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Numero do processo: 18404.000394/2008-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
RELEVAÇÃO. INDEFERIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.748
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência 10/2001. No mérito: Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 , prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. RELEVAÇÃO. INDEFERIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 40 4. 00 03 94 /2 00 8- 84 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência 10/2001. No mérito: Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 , prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Santos, Decisão Notificação nº 21.433.4/0026/2007, que julgou a autuação procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: O presente AutodeInfração foi lavrado por infringência ao art. 32, inciso IV, § 50 da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, c/c art. 225, inciso IV, § 4º do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, pelo fato de que a empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP parte das remunerações constantes das folhas de pagamento, referentes As remunerações pagas aos sócios a titulo de prólabore, bem como pagas aos segurados empregados, no período de 01/99 a 07/2006, consoante Relatório Fiscal da Infração As fls. 06 e 07 e Quadro Demonstrativo As fls. 08 e 09. 2. Assim, foi aplicada pela Autoridade Fiscal, consoante Relatório Fiscal de Aplicação da Multa às fls. 07 e Quadro Demonstrativo As fls. 08 e 09, a multa no valor de R$ 133.897,31 (cento e trinta e três mil, oitocentos e noventa e sete reais e trinta e um centavos), conforme o art. 32, § 5º da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, com as atualizações da Portaria MPS n.° 342/2006, sendo que nesta autuação não se aplicam as circunstâncias agravantes dispostas no art. 290 do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, conforme § 4° do art. 655 da Instrução Normativa IN/SRP n.° 03/05, não tendo sido as mesmas constatadas pela Autoridade Fiscal Autuante, tal qual a reincidência, bem como não foi constatada a ocorrência das circunstâncias atenuantes dispostas no art. 291 do citado RPS. DA IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo regulamentar a empresa apresentou impugnação, as fls. 22 a 46, alegando em síntese que: 3.1 Alega a impugnante que, no decorrer do período fiscalizado, foi mal assessorada pelos escritórios contábeis, fazendo com que as informações que deveriam ser passadas ao INSS através da GFIP não fossem efetuadas da maneira correta durante o Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 período fiscalizado, gerando uma sucessão de Autosde Infração. 3.2 Solicita a revisão da fiscalização e impugnação do Autode Infração, alegando que improcede a afirmação da Auditora Fiscal de que a empresa deixou de informar na GFIP parte das remunerações constantes nas folhas de pagamento, referentes ás remunerações pagas aos sócios a titulo de retirada de pró labore e pagas aos segurados empregados, sendo que, consoante a impugnante, ocorreu que em alguns meses, pela falta de verba para o pagamento total do FGTS na data de vencimento, foi emitida uma GFIP parcial e dentro do mesmo mês uma GFIP complementar, sendo que não tinha a informação de que ao ser transmitida a GFIP complementar a mesma substituía a GFIP transmitida anteriormente, aduzindo que tal fato é comprovado com a apresentação da documentação física, anexando cópias por período de amostragem (mês 03 e 10 de cada ano), colocando os originais a disposição da fiscalização. 3.3 Assim, espera o deferimento da solicitação, ficando a disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários. 3.4 Anexa aos autos cópia de pedido de registro da Alteração Contratual as fls. 23, cópia da Alteração Contratual as 'fls. 24 a 27, cópias de documentos pessoas da sócia as fls. 28, cópia do AutodeInfração n.° 35.826.7226 as fls. 29, cópias de comprovantes de entrega e recebimento de documentos da fiscalização as fls. 30 a 46. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: todas as falhas apontadas pela fiscalização, Auto de Infração no. 35.826.7234, foram devidamente corrigidas, conforme faz referência a própria decisão, quando menciona DA IMPUGNAÇÃO as cópias de comprovantes de entrega e recebimento de documentos da fiscalização às fls. 30 a 46, sendo certo que foram protocolizados por amostragem, dado ao seu excessivo volume, conforme orientação do próprio órgão, pois em curso uma nova fiscalização. no ato da fiscalização ao ser constatada a falha na prestação das informações cadastrais, a recorrente demonstrou a agente fiscal estar cumprindo suas obrigações fiscais, e organizou um mutirão para prestar as informações, o que foi feito, porém, o agente fiscal concluiu o auto de infração sem observar as correções documentais feitas pela contribuinte, que restou autuada por valores já devidamente recolhidos e sujas informações foram devidamente corrigidas. em consonância do disposto no artigo 291, § 1º do já citado RPS, vem a requerente formular pedido no sentido da relevação da multa É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Por essa característica e pelo fato de a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, entendo que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O período do lançamento é de 01/99 a 07/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 01/11/2006. Entendo decadentes as competências até 10/2001, inclusive. RELEVAÇÃO DA MULTA Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 5 7 A relevação da multa era prevista no §1°, do Art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e estava condicionada a alguns eventos: formulação de pedido, ser infrator primário, correção da falta dentro do prazo de impugnação e ausência de circunstâncias agravantes. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Entendo que o pedido de relevação da multa deve ser indeferido. Não encontrei no processo comprovação da correção das faltas. Também quando do julgamento de primeira instância, o voto registra que “em nenhum momento a empresa comprova de fato que cumpriu a obrigação acessória disposta na lei, ou seja, de que entregou as GFIP's contendo todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, no caso, com todas as informações no tocante as remunerações pagas aos sócios e empregados relacionadas no AutodeInfração em contenda.” 8. No que concerne as alegações da impugnante de que no decorrer do período fiscalizado, foi mal assessorada pelos escritórios contábeis, solicitando a revisão da fiscalização e impugnando o AutodeInfração, alegando ser improcedente o afirmado pela Auditora Fiscal de que deixou de informar na GFIP parte das remunerações constantes nas folhas .de pagamento, referentes as remunerações pagas aos sócios a titulo de retirada de prólabore e pagas aos segurados empregados, sendo que, consoante a impugnante, ocorreu que em alguns meses, pela falta de verba para o pagamento total do FGTS na data de vencimento, foi emitida uma GFIP parcial e dentro do mesmo mês uma GFIP complementar, sendo que não tinha a informação de que ao ser transmitida a GFIP complementar a mesma substituía a GFIP transmitida anteriormente, aduzindo que tal fato é comprovado com a apresentação de documentação física, temse que tais alegações da impugnante não tem o condão de elidir o AutodeInfração lavrado, posto que em nenhum momento a empresa comprova de fato que cumpriu a obrigação acessória disposta na lei, ou seja, de que entregou as GFIP's contendo todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, no caso, com todas as informações no tocante Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 as remunerações pagas aos sócios e empregados relacionadas no AutodeInfração em contenda. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 6 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência ater a competência 10/2001 e no mérito, dar provimento parcial determinando o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência do valor mais benéfico para a recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.004070/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Por oportuno, adoto o Relatório apresentado pela D. Autoridade Julgadora de primeira instância: Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, motivada pela emissão do MPF no 08.1.90.002008047617, foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos em 31/12/2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 07 0/ 20 09 -1 0 Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.039 2 (...) Extraise dos autos o seguinte cronograma: 2.1. A fiscalizada MACLENY foi intimada do inicio do procedimento fiscal por ciência postal em 08/07/2008 (AR a fl. 06) e ciência pessoal em 10/07/2008 (fl. 07), mediante recebimento de Termo de Inicio de Ação Fiscal (fls. 04/05 e 07), pelo qual lhe foi requisitada a apresentação de informações fiscais relativas ao período de agosto/2003 a dezembro de 2007 e registros contábeis e fiscais relativos ao anocalendário de 2005; 2.2. Termo de Intimação Fiscal de fls. 52 foi enviado via postal A EMPRESA BRACOL HOLDING LTDA, CNPJ n° 01.597.168/000199, principal fornecedora da fiscalizada, requerendo a relação das vendas que integraram o montante de R$ 51.102.175,37 informado na DIPJ (da BRACOL), entretanto, foi devolvido A Delegacia da Receita Federal sem ciência no Aviso de Recebimento; 2.3. Em 15/07/2008, a contribuinte MACLENY foi intimada a relacionar as entradas de mercadorias e insumos relativas ao anocalendário de 2005 e apresentar respectivos documentos comprobat6rios (fl. 54); 2.4. Em 12/08/2008, a contribuinte MACLENY foi intimada ao preenchimento da DCP — Demonstrativo de Composição do Passivo, com as informações relativas ao saldo escriturado em 31/12/2005 e respectiva liquidação no ano seguinte, relativamente As contas: Fornecedores Nacionais" no valor de R$ 28.076.985,38; "Bancos Conta Transitória" no valor de R$ 2.848.320,83 e "Adiantamento de Clientes" no valor de R$ 3.225.601,16, juntamente com a documentação comprobatória das provisões e baixas relacionadas a essas contas (fl. 55); 2.5. Em 21/08/2008 (fl. 57, AR a fl. 58), a empresa BRACOL HOLDING LTDA. foi intimada via postal a relacionar as vendas de produtos/mercadorias A contribuinte MACLENY no montante de R$ 51.102.175, conforme constou de sua DIPJ, preenchendo demonstrativo com as seguintes informações: data de saída; n° do documento; código fiscal; valor contábil e data de recebimento da mercadoria; 2.6. Em 18/09/2008 (fl. 59, AR a fl. 60), a fiscalizada MACLENY foi intimada a apresentar documentos comprobat6rios dos valores escriturados na conta "Bonificação Fornec. Merc. p/ Revenda", no montante de R$ 11.991.072,18, no anocalendário de 2005; demonstrar a anulação deste valor da apuração dos créditos das contribuições ao PIS e A COFINS não cumulativos; 2.7. Em 18/09/2008 (fl. 61, AR a fl. 63), foi reiterada a intimação de fl. 55, não atendida até então, para que a empresa MACLENY preenchesse o DCP — Demonstrativo de Composição do Passivo, com as informações relativas ao saldo escriturado em 31/12/2005 e respectiva liquidação no ano seguinte, relativamente As contas: "Fornecedores Nacionais" no valor de R$ 28.076.985,38; "Bancos Conta Transitória" no valor de R$2.848.320,83 e Adiantamento de Clientes" no valor de R$ 3.225.601,16, juntamente com a documentação comprobat6ria das pro as relacionadas a essas contas; 2.8. Em 08/10/2008 (fl. 64/65, AR a fl. 67), foram reiteradas a intimação de fl. 59 e a intimação de fl. 61, que até o momento não haviam sido atendidas, para que a empresa MACLENY apresentasse documentos comprobatórios dos valores escriturados na conta "Bonificação Fornec. Merc. p/ Revenda", no montante de R$ 11.991.072,18; demonstrasse a Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.040 3 anulação deste valor da apuração dos créditos das contribuições ao PIS e COFINS não cumulativos; preenchesse o DCP — Demonstrativo de Composição do Passivo, com as informações relativas ao saldo escriturado em 31/12/2005 e respectiva liquidação no seguinte, relativamente as contas: "Fornecedores Nacionais" no valor de R$ 28.076.985,38; "Bancos Conta Transitória" no valor de R$ 2.848.320,83 e "Adiantamento de Clientes" no valor de R$ 3.225.601,16, juntamente com a documentação comprobatória das provisões e baixas relacionadas a essas contas; 2.9. Em 16/10/2008 (fls. 68/69, AR a fl. 70), foi reiterada a intimação feita à empresa BRACOL HOLDING LTDA. em 21/08/2008 (fl. 57) para que essa relacionasse as vendas de produtos/mercadorias à contribuinte MACLENY no montante de R$ 51.102.175, conforme constou de sua DIPJ, preenchendo demonstrativo com as seguintes informações: data de saída; n° do documento; código fiscal; valor contábil e data de recebimento da mercadoria; 2.10. Foram apresentados relatório de saídas da empresa BRACOLHOLDING LTDA. (fls. 72/84) e relatório de entradas da MACLENY (fls. 85/96), ambos relativos ao ano calendário de 2005; 2.11. Em 23/10/2008 (AR a fl. 99), a contribuinte MACLENY foi intimada a apresentar arquivos digitais contendo dados relativos aos Registros Contábeis e Documentos Fiscais (fls. 97/98); 2.12. Em 23/10/2008 (AR a fl. 102), a contribuinte MACLENY foi reintimada a apresentar livros Diário e Razão, Registros de Entradas, de Saídas, de apuração de ICMS e de prestação de Serviços, bem como a disponibilizar os documentos contábeis e fiscais do período, inclusive notas fiscais de entradas (compras) e saídas (vendas). Nessa oportunidade, a contribuinte foi alertada de que o não atendimento à presente reintimação caracterizaria embaraço à fiscalização e implicaria agravamento da multa no caso de lançamento de oficio (fls. 100/101); 2.13. Em 28/11/2008 (AR a fl. 104), a contribuinte MACLENY tomou ciência do prosseguimento da ação fiscal mediante termo de fl. 103, pelo qual foi reforçado o pedido de apresentação dos documentos e elementos até então não apresentados; 2.14. Em 15/01/2009, a contribuinte MACLENY foi notificada dos termos de fls. 105/106 (AR a fl. 107), fls. 108/109 (AR a fl. 110), que reiteraram as intimações de fls. 97/98 e fl. 59, ambos alertandoa novamente sobre caracterização de embaraço à fiscalização e consequentemente agravamento de multa; 2.15. Em 15/01/2009 (fl. 111, AR a fl. 120), a contribuinte MACLENY foi intimada a demonstrar e comprovar a escrituração das notas fiscais de aquisição de mercadorias relacionadas no demonstrativo anexo, de fls. 112/119; bem como a demonstrar e comprovar a origem dos recursos utilizados nos pagamentos das cotejadas compras, assim como a escrituração desses pagamentos nos livros Diário e Razão; 2.16. Em 20/01/2009 (fl. 121), a contribuinte MACLENY comunica a fiscalização que os documentos contábeis e fiscais (Livro Diários, Registro de Entradas e Saídas, notas fiscais de entradas e saídas e registro de Inventário) poderiam ser disponibilizados à SRF somente após a devolução dos mesmos pela Secretaria da Fazenda Estadual, que havia solicitado a empresa tais documentos em 28/03/2008, conforme cópias de notificações estaduais a fls. 122/123; Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.041 4 2.17. Em 25/02/2009 (fl. 124, AR a fl. 133), a fornecedora BRACOL HOLDING LTDA. foi intimada a apresentar (1) cópia das 352 notas fiscais de saídas relacionadas em demonstrativo anexo (fls. 125/132), cujos dados foram extraídos do demonstrativo apresentado em resposta ao Termo de Reiteração de Intimação Fiscal lavrado em 14/10/2008; (2) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou de liquidação das supracitadas notas fiscais; cópia das folhas dos livros Diário e Razão em que se encontrariam escrituradas as faturas/duplicatas relativas As supracitadas notas fiscais; 2.18. Em 02/03/2009 (fls. 134/135, AR a fl. 144), foi reiterada a intimação A. contribuinte MACLENY de fl. 111; 2.19. Em 09/03/2009 (fl. 145/146), a fornecedora BRACOL HOLDING LTDA., requer prorrogação, de no mínimo vinte dias, do prazo estabelecido para apresentação das 352 notas fiscais anteriormente discriminadas e respectivos comprovantes de pagamento/ liquidação e escrituração no Diário e Razão; 2.20. Em 02/04/2009 (fls. 147/155, AR a fl. 156), diante do não fornecimento dos elementos solicitados A BRACOL HOLDING LTDA, foi reiterada a intimação de fl.124; 2.21. A fls. 157, a fornecedora BRACOL HOLDING LTDA apresenta documentos de fls. 158/264, que seriam cópias de notas fiscais n° 5942 a 5996; cópia dos instrumentos particulares de cessão de créditos da MACLENY à BRACOL; livros diário referentes a novembro e dezembro de 2005; 2.22. . Em 05/06/2009 (fls. 265/266, AR a fl. 267), a empresa MACLENY recebe reiteração de intimação fiscal para apresentar escrituração das notas fiscais de aquisição de mercadorias e demonstrar a origem dos recursos utilizados para o correspondente pagamento, bem como a escrituração desses pagamentos no Diário e Razão; 2.23. Em resposta à reintimação de fls. 265/266, a contribuinte MACLENY apresentou carta (fl. 268) datada de 05/06/2009, esclarece o que os documentos solicitados estariam de posse do fisco estadual conforme cópia de protocolo de entrega que estaria em anexo mas que, entretanto, não se encontra nos autos. Em anexo, a fim de comprovar a fonte de recursos para pagamentos a seus fornecedores, apresentou cópia da 12ª alteração contratual com registro de aumento de capital no valor de R$ 120.120.000,00 integralizados pela sócia NITREB PARTICIPAÇÕES LTDA. (fl. 272) e cópia de extrato bancário com a entrada do recurso financeiro correspondente (fl. 270); 2.24. Em 24/06/2009, por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fls. 283/284, a empresa MACLENY tomou ciência das seguintes constatações e requisições: 2.24.1. Foi apurada incompatibilidade entre o valor informado na DIPJ 2006 a titulo de "Compras de Mercadorias", de R$ 36.510.592,84 (liquido de impostos a recuperar) e as compras de mercadorias escrituradas nos registros contábeis da contribuinte, que totalizaram R$ 55.090.919,05 (incluindo impostos); 2.24.2. De acordo com os registros contábeis, a contribuinte recebeu bonificações de Mercadorias para Revenda no montante de R$ 11.991.072,19, tendo declarado na DIPJ 2006 as compras liquidas de impostos e também diminuídas dessa bonificação; Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.042 5 2.24.3. A empresa BRACOL Holding Ltda, empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da fiscalizada, denominado "Bertin", foi intimada a apresentar documentos e informações sobre as transações comerciais entre as empresas e comprovantes de liquidação. De acordo com os elementos fornecidos por essa empresa, verificouse que a liquidação dessas operações comerciais teria sido efetivada através de cessões de créditos realizadas durante o anocalendário de 2005, da empresa MACLENY para a empresa BRACOL; 2.24.4. As informações e documentos apresentados pela fornecedora BRACOL, no sentido de que as mercadorias fornecidas teriam sido liquidadas através de cessão de créditos, mostraramse incompatíveis com as informações fornecidas pela fiscalizada MACLENY, que alegou que as mercadorias foram recebidas em bonificação; 2.24.5. A contribuinte foi intimada em 16/09/2008 e reintimada em 13/01/2009 a demonstrar e comprovar o passivo escriturado em 31/12/2005, mediante o preenchimento da DCP — Demonstrativo de Composição do Passivo, em especial pela conta "Fornecedores Nacionais", cujo saldo era de R$ 28.076.985,38, e mediante a apresentação dos documentos comprobatórios, tanto do saldo em 31/12/2005 liquidação no ano seguinte; 2.24.6. A fiscalizada MACLENY foi concedido prazo adicional para comprovar o passivo questionado pela fiscalização mediante apresentação de: (1) documentos hábeis e idôneos a comprovar os valores escriturados na conta "Bonificação Fornec. Merc. p/ Revenda", no montante de R$ 11.991.072,18, no anocalendário de 2005; (2) documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos recursos utilizados na liquidação das mercadorias adquiridas da empresa BRACOL HOLDING LTDA., conforme relação anexa ao Termo de Intimação Fiscal lavrado as 15:20 horas do dia 13/01/2009; (3) preencher formulário "DCP — Demonstrativo de Composição do Passivo", conforme modelo anexo, com as informações relativas ao saldo escriturado em 31/12/2005 e respectiva liquidação no ano seguinte, relativamente à conta "Fornecedores Nacionais", com saldo no valor de R$ 28.076.985,38; 2.25. Em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 283/284, em 01/0712009a contribuinte MACLENY apresenta (fl. 286) como justificativa dos recursos para pagamentos de fornecedores as bonificações recebidas de seus fornecedores em virtude da baixa aceitação dos produtos desses adquiridos, bem como o aporte de capital de R$ 120.120.000,00 ocorrido no dia 01/10/2008. Apresenta, também, e Demonstrativo de Composição do Passivo (fl. 301/310); 2.26. Em 02/09/2009, a contribuinte foi cientificada da continuação da ação fiscal e recebeu orientação para acompanhamento virtual do Mandado de Procedimento Fiscal MPF (fl. 311); 2.27. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 313/322: 2.27.1. Foi apurada incompatibilidade entre o valor informado na DIPJ 2006 a titulo de "Compras de Mercadorias", de R$ 36.510.592,84 (liquido de impostos a recuperar) e as compras de mercadorias escrituradas nos registros contábeis da contribuinte, que totalizaram R$ 55.090.919,05 (incluindo impostos); Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.043 6 2.27.2. De acordo com os registros contábeis, a contribuinte recebeu bonificações de Mercadorias para Revenda no montante de R$11.991.072,19, tendo declarado na DIPJ 2006 as compra impostos e também diminuídas dessa bonificação; 2.27.3. A empresa BRACOL Holding Ltda, empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da fiscalizada, denominado "Bertin", foi intimada a apresentar documentos e informações sobre as transações comerciais entre as empresas e comprovante de liquidação. De acordo com os elementos fornecidos por essa empresa, verificouse que a liquidação dessas operações comerciais teria sido efetivada através de cessões de créditos realizadas durante o anocalendário de 2005, da empresa MACLENY para a empresa BRACOL; 2.27.4. As informações e documentos apresentados pela fornecedora BRACOL, no sentido de que as mercadorias fornecidas teriam sido liquidadas através de cessão de créditos, mostraramse incompatíveis com as informações fornecidas pela fiscalizada MACLENY, que alegou que as mercadorias foram recebidas em bonificação; 2.27.5. A contribuinte foi intimada em 16/09/2008 e reintimada em 13/01/2009 a demonstrar e comprovar o passivo escriturado em 31/12/2005, mediante o preenchimento da DCP — Demonstrativo de Composição do Passivo, em especial pela conta "Fornecedores Nacionais", cujo saldo era de R$ 28.076.985,38, e mediante a apresentação dos documentos comprobatórios, tanto do saldo em 31/12/2005 quanto de sua liquidação no ano seguinte; 2.27.6. Em 24/06/09, transcorridos os prazos das intimações, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal e concedido à fiscalizada prazo adicional para comprovar o passivo questionado pela fiscalização; 2.27.7. Em resposta a última intimação, a contribuinte alegou que as bonificações decorreriam de mercadorias que não obtiveram a aceitação esperada e que, além das bonificações, a empresa recebeu aporte de capital no dia 01/10/2008 (33 meses após a data do passivo questionado), juntando, ainda, demonstrativo de composição do passivo escriturado em 31/12/2005, na conta "Fornecedores Nacionais"; 2.27.8. Analisada a documentação apresentada e o demonstrativo elaborado pela fiscalizada, foram relacionados 343 títulos tendo como credor "BERTIN LTDA", totalizando R$ 19.311.884,06, conforme demonstrativo anexo ao termo de verificação, a fls. 317/322; 2.27.9. Não foi apresentado qualquer comprovante de pagamento dos títulos escriturados em 2005, tampouco qualquer documento hábil, idôneo, coincidente em data e valor, que pudesse comprovar a veracidade da informação constante do demonstrativo elaborado pela fiscalizada, no sentido de que os títulos do ano de 2005 teriam sido liquidados em 2007. Além disso, a informação da quitação dos títulos de 2005 em 2007 mostrasse incompatível com a resposta dada pela fiscalizada, de que, "além das bonificações, a empresa recebeu aporte de capital (...), em 01/10/2008"; 2.27.10. Concluiuse que a empresa não logrou comprovar veracidade do montante de R$ 19.311.884,06, escriturado em seu passive em 31/12/2005; 2.27.11.À luz do artigo 40 da Lei ° 9.430/96 e do art. 281 do RIR/99, as constatações autorizam o fisco a presunção legal de considerar o saldo do passivo não satisfatoriamente comprovado como passivo fictício, que deve ser tributado de oficio como omissão de receitas, pelo IRPJ, PIS, CSLL e COFINS; Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.044 7 2.27.12. A fiscalizada fica intimada a efetuar os ajustes e retificações necessárias em seu livro LALUR e nos controles das bases negativas da CSLL, tendo em vista que em 2005 a contribuinte havia apurado prejuízo fiscal e base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido”. Ao analisar os argumentos apresentados pelo Contribuinte, a DRJ apresentou sua decisão de fls. 1971/1994, que restou ementada da seguinte forma: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações cuja origem e a exigibilidade não sejam comprovadas caracteriza a omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. PROVA DA EXIGIBILIDADE DO PASSIVO. A escrituração contábil, por si só, não faz prova dos fatos e lançamentos nela registrados, os quais devem ser comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. DESCABIMENTO. A perícia é prescindível quando as questões a serem apreciadas estão na esfera de conhecimento e da competência funcional do julgador ou porque os elementos trazidos aos autos são suficientes para formar sua convicção. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada, ou mesmo a falta de sua emissão, não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. MULTA MAJORADA. A multa de oficio será aumentada de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no lançamento principal é aplicável lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a r. Decisão supra, o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2006/2025, pelo qual alegou, resumidamente: Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.045 8 A não apreciação de razões de defesa e cerceamento pela negativa do pedido de perícia e diligência; Ofensa ao MFP –F; Perda de Eficácia do Termo de Início; A inexistência de Omissão de Receitas Existência de bitributação, um vez que a Bertin Ltda. teria pago o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS; A inexistência de razão para aplicação da Multa Agravada; Relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto Relator, Tendo em vista que o Recurso Voluntário ora analisado atende aos requisitos legais, dele conheço e passo a análise de suas razões. 1 Do Pedido de Perícia e Diligência Primeiramente notese que já em sede de Impugnação, portanto atendendo ao que determina o Artigo 16, da Lei nº 70.235/72, o Contribuinte requereu a realização de perícia e diligências para determinar os seguintes quesitos: “1) A Impugnante adquiriu da Bertin Ltda. mercadorias objeto dos títulos descritos no Termo de Verificação e Constatação Fiscal? 2) Estas operações efetivamente ocorreram, com a saída das mercadorias do estabelecimento da Bertin Ltda. em direção ao estabelecimento da Impugnante? 3) Como estas operações foram liquidadas? 4) Prestar outros esclarecimentos necessários para a solução do Pedido de Ressarcimento formulado pela empresa?”. Entretanto, a Autoridade Julgadora de primeira instância achou por bem indeferir o pedido de Perícia por considerálo dispensável, uma vez que os elementos trazidos aos autos seriam suficientes para a formação de sua convicção. Conceitualmente, perícia, nas lições de Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal, Saraiva, São Paulo, 1993, pág. 320), “nada mais é do que uma diligência a ser feita por quem tem o conhecimento de determinada matéria, ou seja, é diligência levada a cabo por um expert a fim de que certos fatos sejam esclarecidos. Supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo”. Neste sentido, me parece que os quesitos apresentados pelo Contribuinte não necessitam da realização de perícia propriamente Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.046 9 dita, uma vez que dispensam a necessidade de realizada por um expert no assunto. Tratase de matéria de possível análise sem a necessidade de maiores estudos e conhecimentos técnicos específicos. Entretanto, entendo que o pedido de diligência é plausível. Ora, conforme se sabe, o Processo Administrativo Fiscal em âmbito federal é regido pelo Princípio da Verdade Material, no sentido que se busca descobrir se o fato gerador realmente ocorreu. Este, inclusive, já é posicionamento pacífico deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Recurso negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma, Acórdão nº 40304194 do Processo 103200017059835, Data: 09/11/2004.) Ademais, durante o processo administrativo, temos de um lado o Contribuinte alegando a inexistência da omissão de receita (o que busca comprovar com a juntada de vasto conjunto documental) e de outro, a Autoridade Fiscal que, munida da presunção de veracidade de suas alegações, defende a omissão em questão. Diante disto, como se sabe, cabe ao Contribuinte comprovar o que alega. E este, a meu ver, buscou fazêlo, ao juntar a sua defesa (Impugnação Administrativa às fls. 1757/1769 e Recurso Voluntário às fls. 2006/2025), e vasto conjunto documental às fls. 20/325. A despeito disto, entende o Contribuinte importante a realização de diligência, o que não vejo motivos para negar. Não entendo ser o caso de anulação da r. decisão de primeira instância, pois a Autoridade Fiscal é livre para formar seu convencimento, desde que de forma motivada. E assim o fez ao considerar dispensável a realização da diligência. Neste sentido: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003 DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.004070/200910 Resolução nº 1202000.256 S1C2T2 Fl. 2.047 10 diligência indeferido.(Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 2ª Turma Especial; Acórdão 3802002.971, nos autos do Processo Administrativo nº 19679.000390/200413; Relator Solon Sehn; DJ. 24 de abril de 2014) Entretanto, a meu ver, indeferir o pedido de diligência regularmente realizado fere em parte o Direito de Defesa do Contribuinte, impondolhe cerceamento ao direito de defesa, uma vez que já é a parte mais fraca da relação tributária. Diante disto, voto no sentido de que seja o presente processo encaminhado à Delegacia Regional de Fiscalização (DRF), para a devida realização de diligência, que buscará responder aos quesitos levantados pelo Contribuinte. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10920.908177/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO E VOTO A empresa recorre do Acórdão nº 0356.229 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls. 76 a 80, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação), objetos destes autos. A empresa argumenta que procedeu a recolhimentos de tributos, via DARF, em valores maiores que os efetivamente devidos. Apresenta cópia de DIPJ, folha do Razão e DCTF retificadora pretendendo comprovar o erro cometido na DCTF originalmente entregue. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 08 17 7/ 20 09 -7 4 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908177/200974 Resolução nº 1801000.372 S1TE01 Fl. 3 2 O Despacho Decisório eletrônico restringese a denegar o pedido com base no fato de o valor recolhido por intermédio do Darf haver sido inteiramente alocado no período correspondente. A Turma Julgadora de Primeira Instância entendeu serem insuficientes as provas oferecidas pela empresa para comprovar o efetivo erro de recolhimento do tributo, alegado como efetuado em valor maior do que o devido. Assim restou ementado o Acórdão: DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 84 a 178, reiterando os termos da defesa exordial e acrescentando, em síntese, que procedeu ao recolhimento a maior do tributo em razão de haver incluído como receita financeira variações cambiais ativas relativa a uma atualização cambial feita indevidamente. Esclarece que o lançamento contábil errôneo foi devidamente estornado na contabilidade em 01/12/2005 e que a DIPJ foi corretamente preenchida, enquanto a DCTF relativa ao período em que houve o lançamento contábil indevido, não. Assim que flagrouse do erro, procedeu à retificação da DCTF, a qual não foi admitida. Para comprovar o alegado, junta ao Recurso Voluntário, entre outros documentos, em cópias: extratos bancários dos meses de abril, maio e junho de 2005; folhas do Diário e do Razão relativas aos lançamentos contábeis de variação cambial ativa e passiva, bem como dos tributos a pagar (IRPJ e CSLL); planilha demonstrando os cálculos das variações cambiais; notas fiscais de liquidações comprovando as operações em abril, maio e junho de 2005, planilhas de cálculo de apuração do IRPJ e CSLL. É o suficiente para o relatório. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. 1 AR – 18/12/2013, efls. 86; Recurso – 16/01/2014, efls. 88 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908177/200974 Resolução nº 1801000.372 S1TE01 Fl. 4 3 A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 2º trimestre de 2005, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que informou equivocadamente em DCTF – original que o valor referente a CSLL do referido trimestre era da ordem de R$ 2.150,35 (pago em duas cotas), mas o valor correto é de R$ 1.675,90. Requer a devolução da diferença sobre as duas cotas. Este processo tem como objeto o DARF, segundo a recorrente, relativo a uma das parcelas, e a diferença pleiteada é da ordem de R$ 237,23. A Turma Julgadora de Primeira Instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de serem insuficientes as provas exibidas pela recorrente, não sendo hábil para comprovar o erro alegado a apresentação de DCTF retificadora. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo do IRPJ devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.908177/200974 Resolução nº 1801000.372 S1TE01 Fl. 5 4 prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro, todavia, mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos completa. A DIPJ original, cuja natureza é meramente informativa, e a DCTF retificadoras são, de fato, insuficientes. Mas, entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, os registros contábeis pertinentes, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época para verificarse os valores devidos de IRPJ, no caso, relativo ao 2º trimestre de 2005 e o porquê da exclusão dos valores de variação cambial ativa que originalmente foram oferecidos à tributação. Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que, a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 2º trimestre de 2005 junto a contabilidade completa da recorrente, bem como a correção do procedimento em expurgar a variação cambial ativa e Saldo do IRPJ apurado, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes. A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/11/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.721246/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009
AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ.
A alegação de ausência de má-fé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária, vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente. Artigo 136 do Código Tributário Nacional.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento referente às contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores não informados pela recorrente em GFIP e não recolhidas à Seguridade Social.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 AUSÊNCIA DE MÁFÉ. A alegação de ausência de máfé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária, vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente. Artigo 136 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento referente às contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores não informados pela recorrente em GFIP e não recolhidas à Seguridade Social. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 46 /2 01 1- 16 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721246/201116 Acórdão n.º 2302003.563 S2C3T2 Fl. 337 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedentes as impugnações da recorrente, mantendo os créditos tributários lançados. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 241), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário previdenciário e de terceiros lavrado em 07/10/2011, relativo a contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e a Terceiros, no montante de R$1.208.446,15 (um milhão, duzentos e oito mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e quinze centavos), consolidado em 03/10/2011. O processo epigrafado está constituído pelos seguintes lançamentos fiscais: O Relatório Fiscal informa: I – DEBCAD Nº 51.001.7975 e Nº 51.001.7983 • o lançamento referese a valores encontrados na folha de pagamento da empresa, pagos ou creditados aos empregados no período de 01/2009 a 09/2009; • fatos geradores das contribuições lançadas: analisadas as folhas de pagamento foram encontrados valores pagos ou creditados a empregados considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias, mas que não foram informados em GFIP. A empresa havia declarado normalmente, porém, posteriormente, transmitiu novas GFIP com apenas parte dos empregados fazendo com que os dados anteriores fossem sobrepostos por estes e, portanto, deixassem de estar declarados; • critério de levantamento: apurados os valores pagos a empregados encontrados nas folhas de pagamento da empresa, foram consultadas as respectivas GFIP para verificar se esses valores foram todos informados, e nessa comparação constatou se que não foram informados todos em GFIP e nem recolhidos em GPS em sua totalidade. Foram recolhidas todas as contribuições descontadas dos segurados, em alguns casos houve uma pequena sobra de recolhimento que foi apropriada Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 na contribuição da empresa. Por esta razão, não houve débito levantado referente às contribuições descontadas dos segurados; (...) • no transcorrer da ação fiscal a empresa retificou as GFIP incluindo esses fatos geradores nas mesmas; • foi considerado o art. 106, inc. II, alínea "c" do Código Tributário Nacional CTN, aplicandose a penalidade mais benéfica ao contribuinte; • foram examinados os relatórios disponíveis nos arquivos informatizados da Receita Federal do Brasil, GFIP declaradas pela empresa, além das folhas de pagamento e da contabilidade em arquivo digital; • alíquotas aplicadas: o valor originário do débito apurado corresponde a: a) Contribuição da Empresa: 20% (vinte por cento) da remuneração paga ou creditada aos empregados referente á cota patronal. 3% (três por cento) da remuneração referente ao SAT/GILRAT. b) Contribuição para Terceiros: 5,2% (cinco vírgula dois por cento) da remuneração, sendo 2,5% para o FNDE e 2,7% para o Incra; II – DEBCAD Nº 51.001.7967 • foi constatado que a empresa nas competências 11/2008 a 09/2009, inclusive 13/2008, apresentou GFIP com incorreções ou omissões, deixando de incluir empregados que receberam remuneração por serviços prestados nas filiais 002, 003, 004 e 005, apesar das respectivas contribuições dos segurados já estarem recolhidas; • a empresa havia declarado normalmente, porém, posteriormente, transmitiu novas GFIP com apenas parte dos empregados fazendo com que os dados anteriores fossem sobrepostos por estes e, portanto, deixassem de estar declarados. No caso específico da competência 13/2008 (13°), não haviam sido declaradas as GFIP das filiais 0002, 0003 e 0005; • foi infringido o art. 32A, inc. I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009; • o valor da multa para esta infração está previsto no art. 32A, inc. I, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inc. II, alínea "c" do Código Tributário Nacional; • o valor do respectivo Auto de Infração encontrase detalhado no Demonstrativo do Cálculo da Multa, conforme Anexo I; Fl. 339DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721246/201116 Acórdão n.º 2302003.563 S2C3T2 Fl. 338 5 • não houve ocorrência de circunstâncias agravantes; • o sujeito passivo, atendendo intimação específica, retificou as GFIP antes do término da ação fiscal, dentro do prazo concedido, razão pela qual a multa teve a redução de 25% prevista no inc. II, do § 2º do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, respeitado o limite mínimo por competência previsto no inc. II, do § 3º do mesmo artigo; • o valor deste Auto de Infração será atualizado pela taxa Selic, conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 10 de 14/11/2008, bem como na legislação que a ampara. Da Impugnação O contribuinte foi cientificado do lançamento Fiscal em 11/10/2011, apresentando impugnação aos 08/11/2011, acompanhada de documentos de representação e do discriminativo do débito objeto da Execução Fiscal nº 349239.2011.403.6182. (...) (destaques nossos) Como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas improcedentes, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, três recursos, um para cada Auto de Infração. Em suma, alega que: * houve ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade, vedação ao confisco, segurança jurídica e interesse público; * o valor cobrado estaria sendo executado no processo n° 3492 39.2011.403.6182 (empresa e SAT); * caráter confiscatório da multa de ofício; * especificamente quanto ao Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, afirma que não agiu com animus de omitir informações. Ademais, houve o recolhimento das contribuições. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721246/201116 Acórdão n.º 2302003.563 S2C3T2 Fl. 339 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Ausência de máfé. Motivação. Especificamente quanto ao Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, afirma que não agiu com animus de omitir informações. Ademais, teria havido o recolhimento das contribuições. Quanto aos recolhimentos, efetivamente a autoridade fiscal reconhece que os tributos foram recolhidos. Todavia, a obrigação principal e a obrigação acessória constituem fatos geradores autônomos, a teor dos artigos 114 e 115 do CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Sendo fatos geradores autônomos, o cumprimento da obrigação principal não tem o condão de elidir o descumprimento da obrigação acessória. Poderseia afirmar, todavia, que o acessório segue o principal. Outro equívoco, data maxima venia: É corrente, no direito, que o acessório segue o principal. Por exemplo: no direito privado surge a fiança, como um contrato acessório ao contrato de locação. Se a locação for rescindida, não há sentido em falar na continuação da fiança. Não é preciso rescindir a fiança separadamente, já que o acessório segue o principal. No caso da obrigação acessória não é assim. O fato de um contribuinte recolher todo o tributo não o exime, por exemplo, do dever de apresentar uma declaração relativa ao tributo, ou de suportar fiscalização. Ou seja, a obrigação acessória não se extingue com a principal. Aliás, pode haver obrigação acessória mesmo em casos em que não haja obrigação principal. (...) a obrigação acessória não se vincula à principal. A acessoriedade, no caso, nada tem a ver com sua subordinação a uma obrigação principal; a expressão é empregada, antes, para Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 identificar o seu caráter instrumental, já que tem por finalidade assegurar o cumprimento daquela.1 Destarte, mesmo se reconhecendo do tributo, persiste a infração da recorrente. Quanto ao argumento de que não teve animus de omitir informações, cumpre chamar a atenção para o fato de que a imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação tributária tem natureza eminentemente objetiva e decorre da simples violação da norma previdenciária, sendo irrelevante para a sua configuração a investigação do dolo ou culpa do agente infrator. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A investigação do elemento subjetivo da conduta infracional se mostra totalmente desnecessária à imputação da responsabilidade por infrações à legislação tributária, vez que esta ostenta natureza eminentemente objetiva. Sendo assim, deve ser mantido o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. Duplicidade de cobranças. Quanto ao argumento de que o valor cobrado estaria sendo executado no processo n° 349239.2011.403.6182 (empresa e SAT), a decisão de primeira instância espancou qualquer dúvida: Não procede a afirmação da Impugnante no sentido de que a inadimplência relativa aos créditos previdenciários constantes deste Auto de Infração está sendo cobrada integralmente através do Processo de Execução n° 349239.2011.403.6182 em trâmite 1 SCHOUERI. Luís Eduardo. Direito Tributário. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 461. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.721246/201116 Acórdão n.º 2302003.563 S2C3T2 Fl. 340 9 na 1ª Vara de Execuções Fiscais da Justiça Federal Seção Judiciária de São Paulo/SP. Os documentos juntados aos autos pelo contribuinte relativos ao Processo de Execução Fiscal n° 349239.2011.403.6182, fls. 200/206, não fazem prova da duplicidade de cobrança alegada, visto que seus valores não são coincidentes com aqueles consignados no presente Auto de Infração. Vejamos. De acordo com o documento relativo a Execução Fiscal n° 349239.2011.403.6182 apresentado pela Impugnante (fls. 171), observase que este inclui as Certidões de Dívida Ativa nº 36.578.4281, 36.578.4290, 36.942.3089, 36.967.6106, 36.967.6114, 39.536.8340, 39.536.8359, relativas a Débitos Declarados em GFIP – DCG, que se caracterizam como lançamento de débito correspondente a divergência entre os valores recolhidos e os valores declarados em GFIP. Nos termos do art. 634 da Instrução Normativa SRP nº 3 de 14/07/2005 e art. 461 da Instrução Normativa RFB nº 971 de 17/11/2009, o sistema informatizado da RFB, ao constatar débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP, poderá registrar este débito em documento próprio, denominado Débito Confessado em GFIP (DCG), o qual dará início à cobrança automática independente da instauração de procedimento fiscal ou notificação ao sujeito passivo. (...) Considerando os estabelecimentos abrangidos pelo presente Auto de Infração, e que este abrange contribuições apuradas no período janeiro a setembro de 2009, observamos da tabela acima em confronto com o Discriminativo do Débito – DD dos presentes autos que não há coincidência entre as competências e os valores lançados neste processo administrativo e nos DCG que compõem a Execução Fiscal. Frisese que as contribuições que compõem o presente Auto de Infração decorrem de remuneração não declarada em GFIP (diferença entre folha de pagamento e valores declarados em GFIP), enquanto as contribuições objeto da Execução Fiscal nº 349239.2011.403.6182 referemse a contribuições declaradas em GFIP e não recolhidas, que tem o caráter de confissão de dívida. Assim sendo, e considerando que o Interessado confirma a ausência de recolhimento do crédito tributário objeto destes autos, não contestando seus valores originários, que foram apurados através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, em confronto com as folhas de pagamento e contabilidade apresentados pela empresa, reputase correto e pertinente o lançamento fiscal em causa. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Portanto, resta claro que o argumento da recorrente quanto à duplicidade de cobranças não merece prosperar. Aspectos de Inconstitucionalidade. A recorrente trouxe confusa argumentação a respeito da suposta ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade, vedação ao confisco, segurança jurídica e interesse público. O que se extrai da peça recursal é o inconformismo com a multa de ofício aplicada, que teria caráter confiscatório. Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Portanto, a multa deve ser mantida. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 15956.000581/2010-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA.
Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES.
As pessoas jurídicas optantes pelo Simples que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores devem determinar seus recolhimentos em função da receita bruta mensal, apurada integralmente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei n° 4.502 de 1964.
JUROS MORATORIOS. TAXA SELIC.
Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso.
Numero da decisão: 1202-001.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado , por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. As pessoas jurídicas optantes pelo Simples que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores devem determinar seus recolhimentos em função da receita bruta mensal, apurada integralmente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei n° 4.502 de 1964. JUROS MORATORIOS. TAXA SELIC. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2006 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. As pessoas jurídicas optantes pelo Simples que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores devem determinar seus recolhimentos em função da receita bruta mensal, apurada integralmente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei n° 4.502 de 1964. JUROS MORATORIOS. TAXA SELIC. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 81 /2 01 0- 48 Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 671 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado , por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, contra Acórdão nº 1434.685 (fls.626/649) que julgou improcedente a Impugnação, mantendo a integralidade do crédito tributário. Os Autos de Infração foram lavrados, visando à cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 76.198,73 (fl. 407), Contribuição para o PIS no valor de R$ 55.737,44 (fl. 418), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de R$ 77.494,73 (fl. 430), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 227.614,01 (fl. 442) e Contribuição para Seguridade Social INSS de R$ 655.567,22 (fl. 454), acrescidos de juros de mora e multa de oficio, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.946.291,51 (fl. 01), em virtude das seguintes irregularidades: 1 omissão de receita operacional; e 2 omissão de receita caracterizada por depósitos/créditos bancários de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Para bem descrever a situação, segue o relatório proferido no Acórdão da DRJ/RPO: “Em procedimento de diligência a empresa LUCIANO CARAMORI ME foi intimada em 16/10/2009 (fl. 09/10) a apresentar de imediato os livros fiscais e contábeis relacionados e as notas fiscais de saída de mercadorias e/ou de serviços. Em resposta a empresa apresentou Declaração de Firma Individual (fl. 13) e informou que não possuía movimentação desde 2005. Em virtude de constar no banco de dados da Receita Federal do Brasil (DCPMF ano de 2006) uma movimentação financeira de R$ 6.961.958,84 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 672 3 e uma Declaração Simplificada com receitas "zeradas", foi o procedimento de diligência transformado em fiscalização, tendo sido lavrado em 21/10/2009 o Termo de Encerramento da diligencia de fl.14 na qual constou que a empresa não funcionava no endereço constante no cadastro CNPJ da Receita Federal do Brasil. Em 05/11/2009 deuse inicio ao procedimento fiscal com a ciência do Termo de Inicio de fls. 07/08, por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os mesmos documentos já exigidos na intimação e ainda os extratos das contas bancárias. Em 27/11/2009 a empresa apresentou pedido de prorrogação de prazo para atendimento da intimação e informou já ter solicitado aos bancos os extratos bancários. Após a lavratura de alguns Termos de Continuação de Procedimento Fiscal, a fiscalização. em 23/02/2010. reintimou a empresa (Termo de Reintimação Fiscal Sefis n° 047/2010 — fls. 74/75) a apresentar os mesmos documentos solicitados anteriormente. Não tendo a empresa atendido às intimações e considerado imprescindível os extratos bancários para apuração da receita bruta, foram requisitadas às instituições financeiras informações sobre a movimentação bancária (fls. 77/88) da empresa, cujos documentos apresentados constam às fls. 91/209. Às fls. 222/244 constam documentos apresentados pela BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento, em atendimento A intimação de fls. 219/220, entre eles uma planilha (fls. 243/244) contendo os pagamentos efetuados durante o anocalendário de 2006 à empresa fiscalizada (Luciano Caramori ME) a titulo de comissão pela intermediação no financiamento de bens. Posteriormente, foram solicitados a BV Financeira outros esclarecimentos e documentos (fls. 245/246), tendo a mesma apresentado os documentos de fls. 248/252, entre eles uma planilha (fls. 250/252) em substituição a anteriormente apresentada. Em 27/09/2010 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, o qual foi enviado para o endereço eleito pela contribuinte, conforme ela própria informou à fl. 72verso, cuja ciência ocorreu em 29/09/2010 — AR fl. 286. Foi esclarecido à contribuinte de que fora efetuada uma análise nos extratos bancários (Bradesco e HSBC) e nas informações prestadas pela instituição BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento, e que após excluir dos depósitos/créditos os valores referentes às transferências de mesma titularidade, os estornos de débitos (créditos não considerados receitas), empréstimos e demais créditos que não representavam receita da atividade comercial, apurou um montante de créditos/depósitos de R$ 8.085.240,67, cujos créditos foram relacionados individualmente na planilha em anexo (fls. 262/278). Por meio do mesmo Termo a fiscalização intimou a empresa a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem dos recursos depositados/creditados nos Bancos Bradesco e HSBC, conforme planilha. Com relação aos pagamentos efetuados pela BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento, através de crédito direto na contacorrente n°26.5519, agência 0371, do Banco Bradesco, a titulo de comissão e valor de repasse do financiamento na venda de automóveis, exigiuse a apresentação de documentos hábeis e Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 673 4 idôneos que deram origem às operações. conforme relacionadas na planilha anexa (fls. 280/285). Cientificada em 29/09/2010 (AR fl. 286) do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, acompanhado das referidas planilhas e dos extratos bancários integrais em papel e em meio magnético, a contribuinte não se manifestou. Em 19/10/2010 foi lavrado o Termo de Constatação e Reintimação Fiscal SEFIS para o mesmo fim, cuja ciência ocorreu em 23/10/2010 (AR de fl. 320). Não houve qualquer manifestação da contribuinte no prazo concedido e em 21/10/2010 foi lavrado Termo de continuação de procedimento fiscal (Ciência em 26/10/2010 fl. 321/322). Em 21/10/2010 foi requisitado ao Banco Bradesco Informações sobre movimentação financeira (cópia dos cartões de assinatura e cópia de cheques emitidos pela matriz e pela filial de valores acima de R$ 17.000,00). Também. em 22/10/2010. foi intimado o contador da empresa, Cleber Longo Pauudetti, a prestar esclarecimentos (fls. 325/328). A fl. 334 constam as informações prestadas pelo contador e às fls. 341/390 os documentos fornecidos pelo Banco Bradesco. Em 09/11/2010 foi lavrado Termo de Representação Fiscal para o fim de excluir a empresa do Simples, pelas razões explicitadas às fls. 336/339, e na mesma data foi editado o Ato Declaratório n° 347 excluindo a empresa do Simples a partir de 01/01/2007 (fl. 340), cuja ciência ocorreu em 02/12/2010. Em 01/12/2010 foi lavrado o Termo de Encerramento Fiscal (fls. 467/484) no qual a autoridade fiscal concluiu, à vista das operações de créditos efetuadas na conta corrente 26.5519, agência 0371, do Banco Bradesco em nome da fiscalizada (fl. 111/209) e das informações (fls. 248/252 e 281/285) prestadas pela instituição financiadora nas operações de vendas de automóveis BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento — que a contribuinte recebeu em pagamento a titulo de comissão e valor de repasse do financiamento na venda de automóveis, o montante de R$ 897.978,30 (fls. 280/285), cujo valor foi levado à tributação como "omissão de receitas não declaradas". Os demais créditos de origem não comprovada, no montante de R$ 7.187.262,37, relacionados na planilha de fls. 466, foram levados à tributação corno "omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada" com fulcro no art. 42 da Lei n°9.430, de 1996. Sobre os tributos e contribuições apurados na sistemática do Simples em decorrência da omissão de receita auferidas foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fulcro no art. 44.1 e §10, da Lei n°9.430. de 1996, por entender a autoridade fiscal que estaria caracterizada a prática de sonegação fiscal, e sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicada a multa de 75%, com fulcro no art. 44. I, da Lei n° 9.430, de 1996. Referidas multas ainda foram acrescidas de 50%, passando aos percentuais de 112.5% e 225%, respectivamente com fulcro no art. 44. inciso I do § 2° da mesma lei, por ter a contribuinte deixado de apresentar os esclarecimentos/documentos fiscais solicitados nas intimações que se encontram às fls. 07/08, 09/10 e 74/76. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 674 5 Cientificada dos autos de infração em 02/12/2010, a contribuinte, por intermédio do empresário LUCIANO CARAMORI, ingressou em 23/12/2010 com a impugnação de fls. 486/502, aduzindo como razões de defesa o seguinte: 1 — Da ilegitimidade passiva Alegou, em síntese, que em virtude de série crise financeira encerrou suas atividades comerciais (comércio de veículos e motos) em agosto de 2004 e em junho de 2005 o exempresário Luciano Caramori passou a trabalhar como autônomo para a empresa ELEN MAIRA ANTONIO — EPP, a qual passou a usar as contas antes usadas pela empresa Luciano Caramori ME para movimentar o faturamento da empresa Elen Maria Antonio — EPP. Afirmou que não nega qualquer das movimentações bancárias citadas pela fiscalização, mas que a totalidade da movimentação dessas contas no ano de 2006 não é de sua responsabilidade, visto que a empresa autuada sequer desenvolvia atividades comerciais desde agosto/2004, tanto que não foi emitido qualquer documento fiscal, nem poderia ter havido, já que o fisco estadual havia bloqueado sua inscrição e a emissão de novos talonários e, por essa razão, seria ilegítima a responsabilidade atribuída à empresa autuada em relação aos tributos ora impugnados. 2 — Da multa aplicada Alegou que deixou de atender às exigências do fisco, mas não de expor os fatos, principalmente quando prestou declaração verdadeira de que não efetuou qualquer operação mercantil no ano de 2006. Ademais, acrescentou, sendo optante pelo Simples a empresa estava obrigada a manter tãosomente os livros Caixa e de Inventário e não os demais documentos fiscais exigidos pelo fisco, razão pela qual não os mantinha, e também não mantinha escrituração por inexistência de compras e vendas em 2006, razão pela qual entende ser arbitrário o agravamento da multa lançada. 3 — Dos valores dos tributos. Alegou que mesmo que os valores movimentados na conta bancária fossem da autuada, a base de cálculo do tributo estaria incorreta visto que na atividade de comércio de veículos usados por consignação, os optantes do sistema Simples tem como base de cálculo a diferença entre o preço de venda destacado em nota fiscal e o custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada, ou seja, o valor da comissão, e no caso da venda de veículos próprios, é o valor total do faturamento. Entretanto, os depósitos bancários decorrentes dessas operações não espelham somente o valor da comissão, mas sim o valor total pago, e dai a razão de não poder tomar o montante dos depósitos como base de cálculo. Acrescentou que deixaria de juntar a documentação relativa às operações no ano de 2006 devido ao sigilo fiscal e também por não os possuir. 4 — Da base de cálculo do PIS e da COFINS. Alegou que a Lei n°9.718/98 ao alterar as Leis Complementares n's 7/70 e 70/79, violou diversos dispositivos da Constituição Federal, entre eles o principio da hierarquia das leis. Dessa forma, os cálculos utilizados pela autoridade fiscal baseou num pretenso faturamento, incluindo receitas de outras naturezas. que não as decorrentes da venda de mercadoria e serviços, além de não ter aplicado as disposições da lei n° 10.637/2002 que trata da não cumulatividade do PIS de da COFINS. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 675 6 5 — Da exclusão do ICMS da base de cálculo. Alegou que o ICMS não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois o conceito de faturamento não abarca o imposto de competência do Estado, sendo rendimento desse último e não do agente econômico, afinal, ninguém comercializa o imposto, ninguém fatura o imposto. 6— Dos juros de mora. Alegou que a incidência da Taxa Selic desde o fato gerador do tributo sobre o débito não encontra respaldo jurídico e o termo inicial é a data da ciência do auto de infração, em observância do art. 161 do CTN.” A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. As pessoas jurídicas optantes pelo Simples que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores devem determinar seus recolhimentos em função da receita bruta mensal, apurada integralmente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei n° 4.502 de 1964. JUROS MORATORIOS. TAXA SELIC. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido” A intimação da referida decisão se deu via postal, conforme fls. 622 e 623. Devidamente intimada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, objeto analisado neste voto, alegando em síntese as mesmas alegações aduzidas na Impugnação. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 676 7 Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche o pressuposto de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. I Ilegitimidade Passiva A Recorrente inicia sua defesa alegando, em síntese, que em virtude da crise financeira, encerrou suas atividades comerciais em agosto de 2004 e em julho de 2005 o ex empresário Luciano Caramori passou a trabalhar como autônomo para a empresa ELEN MAIRA ANTONIO — EPP, a qual passou a usar as contas antes usadas pela empresa Luciano Caramori ME para movimentar o faturamento da empresa Elen Maria Antonio — EPP. Afirmou que não nega qualquer das movimentações bancárias citadas pela fiscalização, mas que a totalidade da movimentação dessas contas no ano de 2006 não é de sua responsabilidade, visto que a empresa autuada sequer desenvolvia atividades comerciais desde agosto/2004, tanto que não foi emitido qualquer documento fiscal e nem poderia ter havido, já que o fisco estadual havia bloqueado sua inscrição e a emissão de novos talonários e, por essa razão, seria ilegítima a responsabilidade atribuída à empresa autuada em relação aos tributos ora impugnados. A autuação baseouse na existência de movimentação financeira em nome da empresa Recorrente, situação caracterizadora de omissão de receitas pela ausência de comprovação de origem dos recursos creditados, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme demonstrado abaixo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 677 8 § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (grifouse) O artigo acima transcrito dispõe sobre a construção de prova pelo Fisco para caracterizar a omissão de receita vinculada aos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não os comprove. Desse modo, com base na Lei n° 9.430 de 1996, a não comprovação dos recursos que foram utilizados para liquidar compras não contabilizadas permite que o Fisco presuma existir omissão de receitas para fins de tributação. No caso em questão, não apenas está provada a movimentação bancária em conta de titularidade da Recorrente, mas também foi constatado que apenas Luciano Caramori tinha poderes para administrar as contas correntes abertas em nome da Recorrente, conforme fls. 93, 101, 106 e 109. Ademais, não havia procurações outorgando poderes a terceiros. Ainda, as cópias de cheques juntadas às fls. 341/390 demonstram que Luciano Caramori efetivamente administrava a conta mantida no Banco Bradesco, principal conta da empresa fiscalizada. A Recorrente não trouxe em nenhum momento qualquer prova de suas alegações. Não há nos autos qualquer indício que evidenciem que os recursos movimentados nas contas bancárias em análise não eram da empresa autuada. Ao contrário, constam nos autos, provas de pagamentos feitos à empresa autuada pela BV Financeira S/A a titulo de comissão, cujos valores foram depositados na conta mantida no Banco Bradesco.(fls. 111/209, 248/252, 281/285). Diante das provas e evidências, não há como acolher a simples alegação de que tais recursos não pertenciam a empresa autuada, razão pela qual rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva. II Valor dos tributos. A Recorrente alega ainda que mesmo que os valores movimentados na conta bancária fossem da autuada, a base de cálculo do tributo estaria incorreta, visto que na atividade de comércio de veículos usados por consignação os optantes do sistema Simples têm como base de cálculo a diferença entre o preço de venda destacado em nota fiscal e o Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 678 9 custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada, ou seja, o valor da comissão, e no caso da venda de veículos próprios o valor total do faturamento. Continua alegando que os depósitos bancários decorrentes dessas operações não espelham somente o valor da comissão, mas sim o valor total pago, e dai a razão de não poder tomar o montante dos depósitos como base de cálculo. Acrescentou que deixaria de juntar a documentação relativa às operações no ano de 2006 devido ao sigilo fiscal e também por não os possuir. Tais alegações também não merecem prosperar. Com a existência de movimentação financeira em conta corrente aberta em nome da pessoa jurídica LUCIANO CARAMORI ME, cuja origem dos recursos depositados/creditados não ficou comprovada, ficou caracterizada de omissão de receitas com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme já mencionado. Portanto, excetuando os depósitos feitos pela BV Financeira S/A, cuja origem ficou comprovada, os demais depósitos não tiveram sua origem identificada e/ou comprovada, nem mesmo na fase impugnatória sob a argumentação de que deixava de juntar os documentos relativos às operações no ano de 2006 devido ao sigilo fiscal e também por não os possuir. Em razão da ausência de provas da origem dos recursos depositados em conta corrente, os valores dos depósitos são considerados receitas omitidas e sobre essas foram corretamente aplicados os percentuais relativos a cada tributo ou contribuição, não havendo qualquer reparo a ser feito no lançamento. Tendo optado pelo regime do SIMPLES, e até que solicite a sua exclusão ou venha a ser excluída de oficio, a empresa se submete à sistemática própria do regime jurídico, para o qual o art. 5° da Lei 9.317, de 1996, com a alteração do art. 30 da Lei 9.732, de 1998, prevê uma alíquota única determinada em função da receita bruta mensal. Nesse contexto, para os fins tributários e considerando a opção pelo Simples, independe se as operações realizadas pela impugnante caracterizamse corno de "compra e venda" ou se consignação, pois em ambos os casos a base de cálculo é a receita bruta mensalmente auferida, assim entendida como o produto da venda do hem. Portanto, mesmo que tivesse ficado comprovado que os recursos são oriundos de vendas de veículos, não haveria como acolher a pretensão da impugnante em considerar como valor tributável apenas a diferença entre o valor da venda e o valor de aquisição, por absoluta falta de amparo legal, uma vez que a receita bruta, para tal efeito, é o resultado final e global da operação comercial. III Base de cálculo do PIS e da COFINS e a exclusão do ICMS da base de cálculo. A Recorrente continua sua defesa alegando que a Lei n°9.718/98 ao alterar as Leis Complementares nºs 7/70 e 70/79, violou diversos dispositivos da Constituição Federal, entre eles o principio da hierarquia das leis. Dessa forma, os cálculos utilizados pela autoridade fiscal foram baseados num pretenso faturamento, incluindo receitas de outras naturezas, que não as decorrentes da venda de mercadoria e serviços, além de não ter Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 679 10 aplicado as disposições da Lei n° 10.637/2002 que trata da não cumulatividade do PIS de da COFINS. Ademais, alega que o ICMS não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois o conceito de faturamento não abarca o imposto de competência do Estado, sendo rendimento desse último e não do agente econômico. Tais alegações também não procedem. As contribuições para o PIS e COFINS, devidas pelas Microempresas e pelas Empresas de Pequeno Porte, são calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas pela Lei n° 9.718/1998, e o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por esta a totalidade das receitas auferidas pela empresa, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme dispõem os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Cumpre mencionar que o conceito de receita bruta, seja para o lucro real, presumido ou arbitrado, está presente no art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, encontrando respaldo legal no art. 31, e parágrafo único da Lei nº 8.981 de 1995: “Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário” Assim, resta claro que os impostos que não são incluídos na receita bruta na forma do parágrafo único do artigo acima são somente os que são cobrados destacadamente do comprador ou do contratante, dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Em relação à exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, tal assunto encontrase em Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal sob o RE nº 240.7852/MG, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. A Portaria MF nº 545 de 2013, revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e permitiu que o CARF passe a analisar assuntos pendentes de julgamento definitivo pelo STF sem a necessidade de sobrestamento dos respectivos processos. A base de cálculo do PIS e da COFINS é definida pela Lei nº 9.718 de 1998, nos artigos 2º e 3º: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 680 11 faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (...)” O ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme previsto na Lei Complementar nº 70/1991 e nas Leis Ordinárias nº 9.718/1998 e 10.833/03. A previsão legal de exclusão da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições contempla o ICMS apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (art.3º, § 2°, I, da Lei nº 9.718/1998). Assim sendo, a alegação da Recorrente de que o valor do ICMS não integra o conceito de faturamento, para fins de inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS, não tem respaldo na legislação, não existindo nenhuma determinação legal que autorize tal exclusão. Até eventual posicionamento do STF em sentido contrário, correto está o acórdão recorrido porque o ICMS, por ser um imposto indireto e com mecanismo de cálculo por dentro, contemplando o seu próprio montante em sua base de cálculo, agregase ao preço do produto, integrando também o faturamento. E como tal, há necessidade de expressa previsão legal para a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS. Esse é o atual posicionamento desse Conselho: BASE DE CÁLCULO. ICMS. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão nº 3302002.555, do Proc. nº 16624.001883/200671, sessão de 27/05/2014) PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). Nos demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 681 12 Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. (Acórdão nº 3802002.914 do Proc. nº 10830.907394/201171, sessão de 23/04/2014) IV Agravamento da Multa Lançada A Recorrente alega que deixou de atender às exigências do fisco, mas não de expor os fatos, principalmente quando prestou declaração verdadeira de que não efetuou qualquer operação mercantil no ano de 2006. Ademais, acrescentou que sendo optante pelo Simples a empresa estava obrigada a manter tãosomente os livros Caixa e de Inventário e não os demais documentos fiscais exigidos pelo fisco, motivo pelo qual não os mantinha, e também não mantinha escrituração por inexistência de compras e vendas em 2006, razão pela qual entende ser arbitrário o agravamento da multa lançada. Cumpre mencionar o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...)” (grifouse) Verificase que para aplicação da multa de ofício de 150% aplicase em casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 682 13 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Conforme já analisado, ficou comprovado nos autos que a Recorrente, por meio do titular Luciano Caramori, omitiu receita de comissões recebidas e repasse de financiamento na venda de automóveis, deixando de escriturar suas receitas e apresentando a Declaração Simplificada com valores “zerados” receita. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte da Recorrente, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento, caracterizando a figura da sonegação. O fato de apresentar Declaração Simplificada deixando de informar qualquer receita, como se inativa fosse, associado ao fato de ter deixado de apresentar o livro Caixa e demais documentos de sua escrituração, demonstram o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. Destarte, diante do quadro aqui delineado, não há como não atribuir ao sujeito passivo outro caráter que não a de um comportamento deliberado, com evidente intuito de sonegação, que justifica a imposição da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, §10, da Lei n° 9.430 de 1996, e demais consequências legais. Por essas razões, entendo que a qualificação da multa aplicada foi medida acertada e perfeitamente em consonância com a legislação aplicável, pelo que deve ser mantida. Quanto ao agravamento da multa, previsto no §2° do art. 44. da Lei n° 9.430, de 1996, constatase que, de fato, a contribuinte deixou de atender as intimações constantes no Termo de Inicio (fls. 07/08), reiterado às fls. 09/10 e 74/76, mesmo que parcialmente, pois, no mínimo, o livro Caixa e os extratos bancários eram de apresentação obrigatória. Verificase nos autos que desde o início do procedimento fiscal até a lavratura do Auto de Infração, a Recorrente apresentou apenas uma declaração (fl. 11) informando não ter tido movimento desde o ano de 2005. Porém, o que ficou evidenciado foi o oposto. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 683 14 A alegação de não possuir escrituração também vai de encontro com as declarações prestadas pelo contador da empresa Cleber Longo Paludetti (fl. 334) que afirmou que "os livros contábeis e documentos solicitados pela Receita Federal foram entregues ao Sr. Luciano Caramori e posteriormente ao seu advogado" e que "foram escriturados os livros Diário, Entrada, Saídas e Caixa. Os quais foram entregues ao proprietário juntamente com todos os documentos referentes a empresa". Por conseguinte, a falta injustificada de atendimento às intimações, dificultando a ação fiscal, se subsume à hipótese prevista no §2° da art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, com a alteração efetuada pela Lei n° 11.488/2007, razão pela qual deve ser mantida, conforme o posicionamento deste Conselho: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004, 2005 INTIMAÇÃO VÁLIDA PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. MULTA AGRAVADA. Havendo intimação válida, a ausência de atendimento da solicitação de esclarecimentos, apresentação de arquivos, sistemas ou a documentação técnica especificada no texto legal, enseja a aplicação da multa agravada do Art. 44, inciso I e § 2º , da Lei n° 9.430/96 e RIR/99, Art. 959. (Processo nº 19515.006249/200901, acórdão nº 1801002.052, sessão de 30.07.2014) V Juros de Mora Por fim, alega que a incidência da Taxa Selic desde o fato gerador do tributo sobre o débito não encontra respaldo jurídico e o termo inicial é a data da ciência do auto de infração, em observância do art. 161 do CTN. Segundo dispõe o CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” (grifouse). Portanto, exaurido o termo para o pagamento do crédito tributário, o contribuinte devedor incorre em mora, sem necessidade alguma de qualquer iniciativa da Fazenda Pública, pois a exigência não carece de formalização. Nem mesmo há necessidade de interpelação do devedor, pois este tem ciência do prazo dentro do qual deve cumprir a obrigação. Apurado o tributo ou contribuição e lançados de oficio, os juros de mora começam a fluir a partir do vencimento do tributo ou contribuição que não foram pagos. E, exatamente assim foram apurados os juros de mora, em total consonância com a legislação de regência. Apenas para esclarecimentos, os juros devem ser calculados de acordo com a taxa Selic, matéria já pacificada por este Conselho: JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, a partir de 1°/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15956.000581/201048 Acórdão n.º 1202001.215 S1C2T2 Fl. 684 15 (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10195030 do Processo 10830011076200211, Data: 16/06/2005) Desse modo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o acórdão recorrido em sua integralidade. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 13558.000228/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Cabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, no montante comprovado dos efetivos pagamentos.
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução das despesas de Pensão Alimentícia Judicial no montante de R$ 7.860,00, mantidas as demais exigências.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 11/04/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Cabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, no montante comprovado dos efetivos pagamentos. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos elementos de prova que permitam ao julgador formar convicção sobre a matéria em litígio, não se justifica a realização de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução das despesas de Pensão Alimentícia Judicial no montante de R$ 7.860,00, mantidas as demais exigências. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 11/04/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 02 28 /2 00 7- 20 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13558.000228/200720 Acórdão n.º 2102002.217 S2C1T2 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 57/58: O interessado impugna auto de infração do anocalendário 2003, onde foram glosadas as seguintes deduções: Dependentes 2.544,00 Despesas Médicas 19.468,00 Pensão Judicial 11.010,00 Argumenta, em síntese, que seria nulo o lançamento por inexistiram as irregularidades apontadas; que fora indevida a glosa de seus pais como dependentes, pois viviam às suas expensas até falecerem em 2003 e 2005; que perdera os comprovantes das despesas médicas; que comprovara os depósitos da pensão alimentícia através de documentos bancários; que a cópia da petição inicial da separação consensual (fls. 49/51) não deixa dúvida quanto ao seu compromisso no que se refere ao pagamento da pensão, o que ficaria corroborado pela anotação contida na certidão de casamento (fls. 47), atestando que a separação judicial consensual foi convertida em divórcio em 1992, e pela declaração do excônjuge, prestada em cartório (fls. 46), confirmando o recebimento da pensão. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de nulidade e julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo a dedução de dependentes, mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que deveriam ser mantidas as glosas das despesas médicas pela falta de provas e a glosa das despesas por pagamento de pensão judicial pela falta de apresentação da sentença ou acordo homologando judicialmente essa questão, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 PENSÃO ALIMENTÍCIA. SENTENÇA OU ACORDO HOMOLOGADO. Somente é dedutível a pensão alimentícia paga em cumprimento de sentença ou acordo homologado judicialmente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 61 a , ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13558.000228/200720 Acórdão n.º 2102002.217 S2C1T2 Fl. 12 3 Há que ser tornado nulo ou insubsistente o auto de infração que ora se ataca, tonandose sem efeito o imposto exigido, bem assim a multa pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco. Mesmo porque o valor pretendido de R$ 7.496,21, acrescido de multa de ofício e juros de mora, referemse a pensão alimentícia homologada judicialmente, nos termos do documentos juntados com a impugnação e os que agora se juntam neste recurso. (doc.j.) Requer, outrossim, a realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, para a qual protesta pela indicação do seu perito assistente, formulação de quesitos, e suplementação de provas; ou, até mesmo, que o julgador, diante das circunstâncias, de oficio determine a diligência ou perícia, que porventura julgar necessária. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO. Restam mantidas da decisão recorrida as seguinte glosas: Despesas Médicas 19.468,00 Pensão Judicial 11.010,00 Contudo, tendo sido apresentadas somente argumentos e provas relativos à glosa da Pensão Judicial, declaro definitiva no âmbito do contencioso administrativo a exigência decorrente da glosa das despesas médicas. Passo, então, a questão da Pensão Alimentícia Judicial. PENSÃO ALIMENTÍCIA Sobre essa questão, o artigo 8°, inciso II, alínea “f”, da Lei n° 9.250/95 trata da matéria nos seguintes termos: Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13558.000228/200720 Acórdão n.º 2102002.217 S2C1T2 Fl. 13 4 (...) II — das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Como se pode observar, por se tratar de dedução da base de cálculo, deve ser comprovada a efetividade do pagamento da pensão alimentícia e o ônus da prova é do sujeito passivo de valores decorrentes de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. Vale mencionar que a lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová las ou justificálas, deslocando para este o ônus probatório. E referido dispositivo está em consonância com o princípio de que o ônus da prova cabe a quem a alega. Nesse sentido, o art. 333 do Código de Processo Civil prevê que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, ante ao valor das deduções pleiteadas, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. Nesse sentido apresentou com o Recurso Voluntário a Homologação Judicial do Acordo de Separação Consensual de fls. 77 a 80. De outro lado, às fls. 15 a 17, juntou os comprovantes de pagamentos dessa Pensão Judicial, cujo somatório perfaz o montante de R$ 7.860,00. Nesse sentido, voto para restabelecer a dedução no montante dos valores comprovados acima. DILIGÊNCIA. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento da diligência pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto n Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13558.000228/200720 Acórdão n.º 2102002.217 S2C1T2 Fl. 14 5 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Decorrente desse indeferimento, não há possibilidade de se sugerir qualquer preterição de direito de defesa, muito menos de se requerer a nulidade da autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para restabelecer a dedução das despesas de Pensão Alimentícia Judicial no montante de R$ 7.860,00, mantidas as demais exigências. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/04/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 13019.000009/2005-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. APROVEITAMENTO ACUMULADO DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 2004. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SUA COMPOSIÇÃO.
Ausente demonstração da composição do estoque de abertura, inviável reconhecer-se a materialidade dos créditos para fins de compensação, mormente com outros tributos administrados pela RFB.
Numero da decisão: 3802-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Francisco Jose Barroso Rios, Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. APROVEITAMENTO ACUMULADO DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 2004. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SUA COMPOSIÇÃO. Ausente demonstração da composição do estoque de abertura, inviável reconhecer-se a materialidade dos créditos para fins de compensação, mormente com outros tributos administrados pela RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Francisco Jose Barroso Rios, Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. APROVEITAMENTO ACUMULADO DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 2004. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SUA COMPOSIÇÃO. Ausente demonstração da composição do estoque de abertura, inviável reconhecerse a materialidade dos créditos para fins de compensação, mormente com outros tributos administrados pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’ Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Francisco Jose Barroso Rios, Claudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 9. 00 00 09 /2 00 5- 86 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O contribuinte FRUTIROL AGRÍCOLA LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1028.866, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre, que julgou por unanimidade improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo sujeito passivo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o presente processo de Declarações de Compensação apresentadas em formulário, informando compensações de créditos de COFINS não cumulativa mercado externo com débitos de tributos administrados pela RFB. A DRF de origem homologou parcialmente as compensações declaradas, tendo em vista que em relação a parte dos créditos apontados no DACON do quarto trimestre de 2004 (dezembro), todo o crédito decorrente do mercado interno ou foi gerado antes de agosto de 2004 ou advinha de crédito presumido relativo ao estoque de abertura (art. 12 da Lei n° 10.833, de 2003), inexistindo, assim, a possibilidade de compensação. Cientificada do Despacho Decisório em 03/08/2006, a interessada, inconformada, apresentou manifestação (impugnação) onde, em síntese, alegou ter preenchido equivocadamente os DACON’s do ano de 2004. Juntou cópias de recibos de entrega de DACON’s retificadores transmitidos após a ciência da decisão administrativa (em 30/08/2006). Solicitou a revisão dos créditos e a compensação integral dos débitos. Posteriormente, apresentou anexo à manifestação apontando os fundamentos legais daquela.” Indeferida por unanimidade a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões que tornaram impassíveis de compensação o crédito tributário na forma da ementa que segue: “CRÉDITOS PASSÍVEIS DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples retificação do DACON, após a ciência do Despacho Decisório que homologou parcialmente a compensação declarada, não tem o condão de comprovar que os créditos apurados e utilizados em DCOMP’s tinham origem em vendas para o mercado externo, sendo, portanto, passíveis de compensação.” Cientificada acerca da decisão exarada, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera incabível a glosa dos créditos, uma vez que foram devidamente retificados os DACON do período, e que é certo o direito de compensação por tratarse de aquisições de insumos e materiais de embalagem utilizados em vendas para o mercado externo. Anexa ao Recurso laudo contábil, no qual aduz que “a empresa essencialmente exportadora, provou em Balanço anexo que no ano base de 2003 exportou mais de 84% de sua receita bruta, o que prova que seu estoque de abertura para 2004 era oriundo de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13019.000009/200586 Acórdão n.º 3802003.952 S3TE02 Fl. 112 3 exportação, e que no ano de 2004, exportou 93% de sua receita bruta” (fls. 183184 do processo digital). Junta ainda planilha compondo seu estoque de abertura, trechos do seu livro razão de janeiro a junho de 2004, os balanços de dezembro de 2003 e 2004, e trechos do livro razão de julho a dezembro de 2004. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, o Recurso se mostra plenamente admissível, de modo que passo à análise das razões recursais. Recai a presente controvérsia sobre a alegação da Recorrente de que os créditos não homologados pela autoridade preparadora seriam oriundos de estoque de abertura consolidado ao fim de 2004 vinculado a operações com o mercado externo, sendo aplicáveis na espécie as normas do art. 5º combinado com o art. 12 da Lei nº 10.833/2003. O art. 12 da Lei 10.833/2003 dispõe que: “Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei.” Ora, o direito ao creditamento relativo ao estoque de abertura é expresso no art. 12 da lei 10.833/2003 para o dia 01 de fevereiro de 2004, como uma norma de transição para o início da vigência da COFINS não cumulativa (pois tal era a regra que permitia crédito sobre as mercadorias em estoque no início da produção de efeitos da lei 10.833/2003, adquiridas sob o regime cumulativo da contribuição). Assim, a utilização dos créditos relativos ao estoque de abertura é possível, desde que se demonstre (i) que havia estoque de abertura, (ii) que o montante do estoque de abertura viabiliza a indicação de certo crédito a compensar, (iii) que o crédito foi utilizado adequadamente nos termos dos parágrafos do art. 12 da lei 10.833/2003. Ainda que de modo confuso, o Recorrente indica que ele pretende ter reconhecido direito de crédito relativo ao estoque de abertura em 01/02/2004, o qual, ao invés de ser aproveitado em parcelas como determina a norma cabível, somente o fora aproveitado, de modo integral, em dezembro 2004 (fl. 175 do processo digital): “No caso em apreço, a recorrente utilizou o crédito decorrente dos estoques equivalente a 1/12 do valor total apurado de fevereiro a dezembro de 2004 acumulado em dezembro o valor de R$ 169.498,45.” No caso em apreço, o Recorrente utilizou o crédito decorrente dos estoques de abertura para compensar com débitos de IRPJ e CSLL estimativa, códigos 5993 e 2484, do PA 12/2004, conforme DCOMP de fl. 1 do processo digital. O crédito relativo ao seu estoque de abertura, segundo aduz o Recorrente, foi aproveitado de forma acumulada no final de 2004, e não de forma sucessiva equivalente a 1/12 do valor total apurado. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ora, restando demonstrada a existência de estoque de abertura em dezembro de 2003, é de se reconhecer a possibilidade (ao menos em tese) de crédito, o que viabiliza o exame da sua materialidade em termos concretos. Ocorre que o contribuinte se preocupou em demonstrar que realizou vendas para fins essencialmente de exportação, não se atendo ao fato de que seria fundamental demonstrar a existência (e também o montante) do estoque de abertura em 01 de fevereiro de 2004 – quando era aplicável a norma do art. 12 da lei 10.833/2003. Para tentar comprovar suas alegações, o Recorrente junta alguns documentos contábeis, porém não explica em que medida tais documentos demonstram seu estoque de abertura. Igualmente não consta dos autos o conjunto de DACON relativos a todo o exercício de 2004, para que se pudesse verificar se houve o aproveitamento de 1/12 ao longo daquele exercício, ou se de fato o crédito do estoque de abertura foi aproveitado somente em dezembro, de forma acumulada. A juntada de trechos do livro diário, do livro razão e dos balanços de 2003 e 2004, por si só, não me parecem suficientes (como supõe o laudo contábil juntado pelo contribuinte) para demonstrar a materialidade de seu estoque de abertura. Reforço que entendo possível, conforme reiterados Acórdãos desta Turma Especial e do CARF, a juntada posterior de documentos, porém desde que demonstrem de plano a materialidade dos créditos do sujeito passivo. Da forma como se apresentou, não vejo como se reconhecer substância à documentação juntada – páginas do livro razão com sequência pulada, ausentes notas fiscais e GIAICMS (ao contrário do afirmado no Recurso Voluntário), e nenhuma composição efetiva do estoque de abertura por parte do Recorrente. Diante disso, a presente compensação resta carente da demonstração de liquidez e certeza dos créditos – requisito inerente para seu processamento, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 488DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909108/2011-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 08 /2 01 1- 73 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909108/201173 Acórdão n.º 3803006.744 S3TE03 Fl. 134 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 1.040,37. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909108/201173 Acórdão n.º 3803006.744 S3TE03 Fl. 135 3 Data do Fato Gerador: 30/11/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/11/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/12/2013 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. É o relatório. Voto Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909108/201173 Acórdão n.º 3803006.744 S3TE03 Fl. 136 4 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição relativo a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909108/201173 Acórdão n.º 3803006.744 S3TE03 Fl. 137 5 Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do livro Diário e do balancete, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado, trazendo, adicionalmente, na segunda instância, parte do livro Razão. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909108/201173 Acórdão n.º 3803006.744 S3TE03 Fl. 138 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909108/201173 Acórdão n.º 3803006.744 S3TE03 Fl. 139 7 fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909108/201173 Acórdão n.º 3803006.744 S3TE03 Fl. 140 8 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 12585.000233/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 33 /2 01 0- 48 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 134 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 135 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 12636.40516.131008.1.1.110003, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 05 a 07). O Pedido de Ressarcimento da COFINS referese ao crédito atinente ao 3º trimestre de 2004, no montante de R$ 5.525.146,93 (cinco milhões quinhentos e vinte e cinco mil e cento e quarenta e seis reais e noventa e três centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 102/107): 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento de supostos créditos de Cofins nãocumulativa apurados no 3° trimestre de 2004, acompanhado de uma declaração de compensação. 5. Em despacho decisório exarado nas fls. 24/28, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pedido de ressarcimento, não homologando a declaração de compensação a ele vinculada, devido à falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela autoridade fiscal. 6. Em 09/11/2011 apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade anexa às fls. 48/87, na qual alega em síntese que: 6.1 “todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobados apenas pelo termo combustível”; 6.2 foi desejo do legislador que, no regime nãocumulativo, não houvesse qualquer vedação ao creditamento; 6.3 existe nítida distinção entre os conceitos de “produtor” e “distribuidor”; 6.4 os distribuidores que apurem o IRPJ pelo lucro real “foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade”; 6.5 o art. 3°, I, alínea “b” da lei n° 10.833/2003 referese apenas a produtores e importadores, de modo que não há lei vedando o aproveitamento de crédito pelos distribuidores de combustíveis. A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 102/107) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontra se prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.833/2003. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em análise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência da COFINS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 136 4 Anocalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO Averiguada a inexistência do direito creditório pleiteado, deve se Indeferir o pedido de ressarcimento. AQUISIÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL DO CREDITAMENTO A aquisição para revenda de derivados de petróleo — particularmente gasolina A e óleo diesel — produtos sujeitos ao regime de incidência monofásica, não gera créditos por força de vedação expressa contida na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 113/129), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 137 5 afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. E o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 138 6 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa (fls. 05 a 07), referente ao 3º Trimestre de 2004, no valor de R$ 5.525.146,93. O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.833/2003, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 139 7 A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo COFINS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.833/2003, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 140 8 (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.833/2003, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 141 9 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.833/2003, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo da COFINS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 142 10 Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 143 11 É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 144 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 145 13 § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 146 14 calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 147 15 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 148 16 Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000233/201048 Acórdão n.º 3301002.341 S3C3T1 Fl. 149 17 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/ 10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATA L, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10825.000362/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO, ACRESCIDO DOS JUROS DE MORA, EM DATA ANTERIOR À DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CARACTERIZAÇÃO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AFASTAMETNO DA MULTA DE MORA.
Em observância ao que determina o art. 62-A do Regimento Interno do CARF-RICARF, deve ser aplicado o entendimento manifestado pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, no sentido de que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, a denúncia espontânea é caracterizada sempre que o pagamento do tributo ocorra antes da apresentação da DCTF, ou, pelo menos em concomitância a esta, sem prejuízo dos demais requisitos previstos no art. 138 do CTN. Ocorrendo a denúncia espontânea, há que se afastar a aplicação da multa de mora infligida.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Recorrente CADBURY BRASIL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO, ACRESCIDO DOS JUROS DE MORA, EM DATA ANTERIOR À DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CARACTERIZAÇÃO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AFASTAMETNO DA MULTA DE MORA. Em observância ao que determina o art. 62A do Regimento Interno do CARFRICARF, deve ser aplicado o entendimento manifestado pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, no sentido de que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, a denúncia espontânea é caracterizada sempre que o pagamento do tributo ocorra antes da apresentação da DCTF, ou, pelo menos em concomitância a esta, sem prejuízo dos demais requisitos previstos no art. 138 do CTN. Ocorrendo a denúncia espontânea, há que se afastar a aplicação da multa de mora infligida. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 03 62 /2 00 7- 35 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de lançamento da multa de mora pelo falo de a contribuinte haver recolhido os débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IP1), referentes ao período entre janeiro e junho de 2004 [sic], em atraso, com insuficiência da multa moratória. O enquadramento legal encontrase à fl. 35. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que recolheu o tributo espontaneamente, antes do inicio do procedimento fiscal, acompanhado dos juros moratórios devidos, assim teria ocorrido a denúncia espontânea, que, a teor do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), afasta a responsabilização do sujeito passivo, portanto a multa de mora deve ser excluída, conforme julgados que transcreve. Argumenta ainda que a fiscalização não levou em consideração a modificação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória (MP) nº 351, de 2007, onde o trecho que permitia a cobrança de multa em casos de denúncia espontânea foi suprimido.” A DRJ/Ribeirão Preto/SP decidiu pela procedência do lançamento, nos termos da ementa adiante transcrita (efls. 84/88): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário, 2004 MULTA DE MORA. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Cabível o lançamento da diferença de multa de mora nos casos de pagamento de tributo ou contribuição em atraso, mas com falta ou insuficiência de recolhimento da multa moratória. ESPONTANEIDADE. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Incabível a aplicação do beneficio da espontaneidade nos casos de pagamento de tributo ou contribuição, declarados, lançados por homologação, mas pagos a destempo. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 98/112), onde repisa os mesmos argumentos expendidos na impugnação, no sentido de entender incabível a aplicação da multa de mora por ter ocorrido denúncia espontânea. Ao final, requereu seja dado provimento ao recurso, para reconhecer configurada a denúncia espontânea, a teor do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, de forma a afastar a multa moratória, julgandose improcedente o lançamento fiscal. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10825.000362/200735 Acórdão n.º 3202001.301 S3C2T2 Fl. 161 3 É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Ao teor do relatado, cuida a lide de Auto de Infração lavrado em 05/03/2007, para lançamento de multa de mora, no valor total de R$ 1.058.608,84, em razão de a contribuinte haver efetuado, em atraso, os recolhimentos devidos referentes ao IPI relativo aos 1º, 2º e 3º trimestre de 2004, acrescidos dos juros de mora devidos, mas sem o recolhimento da multa moratória. A DRJRibeirão Preto/SP manteve o lançamento ao entendimento de que denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Súmula STJ nº. 360). Acontece que a aplicação da Súmula citada pela DRJ deixa bem claro que a denúncia espontânea não se aplica aos casos em que os tributos sujeitos a lançamento por homologação, já regularmente declarados, tenham sido pagos extemporaneamente, o que, a contrario sensu, vale dizer: é aplicável a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido pagos a destempo antes de ter sido regularmente declarado o débito – o que é exatamente a situação dos autos. Por bem elucidar a questão, transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 340201.489, proferido nos autos do processo nº. 10855.900956/200871, em sessão realizada em 01/09/2011, de lavra do i. Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, a seguir: “Em que pese [sic] as extensas discussões travadas em torno do instituto da denúncia espontânea, pelo menos nas últimas duas décadas, a verdade é que atualmente a matéria encontrase solucionada no âmbito do STJ, o qual acabou por diferenciar as multas tributárias, classificando as em punitivas (as de ofício) e moratórias (aquela devida pelo simples atraso de tributo declarado pelo próprio contribuinte), e, conseqüentemente, deu interpretação de que o instituto da denúncia espontânea aplicase unicamente para o caso de pagamento espontâneo sem que tenha havido declaração do débito pelo próprio contribuinte. Tanto assim o é, que a matéria acabou sendo sumulada pelo STJ, conforme abaixo transcrito: "Súmula 360/STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Inclusive, a matéria acabou sendo, recentemente, objeto de julgamento em sede do rito previsto para o julgamento de recursos repetitivos, tendo concluído sua ementa no seguinte sentido: "RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009∕01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 RECORRENTE : BANCO (...) S∕A ADVOGADO : (...) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10825.000362/200735 Acórdão n.º 3202001.301 S3C2T2 Fl. 162 5 forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.". (sublinhados não constantes do orignal) Portanto, tratandose de matéria objeto de Súmula emitida pelo Superior Tribunal de Justiça, e, ainda, de julgamento proferido sob o rito dos recursos repetitivos, esta Corte deve atender ao que dispõe o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, assim redigida: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.". Consequentemente, partindo da premissa de que o contribuinte declarou o débito, constituindo o crédito tributário em favor do Fisco, acabou por estar dispensada a Fiscalização para constituição do crédito e imposição de multa. Se, posteriormente, o contribuinte recolheu a destempo o tributo declarado, o entendimento atual é no sentido de que é devida a multa moratória. Entender diferente seria, efetivamente, afastar a aplicação do art. 61, da Lei 9.430/96, o que passaria por argumentos de inconstitucionalidade, procedimento esse igualmente vedado a esta Corte julgadora administrativa, a teor da Súmula nº 2, do CARF.” Como se pode ver, o STJ afastou por completo o entendimento da DRJ. Seguindo o entendimento exarado por aquela Corte, temse que, cumpridos os demais requisitos previstos no art. 138 do CTN, a denúncia espontânea será aplicável, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, sempre que o contribuinte promover o pagamento dos tributos em data anterior ou, ao menos, concomitantemente, à data em que os valores foram incluídos ou alterados em declaração retificadora. Deste modo, em cada caso sob análise, devese verificar as datas em que foram feitas as retificações e aquelas em que se deu o pagamento. Caso o pagamento tenha sido efetuado após a retificação, temse por inaplicável a denúncia espontânea, em razão do pagamento a destempo. A contrario sensu, sendo o pagamento efetuado anteriormente à Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 apresentação da retificadora, ou concomitantemente a esta, estará o contribuinte albergado pela denúncia espontânea, não sendo cabível a exigência da multa de mora. No caso em questão, o próprio Auto de Infração, nos demonstrativos constantes de seus Anexos, corrobora as informações da recorrente: os pagamentos do principal, acrescido de juros de mora, foram realizados em 05/09/2006 e as DCTF retificadoras foram recebidas em 08/09/2006, tendose dado os pagamentos, portanto, em data anterior à da declaração dos débitos. Também não há nos autos notícia de qualquer ação fiscalizatória ou procedimento administrativo, relativos aos períodos autuados, em data anterior à lavratura do Auto de Infração, a qual se deu em 05/03/2007, em decorrência de auditoria interna das DCTF. O que se verifica, portanto, é exatamente a hipótese prevista para o cabimento da denúncia espontânea, nos moldes consagrados pela decisão do STJ retrocitada, cuja aplicação se dá por força do art. 62A do Regimento Interno deste CARF, sendo incabível, portanto, a aplicação da multa de mora. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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