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Numero do processo: 10950.904840/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 40 /2 01 2- 18 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904840/201218 Acórdão n.º 3801004.480 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904840/201218 Acórdão n.º 3801004.480 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904840/201218 Acórdão n.º 3801004.480 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904840/201218 Acórdão n.º 3801004.480 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904840/201218 Acórdão n.º 3801004.480 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904840/201218 Acórdão n.º 3801004.480 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904840/201218 Acórdão n.º 3801004.480 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.906649/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 64 9/ 20 09 -0 1 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906649/200901 Resolução nº 9303000.061 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906649/200901 Resolução nº 9303000.061 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906649/200901 Resolução nº 9303000.061 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.909274/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COMPENSAÇÃO
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 92 74 /2 00 9- 91 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Per/Dcomp) nº 17746.44112.131205.1.3.048605, em 13/12/2005, informando como crédito, em valor original, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins, o montante de R$ 3.808,10. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL) emitiu Despacho Decisório Eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais originais e informa que apresentou DACON e DCTF retificadora simultaneamente com sua manifestação, nas quais constaria o valor correto da contribuição apurada. Alega que os valores originalmente calculados e declarados observaram ao sistema cumulativo, quando na verdade a empresa já estaria enquadrada dentro da sistemática não cumulativa, sendo alguns produtos tributados com substituição tributária, gerando um saldo menor a recolher. Informa que anexou planilha onde estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão e também anexa cópias das declarações fiscais (DCTF e DACON) retificadoras. Ao final, requer a acolhida da manifestação para que seja deferido seu pleito. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/POA no 1033.316, de 18/08/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.909274/200991 Acórdão n.º 3802003.722 S3TE02 Fl. 157 3 O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, para homologar as compensações realizadas. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a recorrente amparado de um crédito, requer a extinção total do débito. Através do Despacho Decisório o qual não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, cujo êxito só resta possível, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Como bem ressaltou a decisão de primeira instância, a simples entrega de DCTF e DACON retificadoras, sem qualquer comprovação capaz de demonstrar a divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado, conforme trecho abaixo: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Em sua defesa, a empresa alega erro no valor originalmente declarado e apresenta planilha de difícil compreensão, na qual, somente após o cotejamento com os valores informados nas declarações retificadoras, foi possível compreender os cálculos demonstrados e deduzir/conferir os saldos de contribuições apontados ao final de cada período. Contudo, permanecem sem comprovação os novos valores devidos alegados pelo interessado, bem como o alegado crédito da não cumulatividade apontado na mesma planilha em cada período. O contribuinte não indica a origem dos novos valores apresentados com e sem a incidência das contribuições ou mesmo junta qualquer prova ou documento contábil que confirme os novos valores indicados. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: “ Art.333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” (...) Concluise que o crédito líquido e certo que faz jus a recorrente já foi totalmente concedido. Portanto, a entrega de DCTF e DACON retificadoras, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.006156/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/10/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores anteriores à 11/2000, inclusive.
SUCESSÃO.RESPONSABILIDADE.
Na linha do EDcl no REsp 923012 / MG, Recurso Especial Representativo de Controvérsia, tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.704
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para reconhecer a decadência referente às competências anteriores à 11/2000, inclusive e excluir as competências 12/2000 e 01/2001. Vencidos os Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto às competências 12/2000 e 01/2001 referente à remuneração de contribuinte individual e Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto à regra aplicada para a decadência.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/10/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores anteriores à 11/2000, inclusive. SUCESSÃO.RESPONSABILIDADE. Na linha do EDcl no REsp 923012 / MG, Recurso Especial Representativo de Controvérsia, tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para reconhecer a decadência referente às competências anteriores à 11/2000, inclusive e excluir as competências 12/2000 e 01/2001. Vencidos os Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto às competências 12/2000 e 01/2001 referente à remuneração de contribuinte individual e Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto à regra aplicada para a decadência. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores anteriores à 11/2000, inclusive. SUCESSÃO.RESPONSABILIDADE. Na linha do EDcl no REsp 923012 / MG, Recurso Especial Representativo de Controvérsia, tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para reconhecer a decadência referente às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 61 56 /2 00 7- 13 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 3 2 competências anteriores à 11/2000, inclusive e excluir as competências 12/2000 e 01/2001. Vencidos os Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto às competências 12/2000 e 01/2001 referente à remuneração de contribuinte individual e Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto à regra aplicada para a decadência. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a atletas e a serviços de táxi, decorrentes da incorporação de Ril Brasil Comercial e Importadora Ltda. O r. acórdão – fls 375 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência do direito de lançar · Inexigibilidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados a título de reembolso por despesas de táxi. · Impossibilidade da cobrança de juros e multa sobre a empresa sucessora · Requer que seja inteiramente provido o presente recurso para que seja reformado o v. acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia de Julgamento do Recife e, ato contínuo, seja reconhecida a total improcedência/insubsistência da NFLD lavrada, a qual deverá ser desconstituída.Alternativamente, acaso assim não entendam Vossas Senhorias, o que apenas se admite para argumentar, requerse que seja parcialmente reformada a r. decisão atacada, para que sejam excluídos do lançamento efetuado os valores referentes à multa e juros moratórios, os quais não poderão ser exigidos em face da empresa sucessora do devedor originário. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 6 5 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No presente caso, aplicase a regra do art 173, onde o relatório DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO não registra pagamentos parciais. Assim sendo, aplicandose o art. 173, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 22/11/2006. Nessa linha já se manifestou o STJ, no rito do art. 543C do Código Processual, consoante RESP 973.733/SC e nos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010, que transcrevo. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 7 6 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. DA RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA Na sucessão de empresas, ainda que feita de maneira indireta, a jurisprudência tem reconhecido a coresponsabilidade da sucessora pelos débitos fiscais da sucedida, nos termos dos arts. 129, 132 e 133 do CTN. Transcrevo, Responsabilidade dos Sucessores Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. ... Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos com inobservância do disposto no artigo 191; I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 8 7 pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. § 1o O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) I – em processo de falência; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial.(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 2o Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou sociedade controlada pelo devedor falido ou em recuperação judicial;(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do devedor falido ou em recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) III – identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o objetivo de fraudar a sucessão tributária.(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 3o Em processo da falência, o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo de falência pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data de alienação, somente podendo ser utilizado para o pagamento de créditos extraconcursais ou de créditos que preferem ao tributário. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 9 8 Analisando a matéria, em recurso especial representativo de controvérsia, conforme art. 543C, do CPC, o STJ assim se manifestou no EDcl no REsp 923012 / MG, publicado em 24.04.2013. EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo que o recurso de embargos de declaração, desafiado contra decisão judicial monocrática ou colegiada, se subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um destes requisitos: (a) obscuridade, (b) contradição ou (c) omissão, querendo isso dizer que, se a decisão embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido. Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade da observância rigorosa desses chamados pressupostos processuais, muito menos usar o recurso como forma de reversão pura e simples da conclusão do julgado. 2. As omissões e contradições apontadas, em verdade, não ocorreram; o que se constata é que o contribuinte pretende reverter o resultado do julgamento, tentando fazer prevalecer seu ponto de vista sobre os temas discutidos. 3. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do ICMS das mercadorias dadas em bonificação, restou assentado pelo acórdão recorrido, consoante trecho transcrito no aresto ora embargado, que somente os descontos incondicionais estão livres de integrar a base de cálculo do imposto, e que a empresa não fez qualquer prova de que as bonificações concedidas foram dadas dessa forma, ou seja, sem vinculação a qualquer tipo de condição; esse entendimento não diverge daquele assentado em inúmeros julgados desta Corte. 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 10 9 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. A r. decisão esta em consonância com o referido julgado e, na linha do art. 62A do RICARF, o mesmo deve ser reproduzido no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, não havendo assim reparo a ser feito na r. decisão. DO MÉRITO Com a decadência reconhecida, resta a ser apreciada as competências 12/2000, 01/2001, 03/2001 e 10/2002. Em relação às competências 03/2001 e 10/2002 tratase de comissão de venda de imóvel, conforme consta do relatório de lançamento. Tal fato não foi impugnado, não atraindo assim a manifestação do contencioso, na linha do art. 17 do decreto 70.235/72 Em relação às competências 12/2000, 01/2001, se referem a pagamento a autônomos COSTA MONTERIO GUILHERME, no valor de R$ 11,32 e despesa com táxi de R$ 8,27. Os baixos valores apontados e o que consta no relatório do lançamento demonstram que se trata de mero reembolso por despesas de táxi, não sujeito a contribuição à seguridade social. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, preliminarmente reconhecer a decadência referente às competências anteriores à 11/2000, inclusive e, no mérito, doulhe parcial provimento para excluir as competências 12/2000 e 01/2001. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.006156/200713 Acórdão n.º 2803003.704 S2TE03 Fl. 11 10 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720911/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2005, 2006
Ementa:
LIVROS FISCAIS.
É obrigação acessória do contribuinte escriturar livros contábeis e ofertar receita à tributação, de modo que a atuação do Fisco é necessária somente perante casos em que há indícios de irregularidades fiscais, de modo que não há que se falar em inversão do ônus probatório.
RECEITA APURADA A APARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO MUNICIPAL. POSSIBILIDADE.
É possível apurar a receita da contribuinte a partir das informações prestadas ao Fisco Municipal e utilizadas para fins de apuração do iSSQN devido.
MULTA CONFISCATÓRIA
Afasta-se o argumento de multa confiscatória, tendo em vista a impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade de lei por corte administrativa.
Numero da decisão: 1401-001.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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É obrigação acessória do contribuinte escriturar livros contábeis e ofertar receita à tributação, de modo que a atuação do Fisco é necessária somente perante casos em que há indícios de irregularidades fiscais, de modo que não há que se falar em inversão do ônus probatório. RECEITA APURADA A APARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO MUNICIPAL. POSSIBILIDADE. É possível apurar a receita da contribuinte a partir das informações prestadas ao Fisco Municipal e utilizadas para fins de apuração do iSSQN devido. MULTA CONFISCATÓRIA Afastase o argumento de multa confiscatória, tendo em vista a impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade de lei por corte administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 11 /2 01 0- 61 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias Fl. 665DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.720911/201061 Acórdão n.º 1401001.126 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos em julgamento, adoto e transcrevo o relatório da decisão proferida no âmbito da DRJ, in verbis: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os autos de infração, às fls. 305/353, para exigência de crédito tributário decorrente do SIMPLES NACIONAL, relativo aos anos calendário 2007 e 2008, nos seguintes montantes, aí incluídos os juros moratórios e a multa de ofício calculados até 30/11/2010: IRPJ de R$ 56.112,78 (323/329), PIS/PASEP de R$ 5.987,36 (fls. 330/336), CSLL de R$ 93.818,82 (fls.337/344) e COFINS de R$ 84.039,38 (fls. 345/352). Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 305/309), que é parte integrante do Auto de Infração, a contribuinte foi autuada por omissão de receitas apurada a partir dos “Demonstrativos das AIDDP (Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas)”, autenticados pela Prefeitura Municipal de Manaus/SEMEF e encaminhados à DRF/Manaus, decorrente das vendas de ingressos dos eventos não escrituradas no Livro Caixa. A fiscalização se iniciou com a ciência da contribuinte do Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 02/03, por meio do qual foi instada a apresentar, relativamente aos anos calendário 2007 e 2008, os Livros Caixa ou Diário e Razão, Livro Registro de Apuração do ISS e contrato social e suas alterações, tendo sido reintimada a apresentar os elementos solicitados, por meio do Termo de Reintimação Fiscal, às fls. 04/05. Em 15/10/2009, a contribuinte apresentou resposta ao Termo de intimação, efetuando a entrega dos Livro Caixa, às fls. 06/34, contrato social e alterações, às fls. 35/49, e pedido de prorrogação de prazo para apresentação do Livro Registro de Apuração do ISS de janeiro a junho, o qual foi deferido e entregue em 04/12/2009, às fls. 52 e 97/128. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos de 04/02/2010, às fls. 53/55, a esclarecer a discrepância entre os valores das receitas decorrentes das vendas de ingressos nos eventos autorizados pela Prefeitura Municipal de Manaus, nos anoscalendário 2007 e 2008, e os valores oferecidos à tributação declarados na DIPJ e DCTF referentes ao 1º semestre de 2007 e nas DASN referentes aos períodos de julho/2007 a dezembro/2008, conforme “Demonstrativo de Receita Bruta Apurada”, elaborado com base nos documentos e relatórios encaminhados à DRF/Manaus pela Prefeitura Municipal de Manaus, às fls. 57/92, tendo a Fl. 666DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 contribuinte solicitado prorrogação de prazo para atendimento, que foi deferida, às fls. 93. Em resposta de 08/03/2010, às fls. 129/299, a empresa alega que as AIDDP’s não refletem a efetiva prestação dos serviços pela impugnante, não indicam as parcerias realizadas nos eventos e, especialmente, não consideraram as saídas – que se equivalem às cortesias – uma vez que, embora tenha havido a emissão dos ingressos, não houve a efetiva venda. Após análise dos esclarecimentos apresentados e no confronto entre os elementos obtidos junto à Prefeitura Municipal de Manaus e os Livro Caixa e Livro de Apuração do ISS, a fiscalização apurou omissão de receitas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e apurado nos autos de infração, às fls. 305/353. Cientificada do lançamento em 29/12/2010, conforme AR, às fls. 354, a empresa apresentou impugnação ao lançamento em 28/01/2011, às fls. 380/416, acompanhada dos documentos, às fls. 417/549, alegando, em síntese: A contribuinte foi intimada a esclarecer por quais razões não submeteu à tributação a totalidade das receitas percebidas com a venda dos ingressos de seus eventos,e face a exigüidade de prazo para fornecimento de documentos por se tratar de extensa e extemporânea documentação, solicitou prazo de vinte dias, tendo sido deferido quinze dias, sendo que em 15/10/2009 apresentou sua documentação contábil e em 08/03/2010, apresentou os esclarecimentos solicitados quanto à suposta divergência entre os valores contabilizados e a receita declarada. No entanto, o que se observará é que não houve qualquer intimação sobre o pedido de prazo para a entrega dos demais documentos, resumindose a fiscalização a solicitar apenas "esclarecimentos" de fatos jurídicos que não dizem respeito aos impostos de competência Federal, mas sim apenas relativos ao ISS, de nítida competência municipal. Transferir o ônus de prova à impugnante e sem, posteriormente, ter sido realizada qualquer intimação do contribuinte para contrapor ou mesmo para esclarecer fatos que demonstrassem a busca da verdade material por parte da fiscalização, só reforçam a nulidade instransponível havida com o lançamento ora impugnado, e neste sentido têm decidido as DRJ. Toda sistemática mencionada nos Acórdãos, especialmente quanto à comprovação dos atos de "investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária" não se encontram presentes no lançamento impugnado, o que necessariamente conduz à sua nítida nulidade, já que não houve a busca da "verdade material" ou mesmo de quaisquer outros sinais tão necessários à comprovação de qualquer omissão de receitas. Na análise dos relatórios enviados pela Prefeitura do Município de Manaus, a fiscalização não soube diferenciar a presunção Fl. 667DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.720911/201061 Acórdão n.º 1401001.126 S1C4T1 Fl. 4 5 legal – onde o ônus em se provar a ocorrência da hipótese de incidência passa a ser do contribuinte por força de Lei – da relativa, situação na qual este ônus permanece com a fiscalização, ou seja, o simples fato da impugnante não ter apresentado todos os documentos solicitados não cria situação jurídica suficiente a justificar a inversão do ônus da prova por um único fato relevante: não há qualquer previsão legal que autorize às Autoridades para tanto. Não há de se olvidar que os documentos de que se ressentem as Autoridades que presidiram esta fiscalização não foram entregues porque a impugnante, a despeito de ter solicitado mais tempo, não teve seu pedido sequer, analisado. Do histórico, já se notou que após os esclarecimentos prestados no Termo de intimação, a fiscalização simplesmente ignorou todos os argumentos relativos à inexistência de parte das receitas por parte da impugnante e, simplesmente, lançou todos os impostos com fundamento apenas e exclusivamente no total das AIDDP'S, ignorando totalmente as alegações da impugnante quanto ao fato de que estas não representavam a integralidade das suas receitas, já que outros parceiros tinham participação na receita bruta do evento. Todos os esclarecimentos foram ignorados e sequer a fiscalização empreendeu novas diligências para apurar o quanto esclarecido pela empresa e não se pode perder de vista que o simples cotejo entre os valores declarados em seus livros fiscais e os valores apurados por meio das AIDDP’s sejam hipóteses previstas na legislação e tidas como aptas a impor o ônus da prova, citando diversas decisões administrativas sobre o tema. É importante que se frise novamente que a única fundamentação do lançamento ora impugnado tratase do fato de a empresa Biribá Produções Artísticas LTDA ter figurado como solicitante perante a Prefeitura de Manaus, no que concerne à obtenção das AIDDP's. No entanto, com a mesma ênfase, é necessário reconhecer que jamais restou provado pela fiscalização que a totalidade dos recursos advindos com a venda de ingressos efetivamente representou integralidade de receitas à impugnante, como bem faz crer em seu lançamento. Ao contrário, a impugnante, durante a fiscalização fez prova de que grande do faturamento refletido nas AIDDP'as não lhe pertencia, informação que foi totalmente ignorada pela Fiscalização. Uma premissa é importante que fique desde já consolidada: os valores declarados ao Fisco pela impugnante existem, porém, em proporção diferente do quanto apurado em cotejo com as AIDDP's, pois, para fins de apuração da base de cálculo para o ISS sempre se terá o valor integral da venda de ingressos; todavia, para fins da base cálculo do IRPJ e demais tributos federais, deve ser verificado apenas o valor que concerne efetivamente ao seu faturamento, ou seja, a parcela pertencente à impugnante na totalidade dos ingressos, após a divisão das Fl. 668DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 verdadeiras sociedades que são constituídas para a realização de cada um dos eventos. Ou seja, jamais se tratou de hipótese de pagamento de serviços de terceiros, o que necessariamente induziria à conclusão de que todo o faturamento advindo com a venda das AIDDP'S pertenceu e ingressou no caixa da BIRIBÁ; ao contrário, sempre os eventos foram realizados em parceria, as quais tinham como origem o total de ingressos vendidos, justificandose assim o fato destes recursos não terem ingressado em sua totalidade para a impugnante. Para que se tenha melhor visualização dos motivos pelo qual o cotejo realizado pela fiscalização não se sustenta, é importante se avaliar a Legislação do Município de Manaus quanto à emissão destas autorizações, conforme o Decreto Municipal n°. 4.237, de 14.07.1998. A legislação do município de Manaus em pouco se difere das demais do Brasil e embora seja totalmente discutível a "venda de ingressos" como base imponível para o imposto sobre serviços, é importante se destacar, esta foi a única forma que as municipalidades encontraram para controlar estes eventos, a partir da eleição de apenas um contribuinte que, em via de regra, é aquele agente organizador, o qual geralmente tem sede na cidade e local do evento. todavia, a praxe deste mercado é muito peculiar, de forma que a organização do evento nunca aufere para si a integralidade das receitas com a venda de seus ingressos e novamente, exemplos de outros julgados dão conta de semelhante problemática. Dada a prática de mercado para divulgação dos eventos na mídia e o fato de que "patrocínio para divulgação" não necessariamente se converte em aporte financeiro para os eventos, comumente se percebe sorteios de ingressos para shows em jornais, rádios e demais meios de comunicação, os quais em uma via dupla auxiliam na publicidade de seus programas, na mesma medida em que permutam ingressos a serem distribuídos, sem que, para isso haja qualquer cessão de créditos ou fato imponível tributável. No entanto, conforme já destacado, a municipalidade somente admite que apenas 5% dos ingressos sejam desonerados do ISS a título de cortesia, porém, embora para fins deste imposto municipal, haja um limitador legal, o mesmo não ocorre para com a legislação federal. É importante também se ressaltar que esta divulgação que também não representa receita para a impugnante acaba sempre representando um custo na produção do evento que não necessariamente se reverte em uma fonte tributável. No caso da impugnante, Sabese que tanto o lucro presumido quanto o Simples Nacional devem ser determinados aplicandose os percentuais constantes da tabela do RIR conforme sua atividade, sobre a receita bruta de vendas de mercadorias e/ou produtos e/ou prestação de serviços, apurada em cada trimestre (arts. 518 e 519 parágrafo único, RIR/1999; arts. 3 o , §1° e 2 o , Fl. 669DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.720911/201061 Acórdão n.º 1401001.126 S1C4T1 Fl. 5 7 36,1, da IN SRF n° 93/1997; e Manual de Instruções da DIPJ/2005). Porém, este os critérios para determinação da receita bruta e exclusões são estabelecidos em lei e o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no Sistema Tributário Brasileiro, está vinculado a duas premissas elementares, quais sejam, o acréscimo patrimonial e a disponibilidade econômica ou jurídica desse patrimônio e caminha nessa mesma linha a apuração do PIS e COFINS no regime cumulativo, aplicável à impugnante. logo, como a base de cálculo para IRPJ/CSLL/PIS/COFINS das empresas optantes do regime do lucro presumido é o faturamento bruto/receita de vendas, tudo o que não for enquadrado como receita/faturamento deve ser excluído da base de cálculo destes impostos, sendo certo que os valores apurados a partir das AIDDP's não representa a verdadeira receita desta impugnante. O mercado de eventos, ao menos nas regiões Norte e Nordeste, desperta uma prática de atividade ímpar, pois raras são as vezes em que uma empresa de eventos realiza um show sozinha, sem contar com a parceria de outras do ramo ou mesmo com a parceria da própria banda que realiza os shows. Estas parcerias, que geralmente tiveram a mesma base de cálculo das AIDDP's, representam verdadeira partilha de receitas, que devem ser confrontadas isoladamente para cada um daqueles que as percebeu, tudo de forma a refletir a "verdade material" dos fatos imponíveis, relativos às contribuições e impostos federais, condições estas tão essenciais à comprovação da omissão de receitas diante da legislação aplicável. O só fato de ser a impugnante optante do lucro presumido não faz com que o lançamento seja com base no informado nas AIDDP's. A verdade retratada pela AIDDP é que a impugnante solicitou a impressão dos ingressos,e ficou responsável pelo pagamento destes perante a Prefeitura de Manaus, sendo os valores informados nas AIDDP' mera presunção e como visto o lançamento por omissão de receita não admite presunções. Confirmam estas parcerias, os contratos em anexo já relacionados acima, os quais servem de exemplo do quanto aqui alegado, fazendo prova contrária da incorreta apuração de receitas omitidas por parte da fiscalização. logo, vêse, nitidamente, que a base cálculo para IRPJ e dos demais impostos e contribuições federais jamais poderia ter sido o faturamento informado pela Prefeitura de Manaus, mas sim terem sido empreendidas diligências suficientes a se apurar a real receita obtida pela impugnante em cada evento, apuração esta que não foi realizada em nenhum momento pela Fiscalização. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 A legislação que disciplina o processo administrativo tributário federal indica o momento da realização do ato constituidor do crédito como o apropriado para a apresentação das provas pela Administração, de modo que, esclarecem Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, "não cabe à autoridade fiscal, após a interposição da impugnação pelo contribuinte, suprir deficiências probatórias do lançamento com a apresentação de novos elementos". Do exposto, decorre a conclusão de que, sendo o lançamento ou o ato administrativo de aplicação de penalidade realizados sem respaldo em provas estão, portanto, viciados na motivação, sendo imperativa sua retirada do ordenamento jurídico pela autoridade competente. Ainda que depois de instalado o processo administrativo tributário venham a ser colacionadas provas capazes de constituir o fato jurídico ou o ilícito tributário, tal procedimento não supre a invalidade que afeta o ato, pois se trata de vício na estrutura interna, de natureza não convalidável. A instrução, realizada no corpo do processo instaurado por ocasião da impugnação do contribuinte, voltase tão somente ao convencimento do julgador sobre pontos contraditados pelo particular, não servindo para preencher eventual ausência de comprovação do fato que serve de suporte à exigência ou autuação fiscal. Como inexiste a comprovação da verdade material concernente à omissão de receitas, inconsistente o lançamento por expressa violação aos artigos 112, 142 todos do CTN, e quanto ao artigo 10, do Decreto n° 70.235/72. Sabese que o O ECAD calcula os valores que devem ser pagos pelos usuários de música de acordo com os critérios do Regulamento de Arrecadação desenvolvido pelos próprios titulares, através de suas associações musicais. O valor a ser pago é calculado sempre em função do parâmetro físico ou de percentual incidente sobre a receita bruta. Notase que a legislação relativa aos direitos autorais traz duas informações importantes: admite um percentual de 10 % de ingressos de cortesia; e, também cobra seus direitos sobre percentual da receita bruta dos eventos. logo, se o objetivo do lançamento tinha como premissa uma apuração indireta por meio das AIDDPs, no mínimo um cotejo com os valores recolhidos ao ECAD deveriam ter sido feito, o que não o ocorreu no caso concreto e desta sorte, ratificase a necessidade do reconhecimento de nulidade do auto em face da incorreta apuração de sua base de cálculo. Quanto ao período de apuração setembro/08 e outubro/08, conforme se observa na autorização de emissão das AIDDP’s em anexo, o único grande evento que a impugnante realizou foi o show Scorpions, realizado na arena Amadeu Teixeira, em Manaus. No entanto, em vez deste ter sido contabilizado em setembro/08, acabou por ser contabilizado em outubro do mesmo ano, Fl. 671DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.720911/201061 Acórdão n.º 1401001.126 S1C4T1 Fl. 6 9 oportunidade em que foram recolhidos os impostos relativos ao Simples Nacional. Sendo assim, embora não concordando com o lançamento realizado, devese, no mínimo, retificálo para excluir de sua base de cálculo a duplicidade de crédito tributário relativo ao período de setembro/08. A solução do caso demanda ainda, aplicar os princípios próprios à Administração Pública, em especial os da razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e capacidade contributiva. As questões postas são claras a demonstrar que, no caso concreto, o lançamento não pode ser válido, se não há provas de acréscimo patrimonial e disponibilidade de bens equivalentes aos documentos fornecidos pela Prefeitura de Manaus, que serviram para lavratura do auto, tampouco da omissão de receitas na mesma proporção das mencionadas AIDDP's. demonstrase isso com os anexos extratos bancários, os quais indicam a real movimentação financeira da Impugnante no mesmo período. O ato praticado corresponde à tributação sobre base fictícia, sem a menor possibilidade de corresponder à realidade patrimonial da impugnante. Por conseqüência, o caso tem relação direta com o princípio da proporcionalidade, pelo qual a Administração deve equilibrar os fundamentos de sua prática com os resultados a serem alcançados, evitandose excessos e privilegiando a compatibilidade entre os meios e os fins de sua atuação. A atuação administrativa está sujeita não só à legalidade formal, mas também a sua adequação à verdade dos fatos, com o fim de configurar o que se denomina legalidade substancial, que procura adequar a lei ao caso concreto, de maneira justa e razoável, sem a pretensão de revogar a respectiva norma. A legalidade substancial consiste no denominado princípio da verdade material, pelo qual não cabe à Administração se conformar com o texto da lei, mas sim buscar todos os elementos que concluam a verdade dos fatos. Por essas premissas, temse a necessidade de investigação dos dados esclarecidos nesta defesa, através do deferimento das provas solicitadas em tópico próprio, afastando, assim, a manutenção do auto, circunstância essa que representará a falência da impugnante. Em relação à capacidade contribuitiva, recorda se os elementos já discutidos nesta peça, a fim de evidenciar a inadequação e a insustentabilidade do auto lavrado: a) insuficiência das informações lançadas nas AIDDP's para lavratura do auto de infração; b) inexistência de acréscimo Fl. 672DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 patrimonial, a partir dos documentos fiscalizados; c) inexistência de disponibilidade econômica ou jurídica de bens equivalentes à movimentação financeira fiscalizada; d) inexistência de sinais exteriores de riqueza, capazes de validar a omissão de receita sustentada no auto. Alega ainda a ausência de requisitos para agravamento da multa em 75% pelo fato de as informações necessárias ao lançamento já estarem disponíveis ao Fisco desde 2007, sendo assim, o não atendimento das alegadas intimações não prejudicou em nenhum momento o lançamento. Entende que o art. 150, IV da CF/88 deve ser aplicado às multas, que não podem ser aplicadas com efeito de confisco, em decorrência do art. 5º, XXII, DF/88, o qual estabelece o “direito fundamental a propriedade”, e, portanto, se irradia por todo o sistema jurídico. Os resultados que as pessoas físicas ou jurídicas geram, mediante seu trabalho, que nada mais são do que manifestações da propriedade destas, não devem ser, abusivamente, apropriados pelo Fisco, nem mesmo nos casos da aplicação de multas tributárias, não sendo sua função arruinar ou colocar em dificuldades as atividades dos contribuintes. As decisões dos Tribunais tem sido de reconhecimento da aplicação dos Princípios do Não Confisco e da Razoabilidade nas multas tributárias, razão pela qual solicita a redução da multa para 20% e a aplicação do art. 112 do CTN, tendo em vista, especialmente, a ausência de elementos suficientemente robustos e necessários à comprovação do lançamento, nos moldes como foi realizado. Caso não se concorde com a tese relativa à nulidade do auto de infração, a impugnante passa a apresentar um pedido alternativo, com base nos princípios da verdade material, da concentração de defesa, do contraditório, que consiste na baixa do processo para a realização de diligências, com o fim da fiscalização avaliar cada evento mencionado no auto de infração, no sentido de apurar a real receita da impugnante em cada um daqueles, e assim formar a base de cálculo que de fato se adeque à realidade dos fatos e ao objeto da fiscalização, sob pena de ser mantida uma tributação irreal, capaz de promover a falência da impugnante. Cabe destacar que tal medida não poderá ser indeferida, sob a justificativa do contribuinte impugnar especificamente o lançamento na presente defesa, vez que o caso não comporta a inversão do ônus da prova, que cabe especificamente à fiscalização, como já abordado nos tópicos anteriores. Na mesma oportunidade, poderá ser analisada a movimentação financeira, expressa nos extratos bancários anexos, seja para evidenciar a razoabilidade da receita já declarada pela impugnante, seja para demonstrar a desproporcionalidade do montante considerado pela fiscalização como omisso e expresso no auto combatido. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.720911/201061 Acórdão n.º 1401001.126 S1C4T1 Fl. 7 11 Posto o feito em julgamento, a DRJ do Pará entendeu por bem negar provimento ao recurso, tendo a decisão sido assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R P J Anocalendário: 2005, 2006 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. PROVA. As declarações oferecidas pelo sujeito passivo ao ente tributante gozam de presunção de veracidade, podendo serem utilizadas na apuração da obrigação tributária de competência de outro ente, salvo se restar comprovada sua inveracidade. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. Em sede de recurso, a Recorrente reiterou as razões de impugnação. É o relatório. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR O presente Recurso Voluntário, em suma, reitera as razões apostas na impugnação julgada pela 1ª Turma da DRJ de Belém/PA, e alega, de início, a inocorrência do fato imponível que dê subsídio à lavratura do auto de infração e lançamento do crédito tributário em discussão. Sem razão a Recorremte. Isso porque, como optante do regime de Simples Nacional, basta ao Fisco identificar a receita operacionalizada pelo recorrente, e assim apontar se houve ou não a omissão. Demais disso, todas as diligências realizadas, bem como os documentos, mais precisamente as movimentações bancárias, apontam a existência de receita não tributada, o que enseja a ocorrência do fato imponível e a correta atuação do Fisco. Afasto, assim, o argumento. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA O Recorrente, em suas razões, afirma que a atuação do Fisco, por meio da lavratura do auto de infração, inverteu o ônus probatório, e, deste modo, incumbiu o contribuinte a comprovar sua regularidade fiscal. Alega também que a atuação fiscal foi irregular sob o argumento de que o lançamento foi feito com base em indícios. Não há que se falar em inversão de ônus probatório, vez que a autoridade fazendária está investida do poder de polícia, e assim, de forma vinculada, tem o dever legal de fiscalizar e autuar contribuintes em situação de irregularidade. O Recorrente foi intimado a apresentar os documentos hábeis a comprovar sua regularidade fiscal e assim o fez, de maneira que este próprios documentos subsidiaram o auto de infração lavrado pelo Fisco Federal. Descabido o argumento do Recorrente, vez que é obrigação acessória do contribuinte escriturar livros contábeis e ofertar receita à tributação, de modo que a atuação do Fisco é necessária somente perante casos em que há indícios de irregularidades fiscais, de modo que não há que se falar em inversão do ônus probatório. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.720911/201061 Acórdão n.º 1401001.126 S1C4T1 Fl. 8 13 Mais uma vez, assim, afastase seus argumentos. VINCULAÇÃO DAS AIDDP’S PARA COBRANÇA DE TRIBUTOS FEDERAIS O Recorrente também alega impossibilidade de se apurar a receita, para fins de cobrança de tributos federais, a partir do uso de documentos atinentes à legislação municipal, notadamente as AIDDPs. Razão não assiste em seus argumentos vez que inexiste vedação para tributação federal com base em documentos de outra unidade federativa. Ademais, como bem ressaltado pela DRJ, os documentos públicos gozam de presunção de legitimidade, e não existem elementos que induzam ao entendimento de que as AIDDPs são inidôneas para aferir a receita omitida pelo Recorrente. Ainda, por serem os únicos elementos que comprovam a receita do recorrente, o Fisco Federal se vincula às informações informadas para fins de tributação de ISS com base na venda de ingressos para eventos, e assim demonstrase clara a existência de receita passível de tributação. Em sede de recurso voluntário é trazido o argumento com fins de excluir da base de cálculo do lançamento os valores repassados a terceiros e os ingressos entregues a título de cortesia. Contudo, basta uma mera análise dos autos para que se verifique a acertada atuação do Fisco. Muito embora o Recorrente use como fundamento que repasses feitos a terceiros eram realizados com base em porcentagem das receitas auferidas na venda dos ingressos vendidos, não houve prova alguma nesse sentid. Ao contrário, o Recorrente, trouxe aos autos contratos de prestação de serviço, que demonstram tão somente que os repassasses se enquadram como custo operacional para a realização da sua atividade. Os contratos celebrados com o Studio 5 v.g., deixam claro que o objeto contratual é a locação dos estabelecimentos onde os eventos aconteciam. Portanto, não há razão nos argumentos que pretendem excluir da base tributável o montante pago a terceiros. No que diz respeito às cortesias, a argumentação se fundamenta no caráter não oneroso da cessão dos ingressos. Noutro norte, a título de recolhimento de ISS, o Recorrente não contabilizou os valores dos ingressos cedidos a título de cortesia, inclusive faz citação à legislação municipal que limita em 5% das entradas para fins de tributação de ISS, e confessa ter ultrapassado a limitação imposta pelo município. O próprio recorrente informa ao Fisco Municipal que não auferiu receita com as cortesias, de modo que elas não integraram a base de cálculo do ISS. Em via oposta, omite do Fisco Federal as receitas auferidas com as vendas dos ingressos. Não restou outra alternativa à autoridade fiscal senão valerse, por meio de diligências, apurar o valor recolhido em tributo municipal, as AIDDPs e lavrar o auto de infração recorrido. Importante frisar que o número de cortesias cedidas informado pelo contribuinte não compõe a base de cálculo do lançamento, de maneira que deve ser mantido o acórdão da DRJ. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 MULTA CONFISCATÓRIA Outro fundamento levantado nas razões de recurso é o caráter confiscatório da multa aplicada no auto de infração. Sabese que a atividade administrativa atua de forma vinculada, razão pela qual a multa não é discricionária, mas de ofício. Em acordo com os montantes omitidos a tributação e o faturamento apurado do Recorrendo, tenho como razoável e proporcional a multa aplicada. Não merece acolhida o pleito formulado pelo Recorrente quanto à sanção aplicada. DA CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 677DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720754/2011-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/03/2007 a 30/06/2007, 10/01/2008 a 31/03/2008, 01/04/2008 a 30/06/2008, 10/07/2008 a 30/09/2008, 01/10/2008 a 31/12/2008, 01/01/2009 a 31/03/2009, 01/04/2009 a 30/06/2009, 01/07/2009 a 30/09/2009, 01/10/2009 a 31/12/2009
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Inteligência da Súmula CARF 02
Numero da decisão: 1803-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmem Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Marcelo de Assis Guerra (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Inteligência da Súmula CARF 02 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Marcelo de Assis Guerra (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 07 54 /2 01 1- 17 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10467.720754/201117 Acórdão n.º 1803001.807 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso designado como “manifestação de inconformidade”, fls. 469/496, interposto aos 11/10/2011 pela contribuinte em epígrafe em face dos autos de infração de fls. 431/443 e 444/451, lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB e de que a contribuinte tomou ciência aos 16/09/2011 (fls. 432 e 445), por intermédio dos quais são exigidos, respectivamente, valores a título do IRPJ (lucro presumido) e da CSLL. Além disto, por meio do auto de infração de fls. 431/443 também é exigida multas regulamentares, nos montantes de R$ 1.000,00 e de R$ 3.000,00, em razão de : (i) constatação de incorreções e omissões nas DIPJ dos exercícios de 2009 e de 2010; e (ii) apresentação das DCTF do 2º semestre de 2006, dos 1º e 2º semestre de 2007, do 1º semestre de 2008 e dos 1º e 2º semestres de 2009 com informações inexatas, incompletas ou omitidas. Devidamente notificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação sustentando em síntese de que é detentora de decisão judicial onde foi reconhecido o direito recolher a COFINS observandose a base de cálculo prevista no art. 2º da Lei Complementar nº. 70/91, no período de 1º de fevereiro de 1999 a 01/04/2004. Nesse sentido, entende que faz jus à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 66, da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, c/c o art. 74, da Lei nº 9.430/96. Ademais, sustenta que a aplicação da multa do percentual aplicado viola o Princípio da Razoabilidade, da Proporcionalidade, da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Em sede de cognição ampla, a DRJ refutou os argumentos da empresa impugnante sob o fundamento de que a parte dispositiva da sentença que concedeu a segurança apenas autorizou a compensação após o trânsito em julgado da decisão, condição essa que até o presente momento não se implementou. Por fim, consta dos fundamentos da r. decisão recorrida que a penalidade deve ser mantida, uma vez que não compete aos órgãos administrativos de julgamento efetivar o controle de constitucionalidade dos enunciados normativos que embasam a penalidade exigida. Inconformada com a decisão a empresa interpõe Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos lançados na oportunidade da impugnação. É o relatório. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10467.720754/201117 Acórdão n.º 1803001.807 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o recurso por tempestivo e próprio. A questão devolvida para análise desse colegiado deve ser analisado nos moldes da decisão judicial que declarou o direito da recorrente de compensar a quantia indevidamente recolhida a título de COFINS. Pois bem, conforme consta dos fundamentos do acórdão proferido pelo E. TRF da 5a Região, cuja decisão confirmou a sentença mandamental, o direito a compensação apenas pode ser efetivado após o trânsito em julgado da decisão. E, conforme consta dos fundamentos da r. decisão recorrida, quando do lançamento efetivado não havia ainda sido transitada a sentença, motivo pelo qual, cai por terra o argumento efetivada pela empresa Recorrente. Por outro lado, em nenhum momento a decisão judicial impediu que a autoridade fiscal viesse a constituir o crédito tributário objeto da presente análise. Portanto, mantenho a decisão nesse particular. No tocante o argumento de que a legislação que respalda a imposição da penalidade viola os princípios constitucionais da razoabilidade, não confisco e capacidade contributiva, temse que à luz da súmula CARF 02 abaixo reproduzida é defeso a esse colegiado efetivar o controle de constitucionalidade da legislação tributária, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” . Em virtude do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 760DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10467.720754/201117 Acórdão n.º 1803001.807 S1TE03 Fl. 5 4 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10380.003860/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/07/2007
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART, 41 DA LEI Nº 8.212, EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA, POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO.
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991, entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei nº 11.941 de 2009.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei nº 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Numero da decisão: 2301-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzales Silvério e Daniel Mendes Melo Bezerra .
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/07/2007 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART, 41 DA LEI Nº 8.212, EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA, POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991, entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei nº 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei nº 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzales Silvério e Daniel Mendes Melo Bezerra .
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Descumprimento de obrigação acessória. Retroatividade benigna. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ANTONIO EDNARDO BRAGA LIMA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/07/2007 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART, 41 DA LEI Nº 8.212, EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA, POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991, entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei nº 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei nº 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 38 60 /2 00 8- 97 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzales Silvério e Daniel Mendes Melo Bezerra . Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.147.6640, o qual exige multa uma vez que o autuado não informou ao INSS os dados cadastrais e as remunerações pagas aos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, por meio das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. Conforme o Relatório Fiscal “segundo dispõe a Lei nº 8.212/91 em seu art. 41 e o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, em seu artigo 289: ‘O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento’”. Assim, ainda de acordo com o Relatório Fiscal, “a auditoria, procedendo ao exame dos documentos apresentados, verificou que durante o período de inobservância da legislação previdenciária exercia o cargo de Prefeito do Município a senhor ANTONIO EDNARDO BRAGA LIMA, sendo desta forma lavrado o AutodeInfração em seu nome, visto não ter sido apresentado nenhum documento que delegasse a competência para elaboração da GFIP”. O autuado apresentou impugnação solicitando o cancelamento do Auto de Infração em virtude da correção da obrigação apurada ou a relevação da multa. A DRJ de Fortaleza acolheu em parte a impugnação apenas para retificar o montante da multa apurado no lançamento. A Fazenda recorreu de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991. Entretanto, tal dispositivo fora revogado por meio do art. 79 da Lei nº 11.941 de 2009: “Art. 41 O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, .sendo obrigatório o respectivo Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10380.003860/200897 Acórdão n.º 2301004.148 S2C3T1 Fl. 298 3 desconto em )(Olha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição (Revogado pela Lei n" 11.941, de 2009) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a Lei nova deverá retroagir e ser aplicada a ato ou fato pretérito, na hipótese de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração, verbis: “Art 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à inflação dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Corroborando com entendimento aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL MULTA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, “C”, DO CTN 1 A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN Precedentes. do STJ 2 Agravo Regimental não provido. (ST1 AgRgREsp 922.984 (2007/00234572) 2"T. Rei Min. Herman Benjamin DJe 11 03.2009 R 309) ** “TRIBUTÁRIO MULTA ART 61, DA LEI N" 9.430/96 PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR 1 A fatio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2 A Lei que determina a multa pelo não Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 'recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedandose, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica (Lex Mitior), 3 In casa, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei n" 9,430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no ar!, 106, inc. II, letra em se tratando de norma punitiva, aplicase a legislação vigente no momento da infração. 4 O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei a" 9 430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. .5 A redução da multa aplicase aos fatos futuros pretéritos por força do principio da retroatividade da lex mitior consagrado no art.106 do CTN 6 Agravo regimental desprovido (STI AgRgAI 902 697 (2007/01371341) Rel. Min. Luiz Fuv Ene 19 06 2008 p 153)” Desta feita, entendo que se aplica ao presente caso o disposto no art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. Ademais, a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212, pela Lei nº 11.941/2009, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o capta do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Lei nº 11.941/09 deixou de definir o ato como infracional. Basta uma análise singela: caso a fiscalização fosse autuar o agente público, na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo em função justamente do art. 79 da Lei nº 11.941 de 2009. Assim, em relação ao dirigente, a referida Lei é, sem dúvida, mais benéfica. Se antes a autuação era em nome do dirigente, após a vigência da Lei nº 11.941/09 não cabe tal autuação. Além do mais, a Lei nº 11.941/09 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. Pelo exposto, VOTO por CONHECER o recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10380.003860/200897 Acórdão n.º 2301004.148 S2C3T1 Fl. 299 5 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007163/2004-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
INTIMAÇÃO/NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE.
Quando resultar improfícua a ciência pessoal ou por via postal, a intimação poderá ser feita por edital, publicado em dependência da repartição, franqueada ao público.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE.
Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38 - Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. (Súmula CARF nº 30, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
Sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN.
RO Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, acordam em afastar as preliminares e, no mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso, para: a) excluir da base de cálculo do imposto devido os valores de R$ 186.215,98, R$ 204.268,00 e R$ 36.100,00, nos anos-calendário 1999, 2000 e 2001, respectivamente; b) reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e c) determinar que os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício não deve exceder ao percentual de 1% ao mês. Vencido os Conselheiros Bernardo Schmidt e José Raimundo Tosta Santos que mantinham a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício lançada.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura. Ausente momentaneamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 INTIMAÇÃO/NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE. Quando resultar improfícua a ciência pessoal ou por via postal, a intimação poderá ser feita por edital, publicado em dependência da repartição, franqueada ao público. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38 - Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. (Súmula CARF nº 30, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. RO Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 5.170 1 5.169 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007163/200436 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2102003.146 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de novembro de 2014 Matéria IRPF Depósitos bancários Recorrentes DEMETRIUS ELI MODOLO DE SOUZA DIAS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 INTIMAÇÃO/NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE. Quando resultar improfícua a ciência pessoal ou por via postal, a intimação poderá ser feita por edital, publicado em dependência da repartição, franqueada ao público. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38 Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 71 63 /2 00 4- 36 Fl. 5177DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.171 2 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. (Súmula CARF nº 30, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. RO Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 5178DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.172 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, acordam em afastar as preliminares e, no mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso, para: a) excluir da base de cálculo do imposto devido os valores de R$ 186.215,98, R$ 204.268,00 e R$ 36.100,00, nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, respectivamente; b) reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e c) determinar que os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício não deve exceder ao percentual de 1% ao mês. Vencido os Conselheiros Bernardo Schmidt e José Raimundo Tosta Santos que mantinham a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício lançada. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura. Ausente momentaneamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra DEMETRIUS ELI MODOLO DE SOUZA DIAS foi lavrado Auto de Infração, fls. 05/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 1999 a 2001, exercícios 2000 a 2002, no valor total de R$ 120.893.260,00, incluindo multa de ofício agravada e qualificada, no percentual de 225%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 787/798, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A multa de ofício foi aplicada na sua forma majorada e qualificada, no percentual de 225%, pelas seguintes razões extraídas do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 5179DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.173 4 DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE 20) Em 06/10/2004 e 26/11/2004, conforme consta no item 13 (DOS FATOS / DA AÇÃO FISCAL), acima referido, o contribuinte fora intimado e reintimado dentre outras a comprovar as origens dos depósitos bancários mediante documento hábil, não atendendo a solicitação, mesmo após a postergação de prazo requerida. Ressaltase que tal prática se alinha em relação ao Termo de Início de Fiscalização, quando em resposta a referido Termo, tenta invocar preceitos Constitucionais para não apresentação ou atendimento das solicitações nele contido; 21) Em vista deste fato, conforme dispõem as Leis n° 9.430/96, art. 44, parágrafo 2º e n° 9.532/97, art. 70, inciso I, que prevê que no caso de não atendimento pelo contribuinte, no prazo marcado, em intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos serão agravadas. Sendo assim toda omissão de receitas com base na comprovação das origens dos valores creditados/depositados nas contas correntes do contribuinte terão suas penalidades agravadas. MAJORAÇÃO DAS PENALIDADES NOS CASOS DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE 22) Tornase evidente o intuito de fraude constatado no presente procedimento fiscal e está caracterizado, conforme os fatos abaixo a serem descritos, pela prática sistemática e reiterada adotada pelo contribuinte em omitir receitas ao Fisco em todos anos calendário fiscalizados. 22.1 É claro e evidente o intuito doloso do contribuinte no sentido de impedir, ou ao menos entravar temporariamente, o alcance, por parte desta fiscalização, às infrações tributárias praticadas sistemática e reiteradamente no período de 01/01/99 a 31/12/2001, o qual sucessivamente se valeu de artifícios protelatórios, para ocultar a realidade dos rendimentos auferidos, uma vez que havia oferecido à tributação, através Declarações de Rendimentos de DIRPF, valores muito inferiores aos realmente devidos ao Fisco Federal, considerando os estapafúrdios montantes de depósitos apurados em suas contas bancárias; 22.2 Desde o início da ação fiscal, o contribuinte, sempre representado por seus procuradores, tentou embaraçar, ou no mínimo atrasar o bom andamento desta fiscalização, invocando o direito Constitucional do sigilo bancário; 22.3 Posteriormente, diante da possibilidade de ser lavrado Termo de Embaraço, passou então a adotar outra estratégia: atender as solicitações da fiscalização ainda que parcialmente; 22.4 Porém, quando efetivamente fora intimado a comprovar a origem/motivação de cada depósito apurado Fl. 5180DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.174 5 em suas contas bancárias, uma vez que, não apresentou resposta aos Termos lavrados em 06/10/04 retornando a postura praticada no início desta ação fiscal; 22.5 Então, em última tentativa, foi dada a oportunidade ao contribuinte de apresentar as comprovações pendentes, quando foi lavrado novo Termo de Intimação e Constatação Fiscal em 26/11/2004; 22.6 Para surpresa desta fiscalização, o contribuinte selou por vez sua conduta em não colaborar: não atendeu a solicitação, permanecendo apenas suas alegações evasivas anteriores, sem apresentar qualquer prova de extravio dos livros/documentos que pudesse justificar a reiterada recusa da sua exibição; 23) Concluindo, em função dos fatos acima descritos, não deixa dúvida a esta fiscalização quanto à intenção do contribuinte em fraudar o Fisco Federal, onde tal prática abrangeu não apenas um mês, mas todo o período auditado, não comprovando a origem dos depósitos bancários, estando portanto, enquadrado na situação prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, pela prática prevista no art. 71 da Lei n° 4.502/64. implicando na majoração da multa de ofício para 150%; Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 808/855, e a autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência, Resolução DRJ/SPO II nº 00431, de 03/02/2005, fls. 2787/2791, nos seguintes termos: 1. Fornecimento de cópia ao Impugnante da representação fiscal de 20/06/2003 citada em fl. 782, com as devidas cautelas quanto ao sigilo fiscal de outros contribuintes eventualmente citados nos documentos. 2. Intimação do impugnante para apresentar: 2.1. As provas que entenda necessárias, especialmente aquelas que faz referência no item 3.4 da Impugnação, fl. 824; 2.2. A relação completa das empresas que efetuaram depósitos em sua(s) conta(s) bancária(s) no período de jul/99 a dez/2001; 2.3. A relação completa das empresas para as quais emitiu cheques e/ou efetuou depósitos no período de jul/99 a dez/2001, identificando os respectivos cheques e depósitos; 3. Juntada do comprovante de recepção das informações bancárias recebidas do Banco do Brasil; 4. Diligências junto a todas as empresas que receberam cheques e/ou depósitos do impugnante e que são citadas em fls. 825/829, nas folhas do livro caixa contidas nos documentos de fls. 851/2165 e na relação fornecida em resposta ao item 2.3 anterior para: Fl. 5181DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.175 6 4.1. Informarem se, de fato, receberam os cheques citados pelo impugnante; 4.2. Informarem, em caso positivo, a que título foram feitos tais pagamentos e se o impugnante agia em nome próprio ou de terceiro, pessoa física ou jurídica; 4.3. Caso os cheques e/ou depósitos sejam destinados a pagamento de combustíveis e/ou outras mercadorias, enviarem cópias das notas fiscais que deram sustentação às operações e informarem os endereços para os quais as mercadorias eram remetidas: 5. Diligências junto a todas as empresas que emitiram cheques e/ou efetuaram depósitos para o impugnante e que são citadas em fls. 824/840 e na relação fornecida em resposta ao item 2.2 anterior para: 5.1. Informarem a que título foram feitos tais pagamentos; 5.2. Enviarem cópias de documentos e escrituração fiscal que dão sustentação às operações eventualmente informadas em resposta ao item 5.1; 5.3. Informarem se o contribuinte agia em nome próprio ou de terceiro, pessoa física ou jurídica; 6. Análise da autoridade fiscalizadora se o caso enseja ou não a revisão de ofício prevista no art. 149, VIII do CTN c/c art. 18, §3º do Decreto 70.235/72, no sentido de adequar o lançamento a todas as diligências e provas juntadas aos autos e/ou ao disposto no art 150, §1º,. inciso II do RIR/99 e/ou ao art 150, §2°, incisos II e III do RIR/99: e/ou ao disposto no art. 42, § 1° e §4º da lei 9.430/96, com respectivas providências, se for o caso; No caso de não ser feita a revisão de ofício: 7.1. Manifestação da autoridade fiscalizadora quanto à impugnação do contribuinte de fls. 804/850 especialmente quanto aos itens 3.8 a 3.13. fls. 840/846, da referida peça quanto aos documentos já juntados de fls. 851/2165 e quanto aos documentos obtidos pelas diligências dos itens 2, 4 e 5. 7.2. Intimar o impugnante a apresentar aditamento à sua impugnação no prazo de 30 (trinta dias) dias, conforme previsto no art. 18, § 3º do Decreto 70.235/72, em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa, 7.3. Retorne os autos a esta DRJ/SPII para análise e posterior julgamento. Realizada a diligência, a autoridade fiscal se pronunciou, conforme Termo de Encerramento – Diligência Fiscal, fls. 4964/4996, e o contribuinte apresentou aditamento da impugnação, fls. 5002/5019. Fl. 5182DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.176 7 Seguiuse o julgamento de primeira instância, Acórdão DRJ/SPOII nº 17 30.855, de 01/04/2009, fls. 5033/5070, julgandose procedente em parte o lançamento, para reduzir o imposto devido para R$ 27.160.219,36 e reduzir o percentual da multa de ofício de 225% para 112,5%. Da referida decisão recorreuse de ofício, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF n 3, de 03 de janeiro de 2008. Cientificado da decisão de primeira instância, por edital, fls. 5079, afixado em 11/05/2009, o contribuinte apresentou, em 25/06/2009, recurso voluntário, fls. 5088/5162, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Preliminarmente: Nulidade da Intimação – Cerceamento ao direito de defesa – É nula a intimação que cientificou o contribuinte, por edital, da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, posto que somente teve um dia para preparar o recurso voluntário, sendo importante observar que a ciência por via postal foi encaminhada para endereço antigo, posto que o recorrente informou seu novo endereço na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2009, anocalendário 2008, cuja cópia segue anexa ao recurso. Do sigilo bancário e da utilização dos extratos O Auto de Infração é imprestável, posto que baseado em prova ilícita. É indubitável que à época do fato gerador a quebra do sigilo bancário era exclusivamente reservada ao Poder Judiciário. A Lei Complementar nº 105, de 2001, e a Lei nº 10.174, de 2001, não autorizam o agente fiscal a ter acesso às informações bancárias do contribuinte nos anos de 1999, 2000 e parte de 2001. A RMF foi expedida sem que houvesse qualquer recusa ou embaraço do fiscalizado, na vigência de prazo concedido pela própria fiscalização para que o próprio contribuinte providenciasse as cópias dos seus extratos bancários. A autoridade fiscal utilizou as informações bancárias sem demonstrar porque as considerava “indispensáveis”, sem tipificar em qual das 11 hipóteses do Decreto nº 3.724, de 2001, enquadravase o contribuinte autuado. Em 24/09/2004 o fiscalizado apresentou os extratos do Banco do Brasil, que foram anexados às fls. 32/262 (230 páginas). Portanto, é nulo o procedimento de expedição de RMF, quebrando o seu sigilo em data posterior (14/10/2004), o que contamina de igual nulidade o lançamento, além de ser prova suficiente para afastar a falsa acusação de embaraço à fiscalização, do qual resultou indevida majoração da multa agravada. Erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador – A despeito de embasar o lançamento exatamente no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o agente fiscal trabalhou com o caput do artigo, desprezando seus parágrafos. Imprestável o lançamento tributário que fincou um único fato gerador em 31/12 para todos os supostos rendimentos omitidos, tendo por vencimento da obrigação a data de 28/04, quando a lei determina que esses rendimentos sejam tributados no mês em que considerados recebidos. Da imprestabilidade do lançamento: Decadência – É imperativo que se reconheça que decaiu o direito de o Fisco constituir crédito tributário sobre os depósitos bancários efetuados no período de janeiro a novembro de 1999, por força da regra contida no artigo 150, § 4º, do CTN. Os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos – A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, colide com as Fl. 5183DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.177 8 diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre o depósito bancário e o rendimento omitido não havia, necessariamente, nexo causal, significando, portanto, que essa presunção não está estribada na experiência dos fatos segundo a ordem natural das coisas. Inexistência de acréscimo patrimonial atestada pelo Fisco – A autoridade fiscal atestou a inexistência de acréscimo patrimonial. Assim, exigese a desqualificação do precipitado lançamento tributário, mediante cancelamento do Auto de Infração Depósitos bancários tem origem no exercício de atividade empresarial, previamente informada à Fiscalização Há nos autos robustas provas de que a movimentação financeira efetivada nas contas bancárias do recorrente são provenientes da intermediação de compra e venda de combustível por conta própria, sendo certo que outras provas foram produzidas durante a diligência fiscal, cujos resultados foram menosprezados e até negados pela autoridade fiscal ao fim dos trabalhos. Da dispensa de comprovação de pequenos depósitos – A autoridade autuante, desconsiderando o disposto no art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, incluiu valores inferiores R$ 80.000,00, os quais devem ser desconsiderados. Desconsideração das sobras de recursos dos meses anteriores – O CARF já decidiu que as sobras de recursos de um mês deverão ser aproveitadas para justificativa de valores do mês subseqüente. Microfilmes de cheques e Livro Caixa provam exercício da atividade empresarial – As cópias dos cheques emitidos pelo contribuinte e o Livro Caixa são documentos suficientes para extrair a prova do exercício da atividade empresarial exercida pelo recorrente. Metodologia inadequada na tributação da renda da atividade empresarial – Do LivroCaixa restou demonstrada, também, a concentração dos recursos financeiros em uma única entidade bancária, depositandose todos os ingressos em contas mantidas em nome da pessoa física do autuado junto ao Banco do Brasil, inclusive os ingressos financeiros arrecadados nos diversos postos de combustíveis de propriedade do recorrente. Assim, comprovado o exercício de atividade econômica em nome próprio, “com o fim especulativo de lucro”, estará a pessoa física compulsoriamente equiparada à pessoa jurídica, devendo tributar seus resultados na forma prevista pela legislação tributária para as pessoas jurídicas, e não como pessoa física como fez o Fisco, sendo irrelevante estar ou não inscrita no CNPJ. Dessa forma, era imperativo que fosse o contribuinte intimado a apresentar não só o Livro Caixa, mas escrituração contábil regular que permitisse apurar o Lucro Real, para efeito de submeterse à tributação como pessoa jurídica. Comprovação indireta da origem dos depósitos Ainda que haja dificuldade para a comprovação direta de cada depósito, é inegável que a comprovação indireta não só é factível, como está evidenciada nos documentos acostados nos autos, seja acompanhando a impugnação, ou obtidos no resultado da própria Diligência realizada. Isto porque, cumpre repisar, se o recorrente faz efetiva prova de ter emitido cheque em favor de fornecedores de combustíveis (como a Petrobrás), que por conta desses pagamentos emitiam notas fiscais e faziam a remessa dos produtos aos postos revendedores destinatários, parece óbvio que os recursos ingressados na contacorrente do Recorrente só poderiam advir daqueles estabelecimentos revendedores. Fl. 5184DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.178 9 Ajustes da base de cálculo após a diligência: Erros permanecem – Em que pese o AuditorFiscal ter proposto o expurgo de vários valores que aparecem no extrato bancário com o histórico de “transferência”, restaram outros tantos não excluídos que estão grafados com o mesmo histórico. Também continuam os valores em duplicidade, relativamente aos depósitos em cheques e, em seguida, pelo desbloqueio. Constatase, ainda, nova duplicidade, consumada pela repetição de operações de créditos nos extratos gerados pela fiscalização. Fatos verificados nos meses de junho de 1999 e junho de 2001. Do indeferimento da perícia requisitada mediante diligência – Exercício da ampla defesa – Protesta o recorrente pela realização da diligência requerida na impugnação. Improcedência da multa agravada (112,5%): Não houve embaraço – O acórdão recorrido deve ser reformado para se afastar a aplicação de multa agravada de 112,5% sobre o imposto de renda exigido pelo Auto de Infração, uma vez que não restou comprovada a prática de qualquer embaraço à fiscalização. Selic sobre a multa de ofício – Impossibilidade A aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício não encontra amparo em qualquer ordenamento jurídico, não podendo, portanto, prosperar. Conforme Resolução nº 2102000.104, de 21/11/2012, fls. 5168/5174, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 5185DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.179 10 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do recurso de ofício Cuidase de lançamento, que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos calendário 1999, 2000 e 2001, cujas bases de cálculo são: R$ 5.484.881,00, R$ 47.585.022,37 e R$ 62.517.274,71, respectivamente. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte, para excluir da base de cálculo da infração os seguintes valores: R$ 532.019,97, R$ 1.458.747,00 e R$ 14.820.020,00, nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, respectivamente, e também reduziu o percentual da multa de ofício para 112,5%. As exclusões da base de cálculo da infração, correspondentes aos créditos, cujos somatórios alcançam os valores de R$ 466.261,00, R$ 1.254.479,00 e R$ 14.820.020,00, nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, respectivamente, foram propostas pela própria autoridade fiscal, quando do encerramento da diligência, determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, fls. 4995, posto que fora observado que tais créditos são relativos a resgates de aplicações financeiras, estornos ou transferências de mesma titularidade. Foram também objeto de exclusão, os créditos, cujos somatórios são de R$ 65.758,97 e R$ 204.268,00, nos anoscalendário 1999 e 2000, referentes a valores considerados pela autoridade fiscal no lançamento em duplicidade, uma vez quando do depósito em cheque e outra quando do desbloqueio do correspondente depósito em cheque. Tais exclusões são pertinentes e atendem à determinação contida no art. 42, § 3º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Logo, nesse aspecto deve a decisão recorrida ser mantida. Do mesmo modo, também encontrase correta a decisão recorrida quanto à desqualificação da multa de ofício. Veja que a autoridade fiscal justificou a qualificação da multa de ofício, em suma, por entender que o contribuinte incorreu na conduta de reiteradamente omitir rendimentos. Todavia, a omissão de rendimentos, por si só, ainda que caracterizada a conduta reiterada do contribuinte, não é suficiente para a imposição da multa de ofício, na sua forma qualificada, mormente quando a omissão de rendimentos foi detectada por presunção legal. Aliás, este é o entendimento já consolidado neste Conselho, conforme se infere da Súmula CARF nº 25, in verbis: Fl. 5186DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.180 11 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Nestes termos, devese negar provimento ao recurso de ofício. Do recurso Voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese apreciar a alegação da defesa de nulidade por cerceamento do direito de defesa, caracterizada por irregular ciência da intimação que cientificou o contribuinte da decisão de primeira instância. Nesse sentido, afirma o recorrente que somente teve um dia para preparar o recurso voluntário, posto que a ciência por via postal foi encaminhada para endereço antigo do recorrente, não sendo observado pela autoridade administrativa que o novo endereço já havia sido alterado na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2009, anocalendário 2008. Apesar de o recorrente afirmar que já havia alterado seu endereço junto à repartição, mediante apresentação da DAA, exercício 2009, cumpre dizer que não consta dos autos cópia da referida declaração, de modo que não se pode aferir a veracidade da informação prestada pelo recorrente. De outra banda, consta nos autos, extrato, fls. 4376, extraído dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, em 07/05/2009, de onde se infere que o endereço cadastral do contribuinte era a Rua Nossa Senhora Auxiliadora, 304 Paulínea/SP, sendo certo que a correspondência, relativa à ciência da decisão de primeira instância foi encaminhada ao contribuinte em 13/04/2009, para o referido endereço e devolvida ao remetente em 15/04/2009, fls. 4375, conforme informação prestada pelos Correios. Nesse contexto, a autoridade administrativa procedeu corretamente à intimação, por edital, nos termos do disposto no art. 23, parágrafo 1º, inciso II, abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) (...) § 1.º. Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou Fl. 5187DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.181 12 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Redação dos incisos dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) Em assim sendo, não pode prosperar a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, suscitado pela defesa, posto que a ciência da decisão de primeira instância, por edital, se deu de forma regular. Ainda, preliminarmente, o contribuinte argúi a irretroatividade da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001 e da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1999, 2000 e em parte de 2001. Na verdade, a despeito dos argumentos trazidos pela defesa, temse que a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.174, de 2001, não criaram ou instituíram nova hipótese de incidência tributária, mas, de fato, apenas ampliaram os critérios de investigação, possibilitando a instauração de procedimento administrativo e lançamento com base em informações prestadas por instituições financeiras. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, apenas concedeu novos poderes de investigação ao Fisco, sendo certo que essa legislação aplicase aos fatos ocorridos anteriormente ao início de sua vigência, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Outrossim, importa observar que este é entendimento exarado na Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Nestes termos, afastase as alegações da defesa, no que concerne à irretroatividade da Lei Complementar nº 105, de 2001 e da Lei nº 10.174, de 2001. No que se refere à emissão da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), por oportuno, trazse a seguir o disposto no art. 6º da Lei Complementar n° 105, de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Da leitura do referido dispositivo, resta claro que havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente, sendo certo que tal entendimento é reforçado pelo disposto no art. 4º, § 8º, do Decreto nº 3.724, de 2001, abaixo transcrito: Fl. 5188DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.182 13 Art.4oPoderão requisitar as informações referidas no § 5odo art. 2oas autoridades competentes para expedir o MPF.(Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007) (...) §8oA expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Ou seja, cabe à autoridade administrativa competente, no caso, ao Delegado da Receita Federal em Campinas, a apreciação do indispensável exame dos extratos bancários do contribuinte para o prosseguimento da ação fiscal que estava em curso, sendo certo que a emissão da RMF, fls. 326, dirigida ao Banco do Brasil, por si só, presume a indispensabilidade das informações requisitadas. Assim, alegações acerca do enquadramento do contribuinte nas hipóteses descritas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, não tem o condão de caracterizar quebra ilegal de sigilo bancário, tampouco pode comprometer o uso dos extratos bancários, obtidos, mediante a referida RMF, para fins de lançamento da infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Prosseguindose, passase à apreciação da alegação de decadência, relativamente aos fatos gerados ocorridos no período de janeiro a novembro de 1999. Sabese que o fato gerador consiste na situação material descrita pelo legislador como capaz de suscitar a obrigação tributária. No caso do IRPF, o fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda (CTN, art. 43). Quanto ao tempo de ocorrência do fato gerador, a doutrina adotou a seguinte classificação: instantâneos, periódicos e continuados. Os fatos geradores periódicos, também denominados complexivos, são aqueles que se realizam ao longo de um intervalo de tempo, como é o caso do IRPF, que embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Tal entendimento encontrase, inclusive, traduzido na Súmula CARF nº 38, abaixo transcrita, a qual cuida especificamente da data da ocorrência do fato gerador relativamente à infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Logo, temse que os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 1999 somente se completaram em 31/12/1999 e nesse sentido não pode prosperar a alegação da defesa de erro na determinação do momento da ocorrência do fato gerador. Fl. 5189DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.183 14 Já no que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Fl. 5190DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.184 15 Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Do acima transcrito, verificase, no que concerne ao IRPF, que caso o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2000, anocalendário 1999, fls. 79904, apurando saldo de imposto a pagar de R$ 5.815,40. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Assim, a data inicial para a contagem do prazo decadencial é 01/01/2000 e o termo final 31/12/2004. Como o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 03/12/2004, fls. 09, não há que se falar em decadência do crédito tributário na data do lançamento. No que concerne à infração propriamente dita de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o contribuinte afirma que a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais. Optando por essa linha de argumento, o contribuinte subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de consentaneidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. É bem possível que as leis padeçam de eventuais vícios, inclusive resultante de atuação dos legisladores com exorbitância de suas atribuições constitucionais. Todavia, deve ficar claro que elaborar juízo de valor acerca dessa matéria e, eventualmente, determinar o afastamento de normas legais em decorrência de eivas é atribuição privativa do Poder Judiciário, que não pode ser usurpada pelos julgadores administrativos. Por essa razão, inconformismos da espécie devem ser desfraldados em face do Poder Judiciário. Aliás, este é o entendimento exarado na Súmula CARF nº 02, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também não podem ser acatadas as alegações da defesa de que o lançamento não pode prosperar em razão de a autoridade fiscal ter demonstrado nos autos a ausência de acréscimo patrimonial no período fiscalizado e por ter desconsiderado as sobras de recursos para justificar os depósitos dos meses subseqüentes em razão das Súmulas CARF nºs. 26 e 30, a seguir transcritas: Fl. 5191DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.185 16 Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. No que tange à comprovação da origem dos créditos havidos em suas contas bancárias, o contribuinte insiste na tese de que a movimentação financeira é proveniente da intermediação de compra e venda de combustível por conta própria. Nesse sentido, importa dizer que a autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência, com o objetivo de oportunizar ao contribuinte a comprovação de tal alegação. Contudo, depois de extenso trabalho investigativo, demandando intimações para várias pessoas físicas e jurídicas, a conclusão da autoridade fiscal foi de que não restou demonstrada a tese defendida pelo recorrente, conforme se infere dos seguintes trechos extraídos do Termo de Encerramento – Diligência Fiscal, fls. 4964/4996: Conclusão: Os livros documentos fiscais/bancários apresentados, não fizeram provar a tese alegada pelo impugnante, devendo, portanto, ser mantida a capitulação original do Auto de Infração : OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. (...) Em 10.05.07, a 1ª primeira parte dos procedimentos de diligência foi realizada em 49 (quarenta e nove) empresas citadas pelo impugnante, em sua peça impugnatória, como parte da relação de seus clientes depositantes; porém, com resultado pífio, onde apenas duas empresas apresentaram, efetivamente, alguma informação parcialmente condizente, mas sendo suficientes à vincular os depósitos pendentes e sustentar a tese alegada (item 10 a 15 do presente Termo); A 2ª parte foi realizada nas empresas Oásis Distribuidoras e Cruzeiro do Sul Distribuidora, visando constatar as alegações do impugnante de que estas seriam as efetiva beneficiárias dos depósitos e devido os mesmo estarem vinculados ao faturamento destas, e mais ainda, que os respectivos tributos estariam devidamente declarados e quitados. Porém, conforme consta do item 41 do presente Termo, a escrita fiscal das respectiva desta empresas não correspondem as respostas formalizadas e mais uma vez não ficou comprovada a tese alegada; Finalmente a terceira parte, foram selecionadas as 95 (noventa e cinco) maiores empresas em faturamento, conforme dados extraídos da planilha de dados elaborada pelo próprio impugnante e entregue à Receita Federal ( fls 2399 a 2522) Fl. 5192DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.186 17 Conforme detalhado no item 41 (3° parte), apenas 3 (três) empresas efetivamente confirmaram literalmente a tese sustentada pelo impugnante, todavia, deixando fazer o principal: cotejar e vincular cada depósito, comprovando e demonstrando de forma sistemática a sua origem; Vale lembrar aqui que a presunção de omissão de rendimentos estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, labora em favor do Fisco, transferindo ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. No presente caso, temse que o contribuinte contou com a oportunidade da diligência, determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, sendo certo que houve o real interesse da autoridade fiscal em auxiliar o contribuinte na tarefa de demonstrar a origem dos recursos movimentados na conta bancária do recorrente. Todavia, apesar dos esforços envidados, a origem dos créditos efetivados na contacorrente, mantida em nome do contribuinte, não foi desfraldada. Nessa conformidade, não se pode acolher o pedido de realização de diligência, requerido pela defesa na impugnação e reiterado no recurso. Devese dizer, ainda, que o fato de ter sido demonstrado nos autos que o contribuinte exercia a atividade empresarial, não é suficiente para elidir a tributação, posto que não restou demonstrado, de forma inequívoca, que os depósitos investigados tivessem origem em tal atividade. No que concerne à prova indireta, referida pela defesa, cumpre registrar que a mesma é possível e acolhida por esta Turma, desde que seja bastante representativa. Ou seja, caso restasse demonstrado nos autos que um percentual elevado dos créditos investigados tivessem sido sacados em favor de pagamentos de combustíveis poderseia concluir que a tese defendida pela defesa, no que se refere à origem dos créditos, estaria comprovada. Contudo, esta não é a situação que se apresenta nos autos, posto que as poucas comprovações realizadas são insignificantes, diante do volume dos créditos examinados. A defesa diz ainda que os ajustes promovidos na base de cálculo pela decisão recorrida foram insuficientes, posto que segundo seu entendimento ainda restaram créditos, cujo histórico é transferência e créditos computados em duplicidade. No que tange aos créditos com histórico de transferência, devese dizer que apenas aquelas realizadas entre contas da mesma titularidade devem ser excluídas, sendo certo que a origem das transferências realizadas por terceiros são passíveis de justificação. Assim, cabia a defesa identificar os depósitos com o histórico de transferência e demonstrar que se tratavam de valores movimentados entre contas de sua titularidade. Sem tal providência, não há como ser acolhida a tese da defesa. Já no que se refere aos valores computados em duplicidade, decorrentes dos registros de depósitos em cheques bloqueados, assiste razão ao contribuinte, no que tange aos valores discriminados no recurso, fls. 5154/5155. Assim, devem ser excluídos da base de cálculo do imposto devido as quantias de R$ 66.758,97, R$ 204.268,00 e R$ 36.100,00, nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, respectivamente. De outra banda, não pode prevalecer a alegação do recorrente de que todos os depósitos com histórico de desbloqueio de depósito sejam excluídos da tributação, sem que sejam identificadas pelo contribuinte as possíveis Fl. 5193DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.187 18 duplicidades. Aliás, o correto é fazer a exclusão dos depósitos bloqueados, computandoos apenas quando do desbloqueio. Assiste também razão à defesa no que se refere às duplicidades apontadas no mês de junho de 1999, razão porque devese excluir da base de cálculo do imposto o montante de R$ 119.457,01, que corresponde ao somatório dos seguintes depósitos (04/06/99 R$ 20.000,00; 14/06/99 R$ 52.257,01; 16/06/99 R$ 20.000,00 e 30/06/99 R$ 27.200,00) Todavia, com relação ao mês de junho de 2001, as duplicidades apontadas pela defesa já não se verificam no relatório detalhado, fls. 4895/4951, no qual estão discriminados os créditos que permaneceram no lançamento depois da diligência. Não procede, ainda, a alegação da defesa de que a autoridade fiscal tenha deixado de observar a dispensa de comprovação dos depósitos de pequeno valor, a que se refere o art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse ponto, insta dizer que o comando do referido dispositivo é de que, no caso de pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual inferiores a R$ 12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$ 80.000,00, no anocalendário, sendo certo que no presente caso os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 superam em muito o valor de R$ 80.000,00. Nestes termos, encerrase a análise das alegações de mérito da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, concluindo pela exclusão dos seguintes valores da base de cálculo do imposto devido: R$ 186.215,98, R$ 204.268,00 e R$ 36.100,00, nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, respectivamente. No que pertine à aplicação da multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, temse que se deu com supedâneo no artigo 44, inciso I e parágrafo 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 5194DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.188 19 Da legislação acima transcrita, verificase que o nãoatendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos é uma das hipóteses previstas para a incidência da multa de ofício na sua forma agravada. Contudo, este não é o caso dos autos. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, fls. 796, inferese que o agravamento da penalidade se deu não em razão da falta de atendimento dos Termos de Início e de Intimações, lavrados durante o procedimento fiscal, mas em razão de o contribuinte ter inicialmente se negado a apresentar seus extratos bancários e depois por ter deixado de justificar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias. Entretanto, ao assim proceder o contribuinte atuou contra si próprio. Ressaltese que a nãoapresentação dos extratos e a falta de esclarecimento acerca da origem dos créditos investigados não obstaculizou a atividade fiscal, pelo contrário, a facilitou, pois tal conduta teve como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido de 112,5% para 75%. Por fim, no que tange à aplicação dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício proporcional é questão que já vem a algum tempo sendo tratada no âmbito deste Conselho, existindo para a matéria três posicionamentos, quais sejam: (i) não cabe a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, (ii) devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados pela variação da taxa Selic; e (iii) devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Filiome à corrente que entende cabível os juros de mora sobre a multa proporcional, apurado à razão de 1%. O art. 161 do CTN, abaixo transcrito, estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Com o devido respeito aos que pensam de maneira diversa, considero que uma leitura harmônica do CTN, sem apego a possíveis imperfeições de escrita, principalmente no que diz respeito aos arts. 113, 139 e 142 do referido texto legal, abaixo transcritos, conduzem à conclusão de que o conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício proporcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 5195DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.189 20 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Pois muito bem. O art. 161 do CTN prevê que sobre o crédito tributário (aí incluída a multa proporcional) não integralmente pago até a data do vencimento incide juros de mora, que serão calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o parágrafo 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito, dispôs de modo diverso, introduzindo a taxa Selic ao cálculo dos juros de mora: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até Fl. 5196DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.190 21 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) O art. 61, como se vê, somente autoriza a cobrança de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, aos débitos decorrentes de tributos e contribuições. De pronto, devese observar que a multa de ofício proporcional decorre do nãopagamento do tributo ou da contribuição. Incorreta, portanto, seria a afirmação de que a multa proporcional decorre do tributo ou da contribuição. Vale destacar que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, versa sobre a incidência de juros de mora e multa de mora em procedimento espontâneo. Se assim não fosse, não haveria necessidade de o art. 43, § único, da mencionada lei, dispor sobre a incidência dos juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício isolada. Ora, se entendermos que os débitos mencionados no caput do art. 61 abarcam as multas de ofício proporcionais e isoladas, despiciendo se tornaria o § único do art. 43. Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nestes termos, há de se concluir que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, afastar as preliminares e DAR PARCIAL provimento, para excluir da base de cálculo do imposto devido os valores de R$ 186.215,98, R$ 204.268,00 e R$ 36.100,00, nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, respectivamente; reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e determinar que os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício não deve exceder ao percentual de 1% ao mês. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 5197DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.007163/200436 Acórdão n.º 2102003.146 S2C1T2 Fl. 5.191 22 Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 16327.901655/2006-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário da seguinte forma: 1) pelo voto de qualidade, quanto à glosa referente à conta COSIF 7.1.5.90.00-6, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista; e 2) por maioria de votos, quanto às demais glosas, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (relator). Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP n° 287.957.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO ITAÚ S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário da seguinte forma: 1) pelo voto de qualidade, quanto à glosa referente à conta COSIF 7.1.5.90.006, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista; e 2) por maioria de votos, quanto às demais glosas, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (relator). Designado para a redação do voto vencedor o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 55 /2 00 6- 58 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP n° 287.957. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pelo Banco Itau S.A objetivando a modificar decisão de piso que negou o direito do pedido de restituição/compensação de valores referentes à COFINS apurado em dezembro de 2002 com débitos de IRPJ, CSLL e COFINS. Consta da peça recursal que a pretensão indeferida se refere pagamento a maior relativamente ao fato gerador de dezembro de 2002, visto que, declarou em DIPJ/2003 o valor de R$ 25.418.689,97 a título de COFINS e recolheu o montante de R$ 30.264.975,16, fazendo gerar um crédito de R$ 4.846.285,19. Afirma, ainda, o que está em discussão é tãosó a diferença. Diz também que a Administração (Despacho decisório) ao refazer à base de cálculo da COFINS dectou ou suposta irregularidade nos valores apontados nas linhas 05,17e 24 da ficha 20C da DIPJ/2003, diante desse fato a DEINF apurou uma base de cálculo maior que a declarada pela Interessada, consequentemente indeferiu o pedido de compensação. Sustenta decadência alegando que antes do despacho nunca houve questionamento pela fiscalização, assim, tratandose de fato gerador de dezembro de 2002 e considerando que a notificação somente aconteceu em 06 de junho de 2009 restaria patente o decurso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. No mérito sustenta que a divergência apontada pela fiscalização é basicamente de critérios para exclusões de receitas da base de cálculo da COFINS, divide a defesa nos itens: “A”, “B”, “C”, “D”. Quanto ao item “a”:. Afirma que a questão gira em torno da Conta Cosif 7.1.5.80.009 (Rendas em Op. c/Derivativos) – R$ 279.947.009,38 – Cosif 7.1.5.90.006 (TVM – Ajuste Positivo ao Valor de Mercado) – R$ 2.178.446,15 – COSIF 7.3.9.90.202 (Rendas em Op. c/Derivativos) – R$ 30.281.310,91, que à glosa deuse ao fundamento de que a permissão não consta no Anexo I da IN nº 247/2002 e a Decisão recorrida entendeu que a recorrente não demonstrou a não alienação dos ativos. Justifica o seu entendimento no art. 22 da IN Nº 247/02 de que os valores são passíveis de tributação quando da alienação dos respecti8vos ativos, sustentação que alcança também a matéria referente à conta COSIF 7.3.9.90.202. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.901655/200658 Acórdão n.º 3403002.955 S3C4T3 Fl. 698 3 Em relação ao item “b” afirma que a previsão para exclusão encontra estampado no art. 10º, § 1º da IN 247/2002,c/c o Quadro II do anexo I, que determina que se o resultado das operações sujeitas a ajuste diário for uma despesa (excesso de perdas), este valor não será deduzido da base de cálculo. No item “c” conta Cosif Específico (Receita Prest. Serviços a PJ – Exterior) – R$ 1.671.182,11, não se conforma com o resultado do julgamento de que não foram apresentados documentos que comprovem que a importância em questão se refere à receita de prestação de serviços a PJ do Exterior. No item “d” – Cosif nº 8.1.9.99.006 de que trata do valor de R$ 49.178.305,83. Diz tratarse de classificação contábeis sobre as variações diárias, que esses valores foram reconhecidos somente em dezembro e não acarreta prejuízo ao fisco. Concluiu pediu reforma do julgado, caso persiste dúvida que fosse baixado em diligência para esclarecer a verdade. A decisão recorrida negou o pleito ao argumento de que existia irregularidades nos valores das linhas 05, 17 e 24 da Ficha C DIPJ/2003 justificando a glosa pela ausência de previsão legal pela IN 247/2002. Quanto à glosa dos valores da Linha 24 (Outras exclusões) – Receitas de Prestação de Serviços a PJExterior e Reclassificação BACEN Denor 37/95, visto que, em relação a primeira não consta o número da conta COSIF no demonstrativo de apuração apresentado pelo contribuinte, ainda que o mesmo tenha afirmado em alegações (105/125), que tal valor estava incluído no total da conta 7.3..91.0119 (Outras Rendas Operacionais Diversas), deixou de apresentar documentos das operações para provar que a importância de R$ 1.671.182,11 se refere à Receita de Prestação de Serviços a PJ do Exterior. Em relação a segunda, também não consta o número da conta Cosif no demonstrativo de apuração apresentado, isso é referente a conta Cosif 8.1.9.99.006. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual impõe o conhecimento. A discussão se refere ao direito de excluir da base de cálculo os valores consignados nas linhas 05, 17 e 24 da Ficha 20C (cálculo da COFINS) do mês de dezembro de 2002, da DIPJ/2003. Há argumento do transcurso do prazo decadência da Fazenda rever os valores informados em razão da inexistência de questionamento até o advento do Despacho Decisório que negou o direito de pedir restituição ou compensação. Não merece prosperar a sustentação da perda do direito da Fazenda, como restará evidente. Nos casos de restituição, ressarcimento e compensação são dever da Administração certificar da certeza e liquidez do crédito, para tanto, impõe analisar detidamente todos os elementos capaz de certificar a exatidão do que foi pedido, esse fato só Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 acontece com o provocamento da parte interessada, iniciando o prazo para contagem da homologação tácita. No caso concreto não se trata de lançamento e sim de conferência de dados, portanto, consoante melhor juízo, temse que não pode repercutir ao caso dos autos a perda do direito da Fazenda. Assim, afasto a preliminar de decurso de prazo. No mérito. Restou decidido que a glosa dos valores deduzidos da base de cálculo da COFINS referentes às contas Cosif 7.1.5.80.009 – 7.1.5.90.006 e 7.3.9.90.202, no valor de R$ 279.947.009,38, R$ 2.178.446,15 e R$ 30.281.310,91, respectivamente, pelos motivos relacionados no despacho decisório: a) Cosif 7.1.5.80.009 (rendas em Oper. Com Derivativos), em razão de inexistir permissão legal no Anexo I da IN 247/2002; b) Conta Cosif 7.1.5.90.006 (TVM – Ajuste Positivo ao Valor de Mercado) – por não constar no Anexo I da In 247/2002, como exclusão na apuração da base de cálculo da COFINS; c) Conta Cosif 7.3.9.90.202 (Rendas em Op. Com Derivativos), por ter sido deixado de ser considerado na apuração da receita bruta do mês, e, conta não constante do Anexo I da IN 247/2002, como exclusão na apuração da base de cálculo. Os valores pertinentes as glosas inclusão estão devidamente relacionados fls. 490/491, do Despacho Decisório. Assim estabelece a norma do art. 22 da IN nº 247/2002: “Art. 22. A receita decorrente da avaliação de títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros derivativos e itens objeto de hedge, registrada pelas instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil ou pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), em decorrência da valoração a preço de mercado no que exceder ao rendimento produzido até a referida data, somente será computada na base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS quando da alienação dos respectivos ativos. (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012)” “Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, considerase alienação qualquer forma de transmissão da propriedade, bem assim a liquidação, o resgate e a cessão dos referidos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros derivativos e itens objeto de hedge. (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012)”. A discussão sobre a possibilidade da exclusão da base de caçulo encontra disciplinada a nível interno da RFB e de tudo que consta nos autos se refere exclusivamente descrição da conta no Anexo I. Extraíse da redação do art. 22 da IN nº 247, que os ganhos contabilizados nessas contas serão incluídos à base de cálculo quando da alienação dos respectivos ativos, Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.901655/200658 Acórdão n.º 3403002.955 S3C4T3 Fl. 699 5 consequentemente, submetidos à incidência da tributação para a COFINS Tratase de regra simples e esclarecida ainda mais pela redação do parágrafo único do art.22 dizendo o que é considerado como alienação para os efeitos da norma. Examinase neste contexto se a exclusão dos valores contabilizados nas contas Cosif 7.1.5.80.009 (rendas em Oper. Com Derivativos) e 7.1.5.90.006 (TVM – Ajuste Positivo ao Valor de Mercado) encontra guarida pela IN 247. Depreendese da leitura do dispositivo legal que o momento certo para inclusão dos valores consignados com rendas em operações com derivativos e ajustes positivos ao valor de mercado está estritamente vinculado ao fato alienação. Um dos motivos é de que a autorização não consta do anexo I, que tenho como superado pelo texto do art. 22. O outro é de que não houve prova por parte da recorrente da não alienação dos ativos. A recorrente cuidou de atender as exigências da fiscalização, juntando demonstrativo da composição da receita, assim como a contabilização das despesas. Consoante melhor juízo a recorrente não está obrigada a fazer prova que a toda evidência se revela negativa, cabe ao Fisco demonstrar que as aplicações em derivativos foram alienadas. Em sendo assim, há de se afastar essa motivação da fiscalização como obstáculo a autorizar a restituição e a compensação desejada. Passamos analisar a exclusão do valor de R$ 49.178.305,83 a título de “Reclassificação – BACEN Denor 37/95”, consignada na linha 24 da ficha 20C da DIPJ/2003, como “Outras Exclusões”. O esclarecimento da Instituição Financeira à indagação é de que: 1. “o valor de R$ 49.178.305,83 (doc.2) resulta de reclassificação contábil sobre as variações diárias de taxas em moeda estrangeira, quando a natureza das contas envolvidas estiverem com saldos invertidos, conforme estabelecido na Orientação DENOR nº 37/95 do BACEN (doc. 3). Portanto, as variações cambiais de natureza devedora, classificadas contabilmente no COSIF 8.1.9.99.006 – “Outras Despesas Operacionais” são excluídas na base de cálculo do PIS e COFINS, em consonância com a IN 247/02 – anexo I (doc.4)” 2 – “O valor de R$ 1.671.182,11 (doc. 5) referese à “Receita de Prestação de Serviços efetuada a PJ Domiciliada no Exterior”, cuja previsão encontrase no art. 46, inciso III, da IN 247/02 (doc. 6)”; 3 – O valor de R$ 590.145,92 (doc. 7) referese a “Rendas de Arrecadação de FGTS”. E é deduzido com base na resposta de consulta, vinculada ao Processo nº 10880.012.273/9111 (doc. 8)” Foram colecionadas à fl. 217 cópias do livro razão apontado o assento contábil da receita nos valores de R$ 31.826.930,38 e R$ 17.351.375,45, totalizando a importância de R$ 49.178.305,83 a título de Variação Cambial Zux SGPS e Vcambial Ag.Grand Cayman. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Reclassificação contábil obedeceu aos ditames da Instrução DENOR nº 37 de 12.07.1995, que determina que “as rendas e as despesas relativas à variação cambial incidente sobre operações ativas e passivas com cláusula de reajuste cambial devem ser registradas nos títulos e subtítulos contábeis representativos da receita ou despesas decorrente da aplicação ou captação efetuada. De modo que, a contabilidade seguiu orientação da autoridade monetária disciplinadora, diferentemente do determinado não poderia o Banco Recorrente exercer, além disso os valores contabilizados a título de variação cambial, credores e devedores, ao longo da vigência dos contratos tornam definitivo ao fim do prazo estabelecido ou do resgate dos investimentos, por isso não são consideradas receitas definitivas. Constatase, também, dos autos que o valor de R$ 1.671.182,11 encontra contabilizado a título de “Receita de Prestação de Serviços efetuada a PJ Domiciliada no Exterior referente serviços prestados ao ITAU BUEN AYRE (fl. 229). A contabilidade faz prova favorável ao contribuinte, inexistindo prova em contrário, impõe em reconhecer a receita como sendo decorrente de prestação de serviços a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Em sendo assim, a exclusão encontra respaldada pelo art. 45 da IN nº 247/2002. Em relação ao valor de R$ 590.145,92 (doc. 7) referente a “Rendas de Arrecadação de FGTS”., deduzido da base de cálculo em razão da resposta de consulta, vinculada ao Processo nº 10880.012.273/9111, o registro contábil localizado na cópia do diário fl. 233 que se refere à arrecadação de FGTS e GRR no montante apontado. Extraí da leitura da resposta da consulta que a isenção prevista no art. 28 da Lei nº 8.036/90, que no entendimento da recorrente alcançaria todos os resultados advindos das aplicações financeiras efetuadas pelos bancos estariam isentos de tributos federais por tratarse de receitas geradas em contraprestação dos serviços prestados ou como remuneração pela intermediação efetuada, a resposta limitou tãosó a tarifa paga pela Caixa Econômica Federal ao agente pela arrecadação e o pagamento do FGTS.. As receitas mencionadas pela consulta são: a) “receita obtida nas aplicações financeiras no período de dois dias entre o recebimento do depósito relativo ao FGTS e sua transferência à Caixa Econômica Federal, por se tratar de remuneração indireta pelos serviços prestados (art. 111)”; b) “receita proveniente da intermediação de financiamento com recursos do FGTS (art. 9º)”; c) !receita correspondente à tarifa recebida da CEF pelo serviço de arrecadação e pagamento do FGTS (art. 12)”. Em resposta a indagação, assim manifestou a Autoridade consultada: “Dentre as receitas arroladas pela consulente, apenas a tarifa recebida da CEF pelo serviço de arrecadação e pagamento do FGTS tem relação direta com as operações de que trata a Lei nº 8.036/90. Com efeito, não há como se estabelecer nexo causal entre a pratica dos atos ou a realização das operações necessárias à aplicação daquela Lei e a obtenção de receitas Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.901655/200658 Acórdão n.º 3403002.955 S3C4T3 Fl. 700 7 provenientes de aplicações financeiras ou da intermediação de financiamentos., ainda que referidas solicitações ou financiamentos utilizem recursos do FGTS.” “De outro lado, o dispositivo invocado isenta de tributos federais os atos e operações necessárias a aplicação da Lei nº 8.036/90. Levando em conta que, nos termos do artigo 111, inciso II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25/10/66), interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre isenção, não cabe estender tal beneficio às receitas de prática ou realização de tais atos ou operações.” “Cabe lembrar que, exatamente por ser vedada a interpretação extensiva de dispositivo legal outorgante de isenção, determinou o legislador textualmente, através do parágrafo único do referido artigo 23 da Lei nº 8.036/90, à aplicação do benefício às importâncias devidas, nos termos da Lei, aos trabalhadores e seus dependentes ou sucessores. Ora, a se acatar o entendimento de que a isenção prevista no “caput” do artigo alcançaria receitas ou rendimentos auferidos em decorrência daqueles atos ou operações restaria inócuo e supérfluo tal parágrafo, o que, igualmente, não há de se admitir na interpretação da legislação”. Tenho o que restou definido a favor da consulente pela consulta que a isenção alcança a tarifa recebida da CEF pelo serviço de arrecadação e pagamento do FGTS, segundo a resposta tem relação direta com as operações de que trata a Lei nº 8.036/90 Examinando o documento denominado de “Demonstração Analítica de Variações, fl. 233, o título da conta dá noção de que trata de arrecadação FGTSGRR, em sendo assim encontra apoio que autoriza sua exclusão da base de cálculo. Com essas considerações afastou os motivos que conduziram a fiscalização concluir pelo indeferimento, bem como, a decisão a quo. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para assegurar o direito da recorrente ser restituída e compensar os débitos até o limite do crédito. É como voto. Sala de sessões, em 25 de abril de 2014 Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, redator designado Ouso discordar do nobre relator quanto ao mérito do direito creditório invocado pelo recorrente. O Colegiado, no entanto, acompanhouo integralmente quanto à arguição de decadência. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Convém retomar as efemérides processuais a fim de evidenciar as matérias que estão sob julgamento. A compensação declarada pretende extinguir débitos de IRPJ, CSLL e Cofins com indébito relativo a pagamento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativa ao mês de dezembro/2002, efetuado em 15/01/2003. As DComp respectivas sofreram tratamento manual. Sintetizo a análise da Fiscalização no demonstrativo abaixo: DIPJ FISCALIZAÇÃO LINHA DA FICHA 20C CONTA COSIF (R$) (R$) Motivo 5 7.1.5.80.009 279.947.009,38 0,00 Valor não consta do Anexo I da INSRF nº 247/2000 5 7.1.5.90.006 2.178.446,15 0,00 Valor não consta do Anexo I da INSRF nº 247/2000 5 7.3.9.90.202 30.281.310,91 0,00 Valor não considerado na receita bruta do mês e conta não constante do Anexo I da INSRF nº 247/2000 17 7.1.5.80.906 2.214.568,61 0,00 Conta não constante do Anexo I da INSRF nº 247/2000 24 Não consta 1.671.182,11 0,00 Não consta o número da conta Cosif no demonstrativo de apuração apresentado pelo contribuinte; não há prova de que a importância de R$ 1.671.182,11 se refere Receita de Prestação de Serviços a PJ do Exterior 24 Não consta 49.178.305,83 0,00 Não consta o número da conta Cosif no demonstrativo de apuração apresentado pelo contribuinte; R$ 49.178.305,83, deduzida na apuração da base de cálculo da Cofins do mês de dezembro/2002 está classificada na conta Cosif n° 8.1.9.99.006 e resulta da classificação contábil sobre as variações diárias de taxas em moeda estrangeira, quando as contas envolvidas estiverem com saldos invertidos, conforme Orientação DENOR n° 37/95 do Bacen. O valor referese ao total do ano de 2002, e não ao PA 12/2002 Acolhendo as conclusões da Fiscalização, o Despacho Decisório de 27 de abril de 2009, fls. 484 a 4961, não homologou as compensações. Confirase sua ementa: ASSUNTO: Cofins Declarações de Compensação de crédito relativo a pagamento efetuado a maior em 15/01/2003, com débitos de IRPJ, CSLL e Co fins. EMENTA: Não reconhecido o direito creditório, pela inexistência de crédito, impõese não homologar as compensações declaradas. Compensações Não Homologadas. Legislação aplicada: Art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e alterado pelos arts. 17 da Lei n° 10.833, de 29/1212003, e 4° da Lei n° 11.051, de 29/1212004; Instruções Normativas SRF nos. 210, de 30/09/2002, alterada pela de n° 323, de 24/04/2003; 600, de 28/12/2005; e 900, de 30/1212008. Na continuação, reproduzo as alegações da Manifestação de Inconformidade, fls. 524 a 540, e as respectivas considerações da 8ª Turma da DRJ/SP1: LINHA DA FICHA 20C CONTA COSIF MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DRJ 1 A numeração de folhas referidas neste voto referese à atribuída pelo processo eletrônico. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.901655/200658 Acórdão n.º 3403002.955 S3C4T3 Fl. 701 9 ALEGAÇÕES PROVAS JUNTADAS 5 7.1.5.80.009 Os valores informados nessa rubrica são ajustes transitórios, que só se tornarão definitivos e tributáveis na alienação do derivativo. NIHIL As receitas correspondentes as contas 7.1.5.80.119, 7.1.5.80.212, 7.1.5.80.31 5 e 7.1.5.80.418, no valor total de R$ 281.435.514,54 compuseram a base de cálculo, mas a documentação acostada aos autos (dentre a qual o relatório referente à Demonstração Analítica de Variações) não permite concluir que a exclusão procedida, no valor de R$ 279.947.009,38 refirase a operações com derivativos. Não há informações nos autos pertinentes à baixa/alienação dos correspondentes derivativos no mês em análise. 5 7.1.5.90.006 Os valores informados nessa rubrica são ajustes transitórios, que só se tornarão definitivos e tributáveis na alienação do derivativo. NIHIL Não ha nos autos informações pertinentes à baixa/alienação dos correspondentes ativos no mês em análise 5 7.3.9.90.202 Erro no preenchimento da DIPJ. A conta Cosif 7.3.9.902 deveria ser capitulada em 7.15.80.009 (rendas com operações com derivativos) NIHIL Falta da comprovação das alegações, bem como, pelo fato de não estar explicitado o cômputo do valor (R$30.281.310,91) na base de cálculo da contribuição 17 7.1.5.80.906 Referindose a conta Cosif 8.5.50.902, diz que a previsão para a dedução no art. 10, § 1° da IN 247/2002, c/c com o Quadro II constante no Anexo I, que determinam que se o resultado das operações sujeitas a ajuste diário for uma despesa (excesso de perdas), este valor não será deduzido da base de cálculo. O excesso de perda, no valor de R$ 1.445.381,19 (perdas em Operações Suj. Ajuste Diário) seria decorrente da diferença entre perdas e ganhos, no período (R$ 3.659.949,80 2.214.568,61 = Perdas Receitas = conta 8.1.5.50.902 conta 7.1.5.80.906) NIHIL Não há registro dessas duas contas (8.1.5.50.902 e 7.1.5.80.902) no Demonstrativo Analítico de Variações, fls. 281 a 476. Não há comprovação de que o valor de R$ 2.214.568,61 (conta COSIF n° 8.1.5.50.902) tenha sido computado na base de cálculo 24 Não consta Diz juntar aos autos cópia do lançamento contábil; informes de rendimentos do Banco Itaú Buenos Ayres; tela do sítio do Bacen, comprovando o valor da taxa de câmbio do peso argentino em 31/12/2002, e; Cópia assentamen to contábil fl. 550;Cópia da retenção de tributos AFIP fls. A documentação apresentada não faz prova de que a receita seja proveniente da prestação de serviços a pessoa jurídica do exterior. Comprovam apenas que ITAU BUEN AYRE SOCIEDAD ANONIMA" remeteu "$24,029.20" para "BANCO I'TAU S/A.". O contrato de prestação de serviço não foi apresentado Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN 10 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE LINHA DA FICHA 20C CONTA COSIF ALEGAÇÕES PROVAS JUNTADAS DRJ contrato de prestação de serviço. 552 e 554; Ticket de caixa Banco Itaú B.A. fls. 566 e 568;Cópia tela Sítio Bacen fl. 560 24 Não consta Não contestada Não julgada Com essas considerações, a 8ª Turma da DRJ/SP1 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1625.045, de 22 de abril de 2010, fls. 580 a 594, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. ANÁLISE. DECADÊNCIA. A legislação tributária estabelece o prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da entrega da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) para que o Fisco aprecie a declaração apresentada. A análise e manifestação da autoridade fiscal pressupõe a averiguação da existência do indébito informado na declaração sob análise. COFINS. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A falta de comprovação da existência de recolhimento a maior da COFINS impede a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Sobreveio então o Recurso Voluntário de fls. 610 a 626: RECURSO VOLUNTÁRIO LINHA DA FICHA 20C CONTA COSIF ALEGAÇÕES PROVAS JUNTADAS 5 7.1.5.80.009 Os valores informados nessa rubrica são ajustes transitórios, que só se tornarão definitivos e tributáveis na alienação do derivativo. A demonstração de que os títulos estavam no patrimônio da empresa no final do exercício (dezembro/2002) prova que não houve alienação naquele anocalendário (títulos no patrimônio no anocalendário = ausência de alienação nesse exercício). NIHIL 5 7.1.5.90.006 Os valores informados nessa rubrica são ajustes transitórios, que só se tornarão definitivos e tributáveis na alienação do derivativo. NIHIL 5 7.3.9.90.202 Erro no preenchimento da DIPJ. A conta Cosif 7.3.9.902 NIHIL Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.901655/200658 Acórdão n.º 3403002.955 S3C4T3 Fl. 702 11 RECURSO VOLUNTÁRIO LINHA DA FICHA 20C CONTA COSIF ALEGAÇÕES PROVAS JUNTADAS deveria ser capitulada em 7.15.80.009 (rendas com operações com derivativos) 17 7.1.5.80.906 Ainda referindose à conta Cosif 8.5.5.902, insiste em que a previsão para a dedução no art. 10, § 1° da IN 247/2002, c/c com o Quadro II constante no Anexo I, que determinam que se o resultado das operações sujeitas a ajuste diário for uma despesa (excesso de perdas), este valor não será deduzido da base de cálculo. O excesso de perda, no valor de R$ 1.445.381,19 (perdas em Operações Suj. Ajuste Diário) seria decorrente da diferença entre perdas e ganhos, no período (R$ 3.659.949,80 2.214.568,61 = Perdas Receitas = conta 8.1.5.50.902 conta 7.1.5.80.906) Para confirmar as alegações já feitas, o recorrente anexa o demonstrativo de base de cálculo da COFINS dezembro de 2002, as contas que compõe o ajuste diário e documentos SISBACEN com a demonstração do total da conta cosif de novembro e dezembro (R$ 1.094.958.259,29 1.056.984.179,89 = R$ 37.974.079,40) doc. 02. Demonstrativo da base de cálculo da Cofins, fls 656 e 658; demonstração do total da conta cosif de novembro e dezembro, fls. 654; balancetes (passivo) de novembro e dezembro de 2002, fls. 662 e 664; Demonstrativo analítico das variações, fls. 660 24 Não consta Diz instruir o RV com documentos que suportaram os lançamentos contábeis e, por conseguinte provaram que o valor glosado referese A receita de prestação de serviços a PJ do Exterior, passível de dedução nos termos do art. 46, inciso III, da IN 247/2002. Anexa também o contrato da prestação de serviços (doc. 03). Termo de reconhecimento de direitos e assunção de obrigações decorrentes de prestação de serviços de auditoria entre Banco Itati Buen Ayre S.A, e Itaú, fls. 666 e 668; Anexo I, ao Contrato de Prestação de Serviços, fls. 670; Demonstrativo analítico de variações, fls. 674 a 678; planilha de recálculo do PIS e da Cofins,fls. 680 a 684 24 Não consta Os valores registrados nesse Cosif resultam da classificação contábil sobre as variações diárias de taxas em moeda estrangeira, quando as contas envolvidas estiverem com saldos invertido conforme Orientação DENOR n° 37/95 do Banco Central. Cópia do balancete e da ficha de apuração da base de cálculo da COFINS Faço agora as minhas considerações a respeito das alegações recursais e as respectivas provas. Liminarmente, afasto da controvérsia a glosa de R$ 49.178.305,83 na Linha 24 da Ficha 20C da DIPJ. A matéria não foi discutida na impugnação, operandose a preclusão. Vejase, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN 12 Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:2 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para questionar a glosa. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Quanto às demais glosas, entendo que o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar seu direito no momento processual adequado. Quanto à glosa referente à conta Cosif 7.1.5.80.009, não há prova nos autos de que os valores excluídos correspondam efetivamente a operações com derivativos. Digo o mesmo para a glosa referente à conta Cosif 7.1.5.90.006: não há prova de que os valors excluídos correspondam a operações com TVM. Quanto à glosa referente à conta Cosif 7.3.9.90.202, não há prova de que os valores excluídos correspondam a a operações com derivativos, nem de o valor excluído tenha sido considerado na apuração da base de cálculo, que justificasse a sua posterior exclusão. Por fim, não se pode conhecer das alegações tendes a combater a glosa referente à conta Cosif 7.1.5.80.906. O impugnante e o recorrente rechaçam na, referindose sempre, equivocadamente, à conta Cosif 8.5.50.902. Não há, nos autos, qualquer prova do alegado direito creditório, ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto a fato constitutivo de seu direito; 2 CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. apud MARINONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.901655/200658 Acórdão n.º 3403002.955 S3C4T3 Fl. 703 13 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93 116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN 14 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 25 de abril de 2014 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 07/10/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10950.904972/2012-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2005
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2005 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 72 /2 01 2- 31 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904972/201231 Acórdão n.º 3801004.518 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904972/201231 Acórdão n.º 3801004.518 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904972/201231 Acórdão n.º 3801004.518 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904972/201231 Acórdão n.º 3801004.518 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904972/201231 Acórdão n.º 3801004.518 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904972/201231 Acórdão n.º 3801004.518 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904972/201231 Acórdão n.º 3801004.518 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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