre as remessas efetuadas ao exterior a título de pagamento das programadoras estrangeiras por aquisição de direitos de transmissão de obras audiovisuais por meio de sinais de televisão por assinatura. Portanto, o dissenso jurisprudencial submetido ao crivo desta E. Câmara Superior, cingese em relação a matéria de direito, especialmente quanto aplicação do Decreto nº 4.195/2002, a possibilidade ou não de cobrança cumulativa da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine, inclusão do IRRF na Base de Cálculo e Atualização da Multa de Ofício com Base na Taxa Selic. Passo ao julgamento da lide. Incidência da CIDE sobre pagamentos remetidos ás programadoras estrangeiras pela aquisição de programas de conteúdo pela transmissão de obras audiovisuais A Autoridade Fiscal lançou a CIDE incidente sobre valores que a Contribuinte remeteu às licenciantes estrangeiras (programadoras de conteúdo) pela transmissão de obras audiovisuais, pelo fato de tratarse de royalties decorrentes de contratos de aquisições (licença) e exploração de direitos de exploração comercial (distribuição, mediante transmissão sinais eletromagnéticos) de obra audiovisual ou cinematográfica. A Lei nº 10.168/00, publicada em 29.12.2000, instituiu a CIDE destinada a estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante o financiamento do Programa de Estimulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, também criado pela referida Lei. O teor dos artigos 1º e 2º da Lei 10.168/00, transcrevo a redação original: “Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º. Para fins de atendimento ao programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 7070DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.071 20 Parágrafo. 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Parágrafo. 2º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrentes das obrigações indicadas no caput deste artigo. Parágrafo. 3º A alíquota da contribuição será de 10%. (...). Em 19.12.01, foi editada a Lei 10.332/01, que, alterando os parágrafos. 2º, 3º e 4º do art. 2º da Lei 10.168/00, acabou por ampliar o âmbito de incidência da CIDE. Os referidos dispositivos legais passaram a ter a seguinte redação: “Art. 2º (...). Parágrafo. 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Parágrafo. 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. Parágrafo. 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). Parágrafo. – 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.” Com efeito, a Lei nº 10.332/2001, ao inserir nova redação ao §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, alargou o campo de incidência da CIDE, fazendoa incidir, a partir de 01/01/2002, sobre contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior e pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Dessa forma, resta claro, a incidência da Contribuição sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente de transferência de tecnologia (caput do artigo 2º); serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (primeira parte do §2º do artigo 2º); e royalties, a qualquer título (parte final do §2º do artigo 2º). Fl. 7071DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.072 21 Nada obstante, verificase ainda, que à CIDE instituída pela Lei 10.168/00, seus fins são correlatos, primordialmente com a promoção e o incentivo do desenvolvimento nacional na área de ciência e da tecnologia, o que se evidencia diante da previsão de que os recursos obtidos com a sua arrecadação serão destinados, integralmente, ao Fundo Nacional Desenvolvimento Científico e Tecnológico (art. 4º); os recursos desse Fundo, por sua vez, financiam diversos Programas relacionados a atividades de pesquisa e desenvolvimento científico tecnológico. Assim, a finalidade da contribuição tem por objetivo fomentar o setor tecnológico nacional, tornandoo menos dependente de importações estrangeiras. De modo que, a norma que regula a chamada CIDERoyalties determina que ela é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Portanto, os valores remetidos ao exterior pela Contribuinte tratase exclusivamente de royalties, considerando a remuneração pelo direito de transmissão efetuados ás programadoras estrangeiras, não poderiam ter outra natureza, tendo em vista a contraprestação pela aquisição de obras criativas de autoria de terceiros, logo, devem ser tributadas. Da definição de Royalties para Legislação Tributária A definição do que seria “royalties” é encontrada na Lei 4.506/64, não podendo nenhum Decreto alterar o alcance de seu conceito legal: A este propósito, contra tal pretensão, Denis Borges Barbosa (p.12) leciona a essencialidade de que se entenda de royalties para legislação tributária1, transcrevo parte de seu estudo: Definição de royalties A noção de royalties , ou regalias, é construída na legislação tributária interna pelo art. 22 da Lei 4.506/64. Segundo a lei, são royalties “os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição ou exploração de direitos, tais como: a) direitos de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra”. uso ou pela concessão do uso de direitos de autor sobre obras literárias, artísticas ou científicas (inclusive dos filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiodifusão) Neste sentido, o termo royalties encontrase contido no artigo 22 da Lei nº 4.506/64, in verbis: 1 Siqueira.Marcelo, Barbosa, Borges.Denis. Do poder do titular de marcas de cobrar royalties disponível em: http://docplayer.com.br/3942046Dopoderdotitulardemarcasdecobrarroyaltiesdenisborgesbarbosae marcelosiqueirasetembrode2012.html#show_full_text. Acessado em 10/04/2016. Fl. 7072DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.073 22 Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Do dispositivo legal transcrito, verificase que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se pago/recebido pelo autor ou criador da obra. Contudo, a Relatora Vencida, bem como a Contribuinte (teses idênticas) não fundamentaram a real natureza jurídica do que se trata royalties, sustentam apenas que o artigo 10 do Decreto nº 4.195/02, que regulamentou a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, afasta a incidência da CIDEroyalties sobre as remessas de valores efetuadas ao exterior em contrapartida pelo uso ou exploração de direitos sobre obra artística, exploração e transmissão de filmes, programas e eventos em televisão por assinatura, por não serem royalties e, assim, não estarem previstos no rol taxativo do art. 10 do referido decreto regulamentar. A tese não convence, sem muito esforço concluise que tal pretensão não se sustenta. Talvez, somente a título de divagação, não haveria tributação, caso a Contribuinte firmasse os contratos diretamente com os autores, escritores, diretores, produtores etc, e remunerasse em decorrência da exploração da obra por eles criada, tais rendimentos não seriam em tese classificados como royalties. Diametralmente oposto do que ocorreu no presente caso, compulsando aos autos verificase que os contratos firmados dispõem, expressamente, que a licenciada pagará à licenciadora Royalties, conforme se pode ver no Contrato pactuado com o Canal SEX ZONE. Vejamos: Fl. 7073DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.074 23 Fl. 7074DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.075 24 No caso em espécie, o artigo 10 do Decreto nº 4.195/02, não salvaguarda a Contribuinte, salvo, se os pagamentos fossem pagos e remetidos diretamente para os criadores da obra. Neste quadro, invoco os ensinamentos do Prof. Dr. Lenio Streck (p.242) que leciona sobre a correta interpretação jurídica. In verbis: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 2argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito3”. Repiso e rechaço qualquer tese contraria, a lei caracteriza como royalty qualquer rendimento decorrente do uso, da fruição ou exploração de direitos, inclusive no caso da Contribuinte, que remeteu valores às licenciantes estrangeiras (programadoras de conteúdo) pela transmissão de obras audiovisuais, pelo fato de tratarse de royalties decorrentes de contrato de aquisição (licença) e exploração de direitos autorais para exploração comercial (distribuição, mediante transmissão sinais eletromagnéticos) de obra audiovisual ou cinematográfica. A título de fixação dos dispositivos para uma correta interpretação, o artigo 1º da Lei nº 9.610/98, trata o que são direitos autorais, remetendo a leitura do art. 7º, ao cuidar dos direitos autorais, que determinam as obras intelectuais, dentre outras hipóteses, as audiovisuais: Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendose sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos. (...) Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) VI. as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; 2 3 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 7075DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.076 25 Como visto, os valores remetidos ao exterior pela Contribuinte trata exclusivamente de royalites, portanto, não há previsão legal que afaste a tributação dessas remessas. Inaplicabilidade do artigo 10 do Decreto Lei nº 4.195/2002 Sem embargo, a Relatora do Voto vencido sustenta em suas razões de decidir que o artigo 10 do Decreto nº 4.195/02, que regulamentou a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, afasta a incidência da CIDEroyalties sobre as remessas de valores efetuadas pela Contribuinte, cita ainda, a Solução de Consulta COSIT nº 06 de 2016, que não se amolda no presente caso, por se tratar de CIDE Remessas de Patrocínio de eventos no exterior. Transcrevo fragmentos do Voto Vencido: "Nessa linha relacional, o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, editado para regulamentar a Lei nº 10.168/2000 e a Lei nº 10.332/2001, elucidando o alcance pretendido pela Lei, dispôs no seu art. 10 a incidência da CIDE sobre os contratos relativos à propriedade industrial de (i) fornecimento de tecnologia, (ii) assistência técnica, (iii) serviços técnicos especializados, (iv) serviços técnicos e de assistência administrativa, (v) cessão e licença de uso de marcas, e (vi) cessão e licença de exploração de patentes, em nada referindose à exploração de direitos autorais. O art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 tem a seguinte redação: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Ainda, o Decreto nº 4.195/2002 restringiu o seu conteúdo e alcance aos da Lei nº 10.168/2000, em função da qual foi expedido, em observância às disposições dos artigos 97, 98 e 99, todos do Código Tributário Nacional (CTN). O diploma legal em referência não alterou as hipótese do fato gerador da obrigação principal CIDE, apenas fez constar explicitamente a abrangência pretendida pela Lei nº 10.168/00, instituidora da contribuição, uma vez editada no contexto de incentivo ao desenvolvimento tecnológico nacional, com o que não se pode relacionar o setor audiovisual. Fl. 7076DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.077 26 Os decretos expedidos pelo próprio Poder Executivo para a "fiel execução da lei", nos termos do art. 84, inciso IV, da Constituição Federal, são de observância obrigatória pela Autoridade Fiscal, fazendo cumprir os preceitos da vinculação e obrigatoriedade da atividade administrativa de lançamento, insculpidos nos artigos 3º e 142 do CTN. Portanto, o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, deve ser interpretado de forma taxativa, privilegiandose a referibilidade e a correta relação entre o fato gerador e a CIDEroyalties, nos termos em que estabelecido pela Lei. Por fim, reforça a argumentação aqui expendida, a Solução de Consulta COSIT nº 06 de 2016, que traz ser taxativo o rol do art. 10 do Decreto nº 4.195/02, cuja ementa se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDEREMESSAS. PATROCÍNIO DE EVENTOS NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a CideRemessas no pagamento relativo a contratos de patrocínio realizados com entidades promotoras de eventos domiciliadas no exterior. Dispositivos Legais: Lei nº 10.168, de 2000, art. 2º, caput e § 2º, com redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001; e Decreto nº 4.195, de 2002, art. 10". Por outro lado, a Contribuinte sustenta que a diferença entre direito autoral e royalties se confirma pelo Decreto nº 4.195/02, que tal Decreto foi publicado com a função de regulamentar a CIDE. Como devidamente comprovado (contrato colacionado), não se trata de direito Autoral, sim de Royalties nos termos do artigo 22 da Lei nº 4.506/64. A Contribuinte prossegue em sua argumentação: " Isso porque, o Decreto nº 4.195/02 listou como passiveis de tributação apenas os contratos que tenham por objeto o fornecimento de tecnologia ou a utilização de conhecimento tecnológico, como é o caso dos serviços técnicos e da cessão de marcas e patentes. Os direitos autorais, que no caso em questão se materializam pelo direito de exibir filmes, canais, programas etc.. não requerem a utilização de uma tecnologia específica; tratase de uma mera cessão do direito de transmitir determinado conteúdo em canais de televisão por assinatura. Por tal motivo esse direitos não estão previstos no Decreto como fato gerador". Com efeito, não há como aplicar o artigo 10 do Decreto Lei nº 4.195/2002, para afastar a incidência da CIDE, em razão das operações de remessas da Contribuinte se tratarem exclusivamente de royalties, conforme contratos anexados junto aos autos, que dispõem, expressamente, que a licenciada pagará à licenciadora royalties. Portanto, no caso em testilha, os royalties não estão sendo pagos diretamente ao autor das obras audiovisuais exploradas, o que amoldase perfeitamente no artigo art. 22 da Lei 4.506/1964, portanto, não há o que se falar em aplicação do artigo 10 do Decreto nº 4.195/2002. Fl. 7077DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.078 27 Para melhor esclarecer, o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito4, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)5 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...] Superada a questão quanto à inaplicabilidade do artigo 10 do Decreto nº 4.195/2002, para que não paire dúvidas, ou qualquer insurgência no que tange omissão, obscuridade e contrariedade, até porque, quando o feito estiver no crivo do Poder Judiciário, penso que será analisado e avaliado todos os contratos pactuados entre licenciada e licenciadora, e a conclusão será a mesma deste Relator. Nada obstante, também não aplicaria o artigo 10 do Decreto nº 4.195/2002, por não ser taxativo, o Decreto tem que ser lido em harmonia com a lei, por uma questão hierárquica. Qualquer natureza, prevista em lei, induz o entendimento de uma listagem não taxativa, por se tratar de uma norma secundária, não se pode inovar, mas apenas dar cumprimento a lei. 4 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 5 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 7078DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.079 28 Para melhor esclarecer, quando houver um conflito entre normas de patamares localizados mais próximos da torre piramidal, em relação á Constituição Federal, a norma superior ocupa posição diferenciada no processo hierárquico, prevalecendo sua posição no alto da estrutura organizacional. No caso do Decreto, seu objetivo é de regulamentar a fiel aplicação de uma norma elaborada pelo Poder Legislativo, jamais poderá trazer prescrições que colidem com as regras de uma lei superior. Se houver alguma inconsistência entre o Decreto e a Lei, a questão se resolve pelo reconhecimento da inaplicabilidade do Decreto, e aplicação de lei superior. Neste sentido, reproduzo trecho do Voto condutor do Acórdão 3102002020, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Ricardo Rosa, quanto à apreciação das disposições do Decreto nº 4.195/2002. In verbis: "Finalmente, cumpre examinar as disposições do Decreto nº 4.195/02. No intento de regulamentar as Leis sob escrutínio, o Decreto deu margem a diferentes interpretações ao não reproduzir com fidedignidade as hipóteses de incidência da Contribuição especificadas nas normas hierarquicamente superiores. Quanto a isso, de início, trago à consideração o comando insculpido no Código Tributário Nacional, artigo 97, no que se refere à definição dos elementos constitutivos da obrigação tributária e o expediente legal que lhes são próprios. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65 III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Necessariamente, ao examinar a questão colocada, devese ter a clareza de que somente a Lei pode estabelecer, dentre outros, o fato gerador de tributos ou contribuições. A luz desse preceito, outra possibilidade não há que não interpretação do Decreto em conformidade com a Lei que definiu o fato gerador da Contribuição em exame". Fl. 7079DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.080 29 Diante dessas considerações, conclui se que os valores remetidos ao exterior a título de contraprestação pela licença para a exploração e transmissão de filmes e eventos em televisão por assinatura estão incluídos no âmbito de incidência da CIDE instituída pela Lei 10.168/00 possuírem a natureza jurídica de royalties (art. 2º, parág. 2º) por via de conseqüência, aplicase o artigo 22 da Lei nº 4.506/64. Por derradeiro, invoco subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, e rechaço a tese da Contribuinte. Vejamos: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Possibilidade de cobrança da CIDE – Remessas ao Exterior e da Condecine Com efeito, o critério essencial para a verificação da validade de uma CIDE, nos termos do que demonstrado outrora, não é a sua hipótese de incidência, mas sim a finalidade para as quais elas são instituídas, em minha visão, não considero a dupla tributação como sustenta a Contribuinte. A CIDEroyalties destinase a financiar o programa de estímulo à interação universidadeempresa para apoio á inovação, já a CONDECINE, destinase a fomentar o desenvolvimento das industrias cinematográfica e videofonográfica, incentivando, assim, as manifestações culturais. Essa é a determinação das leis que instituíram as referidas contribuições. Transcrevo para que interessa: MP 22281/01 – CONDECINE Art. 34. O produto da arrecadação da Condecine será destinado ao Fundo Nacional da Cultura – FNC e alocado em categoria de programação específica denominada Fundo Setorial do Audiovisual, para aplicação nas atividades de fomento relativas aos Programas de que trata o art. 47 desta Medida Provisória. Art. 47. Como mecanismos de fomento de atividades audiovisuais, ficam instituídos, conforme normas a serem expedidas pela Ancine: I o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro PRODECINE, destinado ao fomento de projetos de produção independente, distribuição, comercialização e exibição por empresas brasileiras; Fl. 7080DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.081 30 Art. 47. Como mecanismos de fomento de atividades audiovisuais, ficam instituídos, conforme normas a serem expedidas pela Ancine: I o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro PRODECINE, destinado ao fomento de projetos de produção independente, distribuição, comercialização e exibição por empresas brasileiras; II o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro PRODAV, destinado ao fomento de projetos de produção, programação, distribuição, comercialização e exibição de obras audiovisuais brasileiras de produção independente; LEI 10.168/01 – CIDE Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico (...) (grifamos). Como se observa pelas transcrições, não há dupla tributação, considerando que a CIDE tem sua destinação a viabilizar a intervenção estatal na economia para organizar e desenvolver setor essencial, que não possa ser desenvolvido com eficácia no regime de competição de liberdade de iniciativa. Enquanto a CONDECINE, tem por objetivo atender o setor cinematográfico e videofonográfico, portanto, ambas as normas possuem destinações e e fatos geradores distintos. Neste passo, destaco os dispositivos da MP n° 22281/01, com as alterações introduzidas pela lei nº 10.454/2002: Art. 1º Para fins desta Medida Provisória entendese como: I obra audiovisual: produto da fixação ou transmissão de imagens, com ou sem som, que tenha a finalidade de criar a impressão de movimento, independentemente dos processos de captação, do suporte utilizado inicial ou posteriormente para fixálas ou transmitilas, ou dos meios utilizados para sua veiculação, reprodução, transmissão ou difusão; (...) III obra video fonográfica: obra audiovisual cuja matriz original de captação é um meio magnético com capacidade de armazenamento de informações que se traduzem em imagens em movimento, com ou sem som; (...)” Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional CONDECINE terá por fato gerador a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e Fl. 7081DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.082 31 videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas. (Vide Lei nº 10.454, de 13.5.2002) Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e vídeo fonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo.” Art. 35. A CONDECINE será devida pelos seguintes sujeitos passivos: (...) III o responsável pelo pagamento, crédito, emprego, remessa ou entrega das importâncias referidas no parágrafo único do art. 32.” Destarte, verificase que, a CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE. Enquanto aquela contribuição somente incide sobre os royalites remetidos ao exterior em decorrência da comercialização dos direitos autorais relativos às obras intelectuais e criativas, já CONDECINE, por sua vez, incide sobre os pagamentos devidos em razão da aquisição ou importação de tais obras, a preço fixo, ou seja, possui um âmbito de incidência muito mais amplo e genérico do que a CIDEroyalties. Portanto, inexiste coincidência entre os elementos estruturais das normas jurídicas de incidência das contribuições em tela, de modo que a CIDE tem destinação distinta da CONDECINE. Da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE Superada questões de fundo, passase adiante na análise da correta determinação da base de cálculo da CIDERemessa incidente sobre os pagamentos efetuados a domiciliados no exterior, quando a fonte pagadora assume o ônus do pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Para melhor nitidez, convém transcrever o art. 2° da Lei n.° 10.168, de 29/12/2000, com a redação dada pelo art. 6º da Lei n.° 10.332/01: Art. 2. Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1° Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n" 11.452, de 2007) Fl. 7082DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.083 32 § 2° A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o capul deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem,creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, q/quaiqyer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) (...) Nos termos do §3o do artigo acima transcrito, a base de cálculo da contribuição é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao residente no exterior em virtude das obrigações decorrentes de contratos que tenham por objeto, dentre outros, a prestação de serviços técnicos e a assistência administrativa. O ponto é, o que vem a ser realmente esse valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao exterior, nos casos em que o ônus do IRRF é assumido pela fonte pagadora? Para dirimir a essa questão, se faz necessário analisar a natureza da despesa representada pelo IRRF assumido pela fonte pagadora dos rendimentos, a qual é trazida pelo art. 344, § 3o , do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3000/1999; Texto Republicado no D.O.U. de 17.6.99), aplicado subsidiariamente a CIDE. Vejamos: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n 8.981, de 1995, art. 41). (...) § 3 A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto (Lei n 8.981, de 1995, art. 41, § 3). (...) Com efeito, o referido dispositivo, indica quando a fonte pagadora dos rendimentos assume o ônus do imposto de renda na fonte, a legislação considera tal parcela parte integrante do rendimento pago ou creditado. Ou seja, se o contribuinte do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ paga remuneração, por exemplo, por serviços técnicos prestados e toma para si o ônus do imposto de renda na fonte, o valor deste passa a integrar aquela remuneração, tanto que a fonte pagadora pode deduzilo na apuração do seu próprio Imposto de Renda. Assim, uma vez que a legislação considera o imposto assumido pela fonte pagadora como despesa de mesma natureza dos rendimentos efetivamente pagos ou creditados, no caso, remetidos ao exterior, temse que a base de cálculo da CIDE, é o rendimento enviado ao exterior considerado líquido acrescido do imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora. Fl. 7083DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.084 33 E não poderia ser diferente, pois o IRRF nasce do rendimento, tratase o IRRF de um imposto sobre a renda. Portanto, o valor correspondente ao IRRF está entranhado no rendimento total e dele faz parte definitiva. O artigo 725 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, leva a conclusão, quando a fonte pagadora toma para si o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue é considerada líquida. Vejamos: "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n° 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei n°8.981, de 1995, art. 63, § 2o). " Os dispositivos estabelecem que a importância remetida ao exterior é considerada líquida, enquanto o rendimento total, ou seja, o valor da operação, o valor do contrato de prestação de serviços, por exemplo, que será contabilizado como despesa dedutível pelo contribuinte, será o valor remetido ao exterior mais o imposto retido na fonte, fazendose necessário, pois, o reajustamento do rendimento. Logo, a inclusão no montante tributado pela CIDE dos valores retidos a título de imposto de renda é conseqüência da base de cálculo prevista no art. 2o , § 3o , da Lei n.° 10.168/2000. Tal assertiva é convalidada pelo art. 3o da mesma Lei n.° 10.168/2000: Art. 3 Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Sem embargo, a contribuição CIDE, sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, mais uma vez na apuração da CIDE igualmente devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Como a Contribuinte guerreia pela não inclusão do IRF na base de cálculo da CIDE, convém verificar mais didaticamente se de fato há esse reajustamento. Com efeito, para reforçar meu entendimento, trago a declaração de voto do Ilustre Ex.Conselheiro dos Contribuintes Luiz Rogério Sawaya Batista, nos autos do processo nº 16643.000121/201014, que brilhantemente demonstra a necessidade do reajustamento da base de cálculo. Vejamos: DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, "Ouso discordar do Emitente Relator. Fl. 7084DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.085 34 E o faço utilizando simples raciocínio matemático e lógico, com todo o respeito ao voto lançado. Isso porque, objetivamente, não há que se falar em aplicação cronológica da Lei no tempo, mas sim de se analisar com vagar como se dá a tributação do Imposto de Renda na Fonte e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Primeiro que tudo, há que se fixar a premissa singela de que o Imposto de Renda, como o seu próprio nome está a dizer, incide sobre a renda, o rendimento e/ou o provento de qualquer natureza. O Imposto sobre a Renda na Fonte incide, pois, no presente caso, sobre a renda percebida pelo não residente. Portanto, o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte é o não residente, que aufere rendimento/renda decorrente de fonte pagadora situada no País (e, conforme a corrente adotada, que tenha fonte de produção no País, discussão esta que não pertence à presente Declaração de Voto). Pois bem, a legislação, ciente da dificuldade prática de se cobrar o Imposto de Renda do não residente, contribuinte deste Imposto, ressalto, previu o Imposto de Renda na Fonte, determinando que a fonte pagadora seja a responsável, na imensa maioria dos casos, pela retenção e pelo pagamento do Imposto ao Erário. Ora, e qual a noção mais básica acerca do responsável tributário. Sim. O Responsável tributário, designado como tal expressamente pela Lei, não sobre o ônus econômico do tributo, cabendolhe apenas a responsabilidade legal de reter, quando do pagamento, crédito, entrega, remessa ou emprego, do valor a pagar ao não residente, contribuinte, o Imposto de Renda na Fonte incidente e recolhêlo ao Fisco. Num exemplo matemático, assumindose uma alíquota de 15% do Imposto de Renda na Fonte e um contrato entre fonte pagadora brasileira e o não residente com valor de serviço de R$ 10.000,00, temse, pois, que o Imposto de Renda na Fonte a ser retido e recolhido pela fonte será de R$ 1.500,00, ao passo que o contribuinte, que auferiu renda de R$ 10.000,00, irá receber a quantia líquida de R$ 8.500,00. E qual seria o valor suportado pelo responsável tributário? Nenhum! O responsável tributário não sofre o ônus econômico do Imposto.Nesse patamar, fazse necessário apenas um parêntese para observar que com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico a situação é completamente distinta, pois ainda que seu fato gerador, na realidade, seu aspecto temporal, seja idêntico ao Imposto de Renda na Fonte — pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego — nos contratos por ela abrangidos, o contribuinte, aquele que sofre o ônus econômico do tributo, é a pessoa jurídica brasileira, não guardando o não residente nenhuma relação com o Erário brasileiro. Dessa forma, no exemplo acima, tendo em vista que o valor contratado, a remuneração estabelecida entre as partes era de R$ 10.000,00, tendo em Fl. 7085DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.086 35 vista a aplicação da alíquota de 10% da CIDE, o valor a ser recolhido pela pessoa jurídica brasileira, contribuinte, é de exatamente R$ 1.000,00 aos cofres públicos. Verificase, pois, que são dois tributos totalmente distintos, com contribuintes diferentes, que possuem em comum apenas o aspecto temporal, pois tanto a CIDE como o IR Fonte devem ser pagos no momento do pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego, conforme estabelecem as respectivas legislações. Por vezes, dependendo da negociação entre o contratante brasileiro e o não residente, por exigência comercia expressa do não residente, as partes estabelecem que o encargo econômico do Imposto de Renda na Fonte será totalmente suportado pela pessoa jurídica brasileira. A legislação do Imposto de Renda na Fonte prevê tal possibilidade, inclusive na hipótese em que a fonte pagadora falhar em não reter e recolher o tributo, sendo relevante mencionar que tal convenção privada não tem o condão de alterar a natureza do tributo nem seus elementos essenciais, o que significa dizer, em outras palavras, que o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte continuará sendo o não residente. Porém, nesse caso, obviamente, há uma alteração na condição comercial da negociação, pois uma vez que o não residente exige receber a quantia o preço contratado livre do Imposto de Renda na Fonte, significa, utilizando o exemplo acima, que ele não deseja receber R$ 8.500,00 líquido, mas sim R$ 10.000,00, livre de Imposto. Ora, não há mágica e sequer aplicação cronológica da Lei, mera neblina diante de situação tão clara, pois nesse caso, na realidade, a pessoa jurídica brasileira concordou, ao aceitar a referida cláusula, em pagar não R$ 10.000,00 ao não residente, mas sim R$ 11.764,71, que é justamente o valor com o denominado cálculo por dentro do Imposto de Renda na Fonte, também denominado “gross up”. Ou seja, a empresa brasileira toma os R$ 10.000,00 e divide a referida quantia por 85% (ou por 0,85) — que é justamente 100% 15% ou 1 – 0,85 — para incluir o Imposto de Renda na Fonte no preço, de modo que quando ela multiplicar os R$ 11.764,71 por 15%, a quantia resultante de R$ 1.764,71, após subtraída, seja exatamente os R$ 10.000,00 líquidos a serem recebidos pelo não residente. Portanto, a pessoa jurídica brasileira concordou em pagar R$ 11.764,71 na contratação ao assumir o encargo econômico do Imposto, que é simplesmente incluído no preço, não alterando o fato de que o não residente continua sendo o contribuinte do Imposto, podendo, inclusive, se aproveitar, caso haja Tratado para Evitar a Dupla Tributação de seu país com o Brasil, se aproveitar dos R$ 1.764,71 pago por ele aqui no Brasil a título de Imposto de Renda na Fonte. E sobre essa nova quantia de R$ 11.764,71, que é justamente o valor do contrato entre as partes, que irá incidir a CIDE, pois assim como na Fl. 7086DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.087 36 contratação de R$ 10.000,00, essa é a base de cálculo estipulada pelas partes. Dessa forma, por essas razões não tenho como concordar com o Relator, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso Voluntário". Com essas considerações, o IRRF deve incidir sobre as remessas em questão e, por conseqüência, também não há que ser discutir a inclusão do valor daquele imposto da base de cálculo da CIDE. Da Incidência de Juros de mora sobre a multa de ofício Quanto a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.126, de 07 de junho de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Na sessão de janeiro de 2016, essa matéria foi enfrentada por esse Colegiado, dando origem ao Acórdão nº 9303.003385, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. O conselheiro com sua habitual argúcia abordou o tema de forma profunda e didática. Como suas razões de decidir refletem minha posição sobre a matéria, peço vênia reproduzilas e utilizálas como se minhas fossem, verbis: Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrar seá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 6art. 113 do CTN. 6 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 7087DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.088 37 A seu turno, o 7art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 8art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 7 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 8 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 7088DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.089 38 Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 9Hermes ou a uma 10Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, citase: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com o §1º do art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. Conseqüentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, 9 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. 10 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. Fl. 7089DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.090 39 caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR11, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010". Com essas considerações, entendo totalmente cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Diante de tudo que foi exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso da Contribuinte, devendo a Unidade preparadora executar o julgado nos seguintes termos: (i) incidência da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Contribuinte ao exterior a título de pagamento às programadoras estrangeiras por aquisição de direitos de transmissão de obras audiovisuais através de sinais de televisão por assinatura; (ii) incluir o IRF da base de cálculo da CIDE; (iii) aplicar os juros de mora sobre a multa de ofício. É como penso é como voto. Demes Brito 11 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 7090DF CARF MF Processo nº 16561.720112/201126 Acórdão n.º 9303005.293 CSRFT3 Fl. 7.091 40 Fl. 7091DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.906711/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2009
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2009 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 67 11 /2 01 2- 15 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação homologado parcialmente, em razão de parte dos créditos declarados estarem vinculados ao pagamento de outros débitos do contribuinte. Irresignado com o despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o indeferimento parcial não pode prosperar, pois, os créditos que estavam vinculados ao pagamento de outros débitos já tinham sido disponibilizados em razão da desvinculação destes das DCTF pertinentes. A Delegacia de Julgamento, ao apreciar a manifestação de inconformidade, constatou, em consultas aos sistemas da RFB, pela improcedência das alegações do Recorrente, visto que, os créditos declarados na DCOMP continuavam vinculados ao pagamento de outros débitos declarados em DCTF. A decisão da DRJ foi assim ementada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário, onde a Recorrente afirma que não se atentou para o fato que o seu departamento fiscal não procedeu as retificações necessárias para confirmar as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. Diante deste fato, pede que seja concedido novo prazo para realizar a apuração efetiva do seu direito creditório. Alega o direito a concessão do prazo pleiteado em razão dos princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso voluntário por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Nos termos do relatório fiscal, a lide do processo cingese a falta de comprovação pela Recorrente do seu direito creditório, nos termos constantes do despacho Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.906711/201215 Acórdão n.º 3201003.176 S3C2T1 Fl. 3 3 decisório, parte dos créditos declarados pelo contribuinte na DCOMP estavam vinculados ao pagamento de outros tributos, razão pela qual, a declarações de compensação foram homologadas parcialmente. Nas alegações do Recurso a Recorrente confirma que não realizou as apuração do seu direito creditório e não providenciou as alterações necessárias para confirmar o direito creditório alegado e pede uma prorrogação de prazo para realizar tais procedimentos. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar as provas necessária para comprovar as suas alegações. O pedido para prorrogação de prazo não é matéria afeita a este processo, pois, os documentos e informações comprobatória precisam acompanhar o recurso interposto, caso a Recorrente, junto com o seu recurso voluntário, tivesse apresentado informações ou documentos que pudessem comprovar o seu direito creditório, seria possível considerar a realização de diligências para averiguar tias informações. Entretanto, a Recorrente apenas confirma os fatos já apresentada no despacho decisório e posteriormente na decisão da primeira instância, que os créditos não aceitos pela fiscalização estão vinculados a outros pagamentos, não existindo nenhuma informação que possa contradizer estes fatos, não pode prosperar o pedido da Recorrente. Quanto a alegação de ofensa a princípios constitucionais, este Conselho não é competente para aprecia a matéria, conforme assentado na súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720176/2014-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
SALDO DEVEDOR DA CONTA "CAIXA". DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO E REDUÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. FRAUDE.
A manipulação da conta caixa, com o posterior transporte de seus saldos para outras contas do ativo, propiciou o incremento do valor dos bens constantes do imobilizado, gerando despesas com depreciação e redução do ganho de capital de bem alienado de forma irregular e fraudulenta. Corroboram tal assertiva a inexistência de documentos ou de qualquer outro meio probante adequado a comprovar a regularidade dos lançamentos contábeis que deram suporte a tais operações.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
PAGAMENTO SEM CAUSA.
A manipulação da conta caixa, inflando seus saldos pela via de transferências de recursos financeiros para os sócios/administradores da Contribuinte e/ou de pessoas ligadas a eles, caracterizam pagamentos sem causa a ensejar a cobrança do Imposto Retido na Fonte com fulcro no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA ISOLADA PELA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO.
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. I, DO CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do disposto no art. 124, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135 DO CTN. SÓCIO-GERENTE DE EMPRESA INDICADA COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 1401-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para tão somente afastar a responsabilidade tributária solidária da sócia LUCY LEICO SHIBATA INOUE. Por maioria de votos, resolveu o Colegiado cancelar a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas na exata medida em que sua base seja menor que a base tributável utilizada para fins de aplicação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Lívia De Carli Germano - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 SALDO DEVEDOR DA CONTA "CAIXA". DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO E REDUÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. FRAUDE. A manipulação da conta caixa, com o posterior transporte de seus saldos para outras contas do ativo, propiciou o incremento do valor dos bens constantes do imobilizado, gerando despesas com depreciação e redução do ganho de capital de bem alienado de forma irregular e fraudulenta. Corroboram tal assertiva a inexistência de documentos ou de qualquer outro meio probante adequado a comprovar a regularidade dos lançamentos contábeis que deram suporte a tais operações. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PAGAMENTO SEM CAUSA. A manipulação da conta caixa, inflando seus saldos pela via de transferências de recursos financeiros para os sócios/administradores da Contribuinte e/ou de pessoas ligadas a eles, caracterizam pagamentos sem causa a ensejar a cobrança do Imposto Retido na Fonte com fulcro no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA ISOLADA PELA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. I, DO CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do disposto no art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135 DO CTN. SÓCIO-GERENTE DE EMPRESA INDICADA COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para tão somente afastar a responsabilidade tributária solidária da sócia LUCY LEICO SHIBATA INOUE. Por maioria de votos, resolveu o Colegiado cancelar a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas na exata medida em que sua base seja menor que a base tributável utilizada para fins de aplicação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator (assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO E REDUÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. FRAUDE. A manipulação da conta caixa, com o posterior transporte de seus saldos para outras contas do ativo, propiciou o incremento do valor dos bens constantes do imobilizado, gerando despesas com depreciação e redução do ganho de capital de bem alienado de forma irregular e fraudulenta. Corroboram tal assertiva a inexistência de documentos ou de qualquer outro meio probante adequado a comprovar a regularidade dos lançamentos contábeis que deram suporte a tais operações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PAGAMENTO SEM CAUSA. A manipulação da conta caixa, inflando seus saldos pela via de transferências de recursos financeiros para os sócios/administradores da Contribuinte e/ou de pessoas ligadas a eles, caracterizam pagamentos sem causa a ensejar a cobrança do Imposto Retido na Fonte com fulcro no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 76 /2 01 4- 62 Fl. 8427DF CARF MF 2 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA ISOLADA PELA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. I, DO CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do disposto no art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135 DO CTN. SÓCIO GERENTE DE EMPRESA INDICADA COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para tão somente afastar a responsabilidade tributária solidária da sócia LUCY LEICO SHIBATA INOUE. Por maioria de votos, resolveu o Colegiado cancelar a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas na exata medida em que sua base seja menor que a base tributável utilizada para fins de aplicação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Fl. 8428DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.428 3 (assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 8429DF CARF MF 4 Relatório Vou me socorrer do Relatório da decisão recorrida para dar a noção exata dos termos em que se fundamenta a situação posta a juízo para esta Turma, haja vista sua objetividade e clareza na exposição dos fatos de que cuida o presente processo: Tratase de auto de infração a trazer exigências de IRPJ, CSLL e IRRF, respeitante aos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012. O crédito tributário exigido montou R$ 22.882.670,94 entre principal, multa de ofício proporcional (150%) e juros de mora (calculados até 11/2014), além de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL. As razões de fundo foram as seguintes (vide fls. 02, 7200/7334): 1.1. A conta "caixa" fora artificialmente inflada. Na sequência, o excesso resultante alimentaria a conta de ativo "imobilizado em andamento" que, à sua vez, daria azo a lançamentos em quatro outras contas do ativo: "instalações industriais", "despesas préoperacionais", "gastos em imóvel de terceiro" e "edifícios e construções". Aproveitandose da rubrica "instalações industriais", teria gerado o Contribuinte despesas com encargos de depreciação, que à razão do artifício original retro referido, fora glosado. Já nas rubricas "despesas préoperacionais" e "gastos em imóvel de terceiro", teria o Contribuinte experimentado o respectivo proveito, com o dispêndio então anotado (o que reduzira as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL), indevidamente pois: como dito, de início era questionável na sua origem (vindo d'uma superveniência devedora artificiosa na conta "caixa"); e, não bastasse isso, ainda provera o Interessado, na posição de locatário, assento documental falso a pretensamente justificar um contrato de aluguel em face do locador Galebra Investimentos e Participações S/A., cujo imóvel (assim locado) incorporaria os montes lançados em "despesas préoperacionais" e "gastos em imóvel de terceiro" à contrapartida de alugueres que lhe seriam devidos. Agora, no que toca à conta "edifícios e construções", alienado em 2010, glosoulhe a Fiscalização porção significativa do seu custo, cuja formação, na linha do antes mencionado, deitara raízes em transferência fictícias da conta "caixa" (disso resultou a reversão de resultado não operacional negativo). 1.2. O Contribuinte se aproveitara de despesas a título de tributos e multas sem, no entanto, demonstrarlhes a respectiva base documental ou, mesmo quando o caso da colação d'algum apoio probatório dessa natureza, dele se concluía a indedutibilidade da despesa assim anotada. O mesmo se diga para o registro d'outras tantas despesas financeiras. 1.3. O Interessado também se aproveitara de saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL para além da trava legal de 30%. Desse proceder e mais as glosas de despesas antes referidas, resultou ainda a falta de recolhimento mensal de estimativas de IRPJ e de CSLL. 1.4. Enfim, verificou a Fiscalização que o monte devedor ficticiamente atribuído à conta "caixa" era, de fato, destinado a pagamento de terceiros, mas cuja causa negocial, assim de se esperar compactuada entre esses últimos em face do Contribuinte, não restou comprovada. Daí a exigência de IRRF. 2. Na oportunidade, foi imputada responsabilidade tributária solidária ao Sr. Osvaldo Teruo Shibata (CPF 524.523.87800), às Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata (CPF 280.088.98887), Lucy Leico Shibata Inoue (CPF 791.959.89820), e Rosa Fernandes Marques (CPF 271.945.60801), bem que à Fl. 8430DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.429 5 firma individual por essa última titulada (CNPJ 12.570.950/000130). Na sequência, Contribuinte e imputados Responsáveis Tributários serão referidos, em conjunto, por Interessados. 3. A Fiscalização se justifica conforme exposto no relatório de fls. fls. 7337/7467. 4. Do expediente deuse ciência ao Contribuinte (Frigorífico Avícola Guarantã Ltda.) em 10/12/2014 (fl. 7611). Já os imputados Responsáveis Tributários Solidários, a dizer, o Sr. Osvaldo Teruo Shibata (CPF 524.523.87800), as Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata (CPF 280.088.98887), Lucy Leico Shibata Inoue (CPF 791.959.89820), e Rosa Fernandes Marques (CPF 271.945.60801), bem que a firma individual em nome dessa última (CNPJ 12.570.950/000130), foram eles cientificados de igual material acusatório em 12/12/2014 (fl. 7614), 10/12/2014 (fl. 7612), 09/12/2014 (fl. 7613), 12/12/2014 (fl. 7615) e 12/12/2014 (fl. 7616), respectivamente. Em uníssono, todos os imbricados tornaram aos autos (em peça única) em 08/01/2015 para argumentar o seguinte (fls. 7621/7653): a) Critica a imputação de responsabilidade tributária a "sócios e terceiros" ao argumento de a Fiscalização não ter emprestado a devida motivação ao ato, a dizer, não ter apontado "de forma minuciosa eventual atitude" dessas pessoas que teria culminado "para o não pagamento do tributo exigido" (fl. 7623). Nesse tópico, destaca que, a vingar a inteligência da Fiscalização no que toca à caracterização das Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue como sócias apenas de direito e não de fato (predicado último que caberia ao Sr. Osvaldo Teruo Shibata) na pessoa jurídica do Contribuinte, então não seria o caso de se lhes atribuir qualquer ato de gestão e, por conseguinte, estariam elas fora do alcance de eventual responsabilização pelo crédito tributário aqui constituído. Ainda, com respeito à Sra. Rosa Fernandes Marques, bem que em relação à firma individual por ela encampada, mesmo que o Contribuinte se utilizasse de contas correntes bancárias de titularidade delas (pessoa física e firma individual da Sra. Rosa Fernandes Marques), não haveria negar (e a Fiscalização assentiria com isso) a competente anotação do respectivo tráfego de numerário ali observado na contabilidade do Interessado, circunstância que desnaturaria a hipótese de responsabilização. De passagem, crêse sem critério a Fiscalização quando, ao identificar pagamentos do Contribuinte ao Sr. Íbis Pereira Tarley, não o chama à responsabilização pelo crédito tributário enfim constituído, ao contrário do que fizera em relação aos ora imputados responsáveis tributários. N'outra linha, mas ainda no mesmo tópico, a considerar a assunção feita pela Fiscalização no sentido da existência d'um "grupo econômico" entre os atores aqui arrolados, pondera que "a infração tributária porventura praticada por uma sociedade do grupo não pode ter sua sanção validamente imposta às outras integrantes, pelo simples fato do pertencimento ao mesmo grupo" (fl. 7632). E complementa: ainda que se tratasse de grupo econômico (o que não é verdade), nos grupos de sociedade, somente é possível haver nexo de causalidade entre uma conduta e uma infração tributária na medida em que uma sociedade tenha competência concreta para decidir sobre a realização de atos de outra sociedade [...] (fl. 7632; destaques do original). b) A se espraiar por todo o texto da Fiscalização a imputação de fraude por sobre a contabilidade do Contribuinte, o correto seria a promoção da sistemática de arbitramento do lucro, como predizem o art. 47, inciso II, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, bem que o art. 530, inciso II, do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. O contrário disso, como Fl. 8431DF CARF MF 6 observado no caso corrente, corresponderia a malferir o caráter vinculado do ato ora combatido. c) Se de grupo econômico se cuidava, haveria a Fiscalização de considerar o benefício do rateio de despesas entre os entes componentes do nominado grupo. Assim ditaria, ainda que indiretamente, a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de setembro de 2013, bem que julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. d) Crê inconstitucional a limitação imposta à compensação de prejuízo fiscal acumulado ao patamar de 30% do lucro auferido no período. e) Reclama que "os valores registrados em conta do Ativo Imobilizado não representam diminuição do resultado da empresa; ou seja, não transitam em conta de apuração de resultado; portanto, o lucro ou prejuízo apurado não é afetado por valor lançado no ativo imobilizado" (fl. 7643). f) Entende contabilmente hígido o expediente operacional por ele adotado, consistente em quitar "seus compromissos coma cessão de créditos de clientes: ou seja, ao invés de pagar o abate ao frigorífico, faziase depósitos diretamente nas contas de fornecedores, prestadores de serviços e, inclusive, parceiros de abates" (fl. 7643). Disso, acresce o Contribuinte, "não haveria razão para o agravamento da MULTA" (fl. 7643; destaques do original), sem dizer de seu caráter ilegal, confiscatório e desarrazoado, quando considerado o patamar em que aplicada (150%). g) Não caberia "A CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO" (fl. 7644; destaques do original), conforme julgados do CARF. A impugnação apresentada pela Contribuinte em conjunto com os apontados como responsáveis solidários pelo crédito tributário foi conhecida e apreciada pela DRJ de São Paulo, conforme consta do Acórdão nº 1670.630 1ª Turma. Abaixo colaciono a ementa do Acórdão proferido pela DRJ/SPO, em 15 de dezembro de 2015. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2009, 2010, 2011, 2012 SOBRESALDO DEVEDOR DA CONTA "CAIXA". POSTERIOR TRASLADO PARA OUTRAS CONTAS DE ATIVO. GERAÇÃO DE DESPESA COM DEPRECIAÇÃO E REDUÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE À AMPLIAÇÃO DE INSTALAÇÃO FÍSICA. FRAUDE. A anotação de influxos na conta "caixa" quando, em verdade, o numerário se destinava a terceiros, revela a formação de sobresaldo devedor fictício em dita conta. A mais disso, seu posterior transporte para outras contas do ativo, a partir do que registramse o incurso em despesas de depreciação, a elevação de custo histórico de bem imóvel depois alienado (a reduzir o respectivo ganho de capital), é, assim, também irregular. Sem dizer ainda e no caso, da inexistência de qualquer elemento documental hígido que apontasse para alguma realidade que desse conta d'uma afirmada ampliação da planta industrial onde opera o Contribuinte, essa financiada que seria com recursos da antes referida conta "caixa", tudo enfim, pavimenta a assunção de fraude contábilfiscal. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. FATOS IMPONÍVEIS DISTINTOS. É cabível aplicação de multa isolada decorrente de falta de pagamento de estimativas mensais de imposto concomitantemente com multa proporcional Fl. 8432DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.430 7 incidente sobre aquele devido e não pago ao final do período de apuração anual, haja vista cuidarem de reprimendas a comportamentos distintos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENDÁRIO: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção do IRPJ impõe se também à CSLL, naquilo que for cabível, uma vez que ambos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF ANOCALENDÁRIO: 2009, 2010, 2011, 2012 PAGAMENTO SEM CAUSA. Cabe a exigência de IRRF sempre que não identificada a causa negocial que subjaz aos pagamentos direcionados da pessoa jurídica para terceiros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2009, 2010, 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Rende ensejo à tipificação do interesse comum, como causa a instigar a atribuição de responsabilidade tributária solidária, a formação d'um núcleo comum de negócios encabeçado no Contribuinte, mas de que terceiros retiram proveito, tal a figura do sócio de fato ou de outras pessoas que tiveram débitos seus pagos com recursos do Contribuinte. Esses terceiros, à essa razão, devem ser conduzidos à posição de garante do crédito tributário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. EXCESSO DE PODER. Os sócios gerentes também respondem por ofensa ao contrato social pela via da omissão. Assim é o caso daqueles sócios que, designados únicos e exclusivos gerentes na pessoa jurídica, sem mais rigor formal, entregam os interesses da pessoa moral ao poder e mando de terceiro (sóciogerente de fato) que, enfim, está à testa de sérias e prolongadas irregularidades contábilfiscais. Sóciosgerentes de papel e sóciogerente de fato, à essa razão, devem ser conduzidos à posição de garante do crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2009, 2010, 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. Por outra, em nível administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, não se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (enunciado nº 04 da Súmula do CARF). Fl. 8433DF CARF MF 8 MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Identificase o dolo civiltributário, esse tendente a impedir, retardar, excluir ou modificar o preciso conhecimento de matéria tributável por parte do Fisco, na conduta do Contribuinte que infla o saldo devedor da conta "caixa" quando em verdade o numerário respectivo fora ter às mãos de terceiros e, com isso e em seguida, cria saldos devedores fantasiosos de outras contas de ativo a gerar despesas com depreciação e aumento de valor contábil de bem imóvel ao depois alienado. Não bastasse isso, a inexistência de documentação que desse suporte à alegada ampliação de planta industrial ("financiada" com recursos vindos da criticada conta "caixa") também afeiçoase ao signo da fraude, quando mais se tem em consideração que, no curso da fiscalização, três vozes (sóciagerente, contador e gerente de produção) primeiro negam a existência de contrato de locação que tinha por objeto, justamente, a dita planta industrial, para, momentos depois, trazer à vista da Fiscalização preciso contrato antedatado. E tudo ainda a ter lugar por longo curso e a envolver substancial monta monetária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Acórdão acima foi cientificado à Recorrente em 23/12/2015 (v. efls. 8.292), tendo o Recurso Voluntário sido proposto em 22/01/2016 (v. efls. 8.293/8.326). As alegações trazidos no Recurso Voluntário pela Contribuinte são as mesmas já expendidas quando da Impugnação ao lançamento, razão pela qual deixo de enumerálas, por uma questão de economia processual. Ao final, vieram os autos a este Conselheiro para relatar. É o relatório. Fl. 8434DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.431 9 Voto Vencido Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário de FRIGORÍFICO AGRÍCOLA GUARANTÃ LTDA e dos apontados como responsáveis solidários que o subscrevem em conjunto é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Antes de adentrar nas questões aventadas no Recurso Voluntário, façamos um breve histórico das razões da autuação, das circunstâncias e elementos trazidos e comprovados pela Autoridade Fiscal no curso do procedimento, que virão a determinar a solução a ser dada ao caso, em especial à sujeição passiva solidária a que foram expostas algumas pessoas, conforme já vimos no Relatório. O procedimento fiscal apontou a ocorrências das seguintes infrações: 1) glosa de despesas de depreciação incorridas sobre os itens do ativo imobilizado, mais especificamente sobre os bens constantes da conta "instalações industriais"; 2) glosa dos dispêndios lançados nas contas "despesas préoperacionais" e "gastos em imóvel de terceiro"; 3) glosa de parcela do custo apropriado à conta "edifícios e construções", que foram alienados pela Recorrente em 2010; Abrindo um pequeno parênteses, as glosas acima decorreram de procedimento realizado pela Recorrente, utilizandose da conta "caixa", inflada artificialmente através de sucessivos lançamentos a débito. De forma sistemática e sucessiva, os valores indevidamente lançados a débito na conta caixa, eram transferidos a crédito da conta "imobilizado em andamento"; por sua vez, referida conta ("imobilizado em andamento") era creditada em face de débitos às contas "instalações industriais", "despesas préoperacionais", "gastos em imóvel de terceiro" e "edifícios e construções" . Fechado o parênteses acima, que será detalhado mais adiante, foram ainda objeto do lançamento as seguintes infrações: 4) Glosa de despesas a título de tributos e multas; 5) Glosa da compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, realizada em patamares superiores a 30% do lucro real apurado; 6) Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos realizados a pessoas diversas sem a comprovação de sua causa (ausência de propósitos negociais devidamente comprovados). Fl. 8435DF CARF MF 10 Além de autuar a Contribuinte, a Fiscalização ainda apontou como responsáveis solidários pelo crédito tributário o Sr. Osvaldo Teruo Shibata (CPF 524.523.878 00), as Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata (CPF 280.088.98887), Lucy Leico Shibata Inoue (CPF 791.959.89820), e Rosa Fernandes Marques (CPF 271.945.60801), bem assim a firma individual por essa última titulada (CNPJ 12.570.950/000130). Os motivos pelos quais cada uma das pessoas acima foram trazidas à responsabilidade pelo crédito tributário serão tratados mais à frente. É de capital importância para o entendimento dos demais Conselheiros que dividirão a responsabilidade no julgamento do presente processo, a delimitação da matéria posta para análise. A impugnação, bem assim o recurso voluntário, centraram suas forças e argumentos nos seguintes aspectos: 1) Responsabilização dos sócios e dos terceiros indicados no pólo passivo da demanda; 2) Nulidade do lançamento haja vista que, segundo a Recorrente, a Fiscalização deveria ter arbitrado o lucro, ao invés de apurar a exigência conforme as regras do lucro real; 3) Alega, ainda, a Recorrente, que a Fiscalização teria entendido tratarse de grupo econômico e, como tal, não teria dado o tratamento tributário adequado, mais uma razão para se declarar a nulidade do auto de infração; 4) Inconstitucionalidade da limitação e, por conseguinte, da glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL realizadas em percentual superior a 30% do lucro real; 5) A multa de ofício aplicada, no patamar de 150%, seria confiscatória e desproporcional, sendo flagrante a sua inconstitucionalidade; 6) Seria inadmissível no ordenamento jurídico atual, a cumulação da multa de ofício com a multa isolada por falta de pagamento de estimativas; No mérito, relativamente à mecânica utilizada para “inflar” a conta “caixa” , transferindo seus valores para o imobilizado e/ou mascarando as transferências de recursos financeiros para terceiros, muito pouco aduziu, limitandose a dizer o seguinte: 1) os valores registrados em conta do ativo imobilizado não representariam diminuição do resultado da empresa, pois não transitariam em conta de apuração de resultado, o que não afetaria o lucro ou o prejuízo apurados; 2) quanto às transferências em nome de terceiros, teria ficado provado que a recorrente quitava seus compromissos com a cessão de créditos de clientes. Logo, observarseia, neste ponto, “mais um apetite do fiscal em autuar a empresa sem atentar para as peculiaridades que o caso reclama e que foram devidamente evidenciadas ao longo da fiscalização”. Então, essa foi a matéria objeto do recurso voluntário, devendo os nobres julgadores atentarem para este fato, haja vista tudo o que já foi visto até o presente momento, tanto no relatório quanto no voto, e o que ainda será reportado daqui em diante. Como veremos mais claramente daqui por diante, a estratégia de "inflar" a conta caixa foi engendrada para propiciar o incremento do valor dos bens constantes do Fl. 8436DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.432 11 imobilizado, gerando despesas com depreciação e outras, além de encobrir inúmeros pagamentos realizados a terceiros sem que houvesse ou fosse comprovada a causa ou o propósito negocial de tais transferências. A mecânica adotada para “inflar” a conta “caixa” foi bem explicada, tanto no Termo de Verificação Fiscal de efls. 7.337/7.467, como no Acórdão de Impugnação de efls. 8.177/8.238. Digase de passagem, elogiáveis, tanto o trabalho realizado pela Auditoria Fiscal, quanto o voto condutor do acórdão recorrido. Abaixo colacionei alguns exemplos para melhor explicitar a mecânica adotada pela Contribuinte, desvelada pela Autoridade Fiscal, para aumentar ficticiamente os saldos da conta caixa, origem das glosas de despesas e dos pagamentos sem causa identificados. Os trechos em itálico e grifados em negrito estão reproduzidos conforme constam do TVF. Já o texto entre colchetes foi acrescido no Acórdão de Impugnação a título de comentário, com o fito de firmar o convencimento dos julgadores a respeito de cada um dos casos apontados. 1º exemplo de inconsistência na conta “caixa” – pagamentos a terceiros via bancos com débito no caixa Em 25/06/2009, o contribuinte transferiu para a empresa OJM, o valor de R$ 50.330,00. Através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 13 (Anexo V) [Vide fls. 1622/1627, 1645] o contribuinte foi intimado a esclarecer tal transferência no valor de R$ 50.330,00 efetuada através de TED da conta Bradesco ag. 015 – c/c nº 530.1823 (conta que é utilizada para a movimentação financeira do frigorífico). O contribuinte não esclareceu o fato e nem apresentou documentos. O contribuinte escriturou essa TED na contabilidade da empresa, de forma dissimulada, da seguinte forma: saque da conta banco com transferências para a conta “caixa”. [Donde revelase uma inconsistência na conta "caixa", certo que numerário algum lhe acrescera o saldo, visto que os R$ 50.330,00 foram ter a benefício de OJM Indústria Comércio e Transporte de Produtos Avícolas Ltda. A possibilidade de, ao depois, a conta "caixa" ter sido creditada contra débito do nascimento d'algum direito a desfavor de OJM (uma contacontábil de controle de empréstimo do Contribuinte para essa última) não foi demonstrado.] Esse é o exemplo mais simples. Resumese a pagamento efetuado a terceiro, via conta bancária de titularidade da própria contribuinte, debitandose a conta caixa e inflando seu saldo sem que tenha havido nenhum ingresso financeiro. Também não há nenhum registro contábil do surgimento de nenhuma espécie de obrigação entre a Contribuinte e o terceiro beneficiário dos recursos. 2º exemplo de inconsistência na conta “caixa” A empresa “Galebra Investimentos e Participações S/A” foi constituída em 17/06/2009, tendo como acionista principal a empresa OJM [...]. [...] Em alienação judicial a empresa “Galebra Investimentos e Participações S/A” adquiriu o imóvel sede do frigorífico, através da Carta de Alienação nº 01/2010, datada de 29/11/2010, no valor de R$ 730.000,00. O depósito judicial da compra do imóvel, efetuado pela Galebra foi em 19/10/2010. [vide fls. 104, 108, 132, 136/138] Fl. 8437DF CARF MF 12 O contribuinte transferiu recursos financeiros para a empresa Galebra, em datas anteriores à compra do imóvel, no valor total de R$ 187.106,04, a partir da conta Brasdesco c/c nº 531.3074 (conta em nome de João Maestre de Menezes que também era utilizada para a movimentação financeira do frigorífico, conforme constatação no tópico “II Utilização de contas de pessoas físicas para movimentação financeira da empresa” deste relatório), através de 03 TEDs. O contribuinte escriturou esses 03 TEDs na contabilidade da empresa, de forma dissimulada, da seguinte forma: saques da conta banco com transferências para a conta “caixa” (observando que não houve o registro contábil dos respectivos valores saindo da conta “caixa” para a empresa “Galebra”). [Donde revelase uma inconsistência na conta "caixa", certo que numerário algum lhe acrescera o saldo, visto que os R$ 187.106,04 foram ter a benefício de Galebra Investimentos e Participações Ltda. Abaixo, os dados de lançamento contábil no Livro Razão foram extraídos da escrituração contábil digital do Contribuinte. As demais referências que por ventura se fizerem ao dito Livro têm essa origem. A possibilidade de, ao depois, a conta "caixa" ter sido creditada contra débito do nascimento d'algum direito a desfavor de Galebra Investimentos e Participações Ltda. (uma contacontábil de controle de empréstimo do Contribuinte para essa última) não foi demonstrado.] No Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 14, o contribuinte foi intimado a esclarecer o fato (transferências bancárias de recursos para a empresa Galebra) e novamente o contribuinte não esclareceu o fato, alegando simplesmente que aquelas transações bancárias “não pertenciam ao frigorífico” e não apresentou qualquer documento (mesmo estando devidamente escrituradas na contabilidade do frigorífico, como se viu no extrato do razão acima). Por sua vez, em diligência na empresa Galebra, a mesma informou que tais valores estavam contabilizados como “empréstimos” formalizados “verbalmente”. Tais “empréstimos” não foram devolvidos ao frigorífico até a presente data. [...] Neste segundo exemplo, temos 03 TEDs efetuadas a benefício da empresa GALEBRA sem qualquer justificativa prestada pela Recorrente. Já a empresa GALEBRA informa terem tais valores origem em empréstimos firmados verbalmente. Da mesma forma que no primeiro exemplo, a contabilização dos créditos efetuados na conta bancos foi realizada em face de débitos na conta caixa. Aqui, a conta bancária utilizada pela Contribuinte tem a titularidade de um terceiro, ou seja, não pertence à Recorrente, mas é por ela utilizada para movimentações financeiras de sua responsabilidade. 3º exemplo de inconsistência na conta “caixa” – cessão de créditos junto a clientes [3º exemplo de inconsistência na conta "caixa". Mas, antes de se ir propriamente à cita, esclareçase que as contascorrentes 05301823/Bradesco, 01005324 3/Santander e 01.0051762/Nossa Caixa, não obstante sob a titularidade da Sra. Fl. 8438DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.433 13 Rosa Fernandes Marques, prestaramse a movimentar recursos financeiros do Contribuinte. Assim o assume aquela Senhora (fls. 2344/2814) e assim consta na contabilidade do Contribuinte (para as duas primeiras contascorrentes), que ainda o reafirma por escrito (fls. 75, 78, 398, 2815/3103). O mesmo expediente se dá com as contascorrentes 55204/Bradesco e 5313074/Bradesco, agora a nome do Sr. João Maestre de Menezes. Isso (uso de contacorrente de titularidade de terceiro e sua escrituração contábil) o admite o Contribuinte às fls. 937, 1078/1079, 1090/1228. Em si mesmo considerado, tal expediente não fora questionado pela Fiscalização (conforme conclusão às fls. 7380/7381). Porém, agora sim já adentrando à cita que constitui esse 3º exemplo de inconsistência na conta "caixa", o uso que delas (contascorrentes) fez o Contribuinte no recebimento de direitos de seus clientes e no pagamento de obrigações a seus fornecedores, isso é o que releva a referida inconsistência na conta "caixa". Vejase.] [...] a maioria dos pagamentos [de fornecedores do Contribuinte] eram feitos através de recursos disponíveis no caixa da empresa e através de cessão de créditos junto a clientes [do Contribuinte], que efetuavam diretamente os pagamentos para os fornecedores. [exatamente como aquiesce o Contribuinte, a considerar sua resposta de fls. 935/940 dada às intimações de fls. 709, 906]. Essas cessões de créditos junto a clientes [direito em face de clientes], para pagamento direto de fornecedores [obrigações em face de fornecedores], sendo num primeiro momento contabilizados os recebimentos [direito em face de clientes] como entradas de recursos na conta “caixa”, para depois num segundo momento serem contabilizados os pagamentos [obrigações em face de fornecedores] como saídas de recursos da conta “caixa”, e ainda sem respeitar as efetivas datas e valores das operações [o direito em face de clientes tem uma individualidade, no mínimo, um valor e uma data, e assim também para a obrigação em face de fornecedores], não representa uma boa prática contábil, principalmente porque não fica registrado na contabilidade, os dados essenciais da operação financeira, como por exemplo a data efetiva da operação, assim como os meios utilizados para a operação, ou seja como foram recebidos os direitos de crédito perante seus clientes e nem como foram quitadas as dívidas perante os fornecedores, sem contar que fica também prejudicado a comprovação documental das operações, pois não há um saque em banco, cheque emitido, retirada de dinheiro do caixa, coincidente em data e valor, com o pagamento efetuado. A falta de suporte documental para tais lançamentos ficou demonstrado quando o contribuinte foi intimado a apresentar comprovantes de pagamentos de algumas compras, e apresentou como suporte documental tão somente notas de compras acompanhados de recibos dos fornecedores, não existindo o comprovante documental do efetivo pagamento. [...]. [...] como visto não há transparência nas transações, tornando difíceis, senão impossíveis através somente da contabilidade, o rastreamento das efetivas operações financeiras, uma vez que um pagamento pode ter ocorrido através de terceiros (mediante cessão de créditos), sem que ficasse registrado na contabilidade a real operação de pagamento, seja ela legal (pagamento de fornecedor), seja ela ilegal (retirada de recursos financeiros da empresa à margem da contabilidade, para benefício dos sócios, administradores ou terceiros). Alguns exemplos concretos serão discutidos em seguida. [...] Fl. 8439DF CARF MF 14 Como exemplo, colamos abaixo documentos obtidos em diligência na empresa “Friobom Com. de Frios e Transportes Ltda” (documentos completos estão juntados nos autos). No primeiro exemplo, temos [1] uma venda de produtos para o cliente Friobom [fl. 4846], [2] a orientação do frigorífico para que o pagamento da venda fosse efetuado para um terceiro (cessão de crédito) [no caso, o Sr. Íbis Pereira Tarley, conforme fl. 4848] e [3] o comprovante do pagamento (TED bancária) [fl. 4847]. Fl. 8440DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.434 15 O contribuinte contabilizou as operações acima da seguinte forma, conforme extrato do Razão 2010 conta 111060481 – Friobom Com. de Frios e Laticínios Ltda, com as contrapartidas nas contas de receita e caixa: Verificase que contabilmente houve o reconhecimento da receita da venda [primeiro par de lançamento], porém o recurso financeiro da venda apesar de ter sido depositado para um terceiro, foi contabilizado como entrada de recurso financeiro do contribuinte na conta “caixa” [Que é o segundo par de lançamento, isto é, a baixa do direito do Contribuinte em face do cliente Friobom Comércio de Frios e Laticínios Ltda. contra a conta "caixa". Disso, a pergunta: mas como, se o numerário foi ter ao Sr. Íbis Pereira Tarley?]. Neste caso específico, em resposta à intimação o contribuinte reconheceu que houve pagamentos ao Srº Íbis que não foram contabilizados, ou seja, de fato o recurso financeiro não poderia estar na conta “caixa”, gerando já uma inconsistência de saldo da conta. Veja a resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 11, encaminhada pelo contribuinte e datada de 24/04/2014, sobre não contabilização de pagamentos ao Srº Íbis [fls. 1078/1079]: Aqui temos um exemplo em que o caixa foi inflado artificialmente através do expediente da cessão de um crédito que a Contribuinte tinha em face da empresa FRIOBOM, autorizada que foi pela primeira a efetuar o respectivo pagamento diretamente a um terceiro, no Fl. 8441DF CARF MF 16 caso, o Sr. IBIS PEREIRA TARLEY. O pagamento ao Sr. IBIS não foi contabilizado, o que foi reconhecido pela própria Contribuinte. Já o caixa foi debitado em contrapartida à conta de clientes FRIOBOM. No segundo exemplo, temos [1] uma venda de produtos para o cliente Friobom [fl. 4849], [2] a orientação do frigorífico para que o pagamento da venda fosse efetuado para um terceiro (cessão de crédito) [no caso, o Sr. Silvio Caetano Balassoni, conforme fl. 4850] e [3] o comprovante do pagamento (TED bancária), sendo que neste caso o terceiro é um fornecedor do frigorífico [fl. 4851]. O contribuinte contabilizou as operações acima da seguinte forma, conforme extrato do Livro Razão 2010 conta “111060481 – Friobom Com. de Frios e Laticínios Ltda”, com as contrapartidas nas contas de receita e caixa: Verificase que contabilmente houve o reconhecimento da receita da venda [primeiro par de lançamento], porém o recurso financeiro da venda apesar de ter sido depositado para um terceiro, foi contabilizado como entrada de recurso financeiro do contribuinte na conta caixa em 09/08/2010 [Que é o segundo par de lançamento, isto é, a baixa do direito do Contribuinte em face do cliente Friobom Comércio de Frios e Laticínios Ltda.. Disso, a pergunta: mas como, se o numerário foi ter ao Sr. Silvio Caetano Balassoni?]. [...] Conforme extrato do Livro Razão 2010 conta “211010616 Silvio Caetano Balassoni Transportes – ME”, verificase que o depósito efetuado na conta do fornecedor em 09/08/2010 pela empresa Friobom, e contabilizado como entrada na conta caixa pelo frigorífico também em 09/08/2010, não foi imediatamente lançado pelo frigorífico na mesma data e no mesmo valor como pagamento do fornecedor [Por outra, perquire a Fiscalização sobre o registro contábil que dá conta desse preciso pagamento ao nomeado fornecedor Silvio Caetano Balassoni, ou seja, indagase sobre onde estaria consignada a baixa dessa obrigação contra o respectivo crédito na conta "caixa".]. Verificouse que na conta “211010616 Silvio Caetano Balassoni Transportes – ME”, que durante todo o ano de 2010 houve diversos pagamentos do fornecedor, através da conta “caixa”, porém nenhum no valor de R$ 56.712,00 e nenhum também na data de 09/08/2010. Reproduzimos abaixo apenas as datas próximas anteriores e posteriores (final de julho e início de agosto [sic; setembro]), e os lançamentos de agosto. Fl. 8442DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.435 17 [...] [Observese que o Contribuinte foi especificamente intimado a respeito. Está no Termo de Intimação nº 12 de fls. 1229/1232, dado à ciência do Interessado em 14/05/2014 (fl. 1233). Vejase.] G) Que o contribuinte, além de efetuar pagamentos em dinheiro, também se utilizava do expediente de pagamentos a fornecedores através de cessões de créditos junto a seus clientes, porém o que se verifica nos lançamentos contábeis, não há correlação em data e valor dos citados pagamentos, ou seja pela contabilidade fica impossível associar em data e valor a baixa da conta do ativo com a respectiva baixa da conta do passivo relacionado. O contribuinte lança o valor total da baixa da conta do ativo (a crédito) em contrapartida na conta “caixa” (a débito), em determinada data, e a baixa da conta do passivo (a débito) em contrapartida na conta “caixa” (a crédito), em outra data, não havendo qualquer identificação em data e valor dos dois lançamentos, gerando consideráveis inconsistências na conta caixa, não permitindo que a contabilidade reflita a realidade econômica/financeira da empresa em dado momento; 3. Em relação ao apontamento “G” acima (pagamentos a fornecedores através de cessão de créditos junto a clientes), informar se existem controles paralelos à contabilidade que permitam fazer a devida correlação entre os pagamentos a fornecedores e as respectivas “cessões de créditos” junto a seus credores (clientes) e ainda a correlação com os lançamentos contábeis e a observância dos princípios contábeis nesses lançamentos. Caso existam, apresentar cópias das planilhas, de preferência em meio digital; [Face ao que assim respondeu o Contribuinte, em 14/05/2014, precisamente à fl. 1235] Fl. 8443DF CARF MF 18 [Isso considerado, aderese à interpretação da Fiscalização, como segue.] Veja que o contribuinte reconheceu a existência de divergências nas datas e valores, mas quis amenizar tal fato, alegando que os saldos a receber de clientes e a pagar de fornecedores no final se fecham e estão amparados em notas fiscais. O contribuinte também não informou a existência de qualquer controle paralelo à contabilidade para registro de recebimentos/pagamentos. O que se observa na análise da contabilidade de contas de clientes e fornecedores, e conforme documentos entregues pelo contribuinte, realmente os lançamentos contábeis se amparam em notas fiscais, sejam de vendas ou de compras, e na sistemática de registro de quase a totalidade dos pagamentos e recebimentos através da conta “caixa”, ao final de cada período tais contas aparecem geralmente com saldo zerado ou pequenos saldos. [...] Não é o foco neste caso os saldos a receber ou a pagar, das contas de clientes e fornecedores, mas o que se questiona aqui, são as inconsistências nos saldos da conta “caixa”, que como foi mostrado, de acordo com a sistemática adotada pelo contribuinte para registros de quase todos os pagamentos e recebimentos via conta “caixa”, e adoção da prática de muitos pagamentos diretamente através de terceiros (clientes) via cessão de créditos, é praticamente impossível que tal conta “caixa” reflita exatamente em dado momento um saldo real de recursos financeiros da empresa. O que se comprova no exemplo discutido, a total desvinculação dos efetivos pagamentos com os registros de pagamentos através da conta “caixa”. Não há qualquer coincidência tanto em valores quanto em datas de efetivos pagamentos. Devese observar que o próprio contribuinte reconhece que existem divergências de datas e valores dos pagamentos contabilizados, revelando uma despreocupação com as normas contábeis básicas. Portanto não há dúvidas sobre as repercussões negativas e significativas da sistemática utilizada pelo contribuinte para a sua movimentação financeira, e em especial no saldo da conta “caixa”, criando as condições para manipulações desses saldos, como ocorreu no presente caso transferindose saldos irreais (fictícios) para a conta do ativo “imobilizado em andamento”. [Esse tópico será retomado mais à frente nesse Voto] O “modus operandi” descrito acima são apenas exemplos das inúmeras operações identificadas na fiscalização, podendo ser comprovadas com os documentos juntados aos autos, e que inclusive essa falta de controle das operações de pagamentos e recebimentos foram, no final da fiscalização, reconhecidas pelo próprio contribuinte [...]. [E, de fato, está na resposta dada pelo Contribuinte a alguns termos/itens formalizados pela Fiscalização. Precisamente, vide fl. 1718] Fl. 8444DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.436 19 Neste exemplo, refletese a sistemática de cessão de créditos praticada pela Contribuinte, só que agora tendo como beneficiário dos pagamentos um de seus fornecedores, não mais um terceiro. Outros tantos exemplos de manipulação da conta caixa estão detalhados no TVF, a exemplo de operações exclusivamente bancárias – trânsito de numerário entre conta corrente e conta de investimento; ou operações bancárias que não representam saques, como por exemplo DOCs, TEDs, cheques emitidos e compensados etc, contabilizadas como saques nas contas banco com destino para a conta caixa. Dos pagamentos sem causa A conta caixa também foi "inflada" pela via de transferências de recursos financeiros para os sócios/administradores da Contribuinte e/ou de pessoas ligadas a eles. Tais operações foram caracterizadas pela Fiscalização como pagamentos sem causa a ensejar a cobrança do Imposto Retido na Fonte com fulcro no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Para tanto, foram utilizadas contascorrentes de titularidade da Sra. ROSA FERNANDES MARQUES (conta BRADESCO nº 05301823 e SANTANDER nº 01005324 3) e pelo Sr. JOÃO MAESTRE DE MENEZES (conta BRADESCO nº 55204 e BRADESCO nº 5313074). Estas contas bancárias eram movimentadas pela Contribuinte para fazer frente às Fl. 8445DF CARF MF 20 suas próprias operações financeiras e, segundo ela própria, pelo motivo de existirem pendências ou restrições bancárias que a autorizassem a utilizar suas contas bancárias. Uma infinidade de operações bancárias, a partir dessas contas bancárias, foram realizadas para a transferência de recursos, pertencentes à Contribuinte, diretamente a crédito ou benefício da atividade rural do Sr. Osvaldo Teruo Shibata (pagamento de débitos de sua atividade empresária rural), de familiares das sócias da Contribuinte (Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue) e/ou do próprio Sr. Osvaldo Teruo Shibata, ou ainda de outros terceiros (a exemplo, em favor da firma individual titularizada pela Sra. Rosa Fernandes Marques). O procedimento adotado segue o padrão até aqui visto, ou seja, crédito de bancos e débitos na conta caixa, sem que houvesse o correspondente registro de saída, a posteriori, de tais valores, da citada conta "caixa". Instado a se manifestar a respeito de tais operações, a Contribuinte não conseguiu responder de forma a elucidar tais transações à Autoridade Fiscal. Em tempo, cabe ressaltar que o Sr. OSVALDO TERUO SHIBATA é o administrador de fato da Contribuinte. Abaixo reproduzo a resposta dada pela Contribuinte a respeito de tais pagamentos: Conforme ficou bem assentado na decisão recorrida, a legislação tributária não admite alegações de existência de "desorganização administrativa" para justificar a ausência de documentação hábil e idônea a justificar vultosos recursos transferidos da Contribuinte para as pessoas acima nominadas. Razão pela qual, em não havendo lastro documental ou ainda, sequer lançamentos contábeis que justifiquem as transferências de recursos, correta a Fiscalização ao autuar a contribuinte com fulcro no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95. Por conta de tudo o que ficou fartamente demonstrado até este ponto, são absolutamente incompreensíveis as alegações da recorrente de que teria ficado provado, ao longo da fiscalização, que as transferências em nome de terceiros tratarseiam, tão somente de Fl. 8446DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.437 21 quitações de seus compromissos com a cessão de créditos de clientes. Tal assertiva não é verdadeira, haja vista tudo o que aqui já foi exposto e o que veremos abaixo, com a apresentação de mais um exemplo de desvio de recursos do patrimônio da Contribuinte para o Sr. OSVALDO SHIBATA, à firma individual de ROSA FERNANDES MARQUES (que vem a ser companheira do Sr. OSVALDO) e para uma empresa da Sra. FERNANDA RODRIGUES SHIBATA (filha do Sr. OSVALDO e da Sra. CLEUSA). Também neste caso, retirei excertos do TVF e do Acórdão de Impugnação: Como o próprio contribuinte esclareceu muitos dos pagamentos efetuados pela empresa eram feitos através da cessão de créditos junto a seus clientes [Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME é um deles], e valendose justamente dessa prática que ocorreram os pagamentos em favor do Srº Osvaldo, da Srª Rosa Fernandes Marques (PJ) e da Srª Fernanda Rodrigues Shibata (PJ), com recursos financeiros de direito do frigorífico. Essas operações ocorreram amparadas em dois tipos de documentos assinados pelo Srº Osvaldo em nome do Frigorífico (e algumas vezes também assinados pela Srª Cleusa) [Notese, pois, que o Sr. Osvaldo Teruo Shibata transacionava direito de crédito do Contribuinte]: 1. Termos de Quitação de Contas Correntes entre Fornecedores; 2. Autorizações de Pagamentos. Os Termos de Quitação ocorriam no seguinte contexto: 1. A empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda” era cliente do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. A empresa [Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME] remetia aves para abate no frigorífico [Contribuinte], e o frigorífico era remunerado pela prestação de serviço de abate, emitindo a competente nota fiscal de prestação de serviço. Desta forma a empresa Via Rio Preto devia pagar ao frigorífico os valores devidos pelo serviço de abate, e documentados nas respectivas notas fiscais. Assim a empresa Via Rio Preto passava a ser devedora do frigorífico; 2. A empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda” era fornecedor de pintinhos de 1 dia para o Srº Osvaldo Teruo Shibata, que exerce a atividade rural de criação de aves. A empresa Via Rio Preto emitia a nota de venda dos pintinhos para o Srº Osvaldo (produtor rural CNPJ nº 08.554.764/000130), e desta forma o Srº Osvaldo devia pagar à empresa Via Rio Preto os valores devidos pelas compras de pintinhos, e documentados nas respectivas notas fiscais. Assim o Srº Osvaldo passava a ser devedor da Via Rio Preto; 3. As três partes envolvidas (Via Rio Preto Abatedouro, Frigorífico Avícola Guarantã Ltda e Osvaldo Teruo Shibata) assinavam um termo de quitação de contas correntes, de forma que as dívidas do Srº Osvaldo perante a empresa Via Rio Preto eram pagas em contrapartida pela quitação das dívidas da empresa Via Rio Preto perante o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, ou seja, ao invés da Via Rio Preto pagar o que devia ao frigorífico, o respectivo valor era usado para pagar as dívidas que o Srº Osvaldo possuía perante a Via Rio Preto; 4. Eventuais diferenças de valores a favor do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, resultante do encontro de contas, eram depositadas na conta utilizada pelo frigorífico para sua movimentação financeira (conta em nome da pessoa física Srª Rosa Fernandes Marques); Fl. 8447DF CARF MF 22 5. Poderia haver ainda um quarto elemento envolvido. A empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda também poderia quitar suas dívidas perante o frigorífico ao dar quitação dos créditos que teria direito perante a Srª Fernanda Rodrigues Shibata (Pessoa Jurídica em nome da filha do Srº Osvaldo) ou perante a Srª Rosa Fernandes Marques (Pessoa Jurídica em nome da companheira do Srº Osvaldo); [...] [O esquema gráfico a seguir, feito pela Fiscalização, bem ilustra o expediente. Vejase, o Sr. Ovaldo Teruo Shibata dá por extinto um direito de crédito do Contribuinte em face de Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME à contrapartida da extinção d'uma obrigação de sua própria atividade rural também face de Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME. A pergunta é: dado esse arranjo, então é de se estimar que o Contribuinte tornase credor do Sr. Ovaldo Teruo Shibata e, se assim se põem as coisas, onde está a causa negocial desse último crédito, digase, onde está a base documental notas fiscais, contrato, tudo em linha com os respectivos objetos sociais, por suposto do negócio que haveria de existir entre Contribuinte (credor) e o Sr. Osvaldo Teruo Shibata (devedor)? É exatamente essa a pergunta deixada em branco pelo Contribuinte. A mesma pergunta se faz em relação a igual expediente usado a benefício das firmas individuais da Sra. Fernanda Rodrigues Shibata e da Sra. Rosa Fernandes Marques] Com a finalidade de ficarem ainda totalmente “encobertas” essas transações, o contribuinte efetuava lançamentos contábeis como se de fato tivesse recebido todos os valores devidos pela Via Rio Preto Abatedouro Ltda através de entradas de recursos na conta “caixa”. Basta olhar o razão da conta “111060859 – Via Rio Preto Abatedouro Ltda”, onde todas as receitas foram “recebidas em caixa” [o que, mais uma vez, faz sobrevalorar um saldo devedor fictício da conta "caixa"]. Não há qualquer registro contábil das cessões de créditos em favor dos terceiros (para as quitações de dívidas do Srº Osvaldo Teruo Shibata, da Srª Rosa (PJ) e da Srª Fernanda (PJ)). Não há tampouco qualquer registro contábil de que tais pessoas beneficiadas teriam contraído dívidas perante o frigorífico. [E a sistemática se repetia. Agora, para saldar dívidas da atividade rural do Sr. Osvaldo Teruo Shibata em face de Granja Econômica Avícola Ltda. É o que passa a expor a Fiscalização.] Já as Autorizações de Pagamentos ocorriam no seguinte contexto: 1. A empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda” era cliente do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. A empresa remetia aves para abate no frigorífico, e o frigorífico era remunerado pela prestação de serviço de abate, emitindo a competente nota fiscal de prestação de serviço. Desta forma a empresa Via Rio Preto devia pagar ao frigorífico Fl. 8448DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.438 23 os valores devidos pelo serviço de abate, e documentados nas respectivas notas fiscais. Assim a empresa Via Rio Preto passava a ser devedora do frigorífico; 2. A empresa “Granja Econômica Avícola Ltda” era fornecedor de pintinhos de 1 dia para o Srº Osvaldo Teruo Shibata, que exerce a atividade rural de criação de aves. A empresa Granja Econômica Avícola Ltda emitia a nota de venda dos pintinhos para o Srº Osvaldo (produtor rural) e desta forma o Srº Osvaldo devia pagar à empresa Granja Econômica Avícola Ltda os valores devidos pelas compras de pintinhos, e documentados nas respectivas notas fiscais. Assim o Srº Osvaldo passava a ser devedor da empresa Granja Econômica Avícola Ltda; 3. A empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda” era apenas intermediária na relação comercial entre a Granja Econômica Avícola Ltda e o Srº Osvaldo Teruo Shibata; 4. O Srº Osvaldo Teruo Shibata emitia “Autorização de Pagamento”, autorizando a empresa “Via Rio Preto” a efetuar todos os pagamentos originários de suas compras de pintinhos de 1 dia da Granja Econômica Avícola Ltda, diretamente a empresa fornecedora de pintinhos (Granja Econômica Avícola Ltda), descontando tais valores daqueles devidos pela Via Rio Preto ao Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. O documento é assinado pelo Srº Osvaldo na condição de produtor rural e na condição de diretor do frigorífico (conforme carimbo estampado), além da assinatura da sócia do frigorífico Srª Cleusa. [O esquema gráfico a seguir, feito pela Fiscalização, bem ilustra o expediente. Vejase, o Sr. Ovaldo Teruo Shibata dá por extinto um direito de crédito do Contribuinte em face de Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME à contrapartida da extinção d'uma obrigação de sua própria atividade rural agora em face de Granja Econômica Ltda. A pergunta é: dado esse arranjo, então é de se estimar que o Contribuinte tornase credor do Sr. Ovaldo Teruo Shibata e, se assim se põem as coisas, onde está a causa negocial desse último direito de crédito, diga se, onde está a base documental notas fiscais, contrato, tudo em linha com os respectivos objetos sociais, por suposto do negócio que haveria de existir entre Contribuinte (credor) e o Sr. Osvaldo Teruo Shibata (devedor)? É exatamente essa a pergunta deixada em branco pelo Contribuinte. Poderseia até cogitar que, antes de tudo isso, o Sr. Osvaldo Teruo Shibata já fosse credor do Contribuinte, de ordem a ter lugar alguma espécie de compensação de contas. Mas mesmo essa vertente foi afastada pela Fiscalização (fls. 7424/7425 de seu relatório). Igual sistemática se verificou "trocandose" Granja Econômica Avícola Ltda. por Agro Maracaí Comércio de Cerais, Granol Indústria, Comércio e Exportação S.A. fls. 3805, 3808, 3811, 3814] Fl. 8449DF CARF MF 24 Tratase portanto de uma sistemática mais elaborada da “cessão de créditos” utilizada largamente pelo frigorífico para efetuar pagamentos. Neste caso, os pagamentos das dívidas do Srº Osvaldo perante a Granja Econômica Avícola Ltda, com recursos do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, ficavam totalmente encobertos, pois os pagamentos eram feitos por outra empresa (Via Rio Preto devedora do frigorífico) para uma quarta empresa sem qualquer relação com o frigorífico (Granja Econômica Avícola credora do Srº Osvaldo). A autorização para pagamentos à Granja Econômica Avícola foi feito de forma a acobertar diversos pagamentos, de forma geral e ampla, mas houve também autorizações de pagamentos pontuais a outros fornecedores do Srº Osvaldo. [Como já dito, são aqueles a benefício de Agro Maracaí Comércio de Cerais, Granol Indústria, Comércio e Exportação S.A., como consta às fls. 3805, 3808, 3811, 3814] Por exemplo, dentre os documentos apresentados pela empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda” foram encaminhados também diversas autorizações de pagamentos assinadas pelo Srº Osvaldo (ou também assinada pela sócia Srª Cleusa), autorizando a empresa “Via Rio Preto Abatedouro” a efetuar pagamentos para outros fornecedores da atividade rural do Srº Osvaldo (ex: Granol, Agro Maracai e Unidos Agro Industrial), descontandose tais valores daqueles que a “Via Rio Preto Abatedouro” deveria pagar ao “Frigorífico Avícola Guarantã Ltda” (ou seja através da cessão dos créditos que o frigorífico possuía perante a empresa Via Rio Preto). Segue um exemplo dessas autorizações, observando que o Srº Osvaldo assina como produtor rural (o produtor rural é devedor da empresa “Agro Maracai Comercial de Cereais”) e como diretor do frigorífico (sendo que o frigorífico é credor da Via Rio Preto Abatedouro): Fl. 8450DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.439 25 Nessa sistemática de “autorizações de pagamentos” de forma geral ou pontual adotada pelo contribuinte, seria impossível através da contabilidade descobrir a saída de recursos financeiros do contribuinte para pagamentos de despesas do Srº Osvaldo, pois o contribuinte contabilizou que teria recebido na conta “caixa” todos os valores das vendas à empresa Via Rio Preto, e obviamente não existem lançamentos contábeis de pagamento à Granja Econômica ou aos outros fornecedores da atividade rural do Srº Osvaldo. Tais fatos apresentados (termos de quitação e autorizações de pagamentos) também colaboraram para “inflar” a conta “caixa”, uma vez que os recursos financeiros decorrentes das prestações de serviços do frigorífico para a Via Rio Preto nunca entraram no caixa do frigorífico, mas sim no caixa da Granja Econômica Avícola Ltda e de outros fornecedores. Fica aqui também registrado mais uma fraude contábil, uma vez que o contribuinte registrou a entrada de recursos financeiros no caixa da empresa, decorrentes das prestações de serviços para a empresa Via Rio Preto, que de fato nunca entraram no caixa da empresa e “encobrindo” os pagamentos feitos a terceiros em benefício principalmente do diretor do frigorífico, com recursos financeiros do frigorífico. Todas as prestações de serviços efetuadas pelo Frigorífico Avícola Guarantã Ltda para a empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda foram contabilizadas da seguinte forma, conforme dois lançamentos contábeis exemplificativos dos anos de 2011 e 2012, retirados do Razão da conta “111060859 – Via Rio Preto Abatedouro Ltda” com respectivas contrapartidas dos lançamentos: Fl. 8451DF CARF MF 26 Primeiramente é reconhecida a receita da prestação de serviços e em data posterior é contabilizado o recebimento da prestação de serviço através da conta “caixa”. Verificouse que todos os recebimentos das prestações de serviços do frigorífico para a empresa Via Rio Preto Abatedouro foram contabilizados das formas exemplificadas acima, ou seja, recebimento na conta “caixa”. Conforme balancetes de 2011 e 2012 extraídos da escrituração contábil, os valores contabilizados como “pagos” pela Via Rio Preto Abatedouro Ltda (sempre como entradas de recursos na conta “caixa”) foram R$ 2.814.860,38 e R$ 2.868.311,77, respectivamente: Como demonstrado, tais lançamentos são absolutamente fictícios, pois tais valores nunca estiveram disponíveis na conta “caixa”, pois os correspondentes recursos foram utilizados para pagamentos sem causa, em favor principalmente do Srº Osvaldo e nunca contabilizados. Tratase apenas de uma dissimulação de tais pagamentos. Devese registrar que em nenhum momento foram escriturados na contabilidade os pagamentos em favor do Srº Osvaldo, da PJ Fernanda ou da PJ Rosa (seja para a Granja Econômica, seja para a própria Via Rio Preto, seja para outros fornecedores do Srº Osvaldo), ou seja, foram escrituradas entradas de recursos no “caixa” da empresa, sem as correspondentes saídas dos recursos, e obviamente sem qualquer escrituração dos valores que o frigorífico teria o direito de receber desses beneficiários de pagamentos sem causa. Tais lançamentos contábeis agravaram as inconsistências na conta “caixa”, gerando mais saldo [devedor] fictício para ser transferido para o ativo fictício “imobilizado em andamento” no ano de 2011. Não restam dúvidas que, tanto na forma de “termos de quitação mediante cessão de créditos” quanto na forma de “autorizações de pagamento mediante cessão de créditos” (como descritos nos esquemas acima), ficaram configurados Fl. 8452DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.440 27 pagamentos indiretos e sem causa feitos pelo frigorífico em favor de terceiros, na medida que os recursos financeiros de direito do frigorífico foram transferidos ou desviados para quitação (pagamentos) de dívidas de terceiros (Osvaldo, Rosa e Fernanda). Devese destacar que nos documentos apresentados, há o consentimento da Srª Cleusa Conceição Rodrigues Shibata, conjuge do Srº Osvaldo e sócia formal do frigorífico, nas operações ilegais (as autorizações de pagamento assim como os termos de quitação estão todos juntados aos autos). [De se notar que a Fiscalização, de posse do documentário apresentado por Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME, classificou os "pagamentos" que essa última efetuara ao Contribuinte (que lhe prestara serviço de abate de aves) em três categorias: (1) aqueles que aportaram em contacorrente bancária de titularidade da Sra. Rosa Fernandes Marques e já admitida pela Fiscalização como de uso regular do Contribuinte (05301823/Bradesco, 010053243/Santander), os quais, por esse justo entendimento, não seriam mais alvo de questionamentos; (2) aqueles que, via termo de quitação e cessão de crédito, extinguiam débitos de terceiros (firmas individuais do Sr. Osvaldo Teruo Shibata, das Sras. Fernanda Rodrigues Shibata e Rosa Fernandes Marques) em face da própria Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME; (3) e aqueles que, via autorização de pagamento, extinguiam débitos de terceiro (firma individual do Sr. Osvaldo Teruo Shibata) precipuamente em face de Granja Econômica Avícola Ltda, mas também e episodicamente em face de Agro Maracaí Comércio de Cerais, Granol Indústria, Comércio e Exportação S.A. Assim organizadas as coisas, devolveu a Fiscalização a chance de resposta tanto ao Contribuinte, quanto ao seu administrador/gerente factual, o Sr. Osvaldo Teruo Shibata, para que esclarecessem os motivos das operações como delineadas (itens "2" e "3" acima), se tais sistemáticas mereceram o devido lançamento contábil (que se o indicasse em caso positivo) e ainda, num registro final, que se desse explicação acerca da circunstância de o Sr. Osvaldo Teruo Shibata assumir "posição devedora em relação ao Frigorífico Avícola Guarantã Ltda., [...]" nos nomeados Termos de Quitação de Contas Correntes entre Fornecedores, não obstante inexistir na contabilidade do Contribuinte "qualquer conta contábil ou lançamento contábil para registrar tais direitos do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. perante o Sr. Osvaldo Teruo Shibata, e mesmo qualquer quitação de tais valores" (fl. 2313). Em vão. Nada sobre o solicitado sobreveio aos autos, nem antes, nem agora em impugnação. Veja se a descrição da Fiscalização.] A empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda foi intimada a relacionar todos as notas fiscais de aquisição de serviços do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda com os respectivos pagamentos. Como resposta a empresa encaminhou planilhas relacionando as notas fiscais de prestação de serviços do frigorífico e os respectivos “pagamentos” (que foram feitos através de pagamentos a terceiros ou através de termos de quitação). Encaminhou todos os documentos comprobatórios: notas fiscais, comprovantes de depósitos, notas fiscais de vendas de pintinhos para o Srº Osvaldo e para a Srª Fernanda, termos de quitação, autorizações de pagamentos, notas fiscais de vendas de pintinhos da Granja Econômica Avícola para o Srº Osvaldo Teruo Shibata, dentre outros documentos. Todos os documentos obtidos na diligência estão juntados aos autos. Com base em todas as informações obtidas junto a empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda”, foi emitido o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17, [fls. 2312/2317] o qual foi encaminhado ao contribuinte e também ao diretor do Fl. 8453DF CARF MF 28 frigorífico (Srº Osvaldo Teruo Shibata), recebidos via postal em 24/07/2014 e 25/07/2014 respectivamente. Anexo ao termo de intimação foram encaminhadas 03 (três) planilhas com os pagamentos efetuados pela empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda”, sendo que na planilha “A” foram relacionados pagamentos ocorridos através de “autorização de pagamentos mediante cessão de créditos”, na planilha “B” foram relacionados pagamentos ocorridos através de “termos de quitação com cessão de créditos” e na planilha “C” foram relacionados os pagamentos ocorridos através de depósitos na conta bancária que é utilizada para movimentação financeira do frigorífico (aquela conta em nome da pessoa física Srª Rosa Fernandes Marques). Devese observar que de fato os únicos pagamentos recebidos pelo frigorífico em decorrência dos serviços prestados para a empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda” foram aqueles relacionados na planilha “C”. Devese observar que nas planilhas “A” e “B”, de fato os pagamentos efetuados pela empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda (em decorrência dos serviços prestados pelo Frigorífico Avícola Guarantã Ltda) ocorreram apenas formalmente através das quitações de dívidas autorizadas pela diretoria do frigorífico através dos instrumentos “termos de quitação” e “autorizações de pagamentos”, motivo pela qual os favorecidos pelos pagamentos são aqueles terceiros indicados pela diretoria para recebimento dos recursos. No termo de constatação e intimação o contribuinte foi informado sobre a constatação de que o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda havia efetuado diversos pagamentos não contabilizados (indiretamente através da Via Rio Preto Abatedouro Ltda mediante cessão de créditos) conforme constavam nas planilhas encaminhadas. O contribuinte foi informado ainda que as planilhas A e B foram informadas pela empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda, em atendimento a Termo de Intimação Fiscal no qual foi solicitado que aquela empresa comprovasse os pagamentos das notas fiscais de prestação de serviço emitidos pelo Frigorífico Avícola Guarantã Ltda tendo como destinatário a empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda. Foi esclarecido ainda que além dos pagamentos/quitações autorizados a terceiros, a Via Rio Preto Abatedouro Ltda, também informou que parte dos pagamentos foram feitos diretamente para o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, através de depósitos na conta da Srª Rosa Fernandes Marques (valores relacionados na planilha C). para os quais não seria necessário explicações, tendo em vista que a conta informada era aquela utilizada para a movimentação financeira do frigorífico. Portanto, todos os valores constantes das planilhas A e B se referiam a saldos de créditos que o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda possuía junto ao cliente Via Rio Preto Abatedouro Ltda, no período de 2011 a 2012, para os quais houve autorização expressa do frigorífico para transferir os respectivos recursos financeiros para terceiros. Assim, diante do exposto, o contribuinte (frigorífico) e o diretor do frigorífico Srº Osvaldo, foram intimados a apresentar: 1. Esclarecimentos dos motivos das operações de pagamentos efetuados pelo Frigorífico, através da “autorização de pagamentos mediante cessão de créditos” (planilha “A”), com apresentação de documentos hábeis e idôneos para comprovação, e ainda confirmar se realmente tais pagamentos não foram contabilizados, e caso tivessem sido contabilizados, que demonstrasse os lançamentos contábeis, tendo em vista que não foi possível localizálos na escrituração contábil da empresa; Fl. 8454DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.441 29 2. Esclarecimentos dos motivos das operações de pagamentos efetuados pelo Frigorífico, através de “termos de quitação com cessão de créditos” (planilha “B”), com apresentação de documentos hábeis e idôneos para comprovação e ainda confirmar se realmente tais pagamentos não foram contabilizados, e caso tivessem sido contabilizados, que demonstrasse os lançamentos contábeis, tendo em vista que não foi possível localizálos na escrituração contábil da empresa. No termo de intimação foi ainda inserido a observação de que no “Termo de Quitação de Contas Correntes entre Fornecedores”, o Srº Osvaldo Teruo Shibata assumiria posição devedora em relação ao Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, no montante dos valores dos pagamentos/quitações efetuados pelo Frigorífico Avícola Guarantã Ltda em favor do diretor, e que da análise da contabilidade do frigorífico não foi possível localizar qualquer conta contábil ou lançamento contábil para registrar tais direitos do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda perante o Srº Osvaldo Teruo Shibata , ou PJ Fernanda ou PJ Rosa, e nem mesmo foram localizados qualquer registro de que o o Srº Osvaldo, ou PJ Fernanda ou PJ Rosa teriam quitado suas dívidas perante o frigorífico. Expirado o prazo para atendimento, tanto o contribuinte (frigorífico) quanto o diretor Srº Osvaldo não atenderam a intimação. Em carta datada de 04/08/2014, o contribuinte solicitou prazo suplementar de 10 (dez) dias para atender o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17. Até o encerramento da ação fiscal (decorridos quase 04 meses desde a ciência do termo de constatação e intimação fiscal nº 17), tanto o contribuinte (frigorífico) quanto o diretor Srº Osvaldo Teruo Shibata, não apresentaram qualquer esclarecimentos ou documentos que justificassem os pagamentos efetuados conforme descritos e constantes do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17. Os pagamentos efetuados pela empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda portanto eram recursos de direito do frigorífico, ou seja, decorrentes de prestações de serviços de abate efetuados pelo frigorífico, recursos esses devidamente contabilizados como receitas, porém ficou constatado que embora os pagamentos tivessem sido contabilizados como recebimentos na conta “caixa”, grande parte dos recursos (aqueles constantes nas planilhas “A” e “B”) foram utilizados na verdade para pagamentos diversos não contabilizados e dissimulados da forma já exposta acima, principalmente em favor do diretor Srº Osvaldo Teruo Shibata, dentre outros beneficiários como a Srª Rosa Fernandes Marques (através de empresa em seu nome – Rosa Fernanda Marques ou “Distribuidora Noroeste”, CNPJ 12.570.950/000130), para a Srª Fernanda Rodrigues Shibata – PJ (filha do Srº Osvaldo T Shibata), Granja Econômica Avícola, Granol Ind Com, Agro Maracaí e Unidos Agro Industrial (essas 04 últimas empresas são fornecedores da atividade rural do Srº Osvaldo). As planihas “A” e “B” encaminhadas anexas ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17, consolidam e comprovam com datas e valores esses pagamentos dissimulados, ou seja, pagamentos efetuados para terceiros com recursos do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, através de cessões de créditos junto à empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda. Um fato importante ser destacado é que o Srº Osvaldo Teruo Shibata, mesmo em função de sua atividade rural, não possuía qualquer direito de crédito junto ao Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, que justificasse o pagamento de suas despesas com recursos do frigorífico, como será mostrado ainda neste relatório. Fl. 8455DF CARF MF 30 da análise da contabilidade do frigorífico não foi possível localizar qualquer conta contábil ou lançamento contábil para registrar tais direitos do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda perante o Srº Osvaldo Teruo Shibata , ou PJ Fernanda ou PJ Rosa, e nem mesmo foram localizados qualquer registro de que o o Srº Osvaldo, ou PJ Fernanda ou PJ Rosa teriam quitado suas dívidas perante o frigorífico. Expirado o prazo para atendimento, tanto o contribuinte (frigorífico) quanto o diretor Srº Osvaldo não atenderam a intimação. Em carta datada de 04/08/2014, o contribuinte solicitou prazo suplementar de 10 (dez) dias para atender o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17. Até o encerramento da ação fiscal (decorridos quase 04 meses desde a ciência do termo de constatação e intimação fiscal nº 17), tanto o contribuinte (frigorífico) quanto o diretor Srº Osvaldo Teruo Shibata, não apresentaram qualquer esclarecimentos ou documentos que justificassem os pagamentos efetuados conforme descritos e constantes do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17. Nos exemplos acima referidos, restou provado que os pagamentos efetuados pela empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda eram recursos do próprio frigorífico, cuja origem era a prestação de serviços de abate efetuados pelo mesmo. Tais recursos foram contabilizados como receita, porém, ao invés de ingressarem no patrimônio da Recorrente, foram direcionados para pagamentos que não foram contabilizados. Tais pagamentos foram realizados pela Contribuinte para quitar débitos do Sr. OSVALDO SHIBATA, da Sra. ROSA FERNANDES MARQUES (através de empresa em seu nome – Rosa Fernanda Marques ou “Distribuidora Noroeste”, CNPJ 12.570.950/000130), para a Srª FERNANDA RODRIGUES SHIBATA – PJ (filha do Srº Osvaldo T Shibata), GRANJA ECONÔMICA AVÍCOLA, GRANOL IND COM, AGRO MARACAÍ e UNIDOS AGRO INDUSTRIAL (essas 04 últimas empresas são fornecedores da atividade rural do Srº Osvaldo). Acresçase que não há nenhum registro contábil da existência de qualquer obrigação desses beneficiários em relação à Contribuinte, apesar de todos os envolvidos terem sido intimados pela Fiscalização a justificar os respectivos pagamentos/recebimentos. Nenhum deles deu qualquer satisfação a respeito. Também não foi escrita sequer uma linha, nem na impugnação nem no recurso voluntário a respeito desse ponto. Assim, absolutamente correta a imputação feita pela Autoridade Fiscal da ocorrência de pagamento sem causa. Da glosa das despesas de depreciação, despesas préoperacionais, gastos em imóvel de terceiro e custos de edifícios e construções Entre os anos de 2008 a 2011, a conta "imobilizado em andamento" foi debitada num total de R$21.599.203,85, tendo como contrapartida crédito oriundo da conta "caixa". Tais valores oriundos da conta "caixa", como já vimos, são completamente irreais, criados ficticiamente conforme os diversos tipos de operações já demonstradas. No período apontado, a Recorrente creditou referidos valores em face das contas de ativo "instalações industriais", "despesas préoperacionais", "gastos em imóvel de Fl. 8456DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.442 31 terceiro" e "edifícios e construções", apropriandose das despesas daí decorrentes (amortizações da depreciação incidente sobre os ativos, alugueres e/ou arrendamento de bem imóvel, aumento de custo histórico contábil de bem imóvel ao depois alienado, refletindo, este último, na apuração do ganho de capital incidente sobre a respectiva venda). Atenta a tais lançamentos, e já consciente de sua origem fantasiosa, a Fiscalização glosou as despesas correlatas, não sem antes construir um farto conjunto probatório para sustentar o seu proceder. A Fiscalização foi diligente e paciente até demais com a Contribuinte, haja vista o tempo decorrido entre as intimações realizadas e a ausência de resposta às suas indagações por parte da Contribuinte. Após mais de 206 (duzentos e seis) dias sem justificativa para a movimentação contábil entre as referidas contas (vide efls. 7.339), a Fiscalização compareceu ao endereço da Fiscalizada para mais uma tentativa, ao tempo em que solicitou, novamente, os seguintes esclarecimentos: Considerando as diversas protelações de prazo e a não apresentação de esclarecimentos e documentos satisfatórios, que justificassem os lançamentos contábeis da empresa, os quais foram objeto do Termo de Intimação Fiscal nº 2012 0115502, de 16/01/2013, e demais termos de reiteração (de 13/03/2013, de 31/05/2013 e de 05/08/2013), compareceram na sede da empresa, no dia 11/09/2013, o AFRFB designado para essa ação fiscal e seu supervisor de fiscalização, para dar ciência ao contribuinte do Termo de Intimação Fiscal nº 20120115505, cujo teor foi o seguinte: Fl. 8457DF CARF MF 32 Destaco nesta intimação, a solicitação de informações sobre fatos relacionados a alienação do imóvel, através da carta de alienação judicial nº 01/2010, e a continuidade do funcionamento da empresa no imóvel alienado, assim como as “supostas benfeitorias em imóvel de terceiro” em valores tão volumosos (no patamar de R$ 21.599.203,85) superando inclusive o valor pelo qual o imóvel foi alienado (imóvel alienado por R$ 730.000,00). Nesta intimação foi solicitada ainda a apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED) e demonstrações contábeis (DRE e Balanço Patrimonial), do período 2012, ficando claro assim a inclusão do ano de 2012 na auditoria. Devese observar que para o ano de 2012, o contribuinte também estava omisso na entrega da ECD e havia apresentado a DIPJ2013/AC 2012 “zerada”. (...) A prorrogação mais uma vez foi concedida, pois a sócia (Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata) e o contador da empresa (Fábio Luís Faria), que nos receberam, alegaram que tinham como comprovar os fatos, e que necessitariam apenas de um prazo para coletar e organizar os documentos. O objetivo da fiscalização era realmente se apurar a verdade dos fatos, e não simplesmente se glosar as despesas de depreciação decorrentes de um imobilizado não comprovado por falta de apresentação de documentos. E além do mais, para a fiscalização tudo indicava sérios problemas, até mesmo fraudes, principalmente pelos saldos elevados na conta “caixa” que possibilitaram os lançamentos a débito na conta “imobilizado em andamento”. Na oportunidade a sócia (Cleusa) e o contador (Fábio) nos disseram que em relação a reformas, benfeitorias ou expansão do imóvel onde está instalado o frigorífico e suas instalações industriais, não havia projetos aprovados pelos órgãos competentes, e que os mesmos precisariam ser providenciados, assim como os documentos relacionados às aquisições de bens, serviços e materiais também não havia como apresentar no ato, pois precisariam ser providenciados (observar que anteriormente, em resposta à uma das intimações, o contribuinte havia dito que os documentos haviam sido extraviados). Fl. 8458DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.443 33 O contador Fábio Luis Faria, responsável pelos lançamentos contábeis, disse que muitos lançamentos eram efetuados de modo genérico (por exemplo na conta “imobilizações em andamento”), sem ter os devidos documentos que os amparassem, pois algumas vezes eram lhe repassados apenas os valores a serem contabilizados. O Srº Fábio, que possui escritório contábil em outra cidade, adiantou que para “seu resguardo profissional” mantinha registros das informações repassadas pela direção da empresa. Foi dito que os investimentos em reformas do imóvel sede do frigorífico, estariam ocorrendo em contrapartida pela utilização do imóvel, e que estariam sendo contabilizadas como despesas préoperacionais a serem amortizadas futuramente a título de arrendamento. Na mesma oportunidade, foi nos dito ainda que não eram pagos qualquer valor pela utilização do imóvel e que até aquela data (11/09/2013) não havia nenhum contrato de locação do imóvel firmado entre a empresa Galebra (proprietária do imóvel) e o frigorífico. Foi esclarecido que um dos sócios da empresa Galebra (Srº Íbis) é cliente do frigorífico e que periodicamente comparece no frigorífico, e foi comentado ainda que o diretor do frigorífico (Srº Osvaldo Teruo Shibata) já havia cogitado a elaboração de um contrato de locação. Após 273 dias da ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 20120115502, finalmente o contribuinte apresentou algum documento relacionado àquela intimação. (...) Em documento datado de 11/10/2013, recebido na DRF em 21/10/2013, o contribuinte informou que houve ampliações e benfeitorias no imóvel, que o imóvel é utilizado por meio de cessão de posse decorrente de contrato de aluguel e que os equipamentos e instalações pertencem à empresa. O contribuinte anexou à resposta, os seguintes documentos: a) 05 fotos com visão panorâmica do imóvel onde o frigorífico desenvolve suas atividades, sendo que diferentemente do que o contribuinte informou na resposta, não há em todas as fotos “expresso apontamento das datas em que as fotos foram retiradas”. Existe sim uma foto com referência a data de 290894 e uma outra com referência a data de maio /2010 (algumas dessas fotos aparentemente tiradas de um quadro na parede, que inclusive vimos afixado na parede do escritório do frigorífico quando da visita ao frigorífico); b) razão analítico da conta 132020001 – “Edifícios e Construções”, referentes a lançamentos no ano de 2009, e cópias de notas fiscais de aquisição de materiais/bens e serviços de construção, que serviram de base para parte dos lançamentos naquela conta, totalizando o valor de R$ 18.698,50 (dezoito mil, seiscentos e noventa e oito reais e cincoenta centavos), inclusive foi apresentada nota fiscal no valor de R$ 101,34 (cento e um reais e trinta e quatro centavos). Para o valor lançado nesta conta em 31/12/2009, no valor de R$ 2.668.921,45 (dois milhões, seiscentos e sessenta e oito mil, novecentos e vinte e um reais e quarenta e cinco centavos) não foi apresentado qualquer comprovante (na verdade, para este lançamento, o contribuinte simplesmente transferiu parte do saldo da conta “imobilizado em andamento”); c) razão analítico da conta 132020001 – “Edifícios e Construções”, referentes a lançamentos no ano de 2010, e cópias de notas fiscais de aquisição de materiais/bens e serviços de construção, que serviram de base para os lançamentos naquela conta, Fl. 8459DF CARF MF 34 totalizando o valor de R$ 32.036,74 (trinta e dois mil, trinta e seis reais e setenta e quatro centavos); d) razão analítico da conta 132020001 – “Edifícios e Construções”, referentes a lançamentos no ano de 2011, e cópias de notas fiscais de aquisição de materiais/bens e serviços de construção, que serviram de base para os lançamentos naquela conta, totalizando o valor de R$ 96.675,29 (noventa e seis mil, seiscentos e setenta e cinco reais e vinte e nove centavos), inclusive foi apresentada nota fiscal no valor de R$ 147,80 (cento e quarenta e sete reais e oitenta centavos); e) razão analítico da conta 132050001 – “Instalações Industriais”, referentes a lançamentos no ano de 2010, e cópias de notas fiscais de aquisição de materiais/bens e serviços de construção/manutenção, que serviram de base para os lançamentos naquela conta, totalizando o valor de R$ 46.164,18 (quarenta e seis mil, cento e sessenta e quatro reais e dezoito centavos), inclusive foi apresentada nota fiscal no valor de R$ 54,90 (cinqüenta e quatro reais e noventa centavos). Para os valores lançados nesta conta em 31/12/2008 e em 31/12/2009, nos valores de R$ 1.513.537,85 (hum milhão, quinhentos e treze mil, quinhentos e trinta e sete reais e oitenta e cinco centavos) e R$ 1.437.111,55 (hum milhão, quatrocentos e trinta e sete mil, cento e onze reais e cinqüenta e cinco centavos) respectivamente, não foi apresentado qualquer comprovante (na verdade, para estes lançamentos, o contribuinte simplesmente transferiu parte do saldo da conta “imobilizado em andamento”); f) razão analítico da conta 132050001 – “Instalações Industriais”, referentes a lançamentos no ano de 2011, e cópias de notas fiscais de aquisição de materiais/bens e serviços de construção/manutenção, que serviram de base para os lançamentos naquela conta, totalizando o valor de R$ 46.149,52 (quarenta e seis mil, cento e quarenta e nove reais e cinqüenta e dois centavos), inclusive foi apresentada nota fiscal no valor de R$ 280,00 (duzentos e oitenta reais). Para o valor lançado nesta conta em 31/01/2011, no valor de R$ 7.262.503,00 (sete milhões, duzentos e sessenta e dois mil e quinhentos e três reais) não foi apresentado qualquer comprovante (na verdade, para este lançamento, o contribuinte simplesmente transferiu parte do saldo da conta “imobilizado em andamento”); g) cópias de projetos arquitetônicos (planta baixa) referentes ao imóvel sede do frigorífico, elaborados em diferentes datas, nem todos assinados pelo engenheiro e/ou sócia do frigorífico, sem qualquer comprovação de aprovação nos órgãos competentes, e sem juntada do ART/Crea (Anotação de Responsabilidade Técnica do engenheiro responsável); h) Contrato de locação e outras avencas, tendo como partes o locador “Galebra Investimentos e Participações S/A, representada pelo Srº Íbis Pereira Tarley , e locatário “Frigorífico Avícola Guarantã Ltda”, referente a locação do imóvel sede do frigorífico. O contrato está datado de 01/02/2011, sem qualquer registro e sem a presença de qualquer testemunha. Conforme se constatou na diligência efetuada na empresa em 11/09/2013, os representantes do frigorífico deixaram bem claro que não existia até aquela data qualquer contrato de locação, portanto não restam dúvidas que o contrato foi elaborado posteriormente a 11/09/2013, somente para apresentação à fiscalização; i) Demonstrações contábeis e balancetes de verificação do período de 2012, Parte A e B do Lalur 2012, cópia da DIPJ2013/AC 2012 “RETIIFCADORA” e recibo de entrega datado 10/10/2013 (a DIPJ original havia sido entregue “zerada”) e cópia do recibo de entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD/SPED) datado de 10/10/2013 (documentos esses todos entregue após intimação de 11/09/2013, Fl. 8460DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.444 35 portanto com a espontaneidade excluída nos termos art. 7º, inciso I, §1º do Decreto nº 70.235/72, e art. 138, §único da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), destacandose ainda que o contribuinte apesar de elaborar as demonstrações contábeis e fiscais e efetuar a retificação da DIPJ, não houve qualquer recolhimento dos respectivos tributos informados na DIPJ, nem retificação de DCTF para confissão de débitos. Para a conta 133010001 – “Despesas PréOperacionais”, que recebeu valores a débito no montante de R$ 8.813.805,29, o contribuinte também não se manifestou, observando que houve em um único lançamento em 31/12/2011, a transferência para essa conta do valor de R$ 8.717.130,00 (oito milhões, setecentos e dezessete mil, cento e trinta reais) proveniente da conta “imobilizado em andamento”, e como já foi destacado anteriormente, sem o amparo de qualquer documento. Em relação aos demais itens da intimação, o contribuinte ainda pediu nova prorrogação de prazo para atendimento, e até o final desta fiscalização o contribuinte ainda não apresentou o inventário de seus bens. Como se verificou na resposta e documentos juntados pelo contribuinte, não houve qualquer menção aos milionários lançados contábeis na conta “imobilizado em andamento” e em contrapartida às retiradas de recursos na conta “caixa”. Apesar de incompleto o atendimento, os documentos apresentados serviram para se comprovar vários fatos, os quais estão detalhados abaixo. As informações obtidas junto à Contribuinte e que estão acima relatadas foram confrontadas com os dados coletados quando de diligência realizada junto à empresa GALEBRA INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (adquirente do imóvel onde localizada a Recorrente. Abaixo as principais conclusões tiradas da respectiva diligência (v. e fls. 3.430/3.431): 1 Inicialmente em resposta de 17/10/2013 a empresa Galebra informou que não haviam sido contabilizados quaisquer investimentos ou benfeitorias no imóvel [fl. 3438]: 2 No primeiro atendimento, o contribuinte solicitou dilação de prazo para atender integralmente a primeira intimação, e em 05/11/2013 a empresa Galebra apresentou novas informações [fls. 3482/3483] em contradição ao que havia relatado em 17/10/2013, apresentando balanços patrimoniais da empresa (obviamente elaborados após a primeira intimação e após a resposta dada em 17/10/2013) escriturando no ativo da empresa “benfeitorias e ampliações em prédios e construções” em valores correspondentes aos valores de alugueis anuais estipulados no “contrato de aluguel” firmado com o frigorífico (abaixo copiado parte do balanço 2012) [consultemse as fls. 3484/3486 para acessar os balanços de 2010, 2011 e 2012]: [...] 3 A empresa Galebra foi intimada a apresentar documentos que dessem suporte aos lançamentos contábeis na conta do ativo “benfeitorias e ampliações em prédios e construções” conforme valores de R$ 481.800,00 apresentado no balanço de 2011 e Fl. 8461DF CARF MF 36 de R$ 1.023.966,00 apresentado no balanço de 2012 [Vide fl. 3487. Essa inquirição é de todo pertinente pois, de recursos próprios, Galebra Investimentos e Participações S/A não os tinha em monte suficiente a fazer face aos registros em "benfeitorias e ampliações em prédios e construções", certo que constituída a pessoa jurídica com indicação de capital social no valor de R$ 700.000,00, apenas R$ 70.000,00 fora integralizado (fls. 3475/3476). D'outra monta, de recursos de terceiros, vistos os balanços de 2010, 2011 e 2012, a conta "empréstimos" que ia registrada no importe de R$ 748.051,36 nos balanços sobreditos, até então remanescia sem suporte documental. Sobre esse último ponto, aliás, a Fiscalização foi exaustiva. Por 5 (cinco) meses labutou na obtenção de referido suporte documental (vide histórico no Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de fls. 3526/3527) para, enfim, obter a seguinte resposta do diligenciado em 11/04/2014: "Em relação ao item 'I' do MPFDiligência nº 08102002013006629, datado de 21/11/2013, temos a informar que os empréstimos totalizados em R$ 748.051,36, realizados em 2010, são provenientes de contratos firmados nos termos da legislação civil de forma verbal" (fls. 3529/3544; negrejouse). A dizer, não há, de fato, base documental que explicite e firme a razão negocial travada entre Galebra Investimentos e Participações S/A e seus credores (declinados como sendo os Srs. Ibis Pereira Tarley, João Maestre de Menezes, Fábio Y. Inoue e Luiz Fernando D. Tarley) que explique o porquê do passivo de R$ 748.051,36, que, de sua vez, poderia explicar o monte registrado em "benfeitorias e ampliações em prédios e construções".]; 4 A empresa Galebra solicitou dilação de prazo de 30 dias para responder. A empresa não atendeu no novo prazo, sendo então feita uma reintimação [fl. 3489]; 5 Em carta datada de 27/01/2014 a empresa não apresentou qualquer documento comprobatório das lançamentos contábeis na conta do ativo “benfeitorias e ampliações em prédios e construções”, e apenas se justificou alegando que os lançamentos foram feitos com “base no contrato de locação” [fls. 3493/3494]; 6 A empresa “Galebra” até o início da diligência não havia reconhecido qualquer receita, seja a título de aluguel ou a título de qualquer outra atividade, tendo apresentado DIPJs zeradas desde sua constituição e estando omissa em relação à DIPJ2013 ac 2012. Após diligência na empresa Galebra verificouse que a mesma retificou as DIPJs zeradas e apresentou a DIPJ para a qual estava omissa. Além de tudo, a empresa Galebra “criou” suas próprias normas contábeis ao efetuar lançamentos contábeis no ativo “benfeitorias e ampliações em prédios e construções” com “base no contrato de aluguel”. Como se pode construir/reformar um prédio com papel (contrato de aluguel)? Benfeitorias e ampliações só podem ocorrer com tijolos, cimento, areia, pedra, água, dentre outros materiais físicos e serviços, e são contabilizados de acordo com os valores dos correspondentes documentos fiscais de aquisição dos materiais e serviços empregados. Ficou claro que a ficção já adotada pelo frigorífico transferiuse para a empresa “Galebra”, ao contabilizar valores fictícios no ativo “benfeitorias e ampliações em prédios e construções”. [...] Em resumo: 1) Restou constatada a majoração indevida dos valores de diversos bens do ativo imobilizado, tais como “Edifícios e Construções”, “Instalações Industriais” e “Despesas Pré Operacionais”/”Gastos em Imóvel de Terceiro”. Fl. 8462DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.445 37 2) A Contribuinte se beneficiou dessas majorações fictícias, criando despesas de depreciação indevidas nos anos de 2008 a 2012, prejuízo fictício na alienação da venda do imóvel com a majoração de seu custo contábil, além de despesas e amortizações fictícias com aluguel de imóvel, conforme valores detalhados no quadro abaixo. As despesas e custos foram apropriadas na escrituração contábil, refletindo nas Demonstrações do Resultado dos Exercícios de 2008 a 2012 e conseqüentemente na redução do Lucro Real dos respectivos anoscalendário. A esse respeito, vale reproduzir outro trecho do TVF, às efls. 7.357: O próprio contribuinte não tendo como justificar os valores majorados dos bens do ativo, e sob intimação fiscal, elaborou o Lalur 2012 [vide fls. 567/609] reconhecendo que eram indevidas as despesas de depreciação das instalações industriais nos anos de 2008 a 2012, lançadas na contabilidade e baseadas nos valores ficticiamente majorados, assim como o valor fictício lançado como majoração do custo contábil do imóvel baixado, conforme valores da tabela acima. Conforme demonstrado na parte A do Lalur/2012, apresentado sob intimação, na tentativa de “regularizar” a situação, o contribuinte pretendeu adicionar ao lucro líquido do ano calendário 2012, as despesas contabilizadas indevidamente nos exercícios anteriores. Devese observar aqui a contradição desse Lalur 2012 apresentado, pois até então, o contribuinte vinha sustentando que de fato tinham ocorrido as “imobilizações em andamento” que deram origens aos lançamentos que majoraram os valores contábeis dos bens do ativo imobilizado, e que dariam sustentação às diversas despesas contabilizadas pelo contribuinte, de 2008 a 2012 (inclusive), o que prova que o Lalur/2012 foi elaborado posteriormente ao contribuinte ser intimado em 11/09/2013. Devese observar ainda que, caso o contribuinte estivesse espontâneo, os ajustes fiscais pretendidos pelo contribuinte deveriam ser efetuados de acordo com o regime de competência, respectivamente nos anos de competência de cada despesa, e mediante retificação dos LALUR e respectivas DIPJs. O contribuinte deveria ainda efetuar as regularizações dos saldos dos bens do ativo imobilizado, mediante ajuste de exercícios anteriores (patrimônio líquido) na escrituração contábil. Fl. 8463DF CARF MF 38 Observando que a DIPJ do período havia sido entregue “zerada”, o contribuinte ainda retificou a DIPJ2013/AC2012, para espelhar inclusive os valores demonstrados no Lalur , conforme se verifica na cópia da Parte A do LALUR abaixo. Em que pese ter sido feito a retificação dessa DIPJ, não foram feitos quaisquer recolhimentos de tributos decorrentes do novo resultado apresentado, e também não foram retificadas DCTFs para confessar o IRPJ e a CSLL devidos. Também caso tivessem ocorridos recolhimentos ou retificação de DCTFs, tais atos não poderiam surtir efeitos para afastar as penalidades previstas para o lançamento de ofício, tendo em vista que o contribuinte estava com a espontaneidade excluída nos termos do art. 7º, inciso I, §1º do Decreto nº 70.235/72, e art. 138, §único da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Portanto os valores das adições referentes ao encargos de depreciação (anos calendários 2008 a 2012) e à baixa do custo contábil (anocalendário 2010) constantes no LALUR 2012 apresentado sob intimação e na DIPJ2013 ac 2012 também retificada sob intimação, não serão considerados pela fiscalização de acordo com os motivos acima esclarecidos. As despesas e custos glosados serão objeto de lançamento de ofício, respeitando o regime de competência, conforme detalhado mais a frente neste relatório. Para o anocalendário 2012, a apuração do Lucro Real partirá da Demonstração do Resultado do Exercício apurada na escrituração contábil e a adição declarada no LALUR 2012 correspondente a “multas” (no valor de R$ 66.340,95). [...] Os lançamentos contábeis na conta 132080001 – “Imobilizado em Andamento” foram fictícios, que no período de 01/01/2008 a 31/12/2011, totalizaram R$ 21.599.203,85 (vinte e um milhões, quinhentos e noventa e nove mil, duzentos e três reais e oitenta e cinco centavos), revelando fraude contábil e tributária. Seguem abaixo cópias dos lançamentos contábeis referentes às transferências de valores da conta “caixa” para a conta “imobilizado em andamento”, extraído do Livro Diário 2008 [vide fls. 6185/6324] e dos Livros Razão conta “132080001 – imobilizado em andamento” dos anos de 2009 a 2011 (com lançamentos das contrapartidas). Nos lançamentos contábeis abaixo reproduzidos também mostram as transferências da conta “imobilizado em andamento” para as contas “edifícios e construções”, “instalações industriais” e “despesas préoperacionais”. (...) Os lançamentos dissimulados na conta “caixa” [...], criando saldos fictícios na conta “caixa” que foram transferidos para o ativo fictício “imobilizado em andamento” e posteriormente para as diversas contas do ativo “edifícios e construções”, “instalações industriais”, “despesas préoperacionais” e “gastos em imóveis de terceiros”, gerando as despesas fictícias (encargos de depreciação, custos e amortização de aluguéis), caracterizam o evidente intuito de fraude e o dolo do contribuinte em suprimir indevidamente o pagamento de tributos ensejando a aplicação da multa qualificada conforme disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/96. O único argumento levantado pela Recorrente a respeito, consta do seu Recurso Voluntário às efls. 8.315/8.316, abaixo reproduzido: Fl. 8464DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.446 39 Creio confundirse a Recorrente a respeito de tais lançamentos. É verdade que o simples fato de acrescer valor ao imobilizado, seja por novas aquisições, seja por reformas e melhoramentos naquilo que já existe, não representam diminuição do resultado. Ocorre, que a manobra engendrada pela Contribuinte, de acrescer valor sem comprovação do efetivo investimento, aumentou o imobilizado, gerando despesas indevidas. Desta forma, o resultado foi efetivamente alterado, no caso, para menos, e de forma absolutamente irregular, como ficou exaustivamente demonstrado acima. Para arrematar o ponto, transcrevo a conclusão assentada no voto condutor do Acórdão Recorrido, que adoto ipsis literis: 34. Em conclusão dos ITENS 01, 02 e 03 desse Voto, uma só constatação: o dinheiro mesmo, a espécie física, foi ter às mãos de terceiros sem que se explicitasse a razão negocial de fundo. Já a sua sombra, depois de pairar sobre a conta "caixa", foi levada, tal qual vento, à conta "imobilizado em andamento" e, desta última, o inefável referente d'um numerário que a essa altura já estava às mãos de terceiros foi fazer outras mais sombras nos ativos "instalações industriais", "despesas pré operacionais", "gastos em imóvel de terceiro" e "edifícios e construções", que, enfim e ao depois, deram vida a outros tantos fazdeconta a título de despesas com depreciação, alugueres/arrendamento e/ou prejuízo nãooperacional na alienação de ativo. Como já vimos, as conclusões a que chegou a Fiscalização acima sequer foram contestadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. Portanto, as glosas das despesas, dos custos e a exigência relativa aos pagamentos sem causa devem permanecer hígidas. Passemos, pois, à análise dos pontos levantados pela Recorrente. Deixaremos as questões relativas à imputação de responsabilidade solidária aos sócios e a terceiros para o final por uma questão metodológica. Nulidades do lançamento 1) Da necessidade de arbitramento do lucro Alega a Recorrente que a Autoridade Fiscal deveria ter procedido ao arbitramento do lucro, ao invés de realizar a apuração do imposto com base no lucro real. Fl. 8465DF CARF MF 40 Argui que o agente fiscal afirma, a todo momento, a existência de fraude na contabilidade, que existiriam erros insuperáveis etc. No seu entender soa contraditório afirmar que a contabilidade não presta e mesmo assim utilizála como parâmetro para o seu trabalho. Arremata que a Autoridade Fiscal tinha o dever de desclassificar a escrita contábil/fiscal apresentada pela Contribuinte, por ser imprestável para a apuração do lucro real. Não procedem as alegações da Recorrente. Como bem assentado na decisão recorrida, a Autoridade Fiscal respeitou a forma de apuração escolhida pela Contribuinte, in casu, o lucro real anual. Em nenhum momento a Autoridade Fiscal tratou a escrita contábil como se imprestável fosse. Apontou, isso sim, inconsistências de determinados lançamentos realizados na conta "caixa" e, outras, do ativo imobilizado, inflados artificialmente com o intuito de mascarar transferências de recursos para terceiros e gerar despesas inexistentes. O arbitramento é medida extrema, excepcional, que só se justificaria na absoluta imprestabilidade da escrituração contábil. As faltas apontadas pela Fiscalização nos assentos contábeis da Recorrente, por si só, não autorizam a inferir que a escrita seja imprestável ou que seja impossível a apuração do lucro real. A desclassificação da escrita, com o conseqüente arbitramento do lucro, é um poder/dever da autoridade fiscal, outorgado pela própria lei, porém, por se tratar de medida extrema, só deve ser adotada quando a escrita e a documentação do contribuinte não permitam a apuração do lucro real. O arbitramento é uma das formas de apuração do resultado, não tem e não deve ter qualquer conotação de penalidade ou castigo. O que se busca ao utilizálo é apurar o resultado que, por conta de certas condutas adotadas pelo contribuinte, revelase difícil de ser conhecido. Portanto, neste ponto, inadmissíveis as alegações da recorrente para nulificar o auto de infração. 2) Da alegação de Grupo Econômico Neste ponto, alega a Recorrente que a Fiscalização aponta haver um grupo econômico pois, inclusive, atribui responsabilidade a terceiro estranho ao fato gerador. E, caracterizada a formação de grupo econômico, deveria a Fiscalização ter dado o tratamento tributário adequado desta "arquitetura jurídica", qual seja, com todas as deduções a que faria jus o grupo como um todo. A DRJ/SPO, em seu Acórdão, assim se manifestou a respeito: 49. Enfim, sobre a menção a "grupo econômico" assim empregada pela Fiscalização a todo o arranjo antes exposto, pontuese que ela, como predicado e só predicado que é, nada acresce, nada decresce aos fatos colacionados aos autos: o Contribuinte, o Sr. Osvaldo Teruo Shibata, as sócias na pessoa jurídica (as Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue) e a Sra. Rosa Fernandes Marques (por si ou sua firma individual) atuaram, como antes visto, no sentido de impedir, retardar, excluir ou modificar o preciso conhecimento de matéria tributável por parte do Fisco. A locução adjetiva ("grupo econômico") não concretiza ou empresta mais robustez ao substantivo: a conduta de todos os implicados, como Fl. 8466DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.447 41 visto e exatamente como imbricada, é fraudulenta. Daí a pertinência da atribuição de responsabilidade tributária solidária. 50. De passagem, a menção à Solução de Divergência nº 23, expedida pela CoordenaçãoGeral de Tributação, de 23/09/2013, não tem cabida no tópico "grupo econômico". É, sim, como se resolve naquela Solução, "possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada", porém, entre outros, uma tal possibilidade de rateio está vinculada à demonstração de que a porção de despesa então imputada corresponda "ao efetivo gasto de cada empresa". No caso concreto, não há o mínimo controle (o Contribuinte o admite às fls. 1718, 1724/1725) do que seja uma possível despesa inicialmente centralizada, onde centralizada, bem que se contabilmente controlada. Ao descrever a relação da Contribuinte com o Sr. OSVALDO SHIBATA e a empresa titulada por ROSA FERNANDES MARQUES como um grupo econômico, nada mais fez a Autoridade Fiscal do que estabelecer um vínculo entre elas para qualificar a imputação da responsabilidade solidária sobre o crédito tributário. Assim, e considerando que a Contribuinte em seu Recurso voluntário não acresce nada ao que já havia alegado na impugnação em relação a este ponto, adoto como minhas as razões de decidir exposadas pela DRJ/SPO para concluir pela impertinência da alegação de nulidade do auto de infração por conta da pretensa existência ou caracterização de um grupo econômico identificado a partir de todos os fatos levantados pela autoridade Fiscal. Do mérito 1) Glosa da compensação de prejuízos Neste ponto, alega a Recorrente que a glosa da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, realizada acima do limite de 30%, seria inconstitucional, haja vista que tal limitação significaria tributar o próprio patrimônio e não a renda auferida pela Contribuinte. Neste ponto, a pendenga se resume à aplicação das súmulas CARF nº 2 e 3. A primeira determina que o CARF não é competente para se manifestar a respeito da alegada inconstitucionalidade da lei tributária. Já a segunda, reafirma o acerto da Autoridade Fiscal em efetuar a glosa da compensação de prejuízos e da base de cálculo negativa da CSLL acima dos limites legalmente fixados. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Portanto, incabíveis as alegações da Recorrente neste ponto. Fl. 8467DF CARF MF 42 2) Da multa de ofício aplicada e sua qualificação Alega a Recorrente que a imposição da multa de ofício se deu em contrariedade com o ordenamento jurídico, sendo indevida, desproporcional e de caráter confiscatório. Usando suas próprias palavras, "o valor total a título de multa é evidentemente abusivo, posto que o percentual adotado corresponde a um valor maior do que o tributo pago, configurando um verdadeiro confisco do patrimônio da recorrente, valor este que não encontra característica qualquer de razoabilidade, de proporcionalidade ou legalidade". Acresce ao recurso argumentos tirados da doutrina e da jurisprudência. Também neste caso, aplicase a Súmula nº 2 do CARF, acima reproduzida. Não cabe a este Tribunal Administrativo se manifestar a respeito de possível desrespeito aos princípios do não confisco, da razoabilidade e/ou da proporcionalidade, insculpidos na Constituição Federal. E aos Conselheiros não é possível deixar de observar os ditames estatuídos pelas Súmulas do Conselho, por expressa disposição de seu Regimento Interno. Relativamente ao mérito da qualificação da multa, não restam dúvidas a este julgador de que as fraudes contábeis e fiscais que inflaram artificialmente a conta "caixa" e, subsequentemente, as contas "imobilizado em andamento", "edifícios e construções", "despesas préoperacionais" e "gastos em imóveis de terceiros", estão alicerçadas em fortes elementos de prova, coligidos em árduo e competente trabalho fiscal. Todas as fraudes observadas na contabilidade, seja para subtrair recursos da empresa para terceiros, seja para gerar despesas fictícias, foram perpetradas de forma absolutamente dolosa, dirigida a um fim específico, qual seja, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, nos exatos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64; acresçase o conluio entre todos os apontados, conforme o disposto no art. 73 do mesmo diploma legal. Notese que a conduta de cada um dos responsáveis pelas fraudes praticadas foi perfeitamente delineada, conforme pudemos observar, tanto no Termo de Verificação Fiscal, quanto no Acórdão Recorrido. Assim, também neste ponto, nego provimento ao recurso. 3) Da cumulação da multa isolada com a multa de ofício Alega a Recorrente que a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício é uma duplicação da penalidade, inadmissível no ordenamento jurídico vigente. Em relação a este ponto, nego provimento ao recurso, mesmo sabedor da posição da Turma e respeito, que é contrária ao meu entendimento. Assim, mantenho a posição que venho adotando em meus votos para declarar a possibilidade de coexistência da imposição tanto da multa de ofício proporcional quanto da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, haja vista a nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/95, introduzida pela Lei nº 11.488/2007. Neste tema, perfilo com os que pensam estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, vez que, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada, exigência que transcende a situação fática de ter sido apurado lucro ou prejuízo no final do período anual. Fl. 8468DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.448 43 Historicamente, a matéria foi tratada, de prefácio, no art. 44, I, §1º, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (DOU 22/01/2007), convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com a redação abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 8469DF CARF MF 44 Compulsando as alterações legislativas acima elucidadas, não se verifica, exceto em relação ao percentual a ser aplicado nos casos de multa isolada, qualquer alteração substancial nos dispositivos no que tange à hipótese de incidência e à base de cálculo da penalidade em apreço. O objetivo do preceito contido no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (com as alterações legislativas supervenientes, inclusive) foi o de assegurar o recolhimento antecipado e evitar o não pagamento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL no curso do anocalendário e reconhecer que a base de cálculo da multa isolada sempre foi, mesmo antes das alterações legislativas, o próprio valor da estimativa que deixou de ser paga. Nesse contexto, a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, elaborada a partir da vigência MP 351, de 2007 e da Lei nº 11.488, de 2007, ao instituir um percentual distinto e menos gravoso em relação ao aplicável ao descumprimento da obrigação tributária principal (IRPJ e CSLL devidos na apuração anual) apenas veio aperfeiçoar o preceito normativo acerca da incidência da multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas mensais, explicitando o seu caráter de obrigação acessória. Sob a vigência da redação original da Lei nº 9.430, de 1996, e ainda atualmente, com a redação da Lei nº 11.488 de 2007, a multa isolada deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos; e deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida. Temse assim que a multa isolada em questão, que decorre da falta ou insuficiência de pagamento mensal das estimativas devidas no curso do anocalendário, é aplicada em função do descumprimento de uma obrigação tributária acessória (falta de recolhimento de antecipações obrigatórias), e é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Não é demais lembrar que a obrigação tributária principal, na definição da doutrina, é a “obrigação de dar” (pagar) o tributo devido, ou seja, é o “dever fundamental, consistente em prestação pecuniária, que é exigido de quem tenha realizado o fato descrito em lei”1, enquanto as obrigações acessórias revestemse de clara natureza de “obrigação de fazer” e “obrigação de não fazer”, vale exprimir, são, como o próprio nome diz, “acessórias ao principal”, que é o compromisso do contribuinte pagar o encargo tributário devido, constituindose, no fundo, em “obrigações meramente instrumentais, simples deveres burocráticos que facilitam o cumprimento das obrigações principais”2. Neste raciocínio, a estimativa mensal não pode ser considerada propriamente um “tributo” devido, a ser extinto, por pagamento (modalidade de extinção da obrigação e do crédito tributário, prevista no art. 156, I do CTN), mas apenas uma “antecipação estimada” do tributo, a ser apurado como devido, ou não, ao final do período de apuração, que é devida e deve ser recolhida apenas para validar uma determinada sistemática de tributação de livre opção do contribuinte, qual seja: o Lucro Real Anual. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. Rio de Janeiro: Renovar, 1993, p. 306307. 2ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado, 4ª. ed. São Paulo: Método, 2010. Fl. 8470DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.449 45 Pois bem, justamente porque a estimativa não é exigível como obrigação principal (tributo) é que foi instituída uma multa isolada (ou seja, exigida sem que o principal fosse exigido), para penalizar as pessoas jurídicas que, apesar de optantes pela sistemática de apuração do Lucro Real Anual, descumprem, no curso do anocalendário, a obrigação de apuração e recolhimento das antecipações mensais obrigatórias, requisito imperativo, nos termos da legislação em vigor. O único instrumento de que dispõe o Fisco para sancionar o descumprimento do dever de antecipar o IRPJ/CSLL devidos mensalmente pelas pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Real Anual, é a aplicação da multa isolada. Concluise daí que, além de distintas naturezas jurídicas, são completamente autônomas as obrigações tributárias, relativas às antecipações mensais devidas a título de estimativas, e as relativas ao IRPJ e a CSLL devidos ao final do período de apuração anual, e tal autonomia encontra eco nas próprias disposições legislativas, quando se referem à incidência da multa isolada, ainda que apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no período, de modo que a multa isolada é sempre exigível, desde que apurada falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, sendo irrelevante a apuração de tributo devido no ajuste anual. Nesta linha, cumpre observar que não se aplica ao presente caso o contido na Súmula CARF nº 105, por se referir, esta, expressamente, à redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, anterior ao advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Assim, é forçoso negarse provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação da multa isolada sobre as estimativas não pagas no período de 2009 a 2012. Por conseguinte, consequentemente, nego provimento ao recurso voluntário relativo a esta matéria. Da Responsabilidade Solidária Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente nada acresceu ao que já havia argumentado quando da impugnação a respeito da imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário ao Sr. OSVALDO TERUO SHIBATA (CPF 524.523.87800), às Sras. CLEUSA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES SHIBATa (CPF 280.088.98887), LUCY LEICO SHIBATA INOUE (CPF 791.959.89820), e ROSA FERNANDES MARQUES (CPF 271.945.60801), bem assim a firma individual por essa última titulada (CNPJ 12.570.950/000130). Genericamente, aduz que o acórdão recorrido continua a "observar suposições vazias e imputação de responsabilidade aos sócios e terceiros, sem, contudo relacionar qualquer ato dessas pessoas com eventual fato gerador que fez nascer a tributária" (sic). Ainda, em relação à Autoridade Fiscal, alega que "seu trabalho apresenta acusações infundadas, repleta de presunções, e sem o rigor técnico que o caso reclama". Fl. 8471DF CARF MF 46 Também reclama a exigência de ato doloso praticado pelos sócios e terceiros para que lhes seja imputada a responsabilidade pelo crédito tributário. No caso, a Autoridade Fiscal não teria apontado qual a colaboração de cada pessoa com eventuais ilícitos fiscais. No caso das sócias, as Sras. CLEUSA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES SHIBATA e LUCY LEICO SHIBATA INOUE, tendo sido indicadas pela Fiscalização como sócias de direito, e não de fato, não poderiam figurar no pólo passivo da obrigação tributária pois não teriam praticado nenhum ato de gestão, não possuindo qualquer relação com o fato gerador. Quanto à Sra. ROSA FERNANDES MARQUES e a empresa sob sua titularidade, não caberia sua responsabilização, pois, apesar de terem cedido suas contas correntes para uso do frigorífico, toda a movimentação financeira que circulou por essas contas foi devidamente contabilizada pela Contribuinte. Também não teria sido apontado pela Fiscalização nenhuma conduta específica dessas pessoas que tivesse relação com a ocorrência do fato gerador. Retirei do Termo de Verificação Fiscal (a partir das efls. 7.440) várias passagens, constantes do tópico especificamente aberto para tratar da responsabilidade tributária dos sócios e de terceiros, que vão nos ajudar a tomar uma posição a respeito das alegações da Recorrente. Vejamos, então: O Srº Osvaldo é legalmente casado com a sócia Srª Cleusa e é também irmão da sócia Srª Lucy Leico Shibata Inoue. Em vários documentos obtidos durante a fiscalização, foi esclarecido que a Srª Rosa Fernandes Marques possui união estável com o Srº Osvaldo Teruo Shitbata, mesmo continuando legalmente casado com a Srª Cleusa. Em consulta ao sistema CPF verificouse que inclusive a Srª Rosa possuí dois filhos: Paulo Henrique Marques Shibata (nascido em 20/09/1996) e Osvaldo Teruo Shibata Junior (nascido em 09/04/2012). Conforme diversos documentos juntados, inclusive procurações passadas em cartório pela Srª Rosa ao Srº Osvaldo e até mesmo as intimações encaminhadas para o casal, confirmam que moram no mesmo endereço. A Srª Rosa Fernandes Marques forneceu duas contas bancárias em seu nome para as movimentações financeiras do frigorífico e transferiu poderes para que o Srº Osvaldo atuasse como procurador para movimentar tais contas. Conforme Instrumento Particular de Constituição da Sociedade por Quotas de Responsabilidade Ltda, datado de 04/02/1992, a empresa Frigorífico Avícola Guarantã Ltda foi constituída pelos sócios Srºs Osvaldo Teruo Shibata, Iochinori Inoue e José Roberto Torelli. Em 03/05/1995 foi efetuada a terceira alteração contratual da empresa, ocasião em que se retiraram da sociedade os sócios Srºs Osvaldo Teruo Shibata, Iochinori Inoue e José Roberto Torelli, e foram admitidas as sócias Srªs Lucy Leico Shibata Inoue e Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata, esposas do exsócios Srº Iochinori e do Srº Osvaldo respectivamente. Na retirada do Srº Osvaldo e admissão da Srª Cleusa na sociedade, o Srº Osvaldo cedeu e transferiu as suas quotas de capital, por doação, à Srª Cleusa. A cláusula III do Contrato Social da empresa, presente tanto na Consolidação do Contrato em 11/04/1997, quanto na Consolidação de Sociedade Ltda em 26/07/2011, abaixo copiadas, tratam da gerência e administração da sociedade: Fl. 8472DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.450 47 Formalmente a empresa seria administrada/gerenciada em conjunto pelas duas sócias, “devendo assinar sempre em conjunto nos negócios que digam respeito aos interesses sociais (...)”. Outro destaque a ser feito das cláusulas acima reproduzidas no que se refere ao poder de administração da empresa é que “sendolhes vetado o uso para fins estranhos tais como endosso de favores, carta de fiança, avais e outros documentos análogos a sociedade, ficando responsável individualmente a sócia infratora pelo compromisso contraído fora dos interesses da sociedade”. Mas o que se constatou no procedimento fiscal é que de fato o Srº Osvaldo Teruo Shibata é que estava a frente dos negócios da empresa, atuando como diretor da empresa, atuando com excesso de poder, infração ao contrato social (cláusula III) e ainda praticando as fraudes já discutidas neste relatório, com a conivência das sócias obviamente. Conforme se constatou, e fica evidente nos documentos juntados aos autos, o Srº Osvaldo apesar de ter cedido suas cotas por doação à sua cônjuge Srª Cleusa, continuou comandando a empresa com mais poderes que as próprias sócias, não sendo forçoso afirmar que ele continuou como “sócio de fato” do empreendimento, tendo em vista os diversos benefícios obtidos na gestão da empresa (tanto benefícios financeiros, como a disposição de toda a estrutura industrial do frigorífico para abate de sua produção rural). Da diligência efetuada na empresa no dia 11/09/2013, foi feito o seguinte relato sobre a administração da empresa (o relatório foi encaminhado para ciência e manifestação do contribuinte e encontrase anexo aos autos): Nas diligências efetuadas junto aos principais clientes do contribuinte, os mesmos foram intimados a informar as pessoas da diretoria do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda com as quais eram feitas as negociações e contatos comerciais. Os fatos questionados se referiam ao período de 2008 a 2012. Fl. 8473DF CARF MF 48 Diversos clientes foram categóricos em informar o nome do Srº Osvaldo Teruo Shibata, sendo que nenhum dos clientes diligenciados informaram o nome de qualquer uma das sócias. Pelas respostas dos diversos clientes fica evidente que de fato o Srº Osvaldo Teruo Shibata era quem exercia a direção do frigorífico, tomando as decisões e assumindo compromissos e obrigações e direitos como representante da empresa. Veja que na resposta acima, o Srº Osvaldo tinha papel importante até nas questões operacionais diárias do frigorífico. Inclusive através das diligências efetuadas nos clientes foram obtidos diversos documentos onde o Srº Osvaldo Teruo Shibata aparece como signatário representante do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, como diretor da empresa, sendo que em muitos casos assinando tais documentos isoladamente. Abaixo foram copiados apenas trechos dos documentos originais que se encontram integralmente juntados aos autos. (...) Cabe aqui fazer um pequeno parênteses, apenas para consignar que a administração efetiva da sociedade era, de fato, realizada pelo Sr. OSVALDO SHIBATA, circunstância que nunca foi negada pela Recorrente, seja em sede de impugnação, seja no presente recurso voluntário. Continunado com a exposição do TVF: No documento “Autorização de Pagamento” abaixo copiado, o Srº Osvaldo assina como produtor rural e como diretor do frigorífico (observe o carimbo com seu nome e cargo de diretor do frigorífico), autorizando que a empresa Via Rio Preto pague as suas compras de pintinhos (despesas particulares de sua atividade rural) efetuadas junto a “Granja Econômica Avícola Ltda”, com valores devidos pela empresa Via Rio Preto ao Frigorífico Avícola Guarantã Ltda (há a cessão de créditos de direito do frigorífico para o pagamento de despesa estranha à atividade da empresa). Neste documento há a anuência da sócia do frigorífico Srª Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata: Na diligência na empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda” foram obtidos diversos “Termos de Quitação de Contas Correntes entre Fornecedores”, onde o diretor do frigorífico Srº Osvaldo Teruo Shibata, assina como representante do frigorífico dando quitação das dívidas que a empresa Via Rio Preto tem junto ao Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, em contrapartida a quitação das dívidas que ele mesmo (Srº Osvaldo) tem perante a empresa Via Rio Preto. No caso abaixo copiado, há quitação ainda das dívidas de sua filha Fernanda Rodrigues Shibata perante a empresa Via Fl. 8474DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.451 49 Rio Preto, utilizandose também das cessões de créditos que o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda tinha junto a empresa Via Rio Preto. Diversos termos de quitação foram obtidos na diligência, sendo que apenas em alguns há a assinatura de uma das sócias do frigorífico (todos os documentos estão juntados aos autos): Outro fato relevante é que a própria movimentação financeira do frigorífico através de contas bancárias da Srª Rosa Fernandes Marques, era feita através do diretor do frigorífico Srº Osvaldo Teruo Shibata, que possuía procuração da Srª Rosa para movimentar as contas. Deve ser destacado que as próprias sócias não tinham poderes para movimentar os recursos financeiros da empresa. Segue cópia da procuração através da qual o Srº Osvaldo efetuava a movimentação financeira do frigorífico, conforme escriturada na contabilidade da empresa, através das contas bancárias da Srª Rosa (documento juntado aos autos): (...) Ainda como se constatou as ações do Srº Osvaldo revelam que de fato ele agiu como o verdadeiro “dono” do frigorífico, dando quitações de dívidas dos clientes perante o frigorífico, assumindo direitos e deveres do frigorífico através de contratos, fazendo negociações comerciais do frigorífico, movimentando os recursos financeiros, etc. Como se observa nos diversos documentos exemplificados acima (e demais juntados aos autos) importantes relações do frigorífico com terceiros eram feitas diretamente com o Srº Osvaldo, sendo que as sócias aparecem muito pouco nessas relações. Tal fato revela clara infração ao contrato social, em especial à cláusula III do Contrato Social, já citado anteriormente. Fl. 8475DF CARF MF 50 Constatouse ainda que o Srº Osvaldo Teruo Shibata valendose da sua posição de administrador, diretor e gestor financeiro do frigorífico, além de cometer infração de lei e ao contrato social da empresa, também agiu com excesso de poderes na medida que autorizava pagamentos de despesas estranhas aos interesses sociais da empresa com recursos financeiros da empresa, seja através das próprias contas bancárias seja através de cessão de créditos que a empresa possuía junto aos clientes (ex: pagamentos através da empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda já devidamente explicado), e ainda não há como isentalo de sua responsabilidade pelas fraudes contábeis e fiscais apuradas nesta fiscalização, sendo ele quem de fato administrava a empresa e ainda sendo o principal responsável pela confusa movimentação financeira da empresa que geraram as condições para as fraudes detectadas, e através da qual ficou ainda demonstrado a verdadeira “confusão patrimonial” ocorrida entre frigorífico, atividade rural do Srº Osvaldo e a atividade comercial através da “empresa individual” Rosa Fernanda Marques. As sócias Srª Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Srª Lucy Leico Shibata Inoue eram totalmente coniventes com as ações do Srº Osvaldo, justificado pelos relacionamentos familiares entre as partes e os benefícios mútuos atingidos (por exemplo os diversos recursos financeiros destinados aos seus familiares conforme já discutido). De fato, as Srª Cleusa e Srª Lucy, sendo as sócias de direito e com responsabilidade explícita na cláusula III do contrato social, no mínimo foram omissas em suas responsabilidades de zelar pelo bom cumprimento do contrato social e pelos interesses legítimos da sociedade. Ainda conforme a diligência na sede da empresa realizada em 11/09/2013 (trecho do relatório já copiado acima), a sócia Cleusa informou que todas as decisões do Srº Osvaldo eram de seu conhecimento, mesmo porque diversos documentos eram também por ela assinados. O que se constatou é que de fato a administração da empresa e dos negócios sempre continuou sendo feita pelo Srº Osvaldo e as sócias cumpriam o “papel das representantes legais” da empresa perante os órgãos públicos e alguns terceiros. O fato de o Srº Osvaldo se utilizar de recursos do frigorífico, seja através de cessão de créditos de direito do frigorífico, seja através das contas bancárias de utilização do frigorífico, para pagamentos de despesas particulares, já é uma primeira evidência da “confusão patrimonial” que se estabeleceu entre os negócios particulares do Srº Osvaldo e os negócios do contribuinte (frigorífico) o que reforça mais ainda a responsabilidade da pessoa física do Srº Osvaldo Teruo Shibata. A “confusão patrimonial” fica explícita nos “Termos de Quitação de Contas Correntes entre Fornecedores” e nas “Autorizações de Pagamentos”, nos quais ao mesmo tempo ele representa os interesses de sua pessoa física (produtor rural) e os interesses da empresa (frigorífico), e de forma arbitrária autoriza que seus débitos como produtor rural perante terceiros sejam quitados com recursos de direito do frigorífico, sem qualquer ressarcimento dos recursos ao frigorífico. Dada a relevância do volume de pagamentos sem causa ou operações não comprovadas, através dos quais tanto o Srº Osvaldo, quanto a Srª Rosa Fernandes Marques, as sócias Srª Cleusa e Srª Lucy (essas últimas através de seus familiares), receberam recursos financeiros do frigorífico, também há a evidência da “confusão patrimonial” estabelecida. Como já foi relatado, o Srº Osvaldo, na qualidade de produtor rural, foi fornecedor de aves vivas para o frigorífico no ano de 2010. Nos anos seguintes analisados (2011 e 2012) constatouse através das notas fiscais eletrônicas do SPED que o Srº Osvaldo passou a fornecer frangos vivos para outras empresas, sendo as mais Fl. 8476DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.452 51 relevantes as relacionadas no quadro abaixo (valores de vendas de aves efetuadas para as empresas relacionadas): As empresas relacionadas no quadro acima possuem as seguintes peculiaridades: 1 Fábio Yoshinori Inoue – EPP, CNPJ 09.947.932/000105: empresa em nome de Fábio Yoshinori Inoue que é filho da sócia Lucy Leico Shibata Inoue e sobrinho do Srº Osvaldo. Em consulta ao sistema SINTEGRA a empresa encontrase na situação “suspenso” desde 03/05/2013; 2 João Maestre de Menezes – ME, CNPJ 04.947.932/000105: empresa em nome de João Maestre de Menezes que é exfuncionário do frigorífico, e a empresa foi constituída no mesmo endereço onde mora a sócia Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata (inclusive correspondência encaminhada para a empresa foi recebida pela Srª Cleusa – documento juntado aos autos). Em consulta ao sistema SINTEGRA a empresa encontrase na situação “inapto” desde 25/04/2013; 3 Rosa Fernanda Marques, CNPJ 12.570.950/000130: empresa individual em nome de Rosa Fernandes Marques que é companheira do Srº Osvaldo Teruo Shibata. Em consulta ao sistema SINTEGRA encontrase na situação “ativo”. O nome fantasia da empresa é “Distribuidora Noroeste”, se assemelhando à marca de propriedade do frigorífico “Frangos Noroeste”. Em consulta à contabilidade do contribuinte (frigorífico) verificouse que as essas 03 (três) empresas se utilizavam dos serviços de abate do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda para abater as aves adquiridas principalmente do produtor rural Osvaldo Teruo Shibata, conforme balancetes da contabilidade do frigorífico dos anos de 2011 e 2012: (...) Foi constatado ainda que o Srº Osvaldo também assinava documentos como representante da pessoa jurídica Rosa Fernanda Marques e ainda movimentava a conta bancária utilizada pela PJ Rosa Fernanda Marques (conta “0394.13.0006750” conforme já demonstrado anteriormente neste termo), ficando evidente que assim como ocorre com o frigorífico, o Srº Osvaldo é que de fato administra a empresa individual “Rosa Fernanda Marques”. Constatase pela contabilidade da empresa que já a partir de 2011 o frigorífico passou a ter mais receitas de prestação de serviços de abate do que receitas de vendas de sua produção, o que fica evidenciado justamente pelo fato de os 04 principais clientes relacionados utilizarem o frigorífico somente para prestação de serviço de abate e assim efetivamente os produtos do frigorífico passaram ser comercializados através dessas empresas, sendo que das 03 empresas somente a Fl. 8477DF CARF MF 52 empresa individual “Rosa Fernanda Marques” ou “Distribuidora Noroeste” (nome fantasia assemelhado ao nome fantasia “Frango Noroeste” utilizado pelo Frigorífico Avícola Guarantã Ltda) permaneceu no mercado (as demais estão suspensas/inaptas por ato do fisco estadual). Uma observação importante extraída dos balancetes acima é de que as 03 empresas familiares sempre ficaram ao final dos períodos em análise devendo significativos valores ao frigorífico. A empresa Rosa Fernandes Marques por exemplo no ano de 2012 só pagou ao frigorífico 26% do valor que devia em virtude das prestações de serviços efetuados pelo frigorífico naquele ano. Fica evidente que as 03 empresas foram constituídas para servir diretamente ao Srº Osvaldo, uma vez que deixando de fornecer aves diretamente para o frigorífico, o Srº Osvaldo passou então a se utilizar da estrutura do frigorífico para abater as aves de sua produção rural através das 03 empresas citadas. Constatouse ainda que tanto a pessoa física Rosa Fernandes Marques (através de outras contas distintas daquelas utilizadas pelo frigorífico) quanto a empresa “Rosa Fernanda Marques” (ou “Distribuidora Noroeste”) também passaram a receber consideráveis recursos financeiros que eram de direito do frigorífico (como exemplo aqueles provenientes de prestação de serviço do frigorífico para a empresa “Via Rio Preto Abatedouro Ltda”), conforme planilhas anexas ao Termos de Constatação e Intimação Fiscal nº 13 e 17, comprovado inclusive com cópias dos depósitos nas contas da empresa “Rosa Fernanda Marques” efetuados pela empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda. Este complexo de atividades intimamente ligadas criadas em torno do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, do produtor rural Osvaldo Teruo Shibata e das 03 empresas (notadamente a “Distribuidora Noroeste” em nome da Srª Rosa), as contas bancárias em nome de terceiros utilizadas pelo frigorífico, os pagamentos sem causa em favor de terceiros (incluindose aqui as transferências de recursos financeiros para contas bancárias particulares da Srª Rosa Fernandes Marques), as “autorizações de pagamento” e “termos de quitação” utilizandose do instituto de “cessão de créditos” em favor de terceiros, reforça mais ainda a “confusão patrimonial”, ficando evidente o interesse comum do diretor Srº Osvaldo Teruo Shibata nos resultados das atividades da empresa, uma vez que os recursos recebidos pela empresa eram utilizados em benefício de suas atividades particulares e a própria estrutura industrial estava à sua disposição para realizar o abate de suas aves. Quanto à Srª Rosa Fernandes Marques o que se constatou é que houve um considerável aumento de seu patrimônio pessoal, incluindose os bens de sua “empresa individual”, sem a comprovação da correspondente capacidade econômica, ao mesmo tempo em que suas contas bancárias e sua própria “empresa individual” passaram a receber consideráveis recursos financeiros do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. Como já dito, a Srª Rosa Fernandes Marques possuí união estável com o Srº Osvaldo Teruo Shibata há vários anos conforme diversos esclarecimentos prestados durante a fiscalização e conforme declarado nas DIRPFs da Srª Rosa. Foram constatadas diversas informações inconsistentes e com falta de respaldo em documentos comprobatórios, nas DIRPFs da Srª Rosa Fernandes Marques, que demonstram que ela não tinha capacidade econômica para aquisição dos bens que constam em seu patrimônio declarado. No Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) do INSS, consta apenas as seguintes ocorrências para a Srª Rosa Fernandes Marques: Fl. 8478DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.453 53 1. de 22/11/1994 a 19/02/1997 – vínculo empregatício (tipo domestic CBO 505) tendo como empregador a pessoa física Nazaré da Silva Pardal; 2. de 01/06/1996 a 19/09/1996 – recebimento de benefício do INSS (auxílio doença); 3. de 20/09/1996 a 18/01/1997 – recebimento de benefício do INSS (salário maternidade); 4. a partir de 10/2010 aparece vinculada como contribuinte individual; 5. de 09/04/2012 a 06/08/2012 – recebimento de benefício do INSS (salário maternidade) A Srª Rosa declarou em suas DIRPFs que teria recebido rendimentos da pessoa jurídica Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, nos anos de 2006 a 2010, num total de R$ 40.940,00. Foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 20120115508, para que o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda informasse se houve no período de 2008 a 2010 pagamentos para a Srª Rosa Fernandes Marques, e qual o motivo dos pagamentos. Caso tivessem ocorridos os pagamentos, foi solicitado que fossem informados os valores pagos e respectivos documentos comprobatórios, inclusive constantes da escrituração contábil, previdenciária e trabalhista. A resposta do frigorífico.datada de 08/04/2014, foi a seguinte: Ou seja, oficialmente a Srª Rosa Fernandes Marques não recebeu do frigorífico nem mesmo os R$ 40.940,00 declarados em suas DIRPFs, porém como foi provado neste procedimento fiscal, suas demais contas (aquelas não utilizadas para movimentação financeira do frigorífco) receberam relevantes depósitos do frigorífico (à margem da contabilidade/pagamentos sem causa), inclusive maiores que aqueles informados em suas DIRPFs, e como foi esclarecido pelo próprio frigorífico não havia qualquer vínculo empregatício ou de prestação de serviços do frigorífico com a Srª Rosa. A Srª Rosa declarou em suas DIRPFs ter recebido diversos recursos financeiros de pessoas físicas durante o período de 2008 a 2012. Foi aberto diligência na pessoa física Rosa Fernandes Marques e emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 2014 00344/01 para que a Srª Rosa esclarecesse por escrito, apresentando documentos hábeis para comprovação da origem dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, forma de recebimento (depósitos, cheques, TEDs, etc), relação de pessoas que efetuaram os pagamentos (nome e CPF) e outros esclarecimentos que julgasse pertinentes. No período de 2008 a 2012 ela declarou ter recebido R$ 176.200,00 de pessoas físicas. A intimação foi recebida pela Srª Rosa em 16/07/2014 e até hoje (decorridos cerca de 04 meses) ela não atendeu à intimação. A Srª Rosa ainda declarou em suas DIRPFs ter recebido recursos financeiros decorrentes de empréstimos contraídos do seu contador Srº Armando Shibata (parente do Srº Osvaldo) cujo saldo da dívida em 31/12/2011 era de R$ 20.000,00. Fl. 8479DF CARF MF 54 Declarou também ter recebido recursos financeiros decorrentes de empréstimos contraídos de seu companheiro Srº Osvaldo Teruo Shibata cujo saldo da dívida em 31/12/2011 era de R$ 30.000,00. Ainda na DIRPF 2011 ac 2010, a Srª Rosa declarou ter adquirido um automóvel HONDA Cívic 2010, cujo valor pago no ano de 2010 foi de R$ 54.300,00, através de recursos do seu companheiro Osvaldo Teruo Shibata. Referente aos empréstimos declarados, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 2014 00344/01, onde a Srª Rosa foi intimada a comprovar a efetiva entrega do numerário e a origem dos recursos supridos (documentos bancários tanto do supridor quanto do suprido), coincidente em datas e valores. A intimação foi recebida pela Srª Rosa em 16/07/2014 e até hoje (decorridos cerca de 04 meses) ela também não atendeu à intimação. Ou seja, para todos os rendimentos declarados pela Srª Rosa nas DIRPFs até o ano de 2012 não há origem comprovada, inclusive ficou constatado contradição entre a informação do próprio frigorífico e a que a Srª Rosa fez em suas DIRPFs sobre recebimentos de recursos do frigorífico. No ano de 2012 a Srª Rosa declarou ter recebido de sua empresa individual apenas o valor total de R$ 8.009,00. Quanto aos empréstimos e diversos recebimentos de recursos de pessoas físicas, também fica claro que tais valores foram inseridos nas DIRPFs, assim como os rendimentos do frigorífico, apenas para dar suporte à variação patrimonial ocorrida no período, sendo que até 2009 ela não possuía nenhum bem e ao final de 2012 possuía diversos bens declarados. É evidente portanto que não tendo a Srª Rosa Fernandes Marques capacidade econômica para aquisição dos bens declarados em suas DIRPFs, todos os bens foram adquiridos com recursos provenientes do Srº Osvaldo Teruo Shibata (por exemplo a própria Srª Rosa já havia declarado em sua DIRPF que o veículo HONDA 2010 tinha sido adquirido com recursos de seu companheiro Srº Osvaldo), e ainda através da “confusão patrimonial” estabelecida pelo Srº Osvaldo em torno das movimentações financeiras das contas utilizadas pelo frigorífico. Um importante fato deve ser registrado: os bens das sócias e do diretor Srº Osvaldo, em função das diversas dívidas do frigorífico (trabalhistas, tributárias, previdenciárias, etc), encontramse gravados com diversas penhoras, e a Srª Rosa Fernandes Marques passa então a ter importância justamente pelo fato de que através dela o Srº Osvaldo passa a “blindar” parte do patrimônio familiar. É o que fica evidente com a aparente estagnação patrimonial das sócias e do diretor, que “andam a pé” (apenas a Srª Lucy possui um veículo corsa popular 1998), ao mesmo tempo que a Srª Rosa e sua empresa individual possuem a sua disposição diversos automóveis, inclusive de luxo, sendo que só no ano de 2013 e 2014 a “Srª Rosa” e sua empresa individual adquiriram 05 veículos zero quilômetro, inclusive 03 caminhonetes e um Honda Civic, conforme comprova o cadastro RENAVAM. Enquanto as sócias e o diretor possuem seus bens gravados com diversas penhoras, a Srª Rosa também adquire 03 terrenos em 2010 e um imóvel rural em meados de 2013, todos sem qualquer reserva. Inclusive os terrenos pela Srª Rosa foram adquiridos da Srª Áurea Eiko Shibata, irmã da sócia Srª Lucy e do diretor Srº Osvaldo. Fica ainda evidente o conluio da Srª Rosa com o seu companheiro Srº Osvaldo na condução dos diversos negócios, haja vista a abertura de diversas contas em seu nome com a constituição do Srº Osvaldo como seu procurador, e inclusive criando a empresa individual “Rosa Fernanda Marques” ou “Distribuidora Noroeste” para atender aos interesses do Srº Osvaldo e também confiando a ele a administração dos Fl. 8480DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.454 55 negócios referente à sua empresa individual, como fica comprovado no “Termo de Quitação de Contas Correntes entre Fornecedores” abaixo reproduzido, no qual o Srº Osvaldo assina o termo como representante da empresa “Rosa Fernanda Marques”. A empresa individual criada em nome da Srª Rosa Fernandes Marques (CNPJ 12.570.950/0001 30), nome fantasia “Distribuidora Noroeste” (semelhante à marca comercial do frigorífico “Frango Noroeste”) possui como atividade o comércio atacadista de carnes e derivados. A empresa adquire frangos vivos principalmente do produtor rural Osvaldo Teruo Shibata e encaminha para abate no Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, e os produtos retornados do abate são comercializados. Fica evidente que a empresa foi criada para fazer o elo entre o produtor rural e o frigorífico. A empresa em nome da Srª Rosa passou também a receber consideráveis recursos financeiros do frigorífico, sem qualquer justificativa. Se verificou ainda que o Srº Osvaldo também representava a empresa da Srª Rosa perante terceiros (vide Termo de Quitação a seguir) e ainda movimentava a conta da “empresária individual”. Fica claro a configuração do grupo econômico (produtor rural, frigorífico e comercio atacadista), inclusive sob a mesma direção. Fica evidente novamente a “confusão patrimonial” e o interesse comum. Através dos “termos de quitação” e “autorizações de pagamentos”, ficou comprovado que os recursos financeiros do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda também passaram a ser desviados para a empresa “Rosa Fernanda Marques” (o que está provado nos documentos que foram obtidos na diligência na empresa Via Rio Preto Abatedouro Ltda, cuja consolidação de valores está na planilha anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17. Os documentos estão juntados aos autos). (...) O contribuinte foi intimado a esclarecer sobre os pagamentos em favor da empresa “Rosa Fernanda Marques” nos Termos de Constatação e Intimação Fiscal nº 13 e 17, porém o contribuinte não prestou os esclarecimentos e nem apresentou qualquer documento que justificasse tais pagamentos. O resultado mais óbvio do conluio da Srª Rosa Fernandes Marques com o Srº Osvaldo Teruo Shibata na condução das diversas atividades, inclusive na direção do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, é o compartilhamento dos benefícios patrimoniais advindos dos negócios, reforçado pelo fato da existência da união estável do casal. Fica evidente que a Srª Rosa Fernandes Marques é interposta pessoa do Srº Osvaldo, fornecendo suas contas e sua “empresa individual” para os negócios do Srº Osvaldo, seja em relação ao frigorífico, seja em relação à atividade rural, seja em relação às atividades comerciais de vendas de produtos industrializados pelo frigorífico, uma vez que o frigorífico passou a comercializar seus produtos através da referida empresa individual (não é coincidência a empresa individual “Rosa Fernanda Marques” utilizar o nome fantasia “Distribuidora Noroeste” bastante semelhante ao nome fantasia do frigorífico “Frango Noroeste”). Assim pelo tudo o que foi exposto, as sócias Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue e também o diretor Osvaldo Teruo Shibata, pelas práticas de fraudes contábeis e fiscais (que por si só já configuram muito mais que infração à lei), infração a lei e contrato social, e excesso de poderes, são todos responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído de ofício neste Fl. 8481DF CARF MF 56 procedimento fiscal contra o contribuinte “Frigorífico Avícola Guarantã Ltda”, nos termos do art. 135, III, da Lei nº 5.172/66. A condução dos negócios pelo Srº Osvaldo Teruo Shibata, em conluio com a Srª Rosa Fernandes Marques, envolvendo suas atividades particulares (atividade rural de criação de aves e empresa de comércio de carnes de aves e derivados), Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, as contas bancárias do frigorífico (em nome da pessoa física Srª Rosa Fernandes Marques), as diversas transferências de recursos do frigorífico para as contas da Srª Rosa Fernandes Marques (distintas daquelas utilizadas pelo frigorífico) e para a conta da empresa “Rosa Fernanda Marques” (“Distribuidora Noroeste”), culminou em uma verdadeira “confusão patrimonial”, ficando evidenciado o interesse comum em todas as atividades, implicando inegavelmente em responsabilização do Srº Osvaldo Teruo Shibata, da Srª Rosa Fernandes Marques e da empresa individual “Rosa Fernanda Marques”, como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído contra o contribuinte “Frigorífico Avícola Guarantã Ltda”, nos termos do art. 124, I, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Frisandose que em função da união estável do casal, a Srª Rosa se beneficiou dos diversos negócios encabeçados pelo Srº Osvaldo, principalmente em termos de acréscimos patrimoniais transferidos diretamente para seu nome. Segue a motivação individualizada para a responsabilização tributária dos envolvidos: Osvaldo Teruo Shibata (CPF 524.523.87800): Na administração do Srº Osvaldo Teruo Shibata como diretor do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, ficaram constatadas diversas infrações à legislação tributária configuradas como fraudes contábeis e fiscais visando suprimir ou reduzir tributos. Ficaram constatadas as fraudes na escrituração de fatos fictícios na contabilidade, dissimulando diversos pagamentos sem causa a terceiros e criando ativos, despesas e custos fictícios. Foram constatadas ainda diversas despesas apropriadas de forma contrária às normas contábeis e fiscais, além de reiteradas infrações por diversos anos no que se refere a compensações de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Através das ordens do Srº Osvaldo foram feitos diversos pagamentos a terceiros sem causa ou cujas operações não foram comprovadas, inclusive pagamentos em seu favor e em favor de familiares, como por exemplo pagamentos de despesas de sua atividade rural, em favor de sua companheira e filha. Tais pagamentos sem justificativas, revelaram benefícios patrimoniais particulares em detrimento dos interesses sociais do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda e foram em grande parte responsáveis pelos vultosos valores fictícios transferidos da conta “caixa” para o ativo fictício “imobilizado em andamento”. O Srº Osvaldo isoladamente representava o frigorífico assumindo obrigações e direitos, assim como transferindo direitos do frigorífico a terceiros (por exemplo através de cessões de créditos e de ordens de pagamento) contrariando nitidamente as cláusulas do contrato social do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda (notadamente a cláusula III do contrato social que trata da gerência e administração da empresa). Além das infrações às leis contábeis e fiscais (fraudes), excesso de poder e infração do contrato social, que coloca o Srº Osvaldo como responsável nos termos do art. 135 inciso III da Lei nº 5.172/66, ficou claro também o enquadramento da responsabilidade do Srº Osvaldo Teruo Shibata no art. 124 inciso I da Lei nº 5.172/66, pelos motivos a seguir. Fl. 8482DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.455 57 Na gestão do Srº Osvaldo ficou evidente o interesse comum nos resultados do frigorífico, uma vez que houve uma verdadeira “confusão patrimonial” entre sua atividade rural, a empresa de comércio atacadista de carnes (empresa individual em nome de sua companheira “Rosa Fernanda Marques”) e o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, configurando um grupo econômico, o que ficou evidenciado principalmente através das contas bancárias que receberam relevantes e constantes transferências de recursos financeiros do frigorífico para pagamentos das despesas de sua atividade rural e para suas contas de interesses pessoais em nome de sua companheira Srª Rosa Fernandes Marques e para a empresa individual “Rosa Fernanda Marques”, além do fato de que as empresas estavam sob a mesma direção do Srº Osvaldo. Rosa Fernandes Marques (Pessoa Física CPF 271.945.60801): A Srª Rosa Fernandes Marques é companheira do diretor do frigorífico Srº Osvaldo Teruo Shibata, sendo que o casal possuí relação de união estável a vários anos. A Srª Rosa Fernandes Marques abriu diversas contas bancárias em seu nome, sendo que duas das contas bancárias foram utilizadas exclusivamente para a movimentação financeira do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. No procedimento fiscal ficou constatado que pelo menos em relação a três contas bancárias, a Srª Rosa passou procuração para que o Srº Osvaldo Teruo Shibata movimentasse tais contas. Constatouse que a Srª Rosa recebeu recursos financeiros do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda através de transferências bancárias para contas bancárias em seu nome e as quais não eram aquelas de utilização do frigorífico. O Frigorífico Avícola Guarantã Ltda não apresentou qualquer justificativa para transferir tais recursos financeiros para as contas particulares da Srª Rosa. A Srª Rosa abriu empresa individual (“Rosa Fernanda Marques”/“Distribuidora Noroeste”) em seu nome com atividade de comércio atacadista de carnes e derivados. Constatouse que essa empresa foi criada para fazer o elo de ligação entre a atividade rural do Srº Osvaldo (criação de aves) e o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda (abate de aves), sendo que após a industrialização das aves pelo frigorífico, a empresa da Srª Rosa fazia a comercialização atacadista do produto (inclusive utilizandose de nome fantasia assemelhado à marca do frigorífico “Frango Noroeste”), configurando um grupo econômico com interesses comuns (produtor rural, frigorífico e comércio atacadista), inclusive sob a mesma direção do Srº Osvaldo Teruo Shibata. Constatouse ainda que a empresa individual “Rosa Fernanda Marques” também recebeu recursos financeiros do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda através de transferências bancárias para suas contas, principalmente efetuadas pela Via Rio Preto Abatedouro Ltda e decorrentes de “cessões de créditos” de direito do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. O Frigorífico Avícola Guarantã Ltda não apresentou qualquer justificativa para transferir tais recursos financeiros para a empresa da Srª Rosa, através das “cessões de créditos”. Não restam dúvidas de que a abertura de diversas contas em seu nome e da empresa individual, com poderes delegados para o Srº Osvaldo gerir tais recursos, criaram as condições para que se desenvolvesse a “confusão patrimonial” da movimentação financeira particular do casal (Rosa e Osvaldo), da empresa individual e a do frigorífico, gerando benefícios patrimoniais diretos tanto para a Srª Rosa (pessoa física e jurídica) quanto para o Srº Osvaldo, principalmente Fl. 8483DF CARF MF 58 considerando a frequência e a relevância das transferências bancárias para suas contas particulares e da empresa individual, configurando assim um grupo econômico e interesse comum nos resultados da atividade do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. Rosa Fernandes Marques (Pessoa Jurídica CNPJ 12.570.950/000130): A Srª Rosa abriu empresa individual (“Rosa Fernanda Marques”/“Distribuidora Noroeste”) em seu nome com atividade de comércio atacadista de carnes e derivados. Constatouse que essa empresa foi criada para fazer o elo de ligação entre a atividade rural do Srº Osvaldo (criação de aves) e o Frigorífico Avícola Guarantã Ltda (abate de aves), sendo que após a industrialização das aves pelo frigorífico, a empresa da Srª Rosa fazia a comercialização atacadista do produto (inclusive utilizandose de nome fantasia assemelhado à marca do frigorífico “Frango Noroeste”), configurando um grupo econômico com interesses comuns (produtor rural, frigorífico e comércio atacadista), inclusive sob a mesma direção do Srº Osvaldo Teruo Shibata. Constatouse ainda que a empresa individual “Rosa Fernanda Marques” também recebeu recursos financeiros do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda através de transferências bancárias para suas contas, principalmente efetuadas pela Via Rio Preto Abatedouro Ltda e decorrentes de “cessões de créditos” de direito do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda. O Frigorífico Avícola Guarantã Ltda não apresentou qualquer justificativa para transferir tais recursos financeiros para a empresa da Srª Rosa, através das “cessões de créditos”. Não restam dúvidas de que a abertura de diversas contas em seu nome e da empresa individual, com poderes delegados para o Srº Osvaldo gerir tais recursos, criaram as condições para que se desenvolvesse a “confusão patrimonial” da movimentação financeira particular do casal (Rosa e Osvaldo), da empresa individual e a do frigorífico, gerando benefícios patrimoniais diretos tanto para a Srª Rosa (pessoa física e jurídica) quanto para o Srº Osvaldo, principalmente considerando a frequência e a relevância das transferências bancárias para suas contas particulares e da empresa individual, configurando assim um grupo econômico e interesse comum nos resultados. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata (CPF 280.088.98887) e Lucy Leico Shibata Inoue (CPF 791.959.89820): De acordo com a cláusula III do contrato social do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, que trata da gerência e administração da empresa, as sócias deveriam gerenciar e administrar conjuntamente a sociedade. Ainda de acordo com a cláusula III seria vedado o poder de gerência para fins estranhos aos interesses da sociedade. O que se verificou é que as sócias partilharam a administração da empresa com o Srº Osvaldo Teruo Shibata (que possui laços familiares com as sócias, sendo conjuge da Srª Cleusa e irmão da Srª Lucy), que exercia a função de diretor do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, com amplos poderes, inclusive maiores que os das próprias sócias, pois detinha toda a movimentação financeira do frigorífico em suas mãos, principalmente através das contas de sua companheira Srª Rosa Fernandes Marques. Em diligência na empresa, a sócia Cleusa disse que as decisões tomadas pelo diretor Osvaldo eram de seu conhecimento. As sócias eram as representantes legais da sociedade e portanto assinavam e atestavam os documentos oficiais da sociedade, inclusive a escrituração contábil e Fl. 8484DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.456 59 fiscal, não podendo de modo algum as sócias se eximirem da responsabilidade pelas infrações cometidas pela sociedade, seja pela ação ou até mesmo por omissão ou negligência no acompanhamento ou aprovação de medidas adotadas pelo diretor na administração compartilhada da empresa, ou até mesmo por conscientemente deixaram lacunas no poder a elas delegado pelo contrato social. Foram constatadas diversas infrações à legislação tributária configuradas como fraudes contábeis e fiscais visando suprimir ou reduzir tributos. Ficaram constatadas as fraudes na escrituração de fatos fictícios na contabilidade, dissimulando diversos pagamentos sem causa a terceiros e criando ativos, despesas e custos fictícios. Foram constatadas ainda diversas despesas apropriadas de forma contrária às normas contábeis e fiscais, além de reiteradas infrações pro diversos anos no que se refere a compensações de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Com a conivência das sócias, através das ordens do Srº Osvaldo foram feitos diversos pagamentos a terceiros sem causa ou cujas operações não foram comprovadas, inclusive pagamentos em favor de familiares das sócias e da companheira do Srº Osvaldo e de despesas da atividade rural do Srº Osvaldo. Esses pagamentos sem justificativas revelaram benefícios patrimoniais particulares em detrimento dos interesses sociais do Frigorífico Avícola Guarantã Ltda, e foram em grande parte responsáveis pelos vultosos valores fictícios transferidos da conta “caixa” para o ativo fictício “imobilizado em andamento”. As infrações às leis contábeis e fiscais (fraudes) e também ao contrato social, colocam as sócias como responsáveis nos termos do art. 135 inciso I e III da Lei nº 5.172/66. X – Considerações Finais Apesar de o frigorífico apresentar até um faturamento razoável, o que se constatou é que grande parte dos recursos financeiros eram desviados para satisfação dos interesses particulares das sócias, de seu diretor e sua companheira, em prejuízo dos cumprimentos de adimplir as obrigações perante terceiros, principalmente o fisco e dívidas trabalhistas. Como se observou na matricula do imóvel do frigorífico que foi alienado judicialmente em 2010, havia dezenas de penhoras registradas decorrentes de diversas demandas (cíveis, trabalhistas, previdenciárias, fisco, etc). Somente com tributos fazendários federais e contribuições previdenciárias a dívida do contribuinte totaliza o valor de R$ 37.241.060,81 (sem contar o crédito tributário lançado de ofício neste procedimento fiscal), conforme quadro abaixo (relatórios dos débitos estão juntados aos autos): Fl. 8485DF CARF MF 60 Pelo quadro acima, fica evidente que nunca foi uma preocupação da direção da empresa o pagamento de tributos. O não pagamento de tributos inclusive seria um dos fatores que favoreceriam os diversos pagamentos sem causa em favor de terceiros, constatados na fiscalização. Uma vez que os recursos financeiros ao deixar de serem destinados aos pagamentos de tributos, puderam ser utilizados em benefícios particulares do diretor ou das sócias. O que se observou ainda foi a utilização da estrutura industrial do frigorífico para atender os interesses particulares do diretor para o abate de suas aves. Com a terceira alteração do contrato social em 03/05/1995 saíram do quadro societário as pessoas que tinham em seus nomes algum patrimônio, deixando como sócias apenas as Srª Lucy Leico Shibata Inoue e Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata, esposas do exsócios Srº Iochinori e do Srº Osvaldo respectivamente. As referidas sócias não possuem qualquer bem declarado em suas DIRPFs. Com essa alteração do quadro societário, no qual o Srº Osvaldo cedeu suas quotas gratuitamente para a Srª Cleusa, mas ao mesmo tempo se mantendo como diretor no comando da empresa, controlando toda a parte financeira e operacional, ficou claro a intenção do Srº Osvaldo de continuar usufruindo de toda a estrutura industrial para dar principalmente destino à sua produção rural e ainda se beneficiando das movimentações financeiras em seu favor, com a vantagem de manter protegido seu patrimônio pessoal (seja em seu nome seja principalmente em nome de seu companheira Rosa Fernandes Marques) contra possíveis execuções contra a empresa. Com o aumento das demandas judiciais trabalhistas e ao volume de dívidas tributárias, e tendo sempre as sócias como responsáveis legais pela empresa, o Srº Osvaldo continuou administrando a empresa de forma totalmente voltada para os interesses pessoais, o que se verificou com a criação das 03 empresas familiares que passaram a se utilizar da estrutura do frigorífico e ainda a verdadeira confusão patrimonial ocorrida com o pagamento de suas despesas pessoais e destinação de recursos do frigorífico principalmente para a empresa constituída em nome de sua companheira Rosa Fernandes Marques e para contas em nome dela. Durante todo o procedimento de fiscalização ao contribuinte foi dada toda a oportunidade de manifestação, contraditório e ampla defesa. Foram 19 intimações emitidas, sendo concedidos diversos pedidos de prorrogação de prazos. A fiscalização chegou a esperar 273 dias para que o contribuinte atendesse uma única intimação (o Termo de Intimação Fiscal nº 20120115502). Houve importantes intimações que ficaram sem respostas como o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 17, e também intimações endereçadas para o Srº Osvaldo e para a Srª Rosa. Muitos atendimentos foram superficiais e sem acompanhamento de qualquer documento comprobatório. A própria utilização de contas de terceiros já é forte indício de falta de transparência dos negócios da empresa. Fl. 8486DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.457 61 Desde o início da fiscalização o contribuinte tentou passar uma idéia totalmente diferente da realidade dos fatos, inclusive alegando que os “milhões de reais” contabilizado no tal de “imobilizado em andamento” se tratavam de benfeitorias em imóvel de terceiro. É evidente que ninguém aplica milhões de reais em um imóvel que foi vendido por R$ 730.000,00, e ainda mais, conforme alegou o contribuinte, estando a empresa em dificuldades financeiras. O que se comprovou durante todo esse procedimento fiscal é que na verdade tudo não passou de fraudes contábeis e fiscais. O contribuinte nunca se preocupou em se antecipar e esclarecer fatos, ficando muitas vezes sem apresentar documentos sobre as alegações, como por exemplo sobre os pagamentos sem causa identificados. Houve diversas contradições em seus próprios esclarecimentos, como sobre as imobilizações para as quais inicialmente o contribuinte alegou que não haviam quaisquer documentos, depois os “apareceram” alguns documentos. As contas eram de utilização exclusiva do frigorífico e de repente o contribuinte alegou que poderiam não ser mais, ou que poderiam ter movimentações também do Srº Osvaldo (sem demonstrar qualquer entrada de recursos do Srº Osvaldo nas contas). Os pagamentos para o Srº Ibis eram decorrentes de comissões, depois decorrentes de “direitos de parceria”, depois decorrentes de comissões e parcerias, e ao final o Srº Íbis confirmou que eram decorrentes de comissões. Não havia contrato de aluguel e nem pagamentos de aluguéis pela utilização do imóvel onde está a planta industrial do frigorífico, de repente “apareceram” contrato (elaborado em 2013 com data retroativa de 2011) e despesas com aluguel. Haviam despesas de depreciação e custos do imóvel contabilizados, e depois não haviam mais, quando o contribuinte retificou DIPJ antes zerada e elaborou o respectivo LALUR. Depois de todas as fraudes contábeis e fiscais identificadas e provadas, fica claro porque o contribuinte chegou a demorar 273 dias para atender uma simples intimação, solicitou tantas prorrogações de prazo ou simplesmente deixou de atender ou apresentar documentos ou ainda apresentou tantas respostas inconsistentes ou contraditórias. Se por um lado a desorganização administrativa e a sistemática de contabilização de todos os recebimentos e pagamentos através da conta “caixa” geraram inconsistências, não há que se negar, que também o contribuinte se aproveitou da sistemática para manipular intencionalmente os saldos da conta “caixa” ao contabilizar diversas transferências de recursos para a conta “caixa”, que de fato eram pagamentos a terceiros, decorrentes de pagamentos sem causa ou operações estranhas às atividades da empresa, ou até mesmo quitações de direitos sem qualquer recebimento de recurso financeiro (por exemplo referente a empresa Via Rio Preto, através dos “termos de quitação”). Neste último aspecto fica claro a intenção de dissimular tais operações de pagamentos, aproveitandose da falta de transparência do método adotado utilizandose exaustivamente a conta “caixa”. Como já foi dito, não foram apenas alguns lançamentos contábeis equivocados, mas sim uma prática reiterada por diversos anos. Não há como negar que o contribuinte sabia muito bem dos fabulosos saldos fictícios criados na conta “caixa”. A “limpeza” da conta “caixa”, mediante a transferência de seus fabulosos saldos fictícios para a conta genérica “imobilizado em andamento”, com todos os Fl. 8487DF CARF MF 62 desdobramento já bastante discutidos, inclusive culminando na redução ou supressão de tributos devidos, configurase de fato ato doloso por parte da direção da empresa, estando configurado nitidamente fraude contábil e fiscal. Resumidamente no presente procedimento fiscal, o contribuinte praticou os seguintes atos, que evidenciam fraudes contábeis/fiscais: 1. dissimulou na contabilidade os pagamentos não identificados ou sem causa, em favor de terceiros (inclusive do diretor Srº Osvaldo, da Srª Rosa e das sócias), contabilizandoos simplesmente como “saques” em contas dos bancos para “alimentar” a conta “caixa”; 2. “inflou” os saldos da conta “caixa” com valores fictícios, conforme item 1 acima; 3. adotou sistemática de contabilização de pagamentos e recebimentos, além da reprodução de movimentação financeira das contas em bancos, na conta “caixa”, com negligência de princípios básicos contábeis que geraram diversas inconsistências de saldos; 4. “criou” um ativo fictício denominado “imobilizado em andamento” com os valores totalmente fictícios, originados dos volumosos saldos excedentes da conta “caixa”; 5. transferiu os valores fictícios do tal “imobilizado em andamento” para diversas contas do ativo (edifícios e construções, instalações industriais, despesas pré operacionais e gastos em imóvel de terceiro); 6. aumentou com valores fictícios o custo contábil do ativo “edifícios e construções” antes da alienação, gerando prejuízo não operacional, para eximirse de pagamento de tributos; 7. se apropriou de despesas indevidas de alugueis e de depreciações das instalações industriais com valores fictícios, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributos; 8. lançou no anocalendário 2010, diversas despesas indedutíveis, ou de períodos decaídos, ou sem observância do regime de competência, como despesas financeiras, além de despesas genéricas a título de impostos, taxas e outras contribuições, com a finalidade de eximirse de pagamento de tributos; 9. efetuou compensações de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, sem observar os limites legais, sem qualquer amparo legal ou judicial, com a finalidade de eximirse de pagamento de tributos (não recolheu estimativas mensais de IRPJ e CSLL e nem ajuste anual do IRPJ e CSLL, sendo esta infração reiterada pelo contribuinte durante os últimos 07 anos !). Já a decisão recorrida assim se manifestou a respeito da questão da responsabilidade solidária: ITEM 04: DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA IMPUTADA ÀS SRAS. CLEUSA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES SHIBATA E LUCY LEICO SHIBATA INOUE. 35. É correto ter as Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue capituladas como responsáveis tributárias solidárias. 36. De fato, a primeira delas admite transgredir o contrato social constitutivo do Contribuinte. Vejase. Como fruto da diligência in loco referida às fls. 391/393 Fl. 8488DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.458 63 (relatório de diligência), tanto a Sra. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata quanto o Sr. Fábio Luís Faria (contador) e o Sr. Elias Correa de Mello (gerente de produção) admitem que a "as decisões e administração dos negócios do frigorífico ficam a cargo do Sr. Osvaldo Teruo Shibata", não sendo menos certo que a Sra. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata, na mesma oportunidade, assumia ter "conhecimento das decisões tomadas (mesmo porque é ela que assina os documentos da empresa)". Ora, tal é uma circunstância que, de saída e sem mais atribuição formal de poder e mando ao Sr. Osvaldo Teruo Shibata, agride o disposto na cláusula III do contrato social em referência, a dizer, que a Sra. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e a Sra. Lucy Leico Shibata Inoue, únicas sócias no empreendimento negocial em questão (atualizado no Contribuinte), seriam as pessoas habilitadas a usar e exercer "a gerência [administração], [...], devendo assinar sempre em conjunto nos negócios que digam respeito aos interesses sociais, sendolhes vetado o uso para fins estranhos tais como endosso de favores, carta de fiança, avais e outros documentos análogos a sociedade [...]" (fls. 56, 60). 37. Além disso, como já foi visto nos ITENS 01 E 02 desse Voto, sem discussão de partes quaisquer, é sob o nome da Sra. Rosa Fernandes Marques (fls. 2344/2814) que são movimentadas contascorrentes que guardam recursos financeiros do Contribuinte (fls. 75, 78, 398, 2815/3103). Falase das contascorrentes 0530182 3/Bradesco, 01005324 3/Santander e 01.0051762/Nossa Caixa, cujo direito de movimentação é entregue ao Sr. Osvaldo Teruo Shibata, conforme instrumento de mandato de fls. 77, 650. Mas ora, como isso de se permitir que uma quarta pessoa (a Sra. Rosa Fernandes Marques) outorgue procuração para um terceiro (o Sr. Osvaldo Teruo Shibata) deter posição de poder e mando absolutos sobre a movimentação financeira do Contribuinte, à margem de autorização formal (na melhor das hipóteses) das duas únicas pessoas habilitadas a usar e exercer a gerência/administração da sociedade vergada pelo Contribuinte? Uma tal circunstância revela, no mínimo, conduta omissiva por parte das Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue que malferem a antes referida cláusula terceira do contrato social constitutivo da pessoa jurídica do Contribuinte. A bem da verdade, se permitido fosse alguma analogia com os institutos do Direito Penal, a conduta da Sra. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata mais se qualificaria como comissiva por omissão, pois tinha o dever de agir (no sentido de gerir/administrar os interesses da sociedade empresária) e, exatamente quando inquirida a propósito, em diligência referida às fls. 391/393, assume ela, preordenadamente, se omitir face a tal obrigação a benefício do Sr. Osvaldo Teruo Shibata (deliberadamente, pois, a Sra. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata deu causa ao resultado desviante da função de gestão/administração da sociedade empresária, como restou demonstrado, nos ITENS 01, 02 E 03 desse Voto, quando do manejo das contas contábeis "caixa", "imobilizado em andamento", "instalações industriais", "despesas préoperacionais", "gastos em imóvel de terceiro" e "edifícios e construções"). 38. Mais ainda e em pior circunstância, idêntica conduta omissiva (sob as hostes das Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue) e atentatória ao disposto na cláusula terceira do contrato social constitutivo da pessoa jurídica do Contribuinte se repete em face das contascorrentes 55204/Bradesco e 5313074/Bradesco. Nelas, como o admite o Interessado (fls. 937, 1078/1079, 1090/1228), são movimentados seus próprios recursos financeiros, não obstante tais contascorrentes sejam titularizadas por um terceiro, o Sr. João Maestre de Menezes, sendo não menos certa a inexistência de qualquer instrumento de mandato por meio do qual se outorgasse ao Contribuinte (ou até mesmo ao sócio factual, o Sr. Osvaldo Teruo Shibata) alguma parcela de disposição sobre o numerário ali manejado. Um completo abandono, por parte das sóciasgerentes, as Sras. Cleusa da Conceição Fl. 8489DF CARF MF 64 Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue, ao azar dos interesses patrimoniais do Contribuinte. 39. E cumpre ainda não esquecer que a Sra. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata, como já visto no ITEM 02 desse Voto, empresta sua assinatura a expediente que retira recursos da pessoa jurídica do Contribuinte e os destina, sem que se especifique qualquer causa negocial para tanto, a benefício de satisfação de débitos decorrentes da atividade rural do Sr. Osvaldo Teruo Shibata, débitos esses formados sobretudo em face de Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME (em menor escala, também se identificou igual situação em face de Agro Maracaí Comércio de Cerais, Granol Indústria, Comércio e Exportação S.A., como consta às fls. 3805, 3808, 3811, 3814). Dúvida não há que tal proceder vai de encontro aos interesses patrimoniais do Contribuinte. 40. Enfim, as Sras. Cleusa da Conceição Rodrigues Shibata e Lucy Leico Shibata Inoue: imediatamente, atuaram por omissão em evidente infração ao contrato social, assim perfazendo um dos núcleos típicos do art. 135, inciso III, do CTN; mediatamente, já tudo considerado, permitiram a profusão de irregularidades fiscal contábeis antes debatidas (manutenção d'um inverídico saldo devedor da conta "caixa", depois transportado para a conta "imobilizado em andamento" e dessa mais uma vez transportado para as contas "instalações industriais", "despesas pré operacionais", "gastos em imóvel de terceiro" e "edifícios e construções", com o que geraramse rubricas de despesas fantasiosas, além da identificação de incontáveis pagamentos sem causa promovidos à custa do patrimônio da pessoa jurídica encabeçada pelo Contribuinte). Disso e mais uma vez, reificam elas com o seu agir/omitir o tipo enunciado no art. 135, inciso III, do CTN, em evidente excesso de poder e infração à lei contábilfiscal. ITEM 05: DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA IMPUTADA À SRA. ROSA FERNANDES MARQUES, POR PESSOA NATURAL E À TESTA DE FIRMA INDIVIDUAL. 41. Também é perfeita a imputação de responsabilidade tributária solidária à Sra. Rosa Fernandes Marques, seja por si, seja quando à frente de firma individual. 42. De fato, a Fiscalização identificou que para além das multicitadas contas correntes bancárias 05301823/Bradesco e 010053243/Santander que, não obstante sob o nome da Sra. Rosa Fernandes Marques, prestavamse a movimentar numerário fruto de mercancia do Contribuinte, existiu/existe ainda a contacorrente bancária 0394.13.000675 0/Santander, também de titularidade daquela Senhora, que recebeu influxos monetário vindos das contascorrentes bancárias 05301823/Bradesco, 01 0053243/Santander, 55204/Bradesco e 5313074/Bradesco (aquelas usadas pelo Contribuinte). A propósito, vide fls. 1652 (saída de R$70.000,00, em 20/06/2012, da contacorrente 010053243/Santander para a contacorrente 0394.13.000675 0/Santander), 6712 (instrumento de mandato outorgado pela Sra. Rosa Fernandes Marques ao Sr. Ovaldo Teruo Shibata, que confere a esse último poderes de representação/administração sobre a contacorrente bancária 0394.13.000675 0/Santander), 6714 (instrumento de mandato outorgado pela Sra. Rosa Fernandes Marques na oportunidade, também titular de firma individual ao Sr. Ovaldo Teruo Shibata, que confere a esse último poderes de representação/administração perante "quaisquer estabelecimentos bancário ou de créditos em geral"). Ora, tal é uma circunstância que minimamente revela o interesse comum despertado na Sra. Rosa Fernandes Marques por sobre o fato gerador que, enfim, vem de ser presentemente identificado e autuado. Reificase o pressuposto do art. 121, inciso I, do CTN. 43. Mas não é só. Fl. 8490DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.459 65 44. Fortemente, a Sra. Rosa Fernandes Marques, por sua firma individual, antes de realizar seus direitos de crédito contra o Contribuinte isso em função de sua atividade de distribuidora atacadista de carnes e derivados de outros animais (fls. 3130/3131) e, nessa qualidade, prestar dito serviço ao Contribuinte os tinha por satisfeitos à graça de Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME. Sob que fundamento? À conta d'uma nomeada cessão de direito de crédito do Contribuinte em face desse último: Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME. compra serviços (abate de aves) do Contribuinte (é seu cliente), portanto lhe deve; mas, ao invés de pagar ao Contribuinte, paga à Sra. Rosa Fernandes Marques, que é, como visto, credora do ainda e mesmo Contribuinte pelos serviços de distribuição que lhe presta. É o que se percebe do resultado de diligência junto a Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME. Vejase (fls. 3778/3779, 4416; destaques do original): Informou ainda [o diligenciado, Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME] que havia pagamentos a terceiros, podendo corresponder a dívidas do Frigorífico Avícola Guarantã assumidas perante terceiros, [...] Dentre alguns desses terceiros beneficiários dos pagamentos, por exemplo, foram encaminhados juntamente com os últimos esclarecimentos, comprovantes de depósitos em favor da Pessoa Física ROSA FERNANDES MARQUES, CPF 271.945.60801 [fl. 3748, depósito de R$ 21.626,31 na contacorrente bancária 0394.13.0006750/Santander], da Pessoa Jurídica ROSA FERNANDES MARQUES, CNPJ 12.570.950/000130, [fls. 3757, 3762, 3781, depósitos de R$ 12.000,00, R$ 21.000,00 na contacorrente bancária 0394.13.000675 0/Santander] [...]. Com a finalidade de esclarecer melhor os fatos, solicitamos: 1) Encaminhar cópias das autorizações de pagamentos emitidos pelo Frigorífico Avícola Guarantã, autorizando a Via Rio Preto Abatedouro a efetuar os pagamentos a terceiros referentes à contratação dos serviços de abate de aves junto ao Frigorífico Avícola Gurantã. [...] [Resposta do diligenciado, Via Rio Preto Abatedouro Ltda. ME] Segue em anexo 12 cópias de transferências bancárias em nome Rosa Fernandes Marques pessoa Jurídica CNPJ 12.570.950/000130. [Às fls. 4419/4420, 4422/4426, seguem referidas cópias de comprovantes de transferências financeiras] 45. Sob a mesma sistemática tanto debatida no ITEM 02 desse voto, está traçada, portanto, a linha demarcatória do interesse comum que traz a Sra. Rosa Fernandes Marques, por si ou por firma, ao pólo passivo da obrigação tributária que ora se constitui em face do Contribuinte. Ela e sua firma individual estão umbilicalmente conectadas à formação dos fatos geradores nascentes sob as hostes do Contribuinte. ITEM 06: DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA IMPUTADA AO SR. OSVALDO TERUO SHIBATA. 46. Como já visto nos itens precedentes, sem instrumento formal bastante, o Sr. Osvaldo Teruo Shibata revelouse como verdadeiro gerente/administrador dos negócios de interesse do Contribuinte. Nessa posição, angariou para si e para outrem porção do patrimônio do Contribuinte, visto que, d'uma mão e por ordem sua, esse último não mais via realizados seus direitos de crédito contra seus próprios clientes Fl. 8491DF CARF MF 66 e, d'outra volta, débitos decorrentes de sua atividade rural (do Sr. Osvaldo Teruo Shibata) e de outros eram extintos com aqueles direitos de crédito, isso tudo sem que se encontrase na contabilidade do Contribuinte o registro d'uma esperada obrigação nascente e a cargo do Sr. Osvaldo Teruo Shibata e outros em face daquele Contribuinte. São pagamentos sem causa e outras mais irregularidades contábil fiscais (como debatido nos ITENS 01, 02 e 03 desse Voto), sob as hostes do Sr. Osvaldo Teruo Shibata, que fizeram inflacionar o saldo devedor da conta "caixa" (1ª ficção), saldo esse transferido para a conta "imobilizado em andamento" (2ª ficção), e então mais uma vez movimentado para as contas "instalações industriais", "despesas préoperacionais", "gastos em imóvel de terceiro" e "edifícios e construções" (3ª ficção), e a gerar, enfim, despesas/custos fantasiosos com depreciação e alugueres, incremento de custo contábil histórico de imóvel alienado (4ª ficção). Disso tudo, restam caracterizadas as hipóteses versadas nos arts. 124, inciso I, 135, inciso III, do CTN. Não há muito a dizer a mais do que já foi exposto, tanto pela Autoridade Fiscal quanto pela DRJ/SPO. Diante do acima reproduzido, as alegações da Recorrente se esvaziam de um todo. Não dá para aceitar a alegação de que o acórdão recorrido "continua a observar suposições vazias e imputação de responsabilidade aos sócios e terceiros, sem, contudo relacionar qualquer ato dessas pessoas com eventual fato gerador que fez nascer a tributária" (sic). Também é risível a assertiva de que, em relação à Autoridade Fiscal, "seu trabalho apresenta acusações infundadas, repleta de presunções, e sem o rigor técnico que o caso reclama". O único ponto passível de ser admitido em todo o recurso voluntário é a responsabilidade solidária da sócia LUCY LEICO SHIBATA INOUE. Digo isso porque não encontro nos autos nenhum documento assinado pela referida sócia que a vincule aos fatos apontados pela Autoridade Fiscal e que restaram caracterizadores de fraude contábil/fiscal. Já em relação à sócia CLEUSA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES SHIBATA, são fartas as evidências de que atuou em conjunto com o Sr. OSVALDO, contribuindo para as fraudes apontadas. Vejam que o nome da Sra. CLEUSA aparece em vários documentos, assinando em conjunto com o Sr. OSVALDO os documentos que dizem respeito aos ditos pagamentos via cessão de créditos. Não creio que a propalada omissão comissiva, conforme apontado pela Fiscalização, seja suficiente para caracterizar a infração ao contrato social. Assim, reputo seja necessário excluir a sócia LUCY LEICO SHIBATA INOUE do rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário. Vimos até o presente que restou patentemente demonstrada a íntima relação de quase todos os apontados responsáveis solidários com a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Sem a participação, em seu conjunto, não teria sido possível a sangria de recursos da Contribuinte, cujo destino foi muito bem assentado pela Autoridade Fiscal como sendo o patrimônio do Sr. OSVALDO SHIBATA, da Sra. ROSA MARQUES e sua empresa individual, bem assim dos familiares das Sras. CLEUSA SHIBATA e LUCY INOUE. Também não teria sido possível, sem a participação do Sr. OSVALDO e da sócia CLEUSA, as fraudes contábeis e fiscais que inflaram artificialmente a conta "caixa" e, subsequentemente, as contas "imobilizado em andamento", "edifícios e construções", "despesas préoperacionais" e "gastos em imóveis de terceiros". Tais constatações não foram obtidas com base em "suposições vazias" , ao contrário, estão alicerçadas em fortes elementos de prova, coligidos em árduo e competente trabalho fiscal. Ainda, cada um dos fatos apontados foi vinculado com Fl. 8492DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.460 67 extrema competência a cada um dos apontados como responsáveis tributários, naquilo que se refere a cada um individualmente. Todas as fraudes observadas na contabilidade, seja para subtrair recursos da empresa para terceiros, seja para gerar despesas fictícias, foram perpetradas de forma absolutamente dolosa, dirigida a um fim específico, qual seja, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, nos exatos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64; acresçase o conluio entre todos os apontados, conforme o disposto no art. 73 do mesmo diploma legal. E a conduta de cada um dos indigitados responsáveis solidários foi perfeitamente delineada, conforme pudemos observar, tanto no Termo de Verificação Fiscal, quanto no Acórdão Recorrido. Assim, reitero, é perfeitamente cabível a imposição e manutenção da aplicação da multa qualificada, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Especificamente em relação à sócia CLEUSA, não procede a alegação de que não teria praticado nenhum ato de gestão e, por isso, não teria qualquer relação com o fato gerador. Sobejam nos autos documentos assinados pela sócia CLEUSA, alguns em conjunto com o próprio Sr. OSVALDO, autorizando as sangrias de recursos da empresa, utilizandose do expediente das cessões de crédito. A gerência e administração da Contribuinte, por força do seu estatuto social, cabia às duas sócias. Admitir que o Sr. OSVALDO fizesse o que fez, durante todos os anos objeto da auditoria, vai, efetivamente, de encontro ao que dispõe a cláusula III do contrato social, abaixo reproduzido: Como bem dito no TVF, formalmente a empresa deveria ser administrada/gerenciada pelas duas sócias, “devendo assinar sempre em conjunto nos negócios que digam respeito aos interesses sociais (...)”. Destaquese, também das referidas cláusulas, que é vedado aos administradores da empresa (no caso, as sócias), "o uso para fins estranhos tais como endosso de favores, carta de fiança, avais e outros documentos análogos a sociedade, ficando responsável individualmente a sócia infratora pelo compromisso contraído fora dos interesses da sociedade”. Entretanto, o que se viu foi que o Srº OSVALDO TERUO SHIBATA, gerindo efetivamente a empresa, atuou com excesso de poder, infração ao contrato social Fl. 8493DF CARF MF 68 (cláusula III), praticando as fraudes já discutidas neste relatório, tudo com a conivência e participação, principalmente, de uma das sócias, a Sra. CLEUSA (não vimos nos autos nenhum documento assinado por LUCY). Da diligência efetuada na empresa no dia 11/09/2013, foi feito o seguinte relato sobre a administração da empresa (o relatório foi encaminhado para ciência e manifestação do contribuinte e encontrase anexo aos autos): Portanto, perfeita a imputação à sócia CLEUSA, não havendo, por parte deste Julgador, nenhum reparo a ser feito em relação ao decidido pela DRJ/SPO, a não ser em relação à manutenção da responsabilidade solidária da Sra LUCY LEICO SHIBATA INOUE. Portanto, considerando tudo o que consta do presente processo, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, tão somente para afastar a responsabilidade solidária da Sra. LUCY LEICO SHIBATA INOUE. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano, Redatora designada Na sessão de julgamento fui designada para redigir o voto vencedor e respectiva ementa exclusivamente com relação à multa isolada. A Recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo a anoscalendário posteriores a 2007, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, b da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Sobre a matéria, tenho me filiado ao posicionamento de longa data adotado pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o que deixou de ser recolhido, ainda que Fl. 8494DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.461 69 a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta (no caso: deixar de recolher IRPJ e/ou CSLL relativo a determinado período de apuração) devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Fl. 8495DF CARF MF 70 Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode Fl. 8496DF CARF MF Processo nº 15868.720176/201462 Acórdão n.º 1401002.117 S1C4T1 Fl. 8.462 71 ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Assim, no caso em questão, as multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 8497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720304/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010
DECADÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS NO 4º TRIMESTRE DE 2008. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado nos autos que não houve inovação ou alteração da fundamentação legal, nem agravamento da exigência no sentido de majoração do quantum devido decorrente da diligência, uma vez que a ciência do resultado da diligência tem o fim de ensejar a garantia do contraditório e ampla defesa quanto ao seu resultado e não a inauguração do termo a quo do prazo decadencial, e constatado que a ciência do lançamento ocorreu em 06/05/2013, não se operou a decadência quanto ao fato gerador mais antigo ocorrido em 30/10/2008.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrado que o auto de infração contém expressa motivação quanto a situação fática arrolada na autuação, torna-se incabível a nulidade arguida.
APRESENTAÇÃO DE LAUDOS TÉCNICOS. PRECLUSÃO.
Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, exceto se demonstrada uma das hipóteses disciplinadas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010
NÃO-CUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO ADMITIDO.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO.
Na apuração do PIS e Cofins não-cumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010
MULTA REGULAMENTAR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa isolada sobre o valor do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento indeferido ou indevido, instituída pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, nos termos dos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, após sucessivas alterações foi revogada expressamente pelo artigo 27, II da Lei nº 13.137, de 2015, aplicando-se aos lançamentos a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a", do CTN.
COMPENSAÇÃO. REGIME JURÍDICO. LEGISLAÇÃO DA DATA DE TRANSMISSÃO DA DCOMP.
É cabível a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Lei nº 12.249, de 2010, sobre o valor do débito nas compensações não homologadas cujas DCOMPS tenham sido transmitidas a partir de 14 de junho de 2010.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010
NÃO-CUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO ADMITIDO.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO.
Na apuração do PIS e Cofins não-cumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento.
Numero da decisão: 3302-004.821
Decisão: RO Negado e RV Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa sobre fretes de bauxita entre as minas e a unidade fabril, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento em maior extensão para reverter a glosa relativa a créditos extemporâneos e os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, José Renato P.de Deus e Lenisa R. Prado que davam provimento em maior extensão para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões em relação à rejeição das preliminares arguidas.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, exceto se demonstrada uma das hipóteses disciplinadas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 NÃO-CUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO ADMITIDO. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins não-cumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 MULTA REGULAMENTAR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada sobre o valor do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento indeferido ou indevido, instituída pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, nos termos dos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, após sucessivas alterações foi revogada expressamente pelo artigo 27, II da Lei nº 13.137, de 2015, aplicando-se aos lançamentos a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a", do CTN. COMPENSAÇÃO. REGIME JURÍDICO. LEGISLAÇÃO DA DATA DE TRANSMISSÃO DA DCOMP. É cabível a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Lei nº 12.249, de 2010, sobre o valor do débito nas compensações não homologadas cujas DCOMPS tenham sido transmitidas a partir de 14 de junho de 2010. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 NÃO-CUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO ADMITIDO. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins não-cumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não-cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento.
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FATOS GERADORES OCORRIDOS NO 4º TRIMESTRE DE 2008. INOCORRÊNCIA. Demonstrado nos autos que não houve inovação ou alteração da fundamentação legal, nem agravamento da exigência no sentido de majoração do quantum devido decorrente da diligência, uma vez que a ciência do resultado da diligência tem o fim de ensejar a garantia do contraditório e ampla defesa quanto ao seu resultado e não a inauguração do termo a quo do prazo decadencial, e constatado que a ciência do lançamento ocorreu em 06/05/2013, não se operou a decadência quanto ao fato gerador mais antigo ocorrido em 30/10/2008. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrado que o auto de infração contém expressa motivação quanto a situação fática arrolada na autuação, tornase incabível a nulidade arguida. APRESENTAÇÃO DE LAUDOS TÉCNICOS. PRECLUSÃO. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, exceto se demonstrada uma das hipóteses disciplinadas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 04 /2 01 2- 67 Fl. 31698DF CARF MF 2 NÃOCUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO ADMITIDO. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRECALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 MULTA REGULAMENTAR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada sobre o valor do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento indeferido ou indevido, instituída pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, nos termos dos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, após sucessivas alterações foi revogada expressamente pelo artigo 27, II da Lei nº 13.137, de 2015, aplicandose aos lançamentos a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a", do CTN. COMPENSAÇÃO. REGIME JURÍDICO. LEGISLAÇÃO DA DATA DE TRANSMISSÃO DA DCOMP. É cabível a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Lei nº 12.249, de 2010, sobre o valor do débito nas Fl. 31699DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.628 3 compensações não homologadas cujas DCOMPS tenham sido transmitidas a partir de 14 de junho de 2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO ADMITIDO. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRECALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento. RO Negado e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 31700DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa sobre fretes de bauxita entre as minas e a unidade fabril, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento em maior extensão para reverter a glosa relativa a créditos extemporâneos e os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, José Renato P.de Deus e Lenisa R. Prado que davam provimento em maior extensão para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões em relação à rejeição das preliminares arguidas. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Impugnação contra três Autos de Infração, lavrados em consequência de análises de Pedidos de Ressarcimento cumulados com Declarações de Compensação (PER/DCOMP) cujos créditos são relativos ao PIS e à Cofins nãocumulativos, nos períodos entre o 4º trimestre de 2008 e o 2º trimestre de 2010. Os processos dos PER/DCOMP, alguns indeferidos totalmente, outros parcialmente, são os seguintes: (...) Dois dos Autos – um para o PIS, outro para a Cofins constituem o crédito tributário de cada uma das Contribuições nos períodos de apuração de 10/2008, 11/2008 e de 07/2009 a 06/2010, por insuficiência de recolhimento decorrente das glosas nos créditos da nãocumulatividade, em aquisições no mercado interno. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), a infração nesses dois lançamentos foi caracterizada assim: 93.Em consonância com o disposto no art. 27, caput, da IN RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, para chegar aos valores passíveis de ressarcimento e/ou compensação, os valores apurados de crédito para o período em questão devem ser inicialmente deduzidos das contribuições apuradas. 94.Acontece que, no caso em tela, em vista do reconhecimento parcial dos créditos alegados durante o período fiscalizado, não Fl. 31701DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.629 5 foi possível realizar a integralidade das deduções pretendidas pelo interessado, de modo que o valor indevidamente deduzido e não declarado em DCTF deve ser constituído por meio de lançamento de ofício com a consequente lavratura de Auto de Infração (AI) acompanhado da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao terceiro lançamento, contempla multas regulamentares isoladas exigidas com base nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluídos (os citados parágrafos, bem como o § 16) pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010 (publicada em 14 de junho de 2010, sendo que a Medida Provisória nº 2009, convertida com modificações nesta Lei, não continha a inclusão dos três parágrafos). Como explicado no TVF, a fiscalização considerou, neste lançamento, apenas 4 (quatro) PER/DCOMP, transmitidos depois de 14 de junho de 2010. Transcrevo a fundamentação posta no TVF: 96. Com o advento da Lei nº 12.249, de 2010, que incluiu os §§ 15 a 17 ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passou a ser devida multa isolada no valor de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, como determina o § 15, abaixo transcrito. “Art. 74 (…) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)” 97. Nos termos do § 17 acima, a referida multa será aplicada também, no mesmo percentual, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. 98. Já nas hipóteses de ressarcimento ou compensação obtidos com falsidade no pedido ou da declaração apresentados pelo sujeito passivo, o percentual da multa isolada será de 100% (cem por cento), como rezam o § 16 e a parte final do § 17 acima transcritos. 99. No caso em tela, os seguintes PER/DCOMP foram transmitidos após a publicação da Lei nº 12.249, de 14 de junho de 2010, e foram objeto de indeferimento ou nãohomologação, sendo, portanto, passíveis de aplicação da multa isolada em epígrafe. Fl. 31702DF CARF MF 6 DCOMP nº: 01005.01441.150610.1.3.095535 Tributo/Período: COFINS 1º trimestre de 2010 Data da Transmissão: 15/06/2010 Processo nº: 12585.000399/201064 Valor Pleiteado: 138.717,48 Valor Deferido: 0,00 Valor da Multa: 138.717,48 DCOMP nº: 14598.17828.180610.1.3.097630 Tributo/Período: COFINS 1º trimestre de 2010 Data da Transmissão: 18/06/2010 Processo nº: 12585.000399/201064 Valor Pleiteado: 1.387.160,93 Valor Deferido: 0,00 Valor da Multa: 1.387.160,93 PER nº: 38940.81331.090810.1.5.096806 Tributo/Período: COFINS 2º trimestre de 2010 Data da Transmissão: 09/08/2010 Processo nº: 12585.000400/201051 Valor Pleiteado: 2.448.491,73 Valor Deferido: 0,00 Valor da Multa: 2.448.491,73 PER nº: 37522.04682.090810.1.1.086074 Tributo/Período: PIS/PASEP 2º trimestre de 2010 Data da Transmissão: 09/08/2010 Processo nº: 12585.000402/201040 Valor Pleiteado: 531.585,47 Valor Deferido: 0,00 Valor da Multa: 531.585,47 O enquadramento legal citado no Auto de Infração para as multas regulamentares é o seguinte: nas duas DCOMP, o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; nos dois PER, o § 15 do mesmo artigo. O percentual aplicado foi o qualificado de 100% (cem por cento), mas depois a fiscalização o reduziu a 50% (cinquenta por cento), conforme a Informação Fiscal elaborada em resposta à diligência determinada pela 16ª Turma da DRJ/RJ1. No Termo de Verificação Fiscal, assinado digitalmente em 30/04/2013, o AuditorFiscal relata que o procedimento fiscal teve origem na análise dos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) e das Declarações de Compensação (DCOMP) vinculadas àqueles (relação no início deste relatório), diz como se desenvolveram os trabalhos, informa que os arquivos digitais apresentados pelo sujeito passivo encontramse em anexo físico vinculado ao processo nº 12585.000379/201174 e trata das regras dos créditos do regime nãocumulativo do PIS e Cofins à luz das Leis nºs 10.637, de 2002, 10.833, de 2003, alteradas pelas Leis nºs 11.033, de 2004, e 11.116, de 2005, consignando ao final do tópico FUNDAMENTAÇÃO o seguinte: 30. Diante do exposto, concluise que as únicas hipóteses legais de utilização do saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou no ressarcimento desses créditos relacionamse às seguintes situações: (a) Créditos vinculados a receitas decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior, nos termos do art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833, de 2003; Fl. 31703DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.630 7 (b) Saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário nos termos do art. 16, inciso II, da Lei nº 11.116, de 2005, em razão do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que assegura a manutenção de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da contribuição para o COFINS. 31.Vale lembrar que, a partir de 09/08/2004, no caso de receitas decorrentes de vendas no mercado interno, somente poderiam ser ressarcidos e/ou compensados os créditos apurados se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições, nos termos do parágrafo único do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Em seguida cuida das glosas nos PER/DCOMP, tudo conforme os tópicos a seguir. DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA: os valores apresentados em DACON pelo interessado foram integralmente aceitos pela fiscalização; DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS: foram desconsiderados os valores apresentados sob CFOPs relativos a fretes (1352 e 2352 Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial) e utilizados os dados da Escrituração Fiscal Digital (EFD) e do Sintegra, tendo a fiscalização esclarecido o seguinte: 37. (...) foi feita a análise dos memoriais de cálculos apresentados pelo interessado, em que se constatou a presença de lançamentos relacionados a despesas de fretes (CFOPs 1352 e 2352 Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial) na rubrica sob análise. Desta forma, o interessado foi intimado em 13/06/2011 a apresentar esclarecimentos acerca dos referidos lançamentos, indicando natureza do frete, origem e destino da carga. 38.O contribuinte não prestou esclarecimentos para os lançamentos em questão, de modo que foi reintimado em 27/09/2011 a apresentar as explanações pendentes, porém, novamente, não justificou os valores questionados, conforme explanado no relatório deste termo. 39.Assim, para compor a base de cálculo dos créditos para a rubrica sob análise e consolidar os valores aceitos por esta Fiscalização, foram desconsiderados os valores apresentados sob CFOPs relativos a fretes e utilizados os valores presentes na EFD, que já não leva em consideração os lançamentos relativos a fretes e permite as reclassificações creditórias de acordo com as operações realizadas. Os valores consolidados encontramse nas planilhas contidas no documento digital “Documentos Diversos Outros Bens Utilizados como Insumos Mercado Interno”. DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fretes internos de insumo): foram desconsiderados os valores Fl. 31704DF CARF MF 8 apresentados sob o fundamento de “fretes internos” (Frete – Bauxita – Fábrica / Mirai / Itamarati / Poços de Caldas) e aceitos os demais valores presentes nos memoriais descritivos. A fiscalização esclarece: 41.A partir da análise dos memoriais de cálculos apresentados pelo interessado, constatouse a presença de lançamentos relacionados a despesas de fretes (Frete – Bauxita – Fábrica / Mirai / Itamarati / Poços de Caldas), de modo que o interessado foi intimado a apresentar esclarecimentos acerca dos referidos lançamentos, indicando natureza do frete, origem e destino da carga. 42.Em resposta, o contribuinte esclareceu que os lançamentos em questão referemse a “transferências de insumos (minérios) das minas para a Fábrica”, em outras palavras, são fretes de insumos necessários ao processo produtivo com origem em estabelecimentos do contribuinte as minas e destino em outro – a fábrica , ou seja, tratase de “fretes internos” à pessoa jurídica. 43.Para realizar o transporte do produto acabado ou em elaboração de uma unidade para outra, quer seja pelos próprios meios ou mediante serviço de terceiro, incorrerá a pessoa jurídica em despesas de transporte, que não se confundem com o custo do produto. Nesse sentido, não há que se falar em insumos para tal atividade, a menos que se trate de empresa do ramo de transporte. É que os insumos se integram ao produto por representarem parcela de seu custo, o que não ocorre com as despesas necessárias à colocação do produto para venda. 44.De um lado, os arts. 3º, inciso IX, e 15, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, dispõem no sentido de que o frete na operação de venda, desde que suportado pelo vendedor, pode ser descontado dos valores da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa. De outro, os insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda podem gerar créditos a serem descontados daquelas contribuições, conforme art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. 45.Tais disposições, entretanto, não agasalham os eventos descritos nos lançamentos do interessado, porquanto distinta a matéria neles tratada. Com efeito, o que pretendeu o legislador foi afastar a incidência indevida da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sobre o valor do “frete na operação de venda”. Genericamente, só se vende produto que esteja em condição de ser vendido, ou seja, acabado. E aperfeiçoase a venda com a transferência da propriedade do produto de uma pessoa jurídica para outra, pela tradição. Não se confunde com “frete na operação de venda” o mero deslocamento de mercadorias de uma unidade para outra, da mesma pessoa jurídica. 46.Também não se deve entender que qualquer movimentação do produto em elaboração configure agregação de insumos para o seu acabamento. Considerase insumo aquilo que, por sua Fl. 31705DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.631 9 natureza, agrega ao produto ou serviço em composição de seu custo, formando com ele um todo harmônico e indivisível. Isso em nada se assemelha aos gastos com o transporte do produto, ainda que em elaboração, de uma unidade para outra. 47.Assim, para compor a base de cálculo dos créditos para a rubrica sob análise e consolidar os valores aceitos por esta Fiscalização, foram desconsiderados os valores apresentados sob o fundamento de “fretes internos” (Frete –Bauxita – Fábrica / Mirai / Itamarati / Poços de Caldas) e aceitos os demais valores presentes nos memoriais descritivos. Os valores consolidados encontramse na planilha contida no documento digital “Documentos Diversos Outros Serviços Utilizados como Insumos”. DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS IMPORTAÇÃO: os valores apresentados em DACON foram integralmente aceitos pela fiscalização; DAS DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: foram admitidos pela fiscalização apenas os valores pela aquisição de energia elétrica, sendo glosados os encargos por uso dos sistemas de transmissão e de distribuição. Nesta rubrica também foram retirados da base de cálculo dos créditos os valores correspondentes ao ICMS por Substituição Tributária (ICMSST) destacados nas notas fiscais nº 565, 580, 597, 15, 44, 139, 210, 262, 313 e 371, emitidas por BAESA ENERGÉTICA BARRA GRANDE S/A; os valores para os quais não houve comprovação documental (conforme a planilha “NOTAS FISCAIS DE ENERGIA ELÉTRICA NÃO APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE”); e, no mês de dezembro de 2009, R$ 5.434.386,06 (somas dos valores R$ 729.003,03 e R$ 4.705.383,03, como informado na planilha “INTIMAÇÃO FISCAL MPFD Nº. 08.1.80.00201100023 9 DEZEMBRO/2009”). DAS DESPESAS DE CONTRAPRESTAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL: os valores apresentados em DACON foram integralmente aceitos pela fiscalização; DOS CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO: os valores apresentados em DACON foram integralmente aceitos pela fiscalização; DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS: As notas fiscais selecionadas foram requeridas em intimação e apresentadas a contento pelo sujeito passivo (...), com exceção das notas fiscais nº 37186, 9892, 23179 e 1111, não encontradas pelo contribuinte. Como se encontravam de acordo com o contido na EFD, a escrituração foi referendada como representação das devoluções de vendas do interessado. Assim, foi considerada a integralidade dos valores presentes na EFD referentes a operações de devoluções de vendas, levandose em consideração as exclusões pertinentes, de acordo com o tópico “DA Fl. 31706DF CARF MF 10 RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS”; DOS AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS (créditos extemporâneos): foram glosados os valores informados na rubrica Ajustes Positivos de Créditos (campo 22) por corresponderem a créditos aproveitados em trimestres posteriores, sem retificação do DACON. A fiscalização, reportandose ao art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, ao art. 28, § 2º, I, da IN RFB nº 900, de 2008, e ao art. 10, caput e §§ 1º e 5º da IN RFB nº 1.015, de 2010, interpreta que “alteração das informações prestadas em DACON, o que engloba a apuração de créditos extemporâneos (§ 1º), deve ser efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador e não com a simples escrituração em demonstrativo posterior, como pretende o interessado. Ademais, fazse necessária a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) correspondente ao período em questão, como reza o § 5º do art. 10 da IN RFB nº 1.015, de 2010.” Também ressalta que a apropriação de créditos extemporâneos se sujeita à restrição temporal de cinco anos estatuída no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 1932; DOS AJUSTES NEGATIVOS DE CRÉDITOS: glosados valores sob o título Ajustes Negativos de Créditos, referentes a notas fiscais de compras devolvidas, de acordo com a análise das notas fiscais contidas na EFD; DA RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS: nos valores das rubricas BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS, DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA e DEVOLUÇÕES DE VENDAS, as bases de cálculo foram recompostas para excluir o IPI, por ser recuperável para a pessoa jurídica, nos termos do inciso I do §3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, bem como o ICMS Substituição Tributária, este por não compor o preço da mercadoria, mas apenas ser somado do valor da nota fiscal; DOS ÍNDICES DE RATEIO ENTRE OS CRÉDITOS: os índices utilizados pelo contribuinte para segregação de seus créditos (entre os vinculados a receitas obtidas no mercado interno daqueles vinculados a receitas com exportações) foram aceitos pela fiscalização, que os verificou analisando o volume de exportações do registradas na base de dados da Receita Federal do Brasil – DW Aduaneiro. DOS DEMAIS VALORES: os demais valores informados pelo contribuinte e não mencionados no TVF foram aceitos pela fiscalização. Os montantes das glosas estão resumidos na PLANILHA GERAL DE CRÉDITOS, onde a fiscalização discrimina, por mês e para cada uma das duas Contribuições, os valores das bases dos créditos, separando por linhas as suas diversas espécies Após ciência do auto de infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls.4.410/4.664. Prossegue o relatório da decisão de piso: Fl. 31707DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.632 11 Em 25 de setembro de 2013 a 16ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I determinou diligência por meio de Resolução, visando às seguintes providências: 1. Anexar cópia dos memoriais de cálculo apresentados pelo sujeito passivo no curso da diligência fiscal, a partir dos quais foram efetuadas as glosas em questão; 2. Relativamente ao item “Bens Utilizados como Insumos”, anexar planilha relacionando as notas fiscais vinculadas às despesas glosadas, informando nº, valor, data e prestador do serviço, totalizando mensalmente; 3. Relativamente ao item “Serviços Utilizados como Insumos”, anexar planilha relacionando as notas fiscais vinculadas às despesas glosadas, informando nº, valor, data e prestador do serviço, totalizando mensalmente; 4. Relativamente ao item “Despesas com Energia Elétrica”, anexar planilha relacionando as notas fiscais vinculadas às despesas glosadas, informando nº, valor, data e prestador do serviço, totalizando mensalmente. Anexar, também, cópia das planilhas apresentadas pelo contribuinte no curso da diligência fiscal (anexo físico ao processo nº 12585.000379/201174), nas quais consta a demonstração das despesas com energia elétrica (fornecimento e encargos); 5. Relativamente ao item “Devoluções de Vendas”, anexar planilha relacionando as notas fiscais que compõem o demonstrativo de fls. 3.782/3.783, totalizando mensalmente, esclarecendo se a razão da diferença entre a base de cálculo dos créditos apurada pela Fiscalização (Coluna ABC) e aquela apurada pelo contribuinte é unicamente a exclusão do valor do IPI e do ICMSST; 6. Relativamente ao item “Recomposição da Base de Cálculo dos Créditos”, informar se a recomposição da base de cálculo dos créditos relativos a “Bens Utilizados como Insumos” e “Devoluções de Vendas”, por meio da exclusão do IPI e do ICMSST, se deu em relação à totalidade das notas fiscais consideradas. Em caso negativo, relacionar as notas fiscais em relação às quais o contribuinte havia incluído aqueles impostos na apuração dos créditos, totalizando mensalmente; 7. Esclarecer se dentre as glosas efetuadas foram incluídas despesas relacionadas à manutenção, análises laboratoriais ou outras, além de fretes na venda e na aquisição de insumos, conforme alega o contribuinte; 8. Dar ciência ao contribuinte do resultado da presente diligência, para que, se assim desejar, aditar a impugnação apresentada, relativamente a tal resultado, no prazo de trinta dias da ciência; O resultado da diligência consta de Informação Fiscal assinada em 16/01/2014, onde o AuditorFiscal reitera sua Fl. 31708DF CARF MF 12 interpretação em relação às glosas, pedindo sejam mantidas, informa das providências adotadas tendo em vista a solicitação daquela DRJ, incluindo a gravação, em DVD, de arquivos pdf e esclarece, em relação aos itens 6 e 7 da Resolução, acima transcritos, o seguinte: (grifei). A exclusão do IPI recuperável e do ICMS por substituição se deu apenas nas operações de Bens Utilizados como Insumos e Devoluções de Vendas em que o contribuinte efetivamente escriturou os referidos impostos na EFD e nos arquivos Sintegra. (...)Em serviços utilizados como insumos, foram glosadas exclusivamente as operações que, segundo a descrição apresentada pelo sujeito passivo em suas memórias de cálculo, referiamse a despesas com fretes internos à pessoa jurídica, de descrição Frete – Bauxita, Frete – Fábrica, Frete – Mirai, Frete – Itamarati e Frete Poços de Caldas, diferentemente do que alega o sujeito passivo, de que há operações relativas à manutenção, análises laboratoriais, etc. As glosas efetuadas são exclusivamente aquelas mencionadas no Termo de Verificação e esclarecidas por meio do presente Termo de Informação Fiscal e, portanto, não incluem as rubricas supramencionadas. Na referida Informação Fiscal também há retificação das multas isoladas. Esclarece a autoridade fiscal que foi aplicado o percentual de 100% (cem por cento), próprio da penalidade qualificada, por erro no preenchimento do software do lançamento. Por isso, e por não ter sido identificada “conduta ilícita por parte do contribuinte que importe na aplicação da multa isolada com a qualificadora prevista no § 16 e no fim do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996”, apresenta nova memória de cálculo, reduzindo o percentual para 50% (cinqüenta por cento), este o apropriado à penalidade sem qualificação. Pronunciandose sobre a Informação Fiscal o contribuinte apresenta Impugnação Complementar datada de 14/02/2014, reiterando os argumentos da Impugnação inicial e solicitando que sejam analisados em conjunto com os apresentados depois da diligência. No item 2.1 da Impugnação Complementar trata da preliminar de nulidade dos lançamentos, afirmando ter tido o seu direito de defesa “sensivelmente prejudicado pela inexistência dos demonstrativos de cálculo elaborados pela fiscalização”, tanto assim que a 16ª Turma da DRJ/RJ1 determinou a diligência. E continua: Pois bem. Após a baixa dos autos para realização da diligência, inúmeras planilhas e documentos foram trazidos ao presente processo pela fiscalização, conforme se observa pela Informação Fiscal, havendo, assim, a “complementação” dos autos de infração originários do presente processo. Contudo, ressaltase que a apresentação extemporânea de tais informações apenas reforça a alegação da impugnante de que os Fl. 31709DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.633 13 autos de infração padeciam de vício insanável de motivação, tendo em vista a ausência na juntada das provas necessárias para embasar os atos administrativos realizados. O referido vício afeta o ato administrativo em sua origem, tornandoo nulo, impedindo eventual tentativa de sua convalidação. Nem se alegue que eventual complementação posterior de um ato administrativo que nasceu nulo, tal como é o caso dos mencionados autos de infração, teria o condão de convalidar aquele ato praticado. Reportandose ao art. 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal, aos arts. 2º, parágrafo único, VII, 50 e 53 da Lei nº 9.784, de 1999, aos arts. 9º e 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, à doutrina e à jurisprudência do CARF e do Primeiro Conselho de Contribuintes, argúi ausência de motivação e afirma que resta “evidente” a nulidade das autuações. Antes, no item 1, destaca ter contratado a elaboração de um laudo, por empresa de auditoria independente, a fim de comprovar a apuração dos créditos informados no DACON, o qual se encontra em fase final de elaboração, e que nele restará demonstrado que eventuais divergências são mínimas e se anulam ao final de cada período. Protesta, por isso, pela juntada posterior do referido laudo, mencionando o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Argúi que se não admitida a nulidade deve ser decretada a decadência em relação aos fatos geradores do 4º trimestre de 2008, invocando o art. 150, § 4º do CTN e jurisprudência administrativa No mérito, se reporta a tudo o que foi dito na Impugnação inicial, com acréscimos de novos acórdãos do CARF tratando da nãocumulatividade do PIS e Cofins. No item 3.1.b, sob o título “outros insumos glosados pela fiscalização operações de industrialização por encomenda”, introduz alegação ausente da Impugnação inicial, afirmando que “verificouse, também, a glosa de créditos relativos à rubrica ‘bens utilizados como insumos’ de valores referentes à despesas com operações de industrialização por encomenda (classificadas no CFOP 1124, 1125, 6125 e 5124)” e defendendo o direito ao crédito nessa hipótese. Ao final da Manifestação de Impugnação Complementar, oposta ao resultado da diligência, requer: a nulidade dos lançamentos ou, em caso contrário, a decadência dos fatos geradores relativos ao ano de 2008 ou, ainda, a reforma com o reconhecimento do direito creditório e consequente cancelamento das autuações; se não atendidos os pedidos anteriores, o afastamento de juros e multas, incluindo as isoladas, que se não canceladas devem se reduzidas ao percentual de 50% em virtude do equívoco reconhecido pela fiscalização; Fl. 31710DF CARF MF 14 caso mantidas as exigências, requer seja afastas a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício; a produção de provas, especialmente por meio de perícia e juntada de documentos, bem como a juntada futura de laudo em fase de elaboração por empresa de auditoria independente; e a reunião deste processo com os 15 (quinze) processos de PER/DCOMP acima citados (inclui o presente), para julgamento conjunto, como já requerido na Impugnação inicial. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. IN SRF 404, DE 2004. Nos termos do art. 8º, § 4º, I, da Instrução Normativa SRF nº 404, para fins da nãocumulatividade do PIS e Cofins são insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. NÃOCUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Despesas com fretes entre estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica não geram créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda nem se referirem à operação de venda (aplicação da Solução Cosit 26, de 2014). NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE DEDUÇÃO DOS DÉBITOS ANTES. Fl. 31711DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.634 15 Os créditos apurados no sistema da nãocumulatividade do PIS e Cofins devem ser utilizados, inicialmente, na dedução dos débitos de cada uma dessas duas Contribuições no próprio período de apuração, sendo autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor remanescente com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal, vencidos ou vincendos, após o encerramento de cada trimestrecalendário. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. Cada pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS e Cofins nãocumulativos deve se referir a único trimestre, correspondente ao de apuração dos créditos, nos termos da IN SRF 600, de 2005, e seguintes, de modo que para ressarcimento e compensação de créditos extemporâneos deve ser retificado o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) do trimestre de apuração. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento. RECOLHIMENTO A MENOR. INFRAÇÃO NÃO DOLOSA. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. IRRELEVÂNCIA DA BOAFÉ A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, sendo irrelevante a boa fé do contribuinte por não se tratar de infração dolosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. IN SRF 404, DE 2004. Nos termos do art. 8º, § 4º, I, da Instrução Normativa SRF nº 404, para fins da nãocumulatividade do PIS e Cofins são insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 31712DF CARF MF 16 produto em fabricação, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. NÃOCUMULATIVIDADE. TRANSPORTE DE MINÉRIO ENTRE MINAS E FÁBRICA. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Despesas com fretes entre estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica não geram créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda nem se referirem à operação de venda (aplicação da Solução Cosit 26, de 2014). NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE DEDUÇÃO DOS DÉBITOS ANTES. Os créditos apurados no sistema da nãocumulatividade do PIS e Cofins devem ser utilizados, inicialmente, na dedução dos débitos de cada uma dessas duas Contribuições no próprio período de apuração, sendo autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor remanescente com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal, vencidos ou vincendos, após o encerramento de cada trimestrecalendário. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. Cada pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS e Cofins nãocumulativos deve se referir a único trimestre, correspondente ao de apuração dos créditos, nos termos da IN SRF 600, de 2005, e seguintes, de modo que para ressarcimento e compensação de créditos extemporâneos deve ser retificado o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) do trimestre de apuração. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não Fl. 31713DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.635 17 declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento e juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência aplicável à hipótese de insuficiência de recolhimento. RECOLHIMENTO A MENOR. INFRAÇÃO NÃO DOLOSA. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. IRRELEVÂNCIA DA BOAFÉ A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, sendo irrelevante a boa fé do contribuinte por não se tratar de infração dolosa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/06/2010, 18/06/2010, 09/08/2010 MULTA REGULAMENTAR. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada sobre o valor do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento indeferido ou indevido, instituída pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, que incluiu os §§ 15 e 16 no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, foi revogada pelo art. 56, I, da Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, que se aplica aos lançamentos anteriores, cancelados, em virtude da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "a", do CTN. COMPENSAÇÃO. REGIME JURÍDICO. LEGISLAÇÃO DA DATA DE TRANSMISSÃO DA DCOMP. O regime jurídico da compensação é o da data de utilização do direito creditório, e não o de nascimento desse direito, pelo que a multa regulamentar sobre o valor do débito com compensação não homologada, prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Lei nº 12.249, de 2010, é aplicável levandose em conta as Declarações de Compensações transmitidas a partir de 14 de junho de 2010, quando publicada esta Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. ADITAMENTO NA OPOSIÇÃO A DILIGÊNCIA DETERMINADA PELA DRJ. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação de alegação ausente da Impugnação, quando não constitui matéria de ordem pública e por isso não é conhecida de ofício. Aditada somente por ocasião de pronunciamento oposto ao resultado de diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fl. 31714DF CARF MF 18 Julgamento, apresentase preclusa por extrapolar os limites da lide definida na Impugnação. PRODUÇÃO DE PROVAS DEPOIS DA IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA O ATRASO. PRECLUSÃO. Em consonância com os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 não se admite a apresentação tardia de laudo de auditoria independente, que quando da realização de diligência determinada pela DRJ ainda se apresentava em elaboração e não tem justificativa para o atraso. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. NÃO SUBMISSÃO À PRECLUSÃO TEMPORAL. Decadência constitui matéria de ordem pública a ser conhecida de ofício independentemente de alegação, pelo que pode levantada tardiamente sem submissão à preclusão temporal. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato. ALEGAÇÃO GENÉRICA. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. Tratandose de supostos erros cometidos pela fiscalização o ônus de apontálos com clareza é do contribuinte, pelo que não se acolhe alegação genérica, desacompanhada de provas, de que teriam sido desprezados créditos da nãocumulatividade do PIS e Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 24/04/2015 (sextafeira), conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 5.672, apresenta em 26/05/2015 (terçafeira), fls. 5.675/5.823, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Inicialmente recompõe os fatos, repisando as matérias arguidas em sede de primeira instância, destacando: a) que o acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, reconhecendo apenas o direito da recorrente quanto aos créditos apurados sobre os encargos de energia elétrica, cancelando as exigências das multas isoladas sobre os pedidos de ressarcimento indeferidos e reconhecendo a ausência da conduta qualificadora das multas Fl. 31715DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.636 19 isoladas, aplicadas sobre os pedidos de compensação não deferidos, mantendo a imposição essa penalidade em seu patamar ordinário, à alíquota de 50%. b) que deve ser cancelado também em relação ao restante dos créditos a que faz jus a recorrente, fato que impõe, consequentemente, a extinção de todas as multas exigidas e o reconhecimento das compensações realizadas com base nele, em virtude de que seus fundamentos não encontram esteio no ordenamento, nem tampouco no seio da jurisprudência administrativa, nos seguintes termos, em apertada síntese: A nulidade do trabalho fiscal decorrente de investigação insuficiente dos fatos que ensejaram as glosas realizadas. Argui que o lançamento possui um vício insanável de motivação acarretando prejuizo à defesa, tanto é que a DRJ entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que a fiscalização apresentasse justamente as memórias de cálculo e planilhas de todos os créditos glosados. Esta circunstância, por si só, deveria ter sido suficiente para atestar o insanável vício de motivação que inquinou, desde o início, o trabalho fiscal. Decadência quanto aos créditos referentes ao 4° trimestre de 2008 Argui a Recorrente: Ainda que se ultrapasse a nulidade acima apontada o que se admite apenas em caráter argumentativo dela decorre outra questão prejudicial, abordada pela ora recorrente em sua impugnação complementar, apresentada em resposta à Informação Fiscal decorrente da determinação de realização de diligência nestes autos. É que a diligência realizada nestes autos foi determinada claramente com o objetivo de sanar a precariedade das informações sobre as quais a fiscalização baseou as glosas. Nessa ordem de ideias, a recorrente demonstrou, em sua impugnação complementar, que a complementação das autuações, tal como realizada, implica a ocorrência de um novo lançamento, conforme o parágrafo 3o, do art. 18, do Decreto n. 70235, segundo o qual havendo inovação do auto de infração originário deve ser lavrado um novo auto de infração ou deve ser emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose o prazo de impugnação. E em virtude desse novo lançamento, tendo em vista que a intimação da Informação Fiscal que houve por bem sanar os vícios constantes autos de infração impugnados ocorreu em 16.1.2014, eventuais diferenças relativas à Contribuição ao PIS e à COFINS referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2008 já foram atingidos pela decadência. E o parágrafo único do art. 149 do CTN é claro em autorizar a revisão do lançamento apenas enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 31716DF CARF MF 20 Ocorre que a decisão a quo não acatou a alegação de decadência, referente ao 4o trimestre de 2008, por entender que "a diligência não produziu qualquer revisão dos lançamentos, tampouco os complementou" e que "apenas foram anexados aos autos demonstrativos que a 16a Turma da DRJ/RJ1 solicitou, bem como prestados os esclarecimentos requeridos nos itens 5 a 7 do voto da Resolução pela diligência". Ora, os demonstrativos trazidos extemporaneamente pela fiscalização que, no entendimento exarado no acórdão n. 11 48840, nada acrescentaram aos lançamentos, nem tampouco os complementaram, foram "apenas" planilhas relacionando "as notas fiscais vinculadas às despesas glosadas, informando n°, valor, data e prestador do serviço, totalizando mensalmente" em relação aos itens "Bens Utilizados como Insumos", "Serviços Utilizados como Insumos" e "Despesas com Energia Elétrica", do auto de infração, (itens 2, 3 e 4 do voto que determinou a diligência). Já os esclarecimentos requeridos nos itens 5 a 7 do voto que determinou a realização da diligência, referemse "apenas" ao seguinte: (...) Ora, como é possível que uma diligência que peça para as autoridades fiscais a identificação praticamente de todas as glosas por realizadas, simplesmente porque nos autos de infração estavam ausentes quaisquer elementos materiais acerca da maioria das glosas, como nos casos dos itens 2, 3, 4 e 5; e gue peça esclarecimentos guanto à abrangência das glosas realizadas (item 6) e até sobre a natureza de determinadas despesas e mesmo se elas compõem ou não as glosas (item 7); como é possível, repitase, que uma diligência com essa finalidade nada tenha acrescentado ou complementado o auto de infração original? Como é possível gue não tenha havido vício de motivação? Faltava, simplesmente, todo o arcabouço material das questões que envolviam prova e não estavam afetas a alegações exclusivamente de direito, como é o caso dos ajustes positivos em decorrência de apropriação de créditos extemporâneos e das penalidades impostas. Vai daí que, por ser inquestionável que os presentes autos de infração não possuíam todos os elementos necessários para formação do ato administrativo (em especial, careciam de motivação), e que a constituição de tais créditos somente ocorreu no momento em que a recorrente teve acesso às informações de forma completa, há que se concluir que o termo final do prazo decadencial somente se deu com a ciência da recorrente dos atos realizados pela fiscalização, devidamente motivados, após terem sido sanadas eventuais incorreções ou omissões, o que ocorreu em 16.1.2014. caracterizandose a decadência em relação às glosas referentes ao 4o trimestre de 2008, por aplicação conjunta do disposto nos art. 18, parágrafo 3o, c/c art. 59 do Decreto n. 70235/72, com o parágrafo único do art. 149 do CTN. Fl. 31717DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.637 21 Neste sentido já se posicionou o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se observa pela ementa do acórdão n. 10614542, de 13.4.2005, transcrita, pela recorrente, em sua impugnação complementar. De modo que, caso se ultrapasse a nulidade por vício de motivação o que, face ao aqui demonstrado, admitese apenas em homenagem ao princípio da eventualidade Fl. 5685 deve, no mínimo, ser reconhecida a decadência quanto às glosas referentes ao 4o trimestre de 2008. 3. Do Direito Pontua que as glosas fiscais tomaram por fundamentação o entendimento excessivamente restrito, e no mais das vezes simplesmente literal, que o fisco federal emprega na interpretação das hipóteses de crédito da contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativas ultrapassado pela própria jurisprudência administrativa e em seguida passa a discorrer especificamente sobre as glosas que pretende reverter. Bens e Serviços utilizados como insumos Nesse item discorre sobre os quatro tipos de despesas com frete, todas hipóteses de crédito autorizadas pela legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, destacando que a Informação Fiscal deixa expresso que a glosa dos valores registrados sob as rubricas "bens utilizados como insumos" e "serviços utilizados como insumos" referemse, tão somente, a fretes contratados que não se referem especificamente ao frete de venda, isto é, que não estejam enquadrados no inciso IX, do art. 3o da Lei nº 10.833, aplicável igualmente à Contribuição ao PIS por força do disposto no inciso II do art. 15 do referido diploma legal. Ressalta que em assim sendo, impõese o cancelamento de todas as glosas feitas pela fiscalização com base tão somente no pressuposto de que os gastos com transporte de fl. 5.690 matériasprimas não se enquadram nem na hipótese de crédito sobre insumos, nem da previsão de crédito sobre o frete, supostamente limitado às operações de venda direta aos adquirentes. Em primeiro lugar, repisese que a recorrente arcou com o ônus do frete relativo ao transporte de matériasprimas e outros insumos, sendo pacífico que tais valores integramse ao custo dos referidos insumos, gerando direito ao crédito. No caso da recorrente, a bauxita é matériaprima essencial para o processo de produção do alumínio ao qual se dedica. Ora, o serviço de transporte de bens entre os estabelecimentos industriais e unidades de produção da pessoa jurídica, quando o produto ainda está em fase de industrialização, constitui custo de produção, na medida em que esse deslocamento se revela necessário à concretização do processo produtivo e, por esta razão, enquadramse no conceito legal de insumo. O mesmo se diga quanto ao transporte de matériasprimas adquiridas de terceiros para serem usados como insumos.(grifei) O próprio Sr. AFRFB, relator do voto vencedor no acórdão aqui recorrido, reconhece o direito de crédito da recorrente e só não Fl. 31718DF CARF MF 22 reverteu essas glosas por estar vinculado ao entendimento equivocado da RFB sobre o conceito de "insumo". Seja como for, a jurisprudência dominante do CARF entende que em tal hipótese de crédito, o valor dos fretes de matériasprimas compõe o custo do insumo adquirido, estando, portanto, abarcada pelo inciso II do art. 3o das Leis n. 10637 e 10833. Exemplo desse entendimento pode ser visto no acórdão n. 3403 02718, de 29.1.2014, em que assim se manifestou acerca das hipóteses de crédito sobre frete, cujo trecho a seguir transcrito a recorrente colaciona a título exemplificativo: Despesas com energia elétrica Em relação a esse item da autuação, o acórdão 1148840 admitiu os créditos referentes a todos os encargos pelo uso dos sistemas de distribuição e transmissão de energia elétrica, por entender que integram o custo da energia elétrica, enquadrando se na previsão do inciso III, do art. 3o, das Leis n. 10637 e 10833. No entanto, quanto a este item da autuação, em que pese o acórdão ora recorrido ter reconhecido a maior parte do crédito pleiteado pela recorrente, manteve ainda as seguintes glosas: (i)dos valores não comprovados com a apresentação das correspondentes notas fiscais; (ii)dos valores referentes ao ICMSST, constante nas dez Notas Fiscais emitidas por BAESA ENERGÉTICA BARRA GRANDE S/A (n°s 565,580, 597, 15, 44, 139, 210, 262, 313 e 371), relativas aos meses de outubro de 2008 a julho de 2009; e (iii)"no mês de dezembro de 2009, R$ 5.434.386,06, resultado da soma de duas glosas: 'ESTORNO PIS S/ARREND. MACHADINHO', base de cálculo dos créditos no valor de R$ 729.003,03, e lançamento "PIS/COFINS | 5300168265 \ PIS S/ ARREND. MACHADINHO", base de cálculo no valor de R$ 4.705.383,03, este desconsiderado pela fiscalização por não se referir à aquisição de energia elétrica e em função de a documentação apresentada pelo interessado ter se limitado a correios eletrônicos enviados entre o contribuinte e o grupo MAESA, conforme se depreende do arquivo de NOTAS FISCAIS Anexo 5 (ver planilha INTIMAÇÃO FISCAL MPFD N°. 08.1.80.002011000239, DEZEMBRO/2009, e no Anexo 5 dessa Intimação, alinha correspondente ao documento n° 5300168265, data da Nota Fiscal 31.12.2009)". Ocorre que, em relação ao item (iii) acima, parece ter ocorrido algum equívoco. Isto porque, uma breve consulta ao TVF que instruiu os presentes autos, no item em que se analisam os valores de créditos tomados, pela recorrente, sobre despesas de contraprestações de arrendamento mercantil (itens 63 e 64), podese ler o seguinte: "63.Após análise da composição dos créditos informados para a rubrica em questão, foram selecionados para comprovação documental, devido à sua relevância, os lançamentos com a Fl. 31719DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.638 23 descrição "Arrendamento Machadinho". Os valores em questão se referem à construção da Usina Hidrelétrica Machadinho. como esclarece o interessado. 64. Para tanto, o contribuinte foi intimado a apresentar o respectivo contrato de arrendamento mercantil acompanhado das faturas e comprovantes de pagamentos relacionados ao contrato. A documentação requerida foi apresentada a contento, de modo que os valores informados em DACON foram integralmente aceitos por esta Fiscalização". (destaques da recorrente) Enganouse a DRJ, ao analisar este item, incluindoo na glosa atinente às despesas com energia elétrica. Até porque o Mandado de Procedimento Fiscal que instruiu estes autos de infração recebeu o número MPF n. 08.1.90.002012027242, e não o número de MPF mencionado pelo acórdão n. 1148840, no trecho acima transcrito. Ocorre que, como tais valores foram considerados pela DRJ, quando da recomposição do direito creditório decorrente do reconhecimento do direito ao crédito com os encargos de energia elétrica, deve ser reformada esta parte específica do acórdão n. 1148840, a fim de que o direito creditório deferido não seja diminuído por valores que a própria fiscalização já havia reconhecido como de direito da recorrente. Ajustes positivos de créditos o acórdão recorrido manteve o entendimento da fiscalização de que para que haja apropriação de créditos extemporâneos, deve o contribuinte retificar o seu DACON e DCTF do período. Segundo o entendimento manifestado pela decisão a quo, após a edição da IN SRF n. 600, de 28.12.2005, passou a ser obrigatória a utilização de pedido específico de ressarcimento para cada trimestre, o que impõe a retificação do DACON para que seja autorizado o aproveitamento extemporâneo dos créditos de PIS e COFINS, mas que "antes desta Instrução Normativa diversos trimestres podiam ser acumulados num único pedido". E como as glosas em tela foram realizadas posteriormente à edição da IN SRF n. 600, era imperativa a retificação do DACON para que a requerente pudesse aproveitar seus créditos extemporâneos. ...por via transversa, a fundamentação do acórdão n. 1148840 é um reconhecimento expresso do quanto alegou a recorrente em sua defesa. Isto porque, além de demonstrar que o aproveitamento extemporâneo dos créditos de PIS e COFINS é corolário do princípio da legalidade, a recorrente apontou que não há nenhum dispositivo legal impedindo que o crédito não apropriado num determinado mês, deixe de sêlo em meses subsequentes. Muito pelo contrário: o artigo 3o, parágrafo 4o, da Lei n. 10637/02 Fl. 5694 (assim como da Lei n. 10833/03) é Fl. 31720DF CARF MF 24 categórico ao afirmar que "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Mas, não só. A recorrente também consignou que, além de não haver qualquer impedimento ao aproveitamento extemporâneo dos créditos, igualmente não há qualquer dispositivo de lei que imponha o procedimento de retificação do DACON e da DCTF para franquear o direito aos créditos extemporâneos.(grifei) Nem mesmo a instrução normativa que regula o DACON (atualmente, Instrução Normativa da RFB n. 1015, de 5.3.2010) condiciona o aproveitamento de créditos extemporâneos à prévia retificação de declarações. Na verdade, esta norma fazendária autoriza a retificação do DACON e da DCTF para fins de alteração do valor dos créditos, mas, em momento algum, trata de créditos extemporâneos7. (...) O que os diplomas exigem é que cada pedido de ressarcimento refirase a um único trimestrecalendario, o que é completamente distinto da afirmação feita no acórdão recorrido de que dessas regras deflui a exigência de retificação prévia do DACON e da DCTF dos contribuintes. Quer dizer, além de não constar em texto de lei, a exigência posta pelas autoridades fiscais, confirmada pela decisão a quo é fruto de interpretação equivocada de normas de status infralegal, que sequer teriam competência para impor uma condição restritiva de direitos, sem base em lei. Ademais, exigir a retificação prévia de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infra legais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à apropriação dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, em detrimento do princípio da legalidade, que norteia a apuração desta contribuição, e também do alcance do interesse público. Ademais, a jurisprudência dominante no CARF também comunga com o entendimento adotado pela recorrente, conforme ilustra a ementa do acórdão n. 3202001456, de 28.1.2015. Confirase: Outros insumos glosados pela fiscalização: gastos com manutenção, análises laboratoriais e operações de industrialização por encomenda. Estes dois itens comungam a circunstância de revelarem a pobreza e a precariedade, aqui já apontada, dos trabalhos fiscais. Com efeito, haja vista que o teor da maioria das acusações fiscais só pôde ser minimamente compreendido após a recorrente tomar conhecimento dos novos documentos e planilhas elaborados durante a diligência, Fl. 5697 antes que esta fosse determinada a recorrente teve que supor o teor de muitas glosas. E apenas após ser intimada quanto ao seu resultado, é que a recorrente identificou as operações de industrialização por encomenda, classificadas nos CFOPs acima listados. Fl. 31721DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.639 25 Igualmente, após ser intimada do resultado da diligência determinada nestes autos, pela análise das planilhas de glosas que acompanharam a Informação Fiscal, a recorrente verificou haver glosa de créditos relativos à rubrica "bens utilizados como insumos" de valores referentes a despesas com operações de industrialização por encomenda (classificadas no CFOP 1124, 1125, 6125 e 5124), apresentando suas razões de defesa. Tal circunstância deveria apenas reforçar a compreensão dos julgadores de 1a instância quanto ao manifesto prejuízo que sofreu a recorrente, não apenas quanto à fruição do seu direito, mas como também, muito fortemente, em seu direito de defesa. Jamais deveria servir para reforçar essa situação adversda. Seja como for, conforme afirmado pelas próprias autoridades fiscais na Informação Fiscal produzida, e reafirmado no acórdão aqui combatido, todas as glosas referentes à bens ou serviços utilizados com insumos limitamse aos serviços de transporte de matériasprimas (bauxita), contratados pela recorrente, em relação aos quais já se demonstrou cabalmente a improcedência das glosas. De modo que a recorrente deixa de apresentar qualquer alegação de defesa quanto a estes dois pontos, por entendêlos prejudicados face ao quanto dispôs a respeito o acórdão ora recorrido. (grifei) Não obstante, caso este D. colegiado assim não entenda, a recorrente pede vénia para que sejam consideradas todas as suas razões de defesa expostas em sua impugnação e impugnação complementar, e que sejam igualmente considerados os documentos por ela colacionados a esse respeito. Recomposição da base de cálculo dos créditos. Exclusão do IPI da base de cálculo dos créditos e devolução de vendas Em relação a este item da autuação, de acordo com a fiscalização, "os valores informados na rubrica Bens Utilizados como Insumos e Devoluções de Vendas em que houve a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) tiveram a sua base de cálculo dos créditos recomposta, desconsiderando a parcela referente ao imposto em questão, em função do mesmo ser recuperável para pessoa jurídica". Apesar de concordar com o raciocínio da fiscalização, no sentido de que o IPI, quando recuperável, não deve compor o cálculo dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, a recorrente demonstrou, trazendo exemplos concretos, baseados em notas fiscais suas, que isso não ocorreu na hipótese destes autos. E mais uma vez apontou o manifesto prejuízo ao seu direito de defesa porque a fiscalização não logrou demonstrar quais as notas fiscais em que, supostamente, a recorrente teria tomado crédito sobre o valor do IPI e do ICMSST indevidamente. Fl. 31722DF CARF MF 26 Sobreveio a Informação Fiscal produzida durante a diligência e a resposta da fiscalização, citada no despacho decisório, foi que "A exclusão do IPI recuperável e do ICMS por substituição se deu apenas nas operações de Bens Utilizados como Insumos e Devoluções de Vendas em que o contribuinte efetivamente escriturou os referidos impostos na EFD e nos arquivos Sintegra". Com base nesse trecho, acima transcrito, o acórdão recorrido entendeu que a recorrente não havia logrado comprovar suas alegações, ou tampouco teria rebatido a resposta das autoridades fiscais, em sua impugnação complementar. Assim, concluiu reputando as alegações de defesa da recorrente como genéricas e desacompanhadas de provas, entendendo ser ônus da recorrente comprovar os erros cometidos pela fiscalização. Esse mesmo entendimento foi manifestado conjuntamente para as alegações de defesa da recorrente quanto ao item "Devolução de Vendas", em relação ao qual a recorrente apontou o fato de que a fiscalização não compreendeu o procedimento por ela adotado, considerando, para fins de apuração de crédito das contribuições em comento, apenas as operações cujos CFOP são específicos de devolução de vendas, desconsiderando aqueles relativos a "outras entradas". E explicou que, quando a recorrente realiza a venda de um produto, ela emite uma nota fiscal cuja natureza da operação é registrada como "venda produção do estabelecimento", sendo tal montante incluído em seu faturamento e, desta forma, oferecido à tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS. Mas que, por vezes, quando o cliente solicita o cancelamento da venda em questão, a recorrente emite uma outra nota fiscal cuja natureza da operação é de "outras entradas de mercadorias/prestação de serviços não especificada", informando a "entrada" da mercadoria em seu estabelecimento, vinculandoa à nota fiscal emitida anteriormente, apurando créditos de PIS e COFINS, em virtude do oferecimento de tais valores à tributação, nos termos do disposto no inciso VIII do art. 3o, das Leis ns. 10833 e 10637. Para comprovar suas alegações, a recorrente colacionou aos autos, novamente, as duas notas fiscais, relativas a duas operações em que procedera dessa forma, e que já haviam sido trazidas aos autos, a título meramente exemplificativo de suas alegações, quando da interposição de sua primeira impugnação. O que afirmou o acórdão recorrido, a esse respeito, é o exemplo típico da chamada prova diabólica: a fiscalização glosa direitos da recorrente, não aponta quais foram as operações glosadas (justamente numa das hipóteses de crédito que dependem de comprovação material de valores envolvidos), quando o faz, faz de maneira incerta e vacilante, e cabe à recorrente provar que a fiscalização estava errada? Mais uma vez, parece ter o acórdão recorrido incorrido numa inversão de valores quanto aos direitos e deveres das partes numa relação tributária. Principalmente quando foram as alegações e documentos, trazidos aos autos pela recorrente, que Fl. 31723DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.640 27 não foram analisados, sendo que sua colação aos autos se deu em número reduzido e, portanto, em caráter propositadamente exemplificativo, exatamente pela dificuldade em entender o teor e o alcance das acusações fiscais, face à precariedade do TVF e o evidente vício de motivação presente nestes autos de infração. Assim, a recorrente reafirma todas as suas alegações de defesa quanto a este item da autuação, pedindo o reconhecimento da impropriedade do trabalho fiscal e a improcedência das glosas realizadas. O descabimento dos juros de mora e das multas aplicadas. Foi visto que todos os créditos originários apurados pela recorrente vêm sendo aceitos pelas próprias autoridades fiscais, o que se verifica, por exemplo, em diversas soluções de consulta ou de divergência (inclusive COSIT), tal como em relação às despesas com frete na aquisição de insumos, no direito ao crédito sobre os encargos de energia elétrica, ou no aproveitamento extemporâneo de créditos, sem a exigência de retificação das declarações, por exemplo. Por essa razão, a recorrente alegou em sua defesa que ainda que se entendesse pela inexistência do direito creditório nestas situações sobre as quais o fisco já se pronunciou favoravelmente ao creditamento, em hipótese alguma, poderia ser cobrada com acréscimos legais atinentes a juros e multa a não homologação das compensações de débitos com aqueles créditos, bem como não pode ser aplicada a multa isolada, uma vez que a recorrente agiu em cumprimento a essas práticas reiteradas, que são verdadeiras normas complementares das leis tributárias, descabendo, neste caso, a imposição de penalidades e a cobrança de juros, nos termos do art. 100, inciso III, e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Tal alegação não foi apreciada pela DRJ/REC por entender que a questão não integrou o litígio, uma vez ausente dos autos de infração. Ocorre que, em virtude do indeferimento de grande parte do seu direito creditório e a consequente não homologação das compensações com ele realizadas, fatalmente a recorrente, se persistir essa situação, será cobrada dos créditos tributários compensados "indevidamente", sobre os quais será exigida a multa de ofício e juros de mora sobre aqueles valores. Assim, a recorrente pede que sejam consideradas como integrantes deste recurso, todas as suas alegações de defesa a esse respeito, o que reforça trazendo à baila exemplos de posicionamentos também esposados pela administração tributária federal e que, por terem sido por ela seguidos, atraem a incidência do art. 100, inciso III, do CTN. A inaplicabilidade da multa isolada Apesar de o acórdão recorrido também ter determinado o cancelamento da aplicação do percentual qualificado de 100% às multas isoladas cobradas das compensações não Fl. 31724DF CARF MF 28 homologadas, pela manifesta ausência de conduta dolosa a justificar a qualificadora10, o SR. AFRFB, relator do caso, manteve, no entanto, a aplicação da multa isolada, no patamar de 50%, conforme prevista no parágrafo 17, do art. 74 da Lei n. 9430, na redação dada pela Lei n. 13097, de 19.5.2005 Quanto à multa isolada que permaneceu exigida sobre os débitos não compensados, a recorrente reitera sua discordância quanto ao entendimento sobre o tema, na forma consubstanciada no acórdão recorrido.I É que a recorrente alegou a inaplicabilidade das multas isoladas ao caos presente, resumidamente, porque (i) não há qualquer ilícito tributário ínsito à conduta de pedir ressarcimento de créditos para usálos em compensação, nem tampouco no fato de serem estas compensações negadas. Ao contrário, tratase de legítimo exercício de direitos conferidos pela ordem jurídica; (ii) violação aos princípios de petição, razoabilidade e proporcionalidade, com a aplicação dessas multas isoladamente; e (iii) ferimento do princípio da irretroatividade das leis penais, uma vez que a publicação da Lei n. 12249, que inseriu os malfadados parágrafos 15, 15 e 17 ao art. 74 da Lei n. 9430, se deu em 14.6.2010, portanto, em data posterior à ocorrência da maioria dos créditos em discussão nestes autos. Ocorre que o acórdão recorrido não afastou a aplicação da multa isolada sobre as compensações não homologadas. Em relação às alegações resumidas nos itens (i) e (ii) acima, nada disse o acórdão recorrido, pelo que a recorrente pede vênia para que sejam considerados também neste recurso as alegações de defesa já constantes em suas defesas. Conforme demonstrado em sua impugnação, a multa isolada imposta não é aplicável ao presente caso, eis que as declarações de compensação não homologadas, originários da penalidade imposta no presente processo, estão baseadas na autorização contida nos parágrafos 2o, dos art. 5o e 6o, respectivamente, das Leis n. 10637/02 e 10833/03. Dessa forma, a recorrente, em relação às DCOMPs n. 01005.01441.150610.1.3.095535 e 14598.17828.180610.1.3.09 7630, tendo apurado saldo credor de créditos da COFINS no 1o trimestre de 2010 e apresentado pedido de ressarcimento desses créditos (PER n. 02152.28646.170510.1.1.095202), posteriormente apresentou declarações de compensação, utilizando b crédito objeto do mencionado pedido para compensar outros débitos que detinha junta à RFB conforme a previsão legal. (...) Ocorre que a aplicação da multa isolada para os casos de indeferimento do pedido apresentado pelo contribuinte perante a Fiscalização, seja de ressarcimento, seja de compensação de tributos, é medida desproporcional e, portanto, desprovida de qualquer validade jurídica. Pedido Fl. 31725DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.641 29 Em face de todo o exposto, a recorrente requer que, pelos fundamentos apontados, o presente recurso seja conhecido e integralmente provido, para o fim de reformar parcialmente o v. acórdão recorrido, determinandose o cancelamento das glosas sobre os créditos de PIS e COFINS a que faz jus, com a consequente homologação integral das compensações com ele realizadas. Através da petição de fls.5.832/5.841 solicita a juntada de 16 (dezesseis) laudos técnicos, elaborados junto a empresa de auditoria independente BDO RCS Auditores Independentes para analisar a regularidade dos créditos questionados em cada um dos processos administrativos de ressarcimento, vinculados ao presente processo. Destaca que as razões das glosas efetuadas em cada um dos pedidos de ressarcimento, cumulados com pedidos de compensação, possuem os mesmos fundamentos do presente caso e são relativos às mesmas operações/notas fiscais analisadas nos referidos laudos, portanto, a juntada dos presentes laudos técnicos é essencial para a completa compreensão da natureza dos valores glosados. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO DO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS Do conceito de insumo Ante a situação fática dos autos e a argumentação trazida pela Recorrente quanto à natureza dos serviços objeto das glosas que ora se discute, antes de adentrarmos no exame das respectivas glosas, à luz da legislação de regência, fazse mister discorrerse sobre o conceito de insumo, tema já recorrente no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cujas teses abrangem desde a aplicação mais restrita, nos exatos termos da legislação do IPI quanto ao conceito mais alargado de custos e despesas, de aplicação segundo a legislação do imposto de renda (RIR artigos 290/299), trazendose à colação decisão recente desta E. turma, nos termos do Acórdão nº 3302003.096, 15 de março de 2016, cujos excertos do voto condutor, no tocante ao conceito em exame, pela minudência e quase exauriência do tema abaixo reproduzo: A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Fl. 31726DF CARF MF 30 Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 31727DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.642 31 XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 31728DF CARF MF 32 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 31729DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.643 33 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". Fl. 31730DF CARF MF 34 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (grifei) 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. Fl. 31731DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.644 35 EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A Fl. 31732DF CARF MF 36 legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de Fl. 31733DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.645 37 embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade Fl. 31734DF CARF MF 38 própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Fl. 31735DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.646 39 Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Dos dispêndios com os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica Assim, em face das considerações acerca do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, a exegese que se extrai das prescrições dos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 quanto à possibilidade de crédito (...em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda) corresponde à terceira posição interpretativa, ou seja, nem tão restritiva como o conceito utilizado pela legislação do IPI, nem tão ampla como o conceito utilizado pela legislação do Imposto de Renda, correspondendo portanto à identificação dos seguintes critérios, na análise do caso concreto: a) bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, ou seja, bens ou serviços que tenham relação de pertinência com a produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto; b) bens ou serviços que não tenham seu aproveitamento vedado pela lei. Fl. 31736DF CARF MF 40 Para melhor compreensão sobre a natureza do referido encargo, esclarece o contribuinte em sua peça impugnatória, na forma do relatório da decisão de piso: Quanto às glosas relativas a encargos por uso do sistema de transmissão e de distribuição de energia, esclareçase, inicialmente, que é equivocada a afirmação de que os créditos em análise correspondem a benefícios fiscais, uma vez que, tanto as receitas das pessoas jurídicas, como os créditos apurados são componentes da base de cálculo, considerando a sistemática nãocumulativa, adotada pela legislação; Não se tratando de benefício fiscal, não se aplica o art. 111 do CTN; A impugnante está obrigada a utilizar energia elétrica em larga escala, sob pena de comprometer seu processo produtivo. Assim, acabou recebendo autorização para atuar como autoprodutora de energia elétrica, definida em regulamento como “a pessoa física ou jurídica ou empresas reunidas em consórcio que recebam concessão ou autorização para produzir energia elétrica destinada ao seu uso exclusivo” (art. 2ºII do Decreto nº 2.003/96); Desta forma, além de ser consumidora livre de energia elétrica, a impugnante também é considerada autoprodutora. Ocorre que, como as unidades geradoras de energia elétrica estão situadas em locais distantes dos estabelecimentos industriais da impugnante, fazse necessário o uso de linhas de transmissão de alta tensão de titularidade de concessionárias de serviço de transmissão de energia elétrica; No uso deste sistema, ora a impugnante se apresenta como autoprodutora que coloca a energia elétrica na rede de transmissão (art. 13 do Decreto nº 2.003/1996), ora como consumidora livre, adquirente de energia elétrica; Pelo uso dos sistemas de transmissão, a impugnante incorre em determinados gastos, denominados “Encargos de Uso do Sistema de Transmissão”, os quais são calculados, quer em função da energia elétrica por ela colocada no Sistema Interligado Nacional – SIN, quer em conformidade com o valor por ela consumido em seus estabelecimentos industriais na qualidade de consumidora livre (doc. anexo); Sendo a energia elétrica imprescindível ao processo produtivo da impugnante, já que, sem ela, não se concretiza a eletrólise necessária à obtenção do alumínio, imprescindível também é o serviço de transmissão de energia elétrica, porque sem ele a energia elétrica não é conduzida, isto é, não chega aos estabelecimentos industriais da impugnante; Assim, é inegável que os gastos em questão se encaixam no conceito de insumo previsto na legislação; Transcrevemse trechos de parecer elaborado por Marco Aurélio Greco sobre a questão; Além dos encargos citados, a impugnante também está obrigada, por lei, a pagar os seguintes encargos ligados ao setor Fl. 31737DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.647 41 energético, que compõem o custo da energia elétrica, razão pela qual foram apropriados como crédito, mas glosados pela fiscalização, sem qualquer justificativa: (i) CCC (Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis) do Sistema Isolado; (ii) PROINFRA (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica); e (iii) CDE (Conta de Desenvolvimento Energético); Tais encargos visam viabilizar o fornecimento da energia elétrica, consumida pela impugnante, compondo, por conseguinte, o custo do correspondente serviço, a ser considerado na apuração do crédito em análise; Por fim, cabe observar que em nenhum momento a Fiscalização elenca quais notas fiscais deixaram de ser apresentadas, encontrandose a impugnante impossibilitada de sanar tal vício, reforçando a nulidade das autuações; Nesse sentido, pela primorosa análise técnicointerpretativa efetuada pela primeira instância a qual se alinha com a interpretação defendida por essa relatora, conforme fundamentos acima despendidos acerca do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, precipuamente quanto à efetividade do conceito de insumo extraído da legislação, adoto como razão de decidir, os fundamentos da decisão de piso referente à glosa em destaque, com amparo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, cujos excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: ENERGIA ELÉTRICA: DIREITO AO CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO Como informado no item 16 do Termo de Verificação Fiscal, em 27/09/2011 o contribuinte foi intimado a apresentar “memoriais específicos para energia elétrica, separando a energia elétrica dos encargos setoriais específicos”. A intimação referida, datada de 26/09/2011, requer no seu item 3 o seguinte (negrito acrescentado): 3. A apresentação de memorial descritivo de cálculo específico para a rubrica “Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de vapor “ referente à totalidade do período fiscalizado, separando, mensalmente, os lançamentos fiscais relativos à compra de energia elétrica ou térmica propriamente dita dos lançamentos referentes a encargos de uso do sistema de transmissão ou distribuição ou referentes a quaisquer outros encargos ou custos indiretos, necessários ou não, à aquisição da energia; Na resposta, datada de 13/10/2011, o contribuinte apresentou arquivo magnético contendo o memorial descritivo específico para as despesas com energia elétrica (ver item 17 do TVF). A fiscalização computou na base de cálculo os valores da energia elétrica apenas, glosando os encargos pelo uso do sistema de transmissão e de distribuição sem separar um a um estes encargos. Esclareceu o seguinte, no TVF: Fl. 31738DF CARF MF 42 54.Antes de qualquer análise de mérito acerca da possibilidade de apuração de créditos calculados sobre os dispêndios supracitados, é necessário tecer alguns esclarecimentos relacionados à natureza dos referidos dispêndios e, no caso dos encargos, de seus contratos de regência. 55.Em relação à aquisição de energia elétrica propriamente dita, é hipótese direta de enquadramento no inciso III do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e, portanto, possibilita a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS por expressa permissão legal, não havendo muito o que ponderar sobre o tema. 56.Por outro lado, os dispêndios com encargos por uso do sistema de transmissão e de distribuição se referem a pagamentos efetuados por pessoas jurídicas adquirentes de energia elétrica a concessionários responsáveis pelos sistemas de transmissão e distribuição em decorrência da disponibilização de suas linhas de transmissão e distribuição para que a energia elétrica adquirida seja conduzida até os estabelecimentos do sujeito passivo. Os encargos são, inclusive, regidos por contrato próprio, firmado com pessoa jurídica distinta, com objeto próprio, que não se assemelha nem se equipara à “venda de energia elétrica”. Vale frisar: os referidos encargos não se referem à aquisição de energia elétrica e sim à disponibilização de um serviço de acordo com a demanda contratada. 57.O direito ao creditamento se restringe às hipóteses expressamente previstas em lei, uma vez que o benefício fiscal representa excepcionalidade da norma jurídica tributária que estabelece a imposição do tributo do qual resulta o nascimento do crédito tributário. Assim, não havendo norma expressa que desta forma estabeleça, não há que se falar em direito ao mencionado benefício fiscal, vez que é hipótese de interpretação restritiva e não extensiva, de acordo com os termos do disposto no art. 111, inciso I do Código Tributário Nacional. 58.Assim, não há como se admitir o cálculo de créditos sobre encargos de uso dos sistemas de transmissão e de distribuição por falta de compatibilidade com a hipótese prevista em lei e, por isso, os valores informados sob esse fundamento devem ser integralmente glosados. Devem ser igualmente desconsiderados os valores para os quais não houve apresentação de notas fiscais. 59.No intuito de mensurar, dentro do universo dos lançamentos referentes a despesas com energia elétrica, o valor dos encargos de uso dos sistemas de transmissão e de distribuição, o sujeito passivo foi intimado a apresentar memoriais descritivos específicos para a rubrica em questão, separando os referidos encargos das despesas de energia elétrica propriamente ditas. 60.Com base nas planilhas apresentadas, que se encontram em anexo físico vinculado ao processo nº 12585.000379/201174, foram efetuadas as glosas pertinentes, retirando da base de cálculo dos créditos os valores referentes aos encargos supramencionados. Fl. 31739DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.648 43 61.Foram retirados também da base de cálculo dos créditos os valores correspondentes ao ICMS por Substituição Tributária (ICMSST) destacados nas notas fiscais nº 565, 580, 597, 15, 44, 139, 210, 262, 313 e 371, emitidas por BAESA ENERGÉTICA BARRA GRANDE S/A – CNPJ 04.781.143/000139, conforme explanação presente neste termo sob o título “Da Recomposição da Base de Cálculo dos Créditos”. 62.Os valores encontrados por esta Fiscalização, consideradas as glosas supracitadas, encontramse no documento digital “Documentos Diversos Outros Energia Elétrica”. Essas planilhas foram obtidas a partir dos memoriais específicos do interessado, desconsiderando os encargos setoriais e os lançamentos para os quais não houve comprovação documental. Abateuse também o valor do ICMSST destacado nas notas fiscais mencionadas anteriormente. (...) Ao contrário da fiscalização, interpreto que também em relação aos valores de transmissão e distribuição da energia elétrica devem ser reconhecidos os créditos. (grifei). Atento à redação do inc. III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, segundo o qual os créditos em questão são calculados em relação à “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”, e levando em conta não se tratar de benefício fiscal, considero que todos os gastos com energia elétrica, seja a adquirida de concessionárias ou a produzida por conta própria e depois transmitida e distribuída para consumo nos estabelecimentos da pessoa jurídica, dão direito a crédito. Não há, no inc. III em comento, a limitação vista pela fiscalização. Penso que se o legislador quisesse limitar o crédito apenas à energia elétrica adquirida de concessionária (sem abranger a gerada em unidade própria) devia deixar expressa tal limitação. Ou então diria que na hipótese de produção própria de energia elétrica os créditos não seriam admitidos, em vez de adotar a redação mais abrangente do inc. III (“energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”). Mas o certo é que não há, na legislação que rege a nãocumulatividade do PIS e Cofins, qualquer vedação a que, em vez da aquisição direta da energia elétrica, o contribuinte prefira contratar a transmissão e distribuição, que certamente serão mais baratas.(grifei). A corroborar a interpretação aqui adotada, o Acórdão nº 02 42.372, da 1ª Turma da DRJ em Belo Horizonte, prolatado em 04 de fevereiro de 2013, relatora a Julgadora Geovana de Moura Muniz, unânime, cuja ementa transcrevo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Fl. 31740DF CARF MF 44 Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. Por comungar dos seus fundamentos e a situação daquele ser semelhante à destes autos (aqui há, além da transmissão, que começa na usina de produção, a distribuição posterior até os estabelecimentos do contribuinte), os adoto sem modificação (negritos acrescentados): SOBRE AS GLOSAS EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO GASTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA A reclamante comprovou, mediante as notas fiscais apresentadas, que os gastos com transmissão de energia se relacionam não somente à energia autoproduzida, como também à energia adquirida de terceiros. No entanto, numa leitura atenta das fls. 07 a 11 do Relatório Fiscal, verificase que o motivo da glosa foi o fato de se tratar de gastos relativos à transmissão, por se tratar de transporte da energia elétrica, embora tenha havido, de fato, o equívoco de se afirmar que tal energia transportada seria a produzida pelo contribuinte. Primeiramente, no que diz respeito à legislação citada pela reclamante em seu favor, há que se esclarecer que resultam improfícuas as decisões referidas, porque, sem lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Ademais, a Solução de consulta nº 94/2004 se refere à equiparação da atividade de transmissão de energia elétrica ao transporte de carga para fins de aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta correspondente na apuração do lucro presumido, e não para fins de creditamento da contribuição para o PIS e da Cofins. Analisemos a questão, portanto, à luz dos atos normativos que tratam da matéria. No que diz respeito aos insumos, conforme já dito antes, não abrange as despesas com energia elétrica, uma vez que o legislador concedeulhe item próprio, apartado do inciso II do art. 3º, que trata dos insumos em ambas as leis que regem a matéria. Se, em relação aos insumos, a legislação dispõe que devem ser serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao regulamentar a matéria, dispôs que podem ser descontados créditos das Fl. 31741DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.649 45 despesas e custos incorridos no mês, relativos à energia elétrica consumida nos estabelecimentos de pessoa jurídica. De acordo com a Nota Técnica da Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL nº 554, de 05.12.2006, o Encargo de Uso de Rede Elétrica – Sistemas de Transmissão, assim como o Encargo de Uso de Rede Elétrica – Sistemas de Distribuição, são encargos pagos pelos usuários do sistema de transmissão e distribuição, com base na Tarifa de Uso dos Sistemas de Transmissão – TUST e na Tarifa de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD, respectivamente, em função da obrigatória formalização do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão/Distribuição – CUST/CUSD, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.648, de 27.05.1998. Nesse sentido, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica – Sistemas de Transmissão e/ou Encargo de Uso de Rede Elétrica – Sistemas de Distribuição não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa. Portanto, independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pelo contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins nãocumulativa apurada. Destaco que o contribuinte não tem como atividade o serviço de distribuição de energia, pois a produz, transmite e distribui para si. Na transmissão e distribuição são utilizados os serviços prestados pelas concessionárias desses serviços públicos, mas não se pode confundir a situação da Companhia Brasileira de Alumínio com a hipótese de uma distribuidora de energia elétrica (ou de transmissora). Numa distribuidora de energia elétrica a sua receita corresponde ao preço da energia (mercadoria) somado ao preço da distribuição (serviço público prestado mediante concessão), pelo que caberia decidir se os encargos pelo uso do sistema de distribuição, como a quota da Reserva Global de Reversão, (RGR) admitem crédito ou não. 17 No caso deste processo tais encargos compõem o preço pago pelo serviço de distribuição recebido pelo contribuinte, de modo semelhante ao que acontece quando qualquer cliente (residente, comercial ou industrial) adquire a energia elétrica gerada pela Chesf18, por exemplo. A circunstância de a Companhia Brasileira de Alumínio produzir, ela própria, parte da energia que consome, utilizando em seguida os serviços de transmissão e distribuição prestados pelas concessionárias do setor elétrico brasileiro, não tem importância para fins dos créditos de PIS e Cofins porque os encargos do setor estão embutidos no custo da energia elétrica, apesar de poderem ser discriminados e contratados separadamente. Outrossim, é Fl. 31742DF CARF MF 46 impossível a utilização da energia elétrica sem assunção dos custos com a transmissão e distribuição. (grifei). Na situação deste processo o contribuinte assume todos os encargos com a transmissão e a distribuição da energia elétrica, dentre eles o CCC (Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis) do Sistema Isolado, o PROINFRA (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica) e a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), e não há possibilidade reavêlos. Por integrarem o custo da energia elétrica, sendo indissociável do preço pago pelo serviço de sua distribuição, geram créditos, a teor do que dispõe o inc. III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (e não com base na norma extraída do inc. II do mesmo artigo, já que o inc. III é mais específico e por isso cabe aplicar o princípio da especialidade: lex specialis derogat lex generalis). 19(grifei). Tais encargos, obrigatórios, não são ressarcíveis para quem produz a energia elétrica e a consome. É mais uma razão para não excluílos, como acontece com os valores correspondentes ao ICMS por Substituição Tributária ou o IPI, estes recuperáveis, o primeiro pelo substituto tributário do Imposto Estadual, o segundo pelo contribuinte do Imposto Federal. (grifei). Destarte, cabe reconhecer os créditos sobre os encargos de transmissão e distribuição da energia elétrica. (grifei). De relevo destacar que a matéria sub examine encontra precedentes neste E. Conselho conforme acórdão nº 3802004.258 de 19/03/2015, cujos excertos na parte de interesse a seguir se transcreve: Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Extraise do relatório de auditoria fiscal (fls. 214/215) que a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica ("consumo, demanda e encargo de aquisição de energia elétrica, inclusive emergencial"), tendo glosado, contudo, os montantes correspondentes a "parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora". O sujeito passivo, por seu turno, defende que estas também deveriam ter sido consideradas. Ante os fundamentos acima, mantémse a decisão de piso no tocante a esse item de apreciação. Das multas isoladas relativas aos Pedidos de Ressarcimentos Destaca a decisão de piso: O Auto de Infração das multas isoladas contempla quatro penalidades, a saber: duas relativas a Pedidos de Ressarcimento (PER), lançadas com pressuposto no § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430; duas relativas a Declarações de Compensação (DCOMP), lançadas com base no § 17 do mesmo artigo. Fl. 31743DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.650 47 Os §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, juntamente com o § 16, foram incluídos pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, tendo entrado em vigor na data de publicação desta, em 14/06/2010. A redação é a seguinte, incluindo as dos §§ 15 e 16, atualmente revogados conforme informado abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002) (...)§ 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)§15.Aplicase o disposto no § 6º nos casos em que a compensação seja considerada não declarada. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)(Revogado pelo art. 56, I, da Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014) §16.Nos casos previstos no §12, o pedido será analisado em caráter definitivo pela autoridade administrativa.. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)(Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) §17.O valor de que trata o inciso VII do §3º poderá ser reduzido ou restabelecido por ato do Ministro de Estado da Fazenda.(Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Medida Provisória nº 656, de 2014) Tendo os §§ 15 e 16 sido revogado pelo art. 56, I, da Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, as duas multas sobre o valores dos créditos dos PER devem ser canceladas. Fl. 31744DF CARF MF 48 Isto, por força da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "a", do CTN, pelo qual a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando deixe de definilo como infração. Demonstrou a decisão de piso a superveniência da legislação que revogou os §§ 15 e 16 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme art. 56, I, da Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, aplicando o instituto da retroatividade benigna, por força do 1artigo 106, II, "a", do CTN. Após sucessivas alterações nos §§ 15, 16 do já referido artigo 74, conforme Medida Provisória nº 656, de 2014, Lei nº 13.097, de 2015, Medida Provisória nº 668, de 2015, atualmente vige a Lei nº 13.137, de 2015, cuja artigo 27, II, revoga expressamente os §§ 15, 16 do artigo 74 do diploma legal em destaque. As remissões legais acima referidas demonstram a aplicação ao caso do instituto da retroatividade benigna, assim não há reparos na decisão de piso. Das multas isoladas relativas às Declarações de Compensação Esclarece a Informação Fiscal de fl.5.361/5.373 INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA QUALIFICADA INEXISTÊNCIA DE QUALIFICADORA E ERRO DE PREENCHIMENTO Esclarecese que a multa isolada acabou por ser aplicada em sua modalidade qualificada em decorrência de mero erro de preenchimento do software gerador do Auto de Infração, o e Safira. Por essa razão, não foi aposta no processo qualquer motivação para suposta aplicação da qualificadora.(grifei). De fato, não foi identificada nenhuma conduta ilícita por parte do contribuinte que importe na aplicação da multa isolada com a qualificadora prevista no § 16 e no fim do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, durante o exame fiscal, de modo que não há razão para aplicação da qualificadora. (...) Por essa razão, considerando que o sujeito passivo não praticou ato ilícito consistente na apresentação de pedido de ressarcimento baseado em falsidade ou com informações falsas, reiteramos a correção do valor da multa isolada para seu valor normal, à 50% dos créditos indeferidos nos pedidos de ressarcimento ou declarações de compensação. Sobre as referidas multas, transcrevese excertos da decisão de piso: Quanto às duas multas isoladas sobre o débito objeto de DCOMP não homologadas, são mantidas com supedâneo no § 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...). Fl. 31745DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.651 49 17 em comento, mas têm seus valores reduzidos à metade. A redação deste dispositivo foi modificada pelo art. 56, I, da recente MP nº 656, de modo a deixar expresso o percentual de 50% para a situação destes autos, que não comporta a qualificação para 100% inicialmente posta erroneamente no Auto de Infração. Como relatado, na diligência a própria fiscalização verificou ter havido erro na elaboração do lançamento, afastou a possibilidade de dolo e propôs a redução das duas multas lançadas com base nas DCOMP transmitidas em 15/06/2010 e 18/06/2010, a primeira no montante de R$ 138.717,48, a segunda, de 1.387.160,93. (grifei). (...) O demonstrativo do crédito tributário exonerado no Auto de Infração das multas regulamentares é o seguinte (em Reais): Dos excertos acima verificase que não há reparos na decisão de piso, negandose portanto provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A fundamentação a seguir quanto às preliminares e mérito prendese às questões pontualmente destacadas na peça recursal. PRELIMINARES Inexistência de nulidade Entre os argumentos aduzidos na peça recursal estão a preliminar de nulidade, por ausência de motivação do Auto de Infração, quanto às glosas questionadas existindo assim um prejuízo à defesa. Restou demonstrado no presente voto as circunstâncias fáticas que motivaram a autuação, bem como a matéria tributável sob apreciação do julgador, ademais verificase que a recorrente foi regularmente cientificado, o que lhes oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que possibilitam ao interessados arguir suas razões de defesa bem como lhe facultam a contraprova, Fl. 31746DF CARF MF 50 por todos os meios de prova admitidos em direito, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, constatase que a recorrente pode exercer plenamente seu amplo direito de defesa, haja vista que desde a peça impugnatória, manifestação de inconformidade após a diligência solicitada pela DRJ, bem como no Recurso Voluntário a recorrente expôs minudentemente suas razões de defesa demonstrando plena compreensão dos fatos arrolados no auto de infração bem como a legislação que lhe dá suporte. Assim, os Autos de Infração estão formalizados com observância das normas legais, tanto do ponto de vista material e processual, cumprindo portanto a fiscalização o seu mister visto que atendeu às disposições do artigos 29º e 10 do Decreto nº 70.235, de1972 e os requisitos do 3artigo 142 do CTN, não se vislumbrando qualquer vício que comprometa a validade dos lançamentos, uma vez que foram atendidas todas as garantias processuais, nos termos do 4art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, além das disposições específicas dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante os fundamentos expostos, depreendese que o cerceamento de defesa alegado na peça recursal não pode ser acolhido, uma vez que ao sujeitos passivos foi assegurada a ampla defesa através da ciência do auto de infração que lhes possibilitou assim exercêla através da peça impugnatória, peça processual que tem o condão de instaurar a fase litigiosa do procedimento, permitindo aos autuados oferecerem ao fisco por todos os meios de prova admitidos em direito, elementos que comprovem suas alegações. Diante dos fundamentos acima constatase que não há reparos no feito fiscal, tampouco na decisão de piso. Decadência quanto aos créditos referentes ao 4° trimestre de 2008 Alega a Recorrente a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no 4o trimestre de 2008, visto que em função da complementação das autuações realizada pela fiscalização, como resultado da diligência determinada nestes autos, configurouse novo lançamento, nos termos do § 3º, do art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, 2 Art. 9.o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 4 O art. 5º, LV, da Constituição Federal assim dispõe: "Art. 5º.(...): LV Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;" (grifei). Fl. 31747DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.652 51 omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Para a análise da matéria importa ressaltar, que tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, o CTN estabeleceu os requisitos essenciais ao lançamento, que é a formalização do crédito, ex vi do art. 142 do mesmo diploma legal, litteris: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Adotandose o método sistemático de interpretação, pelo qual nenhum dispositivo legal deve ser interpretado isoladamente, mas no contexto em que se insere, colimandose o preceito do art. 142 do CTN, em relação ao § 3º, do art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, verificase que no caso em exame não houve um novo lançamento, já que os requisitos essenciais não foram modificados pela diligência, visto que esta atingiu seu mister de esclarecer os pontos que foram passíveis de dúvidas pelo julgador de piso, o qual usou da prerrogativa conferida pelo caput do artigo 18 para solicitála. Estabelecidos os parâmetros interpretativos verificase que não houve inovação ou alteração da fundamentação legal nem agravamento da exigência no sentido de majoração do quantum devido. Houve sim com relação ao lançamento das multas o esclarecimento quanto ao erro na qualificação, ensejando um valor menor de lançamento, como já analisado no recurso de ofício, fato que não tem o condão de alterar o prazo decadencial, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 06/05/2013, logo considerando que o fato gerador mais antigo ocorreu em 30/10/2008, constatase que foi lavrado no curso do prazo decadencial, tendo a ciência do resultado da diligência o fim de ensejar a garantia do contraditório e ampla defesa quanto ao seu resultado e não a inauguração do termo a quo do prazo decadencial, visto que o resultado da diligência não se reveste de novo lançamento como já enfatizado. Da petição para juntada de laudo técnico Protesta o impugnante pela juntada de laudos técnicos junto à empresa de auditoria independente BDO RCS Auditores Independentes para analisar a regularidade dos créditos questionados em cada um dos processos administrativos de ressarcimento, vinculados ao presente processo. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: Fl. 31748DF CARF MF 52 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Conforme já relatado nos autos o contribuinte teve 3 (três) oportunidades processuais para apresentar a prova de suas alegações, na impugnação, na manifestação de inconformidade após a diligência ou no recurso voluntário se demonstrada uma das hipótese excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, logo, a petição ora apresentada, após o recurso voluntário, para a juntada dos referidos laudos sem demonstrar a excepcionalidade exigida implica preclusão probatória neste momento processual. MÉRITO Após as considerações acima sobre o regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, notadamente quanto ao conceito de insumo, passase à análise das glosas, especificamente destacadas na peça recursal. GLOSAS DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS – OPERAÇÕES DE FRETES DE TRANSFERÊNCIA Com relação aos fretes do minério (bauxita) das minas à fábrica, constatase o seguinte: · Informação Fiscal de fl.5.364: Fl. 31749DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.653 53 ...na rubrica em questão, foram glosadas exclusivamente as operações que, segundo a descrição apresentada pelo sujeito passivo em suas memórias de cálculo, referiamse a despesas com fretes internos à pessoa jurídica. As operações têm como descrição “Frete – Bauxita”, “Frete – Fábrica”,“Frete – Mirai”, “Frete – Itamarati” e “Frete Poços de Caldas”, diferentemente do que alega o sujeito passivo, de que há operações relativas à manutenção, análises laboratoriais, etc (Resposta item 6). (...) A despeito das demais técnicas interpretativas existentes, o legislador, aqui, não deixou dúvidas ao especificar que o frete passível de creditamento é aquele incorrido na operação de venda, pois se de outra forma desejasse, bastava, para ampliar o alcance da norma, a omissão de sua parte final, em que especifica a operação na qual se permite a apuração de créditos. · Decisão de piso, fls.5.575/5.661: FRETES DO MINÉRIO (BAUXITA) DAS MINAS À FÁBRICA: IMPROCEDÊNCIA DO CRÉDITO, POR NÃO SE REFERIR À OPERAÇÃO DE VENDA Embora pessoalmente interprete que os transportes de insumos, produtos intermediários e produtos acabados deviam gerar créditos, deve prevalecer neste julgamento a interpretação da Cosit representada pela Solução de Consulta Cosit nº 226, de 20 de agosto de 2014, antecedida das Soluções de Divergência nºs 26, de 30 de maio de 2008, e 02, de 24 de janeiro de 2011. Segundo essa interpretação consolidada no âmbito da RFB, o transporte interno de insumos, produtos acabados ou em elaboração não geram créditos do PIS e Cofins nãocumulativos, por “não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias” (ementa da SC Cosit nº 226, de 2014). Por isso não assiste razão ao contribuinte. No presente processo, a fiscalização identificou fretes entre os estabelecimentos do contribuinte (das minas à fábrica), glosando os créditos respectivos por interpretar que diante do inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente seriam admissíveis créditos nas operações de vendas (ver, no relatório, item DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS). (grifei). · Recurso Voluntário, fls. 5.675/5.721: 3.1. Bens e Serviços utilizados como insumos. Em relação aos itens "Bens utilizados como insumos" e "Serviços utilizados como insumos", no Termo de Verificação Fiscal a fiscalização questionou a apropriação de crédito das contribuições em foco sobre as despesas de frete incorridas pela recorrente. Fl. 31750DF CARF MF 54 Isso porque, no entender da fiscalização, tais despesas não se enquadrariam no conceito de insumos, bem como não seriam relativas à hipótese de frete em operações de vendas, que seria a única hipótese de crédito sobre fretes permitida pela legislação. Tal entendimento foi reforçado na Informação Fiscal, que complementou os autos de infração ora combatidos. No trecho a seguir transcrito, a fiscalização deixa expresso que a glosa dos valores registrados sob as rubricas "bens utilizados como insumos" e "serviços utilizados como insumos" referemse, tão somente, a fretes contratados que não se referem especificamente ao frete de venda, isto é, que não estejam enquadrados no inciso IX, do art. 3o da Lei n. 10833, aplicável igualmente à Contribuição ao PIS por força do disposto no inciso II do art. 15 do referido diploma legal. Assim, a despeito dos argumentos trazidos pela recorrente em relação a todas as suas despesas de frete, conforme decidiu o acórdão recorrido, a questão dos créditos apurados sobre os bens e serviços utilizados como insumos limitase apenas à questão do transporte de matériasprimas do estabelecimento produtor até as fábricas da recorrente, no caso, o direito ao crédito sobre os fretes no transporte da bauxita, por ela adquirida, das minas em que é extraída, até as suas fábricas. Em assim sendo, impõese o cancelamento de todas as glosas feitas pela fiscalização com base tão somente no pressuposto de que os gastos com transporte de matériasprimas não se enquadram nem na hipótese de crédito sobre insumos, nem da previsão de crédito sobre o frete, supostamente limitado às operações de venda direta aos adquirentes. Em primeiro lugar, repisese que a recorrente arcou com o ônus do frete relativo ao transporte de matériasprimas e outros insumos, sendo pacífico que tais valores integramse ao custo dos referidos insumos, gerando direito ao crédito. No caso da recorrente, a bauxita é matériaprima essencial para o processo de produção do alumínio ao qual se dedica. Ora, o serviço de transporte de bens entre os estabelecimentos industriais e unidades de produção da pessoa jurídica, quando o produto ainda está em fase de industrialização, constitui custo de produção, na medida em que esse deslocamento se revela necessário à concretização do processo produtivo e, por esta razão, enquadramse no conceito legal de insumo. O mesmo se diga quanto ao transporte de matériasprimas adquiridas de terceiros para serem usados como insumos.(grifei). Amparada no escopo interpretativo da legislação de regência como discorrido de forma preambular, entendo assistir razão à recorrente visto que os fretes nas aquisições de insumo, enquadramse como custo de aquisição, tal qual, no presente caso os fretes do minério (bauxita) das minas à fábrica, que têm a natureza de custo, por se tratarem se serviços aplicados na produção do alumínio, portanto serviços que têm relação de pertinência com a produção. Fl. 31751DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.654 55 Na esteira desse raciocínio, decidiu recentemente essa colenda turma de julgamento, conforme acórdão nº 3302003.148, nos termos a seguir ementados, na parte de interesse: CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Dos ajustes positivos de créditos Quanto aos créditos extemporâneos aproveitados pelo contribuinte sem contudo retificar o DACON E DCTF no período em que foram gerados, não assiste razão à recorrente conforme a seguir se fundamenta na legislação de regência e no suporte fático demonstrado nos seguintes atos processuais: · Termo de Verificação Fiscal TVF, fls.4.276/4.290: DOS AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS 74.Os valores pleiteados a título de “Ajustes Positivos de Créditos” referemse, preponderantemente, segundo os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, a créditos extemporâneos calculados em relação a despesas com materiais de manutenção e serviços aplicados na produção incorridas no período compreendido entre março de 2004 e dezembro de 2009 e em relação a aquisições de ativos imobilizados realizadas entre outubro de 2006 e julho de 2009, conforme planilha a seguir. (...) Fl. 31752DF CARF MF 56 78. Do caput do art. 10, acima transcrito, depreendese que a alteração das informações prestadas em DACON, o que engloba a apuração de créditos extemporâneos (§ 1º), deve ser efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador e não com a simples escrituração em demonstrativo posterior, como pretende o interessado. Ademais, fazse necessária a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) correspondente ao período em questão, como reza o § 5º do art. 10 da IN RFB nº 1.015, de 2010. 79.Temse, assim, que a apropriação extemporânea de créditos, ainda que admitida, se limita às hipóteses e aos procedimentos previstos pela legislação tributária, não podendo ser efetuada pelo sujeito passivo sem observância das formalidades existentes.(grifei). · Recurso Voluntário, fls. 5675/5721: No que toca a este item da autuação, o acórdão recorrido manteve o entendimento da fiscalização de que para que haja apropriação de créditos extemporâneos, deve o contribuinte retificar o seu DACON e DCTF do período (...) Tampouco os dispositivos citados pelo acórdão recorrido para fundamentar sua negativa ao aproveitamento dos créditos extemporâneos (inciso I, do parágrafo 3o, do art. 22 da IN SRF n. 600, atualmente inciso I, do parágrafo 2o, do art. 28, da IN RFB n. 900, de 30.12.2008) fazem qualquer exigência nesse sentido. (....) Como visto, não há nenhuma palavra a respeito da necessidade de o contribuinte retificar suas declarações como condição para o aproveitamento extemporâneo de seus créditos. O que os diplomas exigem é que cada pedido de ressarcimento refirase a um único trimestrecalendario, o que é completamente distinto da afirmação feita no acórdão recorrido de que dessas regras deflui a exigência de retificação prévia do DACON e da DCTF dos contribuintes. Quer dizer, além de não constar em texto de lei, a exigência posta pelas autoridades fiscais, confirmada pela decisão a quo é fruto de interpretação equivocada de normas de status infralegal, que sequer teriam competência para impor uma condição restritiva de direitos, sem base em lei. Ademais, exigir a retificação prévia de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infra legais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à apropriação dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, em detrimento do princípio da legalidade, que norteia a apuração desta contribuição, e também do alcance do interesse público. Constatase do TVF que o fundamento para o ajuste positivo de créditos não foi exatamente a vedação à utilização dos créditos extemporâneos, mas sim a operacionalização destes, uma vez que exige a legislação o cumprimentos de requisitos para Fl. 31753DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.655 57 tal, como a retificação do DACON e da DCTF, matéria principal da peça recursal quanto ao assunto em exame. Embora a legislação infralegal expressamente condicione a utilização dos créditos extemporâneos a alteração das informações prestadas em DACON, mediante apresentação de demonstrativo retificador, o que engloba a apuração de créditos extemporâneos, como destaca a Informação Fiscal de fl.5.364 no item correspondente, esse condicionante não se trata de um mero formalismo, tampouco de uma interpretação desarrazoada da legislação de regência, mas visa exatamente preservar a norma material estampada no 5artigo 3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 10.833, de 2003 c/c o 6artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005, haja vista que o sistema de apuração de créditos no regime nãocumulativo, disciplinado nas normas legais de regência impõe que estes sejam determinados pela aplicação das alíquotas sobre o valor das operações ocorridas no respectivo mês, sendo portanto este o escopo legal, pois dada a repercussão em outros tributos federais, fazse premente a perfeita identificação quanto à utilização dos créditos para dedução das contribuições devidas, compensação de débitos próprios ou o ressarcimento em espécie. Dispõe apropriadamente a Informação Fiscal de fl.5.364: Da leitura da norma supra, fica evidente que o legislador pretendeu eleger o regime de competência para apropriação de créditos da nãocumulatividade das contribuições. Isso porque deixa claro em seu caput que os créditos serão determinados pela aplicação das alíquotas sobre o valor das operações ocorridas no mês (bens adquiridos no mês, despesas e encargos incorridos no mês e bens devolvidos no mês). Nem mesmo a disposição contida no §4º da mesma norma deve gerar confusão acerca do assunto, uma vez que permite que créditos não aproveitados em determinado mês poderão sêlos nos meses subsequentes. 5 Lei nº 10.833, de 2003 Art. 3º (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput , incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês. (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. 6 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 31754DF CARF MF 58 Atentese para o fato de que a norma não usa o termo não apropriados e, sim, o termo não aproveitados, ou seja, tratase de créditos apurados e apropriados no mês da ocorrência das operações das quais tem origem e que não puderam ser aproveitados no mesmo mês. Esclareçase por oportuno, que a interpretação de uma norma jurídica pressupõe a utilização dos métodos estabelecidos pela hermenêutica para que se apreenda o verdadeiro significa do comando legal. Entre esses métodos, destacase a interpretação sistemática da legislação, uma vez que dado o arcabouço legal das normas tributárias, há normas que são ínsitas ao ordenamento jurídico tributário, visto que a exigência de um tributo, quando constatada sua incidência é um direito indisponível do Estado, tendo a autoridade tributária o PoderDever de exigilo, sendo portanto desnecessário repetilas quando a realidade fática já demonstrou que há uma exigência tributária, prevista em lei envolvida no respectivo período. Nesse sentido já decidiu essa colenda turma de julgamento: Acórdão nº 3302003.155, de 27/04/2016: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES.COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Acórdão nº 3302003.189, de 17/05/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVO.CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON. RETIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneo no Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original. Há também outros precedentes neste E. Conselho: Acórdão nº 3403002.717, de 29/01/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2007, 2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Fl. 31755DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.656 59 Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. Acórdão nº 3402003.148, de 20/07/2016: CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da nãocumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS (EXCLUSÃO DO IPI NO CÁLCULO DOS CRÉDITOS) E DEVOLUÇÃO DE VENDAS: IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES, POR AUSÊNCIA DE PROVAS Com relação às matérias Devoluções de Vendas e Recomposição da base de cálculo dos créditos reproduzse a seguir os quesitos objeto da Resolução/DRJ e a Informação Fiscal respectiva ao item sob apreciação. Devoluções de Vendas Quesito Resolução/DRJ: 5 Relativamente ao item “Devoluções de Vendas”, anexar planilha relacionando as notas fiscais que compõem o demonstrativo de fls. 3.782/3.783, totalizando mensalmente, esclarecendo se a razão da diferença entre a base de cálculo dos créditos apurada pela Fiscalização (Coluna ABC) e aquela apurada pelo contribuinte é unicamente a exclusão do valor do IPI e do ICMSST. · Informação Fiscal de fl.5.364: A base de cálculo encontrada pela Fiscalização para a rubrica em questão foi apurada identificandose, no âmbito da EFD e dos arquivos Sintegra, todas as operações de devoluções de vendas, abatendose das mesmas, quando incidentes, o ICMS por substituição e o IPI, recuperável, além das glosas específicas relativas as notas fiscais nº 37186, 9892, 23179 e 1111, não apresentadas pelo sujeito passivo. Fl. 31756DF CARF MF 60 Da mesma forma como ocorreu no exame dos Bens Utilizados como Insumos, em função de termos utilizado a EFD e os arquivos Sintegra para análise das Devoluções de Vendas, elaboramos planilhas com todas as operações consideradas como Devoluções de Vendas (por nota fiscal e com consolidação mensal), que foram envelopadas/encapsuladas em arquivo pdf (Recibo SVA, fl. 5316), acompanhadas da planilha anexada originalmente à época do exame dos ressarcimentos e compensações com a totalização da base de cálculo encontrada. Elaboramos também planilhas com as operações glosadas, referentes às notas fiscais nº 37186, 9892, 23179 e 1111, não apresentadas pelo sujeito passivo. Todos esses arquivos também foram gravados em mídia DVD para remessa a esta DRJ/RJ, acompanhados dos arquivos da EFD e Sintegra, fontes de dados para análise desta rubrica.(grifei). Questiona a recorrente especificamente com relação às seguintes notas fiscais: (i) nota fiscal n. 016902 de devolução de venda (doe. anexo) e a planilha anexa (doe. anexo), relativa ao mês de outubro de 2008: a recorrente apropriou o respectivo crédito sobre o valor de R$76.677,78, e não de R$ 80.511,66, como seria se o IPI tivesse integrado a apuração dos créditos da contribuição em apreço; e (ii)nota fiscal n. 006146 de devolução de venda (doe. anexo) e a planilha anexa (doe. anexo), relativa ao mês de maio de 2010: a recorrente apropriou o respectivo crédito sobre o valor de R$240.746,85, e não de R$ 250.376,72, como seria se o IPI tivesse integrado a apuração dos créditos das contribuições em apreço". Constatase dos arquivos encapsulados em pdf (Recibo SVA, fl. 5316): i) com relação à nota fiscal NF 016902 a seguinte informação, linha 62 com: DEVOLUCAO DE VENDAS SUJEITAS A INCIDÊNCIA NAO CUMULATIVA10/20081690260.425.857/000185<N/D> 1202DEVOLUCAO DE VENDA DE MERCADORIA ADQUIRIDA OU RECEBIDA DE TERCEIROS80.511,670,00 73.833,8976.677,78 ii) com relação à nota fiscal NF 6146 não há referência à citada NF. Recomposição da base de cálculo dos créditos Quesito Resolução/DRJ: 6 Relativamente ao item “Recomposição da Base de Cálculo dos Créditos”, informar se a recomposição da base de cálculo dos créditos relativos a “Bens Utilizados como Insumos” e “Devoluções de Vendas”, por meio da exclusão do IPI e do 7 Valor do IPI. Fl. 31757DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.657 61 ICMSST, se deu em relação à totalidade das notas fiscais consideradas. Em caso negativo, relacionar as notas fiscais em relação às quais o contribuinte havia incluído aqueles impostos na apuração dos créditos, totalizando mensalmente. · Informação Fiscal de fl.5.364: A exclusão do IPI recuperável e do ICMS por substituição se deu apenas nas operações de Bens Utilizados como Insumos e Devoluções de Vendas em que o contribuinte efetivamente escriturou os referidos impostos na EFD e nos arquivos Sintegra. Nesse sentido, elaboramos as planilhas das operações de Aquisição de Bens Utilizados como Insumos e de Devoluções de Vendas (por nota fiscal e com consolidação mensal) em que foram identificadas a escrituração de pelo menos um dos impostos incidentes sobre a referida operação. Esses arquivos foram envelopados/encapsulados em arquivo pdf (Recibo SVA, fl. 5317) e gravados em mídia DVD para remessa a esta DRJ/RJ.(grifei). Pela pertinência da análise reproduzo excertos da decisão de piso: Relativamente à glosa vinculada à incidência do IPI, a Impugnante concorda que tal imposto, quando recuperável, não deve compor os créditos em análise. Porém, afirma não ter computado nos créditos apurados o valor do IPI, apresentando como prova, “a titulo exemplificativo”, cópias de duas notas fiscais (nos processos nºs 12585.000392/201042, 12585.000396/201021, 12585.000400/201051 e 12585.000402/201040 é apresentada cópia de apenas uma). (...) Como na Manifestação de Inconformidade Complementar, oposta ao resultado da diligência, a informação acima não é refutada, tampouco o contribuinte comprova como a fiscalização teria computado indevidamente as duas Notas Fiscais citadas, mais uma vez por ausência de provas não lhe cabe dar razão. Quanto ao item 3.3 da Impugnação Complementar, sob o título “Devolução de vendas”, a alegação, ausente da Impugnação inicial, é no sentido de que “parece que fiscalização não se atentou para o procedimento adotado pela impugnante, considerando, para fins de apuração de crédito da contribuição em comento, apenas as operações cujos CFOP são específicos de devolução de vendas, desconsiderando aqueles relativos a ‘outras entradas’”.^ Fl. 31758DF CARF MF 62 O que foi dito ao final do tópico OUTROS INSUMOS GLOSADOS deste voto, quando rejeitada a alegação de que haveria dentre as glosas gastos ligados à manutenção, análises laboratoriais etc, cabe também aqui: o ônus de provar erros que teriam sido cometidos pela fiscalização é do contribuinte, pelo que não se acolhe a alegação genérica, desacompanhada de provas.(grifei). Verificase assim que a recorrente não conseguiu refutar as informações consignadas pela fiscalização. Energia elétrica: direito ao crédito sobre dispêndios com transmissão e distribuição Destaca a decisão de piso: Os valores desta rubrica sobre os quais os créditos continuam não admitidos são os seguintes: a) lançamentos para os quais não houve comprovação documental, conforme planilha NOTAS FISCAIS DE ENERGIA ELÉTRICA NÃO APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE; b) retirada do ICMS por Substituição Tributária nas dez Notas Fiscais emitidas por BAESA ENERGÉTICA BARRA GRANDE S/A, de nºs 565, 580, 597, 15, 44, 139, 210, 262, 313 e 371, relativas aos meses de outubro de 2008 a julho de 2009 como informado ao final da planilha INTIMAÇÃO FISCAL MPFD Nº. 08.1.80.002011000239 (glosa não foi contestada, sendo fundamentada pelo AuditorFiscal no item sob o título RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS);e c) no mês de dezembro de 2009, R$ 5.434.386,06, resultado da soma de duas glosas: “ESTORNO PIS S/ARREND.MACHADINHO”, base de cálculo dos créditos no valor de R$ 729.003,03, e lançamento “PIS COFINS | 5300168265 | PIS S/ ARREND. MACHADINHO”, base de cálculo no valor de R$ 4.705.383,03, este desconsiderado pela fiscalização por não se referir à aquisição de energia elétrica e em função de a documentação apresentada pelo interessado ter se limitado a correios eletrônicos enviados entre o contribuinte e o grupo MAESA, conforme se depreende do arquivo de NOTAS FISCAIS – Anexo 5 (ver planilha INTIMAÇÃO FISCAL MPF D Nº. 08.1.80.002011000239, DEZEMBRO/2009, e no Anexo 5 dessa Intimação, a linha correspondente ao documento nº 5300168265, data da Nota Fiscal 31.12.2009). Para quantificar o crédito adicional a ser reconhecido sobre os encargos de transmissão e distribuição da energia elétrica (a ser acrescido aos montantes reconhecidos no Despachos Decisórios dos quinze processos dos PER/DCOMP), mantendose a glosa em relação aos três itens acima, inicialmente demonstro abaixo os montantes da glosa na rubrica “04. Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de vapor”, da PLANILHA GERAL DE CRÉDITOS. A coluna à direita (GLOSA cf. Despacho Decisório) totaliza, em cada mês, a base de cálculo Fl. 31759DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.658 63 dos créditos da transmissão e distribuição da energia e dos itens “a”, “b” e “c” acima: Com relação ao questionamento do contribuinte quanto ao suposto equívoco da DRJ na análise da alínea "c" acima transcrita, invoca para justificar sua tese os seguintes argumentos: i) a redação dos itens 863 e 64 do TVF sobre "... valores de créditos tomados, pela recorrente, sobre despesas de contraprestações de arrendamento mercantil (itens 63 e 64); ii) Enganouse a DRJ, ao analisar este item, incluindoo na glosa atinente às despesas com energia elétrica. Até porque o Mandado de Procedimento Fiscal que instruiu estes autos de infração recebeu o número MPF n. 08.1.90.002012027242, e não o número de MPF mencionado pelo acórdão n. 1148840, no trecho acima transcrito (grifei) Verificase não assistir razão à recorrente pelos fundamentos a seguir. Na Informação Fiscal de fl.5.364 demonstra a fiscalização: GLOSAS DE ENERGIA ELÉTRICA – ENCARGOS SETORIAIS E ICMSST No que diz respeito às glosas efetuadas para a rubrica em questão, ressaltase que as mesmas referiramse tãosomente aos pagamentos dos encargos setoriais aplicáveis ao contribuinte. (grifei) Ademais, foram abatidos da base de cálculo dos créditos os valores correspondentes ao ICMS por Substituição Tributária (ICMSST) destacados nas notas fiscais nº 565, 580, 597, 15, 44, 139, 210, 262, 313 e 371, emitidas por BAESA ENERGÉTICA BARRA GRANDE S/A – CNPJ 04.781.143/000139. Assim, elaboramos planilhas com todas as operações admitidas e glosadas de Despesas com Energia Elétrica (por nota fiscal e com consolidação mensal), que foram envelopadas/encapsuladas em arquivo pdf (Recibo SVA, fl. 5315), acompanhadas das cópias das notas fiscais em que houve a inclusão na base de cálculo de créditos das contribuições do ICMS por substituição tributária, além da planilha anexada originalmente à época do exame dos ressarcimentos e compensações com a totalização da base de cálculo encontrada, bem como as memórias de cálculo específicas de energia elétrica 8 DAS DESPESAS DE CONTRAPRESTAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL 63.Após análise da composição dos créditos informados para a rubrica em questão, foram selecionados para comprovação documental, devido à sua relevância, os lançamentos com a descrição “Arrendamento Machadinho”. Os valores em questão se referem à construção da Usina Hidrelétrica Machadinho, como esclarece o interessado. 64.Para tanto, o contribuinte foi intimado a apresentar o respectivo contrato de arrendamento mercantil acompanhado das faturas e comprovantes de pagamentos relacionados ao contrato. A documentação requerida foi apresentada a contento, de modo que os valores informados em DACON foram integralmente aceitos por esta Fiscalização. Fl. 31760DF CARF MF 64 apresentadas pelo sujeito passivo, em que constam a segregação das despesas de energia elétrica (fornecimento e encargos). Diante da informação acima, verificase dos arquivos encapsulados em pdf (Recibo SVA, fl. 5315), linhas 6975 e 6976 que os valores correspondem exatamente aos valores não considerados pela decisão de piso com os fundamentos apresentados à alínea "c" verificandose ainda no referido arquivo encapsulado à linha 6978 a seguinte informação: Obs: Os lançamentos “PIS COFINS | 5300168265 | PIS S/ ARREND. MACHADINHO DEZ/09 | 18/12/2009 | 28/12/2009 | R$ 4.705.383,03” e “ |5300149794|ESTORNO PIS S/ARREND.MACHADINHO JUN09|10/12/2009|10/12/2009|R$ 729.003,03” foram desconsiderados em função de não se referirem à aquisição de energia elétrica e de a documentação apresentada pelo interessado ter se limitado a correios eletrônicos enviados entre o contribuinte e o grupo MAESA, conforme se depreende do arquivo de NOTAS FISCAIS – ANEXO 5 – pg 199 a 204.(grifei). Com relação à divergência nos números dos MPF, também não assiste razão à recorrente. Vejamos. O MPF nº 08.1.80.002011000239, de 24/03/2011, citado no TVF e AC/DRJ foi emitido para análise dos PER conforme descrição a seguir: VERIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS COFINS NÃO CUMULATIVA EXPORTAÇÃO: 4º TRIMESTRE DE 2008 AO 2º TRIMESTRE DE 2010; PIS NÃO CUMULATIVO EXPORTAÇÃO: 4º TRIMESTRE DE 2008 AO 2º TRIMESTRE DE 2010; Em decorrência da Diligência para análise dos PER foi emitido o MPF(F) nº 08.1.90.002012027242, de 14/06/12, citado no recurso voluntário, para lavratura do AI. Está portanto correto o nº do MPF citado pelo AC/DRJ. Dos Juros de Mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Fl. 31761DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.659 65 Assim, sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disciplina o parágrafo único do art. 142 do CTN, cumpre ao agente público, no caso em espécie, ao AuditorFiscal, desempenhála na forma e nas condições estabelecidas por lei. Nesse mister, foram aplicados aos débitos objeto da presente lide o percentual de juros de mora com escopo na legislação específica. Da multa de ofício Incidem sobre os saldos devedores remanescentes de compensação parcialmente não homologada, quando não declarados em DCTF, multa de ofício de setenta e cinco por cento, por força art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Da incidência de juros sobre a multa de ofício Com relação aos juros moratórios sobre a multa de ofício, observese a dicção dos seguintes dispositivos do Código Tributário Nacional CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Dos dispositivos acima transcritos constatase que a obrigação tributária concebida pelo CTN surge com a ocorrência do fato gerado, no entanto, os elementos da relação jurídicotributária só se encontram delineados por meio de ato administrativo, denominado de lançamento, quando então surge o crédito tributário. Com efeito, é importante ressaltar nos termos das disposições do artigo 139 acima transcrito que o legislador fez questão de diferenciar obrigação tributária do crédito tributário, apesar deste decorrer daquela e ambos terem a mesma natureza. Segundo 9Paulo de Barros Carvalho: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o 9 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 21ª ed São Paulo: saraiva, 2009, p.400. Fl. 31762DF CARF MF 66 crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. O crédito é elemento integrante da estrutura lógica da obrigação, de tal sorte que ostenta a relação de parte para com o todo. A natureza de ambas as entidades é, portanto, rigorosamente a mesma. Nesse sentido cabe transcrever as disposições do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Com efeito, a interpretação que se pode inferir do art. 161 acima transcrito encontra eco nos artigos precedentes do CTN já transcritos de modo a sinalizar que a norma insculpida no referido artigo não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Assim, na esteira desse raciocínio deduzse que o crédito tributário abriga tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, uma vez que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. A matéria nuclear sub examine tem sido objeto de discussão recorrente nesse E. Conselho, de modo que adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 9303002.400, de 15/08/2013, com escopo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: EMENTA ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira atributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora,calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento,e de um por cento no mês de pagamento. EXCERTOS DO VOTO A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. Fl. 31763DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.660 67 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamento, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário.(sic). Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 31764DF CARF MF 68 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(grifei). Feitas essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. A jurisprudência ainda pode ser demonstrada através dos seguintes acórdãos: Acórdão nº 9101001.863, de 30/01/2014: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão nº 2301004.441, de 27/02/2016: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. Fl. 31765DF CARF MF Processo nº 19515.720304/201267 Acórdão n.º 3302004.821 S3C3T2 Fl. 31.661 69 É digno de realce que o entendimento do STJ acerca da matéria conforme ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas referentes aos serviços utilizados como insumos, nas operações de fretes de transferência do minério (bauxita) das minas à fábrica. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 31766DF CARF MF
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Numero do processo: 10708.000054/96-69
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IPI -- Multa do art. 365, I, do R1PI - Não configuradas as hipóteses de que tratou o art. 365, I, do R1PI, não cabe a aplicação das penalidades
Numero da decisão: CSRF/03-03.041
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros João Holanda Costa (Relator) e Henrique Prado Megda Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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CSRF/03-03 041 IPI -- Multa do art. 365, I, do R1PI - Não configuradas as hipóteses de que tratou o art. 365, I, do R1PI, não cabe a aplicação das penalidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PETRÓLEO BRASILEIRO S/A — PETROBRÁS. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros João Holanda Costa (Relator) e Henrique Prado Megda Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros. 'ON PE Pl.- Ws- DRIGUES PRESIDENT MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM. 1 e; OU T 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros- CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, UBALDO CAMPELLO NETO e NILTON LUIZ BARTOLI. trne Processo n0 : 10708.000054/96-69 Acórdão n° : CSRF/03-03.041 Recurso : RD1302-0.352 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A-PETROBRAS RELATÓRIO Com o Acórdão 302-33.684, de 19 de fevereiro de 1.997, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de competência do Segundo Conselho de Contribuintes; pela unanimidade dos votos, rejeitou a preliminar de insubsistência do Auto de Infração e por maioria de votos, negou provimento ao recurso, no mérito. Foi a empresa acusada de ter entregue a consumo produto de procedência estrangeira (petróleo árabe leve) sem a devida nacionalização, a saber, sem a indispensável declaração de importação nem o pagamento dos tributos incidentes. Foi, em auto de infração aplicada a multa do art. 365, I, do Regulamento do IPI (Decreto 87.981/82). A empresa arguira, no recurso voluntário, que nenhuma irregularidade fora cometida uma vez que a IN SRF - 97/94 estabelecera a possibilidade de apresentar a Dl "a posteriori" dadas as circunstâncias e peculiaridades que as autoridades alfandegárias reconhecem existir nas importações de petróleo O Voto integrante do Acórdão apresenta o seguinte argumento: "É verdade que as Declarações de Importação referentes ao processo em análise poderiam ser apresentadas "a posteriori" conforme facultado pelo disposto no art. 40 da IN-SRF n.° 97/94, "in verbis": "Art. 40 - O despacho aduaneiro de importação dos produtos de que trata esta Instrução Normativa será processado com base em Declaração de Importação — Dl, a ser apresentada, pelo 2 /I Processo n° : 10708.000054196-69 Acórdão n° : CSRF/03-03.041 importador, à unidade da SRF que jurisdiciona o porto de descarga, até o oitavo dia subsequente ao da conclusão do laudo ou certificado de medição" Por outro lado, complementa o art. 5° do mesmo Ato, "in verbis": Art. 50 - O desembaraço aduaneiro dos produtos de que trata este Ato, submetidos a despacho nos termos do artigo anterior, será levado a efeito com base nas informações da DI, instruída com o respectivo laudo ou certificado de medição contendo a data de conclusão da descarga." Claro está, portanto, os passos a serem seguidos, neste tipo de importação, quais sejam: - Descarga da mercadoria; - Emissão do laudo ou certificado de medição; - Apresentação da Declaração de Importação com subsequente início do procedimento de Despacho Aduaneiro (até o 8° dia subsequente ao da conclusão do laudo ou certificado de medição). - Desembaraço da mercadoria, com base nas informações contidas na Dl com o respectivo laudo ou certificado de medição... Assim, somente após o desembaraço aduaneiro, é que as mercadorias, nacionalizadas, poderiam vir a ser movimentadas de um recinto alfandegado para um estabelecimento da importadora. Quanto ao argumento de que a preâmbulo da IN-SRF-97/94 menciona o art. 453, inciso II do RA, e que, por tal, o objetivo seria o de viabilizar a entrega do produto deslocando-o para outros tocais antes de começado o despacho aduaneiro, o mesmo não socorre a recorrente. Isto porque a situação fática não retrata as hipóteses expressas naquele artigo do Regulamento, quais sejam: - o caso concreto deve ser excepcional; - o caso deve estar fundamentado em justificativa; - trata-se de uma possibilidade, não de uma obrigatoriedade 3 Processo n° : 10708.000054/96-69 Acórdão n° : CSRF/03-03.041 Em consequência, no processo de que se trata, tal argumento não deve ser aceito. Inconformada com a decisão, a Petrobrás interpôs recurso arguindo existir nele divergência com decisão, sobre o mesmo assunto proferida pela Egrégia Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, contida no Acórdão 301-28.672 cuja cópia anexa à petição. A decisão paradigmática teve o seguinte fundamento: "Verifica-se pois que: O produto em questão foi regularmente importado. O AI foi lavrado quatro dias após a chegada do navio em 27/09/95, quando a empresa dispõe de oito dias após a conclusão do laudo de medição, datado de 28/09/95. A entrega do bem e não o despacho, antes do desembaraço está amparado no art. 453 do RA, que é matriz da IN_SRF 97/94. O bem foi regularmente importado pela Petrobrás e transferido para outro estabelecimento da mesma empresa, também alfandegado." Nas contra-razões, assim se manifesta a Fazenda Nacional: a- O Acórdão recorrido fundamenta-se na melhor interpretação da legislação, ao decidir a matéria objeto da controvérsia; b- Ao fazer a movimentação de parte da mercadoria desde o recinto alfandegado para o seu estabelecimento, antes do desembaraço aduaneiro, a empresa infringiu o disposto no art. 365, inciso I do RIP1; c- Os argumentos apresentados em sua defesa já foram bastante refutados pela autoridade singular e pela Câmara julgadora, inexistindo fato novo que mereça maiores considerações. É o relatório. 4 Processo n° : 10708.000054/96-69 Acórdão n° : CSRF/03-03.041 VOTO VENCIDO CONSELHEIRO JOÃO HOLANDA COSTA, RELATOR O Acórdão 301-28.672 da douta Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes buscou apoio para dar provimento ao recurso voluntário de Petróleo Brasileiro S/A, no fato de o art. 40 da IN-SRF-97/94 abrir um prazo de oito dias a partir da conclusão do laudo ou do certificado de medição da mercadoria descarregada para que fosse processado o despacho aduaneiro de importação dos produtos de que trata a Instrução Normativa, dado que o art. 453 do RA autorizou o SRF a, em casos excepcionais, devidamente justificados, autorizar a entrega da mercadoria antes da conclusão do despacho. Assim se expressou o ilustre Relator: "O produto foi regularmente importado; O AI foi lavrado Quatro dias após a chegada do navio em 17/09/95, quando a empresa dispõe de oito dias após a conclusão do laudo de medição, datado de 28/09/95; A entrega do bem, e não o despacho entes do desembaraço está amparado no art. 435 do RA que é matriz da IN-SRF 97194; O bem foi regularmente importado pela Petrobrás, e transferido para outro estabelecimento da mesma empresa, também alfandegado." No presente processo, a infração, a meu ver, está bem caracterizada como demonstrado no Voto da brilhante Conselheira: "Além das hipóteses de introdução clandestina e de importação irregular ou fraudulenta, o inciso I do art. 365 do RIPI trata do produto de procedência estrangeira que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado de Declaração de Importação.. .E é nesta Ir 5 Processo n° : 10708.000054/96-69 Acórdão n° : CSRF/03-03.041 hipótese que se concretiza a situação aqui tratada, uma vez que a mercadoria sob litígio foi movimentada de recinto alfandegado para estabelecimento da importadora, desacompanhada da respectiva Declaração de Importação; É verdade que as Declarações de Importação referentes ao processo em análise poderiam ser apresentadas "a posteriori" conforme facultado pelo disposto no art. 40 da IN SRF 97/94, "in verbis": "Art. 40 O despacho aduaneiro de importação dos produtos de que trata esta Instrução Normativa será processado com base em Declaração de Importação — DI — a ser apresentada pelo importador à unidade da SRF que jurisdiciona o porto de descarga, até o oitavo dia subsequente ao da conclusão do laudo ou certificado de medição". Por outro lado, complementa o art., 50 do mesmo ato, "in verbis": Art. 50: O desembaraço aduaneiro dos produtos de que trata este Ato, submetidos a despacho nos termos do artigo anterior, será levado a efeito com base nas informações da Dl, instruída com respectivo laudo ou certificado de medição contendo a data de conclusão da descarga". Assim, somente após o desembaraço aduaneiro, é que as mercadorias, nacionalizadas, poderiam vir a ser movimentadas de um recinto alfandegado para um estabelecimento da importadora; Quanto ao argumento de que o preâmbulo da IN SRF 97/94 menciona o art. 453, inciso 11 do RA e que por tal, o objetivo seria o de viabilizar a entrega do produto deslocando-o para outros locais antes de começado o despacho aduaneiro, o mesmo não socorre a recorrente. Isto porque a situação fática não retrata as hipóteses expressas naquele artigo do regulamento, quais sejam: - o caso concreto deve ser excepcional; - o caso deve estar fundamentado em justificativa; - trata-se de uma possibilidade, não de uma obrigatoriedade. Em consequência, no processo de que se trata, tal argumento não deve ser aceito. 6 Processo n° : 10708.000054/96-69 Acórdão n° : CSRF/03-03.041 Como judiciosamente argumentou a digna representante da Fazenda Nacional, nenhum fato novo, nenhum argumento novo foram carreados aos autos que pudessem invalidar a sólida argumentação do voto do Acórdão recorrido. Voto, por conseguinte, para negar provimento ao recurso de divergência. Sala de Sessões, (DF) em 18 de outubro de 1999. L /6 7 /J ~ HW/ANDA COSTA - 7 PROCESSO N' 10708.000054/96-69 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 041 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO MOACYR ELOY DE MEDEIROS -- RELATOR DESIGNADO Trata-se da aplicação da multa do art. 365, I do RIPI, para produto de procedência estrangeira (petróleo), entrado no estabelecimento do importador desacompanhado da respectiva Declaração de Importação. Assim determina a supracitada norma "Art. 365 — Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na Nota-Fiscal, respectivamente (Lei n° 4.502/64, art. 83, e Decreto-lei ri° 400/68, art. 1, alt. 2a): I — os que entregarem a consumo, ou consumirem, produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente, ou ainda que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado de Declaração de Importação, Declaração de Licitação ou Nota-Fiscal, conforme o caso." (grifei) Por outro lado, os artigos 40 e 50 da IN if 97/94 que têm por base o art. 453 do RA, que tratam da importação de petróleo e seus derivados, assim dispõem: "art. 40 - o despacho aduaneiro de importação dos produtos de que trata esta Instrução Normativa será processado com base na DI, a ser apresentada, pelo importador, à unidade da SRF que jurisdiciona o porto de descarga, até o oitavo dia subsequente (grifei) ao da conclusão do laudo ou do certificado de medição (grifei). Art. 5' - o desembaraço aduaneiro dos produtos de que trata este ato, submetidos a despacho, nos termos do artigo anterior, será levado a efeito com base nas informações da DI, instruída com o respectivo laudo, o certificado de medição contendo a data da conclusão da descarga". O referido art. 453 do RA está assim redigido- PROCESSO N° 10708.000054/96-69 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.041 "art. 453 — Poderá ainda ser autorizado pelo Secretário da Receita Federal em casos excepcionais, devidamente justificados. II— a entrega da mercadoria antes de começado o despacho (grifei) Verifica-se pois, que O produto em questão foi regularmente importado; As DIs referentes ao produto importado (n° 13/96, 14/96 e 15/96) foram desembaraçadas em 27/02/96 ( fls. 81), ainda dentro do prazo de que dispunha a empresa para realizá-los (oito dias após a conclusão do laudo de medição, que ocorreu em 22/02/96); A entrega do bem, e não o despacho, antes do desembaraço está amparado no art. 453 do RA, que é matriz da IN 97/94, A mercadoria foi regularmente importada pela Petrobrás, e transferida para outro estabelecimento da mesma empresa, também alfandegado. Verifica-se, também, que a farta jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, ao manter a penalidade, reporta-se corretamente, a fatos que caracterizem fraude, descaminho ou contrabando. Entendo, pois, não se configurar as situações previstas no art. 365, I do RIPI, razão porque dou provimento ao Recurso Especial de Divergência Sala das Sessões, (DF) em 18 de outubro de 1999 MOACYR _ ELOY DE MEDEIROS 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 44021.000299/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 1. 00 02 99 /2 00 7- 12 Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 44021.000299/200712 Acórdão n.º 9202006.130 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 44021.000299/200712 Acórdão n.º 9202006.130 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 44021.000299/200712 Acórdão n.º 9202006.130 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 44021.000299/200712 Acórdão n.º 9202006.130 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 44021.000299/200712 Acórdão n.º 9202006.130 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 44021.000299/200712 Acórdão n.º 9202006.130 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 44021.000299/200712 Acórdão n.º 9202006.130 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2255DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.728929/2015-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2016
IPI. ISENÇÃO. TÁXI. ROUBO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRESCRIÇÃO LEGAL ATENDIDA.
O beneficiário que cumpre com as prescrições impostas pela legislação de regência, mediante apresentação de documentação hábil, faz jus ao direito à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na aquisição de outro veículo de passageiros, para uso como táxi, em substituição àquele -veículo de aluguel- que foi objeto de roubo.
Numero da decisão: 3001-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2016 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. ROUBO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRESCRIÇÃO LEGAL ATENDIDA. O beneficiário que cumpre com as prescrições impostas pela legislação de regência, mediante apresentação de documentação hábil, faz jus ao direito à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na aquisição de outro veículo de passageiros, para uso como táxi, em substituição àquele -veículo de aluguel- que foi objeto de roubo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
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ISENÇÃO. TÁXI. ROUBO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRESCRIÇÃO LEGAL ATENDIDA. O beneficiário que cumpre com as prescrições impostas pela legislação de regência, mediante apresentação de documentação hábil, faz jus ao direito à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na aquisição de outro veículo de passageiros, para uso como táxi, em substituição àquele veículo de aluguel que foi objeto de roubo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 65/69) contra o Acórdão nº 1459.630, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ RPO), da sessão de 26.02.2016 (fls. 58/60), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente (fls. 47/51), que, na ocasião, não reconheceu o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 89 29 /2 01 5- 11 Fl. 81DF CARF MF 2 direito à aquisição de veículo com isenção de IPI, para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi). Do Pedido de Isenção À época, o recorrente em epígrafe efetuou, à vista da documentação apresentada (fls. 02/27), pedido de reconhecimento à fruição da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), na aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi), por entender que preenchia os requisitos exigidos pela Lei nº 8.989 de 24.02.1995 e pela Instrução Normativa RFB nº 987/2009 de 22.12.2009 (DOU de 23.12.2009). Do Despacho Decisório Em face da análise do referido requerimento, foi exarado, com base em parecer conclusivo, abaixo reproduzido, o respectivo despacho decisório (fls. 37/41), que assim concluiu: Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal. Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II DRF/RJO II. Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT/EQIPI. (...) Parecer Conclusivo nº 122/2015. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Ementa: ISENÇÃO NA COMPRA DE VEÍCULO DESTINADO AO TRANSPORTE AUTÔNOMO DE PASSAGEIROS (TÁXI) O titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), não estando no exercício da atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo deve apresentar Certidão de Baixa do Veículo, prevista em resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), ou certidão da Delegacia de Furtos e Roubos ou congênere, conforme o caso. Art. 4º, § 1º, III, “b”, e § 4º, da IN RFB nº 987/2009, com as alterações da IN RFB nº 1.368/2013. PEDIDO INDEFERIDO (...) Isso posto, e Considerando que o interessado não está exercendo a atividade de taxista uma vez que o veículo IDEA ADVENTURE de placa LQS1870 não consta como veículo de aluguel, conforme documento do Detran/RJ de fl. 32; Considerando que o documento apresentado, à fl. 35, não supre a necessidade de apresentação da Certidão supracitada; Considerando tudo mais que do processo consta, Proponho o INDEFERIMENTO do pleito, por descumprimento do que determina o art. 4º, § 4º, da IN RFB nº 987/2009, com as alterações da IN RFB nº 1.368/2013. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 18470.728929/201511 Acórdão n.º 3001000.020 S3C0T1 Fl. 73 3 (...) DESPACHO DECISÓRIO Com fundamento no Parecer Conclusivo nº 122/2015, às fls. 37 a 40, que aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte integrante deste Despacho Decisório, como se nele estivesse transcrito, DECIDO, por descumprimento do que determina o art. 4º, § 4º, da IN RFB nº 987/2009, INDEFERIR o Pedido de ISENÇÃO do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de veículo destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi), tendo em vista as razões expendidas no aludido Parecer. Cabe manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, contra o presente Despacho Decisório dirigida ao Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA. Dêse CIÊNCIA ao interessado deste Despacho Decisório. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante do não reconhecimento da isenção pleiteada, o recorrente apresentou, em 10.12.2015, perante a DRF/RJ2/CACCampo Grande, manifestação de inconformidade, que reproduzo, naquilo que importa para o processo em apreço: De acordo com a movimentação do processo acima, (...), em que consta: apresentação de Certidão de Baixa do Veículo, no Conselho de Trânsito (Contran), ou Certidão da Delegacia de Roubos e Furtos ou congênere. Informo que o contribuinte acima citado, orientado pela SMTR (Secretaria Municipal de Transporte), foi até a Delegacia de Roubos e Furtos, na 41ª Delegacia de Polícia Civil, dar entrada no processo de roubo do veículo placa LQS1870... De posse do Registro de Ocorrência nº 04103079/2015, em 23/07/2015... O contribuinte, vai até a Secretaria Municipal de Transporte, na Coordenadoria de Licenciamento TR/SURC/CL, solicitando um ofício para ser encaminhado ao Detran/RJ. Ofício nº 13839 TR/CL/GTI, emitido em 17 de agosto de 2015, encaminhado ao Diretor da Diretoria de Registro de Veículos do (Detran/RJ), informando sobre a exclusão do referido automóvel, citado no ocorrência 04103079/2015.. (LQS1870), do sistema permissionário de táxi deste município.. e como medida complementar, as seguintes providências: itens 1 e 2....conforme ofício nº 13839 TR/CL/GTI, anexo a esse processo.... Em resposta à este ofício nº 13839 TR/CL/GTI, a (...) Diretora Geral de Registro de Veículos Detran/RJ, emite Certidão de Fl. 83DF CARF MF 4 Baixa, através do Ofício DetranRJ/DRV/ nº 004461/2015 emitido em 08 de setembro de 2015, encaminhando (...), Gerência de Transporte Individual, (...), da Secretaria Municipal de Transporte Individual... onde relata a descaracterização da categoria aluguel no sistema informatizado deste órgão, referente ao veículo placa LQS 1870, (...), objeto de roubo e furto. Anexo a esse processo.... ofício Detran/RJ.. Solicito, (...) e que seja deferido para esse contribuinte à liberação da Carta de Isenção de IPI, já que cumpre todas as determinações impostas pela SMTR (...). e também demonstrando o passo a passo, à esta Delegacia de Receita Federal Diort. (...) Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no Acórdão nº 1459.630, da 3ª Turma da DRJ/RPO, da sessão de 26 de fevereiro de 2016, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2016 ISENÇÃO. TÁXI. PROPRIEDADE DE VEÍCULO. ROUBO/FURTO. O direito à aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), destinase apenas ao motorista profissional que comprovadamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade, exceto nos caso de roubou ou furto, comprovado por certidão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Dessa decisão, importa destacar os seguintes enxertos: Voto (...) Como visto, o pedido foi indeferido em razão da constatação de que a requerente não está exercendo a atividade de taxista e não apresentou a Certidão da Delegacia de Furtos e Roubos. A interessada defendeu que tomou todas as providências necessárias após o roubo do veículo, impostas pela Secretaria Municipal de Transporte. (...) O art. 4º do mesmo dispositivo estabelece os requisitos para habilitação ao benefício, determinando, no § 1º, III, “b”, a apresentação de declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que é titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18470.728929/201511 Acórdão n.º 3001000.020 S3C0T1 Fl. 74 5 de transporte individual de passageiros (táxi), não estando no exercício da atividade em virtude de furto ou roubo do veículo. Tal documento não consta do processo, uma vez que a declaração de fl. 13 informa que a interessada exerce a atividade de taxista, nada informando acerca de impedimento para tal em virtude de furto ou roubo do veículo. (...) Já o § 4º do art. 4º exige, ainda, que a interessada junte ao requerimento a certidão da Delegacia de Furtos e Roubos ou congênere. Esse documento também não foi anexado ao processo. O simples boletim de ocorrência, trazido pela interessada, não é suficiente para o fim colimado. Dessa forma, não foram cumpridas as exigências solicitadas. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário Diante do indeferimento da sua manifestação de inconformidade, que não reconheceu a isenção pretendida, irresignado, o recorrente interpôs em 07.04.2016, perante a DRF/RJ2/CACCampo Grande, recurso voluntário, nos termos a seguir sintetizados: (...) Após acórdão por unanimidade de votos, julgar improcedente, me ressalvando o direito à interpor recurso, anexo, apresento os seguintes documentos solicitados: 1)Certidão de Delegacia de Roubos e Furtos... 2)Cartão de Permissão de Identificação de Transporte, autorizatário como taxista, autorizado desde 10/08/2010. (emitido novamente por ter sido roubado, junto com o veículo, conforme o registro de ocorrência). 3)Declaração de Secretaria Municipal de Transportes, afirmando que sou titular da Permissão nº 11.0166423, desde 10/08/2010..... Obs: Também consta neste processo desde seu início, carta ofício, da Secretaria Municipal de Transporte, endereçando ao Detran/RJ, para descaracterizar tal veículo como táxi, à condição na categoria particular. E carta ofício do próprio Detran/RJ em resposta à Secretaria Municipal de Transporte, informando a descaracterização.... Ficando eu (contribuinte) na condição de taxista, ter que colocar outro veículo, nesta permissão ou autorização. Condição imposta pela Secretaria Municipal de Transportes, a que chamamos de permuta de veículo... Fl. 85DF CARF MF 6 Solicito, (...) e que seja deferido para à liberação da Carta de Isenção de IPI, já que cumpre todas as determinações impostas pela SMTR (...). E também demonstrando o passo a passo, à esta Delegacia de Receita Federal do Brasil Comissão de Julgamento e a Delegacia de Análises Tributárias de Receita Federal DiortRJ2. (...) É o relatório. Voto Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do "Despacho de Encaminhamento" exarado pela IPICACCGDDRFRJ2RJORJ, foi protocolado, via e processo, em 07.04.2016 (quintafeira). A ciência ao interessado da decisão de 1ª (primeira) instância, procedida pessoalmente (fls. 62/64), ocorreu em 11.03.2016 (sextafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto nº 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da presente peça recursal. Do Mérito A questão dos autos diz respeito à isenção de IPI para aquisição de táxi. Em face da manutenção do indeferimento do pleito, conforme decidido pela 3ª Turma da DRJRPO (fls. 58/60), a questão posta a apreciação desta Turma de Julgamento cingese em definir se os documentos apresentados juntamente com o presente recurso evidenciam que o requerente à isenção do IPITáxi demonstra que não está exercendo a atividade de taxista e se trata da certidão específica, expedida pela Delegacia de Furtos e Roubos, haja vista que foi pela falta destas comprovações que a decisão a quo fundamentou o respectivo indeferimento, em face do disposto no art. 2º, I, “b”, e art. 4º, § 1º, III, “b”, ambos da IN RFB nº 987, de 2009. De plano, assiste razão à relatora da decisão a quo quando decidiu pelo indeferimento do pleito, posto que, a seu talante, até aquela ocasião o requerente não havia feito prova suficiente para que lhe fosse outorgada a autorização de isenção de IPI para táxi, haja vista os documentos apresentados com sua Manifestação de Inconformidade. Para a análise do pedido de concessão de isenção, se faz oportuno remetermonos, in casu, ao art. 4º da IN RFB nº 987, de 22.12.2009, com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.368, de 2013, que dispõe: CAPÍTULO II DOS REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO BENEFÍCIO Art. 4º Para habilitarse à fruição da isenção, o interessado deverá apresentar à unidade da RFB, da jurisdição do local onde o taxista exerce essa atividade, formulário de requerimento, em 2 (duas) vias, conforme modelo constante do Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18470.728929/201511 Acórdão n.º 3001000.020 S3C0T1 Fl. 75 7 Anexo III, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat). § 1º O motorista profissional autônomo deverá apresentar, na data do requerimento: (...) III declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente (art. 135 da Lei nº 9.503, de 1997), comprobatória de que: (...) b) é titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), não estando no exercício da atividade em virtude de destruição completa , furto ou roubo do veículo. (...) § 4º Na hipótese da alínea "b" do inciso III do § 1º, o interessado deverá juntar ao requerimento a Certidão de Baixa do Veículo, prevista em resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), no caso de destruição completa do veículo, ou certidão da Delegacia de Furtos e Roubos ou congênere , no caso de furto ou roubo. (...) Transcrita a norma que disciplina a questão litigada, cabenos analisar se os documentos juntados aos autos, com o oferecimento do recurso voluntário atende às suas prescrições. Compulsando, os documentos apresentados com sua Manifestação de Inconformidade, (i) Registro de Ocorrência nº 04103079/2015, expedido pela 41ª Delegacia de Polícia Civil, no Rio de Janeiro, em 23.07.2015, noticiando o roubo do veículo de placas LQS1870, (ii) Ofício nº 13839 TR/CL/GTI, emitido pela Coordenadoria de Licenciamento TR/SURC/CL da Secretaria Municipal de Transporte do Rio de Janeiro, em 17.08.2015, informando a Diretoria de Registro de Veículos do Detran do Rio de Janeiro /RJ), para fins de exclusão, de seus registros, do veículo de placas LQS1870 do seu sistema permissionário de táxi, em face do mencionado no Registro de Ocorrência nº 04103079/2015, complementados com os anexados ao recurso voluntário, (iii) "Declaração para Fins de Requerer de Requerer Isenção Tributária" Código: X42VWY1v24, feita pela Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, em 22.01.2016, informa que o ora recorrente é "motorista profissional inicialmente qualificado" e que "exerce a atividade de permissionário do Serviço de Transporte de Passageiros em Veículo de Aluguel a Taxímetro (ou Tarifado), no Município do Rio de Janeiro, devidamente registrado nesta SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES, sendo titular da permissão 110166423 desde 10/08/2010 até a presente data", (iv) "Termo de Permissão" (processo nº 331/002902/2010, de 10.08.2010, emitido pela Coordenadoria de Licenciamento Matrícula/SMTR" e (v) CERTIDÃO, lavrada, em 18.03.2016, pela DRFA, da Chefia da Polícia Civil, da Secretaria de Estado de Segurança SESEG, do Governo do Estado do Rio de Janeiro (Controle Interno nº 0392891908/2016 do Fl. 87DF CARF MF 8 Procedimento nº 90899998/2005), em que a autoridade policial competente certifica, "que aos 18 (dezoito) dias do mês de Março do ano de 2016, DIVISÃO DE ROUBOS E FURTOS DE VEÍCULOS DRFADGPEPCERJ do Estado do Rio de Janeiro, após constatar o fiel cumprimento de suas exigência legais, resolve expedir a presente CERTIDÃO, requerida por JOÃO PAIVA LEÃO, para FAZER PROVA junto à RECEITA FEDERAL, informando que até data de 18/03/2016, em pesquisas ao BANCO DE DADOS DO SISTEMA PRODERJ NÃO CONSTA RECUPERAÇÃO do veículo de marca FIAT IDEA, ano e modelo 2013/2013, de cor amarela, PLACA do Rio de Janeiro LQS1870, CHASSI número 9BD13531CD2236559, sendo o auto em questão produto de ROUBO DE VEÍCULO em circunscrição da 41ª Delegacia Policial / PCERJ nesta cidade do Rio de Janeiro, segundo o REGISTRO DE OCORRÊNCIA Nº 04103079 / 2015 datado de 23/07/2015", atendem às prescrições contidas no art. 2º, I, “b”, e no art. 4º, § 1º, III, “b”, ambos da IN RFB nº 987, de 2009, habilitando o interessado (recorrente) à aquisição de veículo destinado à prestação de serviço de transporte individual autônomo de passageiros (táxi), com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e lhe dar provimento. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.030476/97-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano calendário:1997
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA.
Sem a apresentação de provas acerca da efetiva existência do crédito supostamente passível de restituição / compensação, torna-se impossível a análise do pedido formulado pela contribuinte.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TACITA E SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se convertem em Declaração de Compensação (DCOMP),razão pela qual não se opera a homologação tácita desses pedidos, nem se verifica a suspensão da exigibilidade dos aludidos débitos.
Numero da decisão: 1401-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário:1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA. Sem a apresentação de provas acerca da efetiva existência do crédito supostamente passível de restituição / compensação, torna-se impossível a análise do pedido formulado pela contribuinte. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TACITA E SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se convertem em Declaração de Compensação (DCOMP),razão pela qual não se opera a homologação tácita desses pedidos, nem se verifica a suspensão da exigibilidade dos aludidos débitos.
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PROVA. Sem a apresentação de provas acerca da efetiva existência do crédito supostamente passível de restituição / compensação, tornase impossível a análise do pedido formulado pela contribuinte. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TACITA E SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se convertem em Declaração de Compensação (DCOMP),razão pela qual não se opera a homologação tácita desses pedidos, nem se verifica a suspensão da exigibilidade dos aludidos débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Sergio Luiz Bezerra Presta, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.030476/9767 Acórdão n.º 140100.592 S1C4T1 Fl. 276 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 225): Trata o presente feito de Pedido de Restituição do valor recolhido sob código de receita: 2932, com fulcro no artigo 35 da Lei n° 7.713/1988 (fl. 17), cumulado com Pedido de Compensação com débito de terceiro relativo ao código 0190 (fl. 01), tendo sido acostados aos autos, às fls. 12, DARF que instrui o pedido de restituição. Por meio do Despacho Decisório de fls. 163/166, proferido pela DERAT/SPO/DIORT, datado de 16/05/2008, foi indeferido o pedido e, assim, não homologada a compensação solicitada considerandose, dentre outros motivos, que não foi informado pelo contribuinte o valor pleiteado de restituição, o n° do processo referente ao Auto de Infração, FM 499, vinculado ao recolhimento Darf de fls. 12, que instrui o pedido de restituição, nem tampouco a base de cálculo do tributo. Consignouse, ainda, no despacho que o código 2932 referese a IRRF constituído de oficio e que nos sistemas eletrônicos de controle de processos da SRF foi localizado um único processo que trata de Auto de Infração do citado tributo (PAF n° 10880.017745/93 49), todavia encerrado e arquivado sem apresentação de impugnação. A ciência foi dada em (fls. 167) em 30/05/2008 e foi apresentada, em 23/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 170 a 182, na qual contesta o indeferimento do Pedido de Compensação. Inicia expondo que o AD COSIT n° 06/1996 declara que o artigo 8° do DL 2065/1983 foi revogado pelos artigos 35 e 36 da Lei n° 7713/1988, devendose aplicar em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/1989 a 31/12/1992 a norma superveniente. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e afirma que, utilizandose dos benefícios da mudança na legislação o contribuinte Benedicto Silveira Filho compensou seu débito vincendo com os créditos da empresa interessada nestes autos. Transcreve o impugnante o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, para fundamentar seu entendimento de que teria ocorrido a homologação tácita do pedido de compensação, visto ter o contribuinte tomado ciência do despacho decisório recorrido em 30/05/2008, quando já havido transcorrido mais de cinco anos da data da protocolização do pedido de compensação, que se deu em 15/10/1997. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Foi, ainda, acostada aos autos em fls. 38 a 40, petição datada de 27/04/2006, dirigida ao Sr. Delegado da DERAT, apresentada pelo devedor, CPF: 163.304.12804. A 5ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, indeferiu a solicitação da interessada, por meio do Acórdão 1619.208, assim ementado (fls. 223): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA. Sem o conhecimento do fato gerador do imposto, fica impossibilitada a análise do fundamento da tributação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE DA HOMOLOGAÇÃO TACITA E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Os pedidos de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se convertem em Declaração de Compensação (DCOMP), sendo aplicável ao caso o rito previsto na Lei 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito federal, inexistindo, portanto, a possibilidade de homologação tácita desses pedidos, nem a suspensão da exigibilidade dos débitos. Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão em 26/12/2008 (fls. 228), a contribuinte, em 08/01/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 230242, reiterando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Argumentou, outrossim, que a decisão recorrida necessita ser reformada, sob pena de se configurar grave inobservância do princípio constitucional da legalidade. Afirmou que a decisão foi prolatada após o transcurso do prazo de 11 anos. A pessoa jurídica, contudo, que já teve suas atividades encerradas, somente estara obrigada a manter em seus arquivos os documentos por um período de 5 anos. Em sua opinião, se entre a data do protocolo dos pedidos de compensação e a data da cientificação fluíram mais do que 5 anos, como aqui ocorre, a homologação tácita fazse inarredável. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.030476/9767 Acórdão n.º 140100.592 S1C4T1 Fl. 277 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Arguição de homologação tácita do presente pedido de compensação A peça recursal, repetindo os argumentos constantes da manifestação de inconformidade, sustenta que teria havido o transcurso de um período superior a 5 anos, entre a data de protocolização do pedido (15/101/997) e a data da ciência do despacho decisório (30/05/2008). Consequentemente, no entender da empresa detentora do suposto crédito, teria havido a homologação tácita do presente pedide de compensação com débitos de terceiros. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, cumpre observar que a possibilidade de se compensar créditos com débitos de terceiros foi regulada pela IN SRF 21/97, nos seguintes termos, verbis (grifado): Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1°. A compensação de que trata este artigo será a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2°. Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar um via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3° Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4° Na hipótese do § 2°, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2° do at. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. Como facilmente se percebe, o pedido de compensação apresentada pelo titular do débito possuía caráter de simples comunicado, pois demandava diversos atos de controle administrativo. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 Por esta razão, os pedidos de conpensação com débitos de terceiros estão sujeitos a regras distintas daquelas que se aplicam aos pedidos de restituição e pedidos de compensação com débitos próprios. Vale dizer que somente estes últimos foram convertidos em Declarações de Compensação, submetendose ao rito processual previsto no Decreto 70.235/72. Por seu turno, os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados em conformidade com a IN SRF n° 21/97, pendentes de compensação em 01/10/2002, não foram convertidos em Declaração de Compensação. Sobre o tema,, foi bastante clara a orinetação constante do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, verbis (grifado): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (.) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) Como facilmente se percebe, o § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002, somente determinou a conversão em DCOMP somente dos pedidos de compensação de débitos próprios, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa. Sobre o tema, foi bastante elucidativo o Acórdão recorrido, fls. 226227 (grifgado): Em outras palavras, toda a sistemática relacionada à DCOMP, inclusive a conversão de pedidos de compensação anteriores à Medida Provisória n° 66/2002, só se ajusta às compensações de débitos próprios. Como conseqüência, entendese que os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n° 21/97, não se converteram em Declaração de Compensação, sendolhes aplicáveis o regramento antes vigente. Ou seja, independentemente do resultado da apreciação do direito credit6rio invocado, não há que se falar em homologação tácita de pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros. Justamente por não ter a compensação se convertido em DCOMP, não compete à Delegacia de Julgamento a apreciação de defesa em face do não acolhimento da pretensão compensatória de débitos de terceiros, sendo aplicável o rito previsto na Lei 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito federal, que não prevê a suspensão da exigibilidade dos débitos em aberto. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.030476/9767 Acórdão n.º 140100.592 S1C4T1 Fl. 278 7 De todo o exposto, concluo que não ocorreu a homologação tácita do pedido de compensação em apreço, uma vez que o mesmo não se converteu em declaração de compensação. Vale dizer que toda a vasta jurisprudência administrativa e judicial mencionada pelo recorrente (fls. 242246) revelase inaplicável ao presente caso, uma vez que aqueles julgados referemse, exclusivamente, a situações em que o pedido de compensação foi convertido em DCOMP, por se tratar de pedido de compensação com débitos próprios. Assim sendo, em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Análise do crédito supostamente passível de compensação Compulsando os autos, verifico que o crédito pleiteado, conforme pedido de restituição, instruido com o DARF de fls. 12, referese a pagamento vinculado a auto de infração com "FM 499". A recorrente alegou que a diferença pleiteada, passível de compensação, referese à diferença entre as aliquotas de 25% (artigo 8° do DL 2065/1983) e 8% (artigos 35 e 36 da Lei n° 7713/1988), de recolhimento efetuado em 25/03/1993, sob código de receita: 2932. Sobre o tema, assim se pronunciou o acórdão recorrido, fls. 227: Com efeito, o artigo 8° do DL 2.065/1983 foi revogado pelos artigos 35 e 36 da Lei n° 7.713/1988, sendo assim, é de se aplicar no período de 01.01.89 a 31.12.92 as normas da referida Lei. Todavia, a interessada deixou de informar o fato gerador do tributo pago, a base de cálculo, o auto de infração e o processo em questão, enfim, os elementos necessários para que se pudesse constatar eventual pagamento a maior que se pretende compensar com débito de terceiro. Assim, não se dispõe nos presentes autos de provas do alegado, apesar de o despacho da autoridade administrativa já haver mencionado a falta. Portanto, na incerteza da situação fática, qual seja, se o fato gerador seria anterior ou posterior a 01/01/89, não há como se aplicar o direito invocado pela manifestante. Em sua peça recursal, a.recorrente mais uma vez abstevese de trazer aos autos qualque relementos de prova capaz de demonstrar a existência do aludido crédito, supostamente passível de compensação. Compulsando detalhadamente os autos, nenhuma informação é possíel encontrar acerca da data de ocorrência do fato gerador do tributo pago, da base de cálculo, do auto de infração e do correspondente processo admnistrativo. Assim sendo, continua sendo materialmente impossível para este colegiado se pronunciar acerca da existência de qualquer pagamento a maior do que o devido. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 Conforme bem mencionado pelo acórdão recorrido, para a análise do pleito formulado pela contribuinte, ora recorrente, seria essencial identificar se os fatos geradores a que se refere o DARF de fls. 12 ocorreram antes ou depois de 01/01/1989. Na ausência de qualque elementos de prova capaz de demonstrar a efetiva existência do crédito, supostamente passível de compensação, o pleito da recorrente nõ pode ser deferido. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 289DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910744/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 14/05/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.592
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 14/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 44 /2 01 1- 52 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910744/201152 Acórdão n.º 3402004.592 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.324, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 14/05/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910744/201152 Acórdão n.º 3402004.592 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910744/201152 Acórdão n.º 3402004.592 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910744/201152 Acórdão n.º 3402004.592 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.722366/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DE 2010. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
Numero da decisão: 2402-006.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, que dava parcial provimento para que o valor lançado fosse recalculado pelo regime de competência.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DE 2010. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 23 66 /2 01 1- 66 Fl. 73DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, que dava parcial provimento para que o valor lançado fosse recalculado pelo regime de competência. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 2402006.016 S2C4T2 Fl. 74 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 52/58, tomado contra acórdão da 21ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo in totum, o crédito tributário exigido. Assim restou relada a decisão recorrida: "O sujeito passivo insurgese contra o lançamento de fls. 06 e seguintes,emitido em 29/08/11, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPFEX2008/AC2007, que verificou omissão de rendimento. Totalizando R$ 32.503,67 de rendimentos omitidos (sem diferença de IRRF (R$975,11)). Na manifestação apresentada às fls. 02 e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura de seu texto integral, que seja acolhida a impugnação apresentada. Alega com relação a Omissão de Rendimento lançada que o valor seria isento e não tributável por se tratar de rendimento recebido acumuladamente (RRA); cabendose se observar a tributação mensalmente e não no seu montante global. Apresenta artigo da constituição (isonomia tributária) e outros elementos para fundamentar o seu pleito. Cita a Instrução Normativa/RFB nº1.127/2011 entre outros atos." Em sua peça recursal, aduz a recorrente que o valor em testilha não foi lançado como “Rendimentos Tributáveis”, como propugnado pela DRJ, uma vez que tratarse ia de “Rendimentos Acumulados”, devendo, portanto, incidir imposto sobre os valores mensais e não o montante total. Segue argumentando que, sob a ótica do Direito Civil, não haveria incidência de imposto sobre os juros de mora, uma vez que teriam caráter indenizatório, bem como acentua ser comum o recebimento de quantias atrasadas com efeito retroativo, uma vez que o INSS delongase no pagamento e revisão dos benefícios por ele concedido. Em preliminar de direito, sustenta que o entendimento da Fazenda Pública em tributar aqueles que receberam seu benefício fora do tempo previsto em lei por desídia da Pública Administração é ato “atentatório ao princípio da igualdade e da injustiça”, uma vez que, estes seriam prejudicados pela tributação. No mérito, giza que o art. 150, inc. II da Constituição da República veda o tratamento desigual entre os contribuintes e, portanto, o procedimento adotado com a ora recorrente destoa do que preconizado na Lei Maior. Em defesa de sua tese, assevera que a Medida Provisória nº 497, convertida na Lei 12.530/2010, garantiu o direito pleiteado pela apelante. Diz que: Fl. 75DF CARF MF 4 “(...)garantindo a aplicação aos contribuintes da proporcionalidade, ou seja, o pagamento de imposto de renda na proporção mensal a que os demais beneficiários da previdência estariam a recolher”. (sic) Calca, ainda, seus argumentos no artigo 12A da lei nº 7.713/1988, colacionando entendimento doutrinário e jurisprudência a respeito do tema de não incidência de IRPF sobre as verbas recebidas acumuladamente. Por derradeiro, junta diversas decisões dos Tribunais pátrios e do c. Superior Tribunal de Justiça que, a seu ver, dariam razão para provimento do seu apelo. Diante disso, requer que o recurso seja conhecido e provido para que o imposto seja considerado em conta dos valores percebidos mensalmente e não no montante global recebido, em vista de afrontar a isonomia tributária. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 2402006.016 S2C4T2 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade recursal, devendo, portanto, ser conhecido. Os rendimentos tidos por omitidos foram pagos em 11/06/2007 por meio de deposito judicial realizado para quitação de valores apurados em decorrência do reconhecimento judicial do direito a aposentadoria por invalidez da Recorrente, cujo as competências referentes ocorreram entre 2004 e 2005 (fls. 15 a 27). Claramente a discussão está adstrita ao adequado tratamento tributário a ser aplicado aos rendimentos recebidos acumuladamente antes de 2010 e, no presente caso, tal circunstância jurídica apresenta grande relevo. Por entender ser a mais coerente ao presente caso, adotaremos a tese manifestada pelo Dr. João Victor Ribeiro Aldinucci, conforme Acórdão nº 2402005.466: "O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, conseqüentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua Fl. 77DF CARF MF 6 inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. (destacouse) Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo." de pagamento de acordo judicial formulado nos autos do processo nº 026350044.1991.5.01.0026, que tramitou na 26ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, no valor de R$ 206.566,32 (fls. 5). A DRJ entendeu que os rendimentos recebidos acumuladamente estão sujeito à incidência do imposto no mês do recebimento ou crédito, apurando o imposto de renda suplementar (fl.6). Mais uma vez recorrendo as coerentes manifestações do Dr. João Vitor: "Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 2402006.016 S2C4T2 Fl. 76 7 Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Fl. 79DF CARF MF 8 Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao recorrente. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN." No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por conseqüência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. Em caso análogo, assim se decidiu: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 2402006.016 S2C4T2 Fl. 77 9 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) No que se refere a multa por atraso de entrega de declaração aludida pela recorrente é matéria estranha a lide já que a mesma não foi verificada no presente caso. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento para, cassando o acórdão recorrido, reconhecer a nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 81DF CARF MF
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