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Numero do processo: 13896.910975/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.920
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 97 5/ 20 11 -1 3 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13896.910975/201113 Resolução nº 3402000.920 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.110, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13896.910975/201113 Resolução nº 3402000.920 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13896.910975/201113 Resolução nº 3402000.920 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901416/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.303
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 16 /2 00 9- 12 Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10675.901416/200912 Acórdão n.º 3401003.303 S3C4T1 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida das contribuições (Cofins e PIS) sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.108, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.296, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/200972, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.296): "Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: 'Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10675.901416/200912 Acórdão n.º 3401003.303 S3C4T1 Fl. 4 3 Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que 'procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.' Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10675.901416/200912 Acórdão n.º 3401003.303 S3C4T1 Fl. 5 4 Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1190/1191), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 1202DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.917375/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.108
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 37 5/ 20 11 -7 0 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.917375/201170 Resolução nº 3401001.108 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.792. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10480.917375/201170 Resolução nº 3401001.108 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10480.917375/201170 Resolução nº 3401001.108 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003414/2007-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 34 14 /2 00 7- 93 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10640.003414/200793 Acórdão n.º 9202004.826 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.002286/2004-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/09/2003 a 11/11/2003
VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO. OUTORGA DE PODERES. NÃO CONHECIMENTO.
No processo administrativo fiscal exige-se o regular instrumento de outorga de poderes da cláusula extra judicia.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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OUTORGA DE PODERES. NÃO CONHECIMENTO. No processo administrativo fiscal exigese o regular instrumento de outorga de poderes da cláusula extra judicia. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 22 86 /2 00 4- 69 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10735.002286/200469 Acórdão n.º 3301003.170 S3C3T1 Fl. 492 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 079.152 (fls. 404 a 407), de 15 de dezembro de 2006, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) – DRJ/FNS – que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão nº 310100.084 (fls. 455 a 458), de 18 de março de 2010, da 1ª Turma Ordinária, da 1º Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que por unanimidade de votos converteu o julgamento do recurso em diligência: Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da DRJ Florianópolis (SC) que julgou procedente o lançamento de direitos antidumping, acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa Selic e de multa de mora (20%), relativos a declarações de importações registradas no período de 30 de setembro a 11 de novembro de 2003. Segundo a denúncia fiscal, a Resolução Camex 41, de 2001, prevê a cobrança de direitos antidumping na importação de alho fresco ou refrigerado (NCM/TEC 0703.20.90) de origem chinesa, não recolhidos pelo importador então amparado por antecipação de tutela jurisdicional que lhe assegurava o direito de desembaraçar tais mercadorias independentemente do pagamento dos reclamados direitos, sem prejuízo da regular constituição do crédito tributário. Também é citada na denúncia fiscal a existência de liminar suspendendo os efeitos da tutela antecipada, impetrada pela Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa). Regularmente intimada do lançamento a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 282 a 310, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 1 em preliminar, que aderiu ao PAES (Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684/2003) tendo formalizado seu pedido de desistência da ação judicial nº 2002.51.10.00053940 e, portanto, tais débitos estariam com sua exigibilidade suspensa, sendo indevida a sua cobrança. Junta cópia de uma alteração contratual com incorporação societária pela empresa Menzel Representações Ltda. e cópia de confirmação de recebimento pela Receita Federal de pedido de parcelamento da empresa Menzel Representações Ltda feito em 29.08.2003; 2 no mérito, contesta a cobrança de direitos antidumping sobre “alhos frescos” provenientes da China, que inviabilizaria a importação, afetando o comércio interno, uma vez que os preços efetivados pelos exportadores chineses estão em conformidade com a valorização aduaneira estabelecida pela SRF; 3 invoca o princípio da legalidade e discorre sobre a inobservância na Resolução Camex nº 41/2001 dos dispositivos da Lei nº 9.019/1995 sobre a aplicação dos direitos antidumping, não tendo constatado na referida Resolução a determinação de margem individual de dumping para cada um dos conhecidos exploradores e produtores do produto sob investigação. Desta forma caracterizase o não respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, uma vez que a importadora não foi intimada para prestar as competentes informações necessárias indispensáveis à efetiva aplicação da reprimenda; Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10735.002286/200469 Acórdão n.º 3301003.170 S3C3T1 Fl. 493 3 4 questiona os efeitos da Resolução Camex nº 41/2001, que não a poderia ter afetado uma vez que não participou do referido processo administrativo que motivou a aplicação do direito antidumping. Discorre, ainda, sobre esse processo, entrando na discussão sobre a competência para edição de atos de caráter normativo. 5 espera que a União Federal providencie a efetivação das importações de alhos frescos de origem chinesa, já que a resolução é nula de pleno direito, por não se revestir de forma prescrita em lei. 6 alega que impor a obrigatoriedade do recolhimento de direito antidumping é querer enfrentar princípios constitucionais da livre concorrência e da livre iniciativa. 7 Discorre longamente sobre o procedimento de averiguação da prática de dumping e de que a importação de produtos objeto de dumping deva causar dano à indústria doméstica. Alem disto, que no processo administrativo para demonstração da prática de dumping não foi levada em consideração que a República popular da China foi admitida na Organização Mundial do Comércio (OMC). Que o Brasil ao adotar o preço do alho praticado pela Argentina, desprezando o preço praticado pelo mercado chinês, deveria estabelecer e publicar com antecedência os critérios utilizados para determinar a prevalência das condições de mercado na indústria chinesa e a metodologia empregada na comparação de preços. Ainda afirma que o DECOM violou o art. 98 do CTN ao deixar de aplicar a lei internacional, proferindo decisão que mantém aplicação do direito antidumping (junta diversos julgados do STF e STJ) 8 por fim, alega que com adesão da China na OMC, é ilegal a exigência de direito antidumping, devendo ser desconstituído o Auto de Infração em apreço. No documento de folha 385, o presidenterelator do caso no julgamento de primeira instância administrativa determinou o retorno do caso em diligência à repartição de origem para verificar “se o crédito tributário constituído pelo lançamento em questão foi, efetivamente, objeto de parcelamento, haja vista que dos autos não consta elemento probatório dessa circunstância”. Nessa diligência, a DRF Nova Iguaçu (RJ): (1) constatou inexigirem registros do alegado parcelamento no sistema PAES, conforme extratos de consultas acostados às folhas 389 e 390; e (2) ofereceu à interessada a oportunidade de comprovar o alegado parcelamento, mediante intimação. O sujeito passivo da obrigação tributária deu o silêncio como resposta. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Direito Antidoping Período de apuração: 30/0972003 a 11/11/2003 DIREITO ANTIDOPING. PARCELAMENTO. INOCORRÊNCIA. Da falta de comprovação do alegado parcelamento do débito somada à constatação de sua inocorrência resulta a insubsistência das razões de impugnação relacionadas ao assunto. A solução de litígio fundamentado na inconstitucionalidade de norma inferior, bem como na discordância com os procedimentos que culminaram Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10735.002286/200469 Acórdão n.º 3301003.170 S3C3T1 Fl. 494 4 na elaboração dessas normas, não encontram sede em instância administrativa de julgamento. Lançamento Procedente. Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 426 a 440. Nessa petição, as razões iniciais de mérito são reiteradas noutras palavras, afora questionamentos inerentes aos juros de mora equivalentes à taxa Selic. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa os autos posteriormente distribuídos a estes conselheiros e submetidos a julgamento em três volumes, ora processados com 445 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. (grifou se). Assim, por intermédio do Acórdão nº 310100.084, decidiuse por converter o julgamento do recurso em diligência para que o Contribuinte fosse citado para sanar o vício de representação no prazo de cinco dias, dilatado até o dobro mediante comprovada justificativa. Houve a tentativa de migração dos autos do sistema Profisc para o sistema Sief para que se realizasse a conversão digital do processo para o posterior envio ao CARF, o que não ocorreu em virtude de alguns impedimentos técnicos (fl. 484). Logo, foi feita a remessa à unidade de origem para que se sane o impedimento e se realize a digitalização do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 435 a 449) interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 079.152 (fls. 404 a 407), de 15 de dezembro de 2006, visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Direito Antidumping Período de apuração: 30/09/2003 a 11/11/2003 DIREITOS ANTIDUMPING. PARCELAMENTO. INOCORRÊNCIA. Da falta de comprovação do alegado parcelamento do débito somada à constatação de sua inocorrência resulta a insubsistência das razões de impugnação relacionadas ao assunto. A solução de litígio fundamentado na inconstitucionalidade de normas inferiores, bem como na discordância com os procedimentos que culminaram na elaboração dessas normas, não encontram sede em instância administrativa de julgamento. Lançamento Procedente Antes de se adentrar na questão da matéria objeto da lide cabe a análise dos requisitos legais de admissibilidade do recurso voluntário do contribuinte. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10735.002286/200469 Acórdão n.º 3301003.170 S3C3T1 Fl. 495 5 Entenderam os Conselheiros da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade, o seguinte no Acórdão nº 310100.084 (fls. 458): Conforme relatado, o sujeito passivo da obrigação tributária principal objeto desta lide é patrocinado no recurso voluntário (folhas 426 a 440) pelo advogado Ricardo Augusto Teixeira dos Reis que teria recebido os poderes de representação por substabelecimento da também advogada Viviane Angélica Ferreira Zica, conforme instrumento particular de substabelecimento à folha 441. Nada obstante, não consta dos autos deste processo administrativo documento que comprove a outorga de poderes da ARKEMEX COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. para a advogada Viviane Angélica Ferreira Zica. Lanço mão da analogia, procedimento autorizado no inciso I do artigo 108 do Código Tributário Nacional, para tentar eliminar o defeito constatado mediante aplicação do disposto no caput do artigo 13 do Código de Processo Civil.1 Assim, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, a fim de que a ora recorrente seja intimada a sanar o vício de representação, no prazo de cinco dias, dilatado até o dobro mediante comprovada justificação, por meio da juntada de regular instrumento de outorga de poderes da cláusula extra judicia possíveis de serem exercidos nos autos do presente processo administrativo. (grifouse). Assim, por intermédio do Acórdão nº 310100.084, decidiuse por converter o julgamento do recurso em diligência para que o Contribuinte fosse citado para sanar o vício de representação. A intimação do Contribuinte foi realizada por meio da Intimação nº 44/2012 (fl. 475), em 06 de junho de 2012; também, por meio do Edital nº 65/2012 (fl. 479), em 22 de agosto de 2012. Apesar do requisitado pelo referido Acórdão, não houve, por parte do Contribuinte, a apresentação de documentos que sanassem o vício de representação apontado. Em 06 de abril de 2015, foi apresentado documento pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT (fl. 489), com o seguinte conteúdo: Trata o p.p. de AI para o qual o Sr. Ricardo Augusto Teixeira dos Reis apresentou Recurso Voluntário (fls. 435 a 449) com os poderes transmitidos pelo Subestabelecimento de fls. 450 assinado pela Srª Viviane Angélica Ferreira Zica, representante do escritório Ferreira Advogados Associados (fls. 451 Sedex que encaminhou o Recurso Voluntário). A Resolução 310100084 da 1ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF baixa o p.p. em diligência para que “o recorrente seja intimado a sanar o vício de representação”, a saber: apresentação de documento que comprove a outorga de poderes da Arkemex Comércio Intenacional Ltda à Advogada Viviane Angélica Ferreira Zica. Foi enviada Intimação nº 44/2012/SACAT/IRF/RJO à Ferreira Advogados Associados (fls. 475) que não foi recebido (AR de fls. 476 acusa “Mudouse”), à 1 Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputarseá revel; III ao terceiro, será excluído do processo. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10735.002286/200469 Acórdão n.º 3301003.170 S3C3T1 Fl. 496 6 sede da Arkemex Comércio Intenacional Ltda (AR de fls. 477 acusa recebimento pelo condomínio do prédio sem assinatura ou identificação – data do recebimento de 15/06/2012) e, por fim, ao Advogado Ricardo Augusto Teixeira dos Reis (AR de fls. 478 com recebimento datado de 25/07/2012). Foi também publicado Edital com Intimação de mesmo teor, dirigido à Arkemex Comércio Intenacional Ltda, com data de publicação de 28/08/2012. Não houve manifestação de nenhum dos interessados. O p.p. só poderia retornar ao CARF na forma digital. Ocorreram problemas na conversão do mesmo. Estava impedida, por inconsistência no cadastro dos créditos no PROFISC – fls. 482 e 483 (data de emissão e de ciência do AI), a migração do sistema de controle PROFISC para o SiefProcesso. O p.p. foi enviado à unidade autuante para sanear a inconsistência levantada e retornou sem a devida correção e, por este motivo, não foi efetuada a migração de sistema de controle (PROFISC para o SiefProcesso). Efetuada a conversão de processo papel para digital, retorna o presente processo ao CARF sem manifestação do interessado quanto a comprovação da outorga de poderes. Conforme Nota Técnica Cosit nº 5 de 2014, retorna a ser unidade de controle do p.p. a unidade autuante , devendo o mesmo ser encaminhado, após análise dos requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário e/ou julgamento pelo CARF, à DRF/Nova Iguaçú/Rio de Janeiro. (grifouse). Sendo assim, pela ausência de manifestação dos interessados em apresentar documentos essenciais para a lide, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte e, portanto, manter a decisão ora recorrida. Valcir Gassen Relator Fl. 496DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.000465/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, vencidos nessa parte, ampliavam o seu objeto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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(incorporada por BRF BRASIL FOODS S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, vencidos nessa parte, ampliavam o seu objeto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira manifestou intenção de apresentar declaração de voto. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 46 5/ 20 05 -7 0 Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.270 2 Relatório Versa o presente sobre a Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 16/171, efetuada em 31/01/2005, invocando créditos da Contribuição para o PIS/PASEP (com fundamento no art. 5o, § 1o da Lei no 10.637/2002), na sistemática não cumulativa, referentes ao mês de abril de 2004, no valor utilizado de R$ 600.000,00. Na Informação Fiscal de fls. 52/53, narrase que a empresa foi intimada e reintimada a apresentar a documentação necessária à análise de seu direito de crédito, sem atendimento, ocasionando o indeferimento do pleito. Tal informação é acolhida pelo Parecer Decisório de 04/11/2009 (fls. 55 a 58), que indefere o direito de crédito e não homologa as compensações correspondentes, com ciência à empresa em 02/12/2009. A empresa apresenta manifestação de inconformidade em 30/12/2009 (fls. 72 a 93) argumentando, em síntese, que: (a) o termo de início de fiscalização lavrado em 14/04/2009 não foi recebido pelo setor responsável pelo atendimento à fiscalização, não constando nos autos o aviso de recebimento referente a tal intimação, com a assinatura do recebedor, tendo a empresa solicitado aos correios informações acerca do nome do recebedor; (b) ao receber o termo de reintimação, o procurador da recorrente entrou em contato com os auditores para obter cópia do termo de início, que não fora recebido, tendo solicitado o prazo de vinte dias para apresentação de arquivos magnéticos, não tendo sido aceito o pedido de prorrogação; (c) o fato de haver uma segunda intimação não afasta a necessidade de concessão do prazo de vinte dias, estampado na Instrução Normativa SRF no 86/2001; (d) para análise do direito de crédito sequer haveria necessidade de se verificar arquivos magnéticos, bastando às autoridades a verificação e DIPJ, DCTF e DACON, ou outros documentos relativos às operações que geraram os créditos; (e) apesar de não ter sido possível atender no prazo a solicitação fiscal, as notas fiscais que a fiscalização demandou que estivessem à disposição, na empresa, sempre o estiveram; (f) não houve qualquer análise fiscal sobre a existência do crédito solicitado, nem questionamento em relação aos valores informados em DACON, ferindo os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material; e (g) para confirmar seu direito de crédito, a empresa junta, em sua peça de defesa, DVD com arquivos magnéticos e planilhas demonstrativas (validação à fl. 176). Em 17/06/2010 (fls. 180 a 189), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) a recorrente se limita a invocar sua própria desorganização administrativa para sustentar que não recebeu o termo de início de ação fiscal, ainda que documentado o recebimento pelos correios; (b) não há prova nos autos de que a empresa tenha solicitado prorrogação de prazo para apresentar arquivos magnéticos, e nem que tenha apresentado os outros documentos solicitados na intimação (que não se constituem em arquivos magnéticos); (c) a fiscalização sequer iniciou os exames do crédito justamente porque a empresa não atendeu a intimação para comprovar seu direito; (d) o único disco digital (DVD) juntado aos autos está incompleto, não contendo todos os arquivos magnéticos solicitados e enumerados de forma expressa pelas autoridades fiscais, faltando os arquivos mestres de notas fiscais de serviço emitidas (item 4.3.5), arquivos de itens de notas fiscais de serviço emitidas (item 4.3.6) e arquivo de insumos relacionados (item 4.6.1); e (e) a empresa não foi capaz de comprovar a liquidez e a certeza do direito de crédito informado nas compensações. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.271 3 Cientificada do acórdão da DRJ em 13/07/2010 (AR à fl. 191), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 12/08/2010 (fls. 198 a 241), basicamente reiterando as alegações expostas em sua manifestação de inconformidade, mormente no que se refere à verdade material e à instrumentalidade do processo, agregando que (a) há necessidade de que o presente processo seja julgado em conjunto com outros 29, relacionados às fls. 202/203, referentes a "créditos de PIS/COFINS" de julho de 2003 a outubro de 2005, objetos do mesmo mandado de procedimento fiscal, de modo a evitar decisões distintas para a mesma matéria; (b) a decisão da DRJ é ilegal, e cerceia o direito de defesa da empresa, pois, apesar de entender incompleta a documentação, o julgador sequer analisou os documentos apresentados (v.g., cópias de DACON, da ficha 21 da DIPJ, da ficha 20 da DIPJ 2004; e planilhas demonstrativas), e entendeu como necessários outros documentos (notas fiscais) que a própria fiscalização revelou que deveriam apenas ficar na empresa à disposição do fisco; (c) a decisão da DRJ violou o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972, pois, diante da documentação apresentada na manifestação de inconformidade, deveria haver análise pela DRJ ou conversão em diligência; (d) o prazo de 5 dias, concedido para atendimento à intimação, foi exíguo, tendo a empresa ainda sofrido autuação, no processo no 19515.003507/200990, para exigência de penalidade por atraso, prevista no art. 12, III da Lei no 8.212/1991, no qual a mesma turma julgadora da DRJ acatou a necessidade de 20 dias para atendimento; (e) houve falta de razoabilidade e proporcionalidade, com violação à moralidade administrativa; (f) a lista de documentos que a DRJ entendeu faltantes não foi apresentada porque a empresa não é prestadora de serviços, e em virtude de questões de segredo industrial; (g) pelos documentos acostados aos autos, resta provado o direito de crédito da empresa; e (h) em nenhum momento a fiscalização ou a DRJ demonstraram a iliquidez ou incerteza dos créditos, e a contabilidade faz prova a favor da empresa. Ao final da peça recursal (fls. 240/241), demanda a recorrente a realização de diligência, para que não restem dúvidas sobre suas alegações, e em nome da verdade material, com um quesito, dirigido à autoridade fiscal. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio. Em 02/09/2016 foi solicitada nova digitalização do processo, em virtude de problemas encontrados na digitalização anterior (fl. 12), prontamente atendida em 22/09/2016 (fl. 13). O processo foi indicado para a pauta em outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. 1. Da fase de fiscalização e das intimações efetuadas Cabe, de início, destacar que é incontroverso que, no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 42 a 47), referente a este e a outros 33 processos, consta intimação para que a empresa apresente, em cinco dias, planilhas demonstrativas do crédito, por mês, indicando as Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.272 4 contas contábeis correspondentes, e informe eventuais receitas cumulativas e ações judiciais, anexando ainda Livros de Registro e Entradas e Saídas, DACON e arquivos magnéticos, assim como disponibilize, em seu estabelecimento, as notas fiscais correspondentes. O Termo de Início de Ação Fiscal foi postado ao seguinte endereço (fl. 42): No extrato de fl. 48, consta que o documento foi entregue no destino, pelos correios, em 17/04/2009: A recorrente não questiona necessariamente o envio, ou a entrega, mas alega, em sua manifestação de inconformidade, que tal intimação não teria chegado ao conhecimento dos responsáveis, na empresa, pelo atendimento à fiscalização, e que estaria indagando aos correios quem foi o responsável pelo recebimento (fl. 74): No recurso voluntário, no entanto, a empresa não traz qualquer esclarecimento em relação ao tema, nem informa se obteve a resposta dos correios ao questionamento efetuado, identificando quem recebeu a correspondência entregue. Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.273 5 Sobre o tema, o CARF já tem posição assentada na Súmula no 9: “Súmula CARF no 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Nesse primeiro aspecto, seria irrelevante a empresa ter identificado o signatário do AR, para os efeitos de validade da intimação, se esta houvesse sido postada para o domicílio fiscal eleito pela empresa. No entanto, peca o fisco, por não anexar aos autos o AR assinado, que possibilitaria a indiscutível aplicação da súmula. Deveria a fiscalização ter anexado o AR, de modo, inclusive, a verificar se teriam os correios cumprido seu papel contratual. Vejase que a sigla SX, conforme as siglas utilizadas no rastreamento de objeto, pelos correios, corresponde ao SEDEX 10, e que em tal modalidade de envio, o horário de entrega informado no sistema (10:00) deve corresponder, exatamente, ao horário de entrega. No caso, ou os correios foram extremamente pontuais, entregando a correspondência no horário limite, ou pode ter havido algum problema no registro da informação, o que seria facilmente verificável, se houvesse o respectivo AR. Há falta de organização tanto por parte da empresa quanto do fisco, que não possuem suas vias do AR, ou até falta de organização dos correios, que sequer teriam entregado efetivamente a correspondência, promovendo registro incorreto no sistema, para atestar cumprimento contratual. Mas não é possível apurar isso com os elementos constantes do processo, e é pouco provável que, hoje, quase uma década após o envio, ainda sejam localizados tais documentos. Sendo controversa a primeira intimação, passo à segunda, essa sim com AR assinado anexado aos autos, tornando inequívoca a ciência (fl. 51): A reintimação, conforme fl. 49, foi enviada ao mesmo endereço da primeira intimação, e comprovadamente recebida em 24/06/2009. Em tal intimação já havia o alerta de que a falta de atendimento, no prazo estipulado, acarretaria “o indeferimento dos pedidos de ressarcimento” identificados nos respectivos processos. A empresa narra, em sua manifestação de inconformidade, que teria solicitado prorrogação do exíguo prazo de cinco dias, e detalhamento da intimação, que fazia referência à primeira, não reiterando expressamente todos os documentos demandados. E que tal Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.274 6 prorrogação lhe teria sido negada pela fiscalização, embora não se apresente qualquer documento nesse sentido. Esclareçase, de início, que não nos parece relevante a discussão sobre ser ou não exíguo o prazo, ou sobre haver menção a prazo diverso em dispositivo normativo. Isso porque, no caso, ainda que prorrogado o prazo, ele teria sido descumprido. Vejase que a ciência da intimação se dá em 24/06/2009, a informação fiscal pela negativa é de 22/07/2009, e a negativa de crédito data de 04/11/2009. Não consta que, nesse período, a empresa tenha movido qualquer esforço para fazer chegar ao fisco alguma documentação que comprovasse seu direito de crédito. Resta inequívoco, a nosso ver, que a empresa foi intimada a comprovar mediante documentação hábil seu direito de crédito, na fase de fiscalização, e não o fez. A seguir, se analisa a consequência de tal conduta, no contencioso administrativo. No entanto, cabe antes manifestação sobre a pertinência e a necessidade de apreciação conjunta dos demais processos mencionados pela recorrente em sua defesa, relacionados ao mesmo mandado de procedimento fiscal. 2. Dos demais processos relacionados no mandado de procedimento fiscal No Termo de Início da Ação Fiscal, percebese, como relatado, que a intimação se referia ao presente processo e a outros 33. A empresa, em seu recurso voluntário, pede que o presente processo seja julgado em conjunto com outros 29, relacionados às fls. 202/203, referentes a "créditos de PIS/COFINS" de julho de 2003 a outubro de 2005, objetos do mesmo mandado de procedimento fiscal, de modo a evitar decisões distintas para a mesma matéria. De tais processos, quatro estão sob minha relatoria (o presente e os processos de no 13804.000456/200589; no 13804.000461/200591; e no 10804.00469/200558), e serão apreciados nesta sessão, e um foi objeto de apreciação por esta turma, na sessão de setembro de 2016 (no 13804.000467/200569). Em nome da verdade material, verificamos o andamento que foi dado, no CARF, aos restantes 30 processos, no sistema “eprocessos”, de modo a verificar a pertinência e a possibilidade de julgamento conjunto, chegandose à conclusão de que tais processos se encontram, hoje, em cinco situações distintas. 2.1. Processos ainda não analisados pelo CARF, ou com digitalização incompleta O primeiro grupo, de 17 processos, ainda não foi analisado pelo CARF (alguns de tais processos, listados ao final da tabela a seguir, sequer estão completamente digitalizados, no “eprocessos”): Processo Tributo/Período Andamento 13804.007286/200482 COFINS Mai/2004 Após DRJ (05/08/2010), não houve Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.275 7 apreciação, no CARF. 13804.004345/200461 COFINS Abr/2004 Após DRJ (18/10/2011), não houve apreciação, no CARF. 13804.000471/200527 PIS Jul/2003 Após DRJ (10/06/2010), não houve apreciação, no CARF. 19679.010950/200511 COFINS Ago/2005 Após DRJ (10/06/2010), não houve apreciação, no CARF. 19679.010901/200588 PIS Jul/2005 Após DRJ (07/07/2010), não houve apreciação, no CARF. 13807.006906/200517 PIS Jun/2005 Após DRJ (07/07/2010), não houve apreciação, no CARF. 13804.000455/200534 PIS Jun/2004 Após DRJ (17/06/2010), não houve apreciação, no CARF. 13804.000457/200523 PIS Jul/2004 Após DRJ (17/06/2010), não houve apreciação, no CARF. 13804.003166/200597 PIS Abr/2005 Após DRJ (17/06/2010), não houve apreciação, no CARF. 19679.011501/200590 COFINS Set/2005 Após DRJ (27/05/2010), não houve apreciação, no CARF. 19679.011064/200512 PIS Ago/2005 Após DRJ (07/07/2010), não houve apreciação, no CARF. 13804.003168/200586 COFINS Mai/2005 Após DRJ (10/06/2010), não houve apreciação, no CARF. 19679.011500/200545 PIS Set/2005 Após DRJ (17/06/2010), não houve apreciação, no CARF. 13804.003657/200457 Processo sem conteúdo completo digitalizado, no eprocessos. 13807.006904/200528 Processo sem conteúdo completo digitalizado, no eprocessos. 13804.000468/200511 Processo sem conteúdo completo digitalizado, no eprocessos. 13804.003469/200429 Processo sem conteúdo completo digitalizado, no eprocessos. Tal grupo de processos não serve de parâmetro para qualquer tomada de decisão. E, por mais que não vejamos obrigatoriedade de seu julgamento conjunto, entendemos recomendável, e condizente com a celeridade plasmada na missão institucional do CARF, que assim se proceda, ainda mais porque há processos de períodos de apuração coincidentes (v.g., PIS e COFINS relativos a Ago/2005 e a Set/2005). Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.276 8 2.2. Processos para os quais foi solicitado AR à unidade local, para comprovar a regularidade da primeira intimação Um segundo grupo, de 2 processos, foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em janeiro de 2016, concluindo o colegiado que haveria dúvida sobre a regularidade da primeira intimação efetuada na fase de fiscalização, o que resultou na conversão do julgamento em diligência, para que a unidade local anexasse aos autos o AR correspondente: Processo Tributo/Período Andamento 13804.000458/200578 COFINS Set/2004 Baixado em diligência (R.3201 000.572, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação). 13804.008888/200457 COFINS Jun/2004 Baixado em diligência (R.3201 000.577, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação). Nesses casos, buscou saber o CARF se a primeira intimação foi regular. A providência, a nosso ver, é pouco efetiva, pelo fato de ter havido uma segunda intimação, regular, antes da negativa de crédito. 2.3. Processos para os quais foi solicitado AR à unidade local, para comprovar a regularidade da primeira intimação, e houve resposta, por parte dos correios O terceiro grupo de 8 processos coincide, na premissa, com o segundo, mas dele se diferencia pelo fato de já ter sido efetuada a diligência, pela unidade local, sem sucesso. Como nem a unidade local nem a empresa parecem ter cópia do AR, foi solicitada a cópia aos correios, que também não a possuem mais, apesar de informarem que a correspondência foi recebida em 17/04/2009, pelo Sr. Josué Mendes da Silva. Processo Tributo/Período Andamento 13804.000459/200512 COFINS Set/2004 Baixado em diligência (R.3201 000.573, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em 17/04/2009). 13804.000472/200571 PIS Ago/2003 Baixado em diligência (R.3201 000.578, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.277 9 17/04/2009). 13804.008887/200411 COFINS Jul/2004 Baixado em diligência (R.3201 000.643, de 23/02/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em 17/04/2009). 13804.003656/200593 COFINS Jun/2005 Baixado em diligência (R.3201 000.574, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em 17/04/2009). 13804.003167/200531 COFINS Abr/2005 Baixado em diligência (R.3201 000.579, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em 17/04/2009). 13804.003655/200549 COFINS Jul/2005 Baixado em diligência (R.3201 000.580, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em 17/04/2009). 13804.004251/200572 COFINS Out/2004 a mar/mai/jun/jul/ago/set/ 2005 Baixado em diligência (R.3201 000.575, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em 17/04/2009). 13804.004499/200533 COFINS Out/2005 Baixado em diligência (R.3201 000.576, de 25/01/2016, para juntar cópia do AR da primeira intimação – os correios responderam que não dispõem mais do AR, mas que há registro de que teria sido entregue ao Sr. Josué Mendes da Silva em 17/04/2009). Tal resultado da diligência endossa o que já manifestamos, no item 1 deste voto, sobre a baixa probabilidade de, uma década após o envio, ainda serem localizados tais documentos. Ainda não houve manifestação do CARF, posterior ao retorno da diligência, em Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.278 10 nenhum caso. Sem embargo, não se crê que o resultado da diligência venha a auxiliar em algo, no deslinde definitivo do contencioso. 2.4 Processos para os quais foi solicitado à unidade local que analisasse o direito de crédito, com base na documentação anexada aos autos pela empresa, e na documentação adicionalmente solicitada em sede de diligência anterior O quarto grupo de processos é composto, em verdade, por um único processo, que foi justamente o primeiro a ser julgado, no CARF, por esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 27/02/2014. Processo Tributo/Período Andamento 13804.000467/200569 PIS Out/2003 Baixado em diligência (R.3401 000.801, de 27/02/2014, para solicitar documentos; e R. 3401000.960, de 30/09/2016, para análise do direito de crédito). Naquele primeiro julgamento, a relatora, que não mais faz parte deste colegiado (tendo participado do julgamento apenas dois dos atuais componentes da turma – os conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida), propôs, com acolhida majoritária da turma (vencido apenas o conselheiro Julio César Alves Ramos), a conversão em diligência, para que a unidade local intimasse a recorrente a apresentar as notas fiscais referentes ao objeto do requerimento, livro razão, bem como demais documentos que entenda por bem juntar aos autos para comprovar o crédito. O processo retornou de diligência com documentos juntados, e esta turma, já em sua atual composição, na sessão de julgamento de 30/09/2016, por maioria, externou decisão (na qual fui vencido, ao lado do conselheiro Robson José Bayerl) no sentido de nova conversão em diligência, para que a unidade local quantifique e reconheça eventual direito de crédito a partir dos documentos apresentados na manifestação de inconformidade e na diligência, e de outros que entenda necessários. A nosso ver, a primeira diligência demandada pela turma, para agregar documentos, contraria um pressuposto básico do processo administrativo, aqui já externado, de que a diligência não se presta a suprir deficiência probatória das partes, mas tão somente a sanar dúvidas do julgador. Assim, eventual retorno dos autos para que a unidade apreciasse documentos anexados extemporaneamente, pela parte, ainda que a pedido do julgador, constituiria, a nosso ver, o alongamento da subversão do referido pressuposto básico. Nada impediria, no entanto, que a unidade local analisasse exclusivamente a documentação apresentada, tempestivamente, em sede de manifestação de inconformidade, e demandasse outra (a exemplo das próprias notas fiscais e do livro razão) que entendesse necessária ao detalhamento e à quantificação do crédito. Assim, a nosso ver, a decisão mereceria aparas, caminhandose em sentido que se aproxima do seguido pela decisão tomada no último grupo de processos a analisar, apresentada a seguir. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.279 11 2.5. Processos para os quais foi solicitado à unidade local que analisasse o direito de crédito, com base na documentação anexada aos autos pela empresa O quinto e último grupo, de 2 processos, paradoxalmente analisados pela mesma 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que apreciou todos os demais processos já citados (à exceção do no 13804.000467/200569), alguns na mesma sessão, teve desfecho diferenciado (e, também, paradoxalmente unânime): Processo Tributo/Período Andamento 13804.000454/200590 PIS Jan/2004 Baixado em diligência (R.3201 000.644, de 23/02/2016, para análise do direito de crédito com documentos anexados). 13804.000470/200582 PIS Ago/2004 Baixado em diligência (R.3201 000.645, de 23/02/2016, para análise do direito de crédito com documentos anexados). Em tais julgamentos foi ultrapassada a discussão sobre a regularidade da primeira intimação efetuada na fase de fiscalização, e demandado à unidade local que verificasse se os documentos trazidos na manifestação de inconformidade (e outros que se entendam necessários) comprovam o direito de crédito da recorrente. Assim como reconhecemos que o despacho decisório denegando o direito de crédito é correto, à luz dos elementos até então apresentados pela empresa, somos também forçados a reconhecer que a fase contenciosa do procedimento se iniciou com a manifestação de inconformidade, e nesta o sujeito passivo trouxe elementos não apresentados durante o curso da fiscalização, e que podem afetar seu resultado. Acolhemos, em tal caso, menos em nome da verdade material, como se explicará adiante, e mais pelas próprias disposições do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 (combinado com o § 11 do art. 74 da Lei no 9.430/1996), que a apresentação de documentos no prazo regularmente concedido para a manifestação de inconformidade merece atenção. Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive em processos da mesma recorrente: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.280 12 partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Três cenários podem, assim, surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda a este último cenário (“c”). Isso porque a ampla documentação trazida em sede de manifestação de inconformidade, ainda que não comprove definitiva e irrefutavelmente o direito ao crédito, gera, na mente deste julgador, fundada dúvida, suficiente a demandar à unidade local que a analise. É de se reconhecer, no entanto, que precluiu o direito de a recorrente trazer nova documentação ao processo, a não ser nas hipóteses relacionadas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Assim, deveria a unidade local, a nosso ver, restringirse a analisar a documentação carreada, bem assim outra que a própria unidade venha a demandar para melhor esclarecimento da situação (a exemplo das notas fiscais, que a fiscalização não solicitou, mas apenas exigiu que restassem a sua disposição no estabelecimento da empresa). Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.281 13 Acordamos, então, com a solução proposta para este último grupo de processos, e é nesse sentido que entendemos pertinente a conversão do presente julgamento em diligência, e não na forma ampla, solicitada pela empresa. 3. Dos esclarecimentos finais e da conclusão Devese esclarecer, com a proposta de conversão em diligência, a motivação de afastamento das preliminares de nulidade suscitadas pela defesa. Isso porque seria pouco relevante a conversão em diligência se, no mérito, já se pudesse decidir o processo de forma favorável a uma das partes. Consideramos não haver ilegalidade ou cerceamento do direito de defesa na decisão de piso, que entendeu, justificadamente, que a empresa não foi capaz de comprovar a liquidez e a certeza do direito de crédito informado nas compensações, enquadrando a situação naquilo que neste voto denominamos de cenário (“b”). O fato de discordarmos da DRJ não implica que aquela decisão seja nula, mas apenas que o entendimento aqui revelado é divergente. Não há, assim, cerceamento do direito de defesa na ausência de análise, justificada, pela DRJ, em relação aos documentos apresentados na manifestação de inconformidade, nem implica supressão de instância a apreciação inaugural do tema por este colegiado. Isso porque se está a discutir entendimentos (de direito) divergentes sobre uma mesma situação de fato. Tal confronto de posicionamentos jurídicos, aliás, é corriqueiro nos processos referentes a insumos, na legislação que rege as contribuições, visto que, usualmente, as unidades locais da RFB e DRJ adotam o conceito advindo da legislação do IPI, e os contribuintes, posicionamento afeto à legislação do IRPJ, enquanto o CARF tem adotado uma terceira posição, intermediária. Isso não enseja, por óbvio, que os processos que o CARF aprecia retornam à DRJ para que esta reanalise os argumentos ou documentos apresentados pela recorrente à luz do posicionamento jurídico do tribunal administrativo superior. A ausência de análise, pela DRJ, dos documentos apresentados na manifestação de inconformidade, repitase, justificadamente, tampouco viola o disposto no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. A DRJ não se esqueceu de apreciar tais documentos, ou se negou a fazêlo; ela simplesmente externou o posicionamento de que tais documentos não comprovavam a liquidez e a certeza do direito de crédito informado nas compensações, na forma em que apresentados na manifestação de inconformidade. Tal posição jurídica, embora divergente da aqui externada (de dúvida em relação à comprovação), é internamente coerente e justificada. Não há, nesse cenário, que se falar em nulidade da decisão da DRJ. No máximo, poderia haver, eventualmente, reforma de tal decisão, no mérito, a depender do resultado da diligência aqui demandada. Também não se vislumbra, no presente processo, violação à proporcionalidade, razoabilidade ou moralidade administrativa que possa ensejar nulidade, no presente processo. Tanto a unidade local da RFB quanto a DRJ, diante de intimação para que a empresa comprovasse seu direito de crédito, não atendida, negaram o crédito. E tal negativa é condizente com o ônus probatório, que, em pedidos do gênero, é do postulante ao crédito, representando sua inércia justificativa consistente para a negativa. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.282 14 Absolutamente desprovida de fundamento, assim, a alegação da recorrente de que em nenhum momento a fiscalização ou a DRJ demonstraram a iliquidez ou incerteza dos créditos. Repitase, incessantemente, em processos de pedido de crédito e compensações invocando crédito, incumbe ao postulante provar a liquidez e a certeza do crédito, e não ao fisco provar a iliquidez ou a incerteza. Voltese a esclarecer que estamos aqui a analisar o direito de crédito em função de dúvida surgida a partir da manifestação de inconformidade (dúvida essa que não teve o julgador de piso), se a documentação apresentada, após o procedimento fiscal, mas dentro do prazo regulamentar do contencioso, comprovaria tal direito. Tal dúvida torna pertinente invocar a verdade material (ou mesmo a instrumentalidade processual), não como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. Mas a verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, ambas as partes contribuíram pouco para a busca da verdade material. A fiscalização, porque diante da ausência de resposta à intimação para início da análise (que sequer foi acompanhada de AR) não cogitou de investigar a existência do crédito por outra forma. E a empresa, por inegavelmente não atender intimação (referimonos aqui, ao menos, à segunda intimação) para apresentar documentos, documentos esses que, em grande parte, acabou por trazer, depois, em sua manifestação de inconformidade. A ausência de colaboração da empresa toma uma proporção maior que a ausência de investigação, no caso, tanto pelo ônus probatório nos processos do gênero, a cargo do postulante, quanto pelo fato de não bastar a simples análise de DIPJ, DACON e DCTF (ao contrário do que alega a recorrente) para quantificação dos créditos. O acolhimento da diligência, então, tem relação secundária com a verdade material. Estáse aqui, tão somente, a admitir a análise de documentos tempestivamente apresentados na manifestação de inconformidade, diante de dúvida surgida no julgamento, e não de dilação probatória em nome da verdade material. Feitos tais esclarecimentos, é de se concluir pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade local analise a documentação tempestivamente apresentada em sede de manifestação de inconformidade, e diante de tal documentação (e de outra que a autoridade local entender necessária, como as notas fiscais que o fisco exigiu que ficassem à sua disposição na empresa, desde que prontamente apresentada quando demandada 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.283 15 pelo fisco), manifestese, conclusivamente, em relatório de diligência, sobre a eventual existência e quantificação do direito de crédito da empresa. Deve a unidade local dar ciência do relatório de diligência à empresa, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/2011, abrindose prazo para manifestação. Após a ciência e a eventual manifestação da empresa, os autos devem ser devolvidos a este CARF, para julgamento. Rosaldo Trevisan Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.284 16 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Peço permissão para explicar o voto, no sentido de concordar com a conversão do julgamento em diligência, mas acompanhando o ilustre relator Conselheiro Rosaldo Trevisan pelas conclusões, em seu muito bem elaborado voto. A razão para esta declaração reside na divergência com relação à aparente orientação do relator de que o Princípio da Verdade Material deve estar subordinado às provas juntadas pela contribuinte na inicial, ou, no limite, quando inaugura o contraditório. Vejamos que esse seu entendimento justificou seu juízo de avaliação da Resolução antecedente editada por esta Turma e também a sua afirmação de que diligência não se presta a suprir deficiência probatória: A nosso ver, a primeira diligência demandada pela turma, para agregar documentos, contraria um pressuposto básico do processo administrativo, aqui já externado, de que a diligência não se presta a suprir deficiência probatória das partes, mas tão somente a sanar dúvidas do julgador. Assim, eventual retorno dos autos para que a unidade apreciasse documentos anexados extemporaneamente, pela parte, ainda que a pedido do julgador, constituiria, a nosso ver, o alongamento da subversão do referido pressuposto básico. Nada impediria, no entanto, que a unidade local analisasse exclusivamente a documentação apresentada, tempestivamente, em sede de manifestação de inconformidade, e demandasse outra (a exemplo das próprias notas fiscais e do livro razão) que entendesse necessária ao detalhamento e à quantificação do crédito. Assim, a nosso ver, a decisão mereceria aparas, caminhandose em sentido que se aproxima do seguido pela decisão tomada no último grupo de processos a analisar, apresentada a seguir. E em adição o ilustre relator sublinha que o ônus probatório é exclusivamente de quem alega: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.285 17 (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) Em seu entendimento a diligência se justificaria se os julgadores tiveram dúvida a respeito dos fatos, mas não comportando a possibilidade que novas provas pudessem ser inseridas nos autos. Por isso sua orientação de que a diligência deveria restringirse a apreciar o que já consta dos autos: Três cenários podem, assim, surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. (...) É de se reconhecer, no entanto, que precluiu o direito de a recorrente trazer nova documentação ao processo, a não ser nas hipóteses relacionadas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Assim, deveria a unidade local, a nosso ver, restringirse a analisar a documentação carreada, bem assim outra que a própria unidade venha a demandar para melhor esclarecimento da situação (a exemplo das notas fiscais, que a fiscalização não solicitou, mas apenas exigiu que restassem a sua disposição no estabelecimento da empresa). Não tenho dúvida de que a diligência concorre para trazer contribuições ao julgamento. Mas acompanhei esta proposta de diligência pelas conclusões, pois os argumentos e os limites postos pelo ilustre relator divergem completamente do que venho esposando em meus votos. Por exemplo, defendo que o Princípio da Verdade Material deve sempre ser homenageado no contraditório, operando em harmonia com os demais princípios constitucionais e os que regem os atos da administração pública, e também operando em harmonia com o princípio da justiça fiscal (que informa que não pertence ao interesse público maior cobrar ou reter o tributo indevido, ou obter enriquecimento injusto). Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.286 18 Por isso tenho proposto a relativização do instituto da preclusão probatória, em nome da busca da verdade material, ressaltando o caráter instrumental do processo administrativo. Esposo o entendimento que dá as fundações e orienta o contido na Resolução citada pelo Relator, o entendimento de que a administração pode agir e decidir sob o manto dos Princípios da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado. Esses princípios justificariam a legalidade e a legitimidade de decisões que ultrapassariam os equívocos cometidos pelos contribuintes em suas obrigações acessórias e em suas petições. Há cabimento para que, em uma aproximação de boafé e lealdade, a administração interpele por esclarecimentos quando se vê diante de incongruências e erros nas petições de contribuinte, e crie a oportunidade para eventuais saneamentos, se possíveis pelo que determina a lei. O fato de esse processo estar submetido à apreciação deste Colegiado entrega a ele a competência para admitir a retificação das declarações fiscais quando se constata que elas trazem erros diante do que se apura na escrituração ou do que se apura empiricamente na atividade da contribuinte. Este colegiado pode não acolher a motivação de glosa baseada unicamente na falta de apresentação de documentos em resposta às intimações da autoridade fiscal. Ele pode buscar conhecer o que constava nas declarações prestadas pela contribuinte ao fisco; ou, ainda, o que consta de suas escritas empresarial e fiscal. Elas estão à disposição do contraditório. Ou seja, não se constituiria fato intransponível para a verificação do direito a crédito estar a Inicial ou o primeiro recurso insuficientemente instruídos na visão do julgador do 2º piso. Esse entendimento se consubstanciou naquela Resolução citada pelo relator para a autoridade tributária e fiscal na unidade local verificar a procedência do crédito, aproveitando tudo o que consta do processo, mas podendo requerer outros documentos que entender necessários, inspecionar, periciar, e outras providencias admitidas para o exercício de sua competência. No encontro de documentos contábeis e notas fiscais com as declarações prestadas pela contribuinte à administração tributário fiscal, deve prevalecer a Verdade Material sobre a formalidade. Se comprovadas a materialidade e a procedência da alegação da contribuinte, e o seu enquadramento nas prescrições da legislação que disciplina os créditos, eles devem justificar o reconhecimento do direito a crédito, mesmo que se constatem erros no preenchimento de declarações fiscais e na escrituração. Creio que podemos encontrar inteligibilidade que guie e fundamente os atos processuais, reconhecendo que as formas prestam serviço instrumental. E que elas devem sempre homenagear os Princípios maiores, em especial os da ampla defesa, do contraditório, da verdade material e justiça fiscal (não exigir ou reter tributo indevido). Em meu entendimento, a ordem jurídica nacional, em nossos dias, vem sendo influenciada por uma poderosa onda que valoriza a celeridade. Pareceme que há vários sinais nessa direção. Destaco entre eles o que põe o novo CPC, quando confere maior alma à primazia da resolução do mérito, à cooperação e à busca de solução mais breve do litígio, como, por exemplo, nos seus artigos 4o, 6o, 139 e 140. Os avanços na esfera judicial, sempre na vanguarda, chegaram mesmo a retomar e impulsionar as possibilidades de decisões e sentenças Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.287 19 parciais em ações judiciais. E eles vão repercutir gradualmente na esfera administrativa, por sua inescapável força subsidiária, concorrendo para o aperfeiçoamento e a valorização da primazia da resolução do mérito. Lei n. 13.105, de 2015 (novo CPC) (...) Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1o É permitida a arbitragem, na forma da lei. § 2o O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. § 3o A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial. Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. Art. 5o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: I à tutela provisória de urgência; II às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; III à decisão prevista no art. 701. Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.288 20 oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. (...) Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindolhe: I assegurar às partes igualdade de tratamento; II velar pela duração razoável do processo; III prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça e indeferir postulações meramente protelatórias; IV determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou subrogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária; V promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais; VI dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequandoos às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito; VII exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força policial, além da segurança interna dos fóruns e tribunais; VIII determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquirilas sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso; IX determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outros vícios processuais; X quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas, oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legitimados a que se referem o art. 5o da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985, e o art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, para, se for o caso, promover a propositura da ação coletiva respectiva. Parágrafo único. A dilação de prazos prevista no inciso VI somente pode ser determinada antes de encerrado o prazo regular. Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico. (GRIFOS ACRESCIDOS) Como podemos ler nesse poucos artigos do novo CPC, podese constatar como ele logra erguer preciosas balizas e valores a orientar a autoridade judicante e as partes a conduzir os processo e os procedimentos. A meu ver, há um reconhecimento da prevalência dos Princípios, não admitindo que as formas os asfixiem, mas que elas possam concorrer para lhes dar corporeidade, sob a decisão daqueles que exercem a condução do processo. Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 13804.000465/200570 Resolução nº 3401001.129 S3C4T1 Fl. 1.289 21 Perdoemme os Conselheiros pela exigüidade dessas minhas ponderações, mas em parte esse proceder é resultante do amor pelo diálogo sendo disciplinado pelo imperativo da escassez de tempo e do apreço pela objetividade e brevidade. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 1289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900772/2009-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.449
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CGTF CENTRAL GERADORA TERMELETRICA FORTALEZA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 72 /2 00 9- 16 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3101001.728, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso seja conhecido, seu nãoprovimento, mantendo a decisão recorrida nos termos em que proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.432, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.900758/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.432): Da Admissibilidade "Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 4 3 É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido." Do Mérito "A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicandose, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 5 4 E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 6 5 foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 7 6 simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 8 7 manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 10 9 III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” (Grifos meus) Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 11 10 É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002 SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.' Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 12 11 E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos 'visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados'. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello por ter sido apresentada no Acórdão 9303004.432 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram pelas conclusões: "A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade." Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 9303004.449 CSRFT3 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 621DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721241/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
NORMA EM VIGOR. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO.
A existência de veículos normativos vigentes e válidos impede que se decida de forma a contrariar seus preceitos, nos termos da Súmula n. 2 deste Conselho. Ademais, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela constitucionalidade da Lei Complementar n. 105/2001.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA.
Ainda que o contribuinte não tenha apresentado os dados pela fiscalização, deve-se afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou nem prejudicou, de forma incisiva, a definição da base de cálculo dos tributos lançados. Aplicação da Súmula 96 deste Conselho.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanece sujeita ao regime cumulativo do PIS e da COFINS.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PODERES DE GESTÃO E BENEFÍCIO ECONÔMICO.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, notadamente nos casos em que, além de possuírem poderes de gestão, revelam-se como os beneficiários econômicos da operação.
Numero da decisão: 1201-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. NORMA EM VIGOR. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO. A existência de veículos normativos vigentes e válidos impede que se decida de forma a contrariar seus preceitos, nos termos da Súmula n. 2 deste Conselho. Ademais, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela constitucionalidade da Lei Complementar n. 105/2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado os dados pela fiscalização, deve-se afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou nem prejudicou, de forma incisiva, a definição da base de cálculo dos tributos lançados. Aplicação da Súmula 96 deste Conselho. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanece sujeita ao regime cumulativo do PIS e da COFINS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PODERES DE GESTÃO E BENEFÍCIO ECONÔMICO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, notadamente nos casos em que, além de possuírem poderes de gestão, revelam-se como os beneficiários econômicos da operação.
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INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. NORMA EM VIGOR. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO. A existência de veículos normativos vigentes e válidos impede que se decida de forma a contrariar seus preceitos, nos termos da Súmula n. 2 deste Conselho. Ademais, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela constitucionalidade da Lei Complementar n. 105/2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 41 /2 01 4- 28 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 3 2 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado os dados pela fiscalização, devese afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou nem prejudicou, de forma incisiva, a definição da base de cálculo dos tributos lançados. Aplicação da Súmula 96 deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanece sujeita ao regime cumulativo do PIS e da COFINS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PODERES DE GESTÃO E BENEFÍCIO ECONÔMICO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, notadamente nos casos em que, além de possuírem poderes de gestão, revelamse como os beneficiários econômicos da operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e reflexos relativos ao anocalendário de 2010. O crédito tributário total apurado foi de R$ 42.883.478,12, com multa de ofício qualificada e agravada. A autuação baseiase em depósitos bancários de origem não comprovada, caracterizadores de omissão de receita. Também foram lavrados termos de responsabilidade tributária solidária em desfavor das seguintes pessoas: o Sr. Jefferson Mucciolo (inscrito no CPF sob n. 106.236.81854), o Sr. Alberto Mucciolo (inscrito no CPF sob n. 000.347.03853), a Sra. Alessandra Mucciolo (inscrita no CPF sob n. 272.945.59613) e o Contribuinte JEFF MUCC Gestão Empresarial Ltda. EPP (pessoa jurídica inscrita no CNPJ sob n. 05.759.924/000190). Como a matéria jurídica foi bem relatada pelo Termo de Verificação Fiscal, reproduzo os principais fatos em discussão nos excertos a seguir (destacaremos): O contribuinte acima indicado foi selecionado para a Fiscalização pela Receita Federal do Brasil RFB, para que fossem apurados os reflexos tributários sobre o Imposto de Renda e Contribuições Sociais, que deixaram de ser recolhidos em conseqüência da participação desse contribuinte no esquema de descaminho de consoles de vídeos, conforme relatório elaborado pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 8o Região Fiscal, IPEI N°: SP20120012, com base no inquérito policial IP 0204/200911DELEFIN/DRCOR/SR/DPF/SP do qual resultou no processo judicial n° 001137693.2010.403.6181 (2a Vara Criminal Federal de São Paulo). Da análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ/2011 apresentada a RFB com base no lucro presumido, relativa ao anocalendário 2010, verificase, de pronto, a incompatibilidade entre as receitas nela declaradas no valor de R$ 1.143.784,06 (um milhão, cento e quarenta e três mil, setecentos e oitenta e quatro reais e seis centavos) e a movimentação financeira realizada pelo contribuinte no período objeto da ação fiscal, anocalendário 2010, no valor de R$ 165.265.213,24 (cento e sessenta e cinco milhões, duzentos e sessenta e cinco mil, duzentos e treze reais e vinte e quatro centavos). Por esta razão, a fiscalização foi programada para a aplicação dos procedimentos relativos à movimentação financeira incompatível com os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis declarados pelo fiscalizado na DIPJ/2011, ano calendário 2010. (...) Ciente do início da ação fiscal, o fiscalizado não deu qualquer atendimento, no prazo cedido, à intimação constante do Termo Fl. 770DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 5 4 de Início de Fiscalização, razão pela qual no dia 02 de setembro de 2013, compareci no domicílio tributário do contribuinte, Rua Cantagalo, 74, onde fui atendido pela recepcionista do edifício, Patrícia da Silva Delmondes, que declarou em Termo de Diligência Fiscal lavrado naquele ato, que a Techtronics mudouse daquele edifício há mais de 3(três) anos, entretanto, toda semana um portador passa pela portaria para recolher a correspondência destinada àquela empresa. Por essa razão continuamos enviando os Termos lavrados para aquele endereço, por via postal, com aviso de recebimento, cabendo ressaltar que apenas o último Termo lavrado em 11 de outubro de 2014, foi devolvido com a informação MUDOUSE, razão pela qual a ciência a esse Termo foi dada pelo Edital n° 168/2014, afixado no saguão desta repartição fiscal com acesso ao público, nos termos do inc. II do art. 11 do Decreto n° 7.574/2011. Diante da não localização da pessoa jurídica no seu domicílio tributário, elaborei a Representação Fiscal para Fins de Declaração de Inaptidão da Inscrição da Pessoa Jurídica no CNPJ, protocolizada sob n° 19515.721964/201346, cujos efeitos passaram a viger a partir do dia 9 de outubro de 2013. As situações fáticas encontradas pela Fiscalização, como a não apresentação da documentação necessária para a realização da ação fiscal, a não localização do contribuinte em seu domicílio tributário e a inaptidão no CNPJ, restou a esta Fiscalização, apenas, prosseguir nos seus trabalhos requerendo os extratos bancários, contendo a movimentação financeira relativa ao ano calendário de 2010, diretamente das instituições financeiras intervenientes, nos termos dos incisos VII e XI, do art. 3o do Decreto n° 3.724/2001. Pela análise individual dos registros constantes dos extratos das contas correntes bancárias recebidos, desconsiderandose as transferências de outras contas correntes da pessoa jurídica, verificase que, de fato, o contribuinte movimentou no ano calendário de 2010, mediante créditos em suas contas correntes bancárias o montante de R$ 165.265.213,24, enquanto os valores declarados tanto na DIPJ2011 apresentada à Receita Federal do Brasil, como nas Guias de Informação e Apuração do ICMS GIAS, os valores informados não ultrapassam a R$ 1.150.000,00, respectivamente, conforme demonstrativo abaixo, caracterizandose este fato como omissão de receitas nos termos do art. 287 do Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99.: (...) DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS Consta da Ficha Cadastral emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo que a pessoa jurídica foi constituída em 1o de julho de 2009, tendo como sócios a Sra. Orlanda Guizardi Seixas Silva, CPF n° 310.734.75824, e Sebastião Pereira de Lacerda, CPF n° 125.589.25873, com o capital subscrito e Fl. 771DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 6 5 integralizado no valor de R$ 25.000,00 e R$ 475.000,00, respectivamente, perfazendo o total de R$ 500.000,00. A sócia Orlanda retirouse da sociedade em 26 de outubro de 2010, ficando unipessoal o quadro societário, remanescendo apenas o Sebastião Pereira de Lacerda como único integrante do quadro social, situação que permanece até o presente. Ressaltese que a sócia Orlanda apresentou a sua última Declaração de Ajuste Anual relativamente ao anocalendário de 2008, exercício de 2009, informando rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 900,00 por mês, perfazendo o total de R$ 10.800,00 durante todo o ano de 2008. Naquela oportunidade informou como bem e direito integrante do seu patrimônio apenas uma participação de 25% no capital social da Pharmaket Serviços S/M Ltda., CNPJ 05.497.679/000190, que, embora continue ativa no CNPJ, apresentou a última DIPJ, relativa ao anocalendário de 2007, como inativa, encontrando se omissa quanto à apresentação da DIPJ a partir do ano calendário de 2009. Já o sócio Sebastião apresentou a Declaração Anual da Pessoa Física relativamente ao anocalendário de 2013, exercício de 2014, na qual informa, apenas, rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor mensal e fixo de R$ 2.000,00, perfazendo o total de R$ 24.000,00 no ano de 2013. Nenhum bem ou direito consta da Declaração apresentada, também não informou qualquer rendimento recebido da Techtronics nem, tampouco, a sua participação societária nessa pessoa jurídica, apesar do valor significativo, subscrito e integralizado, de R$ 475.000,00, conforme consta do contrato social registrado na Junta Comerciai do Estado de São Paulo. Por outro lado, o Relatório elaborado pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil na 8a Região Fiscal Espei/8a, demonstra de forma inequívoca que a pessoa jurídica Techtronics Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda. integra um grupo informal de empresas sediadas no Estado de São Paulo, que o Espei/8a denomina "Grupo ALBERT, voltadas para a prática de condutas que, em tese, podem configurar crimes de descaminho, falsidade ideológica, simulação de operações internas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações revelaram que JEFFERSON MUCCIOLO, CPF 106.236.81854, é o principal responsável pelo Grupo, o qual administra e coordena direta e indiretamente as atividades das empresas ligadas ao Grupo ALBERT. Seu pai, ALBERTO MUCCIOLO, CPF 000.347.03853, vem atuando de forma mais comedida, dando orientações e assumindo a administração das empresas quando seu filho JEFFERSON está ausente. Entretanto, ALBERTO corrobora e muitas vezes incentiva a prática delitiva no âmbito do Grupo". Os documentos encaminhados a esta Fiscalização pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Fl. 772DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 7 6 Informações sobre Movimentação Financeira, expedidas pelo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil DEFIS SÃO PAULO, confirmam a existência desse Grupo informal de empresas comandadas por JEFFERSON MUCCIOLO, sua esposa ALESSANDRA MUCCIOLO, CPF e seu pai ALBERTO MUCCIOLO, caracterizados como reais proprietários e beneficiários do patrimônio e dos rendimentos proporcionados pela empresa TECHTRONICS, como demonstrado a seguir: 1) JEFFERSON MUCCIOLLO CPF: 106.236.81854 No dia 13 de outubro de 2010, foram emitidos pela TECHTRONICS os cheques relacionados abaixo, cuja soma alcança o montante de R$ 11.500.000,00 (onze milhões e quinhentos mil reais) que, além de nominais a JEFFERSON MUCCIOLO, consta no verso desses cheques a seguinte inscrição: Este cheque destinase a investimento VGBL proposta n° Jefferson Mucciolo: (...)Data Operação Doe Num Valor R$ 13/10/2010 CHEQUE 1423 630.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1416 900.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1419 980.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1420 990.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1421 1.050.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1414 1.100.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1422 1.130.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1415 1.150.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1412 1.180.000,00 13/10/2010 CHEQUE 1413 1.190.000,00 Intimado a comprovar o propósito negocial desses recebimentos, inicialmente solicitou a prorrogação do prazo por mais 100 (cem) dias, tempo que, segundo ele, seria suficiente para que obtivesse junto à instituição bancária a cópia dos extratos e comprovantes. Como esta Fiscalização já dispunha desses mesmos elementos, apresentouos ao seu mandatário, concedendolhe mais 20 (vinte) dias de prazo para que demonstrasse o propósito negocial desses cheques, cabendo ressaltar que nenhuma justificativa foi apresentada no transcorrer desse novo prazo. Além dos cheques acima, emitidos pela TECHTRONICS tendo JEFFERSON MUCCIOLO como beneficiário, fica patente a utilização dos recursos da empresa em seu próprio benefício, para aquisições de vários imóveis mediante o pagamento ora em cheque, ora por Transferência Eletrônica Disponível TED, conforme demonstrado a seguir: (...) 2) ALBERTO MUCCIOLO CPF: 000.374.03853 Fl. 773DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 8 7 Esta Fiscalização identificou que Alberto Mucciolo recebeu da TECHTRONICS, no dia 7 de abril de 2010, o cheque n° 708, no valor de R$ 12.500,00. Intimado a comprovar o propósito negocial desse recebimento, o intimado solicitou o prazo adicional para atendimento, porém não deu qualquer justificativa até a presente data. Pelo já mencionado relatório elaborado pelo Espei/8a, o Alberto Mucciolo permaneceu em silêncio quando do seu interrogatório. Todavia os funcionários Patrícia Gomes da Silva, Fernanda Gonçalves dos Santos, Jean Augusto de Paula Favaretto e Neuma Regina da Silva, confirmaram que Alberto Mucciolo juntamente com seu filho Jefferson Mucciolo, são os responsáveis de fato pela TECHTRONICS, exercendo a administração dessa empresa ora orientandoos quanto aos pagamentos a serem efetuados, ora repassando os pedidos dos clientes para serem atendidos. Além do mais, documentos encontrados na residência de Alberto Mucciolo, sobre consultas em sites sobre informações de Créditos tem como usuário a TECHTRONICS COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA. 3) JEFFMUCC GESTÃO EMPRESARIAL LTDA EPP CNPJ: 05.759.924/000190 Esta Fiscalização constatou que a empresa JEFFMUCC GESTÃO EMPRESARIAL LTDA., recebeu mediante transferências bancárias efetuadas pela TECHTRONICS, no decorrer do anocalendário de 2010, cuja soma alcança o valor de R$ 2.026.572,00: (...) Intimado a comprovar o propósito negocial desses recebimentos, o intimado respondeu apresentando as notas fiscais por ele emitidas, discriminando no corpo dessas notas a inscrição "comissões de vendas no período". Embora coincidam em valores com as transferências das contas correntes bancárias de titularidade da pagadora TECHTRONICS e da recebedora, JEFFMUCC, chama a atenção a seqüência numérica das notas fiscais emitidas, indicando que a JEFFMUNCC teve TECHTRONICS como único cliente. Pelo Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Limitada, verificase que a pessoa jurídica JEFFMUCC GESTÃO EMPRESARIAL LTDA., foi constituída em 30 de maio de 2003, tendo como sócios JEFFERSON MUCCIOLO e ALBERTO MUCCIOLO. O relatório elaborado pela Espei/8a, assim descreve a atuação da empresa JEFFMUCC, no Grupo ALBERT: "O fato de a empresa JEFFMUCC fornecer notas fiscais de prestação de serviços para outras empresas do Grupo ALBERT, especialmente a TECHTRONICS, em que pese não haver prestação de serviço algum (POIS NA VERDADE PERTENCEM ÀS MESMAS PESSOAS JEFFERSON E ALBERTO), demonstra Fl. 774DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 9 8 intenção de dar aparência lícita ao dinheiro obtido com os lucros da comercialização ilícita dos produtos eletrônicos descaminhados no Paraguai, sendo que tal atividade ocorre em nome da empresa TECHTRONICS, a qual está em nome de sócios laranjas". Observase que as rendas declaradas por JEFFERSON MUCCIOLO como recebidas da JEFFMUCC, assim como os bens (especialmente veículos) adquiridos em nome dessa empresa chegam até JEFFERSON de maneira limpa, como se fossem provenientes de serviços por ela prestados, mas na verdade, o dinheiro que entra na JEFFMUCC provêm da TECHTRONICS e de outras empresas do Grupo, que estão em nome de laranjas, mas que são, efetivamente, administradas pelo próprio JEFFERSON e, portanto oriundo de atividades delituosas por ele praticadas. (...) 4) ALESSANDRA MUCCIOLO: Esta Fiscalização identificou que ALESSANDRA MUCCIOLO recebeu, no decorrer do anocalendário de 2011, da TECHOTRONICS mediante transferências eletrônicas de recursos e cheques, no valor total de R$ 156.028,06, conforme relação abaixo: (...) Intimada a comprovar o propósito negocial desses recebimentos, solicitou prorrogação do prazo inicialmente concedido, todavia não deu qualquer atendimento até o presente. Diante dos fatos acima, esta Fiscalização intimou o sócio Sebastião Pereira de Lacerda a comprovar a integralização do capital social subscrito na TECHTRONICS, o qual não deu qualquer atendimento à referida intimação, o que nos leva a concluir que não houve a integralização do capital que, segundo contrato social registrado na JUCESP, teria sido por ele subscrito e integralizado. Portanto, chegase à conclusão de que os sócios Orlanda Guizardi Seixas Silva e Sebastião Pereira de Lacerda são pessoas simples, cujos patrimônios e rendimentos são incompatíveis com os de sócios de fato de uma pessoa jurídica que movimentou no anocalendário de 2010, o valor de R$ 165.265.213,24, tratandose de interpostas pessoas dos verdadeiros proprietários e sócios de fato, porém ocultos, da fiscalizada, enquanto os verdadeiros proprietários e beneficiários do patrimônio e das rendas proporcionadas pela empresa são JEFFERSON MUCCIOLO, ALBERTO MUCCIOLO e ALESSANDRA MUCCIOLO, conforme se constata diante do volume de recursos vertidos do patrimônio da pessoa jurídica TECHTRONICS COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS para as pessoas acima nominadas. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 10 9 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Desde a lavratura do Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar a esta Fiscalização a sua escrituração comercial e fiscal. Como o fiscalizado não deu qualquer atendimento aos referidos termos, restou a esta Fiscalização buscar as informações sobre a receita bruta realizada nos créditos/depósitos em suas contas correntes bancárias onde se constatou, após análise individualizada dos créditos e a exclusão dos valores decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica, que a receita bruta auferida no anocalendário de 2010 alcançou o valor total de R$ 165.265.213,24, cujos valores mensais discriminamos abaixo: (...) Pelo Edital n° 168/2014, afixado no saguão desta repartição fiscal, o fiscalizado foi Intimado a comprovar a origem dos créditos/depósitos em suas contas correntes bancárias. Ressalte se que a este Termo o contribuinte não deu qualquer atendimento, caracterizandose tais créditos/depósitos como receitas omitidas nos termos do art. 287 do Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda e, desta forma, essa também é a receita bruta conhecida, cuja origem tributada, isenta ou não tributada, apesar de regularmente intimado, o fiscalizado não logrou demonstrar. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Diante dos fatos acima expostos, devidamente comprovados pela documentação juntada neste processo administrativo, fica evidente a responsabilidade solidária, como sócios ocultos, Fl. 776DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 11 10 reais proprietários e beneficiários do patrimônio e da renda movimentada, no anocalendário de 2010, pela pessoa jurídica TECHTRONICS COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, pelos créditos tributários constituídos por esta Fiscalização com base nas receitas omitidas pela fiscalizada TECHTRONICS, por ficar demonstrado, de forma inequívoca, o interesse comum dessas pessoas nas situações que constituíram os fatos, nos termos do artigo 124 do CTN. Sobre a ciência das autuações e argumentos de defesa apresentados pelos interessados, assim se manifestou a decisão de piso: Do todo o Contribuinte tomou ciência via Edital em 06/12/2014 (fl. 619). Já os imputados responsáveis tributários solidários foram intimados do feito, via Correios, em 01/12/2014 (fls. 615/618). A partir daí, tornam aos autos tanto Contribuinte quanto imputados responsáveis tributários solidários em 22/12/2014 (fls. 624/627, 660/664, 676/680). Reclama o Contribuinte: (a) falta de notificação e/ou intimação dos expedientes tirados no curso ou mesmo ao final do procedimento fiscal; (b) crê indevido a Fiscalização se pautar em critérios amostrais, sem prova de vínculo com os fatos verdadeiramente acontecidos; (c) não houve espaço para que se pudesse prestar os devidos esclarecimentos, disso tudo decorrendo a invalidade do procedimento; (d) da ilegalidade na quebra do sigilo bancário, e consequente impertinência do todo exigido; (e) de toda forma, o que daí se extrairia não seria signo de renda e/ou receita própria, servientes, uma e outra, de base de cálculo para as exações em comento; (f) sobre as exigências de Contribuição ao PIS e de Cofins estaria ao abrigo da incidência não cumulativa, circunstância essa não observada na autuação; (g) o tanto documental que então foi exigido estava em poder da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, circunstância que justificaria a eventual falta de sua entrega à Fiscalização Federal. De sua vez, pondera JEFFMUCC Gestão Empresarial Ltda. EPP, em essência, que nada mais fizera além de dar curso a contrato de representação comercial que firmara com o Contribuinte, disso emitindo as devidas notas fiscais de prestação de serviço, tudo conforme "declarou e recolheu devidamente os impostos" (fl. 664). Fl. 777DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 12 11 Já as pessoas físicas o Sr. Jefferson Mucciolo, o Sr. Alberto Mucciolo e a Sra. Alessandra Mucciolo argumentam no sentido de "nunca pertencerem ao Quadro Societário da empresa fiscalizada [...]. Apenas tiveram relação comercial com a empresa JEFFMUCC GESTÃO EMPRESARIAL LTDA e foram remunerados dentro da Lei, dos quais todos os recebimentos foram declarados à Receita Federal do Brasil" (fl. 678). Ainda ponderam que cheques e transferências bancárias questionados pela Fiscalização teriam sido "feitos pelos sócios de Fato e de Direito da TECHTRONICS, Srs. SEBASTIÃO PEREIRA DE LACERDA e ORLANDA GUIZARDI SEIXAS SILVA" (fl. 678). Enfim, ainda no tópico de atribuição de responsabilidade tributária, todos que nesses autos foram levados a tal condição observam que a jurisprudência do Conselho Administrativo da Recursos Fiscais CARF veda dita atribuição à só circunstância de que (ainda que por hipótese, visto que negam a qualidade) viessem a disputar a posição de sócio na pessoa jurídica autuada. Em sessão de 11 de agosto de 2015 a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para reduzir a multa de 225% para 150%. Com a decisão foi interposto Recurso de Ofício. Por seu turno, a empresa TECHTRONICS e os interessados JEFFMUCC e Alessandra, Jefferson e Alberto Mucciolo apresentaram Recursos Voluntários, estes três último em peça única. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Para a análise dos temas em litígio fazse necessário verificar o teor dos Recursos Voluntários apresentados pelos interessados, que foram protocolizados em 25 de setembro de 2015, na DRF de Piracicaba, conforme resumo a seguir: Fl. 778DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 13 12 JEFFMUCC Gestão Empresarial Ltda. (fls. 744 a 747): alega que a fiscalização desconsiderou as notas fiscais de prestação de serviços emitidas e que a descaracterização de contratos só pode se dar por sentença judicial. Questiona a responsabilidade solidária que lhe foi imputada, afirma que possui relação comercial com a Recorrente e que não há provas de conluio, sendo necessária a aplicação do artigo 112 do CTN. TECHTRONICS (fls. 750 a 753): A autuada alega que não teve a oportunidade de se defender, o que evitaria o arbitramento. Entende que a ausência de intimação pessoal macula o procedimento, tornandoo nulo. No mérito, aduz que a quebra de sigilo pela própria administração é inconstitucional, conforme entendimento do TRF da 3a Região, que o arbitramento é medida grave e que o PIS e a COFINS são de natureza não cumulativa. Alessandra Mucciolo, Alberto Mucciolo e Jefferson Mucciolo (fls. 756 a 759): os solidários pessoa física alegam que possuíam relação comercial apenas com a empresa JEFFMUCC, mas não com a autuada. Aduzem que jamais pertenceram aos quadros da autuada nem tampouco atuaram como sócios ocultos. Aduzem, ainda, que a alegação de conluio não foi comprovada pela fiscalização e que dever ser aplicado, no caso, o artigo 112 do CTN. Pois bem. No que tange às preliminares de nulidade, por cerceamento do direito de defesa e não intimação pessoal dos interessados, a alegação não pode prosperar. Notase, à evidência, o esforço e o cuidado da autoridade fiscal em localizar e intimar o sujeito passivo, tanto assim que realizou diligência no próprio domicílio da empresa e constatou, mediante declaração de funcionários do prédio, que esta havia saído de lá há três anos. Curiosamente, ao apresentar seu recurso voluntário em 2015, a empresa ainda informa ter domicílio no mesmo local: Rua Cantagalo, 74. Ao assumirmos essa informação como verídica cai por terra qualquer alegação quanto às intimações, posto que os termos foram lavrados e encaminhados para esse exato endereço. Ademais, todos os interessados compareceram ao processo e solicitaram prazo para atendimento às intimações, embora jamais tenham apresentado qualquer documento ou esclarecimento adicional. No mesmo sentido, ressaltese que a fase do contraditório somente se instaura com a ciência dos autos de infração e dos termos de responsabilidade. Como todos os imputados apresentaram defesa, não se vislumbra qualquer nulidade ou cerceamento, razão pela qual não há como acolher as preliminares suscitadas. Quanto à alegação de impossibilidade de quebra do sigilo bancário, também não assiste razão à empresa. O acesso original das autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na Constituição Federal, mais precisamente no artigo 145, § 1º: Fl. 779DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 14 13 § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. No mesmo sentido, o artigo 197 do Código Tributário Nacional já previa o acesso às informações bancárias: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Posteriormente, sobreveio a Lei Complementar n. 105/2001, que regulamentou o acesso às informações bancárias: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente Com a edição da Lei Complementar n. 105 foram publicados, ainda, a Lei n. 10.174/2001, e o Decreto n. 3.724, do mesmo ano, que trouxeram detalhes sobre os procedimentos para a obtenção das informações. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 15 14 A questão, inclusive, já foi objeto de deliberação pelo STF, que em fevereiro de 2016 decidiu pela constitucionalidade da Lei Complementar n. 105. Quanto à omissão de receitas, a base legal do auto de infração é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Por óbvio que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 16 15 E isso efetivamente ocorreu no caso concreto, pois a autoridade fiscal elaborou relação pormenorizada (de 25 páginas) com todos os lançamentos que careciam de comprovação, dando à Recorrente a oportunidade de comprovar as respectivas origens e operações (fls. 499 e seguintes). Entendo que, ao assim proceder, agiu a autoridade lançadora com a devida diligência e o cuidado que devem nortear as hipóteses de omissão de receitas, no sentido de perquirir e dar oportunidade para que o Contribuinte apresente documentos, notadamente os relativos a custos ou despesas. Igual raciocínio se aplica ao arbitramento, posto que a contribuinte não apresentou qualquer documento relativo às suas operações nem tampouco os registros contábeis exigidos em lei. Descabe o argumento de que os documentos estavam em posse da Fazenda Estadual, posto que não há nos autos qualquer petição ou provocação da interessada para que os documentos pudessem ser restituídos ou, ao menos, deles se extraísse cópia para subsidiar suas alegações neste processo. Assim, conforme atestado pela autoridade lançadora, a não apresentação dos livros previstos pela legislação exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530, do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (grifamos) (...) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifamos) De se notar que os lançamentos com base no lucro arbitrado, efetuados pela autoridade fiscal, decorrem de comando normativo expresso, que se amolda perfeitamente aos fatos narrados nos autos. Ante a perfeita subsunção dos fatos à diretriz normativa, aprecio e rechaço os argumentos trazidos pela Contribuinte contra à utilização do arbitramento pela autoridade fiscal. Também não prospera a tese de erro na sistemática de apuração do PIS e da COFINS, posto que para o lucro arbitrado prevalece o regime cumulativo, como estabelecem as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 17 16 Quanto à responsabilidade solidária da empresa JEFFMUCC e das pessoas físicas dos Srs. Jefferson, Alberto e Alessandra, entendo que as provas nos autos são robustas e justificam a medida, assim como exigem a qualificação da multa. Pela clareza e síntese dos fatos, reproduzo as conclusões da decisão de piso sobre a matéria, que acolho integralmente: a) Respeitante ao anocalendário de 2010, o Contribuinte apresentou DIPJ e Guias de Informações e Apuração do ICMS com valores que representam porção ínfima da receita por ele auferida, assim apurada com espeque no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; R$ 1.143.784,06 (fls. 13/25), no primeiro caso, R$ 1.149.679,47 (fls. 38/49), no segundo, e R$ 165.265.213,24 (fls. 56/68; 72/74; 80/180), no terceiro. b) O Sr. Sebastião Pereira de Lacerda, inscrito no CPF sob o nº 125.589.25873, e a Sra. Orlanda Guizardi Seixas Silva, inscrita no CPF sob o nº 310.734.758 24, formalmente indicados como sócios quotistas na pessoa jurídica fiscalizada, Techtronics Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda., não reuniam condição patrimonial própria para fazer frente à integralização do consequente capital social, isso nos montantes como indicados nos assentos comercialcadastrais (fls. 06/07), isto é, nos valores de R$ 475.000,00 e R$ 25.000,00, respectivamente (a constituição do Contribuinte deuse a 01/07/2009). Assim se estima, pois: (b.1), o Sr. Sebastião Pereira de Lacerda, em sua DIRPF referente ao anocalendário de 2013, não reporta patrimônio acumulado algum, bem que não assinala sua participação societária em causa, e nem indica eventual rendimento daí recebido (fls. 26/31); (b.2), a Sra. Orlanda Guizardi Seixas Silva, em sua DIRPF última apresentada (referente ao anocalendário de 2008), consignou terminar o anocalendário de 2008 com evolução patrimonial igual a R$ 1,00 (fls. 32/37). c) A mais dizer que o Sr. Sebastião Pereira de Lacerda e a Sra. Orlanda Guizardi Seixas Silva figuravam como palha nos atos constitutivos da pessoa jurídica ora fiscalizada, vai a farta transferência de numerário (senão em espécie, via aquisição de bens móveis e imóveis junto a terceiros) desta última para o Sr. Jefferson Mucciolo, inscrito no CPF sob o nº 106.236.81854, para o Sr. Alberto Mucciolo, inscrito no CPF sob o nº 000.347.038 53, e para a Sra. Alessandra Mucciolo, inscrita no CPF sob o nº 272.945.59813, bem ainda para a pessoa jurídica JeffMucc Gestão Empresarial Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 05.759.924/000190, que, à sua vez, os repassava (o numerário ou sua tradução em bens móveis e imóveis) para as três últimas pessoas físicas mencionadas, tudo como detalhadamente demonstrado e descrito pela Fiscalização (fls. 205/370, 380/384, 390/496, 529/544) e, até o tempo presente, não eficazmente contestado com elementos probatórios que digam da razão negocial subjacente ao fato de a pessoa jurídica autuada e/ou Fl. 783DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 18 17 JeffMucc Gestão Empresarial Ltda. (essa última, depois de receber numerário da primeira) destinarem numerário e/ou sua tradução em bens móveis e imóveis para o Sr. Jefferson Mucciolo, os Sr. Alberto Mucciolo e a Sra. Alessandra Mucciolo. Relembrese que referidas pessoas físicas, bem que a própria pessoa jurídica JeffMucc Gestão Empresarial Ltda. foram intimadas a tanto explicar (fls. 183/194, 205/370, 380/384, 390/496). d) Isso tudo considerado, entendese realizado o dolo do Contribuinte (a melhor dizer, de seus administradores de fato) tendente a impedir, retardar, excluir ou modificar o preciso conhecimento por parte do Fisco da matéria tributável, tudo conforme a letra dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com o que cabível, em autuação fiscal, a aplicação da multa de ofício qualificada (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996). (grifamos) Pareceme inequívoco que todas as pessoas mencionadas realmente obtiveram benefícios e repasses financeiros de grande monta a partir de valores cuja origem se atribui ao contribuinte, sem prejuízo de terem sido repassados por terceiro especialmente constituído para tal desiderato. Ademais, conforme depoimentos tomados no curso dos procedimentos de investigação e também de acordo com as informações prestadas por terceiros, devidamente intimados, constatase que os Srs. Jefferson e Alberto efetivamente respondiam pela empresa autuada. Verificase, portanto, o dolo específico exigido pela legislação e a consequente participação dos imputados, nos termos do que apurou a fiscalização. Corretos, portanto, todos os termos de sujeição passiva imputados aos responsáveis, pessoas físicas e jurídicas, razão pela qual não merece reparos a decisão da DRJ. Por fim, em relação ao Recurso de Ofício, notase que a redução da multa de 225% para 150% está alinhada com o entendimento deste Relator, já apresentado em diversos outros julgados. Entendo inaplicável o agravamento da multa pela não apresentação de livros e documentos, até porque a hipótese já encontra respaldo na legislação de regência, que estabelece, para a hipótese, o arbitramento do lucro, além de confirmar, contra o interessado, a presunção legal de omissão de receitas. Nesse sentido a Súmula n. 96 do CARF: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos Voluntários para NEGARLHES provimento, assim como conheço do Recurso de Ofício para NEGARLHE provimento. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 19515.721241/201428 Acórdão n.º 1201001.575 S1C2T1 Fl. 19 18 É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720681/2011-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou.
2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade.
3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência,
4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os Recursos Especiais. No mérito, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os Recursos Especiais. No mérito, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL IBM BRASIL INDÚSTRIA MÁQUINAS E SERVIÇOS LIMITADA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 81 /2 01 1- 03 Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 3 2 incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os Recursos Especiais. No mérito, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela contribuinte acima identificada e também pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentados atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 4 3 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Esses recursos buscam reverter o que foi decidido no Acórdão nº 1202 001.063, de 06/11/2013, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial a recurso voluntário anteriormente apresentado, para fins de, entre outras questões, manter as exigências decorrentes da glosa de despesas com pagamento de juros sobre capital próprio referentes a períodos anteriores, mas afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS SOBRE CAPITAL. FACULDADE REGIME DE COMPETÊNCIA GLOSA DE PRÓPRIO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. NÃO EXERCÍCIO. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. DEDUÇÃO EM ANOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio JSCP à acionista ou sócio é faculdade concedida pela lei, para ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes limitada aos juros (TJLP) sobre o patrimônio líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. Deste modo, o não exercício da mencionada faculdade em determinado ano calendário configura renúncia ao benefício concedido na lei e enseja a preclusão temporal que impede a dedução dos juros sobre o capital próprio JSCP em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução, na apuração do lucro real do ano, de juros sobre o capital próprio JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro(a)s Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 5 4 Em seu recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à parte da decisão que manteve as exigências decorrentes da glosa de despesas com pagamento de juros sobre capital próprio referentes a períodos anteriores. A contribuinte apresenta os seguintes argumentos: SUMÁRIO o presente processo administrativo versa sobre a dedutibilidade de juros sobre o capital próprio deliberados pela Recorrente no anocalendário de 2008, mais especificamente sobre a observância do limite de dedutibilidade relativo à aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo ("TJLP") sobre as contas de patrimônio líquido da sociedade; o lançamento fiscal foi formalizado sob a premissa de que os juros sobre o capital próprio seriam limitados ao valor obtido mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido do próprio anocalendário da deliberação. Esse entendimento foi mantido pelas decisões de primeira e segunda instâncias proferidas no presente processo administrativo; essa conclusão, no entanto, é diametralmente divergente de decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o tema, de forma que a uniformização da jurisprudência administrativa cabe a essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais; DA ADMISSIBILIDADE DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL a Recorrente indica os Acórdãos 1401000.902 e 1401000.901, de 04 de dezembro de 2012 (Doc. 03), que claramente deram à legislação tributária interpretação divergente daquela adotada pelo r. acórdão recorrido em relação ao limite de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio (ementas transcritas); enquanto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara concluiu na decisão recorrida que os juros sobre o capital próprio não podem ser pagos com relação a exercícios anteriores, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara concluiu nas decisões paradigma que não há óbice para pagamento de juros sobre o capital próprio sobre exercícios anteriores, ficando clara a divergência necessária para admissibilidade do presente recurso especial; DAS RAZÕES DE RECURSO DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXPRESSA COM A LIMITAÇÃO DE APURAÇÃO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO SOBRE CONTAS DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO DE PERÍODOS ANTERIORES o primeiro e mais importante argumento a ser analisado pelos Ilustres Conselheiros consiste na absoluta inexistência de dispositivo legal veiculando qualquer limitação quanto à possibilidade de efetuar a apuração de juros sobre o capital próprio calculado sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; despeito de todo o esforço das dd. autoridades fiscais e julgadoras no sentido de buscar na legislação societária e cível embasamento para sua tese, fato é que os Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 6 5 juros sobre o capital próprio são uma forma de remuneração do capital criada pela legislação fiscal, sem qualquer restrição quanto ao pagamento com base em períodos anteriores; o artigo 9º da Lei n.° 9.249/95 limitase a autorizar a dedução, para fins fiscais, de "juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP "; extraise do comando legal acima mencionado que a legislação dá ao contribuinte a faculdade de pagar ou creditar juros sobre o capital próprio a seus sócios sobre contas do patrimônio líquido e determina que esse valor pode ser tratado como despesa dedutível para fins fiscais no momento de seu pagamento ou crédito; mais adiante, o §1° do referido artigo 9º determina que o efetivo pagamento ou crédito dos juros sobre capital próprio dependem da existência de lucros correntes ou acumulados em valor igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos. Nesse ponto, a legislação traz uma limitação quantitativa para o pagamento dos juros sobre o capital próprio, mas, mais uma vez, não faz qualquer limitação ao pagamento relativo à aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; mesmo as Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil n.° 11/96 e n.° 41/98 não trazem qualquer restrição à adoção, como base para determinação dos juros sobre o capital próprio, de contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; dessa forma, com base no princípio da legalidade e no fato de que é vedado ao intérprete restringir o que a lei não restringe, é conclusão inescapável que, diante da inexistência de disposição legal expressa proibindo o cálculo de juros sobre o capital próprio sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores, o procedimento adotado pela Impugnante para o cálculo dos referidos juros deve ser aceito no presente caso, inclusive para fins de dedução do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2008; DA INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO REGIME DE COMPETÊNCIA como conseqüência do entendimento de que a Recorrente não poderia deliberar o pagamento de juros sobre capital próprio sobre contas de patrimônio líquido relativas a períodos anteriores ao da deliberação, as r. decisão recorrida concluiu que o procedimento adotado pela Recorrente consistiria em ofensa ao regime de competência; com o devido respeito, a Recorrente não pode concordar também com essa conclusão, na medida em que não houve qualquer inobservância ao regime de competência, já que as despesas de juros sobre o capital próprio foram deduzidas no anocalendário em que foram efetivamente incorridas; de acordo com o regime de competência, devem ser escrituradas as despesas pagas ou incorridas, referentes ao período de apuração. Especificamente para o caso concreto, devese, em primeiro lugar, determinar em que momento a despesa de juros sobre o capital próprio é efetivamente incorrida pela empresa, para, então, verificarse a observância ao regime de competência; pois bem: é sabido que os juros sobre o capital próprio são uma forma de remuneração do investimento realizado por sócios ou acionistas. Esses juros foram criados Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 7 6 como uma alternativa ou complementação ao pagamento de dividendos e, até por sua natureza, consiste em uma faculdade à empresa e não uma obrigação; nesse cenário, cabe à empresa e a seus sócios e acionistas, analisando sua situação financeira e a conjuntura econômica, decidir se, quando e quanto irão pagar de juros sobre o capital próprio, desde que observadas as condições previstas na legislação; os juros sobre o capital próprio somente passam a existir a partir do momento em que os sócios ou acionistas definem sua aprovação e seu pagamento. Antes disso, não há que se falar de juros sobre o capital próprio, mas, sim, de resultados positivos que podem ser aplicados indistintamente na manutenção e desenvolvimento da empresa ou pagos aos sócios como remuneração de seu investimento; dessa forma, fica claro que o período de competência dos juros sobre o capital próprio não pode ser outro senão aquele em que é definido o seu pagamento, momento no qual é gerada uma obrigação para a empresa e um direito creditório aos sócios e acionistas; a base adotada para o cálculo dos juros sobre o capital próprio ou seja, a aplicação da TJPL sobre as contas de patrimônio líquido consistem em um elemento quantitativo dos juros, mas o momento de sua verificação não tem qualquer relevância para a determinação do período de competência dos juros sobre o capital próprio; aliás, admitir que o período de competência dos juros sobre o capital próprio seria o período de apuração das contas de patrimônio líquido independentemente da deliberação dos acionistas sobre o pagamento desses juros resultaria na absurda situação de se considerar uma despesa que talvez sequer seja materializada como uma despesa incorrida; em vista do exposto, considerando que no presente caso o pagamento dos juros sobre o capital próprio foi registrado e as respectivas despesas foram deduzidas no próprio anocalendário de 2008, devese reconhecer, Ilustres Conselheiros, também por esse ângulo, a regularidade do procedimento fiscal adotado pela Recorrente no caso concreto, o qual foi praticado em estrita observância ao regime de competência. a Recorrente observou fielmente as Instruções Normativas 11/96 e 41/98, que determinam a observância do regime de competência no cômputo dos juros sobre capital próprio para fins fiscais; dessa forma, também não encontra amparo na legislação e no sistema tributário brasileiro a alegação de que a Recorrente feriu o regime de competência ao registrar os juros sobre o capital próprio no anocalendário de 2008; DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO COMO FORMA DE ANTECIPAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DO CAPITAL os juros sobre o capital próprio foram instituídos na legislação brasileira pela Lei 9.249/95. A partir desse momento, as empresas passaram a ter mais flexibilidade para remunerar seus sócios ou acionistas, com a possibilidade de antecipação do pagamento de dividendos, através do pagamento dos juros sobre o capital próprio, conforme previsto no caput do art. 9º da Lei 9.249/95; Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 8 7 os juros sobre capital próprio possuem a mesma natureza jurídica da distribuição de dividendos, ambos representando formas de remuneração do capital ao acionista; a natureza jurídica de dividendos que possui os juros sobre capital próprio, é confirmada pelo parágrafo 7º, do artigo 9º da Lei n.° 9.249/95, que admite sua imputação ao valor dos dividendos previstos no artigo 202 da Lei n.° 6.404/76; a ressalva "sem prejuízo do disposto no § 2º" se faz necessária em função dos juros sobre capital próprio sofrerem a incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, podendo ser compensada na apuração do lucro líquido pelo acionista, enquanto que os dividendos não sofrem tal retenção, por já terem sido tributados na apuração do lucro líquido da empresa; já o art. 202 da Lei 6.404/76, faz referência aos dividendos obrigatórios, que a empresa tem a autonomia em definir quando distribuir, de modo a não comprometer sua situação financeira, não havendo qualquer vedação legal expressa que estabeleça um limite temporal para esta distribuição; a leitura desse artigo da Lei n.° 6.404/76 revela claramente a preocupação do legislador de retirar parte da discricionariedade da companhia no pagamento dividendos, garantindo o pagamento de um mínimo a todos os acionistas, o que protege os direitos dos acionistas minoritários, que teriam pouco poder na deliberação sobre o pagamento dos dividendos; não obstante, mesmo sendo o dividendo obrigatório uma proteção legal aos acionistas, a legislação traz clara exceção à obrigatoriedade de seu pagamento em situações nas quais a situação financeira da companhia não permitir tal tipo de dispêndio (vide parágrafo 4º); ou seja, se o pagamento do dividendo obrigatório for prejudicial à saúde financeira da companhia, devese dar prioridade aos interesses da empresa sobre os interesses dos acionistas, retendose os dividendos obrigatórios; esses valores retidos são destinados para uma reserva especial que, nos exercícios subseqüentes, poderá ser utilizada para absorção de prejuízos da companhia. Caso isso não ocorra e a situação financeira da companhia melhore, os valores retidos relativos aos anos anteriores devem ser pagos aos acionistas; a lógica é clara: a empresa pode deixar de pagar os dividendos para não prejudicar sua situação financeira, mas o recebimento desses valores não deixa de ser um direito do acionista, que pode vir a recebêlos em caso de melhora da situação financeira da companhia; e essa lógica é obviamente aplicável não só a dividendos, mas também aos juros sobre o capital próprio e a todas as eventuais formas de remuneração de capital; assim, se a empresa deixa de pagar juros sobre o capital próprio em um determinado período, em virtude de opção negocial discutida pelos sócios, esse não deixa de ser um direito dos acionistas, que podem vir a receber tais juros, caso a situação financeira da empresa permita; Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 9 8 isso somado aos fatos de o não pagamento dos juros sobre o capital próprio não representarem renúncia a esse direito e de não haver limite temporal para o pagamento de juros sobre o capital próprio leva à necessária conclusão de que os juros sobre o capital próprio, tendo a mesma natureza jurídica dos dividendos de remuneração de capital, podem ser pagos com relação a contas de patrimônio liquido anteriores; aceitar o entendimento preconizado pelo Fisco, "...obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício de prerrogativa concedida pela Lei n° 6.404/1976...", sendo este o entendimento do STJ, manifestado em decisão proferida em 2 de abril de 2008 pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região no processo 200370010000784 (ementa transcrita); JURISPRUDÊNCIA por fim, visando a apresentar subsídios adicionais ao provimento do presente apelo, a Recorrente apresenta outras decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais autorizando a dedução de despesas de juros sobre capital próprio registrados em anocalendário posterior (ementas e votos transcritos); no mesmo sentido, vale mencionar a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.086.752 PR ementa transcrita); DO PEDIDO em vista de todo o exposto, a Recorrente requer seja dado provimento integral ao presente recurso, com a reforma da r. decisão recorrida, de forma que seja reconhecida a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio registrados no anocalendário de 2008, calculados mediante a aplicação da TJLP sobre contas de patrimônio líquido de anos anteriores. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 25/05/2015, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A contribuinte argumenta que o conteúdo da decisão recorrida e dos paradigmas deixa claro que os três processos administrativos versam sobre situações fáticas praticamente idênticas, sendo o objeto da discussão sempre o mesmo: a possibilidade de pagamento de juros sobre o capital próprio com relação a contas de patrimônio líquido de exercícios anteriores. Sustenta que a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara concluiu na decisão recorrida que os juros sobre o capital próprio não podem ser pagos com relação a exercícios anteriores e que a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara concluiu nas decisões paradigmas que não há óbice para pagamento de juros sobre o capital próprio sobre exercícios anteriores. Registra ainda que os processos administrativos nos quais foram proferidas as decisões paradigmas aguardam análise de admissibilidade de Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 10 9 Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, e que a tese ora defendida não foi superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, de forma que não há óbice para a admissibilidade do presente recurso especial. Realmente, o acórdão recorrido entendeu que "é vedada a dedução, na apuração do lucro real do ano, de juros sobre o capital próprio JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores", enquanto que os acórdãos paradigmas admitiram a dedução de juros sobre o capital próprio nessas mesmas condições. Nesse contexto, está devidamente demonstrada a divergência de entendimento em relação à dedutibilidade de despesas com pagamento de juros sobre capital próprio. Concluise, portanto, que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade (artigos nºs 67 e 68 do RICARF), devendose DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da contribuinte. CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 27/05/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 03/06/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP) – IMPOSSIBILIDADE DE EFETUAR A DEDUÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. REQUISITOS E LIMITES PARA PAGAMENTO DE JCP – DA NÃO DELIBERAÇÃO, NO MOMENTO OPORTUNO, SOBRE O PAGAMENTO DOS JCP NOS LIMITES AUTORIZADOS PELA LEI – ATO JURÍDICO PERFEITO – RENÚNCIA AO DIREITO DE DEDUTIBILIDADE. o artigo 9º da Lei 9249/95 dispõe que a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da taxa TJLP; o §1º do artigo em comento estabelece que o efetivo pagamento dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados; o §8º do artigo ainda traz mais uma regra sobre o cálculo do montante de juros dedutíveis: Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido; Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 11 10 aplicandose os parâmetros indicados pela legislação, a fiscalização constatou que o montante máximo dedutível a título de remuneração do capital próprio a ser observado pela recorrente no anocalendário de 2008 seria de R$ 55.267.307,67. O valor foi calculado mediante aplicação da TJLP somente sobre as contas de patrimônio líquido do ano calendário de 2008. Entretanto, a DIPJ da empresa indica deduções no valor de 225.088.220,10, excedendo o limite em R$ 169.820.912,43; a recorrente alega que todos os limites previstos na legislação fiscal foram respeitados, mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido dos anos calendário de 2003 a 2008. Diz, ainda, que obedece ao limite de 50% do lucro ajustado referente ao ano da efetiva aprovação e pagamento do JCP, no caso, ano de 2008; um primeiro equívoco já pode ser identificado nas afirmações da empresa. É certo que o montante de JCP será calculado sobre as contas do PL, mediante a aplicação da TJLP, pro rata dia. Porém, a parcela dedutível limitase ao maior valor entre (artigo 29 da IN SRF n° 93/97): a) 50% do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; e b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros; é óbvio que os limites devem ser observados para cada um dos exercícios, isoladamente. Assim, se foi aplicada a TJLP sobre o PL de determinado ano, a parcela dedutível deverá observar a existência de lucro líquido ou de lucros acumulados e reserva de lucros do mesmo ano; logo, a conduta da empresa revela um descumprimento aos requisitos legais, pois ela aplicou a TJLP sobre exercícios passados, mas observou tãosomente o lucro do exercício de 2008, ano de deliberação e pagamento do JCP, para verificar o limite dedutível; a empresa poderia argumentar que observando o lucro líquido ou lucro acumulado e reserva de lucro de cada um dos exercícios preencheria todos os requisitos para a dedutibilidade do montante integral de JCP apurado mediante a aplicação da TJLP sobre o PL de cada um dos períodos. Porém, em se tratando de deliberação sobre exercícios sociais já encerrados, ainda assim a dedução nos moldes pretendidos não seria possível; isso porque o JCP é pago de acordo com o lucro apurado ao final do exercício social correspondente. Ao trazer limites de dedução, a lei quis impedir que todo o lucro fosse distribuído na forma de JCP, impedindo a tributação. Sendo assim, se a empresa, como no caso dos autos, está pretendendo deliberar JCP sobre exercícios passados, é certo que o lucro do respectivo período já teve a sua destinação, não estando mais disponível para fins de pagamento na forma pretendida; por outro lado, se o lucro de exercício pretérito estiver em conta de lucro acumulado ou na forma de reserva de lucro, ele já será devidamente considerado quando do pagamento e dedução do JCP, em razão do segundo limite dedutível admitido pela Lei: 50% do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros (artigo 9º, § 1º da Lei n° 9.249/95 e artigo 29, inciso II da IN SRF 93/97); não bastassem todos os impedimentos expostos acima, ainda existe mais uma questão que impede a dedutibilidade de JCP na forma pretendida pela empresa, conforme demonstrado a seguir; Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 12 11 importante destacar que o pagamento dos juros sobre o capital próprio não se confunde com as regras para sua dedução. Nas palavras de Edmar Oliveira Andrade Filho: uma coisa é a dedutibilidade; outra, completamente diferente, é a possibilidade de pagamento (Imposto de Renda das Empresas, 5ª edição, São Paulo: Atlas, 2008, pág. 265); ilustrando a colocação, o doutrinador diz que se o contribuinte pretender pagar juros sobre o capital e não tiver lucros e reservas de lucros em montante igual ou superior ao valor dos juros a serem pagos ou creditados, não poderá deduzir os respectivos valores; o pagamento de JCP é uma faculdade conferida aos acionistas, e decorre de princípios como a livre iniciativa e a autonomia privada, dependendo apenas de decisão formal deles próprios, por meio de deliberação tomada em assembleia. Os sócios decidem o momento e a melhor forma de remunerar o capital. Porém, a dedutibilidade dependerá do cumprimento de requisitos trazidos pela legislação; os sócios, na assembleia realizada nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, devem deliberar sobre as contas e resultados econômicos do período findo, estabelecendo, ainda, o modo de sua remuneração. Esse é o momento adequado para deliberar sobre o pagamento ou não de juros sobre o capital próprio. A conjugação dos dispositivos societários acaba trazendo uma limitação temporal do momento adequado para apurar os juros sobre o capital próprio; a deliberação tomada em assembleia pode ser classificada como um negócio jurídico plurilateral. Negócio jurídico, no conceito desenvolvido por Antonio Junqueira de Azevedo (Negócio Jurídico: existência, validade e eficácia, 4ª edição, Saraiva, 2002) é: “todo fato jurídico consistente na declaração de vontade, a que o ordenamento jurídico atribui os efeitos designados como queridos, respeitados os pressupostos de existência, validade e eficácia impostos pela norma jurídica que sobre ele incide”. Plurilateral, por se tratar de negócio que envolve a composição de mais de duas vontades paralelamente manifestadas por diferentes partes; nos termos do artigo 1072 do Código Civil, §5º, as deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes. O artigo 48 do mesmo Código ainda traz uma regra geral aplicável a todas as pessoas jurídicas: Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. Parágrafo único. Decaí em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude. significa, então, que as deliberações tomadas em assembleia pelos acionistas não podem ser simplesmente revogadas ou modificadas a qualquer tempo. Na qualidade de negócio jurídico tutelado pelo Direito, a anulação da manifestação de vontade externada na reunião somente pode ocorrer se ficar comprovado erro, dolo, fraude ou simulação, conforme art. 171 e seguintes do Código Civil; Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 13 12 no presente caso, quanto aos exercícios sociais pretéritos (2003 a 2007), é certo que já houve a realização de assembleia dos sócios, na qual foi externada a vontade social sobre a destinação dos lucros e a aprovação das demonstrações financeiras. Se a assembleia, em determinado ano, resolveu não remunerar os sócios por meio de juros sobre o capital próprio ou determinou o pagamento abaixo do limite dedutível, significa dizer que a própria empresa renunciou a tal direito. Temse, então, ato jurídico perfeito, estando apto a produzir todos os efeitos; ocorre que os acionistas, em 2008, determinaram o pagamento de JCP acima do montante autorizado para fins de dedução. No intuito de se esquivarem de tal limite e deduzirem todo o valor, usam argumento de que o excesso decorre de limites não utilizados em anos anteriores (2003 a 2007); não existe óbice para a assembleia, em exercício posterior, deliberar sobre a remuneração do capital dos sócios na forma que melhor lhe aprouver. Como já foi visto, os critérios trazidos pela Lei n° 9.249/95 dizem respeito apenas aos efeitos fiscais, ou seja, a dedução do lucro real para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Logo, a empresa pode determinar o pagamento de juros sobre o capital próprio até mesmo acima dos limites trazidos pela Lei n° 9.249/95. Tratase de um direito exercido com base nos princípios da livre iniciativa e da autonomia privada; porém, a parcela dedutível deve sempre obedecer aos requisitos indicados na legislação. Um dos critérios trazidos pela norma tem natureza quantitativa, a parcela dedutível limitase ao maior valor entre: a) 50% do lucro líquido do período de apuração antes da dedução desses juros, após a dedução da CSLL e antes da provisão para o IRPJ, ou b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros; e mais, a remuneração é calculada sobre as contas do patrimônio líquido, limitada à variação pro rata dia da TJLP. Por óbvio, na apuração do montante dedutível para o anocalendário, a TJLP deve ser aplicada apenas quanto ao PL do respectivo período, e não quanto a exercícios anteriores, sob pena de se tornar inócuo o limite trazido pela Lei; mas não é só. A dedução de valores pagos a título de JCP, nos limites autorizados pela lei, é uma faculdade conferida à empresa, e não um direito absoluto. Até a edição da Lei n° 9.249/95, o ordenamento jurídico proibia esse tipo de dedução, conforme constava do artigo 49 da Lei n° 4.506/64; se a empresa, por meio de seus sócios e no momento adequado, decidiu pela não remuneração dos sócios por meio do pagamento de juros sobre capital próprio (anos de 2003 a 2007), por óbvio, naquele exercício acabou renunciando à faculdade que lhe foi conferida. Tudo em absoluta conformidade com os princípios da livre iniciativa e da autonomia privada. Porém, no ano subseqüente, a parcela dedutível continuará atrelada ao limite trazido pela Lei nº 9.249/95, não sendo possível recuperar a dedutibilidade de despesas que, por determinação da própria empresa, não foi suportada em anos anteriores; conforme constou da DRJ: Por força desse comando legal, o interessado teve, então, direito ao exercício, em cada anocalendário do período de 2003 a 2007, da faculdade de deduzir despesas com juros sobre o capital próprio (JSCP), os quais deveriam ter sido deliberados pelos sócios na forma do art. 1.078 da Lei nº 10.406/2002, antes mencionado, na apuração do lucro real de cada ano. Todavia, pela planilha por ele apresentada (fl. 205), verificase que optou por não exercer a referida faculdade, tendo procedido à dedução de valor Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 14 13 maior, em 2008, do que lhe seria autorizado neste ano, o que veio dar causa à glosa objeto do presente lançamento; a deliberação acerca da destinação dos lucros referentes aos anos pretéritos é um ato jurídico perfeito. Cabe à empresa apenas cumprir as determinações constantes da assembleia, onde houve a aprovação das demonstrações financeiras e ficou decidido sobre o tratamento a ser dado ao lucro apurado no período. Eventual modificação dependeria de alteração do balanço e a prova de algum vício no tocante à manifestação de vontade; a recorrente, por entender que os juros sobre o capital próprio tem a mesma natureza dos dividendos, suscita a aplicação do artigo 202, §§ 4º e 5º da Lei n° 6.404/76, que traz a possibilidade de os dividendos obrigatórios não serem distribuídos, a depender da situação financeira da companhia, admitindo o pagamento em momento posterior; a ressalva que deve ser feita diz respeito ao fato de os juros sobre o capital próprio não se confundirem com os dividendos; de fato, a Lei n° 9.249/95, que trata do assunto, no artigo 9º, § 7º estabelece que o valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. Ora, se os juros sobre o capital próprio podem ser compensados com os dividendos obrigatórios, é certo que os institutos são diversos. Confirmando, ainda, que a diferença entre os institutos, temse o tratamento tributário: enquanto os juros são tributados à base de 15% na fonte (art. 9º, § 2º), o pagamento de dividendos está isento de imposto de renda (art. 10); ademais, ainda que os juros sobre o capital próprio e os dividendos pudessem ser equiparados, cumpre ressaltar que o artigo 202, §§ 4º e 5º da Lei n° 6.404/76 permite o pagamento posterior dos dividendos obrigatórios apenas quando os órgãos da administração informarem à assembleiageral ordinária ser ele incompatível com a situação financeira da companhia. No caso dos autos, não foi apresentada a recomendação da administração de que o pagamento de remuneração aos sócios estava inviabilizado em razão de dificuldades financeiras da empresa, nem mesmo existe deliberação da assembleia nesse sentido; pelas razões expostas, o auto de infração não merece qualquer reparo; OBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA – LEGALIDADE DO ARTIGO 29 DA IN SRF 11/96. outro ponto que não pode deixar de ser analisado diz respeito à observância do regime de competência, por ser regra geral, bem como critério básico para registro das operações da pessoa jurídica na contabilidade societária e fiscal, no termos do art. 177 da Lei 6.404/76; o artigo 29 da IN SRF 11/96 ratifica que a despesa de juros sobre o capital próprio deve observar o regime de competência. Tal norma não é ilegal, pois tem como fundamento de validade o artigo 177 da Lei n° 6.404/76, bem como o artigo 6º do DecretoLei n° 1.598/77, segundo o qual Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Portanto, o ato Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 15 14 infralegal não transborda os limites da lei, ao contrário, repete o que já foi acolhido pela norma tributária; o conceito de competência decorre da necessidade de enquadrar as demonstrações financeiras aos fatos econômicos e financeiros ocorridos nos espaço de tempo a que elas reportam; como já foi visto, o pagamento de juros sobre o capital próprio é uma faculdade, dependendo apenas de decisão dos sócios. Até a deliberação, não existe direito algum a essa espécie de remuneração. Somente quando houver a deliberação em assembleia a despesa poderá ser considerada incorrida; não existe óbice para que a assembleia delibere sobre a remuneração do capital dos sócios na forma que melhor lhe aprouver, o que está de acordo com os princípios da livre iniciativa e da autonomia privada. Contudo, a despesa incorrida no exercício, ainda que a pretexto de remuneração do capital de exercícios anteriores, não poderá se furtar dos efeitos fiscais trazidos pela Lei n° 9.249/95. Não é viável permitir a ampliação do limite, ao argumento de que ele não foi completamente utilizado em exercícios já encerrados; a decisão de assembleia que credita aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores não tem validade para fins fiscais (dedutibilidade), pois se refere às despesas que poderiam ser incorridas nos anoscalendário de 2003 a 2007 e se assim tivessem deliberado os sócios e acionistas. Como não o fizeram ou remuneraram abaixo do limite permitido para dedução, a vontade social deve ser respeitada, caracterizando renúncia à faculdade conferida pela legislação tributária. Para o exercício subsequente, permanecem os limites dedutíveis previstos na Lei n° 9.249/95, devendo ser aplicados conforme o ano da deliberação, no caso, 2008; nesse sentido também são as conclusões de Edmar Oliveira de Andrade Filho (<http://www.fiscosoft.com.br/a/2fac/irpjecslljurossobreocapitalpropriocalculado sobreamovimentacaodopatrimonioliquidoosfatoseaconsultaedmaroliveiraandrade filho>, acesso em 13/12/11, às 16h02min.): fundamentados em todo o acima exposto, concluímos que: a) por força do disposto no art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, todas as mutações patrimoniais devem ser reconhecidas segundo o regime de competência. A Lei nº 9.249/95 e a Lei nº 9.430/96, não revogaram de forma expressa ou tácita o art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, de modo que o encargo denominado "juro sobre o capital social" se submete para fins de dedutibilidade ao regime de competência; b) o período de competência dos juros sobre o capital é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos. Assim, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou o encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente; c) a aferição das condições e limites de dedutibilidade do encargo relativo aos juros sobre o capital deverá ser feita no período em que ocorrer a deliberação de seu pagamento ou crédito, de forma incondicionada. De fato, é neste nesse período que o encargo existe do ponto de vista jurídico e Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 16 15 a aferição de sua dedutibilidade para fins fiscais será feita de acordo com as condições vigentes neste mesmo período; e d) é impossível, do ponto de vista lógico e jurídico, a imputação, a exercícios passados, dos efeitos produzidos por uma decisão societária atual porque o Balanço, depois de aprovado pelos sócios ou acionistas, constitui ato jurídico perfeito e que só pode ser validamente modificado se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. Em face do exposto cabe referir que não existe amparo legal para sustentar a dedutibilidade do montante dos juros sobre o capital que vier a ser declarado, pago ou creditado e que se reporte a exercícios anteriores, salvo se os resultados pudessem ser retificados em razão de erro, dolo ou fraude. Todavia, isto não impede que a empresa decida remunerar o capital tomando por base o valor existente em anos anteriores, mas, se isto ocorrer, a dedutibilidade será aferida com base nos critérios e limites previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. JURISPRUDÊNCIA CONTRÁRIA À TESE DEFENDIDA PELA EMPRESA. corroborando a adoção do regime de competência para o presente caso, é válido transcrever trecho do voto vencedor do ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Netto, proferido no acórdão 120100.348 (transcrição contida nas contrarrazões); existem outros julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que também são contrários à tese defendida pela empresa (ementas transcritas); PEDIDO em face do exposto, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso especial, mantendose integralmente o auto de infração. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Em seu recurso especial, a PGFN também afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, mas nesse caso a divergência diz respeito ao afastamento da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL a decisão proferida pelo Colegiado a quo excluiu a incidência de juros, com esteio na taxa SELIC, sobre a multa de ofício, convencida de que inexistiria previsão legal para tanto. Dessa forma, ela diverge do entendimento sufragado pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu ser aplicável à hipótese a taxa Selic. Confirase a ementa do acórdão paradigma CSRF/910100.539: Fl. 696DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 17 16 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. em igual sentido ao acórdão supratranscrito, apresentase, ainda, como paradigma, o acórdão CSRF/0400.651, proferido pela Quarta Turma da Câmara Superior, cuja ementa abaixo se reproduz: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. resta clara, portanto, a divergência jurisprudencial, que se resume à incidência da taxa SELIC a ser utilizada para o cálculo dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Enquanto o Colegiado a quo entende não ser possível tal incidência, as turmas prolatoras dos acórdãos paradigmas defendem que deve ser empregada a taxa Selic para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO o Colegiado a quo, prolator do acórdão ora recorrido, firmou posicionamento no sentido de que não incidiriam os juros de mora (à taxa Selic) sobre a multa de ofício. De acordo com tal entendimento, a incidência da taxa SELIC estaria prevista apenas nos casos de lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei 9430/96, de tal modo que o art. 61 da referida lei prevê os acréscimos moratórios (multa e juros de mora) incidentes sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos prazos (sobre o valor do principal), o que não se confundiria com a multa de ofício; conforme restará demonstrado, entretanto, revelase correta a exigência de juros de mora, calculados à taxa Selic, sobre toda a obrigação tributária principal, o que inclui a multa de ofício; a divergência sobre a aplicabilidade da SELIC sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”; é preciso mencionar, nesta matéria, que as decisões administrativas que afastam a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício o fazem a partir da literalidade do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996; os defensores da tese da nãoaplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de tributos e contribuições, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991); Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 18 17 a partir de uma interpretação supostamente literal, os que advogam essa tese defendem que apenas o valor de tributos e contribuições submeterseia aos juros moratórios. Assim, a multa de ofício, por não decorrer de tributo ou contribuição, mas sim do descumprimento de dever legal de declarálo ou pagálo, não sofreria a incidência de juros de mora; dissemos acima que a tese partiu de interpretação supostamente literal. Queremos dizer, com isso, que uma interpretação efetivamente literal conduz igualmente à conclusão de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; ora senhores Conselheiros, uma interpretação literal não pode olvidar do termo “decorrente de”, aposto antes das palavras “tributos e contribuições” no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996; dizer que “os débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ou seja, “débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições”, se sujeitam a juros de mora não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora”; além disso, uma interpretação pautada na finalidade do dispositivo legal ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; é preciso ser dito, que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o Contribuinte transgressor, bem como os demais Contribuintes, serão compelidos a não repetir tal conduta juridicamente indesejada; nosso ordenamento jurídico busca concretizar essas finalidades mediante uma expressão pecuniária. Ou seja, por meio de um gravame no patrimônio do Contribuinte infrator ou de uma ameaça de onerosidade no patrimônio dos demais Contribuintes são alcançados os caracteres punitivos e educativos da multa tributária; ora senhores Conselheiros, afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício; sejamos pragmáticos: considerando que o Processo Administrativo Tributário se desenvolva e chegue ao seu final em aproximadamente 2 anos, e, sendo otimista, admitindo que uma posterior fase judicial seja concluída em 3 anos, a multa de ofício lançada teria algum impacto punitivo ou educativo após 5 anos de corrosão pela inflação? Decerto que não! assim, afastar a incidência de juros moratórios das multas de ofício significa igualmente retirar a finalidade a que se propõem os dispositivos que veiculam multas de ofício. Despiciendo mencionar o impacto negativo que tal entendimento traria nas boas práticas tributárias, bem como nos cofres públicos; vislumbrase ainda outro grave comprometimento da administração tributária. Como se sabe, não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, nasce para a Contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa por sua mora; Fl. 698DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 19 18 por ocasião de posterior lançamento, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, aquele todo, composto de tributo e multa de mora, devido pela Contribuinte; como se observa, a partir do lançamento, a tributo e multa de ofício passam a ser devidos pelo Contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total; em outras palavras, não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo (crédito tributário); os próprios votos que pugnam pelo afastamento dos juros sobre a multa de ofício reconhecem essa unidade do crédito tributário; ora Senhores(as) Conselheiros(as), se o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária (leiase: multa de ofício), não é defensável um tratamento diferenciado para tais valores. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir; convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). não há dúvidas, segundo a dicção do art. 161 do CTN, do acréscimo de juros de mora sobre o crédito não adimplido no vencimento. Uma simples análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros; o STJ já decidiu por manter os juros sobre a multa de ofício: Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 20 19 TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) há ainda expressiva jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais sobre o tema (decisões transcritas); no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a jurisprudência preponderante sobre o tema não é diferente. Há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício (decisões transcritas); a dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. em respeito ao princípio da eventualidade, caso os ilustre julgadores entendam que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não abrange a multa de ofício, é preciso deixar claro que, ainda assim, incidiriam juros de mora à taxa de 1% ao mês; isso porque não se poderia desprezar o comando do já citado art. 161 do CTN; o caput do referido artigo determina a incidência dos juros de mora, facultando ao legislador ordinário a estipulação de juros em taxa diversa de 1% (um por cento) ao mês; Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 21 20 por tudo o que já expusemos, cremos que a lei (Lei nº 9.430/96, art. 61, §3º), de fato, “dispôs de modo diverso” e determinou a aplicação da taxa Selic aos juros de mora; os que defendem que a multa de ofício não sofre a incidência de juros de mora à taxa Selic não podem se furtar da aplicação da taxa de 1%. Assim, já entendeu algumas vezes o CARF (ementas transcritas); repitase mais uma vez, a título de conclusão: cremos que o entendimento correto, pautado em uma interpretação sistemática e finalística das normas tributárias envolvidas, é aquela que afirma a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e utiliza se da taxa Selic; o que não se pode admitir, em hipótese alguma, são julgados ou votos que excluem totalmente os juros de mora sobre a multa de ofício, por expressa afronta ao art. 161, §1º do CTN e à finalidade do ordenamento tributário; logo, resta correta a aplicação dos juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício; DO PEDIDO diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja admitido o presente recurso, em razão da divergência apontada, e, no mérito, lhe seja dado provimento para reformar, na parte objeto de irresignação, o r. acórdão hostilizado, reconhecendose a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 04/03/2016, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu ser inaplicável a incidência de juros de mora sobre multa de ofício, os acórdãos paradigmas apontados decidiram, de modo diametralmente oposto, ser aplicável referida incidência. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. CONTRARRAZÕES DA CONTRIBUINTE Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 22 21 Em 15/03/2016, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 29/03/2016 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO PARCIAL DO ACÓRDÃO RECORRIDO como se sabe, todos os débitos tributários exigidos pelas dd. autoridades fiscais através de autos de infração são acrescidos de multa de ofício, sendo certo que na prática, após a lavratura dos autos de infração, essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros SELIC; essa atualização é realizada pelas dd. autoridades fiscais com amparo não na lei, mas no Parecer MF n.° 28, de 02 de abril de 1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT); ocorre, contudo, que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 utilizado como base legal pela COSIT para sustentar a incidência de juros sobre as multas de ofício trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil; não há margem para qualquer interpretação acerca da possibilidade da incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas pelas autoridades fiscais. Pelo contrário: o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis; nesse contexto, não se pode admitir a frágil interpretação do artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 pretendida pela d. PGFN, a qual estendeu o significado do referido dispositivo legal para fazer crer que as multas de ofício lançadas em razão de infração à legislação tributária que resulta falta de pagamento de tributo seriam débitos decorrentes de tributos e contribuições; para admitir tal interpretação, com o devido respeito, seria necessário desconsiderar a definição de tributo trazida pelo art. 3º do Código Tributário Nacional; a premissa adotada pela PGFN é incorreta: apesar de o art. 113, §1° do CTN prever que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, a penalidade ali referida não é aquela decorrente de multa aplicada por infração à legislação tributária que resulta falta de pagamento de tributo; com efeito, a multa de oficio referida no artigo 113, §1° do CTN é aquela aplicada pelas autoridades fiscais de forma isolada, em caso de descumprimento de obrigação acessória pelos contribuintes, por exemplo. Nesse caso, a partir do lançamento, a multa de ofício terá natureza de obrigação principal, fato que não ocorre com a multa de ofício decorrente de falta de pagamento de tributo sempre acessória ao principal, o tributo; consequentemente, ao dispor que o crédito tributário decorre da obrigação principal, o artigo 139 do CTN referese aos tributos em si e, ainda, às penalidades pecuniárias aplicadas de forma isolada pelo Fisco, as quais, repitase, por não serem acessórias a um tributo, podem assumir o papel de obrigação principal. Não é a todas as multas de ofício, Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 23 22 portanto, que se aplica o regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos, tal como pretendeu a d. PGFN; é justamente pela ausência de base legal para multas de ofício, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) vem decidindo reiteradamente que tais multas não são atualizáveis, tal como se verifica da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais Acórdão 910100.722, de 8 de novembro de 2010; o procedimento adotado pelo Fisco somente seria válido nos casos em que a multa aplicada pelas autoridades fiscais correspondesse ao valor principal do débito fiscal, como, por exemplo, na hipótese de autuação do contribuinte por descumprimento da legislação fiscal (obrigação acessória) e aplicação da multa administrativa; em tais hipóteses, como a multa administrativa corresponderia ao valor principal do débito, sobre este valor poderiam ser aplicados os juros de mora. É exatamente isso o que dispõe o artigo 43 da Lei n.° 9.430/96; o artigo acima referido é muito claro ao dispor acerca da incidência de juros de mora sobre o valor da multa apenas quando se tratar de constituição de crédito tributário correspondente a própria multa ou a juros de forma isolada; por todo o exposto, caso os Ilustres Conselheiros entendam que as exigências fiscais consubstanciadas no auto de infração combatido devem ser mantidas o que, obviamente, se admite por mera hipótese fazse necessário o reconhecimento da impossibilidade da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício imposta à Recorrida. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 24 23 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço dos recursos especiais, porque eles preenchem os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL apurados em relação ao ajuste anual do anocalendário de 2008 (Lucro Real). As exigências decorreram da glosa de despesas com pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) referentes a períodos anteriores. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. Já a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), entre outras questões, entendeu que era correta a glosa de despesas com pagamento de juros sobre capital próprio referentes a períodos anteriores, e manteve as exigências de IRPJ/CSLL. Contudo, afastou a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso especial da contribuinte pede que seja reconhecida a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio registrados no anocalendário de 2008, calculados mediante a aplicação da TJLP sobre contas de patrimônio líquido de anos anteriores. E o recurso especial da PGFN busca restabelecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE O recurso especial da contribuinte aponta divergência jurisprudencial em relação à parte da decisão que manteve a glosa das despesas com pagamento de juros sobre capital próprio referente a períodos anteriores. O dispositivo legal que dá ensejo à referida divergência jurisprudencial é o art. 9º, caput e §1º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. Transcrevoo integralmente: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 25 24 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; ... § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Há inúmeros julgados do CARF relativos à questão em apreço, tanto em um sentido (favorável a recorrente) quanto em outro (desfavorável a ela). Não pretendo aqui esgotar as diversas facetas da polêmica; mas apenas, além de apresentar minha visão, tratar de alguns pontos que entendo essenciais nas discussões. Entendo que não assiste razão à recorrente, pelos motivos que passo a expor. DA NATUREZA JURÍDICA DOS JCPS Primeiramente, é importante apontar algumas características dos JCPs. Cito duas características essenciais da natureza jurídica dos Juros sobre Capital Próprio: a) a primeira é que visam à REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS; e b) a segunda é que são JUROS (como o próprio nome os qualificam). Constatase, com isso, que as quantias que os sócios recebem a título de remuneração do capital próprio não podem se confundir com o patrimônio da entidade. Assim, para estar de acordo com a real natureza jurídica, os JCPs somente podem ser entendidos como elementos que não venham a se integrar ao patrimônio da sociedade (consistindo numa rubrica Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 26 25 redutora do mesmo), ou seja, não podem estar em contas redutoras dos lucros acumulados, das reservas de lucros ou de outras contas do patrimônio líquido. Portanto, na apuração do lucro líquido do exercício, os valores destinados aos sócios como remuneração do capital devem compor o lucro contábil da entidade; o que implica, necessariamente, em reconhecêlos como integrantes do resultado do exercício da sociedade, ou, seja, assumindo a natureza de DESPESA, não se admitindo que sejam incorridos apenas no momento em que sejam decididas as destinações dos lucros. Entender diferentemente seria negar validade ao princípio da entidade, que veda confundir o patrimônio dos sócios com o patrimônio da sociedade, bem como prever o enriquecimento dos sócios em detrimento da empresa. Confirase o que diz a Resolução nº 750, de 29/12/1993, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), sobre o princípio da entidade: CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. §1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. CAPÍTULO II DA CONCEITUAÇÃO, DA AMPLITUDE E DA ENUMERAÇÃO ... SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Deste Princípio Fundamental da Contabilidade (PFC) societária saltam conceitos como de autonomia patrimonial, de diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, além da evidente e contundente conseqüência: "o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição". Assim, para que esse PFC seja observado, é de rigor que o incorrimento dos JCPs não se dê na integração do patrimônio da sociedade; devendo, os Juros sobre Capital Próprio, inevitavelmente, transitar pelo resultado da sociedade como despesa. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 27 26 O CFC, considerando a conveniência de um maior esclarecimento sobre o conteúdo e abrangência dos PFCs, emitiu a Resolução nº 774, de 16/12/94, dando interpretação à Resolução CFC nº 750/93, por meio de um apêndice. Sobre o princípio da entidade foi melhor detalhada a questão da autonomia patrimonial: 2.1.1 – A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundir se com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosa, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O Patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois, de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente por que sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 28 27 Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. Da interpretação autêntica do princípio da entidade, percebese que o cerne deste está na autonomia patrimonial, que está indissociavelmente ligado à garantia jurídica da propriedade, como "única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo patrimônio, válida perante terceiros". Daí se conclui que terceiros (a exemplo dos sócios) não podem dispor livremente (fora das formas jurídicas concebidas para a correta disposição) do patrimônio da sociedade, que detém autonomia patrimonial e garantia jurídica de sua propriedade. Portanto, para que haja o respeito à autonomia patrimonial da sociedade e de forma a respeitar o seu direito de propriedade, os JCPs devem passar pelo resultado da sociedade no momento do reconhecimento da despesa do exercício, e não serem incorridos a partir do seu patrimônio já formado. Desse raciocínio, verifico mais uma característica essencial da natureza jurídica do JCPs: transitam pelo resultado por serem despesas, sendo deduzidas para formação1 do lucro líquido do exercício. Ademais, essa característica está de acordo com o fato dos Juros sobre Capital Próprio serem Juros, pois os outros tipo de juros sempre são despesas para quem os deve. Esta característica já foi sabiamente identificada no Acórdão do Processo nº 13888.721267/201290, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Assim, embora os juros sobre o capital próprio apresentem alguma semelhança com o tratamento societário conferido aos dividendos, consoante alegado pela contribuinte em sua impugnação, há uma diferença essencial entre eles: os juros sobre o capital próprio representam o custo do capital investido pelos sócios e, portanto, despesa da pessoa jurídica, ao passo que os dividendos correspondem a distribuição do resultado. Como despesa, conceitualmente os juros sobre o capital próprio antecedem a apuração do lucro contábil. O crédito ou pagamento futuro de juros sobre o capital próprio, portanto, exige o seu prévio provisionamento, de modo a reduzir o lucro do período. Se desta forma não se procede, o resultado do período, majorado pela ausência daquela dedução, passa a ter o status de lucro a ser destinado nos termos do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ainda que os limites legais de dedutibilidade tenham em conta as reservas de lucros e lucros acumulados, a fixação de tais limites tem por objetivo apenas evitar a descapitalização da pessoa jurídica com a remuneração dos sócios, e não evidencia, por si só, que valores já destinados a reservas de lucros e lucros acumulados possam ter sua natureza revertida, por deliberação futura, de lucro para despesa. Vejase que a referida provisão, com vistas a reduzir o lucro do período ao qual competiriam os juros, não resulta em despesa dedutível na medida em que a legislação exige deliberação e individualização do pagamento ou 1 Todos os interessados na escrituração da sociedade, sejam os clientes, os fornecedores, os sócios/acionistas, a própria sociedade, tem direito a evidenciação desse fato. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 29 28 crédito dos juros sobre o capital próprio. Mas é essencial para evitar que tais valores integrem o lucro e sejam destinados a outro fim. Em suma, cabe à sociedade decidir como remunerar o capital investido pelos sócios: por meio de juros ou de lucros. E esta decisão deve ser tomada antes da destinação do lucro líquido do exercício, na forma do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ultrapassado este momento, sem o prévio provisionamento dos juros, a deliberação de seu pagamento futuro, associada ao crédito ou pagamento individualizado, não é suficiente para constituir, neste segundo momento, despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, como defende a recorrente. Ainda que não seja causa do fato dos JCPs serem despesas, mas conseqüência disso, o que concorda com a realidade dos outros tipos de juros, constatase que, para aqueles que recebem JCPs, estes são considerados receitas e assim tributados. Tudo isso apenas confirma o acerto na consideração dos JCP como despesas, despesas financeiras, despesas com pagamento de juros. Um corolário imediato da característica essencial dos Juros sobre Capital Próprio SEREM JUROS é que: para haverem juros, há de haver empréstimo ou financiamento de algo. E esse algo, no caso dos JCP, é o capital dos sócios, ou seja, há de haver "empréstimo" do capital dos sócios. Digo isso porque é comum as abordagens sobre esse tema fazerem analogia entre os Juros sobre Capital Próprio (pago aos sócios) e os juros pagos a terceiros por empréstimos contraídos pela empresa. Essa analogia faz sentido na medida em que: a integralização do capital da pessoa jurídica se dá pela transferência de capital dos sócios para a empresa; a empresa realiza suas atividades com esse capital dos sócios que foi para ela transferido/disponibilizado; o patrimônio líquido da pessoa jurídica representa "dívida" desta para com os sócios (por isso, aliás, o PL figura na coluna do passivo). Mas a "dívida" que motiva o pagamento de JCP também guarda diferenças com as dívidas que fundamentam o pagamento de juros por empréstimos contraídos com terceiros, especialmente no que diz respeito aos índices de remuneração do capital "emprestado" e às condições para a sua dedutibilidade, que são fixadas em lei e não em um contrato de empréstimo tomado, por exemplo, junto a uma instituição financeira. De acordo com o art. 9º da Lei nº 9.249/1995, o índice de remuneração do capital admitido para fins de apuração do lucro real é a Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP definida especificamente para o período em que o capital dos sócios ficou à disposição da empresa. Vale registrar que a TJLP é definida por períodos trimestrais, e que o dispositivo legal acima referido estabelece que essa taxa deve ser aplicada "pro rata die", ou seja, proporcionalmente aos dias em que o capital dos sócios ficou em poder da empresa. A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 30 29 período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, que é a matéria examinada adiante. DO TRATAMENTO SOCIETÁRIO DAS DESPESAS (DE JCP). Pois bem, uma vez sedimentado que os JCP transitam pelo resultado como despesas, há que perquirir qual o tratamento específico dado pela legislação a essas despesas. Consultandose a legislação societária, constatase que, de fato, não há nenhum tipo de tratamento específico às despesas de JCPs. Em assim sendo, frente a esse vazio normativo da legislação comercial, concluo que as despesas de JCP entram nas regras gerais de tratamento de despesas. Como bem sabido, despesa é um item do resultado do exercício. Apurado o resultado do exercício a partir das receitas e das despesas, encerramse as receitas e as despesas, as contas contábeis onde são registradas são zeradas ao final do exercício. Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais tem influencia de um ano para outro, as contas de resultado de um exercício não podem influenciar anos subseqüentes, é um pilar essencial que as contas de resultado iniciamse e extinguemse dentro de um mesmo exercício. É o que se deduz do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações (S.A.): Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 31 30 a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Uma despesa, para ser deduzida do resultado societário de outro exercício, necessita de autorização legal nesse sentido que venha a ser uma exceção ao §1º do art. 187 da Lei das S.A. O conceito de exercício é precisamente definido pela legislação societária e, conforme o art. 175 da Lei das S.A., bem delimitado temporalmente (tendo duração de um ano), sem possibilidade de alteração desse período (exceto nos casos especiais relacionado no parágrafo único deste mesmo artigo); apenas a data de término pode ser alterada. SEÇÃO I Exercício Social Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto. Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. Ademais, o conceito de exercício é tão caro para a legislação societária que os próprios conceitos de resultado e de lucro líquido estão sobre eles assentados, é o que se infere da leitura dos arts. 176, 189 e 191 da Lei nº 6.404/1976. DO REGIME DE COMPETÊNCIA A Lei das Sociedades por Ações estabeleceu como regra de observância obrigatória o regime de competência, através de seu art. 177, a seguir transcrito: Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. ... Dessa imposição legal, verificase que as mutações patrimoniais da sociedade estão vinculadas ao regime de competência. Essa é a regra geral da Lei das S.A., e não é somente a regra geral, é a regra para a totalidade dos casos; pois, na legislação societária, não foi normatizada nenhuma exceção. E, onde não há exceção, na ausência de disposição expressa em contrário, a regra se aplica. Como não foi criada para as despesas de Juros com Capital Próprio nenhuma exceção própria ao regime de competência, daí então se conclui que elas estão submetidas a Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 32 31 esse regime. Não há necessidade de disposição expressa na Lei das S.A. que preveja especificamente para as despesas de JCPs que elas devam atender ao regime de competência. Quando se fala em regime de competência, um outro conceito é interno a este, qual seja, o conceito de exercício social (tratado no tópico anterior). Assim regime de competência depende de exercício social, ou seja, é função deste; em outras palavras, mudou se o exercício social, mudouse o regime de competência; não se pode, portanto, construir um conceito de regime de competência dissociado de exercício social. Ademais, regime de competência é um instituto jurídico tradicional, de definição bem precisa e sobre o qual a legislação fiscal pôde estruturar a tributação no tempo. Confirase as disposições do art. 9º da Resolução CFC nº 750/93: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. (...) O regime de competência apresenta o seguinte elemento chave: o correlacionamento simultâneo entre as receitas e as despesas (também entendido como princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). A concretização do regime de competência para as despesas consiste no reconhecimento das despesas no momento em que incorridas, não estando relacionado (sendo o reconhecimento independente) com recebimentos ou pagamentos. Sobre essa realidade não preciso muito discorrer, sendo suficiente a lição da FIPECAFI2, em seu Manual3: 3.1.5.4 O PRINCÍPIO DO CONFRONTO DAS DESPESAS COM AS RECEITAS E COM OS PERÍODOS CONTÁBEIS ENUNCIADO: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." 2 FIPECAFI = Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. 3 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais sociedades). IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. São Paulo: Editora Atlas S.A. 6a Edição, pgs. 64 e 65. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 33 32 É importante notar que a base do confronto não está relacionada ao montante dos recursos efetivamente recebido em dinheiro ou pago, no período, mas às receitas reconhecidas (ganhas), nas bases já mencionadas, e às despesas incorridas (consumidas) no período. Assim, podemos consumir ativos pagos no mesmo período ou adquiridos em períodos anteriores. Pode ocorrer o caso de sacrifícios de ativos, no esforço de propiciar receita, cujos desembolsos efetivos somente irão ocorrer em outro exercício, ou de se incorrer em despesas a serem desembolsadas posteriormente (sacrifício de ativo no futuro, ativo esse que pode nem existir hoje). Todas as despesas e perdas ocorridas em determinado período deverão ser confrontadas com as receitas reconhecidas nesse mesmo período ou a ele atribuídas, havendo alguns casos especiais: a) os gastos de períodos em que a entidade é total ou parcialmente préoperacional. São normalmente ativados para amortização como despesa a partir do exercício em que a entidade, ou a parte do ativo, começar a gerar receitas; b) a parcela dos gastos dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para manter o setor em funcionamento, independentemente do número de projetos em execução. (Esses últimos gastos incluem os salários fixos dos pesquisadores e as depreciações dos equipamentos permanentes.) Todo o gasto incremental necessário para determinado projeto poderá ser ativado e, quando o projeto iniciar a geração de receitas, amortizado contra as receitas. Os gastos diferidos que não vierem a gerar receitas deverão ter seus valores específicos descarregados como perda no período em que se caracterizar a impossibilidade da geração de receita ou o fracasso ou desmobilização do projeto. Os gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional, deverão ser considerados como despesas dos períodos em que ocorrerem. Somente um motivo muito forte e preponderante pode fazer com que um gasto deixe de ser considerado como despesa do período, ou através do confronto direto com a receita ou com o período. Se somos conservadores no reconhecimento da receita, devemos sêlo, em sentido oposto, com a atribuição de despesas. Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para construção ou financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção somente poderão ser ativados durante o período pré operacional. Entretanto, seu montante deverá ser contabilizado em conta específica de ativo a ser amortizada a partir do exercício em que o ativo entrar em operação. As demais despesas financeiras serão apropriadas aos períodos em que foram incorridas. Alguns pontos devem ficar bastante sedimentados, quais sejam: a) a base de confronto não está relacionada aos recursos pagos; b) as despesas financeiras devem ser apropriadas no período em que incorridas, excetuado os casos de despesas préoperacionais Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 34 33 (aqui inaplicável); e c) somente situações extremamente especiais (como as mencionadas na lição, entre as quais não se enquadra o presente processo), autorizase a quebra da consideração da despesa do período através do confronto direto com a receita do período. Bem fixadas essas premissas, a aplicação ao caso concreto leva a constatar que as despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. Assim, andou bem o voto vencedor do Acórdão nº 120100.348, de 11/11/2010, da lavra do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, ao dizer: a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Também acertado o voto condutor do Acórdão n° 1201000.857, do mesmo Conselheiro citado, de 10/09/2013: a despesa com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades. Daí então se conclui que o incorrimento da despesa deve se dar no exercício das receitas (geradas pelo uso do capital) que vão formar o resultado do mesmo exercício; que, em sendo positivo, será chamado de lucro líquido daquele exercício. Sendo certo que as despesas devem estar correlacionadas com as receitas do mesmo exercício, questionase: o que as despesas de JCPs de um exercício têm a ver com as receitas do exercício anterior, ou com as receitas do exercício de dois, três, quatro ou cinco anos anteriores? Pareceme que nada. De fato, as despesas de JCP só guardam alguma correlação com as receitas que formam o lucro líquido do mesmo exercício, pois é neste período que o capital próprio foi empregado para geração de receitas (e, conseqüentemente, do lucro) daquele exercício. Portanto, eventual data da assembleia que determine pagamento de JCP não consegue atender ao regime de competência, primeiro porque se utilizou do principal fator que este regime teve o cuidado de absolutamente afastar (qual seja, o pagamento); depois porque a data de assembleia não representa duração de utilização, pela sociedade, do capital que lhe foi disponibilizado pelos sócios; e, por fim, esta data não é tempo de geração de receitas, para fins de confrontação. Não é correto entender que o incorrimento da despesa é o momento do pagamento (seja o determinado no estatuto ou contrato social, seja na data da assembleia que delibere sobre pagamento, seja na data da decisão da administração no silêncio destes). Nada mais contrário ao regime de competência, no qual o tempo do pagamento é totalmente irrelevante para o reconhecimento das despesas. Sabendose que o incorrimento da despesa se dá no exercício da aplicação do capital investido pelos sócios/acionista na sociedade (no tempo em que a empresa faz usufruto desse capital), ou ainda, que o incorrimento da despesas num exercício se opera quando há correlação com as receitas de igual exercício; é elementar ver que a data de AG que delibere Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 35 34 sobre pagamento de JCPs não tem o condão de modificar a data do incorrimento das despesas de JCPs. Não obstante tudo o que se disse, é muito importante deixar claro que é possível fazer incorrer as despesas de JCP de um exercício relativamente ao capital disponibilizado naquele exercício e não efetuar pagamento algum a título de JCPs (assim não haverá lançamento do caixa/banco contra despesas). Neste caso, o que deve ser feito é a constituição da OBRIGAÇÃO/DÍVIDA DE PAGAR JCPs, que formará uma dívida da sociedade para com os sócios (sendo registrada no passivo), de forma que esse DEVER da empresa fique evidenciado. Isso está perfeitamente de acordo com o regime de competência. O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender o método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência; de forma que, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas no eventual exercício em que houver o pagamento. Esses fatos serão relevantes mais à frente, para a interpretação da norma fiscal: o art. 9º da Lei nº 9.249/95. DA EXISTÊNCIA, OU NÃO, DO DIREITO DE FAZER INCORRER EM EXERCÍCIOS SUBSEQÜENTES DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES NÃO INCORRIDAS Analiso agora se as despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em exercícios anteriores, que deixaram de ir ao resultado destes exercícios, podem ser incorridas em exercícios posteriores. Ou ainda, se a sociedade adquiriu, frente à legislação societária, o direito de deduzir, do lucro líquido, a despesa incorrida com a manutenção do capital dos sócios na sociedade em anos anteriores (embora não tenha deliberado sobre isso no momento adequado). Como visto no tópico anterior, as despesas de JCP, por não serem exceção ao regime de competência, são despesas padrão: devem ser levadas ao resultado quando incorridas (ao tempo em que o sócio disponibilizou o capital para a empresa) e independem do pagamento para sua dedução na contabilidade societária. Assim, a despesa é incorrida pela manutenção do capital dos sócios na empresa durante o exercício em que o resultado é apurado. Se a despesa for incorrida em exercício diferente ao do qual o capital vinculado a essa despesa esteve disponibilizado, então essa despesa não estará mais vinculada ao capital do exercício anterior, mas sim ao capital do exercício em curso; havendo, portanto, flagrante desrespeito à regra do confronto, e, conseqüentemente, ao regime de competência. O direito de fazer incorrer despesa na lei societária é determinado no tempo do art. 175 da Lei das S.A., ou seja, no exercício, assim não existe direito de fazer incorrer despesa de exercícios anteriores (art. 187, III e IV e §1º b). Na observância do regime de competência, também não há direito de postergação de despesa para exercícios seguintes. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 36 35 Ademais, as despesas de exercícios anteriores que deveriam ter lá tido seu incorrimento não podem ser incorridas em exercícios futuros, conforme vedação do art. 186, §1º, da Lei nº 6.404/1976: Art. 186. ... ... § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. ... Portanto, o que ocorreu nos autos não foi mudança de critério contábil e também não foi retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Pelo exposto, concluo que não há direito algum4 de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas, ou seja, inexiste direito da sociedade a deduzir do lucro líquido do ano despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em anos anteriores, tanto por contrariedade ao art. 177 (regime de competência) como por não se enquadrar no art. 186, §1º, e no art. 187, III e IV e §1ºb, todos da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A). O art. 192 da Lei das S.A. também auxilia na compreensão do problema: Proposta de Destinação do Lucro Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. A destinação do lucro é uma decisão submetida à assembleia de sócios/acionistas do exercício. E estes devem estar atentos aos itens de custos e despesas que acabam por reduzirem os seus lucros. Daí porque talvez a Lei das S.A. tenha sido tão restritiva no seu art. 186, §1º, em razão da seriedade que envolve a apuração do lucro líquido do exercício, com a conseqüente destinação dos lucros, impactando todos os exercícios futuros. Uma despesa que deixe de ser incorrida em um exercício e que pretensamente venha a ser ratificada em outro exercício pode acabar por reduzir o lucro de um quadro de sócios/acionistas diferente do quadro de sócios/acionistas do exercício em que a despesa não foi considerada, prejudicando uns em detrimento dos outros; e, inevitavelmente, influenciando o valor das ações. Esta consideração apenas não seria válida se a estrutura societária se mantivesse intacta durante os cinco anos ou mais, o que é muito improvável em se tratando de sociedade de capital aberto, ainda mais que a norma em debate é de aplicação aos mais diferentes setores da economia. 4 O direito somente é adquirido se estiver de acordo com ordenamento jurídico, o que não se deu. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 37 36 E isso evidencia mais um problema para a tese de que "despesas" que poderiam/deveriam ter reduzido o lucro dos anoscalendário de 2003 a 2007 (se tivessem efetivamente existido naquela época) sejam computadas como tal no anocalendário de 2008. DA INTERPRETAÇÃO DO ART. 9º DA LEI Nº 9.429/95 O art. 9º da Lei nº 9.429/95 não modifica nada que esteja assentado na legislação comercial/societária, pelo contrário, ele deve ser interpretado de forma a se harmonizar com os princípios e regras gerais dessa legislação. A referida norma legal apenas concedeu autorização de dedutibilidade do lucro real das despesas incorridas5 e pagas, não concedeu esse tratamento para despesas pagas e não incorridas (como é o caso de despesas que deixaram de ser incorridas no exercício anterior, que poderiam ser despesas no exercício anterior; mas, nesse exercício, não são despesas, nem conservam a capacidade de serem incorridas). Na óptica da analogia que se fez com os empréstimos de modo geral como fundamento para pagamento de juros, a empresa não está limitada a deduzir, do lucro líquido do exercício, qualquer valor de despesas de JCP. Ou seja, para a legislação societária, não há qualquer restrição de quantidade, daí porque o capital pode ser disponibilizado para a empresa a taxas maiores do que a TJLP. Já no âmbito fiscal não se pode dizer o mesmo. As despesas de JCP do exercício devem observar conjuntamente os limites do caput e do §1º do art. 9º da Lei nº 9.429/95 e o excesso dessas despesas devem ser estornadas, em obediência ao art. 6º, §2º "a", do DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977. Conforme visto nos parágrafos anteriores, os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, e devidamente escriturada (no passivo) e constituída a corresponde obrigação/dívida de pagálos. Foi visto que essa forma de agir não contraria o regime de competência. A dúvida surge em relação a saber se este procedimento prejudica a norma do ponto de vista fiscal, o que demanda análise. A expressão utilizada pelo art. 9º da Lei nº 9.429/95 não foi "despesa de juros pagos ou creditados", foi apenas "juros pagos ou creditados"; assim, não se pode limitar esse artigo de forma a permitir apenas a dedução de despesas incorridas no exercício e pagas no mesmo exercício. Portanto, os "juros" devem ser entendidos como "despesa de juros" e "obrigações/dívidas6 de juros". Assim, podese falar em direito em relação a descontar juros pagos, seja pagamento das despesas de JCPs do exercício, seja satisfação pelo pagamento da dívida de pagar JCPs que tiveram suas despesas incorridas em exercícios anteriores. Esse segunda hipótese não impossibilita a dedução da despesa. O contribuinte alega inexistir restrição temporal neste artigo. Não há, propriamente, restrição temporal, há restrição material, explico: para que os JCP sejam pagos, é necessário que os JCP a serem pagos existam; caso contrário estarseia pagando outra coisa indedutível que não JCP (como foi o caso que resultou na autuação em julgamento). 5 Porque se não forem incorridas sequer despesas serão. 6 Ou juros a pagar. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 38 37 Ou ainda, há de existirem as despesas de JCPs do exercício (que serão pagas no exercício, o que dispensa a necessidade da constituir obrigação de pagar) ou existir obrigação de pagar JCPs para serem satisfeitas pelo pagamento, obrigação esta constituída em razão das despesas de juros relativas a exercícios anteriores não terem sido pagas nos exercícios em que incorridas. Não obstante, ainda que a norma fiscal não vede a dedução do lucro real dos valores pagos para extinguir a dívida de pagar JCPs de exercícios anteriores, também o montante pago daí originado está submetido aos dois limites (o do caput e o do §1º) do art. 9º da Lei nº 9.429/95. Ademais, tendo em vista serem os limites direcionados para os "juros" (assim entendido o gênero, dos quais as despesas e as obrigações seriam espécies), então este limite deve ser compartilhado (ou seja, os valores devem ser somados) entre o total das despesas pagas de JCPs do exercício e o total dos pagamentos para quitar as dívidas de pagar JCPs de exercício anteriores, estando o excesso submetido ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598/1977. No caso dos autos, não haviam obrigações/dívidas (ausência de passivo), da sociedade, de pagar JCPs vinculadas a despesas de JCPs incorridas em exercícios anteriores, estas dívidas inexistiam, em virtude de não terem sido constituídas pela falta do incorrimento, nos exercícios anteriores, das despesas de JCPs, resultando em desobediência do art. 177 (regime de competência) e do art. 186, §1º, da Lei das S.A. Assim, o que foi estornado sequer pode ser chamado de Juros sobre Capital Próprio (pois não era baixa de passivo de JCP, nem tampouco despesas de JCP já que essas somente as incorridas no exercício). Finalmente, registro que não entendo ser adequado tratar a questão sob a perspectiva de que houve renúncia ou decadência de direito pelo contribuinte. Tendo em vista que tanto a renúncia quanto a decadência tratam de formas que impedem o exercício de um direito: esta por implicar na caducidade do direito por perda do prazo de sua duração e aquela por perda do direito pela manifestação de não exercêlo, entendo por bem tratálas em conjunto. No âmbito tributário, a meu ver, o que ocorreu foi ausência de atendimento de requisito para gozo de benefício fiscal, mas não de ordem temporal e sim material: não existiam JCP para serem pagos! Deuse a situação de ausência de juros (seja por ausência de despesa já que a despesa só pode ser do exercício; seja por ausência de conversão da obrigação de pagar JCP). Ou seja, não houve o incorrimento da despesa com JCP e a conseqüente constituição da obrigação de pagar os JCP, o que permitiria, no caso de pagamento ou crédito, o enquadramento ao benefício fiscal de dedutibilidade do lucro real. O que foi pago não corresponde à satisfação (por meio de pagamento ou crédito) de obrigações com despesas incorridas de JCP. Portanto, não há que se cogitar de renúncia no âmbito tributário. Se não atendo aos requisitos para usufruto de um benefício fiscal, isso não implica em concluir que estou renunciando ao mesmo, implica em concluir que sequer tenho a capacidade de renunciá Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 39 38 lo; ou, que se o fizer, essa renúncia não produz efeito algum, pois de que adianta renunciar a algo que não obteria ainda que não houvesse renunciado. Ainda que fosse caso de aplicação dos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, esta seria no âmbito societário e não no âmbito fiscal; seria, assim, renúncia/perda de prazo de fazer incorrer a despesa de JCP na lei societária, ou ainda, do direito de deduzir do lucro líquido (e não do lucro real) essa despesa incorrida em exercícios anteriores. Ocorre que o pressuposto lógico para aplicação dos institutos da renúncia e também da decadência é haver a existência de algum direito. O problema é que não há direito dos sócios de exigir os juros sobre o capital próprio, tampouco há obrigação da sociedade, quando da ausência da deliberação de fazêlos incorrer. A simples manutenção do capital na empresa não pode ser presumida como intenção de receber JCPs e não constitui uma obrigação da sociedade de remunerar os sócios através de JCP; o mero fato da permanência do capital dos sócios na empresa não pode, na ausência de ficções legais (a exemplo de presunção) ou de manifestação de vontade, ser juridicamente associado a uma forma específica de remuneração do capital. Caso se aceite a existência do "direito" de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas (pois não houve renuncia, já que não houve manifestação de vontade em não fazer, e nem decadência, já que não há prazo que fulmine esse direito), aí sim a discussão teria algum sentido. Mas já se verificou que esse direito não existe, pois somente poderia se sustentar se as prescrições da própria legislação societária tivessem sido observadas e não haver aplicação de nenhuma das suas vedações. Como se viu anteriormente, o art. 177, o art. 186, §1º, e o art. 187, III e IV e §1º, "b", da Lei das S.A. não foram respeitados, a sociedade não observou o regime de competência (ausência de correlação despesareceita/capital), bem como se encaixou na vedação das possibilidades de ajustes extemporâneos. Aqui, a situação é de não cumprimento de obrigação: ao não fazer da forma correta, surge a vedação de fazer. Não é que o regime de competência disponha sobre prazo decadencial do direito de deduzir do lucro líquido despesas incorridas em anos anteriores ou permita essa dedução, desde que esse direito não seja renunciado. Na verdade, o regime de competência simplesmente não permite7 a dedução do lucro líquido de despesas incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Como esse assunto já foi suficientemente explorado em tópicos anteriores, entendo não ser preciso dizer mais. Concluo, portanto, que, na ausência de direito a deduzir do lucro líquido despesas de JCP incorridas em anos anteriores, simplesmente não há que se falar nos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, por falta do pressuposto básico dos mesmos. Apenas para encerrar a discussão, analiso qual o direito que nasce com a deliberação decorrente da assembleia geral relativa ao pagamento ou crédito de JCP. 7 Exceto os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 40 39 Certamente dessa deliberação nasce um direito para os sócios de receber os valores a eles creditados, bem como nasce um dever para a sociedade de pagálos ou creditá los. Mas como esses valores não podem corresponder a conversão de obrigações anteriores de JCP, já que não houve incorrimento de despesas de JCP nos anos anteriores, resta apenas a alternativa de reclassificar o que está denominado de pagamento a título de JCP, para registro de algum tipo de direito da sociedade para com os sócios, distribuição de dividendos, etc. Diante de todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Mantida a glosa das despesas com pagamento de juros sobre capital próprio referentes a períodos anteriores, cabe analisar agora o recurso especial da PGFN. Como já relatado, a PGFN suscita divergência jurisprudencial em relação à parte da decisão que afastou a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Sobre o tema, adoto as razões de decidir do Acórdão nº 910100.539, proferido em 11/03/2010 por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 41 40 não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de ofício a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 42 41 Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 43 42 incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 44 43 Registro ainda uma outra decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, reiterando o entendimento de que é “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), conforme a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. O voto que conduziu a referida decisão consignou: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’ ” Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir, concluo que sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Nestes termos, voto no sentido de restabelecer a incidência dos juros sobre a multa. Resumindo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendo a glosa das despesas com pagamento de juros sobre capital próprio referentes a períodos anteriores; e de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a incidência dos juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 9101002.700 CSRFT1 Fl. 45 44 Fl. 725DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.722348/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não tendo sido identificados no processo nenhum ato que tenha sido proferido por autoridade incompetente, tampouco com preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade da autuação.
ADICIONAL DE RISCO. TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não havendo lei que exclua do campo de incidência da tributação previdenciária os valores pagos a título de adicional de risco, há de se reconhecer seu caráter salarial, devendo sobre os mesmos incidir regulamente o tributo.
CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO.
As Convenções Coletivas não têm força de lei que lhe permita conferir isenções tributárias.
Numero da decisão: 2201-003.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos do art. 476-A da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 23/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não tendo sido identificados no processo nenhum ato que tenha sido proferido por autoridade incompetente, tampouco com preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade da autuação. ADICIONAL DE RISCO. TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não havendo lei que exclua do campo de incidência da tributação previdenciária os valores pagos a título de adicional de risco, há de se reconhecer seu caráter salarial, devendo sobre os mesmos incidir regulamente o tributo. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. As Convenções Coletivas não têm força de lei que lhe permita conferir isenções tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos do art. 476A da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 23 48 /2 01 1- 14 Fl. 636DF CARF MF 2 EDITADO EM: 23/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Relatório O presente processo trata do Auto de Infração de fl. 3/25, referente a contribuição previdenciárias devida à Seguridade Social, parte patronal, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, cujo crédito tributário lançado, DEBCAD 37.309.8146, perfaz o montante de R$ 894.090,34, aí incluído principal (503.847,06), juros (R$ 87.330,02), multa de mora (R$ 35.280,96) e multa de ofício de R$ 267.632,30). O Relatório Fiscal de fl. 28/34 descreve os motivos que ensejaram o lançamento, os quais podem ser assim resumidos: os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas a segurados empregados, aos sócios, a título de retiradas pro labore, e a prestadores de serviços pessoas físicas. a apuração dos valores se deu a partir de informações da folha de pagamento e da escrituração contábil fornecidas pela empresa por meio de arquivos digitais, onde foi possível constatar que as horas extras pagas aos empregados não haviam sido informadas em sua integralidade em folha de pagamento. constatouse a não tributação de valores pagos a título de adicional de risco referente ao período de 08 a 12/2008, já que a empresa considerou tal verba como isenta da incidência da contribuição previdenciária. Não obstante, a partir de 01/2009, passou a tributar tal rubrica pela obrigação patronal, sem, contudo, promover o desconto dos segurados, o que foi apurado via lançamento. O Termo de Encerramento de fl. 83 demonstra que, da Ação Fiscal em comento, resultaram outros Autos de Infração, os quais se encontram sob controle do processo 10783.721080/201195, que já tramitou administrativamente por todas as instâncias de julgamento, estando, atualmente, aguardando consolidação em parcelamento. Ciente do lançamento em 27 de abril de 2011, fl. 3, inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 94/118, em 05 de maio de 2011, na qual manifestou suas razões de forma estruturada nos seguintes tópicos: Da Suposta ausência de Declaração GFIP dos pagamentos aos empregados, autônomos e prestadores de serviço fl. 95 Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10783.722348/201114 Acórdão n.º 2201003.548 S2C2T1 Fl. 637 3 Alega o contribuinte que apresentou corretamente suas GFIP com todos os pagamentos realizados e que houve alteração de suas declarações, ou por falha sistêmica na Receita Federal ou por ato fraudulento, apontando que solicitou a anulação de tais declarações. Da suposta diferença de horas extras fl. 96 Sustenta que as afirmações da fiscalização não são compatíveis com que a empresa possui em seus registros e que teve sua defesa cerceada por não ter acesso aos documentos que lastrearam as conclusões fiscais, os quais teriam sido apenas citados de forma genérica, com indicação de chaves eletrônicas de onde tiveram origem. Da natureza jurídica do adicional de horas extras fl. 99 Aduz que os valores pagos a título de horas extras, por objetivarem ressarcir o trabalhados por um dano causado ou compensar a impossibilidade do gozo de um benefício, têm natureza indenizatória e que não integra o conceito de salário, não estando no campo de incidência da contribuição previdenciária. Das verbas que não devem compor a base de cálculo estabelecida na Constituição fl. 101 Sustenta que a determinação constitucional é de que a incidência da contribuição patronal em comento se restrinja à folha de salários, não devendo, portanto, incidir sobre adicional de horas extras. Do adicional de risco fl. 107 O contribuinte alega que tal adicional não tem caráter salarial e que foi previsto em convenção coletiva que estabeleceu, claramente, que este não integrava a remuneração, razão pela qual entende indevida a incidência da contribuição previdenciária, cuja base de cálculo é unicamente composta de verbas salariais. Das contribuições a terceiros fl. 114 Afirma que o lançamento considerou devidos valores de contribuições a terceiros sobre as constatações acima tratadas, as quais, sendo indevidas, por reflexo, tornariam indevidos também tais levantamentos. Da multa de ofício fl. 114 Entende que, sendo decorrente de lançamentos que entende indevidos, da mesma forma, a multa por lançamento de ofício não deve prosperar. Nulidade do Auto de Infração fl. 115 Alega o contribuinte que, ainda que consideradas devidas as contribuições apuradas, o auto é nulo, já que teria aderido ao parcelamento da Lei 11.941/2009, tendo incluído todos os débitos até novembro de 2008. Das provas a serem produzidas fl. 117 Fl. 638DF CARF MF 4 Requer perícia técnica para análise da realidade dos fatos após o julgamento do pedido de anulação das GFIP apresentadas sem seu consentimento. Já analisando a demanda, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ resolveu encaminhar os autos à unidade lançadora para manifestação conclusiva sobre todos os pontos abordados na Resolução de fl. 455/457. Em resposta à Diligência, foi exarada a Informação Fiscal de fl. 460/463, que concluiu: que devem ser desconsideradas as informações da GFIP com suspeita de fraude, restabelecendo os débitos declaradas em documento anterior, o que levou à necessidade de revisão do lançamento; que tem razão o contribuinte em relação às horas extras estarem incluídas em folha de pagamento, o que resulta na necessidade de exclusão da apuração; que não se sustentam as alegações do contribuinte sobre a previsão do adicional de risco em convenção coletiva, já que esta não pode se sobrepor à lei e que a própria empresa reconheceu o caráter remuneratório de tal verba, ao faze incidir a contribuição patronal a partir de 01/2009; quanto ao parcelamento, contam apenas dois valores incluídos, referentes à competência 10/2008, R$ 498,00 e R$ 273,90, os quais devem ser creditados à empresa. Diante de tais conclusões, houve proposta da fiscalização para alteração do lançamento dos R$ 503.874,03 para R$ 263.343,97. Da diligência, o contribuinte tomou ciência em 07 de maio de 2015, conforme fl. 466/468 e protocolou a petição de fl. 471/480, onde tratou da natureza normativa da convenção coletiva; da previsão em convenção coletiva de trabalho e da natureza indenizatória do adicional de risco. Em fl. 500/501, consta nova Resolução da DRJ retornando os autos em Diligência para que a autoridade lançadora elabore planilha de retificação, discriminando as bases de cálculo retificadas, por levantamento e competência, o que foi atendido pela Informação fiscal de fl. 504/507, cuja ciência ao contribuinte foi efetuada em .24 de setembro de 2012, fl. 509/512, sem qualquer manifestação. No julgamento da impugnação em 1ª Instância, foi exarado o Acórdão de fl. 520/, de cujas conclusões podem ser destacados os excertos abaixo: Da nulidade da autuação fl. 528 19. Alega a impugnante que a autuação deve ser anulada, tendo em vista que a impugnante aderiu ao parcelamento da Lei 11.941/2009, conforme comprovantes em anexo, tendo incluído todos seus débitos até novembro de 2008. Tal alegação foi objeto de diligência à autoridade lançadora que informou que relativamente ao período citado, constam apenas dois valores incluídos em parcelamento, os quais se referem à competência 10/2008, que se constituem de contribuições previdenciárias referentes a contribuintes individuais, conforme relatado no item 10.4 acima. Entretanto, verificase que não houve lançamento Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10783.722348/201114 Acórdão n.º 2201003.548 S2C2T1 Fl. 638 5 relativo à contribuintes individuais nesta competência, portanto, não é possível proceder ao abatimento de nenhum valor. 20. Outrossim, não se encontram presentes nos autos nenhum dos motivos elencados no art. 59 do Decreto 70.235/72 que possibilitariam a decretação de nulidade. Ademais, o presente ato foi devidamente motivado e fundamentado com a legislação de regência, possuindo os requisitos de eficácia necessários para a sua validade. Das GFIPs utilizadas no levantamento fl. 528 O contribuinte é devidamente cientificado da conclusão em diligência e não se opõe aos valores agora apresentados através desta planilha retificadora apresentada na Informação Fiscal, tratandose então de fato incontroverso, a rigor do artigo 17 do Decreto 70.235/72. 24. Sendo assim, o crédito tributário será retificado conforme planilhas abaixo apresentadas e Relatório DADR, em anexo. Da suposta diferença de horas extras fl. 529 25. Foi apurada no auto de infração uma diferença de horas extras existente entre os valores informados nas Folhas de Pagamentos e aqueles obtidos da escrituração contábil, a qual foi questionada pela impugnante, entendendo esta que houve erro no lançamento. Tal fato foi questionado em diligência à autoridade lançadora, que confirmou em sua informação fiscal que assiste razão à empresa quanto às horas extras estarem incluídas nas Folhas de Pagamento. Assim sendo, o valor correspondente deve ser excluído da apuração. Do adicional de risco fl. 529 Portanto, pelo fato desta verba não estar inserida dentro das hipóteses de exclusão previstas em lei, a autoridade lançadora possui o dever funcional de apurar o tributo devido e efetuar a cobrança, haja vista a sua atividade administrativa de lançamento plenamente vinculada, conforme o previsto no artigo 142 do CTN. (...) 32. A impugnante alega também que por haver previsão em Convenção Coletiva, não seria cabível a cobrança deste levantamento. Entretanto, há que se ressaltar que, a simples disposição em Convenção Coletiva de Trabalho, não tem a força de alterar a natureza dos valores recebidos, uma vez que predominam nas normas previdenciárias sua natureza de direito público, sendo, portanto, imperativas e inafastáveis por convenções particulares, a teor do disposto no artigo 123, do Código Tributário Nacional. Da contribuição aos terceiros fl. 531 34. Não foram lançadas neste auto de infração contribuições relativas aos terceiros, tornandose inócuos os argumentos apresentados a este respeito. Fl. 640DF CARF MF 6 Da multa de ofício Equivocase a impugnante, entretanto, eis que mesmo com a apuração realizada com as GFIPs enviadas pela empresa, conforme planilha acima, foi apurado tributo devido, o qual está sendo retificado e apurado mediante lançamento de ofício. Foram apuradas diferenças entre o declarado em GFIP e o constante das Folhas de Pagamento da empresa, fato este que se encaixa na hipótese abstrata prevista em lei, motivo pelo qual é cabível a aplicação da multa de 75%. Das provas a serem produzidas 40. Primeiramente, com relação à petição apresentada pela empresa a fim de ser juntada ao processo o comprovante de pagamento referente à competência 04/2008, verificase que o aludido pagamento no valor do INSS de R$ 27.623,90, valor de terceiros de R$ 52.027,77, o qual totaliza a quantia de R$ 79.651,67, já foi considerado no presente lançamento, conforme consta à página 2 do relatório RADA – Relação de Apropriação de Documentos Apresentados.(...) 42. A respeito do pedido de perícia, nos termos do Decreto 70.235/72, cabe a autoridade julgadora determinála quando a entender necessária, não constituindose direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador recusála se entendêla desnecessária. Ciente do Acórdão da DRJ em 12 de abril de 2013, fl. 539, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 543/560, no qual tratou dos seguintes tópicos, que serão detalhados no curso do Voto a seguir: Da natureza indenizatória do adicional de risco; Da natureza normativa da convenção coletiva; Da previsão em convenção coletiva de trabalho da natureza indenizatória do adicional de risco; Das multas de ofício; Da nulidade de autuação; Do cerceamento do direito de defesa ausência do Demonstrativo Analítico de Débito. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da 2ª Seção, não encontrando nos autos o Demonstrativo Analítico de Débitos DAD, resolveu converter o julgamento em diligência para ciência ao contribuinte de tal documento, reabrindo se prazo para manifestação, tudo conforme Resolução de fl. 582/591. Em fl. 604, a DRJ Rio de Janeiro exarou despacho em que esclareceu que o Demonstrativo em questão já teria sido juntado aos autos, constando de fl. 514/519, tendo o contribuinte tomado ciência de tais conclusões em 25 de março de 2015, conforme AR de fl. 608, sem qualquer manifestação. É o relatório necessário. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10783.722348/201114 Acórdão n.º 2201003.548 S2C2T1 Fl. 639 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Por questão de lógica processual, inicio a análise do Recurso Voluntário tratando das matérias que se revestem de caráter preliminar ao mérito. Da nulidade de autuação O recorrente alega nulidade do Auto de Infração por ter aderido ao parcelamento de débitos de que trata a lei 11.941/2009, que alcançaria todos os seus débitos até novembro de 2008, os quais estariam devidamente declarados em GFIP, não podendo, portanto, ser objeto de autuação fiscal, já que comprovadamente incluído no parcelamento excepcional. Embora o contribuinte tenha, de fato, prestado informações em GFIP, é certo que as mesmas não alcançam a totalidade dos valores apurados no curso da ação fiscal, e é exatamente esta diferença que gerou o Auto de Infração ora em discussão. Notase que sujeito passivo apresentou opção pela inclusão da totalidade de seus débitos no parcelamento em tela, mas há de se ressaltar que o que discute no presente são débitos de contribuições previdenciárias incidentes sobre rubricas que, de fato, não vinham sendo oferecidas à tributação pelo contribuinte, e que, ainda hoje, o contribuinte mantém firme seus argumentos de que, sobre as mesmas, não haveria incidência tributária. Ademais, o Recibo de Opção inserido no Recurso (fl.558), que data de 14 de junho de 2010, é claro ao informar que os débitos com exigibilidade suspensa em razão de impugnações e recursos demandaria formalização de desistência, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13/2009. Na data da opção citada, o Auto de Infração em discussão ainda não havia sido lavrado, já que a ciência do lançamento se deu apenas 27 de abril de 2011. Não obstante, ainda que eventualmente o prazo para tal tenha sido prorrogado para momento posterior, não há nos autos qualquer pedido de desistência do recurso interposto. Desta forma, não há que se falar em nulidade da autuação, já que o lançamento só alcançou valores não declarados em GFIP, desconsiderando, inclusive, a GFIP com suspeita de fraude. Ressaltese, ainda, que, cientificado da conclusão em diligência, o recorrente não se opôs aos valores lá informados. Do cerceamento do direito de defesa ausência do Demonstrativo Analítico de Débito. O contribuinte alega cerceamento de defesa em razão da inexistência nos autos do Demonstrativo Analítico de Débitos DAD, bem assim por não ter conseguido aferir Fl. 642DF CARF MF 8 como se chegou aos valores mantidos pela DRJ, já que não restaram claros os critérios utilizados pela Autoridade Fiscal em sede de diligência. o Art. 59 do Decreto 70.235/72 prevê a nulidade dos despachos e decisões proferidos como preterição do direito de defesa. Contudo, pela análise da informação Fiscal de fl. 462, notase que as planilhas lá insertas, inclusive no anexo, são autoexplicativas. Podese notar, por exemplo, o valor da contribuição considerada devida, o valor declarado, o não declarado, o recolhido/retido/parcelado, o não recolhido, etc. Há, ainda, planilha específica com os o valor das rubricas declaradas ou não em GFIP. Assim, caso o contribuinte identificasse alguma impropriedade nos cálculos efetuados pela Autoridade Fiscal, deveria elaborar planilha com os valores que entende devidos e não apenas se limitar a afirmar de forma genérica que não tinha condições de identificar a origem dos dados apresentados. Afinal, os valores decorrem dos arquivos eletrônicos de sua própria contabilidade e folha de pagamentos. Quanto ao DAD, este já havia sido inserido nos autos antes do Acórdão da DRJ, constando de fl. 514/519, não trazendo nenhum prejuízo à defesa. Tanto que o contribuinte, ainda assim, foi cientificado de tal Demonstrativo, mas não se manifestou. Ademais, as possibilidades de defesa estão tão bem franqueadas ao recorrente que seus argumentos resultaram em três diligências, que acataram boa parte de seus argumentos, além de suas razões estarem sendo analisadas já em 2ª Instância administrativa. Assim, rejeito a preliminar de cerceamento de defesa. Da natureza indenizatória do adicional de risco Da natureza normativa da convenção coletiva Da previsão em convenção coletiva de trabalho da natureza indenizatória do adicional de risco Por estarem relacionados ao mesmo tema de fundo, adicional de risco previsto em convenção coletiva, trato dos três tópicos acima de forma conjunta. Sustenta o recorrente que o adicional de risco tem clara natureza indenizatória, não integrando o salário de contribuição, já que, em seu entendimento, a Cláusula Nona da Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009, fl. 434/435, foi clara ao estabelecer que o adicional não integra a remuneração dos empregados, asseverando que a Convenção Coletiva é lei entre as partes. Cita alguns precedentes judiciais e entendimentos doutrinários e afirma que o adicional em questão, assim como o adicional de periculosidade, é devido aos trabalhadores que prestam serviços em situações de perigo, não retribuindo o trabalho do empregado, mas sim indenizandoo pelas perdas que lhe afetam. Continua seus argumentos pontuando que não há que se falar em hierarquia entre Convenção Coletiva e lei, já que ambos teriam natureza normativa. Assevera que a tal Convenção não é só lei entre as partes, como também pode prever a natureza jurídica de determinado pagamento aos afiliados. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10783.722348/201114 Acórdão n.º 2201003.548 S2C2T1 Fl. 640 9 Resumidas as considerações da defesa, penso que, ao contrário que quer fazer crer o recorrente, os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, ainda que expressamente desvinculem o adicional de risco concedido do salário do trabalhador, não têm força de lei capaz de excluir valores do campo de incidência do tributo. Veja que o art. 176 da lei 5.172/66 (CTN) prevê que a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei. Nessa esteira, em razão da atuação vinculada da Autoridade Fiscal e da imposição de que devem ser interpretados literalmente a legislação que outorgue isenção (§ único do art. 142 c/c o art. 110, inciso II, tudo do CTN), não poderia agir de modo diverso o AuditorFiscal, senão promover o lançamento do tributo devido. Além disso, salvo disposição de lei em contrário, as Convenções Coletivas de Trabalho, embora configurem importante instrumento no âmbito trabalhista, vinculando empregados e empregadores, não podem ser opostas à Fazenda Pública, nos termo do art. 123 da mesma lei citada no parágrafo precedente: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Previstas no art. 195 da Constituição Federal, as Contribuições para a Seguridade Social em discussão foram regulamentadas pela Lei 8.212/91, e em seu art. 28 podese notar que a regra geral é a tributação dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Entretanto, a leitura das inúmeras alíneas do § 9º acima evidencia que o Adicional de risco ou de periculosidade não estão entre os valores excluídos do campo de tributação previdenciária. O tema já foi objeto manifestação do Superior Tribunal de Justiça, mediante voto do Ministro Herman Benhamim, no Recurso Especial nº 1.358.281, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008, portanto, de observância obrigatória neste julgamento administrativo, o qual restou assim ementado: Fl. 644DF CARF MF 10 ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). Desta forma, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Das multas de ofício; Neste tópico, o recorrente apenas reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação, segundo os quais a multa não deveria subsistir em razão da inexistência de débitos, já que todos teriam sido declarados em GFIP. Ora, tal alegação já foi analisada acima no item relativo à nulidade da autuação, onde ficou evidente que os débitos lançados são diversos dos declarados em GFIP e que, portanto, é devida a multa de ofício. Entretanto, com o advento da Lei nº 11.941/2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante disso, e considerando que tramitam no processo 10783.721080/2011 95 autos de infração decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias relacionadas ao presente lançamento, entendo que sobre o saldo de débito apurado após as exclusões decididas pela DRJ, prestigiando o comando contido no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei 5.172/66 (CTN), o órgão responsável pelo cumprimento deverá recalcular o valor da penalidade a fim de verificar qual critério seria mais benéfico ao contribuinte, tudo nos termos do art. 476A da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. Conclusão: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10783.722348/201114 Acórdão n.º 2201003.548 S2C2T1 Fl. 641 11 Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário exclusivamente para determinar a aplicação da penalidade mais benéfica nos termos do art. 476A da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 646DF CARF MF
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