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Numero do processo: 13808.005214/2001-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Na ausência de tais provas de fatos e direito, correto está o procedimento administrativo, fulcro na constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.972
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
José Raimundo Tosta dos Santos Presidente à Época da Formalização
Assinado Digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc
EDITADO EM: 28/10/2014
Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Na ausência de tais provas de fatos e direito, correto está o procedimento administrativo, fulcro na constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente José Raimundo Tosta dos Santos Presidente à Época da Formalização Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc EDITADO EM: 28/10/2014 Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI.
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É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Na ausência de tais provas de fatos e direito, correto está o procedimento administrativo, fulcro na constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente José Raimundo Tosta dos Santos – Presidente à Época da Formalização Assinado Digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator Ad Hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 52 14 /2 00 1- 18 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 EDITADO EM: 28/10/2014 Participaram da sessão de julgamento Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI. Relatório Contra MINORU IKEDO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/07, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 1998, anocalendário 1997, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), constatouse omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício, montante de R$ 21.025,20 (CNPJ 50.644.053/000113 Fundação E. J. Zerbini), constante em DIRF e não declarado. Cientificado, o recorrente não se insurgiu contra o lançamento, não contestando o aferimento dos rendimentos, informando ainda que fora um lapso de seu contador a não informação. Requer tão somente o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora, fls. 01. A DRJ em acórdão tombado sob o nº 10.025 3ª. Turma da DRJ/BRASÍLIADF, em sessão de julgamento datado de 18/07/2004, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 32/35. Cientificado, por AR em 13/12/2007, fls. 40v, o contribuinte apresentou, em 28/12/2007, recurso voluntário, fls. 43, onde repisa os argumentos elencados na impugnação, requerendo o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso apresentado é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, a alegação da parte quanto a não omissão de rendimentos no montante de R$ 21.025,20 não pode prosperar, haja vista que a mera argumentação de que a parte não declarou o rendimento percebido por falta técnica do Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.005214/200118 Acórdão n.º 2102001.972 S2C1T2 Fl. 3 3 contador, não tem resguardo na legislação pátria como motivação para o cancelamento do auto de infração. Fica claro no caso em tela que o contribuinte, não tinha conhecimento que poderia ter utilizardose do expediente da declaração retificadora, ato este que o exoneraria de um processo administrativo fiscal, e consequente aplicação de juros e multas. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, consequentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No que tange a aplicação de multa de ofício e juros e mora, assim está disposto no auto de lançamento: Multa de ofício enquadramento legal: artigo 44, inciso i, da lei 9.430/96 Juros de mora: artigo 84, i e parágrafos 1, 2 e 6 da lei 8.981/95, artigo 13 da lei 9.065/95, artigo 61, parágrafo 3 da lei 9.430/96. Correta está aplicação da multa de ofício, contudo, no que concerne a aplicação dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, apenas por questão de amor ao debate, cabe trazer a comento que esta matéria já vem a algum tempo sendo tratada no âmbito deste Conselho, existindo para a matéria três posicionamentos, quais sejam: não cabe a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados pela variação da taxa Selic; e devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Mas em análise do caso em comento, correta está à decisão da DRJ neste cerne, na qual transcrevo: “A multa de oficio de 75% tem como base o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e é exigida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, como é o caso dos autos. No que se refere à incidência dos juros de mora, a sua exigência no auto de infração está sendo efetuada na forma da lei. O Código Tributário Nacional outorgou à lei a faculdade de estipular os juros de mora aplicáveis sobre os créditos tributários não pagos no vencimento. O § 1° do art. 161 do CTN estabelece que os juros serão calculados à taxa de 1%, se outra não for fixada em lei. A partir de 1° de janeiro de 1996, os juros de mora passaram a refletir a variação da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, conforme o disposto nos arts. 84, I, da Lei n° 8.991/95, 13 da Lei 9.065/95 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, legislação que trata da exigência de juros de mora à taxa SELIC. Ademais, o procedimento administrativo de lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, cabendo à autoridade lançadora e revisora, Delegacia da Receita Federal de Julgamento, somente a aplicação da lei ao caso concreto. A exclusão de parte do crédito tributário corresponde à isenção, só passível de ser deferida mediante lei”. Portanto, mantémse a aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros de mora à taxa SELIC, nos termos das normas que regem a matéria”. Assim, nada a alterar a decisão exarada em sede de DRJ. ANTE O EXPOSTO, Voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. Sala das Sessões, em 18 de abril de 2012. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11613.720207/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 17/02/2012 a 25/05/2012
IMPORTAÇÃO. NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. ALÍQUOTA ZERO.
A importação de nafta para fins petroquímicos está sujeita à alíquota zero da CIDE.
Numero da decisão: 3201-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. ALÍQUOTA ZERO. A importação de nafta para fins petroquímicos está sujeita à alíquota zero da CIDE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 72 02 07 /2 01 2- 54 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 2 Trata o presente processo de exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Combustíveis) incidente sobre a importação de nafta petroquímica, abrangendo o tributo, multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor de R$ 77.956.334,54, conforme auto de infração anexado (fls.2/23) Fazendo valer o princípio da economia processual, relembrase que ora se considera aqui toda a íntegra do relatório apresentado naquela sessão de 25/03/2013, o qual consta às fls.685/707, de forma que em seguida se fará exposição mais objetiva contrapondo os argumentos essenciais apresentados pela fiscalização da Receita Federal e pelo contribuinte autuado, para maior esclarecimento do plenário com nova composição, posto que há julgadores que ora o compõem e não participaram da sessão na qual se decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Encontrase assim o estado do presente processo, que agora retornam os autos da diligência, instruído pela repartição de origem com as informações requeridas à ANP. A diligência fiscal solicitada à repartição fiscal de origem foi no sentido de obter da Agência Nacional de Petróleo (ANP) as informações e esclarecimentos requeridos nos termos da Resolução nº 11 1.861, de 25/03/2013, desta 6ª Turma da DRJ/REC. Adicionalmente foi solicitado à repartição fiscal de origem que acrescentasse outras informações e/ou documentos que entendesse serem relevantes para a solução da lide (ver inteiro teor do voto condutor da diligência às fls. 590/593), razão pela qual foi especialmente recomendado que a contribuinte interessada fosse cientificada da diligência, reabrindolhe o prazo legal para manifestação acerca das respostas colhidas junto à ANP e, querendo, que juntasse outros elementos documentais. O rol das questões endereçadas à ANP, postas na Resolução de diligência, converge para que se obtivesse dessa Agência reguladora os esclarecimentos e informações especificados sobre a aplicação da norma disposta no §4º do art.5º da Lei 10.336/2001 c/a redação dada pela Lei 10.833/2003, a qual determina a identificação dos hidrocarbonetos líquidos de que trata o §3º do mesmo artigo dessa Lei, “mediante marcação nos termos e condições estabelecidos pela ANP”. As respostas apresentadas pela ANP, que leio em sessão, foram encaminhadas à IRF/AratuCandeias/ BA (repartição fiscal de origem) por meio do Ofício nº 165/2003/GABANP, de 01/11/2013, para a instrução deste processo nº 11613.720052/201256, e também do processo conexo nº 11613.720207/201254, ambos constantes da pauta desta sessão de julgamento. Considerase neste ponto, por economia processual, como se aqui estivesse transcrito o texto integral das respostas apresentadas pela ANP, conforme consta anexado às fls. 724/726. Relembramse então, neste ponto, as razões essenciais que, segundo a descrição dos fatos, compõem o auto de infração, e serviram de base ao lançamento efetuado: Fl. 693DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720207/201254 Acórdão n.º 3201001.724 S3C2T1 Fl. 649 3 1. A Petrobrás importou nafta petroquímica, por meio das 12 DI especificadas às fls.21, sem efetuar o recolhimento da Cide Combustíveis incidente, sob a alegação de que o produto importado era destinado à CPQ Braskem para a produção petroquímica básica. 2. Embora seja a Braskem uma CPQ, segundo a fiscalização é sabido que essa empresa produz gasolina a partir da nafta, razão que considerou suficiente para afastar do caso concreto a aplicação da isenção da Cide Combustíveis prevista na Lei 10.336/2001, antes e depois da alteração trazida pela Lei 10.833/03. Por meio da IN SRF nº 422/2004, o poder executivo dispôs sobre a dispensa de pagamento da CideCombustíveis incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. 3. É ponto crucial para a concessão da isenção a comprovação da utilização da nafta petroquímica por central petroquímica, importada ou comercializada para a produção de produtos petroquímicos que não sejam os constantes do art. 3º da Lei nº 10.336/2001 e art. 2º da IN SRF nº 422/2004. 4. De acordo com o §6º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, mesmo quando o importador seja uma central petroquímica, mas não tenha como comprovar previamente a destinação da nafta importada na produção de produtos diferentes daqueles citados, operase a presunção legal prevista. Concluindose que somente central petroquímica é apta a comprovar a destinação da nafta para se valer da isenção, nos termos do art. 6º, I, da IN SRF nº 422/2004, e art. 5º, § 4º, da Lei nº 10.336/2001; 5. Importador ou comerciante que não seja uma CPQ, como a Petrobrás, não tem como comprovar previamente a destinação da nafta exigida para o fim da isenção. Para esses casos estabeleceuse no §5º do art.5º da Lei 10336/2001 a presunção legal de que a nafta foi utilizada na produção de gasolina, implicando na obrigação de pagamento da Cide. Tal presunção somente pode ser elidida se o contribuinte produzir prova em contrário. Ainda quando haja acordo/contrato entre a Petrobrás e a Braskem para utilização da nafta adquirida, por esta àquela empresa, para a produção petroquímica básica, tal ato não tem o condão de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos do CTN, art.123. 6. Para os casos em que não tendo sido possível comprovar previamente a destinação da nafta houve o recolhimento da Cide, mas posteriormente constatouse sua real utilização na produção petroquímica básica, a lei criou um mecanismo de compensação, previsto no art. 8ºA, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.336/2001, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003 e pela Lei nº 11.196/2005. Esse sistema compensatório visa à neutralidade do tributo, em face da proibição de tratamento desigual entre contribuintes, observandose o princípio da isonomia. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 4 7. Agindo apenas com base numa suposição da destinação da nafta importada para elaboração de produtos petroquímicos básicos, a autuada infringiu a norma em dois momentos, deixando de recolher a Cide na importação e na comercialização no mercado interno. Cientificado do lançamento em 10/09/2012 (fls. 12), a interessada protocolou tempestivamente sua impugnação, cujo inteiro teor está às fls.226/260, acompanhada dos documentos de fls. 261/493, onde são expostas as razões de defesa resumidamente apresentadas em seguida: 1. O auto de infração quer negar à autuada o direito à dispensa do pagamento da Cide Combustíveis incidente sobre a nafta petroquímica, importada ou comercializada, pela aplicação da alíquota zero, conforme disposto no §3º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, c/c o art. 1º do Decreto nº 4.940/2003; 2. Em sua redação original a Lei nº 10.336/2001 instituiu norma isentiva na importação e comercialização de nafta petroquímica, apontando como contribuintes do novo tributo (Cide Combustíveis), o produtor, o formulador e o importador dos combustíveis líquidos elencados no art. 3º, sendo que, nos parágrafos 5º e 6º, estabeleceu a responsabilidade da central petroquímica pelo recolhimento do tributo. 3. Essa isenção foi instituída de forma objetiva, visando o produto nafta, destinada ao setor petroquímico. Mas, é equivocada a alegação de somente uma a central petroquímica poderia comprovar a destinação da nafta para se valer da isenção, pois isso tornaria a central petroquímica única destinatária da norma contida no §4º do art.5º da Lei nº10.336/2001, descaracterizando a isenção concebida historicamente com caráter objetivo em subjetiva (ou pessoal) 4. Contudo, com a entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, foi alterada a redação original da Lei 10.336/2001, sendo expressamente revogados os §§ 4º e 5º do art. 5º que tratava da isenção, sendo instituída nova disciplina regida pela nova redação atribuída ao §3º do art.5º, de modo que a presunção legal antes prevista foi abolida. Mais uma vez o legislador se posicionou de forma objetiva, prevendo a possibilidade de dispensa do pagamento da Cide incidente sobre correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel (o que é o caso da nafta petroquímica importada ou comercializada). Com a publicação da Lei nº 10.833/2003, foi expedido o Decreto nº 4.940/03, que reduziu a zero a alíquota da Cide relativa às correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, dentre eles a nafta petroquímica e, assim, sobre a importação e comercialização dos produtos importados e revendidos pela impugnante continua não sendo exigida a Cide Combustíveis. A Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF nº 422/2004, revogando a IN SRF nº107/2001, cujo art. 6º ignorou as modificações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, tratando Fl. 695DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720207/201254 Acórdão n.º 3201001.724 S3C2T1 Fl. 650 5 como isenção a previsão de dispensa do pagamento da Cide, consubstanciada na instituição de alíquota zero, o que é inadmissível, dado que a isenção somente pode derivar de lei stricto sensu. O citado ato normativo estabeleceu a presunção de que, diante da falta de comprovação da destinação da nafta, esta teria sido empregada na produção de gasolina ou diesel, regra inaplicável, pois revogada pela Lei nº 10.833/2003, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. 5. No caso, só poderia ser desqualificada a dispensa de pagamento (pela aplicação da alíquota zero) caso, em momento subsequente, fosse comprovado que a nafta não foi utilizada na produção petroquímica, e somente nesse momento se tornaria exigível o crédito tributário, do contribuinte ou do responsável definido em lei, dependendo da aferição daquele que houvesse praticado o eventual desvio da destinação da nafta petroquímica. 6. Após a importação, o produto foi devidamente destinado a uma central petroquímica (Braskem), emitindose as competentes notas fiscais de venda com a ressalva da destinação a ser dada ao produto, aperfeiçoandose a condição resolutiva. 7. É um equívoco pressupor que o benefício fiscal somente possa ser fruído por central petroquímica que importe diretamente a nafta destinada à produção petroquímica básica. Equivocado supor que a isenção, antes prevista, ou a redução a zero da alíquota, vigente a partir da Lei 10.833/03, somente se aplique às operações em que o próprio importador ou adquirente empregue a mercadoria para concretizar a destinação prevista em lei, porquanto a legislação não impõe tal exigência. Por outro lado, seria condenar as centrais petroquímicas a se tornarem necessariamente importadoras para poder usufruir do benefício. Este, contudo, foi concebido de forma objetiva, direcionado, no caso, ao produto nafta petroquímica a ser utilizado na produção petroquímica básica. 8. Tanto para a Petrobrás, na condição de importadora, quanto para a Braskem, na qualidade de adquirente destinatária da nafta importada, seria impossível fazer a comprovação prévia de acontecimento futuro, não se podendo antecipadamente provar se a nafta importada será efetivamente utilizada em momento futuro na elaboração de produtos petroquímicos. A tese da acusação fiscal, de que a lei exigiria comprovação prévia do destino efetivo da nafta torna improfícua tanto a antiga norma isentiva quanto a nova previsão legal de redução da alíquota a zero. 9. A prova cabível de destinação da nafta importada por uma empresa que não seja CPQ, conforme requerido pela legislação regente, se encontra nos termos da Resolução ANP 32/2001, art.11 (transcrita na impugnação). No Doc 05 anexo está o contrato de compra e venda firmado entre a Petrobrás e a Braskem previamente às importações consideradas. No esforço de complementar a comprovação requerida, a autuada, ora Fl. 696DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 6 impugnante anexou como Doc 06 declaração expressa, obtida da destinatária da nafta importada (Braskem), no sentido de que utilizou na produção petroquímica a nafta adquirida da Petrobrás, estando a ora impugnante acobertada pela regra de que trata o art.5º, §3º, da Lei 10.336/2001 c/c o art. 1º do decreto 4.940/2003. 10. Depois da revogação expressa da norma que, antes do advento da Lei 10.833/03, estabelecia presunção legal de que na falta de comprovação prévia de seu destino a nafta fora utilizada na produção de gasolina ou diesel, exigese da autoridade fiscalizadora que demonstre a ocorrência de desvio da destinação da nafta importada ou comercializada. No caso nenhuma demonstração foi produzida e a presunção legal evocada já fora revogada. Portanto, inexiste base legal para o lançamento efetuado, devendo ser cancelado por improcedente. 11. Por fim, também é equivocada a interpretação dada pela fiscalização ao art. 8 A inserido na Lei nº 10.336/2001, pela Lei nº 10.833/03. Explicase esse dispositivo pela possibilidade de hidrocarbonetos líquidos importados ou comercializados poderem ser alternativamente utilizados, seja na formulação de combustíveis, hipótese em que deverão ser tributados com alíquota positiva da Cide, seja para serem destinados à produção petroquímica, situação em que são tributados com a alíquota zero, conforme ocorre no caso concreto, onde ficou demonstrado documentalmente de que a nafta importada foi toda destinada à produção petroquímica básica na CPQ Braskem. A hipótese de compensação ocorre, por exemplo, quando, na hipótese de produto importado ou comercializado para formulação de combustíveis, tendo naturalmente incidido alíquota positiva da Cide e havendo recolhimento do tributo, por alguma razão os hidrocarbonetos líquidos acabem não sendo destinados à formulação de combustíveis, possibilitandose, então, tratamento isonômico com os que foram adquiridos com destinação diversa da formulação de gasolina ou diesel. 12. Por hipótese, se a Braskem eventualmente houvesse utilizado a nafta adquirida da Petrobrás para fins diversos daqueles previstos no contrato que especifica a destinação, decorreria para ela (Braskem) a responsabilidade pelo recolhimento da Cide Combustíveis, e não é assim por causa da mera convenção entre as partes, mas por força do disposto no art.128 do CTN. A responsabilidade do tributo, por interpretação analógica, e conforme norma inserida no art.10 da Lei nº 10.336/2001, deve recair sobre aquele que alterar a destinação do produto adquirido, no caso a Central Petroquímica. 13. Consoante o disposto no art. 5º, LV, da Constituição Federal, não se pode negar à impugnante a produção de prova pericial contábil, se o órgão julgador entender necessária para demonstrar, em definitivo, que a nafta importada foi vendida à Braskem e, ainda, confirmar a relação das importações realizadas e as notas fiscais de venda à Braskem, onde consta a indicação do destino da nafta, indicandose, para esse fim, o perito, seu endereço sua qualificação profissional e os quesitos. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720207/201254 Acórdão n.º 3201001.724 S3C2T1 Fl. 651 7 14. Requer, ainda, a expedição de ofício à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que preste os esclarecimentos necessários, no sentido de comprovar que a Braskem consiste numa central petroquímica e não produz gasolina ou diesel, não se enquadrando no conceito de formulador nem estando autorizada pela ANP a realizar tal atividade. 15. Se não acatadas sua razões, o que admite para argumentar, deve ser considerado o ADI nº 13/2002 da Receita Federal, que conforme CTN, art.100, I, e art. 108, impõese a exclusão da multa de ofício, que se encontra a autuada em situação idêntica a do contribuinte que, agindo de boafé, invoque equivocadamente benefício fiscal por ocasião do despacho aduaneiro, deixando naquele momento de recolher imposto de importação. Assim, acaso se entenda devido o tributo e os juros, o que se admite apenas por hipótese eventual, que seja excluída a multa de ofício. Nesses termos a interessada, ora impugnante, apresentou sua contestação. O relator deste processo nessa DRJ/REC fez a juntada dos documentos de fls. 496/556, consistindo em três documentos referidos ao processo administrativo nº 11613.000185/200826, onde figura como parte interessada a mesma ora Impugnante, e trata de matéria idêntica, consistindo respectivamente em: (a) acórdão proferido pela DRJ/FOR nº 0816.069, de 31/08/2009 (fls.496/529), (b) acórdãos proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 26/06/2012 (fls.530/554), (c) uma relação representativa do andamento do Processo nº 11613.000185/200826 , obtida via internet, no sítio eletrônico do CARF, que atesta não apenas o seu trâmite no CARF, como também sua situação naquela data (fls.555/556), (d) acórdão proferido pela DRJ/FOR nº 0821.832, de 22/09/2011 (fls.557/576), e (e) Resolução ANP nº 3/2011 (fls.729/735). Relembrase que em face da transferência de competência determinada pela Portaria nº 2.432/2012 este processo foi encaminhado da DRJ/FOR para esta DRJ/REC, para julgamento. Sobreveio decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou, por unanimidade de votos, procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 17/02/2012 a 25/05/2012 CIDE COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO. NAFTA PETROQUÍMICA. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 8 O Chefe do Poder Executivo federal, mediante autorização legal, estabeleceu em Decreto a redução a zero da alíquota da Cide Combustíveis incidente sobre a nafta petroquímica importada ou comercializada, estabelecendo benefício fiscal aplicado àquele insumo destinado à produção petroquímica básica. PRESUNÇÃO SEM BASE LEGAL. NÃO CARACTERIZADO DESVIO DE FINALIDADE. Desde a revogação do §5º do art.5º da Lei 10.336/2001, pela Lei 10.833 de 2003, carece de amparo legal a mera presunção de desvio de finalidade da nafta petroquímica. Não há nenhuma evidência do desvio de finalidade apenas suposto. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para reexame necessário desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata o auto de infração da exigência de CIDECombustíveis incidente sobre a importação de nafta petroquímica, produto este declarado pela recorrente como destinado a revenda à central petroquímica Braskem para a produção petroquímica básica. A fiscalização entendeu que esta importação não estaria abarcada pela isenção da citada contribuição devido a não ter sido comprovado que o produto não teria sido destinado à formulação de gasolina ou diesel. A autoridade fiscal utiliza como fundamento legal para este procedimento os parágrafos 4º, 5º e 6º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, conforme explicitado no auto de infração nestes termos: [...] 4. De acordo com o §6º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, mesmo quando o importador seja uma central petroquímica, mas não tenha como comprovar previamente a destinação da nafta importada na produção de produtos diferentes daqueles citados, operase a presunção legal prevista. Concluindose que somente central petroquímica é apta a comprovar a destinação da nafta para se valer da isenção, nos termos do art. 6º, I, da IN SRF nº 422/2004, e art. 5º, § 4º, da Lei nº 10.336/2001; 5. Importador ou comerciante que não seja uma CPQ, como a Petrobrás, não tem como comprovar previamente a destinação da nafta exigida para o fim da isenção. Para esses casos estabeleceuse no §5º do art.5º da Lei 10336/2001 a presunção legal de que a nafta foi utilizada na produção de gasolina, implicando na obrigação de pagamento da Cide. Tal presunção somente pode ser elidida se o contribuinte produzir prova em Fl. 699DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720207/201254 Acórdão n.º 3201001.724 S3C2T1 Fl. 652 9 contrário. Ainda quando haja acordo/contrato entre a Petrobrás e a Braskem para utilização da nafta adquirida, por esta àquela empresa, para a produção petroquímica básica, tal ato não tem o condão de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos do CTN, art.123. [...] (grifo nosso) Constatase que o auto de infração tem por objeto importações efetuadas entre 17/02/2012 e 25/05/2012. Verificase, de pronto, que à época da ocorrência dos fatos geradores objeto deste processo a citada Lei nº 10.336/2001 vigia com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, que revogou os parágrafos 5º e 6º do art.5º desta Lei, bem como modificou o seu parágrafo 4º. Interessante, neste ponto, reproduzirse os dispositivos da Lei nº 10.336/2001 que dizem respeito a este lançamento, realçando as alterações promovidas pelo legislador: Art.1º. Fica instituída a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados... (CIDE) a que se refere os arts. 149 e 177 da Constituição ... [...] Art.2º. São contribuintes da CIDE o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art.3º. [...] Art.3º. A CIDE tem como fatos geradores as operações, ... , de importação e comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II – diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV – óleos combustíveis (fuel oil) ; V – gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI – álcool etílico combustível. [...] Art.5º. A CIDE terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas: (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) [...] §1º. Para efeito dos incisos I e II deste artigo, consideramse correntes os hidrocarbonetos líquidos derivados de petróleo e os Fl. 700DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 10 hidrocarbonetos líquidos derivados de gás natural utilizados em mistura mecânica para a produção de gasolina ou diesel, de conformidade com as normas estabelecidas pela ANP. (Grifos nossos). [...] § 3º. As correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à produção ou formulação de gasolinas ou diesel serão identificadas mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. §3º. O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da CIDE incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). §4º. Fica isenta da Cide a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. § 4º. Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3o serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §5º. Presumese como destinada à produção de gasolina a nafta adquirida ou importada, na forma do §4º, cuja utilização na elaboração do produto ali referida não seja comprovada. (Revogado pela Lei 10.833, de 2003) §6º. Na hipótese do §5º a Cide incidente sobre a nafta será devida na data de sua aquisição ou importação, pela central petroquímica. (Revogado pela Lei 10.833, de 2003). (grifo nosso) Constatase, desta forma, que a isenção a que se refere o auto de infração foi revogada, passando a dispensa do pagamento da CIDE incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel a ser definida pelo Poder Executivo. Foi revogada, ainda, a presunção prevista nos §§ 5º e 6º do artigo 5º desta lei, adotada pela fiscalização para consubstanciar o lançamento. O Poder Executivo, em atenção aos dispositivos acima citados, efetivamente dispensou o pagamento da CIDE, utilizando para tanto o Decreto nº 4.940, de 29/12/2003, que em seu artigo 1º assim dispõe: Art. 1º. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: Fl. 701DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720207/201254 Acórdão n.º 3201001.724 S3C2T1 Fl. 653 11 Código NCM PRODUTO 2710.11.41 [...] Nafta petroquímica [...] Em sendo estes os dispositivos legais atinentes a matéria, resta claro que a fiscalização utilizou como base legal para o lançamento tributário legislação já revogada, seja em relação à presunção adotada, seja em relação ao benefício fiscal desconsiderado, posto não se tratar mais de isenção, mais sim de aplicação de alíquota zero. Mostrase necessário, portanto, verificar a lide à luz da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos que ensejaram o auto de infração, que determinava a adoção da alíquota zero para a CIDECombustíveis em relação à importação de nafta petroquímica não destinada à formulação de gasolina ou diesel. Para tanto, alguns fatos trazidos aos autos merecem ser realçados. Em procedimento de diligência fiscal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirma que “[...] Não há registro na ANP de procedimento irregular da Braskem (Bahia) relacionado a desvio de nafta, originalmente importada para a formulação de petroquímicos básicos, para utilização na formulação de combustíveis. [...]”. Verificase ainda que a importação deste produto encontrase sujeita licenciamento prévio (LI não automática), exigindose anuência da ANP. O procedimento encontrase regulamentado pela Portaria ANP nº 32/2000, da qual extraise os principais dispositivos relacionados ao presente processo: Art.1º. Fica sujeito à prévia e expressa autorização da ANP a importação de nafta petroquímica. Parágrafo único. Somente será autorizada a importação de nafta petroquímica que seja destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo de Central de matériaPrima petroquímica. [...] Art.11. Quando a importação não for realizada diretamente por uma CPQ, o importador deverá instruir a solicitação de anuência prévia para cada carga ou a solicitação de autorização para uma programação semestral, com o pedido de aquisição da nafta petroquímica firmado entre o mesmo e uma CPQ (grifo nosso). Verificase que o pedido foi instruído com Contrato de Compra e Venda de Nafta Petroquímica entre a Petrobrás S/A e a Braskem S/A, bem como que a LI foi concedida. A autoridade fiscal, como já salientado, para comprovar que o produto importado foi utilizado na produção de combustíveis utilizase de uma presunção legal já revogada à época dos fatos geradores, não trazendo aos autos nenhuma outra informação capaz de demonstrar sua alegação. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 12 Ao contrário, constam dos autos diversos elementos que conduzem à conclusão de que o produto importado, de fato, não foi destinado à formulação de gasolina ou diesel, adequandose ao benefício legal da alíquota zero para a CIDECombustíveis. Desta forma, com base nas provas presentes neste processo, mostrase correta a decisão recorrida, devendo ser cancelado o presente lançamento fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 703DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 10880.902552/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 55 2/ 20 11 -1 9 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 888 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte indica direito creditório relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2002, visando extinguir débitos de sua titularidade. Por meio de Despacho Decisório (fls. 02), a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO) não reconheceu o direito creditório pleiteado, em virtude de ter desconsiderado as retenções de imposto que compunham o referido crédito, haja vista que não foi confirmada a tributação das receitas correspondentes. Inconformada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 357/372), cujo teor transcrevo do que foi consignado no relatório do ato decisório de primeiro grau. Que sendo contribuinte do IRPJ, optante pelo regime de lucro real anual, com determinação do imposto de renda devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, transmitiu DCOMP visando aproveitar o saldo negativo de IRPJ, relativo ao Exercício 2003 AC 2002, no valor total de R$ 4.207.886,88. Que o despacho decisório é nulo, pois padece de vícios de forma impeditivos do pleno exercício pela Requerente de seu direito de defesa, tornando inepto para o fim colimado, pois: a) não capitulou o dispositivo legal que teria sido infringido pela Requerente e, portanto, dado azo à negativa de homologação da compensação efetuada; b) deixou de descrever adequadamente o circunstancial da falta eventualmente cometida pela Requerente, motivo o qual teria dado causa à negativa de homologação das compensações efetuadas, bem como o circunstancial do fato gerador da obrigação tributária imputada à Requerente; c) não forneceu o memorial de cálculo de atualização da dívida, com índices aplicados e demais adicionais incidentes sobre o montante do principal da dívida, além de outras inobservâncias da forma prescrita em lei, bem como não capitulou a base legal que trata dos acréscimos legais incidentes sobre o principal do supostamente devido débito fiscal. Que os requisitos de forma dos atos administrativos e instrumentos de constituição e cobrança de créditos tributários, prescritos nos artigos 142 do CTN e 59 do Decreto nº 70.235/1972 não foram observados. Que o agente exator furtouse de capitular a legislação tributária aplicável, fundamento da negativa de homologação dos créditos compensados, bem como a respectiva imposição tributária. Tampouco circunstanciou adequadamente a não homologação da compensação efetuada ou a ocorrência do alegado fato gerador da obrigação tributária em sede de relatório fiscal da notificação de indeferimento de homologação e de constituição de crédito tributário ora vergastada, sendo certo ser possível afirmarse que o Despacho Decisório ora combatido apresentase absolutamente imotivado. Que conforme depreendese do corpo do Despacho Decisório, item 3 "Fundamentação, decisão e enquadramento legal", não há qualquer menção ao Fl. 888DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 889 3 circunstancial e/ou justificativa detalhada que fundamente a negativa de homologação da compensação efetuada pela Requerente, tampouco capitulação quanto aos artigos da legislação fiscal aplicável por ela supostamente infringidos. Que esse defeito de forma eiva de nulidade o Despacho Decisório, bem como o lançamento tributário para os fins colimados, uma vez a própria legislação aplicável à espécie determina que qualquer decisão administrativa capaz de preterir o direito de defesa do contribuinte, deve ser de ofício anulada, conforme acima. Transcreve em sua defesa os Acórdãos nºs 10195828 do Processo 10805.002.312/200135, CARF, Primeiro Conselho de Contribuintes. 1a Câmara. Turma Ordinário, julgamento em 20/10/2006, Acórdão n° 30335559 do Processo 11831.001.815/200210, CARF, Terceiro Conselho de Contribuintes. 3a Câmara. Turma Ordinária, julgamento em 13/08/2008, e Acórdão n° 10321985 do Processo 13808.001.391/9940, CARF, Primeiro Conselho de Contribuintes. 3a Câmara. Turma Ordinária, julgamento em 15/06/2005). Adita, ademais, que: (...) o circunstancial da negativa de homologação da compensação efetuada pela Requerente, bem como a ocorrência do fato gerador da obrigação fiscal em apreço não foi adequadamente declinado pelo agente fiscal no instrumento de Despacho Decisório. O histórico por ele fornecido, bem como a materialidade da infração tributária supostamente cometida pela Requerente, são insuficientes para extrairse a inteligência do juízo de valor utilizado pela autoridade fazendária federal para negar o crédito utilizado pela Requerente em compensação, bem como exigir suposto débito fiscal conforme a presente demanda, mormente quando deficiente a capitulação do dispositivo legal pertinente. De fato, para que se cumpra o mandamento contido no art. 142 do Código Tributário Nacional, bem como o disposto no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, não é suficiente alegar que o débito constante do Despacho Decisório supracitado se refere a IRPJ e CSLL, face a suposta não comprovação de recolhimento dessa exação por desconstituição do crédito então alegado pela Requerente, sem, ao menos, informar os motivos e os fatos geradores do tributo que ora se exige na presente demanda. Ainda, há de se destacar que no demonstrativo do débito conforme constante do já citado item 3 do Despacho Decisório não há descrição minuciosa da metodologia de cálculo utilizada para acrescer o montante do débito exigido com atualização monetária e juros de mora. Com efeito, não foram indicados o período compreensão tão pouco os fatos geradores da exação, elementos essenciais à aferição da exatidão do montante exigido pela autoridade fiscal federal sobre essa rubrica já que constituem informação indispensável à formação da base de cálculo dos acréscimos legais incidentes. Ainda, também não foram capitulados nesse demonstrativo ou no próprio corpo do despacho Decisório, a base legal ensejadora da multa de mora e juros de mora incidentes. Nesse sentido, resta evidente o cerceamento de defesa da Requerente, já que a esta não lhe foi permitido conferir a exatidão dos valores lançados a título de juros de mora e multa de mora (acréscimos legais), o que eiva de nulidade o ato administrativo ora atacado Cita decisão da Secretaria da Fazenda da Bahia decisão n° 09103732/00 (ementa à fl. 362), na qual se destaca que “...de acordo com a Súmula CONSEF nº 1, é nulo o Fl. 889DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 890 4 procedimento fiscal que não contenha, de forma clara e compreensiva, a demonstração da base de cálculo e o método aplicado para a apuração do tributo”. E ao fim de sua exposição preliminar peticiona que: Diante de todo o exposto, tendo em vista (i) a falta de capitulação do dispositivo legal supostamente violado ou mesmo indicação clara e fundamentada dos motivos de indeferimento da compensação efetuada; (ii) a falta de descrição minuciosa do circunstancial que deu ensejo à negativa de compensação conforme perpetrada pela Requerente e do débito tributário conseqüentemente exigido; (iii) a falta de capitulação legal dos dispositivos embasadores da incidência de acréscimos legais sobre o montante do débito tributário supostamente devido; (iv) a falta de demonstração clara da base de cálculo e metodologia de cálculo do juros de mora e multa de mora, resta evidente que o Despacho Decisório deve ser cancelado já que eivado de nulidade insanável, sendo certo que o eventual não acolhimento da presente preliminar representa violento desrespeito ao direito de defesa da Requerente, em total afronta ao princípio constitucional da ampla defesa. No mérito, defende a existência do crédito tributário e da necessidade de homologação da compensação conforme efetuada, nos seguintes termos: A empresa é uma sociedade por ações de capital fechado que tem por objetivo a geração e comercialização de energia elétrica produzida na usina Hidrelétrica Guaporé, localizada nos municípios de Vale de São Domingos e Pontes e Lacerda, no Estado do Mato grosso, nos termos do contrato de Concessão de Geração n° 15/2000 ANEEL, estando autorizada a operar como concessionária de uso do bem público na produção e comercialização de energia elétrica na condição de produtora independente de energia. O início das operações comerciais da Usina de Guaporé ocorreu somente em 8 de abril de 2003 com a entrada em funcionamento da primeira turbina, sendo que sua atividade plena se deu somente em junho daquele mesmo ano. Nesse sentido, depreendese que a Requerente, durante o anocalendário de 2002, permaneceu em fase préoperacional. Esse fato acabou refletido em sua contabilidade e DIPJ, de modo que, em atendimento às normas brasileiras de contabilidade então vigentes, a totalidade das despesas préoperacionais, receitas e despesas financeiras ou de outra natureza incorridas e/ou auferidas nesse período foram concentradas em grupo de contas específico, i.e., Ativo Diferido. Nesse particular, esclareçase que o Ativo Diferido caracterizavase por evidenciar os recursos aplicados na realização de despesas que, por contribuírem para a formação do resultado de mais de um exercício social futuro, somente eram apropriadas às contas de resultado à medida e na proporção em que essa contribuição influenciasse a geração do resultado de cada exercício. Com efeito, consoante o disposto no inciso V do artigo 179 da Lei n° 6.404/76, vigente até 3 de dezembro de 2008, eram classificados no ativo diferido "as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais". Além das despesas efetivadas pela empresa na fase préoperacional ou na expansão eram também registrados no grupo do Ativo Diferido os resultados eventuais obtidos nessa fase e que eram utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento Fl. 890DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 891 5 em andamento, como por exemplo, venda de bens do ativo permanente e/ou receitas financeiras auferidas de recursos ainda não aplicados. Assim, se a empresa obtivesse receitas financeiras, deveria considerar essas receitas como dedução das despesas financeiras lançadas no próprio Ativo Diferido e, se ultrapassarem esse valor, deveria deduzilas das outras despesas préoperacionais, mediante registro em uma conta específica à parte, como redução das despesas préoperacionais. Nesse sentido, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI, verbis: "Faz parte do Ativo Diferido qualquer resultado eventual obtido com uso de ativos, associados ao empreendimento em fase préoperacional. Por exemplo, se a empresa aplica seus recursos financeiros ainda não utilizados e obtém receitas financeiras (ou de variações cambiárias), deve considerar essas receitas como dedução das despesas financeiras lançadas no próprio diferido; se suplantálas, deve deduzilas das outras despesas operacionais". Do exposto acima depreendese que, caso as despesas préoperacionais e despesas financeiras excedessem ao montante de receitas financeiras auferidas no período, não haveria lucro tributável no período cabendo, no tocante ao tributo eventualmente já pago por conta de diferente sistemática de cobrança, e.g. recolhimento de imposto de renda na fonte, restituição ou compensação de crédito. A Manifestante evoca Soluções de Consulta da RFB e Acórdãos das Delegacias da Receita Federal do Brasil, e do CARF em apoio à sua tese de que estaria correto o seu procedimento, à luz da legislação aplicável e com total respaldo no entendimento da própria RFB ("sendo as despesas financeiras maiores que as receitas financeiras, e tendo sido declaradas no ativo diferido, na existência de saldo negativo de IRPJ, apurado em decorrência do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB"), razão pela qual a Requerente passou automaticamente a creditarse do saldo negativo de IRPJ apurado em decorrência do IRRF incidente sobre aquelas aplicações financeiras, no total de R$ 4.207.886,88 (quatro milhões, duzentos e sete mil, oitocentos e oitenta e seis reais e oitenta e oito centavos), conforme comprovado pelos informes de rendimentos disponibilizados pelas respectivas instituições financeiras (doc. 05), mesmo que estas receitas não transitem em conta de resultado e, portanto, não componham base de cálculo do IRPJ e CSLL. A Manifestante agrega que promoveu o encontro de contas das receitas financeiras, despesas financeiras e outras préoperacionais em grupos de contas Ativo Diferido (“custos a distribuir”), resultando que as últimas, no total de R$34.732.562,55, superaram em muito as receitas financeiras auferidas no período, no total de R$22.221.563,14, conforme resta comprovado em planilha anexa (doc. 03) bem como nas folhas do livro razão da Requerente para as citadas contas durante aquele período (doc.03). Argúi, outrossim, que a análise dos documentos juntados aos autos deixaria claro que somente as despesas financeiras incorridas pela Recorrente no período, seriam no valor total de R$30.838.241,72. Ademais, alega que o seu procedimento vem atender as normas brasileiras de contabilidade e a existência do Ativo Diferido. A ativação dos dispêndios (custos e despesas) incorridas na fase préoperacional, não altera sua natureza, já que efetuados antes em período anterior à sua atividade econômica, o que impossibilita o trânsito de eventuais receitas auferidas por contas de resultado da contribuinte. Não há como exigir legalmente da contribuinte incluir as receitas financeiras em algumas fichas da DIPJ e que, portanto, teria deixado de comprovar o oferecimento à tributação dessas receitas. Ademais, argumenta que as despesas financeiras ultrapassariam as receitas financeiras Fl. 891DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 892 6 em mais de R$ 8 milhões auferidas no período. Mesmo que as receitas financeiras fossem oferecidas à “tributação” como entende a RFB, ainda assim seria constituída a base negativa de IRPJ, sem a respectiva tributação pelo IRPJ ou CSLL, de qualquer forma. Argúi, a Manifestante, outrossim, que não poderia ser punida por eventual erro formal, ocorrido do ponto de vista da RFB, quando, in casu, não verificado prejuízo ao Erário Público. A Defendente, (a) seguir alega que teria promovido ao tempestivo recolhimento do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras correspondentes, e resumindo suas alegações de MÉRITO, apresenta suas conclusões gerais: De todo o exposto, à luz dos precedentes administrativos e jurisprudenciais sobre o tema e do fato de que (i) durante o anocalendário de 2002 a Requerente estava em fase préoperacional e as despesas e receitas financeiras por ela incorridas e auferida não poderiam transitar por contas de resultado da contribuinte, já que o encontro dessas contas se daria dentro do grupo Ativo Diferido; (ii) mesmo que a Requerente devesse ter transitado respectivas receitas e despesas financeiras por contas de resultado e, conseqüentemente, reconhecêlas nas respectivas fichas de sua DIPJ 2003, portanto oferecendo tais receitas à tributação, o não cumprimento dessa obrigação é mero erro formal, incapaz de desconstituir o direito de compensação de créditos e débitos tributários, conforme pleiteado, bem como não causou qualquer dano ao erário já que as despesas financeiras e/ou financeiras e préoperacionais superaram em muito as receitas financeiras auferidas pela Requerente no período, sendo certo que não haveria base para tributação pelo IRPJ e CSLL, tãosomente de PIS e COFINS, o que ao final o foi, conforme comprovado; (iii) restou inequívoca e devidamente comprovada a formação do crédito tributário, tendo em vista que houve retenção de IR na fonte sobre as aplicações financeiras da Requerente, resta evidente que a não homologação da compensação efetuada pela Requerente é manifestamente ilegal e por isso não pode prosperar. Ao final, de sua manifestação peticiona que seja: (i) anulado o r. despacho decisório por total falta de fundamentação e em absoluta afronta ao disposto no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, ou, (ii) reformado o r. despacho decisório, para que seja reconhecido o direito creditório da Requerente contra a Fazenda Nacional no montante total de R$4.207.886,88 (quatro milhões, duzentos e sete mil, oitocentos e oitenta e seis reais e oitenta e oito centavos), homologandose a compensação efetuada conforme DCOMP relacionada na epígrafe e cancelandose, em conseqüência, as exigências fiscais concernentes ao débito fiscal supostamente devido. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 1637.570, de 12 de abril de 2012, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 893 7 Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. DCOMP. IRPJ. SALDO NEGATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. FASE PRÉOPERACIONAL. TRIBUTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. DESPESAS PRÉ OPERACIONAIS. DIFERIMENTO. POSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido. Na existência de saldo negativo de IRPJ decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas préoperacionais, tal valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma da legislação pertinente. Há nesse caso, a necessidade de proceder a controles contábeis e fiscais específicos dadas as particularidades da operação, suficientes a garantir a correta apuração do tributo, ano a ano, como determinam as normas contábeis e fiscais. DCOMP. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA. O crédito oferecido à compensação com débitos confessados pela empresa que envia uma declaração de compensação deve estar revestido das condições de liquidez e certeza. É ônus do contribuinte a demonstração e comprovação dos valores pleiteados, na forma dos procedimentos de compensação previstos na legislação federal. Ausente a comprovação dessas condições, não se homologam as compensações declaradas pelo contribuinte. Às fls. 497/524, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 09 de outubro de 2012, em que a contribuinte sustenta: a nulidade do despacho decisório em virtude da ausência de motivação e, por decorrência, por cercear o direito de defesa; a nulidade do despacho decisório em razão da falta de aprofundamento da investigação dos fatos (não observância do princípio da verdade material); a existência do direito creditório e a necessidade de homologação da compensação; a não interferência de erro formal no preenchimento da DIPJ no direito creditório pleiteado (necessidade de observância do princípio da verdade material). É o Relatório. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 894 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte indica direito creditório relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2002, visando extinguir débitos de sua titularidade. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), por meio do despacho decisório de fls. 02/04, indeferiu a solicitação de compensação com base no argumento de que as receitas que serviram de base para o imposto incidente na fonte que constituiu o crédito apontado para o encontro de contas não foram oferecidas à tributação. A Turma Julgadora de primeira instância, rejeitando as preliminares suscitadas, decidiu, de igual modo, pelo indeferimento das solicitações veiculadas por meio da Manifestação de Inconformidade apresentada. Para tanto, serviuse, em apertada síntese, dos seguintes fundamentos: i) a contribuinte, ao se defender no mérito, demonstrou compreender as razões de indeferimento, no tocante ao saldo negativo, não cabendo falar em cerceamento do direito de defesa; ii) a dedução do IRRF do imposto de renda devido tem como pressuposto que as correspondentes receitas integrem a apuração do lucro real em 31 de dezembro do ano calendário; iii) a jurisprudência administrativa, em regra, só possui efeito sobre o litígio instaurado nos autos em que é proferida a decisão, fora exceções expressas (súmulas vinculantes do CARF), o que não é o caso dos autos; iv) as soluções de consulta, conforme se depreende do art. 89 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamentou, dentre outros, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, também não atende a terceiros estranhos ao pedido; v) da leitura do inciso V do art. 179 da Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos, ano calendário de 2002, constatase que a norma trata de aplicação de recursos em despesas, e não de receitas; vi) a discrepância entre o valor relativo ao resultado líquido pré operacional constante da declaração de informações e o registrado na planilha demonstrativa trazida em sede de defesa ((R$186.068,18 X R$12.510.999,41), não tem qualquer justificativa plausível; vii) além da discrepância acima mencionada, não foram carreadas aos autos cópias dos livros contábeis e fiscais que embasaram as alegações, bem como os documentos e comprovantes de suporte, mas, tão somente, a planilha e os relatórios emitidos em 15 de março de 2011; Fl. 894DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.902552/201119 Resolução nº 1301000.211 S1C3T1 Fl. 895 9 viii) a manifestação de inconformidade carece até mesmo de elementos que demonstrem a efetiva data de início das atividades da contribuinte; xix) os documentos de fls. 382/397, denominados “balancetes”, e que embasariam a planilha antes citada, não fazem prova dos dados deles constantes; e x) apesar de a empresa ter a possibilidade fazer o diferimento, o que foi carreado aos autos, somado ao informado na linha 45 da DIPJ/2003, não comprova que a empresa teria direito ao crédito pleiteado. Em sede de recurso, a contribuinte basicamente reitera a argumentação expendida na Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada. Por entender que o processo não se encontra em condições de ser apreciado, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem promova as seguintes averiguações: A) confirme que, de fato, a contribuinte encontravase em fase préoperacional no anocalendário de 20021; B) confirmada a fase préoperacional no ano de 2002, verifique, por meio da análise dos assentamentos contábeis da contribuinte, se o saldo líquido das receitas e despesas financeiras foi confrontado com as demais despesas de mesma natureza (préoperacionais); e C) verifique se o saldo negativo indicado para compensação tributária efetivamente decorre do imposto de renda na fonte incidente sobre as receitas financeiras que foram confrontadas com as despesas financeiras e com as demais despesas préoperacionais. Solicitase que o resultado das verificações ora requeridas seja sintetizado em relatório e que a contribuinte dele seja cientificado para, se assim desejar, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator 1 Salvo melhor juízo, referida confirmação pode ser feita a partir da constatação de que a contribuinte foi constituída com o único objetivo de gerar e comercializar a energia elétrica produzida na USINA HIDRELÉTRICA DE GUAPORÉ. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10935.906353/2012-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/05/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 19/05/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/05/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 53 /2 01 2- 70 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.801, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 03080.81484.110209.1.2.047100, rastreamento nº 041906925, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 25.070,16, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 30/04/2008, efetuado em 19/05/2008, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906353/201270 Acórdão n.º 3802002.651 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 19/05/2008 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906353/201270 Acórdão n.º 3802002.651 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906353/201270 Acórdão n.º 3802002.651 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906353/201270 Acórdão n.º 3802002.651 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10920.909606/2012-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 96 06 /2 01 2- 26 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909606/201226 Acórdão n.º 3801002.757 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909606/201226 Acórdão n.º 3801002.757 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909606/201226 Acórdão n.º 3801002.757 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909606/201226 Acórdão n.º 3801002.757 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909606/201226 Acórdão n.º 3801002.757 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909606/201226 Acórdão n.º 3801002.757 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909606/201226 Acórdão n.º 3801002.757 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11030.900016/2009-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/05/1996
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1996 a 31/05/1996 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AUTO COMERCIAL PAJÉ LTDA.. transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 11584.73127.271205.1.3.043084, visando à extinção de débito de Cofins do período de apuração de abril de 2004, com crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 00 16 /2 00 9- 20 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 oriundo de indébito por pagamento a maior de Contribuição para o PIS/Pasep, referente ao período de apuração 01/05/1996 a 31/05/1996, no valor de R$ 3.223,46. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 816115246 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante não foi localizado. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado pretendeu demonstrar que os valores que compensou se originaram de créditos oriundos de recolhimentos indevidos de valores repassados a terceiros, incidindo a norma do art. 3o, § 2o, inciso III, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Diz que apurou base de cálculo errônea, tendo recolhido valores superiores aos efetivamente devidos, possuindo, por isso, direito líquido e certo de proceder à compensação. Cita jurisprudência a propósito do tema. No que concerne à inexigibilidade do PIS, cita legislação, refere a ADIn nº 1.4170, registrando que, no seu julgamento, o STF declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 18 da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. Diz ter havido afronta a princípios constitucionais. Cita a IN SRF nº 006, de 2000, referindo que, à clara evidência, a vedação de constituição de crédito e o cancelamento de lançamentos baseados na MP nº 1.212, de 1995, deveria ser procedida a fatos geradores ocorridos entre 1°/10/1995 e 27/11/1998. Entende restar evidente que no período compreendido entre a Resolução do Senado Federal nº 49, de 1995, e a promulgação da Lei nº 9.715, de 1998, configurouse um período de vacatio legis, ou seja, falta de legislação, o que ensejaria a existência dos créditos. Ao finalizar, requer seja recebida a sua manifestação de inconformidade, se prestando ela para elucidar os motivos pelos quais a empresa utilizouse desta base de cálculo, bem como para comprovar o direito que tem de efetuar a compensação que declarou, sem ter que efetuar o pagamento de multa isolada, devendo ser excluído ou declarado nulo o lançamento de ofício objeto da compensação tributária tida como não declarada. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. A decisão de primeira instância considerou que: a) o pagamento indicado no PER/DComp não existe; b) na data do pagamento indicado no PER/DComp, ainda não vigia a Lei nº 9.718, de 1998; c) não houve anomia entre a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 1995, e a de publicação da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; d) o direito de pleitear a restituição de eventual indébito por pagamento efetuado em 14/06/1996 estava prescrito, e; e) o processo não trata de aplicação de multa isolada. O Acórdão nº 1032.365, de 29 de junho de 2011, fls. 54 a 56, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/1996 VIGÊNCIA DE LEI. VACATIO LEGIS. INOCORRÊNCIA. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11030.900016/200920 Acórdão n.º 3403003.311 S3C4T3 Fl. 84 3 Inocorreu o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração de inconstitucionalidade de parte do art. 18 da Lei n 9.715, de 1998, sendo aplicável aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o prazo afeiçoado à LC n 07, de 1970, com as alterações posteriores e, a partir daí, as regras da Lei n 9.715, de 1998 (antes MP n 1.212, de 1995 e reedições). DIREITO CRED1TÓRIO PLEITEADO VIA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Nos termos do art. 170 do CTN, é fundamental a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do devido encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 62 a 77, após dispensarse do arrolamento de bens, requerer a suspensão da exigibilidade dos débitos emergentes da compensação não homologada e sintetizar os fatos relacionados com a lide, retoma as mesmas teses oferecidas na Manifestação de Inconformidade. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 62 a 77 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/POA2ª Turma nº 1032.365, de 29 de junho de 2011. O recorrente já teve julgado 29 recursos voluntários, idênticos ao presente e, em todos eles, foilhe negado provimento à unanimidade dos votos dos respectivos colegiados. À guisa de ilustração, transcrevo duas ementas: Acórdão nº 3801001.226, de 22 de maio de 2012, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção, relatoria do Conselheiro Sidney Stahl: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1995 a 30/11/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Acórdão nº 380302.308, de 24 de janeiro de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção, relatoria do Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1998 a 30/09/1998 VACATIO LEGIS NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE OUTUBRO DE 1995 E OUTUBRO DE 1998. INOCORRÊNCIA. No período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998, não ocorreu a vacatio legis, devendo ser a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS recolhida em conformidade Lei Complementar nº 07/70. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1998 a 30/09/1998 RECURSOS ADMINISTRATIVOS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A interposição de recurso administrativo, desde que aceitos, tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário conforme a redação do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. DEPÓSITO PRÉVIO. ARROLAMENTO DE BENS. ADMISSIBILIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO PROFERIDAS PELO STJ E STF. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Negado. Diante da constatação da inexistência do pagamento apontado como origem do pretenso indébito, que o recorrente não se preocupou em contestar, não prosperará pedido de sua restituição. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11030.900016/200920 Acórdão n.º 3403003.311 S3C4T3 Fl. 85 5 Consequência disso, a compensação declarada não pode ser homologada, haja vista a falta da liquidez e da certeza requeridas pelo art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN. Sem mais delongas, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 14 de outubro de 2014 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906346/2012-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/10/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/10/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 19/10/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/10/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 46 /2 01 2- 78 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.794, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 41328.36988.110209.1.2.040713, rastreamento nº 041907007, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 1.308,44, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 30/09/2007, efetuado em 19/10/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906346/201278 Acórdão n.º 3802002.644 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 19/10/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906346/201278 Acórdão n.º 3802002.644 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906346/201278 Acórdão n.º 3802002.644 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906346/201278 Acórdão n.º 3802002.644 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.723408/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PARCELAMENTO DE DÉBITOS DURANTE O CURSO DA AÇÃO FISCAL. ABATIMENTO DOS VALORES APÓS O TÉRMINO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Para que haja o devido controle de legalidade, é imprescindível que, após o término do contencioso administrativo, sejam abatidos os pagamentos confessados/parcelados no curso da ação fiscal, relativamente aos fatos geradores autuados.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Considerando a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.Recurso voluntário provido em parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, em dar provimento parcial para: a) por unanimidade, para a exclusão dos valores confessados e parcelados; e b) por maioria de votos, para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e para adequação ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 a multa por descumprimento de obrigação acessória, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que mantinha ambas as multas.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PARCELAMENTO DE DÉBITOS DURANTE O CURSO DA AÇÃO FISCAL. ABATIMENTO DOS VALORES APÓS O TÉRMINO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Para que haja o devido controle de legalidade, é imprescindível que, após o término do contencioso administrativo, sejam abatidos os pagamentos confessados/parcelados no curso da ação fiscal, relativamente aos fatos geradores autuados. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Considerando a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.Recurso voluntário provido em parte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, em dar provimento parcial para: a) por unanimidade, para a exclusão dos valores confessados e parcelados; e b) por maioria de votos, para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e para adequação ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 a multa por descumprimento de obrigação acessória, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que mantinha ambas as multas. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PARCELAMENTO DE DÉBITOS DURANTE O CURSO DA AÇÃO FISCAL. ABATIMENTO DOS VALORES APÓS O TÉRMINO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Para que haja o devido controle de legalidade, é imprescindível que, após o término do contencioso administrativo, sejam abatidos os pagamentos confessados/parcelados no curso da ação fiscal, relativamente aos fatos geradores autuados. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Considerando a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.Recurso voluntário provido em parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 08 /2 00 9- 70 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, em dar provimento parcial para: a) por unanimidade, para a exclusão dos valores confessados e parcelados; e b) por maioria de votos, para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e para adequação ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 a multa por descumprimento de obrigação acessória, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que mantinha ambas as multas. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10580.723408/200970 Acórdão n.º 2402004.348 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 10/07/2009 (fl. 02) para exigir a cota patronal incidente sobre pagamentos realizados a contribuintes individuais, no período de 01/01/2005 a 31/12/2005. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 54/61), compõem o lançamento os seguintes fatos geradores: · COI: Serviços prestados por Norberto P. de Lima e Sebastião Pereira de Santana no período de 01/2005; · DAI: Remuneração paga a contribuintes individuais no período de 01/2005 e 03/2005 a 12/2005, declaradas em GFIP somente após o início da ação fiscal; e · Z1: Remuneração paga a contribuintes individuais no período de 02/2005, declaradas em GFIP somente após o início da ação fiscal, bem como valores pagos pela empresa aos sócios administradores a título de previdência privada, por não ter sido esta disponibilizada a todos os segurados. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 101/137) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 140/145), julgou o lançamento procedente, entendendo que o parcelamento realizado pela Recorrente não corresponde ao débito exigido na presente demanda. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 150/173) argumentando que: (i) houve dupla constituição do crédito tributário; (ii) o débito, ou ao menos parte dele, já foi confessado e parcelado através do DEBCAD nº 36.517.6583; e (iii) deve ser aplicada a multa moratória prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Foi solicitada diligência (fls. 185/188) para que a fiscalização averiguasse se parte dos débitos ora exigidos foram parcelados, realizando o devido abatimento, se fosse o caso, bem como para que fossem anexadas cópias integrais do DEBCAD nº 36.517.6583 e do PAF nº 18050.005854/200907. A fiscalização informou que a DEBCAD nº 36.517.6583 se refere a pedido de parcelamento de débitos da competência de 01/2005 a 12/2005, relativos a rubrica “114 ADMINISTRADOR/AUTÔNOMO” (fl. 191). A Recorrente foi devidamente cientificada da diligência (fl. 201), não tendo se manifestado sobre ela. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Destaca a Recorrente que, após o início da ação fiscal e antes da lavratura do auto de infração, retificou a GFIP e incluiu os segurados contribuintes individuais na declaração, gerando um débito confesso ref. ao mesmo período autuado. Assim, defende que a perda da espontaneidade sujeita o contribuinte apenas ao pagamento da multa punitiva, não devendo ser lançado o saldo principal. Por este motivo, pleiteia pela nulidade dos levantamentos DAI e Z1, ou quando menos, pela dedução dos valores pagos por meio do parcelamento. Analisando a pretensão recursal, constatase que não há dúvidas em relação à materialidade e procedência dos fatos geradores apurados, notadamente pelo fato de que a própria Recorrente alega ter confessado tais débitos. Como mencionado pela fiscalização por ocasião da diligência, os débitos parcelados se referem a pagamentos a contribuintes individuais (autônomos/administradores) no mesmo período objeto deste processo. O fato de a fiscalização ter exigido débitos parcelados durante o curso da ação fiscal não importa em nulidade do lançamento, tampouco em dupla exigência. Pelo contrário, o parcelamento efetuado pela Recorrente só esclarece que a ação fiscal estava correta. Entretanto, para que haja o devido controle de legalidade, é imprescindível que, após o término deste contencioso administrativo, sejam abatidos os pagamentos confessados pela Recorrente, relativamente aos fatos geradores ora autuados. Ademais, sustenta a Recorrente que a multa de mora aplicada com base na legislação revogada (inicialmente de 24%) deve ser substituída pela multa de mora de 20% prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Para o devido deslinde da questão, fazse necessário pontuar a natureza jurídica da multa prevista no revogado art. 35, inc. II, da Lei nº 8.212/1991. Como se pode verificar no art. 35, inc. II, da Lei nº 8.212/1991, a multa era aplicada em percentual mais elevado do que o inc. I por ocasião do lançamento realizado pela autoridade competente (“notificação fiscal de lançamento”). Assim, verificase que, pela própria ocasião em que a multa era imposta – no momento da constituição do lançamento de ofício – é certo que tal penalidade, em que pese fosse denominada de “moratória” pelo texto legal, tratase, na verdade, de multa de ofício. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10580.723408/200970 Acórdão n.º 2402004.348 S2C4T2 Fl. 4 5 Independentemente do tempo em que for lavrada a notificação fiscal de lançamento tributário (se um dia ou quatro anos após o vencimento da obrigação tributária), a multa imposta com base na legislação revogada será inicialmente de 24%. Assim, em que pese a norma possuir penalidades gradativas, esta não pode ser levada a cabo a ponto de mascarar e alterar a natureza da multa imposta em cada fase do procedimento administrativo. Em outras palavras, a multa revogada de 24% não perde a característica (“de ofício”) por causa da sua progressividade, notadamente pelo fato de que era condição necessária para que o tributo fosse lançado de ofício. Desta informa, é improcedente a pretensão da Recorrente de aplicar a multa de mora de 20% no lugar da multa de ofício. Não obstante, verificase que o cálculo da multa realizado pelo fiscal está totalmente equivocado (fls. 57 e 59), por ter aplicado a penalidade prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 para o descumprimento de obrigação acessória, bem como por ter aplicado a multa por descumprimento de obrigação principal, no período de 02/2005, utilizando como parâmetro de comparação ambas as penalidades (principal e acessória), para fins de verificação da retroatividade benigna. Em relação ao descumprimento de obrigação principal, a penalidade anteriormente prevista, que variava de acordo com a fase processual do lançamento, conforme a redação revogada do art. 35 da Lei nº 8.212/19911, passou a ser regulamentada pelo art. 44, da Lei nº 9.430/962, que prevê multa de 75%, e que foi utilizada pela Autoridade Fiscal na presente autuação. Por sua vez, quando do descumprimento de alguma obrigação acessória, na sistemática anterior, a infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a 100% da contribuição não declarada, ficando a penalidade limitada a um teto calculado em função do número de segurados da empresa, conforme o extinto § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/19913. 1 “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...)” 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 3 “§ 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Pois bem. Analisando as sanções aplicadas no presente caso à luz das alterações levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, verificase, através do quadro comparativo da multa aplicada (fl. 59), que a Autoridade Tributária equivocouse em suas premissas, trazendo na coluna correspondente ao que seria devido antes do advento da MP nº 449/2008 os valores relativos ao descumprimento da obrigação principal e acessória, e na coluna correspondente ao que seria devido após o advento da já mencionada lei apenas o valor da multa decorrente do descumprimento da obrigação principal. Para esclarecer a presente questão, em relação à competência de 02/2005, a multa por não ter recolhido a contribuição previdenciária no valor de R$ 4.916,75, antes da nova lei, seria de R$ 1.180,08 (24%), e após o advento da lei seria de R$ 3.687,56 (75%). No entanto, para fins de compor o valor devido pela legislação antiga, a autoridade fiscal somou a multa anteriormente aplicada para os casos de não recolhimento do tributo (24%) com a multa anteriormente aplicada para os casos de descumprimento de obrigação acessória (100% do valor não declarado), chegando no valor parâmetro de R$ 3.838,38 (R$ 1.180,02 + R$ 2.658,36). Ou seja, pelo cálculo da autoridade fiscal, a multa atualmente vigente quase sempre será mais benéfica, posto que se está comparando, via de regra, a alíquota de 75% contra uma alíquota de 124%. Na prática, se a autoridade fiscal deixasse de realizar o tendencioso quadro comparativo de multas, e lavrasse duas notificações independentes, uma com base no antigo art. 35 e outra com base no atual art. 35A da Lei nº 8.212/1991, restaria claro que o valor consubstanciado na notificação efetuada com base na legislação antiga seria inferior, em conclusão totalmente contrária ao presenciado neste caso. Da mesma forma, a autoridade administrativa deveria comparar separadamente as multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, contrapondo o cálculo feito com base no antigo art. 32 da Lei nº 8.212/1991 com o atual art. 32A da Lei nº 8.212/1991, vez que ambos versam sobre como proceder nas suas respectivas épocas nos casos de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sendo assim, para que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, visto que, até o presente momento, a multa não atingiria o patamar de 75% previsto no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Por fim, em que pese a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10580.723408/200970 Acórdão n.º 2402004.348 S2C4T2 Fl. 5 7 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para que (i) sejam abatidos os pagamentos confessados pela Recorrente relativos aos fatos geradores ora autuados; (ii) seja reduzida a multa de ofício aplicada, devendo esta ser exigida nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, conforme a fundamentação supra, limitandose ao percentual de 75%, previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96; e (iii) seja recalculada a multa por descumprimento de obrigação acessória (fl. 57), levando em conta o artigo 32A da Lei n° 8.212/91, aplicando aquela que for mais benéfica. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 19515.722226/2011-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
AUXÍLIO - ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO EM VALE - REFEIÇÃO OU TICKET. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA SEM ABRANGÊNCIA DA TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES. SITUAÇÃO QUE INCIDE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PPR CONCEDIDO EM VIOLAÇÃO À LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REQUISITOS E BENEFÍCIOS DIFERENCIADOS. VERIFICADO POSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA DE OFÍCIO/MULTA DE MORA E MULTA PUNITIVA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior quanto à rubrica alimentação. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões quanto à rubrica PLR, e : I - dar provimento parcial, por maioria, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 - A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, em relação ao DEBCAD 37.258.533-7. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima; II - por unanimidade, determinar a aplicação do artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao DEBCAD 37.258.532-9.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior quanto à rubrica alimentação. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões quanto à rubrica PLR, e : I - dar provimento parcial, por maioria, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 - A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, em relação ao DEBCAD 37.258.533-7. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima; II - por unanimidade, determinar a aplicação do artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao DEBCAD 37.258.532-9. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 857 1 856 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722226/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.576 – 3ª Turma Especial Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria CP: SALÁRIO INDIRETO: AUXÍLIOALIMENTAÇÃO SEM PAT e SALÁRIO INDIRETO: ASSISTÊNCIA MÉDICA e SALÁRIO INDIRETO: PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR e SALÁRIO INDIRETO: TRANSPORTE e SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Recorrente CONCESSIONÁRIA DO ESTACIONAMENTO DE CONGONHAS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO EM VALE REFEIÇÃO OU TICKET. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA SEM ABRANGÊNCIA DA TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES. SITUAÇÃO QUE INCIDE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PPR CONCEDIDO EM VIOLAÇÃO À LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REQUISITOS E BENEFÍCIOS DIFERENCIADOS. VERIFICADO POSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA DE OFÍCIO/MULTA DE MORA E MULTA PUNITIVA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior quanto à rubrica alimentação. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões quanto à rubrica PLR, e : I dar provimento parcial, por maioria, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, em relação ao DEBCAD 37.258.533 7. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima; II por unanimidade, determinar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 22 26 /2 01 1- 54 Fl. 857DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 858 2 aplicação do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao DEBCAD 37.258.5329. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 859 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.258.5337, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados – cota patronal, bem como a contribuição da empresa para o SAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.258.5345, que objetiva o lançamento das contribuições decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados, destinada a outras entidades e fundos – terceiros, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.258.5329, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 65 a 76, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 02. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 21/12/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 549; 570, e Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 590. O contribuinte apresentou sua defesa, em 20/01/2012, as fls. 598 a 663, acompanhada dos documentos, de fls. 664 a e 704. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 705 e708. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1261.611 10ª, Turma DRJ/RJ1, em 25/11/2013, fls. 724 a 743. No qual a impugnação foi considerada procedente em parte e o crédito retificado, com a exclusão dos levantamentos relativos ao vale transporte pago em dinheiro e a retificação da base de cálculo do auxílio alimentação. Consta, as folhas 596, Termo de Apensação (1), o qual informa a juntada por apensação a estes autos do processo 19515.722227/201107, em 22/11/2011. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 10/12/2013, conforme AR, de fls. 746. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 747 a 798 e 799 a 850, recebido, em 09/01/2014, conforme envelope de remessa, de fls. 851, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais sumariadas estão a seguir descritas. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 860 4 Mérito. · que não incide contribuição sobre alimentação fornecida por cesta básica e vale – de – refeição, ainda, que a empresa não seja inscrita no PAT, cita e transcreve precedente do CARF, bem como, o Ato Declaratório PGFN N° 03/2011 e por fim pede a não incidência da contribuição sobre a verba discutida, com o cancelamento do levantamento em razão da sua improcedência; · que a assistência médica não se inclui na base de cálculo da contribuição previdenciária, bem como pode ser ela disponibilizada por forma diversa e não só por meio de plano de saúde, sendo a motivação do lançamento equivocada, pois pode a empresa diante do texto legal disponibilizar outros meios de assistência a saúde, assim deve a autuação ser declarada nula, pois a motivação é falha; · que a Portaria MPS 520/04, vigente 2007 determinava que os Pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro de Estado, nos termos da LC 73 vinculavam o INSS, o que se harmoniza com o artigo 324, do Decreto 3.048/99 e assim o Parecer CJ/MPS Nº 1.732/99 é vinculativo, devendo ser a assistência médica excluída do lançamento, pois mera relação civil entre empregado e empregador; · que a alínea “q”, do § 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91 foi revogado pelo Lei 10.243/01, que deu nova redação ao inciso IV, do §2º, do artigo 458, da CLT, citando precedente do CRPS, não integrando a rubrica a base de cálculo da contribuição; · que o lançamento em razão do PPR em favor de determinados empregados está eivado de subjetivismo e generalidade, o que viola a segurança jurídica; · que a lei faculta a empregador e empregados com a participação do sindicato laboral a confecção do PPR para estabelecer as métricas formais e feito isso não cabe ao fisco se imiscuir na negociação e promover juízo de valor, devendo ser mantida a isenção do PPR, sendo que a participação do sindicato nas negociações evidência o conhecimento dos trabalhadores sobre os termos negociados, cabendo o cancelamento deste levantamento ante a equivocada premissa fiscal; · que a recorrente aderiu a plano de previdência privada com uma das maiores empresas do ramo no país a favor de seus empregados, executivos e dirigentes, sendo este de critérios pré estabelecidos nos termos da LC 109/2001 e das entidade fiscalizadoras do setor, não havendo a criação de um produto específico para a recorrente como alega o fisco equivocadamente, bem como o entendimento do fisco viola a alínea “p”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91; · que o plano é disponível a todos os colaboradores, bem como os aportes diferenciados não representam violação à lei, pois inexiste Fl. 860DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 861 5 regra de limitação, cita precedentes do CARF, desta forma deve esse levantamento ser declarado improcedente; · que os três autos de infração são nulos por vício intrínseco na fundamentação, uma vez que utilizado o método da aferição indireta, que a recorrente rechaça de forma veemente qualquer afirmação fiscal de não atendimento as intimações, pois as cumpriu todas, bem como de falhas em sua contabilização, ainda, que pontuais, conduzindo esta a um arbitramento, aplicandose o artigo 148, do CTN, não descaracterizando tal condição de arbitramento o fato dos valores terem sido extraídos da contabilidade; · que o lançamento é nulo, pois realizado na forma de aferição indireta – arbitramento – sem que conste do REFISC ou FLD a fundamentação do artigo 33, parágrafo 3º e 6º, da Lei 8.212/91, pois uma vez caracterizados estágios concedidos na forma da Lei 6.497/77 fora da incidência previdenciária e campo de incidência, fica evidente a utilização de apuração fiscal por aferição indireta, sendo a falta de fundamentação repudiada pela jurisprudência administrativa, cita precedente do Segundo CC, o que leva a nulidade da atuação, a qual alcança os três créditos; · que as multas aplicadas devem ser revistas para o período anterior a MP 449/2009 no percentual de 24% e não 75% para a obrigação principal; · que para o período anterior a MP 449/2009, mas em relação a obrigação acessória deve ser aplicada a multa do artigo 32 – A, do citado dispositivo de forma retroativa · que o AIOA ostenta nítida relação de prejudicialidade em relação aos AIOP’s e sendo estes cancelados ou retificados, o acessório deve comportar idêntico tratamento; · Dos requerimentos: a) acolhimento e julgamento de procedência, reconhecendose a total nulidade do processo fiscal, acolhendose as preliminares; b) caso essa seja superado que se reconheça no mérito a improcedência; c) seja a defesa recebida e processada regularmente, com a suspensão da exigibilidade dos crédito, até final decisão, com o cancelamento definitivo do crédito. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 852 a 854. Encaminhouse os autos ao CARF, fls. 855. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01, fls. 856. É o Relatório. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 862 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. Equivocado o entendimento da recorrente os três autos lançados e objeto desse PAF não encontram suporte na Aferição Indireta – Arbitramento, pois essa é modalidade de determinação da base de cálculo da exação. No presente caso com dito pelo agente fiscal lançador as bases de cálculo foram obtidas, nas folhas de pagamento, na escrituração contábil da empresa e demais documentos analisados no curso do procedimento fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 65 a 103, e Planilhas, de fls. 77 a 100. A argumentação de que o fisco considerou estagiários como trabalhadores e sobre estes exigiu contribuição previdenciária não tem respaldo nos autos, pois não há nenhuma menção desse fato no TVF, bem como a recorrente não aponta onde tal situação teria ocorrido e nem faz prova dessa alegação. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Mérito. Alimentação. No presente feito a DRJ quando do julgamento em primeiro grau determinou a exclusão da alimentação in natura dos autos, Porém, manteve a alimentação fornecida por meio de vales e ticket’s em razão de sua natureza remuneratória. A jurisprudência desse conselho e do judiciário, que a seguir transcrevo, também, abraçam essa tese, observese. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/2002 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ALUGUEL RESIDENCIAL. SALÁRIO INDIRETO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a título de aluguel residencial aos seus empregados. Tal benefício constitui salário indireto, o que Fl. 862DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 863 7 evidencia o caráter remuneratório, razão pela qual incide contribuição previdenciária sobre tais valores. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Somente sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Vale refeição ou ticket não se caracterizam como alimento in natura. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. PROC: 12045.000310/200771. Acórdão 2403002.159. Rel. Cons. Marcelo Magalhães Peixoto. Data 11/10/2013. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE: EM "TICKET" OU VALEREFEIÇÃO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. 1. O auxílio alimentação que inibe a carga tributária é aquele prestado "in natura", pois o auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. É a interpretação que se harmoniza com o art. 111, do CTN. 2. Somente o auxílioalimentação pago "in natura", justamente por gerar despesas operacionais, de acordo com o art. 28, § 9º, alínea "c", da Lei n. 8212/91, não integra o salário inibindo, pois, a carga tributária, ao passo que se pago em espécie e com habitualidade é passível de incidência da contribuição previdenciária, como é o caso em epígrafe, em que houve pagamento de parcelas habituais por meio de "ticket" refeição e vale refeição, nos termos do acordo coletivo juntado em fls. 48/49. 3. Apelação improvida. (AMS 00126970419994036100, JUIZ CONVOCADO LEONEL FERREIRA, TRF3 JUDICIÁRIO EM DIA TURMA Z, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2011 PÁGINA: 156 FONTE_REPUBLICACAO:.) (os destaque são meus). O Ato Declaratório PGFN n° 03/2011 só se refere a alimentação in natura e foi com base nele que a DRJ exclui parte da rubrica, assim, inaplicável para a parte sobejante deste levantamento. Assistência Médica. No que tange a assistência médica, entendo que a recorrente está certa quando diz que a lei não exige que a assistência seja prestada exclusivamente por intermédio de plano de saúde. Realmente, não há essa exigência, o que a lei exige é que a assistência cubra a totalidade de trabalhadores e dirigentes. Porém, podese verificar da planilha, de fls. 102, que no período de 01/2008 a 12/2008, a quantidade de empregados da empresa variou de 62 empregados, menor número em setembro/2008, a 66 empregados, maior número em abril/2008, ou seja, o número de trabalhadores da recorrente era sempre acima de sessenta e abaixo de setenta. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 864 8 Todavia, comparandose com o Anexo III – Assistência Médica – Faturas – Assistência Médica Unimed, fls. 91, em conjunto com a do Anexo III – Assistência Médica – Faturas – Assistência Médica – Auto Gestão Camargo Corrêa, fls. 92, também, conjuntamente com a do Anexo III – Assistência Médica – Folha de Pagamento – Desconto – Rubrica 115 – Assistência Médica, fls. 93, todas referentes ao período de 01/2008 a 09/2008, verificase que, ainda, que se some as três planilhas não temos em todas essas competências a totalidade dos trabalhadores e dirigente abrangidos pelo plano de saúde, pois verificase um número bem menor de trabalhadores listados como beneficiários, isto é, bem abaixo de sessenta trabalhadores, evidenciando que essa assistência não é extensiva a totalidade do trabalhadores, no período considerado. Não sendo a assistência médica extensível a todos os trabalhadores fica evidente seu caráter remuneratório a ensejar a não aplicação da alínea “q”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91, cabendo, assim, a incidência da contribuição. Equivocase a recorrente a Portaria MPS 520/2004 e o artigo 324, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, não mais disciplinavam os lançamentos na seara previdenciária. O primeiro por conta do que determinado no artigo 1º, do Decreto 6.103/2007, que com fulcro no artigo 25, § 1º, I e II, da Lei 11.457/2007 antecipou a aplicação do Decreto 70.235/72, nos casos que determina. O segundo por conta do artigo 25, I e II, da Lei 11.457/2009 que fixou a aplicação definitiva do Decreto 70.235/72 aos procedimentos, lançamentos e processamento do contencioso administrativo fiscal. Isso é o suficiente para afastar a aplicação do Parecer CJ/MPS Nº 1.732/99 sobre o lançamento, mas não é só. O citado parecer se reporta a legislação anterior a Lei 8.212/91, conforme transcrição feita pela própria recorrente e que abaixo apresento. O citado parecer, ainda, assim se posiciona, conforme transcrição feita pela própria recorrente e que abaixo apresento. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 865 9 Ocorre, porém que o citado parecer se reporta a redação original do Plano de Custeio, Lei 8.212/91 e nesse contexto a citada lei não se referia a plano de saúde, o que só foi introduzido, quando do advento da MP 1.596 – 14, convertida na Lei 9.528/97, assim, não é possível o parecer regular, o que não existia na época de sua edição. Enganase a recorrente o artigo 28, § 9º, “q” não foi revogado pela Lei 10.243/2001. A uma, porque o artigo 4º, da Lei 10.243/2001, cláusula de revogação desta lei, só cita a revogação do artigo 42, da CLT e na sistemática do artigo 9º, da Lei Complementar 95/98, na redação dada pela Lei Complementar 107/2001, a seguir transcrita a revogação deve ser expressa. Art. 9o A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas. (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) A duas, porque, ambas, as leis são complementares a 10.243/2001 dita suas determinações no campo trabalhista e a 8.212/91 dita as suas no campo previdenciário. A três, porque os conceitos salários, remuneração e salário de contribuição não são equivalentes e se conformam em áreas distintas do direito. Aliás, é isso o que diz a doutrina, observese a transcrição abaixo. Existem verbas que não integram a remuneração para fins trabalhistas e no mesmo momento compõem o salário de contribuição para fins previdenciários por determinação legal que transforma a natureza jurídica originaria da verba com o fito de adequála a situação compatível à base de incidência tributária. Um exemplo dessa particularidade ocorre com as utilidades que no âmbito trabalhista não integram a remuneração do empregado. Trazendo como protótipo o auxilio saúde que foi tratado de forma ampla no presente trabalho, este somente será excluído do salário de contribuição se fornecido a todos os funcionários e dirigentes da empresa. Ou seja, as normas previdenciárias entendem que em regra, a utilidade fornecida nessa modalidade integra a remuneração, mesmo que as normas trabalhistas declaram o contrário. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 866 10 Contudo, temse por critério que se a verba integra a remuneração, está sofrerá incidência das contribuições sociais para a previdência social, mesmo que para isso, seja necessário mudar, mediante expressão em lei, a natureza jurídica originaria da verba. 1 Evidente, desta forma, que ao contrário do que diz a recorrente o fisco nada mais fez do que dar cumprimento ao artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 37, da Lei 8.212/91. Igualmente, não tem razão a recorrente ao alegar que a lei tributária não pode contrariar o artigo 110, da Lei 5.172/66. A uma, porque a Lei 8.212/91 nada está alterando, pois o conceito de salário de contribuição é dada pela própria lei em comento. A duas, porque o artigo 201, parágrafo 11, da CRFB/88 é quem diz que os ganhos habituais dos empregados se incorporam ao salário para fins de contribuição. A três, porque o Direito do Trabalho e o Direito Previdenciário como ramos autônomos do ordenamento jurídico não são ramos de direito privado, em que pese a cizânia doutrinária em torno do direito do trabalho, que ora o classifica como privado, ora como público e até mesmo misto. Porém, como o conceito em análise é de direito previdenciário não há dúvidas que esse é de direito público e apto a regular a relação ocorrente. A lei exige que para que a assistência à saúde ou odontológica fornecida pela empresa, seja diretamente ou por terceiros, não integre o salário de contribuição devem aquelas assistências cobrir a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, pois do contrário serão consideradas como base de cálculo, a lei não faz mais nenhuma outra exigência. Aliás, é o que o judiciário e o CARF dizem em seus julgados, os quais a seguir transcrevo. PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGADA OMISSÃO. NÃO APRECIAÇÃO DA POSSIBILIDADE DE EXCLUSAO DA INCIDENCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO OCORRENCIA DA ISENÇAO. EMBARGOS CONHECIDOS E NÃO PROVIDOS. 1. Somente cabem embargos de declaração quando "houver na sentença ou no acórdão, obscuridade, omissão, dúvida ou contradição". 2. Não plausibilidade da tese de possível ilegalidade na relação jurídica que obriga a embargante a pagar o plano de saúde da generalidade de seus empregados com base em isenção prevista no artigo 28, parágrafo 9º da lei 8212/91, 3. A exclusão dos valores do saláriodecontribuição com a não incidência de contribuição previdenciária somente ocorrerá no 1 1 Gama, Andréa Jesus. Natureza jurídica de verbas que não integram a remuneração, mas integram o salário de contribuição no Regime Geral de Previdência Social, segundo a Lei 8.212/91. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=12422&revista_caderno=20. Acessado: em 08/06/2014. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 867 11 exato momento em que a destinação dos valores ocorrer em relação à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Se os valores fornecidos a tal título se restringirem a uma parcela dos empregados e dirigentes, eles passam a integrar o salário de contribuição. Assim, qualquer omissão verificada no pagamento da respectiva contribuição deverá ser fiscalizada e objeto de autuação fiscal. 4. As isenções previstas legalmente devem ser interpretadas de forma literal, na forma do art 111, inciso II do CTN. No caso em tela, a norma isencional exige que a empresa beneficie a totalidade dos seus empregados e dirigentes com os valores relativos à "assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médico hospitalares e outras similares." como condição ao gozo de benefício. Somente nessa hipótese estarseá diante de caso de isenção. 5. Se em relação à parte dos empregados e alguns sócios gerentes o desconto relativo ao plano de saúde é feito em valor inferior ao constante do contrato base celebrado com a empresa prestadora de serviços, a diferença em relação a qual não há ônus do trabalhador, constitui, por si só, liberalidade da empresa consistente em salário indireto digno de incidência tributária. Assim, mesmo que se admita sejam descontados os valores de todos os empregados e sócios gerentes, parte deles se beneficia de desconto menor em folha de pagamento de forma que em relação a estes se deve presumir tenha havido liberalidade da empresa a constituir fato gerador da contribuição previdenciária. 6. Embargos de declaração conhecidos mas não providos. (EDAC 20068100002941301, Desembargador Federal Frederico Pinto de Azevedo, TRF5 Quarta Turma, DJE Data::20/05/2010 Página::685.) (os destaque são meus). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte.PROC: 19515.004214/201063. Acórdão 2403002.141. Cons. Marcelo Magalhães Peixoto. Data 13/09/2013. (o realce, também, é meu). Desta forma, não se estendendo a assistência à saúde a totalidade de empregados e dirigentes, esta se insere no âmbito da contribuição previdenciária. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 868 12 PPR. A Lei 10.101/2001 diz que o PLR será negociado mediante um dos procedimentos por ela descritos. A lei não faculta, ela determina só pode ser do jeito nela estabelecido. Contudo, uma vez estabelecido o plano dentro das determinações legais, esse deve ser cumprido. No caso em tela o agente fiscal lançador descreve no TVF diversas situações em que aquilo que foi previamente pactuado no PPR foi alterado unilateralmente pela recorrente no momento da sua efetivação, transcrevo esses trechos para maior clareza. O agente fiscal lançador elenca como irregularidades na formulação do PPR a data de assinatura do plano relativo a 2007, só ocorrida em 11/02/2008, ou seja, depois de esgotado o período de avaliação. Além disso, diz o lançador, que o gestor desconsiderou a avaliação efetiva e padronizou a nota por lotação, o que viola o inciso II, do parágrafo 1º, do Fl. 868DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 869 13 artigo 2º, da Lei 10.101/2001, pois introduz critério não pactuado, bem como os valores são decididos posteriormente por um gestor. O judiciário já enfrentou o tema da data da pactuação do acordo e decidiu, conforme a seguir transcrito. TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NFLD ANULATÓRIA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS LEI 10.101/2002 ASSINATURA DO SINDICATO NO ACORDO CELEBRADO AUSÊNCIA IRREGULARIDADE FORMAL HONORÁRIOS REDUÇÃO. Para que a verba paga pela empresa possa caracterizarse como participação nos lucros e, consequentemente, tornarse isenta da contribuição previdenciária, exigese a observância de um dos procedimentos descritos no art. 2º da Lei 10.101/2000, vale dizer, comissão escolhida pelas partes ou acordo coletivo, devendo constar dos documentos decorrentes da negociação "regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A intervenção do sindicato, na negociação, tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como, fixação de resultados atingíveis, metas que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, dentre outros. Por sua vez, o arquivamento do instrumento, no sindicato, visa comprovar a participação e possibilitar a exigência do cumprimento na forma acordada. Funciona como instrumento de integração entre capital e trabalho, incentivo à produtividade de resultados positivos; O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Se o Sindicato se afastou, deixando de opor sua assinatura no acordo, os instrumentos são nulos, nos termos do art. 166, do CC. Assim, a empresa e os empregados não deveriam ter concluído a negociação mediante comissão, e sim, optado por convenção ou acordo coletivo, nos termos do inciso II, do art. 2º da lei de regência. A empresa juntou nos autos, tãosó, em relação ao ano de 2004, apuração dos votos da eleição dos representantes dos empregados para integrar a comissão, deixando de anexar a apuração dos outros anos. Também não há menção aos empregados lotados nas filiais de Triunfo (RS) e Cabo São Agostinho (PE). Os empregados, ao que parecem, são todos lotados na filial de Duque de Caxias RJ. Portanto, a Comissão Negociadora não representa todos os empregados da empresa, visto que só composta por trabalhadores de um estabelecimento. Não ser possível atribuir efeito ex tunc aos contratos de participação dos lucros da empresa, às competências anteriores à data de assinatura do instrumento de negociação celebrado em 29/07/2005. A uma, porque, como visto anteriormente,o referido instrumento é nulo, por inexistir Fl. 869DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 870 14 assinatura do representante do sindicato. A duas, porque, embora a Lei nº 10.101/2000 não faça menção a este fato, é nítido que as regras só têm validade a partir de julho de 2005, pois é a partir desta data que se inicia o cumprimento das metas estabelecidas. Precedentes do STJ. É possível, a fixação dos honorários advocatícios em percentual sobre o valor da causa ou em quantia determinada, porquanto o art. 20, § 4º, do CPC não proíbe nem distingue essa possibilidade e tampouco, faz qualquer referência ao limite a que se deva vincular o julgador ao realizar o arbitramento da verba honorária. Remessa necessária e apelação providas. (APELRE 200651010145497, Desembargador Federal JOSE FERREIRA NEVES NETO, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::06/03/2014.) Com esses esclarecimentos entendo pela manutenção do levantamento. Previdência Privada. O fisco não alegou que foi criado um plano de previdência específico para a recorrente, o que o fisco disse é que tal plano não está disponível a totalidade de seus empregados e dirigentes, pois diferenciado em dois grupos I e II, onde para o grupo II os benefícios estabelecidos no plano de previdência ficam muito a quem dos benefícios estabelecidos para o grupo I, conforme transcrição. Além do que acima dito, o fisco, também, asseverou que o plano de previdência complementar é utilizado para transferência de recursos financeiros para determinado beneficiário, conforme abaixo segue. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 871 15 Assim, com esses esclarecimentos o fisco considerou essa verba base de cálculo da contribuição social previdenciária, o que não merece reparo. Multa Moratória e Sancionatória. DEBCAD 37.258.5337 No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria dos levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 19/12/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2008 a 12/2008, Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 02. Desta forma, para o período de 01/2008 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois essa multa já se encontrava em vigor. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.722226/201154 Acórdão n.º 2803003.576 S2TE03 Fl. 872 16 DEBCAD 37.258.5329 Todavia, reconheço que a aplicação da multa como estabelecido no auto de infração fere o espírito da nova lei, pois a pena que era estipulada no artigo 32, parágrafo 5º, com a limitação do parágrafo 4º, tudo da Lei 8.212/91 na redação anterior, passou a ter outro patamar, conforme nova sistemática introduzida pelo artigo 32, A, I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Assim sendo, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 deve a multa ser recalculada na forma estabelecida em lei, como acima declinado e sem levar em consideração o cálculo da PT Conjunta PGFN/RFB 14/2009. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações realizadas em preliminar e em mérito, suscitadas pela recorrente, salvo quanto a questão da multa de mora e da multa punitiva como supramencionado. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial: I a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 – A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, em relação ao DEBCAD 37.258.5337; II determinar a aplicação do artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao DEBCAD 37.258.5329 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10665.003101/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDIÑO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o recurso, nos termos do voto do relator. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 20/07/2012 Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Fábio Miranda Coradini e Wilson Sampaio Sahade Filho. Ausente momentaneamente a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras. Ausentes justificadamente a Conselheira Mercia Helena Trajano D’Amorim e os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10665.003101/200838 Resolução n.º 3201000.336 S3C2T1 Fl. 2 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recurso voluntário apresentado pela Recorrente: 0 contribuinte acima identificado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 14/26) contra o despacho decisório de f1.12, que indeferiu seu pedido de restituição de fl. 01 relativo ao PIS, nos termos resumidos a seguir. Narrando os fatos considerados pela repartição na formalização do presente processo e transcrevendo doutrina e jurisprudência acerca do assunto propugna pela exclusão tanto do ISSQN (tributo municipal) quanto do ICMS da base de cálculo da contribuição, por juridicamente não poderem ser incluídos em nenhum dos conceito correspondentes ao faturamento ou à receita, a exemplo do entendimento exarado pelo Tribunal Superior de Justiça e pelo STF, em face de sua indevida e inconstitucional inclusão urna vez que não guardam relação com o faturamento, tratandose de receita pertencente ao erário, com afronta ao art. 110 do CTN. Requerendo a atualização do crédito tributário pela Selic, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade. Eis o essencial. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 30/08/2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 0228.363 (fls. 46/49): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2004 a 31/01/2008 Faturamento Os valores correspondentes ao ICMS e ao ISSQN, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação pessoal em 04/10/2010 (fl. 49), tendo protocolado seu recurso voluntário em 03/11/2010 (fls. 52/65), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 09/06/2011. É o relatório. VOTO Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10665.003101/200838 Resolução n.º 3201000.336 S3C2T1 Fl. 3 3 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da discussão consiste em saber se devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS os valores relativos a ISS e ICMS. Além disso, há o pleito de atualização dos créditos restituíveis com base na Taxa Selic. Sobre a exclusão do ISS e do ICMS da base de cálculo da COFINS, ressalto que o tema é objeto de repercussão geral já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, tendo como casosparadigma os Recursos Extraordinários nº 592.616 (ISS) e nº 574.706 (ICMS). Confiramse as ementas: Ementa: Direito Tributário. ISS. Inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Conceito de faturamento. Existência de repercussão geral. (RE 592616 RG, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, julgado em 09/10/2008, DJe202 DIVULG 23102008 PUBLIC 24102008 EMENT VOL0233811 PP02120 ) ......................................................................................................... Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Considerando que no andamento dos referidos processos há menção expressa ao sobrestamento dos recursos pendentes de julgamento, nos termos da Portaria CARF nº 01 de 2012, e ainda que o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF determina que os recursos sejam também sobrestados quando a matéria discutida administrativamente for objeto de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, DETERMINO O SOBRESTAMENTO deste processo até que se pronuncie definitivamente o STF quanto à constitucionalidade, ou não, da inclusão do ISS e do ICMS na base de cálculo da COFINS. Após, os autos deverão ser novamente distribuídos a este relator para que possam ser julgadas esta questão e o pedido de atualização do crédito alegado. No tocante às demais matérias suscitadas pela Recorrente, reservome do direito de apreciálas quando for possível julgar o recurso voluntário em sua inteireza. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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