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Numero do processo: 11065.002649/2010-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 28/02/2010
PREVIDENCIÁRIO. MULTA ISOLADA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO DE CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
Havendo antinomia, aplica-se a norma especial. Devendo, por conseguinte, ser anulado o Auto de Infração capitulado com base na norma geral.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2403-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso em razão de vício material. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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MULTA ISOLADA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO DE CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Havendo antinomia, aplicase a norma especial. Devendo, por conseguinte, ser anulado o Auto de Infração capitulado com base na norma geral. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso em razão de vício material. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 49 /2 01 0- 15 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI nº 37.267.3287, cuja notificação ocorreu em 14/09/2010 (fl. 01 da numeração digital), lavrado em face da VIGILÂNCIA FIEL LTDA, por ter deixado de apresentar as folhas de pagamento, do período de 01/2008 a 02/2010, em meio digital no formato MANAD – Manual Normativo de Arquivos Digitais, aprovado pela IN MPS/SRP nº 12/2006, publicada no DOU em 03/07/2006. A empresa alegando dificuldade técnica, não apresentou a documentação solicitada, mesmo após ter sido novamente cobrado pela fiscalização, descumprindo assim o que dispõe o art. 11, §§ 1º, 3º e 4º da Lei n. 8.218/91. A multa aplicada pela infração foi no valor de R$ 196.429,39, (cento e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte e nove reais e trinta e nove centavos), calculada conforme disposição do art. 12, III, parágrafo único, da Lei n. 8.218/91. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente auto de infração por meio do instrumento de fls. 22/38. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, prolatou o ACÓRDÃO N° 1031.116, de fls. 43/46, mantendo procedente lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “Assunto : Contribuições Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 28/02/2010 Auto de Infração AI 37.267.3287 (Código de Fundamentação Legal 23) 1. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 2. DA INTENÇÃO DO AGENTE. A responsabilidade por infração à legislação previdenciária independe da intenção do agente ou do responsável, não afastando a aplicação da multa a ausência de dolo, fraude ou simulação. 3. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTO. Não comprovadas quaisquer das hipóteses para concessão de novo prazo para apresentação de documentos, descabe fazêla em momento diferente da impugnação. 5. PERÍCIA. Considerase não formulado pedido de perícia feito em desacordo com a determinação contida na legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 11065.002649/201015 Acórdão n.º 2403001.551 S2C4T3 Fl. 3 3 DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, requerendo a reforma total do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos: Das preliminares Da prova pericial A Recorrente pleiteia a nulidade do acórdão pelo indeferimento do pedido de prova pericial, que teria sido feito baseado em justos e procedentes motivos. Alega que a prova pericial técnica se fazia necessária e obrigatória para que pudesse ser comprovada as suas alegações e que a denegação, por despacho sem fundamentação, do pedido se traduziria em cerceamento de defesa, e por consequência em quebra do contraditório assegurado pela Constituição em todo e qualquer processo. Da possibilidade do exame da matéria constitucional Alega a Recorrente que dentre as atividades que o estado exerce no desempenho da “função administrativa judicante” inexiste óbice a impedir a apreciação de temas constitucionais no âmbito administrativo. Que não seria o caso de dar os mesmos efeitos de uma decisão judicial, que trata de inconstitucionalidade, a uma decisão administrativa, mas ao menos garantir que a hierarquia das diversas espécies de normas também sejam objeto de interpretação pela administração judicante, pois do contrário significaria que está sendo ignorado por regulamentos e portarias que são atos de menor hierarquia. Do mérito Da possibilidade de produção de prova documental após a impugnação Alega a Recorrente que, foi vedado através do acórdão da DRJ, a posterior juntada de documentos, e que estaria acobertado pela legislação que regula o processo administrativo, art. 16, §5º do decreto nº 70.235/72. Que, com relação ao § 4º do art. 16, do decreto nº 70.235/72, o referido artigo dispõe que a prova documental será apresentada no momento da impugnação, estando precluso fazer posteriormente, o que seria inconstitucional. Da irregular aplicação da multa Que pelo que se verifica foi aplicado à penalidade a multa descrita pelo art. 12, III, § único, da lei 8.218/91. Alega o Recorrente que a multa aplicada demonstra excesso e falta de razoabilidade, configurando um absurdo do poder fiscal e desproporcional, com caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal em seu art. 150, IV. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 Além do que seria uma multa com efeito confiscatório, podendo inclusive afetar a atividade da empresa, ferindo também o princípio da moderação, sendo contrária à ordem constitucional. E ainda que, para que a empresa pudesse ser punida com a sanção prevista necessário seria que houvesse consciência da ilicitude de sua conduta, ou a menos a possibilidade dessa consciência. Do pedido Requer seja declarada a nulidade absoluta dos valores exigidos e, consequentemente, a nulidade do auto de infração. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 11065.002649/201015 Acórdão n.º 2403001.551 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls e o protocolo do Recurso Voluntário, este é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA PERICIAL A Recorrente alega que teve cerceado o seu direito ao contraditório em face do indeferimento da produção de prova pericial. Ocorre que, a Recorrente, em sede de Impugnação, requereu de forma genérica a prova pericial, como abaixo se transcreve ipsis litteris: “Protesta, com fulcro no dispositivo no art. 5o, inc. LV da Constituição Federal, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente documental e pericial.” Como se pode constatar, o pleito genérico não atendeu às exigências do inciso IV do art. 16 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Logo, diante do requerimento genérico pela produção de prova pericial, a negativa por parte da DRJ ocorreu de forma devidamente fundamentada. Ademais, mesmo que fosse desconsiderado que a Recorrente requereu de forma genérica, mister se faz que realmente haja necessidade da sua produção, ou seja, que nos autos haja algum ponto controverdido que precise ser esclarecido. Nesse sentido, lecionam Marcos Vinícios Neder e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3a edição, Dialética, 2010, pág. 295), verbis: “De fato, a perícia tem sido muito utilizada para esclarecer dúvidas técnicas, como, por exemplo, a composição química de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 determinado produto, para dirimir dúvidas quanto à melhor classificação fiscal para fins de cobrança do IPI. No caso de documentos fiscais, em que pairam dúvidas sobre a ocorrência de falsificação, a perícia é igualmente necessária quando somente um técnico especializado puder se manifestar sobre a matéria, indicando os elementos que o levaram a sua conclusão.” E complementa na página 296, verbis: “Caso a autoridade julgadora entanda ser desnecessária a perícia, tem o dever de, expressamente, motivar sua recusa sob pena de ser declarada a nulidade da decisão de primeira instância.” Nesse sentido segue a jurisprudência, verbis: Acórdão n. 10421.032, sessão de 13/9/05. Ementa: PAF – Pedido de Realização de Diligência e Perícia – Indeferimento – A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide. Publicado no DOU em 18/4/06. Pelos motivos expostos, não há que se falar em cerceamento de defesa. DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 11065.002649/201015 Acórdão n.º 2403001.551 S2C4T3 Fl. 5 7 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconsticucionalidade se não estiverem as exceções acima. DO MÉRITO DA POSSIBILIDADE DA PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO A Recorrente se insurge em face do parágrafo 4o do art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que assim determina, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Com base nos princípios da celeridade e eficiência que regem a Administração Pública, este julgador não se insurge contra a juntada posterior de documentos, desde que antes do julgamento. Ocorre que a Recorrente não juntou nenhum documento de mérito, após a Impugnação que comprovasse o cumprimento da Obrigação Acessória. Logo, mesmo concordando com as razões da Recorrente, não há como prosperar suas alegações, vez que não apresentou novos documentos de mérito. DA MULTA APLICADA O Auto de Infração lançado em face da Recorrente teve por base o descumprimento da Obrigação Acessória de não ter apresentado os arquivos digitais da folha de pagamento no formato MANAD – Manual Normativo de Arquivos Digitais, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n. 12 de 20/06/2006, publicada em 04/07/2006, verbis: Art. 1º Aprovar a versão 1.0.0.2 do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, constante do anexo desta Instrução Normativa e disponível no sítio do Ministério de Previdência Social na Internet, endereçohttp://www.mps.gov.br ( item Serviços/Empregador subitem Arquivos Digitais Auditoria Fiscal de empresas.) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 Art. 2º Os arquivos digitais com informações referentes ao período de vigência da versão 1.0.0.1 do MANAD poderão ser gerados e entregues, quando solicitados pela Fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária, no leiaute da versão 1.0.0.2, aprovada por esta Instrução Normativa. Art. 3º As empresas relacionadas no art. 1º da Portaria MPS/SRP nº 58, de 28 de janeiro de 2005, deverão submeter previamente os arquivos digitais ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, antes de fornecêlos ao AuditorFiscal requisitante, para verificar se os arquivos estão em conformidade com o padrão estabelecido no MANAD e, se for o caso, corrigir todos os erros e eventuais divergências apontadas pelo referido sistema. Parágrafo único. O SVA encontrase disponível no sítio do Ministério de Previdência Social na Internet, endereço http://www.mps.gov.br (item Serviços/Empregador subitem Arquivos Digitais Auditoria Fiscal de empresas.) Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. (grifo nosso) Pelo descumprimento da citata Obrigação Acessória, a Fiscalização entendeu que a Recorrente descumpriu os preceitos da Lei no 8.218/91, art. 11, parágrafos 1o, 3o e 4o, com redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária..(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Por ter descumprido o supracitado artigo, a Fiscalização aplicou a multa prevista no 12, III e parágrafo único da Lei no 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, no valor de R$ 196.429,39 (cento e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte nove reais e trinta e nove centavos), verbis: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 11065.002649/201015 Acórdão n.º 2403001.551 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Mister destacar que o art. 8o da Lei n. 10.666/03, dispõe acerca da mesma obrigação, verbis: Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. A Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005, a qual a IN MPS/SRP n. 12 toma como base, traz especificamente, como Fundamentação Legal a Lei n. 10.666/03 e, em seu parágrafo 1o do art. 1o, verbis: Art. 1º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária, quando intimada por AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), deverá apresentar documentação técnica completa e atualizada de seus sistemas, bem como os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas, observadas as orientações; e especificações contidas no Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD aplicado à Fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária SRP. § 1º O Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD definirá a forma de cumprimento da obrigação acessória, criada pelo art. 8º da Lei nº 10.666 de 08 de maio de 2003, discriminando sua aplicabilidade nas empresas sob o regime de direito privado e as pessoas jurídicas de direito público cujas obrigações orçamentárias, financeiras, contábeis e patrimoniais estão elencadas na Lei nº 4.320 de 17 de março de 1964 e naLei Complementar nº 101 de 04 de maio de 2000. (grifo nosso) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 10 Nesse diapasão, o Regulamento da Previdência Social – RPS, o Decreto n. 3.048/99, no art. 283, II, “b”, com redação dada pelo Decreto n. 4.862/03, tratou a Lei n. 10.666/03 como NORMA ESPECIAL no que se refere a Contribuições Previdenciárias, tanto que traz a multa a ser aplicada em caso de descumprimento de Obrigação contida na Lei n. 10.666/03, verbis: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Tanto é assim, que a Fiscalização, em casos idênticos, costumeiramente capitula a citada infração nos termos do art. 8o, da Lei n. 10.666/03, como se pode constatar nos autos dos Procs. ns. 19515.006076/200832, 14485.000034/200798 e 15983.000970/200741. Todos os citados Processos são desta Turma, porém, a fim de ilustrar, transcrevese, abaixo, ementa e trechos do voto do Proc. n. 15983.000970/200741, julgado em 24 de agosto de 2011, que ensejou no Acórdão n. 2403000.694, onde estavam presentes os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva, verbis: PREVIDENCIÁRIO. GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. Constitui infração prevista no art. 32, III da Lei n. 8.212/91, c/c o art. 225, III, § 22 do Decreto n. 3.048/99, e art. 8o da Lei n. 10.666/03, deixar de apresentar informações financairas e contábeis necessárias à fiscalização relacionadas com as contribuições para a Seguridade Social. (...) DO MÉRITO Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 11065.002649/201015 Acórdão n.º 2403001.551 S2C4T3 Fl. 7 11 O auto de infração lançado contra a empresa teve por base o descumprimento da obrigação de apresentar informações contábeis, em meio digital com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, bem como deixou de apresentar DIPJ e RAIS do período de 1999 a 2007. Esses documentos são relacionados às contribuições previdenciárias, infringindo assim, o disposto no artigo 32, III da Lei 8.212/91 (vigente há época), c/c o art. 225, III, § 22 do Regulamento da Previdência Social, Decreto n. 3.048/99 e art. 8o da Lei n. 10.666/03, verbis: (grifo nosso) Ademais, em casos análogos, nos Processos de números: 10510.003148/200946 e 15868.001994/200903, ambos julgados em 17 de abril de 2012, que ensejaram nos Acórdãos de números: 2403001.194 e 2403001.195, respectivamente, este relator também já se pronunciou nesse sentido, sendo acompanhado pela maioria dos Conselheiros. Logo, amplamente demonstrado que a Lei n. 8.218/91 é a norma geral, enquanto que a Lei n. 10.666/03 é a norma especial em relação a Contribuiçã Previdenciária, seja pela menção da legislação previdenciária (Portaria MPS/SRP n° 58) à Lei n. 10.666/03, seja pela capitulação reiterada por parte da Fiscalização da infração prevista no art. 8o da Lei n. 10.666, conforme destacado alhures. Nesse diapasão, é pacífico o hodierno entendimento jurisprudencial no sentido de que havendo dúvida quanto à aplicação de determinadas normas, aplicarse a norma especial, vez que essa prevalece sobre a norma geral, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EFEITO SUSPENSIVO. NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 739A DO CPC. NORMA DE APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA À LEI 6.830/80. INTELIGÊNCIA DE SEU ART. 1º INTERPRETADO EM CONJUNTO COM OS ARTIGOS 18, 19, 24 E 32 DA LEF E 151, DO CTN. (...) 2. A Lei 6.830/80 é norma especial em relação ao Código de Processo Civil, de sorte que, em conformidade com as regras gerais de interpretação, havendo qualquer conflito ou antinomia entre ambas, prevalece a norma especial. Justamente em razão da especialidade de uma norma (LEF) em relação à outra (CPC), é que aquela dispõe expressamente, em seu artigo 1º, que admitirá a aplicação desta apenas de forma subsidiária aos procedimentos executivos fiscais, de sorte que as regras do Código de Processo Civil serão utilizadas nas execuções fiscais apenas nas hipóteses em que a solução não possa decorrer da interpretação e aplicação da norma especial. (...) 6. Recurso especial provido. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 12 (REsp 1291923/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 07/12/2011) (grifo nosso) Logo, diante da constatação de que a Lei n. 10.666/03 é norma especial, verificase que a Fiscalização se equivocou na capitulação da infração, ensejando num vício material passível de nulidade do Auto de Infração. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pela nulidade material processo. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
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Numero do processo: 16366.000264/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RECEITA AUFERIDA POR COOPERATIVA QUE EXERCE, CUMULATIVAMENTE, AS ATIVIDADES DE TRANSPORTE, RESFRIAMENTO E VENDA A GRANEL DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VIGÊNCIA. VENDAS DO 2º TRIMESTRE DE 2005. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
1. A suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas obtidas por cooperativa que exerce, cumulativamente, as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura entrou em vigor no dia 30 de dezembro de 2004, data da vigência da nova redação atribuída ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 11.051, de 2004.
2. As receitas auferidas no 2º trimestre de 2005 estão amparadas pelo referido benefício fiscal e não integram a base de cálculo da referida Contribuição.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO UTILIZADO NA HIGIENIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
No regime da não cumulatividade, os gastos da indústria de laticínios com a aquisição de produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e tratamento de resíduos industriais, destinados a atender exigência do Poder Público, são considerados insumos essenciais à manutenção do processo produtivo e, nessa condição, integram a base de cálculo dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, para: (i) restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; (ii) restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizado na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e (iii) homologar as compensações até o limite do valor do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RECEITA AUFERIDA POR COOPERATIVA QUE EXERCE, CUMULATIVAMENTE, AS ATIVIDADES DE TRANSPORTE, RESFRIAMENTO E VENDA A GRANEL DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VIGÊNCIA. VENDAS DO 2º TRIMESTRE DE 2005. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas obtidas por cooperativa que exerce, cumulativamente, as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura entrou em vigor no dia 30 de dezembro de 2004, data da vigência da nova redação atribuída ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 11.051, de 2004. 2. As receitas auferidas no 2º trimestre de 2005 estão amparadas pelo referido benefício fiscal e não integram a base de cálculo da referida Contribuição. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO UTILIZADO NA HIGIENIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade, os gastos da indústria de laticínios com a aquisição de produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e tratamento de resíduos industriais, destinados a atender exigência do Poder Público, são considerados insumos essenciais à manutenção do processo produtivo e, nessa condição, integram a base de cálculo dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. Recurso Voluntário Provido.
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SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VIGÊNCIA. VENDAS DO 2º TRIMESTRE DE 2005. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas obtidas por cooperativa que exerce, cumulativamente, as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura entrou em vigor no dia 30 de dezembro de 2004, data da vigência da nova redação atribuída ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 11.051, de 2004. 2. As receitas auferidas no 2º trimestre de 2005 estão amparadas pelo referido benefício fiscal e não integram a base de cálculo da referida Contribuição. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO UTILIZADO NA HIGIENIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade, os gastos da indústria de laticínios com a aquisição de produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e tratamento de resíduos industriais, destinados a atender exigência do Poder Público, são considerados insumos essenciais à manutenção do processo produtivo e, nessa condição, integram a base de cálculo dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 64 /2 00 8- 10 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, para: (i) restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; (ii) restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizado na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e (iii) homologar as compensações até o limite do valor do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ – Curitiba/PR, em que, por unanimidade de votos, não acolheu as razões de inconformidade interpostas pela contribuinte e indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório, mantendo o indeferimento do ressarcimento em litígio e a não homologação das compensações pleiteadas, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO PIS. ART. 9º DA LEI Nº 10.925 DE 2004. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade do PIS em relação às vendas efetuadas, nos moldes do previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000264/200810 Acórdão n.º 3802001.480 S3TE02 Fl. 21 3 O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução do PIS apurado no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO INTERNO. No que se refere à receita auferida com operações no mercado interno, apenas o saldo credor do PIS/Pasep e da Cofins acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidências dessas contribuições é que pode ser compensado com outros tributos ou ser objeto de pedido de ressarcimento a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. INSUMO. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos legais. JUNTADA DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a peça impugnatória, sob pena de preclusão, salvo exceções taxativamente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo a seguir o relatório que integra Acórdão recorrido: Trata o processo de pedido de ressarcimento de R$ 146.291,43 de crédito de PIS/Pasep não cumulativo (fls. 02/04) relativo ao 2º trimestre de 2005, proveniente de operações no mercado interno (Per/Dcomp nº 18143.12648.170706.1.1.109994), apresentado em 17/07/2006. Às fls. 05/12, juntouse cópia do Dacon – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais relativo ao 2º trimestre de 2005. Às fls. 14/234, intimações fiscais (Intimação Saort nº 428/2008; Intimação Saort nº 628/2008; Intimação Saort nº 735/2008; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Intimação Saort nº 851/2008 e Intimação Saort nº 852/2008), e cópias de documentos apresentados pela contribuinte (cópias de fichas de matrícula de associação, declarações, cópia de procurações, esclarecimentos, planilhas diversas e cópia de fichas do razão analítico). O Termo de Informação Fiscal de fls. 235/245, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Londrina, analisa o pleito e propõe o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado. Às fls. 246/249, cópia da Dcomp nº 01307.96946.280907.1.3.10 2300, apresentada em 28/09/2007, e vinculada ao pedido de ressarcimento sob análise. Às fls. 250/252, demonstrativos de compensação. Com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 235/245, a Saort da DRF em Londrina emitiu, em 24/09/2008, o Parecer Saort/DRF/Lon nº 630/2008 (fls. 254/257), que opina pelo deferimento parcial (R$ 70.117,65) do pedido de ressarcimento e pela homologação parcial da compensação constante da Dcomp nº 01307.96946.280907.1.3.102300. Acolhido o Parecer, em 29/09/2008 foi emitido o despacho decisório de fl. 257. Cientificada (fls. 260/262) em 09/10/2008, a contribuinte, em 07/11/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 263/289, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após breve relato dos fatos, discorre sobre a sua atividade e salienta ser o resultado de uma reunião de cooperativas agropecuárias do norte do Paraná, voltadas especialmente para a produção de leite. A seguir, transcreve o texto dos arts. 17 da Lei nº 11.033, de 2005 e 16 da Lei nº 11.116, de 2005 e afirma que “é assegurado às Sociedades Cooperativas o direito de manutenção dos créditos do PIS e COFINS.” No que diz respeito à suspensão, afirma que “demonstrarseá neste texto que o contribuinte possui direito ao cumprimento dos ditames constitucionais da nãocumulatividade, especialmente sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes do sistema de suspensão.” No tópico seguinte, discorre sobre a não cumulatividade do PIS/Cofins, chamando a atenção para o contido nas Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Ressalta, ainda, que a não cumulatividade plena prevê a compensação do valor exigido na operação anterior com o montante devido na operação posterior. Alerta, contudo, que a “nãocumulatividade determinada para estas contribuições não é plena, visto que existem custos, encargos ou despesas que não podem ser excluídos; tal situação pode gerar uma ofensa ao regime geral da nãocumulatividade e do sistema constitucional tributário nacional.” Noutro tópico (Do Regime de Aproveitamento de Créditos das Contribuições do PIS e da Cofins no Caso de Vendas com Fl. 399DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000264/200810 Acórdão n.º 3802001.480 S3TE02 Fl. 22 5 Suspensão.) esclarece que o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins é disciplinado pela Lei nº 11.033, de 2004 (art. 17) e que no caso do setor de leite esta possibilidade está resguardada pelo art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Considerando a alteração implementada pela Lei nº 11.051, de 2004 (art. 8º, § 4º, I, II), afirma que a vedação do aproveitamento dos créditos da suspensão viola os princípios da não cumulatividade, da isonomia, da capacidade contributiva, da vedação de confisco, da ofensa à neutralidade fiscal e da ofensa à repartição rígida de competências tributárias. Esclarece, a seguir, que no presente caso pretendese “que os créditos de PIS/COFINS de fretes e energia elétrica, embalagens, serviços e insumos utilizados na produção de leite possam ser mantidos, pois, do contrário, há claramente uma oneração do contribuinte que irá suportar um custo adicional que deveria ser resolvido pelo sistema de compensação entre créditos e débitos.” Prossegue, discorrendo sobre o que chama de “questão temporal.” Transcreve o § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 e diz que não se pode delimitar o prazo de vigência de uma lei benéfica ao contribuinte com base neste dispositivo, afinal, a Lei nº 10.925, de 2004, conforme seu art. 18, entrou em vigor em 26/07/2004, data de sua publicação. Diz, também, que “pela leitura do parágrafo referido, os ‘termos’ e ‘condições’ serão estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Em momento algum se diz que cabe a esta determinar a data da vigência da lei.” Acrescenta, ainda, que “não se pode esquecer que a vigência da lei é definida no próprio texto legal, não em Instruções Normativas que não possuem força de Lei” e que “fazer valer a IN sobre a Lei é ferir de morte o princípio da Legalidade.” Prossegue, discorrendo sobre os princípios da legalidade e da irretroatividade. Sobre o crédito presumido, diz que não foi considerado na auditoria a necessidade de serem refeitos os cálculos do crédito presumido pois “uma vez que foi a base de cálculo elevada, devese aumentar o valor do crédito presumido, no caso do indeferimento da concessão dos créditos vinculados às operações com suspensão.” Sobre o assunto, transcreve trechos da Lei nº 10.925, de 2004. Conclui o tópico, pleiteando a realização de perícia técnica para determinar o valor correto dos créditos presumidos que podem ser aproveitados pela contribuinte. Quanto ao rateio dos créditos, salienta que se houver o indeferimento da concessão dos créditos vinculados à suspensão deve haver a correta distribuição dos créditos. Esclarece a questão nos seguintes termos: “se reformada a decisão, este pedido perde seu objeto, mas uma vez não ocorrendo o deferimento do requerido previamente apresentado neste recurso, esta distribuição deve ser corretamente observada, pois Fl. 400DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 não há que se falar diretamente em proporcionalidade, como considerado.” Finaliza, requerendo a realização de perícia para a determinação correta dos valores restituíveis à Cooperativa. Quanto aos insumos não considerados (contas 7.0.0.00.09 e 7.1.0.00.09), diz que todos estão enquadrados no conceito desejado pela norma legal. Afirma que definições como estas, tais como as propostas pela fiscalização são “como um todo, até mesmo temerárias, pois são, em sua essência, um desestímulo à higienização de equipamentos que produzirão alimentos que serão consumidos por seres humanos.” Ao final, requer: a) no plano material, o recebimento da manifestação de inconformidade, e a declaração de procedência da manifestação, a liberação dos créditos vinculados às operações sujeitas à suspensão, a homologação das compensações constantes das Dcomp transmitidas, e a decisiva extinção dos créditos tributários, por meio da compensação; b) sucessivamente, o deferimento de perícia técnica para (1) apuração dos valores reais do crédito presumido, (2) a correta distribuição dos créditos entre as operações sujeitas à suspensão e à alíquota zero e (3) responder quesitos suplementares julgados necessários. c) no plano instrumental, o recebimento da manifestação de inconformidade, e, além das provas já apresentadas, a possibilidade de juntar novas provas, necessárias à fiel comprovação do direito, bem como de uma perícia contábil para apuração dos valores reais do crédito presumido e da correta distribuição dos créditos entre as operações sujeitas à suspensão e à alíquota zero. Em 16/5/2011, a Recorrente foi cientificada da decisão. Em 2/6/2011, protocolou Recurso Voluntário, em que reafirmou os argumentos e os pedidos apresentados na presente Manifestação de Inconformidade. Em 24/10/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de julho 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado dentro do prazo legal e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com o Termo de Informação Fiscal de fls. 235/245, a fiscalização glosou: a) os valores das receitas excluídas da base cálculo, relativas às vendas de leite in natura, contempladas com o benefício da suspensão da incidência das Contribuições para o Fl. 401DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000264/200810 Acórdão n.º 3802001.480 S3TE02 Fl. 23 7 PIS/Pasep e Cofins, se auferidas por pessoa jurídica que exerce, cumulativamente, às atividades de transporte, resfriamento e venda a granel do referido produto; e b) os valores dos créditos referentes (i) aos gastos com produtos químicos, utilizados na limpeza das máquinas e equipamentos industriais e da estação de tratamento de resíduos industriais, e (ii) às aquisições de pessoas físicas, relativas à material de combustão e serviços de transporte de leite. No presente Recurso, não houve contestação da glosa dos créditos atinentes às aquisições de pessoas físicas, o que torna a decisão primeiro grau definitiva em relação a este ponto, nos termos do parágrafo único do art. 421 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em decorrência, a presente controvérsia limitase à glosa dos valores das receitas excluídas da base cálculo e dos gastos com os produtos químicos, a seguir analisados. Da glosa das receitas excluídas da base cálculo Segundo a fiscalização, eram indevidas as exclusões da base cálculo das referidas Contribuições, realizadas no 2º trimestre 2005, referentes às receitas obtidas nas vendas de leite in natura, por cooperativas que, cumulativamente, exercessem as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, uma vez que tal beneficio somente entrou em vigor a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Por outro lado, alegou a Recorrente que o benefício fiscal em destaque entrou em vigor em 26 de julho de 2004, data da publicação da Lei nº 10.925, de 2004, logo, a referida Instrução Normativa não podia protelar o prazo de vigência do citado comando legal, sob pena de grave agressão ao princípio da legalidade. A discórdia evidencia que o cerne da controvérsia encontrase na definição do termo inicial da vigência do benefício fiscal em questão. O motivo da divergência é o teor do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a nova redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II2 do § 1odo art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) 1 "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício." 2 "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 [...] § 1o O disposto neste artigo:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6oe 7odo art. 8odesta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2oA suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) – grifos não originais. O benefício reclamado pela Recorrente foi instituído somente a partir da nova redação dada ao referido art. 9º pelo art. 29 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que no seu o art. 34, III, estabeleceu que os efeitos da mencionada alteração somente seriam produzidos a partir de 30 de dezembro de 2004, data da publicação da dita Lei. Definida a data de vigência do benefício fiscal em apreço, remanesce ainda a questão concernente a sua eficácia, ou seja, se o citado benefício fiscal poderia ser usufruído imediatamente, a partir da data da vigência do referido comando legal, ou somente a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006, norma que fixou, inicialmente, os termos e condições previstos no § 2º do art. 9º em destaque. A resposta a essa questão depende da natureza do norma regulamentadora. Se ela for imprescindível para o gozo do benefício, obviamente, a resposta será afirmativa, caso contrário, inexiste razão para protelar a plena eficácia da norma legal em plenas condições de produzir os seus normais efeitos. Os termos e condições, exigidos pelo citado preceito legal, foram estabelecidos pelo art. 2º Na Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006, a seguir reproduzido: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...] II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel; [...] § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; [...]" Fl. 403DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000264/200810 Acórdão n.º 3802001.480 S3TE02 Fl. 24 9 [...] III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º A suspensão de que trata este artigo alcança somente as vendas efetuadas à pessoa jurídica agroindustrial de que trata o art. 3º. § 3º A pessoa jurídica adquirente dos produtos deverá comprovar a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a IV do caput o aproveitamento de créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes de aquisição de insumos relativos aos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência dessas contribuições. (grifos não originais) Comparando a redação do dispositivo legal regulamentado com a do preceito regulamentador, verificase que a única condição neste estatuída que não consta daquele é a necessidade de a pessoa jurídica adquirente dos produtos comprovar “a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente”. Tratase de exigência de natureza meramente procedimental, destinada a comprovar o requisito “de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real”, presente no comando legal regulamentado. Tal circunstância evidencia que a condição fixada na referida Instrução Normativa não era imprescindível, para fosse utilização o referido benefício fiscal já a partir de 30 de dezembro de 2004, data da vigência da nova redação atribuída ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 11.051, de 2004. Como não há notícias nos autos de que a Recorrente tenha descumprido quaisquer dos requisitos estabelecidos nos citados preceitos normativos, deve ser restabelecida a exclusão da base cálculo das referidas Contribuições, relativa ao 2º trimestre de 2005, dos valores totais das receitas obtidas nas vendas de leite in natura, glosadas pela fiscalização. Em consequência dessa conclusão, tornase desnecessária a análise dos demais argumentos suscitados pela Recorrente em relação esse ponto, incluindo o pedido de realização de perícia, para recomposição de base de cálculo e rateio de supostos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre os gastos com produtos químicos. Embora a fiscalização tenha reconhecido que tais gastos integrem os custos e as despesas industriais da Recorrente, com base na Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, alegou que eles não se caracterizariam como insumos, uma vez que não eram aplicados ou consumidos diretamente na produção, nem sofriam “alterações, tais como o desgaste, o dano Fl. 404DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Por sua vez, a Recorrente alegou que os gastos com os referidos produtos eram considerados insumos, pois, por determinação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), eram obrigatoriamente utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transporte de leite (caminhões), silos e equipamentos industriais, para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado, bem como no tratamento de resíduos industriais. Conforme explicitado, a origem da controvérsia decorre da utilização de regimes jurídicos distintos para definir o significado e alcance do termo insumo no âmbito do regime da não cumulatividade que rege a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A fiscalização adotou o conceito de insumo do regime da não cumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ao passo que a Recorrente utilizou o conceito de insumo explicitado no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais. A razão está com a Recorrente. No Acórdão nº 3802001.418 (Processo nº 16366.000228/200937), prolatado na Sessão de 25 de outubro de 2012, este Colegiado analisou a questão e, na oportunidade, prevaleceu o entendimento de que o conceito de insumo do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não se identifica com o conceito restrito da legislação do IPI nem com o amplo de despesa necessária da legislação do Imposto sobre a Renda. No âmbito deste Conselho, o conceito de insumo que vem se firmando é aquele que leva em conta as próprias especificidades do regime da não cumulatividade das referidas Contribuições, instituído pelas referida leis, que se operacionaliza segundo a técnica do “tributo sobre tributo”, em que do valor dos débitos apurados são deduzidos os valores dos créditos admitidos. De acordo com essa sistemática, como os débitos são calculados sobre o valor da receita e os créditos são apurados com base no valor dos insumos utilizados “na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, logo, o conceito de insumo abrange todos os gastos inerentes ao processo produtivo. No caso em apreço, a higienização dos equipamentos industriais e o tratamento dos resíduos decorrentes do processo de industrialização são exigências do próprio Poder Público que deve ser cumprida pela Recorrente, sob pena de inviabilizado o processo produtivo. Em consequência, os gastos com a aquisição dos produtos químicos utilizados nessa Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000264/200810 Acórdão n.º 3802001.480 S3TE02 Fl. 25 11 atividade são considerados insumos, posto que são essenciais à manutenção do processo de fabricação. No Acórdão nº 930301.740, ao analisar questão similar, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) manifestou o mesmo entendimento, conforme explicitado na ementa a seguir transcrita: COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF. 3ª Turma. Ac. 930301.740, de 9/11/2011, rel. Nanci Gama). Com base no exposto, fica demonstrado que os gastos com a aquisição dos produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e no tratamentos dos resíduos industriais, enquadramse no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, portanto, deve ser computado na base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para: (i) restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; (ii) restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizado na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e (iii) homologar as compensações até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.904009/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. DOENÇA GRAVE. PROVA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. A prova da enfermidade que dá direito à isenção do Imposto de Renda se faz mediante apresentação de laudo emitido por serviço medico oficial, reconhecendo-se o benefício a partir da data fixada pela perícia.
Numero da decisão: 2202-001.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. DOENÇA GRAVE. PROVA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. A prova da enfermidade que dá direito à isenção do Imposto de Renda se faz mediante apresentação de laudo emitido por serviço medico oficial, reconhecendo-se o benefício a partir da data fixada pela perícia.
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DOENÇA GRAVE. PROVA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. A prova da enfermidade que dá direito à isenção do Imposto de Renda se faz mediante apresentação de laudo emitido por serviço medico oficial, reconhecendose o benefício a partir da data fixada pela perícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 40 09 /2 00 9- 97 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande/MS que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e deixou de reconhecer a isenção do imposto por doença grave e, assim, obter o direito ao crédito/restituição do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do exercício de 2004. Na decisão de fls. 34/36 a autoridade fiscal entendeu que o direito à isenção teve inicio em 05/10/07, conforme laudo médico da Junta Superior de Saúde do Comando da Aeronáutica, concluindo que no exercício de 2004, o interessado não possuía direito à isenção. A decisão recorrida de fls. 57/64, manteve o indeferimento da isenção a partir do exercício de 2004 e assim negou direito a restituição do IRPF. No Recurso Voluntário de fls. 68/76, o Recorrente sustenta, em síntese, que os laudos apresentados atestam a cardiopatia grave, e os efeitos da isenção retroagem à data da cirurgia, fevereiro/1995; aduz ainda, a desnecessidade de laudo médico oficial para comprovar a existência de doenças abrangidas pela isenção, junta jurisprudência do STJ, requerendo o reconhecimento da sua doença e o direito à isenção do imposto de renda a partir do ano calendário de 2000, e, em consequência ao reconhecimento do direito crédito. É o breve relatório. Voto. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10140.904009/200997 Acórdão n.º 2202001.946 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. O recurso preenche os requistos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de pedido de crédito/restituição do imposto de renda pessoa física pago na fonte sobre os proventos de aposentadoria, em razão de ser portador de cardiopatia, doença grave que se encontra no rol da isenção do imposto. A decisão recorrida não admitiu a isenção pela falta de comprovação em laudo médico oficial e conclusivo da existência da doença grave cardiopatia desde a data pretendida pelo Recorrente. A questão nuclear destes autos é saber se o laudo médico de fls. 49, datado de 12.12.2002, atende ou não as condições para isenção. Assim esta o laudo redigido: Diagnóstico (cid/10): doença isquêmica crônica do coração 125 e presença de implante e enxerto de angioplastia coronária Z95.5. Parecer: não justificado o que requer segundo a portaria MD 328, de 17. 05. 01. Este parecer retroage à data da sua inspeção de saúde realizada em 10. 05.02, pela JRS/BACG.1 Finalidade: inspecionado (a) para fins da Lei n°7.713/88 Em seguida temos o laudo médico de fls. 50, datado de 20.12.2007, dando conta da existência da cardiopatia grave, transcrevo: É cardiopatia grave. É doença especificada em lei. Este parecer retroage à data da sua inspeção de saúde realizada em 05.10.07, pela JRS/BACG. Nada indica ou comprova que o primeiro laudo, datado de 12.12.2002, tenha reconhecido a doença grave – cardiopatia até porque, se assim fosse, não haveria necessidade de novo laudo. Na hipótese sob exame poderia haver, se verdadeira a assertiva do Recorrente, de os novos trabalhos apenas realizarem uma releitura do laudo anterior, pelos peritos médicos para atestar o diagnostico desde a data pretendia ou mesmo explicar ao leigo na matéria médica a retroação dos seus efeitos. Não é o julgador, leigo na matéria médica, que vai suprir eventual lacuna do laudo se o interessado não consegue comprovar de forma extreme de dúvida a existência da doença grave antes de 2007 para se beneficiar da isenção retroativa do imposto de renda e obter a restituição pretendida. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Pelos elementos de prova constantes dos autos, trazidos pelo Recorrente, as decisões foram certadas, não merece qualquer reparos e devem ser mantidas, sem a alterar. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10814.016852/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 03/07/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-001.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 03/07/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
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PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 68 52 /2 00 8- 63 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10814.016852/200863 Acórdão n.º 3302001.820 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 13/07/2007 a empresa recorrente ingressou com pedido de restituição de Imposto de Importação II (R$ 92.777,17) e multa aduaneira (R$ 47.646,98), no valor total de R$ 140.424,15, relativo a pagamentos efetuados no desembaraço de mercadorias realizado através da DI nº 07/08452422, registrada no dia 28/06/2007. A ALF do Aeroporto Internacional de Guarulhos SP deferiu parcialmente o pedido da recorrente para reconhecer o crédito no valor de R$ 132.118,06 (II R$ 88.239,03 e Multa R$ 43.879,03), conforme Despacho Decisório de flse. 271/274. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1753.738, de 08/09/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: COMPETÊNCIA: Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos fiscais. Quando o valor reclamado na impugnação não faz parte da petição inicial não se instaura o litígio. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 23/11/2011, conforme Termo de Ciência de fle. 306, e, discordando da mesma, no dia 27/12/2011 (fle. 313) postou na ECT o recurso voluntário de flse. 317/320, no qual alega: 1) que foi intimada da decisão recorrida no dia 25/11/2011, sendo plenamente tempestivo o recurso, uma vez que seu prazo esgotarseá no dia 27/12/2011; 2) desde o pedido inicial está pleiteando a restituição de R$ 139.536,37, tendo sido anexado ao pedido as duas retificadoras da mesma Declaração de Importação; 3) não houve pedidos novos no decorrer do procedimento; Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório do essencial. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10814.016852/200863 Acórdão n.º 3302001.820 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, por ter sido apresentado intempestivamente. Assim, dele não conheço. Com efeito, a empresa DUFRY DO BRASIL FREE SHOP LTDA tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 23/11/2011 (quartafeira), conforme termo de ciência às flse. 306 e 307, de modo que o prazo para interposição de seu recurso voluntário teve início no dia 24/11/2011 e encerrouse no dia 23/12/2011, de acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Todavia, tal recurso só veio a ser postado nos Correios no dia 27/12/2011 (fle. 313), ou seja, no 34o dia após a ciência da decisão recorrida. Por sua vez, o art. 35, também do Decreto no 70.235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que julgará a perempção. Sobre a tempestividade do recurso voluntário, a empresa Recorrente enganouse ao afirmar que tomou ciência da decisão recorrida no dia 25/11/2011 e que teria até o dia 27/12/2011 para apresentar o dito recurso voluntário. Disse a Recorrente: A Recorrente foi intimada em 25/11/2011 (sextafeira) do v. acórdão prolatado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil nº 1752.738. Sendo assim e, considerandose os 30 (trinta) dias de prazo para a interposição de Recurso Voluntário, conferidos pelo caput do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, temos que o presente Recurso é plenamente tempestivo, uma vez que seu prazo esgotarseá no dia 27/12/2011. Em face do exposto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de, em sede de preliminar, não conhecer do recurso voluntário posto que perempto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009224/2002-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
DCTF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
POSSIBILIDADE.
Esta 2ª Turma da CSRF já pacificou o entendimento no sentido de que inexiste óbice para o lançamento de ofício declarado em DCTF, durante a vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35, de 2001, até a inovação introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003.
Precedentes CSRF: Acórdão nº 9202-02.269 e Acórdão nº 9202-02.351.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 19/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1997 DCTF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Esta 2ª Turma da CSRF já pacificou o entendimento no sentido de que inexiste óbice para o lançamento de ofício declarado em DCTF, durante a vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35, de 2001, até a inovação introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Precedentes CSRF: Acórdão nº 9202-02.269 e Acórdão nº 9202-02.351. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Esta 2ª Turma da CSRF já pacificou o entendimento no sentido de que inexiste óbice para o lançamento de ofício declarado em DCTF, durante a vigência do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, até a inovação introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Precedentes CSRF: Acórdão nº 920202.269 e Acórdão nº 920202.351. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 92 24 /2 00 2- 21 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2201 01.174, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 07/06/2011, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a exigência do imposto por meio de auto de infração, podendo a autoridade administrativa prosseguir na cobrança do crédito informado em DCTF, se for o caso. Segue abaixo sua ementa: “IRF VALOR LANÇADO EM DCTF SALDO A PAGAR PROCEDIMENTO Incabível o lançamento para exigência de saldo a pagar, apurado em DCTF, salvo se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°.4.502, de 30 de novembro de 1964. Ainda assim, o lançamento deve restringirse à exigência da multa de ofício. O saldo do imposto a pagar, em qualquer caso, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União. Recurso provido.” A PGFN apresenta paradigmas segundo os quais as diferenças apuradas em DCTF decorrentes de informações indevidas ou não comprovadas (pagamento, compensação, parcelamento, etc), caracterizando saldos a pagar nulos (ou igual a zero), não representam confissão de dívida quando a legislação vigente à época assim o determine, ensejando assim o lançamento fiscal. Seguem abaixo suas ementas: “IPI. DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULADO DE CRÉDITOS INDEVIDOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituem confissão de dívida. Nos termos da IN SRF n°s 45/98 e 126/98, somente os valores dos saldos a pagar de tributos informados em DCTF é que são confessados, não carecendo de lançamentos de ofício para serem cobrados. Diferentemente, valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de ofício, acompanhados da multa de ofício." (AC 20309.707) “NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. As hipóteses de nulidade do auto de infração são aquelas definidas nos arts. 9º e 10 do Decreto na 70.235/72. Estando a matéria tributária adequadamente descrita e quantificada e competente o agente, descabe razão para macular de nulo o lançamento praticado. CERCEAMENTO DO DIREITO Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11080.009224/200221 Acórdão n.º 9202002.400 CSRFT2 Fl. 3 3 DE DEFESA. Estando todos os elementos consubstanciadores do lançamento presentes na peça acusatória e colocados à disposição do autuado, não cabe falar em cerceamento do direito de defesa. COFINS. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. Na vigência do art. 90 da Medida Provisória 2.15835, deve a administração tributária proceder a lançamento de ofício de diferenças não recolhidas em virtude de compensações praticadas pelo contribuinte e informadas em DCTF que posteriormente se revelem indevidas por insubsistência dos créditos em que se lastreavam. Recurso a que se nega provimento.” (AC 20400.187) Explica que devese analisar o teor da legislação vigente à época da apresentação das declarações pelo contribuinte, a fim de se verificar a natureza que lhe era atribuída. Argumenta que o DL 1.224/84 não fazia diferença entre "saldo a pagar" e "débitos apurados" ou "diferenças apuradas" em procedimento de auditoria interna para efeito de inscrição em DAU, razão pela qual se conclui que, sob a sua vigência, todos os valores dos créditos tributários declarados e não pagos eram considerados como parcelas confessadas pelo sujeito passivo declarante, podendo ser objeto de cobrança imediata. Pondera que o art. 90 da MP n.º 2.15835/2001 não alterou significativamente a disciplina das IN SRF's 45/98, 77/98 e 126/98, pelo que o "saldo a pagar" declarado em DCTF continuava a ser encaminhado à inscrição em DAU, ao passo que os "débitos ou diferenças apuradas" em declaração do sujeito passivo, deveriam ser objeto de exigência de ofício. Diz que somente com a edição da MP n° 135, de 30/10/2003, em seu art. 18, caput, é que se retirou do ordenamento jurídico a limitação criada pela norma especial do art. 90 da MP 2.15835/2001 aos efeitos dos §§ 1ºe 2º do art. 5º do DL 2.124/84 c/c art. 16 da Lei 9.779/99, de modo que as "diferenças apuradas" em declarações do sujeito passivo passaram também a ser equiparadas a instrumento de confissão de dívida, assim como os "saldos a pagar", não mais estando obrigatoriamente sujeitas ao lançamento. Assim, conclui que somente as DCTFs apresentadas a partir desta data (30/10/2003) é que se pode falar em natureza de confissão de dívida também para os débitos ou diferenças apuradas na referida declaração, passando a ser prescindível o lançamento de ofício. Observa que o art. 18 da MP 135/2003 não se fez acompanhar de qualquer previsão retroativa, de forma a determinar o cancelamento de exigências tributárias formalizadas em período anterior à sua edição. Ressalta que não é o caso de aplicação do art. 106 do CTN, posto que a regra citada não possui caráter de norma interpretativa ou mesmo reguladora de infração ou penalidade tributária, pressupostos necessários à aplicação da retroatividade benigna deste artigo. Conclui que não deve ser decretado o cancelamento da autuação, pois se não há confissão de dívida respaldada na legislação, em especial para as DCTFs apresentadas até 30/10/2003 e se também não há restrição para lançamento de valores informados em DCTF, Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 para os quais o Fisco apresente discordância, é dever da autoridade fiscal constituir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.578, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma ter renda e patrimônio isentos de tributação, devendo ser declarada imune, e a partir do incorreto enquadramento legal passou a sofrer tributação de grande parte das receitas advinda do mercado financeiro, onde investe com o intuito de preservar seu patrimônio. Considera que tal tributação afronta diretamente o art. 150, II, “c” da CF/88, por ser entidade imune, motivo pelo qual propôs perante a Justiça Social de SP duas ações judiciais visando a garantia de sua imunidade tributária. Requer que o recurso especial da Fazenda não seja provido. Eis o breve relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11080.009224/200221 Acórdão n.º 9202002.400 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno de ser cabível ou não o lançamento para exigência de saldo a pagar apurado em DCTF. Esta 2ª Turma da CSRF já pacificou o entendimento no sentido de que inexiste óbice para o lançamento de ofício declarado em DCTF, durante a vigência do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, até a inovação introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Precedentes CSRF: “Ementa: IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003. Inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Recurso Especial do Procurador Provido.” (Acórdão nº 920202.269, Relator: Conselheiro Marcelo Oliveira) “DCTF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação original do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Com a alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2001, os lançamentos já efetuados devem permanecer íntegros. Recurso especial provido.” Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 (Acórdão nº 920202.351, Relator: Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior) Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os presentes autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008807/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/01/2006, 07/01/2006, 10/01/2006, 12/01/2006, 13/01/2006, 19/01/2006, 26/01/2006
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETO-LEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas.
RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 3201-001.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim-relatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/01/2006, 07/01/2006, 10/01/2006, 12/01/2006, 13/01/2006, 19/01/2006, 26/01/2006 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETO-LEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no Decreto-Lei nº 37/66.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim-relatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. DANIEL MARIZ GUDIÑO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/01/2006, 07/01/2006, 10/01/2006, 12/01/2006, 13/01/2006, 19/01/2006, 26/01/2006 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETOLEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, fazse necessário observar o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano D’Amorimrelatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 88 07 /2 00 9- 34 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. DANIEL MARIZ GUDIÑO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 35.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em janeiro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00/00568/09”, descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 21, acompanhada dos documentos de fls. 22 a 74, para aduzir, em apertada síntese, que (i) o “o auto de infração se mostra improcedente, uma vez que a conduta da Impugnante não se enquadra aos princípios que norteiam a conduta administrativa, (...), cuja cobrança é desproporcional, desarrazoada e ilegítima, além de tais atrasos terem sido motivados pela própria Impugnada, em função das constantes falhas e ausência de informações do SISCOMEX”. (ii) “Em vista disto, conforme exposto a seguir, o Auto de Infração em epígrafe afigurase nulo e, portanto, insuscetível de imposição da multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66 ou de qualquer outra penalidade contra a Impugnante”. (iii) “Por todo exposto, é a presente para requer seja Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.008807/200934 Acórdão n.º 3201001.128 S3C2T1 Fl. 121 3 julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista à violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade pela Autoridade Impugnada, assim como às constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX e que isentam de culpa a Impugnante nos atrasos alegados”. É o relatório.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0724.850, de 09/06/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cujo julgamento foi dispensado de ementa, nos termos da Portaria n° 1.364, de 10/11/2004. O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e por julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 15.000,00. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Argumenta a empresa, que o Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias destinadas ao exterior. No entanto, o art. 44 da referida IN determina expressamente que o descumprimento da obrigação constitui embaraço à fiscalização aduaneira, penalidade prevista na alínea “c”, IV, do art. 107 do Decretolei n° 37/66 e não alínea “e”, inc IV, do mesmo dispositivo. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Observase que o art. 44 da citada IN menciona que o descumprimento a vários artigos, dentre eles, o art. 37, constitui embaraço à atividade da fiscalização aduaneira, sujeitando ao pagamento da multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, o art. 44 da referida IN estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma regulamentar é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. A norma infracional em análise não dispunha de comando integral, na medida em que não definiu o que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização; constituindo, da forma com está colocada pela redação dada pelo DL 751/69, “norma penal em branco”, uma vez que o agente para ser considerado infrator deveria descumprir determinada obrigação acessória não definida na lei de regência, mas em norma infralegal. Pois bem, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/1994 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da recorrente quanto à inaplicabilidade ao caso da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/1994 e suas alterações posteriores, tem por fim completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) ** Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.008807/200934 Acórdão n.º 3201001.128 S3C2T1 Fl. 122 5 Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.008807/200934 Acórdão n.º 3201001.128 S3C2T1 Fl. 123 7 IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Por fim, a recorrente argumenta que não foi possível efetuar no prazo regulamentar os registros de embarque de que trata a presente autuação, uma vez que ocorreram falhas no Siscomex que a impediram de assim proceder, bem assim, em caso de divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas eram obrigadas a excluir a informação equivocada para incluir a correta, porém, o sistema somente considerava a data da inserção da informação correta, ou seja, apenas alega e foram verificados registros intempestivos de dados de embarque referentes aos despachos de exportação. Permanecem, portanto, as multas referentes aos embarques (Voo DL/060), cujos registros ocorreram em 13.01.2006 e 16.02.2006, de forma intempestiva; ultrapassando os 7 (sete) dias, inclusive, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010. Logo, mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 15.000,00, tendo em vista, prazo é de 7 (sete) dias para efeitos de cumprimento dessa obrigação acessória. Para finalizar, transcrevo algumas linhas, do que penso sobre a nova tese aplicada ao caso (que é a base do voto vencedor) , que discordo pelos motivos abaixo: O Art. 40 Lei 12.350, de 20/12/2010 (das demais alterações na legislação tributária), passa a vigorar dessa forma: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.008807/200934 Acórdão n.º 3201001.128 S3C2T1 Fl. 124 9 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (NR) De acordo com o item 40 da Exposição de Motivos da MP 497/2010 (que foi convertida na Lei 12.350/2010) a nova redação dada ao § 2º do art. 102 do Decretolei 37/66 "visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza". Ainda, consta na Nota Descritiva sobre a Exposição de Motivos da MP 497/2010, em seu item 7, das alterações do DecretoLei de n° 37/66, declaração sobre previsão de que a denúncia espontânea exclua, também, penalidades de natureza meramente administrativa. Quanto à figura de denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN somente é possível sua ocorrência de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso de atraso na entrega da declaração, ou pela prestação de informações sobre o embarque de cargas transportadas no Siscomex, a destempo, que se torna ostensivo com decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma ou do prazo a ser observado. Pois bem, sempre entendi que denúncia espontânea tratavase de um procedimento formal, pertinente a uma comunicação à RFB, que tinha como consequência a exclusão de penalidades, a partir de alguma informação desconhecida pela própria Receita. No entanto, agora surge essa corrente que propugna pela aplicação da regra para o caso de não cumprimento de procedimentos em prazo fixado, como é o caso do não cumprimento de prazo para a prestação de informações. Tratase, no meu entender, de infração que já ocorreu. A valer desse entendimento, a RFB, por exemplo, iria ter que manter um agente de plantão (fiscalização) para que, no dia seguinte que ultrapassar o prazo de prestação de informações pelo transportador, seja formalizado o auto de infração. E deverá ser feito um auto de infração por dia, porque se o fiscal esperar para juntar diversas omissões do transportador, poderá incorrer na possibilidade de que, em dia que se seguir, já tenha sido apresentada a informação, embora a destempo, mas que viria a abrigar o transportador com a pretendida denúncia espontânea. Com esse argumento, não vejo aplicabilidade às multas fixas (como é o caso), nem às sanções de advertência suspensão e cassação. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 E, mais, seria o caso, de aplicação da súmula CARF n° 49, pois a prestação de informações é uma obrigação acessória. A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Falando no art.138 do Código Tributário Nacional, analisando o Capítulo V – “Responsabilidade Tributária” e Seção IV – “Responsabilidade por Infrações”, que trata acerca do instituto da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Pela leitura, o pagamento do tributo se torna necessário para a ocorrência da denúncia espontânea, com a devida atualização monetária e juros de mora, atentandose para outra condição, qual seja: apresentar a denúncia espontânea antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco. Adotando este procedimento, o contribuinte tem a seu favor a exclusão da penalidade, em outro dizer, multa moratória incidente sobre o valor objeto da denúncia. O legislador teve a intenção de criar a denúncia espontânea como um estímulo aos contribuintes a se manterem regulares perante o Fisco. Antecipandose em relação à administração fazendária e realizando o pagamento da obrigação tributária que está em atraso, a multa moratória deve ser excluída, ante o seu caráter de penalidade. Como leciona Hugo de Brito Machado, em sua obra “Curso de Direito Tributário”, 27ª Edição, Malheiros, página 184: O Art. 138 do Código Tributário Nacional é um instrumento de política legislativa tributária. O legislador estimulou o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiando o sujeito passivo com a exclusão de penalidades quando este espontaneamente denuncia a infração cometida e paga, sendo o caso, o tributo devido. No entendimento do STJ, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É pacífica a jurisprudência da Corte Superior no sentido da impossibilidade de se estender os benefícios da denúncia espontânea quando se tratar de entrega com atraso da declaração de rendimentos. Os diversos julgados existentes salientam que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. A Egrégia 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 195161/GO (98/00849050), em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), por unanimidade de votos, que embora tenha tratado de declaração do Imposto de renda é, também, aplicável à entrega de DCTF: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.008807/200934 Acórdão n.º 3201001.128 S3C2T1 Fl. 125 11 1 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.º 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 Recurso provido." Destaco alguns trechos do RESP 738.397RS, do relator ministro Teori Albino Zavascki, da 1ª Turma, STJ, linhas que resumem de uma forma geral as razões do posicionamento adotado pela STJ, após diversos julgados na mesma linha de julgamento, com destaques: (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários já constituídos e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. (...) 4.À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A posição majoritária da Primeira Seção desta Corte é no sentido da não admitir a denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando houver declaração desacompanhada do recolhimento do tributo. 2. Embargos de divergência rejeitados. Assim, considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência do crédito tributário, trazendoo para o mundo jurídico, e, constituído o crédito, ocorrendo o seu recolhimento a destempo, não enseja o benefício do art. 138 do CTN, que é incompatível com a expressão “do pagamento do tributo devido e dos juros de mora” nele contida, haja vista que uma das características para o benefício da denúncia espontânea é o pagamento na data do tributo, estabelecida em lei. Ao efetuar o pagamento do tributo fora de prazo (ainda que pelo valor integral, corrigido monetariamente e com juros), o STJ considera Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 tal ato como sendo fator inibidor para a incidência da aplicação do benefício de denúncia espontânea. Então, por todo o raciocínio desenvolvido, pelas correntes acima apontadas; aplicamse, ao caso, perfeitamente, o de prestar informações de embarque na exportação sobre cargas transportadas a destempo no Siscomex. Assim sendo, o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Conselheiro DANIEL MARIZ GUDIÑO A despeito de entender que a Recorrente realmente praticou ato infracional aos controles aduaneiros, é preciso levar em conta que a infração formal foi devidamente sanada antes do início da ação fiscal que culminou na lavratura do auto de infração ora discutido. Por essa razão, ouso discordar da ilustre relatora, uma vez que, desde a edição da Lei nº 12.350 de 2010, a nova redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966 passou a admitir o instituto da denúncia espontânea no âmbito dos controles aduaneiros. É disso que se está a tratar no presente julgamento. Convém ressaltar que já existe jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o assunto. Confirase: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. (Acórdão nº 3101000.997, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 25/01/2012) Para fácil referência, transcrevese a norma do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação da Lei nº 12.350 de 2010, a saber: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.008807/200934 Acórdão n.º 3201001.128 S3C2T1 Fl. 126 13 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) E nem se diga que a hipótese verificada nos autos está prevista no art. 102, § 1º, alínea “a”, do DecretoLei nº 37 de 1966, pois a obrigação adimplida intempestivamente pela Recorrente era devida após o desembaraço da mercadoria. Também não se diga que a Lei nº 12.350 de 2010 é posterior à data da infração praticada pela Recorrente, pois, de acordo com o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional, a lei se aplica retroativamente quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, deixe de definilo como infração. Sobre a aplicação da retroatividade benigna nos casos de denúncia espontânea, a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou, a saber: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 910100344, Cons. Rel. Valmir Sandri, Sessão de 24/08/2009) Diante de todo o exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário na íntegra. DANIEL MARIZ GUDIÑORedator designado Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10166.723056/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, independentemente de haver ou não inscrição no PAT.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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CONCESSÃO CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados, independentemente de haver ou não inscrição no PAT. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 30 56 /2 01 0- 87 Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.723056/201087 Acórdão n.º 2401002.509 S2C4T1 Fl. 2.028 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso I, que consiste na elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço da empresa em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/11, a empresa deixou de incluir, em sua folha de pagamento das competências 01/2007 a 05/2008 e 12/2008, remuneração de segurados empregados a título de cestas básicas, em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Inconformada com a decisão de fls. 1997 a 2003 que julgou procedente a autuação a empresa recorre à este conselho reiterando os argumentos contidos na impugnação que em síntese foram os seguintes: Afirma que não houve nenhuma omissão no preparo das folhas de pagamento, visto que, como exaustivamente demonstrado nas impugnações apresentadas aos autos de infração de obrigação principal, os valores pagos aos segurados não se caracterizam como remuneração; Sobre o fornecimento de cestas básicas, alega que não prospera o entendimento da fiscalização de que o contribuinte deve comprovar a inscrição da empresa fornecedora no PAT como pré requisito para que tal verba seja isenta da incidência tributária em questão; De acordo com o art. 3º da Lei nº 6.321/76 e o art. 28, §9º, alínea “c” da Lei nº 8.212/91, excluemse das hipóteses de incidência da contribuição previdenciária as parcelas in natura fornecidas ao empregado, bastando, para tanto, que estejam de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; Alega que a Lei nº 6.321 não condiciona o direito à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no PAT por parte do fornecedor; Que, no caso da recorrente, a parcial ausência de inscrição para uns poucos meses de 2007 e 2008 não tem o condão de afastar a natureza salarial de tal verba, que foi expressamente reconhecida pelas respectivas Convenções Coletivas de Trabalho; Menciona que a empresa está, de fato, amparada pelo PAT, conforme a Lei nº 6.321/76, sendo certo que a única suposta irregularidade apontada pela autoridade fiscal foi o fato de não haver comprovado a inscrição das fornecedoras, o que se apresenta como uma redundância injustificável; Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Requer o provimento do recurso, julgando improcedente a autuação, bem como a multa aplicada É o relatório. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.723056/201087 Acórdão n.º 2401002.509 S2C4T1 Fl. 2.029 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A irresignação da recorrente merece acolhimento,consubstanciado nos atuais entendimentos administrativos e jurisprudenciais e em face do julgamento realizado nesta assentada, onde foram julgados os processos 10166.723053/201043 e 10166.723054/201098 referentes às obrigações principais, dandolhes provimento parcial para a exclusão das rubricas “vale transporte” e “cesta básica” conforme as razões abaixo: DO FORNECIMENTO DE CESTAS BÁSICAS Recentemente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, após reiteradas decisões judiciais que entenderam não incidir contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de alimentação in natura aos segurados das empresas, emitiu o Parecer PGFN 2117/2011, que assim dispõe: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Este posicionamento da Procuradoria foi emitido uma vez que “no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais, razão pela qual os levantamento referentes à Cestas Básicas devem ser excluídos da presente autuação. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, e Darlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16095.000631/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
REAQUISIÇÃO DE ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS.
Se durante a fiscalização o Contribuinte realiza recolhimento de tributo com os devidos acréscimos moratórios, e, posteriormente, por inércia do Fisco, recupera a espontaneidade antes do encerramento do procedimento fiscal, fica dispensado da multa de ofício em relação aos valores recolhidos.
Numero da decisão: 1802-001.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 REAQUISIÇÃO DE ESPONTANEIDADE. PAGAMENTO NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. Se durante a fiscalização o Contribuinte realiza recolhimento de tributo com os devidos acréscimos moratórios, e, posteriormente, por inércia do Fisco, recupera a espontaneidade antes do encerramento do procedimento fiscal, fica dispensado da multa de ofício em relação aos valores recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 31 /2 00 8- 12 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que manteve lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 359.902,22, incluindose nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. A autuação abrangeu os trimestres dos anoscalendário de 2006 e 2007, e se deu em razão da constatação de divergências entre os valores de CSLL escriturados e os declarados/pagos. De acordo com a Fiscalização, a Contribuinte não declarou ou declarou em DCTF retificado após início do procedimento fiscal os valores apurados contabilmente e constantes das respectivas DIPJ apresentadas. O procedimento fiscal foi iniciado em 28/04/2007, e as retificações das DCTF, relativamente aos períodos autuados, ocorreram nas seguintes datas: 1° a 3° trimestres de 2006 DCTF retificadora em 17/10/2007. 4° trimestre de 2006 – DCTF retificadora em 06/11/2007. 1° a 3° trimestre de 2007 – DCTF retificadora em 14/07/2008. 4° trimestre de 2007 – CSLL não declarada A ciência do lançamento ocorreu em 13/10/2008 Os argumentos da primeira peça de defesa, que foi apresentada logo após a autuação (impugnação), estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 05 36.015 (fls. 409 a 425): Ao descrever os fatos, ressalta a Impugnante, de plano, que a autuação foi procedida somente 1 (um) ano e 6 (seis) meses depois do Termo de Início de Fiscalização, datado de 25/04/2007, no qual foram requeridos documentos para as apurações fiscais, mais especificamente para a apuração de eventuais diferenças da COFINS (doc. 04). Todavia, quando da notificação de lançamento ora combatida, a ora Impugnante já havia recolhido, com todos os devidos acréscimos moratórios, a CSLL aqui reclamada, e retificado as suas DIPJ's anteriores (doc. 05). E fez isso porque já havia readquirido a sua espontaneidade. Defende a ocorrência de Recuperação da Espontaneidade, alegando que: nenhuma das intimações procedidas pela d. fiscalização depois da data de vencimento do termo de início da ação fiscal (e nem Fl. 457DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 4 3 mesmo este termo) dava conta da realização de trabalhos fiscais para a apuração de eventuais diferenças devidas a título de IRPJ ou de CSLL. e como é sabido, o ato excludente da espontaneidade previsto no parágrafo 1º e na parte final do § 2º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72 deve, necessariamente, ser “ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos”, sendo que, logicamente, tais trabalhos devem se referir ao tributo para o qual o contribuinte pretende aplicar a espontaneidade. sendo assim, as intimações recebidas pela Impugnante não podem servir, quanto mais em relação ao IRPJ e à CSLL, para excluir a espontaneidade do procedimento adotado pela ora Impugnante, sob pena de se fazer tábula rasa do comando contido no artigo 138 do CTN. Reportase a emendas de decisões do Conselho de Contribuintes que entende corroborar sua tese. Argúi a impossibilidade de equiparação daqueles que prestam a declaração fiscal e realizam o pagamento antes da lavratura de Auto de Infração, mesmo que a destempo, àqueles que não fazem, defendendo que, efetuado pagamento antes do lançamento de ofício, não é devida a multa punitiva de 75%. Busca estabelecer diferenciação entre contribuintes que declaram e pagam o tributo no curso do procedimento daqueles que não o fazem, alegando que dar tratamento igual a ambas as situações contraria princípios constitucionais. Reportase à gradação da multa estabelecida para o IPI no art. 67 da Lei 4.502/94, alegando aplicarse a todas as espécies tributárias, a teor dos arts. 108 e 112, IV, do CTN, e art. 2º da Lei 9.784/98. Cita ementas de decisões administrativas e judiciais para defender a impossibilidade de aplicação de penalidade superior a 20%. Alega, a impugnante, existirem outros dispositivos na legislação que, por questões de política fiscal, também diferenciam contribuintes na situação daquele ora autuado. Argúi a aplicação analógica e retroativa do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, expondo que recentemente, no ano de 2007, o legislador ordinário, sensível à verdadeira injustiça (E CONFISCO) que significa a cobrança de uma multa de ofício (75%) sobre valores pagos pelo contribuinte, mesmo que a destempo, promoveu a alteração da Lei nº 9.430/96, para cancelar a previsão legal de tal penalidade, em casos análogos ao presente. Ainda, defende que, mesmo que se considere devida a aplicação da multa punitiva ao caso dos autos, não poderia a fiscalização, em hipótese alguma, desconsiderar os recolhimentos feitos pela Fl. 458DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 5 4 Impugnante, nem, tampouco, o desconto devido àqueles que recolhem os valores que lhe são exigidos até 30 dias da lavratura de auto de infração. Finaliza requerendo o cancelamento da autuação. Como mencionado, a DRJ Campinas/SP manteve o lançamento, expressando suas conclusões com a ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 TRIBUTOS OBJETO DE FISCALIZAÇÃO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. Se, desde o início do procedimento fiscal, em atendimento ao que previsto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), foram solicitados por meio do Termo de Início e de Termos posteriores emitidos em intervalos inferiores a 60 dias, elementos necessários para verificação da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, nos últimos cinco anos e no período de execução do MPF, não se cogita de espontaneidade na retificação de DCTF, e realização de pagamento, no curso do procedimento fiscal, com inclusão de débitos de CSLL escriturados e não confessados em DCTF original. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. PAGAMENTOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO. Iniciado o procedimento fiscal, fica o contribuinte com a espontaneidade afastada relativamente à matéria indicada no Termo de Início de Fiscalização e objeto de Termos posteriores, cientificados em intervalos inferiores a 60 (sessenta) dias, sujeitandose ao lançamento de ofício do tributo, juntamente com as demais cominações legais dele decorrentes. A cobrança do lançamento, contudo, fica limitada aos valores não recolhidos, resultantes de imputação proporcional dos pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal aos débitos lançados, acrescidos de multa de ofício reduzida ao percentual previsto para pagamento no prazo de impugnação. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE ESCRITURAÇÃO E DCTF. A falta ou insuficiência de recolhimento da CSLL e de declaração em DCTF justifica sua exigência por meio do competente Auto de Infração, com os consectários legais para a constituição de ofício do crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 459DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 6 5 A decisão de primeira instância foi na verdade pela manutenção parcial do lançamento, eis que limitou a cobrança aos valores que remanesceram em aberto após a imputação proporcional dos pagamentos efetuados no decorrer do procedimento fiscal (conforme tabelas contidas na referida decisão), tendo considerado nesse cálculo de imputação a multa de ofício com redução de 50%, porque os pagamentos foram realizados antes mesmo de ser iniciado o prazo para apresentação de impugnação. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 21/12/2011, a Contribuinte postou recurso voluntário pelos correios em 20/01/2012, onde reitera a mesma linha de argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona exigência de CSLL motivada por divergências entre os valores escriturados e os declarados em DCTF ou pagos. O lançamento abrangeu os trimestres do anoscalendário 2006 e 2007. No curso do procedimento fiscal, a Contribuinte retificou as DCTF para confessar os valores de CSLL devidos para o 1º trimestre/2006 e seguintes, até o 3º trimestre/ 2007. Além disso, apresentou em sua defesa comprovantes de recolhimento (DARF) dos valores principais com encargos moratórios (juros de mora e multa de mora). Em suas peças de defesa, a Contribuinte alega que nenhuma das intimações procedidas pela Fiscalização dava conta da realização de trabalhos fiscais para a apuração de diferenças devidas a título de IRPJ ou de CSLL. De acordo com seu entendimento, os trabalhos de auditoria abrangiam apenas a Cofins. Observase, contudo, que o Mandado de Procedimento Fiscal emitido em 10/04/2007 e prorrogado até 29/10/2008 indicou expressamente não apenas a determinação de realização de procedimento de fiscalização relativo a Cofins de 2003, mas também a ordem para a realização de “verificações obrigatórias”, procedimento que consiste na verificação da “correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução do Procedimento Fiscal”. Pelo Termo de Início de Fiscalização, cientificado em 28/04/2007, foram solicitados os seguintes elementos: 3. Livros Contábeis e Fiscais abaixo, que deverão também ser apresentados em meio magnético, no formato “txt”: Livros de Registro de Entradas; Livros de Registro de Saídas; Livros de Registro de Inventário; Livros de Registro de Apuração do IPI; Livros Diário; Livros Razão; e Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) Fl. 461DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 8 7 Período: A fim de atender à determinação do MPF, em especial as verificações obrigatórias, os elementos acima devem abranger os últimos cinco anos (a partir de 04/2002). Portanto, não remanesce qualquer dúvida de que as referidas divergências a título de CSLL estavam abrangidas pelo procedimento fiscal. A interessada também alega ter recuperado a espontaneidade ao longo dos trabalhos de auditoria. Como já mencionado, a fiscalização foi iniciada em 28/04/2007. Na seqüência, a Contribuinte tomou ciência de novos termos fiscais em 21/06/2007, 21/08/2007, 11/10/2007, 06/12/2007, 30/01/2008, 20/03/2008, 14/05/2008, 09/06/2008, 29/07/2008 e, finalmente, em 13/10/2008, quando lhe foi dada a ciência do auto de infração. A decisão recorrida registrou que os termos fiscais foram cientificados com intervalos inferiores a 60 dias, o que teria impedido a recuperação da espontaneidade ao longo do procedimento, especialmente nas datas em que a Contribuinte apresentou as DCTF retificadoras: 1° a 3° trimestres de 2006 DCTF retificadora em 17/10/2007. 4° trimestre de 2006 – DCTF retificadora em 06/11/2007. 1° a 3° trimestre de 2007 – DCTF retificadora em 14/07/2008. 4° trimestre de 2007 – CSLL não declarada Além disso, a decisão recorrida indicou os valores e as datas dos pagamentos realizados pela Contribuinte, conforme o sistema Sinal, para concluir que nestas datas ela também não estava amparada pelo instituto da espontaneidade: PA Valor Data do recolhimento Principal (efetuado com multa de mora) mar/06 14.010,78 17/10/2007 jun/06 4.352,03 24/10/2007 set/06 7.012,64 30/10/2007 dez/06 54.708,65 31/10/2007 mar/07 10.794,41 03/06/2008 jun/07 16.255,97 18/06/2008 set/07 21.293,49 24/06/2008 dez/07 62.668,32 15/07/2008 Nestes termos, entendeu a Delegacia de Julgamento que era devida a multa de ofício de 75%, pela falta de espontaneidade, tanto nas declarações quanto nos recolhimentos realizados. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 9 8 Contudo, a DRJ frisou que quando da cobrança a autoridade preparadora deveria alocar os pagamentos efetuados, de modo a exigir apenas os saldos remanescentes. Mencionou também que a lei concede redução de 50% na multa de ofício ao contribuinte que, notificado, efetua o pagamento do débito no prazo legal de impugnação, destacando que no presente caso a Contribuinte efetuou pagamentos antes do término do prazo de impugnação, mas com acréscimo de multa de mora, pelo que tal redução somente deveria se dar sobre a parcela paga a título de multa. Apresentou ainda uma tabela com metodologia de cálculo, onde, mediante a técnica da imputação proporcional de pagamentos, obteve os valores da rubrica principal que remanesceram em aberto, e que deveriam ser exigidos por meio do presente auto de infração. A decisão de primeira instância estaria correta não fosse o fato de ter transcorrido prazo superior a 60 dias entre a data da ciência do penúltimo termo fiscal (29/07/2008) e a data da ciência do lançamento (13/10/2008). Com efeito, na data da formalização das exigências fiscais não poderia ter sido exigida a multa de ofício sobre os valores que já haviam sido recolhidos pela Contribuinte, eis que antes desta data ela de fato readquiriu a espontaneidade em relação a estes débitos. Pouco importa que os recolhimentos tenham ocorrido antes da reaquisição de espontaneidade. Se durante o procedimento fiscal o contribuinte realiza recolhimento de tributo com os devidos acréscimos moratórios, e, posteriormente, por inércia do Fisco, recupera a espontaneidade antes do encerramento do procedimento fiscal, fica dispensado da multa de ofício em relação aos valores recolhidos. Nestas situações, não há qualquer sentido em exigir do contribuinte que efetue novamente o mesmo recolhimento, para que, aí sim, possa usufruir da espontaneidade readquirida. O que ocorre é que a nova condição jurídica, benéfica ao contribuinte, se projeta para o passado, e alcança os débitos que ainda não haviam sido constituídos mediante auto de infração. Isto, aliás, é o que do mesmo modo justifica o fato de a DRJ, entendendo devida a multa de ofício, ter aplicado nela a redução legal de 50%, a despeito de os pagamentos também terem ocorrido em momento anterior ao previsto na lei para esse benefício (prazo legal de impugnação). No presente caso, vêse que os saldos remanescentes do cálculo de imputação decorreram especificamente da exigência da multa de ofício de 37,5% (75% com redução de 50%), que superou a multa moratória de 20% recolhida pela Contribuinte. De fato, o demonstrativo constante da decisão recorrida não apresenta nenhuma diferença entre as outras duas rubricas (principal e juros de mora), relativamente ao que foi considerado devido e ao que foi recolhido pela Contribuinte. Sendo assim, ao considerarmos a multa de 20% (e não 37,5%) na tabela de cálculo apresentada pela decisão recorrida, nenhuma diferença resta para ser exigida da Contribuinte. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16095.000631/200812 Acórdão n.º 1802001.404 S1TE02 Fl. 10 9 Deste modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar as exigências fiscais que remanesceram após a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 464DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.012049/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO.
A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital.
A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
As subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1202-000.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. As subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 20 49 /2 00 9- 88 Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.448 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase do exame de recurso voluntário e recurso de ofício em razão da decisão proferida no Acórdão da DRJ/Fortaleza, que julgou procedente em parte as exigências contidas nos Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativos aos anos de 2004 a 2006, com aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic, fls. 2 e seguintes. A irregularidade apurada pela fiscalização diz respeito à falta de adição ao lucro líquido das parcelas recebidas a título de incentivos fiscais do ICMS concedidos pelos governos dos Estados do Ceará e da Bahia. Abaixo, reproduzo a descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal, fls. 52/53, que também passo a adotar: “1. A fiscalizada é beneficiária de incentivos fiscais de redução de ICMS concedidos pelos estados do Ceará e da Bahia; 2. Tais incentivos lhe foram assegurados mediante protocolos de intenções firmados pelos governos destes estados e efetivados em contratos de mútuo celebrados com a Secretaria da Fazenda do Ceará e com o Banco do Estado do Ceará; 3. Durante a ação fiscal não foram apresentados contratos de mútuo de agente financeiro da Bahia, embora a fiscalizada também recebe os mesmos incentivos fiscais naquele estado; Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.449 3 4. A contribuinte contabilizou os recursos oriundos desses incentivos como subvenções para investimento, deixando de oferecêlos à tributação; 5. Contrariando o disposto no art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda (Dec. 3.000/99), nos referidos protocolos de intenções foi estabelecido que citados recursos se destinam à composição de capital de giro da empresa; 6. Nos contratos de mútuo acima mencionados constam também cláusulas estipulando q u e os incentivos fiscais e m questão se destinam à composição de capital de giro, o que confirma não se tratar de "subvenções para investimento”. 7. E por isso entendemos que a contribuinte não faz jus ao benefício previsto no art. 443 do RIR/99, sendo tributáveis, de acordo com a legislação em vigor, os recursos recebidos a título dos incentivos fiscais em questão” Os valores de incentivos acrescidos ao lucro líquido pela fiscalização encontramse discriminados no demonstrativo da fl. 54. Segundo a recorrente, os incentivos fiscais do ICMS foram concedidos com objetivo de viabilizar economicamente a instalação de fábricas em cidades do interior dos Estados do Ceará e da Bahia, cujos recursos seriam utilizados para a realização dos investimentos necessários para a implantação e futura expansão dos empreendimentos econômicos. Os incentivos fiscais concedidos podem ser assim resumidos: 1 Do Estado do Ceará: Conforme o Protocolo de Intenções celebrado em 1996 entre a autuada e o Estado do Ceará, o Município de Itapipoca e a Fundação Educacional de Itapipoca, foi firmado o compromisso de implantação de uma unidade industrial destinada à fabricação de calçados. Para isso, a autuada obteve benefícios fiscais, financeiros e de infraestrutura, comprometendo se a investir na implantação do projeto e atingir os seguintes resultados: i) R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) de investimento fixo; ii) produção de l0.000 pares/dia; e iii) ocupação de 1.000 trabalhadores (fls. 79/86). Os benefícios fiscais e financeiros foram acordados mediante a celebração de dois contratos: a) O primeiro contrato, Mútuo FDI/PROAPI 34.0005/0, aprovado pela Resolução Cedin 033/97 fls 94/100, tem por objeto empréstimo equivalente a 11% (onze por cento) de cada exportação mensal dos produtos fabricados (...) durante o prazo de 180 (cento e oitenta) meses consecutivos no período de setembro/1997 a agosto/2012 (...) (cláusula 1.1. – fls. 94/105). A autuada obteve financiamento do Banco do Estado do CearáBEC, na qualidade de órgão gestor do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI, no valor de 11% das exportações mensais de produtos de fabricação própria, a serem pagos, com carência de 60 meses, apenas 10% do valor emprestado. Abriuse, assim, a possibilidade do perdão de 90% do montante emprestado, bastando que o mutuário não atrasasse o pagamento de duas ou mais marcelas (cláusula 4.2). b) O segundo contrato, Mútuo FDI/PROVIN 33.0246, aprovado pela Resolução Cedin 99/062, de 1999 fls 87/90, tem por objeto a concessão pelo BEC, na qualidade de órgão gestor do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI, de um empréstimo de execução periódica equivalente a 100% (cem por cento) do valor do ICMS Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.450 4 efetivamente recolhido pela MUTUÁRIA, em 180 (cento e oitenta) meses no período de novembro/1999 a outubro/2014, incidente sobre operações com a produção própria (cláusula 1.1). A forma de amortização do empréstimo está prevista na cláusula 4.1: "Do valor de cada parcela do empréstimo (...), o equivalente a 1% (hum por cento) será pago de uma só vez no dia 30 (trinta) de cada mês a que corresponder, após 60 (sessenta) meses e será devidamente corrigida desde a data do desembolso até a data do vencimento pela aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP ou outro indexador que vier a substituílo por decisão da Autoridade Monetária Competente". Em síntese, a autuada obteve financiamento do BEC no valor de 100% do ICMS recolhido, a ser pago, com carência de 60 meses, no montante de apenas 1% do valor emprestado. 2 Do Estado da Bahia: Por meio do protocolo firmado entre o estado da Bahia e a autuada foram concedidos benefícios fiscais e financeiros para a implantação de indústrias de calçados. A empresa firmou o compromisso de observar as seguintes características mínimas na implantação do projeto: (i) investimento no complexo industrial de R$ 20.000.000,00; (ii) produção de 4.000.000 pares/ano; e iii) criação de 2.000 empregos direto e/ou indiretos, fls. 106 e ss.. Os recursos tiveram origem no Fundo de Desenvolvimento Social e Econômico (Fundese), regido pelas Leis Estaduais n°s 7.537, de 1999, e 7.599, de 2000, e alterações. Foram duas modalidades de incentivo: a) O primeiro benefício, Procomex n° 1032 2001/18 fls 797/804, na forma e em condições semelhantes ao do contrato firmado com o Estado do Ceará, mediante contrato de abertura de crédito fixo celebrado entre a autuada e a Desenbahia Agência de Fomento do Estado da Bahia. Foi concedido um "crédito no valor equivalente a 11% (onze por cento) do valor da exportação mensal de calçados, artefatos de couros e componentes para calçados em unidade fabril localizada fora da região metropolitana de Salvador" (Cláusula Primeira). Em contrapartida, a contribuinte se comprometeu a implantar, fora da região metropolitana de Salvador (municípios de Conceição do Tacuípe, Coração de Maria e Irará), "uma indústria destinada à fabricação de calçados, artefatos de couro e componentes de calçados, nos termos da legislação norteadora da espécie"(protocolo fls. 110). A forma de amortização do empréstimo está prevista na Cláusula Quinta: "O pagamento será efetuado no primeiro dia 30 após término do período de carência [de 36 meses], em uma única parcela, no valor equivalente a 10% do saldo devedor composto pelo principal mais os encargos [juros de 3% ao ano, aplicados desde a data da liberação, capitalizados durante a carência]". b) O segundo benefício fiscal, PROBAHIA Programa de Promoção do Desenvolvimento do Estado da Bahia, sob a forma de crédito presumido de ICMS, calculado sobre vendas para o mercado interno, no percentual de 90% (fl 109), por um prazo de 15 (quinze) anos findando em 31.12.2012, nos termos da Lei Estadual n° 7.025, de 1997 e Lei Estadual n° 7.138, de 1997 e sua regulamentação. O valor do crédito presumido foi registrado em contas de Reservas de Capital, não transitando por contas de resultado (fls 62/72, 588/618), lançados nas seguintes contas: Reserva de Incentivos Fiscais ICMS BA (242001.5200001), Reserva de Incentivos Fiscais ICMS BAF3 (242001.5300001), Reserva de Incentivos Fiscais ICMS (242001.5300001) e Reserva de Incentivos Fiscais ICMS (242001.5400001). Foi apresentada impugnação aos lançamentos, de fls 483/562, instruída com os documentos de fls 586/1012, trazendo as seguintes alegações, em síntese: Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.451 5 i) em preliminar, sustenta a ocorrência do prazo decadencial em relação aos fatos geradores ocorridos até 22/09/2004 (cinco anos anteriores ao lançamento), aplicandose ao caso o disposto no art. 150, § 4.°, do CTN, face a não ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ii) os lançamentos foram efetuados com base na presunção de que teria ocorrido aplicação dos valores como capital de giro, deixando a autoridade fiscal de investigar o efetivo registro contábil das operações. Alega a improcedência dos lançamentos, uma vez que ficou caracterizado: (l) efetiva aplicação de recursos em ativos permanentes, evidenciadas nos balanços e no DOAR, (2) os valores não influenciaram diretamente quanto ao cálculo de dividendos para os acionistas, (3) os valores foram alocados em reservas de capital, e (4) os valores foram utilizados para incorporação ao capital social, nos termos do art. 38 do DL 1.598, de 1977; iii) no presente caso, ocorreu a hipótese legal de subvenção para investimento, tendo em vista que: (l) com base em projetos econômicos, as administrações de cada Fundo Estadual concederam incentivos, ressaltando nos contratos a necessidade de aplicação dos recursos nos projetos, o monitoramento acerca do atendimento das metas e a possibilidade de revogação automática no caso de descumprimento; (2) é possível demonstrar o atendimento das metas, mesmo no caso de não conclusão dos investimentos (contratos ainda não concluídos); (3) conforme a legislação e precedentes do Conselho de Contribuintes, programas estaduais de incentivos são considerados como subvenções, já que as legislações estaduais não determinaram a necessidade de investimentos determinados em ativos, preferindo determinar metas de produção, empregabilidade e ressaltar seu poder de fiscalização, até porque os eventos de desembolso decorrem da prova das exportações e de eventos sujeitos ao controle tributário em razão da apuração do ICMS; e (4) a aplicabilidade do artigo 112, II, do CTN, já que houve investimentos em ativos, empregabilidade e produção, atendendo aos fins da subvenção; (iv) mesmo se considerado como receita os valores questionados, ainda assim não há saldo de tributo a pagar, ou então, sobre o saldo deverá ser aplicada a redução de 75% do imposto de renda e respectivo adicional calculado com base no lucro da exploração (art. 546 do RIR/99); (v) para fins de levantamento do PIS e da Cofins devidos, devem ser levados em conta os créditos apurados a partir da vigência das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. No dia seguinte à apresentação da impugnação, em 22/10/2009, a contribuinte requereu ajuntada de novos documentos, que foram anexados aos autos, fls. 1014/1028. Em 06/01/2010, a impugnante adita novas razões contra os lançamentos fiscais e junta Parecer Jurídico a respeito das matérias em exame (fls. 1040/1121). Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0820.000 da DRJ/Fortaleza, de fls. 1131 e seguintes, julgando procedente em parte a exigência fiscal, com o seguinte ementário: DECADÊNCIA. TERMO A QUO . IRPJ. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR. 31 DE DEZEMBRO. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.452 6 O fato gerador do imposto de renda apurado com base no lucro real anual ocorre no dia 31 de dezembro. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150. §4°. do CNT); todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no art. 173. I. do CTN. IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. OPERAÇÕES DE MÚTUO SOBRE O VALOR DAS EXPORTAÇÕES. RENÚNCIA CONDICIONADA DE PARTE DA DÍVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de Estado da federação, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, calculado sobre o valor das exportações, configura outorga de subvenção para investimentos, quando presentes os seguintes requisitos: (i) transferência de recursos públicos para o contribuinte; (ii) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (iii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de Estado da Federação, dentre eles a concessão de crédito presumido de ICMS, configura outorga de subvenção para investimentos, por força do art. 443 do RIR/99, quando presentes os seguintes requisitos: (i) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (ii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS EFETIVOS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Ocorrendo a substituição de créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos, apenas a diferença entre eles constitui subvenção para investimento. IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. PROVA DO INCENTIVO. Para fazer prova da efetiva concessão do incentivo fiscal, o contribuinte deve apresentar o ato do Estado da Bahia de outorga do crédito presumido de ICMS, não sendo suficiente o protocolo de intenções por eles assinados, que tem natureza pré contratual e não constitutiva do direito ao incentivo, razão pela qual inapto a vincular terceiros. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.453 7 IRPJ. ISENÇÃO E REDUÇÃO. ADIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção/redução referese ao imposto e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração. Não alcança parcelas do tributo calculado em função de adições não computadas, porque tais parcelas não podem afetar o lucro da exploração, salvo quando se tratar de ajuste expressamente previsto na legislação. CSLL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. A subvenção para investimentos não integra o lucro operacional, de modo deve ser excluída da base de cálculo da CSLL. PIS E COFINS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. EMPRÉSTIMO SUBSIDIADO. Incidem PIS e Cofins sobre o valor da dívida de empréstimo renunciada pelo mutuante. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Não incidem PIS e Cofins sobre o crédito presumido de ICMS. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO A DESCONTAR. Se a renúncia parcial dos empréstimos concedidos ocorreu sem custo ou despesa para o impugnante e sem qualquer pagamento das contribuições em operação anterior, incidem PIS e Cofins sobre valor integral do perdão da dívida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: em relação à decadência, a DRJ tem reiteradamente decidido, à luz do § 4° do art. 150 do CTN, que o texto complementar expressamente define o pagamento antecipado pelo sujeito passivo como objeto do lançamento por homologação. Em relação ao PIS e Cofins, localizouse apenas pagamento da Cofins com fato gerador de janeiro de 2004, como se verifica às fls 1123/1124. Dessa forma, reconhecese a decadência do lançamento da Cofins com fato gerador de janeiro de 2004. Em relação ao IRPJ e à CSLL, apurados em base anual, o fato gerador ocorre apenas em 31 de dezembro de cada ano. Assim, a autoridade fiscal poderia ter realizado os lançamentos até o dia 31/12/2009, o que efetivamente o fez, em 22/09/2009, não havendo que se falar em decadência nesse caso. o art. 443 do RIR/99 isenta da tributação do IRPJ e da CSLL as subvenções para investimentos e doações concedidas pelo Poder Público, inclusive na forma de redução e isenção de tributo, desde que atendidas as três condições nele previstas, sendo as duas últimas alternativas: (i) concessão como estímulo à implantação e expansão de empreendimentos Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.454 8 econômicos; (ii) registro como reserva de capital, utilizada tãosomente para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social; (iii) utilização para a absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. as subvenções correntes, para custeio ou operação devem ser classificadas nos resultados operacionais da empresa beneficiada, enquanto as subvenções para investimento não serão computadas na determinação do lucro real, desde que satisfeitas as condições exigidas no art. 443 do RIR/99. estão comprovados nos autos o intuito de subvencionar e a destinação legal das Reservas de Capital. a respeito da instalação, operacionalidade e cumprimento das metas estabelecidas em contrato, a unidade fabril instalada no Município de Itapipoca empregava, em dezembro de 2004, mais de 1.000 pessoas (1.500), de acordo com informações prestadas ao Ministério do Emprego e Trabalho (fls. 730 e 692). Nesse mesmo ano, a produção de calçados alcançou a marca de 1.789.262 pares de calçados (filial 2 – Bairro Madalena), consoante informações prestadas ao Ministério da Integração Nacional (fl. 730). Nos dois anos seguintes, o nível de empregabilidade cresceu e a produção se manteve na mesma ordem de grandeza (fls. 692/750). analisando o investimento em bens do ativo permanente, a contribuinte demonstra, com base no DOAR (fls. 670/690), a constante aplicação de recursos em aquisições de bens do ativo permanente, de modo que existiriam "motivos convergentes sobre a não utilização dos valores como capital de giro". Ativo Permanente registrado em 1998 – R$ 1.824.874,81. Ativo Permanente registrado em 2006 – R$ 49.130.240,43. assim, para se aferir o intuito do subvencionar, importa ter em consideração o conjunto das obrigações assumidas e cumpridas pelas partes e o objetivo do Estado na transferência de recursos, que é o de proporcionar o efetivo aumento do estoque de capital da empresa beneficiária que se propõe a instalar ou expandir empreendimento econômico de interesse do Estado. dois dos benefícios em exame consistem em empréstimos (mútuos) subsidiados calculados sobre as vendas internas e sobre o faturamento das exportações, diferentemente de um terceiro benefício calculado sobre o valor do ICMS devido (crédito presumido). Na situação de financiamento favorecido de parcela do ICMS devido, gerase, inicialmente, uma despesa de ICMS, que corresponderá, no futuro, à renúncia estatal de parte do valor emprestado, a qual não transitará por conta de resultado, porque registrada em conta de Reserva de Capital. Nesse caso, o desequilíbrio na tributação do IRPJ não se faz presente. É que, no caso dos dois benefícios citados (mútuo sobre o ICMS devido), o financiamento incide sobre uma despesa; já no caso do crédito presumido do ICMS, a incidência é sobre uma receita. Dessa forma, não haveria o comprometimento na tributação do IRPJ capaz de descaracterizar a subvenção para investimento. segundo trabalho doutrinário elaborado por Natanael Martins, publicado na Revista de Direito Tributário n.° 61, p. 175186, para que se configure a subvenção para investimento, fazse mister a presença dos seguintes elementos: (i) transferência de recursos públicos para o contribuinte; (ii) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (iii) registro da transferência em conta de Reserva de Capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. Não é Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.455 9 relevante, portanto, a destinação específica dos recursos na aquisição de determinados bens e direitos, como parece exigir o PN CST n° 112/78. já o incentivo outorgado pelo Estado da Bahia (Procomex), consistente em empréstimo subsidiado nas exportações, atende os requisitos para configurarse subvenção para investimento, nos termos do art. 443 do RIR/99. O Protocolo e o Contrato de Mútuo celebrados com esse estado da Federação têm a mesma estrutura e características semelhantes aos instrumentos assinados com o Estado do Ceará (fls. 780/804). diferentemente, o segundo incentivo prometido pelo Estado da Bahia, consistente em crédito presumido de ICMS, preenche parcialmente, e apenas em tese, os três requisitos. Já ficou demonstrado tanto a intenção de subvencionar como a utilização de parte da Reserva de Capital para aumentar o Capital Social da contribuinte. Mas não se tem comprovada a efetiva outorga do incentivo nem a segregação do crédito presumido do crédito normal de ICMS. A fim de fazer prova da efetiva concessão do incentivo fiscal, juntou tão somente o protocolo de intenções assinado com o estado da Bahia, que, por ter natureza pré contratual e não constitutiva do direito ao incentivo, não vincula terceiros. Assim, a prova da outorga do crédito presumido seria o ato constitutivo formal assinado pelo Governo do Estado, tal qual o Contrato de Mútuo em relação ao empréstimo subsidiado, que, diferentemente, foi juntado aos autos. o ônus de provar a existência de fato impeditivo ou extintivo do crédito tributário incumbe ao impugnante (art. 333, II, do Código de Processo Civil) e, em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é o da apresentação da impugnação (arts. 15 e 16 do Decreto n.° 70.235, de 1972); em segundo plano, ocorrendo a substituição de créditos efetivos (ordinários) do ICMS por créditos presumidos, apenas a diferença entre eles é que constitui subvenção para investimento, igualmente aqui a contribuinte não demonstra a parcela do crédito presumido que efetivamente consubstancia subvenção para investimento, ao deixar de apartar o crédito normal de ICMS do total do crédito presumido (no caso, de 90% sobre o ICMS nas operações de saída fl 109). Ocorrendo a substituição de créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos (hipótese aplicável ao caso, consoante prescreve o §3° do art. I o do Decreto Estadual n° 6.734, de 09.09.1997), apenas a diferença entre o crédito presumido de ICMS e o crédito normal de ICMS é que constitui subvenção para investimento. Nesse sentido, a Solução de Consulta n° 397 da 9ª RF (DOU de 09.11.2009). em conclusão, a DRJ/Fortaleza decidiu que apenas os incentivos fiscais concedidos na forma de empréstimo subsidiado constituem subvenção para investimento. as adições ao lucro líquido do exercício para efeito de se determinar o lucro real, de acordo com o inciso II do artigo 249 do RIR/99, não afetam o lucro da exploração. Esse foi o entendimento mantido pela Administração Tributária através do Parecer Normativo CST n° 13/80. Em outras palavras, as adições não efetuadas em determinado períodobase de apuração do imposto e que, posteriormente, deram causa ao lançamento de ofício não podem ser aceitas para efeito de recomposição da base de cálculo do lucro isento (total ou parcialmente), porque não foram computadas oportunamente no lucro líquido do exercício. além disso, o contribuinte não atende as condições previstas no Laudo Constitutivo para a fruição do benefício neste momento processual, tendo em vista inexistir possibilidade de recomposição do lucro da exploração por ato da autoridade fiscal ou julgador. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.456 10 Caso o contribuinte tiver que informar, na sua Declaração de Rendimentos, o valor da redução do imposto, ou se tiver que constituir, em sua contabilidade, a reserva de capital com o valor resultante da redução, a pretensão da impugnante está irremediavelmente afastada (condições 1 e 4 do Laudo à fl. 997). Concluise por indeferir o pedido de recomposição do lucro exploração e, por conseguinte, a aplicação do benefício de redução do IRPJ. a subvenção para investimento não integra o lucro operacional (art. 392 e 443 do RIR/99). Portanto, a CSLL não incide sobre o incentivo de empréstimo subsidiado, mas incide sobre o incentivo do crédito presumido de ICMS, já que não considerado subvenção para investimento. verificase da análise das DIPJs 2005 e 2006 (fls 145, 156, 284, 295) que não foram apurados prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, de modo que não tem procedência o pedido de compensação efetuado pelo contribuinte. O mesmo fato não se verifica em relação ao ano calendário de 2006, exercício 2007, porquanto a contribuinte declarou prejuízo fiscal do período de R$ 6.024.434,54 (fl 380), assim como base de cálculo negativa, em idêntico montante (fl 391). Ocorre que tanto o prejuízo fiscal como a base de cálculo negativa já foram consumidos integralmente pela contribuinte na declaração do ano seguinte, como se verifica às fls 1125/1130. Concluise, nessa parte, que não tem razão a contribuinte quanto à pretensão de compensação de prejuízos fiscais. em relação à incidência do PIS e da Cofins, constatase que o crédito presumido de ICMS deve seguir a mesma sorte da cessão de crédito de ICMS, já que igualmente não se tem um ingresso de recursos ou uma receita (pois representam mera mutação patrimonial), mas apenas a redução de despesa com ICMS. Além disso, o registro do crédito presumido de ICMS está longe de constituir um fato contábil modificativo positivo. a mesma conclusão não se aplica aos valores dos empréstimos renunciados pelos Estados do Ceará e da Bahia. De acordo com as Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, a base de cálculo dessas contribuições passou a abranger a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil adotada para as receitas, consideradas as exclusões e isenções taxativamente previstas na lei. para usufruir do perdão parcial do valor emprestado (90%), o contribuinte mutuário deverá pagar, ao término do período de carência, 10% da parcela emprestada, acrescida, se for o caso, de juros e de atualização monetária. Porém, se não for cumprida tal condição, deverá arcar com o total da parcela emprestada, mediante execução da garantia fidejussória (nota promissória). De outra parte, para obter o desconto no pagamento do título representativo de uma dívida social, deverá liquidála com certo prazo de antecedência do vencimento, conforme previsão contratual. Por exemplo, o pagamento antecipado de uma nota promissória que se vencerá em noventa dias assegura um desconto de vinte por cento sobre o valor de face do título, caracterizando uma receita financeira. concluise ser cabível apenas a incidência das contribuições do PIS e da Cofins sobre a renúncia da dívida de empréstimo obtida pela contribuinte, ressumandose improcedente a tributação do crédito presumido de ICMS. as leis n° 10.637, de 2002 e nº10.833, de 2004, vedam o creditamento do PIS e da Cofins sobre mercadorias, bens e serviços adquiridos que não sofreram a incidência das contribuições. A renúncia parcial dos valores dos empréstimos concedidos pelos Estados Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.457 11 do Ceará e da Bahia ocorreu sem custo ou despesa para a empresa e sem qualquer pagamento das contribuições em operação anterior. Concluise, que a base de cálculo das contribuições é formada pelo valor integral do perdão da dívida de empréstimo, aqui considerada receita. inaplicável o disposto no art. 112 do CTN para o efeito de atenuar o percentual da multa aplicada. A incidência da lei tributária penal à situação posta não suscita qualquer dúvida quanto à imposição da multa de ofício. Dessa decisão, a DRJ/Fortaleza recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF. Após a ciência do Acórdão da DRJ/Fortaleza, a empresa autuada apresentou recurso voluntário a este colegiado, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória em relação às matérias de decadência, da caracterização da subvenção de investimento, do direito à redução do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, da desconsideração dos prejuízos fiscais e da base negativa no ano de 2006 e da não incidência do PIS e da Cofins sobre os incentivos fiscais. Adicionalmente, em preliminar, alega ausência absoluta de motivação na tributação do incentivo fiscal denominado crédito presumido ICMSProbahia, bem como erro de fato na apuração da base tributável. Aduz que o incentivo mencionado constituise em forma direta de redução do imposto, possuindo estrutura normativa e mecanismo de efetivação totalmente diverso dos incentivos concedidos com base no contrato de mútuo (Procomex) – conta 242001.5200002.76708.02.04.02.01.01.01. Salienta que em nenhum trecho do Auto de Infração, a matéria relativa ao crédito presumido de ICMSProbahia teria sido objeto de menção por parte da fiscalização (contas 242001.5200001.72125.02.04.02.01.01.01 e 242001.5300001.74941.02.04.02.01.01.01). Por essa razão, entende que no momento da apuração da base tributável, o agente fiscal, erroneamente, incluiu na base tributável, valores relativos a essa espécie de incentivo fiscal, que possui regulamentação distinta (Decreto Estadual nº 6.734, de 1997) dos demais benefícios fiscais analisados no Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, teria sido incluído no lançamento fiscal os valores do crédito presumido de ICMS Probahia e não do benefício fiscal relativo ao contrato de mútuo (Procomex), como deveria. Esse fato estaria confirmado pela própria decisão da DRJ, que concluiu que os benefícios originados do contrato de mútuo com o estado da Bahia (Procomex) sequer foram tributados pelo agente fiscal (fls. 1162/1163), o que caracterizaria erro na apuração da base tributável. No mérito em relação ao IRPJ e CSLL, o acórdão recorrido manteve a autuação do IRPJ e da CSLL sobre o crédito presumido de ICMS da Bahia, sob os fundamentos de que caberia ao contribuinte (i) provar o ato formal da concessão do crédito presumido pelo governo da Bahia e (ii) provar que segregou o crédito presumido dos créditos normais, na medida em que seria somente a diferença, em tese, subvenção para investimento. A recorrente salienta que o primeiro argumento se mostra insustentável do ponto de vista lógico e, sobretudo, absolutamente incoerente. Se o lançamento foi feito tendo em vista a existência do crédito presumido de ICMS da Bahia, é porque ele existe. Ou seja, se o incentivo do crédito presumido de ICMS existe para se fazer o lançamento, existe como fato dos autos para todos os efeitos. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.458 12 Quanto ao segundo argumento, alega que nos termos do parágrafo 3º do art. 1º do Decreto Estadual n. 6.734, de 09 de setembro de 1997, há substituição total de um (crédito presumido) pelo outro (crédito efetivo e ordinário), de modo que, do ponto de vista jurídico, existe um ou outro, mas nunca os dois juntos. Menciona, ainda, que mesmo que verdadeira fosse essa afirmação e a empresa tivesse que segregar os dois créditos e contabilizar apenas a diferença como subvenção para investimento, mesmo assim o efeito de o contribuinte não proceder dessa forma não seria nunca "desqualificar a natureza jurídica" do crédito presumido apropriado integralmente como subvenção para investimento, transformandoa em subvenção de custeio. Por fim, diz que, ainda admitindose como verdadeira a suposição da DRJ, a base tributável deveria ser diminuída dos créditos efetivos, de modo somente a tributar a diferença entre o crédito presumido do ICMS e os créditos ordinários efetivos substituídos. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 03, de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de tributo e de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria, portanto, dele conheço. O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A autuação decorreu da adição ao lucro líquido dos valores registrados na contabilidade na conta Reservas de Capital a título “subvenção para investimentos”, uma vez que esses valores deixaram de transitar pelas contas de resultado da companhia. Entendeu a fiscalização que esses incentivos se destinavam ao capital de giro da empresa e, portanto, não teriam a característica de subvenção de investimento nos moldes do definido no art. 443 do RIR/99. O demonstrativo da fl. 54 discrimina, mês a mês, os valores dos incentivos tributados nas rubricas ICMSBA e ICMSCE. De acordo com os documentos dos autos, verificase que duas espécies de incentivos fiscais foram concedidos à autuada pelos Estados do Ceará e da Bahia. A primeira, mediante “contratos de mútuo subsidiados”, e a segunda, mediante a “concessão de crédito presumido do ICMS”. Para melhor compreensão, relaciono os contratos e os protocolos de intenções celebrados com os governos desses estados: 1 Estado do Ceará: protocolo de intenções celebrado entre o governo do Estado do Ceará e a autuada, prevendo a concessão de benefícios fiscais e a contrapartida por parte da beneficiária, fls. 79 e ss. contrato de mútuo subsidiado, calculado sobre o valor do ICMS recolhido Operação nº FDI/PROVIN 33.0246, fls. 87 e ss.; Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.459 13 contrato de mútuo subsidiado, calculado sobre os valores das exportações – Operação n° 34.0005/0 FDI/PROAPI, fls. 94 e ss.; 2 Estado da Bahia: protocolo de intenções celebrado entre o governo do Estado da Bahia e a autuada, prevendo a concessão de benefícios fiscais e a contrapartida por parte da beneficiária, fls. 106 e ss. contrato de mútuo subsidiado, calculado sobre os valores das exportações – Fundese/Procomex nº 1032 2001/18, fls. 797 e ss.; crédito presumido do ICMS calculado sobre as vendas internas, fls. 109; Ao analisar a matéria, o acórdão recorrido entendeu por julgar procedente em parte o lançamento fiscal. Manteve a autuação do IRPJ e da CSLL quanto à espécie de incentivo “crédito presumido do ICMS”, por não restar comprovada a efetiva outorga do incentivo fiscal, nem a segregação dos valores, e cancelou o lançamento quanto aos valores de incentivo denominado “contrato de mútuo subsidiado”, por entender estar caracterizada “subvenção de investimento” nesse caso. Em relação ao PIS e à Cofins, ocorreu o contrário: manteve a autuação quanto aos valores de incentivo “contrato de mútuo subsidiado”, por entender que o desconto concedido caracterizaria uma receita financeira, e cancelou quanto à espécie de incentivo “crédito presumido do ICMS”, uma vez que o benefício tem o efeito de reduzir uma despesa, não representando ingresso de receita nova. Já a defesa, em preliminar, alega a ocorrência da decadência e de erro na identificação da matéria tributável. No mérito, repete praticamente as mesmas alegações trazidas na impugnação. Acrescenta, ainda, que o fundamento utilizado pelo acórdão recorrido, inexistência de documento formal comprovando o crédito presumido do ICMSBA, se mostra insustentável do ponto de vista lógico. Se a fiscalização adicionou o valor do incentivo para fins do lançamento fiscal é porque ele existe de fato para todos os efeitos. Quanto à falta de segregação na escrita fiscal dos créditos presumidos daqueles ordinários, aventado pelo acórdão, menciona que o fato de não ter ocorrido a segregação não poderia justificar a desqualificação da “natureza jurídica do incentivo”, transformandoo em subvenção para custeio. A solução do presente litígio passa pelo exame das normas legais que dispõem sobre o tratamento contábil/fiscal dispensado às subvenções. A apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL tem como origem a escrituração comercial. A empresa autuada está registrada como sociedade anônima de capital fechado, fls. 505. Por isso, necessário verificar, inicialmente, a redação do art. 182 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das SA), que trata da forma de contabilização das subvenções para investimento: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.460 14 a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. (...) (destaquei) Os acréscimos patrimoniais relacionados com o capital social, ou a ele ligados, não transitam pelas contas de resultado, sendo registrados diretamente nas contas denominadas “Reservas de Capital”, integrantes do Patrimônio Líquido. Tais valores, entretanto, importam em entrada de recursos, o que configura, em princípio, uma receita. No entanto, a própria lei das sociedades anônimas deixou de considerar esses valores como receita ao estipular o seu registro em conta de Reservas. Dentre os valores que a lei societária prescreve sejam registrados diretamente nas contas denominadas “Reservas de Capital” estão as verbas auferidas em função das subvenções para investimento. A respeito da definição de subvenção para investimento, sob o ponto de vista comercial, vejase o entendimento de Modesto Carvalhosa e Nilton Latorraca (“Comentários à Lei de Sociedades Anônimas”, Ed. Saraiva, São Paulo, SP, 1998, Vol. 3, pg. 603): “Subvenções para investimento Considerada como instituto do direito financeiro, as subvenções são ajudas ou auxílios pecuniários, concedidos pelo Estado, nos termos da legislação específica, em favor de instituições que prestam serviços ou realizam obras de interesse público. A subvenção para investimento é a contribuição pecuniária destinada à capitalização em empresas privadas, e se distingue da subvenção corrente, para custeio ou operação.” Assim, de acordo com a lei das sociedades anônimas, somente as subvenções para investimento terão suas verbas registradas diretamente nas contas de Reservas de Capital, não afetando o resultado do exercício. Em conseqüência, as verbas destinadas às demais subvenções (corrente, para custeio ou operação) transitarão pelas contas de resultado, ou seja, serão receitas para fins da legislação societária. Dessa forma, para fins societários, não constituem receitas as verbas caracterizadas como subvenções para investimentos quando esses recursos são efetivamente aplicados em favor das companhias que prestam serviços ou realizam obras de interesse público. O Conselho Federal de Contabilidade tratou da questão das subvenções para investimento quando da publicação da Resolução nº 1.026, de 15 de abril de 2005: “Art. 3° Enquanto a Lei dispuser de forma diferente da NBC T 19.4, os incentivos fiscais e subvenções para investimento podem ser registrados no patrimônio líquido como reserva de capital e Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.461 15 devem ser divulgados em notas explicativas os efeitos no Resultado, desde que: a) o subvencionador tenha a intenção em destinar os incentivos fiscais e subvenções para investimentos; e b) o subvencionado tenha a obrigação de aplicar tais recursos em investimentos relacionados à implantação, modernização ou expansão de empreendimentos econômicos específicos.” (destaquei) No que se refere a legislação fiscal, o Decretolei nº 1.598, de 1977, em seu art. 38, § 2º (base legal do art. 443 do RIR/99), acompanhou a lei societária e isentou as verbas destinadas a investimentos auferidas pelos subvencionados. Já as subvenções correntes continuaram tendo sua tributação regrada pela norma do art. 44, IV, da Lei nº 4.506, de 1964 (base legal do art. 392, I do RIR/99). Confirase a redação desses dispositivos: Lei nº4.506, de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” Decretolei nº 1.598, de 1977: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.462 16 implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979)” (destaques meus) O art. 443 do RIR/99 está inserido na Seção IV do Capítulo VII do Subtítulo III do Título IV do Livro II. O Capítulo VII está intitulado como “Resultados não Operacionais”, isto porque, as subvenções para investimento têm a natureza de receitas, mais precisamente, sob a ótica da legislação do imposto de renda, de “resultados não operacionais”. Tais resultados são, via de regra, tributáveis. Para não serem tributáveis, exigese o cumprimento de alguns requisitos legais. Em outras palavras, o benefício do art. 443 do RIR/99 (art. 38 do DL nº 1.598/77) consiste em não oferecer aqueles "resultados não operacionais" à tributação, registrando contabilmente a transferência dos recursos em uma conta de reserva de capital, ao invés de transitar por uma conta de resultado (receita). A contrapartida do lançamento deverá ser a débito de contas do Ativo já que há o ingresso de recursos. Registrandose contabilmente desta forma sequer há necessidade de se efetuar exclusões do lucro líquido contábil quando da apuração do lucro real. Na obra Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas, de José Luiz Bulhões Pedreira, JustecEditora, Rio de Janeiro, 1979, Vol. II, pg. 687, encontrase os requisitos que, na opinião do autor, devem ser observados para fins de caracterização da “subvenção para investimento”: “3. Requisitos da Exclusão – O DL 1.598/77 estabelece dois requisitos para que a subvenção para investimento ou a doação seja excluída do lucro real: (a) que a pessoa jurídica, ao recebêla, reconheça contabilmente sua natureza de transferência de capital, creditandoa a conta de reserva de capital; e (b) que a pessoa jurídica, mesmo depois do recebimento, não a transforme em renda, distribuindoa a seus sócios: a reserva de capital em que é registrada somente pode ser utilizada para ser incorporada ao capital social ou absorver prejuízos.” Dessa forma, podese facilmente concluir que as subvenções para investimento, para gozar do favor fiscal do art. 443 do RIR/99, devem ter as seguintes características: 1) o subvencionador deve ser o Poder Público; 2) a verba oriunda da subvenção deve ser destinada para investimento na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos de interesse público; 3) o beneficiário da subvenção seja pessoa jurídica com a forma de companhia; 4) que a subvenção seja registrada contabilmente em conta de reserva de capital, que poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. Como resultado, deve ser alcançada a satisfação do desejo do Poder Público quanto à efetivação do investimento. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.463 17 No caso dos autos temos a celebração dos seguintes “protocolos de intenções” e “contratos” firmados pelos Estados do Ceará e da Bahia com a autuada: 1 – Estado da Bahia: O Governo do estado da Bahia e a autuada firmaram “Protocolo de Intenções” das fls. 106 e ss.. Dito “protocolo” foi subscrito em 27 de março de 1998, estabelecendo, dentre outros: a) O Governo do Estado da Bahia vem desenvolvendo esforços no sentido de gerar empregos, notadamente para a mãodeobra não qualificada, nos municípios do interior, visando a melhoria das condições econômicas desta população e ao mesmo tempo deter o fluxo migratório para as grandes cidades. (...) b) Os benefícios fiscais e financeiros concedidos serão largamente compensados pela riqueza gerada na economia e o conseqüente retorno futuro, mesmo porque sem os novos empreendimentos não haveria a geração dos impostos e da renda . No mesmo protocolo de intenções ficou estipulado que: “...obrigações essas decorrentes do apoio de infraestrutura e da concessão de incentivos administrados pelo Poder Público Estadual à aludida empresa, em virtude da implantação de uma indústria destinada à fabricação de calçados, artefatos de couro e componentes de calçados, nos termos da legislação norteadora da espécie.” O Estado se comprometeu com as seguintes obrigações, fls. 107/109: “I INFRA ESTRUTURA 1. Disponibilizar área de 40.000 ma (quarenta mil metros quadrados) de terrenos, na zona urbana do Município de Conceição do Jacuípe e 20.000 m2 (vinte mil metros quadrados) de terrenos na zona urbana dos Municípios de Coração de Maria e Irará, respectivamente, para a construção e implantação de unidades produtivas próprias ou através de terceiros, inclusive cooperativas de trabalho. 2. No prazo de até 6 (seis) meses após o recebimento dos projetos construir e ceder, em regime de comodato, pelo período de 10 (dez) anos, renováveis por mais 10 (dez) anos, de acordo com o interesse da EMPRESA, edificações para a implantação de plantas administrativas e industriais, em diferentes áreas dos municípios abrangidos pelo item l e 3. 3. Viabilizar a aquisição de outras áreas de acordo com o programa da EMPRESA. 4. Viabilizar o fornecimento de energia elétrica, na porta da EMPRESA em suas diferentes unidades, de acordo com a demanda a ser determinada pela EMPRESA e normas aplicadas pelas Companhia de Energia Elétrica no Estado da Bahia. 5. Construção de acesso às áreas integrantes do complexo industrial da EMPRESA. 6. Viabilizar a construção de rede de telefonia (para voz e dados), nos limites dos terrenos integrantes do complexo industrial da respectiva EMPRESA. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.464 18 7. Assegurar o fornecimento de água de acordo com as determinações do projeto industrial da EMPRESA . 8. Assessorar na constituição e início de operação de cooperativas para a produção de calçados, artefatos d e couro, partes e componentes, para a EMPRESA. 9. Promover convênios como SENAI , SEBRAE e Secretaria do Trabalho e Ação Social SETRAS , para a implantação d e cursos direcionados à indústria d e calçados. 10 . A EMPRESA também terá preferência no comodato dos prédios que o estado vier a ceder para as cooperativas de trabalho, na hipótese de vir a produzir sob outro regime de trabalho. 11 . Caso a EMPRESA desejar adquirir os prédios cedidos pelo estado de que tratam os itens 1 , 2 e 3 , poderá fazêlo mediante o pagamento de até 35 % (trinta e cinco por cento) do custo unitário básico CUB para o m2 construído dos prédios e R $ 0,10 ( dez centavos de real) o m2 dos terrenos. APOIO DO GOVERNO DO ESTADO ATRAVÉS DO PROCOMEX Nas exportações (PROCOMEX): O ESTADO comprometese a, mensalmente, conceder e creditar financiamento de 11% (onze por cento) à empresa , sobre o valor do faturamento nas exportações de calçados, artefatos d e couro e componentes, amparado na Lei n° 7.024 , de 23 de janeiro de 1997 e 7.138 de 30 de julho de 1997 e na sua regulamentação, para aplicação em capital de giro na EMPRESA, na forma do disposto no regulamento do PROCOMEX. Amortização/encargos: a) cada parcela do financiamento concedido será liquidada e quitada de uma só vez, com os acréscimos previstos nesta cláusula, até o término do período de carência de 36 (trinta e seis) meses. b ) tendose presente que o financiamento realizado o foi a título de vantagem compensatória aos custos adicionais para as empresas pioneiras, acordam as partes que o valor total d e cada parcela será quitado através do pagamento de 10% (dez por cento ) do valor da mesma , desde que não haja atraso de duas parcelas consecutivas, acrescido da incidência d e taxa de juros de 3% (três por cento) ao ano, sem atualização monetária. C) na hipótese do atraso no pagamento de duas parcelas consecutivas, as mesmas serão atualizadas, desde a data do desembolso até a data da efetiva liquidação, com a perda do benefício concedido de 90% (noventa por cento) do valor da parcela do financiamento, de acordo com o disposto no § 5o , do art. 24 , do Decreto n° 6.719, de 05 de setembro de 1997. Prazo Global da Operação: O prazo global da operação será até 31/12/2012. Nas Vendas Internas de Calçados e seus Componentes: O ESTADO comprometese a conceder crédito presumido de 90% (noventa por cento) do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.465 19 a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ICMS nas operações de saída dos produtos do estabelecimento, pelo prazo de 15 (quinze ) anos, conforme a Lei nº 7.025 de 24 de janeiro de 1997 e 7.138 de 30 de julho de 1997 e sua regulamentação. Prazo Global da Operação: O prazo global da operação será até 31/12/2012. Já a autuada assumiu, dentre outras, as seguintes obrigações, fls.111: a) comprometeuse a implantar indústrias nos municípios referidos destinadas à fabricação de calçados, artefatos de couro e componentes que deverá atingir produção de 4.000.000 pares de calçados por ano, podendo a produção ser obtida através de empregados próprios, ateliers, outras empresas ou cooperativas de trabalho, sem vínculo empregatício; b) realizar investimentos totais de R$ 20.000.000,00 na implementação de seu complexo industrial no estado; c) gerar 2.000 empregos diretos e/ou indiretos; d) fornecer as especificações técnicas para a viabilização dos projetos de infraestrutura e dos prédios a serem construídos pelo Estado. No âmbito do Protocolo de Intenções acima mencionado, foi assinado “contrato de mútuo subsidiado” calculado sobre os valores das exportações – Fundese/Procomex nº 1032 2001/18, fls. 797 e ss.; Os recursos financeiros subsidiados seriam por conta do Programa de Incentivo ao Comércio ExteriorPROCOMEX, criado pela Lei Estadual nº 7.024, de 23 de janeiro de 1997, contendo o seguinte dispositivo: Art.3º O PROCOMEX será financiado com recursos provenientes do Fundo de Desenvolvimento Social e Econômico FUNDESE, regulado pela Lei nº 6.445, de 7 de dezembro de 1992, observados, em suas operações, os seguintes critérios: I até 8% (oito por cento) do valor das operações de comercialização de produtos recebidos do exterior, por estabelecimentos montadores de veículos automotores e industriais de autopeças; II até 6% (seis por cento) do valor FOB das operações de vendas para o exterior de produtos fabricados neste Estado, por novos estabelecimentos industriais, desde que condicionados ao emprego intensivo de mãodeobra e que tenham domicílio fiscal na Região Metropolitana de Salvador; Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.466 20 III até 11% (onze por cento) do valor FOB das operações de que trata o inciso II, do caput deste artigo, sem prejuízo das demais exigências, quando o estabelecimento industrial for domiciliado fora da Região Metropolitana do Salvador. § 1º Os financiamentos destinarseão somente a estabelecimentos industriais sediados neste Estado. (destaquei) No mesmo Protocolo de Intenções estava prevista a concessão de incentivo na modalidade de crédito presumido do ICMS, correspondente a 90% do valor desse imposto nas vendas internas, nos termos do aprovado pelas Leis Estaduais nº 7.025 de 24 de janeiro de 1997 e nº 7.138 de 30 de julho 1997, contendo o seguinte dispositivo: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder crédito presumido de Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), incidente nas operações efetuadas por estabelecimentos industriais inscritos no cadastro de contribuintes do ICMS e sediados no Estado da Bahia. § 1º O crédito de que trata o caput deste artigo será concedido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber (Redação do § 1º do art. 1º de acordo com o art. 5º da Lei nº 7.138, de 30 de julho de 1997): I (...) II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; (Redação do inciso II do § 1º do art. 1º de acordo com o art. 5º da Lei nº 7.138, de 30 de julho de 1997). (destaquei) 2 – Estado do Ceará: O Governo do Estado do Ceará e a autuada firmaram “Protocolo de Intenções” das fls. 79 e seguintes. Dito “protocolo” foi subscrito em 04 de abril de 1996 e estabelece: “...obrigações essas decorrentes do apoio de infraestrutura e da concessão de incentivos administrados pelos Poderes Públicos Estadual e municipal à aludida empresa, em virtude da implantação de uma indústria destinada à fabricação de calçados, nos termos da legislação norteadora da espécie, especialmente a Lei nº 11.524/88 e nº 12.478 de 21.07.95 e os Decretos nos 22.719A de 20.08.93 e 23.113 de 18.03.94, publicado no D.O de 22.03.94 e do Decreto no 23.913 de 21.11.95, ... .” A indústria deveria ser implantada no município de Itapipoca/CE e foram acordados mútuos compromissos, fls. 80 e ss.. O Estado e o Município se comprometeram a assegurar apoio ao empreendimento e de dar condições de infraestrutura, tais como: cessão de terreno e de prédios, implantação de redes de energia elétrica, de água, de transporte e de comunicação. Por seu turno, a empresa se comprometeu a investir na implantação do projeto industrial a importância de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) de investimento fixo, produzir l0.000 pares/dia e proporcionar a ocupação de 1.000 pessoas. O prazo global da Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.467 21 operação foi estipulado em 120 (cento e vinte) meses, a contar da data da assinatura do contrato. Os incentivos seriam na forma de empréstimos subsidiados, distintos para as vendas efetuadas no mercado interno e no mercado externo. Assim, no âmbito do referido “protocolo de intenções”, foram assinados dois contratos de mútuo: contrato de mútuo subsidiado, calculado sobre o valor do ICMS recolhido Operação nº FDI/PROVIN 33.0246, fls. 87 e ss.; contrato de mútuo subsidiado, calculado sobre os valores das exportações – Operação n° 34.0005/0 FDI/PROAPI, fls. 94 e ss.; Os recursos financeiros subsidiados seriam por conta do Fundo de Desenvolvimento Industrial –FDI – do Estado do Ceará, criado pela Lei Estadual nº 10.367, de 7 de dezembro de 1979, contendo o seguinte dispositivo: Art. 1º É instituído o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI com o objetivo de promover o desenvolvimento das atividades industriais em todo o território do Estado do Ceará. Art.2º Para a promoção industrial o FDI assegurará às empresas industriais consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento econômico do Estado e /ou seus acionistas, incentivos de implantação, funcionamento, relocalização, ampliação e modernização ou recuperação, sob a forma de subscrição de ações, participações societárias empréstimos, observada a legislação federal pertinente. (destaquei) Como se vê da descrição acima, restou nitidamente claras as intenções dos Estados do Ceará e da Bahia, conforme autorização legal, em promover o desenvolvimento das atividades industriais em seus territórios, notadamente em municípios localizados no interior dos Estados, de baixo desenvolvimento econômico, assegurando incentivos para implantação dos empreendimentos sob várias formas, dentre eles, com a concessão de empréstimos subsidiados e na modalidade de crédito presumido do ICMS. Pelo que se depreende dos autos, a autuada efetivamente instalou as indústrias de calçados que se comprometeu com os Estados do Ceará e da Bahia. Em ambos cumpriu com os compromissos assumidos em relação ao montante investido, ao números de calçados produzidos e ao número de empregos gerados. Esse parece ser um fato incontroverso, tanto que a fiscalização nada relata a esse respeito e o acórdão recorrido em diversas oportunidades menciona em seu voto condutor o cumprimento das metas: “87. A respeito da instalação, operacionalidade e cumprimento das metas estabelecidas em contrato, vale referir que a unidade fabril instalada no Município de Itapipoca empregava, em dezembro de 2004, mais de 1.000 pessoas (~1.500), de acordo com informações prestadas ao Ministério do Emprego e Trabalho (fls. 730 e 692). Nesse mesmo ano, a produção de calçados alcançou a marca de 1.789.262 pares de calçados (filial 2 – Bairro Madalena), consoante informações prestadas ao Ministério da Integração Nacional (fls. 730). Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.468 22 Nos dois anos seguintes, o nível de empregabilidade cresceu e a produção se manteve na mesma ordem de grandeza (fls. 692/750). 88. Analisando o investimento em bens do ativo permanente, a contribuinte procura demonstrar, com base no DOAR (fls 670/690), a constante aplicação de recursos em aquisições desses bens do ativo permanente, de modo que existiriam "motivos convergentes sobre a não utilização dos valores como capital de giro". Vejase a série histórica elaborada pela impugnante (...). A série histórica a que se refere o voto condutor é a seguinte: de acordo com os balanços patrimoniais publicados (fls. 670 a 690) em 1998, o “ativo permanente” era de R$ 1.824.874,81, passando para R$ 25.651.503,60 em 2004, R$ 53.404.316,37 em 2005, R$ 49.130.240,43 em 2006 e R$ 170.071.000,00 em 2007. Já o valor das “reservas de capital”, em que foram registradas as subvenções para investimento”, totalizavam R$ 50.682.880,99 ao final de 2006 (fls. 682), último ano fiscalizado. Esse valor é próximo aos investimentos em “ativo permanente” nesse mesmo ano, o que também vem a demonstrar o cumprimento da finalidade da lei fiscal de incentivo à implantação de empreendimentos econômicos. Prossegue ainda o voto condutor: 91. Por último, verificase se os recursos registrados em conta de reserva de capital foram utilizados somente para absorver prejuízos ou aumentar o capital social. 92. Os recursos obtidos com a renúncia parcial do empréstimo e com o crédito presumido de ICMS foram registrados mensalmente na contabilidade em conta de Reserva de Capital (fls 126/137). O primeiro registro é feito por ocasião da operação de pagamento de cada parcela do empréstimo, como subvenção para investimento, enquanto o segundo, ao tempo das operações de saída de produtos. Posteriormente, no ano de 2008, parte dos valores registrados nas reservas de capital (R$ 53.197.645,19), apenas aquelas oriundas de crédito presumido, foi incorporada ao capital social, consoante registros contábeis às fls. 657/658 e Demonstrações Financeiras publicadas no Diário Oficial do Estado (fl 687), após aprovação em Assembléia Geral (fl 647). 93. Assim, a Reserva de Capital decorrente de empréstimos subsidiados concedidos pelo Estado do Ceará (e também pelo Estado da Bahia) não foi ainda utilizada.” Com relação aos empreendimentos no estado da Bahia, assim se manifestou o acórdão recorrido no seu voto condutor: “96. Aqui, o Estado da Bahia buscava incentivar a implantação de uma unidade fabril fora da Região Metropolitana de Salvador (Protocolo à fl. 107). A esse respeito, a contribuinte apresenta documentos relativos à instalação e ao cumprimento de metas contratuais de duas indústrias localizadas nos Municípios de Santo Estevão e Vitória da Conquista (emprego: fls. 695/700, 706/710, 712/716, 718/719; produção: 737/744, 749/750).” Resta claro que as indústrias foram efetivamente implantadas nos termos do que previam os “protocolos de intenções” celebrados com os governos estaduais para fomentar a atividade industrial, tendo sido cumpridas as metas de investimentos e de geração de empregos nos termos do que foi proposto inicialmente. Além disso, a empresa autuada Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.469 23 efetivamente incorporou ao seu capital social parcela das reservas de capital que tinham como origem as subvenções para investimento, nos exatos termos do que estabelece a lei fiscal. Como bem acentuou o PN CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, nem todas as isenções ou reduções de impostos podem ser classificadas como subvenção para investimento. O retorno ao particular de uma quantia já incorporada ao patrimônio do Estado, a título de receita pública, é o que faz com que certas isenções ou reduções de impostos se equiparem às subvenções, e a efetiva aplicação em investimentos a torna subvenção na modalidade “para investimento”. O PN CST no 112, de 1978 dá exemplo de redução de imposto que preenche os requisitos para ser considerada como “subvenção para investimento”. Diz o item 3.6 do referido Parecer: 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (destaquei) No caso em exame, a interessada obteve dos Governos dos Estados do Ceará e da Bahia incentivos à implantação de novas unidades industriais nesses Estados. Os benefícios concedidos se referem às unidades implantadas naqueles Estados, nos termos dos “protocolos de intenções” e dos “contratos de mútuo subsidiados” firmados com os governos estaduais, gozando o favor fiscal após realizado o novo empreendimento. Vejase os termos de um dos “contratos de mútuo subsidiados” celebrado com o Estado do Ceará OPERAÇÃO Nº FDI/PROVIN33.0246, fls. 87/88: “1.1 Constitui objeto do presente Contrato a concessão pelo BEC de um empréstimo de execução periódica, com garantia fidejussória, equivalente a 100 % (cem por cento ) do valor do ICMS efetivamente recolhido pela MUTUÁRIA, em 180 (cento e oitenta) meses no período de Novembro/1999 a Outubro/2014, mediante entrega de Nota Promissória dentro do prazo legal, incidentes so bre operações com a produção própria. 1.2 0 Empréstimo ora concedido pelo BEC tem como fonte de recursos o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI, instituído pela Lei nº 10.367/79, alterado pelas Leis nºs 10.380/80, 11.073/85, 11.524/88 e Decreto nº 822.719A de 20.08.93, aportados à conta do Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas PROVIN, decorrendo referido empréstimo do enquadramento da MUTUÁRIA como empreendimento prioritário para o desenvolvimento econômico e social do listado, em consonância com o disposto Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.470 24 no Art. 8º do Decreto Estadual nº 22.719A de 20.08.93, decreto nº 23.113 de 18.03.94, decreto nºs 23.913, de 21.11.96 e demais normas pertinentes. [...] 4.1. Do valor de cada parcela do empréstimo, conforme previsto na Cláusula Primeira deste contrato o equivalente a 1% (hum por cento), será pago de uma só vez, no dia 30 (trinta) de cada mês a que corresponder, após 60(sessenta) meses e será devidamente corrigida desde a data do desembolso até a data do vencimento pela aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) ou outro indexador que vier a substituila por decisão da autoridade monetária competente. Da leitura dos termos do contrato, verificase que o contribuinte obteve um empréstimo no montante de 100% do ICMS efetivamente recolhido. Assim, inicialmente, os recursos ingressaram no patrimônio público. Na sequência, foram liberados os recursos do empréstimo para a empresa subvencionada, os quais deveriam ser pagos no equivalente a apenas 1% (um por cento) de cada parcela liberada. Ou seja, o poder público recebe de volta apenas 1% do valor que emprestou. Portanto, como enfatizado pelo PN CST nº 112, de 1978, verificase no caso em análise que houve um retorno ao particular de uma quantia antes incorporada ao patrimônio do Estado (recolhimento do ICMS), o que faz com que as reduções de impostos (recebeu 100% do ICMS e devolveu 1%) se equiparem às subvenções e a efetiva aplicação em investimentos a torna subvenção na modalidade “para investimento”. Os demais “contratos de mútuo subsidiados”, Operação n° 34.0005/0 FDI/PROAPI e Fundese/Procomex nº 1032 2001/18 tem idêntico tratamento ao mencionado nos dois itens precedentes, pois constituem transferência de recursos de fora, do Poder Público, para a pessoa jurídica responsável pelos empreendimentos. Com relação ao crédito presumido do ICMS previsto no protocolo de intenções (fls.109), verificase que a situação também é idêntica. O Poder Público retorna ao subvencionado parcela do ICMS a título de crédito presumido como estímulo na implantação do empreendimento. O valor desse crédito presumido é deduzido do valor do ICMS a recolher, apurado conforme a sistemática de débitos e créditos desse imposto no contacorrente fiscal. Assim, como é fácil concluir, a outorga dos benefícios pelos Estados do Ceará e da Bahia não está restrita à concessão de empréstimos em condições especialíssimas, mas corresponde a um conjunto de medidas concretas que têm como contrapartida uma série de obrigações a serem cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos para a implantação das unidades fabris. Importa, na essência, não só o conjunto de obrigações assumidas e cumpridas pelas partes, como também o objetivo visado pelo Estado, que se traduz na transferência de recursos com vistas a proporcionar efetivo aumento do estoque de capital da empresa. Presentes, i) a intenção da pessoa jurídica de direito público de subvencionar determinado empreendimento; ii) a concretização dessa intenção, mediante transferência de capital; iii) a incorporação dos recursos recebidos no patrimônio da pessoa jurídica beneficiada, do que resulta aumento do estoque de capital financeiro registrada contabilmente em conta de reserva de capital, temos o que se denomina “subvenção para investimentos”. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.471 25 Já o fundamento utilizado pela fiscalização para efetuar o lançamento foi de que os incentivos teriam sido aplicados em capital de giro e, portanto, não poderiam ser caracterizados como subvenção para investimentos nos termos do que dispõe o art. 443 do RIR/99. Entretanto, a razão do lançamento fiscal não encontra sustentação na legislação fiscal. Como se viu na exposição do presente voto, a empresa recebeu incentivos fiscais do Poder Público, cumpriu com as metas a que se propôs, efetuou os registros contábeis exatamente como determinam as leis comercial e fiscal, incorporando ao capital social parte dessas reservas (R$ 53.197.645,19), fls. 647, podendose concluir caracterizada a hipótese de subvenção para investimento, exatamente como estipula o art. 443 do RIR/99. O antigo Primeiro Conselho de Contribuintes emitiu várias decisões com esse mesmo entendimento, conforme cópias juntadas pela defesa, de fls. 808 e seguintes. Para ilustrar, transcrevo a ementa do Acórdão CSRF nº 9101001.239, sessão de 21/11/2011: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DO ICMS A RECOLHER. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal concedido pelo Poder Público mediante restituição do ICMS, lançado diretamente em conta do patrimônio líquido, e tendo como contrapartida a realização de investimentos em ativo fixo, à implantação ou expansão de empreendimento econômico com a geração de novos empregos diretos e indiretos, absorção de nova tecnologia de produto e/ou de processo, subsumese como subvenção para investimentos e, por conseguinte, descabe a sua tributação. Os incentivos concedidos pelo Estado da Bahia, consistentes em redução do ICMS a recolher pela via do financiamento de longo prazo, com descontos pela antecipação, ou do crédito presumido, cujos valores são mantidos em contas de reserva no patrimônio liquido, não se caracterizam como subvenção para custeio a que se refere o art. 392 do RIR/99. Já o acórdão recorrido decidiu no mesmo sentido em relação aos denominados “contratos de mútuo subsidiados”, merecendo, por isso, ser negado provimento ao recurso de ofício nessa parte. Deixou, entretanto, de ter esse mesmo entendimento em relação ao “crédito presumido do ICMS”, outra modalidade de incentivo concedido pelo estado da Bahia. Os fundamentos utilizados para descaracterizar essa modalidade de incentivo como “subvenção para investimento” foram no sentido de que a defesa teria deixado de: i) comprovar a efetiva outorga do incentivo; e ii) segregar os valores do crédito presumido do ICMS do crédito normal do ICMS. Em relação ao segundo motivo, considerou que na hipótese de substituição de créditos efetivos de ICMS por créditos presumidos, apenas a diferença entre eles é que constitui subvenção para investimento. Assim, não teria a autuada demonstrado a parcela do crédito presumido que efetivamente consubstancia subvenção para investimento ao deixar de segregar o crédito normal de ICMS do total do crédito presumido (no caso, de 90% sobre o ICMS nas operações de saída fl 109). Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.472 26 Como alega a defesa, o primeiro fundamento não se sustenta por absoluta falta de lógica. Se o incentivo encontrase registrado na contabilidade e foi considerado pela fiscalização na apuração dos tributos exigidos é porque ele existe para todos os efeitos. Os fatos se bastam para comprovar a existência do incentivo, restando incabível qualquer outra comprovação que não a existente nos autos. Quanto ao segundo fundamento, verificase que o mesmo também não pode se sustentar. O que efetivamente interessa é se o crédito presumido do ICMS tem a natureza de subvenção para investimento, e nisso parece que o acórdão recorrido não discorda. Está fora de discussão o valor registrado como incentivo ou se o incentivo encontrase segregado ou não. O que interessa é que a fiscalização adicionou ao lucro líquido a parcela registrada como crédito presumido do ICMS. Essa parcela, como se viu, é “subvenção para investimento”. Portanto, por expressa previsão legal, não precisa transitar por contas de resultado, mas sim compor as reservas de capital da companhia, não tributadas. Do exposto, forçoso concluir que os incentivos fiscais concedidos pelos Estados da Bahia e do Ceará são caracterizados na modalidade subvenções para investimento, nos termos do estabelecido no art. 182 da lei das sociedades anônimas e no art. 443 do RIR/99, classificadas como transferências de capital creditadas a conta de reserva de capital, sem trânsito por contas de resultado. Assim, sobre o IRPJ mantido pelo acórdão recorrido é de se dar provimento ao recurso voluntário. As exigências da CSLL, do PIS e da Cofins, no caso, recebem o mesmo tratamento dado ao IRPJ, eis que as subvenções para investimento não integram a receita bruta e, por conseqüência, não compõem o faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, bem como não integram o lucro líquido do exercício, ponto inicial para apuração da base de cálculo da CSLL. Em razão dos fundamentos expostos, fica prejudicado o exame das demais matérias levantadas pela defesa. Pelo exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício, na parte cancelada da autuação e, na parte mantida, que seja dado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10380.012049/200988 Acórdão n.º 1202000.921 S1C2T2 Fl. 1.473 27 Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13227.000673/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/09/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 30, IV DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA.
Constitui infração à norma tributária inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias a cargo do produtor rural pessoa física e do segurado especial, incidentes sobre a comercialização da produção rural, quando adquirir ou receber em consignação produto rural, independentemente de tais operações haverem sido realizadas diretamente com o produtor ou por intermédio de pessoa física.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO.
Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 30, IV DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à norma tributária inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias a cargo do produtor rural pessoa física e do segurado especial, incidentes sobre a comercialização da produção rural, quando adquirir ou receber em consignação produto rural, independentemente de tais operações haverem sido realizadas diretamente com o produtor ou por intermédio de pessoa física. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO. Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 108 1 107 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.000673/200731 Recurso nº 002.124 Voluntário Acórdão nº 2302002.124 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AI CFL 99 Recorrente FRIGORÍFICO TANGARÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 30, IV DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à norma tributária inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias a cargo do produtor rural pessoa física e do segurado especial, incidentes sobre a comercialização da produção rural, quando adquirir ou receber em consignação produto rural, independentemente de tais operações haverem sido realizadas diretamente com o produtor ou por intermédio de pessoa física. A inobservância de obrigação tributária acessória constituise fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO. Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 06 73 /2 00 7- 31 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2005 a dezembro/2006. Data da lavratura do Auto de Infração: 24/09/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 01/10/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no art. 30, IV da Lei n° 8.212/1991 c.c. art. 283, §3º do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias a cargo do produtor rural pessoa física e do segurado especial incidentes sobre a comercialização da produção rural, conforme destacado no relatório fiscal a fl. 14. A ocorrência da infração houvese por constatada pelo exame das notas fiscais de entrada nos 009100 a 0010502, emitidas entre 21/10/2006 e 30/12/2006. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, caput e §3º e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, com o seu valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 142, de 11 de abril de 2007, conforme destacado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 16. Informa a Autoridade Lançadora que, em razão da agravante prevista no art. 290, IV do Regulamento da Previdência Social, o valor básico acima citado houve por elevado em duas vezes, em conformidade com o art. 292, III do RPS, de modo que o valor da multa aplicada foi de R$ 2.390, 26. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 62/67. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 92/96, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05 de maio de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 99. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000673/200731 Acórdão n.º 2302002.124 S2C3T2 Fl. 109 3 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 100/104, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a ação fiscal extrapolou os limites assentados no MPF, uma vez que a autorização para a ação fiscalizadora compreendia, tão somente, o exame do fato gerador das contribuições previdenciárias rurais; · Que a ação fiscal se desenvolveu com procedimentos incorretos, maculando princípios legais; Ao fim requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 05/05/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO ESCOPO DA AÇÃO FISCAL FIXADO NO MPF. Alega o Recorrente que a ação fiscal extrapolou os limites assentados no MPF, uma vez que a autorização para a ação fiscalizadora compreendia, tão somente, o exame do fato gerador das contribuições previdenciárias rurais. Como será que o Recorrente vislumbra se proceder ao exame de fatos geradores de contribuições previdenciárias de empresas rurais? Haveria alguma outra forma senão pelo exame de documentos da empresa? Seria através de entrevista com os bovinos antes do abate? Ou mediante a colocação de fiscais na porta do abatedouro contando, um a um, os animais que entram para o sacrifício? Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Em primeiro lugar, mostrase auspicioso trazer à balha os termos inscritos no MPF nº 09407183F00, a fl. 50, o qual determinou a fiscalização na empresa recorrente. PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES/OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS: Contribuições sociais previstas no art. 11, Parágrafo Único, alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ da Lei nº 8.212/91, e contribuições por lei devidas a terceiros, provenientes de empresas ou equiparados, na forma da Lei nº 11.457, de 16/03/2007. (grifos nossos) PERÍODO DE APURAÇÃO: janeiro/2005 a dezembro/2006. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS: Verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pela RFB, conforme determina o art. 2º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007, e àquelas relativas a terceiros, conforme determina o art. 3º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007. (grifos nossos) XII – Verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos – comercialização de produtos rurais – contribuições devidas por adquirente na condição de subrogados. (grifos nossos) Como se observa, o escopo de investigação fixado no MPF encampa não somente o exame do fato gerador das contribuições previdenciárias rurais, como assim alega o Recorrente, mas, também, as contribuições sociais previstas no art. 11, Parágrafo Único, alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ da Lei nº 8.212/91, e contribuições por lei devidas a terceiros, e a verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pela RFB, obrigações essas que podem ser principais ou acessórias, indistintamente. Em segundo lugar, se revela norteador destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi atribuída pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000673/200731 Acórdão n.º 2302002.124 S2C3T2 Fl. 110 5 §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212/91, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Louvouse a autuação fiscal sub examine na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, a qual finca o dever instrumental de o sujeito passivo arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, a contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, e de recolhêlas no prazo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Diante do quadro legislativo em exposição, atendendo à normatividade exigida pelo dispositivo legal em ênfase, foi editado o Decreto nº 4.032/2001, cuja primazia foi a de conferir nova redação ao caput do art. 200 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ajustandoo ao novo regime jurídico assentado no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim destacando: Regulamento da Previdência Social. Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000673/200731 Acórdão n.º 2302002.124 S2C3T2 Fl. 111 7 bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: (...)(...) III A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; Conforme destacado no item 1.1., in fine, do Relatório Fiscal da Infração, a fl. 14, o vertente Auto de Infração houvese por lavrado em razão de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias a cargo do produtor rural pessoa física e do segurado especial incidentes sobre a comercialização da produção rural. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 216, III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 92 do mesmo Pergaminho Legal em foco aviou norma sancionatória prevendo a punição do obrigado em caso de infração de qualquer dispositivo dessa Lei, sujeitando o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme disposição analítica assentada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, §3º do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada ao casoespécie, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) §3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000673/200731 Acórdão n.º 2302002.124 S2C3T2 Fl. 112 9 Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 12 de abril de 2007, foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF nº 142 que fixou em R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um Reais e vinte e um centavos) o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social. PORTARIA MPS/MF nº 142, de 11 de abril de 2007 Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); No episódio em estudo, havendo a empresa incorrido na agravante prevista no inciso IV do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, o valor da multa aplicada é elevado em duas vezes, como assim estabelece o art. 292, III do RPS. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) III as agravantes dos incisos III e IV do art. 290 elevam a multa em duas vezes; Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação acessória violada, a conduta omissiva que profanou a obrigação tributária em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAD, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao autuado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13227.000673/200731 Acórdão n.º 2302002.124 S2C3T2 Fl. 113 11 Não vislumbramos, pois, qualquer vício na formalização do presente Auto de Infração a amparar a alegação de que a ação fiscal tenha extrapolado os limites assentados no MPF, razão pela qual impende repelir peremptoriamente tal preliminar, tão veementemente sustentada pelo Recorrente. 2.2. DOS PROCEDIMENTOS EMPREENDIDOS PELA FISCALIZAÇÃO Pondera o Recorrente que a ação fiscal se desenvolveu com procedimentos incorretos, maculando princípios legais. Esqueceuse de elencar o Recorrente, todavia, quais foram os procedimentos violados e qual a conduta perpetrada pela fiscalização que teria resultado em mácula a princípios legais, os quais, por sua vez, também não foram indicados. O Recorrente limitouse a transcrever dispositivos legais do Decreto nº 3.969/2001, referentes ao MPF, assim como o art. 661 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, referente ao Relatório Fiscal, sem adentrar aos fatos concretos que teriam sido praticados pela fiscalização os quais teriam supostamente aviltado princípios legais, estes igualmente, não revelados pelo Autuado. Extraímos, nada obstante, das provas coligidas aos autos que os procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora foram conduzidos em perfeita harmonia com os preceitos normativos que regem a matéria, estando ao Auto de Infração revestido de todas as formalidades legais e regulamentares previstas na legislação previdenciária. Com efeito, a ação fiscal em comento houvese por precedida do competente Mandado de Procedimento Fiscal, a fl. 50, tendo a fiscalização exigido, no âmbito de sua competência, por duas vezes, mediante Termos próprios a fls. 51/53, os documentos indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações tributárias compreendidas no escopo da investigação fixado no MPF. Compulsando os autos do processo verificase que o Relatório Fiscal da Infração a fl. 14 descreve de forma clara e precisa, a obrigação tributária acessória violada, a conduta omissiva perpetrada pelo Recorrente, assim como toda a fundamentação legal que oferece esteio jurídico à autuação ora em julgo, com especial destaque ao dispositivo legal que impôs a obrigação acessória ora ultrajada bem como à norma que comina a penalidade correspondente. Na sequência, o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 16, destaca o valor mínimo da multa aplicada, a legislação de reajustamento do valor das penalidades por infração de qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, as agravantes em que incorreu a empresa, bem assim como a memória de cálculo da multa efetivamente impingida ao sujeito passivo. Das provas dos autos avulta não merecer reparos a decisão ora recorrida. 3. CONCLUSÃO Fl. 118DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 119DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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