Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 17883.000472/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
VÍCIO MATERIAL E FORMAL. DISTINÇÃO.
Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada - exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental.
No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento.
DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL.
O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 VÍCIO MATERIAL E FORMAL. DISTINÇÃO. Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada - exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental. No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 17883.000472/2008-32
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5414150
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.442
nome_arquivo_s : Decisao_17883000472200832.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 17883000472200832_5414150.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5778463
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474151620608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 112 1 111 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000472/200832 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.442 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de outubro de 2013 Matéria Terceiros Recorrente MATOS TEIXEIRA CONST TERRAPLENAGEM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 VÍCIO MATERIAL E FORMAL. DISTINÇÃO. Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental. No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 04 72 /2 00 8- 32 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000472/200832 Acórdão n.º 2302003.442 S2C3T2 Fl. 113 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou nulo o lançamento, em razão do reconhecimento de erro na classificação do lançamento, quando da emissão dos discriminativos de débito, tendo concluído, destarte, pela ocorrência de vício formal. Adotase o relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização (DEBCAD no 37.187.7059), apurado com base nos elementos indicados no Relatório Fiscal, pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (na verdade, contribuição de Outras Entidades Terceiros). O valor do presente lançamento é de R$ 70.270,82, consolidado em 25 de novembro de 2008. 2. O Relatório Fiscal de fls. 11/15 informa que as contribuições lançadas referemse a obra de construção civil de pessoa jurídica, calculadas com base na área construída e no padrão da mesma, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico — CUB, divulgadas pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON, correspondentes à competência 04/2007, época de emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO. 2.1. Reporta ainda o Auditor Fiscal autuante que os Livros Diário referentes ao período fiscalizado foram desconsiderados, por não registrarem o movimento real de remuneração dos segurados, deixando, assim, de constituir prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução da obra, e ensejando a apuração das bases de cálculo pelo critério de aferição indireta, conforme autoriza o art. 33 e §§ da Lei 8.212/91. 3. Dentro do prazo regulamentar, a tomadora contestou o lançamento através do instrumento de fls. 26/41, comprovando, através das cópias reprográficas de fls. 42/54, a capacidade postulatória do advogado que assina a impugnação. Como afirmado, a primeira instância julgou nulo o lançamento, em razão do reconhecimento de erro na classificação do lançamento, quando da emissão dos discriminativos de débito, tendo concluído, destarte, pela ocorrência de vício formal. Cientificada da decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso no qual alega, em apertada síntese: * a decisão recorrida constatou que o autuante aplicou o inciso II do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 antes da modificação ali introduzida pela Lei n° 9.876/99, pela qual a multa a ser aplicada ao caso presente seria maior que aquela lançada no auto de infração. Ocorre que Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 não trata o caso presente de vício formal, mas sim capitulação legal equivocada do lançamento e tal fato não pode ser considerado como vício formal. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000472/200832 Acórdão n.º 2302003.442 S2C3T2 Fl. 114 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Vício Formal e Material. Distinção. A controvérsia cingese ao reconhecimento da natureza do vício: se formal ou material. Tal questão importa em reconhecimento de interesse recursal ante a sua repercussão em termos de definição do prazo para constituição de novo crédito, na medida em que, no Código Tributário Nacional, há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaques nossos) Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; o que implica reconhecer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, identificandose o conceito de vício formal, por exclusão, podese reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, citamos a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (DI Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192). Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: Auto de Infração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, etc). Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. A forma é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do lançamento administrativo, o Auto de Infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Ao verificar algum vício no lançamento, nem sempre é fácil distinguir se esta relacionado à mera forma ou se atinge a sua substância (vício material). Antes de buscar um critério adequado a distinguilos, cumpre ressaltar que somente implicam em nulidade do lançamento quando for comprovado o prejuízo à defesa. Ou seja, não havendo a demonstração de prejuízo, incide o brocardo jurídico pas de nullité sans grief. Nesse sentido vide REsp 533.082/PR (Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2007, DJ 18/09/2007, p. 281) e Acórdão CARF 9202003.228 (sessão de 08 de maio de 2014, Relator Elias Sampaio Freire). Voltando à distinção entre a natureza dos vícios, entendemos que são três as possibilidades de ocorrência de vícios formais: (i) quando se relacione à exteriorização do lançamento, sendo corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada – exteriorização; (ii) quando se relacione à formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos; (iii) quando decorra da não observação de um iter procedimental; Em todas estas situações, a substância permanece inatacada. Havendo algum esclarecimento, este se dará pela mesma fundamentação (motivação) de fato e de direito, que não é alterada e tampouco é apurada após o lançamento. Ela preexiste, mas não foi transformada em linguagem adequada nos autos. Transposto este limite, passase da forma para atingir a substância, implicando em vício material. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000472/200832 Acórdão n.º 2302003.442 S2C3T2 Fl. 115 7 Como espécime de o vício restrito à exteriorização do lançamento, podemos citar a falta de indicação e de assinatura da autoridade fiscal. Apesar de não constar esta conclusão na ementa, é o que se extrai do voto contido no REsp 690.382/PE (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009). Para citar uma situação de correção de formalização do lançamento, ou seja, de aperfeiçoamento da fundamentação (motivação) de fato e de direito, temos as hipóteses de retificação do lançamento ou de emissão de relatório fiscal complementar, desde que não haja necessidade de alteração substancial, apenas de aclaramento ou depuração, jamais inovação. Em tais casos, como mencionado, poderá haver convalidação do ato mediante seu refazimento no curso do próprio processo administrativo (art. 59, § 1°, do Decreto n° 70.235/72) ou mesmo a anulação do lançamento, se o vício for de origem e impossível de ser convalidado. Em sentido próximo do que se propõe: (...) 2. Nos casos em que há lançamento original e lançamento complementar proveniente da fase de diligências no curso do processo administrativo (art. 18, § 3º, do Decreto n. 70.235/72), o lançamento originalmente efetuado, mesmo que eivado de vício formal, constitui o crédito tributário e interrompe o prazo decadencial para a notificação de lançamento complementar. Interpretação do art. 173, I, II, e parágrafo único, do CTN. Precedente do extinto Tribunal Federal de Recursos: AC N. 0050216/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Justino Ribeiro, julgado em 16.3.1981. (...) (REsp 1212658/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011) Por fim, exemplo de vício de formal relacionado ao iter processual ou procedimental são as “aberturas” de prazo para manifestação ou as “cientificações” legalmente exigidas ou que decorram da garantia da ampla defesa e do contraditório: (...) 3. Se a DCTF apresentada pelo contribuinte é acompanhada da informação de ocorrência de compensação, e tal procedimento é rejeitado pelo Fisco, a inscrição imediata do valor em dívida ativa mostrase ilegítima, por vício formal no procedimento estabelecido, que determina a abertura de prazo para o sujeito passivo impugnar a sua negativa. A existência de vício formal na constituição do crédito tributário atrai a incidência do prazo decadencial disposto no art. 173, II, do CTN. 4. "O prazo a Fazenda pública proceder ao lançamento do crédito tributário, quando houver eventual decisão anulatória judicial ou administrativa relativo ao respectivo lançamento, em virtude da Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 ocorrência de vício formal, iniciase na data em que tal decisão tornarse definitiva, na forma do art. 173, II, do CTN" (REsp 1174144/CE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/4/2010, DJe 13/5/2010). Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1221146/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 11/09/2013) Assim, somente ocorrerá vício material se houver necessidade de modificação das razões de fato e de direito ou mesmo sua posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal. Para o seu suprimento, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento e não um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem daquelas razões de fato e de direito que deram ensejo ao lançamento. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Daí, concluirse que restará configurado o vício material quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000472/200832 Acórdão n.º 2302003.442 S2C3T2 Fl. 116 9 existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – ALÍNEA "C" – NÃOCONHECIMENTO – VIOLAÇÃO DO ART. 173, II, DO CTN – INTELIGÊNCIA – VÍCIO FORMAL – OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. 1. O recurso não pode ser conhecido pela alínea "c" do permissivo constitucional, pois não foi realizado o necessário cotejo analítico, bem como não foi apresentado, adequadamente, o dissídio jurisprudencial. Apesar da transcrição de ementa, deixouse de demonstrar as circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma. 2. O Tribunal de Origem assinalou que a anulação do lançamento ocorreu por vício material; qual seja, majoração ilegal dos valores venais dos imóveis objeto do processo e aplicação de alíquotas progressivas. 3. O art. 173, II, do CTN afirma que o lançamento somente ocorre na hipótese de vício formal, ocorrendo, assim, a decadência. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Recurso especial improvido. (REsp 964.018/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2007, DJ 19/11/2007, p. 225) Em suma, no vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. De fato, a forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, conforme Relatório Fiscal de fls. 11/15, as contribuições lançadas referemse a obra de construção civil de pessoa jurídica, calculadas com base na área construída e no padrão da mesma, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico — CUB, divulgadas pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON, correspondentes à competência 04/2007, época de emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO. No item 15 do mencionado relatório, a Autoridade Fiscal informa que os percentuais referentes às multas estão relacionados no Anexo "Instruções para o contribuinte". Este, por sua vez, relaciona percentuais de multa de mora que variam de 12% a 25% para pagamento e 14,4% a 30% para parcelamento, de acordo com tabela progressiva a partir da data de autuação. A inserção desta classificação do crédito no sistema originou um Relatório IPC, bem como um cálculo de multa compatível com a redação da Lei 8.212/91 que vigia anteriormente à edição da Lei 9.876/99. Tal circunstância gerou não só prejuízo à recorrente, mas também impossibilidade de correção por incompatibilidade do sistema, conforme relatado nos autos. Aqui nos importa, no entanto, apenas definir a natureza do referido vício. Em análise aos autos, constatase que a fundamentação legal e fática está correta, constando tanto do Relatório Fiscal quanto do Anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD a legislação e o enquadramento correto. Apenas na formalização do débito houve a classificação errônea, que repercutiu nos anexos DAD — Discriminativo Analítico de Débito e IPC – Instruções para o Contribuinte. Ou seja, não se pretende que a autoridade fiscal altere qualquer fundamento de fato ou de direito do lançamento, mas apenas que corrija a sua forma (classificação do lançamento), razão pela qual entendo se tratar de vício formal. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000472/200832 Acórdão n.º 2302003.442 S2C3T2 Fl. 117 11 Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913075/2009-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/11/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13839.913075/2009-98
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403772
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.929
nome_arquivo_s : Decisao_13839913075200998.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 13839913075200998_5403772.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5745988
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474158960640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.913075/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.929 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria COFINS DCOMP ELTRONICAPAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente GOMES & FILHOS USINAGEM E CALDERARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/11/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 30 75 /2 00 9- 98 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913075/200998 Acórdão n.º 3801003.929 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Em julgamento recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa. Adoto o relatório do acórdão recorrido “Tratase de Despacho Decisório, que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica , sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. A interessada por sua vez, contesta a decisão alegando preliminarmente a nulidade do ato. Contesta a ausência absoluta do motivo da não homologação da compensação cerceando seu direito a ampla defesa. Aduz que o crédito em que se fundou a compensação decorre de pagamento a maior da Cofins [ou da contribuição para o PIS/Pasep], pois ao calcular o montante devido, incluiu na base de cálculo do tributo não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas como também as demais receitas, ampliandoa indevidamente. Assevera que a pretensão é legitima na medida em que utilizouse de algumas teses tributárias julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Invoca a alínea “a” do artigo 16 do Decreto 70.235/72, para postular a posterior produção de provas uma vez que , como dito de forma exaustiva, se nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, como poderia a manifestante defenderse adequadamente? Ao final, reitera suas alegações quanto à nulidade do despacho decisório, solicita a posterior produção de provas como também a baixa dos autos em diligência e o reconhecimento de seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa do acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913075/200998 Acórdão n.º 3801003.929 S3TE01 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/10/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência será indeferido quando se apresentar prescindível, nos moldes do art.18 do Decreto nº 70.235/72. POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS É legalmente admissível quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação na contestação, por motivo de força maior, fato ou direito superveniente. Da leitura do recurso voluntário, conseguese depreender apenas que, segundo a contribuinte, teria ficado plenamente demonstrado que ocorreu pagamento a maior da contribuição, decorrente da incorreta inclusão de valores no cálculo da contribuição, e que este valores seriam relativos a operações de importação, simples remessas consideradas em duplicidade e outras operações não bem identificadas. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913075/200998 Acórdão n.º 3801003.929 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. À luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito, cabia a contribuinte a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913075/200998 Acórdão n.º 3801003.929 S3TE01 Fl. 6 5 Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Nos autos, não há nenhuma prova da certeza e liquidez do crédito. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913075/200998 Acórdão n.º 3801003.929 S3TE01 Fl. 7 6 Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 18470.729762/2011-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011
RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO.
Não instaura o contencioso a apresentação de petição recursal posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3802-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2011 RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. Não instaura o contencioso a apresentação de petição recursal posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18470.729762/2011-81
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424268
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-003.961
nome_arquivo_s : Decisao_18470729762201181.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 18470729762201181_5424268.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5807080
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474167349248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 63 1 62 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.729762/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.961 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria Isenção de IPI Taxista Recorrente João Batista de Araújo Lopes Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 RECURSO INTEMPESTIVO. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. Não instaura o contencioso a apresentação de petição recursal posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 97 62 /2 01 1- 81 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 48/50 do processo digitalizado – ao qual doravante nos referenciaremos), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a solicitação da interessada, não reconhecendo, consequentemente, o direito à aquisição de veículo destinado a táxi com a isenção do IPI prevista na Lei nº 8.989/95. A lide decorre dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo do documento de fls. 02, no qual o interessado supraidentificado requer o reconhecimento do direito à isenção do IPI prevista na Lei nº 8.989, de 1995 e alterações, relativa à aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros na categoria de táxi. Em análise da legitimidade, a DIORT/DRF RJO II/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 38, indeferiu o pleito do interessado por descumprimento do que determina o art. 4º, § 4º, da IN RFB nº 987/2009. Intimado da decisão, o requerente apresentou manifestação de inconformidade onde vem afirmando que o órgão da Delegacia de Furto de Veículos não fornece a certidão, apresentando em seu lugar um extrato do sistema carimbado por um servidor. Ao final, pede o deferimento das isenções requeridas. A questão em litígio diz respeito, portanto, ao não reconhecimento do direito à aquisição de veículo com isenção do IPI, por taxista, em vista da falta de adequada comprovação da baixa do veículo em virtude de furto ou roubo, notadamente, a certidão da Delegacia de Furtos e Roubos. A ciência do indeferimento do pedido ocorreu em 28/04/2013 (fls. 57). Inconformado, o interessado apresentou, em 18/06/2013, o recurso voluntário de fls. 62, onde aduz que atendera à exigência da unidade jurisdicionante em 29/05/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, vêse que a lide diz respeito ao não reconhecimento do direito à aquisição de veículo com isenção do IPI, por taxista, em vista da falta de adequada comprovação da baixa do veículo em virtude de furto ou roubo, notadamente, a certidão da Delegacia de Furtos e Roubos. A ciência da decisão recorrida se deu em 28/04/2013 (fls. 57). Porém, a petição de recurso só foi apresentada em 18/06/2013 (ver carimbo de protocolo às fls. 62), ou seja, posteriormente ao prazo de 30 dias de que trata o art. 15 do Decreto n° 70.235/72, cujo caput transcrevo abaixo: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 18470.729762/201181 Acórdão n.º 3802003.961 S3TE02 Fl. 64 3 O prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Assim, no caso presente, não há como se conhecer do recurso, uma vez que não houve a apresentação do mesmo no prazo legal, o que impede o conhecimento da peça contestatória na presente instância. Não obstante, nada impede que o interessado, munido da documentação necessária à fruição da isenção almejada, apresente novo pedido junto à unidade que o jurisdiciona. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo, posto que intempestivo. Sala de Sessões, em 10 de dezembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10073.900790/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
O art. 165 do Código Tributário Nacional autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A DIPJ é produzida pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências na mesma não retira a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que o saldo negativo, inicialmente apresentado, é inconsistente, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no art. 170 do Código Tributário Nacional. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso.
MULTA DE MORA. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A multa de mora é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
MULTA DE MORA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações a legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de mora os débitos não recolhidos dentro do prazo legal disposto nas normas tributárias.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1402-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O art. 165 do Código Tributário Nacional autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A DIPJ é produzida pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências na mesma não retira a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que o saldo negativo, inicialmente apresentado, é inconsistente, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no art. 170 do Código Tributário Nacional. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. MULTA DE MORA. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A multa de mora é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE MORA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações a legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de mora os débitos não recolhidos dentro do prazo legal disposto nas normas tributárias. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.900790/2012-77
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5414108
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-001.871
nome_arquivo_s : Decisao_10073900790201277.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ROBERTO CORTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10073900790201277_5414108.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5778421
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474201952256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.900790/201277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.871 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BR METALS FUNDIÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O art. 165 do Código Tributário Nacional autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A DIPJ é produzida pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências na mesma não retira a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que o saldo negativo, inicialmente apresentado, é inconsistente, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no art. 170 do Código Tributário Nacional. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. MULTA DE MORA. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A multa de mora é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE MORA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações a legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever de a administração lançar com multa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 07 90 /2 01 2- 77 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 mora os débitos não recolhidos dentro do prazo legal disposto nas normas tributárias. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10073.900790/201277 Acórdão n.º 1402001.871 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório BR METALS FUNDICOES LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF 19.811.058/000143, com domicílio fiscal na cidade de Barra do Piraí, Estado do Rio de Janeiro, na Estrada Governador Raymundo Padilha, Bairro Santa Cecília, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 168/172), prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 239/254. A requerente transmitiu, em 29/07/2011, a Pedido de Compensação – DCOMP nº 33002.33818.290711.1.2.028308, 07350.44565.270112.1.3.023282, 21383.73032.090212.1.3.028466 e 04238.89821.170112.1.7.023082 cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2007, no valor de R$ 1.589.202,91. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda RJ, através do Despacho Decisório (fl. 24), apreciou e concluiu, em 03/04/2012, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que o valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.589.202,91; Valor na DIPJ: R$ 1.374.120,21; Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.604.298,71 IRPJ devido: R$ 230.178,50; que o valor do saldo negativo disponível (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero; que, portanto, o valor do saldo negativo disponível: R$ 1.359.024,41; que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual; HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 04238.89821.170112.1.7.023082 e NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 21383.73032.090212.1.3.028466 07350.44565.270112.1.3.023282; que não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 33002.33818.290711.1.2.02 8308. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 16/04/2012, conforme Termo constante à fl. 33 e com ela não se conformando a contribuinte interpôs em tempo hábil (16/05/2012) a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 35/50, instruído pelos documentos de fls. 51/84, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que ocorre que por falha humana quando do preenchimento da DIPJ lançou valores incorretos, restando naquela declaração um crédito a menor que realmente tinha; que, inicialmente, devese deixar claro que a decisão de não homologação parcial das compensações declaradas só ocorreu em decorrência da insuficiência de crédito no pedido, que por sua vez foi ocasionado por mero equivoco interno da empresa em declarar na DIPJ créditos menores do que ela efetivamente possuía; que, contudo, embora a manifestante vá retificar a DIPJ, informando corretamente o valor do credito, ela não pode mais retificar a Per/Dcomp em razão da decisão de não homologação. Desta feita, requer nesta oportunidade a possibilidade de nova compensação para que reste demonstrado de vez por todas que se trata apenas de mero erro interno da contabilidade; que, neste sentido, devera ser oportunizada a apresentação dos créditos disponíveis para compensação que restaram inadimplidos em razão das compensações não homologadas, evocando em seu favor o princípio da verdade material; que é contra a cobrança de juros a taxa Selic, bem como da multa moratória no percentual de 20%, por consideraram as mesmas inconstitucionais, como observado; que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade, solicitando que lhe seja dada nova oportunidade para compensação dos débitos remanescentes, ou subsidiariamente que seja diminuída a multa aplicada e afastada a aplicação de juros a taxa Selic, quando o índice ultrapassar 1% ao mês; que protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admissíveis. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 23/11/2012, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ autoridade julgadora revisora resolveu julgar improcedente a impugnação e decidir pela não homologação da compensação, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 168/172): que a interessada requer a compensação de direito creditório que alega existente, correspondente a saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário de 2007, no valor total de R$ 1.589.202,91, com débitos declarados em várias declarações de compensação; que tendo sido constatada a insuficiência do direito creditório reconhecido, resultante da diferença entre o valor do saldo negativo de IRPJ informado na DCOMP e o valor do imposto apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2007, da interessada, foi parcialmente homologada a declaração nº 04238.89821.170112.1.7.023082, e não foram homologadas as declarações nº 07350.44565.270112.1.3.023282, 21383.73032.090212.1.3.028466, em virtude da insuficiência do crédito disponível para fazer frente aos débitos declarados; que até a data da elaboração deste voto a interessada ainda não retificou a sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2007; que a interessada não apresentou juntamente com a sua manifestação de inconformidade documentos comprobatórios da certeza e liquidez dos direitos creditórios, que Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10073.900790/201277 Acórdão n.º 1402001.871 S1C4T2 Fl. 4 5 alega possuir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, nos termos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; que uma vez que a DIPJ apresentada, utilizada pela Administração Tributária, para fundamentar o reconhecimento do direito creditório da interessada, foi preenchida pela própria contribuinte e deve retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica, a simples alegação de que a DIPJ foi preenchida incorretamente não é suficiente para se comprovar o erro no preenchimento daquela declaração, sem apoio nos registros contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova; que, assim, impõese reconhecer que inexiste o direito creditório pleiteado, à vista da ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, de sua liquidez e certeza; que quanto ao questionamento da cobrança de juros a taxa Selic, bem como da multa moratória no percentual de 20%, previstos, respectivamente, no art. 13 da Lei nº 9.065/95, e no § 2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, devese ponderar que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional; que o Fisco e os colegiados dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância são obrigados a seguir fielmente a legislação, regulamentos e entendimentos emanado pelos órgãos competentes e pela administração tributária, não lhes sendo dada à discricionariedade para modificar o lançamento, abrandando ou cancelando a penalidade, se tal procedimento não estiver claramente previsto na legislação ou for determinado pelo agente público com poderes e competência para tal, o que não é o caso; que igual modo não compete ao julgador administrativo deixar de aplicar disposição expressa da legislação, sob a alegação de sua inconstitucionalidade ou de ilegalidade, o que caracterizaria controle difuso de constitucionalidade de leis e de atos normativos, ou da legalidade destes, competência privativa dos órgãos integrantes do Poder Judiciário; que, portanto, assim se mantém a aplicação dos acréscimos moratórios contidos no despacho decisório atacado; que deixo de apreciar o pedido de restituição de valores compensados nas declarações 14887.51917.131211.1.3.022914 e 04238.89821.170112.1.7.023082, haja vista que não compete as delegacias de julgamento na forma do art. 233, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, decidir a cerca de pedidos de restituição antes de instaurado o litígio, competência esta originária dos Delegados da Receita Federal do Brasil, na forma do inciso VI, do art. 302, do mesmo diploma legal. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 MULTA DE MORA. JUROS. SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação da liquidez e certeza de suposto direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ impõe a não homologação do pedido de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/07/2013, conforme Termo constante à fl. 236, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (05/08/2013), o recurso voluntário de fls. 239/254, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, inicialmente, devese deixar claro que a decisão de não homologação parcial das compensações declaradas só ocorreu em decorrência da insuficiência de crédito no Pedido de Ressarcimento, que por sua vez foi ocasionado por mero equívoco interno da empresa em declarar na DIPJ créditos menores do que ela efetivamente possuía; que restou evidente que o pedido de ressarcimento somente foi deferido em valor inferior ao necessário para compensação dos débitos declarados por um erro meramente formal da empresa, quando do preenchimento da DIPJ, e em consequência, as compensações não foram homologadas em sua completude, tendo em vista a inexistência perante à Receita Federal do crédito, ou seja, não estão presentes os requisitos de uma compensação, créditos e débitos; que deve ser oportunizada à Recorrente a possibilidade da realização de nova compensação; que afronta ao princípio da verdade material em matéria tributária, assim, não se pode aceitar a decisão que HOMOLOGOU PARCIALMENTE as compensações declaradas pelo PER/DCOMP nº 04238.89821.170112.1.7.023082, e NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas pelos PER/DCOMP s de nº 21383.73032.090212.1.3.028466 e 07350.44565.270112.1.3.023282, baseada na insuficiência de crédito, tendo em vista um erro formal da empresa no preenchimento da DIPJ; que a decisão administrativa da Delegacia da Receita Federal de Volta Redonda deve ser reformada, pois a verdade material é que não existiu compensação a ser homologada, posto que o crédito, enquanto não retificada a DIPJ é inexistente perante a Receita Federal; que deverá ser oportunizada a Recorrente a apresentação de créditos disponíveis para compensação dos débitos que restaram inadimplidos, relativos às compensações não homologadas; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10073.900790/201277 Acórdão n.º 1402001.871 S1C4T2 Fl. 5 7 que caso não seja esse o entendimento de Vossas Senhorias, o que se admite apenas para efeitos de argumentações, a referida cobrança não deve prevalecer por outros vícios existentes; que da taxa SELIC, neste sentido, os argumentos colacionados, que conduzirão indubitavelmente à reforma total da decisão proferida pela DRF de Volta Redonda, não sendo este o entendimento dos nobres julgadores que apreciarão esta Manifestação de Inconformidade, a Recorrente traz este tópico, com o escopo de combater a correção dos tributos cuja compensação não foi homologada; que considerando que há lei prévia determinando a incidência da taxa SELIC sobre os débitos tributários, e que da data de vencimento dos tributos cuja compensação não foi homologada até hoje, a taxa ficou em patamares inferiores a 1% ao mês, requer o seu afastamento de ora em diante caso ela ultrapasse esse percentual; que este tópico visa a combater a confiscatória multa de 20% aplicada aos débitos cuja compensação não foi homologada; que por analogia e em respeito ao princípio da isonomia, o percentual máximo para a aplicação da multa seria de 2% (dois por cento), uma vez que a inflação mensal nos dias de hoje não chega a atingir a escala de 1%; que é de se concluir que o confisco é genericamente vedado, a não ser nos casos expressos autorizados pelo constituinte e seu legislador complementar, que são três: A) danos causados ao Erário; B) enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública; C) utilização de terra própria para o cultivo de ervas alucinógenas [...] ; que se observar que a Recorrente não praticou nenhum ato que se amoldasse nas hipóteses acima citadas, de modo que a multa aplicada no caso em tela há que ser relevada; que, restou claro, que a multa deve ser reduzida, pois contrária aos limites constitucionais e legais, devendo ser considerado indevido o valor lançado e ser reduzido o percentual aplicado. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase o presente processo de pedido de compensação nº 33002.33818.290711.1.2.028308, constante de fls. 2 a 4, apresentado em 29/07/2011, para utilização de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007, no valor total de R$ 1.589.202,91, com débitos diversos, constantes das Declarações de Compensação (DCOMPs). O pleito da contribuinte foi deferido de forma parcial pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda – RJ, conforme se observa do Despacho Decisório de fls. 24 a 30, onde foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 1.359.024,41, correspondente a diferença entre o valor do saldo negativo de IRPJ informado na DCOMP e o valor do imposto apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2007, da interessada, razão pela qual foram homologadas as compensações constantes das declarações nº 36812.54201.290711.1.3.021761, 09147.30648.150811.1.3.029084, 05287.33787.190811.1.3.022621, 36226.00097.310811.1.3.025770, 41511.78501.150911.1.3.029792, 18960.30447.200911.1.3.021570, 02156.82414.141011.1.3.027068, 38216.05625.281011.1.3.027250, 15719.99318.311011.1.3.029301, 08707.49236.181111.1.3.025361, 25131.98775.291111.1.3.020220, 30536.70941.131211.1.7.028360, 14887.51917.131211.1.3.022914, 28927.72575.170112.1.7.024109, foi parcialmente homologada a declaração nº 04238.89821.170112.1.7.023082, e não foram homologadas as declarações nº 07350.44565.270112.1.3.023282, 21383.73032.090212.1.3.028466, em virtude da insuficiência do crédito disponível para fazer frente ao débitos declarados. Inconformada com a decisão da autoridade administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ1 a qual decide julgar improcedente a manifestação de inconformidade sob os argumentos de que a falta de comprovação da liquidez e certeza de suposto direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ impõe a não homologação do pedido de compensação, bem como não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Irresignada com a decisão de Primeira Instância a contribuinte apresenta a sua peça recursal para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alegando, em apertada síntese, que a decisão recorrida afronta ao princípio da verdade material em matéria tributária, assim, não se pode aceitar a decisão que homologou parcialmente as compensações declaradas pelo PER/DCOMP nº 04238.89821.170112.1.7.023082, e não homologou as compensações declaradas pelos PER/DCOMPs de nº 21383.73032.090212.1.3.028466 e 07350.44565.270112.1.3.023282, baseada na insuficiência de crédito, tendo em vista um erro formal da empresa no preenchimento da DIPJ. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10073.900790/201277 Acórdão n.º 1402001.871 S1C4T2 Fl. 6 9 Como visto, em sua defesa a recorrente alega que informou valores incorretos em sua DIPJ, resultando em um crédito a menor que realmente possuía, e que faria a retificação em sua declaração, de modo a espelhar corretamente os créditos que possuiria. Requer que lhe seja novamente oportunizada a compensação dos débitos remanescentes. Como já se manifestou a decisão recorrida a interessada não retificou a sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2007, da mesma forma não apresentou juntamente com a sua manifestação documentos comprobatórios da certeza e liquidez dos direitos creditórios que alega possuir. Por sua a DIPJ apresentada, utilizada pela Administração Tributária, para fundamentar o reconhecimento do direito creditório da interessada, foi preenchida pela própria recorrente e deve retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica, a simples alegação de que a DIPJ foi preenchida incorretamente não é suficiente para se comprovar o erro no preenchimento daquela declaração, sem apoio nos registros contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova. A questão dos autos não é de imputação de responsabilidade atribuída a recorrente, mas sim do confronto de provas necessárias à comprovação do indébito arguída pela interessada. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, nas declarações de compensação que restaram não homologadas, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o art. 165 do Código Tributário Nacional autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A DIPJ é produzida pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências na mesma não retira a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que o saldo negativo, inicialmente apresentado, é inconsistente, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no art. 170 do Código Tributário Nacional. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (confisco, ilegalidade e inconstitucionalidade), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no art. 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no art. 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao art. 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Decreto n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10073.900790/201277 Acórdão n.º 1402001.871 S1C4T2 Fl. 7 11 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. [...] A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação [...] Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal [...] Portanto, a exigência fiscal deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de mora é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o imposto de renda é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos ou receitas tributáveis auferidas e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal. É entendimento, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10073.900790/201277 Acórdão n.º 1402001.871 S1C4T2 Fl. 8 13 afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Pelos fundamentos expostos conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntario interposto pela contribuinte. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721051/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS.
Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando comprovado, pela clara descrição dos fatos e alentada impugnação, não ter havido preterição do direito de defesa.
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em inovação dos fundamentos da autuação quando a decisão de primeiro grau usa argumentos não aduzidos no recurso ou nos fatos que ensejaram o lançamento ou cita dispositivo legal, não citado no lançamento, para comprovar seus argumentos.
IOF-CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. SUJEIÇÃO PASSIVA.
As operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas, cuja mutuante é sediada no Brasil e a mutuária sediada no exterior, sujeitam-se à incidência do IOF-Crédito, independe de onde se encontra a poupança nacional objeto do mutuo, se no Brasil ou no exterior. A responsabilidade pela cobrança e pelo recolhimento do imposto é da pessoa jurídica que concede o crédito.
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há isenção ou não incidência de IOF nos empréstimos concedidos por pessoa jurídica domiciliado no Brasil a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Capital financeiro não é mercadoria e sua movimentação, para dentro ou para fora do país, não se equipara a uma operação de exportação de mercadoria. Isenção ou exclusão tributárias não podem ser instituídas por decreto.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária converte-se em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2008 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando comprovado, pela clara descrição dos fatos e alentada impugnação, não ter havido preterição do direito de defesa. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em inovação dos fundamentos da autuação quando a decisão de primeiro grau usa argumentos não aduzidos no recurso ou nos fatos que ensejaram o lançamento ou cita dispositivo legal, não citado no lançamento, para comprovar seus argumentos. IOF-CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. SUJEIÇÃO PASSIVA. As operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas, cuja mutuante é sediada no Brasil e a mutuária sediada no exterior, sujeitam-se à incidência do IOF-Crédito, independe de onde se encontra a poupança nacional objeto do mutuo, se no Brasil ou no exterior. A responsabilidade pela cobrança e pelo recolhimento do imposto é da pessoa jurídica que concede o crédito. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há isenção ou não incidência de IOF nos empréstimos concedidos por pessoa jurídica domiciliado no Brasil a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Capital financeiro não é mercadoria e sua movimentação, para dentro ou para fora do país, não se equipara a uma operação de exportação de mercadoria. Isenção ou exclusão tributárias não podem ser instituídas por decreto. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária converte-se em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16682.721051/2012-29
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5402924
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.711
nome_arquivo_s : Decisao_16682721051201229.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16682721051201229_5402924.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5741629
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474232360960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2391; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721051/201229 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.711 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria IOF AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando comprovado, pela clara descrição dos fatos e alentada impugnação, não ter havido preterição do direito de defesa. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em inovação dos fundamentos da autuação quando a decisão de primeiro grau usa argumentos não aduzidos no recurso ou nos fatos que ensejaram o lançamento ou cita dispositivo legal, não citado no lançamento, para comprovar seus argumentos. IOFCRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. SUJEIÇÃO PASSIVA. As operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas, cuja mutuante é sediada no Brasil e a mutuária sediada no exterior, sujeitamse à incidência do IOFCrédito, independe de onde se encontra a poupança nacional objeto do mutuo, se no Brasil ou no exterior. A responsabilidade pela cobrança e pelo recolhimento do imposto é da pessoa jurídica que concede o crédito. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há isenção ou não incidência de IOF nos empréstimos concedidos por pessoa jurídica domiciliado no Brasil a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Capital financeiro não é mercadoria e sua movimentação, para dentro ou para fora do país, não se equipara a uma operação de exportação de mercadoria. Isenção ou exclusão tributárias não podem ser instituídas por decreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 51 /2 01 2- 29 Fl. 4259DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 3 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IOF, relativo a fatos geradores ocorridos em 2008, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a autuada efetuou empréstimos, em moeda estrangeira, a empresas coligadas sediadas no exterior e não efetuou o recolhimento do IOF incidente sobre a operação de mutuo, conforme Termo de Verificação Fiscal. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: I Da aplicação do princípio da territorialidade ao IOF – Da não incidência do imposto sobre as operações de mútuo cujos recursos foram disponibilizados no exterior. O IOF é um imposto federal e, como tal, tem sua cobrança restrita ao âmbito de incidência do poder de tributar da União, que encontra limitação, por sua vez, no exercício da soberania do Estado. Por se tratar de tributo regido pelo princípio da Fl. 4260DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 4 3 territorialidade, seu fato gerador deverá ocorrer dentro do território nacional. Do contrário, não estará sujeito à regulação da lei brasileira. Sobre os limites de incidência das leis tributárias, leciona ALBERTO XAVIER (Direito Tributário Internacional. 6ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 1314): “Ora, a função primária do Direito Internacional Público é a de demarcar as esferas de validade das diversas ordens nacionais, determinando a quem, como e quando as leis nacionais dos Estados soberanos se podem aplicar. Uma vez efetuada pelo Direito Internacional esta atribuição de jurisdiction, as leis nacionais são livres para definir o seu ambito de incidência. A soberania é uma pré condição de jurisdiction, de tal modo que esta existe até onde a primeira existir e, inversamente, perde o seu título onde aquela cessar. Da mesma forma que o Estado tem, como elementos, a população e o território, assim também a soberania se distingue numa soberania pessoal (Personalhoheit) e numa soberania territorial (Gebietshoheit); a soberania pessoal é o poder de legislar sobre pessoas que, pela nacionalidade, se integram no Estado, seja qual for o território em que se encontrem; a soberania territorial é o poder do Estado de legislar sobre pessoas, coisas ou fatos que se localizam no seu território. Sendo estas as duas facetas da soberania, o Direito Internacional Público reconhece automaticamente aos Estados o poder de tributar até os limites onde ela se estende, mas recusalhes tal poder na medida em que esses limites forem ultrapassados, de tal modo que se um Estado tributar estrangeiros em função de situações que não tenham qualquer conexão com o seu território, estará violando o Direito Internacional, com todas as conseqüências que daí advêm, desde a invalidade da lei à responsabilidade internacional.” No mesmo sentido, afirma HELENO TORRES (Pluritributação Internacional sobre as Rendas de Empresas. 2ª ed., São Paulo: RT, 2001, p. 67): “Na Comunidade Internacional todos os países são soberanamente iguais e independentes. E, como dizia Kelsen, o Estado é soberano desde que se encontre sujeito somente ao Direito Internacional e não ao direito nacional de qualquer outro Estado. Por isso, nenhum Estado de Direito pode pretender dominar ou impor seus atos a um outro Estado, em suas relações recíprocas (a reciprocidade tem papel fundamental para a legitimidade da soberania), em descumprimento ao dever de reconhecimento da obrigatoriedade das normas de Direito Internacional como forma de respeito às demais soberanias.” (destaque da Impugnante) O mesmo posicionamento é adotado por CELSO CLÁUDIO DE HILDEBRAND E GRISI FILHO (Direito Tributário Atual. São Paulo: Dialética, 2003, p. 148): “(...) Considerando que a entrega dos recursos, ou seja o aperfeiçoamento da operação de crédito, dáse no exterior, somos da opinião de que a norma jurídica interna não deve alcançar tal operação, pelos limites da territorialidade” (destaque da Impugnante) Fl. 4261DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 5 4 A leitura do trecho acima só reforça a argumentação de que não é possível aplicar a norma de incidência do IOFCrédito para alcançar fatos ocorridos fora do território nacional. No caso em questão, as operações de mútuo investigadas pela Fiscalização foram, todas elas, concretizadas no exterior, estando fora do alcance da legislação tributária brasileira. Senão vejamos: · Contratos de crédito rotativo celebrados entre a Impugnante e suas subsidiárias PIFCo e BRASOIL: — Todos pactuados em dólares — Não houve contratação de câmbio — Os recursos encontravamse no exterior e a sua disponibilização se deu igualmente no exterior, a partir de uma conta existente em Nova Iorque (EUA) PETROBRÁS x PIFCo: 1000.0028/07 1000.0089/08. PETROBRÁS x BRASOIL 1000.0030/07 1000.0092/08. · Contratos de crédito fixo celebrados entre a Impugnante e as suas subsidiárias BRASOIL e BOC: — Todos pactuados em dólares — Não houve contratação de câmbio — Os recursos encontravamse no exterior e a sua disponibilização se deu igualmente no exterior, a partir de uma conta existente em Nova Iorque (EUA) PETROBRÁS x BRASOIL: 1000.0001/08 1000.0002/08 1000.0003/08 1000.0004/08 1000.0005/08 1000.0012/08 1000.0006/08 1000.0007/08 1000.0008/08 1000.0009/08 1000.0010/08 1000.0005/08 1000.0014/08 1000.0015/08 1000.0016/08 1000.0005/08 1000.0017/08 1000.0018/08 1000.0005/08 1000.0029/08 1000.0019/08 1000.0021/08 1000.0020/08 1000.0025/08 1000.0026/08 1000.0027/08 1000.0033/08 1000.0040/08 1000.0030/08 1000.0042/08 1000.0031/08 1000.0034/08 1000.0035/08 1000.0036/08 1000.0037/08 1000.0041/08 1000.0043/08 1000.0044/08 1000.0045/08 1000.0046/08 1000.0047/08 1000.0048/08 1000.0049/08 1000.0050/08 1000.0051/08 1000.0052/08 1000.0053/08 1000.0054/08 1000.0055/08 1000.0057/08 1000.0058/08 1000.0059/08 1000.0060/08 1000.0061/08 1000.0062/08 1000.0063/08 1000.0069/08 1000.0064/08 1000.0065/08 1000.0066/08 1000.0067/08 1000.0068/08 1000.0070/08 1000.0080/08 1000.0081/08 1000.0082/08 1000.0085/08 1000.0086/08 1000.0087/08 1000.0088/08 1000.0093/08 1000.0091/08 1000.0098/08 1000.0100/08 1000.0104/08 1000.0105/08 1000.0005/08 PETROBRÁS x BOC: 1000.0011/08 · Contrato de crédito fixo celebrado entre a Impugnante e sua subsidiária PIFCo: — Pactuado em dólares — Muito embora tenha havido contratação de câmbio (o capital mutuado foi enviado do Brasil para o exterior), a disponibilização dos recursos para a mutuária ocorreu fora do País. PETROBRÁS x PIFCo 1000.0099/08. · Renovações de mútuo realizadas entre a Impugnante e sua subsidiária BRASOIL: — Todas pactuadas em dólares — Não houve contratação de câmbio— Os recursos encontravamse no exterior e a sua disponibilização também se deu no exterior, a partir de uma conta existente em Nova Iorque (EUA) Fl. 4262DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 6 5 PETROBRÁS x BRASOIL: 1000.0071/08 1000.0072/08 1000.0073/08 1000.0074/08 1000.0075/08 1000.0076/08 1000.0077/08 1000.0078/08 1000.0079/08 1000.0094/08 1000.0095/08 1000.0101/08 1000.0102/08 1000.0103/08 1000.0106/08 1000.0107/08 1000.0108/08 1000.0109/08 1000.0110/08 1000.0111/08 1000.0112/08. II Da nãoincidência do IOF sobre operações de crédito externo. O entendimento sustentado pela autoridade lançadora, no sentido de limitar o alcance do art. 2º, § 2º, do Decreto nº 4.494/2002 somente aos créditos provenientes do exterior, está equivocado. Não faria sentido o Decreto nº 4.494/2002 veicular uma regra específica para excluir da incidência do IOF apenas os empréstimos concedidos por credores no exterior, quando é certo que tais investidores estrangeiros credores já estão isentos do cumprimento de qualquer obrigação tributária imposta pela legislação brasileira, em razão do princípio da territorialidade. Se a norma não trata, portanto, de empréstimo concedido por credor domiciliado no exterior, o único significado coerente que se pode atribuir à expressão “crédito externo” é a de crédito concedido por pessoa jurídica situada no Brasil a um devedor no exterior. Donde se conclui que o adjetivo “externo”, que qualifica o crédito, deve ser entendido como “tudo o que se completa fora do Brasil”, e não “o que vem de fora”. Tal conclusão ganha força ainda maior, quando levamos em conta a finalidade extrafiscal do IOFCrédito. Sendo ele um instrumento de política macroeconômica monetária (art. 65 do Código Tributário Nacional), o referido imposto tem por função regular o volume de crédito concedido no Brasil, controlando a demanda local. Se o tributo incidisse sobre os empréstimos concedidos por empresas brasileiras a devedores no exterior, tais empresas perderiam competitividade nos mercados externos onde atuam, posto que outros investidores estrangeiros, atuando nesses mesmos mercados, não estariam sujeitos à mesma exação. Em outras palavras: — o critério para distinguir um crédito externo de outro crédito qualquer não consiste em saber “onde está o credor”, mas sim “onde o contrato é completado”. A jurisprudência citada no Termo de Verificação Fiscal não se aplica à situação em exame. O caso analisado pela 1ª Turma do STJ, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.063.507/RS, trata de um empréstimo concedido por empresa brasileira, em Reais, em favor de um investidor estrangeiro com conta mantida no Brasil. Já os fatos examinados no presente processo dizem respeito a empréstimos contratados em dólares que foram aperfeiçoados no exterior. III Da inexistência de previsão legal para a inclusão da Impugnante no pólo passivo da obrigação tributária. A autoridade lançadora considerou a Impugnante responsável pelo IOF Crédito supostamente incidente sobre operações de mútuo realizadas com mutuárias domiciliadas no exterior. Para justificar tal responsabilização, invocou o art. 13, § 2º, da Lei nº 9.779/1999: — “Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata é a pessoa jurídica que conceder o crédito”. Fl. 4263DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 7 6 Com base nos ensinamentos da doutrina, podese cogitar de três hipóteses de responsabilização pelo pagamento do IOFCrédito, no caso dos mútuos de recursos financeiros: a) Responsabilidade por transferência — O contribuinte é o mutuário, mas a lei transfere a responsabilidade para a fonte pagadora (mutuante); b) Responsabilidade solidária — O contribuinte (mutuário) e a fonte pagadora (mutuante) são, ambos, responsáveis solidários; c) Responsabilidade por substituição — A fonte pagadora (mutuante) já é, desde a origem, responsável por substituição tributária. A responsabilização por transferência trata do caso de sucessão do mutuário pelo mutuante na relação jurídicotributária. Se foi esta a hipótese ventilada pelo AuditorFiscal autuante, o lançamento fiscal incorreu em “substituição tributária de fato”, sem respaldo em lei. A responsabilização solidária, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional, CTN, pode decorrer: I – do interesse comum que duas ou mais pessoas tenham na situação que constitui o fato gerador da obrigação; ou II – de dispositivo expresso de lei. No caso em apreço, não é válido afirmar que mutuante e mutuário tenham interesse comum na situação, pois como afirma PAULO DE BARROS CARVALHO, “o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo de solidariedade. (...) Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel” (Curso de Direito Tributário, 8ª edição, Saraiva, 1996). Por outro lado, para se falar em responsabilidade solidária por força de disposição legal, seria preciso que a lei descrevesse tal solidariedade como conseqüência de determinada conduta. Se a norma de responsabilidade não menciona expressamente a existência de uma obrigação solidária, não há como o intérprete deduzila a partir de uma interpretação extensiva do texto legal. No caso do art. 13, § 2º, da Lei nº 9.779/1999, não parece que exista qualquer referência a uma situação fática que identifique hipótese de solidariedade. Se foi esta a hipótese ventilada pelo AuditorFiscal, o lançamento carece de amparo legal. Por fim, na responsabilidade por substituição, o único responsável legal pela obrigação seria o mutuante. Ocorre que o art. 2º, § 2º, do Decreto nº 4.494/2002, já exclui essa possibilidade, ao retirar do campo de incidência do IOFCrédito as operações de crédito no exterior. Em suma: — a lei não prevê a possibilidade de responsabilização tributária da Impugnante, nos casos aqui examinados. IV Do benefício da alíquota zero aplicável ao Contrato nº 1000.0099/08. Conforme explicado no item I, o Contrato de crédito fixo de nº 1000.0099/08, celebrado entre a Impugnante e sua subsidiária PIFCo, envolveu transferência de recursos para o exterior. Caso a autoridade julgadora considere ocorrido o fato gerador do IOFCrédito neste contrato (o que só se admite para efeito de argumentação, uma vez que a Fl. 4264DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 8 7 disponibilização do capital ocorreu fora do País), ainda assim não haverá imposto a exigir da Impugnante, tendo em vista o benefício da alíquota zero, previsto no art. 8º, inciso III, do Decreto nº 4.494/2002: — “A alíquota é reduzida a zero na operação de crédito à exportação, bem como de amparo à produção ou estímulo à exportação”. Ora, o significado da palavra “exportar”, empregada no art. 153, inciso III, da Constituição Federal, do art. 23 do Código Tributário Nacional, e do art. 1º do Decretolei nº 1.578/1977, é o de promover a saída de algo do território nacional para o estrangeiro. Considerandose que, no Contrato nº 1000.0099/08, os recursos saíram do Brasil e foram disponibilizados no exterior, podese afirmar que houve uma efetiva exportação de capital e, sendo assim, a operação goza do benefício da alíquota zero. V Dos erros na apuração do IOF devido. V.1) Contratos de mútuo realizados sem fechamento de câmbio – Ausência de base legal para a conversão dólaresreais. Exceção feita ao Contrato nº 1000.0099/08, todos os demais foram pactuados em dólares sem fechamento de câmbio (os recursos já se encontravam no exterior). Para apurar a base de cálculo do IOF, em reais, nestes contratos, o Auditor Fiscal usou o mesmo critério de conversão adotado pela Impugnante em sua contabilidade, por entender que o mesmo era compatível com os princípios contábeis geralmente aceitos (NBC T7, aprovada pela Resolução CFC nº 1.052, de 07/12/2005). Tal procedimento, todavia, não tem amparo legal. A bem da verdade, não existe, no ordenamento jurídico brasileiro, nenhuma norma que regule a conversão da moeda estrangeira em moeda nacional, nos casos em que o capital encontrase no exterior e lá vem a ser disponibilizado. A contabilidade, por sua vez, não tem status de lei, para fins de apuração da base de cálculo de um tributo. Ainda que tivesse, cabe lembrar que a Resolução CFC nº 1.052/2005, citada pelo AuditorFiscal autuante, encontrase revogada. Ao reconstruir por presunção uma taxa de câmbio inexistente, e ao utilizar nova taxa em relação à moeda que originalmente era dólar, a Fiscalização acaba por tributar a própria variação cambial, majorando, indevidamente, a base tributável. V.2) Contrato nº 1000.0030/07 – Cobrança Indevida do Adicional de IOF A origem do valor registrado no Contrato nº 1000.0030/07, celebrado com a mutuária BRASOIL, decorre da transferência de um parte do empréstimo registrado no Contrato nº 1000.0028/07, referente à mutuária PIFCo. Mais especificamente falando: — a operação em questão representou uma cessão de crédito entre empresas (versão do crédito de R$ 8.203.288.649,84 da PIFCo para a BRASOIL), não tendo havido disponibilização de novos valores, nem tampouco qualquer acréscimo ao saldo do mútuo registrado pela Impugnante, fatos estes indispensáveis para a incidência do adicional de IOF, previsto no art. 7º, §§ 15 e 16, do Decreto nº 6.306/2007 (com redação dada pelo Decreto nº 6.339/2008). Fl. 4265DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 9 8 V.3) Contrato nº 1000.0091/09 – Cobrança Indevida do Adicional de IOF Conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal, o contrato de crédito rotativo nº 1000.0030/07 foi desdobrado, em seu vencimento, da seguinte forma: a) um contrato de crédito rotativo, de nº 1000.0092/08; e b) um contrato de crédito fixo, de nº 1000.0091/08, com prazo e valor definido, e juros acumulados de R$ 17.404.272,95 (até a data de 24/11/2008). Com relação a este novo contrato de crédito fixo, de nº 1000.0091/08, não houve disponibilização de novos valores, nem tampouco qualquer acréscimo ao saldo do mútuo registrado pela Impugnante, fatos estes indispensáveis para a incidência do adicional de IOF, previsto no art. 7º, §§ 15 e 16, do Decreto nº 6.306/2007. VI Da impossibilidade de aplicação de juros sobre multa de ofício Cabe ressaltar, por fim, não ser cabível a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício de 75%. A Receita Federal, sem qualquer respaldo legal, tem fundamentado tal cobrança no Parecer COSIT nº 24, de 02/08/1998, cuja conclusão é a seguinte: “O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições — inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos.” O referido parecer, contudo, parte de uma exegese equivocada, porquanto o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício, que consabidamente não são espécie tributária (vide definição de “tributo”, no art. 3º do Código Tributário Nacional). A impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício vem sendo reconhecida pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais e pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. A 15a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou parcialmente procedente o lançamento, para exonerar parte do valor lançado no PA de 30/11/2008, nos termos do Acórdão no 12053.331, de 05/03/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. Anocalendário: 2008 Fl. 4266DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 10 9 IOFCRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. SUJEIÇÃO PASSIVA. As operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOFCrédito. A responsabilidade pela cobrança e pelo recolhimento do imposto é da pessoa jurídica que concede o crédito. IOFCRÉDITO. OPERAÇÕES DE MÚTUO REALIZADAS NO EXTERIOR. As operações de mútuo realizadas no exterior, tendo por mutuante pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitas à incidência do IOFCrédito. Para efeito de aplicação da lei brasileira, é irrelevante o fato de os recursos mutuados se encontrarem em conta de depósito mantida fora do País. IOFCRÉDITO. HIPÓTESE DE NÃOINCIDÊNCIA. OPERAÇÕES DE CRÉDITO EXTERNO. Para efeito de caracterização da hipótese de nãoincidência de IOF prevista art. 2º, § 2º, do Decreto nº 6.306/2007, consideram se como operações de crédito externo apenas aquelas em que o crédito provém do exterior. IOFCRÉDITO. ALÍQUOTA ZERO. OPERAÇÕES DE CRÉDITO À EXPORTAÇÃO. As operações de crédito à exportação beneficiadas com a alíquota zero do IOF, conforme previsto no art. 8º, inciso III, do Decreto nº 6.306/2007, são aquelas realizadas por instituições financeiras, nos termos da legislação específica. Os mútuos concedidos a empresas estrangeiras por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, não enquadradas como instituições financeiras, não constituem operações de crédito à exportação. IOFCRÉDITO. MÚTUOS NEGOCIADOS EM MOEDA ESTRANGEIRA. DISPONIBILIZAÇÃO DOS RECURSOS OCORRIDA NO EXTERIOR. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE CÂMBIO. DETERMINAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL EM MOEDA NACIONAL. A base de cálculo do IOF, nas operações de mútuo pactuadas em moeda estrangeira, será o equivalente, em moeda nacional, do montante entregue ou posto à disposição do mutuário, calculado segundo a taxa de conversão da operação de câmbio. Quando não existir operação de câmbio, o contribuinte deverá informar à autoridade fiscal os valores em moeda nacional que foram lançados em sua contabilidade, esclarecendo o critério e a taxa de conversão utilizados. Sendo este critério de conversão uniforme no tempo e compatível com os princípios contábeis geralmente aceitos, deverá ser acatado pela autoridade fiscal. IOFCRÉDITO. ADICIONAL DE 0,38%. CONTRATO DE CRÉDITO ROTATIVO ORIGINADO DE RENOVAÇÃO DE MÚTUO ANTERIOR COM SUBSTITUIÇÃO DO DEVEDOR. Fl. 4267DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 11 10 Os contratos de crédito rotativo originados da renovação de mútuos anteriores, com substituição do devedor, estão sujeitos à incidência do adicional de IOF de 0,38%, calculado sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores. IOFCRÉDITO. ADICIONAL DE 0,38%. CONTRATO DE CRÉDITO FIXO ORIGINADO DE RENOVAÇÃO DE MÚTUO ANTERIOR SEM SUBSTITUIÇÃO DO DEVEDOR. Nas renovações de mútuo pactuadas sem substituição do devedor, o adicional de IOF de 0,38% só será exigido se houver entrega ou colocação de novos valores à disposição do mutuário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.. Os débitos relativos às multas de ofício, quando não recolhidos no prazo legal, sujeitamse à incidência de juros de mora. Ciente desta decisão por decurso de prazo em 21/03/2013, a interessada ingressou, no dia 05/04/2013, com Recurso Voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação, acima resumidos, e acrescenta argumentos sobre a nulidade da decisão recorrida por, no seu entender, ter aperfeiçoado o lançamento na medida em que admitiu inexistir previsão legal para converter os valores pactuados em moeda estrangeira e, ao invés de exonerar o crédito tributário, preferiu mantêlos com o mesmo argumento da Fiscalização, ou seja, utilizando o mesmo critério usado na contabilidade da Recorrente. Ademais, utilizou argumentos que não foram utilizados pela Fiscalização e nem aduzidos na impugnação, o que é vedado ao julgador. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões (fls. 4223/4254), na qual alega, em síntese, que: 1 as nulidades no processo administrativo fiscal ocorrem quando não são observados os requisitos dos art. 10 ou 59 do Decreto nº 70.235/72, ou ainda quando ausento um dos pressupostos de validade dos atos administrativos em geral. Nenhuma dessas hipóteses se materializa no presente auto de infração. Discussão acerca do mérito da autuação (alíquota, base de cálculo, fato gerador) remetese à improcedência (total ou parcial) do lançamento e não à nulidade do mesmo; 2 o crédito não foi concedido no exterior porque quem colocou o crédito à disposição das mutuárias (arts. 63 e 116 do CTN) foi a Recorrente, pessoa jurídica brasileira. Foi ela que cedeu o crédito e deu azo ao fato gerador, no seu domicílio. Os contratos corroboram esse entendimento. Cita jurisprudência (administrativa e judicial) e doutrina. 3 em relação ao significado da expressão “crédito externo” contida no § 2º, do art. 2º do Decreto nº 4.494/02, deve ser tratada no sentido técnico, como o faz a autoridade monetária (Banco Central), que o trata como sinônimo de “empréstimos externos” e “recursos externos” ao se referir à entrada de numerário estrangeiro no país, e nunca a “operações que se completam no exterior”, como quer a recorrente; Fl. 4268DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 12 11 4 pela legislação de regência, nas operações de crédito em geral, o mutuário é o contribuinte, sendo o mutuante o responsável tributário pela retenção e recolhimento. Quando o mutuante é estrangeiro, correto o entendimento da recorrente de que não se completa a matriz de incidência do IOFCrédito. Enganase, no entanto, a recorrente ao concluir que não faria sentido o § 2º, do art. 2º do Decreto nº 4.494/02 excluir da incidência do IOF Crédito um mútuo conferido por um credor estrangeiro, que não se sujeita ao IOF. Tal norma não é constitutiva de nãoincidência (não estabelece uma nãoincidência), mas apenas explicita aquilo que já decorre da análise sistemática da legislação pertinente, ou seja, que o IOF não incide quando a pessoa legalmente sujeita ao recolhimento não tem domicílio no Brasil. É próprio dos regulamentos declarar, detalhar a legislação pertinente. 5 o art. 2º, § 2º do Decreto nº 4.494/02 jamais pretendeu constituir uma não incidência tributária. Ele tem por objetivo explicitar aquilo que já decorre da análise sistemática da legislação pertinente. 6 para os contratos registrados na contabilidade da recorrente, o valor lançado faz prova da operação e está em conformidade com as regras contábeis e a legislação de regência (art. 9º do DL 1.598/77 e art. 143 do CTN), posto que utilizou a cotação do USD na data da operação. Se erros há nessa conversão, pode e deve ser retificado, sem que isto represente nulidade do lançamento, posto que estão presentes os requisitos do art. 10 e ausentes o do art. 59 do Decreto nº 70.235/72; 7 nos termos do art. 9º, §1º, do Dec. Lei 1.598/77, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Nada há que impeça a aplicação desse dispositivo ao IOF. Assim, quanto aos fatos registrados, a autoridade fiscal apenas precisa produzir prova se quiser demonstrar sua inveracidade (§2º). 8 eventual erro na data da conversão da base de cálculo jamais poderia ser considerado como causa de nulidade do lançamento, mas mera hipótese de exoneração parcial (erro quantitativo), caso a taxa correta seja menor que a usado no lançamento. 9 a legislação brasileira nunca tratou as operações de crédito como uma operação de exportação. Exportação é sempre de mercadorias ou de serviços e nunca de divisas. Crédito financeiro não é nem mercadoria, nem produto e nem serviço. 10 a multa pecuniária tem a mesma natureza da obrigação tributária principal (arts. 113, § 1º, e 139 do CTN) e em vencimento 30 (trinta) dias após o seu lançamento e, por força do que dispõe os art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no seu vencimento sujeitase à incidência de juros de mora. Cita doutrina e jurisprudência da CSRF. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Fl. 4269DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 13 12 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. A empresa recorrente firmou diversos contratos de mútuo financeiro com a suas coligadas PETROBRÁS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PFICo, BRASOIL OIL SERVICES COMPANY – BRASPETRO e BRASOIL OIL COMPANY – BOC, todas pessoa jurídica sediados em paraísos fiscais no exterior (Ilhas Cayman), através dos quais entregou recursos financeiros, em dólar dos Estados Unidos, a título de empréstimos. Antes de adentrar no mérito da lide, é oportuno destacar algumas características dos referidos contratos de mutuo. São elas, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) e documentação anexa: 1 estão redigidos em inglês e consta dos autos cópia da tradução para o português; 2 em nenhum contrato consta o nome da cidade em que foi celebrado. Também não conta o nome da cidade onde foram emitidos os “Formulários de Pedido de Desembolso”, vinculados aos contratos; 3 a moeda utilizada foi o dólar dos Estados Unidos. Os recursos financeiros também foram entregues em USD; 3 exceto o contrato nº 1000.0099/08, a transferência dos recursos financeiros foi realizada sem a utilização de contrato de fechamento de câmbio; 4 os recursos financeiros foram depositados, pela mutuante, em contas das mutuárias no Bank of América, na cidade de New York, E.U.A. 5 a devolução do mutuo se deu por meio de depósito em conta da mutuante no mesmo Bank of América, na cidade de New York, E.U.A. 6 foi objeto de autuação contratos de crédito rotativo (subitem 4.1 do TVF) e contratos de crédito fixo, novos e renovados (subitem 4.2 do TFV). Dito isto, adentrase, agora, no mérito da questão. A empresa recorrente levanta duas preliminares de nulidade: uma de nulidade do lançamento, que entende ser ilíquido e incerto na medida em que há erros de cálculos e falta de fundamentação legal da taxa de câmbio utilizada na apuração da base de cálculo do IOF lançado; e outra de nulidade da decisão recorrida por ter, supostamente, aperfeiçoado o lançamento na medida em que admitiu inexistir previsão legal para converter os valores pactuados em moeda estrangeira ao invés de exonerar o crédito tributário preferiu mantêlos com o mesmo argumento da Fiscalização, ou seja, utilizando o mesmo critério usado pela Recorrente, utilizando argumentos que não foram utilizados pela Fiscalização. Quanto ao lançamento de ofício, sabidamente o mesmo é nulo quando não for atendido as disposições do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 ou quando estiver presente as condições assinaladas no art. 59 do mesmo Decreto nº 70.235/72. Os eventuais erros de Fl. 4270DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 14 13 apuração de impostos e contribuições devem ser retificados de ofício ou a pedido do contribuinte. A decisão recorrida mostrou, com absoluta clareza, que não ocorreu hipótese de nulidade do auto de infração e que todos os elementos contidos no mesmo, e nos seus anexos, foram fornecidos pela recorrente ou extraídos de sua contabilidade. Não há nenhuma dificuldade para entender como foi encontrado a base de cálculo, a alíquota e o valor do IOF lançado, cujo fundamento legal consta das peças da autuação. Tanto no Termo de Verificação Fiscal como no acórdão recorrido, ficou patente a legalidade do procedimento adotado pela Fiscalização para apurar a base de cálculo e o valor principal do IOF lançado. A respeito da alegação de nulidade da decisão por ter, supostamente, aperfeiçoado o lançamento também não se sustenta. A uma porque a Recorrente não indicou qual dispositivo legal proíbe o julgador administrativo de usar argumentos, para formar sua convicção, que não foram usados nem pela autoridade autuante e nem pela impugnação. A duas, a argumentação da autoridade julgadora, inclusive com citação de dispositivos legais não constantes do lançamento ou da impugnação, não caracteriza aperfeiçoamento do lançamento, quando o mesmo estar perfeito e não merece reparos; a três, os argumentos da decisão recorrida vinculase, indiscutivelmente, às razões da autuação e da defesa, não tendo abordado matéria estranha à lide estabelecida, como faz crer a Recorrente. Portanto, ao contrário do alegado, a decisão recorrida não tentou “salvar” o lançamento ao tratar da matéria “conversão da base de cálculo” do IOF, apenas e tão somente fundamentou seu entendimento sobre o procedência do procedimento adotado pela Fiscalização. Portanto, a decisão recorrida não realizou nenhum aperfeiçoamento no lançamento, Para fazêlo deveria, previamente, reconhecer que nele algo estava faltando que mereceria complementação, fato que não correu no caso concreto. A decisão ratificou o procedimento adotado pela Fiscalização para converter a base de cálculo do IOF de USD para o Real. Como se viu, não há como prosperar as alegações de nulidade suscitadas pela recorrente. À vista do exposto, ratifico e adoto os fundamentos da decisão recorrida quanto à preliminar de nulidade do auto de infração. Rejeito, pelas razões acima, as preliminares de nulidade suscitadas pela Recorrente. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. O núcleo da lide gira em torno da incidência, ou não, do IOFCrédito nas operações de mutuo realizadas pela recorrente com empresa sediada no exterior. A legislação aplicável à matéria, necessária ao deslinde da questão, está abaixo reproduzida. Código Tributário Nacional (CTN) Fl. 4271DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 15 14 Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; [...] IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Lei nº 8.894/94: Art. 1º O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários será cobrado à alíquota máxima de 1,5% ao dia, sobre o valor das operações de crédito e relativos a títulos e valores mobiliários. [...] Art. 2º Considerase valor da operação: I nas operações de crédito, o valor do principal que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; [...] Art. 3º São contribuintes do imposto: I os tomadores de crédito, na hipótese prevista no art. 2º, inciso I; Lei nº 9.779/99: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Fl. 4272DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 16 15 Decreto nº 6.306/2007 (Regulamento do IOF): Art. 2º. IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a)por instituições financeiras (Lei nº 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1º); b)por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring)(Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, §1º, inciso III, alínea "d", e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c)entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13). [...] §1º A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 63, parágrafo único). §2º Excluise da incidência do IOF referido no inciso I a operação de crédito externo, sem prejuízo da incidência definida no inciso II deste artigo. Dos dispositivos de leis, acima reproduzidos, podese concluir o seguinte: a) o contribuinte do IOFCrédito é o tomador do crédito (mutuário); b) o responsável pela retenção e recolhimento do IOFCrédito é o cedente do crédito (mutuante). A lei não atribui ao contribuinte responsabilidade supletiva; c) na operação em que há a incidência de IOFCrédito não haverá incidência do IOFTítulos, e viceversa; d) não existe operação de crédito isenta de IOFCrédito; e) não sendo o contribuinte (mutuário) o responsável pelo pagamento do IOFCrédito, dele não se pode exigir o pagamento da exação. Somente o responsável (substituto tributário) está obrigado a efetuar a retenção e o pagamento do IOFCrédito; f) nas operações de crédito em que empresa sediada no Brasil é a mutuária e a empresa mutuante tem sede fora do Brasil, o contribuinte continua sendo a empresa mutuária (brasileira) e o responsável tributário continua sendo a empresa mutuante (estrangeira). Nesse caso, o responsável tributário não está sujeito à lei brasileira, não tendo como dele se exigir a retenção e o pagamento do IOFCrédito. Fl. 4273DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 17 16 g) nas operações de crédito em que empresa sediada fora do Brasil é a mutuária e a empresa mutuante tem sede no Brasil, o contribuinte continua sendo a empresa mutuária (estrangeira) e o responsável continua sendo a empresa mutuante (brasileira) e dele responsável se pode exigir o pagamento do IOF. Essas conclusões são irrefutáveis e importantes para o deslinde da questão. Como a legislação do IOFCrédito não atribui responsabilidade supletiva ao contribuinte, o responsável tributário é o único obrigado a reter e recolher o tributo. Ou seja, o Fisco tem o direito de exigir do responsável tributário o pagamento do IOFCrédito, nunca do contribuinte, independente deste ser ou não residente (pessoa física) ou estabelecido (pessoa jurídica) no Brasil. Nas operações de crédito em que o responsável tributário (ou mutuante) não possui estabelecimento no Brasil e, portanto, não se sujeita às leis brasileiras, não há como o Estado brasileiro exigir o pagamento do IOFCrédito deste responsável. Nesse caso, em tese, a operação está dentro do fato gerador do IOFCrédito. No entanto, está ou não a operação incluída no fato gerador do IOFCrédito é irrelevante porque, na prática, o crédito tributário não pode ser exigido pelo Fisco Federal. Daí decorre as disposições do Regulamento do IOF (Decreto nº 6.306/2007, art. 2º, § 2º) que excluiu da incidência do IOF as operações de crédito externo. A recorrente questiona o alcance da expressão “crédito externo”, acima referida, para concluir que toda operação de crédito (ou mutuo) que envolva uma empresa sediada no Brasil e outra empresa sediada no exterior é uma operação de “crédito externo”, ainda mais se a operação for contratada em moeda estrangeira e os recursos estavam no exterior e lá foram entregues, também em moeda estrangeira (USD). Em primeiro legar, não é a moeda consignada no contrato que vai definir se a operação é de “crédito externo” ou de “crédito interno”, digamos assim. Também não o é o local em que os recursos se encontram e o local onde foram entregues ao mutuário. O que vai definir se o crédito é externo ou não é o domicílio do proprietário do dinheiro objeto do mútuo, ou seja, o país onde a empresa mutuante está instalada e de onde determinará a remessa dos recursos ao mutuário. Dito de outra forma, onde a empresa que possui o dinheiro objeto do mutuo está instalada: dentro ou fora do país. Se instalada dentro do país, a operação é de “crédito interno” e se instalada fora do país, a operação é de “crédito externo”, a que se refere a legislação do IOFCrédito. Esta é a mesma conclusão da decisão recorrida, só que aqui está dita de uma forma mais simples e direta, de que a expressão “crédito externo” sempre se refere a recursos que estão no exterior e que serão remetidos para o Brasil a título de empréstimo. Não é poupança nacional, é poupança estrangeira, externa. No caso dos autos, os recursos (ou poupança) objeto dos mútuos são nacionais e podem ou não estar no território nacional, não faz diferença. A recorrente pode, e de fato o fez, dispor livremente dos mesmos (desde que obedecido a legislação pátria), inclusive para emprestar a qualquer pessoa, no Brasil ou no exterior. Fl. 4274DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 18 17 Como bem disse a decisão recorrida, ao efetuar operação de mutuo, com pessoa residente no Brasil ou no exterior, ocorre o fato gerador do IOFCrédito e o Estado pode e deve exigir dela recorrente mutuária e responsável o IOFCrédito devido. Na operação realizada pela recorrente, não há lei concedendo isenção ou excluindo a operação do campo de incidência do IOFCrédito. As disposições do § 2º, do art. 2º, do RIOF (Decreto nº 6.306/2007) não tem referência em lei (todos os dispositivos do RIOF referenciados em lei trazemna no final do texto e entre parênteses) porque não tratam de isenção ou de nãoincidência. Por isso, procede o argumento da Fazenda Nacional, abaixo reproduzido: Acontece que, na verdade, o Decreto jamais pretendeu estabelecer uma nãoincidência tributária. Seu objetivo era justamente explicitar aquilo que já decorre da análise sistemática da legislação pertinente: o IOF não incide quando a pessoa legalmente sujeita ao recolhimento não tem domicílio no Brasil. Aliás, esta é uma das funções primordiais do Regulamento: poupar os destinatários da necessidade de recorrer a diversos diplomas legais (no caso, as Leis 5.134/66, 8.894/94 e 9.779/99), sintetizando e condensando aquilo que decorre de sua interpretação sistemática. Quanto à base de cálculo dos recursos emprestados pela Recorrente, como bem disse a Fazenda Nacional, não se trata da hipótese prevista no art. 143 do CTN, porquanto o valor tributário não está expresso em moeda estrangeira, já que foi extraído da contabilidade da Recorrente, que está em Reais. O fato de o Termo de Verificação Fiscal fazer referência à forma de conversão do valor dos Contratos de Mútuo para o Real, realizada pela Recorrente, não significa que ela Fiscalização tenha, como disse a Recorrente, arbitrado um valor da taxa de câmbio para a conversão da base de cálculo de USD para Real, sem nenhum fundamento legal. Na verdade, a base de cálculo foi apurada em Reais, e não em USD, com base na escrituração contábil da Recorrente, da mesma forma como se apura a base de cálculo dos demais impostos e contribuições federais. Os Contratos de Mutuo serviram de prova da realização das operações de mutuo e de sua conformidade com a contabilidade. O valor das operações, base de cálculo do IOF, foi apurado em Reais. Quanto à cobrança do adicional de 0,38% para o Contrato nº 1000.0030/07, a decisão recorrida foi clara ao provar que houve, sim, acréscimos no saldo devedor da BRASOIL, caracterizando a hipótese de incidência do referido adicional, prevista no art. 7º, § 16, do RIOF (Decreto nº 6.306/2007), não havendo reparos a fazer na decisão recorrida. Também não merece prosperar o argumento da recorrente de que sua operação de mutuo estaria alcançada pela isenção prevista no inciso III, do art. 8º do Decreto nº 4.494/02 (RIOF/02) por ser uma operação de exportação de capital. Como bem disse a decisão recorrida, a isenção concedida nas operações de crédito destinadas a financiar a exportação de mercadorias e serviços não alcança as operações de mutuo financeiro realizadas pela recorrente. As operações aqui tratadas não se destinam a financiar exportação de produtos/serviços nacionais. Fl. 4275DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 19 18 Sobre a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário lançado a título de multa de ofício, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. Como bem disse a decisão recorrida, o crédito tributário relativo a penalidade aplicada tem mesma natureza da obrigação principal e, nos termos do § 3º do art. 113 c/c art. 161, ambos do CTN, e art. 61 da Lei nº 9.430/96, qualquer que seja o motivo da falta de pagamento do crédito tributário incide juros de mora. O vencimento da multa de ofício lançada em auto de infração ocorre trinta dias após a sua notificação ao contribuinte (art. 160 do CTN). A recorrente tomou ciência do lançamento da multa de ofício no dia 19/7/2011, sendo o vencimento da mesma no dia 18/8/2011. Não pago no vencimento, incide os juros qualquer que seja a razão da mora. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância para todos os argumentos aduzidos pela Recorrente. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 20 19 O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratam os presentes autos sobre o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Operações relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF. A autoridade fiscal lançou o IOFcrédito sobre o valor de diversos empréstimos concedido pela empresa brasileira às suas subsidiárias no exterior em dólares. Possível verificar das planilhas que tratamse de créditos concedidos a partir do início do anocalendário de 2008. Passível verificar do IOF ainda que a d. autoridade também o enquadrou como “crédito rotativo”, e o tributou de acordo com os saldos diários. Afirma a fiscalização que “não obstante os contratos analisados neste item possuírem valor limite para a linha de crédito disponibilizada, e uma data final de validade, não resta dúvida que se trata de crédito rotativo” Afirma ainda ao final que “considerando a fiscalizada adotou um critério de conversão ao registrar em sua contabilidade, em moeda nacional, os valores dos empréstimos contratados em dólares americanos, e, ainda, considerando que o critério adotado está compatível com o PN CST 247/70, em como os princípios contábeis geralmente aceitos – mais especificamente aqueles constantes da NBC 17, o fisco adotou, para fins de conversão dos valores em dólares para reais o mesmo critério utilizado pela fiscalizada (e constante em sua contabilidade), qual seja, conversão de dólares para reais com base na cotação de venda”, o que confirmando sua interpretação de que tratamse de empréstimos de empresa brasileira para subsidiária estrangeira, em dólares norteamericanos. Importante denotar que essa operação em nenhum momento foi enquadrada como sendo originária de recursos auferidos originalmente no exterior, no caso previstos pela Lei no. 11.371 de 2006, onde haveria vedação legal para que tais recursos fossem objeto de mútuo. Assim, estamos diante da avaliação da possibilidade da incidência do IOF crédito sobre operações envolvendo moeda estrangeira, que estariam ou não passíveis de incidência de IOFCâmbio ou até mesmo de uma bitributação, ou seja, a convivência de ambos. Entendo que inexiste previsão legal para a incidência do IOF crédito sobre essa operação, mas que seria passível de incidência o IOF Câmbio o que simplesmente não se discute nesses autos. Importante observar que a lei nº 8.894/94, que dispõe sobre o IOF, determinou em seu artigo 6º que “são contribuintes do IOF incidente sobre operações de câmbio os compradores ou vendedores da moeda estrangeira na operação referente a transferência financeira para ou do exterior, respectivamente.”, sendo que de acordo com seu parágrafo único “as instituições autorizadas a operar em câmbio são responsáveis pela retenção e recolhimento do imposto.”. A lei acima mencionada foi regulamentada pelo Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, segundo o qual o IOF tem 05 (cinco) fatos geradores: operações de crédito; Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16682.721051/201229 Acórdão n.º 3302002.711 S3C3T2 Fl. 21 20 operações de câmbio; operações de seguro realizadas por seguradoras; operações relativas a títulos ou valores mobiliários; e operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial. No caso in concreto, entendo que o ato praticado pela Recorrente enquadra se à descrição do artigo 6º, da Lei nº 8.894/94, resultando, portanto, a incidência do IOF Câmbio. Por isso, julgo que a capitulação correta do lançamento ora atacado seria a do artigo 6º, da Lei nº 8.894/94, que sob a operação financeira realizada incide IOFCâmbio e não IOFCrédito, como fora lançado. Finalmente, entendo impossível a convivência dos dois tributos. Entendo desnecessário tecer maiores comentários, inclusive por ser amplamente vedada no ordenamento jurídico nacional, em particular no CTN, a bitributação, e que mesmo que a mesma lei preveja a existência de fatos geradores distintos, os mais diversos, o fato econômico apenas pode subsumirse a um desses fatos geradores. Um mesmo fato econômico não pode dar origem a dois fatos geradores distintos em um mesmo tributo, deve o intérprete escolher uma delas. Por todo exposto, conheço do presente recurso, e doulhe provimento. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002479/2004-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-002.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Rodrigo da Costa Possas - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.002479/2004-10
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5413961
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-002.734
nome_arquivo_s : Decisao_11030002479200410.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11030002479200410_5413961.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora Rodrigo da Costa Possas - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5778274
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474273255424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 320 1 319 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11030.002479/200410 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.734 – 3ª Turma Sessão de 14 de novembro de 2013 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DIJHAL GEMAS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Rodrigo da Costa Possas Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 79 /2 00 4- 10 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 321 2 Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de exame de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional. A interessada, no exercício de suas atividades sociais, atua no ramo de industrialização de pedras preciosas e semipreciosas. Formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP. A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. A interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, que foi indeferida. Também apresentou Recurso Voluntário, que foi provido. Agora, em sede de Recurso especial, devidamente admitido por Despacho do Presidente da Câmara, a PGFN pleiteia a reforma da decisão proferida pela instância ordinária. Defende a d. Procuradoria que a exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). A jurisprudência do CARF está dividida em três correntes: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 322 3 I) os que entendem que o simples fato de estar classificado o insumo em NT não daria direito ao crédito; II) os que defendem que a Lei n° 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja industrializado; e III) produto classificado na TIPI como NT, não significa necessariamente produto não industrializado. É relevante que a interessada tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT. Defendo a terceira posição. É fato que o insumo/produto classificado na TIPI como NT, não significa necessariamente produto não industrializado. É relevante que a interessada tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT. É importante salientar não se estar tratando de créditos normais de IPI, mas de um crédito presumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Excertos do voto do Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS (Declaração de voto – Ac. 930300.743) também compartilham desse entendimento mais restritivo, ou seja nem todo insumo classificado como NT daria ao crédito, e sim, o industrializado. Vejamos: O que se define com base na legislação do IPI é pois, o significado de "produção", não de estabelecimento produtor. Produção, como bem se sabe , está definida, desde 1964, pelo art. 3º da Lei 4.502/64, como "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". Na TIPI as operações que não se enquadram como tal impõem que ao produto se atribua a sigla NT. Nesse sentido, podese utilizar a TIP1 para afastar do beneficio todos aqueles produtos que ali apareçam com a expressão NT devido ao fato de serem produtos não industrializados. Não se pode utilizála, no entanto, para desqualificar para o beneficio todo e qualquer produto NT, pois com tal sigla aparecem também produtos, sem a menor sombra de dúvidas, industrializados. Tais são todos aqueles que o constituinte, por qualquer razão que seja, resolveu excluir do campo de incidência do imposto, a exemplo dos minerais, combustíveis, papel etc; afinal, não fossem eles produtos industrializados, necessidade não haveria de norma constitucional impedindo sua tributação pelo imposto. Destarte, entendo que a melhor interpretação do dispositivo legal que instituiu o beneficio é a que restringe o seu aproveitamento aos produtos industrializados segundo a Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 323 4 legislação do IPI, o que não é o mesmo que impedir o aproveitamento com respeito a todos os NT. No caso em análise, inexistem dúvidas haver sim um processo de industrialização. Nesse sentido extraise das informações trazidas pela interessada: De efeito, a partir destas considerações legais, inferese por qualquer ângulo de visada que a industrialização, segundo o RIPI, caracterizase pela modificação da natureza, funcionamento, acabamento, apresentação ou finalidade do produto, aperfeiçoandoo para consumo, reconhecendo como estabelecimento industrial quem execute qualquer destas operações. Pois bem, no caso da Recorrente, conforme relatório da lavra de geólogo de idoneidade e profissionalismo reconhecimento nacionalmente, Dr.Claudir F. Kellermann, a atividade social : desenvolvida pela Recorrente é considerada industrial, porquanto as pearas passam por processo de beneficiamento singular. Após adquirir as pedras, principalmente ametistas, de garimpos, em seu estado bruto, a Recorrente, através de processo eminentemente industrial, as prepara para posterior comercialização. Consta naquele relatório (em anexo): 3BENEFICIAMENTO/INDUSTRIALIZAÇÃO A ametista produzida no Rio Grande do Sul, bem como a ametista importada, tem finalidade ornamental e para facetamento, sendo industrializada e posteriormente comercializada. O beneficiamento da ametista ornamental resumese ao corte para abrir uma "janela" no geodo, de modo que se obtenha uma visão da sua beleza interna (Foto n° 01), construindose assim, peças denominadas "capela". Também há a necessidade de remoção do excesso de rocha encaixante (basalto) que acompanha a peça e que não foi tirada no garimpo (Fotos n° 02 e 03). A abertura da "janela" no geodo, bem como a retirada da "capa" de rocha encaixante, é efetuada com o auxílio de máquinas específicas de corte, que utilizam disco diamantado para tal fim. O corte deve ser efetuado seguindo uma linha previamente estabelecida e demarcada em giz, na peça. O fluxograma apresentado na Figura 01 mostra a seqüência de beneficiamento das ametistas. A empresa Dijal Gemas Ind. Com. Exp. Ltda., trabalha somente com pedras ametistas e citrinos destinadas à martelação, produzindo pedras para facetamento (Foto n° 06) [...]. Em relação a este processo de industrialização, partese, primeiramente, ao debulhamento, onde os geodos são desmontados, utilizandose marretas de pequeno porte e Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 324 5 martelados para, num trabalho que exige certo cuidado, se separarem os cristais por meio de sucessivas pancadas. Ato contínuo, após a debulhação dos geodos, é efetuada uma análise nos cristais onde é avaliada a necessidade de tratamento término, colocandoas em um forno elétrico, mergulhadas em areia grossa em uma caixa de ferro, outorgandoas tendências alaranjadas, avermelhadas ou amarronadas. Caso não seja necessária a queima, as pedras são encaminhadas diretamente para o martelamento. O martelamento, por sua vez, consiste na retirada das partes não aproveitáveis do cristal para lapidação, posto apresentarem imperfeições, utilizandose de pequenos martelos, removendo as partes imperfeitas, sobrando, ao final, a gema perfeita, límpida e sem trincas. Somente após estas três etapas distintas, típico processo de industrialização, modificando a natureza das pedras, que estas serão comercializadas no mercado interno ou externo. Em conclusão, o Douto Geólogo põe uma pá de cal sobre qualquer dúvida existente acerca do processo industrial da ametista e do citrino, levada a efeito pela Recorrente através da modificação/beneficiamento das pedras: 5 CONCLUSÃO A empresa Dijal Gemas beneficia somente ametistas e citrinos facetáveis. A agregação de mãodeobra nas pedras, está relacionada as diferentes etapas de preparo das pedras, abordadas no item 3.2 deste estudo [acima resumido], o qual descreve os processos de transformação que passam as pedras, desde sua aquisição junto aos garimpos, até a formação da gema apta à comercialização. Tratase de um trabalho elaborado por especialistas que atuam em todas as etapas, desde a compra da matériaprima no garimpo, até o estágio final, que é a comercialização das gemas. Logo, patente o processo de industrialização realizado pela interessada no exercício de suas atividades sociais, recebendo a pedra em seu estado bruto, efetivamente, promovendo, a partir daí, o debulhamento, tratamento térmico e, finalmente, o seu martelamento para encontrar a gema da ametista. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda. Maria Teresa Martinez López Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 325 6 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Redator Designado A matéria objeto da divergência apontada pela Fazenda Nacional diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e da COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 326 7 Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como, por exemplo, o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. Deixo claro aqui que no presente caso nem há que se cogitar de diferentes definições econômicas ou jurídicas de industrialização. A ciência econômica, por vezes, tem uma conceituação diversa da jurídica em alguns aspectos. Nesse caso não há nenhuma diferença, eis que estamos tratando de “produtos” agrícolas, milho e soja. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições – ser produtora e ser exportadora –, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 327 8 mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. Decreto 2.637, de 25/06/98: "Art. 2° (...) Parágrafo Único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 328 9 Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do IPI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 329 10 Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 330 11 A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 331 12 embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 332 13 Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 333 14 “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim, não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 334 15 Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11030.002479/200410 Acórdão n.º 9303002.734 CSRFT3 Fl. 335 16 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.922109/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
O tributo objeto de compensação não homologada é exigido com os respectivos acréscimos legais.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-001.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 10/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente),Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo objeto de compensação não homologada é exigido com os respectivos acréscimos legais. Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11065.922109/2009-16
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5415110
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3101-001.589
nome_arquivo_s : Decisao_11065922109200916.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
nome_arquivo_pdf_s : 11065922109200916_5415110.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada. EDITADO EM: 10/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente),Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5779555
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474280595456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 330 1 329 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.922109/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.589 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria DCOMP Recorrente PROJELMEC VENTILAÇÃO INDUSTRIAL LTDA. Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Consideramse precluídas, delas não se tomando conhecimento, as matérias não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente em sede de recurso voluntário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo objeto de compensação não homologada é exigido com os respectivos acréscimos legais. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 10/01/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 92 21 09 /2 00 9- 16 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922109/200916 Acórdão n.º 3101001.589 S3C1T1 Fl. 331 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente),Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: "O contribuinte acima identificado transmitiu, em 17/09/2007, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI (PER/DCOMP 264l4.79856.170907.1.1.016045), referente ao segundo trimestre de 2007, no valor de R$ 57.385,68. Vinculada a esse crédito, transmitiu a declaração de compensação – DCOMP nº 05508.54779.150808.1.7.013159, por meio da qual pretendeu a extinção dos débitos de CSLL (2372), IRPJ (2089), CONFINS (2172) e PIS/PASEP 8109, totalizando os débitos o montante de R$ 129.455,14. A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada por processamento eletrônico, estando os resultados consolidados nos demonstrativos de fls. 254/256. Foram glosados créditos indevidos pelo motivo 7 – empresa emitente da nota fiscal optante do SIMPLES. É o que consta da fundamentação do Despacho Decisório de fl. 02. Em decorrência das constatações acima foi reconhecido à empresa o direito creditório no montante de R$ 56.991,54. Esse valor foi utilizado para homologar parcialmente a compensação dos débitos informados na DCOMP nº 05508.54779.150808.1.7.013159. Efetuados os procedimentos de compensação, restou a cobrança do débito discriminado no quadro 3 do Despacho Decisório. Desse Despacho Decisório o contribuinte inconformado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 03/04, alegando, em resumo, que apresentou três pedidos de Ressarcimento, relativos a saldos credores de IPI apurados no 2º, 3º e 4º trimestres de 2007, nos valores de R$ 57.385,68, R$ 59.616,25 e R$ 91.801,29, respectivamente. Que apresentou para tais créditos o pedido de compensação 05508.54779.150808.1.7.013159, no valor de R$129.455,14. Diz que para o pedido de compensação somente foi considerado o crédito relativo ao segundo trimestre de 2007. Ao final, requer que sejam considerados os créditos relativos a todas as PER/DCOMPs relacionadas e a homologação da compensação declarada na sua totalidade. Consta nas fls. 261/262, pedido de compensação de ofício dos débitos com os créditos reconhecidos em PER/COMP que relaciona. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922109/200916 Acórdão n.º 3101001.589 S3C1T1 Fl. 332 3 Em atendimento à solicitação do interessado, o Seort efetuou as compensações solicitadas, no limite dos créditos reconhecidos, conforme informação de fls. 266. O interessado em 05/03/2010 apresenta petição denominada “complementação à impugnação administrativa”, fls. 267/268, na qual solicita anulação do lançamento tributário, por erro material; exclusão dos lançamentos e multas decorrentes da não compensação dos débitos existentes pelos créditos existentes; acolhimento das informações repassadas na PER/DCOMP com suas correções efetivas em consonância com os documentos fiscais e contábeis da empresa, homologandose as compensações apresentadas e, por conseqüência, a extinção/liquidação do crédito tributário." A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão 10.36.202, de 15 de dezembro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 GLOSAS DE CRÉDITOS CONSIDERADOS INDEVIDOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Tornamse definitivas na esfera administrativa as glosas de crédito que não tenham sido expressamente contestadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Os débitos relacionados na Declaração de Compensação devem ter valor igual ou inferior ao crédito nela informado, considerandose os valores originais dos débitos adicionados de seus acréscimos moratórios (juros de mora e multa), quando for o caso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 PETIÇÃO INTEMPESTIVA Não se conhece de petição do interessado apresentada após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, em síntese: a) que foi ilegal a aplicação de multa e juros de mora sobre os débitos compensados, tendo em vista que apresentou o pedido de compensação antes do vencimento dos tributos a compensar, utilizando créditos apurados antes do vencimento dos débitos; Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922109/200916 Acórdão n.º 3101001.589 S3C1T1 Fl. 333 4 b) que não acatar o direito aos créditos de insumos adquiridos de empresas optantes do SIMPLES fere o princípio da nãocumulatividade do IPI; c) que eventual erro de preenchimento da DCOMP não pode prevalecer ante o conteúdo real da situação; d) que o contribuinte não pode ser prejudicado em decorrência da situação irregular de seus fornecedores; e) que "deve ser assegurado ao recorrente o direito à regra mais benigna, por ser este princípio geral de direito tributário"; f) que não se pode exigir tributo "por simples verossimilhança. mera probabilidade ou verdade material aproximada". A recorrente finaliza sua defesa solicitando: "Assim, demonstrada a ausência de suporte fático, e a necessidade de oportunizar ao contribuinte a possibilidade de promover as necessárias demonstrações, a Recorrente requer a V. Sas. que acolhendo as razões de recurso aqui expendidas, lhe conceda: 1. Que acolha a preliminar suscitada, dando pela anulação do lançamento tributário efetuado, por erro material, sendo que mero equívoco no preenchimento da PER/DCOMP não é suficiente para ensejar a extinção do direito ao crédito e consequente cobrança com aplicação de multa. 2. No mérito lhe conceda a exclusão dos lançamentos e multas decorrentes da não compensação dos débitos pelos créditos existentes, descritos acima e no referido auto de infração, por todas, as razões acima expostas, bem como aquelas que serão supridas pelo douto conhecimento desse Julgador. 2.1 Reconheça o direito de crédito decorrente do Simples é das empresas com situação cancelada no cadastro CNPJ, bem como aqueles decorrentes de equívoco no preenchimento do pedido. 3 Que determine a nulidade do ato de lançamento, desconstituindoo, e sendo nulo o principal, nulo os demais consectários impostos, na forma da legislação vigente. 4 Julgue procedente o presente Recurso, acolha as informações repassadas na PER/DCOMP com suas correções, efetivadas em consonância com os documentos fiscais e contábeis da empresa, dando pela confirmação do direito à totalidade do crédito existente ao contribuinte, com a correta compensação efetuada e exclusão dos lançamentos,, homologandose as compensações apresentadas e por consequência, a extinção/liquidação do credito tributário. 5 Que ao final, julgue procedente o presente Recurso, sob pena de duplicidade de cobrança, contando para tanto, sempre com os doutos conhecimentos deste eminente julgador, para suprir as razões aqui despendidas, excluindo todos os lançamentos e Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922109/200916 Acórdão n.º 3101001.589 S3C1T1 Fl. 334 5 consectários, anulandose o auto de lançamento no que couber e retificando na parte que lhe seja de direito." É o relatório. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 329, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.589, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A questão discutida nestes autos é idêntica à tratada em outros processos da contribuinte. Um dos processos foi julgado pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Transcrevese, a seguir, excertos do voto proferido no Acórdão 3403 002.275, de 25 de junho de 2013 (processo 11065.922105/200920) , do i. Conselheiro Alexandre Kern, cujos fundamentos são adotados na solução do presente litígio: "Compulsando a Manifestação de Inconformidade, (...), constato que o interessado controverteu apenas a homologação parcial de compensações objeto do presente processo, sem se preocupar em contestar expressamente as glosas procedidas que, por essa razão, quedaram definitivas na esfera administrativa. Via de consequência, não se conhecerá do recurso voluntário na parte em que buscou controverter o direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo SIMPLES e com situação cadastral cancelado no CNPJ. Tratase de matéria preclusa. Quanto à homologação apenas parcial das compensações declaradas e à insistência recursal na suficiência dos créditos, devese considerar a glosa procedida, no valor de (...). Ademais, embora tenha formulado mais de um pedido de ressarcimento, o contribuinte vinculou os débitos a compensar a apenas um deles. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922109/200916 Acórdão n.º 3101001.589 S3C1T1 Fl. 335 6 Essas circunstâncias acabaram por fazer com que o montante dos débitos confessados fosse inferior (superior) ao dos créditos. Nada há a reparar no procedimento administrativo, nem na decisão recorrida. A obscura peça recursal refere a ocorrência de erro nas informações consignadas no PER/DComp. Todavia, não o especifica, muito menos comprova inexiste, nos autos, qualquer prova documental ou escritural dos créditos. O deferimento parcial do ressarcimento e a parcial homologação dos débitos apoiaramse, exclusivamente, nas declarações do próprio contribuinte). Tampouco se cogita, no presente processo, de lançamento fiscal, razão pela qual é impertinente o pedido de decretação de nulidade. Confessados, os débitos cuja compensação não foi homologada emergiram inadimplidos. Incide, no caso, a regra do art. 45 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, atualmente vigente: Art.45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A propósito, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim dispõe a respeito dos acréscimos moratórios: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Tratandose de norma tributária regularmente inserida no ordenamento jurídico, não há como negar sua vigência." No caso presente, da mesma forma que no voto transcrito, não houve contestação expressa, na Manifestação de Inconformidade, contra as glosas efetuadas pelo processamento eletrônico, que totalizaram R$394,14, do que resulta que tais glosas tornaramse definitivas na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235 (PAF), in verbis: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922109/200916 Acórdão n.º 3101001.589 S3C1T1 Fl. 336 7 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Em consequência, não se conhece do recurso voluntário na parte em que contestou o direito ao crédito básico do IPI nas aquisições de insumos perante fornecedores optantes do SIMPLES. Tratase, portanto, de matéria preclusa. Por último, esclareçase que a causa da nãohomologação de parte dos débitos confessados na DCOMP tratada nestes autos decorreu do fato de a contribuinte ter informado débitos cujos valores originais superaram ao montante do crédito informado no Pedido de Ressarcimento, ao qual a contribuinte vinculou a DCOMP. É o que atesta o demonstrativo de Detalhamento da Compensação, que integra o Despacho Decisório. Assim, constatase que o voto transcrito adequase perfeitamente à solução do presente litígio Nestes termos, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário apresentado. E são estas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 12689.720457/2013-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 07/02/2013
AUDITOR-FISCAL. COMPETÊNCIA. LAVRATURA. AUTO DE INFRAÇÃO. DESACATO.
Os Auditores Fiscais da Receita Federal, nos termos do art. 6º, I, a e c, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, têm competência para cominação das sanções inerentes ao controle aduaneiro, ressalvada a pena de perdimento de bens.
PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
DESACATO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza desacato a prática de atos de desprestígio ao servidor público no exercício regular de suas funções, mediante conduta desmedida e incompatível com os atos do convívio social, inclusive com emprego de palavras injuriosas, ameaças e gritos agudos.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3802-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 07/02/2013 AUDITOR-FISCAL. COMPETÊNCIA. LAVRATURA. AUTO DE INFRAÇÃO. DESACATO. Os Auditores Fiscais da Receita Federal, nos termos do art. 6º, I, a e c, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, têm competência para cominação das sanções inerentes ao controle aduaneiro, ressalvada a pena de perdimento de bens. PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. DESACATO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza desacato a prática de atos de desprestígio ao servidor público no exercício regular de suas funções, mediante conduta desmedida e incompatível com os atos do convívio social, inclusive com emprego de palavras injuriosas, ameaças e gritos agudos. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 12689.720457/2013-54
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5418759
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-003.877
nome_arquivo_s : Decisao_12689720457201354.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 12689720457201354_5418759.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5786010
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474312052736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 179 1 178 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12689.720457/201354 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.877 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria Imposto sobre a Importação II Recorrente BRENO LUCENA MACEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 07/02/2013 AUDITORFISCAL. COMPETÊNCIA. LAVRATURA. AUTO DE INFRAÇÃO. DESACATO. Os Auditores Fiscais da Receita Federal, nos termos do art. 6º, I, “a” e “c”, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, têm competência para cominação das sanções inerentes ao controle aduaneiro, ressalvada a pena de perdimento de bens. PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. DESACATO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza desacato a prática de atos de desprestígio ao servidor público no exercício regular de suas funções, mediante conduta desmedida e incompatível com os atos do convívio social, inclusive com emprego de palavras injuriosas, ameaças e gritos agudos. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 72 04 57 /2 01 3- 54 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (SP1), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 143 e ss.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 07/02/2013 DESACATO À AUTORIDADE ADUANEIRA. A infração administrativa do desacato à Autoridade Aduaneira não se confunde com o delito de desacato, que se encontram em distintas esferas, administrativa e penal, respectivamente. O ato de desacatar pode adotar as mais variadas formas, tais como palavras grosseiras, atos ofensivos, ameaças. Uma Repartição Fiscal, as autoridades fiscais e os servidores que nela laboram, regidos que são pelo art. 37 da Constituição da República, dispositivo que lhes outorga precedência sobre os demais setores e autoridades, a qualificação de essenciais ao funcionamento do Estado e a prioridade na alocação de recursos do Estado (incisos XVIII e XXII), é um local que deve ser frequentado e utilizado, por todos os cidadãos, com semelhantes honras, costumes e liturgias que se verificam nas Cortes de Justiça, nos Tribunais, nas Procuradorias, nas Casas Legislativas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração impugnado cominou ao Recorrente Breno Lucena Macedo a multa prevista no prevista no art. 107, III, do DecretoLei nº 37/1966, em razão de desacato cometido quando da fiscalização de contêiner contendo bens de seu interesse. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12689.720457/201354 Acórdão n.º 3802003.877 S3TE02 Fl. 180 3 De acordo com o relatório constante da decisão da DRJ de São Paulo (fls.143 e ss.), o fato jurídico foi assim caracterizado: “1. o Sr. Breno Lucena Macedo, CPF nº 891.507.32404 e a sua esposa, Roberta Macedo, RG n° 4666498, após residirem por mais de um ano no exterior (Estados Unidos da América), retornaram ao Brasil definitivamente, enviando a sua mudança por transporte marítimo, em um contêiner de 40" pés n° MSCU 9935156. A carga chegou ao porto de Salvador no dia 25/01/2013, sendo armazenada no recinto alfandegado TECON e registrada no sistema informatizado da Receita federal com o n° CE 101205252985726, contendo a informação de que se tratava de bagagem desacompanhada. A Equipe de Vigilância da Alfândega do Porto de Salvador ALF/SDR/Savig/EVA, ao realizar a análise de risco das cargas no prédespacho referentes ao navio Miramarin, que iria iniciar a sua operação no porto de Salvador no dia 25/01/2013, selecionou algumas cargas para serem fiscalizadas antes do inicio do despacho aduaneiro, entre elas a do Sr. Breno. Essa seleção é baseada em critérios pré estabelecidos pela Receita Federal do Brasil …”. 2. Que no período de janeiro e fevereiro, existe uma concentração de AuditoresFiscais e de servidores em férias, pelo que ocorreu um atraso na verificação das cargas selecionadas neste período; que o despachante aduaneiro do Sr. Breno fez diversas ligações telefônicas, solicitando que o AuditorFiscal realizasse a fiscalização da carga dele e a de outra senhora, também em mudança definitiva para o país, antes do carnaval, ou seja, antes do dia 08/02/2013; que no dia 01/02/2013 foi realizada a fiscalização na carga do Sr. Breno. 3. Que após a análise realizada pelo AuditorFiscal (autor do presente processo) e também por outro AuditorFiscal, o Sr. Múcio Salomão Rocha Ribeiro, baseado nas informações fornecidas pelo próprio contribuinte e sua esposa e na verificação fisica da carga, concluímos que parte dela não se enquadrava na hipótese de isenção concedida para o viajante que regressa ao Pais em caráter permanente após residirem no exterior por mais de 01(um)ano, nos termos do inciso II do art. 2° e art. 35 da IN RFB n° 1.059/2010. Que por essa razão, foi emitido o Termo de Retenção Savig n° 008/2013, no dia 01/02/2013, retendo alguns bens para que fosse providenciado o despacho sob o regime comum de importação, em conformidade com o 1° da Instrução Normativa RFB n° 1.059, de 2 de agosto de 2010. 4. Que no dia 07/02/2013 às 10h45min., ao retornar de uma outra fiscalização, informaram ao AuditorFiscal, atuante, o Sr. Breno, ora impugnante, e a sua esposa estavam lhe aguardando para conversar. O AuditorFiscal chamou os dois no saguão da alfândega, onde estavam sentados, e os atendeu por volta das llh, no balcão do plantão da Seção. Eles então disseram que não concordavam com o Termo de Retenção ALF/SDR/SAVIG N° 008/2013, tentando justificar cada item. 5. Que então o AuditorFiscal, por ter convicçao da correção de seu procedimento, informou ao Sr. Breno que não iria mudar o seu entendimento, nem poderia alterar o Termo de Retenção, liberando os bens, como foi solicitado. O Auditor então orientou a apresentar uma defesa escrita, juntandose nela os documentos que entenderem cabíveis. 6. Que, em síntese, no momento em que o Sr Breno percebeu que o AuditorFiscal não iria liberar nenhum item, ele começou se exaltar, gritando do outro lado do balcão: "Não se esqueça que a vida dá voltas"; "Você vai pagar por tudo isso mais para frente". 7. Que após isso, depois que o AuditorFiscal (ora atuante) se retirou da sala do plantão, o Sr Breno saiu da sala em direção ao saguão da alfândega e esmurrou a Fl. 181DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 porta por fora. Nesse momento, ele abriu novamente a porta do balcão, e mais exaltado ainda,começou a xingar e a gritar para que o AuditorFiscal saísse para resolver as coisas fora da repartição e que iria retornar para acertar as 'contas, pois isso não ficaria assim. Que testemunharam os fatos os AuditoresFiscais Jair Rodrigues de Oliveira e Silvio Rogério F. Sande, bem como os vigilantes Fernando Jesus da Silva e Silvania Lima, os quais estavam no saguão da alfândega, se levantaram e solicitaram que ele, o Sr. Breno, se retirasse da alfândega. Que neste momento, juntamente com o pedido de sua esposa, o Sr. Breno resolveu sair do prédio, mas gritando e ameaçando que retornaria para “acertar as contas”. 8. Que no dia do ocorrido, foi emitido o Termo de Ocorrência Savig n° 15/2013, relatando todo o fato, com a assinatura de todas as testemunhas presentes no momento. O Recorrente, em suas razões recursais de fls. 158 e ss., alega que o acórdão da DRJ teria sido parcial na narrativa dos fatos. Afirma que não teria ocorrido a oitiva de testemunhas por ele arroladas, o que representaria cerceamento de direito de defesa. Assevera que teria havido abuso de autoridade, tanto é verdade que o inquérito criminal instaurado para apurar o crime de desacato foi arquivado. Afirmou que o desfecho favorável do mandado de segurança impetrado para fins de liberação dos bens retidos corroboraria a irregularidade do procedimento fiscal. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente foi intimado em 13/03/2014 (fls.156), interpondo recurso tempestivo em 11/04/2014 (fls. 157 e 158). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. Inicialmente, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou de nulidade da autuação em razão da lavratura pelo auditor desacatado. Os Auditores Fiscais da Receita Federal, nos termos do art. 6º, I, “a” e “c”, da Lei nº 10.593/2002, na redação da Lei nº 11.457/2007, têm competência para cominação das sanções inerentes ao controle aduaneiro, ressalvada a pena de perdimento de bens: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12689.720457/201354 Acórdão n.º 3802003.877 S3TE02 Fl. 181 5 Por outro lado, no tocante à oitiva das testemunhas arroladas, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da oitiva das testemunhas. Com efeito, de acordo com o art. 107, inciso III do DecretoLei nº 37/1966, na redação da Lei nº 10.833/2003, regulamentado pelo art. 728, III, do Decreto n° 6.759/2009: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] III de R$ 10.000,00 (dez mil reais), por desacato à autoridade aduaneira; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Art. 728. Aplicamse ainda as seguintes multas (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI, VII, alínea "a" e "c" a "g", VIII, IX, X, alíneas “a” e “b”, e XI, com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003, art. 77): [...] III de R$ 10.000,00 (dez mil reais), por desacato à autoridade aduaneira; Do exame dos autos, verificase que houve um demora na liberação dos bens remetidos pelo Recorrente por ocasião de seu retorno para o Brasil. Essa demora, entretanto, foi justificada em razão do número reduzido de fiscais durante o período de férias (mês de fevereiro), bem como da necessidade de exame do enquadramento dos bens do Recorrente na regra de isenção dos arts. 2° e 35 da IN RFB n° 1.059/2010: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por: I bens de viajante: os bens portados por viajante ou que, em razão da sua viagem, sejam para ele encaminhados ao País ou por ele remetidos ao exterior, ainda que em trânsito pelo território aduaneiro, por qualquer meio de transporte; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 II bagagem: os bens novos ou usados que um viajante, em compatibilidade com as circunstâncias de sua viagem, puder destinar para seu uso ou consumo pessoal, bem como para presentear, sempre que, pela sua quantidade, natureza ou variedade, não permitirem presumir importação ou exportação com fins comerciais ou industriais; III bagagem acompanhada: a que o viajante levar consigo e no mesmo meio de transporte em que viaje, exceto quando vier em condição de carga; IV bagagem desacompanhada: a que chegar ao território aduaneiro ou dele sair, antes ou depois do viajante, ou que com ele chegue, mas em condição de carga; V bagagem extraviada: a que for despachada como bagagem acompanhada pelo viajante e que chegar ao País sem seu respectivo titular, em virtude da ocorrência de caso fortuito ou força maior, ou por confusão, erros ou omissões alheios à vontade do viajante; VI bens de uso ou consumo pessoal: os artigos de vestuário, higiene e demais bens de caráter manifestamente pessoal, em natureza e quantidade compatíveis com as circunstâncias da viagem; VII bens de caráter manifestamente pessoal: aqueles que o viajante possa necessitar para uso próprio, considerando as circunstâncias da viagem e a sua condição física, bem como os bens portáteis destinados a atividades profissionais a serem executadas durante a viagem, excluídos máquinas, aparelhos e outros objetos que requeiram alguma instalação para seu uso e máquinas filmadoras e computadores pessoais; e VIII tripulante: a pessoa, civil ou militar, que esteja a serviço do veículo durante o percurso da viagem. § 1º Os bens de caráter manifestamente pessoal a que se refere o inciso VII do caput abrangem, entre outros, uma máquina fotográfica, um relógio de pulso e um telefone celular usados que o viajante porte consigo, desde que em compatibilidade com as circunstâncias da viagem. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º , nas vias terrestre, fluvial e lacustre, incumbe ao viajante a comprovação da compatibilidade com as circunstâncias da viagem, tendo em vista, entre outras variáveis, o tempo de permanência no exterior. § 3º Não se enquadram no conceito de bagagem: I veículos automotores em geral, motocicletas, motonetas, bicicletas com motor, motores para embarcação, motos aquáticas e similares, casas rodantes (motor homes), aeronaves e embarcações de todo tipo; e II partes e peças dos bens relacionados no inciso I, exceto os bens unitários, de valor inferior aos limites de isenção, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12689.720457/201354 Acórdão n.º 3802003.877 S3TE02 Fl. 182 7 relacionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Art. 35. Os residentes no exterior que ingressem no País para nele residir de forma permanente, e os brasileiros que retornem ao País, provenientes do exterior, depois de lá residirem há mais de 1 (um) ano, poderão ingressar no território aduaneiro, com isenção de tributos, os seguintes bens, novos ou usados: I móveis e outros bens de uso doméstico; e II ferramentas, máquinas, aparelhos e instrumentos necessários ao exercício de sua profissão, arte ou ofício, individualmente considerado. § 1º A fruição da isenção para os bens referidos no inciso II do caput estará sujeita à prévia comprovação da atividade desenvolvida pelo viajante, e, no caso de residente no exterior que regresse, do decurso do prazo estabelecido no caput. § 2º Não prejudicam a contagem do prazo a que se refere o caput viagens ocasionais ao Brasil, desde que totalizem permanência no País inferior a 45 (quarenta e cinco) dias nos 12 (doze) meses anteriores ao regresso. § 3º No caso de estrangeiro, enquanto não lhe for concedido o visto permanente, seus bens poderão ingressar no território aduaneiro sob o regime de admissão temporária. § 4º O disposto neste artigo não prejudica a aplicação dos tratamentos tributários gerais de isenção e de tributação especial para viajantes procedentes do exterior, referidos, respectivamente, nos arts. 33 e 41 desta Instrução Normativa. O Recorrente, não se conformando com a retenção desses bens para fins de conferência fiscal, ameaçou o Auditor, conforme colhese do relatório da decisão da DRJ: “[...] 6. Que, em síntese, no momento em que o Sr Breno percebeu que o AuditorFiscal não iria liberar nenhum item, ele começou se exaltar, gritando do outro lado do balcão: "Não se esqueça que a vida dá voltas"; "Você vai pagar por tudo isso mais para frente". 7. Que após isso, depois que o AuditorFiscal (ora atuante) se retirou da sala do plantão, o Sr Breno saiu da sala em direção ao saguão da alfândega e esmurrou a porta por fora. Nesse momento, ele abriu novamente a porta do balcão, e mais exaltado ainda, começou a xingar e a gritar para que o AuditorFiscal saísse para resolver as coisas fora da repartição e que iria retornar para acertar as 'contas, pois isso não ficaria assim. Que testemunharam os fatos os AuditoresFiscais Jair Rodrigues de Oliveira e Silvio Rogério F. Sande, bem como os vigilantes Fernando Jesus da Silva e Silvania Lima, os quais estavam no saguão da alfândega, se levantaram e solicitaram Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 que ele, o Sr. Breno, se retirasse da alfândega. Que neste momento, juntamente com o pedido de sua esposa, o Sr. Breno resolveu sair do prédio, mas gritando e ameaçando que retornaria para “acertar as contas”. O Recorrente, como se vê, não apenas esmurrou a porta da repartição pública como também, em atitude truculenta e antisocial, proferiu palavras ofensivas e gritou com auditorfiscal no exercício de suas funções. Além disso, como se não bastasse, não sendo bem sucedido na proposta de “acerto de contas” do lado de fora do órgão público, ameaçou o servidor público federal de represália física diante de terceiros e de outros auditores fiscais. Tais fatos evidenciam, sem dúvida alguma, que o Recorrente foi responsável por um espetáculo deprimente de desprestígio ao servidor público no exercício regular de suas funções, mediante conduta desmedida e incompatível com os atos do convívio social, inclusive com emprego de palavras injuriosas, ameaças e gritos agudos. Entendese, assim, perfeitamente caracterizada a materialidade da infração, consoante ensina Nélson Hungria, em lições citadas pela DRJ: A ofensa constitutiva do desacato é qualquer palavra ou ato que redunde em vexame, humilhação, desprestígio ou irreverência ao funcionário. É a grosseira falta de acatamento, podendo consistir em palavras injuriosas, difamatórias ou caluniosas, vias de fato, agressão física, ameaças, gestos obscenos, gritos agudos etc. (in Hungria, Nélson – Comentários ao Código Penal – Volume IX – Ed. Forense). O arquivamento do inquérito penal, por sua vez, não excluiu a existência da infração administrativa, em razão da independência das instâncias. O mesmo pode se dizer em relação à decisão no mandado de segurança, uma vez que este tem objeto distinto, tendo sido impetrado apenas para fins de liberação dos referidos bens retidos. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000067/2007-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS - ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 - REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 - CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.819
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2003 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS - ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 - REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 - CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10552.000067/2007-36
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423905
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.819
nome_arquivo_s : Decisao_10552000067200736.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10552000067200736_5423905.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5802986
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474316247040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 207 1 206 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10552.000067/200736 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.819 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 5 de novembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente MARLENE SALETE SAUER WIECHOREKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991 REVOGAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com fulcro na responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público no exercício da função pública, as multas por descumprimento de obrigação acessória aplicadas em processos administrativos pendentes de julgamento devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 00 67 /2 00 7- 36 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000067/200736 Acórdão n.º 2403002.819 S2C4T3 Fl. 208 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 11.869 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 35.633.6891, com ciência do sujeito passivo em 13.10.2005, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.101,75. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04, em fiscalização desenvolvida na Fundação de Proteção Especial do Rio Grande dó Sul; presidida no período de 15 de maio de 2003 a 31 de janeiro de 2005 pela Sra. Marlene Salete Sauer, Wiechorek verificouse que a contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deixou de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento ao INSS até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mão de obra, no período de 07/2003 a 10/2003 ,09/2004, 11/2004 e 12/2004, conforme "PLANILHA DE NOTAS FISCAIS DE PRESTADORES DE SERVIÇO SEM RETENÇÃO DOS 11%". O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 93, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991. O dispositivo legal infringido é o disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 31, "caput", com a redação dada pela Medida Provisória nº 447, de 2008, combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 219. A multa legal aplicada está disposta na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, "caput" e § 3° e art. 373. O período objeto do auto de infração de obrigação acessória, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é de 07/2003 a 12/2004. O Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 13.10.2005, às fls. 01. Contra a autuação, o Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A interessada foi cientificada da autuação em 13/10/05, tendo apresentado impugnação tempestiva, através do arrazoado de fls. 20/21,protocolizada em 27/10%05, sob o n° 36.140.000906/200590. Em suas razões de defesa, informa ter efetuado recolhimentos das competências 11/02, 12/02, 07/03 a 10/03, 09/04, 11/04 e 12/04. Requer a relevação da multa aplicada, entendendo ter sido corrigida a falta. Anexa cópias de sua Portaria de designação e a Ata de Posse no cargo de Presidente da Fundação (fls. 22/23), cópias das Guias da Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Previdência Social de 07/03 a 10/03, 09/04, 11/04, 12/04, 11/02, 12/02. O processo foi baixado em Diligência, conforme informa o Relatório da decisão de primeira instância: O processo foi encaminhado à Auditora Fiscal autuante para esclarecimentos, a qual se manifestou na Informação Fiscal IF de fl. 41, informando que: a) a responsabilização da Presidente da Fundação ocorreu em razão de que nos documentos apresentados, quais, sejam, o Estatuto Social e o Regimento Interno, não foi possível estabelecer claramente a`quem compete a prática do ato; b) que não existe delegação de poderes relativos à prática da% infração em tela, conforme Oficio apresentado pela Fundação; c) que a autuada exerce o cargo de Presidente da Fundação desde 15/05/03; d) que o sobrenome correto da autuada é "WIECHOREKI", conforme documento de identidade da mesma, cujo cadastro do INSS já foi corrigido. A Recorrente atravessou Manifestação nos autos, conforme informa o Relatório da decisão de primeira instância: A interessada apresentou manifestação protocolizada sob o n° 36,474 .001871/200704 (fls. 67), informando que não existe delegação de poderes para efetuar a retenção de tributos, sendo este procedimento de competência da Coordenação de Administração Financeira, bem como do contador da Fundação, pelas próprias características da função, conforme artigos 20 a 23 do Regimento Interno da entidade. Anexa às fls. 6804, cópias do Oficio/DRP/POA/RS n° 17/2007, do Regimento Interno (fls. 69/74). Após análise, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, fls. 35 a 37, emitiu o Acórdão nº 11.869 julgando procedente a autuação e manteve a multa aplicada, conforme Ementa a seguir: Assunto: descumprimento de obrigação acessória. Competências dos fatos geradores: 01/07/03 a 31/12/04 AutodeInfração AI n ° 35.633.6891 código de fundamento legal 93. 1. A entidade dotada de personalidade jurídica própria deve cumprir com as obrigações, principais e acessórias, que lhe foram impostas por Lei. 2. O Presidente, na condição de administrador máximo e representante da entidade, responde pela prática de in na medida em que a obrigação, objeto da autuação,, não consta expressamente das atribuições dos demais órgãos que integram a entidade, nem tenha ocorrido a delegação dos poderes a nenhuma outra autoridade. 3. O descumprimento de obrigação acessória, objeto da presente autuação não se confunde com o descumprimento de obrigação principal. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000067/200736 Acórdão n.º 2403002.819 S2C4T3 Fl. 209 5 4. Descabe a relevação da multa aplicada por não restarem comprovadas as condições previstas no parágrafo 1 ° do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Lançamento procedente. Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, na qual alega em apertada síntese: (i). A não atribuição de responsabilidade tributária passiva à Recorrente. (ii) As exigências relacionadas ao recolhimento de 11% referente a prestação de serviços já foram recolhidos ao INSS. (iii) Requer a relevação da multa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho. É o Relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. DO MÉRITO (i) DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 11.869 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 35.633.6891, com ciência do sujeito passivo em 13.10.2005, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.101,75. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04, em fiscalização desenvolvida na Fundação de Proteção Especial do Rio Grande dó Sul; presidida no período de 15 de maio de 2003 a 31 de janeiro de 2005 pela Sra. Marlene Salete Sauer, Wiechorek verificouse que a contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, deixou de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento ao INSS até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mão de obra, no período de 07/2003 a 10/2003 ,09/2004, 11/2004 e 12/2004, conforme "PLANILHA DE NOTAS FISCAIS DE PRESTADORES DE SERVIÇO SEM RETENÇÃO DOS 11%". O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 93, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente como responsável nos termos do art. 41, Lei 8.212/1991. A legislação vigente a época da lavratura deste auto de infração de obrigação acessória determinava que, havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, seria imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991: Art.41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000067/200736 Acórdão n.º 2403002.819 S2C4T3 Fl. 210 7 desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Apesar de ser essa a legislação em vigor à época da lavratura do auto de infração, no entanto, a MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009 alterou este quadro normativo. O art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público, foi revogado de modo a que a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias recai nos próprios entes públicos. De forma que o julgamento dos autos de infração dos gestores de órgãos públicos, deve observar o novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009. Outrossim, diante deste novo quadro normativo com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 há que se considerar o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, com a verificação da situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No mesmo sentido, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190/2009, de 02/02/2009, aponta diretrizes quanto ao alcance da interpretação que deve ser adotada no âmbito da Administração Tributária: 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Desta forma, para os dirigentes de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, a lei 8.212/1991 deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Por conseguinte, devese aplicar a nova redação da lei 8.212/1991 aos processos ainda não definitivamente julgados administrativamente que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. (ii) Demais argumentos. Em função do decidido no tópico acima (i), pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para, NO MÉRITO, DAR LHE PROVIMENTO em face da revogação do art. 41, Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, que afastou do pólo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908276/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO.
A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10983.908276/2009-11
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424084
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.731
nome_arquivo_s : Decisao_10983908276200911.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10983908276200911_5424084.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5805162
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474323587072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908276/200911 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.731 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria PER/DCOMP ELETRÔNICO Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a sanála, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 76 /2 00 9- 11 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908276/200911 Acórdão n.º 3801004.731 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação. Inicialmente, alega a contribuinte que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.o 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a contribuinte que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional, e elenca extensivamente as razões pelas quais assim entende (tais razões não serão, entretanto, aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão). Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.o 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a contribuinte que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a contribuinte seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908276/200911 Acórdão n.º 3801004.731 S3TE01 Fl. 13 3 a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: se a lei já foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Egrégio Supremo Tribunal Federal, podem os órgãos de julgamento entender pela sua inconstitucionalidade e afastar a sua aplicação; tratase da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar urna norma inconstitucional, desde que essa já tenha sido assim declarada em decisão plenária pelo órgão máximo do Poder Judiciário; se a lei autoriza os órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade quando o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, em decisão plenária, DEVE esse Colendo Conselho afastar a aplicação do disposto no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Requerente e, por consequência, declarar homologada a compensação, visto que foram observados todos os ditames do artigo 74 da Lei n° 9430/96. Assim, requereu que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908276/200911 Acórdão n.º 3801004.731 S3TE01 Fl. 14 4 Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Em face da constatação da irregularidade na representação processual, o processo foi convertido novamente em diligência para que a Delegacia de origem intimasse à interessada no prazo de 15 (quinze) dias a regularizar a representação processual. A Delegacia atendeu o solicitado e intimou a recorrente a apresentar documento que permita a comprovação de poderes representação da pessoa jurídica pelo signatário do Recurso Voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos (p.p. Vicente Greco Filho) para atuação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil em nome da empresa, à época (20 de julho de 2009). A interessada foi cientificada da diligência e não se manifestou no prazo assinalado e tampouco apresentou qualquer documento. Assim, os autos administrativos retornaram mais uma vez a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908276/200911 Acórdão n.º 3801004.731 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo, ele não atende os demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a autoridade fiscal constatou em diligência fiscal a irregularidade na representação processual, isto é, o signatário do recurso voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos, não tinha legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da apresentação do recurso voluntário. O vício na representação processual não resultou na cobrança imediata dos débitos, pois a recorrente foi intimada a regularizar a representação processual. Ocorre, todavia, embora intimada, que a interessada não regularizou a representação processual. O vício na representação processual implica a revelia do réu, segundo o disposto no 13 do Código de Processo Civil, inciso II: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) No mesmo sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe no art. 6º, inciso V, que o requerimento inicial do interessado deve conter assinatura do requerente ou de seu representante: Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; II identificação do interessado ou de quem o represente; III domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908276/200911 Acórdão n.º 3801004.731 S3TE01 Fl. 16 6 V data e assinatura do requerente ou de seu representante. (grifouse) Deste modo, não há nos autos documentos que comprovem que o signatário do recurso voluntário tinha poderes para representar a recorrente no momento da interposição do recurso, logo este colegiado não pode conhecer do mesmo. Insistase, quando da apresentação do recurso voluntário ficou caracterizada a falta de procuração hábil para o signatário do aludido recurso. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em face de irregularidade na representação processual. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
