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Numero do processo: 16643.000079/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
ÁGIO INTERNO. EFETIVO DISPÊNDIO E FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESCARACTERIZAÇÃO.
Verificado que as negociações de reorganização societária ocorreram com empresas de diferentes grupos econômicos e que houve o efetivo desembolso financeiro na operação de aquisição da empresa incorporada, é de se afastar os fundamentos utilizados pelo agente fiscal quanto à falta de propósito negocial e do efetivo dispêndio de recursos nas operações de aquisição/reestruturação societária.
ÁGIO. SURGIMENTO. TRANSFERÊNCIA. AMORTIZAÇÃO.
O ágio nasce quando uma empresa adquire participação relevante em outra sociedade e somente se transfere por incorporação reversa, cisão ou fusão (art. 386 do RIR/99).
A transferência de quotas na integralização de capital não implica em transferência do ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de um novo ágio na adquirente.
O ágio gerado no aumento de capital da fiscalizada mediante conferência de quotas da investida, com atendimento dos requisitos do art. 385 do RIR/99, é um ágio novo e pode ser amortizado a partir da incorporação dessa última, nos termos do art. 386 do RIR/99.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
A ausência de elementos que demonstrem o evidente intuito de fraude, a partir de uma conduta dolosa, ensejam a desqualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1202-000.884
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrentes JOHNSON CONTROLS DO BRASIL AUTOMOTIVE LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. EFETIVO DISPÊNDIO E FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Verificado que as negociações de reorganização societária ocorreram com empresas de diferentes grupos econômicos e que houve o efetivo desembolso financeiro na operação de aquisição da empresa incorporada, é de se afastar os fundamentos utilizados pelo agente fiscal quanto à falta de propósito negocial e do efetivo dispêndio de recursos nas operações de aquisição/reestruturação societária. ÁGIO. SURGIMENTO. TRANSFERÊNCIA. AMORTIZAÇÃO. O ágio nasce quando uma empresa adquire participação relevante em outra sociedade e somente se transfere por incorporação reversa, cisão ou fusão (art. 386 do RIR/99). A transferência de quotas na integralização de capital não implica em transferência do ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de um novo ágio na adquirente. O ágio gerado no aumento de capital da fiscalizada mediante conferência de quotas da investida, com atendimento dos requisitos do art. 385 do RIR/99, é um ágio novo e pode ser amortizado a partir da incorporação dessa última, nos termos do art. 386 do RIR/99. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. A ausência de elementos que demonstrem o evidente intuito de fraude, a partir de uma conduta dolosa, ensejam a desqualificação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 79 /2 00 9- 90 Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.748 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.749 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário, este interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que deferiu parcialmente a impugnação contra o lançamento de IRPJ e CSLL referente aos anoscalendário de 2004 a 2007, decorrente de glosa do encargo de amortização de ágio, com acusação de ter sido gerado internamente ao grupo econômico da Johnson Controls, acrescido de multa qualificada de 150%, em razão de detecção de procedimento fraudulento, enquadrado no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Foram lançados: I Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 667 a 670), no total de R$ 15.534.152,32, com multa de 150% e juros de mora, calculados até 30/11/2009, com fundamento legal no art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995, arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324 §§ 1º, 2º e 4º, 325, 385, 386, do RIR/99; e II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 676 a 679), no total de R$ 5.039.162,27, com multa de 150% e juros de mora, calculados até 30/11/2009, com fundamento legal no art.2º, e §§, da Lei nº 7.689/88, art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; e art. 37 da Lei nº 10.637/2002. Os fundamentos fáticos da autuação, consoante o Termo de Verificação Fiscal (fls. 712/725), em suma, foram: (i) a fiscalizada (JCBA) reconheceu, no balanço do ano de 2002, um investimento permanente de R$ 4.249.936,98 em coligadas/controladas (fls. 216) e no balanço de 2003, esse investimento aumentou para R$ 38.090.019,30 (fls. 217); (ii) o aumento foi provocado pela transferência, para a JCBA (fiscalizada), do total das quotas que a empresa Hoover Universal INC (HOOVER), sua controladora, possuía da empresa JCAE do Brasil (JCAE); (iii) a transferência ocorreu com um ágio de R$ 75.759.917,68 (fls. 217), cuja contrapartida foi o aumento de capital de R$ 109.600.000,00; (iv) não houve qualquer desembolso (saída de caixa) da JCBA (fiscalizada) (ou de qualquer outra empresa do grupo) para aquisição do ágio. O lançamento contábil (fl. 51) na JCBA (fiscalizada) do recebimento das quotas da HOOVER foi a débito de investimento (R$ 33.840.082,32) e ágio (R$ 75.759.917,68) e a crédito de capital subscrito (R$ 109.600.000,00); (v) as empresas envolvidas JCBA (fiscalizada), HOOVER e JCAE pertencem ao mesmo grupo econômico (fls. 33 a 50); (vi) em 18/10/2002, o capital da empresa JCAE do Brasil era dividido entre os sócios Johnson Controls Automotive Eletronics (46.974.358 quotas), Johnson Controls Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.750 4 Holding (8.311.168 quotas) e Nicolas Donjon (1 quota), com quotas ao valor nominal de R$ 1,00; (vii) em 10/12/2003, a Johnson Controls Holding cedeu sua participação na JCAE para a HOOVER (fls.57/68); (viii) em 17/12/2003, a Johnson Controls Automotive Eletronics e o Sr. Nicolas Donjon também cederam sua participação na JCAE para a HOOVER (fls.69/71); (ix) no mesmo dia a HOOVER cedeu e transferiu para a JCBA (fiscalizada), todas as quotas que detinha na JCAE, as quais foram incorporadas ao capital social da JCBA (fiscalizada) por R$ 109.600.000,00, ou seja, com um ágio de R$ 75.759.917,68 (fls.72/74); (x) o laudo da avaliação (fls. 85 a 144), que serviu de base para a avaliação das quotas da JCAE do Brasil Ltda, empregou a metodologia do fluxo de caixa futuro descontado. O valor de mercado, atribuído pela empresa avaliadora foi de R$ 109.600.000,00, baseado na posição da JCAE em 30/11/2003; (xi) em 31/08/2004, a JCBA (fiscalizada) incorporou a sua controlada JCAE e começou a amortizar o ágio de R$ 75.759.917,68, a razão de 1/60 por mês, a partir de setembro de 2004. A autoridade fiscal glosou o ágio criado pela operação e exigiu multa qualificada de 150%, a teor do art. 72 da Lei nº 4.502/64, considerando ter havido fraude no procedimento da fiscalizada. Na impugnação, a autuada apresentou as razões de inconformidade , alegando que a autuação é improcedente, pois a operação completa, da qual o auditor fiscal relatou apenas parte, envolveu a aquisição de controle de empresas que pertenciam ao grupo Sagem, que não tem qualquer vinculação com o grupo econômico da fiscalizada. Descreveu, em suma, as transações realizadas: (1) O grupo JCI adquire, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo, a totalidade das ações da SAGEM SAS, situada na França, mediante pagamento de Є525.000.000,00, e que, por sua vez, controlava a SAGEM (EUA) e a SAGEM (BR). Após a venda os nomes das empresas foram alteradas para JCAE SAS, JCAE Inc e JCAE do Brasil, respectivamente; (2) A empresa JCHC e a empresa HOOVER , ambas controladas pela JCI, adquirem a totalidade das quotas da JCAE do Brasil por U$ 37.202.650,00, sendo que a empresa JCHC pagou US$ 31.611.092,00 e a HOOVER US$ 5.591.558,00. (3) Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante a transferência das quotas da JCAE do Brasil para a JCI, sua controladora. (4) Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização pela JCI das quotas da JCAE do Brasil. (5) Aumento do capital da fiscalizada, JCBA (fiscalizada) em R$ 109.375.791,00 mediante subscrição e integralização das quotas da JCAE do Brasil, feita pela sua controladora HOOVER, representando esse valor a mera conversão do valor em dólares (US$ 31.611.092,00) para a moeda nacional, à taxa de câmbio da época (R$ 2,94). Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.751 5 (6) A JCBA (fiscalizada) incorpora a JCAE do Brasil, mediante avaliação de seu acervo liquido, incorporado a valores contábeis e, a partir daí a fiscalizada começou a amortizar o ágio relativo à expectativa de resultados futuros da JCAE do Brasil, à razão máxima de 1/60, considerando a despesa correspondente dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Contestou a alegação que o ágio teria sido gerado apenas quando da conferência das quotas da JCAE do Brasil ao capital da JCBA (fiscalizada), pois a operação inicial foi feita entre partes independentes e que no valor total pago pelo grupo JCI (Є 525.000.000,00) estaria o valor de Є42.192.265,00 que corresponderia ao valor de US$ 37.202.780,00, valor este equivalente ao valor do custo que a HOOVER incorrera para adquirir as quotas da JCAE do Brasil (R$ 109.375.791,00). Alegou que não é o valor das quotas que determina o custo de aquisição e que a partir da aquisição da empresa SAGEM SAS e suas subsidiárias, pelo grupo JCI, o valor das quotas da SAGEN BR passa a não ter qualquer relação com o custo de aquisição que passa a ser o valor pago pela JCI. Discorreu sobre a inexistência de lesão ao Fisco para alegar que independentemente da forma pela qual a operação fosse feita o resultado alcançado teria sido o mesmo, com a geração de ágio no valor de R$ 75.759.917,68, sendo o efeito o mesmo para o Fisco. Alegou que não podem ser aplicados aos fatos os atos emitidos pela CVM mencionados no Termo de Verificação Fiscal, uma vez que os atos normativos não se aplicariam a fiscalizada pelo fato de ela não ser constituída na forma de sociedade anônima de capital aberto e sim na forma de sociedade limitada e, além disso, os atos somente foram emitidos em 2007 e 2008 e os fatos fiscalizados ocorreram em anos anteriores. Contestou a alegação de que o ágio apurado pela fiscalizada não é passível de contabilização, devido à ausência de custo histórico, argumentando que a operação foi feita entre partes não relacionadas e houve desembolso financeiro, afirmando ainda que não é correta a alegação que por não ter ausência de saída de caixa quando da aquisição de um ativo, o seu custo de aquisição seria inexistente. Discorreu sobre a não obrigatoriedade haver saída de caixa para que o custo de aquisição possa ser reconhecido, citando resoluções do CFC que embasariam sua tese, argumentando que vários negócios, tais como incorporações, permutas, contribuições ao capital, aquisição de investimentos via transferência por sucessão universal, etc não envolvem saída de caixa, o que não prejudica o fato de que houve efetiva transferência de titularidade da participação societária, citando ainda Instrução CVM nº 247/1997, doutrina e acórdãos do Conselho de Contribuintes. Alegou que é improcedente a afirmação que o valor de amortização de ágio não pode ser considerado como despesa incorrida, repetindo a argumentação que o ágio não foi gerado entre empresas relacionadas e que cumpriu todos os requisitos para que fosse reconhecido contabilmente. Alegou que a metodologia de ágio guarda relação direta com observância do regime de competência que seria de adoção obrigatória na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, discorreu sobre o regime de competência e ainda afirmou que o art. 386 do Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.752 6 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) não faz qualquer restrição a respeito da forma que a empresa foi adquirida, ao dispor das regras para amortização de ágio. Alegou que em nenhum momento a autoridade fiscal questionou o laudo de avaliação que fundamentou o ágio relativo à expectativa de rentabilidade futura da JCAE do Brasil. Discorreu longamente contra a imposição da multa qualificada, citando tributaristas, exposição de motivos na edição de medida provisória, acórdãos do Conselho de Contribuintes para concluir que não houve fraude, dolo ou simulação nas operações efetuadas. Requereu a improcedência total dos autos de infração ou, ao menos, que fosse afastada a multa qualificada de 150%. O acórdão nº 1624.709, da 5ª Turma da DRJ/SPOI, teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007 INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de compra ou incorporação entre sociedades do mesmo grupo econômico, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS Se não é evidente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação que justificasse a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o lançamento efetuado, exonerase o acréscimo correspondente, mantendose a multa de oficio de 75%. Em razão do montante exonerado, a DRJ recorreu de ofício ao CARF. Cientificado em 20/05/2010 (fl.1527), o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário ao Carf, em 21/06/2010 (fls.1528/1597), contestando a decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação, em suma, pelos seguintes motivos preliminares: (i) o principal argumento utilizado pelo órgão julgador de primeira instância para manter a glosa da dedução da despesa de amortização do ágio relativo ao investimento realizado na empresa JCAE BR foi a suposta ausência de dispêndio financeiro na referida operação; (ii) o julgador se baseou em série de equívocos, como, por exemplo: (i) confundiu o custo de aquisição das quotas da JCAE BR com o valor nominal destas quotas; e (ii) manteve o entendimento equivocado da autoridade autuante de que a operação em questão Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.753 7 se deu entre partes relacionadas, e que, portanto, o ágio relativo ao investimento realizado na JCAE BR teria sido gerado internamente; (iii) a decisão recorrida confundiu diversos conceitos, bem como parte de um entendimento completamente distorcido dos fatos; (iv) em relação à multa qualificada de 150%, a decisão recorrida determinou, com acerto, o seu afastamento, em virtude do fato de não ter havido dolo, fraude ou simulação por parte da Recorrente. A seguir, relembra os fatos descritos na Impugnação (parágrafos 15 a 42), sintetizando a sequência das operações: Passo 1 — Grupo JCI, por intermédio da JCH SAS, adquire a totalidade das ações da SAGEM SAS, mediante pagamento de US$ 525.000.000,00 Passo 2— Aquisição, pela JCHC e pela HOOVER, da totalidade das quotas da JCAE BR (antiga SAGEM BR), por US$ 31.611.092,00 e US$ 5.591.558,00, respectivamente, totalizando US$ 37.202.650,00 Passo 3— Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante transferência das quotas da JCAE BR para a JCI Inc. Passo 4— Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização, pela JCI Inc., das quotas da JCAE BR de sua titularidade Passo 5— Aumento do capital da JCBA (fiscalizada) em R$ 109.375.791,00 (correspondentes a US$ 37.202.650,00), mediante subscrição e integralização, pela HOOVER, das quotas da JCAE BR de sua titularidade Passo 6— Incorporação da JCAE BR pela JCBA (fiscalizada) Critica a conclusão do julgador de que seria possível realizar a agregação das duas entidades jurídicas de imediato, pelos seguintes motivos, entre outros: (i) as diferenças culturais entre as gestões de dois grupos econômicos totalmente distintos (SAGEM e JCI); (ii) o fato de a operação de aquisição em si só ter sido concretizada no ano seguinte à assinatura do primeiro contrato entre as partes, quando da formalização, em fevereiro de 2002, do Termo de Acordo (doc. 06 da Impugnação); e (iii) o fato de que todos os sistemas operacionais e administrativos de ambas as empresas (tais como de venda, de faturamento, de controle de estoques, de compras, de recursos humanos etc.) eram diferentes, e independentes, havendo a necessidade de integrálos em momento anterior à efetiva absorção de uma sociedade por outra. Apresenta as seguintes razões para a reforma parcial da decisão recorrida: (i) das inconsistências fáticas: a autoridade autuante não considerou a sequência de operações de transferência das quotas da empresa JCAE BR para glosar o ágio apurado, mas apenas considerou os dois últimos passos implementados (passo 5 e passo 6); em 18 de fevereiro de 2002, o capital social da JCAE BR permanecia sendo R$ 23.894.162,00, e não R$ 55.285.527,00, conforme consta da decisão recorrida. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.754 8 o capital social da JCAE BR não "pulou" inexplicavelmente de R$ 23.894.162,00 para R$ 55.285.527,00, em 10 de dezembro de 2003. De fato, em 18 de setembro de 2002, houve um aumento de capital que elevou o capital social da JCAE BR em R$ 31.391.365,00. Foram completamente omitidas na decisão recorrida, que: (i) houve uma operação efetiva de compra e venda; (ii) que houve efetivo pagamento em recursos financeiros; e (iii) que o valor total pago foi de US$ 37.202.650,00 (parágrafos 22 e 27 da Impugnação); não especifica suposta "discrepância de valores e datas entre os contratos firmados no Brasil e os contratos traduzidos do original inglês". não faz qualquer sentido a comparação de fatos e valores que se tenta demonstrar, já que os R$ 46.974.358,00 correspondem ao valor nominal das 46.974.358 quotas e os US$ 31.611.092,00 referemse ao valor efetivamente pago pela JCHC pelas 46.974.358 quotas da empresa JCAE BR, ou seja, representa o custo de aquisição dessas quotas para os seus titulares, não sendo o valor nominal das quotas que determina o valor do seu custo de aquisição; omitiu o fato de que o ágio originouse de operação entre empresas de grupos distintos, em diversas etapas; houve, sim, saída de caixa na operação, mas não é necessário que haja dispêndio de recursos financeiros para que seja apurado ágio em aquisições de participações societárias ou qualquer ato ou negócio que resulte na transferência da titularidade de uma participação societária; as 55.285.526 quotas da JCAE BR foram, em todas as etapas da operação (desde a aquisição das empresas do Grupo SAGEM até a conferência de tais quotas ao capital da JCBA), transferidas pelo valor total de US$ 37.202.650,00, jamais pelo valor nominal total de R$ 55.285.527,00, ou R$ 1,00 por quota (que, convertido para dólares pela taxa média de R$ 2,90, por exemplo, corresponderia a US$ 19.063.974,82, ou US$ 0,34 por quota). (i) uma operação de aquisição de participações societárias realizadas entre empresas não relacionadas entre si, na qual houve pagamento de ágio decorrente da expectativa do retorno financeiro que esse novo investimento geraria; e, em seguida (ii) a unificação das sociedades adquiridas (entre elas, a SAGEM BR, posteriormente, JCAE BR) com as entidades já existentes que desenvolviam atividade semelhante (no caso, a JCBA (fiscalizada), e o não reconhecimento do ágio no investimento na JCAE BR traria implicações adversas às demonstrações contábeis da Recorrente submetida ao regime contábil da "competência". Aponta as seguintes inconsistências decorrentes das considerações abstratas contidas na decisão recorrida: o julgador ao "raciocinar abstratamente" sobre a real motivação dos atos e negócios ora examinados, em alguns pontos não observa os fatos concretamente ocorridos; a recorrente sempre afirmou que não houve prática elisiva alguma, que os negócios não foram feitos com a intenção de pagar menos imposto; a decisão recorrida desvia o foco da questão, indevidamente, para discussões teóricas sobre "planejamento" e "elisão", mas a Administração Tributária não pode desconsiderar os fatos, desde que observados os procedimentos mencionados no parágrafo único do artigo 116 do CTN; Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.755 9 decisão insiste, indevidamente, que a operação em questão se deu entre partes relacionadas; não aponta o real entendimento da finalidade da Instrução CVM nº 349/2001, já que esta apenas se aplica a (i) incorporação reversa; e (ii) que envolva a incorporação de empresa veículo; julgador verificou abuso de direito em razão da (i) a inexistência de causas reais que justificasse a operação; bem como (ii) a operação envolvendo a Recorrente não teria observado o ordenamento jurídico, porque foi feita com a finalidade predominante de pagar menos imposto. Cita ainda o Pronunciamento Técnico CPC 15 para sustentar que nas operações em que há "combinação de negócios", como no caso, entre outros, de aquisição de participações societárias mediante compra e venda, incorporações e conferência de quotas ou ações ao capital de outra entidade, o ágio gerado na operação deve ser registrado pela entidade que obtém o controle do negócio ou negócios obtidos por meio da operação, sendo que, no caso, a real "adquirente contábil" das quotas da SAGEM BR (posteriormente JCAE BR) é a JCBA (fiscalizada), e que tal escolha não se deu em virtude da busca dos efeitos tributários decorrentes da amortização do ágio gerado. Afirma que, independentemente da forma pela qual a operação fosse implementada, o resultado alcançado teria sido o mesmo: haveria a apuração de ágio no investimento na JCAE BR, passível de amortização e dedução na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Aduz que, ao embasar seu entendimento no artigo 187 do Código Civil de 2002, a autoridade julgadora pretende imputar à Recorrente a prática de um ilícito civil. Ao afirmar que a autoridade fiscal, em sua essência, desconsiderou negócio praticado pela Recorrente sem propósito negocial, a própria decisão recorrida demonstra com toda a clareza a aplicação do parágrafo único do artigo 116 do CTN ao presente caso, pois tal regra destinouse a coibir, justamente, os atos ou negócios praticados pelo contribuinte com a intenção de economizar tributo mediante abuso de forma ou falta de propósito negocial. Assim, conclui pela ilegalidade do lançamento fiscal. Ao final, pede que a decisão de primeira instância seja julgada parcialmente improcedente, mantendose apenas a redução da multa qualificada. Em contrarrazões, a PGFN defende a validade integral do lançamento, inclusive da multa qualificada, pelos fundamentos sintetizados abaixo. Sustenta a indedutibilidade do ágio criado pelo contribuinte, apontando que a criação de um ágio fictício, simulado, que não apresenta qualquer propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua existência real, não permite a dedução da despesa com sua amortização nos termos previstos pela legislação tributária nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (arts. 385 e 386 do RIR/99). Alega, em seguida, que: (i) após a aquisição da empresa francesa SAGEM SAS pelo Grupo JCI em 25/07/2001, todas as operações societárias realizadas no Brasil e no exterior com as quotas da JCAE BR foram promovidas por empresas pertencentes ao Grupo JCI e que, quando da alienação das quotas da JCAE BR à JCBA (fiscalizada), a empresa norteamericana HOOVER Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.756 10 ocupou simultaneamente os dois polos do negócio firmado comprador e vendedor, cobrando o ágio de si mesma; (ii) muito antes do aumento do capital da JCBA (fiscalizada), com a totalidade das quotas da JCAE BR, com a criação do ágio, o objetivo final da reestruturação societária a ser realizada sempre foi a reunião dessas duas empresas brasileiras em uma só e que o investimento de R$ 109.600.000,00 realizado pela empresa HOOVER na JCBA (fiscalizada), teve um curtíssimo tempo de vida; (iii) o resultado líquido da engenharia societária adotada pelo grupo econômico do qual o contribuinte faz parte é igual à incorporação direta da JCBA (fiscalizada), pela JCAE BR, com exceção do direito à amortização do ágio na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSSL a serem recolhidos pela empresa resultante. Sobre a indedutibilidade do ágio fictício (ágio cobrado de si mesmo) e a ausência de propósito negocial e substrato econômico, aponta os fundamentos dos arts. 385 e 386 do RIR/99 para aduzir que o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e um substrato econômico (transação comercial), decorrente da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, interdependentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres proporcionais, além de importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Sustenta que devem ser observados o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, emitido pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM, e o item 50 da Orientação Técnica OCPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Sobre a ausência de propósito negocial, aponta que, por meio de uma visão global da reestruturação adotada, evidenciase que o resultado conjunto das duas operações fora a simples unificação das atividades da JCBA com as da JCAE BR, o que poderia ter sido alcançada desde o início somente com a incorporação de uma sociedade pela outra, tal como foi feito por meio da segunda operação. Nesse sentido, sustenta que: (i) o ágio decorrente da aquisição de um investimento deve ser registrado por quem o efetivamente suporta, e quem adquiriu a JCAE BR com ágio não foi a recorrente, em 18/12/2003, mas sim o Grupo JCI, em 25/07/2001, quando da aquisição da empresa francesa SAGEM SAS, não podendo ser aplicada a autorização contida no artigo 386, inciso II, do RIR/99; (ii) o propósito negocial foi eminentemente fiscal, já que, em razão da incorporação realizada, o investimento adquirido pela JCBA (fiscalizada), de sua controladora HOOVER fora integralmente cancelado, sendo, mantido, porém, o ágio pago por ele. Com isso, a previsão da rentabilidade futura da empresa que não mais existia, contudo, permaneceu registrada. Não poderia a JCBA (fiscalizada), em 2003, ao adquirir a JCAE BR pelo mesmo preço pago pelo Grupo JCI em 2001, registrar o mesmo ágio como se a JCAE BR tivesse mantido a mesma projeção de rentabilidade futura. Sobre a ausência de substrato econômico, aduz que: (i) tanto a JCBA (fiscalizada) como a JCAE BR eram controladas diretamente pela sua única sócia: a empresa norteamericana HOOVER (a qual, por sua vez, Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.757 11 fazia parte do Grupo JCI) e, em razão disso, não houve dispêndio de qualquer espécie de recurso; (ii) a partir da análise global da reorganização societária realizada, o único substrato econômico existente é aquele oriundo da amortização do ágio na conta de resultado da JCBA (fiscalizada) após a incorporação e que o ágio criado, por ser inexistente de fato, não é válido e nem eficaz para ser amortizado na conta de resultado do recorrente; (iii) assim, a despesa amortizada pelo sujeito passivo na apuração de seu lucro líquido não se enquadra em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade previstas pelos artigos 324 a 327 do RIR/99. Quanto ao RECURSO DE OFÍCIO, defende a qualificação da multa de ofício em razão da simulação cometida pelo contribuinte, sustentando, em suma, que: (i) existe contradição no acórdão prolatado pela DRJSão Paulo I/SP, pois, em um primeiro momento, reconhece que o ágio registrado pelo contribuinte fora criado de forma simulada, ou seja, sem qualquer propósito negocial e substrato econômico, e em seguida, ao tratar da qualificação da multa, diz que as operações que o sujeito passivo declarou realmente ocorreram; (ii) a despesa amortizada pelo contribuinte autuado fora criada de forma simulada, por meio de um evidente intuito doloso de fraudar o Fisco, razão pela qual a qualificação da multa deve ser mantida; (iii) a própria confissão do contribuinte de que o ágio foi criado para transferir para si um investimento com ágio realizado anteriormente pelo Grupo JCI e de que não houve qualquer dispêndio financeiro tornam incontestável o intuito doloso do contribuinte na criação de um ágio que nunca existiu; (iv) de fato, a ausência de propósito negocial e de substrato econômico, da mesma forma que impedem a existência material do ágio, atestam a simulação praticada pelo contribuinte; (v) existiram a) uma vontade declarada de aquisição de um investimento com ágio pela JCBA (fiscalizada) traduzido no valor de mercado da integralidade das quotas da JCAE BR calculado na previsão de rentabilidade futura da empresa; e b) uma vontade real de criação de um investimento artificial a fim de gerar um ágio que seria utilizado pela JCBA (fiscalizada) para reduzir a tributação a ser paga após a incorporação. Essa diferença entre a vontade declarada e a vontade real caracteriza a simulação praticada, nos termos do art. 167, parágrafo 1º, inciso II, do Código Civil Brasileiro, in fine; (vi) a operação realizada pelo contribuinte autuado não traduziu a aquisição de um investimento com supedâneo na previsão de rentabilidade futura da JCAE BR. Com a incorporação, esse investimento foi anulado, porém o direito à amortização do ágio mantido; (vii) a criação do ágio fictício foi iniciada com a aquisição do investimento pela JCBA (fiscalizada) e concluída com a incorporação dessa sociedade com a JCAE BR; (viii) o evidente intuito doloso do contribuinte nos ilícitos tributários cometidos pelo contribuinte resta caracterizado pelo fato de ele saber desde o início que a JCAE BR seria incorporada por ele; Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.758 12 (ix) reforçam o evidente intuito do contribuinte: a) o fato de a reorganização societária em tela ter sido planejada desde o ano de 2001, juntamente com a ajuda de consultoria especializada, b) por meio de laudo de avaliação da JCAE BR (fls. 86/144), procurou dar uma aparência de legalidade a uma operação não prevista na legislação; (x) de forma inexplicável, o contribuinte trouxe aos autos um laudo elaborado pela CF Solutions, pelo qual é apurado o valor de mercado da JCAE BR com base em sua rentabilidade futura antes da aquisição de suas quotas pela JCBA (RECORRENTE). Em nenhum momento o laudo cita o negócio realizado em 2001 entre o Grupo SAGEM e o Grupo JCI, tendo analisado aspectos intrínsecos e extrínsecos da JCAE BR, e projetado a rentabilidade de empresa no lapso de 5 anos e 1 mês após a sua elaboração; (xi) a simulação resta inequívoca uma vez que havia motivos à sua realização (criação de um benefício fiscal indevido), assim como, com a incorporação, o negócio realizado (aumento de capital decorrente de um investimento) não foi executado materialmente; (xii) a fraude, correspondente à atitude dolosa do contribuinte em reduzir o montante do imposto devido, está mais do que comprovada, sendo inegável o conluio, este é inegável uma vez que a reorganização societária envolveu todas as pessoas jurídicas que fazem/faziam parte do grupo econômico internacional JCI. Pede, ao final, que seja provido o recurso de ofício e negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.759 13 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO VOLUNTÁRIO Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. Como relatado, o lançamento de IRPJ e CSLL, referente aos anoscalendário de 2004 a 2007, decorre de glosa do encargo de amortização de ágio. Diante dos fatos relatados e elementos juntados aos autos, cumpre perquirir sobre o direito à amortização do ágio gerado pela integralização de participações societárias e sua posterior incorporação, considerando os motivos da acusação fiscal e os argumentos da defesa. Inicialmente, porém, cabe tecer algumas considerações sobre o tema ágio. O ágio é formado na aquisição de uma participação societária por valor superior ao valor do patrimônio líquido. Na época das privatizações das empresas públicas, o legislador brasileiro criou uma norma para beneficiar as adquirentes, as quais, na maioria das vezes, adquiriam as participações societárias nas empresas privatizadas por valor superior ao do patrimônio líquido, gerando um ágio, seguido de uma operação de incorporação, fusão ou cisão. A Lei nº 9.532/97 disciplinou os efeitos fiscais do ágio posteriormente à realização das operações societárias, nos seguintes termos (art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99): Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.760 14 lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Do texto legal se extrai que se houver uma efetiva aquisição e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento, surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.761 15 O referido art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77 (art. 385 do RIR/99), dispõe: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como se vê, de acordo com o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77, o ágio pode ter fundamento econômico nas seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Assim, para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. No presente caso, a fiscalização detectou que as quotas da JCAE foram cedidas à fiscalizada, ora recorrente, com um ágio de R$ 75.759.917,68, em 2003 (fls. 217), cuja contrapartida foi o aumento de capital de R$ 109.600.000,00. A glosa foi efetuada por ter sido considerado que a transação se deu entre empresas do mesmo grupo econômico e que não houve efetivo dispêndio financeiro, inexistindo propósito econômico real e efetivo substrato econômico. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.762 16 Caracterizada a operação entre partes relacionadas, temse o ágio gerado internamente, cujo reconhecimento não é admitido pela Teoria da Contabilidade. Sobre o tema, vale mencionar a posição da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, embora destinada às sociedades de capital aberto, com a emissão do Oficio Circular/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 visando esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade. No texto, abaixo transcrito, são destacadas situações semelhantes ao do presente caso, em que empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio artificialmente, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial), o que é rechaçado pelo órgão administrativo: OFICIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Prezados Senhores, Os OficiosCirculares emitidos pela área técnica da CVM tem como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse oficiocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas as normas internacionais emitidas pelo IASB. A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), Jose Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szus ter (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. [...] 20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.763 17 Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o prep (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando hit o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (destaquei) Ainda nesse sentido, registrese o item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: [...] só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.764 18 planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. Sobre o fato das empresas HOOVER, JCAE e a recorrente pertencerem ao mesmo grupo econômico não existe dúvida, como demonstram os organogramas (fls. 33 a 50), apresentados pela recorrente. O que a recorrente sustenta, em seu recurso, é que a operação que deu origem ao ágio posteriormente deduzido foi realizada com o grupo francês SAGEM, não se enquadrando como operação entre partes relacionadas. Em outros termos, a recorrente sustenta que a fiscalização se concentrou, indevidamente, apenas em parte da operação, a qual teria se iniciado com a aquisição de controle de empresas que pertenciam ao grupo SAGEM, que não tem qualquer vinculação com o grupo econômico da recorrente. Segundo ela, cronologicamente, ocorreram as seguintes operações: Passo 1 — Grupo JCI, por intermédio da JCH SAS, adquire a totalidade das ações da SAGEM SAS, mediante pagamento de US$ 525.000.000,00 O grupo JCI (grupo econômico da fiscalizada, cuja controladora está situada no EUA JCI) adquire, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo, a totalidade das ações da SAGEM SAS mediante pagamento de Є525.000.000,00., situada na França, e que, por sua vez, controlava a SAGEM (EUA) e a SAGEM (BR). Após a venda os nomes das empresas foram alteradas para JCAE SAS, JCAE, Inc e JCAE do Brasil, respectivamente. Passo 2— Aquisição, pela JCHC e pela HOOVER, da totalidade das quotas da JCAE BR (antiga SAGEM BR), por US$ 31.611.092,00 e US$ 5.591.558,00, respectivamente, totalizando US$ 37.202.650,00 A empresa JCHC e a empresa HOOVER , ambas controladas pela JCI, adquirem a totalidade das quotas da JCAE do Brasil por U$ 37.202.650,00, sendo que a empresa JCHC pagou US$ 31.611.092,00 e a HOOVER US$ 5.591.558,00. Passo 3— Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante transferência das quotas da JCAE BR para a JCI Inc. Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante a transferência das quotas da JCAE do Brasil para a JCI, sua controladora. Passo 4— Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização, pela JCI Inc., das quotas da JCAE BR de sua titularidade Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização pela JCI das quotas da JCAE do Brasil. Passo 5— Aumento do capital da JCBA em R$ 109.375.791,00 (correspondentes a US$ 37.202.650,00), mediante subscrição e integralização, pela HOOVER, das quotas da JCAE BR de sua titularidade Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.765 19 Aumento do capital da fiscalizada, JCBA em R$ 109.375.791,00 mediante subscrição e integralização das quotas da JCAE do Brasil, feita pela sua controladora HOOVER. A contribuinte alega que foi assim que o valor de R$ 109.375.791,00 foi formado pois se trataria de mera conversão do valor em dólares (US$ 31.611.092,00) para a moeda nacional, à taxa de câmbio da época (R$ 2,94). Passo 6— Incorporação da JCAE BR pela JCBA A JCBA incorpora a JCAE do Brasil, mediante avaliação de seu acervo liquido, incorporado a valores contábeis e, a partir daí a fiscalizada começou a amortizar o ágio relativo à expectativa de resultados futuros da JCAE do Brasil, à razão máxima de 1/60, considerando a despesa correspondente dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Segundo a recorrente, o ágio cobrado no investimento realizado pela HOOVER, em 18/12/2003, decorreu do preço efetivamente pago pelas quotas da JCAE BR quando da aquisição da SAGEM SAS (controladora à época da JCAE BR) pelo Grupo JCI em 25/07/2001. Assim, a HOOVER teria transferido à recorrente, em 2003, um investimento adquirido com ágio pelo Grupo JCI em 2001, com a manutenção do referido ágio pago. Segundo ela, tal ágio deve ser registrado pela empresa que absorveu por final a participação societária então adquirida pelo grupo empresarial. Notase que, após a operação de aquisição da francesa SAGEM SAS pelo Grupo JCI, em 25/07/2001, todas as demais operações societárias realizadas no Brasil e no exterior com as quotas da JCAE BR foram promovidas por empresas pertencentes ao Grupo JCI, do qual faz parte a recorrente. Independentemente de o ágio original ter sido gerado numa operação entre partes não vinculadas, o alegado ágio foi gerado no exterior entre empresas estrangeiras. Considerandose que a legislação brasileira do imposto de renda destinase a nacionais, por falta de previsão legal, eventual ágio gerado naquela primeira transação, realizada no exterior, não poderia ser aproveitado pela recorrente, a quem teria sido transferido em momento posterior (2003), ainda que parte desse montante (US$ 37.202.650,00) estivesse relacionado à posterior aquisição da subsidiária brasileira daquele Grupo (SAGEM), como aduz a recorrente. Ademais, para se considerar a hipótese da tese da recorrente terseia que admitir a transferência de ágio a empresa que não foi responsável pelo desembolso respectivo. Ocorre que, interpretandose conjuntamente o art. 7º, inciso III, da Lei nº 9.532/97 com o art. 20, caput, do Decretolei nº 1.598/77, compreendese que, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, se o custo referente ao ágio deve ser segregado, somente quem adquiriu a participação societária com sobrepreço terá a faculdade de amortizar o ágio antes segregado. Nesse sentido decidiu o CARF no acórdão nº 130200834, de março de 2012. O ágio em análise teve por fundamento a rentabilidade futura, com lastro no laudo de avaliação apresentado pela recorrente, referente ao patrimônio da controlada. Todavia, em que pese referir sempre o Grupo SAGEM, com o qual se deu a primeira operação, o laudo Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.766 20 apresentado, embora mencione o negócio realizado em 2001 entre o Grupo SAGEM e o Grupo JCI, apenas analisa os aspectos intrínsecos e extrínsecos da JCAE BR, projetando a rentabilidade futura dessa empresa. A recorrente se insurge contra a conclusão da DRJ e da fiscalização de que o objetivo final da reestruturação societária a ser realizada sempre foi a reunião das duas empresas brasileiras (recorrente e JCAE BR) em uma só. Todavia, esse parece ter sido, de fato, o propósito da operação de reorganização societária, visto que, diante das provas dos autos, são evidentes a ausência de propósito negocial e substrato econômico para justificar o reconhecimento e aproveitamento do ágio pela recorrente. Cabe destacar que, no momento em que a recorrente adquiriu a participação societária da JCAE BR da empresa norteamericana HOOVER, esta detinha a quase totalidade das quotas da recorrente, conforme contrato social (fl.18) e também detinha a totalidade das quotas da JCAE BR. Diante disso, constatase que a HOOVER representou o papel de compradora e vendedora quando da alienação das quotas da JCAE BR à recorrente, cobrando ágio de si mesma. Evidenciase, assim, nesse momento, a ocorrência de ágio gerado internamente. O papel do laudo de avaliação não é relevante, nesse caso, pois não é o documento que gera o ágio. A rentabilidade futura deve ser passível de ser verificada no caso concreto, o que fica prejudicado quando se tratam de empresas vinculadas. Ademais, o investimento de R$ 109.600.000,00 realizado pela HOOVER na JCAE BR teve um curtíssimo tempo de vida. Nesse sentido, as operações realizadas em datas muito próximas, além de denotar ausência de propósito negocial e de substrato econômico, reforçam o vínculo entre as envolvidas no processo de reestruturação societária que deram ensejo ao ágio sob exame. O presente caso envolve ágio formado a partir de operação entre empresas do mesmo grupo, sem dispêndio de recursos e tendo como rentabilidade futura os lucros da própria empresa incorporada. Acrescentese a isso a ausência de um intervalo mínimo entre as operações e se está diante de um ágio formado sem qualquer propósito negocial e sem substrato econômico. Logo, indedutível, por ausência dos requisitos de dedutibilidade. Diante de todo o exposto, outra não pode ser a conclusão senão que a única diferença em relação ao resultado líquido obtido pela incorporação direta da Recorrente pela JCAE BR com o que o grupo econômico alcançou com esse conjunto de alterações societárias é justamente o direito à amortização do ágio na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSSL na empresa final. Assim, por lhe faltar propósito negocial e fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, não pode ser oponível ao Fisco, como é o caso dos autos. Neste ponto, a jurisprudência do CARF é pacífica. Como fundamento subsidiário, cabe transcrever as conclusões do voto do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quando apreciou a questão do ágio interno gerado mediante reorganização Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.767 21 societária envolvendo apenas empresas sob controle comum, no Acórdão n° 130100.058, decidido à unanimidade pela lª Turma Ordinária da 3ª Câmara da lª Seção de Julgamento do Carf, em sessão de 13 de maio de 2009, litteris: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada da empresa ERNST & YOUNG. O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Cumpre, ainda, afastar a alegação de validade do procedimento na vigência do art. 36, da Lei nº 10.637, de 2002. Até sua revogação, a partir de 1º de janeiro de 2006, o referido dispositivo previa: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.768 22 valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Notase que o ágio previsto pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, assim como pelos arts. 385 e seguintes do RIR/99, não visa refletir a reavaliação de uma participação societária por equivalência patrimonial, mas decorre da mais valia embutida no preço pago por um investimento. À vista disso, o acréscimo patrimonial correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital e o valor contábil dessa participação societária, deverá ser levado à tributação somente por ocasião da alienação, liquidação, baixa, ou conferência de capital em outra pessoa jurídica, nas condições estabelecidas no dispositivo. Em não havendo interesse em alienar, liquidar ou baixar a participação societária em jogo no caso concreto, por pertencer às mesmas pessoas, nunca haverá tributação. Nesse sentido, é precisa a fundamentação contida no voto da ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa dado no processo administrativo n° 10980.017339/200878, que, embora vencido, representa a melhor interpretação da norma: Do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um beneficio na tributação do ganho auferido na transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.769 23 E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 290 edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio liquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP n° 66, de 2908 2002, convertido no art. 36 da Lei n° 10.637, de 30122002, dispondo: 1...1 A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio liquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio liquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio liquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei especifica não foi revogado. Diante de todos os argumentos até aqui expostos, considerase que o aproveitamento de ágio gerado internamente para fins tributários deve ser rechaçado. Em complemento à posição aqui demonstrada, cabe, ainda, tecer algumas considerações sobre o recente julgado que se afastou da jurisprudência sedimentada nessa matéria, consubstanciado na decisão proferida no acórdão nº 110100708, de 11/04/2012, Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.770 24 aprovado por maioria de votos, no processo mencionado anteriormente, devido à sua grande repercussão. Entendese, com a devida vênia da maioria daquele colegiado, que os fundamentos apontados no voto vencedor verificamse frágeis, como se demonstrará. Sobre o tema de interesse, ficou consignado na ementa: ÁGIO INTERNO. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. Como um dos principais argumentos favoráveis à tese da possibilidade de amortização do ágio interno, foi referido o artigo “Incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”, de autoria dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, disponível no endereço da Internet http://www.congressousp. fipecafi.org/artigos42004. Os autores desse estudo, renomados profissionais da área contábil, abordaram a modalidade de incorporação reversa que toma por base o ágio gerado internamente, analisando e concluindo que, contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, não é admissível, mas, do ponto de vista tributário, haveria previsão legal para sua consecução de acordo com o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. As conclusões do referido trabalho, literalmente, foram: O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Enquanto desenvolviam o assunto dentro de sua área de especialização, a contabilidade, os doutrinadores reconheceram categoricamente que o ágio gerado internamente não tem sentido econômico. De outro lado, ao adentrarem no campo tributário, concluíram que a legislação tributária, mais especificamente, o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que daria sentido econômico à operação de geração de ágio interno. Todavia, a interpretação dada pelos ilustres contabilistas é passível de críticas, quando analisada sob a ótica tributária. Por oportuno, transcrevese outro trecho do Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.771 25 voto vencido no acórdão nº 110100.708, em que a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa aponta a contradição presente no referido artigo: Consignou esta Relatora a contradição presente em referido artigo, que de um lado conceitua ágio como resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas, e repudia o reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade, concluindo ser inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico, mas de outro infere que a Fazenda Pública admite a dedução as amortizações deste valor como sendo ágio. Dizem Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior que o artigo 36 da Lei no 10.637/2002 permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem, artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de "sociedades veiculo", que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Mas, como visto, o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 deixa claro que não há renda tributável nestas operações, e determina o diferimento de eventual ganho de capital contabilizado. Para manter a coerência com este entendimento, o ágio eventualmente contabilizado em razão desta mesma operação não pode ser classificado como tal, nem ter os mesmos efeitos de uma mais valia paga pela aquisição de um investimento entre partes não relacionadas. Repudiase, portanto, a afirmação contida naquele artigo, no sentido de que a Fazenda Pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL, pois nenhum ato normativo da Receita Federal admite tal dedução. A resposta dada pela Fazenda Pública a estas ocorrências está expressa em reiterada jurisprudência administrativa deste Conselho, citada pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, a qual manteve, até agora, todas as exigências formalizadas em razão da glosa do ágio gerado neste tipo operações. Na medida em que o lucro real tem por base o lucro contábil, devese aplicar aqui o entendimento doutrinário acerca do que pode ser admitido conceitualmente como ágio, até porque, o art. 110 do CTN não permite à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. E, como extensamente demonstrado neste voto, não so o artigo em destaque, como também a mais abalizada doutrina contábil, reafirmada pela Comissão de Valores Mobiliários, sempre repudiou a classificação da maisvalia gerada em operações intragrupo como ágio. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.772 26 Em síntese, como dito por esta Relatora durante a sessão de julgamento, não há o que se falar, aqui, em operações envolvendo entidades "A", "B" e "C", na medida em que o resultado final desta reorganização é a manutenção do controle de "A" sobre "B", que apenas transitoriamente passou a indireto, sob a titularidade da empresa veiculo "C". Inexiste aquisição entre "A" e "C", inexiste ágio. Assim, verificase que não há que se falar em ágio quando não existe alteração patrimonial decorrente de aquisição. Ainda no voto vencedor do referido acórdão, a artificialidade da conduta foi descrita como uma expressão genérica, a qual seria insuficiente para caracterizar a irregularidade da operação de criação de ágio, por se considerar que o tudo o que é realizado de modo intencional (pelo contribuinte) é artificial e que “o fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio” [à operação]. A afirmação de que tudo que é intencional é artificial parece se espelhar na tese do escritor inglês Thomas Browne, que, no século XVII, escreveu: “tudo é artificial, uma vez que a Natureza é a arte de Deus”. Em outras palavras, tudo o que o homem constrói, seja de ordem material ou imaterial, é artificial. Sob esse prisma, a equiparação entre conduta intencional e conduta artificial faz sentido. Ocorre que, dentro do ordenamento jurídico pátrio vigente no século XXI, intencionalidade não se confunde com artificialidade. Para fins tributários, é artificial a conduta (intencional, obviamente), mas que busca subterfúgios ou caminhos alternativos para escapar à tributação correta. Corresponde à intenção de se evadir à tributação criando mecanismos irregulares. Vejase o exemplo do art. 285 do RIR/99: Art. 285. É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). (destaquei) Nesse caso, como em tantos outros, o termo “artifício” utilizado pelo legislador referese a um procedimento em desacordo com o que seria esperado na situação, com vistas a obter indevida desoneração tributária. Em outras palavras, a busca pela redução da carga tributária não pode se dar “a qualquer preço”. Distinguese, contudo, conduta artificial de conduta dolosa, pois nesta se configura a presença do ilícito. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, com o único propósito de reduzir a base tributável pelo aproveitamento de despesas de amortização do respectivo ágio. Todavia, é incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, pois, como não há transferência de controle entre as empresas, logicamente, não há aquisição de nova propriedade. A lei não permite o ágio interno, porque deve ser interpretada de modo a se evitar a conduta abusiva, tendo em conta as exigências do bem comum e a função social da empresa, prevista no art. 170 da Constituição Federal. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.773 27 A segurança jurídica, no caso, decorre da interpretação racional e lógica do ordenamento jurídico, pautado em orientações consistentes de órgãos normativos e na jurisprudência consolidada deste órgão de julgamento. Como a Recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da evidente caracterização de ágio formado internamente, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas no período fiscalizado. Assim, diante dos elementos dos autos, entendese que restou caracterizada a existência de ágio criado pela recorrente dentro do grupo econômico, indedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, devendo ser mantida a autuação. RECURSO DE OFÍCIO Para fins de reexame necessário, a decisão recorrida atende aos requisitos definidos pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/72, e alterações introduzidas pela Lei nº 8.748/93 e Lei nº 9.532/97, e pela Portaria MF nº 03, de 2008, visto que o crédito tributário exonerado em razão do montante exonerado na desqualificação da multa de ofício excede a R$ 1.000.000,00. A desoneração decorreu do entendimento de que inexistiu comprovação da intenção fraudulenta na conduta da recorrente, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Segundo a autoridade fiscal, houve caracterização de fraude, consoante se extrai do TVF (fl.724), literalmente: 48. Especial atenção deve ser dedicada ao que dispõe o §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, acima transcrito. Nele citado, o art. 72 da Lei n° 4.502/64 assim define fraude: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 49. 0 procedimento adotado pela fiscalizada está compreendido na hipótese prevista na norma acima. Não cabe à companhia invocar desconhecimento ou prática de erro escusável: nem quando foi criado o ágio, nem quando ele começou a ser amortizado, nem em qualquer outro momento anterior ou posterior, o ágio interno foi aceito pela Contabilidade, pela CVM ou pelas regras tributárias. Vale relembrar que o custo histórico como base de valor já há muito está consagrado pela Contabilidade e, por extensão, pela legislação do imposto de renda, que apura o lucro real com observância dos preceitos das leis comerciais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, §1°). 50. A fiscalizada estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado internamente, registrado apesar da ausência de custo. O intuito fraudulento tornase ainda mais evidente quando se verifica que todas as transferências das quotas da JCAE efetuadas no exterior (v. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.774 28 Tabela 1) foram feitas por seu valor patrimonial, padrão quebrado tãosomente quando internalizadas no Brasil — pais onde se admite em determinadas condições, diferentes da ora analisada, a amortização de ágio pago. A "reavaliação" das quotas se deu, pois, por razões unicamente tributárias, sem qualquer propósito negocial. 51. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. (destaquei) A DRJ afastou a qualificação da multa por considerar não ter havido prova de dolo, fraude ou simulação por parte da Recorrente. Em contrarrazões ao recurso voluntário, aponta a PGFN que a situação verificada nos autos enquadrase como negócio jurídico simulado, nos termos do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil). Ocorre que, da acusação fiscal, não é isso o que se infere. A qualificação da multa é medida extrema que exige a demonstração do evidente intuito de fraude a partir de uma conduta dolosa. Inexiste, nos autos, a demonstração de que houve a utilização de algum mecanismo ou instrumento fraudulento a ensejar a qualificação da multa, mas apenas a acusação de que o contribuinte tinha consciência da falta de propósito negocial. Nesse caso, é de se concordar com a conclusão da DRJ, pois o direito de defesa da recorrente restaria prejudicado, em razão dos termos da acusação não permitirem o alcance pretendido pela PGFN. Dispositivo Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.775 29 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator designado Em que pese os sólidos argumentos trazidos pela ilustre relatora do voto vencido, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação à legalidade da dedução do ágio registrado, matéria que restou vencida na votação do presente acórdão. Por oportuno, necessário deixar consignado que foram mantidos, por esta turma julgadora, os fundamentos trazidos pela ilustre relatora no que se refere à matéria relativa à qualificação da multa, uma vez não caracterizada a utilização de mecanismo fraudulento a ensejar a referida qualificação, de modo que essa matéria encontrase fora de discussão no presente voto. Conforme amplamente exposto pelo Relatório de Verificação Fiscal, a fiscalização constatou que quotas da empresa denominada JCAE do Brasil foram transferidas/cedidas à fiscalizada JCBA, pela sua controladora HOOVER, cuja contrapartida foi o aumento de capital na segunda empresa. A glosa foi efetuada por ter sido considerado que a transação se deu entre empresas do mesmo grupo econômico e que não houve efetivo dispêndio financeiro, o que caracterizaria a inexistência de substrato econômico e negocial. O acórdão de primeira instância e o voto vencido seguiram na mesma linha de fundamentação, ou seja, para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho, hipóteses que não teriam se confirmado no presente caso. Para melhor entendimento da matéria, convém relembrar os principais pontos da reestruturação societária que resultou no surgimento do ágio ora discutido: (1) O grupo JCI (USA) adquire, em 25/07/2001, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo JCI, a totalidade das ações da SAGEM SAS (França), mediante pagamento de Є 525.000.000,00. A SAGEM SAS (França) controlava a SAGEM (EUA) e a SAGEM (BR). Após a venda, os nomes das empresas foram assim alterados: SAGEM SAS (França) para JCAE SAS; SAGEM (EUA) para JCAE Inc; e SAGEM (BR) para JCAE do Brasil; (2) Em 17/12/2003, a empresa JCHC (USA) e a empresa HOOVER (USA), ambas controladas pela JCI (USA), adquirem da JCI (USA), a totalidade das quotas da JCAE do Brasil por U$ 37.202.650,00, sendo que a empresa JCHC pagou US$ 31.611.092,00 e a HOOVER US$ 5.591.558,00. (3) Na mesma data, em 17/12/2003, ocorreu a redução do capital da JCHC (USA), no valor de US$ 31.611.092,00, mediante a transferência das quotas da JCAE do Brasil para a JCI (USA), sua controladora. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.776 30 (4) Em 18/12/3003, ocorreu o aumento do capital da HOOVER (USA), em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização pela JCI (USA) das quotas da JCAE do Brasil. (5) Em 18/12/2003, houve o aumento do capital da ora fiscalizada JCBA, em R$ 109.375.791,00, mediante conferência das quotas da JCAE do Brasil, feita pela sua controladora HOOVER, representando esse valor a conversão do valor em dólares (US$ 37.202.650,00) para a moeda nacional à taxa de câmbio da época (R$ 2,94). (6) Baseado em laudo de avaliação de 18/12/2003 fls. 91, chegouse a um valor de mercado da JCAE do Brasil, em 30/11/2003, de R$ 109.600.000,00, com um ágio de R$ 75.759.917,68. (7) Em 31/08/2004, a JCBA (fiscalizada) incorpora a sua controlada, a JCAE do Brasil, começando a amortizar o ágio de R$ 75.759.917,68 relativo à expectativa de resultados futuros da JCAE do Brasil, à razão de 1/60 ao mês, considerando a despesa correspondente dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A fiscalização sustenta que o ágio teria sido gerado apenas em 18/12/2003, quando da conferência das quotas da JCAE do Brasil ao capital da JCBA (fiscalizada), dentro do mesmo grupo econômico (ágio interno), portanto, sem propósito econômico e sem o efetivo desembolso financeiro. Entretanto, a descrição das reorganizações societárias relatadas acima, demonstram que essas reorganizações se iniciaram em data anterior ao que foi considerado pela fiscalização (18/12/2003). Conforme descrito acima, as operações de aquisição das empresas envolvidas, dentre elas a aquisição do controle societário da SAGEM (BR) (denominação depois alterada para JCAE do Brasil (incorporada pela fiscalizada JCBA), iniciaramse em 25/07/2001, quando a empresa JCI (USA) adquire, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo JCI, a totalidade das ações da SAGEM SAS (França), mediante pagamento de Є 525.000.000,00. A SAGEM SAS (França), por seu turno, detinha o controle da SAGEM (BR). Em consequência dessas transações, podese facilmente verificar que no valor pago de Є 525.000.000,00, encontravase o ativo representado pelas quotas da SAGEMBR (JCAE do Brasil) pertencentes à empresa adquirida, a SAGEM SAS (França). Essa situação, aliás, foi também descrita no relatório deste Acórdão, nos seguintes termos: “ (...) pois a operação inicial foi feita entre partes independentes e que no valor total pago pelo grupo JCI (Є 525.000.000,00) estaria o valor de Є 42.192.265,00 que corresponderia ao valor de US$ 37.202.780,00, valor este equivalente ao valor do custo que a HOOVER incorrera para adquirir as quotas da JCAE do Brasil (R$ 109.375.791,00).” De acordo com o descrito acima, a primeira conclusão a que se chega é que a fiscalização não levou em consideração a origem da negociação que levou à reorganização societária das empresas envolvidas. O agente fiscal desenvolveu seu raciocínio a partir das operações realizadas em 18/12/2003, e não em 25/07/2001, data em que se iniciou todo o processo de aquisição da empresa SAGEMBR (JCAE do Brasil) e da reorganização societária levada a efeito no grupo JCI (USA) e, por consequência, na JCBA (fiscalizada). Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.777 31 Além disso, outros dois fatos mostramse cruciais para o deslinde do presente litígio. Em primeiro lugar, verificase que as negociações ocorreram com empresas de diferentes grupos econômicos, JCI (USA) e SAGEM (França). Em segundo lugar, constatase que ocorreu o efetivo desembolso financeiro na operação, aí incluído o desembolso pela aquisição da empresa antes denominada SAGEMBR, que passou a ser denominada JCAE do Brasil, incorporada pela fiscalizada JCBA. Esses fatos afastam, de imediato, a hipótese da ocorrência de simulação, situação, aliás, sequer aventada pela fiscalização. Essas constatações enfraquecem toda a fundamentação utilizada pelo agente fiscal, e pelo acórdão recorrido, quanto à falta de propósito negocial e do efetivo dispêndio de recursos nas operações de aquisições/reestruturação societária. Não bastasse o equívoco cometido quanto às premissas iniciais, é preciso também analisar o aspecto relativo à disciplina legal do ágio, que parece não ter sido bem aplicado pela autoridade lançadora. A autoridade fiscal afirma que o ágio amortizado na JCBA (autuada) é o ágio da JCAE Brasil que já existia na HOOVER (controladora da autuada), e que teria ocorrido a transferência desse ágio para a JCBA por ocasião do aumento de capital nesta última, feito mediante conferência das quotas da JCAE do Brasil. Tal afirmação é equivocada. Não se pode confundir o pretenso ágio que teria surgido na investidora HOOVER quando do aumento do seu capital com quotas da JCAE do Brasil (18/12/2003), com o ágio que nasce na JCBA, quando do aumento do capital nesta última (18/12/2003), mediante entrega, pela HOOVER, de quotas da JCAE do Brasil. São ágios diferentes. O primeiro ágio surgiu com as negociações realizadas entre a HOOVER(USA) e a JCI (USA). O segundo, quando do aumento de capital realizado pela HOOVER(USA) em sua controlada, a JCBA (fiscalizada). Para bem compreender a regulamentação do ágio, é preciso identificar e distinguir com clareza a situação que dá nascimento ao ágio e nas hipóteses que implicam na transferência do ágio. Para melhor compreensão, necessário que se transcreva a legislação que trata da matéria, em especial os arts. 385 e 386 do RIR/99: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.778 32 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.779 33 I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (destaques meus) Conforme se vê, o art. 385 do RIR/99 define o que é ágio, disciplina o seu registro e é dele que se infere os pressupostos do ágio. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações/quotas adquiridas. Além disso, conforme a legislação tributária, para fins fiscais, o ágio surge na aquisição de ações/quotas por valor maior que o patrimonial. Indiferente que a aquisição decorra de uma compra ou da conferência de quotas/ações (troca) para a integralização(aumento) de capital recebidas por valor acima do valor patrimonial. A aquisição é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. No caso dos autos, a JCBA (fiscalizada) efetuou o aumento do seu capital com a conferência de quotas da JCAE do Brasil por um valor acima do valor patrimonial desta última, de modo que o valor total do investimento precisa ser desdobrado e registrado em sub contas distintas (art. 385 do RIR/99): i) o valor patrimonial das ações/quotas recebidas; e o valor do ágio. Por seu turno, o ágio nasce quando uma empresa adquire participação relevante em outra sociedade e somente se transfere por incorporação reversa, cisão ou fusão (art. 386 do RIR/99). Não se pode confundir a transferência das ações/quotas, por meio de aquisições (conferência de ações/quotas), com a transferência do ágio. A transferência das ações/quotas não implica em transferência de ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de um novo ágio na adquirente. Partir da premissa que existe transferência de ágio, quando na verdade existe um novo ágio conduz a interpretações equivocadas. Assim, por exemplo, se o dono de investimento adquirido com ágio efetuar a alienação desse investimento, terá que dar baixa do seu investimento (extinguindo o ágio) e o novo adquirente registrará o seu investimento com ágio. As ações/quotas podem ser as mesmas, mas os ágios são diferentes. Em outras palavras, quando as ações/quotas da investida são alienadas/transferidas, na sequência, a cada alienação nascerá um novo ágio registrado na contabilidade da adquirente. Percebese que são as ações/quotas que estão sendo transferidas e Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.780 34 não o ágio. Nessas operações o ágio não se transfere. Este se extingue (na alienante) e nasce (na adquirente), a cada operação. No presente caso, ao se efetuar o aumento do capital da HOOVER, com quotas da JCAE do Brasil (18/12/2003), pode ou não ter surgido um ágio. Esse fato em nada interessa para a JCBA (fiscalizada). Já quando surge o ágio na JCBA, pelo aumento do seu capital com a conferência de quotas da JCAE do Brasil (18/12/2003), este é um novo ágio. Isso se deve porque ocorreu uma alienação de quotas da HOOVER para a fiscalizada (conferência de quotas pela HOOVER), quotas que foram precificadas por um Laudo de Avaliação da empresa objeto da conferência de quotas, a JCAE do Brasil, nos exatos termos do que dispõe o art. 385 do RIR/99. A HOOVER, ao adquirir, mediante aumento do seu capital, as quotas da JCAE Brasil, passou a ser investidora desta última. Já ao fazer o aumento de capital na JCBA, com as quotas da JCAE do Brasil que detinha, a investidora HOOVER dá baixa no antigo investimento (JCAE) e registra um novo/aumento do seu investimento na JCBA. De outra banda, no momento da aquisição das quotas da JCAE do Brasil, em razão da operação de aumento de capital na JCBA (investidora), esta registra no seu ativo as quotas da JCAE do Brasil pelo valor patrimonial e indica como ágio a diferença desse valor com o valor do Laudo de Avaliação com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, nos termos do art. 385 do RIR/1999. Nesse momento, surge um novo ágio. É esse novo ágio, na JCBA (fiscalizada), que poderá ser amortizado em razão da incorporação da investida (JCAE do Brasil), na proporção de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, com fundamento no art. 386 do RIR/1999. Em síntese, do ponto de vista jurídico, o ágio registrado na JCBA é um novo ágio que nasce apenas no momento em que ela aumenta o seu capital com quotas da JCAE do Brasil. Não existe uma transferência jurídica do ágio que havia na antiga investidora HOOVER para a JCBA. O que foi transferido foi a titularidade das quotas. Dessa forma, forçoso concluir que o ágio gerado no aumento de capital da JCBA (fiscalizada), mediante conferência de quotas da JCAE do Brasil, é um ágio novo e atendeu aos requisitos do art. 385 do RIR/99, podendo ser amortizado a partir da incorporação dessa última (investida) nos termos do art. 386 do RIR/99 e ser excluído da base de cálculo na apuração do IRPJ e da CSLL, exatamente como procedido pela autuada. Em face do exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário quanto à matéria relativa à dedutibilidade do ágio na apuração do IRPJ e da CSLL. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10530.004014/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-001.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 140201.002 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório ATHOS FARMA S/A DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS recorreu a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, fls. 438450, que julgou procedente em parte a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Cientificada da aludida decisão em 26/05/2009 (AR de fls. 456), a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 463 e seguintes em 29/06/2009 (via postal, fl. 482), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Mediante despacho de fl. 483 a unidade de origem encaminhou os autos a este Conselho registrando a intempestividade do recurso. É o que importa relatar. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10530.004014/200742 Acórdão n.º 140201.002 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Inicio verificando os pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário. O artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, estabelece que “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vejamos a transcrição do art. 5o. do Decreto n° 70.235, de 1972: “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Portanto, o prazo recursal de trinta dias começa a fluir no primeiro dia útil subsequente a intimação do interessado, sendo que esta pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos, a recorrente tomou ciência do Acórdão de primeira instancia em 26/05/2009 (terçafeira), via postal (AR de fl. 385). O início da contagem se deu em 27/05/2009 (quartafeira), encerrandose em 25/06/2009 (quintafeira) Ocorre que o contribuinte protocolou o recurso voluntário em 29/06/2009 (via postal), fl. 482 e seguintes, ou seja, 4 dias após o termino do prazo, quando já havia precluído seu direito de recorrer, sem apresentar qualquer justificativa para a perda do prazo (art. 67 da Lei n° 9.784, de 2001), conforme destacou a Unidade de Origem (fl. 483). Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 536DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 35464.003452/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/01/1999
EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL - ERRO MATERIAL - SEM ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO.
Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado.
Existindo erro material quanto a competência mantida no lançamento que gerou contradição, porém tendo a decadência aplicada alcançado também o período da competência mantida, não há de se promover alteração no resultado proferido.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão nº 2401-02.438, sem alteração do resultado do julgamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1998 a 31/01/1999 EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL - ERRO MATERIAL - SEM ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado. Existindo erro material quanto a competência mantida no lançamento que gerou contradição, porém tendo a decadência aplicada alcançado também o período da competência mantida, não há de se promover alteração no resultado proferido. Embargos Acolhidos.
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Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado. Existindo erro material quanto a competência mantida no lançamento que gerou contradição, porém tendo a decadência aplicada alcançado também o período da competência mantida, não há de se promover alteração no resultado proferido. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 34 52 /2 00 4- 11 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão nº 240102.438, sem alteração do resultado do julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.003452/200411 Acórdão n.º 2401002.907 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração nos seguintes termos: Com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a União (Fazenda Nacional), por seu Procurador, opõe Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240102.438 de 16 de maio de 2012. Segundo o embargante, o. acórdão embargado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a insubsistência do lançamento devido à aplicação do termo inicial do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. De acordo com o voto vencedor, havendo prova do pagamento parcial por parte da empresa prestadora para a única competência mantida pela DRJ (12/1998), o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador. Com a devida vênia, há obscuridade/omissão em relação à competência 01/1999, a qual também foi mantida pela DRJ. Com efeito, conforme fazem prova os seguintes trechos do voto condutor do acórdão da DRJ, objeto do recurso voluntário, foram mantidas naquela oportunidade as competências 12/1998 e 01/1999. Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram a contradição apontada pela procuradoria, transcrevo abaixo o relatório do acordão proferido, que mantevese inalterado, considerando que o vício, constou apenas da parte dispositiva do acordão embargado. A presente NFLD, lavrado sob n. 35.745.2810, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo do segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a destinada aos Terceiros, levantadas a título de responsabilidade solidária pela mão de obra utilizada por trabalhadores em cessão de mão de obra na construção civil no período de 08/1998 a 01/1999. Durante o procedimento fiscal, no exame dos registros contábeis a fiscalização verificou que a empresa, no período mencionado, contratou os serviços de trabalhadores no seu estabelecimento, mais especificamente da prestadora Multiparceria Recursos Humanos Ltda, CNPJ n; 01.916.830/000126; tendo sido lançado o presente debito, em razão de não terem sido apresentados, pela empresa contratante as cópias autenticadas das Guias de Recolhimento quitadas (GRPS) e Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 respectivas Folhas de Pagamento específicas conforme dispunha o artigo 31 e parágrafos da Lei N° 8.212/9l. Os valores foram apurados de acordo com os dados lançados no Razão e em notas fiscais e faturas disponibilizados pelo contribuinte. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 15/10/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomadora dos serviços ocorrido no dia 21/10/2004. A empresa prestadora foi devidamente cientificada em 17/12/2004, contudo não apresentou defesa. Inconformada, a empresa tomadora notificada apresentou impugnação à fls. 32 a 48. Foi exarada Decisão que determinou a procedência do lançamento, fls. 103 a 117. Não conformado com o resultado proferido a tomadora apresentou recurso, fl. 138 a 160. Em síntese alega: Ausência de fiscalização da empresa contratada: Afirma ser um imprescindível a fiscalização do outro responsável que é o sujeito passivo da relação face a constatação de que foi realizado o recolhimento do crédito tributário correspondente ao presente processo. Necessária conversão do julgamento em diligências: Alega que em decorrência da ausência de averiguação pela fiscalização da regularidade fiscal da empresa contratada pela Impugnante para a prestação de serviços, requer a realização de diligência para verificar a existência do crédito, nos termos do art. 9o , inciso IV e. 11 da Portaria n. 520/04. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. Necessidade de verificação da natureza dos serviços prestados: Diz que é necessária a realização de diligência para verificação da natureza dos serviços prestados. Impossibilidade de aplicação do art. 45 da lei 8212/91. Inaplicabilidade da Taxa SELIC: Alega que embora o parágrafo 1 o do art 161 do CTN contemplar a hipótese de lei dispor de modo contrário à alíquota de 1% dos juros de mora, tal permissão não implica em que a taxa de juros possa ultrapassar o percentual de 1% ao mês, posto que o item "a" do art 4 o da lei n° 1.521/51 proíbe a cobrança de juros superiores à taxa permitida em lei, sob pena de cometimento do crime de usura pecuniária. Cita a vedação imposta pela CF/88 .expressa em seu § 3o, art 195, à cobrança de taxa de juros acima de 1 % ao mês para operações de crédito. Inexistência da responsabilidade tributária apontada: Imputou, injustamente, pelos argumentos que entendeu cabíveis, a responsabilidade aos sócios e responsáveis da notificada pelo presente lançamento; Requer seja convertido o julgamento em diligências, anulado o presente lançamento ou, subsidiariamente, excluída a aplicação da taxa SELIC e os sócios e demais responsáveis como corresponsáveis. Foi proferido despacho com a indicação da tempestividade do recurso, fl. 162. Foi anexado as fl. 162 a 162, recurso da prestadora de serviços, onde argumenta, ter efetivado o recolhimento e a inaplicabilidade de cobrança de juros. A SRP apresentou contrarrazões às fls. 345 a 349. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.003452/200411 Acórdão n.º 2401002.907 S2C4T1 Fl. 4 5 O processo foi apreciado inicialmente pelo Conselheiro Daniel Ayres Kalume Reis na 4 Câmara do CRPS, donde restou anulada a decisão notificação, fl. 355 a 360. A SRP entrou com pedido de Revisão do Acordão, fls. 361 a 367, tendo a empresa sido devidamente cientificada, bem como apresentado manifestação, fls. 389 a 397. Foi proferido novo acordão por parte do CRPS, no sentido de não conhecer do pedido de revisão, fl. 403, em que se destaca a impossibilidade de revisão, posto tratarse de rediscussão de matéria. À fl. 402, o processo foi baixado em diligência para manifestação da autoridade fiscal, acerca dos documentos apresentados. Foi emitida nova Decisão, que determinou a procedência parcial do lançamento, tendo mantido apenas a competência 12/1998, face a aplicação da decadência quinquenal, fl. 477 a 496 . Novamente, inconformado com o resultado proferido em sede de nova decisão, o recorrente apresentou recurso, em que alega basicamente: a decadência total do crédito, a impossibilidade de responsabilidade dos administradores e inaplicabilidade da SELIC, fl. 315 a 318. O processo foi encaminhado para julgamento no âmbito deste Conselho. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Analisando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, entendo que razão assiste ao embargante, considerando que ocorreu erro material no acordão embargado, o que gerou contradição entre a parte dispositiva e o próprio voto proferido. Assim, da análise dos elementos expostos, entendo que razão assiste ao embargante, tendo em vista que na decisão proferida está relatora encaminhou a declaração da decadência a luz do art. 173, I do CTN, até a competência 11/1998, mantendose lançamento em relação a competência 12/1998. Ou seja, tal fato ensejou obscuridade no acordão embargado, uma vez que fez entender que seria essa a única competência mantida, desconsiderando que no próprio relatório do voto e no próprio parágrafo que tratava da decadência, fl. 530, consta que o lançamento contempla fatos geradores até 01/1999. Tal obscuridade, ensejou ainda, erro por parte do Conselheiro relator do voto divergente, uma vez que o mesmo na parte dispositiva referiuse apenas a decadência da competência 12/1998, não fazendo expressa referência a competência 01/1999, posto que não observou esta relatora a manutenção da mesma no julgado. Assim, entendo tratarse de erro material que ensejou contradição no acordão embargado, devendo ser retificada a conclusão do acordão na parte referente a apreciação da decadência, nos seguintes termos: Onde se lê: CONCLUSÃO No lançamento em questão a lavratura da NFLD em 15/10/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomadora dos serviços ocorrido no dia 21/10/2004, os fatos geradores ocorreram entre as competências 08/1998 a 01/1999, contudo a autoridade julgadora já excluiu o fato geradores até 11/1998, decisão que entendo acertada, posto a aplicação do art. 173, I do CTN. Face o exposto deve ser mantido o lançamento em relação a competência 12/1998. Leiase: CONCLUSÃO No lançamento em questão a lavratura da NFLD em 15/10/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomadora dos serviços ocorrido no dia 21/10/2004, os fatos geradores ocorreram entre as competências 08/1998 a 01/1999, contudo a autoridade julgadora já excluiu o fato geradores até 11/1998, decisão que entendo acertada, posto a aplicação do art. 173, I do CTN. Face o exposto deve ser mantido o lançamento em relação as competências 12/1998 e 01/1999. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35464.003452/200411 Acórdão n.º 2401002.907 S2C4T1 Fl. 5 7 DA APRECIAÇÃO DO MÉRITO Quanto ao mérito do lançamento, posto a manutenção das competências 12/1998 e 01/1999, novamente não há qualquer alteração no resultado do julgamento, considerando que o voto vencedor encaminhou o julgamento pela aplicação do art. 150, §4º do CTN, extinguirá a totalidade do crédito constituído. Apenas para esclarecer e afastar qualquer contradição, entendo pertinente que no voto vencedor no último parágrafo antes da conclusão que exonerou a totalidade do crédito faça constar também a competência 01/1999, conforme segue: “Diante dessa constatação, sou forçado a divergir da Ilustre Relatora, entendendo que à espécie se aplica o inciso I do art. 173 do CTN, pelo que devem ser declarada decadente também a competência 12/1998 e 01/1999, uma vez que a ciência do lançamento pela notificada ocorreu em 21/10/2004.” CONCLUSÃO DA APRECIAÇÃO DOS EMBARGOS: Voto por ACOLHER os embargos de declaração para reratificar o acórdão nº 240102.438, sem alteração do resultado do julgamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10940.900069/2008-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. DIRF. COMPROVAÇÃO.
Cabe retificar a decisão recorrida na parte em que, equivocadamente, desconsidera a comprovação de retenção feita mediante Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf).
Numero da decisão: 1803-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Armond Ferreira da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 330 1 329 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.900069/200834 Recurso nº 917.623 Voluntário Acórdão nº 1803001.638 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de março de 2013 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente R & B ADMINISTRACAO DE RECURSOS HUMANOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. DIRF. COMPROVAÇÃO. Cabe retificar a decisão recorrida na parte em que, equivocadamente, desconsidera a comprovação de retenção feita mediante Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 00 69 /2 00 8- 34 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 331 2 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 332 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 296verso): Trata o processo de Declaração de Compensação, às fls. 01/06, em que foram declarados crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor originário de R$ 13.879,88, e débito de IRPJ (Lucro Presumido) do primeiro trimestre de 2004. 2. O contribuinte acima identificado enviou a Dcomp nº 36967.67613.120504.1.3.021772, de fls. 01/06, na data de 12/05/2004, cuja compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório emitido pela DRF/Ponta Grossa, em 07/03/2008, à fl. 07. Cientificada da decisão em 17/03/2008, conforme informação de fl. 12, tempestivamente, em 10/04/2008, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fl. 15, acompanhada dos documentos de fls. 16 e seguintes, que se resume a seguir: a. Preliminarmente, alega que o crédito é decorrente de IR retido em notas fiscais emitidas durante os anoscalendário de 2002 e 2003, o que pode ser comprovado através das planilhas em que são relacionadas as respectivas notas emitidas pela empresa, uma a uma e a respectiva retenção de IR; b. Junta, além das planilhas, cópias das folhas do Livro Diário de 2002, 2003 e 2004, em que aparece o registro das retenções e as devidas compensações; c. No mérito, considera que tal quantia não é devida, visto que foi devidamente apresentado o Per/Dcomp, bem como a DCTF correspondente à compensação no 1º trimestre de 2004; d. Anexa cópias da DCTF, da Per/Dcomp e das planilhas de IR retido nas notas fiscais; e. Requer o cancelamento do débito fiscal. 3. Foi proferido o acórdão nº 0631.101, às fls. 81/84, por esta DRJ/Curitiba, em 07/04/2011, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. O contribuinte recorreu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme fls. 88/198. Em 16/01/2012, a Egrégia Terceira Turma Especial da Terceira (sic) Câmara do CARF proferiu o Acórdão nº 180301.138, às fls. 263/272, recebido pelo contribuinte em 30/04/2012 (fl. 280), por meio do qual, por unanimidade de votos, determinou que fosse proferida nova decisão de primeira instância, tomando como base o pleito de créditos relativos ao anocalendário de 2003, e não de 2002. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 296): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 333 4 ACOLHIMENTO PARCIAL EM RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO DE NOVA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) acolhido parcialmente o recurso voluntário, determinando o proferimento de nova decisão de primeira instância, procedese a novo julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÕES DE FONTE. CONFIRMAÇÕES. Reformase o despacho decisório que não homologou a compensação, com crédito de saldo negativo de IRPJ, quando o contribuinte, apesar de não ter apurado saldo negativo na DIPJ, comprova retenções de fonte, devendo a cobrança prosseguir quanto ao saldo devedor de débito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Outros Valores Controlados 3. Cientificada da nova decisão em 06/07/2012 – sextafeira (efls. 323 numeração digital), a tempo, em 07/08/2012, apresenta a interessada novo Recurso de efls. 324 a 326, nele argumentando da seguinte forma: 5. Da análise pormenorizada da documentação constante nos autos, tanto a apresentada pelo contribuinte quanto pela Receita, bem como da decisão exarada, observase que a única diferença constatada referese exclusivamente ao Imposto Retido na Fonte das instituições financeiras (Caixa e Banco do Brasil). 6. Nesse tocante, aliás, encontra razão o Fisco, uma vez que, de fato, parece ter existido, em um primeiro momento, um erro material quando do lançamento do valor passível de compensação: erro de R$ 238,87 (duzentos e trinta e oito reais e oitenta e sete centavos) a menor, no caso da Caixa Econômica, e de R$ 876,21 (oitocentos e setenta e seis reais e vinte e um centavos) a maior, no caso do Banco do Brasil. 7. Da contraposição dos valores declarados, portanto, apurase que o contribuinte deixou de comprovar a origem de exatos R$ 637,34 (seiscentos e trinta e sete reais e trinta e quatro centavos). 8. Importante salientar que tal alegação pode ser comprovada pela tabela apresentada pelo próprio Fisco, a fim de fundamentar sua decisão. 9. Resta evidente, portanto, que a cobrança guerreada deve permanecer exclusivamente sobre o valor indevidamente compensado, qual seja, R$ 637,34, e não sobre R$ 1.915,16, conforme entendeu o nobre julgador de primeira instância. Em mesa para julgamento. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 334 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Considerou, a primeira decisão recorrida (fls. 79 a 80verso), que se estava diante de Declaração de Compensação em que teria sido apontado crédito do anocalendário 2002 (fls. 2), sendo que parte desse crédito não teria sido comprovado por Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirfs) (fls. 80, item 7), resultando, por conseguinte, no indeferimento da manifestação de inconformidade apresentada. 5. Observei, contudo, em acórdão anterior (efls. 263 a 272) que não obstante a Recorrente não esclarecesse devidamente esse fato a Declaração de Compensação objeto deste processo se reportava a crédito do anocalendário de 2003, e não de 2002, conforme comparação das telas a seguir – Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (fls. 3/4 e 48/49): Fl. 334DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 335 6 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 336 7 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 337 8 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 338 9 6. Na nova decisão recorrida (efls. 296 a 301), foi dito o seguinte (efls. 299, item 9): 9. De fato, as retenções de fonte informadas no Per/Dcomp coincidem com aqueles constantes da DIPJ/2004. No entanto, apesar de reconhecer a possibilidade de ter havido erro na informação do período do crédito (2002) a partir da visualização dos dados de retenções (2003), entendo ser igualmente razoável concluir que haveria erro na informação das retenções, a partir da visualização do período do crédito informado. Essa dúvida nunca foi dirimida pelo contribuinte, nem mesmo no recurso voluntário. Acrescento que a análise da DIPJ tampouco ajuda nessa tentativa de descobrir qual o crédito que afinal o contribuinte ofereceu em sua compensação, já que, tanto na DIPJ/2004 quanto na DIPJ/2003, ele apurou ZERO de IRPJ devido, tendo informado deduções de fonte em valor idêntico ao imposto calculado antes das deduções. 7. Discordando dessa manifestação, entendo ser mais razoável concluir pelo mero erro na indicação de um único campo do Per/DComp (o campo “Exercício” – fls. 2), do que de uma listagem inteira (IRPJ Retido na Fonte – fls. 3 e 4), que, além de ser composta por duas páginas e onze itens, é uma cópia idêntica da mesma listagem contida na DIPJ do exercício de 2004 (fls. 48/49), como já tive ensejo de demonstrar acima. 8. É bem conhecido para quem, como este Relator, milita há mais de vinte e três anos no julgamento de processos tributários , o fato de ser muito frequente a confusão feita por diversos contribuintes entre “exercício”, de um lado, e “anocalendário” e “período de apuração”, de outro. Tal confusão se acentua quando o próprio formulário do Per/DComp assim se apresenta (fls. 6): 9. Ora, a se considerar “período de apuração” e “anocalendário”, verificase que estaria correta a indicação feita pela Recorrente: “2003”. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 339 10 10. Assim, tendo o CARF nas palavras da decisão recorrida “felizmente” conseguido “deduzir que o saldo negativo era o do anocalendário 2003” (fls. 299, item 10), adentro ao mérito da questão. 11. A irresignação da Recorrente prendese, unicamente, à exigência remanescente de R$ 1.915,16, que, em seu entender, deveria ser reduzida para R$ 637,34, que seria a diferença global apurada entre os valores de IRRF do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal apontados no Per/DComp (R$ 1.999,78 e R$ 2.015,44) e em Dirf (R$ 1.123,57 e R$ 2.254,31). 12. Sucede que, além dessas duas fontes pagadoras, também houve indicação a maior, por parte da Recorrente, em seu Per/DComp, relativamente ao Superpão (R$ 2.294,32 em vez de R$ 302,98) e à Construtora Brunsfeld (R$ 92,91, em vez de R$ 22,91), como segue (efls. 300, destaques da transcrição): FONTE PAGADORA PLANILHAS DIRF DCOMP/DIPJ VALOR RECONHECIDO Condom Resid Arassay 14,04 14,04 14,04 14,04 Superpão 302,98 344,91 2.294,32 302,98 Associação Com e Ind de GPVA 970,07 970,09 970,07 Flabel 3.697,88 3.677,91 3.677,91 3.697,88 FB Construtora 512,43 290,69 97,80 512,43 Construtora Brunsfeld 22,91 92,91 22,91 Nascente Agrícola Ltda 817,99 581,21 817,99 Iberkraft Ind Papel e Cel Ltda 13,86 13,86 13,86 13,86 Coop Agric Campos Palmenses 2.122,51 2.122,52 2.122,51 Banco do Brasil 1.123,57 1.999,78 1.123,57 CEF 2.254,31 2.015,44 2.254,31 TOTAL 8.474,67 7.719,29 13.879,88 11.852,55 13. Considerando, por outro lado que, em relação à fonte pagadora Superpão, o valor de retenção comprovado em Dirf correspondeu a R$ 344,91, deve este ser considerado, em contraposição ao montante de R$ 302,98 reconhecido pela decisão recorrida. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 41,93 (R$ 344,91 – R$ 302,98) de IRPJ, a ser acrescido ao já reconhecido pela decisão de primeira instância (R$ 7.267,40 – efls. 300, item 14). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10940.900069/200834 Acórdão n.º 1803001.638 S1TE03 Fl. 340 11 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006644/2005-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1999, 2001 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA (TDAs). PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo sido judicialmente considerada não tributável a atualização monetária de Títulos da Dívida Agrária (TDAs), com o surgimento de crédito oponível ao Fisco, não cabe o procedimento fiscal de questionar a forma de cálculo daquele valor, refazendo-o, ou a propriedade dos correspondentes títulos, mas apenas diligenciar no sentido de confirmar o montante indevidamente tributado e, a partir daí, atestar o acerto da exclusão procedida.
Numero da decisão: 1803-001.259
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999, 2001 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA (TDAs). PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo sido judicialmente considerada não tributável a atualização monetária de Títulos da Dívida Agrária (TDAs), com o surgimento de crédito oponível ao Fisco, não cabe o procedimento fiscal de questionar a forma de cálculo daquele valor, refazendoo, ou a propriedade dos correspondentes títulos, mas apenas diligenciar no sentido de confirmar o montante indevidamente tributado e, a partir daí, atestar o acerto da exclusão procedida. Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.909 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.910 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1.861 a 1.865): Trata o processo de autos de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e de multa isolada sobre a estimativa da CSLL, relativos aos anos calendário 1998 e 2000. 2. O auto de infração de CSLL (fls. 04/12) exige o recolhimento de R$ 77.382,45 de contribuição, R$ 58.036,83 de multa de lançamento de ofício e R$ 595.346,97 de multa isolada, além dos encargos legais. 3. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, de fls. 18/22: Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores (Financeiras): no período de 12/1998. Enquadramento legal no arts. 1°, 2°, e §§, da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 57 e 58 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 16 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995; art. 1° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 1° e 2° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996; arts. 2°, 6°, 28, 30, 44, inciso I, e 60 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Multa de 75%; Multas Isoladas – Falta de Recolhimento da Contribuição Social sobre a Base Estimada: nos períodos de 07/1998 a 12/1998, 08/2000 a 12/2000. Enquadramento legal nos arts. 2°, 6°, 28, 30, 44, inciso I, § 1° e inciso IV, e 60 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificada em 05/07/2005, conforme fl. 09, tempestivamente, em 04/08/2005, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 999/1024, por meio de seu representante legal, procuração à fl. 1034, acompanhada dos documentos de fls. 1025/1856, que se resume a seguir: Decadência a. Alega que o prazo decadencial para a verificação da correção dos procedimentos adotados pelo contribuinte iniciouse, no máximo, em janeiro de 1999, sendo que, dali em diante, contados cinco anos, aqueles procedimentos são tacitamente homologados, a teor do art. 173, inciso I, do CTN, o qual, quando disciplina matéria de prescrição e decadência, tem força de lei complementar, conforme CF/88 e reconhecido tanto pela jurisprudência dos tribunais superiores quanto pela doutrina, além do Conselho de Contribuintes; b. Acrescenta que houve três fiscalizações no período em que o lançamento, que agora se faz a destempo, deveria ter sido efetuado, fiscalizações essas que tiveram por objeto justamente a verificação dos mesmos procedimentos contábeis que agora vieram a ser, indevidamente, reprovados; c. Afirma que, dessas fiscalizações, decorreram três autuações fiscais, de 1998, 1999 e 2000. E que, da primeira (doc n° 08), a auditagem do Lalur, referente Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.911 4 aos exercícios 1994 a 1998, em que se fiscalizou a CSLL relativamente a período em que os procedimentos contábeis que agora são glosados de forma intempestiva já haviam sido efetivados. E que a homologação expressa dos procedimentos está sobejamente demonstrada na autuação de 1999 (doc n° 09), em que foi atestado pela fiscalização, conforme Termo de Verificação Fiscal; d. Entende que nada mais havia, desde então, a ser revisto no pertinente aos procedimentos adotados pela ora impugnante, e nem mesmo relativamente aos seus TDA’s, cuja comprovação de propriedade já havia sido atestada e que, agora, são indevidamente desconsideradas por nova e equivocada fiscalização; e. Observa que, em 2000, veio outra fiscalização em que as declarações retificadoras foram novamente analisadas, mas da autuação havida (doc. n° 10), não se vê nenhuma glosa relativamente ao crédito tomado, de modo que o período agora autuado já foi objeto de revisão relativamente à CSLL, sendo possível afirmar a existência de homologação expressa, ou homologação tácita em dezembro de 2004 (cinco anos a partir de janeiro de 1999); f. Rejeita que se deva contar o prazo decadencial a partir do trânsito em julgado do mandado de segurança, haja vista que o fisco jamais foi impedido de efetuar os lançamentos que entendesse e nem de analisar os TDA’s da impugnante; ou seja, o fisco deveria ter se precavido e, no máximo, efetuar o lançamento com o fito de prevenir a decadência, não podendo fazêlo agora; g. Aduz que a CSLL, para fins de prazo decadencial, é regida pelo art. 173, inciso I, do CTN, e que o fisco está exigindo valores relativos a créditos contabilizados em 1998 e declarados em 1996, 1997 e 1998 pela via de retificação de declarações de IRPJ, afetados pela decadência, pois o prazo decadencial iniciou se em 01/01/1999; e que não se aplicam as disposições do art. 45 da lei 8.212/91, que passou a fixar inconstitucionalmente o prazo decadencial de 10 anos para o lançamento das contribuições sociais; h. Salienta que se verificaram efeitos de correção monetária no período de 1989 a 1994, que fora reconhecida contabilmente em 1998, ou seja, a fiscalização retroagiu a apuração a 1989, e não há dúvidas de que a autuação referese a valores históricos de 1998 e não aos períodos lançados, em decorrência daquele reconhecimento contábil declarado em 1998, que seriam insuficientes ou incorretos, como reflexos em períodos posteriores; i. Cita decisões do STF, STJ e do Conselho de Contribuintes, para sustentar que a CSLL possui a natureza jurídica de tributo e, portanto, aplicamse as disposições constantes em lei complementar, conforme art. 146, III, “b”, da CF/88; Mérito. j. Justifica que, como instituição financeira, quando de sua constituição, teve seu capital social integralizado, entre outras fontes, através de TDA’s de propriedade de seus sócios, que os detinham na qualidade de expropriados, e não de terceiros adquirentes, de propriedade rural para fins de reforma agrária; e que tais títulos permaneceram no patrimônio da instituição por determinado período de tempo, sendo que, por determinação da SRF, a correção monetária deles decorrentes foi considerada como receita, sujeita à incidência de tributos federais, como o IRPJ, a CSLL, PIS e Finsocial; k. Sustenta que os rendimentos da TDA’s não podem sofrer nenhuma espécie de tributação, pois o mesmo pertence à categoria especial de título, devendo Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.912 5 obedecer a regras constitucionais próprias, em razão do motivo que originou sua emissão; l. Explica que, tendo em vista que a SRF havia exigido, ilegal e inconstitucionalmente, que o contribuinte oferecesse à tributação os rendimentos obtidos com os TDA’s de sua propriedade, providenciou os desembolsos respectivos; e que, tempos depois, discordando das exigências, impetrou o mandado de segurança 97.00272958 (doc. n° 04), em que buscou a tutela de seu direito de não sofrer a incidência de tributos sobre os referidos rendimentos; m. Aponta que houve sentença favorável (doc n° 05), que foi revertida pelo TRF4 (doc n° 06), e que, logo depois, em embargos de declaração (doc n° 07), garantiuse, embora incidentes o IRPJ, este não poderia incidir sobre a atualização monetária desses TDA’s, o que, na prática, implicou a manutenção, em valores mais elevados, dos créditos fiscais que detinha contra a União, de forma que as compensações que havia efetuado restaram corretas, mesmo porque, estavam homologadas; n. Frisa que as compensações têm base em decisão judicial passada em julgado em seu favor, em que foi reconhecida a não incidência de IRPJ e CSLL sobre os valores atualizados dos TDA’s, sendo que os valores indevidamente tributados a esse título foram compensados com tributos vincendos de mesma natureza; o. Reclama que não se sabe com clareza os critérios adotados pela fiscalização para desconsiderar a propriedade de uma série de TDA’s, e que ela se limita a dizer que não foi possível confirmar a propriedade dos ativos constantes às folhas 15,16, 21, 22, 23, 24, 25 e 26 do Anexo II; p. Alega que tais títulos foram adquiridos pelo Banco Araucária e constam de sua movimentação de estoques (mesa de operações), além do que seus reflexos financeiros constam de sua contabilidade, o que poderá ser certificado e confirmado através de perícia na movimentação dos estoques e nos razões contábeis das rubricas relativas a TDA’s, cujos originais dos livros razão e diário encontramse à disposição na sede da impugnante, extraídos por cópias em anexo (doc n° 11) o que também se confirma pelo balancete (doc n° 12); q. Afirma que a inexistência de informação junto à CETIP não invalida a propriedade dos títulos, pois o que deve ser considerado são os dados da contabilidade e da mesa de operações, documentos esses que darão clareza e certeza quanto aos títulos adquiridos e de propriedade da impugnante; r. Contesta o entendimento da fiscalização, que constatou que os ativos constantes das folhas 30 e 31 do Anexo II referemse a cupons de juros, para os quais não existe tabela de atualização na Cetip. Explica que os referidos títulos de cupons de juros também sofrem atualização mensal, a título de correção monetária e juros; s. Rebate os critérios confusos adotados pela fiscalização, em relação aos PU (preços unitários), e justifica que, segundo auditoria da Boucinhas Campos, com base no PU de compra e do papel, verificouse o tempo de atualização do título e o segregou entre dias “decorridos” e “a decorrer”, os quais serviram de base para a atualização e a apropriação, inclusive do deságio na aquisição; e que, quando da apropriação mensal, a impugnante reconhecia as atualizações dos TDA’s com base em critério logicamente mais apropriado; Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.913 6 t. Reclama que as divergências de atualização monetária dos TDA’s em carteira não foram apresentadas, bem como os motivos dessas divergências, o que dificulta uma análise comparativa mais aprofundada entre os cálculos da auditoria solicitada pela Massa Falida do Banco Araucária e os cálculos efetuados pela fiscalização; u. Solicita perícia, a fim de que se definam quais os critérios e a forma de atualização, considerando, inclusive, a apropriação do deságio na compra, devendo ser considerados, ainda, critérios de atualização adotados pelo Conselho de Justiça Federal, especificamente para títulos públicos (doc n° 13), além dos índices reconhecidos judicialmente especificamente para a impugnante em medidas judiciais passadas (doc n° 14), vez que a denominada Norma 08, adotada pela SRF para a atualização de créditos dos contribuintes não condiz com os índices plenos adotados pelo Poder Judiciário, sendo que o direito da impugnante está reconhecido judicialmente, com uso de índices da Justiça Federal; Inaplicabilidade de juros, correção monetária e penas administrativas v. Lembra que a teve sua falência decretada em 06/12/2003, e que sobre a massa falida não podem incidir multa nem juros, de forma que os valores lançados a título de multa e de juros devem ser excluídos, conforme art 23 do decretolei n° 7.661, de 21/07/1945, que se aplica aos fatos discutidos, não devendo ser aplicada a Lei 11.101/2005, em vista do art. 192, caput e parágrafo 4° w. Acrescenta que as penas administrativas tampouco são exigíveis, já que a multa fiscal tem efeito de pena administrativa e não se enquadra no rol dos créditos passíveis de satisfação dentro do procedimento falimentar, conforme súmulas 192 e 565 do STF; e que nem os juros e atualização monetária correm contra a massa falida, de acordo com o art. 26 do referido decretolei; x. Cita decisões do STJ e parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que resultou no Ato Declaratório PGFN n° 15, de 30/12/2002, que reconhece a improcedência da aplicação de multa em casos como o presente; y. Alega que as compensações efetuadas estão albergadas por decisão judicial, e não faz nenhum sentido a aplicação de multa isolada de 150%, pois o não reconhecimento de TDA’s como sendo de propriedade da instituição financeira não implica a configuração de fraude, mesmo porque estão devidamente escriturados e a fiscalização não deixou claro os motivos pelos quais desconsiderou muitos desses títulos; Quesitos z. Requer a produção de prova pericial, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: 1) com base nos documentos contábeis e da mesa de operações de títulos, é possível identificar as compras de TDA’s e a sua propriedade nas mãos da impugnante? Em caso afirmativo, os TDA’s apontados são de propriedade da impugnante? Qual o reflexo dessa comprovação no lançamento fiscal? Em caso negativo, isto é, se os títulos não forem de propriedade da impugnante, os reflexos de atualização devem ser considerados para fins tributários, dado que as rendas relativas à correção monetária e juros foram tributados e recolhidos? Quando da autuação a fiscalização levou em conta a exclusão dos efeitos tributários ofertados à tributação na época? Em caso negativo, como ficaria o lançamento fiscal se acaso esses reflexos fossem considerados? 2) Em títulos públicos de cupom fiscal, decorrentes de outros títulos de mesma natureza, há a incidência de correção monetária, independentemente de não haver tabela de atualização na Cetip? Qual a Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.914 7 maneira usual em que se dá a incidência dessa atualização? 3) Qual é o critério de atualização dos títulos públicos denominados TDA’s, considerando inclusive a apropriação do deságio? De acordo com os livros contábeis, em especial o razão e o diário, e levandose em conta seus balancetes, o relatório de auditoria da Boucinhas Campos e os parâmetros indicados pelo CJF e decisões passadas em julgado em favor da impugnante, relativamente a índices de atualização monetária de seus TDA’s, a atualização está correta? Caso contrário, quais seriam os critérios corretos e os resultados daí decorrentes? aa. Indica como perito o Sr. Nilton Cordoni Junior, brasileiro, casado, CPF 630.293.24915 e CRC 032.728/O5, com endereço na R. Reverendo Raul Rodrigues de Castro, conjunto Mercúrio – Cajuru – CEP 82970280, Curitiba/PR; bb. Requer que todas as intimações sejam remetidas diretamente ao subscritor da presente impugnação, na R. André Zanetti, 370 – Vista Alegre – CEP 80810280, Curitiba/PR. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte mantida (fls. 1.859 e 1.860): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998, 2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese pedido de perícia, por ser prescindível, para efeito de comprovação de titularidade e atualização de TDA’s, os quais devem seguir os critérios definidos pelos órgãos responsáveis pelo controle e administração destes títulos públicos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 2000 [...]. MULTA DE OFÍCIO. JUROS. MASSA FALIDA. As disposições previstas no decretolei n° 7.661/1945 dizem respeito à cobrança dos créditos falimentares e são endereçadas ao juiz da falência, inexistindo, na legislação tributária, qualquer ressalva quanto à constituição de multa e juros contra a massa falida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 2000 TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA. TDA. TITULARIDADE. REGISTRO CONTÁBIL. INSUFICIÊNCIA. O simples registro na contabilidade do contribuinte é insuficiente para comprovação da titularidade dos TDA’s, os quais devem ser reconhecidos por órgãos oficiais encarregados de sua administração, como a CETIP. TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA. TDA. ATUALIZAÇÃO. ÍNDICES OFICIAIS. Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.915 8 A gestão e controle dos TDA’s são de incumbência do Ministério da Fazenda, a quem compete fixar mensalmente os valores nominais destes títulos, que serão atualizados mediante aplicação de índices oficiais, devendo ser rejeitado qualquer outro critério de atualização. [...]. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 07/11/2008 (fls. 1.881), a tempo, em 08/12/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 1.895 a 1.905, instruído com o documento de fls. 1.906, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.916 9 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. É irrelevante que os Títulos da Dívida Agrária (TDAs) sejam ou não de propriedade da Recorrente, ou que esta tenha calculado a atualização monetária desses títulos de forma equivocada. 5. Tais questões somente seriam pertinentes se se tratasse, aqui, de processo de compensação envolvendo esses títulos (propriedade de TDAs) ou de auto de infração para exigência de diferença de atualização monetária não tributada (atualização monetária de TDAs equivocada). 6. No presente caso, tributou a Recorrente atualização monetária desses títulos, tendo, posteriormente, obtido decisão judicial contrária a essa tributação, daí surgindo um crédito oponível ao Fisco. 7. Deveria, portanto, a fiscalização ter diligenciado no sentido de confirmar o montante dos valores indevidamente tributados pela Recorrente a título de atualização de TDAs (incluindo títulos de cupons de juros) e, a partir daí, atestar o acerto da exclusão procedida; e não questionar a forma de cálculo daquele montante, refazendoo (qualquer que fosse ele, seria indevida a tributação) ou a propriedade dos correspondentes títulos (mesmo estes não sendo dela, seria indevida a tributação), como fez. 8. Equivocada, em todos os sentidos, a autuação fiscal, como descrita pela decisão recorrida (fls. 1.872 e 1.873): 28. A partir das divergências acima indicadas, a fiscalização recalculou as atualizações dos TDA's nos períodos entre 1989 e 1997, às fls. 837/863, e apurou novos valores de exclusão da base de cálculo da CSLL, correspondentes às atualizações. A tabela abaixo ilustra as discrepâncias havidas entre os cálculos do contribuinte e da fiscalização, de acordo com os dados de fls. 865/897: [...]. 29. Partindose dessa nova base de exclusões da base de cálculo da CSLL, os autuantes demonstraram os novos valores devidos da CSLL (fls. 865/897), levantaram os créditos do contribuinte para apuração dos valores passíveis de compensação (fls. 913/957), efetuaram a compensação dos débitos da CSLL com os créditos apurados (fls. 959/964) e verificaram a suficiência de recolhimentos da estimativa da CSLL (fls. 986/990). Tendo verificado a insuficiência de créditos para quitar a CSLL devida para o anocalendário de 1998, bem como para os valores Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006644/200591 Acórdão n.º 180301.259 S1TE03 Fl. 1.917 10 devidos de estimativa da CSLL em períodos de 1998 e 2000, as diferenças foram exigidas mediante auto de infração. 9. Logicamente, devese excluir da base de cálculo da contribuição o que foi incluído indevidamente, mesmo que apurado erradamente; e não o que deveria ter sido incluído se o cálculo procedido fosse correto. 10. Mencionase, por fim, que o acórdão citado pela decisão recorrida, de fls. 1.870, item 23, trata de hipótese em que se pretendeu compensar tributos com títulos da dívida agrária (pedido de compensação); aqui, buscouse compensar pagamentos indevidos, decorrentes de tributação de atualização monetária de TDAs, não admitida judicialmente, com tributos, situação totalmente distinta. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10670.001125/2001-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento desta condição por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alíenas `b´ e c da Lei n. 9.393, de 1996).
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal).
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. SÚMULA CARF Nº 41.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Recurso especial da Fazenda Nacional provido em parte e do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9202-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda nacional, para restabelecer a glosa de reserva legal. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do contribuinte e na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento desta condição por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alíenas `b´ e c da Lei n. 9.393, de 1996). ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. SÚMULA CARF Nº 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Recurso especial da Fazenda Nacional provido em parte e do Contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda nacional, para restabelecer a glosa de reserva legal. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do contribuinte e na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento desta condição por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alíenas `b´ e ‘c’ da Lei n. 9.393, de 1996). ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. SÚMULA CARF Nº 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Recurso especial da Fazenda Nacional provido em parte e do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 11 25 /2 00 1- 15 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda nacional, para restabelecer a glosa de reserva legal. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do contribuinte e na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Anfer Participações Ltda., foi lavrado o auto de infração de fls. 02/04, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 1997, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, bem como pela ausência de comprovação da existência de gado bovino. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30132.126, que se encontra às fls. 212/240 e cuja ementa é a seguinte: “JULGAMENTO DE PROCESSOS FISCAIS. COMPETÊNCIA Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, nos limites de suas jurisdições, conforme definido pela Portaria Ministerial no. 259, de 29/08/98, compete julgar, em primeira instancia, após instaurado o litígio, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive os decorrentes de vistoria aduaneira, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos ao reconhecimento de direito creditório, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10670.001125/200115 Acórdão n.º 9202002.491 CSRFT2 Fl. 15 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ILEGITIMIDADE. Os créditos tributarios relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Preliminares de nulidade e de ilegitimidade passiva da parte rejeitadas. ÁREA DE PASTAGENS. LAUDO TÉCNICO. É fundamental que o laudo técnico de avaliação seja elaborado em conformidade com as normas da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8799), e acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica ART. Não demonstrando, de forma cabal, que o imóvel em análise possua as características que alega o recorrente, há que se indeferir a pretensão da recorrente. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A Lei 9.393196 deve ser interpretada em conjunto com o Código Florestal, com as novas redações, posteriors à Lei 10.16512000, de forma sistemática, e não autoriza a exigência de averbação da área de reserva legal na data do fato gerador do tribute para fins de isenção do ITR. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIVRE CONVICÇÃO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução da base de cálculo das áreas de APP e reserva legal. Intimada do acórdão em 20/12/2006 (fls. 241) a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 242/265, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial em relação (i) à necessidade da apresentação de ADA para exclusão das áreas de APP e (ii) à necessidade de averbação no registro de imóveis da área de reserva legal para exclusao da base de cálculo do ITR (acordaos nºs 30236.278 e 30236.585). Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº RV 129134, de 18/05/2007 (fls. 294/297). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões de fls. 303/309 juntamente com os Embargos de Declaracao de fls. 310/315, sendo os referidos embargos rejeitados, conforme Despacho nº 220200136, de 18/08/2010 (fls. 354/355). Intimada do despacho que rejeitou os embargos em 18/06/2007 (fls. 300) a Contribuinte interpôs recurso especial às fls. 360/367, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência entre ele e outras decisões do CARF no tocante à isenção do ITR em decorrencia da área ser reconhecida como de interesse ecológico, bem como à validade do laudo para fins de comprovação da existência de gado bovino (acórdãos nºs 30335.242 e 30239.389). Fl. 411DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 220000.406, de 29/06/2011 (fls. 382/387). Regularmente intimada do recurso especial interposto pelo Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 389/394. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional foi admitido em relação (i) à necessidade de ADA para fins de exclusao da APP da base de calculo do ITR e (ii) à necessidade de averbação da área de reserva legal para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apontou como paradigmas os acórdãos nº 302 36.278 e 30236.585, assim ementados: Acórdão 30236278 “RECURSO VOLUNTÁRIO – IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO DE 1997 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Acórdão 30236585 "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de `posse'; o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela área, nos termos supra indicados, sujeitandose, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10670.001125/200115 Acórdão n.º 9202002.491 CSRFT2 Fl. 16 5 Com efeito, pelo exame da ementa dos paradigmas colacionados resta claro o entendimento diverso daquele consignado no acórdão recorrido no tocante a ambas as matérias (i) necessidade ou não de apresentação de ADA para fins de exclusao da APP da base de calculo do ITR e (ii) necessidade de averbação da área de reserva legal também para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Conheço assim do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso especial interposto pela contribuinte, por sua vez, foi admitido em relação (i) à isenção do ITR quando reconhecido que a propriedade é de interesse ecológico e (ii) a validade do laudo técnico como prova da extensão das áreas de pastagens/existência de cabeças de gado. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento de seu recurso especial a contribuinte trouxe aos autos como paradigmas os acórdãos nºs 30335.242 e 302 39.389, assim ementados: Acórdão 30335.242 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1997 ITR.DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Basta a declaração do contribuinte para obter isenção do ITR, respondendo o mesmo pelos vícios que a mesma contenha. LAUDO TÉCNICO. São de maior valor provas idôneas obtidas pelo laudo técnico do que simples registro junto a órgão ambiental que carece de meios suficientes para fiscalização. LOCALIZAÇÃO INTEGRALMENTE EM PARQUE ESTADUAL. Com base na legislação que cria o parque e com o intuito de preservar o interesse ecológico, o ITR não incidirá sobre a propriedade” Acórdão 30239.389 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1999 ÁREA DE PASTAGEM. GRAU DE UTILIZAÇÃO. LAUDO TÉCNICO ASSOCIADO AO NÚMERO DE ANIMAIS NA PROPRIEDADE. COMPROVAÇÃO A extensão da área de pastagem do imóvel foi demonstrada diante da comprovação do número de animais existentes no imóvel à época do fato gerador do tributo, acrescida das informações provenientes do laudo técnico trazido aos autos que, embora não atenda a todos os requisitos da NBR 8799, contribui na formação da convicção do julgador.” Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Pelo exame da ementa do acórdão 30335.242 acima transcrita constato que claramente há divergência de tese jurídica no tocante aos critérios para reconhecimento da área de interesse ecológico. O acórdão recorrido, apesar de reconhecer que a área do imóvel faz parte do Parque Estadual da Serra das Araras, criado mediante Decreto estadual n. 39.400, de 21 de janeiro de 1998, do Estado de Minas Gerais, concluiu não ser ele área de interesse ecológico para fins de exclusão da base de cálculo do ITR (fls 232 e seguintes). O acórdão paradigma, por sua vez, concluiu que a localização integral em parque estadual é suficiente para considerar a área de interesse ecológico, não sujeita ao ITR. Nada obstante, entendo que o mesmo não se aplica em relação à validade do laudo para comprovação das áreas de pastagens/existência de cabeças de gado na propriedade. De fato, o acórdão invocado como paradigma (Ac. 30239.389) reconheceu a existência da área de pastagem não só a partir do laudo mas também a partir do conjunto probatório dos autos, como se verifica do seguinte trecho do voto condutor, in verbis: “Como visto, tratase de recurso no qual é requerido o afastamento da exigência fiscal contida no Auto de Infração (fls. 02/11), baseado na glosa das áreas declaradas como de preservação permanente e utilização limitada. Entende o Interessado que diante de sua inclusão na categoria de "área aproveitável”, o Grau de Utilização (GU) deve ser ajustado, tendo como base nas 720 unidades de animais que existiam no imóvel à época do fato gerador. Para tanto, juntou aos autos os documentos de fls. 1061135, todos voltados à comprovação do número de animais no imóvel no ano de 1998. Ora, como bem explicitado pela decisão recorrida, as áreas declaradas como sujeitas a regime diferenciado (em razão de aspectos ambientais) podem ser convertidas em área de pastagem (em função de equivoco quando da apresentação da DIAC), mediante comprovação do erro perpetrado. Esta comprovação, nos dizeres da própria decisão recorrida, se realiza com ajuntada aos presentes autos de documentos hábeis, tais como: "notas fiscais de compra de vacinas, ficha de vacinação, Declaração do Produtor, notas fiscais do Produtor, bem como, e principalmente, Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que ateste a existência de pastagens nas pretensas áreas. " Dessa forma, a primeira etapa da comprovação, relativa ao número de animais existente no imóvel foi feita pelos diversos documentos trazidos aos autos, juntamente com o recurso, a exemplo das Declarações da Inspetoria Veterinária Zootécnica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Rio Grande do Sul, relativas aos anos de 1998 e 1999 (fls. 106/107), as fichas de vacina dos animais (fls. 108/109), além dos contratos de financiamento relacionados à atividade (fls. 110/131). Faltava, apenas, como uma segunda etapa a ser cumprida, e conforme muito bem colocado na decisão recorrida, uma palavra técnica acerca da efetiva extensão da área. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10670.001125/200115 Acórdão n.º 9202002.491 CSRFT2 Fl. 17 7 Entendo, dessa forma, que o laudo técnico de fls. 147/152, em que pese o não atendimento de algumas exigências próprias da NBR 8799, a exemplo da ausência de ficha de responsabilidade técnica, serve de elemento configurador de uma Verdade Material, in casu. Afinal, é bastante provável, bem como razoável, que a área de 953,5 ha apontada na foto de satélite (fl. 152), comprovadamente ocupada por mais de 2000 animais no ano de 1998, hoje esteja voltada para o cultivo da soja, conforme foi ali descrito.” (original sem grifo) Diversamente do que sustenta a contribuinte, no acórdão citado como paradigma não há a aceitação automática do laudo como meio de comprovação das áreas de pastagens. Naquela situação, juntamente com diversos outros documentos, o laudo serviu de prova da existência da área de pastagens. No presente caso, da mesma forma como ocorreu no paradigma, o laudo apresentado pela contribuinte foi devidamente considerado no julgamento. O não reconhecimento da área de pastagem decorreu de inconsistências verificadas no laudo a partir do confronto com outros documentos constantes dos autos, como se nota no seguinte trecho do voto condutor: “O laudo técnico apresentado não demonstrou, à análise deste relator , a existência de tais áreas, as fichas de vacinação do rebanho não se referem à mesma propriedade e o contrato de comodato apresentado não diz respeito à autuada,o que claramente se vislumbra pelo CNPJ aposto no mesmo. (…) O laudo, que somente trata de assunto do auto de infração às fls. 192,193 e 194 — reserva legal e rebanho é insuficiente, chegando a emitir opinião sobre a apresentação do ADA e a sua necessidade (fl. 192).” Entendo, assim, que não há divergência de teses jurídicas entre o v. acórdão recorrido e o paradigma citado pela contribuinte no tocante à validade/prova das áreas de pastagens. Em conseqüência, não conheço do recurso nesta parte. Superada a fase do conhecimento, as matérias que cabe a este colegiado examinar são as seguintes: (i) a existência de reconhecimento de que o imóvel é de interesse ecológico, razão pela qual toda a sua área deveria ser excluída do cálculo do ITR (recurso especial da contribuinte), bem como (ii) a necessidade de averbação das áreas de reserva legal para fins de exclusão do ITR e (iii) a necessidade de ADA para fins de comprovação das áreas de APP (recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional). Área de interesse ecológico O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). No tocante às áreas imprestáveis para exploração ou de interesse ecológico, o artigo 10º, §1º, inciso II, “b” e “c”, da Lei nº 9.363/96 (letras “b” e “c” do parágrafo anterior), expressamente determina que sua exclusão da área tributável requer a existência de ato prolatado por órgão federal ou estadual competente, que amplie as restrições de uso previstas nas áreas de reserva legal e de preservação permanente ou que ateste a condição de imprestabilidade da área. No presente caso, a contribuinte trouxe aos autos o ato de criação do Parque Estadual das Araras (fls. 62) e o documento de fls. 67, que refletiria a aquisição da área pelo Instituto Estadual de Florestas (“IEF”). Fl. 416DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10670.001125/200115 Acórdão n.º 9202002.491 CSRFT2 Fl. 18 9 Inicialmente, verifico que o Decreto que criou o Parque Estadual das Araras, Decreto Estadual nº 39.400 de 21/01/1998, foi publicado no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais de 22/01/1998. Assim, concluise, que à época do fato gerado do ITR objeto do lançamento ora sob análise (01/01/1997) o parque estadual ainda não havia sido criado, bem como não havia o reconhecimento de que a área em questão era de interesse ecológico. Adicionalmente, esse julgador, ao examinar as provas dos autos, não identificou a existência de qualquer manifestação do IEF ou de outro órgão estadual ou federal atestando e constituindo tal área como de interesse ecológico, não bastante a inclusão da área em Parque Estadual, bem como criando/ampliando restrições à utilização da área. Entendo que, nos termos dos dispositivos acima, o ato necessário para reconhecimento da área de interesse ecológico é ato formal do órgão do Poder Executivo Federal ou Estadual que identifique referida condição, descrevendo de forma clara e precisa a área em questão. A jurisprudência deste E. Colegiado tem se manifestado no sentido de que a comprovação do ato do órgão pública que reconheça a área como de interesse ecológico é necessária, sob pena de glosa dos valores declarados a esse título, como se verifica das ementas abaixo transcritas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. O sujeito passivo deve comprovar que a área que pretende excluir da base de cálculo do ITR foi reconhecida como de interesse ecológico por ato do Poder Público Federal ou Estadual. Recurso voluntário negado.” (Acórdão n° 220200.540 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , Sessão de 13 de maio de 2010) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREAS DE. PRESERVAÇÃO PERMANENTE, NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Para que o contribuinte possa excluir as áreas de preservação permanente da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO ESPECIFICO Ainda que o imóvel rural se encontre dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, para fins de isenção do ITR, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. Recurso negado.” (Acórdão nº 220200.580 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , Sessão de 17 de junho de 2010 ) Adicionalmente, o laudo técnico trazido aos autos pela própria contribuinte é claro em afirmar que o referido imóvel era utilizado para exploração pecuária (fls. 173), tendo, inclusive reconhecido a “exploração média mensal de 230 cabeças de gado de grande porte“ (fls. 175). Destarte, não restou demonstrado nos autos que a propriedade em questão possuía áreas de interesse ecológico que inviabilizassem ou restringissem seu uso, condição necessária, nos termos do artigo 10º, §1º, inciso II, “b” da Lei nº 9.363/96, para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Dessa forma, entendo que deve ser negado provimento ao recurso especial da contribuinte. Reserva Legal No presente caso, a contribuinte trouxe aos autos, como comprovação da existência da reserva legal, o laudo pericial de fls. 157/210, bem como os documentos de fls. 62 (ato de criação do Parque Estadual Serra das Araras) e escritura de venda do imóvel ao Instituto Estadual de Florestas (fls. 64). O v. acórdão recorrido entendeu como comprovadas as áreas de reserva legal e APP originalmente declaradas pela contribuinte em sua DITR, no montante de 592,8ha. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na Fl. 418DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10670.001125/200115 Acórdão n.º 9202002.491 CSRFT2 Fl. 19 11 mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 12 protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10670.001125/200115 Acórdão n.º 9202002.491 CSRFT2 Fl. 20 13 O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal está condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independentemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. Especificamente no presente caso, em que pesem os documentos trazidos aos autos sobre a existência do Parque Estadual na área em questão, considerando que as áreas de reserva legal não foram averbadas na matricula do imóvel devese dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional nesta parte e restabelecer a glosa efetuada pela fiscalização. Área de Preservação Permanente O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, ainda, suscita a necessidade da apresentação de ADA para fins de exclusão das áreas de APP da base de calculo do ITR. Verifico, no tocante ao APP, que o fato que levou a autoridade fiscal a efetuar a glosa da área declarada a título de APP foi a ausência de ADA tempestivamente protocolado junto ao Ibama. A jurisprudência deste E. Colegiado, no entanto, já se pacificou no sentido de que a não apresentação do ADA não pode motivar a exigência de ITR até o exercício de 2000, tendo sido editada neste sentido a Súmula CARF nº 41, de aplicação obrigatória por este Colegiado, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 14 No presente caso, considerando que o fato gerado do ITR se deu em 1997, deve ser mantido o v. acórdão recorrido na parte que restabeleceu a APP como declarada pela contribuinte. Ante o exposto, conheco parcialmente do recurso especial interposto pela contribuinte para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, e conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no merito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a glosa da área de reserva legal não averbada à margem do registro, mantendose no mais o decidido no acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 422DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 11080.010527/2008-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 MULTA ATRASO DCTF: O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, sujeitar-se-á à multa de dois por cento ao mês-calendário ou fração, limitada a 20%, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, podendo ser reduzida à metade quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. (Art. 7 o., II, § 1 o.e 2° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004)
Numero da decisão: 1801-001.155
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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(Art. 7o., II, § 1o.e 2° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Ana de Barros Fernandes. Relatório Recorre a interessada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – contra decisão da 6a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada contra notificação de lançamento que exige multa por atraso na entrega da DCTF. Contra a empresa em epígrafe foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 13 que exige multa por atraso na entrega da DCTF do mês de outubro de 2007, no valor de R$ 92.896,14, correspondente a 16% calculados sobre o montante total de tributos declarados na DCTF de R$ 580.600,91. Cientificada, apresentou impugnação tempestiva (fls. 01/12) invocando a nulidade da exigência por ausência de assinatura do chefe do órgão expedidor ou servidor autorizado. Seria nula, ainda, a exigência, pela inobservância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois se trataria de simples descumprimento de obrigação acessória em valores comparados ao da obrigação principal já adimplida, o que caracterizaria verdadeiro confisco, considerado inconstitucional. A 6a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a impugnação. Aquela autoridade considerou a legalidade do ato que prescinde de assinatura por ter sido emitido por processo eletrônico (fls. 66/70). Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da notificação de lançamento observou que a exigência encontrase fundamentada em lei e que alegações dessa categoria não poderiam ser opostas aos órgãos de julgamento administrativo pois lhes faltaria competência para apreciálas. Notificada da decisão, em 18/12/2009 (AR fl. 76), apresentou a interessada, em 15/01/2010, o recurso voluntário de fls. 77/91. Nas razões de defesa reitera as alegações de nulidade do ato por falta de assinatura e pelos seus efeitos confiscatórios, acrescentando que o cálculo da penalidade, com acréscimo de 2% sobre cada mês de atraso caracterizaria também bis in idem. Nesse contexto os órgãos administrativos de julgamento teriam função administrativa judicante e poderiam reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. Aduz que se os tributos devidos foram adimplidos não haveria interesse na aplicação de multa por atraso de entrega de obrigação acessória pois não se verificaria dano ao erário – “o cumprimento do principal extingue o acessório...” Entende que a multa aplicada nos casos em que o valor declarado foi adimplido não poderia ser o mesmo que a multa aplicada quando não há pagamento do valor apresentado ao Fisco, o que caracterizaria bis in idem. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.010527/200881 Acórdão n.º 180101.155 S1TE01 Fl. 96 3 Pondera que a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória atrelada ao tributo declarado como devido seria inteiramente desarrazoada, pois não guarda qualquer relação de proporcionalidade entre a falta cometida e a sanção aplicada. Ao final pede pela improcedência da exigência. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Em que pese constar à fl. 76 que o AR com a intimação da decisão da DRJ/POA foi recebido em 16/12/2009, verificase claramente da cópia do próprio AR que o documento foi recepcionado em 18/12/2009. Tendo em conta que o recurso voluntário foi apresentado em 15/01/2010, verificase a sua tempestividade. Assim, dele tomo conhecimento. Ainda que a recorrente tenha feito referência a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de setembro/2006, tratase de multa por atraso na entrega da DCTF do mês de outubro de 2007, conforme notificação de lançamento à fl. 13. No que toca à alegada nulidade da notificação de lançamento por ausência de assinatura de chefe ou outro servidor limitome a ratificar as razões de decidir da Turma Julgadora de 1a. instância, ou seja, o parágrafo único do artigo 11 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal determina que a notificação de lançamento emitida eletronicamente prescinde de assinatura. Afasto, portanto, a invocada nulidade da exigência. No mérito verificase que a DCTF do mês de outubro de 2007, que deveria ter sido apresentada pela empresa recorrente até 07/12/2007, somente foi apresentada em 22/07/2008, ou seja, passados oito (8) meses do prazo final para sua apresentação. Diante da impontualidade foi lavrada a multa calculada em 2% ao mês de atraso ou fração que, in casu, corresponde a 16% (8 meses X 2% = 16%), sobre o montante total dos tributos declarados, de R$ 580.600,91, importando, assim, na exigência de crédito tributário no valor de R$ 92.896,14. Tudo nos exatos termos da legislação indicada no próprio corpo da notificação de lançamento art. 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, já reproduzida nos autos e que ora se transcreve uma vez mais: Art. 7o. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) 2o. Observado o disposto no § 3o., as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; (...) Quanto a todos os demais argumentos de defesa, que podem ser resumidos em alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico, cumpre transcrever o posicionamento consentâneo deste órgão, constante da seguinte súmula: Súmula CARF n º. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.010527/200881 Acórdão n.º 180101.155 S1TE01 Fl. 97 5 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012285/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sun Mar 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. FALTA DE PROVA DA EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha todos os requisitos previstos em lei. Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado Digitalmente
Rubens Mauricio Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 15/02/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 15/02/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI.
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. FALTA DE PROVA DA EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha todos os requisitos previstos em lei. Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 15/02/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente em Exercício), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 22 85 /2 00 7- 80 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 2 PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ATILIO PITARELLI. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/08 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas deduzidas por ela a título de: a) despesas com incentivos fiscais, por falta de comprovação; b) previdência privada e FAPI, por falta de comprovação do efetivo pagamento; c) despesas médicas; e d) pensão alimentícia judicial; e e) doações com instrução por falta de comprovação do pagamento. O lançamento se reportou a fatos geradores ocorridos em de 2004. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, por meio da qual requereu o recálculo do valor devido, com o cancelamento do lançamento, diante dos documentos que então apresentava. Na análise de suas alegações e documentos apresentados, os integrantes da DRJ em Porto Alegre decidiram pela manutenção parcial do lançamento, reputando como comprovados os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, dedução de previdência privada e despesas médicas (estas no valor de R$ 59,55). A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 144, por meio do qual limitouse a pugnar pelo acolhimento das despesas relacionadas à profissional Paula Baldo Dazzi, trazendo declaração firmada pela mesma como prova da prestação do serviço. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 01.09.2010, como atesta o AR de fls. 143. O Recurso Voluntário foi interposto em 20.09.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram efetuadas glosas de diversas despesas pleiteadas pela Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2005. Parte das despesas foi restabelecida pela decisão recorrida, e a contribuinte recorre a este Conselho somente para reiterar o pedido de que fossem consideradas as despesas médicas havidas com a profissional Paula Baldo Dazzi. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11080.012285/200780 Acórdão n.º 2102002.431 S2C1T2 Fl. 154 3 Pela descrição dos fatos no lançamento, o que motivou a glosa de tais despesas médicas foi: Despesas médicas aceitas de Renato Frajndlich CPF 335.268.69049 no valor de 450,00. Todas as demais despesas declaradas no valor de 18.596,00 foram glosadas por falta de comprovação documental, por falta de idoneidade do documento ou por não terem embasamento legal para dedução. Neste ponto específico, a glosa foi mantida pela decisão recorrida pelos seguintes motivos: Em relação ao recibo de Paula Baldo Dazzi (fl. 33), no valor de R$ 11.500,00, que também já havia sido examinado pela Fiscalização (fl. 89), verificase que a impugnante limitouse a reapresentdlo, para fins de exame, sem, todavia, desincumbirse do ônus, que lhe competia, a partir da glosa do documento, de demonstrar a efetiva prestação do serviço, e bem assim a real transferência de numerário. A decisão merece ser mantida. Contribuem para a formação deste entendimento os seguintes fatores, que devem aqui ser levados em consideração pelo seu conjunto: a prestadora de serviços é filha da Recorrente (cf. certidão de fls. 29), sendo certo que não é usual que os filhos cobrem por serviços prestados a seus pais; o recibo emitido foi 1 só, mas seria referente a pagamentos efetuados ao longo dos meses de janeiro a novembro, sem que fossem especificadas as datas em que os mesmos foram efetuados; não foi feita a prova do pagamento dos valores a que se refere o recibo; não há em nenhum documento constante dos autos sequer a especialidade médica da profissional; e a Recorrente em nenhum momento descreveu quais foram os serviços prestados pela filha e que foram englobados no recibo emitido – o que seria facilmente realizado, já que foi sua própria filha quem lhe prestou os serviços. Entendo, por todos estes motivos, que a prova da efetividade da prestação dos serviços (e seu pagamento) deixou de ser feita pela Recorrente. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 4 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 13893.001121/2009-50
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 11 21 /2 00 9- 50 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 13893.001121/200950 Acórdão n.º 2801002.918 S2TE01 Fl. 87 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 11.222,03, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2007, os seguintes fatos: Dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 85,00. Segundo a Autoridade lançadora a glosa se deu por falta de comprovação do efetivo dispêndio e por falta de previsão legal para a dedução. Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 20.280,00. Segundo a Autoridade lançadora a glosa de se deu por falta de comprovação do efetivo dispêndio realizado. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/15 deste processo digital, contestando as glosas efetuadas pela Fiscalização, haja vista que, segundo ele, “os recibos de pagamento atendem às disposições legais e apontam inequivocamente que houve despesas com dentista, fisioterapia, consultas médicas e fonoaudióloga e despesa com instrução, todas relativas ao seu próprio tratamento”. A impugnação apresentada foi julgada improcedente. Os julgadores da instância de piso entenderam que o direito à dedução de despesas médicas condicionase à comprovação dos correspondentes pagamentos e que não existe previsão legal para a dedução da despesa com instrução pleiteada. Cientificado da decisão de primeira instância em 21/07/2011 (AR à fl. 68), o interessado interpôs, em 15/08/2011, o recurso de fl. 70/82. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Os recibos apresentados preenchem os requisitos exigidos pelo artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999. Não pesa sobre os aludidos recibos qualquer declaração de inidoneidade. Os prestadores dos serviços médicos se encontram em situação regular perante o Fisco. Existem declarações de alguns dos emitentes dos recibos confirmando a prestação dos serviços médicos e, bem assim, o recebimento do pagamento do valor declarado, realizado em espécie. Não há norma que impeça que os pagamentos das despesas médicas sejam realizados em moeda corrente do país. Não há como deixar de reconhecer que os elementos carreados aos autos são hábeis a lastrear a comprovação de improcedência da ação fiscal, uma vez que o próprio RIR/1999 e este Egrégio Conselho são unânimes em admitir a dedução de despesas médicas, odontológicas, de fisioterapia, fonoaudiologia, de psicóloga, etc., especialmente quando provadas por recibos e declarações complementares que contenham as exigências legais. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 13893.001121/200950 Acórdão n.º 2801002.918 S2TE01 Fl. 88 3 Ao fim, requer o recebimento e o provimento do presente recurso, de modo a reformar o acórdão recorrido para que se reconheça a total improcedência e insubsistência da ação fiscal, na parte em que foi impugnada. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia restringese à glosa de despesas médicas, uma vez que o Recorrente reconheceu, expressamente, a infração relativa à dedução de despesa com instrução, a ver (fls. 72/73 deste processo digital): “Relativamente ao valor de R$ 85,00, atinente à dedução de despesa com instrução, o ora Recorrente informa que não interporá recurso quanto à manutenção desta glosa, porque, embora devidamente comprovada, não há previsão legal para dedução de participação em Congresso de Oftalmologia, razão pela qual é devido o Imposto suplementar, incidente sobre essa despesa, apurado no valor originário de R$ 23,40, como mais adiante restará evidenciado”. No processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por importante, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 13893.001121/200950 Acórdão n.º 2801002.918 S2TE01 Fl. 89 4 conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, a Autoridade lançadora, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fl. 27, solicitou ao Recorrente “comprovar o efetivo dispêndio, mediante apresentação de documentos como cópia de cheques, extrato bancário, comprovante de transferência bancária, extrato de cartão de crédito, boleto com autenticação bancária etc”, referente aos pagamentos das despesas médicas lançadas em sua declaração de ajuste anual, no prazo de 20 dias, contados da ciência da intimação. No entanto, o Interessado se manteve inerte. Nesse contexto, em que houve a prévia intimação do contribuinte, penso que a dedutibilidade de despesas médicas está condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, uma vez que, nos termos do art. 73 do RIR/1999, acima transcrito, as deduções de despesas médicas “estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Observo, por oportuno, que ao contrário do afirmado pelo Recorrente, as declarações colacionadas aos autos (fls. 35 e 45 deste processo digital) não confirmam o recebimento em espécie, pelos profissionais de saúde que as subscreveram, dos valores declarados. Anoto, por fim, apenas a título de observação, uma vez que o lançamento se deu por falta de comprovação do efetivo dispêndio realizado, que os recibos apresentados não contêm todos os requisitos formais previstos nos incisos II e III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a saber: indicação do paciente (próprio contribuinte ou seu dependente) e endereço dos profissionais de saúde, a exceção do recibo de fl. 40 e da NF de Serviços de fl. 46, neste último caso. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 11080.722557/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/06/1998
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE.
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PARCELA DOS SEGURADOS Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 30/06/1998 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 57 /2 01 0- 59 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722557/201059 Acórdão n.º 2402003.268 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 08/1997 a 06/1998. O Relatório Fiscal (fls. 14/26) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, RP&M ENGENHARIA DE PROJETOS E CONSULTORIA LTDA, CNPJ 94.130.952/000173, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 86/100) – acompanhada dos anexos de fls. 101/140 –, alegando, em síntese, que: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722557/201059 Acórdão n.º 2402003.268 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0345.111 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 154/167) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010 (fls. 81/82). Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722557/201059 Acórdão n.º 2402003.268 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (RP&M ENGENHARIA DE PROJETOS E CONSULTORIA LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 15) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 216DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722557/201059 Acórdão n.º 2402003.268 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 218DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 14/26) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes são decorrentes exclusivamente do levantamento original: SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.6682), remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 219DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722557/201059 Acórdão n.º 2402003.268 S2C4T2 Fl. 7 11 norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Por sua vez, entendese que não há espaço jurídico para aplicação do enunciado no Parecer AGU nº AC055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer AGU nº AC055/2006 não prever a sua aplicação para a sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, pois não poderá haver concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio da conformidade funcional – segundo o qual a interpretação não deve subverter o mandamento funcional criado pela Constituição – e com o princípio da interpretação conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindose a pertinência dos demais sentidos que colidirem com a constituição. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722557/201059 Acórdão n.º 2402003.268 S2C4T2 Fl. 8 13 extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722557/201059 Acórdão n.º 2402003.268 S2C4T2 Fl. 9 15 devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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