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Numero do processo: 11030.001720/2009-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS DESCONSIDERADOS POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO.
Uma vez constatado que a decisão recorrida excluiu da base de cálculo do tributo valores que haviam sido desconsiderados por ocasião do lançamento, essa deve ser reformada restabelecendo-se a exigência fiscal.
Numero da decisão: 9202-007.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RENDIMENTOS DESCONSIDERADOS POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO. Uma vez constatado que a decisão recorrida excluiu da base de cálculo do tributo valores que haviam sido desconsiderados por ocasião do lançamento, essa deve ser reformada restabelecendose a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 17 20 /2 00 9- 06 Fl. 321DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 220201.612, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração por omissão de rendimentos caracterizados por Acréscimo Patrimonial a Descoberto no anocalendário 2008, verificandose excesso de aplicações sobre as origens, não respaldados por rendimentos declarados e/ou comprovados, conforme levantamento do Demonstrativo da Variação Patrimonial e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 57 a 59), e por rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada (2006/2007). O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ/SDR, às fls. 143/152, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 57/60. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 194/203 DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 8.250,00 e R$ 2.950,00, correspondentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente. A Decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11030.001720/200906 Acórdão n.º 9202007.815 CSRFT2 Fl. 10 3 Às fls. 205/214, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: omissão de rendimentos exclusão dos valores declarados no Ajuste Anual da base de cálculo dos depósitos bancários. Enquanto o acórdão recorrido entende que a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 pode ser suprimida por uma outra presunção de que os rendimentos declarados pelo contribuinte transitaram em suas contas bancárias, uma vez que não fora constatada coincidência entre os valores e datas desses eventos distintos, os acórdãos paradigmas defendem que a referida presunção legal de omissão de rendimentos somente pode ser elidida por provas inequívocas (documentos hábeis e idôneos) que demonstrem tal coincidência. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 301/303, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de rendimentos exclusão dos valores declarados no Ajuste Anual da base de cálculo dos depósitos bancários. Cientificado o Contribuinte através de Edital, conforme informado à fl. 311, o mesmo permaneceu inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração por omissão de rendimentos caracterizados por Acréscimo Patrimonial a Descoberto no anocalendário 2008, verificandose excesso de aplicações sobre as origens, não respaldados por rendimentos declarados e/ou comprovados, conforme levantamento do Demonstrativo da Variação Patrimonial e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 57 a 59), e por rendimentos omitidos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada (2006/2007). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão de rendimentos exclusão dos valores declarados no Ajuste Anual da base de cálculo dos depósitos bancários. O acórdão recorrido interpretou que o valor oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Fl. 323DF CARF MF 4 Nesse tópico, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Deixo de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos). O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. O que podemos admitir como origem dos valores depositados em conta bancária, seriam os rendimentos tributados declarados, no anocalendário de 2006 no valor de R$ 8.250,00, e no anocalendário de 2007 no valor de R$ 2.950,00. Desta forma, é devida parcialmente a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada nos anos de 2006 e 2007. Neste ponto, entendo que assiste razão ao acórdão recorrido, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF deve ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa provar identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's declarados, no anocalendário de 2006 no valor de R$ 8.250,00, e no anocalendário de 2007 no valor de R$ 2.950,00 devem ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, importante ressalvar, no entanto, que tais valores no Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11030.001720/200906 Acórdão n.º 9202007.815 CSRFT2 Fl. 11 5 presente caso sequer foram incluídos no lançamento fiscal o que pode ser verificado pela unidade preparadora a fim de evitar possíveis duplicidades de exclusão dos valores tributáveis na base de cálculo. Diante do exposto voto por conhecer do Recurso da Fazenda Nacional e no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões aduzidas no voto da i. Relatora, dele divirjo pelas razões de fato e de direito que exponho a seguir. Temse Recurso Especial da Fazenda Nacional no qual se discute, na parte do lançamento relativa da depósitos bancários de origem não identificada, a exclusão de valores equivalentes a rendimentos tributáveis, informados em Declarações de Ajuste Anual – DAA. Com base na análise dos elementos de prova carreados aos autos, o Relator do acórdão recorrido infere que: Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. A despeito disso, o recurso do contribuinte foi parcialmente provido, pois concluiuse pela possibilidade de decotar os montantes de R$ 8.250,00 e R$ 2.950,00 da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não identificada, em virtude da declaração de tais valores, na condição de rendimentos tributáveis, nas DAA referentes aos anoscalendário 2006 e 2007. Vejamos os termos da decisão: Fl. 325DF CARF MF 6 O que podemos admitir como origem dos valores depositados em conta bancária, seriam os rendimentos tributados declarados, no anocalendário de 2006 no valor de R$ 8.250,00, e no ano calendário de 2007 no valor de R$ 2.950,00. Desta forma, é devida parcialmente a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada nos anos de 2006 e 2007. A respeito do tema, dispõe o art. 42 da Lei nº 9.430/1996: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11030.001720/200906 Acórdão n.º 9202007.815 CSRFT2 Fl. 12 7 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Grifouse) Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do Imposto Sobre a Renda sempre que o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham creditados. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Tratase, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Ademais, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese comprovada de forma individual, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre a contribuinte, não bastando a esse indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Com efeito, conquanto adote posicionamento deveras restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção, reputo plausível o juízo que tem prevalecido nesta Turma de Julgamento, quanto à possibilidade de exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários, de valores tributados na Declaração de Ajuste Anual, como forma de evitar a dupla tributação. Contudo, no caso em comento, a própria autoridade autuante providenciou a supressão de tais quando da realização do lançamento. E mais, a despeito do entendimentos deste Colegiado, de que somente devem ser retirados da base de incidência do tributo, os valores efetivamente submetidos à tributação (rendimentos tributáveis), a Autoridade Lançadora foi além e elidiu da tributação também os rendimentos declarados como isentos e não tributáveis. E isso restou claramente consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/17). Confirase: Dos valores que circularam por sua c/c, cuja origem não foi comprovada, listados acima, foram excluídos os valores regularmente oferecidos à tributação e os declarados, quais sejam: Rendimentos Tributáveis Declarados em 2006 R$ 8.250,00 Rendimentos Isentos Declarados em 2006 R$ 49.714,60 Rendimentos Sujeitos Trib. Excl. Declarados em 2006 R$ 3.435,40 Rendimentos Tributáveis Declarados em 2007 R$ 12.685,00 Rendimentos Isentos Declarados em 2007 R$ 14.517,09 Rendimentos Sujeitos Trib. Excl. Declarados em 2007 R$ 2.778,43 Vêse, pois, que a decisão recorrida incorreu em equívoco, pois exclui do da base de incidência da exação valores que já haviam sido suprimidos por ocasião do lançamento, devendo, por conseguinte, ser reformada de modo a restabelecer a exigência fiscal. Fl. 327DF CARF MF 8 Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.915729/2009-27
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE.
Não há que se falar em ofensa aos princípios da verdade material, estrita legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou elemento capaz de infirmar débito constituído.
DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se cogitar em nulidade do auto de infração: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, com a compreensão plena, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos fáticos e normativos da autuação.
Quando a decisão administrativa encontra-se devidamente motivada, com descrição clara dos fundamentos fáticos e jurídicos, não há que se falar em violação à ampla defesa e contraditório, sobretudo quando resta demonstrado que o sujeito passivo atacou, em seus recursos, os fundamentos da decisão
PRODUÇÃO DE PROVAS E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL.
Na ausência de elementos que configurem alguma das três hipóteses elencadas no § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, inexiste amparo legal para o acatamento de produção de provas e juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação.
Não há que se falar em diligência ou perícia com relação à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em sede de impugnação. Procedimentos de diligência ou de perícia não se afiguram como remédios processuais destinados a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
Numero da decisão: 3003-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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(SUCESSORA DA TIM NORDESTE S/A E INCORPORADA PELA TIM S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em ofensa aos princípios da verdade material, estrita legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou elemento capaz de infirmar débito constituído. DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade do auto de infração: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, com a compreensão plena, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos fáticos e normativos da autuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 57 29 /2 00 9- 27 Fl. 139DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 Quando a decisão administrativa encontra-se devidamente motivada, com descrição clara dos fundamentos fáticos e jurídicos, não há que se falar em violação à ampla defesa e contraditório, sobretudo quando resta demonstrado que o sujeito passivo atacou, em seus recursos, os fundamentos da decisão PRODUÇÃO DE PROVAS E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL. Na ausência de elementos que configurem alguma das três hipóteses elencadas no § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, inexiste amparo legal para o acatamento de produção de provas e juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação. Não há que se falar em diligência ou perícia com relação à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em sede de impugnação. Procedimentos de diligência ou de perícia não se afiguram como remédios processuais destinados a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Fl. 140DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 Relatório O presente processo versa sobre declaração de compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, no qual o interessado indica crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE – Remessas ao Exterior, para compensação de débito próprio. Em análise do PER/DCOMP, foi emitido despacho decisório eletrônico, o qual não homologou a compensação declarada, pois o crédito indicado já havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito constituído. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo sustentou, em preliminar, falta de fundamentação e motivação do despacho decisório, implicando violação ao contraditório e ampla defesa. No mérito, a manifestante aduziu, em síntese, que erro no preenchimento de DCTF não pode alterar a realidade dos fatos, qual seja, de que é credora da Fazenda Nacional no que se refere aos recolhimentos efetuados entre 2004 a 2007. Sustentou, ainda, que os créditos utilizados na compensação são facilmente comprovados por meio de todos os documentos fiscais já apresentados, cabendo ao Fisco proceder à profunda análise da compensação efeituada, para que não se configure enriquecimento sem causa do Estado. A 2ª Turma da DRJ em Recife rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, negou provimento à manifestação de inconformidade, sustentando, em síntese, que não restaram comprovadas nos autos a certeza e a liquidez do crédito alegado. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e sustenta, em síntese, (i) preliminarmente, a falta de fundamentação do despacho decisório, fato que representaria afronta ao contraditório e à ampla defesa, afigurando-se, assim, como nulo de pleno direito. Aduz, ainda, que houve violação aos princípios da estrita legalidade, verdade material, proporcionalidade e razoabilidade. Neste caso, alega que a decisão recorrida deixou de considerar a DCTF retificadora, a qual possui a mesma natureza da DCTF original, como prova de seu direito creditório. Sustenta, então, que a decisão recorrida deveria ter procedido à perícia ou diligência, a fim de se apurar sua escrita fiscal, sob pena de violação a diversos princípios, entre os quais, a verdade material e a estrita legalidade. Cita jurisprudência para embasar seus argumentos. (ii) no mérito, a correção do procedimento de compensação realizado. Neste contexto, a recorrente aduz: 36. Da análise do Acórdão recorrido é possível verificar que o fiscal optou por aferir a inexistência do direito creditório da Recorrente com base exclusivamente em telas internas de controle da apuração da Empresa, que espelham somente valores consolidados, o que torna impossível a verificação da regularidade da compensação realizada pelo contribuinte. 37. Isto é, optou o fiscal por deduzir a inexistência do crédito apontado pelo contribuinte, ignorando os demais documentos postos à sua disposição pela Recorrente, assim como outros recursos e procedimentos cabíveis. 38. Certo é que a utilização exclusiva do sistema interno da Receita não pode ser suficiente para comprovar todo o direito da Recorrente, mormente se a mesma possui outros documentos capazes de auferir o crédito declarado e que não foram vislumbrados pelas telas emitidas pela fiscalização. 39. Isto porque a pesquisa realizada deixou de considerar informações cruciais para o entendimento da compensação realizada. Fl. 141DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 40. Data venia, causa espanto o fato do ilmo. Julgador de primeira instância ignorar o crédito claramente demonstrado e deduzido da análise de documentação já presente nos autos. 41. Além de não ter analisado a documentação juntada pela Recorrente, conclui-se que o Fisco optou por desconsiderar o crédito e o débito apontado pelo Contribuinte, não homologando a compensação analisando créditos e débitos não apontados pela Recorrente em sua PER/DCOMP ou DCTF. 42. Vale salientar o dever da Fiscalização de buscar a comprovação dos créditos do contribuinte constitui ônus também da Administração tributária, em homenagem ao principio da verdade material, a busca de elementos, in verbis: "IRF - SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - PREJUÍZOS FISCAIS SUCESSIVOS – RESTITUIÇÃO PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL - APLICAÇÃO NOS PROCESSOS DE RESTITUIÇÃO - A amplitude de poderes investigatórios conferidos à administração tributária, que caracterizam a busca da verdade material, deve ser aplicada em todos os tipos de procedimento, inclusive nos processos de restituição. Consequentemente, não tendo sido juntada aos autos prova importante para a restituição, é dever da autoridade tributária buscar a referida prova no âmbito da repartição ou pela intimação do sujeito passivo. Recurso provido." (grifou-se) 43. Se tivesse agido dessa maneira, o ilustre fiscal teria adotado procedimento amparado pelo Conselho de Contribuintes. 44. Com efeito, os documentos juntados aos autos demonstram de forma cabal a procedência da compensação realizada pela Recorrente. 45. Resta evidenciada, portanto, que a análise da compensação realizada pela fiscalização não levou em consideração os créditos e débitos apontados pelo contribuinte em sua PER/DCOMP, o que resultou na equivocada conclusão de que inexistiria o crédito indicado pela Recorrente à regular compensação postulada. 46. Portanto, também no mérito é patente a necessidade de provimento que reconheça a improcedência dos supostos débitos fiscais combatidos, uma vez que sua exigência é afastada pela comprovação de existência suficiente de crédito pela Recorrente. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu PER/DCOMP, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CIDE, período de apuração de setembro de 2005. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuição declarada no período indicado no documento de arrecadação. Foi, então, emitido Despacho Decisório (fl. 7) 1 cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou, em síntese, a nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação e motivação, o erro no valor devido de CIDE informado na DCTF original, tendo aduzido que a DCTF retificadora teria trazido o valor correto, e a necessidade de diligência para a apuração de sua escrita fiscal. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório. Em preliminar, a decisão recorrida afastou o argumento de nulidade do despacho decisório, buscando demonstrar que a fundamentação do despacho foi suficientemente clara e objetiva, permitindo ao sujeito passivo o exercício da ampla defesa e contraditório – fato que teria sido confirmado na própria manifestação de inconformidade, na qual a manifestante expressa, com clareza, conhecimento acerca do motivo de não homologação da compensação, qual seja, o pagamento indicado como fonte do direito creditório havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito declarado em DCTF original, tendo a manifestante, inclusive, procedido à retificação do referido débito. No mérito, o colegiado a quo entendeu, em síntese, que a recorrente não logrou demonstrar o direito creditório alegado, em especial, o valor apurado da CIDE do período 09/2005, não tendo sido juntados quaisquer elementos da escrituração contábil e fiscal para comprovar o débito retificado, afastando, na ocasião, o pedido de diligência – por não atender aos requisitos estabelecidos pelo processo administrativo fiscal. Passo à análise dos argumentos trazidos no recurso. PRELIMINARES No tocante à preliminar de nulidade do despacho decisório, entendo que a decisão recorrida foi precisa em seus fundamentos. Explico. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 143DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 Compulsando o despacho decisório, observa-se que aquela decisão exprime, de forma clara, os fundamentos fáticos e jurídicos que levaram à não homologação da compensação então analisada: o suposto crédito - decorrente do pagamento efetuado por meio de documento de arrecadação (DARF) atinente à CIDE do período de apuração 09/2005 - foi integralmente utilizado para a extinção do correspondente débito de CIDE, declarado em DCTF, não restando qualquer saldo creditório para a compensação pretendida. Tal motivação do despacho decisório é tão clara que o sujeito passivo demonstrou plenamente compreendê-la ao (i) retificar a DCTF atinente ao referido débito de CIDE e (ii) se defender, com argumentos específicos, diretamente direcionados ao fundamento da decisão de não homologação. Não vislumbro, desse modo, qualquer vício no despacho decisório. Em tal decisão, consta fundamentação objetiva e inteligível da não homologação da compensação, com descrição precisa dos fatos ocorridos e das normas jurídicas aplicáveis ao caso. Em casos como o presente, nos quais a decisão administrativa se apresenta minuciosa, com fundamentos claros e suficientes, não há que se falar em ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa. No caso concreto, a partir do despacho decisório atacado, pôde a recorrente compreender plenamente a razão do indeferimento da compensação declarada, tendo atacado diretamente os fundamentos e motivos do indeferimento da compensação pleiteada, de sorte que se mostra improcedente a alegação de cerceamento de defesa. Em síntese, não há que se cogitar em nulidade das decisões administrativas: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do contencioso administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, e clara compreensão, por parte do sujeito passivo, dos fundamentos (fáticos e normativos) da decisão. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à alegação de que a decisão recorrida teria violado diversos princípios, entre os quais, a verdade material e a estrita legalidade. Explico. Em suma, a recorrente sustenta que a DCTF retificadora possui a mesma natureza da DCTF original, sendo apta para comprovar seu direito creditório. Aduz que a simples ocorrência de erro na declaração original não é suficiente para afastar seu direito creditório, impondo-se à autoridade administrativa a busca pela verdade material. Essa busca teria sido frustrada pelo colegiado de primeira instância, uma vez que furtou-se à realização de diligência ou perícia, sustentando o entendimento de que recairia sobre o sujeito passivo o ônus da prova. Neste ponto, a recorrente cita jurisprudência administrativa para reforçar seus argumentos. Argumenta que, sob o prisma da estrita legalidade, verdade material, razoabilidade e proporcionalidade, o entendimento do acórdão recorrido, segundo o qual a mera declaração retificadora não é suficiente para demonstrar o valor do débito nela indicado, deveria levar à realização de diligência, a fim de se apurar os fatos que deram origem à cobrança. Compulsando a decisão recorrida, observa-se que o colegiado a quo entendeu que a recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório. Segundo o colegiado de primeira instância, não foram apresentados, junto à impugnação, documentos hábeis a demonstrar o crédito pleiteado, em especial, o valor do débito de CIDE do período de 09/2005, cujo pagamento resultaria no direito creditório indicado na declaração de compensação. Fl. 144DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 Nesse contexto, observa-se que o aresto recorrido assume, corretamente, que o ônus da prova recai sobre a manifestante, de maneira que a não comprovação do direito creditório, no momento da impugnação, deve ensejar a negativa de provimento por parte do órgão julgador. Além disso, o aresto recorrido pressupõe que, no âmbito das compensações, a mera apresentação de declarações é insuficiente para a demonstração do direito creditório: necessário se faz a apresentação de escrituração contábil e fiscal com documentos que a suportem para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Tendo em mente tais observações, não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida. Com efeito, não há que se falar em ofensa ao princípio da verdade material, estrita legalidade, proporcionalidade ou razoabilidade, quando a decisão recorrida se volta à análise dos elementos dos autos e conclui, após valorá-los, que não há prova suficiente do crédito alegado. Analisando os autos, observa-se que a recorrente realmente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), escrituração contábil-fiscal nem documentos que a suportem aptos a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado. Dos elementos dos autos, não há como afirmar a disponibilidade do crédito pleiteado, em especial, não há como atestar o valor do débito de CIDE informado na DCTF retificadora. Como bem assinalou o acórdão recorrido, a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Pode-se dizer, em outros termos, que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito, de maneira que sua comprovação se revela pressuposto fundamental para a concreção da compensação. Nesse contexto, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, como dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; No caso dos autos, já em sua manifestação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 145DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 Tendo se eximido de apresentar quaisquer elementos probatórios para demonstrar suas alegações e, sobretudo, comprovar o valor de CIDE no período de apuração contestado, entendo que não assiste razão à recorrente, devendo prevalecer, neste aspecto, a decisão recorrida. No tocante à alegação de que o colegiado de primeira instância deveria proceder à diligência ou perícia, entendo que não assiste razão à recorrente, uma vez que todas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas no momento da manifestação de inconformidade, sobretudo quando as provas consistem em escrituração contábil-fiscal e documentos que a suportem. Sublinhe-se, a propósito, que o pedido de diligência, realizado na manifestação de inconformidade, foi para que fosse examinada a escrita fiscal da impugnante. Ocorre que nem mesmo os registros contábeis e fiscais foram apresentados então pela impugnante, afigurando-se descabido o pedido de diligência. Naturalmente, o órgão julgador pode, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências/perícias para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. A realização de diligência ou perícia não serve, entretanto, para suprir prova que deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade: perícia ou diligência não se afiguram como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Nesse prisma, há que se observar que existem regras processuais claras, no âmbito do contencioso administrativo, que regulam a preclusão probatória, não cabendo ao julgador afastar regras postas em face de aplicação indevida, no caso concreto, de eventuais princípios. Nesse contexto, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem, em última instância, para a concretização de outros princípios jurídicos valiosos – como, por exemplo, razoável duração do processo e segurança jurídica. Ademais, como asseverou, de forma correta, o aresto recorrido, o pedido de diligência formulado não atendeu aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72, de maneira que foi considerado, de forma correta, como não formulado. MÉRITO Apesar da ausência de provas na manifestação de inconformidade, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação - como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Não obstante, observa-se que a recorrente não apresentou, junto ao recurso voluntário, qualquer documento para demonstrar a apuração da CIDE do período de setembro de 2005, mesmo após a decisão recorrida ter assinalado a necessidade de comprovação, com documentos hábeis e idôneos, do direito creditório alegado. Da análise dos autos, verifica-se que não há provas para (i) confirmar a veracidade das informações prestadas na DCTF retificadora, tornando-a apta a infirmar o débito de CIDE regularmente constituído na DCTF original e assumido no despacho decisório, nem para (ii) atestar a devida escrituração contábil do pagamento indevido e da compensação declarada. Fl. 146DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.344 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.915729/2009-27 Quanto à confirmação do valor devido a título de CIDE – objeto da retificação, a recorrente poderia ter apresentado, por exemplo, o Razão da conta CIDE a Recolher (juntamente com suas contrapartidas), a fim de demonstrar a apuração da CIDE no referido período e, assim, infirmar o débito regularmente constituído na DCTF original. A recorrente restringiu-se, todavia, a alegar que houve erro, sem ter, ao menos, explicado qual a razão do erro ou qual o motivo da diferença de apuração no débito de CIDE cujo pagamento teria sido indevido ou a maior. Registre-se, ademais, que não há, nos autos, quaisquer elementos que comprovem a escrituração das operações atinentes (i) ao pagamento indevido e (ii) à própria compensação em análise - tal escrituração se mostra fundamental para aferição da certeza, liquidez e disponibilidade do direito creditório pleiteado. Neste caso, a recorrente poderia ter apresentado o Razão da conta CIDE a compensar, a fim de comprovar o lançamento do suposto pagamento indevido - lançamento a crédito na conta de despesas atinente à CIDE e lançamento a débito na conta do ativo CIDE a compensar - e da compensação declarada - lançamento a crédito na conta de CIDE a compensar e lançamento a débito na conta do passivo do tributo cujo débito foi objeto da compensação. Sublinhe-se que, em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005388/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo manifeste-se sobre a efetivação da conversão em renda da União dos valores de IRRF depositados judicialmente, bem assim para apontar eventuais reflexos no lançamento em discussão.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo manifeste-se sobre a efetivação da conversão em renda da União dos valores de IRRF depositados judicialmente, bem assim para apontar eventuais reflexos no lançamento em discussão. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face de Acórdão da DRJ, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF decorrente de compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. A decisão de primeira instância, de forma objetiva, assim sintetizou os fatos: Trata o presente processo sobre autuação contra a contribuinte acima qualificada, conforme notificação de lançamento de fls. 14/17, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2004, ano-calendário 2003, no valor de R$ 242.681,12 (duzentos e quarenta e dois mil, seiscentos e oitenta e um reais e doze centavos), a ser acrescido de multa e de juros de mora, calculados de acordo com a legislação de regência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 05 38 8/ 20 07 -5 8 Fl. 834DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2201-000.362 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005388/2007-58 A autuação decorreu de revisão de sua Declaração de Rendimentos, tendo sido apurada a infração de compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativamente às fontes pagadoras Aleutas S/A, CNPJ 04.768.106/0001-90 e BBM Investimentos S/A, CNPJ 04.768.114/0001-37, nos valores de R$ 111.382,37 e R$ 136.271,64, respectivamente. Irresignada, a contribuinte apresenta sua impugnação de fls. 01/11, onde traz os seguintes argumentos: as inconsistências entre sua Declaração de Rendimentos e as DIRF’s não poderiam ensejar o lançamento do imposto, posto que os rendimentos em questão só não foram objeto de retenção porque havia e há decisão judicial nesse sentido, proferida em ação judicial proposta pelas referidas fontes pagadoras; Assim, constatando que a impugnante estava discutindo judicialmente a legalidade e a constitucionalidade das normas que determinam a retenção em fonte e o recolhimento de imposto de renda supostamente devido sobre as variações monetárias de rendimentos pagos a título de alienação de ações e, ainda, que tais valores foram depositados judicialmente, conforme devidamente informado nos esclarecimentos apresentados em 16/04/2007 (doc. 04), o auditor fiscal não poderia ter lavrado a presente notificação e, tão pouco, aplicado a multa de mora de 20%. Tampouco poderia haver a cobrança dos juros, muito menos com base na taxa Selic. em novembro de 2000, alienou ações da BBM Participações S/A, CNPJ 14.308.514/0001-13, empresa da qual era acionista, à própria empresa e em 2001, a BBM Participações S/A foi cindida, assim, a titularidade das ações alienadas - e, consequentemente, a obrigação de pagar aos alienantes - foi transferida às empresas sucessoras BBM Investimentos S/A e Aleutas S/A; nos contratos de alienação (fls. 56/67), foi firmado compromisso de parcelamento do preço a ser pago pela adquirente, com cláusula de reajuste (variação monetária) e juros, ambos calculados desde a data da venda até o efetivo pagamento; em julho de 2002, as citadas pessoas jurídicas, adquirentes das ações da contribuinte, propuseram, em face da União Federal, ação declaratória de inexistência de relação jurídica tributária, questionando a legalidade e constitucionalidade do art. 19, § 3 o da Instrução Normativa SRF n° 84, de 2001, que as obrigava a reter em fonte e recolher imposto de renda supostamente incidente sobre as variações monetárias dos rendimentos pagos a determinadas pessoas físicas, em decorrência da alienação de ações (processo 2002.34.00.020498-4, em trâmite perante a 13 a Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília (fls. 25/46), questionando a aplicação a variação monetária das regras aplicáveis tão somente aos juros remuneratórios; precavidamente, no curso da ação judicial, as pessoas jurídicas depositaram judicialmente todos os valores cuja retenção e recolhimento a União entendia devidos; referidos depósitos em contas na Caixa Econômica Federal abrangem os valores que a União entendia devidos a título de imposto de renda incidente sobre os pagamentos efetuados não apenas à contribuinte, mas também às demais pessoas que alienaram ações; de acordo com informações obtidas junto às fontes pagadoras (fls. 72/75), o programa gerador da DIRF do período em tela (ano-calendário de 2003) não continha campo adequado para lançamento dos valores depositados judicialmente ou de qualquer rendimento cuja tributação estivesse com exigibilidade suspensa; cita orientação da própria Repartição Fazendária contida em processo de consulta; em outubro de 2006 foi proferida sentença julgando procedente o pedido das autoras (BBM Investimentos S/A e Aleutas S/A), para declarar juridicamente inexistente a obrigação de retenção e recolhimento do imposto sobre as variações monetárias dos rendimentos pagos parceladamente em favor de determinadas pessoas físicas, inclusive a contribuinte; Fl. 835DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2201-000.362 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005388/2007-58 contesta a cobrança da multa de mora e dos juros de mora com base na taxa Selic. Foi prolatado Acórdão pela DRJ, que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: GLOSA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DEPÓSITO JUDICIAL. O contribuinte não pode compensar o imposto de renda na fonte depositado judicialmente na declaração de ajuste. A ciência dessa decisão ocorreu em 01/07/2011 (fl. 107) e o recurso voluntário (fls.110/116) foi tempestivamente protocolizado em 29/07/2011, tendo o contribuinte alegado, em síntese, que procedeu de acordo com a orientação da Secretaria da Receita Federal e a jurisprudência administrativa, compensando-se do valor do IRRF depositado judicialmente. É relatório. Voto Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do mérito É fato incontroverso que o valor compensado de IRRF foi depositado judicialmente. Todavia, não há nos autos informações suficientes do andamento atualizado da demanda judicial, de sorte que em caso de uma possível conversão do montante depositado judicialmente em renda da União, a manutenção da decisão recorrida poderia acarretar um bis in idem, uma vez que a contribuinte estaria sendo cobrada de um valor que já integra o erário. Destarte, entendo que o presente processo não está apto para julgamento, sem um informação conclusiva da autoridade fiscal acerca do destino das importâncias depositadas judicialmente a título de IRRF. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo manifeste-se sobre a efetivação da conversão em renda da União dos valores de IRRF depositados judicialmente, bem assim para apontar eventuais reflexos no lançamento em discussão. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 836DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720089/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no recurso voluntário houver matéria distinta da constante do processo judicial.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS. DEVIDOS.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. REPRESENTANTES LEGAIS.
A "Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a"Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2402-007.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, e, também por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial, excluindo-se do lançamento a parcela dos juros que incidiu sobre os valores integralmente depositados.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no recurso voluntário houver matéria distinta da constante do processo judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS. DEVIDOS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. REPRESENTANTES LEGAIS. A "Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a"Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, e, também por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial, excluindo-se do lançamento a parcela dos juros que incidiu sobre os valores integralmente depositados. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no recurso voluntário houver matéria distinta da constante do processo judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS. DEVIDOS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. REPRESENTANTES LEGAIS. A "Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 89 /2 01 3- 81 Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10860.720089/201381 Acórdão n.º 2402007.301 S2C4T2 Fl. 1.030 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, e, também por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial, excluindose do lançamento a parcela dos juros que incidiu sobre os valores integralmente depositados. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face de acórdão que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem relatar o caso, valhome do relatório da decisão acima citada, no que toca aos lançamentos efetuados: Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10860.720089/201381 Acórdão n.º 2402007.301 S2C4T2 Fl. 1.031 3 Em resumo, foram lavrados autos para exigência da cota empresa, cota segurado e terceiros, em virtude do não oferecimento à tributação, dos pagamentos relativos às rubricas aviso prévio indenizado e correlatas no âmbito da rescisão de contrato de trabalho. Como já dito, a DRJ, após excluir a multa de oficio de 75%, face à suspensão da exigibilidade do crédito, julgou procedente em parte a impugnação, por meio do acórdão a seguir ementado: Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10860.720089/201381 Acórdão n.º 2402007.301 S2C4T2 Fl. 1.032 4 Em seu recurso voluntário de fls.990/1004 sustentou o recorrente: Que o lançamento considerou também como base de cálculo, os valores pagos a título de 13º salário indenizado, que já haviam sido pagos pela autuada; Que não há a incidência dos juros em função da suspensão da exigibilidade do crédito; e Que carece de total fundamento a coresponsabilidade atribuída às pessoas elencadas no Relatório de Vínculos. Em petição datada de 27.4.16, acostada às fls. 1023/1024, noticiou o recorrente que o MS 000057371.2009.4.03.6121, cujo objeto coincidiria com o deste procedimento administrativo, já teria transitado em julgado a seu favor. Na sequência, fez constar que, com isso, ficaria prejudicado o prosseguimento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Da admissibilidade do Recurso de Ofício. Quanto ao recurso de ofício, vale destacar que a DRJ exonerou a multa de ofício lançada no patamar ordinário de 75%, face à suspensão da exigibilidade do crédito tributário no valor total de R$ 1.105.133,69, consoante se nota do recorte a seguir. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10860.720089/201381 Acórdão n.º 2402007.301 S2C4T2 Fl. 1.033 5 DEBCAD PRINCIPAL JUROS MULTA TOTAL fls. 51.008.2750 905.273,56 310.732,20 678.955,18 1.894.960,94 2 51.008.2777 328.713,96 112.202,00 246.535,52 687.451,48 23 51.008.2793 239.523,96 82.202,36 179.642,99 501.369,31 42 TOTAL=> 1.105.133,69 Acontece que o limite de alçada atual para a interposição de recurso de ofício corresponde a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), segundo definido pela Portaria MF nº 63, de 9/2/17. Vejamos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Ademais, nos termos da Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso, em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, tendo em vista que o crédito exonerado de R$ 1.105.133,69 se encontra abaixo do limite de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 2017, não cabe o conhecimento do presente recurso de ofício. Da admissibilidade do Recurso Voluntário. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 3.3.15, consoante se denota de fls. 986, e apresentou seu Recurso Voluntário, tempestivamente, em 31.3.15, conforme fl. 988. Observados os demais requisitos para admissibilidade, dele passo a conhecer. Inicialmente, consoante o quadro a seguir colacionado, extraído do Relatório Fiscal, há de se notar que houve lançamento relacionado a rubricas outras além do Aviso Prévio, o que, a rigor, justificaria o interesse do contribuinte no que toca à alegação de que teria efetuado o pagamento do tributo com relação ao 13º salário indenizado. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10860.720089/201381 Acórdão n.º 2402007.301 S2C4T2 Fl. 1.034 6 Todavia, a julgar pelos excertos abaixo, recuperados igualmente do Relatório Fiscal, sou levado a concluir que os recolhimentos efetuados pela recorrente referiramse apenas aos débitos declarados em GFIP, enquanto que os valores lançados de ofício não teriam sido lá confessados. Confirase: [...] Nesse rumo e em outras palavras, depreendese do relato fiscal que os valores recolhidos relacionamse aos débitos confessados em GFIP, os quais, por sua vez, não contemplam aqueles constituídos de ofício. Por sua vez, não traz o recorrente a demonstração de que teria efetuado os alegados recolhimentos e que os mesmos já não tivessem sido considerados pelo autuante. No que toca à insurgência quanto à suposta responsabilização pelo Fisco daquelas pessoas que figuraram no Relatório de Vínculos de fls. 116/117, impõese colacionar o enunciado da Súmula CARF nº 88, que assim dispõe sobre a matéria. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10860.720089/201381 Acórdão n.º 2402007.301 S2C4T2 Fl. 1.035 7 unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Prosseguindo então, queixouse o recorrente quanto à incidência dos juros nos caso em exame. Não há menção nos autos, por parte do autuante, a que a exigibilidade do crédito estivesse suspensa por força de depósito em seu montante integral. De outro giro, há expressa referência à suspensão por força de decisão em Mandado de Segurança, o que, a teor do enunciado da Súmula CARF nº 5, não seria o bastante para garantir ao autuado a não incidência dos juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase. Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). No entanto, compulsando os autos, em especial de fls. 672/903, percebese a juntada de diversas guias de depósito judicial do período em questão, que possuem o condão de sustar a incidência dos juros sobre o valor então depositado. Por fim, é de se notar que o recurso em análise não se insurgiu contra a exigência da exação sobre o pagamento de aviso prévio indenizado, limitandose a informar, contudo, que sobre tal matéria, a discussão teria sido levada às raias da justiça. Nesse sentido, cabe à unidade de origem, no âmbito do acompanhamento do crédito tributário sub judice, promover a conformação do julgado aos fatos gerados aqui constituídos, extinguindoo ou cobrandoo, conforme o caso. Face ao exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício, por não atingimento do limite de alçada, e CONHECER do Recurso Voluntário para DARLHE parcial provimento, excluindose do lançamento a parcela dos juros que incidiu sobre os valores integralmente depositados. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.903879/2009-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 28/12/2006
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da transmissão das DCTFs retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa e não há comprovação da ocorrência de erro de fato.
Numero da decisão: 1003-000.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 28/12/2006 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa e não há comprovação da ocorrência de erro de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 14-32.791, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO (Revisão do Acórdão 14-30.791, de 6 de setembro de 2010), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 38 79 /2 00 9- 11 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.750 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.903879/2009-11 Por economia processual e por entender que resume bem o início da contenda, adoto o relatório da decisão "a quo" e passo a transcrevê-lo abaixo: "Trata-se de processo eletrônico relativo à compensação não homologada pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC) da Receita Federal, conforme despacho decisório de fl. 06, referente à Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 063555.72247.191208.1.3.04-2603 (fls. 01/05), transmitida em 19/12/2008, por meio da qual a contribuinte declarou a compensação de débito de IPI (5123(, vencidos em 15/01/2008 e 15/02/2008, no valor de R$ 70.224,85, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior do IRPJ (2089), ocorrido em 28/12/2006. O fundamento do indeferimento, conforme restou consignado no despacho recorrido, foi a completa utilização do pagamento informado na DCOMP para quitação do débito do IRPJ (2089) relativo ao período de apuração (PA 3º trimestre/2006), de forma a não ter sido constatado saldo de crédito passível de restituição/compensação. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade em face do referido despacho, conforme peça de fls. 1-/11, por meio da qual esclarece que seu crédito originou-se de "pagamento a maior da 3ª parcela de IRPJ código 2089 dentro do prazo". Isto porque o valor pago correspondeu ao montante de R$ 86.950,03 enquanto o valor devido da parcela era de apenas R$ 28.409,47. Acredita que a não homologação da compensação decorreu do fato de não ter sido considerada a DCTF retificadora, entregue em 20/08/2009 ("doc. 5"). Conclui requerendo o provimento do recurso para o fim de ser reconhecido o direito creditório e homologada a compensação realizada. Esta Turma já havia julgado a manifestação de inconformidade interposta, conforme acórdão nº 30.791, de 06 de setembro de 2010 (fls. 37/40), nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. PROCEDIMENTO FISCAL. DIPJ TEMPESTIVA. SALDO COMPENSÁVEL. HOMOLOGAÇÃO. Uma vez comprovado, ante à informações declaradas em DCRF retificadora, entregue antes do procedimento fiscal, as quais correspondem àquelas informadas na DIPJ entregue tempestivamente, regularmente processada e acatada pela Receita Federal, que a contribuinte dispõe de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de tributo, há que se reconhecer o direito a homologação, até o limite do crédito reconhecido. Ocorre que, por ocasião da operacionalização da decisão, a repartição constatou "que o direito creditório do contribuinte já se encontrava alocado ao processo de cobrança 13851.501372/2008-45, cujos débitos se acham inscritos em dívida ativa nº 80 2 08 041545-52, fatos que provocaram análise por parte da SACAT desta Unidade, folhas 41 a 46" (fl. 47). Em face desta constatação, o processo retornou a esta instância "para reanálise e revisão da decisão, se for o caso, da matéria em discussão". Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ/RPO, ao proceder à reanálise solicitada, julgou a manifestação de inconformidade improcedente não reconheceu o crédito informado pela Recorrente, conforme ementa abaixo: Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.750 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.903879/2009-11 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez constatada, por ocasião da operacionalização da decisão anterior, que o crédito alegado originou-se de retificação de DCTF cujos débitos já estavam inscritos em Dívida Ativa da União, há que se rever acórdão para fins de não se reconhecer o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformada com a decisão, a Recorrente, requerendo a reforma da decisão "a quo", apresentou recurso voluntário, do qual pinça-se alguns trechos adiante transcritos: "(...) (...) Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.750 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.903879/2009-11 (...)" É o relatório. Voto Conselheiro Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Conforme já relatado, a Recorrente efetuou compensação de suposto direito creditório decorrente pagamento a maior de IRPJ (código 2089), no valor de R$ 57.116,43 (contido no DARF de R$86.950,03 recolhido em 28.12.2006), referente ao 3º trimestre de 2006 apurado pelo lucro presumido, conforme Per/DComp de fls. 01-05. Todavia, tal compensação não foi homologada pois o referido pagamento teria sido integralmente utilizado para quitação dos débitos da Recorrente, conforme despacho decisório de fls. 06: Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.750 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.903879/2009-11 Em um primeiro momento, a DRJ considerou a manifestação de inconformidade procedente, com base na DCTF retificadora apresentada em 20/08/2009, fls. 37-40, aceitando-a, portanto. Ocorre que a DRF, por ocasião da execução da decisão, verificou que o direito creditório da Recorrente se encontra alocado no processo de cobrança nº 13851.501372/2008-45, já encaminhado, em 11.12.2008, para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme demonstrado às fl. 41-46 e ainda porque a DCTF retificadora fora apresentada somente após os débitos, objetos da compensação terem sido inscritos em DAU. Tais argumentos, foram o fundamento de nova decisão da DRJ, após o processo ter sido encaminhado àquela instância para reanálise, para não reconhecimento do direito creditório pleiteado. O que se discute nos autos é a possibilidade jurídica de haver alteração do débito via retificação de DCTF, para fins de gerar direito creditório, após inscrição em DAU dos débitos originalmente confessados. Acerca da questão, o parágrafo 2º, do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da transmissão da DCTF retificadora (20/08/2009), assim prevê: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I - cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; (Grifou-se) II - cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III - em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Portanto, de acordo com tal ato normativo, a retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em D.A.U ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, é desprovida de efeitos e não tem o condão de alterar a DCTF original. Todavia, em circunstâncias dessa natureza, entende-se que, por força do princípio da verdade material, o contribuinte, a despeito da retificação extemporânea, tem o direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do erro de fato no tocante ao direito creditório pleiteado. Fl. 88DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.750 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.903879/2009-11 Essa, inclusive, é a determinação constante na mesma instrução normativa citada anteriormente (IN RFB nº 903/2008), no parágrafo 3º § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (Grifou-se) Por outro lado, erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. Ou seja, o conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Nestes casos, a Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Entretanto, não foi o que ocorreu na hipótese dos autos. A Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, deveria ter apresentado documentos contábil-fiscais da empresa suficientes para comprovar o crédito e o consequente erro na DCTF original, sem essas informações é impossível verificar a exatidão das informações declaradas pela Recorrente. A determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A comprovação do erro material, portanto, é condição para admissão da retificação realizada, quando essa, como no caso dos autos, reduz tributos, conforme disposto no CTN e, também quando os débitos a serem retificados já estão inscritos em dívida ativa da União, nos temos do parágrafo 3º, do art. 10, da IN RFB nº 903/2008. Ademais, cabe, pois, à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde Fl. 89DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.750 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.903879/2009-11 comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, conforme exigência do art. 170 do CTN. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto-Lei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Assim sendo, como bem como consta no acórdão de piso "a retificação somente poderia produzir os efeitos pretendidos no caso de "prova inequívoca de erro de fato no preenchimento da declaração", cujo ônus, obviamente, é da contribuinte. Não havendo nos autos a prova requerida, não há como a RFB proceder a alteração do débito retificado e, por decorrência lógica, não pode esta instância acatar o pleito da Recorrente pelo reconhecimento do direito creditório alegado". Ressalta-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados e concluí que não foram carreados aos autos, pela Recorrente, conjunto probatório robusto visando à comprovação do erro de fato no preenchimento da DCTF original. Por tal razão, a DCTF retificadora não produziu efeitos, conforme já explicado, não havendo como reconhecer o direito creditório pleiteado. Isto posto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721356/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PERÍODO. ABRANGÊNCIA.
A análise e o julgamento da suscitada decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir créditos tributários, para períodos de competência não abrangidos pelos lançamentos em discussão, ficaram prejudicados.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS PRESUMIDOS. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL.
Deve ser afastada a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele benefício tributário.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS PRESUMIDOS. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL.
Deve ser afastada a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele benefício tributário.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-006.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PERÍODO. ABRANGÊNCIA. A análise e o julgamento da suscitada decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir créditos tributários, para períodos de competência não abrangidos pelos lançamentos em discussão, ficaram prejudicados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS PRESUMIDOS. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL. Deve ser afastada a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele benefício tributário. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS PRESUMIDOS. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL. Deve ser afastada a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele benefício tributário. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PERÍODO. ABRANGÊNCIA. A análise e o julgamento da suscitada decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir créditos tributários, para períodos de competência não abrangidos pelos lançamentos em discussão, ficaram prejudicados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS PRESUMIDOS. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL. Deve ser afastada a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele benefício tributário. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da nãocumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS PRESUMIDOS. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 13 56 /2 01 5- 80 Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.627 2 Deve ser afastada a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele benefício tributário. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da nãocumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2501 a 2606) interposto pelo Contribuinte, em 20 de julho de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 14 60.616 (fls. 2475 a 2488), de 10 de maio de 2016, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Impugnação (fls. 1193 a 1277) apresentada pelo Contribuinte. Para a elucidação do caso e por economia processual, adoto e cito o relatório do acórdão recorrido: Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.628 3 Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sujeitas a regimes de tributação diferenciados, referentes às competências de junho a dezembro de 2010. Os lançamentos decorreram das diferenças entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os efetivamente devidos, pelo fato de o autuante ter glosado: i) créditos presumidos de ambas as contribuições sobre a venda de medicamentos (Kit Troca p/Manut Mensal de DPA (c/cicladora), Kit troca p/ Manut Mensal DPAC e Kit para treinamento em DPAC ou DPAImplante) que não se encontravam listados na relação aprovada pela Câmara de Regulaçaõ do Mercado de Medicamentos (CMED/ANVISA), habilitados à fruiçaõ do Regime Especial de Crédito Presumido, nos termos da Lei no 10.147, de 2000, e do Decreto no 3.803, de 2001; e, ii) créditos apurados sobre notas fiscais extemporâneas referentes a aquisições realizadas em períodos anteriores ao do respectivo fato gerador, sem a retificaçaõ dos respectivos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacons) e DCTFs, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 14/31, parte integrante de ambos os autos de infraçaõ. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos, alegando, em síntese: (i) em preliminar, a decaden̂cia do direito de a Fazenda Nacional retificar os critérios jurídicos adotados por ele interessado para a apuração das bases de cálculo das contribuições referentes às competências de janeiro a maio de 2010; assim, admitida esta decadência, os créditos acumulados por ele, naquelas competências, seriam suficientes para absorver integralmente os débitos apurados para as competências de junho a dezembro de 2010, objeto dos lançamentos em discussão; e, ii) no mérito: ii.a) as vendas dos produtos (kits DPA e DPAC) cujos créditos presumidos foram glosados, ao contrário do alegado pelo autuante, se encontram devidamente registrados e habilitados ao gozo desse benefício, nos termos da Lei no 10.147/200 e Decreto no 3.803/2001, inclusive, estão listados na Relação das apresentações pertencentes à lista positiva anexada aos Ofícios expedidos pela própria CMED, sob a nomenclatura "PROCEDIMENTO MÉDICO TABELADO PELO GOVERNO FEDERAL (BAXTER)"; ii.b) depois de intimado dos lançamentos se reuniu com a CMED e esta, por meio do Ofício no 516 SE/CMED/2015 (Doc. 15) que, inclusive, foi encaminhados a DRF em Barueri, via Ofício no 517/2015SE/CMED (Doc. 15), no qual não deixou dúvida de que os produtos (kits DPAC e DPA) cujos créditos presumidos foram glosados estão habilitados no Regime Especial de Crédito Presumido da lista positiva; ii.c) a legislaca̧õ fiscal garante o direito à apropriação extemporan̂ea de créditos de PIS e Cofins, não estabelecendo quaisquer condições para a fruição desse benefício fiscal; a não retificação das obrigacõ̧es acessórias (Dacons/DCTFs) das competências relacionadas aos créditos aproveitados extemporaneamente não causou lesão ao Erário; assim, ainda que apropriados extemporaneamente, tem direito ao ressarcimento/compensação dos créditos de ambas as contribuições decorrentes de exportações; e, d) suscitou ainda erros na apuração das bases de cálculo das contribuicõ̧es, nos meses de junho e julho de 2010 que provocaram diferenças no "Crédito Remanescente" de Cofins compensável, com reflexos entre os meses de agosto e dezembro de 2010; diferenças entre as bases dos cálculos dos créditos apurados de Cofins, referente ao mês de novembro de 2010 e, para o PIS, em dezembro de 2010, utilizadas pela Fiscalização e as constantes nos respectivos Dacons; erro na demonstração da compensaçaõ de créditos vinculados às exportacõ̧es nos meses de junho a dezembro de 2010, na coluna "Crédito Ajustado" da "FICHA 25B RESUMO CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS", elaborada pela Fiscalização; o valor da linha 17 "Total da Contribuição Devida no Mês" não corresponde ao total da Cofins subtraída Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.629 4 dos créditos compensados pela Fiscalização; e, ao contrário do que tenta demonstrar no "Anexo 3" do TVF, a Fiscalização não compensou mensalmente os créditos de Cofins vinculados às exportações. Para fundamentar a impugnação apresentou extenso arrazoado sobre: "I FATOS; II DIREITO: II.1 Preliminarmente: II.1.1 Tempestividade da Presente Defesa; II.1 Decadência do Direito à Constituição do Crédito Tributário Período de janeiro/2010 a maio/2010; II.2 Mérito II.2.1 Do Crédito Presumido de PIS/COFINS previsto pela Lei no 10.147/00; II.2.1.1 Mas afinal, em que consiste a terapia de diálise peritoneal? II.2.1.2 Do fluxo de informações: da prescrição médica à entrega dos medicamentos; I.2.1.3 Das diversas nomenclaturas das terapias DPAC e DPA; II.2.1.4 Da precificação dos Kits DPAC e DPA; II.2.1.5 Fato Superveniente: A Nova Manifestacã̧o da CMED O Ofício no 517/2015; II.2.1.6 Da Indevida Glosa de Créditos Extemporâneos sobre Aquisições de Bens Utilizados como insumos; II.2.3 Dos Pedidos de Ressarcimento/Compensação de Créditos de PIS e Cofins Vinculados à Receita de Exportacã̧o; II.2.4 Da Compensacã̧o dos Valores de PIS e Cofins Retidos na Fonte; II.2.5 Erros na Demonstracã̧o das Apuracõ̧es das Bases de Cálculo do PIS e da Cofins; II.2.6 Da Impossibilidade de Cobrança de Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício; III PEDIDO", concluindo, ao final, em preliminar, a decaden̂cia em relação aos fatos geradores de janeiro a maio de 2010; e, no mérito, que as glosas dos créditos presumidos devem ser revertidas, em face da correcã̧o do equívoco da CMED; os créditos decorrentes de exportações podem ser aproveitados extemporaneamente; os erros cometidos pelo autuante devem ser corrigidos; e, ainda suscitou a impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício, com fundamento na Lei no 10.522, de 2002, arts. 29 e 30. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1460.616 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PERÍODO. ABRANGÊNCIA. A análise e o julgamento da suscitada decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir créditos tributários, para períodos de competência não abrangidos pelos lançamentos em discussão, ficaram prejudicados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS PRESUMIDOS. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL. Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.630 5 Correta a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos não habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele benefício tributário. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo está condicionado a apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacons) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) retificadoras. CRÉDITOS. GLOSAS. EQUÍVOCOS. REVERSÃO. Comprovado o equívoco nas glosas de créditos sobre os custos dos insumos adquiridos nos meses de junho e dezembro de 2010, revertemse os valores glosados, deduzindoos das parcelas do crédito tributário lançado e exigido para aquelas competências. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTO. REGIME ESPECIAL. Correta a glosa de crédito presumido aproveitado sobre a venda de medicamentos não habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruição do regime especial de utilização daquele crédito. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo está condicionado a apresentação dos Dacons retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTFs retificadoras. CRÉDITOS. GLOSAS. EQUÍVOCOS. REVERSÃO. Comprovado o equívoco nas glosas de créditos sobre custos dos insumos adquiridos nos meses de junho e dezembro de 2010, revertemse os valores glosados, deduzindoos das parcelas do crédito tributário lançado e exigido para aquelas competências. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. EXIGÊNCIA. A apreciação e julgamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício ficaram prejudicados pelo fato de esta não fazer parte do crédito tributário impugnado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Contribuinte repisa em seu Recurso Voluntário as questões de fato e de direito já expostas de forma extensa quando da Impugnação e cuida de forma pontual 1) da decadência do direito à constituição do crédito tributário no período de janeiro a maio de 2010; 2) da glosa do crédito presumido de PIS/COFINS previsto na Lei nº 10.147/2000; 3) da glosa de créditos extemporâneos sobre aquisições de bens utilizados como insumos; 4) da convalidaçaõ dos pedidos de ressarcimento/compensação de crédito de PIS e COFINS Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.631 6 vinculados à receita de exportacã̧o; 5) da compensação dos valores de PIS e COFINS retidos na fonte; 6) dos erros na demonstracã̧o das apurações das bases de cálculo do PIS e da COFINS; e, 7) da impossibilidade de cobranca̧ de juros moratórios sobre multa de ofício. Passarseá a análise de cada um dos pontos do recurso do Contribuinte. 1. Decadência do direito à constituição do crédito tributário no período de janeiro a maio de 2010 Alega o Contribuinte, preliminarmente, que ocorreu a decadência do direito do fisco de fazer a constituição do crédito tributário no período de janeiro a maio de 2010. Assim, argumenta e requer (fls. 2515 e seguintes): (i) Decadência do direito à constituição do crédito tributário no período de janeiro a maio de 2010: ao contrário do que alegou a D. DRJ, a D. Fiscalização procedeu ao lanca̧mento tributaŕio nas competen̂cias de janeiro a maio de 2010, por meio da glosa de créditos presumidos de PIS e COFINS da Lei nº 10.147/00 e de créditos extemporan̂eos sobre aquisições de insumos. Nos referidos períodos não houve apuração de débitos exigíveis via Auto de Infração, simplesmente porque a D. Fiscalização procedeu (como não poderia deixar de assim fazer) à recomposição das bases de cálculo do PIS e da COFINS, e, dessa forma, compensou os débitos apurados em face das referidas glosas, com os créditos que a Recorrente possuía legitima e tempestivamente apropriados em sua escrituração contábil e declarados nos DACONs do período em referência. Portanto, naõ tem guarida a alegação de que “a análise e julgamento das matérias suscitadas, quanto à decadência, ficaram prejudicadas”. (...) 26. A Recorrente salienta que ainda que não tenha havido saldos de PIS e COFINS a pagar nos meses de janeiro a maio de 2010, a DRJ não poderia ter ignorado o fato de que o D. Agente Fiscal glosou parte dos créditos presumidos e extemporâneos apropriados pela Recorrente nesse período. 27. Com efeito, como se pode constatar no “ANEXO 3” do Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), quando da elaboração da recomposição das bases de cálculo de PIS e COFINS, o D. Agente Fiscal considerou como irregulares parcela dos créditos presumidos e os apropriados extemporaneamente nos meses de janeiro a maio de 2010. Como consequência, no referido “ANEXO 3” demonstrou não somente o valor da base de cálculo dos créditos glosados, como o próprio montante créditos presumidos e extemporâneos supostamente apropriados irregularmente. (...) 39. Desta feita, nos termos do § 4º, do artigo 150, do CTN, é inconteste a ocorren̂cia da decadência em relaçaõ aos fatos geradores ocorridos nos meses janeiro a maio do anocalendário de 2010, a qual deveria ter sido declarada pela D. DRJ, visto que, por inércia do Fisco Federal, não foi realizado o lançamento no lapso temporal de 05 (cinco) anos visando à constituição do crédito tributário em discussão. (...) 54. Em suma, ante todo o exposto, uma vez reconhecida a decadência do direito de revisão das bases de cálculo do PIS e da COFINS consubstanciada nos fatos geradores dos meses de janeiro a maio, inevitável a declaração de total insubsistência das supostas diferenças de valores apuradas e cobradas através do presente processo administrativo. Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.632 7 No recurso o Contribuinte reproduz um conjunto de Fichas (14, 24, 15 e 25) para demonstrar o alegado às fls. 2527 e seguintes. Ocorre que não assiste razão aos seus argumentos, visto não foi lançado e nem exigido crédito tributário deste período e, se caso tivesse direito a crédito no período de janeiro a maio de 2010, como salienta em seu recurso, deveria ter procedido a transmissão de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação, de acordo com o previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Desta forma cito a decisão ora recorrida como razões para decidir: i) decadência Em preliminar, o interessado alegou a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir créditos tributários do PIS e da Cofins, para as competências de janeiro a maio de 2010. Da análise dos autos de infração, verificase que, ao contrário do seu entendimento, não foi lançado nem exigido crédito tributário algum para aquelas competências, mas tão somente para as competências de junho a dezembro de 2010. Quanto à alegação de que, admitida a suscitada decadência, os créditos acumulados por ele, naquelas competências, seriam suficientes para absorver integralmente os débitos apurados, para as competências de junho a dezembro de 2010, objeto dos lanca̧mentos em discussaõ, cabe esclarecer que: primeiro, não compete ao Fisco apurar, de ofício, créditos financeiros a favor de contribuinte, relativamente a períodos de competen̂cia não abrangidos pelos créditos tributários lanca̧dos e exigidos; segundo, ainda que o interessado tivesse demonstrado e provado que dispunha de créditos naquele período, o que não ocorreu, caberia a ele reclamálos, mediante a transmissão de Pedido de Ressarcimento/Declaraçaõ de Compensação (PER/Dcomp), nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74. Assim, a análise e julgamento das matérias suscitadas, quanto à decadência, ficaram prejudicadas. Voto, portanto, por negar provimento a preliminar de decadência do período de janeiro a maio de 2010. 2) Da glosa do crédito presumido de PIS/COFINS previsto na Lei nº 10.147/2000 Em relação ao mérito o Contribuinte trata, por primeiro, do crédito presumido do PIS/COFINS, previsto no art. 3º da Lei nº 10.147/2000. Este possibilita a apropriação do crédito presumido pelas pessoas jurídicas fabricantes ou importadoras dos produtos farmacêuticos do Código NCM 3004.90.99. A questão central neste ponto diz respeito a concessão de crédito presumido, em um Regime Especial de Crédito Presumido de PIS e COFINS, em que os produtos fabricados ou importados são habilitados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos – CMED. Por bem situar a matéria objeto do litígio e a legislação de regência, cito trechos da decisão ora recorrida: ii) glosas dos créditos presumidos O autuante glosou créditos presumidos do PIS e da Cofins decorrentes da venda de medicamentos (Kit Troca p/Manut Mensal de DPA (c/cicladora), Kit troca p/ Manut Mensal DPAC e Kit para treinamento em DPAC ou DPAImplante), sob o fundamento de que estes produtos não foram habilitados pela Câmara de Regulação Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.633 8 do Mercado de Medicamentos (CMED) para fruica̧õ do Regime Especial de Crédito de PIS e Cofins. A Lei nº 10.147, de 21/12/2000, assim dispõe, quanto ao crédito presumido do PIS e Cofins, para as pessoas jurídicas do seguimento farmacêutico e correlato: "Art. 3º Será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrializacã̧o ou à importação dos produtos classificados na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00, todos da TIPI, tributados na forma do inciso I do art. 1º, e na posicã̧o 30.04, exceto no código 3004.90.46, da TIPI, e que, visando assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985; ou (Incluído pela Lei nº 10.548, de 2002) II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei nº 10.213, de 27 de marco̧ de 2001. (Incluído pela Lei nº 10.548, de 2002) §1º O crédito presumido a que se refere este artigo será: I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1º desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial. § 2º O crédito presumido somente será concedido na hipótese em que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II deste artigo, inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1º, industrializados ou importados pela pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) § 3º É vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido de que trata este artigo, bem como sua restituição." Já o Decreto nº 3.803, de 24/4/2001, que regulamentou esta lei, estabelece: "Art. 1º O regime especial de utilizacã̧o do crédito presumido da contribuicã̧o para os Programas de Integracã̧o Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, previsto nos arts. 3º e 4º da 4º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, será concedido às pessoas jurídicas que procedam à industrializacã̧o ou à importacã̧o de medicamentos classificados nas posicõ̧es 3003 e 3004 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), sujeitos à prescricã̧o médica, identificados por tarja vermelha ou preta e destinados à venda no mercado interno, quando formulados: Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.634 9 I como monodrogas, com uma e somente uma das substâncias listadas na Categoria I do Anexo a este Decreto; II como associações, nas combinações de substâncias listadas na Categoria II do Anexo a este Decreto; III como monodrogas ou como associações destinadas à nutricã̧o parenteral, reposição hidroeletrolítica parenteral, expansores do plasma, hemodiálise e diálise peritoneal, das substâncias listadas na Categoria III do Anexo a este Decreto. Art. 2º A concessão do regime especial de que trata o artigo anterior depende de habilitação perante a Câmara de Medicamentos, criada pelo art. 12 da Lei nº 10.213, de 27 de março de 2001, e a Secretaria da Receita Federal. § 1º Para fins de habilitação a pessoa jurídica interessada apresentará à Câmara de Medicamentos requerimento do qual constem: I todas as informações exigidas em Resolução expedida pela mencionada Câmara; II a opção pelo enquadramento em uma das seguintes hipóteses: a) adequação às condições estabelecidas pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido; ou b) adesão ao Compromisso de Ajustamento de Conduta a ser firmado junto à Câmara de Medicamentos; e III em anexo, certidão negativa de todos os tributos e contribuições federais. § 2º A Câmara de Medicamentos, no prazo de até cinco dias úteis, verificará a conformidade das informações prestadas com as condicõ̧es previstas para a fruição do crédito presumido e encaminhará à Secretaria da Receita Federal o requerimento da empresa, acompanhado da relação dos medicamentos por ela fabricados ou importados, com a respectiva classificação na NCM. § 3º A Secretaria da Receita Federal, de posse da documentação encaminhada pela Câmara de Medicamentos, no prazo de até trinta dias, analisará a veracidade das certidões negativas de tributos e contribuições federais apresentadas, e, constatada a regularidade fiscal da empresa, expedirá ato a ser publicado no Diário Oficial da União, reconhecendo o direito da requerente à utilização do crédito presumido. § 4º Se, no prazo mencionado no parágrafo anterior, não houver pronunciamento da Secretaria da Receita Federal, considerarseá automaticamente deferido o regime especial de crédito presumido. § 5º No curso da análise do requerimento, nos termos dos §§ 2º e 3º, as irregularidades apuradas serão comunicadas à requerente, sendolhe concedido prazo de até trinta dias para regularização. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, ficarão suspensos os prazos a que se referem os §§ 2º e 3º. [...]." Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 18), o interessado foi intimado a "comprovar a adesão ao compromisso de ajustamento de conduta, via apresentação de cópia do Ato Declaratório Executivo que concedeu a habilitação para utilizacã̧o do crédito presumido de PIS/Cofins e prova do cumprimento da sistemática estabelecida pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos CMED nos termos do artigo 3º da Lei 10.147/2000", bem como "Cópia do requerimento Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.635 10 protocolado na CMED, acompanhado da relação dos medicamentos fabricados ou importados pela empresa e sua classificacã̧o na NCM, no qual conste a opcã̧o de enquadramento em uma das hipóteses previstas no inciso II do § 1º do artigo 2º do Decreto nº 3.803/2001". A partir dos demonstrativos e documentos apresentados, em atendimento à intimação, a Fiscalização apurou que os produtos (medicamentos) relacionados pelo interessado, perfazendo a receita bruta de R$354.064.975,44, estavam parcialmente listados no Ofício CMED/ANVISA Nº 1.094/2011 e no Decreto 3.803/2001, para a fruição do regime especial de crédito presumido. Em razão disto, a Fiscalização intimou novamente o interessado a apresentar a relação de todos os produtos (medicamentos) que geraram os créditos presumidos decorrentes daquelas receitas e a indicar a classificaca̧õ fiscal, o valor faturado e a "substan̂cia" correspondente ao medicamento, de acordo com as substâncias relacionadas nas categorias I, II e III do anexo do Decreto nº 3.803/2001. Em atendimento a essa nova intimação, o interessado apresentou um CD contendo o arquivo em Microsoft Excell intitulado "Item 8Faturamento Lista Positiva" com a relação dos produtos vendidos que geraram crédito presumido de PIS e Cofins. Do exame da relação, a Fiscalização verificou que parte significativa das vendas, no montante de aproximadamente R$126,0 milhões, está identificada como “Kit Troca p/Manut Mensal de DPA (c/ cicladora)” ou “Kit troca p/ Manut Mensal DPAC” os quais não se encontram relacionados na lista consolidada pela Câmara de Regulaçaõ do Mercado de Medicamentos (CMED), conforme Ofício CMED/ANVISA nº 1.094/2011, cuja cópia foi apresentada pelo próprio interessado. Além disto, a Fiscalização verificou que o produto denominado "Kit para treinamento em DPAC ou DPA" não foi enquadrado em nenhuma das substâncias listadas no Anexo do Decreto nº 3.803/2001. Diante dessa constataca̧õ, o interessado foi intimado a apresentar o detalhamento da composicã̧o dos "Kits" correspondentes às notas fiscais relacionadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 20), selecionadas por amostragem, informando a classificação fiscal, o valor e a “substância” correspondente a cada um dos componentes, de acordo com as substâncias relacionadas nas categorias I, II e III do Anexo do Decreto 3.803/2001, bem como o número de registro de aprovação de cada um dos componentes junto a CMED/ANVISA, sob pena de caracterizar, salvo melhor juízo, o descumprimento do previsto no artigo no §2º do 3º da Lei 10.147/2000 e ainda esclarecer quanto aos “Kits” relacionados no item 8.1 bem como os demais “kits” para manutençaõ de “DPA/DPAC” e o “Kit para treinamento em DPAC ou DPA”, informando se foram incluídos na lista de medicamentos do Regime de Crédito Presumido do PIS e da Cofins, aprovada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED/ANVISA), fornecendo o(s) número(s) de registro junto à CMED/ANVISA ou a justificativa para não têlos. Em atendimento à intimação, a Fiscalização verificou que a "partir dos demonstrativos e da documentação apresentadas, verificamos que o CONTRIBUINTE informou as substâncias que estariam nos “Kits Troca p/Manut Mensal de DPA ou DPAC” e nos “Kits para Treinamento”, porém não relacionou toda a composicã̧o dos Kits nem justificou a ausen̂cia dos mesmos da lista aprovada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED/ANVISA), conforme transcrevese na sequência, condição para usufruir do crédito presumido de PIS e COFINS sobre as vendas desses produtos". Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.636 11 Em face da não comprovação, pelo interessado, da habilitaçaõ daqueles "Kits", a Fiscalização encaminhou os Ofícios SEFIS/DRFBRE 001/2015 e 007/2015 para a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos CMED, anexados ao presente termo, solicitando um parecer conclusivo sobre o direito ao crédito presumido sobre a receita auferida com aqueles "Kits". Em resposta àqueles ofícios, a CMED informou que os referidos "Kits", de fato, não se encontram habilitados à fruição do Regime Especial de Crédito Presumido, conforme Ofício no SE/CMED/2015, datado de 23/4/2015, cópia às fls. 1.167/1.168, endereca̧do a ̀DRF em Barueri, SP, no qual consta, literalmente: "No que se refere ao item 2 e 3 informo que os kits supracitados não encontram se enquadrados e habilitados como produtos que possam usufruir do benefício do Regime Especial de Crédito Presumido, uma vez que na composição dos referidos kits há outros produtos que não são medicamentos." Ora, os itens 2 e 3 tratam dos "Kits" DPA e DPAC cujas vendas tiveram os créditos presumidos glosados pelo autuante. Em sua impugnação, o interessado alega que, depois de intimado dos lançamentos, se reuniu com a CMED e esta, por meio do Ofício no 516 SE/CMED/2015, cópia às fls. 1.773/1.774, endereçado a DRF em Barueri, aquela Câmara não deixou dúvida de que os produtos (kits DPAC e DPA) cujos créditos presumidos foram glosados, estão habilitados no Regime Especial de Crédito Presumido da lista positiva. Contudo, ao contrário do seu entendimento, naquele ofício, em momento algum, a CMED informou que os "Kits" (DPA e DPAC) estão habilitados no Regime Especial de Crédito Presumido desde junho de 2010. Assim, as glosas dos créditos presumidos do PIS e da Cofins, decorrentes das receitas brutas das vendas daqueles "Kits", efetuada pelo autuante, devem ser mantidas. A questão, de acordo com a decisão recorrida, é que a CMED não informou no Ofício que os Kits DPA e DPAC estão habilitados no Regime Especial de Crédito Presumido desde junho de 2010. Contrario sensu, se informado fosse, estariam contemplados no referido Regime Especial. Cito trechos do Recurso Voluntário para a análise dos argumentos do Contribuinte: (ii) Glosas do crédito presumido de PIS e COFINS previsto pela Lei nº 10.147/00: o argumento da D. DRJ, no sentido de que “em momento algum, a CMED informou que os “Kits” (DPA e DPAC) estão habilitados no Regime Especial de Crédito Presumido desde junho de 2010” não se sustenta, na medida em que a Recorrente é beneficiária do crédito presumido de PIS e COFINS desde sua instituição, tendo sua habilitação junto à CMED devidamente provada com base nos documentos acostados à sua Impugnação, inclusive mediante apresentação das listas de preços divulgadas pela Secretaria Executiva da CMED, vigente no anocalendário de 2010, onde se verifica não só a relacã̧o de todos os medicamentos comercializados pela Recorrente, dentre eles o “PROCEDIMENTO MEDICO TABELADO PELO GOVERNO CONJ DE BOLSAS NAS DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE DEXTROSE 1,5%, 2,5% OU 4,25%, NAS APRESENTAÇÕES DE 2L OU 6L MAIS ACESSORIOS, EQUIPOS DIVERSOS MAIS PREP KIT'S”, como os respectivos preços de fabricante e preços máximos ao consumidor, controlados pela CMED. (...) Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.637 12 54. Inicialmente, imperioso destacar que, nos termos do artigo 3o, da Lei no 10.147/00, o crédito presumido de PIS/COFINS pode ser apropriado pelas pessoas jurídicas fabricantes ou importadoras dos produtos farmacêuticos do código NCM 3004.90.99, desde que tenham firmado compromisso de ajustamento de conduta para garantia da efetiva repercussão da carga tributária nos preços dos medicamentos ou que cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos (a CMED) para utilização do crédito presumido. 55. Logo após a edição da Lei no 10.147/00, a CMED (antiga CAMED), publicou a Resolução no 06/01 (Doc. 10 da Impugnação – às fls. 1597 a 1909), pela qual foi dispensada a celebração de compromisso de ajustamento de conduta para as empresas farmaceûticas que adotassem a metodologia imposta pela Câmara para precificação dos medicamentos, em especial a reduca̧õ dos preços proporcionalmente ao benefício fiscal concedido pelo artigo 3o, da Lei no 10.147/00. 56. Para fazer jus à fruicã̧o do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS, além da sujeição ao controle de preços acima mencionado, outros dois requisitos devem ser atendidos, a saber: (i) o fabricante/importador dos produtos deve apresentar Requerimento de Habilitação para Concessão de Crédito Presumido perante a CMED; e (ii) os medicamentos devem ser aqueles formulados e que contenham uma das substâncias relacionadas nos Anexos referida Resolução e no Decreto Federal no 3.803, de 24 de Abril de 2001. 57.Todos os requisitos acima foram cumpridos pela Recorrente, como se pode demonstrar fartamente na Impugnação e como será, mais uma vez, exposto na presente Recurso Voluntário. (...) 61. Como se nota, pois, a autuação fiscal e, ainda, a decisão da D. DRJ fundamentam se, exclusivamente, nas manifestações da CMED acerca do enquadramento dos KITs DPAC e DPA na lista positiva, a qual possibilita a fruição do Crédito Presumido do PIS/COFINS. 62. Todavia, com a devida vênia, a interpretaçaõ conferida pela D. DRJ à última manifestação da CMED está totalmente equivocada, já que o histórico de nomenclaturas atribuídas pela Recorrente aos KITs DPAC e DPA e informadas à CMED, amplamente delineadas na Impugnação, já são, por si só, suficientes a demonstrar que não fazia sequer sentido que CMED tivesse determinado a aplicaçaõ do crédito presumido desde junho de 2010 no Ofício no 516 SE/CMED/2015. (...) 66. A ausen̂cia de identificação de período de alcance das manifestacõ̧es de CMED não altera, de forma alguma, todas as demonstrações e comprovações trazidas pela Recorrente ao longo do corrente processo no sentido de que os KITs DPAC e DPA são por ela comercializadas de longa data (antes mesmo do início da vigência do crédito presumido, previsto pela Lei no 10.147/00), sob nomenclaturas aperfeico̧adas no decorrer do tempo, mas as quais sempre constaram da listagem de CMED, como exposto na Impugnação e como se verá detalhadamente adiante. (...) 73. Para facilitar o entendimento dos I. Conselheiros, a Recorrente reitera, a seguir, o histórico do registro dos KITs DPAC e DPA perante a CMED. (...) 80. Ao longo dos anos a nomenclatura informada à CMED foi sendo aperfeico̧ada pela Recorrente para a inclusão de outros termos que deixassem a descrição mais Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.638 13 próxima da realidade de composição dos KITs DPAC e DPA até chegar à atual descrição “PROCEDIMENTO MEDICO TABELADO PELO GOVERNO BAXTER – CONJ DE BOLSAS NAS DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE DEXTROSE 1,5%, 2,5% OU 4,25% NAS APRESENTAÇÕES DE 2L OU 6L MAIS ACESSÓRIOS, EQUIPOS DIVERSOS MAIS PREP KIT’S”. (...) 84. A simples leitura dos Ofícios e seus Anexos já denota o equívoco cometido pela CMED. Veja só a confusão: tanto no Ofício no 279/15 quanto no Ofício no 280/15, a Secretaria Executiva da CMED reconhece que na lista atualizada dos medicamentos de titularidade da Recorrente enquadrados no Regime Especial de Crédito Presumido de PIS e Cofins descritos na Lei no 10.147/2000 e Decreto no 3.803/2001 estão inseridos os medicamentos declarados no grupo “PROCEDIMENTO MEDICO TABELADO PELO GOVERNO BAXTER – CONJ DE BOLSAS NAS DIFERENTES CONCENTRAÇOẼS DE DEXTROSE 1,5%, 2,5% OU 4,25% NAS APRESENTAÇÕES DE 2L OU 6L MAIS ACESSÓRIOS, EQUIPOS DIVERSOS MAIS PREP KIT’S”. Todavia no Ofício no 279/2015, a CMED acaba por concluir que “os kits supracitados não encontramse (sic) enquadrados e habilitados como produtos que possam usufruir do benefício do Regime Especial de Crédito Presumido, uma vez que na composição dos referidos kits há outros produtos que não são medicamentos”. (...) 92. De fato, a Recorrente, prudentemente, requereu junto à Secretaria Executiva da CMED, uma reunião para esclarecimento das características dos KITs DPAC e DPA, reunião esta ocorrida no dia 22/06/2015, ocasião em que seus prepostos tiveram a oportunidade de fazer uma apresentação técnica aos membros da Secretaria Executiva da CMED, nos mesmos moldes do que foi apresentado em sua Impugnação e no presente Recurso Voluntário. 93. Depois de recepcionadas as informações técnicas apresentadas pela Recorrente, o que, repitase, está totalmente alinhado com o alegado nestas razões recursais, a Secretaria Executiva da CMED, no dia 30/06/2015, expediu o Ofício no 516 SE/CMED/2015, o qual, no dia 1/07/2015, também foi encaminhado para a Delegacia da Receita Federal de Barueri (“DRFBARUERI/SP”) através do Ofício no 517 SE/CMED/2015. 94. Pelo teor relevante, convém reproduzir sua íntegra: (...) 95.Ou seja, nas palavras da CMED, as bolsas de soluções medicamentosas (comercialmente denominadas “Dianeal DP2”) que compõem os KITs DPAC e DPA, contém em sua formulação os princípios ativos de associação de cloreto de cálcio diidratado, cloreto de magnésio hexaidratado, cloreto de sódio, glicose monoidratada e lactato de sódio, devidamente registradas na ANVISA, e inequivocamente habilitadas ao Regime Especial de Crédito Presumido da lista positiva. (...) 95.Ou seja, nas palavras da CMED, as bolsas de soluções medicamentosas (comercialmente denominadas “Dianeal DP2”) que compõem os KITs DPAC e DPA, contém em sua formulação os princípios ativos de associação de cloreto de cálcio diidratado, cloreto de magnésio hexaidratado, cloreto de sódio, glicose monoidratada e lactato de sódio, devidamente registradas na ANVISA, e inequivocamente habilitadas ao Regime Especial de Crédito Presumido da lista positiva. Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.639 14 96. Neste tocante, importante relembrar que, para fins de fruica̧õ do crédito presumido do PIS/COFINS, tal como já dito acima, os medicamentos devem ser aqueles formulados e que contenham uma das substan̂cias relacionadas nos Anexos da Resoluçaõ CAMED no 06/01 e no Decreto Federal no 3.803/01. 97. De fato, tal como demonstrado no processo de fiscalização, bem como em sede de Impugnação, os princípios ativos que compõem os medicamentos fornecidos pela Recorrente, na forma dos KITs DPA e DPAC, estão relacionados na Categoria III, do Anexo ao Decreto Federal, tratandose, pois, de monodrogas ou associacõ̧es destinadas à diálise peritoneal. 100. Não há dúvidas, pois, as bolsas de solucõ̧es medicamentosas da terapia DPAC e DPA são compostas pelos princípios ativos beneficiados pelo crédito presumido da lista positiva do PIS/COFINS. 101. Logo, a partir da leitura do Ofício no 516 SE/CMED/2015 da CMED, a conclusão que se impõe é: os KITs DPAC e DPA são medicamentos comercializados na forma de bolsas de soluções, que por sua vez, tem em sua formulacã̧o os princípios ativos de associação de cloreto de cálcio diidratado, cloreto de magnésio hexaidratado, cloreto de sódio, glicose monoidratada e lactato de sódio, estando, assim, abrangidos pelo Regime Especial de Crédito Presumido de PIS e COFINS previsto na Lei no 10.147/00 e Decreto no 3.803/01, desde o início de tal benefício, em virtude do requerimentos apresentados à ANVISA em 08/11/01 e CMED em 27/12/01 (vide Doc. 11 da Impugnação – às fls. 1597 a 1909). 102. Importante registrar que no aludido Ofício, a CMED esclarece que não regula preços de produtos para saúde e que o preço autorizado para a apresentaçaõ do “PROCEDIMENTO MEDICO TABELADO PELO GOVERNO CONJ DE BOLSAS NAS DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE DEXTROSE 1,5%, 2,5% OU 4,25%, NAS APRESENTAÇÕES DE 2L OU 6L MAIS ACESSORIOS, EQUIPOS DIVERSOS MAIS PREP KIT'S”, referese exclusivamente ao conjunto de bolsas de medicamentos Dianeal DP2, não incluindo qualquer outro tipo de produto que seja comercializado, doado ou fornecido em comodato junto ao medicamento. 103. Claramente neste trecho, a CMED faz alusão aos acessórios entregues pela Recorrente nos KITs DPA e DPAC, os quais têm por função tão somente viabilizar a administraçaõ da terapia no paciente, e às máquinas cicladoras as quais são cedidas em comodato aos pacientes pela Recorrente. Tais itens, por sua própria natureza, não são (e nunca foram) comercializados separadamente pela Recorrente! (...) 161. Por esse exemplo numérico, fica claro perceber que o preço é único, sendo que a quantidade de acessórios entregues pela Recorrente ao paciente nada influência em sua definição (preço). Em outras palavras, o que baliza a definição do preço pago pelo SUS pela terapia é a solução medicamentosa; os acessórios, em si, como não são comercializados, nem mesmo para outros clientes que não sejam os hospitais e clínicas vinculados ao SUS, constituem meros custos de venda da terapia medicamentosa (bolsas de solucõ̧es DPAC e DPA). 162. E a mesma lógica e ́válida quando a comparação é realizada com os KITs DPA. (...) 179. Ad argumentandum, e apenas ad argumentandum, na mais absurda hipótese de admissão de que somente as bolsas de solucõ̧es medicamentosas estão albergadas pelo crédito presumido de PIS e COFINS, ainda assim o presente recurso deve ser Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.640 15 provido para que o AI seja considerado nulo uma vez que a glosa ocorreu sobre a totalidade das receitas de vendas dos KITs DPAC e DPA. 180. Logo, diante do teor da manifestação superveniente da CMED (leiase Ofício no 516/15), corroborada por tudo o quanto antes foi exposto pela Recorrente, pede e espera seja o presente Recurso Voluntário provido e, em decorrência, a autuação seja totalmente cancelada. Em que pese os argumentos expostos no voto recorrido, com a referência feita ao Ofício nº 279/SE/CMED/2015 (fls. 1167 e 1168), de 23 de abril de 2015, de que os referidos Kits não se encontram enquadrados e habilitados como produtos que possam usufruir do benefício do Regime Especial de Crédito Presumido, por não terem em sua composição outros produtos que não são medicamentos, entendo assistir razão ao Contribuinte, visto que por intermédio do Ofício nº 516/SE/CMED/2015, de 30 de junho de 2015, fica esclarecido que os princípios ativos que compõem os medicamentos na forma dos Kits DPA e DPAC estão contemplados no Regime Especial. Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso e afastar a glosa do crédito presumido de PIS/COFINS previsto na Lei nº 10.147/2000. 3) Da glosa de créditos extemporâneos sobre aquisições de bens utilizados como insumos No voto da decisão recorrida, assim ficou consignado o entendimento acerca da glosa de créditos extemporâneos sobre a aquisição de bens utilizados como insumos: (...) Assim, provado que a recorrente não apresentou os Dacon originais e os retificadores, demonstrando os créditos extemporâneos e os saldos credores trimestrais apurados, assim como não apresentou as respectivas DCTFs retificadoras, a glosa de tais créditos deve ser mantida. Ainda neste item, o interessado alegou erros nas bases de cálculo dos créditos extemporan̂eos e que foram glosados pela Fiscalização. Segundo seu entendimento, os valores das bases de cálculo excluídas totalizaram R$69.793.600,88. Deste total, cerca de 66,0% (R$45.917.214,37 Doc. 20) corresponde a notas fiscais de insumos adquiridos no ano calendário de 2009, sendo que, por erros de parametrização de sistema, os créditos foram apropriados em abril de 2010. Ora, conforme demonstrado anteriormente, os lançamentos em discussão abrangem apenas e tão somente as competências de junho a dezembro de 2010. Assim, independentemente de se considerar ou não a possibilidade de restabelecimentos dos valores glosados, não haverá alteração dos valores dos créditos tributários impugnados. O valor restante, 34,0% (R$23.876.386,50), segundo o interessado corresponde a aquisições de insumos no ano calendário de 2010. Deste total, R$15.757.728,06 (Doc. 22), os respectivos créditos foram apropriados no mês de agosto. O saldo de R$6.739.987,69 (Doc. 23) tiveram seus créditos apropriados nos meses de setembro e outubro de 2010. Em relação aos R$15.757.728,06, do exame do Doc. 22, às fls. 2.131/2.154, verificase que as aquisições foram realizadas no período de janeiro a junho de 2010 e os respectivos créditos aproveitados no mês de agosto de 2010. Já o saldo no valor de R$6.739.987,69 Doc. 23, às fls. 2.156/2.167, referem a aquisicõ̧es de julho a setembro de 2010, cujos créditos foram apropriados em setembro e outubro de 2010. Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.641 16 Contudo, conforme demonstrado anteriormente, neste item, "iii aproveitamento extemporâneo de cred́itos", os aproveitamentos extemporan̂eos estão condicionados às retificações dos Dacons e das DCTFs dos respectivos períodos. No presente caso, o interessado não apresentou tais documentos. Assim, as glosas devem ser mantidas sob o mesmo fundamento deste item "iii aproveitamento extemporâneo de créditos". Finalmente, em relação ao saldo de R$1.378.670,75, do exame às fls. 2.168/2.169, verificase que apenas duas aquisições foram efetuadas nos períodos de competências dos lançamentos em discussaõ, ambas da Comgás Cia de Gás de São Paulo, representadas pelas Notas Fiscais no 469.478, datada de 24/6/2010, no valor de R$256.499,08; e no 446.294, datada de 23/12/2010, no valor de R$212.534,00, cujos créditos foram apropriados/aproveitados nos Dacons de junho e dezembro respectivamente. Já as demais aquisições foram efetuadas no mês de abril de 2010, competência não abrangida pelos lanca̧mentos em discussão. Dessa forma, as glosas dos créditos, de ambas contribuições, efetuadas pela Fiscalização sobre os custos daqueles insumos devem ser revertidas e deduzidas dos lanca̧mentos, conforme segue: PIS: R$4.232,23 e R$3.506,81, para as competen̂cias de junho e dezembro de 2010, respectivamente; e, Cofins: R$19.493,93 e R$16.152,58, para as mesmas competen̂cias. Já o Contribuinte, no que tange as glosas de crédito extemporâneo, assim salienta: (iii) Glosa de créditos extemporâneos sobre aquisições de bens utilizados como insumos: não se sustenta a alegação de que o aproveitamento de créditos extemporan̂eos esta ́ condicionado à retificacã̧o dos DACONs e DCTFs referentes aos períodosbase a que se referem os créditos, tendo sido, inclusive, já assentado o entendimento no âmbito do E. CARF, inclusive pela CSRF, que a possibilidade de apropriação extemporânea de créditos de PIS e COFINS independe da retificação dos DACONs. (...) ü Composição das bases de créditos glosados 215. Tal como mencionado, no decorrer do processo de atendimento à fiscalização e na Impugnaçaõ, a Recorrente disponibilizou informações analíticas das notas fiscais que suportaram os créditos de PIS e COFINS sobre aquisições de bens utilizados como insumos nos meses de janeiro a dezembro de 2010. 216. Desafortunadamente, quando da elaboracã̧o dos controles para recomposição das bases de cálculo de PIS e COFINS, o D. Agente Fiscal (vide “ANEXO 2” do TVF) apenas relacionou as notas fiscais de aquisição de insumos que foram efetivamente consideradas na recomposicã̧o das apurações. Significa dizer, que não houve qualquer relação das notas fiscais consideradas impróprias para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS. 217. Sendo assim, para que conseguisse minimamente entender o critério do lanca̧mento, e, assim, se defender das acusações fiscais, a Recorrente envidou os melhores esforços na tentativa de conciliar a base de caĺculo original dos créditos de PIS e COFINS com a base de cálculo apurada pelo D. Agente Fiscal, para, então, identificar as notas fiscais excluídas em decorrência das conclusões fiscais. 218. Após essa árdua tarefa, a Recorrente conseguiu identificar a maioria das notas fiscais excluídas pela Fiscalizaçaõ da base de créditos de bens utilizados como insumos, que totalizaram o montante de R$ 69.793.600,88. Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.642 17 219. Para facilitar a análise, a Recorrente elaborou planilha eletrônica no formato Excel, a qual foi acostada aos autos no formato impresso (vide Docs. 17, 18 e 19, na sequência das fls 1597 a 1909, 1910 a 2164), consolidando na aba “Consolidado” todas as notas fiscais originalmente incluídas na base de cálculo dos créditos de bens utilizados como insumos. E nas abas “Consideradas” e “Desconsideradas”, respectivamente, as notas fiscais incluídas e excluídas da base de cálculo dos créditos de bens utilizados como insumos, conforme o critério da fiscalização. (...) 221. A época do protocolo da Impugnação, infelizmente, em virtude de regras administrativas impostas pela própria Receita Federal do Brasil, não foi possível a juntada da planilha em meio eletrônico. Contudo, com a alteração e implantaçaõ da obrigatoriedade de protocolo eletrônico de petições por meio do sistema ECAC, a Recorrente aproveita a oportunidade para juntar aos autos, como arquivo não paginável, a planilha eletrônica no formato Excel (“Relatório_Dacon2010_NFs” doravante denominado “Planilha Eletrônica”). (...) 223. Por meio dos referidos relatórios os I. Conselheiros poderão realizar testes através do recurso de filtragem de dados. Como demonstrado na imagem a seguir, por meio de filtro na coluna “DACON”, poderão ser identificadas quais notas fiscais de aquisição de insumos (dados da coluna “NF”) foram consideradas e/ou desconsideradas (a depender das abas selecionadas) pelo D. Agente Fiscal, na recomposiçaõ das bases de cálculo do anocalendário de 2010: (...) 224. Para que se tenha dimensão qualitativa e quantitativa do montante total de créditos de PIS e COFINS glosados pela D. Fiscalização sob o argumento de apropriação extemporânea, cerca de 66% (R$ 45.917.214,37 – vide Doc. 20 – às fls 1910 a 2164) da base de créditos glosados corresponde a notas fiscais de aquisicõ̧es de bens utilizados como insumos, realizadas no anocalendário de 2009, mas que, devido a erros de parametrização de sistema, detectado no mês de abril de 2010, somente tiveram o correspondente crédito apropriado nesse mês (abril/2010). (...) 230. Quanto à proporçaõ restante, de 34% (R$ 23.876.386,50 – vide Doc. 21 da Impugnação – às fls. 1910 a 2164), este corresponde às notas fiscais de aquisições de bens utilizados como insumos realizadas no anocalendário de 2010. Novamente, tal montante poderá ser verificado pelos I. Conselheiros por meio da aplicação de filtro na coluna “Data Fiscal 1”, dos dados contidos na aba “Desconsideradas” da Planilha Eletrônica, mediante seleção dos meses do ano calendário de 2010. 231. A aplicação de filtro adicional na coluna “DACON”, seleção do mês “agosto 10”, demonstra que dessa proporção restante, pela mesma razão acima, 66% (R$ 15.757.728,06 – vide Doc. 22 da Impugnação – às fls. 1910 a 2164) tiveram o correspondente crédito apropriado no mês de agosto de 2010. 232. Outra parcela de 28% da proporção restante (R$ 6.739.987,69 – Doc. 23 da Impugnação – às fls. 1910 a 2164 e 2165 a 2466), obtida a partir da aplicaçaõ de filtro na coluna “DACON”, seleção dos meses de “setembro10” e “outubro10”, evidencia que se trata de créditos apropriados nesses meses, e que se referem a notas fiscais de aquisições de bens utilizados como insumos nos meses imediatamente anteriores (julho, agosto e setembro), o que, aliás, corrobora a afirmação de excesso de exação, na medida em que, devido ao complexo universo de obrigações Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.643 18 acessórias que as empresas estão sujeitas a cumprir, é cada vez mais comum a fixação de datalimite (corte) para o processamento de notas fiscais de aquisições, tanto para fins de programação de pagamento dentro do mês, quanto para fins de apropriação de créditos dos mais variados tributos. Ou seja, nesse contexto, seria até imprópria a classificaçaõ de crédito extemporâneo. (...) 236. Finalmente, em relação a 6% da proporcã̧o restante (R$ 1.378.670,75 – vide Doc. 24, da Impugnação às fls. 2165 a 2466), a Recorrente identificou que se trata de notas fiscais de aquisicõ̧es de bens utilizados como insumo nos meses de abril, junho e dezembro, cujo registro contábil e a correspondente apropriação de créditos de PIS e COFINS ocorreram, tempestivamente, nessas mesmas competências. Não custa lembrar que referido montante e, consequentemente, a confirmação de que não se trata de créditos extemporan̂eos, deve ser apurado a partir da aplicaçaõ de filtro na coluna “Data Fiscal 1”, na aba “Desconsideradas” da Planilha Eletrônica, selecionandose todos os meses do anocalendário de 2010, e, em seguida, mediante filtro na coluna “DACON”, selecionandose os meses de “abril10”, “junho10” e “dezembro10”. (...) 243. Portanto, provado que, na realidade, os créditos de PIS e COFINS foram corretamente apropriados nos respectivos meses de registro em que as aquisições de insumos foram efetuadas, independentemente da declaração quanto à decadência operada em relacã̧o ao período de janeiro a maio de 2010, não resta outra sorte que não seja a declaracã̧o da total improcedência desta parcela do lançamento tributário. ü Das evidências que provam que não houve apropriação dos créditos extemporâneos em períodos anteriores (duplicidade) (...) 254. Na coluna “D” da planilha “Recomposição DACON 2009_Demais_Meses” é possível identificar as notas fiscais que efetivamente compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS no anocalendário de 2009. Assim, é facilmente constatável que em todos os meses, com exceção do mês de dezembro, as bases de créditos de PIS e COFINS informadas nos DACONs do ano de 2009, foram inferiores a base de créditos extemporan̂eos, e, ademais, que não existem coliden̂cia de informações. 255. Essas constatações constituem prova inequívoca de que não houve apropriacã̧o de créditos em duplicidade. Ao contrário, só confirmam a informação prestada pela Recorrente no sentido de que, no mês de abril de 2010, foi detectado um erro na parametrização de seu sistema de gestão contábil e fiscal utilizado à época, que ensejou a postergação na apropriação dos créditos. 256. Ante todo o exposto, a Recorrente pede e espera que os I. Conselheiros defiram o cancelamento da glosa da apropriação extemporânea de cred́itos de PIS e COFINS no anocalendário de 2010. Tanto porque a lei garante o direito à apropriação extemporan̂ea dos créditos de PIS e COFINS, sem estabelecer a forma pela qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá ser compensado nos meses subsequentes, quanto porque o procedimento adotado não gerou qualquer lesão ao Erário. Entendo que assiste razão ao Contribuinte, visto que é possível o aproveitamento extemporâneo de créditos tributários, independentemente das retificações em Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 13896.721356/201580 Acórdão n.º 3301006.372 S3C3T1 Fl. 2.644 19 DACON e DCTF, desde que respeitado o prazo de cinco anos e que exista comprovação de que os créditos não foram apropriados noutros períodos. Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso, sendo que a autoridade de origem verificará a comprovação da existência dos créditos extemporâneos. 4) Demais pontos do Recurso Voluntário Com o entendimento por dar provimento ao recurso, afastando a glosa do crédito presumido de PIS/COFINS previsto na Lei nº 10.147/2000 e de que é possível o aproveitamento extemporâneo de créditos tributários, fica prejudicada a análise dos pontos 4) da convalidação dos pedidos de ressarcimento/compensação de crédito de PIS e COFINS vinculados à receita de exportacã̧o; 5) Da compensação dos valores de PIS e COFINS retidos na fonte; 6) Dos erros na demonstracã̧o das apurações das bases de cálculo do PIS e da COFINS; e 7) Da impossibilidade de cobranca̧ de juros moratórios sobre multa de ofício. Em conclusão, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 2646DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722248/2015-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de processo relatado pelo então conselheiro Marcelo Giovani Vieira, com voto já proferido e consignado na reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de abril de 2019.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Ad Hoc e Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 32.485 1 32.484 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.722248/201528 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201002.104 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente IRB BRASIL RESSEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de processo relatado pelo então conselheiro Marcelo Giovani Vieira, com voto já proferido e consignado na reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de abril de 2019. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira – Redator Ad Hoc e Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Inicialmente, esclareço que fui designado como redator ad hoc, nos termos do art. 17, III do Anexo II do RICARF, para formalização de acórdão relatado pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, cujo mandato foi extinto. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pelo Relator em sessão de julgamento: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 22 24 8/ 20 15 -2 8 Fl. 32845DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.486 2 "Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Manifestação de Inconformidade em face de Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório identificado em PER DCOMP 17823.82817.100714.1.7.543145 (fls. 07) como oriundo da Ação Judicial 00104961220064025101, objeto de Pedido de Habilitação de Crédito por meio do Processo administrativo nº 16682.721538/201392, no valor de R$ 437.783.052,02 apurado entre os períodos de 01/05/2001 a 31/05/2009 e utilizado para compensação de débitos na referida DCOMP e em outras DCOMP. O não reconhecimento do crédito foi justificado no Despacho Decisório nº 117/2017, de fls. 32.009/32.016, em que inicia a autoridade fiscal expondo que: Trata o presente processo do aproveitamento do crédito, obtido na ação judicial nº 001049612.2006.4.02.5101, fruto da declaração de inexistência de relação jurídica que obrigasse o recolhimento de PIS e COFINS na forma prevista no art. 3º, §1º, da Lei 9.718/98. O contribuinte calculou e declarou o valor de R$ 437.783.052,02 (...), conforme consta no Pedido de Compensação (PERD COMP) nº 17823.82817.100714.1.7.543145 (fl.06/09). Este crédito também foi usado outras Declarações. Deuse o tratamento manual à apuração deste crédito, para verificar sua magnitude e providenciar as homologações cabíveis. Na sequência, a autoridade competente da DRF discorre acerca de: intimações e reintimações com solicitação de documentos (planilhas com demonstração da base de cálculo e identificação de valores Fl. 32846DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.487 3 devidos pagos e a serem devolvidos, cópias de balancetes, planilha correlacionando a memória de cálculo das contribuições com a respectiva conta do balancete, cópia dos livros Razão das contas envolvidas, plano de contas, demonstração de ajustes, decisões judiciais, cópia de DARF, arquivos magnéticos) e também de informação das contas onde foram contabilizados os ativos e os rendimentos dos recursos garantidores das reservas técnicas ; análise das respostas, ressaltando terem sido apresentados extratos de documentos como balancetes e razões, que por este motivo (são extrações de documentos e não documentos) não respaldam os números apresentados, e expondo os problemas encontrados nos elementos apresentados; análise de planilha de ativos garantidores e da alegação do Interessado de que, em função de o mercado de resseguros brasileiro ter sido aberto após a entrada em vigor da Lei Complementar 126/2007 de 15/01/2007, com prazo até 31/12/2008 para adaptação às novas regras, somente a partir de 01/01/2009 é que passou a segregar as contas financeiras de rendimentos dos recursos garantidores das reservas técnicas; impossibilidade de conferir o direito declarado pelo contribuinte. Primeiro porque os números apresentados não eram respaldados por documentos confiáveis. O contribuinte reconhece que os números apresentados são extrações, o que lhe tira o poder probante. Segundo, sem o plano de contas não havia como conferir a composição de cada linha; verificação de que independente da aceitação ou não das alegações do contribuinte sobre os ativos garantidores, fica patente que o interessado se negou a remeter dados confiáveis para respaldar sua pretensão creditícia, apesar das três tentativas realizadas pela Receita Federal; ação judicial em que o contribuinte ganhou na justiça, com a declaração da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 o direito de reaver o recolhimento do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas nãooperacionais; análise específica da atividade do Interessado, expondo, em síntese que na maioria das oportunidades a principal receita não operacional das empresas era a financeira. Normalmente a empresa recebe entrada de valores em seu caixa, oriundo de sua atividade principal (operacional) e o aplica segundo sua vontade. Mas com as seguradoras isto não ocorre, pois parte deste valor tem de ser aplicado segundo um perfil previamente determinado, para garantir aos segurados a certeza que em caso de sinistro ela terá recursos para indenizar o objeto segurado. Desta forma, estas aplicações compõem a operação das seguradoras. Elas são chamadas de ativos garantidores. abordagem da legislação referente a operações de seguros privados no país. Fl. 32847DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.488 4 E concluiu que: Analisando as respostas dadas pelo contribuinte, verificase que em momento algum ele se posicionou contra a classificação destes ativos e por consequência de seus rendimentos como operacionais. Toda a inteligência das respostas apresentadas visaram demonstrar que o IRB não estava sujeito, até 2009, a possuir ativo garantidores, fato que entendese superado pela análise ora realizada. Verificase que o contribuinte recusouse a apresentar números confiáveis ( balancete, o plano de contas e o razão), apesar das três tentativas do Fisco em obtêlos, inclusive solicitando a entrega dos dados de processamento (obrigatórios) da contabilidade para fazer apuração. Não atendeu também a questão dos ativos garantidores, não permitindo que se soubesse, com certeza, sua composição e seus rendimentos. Deste modo, não foi possível encontrar a certeza e liquidez no crédito usado na DCOMP nº 17823.82817.100714.1.7.543145 e nas demais que também o utilizaram. Por tudo acima exposto, e considerando tudo mais que do processo consta, no uso da competência a que se refere o art. 2º, § 2º, da Portaria RFB nº 1.453, de 29 de setembro de 2016, atribuída com base nos artigos 112 e 117 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, com a redação que lhes foi dada pelo Decreto nº 8.853, de 22 de setembro de 2016: NÃO RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO decorrente de pagamento a maior de COFINS e de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, em razão de decisão judicial transitada em julgado, no valor de R$ 437.783.052,02 (quatrocentos e trinta e sete milhões, setecentos e oitenta e três mil, cinquenta e dois reais e dois centavos) e, consequentemente, NÃO HOMOLOGO as compensações realizadas nas Declarações de Compensação – DCOMPs nº 17823.82817.100714.1.7.543145, que declarou o crédito e nas demais que o utilizaram. Dada ciência da decisão em 12/01/2018 (fls. 32.351), foi apresentada em 13/02/2018, Manifestação de Inconformidade de fls. 32.418/32.479, acompanhada de documentos de fls. 32.356/32.417 e 32.480/32.529, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. A Interessada registra a tempestividade de sua defesa e, ao expor os fatos, reportase à Ação Ordinária nº 001049612.2006.4.02.5101 e afirma ser incontroverso que as contribuições ao PIS e à COFINS do Requerente não poderão incidir sobre receitas que não sejam enquadradas como operacionais, bem como que houve o reconhecimento à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos 5 (cinco) anos anteriores ao ajuizamento da ação. Reportase à habilitação do crédito e à formulação de Pedido de Compensação e Declarações de Compensação, às intimações e respostas apresentadas no procedimento fiscal de análise do crédito, às Fl. 32848DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.489 5 conclusões de não reconhecimento de direito creditório das quais discorda apresentando as razões seguintes: a) as receitas financeiras decorrentes de investimentos compulsórios em ativos garantidores, por sua natureza, não devem ser computadas para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS; b) o Requerente somente passou a segregar as contas financeiras a partir de 2009, pois segundo a LC nº 126/2007, de 15.01.2007, o mercado de resseguros brasileiro foi aberto, sendo que a referida norma só foi regulamentada pela então Resolução CNSP nº 168/2007, de 17.12.2007, que estabeleceu, nos termos do artigo 49, que o IRB teria prazo de até 31.12.2008 para se adaptar às regras da referida Resolução; e c) o Requerente efetivamente possui direito creditório quanto à integralidade do PIS e COFINS pleiteado no período de 2001 a 2009, em decorrência da decisão transitada em julgado na esfera judicial, inclusive porque comprovou toda a documentação necessária por meio hábil e idôneo, sendo que a sua não aceitação pela autoridade fiscal fere o princípio da verdade material. Na sequência, sob o título “Do Direito” , como esclarecimentos iniciais, expõe que o Requerente tem por objeto efetuar operações de resseguro e retrocessão no País e no exterior, não podendo explorar qualquer outro ramo de atividade empresarial, nem subscrever seguros diretos, conforme artigo 2º do seu Estatuto Social, estando suas atividades sob controle e fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (“SUSEP”) . Reportase à obrigatoriedade de constituição pelas sociedades seguradoras de reservas técnicas, fundos especiais e provisões técnicas, com o objetivo de garantir todas as suas operações, de acordo com o art. 84 do DecretoLei nº 73/1966. Cita Resoluções da CMN acerca do disciplinamento da aplicação dos recursos das reservas, provisões e fundos, alegando rigidez dos critérios de aplicação de tais recursos. Acrescenta que, apesar das empresas seguradoras estarem sempre subordinadas à SUSEP, devendo obedecer suas normas e sempre segregar suas receitas financeiras das receitas de ativos garantidores, somente após a entrada em vigor da Lei Complementar (“LC”) nº 126/2007, de 15.01.2007, o mercado de resseguros brasileiro foi aberto. Cita regulamentação por Resolução CNSP pela qual o Requerente (IRB) teria um prazo de até 31.12.2008 para de adaptar às regras da referida Resolução e assevera que, por essa razão, é que o IRB somente passou a segregar suas contas financeiras a partir de janeiro de 2009. Destaca que o Requerente, de acordo com o Decreto Lei nº 73/1966, garantia suas operações, à época, com o seu patrimônio, reservas e subsidiariamente, a União, de modo que não estava sujeito, à época, às normas estabelecidas na Resolução CNSP nº 98/2002, por ser uma norma específica de investimentos aplicável às seguradoras. Reitera ter tido prazo até 31.12.2008 para que se adaptasse às novas regras regulatórias aplicáveis às seguradoras. Fl. 32849DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.490 6 Em seguida, defende não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais auferidas pela Requerente, argumentando que está sujeita ao regime cumulativo de apuração de PIS e COFINS prevista na Lei nº 9.718, de 1998 e regulamentado na IN RFB nº 1.285, de 2012. Invoca o Recurso Extraordinário nº 585.235, expondo ter o STF, em repercussão geral, decidido pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Assevera que, a esse respeito, inclusive, o Requerente obteve provimento jurisdicional favorável nos autos da Ação Ordinária nº 2006.51.01.0104963, oportunidade em que foi assegurado ao Requerente o direito de recolher o PIS e a COFINS incidentes sobre seu faturamento (entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais), sendo indevida a exigência de tais contribuições sobre receitas não operacionais. Cita emenda e excerto de voto. Reportase à Lei nº 12.973, de 2014 (que alterou o artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e o art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 1977) e à exposição de motivos da Medida Provisória que a antecedeu (MP nº 627) para alegar que a alteração teria como objetivo apenas incluir os valores decorrentes do ajuste a valor presente decorrente da adoção das novas regras contábeis (IRFS) e, ainda, que não seria aplicável a fatos geradores ocorridos nos anos de 2001 a 2009 que foram objeto do pedido de habilitação de crédito/pedido de compensação discutidos na Manifestação de Inconformidade. Defende a natureza não operacional das receitas financeiras (rendimentos financeiros) decorrentes de seus investimentos legalmente obrigatórios em ativos garantidores e a impossibilidade de serem tributados por PIS e COFINS, reprisando a menção aos arts. 73 e 84 do Decretolei nº 73/1966, e alegando que: a Impugnante é obrigada a registrar os denominados ativos garantidores perante a SUSEP e, não pode deles dispor livremente, salvo se previamente autorizada; as receitas financeiras (rendimentos financeiros) ora questionadas pela fiscalização, não são decorrentes da execução do objeto social do Requerente, mas sim relacionados à natureza e aos riscos envolvidos na atividade por ela desenvolvida; não está incluída no objeto social do Requerente a atividade de intermediação de recursos financeiros próprios ou de terceiros desenvolvida (estritamente) por instituições financeiras; sendo o investimento em ativos garantidores decorrente de imposição legal, as receitas financeiras auferidas não podem ser consideradas como receita operacional. Menciona a Súmula Vinculante nº 32 do STF acerca da não incidência de ICMS na alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras para alegar que se em caso de mera disposição contratual – na qual está presente a autonomia da vontade , o STF já se manifestou pela restrição da atividade operacional à atividade de seguro, não faz qualquer sentido que, transações compulsórias decorrentes de imposição legal (que em nada se identifique com a Fl. 32850DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.491 7 atividade de resseguro desempenhada pelo Requerente), a Administração Tributária interprete de forma diversa. Argumenta que o Parecer SUSEP 32, de 2009, citado no Despacho Decisório foi revisto pela própria SUSEP e teve o seu posicionamento alterado pelo Parecer SUSEP/DITEC/GEACO/COASO/DIREF/Nº 64/2013 (Doc. nº 05) para entender que as receitas financeiras por não estarem diretamente relacionadas ao objeto social das seguradoras, não se enquadram como receita bruta, conforme excerto que transcreve. Reportase à decisão da DRJ Ribeirão Preto, alegando que, em julgamento de caso análogo do mesmo contribuinte, entendeuse, por unanimidade, pela não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras de investimentos legalmente obrigatórios, transcrevendo ementa e trechos do voto. Menciona também julgados do CARF (um de interesse de outra pessoa jurídica que identifica como Caso Azul Seguros Gerais e outro em que figura como Interessada a própria contribuinte ora Requerente), Nota Técnica COSIT nº 21/2006, Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, Parecer SUSEP/DITEC/GEACO/COASO/DIREF/nº 64/2013, outro julgado do CARF em processo de interesse da Companhia de Seguros Minas Brasil e, ainda, sentença judicial da 14ª Vara Federal de São Paulo em Mandado de Segurança. Acrescenta que o resseguro representa a assunção, pelo ressegurador, mediante o pagamento do prêmio, de um interesse legítimo do ressegurado, relativo a pessoa ou coisa, contra riscos predeterminados, como elucida o artigo 757 do Código Civil. Conclui esse item expondo seu entendimento de que as receitas financeiras (rendimentos financeiros) decorrentes dos ativos garantidores das provisões técnicas obtidas pela Requerente são receitas financeiras atípicas não enquadráveis como operacionais pelo simples fato de que não são originadas da exploração de seu objeto social, mas sim decorrentes da natureza da atividade desenvolvida que demanda a adoção de mecanismos (exigidos legalmente) para atenuar risco de desequilíbrio econômicofinanceiro num cenário de contingências futuras. Na sequência, defende que o dever do Requerente em segregar as contas financeiras (ativos garantidores e ativos livres) somente ocorreu a partir de janeiro de 2009. Menciona respostas a intimações apresentadas no curso do procedimento informando que somente após a entrada em vigor da Lei Complementar 126, de 15.01.2007, o mercado brasileiro foi aberto e referida norma foi regulamentada pela Resolução CNSP nº 168/2007, de 17.12.2007, que concedeu ao Requerente prazo até 31.12.2008 para adaptação às regras da referida Resolução. Assevera que o Requerente somente passou a se submeter à sistemática prevista na Resolução CNSP nº 168/2007 a partir de 01.01.2009 e, por essa razão, é que o IRB somente passou a segregar as contas financeiras a partir de 2009 e não possuía a documentação segregada, conforme solicitado pela autoridade fiscal. Fl. 32851DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.492 8 Discorda do entendimento de que o Requerente já estava sujeito às normas aplicáveis às seguradoras, inclusive quanto à segregação de ativos garantidores, alegando que: pelo DecretoLei nº 1.186/39, norma que criou o IRB, o Requerente possuía o monopólio do resseguro no Brasil e a obrigação de desenvolver operações de resseguro como regra geral. embora não esteja explícito no Decreto que o IRB não estava obrigado a oferecer ativos garantidores para as suas obrigações.... não se fazia necessária tal garantia, pois, os riscos assumidos pelo IRB eram garantidos pelo próprio Governo, que o instituiu e o controlava. Invoca art. 28 do Decretolei nº 1.805, de 1939, e DecretoLei nº 73, de 1966 e alega que, posteriormente, em 1999, com a publicação da Lei nº 9.932, é que houve previsão de que, no que couber, as resseguradoras passariam a seguir as normas aplicáveis as seguradoras, mas que a garantia do IRB para os riscos assumidos em decorrência de suas operações, ainda era o aval de seu acionista majoritária, ou seja, a União, conforme art. 57 do DecretoLei, que cita. Entende não fazer sentido afirmar que o IRB, mesmo oferecendo como garantia para os seus riscos o aval da União, ainda tivesse que segregar e caucionar parcelas de suas aplicações junto a SUSEP, tanto que o legislador teve o cuidado de dizer que o IRB só estaria sujeito às mesmas regras aplicáveis às seguradoras no que fosse cabível e esse caso claramente não é. Acrescenta que, se a lei tivesse estabelecido imposição dessa segregação ao IRB, o IRB deveria ter sido autuado pela SUSEP nos anos de 1999 a 2008 pelo descumprimento de tão importante norma, o que não teria ocorrido. Argumenta também, citando exemplos, que várias são as normas emitidas entre 1999 e 2008 que não citam o ressegurador, mas, após 2009, há vários exemplos onde o ressegurador passou a ser citado explicitamente como parte do mercado segurador convencional. Expõe assim restar explicado o porquê das respostas do Requerente aos termos de intimação no curso do procedimento, sendo certo que antes de janeiro de 2009, o Requerente não era obrigado a segregar as receitas de ativos garantidores com ativos livres. Reitera que: o IRB citou a LC nº 126, de 2007, cujo art. 22, parágrafo único, estabelecia que só em função da quebra do monopólio do resseguro no país, o IRB passaria a se submeter à fiscalização da SUSEP – dispositivo que não seria necessário caso a legislação anterior à citada LC já tivesse determinado a submissão do IRB ao agente regulador do mercado de seguros; a Resolução CNSP nº 168 de 2007 veio a regulamentar a Lei Complementar nº 126, passando a estipular condições de acesso ao mercado ressegurador, as forma de contratações e estabelece as garantias que devem ser oferecidas pelos resseguradores para os Fl. 32852DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.493 9 riscos envolvidos, e oferecendo um prazo adicional ao IRB até 31.12.2008 para se adaptar a essas novas condições de mercado. Questiona o indeferimento de todo o crédito habilitado pelo Requerente, expondo que: a autoridade fiscal preferiu acreditar que, mesmo não tendo como comprovar que existia a obrigação de segregação por parte do IRB, a natureza da atividade do ressegurador por ser similar a do segurador faria com que parte de seus ativos, independente de normativo, serviriam para honrar riscos no futuro. E que, por conseguinte, parte de suas receitas financeiras deveriam ser declaradas como receitas operacionais; não devolver nenhuma parcela do que foi erroneamente tributado seria enfrentar a própria declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, fixada por meio de decisão transitada em julgado em favor do Requerente. Reitera que o Requerente não precisava segregar as receitas financeiras de ativos garantidores das demais receitas e que as primeiras não devem ser tributadas e não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS. Alternativamente informa que: na tentativa de demonstrar que parte das receitas financeiras não estariam vinculadas a ativos garantidores das reservas técnicas, a Requerente providenciou a elaboração de um parecer (que apresenta como doc 6, fls. 32399/32412) que analisou o caso e elaborou uma planilha com os dados constantes dos balancetes que foram enviados a fiscalização; nesta planilha, foi demonstrada, de forma simples e objetiva, que seria possível, caso a autoridade fiscal assim entendesse, segregar por critério que mantém a mesma linha de raciocínio da SUSEP, as receitas financeiras dos ativos garantidores das receitas dos ativoslivres. Transcreve trechos do Parecer para corroborar os argumentos de defesa e segregar os valores pedidos. Expõe que: se mantida a necessidade de segregação dos valores dos ativos financeiros da Requerente,deverá ser reconhecida parte do direito creditório pertinente a parte dos ativos livres que não são os pertinentes aos ativos garantidores; e, para tanto, com o objetivo de fazer a apuração de todo o período de 2001 a 2009, deverá ser convertido o julgamento em diligência para que seja feita a mesma proporcionalização da planilha apresentada na presente oportunidade. Sob o título “Da correta entrega da documentação solicitada e da Inobservância do Princípio da Verdade Material”, alega que, no procedimento de análise da DCOMP, as autoridades administrativas Fl. 32853DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.494 10 não consideraram todas as informações que tinham a seu dispor acerca do direito creditório pleiteado (dentre elas, DIPJs, balancetes, livros razões, etc.), apontando falta de confiança da documentação entregue pelos motivos que transcreve do Despacho Decisório. Assevera que: os supostos problemas relacionados à segurança das informações contábeis são de simples compreensão porque, quando da análise da DCOMP apresentada pelo Requerente, as autoridades administrativas deveriam ter buscado verificar a liquidez e certeza do crédito, conforme disposto no artigo 170, do Código Tributário Nacional; em nenhum momento a Requerente ofereceu resistência ou negativa aos pedidos efetuados, tanto que, na medida em que surgiam dificuldades na fiscalização, novos documentos eram sempre enviados; inicialmente foram solicitados, entre outros documentos, balancetes e cópias das razões de algumas contas, sendo apresentadas cópias das folhas do livro razão e dos balancetes; diante da possível fragilidade das cópias, já que, de acordo com o fiscal, representam extratos não confiáveis dos registros contábeis, a empresa se colocou à disposição para receber a fiscalização e abrir a consulta integral aos livros contábeis originais, conforme resposta ao Termo de Intimação que reproduz; um simples procedimento de diligência nas dependências do Requerente, conforme sugerido pelo próprio, resolveria a dúvida em relação à confiabilidade das cópias dos registros contábeis; os livros contábeis que suportam as cópias enviadas permanecem arquivados nas dependências do Requerente e, caso seja requerido por essa E. Turma Julgadora, podem ser remetidos ao local de trabalho para a realização de diligência. Cumpre ressaltar, todavia, que, em razão do significativo volume dos documentos em análise, precauções relativas à logística de armazenamento devam ser tomadas; em momento algum foi realizada diligência fiscal efetiva para tentar regularizar a referida documentação quanto aos documentos pertinentes ao crédito de pagamento a maior de PIS e COFINS do período de 2001 a 2009. se as autoridades administrativas, a partir das informações constantes de seus sistemas, não se sentem confortáveis quanto ao montante do crédito pleiteado, bem como apuraram eventuais divergências de informações, não resta dúvida de que deveriam ter determinado a realização de uma efetiva diligência, conforme disposto no então artigo 76 daInstrução Normativa RFB nº 1.300/2012, (atual artigo 161, I e II, da IN 1717/2017). Acerca da solicitação de entrega de dados contábeis em meio eletrônico, respaldado no ADE nº 115 de 2001, que regula a forma de entrega de arquivos digitais,argumenta que: Referido ADE regulamenta as diretrizes estabelecidas pela Instrução Normativa nº 86, a qual dispõe acerca de prazos e formas de Fl. 32854DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.495 11 apresentação digital de arquivos, a qual determina, em seu art 1º, a manutenção à disposição da Secretaria da Receita Federal dos arquivos magnéticos pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. no caso em questão os documentos relacionados aos tributos do período de 2001 a 2009 já teriam sido atingidos pelo instituto da decadência; embora o Requerente, no momento em que foi intimado, não dispusesse de cópia dos arquivos digitais em seus sistemas, ... não poupou esforços para tentar gerar novamente os requeridos arquivos, independentemente dos altos gastos envolvidos; o Requerente acreditava que a Fiscalização, ...., não encerraria o procedimento sem que fosse oferecido tempo suficiente para a reconstituição dos dados na forma exigida e/ou a realização de uma diligência in loco para apurar a documentação original. Acerca de inconsistências descritas pela Fiscalização na planilha de ativos garantidores, admite que os valores apresentados na planilha não concordam integralmentecom os saldos das contas”, mas alega que todos os valores apresentados na planilha estão menores do que os saldos das contas patrimoniais, pois, não havia a necessidade de se oferecer como garantia a integralidade das aplicações financeiras, de modo que a diferença entre estes números mostra os ativos que poderiam ser livremente negociados. Acrescenta que o indeferimento do direito creditório pleiteado afronta, além do art. 76 da IN RFB 1.300/2012 (atual 161, I e II da IN nº 1717/2017), também o princípio da verdade material, acera do qual discorre citando entendimentos doutrinários e decisão do CARF e expondo que: as autoridade administrativas devem apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo de valor a partir de poucos documentos analisados; se o princípio da verdade material prevê que a autoridade administrativa deve buscar exaustivamente todos os elementos capazes de influir no seu convencimento e nesse sentido tem se posicionado a jurisprudência administrativa, tendo sido demonstrado que, no presente caso, deixou de ser analisada a devida existência do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformado tal despacho decisório que afrontou o referido princípio, motivo pelo qual deverá ser reconhecido a integralidade do direito creditório ora pleiteado; também toda a documentação colacionada no presente processo e os argumentos utilizados deverão ser acatados para que seja reconhecido o direito creditório do Requerente, ou caso assim não se entenda deverá ser determinada a diligência para a verificação de toda a documentação apresentada, bem como a disponível na sede do Requerente. Finaliza requerendo o reconhecimento integral do crédito e a homologação das compensações ou, subsidiariamente, a conversão do Fl. 32855DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.496 12 julgamento em diligência para que seja analisada/verificada toda a documentação apresentada, bem como os documentos contábeis arquivados na sede do Requerente. Relaciona como anexos à Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos (fls. 32.479): DOCUMENTOS ANEXOS À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em resumo, tratase de Pedido de restituição/compensação de indébito reconhecido judicialmente, por inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98.O Despacho Decisório negou o pedido pelas seguintes razões, em síntese: documentos apresentados com inconsistências, falta de apresentação de dados em formato digital; falta de segregação dos ativos garantidores; receitas financeiras sobre ativos garantidores seriam base de cálculo do Pis e Cofins. A 11ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1486.143, de 24/05/2018, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. MOMENTO. Nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado, o qual deve ser indeferido se não comprovada sua liquidez e certeza. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação, bem como quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da defesa. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação Fl. 32856DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.497 13 tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2009 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ensejou a posterior extirpação desse parágrafo por efeito da Lei nº 11.941, de 2009, não alterou, em particular, o critério definidor da base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que continua a ser o faturamento. Pelo contrário, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, afastando a incidência sobre receitas não operacionais. No Recurso Voluntário, a empresa reitera as razões da Manifestação de Inconformidade. Em síntese: que apresentou mais de 30.000 folhas de documentos, e que disponibilizou os livros, em papel, na sua sede, cabendo ao Fisco proceder à devida diligência no local; que, antes da Lei Complementar 126/2007 (abertura do mercado de resseguros), não estaria submetida à regulação da SUSEP, e que não estaria obrigada a segregar bens garantidores das obrigações de resseguro; que as receitas financeiras advindas das aplicações obrigatórias não conformariam base de cálculo do Pis e da Cofins; subsidiariamente, que as receitas financeiras relativas a bens livres não se revestiriam do caráter de base de cálculo do Pis e da Cofins; A Procuradoria da Fazenda Nacional juntou Contrarrazões, onde sustenta a posição do Fisco; realça que as receitas de investimentos voluntários e obrigatórios são inerentes às instituições financeiras securitárias; defende que as receitas financeiras, como acessórias da atividade empresarial, são receitas operacionais, nos termos do Decretolei 1.598/77; acrescenta que a matéria relativa à receita de aluguéis não foi objeto da Manifestação de Inconformidade, restando preclusa. Suscita, em preliminar, a conexão com o processo 16682.721538/201392. É o relatório." (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 32857DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.498 14 Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator ad hoc Embora não mais integre os colegiados do CARF, o relator apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Transcrevese, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, para o qual me incumbiu o Presidente: "O recurso é tempestivo. A conexão, suscitada pela Procuradoria da Fazenda, do presente processo com o processo 16682.721538/201392, não cabe, porque trata de procedimento fiscal diverso, sobre período posterior ao tratado no presente, no qual não há litígio quanto à obrigação da recorrente em segregar os bens garantidores. 1 – Preliminar de preclusão A Fazenda suscita preclusão da matéria relacionada à receitas de aluguéis. Com efeito, não houve a discussão acerca dessa matéria na Manifestação de Inconformidade e na decisão recorrida. Desse modo, tal matéria não pode ser conhecida pelo Carf, restando preclusa, nos termos do art. 17 do PAF. 2 – Receitas Financeiras As decisões do Supremo Tribunal Federal, no RE 585.235, em relação à inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, tiveram o escopo de afastar a ampliação da base de cálculo, por demais genérica, perpetrada por esse dispositivo. É consabido que em decisões posteriores (RE 390.840/MG) à aludida decisão acerca da inconstitucionalidade, em vista do fato de que o conceito estrito de faturamento, venda de bens e serviços, não encontrava esteio na finalidade da Lei, por não incluir, por exemplo, receitas de locações, para empresas em geral, e receitas financeiras de instituições financeiras, o STF delineou melhor as receitas tributáveis pelo Pis e Cofins, no sentido de serem as decorrente das “operações empresariais típicas”. O Tribunal não utilizou o termo “receitas operacionais”. Entendeuse, na comunidade jurídica em geral, a meu ver corretamente, que as receitas financeiras, para empresas não financeiras, não comporiam a base de cálculo do Pis e Cofins. Há, ainda, outro leading case em repercussão geral, para análise específica da tributação de receitas financeiras às instituições financeiras, RE 609096 RG/RS, porém ainda sem julgamento. Mas no presente caso, há uma decisão judicial, no controle difuso de constitucionalidade, com efeito intra partes. E conforme consta da Certidão, fl. 211, somente se afastaram da base de cálculo do Pis e da Cofins as receitas não operacionais. Ora, as receitas financeiras, legalmente, são receitas operacionais, para qualquer empresa, cf. artigos 16, 17 e 18 do Decretolei 1.598/77. Em especial, para empresas seguradoras, que são instituições financeiras, cf. art. 17 da Lei 4.595/64. Fl. 32858DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.499 15 Entendo plenamente aplicável a coisa julgada nesta matéria, especialmente porque não há, nas decisões em repercussão geral do STF, posicionamento expresso em sentido contrário à decisão transitada em julgado. Assim, toda a discussão acerca de tributação de rendas derivadas de ativos garantidores, ativos livres, obrigação de segregação, etc, restam desnecessárias, posto que já foi decidida, judicialmente, a incidência de Pis e Cofins sobre as receitas operacionais, e dentro delas, legalmente, as receitas financeiras. Portanto, não dou provimento à recorrente nesta parte. 2 – Comprovação do crédito Conforme o relatório, houve diversas intimações do Fisco para reunir documentação probatória, a fim de iniciar a auditoria dos alegados créditos. Todavia, as intimações não foram atendidas a contento. Copio excerto do Despacho Decisório: fl. 32.010: “O contribuinte apresentou extratos de documentos como balancetes e razões, que por este motivo (são extrações de documentos e não documentos) não respaldam os números apresentados, impossibilitando a análise. O que chamou de razão (fls.14.789/19.974) é um extrato contendo colunas com a identificação de algumas contas, a data, a moeda e dois saldos. O plano de contas apresentado (fls.423/424) limitouse a duas folhas relacionando algumas contas. As planilhas, onde pretendeu demonstrar o crédito em cada período, não apresentam referências contábeis (nº de conta) para todos os elementos nelas inseridos.” Fl. 32.011: “Mesmo com planilhas de apuração de crédito referenciadas (com os números das contas) não foi possível conferir o direito declarado pelo do contribuinte. Primeiro porque os números apresentados não eram respaldados por documentos confiáveis. O contribuinte reconhece que os números apresentados são extrações,o que lhe tira o poder probante. Segundo, sem o plano de contas não havia como conferir a composição de cada linha. Diante disto, resolveuse encaminhar uma terceira intimação, onde se relatou os problemas encontrados e requereuse os arquivos magnéticos da contabilidade, para efetuar a conferência com os nossos programas. À época ele já era obrigado a ter a contabilidade em meio magnético. Pediuse ainda que enviasse as planilhas demonstrativas de crédito em arquivos tipo xls, como foram criadas. As anteriormente enviadas foram transformadas em arquivos tipo pdf, que não são trabalháveis, em meio magnético. Novamente pediuse o plano de contas (Fls. 31.792/3 e 31.797/9). Depois de reintimado e de pedir prorrogação de prazo, encaminhou sua resposta (fls.31.956/58), onde tratou apenas dos ativos garantidores, ignorando totalmente as demais exigências.” Fl. 32.014: Fl. 32859DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.500 16 “Verificase que o contribuinte recusouse a apresentar números confiáveis ( balancete, o plano de contas e o razão), apesar das três tentativas do Fisco em obtêlos, inclusive solicitando a entrega dos dados de processamento (obrigatórios) da contabilidade para fazer apuração. Não atendeu também a questão dos ativos garantidores, não permitindo que se soubesse, com certeza, sua composição e seus rendimentos. Deste modo, não foi possível encontrar a certeza e liquidez no crédito usado na DCOMP nº 17823.82817.100714.1.7.543145 e nas demais que também o utilizaram.” A recorrente sustenta que entregou mais de 30.000 folhas de documentos, o que não é controverso. Mas a qualidade do material, como visto, deixou muito a desejar. Não consta, também, até hoje, a entrega de arquivos digitais auditáveis. É obrigatória a disponibilização de arquivos digitais à Receita Federal, para todas as pessoas jurídicas não optantes do Simples, cf. art. 11 da Lei 8.218/911. Evidentemente, não se auditam créditos a serem ressarcidos folheando centenas de milhares de folhas, mas trabalhando com arquivos digitais, para auditar somas, recompor os balancetes, extrair amostrar, segundo critérios técnicos, para aferir os respectivos lastros, etc. Esse trabalho natural de auditoria não foi possibilitado. O Fisco tentou buscar a materialidade dos fatos, mas, por omissão da recorrente, não foi possível. Portanto, independentemente da questão quanto à obrigação, ou não, de segregar os ativos garantidores, a aferição do crédito não restou possibilitada, por responsabilidade da recorrente. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/992, art. 373, I do CPC3). A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. 1 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pela prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pela Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pela Secretário da Receita Federal. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 32860DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.501 17 Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Assim, não pode a empresa esperar que o contribuinte brasileiro arque com mais de 400 milhões de reais, sem que se possa conferir, aferir e comprovar os respectivos lastros documentais que dariam sustentação material ao crédito. Incabível, também, a pretendida diligência. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado, quando ausentes as exceções do art. 16 do PAF. Fl. 32861DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.502 18 O art. 170 do CTN é firme em exigir certeza e liquidez dos créditos a compensar, e no presente caso, resta claro, não há certeza nem liquidez dos alegados créditos. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 3 Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Marcelo Giovani Vieira Relator" É o que se reproduz do voto do relator original. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Voto Vencedor Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado Coubeme a designação para redigir o voto vencedor que prevaleceu em relação ao bem fundamentado voto do relator. Cumpre consignar, em que pese o voto de mérito proferido pelo conselheiro Relator, todas as matérias suscitadas no recurso voluntário serão (re)apreciadas no retorno da diligência, por ocasião de novo julgamento. O entendimento encontra respaldo no § 5º do art. 63 do Anexo II do RICARF: § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. O julgamento do recurso do contribuinte teve início na reunião do mês de abril de 2019, quando o Relator proferiu seu voto para negarlhe provimento. Iniciada a votação e primeiro na ordem sequencial a votar, após a leitura do voto do Relator, o conselheiro Leonardo Vinícius Toledo de Andrade pediu vistas aos autos, o que lhe fora concedido. Reiniciado o julgamento na sessão de maio de 2019, o conselheiro Leonardo Vinícius Toledo de Andrade discorreu acerca do substancioso conjunto de elementos juntados aos autos pelo contribuinte que por razão de inadequação ao formato exigido em atos normativos da Receita Federal, e insuficiência probatória, consoante as manifestações da autoridade fiscal, decorreu o indeferimento dos crédito pleiteados. Seguiuse a discussão apurandose proposta de conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda nova intimação ao contribuinte com fins à Fl. 32862DF CARF MF Processo nº 16682.722248/201528 Resolução nº 3201002.104 S3C2T1 Fl. 32.503 19 complementação e disponibilização de todos as informações de sua escrita contábilfiscal, necessárias ao exame a ser realizado, em meio eletrônico, no formato a ser definido pela autoridade fiscal que permita a apresentação pelo contribuinte e não impossibilite a análise fiscal. Prosseguindo a votação, resolveram os conselheiros pela conversão do julgamento em diligência, restando unicamente vencido o conselheiro Relator que havia proferido seu voto, como explicitado acima. Assim, designado para a redação do presente voto, e acompanhando a maioria dos Conselheiros, voto para converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: 1. Intime o contribuinte a apresentar os elementos (livros e documentos) necessários à análise do pleito creditório na forma e configuração a ser definida pela autoridade fiscal, desde que não implique a impossibilidade técnica de sua apresentação ou da análise fiscal. 2. Conceda prazo para o cumprimento da intimação compatível com a natureza e volume dos documentos a serem trabalhados (digitação, digitalização ou outro processo de adequação solicitado) e não inferior a 30 (trinta) dias, prorrogável pelo mesmo período; 3. Proceda às verificações que julgar necessárias, inclusive com solicitação para complementação ou readequação dos elementos solicitados; 4. Elabore relatório conclusivo e fundamentado no tocante aos procedimentos e análise realizados; 5. Dê ciência ao contribuinte para que possa se manifestar quanto ao resultado da diligência, no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias. Encerrada a instrução processual, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 32863DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720259/2011-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda, nele se enquadrando as despesas com frete de matérias-primas entre estabelecimentos.
Numero da decisão: 9303-008.490
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda, nele se enquadrando as despesas com frete de matérias primas entre estabelecimentos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 59 /2 01 1- 75 Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 9303008.490 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo contribuinte, contra o Acórdão 3403002.757, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento, a PGFN defende que não há o direito ao creditamento relativo aos gastos com fretes entre estabelecimentos da mesma empresa. O contribuinte apresentou Contrarrazões e, em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento, aborda a questão de forma bastante genérica, alegando, fundamentalmente, que se deve adotar, para PIS/Cofins, um conceito mais amplo do que o do IPI para definir o conceito de insumos. Tanto é assim, que, no início, diz que “não pode concordar com a manutenção da glosa dos créditos de PIS relativos à aquisição de insumos necessários à sua atividade produtiva, razão pela qual interpõe o presente Recurso Especial”. A PGFN apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.483, de 17 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 15586.720243/201162, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.483): "Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço dos Recursos Especiais. No mérito: 1) Recurso Especial da PGFN (Fretes no transporte de insumos entre estabelecimentos) No mérito, como há tempo já o tem feito, de forma majoritária, o CARF, aqui não se adota o conceito do IPI, tampouco o do IRPJ, mas sim, um intermediário, hoje Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 9303008.490 CSRFT3 Fl. 4 3 consagrado e melhor delineado – ainda que não seja possível, à vista da legislação posta, se chegar a um grau de determinação “cartesiano” – nas mais recentes decisões do STJ (mais especificamente, no REsp nº 1.221.170/PR), que levaram inclusive a que a PGFN e a RFB editassem normas interpretativas, para elas vinculantes, quais sejam, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, sendo que transcrevo a ementa deste: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". Dispositivos Legais. Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, inciso II; Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, inciso II. Em relação às despesas de transportes de insumos entre estabelecimentos, este próprio Parecer admite – ainda que de forma um tanto “indireta” – o creditamento, conforme se vê no seguinte trecho: 142. Sem embargo, permanece válida a vedação à apuração de crédito em relação a combustíveis consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 9303008.490 CSRFT3 Fl. 5 4 (administrativa, contábil, jurídica, etc.), bem como utilizados posteriormente à finalização da produção do bem destinado à venda ou à prestação de serviço. 143. ... Todavia, não se pode deixar de reconhecer que em algumas hipóteses os veículos participam efetivamente do processo produtivo e, consequentemente, os combustíveis que consomem podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições. 144. Diante do exposto, exemplificativamente, permitem a apuração de créditos na modalidade aquisição de insumos combustíveis consumidos em: a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matéria prima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; 2) Recurso Especial do Contribuinte (Conceito de insumo) Para fazer esta análise, como indicado pelo próprio recorrente, tomo por base as duas listas de insumos glosados pela Fiscalização que figuram no Relatório às fls. 335 a 344): 2.1) Bens utilizados como insumos na produção. Materiais de Laboratório Despesas de Uniformes Material de Limpeza Suprimentos de Informática Imobilizado Escritório – Bens de Natureza Permanente Materiais de Escritório Escritório – Manutenção e Reparos Escritório – Outras Despesas Postagens Expressas Despesas Médicas Treinamento Funcionários Refeições de Negócios Despesas de Entretenimento Eventos e Feiras – Combustíveis Eventos e Feiras – Veículos Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 9303008.490 CSRFT3 Fl. 6 5 Despesas Copa e Cozinha Alimentação Trabalhador Desta relação, somente os 5 (cinco) primeiros itens poderiam dar margem a discussão, mas o grau de indeterminação é tal que somente um detalhamento maior, acompanhado da devida instrução probante, é que poderia nos levar a alguma conclusão, e, nas razões de decidir do Acórdão recorrido, está claro que efetivamente não há elementos para tal: “O exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente não integram o custo de produção ... Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições ... Entretanto, a defesa não trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo, que permitisse ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no processo produtivo. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas no ANEXO I.” 2.2) Bens utilizados como insumos na prestação de serviços (Pela filial em Santos). Aí a primeira listagem “condensa” as glosas, que depois são “segmentadas” no Relatório Fiscal: Frete Planta/Planta Frete Transf IDT INTRACO Despesas de Limpeza Custo de Navios Manutenção e Reparos Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 9303008.490 CSRFT3 Fl. 7 6 Não faz sentido falar em “intercompany” na prestação de serviços (se fossem referentes a transporte de matériasprimas, já teriam sido revertidas as glosas ao não dar provimento ao recurso da PGFN). Quanto às despesas de limpeza, vale o mesmo que foi dito para os bens. As glosas relativas a Custos de Navios já foram revertidas no Acórdão de Embargos. Para ”Manutenção e Reparos”, vamos agora à segunda listagem: Contrato, Despesa, Análise Laboratoriais Prestação Serviço Análises Laboratoriais Diversas Prestação Serviço Assistência Técnica Calibração e Equipamentos Laboratoriais Contrato, Despesa, Combate a Insetos Prestação Serviço, Representação junto ANEEL, Compra Energia Elétrica Conforme Contrato Prestação, Serviço Água/Esgoto Prestação Serviço Aluguel Toalhas Prestação Serviço, Auditoria/Consultoria Prestação Serviço, Desenho Projetos Técnicos Prestação Serviço Planejamento Engenharia Prestação Serviço, Documentos Collect/Delivery Repiso as mesmas considerações feitas quando da análise da listagem dos bens, e, como bem se diz no Acórdão recorrido (fls. 567), “a própria denominação dos itens glosados permite ao homem médio inferir que eles não são aplicados na prestação de serviços a terceiros”, além do que, logo na seqüência, se afirma que “Se a própria recorrente reconheceu que não se tratam de gastos aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, então não há direito ao crédito”. Por fim, no que se refere à depreciação do vagões utilizados no transporte da fábrica para o porto, esta discussão foge totalmente à relativa ao conceito de insumo, e, ainda, a depreciação de itens do ativo permanente, prevista no inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 – como também colocado com propriedade no Acórdão recorrido – só é relativa a “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 9303008.490 CSRFT3 Fl. 8 7 utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços de insumos entre estabelecimentos”. À vista do exposto, voto por negar provimento aos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento aos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1249DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.724483/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONSTATAÇÃO. GLOSAS DE ÁGIO INCLUÍDAS NO REFIS. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO
Realizada diligência e verificado que as glosas de despesas de amortização de ágio foram integralmente incluídas no Refis IV, cabe reconhecer os créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL relacionadas (ano calendário 2004), confirmadas pela DRF.
Numero da decisão: 1302-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONSTATAÇÃO. GLOSAS DE ÁGIO INCLUÍDAS NO REFIS. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO Realizada diligência e verificado que as glosas de despesas de amortização de ágio foram integralmente incluídas no Refis IV, cabe reconhecer os créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL relacionadas (ano calendário 2004), confirmadas pela DRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de retorno de diligência (Resolução nº 1302-000.498, de 21/06/2017) relativa ao Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão de 28 de abril de 2011, da 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de conformidade interposta face ao auto de infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 44 83 /2 00 9- 15 Fl. 694DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.616 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.724483/2009-15 O julgamento foi convertido em diligência, diante da necessidade de apreciação pela DRF, quanto à existência ou não de saldo negativo, bem assim, de se certificar a integridade de valores relativos às antecipações por retenções na fonte (com e sem informes), para a apreciação do Recurso Voluntário, isto é, para se homologar ou não as referidas DComps. Assim, designaram-se à DRF as seguintes providências: a) confirmar se houve o pagamento integral dos valores referentes às exigências de IRPJ e CSLL contidas no PAF nº 18471.000656/2006-45, relativa a glosa de amortização de ágio (valores considerados ilíquidos e incertos pela DRF, ao analisar as DComps em questão); b) confirmar o valor efetivamente comprovado relativo a retenções na fonte de IRRF e CSLL, de entes públicos e privados, constantes dos informes de rendimentos apresentados pela interessada e das DIRFs em que tenha constado como beneficiária no ano-calendário 2004, em face dos valores pleiteados na DIPJ do exercício 2005; c) informar, em face das confirmações acima solicitadas, qual o saldo negativo de IRPJ e CSLL, efetivamente disponível para utilização nas compensações pleiteadas; d) apresentar relatório conclusivo, do qual deverá ser cientificada a interessada, facultando-lhe prazo de 30 dias para manifestação. Em atendimento à Resolução a DRF apresentou o seguinte Relatório Fiscal de Diligência (fls. 667/673): Item a - Pagamento de IRPJ e CSLL - PAF n° 18471.000656/2006-45 O processo foi encaminhado ao Secat para confirmar se houve o pagamento integral dos valores referentes às exigências de IRPJ e CSLL contidas no PAF n° 18471.000656/2006-45. Em resposta, o Secat informa, especificamente às folhas 634 e 635: Nos autos do processo de revisão de consolidação da empresa incorporadora NEXANS BRASIL S/A, CNPJ n° 31.860.364/0012-28 (PAF n° 13886.721155/2015- 00) foi deferida a inclusão dos débitos do processo n° 18471.000656/2006-45, dentre outros, no parcelamento da Lei nº 12.996 – RFB –DEMAIS - A VISTA", após a confirmação dos montantes de créditos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL indicados pelo contribuinte para promover a amortização dos débitos. Cópia dos principais despachos proferidos no processo de revisão de consolidação encontram-se acostadas às fls. 624/633. Cumpre ressaltar que a revisão de consolidação deferida ainda não foi implementada no sistema de controle do parcelamento da Lei 12.996/14, bem como ainda não houve a integração entre os sistemas e-Sapli e Lei 12.996/14. Dessa forma, embora tenha sido verificada administrativamente a liquidação dos débitos considerando-se os pagamentos efetuados e o montante de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL indicados pelo contribuinte para liquidação de juros e multa, os processos Fl. 695DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.616 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.724483/2009-15 incluídos na referida modalidade de pagamento, mediante procedimento de revisão de consolidação, ainda não se encontram extintos nos sistemas de controle da RFB. Ante o exposto, proponho o retorno do presente processo ao SEORT, informando que foi deferida a inclusão do processo n° 18471.000656/2006-45 na modalidade de pagamento da Lei 12.996/2014 - "L.12996-RFB-DEMAIS-A VISTA", sendo que o pagamento efetuado e o montante de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL confirmados conforme documento de fls. 628/630, são suficientes para liquidar os débitos do processo. Item b - Confirmar as retenções na fonte Foram efetuadas pesquisas nos sistemas DIRF e DW para o ano-calendário de 2004. Foi observado o disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.234, de 2012, para os códigos de retenção compostos por vários tributos. Importante frisar que a empresa não juntou informes de rendimentos. As Tabelas 1 e 2 a seguir demonstram os valores encontrados nos sistemas da RFB [vide Relatório Fiscal de Diligência, fls. 667/673] Item c - Saldo Negativos de IRPJ e de CSLL efetivamente disponíveis Além das retenções na fonte, foram efetuadas pesquisas no sistema Fiscel para identificar os pagamentos por estimativa realizados pela empresa. As Tabelas 3 e 4 a seguir demonstram os números Tabela 3 - Pagamentos por Estimativa – IRPJ [vide Relatório Fiscal de Diligência, fls. 667/673] Tabela 4 - Pagamentos por Estimativa – CSLL [vide Relatório Fiscal de Diligência, fls. 667/673] De posse desses dados, pode-se concluir que, conforme o Imposto de Renda devido e a Contribuição Social devida, observada a DIPJ/2005 n° 1286531-48, os valores de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, conforme Tabelas 5 e 6, são: Tabela 5 - Saldo Negativo de IRPJ [vide Relatório Fiscal de Diligência, fls. 667/673] Isso posto, em atenção ao item “e” da Resolução, cientifique-se a empresa, facultado o prazo de 30 dias para manifestação. Após, retorne-se ao CARF para continuidade do julgamento. A recorrente manifestou-se (fls. 680/692) informando que “não se opõe aos cálculos elaborados pelas DD. Autoridades Fiscais indicados no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 667/673, uma vez que o montante indicado a título de saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) Fl. 696DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.616 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.724483/2009-15 apenas corrobora o entendimento de que a Recorrente detinha sim a esmagadora maioria dos créditos necessários para efetuar a compensação pleiteada por meio dos PER/DCOMPs nº 34906.94220.130705.1.3.02-5910 e 41845.96264.130705.1.3.03-6194”. Ressalta que, “a diferença entre os cálculos da Recorrente e os cálculos das DD. Autoridades Fiscais é irrisória”. Por fim, reiterou as razões de recurso voluntário e requereu a homologação das DCOMPs nº 34906.94220.130705.1.3.02-5910 e 41845.96264.130705.1.3.03-6194. Diante do resultado da diligência, relembramos as questões submetidas pela recorrente, nos termos do relatório que apresentamos por ocasião da Resolução: A DRJ ratificou as conclusões da fiscalização. Não reconheceu créditos tributários de prejuízos fiscais e de base negativa (01/01/2004 a 31/12/2004), que haviam sido utilizados nas DCOMPs nº 34906.94220.130705.1.3.02-5910 e 41845.96264.130705.1.3.03-6194 (fls. 2/5), em 13/07/2005, nas quais a recorrente havia indicado crédito de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, ano-calendário de 2004, para a extinção de débitos de PIS e COFINS, relativos à competência de junho de 2005. Os créditos em questão foram considerados ilíquidos e incertos, pelo fato de que compunham uma base de cálculo que considerava, entre outros, dedutibilidade de despesas de amortização de ágio. Tais amortizações de ágio foram analisadas no PAF nº 18471.000656/2006-45, cujo acórdão concluiu que não houve pagamento de ágio. Nesse sentido, negou-se provimento ao recurso voluntário. O processo aguardava julgamento de Recurso Especial, quando a Recorrente apresentou pedido de desistência, conforme despacho de fl. 1775 verificado no referido PAF nº 18471.000656/2006-45. Ocorre que, em 16/05/2011, às 15:40h., a Recorrente protocolou petição, por meio da qual requereu a juntada de Laudo em que, noticia-se o pagamento à vista, com os descontos previstos na Lei nº 11.941/2009 (Refis IV - Reabertura conforme Lei nº 13.043/2014), do débito referente ao lançamento motivado pela glosa de despesas de amortização de ágio. A Recorrente alega que, se era o valor do ágio o motivo pelo qual os créditos de saldo negativo e base negativa haviam sido considerados ilíquidos e incertos, ter-se-ia alcançado a certeza e a liquidez, por meio do pagamento do respectivo débito, por meio do Refis IV. Nesse contexto, requereu o acolhimento do Laudo e o provimento do Recurso Voluntário para homologar integralmente as DCOMPs nº 34906.94220.130705.1.3.02-5910 e 41845.96264.130705.1.3.03-6194. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 08/10/2014 (fl. 1599), via AR. Interpôs recurso voluntário, em 06/11/2014 (fls. 1601/1655). Documentos de representação juntados ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 697DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.616 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.724483/2009-15 Conselheiro Rogério Aparecido Gil - Relator O recurso voluntário é tempestivo, a recorrente está regularmente representada e a matéria a ser apreciada é de competência desta Turma. Conheço do recurso. A Recorrente alegou que, em razão da apuração do saldo negativo de IRPJ e CSLL, exercício de 2005, ano-calendário 2004, apresentou pedido de compensação nos valores originais de R$ 968.510,71 e R$ 346.837,33, respectivamente, o qual não foi homologado pela DRF, cuja decisão foi mantida pela DRJ. Por ocasião da referida Resolução nº 1302-000.498, de 21/06/2017, registrou-se que os créditos informados nas DCOMPs nº 34906.94220.130705.1.3.02-5910 e 41845.96264.130705.1.3.03-6194, para serem considerados líquidos e certos, havia a necessidade de certificar se os valores relativos à referida glosa de despesas de amortização de ágio (PAF nº 18471.000656/2006-45), teriam sido integralmente pagos pela Recorrente, por meio do Refis IV, tendo em vista que o Laudo juntado não apresentou as provas documentais que menciona (DARF pago). Entre os documentos citados no referido Laudo de empresa de auditoria independente, citou-se o DARF e o respectivo comprovante de pagamento dos valores incluídos no REFIS. Registrou-se, ainda, que houve o pagamento integral dos valores exigidos no Processo Administrativo n° 18471.000656/2006-45, através do REFIS. Todavia, não forma fundados tais documentos comprobatórios. Registrou-se, ainda, que era necessário verificar a integridade e valores dos referidos informes de rendimentos de retenções por fontes pagadoras públicas e privadas. Pois, o referido Laudo registrou que, quanto às retenções de 2004, não teria sido possível identificar a sua totalidade, especialmente no que se referia às retenções por órgãos/entidades públicas. Assim, o Laudo considerou unicamente os informes de rendimentos apresentados. Frisou que, não foi possível identificar a totalidade das retenções declaradas a título de instituições privadas (Ficha 12/L13 e Ficha 17/L47 na DIPJ) e instituições públicas (Fichas 12/L15 e Fichas 17/L49 na DIPJ), conforme quadro abaixo: O Laudo também verificou arquivos eletrônicos denominados "Telas e Extratos", cujo conteúdo estava classificado como "Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - Fl. 698DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.616 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.724483/2009-15 Dirf- Resumo do Beneficiário - Todos os códigos de receita e apresentam datas de entrega compreendidas entre fevereiro de 2005 a novembro de 2010, conforme quadro comparativo abaixo: Sobre tais telas de extratos o Laudo registrou que, caso a Companhia estivesse segura com a origem dos arquivos mencionados, poderiam ser acrescidos R$ 7.880,29, aos valores localizados nos Informes relativos a IRPJ 2004. Contudo, ainda não seria suficiente para comprovar o total discriminado em DIPJ de R$ 136.835,06. Em relação à CSLL 2004, os valores apontados no arquivo "telas e extratos" seriam maiores que os informados em DIPJ. Considerando a impossibilidade de retificação da DIPJ e caso a Companhia estivesse segura com a utilização de referidos documentos, poderiam ser acrescidos R$ 3.386,43, aos valores localizados nos Informes, até o limite do já constante em DIPJ. Além desses pontos específicos sobre a existência ou não de saldo negativo de IRPJ e de base negativa de CSLL, decorrentes de pagamento a maior, a Recorrente também registrou em suas razões de recurso que, a Fiscalização não teria realizado a recomposição da base de cálculo, considerando tais valores de saldo negativo de IRPJ e de CSLL. Sobre esse questionamento, o referido Laudo de Auditoria Independente apresentou o seguinte quadro, com o objetivo de demonstrar a existência dos referidos direitos creditórios da Recorrente: Dessa forma, registrou-se que as antecipações mensais recolhidas pela Recorrente, somada às retenções na fonte ocorridas ao longo do ano-calendário de 2004, considerando também o pagamento do efeito do ágio (REFIS), ultrapassaram os valores de IRPJ e CSLL efetivamente devidos pela Sociedade, motivo pelo qual concluiu-se que os valores de R$ 968.511,00 e R$ 346.837,33, constituem saldo negativo de IRPJ e de CSLL e que permanecem inalterados. No entanto, consignou a importância de ser validada a totalidade das retenções. Frisou que, estaria validada a totalidade dos recolhimentos via DARF. Fl. 699DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.616 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.724483/2009-15 Outro ponto do Acórdão recorrido confrontado pela Recorrente, referia-se ao fato de que a DRF e a DRJ não teriam analisado se havia ou não saldo negativo de IRPJ e de CSLL, decorrente de pagamento a maior. Limitaram-se a afirmar que o saldo negativo não existia pelo fato de que a Recorrente teria considerado em seu cálculo de apuração de tributos, despesas de amortização de ágil, em relação às quais havia processo administrativo fiscal em andamento. Havia, portanto, necessidade de a DRJ apreciar essa questão. Assim, conforme relatado, realizou-se a necessária diligência, cujo Relatório (fls. 667/673), conforme transcrito no relatório, retro, registrou que as glosas de despesas de amortização de ágio foram integralmente incluídas no Refis IV. Os créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL (ano calendário 2004), portanto, foram confirmadas pela DRF. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as DCOMPs nº 34906.94220.130705.1.3.02-5910 e 41845.96264.130705.1.3.03-6194 até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 700DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.000546/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CUSTOS/DESPESAS. ALUTAP N68C, ÓLEO DIESEL. PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MAQUINÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos peças para manutenção do maquinário industrial, com aquisição de óleo diesel e alutap N68C geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral por serem relevantes e necessários às atividades econômicas do contribuinte.
CUSTOS. BARRO, BRITA CALCÁRIA. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com barro e brita calcária constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CUSTOS. LINGOTEIRA, VERGALHÕES, TIJOLOS REFRATÁRIOS. ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Os custos com lingoteira, vergalhões e tijolos refratários não geram créditos do contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal por se tratarem de bens do ativo imobilizado.
Numero da decisão: 9303-008.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para manter a glosa dos créditos aproveitados sobre os custos com aquisições de lingoteiras, vergalhões e tijolos refratários, determinada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, reconhecendo, no entanto o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesa incorridos com Alutap N68C, óleo diesel, peças de manutenção de maquinário, barro e brita calcária.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALUTAP N68C, ÓLEO DIESEL. PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MAQUINÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos peças para manutenção do maquinário industrial, com aquisição de óleo diesel e alutap N68C geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral por serem relevantes e necessários às atividades econômicas do contribuinte. CUSTOS. BARRO, BRITA CALCÁRIA. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro e brita calcária constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS. LINGOTEIRA, VERGALHÕES, TIJOLOS REFRATÁRIOS. ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com lingoteira, vergalhões e tijolos refratários não geram créditos do contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal por se tratarem de bens do ativo imobilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para manter a glosa dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 05 46 /2 00 5- 91 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10218.000546/200591 Acórdão n.º 9303008.593 CSRFT3 Fl. 424 2 créditos aproveitados sobre os custos com aquisições de lingoteiras, vergalhões e tijolos refratários, determinada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, reconhecendo, no entanto o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesa incorridos com Alutap N68C, óleo diesel, peças de manutenção de maquinário, barro e brita calcária. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.645, de 14/02/2012, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: "COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INDÚSTRIA METALÚRGICA DIREITO DE CRÉDITO – RESSARCIMENTO. Lei nº 10.637/02, art. 3º IN SRF nº 460/2004 A expressão “bens e serviços utilizados como insumo” empregada pelo legislador, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas designa cada um dos elementos necessários ao processo de produção de bens e serviços; insumos são os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento, desde que seja imprescindíveis para o funcionamento do fator de produção. Inserindose no conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda (art. 3º, inc. II da lei nº 10.637/02), eis que inseparavelmente ligados ao funcionamento e à manutenção das diversas e imprescindíveis etapas do ciclo produtivo do bem que possibilitam sua destinação final à venda, os gastos com “Lingoteira; Alutap 68C, barro, tijolos refratários, vergalhões, diesel comum, peças de manutenção mecânica; refratários; serviços de revestimento; brita calcária, geram direito ao crédito do PIS." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, alegando obscuridade, sob o argumento de que o acórdão confere créditos a custos/despesas sem qualquer relação com o maquinário do processo produtivo do contribuinte. Contudo, Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10218.000546/200591 Acórdão n.º 9303008.593 CSRFT3 Fl. 425 3 analisados os embargos, estes foram rejeitados, nos termos do Acórdão nº 3401002.134 às fls. 296e/302e. Inconformada com a rejeição dos embargos, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas com lingoteira e Alutap n68C, barro, tijolos refratários, vergalhões e brita calcária, diesel comum e peças de manutenção de maquinário. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, deve ser mantida. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 365e/368e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão recorrida na parte que lhe beneficiou. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, abrange ao direito de o contribuinte aproveitar créditos do PIS não cumulativo sobre os custos/despesas incorridos com lingoteira e Alutap n68C, barro, tijolos refratários, vergalhões e brita calcária, diesel comum e peças de manutenção de maquinário A Lei nº 10.637/2002 que instituiu o regime não cumulativo para o PIS, , assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...). Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10218.000546/200591 Acórdão n.º 9303008.593 CSRFT3 Fl. 426 4 IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...)" § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (...). II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...)." O contribuinte é uma empresa siderúrgica que tem como objeto econômico, dentre outros, a produção, comercialização e transporte de ferro gusa, de aço, ligas metálicas e peças fundidas de ferro, de aço e ligas metálicas, produção, comercialização, transporte e mineração de calcário; produção, comercialização, transporte de sinter de minérios em geral. Os custos com barro e brita calcária constituem insumos do processo de produção de ferro gusa e aço. Tratase de produtos imprescindíveis à produção destes produtos e, portanto, geram créditos nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos. Já os custos/despesas incorridos com peças para manutenção do maquinário industrial, com aquisição de óleo diesel e alutap N68C, embora não constituam insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, são necessários e relevantes para a atividade econômica do contribuinte. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais insumos, Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10218.000546/200591 Acórdão n.º 9303008.593 CSRFT3 Fl. 427 5 nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. Dessa forma, a reversão das glosas dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com peças para manutenção do maquinário industrial, com aquisição de óleo diesel e alutap N68C, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre estes custos/despesas, tendo em vista suas relevâncias e importâncias para o desenvolvimento das atividade do contribuinte. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Finalmente, quanto às aquisições de lingoteiras, vergalhões e tijolos refratários, os custos não geram créditos da contribuição por tratar de bens do ativo imobilizado. O que gera créditos são os encargos de suas depreciações, conforme estabelece o § 1º, inciso III, do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, citados e transcritos anteriormente. As lingoteiras e vergalhões têm vida útil superior a 1 (um) ano, em média são depreciados em 10 (dez) anos, conforme normas da legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ/Dec. nº 1.041/1994). Já os tijolos refratários integram os altos fornos de siderurgia e têm vida útil maior que 1 (um) ano. Além disto, em momento algum das fases recursais, o contribuinte não se preocupou em demonstrar e comprovar mediante documentos hábeis que os refratários têm vida útil inferior a 1 (um) ano. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional para manter a glosa dos créditos aproveitados sobre os custos com aquisições de lingoteiras, vergalhões e tijolos refratários, determinada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, reconhecendo, no entanto o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesa incorridos com Alutap N68C, óleo diesel, peças de manutenção de maquinário, barro e brita calcária. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 427DF CARF MF
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