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Numero do processo: 13896.907166/2008-29
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilhas com remissão a Notas Fiscais não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas.
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1801-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilhas com remissão a Notas Fiscais não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 71 66 /2 00 8- 29 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 592 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0532.160/11 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas, fls. 488 a 495, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar, em parte, as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 40 e 324 a 327. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase do Despacho Decisório n° de rastreamento 790546710, emitido em 09/09/2008, pela DRF Barueri/SP, à fl.44, não homologando a compensação formalizada pela contribuinte em epígrafe, na DCOMP n° 33371.29107.150806.1.3.038129 (fls. 01/41), bem como nas Dcomp n° 08665.15309.080906.1.3.037843 e 23548.78666.150906.1.3.036071, cópia às fls. 324/327, relativa ao saldo negativo de CSLL apurado no período de 01/04/2005 a 30/06/2005, no valor de R$ 152.880,44, e os débitos demonstrados abaixo: [tabela – débitos] Nos sistemas informatizados da RFB verificase que, em 28/02/2007, foi emitida intimação (n° de rastreamento 672913247) vinculada à DCOMP referida, porque constatado que o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ (fls. 42), solicitandose a retificação da DIPJ ou a apresentação de DCOMP retifícadora. A ciência do interessado se verificou em 08/03/2007. Nada sendo feito e subsistindo tais inconsistências, foi emitido despacho decisório de nãohomologação das compensações, conforme exposto: [...] Cientificada do ato de não homologação da compensação, em 17/09/2008, e discordando da cobrança dos débitos compensados, em 17/10/2008, a contribuinte, por meio de seu representante legal, apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 46/47, na qual registra os seguintes esclarecimentos. Assevera que por ser a manifestante empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária, sofre retenção de IRRF em todo o faturamento, gerando saldo credor relevante. Alega possuir saldo negativo de CSLL relativo ao 2o trimestre de 2005 no valor de R$ 153.786,70, composto integralmente por CSLL retida na fonte de mesmo valor (vez que houve prejuízo no período). Com vistas a provar o alegado, junta aos autos Relatório detalhado com a relação das Notas Fiscais emitidas entre 01/04/2005 e 30/06/2005 (fls. 58/309), discriminando as retenções efetuadas durante o período em análise. Afirma que: verificamos que a DIPJ, também consta um valor maior para compensação do que deveria, mas não superior do que foi utilizado na referida Per/D comp, para que o saldo negativo da DIPJ, fique correto estamos retificando a, ainda sobrando um valor para compensação futura de R$ 905,66. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 593 3 Aduz que não teria como retificar a PER/DCOMP, em virtude do despacho decisório. Encerra requerendo a homologação total da PER/DCOMP 33371.29107.150806.1.3.038129. [...] Voto [...] A partir das informações constantes da Dcomp em litígio, constatase que o reconhecimento de direito creditório pretendido perfaz a importância de R$ 152.880,44, informada como "Crédito Original utilizado", presente no documento objeto de apreciação. Como relatado, o Despacho Decisório aponta, como motivo para o indeferimento, a impossibilidade de confirmar a apuração do referido crédito, pois a Declaração de Informações EconômicoFiscais da PessoaJurídica (DIPJ) registra a existência de saldo negativo diverso do apontado em Dcomp. Em sua defesa, a interessada assevera ter créditos decorrentes de retenções na fonte, cujo total redundaria em R$ 153.786,70, juntando relação detalhada das Notas Fiscais emitidas no período, com os respectivos valores retidos. Observese que, como mencionado no Relatório, anteriormente ao Despacho Decisório, uma intimação foi emitida, tendo sido dada à contribuinte a oportunidade para efetuar as necessárias retificações. Nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, fls. 328/332, foi localizada apenas a DIPJ/2006, anocalendário de 2005, entregue em 29/06/2006, de n° 1035917, contendo os seguintes valores: [tabela] A partir do demonstrativo acima, depreendese que o valor do saldo negativo informado na DCOMP apresentada, de R$ 152.880,44, mostrase divergente do apurado pela interessada em sua DIPJ válida, de R$ 154.953,60. Dessa forma, conforme informado pela própria Manifestante, concluise ter ela se equivocado no preenchimento da DCOMP em análise. [...] Uma vez que a DIPJ válida apresenta crédito de saldo negativo integralmente composto de antecipações a título de CSLL retida na fonte, tornase necessária a verificação da ocorrência de sua efetiva retenção, a qual deveria ser comprovada mediante apresentação dos respectivos informes emitidos pelas fontes pagadoras (o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em Dirf apresentada pelas fontes pagadoras). Registrese que, para utilização da contribuição retida como dedução na Ficha 17 da DIPJ de apuração trimestral, fazse necessário que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. Vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, este deve estar fundamentado e acompanhado de documentação Fl. 763DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 594 4 comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. De fato, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. Decorre, daí, que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso de saldo negativo ou saldo credor de CSLL, que seja comprovada a regular apuração do tributo devido no período, bem como as deduções efetivadas a título de antecipações, tais como a efetiva retenção da CSLL. Por conseguinte, o indébito não se constitui automaticamente do saldo negativo apontado nas declarações entregues à Receita Federal, tendo em conta que o resultado declarado pelos contribuintes deve obrigatoriamente refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitandose, assim, à comprovação documental para aferição da certeza do crédito pleiteado. Em face do princípio da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do crédito tributário, é dever da Administração analisar a correta composição e procedência do direito creditório invocado pelo sujeito passivo em Declarações de Compensação, o que pode levar à verificação da efetiva retenção efetuada. Reprisese que a efetividade da retenção da CSLL, incidente sobre os rendimentos de prestação de serviços incluídos na base de cálculo tributável do anocalendário, é comprovada pelos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras. Vejase o que prevê a IN n° 459 a respeito do assunto: [IN SRF nº 459/04 – art. 12, §§ 1º e 2º] Como se vê, é obrigação da fonte pagadora o fornecimento do documento anual comprobatório da retenção da CSLL retida na fonte, competindo aos beneficiários a sua guarda e contabilização. Ressaltese que não houve a apresentação de quaisquer comprovantes de retenção ou informes de rendimentos pela interessada. Insta ainda mencionar que a apresentação de relação de Notas Fiscais emitidas não se mostra suficiente para comprovar a efetividade e/ou o valor da retenção da contribuição pelas fontes pagadoras, fazendose necessária a participação das empresas destinatárias dos documentos, com o fornecimento do informe de rendimentos à prestadora de serviços, bem como o registro em DIRF dos valores retidos. [...] Com base no exposto, elaborase o demonstrativo abaixo, onde são desmembrados os valores de CSLL, código 5952 Retenção de Contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado CSLL, Cofins e PIS /PASEP, e código 5987 CSLL Retenção sobre Pagamentos de Pessoa Jurídica a Pessoa Fl. 764DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 595 5 Jurídica de Direito Privado (art. 30 da Lei n° 10.833/2003), conforme extraídos dos valores declarados em DIRF: [tabela – vlrs CSLL retidos em DIRF] Conforme destacado no demonstrativo acima, há rendimentos sobre os quais as retenções efetuaramse em desacordo com o previsto na Lei 10.833/2003, vez que não restou observada a alíquota prevista em seu art. 31, de 4,65% (0,65% referente ao PIS, 3% de Cofins e 1% da CSLL). Pois veja: [tabela – vlrs CSLL não considerados] Constatase, portanto, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF/2005), haver CSLL retida durante o 2o trimestre de 2005, sob os códigos 5952 e 5987, tendo como beneficiária a Contribuinte, no valor total de R$ 74.315,35 (fls. 333/463), valor este diverso do montante indicado na DIPJ/2006 válida, de R$ 154.953,60. Assim, ausentes os documentos hábeis a comprovar o saldo credor de CSLL declarado, não há como se reconhecer, a título de antecipações da CSLL do período, os demais valores não informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Registrese que as receitas de prestação de serviços relativas ao 2o trimestre informadas na Linha 08 da Ficha 06 A (fls. 329 verso) da DIPJ ativa (R$ 15.747.155,70) comportam o montante de rendimentos computados nas DIRF (R$ 7.563.100,86). Nessas circunstâncias, admitese a ocorrência de equívoco no preenchimento da DIPJ n° 1035917 , ativa quando da emissão do despacho decisório recorrido, ao informar crédito de CSLL retida na fonte quando da apuração da CSLL devida no 2o trimestre de 2005 diverso do declarado em DIRF. Sendo assim e considerando que as retenções admitidas como dedução na apuração da CSLL devida são aquelas que, além de terem o correspondente rendimento oferecido a tributação, forem comprovadas por meio de comprovantes de rendimento (o que pode ser suprido por confirmação da DIRF), impõese reconstituir, para o período em análise, a Ficha 17 da DIPJ em função dos valores passíveis de verificação e confirmação nos sistemas informatizados, de modo a considerar o valor antecipado a título de CSLL de R$ 74.315,35, acima demonstrado, obtendose em conseqüência: N° DIPJ/2006 2° trim. 2005 1035917 VOTO Data de Entrega 29/06/2006 CÂLCULO CSLL 39. Total da CSLL 0,00 0,00 47. () CSLL retido na fonte p/ outras PJ (Lei 10.833/2003) 154.953,60 74.315,35 18. CSLL A PAGAR 154.953,60 74.315,35 Dessa forma, fica validado o saldo negativo de CSLL apurado em 30/06/2005 no valor de R$ 74.315,35, passandose, então, à verificação de eventuais utilizações pela contribuinte, em outros procedimentos, do saldo negativo de CSLL ora validado, mediante consultas aos sistemas de processamento da RFB, aferindose, assim, o montante disponível para as compensações declaradas ora em litígio. [...] Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 596 6 Restando confirmada, junto aos sistemas de processamento da RFB a não utilização do saldo negativo de CSLL do 2o trimestre de 2005, relativa a parcela ora validada de R$ 74.315,35, cumpre homologar a compensação até esse valor.” (grifos não pertencem ao original) Irresignada, a empresa interpôs tempestivamente Recurso de fls. 502 a 520, reiterando os termos da exordial, em síntese: a) ressalta que as planilhas informativas de Notas Fiscais de prestações de serviços anexadas aos autos compatibilizamse com o detalhamento do crédito pleiteado no valor de R$ 152.880,44 veiculado nas Dcomp; anexa ao recurso estas planilhas; b) este relatório foi confrontado com as informações obtidas junto aos clientes, tomadores dos serviços; c) não é admissível a glosa efetuada pela turma recorrida com fulcro nos valores obtidos e calculados com base nas DIRF; d) a própria turma julgadora reconheceu que na DIPJ/06 foi oferecido à tributação a receita no valor de R$ 15.747.155,70; a recorrente pleiteia R$ 154.417,55 a título de CSLL retida pelas fontes pagadoras no período, valor este inferior àquele que corresponde a alíquota de 1%, representado por R$ 157.471,55 – prevista legalmente; e) a diferença constatada é em razão de ocorrência das hipóteses elencadas nos artigos 30 e 31 da Lei nº 10.833/03 (quando as pessoas tomadoras dos serviços são Simples, quando os valores são inferiores a R$5.000,00); f) o princípio norteador do processo administrativo fiscal é o da verdade material, devendo ser buscada, admitindose, inclusive, a juntada de documentos após a impugnação; cita ementas de acórdãos administrativos; g) discorre sobre a suspensão de exigibilidade consagrada no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Propugna, por fim, o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 153.786,70, posto que ofereceu à tributação R$ 15.747.155,70 e diz que vai instruir os autos com os informes de rendimentos fornecidos pelos clientes, embora o prazo já esteja prescrito e isto não possa ser sancionado. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 597 7 O cerne do litígio está em admitirse como comprovação das retenções de CSLL para o período do 2º trimestre de 2005 as listagens fornecidas pela recorrente, vinculadas às Notas Fiscais emitidas pelas prestações de serviços realizadas. A recorrente parte da premissa que tem direito à restituição de valores de CSLL calculados à alíquota de 1% sobre a receita faturada e informada na DIPJ respectiva, salvo algumas exceções estabelecidas na norma tributária que dispensam a retenção e recolhimento antecipado dos tributos. A tese da recorrente não merece ser acolhida. Como fartamente explicitado no acórdão combatido, o documento hábil para comprovar a retenção efetuada pelas fontes pagadoras é o informe de rendimentos ou a própria declaração de informações de retenções – DIRF. A jurisprudência deste Conselho é mansa neste sentido, não sendo suficiente a apresentação de mera relação de Notas Fiscais desprovida de prova efetiva dos recolhimentos, visto que o que não foi recolhido à Fazenda Nacional não pode ser objeto de pedido de restituição. Por esta razão, a exigência do informe de rendimentos anual por parte do beneficiário é condição sine qua non para proceder à contabilização dos valores retidos e que consistirão em eventuais créditos. No presente processo a recorrente promete trazer os informes de rendimentos dos clientes que não informaram em DIRF as retenções (já consideradas na decisão de primeiro grau), mas não logrou fazêlo. Observese que a obrigatoriedade de exigir os referidos informes de rendimentos é sua, ainda que a empresa, tomadora dos serviços, não tenha tido a iniciativa de fazêlo, podendose lhe impor esta obrigação, por ser de natureza legal. Não pode a recorrente, por omissão sua na época da ocorrência dos fatos e em que deveria ter procedido à contabilização dos valores, requerer que a administração tributária aja em seu favor, a destempo. Equivocase a recorrente ao tentar eximirse da obrigação de possuir tais documentos para respaldar o pedido de restituição dos valores dos tributos retidos por terceiros em seu nome. Assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99), que consolida a legislação tributária sobre a matéria: Beneficiário Pessoa Jurídica Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 598 8 calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Subseção III Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifos não pertencem ao original) Ademais, a recorrente é obrigada por lei a manter em guarda e em bom estado os documentos sobre os quais se firmam direitos ou obrigações discutidos em litígios, até que estes se findem na esfera administrativa, ou judicial. O prazo de cinco anos não pode ser oposto neste caso, portanto. Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000/99 (RIR/99) Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Recentemente, no mesmo posicionamento ora esposado, foi julgado o processo nº 10882.901990/200674, versando sobre a mesma matéria e de interesse da recorrente. Assim restou ementado o Acórdão nº 1301000.872, em 10 de abril de 2012: “SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO N A FONTE. A divergência verificada entre os registros de retenção na fonte apontados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros de dados mantidos pela Fazenda Pública podem/devem ser elididos pela apresentação dos respectivos documentos emitidos pela fonte pagadora que comprovem a efetivação da retenção (Informe de rendimentos). A ausência de comprovação pela contribuinte, apesar de reiteradamente intimada para tanto, atua contra ela, fazendo prevalecer, assim, a incerteza do crédito apontado, e a impossibilidade de admissão da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.907166/200829 Acórdão n.º 1801001.193 S1TE01 Fl. 599 9 Os membros da Turma acordam, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.” No mesmo diapasão, decisão proferida pela Primeira Câmara/1ª Seção/Carf – Acórdão nº 110100.688, em 16 de março de 2012: “COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES. PROVA. Na ausência de comprovantes de retenção e ante a declaração a menor de retenções pela fonte pagadora em DIRF, cabe à interessada trazer aos autos as correspondentes notas fiscais de serviço e a prova de seu recebimento pelo valor líquido do IRRF, bem como declaração fidedigna da fonte pagadora de que estes valores especificamente retidos foram recolhidos aos cofres públicos. Evidências contábeis destas alegações são insuficientes para o reconhecimento do crédito pretendido, especialmente quando fonte pagadora e beneficiária são geridas pelo mesmo diretor presidente.” Desta forma, a recorrente não trouxe ao litígio documentação comprobatória capaz de atribuir a liquidez e certeza ao crédito ora pleiteado. Por esta razão, inadmissível o reconhecimento de qualquer crédito além do valor já reconhecido na decisão de primeira instância comprovado nas DIRF entregues pelas fontes pagadorasclientes da recorrente, na qualidade de beneficiária. Por derradeiro, incabível a sua argumentação de que por haver auferido determinado valor de receita no período em questão, faz jus a 1% do valor que supostamente deveria ter sido recolhido antecipadamente à Fazenda Nacional, a título de CSLL, sem apresentar qualquer prova que fundamente a ocorrência deste fato (retenção e recolhimento) efetivamente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 14485.000089/2007-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999
DECADÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO POR PARTE DO CONTRIBUINTE AUTUADO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, §4°, DO CTN. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, havendo pagamento antecipado parcial por parte do contribuinte, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. Decadência que se configurou na hipótese.
Numero da decisão: 9202-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire .
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO POR PARTE DO CONTRIBUINTE AUTUADO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, §4°, DO CTN. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, havendo pagamento antecipado parcial por parte do contribuinte, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. Decadência que se configurou na hipótese. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 00 89 /2 00 7- 06 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire . Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A autuação teve por objeto débito para com o INSS, concernente a contribuições devidas, incidente em remuneração. Conforme o relatório de NFLD presente às fls. 14 e seguintes: “1. Este relatório é integrante da NFLD n° 35.745.2801, trata se de débito para com a Seguridade Social relativo a contribuições devidas, pelo contribuinte acima identificado, incidente sobre a Remuneração de: a) Mãodeobra utilizada por trabalhadores em cessão de MO. 2. Para melhor compreensão dos valores apurados desta notificação fiscal, o levantamento foi denominado: "STR": período de 07/98 a 01/99. 3. O levantamento "STR", foi lançado através do exame das contas do Razão, Notas Fiscais, faturas e contrato. A empresa não apresentou a esta fiscalização Cópias de Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento GRPS específicas dos segurados que prestaram os serviços, ensejando ao Auto de Infração pela não apresentação de todos os documentos solicitados pela fiscalização. 3.1) Prestadora de Serviços por Cessão de MãodeObra de Trabalhadores Responsabilidade Solidária 3.1.1) No exame dos registros contábeis verificouse que a empresa, no período mencionado, contratou os serviços de trabalhadores no seu estabelecimento. 3.1.2) Foi lançado o presente débito, em razão de não terem sido apresentados, pela empresa contratante as cópias autenticadas das Guias de Recolhimento quitadas (GRPS) e respectivas Folhas de Pagamento específicas conforme dispunha o artigo 31 e parágrafos da Lei N° 8.212/91 OS INSS/DAF n° 176 de 05/12/1997 alteradas pela lei N° 9.711 de 20/11/1998. 3.1.3) Os valores foram apurados de acordo com os dados lançados no Razão e em Notas Fiscais e faturas disponibilizados pelo contribuinte . Fl. 220DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 4 3 3.1.1) O salário de contribuição relativo à mão de obra foi determinado pela aplicação do percentual de 40% sobe o valor total do serviço, conforme o item 11, b da OS INSS/DAF n° 176 de 05/12/1997. 3.1.5) Sendo assim, lavrase o presente débito em nome do contratante por solidariedade com o executor dos serviços prestados, conforme estabelece o art. 31, da Lei N° 8.212 de 24/07/1991 e alterações posteriores. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 33/50). Julgouse procedente o lançamento, nos termos da ementa constante da decisão presente às fls. 65/79: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS E EMPRESA DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. JUROS. Aplicase o instituto da solidariedade quando a empresa tomadora de mãodeobra não comprova o pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa prestadora de serviços, não cabendo o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n.° 8.212/91, com redação dada pela Lei n.° 9.528/97. Os juros e a multa de mora têm caráter irrelevável, a eles aplicandose a legislação vigente em cada competência. Artigo 34 da Lei n.° 8.212/91 c/c parágrafo 6° do artigo 239 do decreto n.° 3.048/99). LANÇAMENTO PROCEDENTE. O contribuinte interpôs recurso (fls. 90/111). Contrarrazões às fls. 115/116. A antiga Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 172/179) deu provimento ao recurso do contribuinte, para declarar a decadência referente às contribuições apuradas, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OCORRÊNCIA. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. JUROS. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do Fl. 221DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 5 4 pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4° do CTN. Recurso Voluntário Provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 184/185), alegando que, no acórdão recorrido, não se demonstrou, de acordo com as provas constantes dos autos, para a aplicação do artigo 150, §4°, do CTN, a existência do pagamento antecipado. Os Embargos não foram conhecidos (fls. 187/188), com base no fundamento de que, em verdade, a aplicação do artigo 150, §4°, do CTN, derase em face de ausência de comprovação, pela Fiscalização, da não ocorrência de pagamento parcial, ressaltandose que: “Em que pese o esforço da Fazenda Nacional em demonstrar a ocorrência de contradição no decisum embargado, deixo de concordar com sua tese. É muito comum nesse tipo de lançamento o fisco lançar apenas as bases de cálculo relativas aos fatos geradores em relação aos quais o autuado não se reconheceu como contribuinte ou responsável pelo recolhimento.” Às fls. 190/195, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento na contrariedade à prova dos autos. Argumentou que: “A r. decisão a quo, data máxima venia, é contrária à evidência da prova, uma vez que não há nos autos qualquer elemento probatório que demonstre a existência de pagamentos relacionados aos fatos geradores em questão. Afastada a premissa fática adotada pelo acórdão recorrido, incide na espécie o art. 173, I, do CTN, que fixa o termo inicial do prazo decadencial como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. A inexistência dos pagamentos se percebe pela consulta ao DAD (Discriminativo Analítico de Débito), fls. 04/05, e ao relatório fiscal, fls. 14/17. Assim, quando não há pagamento, destacase a inexistência de lançamento por homologação, pois o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo. De fato, o presente lançamento teve como fundamento, justamente, a omissão quanto à comprovação de qualquer pagamento relacionado aos serviços prestados, no aludido período, pela contratação de cessão de mãodeobra. Comprovada a ausência de pagamento, cai por terra a conclusão do acórdão recorrido, haja vista que a tese por ele Fl. 222DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 6 5 adotada é, corretamente, no sentido de que somente é aplicável o art. 150, §4°, do CTN, quando há pagamento parcial. Merece destaque a afirmação manifestada pela eminente Relatora do acórdão recorrido, Cleusa Vieira de Souza, ao rejeitar os embargos, segundo a qual "tem sido esse o entendimento adotado quando, compulsandose os autos, não é possível concluir pela ocorrência ou não de antecipação de pagamento" (fl. 187) (Grifouse).(...) A tese adotada pelo acórdão recorrido, a qual, frisese, não está sendo contestada neste recurso, afinal é a defendida pela Fazenda Nacional, pressupõe a prova nos autos do pagamento, o que não ocorreu. Desse modo, o acórdão de origem contrariou a prova dos autos, ao reputar ocorrido o pagamento parcial do crédito tributário lançado. Demonstrada a ausência do pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, o que afasta parcialmente a decadência. Com efeito, segundo esse critério, só estão decaídos os créditos referentes aos fatos geradores até 11/1998, conforme, inclusive, a orientação vencida no julgamento. Por outro lado, os créditos relativos à competência 12/1998 e seguintes não foram extintos, uma vez que somente poderiam ser lançados no ano seguinte, em 1999, sendo o termo a quo decadencial protraído para 1° de janeiro de 2000. Como o lançamento ocorreu em 21/10/2004, ainda não haviam transcorrido os cinco anos do prazo de decadência. Ante o exposto, o acórdão recorrido deve ser reformado, uma vez que a premissa fática adotada não consta nos autos, ou seja, não houve qualquer pagamento referente aos créditos lançados pela NFLD n° 35.745.2801. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 205/213). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente o fundamentou na violação à prova dos autos. No caso, devese decidir pela aplicação, na hipótese, para a contagem do prazo decadencial, do artigo 150, §4°, ou do artigo 173, inciso I, ambos do CTN. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 7 6 O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 8 7 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Discussões surgiram, no entanto, em relação a como se deveria dar tal aplicação, tendo em vista que, na determinação de incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, estabeleceuse, em discrepância com a previsão literal desse dispositivo legal, que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. Neste aspecto, após muitas idas e vindas, e profunda reflexão, consolidei o meu posicionamento no sentido de que a aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça tramitada no rito dos recursos repetitivos deve darse, analisandoo (o acórdão) em face da lei que trata do tema nele versado. Neste passo, é de se ter que o artigo 173, inciso I, do CTN, por diversas vezes citado no acórdão do STJ, dispõe expressa e inequivocamente que o prazo decadencial deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pois bem, superadas tais questões, uma outra acabou por assomar. Analisandose a decisão do STJ, temse que, em princípio, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, nada haveria que ser homologado, de sorte que dispositivo legal regente da decadência, em tal hipótese, é o artigo 173, inciso I, do CTN. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 9 8 Contudo, perquirindose mais detidamente o teor da decisão, podese extrair, expressamente, que: “Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” O que se depreende da passagem transcrita? Que o prazo decadencial contar seá do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: a) quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação; b) quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas este não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação (porque havendo tais posturas por parte do contribuinte, mesmo a existência do pagamento antecipado não elide a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN); c) quando não existe declaração prévia do débito. Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, do CTN. Estas constatações, não se toma por base apenas a passagem mencionada da decisão do STJ. Deveras, analisandose ainda mais a fundo a decisão do STJ, verificase que, em seu bojo, citouse acórdãos do próprio Tribunal que respaldam o entendimento fixado. Ilustrativamente, citese o quanto decidido nos Embargos de Divergência no Resp. n° 276.142 SP, de relatoria do próprio Ministro Luiz Fux: “Impende salientar que a homologação a que se refere o art. 150 do Código Tributário é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, o nãopagamento. Seja qual for, dentre todas as possíveis condutas do contribuinte, ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, dilo o Codex Tributário.” Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 10 9 Desta forma, não se pode desconsiderar aqui tais questões, pois que integram claramente o acórdão cuja aplicação se impõe no âmbito do CARF. Do modo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, devese aferir, no caso concreto, se o contribuinte efetuou o recolhimento antecipado ou se perpetrou declaração prévia do débito. Havendo um ou outro, o prazo decadencial terá início nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Caso contrário, o prazo regerseá pelo artigo 173, inciso I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, a autuação referese aos fatos geradores ocorridos entre 07/1998 e 01/1999. A notificação da NFLD ocorreu em 21/10/2004. Na hipótese, a discussão foi travada, em face do acórdão recorrido, primeiro com a oposição dos embargos de declaração, depois com a interposição do recurso especial, acerca da existência ou não do pagamento parcial. Ao se enfrentar os embargos de declaração, consignouse que a incidência do artigo 150, §4°, do CTN deuse porque não comprovou a inexistência do pagamento antecipado. A recorrente sustentou, em seu recurso especial, veementemente, a inexistência de prova de pagamento antecipado. Ocorre que não há prova do pagamento que era devido pelo prestador do serviço, mas há pagamento de contribuições previdenciárias de forma geral, como se verifica pelo documento de fls. 21 – TEAF em que o Auditor constatou que houve recolhimentos previdenciários da própria Multibrás no período de 07/1998 a 12/1999 (na verdade verificouse recolhimento até 12/2002). Consoante a interpretação que deve ser dada ao julgamento do STJ havendo pagamento por qualquer rubrica de contribuições previdenciárias, pelo contribuinte autuado, este pagamento dá ensejo à aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Como a ciência do auto de infração ocorreu em 21/10/2004, a decadência, em conformidade com o que dispõe o artigo 150, § 4º se configurou no que tange a todos os fatos geradores indicados no lançamento objeto deste processo administrativo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 07 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14485.000089/200706 Acórdão n.º 9202002.441 CSRFT2 Fl. 11 10 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10940.002841/2005-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Constatado que o recurso voluntário impetrado pelo sujeito passivo fora apresentado por pessoa autorizada a fazê-lo, impõe-se sejam acolhidos os embargos para conhecer do recurso apresentado.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Constituindo-se o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade.
ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO.
Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurar-se a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, tem-se como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas.
LANÇAMENTO REFLEXO -CSLL,PIS e Cofins - Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo e não acolher os embargos de declaração opostos pelos coobrigados/responsáveis, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Constatado que o recurso voluntário impetrado pelo sujeito passivo fora apresentado por pessoa autorizada a fazê-lo, impõe-se sejam acolhidos os embargos para conhecer do recurso apresentado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindo-se o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO. Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurar-se a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, tem-se como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. LANÇAMENTO REFLEXO -CSLL,PIS e Cofins - Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de contraditar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. BINGO. Na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurarse a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Não havendo documentos e escrituração das receitas a serem apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 28 41 /2 00 5- 16 Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. LANÇAMENTO REFLEXO CSLL,PIS e Cofins Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo e não acolher os embargos de declaração opostos pelos coobrigados/responsáveis, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo autuado e outros responsáveis solidários (Jair Leite, CPF n° 317.805.55920, Renato Assis Rolim de Moura, CPF n° 318.016.68949, Marcos Antonio da Silva. CPF n° 470.109.40991)com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores). Este colegiado, mediante o Acórdão nº 1802001.273 de 03/07/2012 decidiu pelo não conhecimento do recurso voluntário apresentado pela autuada sob o fundamento de que o mesmo foi apresentado pelo advogado: Gilberto Luiz do Amaral, sem a devida procuração. E, conhecendo dos recursos voluntários regularmente apresentados pelos coobrigados, negoulhes provimento. A autuada tomou conhecimento da decisão acima e mediante o requerimento protocolizado em 13/08/2012 pleiteia a revisão do Acórdão, demonstrando que a decisão embargada incorreu em flagrante erro de fato por considerar que o advogado Gilberto Luiz do Amaral, signatário do recurso da pessoa jurídica, não tinha poderes para tal expediente. A embargante afirma que à folha 1562, consta o substabelecimento que confere poderes ao advogado Gilberto Luiz do Amaral para representar a empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA nos autos deste processo administrativo. Os responsáveis solidários, conforme avisos de recebimento, foram cientificados do Acórdão nº 1802001.273 de 03/07/2012, nas seguintes datas: 07/08/2012 (Jair Leite, CPF n° 317.805.55920, Renato Assis Rolim de Moura, CPF n° 318.016.68949) e 14/08/2012 (Marcos Antonio da Silva. CPF n° 470.109.40991), e apresentaram embargos de declaração nos quais alegam que houve omissão e contradição que viciam o acórdão embargado pelos seguintes motivos: Embargos em 13/08/2012: JAIR LEITE que, a decisão do CARF para concluir sua fundamentação registra ser aplicável o contido no artigo 2° da Portaria PGFN n° 180 de 25/02/2010. Porém, deixou de perceber que quando da lavratura do auto de infração em comento não estava em vigor o contido em tal norma, desrespeitando o princípio que dita a regra de que "o tempo rege o ato." que, é inconcebível reconhecer validade na contraditória afirmação contida na folha 2286 de que o artigo 2o da Portaria PGFN n° 180/2010 torna legal o procedimento de incluir o embargante como responsável solidário da pessoa jurídica autuada. que, a aplicação retroativa do artigo 2o Portaria PGFN n° 180/2010, finda por desrespeitar os termos do artigo 106 do CTN que não possibilita tal aplicação retroativa e por violar o princípio do ato jurídico perfeito e direito adquirido, insculpido no artigo 5o, inciso XXXVI da CF/88, dispositivos legais estes violados com a prolação da decisão ora embargada. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que, as violações acima evidenciam ser contraditória a decisão embargada, além de se mostrar omissa por não combater e não justificar o motivo de não ser aplicado in casu a conclusão tomada pelo CARF quando do julgamento realizado que deu origem ao Acórdão 10196739, com a seguinte ementa: TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NULIDADE Compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda nacional nos casos da responsabilidade prevista nos artigos 128 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada peta fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato. (ACÓRDÃO 10196.739, I a Câmara, I o Conselho de Contribuintes, DOU em: 28.01.2009, Relator: João Carlos de Lima Júnior) que a decisão embargada não combateu a alegação feita pelo embargante de que deveria ser aplicado tal entendimento para afastar sua responsabilidade pela suposta dívida da pessoa jurídica. que, não merece guarida a afirmação posta na decisão recorrida de que observada a natureza jurídica do negócio, poderá a fiscalização adotar a alternativa que lhe parecer mais precisa na busca da verdade material. Como afirmado pela autoridade julgadora que, no presente caso, embora pudesse a fiscalização lançar mão de meio indireto para apuração de omissão de receita constatada, qual seja, o da presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada), optou ela, por um método direto de quantificação dessa omissão, qual seja, o levantamento quantitativo por espécie (aquisição de carteias de bingo), previsto no art. 286 do RIR/99. que, o artigo 286 do RIR/99 não foi utilizado como parâmetro para apuração da suposta omissão de receita; que, o enquadramento legal posto no Auto de Infração aponta os seguintes artigos: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99" (fls. 895). Deste modo, a instância julgadora mudou os contornos postos no AI, tentando de modo temerário justificar o incorreto proceder do AFRF. que, o acórdão embargado não combate a afirmação do embargante feita em recurso de que a decisão então recorrida merecia ser reformada, eis que proferida em total distorção com o contido nos autos. que, conforme apontado no recurso, a base de cálculo utilizada como arbitramento do lucro está totalmente incorreta. O Sr.Auditor Fiscal, procurou através de suposições identificar a receita bruta da empresa recorrente, conforme resta claro em seu depoimento de fls. 269/verso e seguintes. que, o Código Tributário Nacional veda a utilização da analogia para a exigência de tributo não previsto em lei artigo 108 § 1°, e o acórdão embargado é silente sobre a inexistência de violação ao artigo 108, §1° do CTN, motivando assim a oposição deste embargos. que, desrespeitando a regra do artigo 112 do CTN, o Sr. Auditor optou, conforme o enquadramento legal citado, em efetuar o arbitramento como se a receita bruta fosse conhecida. que, no direito tributário vige a busca da verdade material como elemento quantificador do tributo, ou seja, não pode o agente administrativo se utilizar de pressupostos não previstos em lei, para arbitrar o montante da suposta receita omitida, e não podem ainda ser perpetuados os termos do v. acórdão embargado que se apresenta omisso por não enfrentar as Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 4 5 alegadas violações aos termos dos artigos 108, § 1º e 112 do CTN e artigo 286 do RIR/1999. que, não foram observados os ditames do artigo 284 do RIR/99, demonstrando que o arbitramento do lucro se deu como se a receita bruta fosse conhecida e inconteste, conforme se verifica da razão do arbitramento elencada às fls. 894 (art. 530, inciso III do RIR/99), havendo também neste aspecto a repudiada omissão no julgamento pela autoridade fazendária. que, ao contrário do registrado no acórdão embargado, o então recorrente combateu frontalmente os vícios materiais dos lançamentos, do Arbitramento da Receita e do Lucro, e não apenas se insurgiu contra os critérios do arbitramento da receita. Neste sentido, devem ser conhecidos e providos os presentes embargos para que seja enfrentado o mérito recursal. Finalmente requer seja devidamente acolhido e provido os presentes embargos declaratórios, sanandose os vícios apontados para que seja anulado o acórdão n° 1802001.273 decretado o afastamento da responsabilidade solidária do embargante e o cancelamento do auto de infração pela flagrante inconsistência de cálculo em sua lavratura. Embargos em 13/08/2012:RENATO ASSIS ROLIM DE MOURA Os argumentos nos embargos opostos pelo Sr.Renato Assis Rolim de Moura são os mesmos apresentados pelo embargante JAIR LEITE, portanto desnecessário repetilos. Embargos em 15/08/2012: MARCOS ANTÔNIO DA SILVA Além dos argumentos aduzidos pelo embargante JAIR LEITE, o Sr. Marco Antonio da Silva argúi omissão no acórdão embargado pelos seguintes fundamentos: que nas folhas 2197 e seguintes dos autos, registrou em seu recurso jamais ter figurado como sócio da empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, tendo apenas atuado como investidor. O nome do embargante nunca constou no Contrato Social da empresa autuada. Como mero investidor, o embargante não carrega qualquer responsabilidade quanto às dívidas da empresa autuada. que, a decisão embargada, especialmente nas folhas 2287/2288, é silente sobre o pleito do embargante em aplicarse ao caso a Jurisprudência pátria consolidada a respeito da pessoa "investidora", a qual dita que "Não se confundem as figuras do investidor e do sócio; aquele é mero capitalizador do empreendimento, "empresta" seu dinheiro com objetivo de auferir lucro das operações, não cabendo discussão no sentido desse arcar também com os prejuízos da empresa." (Apelação Cível 173.6769 9a Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná Des. Miguel Pessoa Relator); que, não vê na decisão de folha 2288 nenhum fundamento para rebater a alegada necessidade do procedimento de desconstituição da personalidade jurídica da empresa autuada para que a dívida cobrada pudesse recair sobre o embargante. É o relatório. Voto Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os embargos de declaração são tempestivos. Deles conheço. Conforme relatado, este colegiado, mediante o Acórdão nº 1802001.273 de 3/7/2012 decidiu pelo não conhecimento do recurso voluntário apresentado pela autuada sob o fundamento de que o mesmo foi apresentado pelo advogado: Gilberto Luiz do Amaral, sem a devida procuração. E, conhecendo dos recursos voluntários regularmente apresentados pelos coobrigados, negoulhes provimento. A autuada tomou conhecimento da decisão acima e mediante o requerimento protocolizado em 13/08/2012 pleiteia a revisão do Acórdão, demonstrando que a decisão embargada incorreu em flagrante erro de fato por considerar que o advogado Gilberto Luiz do Amaral, signatário do recurso da pessoa jurídica, não tinha poderes para tal expediente. Compulsandose os autos, verifico que houve o erro de fato apontado pela embargante, pois, às fl.1169/1173, encontrase o instrumento de procuração ao advogado Luiz Antônio Pereira Rodrigues com poderes substabelecidos por Cíntia Alferes Chueire para representar a empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA no presente processo administrativo n° 10940.002841/200516. E, posteriormente, à fl.1562, o então procurador Luiz Antônio Pereira Rodrigues substabeleceu os poderes a outros advogados entre os quais Gilberto Luiz do Amaral. Na esteira da situação narrada, é de se retificar o equívoco e consequentemente conhecer do Recurso Voluntário (fls.2080/2107) apresentado pela autuada em 29/03/2011, após ciência da decisão de 1ª instância, por edital (fl.2108), afixado de 11/03/2011 a 29/03/2011. Conforme o relatório da decisão embargada, a defesa da autuada apresentada pelo Advogado: Gilberto Luiz do Amaral, no essencial, é a seguinte que passo a analisála na ordem apresentada. DAS PRELIMINARES Mandado de Procedimento Fiscal e Conseqüente Nulidade do Auto de Infração que o MPF n° 09.1.04.00200400060, é desprovido de qualquer fundamento legal, contendo vícios que o tornam nulo, quais sejam: extinção por decurso de prazo, falta de delegação de competência para emissão do MPF e falta de descrição sumária dos procedimentos de fiscalização. Ferimento ao princípio da ampla defesa Falta de apreciação do pedido de diligências que, pugnou pela realização de diligências, no sentido de ser oficiada a Caixa Econômica Federal para apresentar as prestações de contas efetuadas no período em que aquela instituição financeira tinha competência para exigila. No entanto, a autoridade julgadora deixou de apreciar o pedido do Recorrente, importando em nulidade do julgamento. Sobre o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, qualquer irregularidade na expedição do MPF em nada invalida o auto de infração, pois, é entendimento assentado, nos diversos julgados administrativos que tratam dessa matéria que: Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 5 7 O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o suposto vício estaria em processo estranho aos presentes autos (ACÓRDÃO nº 10423.093, julgado em 06/03/2008 e ACÓRDÃO nº 10423228, julgado em 29/05/2008). Enfim, constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. No tocante à falta de apreciação do pedido de diligência pela DRJ, a alegada omissão é improcedente, pois, para a negação da diligência consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido (fls.1897/1898) o seguinte fundamento : Com relação à alegação de que o lançamento deveria estar baseado nos relatórios fornecidos pela Caixa Econômica Federal, e nas prestações de contas efetuadas pelaempresa no período em que aquela instituição financeira tinha a competência para exigila, não é de ser aceita. Conforme se observa de fls. 37 a 42, a própria CEF oficiou ao Ministério Público Federal contra a autuada, tendo em vista a existência de indícios de irregularidades nas prestações de contas dos recursos por ela (autuada) arrecadados com a exploração dos jogos de bingo. Abrese um parêntese para uma ligeira reflexão: ora, se havia, na empresa, contabilidade e controles diários, como se quer fazer crer nestes autos, como é que a auditoria da CEF não aceitou a prestação de contas deles decorrente? Por outro lato, lodos os impugnantes afirmam que existia rigorosa contabilidade que permitia apurar o verdadeiro resultado do empreendimento, mas que estão impossibilitados de apresentar essa escrita porque teria sido apreendida pela autoridade policial. Nesse propósito, trazem à colação declarações de Luiz Carlos Lopes (fls. 1.141) e de Celso Valério de Andrade (fls. 1.1421.143), ambos afirmando peremptoriamente que tal apreensão ocorreu no dia 06 de maio de 2003. Ora, e porque não apresentaram, então, os registros contábeis dos períodos posteriores? Cabendo mencionar que o primeiro trimestre de 2004 foi aquele em que o Fisco apurou o maior montante de receitas. Com relação aos dois últimos trimestres de 2003 e primeiro trimestre de 2004, com absoluta certeza a escrituração não foi apreendida pela autoridade policial. Fechado o parêntese, é de se reconhecer que a Fiscalização carreou aos autos consistente conjunto de documentos, evidências e indícios veementes (subitem 2.2.3 do Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Termo de Verificação Fiscal, fls. 848 e seguintes), todos convergindo na direção de que a autuada ocultou do Fisco o verdadeiro montante das receitas auferidas na venda de cartelas do jogo de bingo, deixando de escriturar e oferecer à tributação parcela se não a integralidade das referidas receitas. Preliminares rejeitadas. DO MÉRITO No mérito, os argumentos da autuada são, no essencial, iguais aos aduzidos pelos recorrentes/coobrigados, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura que foram analisados mediante o Acórdão embargado. Assim, passo a analisar a defesa da autuada sob a mesma ótica dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários em relação aos argumentos comuns. 1) Da não ocorrência do fato gerador para cobrança do Imposto de Renda: A recorrente alega que o fato gerador, ocorre no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, e não há nos autos indicação e prova de acréscimo patrimonial decorrente da atividade do BINGO. O inciso I do artigo 116 do CTN determina que, o fato gerador considerase ocorrido, a partir do momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios. As ocorrências e circunstâncias que determinaram a feitura do lançamento se encontram minuciosamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 836868. O artigo 26 da Lei nº 8981/1995, expressamente prevê a possibilidade de apuração do imposto de renda com base no lucro arbitrado, e o artigo 47 da mesma Lei enumera as hipóteses em que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado. Em razão de a fiscalizada não ter apresentado os livros contábeis/fiscais obrigatórios exigidos nas intimações fiscais lavradas, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro sobre receitas conhecidas, com base no artigo 47 da Lei n° 8.981/95 e artigo 1º da Lei nº 9.430/96, consolidados no artigo 530 do RIR/99: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Io contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) Para o levantamento das receitas auferidas pela fiscalizada, os trabalhos fiscais consistem em abrangente investigação efetuada junto aos credores, fornecedores, ex empregados, sócios e exsócios formais da empresa fiscalizada, com o fim de coletar o máximo de informações a respeito das atividades desenvolvidas, das receitas obtidas e dos repasses efetuados, haja vista que não foram apresentados à fiscalização da Receita Federal quaisquer documentos, livros ou registros contábeis e fiscais para, mediante consideração das receitas e deduções cabíveis, proceder a apuração efetiva do lucro da pessoa jurídica,. Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 6 9 O crédito tributário constituído nos autos de infração tem por base omissão de receitas inferidas a partir das compras de cartelas de bingo série 12.000 realizadas pela autuada, e verificadas através de apreensão de documentos e circularizações nas empresas gráficas fornecedoras. 2) Vícios Materiais dos Lançamentos Do Arbitramento da Receita e do Lucro: que, não merece qualquer guarida a afirmação posta na decisão recorrida (fl. 1896verso) de que observada a natureza jurídica do negócio, poderá a fiscalização adotar a alternativa que lhe parecer mais precisa na busca da verdade material; que, o artigo 286 do RIR/99, como fundamento na decisão recorrida, não foi utilizado como parâmetro para apuração da suposta omissão de receita. que o enquadramento legal posto no Auto de Infração, é : "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99" (fls. 895). Deste modo, aduz que a instância julgadora mudou os contornos postos no AI, tentando de modo temerário justificar o incorreto proceder do AFRF. que, é nulo o lançamento, pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. Deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. A recorrente aduz que mesmo que se considere válido o arbitramento da receita bruta, nos moldes estabelecidos no auto de infração, os valores devem ser revistos, pelos seguintes motivos: o valor médio de venda das cartelas é muito abaixo de R$ 0,25, Deve ser considerada a informação prestada pelas gráficas de que a esmagadora maioria era de R$ 0,17; devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo; devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. em face dos argumentos acima, a base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte deve ser recomposto, bem como os valores recolhidos a este título (e que encontramse relacionados no processo) devem ser deduzidos da exigência fiscal. Conclui que, caso sejam superadas as alegações expostas em preliminar, bem como na parte inicial de mérito, o que efetivamente não espera, requer seja anulada parcialmente a medida fiscal na forma como lavrada, determinandose que os critérios acima seja respeitados para cálculo da suposta dívida da pessoa jurídica autuada, eis que a realidade fática neste autos não aponta para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Finalmente requer, sejam acolhidos os fundamentos apresentados pela recorrente, julgandose, por conseguinte, nulo ou improcedente o lançamento constante do presente processo, ou sucessivamente, reduzindose o montante do débito e acréscimos. E ainda, o acolhimento das diligências pleiteadas em momento processual oportuno e a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal. Para que se possa compreender o contexto em que se deu a apuração da receita bruta vale transcrever partes essenciais do Termo de Verificação Fiscal (fls.137...): (...) Foi então que, em vista da grande dificuldade em se obter os documentos e livros que pudessem servir de base para o cálculo dos tributos e contribuições devidos pela autuada, procurouse localizar os sócios, exsócios e exempregados para se tentar obter algum indício que fosse relevante para a fiscalização tributária. E assim, com a localização das senhoras Idema dos Anjos Brizola e Adriana de Camargo (Adriana Ferreira), e do Sr. Ernesto Francisco Silvaltis, a fiscalização pôde avançar um pouco mais, lançando mão de instrumento de auditoria denominado "circularização", isto é, a confirmação de dados junto a empresas clientes e/ou fornecedoras da fiscalizada. Com base nas informações repassadas pelos "sócios" e "ex sócios" formais da fiscalizada, intimouse as três empresas gráficas fornecedoras das cartelas de bingo, quais sejam: SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, de Barueri/SP; GRAFICA SAO FRANCISCO LTDA, de Campo Grande/MS; e DLL INFORMÁTICA LTDA, de Curitiba/PR. Nas intimações fiscais foi solicitada a apresentação de informações e/ou documentos sobre as vendas de produtos, bem como a prestação de serviços gráficos efetuados para a autuada, durante os anos de 2001 a 2004. Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 7 11 Apenas as gráficas SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA e DLL INFORMÁTICA LTDA responderam às intimações, e como resultado das circularizações elaborouse demonstrativos de compras de cartelas de bingo série 12.000, que se encontram dispostos no item 2.2.2 deste relatório. No dia 16/06/2005, foi lavrada contra a autuada a intimação fiscal n° 422/05 (fls.25), onde se exigia uma série de documentos, entre os quais os Extratos bancários de contas correntes e os livros Contábeis/Fiscais, e por fim, alertavase a fiscalizada para o fato de que a falta de apresentação dos livros ou documentos da escrituração comercial/fiscal implicaria o arbitramento dos lucros, em conformidade com os art. 529, 530 e 845 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3000/99). Após as infrutíferas tentativas de ciência via postal e pessoal,ultimouse a ciência da intimação fiscal n° 422/05 e do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n°0910400.2005.001329 por edital, no dia; 07/07/2005 (fls. 26/28). Pelo fato de a fiscalizada encontrarse omissa de entrega das DIPJ e/ou das Declarações Simplificadas de Pessoa Jurídica Inativa referentes aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004; e de também não ter comunicado à Receita Federal o início do processo de baixa de sua inscrição ou a interrupção temporária de suas atividades, formalizouse Representação Fiscal para que a inscrição cadastral da empresa fosse declarada inapta por inexistência de fato (fls.44 e 45). 2.1 DA PROVA TESTEMUNHAL. ... 2.2 DA PROVA DOCUMENTAL Como já exposto anteriormente, no início da ação fiscal houve enormes dificuldades para a obtenção dos documentos comerciais do bingo, sejam eles livros contábeis/fiscais, ou mesmo simples comprovantes bancários, registros de apostas, recibos, notas fiscais de compras, séries de carteias, entre outros documentos que permitissem a reescrituração contábil da autuada. 2.2.2 DAS CARTELAS ADQUIRIDAS Na seqüência, procedeuse à circularização nas três empresas gráficas fornecedoras das cartelas de bingo, quais sejam: SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, de Barueri/SP; GRAFICA SAO FRANCISCO LTDA, de Campo Grande/MS; e DLL INFORMÁTICA LTDA, de Curitiba/PR. A empresa DLL INFORMÁTICA LTDA, CNPJ n° 00.464.862/000175, apresentou esclarecimento por escrito em resposta à intimação fiscal n° 544/05, juntamente com cópia das notas fiscais de venda de cartelas de jogo de bingo emitidas contra a fiscalizada nos anoscalendário de 2001 e 2002, que se Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 encontram relacionadas no demonstrativo abaixo (fls.450 a 470): ... Indagada pela fiscalização a respeito da quantidade de cartelas vendidas em cada série 12.000 e sobre o detalhamento da descrição do produto "Serviço de Impressão a Laser" constante em quatro notas fiscais, a DLL INFORMÁTICA LTDA, representada pelo Sr. Antonio Carlos Santoro Martins, complementou por duas vezes sua resposta, através mensagem de correio eletrônico, conforme transcrição abaixo (fls.471/477): ... "Senhor Leonardo, Informamos que as cartelas de bingo sempre foram vendidas em "coleções" composta de 12.000 cartões numerados de 1 a 12.000, portanto, esclarecemos que no exemplo da NF 4828 foram confeccionadas 2 coleções com 12.000 cartões cada de R$ 0,17 centavos por cartão, ou seja 24.000 cartões. A subdivisão de uma coleção de 12.000 cartões é conhecida por "série" ou seja, uma tira contendo 6 cartões, portanto em uma coleção existem 2.000 "séries" ou subdivisões. Normalmente as casas de bingo vendiam "séries" e não cartões, pois neste caso em que o cartão custa R$ 0,17 a série era vendida por R$ 1,00, ou seja R$ 0,17 X 6 = R$ 1,02 que era arredondado para 1 Real. Desta forma esclarecemos as quantidades de cartões ou coleções vendidas a referida empresa." "Sr. Leonardo, Complementando as informações solicitadas, informamos que ainda não foi possível fazer o levantamento dos valores individuais das coleções vendidas, pois, como anteriormente explicamos, após a saída dos bingos do controle da Serlopar, não era mais exigido o destaque na NF dos valores das cartelas, desta forma estamos localizando possíveis ordem de produção/pedido do cliente para melhor informalos. Destacamos que foram vendidas as seguintes coleções : NF 4375 11 coleções com 12.000 cartões conforme NF 4381 31 coleções com 12.000 cartões NF 5542 70 coleções com 12.000 cartões NF 4508 31 coleções com 12.000 cartões NF 4957 18 coleções com 12.000 cartões NF 4828 09 coleções com 12.000 cartões conforme NF. " A empresa SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, CNPJ n° 01.671.471/000194, em resposta à intimação fiscal n° 542/05, apresentou: esclarecimento por escrito; cópias das 5as vias (controle) das notas fiscais de venda de cartelas de jogo de bingo emitidas contra a fiscalizada nos anoscalendário de 2002 e 2003; e cópia dos comprovantes financeiros dos recebimentos Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 8 13 relativos às citadas vendas. A relação das notas fiscais apresentadas encontrase no demonstrativo abaixo (fls.482/610): ... Já a GRÁFICA SÃO FRANCISCO LTDA, CNPJ 01.423.153/000104, sequer recebeu a intimação fiscal n° 543/05, postada nos Correios (fls.478 a 481). Esta empresa encontrase com situação cadastral "INAPTA" nos sistemas informatizados da Receita Federal, com a indicação "OMISSA NÃO LOCALIZADA". Os sócios também não foram localizados. (...) IV DA APURAÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS O crédito tributário constituído no presente auto de infração tem por base omissão de receitas inferidas a partir das compras de cartelas de bingo série 12.000 realizadas pela autuada, e verificadas através de apreensão de documentos e circularizações nas empresas gráficas fornecedoras. (...) Depreendese da defesa, não ser refutado o arbitramento como forma de tributação, apenas o critério adotado, porque no seu entendimento a receita é não conhecida. Ora, não havendo documentos e escrituração das receitas apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. Ressaltese que os elementos de prova documental da receita tributável foram corroborados por prova testemunhal dos “sócios de fachada” e/ou empregados, conhecedores das informações reduzidas a termo conforme declarações (fls.222/276). É cediço que, na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurarse a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Assim, não merece reparo ao enquadramento legal disposto no Auto de Infração: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99, citados pelos recorrentes, de modo que qualquer alusão feita a outro dispositivo legal mencionado na decisão recorrida não tem o condão de afastar aqueles discriminados no auto de infração nem tampouco mudar os seus contornos. No presente caso, a referencia feita pela DRJ ao artigo 286 do RIR/99, teve como fundamento apenas para esclarecer que embora pudesse a Fiscalização lançar mão de meio indireto para apuração da omissão de receita constatada, qual seja, o da presunção legal Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 (depósitos bancários de origem não comprovada), optou por um método direto de aferir essa omissão, qual seja, o levantamento quantitativo por espécie (aquisição de cartelas de bingo). A quantificação da receita omitida se fez com base nas cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003, em conformidade com a metodologia descrita nos itens: "4.1 Da metodologia de Cálculo Adotada"; "4.2 Dos Impressos Promocionais Personalizados”; e "4.3 Das Considerações Finais", constantes de fls. 861 a 864; devido à nãoapresentação dos livros contábeis/fiscais obrigatórios, e em face da notícia de sua inexistência, arbitrouse o lucro da autuada. A forma de apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins se encontra discriminada às fls. 865 e 866. Sobre a metodologia adotada no cálculo para a apuração da receita omitida consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.861 e 862) a seguinte explicação: 4.1 DA METODOLOGIA DE CÁLCULO ADOTADA Diante do exposto, e com base nos documentos, informações disponíveis e depoimentos prestados, foi quantificada a receita omitida da seguinte maneira: 1° passo: De posse das notas fiscais de compra de cartelas apreendidas e daquelas apresentadas pelas gráficas, obtevese o número de cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003. 2° passo: A partir dos depoimentos tomados a termo com Sra. Gislayne Schneider, Sra. Ailine Moraes, Sra. Adriana de Camargo e Sr. Adilson Cardoso, corroborados pela informação analítica de fornecimento dos vários tipos de cartela de bingo série 12.000 constante nas Notas Fiscais n° 4375 e 4828, emitidas pela DLL Informática Ltda, chegouse ao valor médio de R$ 0,25, para o preço de comercialização de cada cartão individual no salão do bingo. 3° passo: Ainda com base nos depoimentos colhidos, apurouse o percentual médio de devoluções de cartelas e de rodadas gratuitas realizadas por dia de trabalho, que juntos somam 10% do total diário do movimento de apostas; 4° passo: Considerando o período de validade de 3 (três) meses das séries de carteias impressas (vide série de carteias apreendida a fls.420), presumiuse que, após 3 (três) meses da emissão pelas empresas gráficas da respectiva nota fiscal de venda, todas as cartelas adquiridas pela autuada teriam sido comercializadas no salão de bingo. Neste caso, adotouse o último mês de validade dos cartões como mês de referência para apuração dos tributos devidos. 5° passo: Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 9 15 Adotandose os parâmetros supracitados, efetuouse a seguinte expressão algébrica para se obter o valor mensal da receita omitida pela autuada: Receita Omitida = nº de quantidades de "coleções" de cartões de bingo x 12.000 (doze mil) cartões x valor médio de comercialização dos cartões (R$ 0,25) 10% do total, relativos às devoluções/sorteios gratuitos. A recorrente argumenta que considerando a informação prestada pelas gráficas de que a maioria era de R$ 0,17, o valor médio de venda das cartelas deveria ser R$ 0,17. Consta da Tabela 4 (fl.869) – Demonstrativo consolidado das receitas omitidas com a venda de cartelas no salão de bingo, no qual se verifica cartelas de bingo série 12.000 nos valores de R$ 0,17, R$ 0,25, R$ 0,34, R$ 0,50, R$ 1,00 e R$ 2,00, do que se depreende que o valor médio seria superior ao aplicado pelo Fisco. Portanto, não se encontra qualquer razoabilidade na aplicação do valor de R$ 0,17. Ademais, conforme o depoimento de Adriana de Camargo, exfuncionária e supervisora geral, fl. 225, item 12 – “Fazia semanalmente os pedidos das cartelas para as gráficas DLL Informática e Souvic Serviços Gráficos. As séries de cartelas mais pedidas eram de R$ 1,00, R$ 1,50 e R$ 2,00, justamente por serem as mais vendidas no salão do bingo”. E de, Adilson Cardoso, exfuncionário e gerente de salão, fl. 250 – depoimento item 7 – “Os valores das séries, conjunto de seis cartõezinhos (cartelas) mais vendidos eram de R$ 1,00, R$ 1,50 e R$ 2,00, e em igual proporção”. A recorrente reclama que das receitas consideradas omitidas devem ser excluídas as aquisições da Gráfica São Francisco Ltda., pois não houve a coleta de provas materiais a embasar a afirmativa de que elas se referiam a aquisição de cartelas de bingo. Consta do Termo de Verificação Fiscal que, apenas “as gráficas SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA e DLL INFORMÁTICA LTDA responderam às intimações, e como resultado das circularizações elaborouse demonstrativos de compras de cartelas de bingo série 12.000, que se encontram dispostos no item 2.2.2 deste relatório”. Da descrição dos produtos constantes no mencionado item 2.2.2, fls.846/848 não foi relacionado qualquer aquisição vinculada à Gráfica São Francisco Ltda, ao contrário da afirmação do recorrente, consta a observação transcrita acima e aqui reprisada: Já a GRÁFICA SÃO FRANCISCO LTDA, CNPJ 01.423.153/000104, sequer recebeu a intimação fiscal n° 543/05, postada nos Correios (fls.478 a 481). Esta empresa encontrase com situação cadastral "INAPTA" nos sistemas informatizados da Receita Federal, com a indicação "OMISSA NÃO LOCALIZADA". Os sócios também não foram localizados. Assim, afastase de plano as alegações da defesa. A recorrentes também pleiteia as seguintes exclusões: devem ser excluídas as aquisições representadas por notas fiscais da SOUVIC SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA, e DLL INFORMÁTICA LTDA., em que os pagamentos não estejam devidamente comprovados no processo; Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 devem ser excluídas as notas fiscais da SOUVIC e da DLL que digam respeito a impressos promocionais ou a serviços de impressão a laser; deve ser excluído o percentual de devoluções e sorteios gratuitos constante dos movimentos diários constantes do processo; em seu depoimento de fls. 283/verso a exsóciagerente do empresa ADRIANA CAMARGO afirma que houve a utilização das cartelas em outros empreendimentos de bingo... Dessa forma, as cartelas remetidas para outros Bingos devem ser subtraídas do cômputo geral. Da metodologia adotada pela fiscalização, acima transcrita, consta que foram deduzidos 10% do total da receita omitida, relativos às devoluções/sorteios gratuitos. Cabe ao contribuinte comprovar outro percentual diverso do aplicado pelo autuante, bem como comprovar que os “impressos promocionais e serviços de impressão a laser” (cartelas de bingo série 12.000) não devem compor a receita bruta e quais cartelas foram remetidas para outros Bingos. Registrese ainda que, o fato de não se identificar os pagamentos relativos às aquisições de cartelas em nada comprova que as mesmas não foram vendidas como pretende a defesa. Enfim, não se justificam as exclusões da receita omitida pretendidas pelos interessados. Assim, havendo o autuante apurado a omissão de receita por um critério baseado em provas e, não havendo a autuada infirmado por outro com documento hábil, prevalece o critério adotado pelo Fisco. Continuando o assunto “exclusão”, a recorrente aduz que: deve ser excluído da base de cálculo o montante referente à premiação prevista na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00 e do Decreto n° 3.659/00, no percentual de 53,5%, já que a redução do percentual para 51.5% estabelecido pela Lei n° 10.264/2001 determinou que houvesse o repasse de 2% ao Comitê Olímpico Brasileiro, no período de 2001 a agosto de 2002, quando entrou em vigor a Resolução 27 do Governo do Estado do Paraná, a qual determina em seu art. 16, parágrafo 1o que no mínimo 65% (sessenta e cinco por cento) do total arrecadado será destinado ao pagamento de prêmios, taxas e impostos sobre eles incidentes; considerar como receita bruta da empresa autuada o percentual de 28% do montante auferido com a venda de cartelas de bingo, em cumprimento às disposições contidas na Lei 9.615/98, com as modificações da Lei 9.981/00, no Decreto n° 3.659/00 e na Lei n° 10.264/2001; É certo que, conforme determinado pela Lei nº 9.615/98, alterada pelas Leis nº 9.981/00 e 10.264/2001 deve ser realizado o rateio da arrecadação bruta, repassando os percentuais devidos na forma estipulada no Decreto nº 3.659/2000. Porém a autuada ao sonegar valores arrecadados com os jogos de bingo, está se apropriando de todos os recursos, inclusive os públicos, portanto, razão não há para serem deduzidos valores sem a comprovação efetiva de que os mesmos foram repassados a quem de direito por previsão legal. É importante lembrar que a ação fiscal se desenvolveu exatamente diante da representação feita pela Caixa Econômica ao Ministério Público (Ofício, fls.37/42) em virtude de indícios de irregularidades na declaração de sua movimentação financeira e falta de comprovação de rateio dos recursos. Para a exclusão pretendida é condição essencial que os valores devidos a terceiros (Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiros, entidade desportiva, União, Caixa Econômica Federal) tenham sido repassados, fato esse que impede sejam efetuadas quaisquer deduções das Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 10 17 bases de cálculo do IRPJ e da CSLL que não a do percentual referente à premiação, de 51,5 % (cinqüenta e um e meio por cento). Pelos fundamentos acima deve ser mantida a base de cálculo do imposto de renda na fonte incidente sobre prêmios de sorteios corresponde a 51,5 % da receita total omitida. A partir dos dados do demonstrativo consolidado das receitas omitidas com a venda de cartelas no salão de bingo (Tabela 4) foram obtidos os valores dos prêmios considerados distribuídos aos apostadores (prêmio mais IRRF) sujeitos ao IR Fonte à alíquota de 30%. Diante do exposto, os embargos de declaração devem ser acolhidos para CONHECER do recurso voluntário apresentado pela autuada, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso voluntário, e, no mérito NEGARLHE provimento. Embargos de declaração: Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura. Quanto aos embargos opostos pelos coobrigados acima, passo a analisálos conjuntamente em face dos argumentos comuns. No recurso voluntário, os recorrentes contestando a responsabilidade solidária que lhes foi imputada conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls.870/871, 880/883), alegaram que apenas a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional é competente para incluir a pessoa física como solidária pela dívida supostamente devida pela pessoa jurídica, sob pena de restar diretamente violada a norma contida no artigo 124 e incisos seguintes do CTN. Consta da decisão embargada que de acordo com o artigo 2° da Portaria PGFN n° 180 de 25/02/2010 a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão que executa a dívida, mas somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assim, é dever da autoridade fiscal apurar os fatos tributáveis e suas circunstâncias e descrever a ocorrência de situações previstas no art. 2º, acima, para que o Procurador da Fazenda Nacional responsável faça juntar aos autos documentos comprobatórios para a inscrição do nome do responsável solidário no anexo II da Certidão de Dívida Ativa da União, se for o caso. Os embargantes alegam que há contradição na decisão embargada que para concluir sua fundamentação aplica retroativamente o contido no artigo 2° da Portaria PGFN n° 180 de 25/02/2010, pois, deixou de perceber que na lavratura do auto de infração em comento não estava em vigor o contido em tal norma, no que finda por desrespeitar os termos do artigo 106 do CTN que não possibilita tal aplicação retroativa e por violar o princípio do ato jurídico perfeito e direito adquirido, insculpido no artigo 5o, inciso XXXVI da CF/88. É cediço que na aplicação da lei, devem ser observadas as disposições estabelecidas pela Constituição Federal e pelo CTN mas não se confundem a constituição do crédito tributário nos termos do artigo 142 do CTN com a sua inscrição em dívida ativa que é o ato de controle administrativo da legalidade, para apurar a liquidez e certeza do crédito apurado e não pago. A Portaria PGFN n° 180 de 25/02/2010 na condição de ato administrativo que estabelece instruções relativas à organização administrativa, em nada modifica os requisitos Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 jurídicoslegais dos atos praticados pela fiscalização, apenas dispõe sobre a atuação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no tocante à responsabilização de codevedor. Desse modo não se afigura a contradição apontada pelos embargantes porque não verificado qualquer desrespeito ao princípio da irretroatividade das leis tributárias tampouco ao princípio do ato jurídico perfeito e direito adquirido previstos no artigo 5o, inciso XXXVI da CF/88. Os embargantes alegam que a decisão embargada se mostra omissa por não combater e não justificar o motivo de não ser aplicado in casu a conclusão tomada pelo CARF quando do julgamento realizado que deu origem ao Acórdão 10196739, com a seguinte ementa: TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NULIDADE Compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda nacional nos casos da responsabilidade prevista nos artigos 128 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada peta fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato. (ACÓRDÃO 10196.739, I a Câmara, I o Conselho de Contribuintes, DOU em: 28.01.2009, Relator: João Carlos de Lima Júnior) No tocante ao entendimento proferido no acórdão acima, dele se pode divergir e não adotálo por não se tratar de súmula vinculante que obrigue os demais julgados no âmbito administrativo do CARF. Em sintonia com o disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, não se pode expandir a decisão proferida no acórdão nº 10196.739, pois, esta faz coisa julgada às partes entre as quais foi dada, não beneficiando, pois, os embargantes. Gizse, que o julgador quando analisa a matéria, não se obriga a contestar, um a um, todos os argumentos expendidos pela parte, desde que os fundamentos adotados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Portanto, a fundamentação consentânea com a Portaria PGFN n° 180 de 25/02/2010 e contrária ao entendimento constante na ementa acima não demonstra omissão na decisão embargada. Os embargantes alegam que, o acórdão embargado não combate a afirmação feita no recurso voluntário de que a decisão recorrida (da DRJ) merecia ser reformada, eis que proferida em total distorção com o contido nos autos. Segundo a embargante, constou da decisão da DRJ que observada a natureza jurídica do negócio, poderá a fiscalização adotar a alternativa que lhe parecer mais precisa na busca da verdade material. Diz que, como afirmado pela autoridade julgadora, embora pudesse a fiscalização lançar mão de meio indireto para apuração de omissão de receita constatada, qual seja, o da presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada), optou ela, por um método direto de quantificação dessa omissão, qual seja, o levantamento quantitativo por espécie (aquisição de carteias de bingo), previsto no art. 286 do RIR/99. Reiteram que o enquadramento legal posto no Auto de Infração aponta os artigos: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99" (fls. 895) e que, o artigo 286 do RIR/99 não foi utilizado como parâmetro para apuração da suposta omissão de receita. Deste modo, a instância julgadora mudou os contornos postos no AI, tentando de modo temerário justificar o incorreto proceder do AFRF. Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 11 19 Sobre o assunto assim consta da decisão embargada: (...) Depreendese da defesa, não ser refutado o arbitramento, apenas o critério adotado, porque no seu entendimento a receita é não conhecida. Ora, não havendo documentos e escrituração das receitas apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. Ressaltese que os elementos de prova documental da receita tributável foram corroborados por prova testemunhal dos “sócios de fachada” e/ou empregados, conhecedores das informações reduzidas a termo conforme declarações (fls.222/276). É cediço que, na hipótese de arbitramento do lucro, a receita bruta conhecida há de prevalecer sobre as demais alternativas de cálculo previstas no artigo 51 da Lei nº 8.981/95, porque a noção de lucro está mais próxima do resultado de vendas ou de serviços, que constituam os objetivos sociais explorados, do que em função das bases previstas no dispositivo legal mencionado. Portanto, somente no caso de impossibilidade de apurarse a receita bruta, é que se há de buscar sucedâneo para o arbitramento do lucro em outros critérios previstos na legislação. Assim, não merece reparo ao enquadramento legal disposto no Auto de Infração: "Arts. 249, inciso II, 251, 278, 279, 280, 283, 288, 528, 532, e 537, todos do RIR/99, citados pelos recorrentes, de modo que qualquer alusão feita a outro dispositivo legal mencionado na decisão recorrida não tem o condão de afastar aqueles discriminados no auto de infração tampouco mudar os seus contornos. No presente caso,a referencia feita pela DRJ ao artigo 286 do RIR/99, teve como fundamento apenas esclarecer que embora pudesse a Fiscalização lançar mão de meio indireto para apuração da omissão de receita constatada, qual seja, o da presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada), optou por um método direto de aferir essa omissão, qual seja, o levantamento quantitativo por espécie (aquisição de cartelas de bingo). A quantificação da receita omitida se fez com base nas cartelas de bingo adquiridas no período de 31/05/2001 a 30/12/2003, em conformidade com a metodologia descrita nos itens: "4.1 Da metodologia de Cálculo Adotada"; "4.2 Dos Impressos Promocionais Personalizados”; e "4.3 Das Considerações Finais", constantes de fls. 861 a 864; devido à nãoapresentação Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 dos livros contábeis/fiscais obrigatórios, e em face da notícia de sua inexistência, arbitrouse o lucro da autuada. A forma de apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins se encontra discriminada às fls. 865 e 866. (...) Grifei Como visto acima, não houve motivação para reforma da decisão da DRJ e não houve omissão no acórdão embargado quanto a alusão feita pela DRJ ao artigo 286 do RIR/99, porque entende que a referência ao mencionado dispositivo legal na decisão recorrida não tem o condão de afastar a fundamentação legal discriminada no auto de infração tampouco mudar os seus contornos. Os embargantes alegam que, conforme apontado no recurso, no direito tributário vige a busca da verdade material como elemento quantificador do tributo, ou seja, não pode o agente administrativo se utilizar de pressupostos não previstos em lei, para arbitrar o montante da suposta receita omitida a base de cálculo utilizada como arbitramento do lucro está totalmente incorreta. O Sr.Auditor Fiscal, procurou através de suposições identificar a receita bruta da empresa recorrente, conforme resta claro em seu depoimento de fls. 269/verso e seguintes. Argúem que, o acórdão embargado se apresenta omisso por não enfrentar as alegadas violações aos termos dos artigos 108, § 1º e 112 do CTN e artigo 284 do RIR/1999, nos seguintes aspectos: que, o Código Tributário Nacional veda a utilização da analogia para a exigência de tributo não previsto em lei artigo 108 § 1°, e o acórdão embargado é silente sobre a inexistência de violação ao artigo 108, §1° do CTN, motivando assim a oposição deste embargos. que, desrespeitando a regra do artigo 112 do CTN, o Sr. Auditor optou, conforme o enquadramento legal citado, em efetuar o arbitramento como se a receita bruta fosse conhecida. que, não foram observados os ditames do artigo 284 do RIR/99, demonstrando que o arbitramento do lucro se deu como se a receita bruta fosse conhecida e inconteste, conforme se verifica da razão do arbitramento elencada às fls. 894 (art. 530, inciso III do RIR/99). Verificase, de plano, que os embargantes sob a justificativa de omissão em relação ao disposto nos artigos 108 e 112 do CTN, procuram rediscutir o auto de infração que apurou os tributos considerando a base de cálculo na receita bruta conhecida e a defesa dos embargantes é no sentido de que a receita é “não conhecida”, matéria enfrentada no acórdão embargado ao tratar do contexto em que se deu a apuração da receita bruta e da metodologia adotada para o cálculo da receita omitida. No recurso voluntário argumentaram que o lançamento é nulo pois a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. E assim, deveria ele aplicar a regra do art. 535 do RIR/99 (receita não conhecida), no entanto, foram utilizados critérios subjetivos para a determinação da receita bruta, pois, arbitrou um número de aquisições de cartelas e também arbitrou o valor médio de venda das cartelas, para identificar o valor da receita bruta. Sobre a metodologia no cálculo foram explicados os passos que a fiscalização utilizou para a apuração da receita omitida, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls.861/862), bem como a forma de apuração das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofns(fls.865 e 866). No acórdão foram transcritas partes essências do Termo de Verificação Fiscal para demonstrar o contexto em que se deu o conhecimento da receita bruta e o arbitramento do lucro. Apesar de a decisão embargada não mencionar expressamente os artigos 108 e 112 do Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 12 21 CTN, toda a fundamentação para refutar as alegações da recorrente é no sentido de que a exigência dos tributos se deu com base na receita conhecida. Por conseqüência não há falar em exigência por analogia nem divergência acerca da interpretação da legislação tributária. Vejamos: Ora, não havendo documentos e escrituração das receitas apresentadas pela pessoa jurídica, temse como conhecida para o arbitramento do lucro, a receita apurada pelo Fisco com base nas cartelas de bingo adquiridas, como comprovado mediante a circularização nas empresas gráficas fornecedoras. Ao contribuinte cabe a contraprova, ou seja, que as cartelas não foram adquiridas nem tampouco vendidas. Ressaltese que os elementos de prova documental da receita tributável foram corroborados por prova testemunhal dos “sócios de fachada” e/ou empregados, conhecedores das informações reduzidas a termo conforme declarações (fls.222/276). A menção feita pelos embargantes ao artigo 284 do RIR/99 (arbitramento por indícios de omissão) demonstra a inconformidade do arbitramento do lucro apurado na ação fiscal com base na receita bruta conhecida, pois, como dito acima, os embargantes insistem que a receita bruta não era conhecida com exatidão pelo Sr. Auditor Fiscal. E assim, deveria ele aplicar a regra do artigo 535 do RIR/99 (receita não conhecida). Desnecessária, pois, qualquer referência expressa aos artigos 108 e 112 do CTN, e, 284 do RIR/99 citados pelos recorrentes/embargantes a configurar omissão no acórdão embargado. Os embargantes alegam que, ao contrário do registrado no acórdão embargado, os então recorrentes combateram frontalmente os vícios materiais dos lançamentos, do Arbitramento da Receita e do Lucro, e não apenas se insurgiu contra os critérios do arbitramento da receita. Neste sentido, devem ser conhecidos e providos os presentes embargos para que seja enfrentado o mérito recursal. Não comprovada a omissão aventada pelos embargantes. Resta clarificado no acórdão embargado que, a defesa, não refuta o arbitramento como forma de tributação, apenas o critério adotado, porque no seu entendimento a receita é não conhecida. Tanto é que, os argumentos em relação ao artigo 112 do CTN e 284 do RIR/99 é no sentido de direcionar a tributação do lucro pelo critério da receita não conhecida. O Sr. Marcos Antonio da Silva além dos argumentos aduzidos pelo embargante Jair Leite, argúi omissão no acórdão embargado pelos seguintes fundamentos: que nas folhas 2197 e seguintes dos autos, registrou em seu recurso jamais ter figurado como sócio da empresa BINGO CAMPOS GERAIS LTDA, tendo apenas atuado como investidor. O nome do embargante nunca constou no Contrato Social da empresa autuada. Como mero investidor, o embargante não carrega qualquer responsabilidade quanto às dívidas da empresa autuada. que, a decisão embargada, especialmente nas folhas 2287/2288, é silente sobre o pleito do embargante em aplicarse ao caso a Jurisprudência pátria consolidada a respeito da pessoa "investidora", a qual dita que "Não se confundem as figuras do investidor e do sócio; aquele é Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 22 mero capitalizador do empreendimento, "empresta" seu dinheiro com objetivo de auferir lucro das operações, não cabendo discussão no sentido desse arcar também com os prejuízos da empresa." (Apelação Cível 173.6769 9a Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná Des. Miguel Pessoa Relator); que, não vê na decisão de folha 2288 nenhum fundamento para rebater a alegada necessidade do procedimento de desconstituição da personalidade jurídica da empresa autuada para que a dívida cobrada pudesse recair sobre o embargante. Não persiste a alegada omissão, pois, em relação a todos coobrigados recorrentes o acórdão embargado assim enfrentou a questão: Os recorrentes afirmam que, não são parte legítima para figurarem como solidários da suposta dívida tributária da empresa autuada por dois motivos: 1o) jamais integrou o quadro societário e agiu apenas como investidor de terceira empresa; e, 2o) ainda que seja considerado sócio, não estão demonstradas nos autos deste processo administrativo as situações descritas pelos art. 134 e 135 do CTN que justifiquem tal responsabilização. As defesas são contraditórias, pois, ao mesmo tempo em que narram o seu envolvimento de fato no “investimento” (exploração de bingo) refutam sua participação na condição de sócio de direito a qual resta indubitavelmente confessadas pelos recorrentes ao “integralizar cotas” chamadas de “investimento”. Quanto a não figurarem no quadro societário, é obvio que em uma sociedade constituída por sócios “laranjas” como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e também declarado pelos sócios “de fachada”, a finalidade é exatamente os sócios apresentados no contrato “de direito”, registrado na Junta Comercial, assinarem todos os documentos e assumirem documentalmente riscos negociais sob o comando dos sócios de fato/ordenadores que se esquivam da exibição de provas materiais das responsabilidades porque assumidas por terceiros (sócios de fachada) sem o affectio societatis, ou seja, sem a materialização da vontade de se constituir uma sociedade. Com efeito, não é a inadimplência tributária, pura e simples, causa que justifique a ampliação da responsabilidade pessoal do cotista de fato, de forma a atingir o seu patrimônio particular, mas, o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, frisa que "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto. Sem dúvida restou caracterizada a fraude ao contrato social da pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas. Conforme relatado a empresa autuada, Bingo Campos Gerais Ltda, não foi constituída em nome dos verdadeiros proprietários, e sim em nome de interpostas pessoas desprovidas de capacidade econômica ou financeira, a saber, Adriana Ferreira e Ernesto Francisco Silvaltis e que, a manutenção do controle das atividades pelos verdadeiros proprietários foi garantida pelo Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 13 23 “Contrato Particular de Sociedade de Fato em Conta de Participação” (fls. 108109) no qual figurava, como sócio ostensivo, a empresa Bingo Campos Gerais Ltda, representada pelos seus sócios formais, e como sócios ocultos os verdadeiros proprietários dentre os quais, os recorrentes, Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura, embora sem a assinatura de Jair Leite . Consta da cláusula 9ª do mencionado contrato (fl.109) que os sócios de comum acordo definirão os aspectos administrativos, acordando em ata de regimento interno, na qual elegerão o sócio ou sócios administradores cabendo a estes a obrigação de apresentação mensal de balancete aos demais sócios. É certo que tal documento não é por si só, suficiente para qualificar ou afastar as pessoas ali relacionadas, de modo que, se configura em mais um indício que associado às declarações dos sócios de fachada, bem como a própria defesa, de mérito, contra os fatos descritos no auto de infração contra a pessoa jurídica autuada, Bingo Campos Gerais Ltda, conduzem à convicção de que os recorrentes (Jair Leite, Marcos Antonio da Silva e Renato Assis Rolim de Moura) exerciam o poder e atividade de gerência na mencionada empresa, sendo dessa forma impossível afastálos da condição de sócios de capital/investidores e de administrador/responsável tributário nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN. Assim, evidenciado o vinculo de fato entre as pessoas físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. No tocante a jurisprudência mencionada pelo embargante, repetese que, em consonância com o disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, não se pode expandir a decisão proferida na ação judicial (Apelação Cível 173.6769 9a Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná Des. Miguel Pessoa Relator) pois, esta faz coisa julgada às partes entre as quais foi dada, não beneficiando, pois, os embargantes. Gizse, que o julgador quando analisa a matéria, não se obriga a contestar, um a um, todos os argumentos expendidos pela parte, desde que os fundamentos adotados tenham sido suficientes para embasar a decisão.É o caso. O embargante afirma que há omissão no acórdão embargado por não rebater a alegada necessidade do procedimento de desconstituição da personalidade jurídica da empresa autuada para que a dívida cobrada pudesse recair sobre o embargante. Consta do relatório da decisão embargada, a argumentação do recorrente de que seria imperioso constar nos autos do processo administrativo fiscal (PAF) o desmembramento do feito com a finalidade de apurar tal responsabilidade mediante a desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada. E que, deveria ter sido direcionado mandado de procedimento fiscal para cada pessoa física fiscalizada após a necessária abertura de Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 24 procedimento de desconsideração da personalidade jurídica, evitandose o malferimento ao princípio constitucional da ampla defesa e contraditório. Embora no acórdão embargado não se discorra sobre a figura da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada aventada pelo embargante, a questão foi enfrentada na decisão embargada ao fazer a distinção entre a pessoa jurídica sob ação fiscal e o responsável, e, por conseqüência incabível o desmembramento do feito fiscal para apurar a responsabilidade tributária em processo apartado. Vejamos: No tocante às alegadas nulidades relacionadas ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), vale ressaltar que inexiste ato administrativo normativo que determine sua emissão em relação ao sócio indicado como responsável tributário e sim, em relação à pessoa jurídica sob ação fiscal ou diligência. O Código Tributário Nacional, define “contribuinte”, como o sujeito passivo que tem relação direta com o fato da norma hipotética tributária, e, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. Desse modo, o conceito, de “responsabilidade tributária” não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”, haja vista que esta surge com a ocorrência do fato jurídico tributário, enquanto que a responsabilidade somente vem ao mundo jurídico quando a pretensão tributária tornase exigível, salvo no caso da responsabilidade por substituição que se equipara à sujeição passiva tributária, por previsão legal. Assim, razão não há para expedição de MPF em nome do sócio ao qual tenha sido atribuída a responsabilidade tributária em decorrência da ação fiscal exercida na pessoa jurídica autuada. ... Conforme explicitado acima, há distinção entre o conceito, de “responsabilidade tributária” que não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”. A responsabilidade do administrador infrator inserese em relação jurídica de garantia, portanto, independe de acréscimo do patrimônio do responsável tributário que, acaso verificado, restaria configurada outra relação jurídica com a ocorrência do fato jurídico tributário. Portanto, a alegação não comporta conduta do agente em inviabilizar a defesa dos recorrentes. Havendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições aos interessados de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. Assim, não há qualquer fundamento para que sejam acolhidos os Embargos apresentados pelos coobrigados/responsáveis sob o pretexto de haver omissão ou contradição no acórdão embargado. Diante do exposto, voto no sentido de: Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.002841/200516 Acórdão n.º 1802001.409 S1TE02 Fl. 14 25 1) Acolher os embargos para conhecer do recurso voluntário apresentado pela autuada, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, NEGARLHE provimento. 2) Rejeitar os embargos de declaração apresentados pelos coobrigados responsáveis. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18088.000570/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS DIÁRIOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros contábeis devidamente requeridos por meio de TIAD constitui infração ao art. 33, 2o da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes , Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS DIÁRIOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros contábeis devidamente requeridos por meio de TIAD constitui infração ao art. 33, 2o da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes , Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto.
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Recorrente ASSOCIAÇÃO DA CRIANÇA DE DOURADO CASA DE SAÚDE S EMÍLIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS DIÁRIOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros contábeis devidamente requeridos por meio de TIAD constitui infração ao art. 33, 2o da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes , Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 70 /2 01 0- 22 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO DA CRIANÇA DE DOURADO CASA DE SAÚDE S EMÍLIA, em face do v. acórdão de primeira instância que manteve a integralidade do lançamento de multa por ter deixado a recorrente de apresentar à fiscalização os livros Diários de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, todos devidamente requeridos por intermédio do TIAD. A recorrente foi cientificada do lançamento em 21/09/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 81/88), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.37/182, através do qual sustenta, em síntese: 1. que quando intimada para a apresentação da documentação por TIAD ficou impossibilitada de fazêlo uma vez que havia demitido o seu contador, que estava de posse dos documentos e não os forneceu à recorrente; 2. que é uma entidade assistencial sem fins lucrativos, e, portanto merecia ser premiada pelo reconhecimento da anistia, com base no art. 180 do CTN; 3. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento; 4. informa que o débito foi parcelado; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000570/201022 Acórdão n.º 2402002.551 S2C4T2 Fl. 111 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. PRELIMINARES Quanto ao pedido de reconhecimento da decadência tenho que o mesmo não deve ser acatado nesta assentada. É que no caso em exame, a multa aplicada pela não apresentação dos livros diários é única, tenha o contribuinte deixado de apresentálos relativamente a uma ou mais competências. E em havendo no lançamento períodos que de fato não foram alcançados pela decadência, sob este aspecto, a multa deve ser mantida incólume. MÉRITO Conforme relatado e também fora reconhecido pelo v. acórdão de primeira instância, a recorrente deixou de impugnar a infração que lhe foi imputada, mas ao contrário, expressamente reconheceu em seu recurso que deixou de apresentar os documentos solicitados. Dessa forma, a infração cometida é incontroversa e sobre a sua aplicação bem decidiu o v. acórdão recorrido, vejamos: É importante asseverar que infração, em matéria tributária, é qualquer ação ou omissão, voluntária ou involuntária, praticada pelo sujeito passivo contra a legislação. Em outras palavras: a responsabilidade por infrações à legislação tributária é de ordem objetiva, pois independe da vontade do agente ou responsável. A penalidade a ser aplicada no campo tributário independe das circunstâncias ou dos efeitos das infrações, bastando, para sua aplicação, que se caracterize o fato ocorrido como desobediência à sua legislação. O Código Tributário Nacional – CTN, ao tratar da responsabilidade por infrações assim determina em seu artigo 136, verbis: Assim, independentemente das causas que levam a empresa a cometer infração ou mesmo a sua intenção, o inadimplemento de uma obrigação instrumental constitui fato gerador para a imposição – obrigatória e vinculada – de penalidade pecuniária consubstanciada em auto de infração. E não é cabível se falar em novo prazo para apresentação dos livros diários. A infração já ocorreu. O fato de a entidade Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 providenciar a escrituração contábil não afasta a presente autuação. No entanto, poderão afastar as futuras autuações, na hipótese de nova solicitação e a entidade não apresentála. Ressaltese que mesmo uma empresa de contribuições previdenciárias, nos termos da legislação impositiva, está obrigada a cumprir todas as obrigações acessórias legais previstas. Até porque a isenção prevista no art. 55 da Lei 8.212/91referese a contribuição devida pela empresa tratada nos artigos 22 e 23 (obrigação principal 113, 1o do CTN), diferentemente do aqui exigido que trata da inobservância de uma obrigação acessória que ocorre quando o fisco comprova alguma omissão ou contradição do sujeito passivo que dê lugar a aplicação de penalidade pecuniária, motivada pelo descumprimento de um dever instrumental. E o art. 33, 2o da Lei 8.212/91, na redação outorgada pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, é taxativo quanto a determinação das empresas de exibir a documentação solicitada, sem fazer qualquer distinção as entidades isentas, e ao deixar de proceder em consonância com o estabelecido, comete infração à legislação, cabendo o competente auto de infração: Art. 33 Dessa forma, constatado o descumprimento de obrigações tributárias, e considerando as disposições legais previstas na Legislação Previdenciária, não pode o agente fiscal furtarse ao cumprimento do legalmente estabelecido, sob pena de responsabilidade, em conformidade com o art. 142, parágrafo único do CTN. Por fim, o argumento para o reconhecimento da anistia, não pode ser acatado pelo simples fato de não haver lei que expressamente tenha regulado a sua concessão em casos como o presente. Não pode o julgador aplicar a anistia sem a existência de fundamento legal válido para tal finalidade e autorizador da exoneração pleiteada. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903023/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que a embargante não logra demonstrar a omissão e a contradição arguidas.
Numero da decisão: 3402-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Embargante PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que a embargante não logra demonstrar a omissão e a contradição arguidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidentesubstituto). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 23 /2 00 9- 35 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Tratase de embargos de declaração propostos pela ProcuradoriaFeral da Fazenda Nacional (PGFN) ao Acórdão n° 3402001.718, de 24 de abril de 2012, por meio do qual este colegiado, por unanimidade, decidiu prover o recurso voluntário interposto nestes autos, tendo em vista a existência de decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782. A embargante alegou, em suma, que a doutrina e a jurisprudência relativizam a coisa julgada em hipóteses análogas à aqui tratada, por isso o Acórdão embargado não poderia passar ao largo da discussão de mérito se escudando na coisa julgada e a melhor decisão seria o sobrestamento do feito até o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 609096. Ao final, solicitou a embargante o conhecimento e o provimento dos seus embargos declaratórios para sanar a contradição e a omissão apontadas. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Os embargos declaratórios são tempestivos, foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), por isso devem ser conhecidos. Inicialmente, não tendo a embargante apontado objetivamente a omissão e a contradição que pretende ver sanadas, cabe registrar que concluiuse, do inteiro teor dos declaratórios apresentados, que a omissão estaria na ausência de pronunciamento deste colegiado sobre a relativização da coisa julgada e a contradição estaria caracterizada pelo fato de terse mencionado no voto a existência do RE n° 609096, com repercussão geral reconhecida e determinação de sobrestamento dos processos judiciais naquele RE, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowsk, e, não obstante, terse proferido o julgamento do recurso voluntário. Não vislumbro na peça embargada a contradição, tampouco a omissão arguidas. Quanto à omissão, ademais de tratarse de matéria que não compôs a lide delimitada pela manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, tratase de construção jurisprudencial e doutrinária que de forma alguma se impõe no julgamento administrativo, não se configurando ponto sobre o qual o colegiado estivesse obrigado a se pronunciar, pois também não se trata de matéria de ordem pública, tampouco relacionada à legalidade do ato administrativo impugnado. A matéria trazida nos embargos de declaração, que, até então, não fora ventilada nestes autos, a meu ver, poderia ser cabível no âmbito do processo judicial, na hipótese de propositura de ação rescisória, que é o instrumento processual capaz de promover o abrandamento do rigor da coisa julgada ou a anulação dos efeitos produzidos pela decisão judicial já transitada em julgado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10675.903023/200935 Acórdão n.º 3402001.925 S3C4T2 Fl. 211 3 Sobre a contradição, notese que o voto condutor da peça embargada não espelha nenhuma contradição entre os seus fundamentos e a respectiva conclusão, pois, de fato, reconheceuse a existência de RE pendente de julgamento, nos termos da Portaria Carf n° 1, de 2011, contudo, tendose verificado que a recorrente, sobre a matéria em litígio nestes autos, possui decisão do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), proferida para o seu caso individual e concreto, já transitada em julgado, não haveria de se cogitar o sbrestamento deste processo, mas impunhase a aplicação de tal decisão, à qual não se pode negar validade, sob pena de violação do princípio da segurança jurídica. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007961/2007-54
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
IPI - ISENÇÃO CONDICIONADA - ZONA FRANCA DE MANAUS - INDUSTRIALIZAÇÃO - DISCO DIGITAL A LASER - PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO - PPB - TERCEIRIZAÇÃO.
O fato de a Recorrente, sediada na ZFM, adquirir estojos plásticos de empresa também sediada naquela de ZFM, destinados a embalagem dos produtos que industrializa (Compact Disc, CD-Rom e DVD), não só não descaracteriza o processo produtivo básico estabelecido pelo Poder Executivo, como não impede a fruição dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7° e 9° do Decreto-Lei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com as modificações da Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991.
Numero da decisão: 3402-001.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos deu-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral Drª. Ana Paula Lui OAB/SP 157658.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 IPI - ISENÇÃO CONDICIONADA - ZONA FRANCA DE MANAUS - INDUSTRIALIZAÇÃO - DISCO DIGITAL A LASER - PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO - PPB - TERCEIRIZAÇÃO. O fato de a Recorrente, sediada na ZFM, adquirir estojos plásticos de empresa também sediada naquela de ZFM, destinados a embalagem dos produtos que industrializa (Compact Disc, CD-Rom e DVD), não só não descaracteriza o processo produtivo básico estabelecido pelo Poder Executivo, como não impede a fruição dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7° e 9° do Decreto-Lei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com as modificações da Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos deu-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral Drª. Ana Paula Lui OAB/SP 157658. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.007961/200754 Recurso nº 155.496 Voluntário Acórdão nº 3402001.902 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2012 Matéria IPI ISENÇÃO ZONA FRANCA DE MANAUS INDICE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DISCO LASER Recorrente SONPRESS RIMO DA AMAZÔNIA IND. E COM. FONOGRÁFICA LTDA. Recorrida DRJ BELEM PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 IPI ISENÇÃO CONDICIONADA ZONA FRANCA DE MANAUS INDUSTRIALIZAÇÃO DISCO DIGITAL A LASER PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO PPB TERCEIRIZAÇÃO. O fato de a Recorrente, sediada na ZFM, adquirir estojos plásticos de empresa também sediada naquela de ZFM, destinados a embalagem dos produtos que industrializa (Compact Disc, CDRom e DVD), não só não descaracteriza o processo produtivo básico estabelecido pelo Poder Executivo, como não impede a fruição dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7° e 9° do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com as modificações da Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos deuse provimento ao recurso. Fez sustentação oral Drª. Ana Paula Lui OAB/SP 157658. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 79 61 /2 00 7- 54 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 644/677) contra o v. Acórdão/DRJ/BEL nº 0110.577 de 04/05/08 (fls. 629/643) exarado pela 3ª Turma da DRJ de Belém PA que, por unanimidade de votos, houve por bem considerar “procedente” o lançamento original de IPI consubstanciado no auto de Infração IPI (MPF nº 0227600/00079/07 fls.02/22), notificado em 11/12/07 (fls. 22), no valor total de R$ 43.405.322,04 (IPI R$ 18.590.196,48; juros de mora R$ 10.872.478,37; multa proporcional R$ 13.942.647,19), que acusou a ora Recorrente de “falta de lançamento” do IPI “na saída de produtos tributados” , no período de 01/01/03 a 31/12/05, nos seguintes termos: “001 DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DA SUSPENSÃOQUEBRA DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO Falta de lançamento de imposto nas saídas do estabelecimento de produtos tributados, por ter se utilizado incorretamente do instituto da suspensão. Em Ação Fiscal realizada na empresa acima identificada, para verificação das operações de internação de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus com insumos importados com os benefícios fiscais concedidos pelo Decretolei 288/67 referente aos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, constatamos o seguinte: a) A empresa industrializa os seguintes produtos: Disco Digital a Laser para Audio, cujo processo produtivo foi estabelecido pela Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT N° 185, de 28/07/93, publicada no Diário Oficial da União em 02/08/93 revogada posteriormente pela Portaria Interministerial MDIC/MCT 252, DE 18/10/2004, publicada no DOU em 21/10/2004; Disco para Sistema de Leitura por Raio "laser" CDRom, gravado com programa de Computador ou que contenha Obra Visual ou Jogos, cujo Processo 'Produtivo Básico é estabelecido pela Portaria Interministerial MDIC/MCT N° 285, DE 18/12/2001, publica[I a no DOU de 26/12/2001; Disco de leitura a Laser Gravável (CDR), Disco de Leitura a Laser Regravável (CDRW), Digital Versátil Disc Gravável (DVDR) e Digital Versátil Disc Regravável (DVDRW), cujo Processo Produtivo Básico é estabelecido pela Portaria Interministerial MDIC/MCT, n° 507, de 10/11/2003, publicada no DOU de 12/11/2003. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 4 3 b) A empresa registrou na Secretaria da Receita Federal os seguintes Demonstrativo do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação DCR: DCR 2001/01941 COMPACT DISC DCR 2002/08244 COMPACT DISC DUPLO GRAVADO DCR 2002/08245 COMPACT DISC TRIPLO GRAVADO DCR 2002/08246 COMPACT DISC QUADRUPLO GRAVADO DCR 2002/08247 COMPACT DISC QUINTUPLO GRAVADO DCR 2004/11486 CD ROM SIMPLES GRAVADO DCR 2004/11487 DVD SIMPLES GRAVADO DCR 2004/11488 DVD DUPLO GRAVADO c) A industrialização do produto Disco Digital a Laser para Audio, tem o seu Processo Produtivo Básico, no período de janeiro de 2003 a 20 de outubro de 2014 estabelecido pela da Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT nº185, de 28/07/93, publicada no Diário Oficial da União em 02/08/93, que estabelece o seguinte: Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA AUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico. a) recebimento do moldematriz; b) tratamento da resina de policarbonato c) moldagem do disco por injeção; d) metalização da fase do disco; e) laqueação do disco; f) impressão do rótulo; g) teste de audio; h) injeção do estojo plástico; e i) colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final. Parágrafo Único. Para cumprimento do disposto neste artigo será admitida realização de qualquer das etapas constantes das letras "a" a "f" em qualquer parte Território Nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 5 4 Com relação ao referido produto (DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO) constatamos que a empresa adquiriu os estojos plásticos de terceiro localizado na Zona Franca de Manaus. Por este motivo entendemos que a empresa quando da fabricação do referido produto descumpriu o Processo Produtivo Básico, haja vista que conforme descrito no Art. 1° letra "h" da Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT N° 185, de 28/07/93 a empresa deveria proceder a injeção do estojo plástico em sua unidade fabril, haja visto que o Parágrafo Único do referido artigo admite somente a realização das etapas de " a), a "f" em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. Portanto, claro está que as etapas "g" a "i" deveriam ser realizadas pela e presa, uma vez que o legislador EXCEPCIONOU apenas as etapas de "a" a "f" no parágrafo único . Vale destacar que, nos termos da alínea "b", do parágrafo 8°, do art. 70 do Decretolei n° 288/67, Processo Produtivo Básico "é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto". Se todas as etapas pudessem ser terceirizadas perderia totalmente o sentido a existência de um estabelecimento industrial, uma vez que todas as etapas poderiam ser industrializadas fora da empresa, desviandose, portanto do objetivo da Zona Franca de Manaus que é o desenvolvimento da região de forma econômica e social inclusive pela oferta de empregos. A Portaria Interministerial é clara e qualquer outra interpretação desta forma, com certeza estará inserindo palavras que o legislador não quis proferir, observamos ainda que a mesma só pode ser alterada por outra Portaria Interministerial que veio ocorrer apena em 21/10/2004, com a publicação no DOU da Portaria Interministerial MDIC/MCT N°252, de 18/10/2004. Isto posto lavramos o presente Auto de Infração por falta do pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados devido por ocasião da remessa de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus com os incentivos do DecretoLei 288/67 e enviados para outras regiões do país. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 7°, caput, § 8°, alínea "b", e art. 9°, § 1° ambos do Decreto lei n° 28/1967, com redação dada pelo art. 1° da Lei 8.387/91. Lei n° 4.592/64, art. 2°; Lei n° 9.532/97; Lei n° 4.502/64, art. 13, 19, 20, 21 e 25; Decretolei 34/6, art. 2°; Lei n° 5.172/arts. 142, 14 e 150; Lei 8.850/94, art. 1°; Lei 8.383/91, art. 52, inciso I, alínea "c"; Lei 8.850/94, art. 2°; Arts. 34, inciso II, 41, 42, 122, 123, inciso I, alínea "r" e inciso II, alínea "c", 127, 130, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02 RIPI/02).” Fl. 702DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 6 5 Por seu turno a r. decisão decorrida fls. 629/643 da 3ª Turma da DRJ de Belém PA, houve por bem considerar “procedente” o lançamento original de IPI, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO CONDICIONADA. A CUMPRIMENTO DE PROCESSO PRODUTIV0 BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA DO POR BENEFÍCIO INDEVIDO DA ISENÇÃO. A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus está condicionada ao cumprimento do processo produtivo básico estabelecido em Portaria Interministerial para o produto. Impõese o lançamento do imposto, pelo gozo indevido da isenção, quando constatado o descumprimento da condição. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005 FISCALIZAÇÃO DO IPI. COMPETÊNCIA. A fiscalização externa do IPI compete aos Auditores Fiscais da Receita Federal e será exercida sobre todas as pessoas que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligencia e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, 11, do Código Tributário Nacional Lançamento Procedente” Nas razões de Recursos Voluntário (fls. 644/677) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta a insubsistência do lançamento e da decisão recorrida que o manteve, tendo em vista: a) o equívoco da decisão recorrida ao sustentar a competência da Receita Federal para avaliar o nível de industrialização local compatível com o PPB, donde o Auto de Infração, bem como a r. decisão recorrida, estão em confronto com a jurisprudência do CC que cita; b) equívoco da decisão recorrida ao interpretar a Portaria Interministerial no Fl. 703DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 7 6 185/93; c) o atendimento pela Recorrente dos requisitos para fruição da isenção em questão e a imposição de reforma da decisão recorrida; d) que a Recorrente cumpriu rigorosamente com o seu projeto, o qual está adequado ao respectivo PPB, conforme, aliás, expressamente reconhecido pela SUFRAMA, sendo que a terceirização da etapa “h” junto a empresa localizada na ZFM e cumpridora do PPB não afasta o seu direito à isenção do IPI ora sob discussão, como comprovam o doc. 03 da Impugnação (fls. 576) Carta n° 0831/93GAB. SUP., na qual a SUFRAMA reconheceu expressamente que a etapa descrita no item “h”, do artigo 1°, da Portaria Interministerial nº 185/93, pode ser terceirizada, sem que haja descumprimento do PPB ela Recorrente , o doc. 04 da Impugnação (fls. 595/608) Laudos técnicos emitidos ,ela SUFRAMA que comprovam o cumprimento do PPB pela Recorrente , doc. 05 da Impugnação (fls. 610/611) Notas Fiscais de aquisição do estojo plástico junto à Videolar S/A, que comprovam que tal empresa, além de estar localizada na ZFM, possui projeto aprovado pela SUFRAMA nos termos do DecretoLei nº 288/67, por meio da Resolução SUFRAMA nº 177/98, cumprindo, assim, o PPB fixado pelo Decreto nº 783/93. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido e, no mérito, merece ser provido. Desde logo verifico que a r. decisão recorrida destoa da Jurisprudência Administrativa que, na interpretação das mesmas normas de regências, uníssona e intermitentemente tem proclamado a insubsistência não só da interpretação, mas da acusação e pretensões fiscais excogitadas, como se pode ver da r. decisão exarada pela 3ª Câmara do antigo 3º CC (cf. ACÓRDÃO n° 30330.748, Rec. nº 126.183, Proc. 10283.006040/200189, em sessão de 10/06/03, Rel. designado Milton Bartolli), cujos fundamentos do voto vencedor, esclarecem que: “No mérito, a fiscalização, assim como a Autoridade Julgadora de primeiro grau, confirmam que a Recorrente descumpriu o processo produtivo básico aprovado pela SUFRAMA, entendendo que, no processo de industrialização do seu produto Disco Digital a Laser para Áudio o contribuinte não cumpriu adequadamente todas as etapas do PPB, notadamente a etapa “h” da Portaria Interministerial 185/93, por ter terceirizado esta etapa produtiva, no período de janeiro a outubro de 1996, à empresa VAT Vídeo Áudio Tape da Amazônia, também estabelecida na ZFM, da qual adquiriu estojos plásticos prontos, apesar de dispor das máquinas e equipamentos necessários ao cumprimento de todas as nove etapas do processo produtivo. Vejamos, então, o que estabelecem os diplomas legais pertinentes ao tema: Fl. 704DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 8 7 Em primeiro lugar, o DecretoLei n° 288, de 18/02/67, que "Altera as disposições da Lei n. 3.173, de 6 de junho de1957 e regula a Zona Franca de Manaus", com as alterações e a nova redação produzidas pela Lei n° 8.387, de30/12/91, estabelece: "Art. 9º Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno,quer à comercialização em qualquer ponto do território nacional. § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, que devam ser internados em outras regiões do Pais, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no artigo 7° deste DecretoLei. "Art. 7º A redução do Imposto de Importação de que trata este artigo, somente será deferida a produtos industrializados previstos em projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA que: I se atenha aos limites anuais de importação de matérias primas,produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações; II objetive: a) o incremento de oferta de emprego na região; b) a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; c) a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; d) níveis crescentes de produtividade e de competitividade; e) reinvestimento de lucros na região; e f) investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico. Até aqui, não houve nenhuma implicação por parte do Fisco com o pleito de isenção da Recorrente. Passemos, então, para o que dispõe a letra "a", do parág. 8°, do art. 7º, do referido D. Lei n° 288/67, que nos parece ser o cerne da questão: "§ 8° Para efeitos deste artigo, consideramse: a) produtos industrializados os resultantes das operações de transformação, beneficiamento, montagem e recondicionamento, como definidas na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados." Fl. 705DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 9 8 No Regulamento específico do IPI (RIPO, aprovado pelo Decreto n°87.981/91, encontramos o seguinte: CAPITULO II Dos produtos industrializados Seção I Disposição preliminar Art. 2° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização,mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Seção II Da industrialização Características e modalidades Art. 3º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Leis ns. 4302/64, artigo 3°, parágrafo único,e 5.172/66, artigo 46, parágrafo único) : I — a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova(transformação); II — a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento) III — a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e deque resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV — a que importe em altear a apresentação do produto, pela colocação de embalagem, ainda que em substituição da original,salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou recondicionamento); V — a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento) Parágrafo único — São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. (n/destaques) Não há dúvida, portanto, em razão dos aludidos dispositivos, de que o processo produtivo da Empresa, definido pela SUFRAMA, caracteriza operação de industrialização, sendo irrelevante, para tal finalidade, a localização das instalações. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 10 9 Nesta toada, como se verifica do Parecer Técnico n° 005/93 da Divisão de Análise e Acompanhamento de Projetos Industriais, que interpretou a PI 185/93, bem como, do Oficio n° 4472/97, ambos da SUFRAMA, (fls.) o procedimento adotado pelo contribuinte foi integralmente respaldado por aquela autarquia, verbis: "(...) entendemos que não há impedimento legal ao fato de que uma empresa com projeto aprovado na SUFRAMA, com processo produtivo básico estabelecido pelo Poder Executivo, terceirize parte desse processo dentro da própria área da Zona Franca de Manaus,delimitada pelo DecretoLei 288/67, uma vez que esse tipo de procedimento é universalmente aceito no meio produtivo e de transformação industrial. "Entendemos sim, que as etapas constantes das alíneas "g", "h"e “i",obrigatoriamente deverão ser realizadas dentro da ZFM por empresas cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA e que cumpra o processo produtivo básico estabelecido pelo Decreto n° 783/93, no seu Anexo YD, tendo em vista a clareza do texto legal nesse particular. "Desta forma, concluindo, ressaltamos que a SUFRAMA jamais poderá, em tempo algum, ir de encontro a um processo de modernização industrial, como a terceirização, que a cada dia cresce em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento,em razão da diminuição de custos e melhoria de qualidade, fatores essenciais para a competitividade no mercado. Pelo contrário, a SUFRAMA procura, através da especialização do seu corpo técnico, ir ao encontro de todas aquelas tecnologias de produto e de produção que tragam o desenvolvimento da região na qual atua." (fls. 44/45, n/destaques) Entendemos, ante o exposto, que o Fisco não poderia, como pretendeu, caçar da Recorrente o beneficio fiscal concedido pela Superintendência da Zona Franca de Manaus — SUFRAMA, órgão legalmente competente para sua concessão, uma vez que a empresa cumpriu fielmente todas as exigências que o Governo Federal, através da mesma SUFRAMA, estabeleceu para que o projeto fosse devida e previamente aprovado pelo seu Conselho de Administração (CAS). Sabese que a SUFRAMA é o órgão do Governo que administra legalmente tais incentivos (como preceitua o artigo 7° do Decreto 783, de 25.03.93: "A SUFRAMA poderá realizar, a qualquer tempo, inspeções nas empresas para verificação do fiel cumprimento do disposto neste decreto."),os quais são ou não concedidos por decisão do referido Conselho de Administração(CAS), constituído por representantes dos Ministérios Públicos, inclusive da Fazenda,dentre outros, conforme informado no Parecer Técnico n° 005/93 acostado aos autos. Oportuna, neste sentido, a assertiva do Ilustre Conselheiro ANTONIO CARLOS BUENO, no precedente do Segundo Fl. 707DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 11 10 Conselho de Contribuintes colacionado às fls. 282/303 destes autos: "Do exposto, exsurge inquestionável a primazia conferida pelas disposições legais e regulamentares acima à SUFRAMA para dispor e fiscalizar a observância do Processo Produtivo Básico para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus pelas empresas titulares de projetos aprovados pelo Conselho de Administração daquela Autarquia, com vistas a usufruir dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7° e 9° do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com as modificações da Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e no art. 6° do DecretoLei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975." (fls. 298) () "Ora, se o Laudo Técnico de Produto atesta que as condições de fabricação do produto "X" estão de acordo com o Processo Produtivo Básico, isto implica forçosamente que as importações dos insumos destinados à fabricação deste produto o foram de forma tal que não colidisse com o correspondente Processo Produtivo Básico,cabendo realçar que a SUFRAMA aprova os Pedidos de Guias de Importação (PGI) e que na emissão dos LTPs procede"... a confrontação do(s) respectivo(s) PG1's com a(s) listagem(s) de insumos do projeto aprovado, atentando sempre para o nível de agregação/desagregação de subconjuntos, partes, peças e outras formas de apresentação de materiais importados, de forma a atender o Processo Produtivo Básico aprovado (Resolução n°513/93, Anexo II, item 6)." (fls. 300) Como se verifica, a Recorrente realizou suas operações amparada na norma legal que lhe concedeu o beneficio fiscal questionado, sendo totalmente impertinente a pretensão do Fisco em cassarlhe tais benefícios, correspondentes a quase um ano completo de operações, as quais contam com a certificação do órgão competente SUFRAMA sobre o cumprimento do processo industrial da empresa,assim como do reconhecimento, do próprio Fisco, do cumprimento das demais exigências legais estabelecidas. Diante de todo o exposto e por tudo o mais que do processo consta,conheço do Recurso por tempestivo para, no mérito, dar lhe provimento.” Na mesma linha, mais recentemente, em caso idêntico, em nome da própria Recorrente e respectivos defensores, a C. 3ª Câmara do antigo 3º CC (cf. Acórdão n° 303 32.015, Rec. nº 127.875, Processo nº 10283.010262/200104, em sessão de 18/05/05, Rel. Cons. Nanci Gama) reiterou a insubsistência da interpretação e pretensões fiscais do lançamento aos judiciosos fundamentos de que: “Quanto ao cerne da questão, isto é, a possibilidade de terceirização da etapa "h" do PPB, mister traçar o quadro legislativo que rege a matéria, transcrevendo os dispositivos Fl. 708DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 12 11 normativos pertinentes, para bem compreender a tese adotada que passo a expor. Como já demonstrado, a isenção do IPI sobre os produtos produzidos na ZFM foi instituída pelo Decretolei n° 288/1967, com a redação dada pela Lei n° 8.387/1991, sendo que o seu artigo 7° estabelece, como requisitos para obtenção de referido beneficio fiscal, a aprovação de projeto pela SUFRAMA e a fabricação dos produtos de acordo com "processo produtivo básico", este, estabelecido por meio de portaria interministerial. Nesse ponto, vale destacar que, nos termos da alínea "b", do § 8º, do art. 7°, do Decretolei n° 288/67, processo produtivo básico "é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto". O PPB estabelecido para o produto em questão, DISCO DIGITAL A LASER, através da Portaria Interministerial n.° 185/1993, foi o seguinte: "Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a. recebimento do moldematriz; b. tratamento da resina de policarbonato; c. moldagem do disco por injeção; d. metalização da fase do disco; e. laqueação do disco; f. impressão do rótulo; g. teste de áudio; h. injeção do estojo plástico; e i. colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final". Em visita às instalações fabris do contribuinte, a Fiscalização apurou que o contribuinte adquiria o disco digital, sem a embalagem, de seu estabelecimento instalado em São Paulo, com as etapas "a" a "f" já realizadas, e executava, em seu estabelecimento instalado na ZFM, as etapas "g" e "i". Em relação à etapa "h" (injeção do estojo plástico), constatou , que o contribuinte adquiria esse componente, já pronto, da empresa VATVÍDEO AUDIO TAPE DA AMAZÔNIA, estabelecida na Zona Franca de Manaus, o que, segundo seu entendimento, estaria vedado pelo § único, do art. 10 de referida Portaria Interministerial, in verbis: Fl. 709DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 13 12 "Parágrafo Único. Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras "a" a "f" em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros preferencialmente na Zona Franca de Manaus". Segundo a Fiscalização, o contribuinte deveria injetar o estojo plástico em seu estabelecimento, eis que o parágrafo único supra transcrito só admite a terceirização das etapas "a" a "f'. Para os Auditores Fiscais, a mencionada Portaria já teria delimitado "literalmente" o que poderia, ou não, ser terceirizado. Do auto de infração, extraemse afirmações no sentido de que a legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção (art. 111 do CTN) deve ser interpretada literalmente e que, em matéria isencional, "o que não está expressamente permitido no texto é proibido". Em que pese o esforço dos d. Auditores em fazer prevalecer a sua tese, é de se convir que o direito não a ampara. O dispositivo em questão autoriza as etapas de "a" a "f" serem realizadas em qualquer parte do Território Nacional, caso sejam produzidas pela própria empresa, e, preferencialmente na ZFM, se realizadas por terceiros. Ressaltese que, em relação às demais etapas, o dispositivo nada fala. Vale dizer que a dinâmica de benefícios fiscais é instituída em favor da ZFM e não das empresas. Disso decorre que se deve interpretar a norma de forma a preservar o fim para o qual se destina, isto é, se determinada etapa do produto foi, ou não, produzida na ZFM, deixando de atentarse para considerações sobre a possibilidade de se terceirizar uma etapa sequer mencionada pela norma em debate. No que tange ao argumento de que, tratandose de isenção, tudo o que não está expresso na lei, é vedado, o mesmo viola a lógica constitucional do inciso II, do artigo 5º, segundo a qual ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Registrese que, caso o órgão responsável pela elaboração das portarias interministeriais pretendesse restringir a possibilidade de terceirizar uma etapa, essa proibição deveria estar expressa na norma. Isso porque, tratando de norma restritiva, a necessidade de que suas determinações sejam expressas, e não subentendidas, é evidente. A proibição de determinada conduta não pode ser concluída de uma interpretação sistemática da legislação, ainda mais, quando esta interpretação é realizada ao arrepio de disposição constitucional, que permeia todo o ordenamento jurídico nacional. Frisese que a proibição de uma conduta deve constar necessariamente de norma válida, eficaz e expressa nesse sentido. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 14 13 Nesse ponto, a referendar a tese ora defendida ressaltese que a própria SUFRAMA, responsável em aprovar o projeto de industrialização dos produtos isentos de IPI produzidos na ZFM, concluiu, em resposta à consulta do contribuinte (fls. 17), que a etapa "h" pode ser terceirizada, como se infere, in verbis: "Em resposta ao expediente de V. Sas., datado de 12/08/93, informamos que a realização da etapa constante da alínea "h" do artigo 1°, da Portaria Interministerial n°185, de 28 de julho de 1993, de acordo com o Parecer Técnico n° 005/93 — SIPI/DEPRO/SAP; pode se terceirizada, desde que a empresa encarregada da terceirização esteja instalada na Zona Franca de Manaus, com projeto aprovado pela SUFRAMA e cumpra o processo Produtivo Básico fixado pelo Decreto n° 783/93, em seu Anexo VII". Em tendo a SUFRAMA, órgão técnico especializado, reconhecido a possibilidade de terceirização, observados alguns requisitos (cujos documentos probantes de seu cumprimento foram anexados aos autos), não assiste razão para se manter o crédito tributário em tela. Por fim, ressaltese que o argumento da Fiscalização no sentido de que a norma tributária que outorga isenção, nos termos do art. 111, inciso II, do CTN, deve ser interpretada literalmente vai de encontro ao que tenta fazer crer. Na medida em que o famigerado parágrafo único somente estabelece que as etapas "a", "b", "c", "d", “e” e "f' podem ser produzidas em qualquer parte do Território Nacional pela própria empresa e, preferencialmente na ZFM, caso produzidas por terceiros, nada pode ser concluído a respeito da etapa "h", posto não haver referência à mesma. Afinal, suas disposições devem, ou não, ser interpretadas literalmente? Por tudo o que foi exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, cancelando, por conseguinte, o auto de infração indevidamente lavrado contra o contribuinte.” Dos preceitos expostos resulta claro que, nos termos da legislação de regência e dos Pareceres Técnicos da SUFRAMA, o fato de a Recorrente, sediada na ZFM, adquirir estojos plásticos de empresa também sediada naquela de ZFM, destinados a embalagem dos produtos que industrializa (Compact Disc, CDRom e DVD) não só não descaracteriza o processo produtivo básico estabelecido pelo Poder Executivo, como não impede a fruição dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7° e 9° do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com as modificações da Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991. Isto posto, voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar a r. decisão recorrida e, na esteira da jurisprudência retro mencionada, julgar insubsistente o lançamento fiscal, cancelando as exigências fiscais nele consubstanciadas. É como voto. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.007961/200754 Acórdão n.º 3402001.902 S3C4T2 Fl. 15 14 Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 712DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10650.000339/97-20
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue May 11 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA. A competência para julgar recursos interpostos em processos fiscais relativos a lançamento de ofício, por divergência de classificação fiscal de mercadorias, para efeito de tributação do IPI, permanece no Terceiro Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 1º do Decreto nº 2.562/98 e com o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 202-15564
Decisão: Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, em razäo da materia, e em declinar competência do julgamento para o Terceiro Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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UM; Segundo Conselho de Contribuintes PubIk:ado no Diário 0:1c:s1 da União.SiSt:'Ir -I De 1 ,iø / o ç Processo n° : 10650.000339/97-20 Recurso n° : 118.882 )(P/ Acórdão n° : 202-15.564 VISTO Recorrente : TUBOZEBU TUBOS ZEBU LTDA. Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPE- _ TÊNCIA. tinN. i-)A FT)7L;;;;;,:, 2 . , cr; ; A competência para julgar recursos interpostos em processos fiscais relativos a lançamento de oficio, por divergência de BRAS:L 1 IA bA : a . /...0-.. i classificação fiscal de mercadorias, para efeito de tributação doz/ ix_. i IPI, permanece no Terceiro Conselho de Contribuintes, de srk__. acordo com o art. 1° do Decreto n° 2.562/98 e com o Regimento VISTO Interno dos Conselhos de Contribuintes. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: TUBOZEBU TUBOS ZEBU LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da matéria, e em declinar competência do julgamento para o Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 11 de maio de 2004 le ae, 4, Heliteque rineheiroe. i iOi‘zir Presidente GuQk 0\ 17--& 'elly Alencar Re tor Participaram, ainda, presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Buena Ribeiro, Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cllopr 1 4 .:244,. • • --- 22 cc-mrMinistério da Fazenda Ofx FiCENN - 2 9 cc; 95;;c-,<X-- Segundo Conselho de Contribuintes CONFEP::: n. O Wh:W.;AE..n-7.e—kter EFU;SiLIA 0,1) lay Processo : 10650.000339/97-20 Recurso n° : 118.882 ..... Acórdão n° : 202-15.564 Recorrente : TUBOZEBU TUBOS ZEBU LTDA. RELATÓRIO Foi o Contribuinte autuado, em 01/04/1997, relativamente ao IPI devido em períodos compreendidos entre a primeira quinzena de junho de 1994 e o segundo decêndio de abril de 1994, na forma e razões que seguem: O Contribuinte fabrica produtos sujeitos à classificação fiscal 3917.22.0000, com alíquota de IPI igual a 10%; entretanto, procede de modo a aplicar a alíquota de 4% na operação, mas escriturando a aliquota de 10% em seus livros. O FISCO efetuou a compensação dos créditos do imposto com os débitos lançados mas não declarados e não lançados, procedendo com a devida imputação. Ainda, o Contribuinte não efetuou, no período da r quinzena de dezembro de 1993 ao 3° decêndio de 1994, o recolhimento do imposto nos prazos previstos em lei. A fiscalização usou a seguinte fórmula para apurar o valor a recolher: "Valor a recolher = (débito do IPI registrado + outros débitos do IPI — NF sem lançamento) — (IPI recolhido feita a imputação + crédito do IN escriturado + saldo credor do período anterior)". Apresenta o Contribuinte impugnação tempestiva, às fls. 139/141, no qual alega que no período mencionado na autuação procedeu de acordo com o Decreto n° 803, de 20/04/1993, que previa para o código 3917 a alíquota de 4%, classificada em "tubos e acessórios de plástico"; a modificação para 10% decorre da interpretação da fiscalização, desrespeitando a lei nova, mais benéfica. Prossegue afirmando que o Anexo de fl. 16 apresenta como datas dos fatos geradores em discussão o período de 02/06/1993 a 02/04/1994, enquanto que o Anexo de fl. 05 se reporta a fatos geradores entre 02/01/1992 e 31/12/1994, o que gera sérias dificuldades na verificação dos apontados ilícitos praticados. Remetidos os Autos à DRJ em Belo Horizonte - MG, é a ação fiscal julgada procedente, pela fundamentação que segue: O Decreto citado pelo Contribuinte cuida dos produtos cuja classificação fiscal é a 3917.23, e não a 3917.22, efetivamente aplicada ao produto industrializado pelo mesmo, tanto que o próprio Contribuinte utiliza esta classificação, conforme notas fiscais auditadas — modifica tão-somente a alíquota. E, sobe o argumento da divergência de fatos geradores, tendo em vista que o período objeto do auto é o de 30/06/1993 a 30/04/1994, não há que se falar em divergência ou prejuízo. Inconformado, recorre o Contribuinte. É o relatório.) /( 2 i .é43-:L.:Zts: . .._____..........,........... 22 CC-MF . :-"tf,"..:423A., Ministério da Fazenda *, ... OA iã,.: '. •., - 2 : CO t Segundo Conselho de Contribuintes s - - ------r") Fl. --- — — -- ;04.. CONFER: Cc21i O 01;;Gr.'13.1. • ERAS11.14 &lu .... Processo n° : 10650.000339/97-20 Recurso n° : 118.882 itailit2--__ Acórdão n° : 202-15.564 VISTO VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVO KELLY ALENCAR A partir das disposições do artigo 1° do Decreto n° 2.562, de 28 de abril de 1998, passou a ser do Terceiro Conselho de Contribuintes a competência para julgamento de recursos interpostos cuja matéria, objeto do litígio, decorra de lançamento de oficio por divergência de classificação fiscal de mercadorias para efeito de tributação do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, in litteris: "Art. I° Fica transferida do Segundo para o Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda a competência para julgar os recursos interpostos em processos fiscais de que trata o art. 25 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pela Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, cuja matéria, objeto de litígio, decorra de lançamento de oficio de classificação de mercadorias relativa ao imposto sobre Produtos Industrializados - IPI" Na doutrina processual brasileira, são admitidos diferentes sistemas de aplicação da lei nova aos processos em curso por ocasião do início da sua vigência. Dentre tais, aquele que tem contado com a adesão da maioria dos autores é o que considera que a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações à fase em que se encontram, tendo sido expressamente consagrado pelo artigo 2° do Código de Processo Penal, que determina: "a lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior", e que "conforme entendimento de geral aceitação pela doutrina brasileira, o dispositivo transcrito contém um princípio geral de direito processual intertemporal que também se aplica, como preceito de superdireito, às normas de direito processual civil". O ilustre processualista Moacyr Amaral Santos2 , filiando-se à corrente que defende a tese de que os atos processuais praticados na vigência e conformidade da lei anterior são válidos e eficazes, entretanto, aplicando-se imediatamente a lei nova aos atos que lhe são subseqüentes, afirma que "esta regra ampara até mesmo as leis de organização judiciária e reguladoras da competência, as quais se aplicam de imediato aos processos pendentes". Especificamente em relação às alterações das regras que determinam as competências — questão ora importante para o presente julgamento -, temos excerto de Galeno Lacerda3: "Em direito transitório vige o principio de que não triste direito adquirido em matéria de competência absoluta e organização judiciária. Tratando-se de normas impostas tão-só pelo interesse público na boa distribuição da Justiça, é evidente que toda e qualquer alteração da lei,) I Antônio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco, Teoria Geral do Processo, Malheiros Editores, 11' edição, p. 98. 2 Primeiras Linhas de Direito Processual, vol. 1, Editora Saraiva, 1992, p. 34. /I3 O Novo Direito Processual e Os Feitos Pendentes, Editora Forense, 1974, pp. 17/18./ 3 / :Tf L2L.7 Fl. 1 „.2 C:" 22 CC-MF :',a-Te4. Ministério da Fazenda () CA(.11.41:4 i /N2 .' Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10650.000339/97-20 8R Recurso n° : 118.882 Acórdão n° : 202-15.564 VISTO neste campo, incide sobre os processos em curso, em virtude da total indisponibilidade das partes sobre essa matéria ... ." Assim, com esteio na mais abalizada doutrina, somos pela adoção da tese que defende o isolamento dos atos processuais, e decidimos no sentido de que a análise do questionamento referente à classificação fiscal de mercadorias, diante da nova legislação de regência, deverá ser objeto de exame pelo Terceiro Conselho de Contribuintes. Voto então pelo não conhecimento do recurso, em razão da materia, declinando competência para o Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, pela fundamentação supra. Sala das Sessões, em 11 de maio de 2004 ."/ til G J'A KELLY ALENCAR 4
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000678/93-93
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 1998
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NOTIFICAÇÃO ELETRÔNICA DE LANÇAMENTO SUPLEMENTAR - IRPJ - É nula a notificação de lançamento suplementar emitida em desacordo com as determinações contidas no art. 11, incisos I a IV e parágrafo único do Decreto nº 70.235/72
Lançamento nulo.
Por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 107-05104
Decisão: P.U.V, DECLARAR A NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Nome do relator: Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CASA NIQUINHO LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. #. FRANCISCO SA S RIBEI DE rti IROZ PRESIDENT /' 49/A4f a MARIA D " " 01 RIGUES DE CARVALHO RE ià TO - IAS _ FORMALIZADO EM: JUL 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINIZ, NATANAEL MARTINS, PAULO ROBERTO CORTEZ, EDWAL GONÇALVES DOS SANTOS, FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. . . MINISTÉRIO DA FAZENDA N Owei.14»: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10630-000678/93-93 ACÓRDÃO N°. : 107- 05.104 RECURSO N°. :116192 RECORRENTE : .CASA NIQUINHO LTDA. RELATÓRIO Recorre a este Conselho de Contribuintes Casa Niquinho Ltda., da decisão proferida pela Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora — MG, que não conheceu da impugnação interposta, posto que intempestiva. Irresignada com o feito, interpôs recurso voluntário onde aduz sobre a interpretação da autoridade julgadora sobre a intempestividade da peça impugnatória e aduz sobre o erro identificado e confirmado pela SASIT — Serviço de Tributação da DRF, consubstanciado no parecer acostado •/ . autos às fls. 39. É o Relatório. IIIIr 4 7 1. Processo n.° : 10630.000678193-93 Acórdão n.° : 107-05.104 VOTO Conselheira MARIA DO CARMO SOARES RODRIGUES DE CARVALHO, Relatora. O recurso foi manifestado no prazo legal e com observância dos demais pressupostos processuais, razão porque dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre salientar que trata-se de lançamento suplementar caracterizado com o vício de forma, pela omissão ou inobservância regular das formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. De acordo com as normas estabelecidas na IN SRF n° 54, de 13 de junho de 1997, a administração deverá anular o lançamento suplementar quando a notificação não estiver fundamentada nos termos do artigo 11 e incisos I a IV e parágrafo único do Decreto n° 70.235/72. Assim posto e, considerando-se que o lançamento suplementar foi emitido em desacordo com as determinações contidas no art. 5° da norma citada, voto no sentido de anular o lançamento sul) judice. Brasília-DF, em 04 de junho de 1998. 0 MARIA DO______ DRIGUES DE CARVALHO 3 , . Processo n° : 10630.000678/93-93 Acórdão n° : 107-05.104 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria Ministerial n° 55, de 16 de março de 1998 (DOU de 17/03/98) Brasília-DF, em 20 JUL 1998 ‘ st,.: . v FRANCISC• bE S À ES • 'BEIRO DE QUEIROZ PRESIDEN E • Ciente em <4 . L '199% , ,/ 1/4 P "4 U • s i0" (4 AZENDA NACIONAL • f f, , ,, , LI.. Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001817/99-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2002
Ementa: CSLL - ATIVIDADE RURAL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - A não aplicação do limite de compensação de bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro de períodos-base anteriores, apuradas por empresas rurais, previsto nos artigos 58, da Lei n° 8.981, e 16, da Lei n° 9.065, ambas de 1995, se subordina à demonstração do resultado da atividade rural, dada a natureza do incentivo fiscal, calculado com base no lucro da exploração.
Recurso negado.
Numero da decisão: 105-13735
Decisão: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada de ofício pela Conselheira Maria Amélia Fraga Ferreira, no sentido de converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Maria Amélia Fraga Ferreira e Daniel Sahagoff. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Amélia Fraga Ferreira, Daniel Sahagoff, José Carlos Passuello e Denise Fonseca Rodrigues de Souza.
Nome do relator: Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega
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Recorrida : DRJ em JUIZ DE FORA/MG Sessão de :19 DE MARÇO DE 2002 Acórdão n° :105-13.735 CSLL - ATIVIDADE RURAL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - A não aplicação do limite de compensação de bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro de períodos-base anteriores, apuradas por empresas rurais, previsto nos artigos 58, da Lei n° 8.981, e 16, da Lei n* 9.065, ambas de 1995, se subordina à demonstração do resultado da atividade rural, dada a natureza do incentivo fiscal, calculado com base no lucro da exploração. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CONRURAL LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar suscitada de ofício pela Conselheira Maria Amélia Fraga Ferreira, no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Maria Amélia Fraga Ferreira e Daniel Sahagoff. No mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Amélia Fraga Ferreira, Daniel Sahagoff, José Carlos Passuello e Denise Fonseca Rodrigues de Souza. VERINALDO H UE DA SILVA - PRESIDENTE LUIS GO -• • ksEIR -NOBR \ EGA - RELATOR FORMALIZADO EM: 2 5 MAR 2002 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ÁLVARO BARROS BARBOSA LIMA e NILTON PÊSS. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 Recurso n° : 124.549 Recorrente : CONRURAL LTDA. RELATÓRIO CONRURAL LTDA., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho, da decisão prolatada pela DRJ de Juiz de Fora — MG, constante das fls. 33/37, da qual foi cientificada em 08/09/2000 (Aviso de Recebimento — AR às fls. 40), por meio do recurso protocolado em 03/10/2000 (fls. 41). Contra a contribuinte acima foi lavrado o Auto de Infração (AI), de fls. 04/08, no qual foi formalizada a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em virtude de haver sido constatada a compensação indevida de bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores, na apuração da aludida contribuição relativa aos meses de julho de agosto do ano-calendário de 1995, exercício financeiro de 1996, em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado. A presente infração foi fundamentada nos artigos 2°, da Lei n° 7.689/1988, 58, da Lei n° 8.981/1995 e 12 e 16, da Lei n°9.065/1995. Inconformada com a exigência, a autuada, por meio de seu Procurador (Mandato às fls. 26), ingressou com a Impugnação de fls. 17/25, onde contesta o lançamento, com base nas alegações dessa forma sintetizadas na decisão recorrida: " 1) para a empresa que explora a atividade rural prevalece a regra do art. 512 do RIR/1999, cujo conteúdo transcreve; destaca que a regra do referido artigo representa uma reprodução do art. 14 da Lei n° 8.023/1990; 2) observa que pela ficha 01 de sua DIRPJ/1996 o objeto da autuada é o cultivo de café, código 01.32-5; afirma que essa atividade enquadra a contribuinte no conceito de empresa rural; traz citações de renomados professores que versam sobre o conceito empresa 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° : 105-13.735 rural, além dos arts. 2° da Lei n° 8.023/1990 e 4 0 da Lei n° 4.504/1964, Estatuto da Terra, bem como a definição do termo 'agricultura' no Dicionário Aurélio; ° 3) fundamenta-se no art. 110 do CTN para afirmar que a lei tributária jamais pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, para modificar a competência tributária; 4) cita os termos do art. 2°, caput e § 2°, da IN SRF n° 39/1996 e do art. 57 da Lei n° 8.981/1995 para afirmar que não se aplica o limite de 30% (trinta por cento) à compensação dos prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural, não restando dúvidas da falta de sustentação da autuação em questão; " 5) admitindo-se, por hipótese, que as normas sobre a compensação não se aplicam à autuada, no mínimo, as penalidades não poderiam ser aplicadas, pois a conduta da contribuinte tem respaldo na própria legislação editada pela autoridade fiscal. Em decisão de fls. 33/37, o julgador monocrático manteve integralmente o lançamento, fundamentando-se no fato de a contribuinte não ter apurado, na declaração de rendimentos revisada, resultado da atividade rural em qualquer período do ano-calendário de 1995, além de não haver informado ser beneficiária de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração, e nem preenchido as fichas da DIRPJ destinadas à demonstração do lucro real da atividade rural. No entendimento do julgador singular, como o artigo 57, da Lei n° 8.981/1995, dispôs que aplicam-se à contribuição social, as mesmas regras de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, a norma prevista no parágrafo 4°, do artigo 35, da Instrução Normativa SRF n° 11/1996, que excepciona da regra geral limitadora da compensação, os prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural, deve ser estendida para a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL. Entretanto, na hipótese dos autos, referida exceção não é aplicável, pelas mesmas razões que impedem a sua adoção quanto à compensação de prejuízos, em face 4 _ - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 da ausência de elementos caracterizadores de resultado da atividade rural nos período-base autuados, sob pena de se estar transferindo benefício fiscal para atividade não incentivada. Acrescentando não haver se verificado qualquer violação ao disposto no artigo 110, do CTN, encerra aquela autoridade asseverando que os acréscimos legais cabíveis no caso de lançamento de ofício, foram impostos segundo o estabelecido na legislação de regência em vigor, sendo despropositada a reclamação da impugnante, neste particular. Referido julgado se acha assim ementado: " Ementa: COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. PERÍODOS ANTERIORES. LIMITE Apurado excesso de compensação de base de cálculo negativa, relativa a períodos anteriores em que inexistia a permissão legal, bem como constatado a sua utilização em limite superior a trinta por cento do lucro líquido ajustado, configura-se a correção do feito fiscal. "COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. ATIVIDADE RURAL. Na falta de elementos nos autos caracterizadores da atividade rural exercida pela contribuinte, não há como considerá-la beneficiária de incentivos fiscais previstos pela legislação tributária para aquela atividade. O prejuízo fiscal da atividade rural de um mês só pode ser compensado com o lucro real das demais atividades relativamente a esse mesmo mês. INFRAÇÕES E PENALIDADES. "Multa de Ofício. No caso de procedimento de ofício a penalidade cabível, em vigor, é a multa de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o valor do tributo e das contribuições lançados. As reduções autorizadas são aquelas previstas pela legislação tributária. "Juros de Mora. O imposto não pago até seu vencimento, em qualquer dos procedimentos previstos pela legislação tributária, é acrescido de juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento da obrigação. LANÇAMENTO PROCEDENTE" 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 Irresignada, a contribuinte ingressou com o recurso de fls. 42/53, instruído com o documento de fls. 54, no qual requer a reforma da decisão de primeiro grau e o conseqüente cancelamento da exigência fiscal, fundamentando-se nos seguintes argumentos: 1. invoca o artigo 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), para concluir que a obrigação tributária não surge pela simples denominação que venha a ser dada a um determinado fenômeno na seara tributária nem, tampouco, fazendo um paralelismo, pela forma de preenchimento de qualquer formulário (obrigação acessória); assim, a sua condição de empresa rural — já indicada na Ficha 01 da declaração de rendimentos apresentada para o ano-calendário de 1995 — não pode ser descaracterizada pelo mero preenchimento equivocado de uma linha de um dos quadros daquele documento; 2. com efeito, a própria DIRPJ não permite uma maior especificação da estrutura patrimonial da pessoa jurídica, assim como, dos resultados por ela obtidos, como, por exemplo, a Ficha 04 (Custo dos Bens e Serviços Vendidos), onde não se pode constatar a natureza dos estoques declarados; ainda assim, é possível se verificar, do preenchimento da Ficha 03 (Demonstração da Receita Líquida), da declaração apresentada pela Recorrente, a existência de receitas provenientes da atividade rural; 3. o erro estaria, portanto, no preenchimento da Ficha 29, ao se informar a compensação de prejuízos, cujo valor foi indevidamente indicado no item 05, ao invés do item 07, não podendo, tal equívoco, determinar a natureza da atividade da contribuinte, por se tratar de mero erro de fato, devendo prevalecer a verdade fática, a resultar na improcedência da autuação, mediante a revisão do lançamento, nos termos do inciso I, do artigo 145, do CTN; 4. a Recorrente reitera os argumentos esposados na Impugnação acerca da sua não sujeição ao limite de que cuidam os presentes autos, reafirmando que o seu objeto social é o cultivo do café, o que a enquadra como empresa rural, beneficiária, portanto, da 6 - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 exceção prevista no artigo 512, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99); repisa, ainda, os argumentos referentes à norma contida no artigo 110, do CTN, reafirmando o nexo causal entre o cultivo do solo e o conceito de empresa rural, obtido a partir do próprio conceito de agricultura, encontrado no Dicionário Aurélio; 5. enfatiza o fato de a Ficha 03 da DIRPJ revisada indicar, em seu item 08, que as receitas declaradas no período, advêm de atividade de exploração da terra (café); 6. por fim, citando o artigo 99, do CTN, o qual limita as normas do Poder Executivo, ao conteúdo e alcance das leis de que se originam, alega a Recorrente que a própria administração tributária, ao editar a Instrução Normativa SRF n° 39, de 1996, interpretando o alcance da tributação no âmbito da atividade rural, entendeu não ser aplicável àquela atividade, o limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais — regra estendível à compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, nos termos do artigo 57, da Lei n° 8.981/1995 — o que leva à improcedência do lançamento, devendo ser reformada a decisão recorrida. Em análise preliminar do recurso, quanto à sua admissibilidade, verifiquei que a repartição de origem não havia se manifestado acerca da regularidade do arrolamento de bens efetuado pela contribuinte, nos termos do artigo 32, da Medida Provisória n° 1.973- 65, de 28/08/2000, posteriormente regulamentado pelo Decreto n° 3.717 e pela Instrução Normativa SRF n° 26, ambos de 2001 (fls. 54), tendo devolvido os autos à citada repartição, para aquele fim, conforme despacho de fls. 57/58. De acordo com os documentos de fls. 61 a 139, tal medida foi implementada, tendo sido deferido o arrolamento realizado e dado seguimento regular ao recurso, retornando o processo a este Colegiado, para julgamento. É o relatório. p 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° : 105-13.735 VOTO Conselheiro LUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Como descrito no relatório, a matéria litigiosa constante dos autos se refere à não observância, pelo sujeito passivo, do limite de utilização dos saldos de bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores, para fins de compensação com o lucro liquido ajustado, na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, fixada em 30%, pelos artigos 58, da Lei n°8.981/1995, e 16, da Lei n°9.065/1995. Segundo a defesa, não foi observada, pela autoridade fiscal, a ressalva contida no artigo 2°, da Instrução Normativa SRF n° 39/1996, a qual determina a exclusão da regra limitadora da compensação de prejuízos, das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade rural, sendo a elas aplicável, a norma contida no artigo 512, do RIR199, o qual tem como matriz legal, o artigo 14, da Lei n°8.023/1990. Ainda no entender da Recorrente, a referida ressalva seria aplicável à compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, nos termos do artigo 57, da Lei n° 8.981/1995, o que, em princípio, justifica a análise deste voto dirigida à compensação de prejuízos fiscais. Antes de adentrarmos na análise específica do argumento da Recorrente, convém fazermos um breve histórico dos incentivos fiscais relacionados à atividade rural. Segundo a Lei n° 8.023/1990 (complementada pela Lei n° 8.134/1990), as pessoas jurídicas que exercessem a atividade rural, além de recolherem Imposto de 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° : 105-13.735 Renda com uma alíquota reduzida em relação às demais atividades (regra vigente até a edição da Lei n° 8.541/1992), teriam, ainda uma série de outros benefícios, na quantificação de sua base imponível, como, por exemplo: a) no caso de apuração contábil, a determinação do seu lucro real pode considerar integralmente depreciados os bens do ativo imobilizado no próprio ano da aquisição; b) o regime de escrituração é o de caixa, sendo os investimentos considerados despesas no mês do efetivo pagamento; c) o saldo médio ajustado de depósitos vinculados ao financiamento da atividade rural porventura mantidos pelo contribuinte no decurso do período- base, poderá ser utilizado para deduzir em até 100% o valor da base de cálculo do imposto; d) o direito à compensação de prejuízos de períodos-base anteriores não se sujeita à limitação temporal; e) o lucro real da atividade rural não se sujeita à incidência do adicional do imposto de renda prevista para as demais atividades. O artigo 21, do aludido diploma legal autorizou o Poder Executivo a expedir os atos necessários à execução de suas disposições, o que legitima a Instrução Normativa SRF n° 138/1990, baixada com aquele fim, da qual destaco o subitem 39.2, que dispôs, textualmente: " Os prejuízos da atividade rural somente poderão ser compensados com lucros da mesma atividade." O descumprimento da citada regra, implica na completa subversão da intenção do legislador, de assegurar o tratamento tributário diferenciado espe • • mente , 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° : 105-13.735 para as atividades rurais, pois, de outra forma, se estaria estendendo o benefício fiscal a atividades estranhas àquela que se pretendeu incentivar, não somente pela adoção de uma alíquota reduzida, mas também por uma série de outros benefícios (conforme exemplificado acima), a serem utilizados somente para a apuração do tributo sobre os resultados da atividade rural pelas pessoas jurídicas que efetivamente a exerçam. Ao contrário do que afirmou a Recorrente, a sistemática de preenchimento da declaração de rendimentos do ano-calendário de 1995, assim como, o manual de orientação expedido pela Secretaria da Receita Federal (MAJUR/96), seguem fielmente a legislação pertinente à matéria, visando assegurar o gozo do incentivo fiscal em seus estritos termos, não sendo lícita a sua pretensão de interpretá-la segundo os seus interesses, para estender o tratamento privilegiado concedido à atividade rural, a outras atividades por ela exercidas no período-base. Como bem afirmou o julgador singular, aquelas instruções prevêem a possibilidade de compensação, com o lucro real do período, apenas do valor do prejuízo fiscal da atividade rural apurado no próprio período-base (mês-calendário); a compensação de prejuízos da atividade rural de períodos anteriores, somente se acha prevista no próprio cálculo do lucro real da atividade. Com o advento da limitação na compensação de prejuízos fiscais, determinada pela Lei n° 8.981/1995, a observância de tais normas passou a ter maior relevância, em razão de a Lei n° 8.023, de 1990, em seu artigo 14, facultar a compensação dos prejuízos apurados na atividade rural, com resultados positivos obtidos em períodos posteriores, sem limitação de qualquer espécie. No entanto, no artigo 12, determinou que o imposto da pessoa jurídica, terá por base o lucro da exploração da atividade rural, já denotando a necessidade de o contribuinte destacar, em sua escrituração contábil, os resultados por atividades com tributação diferenciada, caso as exerça. to MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 Por sua vez, conforme já antecipado, a Instrução Normativa SRF n° 138/1990, estabeleceu, em seu subitem 39.2, que os prejuízos da atividade rural somente poderão ser compensados com lucros da mesma atividade. Já a Instrução Normativa SRF n° 11/1996, prescreve no parágrafo 4°, do artigo 35, que "o limite de redução de que trata este artigo (de compensação prejuízos fiscais, limitado a 30% do lucro líquido ajustado), não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais (. . .)"(destaquei). E o artigo 2°, da IN-SRF 39/1996, trazida à baila no recurso, diz textualmente: «Art. 2° - À compensação dos prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural, com lucro real da mesma atividade, não se aplica o limite de trinta por cento de que trata o artigo 15 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. °§ 1°. O prejuízo fiscal da atividade rural a ser compensado é o apurado na demonstração do Livro de Apuração do Lucro Real. "§ 2°. O prejuízo fiscal da atividade rural apurado no período base poderá ser compensado com o lucro real das demais atividades apurado no mesmo período-base, sem limite." (Destaquei). Depreende-se dos dispositivos em comento, que, para que a pessoa jurídica não fique sujeita à limitação na compensação de seus prejuízos fiscais de que tratam os presentes autos, não basta que ela seja empresa rural, tendo em vista que a ressalva legal não é de natureza subjetiva. Ela contempla, tão-somente, os prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural, quando compensados com lucros da mesma atividade. No caso de que se cuida, verifica-se que a autuada, efetivamente, auferiu no ano-calendário objeto do lançamento, receita da atividade rural, conforme consta da Ficha 03, linha 08, da DIRPJ apresentada pela contribuinte (fis. 11 do Processo n° 10660.001818/99-89, relativo ao IRPJ — Recurso n° 124.552, apreciado sta mesma 11 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 Sessão). No entanto, consta também, da citada ficha, a obtenção de receitas de outra natureza (da Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria — linha 05), o que já determinaria, por si só, a necessidade de apuração do lucro da exploração e do lucro real da atividade rural, para fins de cálculo da parcela a ser compensada com prejuízos anteriores da mesma atividade, sem a limitação de que se cuida. Observa-se, ainda, da análise da aludida declaração, especificamente, da Ficha 06 (Demonstração do Lucro Líquido — fls. 14 do processo citado), informações relativas a Variações Monetárias Ativas, Receitas e Despesas Financeiras e Receitas não Operacionais, todas correspondentes a ajustes ao lucro líquido do período, para fins de cálculo do lucro da exploração, nos termos do artigo 19, do Decreto-lei n° 1.598/1977, com as alterações do artigo 2°, da Lei n° 7.959/1989. Apesar disso, conforme enfatizado na decisão recorrida, a contribuinte não informou naquele documento quaisquer outros valores referentes à aludida atividade (custo, lucro da exploração e/ou lucro real) o que impede o gozo do tratamento diferenciado previsto na legislação, já que não foi conhecida a parcela sobre a qual não incidiria a denominada 'trava" na compensação de prejuízos. Nem ao menos carreou aos autos, juntamente com a defesa, elementos de prova, discriminando o lucro real declarado (e a parcela do prejuízo compensável), por atividade com tratamento fiscal diferenciado. Em função do exposto, cai por terra o principal argumento da defesa, no sentido de que o lançamento decorreu de mero erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos (ao se informar na Ficha 29, a compensação de prejuízos, cujo valor foi indevidamente indicado no item 05, ao invés do item 07, não podendo, tal equívoco, determinar a natureza da atividade da contribuinte), pois, ainda, que o valor compensado tivesse constado daquele item, a glosa remanesceria, pelos motivos já expendidos. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10660.001817/99-16 Acórdão n° : 105-13.735 Improcedem, também, os argumentos relativos à inobservância do artigo 110, do CTN, haja vista que não foram alterados a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, pela legislação tributária sob comento, pois, em qualquer momento, se colocou em questão a natureza de empresa rural de que se reveste a Recorrente; no caso do incentivo fiscal de que tratam os autos, o que se torna relevante é a natureza da atividade exercida, nos termos da legislação citada, pois é o resultado da atividade rural que é contemplado com o benefício, e não, o da pessoa jurídica, como um todo. Restaram, ainda, prejudicadas as alegações de que não merece prosperar o lançamento, em razão de o procedimento da contribuinte encontrar respaldo na Instrução Normativa SRF n° 39, de 1996, norma complementar editada pela administração tributária, nos termos do artigo 100, do CTN, uma vez que ficou demonstrado exatamente o contrário do que foi afirmado, ou seja, a não observância das disposições contidas no referido ato. Assim, é de ser mantida a exigência regularmente formalizada. Ademais, quanto à extensão dada pela Recorrente à regra contida na citada Instrução Normativa SRF n° 39, de 1996, à compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, com base no artigo 57, da Lei n° 8.981/1995, entendo equivocada, ainda que tenha sido aquela também, a posição do julgador singular; assim, como não configura matéria litigiosa, o posicionamento ora esposado é meramente ilustrativo, não interferindo no presente julgado. Historicamente, há que recordar que até a edição da Lei n° 8.383/1991, inexistia previsão legal para que as pessoas jurídicas pudessem compensar bases de cálculo negativas de períodos anteriores, na determinação da base de cálculo da CSLL e, ainda que alguns contribuintes tenham buscado este alegado direito nas esferas administrativa e judicial, a jurisprudência é amplamente majoritária no sentido de que tal 13 ft c, . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 compensação somente se tornou possível a partir dos períodos de apuração posteriores à publicação do aludido diploma legal, não se admitindo a retroatividade de sua aplicação. Uma primeira ilação pode-se tirar da assertiva acima, qual seja a de que, não obstante inexistir norma que vedasse a compensação de que se cuida, a mesma não era possível, em face de a legislação posta à época não assegurar, explicitamente, aquele pretenso direito, embora, já há algum tempo, fosse facultada a compensação de prejuízos fiscais na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas. O mesmo dispositivo legal que passou a disciplinar a compensação da base de cálculo negativa da CSLL (artigo 44, da Lei n° 8.383/1991), previu em seu acaput", uma regra genérica, já consagrada em diplomas legais editados posteriormente (Leis n° 8.541/1992, artigo 38; e 8.981/1995, artigo 57, entre outros), de que "aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (. . .)". Tal regra foi invocada tanto pela decisão recorrida, como pela Recorrente, para concluir que, como a administração tributária interpretou as normas reguladoras da limitação na compensação de prejuízos fiscais, concluindo serem elas inaplicáveis aos resultados da atividade rural, a exceção alcançaria a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, a qual, igualmente não se sujeitaria ao limite de 30%, estabelecido na lei. No entanto, não parece ser essa a melhor interpretação aplicável ao caso, uma vez que a compensação de prejuízos ou de bases de cálculo negativas da CSLL não se enquadra entre as "normas de apuração ( . .)", a que se refere o dispositivo supra, tanto que o legislador, ao limitar em 30% do lucro líquido ajustado, o direito à compensação de que se cuida, tratou de estabelecer tal regra em dispositivos distintos para o IRPJ e para a C\ CSLL (artigos 42 e 58, da Lei n° 8.981/1995, respectivamente . . 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10660.001817/99-16 Acórdão n° : 105-13.735 No dizer de Hiromi Higuchi e Fábio Hiroshi Higuchi (in "Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e Prática", 21 a edição — 1996— pg. 555), sT. .) As 'mesmas normas de apuração' referem-se aos conceitos utilizados na legislação do imposto de renda para definir o que seja receita bruta, demais receitas, ganhos de capital, renda variável etc." (destaquei), não se aplicando, portanto, aquela regra genérica, à matéria tratada nos presentes autos. Por outro lado, conforme já afirmado, o artigo 12, da Lei n° 8.023, de 1990, determinou que fosse apurado o lucro da exploração da atividade rural, como base do benefício de que se cuida; e os atos normativos acima mencionados ressaltam que a compensação de prejuízos fiscais da atividade rural somente pode ser efetuado com lucros da mesma atividade, denotando a natureza objetiva do incentivo fiscal No entanto, ao se ajustar o lucro líquido do período base para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, o contribuinte parte do resultado do período, sem qualquer destaque para a natureza daquele resultado, como o expurgo de receitas de outra origem que não a de atividade rural. Em outras palavras: ao contrário do IRPJ, inexistia, a época da ocorrência do fato gerador objeto do lançamento, base de cálculo da CSLL específica daquela atividade. Dessa forma, não há que se falar de base de cálculo da CSLL relativa à atividade rural para, estendendo-se a norma relativa ao IRPJ, considerar insusceptível de limitação a compensação de bases de cálculos negativas de períodos base anteriores da mesma natureza, para que se aplique àquela contribuição 'as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas", quanto à compensação de que se cuida. A confirmar a ausência de previsão legal para a não aplicação da denominada 'trava", na compensação de bases de cálculo negativas da contribuição social, 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10660.001817/99-16 Acórdão n° :105-13.735 às pessoas jurídicas que se dedicam à exploração da atividade rural, foi editada em 13/03/2000, a Medida Provisória n° 1.991-15, a qual prescreve em seu artigo 42, ain verbis": °Art. 42. O limite máximo de redução do lucro liquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL". Portanto, somente a partir dos fatos geradores ocorridos em março de 2000, a tese da Recorrente passou a prevalecer, por vontade do legislador, ressalvando a necessidade de o contribuinte demonstrar a parcela do resultado do período, que corresponde à atividade rural, não sujeita à "trava"; observe-se, também, que a administração tributária, somente a partir daí, previu na DIPJ, os campos destinados à informação do contribuinte acerca da aludida parcela. Por todo o exposto e tudo mais constante do processo, conheço do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento. É o meu voto. Sala das Sessões — DF, em 19 de março de 2002 LUISQAG\PÇMED OS NOBREGA 16 Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10670.001877/2002-59
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 302-38820
Decisão: Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso por perempto, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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PEREMPÇÃO. • Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não • se toma conhecimento, por perempto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto, nos termos do voto do relator. • , 111 atA. - _. I; JUDITH o O . • ' • MARCONDES ARMANDO - • esidente LUCIANO LOPE '• 1• 1 IDA MO' • , S — Relator , , • Processo n.° 10670.001877/2002-59 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.820 Fls. 365 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Corintho Oliveira Machado, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecília Barbosa. j._ olk ii • Processo n.° 10670.001877/2002-59 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.820 Fls. 366 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado, em 28/11/2002, o Auto de Infração/anexos que passaram a constituir as fls. 01/12 do presente processo, consubstanciando o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - TTR, exercício de • 1998, referente ao imóvel denominado "Fazenda Sumaré", cadastrado na SRF, sob o n° 3204350-3, com área de 6.894,1 ha, localizado no Município de Itacarambi/MG. O crédito tributário inicialmente apurado pela fiscalização compõe-se de diferença no valor do ITR de R$ 39.023,31 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 31/10/2002 (R$ 28.124,09) e da multa • proporcional (R$ 29.267,48), perfaz o montante de RS 96.414,88. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora constam às fls. 04 e 06. A ação fiscal iniciou-se em 23/01/2002 (AR à fl. 22), com intimação ao contribuinte (fl. 13) para, relativamente a DITR/1998, apresentar os seguintes documentos de prova: 1° - matrícula do imóvel com averbação da reserva legal; e 2° - cópia da Declaração de Produtor Rural do ano de 1997 ou Ficha Registro de Vacinação do IMA ano 1997. Em resposta, foi solicitada dilação do prazo para apresentar documentos, conforme doc. de fl. 23, datado de 30 de janeiro de 2002, não tendo, entretanto, o contribuinte, fornecido, posteriormente, qualquer documentação. No procedimento de análise das informações constantes da DITR/1998 ("telas" de fls. 14/21), a fiscalização constatou a ausência da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, considerando, ainda, não comprovada a existência do rebanho declarado no DITR/98 (890 animais de grande porte — "tela" de fls. 19). Dessa forma, foi lavrado o Auto de Infração, constando, do Demonstrativo de apuração do ITR/98 (fls. 05), a . glosa da área utilizada com pastagens (3.560,0 ha) e do valor das culturas/pastagens/florestas (Quadro 11 — item 15), com repercussão no Valor da Terra Nua (V77 do imóvel, alterado de R$ 179.000,00 para R$ 349.500,00, disto resultando redução no grau de utilização do imóvel e aumento da alíquota aplicada no lançamento, com a conseqüente apuração do imposto suplementar de R$ 39.023,31. Cientificado do lançamento em 09/12/2002 (fl. 26), ingressou o contribuinte, em 08/01/2003 (carimbo à fl. 29), com sua impugnação, juntada às fls. 29/40, e respectiva documentação, acostada às fls. 41/172. Em síntese, alega e solicita que: • Processo n.° 10670.001877/2002-59 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.820 Fls. 367 - preliminarmente, alega que o imóvel rural sobre o qual se refere o Auto de Infração — Fazenda Sumaré, matrícula 3204350-3 da Receita Federal foi transferido da Agropecuária Lagamar Ltda, CNPJ 01.398.895/0001-27, a Adiron Ribeiro, segundo Distrato Social datado de 25 de junho de 1998, cuja cláusula quinta do referido documento é parcialmente transcrita na impugnação; - conforme Quadro Demonstrativo constante da impugnação a média anual do rebanho existente foi de 812 cabeças/mês, sendo parte de propriedade do impugnante e parte de propriedade de terceiros, relacionados na impugnação; - apesar de não ter apresentado a certidão de averbação da Reserva Legal do respectivo imóvel por motivos técnicos, o impugn ante apresentou o Laudo Técnico ao Auditor Fiscal, realizado por Engenheiro Agrônomo devidamente habilitado, afim de comprovar as informações solicitadas, do qual constam uma área de interesse ambiental de Preservação Permanente de 752,61 hectares, uma área de interesse ambiental de Utilização Limitada/Reserva Legal de 2.344,16 hectares e uma área de pastagens de 3.248,0 hectares, sendo 2.248,0 ha de pastagens naturais e o restará (1.000,0 ha) de pastagens formadas; - o impugnante, com toda diligência possível, já iniciou o processo para averbação da Reserva Legal, como requerido pela Secretaria da Receita Federal, averbação esta que será juntada posteriormente, estando aguardando a vistoria a ser realizada pelo IEF, mostrando-se mais do que evidente que a área declarada como de utilização limitada realmente existe, inocorrendo a intenção do impugnante em forjar ou simular qualquer informação; - observa-se que o Auditor Fiscal limitou-se a realizar seu trabalho analisando simplesmente a apresentação ou não do registro do imóvel com a averbação da Reserva Legal, desconsiderando documento hábil — o Laudo Técnico — para análise e levantamento de informações, assim como o reconhece o próprio Conselho de Contribuintes; Erk- transcreve várias ementas de Acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes para embasar a possibilidade de alteração, por autoridade administrativa, do lançamento realizado, ainda que este tenha por base informações prestadas pelo próprio impugncmte, mesmo depois da notcação, com base em prova lastreada em Laudo Técnico e em conformidade com a legislação tributária; - requer ajuntada de documentos em data posterior e a realização de Laudo Pericial, formulando quesitos a serem respondidos pelo Sr. Perito; - por fim, requer o cancelamento da exigência fiscal ou a alteração do Lançamento efetuado de oficio, nos moldes do demonstrado e comprovado por Laudo Técnico e documentos anexos à impugnação. Tendo em vista a constatação de divergência entre a "Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) legal (is)" e o "Demonstrativo de Apuração do ITR", partes integrantes do Auto de Infração, e no intuito de aperfeiçoar o referido Auto bem como evitar a alegação do Processo n.° 10670.001877/2002-59 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.820 Fls. 368 cerceamento do direito de defesa por parte do autuado, foi determinado, por meio da Resolução DRJ/BSA n° 059, de 22 de dezembro de 2003, juntada às fls. 176/180, o encaminhamento do presente processo à DRF em Montes Claros/MG, para que fossem adotadas as seguintes providências: - emitir "Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (is) — Complementar", descrevendo de forma precisa e clara todos fatos que deram origem ao presente Auto de Infração, com as devidas explicações das conclusões que motivaram as alterações efetuadas pelo agente fiscal e devidamente demonstrado através de "Demonstrativo . de Apuração do TTR"; 2° - providenciar a necessária ciência ao autuado, com devolução do prazo de impugnação, ocasião em que poderia apresentar, se assim o desejasse, os seguintes documentos de prova, para melhor instruir os autos e ajudar no convencimento em relação às matérias impugnadas: • a) no que se refere à alegada área ambiental de preservação permanente — em havendo glosa de área ambiental - cópia autenticada de Ato do Poder Público, Certidão do IBAMA ou de outro órgão público ligado à preservação ambiental atestando a existência da referida área ou cópia do Ato Declaratório Ambiental do IBAMA ou de órgão que tenha recebido delegação por convênio, ou, pelo menos, requerimento tempestivo do mesmo; b) quanto à área de pastagens, outros documentos que comprovem a existência de rebanho na propriedade (como, por exemplo, Declaração expedida pelo Instituto Mineiro de Agropecuária — IMA, atestando a existência do rebanho no imóvel objeto de autuação no ano-base de 1997; Notas Fiscais de Aquisição de Vacinas; Declaração prestada por veterinário da região, com firma devidamente reconhecida, atestando a vacinação de rebanho, no imóvel denominado "Fazenda Sumaré", durante o ano-base de 1997) e, para fins de vincular os rebanhos pertencentes a terceiros, no imóvel, fornecer, também, cópia de documento que vincule esse rebanho ao imóvel, como, por exemplo, contratos de arrendamento, contratos de comodato, contratos de locação de pasto ou declarações prestadas pelos terceiros, devidamente autenticadas e com firmas reconhecidas das partes envolvidas. Em atendimento ao determinado, a DRF em Montes Claros — MG lavrou em 03/02/2004, o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos n° 001 (fls. 184/185), devidamente respondido, por escrito, pelo contribuinte, conforme esclarecimento datado de 13 de fevereiro de 2004 (ver fls. 193/195), ocasião em que o mesmo apresentou documentos diversos, juntados às fls. 196/240. Posteriormente, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Encerramento de Diligência n° 002, datado de 07/04/2004 (ver fls. 186/187), no qual informa que, no Auto de Infração Inicial, o demonstrativo foi elaborado de forma incorreta, influenciando no valor do crédito tributário, razão pela qual confeccionaram-se novo demonstrativo e Auto de Infração Complementar (ver fls. 188/192), no qual foram mantidas as glosas da área utilizada com pastagens (3.560,0 ha) e do Processo n.° 10670.001877'2002-59 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.820 Fls. 369 valor das culturas/pastagens/florestas (Quadro 11 — item 15), com repercussão no Valor da Terra Nua (VT119 do imóvel, alterado de R$ 179.000,00 para R$ 349.500,00, glosando-se, também, a área de utilização limitada declarada (3.000,0 ha), disto resultando a alteração do crédito tributário, aumentado de R$ 96.414,88 para R$ 171.574,76 (R$ 69.443,79 de imposto suplementar, R$ 50.048,13 de juros de mora — calculados até 31/10/2002, e R$ 52.082,84 de multa proporcional), conforme demonstrado pelo autuante às fls. 190/191. Cientificado do Al Complementar em 19/04/2004 (AR às fls. 244), ingressou o contribuinte, em 17/05/2004 (carimbo de recepção à fl. 252), com impugnação aditiva, juntada às fls. 252/257, e respectiva documentação, acostada às fls. 258/284. Resumidamente, informou e alegou o seguinte: - faz uma síntese dos fatos, transcrevendo trechos do Termo de Encerramento de Diligência n°002; • - no tocante à área de utilização limitada glosada (3.000,0 hectares),mesmo com a apresentação do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta devidamente registrado no Cartório de Registro de Imóveis de Januário e ainda o ADA protocolado no IBAMA, o Sr. Auditor não considerou a área de utilização limitada ou de preservação permanente, não esclarecendo o motivo da alteração dos lançamentos efetuados; - não se inventa uma área de utilização limitada ou de preservação permanente simplesmente porque o contribuinte sofre autuação, pois tais áreas são constituídas ao longo dos anos de não utilização ou ainda de preservação por parte de seu proprietário; - o mapa juntado, o laudo técnico e a cópia do registro do imóvel comprovam efetivamente as áreas declaradas e averbadas; - quanto ao rebanho declarado, relaciona os documentos apresentados que comprovariam a existência do gado declarado, documentos não 41 acatados pelo Sr. Auditor; - por fim, ratifica o pedido de realização de perícia, conforme quesitos apresentados na impugnação ao Auto de Infração original, e requer o cancelamento da exigência fiscal ou a alteração do Lançamento efetuado de oficio, nos moldes do demonstrado e comprovado por Laudo Técnico e documentos anexados. Em 30/07/2004 foi proferido o Acórdão DRJ/BSA n° 10.505 (fls. 287/302), que julgou procedente o Auto de Infração Complementar de fls. 188/192, sendo que, enviado o processo à DRF em Montes Claros/MG, constatou-se que os dados relativos ao crédito tributário apurado no AI Complementar não poderiam ser atualizados no sistema PROFISC, conforme teor do Despacho exarado pela Seção de Fiscalização e Controle Aduaneiro da DRF em Montes Claros/MG (fls. 307/308), tendo sido, também, constatada, na ocasião, com base na Solução de Consulta Interna n° 16, de 05/06/2003, a decadência do lançamento complementar, razão porque o presente processo foi devolvido para esta DRJ/BSA para pronunciar-se a respeito e, enj sendo o caso, reformar o Acórdão proferido. _ _ . Processo n.° 10670.00187712002-59 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.820 Fls. 370 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/BSA de n.° 14.200, de 15/06/2005, (fls. 309/321/), assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício: 1998 Ementa: ITR. LANÇAMENTO COMPLEMA1VTAR. DECADÊNCIA. Cabe ser declarada, de oficio, a decadência do direito de lançar crédito tributário materializado por meio de Auto de Infração Complementar, lavrado mais de 06 anos após a data de ocorrência do respectivo fato gerador, devendo-se, por conseqüência, considerar nulo, também de oficio, o Acórdão proferido por esta DAI, que se baseou no referido Auto Complementar, restringindo-se o novo Acórdão à análise do lançamento original, tempestivamente efetuado. PROVA PERICIAL A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir documentação que comprovasse os dados cadastrais declarados pelo contribuinte para o imóvel. DA DISTRIBUIÇÃO DA ÁREA UTILIZADA - DA ÁREA DE PASTAGENS. Cabe ser alterada, unicamente para fins cadastrais, a área de pastagem apurada pela fiscalização relativa à DITR/98, posto que o acatamento de parte do rebanho pretendido pelo impugnante não implicará modificação da faixa do grau de utilização do imóvel, que permanecerá abaixo de 30%. DO VALOR DA TERRA NUA — SUBAVALIAÇÃO. Considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente. Às fls. 322/v o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário e arrolamento de fls. 324/354 e 356/357. Às fls. 360 é emitido oficio para que a ARF-PMI-MG informe a data do protocolo do recurso voluntário, o que ocorre às fls. 361, sendo então encaminhados os autos a este conselho. É o Relatório. • • • • Processo n.° 10670.001877/2002-59 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.820 Fls. 371 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator Conforme documento de fls. 361, a ARF-PMI-MG informa que o recurso voluntário interposto pela recorrente foi protocolado em 07/10/2005, uma sexta-feira. A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 05/09/2005, segunda-feira, conforme AR de fls. 3221v. Diz o artigo 33 do Decreto 70.235/72 que rege o Processo Administrativo 1 Fiscal: I 1 Art. 33 - Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. • Por terem se passado mais de um mês entre a cientificação da decisão recorrida e o protocolo do recurso, é este • . empestivo, motivo pelo qual não conheço do recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 7 i e agosto de 2007 LUCIANO LOPES '1 : AL Ai IDA MO ' • S - Relator lik Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1
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