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Numero do processo: 11080.722496/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2000
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 96 /2 01 0- 20 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722496/201020 Acórdão n.º 2402002.978 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 10/1998 a 12/2000. O Relatório Fiscal (fls. 12/24) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, ENGEPORTO ENGENHARIA LTDA, CNPJ 73.421.679/000166, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 81/95) – acompanhada dos anexos de fls. 96/128 –, alegando, em síntese, que: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722496/201020 Acórdão n.º 2402002.978 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0346.686 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 142/154) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722496/201020 Acórdão n.º 2402002.978 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (ENGEPORTO ENGENHARIA LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 13) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722496/201020 Acórdão n.º 2402002.978 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 12/24) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes dos seguintes levantamentos originais: 1. SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.668 2) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999; e 2. SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.6690) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722496/201020 Acórdão n.º 2402002.978 S2C4T2 Fl. 7 11 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722496/201020 Acórdão n.º 2402002.978 S2C4T2 Fl. 8 13 Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722496/201020 Acórdão n.º 2402002.978 S2C4T2 Fl. 9 15 “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 21/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10530.721690/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPUTADOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO FORMAL/MATERIAL NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a descrição dos fatos e a capitulação legal. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
LUCRO PRESUMIDO. CONFRONTAÇÃO DE DADOS ENTRE DIPJ, DCTF E LIVRO CAIXA. DIFERENÇA DE RECEITA BRUTA NÃO DECLARADA EM DIPJ E NÃO CONFESSADA EM DCTF, PORÉM REGISTRADA NO LIVRO CAIXA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA DIFERENÇA DO IRPJ.
Verificada em procedimento de verificações obrigatórias a apuração de diferença de receita bruta tributável registrada na escrituração contábil, mas não declarada ao fisco, não submetida à tributação e nem objeto de confissão em DCTF, cabível à autoridade administrativa tributária determinar o valor da diferença do imposto e do adicional, mediante auto de infração de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a infração.
MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44, I. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5).
PROTESTO GENÉRICO. PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVA DOCUMENTAL E OUTROS MEIOS DE PROVA. PEDIDO FORMULADO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. PEDIDO REJEITADO.
Indefere-se o pedido de diligência e/ou perícia, quando a documentação constante dos autos revela-se suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28).
LANÇAMENTO DECORRENTE: CSLL.
Dada a íntima relação de causa e efeito, o lançamento reflexo segue a sorte do lançamento principal, quando inexistir razões fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-001.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão
Nome do relator: NELSO KICHEL
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FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO Recorrente EXPRESSO RÁPIDO VERONA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPUTADOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO FORMAL/MATERIAL NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a descrição dos fatos e a capitulação legal. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. LUCRO PRESUMIDO. CONFRONTAÇÃO DE DADOS ENTRE DIPJ, DCTF E LIVRO CAIXA. DIFERENÇA DE RECEITA BRUTA NÃO DECLARADA EM DIPJ E NÃO CONFESSADA EM DCTF, PORÉM REGISTRADA NO LIVRO CAIXA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA DIFERENÇA DO IRPJ. Verificada em procedimento de verificações obrigatórias a apuração de diferença de receita bruta tributável registrada na escrituração contábil, mas não declarada ao fisco, não submetida à tributação e nem objeto de confissão em DCTF, cabível à autoridade administrativa tributária determinar o valor da diferença do imposto e do adicional, mediante auto de infração de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 90 /2 01 1- 61 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 463 2 MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44, I. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). PROTESTO GENÉRICO. PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVA DOCUMENTAL E OUTROS MEIOS DE PROVA. PEDIDO FORMULADO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. PEDIDO REJEITADO. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia, quando a documentação constante dos autos revelase suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28). LANÇAMENTO DECORRENTE: CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, o lançamento reflexo segue a sorte do lançamento principal, quando inexistir razões fática e jurídica para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 464 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 465 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 440/459 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 425/435) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, quanto ao anocalendário 2008. Quanto aos fatos, infração imputada e razões da impugnação apresentada na primeira instância de julgamento, trascrevo, nessa parte, o relatório da decisão recorrida, por resumir, contemplar, até então, os principais aspectos do litígio objeto dos autos (fls.426/430): (...) Trata o presente processo de Autos de Infração formalizando exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$ 56.395,41 (cinquenta e seis mil, trezentos e noventa e cinco reais e quarenta e um centavos), e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 39.919,07 (trinta e nove mil, novecentos e dezenove reais e sete centavos), acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos, constante do Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, à fl. 05, foi verificada infração intitulada “Falta ou Insuficiência de Recolhimento de Imposto”, cujos valores do imposto lançado foram obtidos com base na Receita Operacional escriturada no Livro Caixa, deduzidos dos valores informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, apresentadas pelo sujeito passivo, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração, parte integrante do Auto de Infração. No enquadramento legal foram capitulados os art. 516, §§ 4º e 5º, 841, incisos I e IV, do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). Às fls. 11 a 16, encontrase o Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em que está descrita, à fl. 13, a infração intitulada “Falta ou Insuficiência de Recolhimento de Imposto”, cujos valores foram apurados conforme Termo de Verificação de Infração, parte integrante dos Autos de Infração e, no enquadramento legal foram capitulados: o art. 2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988; o art. 29 da lei nº 9.430, de 1996 e o art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. No Termo de Verificação de Infração, às fls. 18 a 22, a autoridade fiscal informa, basicamente, o seguinte: Dos Procedimentos da Fiscalização Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 466 5 – em 28/12/2010, a Contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início de Fiscalização, a apresentar livros contábeis e fiscais e outros documentos pertinentes ao anocalendário de 2008. Na seqüência, a Contribuinte solicitou prorrogações de prazo para o atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, a Fiscalização fez reintimações e, por último, a Contribuinte foi intimada pessoalmente, em 22/03/2011; – houve a apresentação do Livro Caixa e as receitas nele escrituradas foram utilizadas como elementos de prova das infrações apontadas no Auto de Infração, considerando como Receita Bruta Conhecida os valores das receitas escrituradas no Livro Caixa e consolidadas na planilha – LIVRO CAIXA – 2008. Da Falta/Insuficiência de Recolhimento do IRPJ e CSLL – os valores dos tributos/contribuições não recolhidos ou recolhidos insuficientemente estão demonstrados mediante o confronto entre os valores escriturados e os declarados em DCTF e Dacon (apresenta uma tabela demonstrativa no corpo do Termo de Verificação de Infração, à fl. 19 do presente processo). Da Aplicação da Multa de Ofício – aos tributos lançados foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75% prevista no art. 44 da lei nº 9.430, de 1996, alterado pela Lei nº 11.488, de 2007, transcrito. Da Representação Fiscal para Fins Penais – informa a AuditoraFiscal que, em observância ao disposto no art. 1º da Portaria SRF nº 665/2008, cientificou as pessoas físicas (que nomeia), sócias da empresa autuada, do processo de Representação Fiscal para Fins Penais nº 10530.721.693/201102, o qual terá seu rito processual administrativo de acordo com o expendido no art. 3º e parágrafos da Portaria SRF nº 665 de 2008. A Contribuinte, por meio de sua representante legal, apresentou a impugnação de fls. 211 a 229, contra o Auto de Infração do IRPJ, às fls. 211 a 229, sob os argumentos sintetizados a seguir: 1. Preliminar Nulidade do Auto de Infração. – não consta no auto de Infração impugnado a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, inexistindo, assim, o requisito necessário para validade do Auto de Infração; – o grave defeito formal do Auto de Infração tem uma severa consequência: a Impugnante restou impedida de apresentar defesa segura. Ou seja, ficou prejudicado seu direito à ampla defesa, o que é inadmissível na ordem constitucional vigente; Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 467 6 – ademais, a fundamentação legal que pretensamente dá sustentáculo ao atrapalhado auto de infração se reduz a um emaranhado de dispositivos legais, destilados sem nenhuma conexão a fatos e eventos – soltos no ar, portanto, impossibilitando também, aqui, a defesa segura da Impugnante (transcreve jurisprudência); – o cerceamento de defesa imposto contra a Impugnante, pela inexistência de descrição de fato gerador e pela deficiente declinação do enquadramento legal da imposição tributária, é suficiente para fulminar o Auto de Infração, cuja nulidade, evidente, deve ser decretada; – também, em face das disposições dos art. 3º e 142 do Código Tributário Nacional (CTN) (transcritos), temse que informações generalizadas e imprecisas, caracterizadas na ausência da descrição dos fatos geradores, bem assim ausência de pormenorizada descrição da forma de calcular a atualização monetária, os juros de mora, também implicam nulidade do Auto de Infração sob o ponto de vista da estrita legalidade do ato administrativo, que deve ser suficientemente motivado; – estão claramente demonstrados assim os defeitos formais do Auto de Infração impugnado, que fazem da decretação da sua nulidade uma medida de rigor, que fica desde já requerida; Do Fato Gerador do Imposto de Renda – no caso em análise, não se verificou o fato gerador do tributo nos moldes lançados pelo AuditorFiscal, de modo que à Impugnante não pode ser oposta a exigência do IRPJ; Do Equívoco da Fiscalização – a análise dos fatos patenteia o equívoco em que incorreu a fiscalização: deixou de considerar os valores efetivamente pagos pela autuada; – a AFRF certamente não atentou a esta circunstância, pois se o tivesse feito, teria constatado a inexistência do fato gerador e não teria lavrado o Auto de Infração; – tratandose, a presente lide, de matéria, essencialmente, de fato, pouco há o que se discorrer acerca do crédito tributário envolvido. Inequívoca, sem dúvida, é a prova apresentada pela ora Impugnante, quais sejam, os comprovantes de recolhimento do devido, conforme dos Darf em anexo; – de fato, extinta encontrase a obrigação tributária consubstanciada no presente Auto de Infração, decorrente do pagamento do montante devido, nos termos do inciso I do 156 do Código Tributário Nacional; – temse que, apesar de o Auto acusar falta de pagamento nos períodos, houve adimplemento das obrigações por parte do contribuinte, já que os Darf anexos à presente atestam a inexistência de débitos exigíveis; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 468 7 Cobrança de Multa com Caráter Confiscatório: Afronta às Garantias Constitucionais: – estão sendo aplicadas multas em valores nitidamente confiscatórios, em afronta direta às garantias constitucionais do cidadão contribuinte; configurandose, com esta atuação, típica violação aos direitos mais básicos assegurados pela Constituição Federal; – é absolutamente explícito e inequívoco que, nas multas aplicadas, foram utilizados índices absurdamente elevados e fora da realidade e normalidade prevista pela sistemática legal ora vigente em nosso país; – atualmente, já é reconhecida a ilegitimidade de multas absurdamente elevadas e as decisões do Poder Judiciário as tem reduzido, corrigindo esta distorção confiscatória imputada pela Administração (transcreve jurisprudência do Superior Tribunal Federal – STF e trecho doutrinário); – a aplicação de juros per si indeniza o Fisco, tendo, portanto, a multa, apenas o caráter punitivo, que nada tem a ver com a perda do Erário. Assim, quando se demonstra que a multa chega perto de parte considerável do tributo devido, percebese, nitidamente, o injusto caráter confiscatório, trocandose o império da lei pelo do medo e da insegurança jurídica (cita doutrina); – assim, resta claro e explicitamente configurado o caráter confiscatório e abusivo da aplicação da multa, que chega a valores exorbitantes, motivo pelo qual devem ser corrigidos como ora se requer; Da Representação Fiscal para Fins Penais Do caráter intimidatório da representação fiscal – a representação fiscal em tela tem caráter intimidatório, com visível desvio de finalidade. Nem se argumente que a intimidação objetiva uma rápida realização do crédito tributário, o que, aparentemente, iria de (sic) encontro ao interesse público. Mas não. É impositiva a observância, pela Administração Pública em geral, em toda sua atuação, dos princípios insertos no art. 37 da Constituição Federal (transcrito); – intimidar o contribuinte com ameaça de sanção penal, antes de findar o processo administrativo tributário, feriria, às escâncaras, o princípio da legalidade, porque não corresponderia à autuação da Administração conforme a lei e o Direito. Não tendo base legal essa intimidação, não haveria como motivar validamente o ato e nem perseguir um fim de interesse público que, por não se confundir com o interesse privado do poder público, só poderia ser aquele decorrente de lei. E a lei, no caso, obsta a representação fiscal intempestiva. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 469 8 O fim de interesse público vincula a ação do agente público impedindo a execução de atos para satisfazer interesses privados quer por favoritismo, quer por perseguição, sob pena de caracterizar abuso de poder por desvio de finalidade; – salvo na prática de atos discricionários, na execução de qualquer outro ato que afete o interesse individual do administrado impõese o requisito da motivação, sob pena de inviabilizar o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa; – logo, provocar efeito intimidatório do contribuinte, fora dos limites legais, além de configurar um ato ilegal e abusivo não encontra menor respaldo nos preceitos decorrentes do Estado Democrático de Direito; – a inclusão dos nomes de Ricardo Machado Duarte (CPF: 784.027.00500) e Luigi Correia Duarte (CPF: 490.258.56500), no rol dos representados (Representação Fiscal para fins Penais), denota mais um equívoco da fiscalização, haja vista que basta uma simples consulta ao quadro de sócios e administradores da própria Receita Federal, para se verificar que referidas pessoas não fazem parte do quadro societário da autuada, devendo, por este singelo motivo, ser excluídos da referida representação fiscal. Dos Pedidos – diante do exposto, requer seja julgado improcedente e cancelado o presente Auto de Infração, em face das irregularidades antes elencadas, com a imprescindível declaração de inexistência da pretensa relação jurídica obrigacional, ficando a Impugnante exonerada do liame tributário em discussão. Às fls. 289 a 307, a Contribuinte apresenta impugnação ao Auto de Infração de CSLL, repetindo os mesmos argumentos expostos na impugnação oferecida contra o Auto de Infração do IRPJ, já relatados. (...) A DRJ/Salvador, enfrentando as questões preliminares e de mérito, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário conforme Acórdão (fls. 425/435), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 470 9 Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. Procede o lançamento de ofício do imposto nos montantes correspondentes às diferenças entre os valores efetivamente devidos, sobre o Lucro Presumido, apurado com base nas receitas escrituradas, e aqueles efetivamente confessados espontaneamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. Procede o lançamento de ofício da contribuição nos montantes correspondentes às diferenças entre os valores efetivamente devidos, sobre a base de cálculo da CSLL, pelo regime do Lucro Presumido, apurada com base nas receitas escrituradas, e aqueles efetivamente confessados espontaneamente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 13/10/2011 (fl. 437), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/11/2011 (fls. 440/459), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1 Preliminarmente: a) nulidade dos autos de infração por violação do princípios da legalidade e da segurança jurídica (vício formal); b) que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, em relação à multa de ofício (confiscatória), cabe ao órgão de julgamento administrativo deixar de aplicar Fl. 470DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 471 10 ou afastar a aplicação de legislação tributária ilegal e inconstitucional, perante o caso concreto (CF, art. 37 e Lei nº 9.784/99, art. 53); 2 Quanto ao mérito: Fato gerador do IRPJ aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza (CTN, art. 43): que renda é acréscimo patrimonial; que a Constituição Federal pressupõe o conceito de renda; que, por dedução, renda é o saldo positivo resultante do confronto entre certas entradas e certas saídas, ocorridas ao longo dado período de tempo; que renda não se confunde com patrimônio; renda é um acréscimo patrimonial (riqueza nova); que, no caso, não se verificou o fato gerador do IRPJ, pela ienxistência de acréscimo patrimonial. Fato gerador da CSLL: que apenas o contribuinte que auferir lucro está obrigado ao pagamento da CSLL; que lucro é uma espécie de renda; que não ocorreu o fato gerador da CSLL. Multa de ofício de 75%: que tem caráter confiscatório; que afronta as garantias contitucionais; que é facultado ao julgador o poder, diante do fato concreto, de reduzir a multa excessiva aplicada pelo fisco. Representação fiscal para fins penais: que tem caráter intimidatório. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida; que seja julgado nulo o lançamento fiscal; que, caso seja vencida na preliminar suscitada, seja então julgado, no mérito, improcedente o lançamento fiscal; requer, ainda, a produção de todas os meios de prova em direito admitidos, aptos a estabelecer a verdade material. É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 472 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca do crédito tributário lançado por intermédio dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, em 04/04/2011 – DRF/Feira de Santana, no montante de R$ 192.136,78, no procedimento de verificações obrigatórias, regime tributário do lucro presumido (apuração trimestral), quanto ao anocalendário 2008, pela imputação da infração “Falta ou Insuficiência de Recolhimento do IRPJ e da CSLL”, pelo fato da contribuinte ter declarado e oferecido à tributação na DIPJ e respectivas DCTF receita operacional muito aquém do valor escriturado no livro Caixa (fls. 02/09 e 10/17). PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Nesta instância recursal, a recorrente suscitou genericamente, nas razões do recurso, preliminar de nulidade dos autos de infração por violação dos princípios da legalidade e da segurança jurídica, pela inobservância, na feitura do lançamento fiscal, dos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN. Ou seja, a recorrente alegou a existência de vício formal/material dos autos de infração, o que teria dificultado a compreensão do lançamento fiscal, gerando prejuízo à defesa e que, por conseguinte, o feito fiscal deveria ser declarado nulo. A alegação da recorrente é totalmente descabida, desproposital, não merecendo prosperar, devendo ser rejeitada peremptoriamente por falta de plausibilidade, pois totalmente divorciada, fora de contexto, da realidade fáticojurídica. Diversamente do alegado pela recorrente, os autos de infração foram lavrados com observação rigorosa do disposto nos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN, não se vislumbrando, destarte, vício algum de natureza formal ou material que os pudesse inquinar de nulidade. Vale dizer, os autos de infração possuem descrição completa da infração apurada, narrativa clara e objetiva dos fatos, permitindo ampla, plena e perfeita compreensão da infração imputada, com pertinente capitulação legal, respectivos demonstrativos da matéria tributável, da apuração dos valores das exações fiscais lançadas (valor do principal, percentual dos juros de mora Taxa SELIC com respectivo valor e da multa de ofício de 75%). De modo que todos os elementos do fato imponível (elemento pessoal, material, temporal, espacial e quantitativo) estão devidamente descritos, apurados, caracterizados e demonstrados no lançamento fiscal quanto à infração imputada. A propósito, transcrevo a descrição da infração imputada: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 473 12 1) – quanto ao auto de infração do IRPJ (fls. 03/09), in verbis: (...) 001 – FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO Os dados referentes ao valor do Imposto foram obtidos através da Receita Operacional escriturada no livro Caixa, deduzidos dos valores informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e na Declaração de Rendimentos IRPJ, apresentadas pelo sujeito passivo, conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO, parte integrante do auto de infração; Fato gerador Imposto Multa (%) 31/03/2008 R$ 15.055,60 75% 30/06/2008 R$ 9.790,04 75% 30/09/2008 R$ 7.412,60 75% 31/12/2008 R$ 24.137,17 75% Enquadramento Legal: Arts. 516, §§ 4º e 5º, 541, 841, incisos I e II, do RIR/99. (...) MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos gerdores a partir de 15/06/2007 Multa 75% Art. 44, I, da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488, de 15/06/2007. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 2007 APURAÇÃO TRIMESTRAL (p/ Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (...) 2) – quanto ao Auto de Infração da CSLL (fls. 10/17): (...) 001 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CSLL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Valor apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO, parte integrante deste Auto de Infração; Fl. 473DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 474 13 Fato gerador Contribuição Multa (%) 31/03/2008 R$ 10.252,65 75% 30/06/2008 R$ 6.721,00 75% 30/09/2008 R$ 6.721,34 75% 31/12/2008 R$ 16.274,08 75% Enquadramento Legal: Art. 2º, e §§, da Lei 7.689/88; Art. 29 da Lei 9.430/96; Art. 37 da Lei 10.637/02. (...) Já, no aludido Termo de Verificação da Infração (parte integrante do lançamento fiscal), consta apurada a diferença de receita bruta tributável do anocalendário 2008, por trimestres, que a contribuinte não declarou ao fisco e não ofereceu à tributação, culminando no lançamento das diferenças de principal do IRPJ e da CSLL, por trimestre, já transcritos acima. Ou seja, consta apurado pela fiscalização da RFB, com base no livro Caixa, diferença de receita operacional tributável no valor de R$ 4.370.330,76, quanto ao ano calendário 2008, que a contribuinte deixara de informar ao fisco e deixara, também, de oferecer à tributação, conforme demonstrativo constante do Termo de Verificação de Infração (fls. 19/20), o qual é parte integrante do lançamento fiscal, e que transcrevo abaixo, ipsis litteris: (...) 3.1.2 – ANOCALENDÁRIO 2008 2008 Receita Bruta Livro Caixa Receita Bruta Declarada DIPJ/DCTF Receita Bruta Escriturada Não Declarada Janeiro 511.876,63 Fevereiro 510.120,59 Março 444.622,37 1º TRIM 1.466.619,59 258.649,74 1.207.969,85 Abril 556.116,60 Maio 468.124,32 Junho 429.013,49 2º TIRM 1.453.254,41 415.469,73 1.037.784,68 Julho 414.326,36 Agosto 572.856,04 Setembro 489.566,65 3º TRIM 1.062.422,69 444.705,88 617.716,81 Outubro 532.945,96 Novembro 605.205,24 Dezembro 701.709,03 4º TRIM 1.859.860,23 353.000,81 1.506.859,42 Total 4.370.330,76 (...) Fl. 474DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 475 14 Por conseguinte, sobre essa diferença de receita operacional apurada do ano calendário 2008, o fisco lançou diferenças do IRPJ e da CSLL a pagar, com acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora – Taxa SELIC), conforme demonstrativo abaixo extraído dos citados autos de infração (fls. 02/09 e 10/17): Auto de Infração (R$) Principal Juros de Mora (calculados até 31/03/2011) Multa de Ofício de 75% Total IRPJ 56.395,41 13.814,26 42.296,55 112.506,22 CSLL 39.919,07 9.772,20 29.939,29 79.630,56 Total 192.136,78 Os autos de infração do IRPJ e da CSLL, ainda, apresentam anexos, demonstrativos de cálculo do principal, dos juros de mora e da multa de ofício (fls. 02/09 e 10/17). Além disso, em complemento, há demonstrativos da matéria tributável, tributos apurados, enquadramento legal, no Termo de Verificação da Infração (fls. 18/22). Como visto, os autos de infração, diversamente do alegado pela recorrente, contêm descrição clara, precisa e objetiva dos fatos, matéria tributável, infração imputada e fundamentação legal pertinente, permitindo perfeito entendimento da imputação do fisco, não restando, por conseguinte, caracterizado prejuízo algum à defesa, sendo, destarte, totalmente fora de propósito a alegação de cerceamento do direito de defesa. Portanto, conforme demonstrado, mais uma vez cabe registrar: não há vício algum no lançamento fiscal, pois está em consonância com os incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN. A alegação da recorrente de suposto prejuízo à defesa, por conseguinte, não passa de mero argumento de retórica, sem plausibilidade fáticojurídica, pois não se vismlubra vício algum no feito do fisco que pudesse inquinar de nulidade os autos de infração. O lançamento fiscal foi efetuado por autoridade administrativa competente, investida, legalmente, nas suas atribuições legais. Ainda, não restou caracterizado vício algum de que trata o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal. Na verdade, somente a falta de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal ensejam, ou configuram cerceamento de defesa e provocam a nulidade do lançamento fiscal (Decreto nº 70.235/71, art. 59, II), que não é o caso. Nesse sentido, também é o entendimento deste Egrégio Conselho Administrativo, cabendo transcrever, a título ilustrativo, alguns precedentes, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA –CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma Fl. 475DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 476 15 meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA –O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA. Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse diapasão, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Por tudo que foi exposto, rejeito a suscitada preliminar de nulidade. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 477 16 IRPJ. FATO GERADOR. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. DIREFENÇA DE RECEITA BRUTA NÃO DECLARADA E NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. DIFERENÇA DE LUCRO PRESUMIDO. EXISTÊNCIA DE MATÉRIA TRIBUTÁVEL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na razões do recurso, a recorrente, após abordar, em seu arrazoado, à luz da Constituição Federal, o gênero acréscimo patrimonial (disponibilidade econômica ou jurídica de renda) e suas espécies (CTN, art. 43): (i) produto do trabalho, do capital ou de ambos, e (ii) proventos de qualquer natureza, concluiu que, no caso, o fisco estaria exigindo exações fiscais sem fato gerador, pois não teria ocorrido o pressuposto fático ou jurídico “acréscimo patrimonial” (disponibilidade econômica ou jurídica): renda tributável/lucro. Não procede a irresignação da recorrente. No caso, a contribuinte, quanto ao anocalendário 2008, optou pela apuração do IRPJ, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base no Lucro Presumido, cujos coeficientes de presunção do lucro são, respectivamente, 8% e 12% para atividade de comércio, acerca da diferença de receita bruta tributável não declarada na DIPJ e não oferecida à tributação nas respectivas DCTF. A diferença de receita bruta tributável do anocalendário 2008 de R$ 4.370.330,76 foi apurada pelo fisco cotejando, comparando, as informações declaradas na DIPJ, as prestadas nas DCTF, e as existentes na escrituração contábil, no caso o livro Caixa e respectivos documentos de suporte dos registros contábeis, tudo conforme demonstrativo de apuração da diferença de receita bruta tributável, das diferenças apuradas de ofício do IRPJ e da CSLL constantes do Termo de Verificação de Infração (fls. 18/22), cujo demonstrativo de diferença de receitas tributáveis, inclusive, já foi transcrito no tópico relativo ao enfrentamento da preliminar de nulidade suscitada. Para efeito de apuração do acréscimo patrimonial do anocalendário 2008 (riqueza nova), no regime de tributação do Lucro Presumido não há que se falar em dedução dos custos/despesas das receitas auferidas, para verificar ou apurar se houve resultado positivo ou lucro (renda tributável), pois tal mecanismo é próprio do Lucro Real, e não do Lucro Presumido. No regime do Lucro Presumido, o resultado positivo (acréscimo patrimonial) é presumido ou ficto (ficção jurídica), como o próprio nome já dá a entender, por questão de política tributária simplificada de escrituração e controle contábil, legalmente estatuída (mecanismo simplificado, desburocratizado de apuração da matéria tributável), conforme arts. 516/528). Para o IRPJ Lucro Presumido, o coeficiciente de presunção do lucro é de 8% e significa que do total da receita bruta auferida, trimestralmente, apenas 8% é tributável para atividade de comércio (base de cálculo do IRPJ). O resto das receitas, em cada trimestre, considera consumida pelos custos/despesas. Já, em relação à CSLL, o raciocínio é semelhante, do total da receita bruta auferida, trimestralmente, apenas 12% perfaz a base de cálculo dessa exação fiscal, o resto, ou seja, 88% da receita bruta considerase consumida pelas despesas/custos do período de apuração. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 478 17 Portanto, em face da recorrente, no anocalendário 2008, ter optado pela tributação pelo Lucro Presumido, houve, sim, resultado positivo (Lucro Presumido), matéria tributável, fato gerador do IRPJ e da CSLL, conforme demonstrado nos Autos de Infração e no Termo de Verificação da Infração. Por conseguinte, quanto ao anocalendário 2008 houve lançamento de ofício da diferença do IRPJ e da CSLL sobre a diferença de receita tributável não declarada e não confessada em DCTF, mas que está registrada/escriturada no livro Caixa da autuada. Os comprovantes de pagamento juntados autos tratam do IRPJ e da CSLL referente aos valores de receitas declarados e confessaos em DCTF, ou seja, não relacionados com as diferenças lançadas nestes autos. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a decisão recorrida quanto à infração imputada no auto de infração do IRPJ. MULTA DE OFÍCIO 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. FALTA DE COMPETÊNCIA. A recorrente, nas razões do recurso, alegou que a multa de ofício aplicada, no percentual de 75%, seria desproporcional e, por conseguinte, confiscatória; que o julgador administrativo teria a faculdade de reduzila perante o caso concreto, para percentuais ínfimos. Desde o início convém frisar, na esfera administrativa, no processo administrativo tributário federal, não há controle de legalidade de lei, mas sim controle de legalidade do ato administrativo de lançamento fiscal se foi, ou não, produzido de acordo com a legislação de regência Ora, a penalidade pecuniária tributárioadministrativa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 e alterações posteriores, foi aplicada, no caso, de acordo com a lei vigente. É defeso ao julgador administrativo afastar ou deixar de aplicar a lei de regência, pois ela goza de presunção de legalidade, legitimidade e constitucionalidade enquanto vigente, sob pena de responsabilidade funcional. A disposição constitucional que veda o confisco não se dirige ao julgador, mas sim ao legislador que deverá observála quando da elaboração e aprovação de lei ordinária ou de lei infraconstitucional. Ademais, não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer de arguição de inconstitucionalidade de lei, cuja competência é do Poder Judiciário. Para a discussão da constitucionalidade da legislação tributária aplicada, no caso do lançamento fiscal objeto dos autos, o fórum, constitucionalmente previsto, é o Poder Judiciário, e não este órgão de julgamento administrativo – CARF que, em grau de recurso, faz, apenas, o controle de legalidade do lançamento fiscal – se foi produzido de acordo com a legislação de regência vigente , não fazendo, por conseguinte, o controle de legalidade da lei, pois tal competência privativa, conferida pela Carta Política da República, é do Poder Judiciário, em face do princípio da unidade de Jurisdição. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 479 18 A falta de competência do órgão administrativo para conhecer da arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei é de entendimento pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo – CARF, inclusive matéria sumulada, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deixo de conhecer, no mérito, da alegada inconstitucionalidade do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 Apenas a título de argumentação, não há previsão legal para redução, pura e simplesmente, da multa aplicada e não paga, não recolhida, no prazo para apresentação de impugnação, pois a recorrente tomou outro caminho: a discussão do lançamento fiscal. Prejudicada, assim, a pretensão da recorrente de ver aplicada, no caso, multa pecuniária com percentual inferior ao aplicado, em concreto, pelos autos de infração. Ainda, apenas a título de argumentação, as multas de ofício, que variam de 75% a 225%, cominadas em abstrato pela legislação tributária federal, são aplicadas, em concreto, em atividade repressiva do fisco, ou seja, em procedimento de fiscalização externa. No caso, houve aplicação de multa de ofício de 75% em atividade repressiva de fiscalização (procedimento de fiscalização externa). O contribuinte perde a expontaneidade para efeito de exclusão da responsabilidade por infração tributária em relação aos fatos geradores ocorridos dos períodos de apuração objeto de fiscalização, a partir da ciência do termo de início de fiscalização. Já, a multa moratória de até 20%, prevista na legislação tributária federal, aplicase apenas para pagamento espontâneo de débito já vencido, desde que o pagamento extemporâneo seja efetuado antes da ciência do início do procedimento de ofício contra o sujeito passivo. Por derradeiro, a multa punitiva repressiva tem sua graduação, nos patamares citados acima, previstas ou cominadas na legislação de regência, para proteção do bem jurídico público tutelado (a receita da Fazenda Pública federal para realização dos fins constitucionais) e inibir a prática de infrações contra o fisco. Se alguns contribuintes, ainda assim, cometem infrações tributárias, inferese, então, que o percentual cominado na legislação foi insuficiente para afastálos da prática delituosa. Vale dizer: se na relação custobenefício, há contribuintes que, embora conhecedores do rigor da lei, ainda assim preferem assumir o risco, praticando infrações tributárias, apostando em suposto baixo risco de serem fiscalizados, logo, quando flagrados, não há outra alternativa a não ser sujeitarse aos ditames da lei. Em matéria de penalidade pecuniária (repressiva) por infração tributária não se aplica o princípio da capacidade contributiva, segundo a melhor doutrina. Logo, não há que se falar em penas pecuniárias desproporcionais ou confiscatórias na legislação tributária. As penas estão previstas abstratamente na lei; porém, incidem nelas, em concreto, apenas quem quer ou quem assume o risco de, com sua conduta, praticar infração contra o fisco. Portanto, não há reparo a fazer quanto à multa de ofício de 75% aplicada no lançamento fiscal. Por conseguinte, deve ser mantida a decisão recorrida. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 480 19 JUROS DE MORA – TAXA SELIC. Com relação aos juros de mora Taxa SELIC, a recorrente alegou que o fisco não teria especificado adequadamente o percentual aplicado, para cada período de apuração trimestral do anocalendário 2008. Diversamente do alegado, os percentuais estão, devidamente, especificados, sim, por período de apuração trimestral, conforme demonstrativos constantes dos respectivos Autos de Infração (fls. 03/09 e 10/17). Os juros de mora são acessórios do principal e, por isso, seguem a sorte do principal. A rigor, no auto de infração, sequer seria necessário lançar de plano os juros de mora, pois, serão apurados e cobrados, automaticamente, ao final do processo, por ocasião do pagamento do principal. Então, o cálculo final dos juros de mora será conhecido, apenas, por ocasião do pagamento do principal. Os juros de mora constantes dos autos de infração, por hora, são meramente indicativos, pois, ainda, não representam o valor final. Ainda, apenas para argumentar, no âmbito do Poder Judiciário o entendimento é pacífico no sentido de que a lei que instituiu a aplicação da taxa Selic na cobrança de tributos federais, pagos em atraso, é constitucional, pela aplicação do princípio da isonomia de tratamento. Se o Poder Público federal recorre ao mercado financeiro, para obter recursos para realizar os seus objetivos constitucionais (Administração do País, aplicação dos recursos, inclusive, em políticas públicas do Governo), pagando juros Selic. Logo, então, o contribuinte moroso, que está em poder de recursos da Fazenda Nacional (tributos vencidos e não pagos), também deve se submeter ao pagamento de taxa Selic. Senão a conta não fecha. Tratase aplicação do princípio da isonomia de tratamento. Ademais, a matéria aplicação da taxa Selic na cobrança de tributos federais, por ser pacífica neste Egrégio Conselho, está sumulada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A recorrente alegou que a representação fiscal para fins penais, no caso, teria sido lavrada e levada a efeito, com fim ou caráter intimidatório e que houve, ainda, a inserção de nomes de pessoas que não deveriam constar. Não conheço, no mérito, dessa matéria por falta de competência, conforme entendimento pacífico deste CARF, cuja matéria está assim sumulada, in verbis: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 481 20 PROTESTO GENÉRICO PARA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PEDIDO REJEITADO O momento adequado para a juntada de provas de suas alegações é por ocasião da impugnação, conforme arts. 15 e 16, III, do PAF e complementação de provas por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Ainda, o ônus probatório quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco é da recorrente, conforme art. 333, II, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC. No caso, ademais, o protesto genérico pela produção de todas as provas admitidas em direito, mormente a documental, deve ser rejeitado, pelo seguinte: a) o pedido foi formulado em desacordo com o art. 16, § 4º, do PAF, justamente pela falta de comprovação do motivo de força maior que impedira a juntada da prova documental na primeira instância de julgamento e por ocosião da apresentação do recurso; b) o ônus probatório é da contribuinte; c) já constam dos autos todas as provas suficientes para convicção do julgador (pedido desnecessário para a solução da lide); d) pedido, nitidamente, formulado com caráter procrastinatório. Neste caso, os precedentes jurisprudenciais deste CARF, também, recomendam a rejeição do pleito, in verbis: PROTESTO GENÉRICO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia, quando a documentação constante dos autos revelase suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte. (Acórdão nº 280101.866, sessão de 28/09/2011, Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães). IMPUGNAÇÃO.PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30239.633, sessão de 08/07/2008, Relatora Judith Amaral Marcondes Armando). Fl. 481DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.721690/201161 Acórdão n.º 1802001.280 S1TE02 Fl. 482 21 PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias.(Acórdão nº 303–34.568, sessão de 15/08/2007, Relator Sílvio Marcos Barcelos Fiúza). IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30334.397, sessão de 12/06/2007, Relatora Anelise Daudt Prieto) LANÇAMENTO DECORRENTE: CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, o lançamento reflexo segue a sorte do lançamento principal, quando inexistir razões fática e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 482DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10480.908692/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 92 1 91 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.908692/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.676 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FELIPE CARLOS ALBUQUERQUE ADVOGADOS E CONSULTORES ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 92 /2 00 9- 81 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em 01/07/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls. 01/05, a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 2.726,81, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de setembro de 1999, efetuado aos 15/10/1999. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl.06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de setembro de 1999 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 02/06/2009 (vide aviso de recebimento de fl.42), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5ª Região (fls.23/38 e de certidão de trânsito em julgado (fl.39). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.43/54 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.55/58). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 69 a 74, aduzindo, em síntese. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 94 5 A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de Cofins e, consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 95 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls. 43 a 58, conforme informação de fls. 59, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.43/54); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 55/58). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908692/200981 Acórdão n.º 3801001.676 S3TE01 Fl. 96 9 a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. a , juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15504.018478/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
Recurso Voluntário Negado
Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos.
Numero da decisão: 2401-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. Recurso Voluntário Negado Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. ALEGAÇÃO IMPERTINENTE. Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. EMPRESA ALIENANTE MANTÉM ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADQUIRENTE. A pessoa jurídica que adquire estabelecimento comercial, industrial ou profissional e continua na exploração da atividade deste, responde subsidiariamente pelos tributos devidos pelo estabelecimento adquirido, quando o alienante permanece na exploração da mesma ou de outra atividade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 78 /2 00 8- 58 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.324 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.166.1536, lavrado contra o sujeito passivo acima para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de lançar em títulos próprios da contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições sociais. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 18/34: Da análise dos lançamentos contábeis, apresentados pela empresa em meio digital, verificouse que os lançamentos referentes ao pagamento de verbas salariais a empregados da matriz, foram efetuados na conta contábil de despesa 3.2.2.03.0007 "Serviços Prestados por Outros" e os lançamentos referentes ao pagamento de verbas salariais a empregados da filial inscrita no CNPJ sob o n° 02.636.995/000298, foram efetuados na conta contábil de despesa 3.1.3.03.0013 — "Serviços de Terceiros", conforme discrimina o Anexo I ao presente processo. Por se tratar de salário de empregados, os lançamentos contábeis referentes aos pagamentos citados no Anexo I, deveriam ter sido feitos nas contas contábeis integrantes dos subgrupos "Custo com Pessoal" — 3.1.1 (3.1.1.01 — "Salários") e 'Despesas com Pessoal" — 3.2.1 (3.2.1.01 —"Salários") destinadas à contabilização das rubricas constantes das folhas de pagamento. Além disso, constataramse, através dos lançamentos contábeis apresentados pela empresa em meio digital, pagamentos de despesas pessoais do sóciogerente, Sr. Milton Cabral Moreira (aluguel, condomínio e IPTU residenciais e mensalidade de clube de lazer), bem como pagamentos intitulados pela empresa como "distribuição de lucros" com prejuízo apurado no exercício de 2005, no valor de R$1.293.461,62, lançados nas contas contábeis de despesa 3.3.1.01.0008 —"Outras Despesas" (pertencente ao subgrupo "Despesas Não Dedutiveis") e 3.2.2.06.0020 —"Outras Despesas" (pertencente ao subgrupo "Outras Despesas Administrativas"), conforme discrimina o Anexo II ao presente processo. Ambas as situações constituemse em retirada prolabore (direta, no caso da "distribuição de lucros com prejuízo apurado no exercício e indireta, no caso do pagamento de despesas pessoais do sóciogerente). Portanto, os lançamentos citados deveriam ter sido feitos nas contas contábeis integrantes do subgrupo 3.2.1. "Despesas com Pessoal" (conta 3.2.1.01.0009 — "Prolabore"). Foram arroladas como devedoras solidárias as empresas abaixo, em razão do Fisco haver entendido que as mesmas formavam com a Autuada grupo econômico de fato, conforme evidências apontadas no Relatório Fiscal. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 • Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda — CNPJ: 05.385.879/000150. Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda — CNPJ: 05.401.768/0001 90. • Pampulha Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.557/000123. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda — CNPJ: 05.401.766/000100. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda — CNPJ: 05.392.395/000139. • Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.546/000143. • Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 04.901.337/0001 20. • Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda — CNPJ: 02.636.995/000107. • “Promove” Participações Ltda — CNPJ: 05.376.569/000170. • “Promove” Serviços Educacionais Ltda — CNPJ: 05.376.559/000134. • “Promove” Cursos Livres e Mercantil Ltda — CNPJ: 42.975.896/000174. • Magle Edição Comercio e Distribuição de Livros Ltda — CNPJ: 05.399.437/000163. • Sociedade Educacional Sistema Ltda — CNPJ: 23.840.945/000117. Foram emitidos em nome das citadas empresas os Termos de Sujeição Passiva. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 438 a 444 (processo 15504.018494/200841), uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico “Promove”, inclusive da autuada, o direito de uso da marca”“Promove””, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca" e posteriormente os estabelecimentos da Autuada. Cientificada do lançamento, a Autuada em conjunto com as responsáveis solidárias e as pessoas físicas listadas na relação de corresponsáveis apresentaram defesa, fls. 54/88 e segs., alegando, em síntese, que: a) os representantes legais não podem figurar como responsáveis pelo crédito tributário, posto que não se comprovou a prática de excesso de mandato; b) as pessoas físicas e jurídicas relacionadas sequer foram cientificadas do AI; Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.325 5 c) é improcedente o lançamento, posto que confessou todas as suas dívidas do período; d) houve cerceamento ao seu direito de defesa, posto que antes de aplicar a multa, o Fisco deveria ter dado ao sujeito passivo oportunidade para se defender; e) os valores referentes a seguro de vida e seguro saúde foram descontados dos empregados, conforme documentos acostados, a exceção do Diretor Milton Cabral, cujos pagamentos dessas rubricas correspondem a sua retirada de pró labore; f) a multa é confiscatória; g) todos os fatos geradores constantes do lançamento já foram incluídos em outros autos de infração, o que denota a ocorrência de bis in idem; j) os acréscimos legais foram aplicados incorretamente; k) não se configurou a infração penal apontada pelo Fisco; l) a empresa SOEBRAS – Associação Educativa do Brasil deve ser excluída do polo passivo, haja vista ter ocorrido parcelamento dos valores lançados. m) Ao final, requereu a declaração de improcedência do AI, a juntada posterior de documentos e que as intimações sejam efetuadas no endereço do seu advogado. Às fls. 962/968 consta peça de defesa da empresa SOEBRAS contestando o Termo de Sujeição Passiva, no qual é arrolada como devedora subsidiária pelos créditos lavrados contra o CEMES e outras empresas. Em suas razões, aduz ser imune ao recolhimento das contribuições sociais, em face da sua condição de entidade beneficente de assistência social. Afirma que a empresa CEMES não foi por ela assumida, conforme termo de distrato acostado. Suscita a existência de parcelamento que afastaria também a pretensão do Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) declarou improcedente às impugnações, mantendo integralmente a lavratura (ver fls. 1.134/1.154). Inconformadas, as empresas apresentaram recurso conjunto, fls. 1.268/1.305, onde, em resumo, alegaram que: a) as dívidas contraídas pelo grupo “PROMOVE” não poderão ser de responsabilidade da SOEBRAS, conquanto inexiste previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; b) a SOEBRAS detém imunidade tributária, não podendo ser chamada a responder pelas contribuições lançadas; c) os sócios não podem ser incluídos no polo passivo de dívida tributária; d) a multa e os juros aplicados tem caráter de confisco. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Ao final, requereram: a) seja reconhecida a ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dividas contraídas pelo grupo "“Promove”", pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca; b) sejam excluídos do polo passivo da obrigação os sócios das Recorrentes; c) sejam reduzidas as multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; d) seja reconhecida a imunidade tributária da SOEBRAS, atingindo os contratos de trespasse realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. É relatório. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.326 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão da SOEBRAS da condição de devedora A empresa SOEBRAS foi arrolada como devedora subsidiária pelo crédito tributário em questão, mediante o Termo de Sujeição Passiva de fls. 1.256/1.268. A fundamentação para responsabilização foi o inciso II do art. 133 do CTN, verbis: "Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão." O Termo de Sujeição informa que a Associação Educativa do Brasil – SOEBRAS adquiriu do Grupo “Promove”, do qual faz parte a autuada, a licença para utilização da marca ““Promove””. Afirmase ainda que a licenciada criou estabelecimentos que passaram a funcionar no local onde anteriormente funcionavam as empresas licenciantes, além de conservar em sua folha de pagamento funcionários que trabalhavam para essas. A título exemplificativo, citase que dos 194 empregados do Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda, constantes da Folha de Pagamento de 11/2006, 176 deles foram informados nas GFIP's da SOEBRAS na competência 12/2006. Tais fatos demonstram de que, ao contrário do que afirmam as recorrentes, a SOEBRAS adquiriu não apenas a licença para explorar a marca ““Promove””, mas incorporou estabelecimentos, conforme demonstrado nos autos. A responsabilidade subsidiária em debate, foi atribuída a SOEBRAS, nos termos do Relatório Fiscal da Infração (ver fl. 32), em face da aquisição de fundo de comércio por esta, através de Contrato de Trespasse, firmado em 15/10/2007. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Também não merece acolhida a tese de que a responsabilização não poderia se dar em razão da imunidade da SOEBRAS frente às contribuições previdenciárias. É que no AI sob cuidado está sendo exigida multa por descumprimento de obrigação acessória, a qual não é alcançada pela suposta imunidade. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas. Os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Caráter confiscatório da multa e dos juros Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. A alegação acerca dos juros não tem relação com a lavratura em questão, posto que não há imposição dos mesmos no AI sob cuidado. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018478/200858 Acórdão n.º 2401002.713 S2C4T1 Fl. 1.327 9 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000986/2010-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI.
Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE..
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO
O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médíca-hospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida.
Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA
Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 228 1 227 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000986/201031 Recurso nº 15.586.000986201031 Voluntário Acórdão nº 2803001.773 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de agosto de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilioeducação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AUXÍLIOSAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 86 /2 01 0- 31 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 229 2 O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 230 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.183 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls.161 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário referente a sanção pecuniária contra a empresa acima identificada, por ter vista infração ao disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 c/c art. 225 inciso IV, parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, nas competências 01/2006, 0/2006, 01/2007 e 03/2007. Informações não colocadas quanto à pagamentos a título de cestas básicas e vales alimentação, valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pago a dependentes dos empregados, Segurdo de Vida em Grupo sem previsão em Acórdo Coletivo de Trabalho, no período de 10.2006 a 12.2007, aluguel de imóvel residencial ao empregado Charles Lussier entre 01.2006 e 06.2007, reenbolsos em folha de pagamento oriundos do Programa de Qualidade de Vida a funcionarios com gastos com atividades físicas, abonos salariais anual conforme Acordo Coletivo de Trabalho, auxílio educação a dependentes dos funcionários, valores furtos de participação de lucros e resultados em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, sem regras e programs pactuados previamente e pagamentos sem a devida aferição para os cargos de gerência, coordena;áo, engenheiros, lideres, diretoria da empresa. A ciência do auto de infração inaugural foi em 10.09.2010 (fls. 49, dos autos digitais). Em impugnação a Recorrente requereu a improcedência do lançamento de forma específica: Requer, seja recebida, processada e provida a presente defesa, para decretar a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD n° 37.258.4187, apenas quanto à multa referente a não apresentação das guias de FGTS e GFIP (obrigação acessória), em face da exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxilioeducação, plano de assistência médico hospitalar e odontológico para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados (obrigação principal)". Em razão disso, somente essas matérias foram apreciadas em primeiro grau, pois as demais foram consideradas como não contestadas, portanto não impugnadas (art. 17, do Dec. 70.325/1972). Sendo improvida a impugnação, conforme acima relatado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: as verbas objetos de autuação têm natureza indenizatória ou de auxílio de custos, sem natureza remuneratória, a natureza indenizatória do fornecimento de alimentos a título de vales/tickets e cestas de alimentação independentemente de inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador, do auxíliosaúde (pagamento de planos médicohospitalares e odontológicos) aos dependentes não tem natureza remuneratória, pagamento de seguro de vida e de acidentes pessoais, que o aluguel de imóvel residencial para Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 231 4 Charles Lussier era para fins de habita;áo fornecidos pela empresa ao empregado para tabalhar em localidade distante da de sua residência, os valores referentes ao programa de qualidade não de natureza social e preventivos à própria saúde pública, que o abono pago em 1/2007 não integra o salário (art. 28, par. 9o., item 7, da Lei n. 8.212), que o auxílioeducação pagos aos dependentes dos funcionários não tem natureza remuneratória, equiparados a auxílio alimentação(art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212), que a participação dos lucros e resultados está prevista em Acordo Coletivo, falta de clareza da autuaçáo quanto aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos. Em sessão, fora realizada sustentação oral da patrona da Recorrente, Dra. Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. Esse é o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, em razão da não impugnação das matérias trazidas em recurso voluntário em primeiro grau de instância, sob pena de desobediência ao art. 17, do Dec. 70.235/1972, bem como supressão de instância não justificada (art. 1o. do Regimento Interno do CARF/MF), restaram prejudicados os questionamentos que não forem o auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados, bem como aqueles com clara permissão de afastamento da aplicação da lei (auxílioalimentação) por dever de ofício. Ainda, quanto à suposta inconstitucionalidade dos fundamentos legais apontados nos outros pontos do recurso, não apreciados em razão de não terem sido contestados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF Em tempo, o auto de infração respeitou as normas de lançamento na forma do art. 142, do CTN, e do art. 37, da Lei n. 8.212/1991, assim quanto ao argumento genérico de cumulação de multas, além da defesa recursal não servir para apreciação por não demonstrar a cumulação ou bis in idem, a obrigação objeto do auto de infração tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. III – Quanto à inconformidade da aplicação de contribuições previdenciárias com base nos valores pagos a título de auxílioeducação pagos aos dependentes, considerando os fatos geradores passíveis de informação em GFIP. Devese anotar que a empresa não trouxe qualquer elemento probatório ou legal que demonstrase que a bolsa paga aos filhos e dependentes dos funcionários há qualquer vinculação com a atividade ou qualificação dos funcionários da mesma. Assim, não há demostração de sua desvinculação à remuneração, ou que o auxílio tem natureza indenizatória, representando aumento de renda. Assim, o disposto no art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212/1991, é claro em que a natureza indenizatória do pagamento de auxílioeducação deve estar vinculda à qualificação dos funcionários da empresa. Nesse aspecto, não perece acolhimento o recurso. IV – Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à saúde plano de assistência médicohospitalar e odontológico aos filhos dos empregados, verificase que o art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 233 6 458, par. 2o., IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. Assim, tais fatos não podem considerandoos fatos geradores passíveis de informação em GFIP, e serem objeto da autuação em questão. O entendimento é acompanhado pela jurisprudência judicial e administrativa, como bem demonstrado no voto condutor da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, no Acórdão n. 240101.981, oriundo da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, de 22.08.2011, abaixo citado : No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílioexcepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: “Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioExcepcional (também chamado de AuxílioDeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento.” Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” (art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Precedentes: TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501, Relator(a): Juíza Federal Convocada SANDRA CHALU BARBOSA “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 234 7 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que "diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada auxílioexcepcional", não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do "inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título" ao empregado e que "o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo art . 28" (fls. 97/98) da aludida lei. 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas "q" e "t", da Lei nº 8.121/91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: "o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado". 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.” Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 235 8 E ainda, a Solução de Consulta nº 26, de 31 de julho de 2009, da 5ª Região Fiscal, DOU de 31/08/2009, foi no sentido de que as verbas pagas a título de auxílioexcepcional não têm natureza remuneratória: “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: As verbas pagas a título de AuxílioExcepcional, desde que atendidas as condições legalmente exigidas, têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o saláriodecontribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.” Assim, nesse ponto merece acolhimento o recurso. V – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação de receita/lucros, verificase que realmente houve desobediência injustificada (atrasos em negociação) mas as regras para participação dos empregados nas receitas e lucros desobedeceram ao art. 2, par.1o,e b, da Lei n. 10.101/2000, não podendo serem as verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, §9ª, “j”, da Lei 8.212 – Ac. 2803001.503, da 3a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF, Rel. Cons. Oseas Coimbra, sessão de 17.04.2012). E a principal falha ao caso é a falta de previsibilidade, pois os acordos não eram realizados de forma prévia, à distribuição. Tudo plenamente demonstrado pela decisão recorrida. Assim, não merece reforma a decisão nesse ponto, mantendose os valores como fatos geradores passíveis de informação em GFIP.. VI – Por se tratar de questão consolidada com a autorização da alínea a, o inciso II,parágrafo único do art. 62, do Regimento Interno do CARF, c/c o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011, podendose apreciar a matéria de ofício, quanto no que tange fornecimento de alimentação in natura (vale/ticket alimentação e cestas básicas), em desconformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador, esse auxílioalimentação mantêm a sua natureza indenizatória. Logo, não são fatos geradores de contribuições previdenciárias, logo não sofrem a incidência da norma de obrigação instrumental de informálos em GFIP (art. 32, IV, par. 2o, da Lei n. 8.212/1991). Tais verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriode contribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 236 9 instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000986/201031 Acórdão n.º 2803001.773 S2TE03 Fl. 237 10 Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Em razão dos argumentos acima expendidos excluo do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação (mesmo em vale/ticket alimentação, fornecimento de cestas básicas, ressarcimento de custos com restaurantes, restaurantes pagos pela empresa, pois somente pode ser utilizado para obtenção de alimentos pelo funcionário, mantendo sua característica), tendo em conta que ela não tem natureza salarial, bem como ser despiciendo o registro da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste caso, merece acolhimento o recurso. VII – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Sala de Sessões, 16 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10954.000019/2004-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS - REGIME NÃO-CUMULATIVO - CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA
Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/2002, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO.
Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime não-cumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1o e §2o e 6o, §§1º e 2o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 3403-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, reconheceu-se o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matéria-prima durante o processo produtivo; 2) por maioria de votos, negou-se o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à negativa do direito de apurar créditos sobre o material refratário, Tape Hole e tubos de aço.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel - Relatora
Marcos Tranchesi Ortiz Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho e Liduina Maria Alves Macambira.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1o e §2o e 6o, §§1º e 2o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; 2) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel (Relatora). Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à negativa do direito de apurar créditos sobre o material refratário, Tape Hole e tubos de aço. Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 19 /2 00 4- 72 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Raquel Motta Brandão Minatel Relatora Marcos Tranchesi Ortiz – Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho e Liduina Maria Alves Macambira. Relatório Tratase de pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para PIS NãoCumulativo, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativos ao primeiro trimestre de 2004, no valor de R$ 162.253,85, apresentado em 24/05/2004. Consta, ainda, dos autos Declarações de CompensaçõesDcomp´s eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações (fls. 91/105) e Despacho Decisório (fls. 108/109), os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte, concedendolhe o valor de R$ 147.285,88, sob os seguintes fundamentos, conforme ressaltado pela autoridade julgadora da manifestação de inconformidade: “(...) Como exclusão será admitido, no mês de março/2004, somente o valor de R$ 42.203,22, resíduo após o estorno promovido no valor de R$ 188.658,49 linha 13, ficha 05 Vendas Canceladas e Descontos Obtidos, haja vista as devoluções relativas a exportações registradas no Livro Razão, conta n° 11240109, valor de R$ 146.455,27, não figurarem nessa possibilidade, pois a linha 10, ficha 05, já comporta a exclusão das exportações. (...) (...) sabendo que o contribuinte noticiou vendas para o mercado externo através do demonstrativo supra referido, podemos afirmar que o método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito nos DACON n° 000100200400588672 (fl. 75 a 78) do 1º trimestre de 2004 não se coaduna com as disposições regulamentes atinentes à matéria. Com efeito, este trabalho será orientado pelo método do rateio proporcional (Proporção da Receita Bruta Auferida). (...) Em consonância com o que foi exposto acima, apresentase a seguir a justificativa da glosa de cada produto que refletiu no saldo do Crédito da Contribuição para o PIS/PASEP apurado no 1º trimestrecalendário de 2004, tendo em vista a realidade fática de aplicação e utilização de cada um, com fulcro nas Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 229 3 informações do processo produtivo apresentadas pelo contribuinte, por meio do Laudo Técnico (fls. 36 a 38): a) Concreto Refratário e respectivo frete (4276 PANMIX AC 2,5 e INTERCON 83 B/ISO 14): utilizado na tampa da panela, na estrutura lateral da panela, na bica e na proteção à coifa metálica que capta fumaça que sai na bica de corrida. Justificativa de glosa: esse material, quando é utilizado na tampa das panelas e na proteção à coifa metálica que capta fumaça na parte externa ao forno, não entra em contato físico com o silício metálico da produção. b) Pasta de Revestimento a frio e a quente e respectivo frete: Enquadrase no conceito de revestimento, conforme item anterior. c) Tap Hole e respectivo frete = Grafitap: utilizado para tamponar os furos de corrida. Justificativa de glosa: não entra em contato físico com o silício em produção. d) Tubo de Aço e respectivo frete: utilizado com insuflamento de 02 para desobstrução dos furos de corrida nos fornos. Justificativa de glosa: não entra em contato direto com o silício metálico da produção. (...) Percebemos que as atividades relacionadas na tabela fornecida (fls. 62 a 71) não se coadunam com o conceito de insumos na forma de serviços posto pela legislação, conforme esclarecem os parágrafos n° 31 a 37, desse parecer. Entretanto o crédito decorrente de serviço de extração de matéria prima e o de transporte de insumo será admitido e transferido para compor o valor relacionado aos bens utilizados como insumos, item anterior. Desconsideramos os serviços, relacionados pela interessada em planilha (fls. 62 a 71), discriminados como serviços de movimentação interna, conforme notas fiscais n° 029, 030 e 033 (janeiro, fevereiro e março de 2004), de 29/01/2004, 29/02/2004 e 30/03/2004 respectivamente, emitida pela P.H. Transportes e Construções Ltda, CNPJ 22.060.255/000425, no valor de R$ 299.506,50 exceto a de janeiro, no valor de R$ 285.000,00 (fls. 85 a 87), já que estes serviços não apresentam relação direta com a produção, não se enquadra no conceito de serviço de insumo, assim como não são serviços de extração de matéria prima ou de transporte. Ainda serão desconsiderados da relação em planilha (fls. 62 a 71) os valores referentes a aluguel dos meses de fevereiro e março de 2004, pelos motivos idênticos aos mencionados no parágrafo anterior, observando que esse valor já está posto pela interessada no Dacon, linha 05, ficha 04. (...) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Como é cediço que, no caso, a pessoa jurídica efetuou, concomitantemente, no período de referência deste pedido, operações de vendas de produtos no mercado interno e de exportação de produtos para o exterior, é obrigatório, na apuração dos créditos a serem descontados, informar de forma segregada os custos vinculados às receitas de exportação. Para tanto, o contribuinte poderia ter utilizado um dos seguintes métodos de determinação dos créditos: a) apropriação direta (...); ou b) rateio proporcional. Desta feita, por questões de simplificação utilizouse neste trabalho o método do rateio proporcional como critério para determinação dos créditos de PIS/Pasep. Em face do exposto, concluímos que, quando da protocolização deste processo, os montantes dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP, regime de tributação nãocumulativo, apurados neste trabalho fiscal nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, para o período de 01/01/2004 a 31/03/2004 (DACON n°.000100200400588672 (fl. 75 a 78)), os quais a Interessada faz jus, correspondem a R$ 147.285,88, conforme indicado nas planilhas para apuração dos Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, fls. 88 a 90.” Notificada do conteúdo do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 115/132), em que buscou a reconsideração da decisão e, portanto, revisão do valor concedido a título de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para PIS NãoCumulativo, argumentando, conforme relato da decisão de primeira instância, que: “a) No despacho decisório, a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo utilizada para apropriação dos créditos alguns dos custos e despesas indicados pela contribuinte, gerando redução do valor pleiteado. Em síntese, o despacho decisório corroborou a maior parte dos dispêndios indicados pela contribuinte, discordando apenas de três hipóteses de apropriação: insumos para manutenção dos fornos industriais e panelas refratárias, serviços de movimentação interna dos insumos básicos, e serviços utilizados na extração, preparação, embalagem e movimentação de outros insumos utilizados na atividade. b) Foram excluídos da base de cálculo: concreto refratário, pasta de revestimento, tap hole e tubo de aço. Ocorre que, dentro da sistemática nãocumulativa das Contribuições ao PIS e COFINS verificase que, considerando as Contribuições incidem sobre todas as “Receitas” auferidas, em contrapartida há que se considerar como conceito de Insumo não apenas a matéria prima consumida diretamente no processo produtivo, mas também os demais dispêndios envolvidos no referido processo de fabricação. Nesse sentido, é incontestável que os produtos utilizados na manutenção dos bens de produção, desconsiderados pela Autoridade Administrativa, são imprescindíveis à elaboração do produto final, conforme laudo técnico já trazido aos autos. Tanto o Forno Elétrico como as Panelas Refratárias, conforme descrição das atividades Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 230 5 desenvolvidas pela Empresa, são o ponto convergente central do processo do processo de fabricação do silício metálico e da sílicafumê. Logicamente que a conservação de tais bens de produção, especialmente em razão do constante desgaste dos mesmos diante das altas temperaturas a que são submetidos, é parte indissociável do conceito de "processo industrial" desenvolvido pela Contribuinte. Cita Soluções de Consulta. c) O desenvolvimento da atividade da Contribuinte demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados do processo produtivo. Para tais operações de movimentação interna de matériasprimas, insumos e equipamentos, dado o significativo volume a Contribuinte contrata terceiras empresas especializadas. A contratação de tais serviços de movimentação interna é imprescindível e indissociável de todo o processo de produção. Nesse sentido, incontestável que os serviços ora desconsiderados caracterizamse como “fatores de produção” da fabricação do silício metálico e da sílicafumê, vez que estão presentes em quase todas as etapas da produção. Tal orientação encontrase inclusive consolidada através de Respostas em Soluções de Consultas extraídas do Site da Secretaria da Receita Federal, das quais refere uma. d) É necessária a reforma do despacho decisório na quantificação dos valores a ressarcir, mediante a aplicação da correção monetária dos valores a serem ressarcidos. Refere julgados administrativos. e) Na eventual hipótese da Delegacia de Julgamento entender pela necessidade de verificação de demais dados para concluir pela liquidez e certeza do crédito, requer seja convertido o julgamento em diligência, a fim de que seja examinada a sua escrituração e documentação contábil e fiscal, para a confirmação da regularidade, suficiência e real quantificação do valor passível de apropriação.”. Em que pese toda essa argumentação, a autoridade fiscal julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme se denota do acórdão n.º 0122.262, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BelémPA, de fls. 175/185. Entendeu a referida turma que, apesar da notória relevância das decisões administrativas citadas na manifestação de inconformidade são relativas a terceiros, e não há que se falar que elas possuem eficácia normativa, já que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Ademais, não atendeu o pleito de conversão do julgamento em diligência, por entender que o pedido formulado não atendeu os requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. Além disso, julgou improcedente o pedido de reconsideração do valor apurado como passível de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para PIS Não Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Cumulativo, vez que considerou os itens glosados não correspondem a insumos, pois não seriam aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Por fim, entendeu pela não incidência de juros compensatórios no Ressarcimento ou Compensação de Créditos da Contribuição para PIS NãoCumulativo. Cientificada do referido Acórdão em 06/09/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 03/10/2011 (fls. 188/205), no qual manifestou sua irresignação com o teor da decisão proferida em primeira instância, que considerou ser passível de creditamento do PIS apenas os bens aplicados diretamente na produção ou fabricação dos bens destinados à venda, é de entendimento extremamente restritivo e, no seu entender, contraria as atuais decisões desse CARF. Isto posto, passou a discorrer sobre sua atividade, com o fito de demonstrar que os itens glosados pelo agente fiscalizador e mantidas pela decisão da DRJ, integram seu processo produtivo e, por isso, seriam passíveis de creditamento. A Recorrente elencou os itens glosados, que no seu entendimento são utilizados na manutenção dos bens de produção (fornos industriais, panelas refratárias e casas de filtro) e atribuiulhes sua destinação específica no processo produtivo, elucidando que: 1) Concreto refratário: Utilizados como um dos revestimentos refratários das Panelas refratárias e das bicas de vazamento dos fornos. Tem como objetivo reter calor do metal líquido dentro da panela e das bicas, para aumentar a vida útil das mesmas. Com o tempo parte dos refratários são arrastados ou eruditos pelo metal líquido. 2) Pasta de Revestimento: Também é dos revestimentos refratários das Panelas e Bicas, com a diferença que pasta de revestimento tem contato direto com o metal líquido, ou seja, é o material que apresenta o maior desgaste em contato com o metal líquido. 3) Tap Hole: Massa grafitada para fechar ou tamponar as bicas de vazamento quando necessário em cada troca ou parada do processo de fundição para manutenção. 4) Tubos de Aço: Utilizado para abrir as bicas de vazamento com injeção de oxigênio. Parte do tubo acaba derretendo e se incorporando ao metal líquido quando utilizado para desobstruir a bica. Arrematando que tais itens são partes indissociáveis do seu processo industrial. Para corroborar o seu entendimento, citou soluções de consulta de terceiros, que garantiram o direito a crédito de PIS e Cofins de aquisição de partes e peças de reposição com serviços de manutenção de equipamentos empregados diretamente na produção. Além disso, a Recorrente em seu arrazoado se insurgiu contra a parte do Acórdão que manteve a glosa dos serviços, contratados de pessoas jurídicas, empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê. Elucidou a Recorrente que o desenvolvimento de sua atividade demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 231 7 ressaltando que todos os insumos, seja o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, a argamassa ou os tubos são materiais de enorme volume, que demandam perene movimentação durante o processo de transformação dos produtos. Ressaltou, ainda, que o transporte pósprodução da SílicaFumê e do Silício Metálico, seja para filtragem ou para acondicionamento, também são constantes e em imensa quantidade, o que, para ela, demonstra o quanto tais atividades caracterizamse como “fator de produção” da fabricação do Silício Metálico e da SílicaFumê. Citou soluções de consulta. Por fim, pleiteou a correção do crédito solicitado por meio do pedido de ressarcimento, uma vez que protocolizado há mais de 05 (cinco) anos. Para tanto, invocou o artigo 39 da Lei 9.250/96 e colacionou jurisprudência do Conselho para reforçar seu argumento acerca da possibilidade de correção monetária dos ressarcimentos pela taxa SELIC. Requereu, em conclusão, a reforma integral do acórdão proferido pela 3ª Turma da DJR de Belém/PA, para que seja reconhecido seu direito creditório e compensações, a correção monetária pela taxa SELIC, ou, se necessário, a conversão do julgamento em diligência para novo exame de sua escrituração e documentação contábil e fiscal. Ademais, clamou pela suspensão da exigibilidade dos tributos compensados com os créditos discutidos, com base no artigo 74, § 11, da Lei 9.430/06, cumulado com o artigo 151, inciso III, do CTN. Em síntese, é o relatório. Voto Vencido Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Crédito de bens utilizados na manutenção Primeiramente cumpre analisar as alegações da Recorrente no tocante à glosa dos itens que, segundo seu relato, seriam utilizados na manutenção e conservação dos bens de produção (fornos industriais, panelas refratárias e casas de filtro), a saber: 1) Concreto refratário 2) Pasta de Revestimento 3) Tap Hole 4) Tubos de Aço Segundo relato da Recorrente todos esses materiais seriam empregados nos fornos e panelas destinados à produção do Silício na forma líquida. Ainda durante a fase de análise dos créditos pela DRFBelém, o contribuinte apresentou laudo técnico (fls. 36/38) que descreve as matériasprimas e insumos diretamente ligados à sua produção como sendo: (i) quartzo; (ii) carvão, (iii) cavaco, (iv) energia, (v) eletrodo. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 O referido laudo também descreve detalhadamente o processo de produção do “Silício Metálico”, e aponta que para a produção do “silício líquido” são necessários fornos e panelas refratárias, conforme se pode verificar do seguinte trecho: “O silício líquido junto com as impurezas, normalmente presentes nas matérias primas, é vazado continuamente através de bicas, localizadas na parte inferior dos fornos, em panelas refratárias...” (grifos acrescidos) Contudo, referido laudo não aponta se os itens ora explicitados pela Recorrente como sendo de manutenção das panelas e dos fornos (concreto refratário, pasta de revestimento, tubos de aço, massa de socar e tijolo), realmente se desgastam ou danificam com a utilização, e em quanto tempo isso ocorre, e também e se tais bens se incorporam, ou não, ao ativo imobilizado. A Recorrente alega ainda que tais itens seriam utilizados na manutenção dos bens de produção, e para corroborar que tais itens geram direito à crédito, colaciona soluções de consulta que garantem o crédito de PIS e COFINS em relação às despesas de manutenção de máquinas e equipamento. Porém, as próprias soluções de consulta trazidas pela Recorrente apontam que tais partes e peças de manutenção não estejam incluídas no ativo imobilizado, já que nesse caso a forma de aproveitamento do crédito se daria via amortização. No tocante a essa matéria, o Acórdão recorrido concluiu que não podem ser descontado créditos relativos a bens utilizados na manutenção de máquinas e peças, pois a “ação direta sobre o produto em fabricação é feita pela máquina e não pelas peças utilizadas em sua manutenção, não podendo tais peças serem (sic) consideradas insumos”. Assim, apesar de entender diferentemente do que foi decidido no Acórdão recorrido, pois no meu ver o conceito de insumo para o PIS e para a COFINS não é o mesmo que o do IPI, já que para o PIS e para a COFINS se exige a análise sobre a forma da utilização do “insumo” em cada caso, de maneira individualizada, valorizandose o exame do processo de aplicação dos “bens e serviços”, para se identificar em que etapa, e de que forma, os mesmos são utilizados, não significando dizer que o “bem ou serviço” deve se qualificar como “insumo”, mas que seja utilizado como tal. Entendo também, no presente caso, que o contribuinte não logrou comprovar que os referidos itens se enquadram também nesse conceito mais amplo. Assim, como em matéria de ressarcimento a prova deve ser produzida pelo contribuinte, no meu entendimento faltou a Recorrente comprovar, seja por meio da contabilidade, ou por meio de laudo, se os itens apontados se enquadrariam como custo de produção, ou como despesa operacional; ou ainda, se integraram ou não o imobilizado; ou se integram o custo de alguma máquina ou bem; ou se se desgastam durante o processo produtivo, e em caso afirmativo em quanto tempo isso ocorre. Desta forma, pela falta de provas para determinar a natureza dos itens elencados pela Recorrente (concreto refratário, pasta de revestimento, tubos de aço, massa de socar e tijolo), voto por negar provimento. Crédito sobre serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 232 9 A Recorrente se insurge, também, contra a parte do Acórdão que manteve a glosa dos serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da SílicaFumê. A Recorrente alega que o desenvolvimento de sua atividade demanda intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo, ressaltando que todos os insumos, seja o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, a argamassa ou os tubos são materiais de enorme volume, que demandam perene movimentação durante o processo de transformação dos produtos. Ressaltou, ainda, que o transporte pósprodução da SílicaFumê e do Silício Metálico, seja para filtragem ou para acondicionamento, também são constantes e em imensa quantidade, o que, para ela, demonstra o quanto tais atividades caracterizamse como “fator de produção” da fabricação do Silício Metálico e da SílicaFumê. Para comprovar essas alegações, foram juntadas diversas notas fiscais (fls. 85/87) das empresas que prestaram serviços de: (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, poderão ser descontados créditos em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Posteriormente vieram as Instruções Normativas SRF 246/02, com a redação dada pela IS SRF 358/03, e a 404/04, para melhor esclarecer a ideia de “insumo”, como se pode verificar dos seguintes dispositivos: IN SRF 247/02 (com redação dada pela IN SRF 358/03) Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I– das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 IN SRF 404/04 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifos acrescidos) Assim, como o laudo técnico (fls. 36/38) aponta que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério, é natural que os serviços utilizados na movimentação desses insumos também devem gerar direito a crédito, nos exatos termos dos dispositivos legais transcritos. Nesse sentido já existem soluções de consulta da própria Administração Federal: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 256 de 24 de Julho de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: SERVIÇOS DE INSPEÇÃO E MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE EMBALAGEM DE PRODUTOS FINAIS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os serviços de inspeção física e de movimentação de insumos de produção e os serviços relativos à embalagem dos produtos finais em subconjuntos (“kits”) são considerados insumos para a fabricação de bens destinados à venda, para fins de creditamento na sistemática nãocumulativa. Todavia os serviços de movimentação de produtos finais para o depósito e para o carregamento não são considerados insumos e não podem ser descontados como crédito. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso voluntário no tocante aos serviços tomados de pessoas jurídicas relativamente aos serviços, contratados de pessoas jurídicas, empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silício metálico e da SílicaFumê. Da análise do direito à correção monetária pela taxa SELIC do crédito pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento A Recorrente pleiteia a correção do crédito solicitado por meio do pedido de ressarcimento uma vez que fora protocolizado a mais de 05 (cinco) anos. Para corroborar seu pleito, invocou o artigo 39 da Lei 9.250/96 que expressamente garante a aplicação da SELIC nos casos de restituição e compensação. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 233 11 A DRJ, por seu turno, interpretou literalmente o texto do mencionado dispositivo legal, entendendo que só cabe atualização na restituição e na compensação, mas não no ressarcimento. No tocante a esse item também entendo contrariamente o que decidiu o DRJ/Belém, pois na esteira do que vem decidindo reiteradamente o STJ e o próprio CARF, a SELIC também incide no ressarcimento, sob pena de ensejar enriquecimento sem causa à Administração Pública Federal, que costumeiramente descumpre o prazo de análise dos pedidos que são formalizados em processos administrativos, cujo prazo máximo de análise é de 360 dias conforme prevê o art. 24 da Lei n° 11.457/07, que estabelece: “É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”. A referida regra decorre de norma constitucional (art. 5°, inc LXXVIII – CF) que estabelece “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Contudo, a despeito da previsão constitucional e legal, não é o que ocorre normalmente do âmbito do processo administrativo Federal, motivo pelo qual deve ser assegurado ao contribuinte ao menos a reconstituição do seu patrimônio por meio da taxa SELIC, que é mesma que corrige os débitos federais. Pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento também já vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, seguida pelas Turmas do CARF, conforme se depreende da ementa s seguir transcrita: TAXA SELIC Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, 4º da Lei nº 9.250/9.5, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020 708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento ( Acórdão CSRF/0201 983) Ademais, já decidiu o STJ, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 produzido sob o rito do artigo 543C do CPC, ser possível a correção de crédito escritural, mesmo sem que haja previsão legal expressa: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (...). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos acrescidos) É bem verdade que a decisão proferida pelo STJ referese ao IPI, contudo os seus fundamentos são perfeitamente aplicáveis aos ressarcimentos de PIS e COFINS não cumulativo, posto que a eles se aplicam os mesmo princípios contidos na citada decisão, quais sejam: a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, e igualmente havendo essa oposição postergase o reconhecimento do direito creditório, nascendo, da mesma forma, a obrigatoriedade de atualizálo sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Também entendo que não há que se falar em vedação expressa à atualização monetária dos créditos de PIS e COFINS em suas respectivas legislações, mais precisamente no artigo 13, da Lei nº 10.833/03 (COFINS), aplicável também ao PIS por força do artigo 15, inciso VI da mesma Lei, verbis: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária. Ocorre que todos os dispositivos citados nesse artigo 13 se referem à forma de apuração e aproveitamento dos créditos escriturais, que de fato não dão ensejo à atualização monetária. Porém, uma vez que tais créditos não venham a ser aproveitados na escrituração da pessoa jurídica, e por consequência venham a ser objeto de pedido de ressarcimento, e este sofra qualquer oposição por ato estatal, caberá atualização do ressarcimento sob os mesmos fundamentos externados pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp n. 1.035.847/RS. O próprio STJ já estendeu o entendimento do citado Recurso Especial aos ressarcimentos de PIS e de COFINS, conforme se pode verificar do julgamento do REsp 1.268.980/SC, cujo trecho da ementa aqui se transcreve: ... 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre os créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 234 13 compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é o do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco.... (grifos acrescidos) Assim, como no caso em tela houve oposição estatal administrativa, indeferimento parcial do crédito pelo Fisco, voto por conceder a atualização pela taxa SELIC aos pedidos de ressarcimento da data do seu protocolo até a data da efetiva extinção do crédito, seja pelo efetivo ressarcimento (pagamento), seja pela compensação. Melhor elucidando, como no presente caso a Recorrente já vinculou, no ano de 2006, diversas declarações de compensação ao Pedido de Ressarcimento apresentado no ano de 2004, não há que se falar em mora da administração, nem em atualização do crédito pela SELIC até a data do efetivo ressarcimento, mas sim até as datas dos protocolos das declarações de compensação. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial a recurso voluntário para: 1) negar provimento no tocante aos créditos pleiteados relativamente a: concreto refratário, pasta de revestimento, Tap Hole e tubos de aço; 2) dar provimento no tocante aos créditos relativos aos serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias primas; 3) Dar provimento para atualizar pela taxa SELIC o crédito pleiteado via Pedido de Ressarcimento, da data do protocolo do pedido até a data das declarações de compensação a ele vinculadas. Raquel Motta Brandão Minatel Voto Vencedor Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: Embora bem articuladas as razões da relatora, Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, delas ouso divergir quanto a um único capítulo do seu voto, qual seja, aquele concernente à aplicação de remuneração, pela Taxa SELIC, aos créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade e pretendidos em ressarcimento. Refirome, neste particular, à regra contida no artigo 13, da Lei nº 10.833/03, aplicável também à contribuição ao PIS por imposição do artigo 15, inciso VI da mesma lei. Eis o dispositivo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 14 Chamame à atenção, na dicção do enunciado, a expressa menção aos §§ 1o e 2o do artigo 6o do próprio diploma, a significar que a restrição ao acréscimo de juros e correção monetária se estende, inclusive, em caso de aproveitamento dos créditos por meio de ressarcimento e compensação e durante o prazo de tramitação destes feitos. Daí porque, a meu sentir, não há como assegurar semelhante pretensão ao contribuinte postulante sem incorrer em inobservância do preceito em exame. Penso, inclusive, que a orientação firmada pelo E. STJ ao ensejo do julgamento do recurso especial nº 1.035.847 não induza à conclusão diversa, mesmo se considerarmos o quanto dispõe o artigo 62A do RICARF e que o julgado em questão foi produzido sob o rito do artigo 543C do CPC. Vejase: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (...). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Como se vê, a hipótese levada a julgamento no precedente em questão respeitava ao ressarcimento de créditos de IPI, tributo de cuja legislação não consta preceito que, tal qual o artigo 13 da Lei nº 10.833/03, vede expressamente o acréscimo de juros ou correção monetária ao principal. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10954.000019/200472 Acórdão n.º 3403001.592 S3C4T3 Fl. 235 15 Digo isso para concluir que, ante circunstâncias normativas diversas, uma em que a legislação silencie sobre o direito à remuneração dos saldos credores pleiteados e a outra em que vigore expressa vedação a respeito, diversas também podem ser as soluções exegéticas possíveis. Daí porque, a meu sentir, em se tratando especificamente de ressarcimentos em matéria de PIS e COFINS nãocumulativos, é incabível a aplicação de correção monetária e de juros ao respectivo principal, a despeito da orientação dominante no E. STJ quanto a pedido análogo formulado em relação ao IPI. Isso posto, nego, nesta parte, provimento ao recurso. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914421/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Numero da decisão: 3803-003.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª. Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Drª. Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 44 21 /2 00 9- 13 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 A Contribuinte entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação nº 31977.63031.200407.1.3.041033 de fls. 60 a 66(numeração eletrônica), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS relativo ao período de apuração agosto de 2004. Pelo Despacho Decisório de fls. 14 o contribuinte foi cientificado, em 19/10/2009 (fls. 72), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado no valor principal de R$ 43.660,96. Irresignado, o contribuinte apresentou em 18/11/2009 Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 09, informando e argumentando que: a) incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em agosto de 2004, base negativa de PIS , entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF o valor superior deR$ 31,269,04. b) uma vez identificado o equívoco, o recorrente teria constituído crédito tributário, que se pretendeu utilizar na PER/DCOMP acima referida para se compensar os débitos constante na mesma. c) No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP, e estando o pagamento integralmente alocado à quitação de outros débitos não restou crédito disponível para a compensação pleiteada. d) Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF alterando os valores de PIS apurado em agosto de 2004, o que, segundo o mesmo, estaria condizente com o apurado na época. d) Argumenta ser dever da administração pública a busca pela verdade material e neste sentido a Autoridade fiscal deveria ter intimado o contribuinte antes de não homologar a compensação. e) Que a adoção da conduta acima estaria em consonância com os princípios da moralidade, eficiência e celeridade previstos na Constituição Federal e na Lei 9.784/99. f) Que houve vício de forma e este não poderia macular a existência do seu direito creditório. g) Que pelo princípio da verdade material as meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva existência do crédito, face ao princípio da verdade material, para tanto colaciona decisões administrativas no sentido de se cancelar o lançamento quando comprovado o erro no preenchimento da declaração. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.914421/200913 Acórdão n.º 3803003.507 S3TE03 Fl. 11 3 h) Que houve erro puramente material no preenchimento do PER/DCOMP e que tal erro não poderia ter sido utilizado para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. i) Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e consequentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. A DRJ em São Paulo(I) considerou improcedente os pedidos da manifestante, por não considerar que o contribuinte arrolou provas necessárias para a comprovação do crédito. Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este órgão julgador, onde bem explica os motivos que a levaram a cometer o erro, com cálculos contábeis detalhados. Discrimina que o erro de preenchimento ocorreu por falha no lançamento de despesas de cambio. Adiciona o que chamou de balancete contábil, entretanto não o identificamos como um balancete contábil, por faltarlhe elementos essenciais a um balancete como o descritivo de todas as contas e apuração dos resultados e ainda assinatura do representante da Pessoa Jurídica e do contador responsável. Ao final requer o reconhecimento do credito e protesta pela sustentação oral. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O recorrente, afirma ter direito ao crédito pleiteado em PER/DCOMP na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS devido a erro de preenchimento de DCTF, relativo ao período de apuração agosto de 2004. Não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado no valor de R$ 43.660,93. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria cometido erro de preenchimento de DCTF. No entanto, neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Via de regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão. Sabese que o Contribuinte contou com momento oportuno para apresentar a devida documentação que comprovasse suas alegações, entretanto, mesmo que tais provas não tenham sido carreadas na impugnação, admitese, excepcionalmente, sua juntada após a impugnação nos caso em que excepcionou o Decreto n° 70.235, art. 16, inciso V, parágrafo 4°, ao que se lê: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não se encaixa nenhum dos casos elencados no Decreto que rege os processos administrativos, o narrado neste processo. No direito tributário devese sempre triunfar a verdade material dos fatos, desta feita, cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Frisase que, em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais Fl. 326DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.914421/200913 Acórdão n.º 3803003.507 S3TE03 Fl. 12 5 documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. A Recorrente furtouse em arrolar documentos que pudessem comprovar o credito pleiteado. Se houve erro, a contribuinte tem em seus documentos contábeis todos os meios para provar seus argumentos. O fato é que sua defesa é carente de provas. A Recorrente anexou tão somente o que chama de balancete, não traz todos os elementos e assinaturas, e suas declarações, e ainda assim, o fez em sede Recurso Voluntário, documentos estes insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Diante do exposto acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10882.001896/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 89 6/ 20 10 -0 8 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 501 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal de 30/06/2010 de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, sobre previdência complementar privada em regime aberto. Foram excluídos do lançamento as parcelas correspondentes ao reembolso ensino e diferenças entre RAIS e GFIP. Com isso, mantiveramse as parcelas de reembolso de transportes, reembolso de vestuário e utilidades diversas. A fiscalização não lavrou autode infração por descumprimento de obrigações acessórias. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Acórdão: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. O cerceamento de defesa é vício que somente se pode configurar após a instauração da fase litigiosa do procedimento de que trata o art. 142 do Código Tributário Nacional, de modo que não há cogitarse de nulidade do lançamento por eventuais omissões ou obscuridades no correspondente relatório fiscal. DESPESAS COM EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. CONDIÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. NULIDADE. Impõese a nulidade do respectivo levantamento quando não suficientemente demonstrado, pela fiscalização, que os valores despendidos pela empresa com educação de seus empregados se situam no campo de incidência das contribuições previdenciárias. BATIMENTO RAIS X GFIP. DIFERENÇAS. DEMONSTRAÇÃO. INSUFICIENTE. LANÇAMENTO. NULIDADE. Impõese a nulidade do respectivo levantamento quando não suficientemente demonstradas, pela fiscalização, as diferenças apuradas no batimento dos dados da RAIS com os da GFIP, sobre as quais foram calculadas as contribuições previdenciárias exigidas. USO DE VEÍCULO DO EMPREGADO. NÃO COMPROVAÇÃO. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. Quando não comprovado que os pagamentos feitos aos empregados se destinavam, efetivamente, ao ressarcimento de despesas com uso de veículos de propriedade destes, os valores despendidos pelo empregador integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. VESTUÁRIO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 502 3 O valor pago em dinheiro ao trabalhador, a título de reembolso de despesas com vestuário, integra o saláriodecontribuição do trabalhador e, também, a base de cálculo das contribuições da empresa. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA. O valor pago pela pessoa jurídica a título de contribuição a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, somente não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se o programa for disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. SEGURO DE VIDA. EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA. O valor pago pela pessoa jurídica a título de prêmio de seguro de vida de seus trabalhadores, somente não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se o benefício estiver previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, ainda, for disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. MULTA MAIS BENÉFICA. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. PAGAMENTO. Tendo em vista que o percentual relativo à multa de que trata o art. 35 da Lei n° 8.212/91 varia conforme a fase em que se encontra o processo administrativo tributário, somente por ocasião do pagamento das respectivas contribuições é que poderá ser avaliada se tal penalidade é mais benéfica do que a prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. ... 2o) Contudo, foi constatado que grande parte dos valores pagos equivocadamente como cota utilidades se referem, em verdade, a complementos do salário contratual, rotulados de reembolsos de transporte, vestuários, ensino, dentre outros, supondose estar em conformidade com o Acordo Coletivo de Trabalho celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, de acordo com a tabela do item 2.5 do citado relatório; ... 4o) As utilidades em questão, rotuladas de reembolsos de transportes, vestuários, ensino, dentre outros, foram pagas como complemento do salário contratual, cuja condição indenizatória, alegada pela empresa, foi descaracterizada, inclusive, pelo Ministério SP BARUERI DRF do Trabalho e Emprego, através de sua Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo, ou seja, pelo próprio órgão que homologou o acordo coletivo retro citado; ... 5o) De fato, em fiscalização realizada no ano de 2007, o Auditor do MTE assim relatou: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 503 4 Valendose desse expediente ilícito, simulando pretenso "reembolso" de despesas com "utilidades ", a empresa estaria sonegando a seus trabalhadores o reconhecimento e o pagamento de diversos direitos incidentes sobre o salário, como férias, 13° salário, FGTS, etc, bem como deixando de recolher os tributos incidentes sobre a folha de pagamento de salários, como contribuições previdenciárias e imposto de renda, com a agravante de não manter documentação de prestação de contas desses pagamentos irregulares. Estaria, ainda, a empresa, amparada em Acordo Coletivo de Trabalho para realização desses pagamentos ... Ora, a despeito da inegável importância dos instrumentos coletivos de trabalho, e da sua eficácia ser constitucionalmente garantida, não se pode admitir que tais diplomas sobrepujem tão frontalmente o Ordenamento Jurídico Tributário e Trabalhista, criando uma espécie de ordenamento próprio, alheio às normas cogentes à que está submetida toda a sociedade ". 8o) O presente auto é composto dos seguintes levantamentos: a "RT", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de transportes", no valor de R$ 1.175.682,98; ° "RE", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de ensino", no valor de R$ 388.175,93; • "RV", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de vestuário", no valor de R$ 227.036,01; ° "RU", referente às remunerações pagas como "utilidades diversas", que não se enquadram nos levantamentos anteriores, no valor de R$ 15.969,24; ° "RG", referente às parcelas remuneratórias informadas na RAIS e não declaradas em GFIP, no valor de R$ 283.260,63; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Houve cerceamento de defesa, na medida em que: 1) A classificação do fiscal com relação aos pagamentos por ele nominados como complementação de salário é genérica, não permitindo ao contribuinte identificálos para fins de defesa; 2a) O fiscal referese a remunerações originadas de diferenças entre os dados da RAIS e da GFIP, mas não esclarece que tipo de remuneração é essa; 3a) Da análise desses documentos, relativos aos anos de 2006 e 2007, é fácil verificar que um é espelho do outro, ou seja, que todas as informações prestadas na RAIS o foram, igualmente, em GFIP; 4a) Exemplificando, no levantamento "RG", foram lançadas como base de cálculo, nas competências 01/2006, 03/2006, 05/2006, 06/2006, 09/2006 e 11/2006 as importâncias de R$ 67.545,00, R$ 35.477,88, R$ 65.819,00, R$ 25.159,84, R$ 44.955,36 e R$ 55.744,91, respectivamente, mas em nenhum momento o fiscal informou a origem desses pagamentos ou os supostos beneficiários; e 5a) Nenhum débito Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 504 5 pode ser atribuído ao contribuinte que não seja claramente apurado e demonstrado pela fiscalização, pois nossa legislação veda a presunção de débito fiscal; 1) Faltou ao fiscal atuar com legalidade e responsabilidade na apuração dos fatos apontados como fundamentos do lançamento, o que claramente viola os princípios norteadores do Processo Administrativo; 2a) Os atos da administração pública são vinculados, devendo ser fundamentados, justificados e comprovados, sendo vedado ao poder público imputar falsa responsabilidade ao contribuinte, além do que, sendo o lançamento fiscal um ato administrativo, tem o mesmo de obedecer aos princípios que regem essa categoria de atos, dentre os quais a legalidade, a oficialidade, a inquisitoriedade, a vinculabilidade e a verdade material; 3a) Neste sentido, os lançamentos "outras utilidades" e "diferenças RAIS x GFIP" compõem valores que não configuram fato imponível do tributo objeto da presente notificação, pois a base de cálculo utilizada pelo Sr. Auditor Fiscal não retrata a realidade dos fatos; 4a) Considerando que a empresa disponibilizou todos os documentos requeridos pelo fiscal, não poderia este realizar o lançamento por arbitramento, pois isto afronta o art. 148 do Código Tributário Nacional e os §§ 1o , 3o , 4o , 5 o e 6o do art. 33 da Lei n° 8.212/91; 5a) Ademais, parte do débito apurado decorreu de procedimento por aferição e parte por arbitramento, sem, no entanto, que o auditor fiscal tenha apresentado a fundamentação legal de tais procedimentos. Da utilidade "Educação" 1) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos pagamentos relativos à educação e ensino de empregados (art. 458, § 2o , inciso II), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende que o pagamento de despesas com ensino e instrução é inerente à função social da empresa, valor fundamental do nosso ordenamento jurídico; 2a) Também na esfera previdenciária, o pagamento de despesas com educação dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XIX do § 9o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do pagamento feito à instituição de ensino com a qual a autuada estabeleceu convênio; 4a) A autuada possui cópia de todos os convênios firmados com instituições de ensino, tais como os celebrados com o Centro Universitário FIEO, com a Faculdade de Informática e Administração Paulista e com a Faculdade Módulo Paulista, por meio dos quais seus empregados teriam descontos nos cursos de graduação e pós graduação mantidos por essas instituições; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 505 6 5a) O incentivo ao estudo e à formação concedido aos seus empregados não se limitava apenas ao nível superior, mas em muitas situações a autuada também custeava mensalidades de ensino fundamental e médio, como se vislumbra no reembolso da mensalidade do Instituto Paulista Adventista de Educação e Assistência Social, feito a Gustavo Rodrigues; 6a) De todo modo, a autuada apenas reembolsava as despesas de ensino após a entrega do recibo ou do comprovante de pagamento da mensalidade devidamente quitado pelo beneficiário; e 7a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências outubro de 2006 e junho de 2007, quando foram gastos, respectivamente, R$ 1.406,27 e R$ 2.143,00 com reembolso referente a educação , tornando impossível à autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. • Da utilidade "Transporte" 1a) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos pagamentos relativos à reembolso de despesas com transporte (art. 458, § 2o , inciso III), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende ser essa despesa essencial para o bom desenvolvimento da prestação de serviços, pois, caso o empregado se utilizasse dos próprios recursos, ocorreria um enriquecimento ilícito por parte do empregador, o qual, por força de lei, deve exclusivamente suportar o risco da atividade econômica; 2a) Também na esfera previdenciária, o reembolso de despesas de transporte dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XVIII do § 9 o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do pagamento em apreço. 4a) Para a apuração do quanto a ser pago a cada trabalhador, a autuada, por meio do site "www.apontador.com.br". calculava a distância percorrida diariamente pelo empregado no percurso casa trabalhocasa, e pagava R$ 0,89 por quilômetro percorrido, multiplicando tal valor pelo número de quilômetros percorridos pelo empregado durante o mês; 5a) A autuada possui cópia de todos os relatórios de despesas com quilometragem elaborados por seus empregados e dos comprovantes de residência dos mesmos, para que o reembolso corresponda à distância por eles efetivamente percorrida, de modo que não tivessem nenhum ônus para desempenhar as suas atividades, tal como prevê a lei; e 6a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas relativas a reembolso de transporte por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências abril de 2007 e agosto de 2006, quando foram gastos, respectivamente, R$ 5.991,95 e R$ 16.788,12 com a utilidade em apreço , tornando impossível à Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 506 7 autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Da utilidade "Vestuário" 1) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos vestuários fornecidos e utilizados para a prestação de serviços (art. 458, § 2o , inciso I), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende que se o empregado tivesse que pagar o vestuário e ferramentas necessários ao desempenho de suas atividades, assumiria encargos típicos da atividade econômica, o que não faz sentido, à luz do art. 2 o da CLT; 2a) Também na esfera previdenciária, o reembolso de despesas de transporte dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XVII do § 9 o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do reembolso de vestuário necessário à prestação de serviços; 4a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas relativas a reembolso de vestuário por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências dezembro de 2006 e fevereiro de 2007, quando foram gastos, respectivamente, R$ 2.216,93 e R$ 3.055,00 com a utilidade em apreço , tornando impossível à autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Das "Diferenças RAIS x GFIP" 1) A autuada preencheu e apresentou as RAIS dos anos de 2006 e 2007 de acordo com o respectivo Manual de Orientação, procedeu ao correto preenchimento das GFIP de todas as competências daqueles anos, e recolheu integralmente as contribuições ao FGTS; 2a) Além disso, as informações prestadas nas RAIS o foram também nas GFIP, não havendo, pois, que se falar em diferenças de valores; e 3a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, o auditor fiscal não discriminou de modo detalhado quais são essas parcelas remuneratórias e os respectivos sujeitos passivos da obrigação tributária que apresentam diferenças entre a RAIS e as GFIP, em cada uma das competências em que essas supostas divergências foram identificadas ou seja, não se observa a matéria sobre a qual poderá incidir o tributo, porquanto não detalhadamente discriminados os objetos das parcelas remuneratórias decorrentes das supostas diferenças , o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Das "Outras utilidades" Ia) Tratamse de utilidades oferecidas aos empregados para o trabalho, e não pelo trabalho, não se caracterizando como contraprestações do serviço; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 507 8 2a) Ademais, muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, o auditor fiscal não procedeu a uma descrição detalhada, contendo uma discriminação pormenorizada, das utilidades a que se refere no presente auto vale dizer, não se observa a matéria sobre a qual poderá incidir o tributo, porquanto não foram discriminados os objetos das utilidades mencionadas , o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99; 3a) Inclusive, existe a possibilidade dessas utilidades se referirem aos benefícios já impugnados nos itens anteriores, com o que estaríamos diante de caso de dupla tributação; • Dos encargos moratórios e da multa de ofício Ia ) A multa de ofício exigida in casu não pode prevalecer, tendo em vista que a autuada pautou toda sua conduta por normas válidas do direito do trabalho, sendo totalmente escusável qualquer violação que eventualmente tenha ocorrido na seara tributária; 2a) Entendimento contrário arriscaria a segurança do sistema jurídico, que já não se poderia denominar "sistema" se fosse tão desarticulado em suas disciplinas, o que se evita observandose o disposto no art. 112 do CTN e o inciso XIII do art. 2 o da lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal; 3a) Acrescentese que a multa administrativa não se destina à punição de empresas que conduziram seus atos na certeza de observarem a lei e o melhor aos seus funcionários; 4a) Ainda que assim não fosse, a multa de ofício de 75%, atualmente prevista para os casos de falta de recolhimento das contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, não pode ser aplicada ao presente caso, pois, antes da publicação da Medida Provisória n° 449/2008, era cabível a multa de mora, hoje limitada a 20% pelo artigo 61 da Lei n° 9.430/96; 5a) A pretensão de aplicação da multa de ofício aos créditos tributários cujos fatores geradores ocorreram nos exercícios de 2006 e 2007, afronta diretamente o art. 106, II, do CTN, que autoriza a aplicação retroativa da multa de mora atualmente prevista na legislação para as contribuições a que se refere a lei de custeio e cujos fatos geradores sejam anteriores à MP n° 449/2008; e 6a) Por conseguinte, a multa deve ser reduzida para o percentual de 20%, em atendimento à legislação mais benéfica ao contribuinte. É o Relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001896/201008 Resolução nº 2402000.275 S2C4T2 Fl. 508 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conforme relatado, a fiscalização, constituiu crédito sobre "reembolso de transportes", "reembolso de ensino", "reembolso de vestuário", "utilidades diversas" e referente às parcelas remuneratórias informadas na RAIS e não declaradas em GFIP. Foram excluídos do lançamento as parcelas correspondentes ao “reembolso ensino” e “diferenças entre RAIS e GFIP”. Como se sabe, de acordo com o artigo 28, §9º da Lei nº 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos legais, não há incidência da contribuição sobre as parcelas de transporte, ensino e vestuário. Logo, uma vez comprovada a efetiva despesa, a presunção é pela não incidência que, para ser afastada, deverá a fiscalização demonstrar quais requisitos não foram cumpridos como, por exemplo, não os disponibilizar para todos os segurados empregados e dirigentes e outros de acordo com a parcela. Considerando que a recorrente apresentou comprovantes de reembolso das despesas com transportes e ensino e nota fiscal de aquisição de vestuário, para que se possa examinar a incidência ou não é necessário que a fiscalização se pronuncie sobre a pertinência desses documentos e as razões que levaram à constituição do crédito. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o relatório conclusivo a ser redigido pela fiscalização. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11030.001446/2003-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/11/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração devem ser rejeitados quando inexistem as omissões e contradições apontadas.
Numero da decisão: 3403-001.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Os embargos de declaração devem ser rejeitados quando inexistem as omissões e contradições apontadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 14 46 /2 00 3- 71 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos ao Acórdão 340300.734 em tempo hábil pela PGFN sob a alegação de que o julgado teria omissão/contradição e obscuridade. O referido Acórdão, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para anular o processo “ab initio”, sob os fundamentos externados na seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO – NULIDADE – FALTA DE MOTIVAÇÃO – ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Não pode subsistir uma autuação fiscal que apenas descreve como motivação concreta da ocorrência o termo “outros”, sendo nulo a lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como pretender a manutenção de exigência fiscal com um suporte de fatos e fundamentos que apenas veio a ser construído com o julgamento da impugnação, pelo Órgão Julgador. O lançamento tem de bastar em si mesmo, devendo conter todos os elementos de fato e de direito necessários para a constituição válida do crédito tributário. O relator do referido acórdão, Ivan Allegretti, apontou que o lançamento eletrônico não considerou que o contribuinte havia realizado compensação com crédito decorrente de processo judicial, sendo que a compensação havia sido informada em DCTF. Porém a motivação do auto se limita a indicar a informação “outros” para justificar o lançamento, e completa: Com efeito, não houve fiscalização ou pedido de informação para saber da efetiva existência ou não da compensação, ou da origem do crédito, ou da viabilidade da compensação por qualquer motivo. Por sua vez, o julgamento da DRJ imiscuiuse na interpretação da decisão judicial, pretendendo assim julgar a própria compensação que não foi analisada pelo lançamento. A Embargante por sua vez alega que o colegiado tratou a questão como se o objeto do litígio envolvesse “homologação da compensação” relativa à ação judicial, e para justificar transcreve o seguinte trecho do acórdão em que o relator ataca a decisão da DRJ: O lançamento sequer se fundou em legislação aplicável à compensação, nem se refere a ela na descrição do caso concreto, mesmo porque, como visto, tudo quanto se indica como ocorrência concreta é a expressão “outros”. É o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão, Relatora. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11030.001446/200371 Acórdão n.º 3403001.730 S3C4T3 Fl. 124 3 Conforme exposto no relatório, segundo a embargante a omissão ou contradição consistiria no fato do voto ter entrado no mérito da compensação, sendo que a compensação estaria sendo discutida em outro processo, e assim conclui a Embargante: Em razão do exposto, “concessa venia”, não cabe ser reaberta a discussão sobre a compensação, nem muito menos desqualificar o auto de infração sob a alegação, equivocada, de que o litígio residiria na idoneidade da compensação. Entendo que não existe a omissão apontada, pois o Relator consignou textualmente em seu voto que o lançamento nada tratou de compensação, conforme se verifica verbis: O lançamento foi fundado na falta de recolhimento. Nada tratou da compensação. E conclui o Relator seu voto no seguinte sentido: O auto de infração não pode ser mantido ante a sua precariedade, sendo nulo por absoluta falta de amparo fático. E também porque não se poderia pretender mantêlo com uma motivação de fatos e direitos que apenas surgiu no julgamento de Primeira Instância. O julgamento veiculou de maneira inédita fatos e fundamentos que simplesmente não constam do lançamento. (grifos acrescidos) Em face do exposto, por entender que não houve qualquer omissão ou contradição no acórdão embargado, mas sim equívoco na compreensão do Acórdão pela Embargante, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Raquel Motta Brandão Minatel. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 29 /11/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10875.905243/2009-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 43 /2 00 9- 47 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 53): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905243/200947 Acórdão n.º 3802001.331 S3TE02 Fl. 103 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7288, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 66) e o protocolo do recurso, em 12/03/2012 (fls.71). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 61). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 40). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905243/200947 Acórdão n.º 3802001.331 S3TE02 Fl. 104 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) No presente caso, o Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 74). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905243/200947 Acórdão n.º 3802001.331 S3TE02 Fl. 105 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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