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Numero do processo: 10665.001187/2001-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário.
RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL - O lançamento relativo à omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente a tal atividade.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Constitui-se rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 20/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 11 87 /2 00 1- 98 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL O lançamento relativo à omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente a tal atividade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial, tempestivo, com amparo inciso I do art. 70 da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, contra o Acórdão n° 10422495, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF RENDIMENTOS, DA ATIVIDADE RURAL O lançamento relativoà omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente á tal atividade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Constituise rendimento tributavel o valor correspondente ao acréscimo patrimonialnão justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributaveis, isentos, tributados , exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10665.001187/200198 Acórdão n.º 9202002.448 CSRFT2 Fl. 9 3 DECADÊNCIA GANHO DE CAPITAL Sendo a tributação sobre o ganho de capital definitiva, não sujeita à ajuste na declaração á independente de prévio exame da autoridade administrativa, lançamento é por homologação (art. 150, sç 4 0, do CTN, devendo prazo decadencial ser contado do fato gerador, havendo ou não pagamento. Preliminar de decadência acolhida. Recurso provido parcialmente. O referido Acórdão foi julgado na sessão plenária de 13/6/2007, e teve oseguinte resultado: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativamente ao ganho de capital, argüida pela Conselheiro Relator, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto a 20%. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4°1 do RICARF, processados de acordo no rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). A recorrente indica que o acórdão recorrido teria contrariado, quanto a decadência da tributação do ganho de capital, o que prescreve o art. 149, V e 173, I do CTN, e no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto, entende ter havido afronta às provas dos autos, bem como ofensa aos artigos 1°, 2°. e 3°. da Lei n. 7.713/88. Com efeito, os argumentos esposados no Recurso Especial estão a indicar que o acórdão recorrido, em tese, poderia haver contrariado à lei e a evidência da prova constante dos autos, o que demanda o reexame da questão por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em Despacho à fls. 132/ss, o então Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial, tendo vislumbrado a contrariedade suscitada. Em sede Contrarrazões,o contribuinte reitera os argumentos expostos no decisum recorrido. É o que tenho a relatar. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e demonstrada a contrariedade, passo ao exame das questões de mérito. 1DECADÊNCIA Já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso em relação à matéria, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10665.001187/200198 Acórdão n.º 9202002.448 CSRFT2 Fl. 10 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Do mesmo modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 17/10/2006. Portanto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, em relação ao ganho de capital auferido pelo autuado na alienação, em 04/1996, não estava decaído, em atenção ao disposto no inciso I, do art. 173, do CTN. 2APD Quanto ao APD, segundo a PGFN em seu Especial, a exclusão da base de cálculo promovida pelo decisum recorrido representa ofensa aos arts. 1º, 2º e 3º da Lei n. 7.713/88, verbis: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10665.001187/200198 Acórdão n.º 9202002.448 CSRFT2 Fl. 11 7 § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. Assevera, ainda, que [fl. 130]: […]O ilustre redator designado àfirma haver vários elementos a comprovar que o caso em questão tratase, eim verdade, de omissão de receitas ca atividade rural Estamos, entretanto, com o ilustre Relator Originário, para quem: "Apesar das argumentações do interessado que os elementos estão presentes no autos. O mesmo não comprova efetivamente a operação com o veículo GM D20 tenha sido computada como despesa da atividade rural. Daanálise do livro caixa da atividade rural acostada aos autos não se detecta o registro da aquisição do referido veículo. No mesmo sentido o recorrente não logra d•emonstrar que os valores de renda líquida (R$ 30.869,12) ou os rendimentos sujeitos a tributação exclusiva (R$ 5.276,88), uma vez que o mesmos não figuravam em suas declarações, e não foi apresentada qualquer documentação comprobatória para os mesmos. Dado o exposto não há como acolher o recurso neste ponto." Não obstante os argumentos apresentados pela i. PGFN, entendo que o acórdão recorrido não merece qualquer reforma quanto a este, pois, segundo o voto vencedor prolatado pelo i. Conselheiro Gustavo Lian Haddad, houve demonstração que atividade desenvolvida pelo contribuinte era rural [fl. 115]: No caso em exame, o acréscimo patrimonial apurado no demonstrativo de fls. 16 resulta essencialmente em omisso de receitas da atividade rural. Há vários elementos a comprovar isto. Primeiramente a atividade exercida pelo contribuinte e espelhada em sua declaração de ajuste relativa ao ano calendário da autuação (fls. 9/14) é essencialmente rural. Levam a esta conclusão o código de atividade, a aferição apenas de rendimentos desta natureza, a listagem de bens e direito e os dados constantes do anexo da atividade rural. Tanto assim que a própria fiscalização apurou o acréscimo patrimonial em bases anuais (fls. 16), contrariando p. regra geral veiculada pelo art. 2° da Lei n°. 7.713, de 1988, de que o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, embota tributado em bases anuais. Isto porque, em obediência ao disposto no art. 49 da mesma Lei n°. 7.713, não se aplicam seus Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 enunciados prescritivcmI aos rendimentos da atividade rural, que continuam, regidos por legislação especifica atualmente a Lei n°. 8.023, de 1990. Este o entendimentopacifico neste Colegiado (vide, por exemplo, recente Acórdão n°. 10422216, julgado em25/01/1997). O acréscimo patrimonial, nestas circunstâncias, nada mais caracteriza que omissão de receitas da atividade ruraI não declaradas. A apuração do resultado tributável, nesta hipótese, deve resultar da aplicação 'do regime tributário especifica, que presume em 20% ovalor da renda tributável, nos termos do art. 5° da Lei n°. 8.023, de 1990. Nestes termos, divirjo do I. Relator para reduzir a base de cálculo doacréscimo patrimonial a descoberto a 20%. 3DISPOSITIVO Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, para afastar a decadência. Por consequência, devem os autos serem remetidos a instância a quo para apreciação da matéria “ganho de capital”. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 10183.005173/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo a área de preservação permanente equivalente a 169,00 ha..
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo a área de preservação permanente equivalente a 169,00 ha.. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 73 /2 00 8- 32 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 4 3 Relatório Em desfavor dos contribuintes, FERNANDO GORGEN E OUTROS foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 13, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2004 e 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 11.632.600,88, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Nova Zelândia, com área total de 24.700,2 ha., NIRF 48662461, localizado no município de Querência/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09 a 11) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, inicialmente, foi intimado o contribuinte constante nas DITRs de 2003 a 2005, o qual apresentou documentos comprobatórios de que o contribuinte do ITR relativo ao imóvel para os Exercícios de 2004 e 2005 é o condomínio formado por Fernando Gorgen e outros; que o representante do condomínio foi intimado a apresentar comprovantes das informações declaradas nas DITRs desses Exercícios; que os documentos apresentados comprovam que o imóvel possui área total de 24.700,0 ha., como indicada em laudo; quanto à área de reserva legal, foi informada nas DITRs a área de 10.651,2 ha. e na matrícula do imóvel consta averbação de área de utilização limitada de 50% do total do imóvel; quanto à área de preservação permanente, foi informada nas DITRs a área de 12.738,2 ha., porém, o laudo apresentado em atendimento à intimação não comprova a real existência dessa área, sendo que, para o Exercício 2003, a alienante do imóvel apresentou laudo e mapa com informação sobre a existência de apenas 717,0 ha. de APP no imóvel; que, em razão de não apresentação do comprovante de solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental — ADA junto ao Ibama, foram desconsiderados os dados declarados com relação às áreas de reserva legal e de preservação permanente; quanto ao Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte apresentou laudo de avaliação onde foi informado VTN/ha. de R$ 372,31 para o Exercício 2004 e de R$ 702,54 para o Exercício 2005, superiores ao declarado, sendo alterado o VTN do imóvel para, respectivamente, R$ 9.196.131,46 e R$ 17.352.878,50, como informado no laudo. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 14 a 289. Todos os condôminos foram cientificados do lançamento por via postal, conforme ARs de fls. 290 a 294, nas datas de 03/11/2008, 04/11/2008 e 12/11/2008. Na impugnação de fls 302 a 329, apresentada em 03/12/2008, os interessados argumentaram, em suma, o que segue: As áreas isentas do ITR estão previstas no art. 10, §1°, inciso II, "a", da Lei n.° 9.393/96; as isenções tributárias, que devem ser instituídas por lei, trazem em seu bojo a redução total ou parcial do tributo, excluindo bens, pessoas ou situações do ônus da tributação, e, em se tratando de isenções condicionarias, a indicação de requisitos a serem preenchidos pelo contribuinte para que possa aproveitar o benefício fiscal deve ser feita pela lei, de forma expressa, não deixando ao Poder Executivo margem para a criação de exigências burocráticas que dificultem a sua fruição; o art. 10, § 7°, da Lei 9.393/96, com redação acrescida pela Medida Provisória n.° 2.16667/2001, afasta a obrigatoriedade de apresentação do ADA; Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 5 4 As áreas de reserva legal e preservação permanente, respectivamente, de 10.651,2 ha. e 12.738,20 ha., são isentas de tributação de ITR por estarem enquadradas nas disposições da Lei n.° 4.771/65, e foram devidamente declaradas nas DITRs de 2004 e 2005, sendo descabida sua desconsideração na forma posta no Auto de Infração. É ilegal a exigência de apresentação do ADA para comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal, como condição para dedução da base de cálculo do ITR, tendo em vista que a legislação não generaliza tal exigência para essas áreas, mas, somente o faz para as relacionadas no art. 3° do Código Florestal, o que não ocorre no presente caso. Apresentaram toda a documentação requerida pela autoridade fiscal para comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, conforme Termo de Intimação Fiscal; a Receita Federal não poderia ter efetuado o lançamento do ITR sem antes proceder à verificação das áreas isentas declaradas, as quais podem ser constatadas in loco; e requer, desde já, se necessário, uma vistoria no imóvel para a constatação do que foi declarado; caso, em procedimento de fiscalização, vier a identificar divergência com o declarado pelo contribuinte, poderá nos termos da lei, responsabilizálo tributária e penalmente. O imóvel está localizado na área denominada Amazônia Legal, que estabelece no mínimo área de reserva legal equivalente a 80% da propriedade, independentemente de averbação no Cartório de Registro de Imóveis competente; No presente caso, com relação às áreas de reserva legal e de preservação permanente, o efeito tributário é idêntico: isenção para cálculo do ITR, razão pela qual deve ser utilizada a alíquota estabelecida para o imóvel rural, com base em sua área total e no respectivo grau de utilização, excluindose as área de reserva legal e preservação permanente, e deve ser anulado o Auto de Infração e a respectiva multa aplicada. O interessado também transcreveu jurisprudência judicial e administrativa para amparar seu entendimento quanto ao ADA e à averbação da área de reserva legal junto ao Registro de Imóveis. Ao final, destacou a possibilidade de utilização de provas documentais, testemunhais, periciais, vistoria no imóvel e demais que a situação exigir. A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício : 2004, 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 6 5 Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas no imóvel rural e do cumprimento de exigências legais. Considerase de reserva legal apenas a área averbada como tal à margem da matrícula do imóvel, à época do respectivo fato gerador. Impõese afastar da tributação as áreas de preservação permanente e reserva legal devidamente comprovadas e declaradas em ADA apresentado ao Ibama antes da ocorrência do fato gerador. Lançamento Procedente em Parte No caso aqui tratado, ficou comprovado que já havia sido apresentado um ADA ao Ibama no ano 2001 para o mesmo imóvel, pelo proprietário anterior, com informação de existência de área de preservação permanente de 548,5 ha. e área de reserva legal de 12.189.7 há. (fls. 391). Assim em obediência ao princípio da verdade material, com base nesse documento e demais apresentados nos autos, cabe afastar da tributação as áreas de preservação permanente de 548,5 ha. e de reserva legal de 12.189,7 ha., essa averbada na matrícula do imóvel, por terem sido declaradas no ADA entregue tempestivamente ao Ibama. Tendo em vista, o montante exonerado, a DRJ recorre de ofício; O recorrente insatisfeito, reiterando argumento da impugnação, questiona os seguintes pontos do lançamento; De que a exigência do ADA é ilegal; Da área de reserva legal averbada deveria ser reconhecida. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da análise dos elementos afastados constatase que fundamentalmente que a motivação foi o aparecimento de um ADA relativo ao imóvel. Por outro lado, muitos já foram os casos submetidos a esta Turma de Julgamento, de lançamento do ITR decorrente da entrega intempestiva ou falta de entrega do ADA ao Ibama, nos quais, depois da impugnação, ficou comprovado que houve entrega anterior do ADA e que tal fato havia sido "esquecido" pelo contribuinte. Assim, quando a discussão se resume à falta de entrega do ADA, efetuamos consulta a um arquivo local obtido junto ao Ibama, visando a celeridade na solução do conflito e a aplicação do princípio da verdade material. No caso aqui tratado, ficou comprovado que já havia sido apresentado um ADA ao Ibama no ano 2001 para o mesmo imóvel, pelo proprietário anterior, com informação de existência de área de preservação permanente de 548,5 ha. e área de reserva legal de 12.189,7 há. (fls 391). Assim, em obediência ao princípio da verdade material, com base nesse documento e demais apresentados nos autos, cabe afastar da tributação as áreas de preservação permanente de 548,5 ha. e de reserva legal de 12.189,7 ha., essa averbada na matrícula do imóvel, por terem sido declaradas no ADA entregue tempestivamente ao Ibama. Não há reparos a ser feitos no arrazoado da autoridade recorrida. Deste modo, negase provimento ao recurso de ofício. No que toca ao recurso voluntário, está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente reitera os seus argumentos contra a ilegalidade do ADA. Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 8 7 Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 9 8 É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela autoridade recorrida em relação às áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal. Por oportuno, registrese que as áreas de preservação permanente de 548,5 ha. e de reserva legal de 12.189,7 ha já foram consideradas na decisão da DRJ. Ante ao exposto, voto por negar provimento a recurso de ofício e no que toca ao recurso voluntário, nego provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15504.015595/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004
PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO
O pedido de parcelamento formulado pelo contribuinte equivale à desistência do recurso na parte que foi objeto da confissão.
ACORDO JUDICIAL. RECONHECIMENTO PELA UNIÃO DE FILIAÇÃO DE SERVIDORES PÚBLICOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. IMPROCEDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS.
Tendo a União reconhecido que os servidores estaduais efetivados após a Emenda Constitucional n.º 20/1998 são vinculados a Regime Próprio de Previdência Social - RPPS, deixam de ser exigíveis as contribuições para o Regime Geral, incidentes sobre a remuneração desses servidores.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 08/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por rejeitar a argüição de decadência. II) por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento FPP - Folha de Pagamento Função Pública.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004 PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de parcelamento formulado pelo contribuinte equivale à desistência do recurso na parte que foi objeto da confissão. ACORDO JUDICIAL. RECONHECIMENTO PELA UNIÃO DE FILIAÇÃO DE SERVIDORES PÚBLICOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. IMPROCEDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS. Tendo a União reconhecido que os servidores estaduais efetivados após a Emenda Constitucional n.º 20/1998 são vinculados a Regime Próprio de Previdência Social - RPPS, deixam de ser exigíveis as contribuições para o Regime Geral, incidentes sobre a remuneração desses servidores. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Constatandose antecipação de recolhimento, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4.º do art. 150 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004 PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de parcelamento formulado pelo contribuinte equivale à desistência do recurso na parte que foi objeto da confissão. ACORDO JUDICIAL. RECONHECIMENTO PELA UNIÃO DE FILIAÇÃO DE SERVIDORES PÚBLICOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. IMPROCEDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS. Tendo a União reconhecido que os servidores estaduais efetivados após a Emenda Constitucional n.º 20/1998 são vinculados a Regime Próprio de Previdência Social RPPS, deixam de ser exigíveis as contribuições para o Regime Geral, incidentes sobre a remuneração desses servidores. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 55 95 /2 00 8- 60 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 08/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por rejeitar a argüição de decadência. II) por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento FPP Folha de Pagamento Função Pública. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.015595/200860 Acórdão n.º 2401002.803 S2C4T1 Fl. 276 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.187.4351, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, visando à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incluindo aquela destinada ao financiamento dos benefícios acidentários. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 27/33, o sujeito passivo é uma autarquia estadual com autonomia administrativa e financeira, personalidade jurídica de direito público, prazo de duração indeterminado e sede e foro na Capital do Estado. Continuando, o Fisco assevera que os fatos geradores de contribuições previdenciárias foram as remunerações pagas pelos serviços prestados ao sujeito passivo por segurados empregados vinculadas a Cargo em Comissão de Recrutamento Amplo e de Função Pública da Loteria do Estado de Minas Gerais. A apuração do crédito tomou como base os seguintes itens (levantamentos): a) FFP – Folha de Pagamento Função Pública; b) FPD – Folha de Pagamento Diretoria; e c) FRA – Folha de Pagamento Recrutamento Amplo. Sustenta a Auditoria que, embora os servidores citados contribuíssem para o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG, eram os mesmos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, uma vez que o IPSEMG, por não prever dentre os benefícios concedidos o de aposentadoria, não poderia ser considerado Regime Próprio de Previdência Social. Foram apresentados demonstrativos discriminando cada um dos segurados cuja remuneração serviu de base para a apuração fiscal, cujos dados foram coletados de folhas de pagamento, portarias de nomeações e exonerações, termos de posse, notas de empenho e notas de liquidação da despesa. Cientificada do lançamento em 05/09/2008, a autuada apresentou defesa, fls. 44/51, pugnando pela improcedência do crédito, uma vez que os seus servidores seriam amparados pelo regime previdenciário estadual. A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (MG) achou por bem baixar o processo em diligência, para que a Autoridade Fiscal, esclarecesse a inclusão no levantamento de servidores que foram efetivados pelo Estado de Minas Gerais, ver fls. 105/106. O Fisco manifestouse a fl. 110, asseverando que a referida efetivação somente se deu em 20/11/2003, portanto, em data posterior às competências em que estão incluídos aqueles servidores alçados à condição de efetivos (05, 07, 09 e 10/2003). Foram acostadas cópias das portarias de efetivação. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Instada a se pronunciar sobre a Informação Fiscal, a autuada argumentou que a efetivação dos servidores que detinham função pública teve como base legal a Emenda à Constituição do Estado de Minas Gerais n.º 49, de 14/07/2001, não devendo prevalecer o entendimento do Agente Fiscal. A DRJ em Belo Horizonte (MG) declarou improcedente a impugnação, fls. 117/126, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da Unido em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos as contribuições previdenciárias, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66), segundo o qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. SERVIDORES TITULARES DE CARGOS EFETIVOS. Pela legislação em vigor, os regimes próprios de previdência social achamse restritos aos servidores titulares de cargos de provimento efetivo, ficando todos os demais servidores públicos submetidos ao Regime Geral de Previdência Social RGPS Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 131/138, no qual asseverou, em apertada síntese, que: a) com fundamento no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional — CTN e na Súmula Vinculante n° 08, requer a decadência dos créditos referentes às competências de 05 a 09/2003; b) o período do lançamento fiscal, 05/2003 a 12/2004, encontrase sob a vigência do artigo 36 da Constituição Estadual, a qual contemplou os servidores ocupantes de cargo temporário, ou seja, sem vinculo efetivo, no parágrafo 2° do seu artigo 36. Assim, a legislação ordinária relativa a aposentadoria, compatível com a mesma, foi recepcionada; c) em relação ao servidor temporário, a administração mineira optou por abrigálo no Regime Próprio, objeto da Lei Complementar n° 64 de 2002; d) o artigo 108 da Lei Estadual n° 869 de 1952 restringiu seus benefícios aos servidores efetivos, todavia, em 1965 a Lei Estadual 4065, alterando a redação do artigo 108, incluiu, expressamente, todos os demais servidores, quaisquer que seja seu vinculo com o Estado; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.015595/200860 Acórdão n.º 2401002.803 S2C4T1 Fl. 277 5 e) em 1986, foi editada a Lei Estadual n° 9.380 dispondo em seu artigo 2° sobre a vinculação dos servidores civis do estado ao IPSEMG. Depois toda a legislação foi editada conforme o artigo 36 da Carta Estadual e, portanto, sem distinção quanto a natureza do cargo ocupado pelo servidor; f) em virtude da interpretação equivocada do artigo 40 da Constituição Federal, a União vem afrontando seguidamente o Principio Federativo, desrespeitando a competência estadual para dispor sobre o regime próprio de previdência social, sendo que a exação impugnada fere o principio da autonomia estadual, conforme se pode extrair da doutrina de Adilson Abreu Dallari e Celso Antônio; g) a incidência de contribuições previdenciárias sobre vencimentos e vantagens de servidores da LOTERIA, por constituir tributação proibida pelo artigo 150, inciso VI, da Carta, convolase em verdadeiro confisco, já que os valores recolhidos pelo Regime Próprio de Previdência constituem receita estadual. Verificase também ofensa ao inciso IV do mesmo artigo, como se pode ver das lições de Sacha Calmon Navarro Coelho e de Fábio Konder Comparato; h) não há na Constituição Federal qualquer norma que atribua expressamente à União competência para tributar vencimentos de servidores públicos estaduais; i) de acordo com artigo 195, III, da Constituição Federal, a receita da Loteria do Estado de Minas Gerais, deduzidos os custos, é toda destinada a cobrir mediante convênios, bolsas de estudos para estudantes excepcionais carentes e projetos municipais de cunho social; j) mediante a concessão de tutela antecipada em autos de embargos à execução fiscal previdenciária foi concedida à Loteria, Certidão Positiva com Efeito Negativo; k) o auto de infração, por não possuir amparo legal, carece de efeito prático, já que não possui o condão de cassar uma decisão judicial que favorece a Loteria. Ao final, requer a improcedência do lançamento. O processo veio a julgamento nessa Turma e, na sustentação oral produzida pela Representante da Fazenda Nacional, foram suscitadas duas questões, que levaram o colegiado a converter o julgamento em diligência, fls. 242/244. O processo retornou à origem para que se esclarecesse: a) se as contribuições lançadas no AI teriam sido objeto de acordo judicial para inclusão em parcelamento; b) se havia decisão judicial impedindo o Fisco de efetuar lançamento contra a recorrente. Em resposta à diligência foi elaborado o despacho de fls. 250, que carregou as seguintes informações, quanto à inclusão do crédito em parcelamento: Nos termos da alínea “A” do acordo somente os levantamentos FPD e FRA desse lançamento foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/09. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O levantamento FFP referese a servidores do Regime Próprio de Previdência, nos termos da alínea “D” do acordo. Portanto não foi objeto de parcelamento. Acerca do impedimento judicial para constituição do crédito, o órgão de origem asseverou: Em cumprimento as decisões proferidas no Mandado de Segurança processo nº 1999.38.00.0178182, entre 13/05/1999 a 21/06/2007, não foram formalizados lançamentos para exigência de contribuições relativas aos servidores públicos estaduais não titulares de cargo efetivo. Essa decisão contemplou tão somente os órgãos da administração direta. Instada a se pronunciar sobre a resposta a diligência, a recorrente confirmou, fls. 259/260, as informações prestadas pela Autoridade Fiscal, aduzindo que o acordo prevê que o Estado de Minas Gerais reconhece serem devidas à União e ao INSS as contribuições previdenciárias relativas aos seus servidores não efetivos, após a publicação da Emenda Constitucional n.º 20/1998, sem prejuízo da aplicação da Súmula Vinculante n.º 08. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.015595/200860 Acórdão n.º 2401002.803 S2C4T1 Fl. 278 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência Observase que a decisão exarada nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0178182, entre 13/05/1999 a 21/06/2007, vedava a formalização de lançamentos para exigência de contribuições relativas aos servidores públicos estaduais não titulares de cargo efetivo. Todavia, conforme relatado, a decisão disse respeito apenas aos órgãos da administração direta, não interferindo nas ações fiscais intentadas contra a recorrente, que é uma autarquia estadual, portanto, integrante da administração indireta. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Analítico do Débito, os autos levamme a concluir que havia guias de recolhimento para o período, uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fl. 26, traz a informação de que foram analisadas guias de recolhimento durante a auditoria. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse posicionamento conduz à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 08/2003, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 05/09/2008. Da incidência do acordo judicial sobre o mérito da causa Nos termos da resposta à diligência as contribuições incidentes sobre a remuneração da Diretoria (levantamento FPD) e dos demais servidores incluídos no levantamento FRA – Folha de Pagamento Recrutamento Amplo, foram incluídas no acordo judicial firmado entre a União e o Estado de Minas Gerais e parceladas nos termos da Lei n.º 11.941/2009. Houve, portanto, renúncia do sujeito passivo em discutir o mérito da contenda quanto a essas contribuições, conforme prescreve o § 2.º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...) Permaneceriam em discussão apenas as contribuições apuradas no levantamento FFP – Folha de Pagamento Função Pública. As quais podem ser visualizadas na planilha de fl. 265, onde não está incluído no débito apurado para parcelamento o valor de R$ Fl. 282DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.015595/200860 Acórdão n.º 2401002.803 S2C4T1 Fl. 279 9 6.673,19 (seis mil, seiscentos e setenta e três reais e dezenove centavos), que corresponde exatamente ao valor originário lançado menos o valor confessado objeto do acordo. Todavia, verificase que a União reconheceu a inexistência de vinculação dos servidores efetivados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. Vejamos. Os servidores constantes do levantamento FPP são aqueles que foram efetivados nos termos da legislação estadual, conforme se verifica da informação de 110, prestada pelo Fisco em sede de diligência determinada pela DRJ. Na ocasião, informouse que todos os segurados incluídos no levantamento FPP – Folha de Pagamento Função Pública (ver anexo III, fl. 39) foram efetivados em 20 de novembro/2003, conforme consta de ato do Secretário de Estado de Planejamento e Gestão publicado no Jornal Minas Gerais — Caderno I — Diário do Executivo, Legislativo e Publicações de Terceiros do dia 20 de novembro de 2003, cópia às fls. 108/109. Ocorre que, nos termos do acordo mencionado, a União reconheceu que os servidores efetivados são amparados pelo Regime de Previdência Mineiro. Vale a pena transcrever excerto, fls. 239, do instrumento que formalizou o acordo: Desse modo, o Estado de Minas Gerais, a União e o 1NSS, acordam o que se segue: (...) D) A União e o INSS reconhecem que os servidores do Estado de Minas Gerais (incluindo suas autarquias. fundações, o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e todos os Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário) efetivados nos termos da legislação mineira, especialmente aqueles enquadrados nas espécies a seguir listadas, integram o Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Minas Gerais: 1 servidores a que se referem os arts 105 e 196 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado; II – servidores a que se referem os arts. 7.º e 9.º da Lei Complementar Mineira n.º 100 de 5 de novembro de 2007, inclusive aqueles que já tenham implementado todos os requisitos necessários à concessão do benefício até esta data, bem como os benefícios dele decorrentes. (...) Como se vê, diante do que foi acordado, essa parte do lançamento perdeu a litigiosidade, devendo as contribuições decorrentes do levantamento FFP serem expurgadas do AI, uma vez que a própria União reconheceu que os servidores ali abrangidos não se vinculam ao RGPS. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Conclusão Voto por reconhecer a decadência para as competências de 05 a 08/2003 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento FPP – Folha de Pagamento Função Pública. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 284DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001523/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2004
DECADÊNCIA - LEI Nº 8212/91 - INAPLICABILIDADE - SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 29/08/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2004 DECADÊNCIA - LEI Nº 8212/91 - INAPLICABILIDADE - SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso de Ofício Negado.
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Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 23 /2 00 8- 67 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de RECURSO DE OFÍCIO apresentado em virtude do cancelamento parcial do auto de infração em razão da aplicação da Súmula vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal – STF – que reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Para a contagem do prazo decadência vale observar que os períodos foram observados individualmente, tendo sido aplicado os termos do § 4º, artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN – para os períodos em que se constatou a realização de recolhimento de tributo e o inciso I do artigo 173 do CTN para os períodos em que não houve qualquer recolhimento. Em relação ao mérito, em breves palavras esclareço que se refere a compensação de crédito de terceiros (Crédito Prêmio de IPI) que foi negado em virtude do terceiro, em processo próprio, ter perdido o direito ao aproveitamento dos valores transferidos à Recorrente. Conforme consta das fls. 320/321 – Vol. II – a Recorrente apresentou desistência parcial da discussão administrativa para o fim de aderir ao parcelamento previsto na Medida Provisória MP nº 470, de 13 de outubro de 2009. Restou mantido apenas o período considerado como decaído. É o relatório. Voto Conselheira Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso de ofício atende aos pressupostos legais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Nos termos relatados, a discussão do presente processo administrativo restringese ao reconhecimento da decadência, com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, proferida pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Indiscutível que o auto de infração, no período cancelado, não pode subsistir, posto que encontrase fulminado em sua essência. Explico. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a Fl. 377DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.001523/200867 Acórdão n.º 3302001.713 S3C3T2 Fl. 11 3 inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Ademais, a aplicação da súmula é vinculante, razão pela qual não pode deixar de ser observada por este tribunal administrativo. Outra questão a ser analisada referese ao início da contagem do prazo decadencial. Neste particular acertada a decisão recorrida, posto que aplicou os artigos 150, §4º e 173, inciso I do CTN, respectivamente nas hipóteses em que houve pagamento e que nada foi recolhido. Ante o exposto, CONHEÇO do presente RECURSO DE OFÍCIO para o fim de NEGARLHE provimento mantendo, incólume, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10880.000323/2001-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
IRPJ. SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS. Tendo o contribuinte comprovado em parte suas alegações quanto ao direito creditório pleiteado, há que ser reconhecido o direito creditório comprovado.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 1.438.689,57; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 IRPJ. SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS. Tendo o contribuinte comprovado em parte suas alegações quanto ao direito creditório pleiteado, há que ser reconhecido o direito creditório comprovado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 515 1 514 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.000323/200188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.275 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2012 Matéria Reconhecimento de Direito Creditorio IRPJ Recorrente ELI LILLY DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 IRPJ. SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS. Tendo o contribuinte comprovado em parte suas alegações quanto ao direito creditório pleiteado, há que ser reconhecido o direito creditório comprovado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 1.438.689,57; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 03 23 /2 00 1- 88 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório ELI LILLY DO BRASIL LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou improcedente seu pleito, requerendo sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): O presente processo referese a “Pedido de Restituição” protocolizado em 12/01/2001 (fl. 01), no valor atualizado de R$ 1.713.261,98 referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Este pedido foi apresentado juntamente com o pedido de compensação (fl. 02) relativo aos débitos de PIS e Cofins referentes ao período de apuração de dezembro/2000. 2. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário foi ocasionado pelo imposto de renda retido na fonte (IRRF), inclusive por órgãos públicos e pagamentos relativos às estimativas mensais. 3. A DIORT/DERAT/SP (fls.122 a124), em 08/06/2004, indeferiu o pedido em decorrência dos seguintes fatos apurados, in verbis: O valor do IRRF informado pelas DIRF apresentadas pelas diversas fontes pagadoras é R$ 335.405,70 (fls. 87 a 96), enquanto que o IRRF compensado com o IR sobre o Lucro Real informado na DIPJ/2000 é R$ 1.829.711,60 (fls. 35), gerando uma diferença no valor de R$ 1.494.305,90, ou seja, superior ao saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2000 que é R$ 1.468.843,64; Nas DIRF apresentadas pelas diversas fontes pagadoras o valor dos rendimentos totais pagos em decorrência de aplicações fmanceiras é R$ 1.507.403,07 (fls. 87 a 90), enquanto na DIPJ/2000 o valor declarado das receitas financeiras é R$ 1.163.131,92 (fls. 27), o que evidencia possível omissão de receitas financeiras; Na ficha 13A Cálculo do IR sobre o Lucro Real, o contribuinte informa que recolheu/compensou estimativas no valor de R$ 8.391.833,31 (fls. 35), dos quais R$ 6.626.044,22 foram recolhidos em Darf e o restante foi compensado, segundo informações constantes nas DCTF do 1º ao 40 Itrimestre de 1999, com saldo negativo de IRPJ e ressarcimento de IPI (fls. 99 a 115). Entretanto tais créditos ainda não gozam dos pressupostos de liquidez e certeza exigidos no CTN, uma vez que pesquisa no sistema Sincor/Profisc informa que o contribuinte sofreu autuações de IRPJ desde o exercício 1995 e o processo de ressarcimento de IPI ainda encontrase em andamento na Divisão de Fiscalização da Defic/SP (fls. 21, 22 e 116 a 120). Verificase, ainda, que existe divergência entre o valor da estimativa de IRPJ do mês 09/1999 informado na DIPJ e aquele informado na DCTF (fls. 33, 99 e 111 a 113). Cumpre, ainda, informar que o contribuinte registrou na linha 34 da ficha 07 A despesa de Juros sobre o capital próprio no valor de R$ 14.091.947,88 (fls. 27), porém deixou de registrar em sua Dirf correspondente qualquer informação sobre tais rendimentos pagos e/ou creditados e o IRRF incidente sobre eles (fls. 121). Fl. 516DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 3 Diante do exposto e baseado no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional CTN, proponho a não homologação das compensações apresentadas no presente processo às fls. 02. 4. O chefe Substituto da DIORT, em 08/06/2004, proferiu o Despacho Decisório: “DECIDO INDEFERIR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E NÃO HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES”. 5. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 22/07/2004 e, em 23/08/2004, apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte (fls.140 a 155): 5.1. que a diferença entre os valores retidos do IRRF, considerados pela Impugnante, e os apurados pela fiscalização, através das DIRF’s, se referem a informações não prestadas pelas fontes pagadoras. Alega que se alguma fonte pagadora não informou ou repassou ao fisco os valores retidos, o que se admite apenas para argumentar, mesmo assim ela tem direito ao crédito sobre os valores declarados como retidos; 5.2. que, tendo em vista o curto prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade, esclarece que não logrou localizar em tempo hábil documentação que permitisse a comprovação de 100% do seu crédito, sendo que a parcela não comprovada corresponde ao percentual ínfimo de 0,21%, conforme quadro abaixo: Quadro 13A da DIPJ12000 linha 13 linha 14 Constou da declaracão 1.829.711,60 61.356,63 Correto 1.823.336,74 67.731,49 Comprovado 1.823.151,05 63.849,46 Faltou comprovar 185,69 3.882,03 Na linha 13, constam valores de IRRF sobre aplicações fmanceiras e sobre Prestação de Serviços Na linha 14 consta apenas retenção de órgãos públicos 5.3. apresenta planilha em que são demonstradas as retenções mensais, por instituição, juntamente com os respectivos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras (doc. 02), bem como planilhas com a confrontação entre os valores dos informes de rendimentos e os registros contábeis das retenções na conta de Imposto de Renda Retido na Fonte a Compensar, acompanhado do razão daquela conta, no qual foram identificados cada um dos valores lançados nas planilhas (doc. 03); 5.4. informa que, para os casos em que não foram fornecidos informes de rendimentos, ou cujos valores informados não correspondem à totalidade das retenções efetuadas, apresenta quadros demonstrativos comprovando os rendimentos das aplicações financeiras em moeda estrangeira e os respectivos valores de retenção, devidamente documentados com o razão das contas em que tais valores foram contabilizados (docs. 04 a 09). Diz que tais documentos comprovam integralmente as retenções no total de R$ 1.783.999,47 efetuadas em decorrência de rendimentos de aplicações financeiras no montante de R$ 8.113.631,51, que foram devidamente oferecidas à tributação. 5.5. afirma que parte dos rendimentos das aplicações financeiras está registrada na DIPJ/2000, na ficha 07A, “linha 24 Outras Receitas Financeiras R$ Fl. 517DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 4 1.163.131,92”, e o restante na “linha 20 – Variações Cambiais Ativas R$ 10.063.566,26” (doc. 01); 5.6. informa que das receitas de prestação de serviços oferecidas à tributação, de acordo com o registrado na DIPJ/2000, ficha 07A, “linha 08 – Receitas de Prestação de Serviços R$ 6.302.535,51” o montante de R$ 2.949.918,97 corresponde a serviços sobre os quais incide o IRRF. Relaciona em anexo todas as notas fiscais de serviços emitidas durante o anocalendário de 1999 e que foram objeto de retenção do IRRF, que perfaz o total de R$ 39.337,27. Junta cópia de todas as notas fiscais relacionadas e cópia do livro de registro de NF’s de serviços (doc. 10); 5.7. alega que ocorreram retenções de IRRF provenientes de recebimentos de vendas efetuadas a órgãos públicos, sendo que os valores informados nas DIRF’s, por eles, não corresponde ao que efetivamente foi retido. Apresenta os demonstrativos dos valores retidos por cada um dos órgãos (doc. 11), assim como a base de cálculo correspondente àquelas retenções; 5.8. afirma que, como a legislação instituiu a obrigatoriedade de retenção do IRRF, da Contribuição Social, do PIS e da Cofins, efetuou o desdobramento das retenções, de modo a identificar os valores correspondentes apenas ao IRRF (docs. 12 a 23); 5.9. diz que “o fato de ainda estar pendente o processo de ressarcimento de IPI em nada afeta a liquidez e certeza do crédito objeto de restituição/compensação no presente feito, relativo ao saldo negativo apurado no final de anobase de 1999, tendo em vista que os valores relativos às estimativas compensadas estão extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação (assim como os pagamentos em espécie), sendo certo que caso por qualquer motivo aquele pedido de ressarcimento venha a ser indeferido os valores compensados com aqueles créditos serão objeto de cobrança naquele feito”; 5.10. alega que, “da mesma forma, o fato de a Impugnante ter sofrido (autuações de IRPJ desde o exercício de 1995), que sequer foram identificadas pela informação fiscal, em nada afeta a liquidez e certeza dos créditos objeto do presente pedido de restituição/compensação, até porque ou bem estão com sua exigibilidade suspensa ou então o crédito tributário objeto daqueles lançamentos está sendo (ou deveria estar) regularmente exigido/executado”; 5.11. com relação à divergência entre o valor da estimativa de IRPJ no mês de 09/1999 constante da DIPJ e aquele informado na DCTF, a Impugnante informa que a diferença decorreu de equívoco por ter prestado informação em duplicidade, sendo que tal fato já foi devidamente corrigido por meio de DCTF retificadora, estando correto o valor constante da DIPJ (doc. 24); 5.12. com relação ao IRRF sobre pagamento de juros sobre o capital próprio, a Impugnante informa que, bastaria a fiscalização ter realizado uma investigação adicional para comprovar que de um total de 8.032.017.947 de quotas, 8.032.017.930 pertencem à sócia Eli Lilly Interamericana Inc., sociedade organizada de acordo com as leis dos Estado de Indiana, Estados Unidos da América. Informa que é evidente que não consta da DIRF qualquer referência àquele pagamento, pelo simples fato de que para aquela empresa, sediada nos Estados Unidos da América, a tributação em questão é definitiva; 5.13. diz que a Instrução Normativa 146/99, artigo 15, em vigor à época, estabelecia a exigência de constar em DIRF às informações relativas aos rendimentos pagos ou creditados a residentes no exterior apenas em se tratando de pessoas físicas que possuíssem o correspondente número de CPF, nada constando nesse sentido em se Fl. 518DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 5 tratando de pessoa jurídica. Alega que tal entendimento ficou explicitado no artigo 17 da IN SRF nº. 380/2003, onde está previsto a desnecessidade de informação na DIRF dos rendimentos pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como do respectivo imposto de renda retido na fonte; 5.14. alega que a despesa de juros sobre capital próprio constante da linha 34 da ficha 07 é legítima, tendo sido efetivamente paga, com a correspondente retenção do tributo devido, como se verifica, de forma inequívoca, pelo DARF anexo e conforme a informação constante da DCTF (doc. 25); 5.15. finalizando, a Impugnante diz que a não restituição do saldo negativo apurado a título de IRPJ no anocalendário de 1999 ofende ao artigo 37 da CF, que elege a moralidade e a legalidade como princípios que norteiam a administração pública. DILIGÊNCIA 6. Em 30/06/2005, este julgador solicitou diligência a ser realizada pela DERAT/SPO/DIORT/EQPIR (fls. 356/357), apontando que fossem tomadas as seguintes providências: 6.1. que fossem informados quais eram as autuações lavradas desde do exercício de 1995 de IRPJ e, se os saldos negativos do IR, destes anos, foram considerados nos autos de infração, impossibilitando que fossem realizadas as compensações – com estes saldos negativos com os recolhimentos que deveriam ter sido feitos por estimativa do IRPJ, no anocalendário de 1999; 6.2. que fosse analisado o processo nº 001088.003031/9946, de ressarcimento de IPI, para constatar se havia algum reflexo no valor compensado com estimativa do IRPJ/2000 a recolher; 6.3. que fossem analisados os documentos e as justificativas apresentadas, pelo contribuinte, a respeito dos itens 2.1 e 2.2, ou seja: em relação às diferenças entre os valores do IRRF informados nas DIRF’s das fontes pagadoras, e os valores declarados da DIPJ/2000, pela Impugnante; e, em relação às diferenças entre os valores dos rendimentos das aplicações financeiras informados nas DIRF’s, das fontes pagadoras, e os declarados na DIPJ/2000, pela Impugnante. RESULTADO DA DILIGÊNCIA. 7. Em 18/10/2006 a DERAT/SPO/DIORT/EQPIR apresentou o relatório da diligência realizada (fls. 403 a 406), informando que, in verbis: Com base nesta manifestação, o julgador da 1° Turma da DRJ/SP devolveu o presente processo para esta DIORT para que sejam realizados análise e relatório conclusivo com base nos novos documentos juntados, e que sejam esclarecidas várias questões por ele colocadas, o que se procederá a partir de agora: Questão 1: "Informar quais são as autuações lavradas desde o exercício de 1995 de IRPJ e se os saldos negativos de IRPJ foram considerados nos autos impossibilitando, neste caso, que sejam considerados nas compensações realizadas com os recolhimentos que deveriam ter sido realizados por estimativa do IRPJ”. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 6 As autuações lavradas são as seguintes: 13807002243/0095 (fI. 393/395 e 399) lançamento de IRPJ dos anosbase de 1994 e 1995. Atualmente o processo encontrase em REP CONSEL CONTRIBUINTES CURITIBA PR na situação de "julgamento do recurso especial", e não é possível verificar se o saldo negativo foi considerado na lavratura do auto de infração sem o exame do mesmo. 13807002244/0058 (fl. 396 e 400) lançamento de IRPJ dos anosbase de 1995 e 1996. Este processo encontrase na situação de "encerrado por julgamento voluntário". 16327.004286/200220 (fI. 397 e 401) lançamento de IRPJ do anobase de 1997. Este processo encontrase na DIV FISCPREÇOS TRANSFERÊNCIADEAINSPO SP na situação "em impugnação (diligência)", e também não é possível verificar se o saldo negativo foi considerado na lavratura do auto de infração sem o exame do mesmo. 16327.004065/200332 (fI. 398 e 402) lançamento de IRPJ do anobase de 1999. Este processo encontrase na PRIMEIRA TURMA DRJ SÃO PAULO I SP na situação "em impugnação (em julgamento)", e também não é possível verificar se o saldo negativo foi considerado na lavratura do auto sem o exame do mesmo. Questão 2: "Quanto ao processo nº 001088.0030331/9946 de ressarcimento de IPI, como já foi devolvido pela Divisão de Fiscalização, analisar a situação atual e seu reflexo na presente compensação” O processo em questão já foi encerrado por compensação. Conforme vemos no extrato de fls. 391/392, foi compensado o débito de IRPJ no código 2362 (estimativa) referente ao mês de setembro de 1999 no valor de R$ 136.048,59 e não no valor de R$ 437.350,32, que é o valor que consta na DCTF cujo extrato foi juntado à fl. 112. Sendo assim, o valor de R$ 136.048,59 deverá compor o montante a ser deduzido a título de estimativa, na linha 16 da ficha 13 A. Questão 3 "Analisar os documentos e as justificativas apresentadas pelo contribuinte em relação aos itens 2. 1 e 2.2". Tais itens dizem respeito a valor declarado de IR na fonte na linha 13 da ficha 13A • Na sua manifestação de inconformidade, o interessado afirma estar comprovando um valor de lRRF de R$ 1.823.151,05. Porém, ao se analisar a documentação juntada, verificase que não é isso que acontece, uma vez que o documento hábil para comprovar a retenção na fonte é o informe de rendimentos (§ 2° do artigo 943 do RIR/1999), e o interessado não juntou informes de rendimento que comprovem a retenção do total do valor alegado. Porém, ao se proceder a uma nova consulta ao sistema SIEF/DIRF, inclusive das filiais (extrato de fls. 360/389), verificase que o valor comprovado é maior que o constante da decisão primitiva, conforme se verifica na tabela a seguir: (...) Notese que, excluindose o informe de rendimento juntado à fI. 176 (Lloyds TSB), todos os outros constam da DIRF. Notese também que, ao considerarmos as Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 7 retenções comprovadas pelos sistemas da SRF, chegamos a um valor comprovado maior que o indicado como comprovado pelo contribuinte no resumo de fl. 178 (R$ 1.651.410,41). Com relação à indicação do rendimento das aplicações financeiras, o contribuinte alega em sua defesa que tais valores foram oferecido integralmente à tributação "estando parte incluídos no valor de R$ 1.163.131,92 indicado no quadro 07 A, linha 24 Outras Receitas Financeiras, e parte no valor de R$ 10.063.566,26 indicado na linha 20 Variações Cambiais Ativas". De fato, os documentos juntados às fls. 182/190 (cópias do livro Razão) comprovam tal alegação. MANIFESTAÇÃO SOBRE O RESULTADO DA DILIGÊNCIA. 8. A Impugnante tomou ciência do relatório da diligência em 30/10/2006 e apresentou sua Manifestação (fls.411 a 418), trazendo as seguintes colocações: 8.1. que o Relatório Conclusivo da diligência, praticamente, “corrobora em sua totalidade a manifestação de Impugnante, como passa a demonstrar”; 8.2. quanto às autuações realizadas desde o exercício de 1995 do IRPJ, diz que apesar de terem sido finalmente identificadas, reitera novamente o já apresentado na impugnação, no sentido de que, em nada afeta a liquidez e certeza dos créditos objeto do presente pedido de restituição/compensação. Destaca o processo nº 13807.002244/0058 já foi cancelado pelo Conselho de Contribuintes; 8.3. com relação ao processo nº 001088.0030331/9946 de ressarcimento de IPI, que a diligência apontou como sendo encerrado por compensação de estimativa do IRPJ, valor de R$ 136.048.59 e não de R$ 437.350,32 como consta da DCTF, a Impugnante alega que foi entregue DCTF retificadora (doc. 24). Informa que o valor de R$ 437.350,32 foi pago mediante compensação por meio de 2 (dois) processos distintos; 8.4. que o processo acima mencionado referese efetivamente ao valor de R$ 136.048,59 e foi devidamente homologado como reconhece a fiscalização. Já o valor de R$ 301.301,73 foi pago mediante compensação do processo nº 10880.030330/99 83 como informado na DCTF retificadora, e também foi homologado em sua quase totalidade, ou seja, R$ 277.708,21. Ficou comprovado pagamento de estimativa no valor de R$ 413.756,80 dos R$ 437.350,32 devido a título de antecipação do mês de setembro de 1999; 8.5. destaca que mesmo quanto à diferença ainda não homologada (R$ 23.593,52) ela não afeta em nada a liquidez e certeza da totalidade do crédito em discussão, tendo em vista que esta diferença já está sendo cobrada acrescida de multa de 20% e juros de mora, desde de 01/11/99, naquele processo nº 10880.030330/9983; 8.6. se acolhida à manifestação de inconformidade lá apresentada restará homologada a compensação também nesta parte e legitimado o crédito objeto do presente pedido, e se negada ou bem aquele valor será pago naqueles autos com multa e juros, também legitimando o crédito neste feito, ou então será objeto de execução fiscal, não podendo ser cobrado também nestes autos sob pena de cobrança em duplicidade; Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 8 8.7. quanto à 3ª questão da diligência, afirma que comprovou com sua Manifestação de Inconformidade a quantia de R$ 1.823.151,05 de IRRF: porém, a fiscalização reconheceu somente o valor R$ 1.666.498,94 argumentado que não foram juntados todos os informes de rendimentos, documento hábil para comprovar a retenção na fonte (§ 2º do artigo 943 do RIR/1999); 8.8. volta a afirmar que se alguma fonte pagadora não informou ou repassou ao fisco os valore retidos, mesmo assim tem direito ao crédito sobre os valores que comprovadamente foram retidos, conforme farta jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 8.9. com relação aos rendimentos de aplicações financeiras, diz que a fiscalização reconheceu que a totalidade dos rendimentos foi oferecida à tributação, em momento muito diverso daquele que havia sido informado por equívoco pelas fontes pagadoras, assim, não poderia ter simplesmente ignorado todos os demais documentos anexados pela Impugnante à sua manifestação de inconformidade, que comprovam inequivocamente o valor total do IRRF de R$ 1.823.151,05. A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito oferecido à compensação deve estar revestido de liquidez e certeza, conforme prevê a legislação de regência. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. Não podem ser consideradas as compensações não revestidas dos atributos de liquidez e certeza. IRRF. IRPJ. COMPENSAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS. Não comprovado o direito a compensação do IRRF por meio da apresentação de informes de rendimentos e, além disso, não estando registrado o imposto retido em DIRF, prevalece o valor apurado pela autoridade administrativa. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Em resumo, o pedido de restituição foi negado, bem como não se homologou as compensações, em decorrência dos seguintes fatos levantados: (i) diferença entre IRRF no total de R$ 335.405,70 informado nas DIRF’s e, a quantia de R$ 1.829.711,60 apresentada na DIPJ/2000; (ii) diferença do total dos rendimentos financeiros apresentado nas DIRF’s no valor de R$ 1.507.403,07 e o apresentado na DIPJ/2000 de R$ 1.163.131,92; (iii) recolhimento/compensação de estimativas no valor de R$ 8.391.833,31, dos quais R$ 1.765.789,09 foi compensado com saldo negativo de IRPJ e ressarcimento de IPI, sendo que foram lavrados autos de infração do IRPJ desde o anocalendário de 1995 e o processo de ressarcimento do IPI ainda estava pendente de decisão; (iv). a fiscalização, ainda, informou que a Impugnante registrou na DIPJ/2000 despesa com juros sobre capital próprio no valor de R$ 14.091.947,88, porém, deixou de registrar em sua DIRF qualquer informação sobre estes rendimentos pagos e o IRRF. Por sua vez, a Recorrente alega que: (i) apresentou praticamente 100% dos documentos para comprovar as retenções do IRRF realizadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos e que se elas não declararam em suas DIRF’s a impugnante não pode ser penalizada; (ii) que está demonstrando que as receitas financeiras e de prestação de serviços foram registradas na DIPJ/2000 nas linhas 08, 20 e 24 da ficha 07 A; (iii) que as autuações sofridas relativas ao IRPJ de anoscalendário anteriores em nada afeta a liquidez e certeza dos créditos pleiteados; (iv) que foi apresentada DCTF retificadora relativa ao mês 09/1999, pois, na original foi apresentado o valor compensado de estimativa em duplicidade, sendo R$ 437.350,32 compensado com o crédito de IPI e a mesma quantia como compensada com o saldo negativo do IRPJ, sendo a correta esta ultima informação; (v) que não deveria ter apresentado em DIRF os rendimentos pagos relativos aos juros sobre capital próprio e nem o IRRF, pois, o beneficiário era sua controladora no exterior sem CNPJ no país e que apresenta a cópia do DARF relativo ao IRRF recolhido. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instancia: “(...) Passando ao voto, com respeito ao IRRF relativo às aplicações financeiras e a prestação de serviços, conforme a diligência, ficou devidamente comprovado o valor retido de R$ 1.666.498,94. Esta quantia é maior do que a Impugnante demonstra como comprovado, com a apresentação de informes, na fl.178, no valor de R$ 1.651.410,41. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 10 A Impugnante entende como comprovado também o valor de R$ 171.740.64 em que não foram apresentados os informes de rendimentos das fontes pagadoras. Logo, a quantia total do IRRF que ela entende como comprovada é de R$ 1.823.151,05. 14. Está sendo considerado, por este julgador, como provado o valor do IRRF de R$ 1.666.498,94 que, conforme informação da diligência, com exceção do informe de rendimentos à fl.176 (Lloyds TSB), todos os outros valores retidos constam das DIRF’s das fontes pagadoras. Aqueles valores em que não foram apresentados informes e nem estavam em DIRF não foram considerados como provados. 15. Quanto à retenção do IRRF no total de R$ 61.356,63 sobre vendas a órgãos públicos, ficou validado com a verificação dos valores declarados em DIRF’s e documentos apresentados na Impugnação; 16. Com relação aos rendimentos financeiros está sendo aceita a alegação da Impugnante e confirmada pela diligência, ou seja, parte das receitas na quantia de R$ 1.163.131,92 foi oferecida à tributação com a sua inclusão na linha 24, da ficha 07, da DIPJ/2000 e, o restante na linha 20 – “Variações Cambiais Ativas” no valor de R$ 10.063.566,26. 17. Quanto às autuações do IRPJ de anos anteriores, foi constatado, através de levantamento das decisões prolatadas pela DRJ e de diligências solicitadas, que não se tratavam de infrações que pudessem ter ocasionado a compensação, nos autos, dos saldos credores do IRPJ destes anos, ou seja, antecipações do IR e IRRF. Referiam a aplicação de índices de correção do patrimônio de planos econômicos e preços de transferência. 18. Com respeito à informação sobre pagamento dos juros sobre capital próprio a beneficiário no exterior está comprovado através da cópia do DARF o recolhimento do IRRF correspondente. 19. Quanto à retificação da DCTF, relativa ao mês de setembro de 1999, alegada pela Impugnante, foi devidamente demonstrada. 20. Quanto às compensações realizadas dos valores devidos de estimativas, através de saldo negativo do IRPJ de anos anteriores e ressarcimento de IPI, não está sendo aceito o valor de R$ 1.328.438,77 do saldo negativo do IRPJ e R$ 23.593,52 do processo nº 10880.030330/9983 de ressarcimento do IPI que não foi homologado pela DERAT (fl.442). 21. A Impugnante na DCTF não informa, nos meses em que está compensando a estimativa com saldo negativo do IRPJ de ano anterior, o numero do processo, evidenciando que a compensação foi somente realizada na escrituração contábil. Não foi apresentada para provar a existência do saldo negativo à cópia da DIPJ nem a cópia livro razão e diário, demonstrando a compensação realizada. 22. A Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN), assim estabelece, em seus artigos 165 e 170: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 11 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” (grifei). 23. Portanto, verificase que o contribuinte tem direito à restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que atenda aos requisitos legais e faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda pública. 24. Abaixo estão demonstrados os valores aceitos, neste julgamento, que compõem o crédito pleiteado pela Impugnante: DEMONSTRATIVO SALDO NEGATIVO DO IR 1999 PEDIDO ACEITO DIFERENÇA IRPJ antes/deduções 8.814.057,90 8.814.057,90 0,00 ESTIMATIVA (8.391.833,31) (7.039.801,02) (1.352.032,29) IRRF (1.829.711,60) (1.666.498,94) (163.212,66) IRRF Orgão Púb. (61.356,63) (61.356,63) 0,00 TOTAL DEDUÇÕES (10.282.901,54) (8.767.656,59) (1.515.244,95) IRPJ A PAGAR (1.468.843,64) 46.401,31 (1.515.244,94) Atualização Selic 244.418,34 Saldo Neg. Atualizado (1.713.261,98) No recurso voluntário o contribuinte alega em preliminar que: (...) Como se vê, entendeu a r. decisão que não havia provas (cópia da DIPJ, do Livro Diário e razão) da existência de parte do saldo negativo compensado. Contudo, com a máxima vênia, ao assim decidir a r. decisão inovou na motivação do despacho decisório que deu inicio ao presente litígio com a não homologação das compensações declaradas pela Recorrente, como se verifica do teor da decisão proferida pela DIORT/DERAT/SPO as fls. 122/124 dos autos, (...) Fl. 525DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 12 Rejeito de plano essa alegação, isso porque inexiste inovação nos fundamentos da DRJ e sim razoes de decidir. Isso porque cabe ao contribuinte fazer prova do credito alegado e os julgadores podem fazer as verificações necessárias para constatar a existência ou não do credito pleiteado. Frisese que não se trata de autuação. Vejamos agora as alegações da recorrente quanto ao mérito: “(...) 1.1 — QUANTO AO VALOR DE R$1.328.438,77 A r. decisão ora recorrida deixou de reconhecer parte do saldo negativo indicado como crédito pela Recorrente porque as estimativas que lhe deram origem foram compensadas em DCTF, sem que a Recorrente tivesse informado, "nos meses em que está compensando a estimativa com saldo negativo do IRPJ de ano anterior, o numero do processo, evidenciando que a compensa cão foi somente realizada na escrituração contábil", bem como porque, considerando que as compensações daquelas estimativas foram realizadas contabilmente, "não foi apresentada para provar a existência do saldo negativo à cópia da DIPJ nem a cópia livro razão e diário, demonstrando a compensação realizada". Pois bem. Com relação a estas compensações, vem a Recorrente demonstrar, mediante prova de sua escrituração contábil (DIPJ/99 e Livro Diário), que elas de fato ocorreram, não havendo qualquer motivo para que sejam desconsideradas. De fato, tais estimativas foram compensadas com o saldo negativo apurado pela Recorrente no ano anterior (anobase 1998) no valor de R$1.327.161,70, conforme DIPJ anexa (doc. 02). Por outro lado, referidas compensações foram efetivamente registradas pela Recorrente em sua contabilidade, conforme comprovam as cópias anexas de seu Livro Diário (doc. 02). Assim, tendo sido de fato compensadas as estimativas dos meses de 02/99, 10/99 e 11/99 com o saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 1998, o que se demonstra de forma inequívoca pelos documentos trazidos aos autos, deve ser reconhecido o crédito a elas relativo, de modo a que sejam homologadas as compensações declaradas neste feito. Mas não é só. 1.2— QUANTO A PARTE DA ESTIMATIVA DE SETEMBRO NO VALOR DE R$ 23.593,52 A r. decisão ora recorrida também desconsiderou o crédito de estimativa de R$23.593,52 por entender que o fato de ter sido este valor objeto de compensação com credito oriundo de ressarcimento de IPI no PA n° 10880.030330/9983 , não homologada pela DERAT, representaria óbice ao seu aproveitamento, "verbis": “está sendo aceito o valor de R$ 1.328.438,77 do saldo negativo do IRPJ e R$ 23.593,52 do processo n° 10880.030330/9983 de ressarcimento do IPI que não foi homologado pela DERAT (fl. 442)." Fl. 526DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 13 Contudo, com a máxima vênia, tal conclusão não pode prosperar porque a não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em processo autônomo enseja a cobrança do débito compensado já naqueles autos, de modo que negar o crédito relativo àquela compensação implica exigência em duplicidade. De fato, as Declarações de Compensação apresentadas pela Recorrente configuram confissão de divida relativamente aos débitos compensados. Isso implica dizer que eventual insucesso na manifestação de inconformidade apresentada no processo n° 10880.030330/9983 tornará devidos os valores discutidos naquele processo, ou seja, os valores que eventualmente forem considerados indevidamente compensados relativos As antecipações serão exigidos já naquele processo acrescido de multa e juros de mora, sendo que o seu não reconhecimento como credito no presente feito importará na cobrança em duplicidade. Nessas condições, qualquer que seja a solução final daquele processo permanece intacto o direito da Recorrente A restituição do saldo negativo indicado em sua DIPJ. De fato, sendo homologadas as compensações das antecipações restará inalterado o saldo negativo do anobase em referência. Por outro lado, não sendo homologadas as compensações, o débito se tornará integralmente exigível no processo em que compensado com acréscimo de multa e juros de mora, sem qualquer efeito negativo quanto ao credito de saldo negativo cuja compensação é pleiteada no presente feito. 0 que não poderia jamais pretender a fiscalização, mas é exatamente o que está ocorrendo, é simultaneamente exigir no processo administrativo próprio da compensação o pagamento da estimativa cuja compensação não foi homologada, acrescida de multa e juros de mora, e negar nos presentes autos a compensação do saldo negativo que resulta justamente daquela estimativa, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. (...) Cumpre, então, demonstrar o equivoco da r. decisão recorrida também quanto aos valores de IRF que igualmente compõem o saldo negativo compensado. II— QUANTO AO CRÉDITO DE IR FONTE R$ 156.827,80 Em sua manifestação de inconformidade, demonstrou a Recorrente possuir créditos de IRF que compuseram o saldo negativo do ano de 1999 no valor de R$ 1.823.326,74 (R$ 1.783.999,47 de retenções de IRF sobre rendimentos de aplicações financeiras + R$ 39.327,27 de retenções de IRF sobre receitas na prestação de serviços). Não obstante a demonstração efetuada, a r. decisão recorrida apenas reconheceu o crédito de R$ 1.666.498,94 nos seguintes termos, "verbis": (...) A diferença entre o total do direito creditório pleiteado a titulo de retenções do IRF sobre rendimentos de aplicações financeiras e receitas de prestações de serviços (R$ 1.823.326,74) e o valor efetivamente reconhecido (R$ 1.666.498,94) corresponde ao montante de R$ 156.827,80, que é exatamente o crédito não reconhecido pela r. decisão ora recorrida, ao fundamento único e exclusivo de que referido crédito não teria sido comprovado porque "não foram apresentados informes e nem estavam em DIRF" (fls.13 da decisão). Fl. 527DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 14 Contudo, com a máxima vênia, o fundamento apontado pela r. decisão não pode levar ao indeferimento do credito. De fato, uma vez comprovado que determinado rendimento foi devidamente oferecido A tributação e sofreu retenção de IRRF, tem o contribuinte inequívoco direito A sua compensação independentemente de eventual omissão da fonte quanto As suas obrigações acessórias, conforme jurisprudência pacifica do E. Conselho de Contribuintes (....) No caso concreto, a Recorrente efetuou por ocasião de sua manifestação de inconformidade levantamento detalhado comprovando que os rendimentos de suas aplicações financeiras foram integralmente oferecidos A. tributação, como se verifica do quadro 07A, linha 24 — Outras Receitas Financeiras, e parte no valor de R$ 10.063.566,26 indicado na linha 20 —Variações Cambiais Ativas (doc. 01 da manifestação de inconformidade). Também apresentou a Recorrente planilha em que são apresentadas as retenções mensais, por fonte pagadora, juntamente com os respectivos informes de rendimentos fornecidos (doc. 02 da manifestação de inconformidade), bem como planilhas com a confrontação entre os valores dos informes de rendimentos e os registros contábeis das retenções na conta de Imposto de Renda Retido na Fonte a Compensar, acompanhada do razão daquela conta, no qual foram identificados cada um dos valores lançados nas planilhas (doc. 03 da manifestação de inconformidade). Para os casos em que não foram fornecidos pelas fontes pagadoras os competentes informes de rendimentos, ou cujos valores informados não correspondem à totalidade das retenções efetuadas, apresentou ainda a Recorrente quadros demonstrativos comprovando os rendimentos das aplicações financeiras em moeda estrangeira e os respectivos valores de retenção, devidamente documentados com os razões das contas em que tais valores contabilizados (docs. 04 a 09 da manifestação de inconformidade). Assim, havendo a prova contábil de que a Recorrente de fato sofreu a retenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos, que foram oferecidos à tributação, não há razão plausível para que seja desconsiderado o crédito relativo ao imposto retido unicamente por ausência de informes de rendimentos e entrega de DIRF pelas fontes pagadoras (...) Nessas condições, também quanto a este ponto deve ser igualmente reconhecido o direito creditório pleiteado nestes autos. (...) Pela análise das alegações acima formei convencimento de que, no mérito, cabe razão parcial ao contribuinte, haja vista que a recorrente apresentou provas do registro contábil da compensação das estimativas no valor de 1.328.438,77, em 1999, com saldo negativo de 1998 (fls. 483 e seguintes, imagem 506). No que tange ao valor de 23.593,52 que está em litígio em outro processo, não cabe razão ao contribuinte, isso porque não há previsão legal para compensar direito creditório ainda não reconhecido (relativo a credito presumido de IPI). O contribuinte poderá utilizar tal crédito para outras compensações, caso seja definitivamente reconhecido. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10880.000323/200188 Acórdão n.º 1402001.275 S1C4T2 Fl. 0 15 Em relação ao valor de R$ 156.827,80 (referente a IRFonte que em principio deixou de ser recolhido e de ser declarado pela instituição financeira), esclareçase que o valor correto do litígio seria R$ 156.652,11 (R$ 1.823.151,05 R$ 1.666.498.94); pois o contribuinte admite como comprovado o montante de R$ 1.823.151,05 e o valor reconhecido pela decisão recorrida foi R$ 1.666.498,94. Tendo o contribuinte oferecido todos os rendimentos a tributação e comprovado que o IRfonte foi retido (fls. 171 a 201) , haja vista se tratar de aplicações financeiras, o valor deve ser aproveitado. O fato de a fonte pagadora não ter recolhido/declarado o IRFonte deve ser objeto de cobrança e lançamento junto a esta, pois, tal obrigação decorre da lei. O contribuinte não pode ser apenado pela irregularidade cometido pela fonte pagadora. De todo o exposto, deve compor a apuração do resultado como crédito o montante de R$ 1.485.090,88 (R$ 1.328.438,77 + R$ 156.652,11) que, diminuído do IRPJ a pagar apurado pela decisão recorrida (R$ 46.401,31), implica no saldo negativo do IRPJ em valor original no montante de R$ 1.438.689,57. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 1.438.689,57, bem como homologar as compensações até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 529DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.722624/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
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MARTINS E CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITASE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 24 /2 01 0- 35 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722624/201035 Acórdão n.º 2302002.104 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado empregado, decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa VIVIANE V. MARTINS E CIA. LTDA., pelos serviços prestados na construção civil, no período de 01/1997 a 12/1998. A autuação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em 23/08/2010. A devedora solidária passiva foi notificada através de registro postal em 06/09/2010. O débito foi constituído em substituição às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n.º 35.067.6682, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999 e nº 35.067.6690, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, ambas tornadas nulas pela 04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n.º 1867, de 26/10/2004, devido à falta do tipo do débito, acarretando a ausência de fundamentação legal no processo. O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração, que o período originalmente lançado de 05/1995 a 02/2001, foi alcançado parcialmente pela fluência do prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não identificadas com CNPJ ou razão social. Após a impugnação, Acórdão de fls.157/169, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte responsável solidário apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que a matrícula da obra, bem como as contribuições previdenciárias eram de obrigação da empresa contratada, a qual deve ser chamada ao processo; b) que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das licitações; c) que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada há o risco do pagamento em duplicidade; d) que foram expedidas CND’s à época comprovando a inexistência de débito da contratada; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co responsabilidade do recorrente; f) que inexiste normativo legal para a fixação do percentual de 40% sobre as notas fiscais, sendo que a Instrução Normativa fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo a Administração anular seus atos eivados de nulidade. Requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário, reconhecendo a nulidade da autuação procedida e declarar a inconsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722624/201035 Acórdão n.º 2302002.104 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se atentar que as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, as sociedades de economia mista estão sujeitas a todas as normas contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária. A responsabilidade solidária atribuída à recorrente decorre da prestação de serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97). Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma epercentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos: Art. 20. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; (...) Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo 20, a responsabilidade solidária será elidida: I com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e II com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção VIII deste Capítulo. § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o contratante deverá exigir da empresa construtora, os documentos abaixo, elaborados especificamente para cada obra de construção civil: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722624/201035 Acórdão n.º 2302002.104 S2C3T2 Fl. 217 7 I cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra; II cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de 1998; III cópia da GFIP com comprovante de entrega, a partir de janeiro de 1999; e IV declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo contador e responsável pela empresa, e que os valores ora apresentados encontram se devidamente contabilizados. (...) A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento. A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional CTN, instituído pela Lei 5.172/1966. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do CTN, dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização da mãodeobra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, e assim o fez a Lei n ° 8.212/1991,no artigo 30, inciso VI, já transcrito anteriormente.; Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem. Benefício de ordem significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida inteira. A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados expressamente pela lei, como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima. De qualquer forma, a responsabilidade solidária independe de prévia verificação junto ao prestador dos serviços apurados. A propósito do tema, a extinta Câmara Superior em matéria de Custeio do CRPS, se pronunciou sobre o assunto, através do seu Enunciado nº 30: “Enunciado Nº 30”.Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU pág 00030, em 05 /02/2007). A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos fatos ocorridos na empresa prestadora, lhe competindo apenas a guarda da documentação, como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela. Como a recorrente não detém e não apresentou a documentação referida, o fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Destarte, era obrigação do contribuinte a guarda da documentação e sua apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da Lei n.º 8.212/91, e ao não fazêlo, sujeitouse ao lançamento do débito por aferição indireta: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722624/201035 Acórdão n.º 2302002.104 S2C3T2 Fl. 218 9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de tal documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia, não havia débitos exigíveis do contribuinte. Ainda, conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das referidas Certidões. Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que resultou no salário de contribuição lançado, esclareço que o mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais : Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905059/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos - Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 05 05 9/ 20 08 -9 9 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905059/200899 Resolução nº 3401000.618 S3C4T1 Fl. 97 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905059/200899 Resolução nº 3401000.618 S3C4T1 Fl. 98 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13054.000039/2010-23
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Neste caso concreto, o único obstáculo imposto em primeira instância de julgamento quanto à dedução de honorários de advogado foi um erro formal no recibo e o equívoco foi sanado com a segunda via apresentada em segunda instância, tornado legítima a dedução.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Neste caso concreto, o único obstáculo imposto em primeira instância de julgamento quanto à dedução de honorários de advogado foi um erro formal no recibo e o equívoco foi sanado com a segunda via apresentada em segunda instância, tornado legítima a dedução. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Neste caso concreto, o único obstáculo imposto em primeira instância de julgamento quanto à dedução de honorários de advogado foi um erro formal no recibo e o equívoco foi sanado com a segunda via apresentada em segunda instância, tornado legítima a dedução. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 00 39 /2 01 0- 23 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2007 , anocalendário 2006, em virtude de apuração de omissão de rendimentos pagos pela Caixa Econômica Federal CEF (R$24.798,69) e glosa de Compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte (R$743,96), esta última por falta de atendimento à intimação. A contribuinte alegou que a fonte pagadora é a CEF e não o Instituto Nacional do Seguro Social INSS como constou, que o valor tributável pago pela CEF de R$18.599,02 está correto, pois foi deduzido o valor das despesas com honorários advocatícios de R$6.199,67. A Delegacia de Julgamento reconheceu o erro do contribuinte em informar como pago pelo INSS o rendimento pago pela CEF, no mesmo sentido quanto à retenção na fonte, com isso afastou a glosa de compensação de IRRF e excluiu parte da omissão de rendimentos. A parcela mantida decorreu de não ser aceita a dedução de honorários de advogado em razão de o recibo do advogado constar que “em 07 de agosto de 2006, recebeu, no ano de 2008”, honorário advocatícios da ação previdenciária que moveu contra o INSS. Ciente da decisão de primeira instância em 01/09/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário em 30/09/2011, no sustenta a legitimidade da dedução dos honorários de advogados com base no novo recibo apresentado que busca corrigir as imperfeições do primeiro. Relatado o essencial, passase ao voto. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13054.000039/201023 Acórdão n.º 2802002.081 S2TE02 Fl. 47 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio restringese ao direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os honorários de advogado, cujo óbice apontado em primeira instância foi a contradição nas datas mencionadas no recibo de advogado que fora apresentado pelo impugnante. Às fls. 39 consta a segunda via do recibo que comprova que o pagamento de honorários no valor de R$6.199,67 ocorreu no ano de 2006 e remove o único empecilho imposto à dedução. Cabe, portanto, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10070.001223/2007-07
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Oct 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 12 23 /2 00 7- 07 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10070.001223/200707 Acórdão n.º 2801002.749 S2TE01 Fl. 99 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2004, por meio do qual se exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 24.786.44. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos de aluguéis e compensação indevida de carnêleão e imposto complementar. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que os comprovantes de rendimentos das empresas Assembléia Grill Lanches Brasileira Ltda, CNPJ 33.181.322/0001 33; e Assembléia Ponto 11 Alimentos Ltda, CNPJ 04.979.371/00118, foram considerados em duplicidade pela RFB, fato que originou um imposto a pagar indevido de R$ 11.013,45. A impugnação foi considerada improcedente, conforme Acórdão de fls. 56/59, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CARNÊ LEÃO E IMPOSTO COMPLEMENTAR. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Regularmente cientificado daquele acórdão em 18/02/2011 (AR, fl. 38), o interessado, representado por sua procuradora (fl. 50), interpôs recurso voluntário de fl. 49, em 15/04/2011, no qual pretende sejam reconhecidos como corretos todos os valores apresentados na declaração simulada juntada aos autos. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Inicialmente, cabe examinar a tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10070.001223/200707 Acórdão n.º 2801002.749 S2TE01 Fl. 100 3 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Compulsandose os autos, verificase o Aviso de Recebimento – AR da decisão da DRJ/BSB/DF, por meio do qual o Recorrente foi intimado do acórdão recorrido, foi recebido em 18/02/2011, sextafeira (fl. 38). Assim, o contribuinte poderia apresentar o recurso até 22/03/2011, terça feira, entretanto só o fez em 15/04/2011, consoante carimbo aposto pela repartição de recepção do documento de fl. 49. Registrese que a Repartição Preparadora noticiou, à fl. 96, a intempestividade do recurso voluntário. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10070.001223/200707 Acórdão n.º 2801002.749 S2TE01 Fl. 101 4 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000147/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 14 7/ 20 09 -5 9 Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000147/200959 Resolução nº 3402000.465 S3C4T2 Fl. 1.366 2 Relatório Versa este processo de Pedido de Ressarcimento eletrônico, visando o ressarcimento de PIS e COFINS exportação nãocumulativos, referentes ao 3º trimestre do ano de 2006. Os créditos de PIS solicitados somam o valor originário de R$ 43.044.11, e os créditos de COFINS solicitados somam o valor originário de R$ 198.263,76. A DRF/Poços de Caldas/MG, com base no Termo de Constatação Fiscal integrante dos autos (fls. 1253/1277), indeferiu os pedidos de ressarcimento, por meio do Despacho Decisório nº 0707/2009 (fls. 1280/1281), por entender que a Recorrente não faz jus aos créditos pleiteados, não se enquadrando nos pressupostos legais para a fruição do benefício fiscal do crédito presumido agroindústria, nos termos da legislação vigente. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 14/10/2009, conforme AR de fls. 1286, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1287/1305), aduzindo que “o inciso VI do § 3 o do artigo 74 da Lei 9.430/96 não poderia ser aplicado na presente situação, uma vez que se refere à impossibilidade de entrega de novo pedido de compensação de crédito j á indeferido, ou seja, não há dispositivo que determine a não homologação de compensação já pendente de julgamento, quando o pedido de ressarcimento é indeferido posteriormente e ainda passível de recurso”; que “a questão da idoneidade de empresas está endente de julgamento no procedimento administrativo n° 13656.000021/200666; desse modo, as respectivas compensações com os referidos créditos se encontram com a exigibilidade suspensa”; e que “a decisão dos pedidos de ressarcimento encontrase suspensa e posterior ao pedido de compensação; o julgamento da compensação deve ser suspenso por absoluta prejudicialidade, a teor do disposto no art. 265, IV, "a", do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao caso”. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0934.750, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, tendo a administração pública o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. CRÉDITO BÁSICO Comprovado que a empresa adquiriu a mercadoria de produtores rurais (pessoas físicas), ela não faz jus ao crédito básico da contribuição. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000147/200959 Resolução nº 3402000.465 S3C4T2 Fl. 1.367 3 CRÉDITO PRESUMIDO – AGROINDÚSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades previstas na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que não há previsão legal para o sobrestamento dos autos, e também que, tendo a Recorrente adquirido mercadoria de produtores rurais, não faz jus ao crédito presumido da contribuição, especificando que deveria ela produzir o café que revende, configurando o exercício cumulativo de atividades, que é requisito da legislação vigente. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 16/05/2011, conforme AR de fls. 1331, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1334/1353) em 15/06/2011, repisando os mesmos argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, que por respeito à brevidade, não os repetirei. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 07 (sete) Volumes, numerado até a folha 1364 (mil, trezentos e sessenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000147/200959 Resolução nº 3402000.465 S3C4T2 Fl. 1.368 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Versam estes autos acerca de pedido de ressarcimento promovido pelo contribuinte, visando à compensação de saldos de créditos de PIS e de COFINS acumulados em decorrência de operações de exportação, e provenientes da possibilidade de utilização do crédito presumido de agroindústria. O indeferimento dos pedidos de ressarcimento, e, consequentemente, a inexistência de créditos acumulados em operações de venda ao exterior de seus produtos, estão fundados na existência de indícios de fraude e de idoneidade em relação aos fornecedores da Recorrente, afetando diretamente o direito aos créditos pleiteados. Sendo assim, para que seja possível a análise dos créditos postos à compensação pelo contribuinte, necessário se faz que seja solucionada a questão atinente à idoneidade dos fornecedores que dão azo aos créditos pretendidos. Como se depreende das informações juntadas à estes autos, tanto pelo Fisco quanto pelo próprio contribuinte, a questão da idoneidade dos fornecedores está sendo discutida em Processo Administrativo diverso deste, de nº 13656.000021/200666, de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, da 1ª Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual existe Recurso Voluntário pendente de julgamento. Vemos que a solução da lide aqui posta está condicionada à solução que for dada àquele Processo de nº 13656.000021/200666, configurando questão de prejudicialidade destes autos, com aquele distribuído ao Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. É dizer: reconhecida a inidoneidade dos fornecedores afirmada pela Administração e negada/questionada pelo contribuinte, realmente não subsistirão créditos em favor do sujeito passivo. Por outro lado, afastada a fraude e inidoneidade, o efeito será contrário, mantendose os créditos com as consequências pertinentes. Deste modo, entendo que o julgamento do processo deve ser convertido em diligência, ficando sobrestado até que haja julgamento final do Processo Administrativo nº 13656.000021/200666 de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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