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Numero do processo: 10680.011914/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
ABONO.
A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.
VÍCIO MATERIAL.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa instituídos por instrumento regular de negociação com os empregados.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos: a) aos pagamentos de PLR aos segurados oriundos da empresa cindida decorrentes de acordos por ela celebrado no período anterior à data de cisão; e b) ao pagamento do abono salarial.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. ABONO. A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. VÍCIO MATERIAL. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos: a) aos pagamentos de PLR aos segurados oriundos da empresa cindida decorrentes de acordos por ela celebrado no período anterior à data de cisão; e b) ao pagamento do abono salarial. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 851 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal de 02/06/2006 relativo aos valores de abono salarial previsto em convenção coletiva de trabalho, participação nos lucros e ganhos habituais. Foram excluídos valores pela aplicação do artigo 173, I do CTN e desta parte da decisão recorreuse de ofício a este CARF. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições + dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. Os prazos de decadência em âmbito de contribuições Previdenciárias são os previstos no Código Tributário Nacional CTN, conforme Súmula Vinculante n° 8 do STF e Recursos Extraordinários precedentes. Lançamento Procedente em Parte. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: que esta notificação foi lavrada em outubro de 2006 e referese a créditos relacionados a supostos fatos geradores, inclusive, de períodos anteriores a outubro de 2001. Teriam ocorrido, portanto, em período alcançado pela decadência qüinqüenal segundo dispõe o Código Tributário Nacional; que concorda com os valores apurados relativamente a acréscimos legais não recolhidos ou recolhidos de forma incorreta e providenciará o recolhimento de tais parcelas. Requer o cancelamento de parte da presente NFLD relativa a esses acréscimos; que em relação à suposta ausência de recolhimento das contribuições de setembro e outubro de 1997 — estabelecimento 40.164.964/000270 (...)" tais fatos geradores estão abarcados pela fluência do prazo decadencial qüinqüenal; que no que diz respeito aos valores apurados no levantamento FP3 — FOLHA DE EMPREGADOS DECLARADA EM GFIP, referente à "(...) suposta ausência de recolhimento das contribuições de abril e maio de 1999 e de julho a dezembro de Fl. 854DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2003 estabelecimentos 40.164.964/000270 e 40.164.964/0003 51, (...)" as diferenças apuradas decorrem de valores pagos a menor em relação às contribuições devidas a terceiros; ou no que tange ao adicional relativo à nocividade do trabalho desenvolvido. Dessa forma, estão extintos pela decadência os lançamentos de abril e maio de 1999 e de julho de 2000. O lançamento referente a dezembro de 2003 será pago pela Impugnante e extinto pelo pagamento; que em relação aos valores apurados no levantamento FP5 — SEGURADOS DA FPG CONFID. NÃO DECLARADA EM GFIP, referente à "( ... ) suposta ausência de recolhimento das contribuições de junho de 1999 a outubro de 2001 — estabelecimento 40.164.964/000351, ( ... )" as diferenças apuradas decorrem de valores não recolhidos ou pagos a menor em relação às contribuições devidas a terceiros ou no que tange o adicional relativo a nocividade do trabalho desenvolvido. No entanto,os fatos geradores anteriores a outubro de 2001 foram abarcados pela fluência do prazo decadencial e que em relação à competência de outubro de 2001, a Impugnante promoverá o pagamento do tributo"; que em relação a "( ... ) suposta ausência de recolhimento das contribuições decorrentes de pagamentos a autônomos de outubro de 1998 a abril de 2004 — estabelecimento 40.164.964/000351, (...) as parcelas anteriores a outubro de 2001 estão abarcadas pela fluência do prazo decadencial (...)" e no que se refere ao período posterior a outubro de 2001, a empresa providenciará o recolhimento das contribuições efetivamente devidas; que em relação ao. Abono Pecuniário de Férias, no caso concreto estão sendo exigidas da Impugnante as contribuições incidentes sobre o abono de férias pago em período já alcançado pela decadência; que seria "( ... ) ilegítima a exigência da exação previdenciária sobre o abono de férias (...)" tendo em vista o entendimento iterativo da doutrina e jurisprudência de que esse abono não tem natureza salarial, não pode ser considerado rendimento do trabalho ou contraprestação do serviço e, por fim, não se trata de gratificação ajustada; que em relação ao Abono Salarial, "( ... ) os supostos fatos geradores das contribuições incidentes sobre o abono salarial, anteriores a outubro de 2001, estão abrangidos pelo lapso do prazo decadencial ( ... )"; que "( ... ) a impugnante reafirma seu entendimento de que os valores disponibilizados a título de "abono" não integram saláriodecontribuição, uma vez que não apresentam as características para tanto ( ... )"; que a norma de incidência das contribuições previdenciárias é a Lei 8.212/1991, artigo 28 e que por essa norma os Abonos Salariais para serem considerados Salário de Contribuição deveriam ser pagos com habitualidade; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 852 5 que a exigência de previsão legal, disposta no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, de previsão legal para que se exclua da incidência de Contribuições Previdenciárias os valores pagos a título de Abono Salarial não procede, tendo em vista que "( ... ) não pode a simples disposição de um ato normativo de nível inferior à Lei determinar a integração de determinado fato na hipótese de incidência de um tributo ( ... )"; que em relação aos pagamentos "Ganhos Supostamente Habituais a Qualquer Título", destaca "( ... ) que os supostos fatos geradores das contribuições incidentes sobre o abono salarial, anteriores a outubro de 2001, estão abrangidos pelo lapso de prazo decadencial que nas palavras do Fiscal ,"pela análise dos pagamentos aqueles que receberam mais de três vezes receberam, aproximadamente uma a cada ano ( ... )" e que tal afirmativa é falaciosa "( ... ) já que a grande maioria dos empregados em relação aos quais os ganhos foram considerados como salário de contribuição receberam os ganhos em questão de três a cinco ganhos no período fiscalizado (sete anos) ( ... )" que como a fiscalização se ateve ao período fiscalizado "pode haver um situação em que um dos funcionários considerados pela Fiscalização (...) e que labora na Impugnante desde os anos 80 somente recebeu somente quatro "Gratificações" e; ou "Abonos em todo o seu período de Trabalho ( ... )", isso comprometeria a caracterização da habitualidade; que esses pagamentos foram feitos por liberalidade da impugnante uma vez que não há qualquer ajuste, tácito ou expresso, nos Acordos Coletivos celebrados com os empregados e não haveria qualquer direito dos empregados exigirem seu pagamento. Portanto, os valores pagos a Título de Gratificações ou Abonos não integrariam o contrato de trabalho firmado. Esse fato lhe retiraria a característica de habitualidade; que "( ... ) no que se refere ao empregado Roberto de Carvalho Silva, que recebeu 14 ganhos no período fiscalizado, é questionável o critério da fiscalização, já que o recebimento de duas gratificações por ano (gratificação semestral), ( ... ) vem sendo considerado pelo Superior Tribunal de Justiça como equivalente à participação nos lucros ( ... )"; que em relação ao bônus de permanência pago em 31/07/1999, chamado "Projeto Helen", esses não guardariam qualquer relação com os demais bônus ou gratificações pagas e já teriam sido alcançados pela decadência; que "( ... ) essa verba foi paga como um incentivo ao empregado da empresa (ou de outra empresa do grupo ( ... ) considerado estratégico, para que permanecesse em seus quadros em um período de mudanças societárias e estruturais ( ... )" e que o Bônus de Permanência pago a outras pessoas do grupo, foram considerados, indevidamente, pela fiscalização, Fl. 856DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 como Contribuintes Individuas, quando na realidade seriam empregados já que a impugnante seria a empresa controladora de seu Grupo Econômico; que com relação à Participação nos Lucros e nos Resultados, "os supostos" fatos geradores das contribuições incidentes sobre essa rubrica anteriores a outubro de 2001 teriam sido alcançados pela decadência; que ao considerar como integrantes do Salário de Contribuição verbas pagas pela impugnante a seus empregados a título de participação nos lucros e resultados, a fiscalização pretendeu fazer incidir contribuições de forma descabida; que o descumprimento das formalidades exigidas pela legislação que trata da Participação dos Lucros e Resultados, "( ... ) não implica na perda da natureza de Participação nos Lucros, que segundo o próprio texto constitucional é "desvinculada da remuneração" (art. 7º XI, da CF/88) ( ... )" e que "tal natureza independe de regulamentação por lei infraconstitucional para ser aplicada"; que "( ... ) a fiscalização não tem razão ao afirmar que não foi apresentado regulamento ou acordo exigido pela Lei 10.101/2000 (...)" que esses documentos foram apresentados e estão anexados à defesa; que talvez o fiscal tenha desconsiderado a apresentação de tais documentos por terem sido firmados pela empresa que foi sucedida pela Impugnante no que toca à folha de empregados e pagamento da PLR (Morro Velho Mineração S. A); que tal sucessão se verifica conforme "protocolo de cisão parcial de justificação" e da ata de reunião dos sócios da Mineração Morro Velho, ambos de 01 de abril de 2004; que em relação às rubricas pagas indevidamente como verbas de rescisão, a impugnante promoverá o recolhimento dos valores correspondentes; que em relação aos "supostos" fatos geradores das contribuições incidentes + sobre o Salário Maternidade anteriores a outubro de 2001 estão abrangidos pelo lapso do prazo decadencial; que a fiscalização está equivocada ao considerar Salário de Contribuição os Salários Maternidade pagos tendo em vista "( ... ) que a Lei n° 8.212/191 dispôs abusivamente que a referida verba integra o saláriodecontribuição", uma vez que o mesmo, independentemente de ser pago pelo empregador ou pelo INSS, teria natureza previdenciária e não trabalhista; que seria ilegal e inconstitucional a inclusão do Salário Maternidade como Salário de Contribuição; Com relação ao período não alcançado pela decadência o recorrente efetuou pagamentos em relação a alguns levantamento, tendo assim restados no lançamento os seguintes: ABN ABONO SALARIAL NÃO DECLARADO EM GFIP, GHN GANHOS HABITUAIS NÃO DECL GFIP e PL4 – PLR 2001 NÃO DECLARADA EM GFIP, PL5 Fl. 857DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 853 7 PLR 2004 NÃO DECLARADA EM GFIP, PL6 PLR2004 CONFIF NÃO DECLAR GFIP e PL7 PLR DIFERENCA FPG CONTABIL. É o Relatório. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos, passo ao exame. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 859DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 854 9 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 860DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, na parte relativa à decadência voto por negar provimento ao recurso de ofício. Substituição do pólo passivo Requer o recorrente substituição do pólo passivo pela empresa sucessora: Diante das alterações ocorridas, os direitos em discussão no presente processo passaram a ser de titularidade da empresa sucessora, sendo necessária, portanto, a retificação do pólo ativo da presente demanda, passando a constar ANGLOGOLD ASHANTI CÓRREGO DO SÍTIO MINERAÇÃO S/A. Tratase de questão a ser examinada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do recorrente, órgão preparador do processo e a quem competirá a cobrança do crédito; portanto, não conheço do pedido. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 855 11 O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 862DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. No mérito Abono Quanto ao abono salarial, assim fundamenta a fiscalização: Abono Salarial A empresa estabeleceu com seus empregados acordos individuais plúrimos, resultantes de negociações diretas entre as partes, e concedeu a todos os trabalhadores em atividade abono salarial a ser pago em parcela única (vide cópia em anexo de parte do acordo de 2002). Afirma que este é desvinculado do salário, na forma do item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991: O artigo 28 da Lei nº 8.212/91 ao definir o salário de contribuição dos segurados empregados assim o estabelece: Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição I para o segurado empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7) recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Por sua vez o Decreto nº 3.265/99 alterou a redação do artigo 214 dada pelo decreto nº 3048/99, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 214 Entende por salário de contribuição (...) Fl. 863DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 856 13 § 9º não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) V as importância recebidas a título de: (...) j) os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Por outro lado o artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT ao definir a remuneração do empregado, determina que integram o salário do empregado, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que os abonos possuem natureza salarial e compõem a remuneração do empregado, podendo a lei, é certo, retirar essa natureza dos abonos pagos pelo empregador. É o que prevê o art. 28, §9º alínea “e” item 7, quando diz que não integram o salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. Não têm o mesmo efeito as disposições entre as partes formalizadas através de acordos coletivos de trabalho, conforme dispõe o artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. A dita “expressa desvinculação” não pode alcançar o caso em tela, em que fruto da livre negociação entre empregador e empregado foi pago a esse último, ainda que em uma única vez, determinado valor imediatamente após a sua contratação. No entanto, através do Parecer PGFN/CRJ/nº 2.114/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Abono único. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. ... 20. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, Fl. 864DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Assim, pela falta de interesse do órgão competente para a defesa administrativa e judicial do crédito tributário sobre o abono único e pela jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, inclinome à tese pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o aludido abono para que sejam excluídos do lançamento os valores a ele relativos. Ganhos habituais Tratamse de rubricas pagas, segundo a fiscalização, em periodicidade que afasta a natureza eventual: A empresa concedeu a vários empregados ganhos gratificação especial, bônus, bônus de permanência, entre outros. As gratificações e os bônus estão relacionados na folha de pagamento, com exceção dos bônus de permanência, que foram determinados pela análise da contabilidade. Quanto às rubricas assim consideradas, a recorrente reconhece a ausência de acordos ou convenção. Os pagamentos seriam uma liberalidade. Quanto ao bônus de permanência, reconhece também que o propósito seria o incentivo para a manutenção nos quadros de empregados dos segurados considerados estratégicos para o negócio empresarial: que esses pagamentos foram feitos por liberalidade da impugnante uma vez que não há qualquer ajuste, tácito ou expresso, nos Acordos Coletivos celebrados com os empregados e não haveria qualquer direito dos empregados exigirem seu pagamento. Portanto, os valores pagos a Título de Gratificações ou Abonos não integrariam o contrato de trabalho firmado. Esse fato lhe retiraria a característica de habitualidade; ... que "(.. ) essa verba foi paga como um incentivo ao empregado da empresa (ou de outra empresa do grupo ( ... ) considerado estratégico, para que permanecesse em seus quadros em um período de mudanças societárias e estruturais ( ... )" e que o Bônus de Permanência pago a outras pessoas do grupo, foram considerados, indevidamente, pela fiscalização Vêse que de fato tais pagamentos se caracterizam como salário de contribuição, conforme dispõe o artigo 28 da Lei nº 8.212/91. Eles não são ganhos eventuais e também não decorrem de acordos com os empregados; características essas dos abonos únicos. Assim, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal Fl. 865DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 857 15 remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Porém, caso seja fixada como meta alguma avaliação do empregado, essa regra deverá ser cumprida. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 858 17 Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a fiscalização, considerou que somente os pagamentos realizados no decurso dos anos de 2002 e 2003 seriam de fato PLR, já que somente para os anosbase de 2001 e 2002 a recorrente apresentou acordos regulando o benefício: A empresa pagou a seus empregados valores a título de Participações nos Lucros ou Resultados — PLR no início dos anos de 1998 a 2004. Foi solicitado através de TIAD de 31/0112006 o Regulamento da participação nos lucros ou resultados e também através de outro TIAD de 12/05/2006. A empresa apresentou somente aqueles referentes aos anosbase 2001 e 2002. Estes regulamentos ou acordos são exigidos pela Lei 10.101/2000 para que esta rubrica não seja considera saláriodecontribuição, sem incidência de contribuições previdenciárias. A recorrente juntou aos autos termo de cisão datado de 13/02/2004 da empresa Mineração Morro Velho Ltda com versão para a empresa Mineração Anglogold Ltda, ora recorrente. As empresas já faziam parte do mesmo grupo econômico, fls. 569. Com esse documento tenta justificar que os acordos de PLR também trazidos aos autos da empresa Mineração Morro Velho Ltda se prestariam para fins da Lei nº 10.101/2000. Antes do julgamento o processo foi baixado em diligência pelas seguintes razões: 3. Ocorre que em sua defesa de folhas 471/582, a empresa juntou aos autos os acordos exigidos pela Lei 10.101/2000, para todo o período fiscalizado. A fiscalização respondeu que somente foram considerados os acordos assinados com os empregados da Mineração Anglogold Ltda. Alega a recorrente que após a cisão os segurados empregados da Mineração Morro Velho Ltda foram transferidos para a Mineração Anglogold Ltda, o que justificaria que em relação a eles sejam aplicados os acordos celebrados em nome da Mineração Morro Velho Ltda: A partir da referida transferência parcial de seu patrimônio; inclusive quadro de empregados, direitos e deveres decorrentes, Fl. 868DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 ficou a cargo da Mineração Morro Velho somente a administração das atividades imobiliárias do grupo. Acontece que os instrumentos de negociação da PLR com comissão de empregados da Mineração Morro Velho Ltda não podem, de fato, alcançar todo o período do lançamento e nem todos os empregados da recorrente. À época do lançamento, em 05/10/2006, havia no quadro de empregados da recorrente tanto seus próprios segurados como aqueles provenientes da Mineração Morro Velho Ltda. Para esses últimos, a regularidade no pagamento de PLR no período anterior a 13/02/2004 deve ser examinada nos instrumentos de PLR da Mineração Morro Velho Ltda vigente à época. Como exemplo, foi juntado o acordo coletivo do ano base 2003, fls. 538, cujo pagamento ocorreu em 18/02/2004. Embora, como se vê, o pagamento tenha ocorrido após a cisão e transferência dos segurados empregados, teve por base o exercício de 2003, quando a PLR para os segurados oriundos da Mineração Morro Velho Ltda era regulada não pelos acordos da recorrente, mas da própria cindida Mineração Morro Velho Ltda. Já com relação ao período após a data de cisão, 13/02/2004, os acordos da Mineração Morro Velho Ltda somente se aplicam aos segurados que lá permaneceram, que não são objeto do lançamento. Lembrando que a recorrente explica que a cindida manteve as atividades de administração das atividades imobiliárias do grupo, o que requer um quadro de empregados próprio. Retornando aos acordos relativos aos segurados oriundos da cindida e anteriores à cisão, a fiscalização, no entanto, não examinou o conteúdo de quaisquer desses acordos, o que, assim, não fez parte dos fundamentos do lançamento. Considerando que o artigo 18, §3º do Decreto nº 70.235/72 com o julgamento de primeira instância torna preclusa a possibilidade de alteração dos fundamentos que sustentam o lançamento tributário, os valores relativos aos segurados oriundos da cindida com base em acordos anteriores à data de cisão, não alcançados pela decadência, devem ser excluídos do lançamento por vício material: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício Fl. 869DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 859 19 formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Fl. 871DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011914/200722 Acórdão n.º 2402003.833 S2C4T2 Fl. 860 21 Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria fundamentação da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos: a) aos pagamentos de PLR aos segurados oriundos da empresa cindida decorrentes de acordos por ela celebrado no período anterior à data de cisão; e b) ao pagamento do abono salarial. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 873DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 17883.000296/2005-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - PRAZO PARA APRESENTAÇÃO.
O artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não fixou prazo para apresentação do ADA, o qual esteve previsto em Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal. No entanto, a partir do advento da Instrução Normativa SRF n° 659, de 11 de junho de 2006, inexiste prazo na legislação tributária para apresentação do ADA. Assim, inclusive em razão do artigo 106 do CTN, as novas normas infralegais de regência aplicam-se retroativamente, de modo que o ADA apresentado em 24/08/2004 (antes do início da ação fiscal, que se deu 08/09/2005) deve ser considerado válido para fins de comprovação da área de preservação permanente informada na DITR.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar a APP da DITR de 576,0 ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. O artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não fixou prazo para apresentação do ADA, o qual esteve previsto em Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal. No entanto, a partir do advento da Instrução Normativa SRF n° 659, de 11 de junho de 2006, inexiste prazo na legislação tributária para apresentação do ADA. Assim, inclusive em razão do artigo 106 do CTN, as novas normas infralegais de regência aplicamse retroativamente, de modo que o ADA apresentado em 24/08/2004 (antes do início da ação fiscal, que se deu 08/09/2005) deve ser considerado válido para fins de comprovação da área de preservação permanente informada na DITR. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar a APP da DITR de 576,0 ha. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que negava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 96 /2 00 5- 96 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de SaintGobain Canalização Ltda., CNPJ n° 28.672.087/000162, foi lavrado o auto de infração de fls. 2631, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2001, em razão da glosa de áreas de preservação permanente e de pastagens, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Santa Teresa, situado no município de Barra Mansa (RJ). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 30): Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. O contribuinte declarou o valor de 576,0 hectares como área de Preservação Permanente, embora o valor que consta no protocolo do Ato Declaratório Ambiental é 110,0 hectares. Não justificou a alteração do valor declarado para o item 12 da Ficha 06 (Atividade Pecuária). No caso, o início da ação fiscal ocorreu em 08/09/2005 (fls. 03) e o contribuinte protocolou o ADA em 24/08/2004, no qual constam 807,06 hectares a título de área de preservação permanente (fls. 70). As áreas de preservação permanente e de pastagens foram reduzidas de 576,0 ha para 110,0 ha e de 200,0 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 26). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 93100). Por sua vez, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF proferiu o acórdão n° 280100.865, que se encontra às fls. 127131, cuja ementa é a seguinte: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000296/200596 Acórdão n.º 9202002.919 CSRFT2 Fl. 195 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. Recurso negado. A decisão recorrida, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis (Relator), Carlos César Quadros Pierre e Julio Cezar da Fonseca Furtado, que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Intimada do acórdão em 06/12/2010 (fls. 135), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial às fls. 136155, acompanhado dos documentos de fls. 156179, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Pela descrição dos fatos e dos dispositivos supostamente infringidos apontados pelo AUTO, verificase que a fiscalização entende que para fins de apuração do ITR de 2001 declarado pela RECORRENTE, deve ser observada a tempestividade do protocolo do ADA Ato Declaratório Ambiental; b) No caso em tela existiu um ADA anterior, tempestivamente apresentado. O que se reclama é o fato de ter ocorrido a entrega intempestiva da RETIFICAÇÃO do ADA, onde consta uma área de 807,05 hectares de preservação permanente (não tributável), razão pela qual o lançamento foi glosado, não sendo aceita a efetiva existência desta área; c) Observase nos autos que a recorrente apresentou um ADA ao IBAMA, ainda no ano de 1998, onde declarou existir uma área com extensão de 110,0 hectares de "preservação permanente". Por esta razão não há intempestividade de apresentação do ADA; d) Por sua vez após melhores estudos técnicos do próprio IBAMA, apurouse em vistoria in loco, a existência de uma área de preservação permanente muito maior, ou seja, de 807,05 hectares, ensejando assim a apresentação de um ADA retificador, já no ano de 2004; e) O entendimento do votovencedor é o de que o artigo 170 da Lei 6.938, determina que o ADA e um documento essencial e obrigatório. Ora, não é isto que se discute. 0 que se discute é o fato do Poder Público ignorar a real existência de uma área não tributável, assim considerada desde 1965, simplesmente porque o ADA retificador não foi tempestivamente Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 apresentado, e que por esta razão considerase a área como "não produtiva", ignorando uma prova lícita; f) Ora, o artigo 170 não diz isto, diz só que é "obrigatória" a apresentação do ADA, MAS nunca que o seu atraso ensejador de glosa; g) Em que pese o respeito e a admiração que possa ter pelo relatório vencedor, não se verifica na redação do artigo 170 da Lei 6938/81, em nenhum momento, a expressão relativa ao fato de que a "falta do ADA fará com que as áreas definidas como não tributáveis possam ser consideradas tributáveis", faltando ao voto vencedor o requisito obrigatório do princípio da legalidade; h) Portanto o entendimento esposado é completamente irregular já que não encontra guarita no artigo 37 da Constituição Federal, assim como no artigo 97 , V, do CTN, já que a intempestiva entrega do ADA não enseja qualquer cominação de penalidade; i) Por esta razão, a analogia não é admitida para criar obrigações tributárias assessorias (108, inc. II, do CTN), e muito menos, no caso de dúvida, ser possível a adoção de interpretação próFisco, pois o CTN impõe que ela só possa beneficiar o contribuinte (art. 112 do CTN); j) Consoante o que ficou demonstrado nos autos, restou comprovado pela recorrente, com a juntada do ADA e da certidão do IBAMA, a existência da área de preservação permanente de 807,5 hectares, definida no artigo 2° da Lei 4771/65, desde 1965, que determina que aquela área é assim definida pelo só efeito da lei, ou seja, independentemente de ADA; k) Assim, data vênia, não se discute se o ADA é ou não um documento necessário; l) O que se requer é que este Conselho se pronuncie sobre fato da equivocada interpretação dada ao § 1° do artigo 170 da Lei 6.839/1981, que em nenhum momento trata de "intempestividade no protocolo do ADA", principalmente porque o § 7°, do artigo 10, da Lei 9.393/96 (c/ redação alterada pela Medida Provisória n° 208064), determinou e consagrou o princípio da verdade material; m) Diverge da decisão recorrida o acórdão n° 30237.824; n) O acórdão paradigma entende que "estando os autos carreados de laudos e documentos emitidos pelo IBAMA atestando a existência de tais áreas, devem as mesmas serem consideradas para fins de apuração da base de cálculo do ITR.”; o) Já a decisão recorrida endente que independente da real existência das áreas, estas não podem ser aceitas, haja vista o protocolo intempestivo do ADA; p) Ora, a própria Lei 9393/96, em seu artigo 10, II, letra "a", determina que não ha necessidade de ADA tempestivo, devendo as áreas de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000296/200596 Acórdão n.º 9202002.919 CSRFT2 Fl. 196 5 preservação permanente, uma vez certificadas, serem excluídas das áreas tributáveis do imóvel rural; q) O artigo 170, parágrafo 5°, diz que uma vez realizada vistoria pelo IBAMA, e caso estes dados não coincidam com os efetivamente lançados, DEVE o IBAMA certificar a Secretaria da Receita Federal para as providencias cabíveis, como de fato fez, só que a SRF não quer acatar os novos dados; r) Requer seja reformado o acórdão recorrido para considerar a efetiva existência de 807,05 hectares de preservação permanente a ser retificada em sua DITR/2001. Admitido o recurso através do despacho n° 21000184/2011 (fls. 181182), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 186193, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso. A matéria devolvida à apreciação deste Colegiado está relacionado à glosa da área de preservação permanente de 466,00 hectares (redução da área declarada de 576,0 hectares para 110,00 hectares) pela ausência de apresentação tempestiva do ADA. A recorrente indicou como paradigma o acórdão n° 30237.824. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com esta regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal vigente ao tempo dos fatos em apreço (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente tinham contornos estabelecidos pelos artigos 2° e 3° do Código Florestal anterior, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000296/200596 Acórdão n.º 9202002.919 CSRFT2 Fl. 197 7 h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Estas eram as previsões do Código Florestal em vigor ao tempo dos fatos em apreço a respeito do tema em discussão. Ressalto, novamente, que o fundamento da autuação decorre da ausência de apresentação tempestiva do ADA. Quanto à matéria, devo destacar que em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2001. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) É fácil perceber que a lei não fixou prazo para apresentação do ADA. Tal prazo esteve previsto em Instruções Normativas da Receita Federal. No entanto, a partir do advento da Instrução Normativa SRF n° 659, de 11 de junho de 2006, inexiste prazo na legislação tributária para apresentação do ADA. O artigo 10 desta Instrução Normativa estabelece o seguinte: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Esta regra foi reproduzida nas Instruções Normativas editadas em anos posteriores (Instruções Normativas RFB nos 746/2007, 857/2008, 959/2009, 1.058/2010, 1.166/2011 e 1.279/2012). Portanto, considerando que a partir do exercício 2006 nem sequer as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecem prazo para apresentação do ADA, as novas normas infralegais de regência aplicamse retroativamente, por força do artigo 106 do Código Tributário Nacional – CTN, de modo que o ADA apresentado em 24/08/2004 (antes do início da ação fiscal, que se deu 08/09/2005) deve ser considerado válido para fins de comprovação da área de preservação permanente informada pela contribuinte na DITR/2001. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000296/200596 Acórdão n.º 9202002.919 CSRFT2 Fl. 198 9 Este entendimento está se consolidando no âmbito da Segunda Turma da CSRF, conforme ilustra a ementa do acórdão n° 920202.011, proferido em 20/03/2012, Relator o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado. No voto condutor deste julgado, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira consignou o seguinte: No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 63, contemplando a área objeto da demanda, ainda que intempestivamente, datado de 17/08/2006 (posterior ao início da ação fiscal). Por sua vez, o que torna ainda mais digno de realce relativamente a área de reserva legal, é que o contribuinte trouxe à baila documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, em 30/06/2000, como se contata da Certidão da Matrícula do Imóvel, às fls. 62. Sob minha ótica, ainda que a apresentação do ADA tenha ocorrido em 24/08/2004 e a discussão esteja relacionada ao exercício 2001, não pode ser mantida a glosa da área de preservação permanente, cujo fundamento repousa apenas neste fato. Ademais, na Informação Técnica emitida pelo IBAMA em 03/02/2006 “A solicitação da Saint Gobain Canalização Ltda. ao IBAMA de considerar 807,05 hectares da propriedade como área de Preservação Permanente (APP) é perfeitamente correto e em conformidade com as demarcações assinaladas em planta topográfica da propriedade. Junta se ainda aos fragmentos florestais de APP (807,05 ha), a área de Reserva Legal de 474,11 hectares já devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no Registro de Imóveis.” (fls. 8990). Entendo, pois, que a decisão recorrida merece ser reformada. Contudo, não é possível que se considere 807,05 hectares como área de preservação permanente, como pretende a contribuinte, pois a área glosada pela fiscalização foi de 466,00 hectares (redução da área declarada de 576,0 hectares para 110,00 hectares). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela empresa, para que se considere como área de preservação permanente 576,0 hectares (o total informado na DITR). (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000296/200596 Acórdão n.º 9202002.919 CSRFT2 Fl. 199 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10675.907150/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
Restituição.Compensação. Comprovação De Erro.
Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor de recolhimento indevido da CSLL, a maior, restitui-se a diferença devida e homologam-se as compensações até o limite deste crédito.
Numero da decisão: 1801-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPROVAÇÃO DE ERRO. Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor de recolhimento indevido da CSLL, a maior, restituise a diferença devida e homologamse as compensações até o limite deste crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 180100.159, deliberada em 06 de novembro de 2012, efls. 92 a 97, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 71 50 /2 00 9- 11 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorre do Acórdão nº 0939.083/12 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 56 a 61, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “A interessada transmitiu a DCOMP n° 33817.50207.140606.1.3.046669, visando compensar o débito nela declarado, com crédito oriundo de pagamento indevido de CSLL, efetuado em 30/01/2004. A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 07 do processo virtual, no qual não homologa a compensação pleiteada diante da inexistência de crédito. A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · ao calcular e preencher o DARF relativo a Contribuição Social s/Lucro LíquidoCSLL, referente ao 4° trimestre de 2003, cometeu um equivoco fazendo constar naquele documento um valor maior que o devido; · apresenta a cópia da ficha 18 A (doc. em anexo) da DIPJ onde constam os valores da receita bruta do 4° trimestre de 2003, bem como o respectivo cálculo dessa contribuição; · o recolhimento a maior da Contribuição Social S/ Lucro Líquido CSLL, relativa ao 4° trimestre de 2003, se deu através dos Darfs (doc. em anexo). · após constatar que havia efetuado o recolhimento a maior, providenciou a retificação da DCTFOriginal (doc. em anexo) entregue em 14/11/2003, transmitindo a DCTFRetificadora (doc. em anexo), em 29/12/2008, onde fez constar, respectivamente, o valor informado originariamente e o valor realmente devido; · diante da existência do crédito acima discriminado, resolveu, então, aproveitar parte desse valor para compensar o débito apurado de COFINS, da competência 05/2006, cuja data de vencimento se deu em 14/06/2006, tudo isso em conformidade com a legislação vigente àquela época, e, para demonstrar esta compensação, entregou em 14/06/2006 a Declaração de Compensação PER/DCOMP (doc. em anexo), onde informou que estava realizando a compensação da quantia de R$ 9.650,32, crédito apurado em relação a parcela da Contribuição Social recolhida em 30/01/2004, que, corrigida, atingiu o valor de R$ 13.393,68, conforme demonstra o PER/DCOMP retro citado, em sua página de n° 02. · além da informação constante do PER/DCOMP, a requerente também informou esta compensação na pág. 46 (doc.em anexo) da DCTF do 1° Semestre do ano 2006. [...] Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907150/200911 Acórdão n.º 1801001.842 S1TE01 Fl. 3 3 A empresa apresentou as declarações (DCTF e DIPJ) originais do 4° trimestre de 2003 com informação de débito de CSLL no total de R$ 32.978,48, vinculado a pagamento em DARF's de R$ 16.489,24, com datas de vencimento em 30/01/2004 e 27/02/2004. A DCOMP em análise foi transmitida em 14/06/2006. A ciência do despacho decisório eletrônico ocorreu em 19/08/2009 (AR de fl. 10 do processo virtual). A contribuinte apresentou DCTF retificadora em 29/12/2008 e DIPJ retificadora em 18/09/2009, após a ciência do despacho decisório. Portanto, na data da transmissão da DCOMP, só existiam a DCTF e a DIPJ originais. A manifestação de inconformidade confirma que esse novo valor, informado na DCTF e na DIPJ retificadoras, fora apurado e declarado à RFB em data posterior à transmissão da DCOMP n° 33817.50207.140606.1.3.046669, sem comprovar que houve erro de fato na informação prestada nas declarações originais (DCTF e DIPJ). Erro de fato é aquele que independe de averiguações para sua constatação. Considerando que a DCTF constituise em confissão de dívida, os débitos nela declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP em análise. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. A Lei 9.430/1996, em seu artigo 74, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002, assim dispõe: [...] Assim não resta dúvida de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP, sendo que nessa data não existia o crédito declarado na DCOMP analisada. O despacho decisório considerou a informação contida em DCTF porque somente essa existia quando da apresentação da DCOMP e quando da emissão do despacho decisório. A informação em DCOMP da existência de crédito disponível em função de pagamento a maior de tributo tem que estar suportada em informações existentes nos sistemas utilizados pela RFB (controle de DARF, DCTF, DIPJ, DIRF, DACON) ou suportada nos livros e documentos escriturados à época da transmissão da DCOMP. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O crédito registrado em DCOMP deve ser líquido e certo, a teor do artigo 170 do CTN, para que ocorra a homologação da compensação a ele vinculada, cabendo à contribuinte, quando instada, fazer prova a seu favor, uma vez que se constitui num pleito seu e não em lançamento realizado pela administração tributária. [...] Assim, quanto ao pedido de produção de novas provas, só se pode aqui dizer que a inserção de novos elementos de prova no processo depois de transcorrido o prazo de impugnação, só pode ser deferida no caso de estarem presentes alguma(s) das circunstâncias previstas no parágrafo 4.° do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/72 (impossibilidade de apresentação durante o prazo de impugnação, por conta de "força maior", "fato ou direito superveniente" etc.), o que só poderá ser avaliado quando da situação em concreto. [...] Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada.” A empresa interpôs, tempestivamente (AR – 27/02/12; Recurso – 27/03/12), o Recurso de fls. 73 a 89, reiterando as argumentações da defesa exordial e juntou aos autos folhas do Razão Analítico buscando comprovar o valor das receitas brutas auferidas no período e o cálculo devido de apuração do tributo em espécie. Pretende com esta providência comprovar os erros de recolhimentos a maior realizados e o seu direito no indébito tributário. É o relatório. Passo ao voto. VOTO [...] A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 4º trimestre de 2003, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que o valor devido e correto é R$ 13.577,84, mas recolheu R$ 32.978,49, em duas parcelas (R$ 16.489,24 cada uma), e traz contas do Razão Analítico para comprovar as receitas auferidas no período. Este processo tem como objeto um dos DARF relativo à parcela recolhida em 30/01/2004 e o valor pleiteado é a diferença entre R$ 16.489,24 e R$ 6.788,92 (R$ 13.577,84 :02), que perfaz R$ 9.700,32. A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de as declarações retificadoras – DIPJ e DCTF – foram entregues após o despacho decisório e porque entende que à data do pedido de compensação, o débito tributário da CSLL confessado na DCTF original foi devidamente pago. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo da CSLL devida, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907150/200911 Acórdão n.º 1801001.842 S1TE01 Fl. 4 5 DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, as contas do Razão analítico que são utilizadas para apurar o tributo devido, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (balancetes registrados no Diário e verificação da possível existência de outras contas de receitas auferidas no período em comento). Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que: a) a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo da CSLL relativa ao 4º trimestre de 2003 junto a Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 contabilidade completa da recorrente, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes; b) a autoridade competente informe se os valores já foram inscritos na Dívida Ativa da União. [...]” Em cumprimento à Resolução, a autoridade fiscal designada informou às e fls. 161 e 162: “[...] A empresa foi intimada, fls. 99/100 e apresentou documentação anexada às fls. 101/152, apresentando os seguintes esclarecimentos: · que a atividade desenvolvida é de prestação de serviços de engenharia civil e a execução de obras de construção civil em geral, bem como sua comercialização; · que no período em análise prestou serviços de construção civil com aplicação de todo material ao Carrefour Comércio e Indústria Ltda; que construiu o Edifício Zenith, do qual alguns apartamentos foram vendidos à prestação com parcelas recebidas no mês de agosto de 2003; · que compõe a base de cálculo da CSLL os rendimentos de aplicações financeiras. Em relação ao item "a", temos que as notas fiscais emitidas no período foram contabilizadas, conforme Razão Analítico do Período. [...] Conforme entendimento reiterado da RFB exarado em atos internos, a partir de setembro de 2003, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Com base no disposto acima, o valor da CSLL do 4° trimestre de 2003 seria de R$13.677,85, restando disponível o valor de R$9.650,32 para utilização neste processo, valor este suficiente para extinguir o débito objeto de compensação, fls. 155/159. [...]” É o suficiente para o Relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907150/200911 Acórdão n.º 1801001.842 S1TE01 Fl. 5 7 A questão litigiosa foi dirimida com a realização da diligência, que concluiu pela ocorrência de erro, de fato, cometido pela recorrente e pagamento de tributo a maior, conforme Informação Fiscal de efls. 160 e 161 e documentos apresentados pela recorrente à fiscalização. Voto em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório pleiteado no valor de R$ 9.650,32 e conseqüente homologação das compensações até o limite deste crédito. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13896.720016/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
Numero da decisão: 2201-002.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 2201-1.374, de 1º/12/2011. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para manter a glosa da Área de Reserva Legal de 96,8 hectares. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza, que acataram a citada área.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
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CONTRADIÇÕES. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 22011.374, de 1º/12/2011. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para manter a glosa da Área de Reserva Legal de 96,8 hectares. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza, que acataram a citada área. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 00 16 /2 00 8- 11 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório A Fazenda Nacional, com fulcro nas disposições contidas no art. 65 da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), opõe Embargos Declaratórios em face do Acórdão nº 220101.374, de 01 de dezembro de 2011, alegando, em síntese, que: ... foi possível constatar a existência de pequena contradição no julgado, no tocante à existência ou não da respectiva averbação da referida área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Isso porque, os documentos citados pelo r. voto, não dizem respeito à averbação da área de reserva legal na inscrição do imóvel. Com efeito, a Escritura Pública Declaratória de fls. 109, foi lavrada perante Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP, e corresponde a mera declaração do sujeito passivo de que se compromete a reservar no respectivo imóvel a área de reserva legal ali consignada. Embasam a referida declaração o Memorial Descritivo e o Termo de Responsabilidade citados por este e. colegiado. (...) Nesse sentido, a Certidão lavrada pelo Oitavo Oficial de Registro de Imóveis, às fls. 100/101, em 15 de maio de 2003, registra o histórico da titularidade do imóvel, bem como todas as averbações efetuadas na matrícula do mesmo, não constando qualquer referência à averbação da área de reserva legal. Pois bem, no que tange à área de reserva legal, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF julgou o Processo nº 13896.720016/200811, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 220101.374, de 01 de dezembro de 2011, assim ementado: ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Por sua vez, o voto condutor do aresto consignou: (...) Sobre cada uma das áreas glosadas foram apresentadas as seguintes provas: Reserva Legal (96,8ha) – Averbação de 20% na matricula do imóvel, fls.109/110, consubstanciado no Memorial Descritivo da Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 2201002.289 S2C2T1 Fl. 3 3 Área de Reserva Legal, no total de 968.000 m2, ou seja, os 96,8ha e pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Reserva Legal (fls.110).. (...) Passemos a analise de cada uma das áreas acima especificadas. No que se refere a área de Preservação Permanente dos 80,0ha, declarados, apenas 24,92ha foram comprovados através de Laudo. Por sua vez, a integralidade da área 96,8ha de Reserva Legal está averbada. Desse modo, referidas áreas que estão devidamente comprovadas devem ser afastadas do lançamento. (grifei) Em razão do relato supra, o resultado do julgamento foi o seguinte: ... por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel Entretanto, analisando detidamente os autos, verifico que não há averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro, mas Escritura Pública Declaratória lavrada perante o Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP. Ante a todo o exposto, constatase flagrante contradição entre o conteúdo dos autos e o que foi decidido pelo Colegiado. Sendo assim, o processo deve ser novamente apreciado pela Turma Julgadora, especialmente a questão relativa à área de reserva legal. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator. Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Como se pode verificar da leitura do relatório, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF partiu da premissa que havia averbação de 96,8 ha da área de reserva legal à margem da matrícula no Cartório de Registro de Imóveis (CRI), contudo, conforme se infere dos autos, o contribuinte procedeu à lavratura de Escritura Pública Declaratória perante o Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Município de Pirapora do Bom Jesus/SP. A escritura lavrada teve como base os seguintes documentos (fl. 109): Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ... Memorial Descritivo assinado em 19 de dezembro de 2002, pelo Engº Flávio Eduardo Adorno Barone (Crea 5060577657) e Técnico Agr° Ricardo Negrão Ramos; 4) Que, fazem esta declaração especificando e retificando o Termo de responsabilidade de preservação de reserva legal n° 217/02 (processo SMA 72.645/00), expedido em 19 de dezembro de 2002, pela Secretaria do Meio Ambiente, Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e Proteção de Recursos Naturais, Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN). Com efeito, independentemente dos documentos acima relacionados, a área de reserva legal somente poderá ser suprimida da base de cálculo da apuração do ITR, após regularmente averbada na matrícula no Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior à ocorrência do fato gerador, conforme determina o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Dessarte, como não há efetivamente averbação da área de reserva legal no CRI competente, o contribuinte não poderá se beneficiar da isenção. Ressaltese que a norma que veicula a isenção fiscal deve ser interpretada restritivamente, à luz do inciso I do art. 111 do CTN. Isso posto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 220101.374, de 1º/12/2011, alterar a decisão no sentido manter a glosa sobre a área de reserva legal. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 2201002.289 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13896.720016/200811 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.289. Brasília/DF, 20 de novembro de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10580.903392/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 3102-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 33 92 /2 01 2- 82 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER (fls. 2/5) de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo exportação do 4º trimestre de 2011, no valor R$ 6.813.820,06, utilizado na compensação dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fls. 6/37. Por meio do Despacho Decisório de fls. 38/40, o crédito pleiteado foi integralmente indeferido e as compensações não homologadas, sob o argumento de que a interessada não apresentara, previamente a entrega do referido PER, os arquivos digitais dos estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saída, relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001, e especificado nos itens 4.3 (Documentos Fiscais) e 4.10 (Arquivos complementares PIS/COFINS) do Anexo Único do Ato Declaratório Cofis n° 15, de 23 de outubro de 2001. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 49/54, o fundamento jurídico da decisão denegatória foi enquadrado no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, art. 1º a 3º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 e artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Cientificada do Despacho Decisório, em sede de manifestação de inconformidade, em preliminar, a recorrente requereu, com respaldo no princípio da economia e celeridade processual, a reunião e análise conjunta de todos os processos relativos aos pedidos de ressarcimento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do período janeiro a dezembro de 2011, discriminados no MPF 05101002012003080. No mérito, alegou que: a) a fiscalização havia indeferido o pedido de ressarcimento e não homologada as compensações com base no frágil e equivocado argumento de que a interessada não havia entregue os arquivos digitais de todos estabelecimentos previamente à transmissão do pedido de ressarcimento; b) era equivocada a interpretação dada pela autoridade ao § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, porque os §§ 1º e 3º do citado artigo tratavam de dois momentos distintos, relativo ao exercício do direito de ressarcimento e compensação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, ou seja, o primeiro dizia respeito a condição para recepção dos PER/DCOMP e o segundo dirigiase à apreciação dos PER/DCOMP já entregue, momento posterior à transmissão dos correspondentes pedidos ressarcimento e declarações de compensação; c) a apresentação prévia dos arquivos digitais era condição apenas da recepção dos pedidos pela RFB, nada tendo a ver com a validade do crédito pleiteado, haja vista que o § 3o em comento, ao dispor que a autoridade “poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital” continuava dispondo sobre uma faculdade conferida à autoridade fiscal de só reconhecer o direito creditório se os arquivos digitais tivessem sido apresentados; d) a interpretação correta assegurava que era possível a recepção pela RFB e a posterior apreciação de pedidos de ressarcimento e compensação que tenham sido transmitidos sem o prévio envio dos arquivos digitais, até porque autoridade fiscal sempre teria Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903392/201282 Acórdão n.º 3102002.027 S3C1T2 Fl. 11 3 garantida a possibilidade de exigir a apresentação de tais arquivos para análise do direito creditório, em sintonia com o disposto no art. 2o da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001; e) a equivocada interpretação dada ao § 4o do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, era fruto de uma leitura simplista e apegada tão somente à literalidade do texto e não possuía amparo em qualquer artigo de lei, resvalando para a ilegalidade, acaso fosse acatada, pois violaria o princípio da motivação previsto nos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999; f) a totalidade da documentação solicitada fora entregue à fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço; e g) a decretação de nulidade do despacho decisório imporseia, uma vez que a negativa do legítimo direito de crédito da requerente sem o exame de toda farta documentação trazida ao conhecimento da fiscalização, e, pior, sem lei que o autorizasse a tanto, a decisão denegatória da fiscalização implicava evidente cerceamento de defesa e flagrante afronta ao princípio da verdade material, corolário do princípio da legalidade. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 109/119), em que, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade, indeferido o pedido de ressarcimento do crédito informado e não homologada as compensações declaradas, com base nos seguintes argumentos: a) a recorrente não tinha transmitido, dentro do prazo fixado, os arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à EFD, embora fiscalização tivesse concedido prazo suficiente para a transmissão dos citados arquivos; b) a recorrente somente teria iniciado a transmissão dos referidos arquivos digitais a partir de setembro/2011, de modo que, à época da transmissão do PER e das DComp em apreço, não cumprira o disposto no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008; e c) o julgador administrativo de primeira instância, por força do disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, devia estrita observância aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal, logo não podia se pronunciar sobre a legalidade dos atos administrativos expedidos pelo referido Órgão. Em 1/3/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 28/3/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 126/165, em que reafirmou a razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, protestou pela análise detalhada da farta documentação levada ao conhecimento da fiscalização, fosse pela própria autoridade julgadora, fosse mediante a determinação de diligência fiscal, sob o argumento de que: a) a análise da referida documentação era necessária porque, na fase do contraditório, previsto no art. 174, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, o contribuinte tinha o direito de, mediante manifestação de inconformidade, comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, uma vez que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, não foi apresentado qualquer documento adicional; e b) se o contribuinte tinha o direito de comprovar até erros de fato cometidos no preenchimento de suas declarações, com muito mais razão devia ser admitido o direito de comprovar, com documentação adequada e idônea, que os valores informados no seu pedido de ressarcimento estavam corretos. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 No final, a recorrente protestou que, , fosse pela superação dos formalismos exacerbados aos quais à fiscalização se valera, fosse pela equivocada capitulação dos fatos, era necessária a anulação do despacho decisório em questão, para fosse efetivada uma correta análise do direito creditório em questão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da questão preliminar: pedido de reunião dos processos. Em preliminar, recorrente requereu que, em observância ao princípio da economia processual, fosse determinada a reunião deste processo com os demais processos objeto da diligência amparada no MPF nº 05101002012003080, por terem o mesmo objeto, qual seja, o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, apurados no anocalendário de 2011. O pedido em tela não é passível de atendimento, porque não atende os requisitos estabelecidos no inciso IV do art. 1º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, a seguir transcrito: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; [...] De acordo com o referido preceito normativo, somente os pedidos de ressarcimento e as DComp referentes ao mesmo crédito podem ser reunidos em um único processo. No caso em tela, os processos relacionados pela recorrente tratam de tributos distintos (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins) e de trimestres diferentes, logo, não atendem as condições estabelecidas no referido preceito normativo. Entretanto, para fim de evitar decisões conflitantes no âmbito deste Conselho, em conformidade com o disposto no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos ainda pendentes de julgamento, relacionados pela recorrente, poderão ser distribuídos para esta Turma Ordinária. Do mérito. No mérito o cerne da presente questão gira em torno da comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência colacionado aos autos (fls. 49/54), o fato que motivou o despacho denegatório em apreço foi a não Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903392/201282 Acórdão n.º 3102002.027 S3C1T2 Fl. 12 5 apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saída, relativos ao período de apuração do crédito em apreço, e o consequente enquadramento normativo nos §§ 1º e 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) (grifos não originais) Previamente, é oportuno ressaltar que, em conformidade com entendimento da explicitado pela recorrente, a hipótese de indeferimento ou não homologação de compensação, prevista no § 4º do art. 65 da em destaque, aplicase somente nos casos em que autoridade fiscal condiciona o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital e este não é apresentado. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 2º1 da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, que dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas, e com estatuído no Ato Declaratório Executivo Corat nº 3, de 13 de agosto de 2012, que em seu art. 1º2 concedeu prazo adicional de 110 dias às intimações com solicitação de transmissão dos arquivos digitais exigidos para apreciação dos créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. Ora, se a própria administração tributária, por meio do seu órgão central, intimou os contribuintes a apresentar os mencionados arquivos digitais, inclusive prorrogando o prazo inicial, consequentemente, nada obstaria que a recorrente fosse intimada a apresentar tais arquivos e que lhe tivesse sido concedido o prazo adicional que foi oportunamente solicitado. Assim, o disposto nos referidos atos normativos é a prova cabal de que o a exigência da prévia apresentação dos arquivos digitais, estabelecida no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tratase apenas de uma condição para transmissão dos PER/DCOMP atinentes aos pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação dos citados créditos. Além disso, considerar um simples descumprimento de obrigação acessória como fato suficiente para o indeferimento de crédito tributário contraria frontalmente o princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpido no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, o disposto no caput do art. 24 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que tem o seguinte teor: “São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332).” Entretanto, no caso, embora a fiscalização tenha motivado o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações, por inobservância do disposto no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, o fato é que, até a data do encerramento da diligência, a recorrente não tinha apresentado os arquivos digitais das filiais não obrigadas à EFD. Em consequência, se não foram apresentados dentro do prazo estabelecido pela fiscalização, tais arquivos foram considerados não apresentados pela fiscalização, situação que se enquadra na hipótese de indeferimento contemplada no § 4º do art. 1 "Art. 2 º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1 º , quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras." 2 "Art. 1º As intimações emitidas para pedidos de ressarcimento (PER/DCOMP) de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) pelas quais é solicitada a transmissão de arquivos digitais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 , têm seu prazo de atendimento prorrogado para 110 dias, contados da data da ciência da intimação." Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903392/201282 Acórdão n.º 3102002.027 S3C1T2 Fl. 13 7 65 em destaque. Aliás, tal fato é incontroverso nos autos, conforme asseverado pela recorrente no recurso em apreço. Por essa razão, não merece acolhida pedido de nulidade do despacho decisório proferido com base no motivo relatado pela fiscalização no citado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. Porém, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente informou que havia atendido a totalidade das exigências da fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço. Consequentemente, em 14/8/2012, data da apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue todos os arquivos digitais, inclusive os relativos as 61 filiais não obrigadas a EFD. Logo, embora na data do encerramento da diligência, a recorrente ainda não tivesse apresentado todos os arquivos digitais solicitados pela fiscalização, fica demonstrado que, previamente, ao início da fase litigiosa do processo, inaugurada com a referenciada manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue toda a documentação solicitada pela fiscalização. Dessa forma, como todas as provas solicitadas pela fiscalização foram coligidas aos autos na fase inaugural do contraditório, obviamente, a recorrente procedeu em conformidade com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 7.235, de 6 de março de 1972 (PAF), logo a autoridade julgadora de primeira instância tinha o dever de analisar tais provas, principalmente, diante do fato de que a fiscalização não as analisara quando da prolação do despacho decisória guerreado. Compulsando a manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que, em várias passagens, a manifestante reitera, insistentemente, para que a documentação por ela já entregue a fiscalização fosse analisada. No entanto, o órgão julgador de primeiro grau não analisou as referidas provas nem determinou que elas fossem analisadas pela fiscalização da Unidade da Receita Federal de origem, o que se fazia necessário ante o disposto no art. 29 do PAF. Além disso, ao invés de analisar o pedido de apreciação das provas, expressamente, formulado pela recorrente, estranhamente, o relator do voto condutor do julgado recorrido, negou a realização de perícia e diligência, que havia sido suscitada pela recorrente, ao final da manifestação inconformidade, apenas a título de protesto geral. Na verdade, o que a recorrente pediu, imediata e expressamente, ressaltase mais uma vez, foi a análise das provas entregue a fiscalização em meio eletrônico (CD) e não a produção de novas provas por meio de perícia ou diligência, como entendeu a nobre relatora do julgado recorrido. Além disso, a Turma de Julgamento a quo apresentou motivo distinto daquele consignado no despacho decisório, ou seja, falta de apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Com efeito, para manter o indeferimento dos pedidos de ressarcimento em apreço e a não homologação das compensações declaradas, estranhamente a recorrente alegou falta de apresentação dos arquivos digitais dos 20 estabelecimentos não obrigados à EFD, conforme exposto no trecho extraído do voto condutor do julgado que segue transcrito: A interessada somente a partir de setembro de 2011 iniciou a transmissão dos arquivos digitais relativos aos vários estabelecimentos dos períodos de crédito compreendidos entre o exercício de 2007 até 2011, donde se conclui que à época de transmissão dos PER/DCOMP não havia cumprido as disposições da legislação tributária quanto a apresentação dos arquivos mencionados, estes necessários para averiguação do direito creditório. A exigência para apresentação dos arquivos magnéticos se encontra prevista na legislação e o conseqüente indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação quando do descumprimento pela interessada dos comprovantes mencionados no art. 65 da IN RFB nº900, de 2008, e de que trata o despacho decisório não pode ser desconsiderada. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito. Da simples leitura do texto transcrito, verificase que a nobre Relatora da decisão recorrida reproduziu, nestes autos, a mesma decisão prolatada no processo nº 10580.909730/201117, atinente a apuração do crédito do 3º trimestre de 2009, decorrente do procedimento diligência relativo ao MPF nº 05101002011005608, cujo despacho decisório foi baseado em fatos e motivos diferentes dos lançados no despacho decisório em tela. Além disso, se a falta de apresentação de parte dos referidos arquivos digitais foi o motivo para a decisão denegatório consignada no despacho decisório em tela, obviamente, ele não mais existia na fase do contraditório, instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que tais arquivos já tinham sido anteriormente transmitidos, conforme provas colacionadas aos autos. Assim, se na data do encerramento da diligência e da emissão do contestado despacho decisório, a falta de apresentação dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD encontrava guarida no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, com a transmissão dos citados arquivos, obviamente, tal motivo deixou de existir. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 29 do PAF, a autoridade julgadora é livre para formar convicção sobre a prova, mas, desde que regularmente apresentada, não tem a faculdade de apreciar ou não a prova, principalmente, quando esta é o principal meio de defesa do contribuinte, como no caso em tela. No caso, como o órgão julgador de primeiro grau não analisou as provas apresentadas tempestivamente, restou configurada a preterição do direito de defesa da recorrente, vício insanável que, por força do disposto no art. 54, II, do PAF, impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903392/201282 Acórdão n.º 3102002.027 S3C1T2 Fl. 14 9 Por todo o exposto, votase por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a remessa dos autos ao Órgão de Julgamento de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 19515.000906/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA OMISSA SOBRE QUESTÃO FUNDAMENTAL PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA.
Se a decisão de primeira instância administrativa não se manifesta sobre questão fundamental para o deslinde da controvérsia, embora tenha feito a ela menção em seu relatório e, sendo matéria expressamente argüida pela Recorrente, deve ser anulada, sob pena de ocorrência de supressão de instância.
Numero da decisão: 3201-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mércia Helena Trajano D´Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA OMISSA SOBRE QUESTÃO FUNDAMENTAL PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. Se a decisão de primeira instância administrativa não se manifesta sobre questão fundamental para o deslinde da controvérsia, embora tenha feito a ela menção em seu relatório e, sendo matéria expressamente argüida pela Recorrente, deve ser anulada, sob pena de ocorrência de supressão de instância.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA OMISSA SOBRE QUESTÃO FUNDAMENTAL PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. Se a decisão de primeira instância administrativa não se manifesta sobre questão fundamental para o deslinde da controvérsia, embora tenha feito a ela menção em seu relatório e, sendo matéria expressamente argüida pela Recorrente, deve ser anulada, sob pena de ocorrência de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mércia Helena Trajano D´Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 06 /2 01 1- 13 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Versa o presente litígio sobre auto de infração para lançamento de multa isolada de 75% (fls. 159 a 164), decorrente de declarações de compensação, transmitidas entre os anos de 2005 a 2007, a utilização de direito creditório decorrente de ações judiciais relacionadas à posse de terras,denominadas “Apertados”, oriundas do Recurso Especial 37056 de 09/06/1999, bem como de crédito decorrente de ação judicial sem a existência do trânsito em julgado, referente a títulos da Eletrobrás. Os Despachos Decisórios (acostado aos autos às fls. 83 e ss, 90 e ss., 99 e ss, ) da DERAT São Paulo, considerou não declaradas as compensações efetuadas, por se tratarem de créditos de terceiros, referente a ação de “apertados”, decorrentes do Recurso Especial 37056. Às fls. 106 e ss, 114 e ss., 122 e ss., 130 e ss., 152 e ss., nos Despachos Decisórios, da mesma forma, reputouse como não declarada as compensações efetuadas com crédito originado de ação judicial não transitada em julgado, processo judicial de n° 2006.34.00.0289300., ademais de não ter como objeto créditos de natureza tributária, por se tratarem de títulos da Eletrobrás.. A ora Recorrente pleiteou, posteriormente à ciência dos despachos decisórios, a desistência dos processos de compensação, informando que teria aderido a programa de parcelamento. Cientificada do auto de infração que aplicou a multa isolada, a Recorrente apresentou tempestivamente a sua impugnação, em que alegou, em síntese, duplicidade no cálculo de crédito, ofensa ao Princípio da Tipicidade, a Retroatividade Benigna, a espontaneidade , hábil a afastar a multa, duplicidade de autuação, em virtude do processo administrativo fiscal n. 19.515.001779/200793, nulidade da autuação, confiscatoriedade da multa aplicada. A Delegacia de Julgamento em São Paulo, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, no Acórdão 1633.562 4ª Turma da DRJ/SP1, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada, de que trata o art. 18 da Lei no 10.833/2003 e alterações, é aplicável aos casos de compensação indevida com crédito de terceiros, de natureza não tributária, e em que não tenha havido o trânsito em julgado. BASE DE CÁLCULO. Exonerase da base de cálculo valor somado em duplicidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 627DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.000906/201113 Acórdão n.º 3201001.343 S3C2T1 Fl. 94 3 Entendeuse na decisão recorrida, pelo cabimento de aplicação de multa isolada sobre o montante indevidamente compensado, conforme tipificado no art. 74, §12, inc. II, da Lei 9430/96, com alterações posteriores da Lei n° 11.051/2004. Com efeito, no advento da apresentação das DCOMPs, (às fls. 32, 38, 64/84, 65/93, 77, 100, 108, 116, 124, 133 e 156), havia vedação expressa, bem como previsão de penalidade específica, para os casos de compensação de débitos relativos a tributos administrados pela RFB com créditos de natureza não tributária. A base de cálculo para a multa isolada, ora lançada, é o valor correspondente às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, entendido como o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei 10.833/2003, conforme entendimento expressamente esclarecido pelo art. 30, parágrafo 1o, da IN SRF 460/2004 e IN n° 600/2005 e 900/2008. Não se acolheu o pedido de nulidade, pela aplicação da Súmula nº 6, do então Primeiro Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF). Em sede de recurso de voluntário, a Recorrente alegou: i. nulidade do acórdão recorrido por omissão, pois o acórdão recorrido não teria se manifestado sobre a questão da dupla autuação; ii. inaplicabilidade da penalidade por atipicidade da conduta da Recorrente, e ofensa ao Princípio da Tipicidade, uma vez que , nos termos do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, pois inexistiu falsidade de declaração; iii. retroatividade benigna iv. aplicação do art. 138 CTN, uma vez que teria realizado o parcelamento antes da autuação; v. dupla autuação, uma vez que os créditos estavam sendo cobrados no processo administrativo n. 19.515.001779/200793 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Compulsando os autos, especialmente as fls. 447448, em que se encontra a decisão da Delegacia de Julgamento, verificase que, de fato, o relatório faz menção ao argumento da dupla autuação, conforme se depreende: Fl. 628DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 D) DA DUPLA AUTUAÇÃO 4.40. Outro fato importante a se observar é o de que a Peticionária já foi autuada no tocante a grande maioria dos fatos geradores que ensejaram o presente auto de infração, e tal autuação se formalizou pelo auto de infração nº 19515.001779/200793. 4.41. Referido auto de infração fora alvo de impugnação que foi julgada parcialmente procedente e atualmente encontrase aguardando julgamento de recurso voluntário. 4.42. Os fatos geradores objeto de autuação discriminados no quadro abaixo encontramse inclusive inscritos na dívida ativa da União: (...). Os documentos comprobatórios da situação narrada são de fácil verificação pelo sistema informatizado desse douto órgão, independentemente juntase cópia das CDA's, da Impugnação e do Recurso Voluntário devidamente protocolizados Doc. 09. 4.43. Desse modo, ainda que prevaleça a autuação ora defendida, fazse necessária a exclusão dos fatos geradores que foram alvo de autuação de modo a reduzir consideravelmente o valor da exação fiscal como medida necessária à aplicação da mais pura e lidime Justiça! Não obstante, no voto propriamente dito do mencionado Acórdão 1633.562, da 4ª Turma da DRJ/SP1, não há qualquer menção ao referido argumento. Ao se consultar o COMPROT, verificase que o processo administrativo fiscal n. 19.515.001779/200793, trata de aplicação de multa isolada por compensação nãodeclarada. O andamento processual na página da internet do CARF demonstra que, em 16/05/2013, o referido processo foi distribuído à 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara da Quarta Câmara, para o Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ. Portanto, a decisão de primeira instância ressentese de vício, uma vez que, nos termos do art.59, II do Decreto n. 70.235/72, há preterição de direito de defesa, pois a autoridade administrativa julgadora não se manifestou sobre questão fundamental para o deslinde da controvérsia. Por outro lado, se este Colegiado manifestarse sobre a questão incorrerá em supressão de instância. Em face do exposto, é de ser dado parcial provimento ao recurso voluntário, para se anular a decisão da primeira instância administrativa, retornando os autos para a expressa manifestação sobre a questão da dupla autuação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 629DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.000906/201113 Acórdão n.º 3201001.343 S3C2T1 Fl. 95 5 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000536/2001-22
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO.
A ausência de DIRF com informação acerca da retenção do imposto de renda na fonte declarado pelo interessado pode ser suprida por outros elementos de prova, no caso concreto, os representados por decisão judicial que determinou o recolhimento do imposto, e o respectivo DARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.649,03, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A ausência de DIRF com informação acerca da retenção do imposto de renda na fonte declarado pelo interessado pode ser suprida por outros elementos de prova, no caso concreto, os representados por decisão judicial que determinou o recolhimento do imposto, e o respectivo DARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.649,03, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 05 36 /2 00 1- 22 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13748.000536/200122 Acórdão n.º 2801003.252 S2TE01 Fl. 195 2 Conforme consta nos autos, o presente Auto de Infração originouse da revisão da Declaração de Rendimentos correspondente ao exercício de 1998, anocalendário de 1997. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte impugnou o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 01/02, defendendo, em síntese, que teria sofrido a retenção na fonte devido à Ação Trabalhista n° 1240/90 e que a fonte pagadora é a responsável pela retenção e recolhimento do imposto, conforme o art. 718 do RIR/99. A autoridade julgadora de Primeira Instância, através da decisão de fls. 30/32, julgou procedente em parte o lançamento, mantendo o resultado do anocalendário de 1997 de saldo inexistente de imposto a pagar e cancelando a restituição indevida a devolver corrigida em R$ 39,73, após verificar que é devida a glosa do IRRF, tendo em vista que não há comprovante de rendimentos pagos e de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte emitida pelo Banco Nacional S/A e nem DIRF da mencionada fonte pagadora, no ano calendário 1997. Regularmente cientificada daquele acórdão em 09/11/2006 (fl. 39), a interessada, representada por seu advogado (fl. 5), interpôs recurso voluntário de fls. 40/44, em 13/06/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação, acrescentando que: “Após o Auto de Infração recebido pela Recorrente relativo ao IR ano calendário 1997, objeto do processo em epígrafe, a Recorrente, usando do Princípio da Universalidade da Jurisdição Art. 5°XXXV da CF188, ajuizou ação de Obrigação de Fazer c/c com Reparação de Danos na Vara Cível da Comarca de PetrópolisRJ, declinado posteriormente por aquele Juízo para a 1ª Vara do Trabalho da Comarca de PetrópolisRJ Processo 00.184.2002.301.003(doc. anexo), ação essa, que teve como intuito provar a obrigação de contribuinte substituto do seu antigo empregador. (...) A Sentença proferida pelo r. Juízo da 1ª Vara do Trabalho de PetrópolisRJ, em flagrante desinteresse pela matéria; desconhecimento e, sobretudo, ferindo o princípio da isonomia, o M. Juiz, sentenciou desfavorável a Recorrente, tendo essa recorrido ao Tribunal Superior através de Recurso, quando então, obteve êxito com o acórdão favorável a sua pretensão. Com a finalidade de consolidar as razões que levam a Recorrer buscar esse Credito Tributário , do qual, com toda certeza tem direito, anexamos a presente peça cópia do acórdão proferido favoravelmente a sua pretensão concedida pela 6ª Turma do TRTRJ. O acórdão proferido a favor da Recorrente , determinou o pagamento de indenização por danos morais e também , o cumprimento da obrigação de fazer pretendida. Entre essas, a apresentação do DARF de recolhimento do IRRF e a apresentação da DIRF correspondente.” Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13748.000536/200122 Acórdão n.º 2801003.252 S2TE01 Fl. 196 3 Conforme Resolução nº 19200.006 (fls. 85/88), o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fosse averiguada a repercussão dos documentos trazidos pela Recorrente, às fls. 55/83, no valor do crédito tributário constituído. Em resposta, o Serviço de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal — Sepac da Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo, assim se pronunciou no despacho de fl. 132: O Presente Processa Administrativo foi encaminhado a este SEPAC/DEINF/SPO a fim de que fosse programada diligência, junto ao Unibanco Vida e Previdência S.A, para a aferição, com a segurança desejada, sobre a influência dos documentos constantes das folhas 55 e seguintes no valor do crédito tributário constituído. Tendo em vista a DICAT/DEINF/SPO ter juntado ao processo (folhas 89 a 123) documentação proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho bem como comprovantes do Imposto de Renda Retido na Fonte (DARF) — referente a indenização trabalhista paga pelo Banco Nacional S/A ( atual Unibanco) à Isabel Cristina toras Divisão — entendemos estar o presente Processo Administrativo devidamente instruído. Diante dos fatos proponho o encaminhamento do presente PA ao PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES — Segunda Turma Especial, para prosseguimentos dos Trabalhos. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento em discussão decorreu da glosa de valor declarado pela contribuinte a título de imposto de renda retido na fonte, em razão da não apresentação do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, embora houvesse sido regularmente intimada, assim como em virtude da ausência de DIRF. Em sua defesa, a recorrente alega que não solicitou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, pois possuía em mãos o documento comprobatório de IRRF sobre as verbas recebidas da fonte pagadora, por força da Reclamação Trabalhista. Informa, ainda, que demandou judicialmente a fonte pagadora e logrou êxito na comprovação de suas alegações, conforme DARF e documentos ora apresentados. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13748.000536/200122 Acórdão n.º 2801003.252 S2TE01 Fl. 197 4 O julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fosse averiguada a repercussão dos documentos trazidos pela Recorrente, às fls. 55/83, no valor do crédito tributário constituído. O Serviço de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal — Sepac da Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo devolveu os autos a este Conselho por entender que o presente Processo Administrativo está devidamente instruído com a juntada, às fls. 101/129, da documentação proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho bem como comprovantes do Imposto de Renda Retido na Fonte (DARF) referente a indenização trabalhista paga pelo Banco Nacional S/A ( atual Unibanco) à Isabel Cristina Ioras. Diante da análise do conjunto probatório colacionado ao presente processo, em especial, as cópias do acórdão de fls.102/115, do DARF de fl. 118, do Mandado de NotificaçãoNº 0171/2008 de fl.123, do documento de fls. 125/126, do REDARF de fl. 127 e da petição de fls. 128/129, verifico que referida documentação se revela hábil a comprovar, respectivamente, a retenção e o recolhimento do IRRF declarado pela recorrente. Assim, embora não tenha sido apresentado pela contribuinte o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, a ser fornecido obrigatoriamente pela fonte pagadora correspondente, à luz do disposto nos artigos 941 e 943, § 2°, do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99), inferese, neste caso, que a recorrente logrou demonstrar, por outros meios de prova válidos e irretorquíveis, que foi descontado e recolhido o imposto de renda na fonte em questão. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.649,03. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 23031.002311/97-66
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1991 a 01/05/1997
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SITUAÇÃO INOCORRENTE NO CURSO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEI GERAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. INOCORRÊNCIA O PAF TEM REGRAMENTO PRÓPRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ. VIOLAÇÃO DO PRAZO DE TREZENTOS E SESSENTA DIAS PARA DECIDIR. TAL VIOLAÇÃO NÃO AFETA A EXISTÊNCIA DO TRIBUTO. A VALIDADE DO LANÇAMENTO. A DECISÃO DO PROCESSO. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reconhecendo a decadência das contribuições anteriores a 03/1993, inclusive.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1991 a 01/05/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SITUAÇÃO INOCORRENTE NO CURSO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEI GERAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. INOCORRÊNCIA O PAF TEM REGRAMENTO PRÓPRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ. VIOLAÇÃO DO PRAZO DE TREZENTOS E SESSENTA DIAS PARA DECIDIR. TAL VIOLAÇÃO NÃO AFETA A EXISTÊNCIA DO TRIBUTO. A VALIDADE DO LANÇAMENTO. A DECISÃO DO PROCESSO. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1958; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 287 1 286 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23031.002311/9766 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.759 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria CP: TERCEIROS SALÁRIOEDUCAÇÃO FNDE. Recorrente QUÍMICA S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1991 a 01/05/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SITUAÇÃO INOCORRENTE NO CURSO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEI GERAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. INOCORRÊNCIA O PAF TEM REGRAMENTO PRÓPRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ. VIOLAÇÃO DO PRAZO DE TREZENTOS E SESSENTA DIAS PARA DECIDIR. TAL VIOLAÇÃO NÃO AFETA A EXISTÊNCIA DO TRIBUTO. A VALIDADE DO LANÇAMENTO. A DECISÃO DO PROCESSO. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reconhecendo a decadência das contribuições anteriores a 03/1993, inclusive. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 1. 00 23 11 /9 7- 66 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 288 2 Relatório A presente Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, DEBCAD 49.905.6353, objetiva a cobrança de diferenças decorrentes de irregularidades no recolhimento do salárioeducação, conforme NRD 006/1998, de fls. 11, com período de cobrança, de 04/1991 a 04/1997, conforme Quadro de Atualização de Débito – Notificação, de fls. 12 a 14. O sujeito passivo foi notificado do lançamento, em 30/04/1998, AR, de fls. 15. O contribuinte apresentou sua defesa com razões, acostada, as fls. 19 a 38, acompanhada dos documentos, de fls. 39 a 93, recebida no FNDE, em 14/05/1998, fls. 19. O FNDE por intermédio do despacho, de fls. 94, da Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, reconheceu a tempestividade da impugnação e sugeriu a remessa do feito a procuradoria do órgão, tendo em vista que a empresa impetrou ação judicial. A Procuradoria Federal do FNDE, por intermédio do despacho, de fls. 106, e do Parecer Nº 814/2004, de fls. 107 e 108, informou que a ação impetrada pela empresa notificada teve o pedido julgado improcedente e a apelação negada, ocorrendo o trânsito em julgado a favor do FNDE, sinalizando pela continuidade da cobrança na via administrativa. A Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, pela Informação Nº 397/2004, de fls. 122, solicitou a remessa dos autos ao Setor de Aquisição de Vagas – SETAV, sugerindo o deferimento parcial da defesa e homologação da retificação do débito pela Presidência do FNDE, em razão dos recolhimentos apresentados pela empresa. Entretanto, pelo despacho, de fls. 128 e 129, a Seção de Análise de Defesa opinou pelo indeferimento daquela, ainda, pelo mesmo ato a Presidência do FNDE indeferiu a defesa. A empresa notificada foi intimada da decisão de indeferimento de sua defesa, pelo Ofício nº 822/2005, fls. 132, conforme AR, de fls. 135. Os autos foram remetidos a procuradoria do FNDE para as providências de executivo fiscal, ante a não regularização do crédito, após ciência do contribuinte. A D. Procuradoria Federal do FNDE pelo Parecer Nº 171/2006, de fls. 139 a 142, entendeu pela devolução dos autos à Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e de Inspeção face a necessidade de regularização do débito, pois o indeferimento da defesa estava em desacordo com sua análise. A decisão anterior foi retificada pelos despachos, de fls. 156 a 158, sendo o resultado alterado para Deferimento Parcial da Defesa. A empresa foi novamente cientificada da decisão do FNDE em razão da alteração do resultado, conforme Ofício 348/2007 e Oficio 298/2012/ARF/BRUSQUE, AR, de fls. 180, recebido, em 29/08/2012. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 289 3 O processo em razão das disposições da Lei 11.457/2007 foi transferido para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, fls. 169 e 173. O sujeito passivo apresentou o recurso voluntário, em 25/09/2012, petição de interposição, as fls. 181, com razões recursais, as fls. 182 a 187, acompanhado dos documentos, de fls. 188 a 252. As teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Mérito. · que o ocorreu a prescrição intercorrente, pois decorrido mais de quatorze anos da apresentação da defesa; · que a demora na solução administração viola o artigo 5º LXXVIII, da CF/88, aplicandose a Lei 9.784/99, cita decisão do STJ; · que a Administração deve atender ao princípios contidos no artigo 37, da CF, sendo que o artigo 24, da Lei 11.457/2007 estabeleceu prazo para que a decisão em processo administrativo seja proferida e que após a entrada em vigor dessa lei passaramse mais de cinco anos e dez meses para a empresa ser notificada da decisão do FNDE, cita decisão do STJ; · que aplicação da Súmula 11 do CARF deve ser afastada, pois tal é anterior ao prazo de 360 dias estabelecido pelo artigo 24, da Lei 11.457/2007 para a solução da lide, estando a súmula ultrapassada; · que transcorrido o prazo de 360, bem como o de cinco anos devese aplicar o artigo 174 c/c o artigo 150, § 4º, do CTN, pois ao deixar de dar movimento ao processo, por mais de cinco anos, cabe o reconhecimento da prescrição intercorrente; · Ao final pede: a) o reconhecimento da prescrição intercorrente com o cancelamento do débito. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 286. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 286. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 290 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre esclarecer que não há prescrição intercorrente no curso do processo administrativo fiscal e a Súmula 11, do CARF citada pela recorrente é clara nessa manifestação e plenamente aplicável, pois não há incompatibilidade desta com a Lei 11.457/2007. Assiste razão a recorrente quando diz que tal súmula tem suporte em decisões anteriores à Lei 11.457/2007, que em seu artigo 24, prevê que a decisão administrativa seja proferida em trezentos e sessenta dias. Todavia, tal norma não muda nada em relação a aplicação da prescrição intercorrente no âmbito administrativo e a razão é muito simples, nos termos do artigo 151, III, da Lei 5.172/66 a exigibilidade do crédito está suspensa pelo reclamo administrativo. Ora se o fisco não pode exigir e cobrar a dívida que não é definitiva na seara da Administração, não há como correr prescrição, pois se não existe ação de cobrança (ação no efeito vernáculo de poder agir para cobrar e não ação no sentido jurídico processual) por certo a prescrição não nasce. A demora na solução administrativa não afeta o crédito ou o tributo, sendo este devido e todos os seus elementos estão presentes e identificados, sujeito ativo e passivo, fato gerador, base de cálculo, alíquota. Aliás, a esse respeito a doutrina assim se manifesta. A transgressão do mandamento constitucional, como lembra Sérgio Bermudes, não repercute na validade ou na eficácia do processo, ou seja, independente da lentidão da tramitação, as decisões proferidas na ação produzem seus efeitos regulares. 1 Ademais, a norma legal é imperfeita, uma vez que ela não traz sanção para eventual descumprimento do prazo fixado e por certo não cabe ao interprete criar está sanção, tendo em vista que só o legislador por meio do veículo competente tem competência para empreender tal tarefa. Está situação fica bem clara com o precedente do STJ transcrito pela parte, mas que omitiu aquilo que não lhe interessava, porém, que transcrevo agora com a ementa in totum. 1 KOEHLER, Frederico Augusto Leopoldino. A razoável duração do processo. Editora JusPodivm. Salvador. 2ª Edição. 2013, pág. 78. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 291 5 EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, Fl. 291DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 292 6 sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (os destaque são meus). A ementa acima transcrita deixa claro que a Lei 9.874/99 não se aplica do PAF, bem como, também, demonstra que a solução para a questão é a determinação do julgamento no prazo legal e nada mais, ou seja, não ocorre nulidade ou inexistência do tributo ou prescrição em razão do não julgamento dentro do prazo determinado pela lei. Assim sendo, inexiste razão para decretar a extinção do crédito em razão da extrapolação do prazo que possa ter sido instituído. Embora, a questão da prescrição intercorrente tenha sido rebatida como supramencionado, trago à colação um julgado do STJ, que ilustra a matéria. EMEN: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DA CDA. HIGIDEZ DO TÍTULO EXECUTIVO AFIRMADA PELO TRIBUNAL A QUO. INVERSÃO DO JULGADO QUE DEMANDARIA INCURSÃO NA SEARA PROBATÓRIA DOS AUTOS. SÚMULA 7 DO STJ. NÃO OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE CINCO ANOS ATÉ A DECISÃO Fl. 292DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 293 7 DEFINITIVA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECEDENTES DA 1a. SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. In casu, a recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade da CDA, ao argumento de que o título não atendeu às determinações legais; no entanto, o Tribunal a quo, após a análise do conjunto fático e das alegações da executada, concluiu pela higidez do título executivo, por atender as especificações próprias da sua espécie. 2. Para se chegar à conclusão diversa da firmada pelas instâncias ordinárias, seria necessário o reexame das provas carreadas aos autos, o que, entretanto, encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3. Estabelece o art. 174 do CTN que o prazo prescricional do crédito tributário começa a ser contado da data da sua constituição definitiva. Ora, a constituição definitiva do crédito tributário pressupõe a inexistência de discussão ou possibilidade de alteração do crédito. Ocorrendo a impugnação do crédito tributário na via administrativa, o prazo prescricional começa a ser contado a partir da apreciação, em definitivo, do recurso pela autoridade administrativa. Antes de haver ocorrido esse fato, não existe dies a quo do prazo prescricional, pois, na fase entre a notificação do lançamento e a solução do processo administrativo, não ocorrem nem a prescrição nem a decadência (REsp. 32.843/SP, Rel. Min. ADHEMAR MACIEL, DJ 26.10.1998, AgRg no AgRg no REsp. 973.808/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 17.11.2010, REsp. 1.113.959/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 11.03.2010, REsp. 1.141.562/SP, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 04/03/2011). 4. Agravo Regimental desprovido. ..EMEN:(AGA 201001366317, NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:13/11/2012 DTPB: (grifo meu). Posto isto, tendo em vista os esclarecimentos declinados afasto todas as teses apresentadas no recurso, ante a falta de fundamentos jurídicos e fáticos. No entanto, apesar de não suscitada pela recorrente a decadência é matéria de ordem pública e deve ser observada de ofício pela Administração. Insta, primeiramente, transcrever o artigo 445, da IN/RFB Nº 971/2009, que cuida da decadência das contribuições para outras entidade e fundos, os chamados terceiros. Art. 445. As contribuições devidas a outras entidades ou fundos sujeitamse aos mesmos prazos, condições e sanções, e gozam dos mesmos privilégios das contribuições sociais devidas à Previdência Social. Verificase da NRD Nº 006/1998 e dos Quadros de Atualização de Débito – Notificação, de fls. 11 a 14, que o período do débito vai de 04/1991 a 04/1997, sendo o lançamento realizado, em 30/04/1998, data em que o contribuinte foi notificado da exigência, AR, de fls. 15. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 294 8 Consta, as fls. 46 a 80, guia de recolhimento do Salário – Educação – FNDE para as competências 03/89 a 12/89; 02/90 a 10/90; 01/91 a 03/97. O que está acima exposto, também, consta, as fls. 94, manifestação do FNDE, que a seguir transcrevo. Da manifestação do FNDE, de fls. 122, extraise a seguinte passagem, a qual transcrevo. Fica evidente do que acima dito que a empresa efetuou pagamento nas competências relativas ao lançamento com exceção a abril/1997 que não repercute na matéria, pois nos termos da jurisprudência do STJ abaixo citado, o prazo decadencial deve ser contado pelo artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66 devido a existência de pagamento. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN Desta forma, como o lançamento se deu, em 30/04/1998, retroagindose cinco anos temse o marco inicial da decadência, em 01/05/1993. Logo, todas as competências anteriores a 03/1993, inclusive, estavam decadentes quando do lançamento e assim devem ser excluídas do crédito, em observância a Súmula Vinculante Nº 08 do STF. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito darlhe provimento parcial de ofício, reconhecendo a decadência das contribuições anteriores a 03/1993, inclusive. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23031.002311/9766 Acórdão n.º 2803002.759 S2TE03 Fl. 295 9 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10945.904268/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE COMPENSAÇÃO.
O direito a compensação deve estar amparado em crédito líquidos e certos. A prova deve ser feita pelo contribuinte através dos comprovantes de retenção ou, na falta, através da escrita contábil e sua documentação suporte.
Numero da decisão: 1802-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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DIREITO DE COMPENSAÇÃO. O direito a compensação deve estar amparado em crédito líquidos e certos. A prova deve ser feita pelo contribuinte através dos comprovantes de retenção ou, na falta, através da escrita contábil e sua documentação suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 42 68 /2 00 9- 52 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER ns 06769.47632.270307.1.6.023658 (fls. 1 a 8), o interessado pediu a restituição do valor de R$ 312.340,00, relativo ao seu saldo negativo de IRPJ apurado para o exercício 2003, ano calendário de 2002. Posteriormente, por meio das Declarações de Compensação Dcomps nº 03560.37028.261107.1.3.021815 (fl. 9 a 12), 18755.94767.140208.1.3.025652 (fl. 13 a 16) e 00629.27999.120309.1.7.022767 (fls. 19 a 22), essa última retificadora da Dcomp nº 18121.92186.111207.1.3.029708, compensou esse crédito com débitos também próprios administrados por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB A DRF de Foz do Iguaçú emitiu Despacho Decisório (fl. 21), onde não homologou a compensação, com a seguinte fundamentação: “(...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 312.340,00 Valor na DIJP: R$ 312.340,41 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 542.709,41 IRPJ devido: R$ 230.369,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 39.223,57 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 03560.37028.261107.1.3.021875 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) segulnte(s) PER/DCOMP:00629.27999.120309.1.7.022767 18755.94767.140208.1.3.025652 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedldo(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 06769.47632.270307.1.6.023658 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 38 3 (...)” Irresignada, a Recorrente apresentou, em 20/01/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 29 a 35), a qual fez acompanhar dos documentos de fls. 36 a 142. Nesse recurso, afirma que não se conforma com a decisão, eis que os valores que compuseram o saldo negativo de IRPJ foram integralmente retidos pelas fontes pagadoras e, por outro lado, os valores não reconhecidos em razão de Dcomp não homologada foram parcialmente recolhidos em Darf, apesar da legitimidade das compensações estar sendo discutida nos autos de PAF n° 10945.011587/200416, para o qual ainda há recurso voluntário ainda pendente de apreciação. Segue acrescentando que cumpriu todas as obrigações que lhe competiam relativamente à caracterização da liquidez do crédito, notadamente aquelas relativas ao oferecimento à tributação das receitas correspondentes no anocalendário de 2002, o que se prova pela apresentação de sua DIPJ 2003. Aduz que não tem conhecimento das razões pelas quais o sistema não reconheceu a integralidade do crédito, mas presume que a falha tenha se dado em razão da divergência nos códigos da receita informados pela pessoa jurídica e pelas fontes pagadoras. Apresentou tabela na qual relaciona todos os valores retidos pelas fontes pagadoras que tiveram retenções reconhecidas em valor menor que o declarado em Dcomp, juntado documentos no intuito de comprovar a sua efetiva ocorrência. Também defende que, independentemente do resultado do julgamento do PAF n° 10945.011587/200416, devem ser prontamente reconhecidas as estimativas relativas aos meses de novembro e dezembro de 2002, pois esses valores foram recolhidos em Darf que juntou por cópia aos autos. Assim entende ter demonstrado a liquidez do seu crédito, bem como o cumprimento das obrigações relativas à declaração das receitas respectivas. Por esse motivo, requer seja reformado o despacho decisório, homologando as compensações declaradas e deferindo o pedido de restituição apresentado, assim como considerando improcedente a cobrança efetuada em razão da homologação parcial das compensações. Ao, requer que, caso não sejam esclarecidas as divergências entre as informações prestadas pela requerente e aquelas encaminhadas pelas instituições financeiras, sejam os autos baixados em diligência, intimandose as fontes pagadoras relacionadas no despacho decisório para que esclareçam o recolhimento do imposto que retiveram. Antes de proferir o julgamento a DRJ baixou o processo em diligência. No pedido esclareceu que, de acordo com a legislação infralegal que rege a matéria, apenas o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e o Informe de Rendimentos Financeiros são documentos aptos a comprovar inequivocamente a retenção de imposto de renda sobre valores pagos ou creditados ao contribuinte. Dessa forma, foi solicitado à Unidade de origem que intimasse o interessado a comprovar as retenções na fonte que não foram reconhecidas no Despacho Decisório ora em questão. Alternativamente, sugeriu que, caso alguma das fontes pagadoras não fornecessem o comprovante/informe a que está obrigada, deveria o contribuinte buscar comprovar a retenção Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 39 4 do imposto na fonte por meio de documentação idônea que demonstrasse toda a transação desde a origem até o seu desfecho. Como exemplo, foram citadas as operações de câmbio, para as quais deveria o manifestante comprovar a existência do contrato de câmbio mediante a apresentação do próprio contrato efetivado, com a definição do valor pactuado e das taxas praticadas, comprovando ainda o pagamento do prêmio mediante a apresentação do extrato da conta corrente na qual o depósito tivesse sido efetuado. Reforçando tratarse a situação descrita de mero exemplo, foi acrescentado que caberia ao contribuinte decidir quais documentos deveriam ser apresentados, desde que, obviamente, comprovasse a espécie de operação realizada, os valores e taxas envolvidos, o ingresso do valor líquido em seu ativo e, consequ entemente, a efetiva ocorrência da retenção. A ora Recorrente se manifestou em 9 de março de 2011 por meio da correspondência de fls. 150 a 152, à qual juntou os documentos de fls. 153 a 173. Sustentou que a DRJ entendeu que os documentos apresentados seriam insuficientes para demonstrar as retenções na fonte. Afirmou também que a DRJ entende que somente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e o Informe de Rendimentos Financeiros são documentos aptos a comprovar inequivocamente a retenção de imposto de renda sobre valores pagos ou creditados ao contribuinte. Seguiu defendendo que a DRJ transferiu ao contribuinte o ônus da comprovação das retenções na fonte, não acatando, assim, o pedido de intimação das fontes pagadoras. Informa que requereu junto às fontes pagadoras os comprovantes solicitados, pelo que juntou cópias das correspondências e dos respectivos recibos. Aduz que deve ser levado em conta, ainda, o fato de que os documentos se referem há 10 anos e o arquivo é muito grande para que em pouco espaço de tempo se possa localizar algo. Também ressalta o extenso feriado de Carnaval, o qual ocorreu bem nos dias em que corria o prazo para o cumprimento da intimação. Em seguida, faz considerações para cada uma das fontes pagadoras que teve valores glosados: “a) Westfalia (CNPJ rr 02.095.850/000146) Cita que o valor de R$48,59 já foi confirmado e, por essa razão, a retenção de R$57,60 também deve ser, visto que a nota fiscal apresentada na manifestação de inconformidade é idêntica a que foi emitida com aquele primeiro valor; b) Packo (CNPJ ne 52.274.347/000126) Informa que o valor de R$13,97 já foi confirmado e, por essa razão, a retenção de R$22,25 também deve ser, visto que a nota fiscal apresentada na manifestação de inconformidade é idêntica a que foi emitida com aquele primeiro valor; c) Banco Bradesco S/A (CNPJ n2 60.746.948/171430) Juntou Darf à sua manifestação de inconformidade para comprovar a retenção de R$2.165,09; d) Banco Santander S/A (CNPJ nu 61.472.676/000172) Juntou Darf à sua manifestação de inconformidade para comprovar a retenção de R$53.318,64; e) Banco Nacional Del Lavoro BNL (CNPJ ne 71.730.543/000102) Juntou Informe de Rendimentos à sua Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 40 5 manifestação de inconformidade para comprovar as retenções nos valores de R$655,64, R$541,13 e R$598,96; f) Bosio (CNPJ na 84.850.890/000110) Juntou nota fiscal à sua manifestação de inconformidade para comprovar a retenção de R$5,29.” No que se refere às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, apenas reafirma o alegado na sua manifestação de inconformidade, requerendo seja considerado o valor de R$94.925,10, recolhido em Darf. Isto posto, solicitou a intimação das fontes pagadoras relacionadas intimadas a comprovar o imposto de renda retido, com o intuito de que a recorrente não seja prejudicada e para que, também, não haja enriquecimento ilícito para nenhuma das partes envolvidas neste processo. Solicita, ainda, uma nova dilação de prazo, a qual seja razoável para o cumprimento, por parte das fontes pagadoras, dos ofícios que anexou. Juntou à sua resposta, além das correspondências que encaminhou às fontes pagadoras com prova de recebimento, 4 (quatro) documentos relativos a supostas retenções, os quais, entretanto, já havia juntado em sua manifestação de inconformidade. A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “IRPJ. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃOHOMOLOGAÇÃO. APROVEITAMENTO. As estimativas compensadas em Dcomp, ainda que tais compensações não sejam homologadas, devem compor o saldo negativo de IRPJ no anocalendário a que se referem, desde que essas compensações não se encontrem entre aquelas passíveis de serem consideradas não declaradas. IRPJ. SALDO NEGATIVO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Não sendo possível apresentar os documentos fornecidos pelas fontes pagadoras no intuito de comprovar a efetiva retenção de imposto de renda na fonte, podem ser aceitos outros documentos fornecidos pelo contribuinte, desde que hábeis e idôneos para esse fim. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. INTIMAÇÃO. FONTE PAGADORA. Descabe intimar a fonte pagadora para comprovar a efetiva retenção de tributos na fonte, por um lado, porque tal providência não resolve a lide e, por outro, porque que o interessado deve estar apto a comprovar a existência de seu Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 41 6 crédito, atributo inerente àqueles que querem pleitear seu reconhecimento perante o credor. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. INTIMAÇÃO. DILAÇÃO DE PRAZO. Não pode ser o julgamento do processo protelado sob pretexto de aguardar informação que o contribuinte, passados quase quatro vezes o prazo inicial concedido, não apresentou ao Fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devem ser não homologadas as compensações para cujos débitos não for suficiente o crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados” Dessa decisão da qual tomou ciência em 27/06/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/07/2011, onde busca a reforma do acórdão da DRJ. No Recurso alega em apertada síntese: 1 – que seu direito sofreo violação aos príncípios do devido processo legal e ampla defesa combinado com os príncípios da proporcionalidade / razoabilidade; 2 – que houve cerceamento do direito de defesa com relação a glosa de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores – da decadência do direito do fisco de rever o lançamento da Recorrente (art. 150, § 4º do CTN); 3 – o dever de aplicar o princípio da instrumentalidade processual e da verdade material no processo administrativo – admissão de juntada de comprovantes obtidos posteriormente à prolação da decisão recorrida; 4 – Ao fim pede provimento. Este é o Relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 42 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER ns 06769.47632.270307.1.6.023658 (fls. 1 a 8), o interessado pediu a restituição do valor de R$ 312.340,00, relativo ao seu saldo negativo de IRPJ apurado para o exercício 2003, ano calendário de 2002. Posteriormente, por meio das Declarações de Compensação Dcomps nº 03560.37028.261107.1.3.021815 (fl. 9 a 12), 18755.94767.140208.1.3.025652 (fl. 13 a 16) e 00629.27999.120309.1.7.022767 (fls. 19 a 22), essa última retificadora da Dcomp nº 18121.92186.111207.1.3.029708, compensou esse crédito com débitos também próprios administrados por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A DRF em Foz do Iguaçu/PR homologou apenas parcialmente as compensações objeto das Dcomp não homologando as demais e indeferindo o pedido de restituição efetuado por meio do PER na 06769.47632.270307.1.6.023658. Para tal, argumentou que as retenções na fonte declaradas no montante de R$312.340,31 tiveram somente R$207.703,03 reconhecidos, enquanto as estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, num total declarado de R$ 230.369,00, foram confirmadas no montante de R$61.889,54. Assim, o saldo negativo de IRPJ reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, resultando na decisão ora em julgamento. Como resultado, foi emitida intimação para pagamento dos débitos indevidamente compensados, a qual totalizou R$ 490.624,95, acompanhados de multa e juros de mora. A DRJ manteve a decisão de 1º instância. Entendo que foram dadas diversas oportunidades para que a Recorrente apresentasse provas do seu direito creditório, contudo não foram aproveitadas. Desse modo não houve qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. No mérito entendo que o voto da DRJ está em perfeita sintonia com a realidade fática, não merecendo qualquer reparo. Nesse momento, através de seu Recurso Voluntário a Recorrente faz diversas alegações, contudo se mantém incapaz de fazer prova do alegado direito creditório que não foi reconhecido pelas autoridades administrativas anteriores. Em diversas oportunidades a Recorrente foi inquerida a juntar aos autos prova do crédito alegado, inclusive com a possibilidade de juntar documentos que não fossem os comprovantes de retenção na fonte, contudo se mostrou incapaz de fazêlo. Mister seria que fossem juntados, por exemplo, sua escrita contábil, a exemplo de seu Livro Diário, bem como sua documentação suporte. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 43 8 Vale salientar que a mera tributação das receitas não justifica o reconhecimento da existência de um crédito. Receitas devem ser levadas à tributação, contudo, isso não significa que a fonte pagadora tenha realizado a retenção na fonte a qual estava obrigada. Para comprovar que essa retenção efetivamente ocorreu existem mecanismos definidos pela legislação, os quais, caso não sejam cumpridos, não retiram o direto do contribuinte de ver seu crédito reconhecido, entretanto, o obrigam a comprovar a ocorrência dessas retenções por outros meios nem sempre tão simples. Ademais, a falta de apresentação de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte ou de Informe de Rendimentos Financeiros pela fonte pagadora não impede o contribuinte de utilizar seu direito creditório, visto que esse, como acima já se asseverou, detém outros meios para comprovar a existência dessa retenção. Vale frisar que a intimação da fonte pagadora, como pleiteia o interessado, não garante à RFB a completa elucidação da situação, visto que a resposta poderá deixar de ser encaminhada ou, até mesmo, ser pouco elucidativa. Nesse caso, ainda que a fonte pagadora fique sujeita a multas previstas pela falta de atendimento de intimações, o reconhecimento do crédito não estaria garantido. Por esse motivo, na diligência solicitada por esta DRJ o pedido de esclarecimentos foi direcionado ao interessado e não às suas fontes pagadoras. Há que se enfatizar ainda que o crédito, não só perante a Receita Federal mas contra qualquer outro credor, seja ele público ou privado, deve ser sempre inequivocamente comprovado pelo seu beneficiário, caso contrário, não há como se reconhecer a sua existência, tendo sido essa, qual seja, a falta de comprovação, a razão do seu não reconhecimento pela DRF Foz do Iguaçu neste caso. Nesse sentido reza o RIR/94, art. 923: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)” Os valores computados a título de rendimentos e o IRRF correspondente devem obrigatoriamente constar dos lançamentos contábeis do período, amparados por documentos que identifiquem inequivocamente a fonte pagadora, o montante dos rendimentos auferidos e o ônus financeiro da retenção. Nesse sentido, por tudo que foi exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.904268/200952 Acórdão n.º 1802001.949 S1TE02 Fl. 44 9 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10950.907784/2011-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 84 /2 01 1- 84 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907784/201184 Acórdão n.º 3803005.214 S3TE03 Fl. 122 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre ingressos (ICMS) não abrangidos pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCTF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 28/06/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907784/201184 Acórdão n.º 3803005.214 S3TE03 Fl. 123 3 ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal 1 ADC n° 18/DF Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907784/201184 Acórdão n.º 3803005.214 S3TE03 Fl. 124 4 Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907784/201184 Acórdão n.º 3803005.214 S3TE03 Fl. 125 5 tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Além disso, mesmo que houvesse previsão legal do direito à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo (escrituração contábilfiscal e documentos fiscais) foi apresentado para comprovar o direito arguido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907784/201184 Acórdão n.º 3803005.214 S3TE03 Fl. 126 6 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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