Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10932.000487/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR O CONTRIBUINTE DE PRESTAR INFORMAÇÕES. PAGAMENTOS EFETUADOS MEDIANTE CARTÃO PREMIAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA DE BENEFICIÁRIOS DO PROGRAMA. MULTA. CABIMENTO. O fato da empresa não prestar os esclarecimentos devidamente solicitados por meio de TIAD enseja infração ao disposto no art. 32, inciso III da Lei n° 8.212/91, combinado com art. 225, inciso III do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR O CONTRIBUINTE DE PRESTAR INFORMAÇÕES. PAGAMENTOS EFETUADOS MEDIANTE CARTÃO PREMIAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA DE BENEFICIÁRIOS DO PROGRAMA. MULTA. CABIMENTO. O fato da empresa não prestar os esclarecimentos devidamente solicitados por meio de TIAD enseja infração ao disposto no art. 32, inciso III da Lei n° 8.212/91, combinado com art. 225, inciso III do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10932.000487/2007-48
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5183088
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-002.834
nome_arquivo_s : Decisao_10932000487200748.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 10932000487200748_5183088.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4463589
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215521292288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 100 1 99 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000487/200748 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402002.834 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES Recorrente SOGEFI FILTRATION DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR O CONTRIBUINTE DE PRESTAR INFORMAÇÕES. PAGAMENTOS EFETUADOS MEDIANTE CARTÃO PREMIAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA DE BENEFICIÁRIOS DO PROGRAMA. MULTA. CABIMENTO. O fato da empresa não prestar os esclarecimentos devidamente solicitados por meio de TIAD enseja infração ao disposto no art. 32, inciso III da Lei n° 8.212/91, combinado com art. 225, inciso III do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 04 87 /2 00 7- 48 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000487/200748 Acórdão n.º 2402002.834 S2C4T2 Fl. 101 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SOGEFI FILTRATION DO BRASIL LTDA em face do acórdão fls. 67/71 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.116.5199 lavrado para a cobrança de multa por ter deixado de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O período apurado compreende a competência 05/2002 a 06/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 31/08/2007 (fls. 01). Consta do relatório fiscal que a recorrente deixou de apresentar a relação nominal dos contribuintes individuais beneficiários dos prêmios pagos pela própria recorrente devido a campanha de incentivo de vendas de filtros Fram. Ressalta o agente fiscalizador que continha no contrato de prestação de serviços com a empresa Spirit Incentivo & Fidelização Ltda, uma cláusula na qual a recorrente obrigavase a fornecer em até 5 dias da data prevista para a premiação, uma relação por escrito, contendo os nomes e dados completos de cada um dos beneficiários premiados. Constituiuse, então, infração ao disposto no art. 32, inciso III da Lei n° 8.212/91, combinado com art. 225, inciso III do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, sem haver circunstâncias agravantes. Em seu recurso a recorrente alega a decisão não poder prosperar tendo em vista considerar premiação não sendo remuneração ou salário. Argumenta recolher contribuição social de acordo com o inciso I do art. 195 da CF/88, ressaltando que apenas as verbas efetivamente salariais e remuneratórias (stricto sensu) são aquelas pagas como contraprestação do serviço prestado pelo trabalhador, que estão inseridas no conceito de folha de salários e rendimentos do trabalho, e constituem, portanto, base de incidência para recolhimento das contribuições previdenciárias. Aduz ser esse entendimento sobre remuneração do empregado ser o mesmo do E. STF, e alega que por lógica aplicarseia também ao conceito de remuneração do contribuinte individual. No caso em questão, a recorrente alega que a campanha de marketing refere se efetivamente a incentivos ao talento do trabalhador, e não remuneração pelo serviço prestado, sendo a premiação paga pela Sogefi apenas uma recompensa por uma habilidade pessoal, sem qualquer conotação remuneratória. Ressalta que o serviço prestado foi objeto do contrato de trabalho dos trabalhadores com os distribuidores, sendo devidamente remunerados por meio do salário mensal. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Notase que na prestação de serviços houve tarefa a ser obrigatoriamente realizada, sendo o contratante –distribuidor – compelido a remunerála. Já na premiação, as condições poderiam ser atingidas ou não pelo beneficiário, sem que isso lhe trouxesse qualquer punição. Ante o exposto, não haveria que se falar em retributividade e, conseqüentemente, em remuneração. Trouxe jurisprudência acerca do assunto do TST e STF. Complementa, ainda a recorrente, que as campanhas de marketing não tinham pagamento habitual, isto é os trabalhadores podiam receber a premiação apenas em um determinado mês ou ano, ou mesmo nunca recebêla. Tratou de caracterizar esta condição como na pior das hipóteses como sendo ganho eventual o qual não é sujeito à incidência, conforme informa o art. 28, § 90, "e", "7", da Lei 8.212/91. Quanto ao valor do débito, impugnou completamente. Por fim, requereu que o recurso seja acolhido julgando a autuação insubsistente e que todas as decisões e notificações sejam expedidas ao patrono da recorrente. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este E. Conselho. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10932.000487/200748 Acórdão n.º 2402002.834 S2C4T2 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Inicialmente, cumpre asseverar que a recorrente, não impugnou o fato de ter deixado de apresentar a relação dos beneficiários do programa, fato que caracteriza ser incontroversa a obrigação acessória tida por descumprida. Com o intuito de elidir a multa aplicada, justifica estar desobrigado da arrecadação pois entende e defende que os pagamentos efetuados a contribuintes individuais, por intermédio do cartão Spirit Card, como prêmio pelo seu desempenho, não ostenta qualquer caráter remuneratório ou salarial. Todavia, tais alegações já foram objeto de julgamento e análise quando da apreciação do processo 10932.000486/200701, no qual restou entendido que a verba deve ser considerada como base de cálculo das contribuições previdenciárias, em julgamento assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/05/2002 a 30/06/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTOS EFETUADOS POR INTERMÉDIO DE CARTÃO PREMIAÇÃO. NATUREZA DE GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A verba paga habitualmente pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso voluntário Negado. Não obstante cumpre apontar que a infração imputada tem como fundamento o art 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS e o art. 32 da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 32 A empresa é também obrigada a: 3 III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e ao Departamento da Receita Federal DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. RPS, aprovado pelo Decreto n. ° 3.048/99 Art. 225 A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003562/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.295
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10865.003562/2010-79
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177892
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2402-000.295
nome_arquivo_s : Decisao_10865003562201079.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10865003562201079_5177892.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4419038
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215524438016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 57 1 56 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.003562/201079 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.295 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de novembro de 2012 Assunto Solicitação de diligência Recorrente MUNICIPIO DE ARTUR NOGUEIRA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 56 2/ 20 10 -7 9 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10865.003562/201079 Resolução nº 2402000.295 S2C4T2 Fl. 58 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A Recorrente interpôs impugnação pleiteando pela total insubsistência da autuação (fls. 18/25). A d. DRJ julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 37/39) A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 44/52). É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10865.003562/201079 Resolução nº 2402000.295 S2C4T2 Fl. 59 3 Voto Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, verificase que óbice ao julgamento deste processo. Da análise das peças que compõem os autos, constatase que o procedimento de fiscalização resultou em diversas autuações, sendo duas delas indispensáveis ao julgamento final da presente demanda, haja vista que tratam da exigência dos tributos relacionados aos fatos geradores que serviram de base para o cálculo da presente multa por descumprimento de obrigação tributária acessória. Os lançamentos relacionados à esta demanda são os seguintes: 10865.003563/201013 DEBCAD373108940; e 10865.003564/201068 DEBCAD373108931 Em consulta ao COMPROT, constatase que tais processos estão na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP. Posto isso, fazse necessário o envio do presente processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, para que esta dê seguimento aos julgamentos dos processos mencionados acima, remetendoos posteriormente, juntamente com o presente o processo, a este Conselho, para análise conjunta. Diante do exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002710/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA E NULIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Caracterizando-se como matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. REQUISITOS ENQUADRAMENTO.
O regime substitutivo inscrito no artigo 22-A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da Agroindústria, assim considerado o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos, preceitos que só passaram a ser observados pela contribuinte a partir de 11/2004, oportunidade em que começou o beneficiamento de seus produtos rurais.
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SUBSTITUTIVO. PRESSUPOSTOS. EXPLORAÇÃO DE OUTRAS ATIVIDADES. NÃO ENQUADRAMENTO.
Somente poderá fazer jus ao pagamento da contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, inscrita no artigo 25 da Lei n° 8.870/1994, o produtor rural pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que não desenvolva outra atividade autônoma, o que não se vislumbra no caso vertente, onde a autuada, além da atividade rural, explora outras atividades de aluguel, incorporação imobiliária e exploração de estacionamentos, sujeitando-se, portanto, à tributação sobre a folha de pagamentos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL.
De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 02/2004; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre o auxílio alimentação fornecido pela contribuinte e determinar o recálculo da contribuição destinada ao SAT levando-se em consideração, para efeito de adoção das alíquotas pertinentes, a atividade preponderante em cada estabelecimento individualizadamente.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA E NULIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Caracterizando-se como matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. REQUISITOS ENQUADRAMENTO. O regime substitutivo inscrito no artigo 22-A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da Agroindústria, assim considerado o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos, preceitos que só passaram a ser observados pela contribuinte a partir de 11/2004, oportunidade em que começou o beneficiamento de seus produtos rurais. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SUBSTITUTIVO. PRESSUPOSTOS. EXPLORAÇÃO DE OUTRAS ATIVIDADES. NÃO ENQUADRAMENTO. Somente poderá fazer jus ao pagamento da contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, inscrita no artigo 25 da Lei n° 8.870/1994, o produtor rural pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que não desenvolva outra atividade autônoma, o que não se vislumbra no caso vertente, onde a autuada, além da atividade rural, explora outras atividades de aluguel, incorporação imobiliária e exploração de estacionamentos, sujeitando-se, portanto, à tributação sobre a folha de pagamentos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15504.002710/2009-17
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5187810
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-002.824
nome_arquivo_s : Decisao_15504002710200917.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504002710200917_5187810.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 02/2004; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre o auxílio alimentação fornecido pela contribuinte e determinar o recálculo da contribuição destinada ao SAT levando-se em consideração, para efeito de adoção das alíquotas pertinentes, a atividade preponderante em cada estabelecimento individualizadamente. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 4502798
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215532826624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 469 1 468 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002710/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.824 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria SALÁRIO INDIRETO, ALÍQUOTA SAT E AGROINDÚSTRIA Recorrente FUNCHAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA E NULIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Caracterizandose como matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. REQUISITOS ENQUADRAMENTO. O regime substitutivo inscrito no artigo 22A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da Agroindústria, assim considerado o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos, preceitos que só passaram a ser observados pela contribuinte a partir de 11/2004, oportunidade em que começou o beneficiamento de seus produtos rurais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 10 /2 00 9- 17 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SUBSTITUTIVO. PRESSUPOSTOS. EXPLORAÇÃO DE OUTRAS ATIVIDADES. NÃO ENQUADRAMENTO. Somente poderá fazer jus ao pagamento da contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, inscrita no artigo 25 da Lei n° 8.870/1994, o produtor rural pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que não desenvolva outra atividade autônoma, o que não se vislumbra no caso vertente, onde a autuada, além da atividade rural, explora outras atividades de aluguel, incorporação imobiliária e exploração de estacionamentos, sujeitandose, portanto, à tributação sobre a folha de pagamentos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 470 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 02/2004; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre o auxílio alimentação fornecido pela contribuinte e determinar o recálculo da contribuição destinada ao SAT levandose em consideração, para efeito de adoção das alíquotas pertinentes, a atividade preponderante em cada estabelecimento individualizadamente. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Relatório FUNCHAL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da Decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 0230.830/2011, às fls. 370/377, que julgou procedente o lançamento fiscal correspondentes a parte da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como diferenças de acréscimos legais, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e receita da comercialização da produção rural, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 143/153, concernentes aos seguintes levantamentos: 1) AL1 período de 01 e 10/2004 (Aferição) – Fornecimento de alimentação in natura sem convênio com o PAT – Não declarado em GFIP; 2) FP período de 01 a 10/2004 – Folha mensal de pagamento empregados de (Parte empresa e GILRAT) – Não declarado em GFIP; 3) FP2 período de 11 e 12/2004 – Receita de comercialização produção própria e de outras atividades econômicas autônomas – Não declarado em GFIP; 4) FP4 período de 01 a 03/2004 (Aferição) concessão de assistência médica considerada salário de contribuição, em razão de não ser extensivo à totalidade dos empregados; 5) FPE período de 01 a 12/2004 (GILRAT) – Folha de pagamento empregados estacionamentos; 6) FPM período de 01 a 12/2004 (GILRAT) – Folha de pagamento empregados da matriz – Não declarado em GFIP; 7) TRA – competência 06/2004 – Folha de Pagamento (Transportador Rodoviário Autônomo) – Não declarado em GFIP; 8) DAL período de 05/2004 e 07/2004 – Diferença de acréscimos legais; Tratase de Auto de Infração (obrigação principal), lavrado em 31/03/2009, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 361.962,46 (Trezentos e sessenta e um mil, novecentos e sessenta e dois reais e quarenta e seis centavos). Consoante se extrai da decisão de primeira instância, a autoridade lançadora, examinando o contrato social e as alterações, bem como a escrituração contábil da empresa, entendeu que o sujeito passivo, no período de 01/2004 a 10/2004, seria um produtor rural pessoa jurídica que desenvolve outra atividade econômica autônoma, e que, a partir de 11/2004, seria uma agroindústria, também com outra atividade econômica autônoma. Relativamente ao período de 01/2004 a 10/2004, tratandose de produtor rural pessoa jurídica que exerce outra atividade autônoma, a fiscalização exige contribuições Fl. 496DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 471 5 sobre a folha de pagamento de todos os segurados, não aplicando a contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Por outro lado, no que tange ao período enquadrada como agroindústria, a partir de 11/2004, exige a contribuição substitutiva sobre a receita da comercialização da produção rural e sobre a receita das demais atividades econômicas, em substituição a folha de pagamento. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 382/401, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, repisa parte dos argumentos lançados em sua defesa inaugural, insurgindose contra o reenquadramento procedido pela fiscalização no sentido de considerála empresa produtora rural pessoa jurídica somente tributada com base na folha de pagamento, em razão do desenvolvimento de outras atividades, desconsiderando o fato de haver recolhido as contribuições previdenciárias sobre o faturamento. Assevera que as contribuições sociais previdenciárias relativas aos demais estabelecimentos não ligados à atividade rural, ou seja, da matriz e estacionamentos foram calculadas e recolhidas sobre a folha de pagamento dos segurados de acordo com o código FPAS 515, impondo seja mantido o seu enquadramento no FPAS 704 e 604, de janeiro a outubro de 2004, com contribuições de 2,85% sobre o faturamento da atividade rural e 2,7% sobre a folha de pagamento do pessoal rural, além das incidências normas de 20%, mais 2%, mais 5,8% sobre a folha de pagamento de outras atividades. Contrapõese ao lançamento, com arrimo no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, por entender que o auxílio alimentação concedido pela empresa aos segurados empregados não se equipara à remuneração, de maneira a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de salário. Aduz que aludida verba não possui natureza salarial, não podendo mero ato administrativo formal (inscrição no PAT) suprimir seu cunho indenizatório, consoante se positiva da jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, impondo seja decretada a improcedência da pretensão fiscal. Explicita que não irá se opor às diferenças de acréscimos legais, às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de assistência médica, bem como sobre a remuneração de transportadora, diante da insignificância do montante, o qual deverá ser compensado com os tributos já devidamente recolhidos pela empresa e que não foram apropriados pela fiscalização. Alega ser ilegal e inconstitucional a contribuição destinada ao SAT, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos artigos 5º, inciso II; e 150, inciso I, da CF, tendo em vista que a Lei 8.212/91, não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um Decreto contemplar tais definições por afrontar com nossa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Em conclusão, pugna pela aplicabilidade de alíquotas diferenciadas para cada estabelecimento, de conformidade com a atividade preponderante desenvolvida individualizadamente. Defende não serem devidas contribuições previdenciárias sobre a receita de outra atividade econômica autônoma (aluguéis de imóveis próprios e receitas de incorporação, compra e venda de imóveis), nos meses de 11 e 12/2004, tendo em vista já estarem sujeitas à incidência de contribuições para o PIS e COFINS, sobretudo quando já pagou os tributos devidos incidentes sobre a folha normal das atividades não rurais. Requer seja afastada a formalização de processos de representação fiscal para fins penais ao Ministério Público, por entender não ser esfera e momento oportunos, mormente quando o crédito tributário não se encontra ainda definitivamente constituído, na linha da jurisprudência do STF, considerando, ainda, que o contribuinte não incorreu em máfé, dolo, simulação ou qualquer outro crime contra a ordem tributária. Argui a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Pretende seja compensada a totalidade dos recolhimentos efetuados pela contribuinte, os quais não foram considerados pela fiscalização quando da lavratura da autuação fiscal, não se cogitando na limitação de 30% anteriormente prevista na legislação previdenciária. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 472 7 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – SUSCITADA DE OFÍCIO Preliminarmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não suscitada pela contribuinte em suas razões recursais que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício nesta oportunidade, especialmente após a aprovação da Súmula Vinculante n° 08 pelo Supremo Tribunal Federal. Com efeito, a matéria objeto de inúmeras discussões na doutrina e judiciário diz respeito ao prazo decadencial a ser levado a efeito para as contribuições previdenciárias. Os contribuintes pretendem seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Fl. 499DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo Fl. 500DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 473 9 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 502DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 474 11 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, a partir dos recolhimentos efetuados pela contribuinte, os quais foram devidamente apropriados por ocasião do lançamento, além do lançamento de salário Fl. 503DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 indireto e diferenças de acréscimos legais, reforçando a ocorrência de pagamentos parciais dos tributos lançados, fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 31/03/2009, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da autuação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências 01/2004 e 02/2004, os quais encontramse fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. DO REEQUADRAMENTO DO FPAS – AGROINDÚSTRIA E PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão de primeira instância, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, insurgindose contra o reenquadramento procedido pela fiscalização no sentido de considerála empresa produtora rural pessoa jurídica somente tributada com base na folha de pagamento, em razão do desenvolvimento de outras atividades, desconsiderando o fato de haver recolhido as contribuições previdenciárias sobre o faturamento. Assevera que as contribuições sociais previdenciárias relativas aos demais estabelecimentos não ligados à atividade rural, ou seja, da matriz e estacionamentos foram calculadas e recolhidas sobre a folha de pagamento dos segurados de acordo com o código FPAS 515, impondo seja mantido o seu enquadramento no FPAS 704 e 604, de janeiro a outubro de 2004, com contribuições de 2,85% sobre o faturamento da atividade rural e 2,7% sobre a folha de pagamento do pessoal rural, além das incidências normas de 20%, mais 2%, mais 5,8% sobre a folha de pagamento de outras atividades. Defende, ainda, não serem devidas contribuições previdenciárias sobre a receita de outra atividade econômica autônoma (aluguéis de imóveis próprios e receitas de incorporação, compra e venda de imóveis), nos meses de 11 e 12/2004, tendo em vista já estarem sujeitas à incidência de contribuições para o PIS e COFINS, sobretudo quando já pagou os tributos devidos incidentes sobre a folha normal das atividades não rurais. Não obstante as substanciosas alegações da contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos autos, concluise que, neste ponto, a decisão recorrida apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a autoridade lançadora, examinando o contrato social e as alterações, bem como a escrituração contábil da empresa, entendeu que o sujeito passivo, no período de 01/2004 a 10/2004, seria um produtor rural pessoa jurídica que desenvolve outra atividade econômica autônoma, e que, a partir de 11/2004, seria uma agroindústria, também com outra atividade econômica autônoma. Relativamente ao período de 01/2004 a 10/2004, tratandose de produtor rural pessoa jurídica que exerce outra atividade autônoma, a fiscalização exige contribuições sobre a folha de pagamento de todos os segurados, não aplicando a contribuição substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos Fl. 504DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 475 13 do artigo 25 da Lei n° 8.870/1994 (redação dada pela Lei n° 10.256/2001), c/c artigo 201, § 22, do Regulamento da Previdência Social – RPS, como segue: “Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) § 3º Para os efeitos deste artigo, será observado o disposto no § 3º do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997). § 5o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001)” “ RPS Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] § 22. A pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que, além da atividade rural, explorar também outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, no mesmo ou em estabelecimento distinto, independentemente de qual seja a atividade preponderante, contribuirá de acordo com os incisos I, II e III do art. 201 e art. 202.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Como se observa, a pessoa jurídica produtora rural somente fará jus à substituição na tributação contemplada no artigo 25 da Lei n° 8.870/1994, passando as contribuições previdenciárias a incidir sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, exceto a agroindústria, na hipótese de não explorar outra atividade econômica autônoma, o que não se vislumbra com a recorrente que, além da atividade rural, desenvolve Fl. 505DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 outras atividades de aluguel, incorporação imobiliária e exploração de estacionamentos, sujeitandose, portanto, à tributação sobre a folha de pagamentos e não sobre a receita bruta. Por outro lado, a partir de novembro de 2004, oportunidade em que passou a realizar o beneficiamento de seus produtos rurais, a contribuinte passou a se caracterizar/enquadrar como agroindústria, submetendose à contribuição substitutiva sobre a receita da comercialização da produção rural e sobre a receita das demais atividades econômicas, em substituição a folha de pagamento (incisos I e II do artigo 22 da Lei n° 8.212/91), com fulcro no artigo 22A, do mesmo Diploma Legal, instituído pela Lei n° 10.256/2001, que assim estabelece: “Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 4o O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 6o Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza Fl. 506DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 476 15 química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). § 7o Aplicase o disposto no § 6o ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003).” Extraise dos dispositivos legais acima transcritos que o ilustre fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência, não se cogitando na irregularidade do feito, na forma que pretende fazer crer a recorrente, como restou devidamente assentado na decisão de primeira instância, de onde peço vênia para citar excerto, diante da repetição da argumentação da defesa inaugural da contribuinte, verbis: “[...] De acordo com as normas acima, vigentes quando da ocorrência dos fatos geradores e quando da autuação, o que distingue a agroindústria, como espécie, do produtor rural pessoa jurídica, gênero, é realização de duas atividades em um mesmo empreendimento econômico, envolvendo, necessariamente, a industrialização de produção rural própria. [...] Na situação, e em análise do Relatório Fiscal, que reporta à escrituração contábil e aos Contratos Sociais e alterações da empresa FUNCHAL LTDA., verificamos que a mesma, apenas a partir de novembro de 2004, passou a realizar o beneficiamento de seus produtos rurais, então, esta empresa, no período de janeiro a outubro de 2004, não está inserida no conceito legal de agroindústria, mas sim no conceito de produtor rural pessoa jurídica. Na condição de produtor rural pessoa jurídica, para o período de janeiro a outubro de 2004, devemos analisar se a empresa FUNCHAL ainda teria a prerrogativa de recolher contribuições de forma substitutiva (incidência sobre a comercialização do produto rural em substituição à incidência sobre a folha de salários de seus empregados). Segundo o artigo 25 da Lei n° 8.870, de 15 de abril de 1994, na redação dada pela Lei n° 10.256, de 9 de julho de 2001, incide a contribuição sobre a receita bruta da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários, prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei n° 8.212, de 1991, desde que, a pessoa jurídica, exceto a agroindústria, não explore, além da atividade rural, outra atividade econômica autônoma (cito o § 22 do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, parágrafo acrescentado pelo Decreto n° 4.032, de 26.11.2001). Por sua vez, as Instruções Normativas, retro citadas, têm que a atividade econômica autônoma, seja comercial, industrial Fl. 507DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 ou de serviços, é aquela exercida mediante estrutura operacional definida, em estabelecimento específico ou não, com a utilização de mãodeobra distinta daquela utilizada na atividade de produção rural ou agroindustrial, independentemente da atividade preponderante do produtor rural ou da agroindústria. A empresa FUNCHAL, além da atividade rural, explora a atividade de aluguel e incorporação imobiliária, bem como a exploração de estacionamentos, incluindo a lavagem de veículos. Vêse, pois, que a autuada apresenta mãodeobra distinta da utilizada em sua produção rural, caracterizando, com isso, em um produtor rural pessoa jurídica que desenvolve outra atividade econômica autônoma, sujeitandose, de acordo com a legislação, em contribuir sobre a folha de pagamento de todos os segurados a seu serviço. [...] Nessas considerações, de janeiro a outubro de 2004, a empresa autuada é um produtor rural pessoa jurídica que desenvolve outras atividades econômicas autônomas, devendo contribuir, conforme acertadamente reenquadrou a fiscalização, no código FPAS 515 sobre a folha de pagamento dos empregados não relacionados à atividade rural, e no código FPAS 787 sobre a folha dos relacionados a esta atividade, a rural. Para o período a partir de novembro de 2004, a empresa FUNCHAL, por ser uma agroindústria, não está sujeita ao regime anterior de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, quanto às rubricas Empresa e SAT, não incorrendo, assim, em reenquadramento por parte da fiscalização, mas sim na exigência de contribuições sobre as demais receitas (de atividades autônomas). [...] Em outro tópico, a impugnante argumenta não ser possível a exigência de contribuição sobre a receita de aluguéis de imóveis próprios e receitas de incorporação, compra e venda de imóveis, nos meses de novembro e dezembro de 2004, quando enquadrada como agroindústria, dizendo que este tipo de receita paga as contribuições para o PIS e a COFINS. [...] Percebese, da norma acima, que a agroindústria, ainda que realize outra atividade econômica autônoma, excetuando as operações relativas à prestação de serviços a terceiros, tem todas suas atividades sujeitas à contribuição substitutiva. Podese dizer que no regime anterior, quando a empresa realizava operação imobiliária como atividade própria, que é o caso, a tributação ocorria tanto sobre a folha de pagamento dos empregados alocados nesta atividade, nos termos da Lei n° 8.212, de 1991, como sobre o faturamento, Lei n° 9.718, de 1998, que trata do PIS e da COFINS, sendo, portanto, duas Fl. 508DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 477 17 fontes de financiamento da Seguridade Social (cito as alíneas "a" e "b" do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal). Por sua vez, tratandose de agroindústria, que é a hipótese para o período a partir de 11/2004, a tributação é sobre a totalidade das receitas da empresa, sejam rurais, sejam autônomas, sendo estas entendidas como atividade comercial, industrial ou de serviços com a utilização de mãodeobra distinta da rural. Então, a empresa FUNCHAL, no período que é agroindústria, realizando atividade autônoma, contribui para o financiamento da Seguridade Social, em relação a esta atividade, tanto pela COFINS como pela substituição prevista na legislação previdenciária (artigo 22A da Lei n° 8.212, de 1991, c/c o artigo 201B do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999). Visto isso, não há inovação na base de incidência das contribuições sociais que não seja autorizada pela Constituição Federal, mas apenas a substituição da folha de salário pelo faturamento sem prejuízo das demais contribuições, como o PIS e a COFINS. Lembrese que tal forma de substituição está estabelecida em âmbito constitucional, eis que o Legislador apontou para a desoneração da folha com a edição da Emenda Constitucional n° 42, de 19 de dezembro de 2003, que inseriu o § 13 no artigo 195 da Constituição, prevendo e defendendo a substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, alínea "a", do mesmo artigo, pela incidente sobre a receita ou o faturamento, observando a não cumulatividade, conforme o § 12 do também artigo 195. [...]” Diante de tão incisivos argumentos das autoridades lançadora e julgadora de primeira instância, confrontados com as alegações da contribuinte e, bem assim, as questões de fato e de direito que se apresentam, não remanescem dúvidas no sentido da correição do lançamento, no que pertine o reenquadramento da contribuinte em relação aos regimes de tributação contemplados na legislação de regência. FORNECIMENTO ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM PAT – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça vem, reiteradamente, afastando qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, conquanto que concedido in natura, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, na linha da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. Aliás, acolhendo a jurisprudência uníssona no âmbito do STJ, a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação fornecido in natura, ainda que não comprovada a inscrição no PAT, em vista da evidente natureza indenizatória de referida verba, Fl. 509DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 pacificada no âmbito do Judiciário. É o que se extrai do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, com vistas a subsidiar emissão de Ato Declaratório da PGFN, assim ementado: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos.” Na mesma linha de raciocínio, acolhendo o Parecer encimado, fora publicado Ato Declaratório n° 03/2011, da lavra da ilustre Procuradora Geral da Fazenda Nacional, dispensando a apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, contemplando a discussão quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação concedido in natura, senão vejamos: “ ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO” Na esteira da jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores, uma vez reconhecida a natureza indenizatória do Auxílio Alimentação concedido in natura, inclusive com reconhecimento formal da falta de interesse de agir da Procuradoria da Fazenda Nacional (sujeito ativo da relação tributária) nos casos que contemplem referida questão, não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, independentemente da inscrição no PAT, o que se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja julgado improcedente em parte a exigência fiscal em comento, em relação a alimentação fornecida pela contribuinte aos seus empregados, mais precisamente o Levantamento AL1. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 478 19 DA ALÍQUOTA DO SAT POR ESTABELECIMENTO – SÚMULA STJ Relativamente à exigência da diferença do SAT, decorrente da aplicação da alíquota de 3%, levando em consideração a atividade preponderante da empresa, alega ser ilegal e inconstitucional referida contribuição, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos artigos 5º, inciso II; e 150, inciso I, da CF, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um Decreto contemplar tais definições por afrontar com nossa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Em conclusão, pugna pela aplicabilidade de alíquotas diferenciadas para cada estabelecimento, de conformidade com a atividade preponderante desenvolvida individualizadamente. Não obstante a análise da pretensa inconstitucionalidade suscitada pela contribuinte restar prejudicada diante da impossibilidade desta esfera administrativa adentrar à referida matéria, como restará demonstrado adiante, mister acolher o seu pleito no que tange à individualização da alíquota do SAT por estabelecimento, considerando a atividade preponderante em cada um separadamente. Aliás, aludida discussão permeia os processos administrativos previdenciários há bastante tempo. No entanto, o entendimento adotado em casos dessa natureza somente passou a oferecer proteção ao pleito dos contribuintes com a consolidação da jurisprudência do STJ, traduzida na Súmula n° 351, com o seguinte Enunciado: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Encampando esse entendimento a própria Procuradoria da Fazenda Nacional editou Ato Declaratório n° 11/2011, determinando fosse adotada a atividade preponderante em cada estabelecimento, para efeito da aplicação das alíquotas do SAT, nos seguintes termos: ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /201 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), Fl. 511DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Na linha da jurisprudência do STJ, corroborada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, mediante edição de Parecer, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, e Ato Declaratório acima transcrito, impõese decretar a improcedência parcial do feito, no que concerne ao cálculo do SAT, devendo ser adotada a atividade preponderante em cada estabelecimento da contribuinte, ensejando a aplicação de alíquotas individualizadamente, para fins do cálculo das contribuições devidas a este título. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Fl. 512DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 479 21 Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. DA MULTA E DA TAXA SELIC Por fim, insurgese a contribuinte contra a aplicação da multa moratória e da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, entendimento que, igualmente, não tem o condão de macular a exigência em questão. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, vigente à época, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: [...]” Nesse sentido, devida à contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e, bem assim, da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Em relação às compensações pleiteadas pela contribuinte, uma simples análise dos autos, notadamente do Relatório Fiscal e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, às fls. 84/121, não se cogitando em novas compensações, na forma que pretende fazer crer a recorrente. Por derradeiro, em relação à argumentação da contribuinte contra a formalização de representação fiscal para finas penais, consoante restou devidamente explicitado pelo Acórdão recorrido, não se cogita em irregularidade em tal procedimento, uma vez que arrimado na legislação de regência, não representando, porém, que referido processo será encaminhado ao Ministério Público Federal, antes do trânsito em julgado da decisão administrativa, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário. Mais a mais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula n° 28, de observância obrigatória a todos os julgadores administrativos, impossibilitando a discussão sobre processos administrativos de representação fiscal para fins penais, afastando qualquer dúvida quanto o tema, como segue: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.” Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, por não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.002710/200917 Acórdão n.º 2401002.824 S2C4T1 Fl. 480 23 CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, acolher de ofício a decadência em relação às competências 01/2004 e 02/2004 e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, afastando a tributação sobre o auxílio alimentação fornecido pela contribuinte e determinando o recálculo da contribuição destinada ao SAT levandose em consideração, para efeito de adoção das alíquotas pertinentes, a atividade preponderante em cada estabelecimento individualizadamente, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13924.000039/2002-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão sobre ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado, de se acolher os embargos de declaração para sanear o Acórdão.
PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF.PAGAMENTO A MAIOR NÃO COMPROVADO, AO CONTRÁRIO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
De se rever posicionamento do Colegiado em função de informações ressaltadas pela Embargante e confirmadas através das duas diligências realizadas, no sentido de que, antes da autuação, já havia um pronunciamento da autoridade fiscal, que se tornou definitivo, no sentido de não conhecer a existência de pagamento a maior do PIS/Pasep e, consequentemente, de possibilidade de seu aproveitamento na compensação dos débitos objetos do auto de infração eletrônico.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e modificar o Acórdão embargado no sentido de restar configurado o desprovimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão sobre ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado, de se acolher os embargos de declaração para sanear o Acórdão. PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF.PAGAMENTO A MAIOR NÃO COMPROVADO, AO CONTRÁRIO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De se rever posicionamento do Colegiado em função de informações ressaltadas pela Embargante e confirmadas através das duas diligências realizadas, no sentido de que, antes da autuação, já havia um pronunciamento da autoridade fiscal, que se tornou definitivo, no sentido de não conhecer a existência de pagamento a maior do PIS/Pasep e, consequentemente, de possibilidade de seu aproveitamento na compensação dos débitos objetos do auto de infração eletrônico. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13924.000039/2002-27
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5176278
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3401-002.051
nome_arquivo_s : Decisao_13924000039200227.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ODASSI GUERZONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13924000039200227_5176278.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e modificar o Acórdão embargado no sentido de restar configurado o desprovimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4395419
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215569526784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2151; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 272 1 271 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13924.000039/200227 Recurso nº 13.924.000039200227 Embargos Acórdão nº 3401002.051 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO AUDITORIA ELETRÔNICA DCTF AÇÃO JUDICIAL SEMESTRALIDADE Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado DALMORA ZANDONAI & CIA.LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão sobre ponto sobre o qual deveria ter se manifestado o colegiado, de se acolher os embargos de declaração para sanear o Acórdão. PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF.PAGAMENTO A MAIOR NÃO COMPROVADO, AO CONTRÁRIO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De se rever posicionamento do Colegiado em função de informações ressaltadas pela Embargante e confirmadas através das duas diligências realizadas, no sentido de que, antes da autuação, já havia um pronunciamento da autoridade fiscal, que se tornou definitivo, no sentido de não conhecer a existência de pagamento a maior do PIS/Pasep e, consequentemente, de possibilidade de seu aproveitamento na compensação dos débitos objetos do auto de infração eletrônico. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e modificar o Acórdão embargado no sentido de restar configurado o desprovimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 4. 00 00 39 /2 00 2- 27 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13924.000039/200227 Acórdão n.º 3401002.051 S3C4T1 Fl. 273 3 Relatório O processo retorna após a conclusão da Resolução nº 340100.423, de 20/03/2012, por meio da qual determináramos: a) que fosse dada a ciência à interessada da Resolução nº 2201400.007, de 05/03/2009; b) que fosse esclarecido se os documentos de fls. 11 e 12 deste processo haviam sido entregues à Receita Federal do Brasil, tratandose eles, respectivamente, de um Pedido de Restituição indicando o processo judicial nº 97.40100546 e um Pedido de Compensação de débitos do PIS/Pasep de janeiro [R$ 2.005,52], fevereiro [R$ 2.202,43] e março de 1997 [R$ 2.530,01], ambos datados de 09/01/2002; e c) que fossem trazidas informações acerca do quê, exatamente, tratouse no processo nº 13924.000248/9724, também de interesse da ora Recorrente. Referida Resolução nº 2201400.007 fora aprovada em face da interposição de embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra os termos do Acórdão nº 20312.229, de 22/06/2007, relator o exConselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Eis a ementa do Acórdão embargado: [...] SEMESTRALIDADE. Ao analisar o disposto no artigo 6o, parágrafo único, da Lei Complementar nº 7/70, há de se concluir que ‘faturamento’ representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). Recurso Provido em Parte. Eis trecho do voto condutor na parte em que tratou da “semestralidade”: [...] O exame do critério da semestralidade é aqui realizado em face da matéria em comento não ter sido objeto da AÇÃO ORDINÁRIA – COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA – OBJETIVANDO A COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS AO PIS, ajuizada em janeiro de 1997. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso interposto, pois cabe à Fiscalização a verificação e aplicação do critério da semestralidade ao caso em concreto, em especial quanto à compensação realizada com autorização judicial, que, aliás, determinou até os índices de correção a serem observados (ver fls. 52 a 76 dos autos). (destaques do original). Nos referidos embargos a Procuradoria da Fazenda Nacional apontara omissão do Colegiado quanto ao fato de que a compensação pleiteada pela interessada já fora objeto de decisão administrativa definitiva, proferida em processo administrativo específico, que teria indeferida em razão da inexistência dos créditos pleiteados. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Alegara a Embargante que o documento de fl. 177 traria a informação de que não teria sido apurado pela fiscalização qualquer valor recolhido a maior a título de PIS/Pasep, como argumentado pela Impugnante; ao contrário, valores recolhidos a menor, o que ensejara, inclusive, a lavratura de auto de infração por meio do processo nº 10935.002575/9776. Essa informação, por sua vez, reportase ao despacho às fls. 129/130, proferido no bojo processo administrativo “específico” a que a Embargante se referiu no parágrafo acima, qual seja, o de nº 13924.000248/97, que se encontraria arquivado desde 20/11/2002 (sic1) . A Embargante apontou outra omissão no Acórdão, alegando que o Colegiado não teria se pronunciado sobre quais suas motivações para acolher a tese de “compensação como matéria de defesa”, haja vista jurisprudência do Conselho de Contribuintes em sentido contrário. Além disso, a Embargante argumentou que o Acórdão não teria observado as regras constantes do § 1º do art. 17 da IN SRF nº 21/97, segundo as quais, em se tratando de créditos oriundos de ação judicial, para o reconhecimento do direito de seu aproveitamento na compensação/restituição na seara administrativa, seriam imprescindíveis a formulação de pedido junto a SRF e a comprovação da desistência das ações judiciais ainda em curso, a fim de que não sejam executados em duas frentes. Por fim, lembrou que a regra do artigo 170A do Código Tributário Nacional impede a compensação de créditos discutidos em juízo antes do trânsito em julgado da decisão. Referidos embargos de declaração foram submetidos ao crivo da então denominada 2a Câmara da 1a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF na sessão de 05/03/2009, ocasião em que foram acolhidos “para reratificar o Acórdão nº 203 12.229, para converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator”. Eis o “Voto”, constante da Resolução nº 220100.007: Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator Como relatado, a Embargante se insurge contra omissão verificada no acórdão embargado, pois que a decisão nele consubstanciada teria sido omissa quanto à existência de processo de compensação n° 13924.000248/9724, julgado em contrariedade aos interesses do contribuinte; e, caso superado tal matéria, qual a razão para a manifestação deste Colegiado quanto a adoção de matéria de compensação como razões de defesa em auto de infração. No que diz respeito à adoção da matéria de compensação como razões de defesa aqui cabe o acolhimento dos embargos para a devida prestação de esclarecimentos. A autuação em comento deuse em razão da suposta insuficiência de recolhimento para o PIS, pois haveria saldos a pagar pelo contribuinte, em face da aplicação da LC n° 07/70. Ocorre que o contribuinte detém em seu favor decisão judicial declarando o direito do mesmo ao recolhimento da exação em comento pela LC n° 07/70 e não pelos inconstitucionais DLs n° 2445 e 2449, ambos de 1988. Tal decisão também autorizou a compensação de valores supostamente recolhidos a maior a título de PIS. 1 Na verdade, conforme pesquisa no eprocesso, o arquivamento se deu em 04/02/1998. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13924.000039/200227 Acórdão n.º 3401002.051 S3C4T1 Fl. 274 5 E assim o contribuinte, em procedimento próprio (processo n° 13924.000248/9724), buscou seu direito à compensação, ao que parece não reconhecido em face da suposta existência de saldos a pagar de PIS, pois que não se observava à época o critério da semestralidade (artigo 6 o da LC n° 07/70). Em decorrência disto veio a autuação do contribuinte, objeto da presente discussão. E aqui também, em autuação e não com a adoção de compensação como razões de defesa, cabe ao órgão autuante observar o critério da semestralidade para o PIS conforme legislação j á citada e também utilizada para fundamentar referido auto , para fins de revisão dos valores lançados e ilegitimamente exigidos. Feitos tais esclarecimentos e para melhores conclusões, acolho os embargos opostos e quanto ao processo de compensação que tramita paralelo a este, entendo por bem em converter o feito em diligência para que a autoridade preparadora competente apure e informe, conclusivamente, o quanto segue: (i) Há decisão final/definitiva proferida nos autos do mencionado processo n° 13924.000248/97 24?; (ii) Em qual sentido? Colacionar aos autos peças processuais a confirmar tais informações; e, (iii) Em não havendo ainda decisão administrativa definitiva nos autos do referido processo de compensação, que se aguarde o fim do mesmo para, só então, promover a devolução destes autos (RV 131267), devidamente instruído com cópias daquele processo. Referida Resolução, contudo, não fora cientificada à Recorrente, o que fez com que o Colegiado, por meio de nova Resolução, a de nº 340100.423, de 20/03/2012, eu Relator, determinasse a realização de tal procedimento, bem como que fossem fornecidas duas novas informações, além daquelas anteriormente solicitadas. As duas Resoluções e os respectivos resultados das diligências foram cientificados à Recorrente, que, entretanto, sobre eles não se manifestou no prazo que lhe fora concedido. No essencial, é o Relatório. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Somandose as informações colhidas por meio das duas diligências e por meio de pesquisa que realizei no sistema “eprocesso”, de âmbito interno do Carf, temse que: a) quanto ao processo nº 13924.000248/97242: Foi formalizado pela interessada em 17/09/97 com um documento dando conta da existência de uma sentença proferida pelo Poder Judiciário autorizando “a compensação imediata dos créditos da autora frente a União Federal no que diz respeito ao PIS, sem qualquer limitação percentual dando irrestrito ganho de causa a nossa pretensão.” Referida sentença, de 08/05/1997, cuja cópia foi anexada àquele processo, deuse na Ação Ordinária tombada sob o nº 97.40100546, em cujo dispositivo constou o afastamento dos DecretosLeis nºs. 2.445 e 2.449, de 1988, para fins de recolhimento da contribuição devida ao PIS/Pasep, bem como o aproveitamento dos valores recolhidos a maior em procedimento de compensação com débitos da mesma espécie. Nesse processo nº 13924.000248/9724 consta ainda um demonstrativo consolidado elaborado pela interessada relacionando os valores devidos, os valores recolhidos, e o alegado crédito disponível, pertinentes aos períodos de apuração de junho de 1990 a setembro de 1995. Os débitos indicados para compensação nesse processo foram os relativos ao PIS dos períodos de apuração de novembro e de dezembro de 1996, apenas. A DRF Cascavel/PR proferiu despacho em 01/12/1997 nos seguintes termos: Tendo a decisão judicial reconhecido a inconstitucionalidade dos DL 2.445/88 e 2.449/88 e determinado a aplicação da LC 7/70 e não se manifestado sobre a legislação posterior (Leis 7.799189, 8.019190, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94 e 8.981/95) que alterou os prazos de vencimento do PIS; Tendo sido calculado o valor devido do PIS com base na LC 7/70 e alterações constitucionais posteriores (portanto afastados os DL 2.445/88 e 2.449/88), conforme demonstrativos constantes da Notificação de Lançamento Processo n° 10935.002575/9776. E tendo sido apurado que não há valores pagos a maior (não havendo o que compensar), pelo contrário, há insuficiência nos pagamentos; Proponho o encaminhamento do presente processo à ARF/Pato Branco/PR para que se reative os débitos suspensos no CONTACORPJ (f1s. 30) e demais providências cabíveis. 2 Essas informações foram colhidas junto ao próprio processo no sistema eprocesso, isto é, nao constam dos presentes autos. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13924.000039/200227 Acórdão n.º 3401002.051 S3C4T1 Fl. 275 7 Em seguida, o processo foi arquivado (04/02/1998), tendo sido, posteriormente (03/05/2012) apensado ao processo nº 13924.000132/200231 e voltado novamente ao arquivo em 20/11/2002. Informação importante pôde ser colhida também da análise dos autos do processo nº 13924.000132/200231, qual seja, a de que, de fato, houve um procedimento de oficio da fiscalização no sentido de lançar os valores do PIS/Pasep que teriam sido recolhidos a menor em relação àqueles períodos de apuração para os quais a interessada entendia dispor de crédito por conta de pagamento a maior. Referido auto de infração consta do processo nº 10935.002575/9776, e, embora não se encontre nos autos maiores informações sobre, inclusive, se a autuada se defendeu e em que termos, o fato é que a consulta feita no sistema Comprot na internet3, revela que o mesmo fora enviado para o Setor de Dívida Ativa da União em 07/06/1999 e de lá para o arquivo da ARF em Pato BrancoPR em 31/03/2009. Isso apenas reforça a informação dada pela autoridade fiscal no sentido de que, de fato, em vez de créditos a serem restituídos, a autuada estava em débito para com o Erário, não havendo, pois, que ser reconhecido qualquer crédito a título de PIS/Pasep e consequentemente não poder ser admitida as compensações dos débitos exigidos neste processo. E, também quanto a isso, não houve qualquer contestação da Recorrente. b) quanto aos Pedidos d e Restituição e de Compensação, às fls. 11 e 12: De um lado, a ARF em Pato BrancoPR informou não ser possível confirmar se o documento às fls. 11 e 12 deste processo foi protocolado pela interessada junto à Receita Federal do Brasil, e, de outro, a ora Recorrente, em tese, a quem a confirmação poderia favorecer, não esboçou qualquer interesse em esclarecer a dúvida. Tenho tais documentos, portanto, como inúteis para os fins a que se supostamente se destinaram, de modo que deve ser descartada a hipótese de os débitos do PIS/Pasep dos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 1997, estarem sendo exigidos em duplicidade. Embargos Aos esclarecimentos dados pelo exConselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda acerca da alegada omissão quanto à “compensação como forma de defesa”, adiciono a informação de que esse procedimento tem sido repudiado pelo Carf quando o auto de infração precede a compensação invocada pela autuada, o que não ocorreu no presente caso em que a Recorrente está dizendo, palavras minhas, que os débitos exigidos já teria sido “quitados” pela compensação. Quanto à alegação da Procuradoria da Fazenda Nacional de que o Acórdão teria ignorado as regras do art. 17 da IN SRF 21/97 e do art. 170A do Código Tributário Nacional, não creio que possa ser classificada como aqueles vícios que dão ensejo aos 3 http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=109350025759776&DDMovimentoQ=07112011&SQOrd emQ=0, em 10/10/2012. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 embargos – omissão, contradição e obscuridade , até porque nem mesmo a DRJ fizera tal questionamento em seu voto. De todo modo, o resultado das diligências e da pesquisa que efetuei junto ao eprocesso permitem concluir que o Acórdão ora embargado deve ser revisto, porquanto, consoante dito alhures, já havia, antes mesmo do presente lançamento, uma decisão administrativa definitiva negando a existência de qualquer crédito de PIS/Pasep a ser aproveitado nas compensações indicadas pelo contribuinte e objeto de glosa por meio do auto eletrônico. Conclusão Pelo exposto, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração, dandose lhes efeitos infringentes em face da modificação do resultado do Acórdão embargado, cujo resultado passa a ser o de se negar provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 656DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19839.006522/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005
MEDIDA PROVISÓRIA - PERDA DE EFICÁCIA
A perda da eficácia de Medida Provisória não demanda nulidade dos atos praticados em sua vigência
CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE - INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, bem como arrecadar e recolher a contribuição de tais segurados
INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.132
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005 MEDIDA PROVISÓRIA - PERDA DE EFICÁCIA A perda da eficácia de Medida Provisória não demanda nulidade dos atos praticados em sua vigência CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE - INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, bem como arrecadar e recolher a contribuição de tais segurados INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19839.006522/2008-56
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5176225
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2402-003.132
nome_arquivo_s : Decisao_19839006522200856.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19839006522200856_5176225.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira- Relatora. Júlio César Vieira Gomes Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4392873
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215576866816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 104 1 103 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19839.006522/200856 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.132 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Recorrente SINDICATO TAXISTAS AUTÔNOMOS DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005 MEDIDA PROVISÓRIA PERDA DE EFICÁCIA A perda da eficácia de Medida Provisória não demanda nulidade dos atos praticados em sua vigência CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa é obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, bem como arrecadar e recolher a contribuição de tais segurados INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 65 22 /2 00 8- 56 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.006522/200856 Acórdão n.º 2402003.132 S2C4T2 Fl. 105 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, bem como a contribuição do contribuinte individual, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 16/18), os fatos geradores das contribuições lançadas são valores pagos a contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada. A autuada não informou tais fatos geradores em GFIP e nem os incluiu em folhas de pagamento. A ciência do lançamento ocorreu em 13/07/2005 e a autuada apresentou defesa (fls. 25/30) onde alega a nulidade da autuação por ausência de motivação sob o argumento de que foram constituídos créditos sobre supostos pagamentos a autônomos que não foram especificados de tal sorte a prejudicar o direito à ampla defesa do contribuinte. Argumenta que embora os valores tenham sido extraídos de conta "prestadores de serviços", não significa necessariamente, remuneração, podendo ser por reembolso de despesas, reembolso de quilometragem, demais despesas. Alega que não deverá incidir contribuição previdenciária sobre os valores pagos que não constituam salário, nos termos do preceito constitucional, entre eles, os efetuados a trabalhadores sem vinculo empregatício. Entende ser inconstitucional a contribuição mesmo após a Lei Complementar nº 84/1996. De igual forma, considera não ser possível a elevação da alíquota de 15% para 20%, promovida pela lei ordinária n° 9.876, diante da impossibilidade de revogação de lei complementar por lei ordinária. Pela Decisão Notificação nº 21.404.4/0111/2005 (fls. 33.40), a autuação foi considerada procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 46/52), onde efetua a repetição das alegações de defesa e alega nulidade da decisão recorrida que teria sido proferida durante a vigência da Medida Provisória 258/2005 que integrou a Secretaria da Receita Previdenciária à Secretaria da Receita Federal, a qual não foi convertida em lei. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Inicialmente, cumpre afastar a alegação de nulidade da decisão recorrida que teria sido proferida durante a vigência da Medida Provisória 258/2005. A perda da eficácia da MP não produz a nulidade da decisão recorrida. Vale lembrar que a própria Constituição Federal trata do assunto, conforme se verifica no § 3º do art. 62, in verbis: Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) ...................................................... § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) ..................................................... § 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (g.n.) Depreendese que a própria Constituição Federal de 1988 tratou de revestir da legalidade necessária para sua validade, os atos praticados na vigência de Medida Provisória não convertida em lei. Assim, a alegação de nulidade da decisão de primeira instância deve ser afastada. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.006522/200856 Acórdão n.º 2402003.132 S2C4T2 Fl. 106 5 De igual forma, a recorrente alega nulidade da autuação por ausência de motivação sob o argumento de que foram constituídos créditos sobre supostos pagamentos a autônomos que não foram especificados prejudicando o direito à ampla defesa do contribuinte. Tal argumentação não merece prevalecer. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais, bem como as contribuições destes segurados, cuja arrecadação e recolhimento são de responsabilidade da empresa de acordo com o que dispõe a Lei nº 10.666/2003. Toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. A auditoria fiscal é clara quando informa que os valores foram apurados nos recibos de pagamentos a autônomos. Além disso, foi elaborada planilha (fl. 20), onde se pode verificar que o lançamento referese às contribuições incidentes sobre os valores pagos ao segurado contribuinte individual Edvaldo Carmona da Silva, por serviços de segurança, nas competências 12/2004, 01/2005 e 02/2006, que são o objeto do presente lançamento. Assim, não há que se falar em ausência de motivação ou cerceamento de defesa. A recorrente alega que embora os valores tenham sido extraídos de conta "prestadores de serviços", não significa necessariamente, remuneração, podendo ser por reembolso de despesas, reembolso de quilometragem, demais despesas. Depreendese que a alegação é equivocada, uma vez que em nenhum momento a auditoria fiscal informou ter extraído os valores dos pagamentos a contribuintes individuais da citada conta contábil, ao contrário, os valores foram apurados da análise de recibos de pagamento. A recorrente questiona, ainda, a constitucionalidade da contribuição lançada, bem como de sua majoração de 15% para 20%. Cumpre dizer que não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico pátrio, em obediência ao princípio da estrita legalidade. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífica na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 07/12/2010, por meio da Portaria CARF nº 49, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, podese concluir que o lançamento deve prevalecer, uma vez que a recorrente estava obrigada a recolher a contribuição a seu cargo incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, bem como arrecadar e recolher a contribuição de tais segurados Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19839.006522/200856 Acórdão n.º 2402003.132 S2C4T2 Fl. 107 7 Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira – Relatora Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003104/2010-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido.
PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
O Pis, na apuração pela sistemática não-cumulativa, incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive sobre o ICMS que é um elemento componente do preço, que comporá, no somatório, o valor que servirá de base de cálculo daquela contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (I) - Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) - Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) - Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº 236.471.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 03/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O Pis, na apuração pela sistemática não-cumulativa, incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive sobre o ICMS que é um elemento componente do preço, que comporá, no somatório, o valor que servirá de base de cálculo daquela contribuição. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10950.003104/2010-71
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177673
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3801-001.593
nome_arquivo_s : Decisao_10950003104201071.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 10950003104201071_5177673.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (I) - Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) - Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) - Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº 236.471. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon - Relator. EDITADO EM: 03/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4418668
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215597838336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 411 1 410 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.003104/201071 Recurso nº 893.645 Voluntário Acórdão nº 3801001.593 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO/PIS E COFINS Recorrente M. A. FALLEIRO & CIA. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE. A partir do anocalendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, cabível é o lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A Cofins, na apuração pela sistemática nãocumulativa, incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive sobre o ICMS que é um elemento componente do preço, que comporá, no somatório, o valor que servirá de base de cálculo daquela contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 31 04 /2 01 0- 71 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O Pis, na apuração pela sistemática nãocumulativa, incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive sobre o ICMS que é um elemento componente do preço, que comporá, no somatório, o valor que servirá de base de cálculo daquela contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº 236.471. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 03/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.003104/201071 Acórdão n.º 3801001.593 S3TE01 Fl. 412 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o processo de Auto de Infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, às fls. 308/314, que exige R$ 154.514,43 de Cofins, R$ 115.885,81 de multa de oficio, além dos acréscimos legais; e Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, às fls. 301/307, que exige R$ 16.566,52 de PIS, R$ 12.424,88 de multa de oficio, além dos acréscimos legais; em decorrência de diferença apurada entre o valor escriturado na contabilidade e o declarado/pago, no anocalendário de 2009. Cientificada dos lançamentos em 16/06/2010 (fls. 306 e 311), a interessada, por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos (fls. 352/358), apresentou, em 14/07/2010, a impugnação de fls. 319/350, tecendo as argumentações que a seguir estão sintetizadas. Sob o titulo "Da Nulidade por Lançamento de Oficio Realizado Quando da Existência de Crédito Tributário Previamente Constituído”, pondera que a apresentação do Dacon e da DIPJ pela empresa constitui em lançamento tributário, conforme determina o art. 142 do CTN, já que é um espelho da apuração das contribuições sociais, ao contrário da DCTF que é um mero instrumento de confissão de divida. Sob essa visão, diz que tendo sido prestada a declaração (art. 149 do CTN) com a entrega do Dacon pelo contribuinte, não há que se falar em lançamento de oficio ou revisão de lançamento, eis que tratarseia de duplicidade de lançamento. Nessa mesma linha de raciocínio, acrescenta que "se os livros fiscais e os comprovantes dos lançamentos neles realizados deverão permanecer à disposição da fiscalização até que ocorra a PRESCRIÇÃO dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, por óbvio que o artigo está falando de obrigação tributária convertida em crédito tributário através do procedimento conhecido por lançamento. Ou seja, os registros fiscais do contribuinte constituemse em lançamento, já que, acaso assim não fosse, o parágrafo único do artigo 195 do CTN não estaria referindose em prescrição, mas sim em decadência dos créditos tributários decorrentes das operações retratadas em tais livros.” Conclui que, após o crédito estar regularmente inscrito, pela entrega da declaração respectiva (Dacon, DIPJ, GFIP), deveria o Fisco aguardar o prazo para pagamento do débito, para então promover a execução fiscal, independentemente de qualquer outro ato de ciência ou notificação. E se constatada eventual diferença nos pagamentos, caberia intimar o sujeito passivo para recolher o débito sob pena de inscrição em divida ativa e Fl. 506DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 posterior execução, jamais lançar novamente o crédito tributário com as penalidades inerentes ao lançamento de oficio. Argumenta que a fiscalização limitouse a indicar a matéria tributável, o período e o sujeito passivo, sem preocuparse com o aspecto quantitativo do fato gerador, pois, não há no procedimento qualquer menção ao cálculo utilizado para se chegar a base de cálculo que amparou a autuação, pelo que maculado está o principio da ampla defesa, eis que fica impossível do contribuinte manifestarse sobre a matéria. Alega a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF), por falta de ciência ao sujeito passivo das prorrogações de prazo do procedimento fiscal, uma vez que o Auditor Fiscal não dispunha de autorização legal para continuar na fiscalização da empresa, afigurando vicio formal insanável no presente processo, a culminar com sua nulidade. No mesmo sentido, protesta pela nulidade dos lançamentos de PIS e Cofins, uma vez que o Auditor Fiscal extrapolou os limites do MPF, por não ter sido incluído no objeto de fiscalização dos tributos e período de apuração que a fiscalização estava sujeita. Ressalta que não foi observado o Principio do Devido Processo Legal, na medida em que não se procedeu a intimação da empresa acerca da prorrogação do prazo constante do MPF, ferindo, em conseqüência, o Principio do Contraditório e da Ampla Defesa e também o Principio da Legalidade, pelo fato de não ter seguido à risca as leis nos procedimentos administrativos de fiscalização, mais precisamente o Decreto n° 70.235/72 e a Portaria RFB n° 11.371/07. Pretende, por outro lado, que a multa seja reduzida de 75% para 20%, uma vez que, a seu ver, o débito foi devidamente constituído, pela entrega do Dacon, já que não caberia, no caso, lançamento de oficio, devendo incidir somente a multa de mora, ante o atraso no pagamento do débito. Alega a inconstitucionalidade dos dispositivos que incluem o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, por não estar esse tributo incluído no conceito de faturamento, vigente até dezembro de 2002 para o PIS, e vigente até fevereiro de 2004 para a Cofins, e nem no conceito de receita vigente nas Leis nº 10.637 para o PIS e n° 10.833 para a Cofins. Faz um relato da evolução legislativa cio PIS e da Cofins, salientando a impossibilidade da inclusão do ICMS em suas bases de cálculo. Referindose ao conceito de faturamento e receita, diz que o faturamento deve ser entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constituindo a base de cálculo da contribuição e que nem todos os valores que entram no cofre das empresas são receitas, tais como os impostos indiretos, cancelamento de vendas, devoluções de mercadorias etc. Por isso, aduz ser ilegal a inclusão do ICMS no conceito de receita e faturamento, já que não é objeto de mercancia, mas sim um ônus suportado pelo contribuinte decorrente de sua atividade empresarial, sendo o empresário mero agente arrecadador. Arremata dizendo que a nãoexclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins torna o auto de infração ilíquido, Fl. 507DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.003104/201071 Acórdão n.º 3801001.593 S3TE01 Fl. 413 5 sendo impossível reconstituir a base de cálculo das contribuições em sede de recurso administrativo. A Delegacia de Julgamento em Curitiba proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por, pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. Verificandose, nos autos, a obediência aos ditames da legislação que rege o MPF, no tocante à emissão, ciência e prorrogação, não há que se falar em nulidade na emissão desse documento, que, ademais, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. DIPJ. DACON. GFIP. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ, o Dacon e a GFIP têm caráter meramente informativos e declaratórios, não estando tais documentos revestidos pela legislação como instrumentos de confissão de divida, para efeito de inscrição do saldo a pagar em Divida Ativa da União. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009 LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS EM INFORMAÇÃO PRESTADA EM DCTF. As diferenças apuradas entre os Valores registrados na contabilidade e as informações prestadas em DCTF, relativamente aos débitos do PIS/Pasep, devem ser objeto de lançamento de oficio. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO. Incabível a exclusão do valor devido a titulo de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do prego das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio na forma prevista na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009, 01/04/2009 a 31/05/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009 LANÇAMENTO. DIFERENÇAS APURADAS EM INFORMAÇÃO PRESTADA EM DCTF. As diferenças apuradas entre os valores registrados na contabilidade e as informações prestadas em DCTF, relativamente aos débitos da Cofins, devem ser objeto de lançamento de oficio. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO. Incabível a exclusão do valor devido a titulo de ICMS da base de cálculo da Cofins, pois esse valor é parte integrante do prego das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio na forma prevista na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 373 a 405, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. DOS PEDIDOS: Ante todo o exposto, requer dignemse os Ilustres Julgadores apreciar as preliminares suscitadas, para: I) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal nº 10950.003104/201071, ante a ocorrência de nulidade do lançamento de oficio realizado pelo Fisco, eis que já havia crédito tributário constituído pelo contribuinte, ora Recorrente, com a entrega das declarações (DIPJ, DACON), conforme expresso no item II.I. II) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal n° 10950.003104/201071, tendo em vista que o MPFF não foi alterado para incluir em seu objeto a fiscalização sobre o PIS e a COFINS do ano Fl. 509DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.003104/201071 Acórdão n.º 3801001.593 S3TE01 Fl. 414 7 calendário 2009, violando o art. 7°, § 1°, da Portaria RFB n°11.371/07, conforme expresso no item II.III.I. III) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal no 10950.003104/201071, ante a ocorrência de cerceamento de defesa, eis que ausentes elementos do fato gerador da obrigação tributária (memorial de cálculo detalhado utilizado pelo fiscal para apurar a base de cálculo do tributo devido) fundamentais para que o contribuinte, ora Recorrente, apresentasse sua defesa de forma completa, como determina o artigo 5°, LV da Carta Magna, conforme exposto no item II.II. IV) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal n° 10950.0031041201071, tendo em vista que não foi dada ciência ao contribuinte, ora Recorrente, quando do primeiro ato após as prorrogações efetuadas pelo Auditor Fiscal, conforme exposto no item II.III.II. V) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal n° 10950.003104/201071, tendo em vista que o MPFF violou o principio do contraditório e da ampla defesa. VI) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal n° 10950.003104/201071, tendo em vista que o MPFF violou o principio da legalidade. Vencidas as preliminares, em relação ao mérito, requer a Recorrente, que se dignem Vossas Senhorias em: VII) DETERMINAR a redução da multa de 75% para 20%, eis que o lançamento de oficio promovido pelo Fisco é nulo de pleno direito, conforme exposto no item III.I. VIII) DECLARAR A ILIQUIDEZ do auto de infração ante a não exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. IX) DETERMINAR, acaso não acolhido o pedido supra, nova apuração dos valores devidos, excluindose da base de cálculo das contribuições referidas os montantes de ICMS. É o relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme visto anteriormente, tratase dos autos de infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 308/313) e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP (fls. 301/306), apuração nãocumulativa, nos quais foi exigido os valores não recolhidos das referidas contribuições, nos períodos compreendidos entre 02 a 07/2009. O lançamento foi efetuado em virtude de ter a fiscalização apurado diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 294/300. O resultado do cotejamento entre os valores constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), ou pagos/recolhidos, e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal constam do quadro “Apuração do PIS – Verificações Obrigatórias”, fls. 298 e “Apuração da COFINS – Verificações Obrigatórias”, fls. 299. 1. Preliminarmente 1.1 Da nulidade do auto de infração em razão de: 1.1.1 cerceamento de defesa, eis que ausentes elementos do fato gerador da obrigação tributária. 1.1.2 já havia crédito tributário constituído pelo contribuinte, ora recorrente, com a entrega das declarações (DIPJ, DACON). O contribuinte suscitou questões preliminares de nulidade do auto de infração, argüindo a existência de cerceamento de defesa em razão da ausência de elementos do fato gerador da obrigação tributária, bem como em razão da “duplicidade” da exigência através do presente auto de infração, uma vez que os débitos já constavam da DIPJ e do DACON. Quanto as questões suscitadas, em confronto com as peças produzidas pela fiscalização, constatase que a razão não está do lado da recorrente, pois a autoridade fiscal demonstrou minuciosamente a composição da base de cálculo e o período de apuração a que se referem os valores que estão sendo exigidos, conforme demonstrativos de fls. 258/261 (PIS) e 262/265 (COFINS), bem como a informação prestada às fls. 254, a saber: “Procedendose ao confronto entre os valores que foram apurados com base na escrituração contábil do Sujeito Passivo, nas contas do passivo representativas da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (código da conta 2.1.02.002.002.000000002 — Pis a Recolher), do estabelecimento Matriz e suas filiais, durante o anocalendário Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.003104/201071 Acórdão n.º 3801001.593 S3TE01 Fl. 415 9 de 2009, conforme planilhas “Demonstrativo da Apuração do PIS — Anocalendário 2009 Verificações Obrigatórias”, que seguem em anexo ao presente termo, e os valores declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), CONSTATARAMSE divergências [...]. Procedendose ao confronto entre os valores que foram apurados com base na escrituração contábil do Sujeito Passivo, nas contas do passivo representativas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (código da conta 2.1.02.002.002.000000003 — Cofins a Recolher) [...]”. No que se refere a tese da “duplicidade de lançamento”, qual seja, de que o lançamento não pode prosperar, pois os valores já foram declarados em suas Declarações de IRPJ e DACON, portanto deveriam ser encaminhados a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, também essa tese não militou em favor da recorrente, pois somente a DCTF tem força de confissão de dívida. Não há dúvida de que todos as contribuições aqui em litígio (PIS e COFINS) estão sujeitas à sistemática do lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN. Nesta sistemática, a lei tributária atribui ao sujeito passivo a responsabilidade de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e efetuar o seu pagamento, tudo sem o prévio exame da autoridade administrativa. No entanto, como forma de operacionalizar a administração tributária, o DecretoLei nº 2.124/84, no seu artigo 5º, autorizou a instituição de obrigação acessória com caráter de confissão de dívida e de instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. Esta declaração é a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998. Assim, desde que estivessem os débitos declarados na competente DCTF, ainda que não pagos, sobre eles recairia tão somente a multa de mora, e isto por ser esta declaração um instrumento de confissão de dívida. Por outro lado, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, consoante consolidado entendimento da administração tributária, bem como deste Egrégio Conselho, a partir do anocalendário de 1999 possui natureza meramente informativa, isto é, não constitui confissão de dívida, ao contrário do que sustenta a recorrente. Não obstante a pretensão da recorrente quanto à existência de prérequisito legal ao lançamento, as exigências previstas em lei para a sua validade são aquelas estatuídas nos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72 (PAF). O art. 142 do CTN prevê as seguintes etapas imprescindíveis à concretização do lançamento: verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade, quando cabível. Na situação sob exame o lançamento constituiuse mediante a lavratura de um auto de infração, logo o ato de sua formalização deveria submeterse às prescrições do art. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 10 do PAF, que consistem na competência do autuante e na observância das formalidades legais, destacandose como essenciais: a qualificação do autuado; a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. É de se considerar que, além dos pressupostos indispensáveis à constituição do crédito tributário, através do lançamento, a legislação tributária estabelece duas hipóteses de nulidade, a saber: a incompetência do agente e o cerceamento do direito de defesa, conforme dispõe o art. 59 do PAF, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, pela análise dos preceitos legais que disciplinam a constituição do crédito tributário e sua formalização através do lançamento de ofício, reputo que o ato administrativo examinado é válido e eficaz, formalizado de acordo com as exigências legais. 1.2 Da nulidade do auto de infração em razão de vícios na emissão do MPF. A recorrente protesta pela nulidade do auto de infração pelo fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal abrangeu tãosomente o IRPJ e CSLL, não existindo indicação expressa para apuração especifica do PIS e da COFINS do anocalendário de 2009. Com relação ao argüido pela recorrente, devese ter presente que o MPF tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. Por seu turno, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o Auditor Fiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração ou, no caso de ser incompetente para formalizar a exigência, representar para seu chefe imediato, que, por seu turno, adotará as providências necessárias para a constituição do crédito tributário. Não se pode perder de vista que a exigência de crédito tributário por meio de lançamento de ofício deve observar os procedimentos previstos no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10. Do exame do lançamento em questão, constatase que estes requisitos foram observados pela autoridade fiscal, de sorte que não há que se falar em nulidade do lançamento por eventuais vícios na emissão do MPF. Cumpre observar que o descumprimento de comandos normativos em relação ao MPF, pode, em tese, configurar um ilícito funcional, todavia eventuais omissões ou incorreções não acarretam a nulidade do lançamento. Em casos análogos, esta tese também foi acolhida, ainda que por maioria, em julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.003104/201071 Acórdão n.º 3801001.593 S3TE01 Fl. 416 11 (...) NULIDADES. VICIO NO MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo AuditorFiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Processo nº 13819.001389/200127, Acórdão nº 0203.717, de 27/11/2008) MPF. NULIDADE. O desrespeito à previsão de indicação no MPF do período ou tributos fiscalizados não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do Auditor Fiscal da Receita Federal de fiscalizar e promover lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Processo nº 10235.000197/200508, Acórdão nº 910100.414, de 03/11/2009). No caso presente, a exigência das contribuições para o Pis e Cofins, relativas a períodos do ano de 2009, teve origem nas verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, conforme dispõe o §1º do art. 7º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007, abaixo colacionado: Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. Desse modo, os valores exigidos no presente auto de infração encontramse em conformidade com o MPF nº 09.1.05.002008001815. Pelos motivos acima expostos, rejeito as argüições de nulidade apresentadas pela recorrente. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 12 2. DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS. A recorrente defende a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que incluem o ICMS na base de cálculo das contribuições para o Pis e Cofins, inclusive no conceito de receita vigente nas leis 10.637/2002 para PIS e 10.833/2003 para Cofins. Nesse aspecto, é de se registrar que somente a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é que autoriza o julgador administrativo a afastar a aplicação da Lei ao caso concreto, conforme disposto no parágrafo único, do art. 4o, do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, in verbis: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, no que diz respeito a este órgão administrativo, resta declarar que não pode conhecer das alegações de inconstitucionalidade postas pela recorrente em face de que lhe falta competência para apreciar questões desta ordem. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) (...) Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula Nº 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.003104/201071 Acórdão n.º 3801001.593 S3TE01 Fl. 417 13 No mérito, a questão se restringe na possibilidade ou não da recorrente excluir da base de cálculo das contribuições nãocumulativas do Pis e da Cofins os valores referentes ao ICMS. Para auxiliar na solução da lide, transcrevo, a seguir, o art. 1º, §1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Como se observa da legislação acima transcrita, na sistemática não cumulativa, o Pis e a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive sobre o ICMS que é um elemento componente do preço, que comporá, no somatório, o valor que servirá de base de cálculo daquelas contribuições. 3. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Requer a recorrente a redução da multa aplicada de 75% para 20%, pois entende que o crédito tributário foi constituído no momento da apresentação da Declaração IRPJ e do DACON. Como visto anteriormente, nem a DIPJ nem o DACON constituemse em instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, pois são desprovidos do caráter de confissão de dívida, isto é, possuem natureza meramente informativa. Somente a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais goza da prerrogativa de confissão de dívida. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 14 Portanto, não pagos os tributos, e tampouco declarados (confessados) em DCTF, cabível é o seu lançamento de ofício pela autoridade administrativa, modalidade de lançamento a qual, por seu turno, atrai para si a aplicação da multa pecuniária de 75%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Improcedentes, no caso, os apelos da recorrente para que lhe fosse cominada a penalidade de 20%, prevista no art. 61 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, posto que esta pena não se aplica aos casos de lançamento de ofício, como o presente, não havendo margem a dúvidas quanto a este aspecto. Por fim, pelas razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003734/2007-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO.
Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
Numero da decisão: 1802-001.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13811.003734/2007-22
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5185736
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.503
nome_arquivo_s : Decisao_13811003734200722.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 13811003734200722_5185736.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 4487233
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215603081216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.003734/200722 Recurso nº 929.384 Voluntário Acórdão nº 1802001.503 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de dezembro de 2012 Matéria DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Recorrente SILGAN WHITE CAP DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 34 /2 00 7- 22 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.503 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, consequentemente, manteve a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de dezembro do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 9.885,90. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, subscrita por procurador devidamente habilitado, por meio da qual, em apertada síntese, alega o seguinte: a) não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; e b) que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001. Para melhor ilustração, segue dispositivo legal citado pela Recorrente: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência.” O dispositivo invocado pela Recorrente também encontrase reproduzido na IN 247/02, art. 13: “Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.503 S1TE02 Fl. 38 3 determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. A DRJ de São Paulo (SP) ao julgar a manifestação de inconformidade em 25.05.2010 manifestou seu entendimento através da seguinte ementa: “A S S U N T O : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 86 a 90, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do anocalendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003. Solicitouse também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2003. Este é o Relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.503 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no anocalendário de 2005. A DCTF foi instituída pela IN SRF nº 126, de 30/10/1998, tendo posteriormente alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF nº 255, de 11/12/2002. Com periodicidade trimestral, foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no trimestre correspondente, além de outras informações relativas aos pagamentos, débitos, suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A partir do anocalendário de 2005, com a IN SRF nº 482, de 21/12/2004, posteriormente alterada pela IN SRF nº 532, de 30/03/2005, a DCTF passou a ter periodicidade mensal ou semestral. Estavam obrigadas a apresentação da declaração mensalmente: “Art. 2º A partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 3 (três) milhões de reais.” As demais pessoas jurídicas estariam sujeitas a apresentação semestral da declaração: “Art. 3º As demais pessoas jurídicas deverão apresentar, semestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz.” O ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins de eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.503 S1TE02 Fl. 40 5 caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. Pesquisando o site da Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoajuridica/dipj/1999/Inf_Gerais/Conceito_de_Receita_ Bruta.htm), extraímos a seguinte informação: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Atenção: A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, poderá adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços pelo regime de caixa ou de competência, observandose o disposto na IN SRF n° 104, de 1998. O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.503 S1TE02 Fl. 41 6 § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dubia interpretação por parte do contribuinte. Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. Com o retorno da diligência é possível verificar, através da documentação acostada, bem como da informação fiscal (fls. 230 e 231), que a Recorrente no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Neste caso não estaria a contribuinte obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal. Ademais, as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, conforme visto acima, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.503 S1TE02 Fl. 42 7 Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 252DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005301/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/07/2007
MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE COM AMPARO EM MEDIDA JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA.
Não se aplica a multa correspondente a um por cento do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, quando a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está em conformidade com autorização judicial que lhe foi deferida.
Numero da decisão: 3401-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 18/07/2007 MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE COM AMPARO EM MEDIDA JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. Não se aplica a multa correspondente a um por cento do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, quando a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está em conformidade com autorização judicial que lhe foi deferida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11128.005301/2007-94
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5186422
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3401-002.000
nome_arquivo_s : Decisao_11128005301200794.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 11128005301200794_5186422.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4492152
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215612518400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 389 1 388 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.005301/200794 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.000 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Recorrente MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA (ANTES DENOMINADA BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA) Recorrida DRJ SÃO PAULO II SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/07/2007 NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1, DE 2009. No termos da Súmula CARF nº 1, de 2009, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/07/2007 MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELO CONTRIBUINTE COM AMPARO EM MEDIDA JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. Não se aplica a multa correspondente a um por cento do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando a classificação fiscal adotada pelo contribuinte está em conformidade com autorização judicial que lhe foi deferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 53 01 /2 00 7- 94 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.005301/200794 Acórdão n.º 3401002.000 S3C4T1 Fl. 390 2 Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata de autos de infração do Imposto de Importação (exigido juntamente com multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/2001, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003), IPI, Cofins e PIS, por classificação incorreta de mercadoria importada. Como informado nas autuações, o crédito tributário foi lançado em nome da BSH Continental Eletrodomésticos LTDA (antiga denominação da MABE Brasil Eletrodomésticos LTDA), filial com CNPJ nº 60.736.279/000521, com a exigibilidade suspensa por força de decisão concedida nos autos da Ação Ordinária n° 97.00600564. Por bem resumir o que dos autos até, reproduzo o relatório da primeira instância: Foi utilizado o código 8421.39.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e a fiscalização imputou o 8414.60.00. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. Intimado em 14/8/2007, o interessado apresentou impugnação em 6/9/2007 (fls. 157160). Alega: 1. É imperativa a suspensão da exigência, pois o crédito se encontra com exigibilidade suspensa. 2. Em 17/12/1997 o impugnante ajuizou ação ordinária com objetivo de ter reconhecido seu direito de classificar "depuradores" como "aparelhos para depurar gases (código 8421.39.90 da TIPI atual e da TEC, e 8421.39.9900, das antigas TIPI e TAB". 3. O juiz autorizou o depósito judicial das diferenças das exações fiscais. 4. O impugnante procedeu ao depósito, suspendendo a exigibilidade do crédito nos termos do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.005301/200794 Acórdão n.º 3401002.000 S3C4T1 Fl. 391 3 5. Deve ser cancelado o auto de infração ou, ao menos, suspenso até o trânsito em julgado da ação. 6. Foi lançada multa de 1% sobre o valor aduaneiro (MP 2.158 35/2001, artigo 84,1). A discussão sobre o enquadramento tarifário é objeto da ação ordinária em curso. 7. Como o impugnante procedeu à classificação correta da mercadoria importada, não há que se falar na prática de qualquer infração (ilícito), de maneira que é manifestamente descabida a multa em questão. 8. Requer seja julgado improcedente o auto de infração. Alternativamente, seja determinada sua suspensão, até o julgamento definitivo da ação ordinária 97.00.600564. A 2ª Turma não conheceu da Impugnação, em face da concomitância com a via judicial, conforme o Acórdão nº 1750.622, de 10 de maio de 2011. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte defende inicialmente seja conhecida a peça recursal, ressaltando que a Ação Ordinária nº 97.00.600564 alcançaria apenas a matriz da empresa, como conhecido pela DICAT da Alfândega de Santos/SP. Assevera haver fato novo, posterior ao julgamento da DRJ, informando que em 13/06/2011 foi proferida decisão interlocutória nos autos da Apelação interposta pela Recorrente, segundo a qual foi negada a inclusão da sua filial, CNPJ nº 60.736.279/001250, no pólo ativo da referida Ação Ordinária. Em seguida argumenta não haver concomitância com a via judicial e combate as autuações, requerendo ao final sejam julgados improcedentes os autos de infração. Em relação à multa regulamentar afirma ter havido equívoco por parte da DRJ, já que “jamais houve concomitância entre as discussões” (fl. 284), e por tal razão os argumentos pelo seu cancelamento, expostos na Impugnação, deviam ter sido conhecidos. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto na parte em que há identidade com a Ação Ordinária nº 97.00.600564. A parte conhecida diz respeito à contestação da multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro, estabelecida no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, combinado com o art. 69 da Lei nº 10.833, de 2003, que segundo a contribuinte não é devida porque foi adotada a classificação correta da mercadoria importada, descabendo falar na prática de qualquer infração (ilícito). Disto trato mais adiante, depois de evidenciar a concomitância parcial com a via judicial. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.005301/200794 Acórdão n.º 3401002.000 S3C4T1 Fl. 392 4 Como evidencia a fiscalização, nos quatro autos de infração, os lançamentos foram efetuados para prevenir a decadência, sendo que em todos houve a suspensão da exigibilidade exatamente em virtude da ação judicial mencionada. O incidente processual informado na peça recursal, dando conta de que após o julgamento em primeira instância foi proferida decisão interlocutória nos autos da Apelação interposta pela Recorrente, negandose a inclusão no pólo passivo de uma de suas filiais – a do CNPJ nº 60.736.279/001250 , em nada afeta a concomitância. È que, além de as autuações terem ocorrido em nome de outra filial – a do CNPJ nº 60.736.279/000521 –, de todo modo a demanda judicial foi definida com a Exordial. Ora, pela Inicial, e conforme asseverado pela própria contribuinte na Impugnação, em 17/12/1997 (quase de dez anos antes de lavrados os autos de infração deste processo), a empresa ajuizou a Ação Ordinária com objetivo de ter reconhecido seu direito de classificar "depuradores" como "aparelhos para depurar gases (código 8421.39.90 da TIPI atual e da TEC, e 8421.39.9900, das antigas TIPI e TAB". Para não pairar dúvida quanto à identidade entre esta via administrativa e judicial, transcrevo o que informa a fiscalização no Auto do Imposto de Importação (fls. 02, 06 e 10): Amparado pela decisão judicial, o importador efetuou o registro das Declarações de Importação a seguir relacionadas, enquadrando a mercadoria importada no código NCM 8421.39.90, que apresenta a alíquota do Imposto de Importação de 14% e do Imposto sobre Produtos Industrializados de 0%: (...) Dentro da Posição 8414, verificamos que a mercadoria submetida a despacho possui classificação específica, no código NCM 8414.60.00COIFAS (EXAUSTORES*) PARA EXTRAÇÃO OU RECICLAGEM, COM VENTILADOR INCORPORADO, MESMO FILTRANTES COM DIMENSÃO HORIZONTAL MÁXIMA NÃO SUPERIOR A 120CM (RGI n° 6 ). (...) Por tudo o quanto aqui foi exposto, concluímos que os aparelhos importados, denominados DEPURADORES DE AR, DE USO DOMÉSTICO, que possuem dimensões horizontais máximas de 60 cm e 80 cm, classificamse no código NCM 8414.60.00 "Coifas (exaustores*) com dimensão horizontal máxima não superior a 120 cm", no "Ex" 01, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos IndustrializadosTIPI, por se tratar de aparelho "do tipo doméstico", que apresenta a alíquota do Imposto de Importação de 20%. Embora a exigibilidade da diferença do Imposto de Importação apurada esteja suspensa, por força da decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n° 97.00600564, que concedeu a realização do depósito judicial das quantias correspondentes à totalidade da exação, constituise por meio deste Auto de Infração o crédito tributário correspondente, com a finalidade Fl. 392DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.005301/200794 Acórdão n.º 3401002.000 S3C4T1 Fl. 393 5 de prevenir a decadência, a qual se refere o artigo 173, da Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966. Deixamos de cobrar a multa de lançamento de oficio, em atendimento ao disposto no artigo 63, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Demonstrada a identidade parcial, e tendo em vista o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80, bem como a Súmula CARF nº 1, de 20091, não conheço do Recurso no que combate as exigências do tributos Imposto de Importação, IPI, Cofins e PIS, todos exigidos na importação, rejeitando a argüição de que não haveria concomitância com a via judicial nessa parte. Doravante cuido da multa regulamentar no percentual de 1% do valor aduaneiro, dando razão à Recorrente porque ela adotou a classificação fiscal autorizada judicialmente. Como informado na própria autuação, “Amparado pela decisão judicial, o importador efetuou o registro das Declarações de Importação (...) enquadrando a mercadoria importada no código NCM 8421.39.90” (fl. 177). Tal classificação apresentase incorreta em relação à interpretação da fiscalização, mas está em conformidade com a autorização judicial. Assim, não vejo como subsumir o fato (classificação na NCM 8421.39.90) à hipótese prevista no art. 84, I, da MP nº 2.15835, de 2001, que indubitavelmente prevê classificação incorreta (assim foi apontado pela fiscalização, conforme anotado no item 002 do Auto de Infração do Imposto de Importação, à fl. 186). Cabe rever a redação da citada Medida Provisória (negrito acrescentado): Art.84.Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou IIquantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1oO valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2oA aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Quanto ao art. 69 da Lei nº 10.833, de 2003, também mencionado pela fiscalização, estabelece o limite da multa em questão, que não poderá ser superior a 10% (dez 1 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11128.005301/200794 Acórdão n.º 3401002.000 S3C4T1 Fl. 394 6 por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação, e em seu § 1º determina que a penalidade também se aplica ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Levando em conta a medida judicial em favor da contribuinte, em vigor na data do lançamento – por isso houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que não se fez acompanhar da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) aplicável aos tributos lançados , me parece não ter havido a classificação incorreta exigida pelo inc. I do art. 84 da MP nº 2.15835, de 2001, tampouco declaração inexata ou incompleta, esta hipótese não considerada pela fiscalização. Daí a exoneração da multa regulamentar. Pelo exposto, não conheço do Recurso no que combate as exigências dos tributos incidentes na importação, em face da identidade com a Ação Ordinária nº 97.00.600564, e na parte conhecida dou provimento parcial para cancelar a multa regulamentar equivalente a um por cento do valor aduaneiro. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 394DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000160/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/11/2003 a 14/01/2005
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. EXIGÊNCIA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A Lei nº 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05, de 22/11/2005. Nesse contexto, tendo sido aplicado o Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004.e não tendo sido provado nos autos o evidente intuito de fraude, deve-se cancelar a multa isolada
Numero da decisão: 1401-000.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/11/2003 a 14/01/2005 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. EXIGÊNCIA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A Lei nº 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05, de 22/11/2005. Nesse contexto, tendo sido aplicado o Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004.e não tendo sido provado nos autos o evidente intuito de fraude, deve-se cancelar a multa isolada
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16095.000160/2007-61
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177697
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1401-000.886
nome_arquivo_s : Decisao_16095000160200761.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16095000160200761_5177697.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4418692
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215616712704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 67 1 66 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000160/200761 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401000.886 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2012 Matéria Dcomp Recorrente POLYTUBOS PRODUTOS SIDERÚRGICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/11/2003 a 14/01/2005 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. EXIGÊNCIA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A Lei nº 11.051/04 previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05, de 22/11/2005. Nesse contexto, tendo sido aplicado o Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004.e não tendo sido provado nos autos o evidente intuito de fraude, devese cancelar a multa isolada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 60 /2 00 7- 61 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 68 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de CampinasSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de autos de infração de multa isolada de 75%, no valor total de R$1.127.402,12, por compensação indevida dos débitos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (R$233.104,53) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (R$197.307,40), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (R$ 134.779,04) e das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS (R$104.542,51) e o Financiamento da Seguridade Social Cofins (R$457.368,64), conforme consta do Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 323/, relativo ao IRPJ: "Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001MULTA ISOLADACOMPENSAÇÃOINDEVIDA COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O contribuinte efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, conforme TERMO DE CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Data Valor Multa Regulamentar 31/01/2004 R$29.487,10 30/04/2004 R$38.060,56 30/06/2004 R$65.300,97 31/07/2004 R$45.310,67 31/10/2004 . .. R$54.945,23 Enquadramento Legal: Art. 18 da Lei nº 10.833/03." Fl. 483DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 70 4 Nos demais autos de infração, houve a mesma descrição dos fatos, apurando se os seguintes valores: IPI: Data Valor Multa Regulamentar 10/11/2003 R$ 6.811,71 20/11/2003 R$ 1.209,36 28/11/2003 R$ 1.981,34 10/12/2003 R$ 3.200,90 19/12/2003 R$ 1.242,27 24/12/2003 R$ 1.614,17 09/01/2004 R$ 2.316,76 06/02/2004 R$ 8.328,50 10/02/2004 R$ 3.966,98 09/03/2004 R$10.443,30 24/03/2004 R$ 4.742,14 23/04/2004 R$12.371,42 11/05/2004 R$ 5.877,06 25/05/2004 R$ 9.136,19 22/06/2004 R$73.402,76 23/06/2004 R$ 1.701,05 07/07/2004 R$ 3.765,86 22/07/2004 R$ 3.688,61 05/08/2004 R$ 5.127,68 24/08/2004 R$ 4.369,86 08/09/2004 R$ 6.754,46 23/09/2004 R$ 2.525,02 10/11/2004 R$21.053,21 14/01/2005 R$ 1.976,79 Enquadramento Legal: Art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003; Art. 18, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 71 5 CSLL: Data Valor Multa Regulamentar 31/01/2004 R$18.353,12 30/04/2004 R$22.982,70 30/06/2004 R$34.445,03 31/07/2004 R$26.897,77 31/10/2004 R$32.100,42 Enquadramento Legal: Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003. PIS: Data Valor Multa Regulamentar 30/11/2003 R$4.348,14 . 31/12/2003 R$ 3.144,44 31/01/2004 R$ 3.553,29 29/02/2004 R$ 4.211,69 31/03/2004 R$ 4.507,42 30/04/2004 R$5.113,07 31/05/2004 R$ 5.430,53 30/06/2004 R$ 4.866,69 30/06/2004 R$22.255,43 31/07/2004 R$ 5.891,26 31/08/2004 R$ 5.835,11 30/09/2004 R$ 6.876,20 31/10/2004 R$ 6.608,39 30/11/2004 R$ 9.485,45 31/12/2004 R$ 6.969,40 31/01/2005 R$ 5.446,00 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 72 6 Enquadramento Legal: Art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 2003; Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003; Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004. Valor Multa Regulamentar R$ 20.068,34 R$ 14.512,76 R$ 16.399,79 R$ 19.438,59 R$ 20.803,45 R$ 23.598,80 R$ 25.063,97 R$ 22.461,64 R$102.717,59 R$ 27.190,40 R$ 26.931,29 R$31.736,32 R$ 30.500,23 R$ 43.779,03 R$ 32.166,44 COFINS: Data 30/11/2003 31/12/2003 31/01/2004 29/02/2004 31/03/2004 30/04/2004 31/05/2004 30/06/2004 30/06/2004 31/07/2004 31/08/2004 30/09/2004 31/10/2004 30/11/2004 31/12/2004 Enquadramento Legal: Art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 2003; Art. 18, da Lei n° 10.833, de 2003. O citado Termo de Constatação de Irregularidades Compensação Indevida está acostado às fls. 293/296, com a caracterização da infração apurada, no seguinte teor: "TERMO DE CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES COMPENSAÇÃO INDEVIDA No exercício das funções de AudilorFiscal da Receita Federal do Brasil, e em cumprimento à ação fiscal determinada pelo Delegado da Receita Federal, e desenvolvida junto a empresa acima identificada, constatamos os seguintes: 1. A presente ação fiscal decorreu do indeferimento dos pedidos de restituição e da não homologação de diversas declarações de compensação PER/DCOMP's relacionadas no Anexo I deste, conforme Despacho Decisório DRF/GUAJSEORT 656/06 integrante do processo 16098.000041/200606. Intimada a prestar esclarecimentos no prazo de 5 (cinco) dias úteis conforme intimação anexa (TI N° 1/531.06, fi. 02), enviada ao contribuinte, foi dada ciência em 11/01/2007, conforme atesta o aviso de recebimento postal juntado ao presente. O contribuinte apresentou defesa, l protocolando sua manifestação em 17/01/2007, e juntou a seguinte documentação: •Cópia da alteração e consolidação do contrato social em 10/abr/2003 da empresa; •Procuração; •Cópia de identidade (OAB) da procuradora; • Cópia da petição inicial do processo judicial n° 592/87 que tramitou perante a 3a Vara Federal de Brasília; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 73 7 •Cópia do acórdão proferido pelo E. TRF T Região, nos autos da Apelação Cível n° 89.01.242052DF; •Cópia da sentença proferida nos autos do processo judicial n° 592/87 que tramitou perante a 3a Vara Federal de Brasília; •Cópia da certidão de trânsito em julgado do acórdão AC 89.01.24205.2; •Cópia do pedido de execução formulado nos autos do processo n° 87.19674 em trâmite perante a 3a Vara Federal do Distrito Federal, bem como planilha de crédito. 2.Novamente intimado (TI 2.531/36.2007), o contribuinte tomou ciência em 13/03/2007 e protocolou defesa em 19/03/2007, juntando a seguinte documentação: 'Cópia da 7a alteração e consolidação do contrato social em 16/nov/2006 da empresa; •Procuração; •Cópia da identidade (OAB) do procurador; •Cópia de escritura de cessão e transferência de direitos creditórios de 16/09/2003; •Cópia de escritura de cessão e transferência de direitos creditórios de 26/12/2003; •Cópia de notificação do contribuinte dirigida ao Procurador Geral da Fazenda Nacional datada de 30/12/2003; •Cópia de Petição datada de 09/06/2004 que DOVER INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A faz junto ao processo 1998.34.000233693 que tramitou na Justiça Federal DF; •Cópia de notificação extrajudicial datada de 17/09/2003; •Cópia de notificação extrajudicial datada de 14/06/2004. 3.0 contribuinte alega: •ter apresentado Declarações de Compensação amparado em decisão judicial; •os créditos judiciais foram reconhecidos através de decisão judicial definitiva em ação movida pela Dover Indústria, Comércio e Importação Ltda., na qual houve o reconhecimento do direito aos créditosprêmio de IPI e a possibilidade de compensação desses valores; •ter adquirido direitos creditórios da empresa Autora; •ter interposto recurso contra a não aceitação da compensação (sic); •a compensação ocorreu antes da vigência da Lei 11.051/2004. 4.0 Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT 656/06 apresenta, em síntese, o seguinte: •Crédito Prêmio de IPI não pode ser usado em compensação, conforme art. 42 da IN SRFN° 210/2002 e art. 31, inciso II, alínea "b " da IN SRF N° 460/2004. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 74 8 • Créditos apurados por terceiros não podem ser usados em compensação, conforme art. 30 da IN SRF N° 310/2002 e art. 26, § 3o, inciso V da IN SRF N° 460/2004. 5.A legislação sobre Restituição, Ressarcimento e Compensação encontrase consolidada pela Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, que estabelece em seu art. 31: "Art. 31 A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2o a 4o do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. § Io Também será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o do art. 26; IIem que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. Io do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF. § 2o As hipóteses a que se refere o caput e o § Io não se aplica o disposto nos §§ 2o e 4o do art. 26 e nos arts. 29, 30 e 48. § 3° A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados ou a cobrança dos débitos já lançados de oficio ou confessados. § 4o Verificada a situação a que se referem o caput e o § Io em relação a parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo. § 5o Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § Io, aplicandose o percentual de: I 75% (setenta e cinco por cento); ou II 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 6o As multas a que se referem os incisos 1 e 11 do § 5o passarão a ser de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos ou arquivos magnéticos." Fl. 488DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 75 9 6.A Medida Provisória n° 351/2007 alterou o art. 44 da Lei n° 9.430/96, que passou a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguinte multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata; 7.0 artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, com as alterações promovidas pelas Leis de n°s 11.051/2004, 11.196/2005 e Medida Provisória n° 351/2007, restringiu a aplicação do artigo 90 da MP 2.15835 a lançamento de multa isolada: " Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 2007) § Io Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, duplicado na forma de seu § Io, quando for o caso. (Redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2° e 4o deste artigo. " (Redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 2007) 8. Assim, em conformidade com o DESPACHO DECISÓRIO prolatado pelo SEORT/DRF/GUA, que considerou não declaradas as compensações constantes do processo 16098.000041/200606, o contribuinte fica sujeito à aplicação de multa isolada, prevista no § 5", inciso I do art. 31, da IN SRF n° 600/2005 e no Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. 9. A apuração dos valores de multas isoladas encontrase detalhada no Anexo I DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS RELACIONADOS EM Fl. 489DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 76 10 PER/DCOMP e no Anexo 11 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS MULTAS ISOLADAS, os quais são partes integrantes deste Termo. 10. Desta forma, o valor da Multa Isolada, no valor de RS 1.127.402,06, apurada na forma citada no item anterior, será objeto de constituição de crédito tributário, mediante lavratura de Auto de Infração. 11. Enquadramento Legal: Multa Isolada por compensação indevida efetuada em Declaração de Compensação (DCOMP) prestada pelo Sujeito Passivo. Art. 18, § 4° da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Medida Provisória n° 351/2007; Art. 31, §5°, inciso I da IN SRF 600/2005; Art. 44, inciso Ida Lei n° 9.430/96; Art. 72 da Lei n° 4.502/64. E para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado por mim, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. O contribuinte receberá uma das vias pelos Correios, com AR. " Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 26/06/2007, conforme AR de fls. 333, a contribuinte, por seu procurador legalmente habilitado, interpôs, em 20/07/2007, impugnação de fls. 335/342, acompanhada dos documentos de fls. 343/388, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) faz um resumo geral da autuação e afirma que procedeu de acordo com a legislação vigente, porquanto os créditos utilizados nas compensações decorrem de ações judiciais transitadas em julgadas, e cedidos à impugnante, com as diretrizes traçadas pelo Código Civil Brasileiro; 2) como não há diferenciação entre os autos de infração, informa que fará uma única impugnação, em nome da economia processual; 3) a aquisição dos créditos, reconhecidos em ação judicial, foi feita por instrumento público de cessão de direitos creditórios, devidamente notificado à União, com o registro de que a cedente não mais se utilizaria do direito de compensar a parte cedida à recorrente; 4) tomadas as providências cabíveis, procedeu às compensações, que foram indeferidas pela Receita Federal do Brasil, com base na vedação de aproveitamento de créditos de terceiros, o que se revelou equivocado; 5) argumenta que a legislação brasileira admite a livre alienação e cessão de direitos creditícios, pelo credor para terceiros, desde que observadas as condições legalmente estabelecidas; 6) a decisão transitada em julgada constitui um título executivo judicial, que permite ao autor promover a execução contra o devedor, de acordo com o Código de Processo Civil, direito também extensivo a eventual cessionário de direitos; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 77 11 7) lembra que o artigo 42, § Io, do CPC, estabelece que o adquirente ou cessionário não poderá ingressar em Juízo, substituindo o alienante ou o cedente, sem que a parte contrária dê sua anuência, mas existe divergência na jurisprudência sobre o assunto, tendo o STF, em sessão plenária, reconhecido a possibilidade de o cessionário propor a execução forçada sem a aludida anuência do cedente; 8) por medida de cautela, entretanto, o Juízo onde tramitou o processo que deu origem ao crédito foi devidamente cientificado da cessão de direitos, o que demonstra o desacerto da autoridade administrativa em indeferir a compensação; 9) reitera que a decisão transitada em julgado permite ao contribuinte a utilização do crédito nos moldes estatuídos pelo DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969, discriminando as várias hipóteses de aproveitamento do créditopremio do IPI; 10) e continua: "Dessa forma, o processo judicial que baseia o aproveitamento do crédito já transitou em julgado com expressa menção à utilização de acordo com o que foi estabelecido no citado decretolei. Assim, qualquer obstáculo administrativo à compensação estará ferindo o princípio constitucional de respeito à coisa julgada, o que impede a manutenção da decisão ora recorrida mesmo se for considerado que houve compensação de crédito de terceiro. A lei ou a instrução normativa jamais poderão confrontar o que está estabelecido numa decisão judicial transitada em julgado, eis que a compensação (como espécie de execução) foi realizada para fazer valer um título executivo judicial em face da União Federal. "; 11) levanta, a seguir, a patente impropriedade técnica acerca da aplicação dos dispositivos da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, como versa o auto de infração, no que tange à incidência da multa sobre as "compensações não declaradas"; 12) diz que a utilização desses preceitos legais atenta contra o princípio basilar de direito tributário, sobre a irretroatividade das leis, encartado na Constituição Federal, o que representa afronta à segurança jurídica, que deve imperar nas relações Fisco/Contribuinte; 13) informa que a última operação de compensação realizada pela empresa é anterior ao início da vigência da citada lei, a qual não pode alcançar fatos jurídicos pretéritos, pelo que a exigência fiscal deve ser afastada; 14) insiste na tese de que os créditos utilizados seriam próprios, porque adquiridos de forma legal, motivo porque as compensações não deveriam ter sido indeferidas; 15) requer, ao final, seja o lançamento julgado improcedente, de forma que os autos de infração sejam cancelados e remetidos ao arquivo. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITO DE TERCEIROS. A compensação em DCOMP com utilização de crédito de terceiros configura compensação indevida, tendo em conta que o crédito não é passível de Fl. 491DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 78 12 compensação, por expressa disposição legal, impondose a aplicação da multa isolada prevista na redação original do art. 18, caput da Lei n° 10.833, de 2003. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF repetindo os tópicos trazidos anteriormente. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 79 13 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto à não homologação das compensações, base da autuação da multa isolada, devese ressaltar que o fato de haver adquirido, por cessão, direitos de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, contra a Fazenda Nacional, não os transforma em créditos próprios, suficientes a autorizar as compensações previstas em lei. Nesse sentido há vedação legal a partir de 07/04/2000, data após a qual a compensação autorizada pela IN SRF nº 21/97 foi revogada pela IN SRF nº 41, publicada em 10/04/2000. Mesmo que esse óbice fosse vencido, a sistemática de compensação das Dcomps que foi instituída a partir de 2002 autorizou apenas a compensação de crédito do sujeito passivo, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Eis abaixo o preceptivo legal em comento (Lei 9.430, de dezembro de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n" 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n" 10.637 de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgâo. O fato de haver ação judicial transitada em julgado reconhecendo o direito ao crédito não é o mesmo que existir ação judicial permitindo a cessão de créditos a terceiros. Considero demonstrado que havia impedimento legal para a compensação de créditos pertencentes a terceiros. Não admitidas as compensações por expressa disposição legal, a aplicação da multa isolada, em tese, encontrava respaldo no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. Multa Isolada Para o deslinde da questão, convém trazer a lume a legislação então vigente correlacionada à exigência da multa isolada fruto de compensação indevida: MP Nº 2.158, DE 24/08/2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de Fl. 493DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 80 14 pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. LEI Nº 10.833, DE 29/12/2003, CONVERSÃO DA MP Nº 135, DE 30/10/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003, COM AS MODIFICAÇÕES INTRODUZIDAS INICIALMENTE PELO ART. 25 DA LEI Nº 11.051, DE 30/12/2004, E EM SEGUIDA PELO ART. 117 DA LEI Nº 11.196, DE 21/11/2005. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito Fl. 494DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 81 15 indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005, publicada em 22/11/2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A multa isolada só encontra respaldo a partir da vigência do no art. 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que por sua vez é a Conversão da MP n° 135, de 30/10/2003 (DOU DE 31/10/2003), isso quer dizer que as Dcomps transmitidas antes de 31/10/2003 de fato não teriam previsão legal para a cobrança dessa multa isolada. Nesse ponto, nada a reparar, pois a Dcomp mais antiga data de 10/11/2003. Como já colocado retro, foi a falta de previsão legal de cessão do referido "crédito de terceiros" para a efetivação da compensação ora em comento que desencadeou a cobrança da multa isolada Todavia, é mister que se analise a matéria à vista das inovações legislativas no instituto da compensação trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004. Atentemos então para o fato de que a hipótese de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, que contemplaria indiretamente a hipótese de o crédito não ser de natureza tributária ou pertencer a terceiros, foi retirada do dispositivo legal que fundamenta o Auto de Infração, embora não tenha sido essa hipótese Fl. 495DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 82 16 alijada do tratamento infracional. Ocorre, porém, que ela foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas nãodeclaradas, com multa de 150 %, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que, até o advento da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, prescrevia: [...] § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 74, § 12, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, dispõe: Art. 74. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros: b) refirase a "créditoprémio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF [...](destaquei) Dessa forma, não obstante ter sido mantida essa hipótese no tratamento infracional, não se poderia em decorrência de alterações introduzidas no ordenamento jurídico após a apreciação da DCOMP pela autoridade competente, transformar o status da Dcomp de declaração nãohomologada, com os efeitos que lhe são próprios, inclusive o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação da Dcomp, conforme art. 74, § 2o, da Lei n° 9.430, de 1996, para compensação não declarada. A esse respeito assim se pronunciou a DRJ: No caso em apreço, as compensações com créditos de terceiros teriam se efetivado em 23/07/2004, antes da vigência da Lei n" 11.051, de 29 de dezembro de 2004, portanto, com acerto, a autoridade fiscal procedeu à nãohomologação das compensações, e aplicou a multa isolada prevista na redação original do caput do art. 18 da Lei n" 10.833, de 2003, por se tratar de crédito não passível de compensação, por expressa disposição legal. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 83 17 Porém, esse obstáculo pode ser ultrapassado no presente caso, pois apesar de a DRJ defender uma situação de “nãohomologação”, o que aconteceu foi que a autoridade fiscal, na verdade, considerou as “compensações não declaradas”. De fato também não houve uma exclusão de ilicitude das infrações originalmente previstas no.caput do art. 18 da Lei nº10.833 de2003, como colocou a DRJ, mas elas estão situadas em um contexto completamente diferente, e nesse caso para ser coerente teria que ter sido aplicado a multa de 150% e provado o evidente intuito de fraude, o que não foi o caso. A esse respeito trago novamente o §4° da Lei 11.051/2004. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (destaquei) Ora, a “multa prevista no caput” é a multa de 150%. A multa de 75% somente reaparece com a edição da Lei 11.1196, de 22/11/2005: § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005, publicada em 22/11/2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (destaquei) Ora, em todo os lançamentos relativos à multa isolada em questão, foi aplicado o percentual de 75%. Assim, o dolo nem ao menos foi aventado. Por isto, como se demonstrará adiante, devem ser cancelados, já que naqueles anos somente era cabível a penalidade de 150%, própria das infrações dolosas Fl. 497DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 84 18 A esse respeito, os argumentos da DRJ, de forma genérica, passam ao largo da explicação de que a multa de 75% foi alijada do novo tratamento dado pela Lei 11.051, de 2004. E aí é que está o ponto relevante da questão. Sendo assim como poderia ter sido feito o lançamento com multa isolada de 75% ? Vejamos os argumentos da DRJ: Observese que a partir da redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, o conceito do ilícito "compensação indevida" passou a ser desdobrado em outras duas outras infrações: (a) a compensação nãohomologada. prevista no art. 18, caput; e (b) a compensação nãodeclarada. prevista no art. 18, §4°. Contrariamente ao afirmado pela defesa, com a edição da Lei n" 11.051, de 2004, não houve uma exclusão de ilicitude de parte das infrações originalmente previstas no.caput do art. 18 da Lei nº.10.833, de 2003. Permaneceram como infrações a utilização em Declaração de Compensação DCOMP de crédito ou débito não passível de compensação, por expressa disposição legal, ou. de crédito de natureza não tributária, tendo sido apenas a multa isolada, cominada agora não mais no caput, mas no §4º do mesmo art. 18 da Lei nº 10.833, aplicada em função de compensação nãodeclarada, hipótese normativa também introduzida pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, na alteração da redação do art. 74 da Lei n" 9.430, de 1996 [...] (destaques do original). É fato que a Lei nº 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Deixouse de definir como infração, punível com a multa de 75%, a compensação indevida sem dolo. Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei nº 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art. 74 da Lei nº 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. Consequentemente, é indevida a exigência da referida multa para fatos geradores ocorridos anteriormente à Lei nº 11.1196, de 22/11/2005, por força do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II do CTN). Neste sentido, existem inúmeros precedentes no âmbito desta Corte: MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005. (Acórdão nº 20179.389, DOU 15/02/2007) Fl. 498DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16095.000160/200761 Acórdão n.º 1401000.886 S1C4T1 Fl. 85 19 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Le inº 11.051; de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito defraude. (Acórdão nº 20179.666, DOU 18/2/2007) Portanto, DOU provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 499DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000206/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-001.714
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 14041.000206/2009-12
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5182890
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.714
nome_arquivo_s : Decisao_14041000206200912.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 14041000206200912_5182890.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4463391
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215626149888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000206/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.714 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VIA ENGENHARIA S/A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 06 /2 00 9- 12 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), IVACIR JULIO DE SOUZA, CAROLINA WANDERLEY LANDIM, PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000206/200912 Acórdão n.º 2403001.714 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0338.564 da 7ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, sob DEBCAD n° 37.210.0791, em 03/02/2009, no qual foram incluídas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados (cota patronal e cota destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), além dos juros e multa correspondentes, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 25.455,61. 0 período fiscalizado é de 03/1996 a 03/2001, sendo que o lançamento abrange a(s) competência(s) 09/1997 a 12/1997. O Relatório Fiscal de fls. 20/28 informa que o presente lançamento é realizado em substituição As Notificações de Lançamento de Débito — NFLD, n°35.019.6095 e 35.019.6087, lavradas em nome do contribuinte Via Engenharia S/A. Referidas notificações foram anuladas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS por erro de fundamentação legal. A anulação das NFLD mencionadas foi cientificada A Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004, de forma, que, considerando o disposto no artigo 173, II, do CTN, a Fazendo Pública pode constituir o credito em epígrafe em até 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nas notificações julgadas nulas considerouse a existência da responsabilidade solidária entre os prestadores (e subempreiteiros) e o tomador de serviços por cessão de mãode obra (Via Engenharia S/A), diante da ausência de recolhimentos pelos prestadores e em razão de o tomador não ter apresentado os documentos de elisão da responsabilidade solidária (folha de pagamento, GFIP, GRPS/GPS, etc). As NFLD foram julgadas nulas por erro de fundamentação legal, já que estavam amparadas somente no artigo 30, VI da Lei Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 8.212/91, e deveriam, no caso de solidariedade de subempreitada, estar fundamentadas também no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional — CTN. Isto porque o artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, à época do período lançado, não tratava de subempreitada, tratando apenas de cessão de mãodeobra. Assim, para aquela parcela do débito, a fundamentação legal seria a aplicação da solidariedade em razão da existência de interesse em comum na situação que constitui o fato gerador, prevista no artigo 124, I, do CTN. O Relatório Fiscal informa ainda que os fatos geradores foram verificados mediante análise dos seguintes elementos: Livros Diário e Razão, Notas Fiscais de serviço/faturas, Contratos de prestação de serviços, Folhas de Pagamentos e Guias de recolhimento de prestadores de serviço/subempreiteiros, contas correntes de prestadores de serviço/subempreiteiros, Declarações de existência de contabilidade formalizada dos prestadores de serviço/subempreiteiros, apresentados pela empresa Via Engenharia S/A na ocasião da lavratura das NFLD substituídas. Nas NFLD substituídas também consta planilha, na qual foram relacionados os pagamentos de faturas/notas fiscais de prestadores de serviço de mãodeobra e subempreiteiras, contendo informações referentes a data do pagamento, conta em que foi efetuado o lançamento, centro de custo, valor da nota fiscal/fatura, observações sobre o serviço prestado, número da nota fiscal/fatura, prestador de serviço/CNPJ, percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal, salário de contribuição apurado, abatimento de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas e salário de contribuição do debito apurado. A empresa Via Engenharia2.S/A foi intimada a apresentar as Guias de Recolhimento e folhas de pagamento ou GFIP referentes aos pagamentos constantes da planilha, com fins de elidir a responsabilidade solidária. Também foi oportunizada a referida empresa a apresentação de outros elementos, caso discordasse dos percentuais aplicados para efeitos de aferição do salário de contribuição. Em análise dos contacorrentes dos prestadores de serviços, verificous que a maior parte não apresentava recolhimentos compatíveis com os serviços prestados outros sequer apresentavam recolhimento. Não foram incluídos para efeito de aferição indireta os prestadores de serviços que apresentaram recolhimento compatível com os valores das notas fiscais/faturas, desde que a natureza dos mesmos permitia a apresentação de uma guia de recolhimento genérica com recolhimento englobado no CGC/CNPJ, e os prestadores de serviços que, mesmo tendo apresentado guia de recolhimento com valor inferior ao previsto, apresentaram declaração de contabilidade firmada pelo responsável pela empresa e pelo contador. Por fun, foram abatidos do debito os recolhimentos efetuados por aqueles prestadores que apresentaram recolhimentos inferiores e não houve apresentação de declaração de contabilidade. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000206/200912 Acórdão n.º 2403001.714 S2C4T3 Fl. 4 5 Na substituição dos débitos anulados, foram excluídos os períodos em que as prestadoras de serviço eram optantes pelo SIMPLES e os levantamentos atinentes a prestadores de serviço que, no período, tiveram 'seus débitos incluídos no REFIS. Portanto, diante da não elisão da responsabilidade solidária, o presente débito foi apurado por aferição indireta, sendo que o salário de contribuição foi calculado aplicando percentuais sobre os valores das notas fiscais/faturas, conforme detalhado nas planilhas anexadas pela autoridade fiscal. No que concerne à responsabilidade solidária, o Relatório Fiscal . acrescenta que, conforme artigo 896 do Código Civil, a mesma não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. No caso, o arbitramento pelo faturamento para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de fiscalização de prestadores de serviços mediante cessão de mão deobra, está previsto no artigo 33 da Lei 8.212/91. 0 procedimento previsto no diploma legal foi detalhado, na época do lançamento, na OS/INSS/DAF n° 176/1997 e, antes, pela OS/INSS/DAF n° 83/1993. Para o período anterior a vigência da Lei 9.528/97, a solidariedade de débitos de subempreiteiros está fundamentada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. A partir da Lei 9.528/97, o fundamento legal da solidariedade de débitos de subempreiteiros passa a ser o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Em relação A solidariedade de débitos de empresas contratantes de serviços por cessão de mãodeobra, seu fundamento legal, para os fatos geradores ocorridos até 01/1999, é o artigo 31 da Lei 8.212/91. Consta, As fls. 29/30, Termo de Sujeição Passiva Solidária, cientificado em 12/02/2009 ao sujeito passivo solidário VITÓRIA LISBOA SERVIÇOS COMERCIAIS LTDA, 01.726.605/000127, conforme documento de fls. 31, juntamente com o Auto de Infração sob comento. Do resultado do julgamento foi dado ciência exclusivamente à Via Engenharia. Inconformada com a decisão, a empresa Via Engenharia apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade do crédito lançado. · Decadência. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · Até o momento da apresentação da impugnação não havia sido notificado o contribuinte do lançamento do crédito tributário em discussão. Disso decorre que o crédito, indiscutivelmente, também já decaiu para o contribuinte. · A cobrança da multa é indevida por que a contribuinte não participou do comportamento, nada sonegou, nenhum ato ilícito cometeu daí a inviabilidade de ser punida por ato de terceiro. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000206/200912 Acórdão n.º 2403001.714 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Apesar do vício constatado, somente dar ciência a 1 devedor do resultado do julgamento de primeira instância, por economia processual, passo a analisar o presente processo. DECADÊNCIA – PRESTADOR DO SERVIÇO Consta do processo, folhas 29/30, Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra a empresa VITORIA LISBOA SERVIÇOS COMERCIAIS LTDA em 03/02/2009. A ciência ao contribuinte foi dada em 12/02/2009. Os fatos geradores ocorreram entre 09 e 12/1997. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do prazo decenal para a decadência dos créditos previdenciários devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Pelo intervalo de tempo decorrido entre os fatos geradores e a ciência do sujeito passivo constatase que ocorreu a decadência do crédito tributário por qualquer critério estabelecido pelo CTN. DECADÊNCIA – TOMADOR DO SERVIÇO Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 O acórdão administrativo de última instância (CaJ/CRPS) que reconheceu a nulidade do crédito lançado foi prolatado em 31 de outubro de 2003. A notificação do contribuinte ocorreu em 18 de fevereiro de 2004. Segundo o CTN, a decadência opera decorridos 5 anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Estabelece o Decreto 70.235/72 que são definitivas as decisões de segunda instância de que não caiba recurso. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. O Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, vigente à época da anulação, estabelecia a Câmara de Julgamento como única instância para julgar os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes. PORTARIA MPAS Nº 2.740, DE 26 DE JULHO DE 2001 DOU DE 03/08/2001 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000206/200912 Acórdão n.º 2403001.714 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 13.Compete às Câmaras de Julgamento: I julgar, em última instância, os recursos interpostos contra as decisões proferidas pelas Juntas de Recursos que infringirem lei, regulamento ou ato normativo ministerial; e II julgar, em única instância, os recursos interpostos contra decisões do INSS, nos processos de interesse dos contribuintes, inclusive a que indefere o pedido de isenção de contribuições, bem como, com efeito suspensivo, a decisão cancelatória da isenção já concedida podendo, para tanto, anular os atos da constituição do crédito previdenciário e os que impõem penalidade administrativa. Entendo que quando prolatada a decisão pela Câmara de Julgamento do CRPS, a decisão tornouse definitiva. Com base no acima exposto, entendo que se operou a decadência visto que o prazo, da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (31/10/2003) até o novo lançamento (18/02/2009) foi maior que 5 anos. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso em razão da decadência. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
