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Numero do processo: 10825.901268/2017-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.639
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.901268/201777 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.639 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PIS. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 26 8/ 20 17 -7 7 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10825.901268/201777 Resolução nº 3201001.639 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10825.901268/201777 Resolução nº 3201001.639 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901268/201777 Resolução nº 3201001.639 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901958/2015-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 58 /2 01 5- 95 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10830.901958/201595 Acórdão n.º 3401005.662 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.123, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10830.901958/201595 Acórdão n.º 3401005.662 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901958/201595 Acórdão n.º 3401005.662 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901958/201595 Acórdão n.º 3401005.662 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901958/201595 Acórdão n.º 3401005.662 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.003324/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente para efeitos de contagem de prazo decadencial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
Crédito Presumido. Agroindústria. Alíquota.
O cálculo do crédito-presumido de PIS-PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei 10.637/2002.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
Não se corrigem pela SELIC os créditos escriturais de PIS por ausência de previsão legal.
Numero da decisão: 3302-006.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a decadência declarada pelo relator, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad (relator) e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a aplicação da alíquota de 60%. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor quanto ao afastamento da declaração de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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INOCORRÊNCIA. O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente para efeitos de contagem de prazo decadencial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Crédito Presumido. Agroindústria. Alíquota. O cálculo do créditopresumido de PISPASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei 10.637/2002. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Não se corrigem pela SELIC os créditos escriturais de PIS por ausência de previsão legal. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a decadência declarada pelo relator, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad (relator) e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a aplicação da alíquota de 60%. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor quanto ao afastamento da declaração de decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 33 24 /2 01 0- 71 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual a Recorrente objetiva direito a créditos decorrentes da aquisição de matéria prima de pessoas físicas no mercado interno. Isto porque em 2004 a Lei 10.925 estabeleceu Crédito Presumido da agroindústria, a ser deduzido dos valores de PIS e COFINS devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos (...) destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaques nossos) (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente, valendose da legislação, requereu o ressarcimento do crédito no bojo do Processo originário 13852000751/200560. Em 21.01.2006 a Recorrente impetrou Mandado de Segurança (Processo n. 2006.61.13.0002504) por meio do qual discute a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS pleiteando, inclusive, o seu recebimento em pecúnia. "Por todo o exposto, requerse a concessão de medida liminar suspendendo, de logo, a eficácia do injurídico Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 15, de 22 de dezembro de 2005 (doe. n.° 6), bem como das teratológicas decisões administrativas exaradas, em 13 de dezembro de 2005, pelo Delegado da Receita Federal em Franca (does. n.o S 4 e 4 A), de forma a garantir, à impetrante, o regular e imediato aproveitamento e/ou ressarcimento, em pecúnia, dos créditos de PIS/Pasep e COFINS (provenientes da aquisição de bens que entraram no processo produtivo de mercadorias que exportou para o exterior), conforme determinado nas Leis no s 10.637/2002 (art. 5º , § 2º), 10.833/2003 (art. 6º , § 2º) e 10.925/2004 (art. 8º)." (destaques nossos) Posteriormente, a Lei 12.058/2009 estabeleceu UM NOVO DIREITO, UMA NOVA FORMA de utilização de Crédito de PIS / COFINS. "Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 5 4 dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (grifos nossos) Sinteticamente, a Lei 12.058/2009 criou novo direito, qual seja o de ressarcimento, em dinheiro, dos créditos, estabelecendo ainda que este direito surgiu a partir de 01.11.2009 para os saldos dos créditos presumidos nos períodos dos anos calendário 2004 a 2007 e a partir de 01.01.2010 para os anos seguintes. Ressalvou ainda que tais créditos devem ter sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. A partir deste novo marco normativo, o contribuinte efetuou, ainda nos autos do mencionado processo originário novo pedido de ressarcimento em relação ao crédito presumido do já mencionado período, inclusive quanto à correção pela SELIC desde a data do primeiro pedido. Para a análise deste novo direito o processo originário foi desmembrado no processo ora sob análise, no bojo do qual passou a ser discutida a aplicação do artigo 36 da Lei 12.058/2009. A determinação da formalização deste novo processo ocorreu conforme ato administrativo de fls. 02. Contudo a DRF de Franca (24.09.2010 efls 88) não conheceu do pedido administrativo por força da sua CONCOMITÂNCIA com o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504. Ementa: PIS. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 36 DA LEI 10.058/2009. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE INTERFERE NO VALOR A SER RESSARCIDO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido administrativo de ressarcimento de PIS quando o contribuinte possui ação judicial que possa interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3o do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96." Posteriormente (10.08.2011) a Recorrente desistiu do Mandado de Segurança sob o argumento de que ele haveria perdido o objeto em razão da edição da lei 12.058/2009, editada dois anos antes e que teria garantido o seu direito ao crédito e, diante deste fato novo, em agosto de 2011 peticionou à DRF Franca, em peça denominada "Desistência de Ação Judicial" por meio da qual informou o fim da apontada concomitância e reiterou o pedido de utilização dos créditos (efls. 99). Analisando o presente processo, já desmembrado, a DRF de Franca salientou que o pedido de ressarcimento realizado em 04.11.2009 ainda nos autos do processo original, do qual este foi desmembrado, não pode ser conhecido em razão da concomitância com ação judicial. Contudo, também entendeu que a partir do momento que a Contribuinte desistiu da ação judicial, a ela passou a ser possível formular novo pedido, o que a DRJ de Franca entendeu haver sido formulado em agosto de 2011 por meio da já mencionada petição que informou a desistência do Processo Judicial. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 6 5 Seguindo este raciocínio, a DRJ de Franca, em 11.01.2012, reconheceu parcialmente o direito creditório da Recorrente, no valor de R$ 239.586.39. (efls. 113 120). Irresignada com a decisão, a Recorrente apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE por meio da qual fundamenta e requer o crédito tributário no percentual de 60% (08.05.2102, fls. 124). Contudo, a DRJ, ao julgar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 24.10.2014, fls. 157 e seguintes, entendeu que " Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem ou animal, podem descontar como crédito presumido as aquisições de insumos de pessoas físicas, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos.", ao invés de levar em consideração os produtos produzidos. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 181) por meio do qual sustenta que possui direito ao crédito obtido a partir da utilização de percentual de 60% para os insumos adquiridos pela Recorrente (fls. 188), o que segundo a Recorrente se tornou ainda mais patente com a edição da Lei 12.865/2013. Sustenta ainda que possui o direito de que os créditos presumidos sejam atualizados pela SELIC, especialmente após o novel entendimento esposado pelo STJ no processo 993164/MG. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em janeiro de 2006 a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504 por meio do qual questionou a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em discussão no bojo do já mencionado processo originário. Em 04.11.2009 a Recorrente formulou o pedido de ressarcimento de créditos presumidos da agroindústria, com fulcro na Lei 12.058/2009, pedido este que acarretou o desmembramento do processo ordinário no presente processo. Em razão da existência de processo judicial versando sobre a mesma matéria, em 24.09.2010 a DRF de Franca não conheceu o pedido administrativo de ressarcimento de COFINS formulado ainda nos autos do já mencionado processo originário com fulcro na Lei 12058/2009. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante de tal situação a Recorrente requereu a desistência do processo judicial (10.08.2011), informou tal fato à DRF e requereu novamente o crédito em agosto de 2011: "De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em 10 de agosto de 2011." Admitese, portanto, que a contribuinte abriu mão do direito de recorrer e, em 23 de agosto de 2011, formulou outro pedido. Ocorre que em agosto de 2011, quando da formulação deste novo pedido os créditos pleiteados pela Recorrente, relativos ao terceiro trimestre de 2005, já se encontram fulminados pela decadência. Neste sentido foram proferidas diversas outras decisões, em diversos outros processos, todos envolvendo o Crédito Presumido de PIS e COFINS do mesmo período, merecendo destaque os processo 13855.003318/201013, 13855.003323/201026, 13855.003321/201037 e 13855.003679/201060. Assim, sinteticamente, o Recurso Voluntário sob análise diz respeito a um crédito relativo a 2005 pleiteado em agosto de 2011, portando decadente, mas que a Recorrente pretende faze retroagir à data do pedido inicial. Assim, por estes motivos, voto no sentido de conhecer do Recurso Administrativo mas negarlhe provimento por entender que os créditos pleiteados em agosto de 2011, por serem relativos ao terceiro trimestre de 2005, já se encontravam fulminados pela decadência quando requeridos. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Superada a questão da decadência por maioria do colegiado, é de se adentrar no mérito recursal, que consiste na análise do percentual de crédito presumido a ser aplicado e a incidência da taxa SELIC. Em relação ao percentual do crédito presumido, mérito do Recurso Voluntário, este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o valor do créditopresumido de PISPASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei 10.637/2002. Esta inteligência já foi esposada por este colegiado, bem como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais nos acórdãos unânimes 9303007.501, 9303007.502, 9303 007.503 e 9303007.504 nos seguintes termos: "CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LEI 10.925/2004. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 8 7 O créditopresumido de PISPASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei 10.637/2002." No que diz respeito à incidência da Taxa Selic sobre os referidos créditos, nego provimento ao Recurso Voluntário por ausência de previsão legal, eis que o artigo 13 da Lei 9065/1995 não se aplica ao caso concreto. Por estes motivos, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento). (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado. A maioria do Colegiado afastou a decadência de o sujeito passivo requerer o ressarcimento de crédito presumido apurado na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 2.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21 e 02.06.29 da NCM. Não se discutiu o cânone legal que regia o prazo decadencial dos créditos pleiteados. A questão se restringiu na definição do instrumento legal que caracterizou o pedido de ressarcimento do crédito presumido. Para o relator original, o documento apresentado em 23/11/2011 seria um novo pedido de ressarcimento. Partindo dessa premissa, os créditos pleiteados estariam fulminados pela decadência, conforme demonstrado no voto vencido. Acontece que o Colegiado entendeu de forma diferente. Para a Turma Julgadora a petição protocolada em 23/08/2011 não passou de mera informação sobre os créditos pleiteados na petição protocolada em 04/11/2009. Sendo este o pedido de ressarcimento que deve ser usado para contagem do prazo decadencial. A questão é meramente fática, de forma que seu deslinde terá obrigatoriamente que passar pelos documentos que a lastreiam. O sujeito passivo apresentou pedido de ressarcimento de créditos das contribuições vinculados à receita de exportação relativo ao 3º trimestre de 2005. Seu pedido fora parcialmente deferido, uma vez que montante do crédito pleiteado não era ressarcível, pois teria sido apurado nos moldes dos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em 04/11/2009, o sujeito passivo atravessa petição solicitando o ressarcimento do valor correspondente a parte que foram indeferido sob o fundamento da edição da Lei nº 12.058/2009, que estabeleceu novas regras para o setor frigorífico, trazendo a possibilidade de compensação ou ressarcimento a tais créditos. Segue trecho da petição: "A Requerente ingressou com Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Todavia, a fiscalização houve por bem reconhecer apenas parte dos créditos pleiteados pela Requerente (...) não passível de Ressarcimento nas formas dos artigo 8º e 15 da Lei 10.925/2004. Com a edição da lei 12.058 de 13 de outubro de 2009 a qual estabelece novas regras para o setor frigorífico, sendo que no artigo 36 trata que o crédito presumido apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925 de 23 de julho de 2004 advindo de pessoa física e não deduzido nas saídas do mercado interno Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 10 9 como determinava o Ato Declaratório n. 15 de 10 de dezembro de 2005, poderá ser compensados ou ressarcidos. (...) Referido valor (...) não foi ressarcido ou autorizado a compensação com débitos da própria Receita Federal, conforme INFORMAÇÃO FISCAL, datada de 30 de abril de 2009 nas folha de n. 124. Portanto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal. DO PEDIDO Diante do exposto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal do valor referente ao credito da Agroindústria.(...)" Em 23/08/2011, o contribuinte apresenta requerimento informando a desistência de ação judicial que poderia impedir o ressarcimento pleiteado na petição apresentada no dia 04/11/2009, que abaixo reproduzo: "Requerente ingressou em 04/11/2009 com Pedido de Ressarcimento dos saldos de créditos de Contribuição para a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Em 05/05/2010 a fiscalização desta Delegacia fez por bem separar os créditos apurados no referido (...) haja vista a entrada e vigor da Lei 12.058/2009. Referida Lei autorizou o ressarcimento dos saldos de créditos apurados ainda na forma da Lei n° 10.925/2004, conforme pode ser observado do caput do artigo 36 e incisos ss., que dispõe: (...) Ocorre que o despacho decisório (...) reconheceu a previsão legal de ressarcimento/compensação dos citados créditos, porém, indeferido seu pagamento imediato sob os fundamento da existência de ação judicial (...) envolvendo referidos créditos. De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3° Região, em 10 de agosto de 2.011. (...) Do Pedido. Diante do exposto e por acreditar na inexistência de qualquer impedimento legal, REQUER seja deferido o ressarcimento e/ou compensação os saldos apurados na forma da Lei n° 10.925/2004 e autorizado pela Lei 12.058/2009 (...)". Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13855.003324/201071 Acórdão n.º 3302006.060 S3C3T2 Fl. 11 10 Pela análise das petições, na minha visão, resta evidente que o documento protocolado em 23/08/2011 tem natureza meramente informativa, pois visou informar a desistência de um possível impedimento uma ação judicial ao pedido de ressarcimento apresentado em 04/11/2009. Definido o documento apresentado em 04/11/2009 como o pedido de ressarcimento, e tendo em vista que o crédito pleiteado se refere aos períodos de apuração compreendidos entre 01/07/2006 e 30/09/2006, entendo que não houve a decadência de o sujeito passivo solicitar seu direito, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar o acórdão vergastado no sentido de afastar a decadência do direito ao ressarcimento dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902514/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador:31/03/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-006.249
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 25 14 /2 01 1- 53 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13502.902514/201153 Acórdão n.º 3402006.249 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, em razão do sistema da Receita Federal apurar que o pagamento em questão foi utilizado integralmente para quitar débitos. Tempestivamente, a manifestante alegou que, na data em destaque recolheu o IPI a maior, porém, ao tomar ciência do Despacho Denegatório constatou que não mais poderia retificar a respectiva DCTF, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos. Diante disso requer a retificação de ofício, o reconhecimento do direito creditório e a homologação dos débitos que declarou. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14042.363, que firmou entendimento de que é ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito, o que não ocorreu no caso em apreço. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.237, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13502.902501/201184, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.237): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13502.902514/201153 Acórdão n.º 3402006.249 S3C4T2 Fl. 0 3 7. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado eletronicamente da decisão guerreada em 05 de julho de 2013 (sextafeira), o que seu deu pela ciência por decurso de prazo, já que o contribuinte não promoveu a abertura do email encaminhado em sua caixa postal. Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 08 (oito) de julho de 2013 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 06 (seis) de agosto de 2013 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto mediante postagem por correio efetuada em 07 (sete) de agosto de 2013 (quartafeira) (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721814/2015-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.772
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721814/201584 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.772 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto MULTA ISOLADA Recorrente PETROLEO BRASILEIRO SA PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 81 4/ 20 15 -8 4 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16682.721814/201584 Resolução nº 3201001.772 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16682.721814/201584 Resolução nº 3201001.772 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 299DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.001649/00-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/1998
COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DECISÃO JUDICIAL RESTRITIVA. OBSERVÂNCIA.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.
Numero da decisão: 3402-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/1998 COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DECISÃO JUDICIAL RESTRITIVA. OBSERVÂNCIA. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva.
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POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DECISÃO JUDICIAL RESTRITIVA. OBSERVÂNCIA. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 16 49 /0 0- 51 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 330 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução Despacho nº 3402000.317 da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 02 de setembro de 2011 (fls. 01 a 05): Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança da COFINS relativa ao período de março a setembro/98 em virtude de a contribuinte ter efetuado compensações indevidas com indébitos fiscais resultantes de recolhimentos indevidos a título do PIS. Indeferido o pedido de compensação formalizado no processo nº 10855.000700/9834 foi efetuado o lançamento. A contribuinte interpôs impugnação alegando em sua defesa: • nulidade do auto de infração por ter sido lavrado fora do seu estabelecimento, por não ser o auditor fiscal contador; a descrição dos fatos ´[e imprecisa uma vez que existe processo de compensação ainda não julgado definitivamente na esfera administrativa e por possuir liminar garantindolhe o direito de efetuar as compensações; os dispositivos legais citados estão equivocados uma vez que não houve infringência da LC 07/70, mas sim aplicação do art. 6º; a narração dos fatos é imprecisa; não se comprovou que o credito tributário não foi extinto pela compensação efetuada; credito tributário está sendo constituído duplamente , uma vez que os débitos constavam do processo de compensação; não houve impessoalidade no ato administrativo praticado uma vez que nem todas as empresas do ramo foram fiscalização; não foi intimada a prestar esclarecimentos antes da autuação o que representa cerceamento de direito de defesa; discorre sobre a decisão judicial na qual embasou a sua compensação; • pugna pela aplicação da semestralidade no cálculo do indébito; • não tendo havido mora pois o credito tributário devido foi compensado não se pode aplicar juros moratório; • multa aplicada é confiscatória. A DRJ em Ribeirão Preto/SP manifestouse no sentido de manter parcialmente o lançamento, excluindo a aplicação da multa em virtude da aplicação do disposto na Lei nº 10833/03. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresenta recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, argüindo como razões de defesa as mesmas defendidas na inicial. De acordo com informação proferida pela autoridade competente, fl. 148, foi feito arrolamento de bens garantindo o seguimento do recurso interposto. O julgamento do recurso foi convertido em diligencia para que fossem tomadas Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 331 3 as seguintes providencias: 1. Anexar cópia da decisão administrativa final referente ao processo administrativo nº10855.000700/9834, que versa sobre a compensação; 2. Verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão administrativa final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo; Em resposta à diligencia proposta foi anexado acórdão proferido por este Conselho que decidiu não conhecer do recurso interposto nos autos do processo administrativo 10855.000700/9834 em razão de a contribuinte ter interposto ação judicial com o mesmo objeto. A Equipe de Acompanhamento de Ações Judicial da Delegacia de origem analisando os autos do MS 98.09031270, interposto pela recorrente, informa que a sentença, datada de 16/10/1998, julgou parcialmente procedente o pedido, cujo tópico dispositivo está redigido nos seguintes termos (fls. 50/59): "Isto posto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDE= o pedido para o fim de declarar incidentalmente a inconstitucionalidade das alterações introduzidas pelo DecretoLei nr2 2.445/88 e DecretoLei n9 2.449/88 na contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e indevidos os valores que excedam aos termos da exação na forma da LC n9 7, de 7 de setembro de 1970, bem como declarar o direito de compensação do referido indébito cujas guias de recolhimento tenham sido carreadas aos autos com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a prescrição qüinqüenal, tudo nos termos da fundamentação. Conseqüentemente, CONCEDO A SEGURANÇA a fim de determinar à autoridade coatora que se abstenha de qualquer ato impositivo quanto à compensação efetuada, se nos termos desta sentença, garantida, todavia, a fiscalização quanto ao acerto do procedimento pelo contribuinte. O valor do indébito deverá ser devidamente corrigido pela Ufir até dezembro/95 e após janeiro/96 pela taxa Selic, e sofrer juros compensatórios de 1% ao mês contados do pagamento indevido até o trânsito em julgado e juros moratórios de 1% a.m. após o trânsito.". Quanto à prescrição, ficou decidido que estão prescritos os valores com data de efetivo pagamento anterior ao prazo de cinco anos contados da propositura da ação (24/06/1998), ou seja, prescreveram os pagamentos efetuados anteriormente a 24/06/1993. A autora e a União apelaram, e o Tribunal Regional Federal da 3 4 Região proferiu acórdão em 15/06/2005, publicado em 24/08/2005 (cópia juntada às fls. 163/173), dando parcial provimento às apelações da Impetrante e da União Federal, e à remessa oficial, decidindo, em resumo, o seguinte: Base de cálculo — a base de cálculo do PIS, sob o regime da LC n° 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; Prescrição — foi confirmado o entendimento do Juízo "a quo", de que a prescrição é qüinqüenal, estando, portanto, prescritos os pagamentos efetuados anteriormente a 24/06/1993 (anteriores a cinco anos da propositura da ação); Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 332 4 Da compensação — devido ao ingresso em Juízo o regime normativo a ser aplicado é o disposto na Lei ng 8.383/91, de modo a permitir apenas a compensação do PIS com o próprio PIS; Correção Monetária — o relator reconheceu o direito aos expurgos do IPC (jan/89 — 42,72%, fev/89 — 10,14%, mar/90 — 84,32%, abr/90 — 44,80%, mai/90 — 21,87%, fev/91 — 7,87%), entretanto, considerando a prescrição dos pagamentos anteriores a 24/06/1993, para o caso presente, os mesmos deixarão ser aplicados, ou seja, fica mantida a UFIR até dezembro/1995 e a SELIC a partir de janeiro/1996; Juros — afastou a incidência dos juros compensatórios e dos juros moratórios Cientificada a contribuinte manifestouse argüindo que: • a decisão judicial obtida nos autos do MS 98.09031270 ainda não é a definitiva e portanto pode ser reformulada para admitir a compensação do PIS com a COFINS e alterar a prescrição qüinqüenal aplicada, como, inclusive, vem sendo decidido pelo STJ. • O julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do processo de compensação não foi conhecido por ter sido aplicada renuncia à via administrativa, o que significa que o que restar decidido no processo judicial amparará o processo administrativo de compensação; • O julgamento do presente processo depende do que restar definitivamente decidido na ação judicial 98.09031270. A antiga 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em sessão realizada em 02 de setembro de 2011, converteu o julgamento em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: • Anexar cópia da decisão final referente ao processo judicial (MS 98.09031270; • Verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão judicial final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo. A unidade de origem elaborou a Informação Fiscal nº 19/2018 RFB/DRF/SOR/EQJUD/EAC02 (fls. 324 a 326), com as seguintes informações: 1. O presente processo trata de auto de infração objetivando a cobrança da COFINS relativa ao período de março a setembro/98, em virtude do contribuinte ter efetuado compensações indevidas com indébitos fiscais resultantes de recolhimentos indevidos a título do PIS. Os pedidos de compensação formalizados no processo nº 10855.000700/9834 foram indeferidos. 2. Houve impugnação administrativa e, em 07/06/2004, a 1ª turma da DRJ/CPS considerou procedente em parte o lançamento, excluindo a multa de ofício.. (fls. 81 a 96). 3. Foi interposto recurso voluntário perante o CARF, que, em 07/11/2006, converteu o julgamento do recurso em diligência nos seguintes termos (fls. 156 a 158): “1. anexar cópia da decisão administrativa final referente ao Processo Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 333 5 Administrativo nº 10855.000700/9834, que versa sobre a compensação; e 2. verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão administrativa final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo.” 4. Cumpridas as diligências, o processo retornou ao CARF. Despacho nº 3402 000.317 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (fls. 1 a 5) transformou novamente em diligência, para que fossem tomadas as seguintes providências: • Anexar cópia da decisão final referente ao processo judicial (MS 98.0903127 0), que decidirá a sorte do processo de compensação e portanto a sorte deste processo; • Verificar se as compensações efetuadas, nos termos da decisão judicial final do processo de compensação, foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos e relatório conclusivo. 5. Despacho de fl. 238 remeteu o processo à EQJUD/DRF/SOR, tendo em vista o trânsito em julgado da ação judicial. Da ação judicial nº 090312770.1998.403.6110 6. Tratase de mandado de segurança, com requerimento de concessão liminar, objetivando autorização judicial para compensar os valores pagos a maior, a título de PIS, com os demais tributos sob administração da RFB, nos termos dos artigos 66, 80 e 85 da Lei nº 8.383/91 e artigos 73 e 74 da Lei Federal nº 9.430/96 e Decreto 2.138/97, com aplicação da prescrição decenal, com a atualização do indébito com a variação OTN, BTN, IPC, UFIR e Selic e com a aplicação dos juros compensatórios (fls. 241 a 261) 7. Em 16/10/1998, sentença concedeu a segurança pretendida, reconhecendo o direito à compensação com tributos administrados pela RFB, observada a prescrição quinquenal, devidamente corrigido pela Ufir até 12/95 e após 01/96 pela taxa Selic, com juros compensatórios de 1% ao mês contados do pagamento indevido até o trânsito em julgado e juros moratórios de 1% ao mês após o trânsito. (fls. 262 a 271) 8. Em 15/06/2005, acórdão do TRF 3 deu parcial provimento à apelação da impetrante, da União Federal e da remessa oficial determinando, em suma (fls. 171 a 179): a) o entendimento que a base de cálculo do PIS, sob o regime da LC nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, surgindo o direito de reaver os valores indevidamente recolhidos; b) a observância da prescrição quinquenal; (reformada em juízo de retratação posteriormente) c) o regime normativo da Lei nº 8.383/91, que permite a compensação do PIS com o próprio PIS; d) a aplicação da Selic a título de correção monetária; e) não cabem juros moratórios ou compensatórios em sede de compensação de tributos. 9. Ressaltase que o voto formador da ementa assim dispõe sobre os índices de correção monetária: IPC referente aos meses de janeiro de 1989 (42.72%), fevereiro de 1989 (10,14%), março (84,32%), abril (44,80%), maio de 1990 (21,87%), bem como fevereiro de 1991 (7,87%), bem como SELIC (Lei nº 9.25095), a partir de janeiro de 2016 10. Embargos de declaração foram rejeitados em 09/10/2008 (fl. 321) 11. Em sede de juízo de retratação, a Terceira Turma do TRF da 3ª Região, em 06/11/2014, deu provimento à apelação da impetrante e parcial provimento à Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 334 6 apelação da União e à remessa oficial para afastar a aplicação da prescrição quinquenal, ante o entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621. Ademais, determinou que os créditos devem ser atualizados, desde a época do recolhimento indevido, na forma do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, com as alterações introduzidas pela Resolução nº 267/2013. (fls. 272 a 277) 12. Recurso especial teve o seguimento negado pela vicepresidente do TRF da 3ª Região em 18/02/2015 (fls. 316 a 320). Ministro do STJ, em 17/12/2015, conheceu dos agravos interpostos pelas partes, negando seguimento ao recurso especial do interessado e determinando que o recurso especial da União fosse reautuado (fls. 278 a 287). Agravada a decisão que negou seguimento ao recurso especial do interessado, a Segunda Turma do STJ negou provimento ao agravo regimental em 01/03/2016 (fls. 288 a 298). Embargos de declaração foram rejeitados em 09/08/2016 (fls. 304 a 309). Em 24/05/2017 foi negado provimento ao recurso especial da União. (fls. 300 a 302). 13. O trânsito em julgado se deu em 23/08/2017 (fl. 303). Conclusão 14. Os pedidos de compensação indeferidos administrativamente estão consignados no processo administrativo nº 10855.000700/9884, sendo que os débitos estão controlados nos processos conforme tabela abaixo: 15. Relatada a ação judicial transitada em julgado, observase que há determinação para observância do regime normativo da Lei n. 8.383/91, que permite a compensação de créditos de PIS com débitos de PIS (fls. 171 a 179). Sendo assim, os débitos de COFINS do presente processo não podem ser objeto da compensação pretendida, vez que o crédito utilizado referese ao PIS. 16. Cumprida a diligência solicitada por meio do Despacho nº 3402000.317 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, retorno os autos para julgamento. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 335 7 Conforme relatado, tratase de auto de infração objetivando a cobrança da COFINS relativa ao período de março a setembro/98, em virtude de o contribuinte ter efetuado compensações alegadamente indevidas com indébitos fiscais resultantes de recolhimentos indevidos a título do PIS. Os pedidos de compensação formalizados no processo nº 10855.000700/9834 foram indeferidos. Destacase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Neste sentido temos os seguintes acórdãos: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. Os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie (art. 66, da Lei n° 8.383/91) podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (art. 74, da Lei n° 9.430), salvo com contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional, quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Assim, devese aplicar sempre a legislação vigente no momento do encontro de contas entre fisco/contribuinte, encontro esse que se dá no momento em que o contribuinte apresenta a declaração de compensação ao Fisco, após o reconhecimento de seu direito ser aferido pelo Judiciário. (Acórdão 3301003.958, sessão de 27 de julho de 2017, relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro) COMPENSAÇÃO PIS COM COFINS. AÇÃO PROPOSTA APÓS A MUDANÇA DA LEI QUE A PERMITIU. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO JUDICIAL, EM SEUS ESTRITOS TERMOS. Se a ação foi proposta após a vigência do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e a sentença reconheceu a compensação somente de créditos da Contribuição para o PIS com débitos de mesma espécie, é porque o contribuinte assim delimitou o seu pedido, não se aplicando ao caso a interpretação, já consolidada na jurisprudência administrativa e até mesmo na RFB, de que nas ações propostas antes da vigência da lei "mais benéfica", transitadas antes ou depois da sua vigência, a lei nova é a que deve ser aplicada. (Acórdão 9303006.017, sessão de 29 de novembro de 2017, relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) Nesse sentido, as manifestações da COSIT: Solução de Divergência COSIT nº 2, de 22 de setembro de 2010 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 336 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Caput e § 1º do art. 74 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro 2002. Solução de Consulta COSIT nº 382, de 26 de dezembro de 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. No caso em tela a decisão judicial fundamentouse na legislação mais restritiva, configurandose na exceção que não permite a compensação de tributos de espécies diferentes. A ação judicial transitada em julgado determinou expressamente a observância do regime normativo da Lei n. 8.383/91, que permite a compensação de créditos Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 337 9 de PIS com débitos de PIS (fls. 171 a 179), mesmo após a vigência do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Transcrevo excerto da decisão judicial de 15 de junho de 2005, da lavra do Desembargador Federal Nery Júnior e a ementa: Tal decisão não foi substancialmente alterada. Conforme relatado, os Embargos de declaração foram rejeitados em 09/10/2008 (fl. 321). Em sede de juízo de retratação, a Terceira Turma do TRF da 3ª Região, em 06/11/2014, deu provimento à apelação da impetrante e parcial provimento à apelação da União e à remessa oficial para afastar a aplicação da prescrição quinquenal, ante o entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621. Ademais, determinou que os créditos fossem atualizados, desde a época do recolhimento indevido, na forma do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, com as alterações introduzidas pela Resolução nº 267/2013 (fls. 272 a 277). O Recurso especial teve o seguimento negado pela vicepresidente do TRF da 3ª Região em 18/02/2015 (fls. 316 a 320). Ministro do STJ, em 17/12/2015, conheceu dos agravos interpostos pelas partes, negando seguimento ao recurso especial do interessado e determinando que o recurso especial da União fosse reautuado (fls. 278 a 287). Agravada a decisão que negou seguimento ao recurso especial do interessado, a Segunda Turma do STJ negou provimento ao agravo regimental em 01/03/2016 (fls. 288 a 298). Embargos de declaração foram rejeitados em 09/08/2016 (fls. 304 a 309). Em 24/05/2017 foi negado provimento ao recurso especial da União. (fls. 300 a 302). O trânsito em julgado se deu em 23/08/2017 (fl. 303). Constatase, portanto, que a autoridade julgadora autorizou apenas a compensação de tributos de mesma espécie, mesmo podendo decidir de forma diversa. Sendo assim, os débitos de COFINS do presente processo não podem ser objeto da compensação pretendida, vez que o crédito utilizado se refere ao PIS. Como consequência direta, os valores lançados a título de COFINS, conforme apurado pela autoridade fiscal, devem ser mantidos, visto que a apuração decorreu da glosa dos valores objeto da compensação indeferida. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10855.001649/0051 Acórdão n.º 3402006.285 S3C4T2 Fl. 338 10 Quanto às demais alegações trazidas no Recurso Voluntário, que apenas reproduziram textualmente as alegações da Impugnação, as mesmas devem ser afastadas pelos próprios fundamentos da decisão recorrida, visto que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento que poderia modificar ou extinguir aquela decisão, que permanece plenamente válida. Cabe registrar, nos termos do art. 63, §8º do Anexo II do RICARF, que os Conselheiros que votaram pelas conclusões do voto deste Relator fizeramno sob o fundamento de que, no caso concreto, o encontro de contas para a compensação ocorreu sob a vigência da norma anterior mais restritiva (art. 66 da Lei nº 8.383/91), de forma que não haveria a possibilidade de estender o alcance do título judicial para abranger a compensação também com outros tributos, eis que, conforme decidido anteriormente pelo Colegiado no Acórdão nº 3402005.296, isso seria cabível somente na hipótese de declarações de compensação apresentadas pela contribuinte sob a égide da nova legislação mais benéfica (MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96). Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.905050/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação referente à PIS/Pasep (cod 4574) do período de apuração fev/2010 e paga em 19/03/2010, que o contribuinte alega indevido. A DRJ em Fortaleza reconheceu o crédito e homologou a compensação até o limite do crédito disponível. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 0831.692: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 05 05 0/ 20 12 -3 5 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16682.905050/201235 Resolução nº 3201001.781 S3C2T1 Fl. 118 2 Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório nº 074904215, que homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 10147.15639.180811.1.3.043617. 2. O declarante objetiva compensar débito(s) fiscal(is) com pagamento indevido de PIS/Pasep (cod. 4574), referente a fevereiro de 2010 e efetuado em 19/03/2010. O Despacho Decisório considerou inexistente o crédito informado no PER/DCOMP (R$ 74.495,45), já que o pagamento encontrase integralmente utilizado para quitação do débito fiscal correspondente, declarado pelo contribuinte em DCTF. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 21/01/2014 (fl 53), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/02/2014 (fls 5/7), instruída com os documentos de fls 10/16, requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento indevido de PIS/Pasep (cod. 4574), configurado a partir da retificação da DCTF.Pede também a redução da multa compensada. 5. Anexei as fls 59 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, por intermédio da 4ª Turma, no Acórdão nº 0831.692, sessão de 11/11/2014, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita revisão da compensação para o reconhecimento do crédito remanescente no valor de R$ 74.495,45 e que seja homologada a PER/DCOMP N° 10147.15639.180811.1.3.043617. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16682.905050/201235 Resolução nº 3201001.781 S3C2T1 Fl. 119 3 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Na decisão recorrida, foi reconhecido pagamento a maior de Cofins conforme informada na DCTF retificadora, transmitida em 23/03/2012. A DRJ admitiu que o despacho decisório fez o batimento de DARF e a DCTF original; por conseguinte a homologação na PERDCOMP 10147.15639.180811.1.3.043617 foi parcial. O litígio que se afigura após o julgamento da DRJ versa acerca do inconformismo da contribuinte quanto à decisão que reconheceu um valor de crédito de R$ 1.358,23, ao passo que insiste que seu crédito é de montante maior e suficiente à liquidação do débito. Portanto, há uma divergência no valor do crédito a ser utilizado em compensação na mencionada Perdcomp. Não há controvérsias no tocante aos valores do crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Pasep no período 02/2010 (R$ 226.115,74) e nem na parcela disponível para compensação em razão de pagamento a maior (R$ 74.495,45). O débito a ser liquidado no PERDCOMP do presente processo é de R$ 41.837,54. A recorrente demonstra os valores do crédito utilizados em 3 PERDCOMPs e o saldo remanescente (fl. 76): 1 DARF PIS/Pasep 02/2010 226.115,71 2 Débito na DCTF retificadora 151.620,26 3 Pagamento a maior = crédito informado na DCTF 100.2010.2012.1861677461 (12) 74.495,45 4 Parcela utilizada no PERDCOMP nº 10147.15639.180811.1.3.043617 41.837,74 5 Parcela utilizada no PERDCOMP nº 17103.80104.041111.1.3.04557 6.447,07 6 Parcela utilizada no PERDCOMP nº 03598.90389.141111.1.3.041184 24.981,54 7 Valor remanescente (3456) 1.229,10 A decisão da DRJ demonstra o valor disponível para a compensação de débitos no PERDCOMP nº 10147.15639.180811.1.3.043617 (fl. 65): 1 DARF PIS/Pasep 02/2010 226.115,71 2 Débito na DCTF retificadora 151.620,26 3 Pagamento a maior = crédito (12) 74.495,45 4 Compensações realizadas 73.137,22 5 Valor disponível após compensações realizadas (34) 1.358,23 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16682.905050/201235 Resolução nº 3201001.781 S3C2T1 Fl. 120 4 Como se vê, a DRJ afirma que o crédito disponível no PERDCOMP 10147.15639.180811.1.3.043617 (R$ 1.358,23) não foi suficiente para integral quitação do débito, razão pela qual a homologação foi parcial. Compulsando os autos não se vislumbra em qual(is) compensação(ões) o valor de R$ 73.137,22 foi consumido para liquidação de débitos. A solução do litígio, a meu ver, exige o esclarecimento e verificação da utilização dos valores decorrente do indébito da Cofins do período. Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Origem, considerando o indébito de R$ 226.115,71, tal como reconhecido na decisão a quo, informe, através de relatório, demonstrativos e outros documentos pertinentes, a parcela remanescente do indébito disponível à compensação do débito no PERDCOMP 10147.15639.180811.1.3.043617. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726883/2017-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte referentes a si e seus dependentes, desde que comprovadas.
Numero da decisão: 2002-000.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores atribuídos a recorrente (R$ 6.034,15) e seu dependente João Martins do Nascimento (R$ 5.623,04).
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte referentes a si e seus dependentes, desde que comprovadas.
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DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte referentes a si e seus dependentes, desde que comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para expungir da condenação os valores atribuídos a recorrente (R$ 6.034,15) e seu dependente João Martins do Nascimento (R$ 5.623,04). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 68 83 /2 01 7- 64 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10380.726883/201764 Acórdão n.º 2002000.824 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 41/43) contra decisão de primeira instância (fls. 33/35), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a Notificação de Lançamento de f. 2226, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2015, alterando o Imposto a Restituir Declarado de R$ 10.520,21 para o Saldo do Imposto a Restituir Ajustado de R$ 6.747,25, por ter sido apurada dedução indevida de despesas médicas. A autuada foi cientificada do lançamento em 17/08/2017 (f. 27) e apresentou a impugnação em 22/08/2017 (f. 04), alegando a improcedência da glosa no valor de R$ 17.280,23, referente a despesas com o Geap Autogestão em Saúde, apresentando comprovante de pagamento emitido pelo plano de saúde, contendo os valores relativos ao titular e a cada um dos demais beneficiários, discriminadamente. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 16/07/2018 (fl. 38); Recurso Voluntário protocolado em 02/08/2009 (fl. 41), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas. Relata a r. decisão, que: “Conforme consulta ao Portal IRPF, a impugnante informou pagamentos ao Geap Autogestão em Saúde nos anos calendário 2013 a 2017. No anocalendário 2017 ela informou como dependentes: João Martins do Nascimento, CPF nº 768.863.52334, nascido em 09/11/1927, e Silvio Heleno do Amaral e Silva, CPF nº 740.687.84868, nascido em 06/11/1952, e nos anoscalendários anteriores, informou somente o primeiro dependente. Conforme o quadro "Pagamentos" da declaração de ajuste anual do ano calendário 2017, a contribuinte informou pagamentos ao GEAP dela como titular e dos dois dependentes acima citados. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10380.726883/201764 Acórdão n.º 2002000.824 S2C0T2 Fl. 4 3 Pelas informações acima, podese inferir que o montante informado pela contribuinte de pagamentos ao GEAP nos anoscalendário anteriores, se referem a ela e aos dois citados dependentes. A glosa deve ser mantida”. Irresignada, a recorrente maneja recurso próprio combatendo o mérito e juntando documentos. Alega a recorrente que, “embora houvesse a documentação comprobatória do pagamento do valor impugnado, a Receita Federal não considerou este, como se a requerente não houvesse pago ao plano de saúde o referido valor”. Parcial razão assiste à recorrente, senão vejamos: Em sua Declaração de Ajuste (fl. 15), consta como dependente o Sr. João Martins do Nascimento (pai da recorrente), anocalendário 2015. O documento de fl. 47, que trata do comprovante de pagamento para efeito de Declaração de Imposto de Renda, ano base 2015, presta a seguinte informação: Nome completo do titular e beneficiários e os valores cobrados referentes a cada um. Maria Orlane do Nascimento e Silva – R$ 5.623,04 – titular e R$ 411,11 – coparticipação Silvio Heleno do Amaral e Silva – R$ 5.623,04 – dependente (marido) João Martins do Nascimento – R$ 5.623,04 – dependente (pai) Assim sendo, a recorrente e seu pai João Martins do Nascimento, dependente na Declaração e no plano de saúde, podem usufruir da dedução, ficando fora o seu marido Silvio Heleno do Amaral e Silva. Entende este relator que os cálculos devem ser refeitos pela DRF/Fortaleza. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse parcial provimento ao apelo, para expungir da condenação os valores atribuídos a recorrente (R$ 6.034,15) e seu dependente João Martins do Nascimento (R$ 5.623,04). É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653324/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 24 /2 01 6- 14 Fl. 644DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.231, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201005.133 S3C2T1 Fl. 645 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 646DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.693331/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008
ROYALTIES SOBRE LICENÇA DE USO DE MARCA. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN.
A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Cofins-Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN.
DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS.
Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS.
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, pra reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Windereley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 ROYALTIES SOBRE LICENÇA DE USO DE MARCA. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN. A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Cofins-Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS. Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS. Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, pra reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Windereley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN. A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Cofins Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS. Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 33 31 /2 00 9- 11 Fl. 283DF CARF MF 2 Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, pra reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Windereley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ/Rio de Janeiro nº 12088.177, exarado pela 17ª Turma daquele órgão julgador, que manteve o decidido no Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 849801865, emitido pela DERAT/SP (fls. 06 dos autos digitais), o qual não homologou a compensação declarada na DCOMP – Declaração de Compensação de nº 26345.75688.180708.1.3.040180, transmitida pela recorrente pelo Programa PER/DCOMP, da Secretaria da Receita Federal, sob o fundamento de que “ o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, foi de R$ 82.160,61. Foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” 2. O Despacho Decisório Eletrônico indica que o DARF de valor R$ 82.160,00, recolhido em 25/02/2008, foi utilizado para quitar débito declarado pelo requerente, no mesmo valor, sob código de receita 5442 – COFINS IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS, portanto, estando o valor pleiteado vinculado a débito declarado, não resta saldo credor para efetivação da compensação pretendida. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 284 3 3. Os presentes autos foram constituídos para tratamento manual dos documentos eletrônicos mencionados, diante da apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo requerente. 4. Reproduzo parte do relatório do Acórdão DRJ/RJO, por bem descrever os fatos : DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 10/27) 3. O contribuinte cientificado do Despacho Decisório, referente a cobrança da COFINS, relativo a competência de junho de 2008, pela não homologação da Declaração de Compensação, no valor original de R$ 85.923,57; apresenta Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009, alegando, em síntese, que: 3.1. A referida compensação é oriunda de pagamento indevido de COFINS incidente sobre importação, ocorrido em fevereiro/2008, conforme declarado em DCTF (docs. 03, 04 e 05). 3.2. A não homologação da compensação pleiteada foi fundamentada, basicamente, na alegação de inexistência do crédito pretendido. 3.3. O crédito glosado pela Fiscalização referese a recolhimento de COFINS sobre importação (código de receita 5442), realizado em 25.02.2008 (doc. 03). 3.4. O despacho decisório está minimamente fundamentado, não estão bem expostos e conhecidos os motivos que levaram glosa do crédito declarado. 3.5. Informa que possui contrato de licença de uso de marca com a sociedade empresária “Alstom” francesa, pelo que é devido a título de royalties o valor de 1% sobre as vendas da ora Recorrente. 3.6. O referido recolhimento corresponde à tributação da COFINS/Importação, sobre valores remetidos ao exterior a titulo de contraprestação (royalties) pelo uso da marca "Alstom", nos termos do contrato. 3.7. A Recorrente efetuou, no período referente a fevereiro/2008, remessa de R$ 932.009,46 à Alstom francesa, em decorrência do referido contrato de cessão de marca, e que, aplicandose a alíquota da COFINS (7,65%) chegase ao valor de R$ 82.160,61, valor exato do crédito invocado. 3.8. Como os valores remetidos ao exterior a título de royalties pela cessão do uso de marca e tecnologia não estão sujeitos à incidência da COFINS, o recolhimento efetuado tornase indevido. 3.9. Informa que retificou sua DCTF para excluir o débito de COFINS/Importação sobre royalties, e que utilizou o recolhimento efetuado em 25/02/2008 na compensação informada na PER/DCOMP (fl.15). 3.10. Requer a homologação da compensação informada, ou, caso não seja atendida, que do cálculo do montante apurado pela Fiscalização, seja abatido o crédito de COFINS/Importação não aproveitado pela Recorrente em relação à incidência da aludida contribuição sobre as remessas Fl. 285DF CARF MF 4 de royalties ao exterior ,realizadas em contraprestação à cessão do uso da marca "Alstom". 3.11. Protesta pela produção posterior de provas que se fizerem necessárias. 5. A Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente, conforme Acórdão que restou assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 ROYALTIES SOBRE LICENÇA DE USO DE MARCA. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS / COFINS. A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. DCTF RETIFICADORA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF Retificadora,fundamentando o crédito dela advindo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. INDEFERIMENTO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação ou manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário, com as seguintes alegações : I – DOS FATOS a recorrente submeteu pagamento indevido para compensação,entretanto sobreveio despacho decisório não homologando a compensação pautandose na alegação de que o pagamento do referido débito de COFINSImportação, sob Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 285 5 montante de R$ 82.160,61 havia sido supostamente utilizado para a quitação de valores declarados em DCTF; a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde produziu prova necessária á identificação do indébito submetido á compensação, demonstrandose, de forma inequívoca, que este refletia um pagamento indevido de COFINSImportação sobre uma remessa á França a título de royalties como se vê, o suporte documental faz constatar claramente que o débito de COFINSImportação foi suportado indevidaente sobre uma remessa ao exterior como contraprestação pela cessão de uso da marca “ALSTOM” o que, por evidente, não representa uma obrigação de fazer apta a deflagrar a incidência do referido tributo; ainda que a manifestação apresentada constitua meio adequado á revisão do lançamento (art. 145, I, do CTN), foi proferido Acórdão pela DRJ/RIO DE JANEIRO ratificando o indeferimento da compensação por se pautar na ausência dos atributos de liquidez e certeza do crédito compensado; o Acórdão recorrido desprezou a prova do indébito submetido á compensação, considerando que não foi providenciada a retificação da DCTFdo período para espelhar o direito ao créditos II – PRELIMINARMENTE – NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA a decisão encontrase maculada por vício de nulidade absoluta, haja vista a falta da análise de todos os pontos suscitados pela recorrente; o artigo 93 da Constituição Federal determina que os despachos deverão estar motivados pelos fundamentos que levaram o julgador acolher ou desaclher a defesa apresentada, sob pena de nulidade; a autoridade julgadora deixou de apreciar a natureza do débito de COFINSImportação suportado indevidamente sobre uma remessa ao exterior a título de pagamento de royalties; a autoridade se pauta unicamente no fato de a DCTF não ter sido retificada para manter a glosa do crédito a que faz a recorrente; é preciso sublinhar que a recorrente nunca se desimcumbiu de demonstrar a legitimaidade de seu direito, até porque realizou toda a demonstração necessária á contextualização de que o indébito efetivamente se reportou a uma remessa feita ao exterior como contraprestação por uso de marca; o que se discute é a forma presumida com a qual autoridade julgadora despereza a origem do crédito, sem que tenham sido emitidos quaisquer termos de intimação para apresentação de escalrecimentos; mesmo que no caso da recorrente nenhuma retificação tenha sido feita em DCTF, é preciso ponderar que a liquidez e certeza do crédito está devidamente demonstrada; impõese a declaração de nulidade da decisão recorrida e a determinação de prolação de nova decisão, seja por falta de fundamentação, seja por falta de análise ao caso concreto, face Fl. 287DF CARF MF 6 a omissão sob diversos aspectos para a prolação da decisão administrativa; a ausência de fundamentação do julgado acarreta violação ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório julgador não irá analisar e se manifestar expressamente sobre todas as questões aduzidas na defesa , diminuindo a matéria devolvida para apreciação pela autoridade julgadora hierarquicamente superior. III – DO DIREITO III.1 – A EFETIVA DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO – PARECER NORMATIVO RFB/COSIT Nº 02/2015 ha que se destacar que independente da retificação feita em DCTF, não há como se mitigar o aproveitamento do crédito pela recorrente que efetivamente suportou o pagamento do tributo indevido, cita o Parecer Normativo RFB/COSIT nº 02/2015; mesmo que se admitisse a necessidade de esclarecimentos adicionais por parte da recorrente, caberia á autoridade julgadora intimála para elucidação dos elementos que impactaram na formação do indébito tributário, convertendo o julgamento em diligência e não simplesmente julgar improcedente a manifestação em razão da ausência da retificação feita em DCTF III.2 A EFICÁCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE COMO INSTRUMENTO REVISOR DO LANÇAMENTO ainda que a retificação não tenha sido realizada, a inequívoca demonstração do pagamento indevido, conforme comprovações feitas em sede de manifestação de inconformidade já seria suficiente para amparara a existência de crédito disponível, ou seja, a documentação apresentada pela recorrente não poderia simplesmente ser ignorada, como de fato acabou ocorrendo; sendo assim, falho a decisão ao apontar que a recorrente supostamente se desimcumbiu de seu ônus em provar a realização do pagamento indevido, pois a despeito da retificação feita em DCTF, mas diante das demonstrações feitas em sede de manifestação de inconformidade, não subsistenm dúvidas quanto á disponibilidade do crédito submetido á compensação. III.3 – A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO A SER COMPENSADO E A LEGITIMIDADE DE SUA COMPENSÇÃO – O INDÉBITO TRIBUTÁRIO REFLETIDO NO RECOLHIMENTO DA COFINSIMPORTAÇÃO SOBRE REMESSAS A TÍTULO DE ROYALTIES. é cabível a restituição do indébito tributário nos casos previstos no artigo 165 do CTN; uma vez comprovado que a recorrente suportou pagamento indevido, há que se resguardar ao contribuinte a devolução do respectivo montante; diante do arcabouço documenta apresentado (contrato de cessão de marca, averbação do contrato no INPI, comprovação da remessa ao exterior de valor como contraprestação do uso de marca, memória de cálculo que demonstra apuração da quantia referente ao pagamento indevido) não remanescem Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 286 7 dúvidas quanto á natureza do pagamento consumado pela recorrente, sobre o qual foi realizada compensação. IV – DO PEDIDO requer seja dado provimento ao recurso para decretar a nulidade da decisão proferida pela DRJ/RIO DE JANEIRO, devolvendose a matéria para fins de confirmação, por meio de diligência, dos elementos que impactaram no indébito; alternativamente, seja dado provimento ao recurso para, reformandose a decisão proferida pela DRJ, reconhecer integralmente o crédito em tela, homologandose a compensação efetuada pela recorrente, cancelandose a cobrança dos valores ora exigidos, inclusive mediante a conversão do julgamento em diligência. 7. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 8. Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. PRELIMINARMENTE – A NULIDADE DO ACÓRDÃO DRJ 9. Não prosperam as acusações da recorrente. 10 Alega a recorrente que o artigo 93 da Constituição Federal ordena que os despachos deverão estar motivados pelos fundamentos que levaram o julgador a acolher ou não a defesa apresentada, sob pena de nulidade. 11. O artigo 93 da Carta Magna está dirigido expressamente ao Poder Judiciário, como se transcreve : Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (…..) IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação Fl. 289DF CARF MF 8 X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros; 12. Portanto, equivocada a recorrente ao se utilizar deste argumento para acusar a decisão da DRJ de nula, pois o artigo 93 da CF/88 não se aplica ao caso. 13. A recorrente acusa o julgador da DRJ de não ter apreciado a natureza do débito de COFINSImportação suportado indevidamente sobre uma remessa ao exterior a título de pagamento de royalties. 14. Mais uma vez, equivocada a recorrente, pois a autoridade julgadora abriu dois tópicos em seu voto somente para analisar a natureza do débito, como denomina a recorrente, os tópicos denominados “ do conceito de royalties para fins tributários” e “da incidência do PIS e da Cofins sobre a Importação de Serviços e sobre Royalties” explicitam detalhadamente a natureza do indébito ocorrido no caso, ademais, a autoridade julgadora, em seu voto, expressamente declara que assiste razão á recorrente ao pleitear o direito ao crédito, como transcrevemos trecho do voto ás fls. 246 dos autos digitais : 23. Pacificada a não incidência de PIS e COFINS para os royalties pagos por licenciamento de uso de marca, passemos a análise do caso concreto. 24. A Manifestante guerreia dois argumentos em sua defesa: o primeiro, que o despacho decisório em comento está minimamente fundamentado, não estando bem expostos e conhecidos os motivos que levaram à glosa do crédito declarado, ora mesmo contendo informações de forma resumida; o segundo, que não haveria incidência da COFINS sobre a operação de remessa de royalties ao exterior realizada em contraprestação à cessão do uso da marca "Alstom". 25. Em relação ao primeiro argumento, divirjo da Manifestante, o Despacho Decisório contém a informação que fundamentou o motivo da não homologação, qual seja, a não existência da disponibilidade dos valores pleiteados. 26. O segundo argumento, já foi abordado nos itens acima e, de fato, assiste razão à Manifestante. 15. Portanto, a autoridade julgadora abordou, e de forma completa e específica, o argumento apresentada na Manifestação de Inconformidade, não tendo fundamento a acusação da recorrente. 16. Alega, ainda a recorrente, que a autoridade julgadora agiu de forma presumida ao desprezar a origem do crédito, sem emitir termo de intimação para a apresentação de esclarecimentos que se reputassem necessários. 17. Não prospera o argumento da recorrente, pois a autoridade julgadora não agiu por presunção, e sim efetivou seu julgamento com base em dados apresentados pela recorrente, como os documentos comprobatórios de que o indébito se referia a recolhimento de CofinsImportação sobre royalties e, também, com base em dados extraídos dos sistemas de registro da Secretaria da Receita Federal, para demonstrar que o recolhimento consta dos sistemas e permanece vinculado a débito declarado pela recorrente, inclusive anexando telas de sistema aos autos. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 287 9 18. Quanto aos termos de intimação não emitidos, vazia a acusação da recorrente, pois diante das provas constantes dos autos, que já embasavam a convicção do julgador, não foi necessária a intimação da recorrente para apresentar esclarecimentos adicionais. 19. Assim, as acusações de falta de fundamentação, falta de análise do caso concreto e omissão sob aspectos imprescindíveis para a prolação da decisão não prosperam, sendo a decisão perfeitamente elaborada, dentro dos parâmetros legais, não cabendo o seu cancelamento por nulidade. 20. Por derradeiro, as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal tem como base legal o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 21. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses elencadas no texto legal, não há nulidade na decisão combatida. 22. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade apresentadas. NO MÉRITO 23. Para o deslinde da questão, dois aspectos devem ser analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da compensação na esfera tributária. 1 O DIREITO AO CRÉDITO 24. A decisão de piso já reconheceu este direito ao crédito ao consignar em sua ementa que a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação. 25. O Acórdão DRJ já explorou com precisão os aspectos da legislação e da jurisprudência a respeito da diferença entre royalties e serviços, concluindo, citando decisão do Pleno do STF (RE nº 116.1213/SP) onde se pacifica a definição de que o conceito de conceito de que a locação de bens móveis, à qual se assemelha a licença para uso ou exploração de direitos, constitui típica obrigação de dar, ao contrário dos serviços, que constituem obrigação de fazer. 26. Os documentos acostados aos autos evidenciam que o contrato firmado pela recorrente se refere a contrato de licença de uso de marca, não existindo serviço vinculado a ele : Contrato de Licença (fls. 72/115 dos autos digitais), Requerimento de Averbação de Contratos e Faturas (fls. 117/122 dos autos digitais) do INPI, no qual consta como objeto o Fl. 291DF CARF MF 10 “Uso de Marca”, e Contrato de Câmbio (fls. 129/132 dos autos digitais). 27. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” 28. As hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e para a COFINSImportação sobre a importação de serviços foram estabelecidas pelos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.865/2004: Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – PISPASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINS importação,com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, incios IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses : I – executados no País; ou II – executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. [...] Art. 3º. O fato gerador será : [...] II – o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, como contraprestação por serviço prestado. [...] Art. 7º A base de cálculo será : [...] Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 288 11 II – o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3º desta Lei. (grifouse) 28. É expressa e clara a definição do fato gerador das contribuições em exame, PIS/PasepImportação e CofinsImportação, como sendo “o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, como contraprestação por serviço prestado”. Merece ainda, destaque, a atenção que o legislador deu à execução dos serviços, em especial nos citados incisos constantes do § 1º, art. 1º, da Lei nº 10.865/2004, acima transcritos. A referência à execução remete diretamente à natureza jurídica característica da obrigação de fazer dos serviços. 29. Considerando que os royalties são rendimentos decorrentes do uso, fruição e exploração de direitos (obrigação de dar), e não de prestação de serviços (obrigação de fazer), concluise que os valores referentes aos royalties não são atingidos pelas referidas contribuições, considerando ainda que, nos casos em que houver previsão contratual de fornecimento concomitante de serviços, o contrato deve ser suficientemente claro para discriminar os royalties, os serviços técnicos e a assistência técnica de forma individualizada, de forma a não haver incidência de PIS/PasepImportação e CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties. Neste caso, as contribuições sobre a importação incidirão apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. 30. No presente caso os requisitos para a não incidência estão configurados: o contrato é de cessão de marca, estão devidamente descritos os valores devidos a esse título e não há serviços conexos. 31. Assim, o recolhimento efetivado a título de COFINSImportação sobre os royalties vinculados ao contrato de cessão de marca foi feito de forma incorreta, caracterizando o pagamento como indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional : Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. 32. Por consequência, deve ser reconhecido o direito creditório, no montante do recolhimento efetivado indevidamente. 2 – A OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA 33. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com suas várias alteracões, estipula que : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 293DF CARF MF 12 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. 34. Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a Secretaria da Receita Federal emitiu Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB nº 1.717/2017, que assim dispõe : Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 35. Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instrumento onde o contribuinte declara, como confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial. 36. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, portanto, se a autoridade administrativa, segundo critérios de aprofundamento por ela definidos e após eventuais batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em DCTF como compatível com o do efetivamente devido, pode, a partir dos elementos de que internamente já Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 289 13 dispõe, decidir o direito à restituição (e, por decorrência, à compensação) por comparação entre o valor pago do tributo e o correspondente montante declarado em DCTF, sendo dispensável, dado o caráter confessional da DCTF, a intimação do requerente para prestar esclarecimentos ou apresentar provas. 37. A Secretaria da Receita Federal emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade, assim dispôs sobre o cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP : 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. (...) 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos. (...) 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302 Fl. 295DF CARF MF 14 001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). (...) 20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. O foco da questão aqui tratada não deve ser a formalidade e efetividade de um ato da autoridade administrativa, mas o efeito de um ato do sujeito passivo – retificar sua DCTF – em momento que ainda lhe é permitido pela norma e que confirme ato por ele também praticado anteriormente (a compensação ou o pedido de restituição) quando já fora objeto de análise pela autoridade administrativa. 38. A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF são de absoluta responsabilidade do declarante, e podem ser retificados, como admite a Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º : Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 290 15 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 39. Desta forma, para alterar os dados declarados, como débitos indevidos ou inexistentes, obrigatoriamente devese informar á Secretaria da Receita Federal, através da DCTF RETIFICADORA, para que, ao efetivar o cruzamento de informações, no caso em exame, de valores declarados em DCTF e valores declarados em DCOMP, sejam compatíveis para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou emitir despacho não homologando a compensação, com a devida fundamentação. 40. É o que acontece no caso presente, claramente explicitado pelo julgador da DRJ/RIO DE JANEIRO, no Acórdão DRJ combatido. 41. Reproduzimos as claras explicações constantes da decisão de piso : 28. Registrese que a falta de retificação da DCTF por iniciativa do próprio contribuinte não constitui óbice para o reconhecimento de erro nela contida, desde que devidamente constatado o equívoco no seu preenchimento, pois, nos termos do art. 147, § 2º, do Código Tributário Nacional CTN, a declaração pode ser retificada de ofício pela autoridade administrativa competente 29. E o direito de o contribuinte compensar débitos de tributos federais com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior está assegurado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996 30. Contudo, a situação acima descrita não é a que se vê no presente caso. 31. A Manifestante afirma em sua peça defensiva que RETIFICOU sua DCTF; e de fato, ela o fez – mais de uma vez – contudo, em todas as retificações o valor declarado devido de COFINS FOI MANTIDO. 32. Verificase ainda que, na mesma data de envio da DCOMP, 18/07/2008, a Contribuinte apresentou uma DCTF Retificadora (nº 100.2008.2008.1810022943), na qual reitera o valor devido. 33. A tela inserta abaixo demonstra a alocação do valor recolhido na DCTF relativa ao 25o dia de fevereiro de 2008. Fl. 297DF CARF MF 16 42. Assi m, no cruzamento de informações prestadas pela recorrente, na DCTF e na DCOMP,. O sistema de registro eletrônico da Secretaria da Receita Federal detectou que o recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento. 43. Por este motivo, o fundamento da não homologação da compensação foi o de haver um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 44. Portanto, correta a afirmação da autoridade julgadora da DRJ ao afirmar que : 38. No caso concreto o que se vê é que a Manifestante: Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.693331/200911 Acórdão n.º 3301005.827 S3C3T1 Fl. 291 17 A) Continua informando em sua DCTF o pretenso crédito como valor devido. B) Promove o recolhimento de diversos DARFs sob o mesmo código de receita – 5442 – o que, com a documentação apresentada nos autos não é possível saber a vinculação de cada um deles. C) Não traz aos autos prova escritural que permita a vinculação inequívoca do valor recolhido com a remessa de royalties por uso de marca. 39. Assim, entendo que não há reparo a ser feito no Despacho Decisório. O valor recolhido em 25/02/2008 foi corretamente alocado ao débito confessado de fevereiro/2008, NÃO RESTANDO VALOR A SER UTILIZADO PARA A COMPENSAÇÃO PRETENDIDA – Junho/2008. 45. A própria recorrente admite não ter retificado a DCTF quando afirma ás fls. 7 do seu recurso voluntário (fls. 263 dos autos digitais) que “ e, nesse diapasão, mesmo que no caso da Recorrente nenhuma retificação tenha sido feita em DCTF, é preciso ponderar que a certeza e liquidez do crédito devidamente demonstrada.” 46. Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o pagamento indevido foi vinculado, como crédito, a valor de débito confessado em DCTF, extinguindo, portanto, o débito, não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para o devido encontro de contas no instituto da compensação, nos termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem; Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.) e do artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.), por faltar ao crédito os atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não mais existia á época da transmissão da DCOMP, restando o débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional. 47. Restou, pois, á recorrente, a retificação da DCTF, para alterar a vinculação do débito ao crédito que se pretenda compensar. 48. Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o direito á compensação de crédito reconhecido mas utilizado indevidamente, no caso para extinguir débito confessado, desta forma, inexistente o crédito é época da compensação e, por consequência, faltandolhe liquidez e certeza. 49. Quanto á homologação e operacionalização da compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás Delegacias da Receita Federal, unidades jurisdicionantes dos requerentes/declarantes. Conclusão Fl. 299DF CARF MF 18 50. Diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apresentado somente para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação. É o meu voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 300DF CARF MF
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