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Numero do processo: 10820.003688/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/06/1999, 15/05/2006, 10/11/1998, 10/03/1999, 09/04/1999, 30/06/2004, 14/06/2006, 26/07/2006, 16/08/2006, 15/09/2006, 13/10/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 16/02/2007, 20/03/2007, 19/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007, 20/07/2007
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DO ÓRGÃO A QUO.
Não tendo sido produzidas alegações em sede recursal sobre determinada matéria julgada pela instância a quo e não sendo esta de ordem pública, passível de reconhecimento de ofício, resta preclusa a matéria e definitiva a decisão.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/06/2004, 15/05/2006, 10/11/1998, 10/03/1999, 09/04/1999, 30/06/2004, 14/06/2006, 26/07/2006, 16/08/2006, 15/09/2006, 13/10/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 16/02/2007, 20/03/2007, 19/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007, 20/07/2007
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DO ÓRGÃO A QUO.
Não tendo sido produzidas alegações em sede recursal sobre determinada matéria julgada pela instância a quo e não sendo esta de ordem pública, passível de reconhecimento de ofício, resta preclusa a matéria e definitiva a decisão.
Numero da decisão: 3201-004.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/06/1999, 15/05/2006, 10/11/1998, 10/03/1999, 09/04/1999, 30/06/2004, 14/06/2006, 26/07/2006, 16/08/2006, 15/09/2006, 13/10/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 16/02/2007, 20/03/2007, 19/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007, 20/07/2007 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DO ÓRGÃO A QUO. Não tendo sido produzidas alegações em sede recursal sobre determinada matéria julgada pela instância a quo e não sendo esta de ordem pública, passível de reconhecimento de ofício, resta preclusa a matéria e definitiva a decisão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/06/2004, 15/05/2006, 10/11/1998, 10/03/1999, 09/04/1999, 30/06/2004, 14/06/2006, 26/07/2006, 16/08/2006, 15/09/2006, 13/10/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 16/02/2007, 20/03/2007, 19/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007, 20/07/2007 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DO ÓRGÃO A QUO. Não tendo sido produzidas alegações em sede recursal sobre determinada matéria julgada pela instância a quo e não sendo esta de ordem pública, passível de reconhecimento de ofício, resta preclusa a matéria e definitiva a decisão.
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O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova total em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser homologado até o limite do direito creditório reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 36 88 /2 00 7- 64 Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.431 2 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DO ÓRGÃO A QUO. Não tendo sido produzidas alegações em sede recursal sobre determinada matéria julgada pela instância a quo e não sendo esta de ordem pública, passível de reconhecimento de ofício, resta preclusa a matéria e definitiva a decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "A empresa acima identificada ingressou, em 12/12/2007, com Pedido de Restituição de pagamentos, que alega terem sido efetuados a maior, relativos ao IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, no valor total de R$ 272.168,71, atualizado até novembro de 2007, decorrente da suposta inclusão indevida dos valores do ICMS na base de cálculo dos referidos tributos e contribuições sociais, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Por meio do Despacho Decisório proferido em 08/05/2009, o pedido de restituição foi indeferido, não se reconhecendo o direito creditório, com fundamento, em parte, nas preliminares de ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (erros apontados nas planilhas demonstrativas) e de decadência do direito de pleitear o indébito, e, no mérito, com supedâneo legal no art. 3°, § 2°, I, da Lei n° 9.718/98. Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.432 3 Do Parecer SAORT nº 10820/261/2009, que amparou o Despacho Decisório, cabe transcrever o seguinte trecho: Juntou, ... às fls. 10 a 17, fundamentação do pedido de restituição e às fls. 18 a 23, planilhas demonstrativas dos cálculos de apuração do indébito, concernentes ao PIS e à Cofins. Observo que não foram anexadas pela contribuinte, as planilhas de cálculos dos supostos indébitos, relativos ao IRPJ e à CSLL e o valor pleiteado no presente pedido de restituição corresponde à soma exata dos valores consolidados nas planilhas de fls. 18 a 23. A solicitante anexou, ainda, as cópias de documentos de fls. 27 a 1.290. [...] I) AS PLANILHAS DEMONSTRATIVAS DO CRÉDITO POSTULADO [...] As planilhas demonstrativas do crédito pleiteado pela contribuinte, juntadas às fls. 18 a 23, no valor consolidado de RS 272.168,71, contêm uma série de erros, como: a) a inclusão de valores de pagamentos não efetuados, conforme pesquisa realizada no sistema eletrônico de pagamentos da RFB Sinal (fls. 1291 a 1306), cujos créditos tributários foram extintos mediante compensação (PIS: fls. 31; 37 a 48; 62 a 67; 90 a 100; 113 a 114 e Cofins: fls. 54 a 58; 60 a 61; 75 a 76; 78; 132 a 139; 152 a 153; 158 a 161; 177 a 180; 183; 185; 187; 206 a 207; 210 a 212; 226 a 230; 251 a 256 e 295). b) inserção de valores de pagamentos em montantes diferentes daqueles efetivamente recolhidos aos cofres da União, nos períodos de apuração correspondentes (em alguns casos, observase que a contribuinte somou o valor pago com o valor do crédito extinto mediante compensação): Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.433 4 Dessa forma, as planilhas apresentadas não demonstraram a liquidez e a certeza dos cálculos executados, devendo ser refeita, se porventura a solicitante obtiver êxito em seu pleito mediante decisão definitiva no âmbito administrativo. II) A EXTINÇÃO PARCIAL DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO [...] Dessa forma, preliminarmente, deve ser considerado extinto o direito da contribuinte de pleitear a restituição dos pagamentos efetuados em data anterior a 13/12/2002, em razão do decurso do prazo legal previsto no art. 168, inciso I, do CTN (data da protocolização do pedido: 12/12/2007). [...] III) A ANÁLISE DO MÉRITO [...] Atendendo à interpretação lógicosistemática do Diploma Fundamental e da legislação infraconstitucional, conclui se que é plenamente legítima a inclusão do ICMS, acoplado ao preço da mercadoria, produto ou serviço, na base de cálculo da Cofins, do PIS e de qualquer tributo ou contribuição, que incida ou venha a incidir sobre o Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.434 5 faturamento das pessoas jurídicas. De fato, o custo relativo ao ICMS, quando incorporado ao preço da mercadoria (ou do produto ou serviço), passa a compor a representação de valor do bem, que circula economicamente, sendo, logo, também representação de circulação de riqueza, estando, assim, sujeito à tributação. Portanto, a norma contida no art. 3°, § 2°, I, da Lei n° 9.718/98, ao determinar a inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS, quando não for caso de substituição tributária, está abrangida pelo conceito de faturamento, estabelecido na norma de competência do art. 195, I, da Constituição da República. Quanto à jurisprudência remansosa do STJ acerca da validade da norma em discussão, destacamse os seguintes julgados: "Súmula 68. A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS." "Súmula 94. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL." "Acórdão. "TRIBUTÁRIO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCIDÊNCIA DOS VALORES REFERENTES AO ICMS E AO IPI. As parcelas relativas ao ICMS e ao IPI incluemse na base de cálculo do PIS e da COFINS. Recurso improvido."(RESP n° 746.038/RS. Rel. Min. João Otávio de Noronha. Órgão Julgador: 2° Turma .Decisão: 2/8/2007.) No âmbito administrativo, o Conselho de Contribuintes vem, reiteradamente decidindo que o valor do ICMS, incluído no preço das mercadorias, integra a base de cálculo da COFINS, podendose citar os Acórdãos nºs 20216.779, de 07/12/2005; 20180.059, de 28/02/2007; 20402.443, de 23/05/2007 e 203 12.403, de 19/09/2007. No tocante ao PIS, a jurisprudência administrativa vem decidindo que o ICMS, quando embutido no preço constante da nota fiscal, integra o valor dos produtos adquiridos e conseqüentemente a base de cálculo do referido tributo, não podendo ser concedida a sua exclusão da base de cálculo do PIS, por ausência de lei que contemple tal beneficio. [...] Observese, finalmente, que a União ajuizou junto ao Supremo Tribunal Federal, em 10/10/2007, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC 185/DF), com pedido de medida cautelar, tendo por objeto o art. 3°, § 2°, I, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.435 6 Em 13/08/2008, o Tribunal Pleno do STF, por maioria, vencidos os Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello, deferiu a medida cautelar, suspendendo o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3°, § 2°, I, da Lei n° 9.718/98, com a seguinte Ementa: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 30, 2°, inciso I, da Lei n°9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art 195, inciso I alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3°, § 2°, inciso I, da Lei n°9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamento no Supremo Tribunal Federal. Em razão da precedência do controle direto de constitucionalidade sobre o controle difuso, em 14/08/2008, o Pleno do STF sobrestou o julgamento do Recurso Extraordinário 240.785 MG, mencionado pela contribuinte nos presentes autos, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Em 17/04/2009 (DJ), o Excelso Pretório prorrogou o prazo da decisão da liminar concedida na ADC 185/DF. Dessa forma, permanece válida a presunção de constitucionalidade da norma jurídica que inclui o valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Diante do exposto, a autoridade administrativa deve aplicar as disposições expressas na lei, não havendo, até o presente momento, qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal que alcance a interessada, retirando a eficácia de tais dispositivos, ou ato emanado nos termos do art. 4° do Decreto n.° 2.346/97, que autorize no âmbito administrativo, a exclusão da base de cálculo do ICMS de obrigação própria da empresa. Lembro que é pacifica a jurisprudência sobre a incompetência dos órgãos julgadores administrativos para apreciar a inconstitucionalidade de normas legais, conforme enunciado de súmula do 1° Conselho de Contribuintes: Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.436 7 "Súmula n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Por oportuno, reitero que, com o julgamento da ADC 18 05/DF pelo STF, ficaram suspensos no Poder Judiciário todos os julgamentos sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, até que a Suprema Corte defina o seu mérito em sede de recurso extraordinário ainda pendente. Cumpre ressaltar que a Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a competência para apreciar a constitucionalidade das leis é do STF, cabendo aos órgãos administrativos apenas aplicar o entendimento firmado pela Suprema Corte. Portanto, no tocante à argüição de violação de preceitos constitucionais e de ilegalidade, foge à competência da autoridade administrativa, conforme já explicitado em item anterior desta decisão. Não é demais repetir que a norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e constitucionalidade, cabendo a autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento, até que seja excluída do mundo jurídico mediante norma superveniente; declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no exercício do controle concentrado; súmula vinculante, editada pelo STF, nos termos da Lei nº. 11.417, de 2006 ou, em última hipótese, resolução do Senado da República, que empreste efeitos erga omnes a uma declaração de inconstitucionalidade exarada na via difusa pelo Excelso Pretório, o que não ocorreu no presente caso até esta data.” A contribuinte foi cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, manifestação de inconformidade (fls. 1.331/1.353), onde alega, em síntese que: a Lei Complementar 87/96, do ICMS, alude que o mesmo incide sobre as operações mercantis e de prestação de serviços, autorizadas pela Magna Carta. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento que conta já com a maioria dos ilustres Ministros, votou pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, entendendo que não se pode compreender no conceito de faturamento o tributo estadual, que é arrecadado e/ou suportado pela Recorrente, ou pago por substituição pela mesma, em favor do Estado Federado, não gerando qualquer riqueza que possa ser tributável. Assim, concluise que a Recorrente tem direito de que não seja incluído em sua base de cálculo do PIS e da COFINS, sobre suas Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.437 8 atividades, o ICMS, sendo que referida base deve ser única e exclusivamente o faturamento, excluindose os impostos. Efetuou recolhimentos indevidos, a maior, em decorrência da inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme demonstrado pelos documentos e planilhas anexas, tendo em vista que essa base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. Com relação ao prazo para recuperação dos tributos, importante salientar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do AI nos EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº. 644.736 PE (2005/00551121), assim decidiu: " Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova." Portanto, a contagem começa a partir da homologação tácita do pagamento, qual seja, 5 anos após o pagamento é homologado o lançamento, de forma tácita, e daí, começa o prazo de contagem da prescrição da restituição. Desta forma, não estão prescritos nenhum dos valores do presente processo. Por fim, requer seja acolhida e julgada a oposição apresentada, anulandose a decisão que indeferiu o Pedido de Restituição apresentado, reconhecendo o direito creditório da Recorrente conforme planilhas anexadas, face aos argumentos deduzidos, com seus desdobramentos de praxe." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/06/2004, 15/05/2006, 10/11/1998, 10/03/1999, 09/04/1999, 30/06/2004, 14/06/2006, 26/07/2006, 16/08/2006, 15/09/2006, 13/10/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 16/02/2007, 20/03/2007, 19/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007, 20/07/2007 PAGAMENTOS A MAIOR. EXTINÇÃO DO DIREITO REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.438 9 A extinção do direito de pleitear a restituição de pagamentos supostamente efetuados a maior ocorre com o decurso do prazo legal de cinco anos, contado a partir da data do pagamento a maior, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL O ICMS compõe a base de cálculo dos tributos e contribuições incidentes sobre o faturamento das pessoas jurídicas; excetuandose os valores cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços em regime de substituição tributária, hipótese de exclusão prevista no ordenamento jurídico. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. É vedada a discussão sobre a inconstitucionalidade de normas no âmbito administrativo. RESTITUIÇÃO. O pedido de restituição de pagamentos supostamente efetuados a maior deve conter, necessariamente, os pressupostos de certeza e liquidez. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/06/2004, 15/05/2006, 10/11/1998, 10/03/1999, 09/04/1999, 30/06/2004, 14/06/2006, 26/07/2006, 16/08/2006, 15/09/2006, 13/10/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 16/02/2007, 20/03/2007, 19/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007, 20/07/2007 PAGAMENTOS A MAIOR. EXTINÇÃO DO DIREITO REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A extinção do direito de pleitear a restituição de pagamentos supostamente efetuados a maior ocorre com o decurso do prazo legal de cinco anos, contado a partir da data do pagamento a maior, no caso de tnbutos sujeitos ao lançamento por homologação. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL O ICMS compõe a base de cálculo dos tributos e contribuições incidentes sobre o faturamento das pessoas jurídicas; excetuandose os valores cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços em regime de substituição tributária, hipótese de exdusão prevista no ordenamento jurídico. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.439 10 É vedada a discussão sobre a inconstitucionalidade de normas no âmbito administrativo. RESTITUIÇÃO. O pedido de restituição de pagamentos supostamente efetuados a maior deve conter, necessariamente, os pressupostos de certeza e liquidez. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) o Supremo Tribunal Federal, em julgamento que já conta com a maioria dos Ministros, votando pela inconstitucionalidade da inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS do ICMS, entendendo que não se pode compreender no conceito de faturamento o tributo estadual, que é arrecadado e/ou suportado pela Recorrente, ou pago por substituição pela mesma, em favor do Estado Federado, não gerando qualquer riqueza que possa ser tributável; (ii) cita o leading case da matéria (RE 240.785); (iii) menciona o Recurso Especial RESP nº 276.469Sp para justificar a sua legitimidade em pleitear a restituição; (iv) tem direito que seus créditos sejam atualizados monetariamente; e (v) que não estão prescritos os créditos pleiteados dos 5 (cinco) anos anteriores ao pedido de restituição. A Recorrente impetrou Mandado de Segurança autuado sob o nº 1021726 03.2018.4.01.3400, distribuído perante a 9ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, tendo obtido o deferimento em parte do pedido liminar, para que o recurso seja julgado no prazo de até 120 (cento e vinte) dias. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Como visto, o mérito da questão trata da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, sendo que esta Turma de Julgamento já decidiu em favor da tese defendida pela Recorrente, conforme precedentes a seguir transcritos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.440 11 Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos." (Processo nº 10880.674237/201188; Acórdão nº 3201004.124; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 25/07/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 (...) COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; Redator designado para o voto vencedor Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 24/05/2018) Ocorre que, a decisão recorrida não negou o direito da Recorrente apenas pelo mérito do litígio (exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS), mas também, por não terem sido comprovados os requisitos de certeza e liquidez dos créditos pleiteados. A própria ementa da decisão recorrida consigna: "RESTITUIÇÃO. O pedido de restituição de pagamentos supostamente efetuados a maior deve conter, necessariamente, os pressupostos de certeza e liquidez." Do voto condutor, extraise tópico específico sobre a questão: "Inexistência de certeza e liquidez Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.441 12 Ainda que fosse possível a exclusão pretendida, os argumentos não poderiam ser acolhidos, porque o interessado não prova o valor do ICMS que alega compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Conforme consta do Parecer SAORT n° 10820/261/2009, as planilhas demonstrativas do crédito pleiteado pela contribuinte, juntadas às fls. 18 a 23, no valor consolidado de RS 272.168,71, contêm uma série de erros, como: a) a inclusão de valores de pagamentos não efetuados, conforme pesquisa realizada no sistema eletrônico de pagamentos da RFB Sinal (fls. 1291 a 1306), cujos créditos tributários foram extintos mediante compensação (PIS: fls. 31; 37 a 48; 62 a 67; 90 a 100; 113 a 114 e Cofins: fls. 54 a 58; 60 a 61; 75 a 76; 78; 132 a 139; 152 a 153; 158 a 161; 177 a 180; 183; 185; 187; 206 a 207; 210 a 212; 226 a 230; 251 a 256 e 295); b) inserção de valores de pagamentos em montantes diferentes daqueles efetivamente recolhidos aos cofres da União, nos períodos de apuração correspondentes (em alguns casos, observase que a contribuinte somou o valor pago com o valor do crédito extinto mediante compensação). É condição indispensável para o reconhecimento do direito creditório, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Concluise, portanto, que é lícito à RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição entre os valores constantes das planilhas elaboradas pelo contribuinte e os valores constantes do sistema eletrônico da RFB. Portanto, sua pretensão não seria acolhida também em razão da inexistência de certeza e liquidez do crédito." Contra tal fundamento decisório, o Recurso Voluntário interposto restou silente, estando preclusa a matéria. Neste sentido tem decidido este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2011 (...) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. CARF. COMPETÊNCIA. Não se conhece de alegação no recurso voluntário pertinente a parcela da autuação não impugnada anteriormente. A competência do CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.442 13 instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a esse espectro de atribuições, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida, não deve ser apreciada." (Processo nº 11080.736817/201235; Acórdão nº 3402005.480; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 25/07/2018) "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DA CSLL PLEITEADO EM DCOMP E DENEGADO PELO DESPACHO DECISÓRIO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA NA INSTÂNCIA A QUO E TAMBÉM NESTA INSTÂNCIA RECURSAL. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA DE LIDE. Em relação ao processo de compensação tributária, o CARF tem competência para conhecer e decidir acerca da lide envolvendo o direito creditório pleiteado relativo a tributo administrado pela RFB (RICARF, art. 7º, I).Não se conhece do recurso que se resigna com a decisão a quo que denegara o direito creditório pleiteado na declaração de compensação não homologada por inexistência do crédito. Preclusão administrativa configurada. (...)" (Processo nº 10930.904594/200929; Acórdão nº 1802 002.438; Relator Conselheiro Nelso Kichel; sessão de 03/02/2015) "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.No caso, a matéria não foi questionada no recurso e foi considerada fora do litígio, nos termos do artigo 17 do PAF." (Processo nº 10218.721009/200741; Acórdão nº 2801003.663; Relator Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada; sessão de 13/08/2014) A matéria não recorrida trata dos pressupostos de certeza e liquidez do crédito pleiteado, sendo, portanto, eminentemente probatória, não podendo ser conhecida de ofício, por não se tratar de matéria de ordem pública. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.443 14 instância, bem como recursos de natureza especial”, conforme preceitua o inc. II do art. 25 do Decreto 70.235/1972. Assim, a matéria não impugnada ou não recorrida, não deve ser apreciada por este órgão de julgamento administrativo. A Recorrente não trouxe elementos hábeis a contrapor o decidido, em especial, provas robustas do seu direito. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a restituição e/ou compensação de valores. Não é devida a autorização de restituição e/ou compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando é negado o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.444 15 COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201 002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201 Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10820.003688/200764 Acórdão n.º 3201004.848 S3C2T1 Fl. 1.445 16 003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201 003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1445DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007681/90-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988
PROVA EMPRESTADA. VALIDADE
Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas
correspondentes.
OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA.
A prática da emissão de “nota calçada” - procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior - configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada.
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS.
Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988
DECADÊNCIA.
Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos-base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal
(contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de “notas calçadas”.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária.
Numero da decisão: 1402-003.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas correspondentes. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. A prática da emissão de “nota calçada” - procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior - configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS. Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 DECADÊNCIA. Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos-base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal (contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de “notas calçadas”. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas correspondentes. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. A prática da emissão de “nota calçada” - procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior - configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS. Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 DECADÊNCIA. Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos- base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária março de 2019 março de 2019 OMISSÃO DE RECEITAS - OUTROS OMISSÃO DE RECEITAS - OUTROS BELPAR DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA. BELPAR DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 09 80 .0 07 68 1/ 90 -8 9 A Fl. 319DF CARF MF 2 fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal (contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de “notas calçadas”. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba - PR, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Da autuação: Por detalhar e bem esclarecer o auto de infração, transcrevo sua análise e excertos destacados do termo de verificação fiscal: Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 319 3 Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado o auto de infração de Finsocial, que exige o recolhimento de 353.783,28 BTNF de imposto, 528.523,07 BTNF de multas de ofício de 50% e 150%, à época prevista nos art. 728, II e III, do RIR de 1980 (aprovado pelo Decreto nº 85.450, de 1980) e 154.353,53 BTNF de juros de mora. 2. O lançamento fiscal, com base no lucro real, decorre das seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por “notas calçadas”, apurada mediante confronto entre as primeiras e quintas vias das notas fiscais emitidas pela contribuinte, com destinatários e valores diversos, com base em levantamento efetuado pela fiscalização do ICMS, conforme descrito no item 1 do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 244-249), com infração ao disposto no art. 157, § 1º, 158, 181, 743, II e II, 745 e 746 do RIR de 1980: . período-base 1985 Cr$ 5.101.559.752,00 . período-base 1986 Cz$ 11.936.206,84 . período-base 1987 Cz$ 14.827.680,04 . período-base 1988 Cz$ 1.832.715,66 2.2. glosa de despesas operacionais não comprovadas, amparadas por notas fiscais simplificadas e/ou notas fiscais sem identificação do beneficiário, conforme descrito no item 2 do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 244-249), com infração ao disposto no art. 191 do RIR de 1980: . período-base 1985 Cr$ 74.470.097,00 3. Os lançamentos reflexos foram tratados nos processos nºs 10980.007681/90-89 (Finsocial), 10980.007682/90-89 (CSLL) (na realidade, final 41 - observação do relator), 10980.007683/90-12 (PIS Dedução), 10980.007684/90- 77 (IRRF) e 10980.007685/90-30 (PIS Faturamento). 4. Regularmente intimada em 01/10/1990, a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 267-268), apresentou, em 29/10/1990, a tempestiva impugnação de fls. 260-266, instruída com os documentos de fls. 269- 270, cujas alegações são sintetizadas a seguir: a) para solução do presente conflito há duas questões a serem analisadas: (i) a metodologia da presunção, da ficção e dos indícios, utilizadas pela autoridade fiscal para tipificar a infração tributária; (ii) a inexistência de dano ao erário público federal; b) a presunção é figura de metodologia exegética que permite, em face de determinados comportamentos conhecidos, seja considerado ocorrido comportamento final desconhecido; a ficção jurídica é mentira, que se torna verdade por força de lei; os indícios são elementos de menor densidade probatória que as presunções, os quais podem levar à conformação de uma situação jurídica desconhecida, mas provável por força de sua existência; c) a presunção é inadmissível do ponto de vista da doutrina pura porque a lei não pode criar a presunção absoluta em eventual conflito com os fatos, nem pode permitir a presunção relativa em detrimento do sujeito passivo sem ferir a tipicidade cerrada que deve acompanhar o perfil da imposição; a ficção legal não pode ser Fl. 321DF CARF MF 4 adotada porque a lei não tem o direito de criar “mentira oficial”; os indícios, porque sua densidade probatória é ainda inferior à das presunções; a coerência do sistema tributário nacional afasta a possibilidade de adoção criterial das ficções, presunções e indícios, como técnica impositiva, em face da falta de conformação absoluta entre o fato detectado e a norma posta; d) no presente caso, o fisco federal, ao basear-se em autos de infração lançados pela administração estadual, devidamente impugnados sob nºs 507/508/509/510 e 511 de 1990, na 1ª Delegacia da Receita Federal (sic), ofendeu o princípio constitucional do devido processo legal; presumir uma infração à legislação federal tomando por base os autos de infração lançados pela administração estadual, enquanto ainda controversos os recursos administrativos, caracteriza clara ofensa ao processo legal, visto que ditas infrações poderão ser rejeitadas por decisão administrativa, razão pela qual é de boa prudência aguardar o julgamento dos recursos interpostos a nível estadual; as garantias constitucionais da estrita legalidade e da tipicidade fechada não são compatíveis com as ficções, presunções e indícios, transformados em poderosas técnicas de arrecadação; e) relata que desenvolve suas atividades no ramo de cosméticos e teve a infelicidade de contar, nas áreas administrativas e de expedição, com funcionários despreparados e de duvidosa idoneidade moral, que foram demitidos por justa causa em razão de, entre outras irregularidades, terem emitido notas fiscais com consignações diferentes nas respectivas vias, com claro intuito de vender créditos a pessoas com eles coniventes, conforme apurado em auditoria interna; que essa auditoria, em prévio levantamento, constatou que as notas fiscais, emitida com objetivo de venda de crédito, não foram computadas para efeito de apuração de estoque, fato que não deixa dúvida de que a empresa não teve qualquer participação no ilícito e foi vítima de inescrupulosos empregados; f) considerando que a reclamante não teve participação no ilícito tributário, não lhe pode ser debitada uma penalidade de natureza tão grave quanto a prevista nos arts. 157, § 1º, 158, 181, 743, III e IV, 745 e 746 do RIR de 1980; as atividades da empresa, pelo seu movimento econômico, não poderiam jamais gerar um lucro real no montante apurado pela autoridade fiscal; g) ao final requer: (i) a produção de prova pericial, com base art. 17, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 1972, como forma de comprovar a inexistência de dano ao erário público; indica, para tanto, o contador Euclides Locatelli, com escritório na Rua XV de Novembro, 266, conj. 33, Curitiba; (ii) anulação dos autos de infração nºs 05147, 05656, 05655, 05668 e 05657. 5. No julgamento de primeira instância à época realizado, a DRF/Curitiba, por meio da Decisão nº 1-053/91, de 21/03/1991 (fls. 275-278), indeferiu o pedido de realização de perícia e, no mérito, manteve integralmente a exigência fiscal. 6. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 105-7.015, sessão de 17/11/1992 (fls. 293-297), por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, confirmando a decisão de 1ª instância. 7. Em 22/03/1993, a interessada apresentou recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 308-313), cujo seguimento foi negado pelo Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 20/04/1993 (fl. 317). A contribuinte apresentou pedido de reexame de admissibilidade de recurso especial em 19/07/1993 (fls. 326), que foi de igual forma negado (fls. 330- 331). 8. Inscrita na Dívida Ativa da União, a exigência fiscal foi objeto da Execução Fiscal nº 95.00.04586-9 (fls. 366-367), cujo andamento foi paralisado em Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 320 5 razão de decisão judicial favorável nos autos da Ação Ordinária nº 94.00.09567-8 e da Ação Cautelar nº 94.00.05503-0 (fls. 368-372), tendo o Juiz da 6ª Vara Federal de Curitiba, em 29/03/1996, entendido que há imperiosa necessidade de perícia contábil/fiscal para se apurar, com critério e equilibro, a alegada prática de “omissão de receita”, razão pela qual anulou o procedimento administrativo em análise a partir da decisão da DRF/Curitiba, que negou a realização da prova pericial. 9. Em sessão realizada em 19/08/1999, a Segunda Turma do TRF da 4ª Região, nos autos da Remessa Ex-Officio em Ação Cautelar nº 96.04.38834-7/PR e nº 96.04.38302-7/PR (fls. 374-378), negou provimento à remessa oficial e acolheu o entendimento esposado pelo Juízo a quo, em decisão assim ementada (decisão transitada em julgado em 16/11/1999, à fl. 380): ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Configurado o cerceamento de defesa, face ao indeferimento de perícia indispensável ao esclarecimento dos fatos, deve ser anulado o procedimento administrativo, a partir do ato que indeferiu a perícia. 10. A Procuradoria da Fazenda Nacional cancelou as inscrições em dívida ativa dos débitos de IRPJ e lançamentos reflexos e encaminhou os processos administrativos à RFB em 22/04/2014, para análise quanto às providências eventualmente cabíveis, ante a decisão judicial transitada em julgado em 16/11/1999 (fls. 399-401). 11. Por conseguinte, em cumprimento à decisão judicial transitada em julgado em 16/11/1999 e com base no disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 35 e 36 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, e art. 224, inciso XXVI, da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, esta Turma da DRJ/Curitiba, por meio do Despacho nº 37, de 21/08/2014 (fls. 1186-1187), devolveu o processo à DRF/Curitiba para designação de servidor, como perito da União, para acompanhar a realização da perícia requerida pela interessada, além de efetuar outros exames nos livros e documentos comerciais e fiscais da interessada dos períodos-base de 1985 a 1988, porventura ainda existentes, e obter cópia da decisão proferida pela Receita Estadual no julgamento dos autos de infração nºs 3.612.315-7, 3.612.316-2 e 3.612.317-3 e demais autuações de ICMS relacionadas com as notas fiscais arroladas pela fiscalização do IRPJ. 12. O AFRFB designado como perito na União, Celso Guimarães Senra Vidal, lavrou Termo de Informação de Diligência (fls. 1301-1305), por meio do qual relatou que: . se dirigiu ao domicílio tributário declarado pela interessada no cadastro do CNPJ (Rua José Antunes Ferreira, 83, CIC, Curitiba/PR), onde constatou que estava estabelecida a empresa São Gabriel Transportes, Logística e Distribuição Ltda. (CNPJ nº 115.488.297/0001-53), razão pela qual o Termo de Início de Diligência Fiscal (fls. 1190-1191) foi cientificado por meio do Edital/Sefis nº 165/2014 (fl. 1201), afixado no período de 12 a 27/11/2014, mas resposta alguma foi apresentada; . o perito indicado pelo sujeito passivo, Euclides Locatelli entregou termo esclarecendo que carece de elementos técnicos para realização da Perícia Contábil; Fl. 323DF CARF MF 6 . em resposta aos Ofícios nº 395/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 09/10/2014, e 421/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 19/10/2014 (fls. 1215-1216), a Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual, por meio do Ofício nº 88/2014 – IGT (fl. 1217), de 07/11/2014, forneceu os seguintes documentos: (i) cópia das decisões proferidas no julgamento dos autos de infração nºs 3612315-7, 3612316-5, 3612317-3 e 3687383-0 (fls. 1235-1269); (ii) tela com dados de débitos inscritos em dívida ativa e incluído em parcelamentos (fls. 1270-1298); (iii) Informação nº 504/2014 da Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual (fls. 1299-1301), no qual consta que os autos de infração nºs 3612315-7, 3612316-5 e 3612317-3 (lavrados em 18/03/1988) e nºs 3687383-0 e 3687384-9 (lavrados em 19/09/1990) foram objeto de parcelamento pelo sujeito passivo, estando totalmente quitados, enquanto os autos de infração nºs 3687381-4 e 3687382-2 (lavrados em 19/09/1990) foram pagos pelo sujeito passivo; . considerando a manutenção de todos os autos de infração lavrados na esfera estadual, concluiu que as operações retratadas nas primeiras vias das nota fiscais arroladas nos autos foram efetivamente realizadas. 13. À fl. 1307 consta o Despacho nº 3, de 27 de fevereiro de 2015, desta Turma da DRJ/Curitiba, por meio do qual foi solicitado à DRF/Curitiba que desse ciência do Termo de Informação de Diligência de fls. 1301-1305 à interessada e a seu sócio-gerente Oscar Ferreira Pinto, com consequente abertura de prazo de 30 dias para oportunizar a apresentação de novos argumentos impugnatórios. 14. Como o AR com o Termo de Informação de Diligência enviado à interessada (fl. 1310) foi devolvido com o motivo “MUDOU-SE, a interessada foi cientificada por Edital Eletrônico publicado em 17/03/2015 (fl. 1313). O AR enviado a Oscar Ferreira Pinto foi devolvido com o motivo “FALECIDO” (fls. 1315-1316), mas autoridade fiscal informou, por meio de Relatório de Diligência (fl. 1344), que foi dada ciência postal do relatório de diligência à atual sócia administrativa da sociedade, Laura Crispin (AR recebido em 11/06/2015, às fls. 1327). Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, em que expõe, os seguintes argumentos e elementos, os quais aproveito do v. acórdão recorrido, por bem exporem o alegado nesta peça processual: 15. Portanto, a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 1343), apresentou, em 09/07/2015, a tempestiva contestação de fls. 1328-1341 (considerada tempestiva no relatório de diligência de fl. 1344), instruída com os documentos de fls. 1342-1343, cujas alegações são sintetizadas a seguir: a) no tópico “Tempestividade”, alega que, como foi cientificada do Termo de Informação de Diligência em 11/06/2015, o prazo de 30 dias venceu no dia 13/07/2015; b) no tópico “Prescrição ou decadência” argumenta que os débitos fiscais em análise foram objeto da execução fiscal n° 95.0004586-9 da 1ª Vara de Execuções Fiscais de Curitiba, extinta em decorrência do julgamento da ação n° 95.0005503-0 pelo TRF da 4ª Região em 19/08/1999 (RNAC 96.04.38834-7 e 96.04.38302-7), cujo acórdão transitou em julgado em 16/11/1999; a Fazenda foi novamente intimada da baixa dos autos em 23/04/2002 (na ação ordinária) e em 26/08/2003 (na execução fiscal), tendo ambas as ações sido encaminhadas ao Arquivo Geral para baixa e arquivamento em 30/09/2003; apenas em abril/2014, Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 321 7 após pleito de baixa de arrolamento administrativo dos 2 caminhões que ficaram com registro de alerta no Detran em decorrência dos referidos débitos (processo 2013.0043778 da PGFN) é que esta Delegacia resolveu reabrir os PAF's; c) o prazo prescricional ou decadencial, portanto, iniciou-se com o trânsito em julgado da decisão que anulou o PAF em 16/11/1999, data a partir da qual a Fazenda poderia ter reaberto o PAF, mas a Fazenda simplesmente quedou-se inerte por 15 anos; sendo assim, seja pelo transcurso do prazo de 15 anos entre data da decisão judicial e a data da reabertura do PAF, seja pelo fato do processo administrativo ter ficado paralisado igualmente por este mesmo período, em total desídia do fisco, implementou-se a extinção de eventuais créditos tributários pela prescrição ou decadência, na forma dos arts. 173, II, e 174 do CTN ou do art. 1º, § 1º, da Lei n° 9.873/1999; cita julgados do STJ; d) qualquer que seja o entendimento a ser aplicado, decadência (se for considerado que a decisão judicial determinou a nulidade formal do processo administrativo de lançamento e constituição do crédito tributário, contando-se o prazo de 5 anos a partir da decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, consoante art. 173, II, do CTN), prescrição (se for considerado que a notificação da decisão final no PAF é o marco inicial da prescrição, que ficou suspensa durante o trâmite do PAF, na forma do art. 174 do CTN, prescrição esta que foi interrompida pelo despacho que ordenou a citação na execução fiscal, conforme art. 8º, § 2º, da Lei n° 6.830, de 1980, e art. 219 do CPC, voltando a correr a partir do trânsito em julgado da decisão que cancelou as CDA's e extinguiu a execução) ou prescrição intercorrente (se for considerado que o processo administrativo permaneceu paralisado por mais de 5 anos ou ainda pelo prazo mais restritivo de 3 anos do art. 1º, § 1º, da Lei n° 9.873, de 1999), o crédito tributário perseguido encontra-se extinto na mais elastecida das hipóteses desde 16/11/2004, ou seja, há mais de 10 anos; e) ainda que o processo administrativo possa suspender a prescrição durante o seu trâmite, o fato é que o processo administrativo foi julgado em instância final administrativa, momento a partir do qual a prescrição teve seu início, sendo interrompido pelo processo de execução fiscal, voltando a correr com o trânsito em julgado da decisão que cancelou as CDA's e extinguiu o crédito tributário em 16/11/1999, contando a partir desta data o prazo para que o Fisco concluísse o processo administrativo e promovesse nova execução ou ao menos para que procedesse a reabertura do processo administrativo, exatamente como já decidido pelo STJ, sob pena do crédito tributário se tornar imprescritível, figura inexistente em nosso ordenamento jurídico; f) no tópico “Nulidade da intimação por Edital” aduz que não houve esgotamento dos meios para a localização da empresa, visto que a mesma possui advogados constituídos no processo administrativo, sendo, portanto, inválida a intimação por Edital; a prova máxima de que não houve o esgotamento dos meios para a cientifícação da empresa da reabertura do processo administrativo fiscal é que a empresa possui domicílio em seu contrato social diverso do endereço em que o Fisco tentou localizá-la (contrato social e procuração atualizada em anexo) e também pelo fato da Fazenda ter procedido a intimação pessoal da representante legal da empresa para se manifestar sobre o Termo de Diligência realizado, em substituição à perícia determinada pela decisão judicial; g) o direito processual brasileiro adota um padrão de cientifícação de atos processuais para as partes em litígio, seja para processos de natureza judicial, seja para processos de ordem administrativa; a citação, ato de comunicação inicial da Fl. 325DF CARF MF 8 existência do processo, é feita via de regra à parte; os demais procedimentos de comunicação de atos do processo, depois da citação, devem ser dirigidas aos advogados, profissionais do direito e que possuem procuração com poderes específicos de representação; com estes poderes compete aos advogados procederem aos atos necessários à defesa e, portanto, torna-se imprescindível sua intimação de todos os atos do processo indispensáveis à defesa, sob pena de ofensa aos princípios do devido processo legal e da publicidade; afastar a regra processual da intimação dos atos do processo ao representante legal especialmente designado, sob o argumento de que há norma expressa prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, elegendo o domicílio tributário do sujeito passivo, é uma ofensa às regras processuais indispensáveis à formação do processo administrativo e ao seu desenlace; h) o argumento de que no processo administrativo o interesse da administração prevalece frente o interesse privado não mais se sustenta, tendo em vista as garantias do contribuinte na nova ordem constitucional; a paridade de armas no caso entre fisco e contribuinte é tão desproporcional que ao Fisco é assegurada a intimação pessoal do procurador da fazenda, ao passo que ao contribuinte, se prevalecer a intimação da forma como realizada, seu procurador constituído somente tomará ciência do ato por intermédio de terceiros; é nulo, portanto, o feito, a partir da notificação por Edital da reabertura do PAF e no qual se exige a apresentação pela empresa de seus livros fiscais, restabelecendo-se o devido processo legal; i) no tópico “A não realização da prova pericial se deu por culpa única e exclusiva do fisco” argumenta que a sentença transitada em julgado em 16/11/1999 é clara quanto à indispensabilidade da prova pericial, tendo em vista que o lançamento dos créditos tributários federais foi realizado sem qualquer elemento de prova, além dos carreados pela Receita Estadual, que demonstre a existência de omissão de receita pela empresa no período da autuação; o fisco no intento de cumprir a decisão judicial que anulou o PAF intimou o assistente técnico para dar início aos trabalhos, mas referido assistente técnico, indicado pela parte 20 anos atrás, não mais possui qualquer vínculo com o contribuinte desde 2008, nem mesmo possui qualquer documento da empresa, documentos estes que se encontram de posse de sua representante legal; j) o fisco intimou o assistente técnico, mas não intimou os advogados constituídos nos autos, o que é mais uma prova da ofensa ao devido processo legal, pois foi reaberto um PAF e iniciada uma perícia em absoluta revelia da empresa e de seus advogados constituídos; além de todas as irregularidades já relatadas, o Termo de Diligência ainda assevera que o assistente técnico teria dito carecer de elementos técnicos para a realização da perícia; estranhando o fato, entrou a empresa em contato com o assistente técnico, o qual informou ter dito apenas que não possui mais qualquer documento da época, pois não mais trabalha para a empresa, estando a documentação de posse do contribuinte; k) se o assistente técnico, indicado à época (20 anos atrás), afirma não possuir qualquer documento da empresa, a empresa é quem deveria ter sido notificada a apresentar a documentação que o fisco entende necessária; ainda que viesse a ser constatada eventual ausência de documentação, o que não é o caso dos autos, pois a empresa sequer foi notificada para apresentar qualquer documento, a suposta inviabilização da perícia, pelo longo tempo transcorrido, seria de culpa única e exclusiva do fisco, pois quedou-se inerte por quinze anos, abandonando completamente a perseguição do crédito; l) se pretende o fisco realizar agora a prova técnica, mesmo estando extinto o crédito tributário pela decadência ou prescrição, deveria ter esgotado os meios para a notificação da empresa da reabertura do PAF e não notificar uma pessoa (contador) que não mais possui qualquer vínculo com a empresa; “Ad Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 322 9 argumentandum tantum”, ainda que a perícia venha a ser considerada inviável, pelo longo transcurso de prazo desde a época dos fatos que levaram ao lançamento tributário, o que não é o caso dos autos, não pode agora responsabilizar a contribuinte pelo excesso de prazo; m) no tópico “Anistia” alega que, ao contrário do que consta do Termo de Informação de Diligência, os créditos tributários estaduais não foram parcelados, mas sim anistiados, na forma da Lei n° 11.800, de 1997, que concedeu anistia da multa e atualização monetária, remissão dos juros e exclusão dos honorários de sucumbência, de forma que os créditos tributários estaduais, por serem anteriores à estabilização monetária do plano real (1988 e 1990), praticamente foram zerados; a adesão à anistia pela empresa deu-se, única e exclusivamente, em razão de critérios econômicos, visto que os créditos tributários estaduais foram reduzidos para um valor inferior, inclusive, aos custos com despesas judiciais e com as perícias técnicas que haviam sido determinadas nas ações anulatórias que se encontravam em trâmite na justiça comum (autos n°s 14.175/0000, 14.176/000, etc, da 3ª Vara Fazenda Pública da Capital); n) a adesão da parte à anistia dos créditos tributários estaduais não implica em reconhecimento dos créditos tributários federais, mesmo porque, a decisão judicial transitada em julgado na ação anulatória, que decidiu pela imprescindibilidade da prova pericial junto ao PAF, pontificou que os procedimentos realizados pela Receita Estadual não podem ser utilizados como elemento de prova pela Receita Federal, sem que seja realizada perícia técnica que aponte a existência ou não de lucro real no período, não podendo, portanto, ser descumprida pelo Fisco, sob pena de usurpação da jurisdição do poder judiciário e do óbice intransponível do manto da coisa julgada (cláusula pétrea de nossa Constituição Federal - CF - art. 5º, XXXVI); o) ao final, requer: (i) a extinção de eventual crédito tributário, em face da decadência ou prescrição; (ii) a nulidade da notificação de reabertura do PAF realizada via Edital; (iii) a nulidade do Termo de Informação de Diligência, pois além dos vícios assinalados, fundamentou-se, única e exclusivamente, no processo fiscal estadual, em manifesta contrariedade à decisão judicial transitada em julgado, não podendo, portanto, substituir a prova pericial determinada; (iv) cancelamento das autuações, com a imediata baixa junto aos cadastros da Receita Federal do Brasil. Da decisão da DRJ: A decisão da DRJ, como já exposto logo no início do presente relatório, julgou a impugnação improcedente, o que foi acompanhado unanimamente pelos seus pares do colegiado de primeiro grau administrativo. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 RETORNO DOS AUTOS PARA REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Fl. 327DF CARF MF 10 Tendo as decisões administrativas de 1ª e 2ª instâncias sido anuladas por decisão judicial transitada em julgado, porquanto foi negada a realização da prova pericial requerida pela impugnante, procede-se ao novo julgamento de 1ª instância. PERÍCIA CONTÁBIL. IMPOSSIBILIDADE. Inviável a realização da pericial contábil requerida pela impugnante quando o perito por ela indicado declara não mais possuir elementos técnicos para sua realização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO DE ATOS E DECISÕES AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o disposto no art. 23 do Decreto 70.235, de 1972, as intimações de atos e decisões do processo administrativo fiscal devem ser enviadas à própria contribuinte, inexistindo previsão para envio ao endereço de advogados ou representante em local diverso ao domicílio tributário eleito pela contribuinte. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Válida é a intimação por edital quando resultar improfícuo um dos meios previstos no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, a intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico. ASSUNTO: FINSOCIAL Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas correspondentes. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. A prática da emissão de “nota calçada” - procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior - configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS. Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 DECADÊNCIA. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 323 11 Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos- base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal (contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de “notas calçadas”. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Como a prescrição não corre contra quem não pode agir (agere non valenti non currit praescriptio), o prazo prescricional de cinco anos é contado somente a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, nos termos do caput do artigo 174 do CTN, ou seja, a partir do momento em que a Fazenda Pública puder exigir, do devedor, a prestação tributária; estando o presente processo pendente de decisão administrativa definitiva, haja vista a decisão judicial transitada em julgado ter anulado as decisões administrativas de 1ª e 2ª instâncias anteriormente proferidas, o prazo prescricional somente começará a fluir após a notificação da nova decisão administrativa definitiva. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extrai-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: - considerou as alegações de defesa apresentadas em 29/10/1990 e em 09/07/2015; - da nulidade da intimação por edital, pois não fora dirigido ao advogado, conforme alega, o acórdão recorrido decidiu que o processo administrativo é informal, não seguindo o mesmo rigor que os processos judiciais. Cita ementas de acórdãos do CARF sobre a matéria, em que as intimações relativas a atos e decisões do processo administrativo são efetuadas pessoalmente ao próprio contribuinte, no seu domicílio tributário. De qualquer forma, em análise material, não se encontra nos autos qualquer requerimento para que as intimações fossem para o endereço do representante legal, e que o auditor-fiscal designado como perito se dirigiu ao domicílio tributário do contribuinte, onde constatou outra empresa não relacionada no endereço; - decadência e prescrição, em que o contribuinte, então impugnante, alega que a execução fiscal foi considerada extinta em 19/08/1999, e a Fazenda Nacional arquivou a ação em 30/09/2003, apenas em abril/2014 é que a DRF/Curitiba resolveu reabrir os PAF's. Assim, alega que ocorreu prescrição ou decadência para reabrir o PAF. A DRJ entendeu que no Fl. 329DF CARF MF 12 presente caso, não há mais que se falar em decadência, já que o auto de infração foi regulamente constituído com a ciência em 01/10/1990. Igualmente, a decisão judicial anulou apenas o processo administrativo fiscal. Quanto à prescrição, o art. 174 do CTN estabelece que o prazo é contado somente a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou seja, a partir do momento que a Fazenda Pública puder exigir, do devedor, a prestação tributária. A DRJ também evoca a súmula 11 do Carf a respeito; - quanto ao pleito de perícia contábil/fiscal, o perito indicado pelo contribuinte foi instado a realizar a perícia, após decisão judicial pertinente, mas o mesmo se negou a fazer. Demais alegações de que não foi a contribuinte intimada a respeito, ela não atualizou seu domicílio tributário, o que impediu o contato da autoridade fiscal a respeito; - quanto ao protesto do contribuinte contra o fato da autoridade fiscal ter se baseado em prova emprestada do fisco estadual, a DRJ rejeito pois há amparo legal (citado no voto) para tanto, e jurisprudência administrativa formada sobre a matéria no CARF; - quanto à questão das notas calçadas, em que o contribuinte alega que seriam meras presunções e indícios, a DRJ entendeu que há uma prova direta da omissão de receitas. Igualmente, os lançamentos do ICMS foram integralmente mantidos na esfera administrativa da Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná. A sua alegação de que os valores do ICMS foram anistiados não procede, pois o que foi anistiado foram as multas e a atualização monetária sobre ela incidente; - quanto à glosa de despesas operacionais não comprovadas, não há elementos arguidos (e nem provas) pelo contribuinte, mas como solicita o cancelamento integral da autuação fiscal, a DRJ entendeu por bem ressaltar que está devido o lançamento desta parte da matéria principal do auto de infração. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência do v. acórdão de primeiro grau administrativo em 09/09/2015, apresentou o recurso voluntário em 05/10/2015, ou seja, tempestivamente. No seu recurso voluntário, expõe e repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória. Sucintamente, em contraponto à decisão recorrida, replica a mesma linha argumentativa da sua peça impugnatória, dos quais destaco os seguintes pontos: - traz alegações de decadência e prescrição - requer a nulidade da intimação por edital; - que a não realização da prova pericial se deu por culpa única e exclusiva do fisco; - alega que a anistia do estado do Paraná foi no sentido de praticamente zerar os débitos do ICMS em discussão; - seu pedido foi na seguinte linha: DO PEDIDO Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 324 13 Diante do exposto, requer-se seja o RECURSO VOLUNTÁRIO provido em todos os seus fundamentos para o fim de extinguir eventual crédito tributário, em face da decadência ou prescrição, ou, caso não seja este o entendimento deste CARF, para decretar a nulidade do feito por cerceamento de defesa, seja peia nulidade da notificação de reabertura do PAF realizada via Edital, seja pela ilegal supressão da prova pericial, em manifesta ofensa à coisa julgada, por ser de direito e merecida Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Da situação processual Como e apesar de já relatado acima, o presente processo envolve algumas peculiaridades, dos quais procurarei sintetizar abaixo. Trata o presente processo de auto de infração de Finsocial, cientificado em 01/01/1990. Na autuação fiscal, houve a imputação das seguinte infrações: a) omissão de receitas caracterizada por notas fiscais calçadas, apuradas com base em levantamento do fiscal estadual do estado Paraná, mediante o confronto entre a primeira e quinta vias de inúmeras notas fiscais emitidas pela recorrente ao longo dos anos- calendário de 1985 a 1988; b) glosa de despesas operacionais por falta de comprovação, no ano- calendário de 1985, pois as notas fiscais estariam por demais simplificadas e/ou sem identificação do beneficiário. A recorrente, então impugnante, apresentou impugnação procurando justificar que tais notas fiscais calçadas teriam sido emitidas em sua autorização por, então, ex- funcionários, demitidos por justa causa, com o intuito de vender créditos a pessoas a eles coniventes. Informou que não houve nenhum dano ao erário, pois as notas fiscais com objetivo de venda de crédito não foram computadas para efeito de apuração de estoque, razão pela qual Fl. 331DF CARF MF 14 requereu a produção de prova pericial, como forma de comprovação da existência ou não de tal dando ao erário. Em julgamento realizado em 21/03/1991, à época realizado pela DRF/Curitiba, indeferiu o pedido de realização de perícia e, no mérito, manteve integralmente a autuação fiscal, decisão esta, após recurso voluntário, confirmada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão proferido em 17/11/1992. A recorrente interpôs recurso especial a CSRF, ao qual foi negado sua admissibilidade. Desta sorte, os valores autuados foram inscritos na Dívida Ativa da União e objeto de execução fiscal. Contudo, a execução fiscal foi cancelada em virtude de posterior decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional cancelou a inscrição em Dívida Ativa da União em 22/04/2014, e devolveu o processo à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esta decisão judicial, no que tange ao primeiro grau judicial, foi proferida em 29/03/1996, pelo entendimento de que haveria imperiosa necessidade de perícia contábil/fiscal para se apurar a alegada prática de omissão de receita, em que entendeu por anular o procedimento administrativo a partir da decisão da DRF/Curitiba, que negou a realização de prova pericial. Em 19/08/1999, o TRF da 4ª Região acolheu e confirmou a decisão do juiz de primeiro grau, tendo tal decisão transitado em definitivo em 16/11/1999. Por conseguinte, o presente processo recomeçou desde o julgamento da peça impugnatória, recomeçando o processo administrativo fiscal a partir deste momento. Dos pontos suscitados no recurso voluntário: Primeiramente, cabe destacar que a recorrente interpõe recurso idêntico para os processos 10980.007686/90-01, 10980.007681/90-89, 10980.007683/90-12 e 10980.007685/90-30, todos pautado nesta sessão. Cita também os processos 10980.007684/90-77 e 10980.007682/90-41 na sua peça recursal. Em relação ao processo 10980.007684/90-77, que envolve o tributo IRRF, já houve decisão neste CARF, na câmara baixa, da autuação fiscal, tendo sido negado provimento na sua integralmente às alegações do recurso voluntário, nos termos do acórdão 1302-003.169, sessão de 18/10/2018. No momento, está na unidade local de circunscrição do contribuinte aguardando prazo da ciência da decisão por edital, conforme pesquisas efetuadas no sistema e- processo. Em relação ao processo 10980.007682/90-41, que envolve o tributo CSLL, a DRJ cancelou a autuação fiscal, pois a exigência de tal tributo até 1988 foi declarada constitucional, nos termos do acórdão 06-53220, em sessão de 17/08/2015. Conforme pesquisas efetuadas no sistema e-processo, este processo está parado na unidade de circunscrição do contribuinte. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 325 15 Como as matérias alegadas são idênticas em todos os processos agora pautados (10980.007686/90-01, 10980.007681/90-89, 10980.007683/90-12 e 10980.007685/90-30), passo a analisar cada um dos processos. - das alegações de decadência e prescrição Alega a recorrente que em virtude da ação judicial de primeiro grau, e confirmada pelo segundo grau judicial - TRF da 4ª Região em 19/08/1999, cujo acórdão transitou em julgado em 16/11/1999, que extinguiu a execução fiscal promovida pelo presente processo após transcorrido todo o processo administrativo fiscal então vigente, bem como extinguiu os débitos fiscais do presente processo.Aduz que a Fazenda Nacional foi intimada da baixa dos autos em 23/04/2002 (na ação ordinária) e em 26/08/2003 (na execução fiscal), sendo que ambas ações judiciais encaminhadas para baixa e arquivamento em 30/09/2003. Assim, alega que apenas em abril/2004, após pleito incidental de baixa de arrolamento administrativo dos 2 caminhões que ficaram com registro de alerta no Detran em decorrência dos referidos débitos, é que a DRF Curitiba resolveu reabrir os processos administrativos fiscais em questão. Desta forma. alega que o processo incorreu em prazo prescricional ou decadencial, que se iniciara com a decisão que anulou o processo administrativo fiscal em 16/11/1999, data a partir da qual a Fazenda Nacional poderia ter reaberto o processo, o que não ocorreu. Assim, pelo transcurso do prazo de 15 (quinze) anos entre esta data da decisão judicial e a data da reabertura do processo, e o mesmo ter ficado paralisado todo este período, entende a recorrente que teria havido a extinção de créditos tributários pela prescrição ou decadência, na forma dos artigos 173, II, e 174 do Código Tributário Nacional (CTN) ou do artigo 1°, § 1°, da Lei n° 9.873, de 1999. A decisão a quo entendeu que o direito da Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se, na regra geral, no prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador. Ressalta que, no presente caso, como o lançamento fiscal foi regularmente cientificado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos-base de 1985 a 1988. Ainda ressalta que, da mesma forma, não cabe a alegação de nulidade formal do processo administrativo de lançamento e constituição do crédito tributário, com contagem do prazo de cinco anos a partir da decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, consoante disposto no artigo 173, inciso II, do CTN, porquanto a decisão judicial transitada em julgado não anulou o lançamento fiscal, mas apenas o processo administrativo a partir da decisão proferida pela DRF/Curitiba em 21/03/1991. Entendeu que quanto à alegação de que extinguiu a execução fiscal, seria descabida, pois a mesma fora é sobrestada por decisão judicial. Antes de qualquer outra construção, entendo pertinente reavaliar o conteúdo e respectiva extensão dos efeitos da decisão judicial evocada pela recorrente. Nos temos da decisão judicial de primeiro grau, consta ao seu final o seguinte: À vista do exposto e o mais que dos autos consta julgo procedente a ação anulatória de débito fiscal, simultaneamente com a medida cautelar em apenso, o que faço para anular o Fl. 333DF CARF MF 16 procedimento administrativo noticiado nos autos, a partir da decisão que negou a realização da prova pericial. (grifo meu) A decisão judicial de segundo grau - TRF 4ª Região - confirmou a decisão retromencionada, nos seguintes termos na sua conclusão, após transcrever excertos da decisão judicial de primeiro grau em questão: Por acolher o mesmo entendimento esposado pelo Juízo a quo, reporto-me à decisão acima transcrita como razão de decidir. Ou seja, a decisão judicial não anulou a constituição do crédito tributário, e sim, a decisão de primeiro grau administrativo (na época a DRF) que negou a perícia. Assim, na mesma linha da decisão a quo, entendo que no momento que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal, em 01/10/1990, e apresentou impugnação em 29/10/1990, a exigibilidade foi suspensa nos termos do art. 151, inciso III do CTN1. Como o processo aqui em questão ainda se encontra pendente de decisão administrativa definitiva, em virtude da decisão judicial transitada em julgado ter anulado as decisões administrativas de 1a e 2a instâncias anteriormente proferidas, o prazo prescricional previsto no caput do artigo 174 do CTN somente começará a fluir com a notificação da decisão, desfavorável à recorrente, do último recurso administrativo por ela impetrado. Quanto às alegações que o presente processo incorreu em prescrição intercorrente, nos termos do artigo 1°, § 1°, da Lei n° 9.873, de 23 de novembro de 1999, ao qual cito abaixo: Art. 1°. Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1°. Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. § 2o. Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração também constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal. Art. 1°-A. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de multa por infração à legislação em vigor. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 326 17 Ressalte-se que apesar do artigo 5° da mesma norma legal dispor expressamente que a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária: Art. 5°. O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Assim, configurada a situação acima, resta a aplicação da aplicação da Súmula 11 do CARF dispõe que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por todo o acima exposto, VOTO por rejeitar as alegações relativas à decadência, prescrição e prescrição intercorrente do crédito tributário. - da alegação de nulidade da intimação por edital Alega a recorrente que houve nulidade da intimação por edital para ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal, sob o argumento de ofensa aos princípios do devido processo legal e da publicidade, pois não teria havido o esgotamento dos meios para a localização da empresa. Alega que o advogado constituído no processo deveria ter sido intimado de todos os atos do processo indispensáveis à defesa. Contudo, não há respaldo legal para tal pleito. A administração tributária não tem obrigação e nem respaldo legal para efetuar a intimação de atos processuais na pessoa e no domicílio do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. As intimações no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são regidas pelo art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que limita o envio ao endereço postal fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, não contemplando o endereçamento a advogados ou representantes localizados em domicílio diverso. Tal matéria atualmente encontra-se sumulada, nos termos da súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Cabe frisar que além da falta de previsão legal e matéria já sumulada quanto à intimação diretamente ao advogado da recorrente, para ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal, não há nos autos qualquer requerimento no sentido de que as intimações fossem dirigidas ao representante legal. Com relação à intimação por edital, registrou-se que o Auditor Fiscal designado como perito na União Federal, Celso Guimarães Senra Vidal, se dirigiu, em 12/11/2014, ao domicílio tributário declarado pela interessada no cadastro do CNPJ, à Rua José Fl. 335DF CARF MF 18 Antunes Ferreira, 83, CIC, Curitiba/PR, onde constatou que estava estabelecida a empresa São Gabriel Transportes, Logística e Distribuição Ltda. (CNPJ n° 115.488.297/0001-53), conforme relatado no Termo de Diligência Fiscal. Nesse sentido, considerando que § 1° do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelas Leis n°s 11.196, de 2005, e 11.941, de 2009, dispôs que a intimação poderá ser feita por edital quando resultar improfícuo um dos meios previstos naquele artigo - intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico - o Termo de Início de Diligência Fiscal foi cientificado por meio do Edital Sefis n° 165/2014, afixado no período de 12 a 27/11/2014. Pelo exposto, não há como acatar a alegação de não ter sido intimada a realizar a perícia determinada por decisão judicial transitada em julgado, VOTO por rejeitar as alegações da recorrente a respeito. - da questão da prova pericial e da validade da constituição do crédito tributário Alega a recorrente na sua peça recursal que a não realização da prova pericial se deu por culpa única e exclusiva do fisco. Entende que a sentença judicial teria sido clara quanto à imprescindibilidade da prova pericial, pois no seu entender, o lançamento dos créditos tributários federais foi realizado sem qualquer elemento de prova, algo que estaria no teor da sentença judicial. Traz alegações de que o assistente técnico apenas alegou que não tinha mais os documentos, que estariam com o contribuinte. Aqui cabe ressaltar algo já analisado na decisão a quo. Quando os autos retornaram à alçada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, voltaram no seu estágio que a sentença judicial decidiu ao anular o procedimento administrativo da DRF (então 1ª instância administrativa) e suas etapas subsequentes. Ou seja, retorna os autos em fase posterior à impugnação, para a prova pericial requerida pelo contribuinte então, negada administrativamente, e albergada judicialmente. Assim, os autos retornaram à DRJ de Curitiba, a qual em 14/05/2012 despachou o processo, devolvendo à DRF de Curitiba para: a) designar servidor, como perito da União, para realizar o exame pericial dos livros comerciais e fiscais da interessada dos períodos-base de 1985 a 1988 e correspondente documentação comprobatória, porventura ainda existentes, para atestar se foram efetivamente realizadas as operações de venda de mercadorias retratadas nas primeiras vias das notas fiscais arroladas pela fiscalização do IRPJ; b) determinar que o perito indicado pelo sujeito passivo, o contador Euclides Locatelli, seja intimado a realizar o exame à época requerido, como forma de comprovar "a existência ou não de dano ao erário público"; c) considerando que na sentença proferida em 29/03/1996, o Juiz Federal da 6a Vara Federal acolheu a tese de que há vinculação entre a ação fiscal em análise (IRPJ e lançamentos reflexos) com a ação fiscal realizada pela fiscalização do ICMS, razão pela qual entendeu que não há como se negar a adoção da figura da "prova emprestada", obter cópia da decisão proferida pela Receita Estadual no julgamento dos autos de infração n°s 3.612.315-7, 3.612.316-2 e 3.612.317-3 e demais autuações de ICMS relacionadas com as notas fiscais Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 327 19 arroladas pela fiscalização do IRPJ; em caso de manutenção, total ou parcial, das exigências de ICMS, confirmar se os débitos correspondentes foram pagos, parcelados ou extintos de outra forma pelo contribuinte. O Auditor designado como perito da União Federal, Celso Guimarães Senra Vidal, lavrou Termo de Informação de Diligência, por meio do qual relatou as seguintes constatações: a) quanto à solicitação de exame dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do sujeito passivo dos anos-calendário de 1985 a 1988, informa que se dirigiu ao domicílio tributário declarado pela interessada no cadastro do CNPJ - à Rua José Antunes Ferreira, 83, CIC, Curitiba/PR -, onde constatou que estava estabelecida a empresa São Gabriel Transportes, Logística e Distribuição Ltda. (CNPJ n° 115.488.297/0001-53), razão pela qual o Termo de Início de Diligência Fiscal foi cientificado por meio do Edital/Sefis n° 165/2014, afixado no período de 12 a 27/11/2014, mas resposta alguma foi apresentada; b) com relação à determinação para que o perito indicado pelo sujeito passivo, Euclides Locatelli, realizasse o exame requerido, informa que após contato telefônico, referido perito compareceu pessoalmente na DRF Curitiba para entregar termo esclarecendo que "quanto à Perícia Contábil, carece de elementos técnicos para a sua realização"; c) no que diz respeito à obtenção de cópia das decisões proferidas pela Receita Estadual, informa que, em resposta aos Ofícios n° 395/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 09/10/2014, e 421/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 19/10/2014, a Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual, por meio do Ofício n° 88/2014 - IGT, de 07/11/2014, forneceu os seguintes documentos: (i) cópia das decisões proferidas no julgamento dos autos de infração n°s 3612315-7, 3612316-5, 3612317-3 e 3687383-0; (ii) tela com dados de débitos inscritos em dívida ativa e incluído em parcelamentos; (iii) Informação n° 504/2014 da Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual, no qual consta que os autos de infração n°s 3612315-7, 3612316-5 e 3612317-3 (lavrados em 18/03/1988) e n°s 3687383-0 e 3687384-9 (lavrados em 19/09/1990) foram objeto de parcelamento pelo sujeito passivo, estando totalmente quitados, enquanto os autos de infração n°s 3687381-4 e 3687382-2 (lavrados em 19/09/1990) foram pagos pelo sujeito passivo; d) ao final, considerando a manutenção de todos os autos de infração lavrados na esfera estadual, concluiu que as operações retratadas nas primeiras vias das notas fiscais arroladas nos autos foram efetivamente realizadas. O processo foi devolvido para a DRJ Curitiba para novo julgamento que, por meio do Despacho n° 7, de 27 de fevereiro de 2015, encaminhou novamente o processo à DRF Curitiba para que fosse dado ciência do Termo de Informação de Diligência à Recorrente e a seu sócio-gerente Oscar Ferreira Pinto, com consequente abertura de prazo de 30 dias para oportunizar a apresentação de manifestação. Como o AR com o Termo de Informação de Diligência enviado à Recorrente foi devolvido com o motivo "MUDOU-SE", a contribuinte foi cientificada por Edital Eletrônico publicado em 17/03/2015 . O AR enviado a Oscar Ferreira Pinto foi devolvido com o motivo "FALECIDO", mas autoridade fiscal informou que foi dada ciência postal do relatório de diligência à atual sócia administrativa da sociedade, Laura Crispin, que, por intermédio de seus representantes legais, apresentou nova Impugnação, em 09/07/2015. Fl. 337DF CARF MF 20 Assim, houve demonstração cabal do intento da autoridade fiscal de localizar representante da recorrente. Sobre essa alegação, o acórdão recorrido registrou que, era necessário reiterar que, a ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal foi dada por meio do Edital/Sefis n° 165/2014 em decorrência exclusiva do fato de a interessada não ter atualizado o seu domicílio tributário no cadastro do CNPJ, o que impediu que ela fosse localizada para acompanhar a perícia contábil/fiscal por ela requerida na impugnação apresentada em 29/10/1990. A DRJ salientou que, independentemente das razões pelas quais o processo em tela somente foi devolvido pela Procuradoria da Fazenda Nacional para a Receita Federal do Brasil em 22/04/2014, o fato é que a perícia contábil/fiscal determinada pela decisão judicial transitada em julgado é aquela requerida na impugnação apresentada em 29/10/1990, com fundamento no disposto no artigo 17, parágrafo único, do Decreto n° 70.235, de 1972, na qual foi indicado o contador Euclides Locatelli como seu perito. Destaca que, como na manifestação de 09/07/2015 a Recorrente limitou-se a demonstrar irresignação contra o fato de a autoridade fiscal não ter intimado os advogados por ela constituídos para apresentar a documentação que comprovaria a inexistência de dano ao erário público (o quesito formulado para o exame pericial requerido em 29/10/1990), a Recorrente teria perdido nova oportunidade para demonstrar que não ocorreram as operações registradas nas primeiras vias das notas fiscais arroladas nos autos, pois sequer um indício de prova foi apresentado em sua defesa. Com relação à alegação de que as atividades da Recorrente, pelo seu movimento econômico, não poderiam jamais gerar um lucro real no montante apurado pela autoridade fiscal, a DRJ registrou que, não havia como se deixar de ponderar a possibilidade de a contribuinte, da mesma forma que procedeu com as "notas calçadas", ter deixado de escriturar parte das aquisições de mercadorias para revenda. Pelo exposto, compartilho do entendimento da DRJ no sentido de que foram cumpridas as determinações cabíveis para atender ao pedido de perícia contábil/fiscal e, sendo assim, não há cerceamento de defesa, nem mesmo infração ao princípio do devido processo legal. De qualquer forma, conforme ressaltado pela DRJ, ainda que não tenha sido possível realizar a perícia contábil/fiscal requerida pela Recorrente, há nos autos elementos probatórios que permitem a formação de convicção de ocorreram as operações registrada nas primeiras vias das notas fiscais arroladas nos autos. No que tange à prova emprestada, na qual a recorrente protestou do fato da Receita Federal ter-se baseado em autos de infração de ICMS lavrados pela Receita Estadual lavrados em 18/03/1988 e 19/09/1990, a doutrina processual entende que como totalmente aceito, com previsão no Código de Processo Civil e até no CTN (art. 199). A jurisprudência administrativa do CARF também admite a utilização da prova emprestada produzida pela fiscalização estadual, conforme pesquisa nos acórdãos. De qualquer forma, inobstante seja legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de provas da infração produzidas em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, cabe destacar que o lançamento em análise não se limita a simples transposição das conclusões da fiscalização do ICMS, pois a omissão de receitas está efetivamente comprovada pelas notas Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 328 21 fiscais emitidas pela interessada (primeiras e quintas vias), cuja análise autoriza concluir pela prática da emissão de “notas calçadas”. No lançamento fiscal foi constatada a prática da emissão de “notas calçadas”, procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrado um valor inferior para fins contábeis e fiscais, prática considerada crime de sonegação fiscal pelo artigo 1º, inciso III, da Lei nº 4.729, de 14, de julho de 1965, e enquadrada como crime contra a ordem tributária pelo artigo 1º, inciso III, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Mediante confronto entre as primeiras e quintas vias das notas fiscais abaixo relacionadas, foi apurada uma omissão de receitas no montante de Cr$ 5.101.559.752,00, Cz$ 11.936.206,84, NCz$ 14.827.680,04 e NCz$ 1.832.715,66 nos períodos-base de 1985, 1986, 1987 e 1988, respectivamente: Omissão de Receitas – Período-base 1985 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 2941 1ª via 01/02/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 257.900.642,00 5ª via 28/03/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 75.950,00 257.824.692,00 2954 1ª via 12/02/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 201.780.000,00 5ª via 29/03/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 37.975,00 201.742.025,00 2973 1ª via 23/02/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 73.207.200,00 5ª via - Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 82.836,00 73.124.364,00 2989 1ª via 13/04/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 75.000.000,00 5ª via 30/03/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 89.208,00 74.910.792,00 3841 1ª via 26/06/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 340.317.015,00 5ª via 20/06/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 192.979,00 340.124.036,00 3852 1ª via 26/06/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 340.282.114,00 5ª via 21/06/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 111.829,00 340.170.285,00 3868 1ª via 25/07/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 348.987.733,00 5ª via 3106/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 180.646,00 348.807.087,00 3877 1ª via 26/07/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 343.695.945,00 5ª via 24/06/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 104.045,00 343.591.900,00 4937 1ª via 17/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.057,00 5ª via 13/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 195.084,00 342.775.973,00 4956 1ª via 18/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.056,00 5ª via 14/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 162.756,00 342.808.300,00 4975 1ª via 22/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.056,00 5ª via 16/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 160.992,00 342.810.064,00 4986 1ª via 24/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.056,00 5ª via 17/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 120.612,00 342.850.444,00 5000 1ª via 13/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 289.646.879,00 5ª via 18/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 121.932,00 289.524.947,00 5025 1ª via 18/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 289.646.879,00 5ª via 19/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 157.884,00 289.488.995,00 5066 1ª via 23/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 287.625.000,00 5ª via 23/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 700.752,00 286.924.248,00 5067 1ª via 23/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 287.625.000,00 5ª via 23/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 455.196,00 287.169.804,00 5223 1ª via 30/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 135.100.000,00 5ª via 30/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 114.400,00 134.985.600,00 5903 1ª via 13/11/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 97.500.000,00 Fl. 339DF CARF MF 22 Omissão de Receitas – Período-base 1985 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 5ª via 13/11/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 234.108,00 97.265.892,00 6042 1ª via 25/11/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 65.000.000,00 5ª via 25/11/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 234.108,00 64.765.892,00 6293 1ª via 30/11/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 300.145.272,00 5ª via 30/11/1985 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cr$ 250.860,00 299.894.412,00 Total 1ª via Cr$ 5.105.343.904,00 5ª via Cr$ 3.784.152,00 5.101.559.752,00 Omissão de Receitas – Período-base 1986 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 7140 1ª via 10/01/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 640.967,04 5ª via 31/01/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 81,14 640.885,90 7151 1ª via 15/01/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 640.967,04 5ª via 31/01/1986 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 41,41 640.925,63 7175 1ª via 20/01/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 646.358,47 5ª via - Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 51,72 646.306,75 7176 1ª via 05/02/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 449.736,00 5ª via 07/02/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 65,28 449.670,72 7200 1ª via 12/02/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 449.736,00 5ª via 07/02/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 59,28 449.676,72 7201 1ª via 18/02/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 525.527,91 5ª via 07/03/1986 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 57,34 525.470,57 7765 1ª via 02/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 70.800,00 5ª via 02/04/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 121,00 70.679,00 7897 1ª via 08/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 70.800,00 5ª via - Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 68,20 70.731,80 8184 1ª via 23/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 49.350,00 5ª via 23/04/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 112,00 49.238,00 8210 1ª via 24/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 43.500,00 5ª via 24/04/1986 Diprobel Represent.Comerciais Cz$ 60,36 43.439,64 8211 1ª via 24/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 65.250,00 5ª via 24/04/1986 Diprofarma Distr.Prod.F.Mar Cz$ 112,00 65.138,00 8284 1ª via 28/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 57.450,00 5ª via 28/04/1986 Delfarma Farm.Perfumaria Cz$ 60,36 57.389,64 8304 1ª via 29/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 749.760,00 5ª via 29/04/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 68,20 749.691,80 8444 1ª via 08/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 35.400,00 5ª via - Diprobel Repres.Comerciais Cz$ 112,00 35.288,00 8445 1ª via 08/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 5.814,00 5ª via 08/05/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 60,36 5.753,64 8507 1ª via 15/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 106.200,00 5ª via 15/05/1986 Dimecal Distr.Catar.Med.Ltda. Cz$ 60,36 106.139,64 8647 1ª via 22/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 6.756,00 5ª via - Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 60,36 6.695,64 8668 1ª via 22/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 229.800,00 5ª via 22/05/1986 Drogabem Com.Med.Perf.Ltda. Cz$ 60,36 229.739,64 8719 1ª via 30/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 114.900,00 5ª via 27/05/1986 Daniel Floriano & Cia.Ltda. Cz$ 78,72 114.821,28 8808 1ª via 02/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 90.000,00 5ª via 02/06/1986 Deltron Assess.Proj.Elétr.Ltda. Cz$ 78,72 89.921,28 8949 1ª via 10/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 90.000,00 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 329 23 Omissão de Receitas – Período-base 1986 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 5ª via - Divino Matinho de Oliveira Cz$ 86,16 89.913,84 8950 1ª via 10/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 83.000,00 5ª via 30/06/1986 Dep.Mat.Const.Triângulo Ltda. Cz$ 86,16 82.913,84 9029 1ª via 13/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 51.840,00 5ª via 13/06/1986 Drogarei Farmática Ltda. Cz$ 78,72 51.761,28 9383 1ª via 02/07/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 130.500,00 5ª via 02/07/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 78,72 130.421,28 9660 1ª via 15/07/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 136.500,00 5ª via 15/07/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 78,72 136.421,28 9923 1ª via 26/07/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 46.500,00 5ª via 26/07/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 46.080,00 10157 1ª via 07/08/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 43.500,00 5ª via 07/08/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 525,00 42.975,00 10962 1ª via 09/09/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 46.500,00 5ª via 09/09/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 756,00 45.744,00 10979 1ª via 27/06/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 567.560,00 5ª via 09/09/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 504,00 567.056,00 10992 1ª via 24/07/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 587.893,63 5ª via 09/09/1986 Krei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 363,36 587.530,27 11001 1ª via 28/07/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 587.893,64 5ª via 10/09/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 363,36 587.530,28 11010 1ª via 05/08/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 594.655,70 5ª via 10/09/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 527,04 594.128,66 11033 1ª via 14/08/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 594.655,71 5ª via 10/09/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 588,00 594.067,71 11042 1ª via 21/09/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 573.724,11 5ª via 10/09/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 420,00 573.304,11 11170 1ª via 19/09/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 43.500,00 5ª via 15/09/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 672,00 42.828,00 11675 1ª via 24/10/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 27.000,00 5ª via 24/10/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 252,00 26.748,00 11714 1ª via 07/11/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 55.800,00 5ª via 07/11/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 55.380,00 11751 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 528.439,80 5ª via 17/11/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 420,00 528.019,80 11768 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 530.046,00 5ª via 21/11/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 529.626,00 11778 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 538.077,00 5ª via 25/11/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 537.657,00 11791 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 540.486,30 5ª via 02/12/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 420,00 540.066,30 11811 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 498.766,90 5ª via 02/12/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 336,00 498.430,90 Total 1ª via Cz$ 11.945.911,25 5ª via Cz$ 9.704,41 11.936.206,84 Omissão de Receitas – Período-base 1987 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 2674 1ª via 23/02/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.625.000,00 Fl. 341DF CARF MF 24 Omissão de Receitas – Período-base 1987 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 5ª via - Café Alvorada S/A Cz$ 294,00 1.624.706,00 2696 1ª via 24/02/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.625.000,00 5ª via Kyrlei Boff Cz$ 398,25 1.624.601,75 2743 1ª via 25/02/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.549.192,50 5ª via 30/03/1987 Matusita & Cia.Ltda. Cz$ 437,80 1.548.754,70 3954 1ª via 22/06/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 705.614,04 5ª via 22/06/1987 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 154,00 705.460,04 3972 1ª via 26/06/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 705.819,38 5ª via 23/06/1987 Kyrlei Boff Cz$ 214,17 705.605,21 5425 1ª via 31/08/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.874.592,84 5ª via 30/09/1987 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 657,60 1.873.935,24 5476 1ª via 09/09/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.875.120,30 5ª via 30/09/1987 Kyrlei Boff Cz$ 421,56 1.874.698,74 5495 1ª via 18/09/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.875.120,30 5ª via 06/10/1987 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 807,96 1.874.312,34 5558 1ª via 26/09/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.875.166,56 5ª via 08/10/1987 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 622,20 1.874.544,36 5625 1ª via 15/10/1987 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 900.000,00 5ª via 15/10/1987 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 622,20 899.377,80 5839 1ª via 28/10/1987 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 222.000,00 5ª via 28/10/1987 Kyrlei Boff Cz$ 316,14 221.683,86 Total 1ª via Cz$ 14.832.625,92 5ª via Cz$ 4.945,88 14.827.680,04 Omissão de Receitas – Período-base 1988 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 7812 1ª via 29/01/1988 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 1.836.000,00 5ª via 29/02/1988 Jady Coml.de Cosmét.Ltda. Cz$ 3.284,34 1.832.715,66 Total 1ª via Cz$ 1.836.000,00 5ª via Cz$ 3.284.34 1.832.715,66 Observe-se que nas primeiras vias dessas notas fiscais constam expressivas vendas de mercadorias para apenas dois clientes, Casa do Perfume Ltda. (CNPJ nº 21.174.305/0001-90, com sede em Belo Horizonte/MG) e Cosmetel Perfumaria e Cosméticos Ltda. (CNPJ nº 48.213.714/0001-04, em São Paulo/SP), enquanto nas quintas vias constam ínfimas vendas a diversos clientes em Curitiba/PR. Por conseguinte, qualquer dúvida acerca da efetividade das vendas registradas nas primeiras vias das notas fiscais foi definitivamente suprimida quando a contribuinte reconheceu a procedência dos autos de infração lavrados pela Receita Estadual, com base nas mesmas operações tributadas nos presentes autos, quando efetuou o pagamento e/ou parcelamento (que exige confissão da dívida) daquelas exigências de ICMS, conforme consta da Informação nº 504/2014 da Inspetoria Geral de Tributação da 1ª Delegacia Regional da Receita do Estado do Paraná: AI/PAF Situação do encerramento do AI/PAF Situação da Dívida Ativa 3612315-7 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 1797553-9 Parcelamento TAP nº 01.517115-4, já quitado 3612316-5 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 1797551-2 Parcelamento TAP nº 01.517115-4, já quitado Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10980.007681/90-89 Acórdão n.º 1402-003.820 S1-C4T2 Fl. 330 25 3612317-3 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 1797552-0 Parcelamento TAP nº 01.517115-4, já quitado 3687383-0 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 1948113-4 Parcelamento TAP nº 01.538531-6, já quitado 3687384-9 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 1922419-0 Parcelamento TAP nº 01.538531-6, já quitado 3687381-4 Baixado por pagamento - 3687382-2 Baixado por pagamento - Esses lançamentos de ICMS foram integralmente mantidos nos julgamentos administrativos de 1ª e 2ª instâncias da Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Paraná: . no julgamento das impugnações apresentadas contra os lançamentos de ICMS, os autos de infração lavrados em 18/03/1988 (nºs 3612315-7, 3612316-5 e 3612317-3) e 19/09/1990 (nºs 3687383-0, 3687384-9, 3687381-4 e 3687382-2) foram julgados integralmente procedentes tanto pela Inspetoria Regional de Tributação da 1ª Delegacia Regional da Receita do Estado do Paraná e como pelo Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná; . os débitos constantes dos autos de infração de ICMS nºs 3612315-7, 3612316-5 e 3612317-3 foram inscritos na Dívida Ativa em 13/03/1990, enquanto os dos autos de infração nºs 3687383-0 e 3687384-9 foram inscritos em 23/04/1994 e 25/06/1993, respectivamente; . os débitos dos autos de infração nºs 3687381-4 e 3687382-2 foram recolhidos pelo sujeito passivo em 02/09/1992; . os débitos dos autos de infração nºs 3612315-7, 3612316-5 e 3612317-3 foram incluídos no parcelamento TAP nº 01.517115-4, com 36 parcelas, tendo a última sido quitada em 17/02/1993, enquanto os débitos dos autos de infração nºs 3687383-0 e 3687384-9 foram incluídos no parcelamento TAP nº 15385316, com 100 parcelas, a última quitada em 24/02/2006. Dessa forma, restando confirmada a divergência entre as primeiras e quintas vias das notas fiscais emitidas pela interessada, voto por manter a exigência correspondente. Conclusão: Em face de todo o exposto acima, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940162/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.766
Decisão:
Resolvem os membros Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.940162/201119 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.766 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de fevereiro de 2019 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Recorrente BALAROTI COMÉRCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão do colegiado a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório para indeferir o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 16 2/ 20 11 -1 9 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.940162/201119 Resolução nº 3402001.766 S3C4T2 Fl. 3 2 Regularmente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, requerendo seja homologada a declaração de compensação em razão da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Em síntese, o Recurso Voluntário apresenta os seguintes argumentos: i) A Recorrente apurou crédito tributário de COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, apresentando PER/DCOMP para compensar débitos nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ii) A compensação não foi homologada em razão de alegada inexistência de crédito, o que não está correto, uma vez que a Receita Federal pode averiguar a existência de "outras receitas/receitas financeiras" contabilizadas pela contribuinte, por meio das declarações apresentadas regularmente. iii) O crédito pleiteado de COFINS decorre da indevida inclusão das receitas financeiras na base de cálculo dessa contribuição. Apresentou planilha e documentos contábeis; iv) A ampliação da base de cálculo da COFINS conferida pela Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, devendo ser garantido o direito do contribuinte recolher a referida contribuição nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, ou seja, incidente sobre o faturamento e não sobre a totalidade das receitas, sendo que a decisão proferida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 585.235, na sistemática de repercussão geral, deve ser reproduzida pelo CARF no processo em epígrafe. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.760, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940156/201153, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3402001.760): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso A Recorrente pede para que seja homologada a declaração de compensação em razão da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e a aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940162/201119 Resolução nº 3402001.766 S3C4T2 Fl. 4 3 Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. O despacho decisório (Rastreamento nº 015078664) de fls. 1 a 4 não homologou a compensação por considerar que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação daqueles informados no PER/DCOMP nº 33350.56231.050209.1.7.041073. Em Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 15 a Contribuinte havia esclarecido que o crédito tem por origem a declaração da inconstitucionalidade em referência, surgindo o crédito tributário oponível ao Fisco referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 509,41 (quinhentos e nove reais e quarenta e um centavos), o qual foi utilizado no PER/DCOMP com atualização pela Taxa Selic, totalizando R$ 915,41 (novecentos e quinze reais e quarenta e um centavos). No acórdão recorrido, a DRJ/CTA reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos termos declarados em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento ao RE 585.235, porém concluiu pela falta de comprovação do crédito pleiteado, conforme abaixo transcrito: De acordo com o § 5º do artigo acima transcrito, em matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de julgamento, realizado nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem todas as unidades da Secretaria da Receita Federal, incluídas as Delegacias de Julgamento, após expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), reproduzir o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito. No presente caso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestandose sobre o julgamento proferido pelo STF no RE 585.235, delimitou a matéria ali decidida nos seguintes termos: “O PIS/Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/Cofins as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira).” Apesar desse entendimento, o pedido não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados. De fato, em sua manifestação a contribuinte, sem apresentar qualquer prova material, simplesmente afirma: (...) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.940162/201119 Resolução nº 3402001.766 S3C4T2 Fl. 5 4 Entretanto, essas informações, por si sós, não fazem prova do direito creditório alegado. Ora, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o valor que teria sido recolhido a maior, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem que o pagamento foi efetuado considerando as receitas financeiras. E essa comprovação deve ser feita, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à incidência da contribuição. Com efeito, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, apresentando comprovação que possa ao menos demonstrar o direito creditório perseguido. Da análise dos autos, constatase que a Recorrente instruiu o Recurso Voluntário com os documentos de fls. 62 a 68, referentes à planilhas, Declaração e Balancete de Verificação, bem como DARF recolhido e Consulta Comprot. Impera esclarecer que, não restando dúvidas quanto ao mérito do pedido (inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998), como ocorre neste caso e, demonstrado pela Contribuinte um indício de prova do direito creditório perseguido, cabe a conversão do julgamento em diligência para que sejam analisados os documentos apresentados com o Recurso Voluntário, possibilitando acurado levantamento que irá influenciar na decisão deste Colegiado. Com isso, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: i) Analise o PERD/COMP nº 33350.56231.050209.1.7.041073 com base nos documentos que instruíram o Recurso Voluntário, intimando a Recorrente para apresentar notas fiscais emitidas, escritas contábil e fiscal e outras comprovações que se fizerem necessárias para verificação da composição da base de cálculo adotada pela Contribuinte, aplicando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos termos da decisão proferida em julgamento ao RE 585.235 pelo Supremo Tribunal Federal; ii) Elabore Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca do resultado da diligência, com a apuração dos valores devidos e os recolhidos, com a discriminação de eventual recolhimento a maior em razão do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; iii) Proceda à intimação da Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940162/201119 Resolução nº 3402001.766 S3C4T2 Fl. 6 5 Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: i) Analise o PERD/COMP com base nos documentos que instruíram o Recurso Voluntário, intimando a Recorrente para apresentar notas fiscais emitidas, escritas contábil e fiscal e outras comprovações que se fizerem necessárias para verificação da composição da base de cálculo adotada pela Contribuinte, aplicando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos termos da decisão proferida em julgamento ao RE 585.235 pelo Supremo Tribunal Federal; ii) Elabore Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca do resultado da diligência, com a apuração dos valores devidos e os recolhidos, com a discriminação de eventual recolhimento a maior em razão do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; iii) Proceda à intimação da Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.724186/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 2402-006.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Redator-Designado ad hoc para formalizar o acórdão
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Redator-Designado ad hoc para formalizar o acórdão Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
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AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da discussão administrativa em razão de ingresso na instância judicial. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício e RedatorDesignado ad hoc para formalizar o acórdão Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 41 86 /2 01 2- 91 Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 13603.724186/201291 Acórdão n.º 2402006.825 S2C4T2 Fl. 1.793 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724186/201291. Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: Tratase de processo que inclui o Auto de Infração (AI) lavrado em 22/12/2012 por descumprimento de obrigação tributária acessória, sob o seguinte DEBCAD nº: 51.001.2817. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. Consta ainda do Relatório Fiscal que: 1) A autuação decorreu da entrega de GFIP com omissão de informações. Tais GFIP foram entregues pela autuada após a edição da Medida Provisória –MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009; 2) A infração foi constatada por meio do exame das folhas de pagamento de salários em arquivo digital exibidas pela empresa, da contabilidade exibida em arquivo digital no formato MANAD, da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF acessada por meio de sistemas internos da RFB, das GFIP acessadas por meio dos sistemas internos da RFB, da Relação Anual de Informações Sociais RAIS acessada por meio dos sistemas internos da RFB, de notas fiscais de pagamentos a cooperativa de trabalho e dos Livros Diários números 47 a 51 registrados na JUCEMG sob os seguintes números respectivamente: 99107515 – 99107516 – 99107517 – 99107518 e 99107519; 3) Por meio de tal exame ficou constatado que a autuada omitiu das GFIP remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais e pagamentos a cooperativa de trabalho nas competências fevereiro a agosto e outubro e novembro de 2008, conforme discriminado na planilha nº 16 denominada APURAÇÃO AIOA CFL 78; 4) Pela infração ao disposto na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997 e redação da Medida Provisória –MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, fica aplicada à empresa a multa no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), respeitado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 – CTN, conforme demonstrado nas planilhas números 14 a 18 denominadas respectivamente DEMONSTRAÇÃO BC E CONTRIBUIÇÕES, APURAÇÃO CFL 68, APURAÇÃO AIOA Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 13603.724186/201291 Acórdão n.º 2402006.825 S2C4T2 Fl. 1.794 3 CFL 78, APURAÇÃO CFL 69 e COMPARATIVO DE MULTAS; 5) Em obediência ao contido no artigo 106 – inciso II – alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, as multas previstas no inciso II do artigo 35 da Lei 8.212/91 e no inciso I da Lei nº 9.430/96, relativas ao Auto de Infração de Obrigação Principal– AIOP, calculadas sobre as contribuições previdenciárias apuradas relativas à parte de segurados e as referentes ao descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à GFIP, foram comparadas por competência, tendo sido adotada pela fiscalização em cada competência a de valor mais benéfico para o sujeito passivo, conforme demonstrado nas planilhas números 14 a 18 citadas acima. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda foi cientificada dos lançamentos por via postal em 03 de janeiro de 2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 68. Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Preliminarmente. Do cancelamento do lançamento. Insurgese contra a metodologia questionável utilizada pela fiscalização: confronto entre os dados de GFIP e DIRF. O trabalho fiscal praticamente limitouse a confrontar dados da GFIP com a DIRF, pouco ou nada importando para a fiscalização que tais modalidades de informações fiscais possuem elementos formadores díspares, como por exemplo, enquanto um adota regime de caixa, o outro adota o regime de competência. Além disso as bases de cálculo são diferentes, pois nem toda verba que é levada à tributação do IRPF necessariamente será tributada pelo INSS. O lançamento que deixar de cumprir os princípios informadores da legalidade, moralidade, publicidade e eficiência não pode ser exigível, pois este ato requer segurança jurídica de que o contribuinte não será privado de seus bens sem o devido processo legal. Pede o cancelamento do presente lançamento. Da inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar valores não recolhidos ou recolhidos a menor pelo contribuinte, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda –ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 13603.724186/201291 Acórdão n.º 2402006.825 S2C4T2 Fl. 1.795 4 qua non à solidariedade vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? Em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, tratase de uma Sociedade de Propósito Específico SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindose quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 13603.724186/201291 Acórdão n.º 2402006.825 S2C4T2 Fl. 1.796 5 Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora das situações previstas pelo próprio art. 124 e 128, do CTN e sem qualquer robusta prova de participação efetiva de mais de uma pessoa na prática do fatogerador. Do exposto, vem o contribuinte requerer o cancelamento do presente lançamento pelas diversas inconsistências apresentadas no trabalho de apuração fiscal e, se porventura, não for esse o entendimento, que sejam desconstituídos todos os termos de responsabilização passiva solidária, a fim de que apenas o contribuinte seja responsabilizado por eventuais valores não recolhidos, bem como que sejam canceladas as exigências de multas às demais empresas pelo princípio da pessoalidade das sanções. Em 21 de janeiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 242244), com a finalidade de que sejam lavrados Termos de Sujeição Passiva, individualizados para cada responsável solidário, a serem inseridos nos autos do presente processo e elaborado novo Relatório Fiscal, contendo as razões da caracterização de grupo econômico de fato. Em atendimento à diligência solicitada, a Fiscalização lavra novo Relatório Fiscal (fls. 246250) e ainda são cientificadas por meio de Termos de Sujeição Passiva Solidária as empresas URB Mix Concreto Ltda, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda, URB Trans Transportes Gerais Ltda e Construtora Marins Ltda. As empresas integrantes do grupo econômico de fato foram cientificadas dos lançamentos por via postal (Avisos de Recebimento às fls. 261265) e por edital (fls. 267). As empresas URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda. apresentam impugnações com o mesmo conteúdo da impugnação da URB Topo Engenharia e Construções Ltda nos tópicos já descritos acima. Aduzem ainda como preliminar a decadência quinquenal do direito de lançar quanto às coobrigadas. A Construtora Marins Ltda. apresenta impugnação aduzindo os seguintes tópicos: decadência do direito de constituição do crédito tributário; inexistência de responsabilidade solidária da impugnante; não configuração de grupo econômico; inaplicabilidade da Lei 12.401/2011; nulidade do presente Auto de Infração; inexistência da conduta ilícita e confiscatoriedade da multa aplicada. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 13603.724186/201291 Acórdão n.º 2402006.825 S2C4T2 Fl. 1.797 6 Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, RedatorDesignado ad hoc para formalizar o acórdão. Pelo fato de o ConselheiroRelator Jamed Abdul Nasser Feitoza, que já não se encontra mais no quadro de Conselheiros do CARF, não ter formalizado o presente acórdão, fui designado para proceder à sua formalização, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 17, inciso III. Destaco, contudo, que apenas formalizei o acórdão, transcrevendo a integra do relatório e do voto apresentados pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, durante a sessão de julgamento, e que foram deixados em pasta compartilhada. Do conhecimento O recurso interposto é tempestivo, no entanto, não preenche todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, não devendo ser conhecido. À fl. 1.031, foi juntada, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, informação no sentido de que haveria em curso ação judicial, concomitantemente à presente demanda, e relativa à mesma matéria, qual seja, os lançamentos efetuados nos Autos de Infração postos no item 3 do Relatório Fiscal de fls. 158 a 173 e fls. 174 a 179. Em vista disso, este colegiado decidiu por converter o julgamento anterior em diligência determinando que viessem aos autos a constatação de movimentação de demanda judicial e suas peças de modo a confirmar ou infirmar a alegação da PGFN quanto a conformação de concomitância de lides. Cumprida a diligência determinada às fls. 1.036 a 1038, restouse evidente, pela peças juntadas, que o litígio judicial apontado pela D. PGFN possui as mesmas partes, objeto e pedido do presente PAF. Isso porque, no documento de fl. 1.044, petição inicial da Ação Ordinária nº 3259966.2016.4.601.3800, movida pelo ora Recorrente, e que tramita perante a 13ª Vara Federal de Belo Horizonte, estão relacionados todos os Autos de Infração e processos conexos ao presente crédito perseguido pelo Fisco, bem como, à fl. 1.074, requerse o afastamento da solidariedade das empresas e pessoas inseridas no pólo passivo da presente demanda administrativa, abolindo, portanto, a jurisdição deste e. Órgão Julgador administrativo, tendo em vista a preponderância da decisão proferida em instância judicial. Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 13603.724186/201291 Acórdão n.º 2402006.825 S2C4T2 Fl. 1.798 7 Assim o é, uma vez que, com o início do oferecimento da pretensão resistida ao Poder Judiciário, temse renúncia às vias administrativas, que vem confirmado pelo art. 5º , XXXV , da CF/88. Confirase o texto da Lei Maior: XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. De tal modo, tendo em vista o já cediço princípio da unicidade da jurisdição, resta prejudicado o presente recurso, uma vez que lhe falta elemento intrínseco de admissibilidade, a saber, o interesse recursal, desdobramento lógico do interesse de agir, ambos repousados no binômio necessidade e utilidade. A necessidade referese à imprescindibilidade do provimento jurisdicional pleiteado para a obtenção do bem da vida em litígio, ao passo que a utilidade cuida da adequação da medida recursal alçada para atingir o fim colimado, ambos agora entregues ao entendimento do Poder Judiciário, instância superior à administrativa. Sobre tal situação processual, já há muito foi firmado entendimento, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que importa renúncia às instâncias a propositura de ação judicial, entendimento este esposado através da Súmula CARF nº 1, com a seguinte redação: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (g.n.) De mesmo modo, o que constante no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014 e art. 87 do Decreto nº 7.574/2011. Confirase: A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, acarreta a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Portanto, inconcebível que se tramite discussões referentes à mesma matéria em instâncias diversas, administrativas ou judiciais, conforme mansa e pacífica jurisprudência deste Conselho de Contribuintes (Acórdão 101002.585, CSRF; Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 20177706, de 06/07/2004 Acórdão nº 20215883, de 20/10/2004 Acórdão nº 20178277, de 15/03/2005 Acórdão nº 20178612, de 10/08/2005 Acórdão nº 201 77430, de 29/01/2004 Acórdão nº 30330029, de 07/11/2001 Acórdão nº 30131241, de 16/06/2003 Acórdão nº 30236429, de 19/10/2004), bem como dos Tribunais Pátrios. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 13603.724186/201291 Acórdão n.º 2402006.825 S2C4T2 Fl. 1.799 8 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira RedatorDesignado ad hoc Fl. 1799DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16511.721519/2014-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
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DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 15 19 /2 01 4- 17 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 16511.721519/201417 Acórdão n.º 2002000.908 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 85/86) contra decisão de primeira instância (fls. 78/82), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de Notificação de Lançamento (NL) constituída para retificar o imposto de renda a restituir, declarado pelo sujeito passivo, relativo ao anocalendário de 2013, do valor de R$ 7.147,58 para o valor de R$ 495,32. Conforme consta na descrição dos fatos e enquadramento legal da NL, a alteração ocorreu em decorrência da glosa de dedução indevida de despesa médica no valor de R$ 25.000,00, tendo em vista que, mesmo intimado, o sujeito passivo não comprovou o efetivo pagamento das despesas com o odontólogo Hélio Chaves. O sujeito passivo foi cientificado da NL em 06/11/2014 e apresentou impugnação em 24/11/2014, alegando, em síntese, o seguinte: Que os recibos apresentados para comprovar as despesas com o odontólogo Hélio Chaves Jr foram ignorados pelo fato de os pagamentos terem sido feitos em dinheiro, salientando que não existe nenhuma Lei que obrigue o contribuinte a manter uma conta em banco com direito a uso de talão de cheques para efetuar pagamentos, o que descaracteriza o valor em espécie. Afirma que teve alguns problemas de ordem financeira e Serasa e não pode dispor de conta corrente com uso de talão de cheques, por isso ela prefere fazer todos os pagamentos em espécie, pouquíssima coisa paga com o cartão de débito, não possui talão de cheques e nem cartão de crédito, salientando que, pela Lei, não está praticando nenhum ato doloso por não pagar suas contas com cheques ou transferência bancária (onde ressalta que o Fisco não aceitou os documentos apresentados mas não provou o dolo). Por fim, solicita que sejam aceitos os documentos comprobatórios para que seja cancelada a glosa. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando novo documento. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 16511.721519/201417 Acórdão n.º 2002000.908 S2C0T2 Fl. 4 3 A contribuinte foi notificada em 08/06/2015 (fl. 83); Recurso Voluntário protocolado em 25/06/2015 (fl. 85), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFRF que: “Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ ********25.000,00 deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação”. E complementa: “Intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas efetuadas com o odontólogo Hélio Chaves Jr. No montante de R$ 25.000,00, através de cheques, transferências bancárias ou extratos bancários, a contribuinte limitouse a responder informando que paga todas as suas contas em espécie. Assim não cumpriu o solicitado na intimação e o valor foi glosado”. A r. decisão entendeu que: “Quando da apresentação de sua peça de impugnação ao lançamento, o sujeito passivo acostou ao processo recibos passados pelo odontólogo Hélio Chaves Jr e declaração afirmando que prestou os serviços e recebeu tais valores. Juntou, também, extrato bancário do anocalendário 2013 (fls. 7 a 43). Ocorre que, sem coincidência de datas e/ou valores, não se visualiza correlação entre as datas dos recibos e os saques efetuados na conta bancária do sujeito passivo, não logrando comprovar o efetivo pagamento”. Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio atacando o mérito e juntando documento. A contribuinte, alegou em sua peça impugnatória , que tinha problemas de ordem creditícia, retirando os proventos de sua pensão na boca do caixa e fazendo os pagamentos em espécie. Fizemos então um breve levantamento em sua conta bancária, para ver se os saques realizados eram suficientes para pagar as despesas com o profissional da saúde. Segue o demonstrativo: SAQUE VALOR TOTAL DO SAQUE MENSAL 02/01/2013 03/01/2013 1.000,00 2.739,00 3.739,00 01/02/2013 04/02/2013 04/02/2013 26/02/2013 1.000,00 990,00 1.000,00 5.000,84 7.990,84 04/03/2013 5.934,30 5.934,30 01/04/2013 02/04/2013 05/04/2013 1.000,00 2.709,06 200,00 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 16511.721519/201417 Acórdão n.º 2002000.908 S2C0T2 Fl. 5 4 15/04/2013 2.754,00 6.663,06 03/05/2013 31/05/2013 4.250,00 100,00 4.350,00 04/06/2013 17/06/2013 27/06/2013 3.300,00 1.200,00 2.800,00 7.300,00 02/07/2013 03/07/2013 5.108,47 3.000,00 8.108,47 02/08/2013 4.330,89 4.330,89 02/09/2013 03/09/2013 30/09/2013 1.000,00 3.000,00 1.000,00 5.000,00 01/10/2013 03/10/2013 04/10/2013 07/10/2013 17/10/2013 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.500,00 1.326,52 7.326,52 04/11/2013 2.900,00 2.900,00 02/12/2013 03/12/2013 1.000,00 4.000,00 5.000,00 TOTAL ANUAL DOS SAQUES 68.643,08 Em análise aos extratos bancários apresentados pela contribuinte, notase que os saques são realizados sempre no início de cada mês e o montante sacado no decorrer do ano (R$ 68.643,08) foi suficiente, para efetuar o pagamento com o profissional e demais despesas. Pois bem, feita estas considerações, a recorrente trouxe para os autos, em sede de recurso voluntário, uma declaração do profissional de saúde onde o mesmo reafirma que recebeu pelos seus préstimos em “espécie”; bem como discrimina os serviços prestados, destaco ainda que o documento está com firma reconhecida. Vale a pena destacar, como dito pela r. decisão revisanda, que o caso cuida do ônus da prova. Sem dúvida alguma sobre este aspecto, só que no caso “sub oculis”, entende este relator que a recorrente, não só provou como comprovou o seu direito para fazer jus a dedução pleiteada. Nesta quadra de entendimento, conheço do recurso voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 16511.721519/201417 Acórdão n.º 2002000.908 S2C0T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721772/2012-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 60 1 59 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721772/201280 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.707 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente SHIRLEY GURGEL DE ALENCAR BORGES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 17 72 /2 01 2- 80 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 61 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 23 a 28), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 2.299,85, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 10 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: A ciência do Lançamento ocorreu em 21/05/2012 (fls. 29) e a contribuinte apresentou sua impugnação em 29/05/2012 (fls. 02), acompanhada de documentação, alegando, em síntese, que o valor declarado foi de R$ 14.864,00, mas houve um equívoco e o correto é R$ 16.125,00 (tratamento psicanalítico com Dra. Leila Tannous Guimarães). A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 30/10/2014, no acórdão 0364.377 às efls. 34 a 38, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 44 a 56, alegando, em síntese, que há provas suficientes nos autos que comprovam as despesas médicas, como recibos e declaração da prestadora de serviço. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 26/11/2014, efls.42, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/12/2014, efls. 44, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada pela dedução indevida da despesa médica com a profissional Leila Tannous Guimarães no valor de R$14.864,00. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 62 3 A DRJ manteve a glosa sob os fundamentos abaixo narrados: Nesta instância a requerente limitase a informar que se equivocou ao declarar R$ 14.864,00 quando deveria ter declarado R$ 16.125,00 a título de despesas médicas pagas à profissional em questão, sem entrar no mérito do desembolso desse tratamento. Apresenta os recibos de fls. 05/10 e carreia uma declaração fornecida pela psicóloga (fls. 04) em que essa afirma haver recebido R$ 16.125,00 da contribuinte. Ressaltese que tais declarações, firmadas pelos profissionais emitentes dos recibos, não possuem o condão de demonstrar de forma inequívoca o efetivo pagamento, constituindose em última análise mera repetição dos recibos. Repisese que ainda que os pagamentos tenham sido efetuados em moeda corrente, é possível demonstrar tais pagamentos apontando em extratos bancários os saques que deram origem aos dispêndios. Não foi o caso. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 63 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 64 5 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 65 6 documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 66 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Os recibos juntados em sede de Recurso Voluntário estão ilegíveis. Aqueles que instruem a impugnação, às efls. 5 a 10, comprovam o pagamento de R$16.125,00 à profissional Leila Tannous Guimarães, valor superior ao glosado de R$14.864,00. Há também a declaração da profissional, às efls. 56 que ratificam a prestação de serviços. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 67 8 Voto Vencedor Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Divirjo do i. relator quanto à possibilidade de restabelecimento das despesas médicas somente à vista dos recibos e declarações emitidas pelo profissional, visto que foi exigida da recorrente a comprovação quanto ao efetivo pagamento da despesa médica glosada. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 68 9 efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. Na verdade, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. A legislação tributária reproduzida outorga essa competência ao agente fiscal. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10140.721772/201280 Acórdão n.º 2002000.707 S2C0T2 Fl. 69 10 condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado, visto que o uso de deduções em sua declaração de ajuste reduz a base de cálculo do IR. Assim, descabido seu pleito nesses autos para investigação da profissional, visto que discutese aqui a utilização da dedução pela recorrente e o ônus da prova é seu. Esclareçase que a exigência da comprovação da efetividade do pagamento não conflita com a presunção de boafé da contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. A alegação de que dispõe de renda suficiente para respaldar os pagamentos não socorre a recorrente, visto que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento dessas despesas. Por fim, o fato de ter deduzido a despesa com essa profissional em outros anoscalendário não vincula os julgadores, que, na apreciação da prova, formam livremente sua convicção. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903465/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFISSÃO DA INFRAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Considera-se ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, quando o sujeito passivo confessa a infração e, até este momento, extingue a sua exigibilidade apenas com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4/2011.
Numero da decisão: 2402-006.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento, cancelando-se integralmente o lançamento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento, cancelando-se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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CONFISSÃO DA INFRAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Considerase ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, quando o sujeito passivo confessa a infração e, até este momento, extingue a sua exigibilidade apenas com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4/2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 34 65 /2 00 8- 55 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10882.903465/200855 Acórdão n.º 2402006.806 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 5 de dezembro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10882.902156/2009 49, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão de 1ª Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas/SP DRJ/CPS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade oferecida pelo Contribuinte em destaque e não lhe reconheceu direito creditório com fulcro em pagamento indevido ou a maior de IRRF, consoante decisão sumarizada na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF MULTA DE MORA. PAGAMENTO E DECLARAÇÃO NÃO CONCOMITANTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO OCORRÊNCIA. Na ausência de concomitância entre o pagamento e a confissão em DCTF, declaração essa que só veio a ser apresentada no curso de procedimento fiscal, não há como estender, ao presente caso, a caracterização de denúncia espontânea. Sendo devida a multa de mora, não se reconhece direito creditório originado de seu pagamento e não se homologa a correspondente compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificado do Acórdão suso citado, o Sujeito Passivo do presente Lançamento Tributário interpôs, no prazo regimental, o competente Recurso Voluntário reforçando a procedência do direito creditório, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da aludida Manifestação de Inconformidade. Sem contrarrazões. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.800 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10882.903465/200855 Acórdão n.º 2402006.806 S2C4T2 Fl. 4 3 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 5 de dezembro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10882.902156/200949, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 5 de dezembro de 2018: Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Não obstante a tempestividade do Recurso Voluntário e o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores, dele CONHEÇO PARCIALMENTE, tendo em vista que trata, também, de matéria atávica à competência da 1ª Seção de Julgamento, sequer prequestionada em sede de Manifestação de Inconformidade, consoante se verá a seguir. Inicialmente, é relevante destacar que a gênese desta lide encontrase assentada em Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte em relevo via PER/DCOMP. Em face do Despacho Decisório acima reproduzido, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual se houve por julgada improcedente pela DRJ/CPS. Enfrentando a decisão da Instância de Piso, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário alegando que restou configurada a denúncia espontânea, bem como a impossibilidade de cobrança de "estimativa" de IRPJ e CSLL. De plano cabe ressaltar que as alegações da Recorrente quanto à impossibilidade de cobrança de "estimativa" de IRPJ e CSLL não são passíveis de conhecimento por esta Corte, uma vez que, não apenas caracterizam inovação recursal, pois não houve prequestionamento em sede de Impugnação Administrativa ao Lançamento, mas também por se tratar de matéria relativa a tributos que são de competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, consoante disposto no art. 2° do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2013. Assim, a presente análise restringirseá à matéria inerente à Denúncia Espontânea e ao pleiteado crédito proveniente do pagamento efetuado a título de multa de mora após a alegada consumação da Denúncia Espontânea. Da análise dos autos verificase que o cerne da presente lide concentrase no reconhecimento, ou não, da ocorrência do instituto da denúncia espontânea, a par da concomitância, ou não, do pagamento efetuado pela Recorrente com a apresentação de DCTF, mediante a qual o crédito tributário foi constituído por confissão de dívida, no curso de ação fiscal abrigada em Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF). A denúncia espontânea, também chamada de "confissão espontânea", é um instituto previsto no art. 138 do CTN por meio do qual o devedor, antes que o Fisco instaure contra ele qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, confessa para a Fazenda que praticou uma infração tributária e paga os tributos em atraso e os juros de mora. Em contrapartida, fica dispensado do pagamento da multa: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10882.903465/200855 Acórdão n.º 2402006.806 S2C4T2 Fl. 5 4 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. De se observar que a denúncia espontânea exclui tanto as multas punitivas, como também as moratórias. Para que a denúncia espontânea seja eficaz e afaste a incidência da multa, é necessário o preenchimento de três requisitos cumulativos: i) A "denúncia" (confissão) da infração; ii) O pagamento integral do tributo devido com os respectivos juros moratórios; e iii) A espontaneidade (a confissão e o pagamento devem ocorrer antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório por parte da Administração Tributária relacionado àquela determinada infração). Desta forma, resta caracterizado que um dos requisitos para que se configure a denúncia espontânea é que o infrator/devedor confesse e pague o débito antes que a Administração Tributária instaure em seu desfavor "qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". É cediço que o procedimento administrativo fiscal para apurar infração à legislação tributária iniciase com a ciência do sujeito passivo do Termo de Início de Fiscalização, previsto no art. 196 do CTN: Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. (grifei) No caso presente, o início da ação fiscal ocorreu em 20/05/2003, com a ciência do Contribuinte, ora Recorrente, do teor do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) nº 08.1.71.00.2003000064, emitido em 5 de março de 2003 e com validade até 27 de julho de 2004 tributo IRPJ P.A.: de 01/1998 a 12/2001. No litígio ora em apreciação, o IRRF Cód. Receita 8053 não foi objeto da ação fiscal em debate, além de se referir a período de apuração posterior àquele delimitado no correspondente Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPFF nº 08.1.71.00.2003000064, observandose ainda que este não determinou a efetiva realização dos procedimentos de verificações obrigatórias, previsto na Portaria nº 3.007/2001, no sentido de cotejar débitos apurados/contabilizados pelo sujeito passivo com aqueles declarados em DCTF, não se vislumbrando, portanto, qualquer liame entre aquele tributo e a ação fiscal em tela. Noutro viés, verificase, pelo resgate cronológico de datas, que o débito em apreço (IRRF Cód. Receita 8053) foi recolhido pelo valor do Principal, acrescido dos Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10882.903465/200855 Acórdão n.º 2402006.806 S2C4T2 Fl. 6 5 devidos juros de mora, em data posterior ao seu regular vencimento, sem que tivesse sido apresentada a respectiva DCTF, o que veio de fato a ocorrer em data posterior ao já citado recolhimento do tributo. Posteriormente, a Recorrente efetuou o pagamento da parcela relativa à multa de mora relacionada ao tributo em tela, eis que este se houve por recolhido em atraso. Como se observa do relato acima, a confissão do débito ocorreu posteriormente ao respectivo recolhimento, que teria sido vinculado ao débito na DCTF na qual foi confessado. Com a apresentação da DCTF e consequente constituição do crédito tributário com vinculação ao respectivo recolhimento já efetuado, podese afirmar que, neste momento, ocorreu a denúncia espontânea e a concomitante extinção do crédito tributário confessado. De se observar que, via de regra, o prazo para apresentação da DCTF ocorre após a data do vencimento do tributo, do que decorre que os recolhimentos se dêem antes da apresentação da DCTF, na qual serão constituídos os respectivos créditos tributários e vinculados aos recolhimentos já efetuados, extinguindoos concomitantemente. Nesse sentido, a Solução de Consulta Cosit nº 384/2014, in verbis: [...] 23. Do exposto, observase: a) considerase ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, quando o sujeito passivo confessa a infração e, até este momento, extingue a sua exigibilidade apenas com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 20 de dezembro de 2011; (grifei) b) omissis [...] Coaduna com esse entendimento o STJ, no REsp nº 1.149.022/SP, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C do então vigente CPC, cujo excerto de sua ementa transcrevo a seguir: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022SP (2009/01341424) [...] 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10882.903465/200855 Acórdão n.º 2402006.806 S2C4T2 Fl. 7 6 denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. [...] O entendimento esposado no REsp nº 1.149.022/SP é seguido pela PGFN, nos termos do Parecer/PGFN/CRJ nº 2124/2011. Nessa perspectiva, resta caracterizado como pagamento indevido/a maior o recolhimento de multa de mora efetuado em data posterior à Denúncia Espontânea, credenciandose a lastrear a compensação declarada via PER/DCOMP, uma vez que o recolhimento do principal com os devidos juros de mora, e portanto a Denúncia Espontânea, ocorreu em data anterior, oportunidade em que o sujeito passivo confessou a infração e naquele momento extinguiu a sua exigibilidade, conforme a inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 384/2014 c/c Ato Declaratório PGFN nº 4/2011. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO, cancelandose integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelandose integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.902723/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
Numero da decisão: 1402-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.902722/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10530.902722/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 27 23 /2 00 9- 57 Fl. 142DF CARF MF 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação do débito declarado em Declaração de Compensação Segundo o Despacho Decisório, foi encontrado pagamento com as características do DARF discriminado no PER/Dcomp, mas integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp. A DRJ de origem detectou o erro que deu origem a retificação. O mencionado erro consiste na aplicação do coeficiente de determinação da base de cálculo da CSLL sobre as receitas de prestação de serviços ali informadas: Para o cálculo da CSLL confessada na DCTF, e paga, foi utilizado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), enquanto que para a apuração da CSLL informada na DIPJ/2005 foi aplicado o percentual de 12% (doze por cento). Examinando as informações constantes da DIPJ verificase que a razão da divergência relatada acima o contrato social prevê que o objetivo da empresa é “o transporte rodoviário de cargas intermunicipal e interestadual, logística e armazéns gerais”. Desta forma, para o julgamento do direito creditório pleiteado, um dos aspectos a serem analisados é a natureza dos serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ Diante da situação acima descrita, a DRJ encaminhou processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, a fim de que fosse realizada diligência no sentido de intimar a Contribuinte a apresentar a documentação comprobatória (notas fiscais e eventuais contratos) referente à receita auferida. Em resposta à intimação, o contribuinte junto o livro de registro de saídas escriturado, exclusivamente, com "conhecimento de transporte rodoviário de cargas" para comprovar a origem da receita auferida. Insatisfeita com a documentação trazida pelo contribuinte, a DRJ promoveu a reintimação na qual requer que o contribuinte faça a juntada das notas fiscais e eventuais contratos relativos aos serviços prestados. Em resposta a contribuinte informa que "com relação aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, do mencionado período, estes foram guardados pelo períodos de 5 anos, conforme determina norma específica expedida pela Receita Federal do Brasil (RFB), sendo que os dados destes documentos, hoje e agora, estão totalmente apagados, ou seja, não tem a mínima condição de se fazer nenhuma leitura dos dados constantes nesses documentos, pelo fato de terem mais de 12 anos da sua expedição, visto que foram emitidos em "formulário continuo autocopiativo" devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual; porém, todos esses documentos foram devidamente escriturados nos competentes Registros de Saída, os quais já foram apresentados a essa autoridade fazendária federal." Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10530.902723/200957 Acórdão n.º 1402003.674 S1C4T2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Manifestação de Inconformidade Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário no reitera as alegações já suscitadas quando da Manifestação de Inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.673, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.902722/2009 11, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.673): Conforme decidido pelo colegiado, discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, por entender que os documentos juntados pela recorrente não são suficientes para comprovação do direito creditório pleiteado. A recorrente alega que "a receita foi comprovada, sim, por meio do Livro de Registro de Saídas, legalmente escriturado, exclusivamente, com “conhecimentos de transporte rodoviário de cargas”, o que comprova que a origem da receita auferida, por esta contribuinte, foi, exclusivamente, do transporte rodoviário de cargas; aliás, está confirmado no próprio relatório do aludido acórdão que a contribuinte apresentou a comprovação da receita por meio do citado Livro de Registro de Saídas." Informa que quanto aos conhecimentos de transportes, "estes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, uma vez que eram documentos preenchidos, na época da sua expedição, em papel autocopiativo “formulário contínuo”, devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual, porém tais documentos (conhecimentos de transporte rodoviário de cargas) foram guardados em boa ordem por todo período decadencial, sendo solicitado a sua apresentação quase 10 (dez) anos após a sua expedição, razão pela qual não foi possível fazer leitura do conteúdo dos mencionados conhecimentos de transporte;" Esclarece que "no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR (cópia anexa), Contestação, com essas mesmas características, foi Fl. 144DF CARF MF 4 acolhida, ou seja, julgada como procedente, o que demonstra que todos os atos praticados por esta contribuinte foram feitos, estritamente, com bases em preceitos legais, tanto no citado Processo, bem como neste, objeto desse nosso Recurso Voluntário." Verificase que conforme previsto no objeto social da recorrente atividades que podem estar submetidas a diferentes coeficientes de determinação da base de cálculo, portanto fazse necessário a comprovação da natureza do serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ. Entendeuse que ambas as declarações (DCTF e DIPJ) são preenchidas pela própria recorrente e devem retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica. Por conseguinte, a simples alegação de que o valor correto do débito é aquele informado na DIPJ não é suficiente para comprovar o erro no preenchimento da DCTF original, sem apoio nos registros e documentos contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova. A recorrente não trouxe provas lastreadas em sua escrituração contábil e fiscal (completa ou simplificada), notas fiscais de receita emitidas, e eventuais contratos, a fim de se verificar o montante e a natureza das receitas submetidas à tributação, e ratificar o indébito pleiteado. Notase que a recorrente apresentou apenas o livro Registro de Saídas, que não se presta para o objetivo almejado, e mesmo reintimada deixou de apresentar a documentação requerida. Caberia à recorrente apresentar dos conhecimentos de transportes e eventuais contratos que comprovassem os registros do Livro de Saídas. Quanto à alegação de que o conhecimentos de transportes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, caberia à recorrente mantêlos conservados enquanto não prescritos eventuais ação que lhes sejam pertinentes, conforme determina o artigo 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n.º 486, de 1969, art. 4º) Tendo em vista a não apresentação da documentação que permitisse o conhecimento da natureza das receitas oferecidas à tributação no 1º trimestre de 2004, e possibilitasse comprovar o alegado pagamento indevido, verificase que o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. Ressaltase que a decisão no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR não vincula o julgamento do presente recurso pelo colegiado. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10530.902723/200957 Acórdão n.º 1402003.674 S1C4T2 Fl. 4 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907108/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.799
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 10 8/ 20 12 -4 2 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10882.907108/201242 Resolução nº 3402001.799 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10882.907108/201242 Resolução nº 3402001.799 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10882.907108/201242 Resolução nº 3402001.799 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.907108/201242 Resolução nº 3402001.799 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13961.000159/2002-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-008.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGHA COMERCIO DE METAIS E ACESSORIOS LTDA ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 1. 00 01 59 /2 00 2- 88 Fl. 324DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos relativos (a) ao saldo credor da diferença entre o IPI pago na aquisição de insumos e o IPI debitado na saída de produtos do estabelecimento no valor de R$ 4.634,51 e (b) a crédito presumido do IPI para ressarcimento do valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre os insumos utilizados no processo produtivo, apurados no 2° trimestre de 2002. O pedido de ressarcimento serviu de origem para diversos pedidos de compensação. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela DRF de origem e, mediante Despacho Decisório, a autoridade competente reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado, pois: 1) quando a contribuinte apresentou a DCTF do 4º Trimestre de 2001 optou por apurar o crédito presumido pela Lei nº 9.363/96, mas no momento da apuração utilizou indevidamente o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001; 2) a opção era irreversível durante o anocalendário; 3) o regime da Lei nº 9.363/96 não permite a inclusão dos custos com energia elétrica e de industrialização por encomenda. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório e, inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, requerendo, em suma, o reconhecimento do direito ao crédito presumido originalmente pleiteado e sua atualização pela Taxa Selic. Em sede de julgamento de primeira instância, foi apreciada a manifestação da contribuinte. O colegiado, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manutenção do despacho decisório. Intimada do acórdão de primeira instância, a contribuinte, interpôs recurso voluntário requerendo a reforma da decisão de piso, para reconhecimento de seu direito ao crédito presumido do IPI, atualizado pela Taxa Selic. Em apertado resumo, a recorrente afirma que: a) equivocouse ao informar em DCTF relativa ao 3º trimestre de 2001 que adotaria a sistemática de apuração do crédito presumido do IPI de acordo com a Lei nº 9.363/1996 para o ano de 2002, apurandoo, em realidade, de acordo com a Lei nº 10.276/2001, sendo este o regime correto; b) não pode norma infralegal vedar a retificação do regime de apuração pretendido pela contribuinte, mormente quando a IN que propõe tal proibição ter sido publicada em 21/05/2004, agindo retroativamente para o caso; e c) tanto a energia elétrica quanto a industrialização por encomenda devem ser tratados como insumos, por serem intrínsecos à atividade, permitindo que os valores com eles dispendidos sejam incluídos na base de cálculo do crédito presumido. O recurso voluntário foi apreciado pela então existente 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que, em decisão consubstanciada no acórdão nº 3403002.886, lhe deu provimento parcial, para (a) reconhecer o direito de incluir a industrialização por encomenda no cálculo do CP IPI da Lei 9.363, de 1996, e (b) determinar a atualização pela taxa Selic desde a data do pedido até a data da Dcomp. A seguir, para fins de esclarecimento, encontrase reproduzida a ementa e o dispositivo do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Tratandose de custo a que se submete a matériaprima, deve o mesmo integrar o valor das aquisições incentivadas. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13961.000159/200288 Acórdão n.º 9303008.365 CSRFT3 Fl. 510 3 RESSARCIMENTO DE IPI. MORA DA ADMINISTRAÇÃO. TAXA SELIC. Verificada a mora da administração na análise do pedido de ressarcimento, é cabível a correção do valor crédito pela taxa Selic entre a data de protocolo do pedido e a data da efetiva utilização do crédito nas declarações de compensação, à luz do RESP nº 1.035.847. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 os custos com a industrialização por encomenda e a correção do ressarcimento pela taxa Selic entre 14/08/2002 e a data da efetiva utilização do crédito mediante compensação (13/02/2003). Vencido o Conselheiro Alexandre Kern que negou provimento na íntegra. Recurso especial da Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3403002.886, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, para rediscussão da admissão, pelo acórdão recorrido, dos custos com industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Alegou que a decisão recorrida frontalmente diverge do acórdão paradigma nº 3201001.280, no qual, está afirmado que não se podem incluir tais valores naquela base de cálculo. O então Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, dandolhe seguimento com base nos arts. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009. Contrarrazões do sujeito passivo A contribuinte foi intimada do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, interpôs contrarrazões, requerendo a negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso voto por conhecêlo. Fl. 326DF CARF MF 4 Desde logo, cabe delimitar que a divergência que aqui se aprecia referese à inclusão ou não na base de cálculo do crédito presumido do IPI dos custos com industrialização por encomenda, em face do regime disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/1996, haja vista que no acórdão recorrido ficou evidenciado ser esta a legislação pela qual a contribuinte optara na sua DCTF do 4º trimestre de 2001, válido par ao ano de 2002, sem que lograsse trazer qualquer prova em contrário nas suas contestações. A matéria já é bem conhecida no CARF, tendo sido há poucos meses apreciada nesta 3ª Turma, na sessão de 17/10/2018, com relatoria do i. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no acórdão de n° 9303007.533, cujo voto traz os argumentos que adoto para a resolução da divergência e abaixo transcrevo: Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia e de concessão de incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13961.000159/200288 Acórdão n.º 9303008.365 CSRFT3 Fl. 511 5 postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/interpr etacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica Fl. 328DF CARF MF 6 definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Portanto, por esta leitura, a apropriação de crédito presumido de IPI, na industrialização por encomenda, somente passou a ser possível a partir da vigência da Lei nº 10.276/2001 e caso o contribuinte tenha efetuado a opção pelo cálculo naquele termo alternativo. No presente processo essa opção não era possível, pois tratamse de créditos referentes ao 4º trimestre de 2000, quando não vigente referida lei. (Grifos do original) Além disso, o caso concreto não se adéqua aos próprios argumentos em contrarrazões trazidos pelo sujeito passivo, pois todos os acórdãos com os quais ele exemplifica sua tese, de admissão dos créditos presumidos dos custos com industrialização por encomenda, afirmam que a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13961.000159/200288 Acórdão n.º 9303008.365 CSRFT3 Fl. 512 7 deveriam ser empregados no processo produtivo para obtenção do produto a ser exportado por quem visava a obtenção dos créditos. Ocorre que no item 3.1 do Despacho Decisório, encontrase a seguinte constatação pela fiscalização: O contribuinte não realiza quaisquer operações de industrialização desde o ano 2000, nem mesmo beneficiamento da matéria prima, conforme declaração de fls. 83/84, realizando apenas administração e a comercialização, sendo a produção totalmente realizada por terceiros. É contribuinte do IPI como equiparado a estabelecimento industrial, nos termos do Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002, art. 90, inciso IV, abaixo transcrito: (...) (Negritei.) Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte confirma o informado pela fiscalização, conforme excertos a seguir reproduzidos: A produção do contribuinte é totalmente terceirizada, sendo a etapa de corte, costura e montagem, realizados por empresa que aluga o parque industrial (instalações bem como o imóvel) em nome da CALÇADOS DANI LTDA. (Negritei.) ... No decorrer da diligência fiscal, foram solicitados documentos auxiliares a fiscalização, incluindose a ficha razão extraída pela contabilidade, dos serviços de industrialização de corte, costura e montagem, prestados por empresa terceirizada. (Negritei.) Logo, se a própria contribuinte admitia que não realizava o processo produtivo, terceirizando tudo, não poderia sequer se utilizar das contrarrazões que trouxe, pois não cabia sequer falar em emprego dos produtos que sofreram industrialização por encomenda como insumos de sua produção. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 330DF CARF MF 8 Fl. 331DF CARF MF
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