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Numero do processo: 13896.912590/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS. OMISSÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE, COMPROVANTES DE RETENÇÃO, NECESSIDADE.
Detectada em parte a omissão apontada pela Fazenda Nacional, deve a mesma ser sanada apenas para incluir os fundamentos e esclarecimentos pertinentes, mas sem efeitos infringentes, mantendo a decisão do acórdão embargado.
Nos termos do disposto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985, para fins de restituição de indébito ou compensação, o aproveitamento do imposto retido na fonte é condicionado à apresentação de documento próprio emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 1301-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, DAR-LHES provimento PARCIAL, sem efeitos infringentes
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE, COMPROVANTES DE RETENÇÃO, NECESSIDADE. Detectada em parte a omissão apontada pela Fazenda Nacional, deve a mesma ser sanada apenas para incluir os fundamentos e esclarecimentos pertinentes, mas sem efeitos infringentes, mantendo a decisão do acórdão embargado. Nos termos do disposto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985, para fins de restituição de indébito ou compensação, o aproveitamento do imposto retido na fonte é condicionado à apresentação de documento próprio emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora.
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OMISSÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE, COMPROVANTES DE RETENÇÃO, NECESSIDADE. Detectada em parte a omissão apontada pela Fazenda Nacional, deve a mesma ser sanada apenas para incluir os fundamentos e esclarecimentos pertinentes, mas sem efeitos infringentes, mantendo a decisão do acórdão embargado. Nos termos do disposto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985, para fins de restituição de indébito ou compensação, o aproveitamento do imposto retido na fonte é condicionado à apresentação de documento próprio emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, DARLHES provimento PARCIAL, sem efeitos infringentes (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 25 90 /2 01 1- 91 Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13896.912590/201191 Acórdão n.º 1301001.964 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 1301001.706, de 25 de novembro de 2014, por meio do qual acordaram os membros desta Primeira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Esta decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo do IRPJ apurado no final do período, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Em respeito ao princípio da verdade material, as provas oferecidas em qualquer fase processual devem ser analisadas pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A ausência de informação, na DIPJ, de antecipações a título de IRRF estimativas pode ser superada em sede de manifestação de inconformidade, prosseguindose na análise do crédito apontado para compensação e das razões de defesa. Todavia as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte não comprovam a retenção no período, não se sobrepõem nem invalidam as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e imposto retido na fonte e das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório. A Embargante sustenta no presente pleito que foi reconhecido adicionalmente por esta Turma de Julgamento no Acórdão recorrido o valor de R$ 584.442,63, porém, não consta na DIPJ/2005 retificadora e nem na PER/DCOMP referência à fonte pagadora (CNPJ: 01.685.053/000156) do citado valor. Aduz, ainda, a necessidade de se analisar se esse crédito não foi utilizado anteriormente em outros processos. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 O Presidente desta Primeira Turma Ordinária admitiu os presentes embargos nos termos do art. 65, Anexo II, do RICARF, para que sejam prestados esclarecimentos necessários à liquidez e certeza do crédito tributário reconhecido. É o relatório do essencial. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13896.912590/201191 Acórdão n.º 1301001.964 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os embargos são tempestivos, já que opostos dentro do prazo regimental. Da leitura dos autos, verificase, com relação a matéria embargada, que o acórdão recorrido (1301001.706), de fato, reconheceu o valor adicional de R$ 584.442,63 a título de imposto de renda retido na fonte, pelos fatos e constatações a seguir descritos. Neste ponto, a decisão de primeira instância (DRJ) traz em planilha a análise por CNPJ das fontes pagadoras dos "Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda Retido", totalizando os rendimentos na quantia de R$ 38.994.930,81 e imposto retido no total de R$ 584.442,63 (cód. 1708). Tais valores restaram glosados devido a não comprovação de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, no caso, as referidas fontes pagadoras deixaram de ser informadas na DIPJ/2005 (retificadora) e na PERDCOMP. No caso, a embargante alega erro no preenchimento da DIPJ no que se refere as receitas auferidas e respectivas retenções na fonte em relação as empresas que constituem o Grupo Sul América, quais sejam: SUL AMÉRICA COMPANHIA SEG. SAÚDE (CNPJ 01.685.053/000156) SUL AMÉRICA SERVIÇOS MÉDICOS S/A (CNPJ 45.565.546/000128) SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE (CNPJ 86.878.469/000143) Constatase da DIPJ/2005 (Ficha 53Demonstrativo do IRRF, itens 280 e 454) os seguintes valores: CNPJ VALOR REND.INTEGRAL IR RETIDO NA FONTE 45.565.546/000128 R$ 98.861.674,88 R$ 1.482.929,32 86.878.469/000143 R$ 552.507,23 R$ 8.287,66 Totais R$ 99.414.182,11 R$ 1.491.216,98 Como se observa. não consta na DIPJ nenhum valor declarado ao CNPJ 01.685.053/000156 (SUL AMÉRICA COMPANHIA SEG. SAÚDE). No entanto, a contribuinte defende na impugnação e recurso voluntário que "os valores que deveriam ter sido informados na DIPJ/2005, e não foram por um simples erro formal no lançamento dos valores aos seus devidos CNPJs são os seguintes:" Transcrevese a seguinte tabela: Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 CNPJ VALOR REND. INTEGRAL IR RETIDO 45.565.546/000128 R$ 8.207.965,68 R$ 123.016,00 86.878.469/000143 R$ 43.216.516,21 R$ 648.201,05 01.685.053/000156 R$ 38.740.968,11 R$ 580.802,56 Totais R$ 90.165.450,00 R$ 1.352.019,61 Constatase do voto embargado, que verificando os documentos acostados aos autos na fase impugnatória, este relator somou os valores dos "Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" dos três CNPJs das fontes pagadoras do Grupo Sul América encontrando o valor do imposto de renda retido na fonte no total acima demonstrado. Concluindo, dessa forma, que os valores declarados na DIPJ/2005 são, inclusive, superiores aos comprovantes de rendimentos e de retenção acostados aos autos, pelo que entendeu restar comprovados tanto o oferecimento das receitas à tributação (via DIPJ) quanto o imposto retido. Nesse passo, da análise da matéria no voto ora embargado se conclui pelo restabelecimento do valor glosado do imposto retido no total de R$ 584.442,63. Extraise do voto embargado: Portanto, atendida a exigência contida no art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985 no sentido de que "o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos", procede o pleito da Recorrente com relação a este item, pelo que reconheço o direito creditório adicional (...). Como dito alhures no pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o imposto retido na fonte (IRRF) é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Por todo o exposto, admito em parte a omissão apontada pela Fazenda Nacional, apenas para incluir os fundamentos e esclarecimentos pertinentes, mas sem efeitos infringentes, mantendo a decisão do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13896.912590/201191 Acórdão n.º 1301001.964 S1C3T1 Fl. 14 7 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001544/2001-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão
exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração
visando a sanar o vicio apontado.
Embargos Providos
Numero da decisão: 9303-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 726 1 725 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.001544/200142 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303003.384 – 3ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria Embargos Embargante BUNGE ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando a sanar o vicio apontado. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 44 /2 00 1- 42 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303003.384 CSRFT3 Fl. 727 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte contra o Acórdão nº 0203.406, por meio do qual a CSRF julgou os recursos especiais interpostos pelo contribuinte e Fazenda Nacional. A ementa dessa decisão está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRFnº 88/99. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a Fl. 727DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303003.384 CSRFT3 Fl. 728 3 receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte provido em parte. Por sua vez, o texto da decisão do referido acórdão foi redigido nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso; 2) quanto_ao recurso especial do contribuinte: a) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em relação à matéria compreendida na Súmula n° 12 do Segundo Conselho de Contribuintes e à matéria para a qual não foi apresentado o paradigma necessário à formação da divergência (inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos à revenda de produtos); b) na parte conhecida: b.1) por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial, para que a receita de exportação de produtos NT seja incluída no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente; b.2) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial quanto a inclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas na base de cálculo do ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Entende a embargante ter ocorrido dois erros materiais (contradição/omissão) no acórdão. Nesse sentido seguem excertos dos embargos interpostos pela contribuinte: (...) Os erros materiais constatados na parte dispositiva do 'acórdão' são os seguintes, posto que no mesmo consta nas fIs. 655: 1) PRIMEIRO ERRO MATERIAL relativamente ao Recurso da Procuradoria Fl. 728DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303003.384 CSRFT3 Fl. 729 4 Na parte dispositiva, contudo, surge o erro material pela falta de referência ao não conhecimento de parte do recurso da Procuradoria; vejamos: "ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional (...)" No entanto, no VotoVencido de lavra do Conselheiro Antônio Carlos Atulim, às fls. 670, o mesmo deu provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, nos seguintes termos : "Em face do exposto, voto no sentido de: l) Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos;"(grifo nosso) Não há no VotoVencedor, do Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, às fls. 680, qualquer referência a este ponto, já que restringiuse a questão das aquisições de MP, ME e MI em que não houve incidência de PIS/PASEP e COFINS – Pessoas Físicas e Cooperativas, vejamos: (...) 2) SEGUNDO ERRO MATERIAL relativamente ao Recurso da Empresa: Consta da ementa: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF n° 88/99." (...) No VotoVencedor, do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, conforme referido anteriormente, e que se ressalta novamente, o mesmo aborda favoravelmente a inclusão na base de cálculo do crédito das aquisições de MP, ME e MI em que não houve Fl. 729DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303003.384 CSRFT3 Fl. 730 5 incidência de PIS/PASEP e COFINS Pessoas Físicas e Cooperativas, vejamos: (...) Designada esta conselheira "ad hoc", manifestouse favoravelmente à admissibilidade dos embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte. Estabelece o artigo 65 do RICARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Assiste razão à embargante pelas seguintes razões: Recurso especial da Fazenda Nacional: Analisando o acórdão vergastado, percebese uma contradição no voto vencido do i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em relação ao recurso interposto pela d. Procuradoria. Confirase: Estando devidamente fundamentado o entendimento expresso pela Fazenda do que considera contrariedade a lei é patente o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do referido recurso, não merecendo prosperar a preliminar apresentada. Contrariamente, ao acima exposto consta da conclusão do voto do nobre Conselheiro relator: 1. Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; Consta, no entanto, do acórdão: Fl. 730DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303003.384 CSRFT3 Fl. 731 6 ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nas palavras do voto do Conselheiro relator: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; Pela motivação exposta no voto, o correto é ter constado também do acórdão, no que se refere ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, "recurso conhecido em parte". Recurso especial da contribuinte: Já em relação ao recurso da contribuinte, há contradição do texto da ementa, devendo ser excluído o seguinte: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF nº 88/99. Isto porque, a um, independentemente do período dos autos, o voto vencedor do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, foi por reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, o valor relativo aos insumos adquiridos tanto das pessoas físicas como de cooperativas. A dois, pelo fato de a matéria pertinente às cooperativas, já se encontrar na mesma ementa constante do acórdão embargado. Confirase: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Por derradeiro, devese também corrigir o texto da ementa, de forma a explicitar o resultado final no que diz respeito à taxa SELIC. Assim, onde se lê: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS, FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Deve se ler: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. A exclusão da palavra " SELIC" se faz necessário, tendo em vista já constar da ementa, em outro item específico. Confirase: Fl. 731DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303003.384 CSRFT3 Fl. 732 7 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Desta forma, concluo como correto: I em relação ao recurso da Fazenda: pela motivação exposta no voto, o correto é ter também constado do acórdão, "recurso conhecido em parte". II em relação ao recurso do contribuinte, conforme anteriormente exposto, o acerto de redação de forma a explicitar o que decidido nos votos vencido e vencedor. Dessa forma, a ementa do acórdão embargado passa a ser a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a Fl. 732DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303003.384 CSRFT3 Fl. 733 8 receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em parte. Na parte conhecida, providos em parte. É como voto. Maria Teresa Martínez López Fl. 733DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10680.009750/2007-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: NULIDADE. IRREGULARIDADES FORMAIS. As irregularidades, incorreções ou omissões que não digam respeito à autoridade
incompetente ou a despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e nem serão sanadas quando não resultarem em prejuízo ao sujeito passivo ou quando não influírem na solução do litígio.
DECADÊNCIA - PENALIDADE — MULTA ISOLADA — ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. A contagem do prazo decadencial do direito de constituir o
crédito tributário relativo a penalidades, deve observar as regras contidas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ainda que a obrigação acessória inadimplida se refira a tributo sujeito a lançamento por homologação.
IRPJ-IRRF E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado.
PRESUNÇÃO SIMPLES - PROVA INDICIARIA — ILEGITIMIDADE PASSIVA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a
sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, "econômicos" e convergentes. O indício é considerado signo de outra coisa somente em três condições: quando não pode ser explicado de maneira mais econômica ("econômico"); quando aponta para uma quantidade limitada de causas possíveis (precisão) e quando se encaixa com outro indício (convergência). O atributo de convergência é
que dá o verdadeiro tom da intensidade da conclusão, isso quer dizer que indícios com baixas intensidades, aparentemente sem importância, quando convergentes podem produzir também uma forte e grave conclusão. Havendo prova no processo da autoria da infração, não subsiste alegação de ilegitimidade passiva.
ORIGEM DA PROVA. EVIDÊNCIA CIRCUNSTANCIAL. INCOMPATIBILIDADE COM PROVA "PLANTADA- O argumento de que a prova teria sido "plantada— não se compatibiliza com a situação em que a prova foi colhida de maneira circunstancial sem qualquer controle por parte de alguém, mormente onde as autoridades envolvidas tomaram todas as cautelas de segurança necessária.
OMISSÃO DE RECEITAS - FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. REMESSA DE NUMERÁRIO PARA O EXTERIOR.
A falta de escrituração de pagamentos sob a forma remessa de numerário para o exterior, comprovadamente de autoria da empresa autuada, autoriza a presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à margem da escrituração contábil, caracterizando omissão de receitas. A constatação da ocorrência de remessa de numerário para o exterior que não consta da escrituração caracteriza omissão de receita.
MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
Cabível lançamento de oficio da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Ficam sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, a alíquota de trinta e cinco por cento, além de quaisquer pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, também os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA.
Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do ano-calendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real.
MULTA DE OFÍCIO — QUALIFICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — presente o evidente intuito de fraude a que se manter a
qualificação da multa de ofício aplicada TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação A
de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.095
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, afastar a decadência, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Karem Jureidini Dias; II) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade; e III) pelo voto de qualidade em relação às demais razões de mérito, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: NULIDADE. IRREGULARIDADES FORMAIS. As irregularidades, incorreções ou omissões que não digam respeito à autoridade incompetente ou a despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e nem serão sanadas quando não resultarem em prejuízo ao sujeito passivo ou quando não influírem na solução do litígio. DECADÊNCIA - PENALIDADE — MULTA ISOLADA — ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. A contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativo a penalidades, deve observar as regras contidas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ainda que a obrigação acessória inadimplida se refira a tributo sujeito a lançamento por homologação. IRPJ-IRRF E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. PRESUNÇÃO SIMPLES - PROVA INDICIARIA — ILEGITIMIDADE PASSIVA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, "econômicos" e convergentes. O indício é considerado signo de outra coisa somente em três condições: quando não pode ser explicado de maneira mais econômica ("econômico"); quando aponta para uma quantidade limitada de causas possíveis (precisão) e quando se encaixa com outro indício (convergência). O atributo de convergência é que dá o verdadeiro tom da intensidade da conclusão, isso quer dizer que indícios com baixas intensidades, aparentemente sem importância, quando convergentes podem produzir também uma forte e grave conclusão. Havendo prova no processo da autoria da infração, não subsiste alegação de ilegitimidade passiva. ORIGEM DA PROVA. EVIDÊNCIA CIRCUNSTANCIAL. INCOMPATIBILIDADE COM PROVA "PLANTADA- O argumento de que a prova teria sido "plantada— não se compatibiliza com a situação em que a prova foi colhida de maneira circunstancial sem qualquer controle por parte de alguém, mormente onde as autoridades envolvidas tomaram todas as cautelas de segurança necessária. OMISSÃO DE RECEITAS - FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. REMESSA DE NUMERÁRIO PARA O EXTERIOR. A falta de escrituração de pagamentos sob a forma remessa de numerário para o exterior, comprovadamente de autoria da empresa autuada, autoriza a presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à margem da escrituração contábil, caracterizando omissão de receitas. A constatação da ocorrência de remessa de numerário para o exterior que não consta da escrituração caracteriza omissão de receita. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Cabível lançamento de oficio da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA. Ficam sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, a alíquota de trinta e cinco por cento, além de quaisquer pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, também os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do ano-calendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real. MULTA DE OFÍCIO — QUALIFICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — presente o evidente intuito de fraude a que se manter a qualificação da multa de ofício aplicada TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação A de causa e efeito que os vincula.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS %..!A5; .• PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.009750/2007-73 Recurso n° 167989 Voluntário Acórdão n° 1401-00.095 — 4' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2009 • Matéria IRPJ e OUTROS - Ex.: 2003 Recorrente VIAÇÃO PRESIDENTE LTDA Recorrida 3' TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: NULIDADE. IRREGULARIDADES FORMAIS. As irregularidades, incorreções ou omissões que não digam respeito à autoridade incompetente ou a despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e nem serão sanadas quando não resultarem em prejuízo ao sujeito passivo ou quando não influírem na solução do litígio. DECADÊNCIA - PENALIDADE — MULTA ISOLADA — ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. A contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativo a penalidades, deve observar as regras contidas no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ainda que a obrigação acessória inadimplida se refira a tributo sujeito a lançamento por homologação. IRPJ-IRRF E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. PRESUNÇÃO SIMPLES - PROVA INDICIARIA — ILEGITIMIDADE PASSIVA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, "econômicos" e convergentes. O indício é considerado signo de outra coisa somente em três condições: quando não pode ser explicado de maneira mais econômica ("econômico"); quando aponta para uma quantidade limitada de causas possíveis (precisão) e quando se encaixa com outro indício (convergência). O atributo de convergência é que dá o verdadeiro tom da intensidade da conclusão, isso quer dizer que indícios com baixas intensidades, aparentemente sem importância, quando convergentes podem produzir também uma forte e grave conclusão. Havendo prova no processo da autoria da infração, não subsiste alegação de ilegitimidade passiva. ORIGEM DA PROVA. EVIDÊNCIA CIRCUNSTANCIAL. INCOMPATIBILIDADE COM PROVA "PLANTADA - O argumento de que a prova teria sido "plantada— não se compatibiliza com a situação em que a prova foi colhida de maneira circunstancial sem qualquer controle por parte de alguém, mormente onde as autoridades envolvidas tomaram todas as cautelas de segurança necessárias. OMISSÃO DE RECEITAS - FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. REMESSA DE NUMERÁRIO PARA O EXTERIOR. A falta de escrituração de pagamentos sob a forma remessa de numerário para o exterior, comprovadamente de autoria da empresa autuada, autoriza a presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à margem da escrituração contábil, caracterizando omissão de receitas. A constatação da ocorrência de remessa de numerário para o exterior que não consta da escrituração caracteriza omissão de receita. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Cabível lançamento de oficio da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA. Ficam sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, a alíquota de trinta e cinco por cento, além de quaisquer pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, também os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do ano-calendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real. MULTA DE OFÍCIO — QUALIFICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — presente o evidente intuito de fraude a que se manter a qualificação da multa de ofício aplicada TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação A de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2 Processo n° 10680.009750/2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.095 Fl. 2 Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, afastar a decadência, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Karem Jureidini Dias; II) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade; e III) pelo voto de qualidade em relação às demais razões de mérito, vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ii IV T• Ur' A UI S PESSOA MONTEIRO - Presidente 4 ;-,131 ANTONI BE ERRA NETO - Relator EDITADO EM: O? f' -i- -1 Uu inn9_ . Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Karem Jureidini Dias (Vice- Presidente), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Nelso Kichel (Suplente Convocado) e Silvana Rescigno Guerra Barreto (Suplente Convocada). 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 02-17.093, da 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Belo Horizonte-MG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 05/11 lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência do crédito tributário no valor de R$ 677.294,71 (Seiscentos e setenta e sete mil, duzentos e noventa e quatro reais e setenta e um centavos), a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - 1RPJ, juros de mora e multa proporcional, referente a infração apurada, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2002, além de Multa Exigida Isoladamente por falta de pagamento do 1RPJ sobre a base estimada de competência de 31/03/2002. Em decorrência, exigiram-se também os créditos tributários da Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 26.565,63 (Vinte e seis mil, quinhentos e sessenta e cinco reais e sessenta e três centavos), conforme Auto de Infração de fls. 12/15; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 122.610,63 (Cento e vinte e dois mil, seiscentos e dez reais e sessenta e três centavos), conforme Auto de Infração de fls. 16/19; do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, no valor de R$ 2.209.640,16 (Dois milhões, duzentos e nove mil, seiscentos e quarenta reais e dezesseis centavos), conforme Auto de Infração de fls. 20/23; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, no valor de R$ 229.093,61 (Duzentos e vinte e nove mil, noventa e três reais e sessenta e um centavos), conforme Auto de Infração de fls. 24/27; e da Multa Exigida Isoladamente — CSLL, no valor de R$ 43.486,09 (Quarenta e três mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e nove centavos), conforme Auto de Infração de fls. 28/30. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 07, os lançamentos decorreram de ação fiscal levada a -efeito junto à contribuinte que apurou infrações à legislação tributária, consubstanciadas em: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — ERPJ: 001 - OMISSÃO DE RECEITAS. "omissão de receitas, caracterizada pela não contabilização de pagamentos, conforme Termo de Verificação Fiscal." O valor tributável e respectivo crédito tributário do IRPJ e acréscimos podem ser assim detalhados: Período-Base Valor da Infração Prejuízo compensado Valor tributável após compensaçãoIRPJ Multa de Ofício 150% Juros de Mora 01/01/2002 a 31/12/2002 1.211.400,00 -421.396,12 790.003,88 173.500,97 260.251,45 124.747,19 Enquadramento legal: § 2°, do art. 6° e art. 7 0, do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977; art. 2°, da Lei n° 2.354, de 1954; arts. 24 e 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 40 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 249, inc. II; 251 e parágrafo único; 281, inciso II, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999. 4 Processo n° 10680.009750/2007-73 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 3 002 — MULTAS ISOLADAS. • FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. "Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal." O valor tributável e respectivo crédito tributário da multa exigida isoladamente do 1RPJ podem ser assim detalhados: Data do Fato Gerador Base de cálculo na DIPJ Valor da Infração Base de cálculo recomposta IRPJ estimativa não pago % multa isolada Valor da multa isolada 31/03/2002 245.039,16 1.211.400,00 966.360,84 237.590,20 50% 118.795,10 Enquadramento legal: arts. 222 e 843, do RIR de 1999, c/c art. 44, § 1°, inc. IV, da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14, da Medida Provisória n° 351, de 2007, c/c art. 106, inc. II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 1966. Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA / INSUFICIÊNCIA DO PIS. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 13, o lançamento do PIS teve por base omissão de receitas (infração enunciada no Auto de Infração do IRPJ), e foi enquadrado nos arts. 1° e 3°, da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970; no art. 24, § 2° da Lei n° 9.249, de 1995; nos arts. 2°, inc. I; 8°, inc. I; e 9° da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998; e nos arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins. COFINS — OMISSÃO DE RECEITA. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 17, o lançamento da Cofins teve por base omissão de receitas (infração enunciada no Auto de Infração do IRPJ), e foi enquadrado no art. 1°, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; no art. 24, § 2°, da Lei n°9.249, de 1995; nos arts. 2'; 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807, de 1999 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições. Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF. IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — PAGAMENTOS SEM CAUSA. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 20, o lançamento do IRRF teve por base "importâncias pagas a beneficiários não identificados, conforme Termo de Verificação Fiscal", e foi enquadrado no art. 61 e parágrafos, da Lei n° 8.981, de 1995, e art. 674 do RlR de 1999. 5 O valor tributável e respectivo crédito tributário do IRRF e acréscimos podem ser assim detalhados: Fato Gerador Valor da Remessa Valor Reajustado IRRF Multa de Oficio 150% Juros de Mora Soma US$ 06/02/2002 500.000,00 1.863.692,30 652.292,30 978.438,45 578.909,41 2.209.640,16 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 25, o lançamento da CSLL teve por base omissão de receitas (infração enunciada no item "001" do Auto de Infração do lRPJ), e foi enquadrado no art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; nos arts. 19 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n° 9.316 de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições O valor tributável e respectivo crédito tributário da CSLL e acréscimos podem ser assim detalhados: Período-Base Valor tributável Compensação de BC Negativa Valor tributável após compensaçãoCSLL Multa de Oficio de 150% Juros de Mora Soma dez/02 1.211.400,00 -420.631,09 790.768,91 71.169,19 106.753,78 51.170,64 229.093,61 Multa Exigida Isoladamente. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL. 001 —MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. "Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal." O valor tributável e respectivo crédito tributário da multa exigida isoladamente da CSLL podem ser assim detalhados: Data do Fato Gerador Base de cálculo na DEPJ Valor da Infração Base de cálculo recomposta IRPJ estimativa não pago multa isolada Valor da multa isolada 31/03/2002 245.042,24 1.211.400,00 966.357,76 86.972,19 50% 43.486,09 Enquadramento legal: art. 44, § 1°, inc. IV, da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14, da Medida Provisória n° 351, de 2007, transformada na Lei n° 11.488, I.) de 2007, c/c art. 106, inc. II, alínea "c", da Lei n°5.172, de 1966. Impugnação 6 Processo n° 10680.009750/2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 4 A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 24 de julho de 2007 (fls. 06, 12, 16, 20, 28 e 203/205). Inconformada com as exigências, ela apresentou impugnações distintas para os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, IRRF e Multa Isolada da CSLL, por meio das petições de fls. 229/251, 390/409, 424/443, 488/507 e 520/541, respectivamente, que foram recepcionadas em 22 de agosto de 2007, expendendo em síntese, observados os subtítulos grifos e destaques da petição, as seguintes razões comuns: "I - DOS FATOS" .foi autuada em razão de suposta omissão de receitas. No entanto a exigência deve ser anulada tendo em vista que: (i) o crédito tributário relativo à multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ por estimativa foi atingido pela decadência, por força do disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional — CTN; (ii) a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ por estimativa e também pelo não recolhimento do imposto é ilegal e configura dupla punição, ainda mais que a fiscalização ocorreu apenas em 2007 e não em 2002, e que foi apurado prejuízo em 2002; (iii) foi tolhida a ampla defesa, em face de os documentos apresentados pela Receita Federal não estarem na língua oficial brasileira, conterem expressões incompreensíveis e não se encontrarem notarizados e consularizados; (iv) não existem nos autos QUAISQUER PROVAS de que tenha realizado a operação de remessa para o exterior em referência; (destaques como no original) (v) em fevereiro de 2002, não possuía funcionário ou colaborador com o nome de "Edgard Rogério", conforme comprovaria a relação de empregados de janeiro até março de 2002, que diz anexar à impugnação. (vi) seu endereço é rua Professor Mário Casassanta, 120, Bairro Carlos Prates, e não aquele aposto no documento de fl. 113 que, inclusive, teria sido preenchido de forma manuscrita, diferentemente das demais informações que foram datilografadas. De tal modo, fica fragilizada a utilização de tal documento e das informações nele contidas como prova; (destaque como no original) (vii) não foram efetuadas diligências para identificar o sujeito passivo da remessa, haja vista que existem duas outras sociedades que têm o nome de Viação Presidente, quais sejam: a) Auto Viação Presidente Vargas Ltda, de Porto Alegre no Rio Grande do Sul; b) Viação Presidente Getúlio, de Blumenau em Santa Catarina; referidas empresas são do sul do País, região onde teriam sido apuradas as irregularidades junto ao Banco Banestado, sendo provável ser uma delas a empresa mencionada no documento de fl. 113 e não a autuada que é sociedade mineira; (viii) não há em nenhum dos documentos dos autos qualquer assinatura, visto ou rubrica que a autuada reconheça como sendo de algum dos seus representantes legais, que possa atestar qualquer participação sua na remessa; "7 7 (ix) não houve comprovação do dolo, fraude ou simulação para justificar aplicação de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), mesmo porque prestou os esclarecimentos pertinentes e possíveis requeridos pela fiscalização da Receita Federal; "II— DO DIREITO" "1 - Da decadência do crédito tributário." .foi efetuado lançamento do IRPJ e de multa isolada pela falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada no mês de fevereiro de 2002. Todavia, tendo sido cientificada do auto de infração lavrado em 24 de julho de 2007, o crédito tributário referente à multa isolada foi atingido pela decadência; .o fato gerador da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada é mensal (art. 222 do RIR de 1999). De tal modo, nos termos do § 4°, do art. 150, do CTN, que versa sobre o lançamento por homologação, o termo a quo para contagem do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, deve ser o mês em que houve a pretensa falta de recolhimento, qual seja fevereiro de 2002; (destaque como no original) .arrima suas razões recorrendo à jurisprudência administrativa, e transcreve duas ementas de acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes do MF; "2 — Da ilegalidade da aplicação da multa isolada — Dupla punição pelo mesmo ato — apuração de prejuízo no ano de 2002." .está sendo punida duas vezes pelo mesmo fato, que é a suposta omissão de receitas; .a primeira vez por meio da multa pelo IRPJ não recolhido (apuração anual — multa ordinária). A segunda vez, por meio da multa pelo não recolhimento mensal do "imposto" (recolhimento mensal por estimativa), o que seria ilegal, por caracterizar bis in idem; .ressalta que o recolhimento por estimativa não representa forma de extinção do crédito tributário (pagamento), mas mera antecipação do imposto que pode ser eventualmente devido; .essa ressalva seria importante porque no ano-calendário de 2002, teria apurado prejuízo fiscal de R$ 421.396,12, o que significaria que não teria havido IRPJ devido e, portanto, a "antecipação" não teria sido necessária; .afirma que descabe a cobrança cumulativa de multa isolada e multa ordinária, especialmente nos casos em que os contribuintes apuram resultado negativo e para arrimar suas razões recorre à jurisprudência administrativa, e transcreve ementas de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do 1° Conselho de Contribuintes do MF; "3 — Do patente cerceamento do direito de defesa da Impugnante." .os documentos apresentados pela Receita Federal, às fls. 46/48, 49/50, 51 e 52 dos autos,não estão na língua oficial brasileira; .à falta de tradução para o português, não tem condições de entendê-los, o que contraria o art. 224 do Código Civil, que determina que os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos no País; .e o art. 129, da Lei n° 6.015, de 1973, exige que a tradução seja registrada em t cartório de Títulos e Documentos; 8 Processo n° 10680.009750/2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 5 .à falta de apresentação da tradução registrada, não tem como aferir se o que está escrito no documento é real, verdadeiro e passível de ser identificado; .ao ser intimada informou que desconhecia a transferência e juntou documentos contábeis e fiscais que demonstram a regularidade de suas operações (ver fl. 125 dos autos); .suscita o devido processo legal (art. 5°, incs. LIV e LV da CF) e a garantia do contraditório e da ampla defesa previstos na constituição; .para arrimar seu entendimento, recorre à jurisprudência administrativa, e transcreve ementas de acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes do MF; "4 — Do erro quanto ao ordenamento da movimentação financeira — Violação ao princípio da segurança jurídica." .transcreve excerto de texto da conclusão fiscal e enfatiza que a fiscalização entendeu que a autuada ordenou a suposta transação bancária com base única e exclusivamente na existência de um nome parecido (doc. de fl. 113) com sua razão social; (destaque como no original) .no documento de fl. 113 não consta nenhum número de inscrição no CNPJ, estadual ou municipal, tampouco nome completo da autuada, nem de qualquer outro contribuinte; .de tal modo, a conclusão da fiscalização é arbitrária e viola a segurança jurídica; .contrapõe que no documento consta a informação: "BY ORDER OF: EDGARD ROGÉRIO (VIAÇÃO PRESIDENTE)", suscitando dúvidas se a remessa não foi efetuada por uma pessoa física, com nome de Edgar Rogério; '.não há pois elementos suficientemente convincentes para atestar que foi uma pessoa jurídica que transferiu os US$ 500.000,00; "5 — Da inexistência de prova de omissão de receitas." .alude ao art. 40 da Lei n° 9.430, de 1996, que transcreve, para afirmar que compete à autoridade tributária comprovar, efetivamente, pelo menos, a ocorrência do fato presuntivo que é existência de pagamento não contabilizado; .reporta-se à doutrina, citando excerto de obra atribuída a José Eduardo Soares de Melo, para afirmar que não há qualquer prova direta, indício ou dado que ateste sua participação na transferência bancária, nem mesmo que a referida transferência tenha ocorrido; (destaque como no original) .contrapõe que os laudos técnicos apresentados pela fiscalização, cujo excerto transcreve, "fazem referência a "Fedwire", "CHEPS", "SWIFT", bem como ligações telefônicas E utilização de fax. No entanto, onde estariam os "SWIFT", "FEDWIRE", "CHIPS" e principalmente, as mensagens enviadas via fax pela impug,nante, solicitando a movimentação do US$ 500.000,00"; (destaques como no original) .tais documentos, segundo alega, não existiriam, porque ela não realizou tal operação. No entanto, se tivesse realizado, eles deveriam existir; ?.7 9 .assevera que, ao contrário do que teria afirmado a fiscalização, não possuía, em fevereiro de 2002, funcionário ou colaborador com o nome de "Edgard Rogério", o que seria comprovado pela relação de empregados dos meses de janeiro até março de 2002, que diz anexar aos autos com a impugnação; (destaque como no original) .por esse motivo, seria descabida a afirmação da fiscalização de ter encontrado o nome coincidente de funcionário, em pesquisa na Declaração de Imposto de Renda na Fonte da empresa; .possuía funcionário com o nome de Edgar Aviago de Andrade, e não Edgard Rogério; .referido funcionário foi intimado e em seus esclarecimentos prestados à fiscalização, cujo inteiro teor transcreve, teria declarado desconhecer a referida remessa e demais aspectos correlatos ao fato; .enfatiza que nenhum dos documentos faz prova de que a pessoa jurídica possuía funcionário com nome de Edgard Rogério, nem de que seus representantes legais tenham ordenado a remessa, mesmo porque nenhum deles conteria assinatura, rubrica, etc, caracterizando arbitrariedade da autuação, pois que desprovida de elemento de prova que justifique a presunção de omissão de receitas; .arrima suas razões, recorrendo à doutrina, com a transcrição de excerto de obra atribuída a Fabiana Del Padre Tomé, e à jurisprudência administrativa, transcrevendo excerto de voto e acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes do MF; .conclui esse tópico requerendo a nulidade do feito; "5.1 — Do pequeno valor probante dos laudos de exame econômico- financeiros — Impossibilidade de utilização como prova contra o Impugnante." .alega, textualmente que "...a mídia original recebida das autoridades norte- americanas em arquivos eletrônicos de "Excell", "Access" ou de texto foi manipulada pelo grupo especial de fiscalização da SRF, de forma a agrupar as informações contidas nos referidos documentos em outros arquivos. Essa manipulação (com importação de dados para geração de novos arquivos) pode ter acarretado erro nos novos documentos produzidos (erros quanto a datas, valores, nomes, etc). Essas falhas podem, seguramente, modificar o resultado da autuação"; .daí, conclui, textualmente que "A única forma de afastar essa dúvida é analisar os documentos originais (ou cópia autenticada) dos arquivos fornecidos pelas autoridades norte-americanas, razão pela qual, desde logo, requer-se a apresentação das mídias originais analisadas pelos peritos"; .conclui esse tópico, pugnando pela anulação integral do lançamento; "6. Da possibilidade de dupla tributação sobre os rendimentos omitidos." .há possibilidade de a Receita Federal estar tributando duas vezes o mesmo montante. Uma, em relação aos "doleiros" apontados na investigação, e outra, em relação a impugnante; .no entanto a dupla tributação caracteriza bis in idem, devendo ser afastada, ainda que de fato as presunções fossem verdadeiras. Ou seja, deve recair tributação sobre uma única base imponível; .conclui esse tópico requerendo, textualmente, "... seja determinada intimação n ao Chefe do setor de Fiscalização da Região fiscal da SRF competente para a inti autuação dos "doleiros" mencionados no Laudo do Instituo de Criminalística supra o Processo n° 10680.009750/2007-73 51-C4T1 Acórclào n.° 1401-0095 Fl. 6 referido, ou que lhe faça as vezes, a fim de que informe se as operações contidas na autuação ora guerreada também foram objeto de autuação em face dos "doleiros"; "7. Dos documentos obtidos junto às autoridades americanas." .alude ao Decreto n° 3.810, de 2001, que versa sobre acordo de assistência judiciária em matéria penal entre os governos brasileiro e norte-americano, que define formalidades e restrições na utilização das informações obtidas; .após, contrapõe que "para assegurar a legalidade da utilização das informações contidas nos documentos disponibilizados à SRF é imprescindível que seja fornecida cópia autenticada da solicitação de informações e documentos emitida pelo Governo Brasileiro ao Governo Norte-Americano e do documento emitido pelo Governo Norte-americano com os critérios que as referidas informações prestadas podem ser utilizadas pelo Governo Brasileiro"; .a seu ver, a falta de apresentação desses documentos autoriza concluir que a documentação apresentada pela SRF teria sido obtida de forma irregular, o que tornaria inadmissível sua utilização como elemento de prova, nos termos do inc. LVI, do art.5°, da Constituição Federal; "8. Da inexigibilidade da multa de 150% - Inexistência de dolo, fraude ou simulação." .a legislação tributária determina que são necessárias provas concretas de que houve evidente intuito de fraude, dolo ou simulação para agravamento da multa. No entanto, não foi demonstrada conduta dolosa e/ou fraudulenta da impugnante, que inclusive, teria adotado postura colaborativa com a fiscalização; .reporta-se à jurisprudência administrativa, transcrevendo ementas de acórdãos atribuídas ao 1° Conselho de Contribuintes do MF, para arrimar suas razões; .conclui esse tópico requerendo a redução da multa para 75%, se mantido o lançamento; "III — DO PEDIDO" Pede, textualmente: "Por todo o exposto, requer digne-se V. Sa. de: (i) intimar o Chefe do setor de Fiscalização da Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal competente pela autuação dos pretensos "doleiros" mencionados no laudo do Instituto de Criminalística, ou quem lhe faça as vezes, de que informe se a as operações contidas na autuação ora guerreada também foram objeto de autuação em face dos "doleiros"; e (ii) apresentar cópia autenticada da solicitação de informações de documentos emitida pelo Governo brasileiro ao Governo norte-americano, referente às operações objeto do presente lançamento, bem como do documento emitido pelo Governo norte-americano, com os critérios ou restrições que referidas informações poderiam ser utilizadas pelo Governo brasileiro para os fins de atestar o cumprimento dos arts. IV e VII do Decreto 3.810/01)." II Requer, por fim, seja conhecida e julgada procedente a presente impugnação administrativa, para anular integralmente o auto de infração e imposição de multa à epígrafe." (ipsis litteris) • Anexos a Impugnação: Anexou às petições referenciadas, cópias dos documentos às fls. 252/389 (WPJ); 412/423 (CSLL); 444/455 (PIS); 476/487 (Cofins); 508/519 (IRRF) 542/552 (MI-CSLL). Autos do Processo: Os autos do processo foram formalizados em 03 (três) volumes, a saber: Volume I (fls. 01 a 212); Volume H (fls. 213 a 410); e Volume III (fls. 411 a 557). Representação Fiscal para Fins Penais Em resposta ao despacho desta DRJ/BHE de 26/11/2007, (fls. 554/555), que retornou os autos a Repartição de origem para pronunciamento acerca da Representação Fiscal para Fins Penais, o autuante providenciou sua lavratura, formalizando-a no Processo n° 10680.020807/2007-95, datado de 31/12/2007. Referido processo contém 02 volumes, a saber; Volume I (fls. 01 a 200) e Volume II (fls. 201 a 265). É o Relatório." A DRJ, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 31/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. A constatação da ocorrência de remessa de numerário para o exterior que não consta da escrituração caracteriza omissão de receita. Havendo prova no processo da autoria da infração, não subsiste alegação de ilegitimidade passiva. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Cabível lançamento de oficio da multa isolada por falta de recolhimento do IRPI sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação do imposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2002 17 PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA. 1 12 Processo ri° 10680.009750/2007-73 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 • Fl. 7 FALTA / INSUFICIÊNCIA DO PIS. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 28/02/2002 COFINS - OMISSÃO DE RECEITA. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Data do fato gerador: 06/02/2002 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIA' RIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA. Ficam sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, a alíquota de trinta e cinco por cento, além de quaisquer pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, também os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2002, 31/12/2002 CSLL OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL• SOBRE A BASE ESTIMADA. Cabível lançamento de oficio da multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, quando o sujeito passivo não efetuar o pagamento ou recolhimento integral da antecipação da contribuição." 7‘7. 13 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisa os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e 77 reforça alguns outros pontos. É o relatório. 14 Processo n 0 10680 0097502007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 8 Voto Conselheiro — ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A infração foi descrita como omissão de receitas caracterizada pela remessa de recursos ao exterior não contabilizados, declarados ou informados à SRF, com enquadramento legal no art. 40 da Lei n° 9.430/96. Houve o lançamento do IRPJ e contribuições sociais decorrentes. Também houve o lançamento de IRRF que se refere a pagamentos a beneficiários não identificados (pagamentos sem causa).a Decadência Do IRPJ/IRRF Em relação à decadência do IRPJ/IRRF, ou seja, se cabível o prazo estabelecido no art. 150, § 4 0, ou o art. 173, I, ambos do CTN, entendo o que o referido prazo é de cinco anos, independentemente de haver ou não pagamento, estando subordinado ao disposto no artigo 150, § 4 0, a não ser quando constatado dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplicaria o art. 173, I do CTN. Nesse caso, o exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o ano calendário de 2003 e, conseqüentemente, em sendo o 10 (primeiro) dia do exercício seguinte o dia 01/01/2003, o termo do prazo para constituição do crédito tributário, na hipótese, seria o dia 01/01/2008. No entanto, a autuada teve ciência do lançamento tempestivamente, em 24/07/2007. Portanto, afastado está a decadência do IRPJ e do IRRF. Dos demais tributos (CSLL, PIS E COFINS) Ressalte-se que a conclusão supra não prejudica, nesse particular, os lançamentos decorrentes relativamente às contribuições sociais (CSLL, PIS e COFINS), cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regfamento próprio (artigo 45, da Lei n° 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante n° 8: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, a regra do art. 173, I do CTN no caso de fraude, dolo ou conluio também se aplica às contribuições sociais (tributos sujeitos à homologação). Decadência das Multa isoladas (IRPJ/CSLL) .. No caso de a obrigação tributária se referir a penalidades, como é o caso, não é aplicável a regra contida no artigo 150, § 4 0, do CTN, adotada apenas para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas sim a regra a ser observada seria a do artigo 173, e seu inciso I, também do CTN, independentemente de haver o dolo ou não. Demais disso, as estimativas recolhidas a menor no curso do ano-calendário não podem ser consideradas "pagamento" para fins de aplicação da regra de contagem do prazo decadencial do direito de lançar prevista naquele dispositivo legal. É que tais valores não configuram "pagamento" (modalidade de extinção do crédito tributário), senão meras antecipações do imposto, podendo, ainda, ser convertidos, ao final do período de apuração, na declaração respectiva, não em pagamentos, mas em indébitos tributários. Cabe salientar, por oportuno, que, na data do recolhimento dessas estimativas ainda não ocorreu o fato gerador do IRPJ, não se podendo falar, por óbvio, em extinção de crédito tributário que sequer foi apurado.Portanto, somente o pagamento do saldo apurado no ajuste anual, resultante após a dedução das estimativas recolhidas, é que permitirá a contagem do prazo decadencial para o lançamento de diferença do imposto segundo o art. 150, § 4°, do CTN, isso se não houvesse dolo, que não é o caso, que ainda conduziria da mesma forma essa regra para o art. 173, I. Portanto, também afastado está a decadência das multas isoladas. Preliminar de Nulidade Em relação ao alegado cerceamento do direito de defesa, em face de a fiscalização apresentar documentos em língua estrangeira, alega obrigatoriedade da tradução (art. 224 do Código Civil); necessidade de a tradução ser registrada em Cartório (art. 129 da Lei n° 6.015, de 1973); não observância do devido processo legal (art. 5°, incs. LIV e LV da Constituição Federal); e transcreve jurisprudência administrativa Apesar de existir Lei (n° 6.015) segundo a qual deve ser feita a transcrição dos documentos de procedência estrangeira, é razoável que seja analisada a questão sob o ponto de vista do contido na legislação que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (Lei n.° 9.784/99) e também dos princípios aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal. 1 Estabelece a Lei n.° 9.784/99 que nos processos administrativos serão observados os critérios de atendimento ao interesse geral, garantia à produção de provas, adoção de formas simples, suficientes para proporcionar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Por outro lado, não se pode esquecer o princípio da verdade material, orientador do processo administrativo fiscal. Citado princípio decorre de outro, qual seja, o da legalidade que sempre tem por objetivo assegurar aquilo que realmente é a verdade, para que assim seja autorizado a constituição do crédito tributário. Estabelece a Lei n.° 9.784/99 que nos processos administrativos serão ,, observados os critérios de atendimento ao interesse geral, garantia à produção de provas, ít,( . 16 Processo n° 10680.009750/2007-73 S 1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 9 adoção de formas simples, suficientes para proporcionar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Outrossim, outro principio consagrado no Processo Administrativo Fiscal é o da informalidade moderada. Em decorrência desse princípio, a administração pública fica mais próxima da busca da verdade real. O ilustre mestre Hely Lopes Meirelles nos ensina que, "O princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular. Bastam as formalidades estritamente necessárias à obtenção da certeza jurídica e à segurança procedimental. Garrido lembra com oportunidade que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em beneficio do administrado, para que, por defeito de forma, não se rejeitem atos de defesa e recurso mal qualificados. Realmente, o processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio administrado, nem sempre familiarizado com os meandros processuais." Em relação especificamente ao caso que se cuida, a Jurisprudência do STJ também é favorável à relativização da necessidade de tradução de todo e qualquer documento: "Espécie: RESP - RECURSO ESPECIAL - 616103 Relator(a): TEORI ALBINO ZAVASCKI• Ementa: PROCESSUAL CIVIL. DOCUMENTO REDIGIDO EM LINGUA ESTRANGEIRA, DESACOMPANHADO DA RESPECTIVA TRADUCAO JURAMENTADA (ART. 157, CPC). ADMISSIBILIDADE. DISSIDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. I. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negar- lhe eficácia de prova. O art. 157 do CPC, como toda regra . instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios. que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade nao resultar prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sons grief). Nao havendo prejuízo, nao se pode dizer que a falta de traduçao, no caso, tenha importado viola çao ao art. 157 do CPC. 2. Recurso especial a que se nega provimento. Referência Legislativa: CPC-73 CODIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973 LEG FED LEI 5869 ANO 1973 ART 157 Decisao: Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Denise Arruda e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator." 17 Cabe esclarecer que não é verdade que todos os documentos apontados pela recorrente não foram traduzidos. Os documentos em língua estrangeira de fls. 46/48 são, isso sim, a versão para o idioma inglês do Oficio n° 001/03-PFFT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003, de autoria do Delegado da Polícia Federal coordenador das investigações, cuja versão em português consta às fls 43/45, imediatamente anteriores. Da mesma forma, o documento de fl. 51 é cópia fiel do preâmbulo do documento de fl. 49. O único documento que não foi traduzido foi a resposta ao Oficio acima - referido ao Governo brasileiro dando conta da quebra de sigilo e permitindo o compartilhamento de todas as evidências materiais colhidas no bojo das investigações conduzidas pelas autoridades americanas em relação à empresa Beacon Hill. Esse documento foi acompanhado da decisão da justiça americana (Suprema Corte do Estado de Nova York). Esta autorização por óbvio é irrelevante para a defesa, pois o seu interesse e destinatário maior seria para a Justiça Brasileira, tendo assim tal teor sido "imunizado" por tudo quanto foi relatado, historiado e decidido nos autos do processo n° 2003.7000030333-4 - Juizo Federal da 2 Vara Criminal de Curitiba — PR, que faz parte dos presente autos vertido em língua portuguesa. A esse propósito, a instrução dos autos é cristalina no sentido de que a constituição do crédito tributário está arrimada em documentação recebida da Polícia Federal, compartilhada com autorização judicial. Confira-se, a respeito excertos do Oficio n° 146/2004-GJ do Juiz Federal da 2a Vara Criminal de Curitiba — PR, encaminhado ao Coordenador de Fiscalização da Receita Federal (fl. 53): "Através desta, informamos a V. Sa que, em 20/04/2004 e em 27/04/2004 no processo n° 2003.7000030333-4, e que, em 29/04/2004 no processo 2004.7000008267-0, foram proferidas decisões autorizando que a Força Tarefa Policial CC5 compartilhe com a receita Federal, dentre outros órgãos, todo material relativo a diversas contas mantidas no exterior, sejam documentos, sejam arquivos eletrônicos. Da mesma forma, foi autorizado o acesso pela Força Tarefa Policial a todos os dados constantes nos bancos da Receita Federal e outros órgãos que tenham ligação com titulares de ativos ou contas, depositantes ou beneficiários de pagamentos, relativamente ao material compartilhado. A autorização abrange todo o material já obtido relativamente: a) às contas mantidas na agência do Banestado em nova York (já havia autorização nesse sentido e que foi apenas reiterada); b) às contas e subcontas mantidas pela Beacon Hill Service Corporation (já havia autorização nesse sentido e que foi apenas reiterada); c) às contas mantidas no Merchants Bank de Nova York; d) às contas mantidas pela (....) e) às contas mantidas no MTB/CBC — Connecticut Bank of Commerce/Hudson United Bank. A idéia é que a Polícia Federal e a Receita Federal, entre outros órgãos, 2, possam trabalhar em conjunto para melhor apurar os fatos, com as conseqüências fi7 pertinentes nos específicos campos de atuação. ( 18 Processo n° 10680.009750/2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 10 (...),, • Da decisão lavrada nos autos do processo n° 2003.7000030333-4 (inquérito 207/98), destacam-se as seguintes considerações do Juiz: "Cabe, por outro lado, especialmente à Receita Federal e ao Bacen extrair as conseqüências administrativas de eventual omissão dos titulares de contas ou ativos, depositantes ou beneficiários de pagamentos efetuados através da Beacon Hill. Também não se poderia negar acesso a tais dados ao COAF, órgão de inteligência contra a lavagem de dinheiro no Brasil." (.-.) Outrossim, o direito de privacidade não é absoluto, comportando restrições para fins de investigação criminal quando presentes indícios de fatos criminosos, o que é o caso cf. relato acima. (...) Fulcro-me ainda em feliz precedente do TRF da 4' Região (MS 2002.04.01029958-8PR, j. 24/03/2003), sendo também, de se observar que os referidos órgãos administrativos, Receita, Bacen e Coaf, não poderiam obter de forma autônoma acesso às informações." Pela irrelevância dos documentos diante de todo o contexto e pelo fato de não ter causado prejuízo algum à defesa, que soube se defender em todos os pontos de forma precisa, não vejo como possa prosperar a preliminar levantada pela recorrente. Outrossim, para complementar este voto me abasteço de outras razões aduzidas na fundamentação da decisão de piso: "De fato, não há nenhum prejuízo para a defesa da impugnante que os documentos de fls. 49, 50, 51 e 52 estejam redigidos em língua estrangeira, haja vista que os "Laudos de Exame Econômico Financeiro" (fls. 68/74 (1.258/04), 75/84 (1.613/04 e 86/96 (Laudo 1071/04), e a "Representação" de fls. 92/102 — Oficio 904/04-PF/FT/SR/DPF/PR — MONTE VISTA — DOCUMENTO MAIS IMPORTANTE E ESPECÍFICO), que são de lavra da Polícia Federal, contém todas as informações, traduções, descrição dos documentos, etc, bastantes e suficientes para propiciar o perfeito entendimento dos documentos precípuos da "Representação Fiscal 03069/05" (fl. 85), quais sejam o "Anexo à Representação Fiscal n° 03069/05", intitulado "Operações da Representação Fiscal n° 03069/05" (fl. 112) e a respectiva ordem de pagamento "Payment Order" (fl. 113). Não se pode descurar também que os fatos coletados na ação fiscal podem estar evidenciados por outros elementos de prova além dos documentos estrangeiros, de modo tal que eventual ausência de tradução de um dentre um considerável volume de documentos emanados de procedimento em curso na esfera criminal (Departamento de Polícia Federal), não é fator impeditivo da efetivação do lançamento, mormente quando a fiscalização dispõe de todos os elementos que comprovam a ocorrência do fato gerador, elementos esses resultantes de investigação em inquéritos policiais e de processo judicial. (...)" Por todo o exposto, afasto a preliminar de nulidade aventada. Ilegitimidade Passiva — Remessa de Numerário para o exterior — Remessas não escrituradas — Presunção legal de omissão de receitas (art. 40 da Lei n° („<7 9.430/96) 19 A empresa em síntese nega desde o início da ação fiscal, que tenha efetuado as remessas e argumenta que o suposto ilícito foi presumido: - há ilegitimidade passiva: falta de provas de que as remessas tenham sido realizadas pela recorrente. Não existem nos autos QUAISQUER PROVAS de que tenha realizado a operação de remessa para o exterior em referência; (destaques como no original) - em fevereiro de 2002, não possuía funcionário ou colaborador com o nome de "Edgard Rogério", conforme comprovaria a relação de empregados de janeiro até março de 2002;. - seu endereço é rua Professor Mário Casassanta, 120, Bairro Carlos Prates, e não aquele aposto no documento de fl. 113 que, inclusive, teria sido preenchido de forma manuscrita, diferentemente das demais informações que foram datilografadas. De tal modo, fica fragilizada a utilização de tal documento e das informações nele contidas como prova; - não foram efetuadas diligências para identificar o sujeito passivo da remessa, haja vista que existem duas outras sociedades que têm o nome de Viação Presidente, quais sejam: a) Auto Viação Presidente Vargas Ltda, de Porto Alegre no Rio Grande do Sul; b) Viação Presidente Getúlio, de Blumenau em Santa Catarina; Referidas empresas são do sul do País, região onde teriam sido apuradas as irregularidades junto ao Banco Banestado, sendo provável ser uma delas a empresa mencionada no documento de fl. 113 e não a autuada que é sociedade mineira; - não há em nenhum dos documentos dos autos qualquer assinatura, visto ou rubrica que a autuada reconheça como sendo de algum dos seus representantes legais, que possa atestar qualquer participação sua na remessa; Breve Histórico da Investigação Beacon Hill Em 04/08/2003, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao juízo da 2a. Vara Criminal Federal de Curitiba-PR a quebra de sigilo bancário no exterior da empresa Beacon Hill Service Corporation, sediada em Nova Iorque que atuava como preposto bancário- financeiro de pessoas fisicas ou jurídicas representadas por cidadãos brasileiros, dentre outros, em agência do JP Morgan Chase Bank. Em 14/08/2003, o Juízo da 2'. Vara Criminal Federal de Curitba-PR encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter a documentação pertinente junto à Promotoria do Distrito de Nova Iorque. Estas informações e documentos foram trazidos ao país pela autoridade policial, e em 29/04/2004, conforme decisão judicial, houve a transferência dos dados à Receita Federal, iniciando-se a análise dos mesmos por Equipe Especial de Fiscalização. Com base nestes elementos, evidenciou-se que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas estrangeiras no exterior, à revelia do sistema CA/ 20 Processo n° 10680.009750/2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 11 financeiro nacional, utilizando-se de contas/subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank pela empresa Beacon Hill Service Corporation, entre as quais a sub-conta "MONTE VISTA CORP n° 530-097-672. A Beacon Hill, no caso, representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas "off-shore" com participação de brasileiros, administrando contas ou sub-contas específicas, entre as quais a sub-conta "MONTE VISTA CORP n° 530-097-672.". Após exame e processamento dos dados constantes dos arquivos magnéticos, foi consolidada a movimentação financeira, em dólares norte-americanos, realizada na sub- conta MONTE VISTA CORP n° 530-097-672. Com base nestas informações, Equipe Especial de Fiscalização, devidamente constituída, formalizou a REPRESENTAÇÃO FISCAL N° 03069/05, encaminhada a este serviço, para subsidiar o trabalho fiscal, onde descreve a operação em que a contribuinte VIAÇÃO PRESIDENTE LTDA., CNPJ 18.527.671/000170, figura como remetente. Conforme consta da Representação Fiscal n° 03069/05 (fl. 112), que tem por base, unicamente, uma fiel reprodução dos dados constantes dos referidos arquivos magnéticos, foi identificada uma remessa efetuada por Viação Presidente Ltda, CNPJ n° 18.527.671/0001- 70, o que se deu pela utilização da sub-conta "MONTE VISTA CORP n° 530-097-672.", mantida ou administrada por "BEACON HILL SERVICE CORPORATION — BHSC", objeto das já citadas investigações por parte tanto da Polícia Federal corno do Ministério Público Federal. A Equipe Especial de Fiscalização concluiu ser o contribuinte acima o remetente tendo em vista constar da ordem de pagamento seu nome de fantasia, que é também parte de sua razão social, telefone e endereço de empresa de mesma atividade, com sócio comum, e a cidade de Belo Horizonte, MG, onde se localizam as duas empresas. Isto consta em Relatório de Diligência para Identificação anexo (fl. 114), cujas pesquisas são confirmadas pelas telas dos Sistemas da SRFB (fls. 115 a 120). Assim, o contribuinte foi intimado por intermédio do TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL, datado de 27/02/2007 (fls. 121 e 122), para no prazo de 20 (vinte) dias, informar a natureza da operação que motivou a remessa para o exterior no ano-calendário de 2002, no montante de US$ 500.000,00 (quinhentos mil dólares americanos), de acordo com o documento "CHASE MANHATTAN BANK PAYMENT ORDER", datado de 06/02/2002, onde consta como beneficiário final LIGIERI e corno ordenante VIAÇÃO PRESIDENTE (fl. 113). Em sua resposta, no dia 09 de março de 2007, o contribuinte alega não ter qualquer conhecimento da operação de remessa ao exterior, alegando como prova sua contabilidade e lançamentos (fl. 125). Diferentemente do alegado, o que se vê é que a fiscalização demonstrou. cabalmente como chegou à conclusão de que a contribuinte autuada é a que realizou as operações de remessas ao exterior. É de se ver. Prova indiciária — Presunção simples - indícios - atributos 21 É sabido que a evidência que se infere a partir de um único ou poucos indícios deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o aprofundamento das investigações. Para chegar a essa ilação a fiscalização partiu de vários indícios precisos, "econômicos" e convergentes propiciando a perfeita formação de convicção deste julgador. É de se ver. Os indícios assim como as presunções são também considerados como provas no Direito tanto se vistos de forma objetiva, constituindo-se no conjunto de meios ou elementos destinados a demonstrar a existência ou inexistência dos fatos alegados, quanto subjetivamente falando, meio pelo qual o julgado normalmente se utiliza para formar convicção a respeito da existência ou não de um determinado fato ou situação. Os indícios para ter força probante precisam possuir 2(duas) características importantes: Precisão ou economia (conduzem a poucas hipóteses ou apontam para poucas causas) e convergência (quando se encaixa com outro indício, conduzindo a uma mesma conclusão). Alguns tributaristas colocam o atributo da gravidade (boa intensidade do indício) nesse mesmo contexto. Nesse ponto peço vênia para discordar subindo, é claro, em "ombros de gigantes",- o semiótico Umberto Eco, penso que o atributo de convergência é que dá o verdadeiro tom da intensidade da conclusão, isso quer dizer que indícios com baixas intensidades, aparentemente sem importância, quando convergentes produzem também uma forte conclusão. Vejamos como o maior semiótico vivo da atualidade analisa essa questão em seu clássico "Interpretação e Superinterpretação", págs. 57/58, deixando também o terceiro atributo de fora: " (..) certos elemento evidentes mas aparentemente sem importância, podem ser indício de uma outra coisa que não é evidente — e, baseado nisso, elaboram uma nova hipótese a ser testada. Mas o indício é considerado o signo de outra coisa somente em três condições: quando não pode ser explicado de maneira mais econômica; quando aponta para uma única causa (ou uma quantidade limitada de causas possíveis) e não passa um número indeterminado de causas diferentes; e quando se encaixa com outro indício." Como iremos lidar muito amiúde neste voto com a prova indiciária é interessante que os atributos acima referidos fiquem bem claros. Vamos usar de empréstimo os exemplos trazidos pelo próprio Semiótico Umberto Eco ainda naquela obra clássica. Vejamos como ele explica o critério de economia, que de certa forma está associado também ao de precisão: "Se na cena do crime encontro uma cópia do jornal matutino de maior circulação, devo antes de tudo perguntar (critério de economia) se não poderia ter pertencido à vítima; se não, a pista indicaria um milhão de suspeitos potenciais." Trecho a seguir Umberto Eco demonstra o requisito de convergência e o estabelecimento de condições objetivas em que a hipótese poderia ser refutada: 22 Processo n° 10680.009750'2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 12 "(..) Se, por outro lado, na cena do crime encontro uma jóia de forma estranha, considerada exemplar único deste tipo, e que todos sabem pertencer a um certo indivíduo, a pista fica interessante; e, se depois descubro que esse indivíduo não pode mostrar-me sua jóia, as duas pistas se encaixam. Mas notem que a esta altura, minha hipótese ainda não está provada. Parece apenas razoável, e é razoável porque me permite estabelecer algumas das condições em que poderia ser refutada: se, por exemplo, o suspeito desse provas indiscutíveis de que havia dado a jóia à vítima há muito tempo, então a presença da jóia na cena do crime deixaria de ser uma pista importante." Indícios — Caso concreto A decisão de piso foi precisa em seu voto ao apontar minuciosamente todo o contexto em que se desenrolou o aparecimento de inúmeros indícios convergentes que levam à conclusão a contribuinte autuada é a que realizou as operações de remessas ao exterior. Vale a pena transcrever seus fundamentos, cujas assertivas traduzo-as corno se minhas fossem: "(...)No que diz respeito ao procedimento de identificação dos contribuintes envolvidos na prática de remessas de recursos para o exterior, o "Relatório de Diligência para Identificação — Representação Fiscal n° 3069/05" (fl. 114), de lavra da Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n° 463/04, é bastante elucidativo quanto as evidência e indícios graves, precisos e concordantes que propiciaram estabelecer, sem empeço, a conexão. Confira-se, por sua relevância a transcrição do inteiro teor do relatório: "Em contato mantido através do telefone 31-34211488, existente no endereço constante da mídia eletrônica da sub-conta Montevista — Rua Além Paraíba, 275 — Belo Horizonte/MG, constatou-se que o mesmo era da empresa Expresso Setelagoano Ltda, CNPJ n° 24.987.653/0001-74, a qual tem sua sede no endereço indicado. Além disso, foi informado que o Sr. Genedly Constantino de Oliveira, CPF n° 004.697.936-00, seria sócio daquela empresa e da Viação Presidente Ltda, o que está correto, conforme dados constantes do sistema CNPJ. Em pesquisa no sistema CPF, verifica-se que o Sr. Genedly é responsável legal por 9 (nove) empresas, sendo que o endereço cadastral informado é o mesmo constante da mídia eletrônica, ou seja, Rua Além Paraíba, 275 — Belo Horizonte." As "telas" dos sistemas cadastrais da Receita Federal, coligidas aos autos às fls. 115/120, asseveram que o Sr. Genedly Constantino de Oliveira, portador do CPF n° 004.697.936-00 é sócio da autuada (fl. 116); que é sócio e responsável perante o CNPJ/RFB pela empresa Expresso Setelagoano, CNPJ 24.987.653/0001-74 (fl. 117); que tanto a empresa Expresso Setelagoano, como o Sr. Genedly Constantino de Oliveira, fizeram constar em declarações prestadas ao fisco o endereço da Rua Além Paraíba, 275, Bairro Lagoinha, Belo Horizonte, MG (fl. 119); Especificamente, no caso em comento, não pairam dúvidas que a forma de identificação da contribuinte autuada como remetente dos recursos foi a conjugação do nome e do endereço consignados nos registros, procedimento esse que ensejou deparar-se com uma única possibilidade de identificação positiva, qual seja a 23 contribuinte epigrafada, não havendo possibilidade nem sequer de cogitar dos nomes das duas outras pessoas jurídicas designadas pela defendente, quais sejam a "Auto Viação Presidente Vargas Ltda" e a "Viação Presidente Getúlio". A uma, porque ambas são da Região Sul do Brasil, ao passo que o endereço constante da mídia era de Belo Horizonte — MG. A duas, porque o telefone que constava da mídia era da empresa Expresso Setelagoano, cujo sócio responsável perante o CNPJ era sócio da empresa autuada. A três, porque esse mesmo sócio já fez constar esse endereço em declaração prestada a Receita Federal. Por fim, também não se pode olvidar que os sufixos designativos "Vargas" e "Getúlio", por si só já afastam qualquer similitude com o nome da autuada que é apenas Viação Presidente. No caso da razão social das empresas apontadas pela defendente elas só podem ser identificadas se indicado o presidente a que se refira, só vale aquele presidente específico. Ao contrário, no caso da razão social da autuada, o vocábulo "presidente" basta-se em si próprio, e não há determinação desse ou aquele presidente. A propósito, para dissipar quaisquer dúvidas, cumpre transcrever novamente excerto do Termo de Verificação Fiscal (fls 194/195), em que o autuante mencionou, textualmente: "Com base nestas informações, Equipe Especial de Fiscalização, devidamente constituída, formalizou a REPRESENTAÇAO FISCAL N° 03069/05, encaminhada a este serviço, para subsidiar o trabalho fiscal, onde descreve a operação em que o contribuinte VIAÇÃO PRESIDENTE LTDA., CNPJ 18.527.671/000170, figura como remetente. A Equipe Especial de Fiscalização concluiu ser o contribuinte acima o remetente tendo em vista constar da ordem de pagamento seu nome de fantasia, que é também parte de sua razão social, telefone e endereço de empresa de mesma atividade, com sócio comum, e a cidade de Belo Horizonte, MG, onde se localizam as duas empresas. Isto consta em Relatório de Diligência para Identificação anexo (fl. 114), cujas pesquisas são confirmadas pelas telas dos Sistemas da SRFB (fls. 115 a 120)." Após, importa, ainda, transcrever excerto da Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo n° 10680.020807.2007-95 (fl. 02), em que o autuante responsável pela lavratura da representação assim se manifestou: "A Equipe Especial de Fiscalização concluiu ser o contribuinte acima o remetente tendo em vista constar da ordem de pagamento seu nome de fantasia, que é também parte de sua razão social, telefone e endereço de empresa de mesma atividade, com sócio comum, e a cidade de Belo Horizonte, MG, onde se localizam as duas empresas. Isto consta em Relatório de Diligência para Identificação anexo (fl. 114), cujas pesquisas são confirmadas pelas telas dos Sistemas da SRFB (fl. 86)". Como se vê, diante da explicação dos critérios adotados, não merecem reparos nem podem ser repreendidas as conclusões da fiscalização, uma vez que ela demonstrou que foram reputadas como sendo de responsabilidade da pessoa jurídica autuada, operações à qual foi possível aplicar objetivo critério de identificação positiva. Não se pode descurar que por estar expressamente indicada no campo "ORDER CUSTOMER" existem nos autos provas suficientes no sentido de ter a "Viação presidente Ltda", efetuado em 06/02/2002 uma remessa de recursos ao exterior, pela utilização da sub-conta MONTE VISTA, mantida ou administrada por "BEACON HILL SERVICE CORPORATION — BHSC", circunstância que a toma a real sujeito passivo da obrigação tributária, decorrente da infração tributária [ri 24 Processo n° 10680.009750, 12007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 13 descrita no presente lançamento, qual seja, omissão de receitas relativamente à remessa efetuada e incluída na Representação Fiscal n° 03069/05, à fl. 112.." A recorrente acusa a falta de provas. Já foi dito alhures, mas não custa repetir que a comprovação material de urna determinada situação fática pode ser feita, em regra ou por uma prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade daquela matéria de fato. A comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada, a qual, aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, coisa que, corno facilmente se infere, dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. O primeiro indício encontrado pela fiscalização foi o fato de estar expressamente indicada no campo "ORDER CUSTOMER" da mídia o nome fantasia "Viação Presidente", que é também parte de sua razão social. É claro que esse indício por si apesar de ser grave, preciso e convergente, por só ainda não é suficiente para dar o grau de univocidade que seria necessário para identificar corretamente o acusado. Acontece que de forma convergente com o indício apontado acima encontra- se na mídia o endereço de empresa de mesma atividade, com sócio comum, e a cidade de Belo Horizonte, MG, onde se localizam as duas empresas. Isto consta em Relatório de Diligência para Identificação anexo (fl. 114), cujas pesquisas são confirmadas pelas telas dos Sistemas da SRFB (fls. 115 a 120)." O terceiro indício encontrado é o número de telefone constante na mídia ao lado da empresa remetente: 31-34211488. Esse indício é convergente com indício relativo ao endereço; bem assim a empresa de mesma atividade com sócio em comum: Sr. Genedly Constantino de Oliveira, CPF no 004.697.936-00, conforme descreve a DRJ: "Em contato mantido através do telefone 31-34211488, existente no endereço constante da mídia eletrônica da sub-conta Montevista — Rua Além Paraíba, 275 — Belo Horizonte/MG, constatou-se que o mesmo era da empresa Expresso Setelagoano Ltda, CNPJ n° 24.987.653/0001-74, a qual tem sua sede no endereço indicado. Além disso, foi informado que o Sr. Genedly Constantino de Oliveira, CPF n° 004.697.936-00, seria sócio daquela empresa e da Viação Presidente Ltda, o que está correto, conforme dados constantes do sistema CNPJ. Em pesquisa no sistema CPF, verifica-se que o Sr. Genedly é responsável legal por 9 (nove) empresas, sendo que o endereço cadastral informado é o mesmo constante da mídia eletrônica, ou seja, Rua Além Paraíba, 275 — Belo Horizonte." As "telas" dos sistemas cadastrais da Receita Federal, coligidas aos autos às fls. 115/120, asseveram que o Sr. Genedly Constantino de Oliveira, portador do CPF n° 004.697.936-00 é sócio da autuada (fl. 116); que é sócio e responsável perante o CNPJ/RFB pela empresa Expresso Setelagoano, CNPJ 24.987.653/0001-74 (fl. 117); que tanto a empresa Expresso Setelagoano, como o Sr. Genedly Constantino 25 de Oliveira, fizeram constar em declarações prestadas ao fisco o endereço da Rua Além Paraíba, 275, Bairro Lagoinha, Belo Horizonte, MG (fl. 119).(...)" Ora, é muita coincidência que esses três indícios apontam sempre, mesmo que não de forma totalmente direta, para um único norte: remetente a empresa Viação Presidente. Por fim, o quarto e último indício, se tomado de forma isolada não forte, mas em conjunto com os outros 3(três) indícios torna a prova em seu conjunto digna de peso. É que no comprovante individuaL dessa mídia (fl. 113), que foi apresentado pela fiscalização, o remetente é identificado pelo nome transcrito literalmente: "BY ORDER OF . : EDGARD ROGÉRIO" De relevante ressaltar neste ponto não é a justificativa da recorrente de- que "em fevereiro de 2002, não possuía funcionário ou colaborador com o nome de 'Edgard Rogério', mas que tinha coincidentemente um funcionário chamado Edgar Aviago de Andrade. Neste ponto, ressalto novamente o ensinamento de Umberto Eco demonstrando o requisito de convergência e o estabelecimento de condições objetivas em que a hipótese poderia ser refutada: "(..) Se, por outro lado, na cena do crime encontro uma jóia de forma estranha, considerada exemplar único deste tipo, e que todos sabem pertencer a uni certo indivíduo, a pista fica interessante; e, se depois descubro que esse indivíduo não pode mostrar-me sua jóia, as duas pistas se encaixam.(..)" A empresa ter na mesma época um funcionário com nome Edgar, por si só já aguça os nossos instintos investigatórios indicando que a pista é interessante. Os fiscais então investem nessa pista e descobrem algo que, se por si só, possa parecer irrelevante, junto com a pista acima não dúvidas de que as pistas se encaixam. E de se ver. O autuante menciona que fez "uma pesquisa nas DIRFs da pessoa jurídica (Viação Presidente Ltda), que revelou a existência de funcionário com nome coincidente e de nível de salário sinalizador de importância na empresa". Ao intimar referido funcionário, embora tenha alegado desconhecer a remessa em objeto da exigência fiscal, ele próprio informou que era o gerente financeiro à época da remessa. Seria aqui urna outra grande coincidência? Além do que, acrescente-se que ele deu depoimento no sentido de que teria conhecimento de todas operações que envolvem entradas e saídas de numerário da empresa naquela época. Como se vê, os indícios apareceram nos auspícios de uma cuidadosa investigação em que cada elemento verificado conduzia a outro, como num desenrolar de um novelo, a fiscalização acaba por transformar tais indícios em efetiva prova indiciaria. Nessa esteira, não cabe aqui o argumento na tentativa de enfraquecer a prova levantar o fato de o endereço e o telefone na ordem de pagamento terem sido grafados de forma manuscrita insinuando que tais informações poderiam ter sido"plantadas" para desviar a investigação. Isso em nada infirma as informações relevantes para fins de apuração do fato gerador da obrigação tributária, a uma, conforme colocado pela decisão de piso "porque todas n( as cautelas relativas à obtenção e perícia das referidas mídias foram tomadas pelas autoridades t' 26 Processo n° 10680.009750/2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 14 envolvidas na elucidação dos fatos investigados pela denominada CPI do Banestczdo."; a duas porque se esse fosse o caso, era de se esperar que a informação a ser "plantada" fosse mais direta, como o nome completo do remetente, o endereço atual da empresa, etc. e não em forma indícios que precisariam ser desvelados; e por último, trata-se de um argumento de suspeição paranóico que despreza a boa-fé das autoridades fiscais envolvidas no procedimento. Também cabe salientar, por importante, que o argumento de que a prova possa ter sido possivelmente plantada não prospera diante da natureza da origem dessa prova. Todo o processo de acusação originou-se do aparecimento de uma prova circunstancial. de aparecimento inesperado, onde foram tomadas todas as cautelas necessárias para tal prova não pudesse ser manipulada no interesse de outrem. Portanto, o argumento de que a prova teria sido "plantada— não se compatibiliza com a situação em que a prova foi colhida de maneira circunstancial sem qualquer controle por parte de alguém, mormente onde as autoridades envolvidas tomaram todas as cautelas de segurança necessárias. Outrossim, a questão aventada do nome do funcionário também não subsiste, eis que a fiscalização não afirmou que existisse funcionário com o nome de "Edgard Rogério", e sim que "constam dois nomes de pessoas na ordem de pagamento a titulo de ordenantes", quais sejam, o nome "Edgard" e o nome "Rogério". A recorrente insiste em combater a prova indiciária pela estratégia de analisar alguns indícios isoladamente, mostrando que podem levar a conclusões diversas das apontadas pela fiscalização. Foi o caso, por exemplo, de apontar o fato de que - não foram efetuadas diligências para identificar o sujeito passivo da remessa, haja vista que existem duas outras sociedades que têm o nome de Viação Presidente, quais sejam: a) Auto Viação Presidente Vargas Ltda, de Porto Alegre no Rio Grande do Sul; e b) Viação Presidente Getúlio, de Blumenau em Santa Catarina; Segundo a recorrente, referidas empresas são do sul do País, região onde teriam sido apuradas as irregularidades junto ao Banco Banestado, sendo provável ser uma delas a empresa mencionada no documento de fl. 113 e não a autuada que é sociedade mineira. Ora, a recorrente esquece-se de que todos os outros indícios que foram minuciosamente desdobrados neste voto apontam apenas para a própria recorrente: Viação Presidente Ltda. Acrescente-se a isso o fato de que o próprio indício principal que é a o ocorrência da expressão "Viação Presidente" na ordem de remessa, já aponta univocamente para recorrente e descarta as 2(duas) outras possibilidades aventadas. Em outras palavras, a recorrente apenas ataca de forma isolada os indícios, não abalando o "conjunto da obra". Portanto, em uma cuidadosa investigação em que cada elemento verificado conduzia a outro, como num desenrolar de um novelo, a fiscalização acabou por chegar a conclusão de que a recorrente é a verdadeira ordenante da remessa de divisas, no montante de US$ 500.000,00. Por todo o exposto, nego provimento a este item. 27 •Multa Isolada — Estimativas não panas (IRPJ/CSLL) A multa isolada foi apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do IRPJ/CSLL devida, após recomposição da base de cálculo com o acréscimo da omissão de receitas. Cabe de início esclarecer que não se confunde a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o ano-calendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, dando-lhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendo-os mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplica-se ainda que, no final do 1 período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mês-calendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o dever-ser do éjcomportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerando-se o conteúdo (4 das determinações legais. ! 28 ( Processo n° 10680.009750/2007-73 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-0095 Fl. 15 O não-cumprimento da obri gação tributária estabelecida nos dispositivos legais pelas pessoas jurídicas a elas obrigadas, consubstancia-se em infração tributária e oportuniza o procedimento fiscal de oficio que visa restaurar o ordenamento jurídico violado. Mantenho, portanto, as multas isoladas nos exatos termos prescritos na autuação. .MULTA QUALIFICADA —150% Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional, buscou ocultar receitas com o fim de eximir-se do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, adiante reproduzido: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." O dolo e o evidente intuito de fraude é ínsito em situações tais em que ficar provada, como de fato aconteceu, que houve remessa de divisas a domiciliado no exterior, à margem da contabilidade e das autoridades do banco central, sem que o remetente esclareça a que título e com que finalidade foi efetuada a remessa de divisas. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Lançamentos Reflexos Tirante a contestação específica para IRRF, que já foi rebatida no primeiro item e provimento parcial em relação ao terceiro item, por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, afasto a decadência, REJEITO a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. NTONIO B ZERRA NETO 29
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000265/2007-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/03/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN..
Numero da decisão: 2803-003.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/03/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 65 /2 00 7- 77 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000265/200777 Acórdão n.º 2803003.962 S2TE03 Fl. 103 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000265/200777 Acórdão n.º 2803003.962 S2TE03 Fl. 104 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 32, IV, §3º, da Lei n. 8.212/1991, por ter a empresa ter apresentado documento informativo com dados incorretos ou incompletos, referente aos períodos de 01/1997 a 12/1999. A ciência do lançamento deuse em 30.03.2007. O lançamento foi mantido com base no art. 45, da Lei n. 8.212/1991, em que a decadência dos créditos somente se daria em 10(dez) anos. O recurso foi tempestivo, e alegou a decadência qüinqüenal dos créditos lançados com base nos fatos geradores e a não ocorrência das infrações. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000265/200777 Acórdão n.º 2803003.962 S2TE03 Fl. 105 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à alegação de aplicação da decadência, devese ponderar. Por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de declarações não prestadas, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000265/200777 Acórdão n.º 2803003.962 S2TE03 Fl. 106 5 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida ou poderia ter sido cumprida, mas não é. Assim, considerando que a intimação do lançamento ocorrera em 30.03.2007, consoante a regra retro citada, fazse Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000265/200777 Acórdão n.º 2803003.962 S2TE03 Fl. 107 6 reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive esta e a competência 13/2001. Como no caso, o período mais recente é 12/1999, todos os créditos estão extintos em razão da decadência, pois são anteriores a data de corte. Isso posto, voto para conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, no sentido de reformar a decisão recorrida, cancelar o lançamento e seus créditos em razão da ocorrência do lapso decadencial. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721789/2009-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/09/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação distribuir lucro aos sócios, sendo que estava em débito com a Previdência Oficial, registrada no mesmo período.
Numero da decisão: 2803-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação distribuir lucro aos sócios, sendo que estava em débito com a Previdência Oficial, registrada no mesmo período.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação distribuir lucro aos sócios, sendo que estava em débito com a Previdência Oficial, registrada no mesmo período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 89 /2 00 9- 43 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721789/200943 Acórdão n.º 2803004.077 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721789/200943 Acórdão n.º 2803004.077 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por empresa distribuir lucro aos sócios, sendo que estava em débito com a Previdência Oficial, no exercício de 2007, com referencia à opção ao Simples e às diferenças de base de cálculo, alimentação paga em pecúnia, transporte pago em pecúnia, prólabore, gratificações e hora extra, em especial à existência de indicação de débitos perante a Seguridade Social nos livros da empresa sob o título INSS A PAGAR (Conta 2105.050000) registrado no mesmo período. O recurso voluntário apresentado tempestivamente, que a distribuição de lucros foi lícita e que não haveria débitos perante a Seguridade Social, e que se houver os mesmos são indevidos, por ser empresa optante do Simples, bem como o julgamento presente depende do julgamento dos lançamentos (AIOP Nº 37.201.2175; 37.201.2183 e 37.201.220 5). É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721789/200943 Acórdão n.º 2803004.077 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à questão levantada, quanto aos efeitos da declaração de exclusão do Programa SIMPLES desde 01.01.2002, mas a parte não comprovou que permaneceria inclusa. Mesmo assim, o ato de exclusão e sua possível anulação é apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa matéria é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos por ora, conhecendo se apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. Ainda, a discussão administrativa de inconformidade com a exclusão de tal regime não tem efeitos suspensivos, pois não tratase de lançamento tributário, logo não encontrase entre as causas de suspensão dos efeitos do ato administrativo do art. 151, do CTN. O lançamento não pode ser assim sobrestado. Entretanto, é óbvio que decisão de cancelamento da exclusão, é causa primeira de cancelamento e plena nulidade do lançamento. Ou seja, caso venha a ser consolidada a situação de permanência da contribuinte no SIMPLES, ensejará em vício absoluto de origem do lançamento ora discutido. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721789/200943 Acórdão n.º 2803004.077 S2TE03 Fl. 6 5 Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. III – Quanto aos casos de conexão alegados, os mesmos não afetam o presente julgamento, inclusive, observando que este julgador e turma especial já apreciaram em 11 de maio de 2011, os processos n. 10166.721783/200976 e 10166.721781/200987, os dois tiveram provimento parcial, o que demonstrou haver créditos tributários remanescentes não pagos e que não foram infomados em GFIP, que deveriam estar devidamente demonstrados em folha de pagamento como remunerações. IV – Entretanto, entendo que o débito alegado como causa de irregularidade da distribuição de lucros, para fins da incidência do art. 54, da Lei n. 8.212/1991, c/c art 32, da Lei n. 4357/1964, deveria estar constituído na forma do art. 142, do CTN, ou na forma de declaração à Seguridade Social descrita no art. 32, IV, §2º, da Lei n. 8.212/1991 (GFIP). Os instrumentos de constituição do crédito tributário são somente aqueles previstos em lei em sentido estrito. A contabilidade não é instrumento habil de constituição de crédito tributário, sob pena ao princípio da legalidade tributária. Como a fiscalização não demonstrou que havia qualquer crédito tributário constituído no momento da distribuição, não ocorreu o evento previsto na hipótese de incidência da norma sancionadora. VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, DARLHE PROVIMENTO no sentido de reformar a decisão a quo e cancelar o lançamento. É o voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13907.000072/2006-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida.
O Lançamento não pode ser mantido, posto que calculado à alíquota máxima do Imposto de Renda, incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, de acordo com o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, que foi considerado inconstitucional pelo STF.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior.
(Assinado digitalmente)
José Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: Relatora
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida. O Lançamento não pode ser mantido, posto que calculado à alíquota máxima do Imposto de Renda, incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, de acordo com o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, que foi considerado inconstitucional pelo STF. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 7. 00 00 72 /2 00 6- 99 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 José Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório Tratase de Autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme Auto de Infração da fl. 06, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, em que o crédito tributário apurado foi de R$ 22.849,44 (vinte e dois mil, oitocentos e quarenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Às fls. 06/14 constou os dispositivos legais considerados adequados pelo Fisco par dar amparo ao lançamento. Cientificado do lançamento em 24/03/2006 (fl. 164), o interessado ingressou com a impugnação de fls. 01/04, tempestivamente, em 24/04/2006, alegando, em síntese, que: a) A apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual apresentada em 2002 e retificada em 2003, de forma espontânea, teve por base as informações prestadas pela fonte pagadora Banco Bradesco S/A, cuja cópia anexa à presente e cujos valores coincidem com aqueles oferecidos à tributação, desconhecendo o cabimento de responsabilidade pelo pagamento do imposto suplementar apurado, com base no art. 722 do RIR/99: b) Os valores utilizados no lançamento são oriundos de verbas trabalhistas recebidas após decisão judicial, compostas por verbas tributáveis e isentas, tendo havido retenção no valor de R$ 7.509,40 em 2001. Para receber o que lhe era devido teve que arcar com o pagamento de custas judiciais (R$ 1.796.66) e de honorários advocatícios (R$ 8.000,00); c) Com base no art. 56 do RIR/99, deve o lançamento ser refeito, de modo a contemplar a totalidade do Imposto de Renda retido em 2001, as custas processuais e os honorários advocatícios pagos, conforme comprovantes juntados, caso se entender cabível a cobrança; d) Não pode ser penalizado por erro atribuído à fonte pagadora principal Banco Bradesco S/A, ficando sujeito a multas de caráter punitivo, e ainda que se considere procedente a cobrança do imposto suplementar, com os ajustes necessários, requer a exclusão das multas; e) E descabida a incidência de juros moratórios por suposta dívida vencida, se o contribuinte não conhecia a existência do suposto débito. Ademais, desqualificandose o principal, também o será o acessório, representado, no caso, pelas penalidades pecuniárias; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13907.000072/200699 Acórdão n.º 2301004.579 S2C3T1 Fl. 475 3 f) Por fim, requer a revisão do lançamento e consequente exclusão do crédito tributário apurado. Decidindose pela manutenção do imposto, no todo ou em parte, sejam excluídas as penalidades pecuniárias, sobretudo a multa de ofício de 75%, haja vista que foi induzido em erro pela fonte pagadora. Junta cópias de folhas da Reclamatória Trabalhista n° 036/96 da Vara do Trabalho de Arapongas, contendo o IRRF descontado e recolhido, as custas judiciais e cópia do comprovante anual de rendimentos da principal fonte pagadora, bem como cópia autenticada dos recibos de honorários advocatícios. A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação da contribuinte proferiu a seguinte decisão: Da análise dos autos, verificase que os rendimentos omitidos na DAA apresentada pelo Contribuinte, relativamente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, referemse a valores recebidos em Reclamatória Trabalhista movida contra Banco Bradesco S/A (autos n° 036/1996) [...] Por ocasião da apresentação de defesa, o Impugnante não nega o recebimento do referido valor, limitandose a afirmar que "quando do preenchimento espontâneo de sua Declaração de Ajuste Anual, utilizouse do informe anual de rendimentos de suas fontes pagadoras". Ora, o Contribuinte, com certeza, sabe exatamente qual a importância que veio a receber, embora conste do comprovante de rendimentos, fl. 19, valor diverso. No que se refere ao IRRF, verificase que o valor de R$ 7.509.40 consta do referido comprovante de rendimentos e também foi informado pela fonte pagadora em DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Esse valor já foi considerado pelo AuditorFiscal no "Demonstrativo de apuração de rendimentos e imposto de renda sujeitos ao ajuste anual", cuja cópia encontrase às fls. 14 e 99, sendo apropriado proporcionalmente a cada parcela paga e às verbas sujeitas à incidência do imposto. No caso presente (parcela de R$ 80.000,00, paga em 2001), o IRRF equivale a R$ 4.645,50 (61,86%), deduzido o imposto de renda sobre rendimentos sujeitos à tributação exclusiva (R$ 1.695,88), resultando o valor de R$ 2.949,62, conforme demonstrado no citado Demonstrativo. No tocante às custas judiciais, o Contribuinte não demonstrou ter arcado com o pagamento. Aliás, na decisão de I a instância, restou determinado que as custas seriam arcadas pelo réu (fl. 155 cópia autenticada). Relativamente à dedução do dispêndio com honorários advocatícios, o Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, em seu art. 56, trata da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, permitindo a dedução de despesas com honorários advocatícios, nos seguintes termos: [...]Embora o Contribuinte não tenha providenciado a juntada de contrato de honorários, apresentou recibos de pagamento (cópias autenticadas fls. 20/21), devidamente vinculados à Reclamatória Trabalhista n° 00.036/1996, da Vara do Trabalho de Arapongas PR, os referidos documentos estão assinados por Élton Luiz de Carvalho e Elson Lemuche Tazawa, cujos nomes Fl. 476DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 são citados, como procuradores do Impugnante, também nas guias de retirada e outras peças constantes dos autos judiciais antes mencionados. [...] embora haja a permissão para dedução dos honorários advocatícios, deve ser aplicada a proporcionalidade dos custos em relação às verbas trabalhistas recebidas acumuladamente, desde que não sejam ressarcidas ou indenizadas sob qualquer forma, já que os honorários advocatícios foram gastos para a obtenção tanto dos rendimentos isentos como dos rendimentos tributáveis, pois se os honorários despendidos para obter as verbas isentas fossem deduzidos das verbas tributáveis, estarse ia, por via transversa, tornando isentos rendimentos que são tributáveis. [...] A multa de ofício com percentual de 75%, aplicada em face de infração às regras instituídas pelo direito fiscal, possui a devida previsão legal e aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, que é o caso da infração apurada na notificação de lançamento (art. 44, I, da Lei n° 9.430. de 1996). Ela independe da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência, conforme determina o instrumento legal mencionado. A cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumuladas mensalmente, foi fixada pelo art. 13 da Lei n° 9.065, de 1995, e hoje tem fundamento na Lei n° 9.430, de 1996, conforme faculta a Lei n° 5.172, de 1966, art. 161, § 1º, in verbis: [...]Ademais, demonstrados o supedâneo legal e a razoabilidade do lançamento, são devidos, também, a multa de ofício e os juros de mora. [...] Isso posto, voto pela procedência parcial da impugnação, reduzindo o imposto suplementar para R$ 7.642,73, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 0629.599, da 6ª Turma da DRJ/CTA em 07/02/2011 (fl. 176). Sobreveio Recurso Voluntário em 09/03/2011 (fls. 177/183), que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, o Recorrente sustentou que percebeu em setembro de 2001, a quantia líquida de R$ 80.000,00, sobre a qual a fonte pagadora recolheu o IRRF no valor total de R$ 7.509,40, devidamente corrigido, conforme se constata da planilha colacionada na peça recursal, do "Imposto de Renda" elaborada pela justiça trabalhista. Sustentou que o artigo 56 do RIR impõe que o imposto, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 2 7.713, de 1988, art. 12). Na planilha II em anexo (fl. 189), alegou que o IRRF sobre o 13° Salário em conformidade com o demonstrativo elaborado pela Justiça do Trabalho, calculada mês a mês, importa em R$ 642,17, correspondente à base de cálculo ajustada, pelos mesmos índices de correção utilizados, de R$ 9.057,09. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13907.000072/200699 Acórdão n.º 2301004.579 S2C3T1 Fl. 476 5 Afirmou que há que se corrigir a verba relativa ao 13° Salário, caso contrário, a base de cálculo ajustada (IN15/01) seria distorcida, haja vista que o IRRF recolhido foi devidamente atualizado conforme planilha elaborada pela justiça do trabalho. Em face disso, não há que adicionar aos rendimentos sujeitos ao ajuste a parcela do IR ajustado conforme apurado pelo auditor fiscal (Demonstrativo de apuração de rendimentos e imposto de renda sujeitos ao ajuste anual, itens 5 e 6). Sustentou que à luz da legislação vigente à época, o interessado recebeu acumuladamente as seguintes verbas proporcionais, conforme percentuais encontrados na planilha II, em anexo (fl. 189): Rendimento Líquido Sujeito ao Reajuste (82,4362%) R$ 5.948,96, Rendimento Tributado Exclusivamente na Fonte (7,0037%) R$ 5.602,96, e Rendimentos Isentos (10,5601%) R$ 8.448,08, totalizando R$ 80.000,00. Alegou que o IRRF recolhido pela fonte pagadora, incidente sobre o total pago no mês de setembro de 2001, foi, efetivamente, de R$ 7.509,40. aduziu que não se pode diluir o IRRF proporcionalmente as verbas recebidas acumuladamente naquele mês, pois o saldo restante, como no entendimento do auditor fiscal, não poderia ser compensado no exercício seguinte (não haveria informação na DIRF),o que fatalmente implicaria em glosa pela Receita Federal. Por fim, sustentou que não há como não compensar, no exercício de 2001, o Imposto de Renda Retido e Recolhido pela Fonte Pagadora. Requereu que sejam considerados os valores deferidos da justiça do trabalho, como rendimentos tributados exclusivamente na fonte, subsidiariamente, que sejam revistos os lançamentos realizados pela Receita Federal, com a consequente anulação do débito fiscal. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi, relatora O recurso ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratase de rendimentos recebidos acumuladamente no âmbito de ação reclamatória trabalhista, de modo que peço vênia para aqui transcrever voto do ilustre Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, proferido no Acórdão nº 2801003.967, de 10/02/2015, acolhido também pelo Acórdão nº 2102003.268 de 10/03/2015, da não menos ilustre Conselheira Núbia Matos Moura, que se referem a mesma questão em foco: No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de Fl. 478DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Em outras palavras: a tese fixada como “repetitiva”, no entendimento deste Relator, limitavase ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de litígios outros que não versasse a concessão/revisão de benefícios previdenciários, a exemplo de reclamatórias trabalhistas envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não decorria de ato ilegal da administração. Assim, em relação aos processos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista o entendimento deste julgador era no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Nos casos de verbas adimplidas em reclamatória trabalhista, portanto, meu entendimento era no sentido de se observar a natureza dos rendimentos recebidos, fazendo incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir sobre verbas isentas e não tributáveis, assim como realizado pelos julgadores na decisão de 1ª instância administrativa. A linha de entendimento por mim adotada foi mantida até a sessão de novembro de 2014. Sabiase, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal STF em 20/10/2010, no julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário nº 614406, em razão da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, proferida em controle difuso pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13907.000072/200699 Acórdão n.º 2301004.579 S2C3T1 Fl. 477 7 Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma v.Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, temse o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13907.000072/200699 Acórdão n.º 2301004.579 S2C3T1 Fl. 478 9 conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998. Nesse cenário, entendo que deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Concluise, portanto, que não pode ser mantido o presente lançamento, posto que calculado à alíquota máxima do Imposto de Renda (27,5%), incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, de acordo com o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, que foi considerado inconstitucional pelo STF. Acrescento, ainda, que discordo da possibilidade de aproveitamento do lançamento, dandose parcial provimento ao recurso, para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Tal conduta reajustamento do lançamento para atender ao disposto na decisão do STF implicaria em a autoridade lançadora fundamentar o lançamento em outro Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 dispositivo legal, que não na Lei nº 7.713, de 1998, com utilização de novos cálculos, desta feita, no regime de competência, para exigência do novo valor do imposto, acrescido dos devidos acréscimos legais. Aqui devese registrar que não há na legislação tributária dispositivo legal para amparar tal lançamento. Acrescentese, ainda, que o aproveitamento do lançamento acarretaria em agravamento da exigência, posto que para a adequação do lançamento seria necessária uma completa inovação da Notificação de Lançamento, com alteração do enquadramento legal, que entendo inexistente para referida exigência, e modificação das tabelas progressivas aplicáveis. Tais inovações somente poderiam ser concretizadas, mediante a lavratura de novo lançamento, que propiciaria o devido processo legal, com reabertura do prazo para impugnação, garantindo o direito de defesa do contribuinte. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15504.005323/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. DECLARAR TODOS OS FATOS GERADORES. DADOS NÃO CORRESPONDENTES.
É obrigação da empresa declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ESTAGIÁRIO SEM SEGURO DE VIDA. AUSÊNCIA E COMPROVAÇÃO.
É requisito essencial para que o valor recebido a título de bolsa de estudos não integre o salário contribuição, que o contrato de estágio esteja acompanhado pelo respectivo seguro de acidentes pessoais.
BOLSA DE ESTUDOS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA
Para ser excluído do salário de contribuição, nos termos da Lei 8.212/91, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais deve garantir que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
PLANO DE SAÚDE. EXTENSIVO A TODOS OS EMPREGADOS. MERA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade os empregados e dirigentes da empresa.
Não comprovado que o benefício era estendido a todos os empregados, tais valores integram a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO
Incide tributação sobre o valor relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e quando não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.
ABONO DE FÉRIAS. CONDIÇÕES IMPOSTA EM CLAUSULA CONTRATUAL OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO
A gratificação ou abono concedido sob condições de assiduidade do empregado previstas em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho não possui natureza do abono previsto no art. 143 da CLT e integra o salário de contribuição.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Não é necessário comprovar a condição de segurado obrigatório da Previdência Social, tendo em vista em que na condição de contribuinte individual, enquadram-se aqueles que prestam serviço, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS.
A Lei 8.12/91 não estipula como condição para a caracterização de grupo econômico e a respectiva responsabilidade das empresas integrantes, qualquer análise da solvência da empresa principal.
O art. 30, inc IX do referido diploma legal prevê que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei, independentemente da situação de solvência.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. ENFRENTAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
Para os casos em que o fisco já efetuou a verificação da legislação a ser aplicada para imposição da multa mais benéfica, sem que o sujeito passivo tenha manifestado qualquer inconformismo acerca desse ponto, incabível o enfrentamento de ofício da questão, por não se caracterizar como matéria de ordem pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS (Relator) e JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, que davam provimento parcial para recálculo da multa nos moldes do art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/2009. Redator designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Kleber Ferreira Araújo - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. DECLARAR TODOS OS FATOS GERADORES. DADOS NÃO CORRESPONDENTES. É obrigação da empresa declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ESTAGIÁRIO SEM SEGURO DE VIDA. AUSÊNCIA E COMPROVAÇÃO. É requisito essencial para que o valor recebido a título de bolsa de estudos não integre o salário contribuição, que o contrato de estágio esteja acompanhado pelo respectivo seguro de acidentes pessoais. BOLSA DE ESTUDOS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA Para ser excluído do salário de contribuição, nos termos da Lei 8.212/91, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais deve garantir que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. PLANO DE SAÚDE. EXTENSIVO A TODOS OS EMPREGADOS. MERA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade os empregados e dirigentes da empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 53 23 /2 01 0- 76 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 298 2 Não comprovado que o benefício era estendido a todos os empregados, tais valores integram a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. SEGURO DE VIDA EM GRUPO Incide tributação sobre o valor relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e quando não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. ABONO DE FÉRIAS. CONDIÇÕES IMPOSTA EM CLAUSULA CONTRATUAL OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO A gratificação ou abono concedido sob condições de assiduidade do empregado previstas em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho não possui natureza do abono previsto no art. 143 da CLT e integra o salário de contribuição. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Não é necessário comprovar a condição de segurado obrigatório da Previdência Social, tendo em vista em que na condição de contribuinte individual, enquadramse aqueles que prestam serviço, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. A Lei 8.12/91 não estipula como condição para a caracterização de grupo econômico e a respectiva responsabilidade das empresas integrantes, qualquer análise da solvência da empresa principal. O art. 30, inc IX do referido diploma legal prevê que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei, independentemente da situação de solvência. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. ENFRENTAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Para os casos em que o fisco já efetuou a verificação da legislação a ser aplicada para imposição da multa mais benéfica, sem que o sujeito passivo tenha manifestado qualquer inconformismo acerca desse ponto, incabível o enfrentamento de ofício da questão, por não se caracterizar como matéria de ordem pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS (Relator) e JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, que davam provimento parcial para recálculo da multa nos moldes do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei Fl. 298DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 299 3 11.941/2009. Redator designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Kleber Ferreira Araújo Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 300 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa EMCCAMP RESIDENCIAL S/A em face da decisão que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela recorrente e manteve em parte o crédito tributário referente ao descumprimento de obrigação acessória (CFL 68). 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 6/9), a empresa deixou de informar em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP parte da remuneração paga aos segurados empregados e contribuições individuais que lhe prestaram serviços. 3. Tratase das verbas de natureza salarial: abono saída de férias, estagiários contratados em desacordo com a legislação, assistência médica não extensiva a todos os segurados empregados e administradores, seguro de vida em grupo não extensivo a todos os segurados empregados e administradores, pagamentos a contribuintes individuais, pagamento de curso de pósgraduação ao segurado Sérgio Correa Ribeiro e pagamento de alimentação sem inscrição no PAT. 4. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido (fls. 145/186) restou assim ementado: GFIP GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. Constitui infração à legislação a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Contudo posteriormente, foi proferido novo decisório que revisa o acórdão supramencionado (189/195), com o objetivo de sanar tópico do acórdão anterior, uma vez que o acórdão substitutivo excluiu as empresas da solidariedade passiva sem observar a literalidade do §5º do artigo 152 da Instrução Normativa RFB n. 971, de 2009. Ficando repetidos os fundamentos do acórdão Substituído, à exceção da exclusão das empresas autuadas EMCCAMP EDIFICAÇÕES & TÁXI AÉREO LTDA. e CONSTRUTORA EMCCAMP LTDA do polo passivo solidário. 6. O acórdão substitutivo restou ementado nos seguintes termos: GFIP GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 301 5 Constitui infração à legislação a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. INEXATIDÃO. LAPSO MANIFESTO. Na ocorrência de lapso manifesto na decisão, as inexatidões deverão ser corrigidas de ofício, ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 7. Após terem sido cientificadas do último acórdão (fls. 262, 263, 264), a empresa principal interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 268/290), sustentando, em síntese: a) nulidade do processo administrativo, cerceamento do direito de defesa, vez que na decisão recorrida houve indeferimento de produção de prova; b) a empresa segue todas as regras contidas na Lei do Estágio, especialmente a da contratação obrigatória de seguros de acidentes pessoais para os estagiários e que as apólices foram apresentadas, contudo abrange todos os estagiários da empresa (seguro coletivo), sem especificação individual, já que todos estão cobertos pelo seguro (seguro em grupo); c) o pagamento de bolsas de estudo realizado pela empresa não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária; d) para provar o aduzido, requereu a juntada da apólice do seguro e respectiva declaração emitida pela seguradora onde consta individualmente os referidos estagiários cobertos pelo plano de seguro de acidentes pessoais, no ano de 2006, além do comprovante de pagamento relativo à apólice dos estagiários (anexos ao recurso); e) a assistência médica é extensiva a todos os empregados, seja na forma de plano de saúde, seja na forma estabelecida nas Convenções Coletivas de Trabalho e que há desinteresse dos empregados ao plano posto à disposição dos empregados, por ser financiado em parte por estes e que, para os empregados não abrangidos pelo plano oferecido pela empresa, há previsão específica na Convenção Coletiva sobre a prestação de assistência médica aos empregados; f) a assistência médica não tem caráter salarial e não integra o salário para quaisquer efeitos; g) o seguro de vida em grupo complementar não pode ser considerado de natureza salarial, pois não é gratuito, não é arcado individualmente pela empresa, sendo uma parcela custeada pelos próprios empregados; h) empresa agiu de acordo com a regra constante do § 9º, letra “e”, item 6, do art. 28 da Lei 8.212, de 1991, e com a Convenção Coletiva de Trabalho, que a Fl. 301DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 302 6 vincula, quando concedeu a seus empregados o benefício de abono de férias, sendo, pois, improcedente a conclusão fiscal de que o abono não teria sido pago nos termos do art. 144 da CLT; i) a fiscalização não comprovou a condição de contribuinte individual obrigatório do Sr. Eduardo Roberto Dutra; e j) não há justificativa para a inclusão das empresas do grupo econômico como solidárias nas autuações, pois a recorrente mostrouse economicamente saudável e fiel cumpridora das leis trabalhistas, previdenciárias e fiscais; l) a decisão recorrida incorreu em ilegalidade e/ou excesso nas autuações, sendo que eventuais equívocos formais não ensejariam as autuações que lhes foram aplicadas. 8 Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 303 7 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Aduz a recorrente que não foi assegurado o direito a ampla defesa e ao contraditório, vez que na decisão recorrida houve indeferimento de produção de prova. 3. Contudo, a possibilidade de realização de novas diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador, quando houver dúvida acerca dos fatos constantes nos autos. 4. Assim dispõe o art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. 5. Dessa forma, não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa. 6. Segundo o Código de Processo Civil, em seu art. 333, inciso I, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. Assim, não suprindo o ônus que lhe foi incumbido por disposição legal, fica facultado ao julgador deferir o pedido de produção de novas provas, o que, conforme dito acima, não é necessário para a elucidação dos fatos que envolvem o presente caso. 7. Diante disso, afasto a preliminar de cerceamento de defesa suscitada pela recorrente. DOS ESTAGIÁRIOS CONTRATADOS EM DESACORDO COM A LEI 6.494/77 8. Segundo a fiscalização foi constatado o pagamento a segurados tidos como estagiários, por parte da autuada, no período de 01/2006 a 10/2006, no estabelecimento centralizador e em diversas obras, relacionadas nos relatórios. Isso ocorreu, tendo em vista que Fl. 303DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 304 8 a recorrente não apresentou as apólices de seguro de acidentes pessoais para os estagiários, o que acarreta a descaracterização do contrato de estágio, conforme art. 3º da Lei 6.494/77. 9. A recorrente, por sua vez, sustenta que a empresa segue todas as regras contidas na Lei do Estágio, inclusive a contratação obrigatória de seguros de acidentes pessoais para os estagiários e foram, devidamente apresentadas as apólices. Ocorre que a apólice abrange todos os estagiários da empresa (seguro coletivo), sem especificação individual, já que todos estão cobertos pelo seguro (seguro em grupo). 10. Conforme disposto na Lei nº 8.212/91 em seu artigo 28, §9º alínea “i” que não integram o saláriodecontribuição a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n. 6.294, de 7 de dezembro de 1977. 11. De acordo com a Lei 6.494/77, com as alterações introduzidas pela Lei 8.859/94, verbis: “Art. 4º. O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais” 12. Concluise que, é requisito essencial para que o valor recebido a título de bolsa de estudos não integre o salário contribuição, que o contrato de estágio esteja acompanhado pelo respectivo seguro de acidentes pessoais. 13. Consta nos autos que apesar de devidamente intimada a recorrente não apresentou as apólices de seguros de acidentes pessoais para os estagiários e segundo relato fiscal o a seguradora (Clube PASI de Seguros), informou, em 25/02/2006, por meio eletrônico que, somente a partir da competência 11/2006 o sujeito passivo passou a enviar a relação com os nomes dos estagiários a serem incluídos na apólice de seguro. 14. No entanto em 17/05/2010 declarou de forma genérica que os estagiários listados estavam acobertados por seguros de acidentes pessoais (fls. 495/496). 15. Assim, por considerar não cumpridos os requisitos que qualificam a condição de estagiário, qual seja, a ausência de seguro de vida, correta a decisão fiscal. DO PAGAMENTO DE CURSO MBA 16. De acordo com os autos, a fiscalização considerou os pagamentos ou créditos realizados pela empresa ao segurado empregado Sérgio Correa Ribeiro, referentes ao custeio de curso MBA Em gestão empresarial da Fundação Getúlio Vargas, como montante integrante da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 17. O art. 28, §9º, alínea “t” da Lei n. 8.212/91 determina que não integra o salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional, que vise à educação e a cursos de capacitação e qualificação profissionais, (i) vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, (ii) não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (iii) que todos os empregados e dirigente tenham acesso ao mesmo. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 305 9 18. No caso em tela a recorrente não comprovou a extensão de tal benefício à totalidade dos empregados e dirigentes, pelo contrário, não foram encontrados quaisquer pagamentos de cursos similares a nenhum outro segurado. 19. Diante disso, não cumprido o referido o requisito exigido pela legislação, integram os valores pagos a título de auxílio educação, haja vista a ausência de comprovação da extensão de tal benefício a todos os funcionários. DA ASSISTÊNCIA MÉDICA NÃO EXTENSIVA À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES 20. Insta mencionar que somente a assistência médica cuja a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, será excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preleciona a alínea “q”, do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91: Lei 8.212/91 art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade os empregados e dirigentes da empresa; 21. Foi constatado pela fiscalização que a empresa oferece a parte dos segurados assistência médica por intermédio de plano de saúde. Tal pagamento não decorre de cláusulas de acordos ou convenções coletivas de trabalho, nem tampouco de programa de benefícios institucionalizado na empresa, que firmou declaração negando a existência de plano de benefícios oferecido aos empregados. 22. In casu, a empresa não comprovou a extensão de tal benefício à totalidade empregados e dirigentes da empresa. Segundo o relatório fiscal, pouco mais de dez por cento dos segurados empregados, em média, desfrutaram dessa assistência; destes participantes, cerca de setenta por cento estavam lotados na administração (estabelecimento centralizador). 23. Em contrapartida a empresa argumenta que a assistência à saúde era sim estendida a todos os empregados, no entanto, a baixa participação devese ao fato de o plano oferecido não ser totalmente gratuito e assim, uma parcela dos empregados optavam por não arcar com os ditos 50% do plano que caberia ao empregado. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 306 10 24. Quanto à afirmação do Colegiado a quo, de que o fato do plano de saúde não ser viável a todos os empregados, já estabeleceria uma discriminação incompatível com a legislação, acredito que não seja esse o cerne da questão e tão somente a comprovação de que o plano foi ofertado a todos os empregados. 25. No entanto, carecem os autos de prova substancial de que o plano de saúde era ofertado a todos os empregados. 26. No caso da assistência médica, a legislação previdenciária prevê requisitos claros para que se aplique a norma isentiva. Dentre os requisitos estabelecidos, não há qualquer ressalva sobre o afastamento da isenção nos casos em que há extensão aos dependentes. 27. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF por reiteradas vezes se manifestou pela impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre tais valores quando demonstrado o cumprimento do requisito de abrangência do benefício a todos os empregados e dirigentes. 28. A empresa colaciona trechos de convenção coletiva de trabalho celebrada entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Administração da Construção em edificações, estradas terraplanagem, pavimentação, cimento, cal e gesso, ladrilho, elétrico e hidráulico, cerâmica, mármore e granito, olaria e produtos e artefatos de cimento de Belo Horizonte e o Sindicato da Indústria e Construção Civil no Estado de Minas Gerais (SECONCI – MG) e Convenção Coletiva de Trabalho entre o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Construção Civil do Município do Rio de Janeiro (SITRACONST – RIO) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (SINDUSCON – RIO). 29. Ainda que se considerasse o texto de tais cláusulas apresentadas, nos referidos instrumentos de negociação coletiva do trabalho está previsto a assistência à saúde apenas a empregados, excluídos os diretores não empregados. Isso demonstra que ainda que se admitisse tais cláusulas para balizar a concessão do benefício aos empregados, ainda assim não restariam cumpridos os requisitos exigidos pela legislação de regência. 30. Dessa forma, não estou convencido de que o plano e assistência à saúde foi ofertado a todos os empregados, e mantenho o crédito tributário no tocante a essa rubrica. DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO COMPLEMENTAR 31. Como decorre da análise do texto legal abaixo reproduzido, os valores pagos a título de seguro de vida complementar a alguns segurados empregados não atende às condições para não incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que não decorre de Convenção Coletiva de Trabalho e não é extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Passam, portanto, a integrar os o salário de contribuição dos seus beneficiários, para todos os fins e efeitos. No tocante a questão, assim dispõe o Decreto 3.048/1999: Decreto n. 3.048, de 6 de maior de 1999, in verbis: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 307 11 §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV – o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os art. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. 32. O sujeito passivo, seguindo o estabelecido na cláusula 44a. da Convenção Coletiva de Trabalho, custeia seguro de vida em grupo extensivo a todos os seus segurados empregados. Ocorre que além deste seguro, no entanto, foi contratado, no período objeto deste procedimento fiscal, seguro de vida em grupo complementar para alguns engenheiros da empresa, que custeia cinquenta por cento dos valores dos prêmios pagos mensalmente, cabendo a outra parte aos beneficiários, através de desconto em folha de pagamentos (verba 094 Seguro de Vida). 33. O relatório fiscal fundamentou o lançamento pelo fato de o seguro não estar previsto no acordo ou convenção coletiva e por esse seguro de vida complementar, o qual o empregado custeia 50% do valor total, não ter sido disponibilizado a todos os empregados, considerando assim salário de contribuição. 34. Correta a decisão a quo que manteve o lançamento. Haja vista que próprio Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e a Lei 8.12/91 estabelecem duas condições para que o valor pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo não integre o saláriodecontribuição: (a) seja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e (b) disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. 35. Por não estarem cumpridas as condições supracitadas, mantenho o lançamento quanto a esse ponto. DO ABONO DE FÉRIAS (GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE DE FÉRIAS) 36. Referese este levantamento aos valores pagos ou creditados pela empresa a seus segurados empregados na folha de pagamentos, a título de ABONO DE FÉRIAS, de acordo com as Convenções Coletivas do Trabalho CCT de 2005/2006, assinada em 05/12/2005 (com vigência entre 01/11/2005 e 31/10/2006) e de 2006/2007, assinada em 12/12/2005 (com vigência entre 01/11/2006 e 31/10/2007); está estipulada na Cláusula TrigésimaQuarta de ambas as CCT: 37. Como se constata da leitura da cláusula acima, o pagamento do referido abono está condicionado ao número de faltas que os empregados tiverem durante o período aquisitivo de férias, podendo inclusive nem ser pago, caso as faltas excedam a 3 (três) no período de apuração. Na verdade tratase do pagamento de uma gratificação vinculada à assiduidade dos segurados empregados e não do pagamento efetuado segundo o disposto no art. 144 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 308 12 38. Os valores foram retirados das folhas de pagamentos fornecidas em meio digital pelo sujeito passivo e pagos através da verba 0143 GRATIF. ASSID. CLAUS. 34ª DISSÍDIO. 39. Segundo o relatório fiscal, os valores pagos ou creditados pela empresa aos empregados, a título de abono de férias configuram parcela integrante do salário de contribuição, sendo base de cálculo par as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do Art. 28 – inciso I, da Lei nº 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, incisos I, §9…, V, letra “i” e § 10 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Dec. Nº. 3.048/99. Lei nº 8.212/91 "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)." 40. A recorrente sustenta que tal benefício não pode ser considerado de natureza salarial, pois não é gratuito, não é arcado individualmente pela empresa, ao contrário, é oneroso e não pode ser tomado como rotineiro ou habitual, considerando que pode o trabalhador optar por não participar do seguro de vida em grupo. 41. No entanto, vêse que tratase claramente de uma gratificação por assiduidade, não se enquadrando como abono pecuniário de que trata os artigos 143 e 144 da CLT, que faculta ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. 42. Sendo assim, a referida gratificação concedida ao trabalhador resta incluída no salário de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91. DO PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 43. Foi constatado o pagamento ao segurado contribuinte individual Eduardo Roberto Dutra, nas competências acima citadas, sem o devido recolhimentos das contribuições previdenciárias de sua responsabilidade nos prazos legalmente estabelecidos. Os valores foram retirados dos lançamentos contábeis fornecidos pelo sujeito passivo em meio digital e encontramse escriturados a débito da conta 3.2.02.02.011 Serviços de Terceiros PF. Os valores encontramse individualizados no Relatório de Lançamentos RL, descrito no item 6.4 e anexo a este AI. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 309 13 44. Segundo a recorrente, a fiscalização comprovou a condição de contribuinte individual do indivíduo supramencionado, razão pela qual não poderia exigir que a empresa promovesse qualquer retenção previdenciária, que no caso só se configuraria desde que reconhecida a condição de segurado obrigatório. 45. Sem razão a recorrente. 4. Equivocase a recorrente, pois não é necessário comprovar a condição de segurado obrigatório da Previdência Social, tendo em vista em que na condição de contribuinte individual, enquadramse aqueles que prestam serviço, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não. 47. Ademais, a despeito disso, a recorrente não traz aos autos quaisquer documentos que comprove os devidos recolhimentos das contribuições previdenciárias. Dessa forma, sem reforma a decisão a quo. DO GRUPO ECONÔMICO 48. Para a recorrente, não há justificativa jurídica ou fática para inclusão das empresas do grupo econômico como solidárias nas autuações, já que a defendente mostrouse economicamente saudável, e, principalmente, fiel cumpridora das leis trabalhistas, previdenciárias e fiscais. Além disso a inclusão das empresas só se justificaria em caso de comprovada insolvência. 49. Ocorre que a Lei 8.12/91 não estipula como condição para a caracterização de grupo econômico e a respectiva responsabilidade das empresas integrantes, qualquer análise da solvência da empresa principal. 50. O art. 30, inc IX do referido diploma legal prevê que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei, independentemente da situação de solvência. 51. Mantida a caracterização de grupo econômico. DA MULTA APLICADA 52. A recorrente defende que a empresa recorrente demonstrou absoluta boa fé em todo processo administrativo, sendo que eventuais equívocos formais não ensejariam as autuações lhe lhes foram aplicadas e que inexistindo substancia da obrigação fiscal principal, inexiste a violação de regra acessória. 53. In casu, não obstante a boafé alegada pela recorrente, restam mantidas as rubricas lançadas e indissociavelmente as multas aplicadas, nos termos art. 32, inciso IV, e §5º, da Lei n. 8.212, de 1991, c/c o art. 225, inciso IV, e §4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, cuja penalidade independe da intenção ou boa fé do agente, bastando que a fiscalização constate o não cumprimento da obrigação acessória pelo sujeito passivo. 54. No tocante à multa aplicada, esta matéria deve ser revista de ofício, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 310 14 55. Isso porque a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 56. Para detalhar a questão, trago a fundamentação adotada pelo Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ao apreciar a matéria, por ser pertinente e elucidativa para o caso dos autos: 57. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 311 15 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 58. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 59. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: “II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” 60. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 61. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: “LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. (...). Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições (...). Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 312 16 Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” 62. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 63. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 64. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 313 17 65. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 66. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 313DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 314 18 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 67. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...). II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 68. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 315 19 69. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade”. 70. Assim, entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 71. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para que a multa seja calculada como estabelecido no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.005323/201076 Acórdão n.º 2402004.883 S2C4T2 Fl. 316 20 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Ouso discordar do brilhante voto do ilustre Conselheiro Relator, mas apenas quanto ao recálculo da multa. Observase que, sem provocação do sujeito passivo, o Relator encaminhou por dar provimento parcial ao recurso para que a multa por descumprimento da obrigação acessória fosse aplicada com base no art. 32A da Lei n.° 8.212/1991, em respeito ao que dispõe a alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, que manda que se aplica a lei punitiva retroativamente quando resultar em penalidade mais favorável ao sujeito passivo. Ocorre que esta cautela já havia sido adotada na confecção do lançamento, como se pode de ver do seguinte excerto do relatório fiscal: "2 Para atender ao disposto no art art. 106 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN, fezse necessária a comparação das multas aplicáveis em decorrência das alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela Medida Provisória MP 4 4 9 , convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009 e a multa vigente antes das alterações decorrentes da referida legislação: (...)" Assim, considerandose que o comparativo para verificação da multa mais benéfica já havia sido efetuado pela autoridade fiscal e que o sujeito passivo não se insurgiu contra esse procedimento durante o contencioso, entendo não ser cabível a este colegiado enfrentar de ofício a questão atinente ao cálculo da multa levado a efeito pelo agente do fisco. Vejo que esse ponto não pode ser tratado como matéria de ordem pública, posto que a forma de verificação da multa mais benéfica é matéria de mérito, que suscita inclusive divergências dentro do próprio CARF. Diante do exposto, concluo que o resultado do julgamento deva ser pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 316DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO , Assinado digitalmente em 16/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 16327.003607/2002-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA - MÉTODO DE CÁLCULO MAIS FAVORÁVEL. Não cabe ao fisco assumir o ônus de sempre aplicar o método de apuração de preços de transferência mais favorável ao contribuinte. Não há prevalência de aplicação dos três métodos de preços de transferência que servem de parâmetro para o estabelecimento de custos de importação. O Fisco pode apurar o valor base do arbitramento do custo parâmetro por apenas um dos métodos existentes e, nessa hipótese, não há falar na adoção do método mais favorável ao contribuinte.
TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, consoante Súmula CARF nº 04.
Numero da decisão: 9101-002.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), e, quanto ao mérito, no Tema Preço de Transferência, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto e Maria Teresa Martinez Lopez, e, no Tema Juros de Mora sobre a Multa de Ofício, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(Assinado digitalmente)
EDITADO EM: 12/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DE CÁLCULO MAIS FAVORÁVEL. Não cabe ao fisco assumir o ônus de sempre aplicar o método de apuração de preços de transferência mais favorável ao contribuinte. Não há prevalência de aplicação dos três métodos de preços de transferência que servem de parâmetro para o estabelecimento de custos de importação. O Fisco pode apurar o valor base do arbitramento do custo parâmetro por apenas um dos métodos existentes e, nessa hipótese, não há falar na adoção do método mais favorável ao contribuinte. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante Súmula CARF nº 04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), e, quanto ao mérito, no Tema Preço de Transferência, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto e Maria Teresa Martinez Lopez, e, no Tema Juros de Mora sobre a Multa de Ofício, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 36 07 /2 00 2- 79 Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 12/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Relatório Em sessão de 26 de junho de 2008, os membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acordaram, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário da ora recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator) e Leonardo Henrique M. de Oliveira que davam provimento parcial para afastar o ajuste em relação ao CPL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido, o qual, por sua vez, adotou excertos da decisão de primeira instância: Cuidam os autos de ação fiscal, por meio da qual foi apurado o recolhimento à menor, pela Recorrente, de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL. A apuração do recolhimento à menor do tributo foi feita pelo Auditor Fiscal, mediante a análise de todos os documentos e informações apresentados pela sociedade em 11/03/2002, referentes aos métodos adotados e aos cálculos para apuração dos preços de transferência das mercadorias importadas de pessoas vinculadas, no anocalendário de 1997. Desta forma, o Auditor Fiscal promoveu o lançamento de IRPJ e de CSLL, lavrando o presente auto de infração para a exigência de um crédito tributário de R$ 1.373.154,75 (um milhão, trezentos e setenta e três mil, cento e cinqüenta e quatro reais e setenta e sete centavos). Desse valor, R$ 1.040.268,75 (um milhão, quarenta mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e cinco) são referentes ao IRPJ , à multa de oficio e aos juros de mora. O restante, a quantia de R$ 332.886,00 (trezentos e trinta e dois mil, oitocentos e oitenta c seis reais) são referentes à CSLL, bem como à multa de oficio e aos juros moratórios. Tomamos por empréstimo o relatório da decisão recorrida. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 4 3 "(...) 3. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Termo de Verificação Parcial (fls. 504 a 538), no qual relata o resultado da auditoria fiscal. Vejamos como a infração foi descrita: Informa que os autos de infração referemse, na primeira parte, aos erros apurados na aplicação pela contribuinte do método dos preços independentes comparados (PIC) nas operações comerciais de importação de mercadorias. Acrescenta, no que tange à segunda parte dos autos de infração, que decorrem dos equívocos na aplicação pela contribuinte do método do preço de custo de produção mais lucro (CPL) nas operações comerciais de importação de mercadorias. Por último, quanto à última parte da autuação, afirma que deriva dos erros da aplicação do método do preço de revenda menos lucro (PRL) pela contribuinte nas operações comerciais de importação de mercadorias. (...) 5. Em 09/12/2002, a interessada apresentou impugnação ao lançamento, do qual teve ciência em 07/11/2002, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 555 a 586), que, em síntese, aduz o seguinte: De plano, alega que a fiscalização embasou a autuação, no que tange à aplicação do método PIC, com documentos originados de fonte com acesso restrito, permitido apenas às autoridades fiscais. Este procedimento seria ilegal, indevido e inapropriado por representar ofensa à segurança jurídica, ao direito ao contraditório, à ampla defesa e, por fim, ao art. 198 do Código Tributário Nacional. Pugna, em seguida, que a fiscalização, para obtenção do preço parâmetro, ainda no que se refere à aplicação do método PIC, considerou operações comerciais atípicas, em confronto com o art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 38/1997. Requer pela aplicação, em substituição ao método PIC, do método PRL e pela improcedência dos autos de infração." A 7ª Turma da DRJ de São Paulo — SP julgou procedente o auto de infração, sendo referida decisão ementada da seguinte maneira: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROVA PRODUZIDA PELA FISCALIZAÇÃO. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 5 4 Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determinálos com base em outros documentos que dispuserem, aplicando um dos métodos previstos na legislação. METODO PIC. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados PIC, definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. MÉTODO CPL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá ser efetuada pelo método do Custo de Produção mais Lucro CPL, definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. MÉTODO PRL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRODUÇÃO DE OUTRO BEM. Para efeito de determinação do preço de transferência, é vedada a aplicação do Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), com margem de lucro de vinte por cento, às operações que se enquadram no conceito de produção de outro bem, assim entendidas aquelas em que haja alteração de bem importado, que envolva transformação ou agregação de seu valor, para posterior comercialização no mercado nacional. MÉTODO PRL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Comprovada a existência da realização de operações de importação de mercadorias prontas para revenda com empresa vinculada é possível a utilização do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), sendo necessária, no entanto, a utilização dos procedimentos previstos na legislação pertinente ao tema. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa de contribuição que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do decorrente." O Colegiado a quo, por maioria de votos, NEGOU provimento ao recurso voluntário, cuja decisão recorrida foi consubstanciada nos seguintes termos: Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PIC AJUSTES NO PREÇO PARÂMETRO Identificadas divergências na forma de pagamento, tais divergências devem ser consideradas para fins de identificação do preço parâmetro correto, da forma como procedeu o Fisco. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO CPL CUSTOS MÉDIOS Relatório elaborado por empresa de auditoria independente que meramente valida as planilhas de custos apresentadas pela fiscalizada não se enquadra no conceito de "pesquisas efetuadas por empresa ou instituição de notório conhecimento técnico ou publicações técnicas, em que se especifiquem o setor, o período, as empresas pesquisadas e a margem encontrada, bem como identifiquem, por item, por empresa, os dados coletados e trabalhados" a que se refere o art. 21 da Lei n° 9.430/1996, para fins de determinação dos custos médios a serem utilizados na aplicação do método CPL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA ESCOLHA DO MÉTODO MENOS GRAVOSO — DESNECESSIDADE Rejeitado por motivos legais o método de ajuste escolhido pelo contribuinte, pode o Fisco utilizar qualquer outro método previsto em lei, não havendo a necessidade de garantir que se trata do menos gravoso. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O voto do relator do acórdão recorrido, na parte em que não foi vencida, sinteticamente assim dispõe: (...) No entanto, com relação ao produto Diquat Técnico, a Fiscalização identificou que a empresa calculou, no preço praticado, ajuste decorrente de prazo de pagamento, tomando os juros com base na taxa média Libor para o ano calendário de 1997, acrescida de 3% a titulo de spread (fls. 379). Ocorre que o pagamento de referidas mercadorias foi à vista, contra apresentação das mesmas e sem quaisquer descontos (fls. 3821401), sendo que o preço parâmetro possui prazo de pagamento de 120 dias (fls. 224/225), o que levou a um ajuste de R$685.101,64 (fls. 514). O mesmo ocorreu com o produto Sulfosate, sendo as divergências de data de pagamento apurados conforme documentos de fls. 405/406 (produto adquirido com pagamento à vista) e 407/411 (preço do produto parâmetro com pagamento de 97 ou 60 dias). Ainda, foi desconsiderada a utilização da fatura de fls. 404, por ser do ano de 1996, nos termos do inciso I do art. 42 da IN nº 38/97. Desta feita, foi apurado um ajuste de R$ 325.621,07. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 7 6 Quanto ao Captan Técnico, o ajuste foi de R$127.331,82 (fls. 520), pela divergência constatada para aquisição do produto á vista (fls. 374/378) e preço parâmetro com pagamento em 90 dias (fls. 370). (...) Verifico que a Recorrente, ao aplicar o PIC, tomou por base, com respaldo dos preços por ela praticados, preços de produtos idênticos ou similares, conforme o caso, mas em condições de pagamento diversas daquelas utilizadas na apuração do preço de aquisição. A existência de formas diversas de pagamento não é, por si só, elemento descaracterizador do preço parâmetro. Mas, identificada a divergência entre as formas de pagamento no preço utilizado e no preço parâmetro, deve este ser ajustado de forma a viabilizar a sua utilização. E este ajuste não foi realizado pela Recorrente. (...) Aplicação da Taxa SELIC No que toca a utilização da Taxa SELIC, invoco a Súmula nº 4 do 1° Conselho de Contribuintes, dispondo que "a partir de 1ºde abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Multa Por fim, não verifico, na hipótese, tenha ocorrido divergência de interpretação da lei nas hipóteses previstas pelo parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional, mas sim erro na aplicação dos métodos previstos na lei nº 9.430/96. E, na verdade, não existe contraposição de expressa norma complementar contrária à disposição de lei; mas sim descumprimento da lei e da norma complementar a ela relacionada. De outra parte, o voto vencedor, na parte em que fora vencedora, sinteticamente assim dispõe: Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente com relação ao ajuste decorrente de preços de transferência com base no método CPL (Custo de Produção mais Lucro). O relator se manifestou no sentido de que "segundo o indigitado art. 21 da Lei nº 9.430/96, os custos de Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 8 7 produção, para fins de aplicação do CPL, podem ser amparados por dados apresentados por instituição de notório conhecimento técnico, não havendo, a princípio, razão para desconsideração de referidos dados na composição do método". Esses dados consistiriam no relatório de fls. 357/358, elaborado por empresa de auditoria independente — KPMG — validando as planilhas de custos anteriormente apresentadas pela empresa fiscalizada. A maioria do colegiado divergiu desse posicionamento, por entender que esse relatório elaborado por empresa de auditoria independente não se enquadra na dicção do art. 21 da Lei nº 9.430/1996, a seguir transcrito e, por conseguinte, foram corretamente rejeitados pelo Fisco. (...) Houve também divergência quanto ao entendimento do relator de que, ao rejeitar o método CPL, deveria o Fisco buscar o método menos gravoso ao contribuinte. A maioria do colegiado concordou que, no caso, foi correta a utilização do método PIC, com as informações de que dispunha a fiscalização, não se impondo, necessariamente, o cotejamento com o método PRL. A contribuinte apresentou Embargos de Declaração por omissão (fls. 730; e 808/814), os quais foram negados por não evidenciada a existência da alegada omissão, conforme despacho de folhas 901/903. A recorrente apresentou, então, recurso especial de divergência, no qual insurgese quanto (fls. 913/914): 1. a correção na aplicação do método CPL, uma vez que o relatório elaborado por empresa de auditoria de notória especialização mundial se presta para tanto. 2. Subsidiariamente, a RECORRENTE argumentou que, ainda que afastada a apuração do preço de transferência em comento pelo método CPL, o Fisco está obrigado a proceder à apuração pelos dois métodos restantes — PRL e PIC —para, então, adotar aquele que impactasse em menor ajuste. Assim, uma vez que o Fisco adotou arbitrariamente o PIC, a atuação se faz nula. Insurgese, ainda, contra a adoção de Parâmetros de Comparação para Aplicação do Método PIC, mais especificamente em relação à utilização de informação contida no sistema SISCOMEX e obtida de concorrente. Requer, subsidiariamente ao pedido de cancelamento integral do auto de infração, que seja dado provimento ao seu Recurso Especial, determinandose a não atualização monetária, pela Taxa Selic, da multa de ofício, consubstanciada no auto de infração ora combatido, ou, ainda, tendo em vista ter sempre agido com boafé, que seja determinado o afastamento da multa, dos juros e de qualquer forma de atualização monetária dos débitos em comento. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 9 8 O recurso especial foi admitido PARCIALMENTE pelo presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF em relação as seguintes matérias: Adoção, pelo Fisco, do método de preços de transferência mais favorável ao sujeito passivo, quando rejeitado aquele por ele utilizado; e: Incidência da taxa SELIC sobre a multa de oficio. Devidamente cientificado, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Conheço do recurso pois preenchem os requisitos de admissibilidade. As matérias postas à apreciação por esta Câmara Superior, referemse à dois temas: 1. Adoção, pelo Fisco, do método de preços de transferência mais favorável ao sujeito passivo, quando rejeitado aquele por ele utilizado; e: 2. Incidência da taxa SELIC sobre a multa de oficio. Passo à análise das matérias. Matéria 1 No que diz respeito ao tema 1, “Adoção, pelo Fisco, do método de preços de transferência mais favorável ao sujeito passivo, quando rejeitado aquele por ele utilizado”, confrontadas as razões expostas no recurso especial e nas contrarrazões da Fazenda Nacional tenho que o recorrente não tem razão, pelos motivos que passo a expor. A recorrente, em seu recurso especial, afirma que: "43.(...) ao contrário do entendimento constante dos acórdãos paradigmas, o qual deve prevalecer, o v. acórdão recorrido, ao não aceitar o relatório da empresa de auditoria que consubstancia o método CPL adotado pela RECORRENTE, aplicou, em flagrante ofensa à legislação de regência, o método PIC sem justificativa alguma e sem, ao menos, demonstrar se a utilização, por exemplo, do método PRL seria mais benéfica à Recorrente. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 10 9 44. Ocorre que, a aplicação pelo Fisco do método mais benéfico, quando desconsiderado aquele aplicado pelo contribuinte, decorre da análise da Lei n° 9.430/96. 45. Assim, mais que uma faculdade do contribuinte, é uma obrigação do Fisco adotar o método de preçoparâmetro que implique menor ajuste, sob pena de se tributar o que não é acréscimo patrimonial e incorrer em confisco, além de desvirtuar o instituto do preço de transferência e não alcançar a verdade material. (...) 49. Vale dizer, partindo do sistema adotado pela legislação nacional de preços de transferência, não tendo o contribuinte previamente demonstrado a adequação de seus preços, ou em tendo procedido à referida demonstração, não houve a respectiva aprovação do Fisco, ao agente fiscalizador é atribuído o poder/dever de, ele próprio, assumir esse ônus, devendo, contudo, sempre aplicar o método de apuração de preços de transferência mais favorável ao contribuinte. 50. De todo modo, é bom que se esclareça:sua obrigação é a de checar a prevalência dos preços de mercado e não aplicar um método qualquer como parâmetro. 51. E só através do esgotamento de todos os meios de prova (mais uma vez: depois de aplicados todos os métodos possíveis para comparação de preços), a Fiscalização está apta a dizer se os preços praticados pelo contribuinte são ou não adequados. (...) 59. A única forma de se obter a verdade material sobre o preço parâmetro de determinada operação de importação entre as empresas vinculadas, é aplicar TODOS os métodos de preço parâmetro previstos em LEI e daí adotar o que implique menor ajuste. O recorrente alega que, em caso de desconsideração do método apresentado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o dever de aplicar o método mais benéfico ao fiscalizado. Ocorre que, e isto é relevante para o deslinde da questão, inexiste previsão legal que obrigue a fiscalização a apurar o preçoparâmetro com base em todos os métodos possíveis e adotar aquele mais benéfico ao contribuinte. A Lei previa à época que o contribuinte poderia escolher o método a ser utilizado, desde que fosse aplicável ao caso, desde que utilizado conforme a normas vigentes; da mesma forma, afastado o procedimento adotado pelo contribuinte, o Fisco pode escolher qualquer método igualmente aplicável, desde que o faça adequadamente – o que de fato foi feito no caso em questão. A maioria do colegiado do acórdão recorrido concordou que, no caso, foi correta a utilização do método PIC, com as informações de que dispunha a fiscalização, não se impondo, necessariamente, o cotejamento com o método PRL. Realmente, a legislação garante ao contribuinte, na hipótese de ser possível a utilização de mais de um método, ser considerado o mais benéfico. Contudo, esta mesma Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 11 10 legislação não impõe ao Fisco testar todos os métodos possíveis para verificar qual é o mais benéfico. Vejamos o enunciado do artigo 18, seus incisos e §§, da Lei nº 9.430/96, que interessam ao caso: Art.18.Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. (...) 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente." (...) § 7° A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 12 11 E, interpretando e dando aplicabilidade a estas normas, a IN SRF 38/97 dispõe o que segue: Art. 39. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional AFTN, encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo, observado o disposto nos arts. 33 a 35. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFTN encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos referidos nesta Seção. Como bem disse o relator do Acórdão nº 0106.014, da Primeira Turma da CSRF, na sessão de 14 de outubro de 2008, vêse, inicialmente, que as normas acima não especificam quem deva realizar os ajustes de preços de transferência. Daí se pode inferir que tanto o contribuinte quanto o Fisco tem o dever de ajustar o lucro real caso se verifique o excesso de custo na importação em relação ao preço parâmetro calculado por um dos métodos. Continua o referido relator afirmando que o enunciado da lei é claro ao determinar que "somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos" (grifei). Basta, portanto, que a autoridade administrativa comprove que o valor da importação excede o apurado por um dos métodos para que obrigatoriamente se considere essa parcela de custo como não dedutível. Ou seja, o pressuposto do ajuste nos custos pelas regras de preços de transferência é a comprovação do excesso de custo por apenas um dos métodos. O §4º acima transcrito garante ao interessado que na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, no entanto, caso os valores apurados segundo os métodos mencionados no artigo 18 sejam superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. Entendo que a legislação deu liberdade ao contribuinte na escolha do melhor método que lhe convém, garantindo que, na existência de mais de um valor, o ajuste deve ser o mais benéfico sob seu ponto de vista. À Fiscalização compete auditar os cálculos pelo método escolhido e, à vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, constatar a sua exatidão ou não. Somente em caso de inexatidão dos cálculos apresentados pelo contribuinte ou impossibilidade de opção pelo método apresentado é que deve o fisco identificar de ofício eventuais excessos de custos na importação por quaisquer dos três métodos. Por isto, em caso de exatidão dos cálculos pelo método escolhido pelo contribuinte, não sendo vedado e sendo abaixo do preço praticado entre os negociantes Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 13 12 vinculados, não cabe à Fiscalização avançar na análise de outros métodos para verificar se existe outro mais benéfico ao contribuinte, mesmo que, por hipótese, exista um valor menor de ajuste. Apenas se o contribuinte demonstrar a apuração por mais de um método previsto na legislação é que o Fisco deverá adotar o mais favorável ao contribuinte, caso se, da análise de ambos os métodos apresentados, não existam impedimentos ou incorreções. Isto não ocorreu neste caso, haja vista que o recorrente simplesmente alega que em caso de desconsideração do método apresentado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o dever de aplicar o método mais benéfico ao fiscalizado. No entanto, em nenhum momento o contribuinte comprovou ser mais benéfico um valor calculado pelo outro método solicitado. Por outro lado, o Fisco somente teria o dever jurídico de identificar e analisar o ajuste pelos três métodos de cálculo possíveis se a lei assim expressamente determinasse, o que não percebemos pelos dispositivos legais acima transcritos. Além do Acórdão nº 0106.014, da Primeira Turma da CSRF, temos também este entendimento defendido pela Egrégia Primeira Câmara deste Conselho no voto da ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni no Acórdão 10194.888, de 17 de março de 2005, em que afirma: "Não há de se argumentar que, tendo o contribuinte o direito de optar pelo método que lhe seja mais favorável, cabe ao fisco também fazêlo. (...) A lei não prioriza qual o método a ser adotado pelo fisco na apuração de oficio do preço de transferência, nem obriga o fisco a determinar qual o método é mais favorável ao contribuinte". Pelo exposto, contrapondo a recorrente, sou da opinião que não cabe ao fisco assumir o ônus de sempre aplicar o método de apuração de preços de transferência mais favorável ao contribuinte, nem sequer que haja prevalência entre os métodos possíveis. Tal matéria deve ser objeto de previsão legislativa específica (como ocorre em alguns países), e não decorre, ou se impõem, em virtude de nenhum princípio aplicável. Na esteira do voto do conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, Relator do Acórdão nº 0106.014, da 1ª Turma da CSRF, nossa legislação instituiu regras antielisivas para estabelecer uma forma objetiva e razoável na formação de preço das mercadorias nas transações comerciais entre partes relacionadas, haja vista o alto grau de subjetividade e desconexão com a realidade do livre mercado ou arm´s length nas transações internacionais entre sociedades coligadas ou controladas. Tais regrais objetivas de determinação do custo das importações entre partes vinculadas autorizam as autoridades tributárias a realizar o arbitramento do valor quando ultrapassados certos parâmetros que entendem ser razoáveis. Arbitramento este que segue as normas e limites legais, que correspondem aos métodos de ajustes de preços de transferência. Portanto, não há que se falar em "esgotamento de todos os meios de prova" para se estabelecer um preço parâmetro em relação ao preço praticado neste tipo de transação comercial, nem mesmo em louvor ao princípio da "verdade material sobre o preço parâmetro de determinada operação de importação entre as empresas vinculadas", como deseja a recorrente. Isto posto, voto pela manutenção da decisão do acórdão Recorrido neste tema. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 14 13 Matéria 2 Em relação ao segundo ponto, "Incidência da taxa SELIC sobre a multa de oficio" a recorrente solicita, nos termos do art. 100 do CTN, ainda que seja mantida a autuação ora combatida, deverá ser determinado o afastamento da multa, dos juros e de qualquer forma de atualização dos respectivos débitos. Invoca, para tanto, como dissídio jurisprudencial o Acórdão 10197.077 (íntegra anexa), nos termos da respectiva ementa a seguir transcrita: "Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendário 2002 e 2003 (...). MULTA QUALIFICADA. Evidenciada a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplicase multa de ofício qualificada (150%) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995, não há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora sobre multa à taxa SELIC, quando não se trate de multa lançada isoladamente. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 10 do art. 161 do CTN. Recurso Voluntário parcialmente Provido." (grifos da recorrente) A decisão recorrida pela Câmara Julgadora a quo assim afirma no v. acórdão recorrido: "No que toca a utilização da Taxa SELIC, invoco a Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes, dispondo que 'a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais.' (...) Mantenho assim, no que couber, a penalidade lavrado no auto de infração." A pretensão da recorrente ficaria de pronto obstaculizada pela Súmula CARF n. 04 acima transcrita. No entanto, como a mesma foi questionada como dissídio, expomos o que segue. No voto do acórdão paradigma apresentado, a Relatora Sandra Maria Faroni resume suas conclusões sobre a matéria do seguinte modo: "A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória , obrigação de fazer (deveres instrumentais). Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 15 14 De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 50, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3 0; Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.621 31/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 1° de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 16 15 Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para determinar que os juros de mora sobre a multa por lançamento de oficio fiquem limitados à taxa de 1%". Pelo exposto no voto do acórdão paradigma indicado pela recorrente, temos indubitavelmente que no caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Portanto, não pode prevalecer o entendimento de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário suspende, também, a fluência dos juros moratórios. Os juros correspondem, na essência, à remuneração do capital que fica à disposição do devedor. Quando verificado o inadimplemento da obrigação, o devedor fica obrigado a suportar o ônus do encargo que, em geral, se denomina de "juros moratórios". Em face do disposto no artigo 50 do Decretolei n° 1.736, de 1979, os juros de mora incidem sobre os créditos da União Federal, inclusive durante o período em que a cobrança desse mesmo crédito houver sido suspensa por medida judicial. Somente não caberá a cobrança de juros de mora na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativa a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa, se acompanhada de depósito judicial integral (Acórdão n.° 10193.749, de 21/02/2002), o que não acontece neste caso. Isto já consta da Súmula CARF nº 05, pela qual são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. O dissídio presente encontrase, então, em qual a taxa de juros de mora que deve ser aplicada: 1% ou SELIC. Quanto a isto, considerando que: a) a obrigação tributária principal, consiste em obrigação de dar (pagar tributo ou multa); e b) de acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário que decorre da obrigação principal tem a mesma natureza desta, portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa; não há o que reparar na decisão adotada pelo acórdão recorrido conforme a Súmula CARF nº 04. Do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte tanto em relação ao Tema 01 quanto ao Tema 02 acima apresentados, mantendo a decisão recorrida. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 16327.003607/200279 Acórdão n.º 9101002.174 CSRFT1 Fl. 17 16 Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.720846/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 84 6/ 20 13 -8 8 Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Décima Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais e normativos regularmente editados. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 GLOSA DE DESPESAS. VIAGENS. Sem a prova cabal, nos autos, de que as viagens se realizaram em benefício da empresa, as despesas correspondentes não se validam como dedutíveis. Esses gastos só são assim considerados quando comprovadas a sua efetividade e a obediência aos requisitos da necessidade e da vinculação aos objetivos da pessoa jurídica. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE CONSULTORIA. A verificação da efetividade da prestação de serviços de consultoria não é suficiente para amparar a dedutibilidade de despesas, quando não consta dos autos a comprovação de que tais dispêndios são necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. GLOSA DE DESPESAS. PUBLICIDADE. Comprovado, por meio de documento hábil, que parte da despesa incorrida com publicidade, objeto da glosa perpetrada pelo Fisco, está diretamente relacionada com a atividade explorada pela empresa e que a sua contabilização obedeceu ao regime de competência, desfazse a motivação sobre a qual recaiu o lançamento, impondose sua exclusão da exigência. GLOSA DE DESPESAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. Cabível a glosa, quando a empresa deduz despesas incorridas em anocalendário anterior, inobservando o regime de competência e, conseqüentemente, reduzindo de forma indevida o lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2008 Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 4 3 DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Mantido em parte o lançamento principal, igual sorte colhe o lançamento decorrente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. A insuficiência de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devido por estimativa, após o término do anocalendário, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA COM MULTA DE OFÍCIO. Por se tratar de infrações distintas, é cabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada e da multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto e/ou contribuição não recolhidos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo dos Autos de Infração lavrados em 15/03/2013, formalizando crédito tributário total de R$ 11.548.564,12 referente a IRPJ e CSLL de 2008, bem como a multas isoladas por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre a base estimada dos meses de 2008, conforme telas a seguir (fls. 673693): Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 5 4 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 131153) a autoridade tributária relata que inicialmente intimou o contribuinte a apresentar, dentre outros, livros comerciais, fiscais e auxiliares, contrato social, balancetes mensais, os razões das contas de Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica, Propaganda e Publicidade, detalhamento da composição da conta Outras Despesas Operacionais, contratos de royalties e/ou assistência técnica referentes a remessas para o exterior e o razão das contas do passivo onde foram registradas as provisões e os pagamentos do IRRF e da CIDE. Posteriormente foi solicitada a apresentação das notas fiscais e comprovantes de pagamento das despesas referentes a Viagens e Representações (conta 51380010), publicidade (conta 51220020) e consultoria (conta 51340020), bem como a comprovação da efetiva prestação destes serviços e da necessidade dos mesmos para a atividade da empresa. Em resposta, foram apresentados os documentos solicitados, mas, de acordo com o entendimento da autoridade tributária, embora tenha sido confirmada a efetividade das despesas em análise, o interessado não comprovou a necessidade destas despesas à atividade da empresa (art. 299 do RIR/1999), resultando na glosa das mesmas conforme segue: 1) Conta 51380010 – Despesas com viagens e representações – valor da glosa R$ 165.417,22; 2) Conta 51340020 – Despesas com serviços de Consultoria – valor da glosa R$ 90.033,00; 3) Conta 51220020 – Despesas com publicidade – valor da glosa R$ 2.003.329,18. Quanto a parte das notas fiscais relativas a despesas com publicidade (conta 51220020), listadas no item 5 do Termo de Intimação/9 (fl. 96100), a autoridade Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 6 5 constatou que as referidas notas fiscais referiamse ao anocalendário de 2007. Considerando que a empresa tem como regime de apuração o Lucro Real, concluiu que tais despesas deveriam estar consignadas e contabilizadas no ano de 2007 em observância ao regime de competência, e não no ano de 2008 como procedeu o contribuinte. O mesmo aferiu em relação às despesas indicadas nas contas 51340120 (Intercompany), 51380200 (Direitos Autorais), 51380010 (Viagens), 51380210 (Web Plataform) e 51380110 (Licenças), vinculadas a contas do exterior referentes aos fornecedores estrangeiros DADA IBÉRIA SL (conta 21320002) e DADANET SpA (conta – 21320003), as quais incorreram no ano de 2007, mas foram contabilizadas pelo interessado no ano de 2008. Diante destas verificações, foram emitidos os Termos de Intimação 09 e 10 a fim de que o contribuinte esclarecesse o motivo pelo qual foram escrituradas estas despesas em exercício posterior ao período de competência; porém, conforme relata a autoridade fiscal, não houve resposta. Com isso a autoridade fiscal concluiu que tais despesas foram inapropriadamente indicadas como deduções, posto que se referiam a outro período de apuração, gerando a redução indevida do Lucro Real de 2008. Em decorrência desta conclusão, glosou os seguintes valores: 4) Conta 51220020 Despesas com publicidade – valor da glosa R$ 1.375.302,32; 5) Contas 51340120 (Intercompany), 51380200 (Direitos Autorais), 51380010 (Viagens), 51380210 (Web Plataform) e 51380110 (Licenças) – valor da glosa R$ 12.828.299,30. Foi elaborado no Termo de Verificação Fiscal quadro resumo da autuação que reproduzo a seguir: A autoridade fiscal ainda esclarece que: “Quanto ao IRPJ e a CSLL, no anocalendário de 2008, o contribuinte apurou lucro de R$10.015.676,91 e compensou R$3.004.703,07 referente ao prejuízo acumulado de anos anteriores no valor de R$6.478.836,23, restando um prejuízo fiscal a compensar de R$3.474.133,16. Como a matéria tributável somou R$16.462.381,02, calculandose 30% da trava legal, apurouse R$4.938.714,30, superior ao saldo de Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 7 6 R$3.474.133,16, sendo, então, este o valor que será abatido, como compensação de prejuízo acumulado, restando, então, como matéria tributável o valor de R$ 12.988.247,86, para fins do IRPJ e da CSLL. (...) Foram elaboradas também as Planilhas VII (IRPJ) e VIII (CSLL) referentes às novas bases de cálculo mensal. Como o contribuinte optou pelo pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, a apuração de infrações relativas à glosa de despesas e à diminuirão do lucro líquido geraram reflexos no cálculo da estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, originando uma nova base de cálculo, que foi devidamente ajustada, levandose em consideração os abatimentos promovidos pelo contribuinte e com o abatimento dos 30% de prejuízos acumulados sobre a matéria tributável mensal. Foi ainda elaborada a Planilha IX (IRPJ e CSLL), relativa à multa isolada de 50%, por falta/insuficiência sobre a base de cálculo por estimativa, previstas na Lei n°9.430, de 1996, art. 44, inciso II e letra b), com as alterações da Lei n° 11.488, de 2007. As planilhas VII, VIII e IX passam a fazer parte integrante deste Termo e do Auto de Infração.” Assim, foram lavrados os respectivos autos de infração e lançados os créditos tributários em tela. Cientificado dos autos de infrações, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 750751, 756784, 1312) apresentando a defesa que resumo a seguir. Primeiramente destaca o objeto social da empresa constante em seus atos societários, conforme reproduzo abaixo: “a) o provimento de serviços de valor adicionado no seguimento de serviços da telefonia móvel, incluindo, sem limitação, o fornecimento de conteúdo, sons e imagens por meio das tecnologias de SMS, SEM, MMS, JAVA, UMTS e IP; b) a prestação de serviços de consultoria a assessoria visando á criação de soluções tecnológicas para a produção, distribuição e comercialização de conteúdo informativos a da multimídia para indústria de entretenimento; c) o fornecimento, comercialização, venda, locação, arrendamento, distribuição, importação e exportação de equipamentos, ou qualquer outra forma de disponibilização de maquinaria, equipamentos a acessórios necessários à execução dos serviços descritos nos itens "a" e "b"; d) a compra e venda de espaço publicitários em páginas de internet, conteúdos para telefonia móvel, jornais, revistas, rádio e televisão, convencionais ou por internet e/ou telefonia móvel, ou em: qualquer outro meio de comunicação existente a qualquer tempo; e) o desenvolvimento, a elaboração e a comercialização de sistemas de informática e de software; Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 8 7 f) a organização e difusão de todos os tipos de informações, tais momo cultural, promocional, informações de entretenimento e de todos outros tipos de informações e em qualquer formato, também em interesse de terceiro; g) a prestação de serviços de software para empresas operadoras de telefonia celular; h) atividade de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em gerai, exceto imobiliários; e i) participar em outras sociedades, como sócia ou acionista.” Em seguida, apresenta a seguinta (sic) explicação em relação a uma de suas atividades: Dentre tais atividades, o fornecimento e a disponibilização de conteúdos na mídia, como ringtones, wallpapers, games, vídeos, imagens, etc, são realizados por meio de publicidade e divulgação em operadoras de telefonia móvel, provedoras de internet ou outros meios de comunicação, a fim de que os usuários dessas empresas parceiras adquiram os "produtos" da Impugnante, sendo os valores pagos classificados como ''despesas de publicidade", ou correlacionadas, como não poderia ser diferente. Tratase de serviço de valor adicionado ou agregado, na qual as operadoras de telefonia móvel provedores de internet ou outros meios de comunicação servem de "meio" para divulgação dos conteúdos da Impugnante na mídia social, tudo dentro do disposto no art 61 da Lei Geral das Telecomunicações: "Art. 61. Serviço de valor adicionado é a atividade que acrescenta, a um serviço de telecomunicações que lhe dá suporte e com o qual não se confunde, novas utilidades relacionadas ao acesso, armazenamento, apresentação, movimentação ou recuperação de informações." Para melhor compreensão, vejamos abaixo um simplificado fluxograma dos negócios da Impugnante: Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 9 8 “Portanto, para que os conteúdos da impugnante possam ser adquiridos pelos seus consumidores (clientes das operadoras de telefonia móvel provedores de internet e outros meios de comunicação), temse, imprescindivelmente, a necessidade de divulgação desses "produtos" na mídia, ou seja, da realização de publicidade como meio de viabilização dos negócios, bem como de outros serviços essenciais, atreladas às despesas de viagens, representações e consultoria. Feitas essas considerações, a seguir, passamos a comprovar que tais despesas de publicidade da Impugnante, bem como de viagens, representações e consultoria, são efetivamente necessárias, sendo, portanto, dedutíveis para fins de IRPJ/CSLL.” A partir daí, apresenta argumentos discriminados para cada um dos tipos de despesas: viagens e representações, despesas de consultoria, e publicidade. Despesas de Viagens e Representações: Em relação às despesas de viagens e representações, afirma que os documentos apresentados à fiscalização demonstram o caráter necessário dessas despesas por tratarem de viagens de profissionais da empresa para fins de negociação e apresentação de seus produtos. Esclarece que tais viagens tem o intuito de aproximar a empresa do cliente, possibilitando que este conheça a gama de produtos oferecidos, assegurando que este contato direto é essencial para possibilitar a divulgação e o aperfeiçoamento dos produtos, afetando diretamente as suas vendas, portanto, necessárias aos fins perseguidos pela empresa. Despesas de Consultoria: Ressalta que a única despesa de consultoria glosada se refere aos serviços prestados pela empresa Korn Ferry International, empresa especializada em Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 10 9 aperfeiçoamento e recrutamento de talentos, concluindo que a descrição por si só torna evidente que tais despesas são essenciais às suas atividades. Finaliza com os seguintes dizeres: “Sendo inegável a imprescindibilidade de consultoria de recursos humanos para qualquer empresa, fica latente que as despesas correspondentes são efetivamente usuais e necessárias à atividade da Impugnante, tal como no item 3.2. acima, restando, pois, justificada a sua dedução do lucro real, para fins de IRPJ/CSLL, ensejando, pois, a nulidade da autuação fiscal também nesse item.” Despesas de Publicidade: Inicia este ponto de argumentação destacando novamente alguns dos itens do seu objeto social, quais sejam: “a) o provimento de serviços de valor adicionado no seguimento de serviços da telefonia móvel, incluindo, sem limitação, o fornecimento de conteúdo, sons e imagens por meio das tecnologias de SMS, SEM, MMS, JAVA, UMTS e IP; b) a prestação de serviços de consultoria a assessoria visando á criação de soluções tecnológicas para a produção, distribuição e comercialização de conteúdo informativos a da multimídia para indústria de entretenimento; c) o fornecimento, comercialização, venda, locação, arrendamento, distribuição, importação e exportação de equipamentos, ou qualquer outra forma de disponibilização de maquinaria, equipamentos a acessórios necessários à execução dos serviços descritos nos itens "a" e "b".” Alega que para o fluxo de negócios da empresa é incontestável que são usuais e necessárias às suas atividades as despesas de publicidade incorridas no fornecimento ou disponibilização dos conteúdos na mídia (ringtones, wallpapers, games, vídeos, imagens, etc.), realizado por meio das operadoras de telefonia móvel, provedoras de internet ou outros meios de comunicação. Afirma que sem tal publicidade não seria viável o negócio da empresa, pois não haveria como realizar a venda de seus produtos. A fim de justificar sua afirmação, apresenta a seguinte explicação, citando inclusive argumentos do Laudo Técnico ContábilFiscal (fls. 803818) elaborado por profissional contratado. Segue a explicação: Para espancar qualquer dúvida de que são necessárias as despesas de publicidade incorridas pela Impugnante na consecução de suas atividades negociais básicas, ou seja, "venda de seus produtos", bem como a real existência da publicidade contratada, da realização dos pagamentos e dos resultados atingidos, a Impugnante destaca os Contratos firmados com a Google, a Yahoo, a MSN, a DADAlberia e a DADANet SpA, Relatórios e Comprovantes de Pagamento (Doc 03 → 3A – Google; 3B – Yahoo; 3 C – MSN; 3D – Dadalberia e 3E – DADANet SpA) bem como as conclusões assinaladas no Laudo Técnico ConfabilFiscal (Doc. 02): "Pela simples leitura acima, concluise que a empresa periciada não tem qualquer tipo de contato com o consumidor final, sendo Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 11 10 intermediado pela "operadora", o que impossibilita a divulgação de seus serviços, Nesse sentido, existe a necessidade de chegar ao usuário final através de campanhas de propaganda e publicidade em diversas mídias, tais como: Google, Facebook, AdNetworks, entre outras, Ou seja, existe a necessidade explicita da divulgação dos serviços da empresa periciada através de campanhas de propaganda e publicidade, sem as quais não ocorre o faturamento (receita) essencial á manutenção da atividade da sociedade. Corrobora o fato das despesas de propaganda e publicidade estarem diretamente ligadas ao "acesso" do consumidor final ("click") nas páginas eletrônicas. E mais, com base nesses "acessos" às páginas eletrônicas são cobradas as despesas, conforme documentos relativos às campanhas no exterior, Yahoo, Google e MSN (Anexo 01 deste parecer).” (grifo nosso) Deste modo, assevera que tais despesas são necessárias e portanto não deveriam ter sido glosadas. Prossegue sua defesa avançando para outro ponto da lide, qual seja, a infração identificada pela autoridade fiscal como redução indevida do lucro real decorrente da escrituração (inadequada) de despesas em exercício posterior ao período de competência (Conta 51220020 Despesas com publicidade; Conta 51340120 (Intercompany), Conta 51380200 (Direitos Autorais), Conta 51380010 (Viagens), Conta 51380210 (Web Plataform) e Conta 51380110 (Licenças). Nesta questão, o impugnante alega que a fiscalização não provou pormenorizamente, via recomposição das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, a ocorrência de prejuízo ao Erário em decorrência do procedimento que adotou ao contabilizar tais despesas no ano de 2008. Afirma que: “Diferentemente, o registro contábil das despesas de publicidade com mera inobservância do regime de competência, como arguido pela fiscalização, só pode ser desconsiderado mediante comprovação completa de eventual prejuízo ao Erário, demonstrandose detalhadamente a redução alegada do lucro real e seus efeitos numéricos, tanto os resultados quanto seus cálculos, ex vi do art. 6o § 5o do DecretoLei n° 1.598/77, refletido também no art. 273 do RIR: "Art. 6o. Lucro real è o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária: (...) § 5° A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 12 11 a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. (...)" "Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constituí fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art, 6°, §5°: I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria divido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. §1°. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em: decorrência da aplicação do disposto no §2° do art. 247 (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6o, §6°). §2°. O disposto no parágrafo anterior e no §2° do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6o, §7°, e DecretoLei n° 1.967, de 23 de novembro de 1982, art, 16)." O procedimento a ser adotado pela fiscalização para tal fim (i.e, comprovação da postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase – em síntese, prejuízo ao Erário), aliás, está previsto no Parecei Normativo COSIT 2/96, que determina que constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados, obrigatoriamente, os seguintes procedimentos: (...) O art. 6o, § 5o, do DecretoLeí 1598/77 acima transcrito (refletido no art, 273 do RIR/99}, bem como o Parecer Normativo a que se faz referência, são claros ao determinar, sem qualquer lugar a dúvida, que eventual inexatidão por postergação de despesas somente constitui fundamento para o lançamento se dela resultar: (i) postergação do pagamento de imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou (ii) redução indevida do lucro real em qualquer períodobase, circunstância que só pode ser comprovada, à toda evidência, mediante a recomposição do lucro real dos períodosbase ora em discussão.” E assim conclui: “Assim sendo, considerando que não houve comprovação de efetivo prejuízo ao Fisco, mas mera alegação de postergação de despesa sem Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 13 12 indicação precisa dos valores que deixaram de ser recolhidos em função deste procedimento e sem considerar os efeitos fiscais da sua apropriação em período adequado, esse item da autuação fiscal tampouco pode prosperar, visto que uma simples alegação de prejuízo ao Erário, sem a sua completa comprovação, não tem o condão de justificar a glosa de despesas de publicidade em questão, conforme amplamente reconhecido pela jurisprudência.” Em seguida, questiona a aplicação das multas isoladas alegando improcedência do lançamento destas em concomitância com a multa de ofício, assim como do lançamentos das referidas multas isoladas após o encerramento do anocalendário. Cita jurisprudência administrativa e argumenta: “Frisese que somente pode ter ocorrido uma única suposta irregularidade, qual seja, o não pagamento do tributo al final do anocalendário. A obrigação de recolher de acordo com o regime de estimativa não é obrigação diferente da de “pagar tributo”. Assim, quando a fiscalização lavrou o Auto de Infração, o fez considerando duas irregularidades distintas, o que, de plano, deve ser afastado.” Prossegue: “Resta claro que o valor da multa deve ser exigido somente uma única vez e sobre um único fato punível: o tributo supostamente não pago. Da forma como a fiscalização lavrou o Auto de Infração, as multas incidiram duplamente sobre um mesmo fato, o que contraria o próprio texto da lei.” Alega ainda que após o encerramento do período de apuração anual e tendo a empresa entregue a DIPJ, não se pode mais exigir o pagamento mensal por estimativas devendo prevalecer o valor do tributo efetivamente devido no final do ano. Portanto, assegura a defesa que tendo a fiscalização constatado eventual insuficiência das estimativas, deveria ter apurado apenas o tributo devido na apuração anual a fim de constituir a diferença. Por fim, ainda combate a aplicação das multas isoladas por ferir os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.” O acórdão recorrido (fls. 1349 a 1381) julgou procedente em parte a impugnação para (i) cancelar parcialmente as glosas de despesas relacionadas com publicidade, por considerálas necessárias ao desenvolvimento da fonte produtiva da Contribuinte; e (ii) recalcular o prejuízo fiscal obtido pela Contribuinte 2007 em decorrência do reconhecimento de despesas postergadas, reduzindo proporcionalmente os tributos devidos no anocalendário de 2008. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada previsto na Portaria/MF nº 3/2008, o Colegiado a quo suscitou de ofício o reexame da matéria ao CARF. Em recurso voluntário (fls. 1414 a 1433), a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à (i) dedutibilidade das despesas com viagens e com consultoria de recursos humanos, por serem necessárias e essenciais ao desenvolvimento de suas atividades; (ii) dedutibilidade de todas as despesas relacionadas com publicidade, em razão da apresentação de documentos hábeis a comprovar tais despesas; (iii) ausência de previsão legal para as glosas relacionadas com a extemporaneidade da contabilização de despesas devido à ausência de comprovação de prejuízo ao erário; (iv) necessidade de recomposição do saldo de prejuízo fiscal e da negativa da CSLL do ano de Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 14 13 2007 para verificação de efetiva redução de IRPJ/CSLL; e (v) inaplicabilidade de multa isolada em concomitância com a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do voto pelo relator originário, conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Contudo, registrese já haver sido disponibilizado pelo conselheiro, em data anterior à sua saída do CARF, arquivo magnético contendo minuta relativa ao voto proferido em sessão. Tendo participado do julgamento em questão, e ora efetuado a revisão da referida minuta para fins de formalização do presente voto, verifico tratarse de reprodução fiel do quanto foi apresentado em sessão e que representa, portanto, as razões que orientaram o Colegiado a converter o julgamento em diligência. Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, com mínimos ajustes de redação que se fizeram necessários. Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, os autos de infração de IRPJ e CSLL sob julgamento decorrem da glosa de despesas registradas pela Contribuinte no ano calendário de 2008. Segundo a Fiscalização, (a) uma parte de referidas despesas não estaria comprovada ou seria desnecessária à fonte produtiva e (b) outra parte teria tido seu registro indevidamente postergado para o anocalendário de 2008, quando o adequado seria o respectivo lançamento no ano de 2007. Quanto ao item (a) supra, o acórdão recorrido asseverou que, com relação à empresa “Dadanet”, não teria havido apresentação de contrato de prestação de serviços relacionado com a despesa de publicidade incorrida no mês de março, no valor de R$370.374,32, o que prejudicaria a auditoria sobre a dedutibilidade respectiva, justificando sua glosa. Em recurso voluntário, a Recorrente apresenta documento (fls. 1.448 a 1.494) o qual consistiria na efetiva tradução do contrato celebrado com a “Dadanet”, e seria instrumento suficiente para demonstrar a existência e a necessidade de tal despesa. Confirase (fls. 1421): “Portanto, tratandose de despesas necessárias e devidamente comprovadas por meio da documentação anexada aos autos, resta plenamente justificada a dedução das despesas de publicidade em geral relativas à DADANET SpA, no valor original de R$ 370.374,32 – Conta 51220020, devendo ser reformada a decisão de 1a Instância Administrativa nesse ponto que pugnou pela glosa da dedução realizada.” Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 15 14 O documento requerido pelo acórdão recorrido merece ser adequadamente auditado pelas autoridades fiscais antes que se analise a dedutibilidade das despesas em referência. Por não tido oportunidade de auditoria anterior por conduta imputável à Contribuinte, a Fiscalização pode trazer aos autos quaisquer aspectos relacionados à possível (in)dedutibilidade dessas despesas, inclusive, mas sem se limitar, à natureza do pagamento respectivo. Quanto ao item (b) supra, consta do Termo de Verificação Fiscal que a Fiscalização apurou despesas registradas no anocalendário de 2008 com inobservância do regime de competência, visto que deveriam ter sido contabilizadas no período de 2007. São despesas referentes às seguintes contas: (i) 51220020 Despesas com publicidade – glosa de R$ 1.375.302,32; (ii) 51340120 (Intercompany), 51380200 (Direitos Autorais), 51380010 (Viagens), 51380210 (Web Plataform) e 51380110 (Licenças) –glosa de R$ 12.828.299,30. Confirase, verbis (fls. 136): “II.b) Contas 51340120 – Intercompany; 51220020 – Publicidade; 51380200 – Direitos Autorais; 51380010 – Viagens; 51380210 – Web Plataform e 51380110 – Licenças – R$12.828.299,30. Estas contas de despesas supramencionadas são contrapartida de contas do passivo referentes a fornecedores estrangeiros: conta 21320002 – DADA IBERIA SL e conta 21320003 – DADANET SpA. Intimada pelo Termo de Intimação/10, foram solicitados os contratos indicados após cada fattura da DADANET SpA, bem como os esclarecimentos sobre despesas relativas ao anocalendário de 2007 e lançadas no anocalendário de 2008. Este Termo não foi respondido e nem atendido. Verifiquei que os Invoices e as fatturas listadas no Termo de Intimação/10, referemse ao anocalendário de 2007, e como a empresa declara no Lucro Real Anual, tais despesas deveriam estar consignadas e contabilizadas no ano calendário de 2007, porque já incorridas, pois entendese como despesas incorridas aquelas de competência do período de apuração, relativas a bens empregados ou serviços consumidos nas transações ou operações exigidas para a atividade da empresa, que tenham sido pagas ou não, em relação às quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o pagamento venha a ocorrer em período subseqüente. Solicitado o esclarecimento sobre o motivo pelo qual foram escrituradas em exercício posterior ao período de competência, nada responderam. O detalhamento destas despesas constam da planilha IV, fls.2 e estas despesas estão sendo consideradas como redução indevida do Lucro Real e levadas à tributação por diminuição indevida do lucro líquido do exercício.” O acórdão a quo corrigiu o lançamento para considerar que as despesas deveriam aumentar o saldo de prejuízo fiscal e base negativa apurado em 2007 para, assim, serem utilizadas para reduzir a base de cálculo dos tributos lançados no ano de 2008, no limite legal de 30% do lucro apurado. Verbis (fls. 1.368): “Porém, embora a autoridade tributária tenha obtido êxito em demonstrar os procedimentos equivocados realizados pelo contribuinte, identificar as infrações e o conseqüente prejuízo ao Erário pelos tributos não apurados, falhou ao não considerar as Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 16 15 despesas dedutíveis incorridas em 2007 na apuração do prejuízo fiscal deste mesmo ano. Digo isto, não pelas razões apresentadas pela defesa, das quais discordo como já esclareci, mas pelo impacto que o cômputo de tais despesas causaria no prejuízo fiscal de 2007, e, conseqüentemente, no prejuízo fiscal acumulado. E neste aspecto, haveria implicação no presente caso, pois, tanto na apuração do IR e CSLL a lançar, como na apuração das estimativas para calcular a multa isolada, a autoridade realizou compensação com prejuízo fiscal de anos anteriores que tinha montante inferior a trava de 30%, desta forma, um aumento do prejuízo fiscal acumulado poderia ser utilizado na compensação do ano de 2008 para apuração do IR e CSLL a lançar, configurando lançamentos com valores inferiores. Ademais, a parte deste aumento no prejuízo fiscal acumulado que não pudesse ser utilizada na compensação referente a apuração do Lucro Real de 2008, por ser superior a trava de 30%, poderia ser utilizada nas compensações dos anos posteriores”.(grifouse) A Contribuinte não nega o registro equivocado de suas despesas, mas alega que o lançamento seria nulo, em virtude da inexistência de prejuízo ao Erário. Diante de citada alegação e dos demais elementos de prova trazidos aos autos, tornase indispensável a conversão desse julgamento em diligência para que seja adotada pela E. Delegacia da Receita Federal da jurisdição da Contribuinte as seguintes providências: (i) analisar, de forma conclusiva e fundamentada, o contrato trazido pela Contribuinte (fls. 1.448 a 1.494), de modo a atestar sua vinculação às despesas glosadas, e manifestarse ainda sobre eventuais (outros) motivos que justificariam a glosa em referência; (ii) proceder aos cálculos determinados na forma do acórdão recorrido e indicar os reflexos desses cálculos no montante dos tributos lançados no anocalendário de 2008; (iii) proceder à revisão de eventual saldo de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL nos anos subsequentes a 2007, decorrentes da determinação do acórdão recorrido de registro das despesas no anocalendário de 2007, e (iv) verificar, de forma conclusiva e fundamentada, em razão do mencionado nos itens (ii) e (iii) acima, eventual recolhimento de tributos (IRPJ/CSLL) pela Contribuinte nos anos calendários subsequentes a 2008, e a data dos respectivos lançamentos, de modo a evidenciar e demonstrar, se o caso, eventual postergação de pagamento do tributo devido em 2008 para períodos posteriores (até a data do lançamento de ofício). Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 10880.720846/201388 Resolução nº 1102000.304 S1C1T2 Fl. 17 16 Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência à Contribuinte para que, desejando, possa se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 10571.720030/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012
RECURSO DE OFICIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL NÃO CARACTERIZADO.
O auto de Infração deve-se ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Estando presente no auto de infração a origem e a motivação em auditoria realizada pelo Fisco, detalhada em relatório fiscal, e o sujeito passivo cientificado da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância, não há que se falar em nulidade do lançamento.
MATÉRIA IMPUGNADA E NÃOAPRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Não há que se falar em mácula do liame principal porque juntamente com ele não foi exercido o direito de impor a responsabilidade solidária a terceiros. Seguir adiante no julgamento no estado em que se encontra poderia, a depender do resultado, resultar em uma supressão de instância ou em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa).
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 3402-002.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento, determinando-se o retorno do processo à Delegacia de Julgamento de origem, a fim que sejam julgados os argumentos de mérito da impugnação, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012 RECURSO DE OFICIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL NÃO CARACTERIZADO. O auto de Infração deve-se ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Estando presente no auto de infração a origem e a motivação em auditoria realizada pelo Fisco, detalhada em relatório fiscal, e o sujeito passivo cientificado da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIA IMPUGNADA E NÃOAPRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não há que se falar em mácula do liame principal porque juntamente com ele não foi exercido o direito de impor a responsabilidade solidária a terceiros. Seguir adiante no julgamento no estado em que se encontra poderia, a depender do resultado, resultar em uma supressão de instância ou em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa). Recurso de Ofício Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento, determinando-se o retorno do processo à Delegacia de Julgamento de origem, a fim que sejam julgados os argumentos de mérito da impugnação, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012 RECURSO DE OFICIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL NÃO CARACTERIZADO. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Estando presente no auto de infração a origem e a motivação em auditoria realizada pelo Fisco, detalhada em relatório fiscal, e o sujeito passivo cientificado da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIA IMPUGNADA E NÃOAPRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não há que se falar em mácula do liame principal porque juntamente com ele não foi exercido o direito de impor a responsabilidade solidária a terceiros. Seguir adiante no julgamento no estado em que se encontra poderia, a depender do resultado, resultar em uma supressão de instância ou em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa). Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 57 1. 72 00 30 /2 01 2- 67 Fl. 6438DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento, determinandose o retorno do processo à Delegacia de Julgamento de origem, a fim que sejam julgados os argumentos de mérito da impugnação, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), em face do Acórdão nº 0829.445, da 7ª Turma de Julgamento, que julgou, na forma do relatório e do voto vencedor, em conhecer da impugnação para, por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento, por vício formal, exonerandose integralmente o crédito tributário constituído, sem prejuízo da formalização de novos lançamentos, observado o disposto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional. O recurso foi interposto em razão do contido no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, com a alteração da Lei nº 9.532/1997, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada fixado no art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3/2008. O referido acórdão encontrase desta forma ementado (fls. 6.319/6.349): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012 LANÇAMENTO. OMISSÃO DE SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO DEVIDAMENTE IDENTIFICADO. NULIDADE. É nulo, por vício formal, o Auto de Infração decorrente da apuração de interposição fraudulenta na importação, em que houve a identificação dos reais adquirentes das mercadorias importadas, mas estes não foram incluídos na autuação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida a seguir transcrito na sua integralidade: Fl. 6439DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.439 3 (...) Da autuação Trata o presente processo de impugnação contra a exigência da multa prevista no art. 23, inciso V, §§ 1º a 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, no valor de R$ 70.602.931,28, objeto do Auto de Infração de fls. 02300. No item 2 (DA EMPRESA FISCALIZADA), à fl. 26, a fiscalização traz diversas informações a respeito da empresa TOCANTINS TÊXTEIS, constituída em 2004: histórico da composição societária, alterações contratuais, dados cadastrais, capital social, inclusive apresentando fotografias da sede. A respeito disso, o fiscal autuante informa a constatação de irregularidades, tais como: incapacidade de sócios para integralizar o capital social, constituição de filial em endereço de outra empresa (KTEX), localização da autuada em sala vizinha às de duas outras (PK7 INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA e L & L INDÚSTRIA E SERVIÇOS TÊXTEIS LTDA ME), as quais possuem como sócio administrador o Sr. Jaime Luis Ludwig, gerente da autuada. Continuando o item 2, a fiscalização afirma que, na 4ª alteração do contrato social da autuada, ocorrida em 2007, foram incluídas diversas áreas nas atividades da empresa, diversificando notoriamente o objetivo social. Aduz, ainda, o autuante, que, durante diligência realizada à empresa, foram tiradas algumas fotos para identificar a incompatibilidade da estrutura da empresa com o volume de importações realizadas durante o período fiscalizado, comprovandose a existência de simulação; nas referidas fotos aparecem apenas pequenas quantidades de fios, algumas pessoas trabalhando com o objetivo de aparentar idoneidade às operações, em condições muito aquém das consideradas coerentes com os volumes importados e declarados. Revela, ainda, o autuante, que, das Notas Fiscais emitidas pela fiscalizada, considerando apenas para o Estado de Tocantins, no período de dezembro de 2009 a dezembro de 2011, somouse o valor de R$ 2.343.752,29 em vendas, sendo que, só para a empresa PK7 INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA, da qual o Sr. Jaime Luis Ludwig, gerente da autuada, é sócio administrador, foram enviados R$ 2.266.367,80 em mercadorias, ou seja, 97% das vendas totais, lembrando, ainda, que essas duas empresas eram vizinhas de sala. No item 3, a fiscalização trata da motivação da ação fiscal. Afirma que, durante os trabalhos de pesquisa e seleção, os responsáveis, ao consultarem os sistemas da RFB, verificaram, em relação à autuada, várias modalidades de fraudes apuradas nos procedimentos de despacho aduaneiro. Ainda nesse item, a fiscalização aduz que, na 4ª alteração contratual, houve a ampliação intencional do objeto social da empresa apenas com o intuito de importar para terceiros, interpondose ilicitamente nas operações de comércio exterior. Também explica, o autuante, que a empresa já incidiu, também, na infração prevista no art. Fl. 6440DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 33 da lei 11.488/2007, pagando multa administrativa de R$ 5.431,57 (10% do valor da operação acobertada). Tratando, à fl. 45, do “Detalhamento dos Dados de Importação”, o autuante aduz que, em relação às mercadorias importadas, algumas características comuns puderam ser observadas. A logística era inadequada, evidenciando que o destino das mercadorias era terceiros, não a autuada. O destino das mercadorias, em mais de 90% dos casos, era clientes instalados nos estados por onde houve a entrada física no Brasil. Em relação aos produtos importados, segundo o fiscal, a autuada importou mercadorias não relacionadas ao seu objeto social. Às fls. 4958, a fiscalização discorre, nos itens 4 e 5, a respeito da “Interposição Fraudulenta no Comércio Exterior e suas Conseqüências” e “Das Modalidades de Importação e Outras Considerações”. No primeiro deles, comenta acerca da interposição fraudulenta e sua legislação, assim como sobre pena de perdimento e de inaptidão da inscrição da empresa, sanções dela decorrentes. No segundo, comenta acerca das modalidades de importação (direta, por conta e ordem, e por encomenda), assim como sobre a equiparação a estabelecimento industrial. No item 6 (DA OCULTAÇÃO, SIMULAÇÃO E FRAUDE E DOS FRUTOS DE SUA PRÁTICA), à fl. 59, o autuante dá uma visão geral acerca dos ilícitos praticados no comércio exterior, destacando sua gravidade e as infrações penais que podem estar a eles associados. No item 7 (DA PRESENTE FISCALIZAÇÃO), o autuante passa a discorrer sobre o caso concreto, informando que o período fiscalizado foi de junho de 2007 a dezembro de 2012, e, dentro deste, procurouse realçar as provas apuradas, que demonstram claramente a conduta da autuada, configurando interposição fraudulenta no comércio exterior, por não possuir capacidade financeira nem operacional para atuar nos moldes em que declara, e não comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos nas operações de importação. Após diligência no local da empresa, em 13/03/2011, foi lavrado Termo de Declaração pelo gerente da empresa, Jaime Luis Ludwig, o qual informou, entre outras coisas, que: a empresa se mudou para o endereço atual em 18/01/2012; as vendas do mercado interno são realizadas em sua maior parte pelo Sr. Paulo: apenas em alguns casos há negociações com vendedores terceirizados; as importações em sua maior parte são desembaraçadas no porto de Itajaí (via marítima), e por São Borja (quando chegam via terrestre); as mercadorias são enviadas diretamente aos adquirentes ou para empresas terceirizadas, localizadas no Sul ou Sudeste, não sendo encaminhadas fisicamente para o Estado de Tocantins. Em continuidade, a fiscalização informa que o Sr. Jaime é gerente empregado, configurandose como preposto (art. 1.172 e seguintes do Código Civil) da autuada, visto que os sócios não foram encontrados, nem mesmo residem no município de Palmas. O Sr. Jaime é também sócio administrador de outras quatro empresas ativas, e, conforme quadro à fl. 66, percebese Fl. 6441DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.440 5 que duas das empresas são localizadas em outros Estados da Federação, participando o Sr. Jaime como sócio "administrador", mesmo sendo empregado da empresa autuada. Vêse, também, que as empresas atuam no mesmo segmento de mercado da empresa fiscalizada. Em relação às duas últimas empresas, conforme demonstra a fiscalização à fl. 66, enquanto o endereço da autuada é Quadra 101, lote 02, SN, sala 01, Palmas, Tocantins, a PK7 INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA e a L & L INDÚSTRIA E SERVIÇOS TÊXTEIS LTDA ME têm o mesmo endereço, com exceção da sala. A da primeira é sala 03 e a da segunda é sala 02, sendo que esse endereço foi o adotado pela TOCANTINS TÊXTEIS, desde sua fundação, até 28/06/2011 (registro na Junta Comercial em 20/07/2011). Conforme o autuante, de acordo com as notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada entre dezembro de 2009 a dezembro de 2011, verificouse que a empresa PK7 recebeu R$ 11.236.429,40, com código CFOP referentes a venda de produção do estabelecimento, e remessa para industrialização por encomenda. Seria impossível uma empresa (PK7) operar com mais de onze milhões no período citado, tendo como estrutura matriz apenas uma sala (local que recebeu, conforme informação supra, R$ 2.266.367,80 em mercadorias). Ou ainda, considerando as mercadorias que, de acordo com a declaração do Sr. Jaime, são desembaraçadas em sua maior parte no Sul do País (Porto de Itajaí e São Borja), não haveria vantagem econômica em enviá las para Tocantins, visto que as vendas são/foram destinadas para o sul do país novamente. E também não haveria como todo esse volume transitar de uma sala pra outra, visto que as empresas acima se encontram no mesmo lote, diferenciando apenas o número da sala. Não havia espaço físico para isso. Aduz o auditor, então, que se trata de simulação, dando contorno de operação regular, quando na realidade infringe diretamente a legislação fiscal. Lembra, ainda, o autuante, que as envolvidas nas operações possuem o mesmo administrador e preposto (gerente), visto que o Sr. Jaime é administrador de duas delas (empresas da sala 01 e 02) e preposto da fiscalizada (sala 03) conforme já demonstrado. Todas atuando no mesmo segmento de mercado fabricação de produtos têxteis, observandose também que, curiosamente, a TOCANTINS TÊXTEIS e a PK7 foram também constituídas no mesmo dia (27/01/2004). Quanto à empresa L & L, a fiscalização informa que seus sócios, conforme relação à fl. 69, incluindo o Sr. Jaime, são também empregados da autuada. Com base em tabela à fl. 73, referente a vendas da autuada para a PK7 em 2010 e 2011, o autuante afirma que nela pode ser constatada definitivamente a interposição fraudulenta da TOCANTINS TÊXTEIS, já que pela comparação das datas das Fl. 6442DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 notas fiscais que representam as importações (notas fiscais de entrada) e as das notas fiscais de saída, podese observar que as mesmas mercadorias são vendidas no mesmo dia, ou no dia seguinte, para a empresa PK7, o que, levandose em conta o fato de que foram desembaraçadas no Sul país, ou seja, a uma grande distância de Palmas, tornaria impossível a efetivação das operações nas condições declaradas. Continua a fiscalização afirmando que, apenas por este fato (não apresentar as notas fiscais referentes ao período fiscalizado), e pelo que foi analisado anteriormente, há o enquadramento por presunção previsto no § 2° do art. 23 do Decreto Lei 1.455 de interposição fraudulenta no comércio exterior. A autuada menosprezou os trabalhos da fiscalização, não se preocupando em momento algum em comprovar a origem dos recursos e a idoneidade de suas operações. Os responsáveis pelas operações em nenhum momento, segundo o autuante, se preocuparam em comprovar a capacidade financeira própria da autuada para operar no comércio exterior. Não atenderam os itens que comprovariam sua idoneidade, deixando clarividente a impossibilidade de demonstrar a origem dos recursos (como próprios), especificamente os itens 14 e 15 dos termos lavrados, sendo que, para operar regularmente com recursos de terceiros, as operações de importação deveriam ter sido declaradas como sendo "por conta e ordem", o que geraria uma série de obrigações acessórias, dentre elas o cadastramento prévio do contrato de prestação de serviços, o CNPJ do adquirente na DI, indicação do real adquirente na fatura comercial, entre outras conforme IN SRF n° 225/2002. Conforme o autuante, na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) de 2005 (ano calendário 2004) o sócio Paulo Moacir Klockner declarou ter integralizado o valor de R$ 308.250,00 (Capital Subscrito, de R$ 429.600,00, menos Capital a Integralizar, de R$ 121.350,00) apesar de ter declarado como rendimento total apenas R$ 54.224,29. Este fato demonstra, a ocultação da origem dos recursos empregados na fiscalizada, desde o início de suas operações, o que configura interposição fraudulenta na operação de comércio exterior prevista no art. 23, § 2°, do DecretoLei n° 1.455/76. Ainda segundo o fiscal, em nenhum momento este sócio se preocupou em comprovar a origem dos recursos, quando intimado. Diante disso, o auditor afirma que, com estas declarações, provase serem as informações inidôneas, demonstrando grosseiramente a incompatibilidade com a situação real. À fl. 88, a fiscalização apresenta quadro comparativo onde se verifica, nos anoscalendários de 2006 a 2011, os rendimentos recebidos de PJ pelo sócio Paulo Moacir Klockner e o total de importações anuais da autuada. Observase, segundo o auditor, que foi declarado o rendimento de R$ 6.530,00 para o ano calendário 2011 todo, ou seja, uma média de R$ 545,00 ao mês; o que, considerando não haver a retirada de lucro, é uma informação totalmente incompatível com a realidade, visto que as importações da empresa foram, nesse ano, de R$ 30.599.186,58. Fl. 6443DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.441 7 O mesmo, conforme o autuante, aconteceu com o outro sócio, José Adelino Klockner, que em sua DIRPF 2005 (ano calendário 2004) declarou ter integralizado o valor de R$ 134.000,00, mesmo tendo, como Rendimento Total para esse ano, o valor de R$ 19.017,93, conforme tabela à fl. 90. De acordo com dados extraídos da DIRPF 2005 e supondo o sócio José Adelino Klockner ter investido todo o seu rendimento na integralização de capital social da fiscalizada, a fiscalização pergunta como foi possível integralizar R$ 134.000,00 conforme confessado na citada DIRPF, já que não foi declarada nenhuma outra origem do recurso (Dívida e Ônus Reais da DIRPF 2005). Fica patente, então, segundo a fiscalização, a falta de recursos para comprovar a integralização de capital desde o início das atividades, não havendo, portanto, como demonstrar a origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos para as operações; ou seja, mesmo que afirme ser de vendas a clientes, não há como comprovar o adimplemento com recursos próprios das compras das mercadorias. Ainda com relação às informações prestadas pelo Sr. Jaime, gerente da autuada, o auditor ressalta, novamente, à fl. 93, que, conforme fotos mostradas no item 2 “Da Empresa Fiscalizada”, não havia estoques no estabelecimento que justificasse o volume das operações; de acordo com a 5a alteração contratual, registrada na junta comercial em 20/07/2011, a empresa mudou se para o endereço atual, o que diverge substancialmente da declaração do Sr. Jaime, visto que entre 20/07/2011 a 18/01/2012 passaramse 182 dias, período no qual a empresa, de acordo com as notas fiscais eletrônicas, movimentou mais de 20 milhões em mercadorias. Diante disso, pergunta, então, a fiscalização, como a empresa poderia ter operado sem endereço, já que registrou ter mudado em julho de 2011 e, de acordo com a declaração do gerente, mudouse efetivamente em janeiro de 2012. É esse mais um fato que, segundo o autuante, evidencia a interposição da empresa, que é usada apenas para importar produtos no interesse de terceiros, não havendo operação alguma em suas dependências. Também declarou o citado gerente que as importações são desembaraçadas em sua maior parte no porto de Itajaí e por São Borja. O porto de Itajaí fica a 2248 km de Palmas e São Borja a 2827 km de Palmas, sendo que, segundo o Sr. Jaime, as mercadorias são enviadas diretamente aos adquirentes ou para empresas terceirizadas, localizadas no Sul ou Sudeste, não sendo encaminhadas fisicamente para o Estado de Tocantins. Eventualmente, parte das importações é destinada a esse Estado. Diante disso, fica patente, segundo a fiscalização, as infrações cometidas. Os adquirentes não importaram diretamente, utilizaramse ilicitamente da autuada para importar; a Tocantins Têxteis tem como CNAE principal (razão de sua existência) 1330800, ou seja, fabricação de tecidos de malha. Assim, se não possui Fl. 6444DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 capacidade operacional para atingir seu objeto social, conclui o autuante que não está operando de forma transparente, o que leva a figura jurídica criada apenas para importar produtos e auferir vantagem econômica em detrimento do Estado Brasileiro e dos concorrentes nacionais. A partir da fl. 95, o autuante passa apresentar alguns exemplo que, segundo ele, seriam operações fictícias realizadas pela autuada, iniciando pela empresa KTEX INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA ME, a qual tem o mesmo endereço da filial da TOCANTINS TÊXTEIS na cidade de Boa Vista do BuricáRS, e um dos sócios pertence à família KLOCKNER. Verificou, ainda, a fiscalização, possuir essa empresa também o mesmo endereço da empresa LISA IND CONF LTDA. Ou seja, por algum motivo, foram criadas três empresas no mesmo endereço. Considerando apenas os anos de 2010 e 2011, de acordo com os arquivos .xml das notas fiscais eletrônicas emitidas pela Tocantins Têxteis, houve a remessa de mais de 13 milhões em mercadorias para essas duas empresas, confirmando, assim, estar a Tocantins Têxteis, segundo a fiscalização, interpondose fraudulentamente, existindo apenas para constar como importadora nos sistemas oficiais, camuflando as envolvidas, que são as destinatárias das importações realizadas. Tal fato pode, segundo o autuante, ser demonstrado diante das seguintes provas apuradas: as mercadorias importadas pela autuada foram remetidas na mesma data para a empresa KTEX, conforme tabela à fl. 98; proximidade entre o ponto de entrada das mercadorias no país, Porto de ItajaíSC e Boa Vista do BuricáRS (756 Km), sede da empresa KTEX, o que demonstra que a escolha do Porto para a internalização das mercadorias tem relação com o destino das mesmas, que, obviamente, não foi a cidade de PalmasTO, localizada a 2.248 Km da cidade de ItajaíSC; o CFOP 6901 (Remessa para industrialização por encomenda) demonstra claramente que a destinatária das mercadorias são essas empresas, e não a Tocantins Têxteis, que existe unicamente para importar mercadoria camuflando os envolvidos; o próprio gerente da empresa, Sr. Jaime, declarou que as mercadorias não vêm fisicamente para o Estado de Tocantins. A fiscalização vinculou algumas notas fiscais de entrada na autuada e de saída desta para a KTEX (fl. 98), o que, segundo ela, definitivamente comprovaria a interposição fraudulenta da fiscalizada, na qual as notas fiscais que representam as importações (NF’s de entrada) demonstram que as mesmas mercadorias são vendidas no mesmo dia para a empresa KTEX (ou no dia seguinte), considerando que foram desembaraçadas no Sul país, ou seja, a uma grande distância de Palmas, sendo impossível efetivar as operações nas condições declaradas, comprovando ser um jogo de notas fiscais e estar a empresa TOCANTINS TÊXTEIS interposta entre o Fisco e os reais interessados na importação. Às fls. 102107, a fiscalização menciona a empresa PALÁCIO DAS LAS MALHAS LTDA, localizada em Monte Sião, cidade do Fl. 6445DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.442 9 interior de Minas Gerais, que, segundo o autuante, é também adquirente oculta das mercadorias importadas pela TOCANTINS TÊXTEIS, fato que pode ser demonstrado porque mercadorias importadas pela autuada foram remetidas na mesma data ou em curto espaço de tempo para a empresa LAS MALHAS sem que tivessem sido objeto de nenhuma industrialização, conforme tabela de fls. 104; os principais fornecedores estrangeiros das mercadorias importadas diretamente pela LAS MALHAS ou em outras importações por conta e ordem dela são os mesmos que forneceram as mercadorias importadas pela autuada e foram destinadas à LAS MALHAS; proximidade entre o ponto de entrada das mercadorias no país, Porto de SantosSP e Monte SiãoMG (236 Km), sede da empresa LAS MALHAS. A fiscalização afirma, ainda, que, conforme tabela de fls. 107, apesar de o CFOP constante das notas fiscais de saída da autuada para a LAS MALHAS ser referente a Vendas de produção do estabelecimento, as mercadorias são "FIOS 100% ACRÍLICO" ou "FIOS DE FIBRAS", ou seja, matériaprima. Somouse um total de R$ 10.085.133,13 de mercadorias enviadas, apenas no período entre dezembro de 2009 e dezembro de 2011 (notas fiscais eletrônicas analisadas). A empresa GUERREIRO INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA , localizada em Nova Odessa SP, também recebeu mercadorias como Venda de produção de estabelecimento (CFOP 6101), porém sendo FIO 100% acrílico, ou seja, matériaprima, provando também, segundo a fiscalização, ter ocorrido importação por interposição fraudulenta por parte da fiscalizada, sendo que somouse um total de R$ 6.012.659,46 em mercadoria, considerandose apenas o período entre dezembro de 2009 e dezembro de 2011. À fl. 109, o autuante cita notas fiscais de entrada na autuada e de saída para a GUERREIRO, anos 2010 e 2011, as quais demonstram que as mesmas mercadorias são vendidas no mesmo dia para a referida empresa (ou no dia seguinte), e, considerando que foram desembaraçadas no Sul ou Sudeste do país, ou seja, a uma grande distância de Palmas Tocantins, seria impossível efetivar as operações nas condições declaradas, comprovando ser um jogo de notas fiscais e estar a empresa autuada interposta, atuando em lugar dos reais interessados nas importações. Afirma, também, o auditor que, pelos sistemas da RFB, no período de 2007 a 2012 a empresa Guerreiro importou R$ 25.830.395,86, mostrandose um importador usual, o que comprovaria, novamente, a interposição da empresa TOCANTINS TÊXTEIS. A partir da fl.111 até a 258, a fiscalização comenta o exame realizado sobre os extratos bancários da autuada, de 2007 a 2012, quando do fechamento dos contratos de câmbio. A empresa, segundo o autuante, fecha os contratos de câmbio pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A – BANRISUL (AG: 0944, C/C: 0685068800), tendo sido verificado que usualmente Fl. 6446DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 os contratos são liquidados sempre precedidos de transferência eletrônica e depósitos, visto que os saldos da conta corrente são insuficientes para adimplilos, conforme dados extraídos dos extratos entregues pela fiscalizada, digitalizados em seguida nas fls. 112 258. No item 8 (DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES), o fiscal aduz que, Conforme explanado no tópico 3 "DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL" e no tópico 7 "DA PRESENTE FISCALIZAÇÃO", ao final do procedimento especial da Instrução Normativa SRF n° 228/02, constatouse que a Tocantins Têxteis não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em operações de comércio exterior, o que caracteriza a hipótese de interposição fraudulenta de pessoas, por presunção legal do art. 23, § 2°, do DecretoLei n° 1.455/76 (com redação dada pela Lei n° 10.637/02), sujeitando o responsável à aplicação da pena de perdimento das mercadorias, por dano ao Erário. E, à fl. 261, a fiscalização informa que, no caso em tela, as mercadorias objeto do Auto de Infração não foram localizadas, tendo em vista a data das operações e jamais terem sido enviadas ao Estado de Tocantins, devendose, portanto, seguir o estabelecido no parágrafo 3°, art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976, o qual estabelece que no caso de mercadorias não localizadas, devese aplicar multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Para estabelecer este valor, fezse necessário identificar as DI’s objeto do procedimento fiscal e os valores declarados pelo contribuinte, e, com o auxílio dos sistemas informatizados da RFB, foram levantadas todas as importações realizadas em nome TOCANTIS TÊXTEIS, com data de registro desde junho de 2007 a fevereiro de 2012, obtendose a lista de declarações de importação DI da tabela de fls. 263278, na qual constam as seguintes colunas: dia de registro, dia de desembaraço, número da DI e valor aduaneiro. Ao final dessa tabela, à fl. 278, é apresentado o somatório do valor aduaneiro das importações efetuadas no período, totalizando R$ 70.602.931,28 (setenta milhões, seiscentos e dois mil, novecentos e trinta e um reais e vinte e oito centavos), que é justamente a importância lançada relativamente à infração em comento, não sendo a multa passível de redução (art. 81, inciso III, da Lei nº 10.833/2003). Da impugnação O sujeito passivo, após sua ciência pelos Correios, com aviso de recebimento, datada de 10/12/2012 (fls. 3.416), apresentou, em 09/01/2013, sua impugnação, conforme peça juntada às fls. 3.4513.484, onde, após breve histórico dos fatos relacionados ao feito, pleiteando a insubsistência do lançamento, desenvolveu sua defesa, conforme a seguir, em resumo, colocada: preliminarmente, requer nulidade por ter sido o auto de infração lavrado exclusivamente por presunção; além disso, a simples lavratura de um auto de infração e não de um auto de lançamento, já serve como um "plus" nessa indiscutível Fl. 6447DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.443 11 inexistência de ilícito fiscal que pudesse demonstrar a ideia de elisão fiscal, capaz de ensejar a pretendida exigência tributária; o correto deveria ter sido a lavratura de um auto de lançamento, forte no contido no Art 11 do Decreto nº 70.235/1972. Como, mesmo nesse caso, o seu suporte fático ainda seria a presunção, em que pese regularizado o seu formalismo, a sua ilegitimidade, injuridicidade e total ilicitude continuaria emoldurando a presente peça fiscal; requer a nulidade do auto de infração também por ter sido lavrado de forma genérica; a fiscalização tratou processos distintos de forma igual, ou seja, generalizou uma suposta situação fática para todas as importações realizadas pela suplicante, o que efetivamente dificulta e torna praticamente impossível realizar a sua defesa, o que vai de encontro ao que determina os Arts. 9° e 10, do Decreto n° 70.235/1972; ao não identificar uma por uma as importações feitas pela suplicante taxadas como "fraudulentas", apenas generalizando as, restou sonegado à impugnante o direito de defenderse (por não poder identificar de quais DI está sendo autuada), infringindo, assim, a fiscalização também o constitucional direito do "devido processo legal e do contraditório", circunstância que indiscutivelmente torna a presente peça fiscal nula de pleno direito; em relação ao mérito, a ocorrência da interposição fraudulenta, como descrito pelo próprio Auto de Infração, está muito bem delimitada pela legislação aduaneira e as provas carreadas aos autos, ao contrário, demonstram que não existiu esta situação alegada; em relação à alegação, pela fiscalização, de não comprovação, pela impugnante, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, em virtude de a empresa fechar os contratos de câmbio pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A – BANRISUL, tendo verificado que usualmente os contratos eram liquidados sempre precedidos de transferência eletrônica e depósitos, visto serem os saldos de conta corrente insuficientes, importa destacar que a impugnante possui contascorrentes, além dessa do BANRISUL, no Banco SICREDI, no Banco do Brasil S/A e no Banco Bradesco; conforme os documentos anexados agora aos autos, que relacionam todos os depósitos e as transferências bancárias efetuadas na contacorrente do BANRISUL, para o fechamento do câmbio, eles demonstram, robusta e exaustivamente, que estes valores são oriundos de outras contascorrente da impugnante; ou seja, todos os recursos são da própria empresa; os extratos bancários agora juntados aos autos, relativos aos anos de 2010 e 2011, eis que os anos anteriores pela exiguidade do prazo não houve tempo hábil para a sua confecção, também demonstram que naqueles anos houve uma movimentação financeira absolutamente condizente com os valores das Fl. 6448DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 importações realizadas; ou seja, a suplicante dispunha de recursos financeiros suficientes para fazer frente às importações realizadas, conforme tabela que apresenta (fl 3.460); ainda em relação à origem, à disponibilidade e à transferência dos recursos, a suplicante apresenta seus livros caixas relativos aos anos de 2009, 2010 e 2011, nos quais restam absolutamente claras todas as operações e movimentações financeiras realizadas, estando neles devidamente especificadas todas as origens das suas receitas, assim como fica expressamente demonstrado que a movimentação de caixa era muito superior as importações realizadas em cada ano; sempre que ocorria uma importação, a suplicante tinha plena e total disponibilidade financeira para arcar com os custos a ela referentes, conforme tabela de fl. 3.461; o demonstrativo das origens dos depósitos e das transferências bancárias realizadas para a contacorrente da suplicante no BANRISUL para o fechamento de câmbio para o pagamento das importações, do total da movimentação financeira existente em todas as contascorrentes da Suplicante (Banrisul, Banco do Brasil, Sicredi e Banco Bradesco), comprovam, indiscutível e induvidosamente, que eles condizem com o montante das importações, somados à comprovação da devida escrituração contábil, em seus livros caixas, de todas as entradas e saídas dos recursos financeiros. Assim, sem dúvida alguma, resta absolutamente comprovada a origem a disponibilidade e a transferência dos recursos próprios para o pagamento das importações realizadas, não havendo interposição fraudulenta; em relação ao dano ao Erário, este não ocorreu porque inexistiu ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação. Isso porque, quando da fiscalização, a Suplicante já apresentou todos os contratos de importação, todas as declarações de importação (DI), bem como apresentou todas as notas fiscais de venda das mercadorias para terceiros; em momento algum a fiscalização desclassificou a escrita fiscal e contábil ou afirmou que os documentos contábeis/fiscais apresentados eram inidôneos. Portanto, fazem provas em favor da contribuinte, sendo que naqueles documentos constam com toda transparência quem são os reais vendedores e quem são os efetivos compradores de todas as referidas mercadorias importadas, restando, pelos citados documentos, comprovado ser a impugnante a real compradora; não existe ocultação dos compradores das mercadorias, já que a suplicante possui uma escrita contábil e fiscal, não contestada pela fiscalização, na qual foram expressamente lançadas todas as operações comerciais realizadas, com todos os fornecedores e compradores devidamente qualificados e legalmente constituídos; mesmo que a empresa pudesse ter realizado uma importação para terceiros, ainda, assim, estes terceiros estão claramente identificados e perfeitamente caracterizados nos documentos contábeis e fiscais da suplicante, sendo empresas legalmente constituídas; Fl. 6449DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.444 13 basta que se faça uma breve análise na relação anexa (doc. 07), para se verificar que a suplicante vendeu as mercadorias importadas para diversas empresas em todo Brasil, e, em momento algum, a fiscalização trouxe à colação qualquer tipo de prova ou mesmo meros indícios de que essas compradoras não existiam de direito e de fato; para que reste extremamente claro, a suplicante permitese trazer à colação uma série de documentos (email, etc.) dos seus principais fornecedores estrangeiros, que comprovam, com toda transparência, que o responsável direto pelas negociações sempre foi seu sócio Paulo, em nome, única e exclusivamente, da Tocantins Têxteis; agiu com máfé a fiscalização ao mencionar a apreensão de mercadorias realizada em 24/05/2007, por interposição fraudulenta, pois calouse e deixou de esclarecer que essa mesma apreensão de mercadorias foi levada à análise do Egrégio Poder Judiciário, que reconheceu, de forma definitiva, que não houve qualquer tipo de interposição fraudulenta naquela apreensão de mercadorias, e, por consequência, liberou toda a mercadoria apreendida pela Receita Federal do Brasil; as outras quatro apreensões realizadas em 22/03/2011, 14/01/2011, 17/12/2010 e 30/11/2010 foram realizadas porque as faturas apresentadas não amparavam as mercadorias encontradas no interior da unidade de carga e não, como afirma o fiscal autuante, porque teria ocorrido o uso de falso documento no despacho; também calouse a fiscalização no sentido de que estas apreensões ainda estão sendo questionadas perante o Egrégio Poder Judiciário; em relação ao local de entrada das mercadorias importadas no Brasil, não há legislação no Brasil que proíba o importador de escolher o porto de entrada da mercadoria no território nacional, assim como não há a legislação brasileira que o obrigue a ficar de posse da mercadoria comprada do exterior antes de vendêla para terceiro; ao longo de toda a fiscalização a contribuinte entregou e deve estar juntado ao processo administrativo todas as notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias, assim como todos os contratos e as declarações de importações, documentos esses que comprovam, com extrema clareza, o pagamento dos fornecedores e o recebimento dos valores de seus clientes; em relação aos demais tributos estaduais e federais, no que se refere as alegações referentes a alguns DARFs que foram entregues com valores irrisórios, isso só ocorreu porque a impugnante não quis deixar de cumprir com as suas obrigações acessórias, por falta de contabilização e cálculo do real imposto devido em tempo hábil. Todavia, posteriormente, todos estes DARFs foram retificados e o tributo foi pago à vista ou através de parcelamento; Fl. 6450DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 na relação de fls. 3.4733.480, a suplicante vendeu as mercadorias importadas para mais de 216 clientes, em vários locais do Brasil, e com isto, novamente, impõese concluir que não há qualquer tipo de interposição fraudulenta por parte da Empresa impugnante; no mínimo não parece óbvio que uma simulação ou fraude onde se buscasse ocultar o real comprador das mercadorias, iria envolver um número tão significativo de empresas como é o caso dos autos; por fim, sobre a não comprovação da origem, transferência e disponibilidade dos recursos necessários para a importação das mercadorias: “A SUPLICANTE COMPROVOU ATRAVÉS DA SUA CONTABILIDADE, DOS SEUS LIVROS CAIXA E DOS EXTRATOS BANCÁRIOS A EFETIVA E VERDADEIRA ORIGEM, A TRANSFERÊNCIA E A DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS FINANCEIROS UTILIZADOS NAS IMPORTAÇÕES DAS REFERIDAS MERCADORIAS”; são indevidas, infundadas e absurdas as referências a supostos crimes consignadas à fl. 261 da peça fiscal. O auto de infração é um ato administrativo, sendo que nele a sua competência se restringe a apontar os fatos que identifiquem infrações tributárias ou comprovação de situações jurídicas que estejam relacionadas com procedimento de lançamento. Por isso, roga a suplicante que as referidas afirmações sejam simplesmente desentranhadas dos autos; dessa forma, como se verifica, do verdadeiro conteúdo do auto de infração, só restou a arcaica e totalmente ultrapassada "presunção", a qual, admitida que fosse, não tem o condão de transformar uma simples informação recebida ou imaginada pelo Fisco, em efetivo "fato gerador da obrigação tributária", sem que, no mínimo, viesse acompanhada de outros elementos concretos de prova que lhe dessem respaldo; assim posto, permitese a impugnante requerer, preliminarmente, seja decretada a nulidade do auto de infração pela utilização indevida da presunção e da exclusiva forma genérica; requer a impugnante, por fim, caso se venha de entender diferentemente, que seja julgado totalmente improcedente o auto de infração, pelos seus infundados, ilegítimos e injustos fundamentos, como robusta e exaustivamente demonstrado, rogando, assim, o seu consequente e imediato arquivamento; por fim, se for o caso, a suplicante requer desde já, forte no contido no Art. 17 do Decreto n° 70.235/1972, lhe seja deferida a prova pericial em todos os seus documentos para que possa efetivamente demonstrar tudo aquilo que apresenta nessa sua peça de impugnação. Através da Resolução nº 082.505, de 04/07/2013, da Sétima Turma deste órgão julgador (fls. 6.296.6.308), decidiuse converter o julgamento em diligência para o órgão de origem, solicitando a este as seguintes providências: Fl. 6451DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.445 15 “1) Diante da acusação de não comprovação dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, de 2007 a 2012 (presunção de interposição fraudulenta), manifestarse sobre os seguintes documentos apresentados pela autuada: livros Razão (fls. 3.9994.120); livros Caixa (fls. 4.1214.392); demonstrativo das origens dos depósitos e das transferências bancárias realizadas para a contacorrente da suplicante no BANRISUL para o fechamento de câmbio (fls. 3.8073.823); extratos bancários (fls. 3.8243.998); relação de clientes e notas fiscais de vendas (fls. 4.3934.445); correspondências com fornecedores (fls. 6.0136.060); demonstrativos de resultados (fls. 6.061 6.201); 2) Analisar se, diante das provas contidas nos autos, não estaria porventura caracterizada responsabilidade solidária das referidas empresas KTEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ME); PK7 INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA; PALÁCIO DAS LAS MALHAS; e GUERREIRO INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, ou de outras pessoas jurídicas ou físicas que eventualmente forem identificadas, adotando, se for o caso, os procedimentos cabíveis para a inclusão dos eventuais responsáveis solidários no pólo passivo da exação, relativamente às importações de que possam ter participado; 3) Prestar quaisquer outros esclarecimentos e anexar documentos que sejam relevantes para o deslinde da questão.” Às fls. 6.3106.313 consta manifestação da fiscalização acerca do pedido de diligência: “Com relação aos documentos apresentados pela autuada, faço a seguinte manifestação: 1. Sobre os demonstrativos de resultados ( fls. 60616201 ): Podese verificar, pela análise dos documentos apresentados, que no ano de 2007 e 2008 existiam movimentos atípicos e suspeitos em relação a conta ESTOQUES. No ano de 2007, na conta estoques, foi contabilizado um valor total debitado de R$ 5.157.483,86 e um valor total creditado de R$ 5.656.277,24. No ano de 2008, na conta estoques, foi contabilizado um valor total debitado de R$ 7.396.205,14 e um valor total creditado de R$ 7.535.139,91. De fato, o valor total debitado (entradas) e o valor total creditado (saídas) nesses anos são praticamente iguais. Este fato contraria o conceito de importação por conta própria, já que nesse tipo de importação o giro nos estoques não é tão alto, pois não existe a figura do encomendante prédeterminado. Diante dessas informações fica mais evidente a interposição fraudulenta. No ano de 2009 foi encontrado saldo credor na conta estoques de R$ 127.776,15. Saldo credor na conta estoques é comum no caso de interpostas pessoas. Nos anos de 2010 e 2011, no balanço patrimonial encontramos na conta estoque apenas as subcontas "Estoques em poder de terceiros" e "Estoque de mercadorias revendidas". É incomum uma empresa que diz somente importar por conta própria não possuir estoques Fl. 6452DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 no local de operação da empresa. Essa situação é também bastante comum no caso de interpostas pessoas. 2. Os documentos pedidos para serem analisados nas folhas 6013 a 6060 são correspondências eletrônicas sobre compra de mercadoria entre a autuada e seus fornecedores no exterior. Esses documentos não servem para afastar a presunção de interposição fraudulenta. 3. As informações relevantes contidas nos documentos apresentados nas folhas 3999 a 4120 e 4121 a 4392 (livro Razão e Caixa) são de fato as movimentações bancárias da empresa, como depósitos e transferências bancárias, o pagamento de fornecedores, pagamento e recebimento de duplicatas. A movimentação bancária já foi analisada no momento da lavratura do auto de infração nas folhas 388 a 1154. Essas informações não foram suficientes para comprovar o origem dos recursos empregados nas operações de comercio exterior. Logo não servem para afastar a acusação de presunção de interposição fraudulenta. 4. Os documentos apresentados nas folhas 4393 a 4445 mostram a relação de pagamentos do Imposto de Importação. Em nada soma para a análise do processo, não servem para afastar a acusação de presunção de interposição fraudulenta. 5. As informações contidas nas folhas 3807 a 3823 são denominadas pelo autuado de: relação das origens dos depósitos e transferências realizadas na contacorrente da empresa no Banco do Estado do Rio Grande do Sul Banrisul. Essas informações eram conhecidas no momento da lavratura do auto de infração nas folhas 884 a 1027. A origem de depósitos e transferências que alimentavam a contacorrente do Banrisul são provenientes de contas bancárias do próprio autuado. 6. Os documentos solicitados a serem analisados nas folhas 3824 a 3998 são um compilado feito pela empresa de seus extratos bancários. Esses extratos bancários já foram apresentados e analisados no momento da lavratura do auto de infração nas seguintes folhas: • o extrato do banco Bradesco do ano de 2010 a 2011 já havia sido apresentado nas folhas 1102 a 1154. • o extrato do banco Banrisul do ano de 2010 e 2011 já havia sido apresentado nas folhas 925 a 1022. • o extrato do Banco do Brasil de 2010 a 2011 já havia sido apresentado nas folhas de 535 a 837 • o extrato do banco Sicred de 2011 já havia sido apresentado nas folhas de 1028 a 1101 Em relação ao item 2 da Resolução, a fiscalização responde: “O sujeito passivo foi acusado no auto de infração da não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, de 2007 a 02/2012, conforme inciso II do artigo 11 da Instrução Normativa SRF 228/2002, presunção de Fl. 6453DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.446 17 interposição fraudulenta. Um dos pilares da acusação é o fato da autuada não possuir capacidade operacional. Com base nisso, no momento da lavratura do auto de infração a autoridade lançadora firmou seu próprio convencimento para caracterizar, ou não, sujeição passiva solidária de algumas pessoas jurídicas ou físicas.” Tendo sido informado, em relação ao item 3, que não havia nada mais a acrescentar, a manifestação da fiscalização foi enviada à impugnante, pelos Correios, mas o aviso de recebimento retornou (fls. 6.3146.315). Foi, então, feita a cientificação por Edital, afixado em 05/02/2014, com desafixação em 20/02/2014. Decorrido o prazo para manifestação, o processo retornou para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, em 24/03/2014. É o relatório. Como se vê, o presente processo trata de Auto de Infração (fls. 2/24), constituído para cobrança da multa prevista no art. 23, inc. V, §§ 1º, 2º e 3° do DecretoLei n° 1.455, de 1976 e arts. 673 e 689 do Decreto 6.759/2009 (RA), com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, por meio das Declarações de Importação relacionadas no Relatório Fiscal (continuação do Auto de Infração) às fls. 25/280, que, ficaram sujeitas à pena de perdimento, uma vez que as mesmas não foram localizadas ou foram consumidas. No Relatório de Fiscalização continuação do Auto de Infração (fls. 25/280 do eprocesso), elaborado pela Fiscalização Aduaneira da Delegacia da Receita Federal em Palmas (TO), que é parte integrante do presente Auto de Infração, analisa minuciosamente a documentação apresentada pela TOCANTINS TÊXTEIS IND. E COM. DE CONFECÇÃO LTDA, doravante denominada apenas por TOCANTINS, abordando aspectos relativos à sua existência e ao seu funcionamento, bem como da capacidade econômicofinanceira da empresa e do seus sócios. O Fisco traça ainda, um perfil do importador desde a sua constituição até a ocorrência das operações de comércio exterior que culminaram com o procedimento em questão. Ressaltese que no caso, não foram atribuídos responsabilidade solidária às pessoas jurídica e físicas citadas no Relatório de Verificação Fiscal, na forma prevista art. 95, I, do Decreto Lei nº 37/66. O recurso de ofício gira, motivado pela Turma julgadora concluir que houve erro na autuação, em torno da ausência de inclusão no pólo passivo do lançamento, sem a devida justificativa, dos verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas fraudulentamente identificados pela fiscalização. E que, como nesse caso a participação dos agentes envolvidos ficou devidamente demonstrada nos autos, considerase que o lançamento é nulo por vício formal, cabendo o refazimento, nos termos do art. 173, II, do CTN. Fl. 6454DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Das Intimações e dos Recursos Consta dos autos, que a TOCANTINS foi cientificada por Edital do Acórdão da DRJ, conforme art. 23, § 1º, Inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por se encontrar em lugar incerto e ignorado (doc. fl. 6.409), uma vez que o comunicado enviado pelos Correios (Sedex) retornaram com a informação de "Mudouse" (fls. 6.406/6.407). Ressaltese ainda que não houve nos autos a manifestação da interessada (contribuinte), conforme corrobora o Despacho emitido pela DRF/Palmas à fl. 6.436. A DRJ, então, interpôs o Recurso de Ofício do presente Acórdão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, com a alteração da Lei nº 9.532, de 1997, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada fixado no art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3/2008. É o relatório Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator Dos recursos Como se vê, com relação a autuada TOCANTINS, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extinguindose o direito de o interessado omisso fazêlo em outro momento processual. Neste diapasão, passaremos a analisar somente o Recurso de Ofício apresentado pela DRJ em Fortaliza (CE). Da Nulidade do Auto de Infração A recorrente (DRJ em Fortaleza) consignou na decisão que "É nulo, por vício formal, o Auto de Infração decorrente da apuração de interposição fraudulenta na importação, em que houve a identificação dos reais adquirentes das mercadorias importadas, mas estes não foram incluídos na autuação". Os julgadores decidiram que, à luz do art. 95, do Decretolei nº 37, de 1966, restou comprovado que outra pessoa participou ou se beneficiou da infração, e o Fisco não pode escolher apenas uma delas para autuar. A solidariedade entre os agentes ou beneficiários da infração decorre da Lei e tem como objetivo proporcionar maior segurança aos interesses públicos, inclusive no tocante à eficácia da norma punitiva. Nesse caso, ainda que os sujeitos passivos solidários possam responder pela dívida em conjunto ou isoladamente, o lançamento deve ser contra ambos, de forma que a obrigação deles fique devidamente formalizada. A opção legal sobre como eles vão responder efetivamente pela dívida diz respeito à fase de satisfação do crédito. Pois bem. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos Fl. 6455DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.447 19 fatos narrados pela fiscalização, tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal e levados ao conhecimento da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Sobre a matéria em discussão, no âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011 e a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Enfim, a interposição fraudulenta aduaneira exige como pressuposto pelo menos a ocorrência de um ilícito antecedente, a ser verificado em processo administrativo regular, em atenção ao disposto nas Instrução Normativa citadas. Desta forma, verificase que o auto de infração teve origem e a motivação em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. É cediço que o auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 6456DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade. Dos responsáveis solidários Como se vê, o Auto de Infração sob exame, foi lavrado apenas contra a interposta pessoa (a TOCANTINS), quando já tinham sido identificados no processo os verdadeiros interessados nas operações descritas na autuação. Conforme fica demonstrado nos autos, em relação à grande maioria das operações de importação realizada pela TOCANTINS, foi demonstrado quem eram os reais adquirentes das mercadorias importadas fraudulentamente. Nesse caso, a lei dispõe que os responsáveis solidários pela dívida podem responder em conjunto ou isoladamente, para satisfação do crédito tributário. Vejase a reprodução do art. 95, do Decretolei nº 37/66 (grifamos): Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante pre determinado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Como se vê pelos dispositivos acima, no caso específico, na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo respondem conjunta ou isoladamente como o contribuinte dos tributos e das penalidades incidentes nas operações. Nesse contexto, há que se ressaltar o contido no "item 2" da Resolução (realização de diligência) solicitada pela DRJ e a consequente resposta da fiscalização consignada no Termo de Diligência Fiscal às fls. 6.310/6.313. Vejase: Quesito elaborado pela DRJ: "(...) 2) Analisar se, diante das provas contidas nos autos, não estaria porventura caracterizada responsabilidade solidária das referidas empresas KTEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ME; PK7 INDÚSTRIA E COMÉRCIO TÊXTIL LTDA; PALÁCIO DAS LAS MALHAS; e GUERREIRO INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, ou de outras pessoas jurídicas ou físicas que eventualmente forem identificadas, adotando, se for o caso, os procedimentos cabíveis para a inclusão dos eventuais responsáveis solidários no pólo passivo da exação, relativamente às importações de que possam ter participado". Resposta da fiscalização : "O sujeito passivo foi acusado no auto de infração da não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, de 2007 a 02/2012, conforme inciso II do artigo 11 da Instrução Normativa SRF 228/2002, presunção de interposição fraudulenta. Um dos pilares da acusação é o fato da autuada não possuir capacidade operacional. Fl. 6457DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402002.953 S3C4T2 Fl. 6.448 21 Com base nisso, no momento da lavratura do auto de infração a autoridade lançadora firmou seu próprio convencimento para caracterizar, ou não, sujeição passiva solidária de algumas pessoas jurídicas ou físicas"( grifouse). Desta forma, conforme informação acima cravada, ficou cristalino nos autos que restou ao Fisco (autoridade lançadora), no momento da lavratura do Auto de Infração, a convicção de decidir pela não caracterização, no caso, da sujeição passiva das pessoas jurídicas apontadas neste processo, como participantes das operações de importação, podendo fazêlo isoladamente, não sendo esse procedimento motivo para anulação do presente lançamento, que se encontra perfeitamente constituído e motivado, conforme define o art. 142 do CTN e os arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. Cumpre salientar que a inclusão de devedores solidários, muito além de ser um direito do Fisco, consiste em ato administrativo autônomo em relação à penalidade principal, motivo pela qual pode ser veiculada por auto de infração distinto, com fundamentação própria e que, por sua vez, permite o exercício de defesa por parte do responsável (que pode ser exclusivamente relacionado à inexistência do vínculo de responsabilidade). A não lavratura de auto de infração de imposição de responsabilidade solidária, em rigor, prejudicaria apenas ao Fisco, que deixa de ter o poder de incluir aqueles sujeitos passivos em eventual cobrança judicial. Assim, não há que se falar em mácula do liame principal porque juntamente com ele não foi exercido o direito de impor a responsabilidade solidária a terceiros. Valendose do poder das analogias, a meu ver, anular a presente medida fiscal seria o mesmo que, diante da constatação de que o Fisco deixou de incluir seu sócio como responsável solidário (presentes evidências de fraude, como exemplo), anular um auto de infração que exige IRPJ de determinada sociedade empresária. Portanto, neste caso, onde o próprio fisco no momento da lavratura do auto de infração firmou seu próprio convencimento para não caracterizar a sujeição passiva solidária das pessoas jurídicas e físicas descritas nos autos, entendo não ser motivo para anular a peça vestibular. Desta forma, seguir adiante no presente julgamento no estado em que se encontra poderia, a depender do resultado, resultar em uma supressão de instância ou em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa). Conclusão Ante o exposto acima, voto por considerar procedente o recurso de oficio, rejeitandose a nulidade do lançamento, por vício formal, e por conseguinte, determinandose o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), a fim de que sejam julgados os argumentos de mérito trazidos na impugnação. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 6458DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 Fl. 6459DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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