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Numero do processo: 11080.930868/2011-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 68 /2 01 1- 71 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.354, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930868/201171 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723043/2010-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONOS NÃO EXPRESSAMENTE DESVINCULADOS DO SALÁRIO.
A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados, a título de abono não expressamente desvinculado do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A perda da espontaneidade do sujeito passivo ocorre pelo início do procedimento fiscal, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize.
Os atos de confissão de dívida, praticados após o início da ação fiscal, não têm força para impedir a constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 2403-002.338
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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ABONOS NÃO EXPRESSAMENTE DESVINCULADOS DO SALÁRIO. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados, a título de abono não expressamente desvinculado do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A perda da espontaneidade do sujeito passivo ocorre pelo início do procedimento fiscal, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize. Os atos de confissão de dívida, praticados após o início da ação fiscal, não têm força para impedir a constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 30 43 /2 01 0- 08 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0239.525 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Conforme os autos, tratase de crédito da Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, incidente sobre valores pagos a segurados empregados e sobre remuneração paga a contribuintes individuais, apurado através dos levantamentos discriminados a seguir: Levantamento AF e AF1 Abono de Férias Convenção refere se a valores extraídos das folhas de pagamento da empresa relativas à rubrica Abono Convenção códigos 029 e 034, paga aos empregados por força de Convenção Coletiva de Trabalho. Levantamento AB1 Abono PLR referese a valores extraídos das folhas de pagamento da empresa relativas à rubrica Abono código 150, paga aos empregados por força de Convenção Coletiva de Trabalho em substituição aos benefícios do programa de participação nos lucros ou resultados não implementado pela empresa. Levantamento AM1 Abono Motivacional referese a valores extraídos das folhas de pagamento da empresa relativas à rubrica Abono código 612, não contemplada na Convenção Coletiva de Trabalho e paga aos empregados por liberalidade da empresa. Levantamento CI e CI1 Contribuinte Individual referese a valores extraídos do Livro Razão referente às contas de despesas que registram pagamentos a contribuintes individuais (honorários advocatícios, honorários contábeis, autônomos e manutenção e conservação). O crédito lançado perfaz o valor total de R$18.922,18 consolidado em 16/11/2010. O Auto de Infração foi lavrado em 24/11/2010, tendo o contribuinte sido cientificado em 27/11/2010, através de seu representante legal, conforme fls. 02. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 16, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0611000.2010.00459. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 O contribuinte apresentou impugnação em 23/12/2010, fls. 53/80, conforme a síntese a seguir: De início, faz um relato a respeito de suas atividades e contesta a autuação de forma geral. Alega que o §2° do artigo 22 da Lei 8.212/91 afasta expressamente da base de cálculo da contribuição previdenciária, as verbas previstas no parágrafo 9° de seu artigo 28 e que as verbas pagas ao empregado em decorrência da relação de emprego ou de trabalho, mas não propriamente em retribuição ao trabalho, devem ser excluídas do conceito de salário de contribuição e, portanto, da base de cálculo da contribuição previdenciária. Argumenta que o abono de férias previsto em Convenção Coletiva de Trabalho não possui natureza remuneratória e que a própria legislação previdenciária exclui o abono de férias na forma dos artigos 143 e 144 da CLT do conceito de salário de contribuição. Cita trechos de julgados e alega ilegalidade na cobrança da referida contribuição. Faz considerações acerca da natureza não remuneratória do Abono PLR previsto em Convenção Coletiva de Trabalho citando o artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal de 1988. Alega que a fiscalização promoveu o lançamento da contribuição no equivocado entendimento de que a PLR deve ser paga com observância dos requisitos previstos na lei específica para fazer jus à não incidência de contribuição previdenciária. Prossegue argumentando que a impugnante não se furta a demonstrar o cumprimento dos requisitos da lei específica e que todos os pagamentos a título de PLR abrangidos pela autuação preenchem os requisitos estabelecidos pela Lei 10.101/00. Finaliza argumentando que não há como prosperar a alegação de que a impugnante não atendeu a legislação que regula a PLR, devendo ser cancelada a cobrança da contribuição previdenciária. Reitera os argumentos apresentados anteriormente para contestar o lançamento relativo à rubrica Abono Motivacional, alegando que tal parcela não tem natureza salarial e sim indenizatória, sendo imprópria a cobrança pretendida pela fiscalização. Quanto à cobrança de contribuição sobre remuneração paga a contribuintes individuais, alega que a fiscalização não considerou toda a documentação contábil produzida pela impugnante. Discrimina, por competência, os questionamentos, conforme a seguir sintetizado: Competência Janeiro/2007: Conta Manutenção e Conserv – 3.1.1.01.3017, montante lançado de R$125,00, correspondente ao salário líquido do contribuinte individual Vander José Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 4 5 Machado, conforme GFIP – Alega que tal verba foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que a remuneração do referido autônomo, na realidade no valor de R$140,00 foi devidamente lançada na GFIP e tributada. Competência Abril/2007: na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$6.862,74 (somatório de R$1.562,74 + R$2.500,00 + R$2.758,00 + R$42,00, conforme Razão), o pagamento de R$2.500,00 feito ao contribuinte José Felipe Jorge Filho referese à competência Maio/2007 e o pagamento de R$2.758,00 feito à pessoa jurídica Assis Contábil Ltda foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que não se trata de contribuinte individual. Competência Maio/2007: na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$2.500,00 correspondente ao pagamento feito ao contribuinte José Felipe Jorge Filho, conforme GFIP e Razão, tal remuneração foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinha sido devidamente lançada na GFIP e tributada. Competência Julho/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$959,00, correspondente à remuneração, que na realidade foi de R$950,00 paga ao contribuinte Geraldo Magno Soares, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinha sido devidamente lançada na GFIP e tributada. Competência Setembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$1.680,00 (somatório de R$1.360,00 + R$320,00) correspondente a s remunerações pagas aos contribuintes Geraldo Magno Soares e Luiz Carlos da Silva, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Competência Outubro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$4.580,00 (somatório de R$3.750,00 + R$830,00) correspondente às remunerações pagas aos contribuintes Geraldo Magno Soares e Luiz Carlos da Silva, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Competência Novembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$6.894,00 (somatório de R$900,00 + R$3.950,00+ R$10.667,00 + R$310,00 + R$1.734,00) correspondente às remunerações pagas aos contribuintes Fernando César, Geraldo Magno Soares, Gustavo A. Jorge Horta, Luiz Carlos da Silva e Zenilton MG Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Adriano de Souza, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Competência Dezembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$9.356,00, o montante de R$4.260,00 (somatório de R$1.200,00 + R$898,00 + R$400,00 + R$950,00) correspondente às remunerações pagas aos contribuintes Daniel A Castro de Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes Oliveira e Wesley Anderson Ribeiro, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Por fim, reconhece como correta parte do levantamento realizado pela fiscalização a saber: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 5 7 Argumenta que, tendo em vista que a Secretaria da Receita Federal não aceitou o parcelamento de parte da autuação, apesar do Auto de Infração mencionar nas Instruções para o Contribuinte que a parte não contestada poderia ser paga ou parcelada, requer, após a finalização do processo administrativo, seja oportunizado o parcelamento do débito confessado com a correspondente redução da multa de ofício. Requer a exclusão total da cobrança da contribuição previdenciária exigida da impugnante incidente sobre o abono de férias, abono PLR e abono motivacional pagos a seus funcionários, bem como a exclusão de parte da cobrança vertida sob o fundamento do não recolhimento da contribuição previdenciária da empresa sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais devidamente relacionados na impugnação. Requer o cancelamento da multa e juros correspondentes aos créditos tributários excluídos da cobrança, bem como a autorização para parcelamento do débito ora confessado, com a redução da multa de ofício. Diante dos argumentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação, os autos foram encaminhados ao Auditor Fiscal autuante para análise e pronunciamento, conforme despacho de fls. 161. Este processo encontrase apensado ao processo principal de n° 13603.723042/201055, onde o auditor fiscal autuante procedeu à retificação do lançamento relativo às contribuições incidentes sobre remuneração paga a contribuintes individuais, à qual o contribuinte teve ciência e manifestouse, nos prazos e termos ali indicados. Foi apresentado Discriminativo Analítico do Débito Retificado e informado da preclusão da parte não impugnada, não mais podendo ser discutida na fase recursal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Abonos (férias, PLR e motivacional). Não incidência da contribuição previdenciária. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 · Natureza não remuneratória do abono de férias previsto em convenção coletiva. · Natureza não remuneratória do abono PLR previsto em convenção coletiva. · Natureza não remuneratória do abono motivacional. · Tributação dos contribuintes individuais: · competência maio/2007: o Na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$ 2.500,00 (corresponde à remuneração do contribuinte individual José Felipe Jorge Filho, conforme GFIP e Razão), dita remuneração foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já havia sido devidamente lançada na GFIP e tributada; · competência dezembro/2007: o Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$ 9.356,00, deverá ser retificado para R$ 5.095,36, e não R$ 5.908,00, posto que o montante do somatório das remunerações pagas aos contribuintes Daniel ª Castro de Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes oliveira e Wesley Anderson Ribeiro, e que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas, perfaziam a quantia de R$ 4.260,64 e não de R$ 3.448,00. É o relatório Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. 1 – VERBAS TRIBUTÁVEIS A recorrente alega que os abonos pagos (férias, PLR e motivacional) não têm natureza salarial tendo em vista que não retribuem o trabalho e são indenizatórias. As contribuições para a seguridade social tem sua base imponível definida na Constituição da República de 1988, prevendo esta, para a empresa, a contribuição incidente sobre folha de salários e também sobre os demais rendimentos do trabalho. Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; A especificação do que deve ser tributado e o que não deve está no artigo 28 da Lei 8.212/91. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do mesmo artigo 28. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias:(Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas noinciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 7 11 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma doart. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos daLei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, osarts. 9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)15 t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 8 13 Assim, o conceito de saláriodecontribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. Cabe registrar que os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, ainda que expressamente desvinculem abonos concedidos do salário, não têm força de lei para impor a não incidência de tributos. A Convenção Coletiva tem força de lei vinculando as partes. Conforme o CTN, entretanto, não vincula a Administração Tributária quando estabelece que salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 1.1 – ABONO DE FÉRIAS A recorrente afirma que a verba não é remuneratória. Cita o artigo 28, § 9º, alínea “d” da Lei 8.212/91 e o artigo 144 da CLT. Discorre sobre o abono de férias do inciso XVIII, do artigo 7 da Constituição. Lei 8.212/91 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; CLT Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. Pra o caso presente, o que se tem, é um abono, definido em convenção coletiva (cláusula 14ª, denominado Abono de Férias), que é pago no dia do início das férias a quem não tiver mais de 7 faltas ao serviço, justificadas ou não. È um abono em razão da assiduidade. Não se trata de pagamento do abono de férias nos moldes dos artigos 143 e 144, da CLT e nem de um abono expressamente desvinculado do salário por força de lei. Também não se enquadra em nenhuma das hipóteses excludentes do salário de contribuição dispostas no artigo 28, § 9° da Lei n° 8.212/91. Entendo que deve incidir tributação. 1.2 ABONO PLR A recorrente discorre sobre a natureza não remuneratória, sobre o artigo 7º, inciso XI da Constituição, da Lei 10.101/2000, da Lei 8.212/91, artigo 28, § 9º, “j”, e sobre PLR em geral. O que temos neste processo, não é PLR, é um abono estabelecido em Convenção Coletiva,na cláusula 2ª “ABONO ÚNICO ESPECIAL – EMPRESAS QUE NÃO POSSUEM PLR”, pago em 2 parcelas. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 9 15 Assim sendo, em respeito à regra geral de incidência e à falta de provisão de não incidência, entendo correta a tributação. 1.3 – ABONO MOTIVACIONAL. Novamente a tese é que não possui natureza salarial e que é indenizatória. Entendo que indenização está associada à compensação por dano sofrido. Não consegui vislumbrar o aspecto indenizatório. A verba é paga por liberalidade da empresa. Novamente, em respeito à regra geral de incidência e à falta de provisão de não incidência, entendo correta a tributação. 2 – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Para os contribuintes individuais a recorrente reapresenta os argumentos trazidos na impugnação, isto é: competência maio/2007: Na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$ 2.500,00 (corresponde à remuneração do contribuinte individual José Felipe Jorge Filho, conforme GFIP e Razão), dita remuneração foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já havia sido devidamente lançada na GFIP e tributada; competência dezembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$ 9.356,00, deverá ser retificado para R$ 5.095,36, e não R$ 5.908,00, posto que o montante do somatório das remunerações pagas aos contribuintes Daniel ª Castro de Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes oliveira e Wesley Anderson Ribeiro, e que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas, perfaziam a quantia de R$ 4.260,64 e não de R$ 3.448,00. Concordo com a manifestação da DRJ. Para a competência 05/2007, ficou comprovado que a inclusão de José Felipe Jorge Filho na GFIP ocorreu após o início da ação fiscal e não caracteriza denúncia espontânea. O valor deve permanecer. Para a competência 12/2007, os valores pagos aos contribuintes individuais Daniel A Castro Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes Oliveira e Wesley Anderson Ribeiro foram excluídas conforme os valores declarados. Destaco que os valores correspondentes a cada contribuinte individual foram identificados, conforme abaixo. Voto DRJ No que se refere ao levantamento relativo às remunerações pagas aos trabalhadores autônomos (Levantamentos CI e CI1 Contribuinte Individual), os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação foram objeto de diligência fiscal, onde parte do lançamento foi retificada. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse às fls. 179/180, do processo principal (13603.723042/201055) contestando apenas o lançamento relativo às competências 05/2007 e 12/2007. Portanto, após a manifestação do contribuinte em relação ao resultado da diligência, restaram impugnadas somente as competências 05/2007 e 12/2007 (parcialmente). Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723043/201008 Acórdão n.º 2403002.338 S2C4T3 Fl. 10 17 Em relação à competência 05/2007, o contribuinte alega que o valor pago ao segurado José Felipe Jorge Filho deverá ser excluído, pois o mesmo consta da GFIP. No entanto, tal argumento não pode ser acolhido, uma vez que na data do início da ação fiscal, 09/07/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF de fls. 17, na GFIP relativa à competência 05/2007 (n° de controle MGvpJZTzcRH00000, enviada em 29/05/2007) não consta o referido segurado, que somente foi incluído na GFIP posterior entregue em 16/07/2010, no curso da ação fiscal (n° controle Gjbw5Fgv12I00006). No entanto, as declarações entregues após o início do procedimento fiscal não produzem efeitos tributários e não podem ser acolhidas como eficazes, em consonância com o disposto no parágrafo único do artigo 138, do Código Tributário Nacional que assim dispõe: CTN Art. 138 (..) Parágrafo único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionadas com a infração. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento da base de cálculo de R$2.500,00, referente a José Felipe Jorge Filho na competência 05/2007. Em relação à competência 12/2007, o contribuinte alega que o valor a ser excluído deverá ser de R$4.260,64 e não de R$3.448,00 como efetuado pela fiscalização, restando como impugnado, portanto, o valor de R$812,00. Não há qualquer reparo a ser feito no levantamento fiscal que retificou o débito excluindo os valores lançados na GFIP vigente no início da ação fiscal (n° controle Oej09HjQ3T00006, enviada em 08/09/2008) tendo em vista que na referida GFIP constam os seguintes valores discriminados por segurado: Daniel A Castro Oliveira R$1.200,00, Reinaldo Ramos Pinto R$898,00, Sebastião Gomes de Oliveira R$400,00 e Wesley Anderson Ribeiro R$950,00. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10840.907147/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Gilson Macedo Rosenburg Filho – PresidenteSubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo transmitiu, em 15 de setembro de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apurada em agosto de 2006, com crédito decorrente do pagamento dessa mesma contribuição apurada em março de 2004. Conforme despacho eletrônico emitido, a compensação não foi homologada, em virtude de o pagamento de que decorreria o alegado crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 07 14 7/ 20 09 -3 1 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10840.907147/200931 Resolução nº 3402000.625 S3C4T2 Fl. 166 2 A manifestação de inconformidade apresentada foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO), que indeferiu a solicitação, ensejando a interposição de recurso voluntário. Em suas razões recursais, a contribuinte alegou, em síntese, que, em março de 2004, obtivera um faturamento de R$ 68.299,01 (sessenta e oito mil duzentos e noventa e nove reais e um centavo), apurando, de um lado, um débito de Cofins de R$ 3.143,63 (três mil cento e quarenta e três reais e sessenta e três centavos) e, de outro, um crédito de R$ 3.408,59 (três mil quatrocentos e oito reais e cinqüenta e nove centavos). Destarte, terseia, no período de apuração em comento, crédito a seu favor no valor de R$ 264,96 (duzentos e sessenta e quatro reais e noventa e seis centavos) e, portanto, o pagamento efetuado em 15 de abril de 2004 seria indevido. Para comprovar suas alegações e seus cálculos, a contribuinte anexou a estes autos cópias de notas fiscais de prestação de serviços, de parte dos livros de prestação de serviços, Razão e Diário e, ainda cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) relativo ao pagamento efetuado em 15 de abril de 2004. Ao final, a contribuinte solicitou que, diante de sua omissão em apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora, fossem apreciados os comprovantes trazidos para reverter a decisão sobre a compensação declarada. É o relatório. VOTO Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que, desde sua manifestação inicial sobre o despacho decisório, recebida como manifestação de inconformidade e apreciada na DRJ/RPO, a contribuinte alegou apenas questão de fato, qual seja, a existência do indébito alegado e, para comprovar, trouxe com sua manifestação cópia da DCTF e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e, agora, em grau de recurso, apresentou cópias de livros e documentos, conforme relatado alhures. Diante disso, julgo necessário remeter este processo à unidade preparadora para que, após verificação da autenticidade, sejam apreciadas as provas anexadas ao recurso e elaborado demonstrativo da Cofins devida em março de 2004 e, à vista do pagamento efetuado, o eventual indébito passível de restituição ou de compensação. Destarte, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para as providências acima. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10840.907147/200931 Resolução nº 3402000.625 S3C4T2 Fl. 167 3 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 15940.720037/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL.
A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento.
NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo.
SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES.
A simulação é a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. Por sua natureza, a simulação é provada pela prova indiciária. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. No caso em análise, há farta coleção de indícios convergentes que apontam a presença dos elementos caracterizadores da simulação.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA DE MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa de mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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INTERPOSIÇÃO DE EMPRESA DO SIMPLES Recorrente CVC INCORPORAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. A simulação é a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. Por sua natureza, a simulação é provada pela prova indiciária. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. No caso em análise, há farta coleção de indícios convergentes que apontam a presença dos elementos caracterizadores da simulação. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 37 /2 01 1- 76 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA DE MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa de mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 470 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela (o) interessada (o). Os fatos foram bem relatados no Acórdão a quo, fls. 398, conforme segue: Tratase de ação fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0810500.2009.00240, com o fito de verificar o regular cumprimento de suas obrigações tributárias e que redundou na lavratura dos seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Autos de Infração de Obrigação Acessória (AIOA): i) AIOP DEBCAD nº 37.068.1258: Constitutivo de contribuições destinadas à Seguridade Social, parcela dos segurados empregados incidentes sobre suas remunerações, a qual compete à empresa o desconto e o recolhimento aos cofres públicos, no importe de R$ 455.053,96 (Quatrocentos e cinqüenta e cinco mil, cinqüenta e três reais e noventa e seis centavos), valor consolidado em 27/06/2011; ii) AIOP DEBCAD nº 37.068.1266: Constitutivo de contribuições destinadas à Seguridade Social, parcela da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados empregados da Previdência Social que lhes prestaram serviços, no importe de R$ 1.323.732,42 (Um milhão, trezentos e vinte e três mil, setecentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), valor consolidado em 27/06/2011; iii) AIOP DEBCAD nº 37.068.1274: Constitutivo de contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, ditas ‘terceiros’, a saber FNDE (SalárioEducação), INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no importe de R$ 333.810,72 (Trezentos e trinta e três mil, oitocentos e dez reais e setenta e dois centavos), valor consolidado em 27/06/2011; iv) AIOA DEBCAD nº 37.068.1282: Decorrente do descumprimento da obrigação acessória de exibir qualquer documento ou livro relacionado com essas contribuições, ou apresentálos de maneira que não atenda às formalidades legais exigidas, com informação diversa da realidade ou com a omissão de informação verdadeira – Código de Fundamentação Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Legal – CFL – 38, no importe de R$ 15.235,55 (Quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos); Segundo o Relatório Fiscal – RF o lançamento foi realizado de ofício com supedâneo no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91 (lançamento arbitrado por aferição indireta das bases de cálculo) em razão da constatação de que “ (...) a empresa notificada apresentou documentos com informações diversas da realidade, omitindo informações verdadeiras, não registrando o seu movimento, simulando uma situação jurídica inexistente”. Nesse compasso, relata que ao examinar os livros contábeis da autuada apurou que “(...) a empresa CVC INCORPORAÇÕES valeuse de uma empresa optante pelo SIMPLES FEDERAL/NACIONAL, CVC STEEL ESTRUTURAS METÁLICAS EPP CNPJ 07.422.451/000166 para registrar seus funcionários deixando assim, de recolher as contribuições previdenciárias devidas.” A fiscalização fundamentou a acusação numa série de fatos que constam resumidos no Acórdão a quo da seguinte maneira: prestação de serviços com exclusividade da segunda para a primeira, constatado mediante análise das notas fiscais emitidas pela CVC STEEL; inexistência de compras de matériaprima para fabricação de estrutura metálica na empresa CVC STEEL; inexistência de faturamento suficiente para suportar a folha de pagamento da CVC STEEL; registro contábil na CVC STEEL de empréstimo efetuado pela empresa autuada em seu favor sem comprovação por documento hábil e idôneo que o comprove; de igual forma, não se comprova o pagamento do referido empréstimo nem se encontra escriturado na contabilidade da autuada; empregados na CVC STEEL com atividades diversas do objeto social da empresa, tais como pedreiros, serventes, auxiliares, encanadores, que são funções tipicamente ligadas à construção civil (CVC INCORPORAÇÕES) e desnecessários na fabricação e montagem de estruturas metálicas; aduz que a atividade de fato da CVC STEEL a tornaria impedida de optar pelo SIMPLES; análise do quadro societário da CVC STEEL, na qual o sócio administrador, sr. Edson Novaes da Silva, detentor de 99% das quotas do capital social e responsável por, em média, 150 empregados por diversos anos, encontrase registrado como empregado na empresa autuada (CVC INCORPORAÇÕES) desde 01/07/2008 na função de encarregado administrativo; nesse tópico conclui que o sócio e a empresa figuram apenas como pessoas interpostas para legitima a empresa CVC STEEL que, na realidade, não passaria de um departamento da CVC INCORPORAÇÕES; Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 471 5 ainda concernente ao quadro societário, identificou o sr. José Novais dos Santos como sócio de ambas as empresas – CVC INCORPORAÇÕES e CVC STEEL – e o sr. João Gonçalves da Silva, antigo empregado da empresa CVC STEEL na função de encarregado de construção civil. Prossegue o relato fiscal apontando as razões para considerar a folha de pagamento da CVC STEEL como sendo, na verdade, da CVC INCORPORAÇÕES que, de fato, serviram para basedecálculo das contribuições lançadas. Nesse sentido, aduz: existência de dispêndios da empresa CVC STEEL suportados e contabilizados regularmente pela CVC INCORPORAÇÕES, tais como despesas com alimentação dos empregados utilizados em diversas obras de construção civil, despesas com material de segurança no trabalho, despesas cm uniforme de empregados e com produtos de higiene e limpeza; ressalta que as obras eram da CVC INCORPORAÇÕES que, no entanto, mantinha diminuto quadro de empregados, fator que não justificaria o elevado gasto contabilizado que, no entanto, tornase compatível com a quantidade de empregados relacionados pela CVC STEEL; nesse sentido aponta várias obras de construção civil em que se configurou a situação relatada; existência de um mesmo profissional na função de ‘contador’ de ambas as empresas, muito embora não tenha encontrado na contabilidade da empresa construtora o registro de qualquer pagamento pelos serviços prestados; pagamentos, pela CVC INCORPORAÇÕES, de despesas de viagem para os empregados registrados na CVC STEEL; de igual forma, há pelo menos um pagamento de acordo trabalhista efetuado pela empresa autuada para empregado registrado pela CVC STEEL; aponta a existência de um avião de propriedade da empresa autuada cujo piloto encontrase regularmente registrado na empresa CVC STEEL; na mesma linha, identificou pagamentos de linha telefônica da CVC INCORPORAÇÕES que, ao ser acionada, teria sido atendido por empregado registrado na empresa CVC STEEL; identificou, também a contratação de maquinários e equipamentos sem mão de obra pela empresa autuada que, no entanto, não possui nenhum empregado na função de operador de máquinas; do contrário, analisandose o quadro de empregados da CVC STEEL constatase a existência de diversos empregados desempenhando essa função; por fim, aponta que embora com endereços diferentes, os atos administrativos de ambas as empresas são praticado em um único local, ao qual a fiscalização se reporta como tendo sido atendida por ambas, durante a ação fiscal; por outro lado, atesta que os prédios comerciais em que se encontram registradas são contíguos, conforme verificação ‘física’ efetuada no local. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Após tomar ciência pessoal da autuação em 27/06/2011, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 291/329, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 396/414, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 14/03/2012, fls. . 418. O recurso voluntário, apresentado em 13/04/2012, fls. 423/466, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende que o lançamento contém abusividades e ilegalidades, merecendo ser anulado. Haveria violação ao art. 142 na medida em que o agente fiscal não poderia aplicar penalidades, apenas poderia fiscalizar a contribuição. O auditor não teria juntado aos autos provas para legitimar a autuação, apenas citou indícios. Sustenta que inexistem pessoas jurídicas interpostas, grupo de empresas ou responsabilidade subsidiária. Aponta que os quadros societários das empresas CVC Steel e CVC Incorporações são distintos. A CVC Steel recebeu regularmente por serviços prestados à CVC Incorporações. Se existissem empresas interpostas não haveria contratos, emissões de notas fiscais, enfim haveria ocultação das atividades, o que não ocorreu no caso. O fato de as notas fiscais da CVC Steel terem sido emitidas somente para a CVC Incorporadora não autoriza a conclusão de existência de irregularidade, pois foi apenas uma opção da CVC Steel para prestar um bom serviço diante de sua parca estrutura. A falta de compra de matéria prima por parte da CVC Steel devese ao conteúdo dos seus contratos que estipulam o fornecimento de material pela contratante. O fato de o faturamento da CVC Steel não ser suficiente para fazer frente às usas despesas devese a uma falha do administrador. Insiste na regularidade do empréstimo concedido à CVC Steel pela recorrente, pois estão formalmente regulares. Não teria havido empréstimo e sim adiantamento dos pagamentos. A presença de profissionais de diversas categorias no quadro da CVC Steel devese às exigências do trabalho e as características do mercado profissional. Admite que a CVC Steel foi constituída pelo Sr. Edson Novais e pelo sócio proprietário da recorrente. Posteriormente, o Sr. José Novais foi substituído pelo Sr. João Fl. 475DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 472 7 Gonçalves. O fato de este último ter sido funcionário da recorrente não traz em si qualquer irregularidade. Admite que em alguns casos teve que adimplir as obrigações da CVC Steel para evitar ser penalizada por multas contratuais, pois esta passava por dificuldades financeiras. A utilização do mesmo contador não pode ser tomada como irregularidade, pois isso se deveu à competência do profissional e a eventualidade da prestação de serviços por este. Como a CVC Steel não vinha conseguindo suportar suas obrigações trabalhistas, a recorrente teve que assumir algumas delas, como, por exemplo, o acordo com o Sr. Leonardo Knoop. Reconhece ser proprietária de um avião, mas não admite que a contratação de um piloto por meio da CVC Steel autorize a presunção de empresa interposta. Embora tenha quadro de funcionários enxuto, tinha condições de viabilizar o exercício de suas atividades. Aponta que as duas empresas estão instaladas em endereços distintos. Teria havido cerceamento de defesa, pois não foi permitida uma adequada instrução probatória. Discute a apuração da base de cálculo que alega ter sido feita por aferição e não com base na contabilidade. Ao fim, protesta por prova pericial. É o relatório. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Perícia requerida – indeferimento A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Ademais, a recorrente não cumpriu os requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Da violação ao devido processo legal por ofensa ao contraditório e/ou ao direito à ampla defesa na fase fiscalizatória A recorrente aduz que houve violação do devido processo legal durante a fase fiscalizatória, na medida em que o prazo originalmente concedido era muito curto e seu pedido de dilação deste não foi atendido. Não há como acolher a pretensão da recorrente de violação ao devido processo legal, seja por ofensa ao contraditório ou à ampla defesa , pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação Fl. 477DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 473 9 de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece Fl. 478DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo. Da prova indiciária no direito tributário A recorrente não admite a prova indiciária no direito tributário, o que nos induz a alguns considerações sobre tal tipo de elemento probatório. Fabiana Del Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é freqüentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que “toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato”(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescenta que “ toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere”(op.cit., p. 94). Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que “o indício em nada difere da prova”(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes, os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que “a força probatória de qualquer indício(...) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário(prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, terseá por provado o fato”. (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Del Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López(Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como conseqüência apenas um único fato. Essa exigência, no entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 474 11 “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desse indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.”(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” O que queremos destacar de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídicoaxiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que “a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica”. O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indício convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 475 13 isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais sobre os indícios, passamos a outras questões de relevo para o caso. Considerações jurídicas sobre a simulação Inicialmente, cabe tecer algumas considerações sobre simulação, que no direito brasileiro o seu conceito encontrase positivado no § 1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 11 de janeiro de 2002, que dispõe: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Além do texto legal, é importante ter em vista a posição da doutrina a respeito do significado e do alcance do que nele está contido. Pontes de Miranda assim comenta este artigo, com sua habitual visão sistemática (Tratado de Direito Privado, 1ª ed. atualizada, Campinas: Bookseller, 2000, tomo IV, p. 442 e ss): “Em toda simulação há a divergência entre a exteriorização e a volição, quer seja quanto ao objeto, ou, melhor, quanto à matéria, de re ad rem (B vende manuscritos, dizendo vender pastas), ou quanto à pessoa, de personam ad personam (A doa a C, dizendo doar a B), ou quanto à categoria jurídica, de contractu ad contractum (A doa dizendo vender), ou quanto às modalidades, de modo ad modum (contrata sob condição de não casar, dizendo que o faz sob condição de morar em certo país), ou quanto ao tempo, de tempore ad tempus (contratou por cinco anos a casa, dizendo ser por três anos), ou quanto à quantidade, de quantitate ad quantitatem (A vende seis caixas e o contrato fala de três), ou quanto a fato, de facto ad factum (A declara que pagou, e não pagou, ou viceversa), ou quanto ao lugar, de loco ad locum (A assina como se Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 fora concluído no Brasil o contrato que concluíra no Uruguai; cf. Alvaro Valasco, Decisionum Consultationum, II, 369). (...) A simulação supõe que se finja: há ato jurídico, que se quis, sob o ato jurídico que aparece; ou não há nenhum ato jurídico, posto que haja a aparência de algum. A cavilação pode estar à base do dolo, da fraude à lei, da simulação e da fraude contra credores. Daí as semelhanças entre as figuras, suscitando confusões.” Aduz ainda que são elementos dos atos simulados (p. 458): “a) a simulação do outorgado (art. 102, 1), ou da categoria jurídica (art. 102, II), ou da data; b) o propósito de simular; c) o prejudicar ou poder prejudicar a terceiros, ou violar a lei (art. 104).” Além de Pontes, outros estudiosos da teoria geral do direito também se debruçaram sobre o tema. Marcos Bernardes de Mello assim conceitua simulação (Teoria do Fato Jurídico: Plano de Validade, 1ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, p. 153): “Simular significa, na linguagem comum, aparentar, fingir, disfarçar. Simulação é o resultado do ato de aparentar, produto do fingimento, da hipocrisia, do disfarce. O que caracteriza a simulação é, precisamente, o não ser verdadeira, intencionalmente, a manifestação de vontade. Na simulação querse o que não aparece, não se querendo o que efetivamente aparece. ‘Ostentase o que não se quis; e deixase, inostensivo, aquilo que se quis’. Do ponto de vista jurídico, no entanto, a simulação somente constitui defeito invalidante do ato jurídico quando praticada com a intenção de prejudicar terceiros, mesmo quando não havendo máfé, efetivamente lhes cause dano. À base do ato simulado estão o seu caráter mentiroso e sua natureza danosa a terceiros.” Washington de Barros Monteiro esclarece em sua obra Curso de Direito Civil , 33ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, vol I, p. 207: “Como o erro, simulação traduz uma inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. Como diz Clóvis, em forma lapidar, é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” A seguir, p. 208: “A própria causa simulandi tem as mais diversas procedências. Ora visa a burlar a lei, ora a fraudar o fisco, ora a prejudicar a credores, ora a guardar em reserva determinado negócio.” Washington de Barros Monteiro (Curso de Direito Civil", Ed. Saraiva, 29aedição, 1º vol., págs. 209/210), ao analisar a figura do ato simulado, à luz dos artigos 102 e 105 do antigo Código Civil Brasileiro, apresenta como uma das hipóteses de simulação o ato jurídico que "não é efetuado entre as próprias partes, aparecendo então o testa de ferro, o Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 476 15 prestanome, ou a figura de palha" . O art. 167 do Código Civil, que reproduz o art 102 do antigo Código Civil , entre as hipóteses de simulação enumeradas, cita os atos jurídicos que "aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem, ou transmitem". Ainda Washington de Barros Monteiro, comentando a espécie de simulação por interposição de pessoa, afirma: "O intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata". Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direito Civil, 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 339, assim trata a matéria: “...Consiste a simulação em celebrarse um ato, que tem aparência normal, mas que, na verdade, não visa ao efeito que juridicamente deveria produzir. Como em todo negócio jurídico, há aqui uma declaração de vontade, mas enganosa. ... Pode a simulação ser absoluta ou relativa. Será absoluta quando o ato encerra confissão, declaração, condição ou cláusula não verdadeira, realizandose para não ter eficácia nenhuma. Dizse aqui absoluta, porque há uma declaração de vontade que se destina a não produzir resultado. ... A simulação dizse relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa (...), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem ou transmitem (e.g., a venda realizada a um terceiro para que este transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem este, na verdade, tencionava desde logo transferila. E é relativa em tais hipóteses, porque à declaração de vontade deve seguirse um resultado, efetivamente querido pelo agente, porém diferente do que é o resultado normal do negócio jurídico. ...” Alberto Xavier também oferece uma grande contribuição, tendo em vista a sua precisão ao explicar a simulação (Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva): Simulação “é um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada) procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros.” Dessa forma, a simulação poderá ser definida como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. No ato simulado ocorre a divergência entre a declaração externalizada, pelo sujeito ou sujeitos, que pretendem seja visível em relação ao Fisco, e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. No processo de simulação há uma deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros (inclusive o Fisco) ao erro ou engano. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 Didaticamente, podese distinguir a simulação em duas espécies, uma é a denominada absoluta, quando as partes praticam de forma ostensiva um ato, mas não pretendem, no íntimo, realizar qualquer negócio. O intuito é tãosomente o de enganar maliciosamente terceiros, pois as partes não pretendem, de fato, realizar qualquer negócio e, por conseguinte, não esperam qualquer resultado do ato simulado que executaram. Verificase, então, uma aparência de negócio, a um negócio sem conteúdo e inexistente quanto a seus efeitos. Neste caso, podemos citar como exemplo o caso da venda simulada de bens para fraudar credores, pois o intuito não é o de alienar bens, mas apenas subtraílo à eventual execução, não havendo entre as partes a intenção de qualquer negócio alternativo que o simulado pretendesse encobrir. A segunda espécie é a simulação relativa, caracterizada quando as partes desejam negócio distinto do pactuado e aparente, quando o sujeito é diverso daquele que integra a relação jurídica aparente ou ainda quando há falsidade em qualquer outro elemento da relação jurídica. Nesta espécie, temse como exemplo típico o da venda de um bem para ocultar doação, sendo esta tributariamente mais onerosa do que aquela. Nesses casos, verifica se um negócio verdadeiro, mas dissimulado, que se concretiza através de um negócio aparente dito simulado, conforme Antonio Roberto Sampaio Dória (in Elisão e evasão fiscal, São Paulo, Bushatsky, 1977, p.65). Constatase, por vezes, a existência de dois contratos na simulação relativa, o contrato que se simula, destinado regra geral a fugir à aplicação da lei, e o contrato de fato realizado, que consubstancia o negócio escondido pela simulação. Simulação Invalidante Para que a simulação afete a validade de um ato jurídico, ela há de ser nocente, nos termos do Código Civil de 1916: “Art. 103. A simulação não se considerará defeito em qualquer dos casos do artigo antecedente, quando não houver intenção de prejudicar a terceiros, ou de violar disposição de lei.” Os atos simulados que não prejudicam não têm sua validade afetada. Se a simulação for absoluta e inocente, não há ato jurídico. Se for relativa e inocente, o ato jurídico é válido e eficaz. Efeitos da simulação invalidante De acordo com a teoria geral do direito, o ato simulado nocente é anulável. E, em geral, sua anulação permite que aflore o ato jurídico dissimulado. Todavia, no campo do direito tributário, sem prejuízo da anulabilidade, outro efeito ocorre à simulação nocente, efeito que igualmente possibilita a eficácia do ato dissimulado. Essa conseqüência atribuída à simulação nocente pelo direito tributário, diferentemente da anulabilidade (que opera no plano da validade), dáse no plano da eficácia: os atos simulados não têm eficácia contra o fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente a anulação deles para propiciar a extraversão, ou seja, o aparecimento do ato realmente praticado. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 477 17 Meios de prova da simulação Os atos simulados são praticados justamente para ocultar os atos efetivos. Portanto, como decorrência de sua própria natureza, a prova direta dos fatos que as partes procuram encobrir é muito difícil, quando não impossível. Daí, da própria natureza de tais fatos, decorre a necessidade de construirse, por meio de presunção, a prova da infração. Nesse sentido, manifestase também a doutrina, a exemplo do Prof. Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direto Civil, 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 341: “A prova da simulação nem sempre se poderá fazer diretamente; ao revés, freqüentemente tem o juiz de se valer de indícios e presunções, para chegar à convicção de sua existência.” Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut, em Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 105, ao tratar das presunções hominis e da verdade material, uma prova indireta condutora da mesma “probabilidade fática” da prova direta, in verbis: “Assim tem a administração pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Na mesma obra, ao tratar das Presunções Hominis e as Simulações Jurídicas, a autora complementa: “A presunção hominis assume importância vital, quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação dos fatos propositadamente ocultados, simulados. Segundo o art. 102 do Código Civil, haverá simulação .... . A prova indiciária tem por fim sanar as dificuldades que o caso concreto suscita ao conhecimento de fatos juridicamente relevantes, alterados para os fins de se evitar a incidência normativa. Ocorre que, como muitos desses atos artificiosos Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 18 são realizados de maneira a conferirlhes uma aparência lícita, se a fiscalização tiver que se restringir à forma das provas que lhe são apresentadas, não terá como saber se o evento descrito no fato realmente ocorreu. A perfeição formal de que o ato é revestido não tem o condão de afastar o dever poder de busca da verdade material.” (grifei) Conforme Marcos Bernardes de Mello, a prova da simulação é difícil. Isso decorre da própria natureza dos atos simulados: são praticados justamente para ludibriar, buscando esconder os atos efetivos. Sobre esse tema, manifestase Francisco Ferrara (A simulação nos negócios jurídicos, Campinas: Red Livros, 1999), verbis: “A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova directa. Melhor se deduz, se pode argüir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negocio, das circunstâncias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indirecta, de indícios, conjectural (per coniecturas, signa et urgentes suspeciones ), e é esta que fere verdadeiramente a simulação, porque a combate no seu próprio terreno.” Ferrara, apesar de afirmar a dificuldade da prova direta da simulação, não se furta a abordar os meios probatórios indiretos, elencandolhes os elementos, que classifica como relativos ao interesse em simular: às pessoas dos contraentes; ao objeto do negócio jurídico; à execução do negócio; à conduta das partes na realização do negócio. Entre os diversos elementos capazes de provar a simulação apontada por Ferrara, destacamse alguns, que merecem ser vistos em maior detalhe pela sua pertinência com o caso em análise. Antes de tudo, segundo Ferrara, devese indagar a respeito da existência de motivo para a simulação , ou seja, “o interesse que leva as partes a estabelecer um acto simulado, a razão que conduz a fazer aparecer um negócio que não existe ou a mascarar um negócio sob uma forma diferente: é o porquê do engano”. Essa causa deve ser “séria e importante (suficiens e idônea)” de forma a justificar a simulação. Quanto às partes, é importante verificar se existe ligação entre estas. Também relevante é a falta de execução material do contrato, a qual, afirma Ferrara, é decisiva para caracterizar um negócio como simulado, tratandose da “mais clara confissão” da simulação. Na execução apenas formal do negócio jurídico, este leva a mutações jurídicas que só se manifestam no campo do direito, comportandose os contraentes, de fato, de acordo com outro negócio jurídico ou como se não tivesse negócio algum. Tecidas essas considerações sobre simulação, passo a analisar a matéria objeto do presente litígio. Embora a fiscalização não tenha utilizado diretamente a palavra simulação, o procedimento fiscalizatório cuidou de retirar o manto que escondia a verdadeira operação. Ou seja, o procedimento da fiscalização cuidou de colher elementos de prova que demonstrassem a existência de interposição de uma empresa tributada pela sistemática do SIMPLES. De fato, como iremos concluir, o conjunto probatório revelou que não se tratava de uma prestação de serviços entre CVC Steel e CVC Incorporações, mas somente uma máscara que escondia o vínculo entre os trabalhadores e a recorrente. A falta de referência direta à palavra simulação Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 478 19 em nada prejudica a defesa da recorrente, uma vez que a esta bastaria afastar cada um dos indícios apontados para afastar a conclusão de interposição de empresa. É certo que nos autos temos um robusto conjunto de indício convergentes que corroboram a conclusão de que houve a interposição da CVC Steel com o objetivo de fraudar o pagamento de tributos. Seguindo as lições de Ferrara, fomos buscar nos autos os três elementos que corroboram a existência de simulação com interposição de empresa. O motivo para a simulação é óbvio na medida em que com a interposição da CVC Steel, a CVC incorporação submetia seus negócios a uma carga de tributos reduzida, uma vez a CVC Steel estava submetida à sistemática do Simples, na qual, notoriamente, recolhe um montante menor de contribuições previdenciárias. Tratandose de fato notório, dispensa a prova, conforme art. 334, inciso I do Código de Processo Civil (CPC). Quanto aos outros dois elementos que provam a simulação, temos indícios convergentes de sua existência: ligação entre as partes e falta de execução do contrato. Os indícios que apontam para a ligação entre as partes são os seguintes: análise do quadro societário da CVC STEEL, na qual o sócio administrador, sr. Edson Novaes da Silva, detentor de 99% das quotas do capital social e responsável por, em média, 150 empregados por diversos anos, encontrase registrado como empregado na empresa autuada (CVC INCORPORAÇÕES) desde 01/07/2008 na função de encarregado administrativo; ainda concernente ao quadro societário, identificou o sr. José Novais dos Santos como sócio de ambas as empresas – CVC INCORPORAÇÕES e CVC STEEL – e o sr. João Gonçalves da Silva, antigo empregado da empresa CVC STEEL na função de encarregado de construção civil.; prestação de serviços com exclusividade ; existência de dispêndios da empresa CVC STEEL suportados e contabilizados regularmente pela CVC INCORPORAÇÕES, tais como despesas com alimentação dos empregados utilizados em diversas obras de construção civil, despesas com material de segurança no trabalho, despesas com uniforme de empregados e com produtos de higiene e limpeza; pagamentos, pela CVC INCORPORAÇÕES, de despesas de viagem para os empregados registrados na CVC STEEL; de igual forma, há pelo menos um pagamento de acordo trabalhista efetuado pela empresa autuada para empregado registrado pela CVC STEEL; existência de um avião de propriedade da empresa autuada cujo piloto encontrase regularmente registrado na empresa CVC STEEL; Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 20 contratação de maquinários e equipamentos sem mão de obra pela empresa autuada que, no entanto, não possui nenhum empregado na função de operador de máquinas; do contrário, analisandose o quadro de empregados da CVC STEEL constatase a existência de diversos empregados desempenhando essa função; embora com endereços diferentes, os atos administrativos de ambas as empresas são praticado em um único local, ao qual a fiscalização se reporta como tendo sido atendida por ambas, durante a ação fiscal; por outro lado, atesta que os prédios comerciais em que se encontram registradas são contíguos, conforme verificação ‘física’ efetuada no local. A falta de execução do contrato pode ser corroborada pelos seguintes indícios: inexistência de compras de matériaprima para fabricação de estrutura metálica na empresa CVC STEEL; inexistência de faturamento suficiente para suportar a folha de pagamento da CVC STEEL; existência de dispêndios da empresa CVC STEEL suportados e contabilizados regularmente pela CVC INCORPORAÇÕES, tais como despesas com alimentação dos empregados utilizados em diversas obras de construção civil, despesas com material de segurança no trabalho, despesas com uniforme de empregados e com produtos de higiene e limpeza; A utilização de mesmo contador e o fato de o telefone ser atendido por pessoa diversa da recorrente poderiam ser indícios de ligação entre as partes, porém com grau de probabilidade bastante pequeno. Seriam indícios bastante fracos que não consideramos em nosso convencimento. Para cada um dos indícios apontados pela fiscalização e que acatamos, a recorrente apresenta uma justificativa, porém não nega a existência destes. Como não foram tomados isoladamente e sim em seu conjunto, a existência de possíveis justificativas isoladas não afasta o convencimento de que apontam para a existência de uma simulação de contratação de pessoa jurídica ou, em outras palavras, de uma interposição de empresa do Simples para se beneficiar da menor carga tributária a que estão submetidas tais empresas. Por fim e em adição, como muito bem apontado no Acórdão a quo, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) vem repudiando a interposição de empresas, como podemos ver a seguir: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 479 21 Súmula 331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei n.º 6.019, de 03.01.1974). No mérito, portanto, não há como acatar os argumentos da recorrente pelos motivos acima expendidos. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 22 · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 480 23 demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 24 Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 481 25 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 26 A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15940.720037/201176 Acórdão n.º 2301003.547 S2C3T1 Fl. 482 27 Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, limitar esta a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.012458/2004-07
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
Estando o contribuinte desobrigado de apresentar a declaração de ajuste anual de IRPF, a sua entrega fora do prazo não enseja a aplicação da multa por descumprimento da referida obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Estando o contribuinte desobrigado de apresentar a declaração de ajuste anual de IRPF, a sua entrega fora do prazo não enseja a aplicação da multa por descumprimento da referida obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de notificação de lançamento de fls. 19, referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, para a exigência de multa por atraso na entrega de declaração no valor de R$ 15.467,75. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 24 58 /2 00 4- 07 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.012458/200407 Acórdão n.º 2801003.239 S2TE01 Fl. 156 2 Cientificado o contribuinte apresentou, às fls. 02/14, impugnação em 23/09/2004, alegando: · que a entrega da declaração extemporânea não passa de um mero equívoco pois não sabia da retenção de imposto de renda realizado pelas suas clientes, sendo orientado equivocadamente pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual não pode ser penalizado por uma falha o qual não deu causa; · que as retenções de imposto de renda , foram devidamente recolhidos pelas fontes pagadoras; · que a declaração de isento foi apresentada no prazo certo, comprovando que não houve máfé; · por fim, pugna pela inaplicabilidade da multa, uma vez que teria havido a denúncia espontânea por parte do contribuinte, requerendo o cancelamento da penalidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP julgou procedente o lançamento. Cientificado em 26/03/2007 (fl. 57), e inconformado o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 59/96, na qual, em síntese, alega que: · O requerente não é cidadão brasileiro, trabalhando junto à Instituições de maneira filantrópica; · Os valores de imposto de renda calculados e retidos na fonte, sobre os valores pagos ao requerente, sempre foram tempestivamente recolhidos; · Não era conhecedor que a tributação de seus rendimentos havia sido feito no Brasil, e enfatiza que não tinha deveres ou pendências com o Fisco Brasileiro, e pela razão de possuir CPF, fez a sua Declaração de Isento; · Procurou à Receita Federal, procedendo a denúncia espontânea; · Após recebeu a notificação de lançamento de multa por atraso na entrega da declaração, com espanto e indignação; · Há falta de especificidade na notificação das multas, carreando nulidade; · Há imperfeita descrição dos fatos; · Deve ser declarada a nulidade pelo hipotético procedimento fiscal; · É inaplicável a multa, pelo artigo 138 do CTN; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.012458/200407 Acórdão n.º 2801003.239 S2TE01 Fl. 157 3 · O Recorrente obedeceu as orientações da Receita Federal; · Há desproporção entre o suposto erro cometido e o valor das multas; · Nunca teve restituição de impostos; · Sofreu danos materiais, pelas idas e vindas ao país; · Por fim, finaliza suas razões recursais requerendo a nulidade, invalidação, extinção e arquivamento dos lançamentos, declarando a nulidade de todas as imposições fiscais feitas ao Recorrente, o deferimento dos recursos de impugnações e dos pedidos de restituições, com atualizações pertinentes, declarando ainda as cobranças compulsórias, como improcedentes e ilegais. Conforme Resolução nº 2801000128 (fls. 102/105), o julgamento foi convertido em diligência à Repartição de Origem para que o Recorrente fosse intimado para esclarecer seu real domicilio. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 110/122, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Os autos versam sobre multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2001. O Recorrente não é cidadão brasileiro, conforme extrato de consulta base CPF, à fl. 23, porém não resta comprovado o seu real domicilio. Por essa razão, conforme relatado, o julgamento foi convertido em diligência à Repartição de Origem para que o Recorrente fosse intimado para esclarecer seu real domicilio, apresentado: · comprovante de país de residência no anocalendário 2001. · trazer aos autos a respectiva declaração de rendimentos entregue em seu país de origem. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.012458/200407 Acórdão n.º 2801003.239 S2TE01 Fl. 158 4 Em resposta, às fls. 110/111, o Recorrente informa que seguem, em anexo, os seguintes documentos: 1. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS 2001 ENTREGUE EM PAIS DE ORIGEM: Conforme solicitado, segue em anexo todos os respectivos documentos. 2. COMPROVANTE DE PAIS DE RESIDÊNCIA NO ANO CALENDÁRIO 2001: Vários são os documentos que o Autor anexa, para comprovar sua residência no ano de 2001, na Calle Camargo 694 — 6°B, Capital Federal, Código Postal 1414, Buenos Aires, Argentina: 2.1 DOCUMENTO NACIONAL DE IDENTIDAD N° 17.364.945: Sendo o documento mais importante na Argentina, verificase que na página 12 do mesmo, o endereço do Autor desde o ano 1992 era a "Calle Camargo 694, Cap Fed". E não existindo outros endereços registrados nas páginas 12 e 13, então fica provado que perante as autoridades Argentinas, esse foi e era o último endereço válido, oficial e legal do Autor desde 1992. 2.2 CÉDULA DE IDENTIDAD ARGENTINA MERCOSUR N° 17.364.945: Verificase no anverso deste documento, canto superior esquerdo, que consta exatamente o mesmo endereço "Calle Camargo 694 — 6°B, CDAD de Buenos Aires" desde a data "22 dic 99" (22/12/99). 2.3 RESUMEN DE LA CUENTA DE CAPITALIZACIÓN INDIVIDUAL 2001: Importante documento na Argentina, demonstrativo dos aportes de aposentadoria, que na época na Argentina só existiam de forma privada, no caso do Autor na AFJP ORIGENES, onde no canto superior esquerdo desse documento, consta como endereço do Autor "Camargo Vicente 694 6 B C1414 Ciudad Autônoma Buenos Aires CAP. F", para o ano de 2001. 2.4 NOVEL TIME S.A: Carta registrada na Câmara Argentina de Comércio, e traduzida no Brasil por tradutor juramentado, onde consta que em 2001 o Autor tinha como endereço a "Calle Camargo 694 — Piso 6 B — Código Postal 1414 — Capital Federal — República Argentina". Ademais, a carta, originalmente uma carta de recomendação pessoal, também prova que o Autor trabalhava fora do Brasil, era remunerado fora do Brasil, e prestava serviços de Consultoria para toda América Latina. Com a apresentação dos aludidos documentos, às fls. 112/122, entendo que ficou comprovado que o recorrente era domiciliado no exterior no anocalendário de 2001, ou seja, deve ser considerado nãoresidente no Brasil nesse período. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.012458/200407 Acórdão n.º 2801003.239 S2TE01 Fl. 159 5 O art. 1º da IN SRF nº 110, de 28/12/2001, estabelece a obrigatoriedade de apresentar Declaração de Ajuste Anual do IRPF referente ao exercício de 2002 para as pessoas físicas residentes no Brasil que se enquadrarem em determinadas situações. Confirase o teor daquele artigo: “Art. 1º Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2002 a pessoa física, residente no Brasil, que no anocalendário de 2001: [...]”(grifos acrescidos) Assim, por não ser residente no Brasil, o recorrente não estava obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do IRPF, referente ao exercício de 2002, em que pese tenha apresentado a DIRPF/2002 espontaneamente após o prazo previsto pela legislação de regência. Por conseguinte, não cabe a aplicação da multa por descumprimento da referida obrigação acessória. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10940.903147/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 47 /2 00 9- 33 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903147/200933 Acórdão n.º 3801002.577 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 00984.53367.130906.1.7.049500, devido à inexistência de crédito de R$ 1.375,17 para efetuar a compensação pretendida de R$ 2.700,42, uma vez que o pagamento PIS/PASEP (código 8109) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903147/200933 Acórdão n.º 3801002.577 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903147/200933 Acórdão n.º 3801002.577 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903147/200933 Acórdão n.º 3801002.577 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903147/200933 Acórdão n.º 3801002.577 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903147/200933 Acórdão n.º 3801002.577 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903147/200933 Acórdão n.º 3801002.577 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18471.002931/2003-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 29 31 /2 00 3- 12 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002931/200312 Acórdão n.º 3801002.667 S3TE01 Fl. 336 2 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002931/200312 Acórdão n.º 3801002.667 S3TE01 Fl. 337 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 49/54 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins no período de 01/02/1999 a 31/12/2002, exigindoselhe contribuição de R$4.644,61, multa de ofício de R$3.483,29 e juros de mora de R$2.488,57, calculados até 28/11/2003, perfazendo o total de R$10.616,47. Conforme consta do quadro "Descrição dos Fatos" à folha 50 a autuação decorreu da constatação de que, no período lançado, não foram acrescidas à base de cálculo da Cofins as receitas contabilizadas a crédito das contas 60048Juros Ativos e 60049 Descontos Obtidos, conforme extratos do Livro Razão às folhas 25 a 48. Cientificada em 12/12/2003, a interessada apresentou em 12/01/2004 a impugnação de fls. 63/71, na qual alegou que a base de cálculo determinada pela fiscalização, além de ilegal, exvi ser incompatível com aquela prevista na LC n° 70/91, está majorada por quantias que sequer constituem receitas, mesmo nos termos da Lei n° 9.718/98. Isto porque, para fins de determinação da receita bruta passível de tributação pela Cofins não basta apenas a extração dos valores lançados a crédito na contabilidade, mas sim, definir qual é o conceito de "receita", para então analisarmos se tais valores (descontos obtidos) são capazes de gerar receitas tributáveis; Prossegue argumentando que o conceito de receita sobre o qual devem recair a tributação pelo PIS e Cofins é, nos exatos moldes do art. 3 o da Lei n° 9.718/98, a entrada de recursos no patrimônio da pessoa jurídica, integrandoo em caráter definitivo. As quantias relativas aos "descontos obtidos" pela impugnante junto aos seus fornecedores, não constituem ingresso no patrimônio, razão pela qual a base de calculo utilizada para a determinação do crédito tributário deve ser revista e, por conseguinte, cancelado o lançamento; Em 05 de maio de 2005 a impugnante protocolou o documento de folhas 102 a 105 em aditamento à impugnação apresentada em 12 de janeiro de 2004. Informa que após o oferecimento da impugnação, fez uma revisão nos seus registros contábeis relativos aos anos de 1999 a 2002 e concluiu que a quase totalidade dos valores lançados na contabilidade a título de "descontos obtidos" em verdade são devoluções de mercadorias que apresentaram problemas de quantidade ou qualidade, conforme correspondências e notas fiscais de saída anexadas. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002931/200312 Acórdão n.º 3801002.667 S3TE01 Fl. 338 4 Para que não pairem dúvidas sobre o direito pleiteado requer a realização de perícia contábil, na forma prevista pelo art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), às fls. 200/204, julgou procedente o lançamento com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 PERÍCIA DENEGADA A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS. EXCLUSÃO. NÃO CABIMENTO A contrapartida da quitação de uma obrigação com desconto implica a obtenção da receita equivalente à parcela pela qual foi acrescido o patrimônio do contribuinte e que deve compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 209 a 221, no qual, na essência, repisa as alegações apresentadas na impugnação, acrescentando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 declarada pelo STF. Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através de resolução exarada, entendeuse por bem converter o julgamento em diligência a fim de “apurar se os valores relativos aos descontos realmente referemse a descontos pela devolução de mercadorias com defeitos.” Realizada a diligência, o contribuinte apresentou documentação pertinente às fls. 275/328. Assim, os autos foram remetidos para julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002931/200312 Acórdão n.º 3801002.667 S3TE01 Fl. 339 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O aludido auto de infração foi lavrado sobre o valor das receitas financeiras contabilizadas a crédito das contas 60048Juros Ativos e 60049Descontos Obtidos que não teriam sido acrescidas à base de cálculo da COFINS. Não obstante o resultado da diligência, na qual o contribuinte juntou diversas Notas Fiscais, cujo campo: "Informações Complementares", especificam as mercadorias devolvidas, o que comprovaria, a princípio, que os referidos descontos foram dados pela devolução de mercadorias com defeitos, tal questão resta superada uma vez que o alargamento da base de cálculo com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998 foi posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões Fl. 339DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002931/200312 Acórdão n.º 3801002.667 S3TE01 Fl. 340 6 receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Concluise, assim, ser improcedente a exigência da COFINS sobre outras receitas em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, nos termos das normas anteriormente aplicáveis (no caso da Cofins, a Lei Complementar n° 70/91). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002931/200312 Acórdão n.º 3801002.667 S3TE01 Fl. 341 7 Desta forma, considerando a declaração parcial de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, acima detalhada, entendo que devem ser excluídas das bases de cálculo utilizadas no presente lançamento as receitas referentes aos Juros Ativos e Descontos Obtidos, restando assim insubsistente o mesmo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o presente auto de infração. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 341DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11845.000225/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira
Numero da decisão: 2301-003.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio
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Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 02 25 /2 00 9- 97 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 07/12/2009, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atende as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99.. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 4), a autuada deixou de apresentar à fiscalização, apesar de intimada por meio de TIF, Balancetes Contábeis, Cartão de CNPJ, Certidão de nascimento filhos ou equiparados com até quatorze anos, cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador, Estatuto Social, Livros Diário e Razão, Notas de Produtor, Notas Fiscais de Entrada, Plano de Contas, Recibos e Fichas de Salário Maternidade e atestados médicos, Registro de Entrada e Saída de Mercadoria, Folha de Pagamento de todos segurados, Termo de Responsabilidade e Fichas de Salário Família. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0344.398, da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 591), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 606), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, reitera que o prazo concedido para a entrega dos documentos, de 05 dias úteis, foi insuficiente para a providência de toda a documentação pertinente ao procedimento fiscal, ferindo o direito a ampla defesa do contribuinte. Repete que a recorrente fica na zona rural e foi intimada a apresentar documentos na cidade de PalmasTO, em um tempo muito escasso, dificultando ainda mais a apresentação de todos os documentos em tempo hábil de forma a evitar uma aferição indireta pelo fiscal. Alega que em que pese o esforço da recorrente em atender a demanda fiscal, mesmo que parcialmente, ao chegar na repartição da Receita Federal o AI já estava lavrado, em 07./12/2009, mas, mesmo assim, fez juntada de maior parte dos documentos solicitados pelo Auditor, devendo ser reapreciado o valor da multa atribuída à recorrente. Ressalta que a impossibilidade de atendimento das exigências da fiscalização por parte da recorrente em nada impediu que o procedimento fiscal fosse realizado, tendo a Auditoria atingido os fins que pretendia. Inova em relação à defesa apresentada, informando que a recorrente tem um crédito de R$13.420,00, que foi recolhido erroneamente pela empresa Enerpeixe S/A, tomadora de serviços, e que a correção do erro será feito por meio de documento de retificação, juntado oportunamente à presente defesa, sendo que parte desse crédito deverá ser deduzido no AI 33.244.4032, objeto da presente defesa. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11845.000225/200997 Acórdão n.º 2301003.705 S2C3T1 Fl. 629 3 Reafirma que o Sr. Flávio, qualificado na função de diretor, não mais participa da administração da sociedade empresária, não persistindo qualquer vínculo do qual possa decorrer responsabilidade tributária. No mérito, frisa que cabe ao órgão fiscalizador ponderar o tempo em respeito ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, entendendo que o tempo reduzido para a apresentação dos documentos caracterizou um excesso de poder do fiscal, atitude contrária às regras constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do princípio da razoabilidade. Finaliza requerendo a desconsideração do AI, tendo em vista que ficou demonstrado que a autuada não incidiu na conduta nele descrita e, caso não seja esse o entendimento, que seja a multa formalizada de forma ponderada É o relatório. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega que o prazo concedido para a entrega dos documentos, de 05 dias úteis, foi insuficiente para a providência de toda a documentação pertinente ao procedimento fiscal, ferindo o direito a ampla defesa do contribuinte. Todavia, constatase que a recorrente foi inicialmente intimada a apresentar os documentos por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal em 26/11/2009, tendo sido cientificada da lavratura do AI em 28/12/2009. O art. 592, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do AI, estabelece que Art.592. (...) §I° O sujeito passivo deverá apresentar a documentação e as informações no prazo lixado pelo AFPS, que será de, no máximo, dez dias úteis, contados da data da ciência do respectivo TIAD. §2° A não apresentação dos documentos no prazo fixado no TIAD ensejará a lavratura do competente Auto de Infração, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades previstas em lei. Assim, a fiscalização observou o prazo previsto na legislação que trata da matéria. E, ao constatar que, após o prazo concedido para a apresentação de documentos, previsto na legislação, a empresa deixou de atender a solicitação contida no TIPF, a fiscalização lavrou o competente auto, uma vez que sua atividade é vinculada aos ditames legais. Em relação ao entendimento de que houve impossibilidade de apresentação dos documentos, vale observar que a autuada poderia ter trazido, aos autos, a documentação solicitada pela fiscalização, comprovando, assim, suas alegações ou a improcedência da autuação. Verificase, dos autos, que a autuada tomou ciência do AI em 28/12/2009, conforme AR de fls 12, e da decisão de primeira instância em 16/02/2012 Ou seja, a recorrente teve mais de dois anos para a juntada dos documentos que comprovassem a improcedência da autuação, ou mesmo para ter a multa relevada. A penalidade aplicada poderia ter sido relevada com a apresentação de todos os documentos solicitados por meio do TIPF, Todas as alegações feitas pela recorrente Fl. 631DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11845.000225/200997 Acórdão n.º 2301003.705 S2C3T1 Fl. 630 5 poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de documentos, conforme disposto no relatório IPC. Como a recorrente não o fez, concluo que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. A autuada alega que fez juntada de maior parte dos documentos solicitados pelo Auditor, devendo ser reapreciado o valor da multa atribuída à recorrente. Contudo, o auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, ou por apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, consoante à determinação contida no art. 33, § 2°e 3o, da Lei 8.212/91, e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/99: Art.33. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifei) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os artigos 232 e 233, do RPS dispõe que: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) A penalidade pela infração ao dispositivo transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de documentos não exibidos. Portanto, basta que a empresa deixe de exibir um documento solicitado por meio de TIAF para que fique configurada a infração. Para ter a multa relevada, a recorrente deveria apresentar, até a data da ciência do acórdão recorrido, a totalidade da documentação solicitada, o que não ocorreu. Portanto, houve infração à legislação previdenciária e, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A recorrente inova em relação à defesa apresentada, informando que possui um crédito de R$13.420,00, que foi recolhido erroneamente pela empresa Enerpeixe S/A, tomadora de serviços, e que a correção do erro será feito por meio de documento de retificação, juntado oportunamente à presente defesa, sendo que parte desse crédito deverá ser deduzido no AI 33.244.4032, objeto da presente defesa. Todavia, tais argumentos não foram trazidos em sede de defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, constatase que a recorrente apenas alega, mas não comprova, que possui o referido crédito. Ademais, mesmo que houvesse o alegado crédito, esse não seria, nessa fase do processo administrativo fiscal, passível de compensação com valor da multa imposta por descumprimento de obrigação acessória, podendo, se fosse o caso, ser compensado com valores a recolher ou ser objeto de restituição. Dessa forma, não há que se falar em abatimento do tributo lançado por meio do AI ora em discussão. Com relação ao sócio Flávio Hegídio, conforme já devidamente esclarecido no acórdão recorrido, até a data da Ata da Assembléia Geral Extraordinária que delibera e aprova da retirada do acionista Flávio Hegídio dos Santos da sociedade, qual seja, 05/02/2007, o referido exdiretor deve constar da relação de vínculos. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11845.000225/200997 Acórdão n.º 2301003.705 S2C3T1 Fl. 631 7 Como o presente AI se reporta às competências compreendidas entre 01/2005 a 12/2009, correto o procedimento da fiscalização em incluir o exdiretor no mencionado relatório, pois, à época da ocorrência da infração, ele ainda mantinha o vínculo com a empresa autuada . Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 634DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10640.901642/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .9 01 64 2/ 20 08 -1 0 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901642/200810 Resolução nº 1802000.362 S1TE02 Fl. 90 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente e não homologou a compensação efetuada pela PERD/DCOMP no. 00068.28270.270904.1.7.023099. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: O interessado apresentou o PER/DCOMP n° 00068.28270.270904.1.7.023099 (fls. 05/10), visando compensar crédito relativo a saldo negativo IRPJ referente ao ano calendário 2003, no valor de R$4.865,62, com débito de IRPJ Estimativa referente a Dez/2003, também no valor de R$ 4.378,48. Em 26/08/2008, a DRF/JFA emitiu o Despacho Decisório de fl. 04, no qual se decidiu pela não homologação do referido PER/Dcomp por ter constatado que não foi apurado saldo negativo, uma vez que na DIPJ/04 consta imposto a pagar. Contra o feito, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em suma, o seguinte: Consta do despacho ora impugnado que após análise das informações prestadas no PER/DCOMP 00068.28270.270904.1.7.023099, não foi possível localizar saldo negativo de base de calculo de IRPJ na DIPJ correspondente ao período de apuração do credito informado no aludido PER/DCOMP, e que por isso não foi homologada a compensação pleiteada pela requerente. Face a não homologação, resultou na cobrança de R$4.378,40, a título de principal além dos acréscimos legais pertinentes. Não concordando com a cobrança desse crédito tributário, vem a peticionaria, nessa oportunidade, apresentar suas razões fundamentadas nas provas que com esta seguem. Na verdade, causou espécie a não homologação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, por conseguinte a almejada compensação não foi aceita. Salvo melhor juízo, toda a rotina relativa ao preenchimento do indigitado documento foi seguido de acordo com as normas que disciplinam a matéria, no particular informou devidamente a origem do crédito de que dispunha. Em virtude do não acolhimento pela via de processamento eletrônico, restou a requerente então essa oportunidade, que o faz com as provas e argumentos a seguir: Cópia da declaração de Imposto de Renda apresentada no ano de 2003. Observem que nela está corretamente demonstrado o resultado do exercício de 2002, o crédito da IRPJ no valor de RS 7.587,59, que é resultado de R$ 4.552,24 que foi recolhido em 31/07/02 por estimativa conf. DARF em anexo e a diferença no valor de R$ 3.035,35 vem do Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901642/200810 Resolução nº 1802000.362 S1TE02 Fl. 91 3 ano de 1999 que foi recolhido a maior, bem assim o débito no valor de R$ 4.378,48 foi devidamente compensado no Perd/Comp com base no ano de 2002, pois no final do exercício de 2002 o imposto a pagar foi menor que o recolhido. Senhores Julgadores! Não há, portanto, necessidade de a peticionaria alongar em seus argumentos e justificativas para provar que é possuidora do credito que dá sustentação á compensação pleiteada. N. termos espera deferimento. É o relatório. Em sua decisão, a DRJJFA considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 09 31.547, Sessão de 29 de setembro de 2010, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Uma vez não caracterizada a ocorrência de erro de fato, bem como a existência do direito creditório solicitado, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, o Recorrente apresentou, em 03/12/2010, Recurso Voluntário (fls. 63 a 65) no qual aduziu: Que em momento algum a empresa desconhece o débito relativo ao ano calendário 2003 e por isso mesmo, junta cópia da DIPJ relativa ao ano Calendário de 2002, na qual constam de forma clara o saldo de imposto recolhido a maior em razão da estimativa, comparada com apurado sobre o valor devido em função do lucro real anual; Que na página 4 do PER/DCOMP juntado a este recurso está literalmente demonstrado que o crédito utilizado para compensação é oriundo de exercícios anteriores, no particular o ano calendário 2002. Tal registro por si só rechaça qualquer dúvida a respeito da legitimidade da pretensão da recorrente; A própria decisão recorrida sustenta a existência de base negativa de IR naquele ano. Porém, inusitadamente afirma que tal saldo nada tem a ver com a situação fática descrita; Alias não poderia ser de outra forma, vez que a recorrente não apurou crédito em 2003 e sim em 2002. Por tudo isso, a juntada da DPIJ 2003/2002, tem a ver sim com o pedido de compensação, Junta todos os DARF's, relativos ao ano de 2002, que comprovam os recolhimentos das estimativas durante o ano calendário, muito superiores ao débito Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901642/200810 Resolução nº 1802000.362 S1TE02 Fl. 92 4 de 2002, haja vista que, apurouse um lucro menor do que aquele que serviu de base para os recolhimentos efetuados durante o ano na estimativa, tornando então, o excesso indevido, por essa razão se pleiteou a compensação, devidamente assegurada por lei, em períodos subseqüentes; Junta cópia da DIPJ processada pela Secretaria da Receita Federal, que constitui a prova definitiva de todo o crédito de sua titularidade. Nessa robusta prova os Senhores irão encontrar registrados todos os valores que dão sustentação a pretensão da recorrente, tais como o saldo de imposto a recuperar, os valores das bases de cálculos em questão, enfim, todos os elementos indispensáveis à solução satisfatória para a recorrente ver seu direito reconhecido. Indica que na página 12 da aludida declaração encontrase o imposto devido de R$3.064,04, que em confronto com os recolhimentos da estimativa e retenções na fonte, acusam um saldo credor de R$ 8.074,73, tudo por conseqüência de recolhimentos durante ano calendário em valores superiores ao devido sobre o lucro final do exercício; No balanço patrimonial constante da declaração está literalmente registrado a existência de saldo de R$20.154,72 de impostos e contribuições a recuperar. Desse saldo é que pretende buscar a compensação, por isso a menção no PER/DCOMP (pág. 43 DIPJ 2002/2003). É o relatório, passo a decidir. Voto Tempestividade A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 08.11.2010, conforme aviso de recebimento fls. 62 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 03.10.2010, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Mérito Durante a construção da sua tese de defesa, a Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora, a existência do crédito tributário, decorrente de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2003, no valor de R$4.865,62. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901642/200810 Resolução nº 1802000.362 S1TE02 Fl. 93 5 Segundo a Recorrente, todos os argumentos e provas produzidas conduzem este órgão à homologação da PER/DCOMP, para que seja permitida a utilização deste crédito na compensação com débito de IRPJ Estimativa, referente a Dezembro de 2003, no valor de R$4.378,48. Entretanto, durante a instrução desse processo juntou documentação, bem como, fundamentou todas as suas alegações na existência de saldo negativo do IRPJ, referente ao ano calendário de 2002 e, não do anocalendário de 2003, conforme consta da PERD/COMP. Daí o motivo pelo qual não houve homologação da compensação pretendida pela DRJ/JFA, conforme se depreende do voto condutor do acórdão, abaixo transcrito Registrese, inicialmente, que a documentação acostada aos autos pela contribuinte — DIPJ/03 — se refere ao anocalendário 2002, e não ao anocalendário 2003 (fls. 11/31), como deveria ser. Isso porque no PER/Dcomp transmitido consta crédito referente a Saldo Negativo de IRPJ exercício 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 4.865,62 (fls. 05/10). Na DIPJ/03, anocalendário 2002, por sua vez, consta Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 8.074,73, o que, s.mj., nada tem a ver com o informado no PER/Dcomp sob análise (fl. 22). Outrossim, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, sistema Rede Receita, IRPJ, IRPJCONS, CONSULTA (CONSULTA DECLARACOES IRPJ), fica evidenciado que, no anocalendário de 2003, não houve Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa. Conforme telas anexadas aos autos (fls. 42/49), consta da DIPJ/04, tanto para a estimativa referente a dezembro/2003 (fls. 43/44) quanto para a apuração anual (fls. 45/46), IRPJ a pagar no valor de R$ 4.865,62. Assim, como não restou caracterizada a ocorrência de erro de fato nas razões de defesa apresentadas pela manifestante, não há como lhe dar razão, motivo pelo qual o Despacho Decisório de fl. 04 deve ser mantido inalterado. Entendo que a indicação equivocada no PERD/COMP do anocalendário, 2003 ao invés de 2002, não inviabiliza a compensação pretendida. Vêse, na verdade, que desde a sua impugnação, até as razões do seu recurso voluntário e pelos documentos juntados, principalmente pelo PERD/COMP, é possível concluir que o contribuinte pretendeu quitar débito de estimativa de 2003, com a utilização de crédito de saldo negativo, referente ao anocalendário de 2002. Contudo, apesar da juntada da DIPJ do anocalendário de 2002, demonstrando a existência de prejuízo fiscal nesse período, pelas demais provas trazidas aos autos, ainda não é possível extrair a liquidez e certeza do saldo negativo, referente ao anocalendário de 2002 e, se tal crédito já fora compensado com outros tributos, de sorte que o julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. Isto porque, quando da apresentação de sua impugnação, a Recorrente informa que o crédito objeto de compensação – saldo negativo do anocalendário de 2002 – é composto por (i) R$ 4.552,24, que foi recolhido indevidamente por DARF quitado em 31/07/2002, referente ao imposto de renda apurado por estimativa, período no qual não apurou imposto a pagar, (ii) R$ 3.035,35, referente ao imposto de renda recolhido a maior de 1999 e, (iii) o débito no valor de R$4.378,48, foi devidamente compensado no Perd/Comp, com base no ano de 2002, pois no final do exercício de 2002, o imposto a pagar foi menor que o recolhido. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901642/200810 Resolução nº 1802000.362 S1TE02 Fl. 94 6 Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de Juiz de Fora, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que se entenda necessários para que verifique e informe: 1) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002; 2) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 00068.28270.270904.1.7.023099 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Juiz de Fora atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10980.017733/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF
Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.
Numero da decisão: 1101-001.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Manoel Mota Fonseca, substituindo a conselheira Nara Cristina Takeda Taga, ausente justificadamente. Relatório Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 A empresa foi excluída do Simples Federal por Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 439.172, emitido em 07/08/2003, cujos efeitos retroagiram a 01/01/2002, com fulcro nos artigos 9º, XIII, c/c 14, I e 15, II, todos da Lei nº 9.317/96, sob o motivo de prestar serviços de decoração de anteriores – que seria atividade que não poderia ser exercida pelos optantes do regime. A exclusão da empresa do SIMPLES, com os efeitos retroativos, ensejou a emissão do Auto de Infração, objeto dos presentes autos, para exigir multa pela falta de entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, no valor de R$ 500,00, relativa ao 2º trimestre de 2005. Quanto ao processo em que se discutia a exclusão (processo n. 10980.003919/200454,), temos que a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ. Dessa decisão recorreu a interessada a este Conselho, e o processo que tratava da exclusão, foi distribuído a este relator. O Ato de Declaratório de Exclusão foi analisado por esta Turma em 13 de setembro de 2012, ocasião na qual, por maioria, foi dado provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte e revertido o acórdão da DRJ. Tendo restado vencido este relator, a conselheira Nara Cristina Takeda Taga foi designada para redigir o voto vencedor, em que aduziu que: A expressão “ou assemelhados” constante do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 constitui verdadeira cláusula geral, ou seja, uma janela aberta deixada pelo legislador para ser preenchida pelo aplicador do Direito caso a caso, e na situação em análise vêse que não se aplica a vedação do dispositivo supra mencionado. A Recorrente atua no ramo de decoração de interiores prestando serviços de decoração, por meio de projetos de balcões e estantes, bem como de arremates de gesso. Entendo que tais atividades não implicam em “alteração do espaço arquitetônico original”, “modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado”, “modificação na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso”, ou ainda na “modificação da parte externa da edificação”, atividades estas arroladas como excludentes do conceito de decoração de interiores segundo a Deliberação Normativa nº 024/2000 da Câmara Especializada de Arquitetura do CREA/PR. (...) Ademais, as atividades exercidas pela Postulante não exigem “habilitação profissional legalmente exigida” como preceitua o fim do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 ao arrolar os impedidos de optar pelo SIMPLES. Destarte, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para afastar a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Já este processo, que trata dos efeitos da exclusão, chegou a este Conselho, mas foi distribuído à conselheira Ana de Barros Fernandes da 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento. Por se tratar de processo decorrente do processo que fora a este relator sorteado, a 1ª Turma Especial decidiu, com força do art. 49 do RICARF, remeter o processo a esta turma, para que os processos fossem julgados concomitantemente. O presente processo foi julgado em 07 de agosto de 2012, ou seja, antes da apreciação do processo principal; porém sua distribuição por conexão ocorreu apenas em 2013, momento em que o processo principal já havia há muito sido julgado. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.017733/200814 Acórdão n.º 1101001.025 S1C1T1 Fl. 2 Error! Unknown document property name. 3 Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator O Recurso é tempestivo, dele conheço. A multa cominada ao sujeito passivo decorre do atraso na entrega de DCTF. Esse atraso exsurge dos efeitos da exclusão do SIMPLES, na medida em que da contribuinte só poderia ser exigida tal declaração se ao regime especial ela não fizesse jus. Sendo assim, uma vez revertida a exclusão do SIMPLES operada pelo ADE n. 439.172, a Contribuinte realmente não estava obrigada à entrega de DCTF no anocalendário de 2005, e, portanto, não podem subsistir as multas por atraso na entrega destas declarações. Este Conselho já se pronunciou a esse respeito no acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012, em que se analisou a exigência de multa derivada de ato de exclusão, que fora revertido. Da lavra do conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção, o acórdão restou assim ementado: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do Simples, por decisão judicial já transitada em julgado, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, posto que, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.” (acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR . Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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