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Numero do processo: 13973.000783/2002-46
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO RECURSAL.
DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário das decisões de primeira instância administrativa.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-000.165
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
Matéria: IPI- ação fsical - auditoria de produção
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13973.000783/2002-46 Recurso n° 141.743 Voluntário Acórdão n° 2101-00.165 — 1" Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria IPI Recorrente KOHLBACH MOTORES LTDA. Recorrida DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO RECURSAL. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário das decisões de primeira instância administrativa. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / I a TURMA ORDINÁRIA do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempesti . -N , , - -, • MARCOS C41•IDO / Presidente < /:-/--.1------i----e/GU A OSLL ALENCAR Relat o Processo n° 13973.000783/2002-46 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.165 Fl.. 105 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Tereza Martinez López. Relatório Trata-se de pedido de compensação de débitos de IPI e IRRF, com créditos de IPI oriundos de ação judicial, autuado com o número 2000.72.01.003218-1. O contribuinte indica que a origem do crédito é o processo n. 13973.000353/2002-24, que na verdade é um processo que resultou da reunião de pedidos de compensação, sendo certo que a real origem do crédito é o processo n. 13973.000370/2001-81, cujo pedido foi indeferido, estando aguardando julgamento na DRJ em Porto Alegre/RS. A DRJ em Joinville/SC indefere o pedido dos presentes autos, consoante o despacho decisório proferido no processo gerador dos créditos, de n. 13973.000370/2001-81, onde se indeferiu a compensação pelo fato da ação judicial somente ter permitido a escrituração, na conta gráfica do IPI, dos créditos relativos às entradas desoneradas do tributo, não permitindo a compensação com outros tributos, e pelo fato da referida decisão judicial ainda não ter transitado em julgado. Assim, indeferido o pedido de restituição informado como origem do credito, descabe a homologação da compensação informada. É apresentada manifestação de inconformidade, onde se alega que mesmo que não haja reconhecimento judicial dos créditos as INs SRF 21/97 e 33/99 permitem a compensação, e que o artigo 170-A do CTN é inconstitucional. Por fim, afirma que os créditos encontram-se com a exigibilidade suspensa. Remetidos os autos à DRJ em Ribeirão Preto /SP é o indeferimento mantido, pelo fundamento de que é vedada a compensação à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. É apresentado recurso voluntário, onde se repisa os argumentos da manifestação de inconformidade anteriormente apresentada. É o Relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Verifico pelo AR de fls. 51 que a intimação da decisão recorrida se deu em 05/10/2006, quinta-feira, o que faz o trintídio legal para a interposição de Recurso esgotar-se em 04/10/2006, sábado, prorrogando seu dies ad quem para o próximo dia útil, 06/11/2006, segunda-feira. Outrossim, verifico às fls. 55 que o recurso foi apresentado em 07/11/2006, terça feira, o que o toma intempestivo. 2 Processo n° 13973.000783/2002-46 S2-CIT1 - Acórdão n.° 2101-00.165 Fl. 106 Assim, com fulcro no artigo 33 do Decreto 70.235/72, não conheço do recurso. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009 1_\11j jG AV I19\, (-ALENCAR 3
score : 1.0
Numero do processo: 10580.731825/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE.
Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL.
Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (artigo 62 do RICARF) quando do trânsito em julgado das decisões, o que não se verificou até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
ALÍQUOTA RAT. DIFERENÇA.
A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, vigente à época dos fatos geradores.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL E GRATIFICAÇÃO MOTORISTA.
As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9° do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de terço de férias e gratificações. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE.
Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte.
MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL.
Deve ser afastada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando ficar constatado que houve erro no enquadramento legal.
Numero da decisão: 2201-004.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso de ofício para, na parte provida, restabelecer a multa isolada de 150%. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas e no mérito por maioria em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 38. Vencidas a conselheira (relatora) Débora Fófano e a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício - Redator Designado
(assinado digitalmente)
Débora Fófano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (artigo 62 do RICARF) quando do trânsito em julgado das decisões, o que não se verificou até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. ALÍQUOTA RAT. DIFERENÇA. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, vigente à época dos fatos geradores. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL E GRATIFICAÇÃO MOTORISTA. As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9° do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de terço de férias e gratificações. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Deve ser afastada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando ficar constatado que houve erro no enquadramento legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso de ofício para, na parte provida, restabelecer a multa isolada de 150%. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas e no mérito por maioria em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 38. Vencidas a conselheira (relatora) Débora Fófano e a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício - Redator Designado (assinado digitalmente) Débora Fófano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 671 1 670 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.731825/201372 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201004.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes TELEVISAO BAHIA S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 18 25 /2 01 3- 72 Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 672 2 contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (artigo 62 do RICARF) quando do trânsito em julgado das decisões, o que não se verificou até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. ALÍQUOTA RAT. DIFERENÇA. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, vigente à época dos fatos geradores. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL E GRATIFICAÇÃO MOTORISTA. As parcelas não integrantes do saláriodecontribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9° do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de terço de férias e gratificações. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente voltase a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte. MULTA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Deve ser afastada a penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando ficar constatado que houve erro no enquadramento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso de ofício para, na parte provida, restabelecer a multa isolada de 150%. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas e no mérito Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 673 3 por maioria em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 38. Vencidas a conselheira (relatora) Débora Fófano e a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício Redator Designado (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício (fl. 568) e Voluntário (fls. 592/631) interpostos contra decisão no Acórdão nº 1277.577 da 12ª da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO) de fls. 567/586, a qual julgou a impugnação procedente em parte com manutenção parcial do crédito tributário consolidado no presente processo administrativo, compreendendo os seguintes autos de infração: a) DEBCAD nº 51.051.2402, corresponde ao lançamento que agrega as contribuições previdenciárias da parte patronal, decorrentes das diferenças de alíquotas entre o RAT AJUSTADO e o valor declarado em GFIP, no período de 04/2010 a 13/2011, no valor original de R$ 1.442.563,72, acrescido de juros e multa de mora, a serem calculados na data do pagamento (fls. 02/08), que foi mantido integralmente; b) DEBCAD nº 51.051.2429 referente às glosas de compensações previdenciárias efetuadas indevidamente no período de 06/2010 a 08/2011, valor original de R$ 2.420.397,47, acrescido de juros e multa de mora, a serem calculados na data do pagamento (fls. 09/14), que foi mantido integralmente; c) DEBCAD nº 51.051.2437, correspondente à multa isolada no valor original de R$ 3.630.596,21 (fls. 15/18), que foi integralmente exonerado; e d) DEBCAD nº 51.051.2453, referente à multa pela falta apresentação de livros ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias (CFL 38), no valor original de R$ 17.173,58 (fl. 19), que foi mantido. Do relatório fiscal (fls. 23/45) foram extraídos os seguintes pontos constantes no Acórdão elaborado pela 12ª Turma da DRJ/RJO (fls. 569/570): "(...) AI nº 51.051.2402 Diferença de SAT Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 674 4 2.1. foram utilizadas as alíquotas SAT de 3% na competência 04/2010 e 2% nas competências 05/2010 a 13/2011 sem a aplicação dos coeficientes FAP de 1,6353% e 1,8553% para os anos de 2010 e 2011, respectivamente, o que resultaria no RAT ajustado de 4,9059% e 5,5659%, conforme memória de cálculo do item “5.1” (fls. 33/34); AI nº 51.051.2429 Glosa de Compensação Indevida; 2.2. foram efetuadas compensações indevidas no período de 06/2010 a 08/2011, relativas às rubricas: aviso prévio indenizado, salário maternidade, primeiros 15 dias de afastamento do auxíliodoença e auxílio acidente de trabalho, férias, férias indenizadas e adicional de 1/3, todas retroativos aos últimos 10 anos; 2.3. a glosa ocorreu por ter a empresa efetuado as compensações antes do trânsito em julgado das sentenças proferidas nos processos judiciais por ela ajuizados, inobservando o disposto no art. 170A do CTN, por ter utilizado valores de períodos prescritos; e em razão da inexistência de importâncias a compensar; 2.4. a empresa também não forneceu à fiscalização o detalhamento das compensações efetuadas, conforme exigido através do TIPF, tendo disponibilizado apenas uma planilha cujos valores não coincidem com os valores compensados em GFIP, impossibilitando saber qual a competência inicial e final, qual a origem e composição das rubricas integrantes e que parte do saldo de uma rubrica ou competência foi transferida de um para outro período; 2.5. embora nas competências 09/2005 a 04/2010 a empresa tenha informado que existiam créditos a compensar, a planilha do item “4.4” do Relatório Fiscal (fls. 32) evidencia a inexistência de tais créditos, uma vez que os recolhimentos em GPS foram inferiores ao declarado em GFIP; AI nº 51.051.2453 – Código de Fundamentação Legal – CFL 38 2.6. o contribuinte foi autuado no CFL 38 por não ter apresentado, após formal intimação através do TIPF: i) cópia de todas as petições e decisões judiciais que autorizaram a compensação de créditos previdenciários; e ii) memória de cálculo detalhada das compensações de créditos previdenciários efetuadas no período de apuração, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas; (...)" Da Impugnação O Recorrente apresentou sua Impugnação em 10/01/2014 (fls. 467/513), cujo resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ, adotase, para compor parte do presente relatório (fls. 570/574): "(...) Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 675 5 Nulidade do TIPF 3.1. o TIPF foi recebido em 21/05/2012 e encerrado em 17/05/2012 (04 dias antes do seu próprio início), o que denota evidente fraude com o intuito de anulálo, justificando a reabertura de fiscalização já encerrada; 3.2. diante do fato acima, requer seja encaminhada cópia do TIPF para a Polícia Federal e Ministério Público para apuração de eventual crime; Ilegitimidade Passiva da Sócia Pessoa Física 3.3. conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária, a sócia Sra. Arlette Maron Magalhães foi arrolada como responsável solidária sem que tivesse havido qualquer das condutas do art. 135 do CTN; 3.4. a glosa de compensação decorre de mera divergência de interpretação da legislação tributária, não havendo conduta dolosa que enseje a aplicação do art. 135 do CTN; Revisão Desmotivada do Lançamento 3.5. foi intimada do TIPF em 21/05/2012 a apresentar esclarecimentos acerca das compensações declaradas em GFIP no período de 2010 a 2011 (doc. 04), tendose encerrado a fiscalização sem qualquer cobrança (doc. 05); ou seja, a DRF Salvador homologou a atividade do contribuinte de apurar e recolher antecipadamente o tributo, operandose o lançamento; 3.6. o encerramento do MPF sem a constituição do crédito tributário é a última etapa do procedimento de lançamento por homologação expressa; 3.7. a revisão de ofício do lançamento deve ser motivada por uma das hipóteses descritas no art. 149 do CTN; 3.8. não obstante, foi instaurado novo MPF (doc. 06), recebido em 31/10/2013, com o mesmo objeto do anterior, qual seja, obter informações das compensações do período de 2010 a 2011; 3.9. o Auditor não indicou no relatório fiscal o fundamento legal para a revisão do lançamento anterior, inquinando o Auto de Infração de vício material insanável, na medida em que desatendida a exigência do art. 50, VIII, da Lei 9.784/99; 3.10. ademais, o Auditor carece de competência funcional para revisar de ofício o lançamento sem a indicação do dispositivo legal autorizador da revisão, atraindo o disposto no art. 59 do PAF; Falta de Descrição dos Fundamentos do Lançamento 3.11. houve infringência aos arts. 12, II, e 39, III, do Decreto 7.574/11, uma vez que “as ponderações trazidas nos Autos de Infração (...) deixam de pormenorizar a relação descrevendo precisamente o fato que encetou a incidência dos débitos de contribuições sociais”; Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 676 6 3.12. de acordo com o parágrafo primeiro do art. 50 da Lei 9.784/99, a motivação é pressuposto de validade do ato administrativo; Falta de Identificação da Origem dos Créditos Compensados 3.13. o Auditor não identificou corretamente a origem do crédito tributário motivador da compensação; 3.14. o relatório fiscal diz que a compensação decorre das rubricas “aviso prévio indenizado, salário maternidade, primeiros 15 dias de afastamento anteriores à concessão de auxílio doença, férias, férias indenizadas e adicional de um terço de férias”, no entanto, os documentos apresentados no curso da ação fiscal mostram que se tratam, na verdade, das rubricas “terço constitucional de férias, gratificação eventual, gratificação motorista, bem como do RAT recolhido a maior após a correta análise da atividade preponderante; 3.15. a autoridade lançadora limitouse a examinar no sítio do TRF da 1ª Região a existência de diversas ações judiciais propostas pela empresa as quais nada têm a ver com as compensações efetuadas e, a partir daí, apurar a origem das rubricas compensadas; 3.16. a planilha do item “4.4” do relatório demonstra a conduta duvidosa do Auditor, pelos seguintes motivos: i) os valores nela apontados não foram objeto de autuação, quando poderiam ter sido caso fossem devidos; ii) tais números não foram identificados nos documentos entregues à fiscalização, uma vez que não foram objeto do TIPF, tendo sido identificados através dos sistemas da RFB (doc. 06); iii) os referidos valores foram devidamente quitados, razão pela qual aqueles referentes ao ano de 2010 não foram objeto de autuação; 3.17. a empresa possui certidão positiva com efeito de negativa válida, emitida pela RFB, referente a estas contribuições previdenciárias (doc. 11); 3.18 apesar de não ter sido autuada em relação aos valores da planilha do item “4.4” do relatório, esclarece que: i) os débitos do período de 09 a 13/2005 foram parcelados através da LDC nº 35.690.7600, com deferimento em 21/02/2006 (processo nº 60.333.6582), e quitados nas suas respectivas datas de vencimento; as supostas diferenças encontradas nas competências 01 a 04/2010 se referem a valores depositados em juízo (doc. 12); 3.19. sem qualquer respaldo legal o Auditor exigiu por meio do TIPF (doc. 06) a entrega das planilhas de compensação em formato excel; 3.20. não existindo determinação legal em contrário, a empresa pode manter os documentos no formato que achar mais conveniente e melhor atenda às suas políticas internas de segurança da informação e compliance, pelo que não há como alegar o não atendimento do TIPF por essa razão; Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 677 7 3.21. a desconsideração das informações sob a justificativa de ter sido apresentada planilha em formato “pdf” ao invés de “xls” é absurda e desmotivada; 3.22. todos os dados que comprovam a origem dos créditos compensados constam das planilhas entregues em formato “pdf”; Atividade Preponderante e Alíquota RAT 3.23. a partir do que preceitua a Súmula STJ nº 351, elaborou estudo acerca da aferição de sua atividade preponderante, levando em consideração a possibilidade de individualização por estabelecimento, concluindo que a atividade preponderante corresponde a de consultoria em gestão empresarial (CNAE 70204/00), classificada como de risco leve até final de 2009 (1%) e médio a partir de 2010 (2%), conforme Anexo V do RPS; 3.24. no entanto, o Auditor ignorou o enquadramento, e considerou como preponderante a atividade constante do cartão de CNPJ, cuja alíquota é de 3%, sem demonstrar a metodologia utilizada ou o eventual equívoco cometido pela empresa; 3.25. o Auditor omitiu os fundamentos que o levaram a entender que a empresa havia se equivocado na aplicação da alíquota SAT, utilizando apenas o trecho do relatório transcrito às fls. 491 para justificar sua decisão, o que cerceou o direito de defesa da empresa, impedindoa de contrapor os fundamentos do lançamento; 3.26. em nenhum momento a fiscalização questionou a atividade econômica preponderante da empresa, apesar desta ter lhe apresentado, independentemente de solicitação, os estudos realizados para definir sua condição (doc. 09); 3.27. em conformidade com a Súmula 351 do STJ e com o Parecer PGFN/CRJ 2120/11, a empresa passou a apurar a alíquota do RAT por estabelecimento com CNPJ, e não pela empresa como um todo (doc. 13); 3.28. a atividade preponderante não se identifica, necessariamente, com a atividade informada, por exemplo, no cartão do CNPJ, conforme Solução de Consulta nº 32, de 09 de abril de 2009; 3.29. o método utilizado pela empresa na apuração da alíquota RAT em nenhum momento foi refutado pela fiscalização, que negligenciou as informações prestadas; 3.30. ao aplicar o método, a empresa identificou que a atividade preponderante de seus estabelecimentos era a atividade do CNAE 7020.4/00 (atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica), de risco leve e alíquota de 2% (doc. 09); Decisão Judicial Suspensiva da Exigibilidade do FAP 3.31. encontrase amparado por decisão liminar, confirmada em sentença,que lhe assegura absterse da aplicação do índice FAP, nos termos do art. 151, incisos IV e V, do CTN (doc. 14); Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 678 8 3.32. o Auditor não solicitou informações sobre o FAP, restringindose a requerer cópias das ações judiciais que autorizavam a compensação, conforme informado no item “3.2” do relatório; Natureza das Rubricas Compensadas 3.33. a desoneração da gratificação eventual e da gratificação motorista são legais e se fundamentam no item “7” da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91; 3.34. a desoneração do terço constitucional de férias se justifica ante a figura da nãoincidência, porquanto se trata de um plus de caráter indenizatório, pago de forma eventual, e que não se destina a retribuir o trabalho prestado, citando precedentes do STF e STJ; 3.35. a 1ª Seção do STJ já consolidou entendimento, por meio de Recurso Repetitivo, de que essa rubrica não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, vinculando o CARF e todas as instâncias inferiores; 3.36. o crédito de RAT decorre da aplicação retroativa do reenquadramento da atividade preponderante da empresa, cuja alíquota correspondente passou de 3% para 1% entre 2005 e 2009 e 2% a partir de 2010; Inaplicabilidade do Art. 170A do CTN 3.37. o Auditor fundamentou a glosa com base no art. 170A do CTN, porém os créditos utilizados pela empresa não são objetos dos mandados de segurança identificados pela autoridade lançadora; 3.38. o crédito decorrente do ajuste do RAT corresponde a R$ 1.335.727,45, ou seja, 59,06% do total compensado, sendo que a empresa não ajuizou qualquer medida judicial para convalidar o procedimento; 3.39. os Mandados de Segurança nºs 02230118.2010.4.01.3300 e 02230203.2010.4.3300, discutem, respectivamente, a desoneração do 13º salário, adicional noturno e horas extras, sendo que os créditos decorrentes dessas rubricas não foram utilizados pela empresa, conforme item 3.V.a; 3.40. o Mandado de Segurança nº 2230385.2010.4.01.3300 discute a desoneração, dentre outras rubricas, do terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e quinze primeiros dias que antecedem o auxílio doença, no entanto, a identidade do objeto desse MS e os créditos utilizados na compensação não gera a incidência do art. 170A do CTN, uma vez que a ordem judicial não alcança o período do crédito utilizado, mas sim período anterior; 3.41. os primeiros cinco anos foram recuperados por compensação espontânea; e os últimos cinco anos, em razão da insegurança da tese dos “cinco mais cinco”, foram objeto da citada ação judicial, razão pela qual o art. 170A não atinge a totalidade da compensação (os cinco primeiros anos), mas apenas os créditos discutidos no MS; Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 679 9 Multa por Falsidade na Declaração 3.42. aplicouse a multa de 150% sem qualquer prova ou indício de materialidade do crime de sonegação; 3.43. não houve qualquer falsidade nas declarações transmitidas pela empresa, nem tampouco sonegação ou fraude, eis que ausente o elemento do dolo em suas ações; 3.44. houve tão somente divergência de interpretação entre o contribuinte e o Auditor; 3.45. nos assentamentos contábeis e documentos apresentados não há qualquer intenção de esconder os fatos; muito pelo contrário, todos os documentos solicitados foram entregues à fiscalização; 3.46. conforme jurisprudência pacífica da DRJ e do CARF, o dolo deve ser comprovado para que se aplique a multa agravada (acórdão nº 1260.359 da 10ª Turma da DRJRJ 1 e acórdão nº 110300.460 da 1ª Seção do CARF); 3.47. a multa deve ser reduzida para 75% do valor do principal; 3.48. é vedada a aplicação concomitante das multas de mora e de ofício, consoante decisões proferidas pelo CARF nos Recursos Voluntários nºs 157.478 e 118.707; Multa por Omissão na Entrega de Documentos 3.49. os documentos supostamente omitidos foram as cópias das petições e decisões judiciais que autorizavam a compensação e a correspondente memória de cálculo, detalhada em formato Excel, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas; 3.50. no entanto, consoante já exposto, as compensações não decorrem de decisões judiciais, pelo que não há qualquer peça processual a ser apresentada; e as planilhas com as memórias de cálculo foram disponibilizadas em formato “pdf”, não possuindo amparo legal a exigências das mesmas em formato “xls”, desde que o seu conteúdo atenda ao solicitado pela fiscalização; (...)" Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme ementa abaixo (fls. 567/586): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011 RESPONSABILIZAÇÃO DO SÓCIOADMINISTRADOR. ART. 135 DO CTN. A responsabilização pessoal do sócio da pessoa jurídica, com base no art.135 do CTN, se refere apenas às obrigações Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 680 10 tributárias resultantes dos atos ilícitos praticados e desde que estes sejam imputáveis ao terceiro responsável. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PLANILHA COM MEMÓRIA DE CÁLCULO. A falta de apresentação da planilha com a memória de cálculo das compensações efetuadas ao longo do período fiscalizado impossibilita a homologação por parte da autoridade fiscal do tributo apurado pelo sujeito passivo, legitimando a glosa dos valores compensados. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS EVENTUAIS E ABONOS. As verbas eventuais e os abonos somente não integrarão o salário de contribuição quando houver disposição expressa de lei nesse sentido. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. A imposição da multa isolada de 150% no caso de compensação indevida de contribuição previdenciária somente será cabível quando houver prova da falsidade na declaração e do dolo específico de suprimir ou reduzir o tributo devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Do Recurso de Ofício Com o reconhecimento da improcedência e por conseguinte exoneração do lançamento no AI nº 51.051.2437, referente à multa isolada de 150% e a exclusão do pólo passivo da relação jurídica da sócia administradora ARLETTE MARON DE MAGALHÃES, houve a interposição de Recurso de Ofício. Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ em 20/07/2015, conforme despachos de fls. 589/590, apresentou o recurso voluntário de fls. 592/631, em 19/08/2015, pedindo seu provimento integral a fim de declarar totalmente insubsistente a cobrança das contribuições previdenciárias lançadas de ofício, consubstanciadas nas autuações remanescentes, extinguindo, assim, os Autos de Infração DEBCAD n° 51.051.2402, 51.051.2429 e 51.051.2453, com seu imediato cancelamento. Este recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Débora Fófano Relatora DO RECURSO DE OFÍCIO Preliminarmente, o recurso de ofício preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 681 11 Em virtude da exoneração total do crédito tributário constante da DEBCAD nº 51.051.2437, referente à multa isolada de 150% e exclusão do pólo passivo da relação jurídica a sócia administradora ARLETTE MARON DE MAGALHÃES, foi interposto recurso de ofício. Deste modo, analisarseá o fundamento do acórdão que culminou com a exoneração do crédito, qual seja, a improcedência da aplicação de multa isolada, diante da hipótese de nulidade absoluta, aliada à falta de comprovação pela autoridade lançadora, com provas robustas, da falsidade da declaração e o dolo específico por parte do agente. Responsabilização da Sócia Pessoa Física Em relação ao sujeito passivo solidário a fiscalização não demonstrou de forma clara e precisa a sua participação efetiva e dolosa no sentido de agir para a prática das condutas elencadas no relatório fiscal (fl. 43) e no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 263/267) em relação à Seguridade Social. Deveria a autoridade fiscal efetuar o lançamento da solidariedade passiva com base no artigo 124 do CTN relacionando uma das situações de seus incisos I ou II e combinado com o artigo 135, III do CTN, comprovar a situação ali especificada. Contudo a autoridade fiscal deixou de fundamentar a responsabilidade solidária fazendo apenas em relação ao artigo 135 do CTN que trata da responsabilidade pessoal de terceiros. Mesmo que assim fosse, a situação elencada no inciso III do artigo 135 do CTN "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", não restou devidamente comprovada pela fiscalização. Isto posto, não merece reparo a decisão recorrida neste aspecto. Da Multa Isolada Na decisão recorrida, o juízo a quo decidiu pelo cancelamento da multa isolada sob os seguintes argumentos: i) a fundamentação do lançamento foi feita de forma genérica, limitandose a autoridade lançadora a reproduzir dispositivos legais que embasam a penalidade; ii) a falta de motivação do lançamento impossibilitando o direito de defesa pelo contribuinte; e iii) a alegação de que existe forte jurisprudência no CARF no sentido de que a imposição da multa isolada de 150% não poderá se ancorar na simples ilegitimidade do procedimento compensatório, sendo necessário que se configure o dolo específico por parte do agente em suprimir ou reduzir o valor da contribuição previdenciária devida mediante a inclusão de informações falsas em GFIP. Por fim concluiu o voto do seguinte modo (fl. 585): "(...) Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 682 12 58. Muito embora a falta de motivação conduza à nulidade do ato administrativo, entendo que, no mérito, o lançamento também não se sustenta pelos motivos acima, motivo pelo qual há de se aplicar no caso sob exame o disposto no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, a seguir transcrito: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)" Nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que o contribuinte foi cientificado regularmente do feito e, segundo prevê a legislação relativa ao processo administrativofiscal, conseguiu apresentar com precisão todos os argumentos de sua defesa. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Consta no relatório fiscal que o contribuinte interpôs diversas ações judiciais visando obter a não tributação e respectiva compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre diversos fatos geradores (fls. 29/30): "(...) II – DOS PROCESSOS JUDICIAIS 2.1. O contribuinte ingressou com diversas medidas judiciais visando obter a não tributação e respectiva compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre diversos fatos geradores, conforma (sic) abaixo resumido: a) Processo 002230118.2010.4.01.3300 – Mandado de Segurança Requereram os Impetrantes a concessão de medida liminar para eximirse das contribuições previdenciárias incidentes sobre o 13º salário, assim como da extensão do prazo de prescrição para 10 (dez) anos. O pedido de liminar foi indeferido e mesmo após a interposição de agravo de instrumento e recurso de apelação os pedidos foram julgados improcedentes – sendo considerado constitucional o prazo prescricional de 5 (cinco) anos e a gratificação natalina considerada como integrante da folha de salários, sujeitandose, portanto, à incidência de contribuição previdenciária – conforme acórdão datado de 14 de setembro de 2012 da Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso da Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. b) Processo 002230203.2010.4.01.3300 – Mandado de Segurança Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 683 13 Requereram os Impetrantes a concessão de medida liminar objetivando o reconhecimento da não incidência da contribuição previdenciária do empregador sobre os valores creditados ao empregado a título de adicional por trabalho noturno e por horas extras, autorizando a compensação de todos os valores recolhidos a maior nos últimos 10 (dez) anos com tributos vincendos, pedindo ainda que fosse determinado a suspensão da exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado por conta destas exclusões e que a autoridade coatora se abstivesse de praticar qualquer ato direcionado a sua cobrança. Estes mesmos pleitos foram requeridos no Mandado de Segurança nº 2243982.2010 que foi indeferido e a ação julgada extinta sem julgamento do mérito, diante da inadequação da via utilizada, sendo, entretanto, por parte dos Impetrantes, objeto de Apelação, a qual, após o seu prosseguimento normal, teve ao final o pedido de liminar, após a análise do mérito, sido indeferido. Foi interposto agravo de instrumento contra a decisão denegatória da medida liminar, sendo, todavia, mantida a decisão. Em sentença datada de 26 de fevereiro de 2012 – e que consta erradamente do texto assinado pela Juíza Federal Titular da 6ª Vara Federal da Justiça Federal de 1ª Instância da Bahia, Dra. Rosana Noya Alves Welbel Kaufmann, como sendo 26 de fevereiro de 2016 – a prescrição acatada como válida foi de 5 (cinco) anos e o mérito – não incidência de contribuições previdenciárias sobre horas extras e adicional noturno – foi considerado improcedente e denegada a segurança com a conseqüente extinção do processo, com o julgamento do mérito. c) Processo 2230385.2010.4.01.3300 – Mandado de Segurança Requereram os Impetrantes a concessão de medida liminar objetivando o reconhecimento da não incidência da contribuição previdenciária do empregador sobre os valores creditados ao empregado a título de aviso prévio indenizado, salário maternidade, auxíliodoença, férias, férias indenizadas e adicional de 1/3, autorizando a compensação de todos os valores recolhidos a maior nos últimos 10 (dez) anos com tributos vincendos, tendo sido deferida, em parte, a liminar. Desta decisão foram interpostos agravos de instrumento pelos Impetrantes e Impetrado. Foi negado provimento ao agravo de instrumento dos Impetrantes e o Ministério Público Federal informou que não se manifestaria sobre o objeto da ação, por estar ausente o interesse público que assim o justificasse. Quanto às férias indenizadas – de acordo com o art. 28, § 9º, “d” e “e”, “6” da Lei nº 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas a título de férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional, assim como aquelas recebidas a título de abono de férias, na forma dos artigos 143 e 144 da CLT a Magistrada informou que “não se justifica o pedido formulado na inicial, uma vez que não foi comprovado que o impetrado, contrariando o referido dispositivo legal, vem cobrando a contribuição previdenciária sobre as referidas verbas.” Em sentença datada de 30 de abril de 2012, a Juíza Federal da 1ª Vara/BA, Dra. Arali Maciel Duarte, determinou: “revogo a decisão de fls. 125/128 e CONCEDO EM PARTE A Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 684 14 SEGURANÇA, declarando: 1) o direito das impetrantes de não recolherem a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos seus empregados durante os quinze primeiros dias do auxíliodoença ou do auxílioacidente e sobre o adicional de 1/3 de férias (o normal, ou seja, o referente às férias gozadas); 2) o direito da impetrante de proceder a compensação dos valores recolhidos indevidamente com os seus débitos vencidos e/ou vincendos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive as contribuições previdenciárias, após o trânsito em julgado desta sentença, em razão do disposto no art. 170A do CTN, observando a prescrição decenal até a data em que entrou em vigor a Lei Complementar nº 118/2005 (09.06.2005) e a prescrição qüinqüenal para os recolhimentos efetivados após a referida vigência. Em face do que foi acima decidido, determino: a) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, IV, do CTN, em relação à contribuição previdenciária incidente sobre as parcelas indicadas no item 1 do dispositivo desta sentença; b) que o impetrado se abstenha de exigir da impetrante o pagamento da referida contribuição.”(destacamos) Desta sentença foram interpostos recursos de Apelação ao Tribunal Regional Federal (TRF) por ambas as partes, os quais ainda não foram julgados. Assim sendo, ainda não ocorreu o trânsito em julgado deste processo. 2.2 A compensação das contribuições previdenciárias efetuadas pelo contribuinte foram glosadas pela RFB por não ter sido observado o disposto na sentença judicial em relação ao Art. 170A do CTN, ou seja, as compensações só poderiam ser feitas após o trânsito em julgado da sentença, o que, efetivamente, não havia ocorrido na época das compensações. Assim dispõe o dispositivo legal citado: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (destaques no original) 2.3. Além da não observância, pela empresa, do trânsito em julgado da decisão judicial, o contribuinte efetuou compensações utilizando valores inclusive de períodos prescritos ou de inexistência de importâncias a compensar, conforme explicitado nos itens subsequentes e constantes das planilhas fornecidas pela empresa. Além do mais, o contribuinte, mesmo intimado a prestar as informações necessárias, corretas e pertinentes não as forneceu no prazo legal – e nem fora dele – de tal forma que, pela análise realizada, concluise que todos os valores compensados no período de junho/2010 a agosto/2011, são indevidos e por este motivo foram glosados pela RFB, com a aplicação das penalidades legais cabíveis.(grifos nossos) (...)" Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 685 15 A decisão judicial reconhece que o artigo 170A do CTN é aplicável ao caso da autuada, ou seja, somente seria possível efetuar compensações após o trânsito em julgado da ação, o que não ocorreu até hoje tendo em conta a suspensão/ sobrestamento do processo por decisão do Tribunal Superior Repercussão Geral (STF). Assim, o contribuinte somente poderia valerse do instituto da compensação de tais valores após a conclusão dos mesmos serem indevidos. Na dicção do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, com alterações pela Lei nº 11.941, de 2009, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ele estará sujeito à multa de 150% (vide abaixo): "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)." O legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem mencionar a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. No caso concreto o contribuinte descumpriu a decisão judicial ao proceder compensação sobre valores de contribuições objeto de ação judicial ainda não transitada em julgado, indicando tal conduta em nítida falsidade de declaração ao informar na GFIP crédito na verdade inexistente, resultando na conseqüente diminuição da contribuição devida. Notese que a aplicação da multa isolada não foi fundamentada apenas na compensação de valores questionáveis em juízo, mas especialmente na ausência de comprovação do efetivo recolhimento indevido, uma vez que, segundo descrito no relatório fiscal, o contribuinte efetuou compensações utilizando valores de períodos prescritos ou de inexistência de importâncias a compensar. À vista do exposto, deve ser dado provimento ao Recurso de Ofício neste ponto. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões pela qual deve ser conhecido. Os pontos atacados são os seguintes: Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 686 16 I. Preliminares: Nulidades Material e Formal a) Reabertura desmotivada de fiscalização encerrada (fls. 595/599) e b) Ausência de descrição dos fatos e fundamentos que justificaram os lançamentos (fls. 599/609): II. Mérito a) Ilegalidade do Lançamento (fls. 609/628); b) Impossibilidade de Cobrança Concomitante da Multa de Mora e da Multa de Ofício (fls. 628/629); e c) Da Inaplicabilidade da Multa por Omissão na Entrega de Documentos (fls. 629/630). Desta forma, analisarseá os argumentos do Recorrente em cada um dos fundamentos acima aduzidos. Preliminares: a) Reabertura Desmotivada de Fiscalização Encerrada Na época dos fatos, vigia no âmbito da Receita Federal do Brasil a Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 20111, que em seus artigos 2º e 3º estabeleciam os conceitos em relação aos procedimento fiscal de fiscalização e de diligência: "CAPÍTULO I DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, 1 Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 687 17 inclusive para atender exigência de instrução processual. (grifos nossos) Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital." Deste modo, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) nº 05.1.01.002012003781, emitido em 15/05/2012, com a descrição sumária de verificação de compensação/restituição previdência (fl. 552), o auditor responsável pelo procedimento mediante solicitação formalizada no Termo de Início de Procedimento Fiscal, lavrado em 18/05/2012, solicitou: a) esclarecimentos por escrito e documentos comprobatórios da origem dos valores compensados pela empresa relativos as contribuições previdenciárias do período de apuração de 01/2010 a 12/2011; e, b) contrato social e dados dos sócios, administradores e contadores (fls. 545/546). O procedimento de diligência foi encerrado após o atendimento, conforme relatado pelo contribuinte e informação constante no referido MPFD. Por sua vez, o procedimento de fiscalização teve início somente em 31/10/2013, com a lavratura e ciência ao contribuinte do Termo de Início de Procedimento Fiscal referente ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) nº 05.1.01.00 201300940 (fls. 554/555). Assim sendo, por se tratarem de procedimentos distintos (diligência e fiscalização) não há como acolher as alegações do Recorrente. b) Ausência de Descrição dos Fatos e Fundamentos que Justificaram os Lançamentos Conforme já relatado anteriormente, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que ao contribuinte regularmente cientificado do feito, conseguiu apresentar com precisão todos os argumentos de sua defesa, sendo incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Assim sendo, não se identifica cerceamento no direito de defesa, dado que os argumentos e documentos de prova estão sendo reexaminados, suprindo dessa forma, eventual omissão da 1ª instância de julgamento. Mérito No tocante ao mérito, o Recorrente invoca os seguintes pontos: a) Ilegalidade do Lançamento Neste ponto foram apresentados praticamente os mesmos argumentos da impugnação, aduzindo que o Auditor Fiscal não observou com exatidão as seguintes premissas: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 688 18 i) A existência de decisão judicial que autoriza a Recorrente a absterse de aplicar o índice de FAP; ii) Estudo realizado pela Recorrente para aferir a sua atividade preponderante nos termos do que impõe a Súmula nº 351 do STJ, de modo a individualizála por estabelecimento, e iii) A real origem dos créditos tributários compensados pelo Recorrente. Isto posto, analisarseá as justificativas do contribuinte em cada um dos fundamentos acima aduzidos. De acordo com relatório fiscal (fls. 23/24): "(...) a origem aos lançamentos fiscais se referem às contribuições previdenciárias decorrentes de diferenças de alíquotas de Risco Ambiental do Trabalho (RAT AJUSTADO) no período de 04/2010 a 13/2011, bem como compensações efetuadas indevidamente pelo contribuinte no período de 06/2010 a 08/2011, relativas aos seguintes fatos geradores: aviso prévio indenizado, salário maternidade, primeiros 15 (quinze) dias de afastamento do auxíliodoença e auxilio acidente do trabalho, férias, férias indenizadas e adicional de 1/3 e todos retroativos aos últimos 10 (dez) anos. 1.2. As diferenças de RAT decorreram do fato do contribuinte ter utilizado a alíquota do RAT de 3% (três por cento) na competência 04/2010 e 2% nas competências 05/2010 a 13/2011, sem aplicar o Fundo Acidentário de Prevenção (FAP) que era de 1,6353% e 1,8553%, respectivamente, nos anos de 2010 e 2011, que resultaria no RAT AJUSTADO de 4,9059% e 5,5659%, nesta mesma ordem, nos anos referidos. 1.3. As compensações declaradas em GFIP foram efetuadas pelo sujeito passivo com base em ações judiciais impetradas visando a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os fatos geradores mencionados no item 1.1. e resumidas em item específico adiante. (...)" Em relação à infração constante da DEBCAD nº 51.051.2402, referente à aplicação do RAT e FAP, o Recorrente alega que foi adotada a alíquota básica de SAT de 3% e não de 2% informada na GFIP. O acórdão recorrido apenas ratificou a alíquota de SAT declarada em GFIP, afirmando que "as diferenças de RAT decorreram exclusivamente da falta de aplicação do FAP". Ocorre que se a autuação estivesse levando em conta apenas a diferença de FAP o valor do principal a ser lançado seria de R$ 690.248,35, conforme demonstrado tabela de fl. 612. Em que pese as alegações do Recorrente, na Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas), do Anexo V do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 19992, com 2 Aprova o regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 689 19 redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009, consta para as Atividades de televisão aberta, CNAE 60217/00, a alíquota de 3%. Como informado e demonstrado no quadro de fls. 33/34 do relatório fiscal, o contribuinte utilizou a alíquota SAT de 2% nos meses de 05/2010 a 13/2011, quando a correta para a sua atividade era de 3%. Assim sendo, a "DIFERENÇA NÃO DECLARADA EM GFIP" apontada no referido quadro (meses de 05/2010 a 13/2011) corresponde ao valor de 1% na alíquota do SAT, acrescida do FAP de 1,6353 para os meses de 05/2010 a 13/2010 e de 1,8553 a partir de 01/2011 até 13/2011. No mês 04/2010 a diferença apontada corresponde somente ao FAP 1,6353. Quanto ao argumento de que se encontrava amparado por decisão judicial suspensiva da exigibilidade do FAP, o pedido liminar requerido pela empresa, nesse particular, foi indeferido pelo Juízo da 12ª Vara Federal da Bahia em razão da ausência do periculum in mora (item 9 da referida decisão de fl. 461). No tocante às compensações previdenciárias foram glosadas as realizadas pelo Recorrente entre 01/2010 e 12/2011, fundamentado na: i) indisponibilidade dos créditos, porque objetos de ações judiciais sem sentença transitada em julgado; ii) inexistência dos créditos, porque não demonstrados pelo Recorrente: e iii) utilização de créditos prescritos. No relatório fiscal (fls. 27/28) foi informado que o contribuinte ingressou com diversas medidas judiciais visando obter a não tributação e respectiva compensação das contribuições previdenciárias incidentes sobre diversos fatos geradores. Dos três mandados de segurança impetrados pela empresa, somente no processo nº 2230385.1010.4.01.3300 o contribuinte obteve decisão favorável em relação ao aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, tendo o juiz condicionado a compensação à observância do artigo 170 A do CTN. O Recorrente alega que a origem e existência dos créditos utilizados nas compensações não se sustentam em ações judiciais mas na identificação de pagamentos a maior de contribuições previdenciárias no período compreendido entre 08/2005 a 06/2010. Neste período pagou contribuições previdenciárias sobre o 1/3 constitucional de férias, gratificação eventual e gratificação motorista e contribuição para o RAT com alíquota de 3%, inobstante sua atividade preponderante indicar até dezembro de 2009, alíquota de 1% e a partir de janeiro de 2010, alíquota de 2%. Juntou ao presente, planilha com o cotejo entre o crédito apurado e os valores compensados em GFIP (fls. 650/654). Importante ressaltar que não há qualquer tese definitiva (transitada em julgado) firmada pelo STJ ou STF em sede de recursos repetitivos ou repercussão geral, respectivamente, sobre o tema envolvendo a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento por motivo de doença e aviso prévio indenizado foram, de fato, decididos pelo STJ através do REsp 1230957/RS. Contudo, tal decisão encontrase suspensa por decisão da VicePresidência do STJ em razão do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE 593068 e RE 565.160/SC). Quanto ao saláriomaternidade e saláriopaternidade decidiuse pela incidência da contribuição previdenciária. Neste sentido, orientação consubstanciada na Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, a seguir transcrita: "(...) II Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 690 20 Quinze primeiros dias de afastamento do trabalho do segurado anteriores ao auxíliodoença: 8. O STJ entendeu que não haveria incidência de contribuição previdenciária no período dos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho do segurado anteriores ao auxílio doença. Conforme se depreende do voto do Ministro Mauro Campbell, relator do RESP nº 1.230.957/RS, entendeuse que, não obstante, nesse período, haja pagamento pelo empregador, a importância não se destinaria a remunerar o trabalho e, dessa forma, não se enquadraria na hipótese de incidência da exação, a qual exige que se trate de verba de natureza remuneratória. 9. Em relação a este ponto, não se irá incluir o tema em lista de dispensa de contestar e recorrer, uma vez que ainda não está definida, no âmbito do STF, a questão da repercussão geral da matéria. Com efeito, o Plenário Virtual da Corte, no Recurso Extraordinário (RE) nº 611.505/SC, da relatoria do Ministro Ayres Britto, teria rejeitado a repercussão geral da matéria, considerando que ela estaria restrita à análise de norma infraconstitucional. Ocorre que a União (Fazenda Nacional), nos autos do referido recurso, manifestou sua irresignação em face de tal decisão, ante o fato de não ter sido atingido, no julgamento do leading case apontado, o quorum constitucional previsto no art. 102, §3º, da Constituição Federal, de 08 (oito) Ministros exigido para se decretar a inexistência de repercussão geral de temas constitucionais. 10. Assim, em que pese o STJ, no Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado na forma do art. 543C do CPC, tenha assentado que não haveria incidência de contribuição previdenciária sobre o afastamento dos quinze primeiros dias, por considerar que se trataria de verba de natureza indenizatória, não é possível a inclusão da matéria na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. III Aviso Prévio Indenizado 11. De acordo com o STJ, no RESP nº 1.230.957/RS, ao aviso prévio indenizado não seria possível conferir caráter remuneratório, porque consistiria em meio de reparação de um dano e não para retribuição do trabalho. Todavia, pende, no STF, o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 565.160/SC, com repercussão geral reconhecida, cuja decisão poderá reverter o entendimento do STJ. 12. Isso porque, no referido recurso extraordinário, é possível que se aborde a questão da natureza do saláriodecontribuição, na discussão do alcance da expressão folha de salários contida no art. 195, I, da CF/88, considerado o instituto abrangente da remuneração e, a depender das conclusões de tal julgado, pode se superar o entendimento do STJ. Salientase, inclusive, que a alegação da União (Fazenda Nacional), no RESP 1.230.957/RS, envolvia o conceito do saláriodecontribuição, com base no instituto da remuneração e da previsão contida no art. 201, §º 11 da Constituição Federal. 13. É relevante, ainda, mencionar que Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 691 21 eventual decisão no RE nº 593.068/SC, também com repercussão geral reconhecida, embora verse sobre a incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores públicos vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), também pode ter impacto na decisão do STJ acerca do aviso prévio indenizado. Constatamse, inclusive, decisões do STF no sentido ora afirmado. 14. Nesse contexto, não é possível a inclusão da matéria na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. IV Terço constitucional de férias 15. Ainda no RESP nº 1.230.957/RS, o STJ decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária quanto ao adicional de um terço referido às férias indenizadas, bem como no caso das férias gozadas. Em relação às férias indenizadas, não há a exação, com base no art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91; já quanto às férias gozadas, o STJ, partindo da premissa de que o STF teria firmado a orientação de que o terço constitucional de férias possuiria natureza compensatória/indenizatória, a partir de precedentes do STF que se referiam a servidores sujeitos ao Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPPS), não haveria ganho habitual a ensejar a tributação. 16. A Corte Superior considerou, assim, que a importância paga a título de terço constitucional de férias gozadas não se destina a retribuir serviços prestados, tampouco configura tempo à disposição do empregador, de modo que não se enquadraria no disposto no art. 22, I, “d” da Lei nº 8.212/1991, nem se amoldaria no conceito de saláriodecontribuição do empregado previsto no art. 28, I, da Lei nº 8212/1991. 17. Todavia, como o entendimento do STJ, em relação à contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias dos empregados, derivaria de orientação do STF relativamente à exação sobre o terço constitucional de férias dos servidores públicos e, tendo em vista que o RE nº 593.068 teve sua repercussão geral reconhecida, justamente para tratar dessa questão, verificase que a matéria ainda não está pacificada, de maneira que também não é possível a inclusão do tema na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (...)" Em virtude do exposto, por tais decisões não possuírem o caráter da definitividade, tendo em vista que ainda não se operou o trânsito em julgado, os eventuais recolhimentos de contribuições incidentes sobre o aviso prévio indenizado, salário maternidade, terço constitucional de férias e quinze primeiros dias que antecedem o auxílio doença não podem ser considerados indevidos, pois não estão revestidos de liquidez e certeza. Somente as férias indenizadas vencidas, simples, em dobro ou proporcionais, pagas na rescisão (remuneração + adicional de 1/3) não têm incidência da contribuição previdenciária. Apesar do Recorrente alegar ser isenta a gratificação eventual e gratificação motorista amparada no item 7, alínea "a", § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, também Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 692 22 afirma que tal gratificação não é paga aos motoristas do Recorrente, mas aos colaboradores que assumem eventualmente esse ofício. Não resta dúvida o caráter contraprestacional de tais verbas, se amoldando ao conceito de salário de contribuição previsto no artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212, de 1991: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...)" Insurgese o Recorrente alegando serem legitimas as compensações que abarcaram os créditos consubstanciados com RAT/SAT recolhidos com alíquota de 3% quando a atividade preponderante indicar até dezembro de 2009, alíquota de 1% e a partir de janeiro de 2010, alíquota de 2%. Inicialmente merece deixar registrado que são os seguintes os dispositivos legais e normativos que regem a matéria: artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com redação dada pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; artigo 202, parágrafos 1º ao 6º e artigo 202A (acrescentado pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro 2007, com redação do Decreto nº 6.957, de 09 de setembro 2009) do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999; artigos 2º e 4º do Decreto nº 6.957, de 09 de setembro de 2009; artigo 72 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, com alterações posteriores; Ato Declaratório PGFN nº 11, de 2011; Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 2014 e Solução de Consulta nº 49 Cosit de 19 de fevereiro de 2014. Conforme já informado anteriormente na Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas), do Anexo V do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 19993, com redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009, consta para as Atividades de televisão aberta, CNAE 60217/00, a alíquota de 3%. Em que pese as alegações e apesar de ser ônus do contribuinte nos termos do artigo 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil)4, com a impugnação foi apresentada apenas cópia do parecer jurídico5 (fls. 206/237 e 365/396), incluindo o demonstrativo com título de "créditos SAT Televisão Bahia Ltda" (fls. 238/239 e 3 Aprova o regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) 5 Parecer facultativo que possui caráter meramente opinativo, sendo que as recomendações sugeridas pelo parecerista não vinculam a Administração Pública. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 693 23 397/398) e relações trazendo, dentre outras, informações de lotação, matrícula, cargo, CNAE e quantidade de pessoas, sem contudo, conter a(s) data(s)/período(s) (fls. 240/253 e 399/412). Com o recurso foi apresentada planilha com o cotejo entre o crédito apurado e os valores compensados em GFIP (fls. 650/654). Todavia não foram apresentados as relações mensais contendo as informações dos funcionários em relação às competências a que se referem as compensações, nos termos do disposto no artigo 72, II, § 1º da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, com alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010. Por possuir apenas um CNPJ e mais de uma atividade econômica, deve prevalecer, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, não devendo ser considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros, conforme disposto no artigo 72, II, § 1º, "b" da referida Instrução Normativa. Vale ressaltar que nas relações apresentadas da lotação e quantitativo de funcionários alocados por rótulos de linha (CNAE) totaliza o montante de 404, incluindo aí segurados que prestam serviços auxiliares (p. ex. motoristas, auxiliar de serviços, motoqueiro, recepcionista, auxiliar administrativo, etc). À vista do exposto, também neste ponto, votase por negar provimento ao recurso. b) Impossibilidade de Cobrança Concomitante da Multa de Mora e da Multa de Ofício A multa de mora é consequência da inadimplência, do não recolhimento dos valores devidos no tempo e na forma regular, conforme disposição da Lei nº 9.430, de 1996. Já a multa isolada é aquela punitiva, aplicada de ofício pelo fisco, em face do descumprimento de obrigações por parte do contribuinte e tem por objetivo punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. Não é a aplicação de multas sobre a mesma base que configuram o bis in idem, mas sim a igualdade das condutas puníveis. Como as penalidades decorrem de práticas delitivas distintas, uma conduta não depende da outra. Pelos motivos, não cabe razão ao Recorrente uma vez que as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas que afetam bens jurídicos diferentes. Em decorrência, por não merecer reparo deve ser mantido o acórdão da DRJ em relação à esta infração. c) Da Inaplicabilidade da Multa por Omissão na Entrega de Documentos O motivo da aplicação da multa decorreu do fato da empresa não ter apresentado todas as petições e decisões judiciais que autorizavam a compensação e a correspondente memória de cálculo, detalhada em formato Excel, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas. De acordo com o comando do §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212, de 1991, base do lançamento: Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 694 24 "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)." Ou seja, do referido dispositivo extraise o entendimento de que a simples apresentação deficiente enseja a aplicação de penalidade cabível. No caso concreto, tanto na impugnação, consoante relatório da DRJ/RJO, quanto no recurso, o contribuinte ataca com veemência o fato de a fiscalização ter exigido a planilha em formato “xls”, alegando que não há suporte legal que ampare tal exigência e que a compensação foi realizada espontaneamente pelo Recorrente, não sendo decorrente de decisão judicial. Vale reproduzir a parte do referido relatório da DRJ/RJO (fl. 585): "(...) Multa de Obrigação Acessória – CFL 38 59. Por fim (fls. 40), a motivação do AI nº 51.051.2453 foi a falta de apresentação dos documentos abaixo: 7.2.1. Cópia de todas as petições e decisões judiciais que autorizaram a compensação de créditos previdenciários; e 7.2.2. Memória de cálculo detalhada – em formato/extensão EXCEL (xls) – das compensações de créditos previdenciários efetuadas no período de apuração, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 695 25 60. Em sua defesa o contribuinte ataca com veemência o fato de a fiscalização ter exigido a planilha acima em formato “xls”, alegando que não há suporte legal que ampare tal exigência. Entretanto, conforme já oportunamente tratado, a empresa sequer disponibilizou a planilha com as informações requisitadas, isto é, com a memória de cálculo das compensações efetuadas no período do lançamento. Vale repetir que o conteúdo das planilhas de fls. 302/303 e 304/363 não atende a exigência do TIPF. (grifos nossos) 61. No que concerne às decisões judiciais que teriam autorizado parte dos valores compensados, o próprio contribuinte, no item 87 de sua impugnação, às fls. 489, aduz que a autoridade lançadora recorreu ao sítio eletrônico do TRF da 1ª Região para obter informações a respeito das ações ajuizadas pela empresa autuada, o que, salvo prova em contrário, confirma a não apresentação das peças processuais no curso da ação fiscal. (...)" Conforme relatado no Acórdão da DRJ, em relação às decisões judiciais que teriam autorizado parte dos valores compensados, as informações foram obtidas pela autoridade lançadora no sítio eletrônico do TRF da 1ª Região. Quanto à memória de cálculo detalhada das compensações efetuadas a empresa não disponibilizou as informações requisitadas. Portanto, o motivo pelo qual foi aplicada a multa acessória CFL 38 foi a não apresentação das informações solicitadas e não, como aduz o recorrente, a falta de apresentação da planilha no formato/extensão EXCEL (xls). Por não merecer reparo deve ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Conclusão Em razão do exposto, votase por CONHECER e DAR provimento parcial ao Recurso de Ofício para, na parte provida, restabelecer a multa isolada de 150%. Quanto ao Recurso Voluntário rejeitar as preliminares arguidas e no mérito NEGARLHE provimento nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Voto Vencedor Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Redator Designado Peço vênia para divergir do voto da nobre Relatora, tão somente quanto a aplicação da penalidade por descumprimento da obrigação acessória. Depreende se dos autos que a autoridade fiscal lançadora aplicou a multa prevista no CFL 38, decorrente do fato de empresa não ter apresentado todas as petições e decisões judiciais que autorizavam a compensação e a correspondente memória de cálculo, detalhada em formato Excel, indicando a origem, os motivos e as datas dos fatos geradores e das compensações realizadas. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10580.731825/201372 Acórdão n.º 2201004.945 S2C2T1 Fl. 696 26 Todavia, entendo que o fundamento legal para embasar o descumprimento da obrigação acessória em tela foi escolhido incorretamente pela autoridade fiscal, isto porque o CFL 38 tem como hipótese de incidência a não exibição de livros e documentos relacionados diretamente com as contribuições sociais previdenciárias. A conduta de não prestar esclarecimentos à Fiscalização, está tipificada como infração à legislação previdenciária no CFL 35. Destarte, havendo erro no enquadramento legal, deverá o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória ser julgado improcedente, merecendo provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001137/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia às instâncias administrativas, não havendo, destarte, de se conhecer do recurso voluntário em face das matérias discutidas judicialmente, sem prejuízo, todavia, das demais matérias que não foram objeto de discussão judicial.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-007.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso na parte conhecida. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal importa renúncia às instâncias administrativas, não havendo, destarte, de se conhecer do recurso voluntário em face das matérias discutidas judicialmente, sem prejuízo, todavia, das demais matérias que não foram objeto de discussão judicial. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 37 /2 00 7- 93 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 249 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por maioria de votos, negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso na parte conhecida. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 208/215) em face do Acórdão n. 16 23.441 11ª. Turma da DRJ/SP1 (efls. 179/199) que julgou improcedente a impugnação (e fls. 57/70) e manteve o lançamentos consolidado em 26/02/2007 e constituído em 05/03/2007 (efl. 54), consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.081.3065 valor total de R$ 54.419,81 P.A 01/02/2004 a 29/02/2004 (efls. 02/15) com fulcro nas contribuições devidas pela empresa e não recolhidas em épocas próprias ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), ao Seguro de Acidentes do Trabalho SAT e a Terceiros (FNDE), atinentes ao período abrangido pelas competências 02/2004 conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 16/23. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 57/70) em 19/03/2007, julgada improcedente pela DRJ/SP1, nos termos do Acórdão n. 16 23.441 (179/199), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 250 3 Cientificada do teor do Acórdão n. 1623.441 (179/199) em 16/07/2010 (efl. 204), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 208/215) na data de 13/08/2010, enfrentando os lançamentos em sua totalidade, sumarizados no pedido abaixo transcrito: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 251 4 Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 208/215) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Inicialmente, é oportuno destacar que a Recorrente reitera, perante a segunda instância, alegação já consignada em sede de impugnação (efls. 57/70), que discute judicialmente as contribuições ao FNDE e SAT, conforme ações protocolizadas sob n. 1999.03.9907ó9130 (FNDE) e n. 1999.61.00.0198271 (SAT). Em decorrência de diligência promovida pela autoridade fiscal (efls. 132/134), atendendo a solicitação da DRJ/SP1 (Despacho n. 0061/2007 11ª. Turma da DRJ/SPOI data 13/09/2007 efls. 123/129), a Recorrente informou que as ações judiciais protocolizadas sob n. 1999.03.9907ó9130 e n. 1999.61.00.0198271 transitaram em julgado com desfecho a ela desfavorável (efls. 136/139). O resultado da referida diligência encontrase consolidado no Relatório de Encerramento de Diligência de efls. 140/142. Desta forma, resta caracterizada a concomitância de instâncias administrativa e judicial, não havendo assim de se conhecer do Recurso Voluntário (efls. 208/215) em face das contribuições ao FNDE e ao SAT, nos termos do Enunciado n. 1 de Súmula CARF: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 252 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Outrossim, também não há de se conhecer das alegações da Recorrente com relação à representação para fins penais, uma vez que falece competência ao CARF para o mister, forte no Enunciado n. 28 de Súmula CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Nessa perspectiva, a presente lide restringese às alegações da Recorrente em face das contribuições destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS). Muito bem. A autuação em litígio decorre do Levantamento PLR PARTICIPACAO NOS LUCROS PLR FPAS: 6120 Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) Competência: 02/2004: Ao apreciar a impugnação (efls. 57/70), a instância de piso assim se pronunciou, no essencial: [...] Assim, para que a parcela relativa à Participação nos Lucros/Resultados não integre o salário de contribuição, por força do inciso XI do artigo 7° da Constituição Federal e alínea “j” do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei 8.212/91, deve a empresa cumprir as exigências da legislação específrca._gue. no caso. é a Lei n.'~' 10.101. de 19/12/2000. [...] Desta forma, não há que se falar que a verba em análise não conteria os elementos caracterizadores do salário/remuneração. Isto porque a incidência de contribuição previdenciária só restará afastada quando os pagamentos a titulo de PLR obedecerem à lei específica. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 253 6 Destaquese que nada impede que a empresa outorgue a seus empregados verbas a título de PLR sem observar os pressupostos estabelecidos na legislação especifica (Lei n.° 10.101/00). Contudo, neste caso, estes pagamentos caracterizamse como verba integrante do salário de contribuição destes empregados. Durante a auditoria fiscal, ao examinar a documentação da empresa, verificouse que consta do resumo das folhas de pagamento, e lançamentos no Livro Razão, competência 02/2004, o pagamento de participação nos lucros e resultados a segurados empregados, como descrito nos itens 7 e 8 do Relatório Fiscal. Estes pagamentos não foram considerados pela Notificada como salário de contribuição de contribuições previdenciárias e de Terceiros. Entretanto, da análise dos tennos da Convenção Coletiva de Trabalho (cópia às fls. 23, e 78/94 DOC. 08), foram constatados dispositivos que contrariam os requisitos estabelecidos pela legislação específica, no caso, a Lei n° l0101/2000, que estabelece no seu artigo 2°, parágrafo 1°, que “dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e obietivas quanto à fixacão dos direitos substantivos da participação, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado.” A referida Convenção prevê o pagamento de PLR, sendo que em 8/02/2004 seria paga uma parcela de R$ 100,00 para os motoristas e trabalhadores que receberem R$ 850,01 ou mais, e R$ 50,00 para quem recebe menos de R$ 850,01. A empresa foi devidamente intimada, por mais de uma vez, através de TIAD's (fls. 34/37), mas não conseguiu demonstrar a quantificacão dos resultados e o alcance dos objetivos propostos. E, tendo sido apresentado somente a citada Convenção Coletiva de 2003, temse que não foi atendida a legislação especifica sobre o assunto, visto que: · Não tem, como instrumento decorrente da negociação, a definição de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo; · Não estabelece critérios e condições tais como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa ou programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Não basta a existência de Acordo ou Convenção Coletiva discíplinando a Participação nos Lucros ou Resultados. O Acordo ou a Convenção Coletiva são instrumentos de negociação e previsão de direitos, mas nunca podem alterar a disciplina que a Lei previamente traz, em relação a um determinado instituto. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 254 7 O conhecimento da Lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a Participação nos Lucros e Resultados da empresa, não tributável, devem estipular condições que se afinem aos postulados da Lei, no caso, a Lei 10.101/00. No presente caso, o pagamento de valores fixos a titulo de PLR, desvinculados de qualquer programa de metas, ou indice de desempenho da empresa, não atende às exigências da Lei n° 10101/2000, uma vez que valores pagos independentemente do atingimento de qualquer meta ou resultado não poderão servir como incentivo à produtividade. É pertinente indagar como o programa da empresa, sem critério algum, poderá servir como incentivo à produtividade, como detemina o artigo 1° da Lei n° 1010/2000. O funcionário já sabe de antemão quanto irá receber, independentemente do atingimento de qualquer lucro ou resultado? Havendo prejuízo na empresa, não se poderá pretender distribuir uma coisa inexistente os lucros o que mostra que, para sua distribuição é preciso que estes tenham existido, caso contrário não poderá haver a referida participação. Desta forma, ao não obedecer aos critérios da Lei, o pagamento aos segurados empregados, na forma como foi efetuado pela Notificada, perdeu as características de participação nos lucros ou resultados e, assumiu a característica de prêmio , integrando o conceito de remuneração para fins de incidência das contribuições previdenciárias, e das contribuições a Outras Entidades Terceiros, inclusive as contribuições ao Salário Educação. [...] De outra banda, a Recorrente discorda dos argumentos da instância de piso nos seguintes termos: Ao tratar de Participação nos Resultados, a Convenção Coletiva de Trabalho (efls. 80/98) limitase às seguintes assertivas: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 255 8 Pois bem. A CF/88 instituiu entre os direitos sociais dos trabalhadores a possibilidade de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, desvinculando estas parcelas da sua remuneração, a teor do art. 7°., XI. Assim, uma vez estabelecido que a parcela relativa à participação nos lucros ou resultados não integra a remuneração do trabalhador, o referido dispositivo constitucional afastou, por consequência, a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 195, I, alínea "a", da CF/88 sobre tais valores. Alinhandose ao comando constitucional, a Lei n. 8.212/1991 estabeleceu, em seu art. 28, § 9°., alínea "j", que a participação nos lucros ou resultados da empresa não integra o saláriodecontribuição. A regulamentação da participação nos lucros ou resultados é objeto da Lei n. 10.101/2000, que conferiu eficácia à previsão constitucional consignada no art. 7°., XI, in fine. O art. 2°. da Lei n. 10.101/2000 enumera os principais procedimentos a serem observados para a participação nos lucros ou resultados, verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 256 9 II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4o Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação; (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Por sua vez, o art. 3°. da referida lei determina as condições para efetivação da distribuição dos lucros, inclusive o tratamento tributário a ser conferido, bem assim a sua periodicidade, verbis: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 257 10 Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4o A periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. § 5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual. (Redação dada pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 6º Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada, com base na tabela Fl. 257DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 258 11 progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 6o Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 7º Na hipótese de pagamento de mais de uma parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no ano calendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 7o Na hipótese de pagamento de mais de 1 (uma) parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no anocalendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 8º Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 8o Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 9º Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8º, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 9o Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8o, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado Fl. 258DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 259 12 judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012) (Vigência) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos. (Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 11. A partir do anocalendário de 2014, inclusive, os valores da tabela progressiva anual constante do Anexo serão reajustados no mesmo percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do imposto de renda incidente sobre os rendimentos das pessoas físicas. (Incluído dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) Da leitura sistêmica dos arts. 2°. e 3°. da Lei n. 10.101/2000, concluise que os principais pilares de legitimidade de um plano de participação nos lucros ou resultados são: i) intervenção do sindicato e participação dos empregados na negociação do plano; ii) existência de regras claras e objetivas para distribuição dos valores; iii) momento do arquivamento do acordo; e iv) periodicidade do pagamento de parcelas referentes à participação nos lucros ou resultados. Na espécie, resta constatado, sem muito esforço cognitivo, que a Convenção Coletiva de Trabalho (efls. 80/98) não contempla regras claras e objetivas para distribuição dos valores pactuados a título de participação nos resultados, vez que apenas define valores a serem pagos (por faixa salarial), número de parcelas (02) e data de pagamento (1ª. parcela até 31/12/2003 e 2ª. parcela até 28/02/2004). Não há qualquer menção a índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Outrossim, não consta dos autos qualquer informação quanto ao momento do arquivamento da referida Convenção na entidade sindical dos trabalhadores, no termos do art. 2°., § 2°., da Lei n. 10.101/2000. Da não observância das regras estabelecidas na Lei n. 10.101/2000, na forma acima caracterizada, resta desnaturada a verba paga a título de PLR, afastandose assim o abrigo da imunidade conferida pelo art. 7°., XI, da CF/88, bem assim o disposto no art. 28, § 9°., alínea "j", da lei n. 8.212/1991, incidindo, destarte, as contribuições previdenciárias conforme apurado pela autoridade lançadora, não havendo reparo a fazer na decisão recorrida. Com relação às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança da SELIC como taxa de juros e sua substituição pela taxa de 1% ao mês, tratase de matéria já consolidada neste CARF, objeto dos Enunciados n. 2, 4, 5 e 108 de Súmula CARF, dispensandose maiores considerações: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 35464.001137/200793 Acórdão n.º 2402007.067 S2C4T2 Fl. 260 13 Enunciado n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Enunciado n. 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Enunciado n. 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Enunciado n. 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 208/215), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.901866/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, na esteira das disposições do Parecer Cosit de nº 2/15, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 18 66 /2 01 3- 24 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10840.901866/201324 Acórdão n.º 1302003.411 S1C3T2 Fl. 61 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação transmitido via DCOMP, concernente a pretenso crédito de CSLL (pagamento a maior) verificado no anocalendário de 2012. A DRF indeferiu, por meio de despacho eletrônico (proferido em 03/05/2013 e noticiado ao contribuinte em 13/05/2013), o pleito do recorrente ao fundamento de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (efls. 7a 11). O contribuinte opôs sua manifestação de inconformidade, desta feita, para noticiar um erro no preenchimento da DCTF relativa ao mês de setembro de 2012 e informando que promoveu a competente retificação (transmitida em 22/05/2013), anexando o respectivo recibo à sua peça de defesa (não juntou nenhum outro documento). Não trouxe, nesta oportunidade, nenhum argumento ou explicação que pudesse justificar ou demonstrar o alegado erro. A míngua de maiores explicações, e sem a juntada de outros documentos, a DRJ do Recife houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, cujas razões foram suficientemente resumidas na ementa, cujo teor transcrevo a seguir: PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ e/ou DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a declaração para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A empresa foi cientificada do resultado do julgamento acima em 23 de abril de 2018 (efl. 37), tendo interposto o seu recurso voluntário em 23 de maio do mesmo ano (e Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10840.901866/201324 Acórdão n.º 1302003.411 S1C3T2 Fl. 62 3 fl. 39), por meio do qual tece considerações genéricas sobre o princípio da razoabilidade e sobre o fato da companhia se encontrar em dia com as suas obrigações fiscais, dando a entender que a existência de seu direito se presumiria a partir de tal contexto. Alega, outrossim, que a DCTF retificadora se encontra em situa "ativa", conjeturando, então, que as informações ali prestadas teriam sido "avalizadas" pelo próprio Fisco Federal, validando, portanto, a sua pretensão. Ao fim, pediu a conversão do julgamento em diligência para que fosse promovida a análise de seus livros contábeis e fiscais, sem, contudo, trazêlos aos autos. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães das Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os pressupostos de cabimento, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTF retificadora, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica ou sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização da compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Eventual alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é despicienda; inexistem oposições legais ou doutrinárias à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10840.901866/201324 Acórdão n.º 1302003.411 S1C3T2 Fl. 63 4 possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. Esta posição já fora encampada pela própria Receita Federal, por meio do Parecer Cosit de nº 2, de 2018, que admite a retificação das declarações, mesmo após o despacho decisório, exigindo, contudo, a comprovação dos fatos que motivaram a predita retificação. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado, limitandose a trazer alegações genéricas e insuficientes para demonstrar o seu direito. Outrossim, o fato de se encontrar em dia com as suas obrigações ou, lado outro, de sua declaração retificadora não ter sido objeto de questionamentos, é, a toda monta, irrelevante, já que a comprovação do crédito postulado continua ausente. No que tange ao pedido de diligência, vale dizer, este só teria lugar se, e somente se, os documentos sobre os quais semelhante diligência se desenvolveria tivessem sido apresentados pela empresa oportunamente o que, insistase, não ocorreu. A diligência, digase, existe para aclarar possíveis dúvidas sobre a matéria fática posta no processo e não para inovar a sua própria instrução. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721784/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.752
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 78 4/ 20 15 -1 4 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721784/201514 Resolução nº 3201001.752 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721784/201514 Resolução nº 3201001.752 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900170/2011-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2005
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DUPLICIDADE DE PEDIDO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Considerando-se que o crédito pleiteado já foi reconhecido em processo administrativo diverso, resta caracterizada a duplicidade de pedido e resulta indeferimento do direito creditório com não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DUPLICIDADE DE PEDIDO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Considerando-se que o crédito pleiteado já foi reconhecido em processo administrativo diverso, resta caracterizada a duplicidade de pedido e resulta indeferimento do direito creditório com não homologação da compensação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10940.000765/2002-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/1999 a 10/08/1999
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SEPARADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR.
Tratando-se de auto de infração (processo prejudicado) lavrado para exigir tributo em razão de o contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto de outro processo administrativo (processo prejudicial), é o caso de aplicação da decisão proferida nestes últimos autos aos primeiros.
Numero da decisão: 3402-006.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que o débito de IPI cobrado por meio do Auto de Infração seja extinto na medida em que forem homologadas as compensações tratadas no PA 10845.002632/99-89, levando agora em conta o julgamento sobre os índices de correção monetária a serem utilizados para a atualização do indébito tributário indicada naquele processo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Antonio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/1999 a 10/08/1999 PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SEPARADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR. Tratando-se de auto de infração (processo prejudicado) lavrado para exigir tributo em razão de o contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto de outro processo administrativo (processo prejudicial), é o caso de aplicação da decisão proferida nestes últimos autos aos primeiros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/1999 a 10/08/1999 PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SEPARADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONEXÃO. APLICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR. Tratandose de auto de infração (processo prejudicado) lavrado para exigir tributo em razão de o contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto de outro processo administrativo (processo prejudicial), é o caso de aplicação da decisão proferida nestes últimos autos aos primeiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que o débito de IPI cobrado por meio do Auto de Infração seja extinto na medida em que forem homologadas as compensações tratadas no PA 10845.002632/9989, levando agora em conta o julgamento sobre os índices de correção monetária a serem utilizados para a atualização do indébito tributário indicada naquele processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 07 65 /2 00 2- 53 Fl. 518DF CARF MF 2 Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Antonio Borges (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir IPI, em razão de a Contribuinte ter efetuado compensação, supostamente indevida, com crédito objeto do processo n° 10845.002632/9989, que decorre de sentença judicial transitada em julgado na qual foi declarada a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da quota de contribuição prevista no Decretolei n" 2.295/86, que no passado incidiu sobre as exportações de café. Apresentada a impugnação, a DRJ de Porto Alegre houve por bem julgála parcialmente procedente para converter a multa de oficio (75%) em multa de mora (20%), cancelando, assim, o montante de R$ 461.523,58. Inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls 178 182), cujo julgamento foi convertido em diligência (fls. 240/243) para que a autoridade preparadora juntasse aos presentes autos o resultado final dos julgamentos dos processos 10845.002632/99 89 e 10940.000217/0091. Convém esclarecer que o pedido realizado no PA n. 10845.002632/9989, em um primeiro momento, sob o argumento de que i) a Contribuinte não teria cumprido o disposto no §1° do artigo 17 da citada IN 21/97, já que, em seu entendimento, não teria comprovado a desistência da ação de execução do título judicial; ii) não haveria decisão judicial que garantisse à interessada o direito à compensação; e iii) os valores pleiteados devem ser líquidos e certos, havendo necessidade de se promover a liquidação da sentença judicial. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ, por unanimidade de votos, confirmou o direito creditório reconhecido na decisão transitada em julgado na Ação n. 94/02023348, que tramitava perante a 4ª Vara da Justiça Federal em Santos/SP, afastando a decisão proferida pela DRF em Santos/SP que condicionara o pedido de restituição à liquidação de sentença, entendendo, ainda, não ser razoável a submissão do contribuinte ao instituto do precatório. Contudo, indeferiu a solicitação de compensação ante a suposta ausência da comprovação do pedido de desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial. Ou seja, o crédito foi reconhecido integralmente pela Administração, restando em litígio tãosomente a hipotética ausência da comprovação da desistência da execução do título judicial. Dessa decisão foi interposto recurso voluntário, ao qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento, nos termos do Acórdão n. 310200.427. 1 1 Ementa(s) OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 21/05/1988 a 28/09/1989 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. No regime da IN SRF n° 21/97, o crédito a ser restituído a um contribuinte poderia ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte. COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10940.000765/200253 Acórdão n.º 3402006.388 S3C4T2 Fl. 251 3 A Procuradoria opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados, conforme Acórdão n. 310200.642. 2 Os autos foram então remetidos à DRF de Santos, que, em despacho datado de 11/05/2012 (fls. 810) devolveu o processo ao CARF para que a Procuradoria da Fazenda Nacional fosse cientificada da decisão proferida em sede de embargos. O I. Procurador da Fazenda se deu por ciente em 29/06/2012 (fls. 811), transcorrendo in albis o prazo para interposição de recurso especial, o que tornou definitiva a decisão que deu provimento ao recurso voluntário, por força do disposto no art. 80 do Decreto 7.574/2011. Ocorre que, ao proceder à execução do acórdão, a DRF de Santos considerou o crédito insuficiente para abarcar todas as compensações realizadas com débitos de responsabilidade das Cervejarias Kaiser Brasil Ltda. sob a égide da IN 21/97 , deixando de homologar aquelas tratadas nos processos n. 10735.001686/0099, 13884.005304/9957 e 10530.000267/200151 e homologando parcialmente a do processo n" 10665.001293/9957. Assim, com lastro da Solução de Consulta Cosit 18/2012, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tendo em vista a inobservância dos índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n° 561/2007 nos cálculos realizados pela SECAT/EQAJU. Todavia, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs novo recurso voluntário a este Conselho, no PA 10845.002632/9989, defendendo que possui direito à plena correção monetária do crédito reconhecido judicialmente em seu favor, com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, dos Pareceres Procuradoria da Fazenda Nacional sobre o tema e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção No caso de título judicial em fase de execução, a compensação somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Desistência comprovada nos autos. Recurso Voluntário Provido 2 Ementa(s) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL COMPENSAÇÃO, REQUISITOS DA IN SRF 21/97 Não houve omissão/obscuridade, no Acórdão 310200.427, da sessão de 09/07/2009, quanto à análise dos requisitos delineados no artigo 17 da IN SRF nº 21/97, para que fosse deferido o direito à compensação pleiteado. Embargos Rejeitados. 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/08/1999 Restituição de valores recolhidos a título de Quota de Contribuição sobre Operações de Exportação de Café em grãocru. Diante da decisão judicial, já transitada em julgado, restou garantido à interessada o direito à restituição do indébito. O SEORT/ALFSTS homologou parcialmente o direito creditório, não reconhecendo a correção monetária pleiteada. O interessado ingressou com manifestação de inconformidade, a fim de que o crédito reconhecido em seu favor seja acompanhado da plena correção monetária. A administração tributária está limitada aos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR Nº 08/97, carecendo de autorização legal restituição além desse limite. Fl. 520DF CARF MF 4 monetária é simplesmente a recuperação do valor do indébito, devendo seguir a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução n. 561/2007). Haja vista que este processo versa sobre de Infração IPI cujo crédito encontravase em discussão no PA 10845.002632/9989, proferi despacho (fls 509), reconhecendo a relação de conexão existente entre os processos administrativos citados. Ademais, considerando que naquela data o Processo n. 10845.002632/9989 encontravase no SECOJ aguardando sorteio para uma das Câmaras da Terceira Seção, com fulcro dos artigos 6º, §§2º e 3º e 47 do RICARF, solicitei que o PA 10845.002632/9989 fosse a mim entregue, pois possui como pano de fundo os mesmos fatos daqueles a serem analisados nos presentes autos. É o relatório Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O presente recurso já foi anteriormente admitido, uma vez que cumpridos seus requisitos formais para tanto, de modo que passo ao mérito. Como se depreende do relato acima, na realidade, o mérito do presente processo consiste no quanto decidido no Processo n. 10845.002632/9989. Este último é prejudicial ao presente caso. Isto porque aqui discutese auto de infração lavrado para constituir o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados que a Recorrente teria deixado de recolher em razão de haverse utilizado indevidamente de compensação com créditos de terceiros, sendo que esta compensação é objeto do PA 10845.002632/9989. Tal entendimento compatibilizase com o da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB n. 1668, de 29 de novembro de 2016 a qual "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Vejase seu artigo 3º: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10940.000765/200253 Acórdão n.º 3402006.388 S3C4T2 Fl. 252 5 IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, o processo principal será: a) o do recurso hierárquico, no caso do inciso I; b) o de exclusão do Simples Nacional, no caso do inciso II; c) o do indeferimento de pedido de ressarcimento e da não homologação de DCOMP, no caso do inciso III; e d) o do pedido de restituição ou de ressarcimento, no caso do inciso IV; Pois bem. O Processo n. 10845.002632/9989, principal, foi julgado por este mesmo Colegiado na presente data, dandose provimento ao recurso voluntário interposto, com a seguinte ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECOMPOSIÇÃO DO VALOR DA MOEDA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. APLICAÇÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda. Assim, o contribuinte possui direito à plena correção monetária do indébito tributário reconhecido em seu favor, com base na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Ato Declaratório PGFN n. 10, de 1ª de dezembro de 2008, os quais reconhecem que a correção monetária é simplesmente a recuperação do valor do montante indevidamente recolhido aos Cofres Públicos, devendo seguir os expurgos inflacionários, conforme a Tabela Única da Justiça Federal (aprovada pela Resolução do Conselho da Justiça Federal n. 561/2007). Tendo em vista a conexão entre os feitos, é o caso de aplicação da citada decisão proferida por este Conselho, sobre os mesmos fatos relativamente ao crédito tributário, para o processo ora sob apreço, conforme requerido pela Contribuinte em seu recurso voluntário (fls 178 182). Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para que o débito de IPI cobrado por meio do presente auto de infração seja extinto na medida em que forem homologadas as compensações tratadas no PA 10845.002632/9989, levando agora em conta o julgamento sobre os índices de correção monetária a serem utilizados para a atualização do indébito tributário (Acórdão n. 3402006.411). Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 522DF CARF MF 6 Fl. 523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001338/2005-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
Numero da decisão: 2402-007.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ANDERSON MEIRELES MAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 13 38 /2 00 5- 54 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 668 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de suposta omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Intimado da decisão em 15/07/2009, através de aviso de recebimento (fl. 622), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 14/08/2009 (fls. 626 e seguintes), no qual reafirmou a seguinte tese de defesa: os valores dos depósitos em sua conta corrente têm como origem a venda de hortaliças e suínos [...]; foram celebrados contratos de parceria agrícola e toda a movimentação financeira foi feita na conta bancária do contribuinte; o contribuinte possui as notas fiscais, recibos de todas as compras referentes à aquisição de suínos, sementes, rações, equipamentos e outras despesas, confirmando a sua atividade de produtor rural, conforme cartão de inscrição n° 809/0083 e inscrição no INCRA 0000277860988; os valores depositados na conta do contribuinte foram repassados aos meeiros, conforme estipulado nos contratos de parcerias e comprovado por recibos e planilhas; Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 669 3 De forma complementar, o contribuinte alegou que o auto de infração seria nulo por fato de elementos fundamentais, e que a multa de ofício seria confiscatória e ofenderia o princípio da razoabilidade. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. As teses de nulidade do lançamento e de ofensa aos princípios do não confisco e da razoabilidade não foram ventiladas na impugnação e são, portanto, insuscetíveis de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou as matérias ora suscitadas, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 670 4 2 Da origem dos rendimentos O recorrente contesta o lançamento efetuado, basicamente porque entende que os recursos creditados em sua conta, cujas origens, no entender da fiscalização, não teriam sido comprovadas, deveriam ser tributados de acordo com os benefícios concedidos à atividade rural. Segundo alega, sua condição de produtor rural estaria comprovada de forma robusta nos autos. Pois bem. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 671 5 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 672 6 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). No caso in concreto, o recorrente contesta o lançamento efetuado, basicamente porque entende que os recursos creditados em sua conta deveriam ser tributados de acordo com os benefícios concedidos à atividade rural. Ocorre que a apuração dos rendimentos provenientes da atividade rural demanda um mínimo de zelo e de rigor por parte do contribuinte. Exemplificativamente, o art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores dispunha que o resultado da exploração da atividade rural seria apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deveria abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integrariam a atividade, tudo lastreado em documentação hábil e idônea. Vejase: Art.60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). §1ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §1º). Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 673 7 §2ºA falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §2º). §3ºAos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §3º). §4ºÉ permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. §5ºO Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. §6ºA escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. §7ºO Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. A despeito disso, e segundo se depreende da acusação fiscal, o contribuinte sequer havia apresentado a declaração de ajuste anual referente ao anocalendário objeto deste processo, tendo o feito apenas após notificado o lançamento. Mesmo que se pudesse cogitar do arbitramento da base de cálculo do imposto, à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, conforme preleciona o § 2º do art. 60 retro mencionado, ainda assim haveria necessidade de comprovação de que os rendimentos realmente se refeririam à atividade rural, ao passo que o recorrente nem mesmo se dignara de apresentar a declaração de rendimentos, muito menos de comprovar, documentalmente, e de forma minimamente individualizada, que os depósitos efetuados em sua conta (vide demonstrativo de fls. 34/46) seriam relativos à atividade rural. No demonstrativo de fls. 34/46, a fiscalização arrolou cada um dos depósitos/créditos cujas origens o recorrente deveria comprovar, e, no demonstrativo de fl. 48, tais depósitos foram totalizados mensalmente. A despeito disso, e conquanto o § 3º do art. 42 determine que os créditos sejam analisados individualizadamente, o sujeito passivo não comprovou a origem tampouco de um só crédito, muito menos da totalidade ou de grande parte deles. Quer dizer, mesmo se considerando a documentação apresentada na impugnação, não se pode afirmar, de forma minimamente segura, que os depósitos apontados pela fiscalização tenham como origem receitas da atividade rural, a fim de viabilizar a regra benéfica prevista no Regulamento do Imposto de Renda, que permite a dedução de despesas e que presume que o resultado máximo da atividade rural seja de 20% da receita bruta do ano calendário. Logo, e no mérito, o recurso voluntário deve ser desprovido. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13603.001338/200554 Acórdão n.º 2402007.044 S2C4T2 Fl. 674 8 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915930/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.791
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 30 /2 01 3- 88 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.876 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10880.915930/201388 Acórdão n.º 3301005.791 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 372DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.004975/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS NÃO CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Não deve ser homologada a compensação, uma vez que o litígio administrativo relativo ao Pedido de Ressarcimento já se encerrou e de forma desfavorável à recorrente.
Numero da decisão: 3301-005.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não deve ser homologada a compensação, uma vez que o litígio administrativo relativo ao Pedido de Ressarcimento já se encerrou e de forma desfavorável à recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 49 75 /2 00 6- 05 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13804.004975/200605 Acórdão n.º 3301005.961 S3C3T1 Fl. 233 2 "Versa o presente processo de análise de Declaração de compensação DComp de crédito fiscal de PIS não cumulativo no valor total de R$ 101.423,37 (fl.01) Consta no Despacho Decisório de fls. 169/170 que os Auditoresfiscais responsáveis pela fiscalização levada a efeito no processo administrativo n°16349.000220/200717 relativa ao pedido ressarcimento relativo ao PIS NÃO CUMULATIVO (Exportação) do 3°.trimestre de 2006 não constataram saldo, ensejando o indeferimento do referido pedido. Tendo em vista o resultado da fiscalização e o Despacho Decisório exarado que não reconheceu saldo do trimestre acima citado, a DERAT não homologou a compensação em tela nos seguintes termos: 5. Considerando a inexistência do direito creditório, conforme PARECER SAORT N° 10820/368/2011 e Despacho Decisório (fls. 134 a 142) proferidos pela DRF Araçatuba no processo administrativo n° 16349.000220/200717; 6. Considerando que o processo administrativo n° 13804.004990/200645 não foi incluído na listagem do Anexo Único da Portaria SRRF08RF N°34, de 10 de março de 2008, mantendose, portanto, a competência da DERAT/São Paulo para apreciar a declaração de compensação objeto do presente processo; 7. Considerando os ajustes realizados pela a DRF Araçatuba que refez o DACON do contribuinte, constando, com os novos valores apurados, que o interessado não t em saldo de crédito a ser ressarcido (fl. 132/133). 8. Em vista de todo o exposto, com supedâneo nos autos e nos aspectos legais discutidos, e no uso das atribuições do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, previstas no art. 6o , I, " b " da Lei n° 10.593/2002, com a redação dada pela Lei n° 11.457/2007, não homologo a Declaração de Compensação de valor R$ 101.423,37 (fl. 01) objeto do presente processo. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 174/177, tecendo seus argumentos conforme segue: 05 A presente Manifestação de Inconformidade merece ser provida para ser homologada a compensação, especialmente porque o despacho decisório é nulo, haja vista que o pedido de ressarcimento dos créditos oriundos do Processo Administrativo de n° 16349.000220/200717 ainda não teve um julgamento definitivo. 05. O Processo Administrativo de n° 16349.000220/200717 ainda está em fase de andamento conforme pode ser verificado no andamento obtido no website do sistema COMPROT(doc. 03). 06. Em razão disso não merece prevalecer o entendimento do Despacho Decisório de que o processo administrativo n° 16349.000218/200748 foi julgado em definitivo, devendo ser aguardado o julgamento em definitivo das defesas e recursos deste processo. 07. Portanto a compensação merece ser homologada em razão de que o processo administrativo oriundo do crédito utilizado para a referida compensação ainda não foi julgado em definitivo. Defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13804.004975/200605 Acórdão n.º 3301005.961 S3C3T1 Fl. 234 3 08. O débito em questão encontrase com sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional (CTN) por estar pendente de apreciação da presente Manifestação de Inconformidade interposta pela Recorrente contra o despacho decisório que não homologou a compensação efetuada. 9. Não tendo encerrado em definitivo o respectivo processo administrativo, o mesmo deve constar com sua exigibilidade suspensa, como garante o artigo 151, inciso III do CTN, com a seguinte redação: (...) 10. Portanto, o débito em questão objeto da Declaração de Compensação/Manifestação de Inconformidade merece ter a sua exigibilidade suspensa ao menos até o encerramento da esfera administrativa, como nos garante o artigo 151 do CTN. E solicita: 11. Por tudo o que foi exposto e do que mais consta nos autos deste processo, requer a Recorrente que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o r. Despacho Decisório, para ser homologada integralmente a compensação realizada." Em 07/06/17, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1466.306 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. Considerase não homologada a DComp de direito creditório vinculado a pedido de restituição/compensação, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13804.004975/200605 Acórdão n.º 3301005.961 S3C3T1 Fl. 235 4 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de não homologação de Declaração de Compensação, fundada no Pedido de Ressarcimento de PIS do 3° trimestre de 2006, que foi tratado no processo administrativo (PA) n° 16349.000220/200717. As únicas alegações da recorrente são as seguintes: i) a decisão recorrida deve ser reformada, porque o PA em que crédito utilizado está sendo discutido ainda não se encerrou; e ii) deve ser mantida a suspensão da exigibilidade dos débitos objetos de liquidação por meio das compensações até o encerramento do presente feito. O PA n° 16349.000220/200717 encontrase nesta pauta de julgamento e a decisão proferida foi desfavorável ao contribuinte. Portanto, como não havia crédito a compensar, deve ser mantido o Despacho Decisório que não homologou a compensação. Também deve ser rejeitado o argumento relacionado à suspensão da exigibilidade dos débitos liquidados por meio da compensação, pois a cobrança dos valores correspondentes não é objeto do presente. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 235DF CARF MF
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