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Numero do processo: 10930.722822/2011-69
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 28 22 /2 01 1- 69 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 71 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 23, com a exigência do crédito tributário no valor de R$62.502,70 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 03.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de dezembro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.02.2011. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0220, com as alegações a seguir transcritas: II. PRELIMINARMENTE II.I INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.426/02 INFRINGÊNCIA ART. 146, III, "B" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL OBRIGAÇÃO INSTITUIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR. Obrigação em matéria tributária ter que ser instituída por lei complementar. Competência tributária, nos termos do art. 7° do CTN, é indelegável, e a CF/88 dispôs que a competência para legislar sobre matéria tributária é do Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 72 3 Congresso Nacional. Refere que, nos termos do art. 146, inciso III, letra 'b', da CF, somente a lei complementar pode estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, portanto somente lei stritu sensu pode estabelecer penalidades para ações ou omissões contrárias à legislação tributária, conforme dispõe o art. 97, inciso V. do CTN, ou seja, a CF diz que para se cobrar algo de um contribuinte em matéria tributária no caso, obrigação deve ser instituída por lei complementar. Ora, a lei 10.426, de 20/04/2002 não é complementar e sim ordinária, a obrigação por ela instituída infringiu o artigo 146, III, b da Constituição Federal, portanto é inconstitucional. Leis complementares e normais gerais não se confundem, embora, muitas vezes, sejam utilizadas equivocadamente como sinônimas. A lei é ente legislativo, a norma, ente lógico. Uma das finalidades da lei complementar é introduzir as Normas Gerais do Direito Tributário no sistema jurídico, outra é dispor sobre os institutos, categorias e formas jurídicas, porque a matéria que ela veicula são de importância capital no sistema jurídico em geral e especialmente no tributário, como se vê nos institutos do crédito, da prescrição, decadência, base de cálculo, contribuintes e lançamento, entre outros. [...] II. II MULTA CONFISCATORIA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 150,1V DA CF/88 A multa fixada no presente auto de infração é excessiva e desproporcional. [...] 0 atraso na entrega da DCTF, ainda que caracterize um ilícito legislação fiscal que estipula prazo para a entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não apresentará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação. Diante do exposto, as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não considerar como base o valor do tributo declarado, pelo fato de não haver dispositivo legal que prescreva tal exigência. É necessário um vinculo de proporcionalidade e razoabilidade entre o ilícito e a pena cominada em lei. [...] II.III MULTA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A simples existência de dispositivo legal prescrevendo a multa pelo atraso na entrega de DCTF, calculada com base em percentual do tributo informado em declaração, não é suficiente para que sua exigência seja válida. Isto porque, se é verdade que o ato administrativo de constituição da multa deverá observar os ditames legais, não é menos verdade que este mesmo ato deverá, antes de mais nada, observar as normas e princípios constitucionais vigentes. [...] O mesmo se diga quanto ao principio da razoabilidade, também muito caro ao ordenamento constitucional brasileiro, que igualmente encontra amparo na concepção de Estado Democrático de Direito. [...] Como vedação ao arbítrio do legislador, o principio da proporcionalidade [...], determina que este, em seu mister, deve conduzir a produção legislativa em harmonia com todo o sistema jurídico, havendo ainda que cuidar para que o fim pretendido pela norma (bem jurídico tutelado) seja atingido através de meios menos gravosos ao ordenamento e aos direitos e garantias dos cidadãos. [...] Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 73 4 Não observando os princípios constitucionais„ ainda que o poder legislativo estabeleça por lei determinada conduta ou sanção, esta poderá ser considerada inválida. Assim, o atraso na entrega da DCTF , não representa falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento, não trazendo qualquer prejuízo ao Erário Federal, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação. [...] Aliás, como já foi dito, as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado. Razoável e legal, na legislação vigente, a aplicação de multa de mora ou de multa de oficio para tributo não pago, com base em um percentual do imposto devido, já que a Fazenda estará privada do ingresso da receita, causandolhe prejuízos ao Erário. Já no tocante as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, tal medida não deve ser aplicada, pois se trata sancionar a obrigação de entrega, e não pela falta de recolhimento de tributo. [...] Afinal, embora a multa por descumprimento de obrigação acessória não seja tributo (mas sanção), o CTN expressamente os equipara, pois as multas, quando aplicadas, tornamse igualmente obrigações tributárias principais (art. 113, § 4° do CTN). Assim sendo, o princípio do não confisco encontra abrigo também para os casos de multas oriundas de obrigação acessória. [...] II. IV. AUTO DE INFRAÇÃO VICIO FORMAL Assinatura Eletrônica / Digital Desde que os meios informatizados, se tornou um meio interativo capaz de realizar transações comerciais, ser meio eficaz de acordos, via de comunicação entre pessoas civis e jurídicas, que a questão da segurança sempre esteve como elemento garantidor do sucesso dessas atividades e, em função deste elemento, ressurgiram os modos de cifrar as mensagens, de forma que apenas o remetente e o receptor possam ter acesso ao teor dos documentos envolvidos através de um meio técnico absolutamente pessoal para o sucesso dessas relações. [...] Ocorre que conforme discorremos acima, esta assinatura digital que se apresenta de forma cifrada não é a mesma assinatura que temos conhecimento, já que não guarda com esta as necessárias semelhanças capazes de equiparálas. [...] Entendemos que a firma que a lei se refere é a assinatura que pode ser arquivada nos Cartórios e comprovada por meios grafológicos e não uma simbologia que não possui as características de uma marca pessoal aposta em um documento físico. [...] Assinatura é ato pessoal, físico e intransferível. Dado codificado digital é uma seqüência de bits, representativos de um fato, registrados em um programa de computador. [...] III. MÉRITO III.I. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 74 5 A palavra denúncia no art. 138 do Código Tributário Nacional, é a comunicação feita espontaneamente pelo infrator da legislação tributária autoridade competente, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração. Essa denúncia é configurada pela espontaneidade do infrator ao fazer tal comunicação anterior a qualquer procedimento administrativo, ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A exclusão da responsabilidade do infrator, e conseqüentemente de sua punibilidade, é o efeito da denúncia espontânea da infração. 0 legislador pretendeu estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiou o contribuinte que, por qualquer razão, resolve regularizar a sua situação fiscal e para isto procura a autoridade administrativa competente espontaneamente. No caso em tela, a Impugnante apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fora do prazo devido, porém anterior a qualquer intimação por parte da autoridade administrativa competente. Configurase, denúncia espontânea. [...] Entender que o art. 138 do Código Tributário Nacional não se aplica ao simples descumprimento de obrigações acessórias, nem ao simples atraso no pagamento, obrigação principal, nos leva a entender que a denúncia espontânea somente seria aplicável nos casos de descumprimento de ambas as obrigações. Pois, não é razoável garantir o estimulo ao referido dispositivo apenas para os casos de infrações mais graves, onde a Administração Tributária encontrase menos aparelhada para formular a exigência do tributo, e por isso o prêmio poder ser considerado mais necessário, do ponto de vista do interesse da arrecadação, não é menos certo que concedêlo somente aos contribuintes que se encontram na total inadimplência constitui evidente estimulo Aqueles que vêm cumprindo a lei, embora parcialmente, para que passem ao inadimplemento total. Portanto, a denúncia espontânea aplicase tanto a infrações da obrigação tributária principal (que têm por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária) como à obrigação acessória (prestações positivas ou negativas exigidas no interesse da arrecadação ou fiscalização). 0 texto legal não faz qualquer menção ao tipo de infração, abrangendo a todos, atingindo em conseqüência as infrações substanciais e formais. 0 artigo em pauta aplicase indistintamente a qualquer infração da legislação tributária. [...] Portanto, ocorrendo denúncia espontânea, nenhuma penalidade deverá ser imposta ou exigida do contribuinte. Esta é a melhor inteligência do art. 138 do CTN. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Diante do exposto, requer que seja recebida e dado provimento a IMPUGNAÇÃO apresentada na preliminar ou mérito, e, se "a absurdum" mantida a exigência fiscal, que seja reduzida o valor da multa para R$500,00, com a devida redução de 50%. N. Termos, pede e espera deferimento Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 75 6 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0639.848, de 20.03.2013, fls. 3843: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Notificada em 11.04.2013, fl. 46, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.04.2013, fls. 4466, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 76 7 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (a) a qualificação do notificado, (b) o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação, (c) a disposição legal infringida e (d) a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico2. Examinando a peça de defesa a Recorrente fez tãosomente a descrição do procedimento de assinatura normal e de assinatura digital nos atos administrativos. Em relação à assinatura, na presente Notificação de Lançamento emitida por processo eletrônico essa formalidade é prescindível, em conformidade com a legislação de regência. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 77 8 aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal4. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). 4 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 78 9 No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, s atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos7. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: 7 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 79 10 (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores8. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 03.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de dezembro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.02.2011. A multa isolada formalizada na presente Notificação de Lançamento está calculada no percentual de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento) com 50% (cinqüenta por cento), pois a DCTF foi apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Por falta de permissivo legal não tem cabimento a aplicação da multa mínima de R$500,00 (quinhentos reais). A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 9 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10930.722822/201169 Acórdão n.º 1801001.752 S1TE01 Fl. 80 11 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11128.004396/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3201-001.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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NÃO REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA SOLICITADA. Configurase obstrução do direito de ampla defesa a decisão proferida sem que seja assegurado ao sujeito passivo o indispensável contraditório processual sobre provas obtidas por diligência e utilizadas como elemento de convicção no decisório, com clara inobservância do conteúdo do art. 59. inciso II, do Decreto n° 70.235/72. No caso, a amostra em questão não foi localizada no Museu de Amostras da Alfândega prejudicando assim, a realização da diligência solicitada, ante a falta de amostra para fazer a contraprova da amostra do produto "PRIMASOL NF”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 43 96 /2 00 2- 14 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 23/08/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multa de ofício sobre o II, multa do controle administrativo das importações, multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a nacionalização mercadoria que se encontrava em entreposto aduaneiro, descrevendoa na declaração de importação nº 02/05738510, registrada em 01/07/2002, cópia de fls. 16 a 20, como “PRIMASOL NF 100 SAIS DE AMINO DE ESTERES DE ACIDOS ALQUIL FOSFORICOS. ESTADO FÍSICO: LIQUIDO. CONCENTRAÇÃO: 100% QUALIDADE INDUSTRIAL KOLLI: 7484706 / (...)”, e classificando a no código NCM 2919.00.90, sujeita a alíquota de II e IPI de 0%. Por ocasião do desembaraço, amostra da mercadoria foi coletada para análise laboratorial. Da análise do Laudo Labana nº 0151.01, às fls. 42/43, Pedido de Exame Lab.2537/GCOF às fls. 41, a autoridade fiscal classificou o produto no código NCM 3824.90.59, que compreende os Outros Produtos Químicos e Preparações das Indústrias Químicas ou das Indústria Conexas não Especificados nem compreendidos em Outras Posições Contendo ésteres de ácidos inorgânicos e seus derivados; polietilenoglicóis; polipropilenoglicóis, sujeita a alíquota de imposto de importação de 15,5% e IPI de 10%. O laudo Labana supra referido esclarece que: 1) a mercadoria tratase de “Mistura de Reação contendo Sais de Amina de Fosfato de Alquila, com predominância de Sal de Amina de Fosfato de Etil Hexila, na forma líquida”; 2) a análise por cromatografia gasosa (% em área) revelou que a mercadoria apresenta 85% de Sal de Amina de Fosfato de EtilHexila e vários outros picos com teores inferiores a 6,0%; e, 3) de acordo com literatura técnica específica (de fls. 45 a 49), a mercadoria de nome comercial PRIMASOL NF 100 tratase de Sal Neutro de Éster Fosfórico e é utilizada como umectante rápido e de baixa espuma na indústria têxtil. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.004396/200214 Acórdão n.º 3201001.477 S3C2T1 Fl. 181 3 Em face da discordância do contribuinte quanto à classificação fiscal adotada pela fiscalização, foram lavrados os presentes autos de infração exigindo do contribuinte o recolhimento do imposto de importação, IPI vinculado, da multa de ofício sobre o II, preceituada no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, da multa do controle administrativo das importações prevista no artigo 169, inciso I, alínea “b” do DecretoLei nº 37/66 alterado pelo artigo 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, e da multa por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/2001, totalizando o valor originário de R$ 30.498,83. Cientificado do auto de infração em 11/09/2002 (fls. 1), o contribuinte, por intermédio de seu advogado e procurador (Instrumento de Mandato às fls. 64), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 04/10/2002, de fls. 55 a 63 alegando que: 1) a conclusão do Labana é equivocada, tendo em vista que o produto não é uma mistura de reação contendo sais de amina, mas um sal de um éster do ácido fosfórico, que se enquadra perfeitamente na posição 2919.00.90 pleiteada pelo impugnante; que a classificação adotada pela fiscalização é incorreta pelo fato da mercadoria não ser um glicol e que a posição mais específica prevalece sobre a genérica; 2) a multa de ofício não deve ser mantida diante do que dispõe o ADN COSIT nº 10/97; uma vez que o produto foi corretamente descrito e não se podendo atribuir máfé ou dolo à impugnante deve a multa ser cancelada; 3) em relação à multa do controle administrativo, carece razão ao entendimento fiscal, vez que a impugnante, através de sua declaração, não fez chegar ao país produto diverso daquele discriminado no documento de importação; além disso, não pode referida multa ser aplicada em decorrência do que determina o ADN COSIT nº 12/97, ou seja, em face da descrição correta da mercadoria e da inexistência de máfé por parte da impugnante; 4) é impossível a manutenção da multa aplicada com base no artigo 84 da Medida Provisória nº 215835, tendo em conta que a mercadoria importada não foi classificada incorretamente na NCM; além disso, multa deste tipo jamais poderia ter sido instituída por intermédio de medida provisória, tendo em vista que ausentes os pressupostos de relevância e urgência constitucionalmente exigidos para que determinada matéria seja tratada diretamente pelo Poder Executivo; 5) requer a produção de prova pericial da mercadoria a ser realizada junto ao Instituto Nacional de Tecnologia, indicando o nome, endereço, a qualificação profissional de seu perito e os quesitos a serem respondidos às fls. 62. É o Relatório.” Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1717.704, de 22/03/2007, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/07/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Mercadoria denominada comercialmente de PRIMASOL NF 100, identificada como Mistura de Reação contendo Sais de Amina de Fosfato de Alquila, com predominância de Sal de Amina de Fosfato de EtilHexila, classificase no código NCM 3824.90.59, como entendeu a fiscalização. Correta a aplicação da multa de ofício, por declaração inexata, prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, e disposições do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97. Cabível a multa do controle administrativo das importações, prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, com fulcro na alínea “b” do inciso I do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. Cabível a multa por classificação fiscal incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2.15835, de 24/08/2001. Lançamento Procedente.” Regularmente cientificado do Acórdão proferido(AR em 17/04/2007), o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário(em 16/05/2007), no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo baixou em diligência, nos seguintes termos: Como o litígio referese à classificação fiscal dos produtos importados, cuja perfeita identificação quanto à sua própria natureza, se faz necessária; não se podendo decidir por esta ou aquela classificação e que nos termos do Decreto n° 70.235/72 e para minha livre convicção, sugiro que baixe em diligência junto ao Instituto Nacional de TecnologiaINT, para emissão de novo laudo, com os devidos esclarecimentos, pelos motivos abaixo: 1º) qual a natureza do produto sob exame? Se é éster de ácido inorgânico e seus derivados? 2°) –o produto tem base glicol? Caso negativo, qual a implicação do produto importado não ser base glicol? 3°)o produto é uma mistura de reação? Se positivo, qual é o conteúdo, e qual a predominância? 4°) o produto é uma substância pura simples? 5°)o produto descrito pelo importador como: “PRIMASOL NF 100 SAIS DE AMINO DE ÉSTERES DE ALQUIL FOSFÓRICOS. ESTADO FÍSICO:LÍQUIDO. CONCETRADO:100% QUALIDADE: INDUSTRIAL KOLLI:7484706 LOTE: 334083”. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.004396/200214 Acórdão n.º 3201001.477 S3C2T1 Fl. 182 5 Qual o processo utilizado para sua obtenção? Qual a função ou propriedade conferida ao produto? Acrescentar algum comentário, se achar necessário, pelo entender do técnico responsável, para a correta classificação fiscal. Responde sem contraprova, nos termos: Conforme Carta Técnica n° 083/10, anexa As fls. 146, a amostra em questão não foi localizada no Museu de amostras desta Alfândega prejudicando assim, a realização da diligência solicitada.Nada mais tendo a providenciar A recorrente foi cientificada. O processo foi redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre desclassificação fiscal de mercadoria “PRIMASOL NF 100 SAIS DE AMINO DE ESTERES DE ACIDOS ALQUIL FOSFORICOS. ESTADO FÍSICO: LIQUIDO. CONCENTRAÇÃO: 100% QUALIDADE INDUSTRIAL KOLLI: 7484706 / (...)”, conforme DI 02/05738510 de 01/07/2002. Trata, portanto, o presente processo de exigência de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multa de ofício sobre o II, multa do controle administrativo das importações, multa por erro na classificação da mercadoria na NCM e juros de mora; tendo em vista desclassificação fiscal. Como relatado, por conta de imprecisão, baixou o processo em diligência; no entanto, não houve cumprimento da resolução, por falta de amostra. Ressalto de pronto, que desde a impugnação, a recorrente já solicitava novo laudo, com levantamentos de quesitos inerentes ao produto sob litígio e lhe foi negado. Essa relatora achou por bem, baixar em diligência; tendo em vista que para minha convicção, inclusive, esses laudos, por si só, não são capazes de oferecer solução para que se possa alcançar a mais correta classificação tarifária da mercadoria. Entretanto, consoante Carta Técnica n° 083/10 , informando que a amostra em questão não foi localizada no Museu de Amostras daquela Alfândega prejudicando assim, a Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 realização da diligência solicitada., ante a falta de amostra para fazer a contraprova da amostra do produto. Pois bem, a perda ou inexistência da amostra do produto importado conduz ao ganho de causa da Recorrente, pela impossibilidade de se produzir a prova capaz de dirimir a dúvida pertinente ao litígio, pois a dúvida persiste. Dessa forma, configurase obstrução do direito de ampla defesa a decisão proferida sem que seja assegurado ao sujeito passivo o indispensável contraditório processual sobre provas obtidas por diligência e utilizadas como elemento de convicção no decisório, com clara inobservância do conteúdo do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Destarte, pela impossibilidade de fazer a devida contraprova, aplicase o beneficio da dúvida nos termos do artigo 112 do CTN, em favor da recorrente, conforme: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por todo o acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10580.722507/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 20/02/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 07 /2 00 8- 53 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 11 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 20/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 61 a 65: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 165.798,70, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de Valores Indenizatórios de URV , em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, conforme legislação instituidora da referida verba. Tais valores não se enquadram nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 12 3 declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/N 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando falta de previsão legal do pedido, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 68 a 85, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, uma vez que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 13 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.606, de 24/10/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Antes de tudo, tratase de matéria já debatida por este colegiado, em processos similares, assistindo razão ao recorrente. Assim, não se apreciará a preliminar de ilegitimidade passiva da União para constituir o crédito tributário discutido nestes autos. Na sessão de 08 de junho de 2011, esta Turma de julgamento prolatou o Acórdão nº 2102001.337, unânime, na relatoria deste Conselheiro, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente alterar a Lei complementar da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003), que ora se toma como razão de decidir e abaixo se colaciona as razões lá deduzidas (em itálico): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 14 5 da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 15 6 II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao 1 LEI COMPLEMENTAR Nº 20, DE 08 DE SETEMBRO DE 2003. Dispõe sobre os vencimentos dos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica fixado como vencimento básico do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de 31 de julho de 2003 e até que seja editada a Lei prevista no art. 48, inciso XV, da Constituição Federal, o valor de R$ 6.943,86 (seis mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta e seis centavos). § 1º A remuneração decorrente desta Lei inclui e absorve a Gratificação de Nível Universitário e a Parcela Autônoma de Equivalência, previstas na Lei Complementar nº 16, de 12 de setembro de 2001. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 16 7 Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). § 2º Fica criada a vantagem de representação correspondente a 60% (sessenta por cento) do vencimento básico de cada nível. § 3º O escalonamento entre os diversos níveis da remuneração dos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, hoje fixado em 10% (dez por cento), será reduzido, gradativamente, no percentual de 1% (um por cento) ao ano, até alcançar, em janeiro de 2008, o percentual de 5% (cinco por cento), tendo como referência a remuneração, de caráter permanente, percebida por Procurador de Justiça da Bahia. Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se fizerem necessárias. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogamse as disposições em contrário. PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de setembro de 2003. PAULO SOUTO Governador Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 17 8 Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Ainda, pelo entendimento da não tributação das diferenças de URV percebidos por magistrados estaduais, vêse o REsp nº 1187109, relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. E para concluir, esta Turma de Julgamento apreciou a mesma matéria em debate nestes autos, referente aos valores das diferenças de URV percebidos por magistrado do Estado da Bahia, quando prolatou o Acórdão nº 210201.565, sessão de 28/09/2011, na relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura, assim ementado: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10580.722507/200853 Acórdão n.º 2102002.481 S2C1T2 Fl. 18 9 Recurso Voluntário Provido Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 14041.000182/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL.
Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 82 /2 00 9- 93 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000182/200993 Acórdão n.º 2402003.798 S2C4T2 Fl. 337 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição dos segurados, no período de 01/03/1996 a 31/12/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 25/33), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 40/70) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 74/85), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 88/99) argumentando que: (i) o prazo decadencial encerrase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. Analisando o recurso interposto, este Conselho determinou a conversão em diligência (fls. 108/111), requerendo a juntada de (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em resposta à determinação formulada por este Conselho (fls. 332/334), a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados por ocasião da conversão em diligência. É o relatório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II, do CTN é de 5 anos a contar da data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior (31/10/2003), e não da data de intimação da referida decisão (18/02/2004). Isso porque, segundo o contribuinte, desta decisão não caberia mais recurso, sendo, portanto, definitiva desde a sua lavratura. Afirma, consequentemente, que o crédito tributário está decaído, posto que o presente lançamento só foi constituído em 18/02/2009, com a intimação do sujeito passivo. No entanto, sem razão a Recorrente no ponto. Analisando o art. 173, II, do CTN, verificase que o prazo decadencial para o Fisco substituir o lançamento anulado por vícioformal é de 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Para que se possa averiguar se a decisão que anulou o lançamento anterior é definitiva é necessário analisar a legislação atinente ao processo administrativo. Em primeiro lugar, o artigo 42, II, do Decreto 70.235/1972 considera uma decisão definitiva quando dela não couber mais recurso ou quando transcorrido o prazo para a sua interposição. Vejase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Verificado o não cabimento de recurso ou então o transcurso do prazo para sua interposição, poderia até se considerar que aquela decisão seria definitiva. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000182/200993 Acórdão n.º 2402003.798 S2C4T2 Fl. 338 5 Contudo, a decisão somente pode ser considerada definitiva, para qualquer finalidade, se ela for válida. A decisão, para que seja válida e produza seus efeitos, como todo ato administrativo,está sujeita à publicidade, nos termos do artigo 37, caput, da Constituição Federal e do artigo 2º, parágrafo único, V, da Lei 9.784/1999: CF Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Lei 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; No entanto, não basta apenas a publicidade dos atos administrativos pelos meios oficiais. Deve haver a publicação restrita às partes que integram o processo administrativo. Os artigos 26 a 28 da Lei 9.784/1999 determinam a obrigatoriedade da intimação dos interessados acerca de todos os atos do processo administrativo: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Neste sentido, as intimações expedidas no processo administrativo se materializam com a ciência do sujeito passivo, de acordo com o que prevê o artigo 23 do Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 Verificase, portanto, que a decisão, para que seja considerada perfeita, válida e eficaz precisa necessariamente cumprir todos os requisitos de validade previstos na legislação, quais sejam, (i) publicidade, (ii) intimação do interessado e (iii) prova de que o sujeito passivo foi cientificado do seu teor. Somente com o cumprimento desses requisitos é que se pode afirmar que a decisão é válida e, portanto, no presente caso, definitiva. Deste modo, entendo que a data de início da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, II, do CTN é a data da ciência do sujeito passivo da decisão que anulou o lançamento anterior e não a data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior, como afirma a Recorrente. Muito embora não vingue o entendimento do contribuinte neste ponto, entendo que, por outro motivo, deve o presente recurso ser julgado procedente. Explicase. No presente caso, como já mencionado, este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, para que restasse comprovada a expedição da intimação da Recorrente, por meio de cópia da carta encaminhada à parte, a respeito das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087, bem como cópia do AR assinado pela Recorrente, comprovando a sua ciência dessas decisões. No entanto, a autoridade fiscal informouque não localizou os documentos solicitados. Ou seja, a autoridade fiscal não comprovouo marco inicial do prazo decadencial parao lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores.Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN. Importa salientar que a previsão do artigo 23, II, §2º, II do Decreto 70.235/1972 não se aplica ao presente caso. Isso porque, o objetivo do referido dispositivo é fixar a data de recebimento quando há prova inequívoca de que a intimação do sujeito passivo foi expedida. No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal sequer fez prova da expedição da intimação. Assim, considerando que o Fisco deixou de fundamentar no relatório fiscal,bem como por ocasião das demais oportunidades concedidas pelo órgão julgador, o termo inicial do prazo decadencial para efetuar o lançamento substituto,verificase que houve desrespeito ao artigo 50 da Lei 9.784/1999, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados e, consequentemente, ofensa ao artigo 5°, LV, da Constituição Federal, que garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa, requisitos indispensáveis para a validade da autuação. Sendo assim,entendo que a atuação padece de vício material, ante a deficiência de conteúdo do lançamento, em razão de não ter sido demonstrado pela fiscalização o termo inicial para contagem da decadência, para se verificar se o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo ou não, devendo ser a autuação anulada com base no artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, comprovação de que o lançamento foi efetuado dentro do prazo decadencial), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000182/200993 Acórdão n.º 2402003.798 S2C4T2 Fl. 339 7 Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, a fim de que o presente lançamento seja anulado por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902087/2008-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 06/02/1999
IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 20 87 /2 00 8- 12 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902087/200812 Acórdão n.º 2801003.275 S2TE01 Fl. 97 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 08556.32885.190504.1.3.04.0763, transmitida eletronicamente em 19/05/2004, com base créditos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrentede pagamento indevido ou a maior. Entretanto, o Darf que teria dado origem ao crédito pleiteado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Assim, em 18/07/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório(fl. 9), cuja decisão homologou parcialmente a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor atualizado do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 11.538,94. Cientificado, via postal, dessa decisão em 30/07/2008 (fl. 10), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 28/08/2008, manifestação de inconformidade ás fls. 11 a 16, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria cometido equivoco quando preencheu o campo referente ao período de apuração do Darf informado como origem do crédito no PER/DCOMP. Esclarece que essas informações estariam corretamente na DCTF do período. Acrescenta que teria tomado conhecimento do erro cometido apenas quando teve necessidade de expedir uma Certidão Negativa de Débitos / Certidão Positiva com Efeito de Negativa em meados de 2004. Nessa ocasião, verificou que débitos que acreditava estarem quitados, encontravamse em processo de cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, para obter a referido certidão, teria quitado, em duplicidade, débitos que considerava extintos, o que teria dado origem ao crédito pleiteado no presente Per/DCOMP. Adicionalmente, afirma que também teria detectado equívocos no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos e da DCTF do período, ou seja, ao invés de informar os dados do Darf do segundo recolhimento efetuado por ela em 31/03/2004, teria informado erroneamente os dados daquele primeiro Darf, que teria originalmente quitado os débitos do período. Ao final, requer que seja conhecida a Manifestação de Inconformidade e declarada extinta a obrigação tributária que se pretendia ver compensada. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902087/200812 Acórdão n.º 2801003.275 S2TE01 Fl. 98 3 A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo descrita: . ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/02/1999 INEXATIDÃO MATERIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que comprovassem a ocorrência de inexatidão material nas informações contidas na DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A contribuinte não possui crédito disponível para compensar os débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificado da decisão de 1a instância em 04.02.2011 (fl. 48), a contribuinte apresentou recurso em 03.03.2011 (fls. 49/64). Na peça recursal aduziu em síntese o seguinte: ●A contribuinte, supra qualificada, apresentou via eletronica, Declaração de Compensação nº (08556.32885.190504.1.3.04 0763), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor de R$ 291,26relativo a data de arrecadação em 19.05.1999. ●A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 30.07.2008(fl.9), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte do período do 5a semana.Janeiro.1999, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. ●Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada. ●Irresignado, a contribuinte apresentou em 27.08.2008. Manifestação de Inconformidade de ( fls. 11/16 ), alegando, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCTF, sendo que havia apurado IRRF no montante de R$291,26, do período de 19.05.1999, ao invés de informar o darf no valor de R$ 185.588,16 com vencimento em 31.03.2004. c) No entanto a recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito no prazo legal, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902087/200812 Acórdão n.º 2801003.275 S2TE01 Fl. 99 4 ●Alega que o preenchimento do PER/COMP e da DCTF configuram erro de fato ou material, por desatenção da contabilidade da Recorrente. ● Anexou o livro razão para demonstrar o debito real de IRPJ. ●Transcreveu longos trechos da legislação e decisões do CARF. ●Afirma que a cópia do livro razão analitico apresentado comprova o erro; ● Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada e seja homologado o pedido de compensação total. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese à existência de direito creditório suficiente para validar a compensação pretendida pela Recorrente. De início é importante mencionar que, a Recorrente pretendeu se utilizar de pagamento indevido de IRRF no valor de R$ 291,26, com data de arrecadação em 19.05.1999, alega que seria o darf no valor de R$ 185.588,16 com pagamento em 31.03.2004, ( fl.25 ). Tal erro teria levado à não localização do crédito pleiteado. Observase que, o crédito informado pela contribuinte na PER/DCOMP no valor de R$ 291,26, referente à IRRF com data de arrecadação em 19.05.2004, não foi localizado na base de dados da RFB, tendo em vista que o vencimento correto do darf era 19.05.1999, por esse motivo foi indeferido o pedido de compensação do IRRF com IRPJ no valor de R$ 535,67. Como se vê, o principal fundamento da improcedência da Manifestação de Inconformidade tenha sido a inexatidão material no preenchimento da PEDCOMP e da DCTF do período. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperando, a contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Releva notar que, a contribuinte apurou e declarou ao Fisco débito de IRPJ confessando a dívida detida para com o Fisco de forma a constituir o crédito tributário, natureza jurídica esta reservada à DCTF. Ou seja, para fins de constituição do crédito tributário exigível, o que valem são as informações transmitidas através da DCTF. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902087/200812 Acórdão n.º 2801003.275 S2TE01 Fl. 100 5 Portanto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, sujeito passivo tem a possibilidade de retificála antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Assim sendo, diante da inexistência de crédito a compensar, deve ser indeferido o pedido de compensação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 15374.906514/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 10/10/2000
O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, motivo pelo qual compõe a sua base de cálculo.
Recurso voluntário negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3202-001.067
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 10/10/2000 O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, motivo pelo qual compõe a sua base de cálculo. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, com origem em pagamento a maior do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 59.256,58, referente ao período de apuração de encerrado em 10/10/2000. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 65 14 /2 00 9- 46 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por meio do Despacho Decisório de fl. 30, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo da DCOMP de número 40471.78847.130905.1.3.047554, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$ R$ 59.256,58, oriundo de recolhimento efetuado em 20/10/2000 nesse mesmo valor, relativo ao1º decêndio de outubro de 2000. A verificação da legitimidade dos créditos alegados foi efetuada pelo processamento eletrônico, que identificou o pagamento, mas constatou que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório. Em conseqüência, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 27/04/2000, manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2000, por meio do arrazoado de fls. 02/21, alegando, em preliminar, o cerceamento do seu direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório (arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96) “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”. Conclui que tal vício redundaria na nulidade. No mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento (que são a base de cálculo do PIS e da Cofins) segundo seu entendimento, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema. Finaliza tal argumentação nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”; Vem ao final requerer que seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15374.906514/200946 Acórdão n.º 3202001.067 S3C2T2 Fl. 104 3 Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da não cumulatividade e da base de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO”. Em síntese, é o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 09 39.056, de 10/02/2012 (fls. 61/69), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 20/10/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a não homologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como "parte integrante" do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 73/100, por meio do qual repisa argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade quanto à exclusão do ICMS nas bases de cálculo do IPI, do PIS e da Cofins. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em seu alentado recurso, a Recorrente apenas questiona o entendimento firmado pela instância a quo quanto à inclusão do ICMS nas bases de cálculo do IPI, do PIS e da Cofins (não obstante, essas duas últimas contribuições não compõem o crédito vindicado). A matéria já foi objeto de diversos julgamentos deste Colegiado Administrativo e firmouse no sentido oposto ao pretendido no recurso. Por comungar com o mesmo entendimento, adoto, como razão de decidir, o voto proferido pelo Conselheiro Paulo Sergio Celani, nos autos do processo administrativo n.º 15374.914749/200910 (Acórdão n.º 3802 001.970, de 21/08/2013; transcrição parcial): Incidência do IPI sobre o ICMS No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui sua própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de cálculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I – o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II – a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III – a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...); II – no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15374.906514/200946 Acórdão n.º 3202001.067 S3C2T2 Fl. 105 5 b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; (...)” A Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989): (...) II – quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989). § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” A Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I – na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1º. Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I – o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” No julgamento do RE nº 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 de ICMS deve ser incluído na própria base de cálculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: “3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2º, I, e 8º, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de cálculo do IPI. A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a não incidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Ante o exposto, não havendo equívocos na decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10715.002186/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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REGISTRO. TRANSPORTADOR. DATA DO EMBARQUE DA MERCADORIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, quando o transportador descumpre a obrigação de registrar o embarque da mercadoria no Siscomex, no prazo e condições estabelecidos pela RFB. Na contagem desse prazo, excluise o dia de início e incluise o de vencimento, conforme o caput do art. 210 do CTN, não sendo de aplicar, porém, a regra encartada em seu parágrafo único. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 21 86 /2 01 0- 19 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de multa de ofício isolada, no valor total de R$ 50.000,00, com origem em transportes de carga realizados em outubro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratam os autos da exigência, no valor de Id 50.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente A multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em outubro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRA CÁ 0 n° 0717700/00/000158/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 10 da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência A qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação As fls. 14 a 30, acompanhada dos documentos de fls. 31 a 42, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde A infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes As mercadorias embarcadas em 19.10.2006 foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.002186/201019 Acórdão n.º 3202000.984 S3C2T2 Fl. 160 3 consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser muito superior ao valor da multa por embaraço A fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo especifico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes As mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) o SiscomexExportação considera como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado levou em consideração somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente a autuada comparece aos autos, às fls. 44 a 50, para, em apertada síntese, dar noticia de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n°1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque", e que "0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados". Dessa forma, "não há dúvida quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, "requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (..) requer sejam excluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados". Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001258/201191. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07 25.375, de 29/07/2011 (fls. 64/70), em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 30/10/2006 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 77/106, por meio do qual sustenta, em síntese, depois de defender a sua tempestividade e de relatar os fatos: A multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Não há provas do cometimento da infração. Não se tendo juntado cópias de telas do Siscomex, restam apenas alegações sem comprovação. Não existe prova de que o registro efetuado pela Recorrente se deu a destempo. Segundo art. 46 da IN nº 28, de 1994, a averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação pela fiscalização aduaneira do embarque. Ou seja, depreendese do referido dispositivo que a planilha de embarques que acompanha o auto de infração está informando, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX. Quando ocorre retificação da data do embarque, é esta data que é considerada pela Receita, não a do efetivo registro. O auto de infração apresenta uma lista de datas de informação de embarque que não é correta porque o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Frisese ainda que até o ano de 2008 o sistema SISCOMEX EXPORTAÇÃO registrava alterações aos registros tempestivamente realizados como novos registros. Assim, caso fosse verificado, por exemplo, divergência de peso que impossibilitasse a averbação automática, as companhias aéreas tinham que excluir a informação equivocada, apagála do sistema e, em seguida, incluir a informação correta. Todavia, tal alteração somente era possível com a intervenção da fiscalização, nos termos do que dispõe o art. 49 da IN n° 28, de 1994. Para efeitos de contagem de prazo, portanto, e por defeito no sistema, levavase em conta a data da inserção da informação correta. Ou seja, a empresa aérea poderia até ter inserido a informação no prazo e com base no AWB, mas, em face de informação divergente da DDE, apenas a data da retificação ficava registrada. Daí porque não há como se considerar as informações constantes do auto de infração impugnado como corretas para fins de afirmação de que o registro se deu a destempo, porque o sistema era falho em guardar a data do primeiro registro efetuado pela Recorrente. Este fato foi objeto inclusive de análises da própria Receita Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.002186/201019 Acórdão n.º 3202000.984 S3C2T2 Fl. 161 5 Federal em várias Soluções de Consulta (Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT/N° 215, de 16 de agosto de 2004). Apenas o SERPRO pode confirmar as datas em que efetuados os registros. Reitera o pedido para essa providência seja realizada. É fato frequente nos dias de hoje, e ainda mais frequente em anos anteriores, que as companhias tentem acessar o SISCOMEX e não obtenham êxito, tendo que aguardar o sistema retornar ao seu status regular após diversas horas ou mesmo dias. A constatação da infração não leva em consideração as indisponibi1idades do sistema e sequer as aponta. Considera o mundo ideal em que o SISCOMEX está à disposição ininterruptamente. Por esta razão todas as empresas de aviação, bem como os agentes de carga, sem exceção, consideram injusta a aplicação da multa pelo atraso na inserção de dados no sistema, eis que não podem ser responsabilizadas por fato alheio às suas vontades. Visando comprovar o alegado, a Recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, razão pela qual é absurda a imposição de multa à Recorrente considerandose as diversas falhas do Siscomex (referente a datas dos anos de 2002 a 2005). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). As obrigações acessórias previstas no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 têm por finalidade auxiliar o controle de conferência e estatístico da exportação. A inobservância daqueles prazos somente acarreta embaraço à fiscalização quando impacta de modo negativo a capacidade de arrecadação do Fisco. Tal ocorre, por exemplo, quando a averbação é corrigida para enquadrar a remessa em regime especial tributário (drawback). De fato, é o exportador, e não o Fisco, o maior interessado na averbação, pois o fechamento do câmbio e o consequente recebimento das receitas de exportação só se dão com a conclusão desta formalidade. O despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação encerrase com a autorização para o embarque da mercadoria, na forma do artigo 29 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994. A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, dispõe que é vedado ao Estado impor aos administrados obrigações e sanções em medida desnecessária ao atendimento do interesse público. Vale ressaltar, por fim, que a Receita Federal possui diversas soluções de consulta afirmando que a multa por embaraço à fiscalização somente pode ser aplicada quando restar comprovado o impedimento ou o embaraço à atividade fiscal, conforme soluções transcritas no Recurso, o que não ocorre no caso em exame. Há uma absoluta falta de proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa pela alegada infração da Recorrente. A Receita Federal vem aplicando multas à Recorrente por praticamente todos os voos realizados nos anos de 2004 a 2009. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 A Recorrente presta informação completa em relação a todos os AWBs voados. Isto sugere que o atraso era decorrente de questões operacionais (falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa. É importante lembrar que a obrigação de prestar informações referese a um conjunto de embarques e não apenas a uma única mercadoria. A obrigação acessória de prestar a informação na forma do artigo 37 da Instrução Normativa 28/94 é complexa. A intenção de embaraçar a fiscalização, que é a falta passível de penalidade, somente se configuraria se a Recorrente tivesse descumprido a obrigação em toda a sua complexidade, isto é, se tivesse tido a intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques. A multa prevista no DecretoLei n° 37/66 não foi concebida considerandose a prática do negócio de exportação aérea. Ela é uma multa única para situações totalmente diversas. Quanto mais AWBs embarcados, mais chances de atrasos existem por força da lei universal e inafastável da estatística. O processo foi distribuído a este Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente principia as suas razões de defesa com a alegação de que nulo é o lançamento, ao fundamento de que a multa aplicada não corresponde à infração praticada, o que cerceou o seu direito de defesa. Acresce também que não haveria provas do cometimento da infração. O equívoco, em ambos os casos, é evidente. Primeiro, porque basta verificar o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar, acostado à fl. 3 dos autos, para constatar que a fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, não alínea “c” do mesmo dispositivo. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga Portanto, enquadramento incorreto não há. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.002186/201019 Acórdão n.º 3202000.984 S3C2T2 Fl. 162 7 Segundo, porque que os dados que embasaram o lançamento foram extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) – sistema informatizado que reflete, num único ambiente, todas as informações relativas ao comércio exterior e no qual é exercido o controle governamental brasileiro, a partir inclusive, impende ressaltar, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregos ou representantes legais. Se alguma delas está incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Contudo, nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas na planilha de fls. 11/12. Pelo mesmo motivo, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas com algumas que se teriam verificado inclusive em anos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. No mérito, a questão litigiosa já foi inúmeras vezes apreciada por esta Turma – a multa pelo não registro no Siscomex, no prazo assinalado na legislação aduaneira, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Em julgamento recente, expus o entendimento de que o prazo que deveria regrar a obrigação do transportador era o estabelecido na legislação vigente na data do embarque, independentemente de sua ampliação por legislação superveniente. Depois de meditar sobre o assunto com maior detença, cheguei à conclusão de que, de fato, é de se aplicar a tese da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, tal como, aliás, já foi feito pela instância de piso, que excluiu da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 (sete) dias. De conseguinte, deve ser mantida a autuação quanto aos demais embarques mencionados na decisão recorrida, visto que ultrapassado o prazo estabelecido para o registro. Na contagem dos prazos, a decisão recorrida acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei 5.172, de 1966 CTN, que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada. Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. O nosso entendimento, como se vê, é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT n.º 215, de 2004. Contudo, além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/voo, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 15.000,00. O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes (Súmula CARF n.º 2). Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração adicional. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10183.721683/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO.
Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade educacional, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, c e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988.
Numero da decisão: 2202-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 23/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO. Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade educacional, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, “c” e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 23/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 16 83 /2 00 9- 31 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, em decorrência de discordância quanto ao VTN informado, por meio da qual se exige o pagamento de diferença do Imposto Territorial Rural – ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 35.181,52, relativo ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob no 0.334.2085, localizado no município de Paranaitá MT. Procedimento de Fiscalização Em termo de intimação fiscal (fls. 2324), ficou o contribuinte intimado em 08/05/2009 a apresentar a seguinte documentação. In litteris: Em trabalho de revisão interna e com a finalidade de comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, nos termos dos arts. 14 e 15" da Lei n° 9.393 de 19 de dezembro de 1996 e art. 47 do Decreto 4.382, de 19 de setembro de 2002 (RITR), fica o contribuinte intimado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias a contar do recebimento desta, no endereço abaixo informado ou na unidade da RFB mais próxima, o(s) documentos(s) enumerado(s) abaixo. A resposta ao presente Termo deve ser apresentada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal devidamente munido de procuração especifica para fins de atendimento à presente intimação. O não atendimento no prazo fixado ensejará lançamento de ofício, nos termos do art. 50, 51 e 52 do Decreto 4.382, de 19 de setembro de 2002 (RITR). Apresentar cópias autenticadas ou cópias simples, acompanhadas dos originais, dos documentos discriminados a seguir: Identificação do contribuinte. Matrícula atualizada do registro imobiliário ou, emicaso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural. Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR do INCRA. Endereço de envio/entrega da documentação: Av. Vereador Juliano da Costa Marques 99, Bairro: Bosque da Saúde, Cuiabá MT CEP: 78050907, SEFIS, 2° andar, Equipe de Malha Fiscal ITR. Telefone 6536152045/2149 Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2004: Ato Declaratório Ambiental ADA requerido dentro do prazo legal junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 18 3 Documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4 do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.166 67, de 24 de agosto de 2001. Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao Imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1˚ de janeiro de 2004, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1 de janeiro de 2004 no valor de R$: Valor do V T N para o Município R$ 294,62 . Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2006: Ato Declaratório Ambiental A D A requerido dentro do prazo legal junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório dè Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. Documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4 do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto.de 2001. Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1˚ de janeiro de 2006 a preço de mercado. A falta de comprovação do V T N declarado ensejará o arbitramento do valor da Fl. 197DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do Imóvel para 1 de janeiro de 2006 no valor de R$: Valor do VTN para o Município: R$ 203,93 Em atendimento ao solicitado pela SRFB, o contribuinte manifestouse (fls. 28), acostando: Estatuto Social (fls. 2931), Matrícula no Registro de Imóveis (fls. 3439) ADA (fls. 40), Laudo de Avaliação ABNTNBR (fls. 4263) ART (fls.6465) e Laudo Judicial (fls. 66 79). Notificação de Lançamento O recorrente foi notificado, em 01/12/2009 (fl. 82), do lançamento (fls.0307), que constitui o crédito tributário de ITR no montante de R$ 35.181,52, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. A descrição dos fatos e enquadramento legal é o que segue, in verbis: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: O documento hábil a comprovar o valor da terra nua informado na DITR/2004 é o laudo técnico, acompanhado de' cópia de anotação de responsabilidade técnica(ART) registrada no CREA, em que deve ser demonstrado o atendimento às normas da ABNT (NBR 14.653 3), com grau de fundamentação e de precisão II, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados naquele período (01/01/2004 data do fato gerador do ITR/2004, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.393/1996). Contudo, do exame do laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, verificase que ele não contém elementos essenciais à sua análise, tais como: comprovação do número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco, homogeneização dos resultados obtidos com o comparativo das características dos imóveis, cálculo da média com expurgo dos dados além do desvio padrão. Ainda quanto ao laudo em comento, insta mencionar que o engenheiro Fl. 198DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 19 5 avaliador não apresentou a metodologia de cálculo, limitandose a informar um valor para o imóvel rural. Sendo assim, o laudo técnico de avaliação não atende às exigências dos itens 9.2.3.3 e 9.2.3.5 da norma acima citada. Por esse motivo, adotouse a medida excepcional de se arbitrar o VTN com base nos valores registrados no SIPT, correspondentes ao preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas declarações do imposto sobre a propriedade territorial rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados no município de Paranaíta/MT no exercício de 2004, uma vez que: a) a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, através do OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2005, em anexo, informou que não teria condições de fornecer os valores de terra nua, sugerindo que a RFB utilizasse valores históricos constantes dei seus acervos, até que fosse viabilizada, naquele órgão, a realização do trabalho de coleta de informações em cada município de Mato Grosso; e b) até a presente data, não acusamos recebimento de resposta ao Ofício n° 4066/06Gabin/DRFCuiabá/MT, através do qual a RFB solicitou ao Prefeito de Paranaíta/MT o fornecimento do VTN/ha, por aptidão, das terras localizadas naquele município. Necessário SEFAZ esclarecer que o supracitado Ofício foi recebido naquela municipalidade em 11/12/2006, conforme cópia do aviso de recebimento em anexo. Assim, considerando a área total do imóvel rural e o preço médio do hectare constante do SIPT, extrato em anexo, apurouse: VTN = 60.283,9ha x R$275,42/ha = R$16.603.391,74. Impugnação Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 100104), tempestivamente, em 11/12/2009 , conforme termo de ciência (fl. 92), alegando: estar na condição de entidade imune, tendo apresentado Declaração de ITR/2004 nos termos da lei, tão somente, por cautela, já que, anteriormente, em relação a outro período, teria sido equivocadamente autuada; afirma que é instituição de educação sem fins lucrativos, atendendo todos os requisitos constitucionais e legais para tal situação, juntando aos autos documento de autoria do Delegado da Receita Federal do Brasil de Cuiabá (fls. 107108), que no uso de suas atribuições, ao responder ao Ofício nº 14/2006, ao Poder Judiciário de Mato Grosso, declarou a imunidade/isenção do IEC, informando: “que nos termos do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, abaixo, o INSTITUTO ECOLOGICO CRISTALINO, CNPJ: 33.683.780/000170, goza de imunidade tributária, tratandose de instituição cuja atividade registrada junto à Secretaria da Receita Federal SRF é "Outros cursos de educação continuada ou permanente"; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 que tem apresentado regularmente, dentro dos prazos legais, as declarações do IR e do ITR; que caso não reconhecida a imundade, seja reconhecida a Área de Interesse Ecológico criada pelo Estado do Mato Grosso, devendo, em último caso, ser considerada como área tributável, somente, 8.365,9 ha; que o VTN declarado é compatível com o valor do imóvel em vista do esbulho possessório sobre as suas terras; que não sendo aceito o VTN do Laudo apresentado, deve então ser realizada uma perícia, devendo ser respondidos os quesitos realizados. Diante disso, em sede preliminar requereu o reconhecimento da “imunidade/isenção”, ou alternativamente, seja aceito o VTN estabelecido no Laudo Técnico apresentado, ou ainda, no mínimo, seja reconhecida a Área de Interesse Ecológico referida. Decisão da DRJ A DRJ, por unanimidade de votos, julgou por rejeitar a preliminar de imunidade arguida, e, no mérito, julgar procedente o lançamento (fls. 145152). Referiu que o ônus da prova é do impugnante quanto aos argumentos realizados, devendo ser apresentada juntamente com a impugnação. Referente ao pedido de vistoria, entende que equivale a um pedido de perícia, sendo que para tanto, a realização de perícia servira apenas par levantar provas a favor do contribuinte, que poderiam por ele ser produzidas por outros meios, razão pela qual foi rejeitada. Ainda, que o lançamento tributário é legal, pois contém todos os requisitos exigidos pelo art. 10˚ do PAF, sendo que houve prévia intimação para apresentação de defesa não cabendo alegação de cerceamento de defesa. Da análise da Constituição e de toda a legislação pertinente a respeito da imunidade a DRJ entendeu que o contribuinte não goza do benefício da imunidade. Ademais, não consta dos Autos, a comprovação de que o imóvel é aplicado na finalidade essencial da entidade. Pelo contrário, a impugnante apresentou documentação que informa que existem aproximadamente 12.000 ha de pastagens formadas no imóvel, fato que não se coaduna com a finalidade da entidade. Por esse motivo, rejeitouse a preliminar arguida. Quanto ao mérito, a multa aplicável, no caso, é a de 75%, conforme art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, e os juros de mora em percentual equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, § 3o, da Lei nº 9.430/96. O Laudo Técnico apresentado não atendeu as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo, portanto, como alterar o valor da terra nua arbitrado no lançamento. Também não se pode aceitar área isenta superior à já considerada no lançamento. A documentação DITR apresentada pela impugnante faz prova de que existe aproximadamente 12.000 ha de pastagens formadas (área aproveitável 100% utilizada). Portanto, a área isenta a ser aceita é aquela considerada no lançamento, correspondente a 80% da área total do imóvel. Nesse compasso votouse pela improcedência da impugnação, com a manutenção do crédito tributário. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 20 7 Recurso Voluntário O recorrente foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação, fl. 157 em 08/08/2012, tendo interposto recurso voluntário em 10/09/12. Em seu recurso, o recorrente repisa os argumentos defendidos na impugnação. Reitera os pedidos realizados em sede de impugnação. Junta laudo técnico. Voto (Assinado digitalmente) Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt O recurso atende a todos os requisitos legais estabelecidos no decreto 70.235/1972, ensejando o seu conhecimento. O recurso abrange a controvérsia quanto ao reconhecimento da imunidade, assim como o arbitramento do VTN. Da necessidade de julgamento em conjunto com o Processo nº 10183.002185200724 Ainda que não haja previsão expressa no Regimento do CARF quanto ao julgamento em conjunto de processos referentes ao mesmo contribuinte e tributo, para garantir coerência nos julgados, e, em homenagem ao princípio da verdade real, entendo pela necessidade de julgar o presente caso juntamente com o processo nº 10183.002185200724, utilizandose inclusive elementos e documentos trazidos nos autos deste último. Destaco que, efetivamente, embora ambos os casos versem sobre cobrança de ITR, os exercícios são diferentes: (i) o presente tem como objeto o ITR referente ao exercício 2006, (ii) enquanto o processo nº 10183.002185200724 se refere ao ITR do exercício de 2002. Outrossim, também o fundamento da autuação em ambos os casos é diverso: (i) no presente caso a autuação limitase à divergência quanto ao VTN indicado pelo contribuinte, (ii) enquanto o processo nº 10183.002185200724 questiona acerca do enquadramento do IEC no conceito de “entidade de educação” previsto na IN nº 113/98 para fins de gozo da imunidade tributária. Ainda assim, entendo que ambos os casos devam ser julgados em conjunto tendo em vista: (i) que a condição de imune foi alegada pelo IEC também no presente caso, e (ii) que a farta documentação acostada aos autos do processo 10183.002185200724 confirma tal condição inclusive quanto ao exercício de 2004 em questão. Do eventual cerceamento de defesa O indeferimento da realização de prova pericial no caso não caracteriza cerceamento de defesa, vez que durante todo o processo administrativo fiscal o IEC foi intimado e notificado Fl. 201DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 de todas as etapas, tendo o Instituto e se manifestado diversas vezes, a fim de convencer os julgadores de seus argumentos. A apreciação da prova trazida é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa, tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente, não enseja a diminuição no poder de defesa do mesmo. A prova pericial, somente se justifica quando o exame das provas apresentadas não possa ser realizado pelo julgador, em razão da complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Caso as provas constantes do processo, ainda que versem sobre matéria especializada, possam ser satisfatoriamente compreendidas, nada justifica a realização de perícia. Tendo em vista que o recorrente trouxe documentação probatória suficiente para a análise e deslinde do feito, tenho por concordar com o posicionamento exarado anteriormente na decisão da impugnação, por não existir matéria de complexidade tamanha que demande a realização de perícia. Por esse motivo, afasto a preliminar arguida quanto ao cerceamento de defesa, passando à análise do mérito. Da Imunidade De plano, destacase que, diferentemente das hipóteses de isenção tributária, em que a interpretação da norma deve ser restritiva, nos casos da imunidade a norma deve ser interpretada de forma ampliativa, sempre atento à vontade do Constituinte ao prever tal garantia. No caso, o recorrente alega que é entidade educacional de assistência social, constituída sobre a forma de associação civil sem fins lucrativos, conforme o seu estatuto social (fls. 2931 destes autos e fls.760767 dos autos do processo nº 10183.002185200724). Em razão da sua ausência de finalidades lucrativas, da promoção da assistência social beneficente, inclusive educacional na área ambiental, e da não distribuição de resultados ou qualquer forma de remuneração a sua diretoria (conforme art. 4˚ e 5˚ do estatuto1), o recorrente afirma que é, desde a sua fundação, IMUNE a impostos incidentes sobre sua renda, serviços ou patrimônio, de acordo com a Constituição Federal, art. 150, VI, “c”: 1 Artigo 4˚. O Instituto tem a finalidade de ajudar a melhorar a educação ambiental e a proteção ecológica, bem como o desenvolvimento sustentado nas terras altas da Amazônia, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e a manutenção da qualidade de vida nos trópicos. Parágrafo Único. . O Instituto é entidade sem fins lucrativos não podendo distribuir dividendos, lucros ou quaisquer parcelas de seu patrimônio, não se envolvendo em questões de caráter religioso, político partidário ou quaisquer atividades estranhas às suas finalidades. Artigo 5˚. O Instituto, para consecução de suas finalidades, deverá promover, coordenar e executar atividades de educação ambiental, preservação ecológica e desenvolvimento auto sustentado, através da participação em todos os eventos nacionais ou internacionais, que objetivem o fomento da sustentabilidade da Floresta Amazônica, bem como de ações e projetos na região de Alta Floresta, através de consultores contratados ou voluntários, que possam colaborar na promoção da educação ambiental na região de Alta Floresta. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 21 9 Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV instituir impostos sobre: (...) o patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos de lei. A intributabilidade das atividades das entidades de educação e assistência social se dá por razões de ordem pública, porque tais instituições possuem fins nobres e elevados como, v.g. a educação, a proteção do meio ambiente. A imunidade constitucional é uma forma de incentivar o particular a atuar em áreas de interesse do constituinte, auxiliando desinteressadamente (i.e. sem a distribuição de resultados, que são integralmente reinvestidos na consecução de seus objetivos sociais) na prestação de serviços que em princípio caberiam ao próprio Estado, mas que ele infelizmente não tem condições de prestar. Ao definir o que é educação, a própria Constitui Federal refere no seu art. 205 que tal “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. No âmbito infraconstitucional, a Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, prevê que “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (art. 1º). Sendo assim, desde já resta demonstrado que, ao restringir o enquadramento das entidades de educação imune apenas àquelas “instituições que prestem serviços de ensino pré escolar, fundamental, médio e superior”, está a IN nº 113/98 em franco descompasso com a CF/88 e a legislação infraconstitucional a qual está subordinada. Dessa forma, no que tange ao atendimento dos fins e objetivos previstos pelo art. 205 da CF/88 e pelo art. 1º da Lei nº 9.394/97, o IEC está, em princípio, apto a gozar da imunidade tributária sobre sua propriedade, cumprindo, então analisar os demais preenchimento dos requisitos legais para tanto. Nesse tocante, a imunidade em questão é regulamentada pelo CTN (art. 9º) que, como é sabido, foi recebido pela Constituição de 1988 como lei complementar, exercendo a função de nacionalmente regular as limitações constitucionais ao poder de tributar (CF, art. 146, II). Diz o Código: Art. 9: É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV – cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda Fl. 203DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 ou serviços de partidos políticos e de instituições de educação ou de assistência social, observados os requisitos fixados na Seção II deste capítulo. Na Seção II, referida pelo artigo 9˚ supra transcrito, o CTN elenca os requisitos necessários para o gozo da imunidade constitucional, rezando: Art. 14 O disposto na alínea “c” do inciso IV do artigo 9 é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuirem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, à título de lucro ou participação no seu resultado; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; II – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Por sua vez, ainda entendo, que para se fazer jus a alega imunidade em voga, deve a entidade preencher os requisitos estabelecidos no artigo 12 da Lei 9.532/97, quais sejam: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 22 11 g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Já quanto ao Decreto 4.382/02, que regula o ITR e se aplique ao caso dos autos (que versa sobre a situação do imóvel em 01/01/2004), ele assim prevê no seu art. 3˚, § 2˚: § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições de educação ou de assistência social devem prestar os serviços para os quais houverem sido instituídas e os colocar à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos, e atender aos seguintes requisitos (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, art. 14, com a redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, art. 1; Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 12): I não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicar integralmente, no País, seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais; III não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; IV manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; V conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; VI apresentar, anualmente, declaração de rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; VII assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para o gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; VIII outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este parágrafo. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 Diante dos fundamentos acima, entendo que a questão a ser analisada, no caso, é unicamente de prova. Derivando a imunidade da Constituição Federal e apresentando o contribuinte os documentos pertinentes, caberia à Fiscalização contestálos, caso discordasse ou vislumbrasse qualquer irregularidade. Nenhuma irregularidade quantos aos requisitos acima, contudo, foi alegada. A Fiscalização não imputou ao contribuinte (i) a distribuição de qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, (ii) a não aplicação integralmente, no País, dos seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, (iii) a remuneração, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, (iv) a ausência de escrituração completa de suas receitas e despesas, (v) a não conservação em boa ordem dos documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, (vi) a ausência de declaração de rendimentos, ou (v) a não destinação de seu patrimônio a outros fins que não os previstos em seu estatuto, restando, portanto, atendido todos os requisitos previstos no CTN e na Lei nº 9.532/97. De todo o modo, no desempenho de suas atividades, conforme previsto em seu estatuto, o IEC exerce atividades de educação ambiental, preservação ecológica e de desenvolvimento sustentável, através da participação de eventos nacionais ou internacionais, que objetivam o fomento da sustentabilidade da Floresta Amazônica, bem como de ações e projetos na região. Quanto às atividades do IEC e à destinação do imóvel em questão, tais restaram comprovadas pelas diversas declarações trazidas pelo recorrente aos autos, das mais diversas autoridades públicas. Vejamos: Declarou a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (fl. 916 dos autos do processo nº 10183.002185200724): “A Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, vem através do seu Secretário Sr. Leocir José Dellani, DECLARAR que o Instituto Ecológico Cristalino — IEC, é uma instituição empenhada na conservação de reservas florestais primárias, Educação Ambiental e apoio à Pesquisas Científicas e Aplicadas. Desde sua criação, vem colocando a disposição da população local suas propriedades para estudos e pesquisa. (grifos nossos) Os trabalhos de educação ambiental do INSTITUTO tem ajudado a região de Alta Floresta a reduzir os crimes ambientais, inclusive com intenso trabalho nas comunidades rurais, principalmente na Comunidade Santa Cruz da Paineira onde existe uma reserva ambiental que tem sido preservada, ensinando que o melhor caminho é ajudar a preservar nossas florestas. (grifos nossos) Sendo expressão da verdade, firmo a presente declaração.” No mesmo sentido (fl. 917 dos autos do processo nº 10183.002185200724), a Prefeitura Municipal de Alta Floresta: “Declaramos para os devidos fins que o Instituto Ecológico Cristalino é uma entidade de fins educacionais, empenhada na conservação de áreas florestais em nossa região, fazendo um trabalho intenso junto à comunidade de Alta Floresta e entidades nacionais e internacionais, para defesa de nosso patrimônio biológico. As propriedades do Instituto Ecológico Cristalino são utilizadas por pesquisadores da Universidade local e Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 23 13 de outros estados brasileiros, com o objetivo de gerar conhecimento sobre a fauna e flora regionais. O Instituto Ecológico Cristalino promove Fóruns, palestras e cursos para a comunidade local e regional, visando a divulgação do desenvolvimento sustentável, a importância da preservação da biodiversidade e o cuidado com as queimadas indiscriminadas. O Instituto Ecológico Cristalino promoveu com apoio do Programa das Nações Unidas — PNUD o "Fórum de Modelos de Desenvolvimento Sustentável realizado em Alta Floresta MT.” As propriedades do Instituto Ecológico Cristalino são também utilizadas para o desenvolvimento do Ecoturismo, o que tem possibilitado o reconhecimento internacional do Município de Alta Floresta.” Ainda, o Governo do Estado do Mato Grosso (fl. 918 dos autos do processo nº 10183.002185200724): Declaramos que o INSTITUTO ECOLÓGICO CRISTALINO, entidade não governamental, sediada em Alta Floresta, MT, vem se dedicando, desde sua fundação, à preservação e conservação das florestas na região Norte do Estado, bem como tem exercido um constante trabalho de educação ambiental, com apoio à Pesquisa Científica, disponibilizando suas propriedades para fins de educação ambiental, colocando a disposição da população local suas propriedades para fins de estudo e pesquisa. O INSTITUTO tem auxiliado a SEMA em suas tarefas de preservação das florestas, dedicandose, inclusive a disseminar a introdução de RPPN RESERVAS PARTICULARES DO PATRIMÔNIO NATURAL na região, incentivando outros proprietários a participar da conservação de suas florestas. Os trabalhos de educação ambiental do INSTITUTO têm ajudado a região de Alta Floresta a reduzir os crimes ambientais, inclusive com intenso trabalho nas escolas de Alta Floresta, ensinando às crianças a importância da preservação e dos cuidados com a utilização do fogo, o que tem reduzido as queimadas na região. O trabalho do INSTITUTO em relação à educação ambiental é o melhor caminho para ajudar a preservar as nossas florestas. (grifos nosso) O Coordenador Regional do Campus de Alta Floresta, atesta (fl. 919 dos autos do processo nº 10183.002185200724): Declaramos pelo presente que o INSTITUTO ECOLÓGICO CRISTALINO é uma entidade que tem desenvolvido importantes atividades em contribuição a preservação e conservação dos recursos naturais, notadamente a educação ambiental. Esta entidade, de caráter não governamental, tem colaborado com as ações da Universidade e de outras organizações que se ocupam da proteção do meio ambiente em nossa região. Com a realização de atividades acadêmicas em suas instalações junto à Gleba Cristalino, o Instituto Ecológico Cristalino propicia importante no contribuição à formação de nossos acadêmicos e cidadãos, de forma consciente e responsável com a sustentabilidade de nosso ambiente. Sendo que se apresenta para o momento, aproveitamos o ensejo para reiterar nossos protestos de consideração e estima. (grifos nossos) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 A Secretaria de Estado de Educação do Estado do Mato Grosso (fl. 920 dos autos do processo nº 10183.002185200724), depõe: Declaramos que o Instituto Ecológico Cristalino IEC, é uma instituição empenhada na conservação de reservas florestais primárias, Educação Ambiental e apoio à Pesquisas Científicas e Aplicadas, desde a sua criação. (grifos nossos) O IEC tem colocado à disposição da UNEMAT Universidade do Estado de Mato Grosso Curso de Biologia Campus Alta Floresta, sua propriedade situada às margens do Rio Teles Pires, para pesquisas de fauna e flora em nossa região, pelos alunos e professores da Unemat, ou por pesquisadores de outras Universidades brasileiras, acompanhados por monitores da Unemat. A Gleba Cristalino, com mais de 570 espécies de aves já classificadas, constituise uma das mais ricas áreas em toda a Amazônia , o que tornou Alta Floresta um dos principais centros de visitas de ornitologistas de todo o mundo. Inclusive, a própria Receita Federal do Brasil (fls. 107108 destes autos e fls. 3435 dos autos do processo nº 10183.002185200724), no uso de suas atribuições informou acerca da a imunidade/isenção do IEC, em resposta ao Ofício nº 14/2006, ao Poder Judiciário de Mato Grosso, nestes termos: “que nos termos do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, abaixo, o INSTITUTO ECOLOGICO CRISTALINO, CNPJ: 33.683.780/000170, goza de imunidade tributária, tratandose de instituição cuja atividade registrada junto à Secretaria da Receita Federal SRF é "Outros cursos de educação continuada ou permanente". Ainda, em acesso ao site2 da Instituição em comento, foi possível verificar a sua finalidade, estando, inclusive, devidamente publicizada. Diante disso entendo que o recorrente atende plenamente todas as exigências legais, possuindo direito ao benefício da imunidade, inclusive, por defender um direito tão caro a sociedade, qual seja a proteção do ambiente e sua sustentabilidade através da conscientização do ser humano. Em casos como o dos autos, esse Conselho vem decidindo no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ITR. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. CABIMENTO. Cabível a imunidade tributária de imóveis cuja finalidade possui relação com as atividades essenciais de entidade de assistência social, em observância aos requisitos estabelecidos no art. 150, VI, “c” e seu § 4°, da Constituição Federal de 1988. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria 2 http://www.fundacaocristalino.org.br/br_index.php. Acessado em 28/07.2013. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 24 15 Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. (Processo n˚ 17883.000209200762, Relator Eduardo Tadeu Farah) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1996 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. ITR. IMUNIDADE. Reconhecido que o recorrente cumpriu os requisitos legais para fazer jus à imunidade do art. 150, VI, “c”, da CR88 (vedação de instituição de imposto sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei), inviável manter o lançamento do ITR sobre os imóveis da entidade afetados ao fim estatutário. Recurso provido. Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (Processo n˚. 11080.002061/200174, Relatoria GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS) Por fim, em relação especificamente ao caso em tela, ainda que o IEC tenha, de fato, declarado e até recolhido ITR em relação ao exerício de 2004, conforme informado pelo contribuinte, tal se deu por mera cautela, tendo em vista autuação fiscal anterior. Tal fato, contudo, não impede que seja alegada a imunidade tributária pelo autuado, nem mesmo libera o julgador de buscar a verdade real e o julgamento adequado do caso. Em caso análogo ao presente, referente a processo cuja autuação também se originou de discordância acerca do VTN informado pelo autuado, esse Conselho não se furtou a analisar e mesmo reconhecer a imunidade tributária da entidade, consoante se insere do seguinte trecho do voto proferido: “(...) Como visto do relatório, a fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 0,00 para R$ 581.586,11, com base no SIPT, conforme demonstrativo de fl. 10. Em sua peça recursal alega o suplicante que por ser uma entidade de educação e assistência social goza de Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 16 imunidade constitucional, portanto, o auto de infração e o respectivo crédito tributário deve ser cancelado. Pois bem, a imunidade tributária está definida na Constituição Federal em seu art. 150, inciso VI, alínea "c" e § 4°: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; § 4° As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Por sua vez, alguns requisitos deverão ser preenchidos para fazer jus à imunidade constitucional. Transcrevese, outrossim, o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997: (...) Pelo que se vê, para que seja alcançada a imunidade deve haver prova inequívoca de que o imóvel está diretamente relacionado com a finalidade proposta pela instituição, bem como demonstração de que a atividade por ela explorada alcança os fins beneméritos de uma entidade com objetivos sociais. Portanto, a matéria é unicamente de prova, sendo certo que o contribuinte em seu apelo trouxe diversos documentos que demonstra que efetivamente desenvolve no imóvel atividade vinculadas as finalidades essenciais. São eles: Estatuto Social (fls. 123/161); Convênio de cooperação entre o Município de Rio das Flores/RJ e o Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202002.477 S2C2T2 Fl. 25 17 Patronato de Menores (fls. 163/166); Declaração da Prefeitura de Rio das Flores/RJ informando que utiliza as dependências do imóvel para a implantação de programas sociais (fl. 174). Assim, penso que a prova produzida pelo recorrente é apta a demonstrar a utilização do imóvel rural da entidade de assistência social à consecução de seus fins. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah” (Processo nº 17883.000209/200762; Acórdão nº 2201002.001; 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 19 de fevereiro de 2013) Ante todo exposto, julgando o presente caso em conjunto com o processo nº 10183.002185200724, entendo restar comprovado que o imóvel do recorrente se encontra albergado pela imunidade tributária, razão pela qual voto no sentido de dar provimento ao recurso reconhecendo a imunidade ao Instituto Ecológico Cristalino, desconstituindo o auto de infração lançado. Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10380.010072/2004-23
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999, 2000
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Embargos por motivo de contradição, obscuridade e omissão só podem ser aceitos no caso de o Acórdão efetivamente se revelar contraditório ou não ter analisado com clareza alguma alegação constante do recurso. Caracterizada concretamente algumas das hipóteses retro-citadas, impõe-se o acolhimento dos embargos.
Numero da decisão: 9101-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, acolher os embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Marcos Aurélio Pereira Valadão, João Carlos de Lima Júnior, Otacílio Dantas Cartaxo; 2) Por maioria de votos, embargos providos para retificar o acórdão embargado com efeitos modificativos. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Esteve presente ao julgamento e procedeu à sustentação oral o representante da Fazenda Nacional Moisés de Souza Carvalho Pereira e o patrono da embargante, Sérgio Silveira Melo, Identidade: 2198236 IIP-RJ
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, acolher os embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Marcos Aurélio Pereira Valadão, João Carlos de Lima Júnior, Otacílio Dantas Cartaxo; 2) Por maioria de votos, embargos providos para retificar o acórdão embargado com efeitos modificativos. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Esteve presente ao julgamento e procedeu à sustentação oral o representante da Fazenda Nacional Moisés de Souza Carvalho Pereira e o patrono da embargante, Sérgio Silveira Melo, Identidade: 2198236 IIP-RJ (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.010072/200423 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 9101001.776 – 1ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria Embargos Recorrente CONSTRUTORA MARQUISE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999, 2000 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Embargos por motivo de contradição, obscuridade e omissão só podem ser aceitos no caso de o Acórdão efetivamente se revelar contraditório ou não ter analisado com clareza alguma alegação constante do recurso. Caracterizada concretamente algumas das hipóteses retrocitadas, impõese o acolhimento dos embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, acolher os embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Marcos Aurélio Pereira Valadão, João Carlos de Lima Júnior, Otacílio Dantas Cartaxo; 2) Por maioria de votos, embargos providos para retificar o acórdão embargado com efeitos modificativos. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Esteve presente ao julgamento e procedeu à sustentação oral o representante da Fazenda Nacional Moisés de Souza Carvalho Pereira e o patrono da embargante, Sérgio Silveira Melo, Identidade: 2198236 IIPRJ (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 00 72 /2 00 4- 23 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.010072/200423 Acórdão n.º 9101001.776 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente). Relatório Contra a empresa antes nominada foi lavrado o auto de infração de fls. 07 indicando as seguintes infrações: "001 glosa de despesas operacionais relativas a perdas por operações financeiras no exterior não comprovadas, no ano calendário de 1998" e, "002 custos, despesas operacionais não necessários, no ano calendário de respectivamente.” Apresentada impugnação, a Delegacia Regional de Julgamento DRJ manteve o lançamento que foi desafiado por recurso ordinário apreciado pelo acórdão de fls. 743 e seguintes da 7ª Turma do então Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, acolheu a decadência em relação ao IRPJ em relação à glosa de despesas no exterior; por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência da CSLL em relação à glosa de despesas no exterior; e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para excluir da exigência da CSLL a glosa de despesas e encargos não necessários. A decisão, nos pontos relevantes ao exame da matéria, pode ser sintetizada com a seguinte ementa: “AUTO DE INFRAÇÃO. (.....) PERDAS EM APLICAÇÕES FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Ante a falta de comprovação, com documentos hábeis e idôneos, confirmase a glosa de despesas relativas a alegadas perdas em aplicações financeiras. Não estando caracterizado o evidente intuito de fraude, reduzse a multa a 75%. DECADÊNCIA. IRPJ. PAGAMENTO DE DÍVIDAS DOS SÓCIOS. Por não preencherem os requisitos da necessidade e usualidade, não são dedutíveis as despesas relativas a pagamento de dívidas dos sócios da pessoa jurídica. CSSL DECADÊNCIA – A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante Fl. 875DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.010072/200423 Acórdão n.º 9101001.776 CSRFT1 Fl. 4 3 decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. CSLL. As despesas comprovadas com base em documentação hábil e idônea não são adicionadas à base de cálculo da contribuição, ainda que consideradas desnecessárias às atividades da empresa.” Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial argumentando: (i) que nos termos do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 o prazo decadencial da CSLL era decenal; (ii) pela incidência da CSLL sobre despesas operacionais consideradas não necessárias. O despacho de fls.738/740 deu seguimento parcial ao Recurso Especial no tocante ao restabelecimento d CSLL, sobre as glosas de despesas não necessárias. Com contrarrazões os autos foram remetidos à CSRR que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Especial, cujo entendimento do acórdão pode ser sintetizado com a seguinte ementa: CSSL. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. NÃO DEDUTIBILIADADE. Se fosse para manter o art. da Lei n° 4.506/64 aplicável apenas para o IRPJ, não necessitava o legislador fazer referência a ele no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95, mesmo porque, ao vedar a dedutibilidade de algumas despesas, não estaria a regra do art. 13 derrogando a norma de caráter principio lógico do art. 47. Fica, clara, a intenção do legislador de submeter a CSLL às disposições do art. 47 da Lei 4.506/64. Dentre os fundamentos do acórdão embargado, transcrevo as seguintes passagens: (i) Concordo com a Relatora que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 diferencia as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, logo, os ajustes ao lucro líquido para fins de apuração de um tributo não valem automaticamente para o outro, salvo quando a lei assim dispuser. (ii) Ocorre, entretanto, que se aplicar, ao presente caso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, o qual impõe ajustes comuns aos dois tributos (...) (iii) Ora, fica claro que o legislador ordinário submeteu, também, a CSLL à disposição do art. 47 da Lei nº 4.506/64, o qual não traz exatamente uma regra, mas sim um princípio norteador da tributação sobre renda/lucro no ordenamento jurídico pátrio, qual seja, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora, assim consideradas as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. (iv) se fosse para manter o art. 47 aplicável apenas para o IRPJ, não necessitava o legislador fazer referência ao art. 47 em tela no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95 (...) Fl. 876DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.010072/200423 Acórdão n.º 9101001.776 CSRFT1 Fl. 5 4 Intimada, de forma tempestiva, a parte interessada apresentou os embargos de declaração de fls. 859 e seguintes, alegando a existência de obscuridade e contradição no voto do redator designado Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior. Dentre outros fundamentos, à fl. 863, aduziu que "Quisesse o legislador que as regras aplicáveis ao IRPJ, previstas no artigo 47, da Lei nº 4.504, de 1964, fossem aplicadas também à CSLL, teria ele se expressado de forma clara e objetiva, como sempre devem ser as normas no direiro Tributário, notadamente aquelas relacionadas aos elementos essenciais do lançamento (....)”. Em face do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior não mais integrar o Colegiado, os autos foram distribuídos a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator Os embargos são tempestivos e apontam situação que merece ser esclarecida, qual seja, quais os fundamentos que sustentam que as despesas efetivamente comprovadas, ainda que consideradas desnecessárias às atividades, devem compor a base de cálculo da CSLL. A questão em pauta exige que se aprecie o alcance do art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964; art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995. Lei nº 4.506, de 1964 Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Lei nº 8.981, de 1995. Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no artigo 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Lei nº 9.249 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.010072/200423 Acórdão n.º 9101001.776 CSRFT1 Fl. 6 5 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no artigo 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964 O artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1995, elenca as deduções que são vedadas para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, assim especificadas: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário a de que trata o artigo 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços. III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde. e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. § 2º. Poderão ser deduzidas as seguintes doações. (...) A questão a ser enfrentada é se as despesas efetivamente comprovadas, como é o caso dos autos, que não se incluem em nenhuma das vedações acima elencadas, podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL. Ao tratar a questão, conforme passagem abaixo transcrita, o voto vencedor do acórdão embargado entendeu que a CSLL também estaria sujeita às disposições do artigo 47 da Lei nº 4.506, de 1964. Ora, fica claro que o legislador ordinário submeteu, também, a CSLL à disposição do art. 47 da Lei nº 4.506/64, o qual não traz exatamente uma regra, mas sim um princípio norteador da tributação sobre renda/lucro no ordenamento jurídico pátrio, qual seja, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora, assim consideradas as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. O que se busca com tal norma é evitar que meras liberalidades das pessoas jurídicas, Fl. 878DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.010072/200423 Acórdão n.º 9101001.776 CSRFT1 Fl. 7 6 desvinculadas da sua atividade empresarial, sejam suportadas, em parte, por toda a sociedade, o que ocorreria caso fossem dedutíveis das bases tributáveis do IRPJ e CSLL. Ademais, notese que, se fosse para manter o art. 47 aplicável apenas para o IRPJ, não necessitava o legislador fazer referência ao art. 47 em tela no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95, mesmo porque, ao vedar a dedutibilidade de algumas despesas, não estaria a regra do art. 13 derrogando a norma de caráter principiológico do art. 47. Assim, fica, clara, a intenção do legislador ordinário de submeter a CSLL às disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64. A embargante sustenta que há contradição, pois a CSLL possui regras próprias, visto que o artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1995, ao usar as expressão "independentemente do disposto no artigo 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964", não levou em consideração este dispositivo. A propósito do tema, reproduzo os seguintes fundamentos do voto da Conselheira Karem Jureidini Dias (fl. 849): Na apuração do lucro real – base de cálculo do IRPJ são indedutíveis as despesas consideradas desnecessárias à atividade da empresa, conforme previsão dos artigos 229 c/c 340 do RIR/99. Todavia, no âmbito da CSLL, notória a jurisprudência existente no sentido oposto, asseverando que não se aplica à base de cálculo da CSLL a glosa de despesas consideradas desnecessárias à consecução do objeto social da empresa, desde que comprovadamente incorridas, em razão da ausência de previsão legal para tal ajuste. Neste aspecto, salutar um primeiro corte, diferenciando a despesa própria, que compõe a formação do lucro líquido, da despesa incorrida por conta e ordem de outrem. Se a despesa não é própria ou não foi incorrida, não há que se falar em ajuste por conta de juízo de necessidade, já que, a priori, ela não deve compor a apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração da CSLL. De outra parte, se a despesa é própria e incorrida, eventuais limites para a sua dedutibilidade, sob o fundamento de necessidade e usualidade, estampados no Regulamento do Imposto de Renda, aplicamse ex lege, valendose somente para a carga tributária afetada pela disposição legal. A distinção entre o IRPJ e a CSLL no que tange aos ajustes positivos ou negativos está na própria lei. Conforme dispõe o artigo 57 da Lei nº 8.981/95, à CSLL se aplicarão as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas próprias, verbis: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Verificase assim que, por expressa determinação legal, a apuração da base de cálculo da CSLL tem regras próprias, não se podendo aplicar automaticamente o quanto previsto para o IRPJ. É justamente o caso da dedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10380.010072/200423 Acórdão n.º 9101001.776 CSRFT1 Fl. 8 7 Neste passo, a base de cálculo da referida contribuição é o lucro líquido, conforme prevê a Lei nº 7.689/88, apurado nos termos da lei comercial, com os ajustes especificamente previstos para a CSLL no § 1° do artigo 2° da mesma lei. Não havendo previsão para inclusão das despesas desnecessárias ou não dedutíveis do lucro real, a glosa efetuada para o IRPJ não afeta a CSLL, salvo se não se tratar de despesa comprovada ou própria. ISSO POSTO, acolho os embargos, atribuindolhes efeitos infringentes, para reconhecer que na base de cálculo da CSLL deduzse todas as despesas efetivamente comprovadas, desde que próprias da empresa, não havendo fundamento legal para inclusão das despesas, efetivamente existentes, só que consideradas não necessárias. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 880DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901066/2009-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 126 1 125 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.901066/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.677 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente AFTON CHEMICAL INDÚSTRIA DE ADITIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 10 66 /2 00 9- 94 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901066/200994 Acórdão n.º 3803004.677 S3TE03 Fl. 127 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 7 de março de 2005, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor atualizado de R$ 16.860,23, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 4/3/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, requereu o reconhecimento da compensação declarada e franqueou à Fiscalização acesso a toda a sua documentação, alegando que, no cálculo da Cofins devida no período, incluíra indevidamente o valor do IPI na base de cálculo da contribuição, relativamente às vendas efetuadas em consignação industrial, constando da DCTF retificadora o valor correto da contribuição a pagar. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de parte da DCTF, do comprovante de arrecadação e do recibo de entrega do PER/DCOMP. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ não reconheceu o direito creditório, considerando que, junto à DCTF retificadora transmitida em 9/3/2009, posteriormente à data de ciência do despacho decisório, o contribuinte nada trouxe aos autos para comprovar os fatos alegados acerca do seu alegado direito creditório. Cientificado do acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ em 18 de fevereiro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 1º de março do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, alegando que a Manifestação de Inconformidade continha, sim, a memória de cálculo da contribuição e se encontrava acompanhada dos documentos comprobatórios. Apontou, ainda, o Recorrente que, nos termos do art. 7º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010, ele deveria ter sido intimado para prestar os esclarecimentos necessários à demonstração do indébito e que a ocorrência de erro de preenchimento da DCTF encontravase devidamente demonstrado. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, da Manifestação de Inconformidade, do despacho decisório, de parte da DCTF, do recibo de entrega do PER/DCOMP e do comprovante de arrecadação. É o relatório. Voto Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901066/200994 Acórdão n.º 3803004.677 S3TE03 Fl. 128 3 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Rio de Janeiro I/RJ, em razão da falta de comprovação do alegado pagamento a maior. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. O contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, da Manifestação de Inconformidade, do despacho decisório, de parte da DCTF, do recibo de entrega do PER/DCOMP e do comprovante de arrecadação, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente da inclusão indevida do valor do IPI na base de cálculo da contribuição, relativamente às vendas efetuadas em consignação industrial, este Colegiado, além da confirmação de previsão legal nesse sentido, necessita dos dados constantes da escrita contábil fiscal, sem o que não se consegue aferir a existência e a extensão do indébito reclamado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra fundamento a uma possível inversão do ônus da prova, no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a Fiscalização proceda à coleta dos documentos necessários à comprovação do indébito. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901066/200994 Acórdão n.º 3803004.677 S3TE03 Fl. 129 4 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Quanto à alegação do Recorrente de que, nos termos do art. 7º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010, ele deveria ter sido intimado para prestar os esclarecimentos necessários à demonstração do indébito, há que se registrar que tal insurgência não encontra respaldo na legislação de regência. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.901066/200994 Acórdão n.º 3803004.677 S3TE03 Fl. 130 5 ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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