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Numero do processo: 15540.000469/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1402-001.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 04 69 /2 00 9- 55 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 473 2 Relatório Cripaper Comércio de Papéis Ltda ME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 9ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de autos de infração que exigem da interessada as seguintes exações: o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 527.979,50 (fls. 04/38); a Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 149.493,62 (fls. 43/48); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 689.970,67 (fls. 56/60); e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 248.389,43 (fls. 49/55). Sobre esses valores incidiram ainda a multa de ofício no percentual de 150% e os juros de mora. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração de IRPJ e o termo de fls. 08/15, a infração apurada é esta: Depósitos bancários de origem não comprovada. No mencionado termo vemos os fatos e circunstâncias que dão fundamento à autuação; suas partes mais relevantes foram transcritas abaixo: l DA FISCALIZAÇÃO (Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005) 1. A sociedade empresária epigrafada, constituída em 29/07/2000, tem atualmente como objetivo principal a exploração do ramo de atividade de comércio varejista de artigos de papelaria; 2. A empresa entregou sua declaração DIPJ/2006 com opção pelo lucro presumido; 3. O termo de início de ação fiscal de 29/04/2008, encaminhado ao endereço cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil, como local de exercício de suas atividades empresariais (Rua Rita Pereira, n° 5, Loja 02, Centro, São Pedro da Aldeia), foi devolvido em 12/05/2008 pela ECT com informação do agente dos correios de que o número postado é inexistente, ou seja, CONSTATAMOS que o domicílio tributário do sujeito passivo é inexistente; 4. Em 02/06/2008, foi remetido por via postal, com aviso de recebimento (AR), o termo de intimação e início de fiscalização, para os domicílios dos sócios constantes das declarações DIPJ(s) apresentadas, quer sejam: Celso Eli Soares, CPF 009.547.24798; Rute Tasca Felix dos Santos, CPF 796.902.897 72; e Alberto Carlos Gomes dos Santos, CPF 754.811.11772; 5. Em 04/06/2008, o termo de intimação e início de fiscalização, foi recebido no domicílio tributário do sócio Celso Eli Soares, à rua da Amendoeiras, 230 bloco 06/230, Cosmos, Rio de Janeiro, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 474 3 RJ, CEP 23056620, através da recepção do aviso de recebimento (AR); 6. Em 04/06/2008, o termo de intimação e início de fiscalização, encaminhado ao domicílio tributário da sócia Rute Tasca Felix dos Santos, foi devolvido pela ECT com indicação de não existência do número na rua indicada (av. dos Democráticos, 205/301, Bonsucesso, Rio de Janeiro, RJ, CEP 21300000); 7. Em 04/06/2008, o termo de intimação e início de fiscalização, encaminhado ao domicílio tributário (Estrada do Tingui, n° 1105, Campo Grande, Rio de Janeiro, RJ, CEP 23075000), do sócio Alberto Carlos Gomes dos Santos, foi devolvido pela ECT com indicação de mudouse; 8. Através de verificação nos atos constitutivos e alterações posteriores, recebidos, em 30/06/2008, da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA, em resposta ao nosso Ofício n° 19/2008 de 30/05/2008, constatamos a seguinte situação societária: A sociedade empresária foi constituída em 27/09/2000 com antiga razão social denominada ALO FORM PAPÉIS LIMITADA tendo como sócios fundadores Alberto Carlos Gomes dos Santos e Waldecy Roberto da Costa Freire, com sede na Avenida Postal n° 48, Bonsucesso, Rio de Janeiro, RJ.; Em 23/11/2003, arquivou alteração contratual mudando a razão social para KARTATER COMÉRCIO DE PAPÉIS LIMITADA.; Em 14/06/2006, arquivou a última alteração contratual mudando o endereço da sede para Rua Rita Pereira, n° 5, loja 02, São Pedro da Aldeia, RJ, a razão social para CRIPAPER COMÉRCIO DE PAPÉIS LIMITADA ME. e o quadro societário, com saída dos sócios Alberto Carlos Gomes dos Santos e Waldecy Roberto da Costa Freire por cessão de quotas para os novos sócios Rute Tasca Felix dos Santos e Celso Eli Soares respectivamente; 9. Tendo em vista que o contribuinte não entrou em contato com a fiscalização, fato que permitiu presumir que o sujeito passivo encontravase em local incerto e não sabido; em 06/06/2008 foi afixado na Delegacia da Receita Federal em Niterói, o Edital de Intimação n° 94, de 04/06/2008, para ciência ao contribuinte do início de Ação Fiscal, com intimação para apresentação dos livros contábeis e extratos bancários, todos do ano calendário de 2005. O edital foi desafixado em 25/06/2008; 10. Considerando que, expirado o prazo legal, o contribuinte não apresentou os extratos bancários do ano calendário de 2005, foi requisitado movimentação financeira do mesmo, sendo que em 16/07/2008, foram emitidas as RMF(s) solicitadas, relacionadas abaixo: RMF n°2008001210 Bradesco S/A; RMF n° 2008001229 Banco Itaú S/A; RMF n° 2008001237 HSBC Bank Brasi! S/A; Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 475 4 11. Durante o mês de agosto de 2008, foram recebidos das Instituições Financeiras, os extratos bancários de 2005 e as fichas cadastrais da pessoa jurídica e das pessoas físicas responsáveis pela movimentação financeira da empresa no ano calendário de 2005; 12. Em 12/08/2008, o sócio Celso Eli Soares e a sócia Rute de Aguiar Tasca Felix dos Santos entregaram, na Delegacia da Receita Federal em Niterói, procuração da empresa, outorgando poderes de representação para os contribuintes Murilo de Aguiar Tasca e Murilo de Aguiar Tasca Júnior; 13. Em 21/08/2008, os sócios Celso Eli Soares e Rute Tasca Felix dos Santos entregaram declaração, informando que só entraram na sociedade em junho de 2006, se eximindo da responsabilidade sobre a movimentação financeira da fiscalizada, realizada pelos sócios fundadores, durante o ano calendário de 2005; 14. Após exame da movimentação financeira constante dos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, foi elaborada pela fiscalização a TABELA 01, anexa ao termo de verificação e intimação fiscal de 26/01/2009, que especifica individualizadamente os depósitos bancários depositados nas contas correntes da pessoa jurídica fiscalizada, que representam entradas de recursos de terceiros, e totalizam, no ano calendário de 2005, R$ 22.999.022,97, de depósitos bancários. Aproveitamos a ocasião para corrigir o valor informado erroneamente (R$ 20.054.609,82), no item 14, do termo de verificação e intimação fiscal de 26/01/2009; 15. Tal fato foi lavrado no termo de verificação e intimação fiscal, de 26/01/2009, em que o representante do sócio, Sr. Celso Eli Soares foi cientificado pessoalmente na mesma data, e intimado, no prazo de 20 (vinte) dias, a apresentar esclarecimentos e documentação hábil e idônea, comprovadora das operações que deram origens de recursos aos depósitos bancários oriundos de terceiros, especificados na TABELA 01, acima mencionada, conforme RESUMO anexo ao presente termo. Tal termo de verificação e intimação fiscal exigiu também do contribuinte, esclarecimentos e comprovação do efetivo pagamento/recebimento das quotas da sociedade, pago pelo Sr. Celso Eli Soares a Waldecy Roberto da Costa Freire, no valor de R$ 6.000,00, e pago pela Sra. Rute Tasca Felix dos Santos a Alberto Carlos Gomes dos Santos, no valor de R$ 20.000,00, quando da última alteração social de 14/06/2006; 16. O termo de verificação e intimação fiscal de 26/01/2009, mencionado acima, foi encaminhado ao domicílio do sócio, Sr. Waldecy Roberto da Costa Freire, onde foi recebido no destino em 03/02/2009; sendo que, até a presente data, ainda não foi apresentada pelo mesmo qualquer esclarecimento ou documento a respeito; Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 476 5 17. O referido termo foi encaminhado também ao domicílio do sócio, Sr. Alberto Carlos Gomes dos Santos, que retornou com informação da ECT que o mesmo mudouse; 18. Em 27/03/2009, o procurador e contador da empresa, Sr. Murilo de Aguiar Tasca, entregou os livros Diário e Razão, n° 06 do ano calendário de 2005; 19. Após análise dos livros apresentados, ficou CONSTATADO que os mesmos foram escriturados por partidas contábeis mensais; com infringência ao artigo 258 do RIR/1999, que admite a escrituração contábil resumida; desde que utilizados livros auxiliares para registros individualizados dos atos, e com a conservação dos documentos que permitam a sua perfeita verificação (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 5°, parágrafo 3°). Entretanto, a empresa não apresentou qualquer livro e/ou ficha auxiliar, com individualização dos lançamentos contábeis dos depósitos bancários, nem mesmo os documentos que deram origem à movimentação financeira intimada; 20. Sendo assim, através do termo de verificação e intimação fiscal de 06/04/2009, foi intimado o contribuinte a apresentar os livros e documentos relacionados abaixo, no prazo de 20 (vinte) dias: a. Apresentar os documentos comprovadores das operações que deram origens de recursos aos depósitos bancários intimados pela fiscalização, relacionados abaixo: • No caso da receita operacional escriturada no ano calendário de 2005: As notas fiscais de saída de mercadorias e o livro de saída de mercadoria; • No caso de créditos oriundos do ano calendário anterior (2004), que foram recebidos no ano calendário de 2005: as faturas e duplicatas respectivas, ou os extratos das operadoras de cartão de crédito; • No caso de empréstimos bancários: Os contratos de empréstimos; • No caso de outras operações (alienações, transferências): A respectiva documentação comprovadora destas operações; b. Apresentar os livros auxiliares obrigatórios, com os registros individualizados dos atos contabilizados, tendo em vista que os livros Diário e Razão apresentados, possuem escrituração em partidas mensais (art. 258 do RIR/99); 21. O termo de verificação e intimação fiscal de 06/04/2009 mencionado acima, foi entregue pessoalmente ao procurador do sócio Sr. Célio Eli Soares, na mesma data. O mesmo termo acima foi encaminhado aos domicílios dos sócios, Waldecy Roberto da Costa Freire e Alberto Carlos Gomes dos Santos. A correspondência encaminhada a Sr. Waldecy foi recebida no destino em 08/05/2009, a correspondência encaminhada ao Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 477 6 domicílio do Sr. Alberto foi devolvida pela ECT, em 07/05/2009, com informação de que o mesmo é desconhecido no endereço informado. Após expirado o prazo legal ficou constatado que até a presente data não foram apresentados os livros e documentos exigidos, nem qualquer resposta por escrito ou pedido de prorrogação; 22. Em 07/05/2009, foi lavrado termo de verificação e intimação fiscal exigindo a apresentação da relação de bens e direitos da empresa sob ação fiscal, no prazo de 10(dez) dias. Tal termo foi encaminhado ao domicílio fiscal do Sr. Celso Eli Soares, sendo recebido no destino em 08/05/2009. Expirado o prazo legal ficou constatado que até a presente data não foram apresentados os documentos exigidos, nem qualquer resposta por escrito ou pedido de prorrogação; 23. Em 12/05/2009 e 22/05/2009 foi lavrado termo de reintimação fiscal, exigindo do contribuinte esclarecimentos e comprovação do efetivo pagamento/recebimento das cotas da sociedade pago pelo Sr. Celso Eli Soares a Waldecy Roberto da Costa Freire, no valor de R$ 6.000,00; e pago pela Sra. Rute Tasca Felix dos Santos a Alberto Carlos Gomes dos Santos, no valor R$ 20.000,00, quando da última alteração de contrato social de 14/06/2006. O termo de reintimação fiscal de 12/05/2009 foi entregue pessoalmente ao procurador do sócio Sr. Celso Eli Soares, sendo que, até a presente data não foi apresentado qualquer esclarecimento ou documento a respeito. O termo de reintimação fiscal encaminhado ao domicílio fiscal do sócio Sr. Waldecy foi devolvido pela ECT, em 26/05/2009, com a informação que o mesmo mudouse; 24. Em 15/06/2009, compareceu na repartição o procurador do Sr. Celso Eli Soares, Sr. Murilo de Aguiar Tasca, sem qualquer livro, documento ou esclarecimento exigido pela fiscalização nos termos mencionados acima; para tanto, foi lavrado termo de reintimação fiscal de 15/06/2009, exigindo do mesmo, no prazo de 20 (vinte) dias, a apresentação de todos os elementos exigidos pela fiscalização, mencionados acima; II DA OMISSÃO DE RECEITA (DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS) 25. Considerando que a fiscalizada, e tampouco os sócios retro citados, não apresentaram os livros e documentos mencionados no item 20, ficou CONSTATADO que a mesma não logrou êxito em comprovar a origem de recursos dos depósitos bancários intimados pela fiscalização, relacionados na TABELA 01, anexa ao termo de verificação e intimação fiscal de 26/01/2009, e anexa também ao presente termo, no valor total de R$ 22.999.022,97, tratados nos itens 14 e 15. Tal situação esta prevista em Lei como sendo infração à legislação tributária, relacionada como Omissão de Receita, por depósitos bancários não comprovados, com base no art. 42, da Lei 9.430/96 e art. 849 do RIR/1999, ressalvado ao contribuinte a prova de sua improcedência; Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 478 7 III DO ARBITRAMENTO DO LUCRO NO ANO CALENDÁRIO DE 2005 26. Após exame dos livros Diário e Razão, referente ao ano calendário de 2005, apresentados pelo contribuinte, ficou CONSTATADO que tais livros apresentam os vícios e deficiências mencionados abaixo: a) Não foram encadernados, nem assinados, nem autenticados; b) Tendo sido escriturados em partidas mensais, após intimado, o contribuinte não apresentou os livros auxiliares para registros individualizados dos atos (artigo 258 do RIR/1999), acarretando assim, a impossibilidade de identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; 27. Ficou CONSTATADO também que o contribuinte, apesar de intimado através do termo de verificação e intimação fiscal de 06/04/2009, não apresentou os documentos da escrituração comercial, nem os livros auxiliares obrigatórios; 28. Isto posto, ficou CONSTATADO a existência de situação prevista em Lei como sendo hipótese de arbitramento do lucro pela fiscalização, prevista no artigo 530, inciso IIa e inciso III, do RIR/1999, abaixo descrito: "Subtítulo V Lucro Arbitrado, Capitulo l Hipóteses de Arbitramento Art. 530. O imposto devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981/95, art.47 e Lei n° 9.430/96, art. 1°): II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte, revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros e deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;" IV DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA NO ANO CALENDÁRIO DE 2005 29. Uma vez que, em todos os atos civis e comerciais em que a sociedade empresarial, à época, interveio, foi representada pelos sócios, abaixo relacionados, passamos então a identificálos como Responsáveis pelo recolhimento dos tributos e acréscimos legais apurados nessa ação fiscal; • Alberto Carlos Gomes dos Santos, CPF n° 754.811.11772 Segundo seu representante, rua Maximao Sada Rodeies, n° 78, Jardim Santa Cecília, Campo Grande, Rio de Janeiro, RJ. • Waldecy Roberto da Costa Freire, CPF n° 255.644.20772 Rua Professor Clemente Ferreira, 554, apt. 101, Padre Miguel, Rio de JaneiroRJ. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 479 8 30. Para salvaguardar o crédito tributário, é justo que sejam responsabilizados aqueles que, de fato, integralizaram o capital social e movimentaram os recursos da sociedade empresarial, mediante assinatura dos cheques emitidos à época; 31. E, como assim procederam, imputamos aos sócios aludidos acima a responsabilidade tributária para satisfazer o crédito tributário da União conforme previsto nos artigos 121 I, 124 I e 135 III do Código Tributário Nacional, que dispõe: (...) V DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS 33. Tendo em vista o acima relatado, constatamos determinadas situações, abaixo relacionadas, que, em tese, indicam que os sócios fundadores da empresa fiscalizada incorreram dolosamente em determinadas condutas antijurídicas, visando impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, e das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar o crédito tributário correspondente, tipificados no artigo 71, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964: A Após exame nos dados constantes do Dossiê eletrônico do contribuinte, foi verificado que, quando gerida pelos sócios fundadores, Sr. Waldecy Roberto da Costa Freire, e Sr. Alberto Carlos Gomes dos Santos, a empresa foi autuada pela DEFIS/RJ, através do processo 18471.001.938/200589, no valor total de R$ 313.089,21. Ressaltamos que, nesta época, a sede da empresa era em Ramos, Rio de Janeiro. Após a autuação, através da alteração contratual de 14 de junho de 2006, a fim de saírem do pólo passivo da obrigação tributária relatada acima, e, em tese, dolosamente, os sócios fundadores retiraramse, da sociedade ficticiamente, através de ato simulado, tendo como sócios substitutos o Sr. Celso Eli Soares e a Sra. Rute Tasca Felix dos Santos. B Relativamente à saída fictícia dos sócios fundadores da sociedade, através de alteração contratual simulada, de 14/06/2006, relacionamos os seguintes pontos: B1 Constatamos que o endereço da sede, constante da alteração contratual mencionada acima é inexistente. Em tese, dolosamente, o domicílio fiscal da empresa foi alterado para a Rua Rita Pereira, n° 5, Loja 2, São Pedro da Aldeia, RJ; B2 Cumpre destacar que até a razão social mudou de Kartater Comércio de Papéis Limitada ME, para o atual nome, Cripaper Comércio de Papéis Limitada ME; B3 Após intimação fiscal, não foi comprovado pelos sócios o efetivo pagamento/recebimento de recursos, em razão da transferência de quotas da sociedade; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 480 9 B4 Tendo em vista que o contribuinte informou que os bens da empresa foram sucateados, constatamos que a referida alteração contratual ocorreu sem transferência de bens necessários à manutenção da fonte produtora; B5 Os sócios substitutos, Sr. Celso e Sra. Rute, são pessoas de humildes posses, não possuem, segundo os cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, capacidade econômica para adquirir, gerir e administrar a sociedade; C O Sr. Alberto Carlos Gomes dos Santos, vem informando reiteradamente em suas Declarações de Rendimentos (DIRPF/2008 e 2009), em tese, dolosamente, seu antigo domicílio (Estrada do Tingui, 1105, Campo Grande, RJ), tendo em vista que as intimações fiscais encaminhadas ao referido domicílio retornam com a informação do agente dos correios que o mesmo "mudouse"; D A Sra. Rute Tasca Felix dos Santos, vem informando, em suas Declarações de Rendimentos (DIRPF/2008 e 2009), em tese, dolosamente, domicílio inexistente (Avenida dos Democráticos, 205/301, Bonsucesso, RJ), haja vista que as intimações fiscais encaminhadas ao referido domicilio retornam com a informação de que o número informado é inexistente; 34. Os fatos narrados comprovam, em tese, o procedimento delituoso dos envolvidos, pois, tanto as tentativas de ocultação do sujeito passivo, quanto à cessão fictícia de quotas da sociedade, tratadas acima, foram, em tese, os artifícios dolosos empregados pelos envolvidos visando livrar os verdadeiros sócios responsáveis pelo não cumprimento das obrigações fiscais aqui apontadas; 35. A fim de garantir ao fiscalizado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, em 14/07/2009 foi lavrado termo de verificação e intimação fiscal exigindo do mesmo, no prazo de 20 (vinte) dias, esclarecimentos a cerca do acima exposto. Tal termo foi respondido sumariamente pelo fiscalizado, sem apresentação de documentação respaldadora; 36. Assim, em decorrência do mandamento legal do artigo 71, incisos I e II, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, será procedida à elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais em face das pessoas físicas responsáveis pela sociedade fiscalizada, nos termos da Portaria RFB n° 665, de 24/04/2008; VI DAS MULTAS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO 37. Em decorrência do relatado no item V acima, e, de acordo com o contido no artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, conforme explicitado no inciso II, do artigo 957, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, que trata dos casos de evidente intuito de fraude, será aplicada nas infrações apuradas a multa de ofício qualificada de 150%; VII CONCLUSÃO 38. Diante de todo o exposto, e, utilizando os elementos de que se dispõem, artigo 845, do RIR/1999, abaixo: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 481 10 "Art. 845. Farseá o lançamento de ofício. Inclusive (Decreto Lei n° 5844, de 1943, art.79); III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexatas; 39. Procedemos ao presente lançamento de ofício, imputandose a responsabilidade tributária pelos tributos e contribuições devidos, na forma dos artigos 135 a 137 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, às pessoas físicas identificadas no item 29 do presente termo, e efetuase o lançamento em nome da pessoa jurídica representada, CRIPAPER COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA ME, CNPJ n° 04.072.249000163, como OMISSÃO DE RECEITAS, de acordo com o artigo 537, do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99), combinado com o artigo 42, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96, utilizando a tributação com base no lucro arbitrado, em conformidade com o artigo 530, inciso II A, e inciso III, do RIR/99, considerando como base de cálculo para o arbitramento os depósitos bancários creditados nas contas bancárias de titularidade do contribuinte fiscalizado, regularmente intimados pela fiscalização, através do termo de verificação e intimação fiscal de 26/01/2009, cuja origem de recursos não foi comprovada pelo mesmo; sendo aplicado a multa de ofício qualificada, de acordo com os itens V e VI do presente termo; 40. Tais depósitos bancários não comprovados foram especificados pela fiscalização na TABELA 01 e no RESUMO mensal e trimestral, ambos anexos ao presente termo, que fazem parte integrante e inseparável do mesmo; (...) Da impugnação de fls. 347 e ss (Cripaper Comércio de Papéis Ltda ME) Em 28/09/2009, a impugnante Cripaper Comércio de Papéis Ltda ME, por meio da peça de fls. 347 e ss, apresentou sua impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, o que se segue: que em relação à omissão de receitas a autuação é improcedente, pois o caput, do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 não é aplicável nos casos em que a fiscalização entende que os ingressos financeiros decorrem de receita operacional, por força do § 3° do citado dispositivo, principalmente quando o contribuinte declarou a receita na DIPJ do período; que pela mera leitura da "Tabela 01 – Anexa ao Termo de Constatação e Imputação de Responsabilidade Fiscal", que os ingressos financeiros existentes nas aludidas contas bancárias decorreram, na maioria dos casos, de liquidação de cobrança por fornecimento de mercadorias aos clientes da empresa, vinculadas, portanto, à receita operacional declarada na DIPJ 2005; que se os ingressos financeiros vinculados à liquidação de cobrança decorrem de receita operacional da empresa e a "Tabela 01 Anexa ao Termo de Constatação e Imputação de Responsabilidade Fiscal" atesta a citada vinculação a Fl. 549DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 482 11 fiscalização deveria, para cumprir os requisitos ditados pelo art. 42, parágrafo terceiro, da Lei n° 9.430, de 1996, (i) ter comprovado que a receita auferida não foi computada na base de cálculo dos tributos a que estava sujeita, e (ii) ter submetido a receita eventualmente omitida às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferida; que se é caso de receita operacional da empresa, eventual omissão de receita deveria ser tributada de acordo com a sua natureza e de acordo com as regras do lucro presumido; que traz como exemplo o ingresso no montante de R$ 36.703,94, no Banco Bradesco S/A, o qual decorre de liquidação de cobrança e já foi oferecido à tributação no 1° trimestre de 2005, de acordo com a DIPJ 2005; que também não foram desconsiderados os ingressos financeiros decorrentes de transferências entre as contas bancárias de titularidade do impugnante, como, por exemplo, o ingresso no valor de R$ 26.936,00, no dia 03/02/2005, no Bradesco; que a autoridade autuante não comprovou a imprestabilidade da escrita para fins de arbitramento do lucro na forma do art. 530, inciso II, do RIR/1999; que a apuração pelo lucro real envolve a imposição a todos os contribuintes, indistintamente, do dever de manter a escrituração regular nos termos do Capítulo II do RIR/1999; que no que se refere aos contribuintes que fazem a opção pelo regime do lucro presumido, o artigo 527 do RIR/1999 estabelece que os contribuintes poderão optar entre manter uma escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou proceder a escrituração do Livro Caixa; que quando a fiscalização se depara com uma das hipóteses legais que impõe o arbitramento deve, obrigatoriamente, efetuálo; contudo, deve agir de modo fundamentado, trazendo aos autos as provas da ocorrência de uma das hipóteses do art. 530 do RIR, de 1999; que somente quando a fiscalização comprovar que o contribuinte não possui escrituração, recusase a apresentála quando intimado ou possui escrituração imprestável é que poderá efetuar o arbitramento do lucro; que no caso posto, a autoridade autuante considerou as regras do lucro arbitrado pelos seguintes motivos: (i) os livros Diário e Razão não foram encadernados, assinados e autenticados; (ii) os livros Diário e Razão foram escriturados em partidas mensais, sem que houvesse livros auxiliares para fins de registros individualizados dos fatos, acarretando, a seu juízo, a impossibilidade de identificar a movimentação financeira, inclusive bancária; que a fiscalização deveria ter comprovado todos os vícios e deficiências que alega ter observado nos livros fiscais da empresa, os quais a impediram de apurar o lucro presumido, acostando aos autos do presente processo, por exemplo, a cópia dos livros Diário e Razão; que, dessa forma, o impugnante, além de ignorar os vícios e as deficiências apontadas pela fiscalização, garante que disponibilizou todos os livros contábeis e fiscais e os documentos de suporte no curso do procedimento de fiscalização; que o impugnante teve dificuldades em localizar seus livros fiscais e documentos correlatos, tendo solicitado inúmeras prorrogações de prazo para Fl. 550DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 483 12 atendimento às intimações fiscais, até porque parte de sua escrita estava em poder do Fisco Estadual; mas também é verdade que no curso do procedimento de auditoria obtivemos êxito no cumprimento de todos os pedidos realizados; que o ônus da prova da imprestabilidade da escrita era da autoridade fiscal; que há erro quanto à identificação do aspecto temporal do fato gerador e da base de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS, já que foram apuradas trimestralmente, quando o correto seria a apuração mensal; afetando assim os princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade, assim como impossibilitou o exercício dos direitos à ampla defesa e ao contraditório, já que as contribuições foram apuradas trimestralmente, quando o correto seria a apuração mensal; que a motivação do auto de infração, na parte imbricada com a multa qualificada, ao não precisar se o impugnante cometeu atos de sonegação, fraude ou conluio, impede o exercício dos direitos ao contraditório e à ampla defesa; que não há nos autos do presente processo qualquer elemento de prova da suposta simulação dolosa do quadro societário da empresa a justificar a multa de 150%; que a fiscalização não arrolou um ato sequer dos atuais sócios a possibilitar a qualificação da multa; que não consta dos autos a comprovação da prática de qualquer ato doloso dos sócios da empresa autuada que seja hábil para configurar caso de sonegação, fraude ou conluio; que os fatos narrados pela fiscalização representam simples presunções, ilações e suposições; que o procedimento fiscal se deu somente mediante correspondências, sem se preocupar em tomar os depoimentos dos sócios antigos e atuais ou de terceiros para fins de comprovação do ato ilícito que pretende caracterizar; que não há prova de que houve simulação de operação de transferência de cotas da sociedade; que se a fiscalização seguisse o princípio da verdade material teria descoberto que a impugnante explorava o comércio atacadista de bobinas de papéis; que passou por dificuldades financeiras; que a transferência de cotas da sociedade ocorreu por entender que, apesar da inexperiência administrativa, poderíamos obter lucro como comércio da ponta de estoque; e que a dificuldade na localização do imóvel utilizado à época se deu por simples erro de digitação do número do imóvel utilizado à época do cadastro no CNPJ, visto que operávamos no imóvel localizado na rua Rita Pereira nº 15, Loja 2; que de fato os novos sócios são inexperientes, o que gerou dificuldades financeiras, mas não tinham eles conhecimentos das operações realizadas anteriormente aquisição das cotas da Cripaper; que, dessa forma, é inaplicável a multa qualificada de 150%; que não foram indicados nos termos da autuação os motivos de fato que justificariam a responsabilização do Sr. Celso Eli Soares e da Sra. Rute Tasca Felix dos Santos; Fl. 551DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 484 13 que a motivação legal da responsabilização é equivocada, visto que contém dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam de situações completamente distintas e excludentes, impossibilitando assim a defesa dos acusados; que não é possível identificar se a autoridade autuante entendeu que o caso posto trata de i) solidariedade por interesse comum, ii) responsabilidade pessoal de terceiros ou iii) responsabilidade por infrações; que ao considerar que a operação de cessão de cotas da sociedade representa artifício doloso empregado visando a livrar os verdadeiros sócios responsáveis pelo não cumprimentos das obrigações fiscais deveria ter efetuado lançamento identificando como sujeito passivo somente os Srs. Alberto Carlos Gomes dos Santos e Waldecy Roberto da Costa Freire, e assim não o fazendo, caracterizase o erro de sujeição passiva; Da impugnação de fls. 376 e ss (Rute Tasca Felix dos Santos) Em 29/09/2009, a impugnante Rute Tasca Felix dos Santos, sócia da empresa autuada, também apresentou, por meio da peça de fls. 376/407, impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, o que se segue: que houve erro na apuração da base de cálculo, pois se observa na Tabela 01 – Anexa ao Termo, a qual consigna os créditos nas contas correntes, que os depósitos totalizam apenas R$ 161.699,79, sendo que as outras descrições (movimentação de títulos em cobrança, transferências, receb. Fornece., doc. crédito autom, TED e outras) não se assemelham a depósitos; que a autuação considerou como depósitos bancários de origem não comprovada créditos que não são depósito; que a fiscalização não considerou na sua autuação os valores de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep pagos em 2005; que a fiscalização não observou os prazos de validade dos Mandados de Procedimento Fiscal, conforme se pode observar a partir dos termos de intimação e dos editais que menciona, em afronta ao que determina a Portaria RFB nº 4.066, de 2007; que tal fato afronta o que estabelece o art. 196 do CTN, e os arts. 1º e 2º da lei Lei nº 9.784, de 1999; que uma vez não cumpridos os prazos do MPF devese anular a autuação, conforme já decidiu a 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 30237088, de 19/10/2005; que todas as intimações da Receita Federal solicitando a apresentação dos documentos eram seguidas de correspondências da empresa requerendo a prorrogação do prazo, pois tais documentos estavam de posse do Fisco Estadual, e que os fiscais informaram verbalmente que só iniciariam a fiscalização mediante a documentação completa; que após essas orientações o fiscal deixou de orientar a empresa, deixando de notificála para que regularizasse sua escrita fiscal e comercial; que depois de muito esforço conseguiu disponibilizar a documentação solicitada; Fl. 552DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 485 14 que nunca houve a resistência da empresa em entregar os documentos solicitados; logo, não se lhe podem imputar a conduta da recusa de modo a justificar o arbitramento do lucro, como foi feito pelo fiscal; que em assim procedendo, o fiscal afrontou o princípio da moralidade, observado em nossa CF/88, como também na Lei nº 8.112, de 1990 e no Decreto nº 1.171, de 1994 (Código de Ética do Servidor); que, dessa forma, os expedientes usados pelo fiscal, que levaram à lavratura do auto de infração, devem ser tidos como inválidos decorrendo daí a nulidade da autuação; que, consoante o art. 148 do CTN, o arbitramento é dotado de caráter excepcional e só deve ser exercido em casos extremos, já que a base de cálculo originária é a que deve ser utilizada por ser a prevista na regra matriz de incidência; que não foi omisso, reticente ou mentiroso em relação a valor do preço de bens, direitos ou serviços; que todos os livros e documentos referentes ao anocalendário de 2005, necessários à fiscalização, foram disponibilizados durante o procedimento fiscal, não tendo este em momento algum se recusado a apresentálos; que o Fisco não pode efetuar o lançamento somente com provas indiciárias, por arbitramento, haja vista que possuía os livros regularmente escriturados; que o fato de a fiscalização ter se valido na apuração da matéria tributária indistintamente de todos os valores creditados em suas contas correntes representa uma ofensa ao conceito de renda estabelecido no art. 43 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); haja vista que tais créditos não representam aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, conforme jurisprudência e doutrina que cita; que a tributação exorbitante que se deu acaba por confiscar praticamente todo o patrimônio da impugnante, representando, por isso verdadeiro, confisco, o que é vedado constitucionalmente. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 30.845 (fls. 422450) de 28/05/2010, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96. OMISSÃO DE RECEITAS. Não tendo sido comprovadas as origens dos valores depositados em conta corrente, tampouco que tenham decorrido de receita já tributada, fica confirmada a presunção de omissão de receitas. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 486 15 IRPJ. LUCRO ARBITRADO. CONDIÇÕES. A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela inexistência de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, a falta de registro de movimentação bancária, bem como a ocorrência de vícios e erros insanáveis na escrita comercial, torna imprestável a escrituração para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação desse lucro o arbitramento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. 150%. OMISSÃO DE RECEITAS REITERADA. INTUITO FRAUDULENTO. Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, ou pela simulação de alteração societária e uso de interposta pessoa, cabe a aplicação da multa qualificada. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2005 PIS/PASEP. COFINS. APURAÇÃO TRIMESTRAL. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento de PIS/Pasep e Cofins que, ignorando serem essas exações apuradas mensalmente, engloba por trimestres a matéria tributável. Mantêmse o lançamento no que se refere aos meses efetivamente lançados, deles excluindo a matéria relativa aos meses cujo crédito deixou de ser constituído pelo lançamento no período correto.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada por edital fixado em 18/06/2010 (fl. 461), a interessada interpôs recurso voluntário em 23/08/2010 (fls. 463497) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000469/200955 Acórdão n.º 1402001.587 S1C4T2 Fl. 487 16 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Há que se analisar, preliminarmente, a tempestividade do recurso voluntário apresentado. De acordo com o art. 5º c/c o art. 33 do Decreto n° 70.325, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Conforme se depreende dos autos, após tentativa sem sucesso de cientificação da decisão recorrida por via postal, foi a empresa cientificada por edital, fixado em 18/06/2010 e desafixado em 05/07/2010 (fl. 461). Em consonância com os dispositivos regulamentares em referência, o inicio da contagem do prazo se deu dia 06/07/2010, terçafeira, esgotandose, por conseguinte, em 04/08/2010, quartafeira, o prazo de 30 (trinta) dias previsto para ingresso do Recurso Voluntário, na forma do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ocorre que, consoante carimbo de protocolo aposto na folha de rosto do Recurso Voluntário (fl. 463), sua apresentação se deu somente em 23/08/2010, após expirado o prazo para tanto. Considerase, pois, intempestivo o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Tendo em conta que a tempestividade não foi questionada pela Recorrente, nada há que se analisar naquela peça recursal. Voto, pois, por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 555DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903275/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Tratase de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 37313.75443.140704.1.3.040992, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro débito de titularidade do contribuinte. A manifestação de inconformidade asseverou que o direito creditório seria oriundo de cancelamento de operação financeira, onde foi retida indevidamente a CPMF e cujo acerto se deu mediante devolução da quantia ao cliente envolvido, cuidandose a não homologação de mero erro de fato, ao passo que não foi efetuada, no momento oportuno, a correspondente retificação da DCTF, que, por ocasião do recurso, já havia sido providenciado. Por fim, pugnou pela observância do princípio da verdade material. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 27 5/ 20 08 -1 0Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.903275/200810 Resolução nº 3401000.825 S3C4T1 Fl. 4 2 Foram colacionadas ao recurso cópias dos extratos que, em tese, demonstravam o cancelamento da operação e o respectivo estorno e acerto do tributo indevidamente debitado ao cliente, além de cópia do DARF, despacho decisório e DCTF retificadora. A DRJ Campinas/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não foram juntados elementos suficientes a demonstrar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. Em recurso voluntário o contribuinte repetiu a argumentação já deduzida e reapresentou a documentação, incluindo, desta feita, a movimentação contábil da rubrica “CPMF a Recolher de Clientes – Conta Centralizadora” do período de apuração examinado. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Examinando o caso submetido a julgamento, observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível suficiente para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. Entretanto, à vista dos elementos colacionados ainda na primeira oportunidade recursal, entendo que, a despeito de não ser suficiente ao reconhecimento ictu oculi da procedência do pleito, há fortes indícios de que assiste razão ao recorrente, constituindo o acervo anexado um bom início de prova, o que justificaria a conversão do julgamento em diligência para as aferições de praxe. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios regentes do processo administrativo fiscal, em especial o princípio da verdade material, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos contábeis e fiscais e não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.903275/200810 Resolução nº 3401000.825 S3C4T1 Fl. 5 3 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho a convolação do julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Se o contribuinte requerente assumiu, de fato, o encargo financeiro do tributo ou, em caso negativo, se está autorizado por quem de direito a repetir o indébito (art. 166 do CTN); d) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, e) Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000361/2004-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa).
Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído. Inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88 em sede de repetitivo.
Impossibilidade de aplicação retroativa condicional de novo critério jurídico ao lançamento introduzido por força de decisão judicial. Inteligência do artigo 146 do CTN à luz da Segurança Jurídica e da Irretroatividade.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial, e Ronnie Soares Anderson, que acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández, redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído. Inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88 em sede de repetitivo. Impossibilidade de aplicação retroativa condicional de novo critério jurídico ao lançamento introduzido por força de decisão judicial. Inteligência do artigo 146 do CTN à luz da Segurança Jurídica e da Irretroatividade. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial, e Ronnie Soares Anderson, que acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández, redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2391; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.000361/200419 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.925 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente RACHEL MARIA ALMEIDA FERNANDES BARDI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído. Inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88 em sede de repetitivo. Impossibilidade de aplicação retroativa condicional de novo critério jurídico ao lançamento introduzido por força de decisão judicial. Inteligência do artigo 146 do CTN à luz da Segurança Jurídica e da Irretroatividade. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial, e Ronnie AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 03 61 /2 00 4- 19 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Soares Anderson, que acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández, redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente, o conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 220200.315, proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, fls. 140 a 146, que reproduzo a seguir: “Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fl. 5, integrado pelos documentos de fls. 6 a 10, pelo qual se exige a importância de R$866,08, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2001, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta ao Demonstrativo das Infrações de fl. 7, verificase que o lançamento decorre de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$15.828,99, conforme planilha de cálculo apresentada pela contribuinte, referente ao processo nº 1097/91, da 3ª Vara da Fazenda Pública. Esclarece a autoridade lançadora que a contribuinte não atendeu a intimação para apresentar o despacho do juiz determinando que o imposto de renda fosse calculado apenas sobre os juros. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 3, instruída com os documentos de fls. 4 a 16, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 47 e 48): Cientificada do lançamento em 01/03/2004 (vide cópia do AR a fl. 18), a contribuinte apresentou, em 26/03/2004, a impugnação de fls. 01 a 03, por intermédio de procurador (procuração a fl. 04), acompanhada dos documentos de fls. 12/16, alegando, em síntese, que: a defendente, na qualidade de contribuinte não integra relação jurídica tributária com o Fisco, para efeito de cumprimento do dever instrumental de prestar informações sobre fatos que não são de sua responsabilidade; cita o parágrafo único do artigo 45 do CTN, e o art. 722 do Decreto 3.000/99, para afirmar que a responsabilidade pela retenção é atribuída Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13851.000361/200419 Acórdão n.º 2802002.925 S2TE02 Fl. 3 3 expressamente pela lei à fonte pagadora, pelo que a contribuinte fica isenta de qualquer responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto; nesse teor, a multa que lhe foi imposta é injusta e injurídica, na medida em que se baseou em fato cuja capitulação legal não diz respeito à defendente. Transcreve acórdão do 1º Conselho de Contribuintes; sendo responsabilidade da fonte pagadora, somente ela está obrigada a prestar as informações atinentes a retenção e recolhimento do imposto. Dessa forma, a multa imposta à contribuinte é ilegal e deverá ser cancelada por falta de previsão em lei; por fim, requer pelo julgamento de improcedência do lançamento e protesta pela oportunidade de ampla prova do direito alegado. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1725.951 (fls. 46 a 55), de 19/06/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS OMITIDOS. Restando comprovada nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, a autoridade administrativa tem o poderdever de efetuar o lançamento de ofício do imposto de renda sobre a parcela de rendimentos omitidos e excluir a parcela dos rendimentos tributáveis já declarados. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 10/07/2008 (vide AR de fl. 58), a contribuinte apresentou, em 11/08/2008 [segundafeira], tempestivamente, o recurso de fls. 59 a 62, acompanhado dos documentos de fls. 63 a 66, no qual alega, em síntese, que: 1. os rendimentos percebidos em decorrência de sentença proferida nos autos do processo no 1097/91, “não são verbas trabalhistas, como afirmado equivocadamente no Acórdão ora guerreado, mas sim complementação de vencimentos que integram a aposentadoria da recorrente.”; 2. a recorrente, aposentada desde maio de 1979, ingressou com ação contra o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo pleiteando indenização de diárias devidas em razão de despesas com alimentação e pousada, que integram sua aposentadoria; 3. o pleito foi acolhido, havendo determinação judicial para que o imposto de renda incidisse apenas sobre os rendimentos de juros e correção monetária pagos em 2001; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 4. o cálculo dos valores recebidos pela recorrente está equivocado, pois o valor efetivamente recebido pela recorrente é de R$14.859,79, visto que o valor referente ao imposto de renda sobre os rendimentos de juros já foi devidamente recolhido; 5. desde de 1998 é isenta do Imposto sobre a Renda, nos termos do artigo 6º , inciso XIV, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988; 6. os rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave (neoplasia maligna), bem como a complementação de aposentadoria, são isentos do imposto de renda, nos termos do art. 5º, incisos II e XII e §§ 3º e 4º, da Instrução Normativa nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, citando precedente do Conselho de Contribuintes; 7. por fim, invoca o principio constitucional da ampla defesa, para juntar até a data da sessão do julgamento do presente recurso, a sentença proferida nos autos do processo judicial. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 07, distribuído inicialmente para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 29/11/2010. DA DILIGÊNCIA Em sessão de 15/03/2011, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Sessão Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 220200.114 (fls. 75 a 79), cujo voto reproduzo a seguir: ‘O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente lançamento de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos em decorrência de ação judicial movida contra o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Inicialmente a contribuinte limitouse a alegar que a responsabilidade da pelas informações atinentes a retenção e recolhimento do imposto era da fonte pagadora, requerendo o cancelamento da exigência imposta. Em sede de recurso, a interessada afirma ser aposentada desde 1979 e, a partir do anocalendário 1998, passou a gozar da isenção prevista no art. 6º , inciso XIV, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, por ser portadora de moléstia grave. Defende, assim, que os rendimentos tributados, por se tratarem de proventos de aposentadoria recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave (neoplasia maligna) estariam alcançados pela isenção. Compulsandose os elementos que compõem os autos, verificase que foram anexados, desde a fase de impugnação, documentos fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo que evidenciam que a contribuinte estaria albergada pela isenção concedida aos portadores de moléstia grave (fls. 12 e 13). Quanto à natureza dos rendimentos recebidos na ação judicial, os documentos acostados ao presente processo não são suficientes para concluir que se referem a diferenças de proventos de aposentadoria Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13851.000361/200419 Acórdão n.º 2802002.925 S2TE02 Fl. 4 5 recebidos acumuladamente. De acordo com a planilha apresentada à fl. 39 apenas os juros teriam sofrido tributação, contudo, mesmo intimada a contribuinte não apresentou o despacho judicial que teria determinado que o imposto de renda fosse calculado dessa forma. Existe, ainda, comprovante de rendimentos fornecido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (fl. 40) no qual foi informado apenas pagamento de rendimentos isentos a título de aposentadoria recebido por portador de moléstia grave. Diante do exposto, para que se possa formar um juízo acerca da matéria em discussão, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. Intime o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo a informar o total dos rendimentos pagos em decorrência do processo trabalhista no 1097/97, discriminando os valores por natureza do rendimento e esclarecendo se referemse a diferenças salariais ou a diferenças de proventos de aposentadoria, juntando cópia da decisão judicial e demais documentos que entender necessários corroborar sua informação; 2. Cientifique a contribuinte do resultado da resposta apresentada pela fonte pagadora para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias, bem como intimea, no mesmo prazo, a comprovar a data em que teria se aposentado do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que ateste ser ela portadora de moléstia grave passível de isenção nos termos da lei, indicando desde quando a doença foi contraída. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável.’ Atendendo ao Ofício no 883/2011/SACAT/DRFAQA/RFB/MFSP, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo encaminhou os documentos de fls. 86 a 131, a partir dos quais inferese que os valores recebidos pela contribuinte em decorrência do processo trabalhista nº 1097/97 referemse a gratificação salarial pleiteadas por funcionários inativos. Em reposta a intimação fiscal (fls. 137 e 138), a contribuinte limitou a requerer que os documentos fossem solicitados ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. O presente processo retornou de diligência, veio digitalizado até à fl. 139.” O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 19 de setembro de 2012, tendo a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2202 000.315, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 140 a 146. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi redistribuído, por sorteio, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, converteu o julgamento do processo em diligência para que o contribuinte fosse intimado a apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que ateste ser ela portadora de moléstia grave passível de isenção nos termos da lei, indicando desde quando a doença foi contraída. Em reposta à intimação fiscal (fls. 137 e 138), contudo, a contribuinte se limitou a requerer que os documentos fossem solicitados ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. A respeito de tal requerimento, cumpre salientar que diligências não se prestam a produzir provas cujo ônus compete ao recorrente. Não se desincumbido do ônus da prova requisitada, não há como acatar a alegação da recorrente de que seria portadora de moléstia grave à época e, por via de consequência, não restou demonstrado nos autos que o rendimento omitido se caracterizaria isento do imposto de renda, com base no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999, RIR/1999. Aplicase ao caso o seguinte entendimento contido na Súmula CARF nº 63: “Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Resta, então, examinar a infração caracterizada como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em decorrência de ação judicial movida contra o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Nesse aspecto, ressaltese, de plano, que, por corresponder ao recebimento acumulado de verbas trabalhistas, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13851.000361/200419 Acórdão n.º 2802002.925 S2TE02 Fl. 5 7 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 “ Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Em resposta ao Termo de Intimação, fls. 31, a contribuinte apresentou planilha denominada “CONTA DE LIQUIDAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO”, do Processo nº 114/92, da qual se apurou o valor líquido a receber das parcelas devidas de fevereiro de 1992 a maio de 1994. Nesse caso, à vista do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto aplicável sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Sobre o assunto, inicialmente, convém registrar que, nos termos do § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, existe a possibilidade legal de se retornar os autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento, prevista neste comando legal, se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que seria vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário (12ª Edição, Malheiros, 1997, p 123), as hipóteses de mudança de critério jurídico podem acontecer em duas situações. A primeira, “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. A segunda, está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a observância das alíquotas vigentes à época em que o rendimento deveria ter sido adimplido não importará em prejuízo ao contribuinte, haja vista que, a exemplo da regra prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a alteração do crédito tributário deverá ser procedida de forma “total ou Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13851.000361/200419 Acórdão n.º 2802002.925 S2TE02 Fl. 6 9 parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque entendo, que para a aplicação do entendimento firmado pelo STJ, basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte, e aplicar as alíquotas correspondentes sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. Notese que na sequência do entendimento dado pelo STJ para que se calcule o imposto de renda com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores recebidos acumuladamente deveriam ter sido adimplidos, há expressa recomendação no sentido de se observar a renda auferida mês a mês pelo segurado. Diante dessa recomendação, entendo que, apesar de a interpretação dada pelo STJ não afastar a sistemática de ajuste anual prevista para a tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, para o caso específico de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente ficou estabelecida tão somente a observância da renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Nesse aspecto, seria bom ressaltar que o Parecer PGFN/CAT Nº 815, de 2010, editado na época em que se tentava solucionar a implementação concreta das decisões do STJ em âmbito de rendimentos acumulados, concluiu, em seu item 100, “b”, que a recomposição do valor tributável dos rendimentos à época em que estes deveriam ter sido pagos deveria ser aplicada apenas na hipótese de a Receita Federal do Brasil RFB possuir os dados necessários. Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, definiu o referido Parecer que se deve tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos (item 100, “d”). Nesse caso, conclui o Parecer em referência no item 100, “e”: “100. (...) ......................................................................................................... e) Assim, simplesmente, desprezando se o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais; (...).” Percebese, pois, que a situação examinada nos itens 100, “d” e 100, “e” do Parecer PGFN/CAT Nº 185, de 2010, se coaduna com perfeição à forma exposta anteriormente neste voto para se calcular o imposto de renda incidente sobre os rendimentos, tratados no presente processo, à luz do entendimento firmado pelo STJ. Portanto, fica evidenciado que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. A respeito da questão relacionada ao aspecto temporal para se proceder a retificação de ofício, ensina o professor Leandro Pausen, em seu livro Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e jurisprudência (11. ed. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009, p 1034), em seu comentário ao parágrafo único do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN: “Þ Revisão para onerar x revisão para beneficiar. A regra do parágrafo único visa a proteger o contribuinte contra revisões do lançamento que venham a lhe onerar mediante elevação do montante do crédito tributário. Estabelece, assim, que o Fisco tem o prazo decadencial para constituir o crédito, seja originariamente, seja mediante revisão de lançamento anterior. O prazo corre contra o Fisco. – Não há que se entender, assim, que tal parágrafo impeça o Fisco de revisar lançamento feito a maior, de modo a beneficiar o contribuinte mediante diminuição do crédito tributário para sua adequação à legislação válida aplicável. Isso pode decorrer tanto por força de lei como de decisão judicial, ou mesmo de simples verificação administrativa à luz de documentos novos apresentados pelo contribuinte. Mas, embora não se fale em prazo decadencial para revisões que beneficiem o contribuinte, não terão elas qualquer efeito sobre o prazo prescricional que já esteja correndo contra o Fisco.” Finalmente, importa observar que, contrariando o entendimento do contribuinte acerca da falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, o CARF editou a Súmula CARF nº 12, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os presentes autos retornem à unidade de origem da RFB, para que esta, em procedimento de revisão de ofício, aplique sobre o valor remanescente da matéria tributada a título de omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista as alíquotas vigentes à época em que esses rendimentos deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13851.000361/200419 Acórdão n.º 2802002.925 S2TE02 Fl. 7 11 German Alejandro San Martín Fernández, redator designado. Em que pese o bem fundamentado voto do i. Conselheiro Jaci de Assis, ouso dele divergir, nos seguintes termos. Versam os presentes autos sobre cuja matéria de fundo trata da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. É de se ver que a tributação desses valores, conforme demonstrativo juntado aos autos, se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja o objeto da lide. A 1ª Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à Capacidade Contributiva e Isonomia Tributária. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). É de se ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob Repercussão Geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. Ainda que de acordo com o entendimento exposto pelo d. Relator, a mudança de critério jurídico do lançamento tenha se dado em benefício do contribuinte, é de se reconhecer que tal premissa se funda em presunção quanto à ausência (ou insuficiência) de despesas dedutíveis na base de cálculo do imposto do contribuinte ou de outros rendimentos igualmente tributáveis, que eventualmente não resultem em redução da base de cálculo do imposto a pagar no respectivo anocalendário. A sistemática de apuração do imposto de renda pessoa física adotada pela nossa legislação permite ao contribuinte, por ocasião da constituição do crédito tributário via autolançamento, lançar despesas legalmente dedutíveis e reduzir a base de cálculo do imposto. Ressalto, permite deduzir, mas não o obriga a lançar tais despesas, mormente quando estas em nada alteram o quantum debeatur do imposto ou a apuração do valor sujeito a restituição, e.g., insuficiência/ausência de retenções na fonte ou ausência de rendimentos tributáveis. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13851.000361/200419 Acórdão n.º 2802002.925 S2TE02 Fl. 8 13 Logo, ao contrário do afirmado pelo d. Relator, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal ou a baixa dos autos para a cálculo do imposto com base nas alíquotas vigentes à época do recebimento dos valores se pagos tempestivamente pelo réu na ação judicial, com vistas a impor mudança superveniente de critério jurídico do lançamento supostamente mais benéfico para o contribuinte. Para que a premissa adotada possa ser de fato sustentada, necessário se faz permitir ao contribuinte retificar todas as suas declarações referentes aos períodos aquisitivos dos rendimentos originários e lançar, junto aos rendimentos tributáveis, todas as despesas legalmente dedutíveis por anocalendário, para aí sim, verificar in concreto se o refazimento do lançamento realizado por mudança de critério jurídico do lançamento em decorrência da superveniência de julgado repetitivo do STJ e por força do artigo 62A do RICARF, de fato é mais favorável. Somente nessa hipótese, a aplicação retroativa se submeteria às exceções apontadas pela doutrina invocada à vedação constante do artigo 146 do CTN. Por fim, não só os fundamentos de ordem pragmática acima expostos é que me levam à conclusão pela necessidade de anulação do lançamento ora sob julgamento. A LGPAF (Lei n. 9.784/99), aplicável subsidiariamente ao Decreto n. 70.235/72 1, ao dispor sobre os princípios da atividade administrativa julgadora, elenca, no rol de garantias dos administrados/deveres do administrador/julgador (inciso XII, do artigo 2 da LGPAF), o seguinte enunciado: “a interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada a aplicação retroativa de nova interpretação”. A inserção no RICARF do artigo 62A (norma administrativa) e o dever do julgador administrativo em seguir a orientação firmada pelo STJ em sede de repetitivo, somente pode servir ao interesse público envolvido, qual seja, ao reconhecimento da unicidade da jurisdição (monopólio jurisdicional do Poder Judiciário em nosso Sistema) e à redução da litigiosidade judicial de lançamentos realizados com base em interpretação da legislação tributária diversa da adotada pelo Poder Judiciário em caráter definitivo. A nova interpretação adotada pelo STJ ao artigo 12 da lei n. 7.713, e a obrigatoriedade da obediência às suas disposições pelo CARF, criam, de fato, novo critério jurídico para o lançamento. Entretanto, não autorizam a aplicação retroativa e o “refazimento” do lançamento na fase litigiosa de controle de legalidade, ainda mais quando há sérias dúvidas quanto ao efeito retroativo benéfico ao contribuinte, conforme apontado. Interpretação em sentido contrário iria de encontro à Segurança Jurídica e à sua função principiológica de vetor interpretativo na solução de controvérsias2, mormente ao criar hipótese de retroatividade condicional a novos critérios jurídicos ao lançamento introduzidos por decisão judicial, apenas em hipótese na qual, em tese, a aplicação possa trazer situação menos gravosa ao contribuinte. Nesse sentido, posição majoritária da doutrina, a seguir: Estevão Horvarth: 1 Nesse sentido, James Marins, Direito Processual Tributário Brasileiro, 7 ed., pp. 261 e seguintes. 2 Roque Carrazza, Direito Constitucional Tributário, 27 ed., p. 1.090. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Deve se deixar evidenciado, por ser de suma importância, que a autoridade administrativa que modifica a sua interpretação de uma norma jurídica que será aplicada aos contribuintes deve, em primeiro lugar, proclamar sua intenção de mudar de orientação, mudança esta que somente produzirá efeitos para o futuro. Somente após ter anunciado esta decisão é que poderá praticar atos de aplicação na conformidade dos novos critérios por essa nova interpretação. É lícito, e até desejável, que a autoridade administrativa se esforce para aprimorar sua interpretação; não pode, entretanto, modificar, como consequência desse aprimoramento, a sua orientação, ou traduzir essa modificação na pratica de um ato concreto, pois isso vai de encontro à segurança jurídica do contribuinte. Com efeito, este espera que o comportamento do Fisco com relação a sua atividade seja aquele já conhecido e aplicado para a hipótese de que se trate, não tendo razão de ser que, exatamente na sua vez, as coisas se alterem, sem prévio aviso. 3 Alberto Xavier: O artigo 146 nada mais é, pois, que simples corolário do principio da não retroatividade, extensível as normas complementares, limitandose a esclarecer que os lançamentos já praticados à sombra de “velha interpretação” não podem ser revistos com fundamentos em “nova interpretação” 4. Luciano Amaro: O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base em novos critérios; é a aplicação desses novos critérios a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não necessariamente terão sido já objeto de lançamento). (...) Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério jurídico não seriam apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores passados. 5 E por fim, Ricardo Lobo Torres: Os critérios jurídicos utilizados para o lançamento pela Administração são inalteráveis com relação a um mesmo sujeito passivo, ainda que haja modificação na jurisprudência administrativa ou judicial. Esse princípio, estampado no art. 146 de CTN, emana da segurança dos direitos individuais e da proteção da confiança do contribuinte. 6 Em conclusão, inviável o refazimento de lançamento cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota e na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade e legalidade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. 3 Lançamento trributário e "autolançamento", p.269. 4 Do lançamento no direito tributário brasileiro, p. 277. 5 Direito Tributário Brasileiro, p. 351 6 Curso de Direito Financeiro e Tributário, pp. 279280. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13851.000361/200419 Acórdão n.º 2802002.925 S2TE02 Fl. 9 15 Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 11/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10580.911785/2009-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 85 /2 00 9- 64 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911785/200964 Acórdão n.º 3802003.513 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918999/2012-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 99 /2 01 2- 61 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918999/201261 Acórdão n.º 3802002.452 S3TE02 Fl. 117 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 75 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/09/2013 (fls. 72), interpondo recurso tempestivo em 07/10/2013 (fls. 75). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918999/201261 Acórdão n.º 3802002.452 S3TE02 Fl. 118 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918999/201261 Acórdão n.º 3802002.452 S3TE02 Fl. 119 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10880.678156/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 56 /2 00 9- 32 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678156/200932 Acórdão n.º 3801004.089 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10508.000180/2005-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES.
Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 01 80 /2 00 5- 95 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000180/200595 Acórdão n.º 3302002.581 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitidas a partir de 20 de fevereiro de 2004, relativamente a ressarcimento de IPI do 3º trimestre de 2003, que foram originalmente deferidas em parte, conforme Despacho Decisório nº 087/2008, de 16/07/2008. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o mencionado despacho, que foi apreciada pela 4ª Turma da DRJ/SDR, conforme Acórdão nº 15 17.716, de 26/11/2008, cientificado à Interessada em 03/12/, conforme AR de efl. 803. O relatório do mencionado acórdão, que se adota por refletir claramente a demanda, foi o seguinte: Tratase de processo de Declarações de Compensação DCOMP do estabelecimento acima identificado, transmitidas pela contribuinte, para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativo ao 3º trimestre de 2003, no valor R$ 1.193.689,33, conforme declarações eletrônicas n° 25657.10614.200204.1.3.01 5191, fls. 02 a 126; n° 33992.52520.110804.1.3.01 1434, fls. 127 a 141; 23253.04012.180804.1.3.010024, fls. 142 a 154; 01808.25945.010904.1.3.012460, 155 a 169; 01440.92538.100904.1.3.014977, fls. 174 a 194; e 17213.84825.140305.1.3.013040, fls. 195 a205. No Relatório de Fiscalização, fls. 398 a 413, o fiscal diligente relata que apurou as seguintes irregularidades: (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de Saída escrituradas com IPI nulo Isenção; (v) Notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo remessa para demonstração de modelos não cobertos pelas portarias de isenção, que não tiveram o retomo comprovado; (vi) Notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo revenda de mercadorias importadas; e (vii) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo remessa para locação. Ao final, o diligente relata que apurou o IPI relativo ao 3° trimestre de 2003, conforme planilha "APURAÇÃO DO IPI", A fl. 396, e considerou passível de ressarcimento o saldo credor no valor de R$ 417.242,53. A Delegacia da Receita Federal em Ilhéus, proferiu Despacho Decisório n° 087/2008, fls. 441 a 444, deferindo parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 417.242,52, e homologando a compensação até o limite do crédito deferido, com base no Relatório de Fiscalização e na Fundamentação deste Despacho Decisório. Cientificada da decisão em 23/07/2008, conforme cópia do "AR", fl. 454, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 21/08/2008, fls. 453 a 464, alegando, em síntese que: c os créditos de IPI referentes à aquisição de teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, conversores de energia, estabilizadores, mouse pad, monitores, microfones com pedestal, cadeados, balança eletrônica, impressoras e cartuchos, não reconhecidos pela autoridade fiscal, são partes integrantes dos equipamentos fabricados pela Novadata e devem ser reconhecidos, pois são produtos empregados na industrialização, que compõem o produto final "Computador". Fl. 829DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000180/200595 Acórdão n.º 3302002.581 S3C3T2 Fl. 4 3 c da leitura das disposições constitucionais que disciplinam o regime de não cumulatividade do IPI, é possível concluir que não existe restrição quanto ao aproveitamento de crédito, sendo assegurado ao contribuinte o seu gozo de forma plena e irrestrita; c os créditos de IPI requeridos pela defendente são legítimos, pois todos os produtos mencionados são ou matériaprima, ou produto intermediário da montagem do produto final computador, não podem ser glosados pela autoridade fiscal, por afronta ao principio da nãocumulatividade e as próprias disposições da legislação ordinária e regulamentar. c o laudo técnico assinado por engenheiro especializado (doc. 1) confirma que os produtos analisados pelo fisco são componentes dos computadores, seja como matériaprima, seja como produto intermediário. Ou seja, são itens consumidos no processo produtivo, como parte integrante do novo produto, na forma do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999; c nesse sentido dispõe o Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, ao concluir que somente geram direito ao crédito do IPI os produtos que se integrem ao novo produto fabricado, e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integram nem sejam consumidos na operação de industrialização; c diante do exposto, aguardase o acolhimento da presente defesa, para que seja integralmente cancelada a glosa dos créditos de IPI em comento A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do mencionado acórdão, cuja ementa a seguir se reproduz: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. De modo sucinto, a DRJ decidiu, especificamente, o seguinte: 1) Houve contestação em relação à aquisição de teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, conversores de energia, estabilizadores, mouse pad, monitores, microfones com pedestal, cadeados, balança eletrônica, impressoras e cartuchos, mas a Interessada “não se manifesta especificamente sobre as demais infrações apuradas na diligencia fiscal, conforme Relatório Fiscal; 2) Em relação aos referidos produtos (materiais periféricos), eles não se caracterizariam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integrariam ao novo produto fabricado, nem seriam consumidos no processo de industrialização; 3) Aplicarseia ao caso a Nota 5.D, do Capítulo 4, da TIPI aprovada pelo Decreto nº 3.777, de 23 de março de 2001; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000180/200595 Acórdão n.º 3302002.581 S3C3T2 Fl. 5 4 4) Em razão da interpretação dada pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e em consonância com o inciso I, do art. 147, do RIPI/98 e com o inciso I, do art. 164, do RIPI/2002, que não existe amparo legal para aproveitamento de crédito do imposto referente aos produtos: teclados, CDR recovery, mouse, caixas acústicas, microfone, monitor, caixa de som, transformadores, estabilizadores de tensão e conversores NE. Ciente do referido acórdão no dia 03/12/2008, a Empresa Interessada apresentou Recurso Voluntário no dia 23/12/2008 alegando, inicialmente, o seguinte: 9. Contudo, os créditos de !PI referentes à aquisição de teclados, monitores, mouses, microfones, caixa de som, cabos, chaves tipo pushbottom, amortecedores de butil, sacos plástico para gabinete, impressoras, transformadores, estabilizadores de tensão, balanças eletrônicas, CDR recovery, conversores de NE não foram reconhecidos pela autoridade fiscal, tampouco pela 4a Turma de Julgamento da DRJ/SDR. 10. A irregularidade apontada pelo fisco, relativa aos créditos glosados teve como fundamento o entendimento de que os produtos supra mencionados não integram os produtos fabricados, podendo até serem adquiridos separadamente. 11. Ocorre que, ao contrário do afirmado pelo fisco, tais componentes constituem partes integrantes dos equipamentos fabricados pela RECORRENTE, como também são componentes de quaisquer computadores, não havendo motivo para a glosa do crédito de IPI, originário da aquisição destes componentes. Passou a tratar do princípio da nãocumulatividade do IPI, conforme estaria estipulado na Constituição Federal, citando opinião da doutrina. Depois, tratou da legislação ordinária, analisando a Lei n. 4.502, de 1964, e citando o laudo técnico juntado aos autos. Enfatizou que o art. 4º da referida lei estabeleceu que caracterizaria “industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto [...]”. No caso, o processo produtivo resultaria num único produto, o computador, nos termos de acórdão do 2º Conselho de Contribuintes, cuja ementa foi reproduzida, que considerou ocorrer operação de montagem. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000180/200595 Acórdão n.º 3302002.581 S3C3T2 Fl. 6 5 Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de IPI relativo a aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e a Fiscalização glosou créditos relativos à aquisição de periféricos de computadores, impressora e componentes de impressoras por entender que não se constituem em matériaprima ou produtos intermediários usados na fabricação de computadores. Por seu turno, a recorrente alega, na impugnação e no recurso voluntário, que teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, conversores de energia, estabilizadores, mouse pad, monitores, microfones com pedestal, cadeados, balança eletrônica, impressoras e cartuchos são matériasprimas ou produtos intermediários utilizados na fabricação de computadores e, como tal, tem direito ao crédito pleiteado. A decisão recorrida assim tratou o tema: ... na planilha de folhas 277 a 287, inexiste dúvida de que o teclado, o monitor, o mouse, o microfone e a caixa de som não se integram ao computador montado pela autuada, tanto assim que nas notas fiscais esses produtos são vendidos separadamente, sendo informado, inclusive, preço e código de classificação fiscal especifico. Claro que a impressora deve ser utilizada em conjunto com o equipamento, e que é importante no funcionamento do projeto do usuário, mas o computador pode perfeitamente ser utilizado sem que se imprima o trabalho final, não sendo portanto, parte integrante do computador. Ademais, vejase a Nota 5.D) do Capitulo 84 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto n° 3.777, de 23 de março de 2001: 5. B) As máquinas automáticas para processamento de dados podem apresentarse sob a forma de sistemas compreendendo um número variável de unidades distintas. Ressalvadas as disposições da alínea E) abaixo, considerase como fazendo parte do sistema completo qualquer unidade que preencha simultaneamente as seguintes condições: (...) 5. B) b) ser conectável à unidade central de processamento, seja diretamente, seja por intermédio de uma ou de várias outras unidades; e c) ser capaz de receber ou de fornecer dados em forma códigos ou sinais utilizáveis pelo sistema. 5. D) As impressoras, os teclados, os dispositivos de entrada de coordenadas x, y e as unidades de memória de discos que preencham as condições referidas nas alíneas B) b) e B) c), acima, classificamse sempre como unidades, na posição 8471. (grifo do original) Portanto, no presente caso, além das impressoras, também os teclados, monitores, transformadores, estabilizadores de tensão e balanças eletrônicas continuam sendo classificados como unidades, e não como máquinas automáticas, e assim, não são parte integrante do microcomputador. Destaquese que ao se Fl. 832DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000180/200595 Acórdão n.º 3302002.581 S3C3T2 Fl. 7 6 adquirir um computador, pode o consumidor escolher o teclado, o monitor, caixas acústicas e o "mouse" que melhor lhe aprouver, inclusive de fabricantes diferentes. Este tema também foi enfrentado no Processo nº 10508.001046/200773, de interesse da Recorrente, no qual a 3ª Turma Especial da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, se manifestou nos seguintes termos: Argumenta o Recorrente que os produtos por ele adquiridos, cujos créditos do IPI foram glosados pela Fiscalização, seriam partes integrantes dos equipamentos fabricados pela empresa, que se constituiriam de microcomputadores acompanhados de periféricos, resultantes da industrialização na modalidade montagem. Das cópias de notas fiscais emitidas pelo Recorrente (fls. 216 a 256), é possível constatar que os computadores são vendidos juntamente com outros equipamentos (estabilizadores, impressoras, etc.), algumas vezes discriminados de forma individualizada, demonstrando tratarse de diferentes equipamentos de informática comercializados em conjunto. Durante os procedimentos de fiscalização, a autoridade fiscal detectara que os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte se referiam à aquisição de teclados, caixas acústicas, transformadores, impressoras, cartuchos de tinta (toners), estabilizadores de tensão, conversores e balanças eletrônicas. Tais produtos, como é do conhecimento geral, são comercializados, ainda que conjuntamente, enquanto unidades autônomas, não se configurando montagem nos termos previstos na legislação do IPI, pois no Regulamento do Imposto (atual Decreto nº 7.212/2010) prevêse que tal modalidade de industrialização requer que o produto final decorra da reunião de produtos, peças ou partes e que resulte em um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. (Acórdão nº 380301.473). As fundamentações das decisões acima são coerentes e de conforme com a legislação e, portanto, nada há a reparar na decisão recorrida, que tenho por boa e de conforme com a lei, inclusive no que diz respeito aos demais produtos não citados nos enxertos acima. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 833DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10508.000180/200595 Acórdão n.º 3302002.581 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13016.000087/2003-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
Conforme o CTN, art. 150, § 4°, não há que se falar em cobrança de crédito tributário definitivamente extinto por decurso de prazo decadencial.
Numero da decisão: 1202-001.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de decadência, o que resultou em prejuízo no exame das demais matérias, vencidos o Relator e a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Conforme o CTN, art. 150, § 4°, não há que se falar em cobrança de crédito tributário definitivamente extinto por decurso de prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de decadência, o que resultou em prejuízo no exame das demais matérias, vencidos o Relator e a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 00 87 /2 00 3- 49 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 847 2 Trata o processo do exame de Declarações de Compensação com crédito originado dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL informado na declaração DIPJ do ano calendário 2002, nos valores de R$ 194.301,49 e R$ 118.566,87, respectivamente, conforme Declarações de fls. 1/2, 20/21, 24/25, 26/27, 28/29 e PER/DCOMPs transmitidas nas fls. 461 à 496. O Despacho Decisório das fls. 524 a 527 concluiu por homologar tacitamente a Declaração de Compensação das fls. 01/02 e reconhecer parcialmente os direitos creditórios do IRPJ e da CSLL, nos valores de R$ 161.840,76 e R$ 118.478,94, respectivamente. A autoridade fiscal identificou que as estimativas do IRPJ e da CSLL foram liquidadas, parte mediante pagamento e parte mediante compensação com saldos negativos de anos anteriores: 1998 para o IRPJ e 1996 para a CSLL, fls. 525. Dessa forma, procedeu na conferência dos valores saldos negativos do IRPJ e da CSLL a partir desses anos. Em relação ao IRPJ, o principal motivo para o reconhecimento parcial do crédito foi assim fundamentado, fls. 526: “Esclarecemos, outrossim, que referentemente aos exercícios de 1999/2002, anoscalendário de 1998/2001 no que se refere ao IRPJ, a interessada fez opção de parte dos valores das estimativas pagas ao incentivo fiscal FINOR, conforme comprovam o sistema Sinal 10 de fl. 218 e extratos do sistema interno Sief — Análise de Débitos, fls. 150/191, valores excluídos do montante de saldo negativo em cada anocalendário, conforme planilha de fl. 502. Já em relação à CSLL, o despacho limitase a fazer referência à análise dos pagamentos das estimativas efetuadas com base nos demonstrativos das planilhas de fls. 508/509 e 510/523. Em síntese, em relação ao IRPJ, os valores não admitidos decorrem fundamentalmente da exclusão dos saldos negativos dos anoscalendário de 1998 a 2001 das aplicações em incentivos fiscais regionais (Finor). Em sua manifestação de inconformidade, esse ponto foi atacado pelo contribuinte sob a alegação de que teriam sido omitidas as razões que ensejaram a glosa das opções por incentivos fiscais consignadas nas DIPJs. Os principais pontos apresentados na manifestação de inconformidade do contribuinte, de fls. 550 e seguintes, encontramse assim resumidas no relatório do Acórdão nº 1018.793 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 762 a 765, que transcrevo e passo a adotar: “A decisão foi cientificada ao contribuinte em 16/05/08 (fl. 546) que, em 13/06/08, apresentou manifestação de inconformidade calcada, em síntese, nos seguintes argumentos: a) que se pretende constituir crédito tributário relativo ao exercício de 2003, originado pela exclusão de valores destinados ao Fundo de Investimento do Nordeste – Finor em relação aos anoscalendário de 1998 a 2001, e que na data da ciência da exigência já haviam decorrido mais de seis anos do fato gerador, circunstância que determina a extinção do crédito tributário em virtude da decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, a teor do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Desse modo, homologados os montantes dos Fl. 849DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 848 3 saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1998 a 2001 pelo decurso do prazo decadencial, não se pode mais contestálo; b) que a constituição do crédito tributário não observou o art. 142 do CTN e os arts. 9º, 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, sendo nula a exigência tributária; c) que os saldos negativos apurados nos anos de 1997 a 2001 estão devidamente comprovados por DARF, DCTF e PER/DCOMP anexos, não procedendo a exclusão das opções pelos incentivos fiscais regularmente destacados em DIPJ, cujos saldos nunca foram negados tempestivamente pelo Fisco. Acrescenta, em relação à glosa dos incentivos fiscais, que o Despacho Decisório omitiu as razões e fundamentos que ensejara a pretensão do Fisco; d) no que tange à exclusão de R$16.411,67 do saldo negativo apurado no ano calendário de 2001, decorrente do incentivo fiscal do Finor, caso coubesse razão ao Fisco, esse valor deveria ser retificado para R$1.111,69 para que se compatibilizasse com aquele assentado no "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" que anexa.” Na seqüência, o processo retornou em diligência, por proposta da DRJ/Porto Alegre, com a seguinte motivação, fls. 694: “Isto posto, e também tendo em conta que os Manuais de Preenchimento da DIPJ dos anoscalendário de 1998 a 2002 orientam que "Considerase, ainda, como efetivamente pago por estimativa, os valores recolhidos mensalmente aos fundos FINOR, FINAM e FUNRES, até o limite permitido no ajuste anual", PROPONHO, com fulcro no art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96, a devolução do processo para a unidade de origem para que seja declinada a motivação para a glosa efetuada, devolvendose o prazo para manifestação do contribuinte neste ponto. Saliento que na hipótese de as opções de aplicação nos incentivos fiscais não terem sido aceitas pela Administração Tributária, em face de vedações legais ou inexistência de projeto próprio, a diligência deverá esclarecer qual a destinação dos recursos aplicados: se efetivamente destinados ao Finor como aplicação de recursos próprios ou se, em virtude da impossibilidade de opção, foram tratados como imposto efetivamente recolhido.” Em seu relatório de diligência, fls. 703, a fiscalização informou que nos anos calendário de 1998 a 2001, os pagamentos foram efetivados em código específico, todavia, foram considerados como recolhidos com "recursos próprios" e não como “parte do IRPJ efetivamente pago”. Salienta ainda que não foram instaurados processos de revisão dos incentivos fiscais/PERC. Ao final, assim concluiu: “Por todo o exposto, referidos valores [de incentivos fiscais] não compuseram o saldo negativo em cada anocalendário tratado nos autos e opinamos pela manutenção, sem reparo algum dos saldos negativos reconhecidos por meio do Despacho Decisório DRF/CXL 254, de 7 de abril de 2008 constante das fls.524/527. Em resposta ao relatório de diligência, o contribuinte alega que a partir de 1998, nos termos do “ ... disposto na IN/SRF n° 90/1998, o valor do imposto de renda, em relação ao qual as empresas optassem para investimentos regionais, passou a ser recolhido em DARF distinto do valor do imposto, mediante código de recolhimento específico para cada Fl. 850DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 849 4 opção, sendo que no caso da Requerente, para continuar a aplicação no FINOR, correspondeu ao código 6677” (fls. 707 e 728). Reforça, ainda, a tese de que em nenhum momento efetuou qualquer aplicação no FINOR com “recursos próprios” mas somente fez a opção pelo incentivo com base no valor de parte do IRPJ devido, com recolhimento em DARF específico (código 6677), de modo que ditos recolhimentos devem ser tratados como imposto efetivamente pago, nos termos do manual de preenchimento da DIPJ “considerase , ainda, como efetivamente pago por estimativa, os valores recolhidos mensalmente aos fundos FINOR, FINAM e FUNRES, até o limite permitido no ajuste anual, conforme o disposto na IN SRF nº 90, de 1998” (fls. 707). Salienta que: “Não será com a inserção da expressão "recursos próprios" em sistema de acesso exclusivo da Receita Federal (documentos de fls. 695 a 698), sem qualquer participação ou concordância da Requerente que as verdades acima expostas serão alteradas.” (fls. 708). Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 1018.793 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 762 a 765, indeferindo a solicitação, com o seguinte ementário: IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. NULIDADE. ART. 10 e 11 do PAF. INAPLICABILIDADE. Os requisitos previstos nos art. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, não são aplicáveis às decisões administrativas que não homologarem compensações, não havendo que se falar em sua nulidade por descumprimento dessas condições. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO. Incabível aplicar à decisão que deixou de homologar compensações declaradas pelo contribuinte os prazos decadenciais previstos no Código Tributário Nacional posto que inexiste lançamento de crédito tributário. A chamada homologação tácita, aplicável à espécie, foi reconhecida de ofício. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. APLICAÇÕES EM INCENTIVOS REGIONAIS. PEDIDO DE REVISÃO. PRECLUSÃO DO DIREITO DE RECORRER. As alterações promovidas nas opções feitas pelo contribuinte para aplicações do imposto em incentivos regionais possuem prazo próprio para contestação. Não apresentado, tempestivamente, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, está precluso o direito de recorrer das alterações promovidas, não cabendo a apreciação dessas alegações em processo que trata de assunto diverso. Solicitação Indeferida Em síntese, o acórdão entendeu inaplicável à decisão os prazos decadenciais previstos no CTN, por não se tratar de “lançamento” de crédito tributário e, no mérito, entendeu que uma vez não apresentado, tempestivamente, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos FiscaisPERC, encontrase precluso o direito de recorrer das alterações Fl. 851DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 850 5 promovidas pela autoridade administrativa, não cabendo a apreciação dessas alegações em processo que trata de assunto diverso, no caso, em manifestação de inconformidade contra decisão que deixou de homologar compensações declaradas. Em resumo, o acórdão recorrido deixou de apreciar o mérito do litígio no que tange a procedência do reconhecimento parcial dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2002. Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, de fls. 782 e seguintes, repisando praticamente as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e da resposta à diligência. Em síntese, assim detalha as aplicações em incentivos fiscais: em relação ao anocalendário de 1998 conforme expresso na Ficha 16 da DIPJ, a opção pela aplicação de parte do imposto de renda em Investimento Regional limitou se ao valor de R$ 12.285,89, sendo que o limite era de R$ 17.671,64 (doc. de fls. 695). Portanto, não haveria parcela excedente para efeito de considerála subscrição voluntária com "recursos próprios". Os documentos de fls. 721/722 são certidões negativas da Receita Federal expedidas em 19/02/98 e 15/09/98, revelando a inexistência de qualquer débito de tributos e contribuições federais. em relação ao anocalendário de 1999 segundo consta na Ficha 16 da DIPJ, o valor da opção para aplicação de parte do imposto de renda somou R$ 17.156,59. O Órgão Fiscal apurou que o valor deveria ser R$ 17.153,31, em decorrência de erro na apuração da base de cálculo, conforme assim descrito no documento de fls. 696. Desta forma, nos termos da legislação aplicável, a parcela que poderia ser considerada a título de subscrição voluntária ("recursos próprios") limitase ao valor R$ 3,28. Nada mais. Os certificados de regularidade fornecidos pela Caixa Econômica Federal em 07/05/1999 e 03/12/1999 (docs de fls.723 e 724) atestam a inexistência de qualquer pendência da Recorrente junto ao FGTS. em relação ao anocalendário de 2000 não há diferença entre o valor do imposto de renda destinado à aplicação em Investimento Regional pela Recorrente (R$ 19.681,13) e o valor apurado pelo Fisco, expresso no documento de fls. 697. Presume que as razões do Fisco "considerar" a parcela do imposto de renda recolhida como sendo subscrição voluntária com "recursos próprios", são as descritas na parte inferior do documento de fls. 697, de autoria exclusiva do Fisco. A alegação de existência de débito de tributos não teria qualquer consistência, uma vez que a Certidão Negativa fornecida pela Receita Federal em 09/06/2000 (doc. de fls.725) comprova o contrário (inexistência de crédito exigível). em relação ao anocalendário de 2001 a Recorrente recolheu parte do imposto de renda destinado à aplicação no FINOR, no montante de R$ 16.411,67, segundo comprovado pelos respectivos DARFs e confirmado pela DRFB de Caxias do Sul no demonstrativo de fls. 502. Estranhamente, no sistema da Receita Federal (fls. 698) consta apenas o valor de R$ 1.111.69, valor este que corresponde apenas a um dos DARFs pagos em 2001, fls. 647 a 650. E mais estranho ainda é que este valor de R$ 1.111,69 foi "considerado subscrição espontânea”, como se a Recorrente tivesse manifestado tal propósito. É o Relatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 851 6 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Relator O recurso é tempestivo e nos termos da lei, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi glosado parte dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2002, levados em compensação nas Declarações de Compensação mencionadas. Em relação à CSLL, o contribuinte nada contesta em seu recurso, de modo que a matéria encontrase definitivamente julgada, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Já com relação ao IRPJ, a glosa decorreu da falta de comprovação da aplicação de parte do IRPJ em incentivos fiscais no FINOR relativo a anos anteriores a 2002, o que afetou os saldos negativos apurados nesses anos e, por conseqüência, a liquidação de parte das estimativas mensais do IRPJ de 2002 com a utilização desses saldos negativos. Em outras palavras, entendeu a unidade de origem que parte do IRPJ dos anos anteriores a 2002, que deveria ter sido destinado ao FINOR e, portanto, aproveitável na apuração dos saldos negativos do IRPJ, não tiverem essa característica, porque a aplicação no FINOR teria ocorrida com “recursos próprios”, ou seja, subscrição voluntária, não aproveitável na dedução do IRPJ. A defesa alega, em preliminar, que na data em que tomou ciência do Despacho de reconhecimento do direito creditório (16/05/2008), já estavam definitivamente homologados todos os lançamentos consignados nas declarações DIPJs correspondente aos anoscalendário de 1997 a 2002, o que significa que já teria ocorrido a decadência do direito de examinar o quanto informado nessas declarações. No mérito, argumenta que em nenhum momento quis efetuar aplicações no FINOR com “recursos próprios”, mas sim com recursos de parte do IRPJ devido, tendo seguido as orientações do manual de preenchimento da DIPJ e recolhido os valores em DARF com o código específico 6677. O acórdão recorrido deixou de apreciar o mérito porque entendeu estar precluso, em 2008 (ano do exame do direito creditório pela autoridade de origem), o direito de examinar eventual Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos FiscaisPERC, face alterações promovidas pela autoridade administrativa competente ao não reconhecer o quanto informado pelo contribuinte a título de aplicação em incentivos do FINOR nos anos de 1998 a 2001. Em relação à preliminar, cumpre dizer que o prazo decadencial aventado pela defesa não se aplica ao caso em análise. Isso porque o instituto da decadência impõese aos casos de “constituição” do crédito tributário pelo lançamento, em que o fisco aparece como credor, e não na hipótese de “reconhecimento de direito creditório” do contribuinte, onde a situação se inverte e o fisco figura como devedor. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 852 7 O Despacho Decisório que examinou os pedidos de compensação, com créditos originados em saldos negativos do IRPJ, foi efetuado por dever legal de se apurar a certeza e liquidez do crédito (art. 170 do CTN) oposto aos débitos. Ao concluir por reduzir o valor do indébito pleiteado, em virtude de alterações promovidas nas parcelas que compõem esse saldos negativos, tal ato não se reveste das características de lançamento fiscal previsto art. 142 do CTN, haja vista tratarse de parcelas de imposto pagas antecipadamente e de forma espontânea. Assim, não há razão para tornar exigível, mediante lançamento fiscal, parcela de tributo apurada e paga antecipadamente pelo sujeito passivo, sujeita ao lançamento por homologação, uma vez que a exigibilidade já nasce com a ocorrência do próprio fato gerador. Ademais, pensar que o fisco teria direito a examinar o direito creditório e, por conseqüência, examinar a compensação pleiteada, utilizandose do prazo decadencial de lançamento de cinco anos carece de sustentação lógica. Isso porque se estaria admitindo situação em que um contribuinte poderia apresentar sua declaração de compensação relativo a um determinado período no último dia do prazo de cinco anos para realização do lançamento ex officio e já no dia seguinte seria vedado ao fisco examinar a procedência do pedido, quanto aos pressupostos da certeza e da liquidez do direito creditório pleiteado. O que se veda é a “constituição” ex officio de crédito tributário porventura apurado durante a análise procedida, esse sim sujeito ao prazo decadencial. Feitas essas considerações iniciais, cumpre esclarecer que para fins de verificação e conferência dos valores dos tributos apurados a cargo do sujeito passivo, aí incluídos os lançamento que originaram os saldos negativos do IRPJ, o Código Tributário NacionalCTN, no art. 195 e seu parágrafo único, dispõe a respeito da manutenção e guarda dos respectivos documentos que embasam os lançamentos na escrituração comercial e fiscal: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. (destaques meus) Já com relação à prescrição, mencionada no parágrafo único do art. 195 do CTN, antes referido, assim dispõe o art. 174 do CTN: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (destaques meus) Da leitura do art. 195, parágrafo único, podese extrair a conclusão de que o sujeito passivo deverá conservar os livros e documentos que originaram os lançamentos fiscais até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às operações a que se refiram. E a Fl. 854DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 853 8 contagem do “prazo prescricional”, a que se refere o art. 195, encontrase disciplinada no art. 174 do CTN, que dispõe que a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua “constituição definitiva”. A “constituição definitiva” do crédito tributário ocorre, dentre outras formas, pelo transcurso do prazo decadencial, pelo pagamento antecipado e pela homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º, que são formas de extinção do crédito tributário previstos no art. 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (destaques meus) No caso em análise, o lançamento ocorreu por homologação, que é a previsão legislativa que atribuiu ao contribuinte o dever de apurar e pagar antecipadamente o tributo, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade fiscal. Assim, os documentos e livros contábeis/fiscais referentes aos anos de 1998 a 2001, que compuseram os saldos negativos do IRPJ desses anos e que foram utilizados, sucessivamente, para a apuração do saldo negativo do IRPJ do ano de 2002, devem ser guardados até que ocorram a prescrição dos créditos tributários relativos às operações a que se refiram (art. 195 do CTN). Essa prescrição é contada da data da sua “constituição definitiva” do crédito tributário que, no caso, para os lançamentos por homologação, com pagamento antecipado, ocorre cinco anos após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Com efeito, para o fato gerador do IRPJ mais remoto, 31/12/1998, a “constituição definitiva” do crédito tributário, pela decadência, ocorreu cinco nos após, em 31/12/2003. Já a cobrança/conferência do crédito tributário regularmente declarado em DIPJ prescreve em cinco anos contados da data da sua “constituição definitiva”, a teor do art. 174 do Fl. 855DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 854 9 CTN, encerrandose em 31/12/2008. A ciência do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório do contribuinte ocorreu em 16/05/2008, AR de fls. 546, portanto, dentro do prazo prescricional para “cobrança/conferência” do direito creditório informado a maior pelo contribuinte em sua DIPJ que, no caso, se deu pela redução do valor do direito creditório pleiteado. Dessa forma, é de se rejeitar a preliminar de decadência/prescrição levantada pela defesa, para exame dos saldos negativos dos anos de 1998 a 2001 e utilizados na apuração do saldo negativo do IRPJ do ano de 2002, ora em análise. Quanto ao exame do mérito, tem melhor sorte o recorrente. O fundamento utilizado pelo acórdão recorrido, da preclusão do direito de promover a discussão do consignado nos extratos de incentivos fiscais de 1998 a 2001, não se sustenta. Nas fls. 764verso, o acórdão de primeira instância assim fundamentou a sua decisão: “ ...extinto o prazo para apresentação do correspondente Pedido de Revisão da Ordem de Emissão dos Incentivos Regionais (PERC), está precluso o direito de o contribuinte recorrer administrativamente dessa matéria, não cabendo analisála agora, ...”. Primeiramente, como exposto no relatório deste acórdão, o contribuinte não está discutindo os valores constantes dos “extratos das aplicações em incentivos fiscais”. Quer discutir, isso sim, os motivos pelos quais os recolhimentos a título de incentivo no FINOR, efetuados sob o código 6677, à luz das instruções dos manuais de preenchimento das declarações DIPJ, terem sido desconsiderados no cálculo dos saldos negativos dos anos de 1998 a 2001. Notese, em nenhum momento foram explicadas as razões da não aceitação e/ou aceitação em parte dos valores de opção do IRPJ pelos incentivos FINOR efetuadas nas DIPJs. O fato de constar nos extratos da Receita Federal como sendo aplicações feitas com “recursos próprios”, por si só não explicam a glosa, uma vez que o contribuinte alega que as aplicações foram feitas com recursos originados de “parte do IRPJ devido”, como lhe seria permitido pelas instruções emanadas pela própria Receita Federal. Em segundo lugar, não pode o contribuinte ser prejudicado pela demora do fisco no exame do direito creditório informado nas Declarações de Compensação. Vejase que as Declarações de Compensação foram entregues em 2003 e o Despacho Decisório que examinou o direito creditório foi emitido somente em 07/04/2008, ou seja, quase 5 anos após a entrega das declarações, fls. 524. Sustenta o acórdão recorrido que passado o prazo para discussão dos incentivos fiscais relativos a períodos anteriores a 2002, mas que foram examinados/glosados pelo fisco somente em 2008, teria ocorrido a preclusão do contribuinte em discutir essas matérias, sem nenhuma culpa do contribuinte por essa demora, em evidente prejuízo para o interessado. É de se salientar que a defesa traz aos autos os recolhimentos efetuados a título de incentivo fiscal, fls. 585 e seguintes, e afirma que em nenhum momento quis aplicar em incentivos fiscais com “recursos próprios”, atribuindo que essa conclusão encontrase equivocada nos extratos de incentivos de fls. 695 a 698, fato que deixou de ser enfrentado pelo acórdão recorrido. Por fim, reclama a recorrente da falta de clareza dos valores glosados, de modo que o direito creditório do IRPJ reconhecido, no valor de R$ 161.840,76, não se encontra Fl. 856DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 855 10 devidamente explicada a sua origem, nos termos do reclamado em quadro demonstrativo do seu recurso, fls. 796. De fato, os quadros das fls. 502 e 507, elaborados pela autoridade administrativa que examinou o direito creditório, não conseguem explicar em detalhes os possíveis erros cometidos pelo contribuinte. Cabe ao fisco apontar com clareza os valores e os motivos que entende suficientes para desconstituir uma situação jurídica existente, sob pena de se caracterizar cerceamento do direito de defesa. Dessa forma, por todos os ângulos que se examina a matéria, verificase que restou prejudicada a defesa do contribuinte, sem que tenha ocorrido, por parte da administração tributária, uma resposta clara e fundamentada sobre os motivos do reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado. O caso merece, assim, uma nova análise por parte da autoridade julgadora de primeira instância, devendo ser considerado nulo o acórdão proferido, a teor do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. Por último, cabe ressaltar que o acórdão recorrido também deixou de examinar a ocorrência da homologação tácita (§ 5°, art. 74 da Lei n° 9.430/96) das Declarações de Compensação, de fls. 20 e seguintes, entregues a mais de cinco anos da ciência do Despacho Decisório (16/05/2008, fls. 546) que, por tratarse de matéria de ordem pública, pode ser conhecida exofficio. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso voluntário para que seja anulado o Acórdão º 1018.793 da DRJ/Porto Alegre, e todas as peças processuais a partir de sua emissão, e proferida outra decisão, com exame da homologação tácita e do mérito. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Tratase de divergência quanto ao decidido pelo voto condutor deste Acórdão quanto à preliminar de decadência . Assim decidiu o I. Conselheiro Relator: (...) No caso em análise, o lançamento ocorreu por homologação, que é a previsão legislativa que atribuiu ao contribuinte o dever de apurar e pagar antecipadamente o tributo, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade fiscal. (...) Com efeito, para o fato gerador do IRPJ mais remoto, 31/12/1998, a “constituição definitiva” do crédito tributário, pela decadência, ocorreu cinco nos após, em 31/12/2003. Já a cobrança/conferência do crédito tributário regularmente declarado em DIPJ prescreve em cinco anos contados da data da sua “constituição definitiva”, a teor do art. 174 do CTN, Fl. 857DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13016.000087/200349 Acórdão n.º 1202001.062 S1C2T2 Fl. 856 11 encerrandose em 31/12/2008. A ciência do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório do contribuinte ocorreu em 16/05/2008, AR de fls. 546, portanto, dentro do prazo prescricional para “cobrança/conferência” do direito creditório informado a maior pelo contribuinte em sua DIPJ que, no caso, se deu pela redução do valor do direito creditório pleiteado. (...) Em que pesem as considerações anteriores, ouso destas discordar, pois, se consideramos, para o caso, tratarse o crédito tributário decorrente do não reconhecimento parcial do direito creditório em Despacho de homologação de compensação – oriundo de lançamento por homologação, não há que se falar em cobrança de crédito tributário definitivamente extinto por decurso de prazo decadencial, conforme o disposto no CTN, art. 150, § 4°. Em face do exposto, acolho a preliminar de decadência suscitada. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902470/2012-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/03/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 70 /2 01 2- 64 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.775, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 11777.24717.201107.1.2.045785, rastreamento nº 029225084, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 3.647,30, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 8109), do período de 28/02/2003, efetuado em 14/03/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902470/201264 Acórdão n.º 3802002.625 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 14/03/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902470/201264 Acórdão n.º 3802002.625 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902470/201264 Acórdão n.º 3802002.625 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902470/201264 Acórdão n.º 3802002.625 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912638/2012-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2012
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2012 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 38 /2 01 2- 15 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1444.396, de 28/08/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912638/201215 Acórdão n.º 3803006.445 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1444.396, em 16/10/13, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 13/11/13, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912638/201215 Acórdão n.º 3803006.445 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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