Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10530.001242/2002-56
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE.
As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária, sendo desarrazoado qualquer pedido de que sejam encaminhadas ao endereço do seu patrono, ainda mais sob pena de nulidade (art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/72).
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O ressarcimento e a compensação de IPI com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Numero da decisão: 3003-000.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Assinado digitalmente
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária, sendo desarrazoado qualquer pedido de que sejam encaminhadas ao endereço do seu patrono, ainda mais sob pena de nulidade (art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/72). RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento e a compensação de IPI com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10530.001242/2002-56
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6050085
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.401
nome_arquivo_s : Decisao_10530001242200256.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCIO ROBSON COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10530001242200256_6050085.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Marcos Antônio Borges - Presidente. Assinado digitalmente Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7862737
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052296696299520
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-09T19:53:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-09T19:53:12Z; Last-Modified: 2019-08-09T19:53:12Z; dcterms:modified: 2019-08-09T19:53:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-09T19:53:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-09T19:53:12Z; meta:save-date: 2019-08-09T19:53:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-09T19:53:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-09T19:53:12Z; created: 2019-08-09T19:53:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-08-09T19:53:12Z; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-09T19:53:12Z | Conteúdo => S3-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10530.001242/2002-56 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003-000.401 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 18 de julho de 2019 Recorrente BAHIA ARTES GRAFICAS EIRELI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária, sendo desarrazoado qualquer pedido de que sejam encaminhadas ao endereço do seu patrono, ainda mais sob pena de nulidade (art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/72). RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento e a compensação de IPI com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Marcos Antônio Borges - Presidente. Assinado digitalmente Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 12 42 /2 00 2- 56 Fl. 124DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.401 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.001242/2002-56 Relatório Replico o relatório utilizado pela DRJ para retratar os fatos. Trata-se de anulação do Acórdão DRJ/Salvador nº1520.974, de 23 de setembro de 2009, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão CARF nº310100.622, de 03 de fevereiro de 2011. O processo decorreu da Manifestação de Inconformidade de fls.34/36, contra o Parecer e Despacho Decisório, fls.27/29 e 30, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana/BA, que indeferiu o direito ao ressarcimento do crédito pleiteado, com base no art.11 da Lei nº9.779, de 19 de janeiro de 1999 e Instrução Normativa SRF nº33, de 04 de março de 1999, tendo em vista o resultado do Termo de Verificação Fiscal de fls.25/26, que propôs o indeferimento do pedido, haja vista que a contribuinte, intimada, não forneceu a documentação solicitada para “firmar convicção de que os créditos que deseja compensar foram calculadas de maneira adequada e correta”; não forneceu a descrição do processo produtivo, indicando o consumo de cada insumo constante da base de cálculo do crédito do IPI. Por conseguinte, a DRF de origem não homologou a compensação declarada dos débitos na DCOMP, pelo descumprimento ao art.74 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa SRF nº460, de 2004, e ADI SRF nº15, de 2002. Cientificada do indeferimento em 30/03/2006, fl.33, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 12/04/2006, fls.34/36, alegando que a documentação solicitada e não fornecida pelo contribuinte a que alude o parecerista, “descrição do processo produtivo”, foi anteriormente objeto de auto de infração, processo administrativo nº10530.002531/200515, que glosou todos os créditos de IPI da manifestante, relativos ao período de outubro/2000 a dezembro/2004, que se encontra aguardando julgamento pela DRJ. Trata-se portanto de caso de continência previsto no art.104 do CPC e por isto requer o sobrestamento do julgamento desse processo ao julgamento do processo citado. O Acórdão DRJ/Salvador 1520.974 proferido pela 4ª Turma de Julgamento, manteve o indeferimento do direito ao crédito em virtude da não apresentação da documentação comprobatória da legitimidade do crédito, cuja liquidez e certeza se mostraram ausentes, porquanto apoiados em apuração considerada indevida frente às infrações constatadas posteriormente na ação fiscal, que motivou inclusive a lavratura do auto de infração constante do processo nº10530.002531/200515, não homologando a compensação declarada. O voto da relatora cita a expressa vedação do ressarcimento a pessoa jurídica com processo judicial ou processo administrativo fiscal de determinação e exigência do crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa possa alterar o valor a ser ressarcido, na forma estabelecida no §6º do art.8º da IN SRF nº21, de 1997, atualizado pelo art.19 da IN SRF nº210, de 30 de setembro de 2002, rejeitando o pedido de sobrestamento deste processo ao do processo de auto de infração. Cientificada da improcedência da manifestação de inconformidade, a interessada apresentou Recurso ao CARF (fls.45/52) requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termo do art.151 do CTN, alegando em sua defesa que explora a atividade gráfica, adquirindo insumos tributados pelo IPI e dando saída a produtos também tributados pelo IPI, com alíquota zero e isentos, e nessa situação tem assegurado os créditos do IPI por força do art.11 da Lei nº9.779, de 1999, conforme jurisprudência do supremo Tribunal Federal. Transcreve decisões precedentes seu entende apoiar seu entendimento. Assim, certo que a comprovação e legitimidade dos créditos do IPI se dá por meio das notas fiscais de compras dos insumos e nada mais, Fl. 125DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.401 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.001242/2002-56 nunca tendo sido contestada pelo Fisco a idoneidade das notas fiscais, entende fazer jus ao direito. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais mediante Acórdão nº3101.00.622, da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, por unanimidade, declarou nulo o processo a partir do acórdão recorrido. No voto, o relator considerou que no julgamento de 1ª instância a Quarta Turma de Julgamento da DRJ/SDR ignorou as discussões travadas no processo que cuida da glosa dos créditos do IPI, o processo 10530.002531/200515, iniciado em 14/10/2005, relativamente ao ressarcimento dos créditos do período de outubro de 2000 a dezembro de 2004. Além disso, considerou que a legitimidade dos créditos alegados é o próprio objeto do processo que cuida da glosa desses créditos, daí a supremacia dele em face deste julgamento. Deste modo, em sede de preliminar, entendeu caracterizado o cerceamento de direito de defesa, ocorrida a supressão de instância, declarando a nulidade do processo a partir do acórdão de 1ª instância. Após diversos encaminhamentos o processo retornou a esta DRJ para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 15-33.759 com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO. ELEMENTOS DE COMPROVAÇÃO. Indefere-se o pedido de ressarcimento de crédito quando o estabelecimento não logra demonstrar, após reiteradas intimações, a utilização de forma segregada dos insumos nos produtos industrializados tributados e não tributados. A empresa não apresentou a descrição do processo produtivo e não possui contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente, em produtos tributados e não tributados. CRÉDITO. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT. O princípio da não cumulatividade aplica-se apenas aos produtos incluídos no campo de incidência do IPI, inexistindo direito ao crédito do imposto nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como não tributado NT. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, devolvendo para julgamento as matéria relativa ao direito de creditamento do IPI sobre insumos nos produtos industrializados tributados e requerendo a nulidade do acórdão proferido pela DRJ devido a não intimação do Patrono para realização de sustentação oral. É o Relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. Fl. 126DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.401 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.001242/2002-56 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. A problemática proposta refere-se a comprovação do direito de ressarcimento de créditos de IPI, decorrente de estimulo fiscal que contempla créditos deste tributo relativos a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero. Inicialmente cumpre registrar que quanto ao pedido de anulação do acórdão pela não intimação do patrono da recorrente da data do julgamento da Manifestação de inconformidade, cabe lembrar o que dispõe o art. 23, § 4º do Decreto nº 70.235/72, o qual expressamente estabelece que as intimações devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) § 4 o Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5 o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informar-lhe-á as normas e condições de sua utilização e manutenção. Mostra-se, assim, descabido o pedido de nulidade do acórdão recorrido. Mérito No que se refere ao mérito do pedido, importa registrar que em que pese as discussões anteriormente realizadas nestes autos, cabe deixar consignado que o processo no qual foi julgado o cabimento do crédito do IPI e mencionado pelo Contribuinte em seu primeiro recurso, nº 10530.002531/2005-15, houve decisão negativa ao recorrente. Nesse sentido, o acórdão n.º 3302-001.993 de relatoria da Ilustre Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, destaca de forma clara e precisa em que a análise do processo n.º 10530.002531/2005-15, poderia contribuir no julgamento deste processo e por essa razão, reproduzo o voto para que faça parte desse julgamento. Vejamos: (...) Naqueles autos, após analisar a documentação da Recorrente, a fiscalização promoveu a lavratura de auto de infração visando a cobrança do IPI, pois, em seu entender o contribuinte não teria comprovado adequadamente que tipo de insumo era utilizado na Fl. 127DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.401 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.001242/2002-56 produção de cada um dos produtos que industrializava 1 . Por consequência a autoridade fiscal entendeu que deveria promover a glosa integral dos créditos de IPI escriturados em função da aquisição de insumos – MP, PI e ME, pois, parte dos produtos industrializados pela Recorrente poderiam compor o ativo imobilizado ou ainda, tiveram saída não tributada sendo que tais saídas não autorizam a manutenção dos créditos de IPI apurados na aquisição dos insumos aplicados naqueles produtos. Vale dizer, não identificando qual insumo foi utilizado na produção de mercadorias não tributadas pelo IPI (em sua saída), o fisco promoveu a glosa de todos os créditos da Recorrente, visto que aqueles derivados de insumos destinados ao ativo imobilizado ou utilizados em produto submetido à saída não tributada não poderiam ter sido mantidos pela Recorrente. Em sua defesa a Recorrente alegou, naqueles autos, que não possuía sistema de contabilidade integrada, que lhe permitisse promover a identificação precisa de qual insumo teria sido utilizado na produção de cada produto não tributado a que deu saída. De se destacar que a Recorrente é empresa de pequeno porte e que não se encontrava obrigada a manter o sistema de contabilidade integrada. Em sua defesa, alega tratar-se de sistema de alto custo financeiro, com o qual não poderia arcar. O Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente nos autos do Processo Administrativo n° 10530.002531/200515 é intempestivo, razão pela qual não pôde ser conhecido por este Conselho. No entanto, é necessária a análise da documentação acostada aqueles autos – posto que a produção de provas para este caso foi realizada naquele processo para decidir a questão objeto deste processo. Assim, entendo que em respeito ao princípio da verdade material, é possível considerar os documentos acostados naqueles autos para decidir o caso ora sob análise. De fato a legislação não permite que o contribuinte mantenha créditos derivados da aquisição de insumos aplicados em produtos cuja saída seja não tributada pelo IPI, conforme estabelece o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, verbis: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.” (destaquei) 1 2 Trecho do auto de infração: "Os saldos credores objeto dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação resultam de um excesso de créditos sobre os débitos do imposto. Para apuração dos saldos credores, devem ser verificados se os créditos mantidos na escrituração guardam consonância com as determinações legais. Para esta verificação, é fundamental a descrição do processo produtivo. O contribuinte, porém, não forneceu a descrição deste processo, que indicaria onde se consome cada matériaprima, produto intermediário e material de embalagem constante da base de cálculo do crédito do IPI. O conhecimento do processo é fundamental para que se possa expurgar, da lista de notas fiscais de entrada que o contribuinte forneceu, as que se referem a material de consumo, bens do ativo permanente, e outros que não se incorporam aos produtos fabricados nem são consumidos no processo de industrialização através do contato físico com os produtos fabricados e que, portanto, não geram direito à manutenção dos créditos do I.P.I na escrituração. Ademais, o contribuinte forneceu a relação dos produtos industrializados, e nela se nota a presença de vários produtos não tributados. Com a descrição do processo produtivo, poderíamos verificar se os produtos não tributados possuem insumos comuns com a fabricação de produtos tributados, e calcular o estorno do crédito referente aos produtos não tributados. Como não foi apresentada a descrição do processo, não foi possível efetuar este cálculo. Assim, não nos foi possível assegurar que os valores de crédito de IPI existentes na escrituração estejam corretos." Fl. 128DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.401 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.001242/2002-56 A Instrução Normativa n° 33/99, ao regulamentar a manutenção dos créditos, acresceu ainda a possibilidade de manutenção daqueles derivados de insumos aplicados em produtos imunes, verbis: “Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1 ° de janeiro de 1999.” (destaquei) Da leitura dos dispositivos supra transcritos constata-se que apenas em relação aos produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero de IPI – nos termos da mencionada IN é que seria possível aproveitar créditos derivados da aquisição dos respectivos insumos. Conclui-se, portanto, que em relação a produtos não tributados pelo IPI, realmente não é permitida a manutenção dos créditos da aquisição de insumos. Todavia, da análise dos documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10530.002531/200515, há uma “Relação de Produtos fabricados com Classificação e alíquota do IPI” apresentada pela Recorrente, em cumprimento à diligência solicitada pela DRJ (doc. de fls. 2.290/2.292 – eletrônica 2250/2252). Nesta lista consta a indicação da carga tributária incidente sobre os produtos, constando-se a existência de produtos não tributados – NT e alíquota zero. Referido documento indica que a Recorrente produz 69 produtos, dos quais apenas 16 são não tributados pelo IPI. Parece-me, portanto, que a glosa integral dos créditos apurados pela Recorrente, seria medida demasiado extrema. Se de fato a Recorrente não tem direito à manutenção de créditos de IPI apurados quando da aquisição de insumos utilizados na produção de bens não tributados pelo imposto, por outro lado, teria direito à manutenção dos créditos que não foram aplicados em produtos que encontram-se nesta situação. Da análise da documentação apresentada, apenas 16 dos 69 produtos produzidos, portanto, não permitiriam a manutenção do crédito. Entendo que 16 produtos não deveriam contaminar a apuração integral de créditos, que é de direito da Recorrente, em relação aos outros 53 produtos. Entretanto, embora a Recorrente não tenha mantido sistema de contabilidade integrada – que permitisse identificar a quantidade de cada insumo, utilizada em cada produto – também não apresentou durante a fiscalização, e na diligência realizada por determinação da DRJ, nenhum dado, informação ou prova complementar que pudesse permitir sequer a proporcionalização da glosa efetuada. A Recorrente, ciente de que parte de seus produtos não se submetiam à incidência do IPI, e que os insumos utilizados nestes produtos não poderiam gerar créditos do imposto, deveria ter criado algum tipo de controle paralelo para poder identificar adequadamente que insumo não geraria os créditos em questão, ainda que por amostragem. Não o fez. De fato, a legislação veda a manutenção dos créditos dos insumos aplicados nos 16 produtos não tributados. Logo, ainda que o contribuinte não tivesse controle paralelo destes insumos, e ainda que não pudesse indicar detalhadamente a quantidade e valor de insumos utilizados na produção destes bens, realizada à época dos fatos, poderia, ao menos, ter apresentado algum tipo de controle de sua produção atual. Algum demonstrativo, alguma prova, alguma relação de insumos que permitisse ao fisco, e aos julgadores, dimensionar quanto dos insumos utilizados se destinavam a produtos não tributados, para limitar a glosa a esta proporção. Fl. 129DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.401 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.001242/2002-56 Assim, por mais que esta conselheira entenda que a glosa integral não seria adequada, para que pudesse proporcionalizar os números, mantendo-a apenas sobre o que proporcionalmente tivesse sido aplicado nos produtos não tributados, seria preciso algum tipo de informação que esclarecesse quanto do insumo é utilizado naquele determinado produto, sem o que a presunção fica viciada. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, mantendo a decisão recorrida. Dessa forma, entendo que o acórdão acima reproduzido é suficiente para formar a minha convicção, já que analisou de forma detida as provas constantes no processo mencionado pelo recorrente como fundamental ao julgamento deste processo. As considerações realizadas pela Ilustre Conselheira esgota a necessidade de maiores argumentações. Fato é que a Recorrente quis utilizar-se de provas de outro processo, o qual, friza-se, foi julgado improcedente e não teve sua análise de mérito realizada pelo CARF em razão de sua intempestividade. Outrossim, naqueles autos as provas foram insuficientes, bem como nestes autos nenhuma prova foi juntada. O recorrente alega no seu Recurso Voluntário (e-fls 97) que a questão proposta é de extrema simplicidade, vejamos: Ocorre que, como bem demonstrado anteriormente não é tão simples assim, pois a autoridade fiscal em procedimento fiscalizatório apurou que o estabelecimento tinha produção de produtos tributados e não tributados e por essa razão a intimou para apresentação da documentação que entedia necessária para verificar a legitimidade e correção do crédito apurado pela interessada, contudo, esta não forneceu a documentação solicitada, de maneira que não há provas suficientes nos autos que colabore para procedência do pedido. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente alegações. Faz-se necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em apuração (base de cálculo do IPI) conciliada com livros contábeis (diário/balancete), com o apoio de razão, escrituração fiscal hábil, notas fiscais idônea, inclusive a descrição do processo produtivo, indicando o consumo de cada insumo constante da apuração. Neste ponto a contabilidade de custo facilmente poderia socorrer, já que trata dos gastos ocorridos na produção de bens ou serviços que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente, em produtos tributados e não tributados. Assim seria possível ao julgador firmar a sua convicção e ter a certeza de que os créditos que o contribuinte deseja compensar foram calculados de maneira adequada e correta. Fl. 130DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.401 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.001242/2002-56 Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos (hábeis e idôneos) com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil-fiscal, pertinentes ao tributo em análise, seria indispensável para um convencimento. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao pedido a comprovação adequada da certeza e liquidez, que são indispensáveis para o ressarcimento pleiteado. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. É o meu entendimento Márcio Robson Costa - Relator Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000246/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Numero da decisão: 3402-006.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12585.000246/2011-06
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6064125
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.784
nome_arquivo_s : Decisao_12585000246201106.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 12585000246201106_6064125.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7909263
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052296929083392
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-19T18:36:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-19T18:36:28Z; Last-Modified: 2019-09-19T18:36:28Z; dcterms:modified: 2019-09-19T18:36:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-19T18:36:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-19T18:36:28Z; meta:save-date: 2019-09-19T18:36:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-19T18:36:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-19T18:36:28Z; created: 2019-09-19T18:36:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-09-19T18:36:28Z; pdf:charsPerPage: 2068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-19T18:36:28Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12585.000246/2011-06 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-006.784 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2019 Recorrente SOUZA RAMOS COMERCIO E IMPORTACAO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo o indeferimento do ressarcimento. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, na qual alega a existência de créditos pelas aquisições de produtos (máquinas, veículos e autopeças) para revenda, sujeitos à alíquota zero, dentro do regime da incidência monofásica, com fundamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 46 /2 01 1- 06 Fl. 805DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000246/2011-06 no art. 16 da MP nº 206/2004, convalidado no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Alega que a vedação ao aproveitamento de créditos foi tacitamente revogada com a superveniência da referida Lei nº 11.033, e que está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, mesmo com a tributação monofásica dos produtos adquiridos, sendo permitido o aproveitamento dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.782, de 21 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.000242/2011-10. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.782): “A questão trazida a julgamento centra-se na possibilidade do ressarcimento e/ou da utilização por compensação de créditos oriundos da aquisição de veículos e autopeças para revenda, submetidos à incidência monofásica do PIS e da COFINS. A Recorrente alega que qualquer vedação à manutenção de créditos das contribuições estaria revogada em razão da superveniência do artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garantiria o direito ao creditamento sempre que as saídas estiverem submetidas à alíquota zero, sem exceções. Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou Fl. 806DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000246/2011-06 utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, da Lei 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso na impossibilidade de crédito na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica, inclusive combustíveis adquiridos pela recorrente. A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata-se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, ou em outras situações excepcionadas (como a monofasia e a substituição tributária), mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Trata-se daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições na não- cumulatividade, mas permiti-la apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Destaca-se que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, e a vedação para o crédito nas aquisições. Permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática monofásica é desvirtuar todo o sistema de apuração das contribuições, permitindo um ganho indevido por parte do sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. Fl. 807DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000246/2011-06 A melhor doutrina não diverge de tal entendimento. Assim leciona o professor André Mendes Moreira, com a clareza que lhe é peculiar: "Quando a não-cumulatividade do PIS/COFINS entrou a viger, os contribuintes sujeitos à monofasia (produtores e importadores) foram mantidos na sistemática cumulativa. Dessa forma, essa categoria e empresas não adquiriu o direito - concedido a todos os que foram sujeitos à não-cumulatividade - de descontar créditos sobre suas aquisições. Entretanto, quando o PIS e a COFINS incidentes na importação foram criados pela Lei nº 10.865/04, a carga tributária sobre todos os contribuintes sujeitos ao regime cumulativo foi majorada. Isso porque as contribuições devidas na importação só geram créditos se a pessoa jurídica estiver sujeita à apuração não-cumulativa do PIS/COFINS. Assim, para que o PIS/COFINS-importação fosse melhor absorvido pelos contribuintes monofásicos (sujeitos até então à cumulatividade), a Lei nº 10.865/04 revogou o dispositivo que excepcionava a monofasia do regime não- cumulativo. Essa medida resultou na subsunção dos contribuintes monofásicos às regras da não-cumulatividade, desde que apurassem o seu IRPJ pelo lucro real e não se enquadrassem em nenhuma das demais exceções ao novel regime previstas na legislação. Com essa modificação, as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento monofásico do PIS/COFINS foram autorizadas a descontar não somente os créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, mas também os relativos às contribuições pagas na importação. Por outro lado, os distribuidores, atacadistas e varejistas que adquirirem bens tributados no sistema monofásico - e que têm, portanto, as vendas desses produtos gravadas à alíquota zero do PIS/COFINS - foram proibidos de se creditar do PIS/COFINS monofásico recolhido na etapa anterior. Obviamente, se esses distribuidores, atacadistas ou varejistas auferirem receitas com a venda de produtos sujeitos à apuração regular (não- monofásica) do PIS/COFINS, poderão se creditar normalmente, bastando proporcionalizar suas despesas, consoante reconhece a própria RFB" (A Não- Cumulatividade dos Tributos, 2ª edição revista e ampliada, Editora Noeses, 2012, p. 453/455). Portanto, conclui-se que o inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite creditamento em relação a bens adquiridos para revenda e veda creditamento em relação a: 1) mercadorias em relação às quais as contribuições tenham sido exigidas anteriormente em razão de substituição tributária (inciso III do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003); 2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições (§ 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Esse entendimento já foi firmado por este colegiado em diversos julgados recentes: Fl. 808DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000246/2011-06 Acórdão nº 3402-006.469, de 24 de abril de 2019 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda [Destaca-se que os valores referentes ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda não foi objeto de julgamento no presente caso] Acórdão nº 3402-006.573, de 25 de abril de 2019 PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto. Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Acórdão nº 3402-006.670, de 23 de maio de 2019 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. CRÉDITOS. GLOSA. Por expressa determinação legal, é proibida apuração de créditos relativos à aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica destinados à revenda com alíquota zero. É permitida somente a manutenção dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas com alíquota zero, quando devidamente comprovados. Acórdão 3402-005.600, de 26 de setembro de 2018 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Fl. 809DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000246/2011-06 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721756/2011-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
Ementa:: NULIDADE DA DECISÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada.
ITR. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. FALTA DE PROVA. ADA. TEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO.
O benefício fiscal atinente à área ocupada com produtos vegetais está condicionado à comprovação material em si por meio de documentação hábil, como também à apresentação tempestiva do correspondente ADA.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observa o requisito legal da aptidão agrícola, para fins de estabelecimento do valor do imóvel e ausente laudo técnico de avaliação nos estritos termos definidos na legislação regente, justificando o VTN declarado.
OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
Numero da decisão: 2003-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 Ementa:: NULIDADE DA DECISÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. ITR. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. FALTA DE PROVA. ADA. TEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. O benefício fiscal atinente à área ocupada com produtos vegetais está condicionado à comprovação material em si por meio de documentação hábil, como também à apresentação tempestiva do correspondente ADA. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observa o requisito legal da aptidão agrícola, para fins de estabelecimento do valor do imóvel e ausente laudo técnico de avaliação nos estritos termos definidos na legislação regente, justificando o VTN declarado. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13603.721756/2011-18
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6057797
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.162
nome_arquivo_s : Decisao_13603721756201118.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO IBIAPINO LUZ
nome_arquivo_pdf_s : 13603721756201118_6057797.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7888467
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297006678016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T3 Fl. 124 1 123 S2C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.721756/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2003000.162 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 24 de julho de 2019 Matéria ITR APV PROVA MATERIAL ADA VTN SIPT Recorrente EURIDES DE SOUZA BRAGA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 Ementa:: NULIDADE DA DECISÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. ITR. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. FALTA DE PROVA. ADA. TEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. O benefício fiscal atinente à área ocupada com produtos vegetais está condicionado à comprovação material em si por meio de documentação hábil, como também à apresentação tempestiva do correspondente ADA. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. Mantémse o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observa o requisito legal da aptidão agrícola, para fins de estabelecimento do valor do imóvel e ausente laudo técnico de avaliação nos estritos termos definidos na legislação regente, justificando o VTN declarado. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 17 56 /2 01 1- 18 Fl. 124DF CARF MF 2 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negarlhe provimento. Francisco Ibiapino Luz Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 29.029,95, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2008, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da falta de comprovação da área de produtos vegetais e do valor da terra nua declarados (fls. 03/08). Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0433.722, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande DRJ/CGE (fls. 88/93), transcrito a seguir: Em 16/06/2011, o interessado apresentou impugnação, f. 5354, e após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega que a área utilizada com produtos vegetais é composta por cana forrageira e pastagens, culturas permanentes formadas há muito tempo, logo, não foram formadas ou cultivadas no período do lançamento, o pode ser comprovado nas declarações anteriores do ITR. Sustenta que a terra é de péssima qualidade, motivo pelo qual é utilizada, em grande parte, por reserva de matas, o que deve ser considerado no cálculo do ITR. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, por unanimidade, julgou improcedente a contestação do impugnante, mantendo o crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento, nos termos do relatório e voto ali registrados (fls. 88/93). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 125 3 Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso voluntário, argumentando o que segue sintetizado (fls: 99/122): Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso voluntário, argumentando o que segue sintetizado (fls: 99/128): Quanto à área ocupada com produtos vegetais, em síntese, assevera: 1. preliminarmente, alega que a decisão de origem não analisou todas as teses apresentadas pela defesa, no tocante às peculiaridades do imóvel (sendo de péssima qualidade, é usado em grande parte por reserva de mata), caracterizandose cerceamento de defesa, pois o suposto saneamento na seara recursal acarretaria supressão de instância a quo. Nesse contexto, citado Acórdão deverá ser cassado por ser nulo, retornando os autos à origem com a finalidade da matéria ser examinada em sua integralidade; 2. os fundamentos da decisão de origem não se sustentam, pois o contribuinte apresentou questões e fundamentos a sustentar com exatidão e propriedade o fato de NÃO existir qualquer motivo/razão a justificar o lançamento de crédito tributário em seu desfavor, haja vista a regular declaração de ITR, exercício 2007; 3. ao transcreve o art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, alega que a decisão de origem não acatou a isenção sobre a área de 149,0 ha utilizada com produtos vegetais sem qualquer fundamento jurídico, já que formada anos atrás, e não somente em 2006; 4. que a canadeaçúcar classificarse como cultura perene e/ou permanente, apresentando um ciclo de vida longo, com vários ciclos produtivos, sem necessidade de ser replantada, o que pode ser visto nas declarações do ITR de anos anteriores; 5. discorda da restrição acerca da "prova das culturas permanentes de cana forrageira pode ser feita por meio de laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, devidamente registrada no CREA, discriminando as culturas e as atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas no período do lançamento..." 6. nenhuma razão assiste aos membros da Turma Julgadora da DRJ em afirmar que as declarações de ITR de anos anteriores não eximem o sujeito passivo da prova dos fatos tributários declarados neste exercício, pois foi demonstrado que, apesar dos produtos vegetais terem sido plantados em exercícios passados, os mesmos, por serem culturas perenes/permanentes, perduram no exercício do ITR, ano 2007; 7. ratifica que o recorrente apresentou as provas em tempo hábil, já que as declarações de ITR anteriores ao exercício do ITR 2007 são provas imprescindíveis e notórias a demonstrar que a área de produtos vegetais perdura ao longo dos anos; 8. o órgão fiscalizador e o órgão julgador não agiram com equidade, razoabilidade, legalidade, uma vez que simplesmente rejeitam as provas apresentadas pelo sujeito passivo, não procedendo a qualquer "exame local" a fim de apurar/comprovar eventual inverdades/ilegalidades nas declarações prestadas pelo contribuinte; Fl. 126DF CARF MF 4 Quanto ao VTN, em síntese, manifesta que o terreno do recorrente tem peculiaridades que o distingue da maioria dos demais terrenos rurais do município, razão por que o arbitramento não pode prosperar, já que o imóvel é formado por terras de segunda e terceira classes. Por fim, requer: 1) A juntada do presente recurso, bem assim dos documentos que o instruem, ao processo n. 13603721.754/201111; 2) Seja o presente recurso recebido, conhecido e provido; 3) Em sede de preliminar, seja reconhecido o fato do acórdão ora recorrido mostrase citrapetita, procedendo este Colendo Conselho à cassação do acórdão recorrido, determinando a remessa dos autos à instância inferior, para que profira novo julgamento/acórdão com a apreciação de toda a matéria de defesa apresentada pelo impugnante, ora recorrente; 4) Ultrapassada a preliminar suscitada, no mérito requer o provimento do presente recurso a fim de decidir pela improcedência da ação fiscal, de forma a reformar, in totum, a decisão de primeira instância julgando procedente o presente recurso voluntário, e, consequentemente, determinado o cancelamento do débito fiscal reclamado; 5) Por derradeiro, na remota possibilidade de V. Exas. não comungarem da totalidade dos fundamentos apresentados pelo ora recorrente, fazendo uso do princípio da eventualidade, requer seja dado provimento parcial ao presente recurso voluntário, de forma a determinar o restabelecimento da área declarada como de utilização com produtos vegetais e, por conseguinte, determinar que seja refeito o cálculo do crédito tributário devido pelo sujeito passivo. E, ainda, que seja realizada avaliação tomando por base as características do terreno objeto do imposto, atentandose à peculiaridade do mesmo ser composto/formado por terras de segunda e terceira, conforme comprova a Certidão do CRI da Comarca de Bonfim/MG. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 21/10/2013 (fls. 098), e a Peça recursal foi recebida em 20/11/2013 (fls. 99), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares O recorrente alega que a decisão de origem não analisou todas as teses apresentadas pela defesa, caracterizandose cerceamento de defesa, pois o suposto saneamento na seara recursal acarretaria supressão de instância a quo. Nesse contexto, citado acórdão deverá ser cassado por ser nulo, retornando os autos à origem com a finalidade da matéria ser examinada em sua integralidade. Todavia, pela análise de todo o processo, verificase que a Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 126 5 instância a quo, ao firmar a sua convicção sobre os fatos apurados pela fiscalização, fundamentouse nos elementos de prova que entendeu suficientes ao deslinde da controvérsia. Nessa perspectiva, ressaltase que o julgador tem livre arbítrio para apreciar e valorar as provas acostadas aos autos, podendo fundamentar a sua decisão em outros elementos probatórios, ali anexados, que entenda suficientes para a formação de sua convicção. Por conseguinte, não se sujeitando a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim entendido, a ele recai o dever de enfrentar tão somente aquelas hipóteses capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Por oportuno, o STJ perfilha nesse entendimento ao tratar da fundamentação das decisões judiciais com fulcro no art. 489, § 1°, do CPC/2015, verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)." Ainda em igual sentido, o CPC, de 2015, e, por conseqüência os pronunciamentos dos tribunais superiores a ele referentes, fontes de direito subsidiárias aplicáveis ao processo administrativo fiscal, vão ao encontro do que se expôs precedentemente, conforme se vê no acórdão 2402006.494. Confirmase: PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. Isto posto, não procede a alegação do recorrente, razão por que rejeito reportada preliminar. Mérito Delimitação da lide Fl. 128DF CARF MF 6 Previamente à apreciação de mencionada contenda, trago a contextualização da autuação, caracterizada pela discriminação das divergências verificadas entre as informações declaradas na DITR e aquelas registradas no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (efl. 07), nestes termos: Linha Descrição Declarado (DITR) Apurado (NL/AI) 11 Área de Produtos Vegetais (ha) 149,0 00,0 20 Valor Total do Imóvel (R$) 274.000,00 756.600,00 Consoante visto no Relatório, já que o sujeito passivo não logrou êxito perante o julgamento de primeira instância, a matéria em litígio trata da glosa da área de produtos vegetais excluídas da base de cálculo do ITR por falta de comprovação, como também de arbitramento do VTN com base no SIPT por falta da apresentação de laudo técnico na forma requisitada pela fiscalização. Posta assim a questão, passo à análise da contenda suscitada. A cronologia metodológica do trabalho Dentro do espaço delimitado pela controvérsia instaurada, o escopo do presente estudo está a compreender aquilo que efetivamente diz a norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume. Assim sendo, buscando facilitar a compreensão dos fatos, a presente análise se desdobrará em 03 (três) eixos, cujas abordagens se complementam nos respectivos tópicos, quais sejam: 1. APV no referido enfoque, será enfrentada a problemática da apresentação tempestiva do ADA e da sua comprovação material mediante documentação hábil, cujo debate avançará na seguinte ordem cronológica de tópicos: (a) ADA (requisito genérico para o gozo das isenções permitidas, exceto a ARL averbada tempestivamente) tópicos: Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro, ITR Aspectos constitucionais, ITR Aspectos legais, Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte, Norma legal vigente, Base de cálculo VTN tributável, Isenções exclusões da base de cálculo, Caracterização do ADA, A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA, A natureza acessória da obrigação, A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA e Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA; (b) reflexos das isenções concedidas na apuração do tributo tópicos: Progressividade de alíquota, Grau de utilização do imóvel rural GU, Área aproveitável do imóvel rural e Área efetivamente utilizada na atividade rural; (c) abordagens fundamentando o entendimento obtido durante a presente análise A dispensa da prévia comprovação de área isenta, Princípio da estrita legalidade tributária, Interpretação literal da legislação que concede isenção e A apresentação tempestiva do ADA; (d) comprovação material da referida APV tópicos: contextualização em si da obrigação legal; 2. arbitramento do VTN mediante valores constantes no SIPT tópico: contextualização em si da obrigação legal; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 127 7 3. análise propriamente do mencionado Imposto por meio da subsunção dos fatos apresentados nos autos aos preceitos estabelecidos pela legislação que trata do assunto. APV Apresentação tempestiva do ADA Conforme se verá na sequência, citada isenção tributária está condicionada à apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º), no qual referida área é informada no quadro "DistrIbuição da Área Utilizada na Atividade Rural. Assim sendo, o enfrentamento da questão fica facilitado quando explorado o aspecto da extrafiscalidade do ITR, o que se buscou privilegiar no presente estudo. Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro A Constituição Federal, de 1988, buscou assegurar o necessário equilíbrio entre a garantia individual da propriedade privada e sua função social como princípio da ordem econômica. Assim entendido, a primeira se apresenta atrelada à segunda tanto no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos art. 5º, XXII e XXIII como naquele dos Princípios Gerais da Atividade Econômica art. 170, II e III nestes termos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, [...], à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXII é garantido o direito de propriedade; XXIII a propriedade atenderá a sua função social; Art. 170. A ordem econômica, [...], conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] II propriedade privada; III função social da propriedade. Refinando o raciocínio, vêse que a Carta Magna, pontual e especificamente, traz estímulos especificamente voltados ao cumprimento da função social do imóvel rural, seja estabelecendo os critérios de seu respectivo atingimento art. 186, I e II seja restringindo em si o próprio direito fundamental de propriedade arts. 184, caput, e 185, II e § único in verbis: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social [...]; Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: [...] II a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social; Fl. 130DF CARF MF 8 Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I aproveitamento racional e adequado; II utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; Nessa perspectiva, sopesando os comandos constitucionais vistos nos arts. 186 e 184 acima, inferese que, numa suposta relação hipotética, o primeiro pode se apresentar como antecedente e o segundo como consequente, ou seja, em situação extremada, o descaso com a função social do imóvel rural poderá implicar sua desapropriação por interesse social. Assim entendido, é imprescindível a conciliação entre os interesses individuais decorrentes do direito de propriedade e os coletivos advindos com a justa solidariedade social, razão por que, quanto a isso, o comando constitucional sinaliza as potenciais hipóteses: 1. os legisladores deverão estimular referido equilíbrio, mediante normas incentivadoras de condutas salutares tanto do ponto de vista individual quanto coletivo; 2. os governos deverão promover políticas públicas direcionadas a tais finalidades; 3. os operadores do direito deverão orientar suas decisões com vistas ao atendimento dos preceitos ora discorridos; 4. à sociedade organizada, sem desrespeitar a propriedade privada, deverá exigir o cumprimento da função social da terra; 5. o proprietário individual do imóvel rural deverá conduzir seus propósitos pessoais com apreço aos interesses da coletividade. Descendo a pirâmide, passaremos a analisar o delineamento do aludido tributo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ITR Aspectos constitucionais Tratase de imposto de competência da União CF, de 1988, art. 153, VI de função eminentemente extrafiscal, cujos contornos são desenhados para estimular o cumprimento da função social do imóvel rural considerado, possibilitando benefícios à sociedade, sem prejuízo do exercício do direito de propriedade pelo seu titular. Confirmase: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] VI propriedade territorial rural; [...] § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) I será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 128 9 II não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel; A citada progressividade fiscal se traduz em instrumento de intervenção na propriedade privada com vistas a inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, em atendimento à função social que a Constituição determinou fosse observada, conforme já se transcreveu no tópico anterior (arts. 5º, XXIII, e 170, II). Ainda no mesmo sentido, na forma também já vista precedentemente, o mandamento Constitucional, por um lado, declarou a propriedade produtiva insuscetível de desapropriação para reforma agrária (art. 185, II); por outro, delineou a função social que o imóvel há de cumprir, estabelecendo os critérios do aproveitamento racional da terra, como também a utilização adequada dos recursos disponíveis e a preservação do meio ambiente (art. 186, I e II). Na mesma esteira do cumprimento da função social do imóvel rural, diretamente, a Matriz Constitucional traz a imunidade do ITR atinente à pequena gleba rural quando atendidas as circunstâncias ali delineadas (art. 153, § 4º, II). Não de modo diferente, embora indiretamente, podese compreender que o cumprimento da função social do imóvel rural também foi privilegiado, na medida em que a Carta sinaliza imunidade dos imóveis pertencentes à União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas, instituições de educação e assistência social nos termos por ela estabelecidos (art. 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º). Por fim, a Carta Constitucional define que as normas gerais em matéria tributária serão estabelecidas por meio de lei complementar, nos seguintes termos: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (grifo nosso) ITR Aspectos legais Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte No atendimento do comando constitucional acima transcrito (art. 146, III, alínea "a"), dispondo sobre o aspecto material da incidência de referido Tributo, o Código Tributário Nacional (CTN) recepcionado com força de lei complementar pela CF, de 1988 em seus arts. 29 a 31, definiu que o ITR tem por fato gerador a propriedade, o domínio útil, ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município; por base de cálculo o seu valor fundiário e como contribuinte o proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título, nestes termos: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, Fl. 132DF CARF MF 10 como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário; Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Norma legal vigente Nessa esteira, em consonância com as disposições contidas nas normas gerais transcritas acima, a Lei Federal nº 9.393, de 1996, delimita os contornos do fato gerador (art. 1º); do contribuinte (art. 4º) e da base de cálculo (arts. 8º) do reportado Imposto, nestes termos: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...] Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Base de cálculo VTN tributável Até então, relativamente à presente abordagem, adequado consignar que referida Lei referenciou a base de cálculo do ITR a partir do preço de mercado da terra nua tributável na data de ocorrência do respectivo fato gerador (VTNt), o que se dará em 1º de janeiro de cada ano. Nessa perspectiva, orientando o estudo ao propósito que se pretende atingir, que é o enfrentamento da lide em debate, é apropriado se discorrer acerca da apuração da dita base tributável, conforme dispõe reportado mandamento legal, com a redação vigente à época do fato gerador, nestes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 129 11 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL)...[...] b) de interesse ecológico (AIE) para. [...] c) comprovadamente imprestáveis (ACI) para [...] d) sob regime de servidão florestal (ARSF); e) cobertas por florestas nativas (ACFN), primárias [...] f) alagadas (AA) para fins de constituição de reservatório [...] (grifo nosso) Importante salientar que a legislação tributária acompanha o entendimento dado à terra nua pelo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002, art. 79), definindoa como sendo o imóvel rural por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e respectiva mata nativa, floresta nativa ou pastagem natural. Isto está posto na IN RFB nº 256, de 2002, art. 32, caput. Confirase: Art. 32. Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do solo com sua superfície, bem assim das florestas naturais, das matas nativas e das pastagens naturais que integram o imóvel rural. Nesse cenário, o já transcrito § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, por meio do seu inciso III, assevera que o valor da terra nua tributável (VTNt) efetiva base de cálculo do tributo em destaque equivale ao valor da terra nua (VTN) correspondente à área tributável. Portanto, representado pelo produto da multiplicação do VTN pelo quociente da divisão entre a área tributável e a extensão total do respectivo imóvel rural. Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; (grifo nosso) Isenções exclusões da base de cálculo A propósito, por ser proveitoso para a construção dos fundamentos a se hipotecar nesta análise, conveniente registrar que, como visto, exceto quanto às imunidades voltadas ao cumprimento da função social referenciada anteriormente (CF, de 1988, arts. 153, § 4º, II, e 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º), o ITR incide sobre a totalidade remanescente dos imóveis rurais, nos termos apontados pelo CTN. Logo, as exclusões redução da base de cálculo estabelecidas na legislação supratranscrita (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, incisos Fl. 134DF CARF MF 12 I e II) traduzem notórias isenções tributárias, como tais, carregadas de especificidades próprias, conforme se verá adiante. No contexto, releva retomar que tais isenções retratam a dimensão extrafiscal do mencionado Imposto, pois pretendem estimular o cumprimento da função social do imóvel rural por meio da utilização adequada dos recursos disponíveis e da preservação do meio ambiente. Assim entendido, quando da apuração da reportada base de cálculo, a Lei exclui, por um lado, os custos diretos a que se referem as aplicações dispostas nas alíneas "a" a "d" do seu art. 10, § 1º, inciso I (valor das benfeitorias, culturas, pastagens e reflorestamento); por outro, no cálculo da área tributável, elide a tributação atinente às áreas utilizadas na forma vista nas alíneas "a" a "f" constantes no inciso II do mesmo parágrafo e artigo (APP, ARL, AIE, ACI, ARSF, ACFN e AA). Nesse pressuposto, anunciada isenção tributária está condicionada ao cumprimento de requisito obrigatório, previsto na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, que lhe alterou o mandamento do § 1º do art. 17O, qual seja: a existência de ADA ou do protocolo de seu requerimento perante o IBAMA ou órgão ambiental com ele conveniado. Enfim, tratase de exigência genérica indispensável para a supressão de qualquer área da incidência do referido tributo. Confirase: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Caracterização do ADA O ADA é o instrumento que possibilita a alimentação do cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA, destacando aquelas frações de interesse ambiental, as quais, se atendidos os preceitos legais, são excluídas da base de cálculo do ITR. Tratase, portanto, de obrigação imposta ao detentor do reportado benefício fiscal, cuja pretensão é estimular o já discutido cumprimento da função social do imóvel rural, na medida em que incentiva a preservação do meio ambiente, contribuindo para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Mais objetivamente, atendida a condição imposta, o proprietário rural vê seu tributo reduzido quando protege suas florestas ou vegetações naturais, assim como em virtude do incremento na produtividade da respectiva terra. A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA Nos termos vistos no § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, o ADA é um documento por meio do qual o contribuinte declara ao IBAMA as áreas excluídas da base de cálculo do ITR nos termos previstos na legislação. Assim entendido, por meio dele o Órgão fiscalizador ambiental recebe informações relativas à preservação e conservação ambientais de propriedades rurais, realiza auditoria com vistas a averiguar a veracidade das informações ali constantes e, quando for o caso, lavrará, de ofício, novo ADA, corrigindo as supostas distorções verificadas, o qual será encaminhado à RFB, a quem compete efetivar a autuação correspondente. Confirmase: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 130 13 Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 Como visto precedentemente, há de se entender que a isenção pretendida pelo sujeito passivo traz duas vertentes distintas, mas complementares, quais sejam: por um lado, o aspecto formal da existência ou não do ADA, que é fiscalizado pela RFB; por outro, o aspecto material, caracterizado pelo levantamento técnico da conformidade entre o registro documental e a existência real das áreas tidas por preservadas. Mais precisamente, tratase de dever legal visando a uma razoável praticabilidade da norma isencional tributária, na medida em que a exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR permite uma efetiva fiscalização da preservação da área de interesse ambiental por parte do IBAMA. Nesse sentido, conforme visto, vale dizer que o atendimento de mencionada obrigação potencializa o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. A natureza acessória da obrigação Nessa perspectiva, conforme a Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 113, §§ 1º, 2º e 3º, somente há duas espécies de obrigações tributárias impostas ao contribuinte, a principal e a acessória. A primeira, trata do pagamento de tributo ou penalidade; a segunda, diz respeito a todas as imposições feitas ao sujeito passivo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ademais, esta última se transforma em principal no tocante ao pagamento de penalidade pecuniária, quando e somente se, legalmente prevista. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 136DF CARF MF 14 A propósito, não se imagina razoável descaracterizar a natureza de uma obrigação acessória supostamente porque inexistente a penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, pois a legislação tributária prevê inúmeras situações onde não há reportada sanção. Quanto a isso, especialmente nos casos de benefícios fiscais, a lei optou por vincular referido gozo ao cumprimento das prestações positivas ou negativas nela impostas. A exemplo, transcrevemos excerto do Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 516, 518, 527, inciso I, parágrafo único, e 530, inciso III, e 532 (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018): Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). [...] Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). [...] Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...] Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). [...]. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (grifo nosso) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifo nosso) [...} Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 131 15 Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). No caso, a forma de apuração do Imposto por meio de regime privilegiado (lucro presumido), caracterizado pela redução da base de cálculo do montante apurado e, especialmente, pela dispensa de escrituração contábil nos termos exigidos pela legislação comercial, fica afastada quando o beneficiário descumprir a obrigação acessória de apresentação do livro caixa escriturado (art. 530, III). Assim entendido, tal como a apresentação do ADA, inferese que a ausência de penalidade pecuniária pelo descumprimento da respectiva obrigação acessória não a descaracteriza, já que isso supostamente refletirá na perda do benefício pretendido (aumento da base de cálculo correspondente ao acréscimo de 20% do coeficiente de cálculo art. 532). Dá forma já posta, em síntese, o dever instrumental da apresentação do ADA consiste na prestação positiva no interesse da arrecadação e fiscalização do ITR, uma vez se traduzir em expediente que possibilita o acompanhamento do cumprimento da obrigação principal de pagar mencionado tributo, a partir das informações ali declaradas. Portanto, entendo que citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. Afinal, dito Instrumento; por um lado, está legalmente vinculado à apuração do ITR (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); por outro, compreenderá o suporte fático da autuação decorrente das divergências levantadas pelo IBAMA e enviadas à Repartição Fiscal competente (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 4º). Olhando em dita perspectiva, já que caracterizada a natureza acessória do dispositivo, vale delimitar o seu fato gerador, segundo o art. 115 do CTN: "Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." (grifo nosso) Do até então exposto, temse que as obrigações acessórias podem decorrer da legislação tributária, por força dos arts. 113, § 2º, e 115 do CTN já transcritos, esta última compreendendo as normas complementares, dentre as quais os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, como se vê nos arts. 96 e 100, I, do CTN. Confirase: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. [...] Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] Fl. 138DF CARF MF 16 A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA Avançando no raciocínio, é relevante se identificar o momento de ocorrência das circunstâncias materiais caracterizadoras do descumprimento do citado dever instrumental, cujos efeitos implicam a glosa do benefício fiscal que o recorrente almejou usufruir. Por conseguinte, estabelecendo as condições necessárias ao fiel cumprimento da Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, sob o manto Regulamentar e legal, a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos complementando o detalhando do mandamento que a norma legal exigiu fosse cumprido. Nesse manto, conforme o já referenciado art. 96 do CTN, o decreto é ato normativo proveniente do Chefe do Poder Executivo, que integra a legislação tributária, e tem por incumbência essencial a regulamentação do conteúdo das leis, conforme art. 84, inciso IV, da CF, de 1988. Confirase: CF, de 1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; CTN, de 1966: . Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende [...]. A tal respeito, dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I, remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal. Confirase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Não bastasse referida previsão infralegal da definição dos prazos e condições para a apresentação do ADA mediante atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a Lei nº 9.779, de 1999, art. 16, traz comando funcional específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o cumprimento. Confirase: Lei nº 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 132 17 por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (grifo nosso). Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA em dois períodos distintos, que têm por marco o exercício de 2007. Nesse pressuposto, citado protocolo deveria se dar em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR e de 1° de janeiro a 30 de setembro do correspondente exercício, conforme se trate de declaração referente a exercício anterior ao limítrofe e dali em diante respectivamente. Confirase: 1. para os exercícios anteriores a 2007, reportado protocolo deveria ocorrer em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR, nos termos da IN SRF nº 43, de 1997, art. 10, § 4º, inciso II, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1997, art. 1º. Confirase: IN SRF nº 43, de 1997: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] § 4o As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) (grifo nosso) Oportuno registrar que, no lapso temporal retrocitado, os atos normativos que trataram do assunto em debate, embora passando por uma sequência de revogações, mantiveram inalterado o interregno de seis meses contados da data final para a apresentação da respectiva Declaração. Nessa perspectiva, a IN SRF nº 43, de 1997 foi revogada pela IN SRF nº 73, de 2000, a qual também foi objeto de revogação pela IN SRF nº 60, de 2001, também fulminada pela IN SRF nº 256 de 2002. Confirase: IN SRF nº 73, de 2000 (revoga a IN SRF nº 43, de 1997): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: Fl. 140DF CARF MF 18 [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e (grifo nosso) IN SRF nº 60, de 2001 (revoga a IN SRF nº 73, de 2000) Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; (grifo nosso) IN SRF nº 256, de 2002 (revoga a IN SRF nº 60, de 2001): Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR 2. a partir do exercício de 2007, a RFB estabeleceu a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA, não mais em seis meses, contados da data final para a entrega da DITR do correspondente exercício, e sim no prazo estipulado na legislação ambiental, conforme a IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, inciso I, com a alteração implementada pela IN RFB nº 861, de 2008, c/c a IN RFB nº 746, de 2007, art. 10. Confirase: IN SRF nº 256, de 2002 (alterada pela IN RFB nº 861, de 2008): Art. 9º [...] § 3º [...[ I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) (grifo nosso) IN RFB nº 746, de 2007: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 133 19 Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. (grifo nosso) Nessa nova configuração, o IBAMA determinou que o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro, conforme IN IBAMA nº 76, de 2005, art. 9º; IN IBAMA nº 96, de 2006, art. 9º, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN IBAMA n° 5, de 2009. Confirase: IN IBAMA nº 76, de 2005: Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. (grifo nosso) Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. (grifo nosso) IN IBAMA nº 96 de 2006: Art 9º As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. IN IBAMA nº 05, de 2009: Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). [...] § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado.(grifo nosso) Art. 7º. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Progressividade de alíquota Além das isenções apontadas, como se há verificar, especificado mandamento legal privilegia a progressividade fiscal de citado tributo, na medida em que se propõe inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, estabelecendo critérios de aproveitamento racional da terra, a partir da determinação de alíquotas em percentuais inversamente proporcionais ao grau de utilização do correspondente imóvel rural. Fl. 142DF CARF MF 20 Nessa perspectiva, conforme art. 11 da Lei nº 9.393, de 1996, dentro das respectivas faixas de tributação existentes, que são estabelecidas em razão da área total do imóvel rural, a alíquota aplicável será tanto menor quanto maior for o grau de utilização da propriedade. Confirase: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. Mais especificamente, o Anexo a que se refere a transcrição posta traz a seguinte tabela de alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido. Confirase: Grau de utilização GU (%) Área total do imóvel (extensão ha) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00 Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00 Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60 Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00 Considerando que as isenções apontadas refletem não somente na base de cálculo do ITR matéria vista precedentemente mas também na alíquota aplicável em sua apuração, na sequência, é plausível se contextualizar o grau de utilização do imóvel rural, como também suas áreas aproveitável e de efetiva utilização na mencionada atividade, que lastreiam a extrafiscalidade do citado tributo, determinada pela progressividade de suas alíquotas. Grau de utilização do imóvel rural GU É a relação percentual estabelecida entre a área efetivamente utilizada pela atividade rural e a totalidade aproveitável do respectivo imóvel, o qual, conforme visto no tópico precedente, juntamente com a extensão do imóvel, traduzse em critério determinante para a progressividade das alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, VI; Decreto nº 4.382, de 2002, art. 31, e IN SRF nº 256, de 2002, art. 31). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Assim entendido, convém ressaltar que, conforme se discorrerá na sequência, as áreas aproveitável e efetivamente utilizada na atividade rural base para o cálculo do reportado grau de utilização (GU) consideram as isenções retrocitadas (Lei nº 9.393, de 2002, Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 134 21 art. 10, § 1º, incisos I e II). Ademais, levam em consideração os fatos ocorridos entre 01 de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador. Área aproveitável do imóvel rural Tratase de área retratada no Quadro 10 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área do Imóvel Rural”, a qual está apontada no Campo 10 e se caracteriza pela diferença entre a área total do imóvel (campo 01) e as isenções previstas no art. 10, § 1º, incisos I, alínea "a", e II, alíneas "a" a "f" da Lei retrocitada (campos 02 a 09). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Área efetivamente utilizada na atividade rural Visto o comando legal abaixo transcrito (Lei nº 9.393, de 2002), cumpre destacar que, no Campo 18 do Quadro 11 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural” consta a área efetivamente utilizada na atividade rural. Esta, por sua vez, referese à porção da área aproveitável que, no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador, tenha sido empregada para produtos vegetais, pastagens, exploração extrativa, criações diversas, projetos técnicos e pesquisa, como também quando situada em área de calamidade pública. Confirmase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; Fl. 144DF CARF MF 22 [...] § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. A dispensa da prévia comprovação de área isenta Oportuno registrar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, vigente entre 25/08/2001 e 25/05/2012, não trouxe inovação no ordenamento jurídico tributário, pois apenas reforçou que o lançamento do citado Imposto se dará por homologação, conforme dispositivo constante no caput, c/c o art. 150 da Lei nº 5.172, de 1966. Logo, tratase da dispensa prévia de apresentação de documentos no momento da entrega da DITR, o que é próprio da referida modalidade de lançamento, o que é respeitado pela Receita Federal do Brasil. Confirase: Art. 10.[...] § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Assim sendo, quando questionado pelo Fisco, o contribuinte mantém a obrigação de comprovar o cumprimento tempestivo das condições impostas pela legislação para o gozo da isenção pretendida, mesmo se tratando de APP e ARL (alínea "a") ou de . área sob regime de servidão florestal (línea "d"). Ademais, tampouco há de se cogitar no afastamento da atribuição dada à fiscalização para verificar se os dados declarados correspondem à situação existente no correspondente imóvel na data do fato gerador do ITR, procedendo ao lançamento de ofício quando o sujeito passivo não lograr comprovar a regularidade dos dados informados na respectiva declaração. A propósito, em se tratando de tema complexo, entendo pertinente refinar a análise considerando dois pressupostos que refletem os comandos normativos da matéria em debate, quais sejam: (i) o da reserva legal visto no art. 97 do CTN e (ii) o da interpretação literal presente no art. 111 do mesmo Código. O primeiro, referindose à estrita legalidade Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 135 23 própria dos elementos basilares da relação jurídico tributária (fato gerador da obrigação principal, base de cálculo, alíquota, etc.); o segundo, impondo limites atinentes à interpretação a ser dada aos dispositivos tributários que tratem da concessão de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória. Princípio da estrita legalidade tributária A reserva legal tributária prevista no art. 150, inciso I, da CF, de 1988, impõe que a própria lei desenhe a regramatriz de incidência tributária a ser adotada pelos sujeitos da relação jurídicotributária. Nesse bojo, o art. 97 do CTN é preciso ao esclarecer e delimitar tais preceitos, mediante o estabelecimento de normas gerais tributárias. Confirmase: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. De pronto, examinando mais detalhadamente os arts. 96, 97 e 98 do CTN este último tratando dos tratados e convenções internacionais e os dois primeiros da legislação tributária e da reserva legal respectivamente notase que não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal (arts. 97 e 98). Consequentemente, inferese que o ali não contido, referese a obrigações acessórias, como tais, podendo ser disciplinadas por meio da legislação tributária compreendida nos termos do art. 96 do citado Código. Interpretação literal da legislação que concede isenção Considerando que a tributação é a regra no exercício da competência tributária, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico. Nessa ótica, conforme o art. 111 do CTN, o entendimento acerca da imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA para o gozo da isenção pretendida Fl. 146DF CARF MF 24 pelo contribuinte deve ser restritivo, ficando afastada qualquer hipótese de dispensa ou substituição por outros documentos. Confirase: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Por oportuno, o art. 175, parágrafo único, do CTN ratifica mencionada perspectiva restritiva, pois mantém a exigência de referida interpretação literal para a dispensa do cumprimento de obrigação acessória, ainda que haja outorga de isenção do suposto crédito tributário a ela vinculada. Confirase: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; [...] Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Sumarizando o raciocínio teorizado nos últimos tópicos (progressividade de alíquota, grau de utilização, área aproveitável, área efetivamente utilizada, dispensa de comprovação prévia, estrita legalidade e interpretação literal), depreendese que os benefícios fiscais patrocinados pela supracitada Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, º 1º, incisos I e II, refletem redução do imposto devido, em face dos encolhimentos tanto da base de cálculo como da alíquota aplicável, decorrentes da isenção e da progressividade resultantes respectivamente. A apresentação tempestiva do ADA Neste cenário, tendo em vista o que está posto no art. 175, inciso I, e parágrafo único do CTN, inferese que o incisos II do art. 111 de igual Código trata de matéria redundante, porquanto já inserida no inciso I de tal artigo. Afinal, a outorga de isenção se traduz modalidade de exclusão do crédito tributário. Logo, admitir a manutenção dos benefícios fiscais em controvérsia sem o cumprimento tempestivo das formalidades legais exigidas APP (apresentação tempestiva do ADA) e AIE (apresentação tempestiva do ADA e do Ato específico federal ou estadual declarandoa de interesse ecológico), implicará ofensa a todos aqueles incisos dispostos no art. 111 do CTN, já abordados precedentemente. Mais precisamente, restariam concedidas outorga de isenção e, de igual modo, dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória mediante forma de interpretação da legislação tributária divergente da literal, o que, como se conheceu, é vedado expressamente pelos arts. 111, incisos I, II e III, e 175 do CTN. Ademais, o art. 141 do mesmo Código, é muito preciso ao ratificar citada proibição. Nestes termos: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 136 25 excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Por todo o exposto, nos termo já vastamente debatidos, podese sintetizar o que segue: 1. o gozo do referido benefício fisca está legalmente condicionado à protocolização tempestiva do ADA no IBAMA ou órgão conveniado (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); 2. citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, pois realizadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. (CTN, art. 113, § 2º); 3. não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal, razão por que o período e condições para apresentação do ADA podem ser disciplinados por meio da legislação tributária (CTN, arts. 96, 97 e 98); 4. há comando legal específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o respectivo cumprimento (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16); 5. dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o RITR remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I); 6. sob o manto legal (item 4) e Regulamentar (item 5), a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos estabelecendo condições e prazos de apresentação do ADA; 7. por fim, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória objetos do presente julgamento devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico vigente (CTN, arts. 111 e 175). Isto posto, com todas as vênias que me possam conceder os nobres julgadores que vêem de forma diferente, entendo haver, sim, mandamento legal autorizando o estabelecimento do prazo e das condições para a apresentação do ADA, por meio de ato administrativo ou regulamentar de autoridade competente, respectivamente, aí se incluindo o Chefe do Executivo Federal, mediante o poder regulamentar (CF, de 1988, art. 84), e as autoridades constituídas da RFB (lei nº 7.779, de 1999, art.16). Ademais, ainda que isso inexistente fosse, interpreto que os dirigentes da RFB e do IBAMA detêm mencionado poder em suas atribuições regimentais, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Afinal, tratase do regramento de obrigação acessória, matéria não vinculada à reserva legal tributária. Superada a patenteada acepção conceitual retrocitada, passaremos ao enfrentamento da controvérsia propriamente. Exercício de 2008 prazo de apresentação do ADA Consoante se discorreu precedentemente, tratandose de declaração de exercício posterior ao de 2007, o termo final para a protocolização no IBAMA de Fl. 148DF CARF MF 26 requerimento do ADA correspondente ao citado exercício se deu em 30 de setembro de 2008. Mais precisamente, o sujeito passivo deverá adotar citada providência, anualmente, de 01 de janeiro a 30 de setembro do correspondente exercício. Isto posto, não constando, nos autos, o cumprimento da citada obrigação, isso por si só, já refutaria os argumentos apresentados. Comprovação em si da APV No aspecto material, já que o recorrente não trouxe novas alegações hábeis a modificar o julgamento de origem, no qual a questão foi devidamente esclarecida, mostrando, de forma cristalina, ter ficado caracterizada a falta de comprovação da presente área mediante documentação hábil, adoto como razão de decidir o lá deliberado (§ 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), nestes termos (efls. 88/93): Área de Produtos Vegetais. Falta de Prova A área declarada como área utilizada com pastagens foi mantida no lançamento tributário. A área de 149,0 hectares, declarada como área utilizada com produtos vegetais, foi glosada no lançamento tributário, e, para que seja restabelecida, deve ser comprovada. A prova das culturas permanentes de cana forrageira pode ser feita por meio de laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, devidamente registrada no CREA, discriminando as culturas e as atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas no período do lançamento e a prova da área de produtos vegetais utilizada por parceiro agrícola pode ser feita com a apresentação do contrato de parceria acompanhado das notas fiscais de insumos (adubos e sementes, por exemplo), notas fiscais de produtor; certificados de depósito (nos casos de armazenagem do produto), contratos ou cédulas de crédito rural. Além disso, a prova da área utilizada com produtos vegetais deve refletir os fatos existentes no período abrangido pelo lançamento do ITR do Exercício 2008, correspondendo aos fatos tributários verificados no período de 01 de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2007, conforme preceitua o art. 10 § 1º inc. V, “a” da Lei 9.393/96. Não constam dos autos provas da utilização da área declarada com produtos vegetais. As declarações de ITR de anos anteriores não eximem o sujeito passivo da prova dos fatos tributários declarados neste exercício, a qual deve ser produzida quando o contribuinte é intimado pela fiscalização ou em processo administrativo tributário, conforme dispõe o art. 40 do Decreto 4.382/2002: Art. 40. Os documentos que comprovem as informações prestadas na DITR não devem ser anexados à declaração, devendo ser mantidos em boa guarda à disposição da Secretaria da Receita Federal, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, parágrafo único). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 137 27 Portanto, são rejeitadas as alegações relacionadas a essa matéria, mantendose a glosa da área utilizada com produtos vegetais, e, por conseguinte, são mantidos inalterados o grau de utilização do imóvel e a alíquota adotados no lançamento. VTN Arbitramento com base no Sistema de Preços de Terra SIPT Previamente à apreciação de mencionada contenda, vale registrar que o VTN submetido a julgamento foi arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT, apurado para o respectivo município, levandose em conta a aptidão agrícola do imóvel (efls. 49). A matriz legal que ampara reportado procedimento arbitramento baseado nas informações do SIPT está contida no nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 1996, combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 1993. Confirase: Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios Lei nº 8.629, de 1993 (antes da MP nº 2.18356, de 2001): Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: [...] II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Lei nº 8.629, de 1993 (alterada peal MP nº 2.18356, de 2001): Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e Fl. 150DF CARF MF 28 acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Por oportuno, releva registrar que este Conselho vem decidindo pela possibilidade de utilização do VTN, calculado a partir das informações do SIPT para imóveis localizados em determinado município, quando observado o requisito legal da aptidão agrícola do referido imóvel. No aspecto material, já que o recorrente não trouxe novas alegações hábeis a modificar o julgamento de origem, no qual a questão foi devidamente esclarecida, mostrando, de forma cristalina, ter ficado caracterizada a subavaliação do VTN declarado, a qual não foi desconstituída mediante Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT (NBR 14.6533), com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, adoto como razão de decidir o lá deliberado (§ 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), nestes termos (efls. 88/93): Valor da Terra Nua. Falta de Prova O critério adotado para a aferição do valor da terra nua teve por base os valores divulgados pela Prefeitura Municipal de BonfimMG a título de pauta do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis por ato Oneroso InterVivos ITBI, no valor de R$ 2.500,00 o hectare, conforme Decreto Municipal no 002/2006, f. 3047. O VTN adotado é inferior ao apurado pela Secretaria Estadual de Agricultura no Sistema de Preços de Terras –SIPT, conforme tela de f. 49. O critério utilizado para o cálculo do VTN arbitrado seguiu o parâmetro previsto no art. 14 § 1o da Lei 9.393/96 e foi aplicado com razoabilidade, cabendo, ao sujeito passivo, o ônus da prova quanto às possíveis características do imóvel que o diferencia significativamente dos demais do município, podendo, para tanto, valerse de todos os meios de prova admitidos em direito, notadamente, de laudo técnico de avaliação da terra nua do imóvel revestido de rigor científico suficiente para formar a convicção da autoridade tributária, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em especial o disposto no item 9.2.3.5. No caso em exame, o impugnante deixou de apresentar o laudo técnico de avaliação ou qualquer outro elemento de prova do valor da terra nua do imóvel em 1o de janeiro de 2008. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13603.721756/201118 Acórdão n.º 2003000.162 S2C0T3 Fl. 138 29 Em síntese, o sujeito passivo não se desincumbiu da prova do valor da terra nua da propriedade em questão e, na falta da peça técnica adequada, deve ser mantida a avaliação fiscal. Do exposto, inferese que a documentação apresentada pelo recorrente não se apresenta carregada de todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária para o afastamento do arbitramento do VTN, a partir dos valores do SIPT, quando respeitada a aptidão agrícola do respectivo imóvel. Portanto, há de manter a decisão de origem irretocável. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002437/2003-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo deslinde escorreito do PAF, torna-se inafastável o reconhecimento da preclusão do direito de apresentação do arcabouço documental que acompanha a peça recursal se o contribuinte deixa de apresentá-lo em oportunidade anterior. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor pleiteado à compensação.
Numero da decisão: 1002-000.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo deslinde escorreito do PAF, torna-se inafastável o reconhecimento da preclusão do direito de apresentação do arcabouço documental que acompanha a peça recursal se o contribuinte deixa de apresentá-lo em oportunidade anterior. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor pleiteado à compensação.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.002437/2003-10
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6042617
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.737
nome_arquivo_s : Decisao_10830002437200310.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830002437200310_6042617.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7844806
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297097904128
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-29T18:17:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-29T18:17:20Z; Last-Modified: 2019-07-29T18:17:20Z; dcterms:modified: 2019-07-29T18:17:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-29T18:17:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-29T18:17:20Z; meta:save-date: 2019-07-29T18:17:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-29T18:17:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-29T18:17:20Z; created: 2019-07-29T18:17:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-29T18:17:20Z; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-29T18:17:20Z | Conteúdo => S1-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.002437/2003-10 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-000.737 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 09 de julho de 2019 Recorrente PERFETTI VAN MELLE BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo deslinde escorreito do PAF, torna-se inafastável o reconhecimento da preclusão do direito de apresentação do arcabouço documental que acompanha a peça recursal se o contribuinte deixa de apresentá-lo em oportunidade anterior. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor pleiteado à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 24 37 /2 00 3- 10 Fl. 321DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.737 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.002437/2003-10 Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 259 à 262) interposto contra o Acórdão n 05-22.609, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (e-fls. 267), que, por unanimidade de votos, julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Trata o presente processo de declaração de compensação, formalizada pela contribuinte em epígrafe, em 30/04/2003, em que se pretende a quitação do imposto de renda retido na fonte, do período de apuração em 03/05/2003, com vencimento em 07/05/2003, com a utilização de dois recolhimentos feitos do mesmo tributo, código de receita "8053", quitados em 07/02/2003 e 07/03/2003. 2 Apreciando o pleito, a DRF/Campinas, por seu Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT, proferiu o despacho decisório de fls. 29/30, não reconhecendo o direito credit6rio alegado, por estarem os Darf em debate alocados a débitos regularmente declarados, com a conseqüente não-homologação da declaração de compensação. 3 Cientificada da decisão proferida, em 06/12/2007, conforme AR de fls. 34, a interessada, por seu representante legal, interpôs, em 19/12/2007, manifestação de inconformidade de fls. 35, no seguinte teor: "Com referencia ao processo supra citado, informamos que os valores objeto de pedido de compensação foram recolhidos indevidamente pois tratava-se de IRRF sobre operação de empréstimo de mútuo, o qual havia sido liquidado em 31/12/2002 conforme razão contábil e planilha de demonstração anexos, sendo mantido irregularmente o cálculo para recolhimento de Imposto de Renda na Fonte." O Acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu pela insuficiência probatória apta a chancelar o pleito do Contribuinte, o que resultou no indeferimento do pleito compensatório. O Recurso Voluntário reitera os argumentos formulados na manifestação de inconformidade. Em virtude do poder de síntese, transcrevo as razões de direito veiculadas na peça recursal: Com referência ao processo supra citado, estamos enviando declaração da empresa Van Melle Brasil Ltda, páginas dos livros diário e razão, e balancete das empresas Van MeIle Brasil Ltda e Perfetti Van Melle Brasil Ltda, comprovando liquidação de empréstimo de mútuo entre as duas empresas em 31/12/2002, confirmando a irregularidade no cálculo para recolhimento de Imposto de Renda na Fonte para os períodos base de janeiro e fevereiro de 2003, respectivamente recolhidos indevidamente em 07/02/2003 e 07/03/2003, os quais são objeto de pedido de compensação formalizado em 30/04/2003 para quitação do imposto de renda retido na fonte, do período de apuração de 03/05/2003, com vencimento de 07/05/2003. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Fl. 322DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.737 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.002437/2003-10 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23-B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da impugnação ao crédito Por primeiro, é de se destacar que o presente PAF persiste na análise da compensação não homologada, alusiva à DCOMP acostada à e-fl. 03, a qual colaciono abaixo: Desde já, assevero que para que esta Turma Extraordinária pudesse ao menos verificar indícios de existência de pagamentos a maior/indevido, far-se-ia mister a apresentação completa dos documentos fundamentais para tanto; logo, é inevitável notar a falta de composição de liquidez e certeza, que são atributos cabais do crédito suscetível à homologação. E dita comprovação deve ocorrer desde o princípio do PAF, sob pena de preclusão, conforme se extrai do próprio regramento normativo do Decreto 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: Fl. 323DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.737 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.002437/2003-10 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Ainda dentro do espectro dessa insuficiência probatória, a Autoridade de piso procedeu com uma percuciente análise da documentação apresentada desde a gênese do Processo Administrativo Fiscal. Nesses termos, é de se ressaltar que a Contribuinte teve clara oportunidade para realizar a instrução material, ante a obediência aos princípios da ampla defesa e contraditório, os quais foram inequivocamente respeitados. Aliás, é fundamental que se ressalte o fato desta Turma Extraordinária adotar um posicionamento temperado com relação à preclusão probatória no PAF; nessa senda, admitem-se novos documentos apenas quando comprovada a impossibilidade de fazê-lo em momento anterior, ausência de inércia, bem como a superveniência de algum elemento ou fato novo, o qual justifica a apresentação extemporânea. Contudo, tal aspecto não se faz presente no atual caso, haja vista a inequívoca viabilidade ab origine da Recorrente em colacionar toda documentação adstrita ao seu pleito, já sabendo que tais provas seriam indispensáveis para tanto. Logo, entendo como incabível a avaliação dos documentos juntados em sede recursal, tendo em vista a ocorrência de preclusão. Percebe-se, portanto, que a negativa ao pleito do Contribuinte foi substancialmente calcada na falha probatória, por não comprovar a existência de pagamento a maior/indevido. Impende ressaltar que, conforme consta nos anexos acostados desde a etapa inicial deste PAF, o Recorrente efetuou diversas Declarações Retificadoras, bem como juntou novo acervo documental nessa presente etapa de Recurso Voluntário. Mas, ainda que ultrapassada o óbice prescricional, essa indigitada praxis não é suficiente. Para que se tenha a compensação é necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuida-se de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Recorrente contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, não se adimpliu tal mister documental. Ad argumentandum, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa, e com lastro probatório. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002-000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do Fl. 324DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.737 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.002437/2003-10 crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressalte-se, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001-000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente-se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da Fl. 325DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.737 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.002437/2003-10 RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o ônus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.723122/2017-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 09/08/2017
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.358
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/08/2017 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15771.723122/2017-71
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6057070
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-007.358
nome_arquivo_s : Decisao_15771723122201771.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 15771723122201771_6057070.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7882232
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297295036416
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-30T13:47:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-30T13:47:26Z; Last-Modified: 2019-08-30T13:47:26Z; dcterms:modified: 2019-08-30T13:47:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-30T13:47:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-30T13:47:26Z; meta:save-date: 2019-08-30T13:47:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-30T13:47:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-30T13:47:26Z; created: 2019-08-30T13:47:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-08-30T13:47:26Z; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-30T13:47:26Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15771.723122/2017-71 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.358 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Recorrente SOC BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SIRIO LIBANES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/08/2017 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Afasta-se a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de concomitância de objetos entre os processos judicial e administrativo, vez que restou caracterizada tal concomitância. O auto de infração foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar judicial suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento em alegada imunidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração deve ser afastada porquanto a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário, sendo legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria referente à alegação de imunidade. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 31 22 /2 01 7- 71 Fl. 266DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.358 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.723122/2017-71 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Trata o presente processo da constituição do crédito tributário para exigência dos impostos incidentes sobre operação de comércio exterior, realizada ao amparo da(s) declaração(ões) de importação identificada(s) no auto de infração. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), relata a fiscalização que os lançamentos tributários então efetuados objetivaram a prevenção da decadência dos tributos devidos, haja vista haver a autuada ingressado em juízo, consoante Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, pleiteando a suspensão da exigibilidade dos tributos incidentes sobre as importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, e, no art. 141 do Decreto nº 6.759/2009, por meio da qual obteve antecipação de tutela. Cientificada dos lançamentos, a autuada tempestivamente apresentou sua defesa, reafirmando as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, fundamentalmente que: 1. As exigências fiscais seriam descabidas, devendo, pois, serem canceladas, haja vista que a Impugnante não incidira em qualquer falta que ensejasse o auto de infração, nos termos dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72; este, inclusive, encontrar-se-ia lavrado sem qualquer sanção punitiva; 2. O Fisco teria se utilizado de instrumento inadequado para constituir o crédito, vez que a Impugnante procedeu ao desembaraço dos bens, respaldada por decisão judicial concedida liminarmente; 3. Consoante considerações aduzidas na inicial impetrada em juízo, não incidem tributos nas operações de importação da Impugnante devido à sua condição (imunidades prescritas no art. 150, IV, alínea “c”, e, no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/CF); 4. Por derradeiro, requereu que sua impugnação fosse declarada procedente. Por seu turno, ao enfrentar a matéria, a DRJ declarou a Impugnação Improcedente. A decisão proferida registra que a propositura de ação judicial em que se discute objeto idêntico ao da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte ao direito de contestá-la na instância administrativa, cabendo declarar a definitividade das respectivas exigências tributárias, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alegou preliminarmente a nulidade do auto de infração, por ser tal via inadequada para a constituição do crédito em questão. Também aduziu a nulidade da decisão recorrida, por não haver concomitância entre os processos administrativo e judicial. No mérito invocou novamente a imunidade tributária (CR/88, arts. 150, VI, "c", e 195, § 7º). Por fim, requereu a decretação da nulidade da decisão de primeiro grau. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. E Fl. 267DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.358 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.723122/2017-71 que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.323, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 15771.722345/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.323): O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, devo alertar que o pedido para que todas as intimações sejam realizadas em seu próprio nome, no seu endereço, bem como em nome de seus advogados, no respectivo escritório, só pode ser atendido parcialmente, uma vez que não há previsão legal para serem intimados os seus advogados, no respectivo escritório. Inteligência do art. 23 do Decreto nº 70.235, que prevê o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração por ser a via inadequada. Dizia que quando ausente a prática de infrações tem o Fisco outro instrumento jurídico para constituir o crédito tributário - a notificação de lançamento. Agora, em sede de recurso voluntário, reprova a mantença do lançamento e reproduz a preliminar trazida anteriormente. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que a situação dos autos não requer especificamente um dos dois instrumentos jurídicos previstos na lei para constituir o crédito tributário deveria ser usado. Quando não há obrigatoriedade de utilização de uma forma de lançamento, são legítimas ambas as formas preconizadas pelo Decreto nº 70.235/72: auto de infração ou notificação de lançamento. Dessarte, afasta-se a preliminar de nulidade do auto de infração. DA DECISÃO RECORRIDA Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, por não haver concomitância de processos judicial e administrativo e consequente ausência de renúncia parcial ao contencioso, a recorrente assevera: (...) no processo administrativo pretende a Recorrente obter a desconstituição e o cancelamento da autuação em razão da não incidência do IPI, II, PIS/PASEP E COFINS na operação de importação de bens do exterior realizada por meio da DI n.º 17/0935234-7. O objeto em discussão no presente caso, portanto, trata tão somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos em determinada operação efetuada pela Recorrente. Fl. 268DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.358 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15771.723122/2017-71 Por outro lado, na ação judicial ajuizada anteriormente, discute-se o reconhecimento da imunidade latu sensu da Recorrente. Em outras palavras, pretende a Recorrente obter o reconhecimento de que, por ser entidade de assistência social, goza de imunidade constitucional. Cumpre ressaltar que tal imunidade foi devidamente reconhecida em sede de tutela antecipada e confirmada pela sentença proferida no caso. Logo a seguir, a recorrente parte para o mérito da lide administrativa, e apresenta o seguinte título: Da imunidade da Recorrente e sua extensão aos tributos incidentes na importação. Ora, a contradição é evidente! Em sede administrativa diz tratar somente da ausência de todos os elementos hábeis para que seja configurada a incidência de determinados tributos, porém o único argumento para tanto é justamente a imunidade, objeto por excelência da disputa judicial. Não há como enfrentar o mérito da lide sem passar por matéria que está sob análise do Poder Judiciário! Aliás, é bom rememorar que o auto de infração sub analisis foi lavrado para evitar decadência, justamente porque a recorrente obteve liminar suspensiva da exigibilidade dos tributos incidentes nas importações, com fundamento no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Dito isso, entendo por afastar também a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Superadas as preliminares, passar-se-ia a analisar a matéria de fundo, todavia, como se viu no item supra, a alegação de imunidade tributária é causa de pedir da Ação Ordinária nº 2004.61.00.028971-7, perante à 22ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, que tem por objeto justamente ficar livre das exigências tributárias de que trata o presente contencioso. Corolário disso, falta competência a este Colegiado para apreciar tal matéria neste expediente, razão por que não se conhece da imunidade da recorrente. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares arguidas e negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002492/2008-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
PREQUESTIONAMENTO. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE.
Matéria devolvida mediante recurso especial interposto pela Contribuinte, deve estar prequestionada, nos termos do art. 67, § 5º, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Recurso não conhecido.
ADMISSIBILIDADE. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9101-004.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 PREQUESTIONAMENTO. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. Matéria devolvida mediante recurso especial interposto pela Contribuinte, deve estar prequestionada, nos termos do art. 67, § 5º, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Recurso não conhecido. ADMISSIBILIDADE. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Recurso não conhecido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13819.002492/2008-61
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6044770
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.255
nome_arquivo_s : Decisao_13819002492200861.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 13819002492200861_6044770.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7849549
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297690349568
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-25T17:44:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-25T17:44:34Z; Last-Modified: 2019-07-25T17:44:34Z; dcterms:modified: 2019-07-25T17:44:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-25T17:44:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-25T17:44:34Z; meta:save-date: 2019-07-25T17:44:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-25T17:44:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-25T17:44:34Z; created: 2019-07-25T17:44:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-07-25T17:44:34Z; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-25T17:44:34Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13819.002492/2008-61 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101-004.255 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 9 de julho de 2019 Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 PREQUESTIONAMENTO. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. Matéria devolvida mediante recurso especial interposto pela Contribuinte, deve estar prequestionada, nos termos do art. 67, § 5º, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Recurso não conhecido. ADMISSIBILIDADE. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS JURÍDICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Decisão recorrida proferida em contexto jurídico distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 24 92 /2 00 8- 61 Fl. 240DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 Relatório Trata-se de recurso especial (e-fls. 192/198) interposto pela VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA (“Contribuinte”), em face do Acórdão nº 1401-000.661 (e-fls. 178/184), da sessão de 19 de outubro de 2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso voluntário. Assim foi ementada a decisão recorrida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 DECADÊNCIA RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL. REPERCUSSÃO GERAL. Segundo inteligência do RE nº 566.621-RS, Acórdão sujeito ao regime do art. 543-B do CPC (repercussão geral), a partir da Lei Complementar nº 118/2005 o direito de pleitear o reconhecimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito à restituição ou à compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. Os presentes autos versam sobre reconhecimento de direito creditório, encaminhado na forma de Pedido de Restituição - PER (e-fl. 2), de saldo negativo de IRPJ do primeiro trimestre de 1999 (lucro real trimestral), apresentado em 17/07/2008. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo (e-fls. 76/77) indeferiu o pedido, por entender que o PER teria sido apresentado fora do prazo decadencial, vez que foi formalizado em 17/07/2008, lapso temporal superior aos cinco anos contados a partir da data de entrega da DIPJ/2000 (relativa ao ano- calendário de 1999). Foi apresentada manifestação de inconformidade (e-fls. 81/89), no qual protestou a Contribuinte pelo deferimento do pedido, vez que o prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação seria de dez anos (extinção do crédito ocorreria apenas após cinco anos da ocorrência do fato gerador, e na sequência correriam outros cinco anos previstos no art. 168, inciso I do CTN). A 2ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão nº 05-24.594, de 15/01/2009 (e-fls. 122/130), decidiu no sentido de não reconhecer o direito creditório e indeferir o pedido de restituição. Foi interposto recurso voluntário (e-fls. 133/143), repisando os argumentos trazidos na impugnação. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF negou provimento ao recurso (Acórdão nº 1401-000.661). A Contribuinte interpôs recurso especial. Aduziu que, para requerer a restituição de saldo negativo de IRPJ, não haveria que se falar em prazo decadencial. Isso porque, enquanto Fl. 241DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 a pessoa jurídica se mantiver no regime de apuração do lucro real, não haveria transcurso de prazo para aproveitamento do saldo negativo. Apresentou os paradigmas nº 9101-00.411 e 9101- 00.522, para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em face do acórdão recorrido. Discorre que, tendo em vista que sempre se manteve no lucro real e que o saldo negativo se renovaria a cada apuração, não haveria que se falar em decadência (ou prescrição) do direito à restituição do IRPJ. Requer pela reforma da decisão recorrida e cabimento e provimento do recurso. Despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 224/227 deu seguimento ao recurso. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") apresentou contrarrazões (e-fls. 229/235), pugnando pela aplicação do art. 168, inc. I do CTN e art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, no sentido de que o prazo decadencial para a restituição seria de cinco anos. Requer pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Trata-se de recurso especial da Contribuinte, no qual se pretende devolver para discussão matéria relativa à aplicação ou não do prazo decadencial para direito creditório constituído por meio de saldo negativo. Ocorre que cabem considerações preliminares sobre a admissibilidade. Isso porque a matéria, para ser devolvida mediante recurso especial interposto pela Contribuinte, deve estar prequestionada, nos termos do art. 67, § 5º, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF): § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Discute-se pedido de restituição (PER), no qual se requer o aproveitamento de saldo negativo relativo ao primeiro trimestre de 1999, tendo sido o protocolo sendo encaminhado em 17/07/2008. O pedido foi indeferido pela DRF de São Bernardo do Campo, por entender que estaria decaído o direito da Contribuinte, vez que superados os cinco anos previstos no art. 168, inc. I do CTN 1 , contados desde a entrega de declaração (DIPJ/2000) e a data de apresentação do PER. E, desde o início da fase contenciosa, na apresentação da manifestação de inconformidade, insurgiu-se o recorrente no sentido de que, no caso em tela, o prazo decadencial 1 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 242DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação seria de dez anos (extinção do crédito ocorreria apenas após cinco anos da ocorrência do fato gerador, e na sequência correriam outros cinco anos previstos no art. 168, inciso I do CTN). Transcrevo excertos da manifestação de inconformidade: Sucede que, ao contrário do que sustenta o r. Despacho Decisório, é pacífico na jurisprudência que o prazo para restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tal como ocorre com o IR, é de dez anos e não de cinco. De fato, firmou-se o entendimento em nossos Tribunais no sentido de que, nesta espécie de tributo, não havendo homologação expressa por parte da autoridade fiscal, a extinção do crédito ocorre somente após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN) quando, então, inicia-se o prazo qüinqüenal previsto no art. 168, Ido CTN. (...) O crédito, antes da homologação expressa ou tácita, não está sequer constituído, o que só ocorre, nesta última hipótese, com o decurso do prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 40 do CTN. Vale dizer, apenas e somente se realizada a condição resolutória prevista no § 1° do art. 150 do CTN — homologação tácita do auto-lançamento — considerar-se-á definitivamente extinto o crédito tributário, iniciando-se o prazo prescricional de 5 anos previsto no art. 168, I do CTN. (...) Portanto, considerando que, entre a data dos recolhimentos indevidos (1° trimestre de 1999) e o pedido de restituição (17/07/2008), não decorreu o prazo prescricional contado de forma correta, não se encontrava vencido o lapso temporal para a restituição dos montantes. Nem se , diga, outrossim, que, a teor dos artigos 30 e 4° da Lei Complementar n° 118, o prazo teria sido modificado para 5 anos a partir do pagamento, inclusive quanto a recolhimentos realizados no passado. (...) Por último, cumpre salientar que a Corte Especial do Eg. Superior Tribunal de Justiça já declarou a inconstitucionalidade do art. 4° da LC n° 118/05, na parte em que determinava a aplicação retroativa do art. 3° (que modificou a prescrição de dez para cinco anos), justamente por entender que, em relação aos pagamentos efetuados no passado, continua aplicável o entendimento de que a prescrição quinqüenal conta-se apenas após a extinção da obrigação tributária, mantido, portanto, o prazo de 10 anos. É o que se percebe da sua ementa: (...) Observa-se que a discussão concentrou-se em questão de direito específica, relativa à interpretação dos art. 168, inciso I, combinado com o art. 150, § 1º, do CTN, para fins de contagem de prazo extintivo de direito para pleitear a restituição: seria aplicável a contagem de cinco anos, ou a tese dos “5+5” referendada por decisões do Superior Tribunal de Justiça (mas na época dos fatos ainda sem efeito vinculante)? Inclusive se discutia a repercussão da Lei Complementar nº 118, de 2005, que dispôs nos arts. 3º e 4º: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Fl. 243DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A 2ª Turma da DRJ/Campinas entendeu ser aplicado o prazo de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, e que a extinção do crédito tributária dar-se-ia no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Assim, indeferiu a manifestação de inconformidade. Incontestável, portanto, que em nenhum momento devolveu-se matéria relativa à possibilidade de aproveitamento de saldo negativo não estar sujeito a prazo restritivo de exercício de direito. Interposto o recurso voluntário, mais uma vez o litígio centrou-se exclusivamente na interpretação do art. 168, inciso I, combinado com o art. 150, § 1º, do CTN, para fins de contagem de prazo extintivo de direito para pleitear a restituição. O recurso voluntário ratificou as alegações trazidas pela manifestação de inconformidade. Nesse contexto, a decisão recorrida (Acórdão nº 1401-000.661) manifestou-se expressamente sobre a questão de direito trazida à fase contenciosa. Transcrevo excerto do voto: Conforme foi relatado, a DRF e a DRJ decidiram que o direito à repetição do indébito já havia decaído, uma vez o prazo decadencial começaria a fluir a partir da data da extinção do crédito tributário, que operar-se-ia no momento do pagamento (indevido), ex vi art. 168, I c/c 165, I , ambos do CTN. Essa tese caracterizar-se-ia pelo prazo de cinco anos para repetir o indébito (art. 168 do CTN) só começar a fluir a partir da extinção do crédito tributário, que se operaria, então, com a homologação do pagamento antecipado (expressa ou tácita). Por outro lado o contribuinte alega que o seu direito ainda não estaria extinto em função da aplicação da tese “cinco anos mais cinco anos” adotada pelo STJ. Essa tese caracterizar-se-ia pelo prazo de cinco anos para repetir o indébito (art. 168 do CTN) só começar a fluir a partir da extinção do crédito tributário, que se operaria, então, com a homologação do pagamento antecipado (expressa ou tácita). Segundo entendimento do STJ exarado no Resp STJ nº 1.002.932/SP, julgado sob o rito do recursos repetitivos, em 25/11/2009, os processos em que os pagamentos foram efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, em 9 de junho de 2005, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, inciando-se a contagem da data do fato gerador. No entanto, aguardava-se o julgamento pelo STF do RE nº 566.621, ao qual foi dado repercussão geral em que se analisa a constitucionalidade da retroatividade da LC nº 118/2005, o que fez sobrestar também no âmbito do CARF do presente processo, por se tratar desta mesma matéria. Acontece que a referida prejudicial foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal, no RE nº 566.621-RS, da Relatoria da Ministra Ellen Gracie, Acórdão sujeito ao regime do art. 543-B do CPC (repercussão geral), que recebeu a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU Fl. 244DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Como se pode observar, à época da decisão já havia o precedente do STJ com efeito vinculante ao CARF, ou seja, tendo o pedido de restituição sido apresentado em 17/07/2008, posteriormente à vacatio legis imposta à Lei Complementar nº 118, de 2005 (09/06/2005), o prazo restritivo para o direito de pleitear a restituição seria de cinco anos a partir do momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei para lançamento por homologação. Registre-se que posteriormente a matéria foi objeto da Súmula nº 91 do CARF: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Grifei) Veja que, até a interposição do recurso voluntário, em nenhum momento devolveu-se matéria relativa à possibilidade de aproveitamento de saldo negativo não estar sujeito a prazo restritivo de exercício de direito. Na sequência, por meio da interposição do recurso especial, a matéria foi trazida para discussão. Vale dizer que não há que se falar sequer em prequestionamento ficto, vez que, uma vez cientificada da decisão recorrida, não foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte. Assim sendo, a matéria apresentada por meio da interposição do recurso especial não foi trazida em nenhum momento anterior da fase contenciosa. O despacho de exame de admissibilidade admite serem questões diferentes: Isto porque é cediço que o que a referida decisão do STF apreciou foi a eficácia (retroativa ou prospectiva) do quanto disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, o qual, por sua vez, se refere à forma de interpretação quanto ao disposto no inciso I do art. 168 do CTN. Ocorre que, conforme visto, os acórdãos paradigmas vazaram o entendimento de que, em casos idênticos ao do acórdão recorrido, simplesmente não é aplicável o disposto no inciso I do art. 168 do CTN. É isto o que se depreende, tanto da leitura do inteiro teor dos acórdãos paradigmas, quanto de suas próprias ementas, acima reproduzidas. Assim, se o caso é de inaplicabilidade do dispositivo legal que veio a ter a sua interpretação posteriormente definida pelo STF, então não há como afirmar que as referidas decisões tenham contrariado o entendimento do STF manifestado naquele acórdão proferido na forma do art. 543-B do CPC. De fato, aduziu o despacho que a tese defendida pela Contribuinte, a partir da interposição do recurso especial, seria de que, ao caso em tela, como se trata de saldo negativo, sequer haveria que se falar na aplicação do inciso I, art. 168 do CTN. Fl. 245DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 Contudo, não constatou o despacho que a matéria não havia sido trazida anteriormente em nenhum momento aos autos. E não havia nenhum óbice para que pudesse ser trazida desde a apresentação da manifestação de inconformidade, vez que se trata de questão de direito. Sendo assim, o requisito previsto pelo art. 67, § 5º, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), de que a matéria deve estar prequestionada, não foi atendido. Dessa maneira, o recurso especial não deve ser conhecido. Há ainda outro requisito não atendido, previsto no art. 67, caput e § 1º do Anexo II do RICARF, em relação à apresentação de paradigma com interpretação divergente da legislação tributária, que impede o seguimento do recurso. Isso porque os paradigmas não compartilham do mesmo contexto jurídico dos presentes autos. O marco temporal é a alteração do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que se deu com a MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 2002), sendo a vigência do dispositivo normativo a partir de 1º de outubro de 2002. Antes do art. 74, não se falava em obrigatoriedade de apresentação de declaração de compensação para aproveitamento de créditos líquidos e certos passíveis de restituição ou ressarcimento. Transcrevo redação original do art. 74, à época do pedido de restituição encaminhado pelos paradigmas (no decorrer do ano de 2000), e a alteração dada pela MP nº 66, de 2002, quando foi incluído inclusive o § 1º: (Redação original) Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. ....................................................................................... (Redação dada pela MP nº 66, de 2002) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) (Grifei) Transcrevo excertos dos relatórios dos paradigmas, que discorrem sobre pedidos de restituição protocolados no decorrer do ano de 2000: (Paradigma nº 9101-00.411) O processo trata de Pedido de Compensação/Restituição de créditos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquidos referente a pagamento nos anos-calendário de 1992 a 1999, para quitação de débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, protocolado pelo Fl. 246DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 contribuinte em 30/08/2000 (fls. 01). As declarações de rendimentos dos anos- calendário objeto de Pedido de Restituição se encontram às fls. 15/78. ...................................................................... (Paradigma nº 9101-00.522) O Recurso refere-se a Pedido de Compensação (fls. 2), de 29/09/2000, no qual o Contribuinte pleiteia a restituição da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), apurados em 31/12/1994 (715 992,29 UFIR) e 31/12/1995 (R$ 75.633,62), frutos dos pagamentos mensais por estimativa, cuja soma ao final dos anos calendários respectivos, resultaram maiores do que os débitos apurados. Pretende utilizar o crédito pleiteado na compensação de débitos de sua responsabilidade declarado às fls. 89, e nos processos 10880.015972/00-31, 10880.015970/00-13, 10880.015971/00-78, 13839.000254/2001-14 e 10855.000497/2001-58. (Grifei) Percebe-se que no ano de 2000 não havia exigência de que os créditos tributários passíveis de restituição ou de ressarcimento, para serem aproveitados na compensação de débitos próprios, deveriam ser objeto obrigatoriamente de declaração de compensação. Nesse contexto, diante do contexto jurídico posto, os paradigmas partiram da premissa de que, como o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independeriam de autorização prévia do RFB, e tampouco se sujeitaria à apresentação de declaração de compensação (PER/DCOMP), o controle dos saldos negativos seria equiparado a um conta-corrente. Transcrevo excerto idênticos dos votos: Constata-se que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe de autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Trata-se de um verdadeiro conta-corrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Trata-se de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se manter no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime tem cinco anos para pleitear essa a restituição ou compensação desse saldo. Ora, tal premissa dos paradigmas, de desnecessidade de autorização prévia da Receita Federal e prescindibilidade de apresentação de declaração (PER/DCOMP) e por consequência, de que o saldo negativo seria equiparado a um “conta-corrente” e assim não submetido à contagem de prazo restritivo de direito porque se renovaria a cada ano, somente poderia ser cogitada no contexto jurídico aplicável às situações tratada pelos paradigmas, relativo a PER apresentado antes da alteração do art. 74 à Lei nº 9.430, de 1996. Observa-se, portanto, que se trata de contexto jurídico diferente dos presentes autos. Fl. 247DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.255 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.002492/2008-61 Não há como se efetuar teste de aderência, no sentido de que verificar se o racional adotado pelas decisões paradigmáticas poderia reformar a decisão recorrida. Deveriam os paradigmas ter tratado de contexto jurídico similar ao do recorrido: pedidos de restituição apresentados posteriormente a 1º de outubro de 2002, quando deixou de vigorar a redação original do art. 74, da Lei nº 9,430, de 1996. Diante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904456/2011-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
Ementa:
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DO GASTO PARA A ATIVIDADE PRODUTIVA.
O insumo passível de gerar créditos da não cumulatividade da contribuição deve ser aquele relativo a gastos necessários à atividade produtiva. Por um lado, não é necessário que o gasto esteja relacionado a elemento que seja consumido ou sofra desgaste em função de contato com o produto fabricado, conforme determinado pela Legislação do IPI, por outro lado, não é possível o creditamento de todos os custos e despesas considerados dedutíveis de acordo com a Legislação do IRPJ.
Numero da decisão: 9303-009.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para reverter a glosa dos gastos com: conservação/manutenção balança; reservatórios; E.T.A. - Tratamento de águas; caldeira; destilaria; distribuição vinhaça; fabrica açúcar; gerador; indústria; laboratório; moenda; e conservação / manutenção máquinas e implementos.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DO GASTO PARA A ATIVIDADE PRODUTIVA. O insumo passível de gerar créditos da não cumulatividade da contribuição deve ser aquele relativo a gastos necessários à atividade produtiva. Por um lado, não é necessário que o gasto esteja relacionado a elemento que seja consumido ou sofra desgaste em função de contato com o produto fabricado, conforme determinado pela Legislação do IPI, por outro lado, não é possível o creditamento de todos os custos e despesas considerados dedutíveis de acordo com a Legislação do IRPJ.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10840.904456/2011-73
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6061777
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-009.330
nome_arquivo_s : Decisao_10840904456201173.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10840904456201173_6061777.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para reverter a glosa dos gastos com: conservação/manutenção balança; reservatórios; E.T.A. - Tratamento de águas; caldeira; destilaria; distribuição vinhaça; fabrica açúcar; gerador; indústria; laboratório; moenda; e conservação / manutenção máquinas e implementos. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7900401
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297757458432
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-02T14:11:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-02T14:11:35Z; Last-Modified: 2019-09-02T14:11:35Z; dcterms:modified: 2019-09-02T14:11:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-02T14:11:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-02T14:11:35Z; meta:save-date: 2019-09-02T14:11:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-02T14:11:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-02T14:11:35Z; created: 2019-09-02T14:11:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2019-09-02T14:11:35Z; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-02T14:11:35Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10840.904456/2011-73 Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303-009.330 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2019 Recorrentes PITANGUEIRAS ACUCAR E ALCOOL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DO GASTO PARA A ATIVIDADE PRODUTIVA. O insumo passível de gerar créditos da não cumulatividade da contribuição deve ser aquele relativo a gastos necessários à atividade produtiva. Por um lado, não é necessário que o gasto esteja relacionado a elemento que seja consumido ou sofra desgaste em função de contato com o produto fabricado, conforme determinado pela Legislação do IPI, por outro lado, não é possível o creditamento de todos os custos e despesas considerados dedutíveis de acordo com a Legislação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para reverter a glosa dos gastos com: conservação/manutenção balança; reservatórios; E.T.A. - Tratamento de águas; caldeira; destilaria; distribuição vinhaça; fabrica açúcar; gerador; indústria; laboratório; moenda; e conservação / manutenção máquinas e implementos. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 44 56 /2 01 1- 73 Fl. 798DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 Relatório Trata-se de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela contribuinte contra decisão de segunda instância, consubstanciada no acórdão n° 3801-004.620, que deu provimento em parte ao Recurso Voluntário, para: - cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; - afastar as glosas dos créditos relativos às depreciações de equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, visando a utilização na produção de bens; e - incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador. Pedido e Despacho Decisório Originalmente, a contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para a Cofins não cumulativa, sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados. O referido pedido é relativo ao segundo trimestre do ano de 2006. Adicionalmente realizou a compensação dos créditos alegados. A Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto/SP exarou Despacho Decisório, à e-fl. 422, com base em Relatório de Ação Fiscal da análise efetuada, às e-fls. 403 a 420, reconhecendo apenas parcialmente o crédito pleiteado e, consequentemente, homologou parte das compensações. A seguir, em apertada síntese, encontram-se reproduzidos os fundamentos do Despacho Decisório. I – Com relação ao critério de rateio de custos e encargos em função das receitas, entendeu que despesas e encargos comuns devem ser rateados de acordo com a relação (Receita Bruta sujeita à não cumulatividade/Receita Bruta total). De forma diversa, a contribuinte havia incluído as receitas financeiras e não operacionais, tanto no numerador quanto no denominador da relação. II – Com relação à aquisição de cana-de-açúcar, entendeu ser indevida a compensação de crédito presumido da agroindústria sobre aquisição de cana-de-açúcar após 08/2004. Adicionalmente, entendeu indevida a apuração do valor de crédito presumido da agroindústria sobre aquisição de cana-de-açúcar utilizada na produção de bagaço para energia elétrica, por ser produto não destinado à alimentação humana ou animal. Ainda, entendeu indevida a apuração de créditos sobre aquisições de cana-de-açúcar de pessoas jurídicas sem aplicação do redutor de 35%. III – Com relação a gastos que a fiscalização entendeu não caracterizarem insumos, foram realizadas as seguintes glosas: 1- combustíveis e lubrificantes utilizados em caminhões para o transporte de cana- de-açúcar: (a) o óleo diesel, por estar sujeito à tributação monofásica e (b) os lubrificantes, por serem insumo de insumos – fase agrícola – quando o produto efetivamente vendido é o álcool e o açúcar. 2- mercadorias e serviços não aplicados no sistema produtivo Fl. 799DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 A. Foram glosados itens classificados como Outros Custos Materiais - custos gerais - carpintaria - conservação/manutenção balança - conservação/manutenção reservatórios - E.T.A. -Tratamento de águas - conservação / manutenção caldeira - conservação / manutenção destilaria - conservação / manutenção distribuição vinhaça - conservação / manutenção fabrica açúcar - conservação / manutenção gerador - conservação / manutenção indústria - conservação / manutenção laboratório - conservação / manutenção moenda - conservação / manutenção veículos - conservação / manutenção máquinas e implementos - despesas diversas - ferramentas e apetrechos - mat. higiene e segurança trabalho - oficina de manutenção B. Foram também glosados itens classificados como Outros Custos Serviços -custos gerais - serviços prestados (não utilizados como insumo na prestação de serviços ou fabricação de bens) - transporte de pessoal - fretes e carretos (transporte de bens não utilizados no processo industrial) - conservação de veículos e caminhões IV – Foi ainda realizada glosa de valores de fretes e armazenagem. No caso de fretes de mercadorias e produtos, entendeu que o transporte de insumos não permite ressarcimento/compensação de créditos, mas apenas o desconto da Cofins do período. Ademais, verificou que o frete na venda ocorreu sem que o vendedor tivesse suportado seu ônus. No caso da armazenagem de mercadorias e produtos, verificou tratar-se de locação de espaço de tancagem para armazenagem e movimentação do produto que, no caso, seria o álcool, submetido à incidência cumulativa da Cofins. Além disso, parte dessas despesas Fl. 800DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 registradas sob os títulos "ARMAZENAGEM E OPERAÇÃO PORTUÁRIA” e “ARMAZENAGEM NO TERMINAL PORTUÁRIO” não tiveram comprovação com documentação hábil e idônea. Os fretes de transporte de cana-de-açúcar integram seu custo de aquisição, estando incluídos no crédito presumido da agroindústria e não podem ser utilizados no cálculo do benefício, devendo ser alocados na coluna do mercado interno, juntamente com os valores das aquisições de cana-de-açúcar, pois não são vinculados às operações do mercado externo. V - Foi apurada irregularidade no valor de depreciação de bens do ativo imobilizado, com a inclusão de créditos sobre despesas de depreciação de equipamentos não utilizados na produção de bens destinados à venda, créditos esses que foram glosados. VI – Com relação às Receitas de Exportação consideradas, a fiscalização entendeu que a exportação de álcool carburante (sujeito à incidência cumulativa) foi indevidamente considerada, alterando os percentuais de rateio. VII – Por fim, considerou a Variação Cambial como receita financeira e não como receita decorrente de exportações. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo o reconhecimento integral do crédito pleiteado e a consequente homologação das compensações. A seguir, resumidamente encontram-se apresentadas as alegações da contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade: 1. Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do cálculo do rateio proporcional. 2. Com relação às aquisições de cana-de-açúcar, afirma que todos os insumos são destinados à produção de açúcar e álcool e alega inconstitucionalidade da Lei n° 10.925/2004, quanto ao crédito presumido. 3. Com relação aos insumos, alega que óleo diesel e lubrificantes são utilizados na atividade principal e entende que receitas decorrentes de exportação de álcool enquadram-se no regime não-cumulativo. 4. Defende que a armazenagem de álcool para exportação está comprovada. 5. Argumenta que a despesa com frete no transporte de cana-de-açúcar se prende a um insumo de sua produção industrial sendo o direito creditório garantido pela legislação de regência. 6. Defende os créditos apurados sobre as despesas de depreciação porque os equipamentos depreciados seriam ligados ao corte e transporte de matéria- prima. 7. Aduz que a variação cambial caracteriza receita de exportação. A Manifestação de Inconformidade foi julgada em primeira instância e em decisão consubstanciada no acórdão DRJ/RPO n° 14-39.273, foi considerada improcedente, para manutenção do Despacho Decisório. No referido acórdão, foram considerados os fundamentos a seguir resumidamente apresentados. Fl. 801DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 Foi considerado como inseridos no conceito de insumo, passível de creditamento, apenas os bens que sofram alterações em função da ação exercida sobre o produto, desde que não incluídos no ativo imobilizado. Com relação à pertinência do insumo ao processo produtivo, foi considerado que apenas serviços utilizados diretamente na fabricação de produtos dão direito ao crédito. Como critério de apuração do crédito, inexistindo contabilidade de custos integrada, entendeu que a apropriação de créditos deve ser feita por rateio. Afirmou ainda que: - a receita de venda de álcool para fins carburantes sujeita-se ao regime cumulativo; - caberia à contribuinte comprovar que as despesas de depreciação são relativas a bens imobilizados indispensáveis à produção dos bens; - as Variações Cambiais são consideradas receitas financeiras e não de exportação; - a autoridade administrativa não é competente para discutir a constitucionalidade de lei; e - o ônus da prova do crédito é do sujeito passivo, que deve ser apresentada na impugnação. Recurso Voluntário Em seguida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo a reforma da decisão de primeira instância, para reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado. Em seu recurso, a contribuinte: - alega cerceamento do direito de defesa, pela decisão recorrida ter afirmado que a Manifestação de Inconformidade teria sido genérica e, portanto, a decisão não apreciaria insumo por insumo; - afirma que créditos devem ser apurados segundo o critério do rateio proporcional; - informa ter juntado notas fiscais de remessa e transporte de produtos exportados até o porto de embarque; e - os bens depreciados estariam ligados de forma intrínseca à atividade produtiva. Decisão Recorrida O Recurso Voluntário foi apreciado pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção do CARF que, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 3801-004.620 deu-lhe provimento parcial, para: - cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; Fl. 802DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 - cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes aos encargos com depreciação de veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de cana-de-açúcar; e - incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador. A seguir, encontram-se apresentados os fundamentos da decisão: 1. Afastou a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, entendendo que a DRJ foi clara em apontar o critério de insumo utilizado (decorrente da legislação do IPI) e aplicar esse critério a todos os itens glosados, para manter o despacho decisório. 2. Com relação ao conceito de insumo considerado na decisão de segunda instância, afastou a ideia de aceitar como insumo o total de custos e despesas dedutíveis do IRPJ e confirmou a utilização do conceito de insumo para a legislação do IPI. 3. Quanto ao rateio proporcional, entendeu que as receitas financeiras devem constar no denominador da relação, já, no numerador, devem constar as receitas de exportação, que incluem as variações cambiais. 4. Quanto à relação entre bens e serviços e o respectivo processo produtivo entendeu que o ônus de comprovação da pertinência do uso dos bens para o processo produtivo é do sujeito passivo e que a contribuinte não se desincumbiu de comprovar que os gastos glosados pela fiscalização gerariam o creditamento. 5. Com relação ao óleo diesel e lubrificantes, entendeu que são insumos da fase agrícola e que também podem gerar creditamento, desde que tenha havido cobrança da contribuição na sua aquisição. Assim (a) óleo diesel (alíquota zero) não ensejaria o creditamento e (b) lubrificantes usados no transporte da cana-de-açúcar até a usina dariam direito a crédito. 6. Com relação à receita de exportação de álcool combustível, entendeu que, sujeitando-se à sistemática cumulativa, não daria direito a crédito. 7. Com relação às Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril, afirma a necessidade de aplicação do art. 8° da Lei n° 10.833, de 2003, e mantém exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais, que somente podem ser utilizados para abater os débitos do período. 8. Com relação a fretes no transporte de cana-de-açúcar, entendeu que, com trata-se de acessório da atividade agropastoril, devem ser considerados custos do mercado interno, servindo apenas para abatimento dos débitos do período. 9. Com relação a despesas de armazenagem de produtos, entendeu que estão vinculadas ao álcool carburante, que se submete à incidência cumulativa da contribuição, portanto, manteve a glosa do crédito. Fl. 803DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 10. Com relação à variação cambial, decorrente das receitas de exportação, aplicou a Decisão do STF no RE 627.815/PR e as considerou receitas de exportação, integrando também a receita bruta total. A seguir, para fins de esclarecimento, encontram-se reproduzidos a ementa e o dispositivo do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não- cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins ou da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não- cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR. A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na Fl. 804DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de cana- de-açúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. Recurso Especial da Fazenda Nacional Tendo sido cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência quanto a três matérias: (1) Conceito de Insumo e (2) Apuração de créditos sujeitos a ressarcimento. Com relação à primeira matéria, Conceito de Insumo, a Fazenda Nacional alegou divergência jurisprudencial em relação ao acórdão paradigma n° 203-12.448. Defende, a recorrente, que somente devem ser considerados como insumos passíveis de gerar créditos da não cumulatividade da Cofins os elementos consumidos ou que sofram desgaste em função de contato, na fabricação do produto vendido. Com relação à segunda matéria, especificamente a apuração de créditos sujeitos a ressarcimento, a Fazenda Nacional alegou divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos paradigma n° 3801-00.944 e 201-80.690. Defende, a recorrente que somente geram créditos os produtos diretamente exportados ou remetidos à comercial exportadora, para recinto alfandegado, com o fim específico de exportação. Já, no caso, o produto foi incorporado a outro produto, esse último destinado à exportação. Em despacho de análise da admissibilidade do recurso, o Presidente da Câmara deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Contrarrazões da Contribuinte Cientificada do Acórdão 3801-004.620, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do correspondente despacho de análise de admissibilidade, a Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 805DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 Em suas contrarrazões, pede a inépcia, ou não conhecimento, do recurso especial da Fazenda, por três motivos: - haver, na peça, em certa parte do texto, referência ao nome de outro contribuinte; - tratar de questão não pertinente aos autos, qual seja, a necessidade de exportação por meio de recinto alfandegado; e - o exame de admissibilidade fazer referência equivocada à ementa do acórdão recorrido. No mérito, pede a manutenção do critério utilizado pela decisão recorrida, quanto à relação entre o insumo e o produto vendido, para sua manutenção quanto às matérias admitidas. Embargos da contribuinte A contribuinte também opôs Embargos de Declaração contra o Acórdão 3801- 004.620, alegando omissão na decisão. Argumenta que a decisão recorrida afirma que não houve prova do enquadramento de cada insumo em litígio, em sede de manifestação de inconformidade. Alega, entretanto, que não foram consideradas diversas peças e mercadorias referidas no Relatório Fiscal, como itens necessários ao exercício da atividade empresarial. Os embargos foram rejeitados por despacho do Presidente da Câmara Recurso Especial da Contribuinte A contribuinte ainda interpôs Recurso Especial, alegando divergência quanto (a) ao conceito de insumo e (b) à inclusão da receita de venda de álcool no cômputo das receitas de exportação. Com relação à primeira matéria, Conceito de Insumo, a Contribuinte alegou divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos paradigma n° 9303-003.477 e 3403- 002.319. Defende, a recorrente, que o conceito de insumo, para fins de creditamento da Cofins, deve corresponder a qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Com relação à segunda matéria, inclusão da receita de venda de álcool no cômputo das receitas de exportação, a Contribuinte alegou divergência jurisprudencial em relação ao acórdão paradigma n° 3402-002.166. O Presidente da Câmara, em despacho de análise de admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte, deu-lhe seguimento apenas parcial, admitindo somente a primeira matéria. Foi interposto agravo contra a matéria cujo seguimento foi negado pelo Presidente da Câmara. Despacho da Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – negou provimento ao agravo, para manter a análise de admissibilidade feita pelo Presidente da Câmara recorrida. Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do Recurso Especial da contribuinte e do correspondente despacho de análise de admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da contribuinte. Nessas contrarrazões, pede que seja negado provimento ao recurso, para manutenção da decisão recorrida quanto à matéria admitida. Fl. 806DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. Estão em julgamento os Recursos Especiais da Fazenda Nacional e da contribuinte, ambos interpostos contra o acórdão n° 3801-004.620, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Iniciarei este voto pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional e, em seguida, analisarei o Recurso Especial da contribuinte. Conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional Em que pese o pedido de não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apresentado em contrarrazões pela Contribuinte, entendo que os pontos levantados caracterizem meros lapsos que não prejudicaram o entendimento das partes acerca da matéria em discussão. Portanto, o recurso preenche os requisitos de admissibilidade e concordo com os termos do despacho do Presidente da Câmara que lhe deu seguimento. Assim, conheço do recurso. Mérito do Recurso Especial da Fazenda Nacional Para análise do mérito, entendo ser necessária a delimitação da lide. Em que pese haver duas matérias distintas admitidas, a discussão de fundo para deslinde de ambas é a aceitação, ou não, do insumo de insumo como passível de gerar créditos da não cumulatividade da contribuição em análise. Com efeito, discute-se a classificação dos lubrificantes utilizados nos veículos que transportam a cana-de-acúcar até a usina, como insumo do álcool produzido. Caso entenda-se que somente os insumos aplicados diretamente na fabricação do produto fabricado sejam aptos a gerar o creditamento, a glosa será restabelecida, pois (a) os lubrificantes não se enquadrariam no conceito de insumo defendido pela recorrente e (b) não teria havido exportação do produto intermediário, para o qual os lubrificantes poderiam ser considerados insumos. Caso entenda-se que também gera crédito o insumo aplicado indiretamente na fabricação de um produto final (para elaboração de um produto intermediário), a reversão da glosa será confirmada. Feita a delimitação da lide, esclareço que, para elaboração do presente voto, adoto o entendimento esposado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões. A questão relativa ao insumo do insumo é tratada nos parágrafos 140 e seguintes do parecer, admitindo o creditamento dos respectivos gastos, justamente na parte em que é analisado o caso dos combustíveis e lubrificantes, conforme a seguir reproduzido: 140. Com base no conceito restritivo de insumos que adotava, a Secretaria da Receita Federal do Brasil somente considerava insumos os combustíveis e lubrificantes consumidos em itens que promovessem a produção dos bens efetivamente destinados à venda ou a prestação de serviços ao público externo (bens e serviços finais). Fl. 807DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 141. Todavia, com base no conceito de insumos definido na decisão judicial em voga, deve-se reconhecer que são considerados insumos geradores de créditos das contribuições os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens ou de prestação de serviços, inclusive pela produção de insumos do insumo efetivamente utilizado na produção do bem ou serviço finais disponibilizados pela pessoa jurídica (insumo do insumo). 142. Sem embargo, permanece válida a vedação à apuração de crédito em relação a combustíveis consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica (administrativa, contábil, jurídica, etc.), bem como utilizados posteriormente à finalização da produção do bem destinado à venda ou à prestação de serviço. 143. Cabe salientar que na decisão judicial em comento, os “gastos com veículos” não foram considerados insumos da pessoa jurídica industrial então recorrente (ver parágrafo 8). Todavia, não se pode deixar de reconhecer que em algumas hipóteses os veículos participam efetivamente do processo produtivo e, consequentemente, os combustíveis que consomem podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições. Pelos motivos acima apresentados, é de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passo agora à análise do Recurso Especial da contribuinte. Conhecimento do Recurso Especial da contribuinte O Recurso Especial da contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Concordo com os termos do despacho do Presidente da Câmara que lhe deu seguimento e, assim, conheço do recurso. Mérito do Recurso Especial da contribuinte A contribuinte, em seu Recurso Especial, defende a possibilidade de caracterização como insumo de todo bem empregado no processo produtivo. Assim, a necessidade de utilização do bem ou serviço, para o processo de fabricação do produto vendido, é que deve definir a possibilidade de geração de crédito sobre os respectivos valores. Esclareço – mais uma vez – que, para elaboração do presente voto, adotei o entendimento esposado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no já citado Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. O referido parecer adota exatamente essa interpretação, conforme consta de sua própria ementa, a seguir reproduzida na parte que interessa: Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Em vista desse critério, passo a analisar cada elemento citado no Relatório Fiscal que deu suporte ao Despacho Decisório inicial. Com relação aos combustíveis e lubrificantes utilizados em caminhões para o transporte de cana-de-açúcar, o óleo diesel não está em discussão, porque, ainda que seja considerado insumo, tem a glosa mantida por estar sujeito à alíquota zero e os lubrificantes já tiveram a glosa revertida pela decisão recorrida. Fl. 808DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 Com relação às mercadorias e serviços que, de acordo com a fiscalização, não foram aplicados no sistema produtivo, temos: ITEM Análise Conclusão custos gerais n/a . carpintaria Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa conservação/manutenção balança Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa conservação/manutenção reservatórios Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a glosa E.T.A. -Tratamento de águas Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a glosa . conservação / manutenção caldeira Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção destilaria Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção distribuição vinhaça Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção fabrica açúcar Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção gerador Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção indústria Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção laboratório Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção moenda Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . conservação / manutenção veículos Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa . conservação / manutenção máquinas e implementos Elemento que faz parte do processo produtivo Reverto a Glosa . despesas diversas Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa . ferramentas e apetrechos Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa . mat. Higiene e seguranca trabalho Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa . oficina de manutenção Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa Fl. 809DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 - custos gerais n/a . serviços prestados (não utilizados como insumo na prestação de serviços ou fabricação de bens) Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa . transporte de pessoal Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa . fretes e carretos (transporte de bens não utilizados no processo industrial) Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa . conservação de veículos e caminhões Não encontrei prova de sua utilização no processo produtivo x atividades operacionais Mantenho a Glosa Conclusão Em vista do exposto, voto por conhecer de ambos os recursos para, no mérito, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e dar provimento em parte ao Recurso Especial da contribuinte, para reverter a glosa dos gastos com: - conservação/manutenção balança; - conservação/manutenção reservatórios; - E.T.A. - Tratamento de águas; - conservação / manutenção caldeira; - conservação / manutenção destilaria; - conservação / manutenção distribuição vinhaça; - conservação / manutenção fabrica açúcar; - conservação / manutenção gerador; - conservação / manutenção indústria; - conservação / manutenção laboratório; - conservação / manutenção moenda; e - conservação / manutenção máquinas e implementos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 810DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-009.330 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.904456/2011-73 Fl. 811DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000552/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE INÍCIO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplica-se, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. Não constatada a ocorrência de recolhimento, ainda que parcial, incide a regra geral do art. 173, I do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. DOCUMENTO EXTEMPORÂNEO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO.
Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, tal como laudo extemporâneo à competência autuada, deve a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento.
AGENTE NOCIVO RUÍDO. EXPOSIÇÃO ACIMA DO LIMITE DE TOLERÂNCIA DO MTE. CONFIGURAÇÃO DA APOSENTADORIA ESPECIAL.
O STF decidiu no ARE/SC nº 664335, em repercussão geral, que no caso de exposição do trabalhador ao agente nocivo ruído em nível acima do limite de tolerância definido pelo MTE, o uso de EPI eficaz não tem o condão de afastar a configuração da aposentadoria especial.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.Não há ocorrência de bis in idem por aplicação em duplicidade de multa, quando esta tem fatos geradores diversos: descumprimento da obrigação principal e descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista serem obrigações tributárias distintas, e, portanto, passíveis de distintas penalizações.
Numero da decisão: 2202-005.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE INÍCIO DE PAGAMENTO. Tratando-se de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplica-se, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. Não constatada a ocorrência de recolhimento, ainda que parcial, incide a regra geral do art. 173, I do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. DOCUMENTO EXTEMPORÂNEO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, tal como laudo extemporâneo à competência autuada, deve a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento. AGENTE NOCIVO RUÍDO. EXPOSIÇÃO ACIMA DO LIMITE DE TOLERÂNCIA DO MTE. CONFIGURAÇÃO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. O STF decidiu no ARE/SC nº 664335, em repercussão geral, que no caso de exposição do trabalhador ao agente nocivo ruído em nível acima do limite de tolerância definido pelo MTE, o uso de EPI eficaz não tem o condão de afastar a configuração da aposentadoria especial. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.Não há ocorrência de bis in idem por aplicação em duplicidade de multa, quando esta tem fatos geradores diversos: descumprimento da obrigação principal e descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista serem obrigações tributárias distintas, e, portanto, passíveis de distintas penalizações.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12045.000552/2007-65
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6047809
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.305
nome_arquivo_s : Decisao_12045000552200765.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12045000552200765_6047809.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7857216
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297776332800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.524 1 2.523 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12045.000552/200765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.305 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE INÍCIO DE PAGAMENTO. Tratandose de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplicase, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. Não constatada a ocorrência de recolhimento, ainda que parcial, incide a regra geral do art. 173, I do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. DOCUMENTO EXTEMPORÂNEO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, tal como laudo extemporâneo à competência autuada, deve a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento. AGENTE NOCIVO RUÍDO. EXPOSIÇÃO ACIMA DO LIMITE DE TOLERÂNCIA DO MTE. CONFIGURAÇÃO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. O STF decidiu no ARE/SC nº 664335, em repercussão geral, que no caso de exposição do trabalhador ao agente nocivo ruído em nível acima do limite de tolerância definido pelo MTE, o uso de EPI eficaz não tem o condão de afastar a configuração da aposentadoria especial. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.Não há ocorrência de bis in idem por aplicação em duplicidade de multa, quando esta tem fatos geradores diversos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 05 52 /2 00 7- 65 Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.525 2 descumprimento da obrigação principal e descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista serem obrigações tributárias distintas, e, portanto, passíveis de distintas penalizações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS contra decisão proferida por Auditor Fiscal de Previdência Social vinculado à Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Cuiabá (MT), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança de R$ 488.899,41 (quatrocentos e oitenta e oito mil, novecentos e noventa e nove reais e quarenta e um centavos), referente à alíquota adicional para aposentadoria especial, acrescida de multa e juros, referente ao período compreendido entre abril de 1999 e fevereiro de 2004. Em síntese, do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, acostado às f. 59/76, extraise o seguinte: Quanto ao Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP): empregados da empresa que rescindiram o contrato de trabalho em 2003 não receberam cópia do documento. Foi, inclusive, lavrado auto de infração por deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico. Quanto ao Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA): a empresa apenas identifica os agentes nocivos em seus diversos Grupos Homogêneos de Exposição (GHE), sem atestar, contudo, as prioridades e metas na avaliação e controle dos riscos ambientais reconhecidos no ambiente do trabalho, e sem introduzir metodologias das avaliações. Além disso, i) não há medição do agente ruído para todas as ocorrências; ii) não houve apresentação do PPRA relativo aos anos de 1998 e 1999 e os PPRAs dos anos de 2001 a 2003 são praticamente iguais ao PPRA de 2000; iii) a empresa não atende ao disposto na NR 09, item 9.3.5.4, com relação à adoção de medidas de caráter administrativo/organização do trabalho e da utilização do EPI antes de serem adotadas as medidas de proteção coletiva – EPC.; iv) no reconhecimento dos riscos ambientais, a empresa menciona o agente químico PLURON, utilizando o nome comercial, mas sem identificar o elemento químico, conforme estabelece o item 9.3.3, “a” da NR 09; v) a empresa identifica o agente ruído em alguns GHE, Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.526 3 mas não os mensura, violando o item 9.3.4 da NR 09; e vi) os PPRAs de 2000 a 2003 não atendem a estrutura mínima preconizada na NR 09. Quanto ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO): não houve atendimento ao item 7.4.6.1 da NR 07, o qual prevê que deveria haver a discriminação por setores a empresa, o número e a natureza dos exames médicos, estatísticas de resultados anormais e planejamento para o próximo ano. Ademais, a empresa não apresentou PCMSOs de 1998, 2000 e 2001, tampouco modificou o ambiente de trabalho em função das alterações nos exames audiométricos. Quanto ao Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho (LTCAT): não foram apresentados os laudos referentes aos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001. O LTCAT do ano de 2002 carece de conclusão quanto à eliminação ou neutralização do agente ruído em função da adoção das medidas de proteção implementadas. No documento relativo ao ano de 2003 deixou de mencionar se houve alteração nas condições ambientais de trabalho, o que demonstra estar o laudo desatualizado. Quanto às atas de reuniões da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): em sua maioria, se limitam a prestar informações sobre eleições da comissão e treinamentos aos empregados na área de segurança do trabalho, carecendo de análise dos resultados dos programas incluídos em PPRA e PCMSO, de acordo com o disposto na NR5. Quanto aos agentes nocivos constatados: no ambiente de trabalho da empresa foram encontrados: ruído, benzeno e tetracloreto de carbono. Em relação ao ruído, não há avaliação conclusiva acerca da eliminação ou neutralização do agente em função da adoção das medidas de proteção adotadas. Verificase, pois, que a empresa apenas mede o agente, mas não o controla nem avalia seus resultados, o que confirma que não há gerenciamento do risco. Acrescenta a autoridade fiscalizadora que (...) no relatório anual do ano de 2000, constam 11 (onze) casos de perdas auditivas diagnosticadas como sugestivas de PAIRO — perda auditiva induzida de riscos ocupacionais e 8 (oito) casos com predisposição ao PAIRO, todas elas com nexo de causalidade. Quanto ao relatório anual do ano de 2002, foram constatados 38 (trinta e oito) casos relacionados à perda auditiva (com e sem nexo de causalidade), representando aproximadamente 8% do total dos funcionários da empresa. (f. 72) Quanto ao agente nocivo benzeno, foi levantado o crédito correspondente em relação a todos trabalhadores expostos, uma vez que se trata de agente “qualitativo”, cuja nocividade é presumida e independe de mensuração. Quanto ao agente tetracloreto de carbono, esclareceu a autoridade fiscalizadora que, conforme consta no LTCAT de 2002, foi considerada a exposição em valores muito superiores ao limite legal permitido na “Asseguração da Qualidade – ETA (Estação de tratamento de água)”. A utilização deste agente químico não é mencionada nos PPRAs apresentados, embora o laudo indique um funcionário como colaborador na coleta de amostra para análise deste agente. Do lançamento do crédito previdenciário e do direito correspondente ao benefício: além de cobrar o crédito previdenciário devido, a autoridade fiscalizadora ainda outorgou aos trabalhadores implicados o direito à conversão do tempo especial em comum no período de cobertura do ato fiscal. Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.527 4 Conforme já relatado, o lançamento foi tido como procedente pelo julgador monocrático, pelas razões assim sintetizadas: 9. DA DECADÊNCIA (...) 9.4. Quanto às contribuições previdenciárias, previstas no art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil, aplicase o disposto na Lei n° 8.212/91 — Plano de Custeio da Seguridade Social, a qual regula integralmente a referida espécie de contribuição social. Como já aqui mencionado, o prazo para constituição dos créditos tributários oriundos das contribuições previdenciárias é de dez anos, conforme disposição do art. 45 da mencionada Lei. (...) 10. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES SOBRE O LEVANTAMENTO DA ALIQUOTA DO ADICIONAL AO SAT PARA CUSTEIO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. (...) 17.7. Enfim, não há como produzir novos documentos, com a finalidade de refletir situações de ambientes de trabalho ocorridas em épocas anteriores (período do lançamento 04/99 a 02/2004), situações estas, que foram atestadas/comprovadas pelos próprios documentos da empresa, apresentadas à época dos trabalhos fiscais, sendo que os mesmos, foram devidamente assinados por profissionais habilitados. Mais uma vez comentando, está perfeitamente correto o procedimento fiscal, quando, concluiu pela insuficiência da comprovação por parte da empresa, do eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, fato que levou ao levantamento do adicional à contribuição social relacionada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, conforme previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91. 18. Quanto aos Juros alegados nos valores apurados na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. (...) 18.2. Enfim, os Juros aplicados nos valores apurados na presente débito, estão em perfeita consonância com a legislação vigente, todas mencionadas no Relatório de Fundamentos Legais do Débito que faz parte das fls. 42 a 44 do processo. 18.3. Como já aqui comentado, à fiscalização do INSS não assiste o direito de qualquer questionamento à respeito de "lei", mas tão somente, zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada (f. 24742479). Notificada da decisão, 30/09/2005, apresentou a recorrente recurso voluntário, suscitando, preliminarmente, o reconhecimento da decadência. Quanto ao mérito, argumentou, em apertadíssima síntese, o seguinte: a) não pretendeu formular novos documentos para regularizar situações pretéritas, mas, sim, colacionar à sua defesa documentos que não foram analisados pela autoridade fiscalizadora. Ressalta que o cerne da defesa são as fichas de EPIs, que comprovam Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.528 5 que apenas em relação a uma minoria de funcionários é devida a contribuição para custeio da aposentadoria especial. b) se os funcionários que estavam expostos a agentes nocivos utilizavam EPIs capazes de eliminálos ou neutralizálos, conforme Certificação de Aprovação em anexo, não há que se falar em pagamento de adicional de insalubridade ou contribuição social para financiamento de aposentadoria especial. No caso em questão, as fichas de EPI e os Certificados de Aprovação dos equipamentos permitem identificar quais os funcionários de fato estavam expostos aos agentes nocivos. c) se os auditores fiscais tivessem considerado a utilização dos EPIs em sua análise, certamente não haveria ocorrido o enquadramento do número de funcionários constantes da NFLD. d) confrontando o nível de ruído a que os funcionários estavam expostos segundo os laudos elaborados pela empresa terceirizada, com o tipo de EPI utilizado pelos funcionários, temse que houve eliminação e/ou redução dos riscos a níveis abaixo do limite de tolerância. e) os funcionários enquadrados no “Setor de Equipamentos e Serviços – Oficina” exercem suas funções externamente, conforme atesta o Programa de Cargos e Salários acostado aos autos, motivo pelo qual não estavam expostos ao agente nocivo ruído. f) no “Setor de Produção – Linha Mista”, a sala de envase, onde é constatada a presença do agente nocivo ruído, é isolada. Afirma que, conforme relatório anexo aos autos, os inspetores de garrafas trabalhavam dentro da sala de envase apenas em dias em que a produção da linha de vidro está sendo realizada, não em tempo permanente, e sempre utilizando EPIs, que eliminam os agentes nocivos. Nos demais dias, trabalham fora da sala, onde o ruído é consideravelmente menor. g) os operadores da rotuladora e os trabalhadores lotados no setor de supervisão de garrafas não estão sujeitos aos níveis de ruído, conforme relatório e fotos anexos aos autos. h) a funcionária Joseane S. Oliveira, do Setor de Produção – Linha Pet, não labora na sala de enchimento, não estando, portanto, exposta ao agente nocivo ruído. i) os funcionários lotados no “Setor de Operações – Manobristas” não estão expostos a ruído ou qualquer outro agente nocivo, uma vez que exercem função no pátio da empresa, onde não há equipamento causador de ruídos, conforme demonstrado por foto retirada do local e anexada aos autos. j) segundo o relatório elaborado pelo engenheiro e pelos técnicos de segurança do trabalho, dos 215 (duzentos e quinze) funcionários enquadrados pela autoridade fiscalizadora, apenas 17 (dezessete) ficariam enquadrados como expostos ao agente nocivo ruído. Quanto ao agente nocivo benzeno, afirmou que este deixou de ser usado pela empresa em 2002, conforme comprovado pelo laudo técnico do referido ano. k) como a empresa manteve os mesmos maquinários, deve ser considerado o Relatório Técnico de Condições dos Ambientes de Trabalho elaborado em 2004. l) segundo laudo elaborado pelo médico da empresa, não foram identificados todos os casos de Perda Auditiva Induzida pelo Ruído Ocupacional (PAIRO) mencionados pela autoridade fiscalizadora. m) a não apresentação dos documentos segundo as formalidades legais já ensejou a cobrança de multa, motivo pelo qual a presente NFLD ensejaria bis in idem. Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.529 6 n) deve recolher a contribuição previdenciária em consonância com a realidade fática – isto é, apenas para os funcionários que estavam, de fato, expostos aos agentes nocivos acima do permissivo legal. Registro, por oportuno, não ter a recorrente renovado sua irresignação quanto à impossibilidade de incidência de juros e multa até a constituição definitiva do crédito tributário, bem como no tocante à suposta inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. Tampouco teceu quaisquer considerações sobre os funcionários expostos ao tetracloreto, razão pela qual permanece a autuação incólume neste tocante. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I – PRELIMINAR: DA DECADÊNCIA Consabido ter a Súmula Vinculante de nº 8 declarado inconstitucional os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratavam da prescrição e decadência decenal. Além disso, sob a sistemática dos recursos repetitivos, o col. Superior Tribunal de Justiça firmou, no bojo do RESP nº 973.333/SC, o entendimento segundo o qual o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário começa a correr no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado “nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Da atenta leitura do referido precedente daquela Corte Superior, tirante de dúvidas que, havendo adiantamento de pagamento, ainda que parcial, deverá ser adotada regra prevista no §4º do art. 150 do Digesto Tributário. Assim, constatado o princípio de pagamento, deve ser aplicado o regramento previsto no art. 150, § 4º do CTN. Esse entendimento encontra se, inclusive, sumulado no âmbito deste Conselho. Confirase: Súmula nº 99 – Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fixadas essas premissas, mister aplicálas ao caso sob escrutínio. A NFLD em debate tem como objeto a cobrança de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial. Não há dos autos, contudo, quaisquer indicativos de que a recorrente tenha antecipado, ainda que parcialmente, o pagamento da contribuição discutida no presente processo. Segundo consta do relatório de fiscalização: Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.530 7 Esta auditoria se depara frontalmente com um documento tributárioprevidenciário — GFIP — que não paga a aposentadoria especial a nenhum trabalhador por conseguinte não habilita o CNIS para tal concessão. Na GFIP apresentada pela empresa declara no campo ocorrência: "0" (em branco), empregado não exposto a agentes nocivos e alguns empregados declara no campo ocorrência: "1", indicando que houve exposição a agentes nocivos e que hoje não mais estão sujeitos a tais agentes. O item "1" foi informado na GFIP sem nenhum critério, não sabendo informar porque tais empregados possuem essa informação (f. 73, sublinhas deste voto). Corrobora a narrativa da autoridade fiscalizadora os dados constantes do Discriminativo Analítico de Débito (f. 515), que demonstra que nenhum valor fora recolhido. Por conseguinte, aplicase ao caso a regra geral do art. 173, I, CTN, segundo a qual o prazo decadencial quinquenal anos contase “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (cf. consta, também, da Súmula CARF nº 101). Nesse sentido, os créditos relativos à competência de 04/99 só decairiam em 31/12/2004. Como a recorrente foi cientificada em 13/12/2004 (f. 2), nenhuma parte dos créditos foi atingida pela decadência. Rejeito, portanto, a preliminar suscitada. II – MÉRITO II.1 – DO GERENCIAMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS Os lançamentos referemse, como visto, à contribuição social destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial, previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 (art. 22, II, Lei 8.212/91). Conforme consta do relatório fiscal, a empresa foi intimada a apresentar os documentos necessários à comprovação da existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou integridade física dos trabalhadores. Da análise dos documentos apresentados pela empresa, a autoridade fiscalizadora concluiu que a empresa deixou de comprovar o eficaz gerenciamento dos riscos ocupacionais existentes e, por fim, de dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. Em suas razões, a recorrente alega que os documentos apresentados à fiscalização foram, em grande parte, produzidos por empresa terceirizada. Reconhece que tais documentos estavam sendo elaborados sem atender às formalidades legais e que apresentavam informações distorcidas. Afirma, contudo, que as informações ali contidas não são compatíveis com a realidade. Argumenta não ter a fiscalização levado em consideração as fichas de EPIs dos funcionários e seus certificados de avaliação, que demonstram que houve eliminação e/ou redução dos riscos a níveis abaixo do limite de tolerância. Acrescenta que o laudo elaborado pelo engenheiro de segurança do trabalho da empresa demonstra exatamente quais funcionários estavam efetivamente expostos a agentes nocivos acima dos níveis de tolerância, considerados os EPIs fornecidos. Apesar de tal documento ter sido elaborado em 2004, diz que deve ser considerado na análise, uma vez que não houve alterações no ambiente de trabalho da empresa. Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.531 8 Para melhor desate da querela, há de ser feita a análise em apartado de cada um dos agentes nocivos identificados pela autoridade fiscalizadora, levandose em consideração os setores nos quais se encontram presentes e as respectivas medidas de proteção implementadas pela ora recorrente. A Ruído Segundo o recorrente, o laudo acostado aos autos não promoveu nova quantificação dos agentes nocivos, apenas “apontou o nível de ruído em que estavam submetidos os funcionários, segundo os documentos analisados pelos auditores, considerando o tipo de EPI utilizado e sua atenuação” (f. 2493). Acrescenta ainda que “os próprios fiscais poderiam ter realizado este cotejo entre os dados apresentados, e certamente teriam constatado que apenas uma minoria dos funcionários estava exposta aos agentes nocivos” (f. 2493). Compulsando o “Relatório Técnico das Condições dos Ambientes do Trabalho”, contudo, observase que houve, sim, nova medição do agente ruído: 1. Fundamentação Legal e Metodologia (...) Os agentes geradores de riscos ocupacionais que necessitaram de análise quantitativa foram o Ruído Continuo. Para tanto, utilizamos a seguinte aparelhagem: Dosímetro marca SIMPSON, 110 Modelo 897, calibrado antes da avaliação em 94 dBs e 140 dBs utilizandose do calibrador acústico marca SIMPSON, Modelo 8872, e Monitor Portátil de Stress Térmico marca INSTRUTHERM, modelo TGD — 200 (f. 350). Analisandose o quadro de “Avaliações Quantitativas” do relatório (f. 353), observase que os níveis de ruído não correspondem àqueles previstos nos PPRAs. Apenas a título de exemplo, observase que, no setor “Caldeira”, consta que o nível de ruído é inferior ao limite legal de 85 dB. Todavia, avaliandose os PPRAs de 2000 e 2003, acostados aos autos pela autoridade fiscalizadora, notase que, no mesmo setor, averiguouse o nível de ruído de 90,8 dB (f. 103 e 130). Registro não ser possível levar em consideração os valores apurados em 2004, uma vez que, em que pese as alegações do recorrente, não há, nos autos, quaisquer provas de que o ambiente de trabalho da empresa mantevese inalterado desde 1999. Sendo assim, o relatório anexado aos autos não faz prova da situação do ambiente do trabalho no período autuado, eis que anterior ao de sua elaboração. A recorrente acostou aos autos, ainda, “Relatório de todos os funcionários enquadrados pelo INSS identificando o nível de ruído alteração e exposição real” (f. 2150 2167). Neste, há uma relação dos funcionários de cada setor indicado, o nível de ruído a que o funcionário estava exposto, segundo os documentos apresentados originariamente à fiscalização, o tipo de EPI utilizado e a sua atenuação. Setor: Transporte – Rampa de Lavagem Em relação ao setor em questão, tomando por base o nível de ruído constante dos documentos originalmente apresentados à fiscalização, concluiuse que todos os trabalhadores estariam expostos a um nível de ruído superior àquele autorizado pela lei, mesmo Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.532 9 levando em consideração a atenuação provocada pelos EPIs. O laudo, contudo, faz a seguinte observação: (...) Esse nível de ruído apresentado pelo PPRA de 2000, não retrata a realidade, visto que esse valor só se verificou em momentos de pico, não uma dosimetria de um dia de trabalho. Medido no ano de 2004, com dosímetro que atendem a legislação, o valor encontrado é de 85,5 dB, sendo que os protetores auditivos individuais atenuam em 17dB, resultando em uma exposição à 68,5 dB, que se configura bem abaixo do limite de tolerância que é de 85 dB (f. 2151). Há de se ter em vista, contudo, que, conforme já esclarecido, não há motivos para se utilizar os dados colhidos em 2004 como representativos do ambiente de trabalho dos anos anteriores, especialmente quando não há provas concretas de que não houve alterações no ambiente de trabalho da empresa. Sendo assim, deve manterse o enquadramento de todos os funcionários lotados no setor em questão. Setores de: “Manutenção Industrial – Elétrica” e “Manutenção Industrial – Mecânica” Em relação aos setores em questão, o laudo aponta que, em que pese o nível de ruído identificado nos documentos analisados pela fiscalização superar o limite legal, era comprovadamente reduzido para abaixo dos limites de tolerância em razão da utilização dos EPIs. Em relação a todos os setores indicados consta a seguinte nota: Todos os funcionários deste setor tem (sic) comprovadamente redução do risco a níveis abaixo do limite de tolerância, de acordo com o resultado de exposição real depois de aplicada atenuação do EPI, que tem a sua entre comprovada pelos recibos anexos (f. 2152 e 2153). Observase, pois, que o laudo retira os funcionários do enquadramento procedido pela fiscalização sob o argumento de que foram fornecidos EPIs, o que seria comprovado pelos recibos anexos aos autos. Todavia, em que pese haver, efetivamente, a comprovação de fornecimento dos EPIs, não há provas de que estes eram utilizados de maneira adequada no período fiscalizado e de que, portanto, mantinham os trabalhadores em segurança. O verbete sumular de nº 289 do TST pode ser aplicado, “mutatis mutandis”, à querela ora sob escrutínio: O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade, cabendolhe tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, dentre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado. Repiso que, embora tenham sido distribuídos EPIs, não houve demonstração de que, no período alvo da fiscalização, estes eram devidamente empregados e que promoviam a atenuação do ruído descrita no relatório de f. 21502167 – produzido extemporaneamente, frisese. Em verdade, no bojo do ARE/SC nº 664335, o Tribunal Pleno do exc. Supremo Tribunal Federal firmou a tese de que Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.533 10 na hipótese de exposição do trabalhador a ruído acima dos limites legais de tolerância, a declaração do empregador, no âmbito do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), no sentido da eficácia do Equipamento de Proteção Individual EPI, não descaracteriza o tempo de serviço especial para aposentadoria. Isto porque, no que tange ao agente nocivo ruído, a eficácia dos EPIs não descaracteriza o tempo de serviço especial para fins de aposentadoria, uma vez que os prejuízos ao organismo humano não se restringem à eventual perda auditiva e que não é possível garantir a plena eficácia dos EPIs. Assim sendo, deve manterse o enquadramento de todos os funcionários lotados no setor. Setor de: Produção – Sopro Sob; Em relação ao setor em questão, o laudo aponta que, em que pese o nível de ruído identificado nos documentos analisados pela fiscalização superar o limite legal, era comprovadamente reduzido para abaixo dos limites de tolerância em razão da utilização dos EPIs. O engenheiro de segurança anota estarem os “[f]uncionários com proteção adequada, atenuando o risco de ruído abaixo do nível de tolerância.”(f. 2155) Há de se ter em vista, contudo, que, assim como esclarecido, a mera comprovação da distribuição de EPIs não é suficiente para demonstrar que, no período fiscalizado, esses eram utilizados de forma adequada e promoviam a atenuação do agente ruído conforme informado pelo relatório. Assim sendo, deve manterse o enquadramento de todos os funcionários lotados no setor. Setores de Produção – Sopro – Despaletizadora 2000; Setor: Produção: Sopro Paletizadora 600; Setor: Produção – Lata; Operações Em relação a tais setores, o laudo aponta que o nível de ruído era mantido dentro dos limites legais pela utilização de EPIs. O engenheiro, responsável pela segurança, atestou que os funcionários que trabalharam nesta função “utilizam equipamentos de proteção individual, que atenuam com eficácia o risco ruído. A comprovação da eficácia se comprova pela não apresentação de resultados positivos para exames de perda auditiva.” (f. 2156, 2157, 21632164) Repiso: a mera distribuição de EPIs não é suficiente para afastar a necessidade de pagamento do adicional para custeio da aposentadoria especial, devendo haver comprovação, ainda, de que estes eram efetiva e devidamente utilizados pelos trabalhadores. Esta comprovação, contudo, não consta dos documentos apresentados originalmente apresentados à fiscalização. Certo é que o relatório produzido extemporaneamente não pode fazer prova de que, nos anos precedentes, havia a correta utilização dos equipamentos, a fim de manter os agentes nocivos dentro dos limites de tolerância legais. Importante destacar, ainda, que, o simples fato de não haver sido detectada perda auditiva não é suficiente para afastar o pagamento do adicional para a aposentadoria especial. Assim prevê a Instrução Normativa RFB nº 971: Art. 292. O exercício de atividade em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, nãoocasional nem intermitente, conforme disposto no art. 57 da Lei nº 8.213, Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.534 11 de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial. Observase, pois, que o que dá direito à aposentadoria especial é a exposição permanente a agentes nocivos, não a constatação de doença resultante dessa exposição. Sendo assim, o fato de não haver resultado positivo para perda auditiva não é suficiente para afastar a cobrança do adicional para custeio do benefício, motivo pelo qual entendo que o lançamento deve ser manter incólume em relação aos setores tratados nesse tópico. Setor: Asseguração da Qualidade – Laboratório Em relação a tal setor, o laudo aponta que o nível de ruído era mantido dentro dos limites legais pela utilização de EPIs. Eis a nota do engenheiro responsável pela segurança: Os funcionários que trabalham nesta função utilizam equipamentos de proteção individual, que atenuam com eficácia o risco de ruído. A comprovação da eficácia se comprova pela apresentação de apenas 1 (um) resultado positivo para exames de perda auditiva (f. 2163). Todavia, conforme já exaustivamente explanado, não houve comprovação de que, no período fiscalizado, houve a devida utilização dos EPIs. Ademais, a existência, ou não, de exames com diagnóstico de perda auditiva não é fator decisivo para a concessão da aposentadoria especial, cujo fato gerador é a exposição permanente dos funcionários a agentes nocivos acima dos limites de tolerância legal. Sendo assim, tal fato não tem o condão de afastar o pagamento do adicional de custeio para o benefício. Setor: Produção Linha PET Em relação ao setor em questão, o relatório indica que, com a utilização dos EPIs, os níveis de ruído eram mantidos dentro dos limites de tolerância previstos em Lei. Há apenas um trabalhador que estaria exposto a nível de ruído superior a 85 dB, mesmo com a utilização do EPI. Importante salientar, contudo, que só houve comprovação de entrega dos EPIs, mas não de sua efetiva e adequada utilização no período fiscalizado, motivo pelo qual deve ser mantido o enquadramento em relação a todos os funcionários. Fazse necessário, contudo, fazer uma pequena ressalva. Segundo o laudo, os funcionários Joseane S. Oliveira e Manoel Benedito Campos (...) não trabalham na sala de enchimento, que apresenta o nível de ruído de 97,1 dB. Nos setores onde trabalham estes funcionários, o nível de ruído medido encontrase abaixo de 85 dB. Portanto, não devem ser enquadrados como operadores que trabalham dentro da sala de enchimento. (f. 2158) O relatório não indica – e a recorrente tampouco comprova – em qual setor laboram tais funcionários e qual o nível de ruído aí apurado. Sendo assim, por ausência de provas, não há como excluílos do enquadramento. Setor: Linha Mista Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.535 12 Em relação ao setor em questão, o relatório indica que, com a utilização dos EPIs, os níveis de ruído eram mantidos dentro dos limites de tolerância previstos em Lei. Há apenas 8 (oito) trabalhadores que estariam expostos a nível de ruído superior a 85 dB, mesmo com a utilização do EPI. Importante salientar, contudo, que só houve comprovação de entrega dos EPIs, mas não de sua efetiva e adequada utilização no período fiscalizado, motivo pelo qual deve ser mantido o enquadramento em relação a todos os funcionários. Consta do relatório, contudo, a seguinte observação: Todos os funcionários foram enquadrados como trabalhando no mesmo setor, dentro da sala de envaze, portanto expostos ao nível de ruído único, o que não configura realidade. O nível de ruído apresentado apresentase somente dentro da sala de envaze. Os inspetores de garrafas, trabalham dentro da sala apenas nos dias em que a produção da linha de vidro está sendo realizada. Nos dias em que a produção é pet, os inspetores de garrafa trabalham fora da sala, onde o nível de ruído é bem menor. A rotuladora também encontrase fora da sala, portanto os funcionários operadores da rotuladora, não estão expostos a este nível de ruído. O setor de supervisório também encontrase fora da sala de envaze, portanto não estão expostos ao ruído indicado. A maior parte dos funcionários utilizaremse de EPIs que evidentemente atenuavam o risco ruído a níveis abaixo do limite de tolerância exigido pela lei previdenciária. (f. 2161) Quanto aos inspetores de garrafa, notase que não houve indicação de quantos dias trabalham dentro da sala de envaze, tampouco qual é o nível de ruído no local onde trabalham quando não estão aí. Ademais, analisandose o “Relatório Técnico das Condições de Ambientes de Trabalho” (f. 353), que promoveu nova avaliação do agente nocivo ruído, observase que foi indicado para os inspetores de garrafa o nível de 91,0 dB, o qual também é superior ao limite legal. Sendo assim, como não houve comprovação quanto à efetividade dos EPIs no período fiscalizado, deve ser mantido o enquadramento de todos os inspetores de garrafas. Quanto aos operadores da rotuladora, também não há indicação do ruído ao qual estão expostos. Analisandose o “Relatório Técnico das Condições de Ambientes de Trabalho” (f. 353), observase que foi indicado para o setor “Rotuladora – PET” o nível de ruído de 93,9 dB, o qual também é superior ao limite legal. Sendo assim, não havendo comprovação quanto à efetividade dos EPIs no período fiscalizado, deve ser mantido o enquadramento de todos os operadores de rotuladora. Quanto ao setor de supervisório, alegase que funciona fora da sala de envaze e, portanto, está sujeito a nível de ruído menor. Observase que há um único operador de Supervisório, Nelci Zukovski. Como o próprio relatório aduz que todos os funcionários do setor “linha mista” foram enquadrados pela autoridade fiscalizadora como se expostos ao mesmo nível de ruído, temse que o nível “< 85 dB” indicado no quadro para Nelci Zukovski (f. 2159) foi apurado em 2004. Não havendo provas de que o funcionário era exposto a esse nível de ruído no período abrangido pela NFLD, uma vez que os documentos apresentados originalmente à fiscalização não faziam distinção entre os trabalhadores do setor, não se pode excluir o funcionário do enquadramento. Setor: Operações – Manobrista Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.536 13 Quanto ao setor, a recorrente afirma que “em nenhum momento estes laboraram expostos a ruído ou qualquer outro agente nocivo, uma vez que exercem sua função no pátio da empresa, onde não há equipamento causador de ruídos, como pode ser demonstrado pela foto tirada do local” (f. 2497). Em sentido convergente estão os PPRAs avaliados, que não indicam a exposição de ruído para função de manobrista. Conforme consta do relatório fiscal, às f. 72, sequer houve lançamento em relação ao setor de “Operações – Manobristas”. Sendo assim, claro falecer a recorrente de interesse recursal. B – Benzeno A recorrente alega que os “03 (três) funcionários que exerciam a função de Técnico no Laboratório de Tratamento de água da empresa notificada foram enquadrados, no entanto, o Benzeno deixou de ser utilizado pela empresa desde 2002, como faz provas o laudo técnico de 2002” (f. 2500). No mesmo sentido prevê o “Relatório Técnico das Condições de Ambientes de Trabalho”, segundo o qual o “[b]enzeno deixou de ser utilizado em nossa empresa como comprovam o laudo de 2002” (f. 55). Todavia, não há indicação em qual laudo estaria a comprovação de informação. Analisando o LTCAT de 2002, observase que há apenas a indicação de presença de benzeno no ambiente de trabalho e a seguinte observação: “todas as atividades que envolvem o manuseio de Benzeno é considerada INSALUBRE (...)” (f. 154). Nas conclusões do LTCAT, consta o seguinte: Com relação aos colaboradores expostos ao BENZENO, por se tratar de produto nocivo a saúde, independente da quantidade de manuseio, somos de parecer pelo pagamento de INSALUBRIDADE, no grau máximo 40% sobre o salário mínimo ou em acordo com possível Convenção Coletiva de Trabalho. (f. 158). Ademais, verificase que, no PPRA de 2003, há a indicação da presença do agente nocivo benzeno na UG “Asseguração Qualidade” – cf. f. 110 e 111. Sendo assim, não há qualquer comprovação nos autos de que a empresa deixou de usar benzeno a partir de 2002, motivo pelo qual não deve haver alterações no lançamento. II.2 – DOS CASOS DE PERDA AUDITIVA INDUZIDA PELO RUÍDO OCUPACIONAL (PAIRO) A recorrente narra que as autoridades de fiscalização (...) atestam que a empresa apenas mede o agente, mas não controla e não avalia seus resultados, não havendo gerenciamento desse risco, sendo que no relatório do ano de 2000, constam 11 (onze) casos de perdas auditivas diagnosticadas como sugestivas de PAIRO — Perda Auditiva Induzida de Riscos Ocupacionais e 8 (oito) casos com predisposição ao PAIRO, com nexo de causalidade, bem como o relatório anual do ano de 2002, foram constatados 38 (trinta e oito) casos relacionados à perda auditiva, com e sem nexo de causalidade, representando aproximadamente 8% do total dos funcionários da empresa. Ocorre que conforme falado alhures Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.537 14 essa documentação analisada pelos auditores não representa a veracidade dos fatos, uma vez que o Laudo em anexo elaborado pelo Médico da empresa notificada, acentua que ao efetivar os exames periódicos não foram identificados todos os casos apontados (f. 2499/2500; sublinhas deste voto) O laudo, ao qual faz alude a recorrente, assinado pelo médico do trabalho da empresa, datado de 02/12/2004, atesta o seguinte: Existe um relatório anual da empresa prestadora de serviços na área de saúde, SESI, que afirma existirem na empresa 11 casos de colaboradores portadores de PAIR. Estes colaboradores não foram nominados. Ao realizarmos este ano os exames periódicos não conseguimos identificar todos esses casos. (...) Mas se levarmos em consideração os dados atuais, temse que apesar de alguns setores apresentarem níveis de pressão sonora elevados, não temos um número significativo de casos de PAIRO na empresa, o que atesta algumas constatações pertinentes: a proteção individual está sendo efetiva e concretamente praticada; os protetores são eficazes para estes níveis de pressão sonora; o tempo de permanência destes funcionários na empresa, em locais de fonte de pressão sonora elevada, é de uma rotatividade considerável, sendo este tempo insuficiente para desencadear as perdas auditivas; há um predomínio de funcionários com idade baixa, na faixa dos 20 aos 30 anos, e que ainda não desenvolveram quadros de perda auditiva; ainda em decorrência dessa idade, não sofreram as repercussões desses níveis de pressão sonora, nem clínica nem audiometricamente (f. 2171, sublinhas deste voto). Conforme já frisado à exaustão, os diagnósticos de perda auditiva são dispensáveis à concessão da aposentadoria especial, cujo fato gerador é, simplesmente, a exposição permanente a agente nocivo acima dos limites de tolerância previstos em lei. Quanto à alegação de que a proteção individual está sendo efetiva e concretamente praticada, diz respeito ao momento de elaboração do laudo, ou seja, 2004. Não se pode presumir que, nos anos precedentes, tais equipamentos vinham sendo utilizados adequadamente, a fim de garantir a segurança dos trabalhadores. II.3 – DO LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO E DO INDIGITADO “BIS IN IDEM” A recorrente alega que o lançamento efetuado pela autoridade fiscalizadora não condiz com a realidade e que não levou em consideração as fichas e EPIs e seus certificados de medição. Há de se ter em vista, contudo, que a fiscalização agiu em plena consonância com a Lei, uma vez que, em caso de apresentação deficiente de documentos, é autorizado o lançamento por arbitramento. O conteúdo do art. 387 da Instrução Normativa/SRP nº 03/05, art. 387 foi reproduzido no art. 296 da novel Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, que assim dispõe: Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.538 15 Art. 296. A contribuição adicional de que trata o art. 292, será lançada por arbitramento, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, quando for constatada uma das seguintes ocorrências: I a falta do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, quando exigíveis, observado o disposto no inciso V do art. 291; II a incompatibilidade entre os documentos referidos no inciso I; III a incoerência entre os documentos do inciso I e os emitidos com base na legislação trabalhista ou outros documentos emitidos pela empresa prestadora de serviços, pela tomadora de serviços, pelo INSS ou pela RFB. Parágrafo único. Nas situações descritas neste artigo, caberá à empresa o ônus da prova em contrário (sublinhas deste voto). O supramencionado dispositivo retira seu fundamento legal do art. 33, § 3º da Lei nº 8.812/91. Confirase: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida (sublinhas deste voto). No mesmo sentido é a previsão do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Constatase, pois, que, ante a apresentação deficiente dos documentos relativos ao gerenciamento de riscos, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento, cabendo ao contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal. Tal é o entendimento deste Conselho, senão, vejase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2015 Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.539 16 LANÇAMENTO FISCAL. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. A existência de segurados que prestam serviço em condições especiais e prejudiciais à saúde ou à integridade física obriga a empresa ao recolhimento do adicional para financiamento do benefício, nos termos do art. 57, § 6o, da Lei nº 8.213/91 c/c art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91. (...) CONTRIBUIÇÃO. ARBITRAMENTO. INCOMPATIBILIDADE ENTRE DOCUMENTOS. A contribuição adicional ao GILRAT será lançada por arbitramento quando for constatada a incompatibilidade entre PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP (Processo nº 11634.720240/201660, Acórdão nº 2201004.466 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A recusa ou apresentação deficiente de documentos à fiscalização enseja o lançamento de ofício por arbitramento, cabendo à autuada o ônus de apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do fisco de constituir o crédito tributário (Processo nº 16682.720575/201464, Acórdão nº 2201004.405 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 03 de abril de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. É devia contribuição a título de adicional ao SAT, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da exposição dos trabalhador a agente nocivo decorrente de riscos ambientais, a ser pago pelas empresas que possuem segurados em condições especiais que prejudiquem a saúde e a integridade física. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PREVISÃO LEGAL A lei prevê o arbitramento da base de cálculo das contribuições quando ocorrer a apresentação deficiente de documento, invertendose o ônus da prova (Processo nº 17883.000208/201013, Acórdão nº 2202004.366 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. A empresa deve demonstrar, por meio dos documentos exigidos por lei, relativos aos riscos ambientais do trabalho, os segurados Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 12045.000552/200765 Acórdão n.º 2202005.305 S2C2T2 Fl. 2.540 17 expostos a agentes nocivos. A falta de apresentação desses documentos na forma exigida por lei, autoriza o lançamento por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário (...) (Processo nº 35387.000566/200541, Acórdão nº 2202004.374 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de maio de 2018). Caberia à recorrente comprovar que realizava o efetivo gerenciamento dos riscos no período abrangido pela fiscalização. Só logrou comprovar, contudo, que fornecia EPIs aos seus empregados, o que, por si só, não afasta a cobrança do adicional para custeio da aposentadoria especial. Frisese, por imprescindível, que os relatórios produzidos em 2004 não fazem prova quanto à situação do ambiente de trabalho da empresa nos anos precedentes. Por fim, descabida a alegação de que a autoridade fiscalizadora incorreu “bis in idem”, uma vez que a multa cobrada pelo descumprimento de obrigação acessória não se confunde com a exigência da obrigação principal, que não tem caráter punitivo. III – CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 2540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000107/2007-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, Art. 57
Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria.
Numero da decisão: 2001-001.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, Art. 57 Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13984.000107/2007-58
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6062762
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.365
nome_arquivo_s : Decisao_13984000107200758.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 13984000107200758_6062762.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7902914
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297823518720
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-13T11:16:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-13T11:16:17Z; Last-Modified: 2019-09-13T11:16:17Z; dcterms:modified: 2019-09-13T11:16:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-13T11:16:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-13T11:16:17Z; meta:save-date: 2019-09-13T11:16:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-13T11:16:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-13T11:16:17Z; created: 2019-09-13T11:16:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-09-13T11:16:17Z; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-13T11:16:17Z | Conteúdo => S2-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13984.000107/2007-58 Recurso Voluntário Acórdão nº 2001-001.365 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 21 de agosto de 2019 Recorrente WOLNEY COLINO MULLER DA SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, Art. 57 Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 01 07 /2 00 7- 58 Fl. 51DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.365 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.000107/2007-58 Por meio da Notificação de Lançamento foi efetuado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física - Suplementar, no valor de RS 4.062,39, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, relativos ao ano calendário 2004, exercício 2005. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal consta que, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas declarados e Dirf, constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 26.054,20, recebidos da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Curitibanos, CNPJ n.° 83.754.044/0001-34. Os dispositivos legais infringidos constam do enquadramento legal. Inconformado, o interessado solicitou inicialmente a retificação do lançamento mediante SRL, que foi indeferida (fls. 10). Irresignado, o contribuinte apresenta a impugnação por meio de seu procurador devidamente qualificado nos autos, alegando em preliminar que no resultado da SRL não foram expostos os motivos e os fundamentos legais que justificassem o indeferimento. No mérito, alega que é portador de cardiopatia grave e isquêmica conforme comprovam os exames médicos juntados, sendo que o próprio INSS reconheceu a moléstia acometida em época contemporânea ao lançamento tributário, concedendo auxilio doença, consoante se comprova do extrato do Sistema Único de Beneficio juntado. Por fim, requer que a decisão de indeferimento da SRL seja declara nula por ausência de motivação, que a impugnação seja acolhida cancelando-se o débito fiscal reclamado, julgando procedente a SRL ofertada anteriormente. A DRJ Florianópolis, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => quanto à alegação de nulidade verifica-se que o contribuinte foi regularmente notificado do lançamento, tendo lhe sido garantido inicialmente o direito de ter suas razões analisadas pelo Órgão revisor, sob a forma de SRL. Em um segundo momento e oportunidade, em face do indeferimento da SRL, o interessado gozou do prazo legal para apresentar sua impugnação, ora analisada por este Órgão julgador. O conteúdo da impugnação apresentada revela que o interessado tinha pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada, não tendo demonstrado quaisquer dúvidas quanto à matéria tida como infringida. Inexiste, portanto, qualquer embaraço ao exercício do seu direito de defesa. => quanto à alegação de ser portador de moléstia grave, conforme determinação legal há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se ã natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Não há como interpretar de modo diferente, pois a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Ademais, a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamente, dentro do prazo de trinta dias contados da ciência da Fl. 52DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.365 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.000107/2007-58 exigência. Observa-se que nenhuma prova documental foi apresentada em sede de impugnação. O impugnante não traz aos autos laudo pericial comprovando a moléstia grave conforme determina o an. 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Além da ausência do laudo pericial, o impugnante não faz prova de que os rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Curitibanos são proventos de aposentadoria ou reforma e pensão. Conclui-se, portanto, que o impugnante não atendeu a nenhum dos dois requisitos legais exigidos para a concessão da isenção: não há laudo pericial emitido por serviço médico oficial reconhecendo a existência da moléstia grave e os rendimentos omitidos não são oriundos de aposentadoria ou reforma e pensão. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que se trata de hipótese de isenção tendo em vista ser portador de moléstia grave conforme laudos médicos privados. É o relatório. Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. REGIMENTO INTERNO DO CARF – APLICAÇÃO § 3º, Art. 57 Após detida análise dos autos e dos argumentos do Recorrente, entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado representa repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo na decisão de piso. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I ¬ verificação do quórum regimental; II ¬ deliberação sobre matéria de expediente; e III ¬ relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. Fl. 53DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.365 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.000107/2007-58 § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Desta feita, desde já sustento integralmente a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Ainda assim, vale ratificar alguns pontos para que não restem dúvidas. Mesmo que não seja necessário, por apego ao argumento entendo que merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 54DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.365 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.000107/2007-58 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Tendo em vista que já foi esclarecido amplamente ao Contribuinte a necessidade de comprovar os dois requisitos exigidos por lei, indispensáveis à concessão da isenção (que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal através de laudo médico oficial), e não foram juntadas pelo mesmo, nem mesmo em sede de Recurso Voluntário, provas claras e objetivas que atendam essas exigências, sigo o entendimento colocado pela DRJ na decisão a quo. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário e manter a decisão a quo nos exatos termos da DRJ. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 55DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.365 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.000107/2007-58 Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000232/2003-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Atendidos as formalidades e os prazos legais, inclusive com dilação do prazo para manifestação do contribuinte, e demonstrado nos autos sua total compreensão do desenvolvimento do litígio, não cabe a alegação de cerceamento do direito de defesa.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO POR DCTF. PROCESSO JUDICIAL PENDENTE. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA COMPENSAR INEXISTENTE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO.
Comprovado que, à época da transmissão da compensação por meio de DCTF, não havia sido reconhecido o direito creditório por meio de decisão judicial com trânsito em julgado e que não existia autorização judicial para realizar a compensação, deve ser mantido o lançamento que tem por fundamento "processo judicial não comprovado".
Numero da decisão: 3002-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Atendidos as formalidades e os prazos legais, inclusive com dilação do prazo para manifestação do contribuinte, e demonstrado nos autos sua total compreensão do desenvolvimento do litígio, não cabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO POR DCTF. PROCESSO JUDICIAL PENDENTE. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA COMPENSAR INEXISTENTE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. Comprovado que, à época da transmissão da compensação por meio de DCTF, não havia sido reconhecido o direito creditório por meio de decisão judicial com trânsito em julgado e que não existia autorização judicial para realizar a compensação, deve ser mantido o lançamento que tem por fundamento "processo judicial não comprovado".
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13977.000232/2003-23
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6053349
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.834
nome_arquivo_s : Decisao_13977000232200323.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 13977000232200323_6053349.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7873675
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052297852878848
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-24T12:46:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-24T12:46:39Z; Last-Modified: 2019-08-24T12:46:39Z; dcterms:modified: 2019-08-24T12:46:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-24T12:46:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-24T12:46:39Z; meta:save-date: 2019-08-24T12:46:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-24T12:46:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-24T12:46:39Z; created: 2019-08-24T12:46:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-24T12:46:39Z; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-24T12:46:39Z | Conteúdo => S3-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13977.000232/2003-23 Recurso Voluntário Acórdão nº 3002-000.834 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 15 de agosto de 2019 Recorrente TERCILIO MARCHETTI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Atendidos as formalidades e os prazos legais, inclusive com dilação do prazo para manifestação do contribuinte, e demonstrado nos autos sua total compreensão do desenvolvimento do litígio, não cabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO POR DCTF. PROCESSO JUDICIAL PENDENTE. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA COMPENSAR INEXISTENTE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. Comprovado que, à época da transmissão da compensação por meio de DCTF, não havia sido reconhecido o direito creditório por meio de decisão judicial com trânsito em julgado e que não existia autorização judicial para realizar a compensação, deve ser mantido o lançamento que tem por fundamento "processo judicial não comprovado". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 02 32 /2 00 3- 23 Fl. 250DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.834 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13977.000232/2003-23 Trata o processo de notificação de lançamento de auditoria interna nas DCTFs do 3º e 4º trimestres de 1998, para a exigência de diferença de PIS no valor de R$ 895,17, acrescida de multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de pagamento do tributo - não comprovação de existência do processo judicial informado como origem do crédito (fls. 11 a 29). A recorrente apresentou Impugnação (fls. 3 a 9), na qual informou que seu crédito tinha origem em processo judicial, não procedendo a informação de processo não comprovado, e argumentou que não caberia a correção monetária da base de cálculo do PIS semestral, bem como sobre a desnecessidade de requerimento administrativo ou de autorização prévia para a compensação de tributos de mesma espécie. Na cópia do livro Razão anexada aos autos consta o mandado de segurança nº 98.20.04633-5 como origem do crédito. Da Informação Fiscal constante às fls. 192 a 196, consta que, indeferida a inicial, o TRF deu provimento à apelação para anular a sentença e determinar que fosse proferida nova sentença. No novo julgamento singular, obtiveram parcialmente a segurança e os autos voltaram ao TRF, tendo agora provimento negado, com trânsito em julgado em 05.02.2002. Foram trasladados para este processo demonstrativos do crédito e outros documentos pertinentes para a instrução do litígio (fls. 64 a 188). De posse de documentos e informações solicitados ao sujeito passivo para a apuração de eventual crédito compensável, a unidade de origem efetuou a análise dos dados, concluindo que não havia crédito a ser compensado com débitos posteriores, razão pela qual os valores exigidos no lançamento deveriam ser integralmente mantidos (fls. 192 a 196). Cientificado da Informação Fiscal, o impugnante afirmou que a semestralidade deveria ser aplicada sem correção monetária da base de cálculo, devendo os cálculos serem corrigidos (fl. 210). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 07-15.155 (fls. 217 a 220), por meio do qual decidiu pela procedência do lançamento. Consignou-se que, mesmo confirmada a existência de processo judicial, à época em que as DCTFs foram apresentadas não havia decisão judicial transitada em julgado, que assegurasse ao contribuinte créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Tal procedimento era vedado pelos arts. 170 e 170-A do CTN e tornava a compensação irregular. O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 01.04.2009, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 229, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 04.05.2009, conforme carimbo na página inicial do Recurso - fl. 237. Em seu Recurso Voluntário (fls. 237 a 247), a recorrente traz, em síntese, os argumentos que se seguem. 1) Nulidade do lançamento, já que, comprovada a existência do processo judicial, deixou de existir um motivo válido para a autuação. Acrescido a isso, a DRJ adotou outra motivação para sustentar o débito, o que consistiria em inovação ilegal e configuraria cerceamento do direito de defesa, pela ausência de um lançamento específico que oportunizasse a ampla defesa. 2) A compensação independe de autorização administrativa e, muito menos, de trânsito em julgado de qualquer decisão judicial. Inclui diversas decisões nesse sentido. 3) Não há que se exigir a liquidez e certeza do crédito do contribuinte, pois a compensação se processa no âmbito do lançamento por homologação e é realizada sob total responsabilidade do contribuinte. Fl. 251DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-000.834 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13977.000232/2003-23 4) A compensação efetuada foi regular e legal, não remanescendo qualquer débito a ser pago. Requer que seja anulada a autuação pelos motivos expostos no item 1) acima. Caso negado, que seja considerado regular a compensação efetuada e reconhecida a inexistência de débito. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. O prazo para interposição do recurso venceu em um feriado (01.05.2009), sendo, por isso, prorrogado até o próximo dia útil (04.05.2009). Em fevereiro/2019 foi julgado em turma ordinária outro processo do contribuinte sobre a mesma matéria, com amparo na mesma medida judicial, o MS nº 98.20.04633-5. Por concordar integralmente com a análise e a conclusão alcançada, transcrevo e adoto como minhas as razões de decidir constantes do Acórdão nº 3402-006.301, com amparo no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Conforme relatado, trata-se de Auto de Infração eletrônico de PIS, relativo a revisão de DCTF referente ao terceiro e quarto trimestres do ano-calendário 1998, com a acusação de falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, e ocorrência "Proc. jud. não comprova". A Recorrente alega a modificação do critério jurídico adotado no lançamento, visto que consta expressamente como fundamento do Auto de Infração a falta de comprovação do processo judicial indicado na DCTF; a violação aos artigos 170 e 170A do CTN, visto que a compensação independeria de autorização administrativa e trânsito em julgado; a desnecessidade da comprovação da existência de liquidez e certeza do crédito; e que a compensação processada seria regular e legal. O tema é recorrente neste Conselho. Trata-se da velha discussão de Auto de Infração eletrônico, com a informação “Proc. Jud. não comprova”. As decisões deste Conselho, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, majoritariamente apontam no sentido de se considerar improcedente o lançamento com fundamentação “proc. jud. não comprova”, quando for comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF e quando houver decisão, ainda que precária, autorizando a compensação: (...) Entretanto, no presente caso não havia autorização judicial à época da declaração, ainda que precária, para que o sujeito passivo efetuasse a compensação. O processo judicial 98.200.46335 informado nas DCTF, não havia transitado em julgado à época em que tais declarações foram apresentadas (03/11/1998 e 29/01/1999), o que só veio a ocorrer em 05/02/2002, e não havia qualquer decisão precária autorizando a compensação, visto que a inicial foi indeferida. Dessa forma, constata-se que o fundamento utilizado no lançamento eletrônico “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”, e a ocorrência "Proc. jud. não comprova" não podem ser afastados. Não havia à época das declarações decisão judicial autorizando a compensação, e os valores requeridos Fl. 252DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-000.834 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13977.000232/2003-23 ainda não eram líquidos e certos, violando o disposto no art. 170 do CTN. Ou seja, o processo judicial informado não comprovava a compensação declarada, e efetivamente havia uma declaração inexata, conforme apontado pela autoridade fiscal. Não há que se falar em modificação de critério jurídico adotado no lançamento, mesmo com a comprovação da existência da ação judicial indicada. Ainda que existente, o processo judicial não autorizava o procedimento adotado pelo contribuinte e não comprovava a compensação efetuada. O fundamento do lançamento permanece o mesmo, e foi confirmado pelo julgador a quo: “No caso presente, quando procedeu a compensação informada nas DCTF, a interessada ainda não detinha decisão judicial transitada em julgado que lhe assegurasse, de forma liquida, certa e definitiva, o crédito contra a Fazenda Nacional. Com isso, adotou conduta dissonante com a retro citada previsão legal, o que torna irregular a compensação promovida, independentemente de, posteriormente, ter a contribuinte acabado por ver reconhecido seu direito creditório na via judicial.” A ocorrência “Proc. Jud não comprova” corresponde tanto a processo inexistente quanto a processo existente, mas que não prova a informação prestada na DCTF. Quanto à alegação de desnecessidade de autorização administrativa e trânsito em julgado para a compensação, a Recorrente teria razão caso houvesse uma decisão judicial, ainda que precária, autorizando o procedimento. A IN SRF 21/97 trazia o seguinte procedimento para o processamento da compensação: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. (...) Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) No caso em questão, à época das transmissões das declarações, a Recorrente não possuía autorização judicial expressa para realizar as compensações em questão, num claro descumprimento das normas legais e regulamentares para o processamento Fl. 253DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-000.834 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13977.000232/2003-23 da compensação. Não se trata de exigir o trânsito em julgado, conforme determina o artigo 170A do CTN, que veio ao mundo jurídico com a edição da Lei Complementar 104/2001, mas de qualquer decisão autorizando o feito. Como não havia, à época, qualquer decisão judicial que permitia a compensação, à Administração deveria seguir o disposto nas leis 8.383 e 9.430 e suas normas procedimentais. Também não procede a alegação de que seria desnecessário a comprovação da existência de liquidez e certeza do crédito. Trata-se de um imperativo do artigo 170 do CTN para a compensação. Acrescente-se, também, que a Recorrente teve conhecimento da infração que lhe foi imputada tanto que se defendeu, expressamente, dela em todas as fases recursais, impugnação e recurso voluntário, não configurando em qualquer cerceamento de seu direito de defesa, que ensejaria a nulidade. Portanto, entendo que o lançamento efetuado deve ser mantido pela inexistência de processo judicial que autorizasse a compensação efetuada à época. (grifado) Por todo o exposto, afasto as alegações de nulidade e cerceamento do direito de defesa e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
