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Numero do processo: 10768.720202/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO. A isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº. 7.713, de
1988, e alterações posteriores, deve ser aplicada aos rendimentos de aposentadoria recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, se outra data não for identificada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Conselheira Rayana Alves de Oliveira França
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO. A isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº. 7.713, de 1988, e alterações posteriores, deve ser aplicada aos rendimentos de aposentadoria recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, se outra data não for identificada. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.720202/200738 Recurso nº 911.784 Voluntário Acórdão nº 220101.515 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente ALMERINDA MARIA DE ALMEIDA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO. A isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº. 7.713, de 1988, e alterações posteriores, deve ser aplicada aos rendimentos de aposentadoria recebidos a partir do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, se outra data não for identificada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 13/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls.04/06) relativo ao IRPF, exercício 2004, tendo sido apurado crédito tributário no montante total de R$ 5.294,70, incluindo juros e multa pertinentes, originado da omissão de rendimentos do trabalho, recebidos do Fundo Especial de Previdência do Município do Rio de Janeiro e da Fundação Carlos Chagas, nos montantes de R$15.946,68 e R$366,00, respectivamente. Intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, fls.01, considerada tempestiva nos termos do despacho de fls.26, argumentado em síntese que é Portadora de Doença Grave, acompanhado de Laudo Pericial (fls.07) e apresentando o seguinte cálculo (fls.02): Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/RJO II n° 1332.936 de 22/12/2010, fls. 40/41, para alterar o valor do imposto suplementar para R$ 833,98, acrescido de multa de oficio de 75% e demais acréscimos legais, nos seguintes termos: Cientificada da decisão da DRJ em 11/04/2011 (“AR”fls.46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.49/50), assinado com data de 28/04/2011, escrito a próprio punho, através do qual alega, in verbis: “Fato – Tendo sido aposentada em 1992 e tendo contraído moléstia grave em agosto de 2003, conforme laudo emitido pela Perícia Médica da Prefeitura do Rio de Janeiro com validade para agosto de 2008, não houve necessidade de nova perícia, visto que a perícia, aposentoume na outra matrícula em novembro de 2007. Direito – Entende que o imposto devido já foi efetuado pela contribuinte. A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado “ É o Relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10768.720202/200738 Acórdão n.º 220101.515 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Não há argüição de preliminar. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito a matéria versa sobre a isenção por moléstia grave, prevista no inciso XIV do artigo 6o, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995. Inicialmente, cabe esclarecer que apesar da ressalva do voto de primeira instância que diz que o prazo de validade do laudo é em agosto de 2008, essa foi apenas uma referência, pois no anocalendário de 2003, o laudo estava válido e foi devidamente considerado no julgamento. A decisão recorrida também concede todos os requerimentos pleiteados pela recorrente, ou seja, isentou os valores recebidos do Fundo de Previdência do Município do Rio de Janeiro, referente a aposentadoria, a partir de agosto de 2003, data indicada no laudo. Do lançamento original restou apenas tributado os rendimentos percebidos da Fundação Carlos Chagas que não se referiam a aposentadoria ou reforma ou pensão e que a própria recorrente tinha concordado com a sua tributação quando fez a demonstração do seu crédito na impugnação. A diferença entre o cálculo apresentado pela contribuinte às fls. 02 e a conclusão da decisão de primeira instancia, está apenas nos rendimentos recebidos em Julho 2003. Inclusive, a própria recorrente na sua impugnação alega que seus rendimentos da aposentadoria são isento a partir de Julho/2003 (fls.01) e no seu Recurso Voluntário reconhece que é a partir de agosto/2003 (fls.49). A cópia do contracheque do mês de julho, apresentado pela contribuinte está acostado às fls. 08. O total de rendimentos nesse mês foi de R$1.342,25 = R$894,83 + R$447,42. A diferença entre o que foi reconhecido desde o início como devido pela recorrente na sua impugnação, no valor de R$541,95 e a decisão de primeira instância que apurou R$833,98, foi exatamente R$1.342,25, relativos aos rendimentos de julho. Se não vejamos: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Cálculo Detalhamento Planilha de Cálculo do IRRF Não Impugnado Demonstrativo do Crédito Tributário Diferença Salário Julho Diferença Impugnação Decisão 1a Instância Fls.02 Fls.41 Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro 35.792,69 35.792,69 Fundação Carlos Chagas 366,00 366,00 Fundo de Previdência do Mun. Rio de Janeiro 7.309,63 8.637,05 1.327,42 1.342,25 (14,83) Total de Rendimentos Tributáveis 43.468,32 44.795,74 1.327,42 Desconto Simplificado (8.693,66) (8.959,15) (265,48) Base de Cálculo 34.774,66 35.836,59 1.061,94 Alíquota % 27,50% 27,50% Total do Imposto 9.563,03 9.855,06 292,03 Parcela a deduzir 5.076,90 5.076,90 Imposto Devido 4.486,13 4.778,16 292,03 Imposto de Renda Retido na Fonte 3.944,18 3.944,18 Imposto a Pagar 541,95 833,98 292,03 Cabe ainda ressaltar que no cálculo da recorrente na impugnação, há uma pequena divergência facilmente identificável, com base nos valores da declaração de DIRF, acostada às fls.39: Mês Rendimento Bruto Imposto Retido Jan. 1215,80 23,67 Fev. 1.215,80 23,67 Mar 1.215,80 23,67 Abr. 1.215,80 23,67 maio 1.215,80 23,67 jun 1.215,80 23,67 jul* 1.342,25 42,64 ago 1.342,25 42,64 set 1.940,63 42,64 out 1.342,25 132,39 Nov. 1.342,25 42,64 dez 1.342,25 42,64 TOTAL 15.946,68 487,61 *Excluído 13o Salário Valor Tributável lançado pela 1 instância Rendimentos Tributáveis jan. a julho 8.637,05 Valor apresentado na impugnação fls.02 7.309,63 Rendimentos Tributáveis Jan. a junho 7.294,80 Diferença de Cálculo 14,83 Essa diferença é exatamente o valor quando comparamos o pleito inicial da contribuinte e a decisão de primeira instância. Desta forma, não há qualquer reparo a fazer a decisão recorrida. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10768.720202/200738 Acórdão n.º 220101.515 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO A SSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900096/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.
A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa.
Numero da decisão: 1302-004.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 23 e 24) interposto contra o Acórdão n 09- 37.177, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (e-fls. 17 e 18), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 00 96 /2 00 9- 72 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.042 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.900096/2009-72 O interessado transmitiu a Dcomp n° 19233.92896.111106.1.7.04-1874, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de CSLL, efetuado em 31/12/2004; A DRF-Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01), na qual alega, em síntese, que o crédito declarado não existe e a transmissão da Dcomp foi indevida devendo pois ser cancelada. O Acórdão da DRJ, em sucinta decisão, decidiu calcado nos seguintes elementos: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. A própria manifestante afirma que o crédito não existe, portanto a compensação não pode ser homologada. De fato não existe nos sistemas de controle da RFB, pagamento efetuado pela empresa em 31/120/09/2004, no código 6012, declarado por ela como indevido ou a maior. No entanto a Dcomp não pode ser cancelada, como quer a manifestante, visto que ela é confissão irretratável de divida, nos termos do § 6° do artigo 74 da Lei 9.430/96. Portanto, o débito declarado na Dcomp n° 19233.92896.111106.1.7.04-1874 deve ser pago pela empresa sob pena de inscrição em Divida Ativa da União. Registre-se que não é possível a retificação ou o cancelamento de Dcomp depois emitido o Despacho Decisório respectivo. O Recurso Voluntário, por sua vez, requer o que segue: Foram anexadas ao Recurso Voluntário uma série de notas fiscais. Quedam-se ausentes a DCTF original e a respectiva retificadora, mencionada pelo Contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator. Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.042 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.900096/2009-72 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Contudo, os requisitos intrínsecos não estão presentes, razão pela qual torna-se inviável conhecer o presente pleito. De plano, nota-se que as matérias veiculadas em sede recursal não foram abordadas na exordial defensiva, tampouco no Acórdão da DRJ, razão pela qual não merecem ser conhecidas nessa etapa. Assim, não conheço do Recurso Voluntário, deixando de apreciá-lo, inclusive, para evitar supressão de instância. Mister ressaltar que a possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventá-la em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º Fl. 99DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.042 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.900096/2009-72 9303-004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301-002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402-004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). Por fim, cumpre relembrar que não é de competência deste Órgão Colegiado apreciar o cancelamento de DCOMP. Dispositivo Ante o exposto, voto por não conhecer do Recurso voluntário. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008912/2004-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA
NULIDADE
ANULASE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE, DE ACORDO COM O ART. 59, INCISO II, DO DECRETO Nº 70.235/72.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular decisão de primeira instância, nos votos da relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular decisão de primeira instância, nos votos da relatora. Luciano Lopes de Almeida Moraes PresidenteSubstituto. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM: 04/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luciando Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrosssino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios. Fl. 1DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de indeferimento de compensação realizada via DCTF, nos períodos de 01/1999 a 03/2000, no qual a empresa pretendia ver compensados recolhimentos do PIS, efetuados com base nos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas vincendas do próprio PIS, corrigidas monetariamente, desde a época dos efetivos pagamentos. Para tanto, a interessada ingressou com ação ordinária nº 98.00162933, da 4ª Vara Federal de CuritibaPR, que resultou no afastamento da aplicação dos citados Decretosleis, declarados inconstitucionais, com a aplicação da Lei Complementar nº 07/70 e alterações posteriores, conforme acórdão transitado em julgado em 26/07/2000 (fls. 05/39). A Delegacia da Receita Federal de Curitiba/PR, após análise dos autos, constatou a inexistência de saldo disponível a compensar, conforme planilhas de fls. 51/52, trazendo a informação de que os “valores compensados e que estão sendo encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União estão declarados em DCTF (fls. 55/69)”, relacionando, em seguida, referidos débitos. Fatos que foram mencionados em “Termo de Representação – Compensação Indeferida” emitida pela EQCAJ da DRF Curitiba (fls. 02/04). Em seqüência, a chefe da Secat/DRF/Curitiba decidiu não conhecer a compensação do PIS e reativar a cobrança dos débitos para fins de inscrição em Dívida Ativa da União (fl. 70). Cientificada do procedimento em 26/11/2004 (fl. 74), a interessada, por intermédio de seu representante legal (fls. 84/88), contesta o indeferimento das compensações realizadas por força de ação judicial procedente e respectiva cobrança dos débitos, argüindo que, nos termos da Lei nº 8.383/91, artigo 66, amparada judicialmente, compensou as quantias recolhidas a maior a título de PIS com Cofins. Diz que a Lei nº 9.430/96, o Decreto nº 2.138/97 que a regulamentou, e a IN SRF nº 21/97 admitem a compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que não sejam da mesma espécie e não tenham a mesma destinação constitucional. Cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes a respeito. É o relatório.” O pleito não foi conhecido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA no 0618.628, de 11/07/2008, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2000 Fl. 2DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.008912/200429 Acórdão n.º 3201000.628 S3C2T1 Fl. 138 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃOCONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não atende à admissibilidade a manifestação de inconformidade que não instaura litígio no processo administrativofiscal. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA.” O julgamento foi no sentido de não conhecer da reclamação que foi apresentada pela contribuinte no presente processo O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de indeferimento de compensação realizada via DCTF, nos períodos de 01/1999 a 03/2000, no qual a empresa pretendia ver compensados recolhimentos do PIS, efetuados com base nos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas vincendas do próprio PIS, atualizadas, desde a época dos pagamentos. A recorrente ingressou com ação ordinária nº 98.00162933, da 4ª Vara Federal de CuritibaPR, que resultou no afastamento da aplicação dos citados Decretosleis, declarados inconstitucionais, com a aplicação da Lei Complementar nº 07/70 e alterações posteriores, conforme acórdão transitado em julgado em 26/07/200. Como relatado, trata o presente processo de indeferimento de compensação realizada via DCTF, nos períodos de 01/1999 a 3/2000, no qual a empresa pretendia ver compensados créditos de PIS advindos de sentença judicial (ação ordinária 98.00162933). O julgamento a quo foi no sentido de não conhecer da reclamação que foi apresentada pela contribuinte no presente processo A defesa da recorrente não foi acolhida pela DR.J/CTA, em razão dos argumentos abaixo: Após a análise dos autos, a Delegacia da RFB constatou a inexistência de saldo disponível a compensar, trazendo a informação de que os valores compensados e que estavam sendo encaminhados para a inscrição em dívida ativa estavam declarados em DCTF. Afirma ainda que estes fatos foram mencionados em Termo de Representação — compensação indeferida, emitida pela EQCAJ da DRF. Em seqüência a chefe da SECAT decidiu não conhecer a compensação do PIS, para reativar a cobrança dos débitos para fins de inscrição em dívida ativa; Cientificada do referido procedimento do Fisco, a Contribuinte teria contestado o indeferimento das compensações e respectiva cobrança, argüindo que compensou as quantias a maior a título de PIS com COFINS; Na verificação do exame de admissibilidade, concluiu que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte perante a DIU/CTBA, não poderia ser aceita, sob a alegação de que a competência das DR.I's é de julgamento de impugnação nos processos de determinação e exigência de crédito tributário e de penalidades, bem como a manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos delegados da RFB em processos administrativos relativos à restituição, ressarcimento ou compensação; e que no caso em tela, foi verificado que a contestação apresentada pela interessada, em documento denominado impugnação, nasceu de sua contrariedade em relação ao Termo de Representação (compensação indeferida), que resultou do não conhecimento da compensação e emissão de intimação para pagamento de débito; conclui este raciocínio afirmando que não há evidência de protocolo de pedido de restituição/compensação para que fosse possível trazer a apreciação da autoridade competente a compensação alegada de créditos de PIS com débitos de diversos tributos administrados pela Fl. 4DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.008912/200429 Acórdão n.º 3201000.628 S3C2T1 Fl. 139 5 RFB; justificando com toda essa argumentação que não houve compensação a ser apreciada, logo não seria cabível o recurso para que a DR] pudesse analisar; Afirma ainda que não consta nos autos que a interessada tenha protocolizado declaração de compensação; Aponta ainda que a intimação recebida pela Recorrente para pagamento do débito, não é meio formal para a constituição do crédito tributário, nem traduz autonomamente, qualquer relação jurídicotributária. Tratarseia, segundo a DRJ/CTA de simples advertência ao contribuinte de que a Fazenda já teria um crédito ao seu favor passível de inscrição em dívida ativa, ou seja, de que existem valores inadimplidos, extraídos de declarações entregues pelo Contribuinte; Especificamente sobre o uso do termo Manifestação de Inconformidade, diz que este último constitui recurso cabível contra a nãohomologação de declaração de compensação formalizada pelo contribuinte e que no presente caso inexiste indeferimento por parte da administração de pedido de compensação/restituição como também não haveria análise para fins de homologação de declaração de compensação porque tais documentos sequer teriam sido formalizados; concluindo, mais uma vez, que por essa razão, falece competência às Delegacias da RFB para apreciar a reclamação apresentada pela Contribuinte no presente caso; Entende ainda que a compensação informada em DCTF vinculada em débitos de PIS dos períodos de 01/99 a 03/2000, não constitui confissão de dívida. Ressalta que sobre o assunto é importante salientar que o recibo de entrega da DCTF dispõe que o declarante daquela confessa de forma irretratável os saldos a pagar dos tributos e contribuições então declarados, estando ciente de que os mesmos serão inscritos imediatamente em dívida ativa; complementa afirmando que no caso em comento os valores que estão sendo exigidos, em que pese terem sido declarados em DCTF, não foi declarado como saldo a pagar (que consta como zerado), mas, pelo contrário, como débito extinto mediante compensação, que não teria sido confirmada, sendo assim, haveria o enquadramento da hipótese de constituição de oficio do crédito tributário, diferentemente se tivessem aparecido nas DCTF's como saldo a pagar, hipótese em que não seriam passiveis de constituição e exigência por meio de lançamento de oficio. Inicialmente, observei à fl. 92, o seguinte despacho do SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO / SECAT: “O presente processo referese à compensação indeferida em análise da ação judicial n° 98.00162933, que tramitava na 4° Vara Federal em Curitiba. O contribuinte foi intimado da decisão que indeferiu o pedido, concedendo prazo de 30 dias para manifestação de inconformidade, de acordo com o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com as alterações promovidas pela Lei n° 10.833/2003. Uma vez que o contribuinte apresenta domicílio em São José dos Pinhais, alteramos a ULControle deste processo no sistema Profisc para a ARFS.J.Pinhais,PR. Considerando que a Nota Disit n° 7, de 12/08/2004, estabelece o direito do contribuinte ao contencioso administrativo no casos em que não for validada a compensação declarada em DCTF e sendo tempestiva a manifestação de inconformidade protocolizada pelo contribuinte, juntada às fls. 78 a 88, encaminhese a DRJ/CTAPR para prosseguimento.” Fl. 5DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Há um despacho com encaminhamento a DRJ para apreciação, tendo em vista o direito ao contencioso administrativo. A despeito, ressalto que houve pedido de compensação, pois a comprovação do pedido foi a análise pela DRF e cálculos pelo próprio fisco dos valores dos créditos que se teria a compensar. Assim sendo, o princípio constitucional da ampla defesa foi mitigado no presente caso. Destarte, entendo que é necessário a que a autoridade julgadora, analise esta parte do mérito mencionada acima, com fins de garantir ao contribuinte o duplo grau de jurisdição e a ampla defesa, VOTO PELA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO PROCESSO, A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE, de acordo com o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, e em razão do princípio do duplo grau de jurisdição, não há possibilidade deste Colegiado se pronunciar sobre as questões em tela em Segunda Instância, sem que a autoridade que possui a atribuição de Julgamento em Primeira Instância o tenha feito. Isto posto, anulo o processo, a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, para que outra seja proferida. É como voto. . Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 6DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.1019.14122.12IC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 29/03/2011 01:43:24. Documento autenticado digitalmente por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 08/04/2011. Documento assinado digitalmente por: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES em 04/05/2011 e MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 08/04/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP30.1019.14122.12IC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D68A99A1ECF10CD46FE6E911A5DEAFE63E5CD1D5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10980.008912/2004-29. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 12749.000014/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS
Ano-calendário: 2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
Nos termos da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3401-007.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto, Mara Cristina Sifuentes (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Ano-calendário: 2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Nos termos da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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SÚMULA CARF Nº 01. Nos termos da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto, Mara Cristina Sifuentes (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 74 9. 00 00 14 /2 00 8- 24 Fl. 422DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.140 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12749.000014/2008-24 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Florianópolis (DRJ-FNS): A empresa em epígrafe importou e submeteu a despacho alhos frescos, sujeita pela Resolução Camex n° 41, de 21.12.2001, prorrogado pela Resolução Camex n° 52, publicada no DOU em 14.11.2007, quando originários da China, além da aplicação da alíquota normal da TEC para o Imposto de Importação, também ao pagamento do direito antidumping específico de U$ 0,52/kg (cinqüenta e dois centavos de dólar estadunidenses por quilograma). Em 20.01.2004, a 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária da Baixada Fluminense/RJ, no processo n° 2004.51.00.000068-2 (Ação Ordinária), determinou o cumprimento da decisão judicial que concedeu a antecipação dos efeitos da tutela que assegurou à autora o direito de desembaraçar as mercadorias sem o pagamento do direito antidumping previsto nas mencionadas Resoluções (fls. 250 a 257). Eis a conclusão da referida decisão: "ISSO POSTO, com fundamento no art. 273 e seus incisos e §§, do Código de Processo Civil, concedo a antecipação de tutela, para o fim especial de assegurar à parte autora o direito de desembaraçar as mercadorias importadas da República popular da China - alhos frescos/refrigerados - mencionadas na petição inicial, independentemente do pagamento dos direitos "antidumping", sem prejuízo da regular constituição do crédito tributário, ficando a sua cobrança suspensa até sentença final a ser prolatada neste processo." O contribuinte processou o despacho aduaneiro das mercadorias, registrando, respectivamente, em 12.09.2007, 20.09.2007, 03.10.2007, 22.10.2007, 07.11.2007, 12.11.2007, 28.11.2007, as Declarações de Importação n° 07/1235778-0, 07/1281427-7, 07/1346962-0, 07/1442412-3, 07/1534108-6, 07/1559807-9, 07/1650185-0 e 07/1806215-3, apenas com o pagamento do Imposto de Importação à alíquota de 35% (fls. 10 a 62). Em conseqüência, lavrou-se o Auto de Infração n° 0034/2008 (fls. 01 a 09), a fim de prevenir a decadência e salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, na eventualidade de decisão judicial definitiva desfavorável ao contribuinte, constituindo o crédito de R$1.017.811,75 (Termo de Encerramento de fl. 82), a título de direito antidumping e demais acréscimos legais (juros de mora e multa proporcional). Intimado do feito em 16.01.2008, (fl. 01), o contribuinte protocolou impugnação (fls. 172 a 199), inicialmente para dar conhecimento da sentença de fls. 258 a 266, prolatada, em 28.06.2004, nos autos da Ação Ordinária por ela impetrada contra as determinações contidas na Resolução Camex n° 41/2001 que instituiu direitos antidumping nas importações de alho originários da República Popular da China. Dispõe a sentença (fls. 265/266): "1. Do quanto ficou exposto, na forma da fundamentação supra, RATIFICO A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA DEFERIDA e JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue a parte autora ao cumprimento da exigência contida na RESOLUÇÃO CAMEX n° 41/2001, no que diz respeito ao direito antidumping exigido sobre as importações de alhos refrigerados de origem da República popular da China, uma vez que descumpridos os preceitos constitucionais de ampla defesa, contraditório e de legalidade." Na seqüência, a impugnante expõe longamente acerca da inexigibilidade da cobrança do direito antidumping, cuja matéria foi apresentada ao Poder Judiciário. Fl. 423DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.140 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12749.000014/2008-24 No entanto, em preliminar, requer o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da ação ordinária n° 2004.51.00.000068-2 e, caso a decisão judicial definitiva seja-lhe desfavorável, a apreciação da impugnação. É o Relatório. A 2ª Turma da DRJ-FNS, em sessão datada de 21/08/2009, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação apresentada. Foi exarado o Acórdão nº 07-17.263, às fls. 376/379, com a seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Concedida, judicialmente, a Antecipação dos efeitos da Tutela, não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial proposta com o mesmo objeto, pois a busca pela tutela do Poder Judiciário impõe a renúncia à instauração do litígio administrativo, impede a apreciação da matéria objeto de ação judicial, resultando na constituição definitiva do crédito tributário, sendo vedado, por conseguinte, o sobrestamento do feito, em obediência ao princípio da oficialidade. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ-FNS em 21/12/2009, apresentou Recurso Voluntário em 29/12/2009 contra a decisão, às fls. 391/416, repetindo, basicamente, as mesmas alegações da Impugnação, pugnando pelo sobrestamento do processo administrativo até notícia do trânsito em julgado da ação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, porém não preenche todas as demais condições de admissibilidade, o que implica o seu não conhecimento, conforme será melhor explicitado a seguir. O recorrente afirma o seguinte: 16. Assim, ad argumentandun tantun, caso a aludida decisão judicial seja revertida, o que desde já não acreditamos, haja vista os precedentes jurisprudenciais, deverá o presente feito seguir o seu trâmite normal, devendo ser analisadas as razões de fato e de direito que seguem: DO DIREITO 17. Inicialmente, é preciso destacar que, ao contrário do que tenta fazer crer o D. Julgador de 10 instância administrativa, o fato de haver processo judicial anterior à lavratura do auto ora recorrido, não extingue a possibilidade de utilização da via administrativa. 18. Deve ser esclarecido que a previsão do dito no parágrafo acima, está contida na ADN COSIT n°03/96, ato da própria administração vinculada. 19. Portanto, não existe nenhuma previsão legal para que o processo administrativo seja extinto por haver processo judicial. O que há é mera determinação administrativa. Fl. 424DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.140 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12749.000014/2008-24 20. Desta forma, deve ser ressaltado que não pode a administração pública agir de forma não prevista em Lei, assim determina o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 21. Fica claro, então, que se não há qualquer previsão legal para que o processo administrativo não seja julgado por haver contenda judicial dispondo sobre as mesmas questões, deve o presente recurso ser julgado e ter sua procedência declarada. 22. Explicitadas estas questões, devemos verificar que a Lei 9.019/95 e o Decreto 1.062/95 regem a investigação no que diz respeito a possível prática de dumping. Como se observa, o recorrente não contesta que a matéria discutida no processo administrativo seja a mesma do processo judicial. Apenas argumenta sobre a inexistência de previsão legal para que o processo administrativo seja extinto por existir processo judicial, afirmando tratar-se de mera determinação administrativa. Contudo, apesar do inconformismo do recorrente, a matéria já se encontra pacificada na instância administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722419/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015, 01/01/2012 a 30/04/2015, 01/10/2015 a 31/12/2015
VENDAS PARA COMERCIAIS EXPORTADORAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE
A imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora.
O sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Descumpridos tais requisitos, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora.
VENDAS COM BONIFICAÇÃO. NATUREZA DE DESCONTO INCONDICIONAL. NÃO INCIDÊNCIA
Nos autos, há ausência de comprovação por parte da autoridade fiscal de que as bonificações concedidas em operações de venda são fraudulentas e de que o desconto de cerca de 20% não é racional e não corresponde à prática do mercado.
Ainda, os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, na medida em que compõem a formação do valor da operação estampada no faturamento, este sim a base de cálculo prevista em lei. Os descontos incondicionais serão assim tratados se concedidos na operação de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, e podem tanto representar redução do preço final dos produtos, como manter o mesmo preço total, mas com entrega adicional em mercadorias, a título de bonificação. Assim, bonificações em mercadorias concedidas nas operações de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, têm a mesma natureza dos descontos incondicionais, pois, apesar de diversas na forma de concessão dos descontos, ambos são redutores dos valores unitários dos produtos, entabulados nas operações de venda e não podem ser adicionados à base de cálculo das contribuições, na medida em que não integram o faturamento.
DIFERENÇAS ENTRE EFD E VALORES DAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO FISCAL. MANTIDO
A autoridade fiscal identificou diferenças entre os valores devidos de PIS e COFINS a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas em relação com os valores informados em EFD. A mera argumentação de inexistência de diferenças sem apontar o erro da acusação fiscal, subsidiadas por demonstrativos e escrita contábil e fiscal, não são capazes de afastar a acusação.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015, 01/01/2012 a 30/04/2015, 01/10/2015 a 31/12/2015
VENDAS PARA COMERCIAIS EXPORTADORAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE
A imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora.
O sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Descumpridos tais requisitos, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora.
VENDAS COM BONIFICAÇÃO. NATUREZA DE DESCONTO INCONDICIONAL. NÃO INCIDÊNCIA
Nos autos, há ausência de comprovação por parte da autoridade fiscal de que as bonificações concedidas em operações de venda são fraudulentas e de que o desconto de cerca de 20% não é racional e não corresponde à prática do mercado.
Ainda, os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, na medida em que compõem a formação do valor da operação estampada no faturamento, este sim a base de cálculo prevista em lei. Os descontos incondicionais serão assim tratados se concedidos na operação de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, e podem tanto representar redução do preço final dos produtos, como manter o mesmo preço total, mas com entrega adicional em mercadorias, a título de bonificação. Assim, bonificações em mercadorias concedidas nas operações de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, têm a mesma natureza dos descontos incondicionais, pois, apesar de diversas na forma de concessão dos descontos, ambos são redutores dos valores unitários dos produtos, entabulados nas operações de venda e não podem ser adicionados à base de cálculo das contribuições, na medida em que não integram o faturamento.
DIFERENÇAS ENTRE EFD E VALORES DAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO FISCAL. MANTIDO
A autoridade fiscal identificou diferenças entre os valores devidos de PIS e COFINS a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas em relação com os valores informados em EFD. A mera argumentação de inexistência de diferenças sem apontar o erro da acusação fiscal, subsidiadas por demonstrativos e escrita contábil e fiscal, não são capazes de afastar a acusação.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2012 a 30/09/2015
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS COM DÉBITOS CONSTITUÍDOS EM OUTROS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO PENDENTES DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
Não é possível refazer a apuração da não cumulatividade das contribuições computando-se os débitos constituídos em outros autos de infração pendente de análise de defesa administrativa. Isso porque, com a apresentação de defesa administrativa, instaura-se o processo administrativo e provoca a suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 151 do CTN. Assim, enquanto pendente de análise, o lançamento não pode ser considerado uma constituição definitiva do crédito tributário, tanto que não corre prazo de prescrição, que terá início apenas após decisão definitiva, nos termos do art. 174, do CTN.
Apresentada a defesa administrativa, não há ainda liquidez e certeza do crédito tributário, nem mesmo sua exigibilidade, pois ainda pendente de análise e revisão administrativa. Só ao final, com a decisão definitiva de mérito e com a manutenção de parte ou total do lançamento, é que o crédito estará definitivamente constituído e, portanto, exigível.
Numero da decisão: 3301-006.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento para afastar a exigência referente a bonificação e compensação de ofício de débitos anteriores. Vencido o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior (Relator) que também deu provimento para acatar a comprovação de venda com fim especifico de exportação. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Liziane Angelotti Meira, quanto a manutenção da exigência referente as vendas ao exterior.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Salvador Cândido Brandão Junior Relator
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento para afastar a exigência referente a bonificação e compensação de ofício de débitos anteriores. Vencido o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior (Relator) que também deu provimento para acatar a comprovação de venda com fim especifico de exportação. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Liziane Angelotti Meira, quanto a manutenção da exigência referente as vendas ao exterior. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Relator (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015, 01/01/2012 a 30/04/2015, 01/10/2015 a 31/12/2015 VENDAS PARA COMERCIAIS EXPORTADORAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE A imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. O sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Descumpridos tais requisitos, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. VENDAS COM BONIFICAÇÃO. NATUREZA DE DESCONTO INCONDICIONAL. NÃO INCIDÊNCIA Nos autos, há ausência de comprovação por parte da autoridade fiscal de que as bonificações concedidas em operações de venda são fraudulentas e de que o desconto de cerca de 20% não é racional e não corresponde à prática do mercado. Ainda, os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, na medida em que compõem a formação do valor da operação estampada no faturamento, este sim a base de cálculo prevista em lei. Os descontos incondicionais serão assim tratados se concedidos na operação de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, e podem tanto representar redução do preço final dos produtos, como manter o mesmo preço total, mas com entrega adicional em mercadorias, a título de bonificação. Assim, bonificações em mercadorias concedidas nas operações de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, têm a mesma natureza dos descontos incondicionais, pois, apesar de diversas na forma de concessão dos descontos, ambos são redutores dos valores unitários dos produtos, entabulados nas operações de venda e não podem ser adicionados à base de cálculo das contribuições, na medida em que não integram o faturamento. DIFERENÇAS ENTRE EFD E VALORES DAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO FISCAL. MANTIDO A autoridade fiscal identificou diferenças entre os valores devidos de PIS e COFINS a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas em relação com os valores informados em EFD. A mera argumentação de inexistência de diferenças sem apontar o erro da acusação fiscal, subsidiadas por demonstrativos e escrita contábil e fiscal, não são capazes de afastar a acusação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015, 01/01/2012 a 30/04/2015, 01/10/2015 a 31/12/2015 VENDAS PARA COMERCIAIS EXPORTADORAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE A imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. O sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Descumpridos tais requisitos, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. VENDAS COM BONIFICAÇÃO. NATUREZA DE DESCONTO INCONDICIONAL. NÃO INCIDÊNCIA Nos autos, há ausência de comprovação por parte da autoridade fiscal de que as bonificações concedidas em operações de venda são fraudulentas e de que o desconto de cerca de 20% não é racional e não corresponde à prática do mercado. Ainda, os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, na medida em que compõem a formação do valor da operação estampada no faturamento, este sim a base de cálculo prevista em lei. Os descontos incondicionais serão assim tratados se concedidos na operação de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, e podem tanto representar redução do preço final dos produtos, como manter o mesmo preço total, mas com entrega adicional em mercadorias, a título de bonificação. Assim, bonificações em mercadorias concedidas nas operações de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, têm a mesma natureza dos descontos incondicionais, pois, apesar de diversas na forma de concessão dos descontos, ambos são redutores dos valores unitários dos produtos, entabulados nas operações de venda e não podem ser adicionados à base de cálculo das contribuições, na medida em que não integram o faturamento. DIFERENÇAS ENTRE EFD E VALORES DAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO FISCAL. MANTIDO A autoridade fiscal identificou diferenças entre os valores devidos de PIS e COFINS a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas em relação com os valores informados em EFD. A mera argumentação de inexistência de diferenças sem apontar o erro da acusação fiscal, subsidiadas por demonstrativos e escrita contábil e fiscal, não são capazes de afastar a acusação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 30/09/2015 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS COM DÉBITOS CONSTITUÍDOS EM OUTROS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO PENDENTES DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Não é possível refazer a apuração da não cumulatividade das contribuições computando-se os débitos constituídos em outros autos de infração pendente de análise de defesa administrativa. Isso porque, com a apresentação de defesa administrativa, instaura-se o processo administrativo e provoca a suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 151 do CTN. Assim, enquanto pendente de análise, o lançamento não pode ser considerado uma constituição definitiva do crédito tributário, tanto que não corre prazo de prescrição, que terá início apenas após decisão definitiva, nos termos do art. 174, do CTN. Apresentada a defesa administrativa, não há ainda liquidez e certeza do crédito tributário, nem mesmo sua exigibilidade, pois ainda pendente de análise e revisão administrativa. Só ao final, com a decisão definitiva de mérito e com a manutenção de parte ou total do lançamento, é que o crédito estará definitivamente constituído e, portanto, exigível.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE A imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. O sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Descumpridos tais requisitos, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. VENDAS COM BONIFICAÇÃO. NATUREZA DE DESCONTO INCONDICIONAL. NÃO INCIDÊNCIA Nos autos, há ausência de comprovação por parte da autoridade fiscal de que as bonificações concedidas em operações de venda são fraudulentas e de que o desconto de cerca de 20% não é racional e não corresponde à prática do mercado. Ainda, os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, na medida em que compõem a formação do valor da operação estampada no faturamento, este sim a base de cálculo prevista em lei. Os descontos incondicionais serão assim tratados se concedidos na operação de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, e podem tanto representar redução do preço final dos produtos, como manter o mesmo preço total, mas com entrega adicional em mercadorias, a título de bonificação. Assim, bonificações em mercadorias concedidas nas operações de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, têm a mesma natureza dos descontos incondicionais, pois, apesar de diversas na forma de concessão dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 24 19 /2 01 6- 61 Fl. 4635DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 descontos, ambos são redutores dos valores unitários dos produtos, entabulados nas operações de venda e não podem ser adicionados à base de cálculo das contribuições, na medida em que não integram o faturamento. DIFERENÇAS ENTRE EFD E VALORES DAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO FISCAL. MANTIDO A autoridade fiscal identificou diferenças entre os valores devidos de PIS e COFINS a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas em relação com os valores informados em EFD. A mera argumentação de inexistência de diferenças sem apontar o erro da acusação fiscal, subsidiadas por demonstrativos e escrita contábil e fiscal, não são capazes de afastar a acusação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015, 01/01/2012 a 30/04/2015, 01/10/2015 a 31/12/2015 VENDAS PARA COMERCIAIS EXPORTADORAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE A imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. O sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Descumpridos tais requisitos, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. VENDAS COM BONIFICAÇÃO. NATUREZA DE DESCONTO INCONDICIONAL. NÃO INCIDÊNCIA Nos autos, há ausência de comprovação por parte da autoridade fiscal de que as bonificações concedidas em operações de venda são fraudulentas e de que o desconto de cerca de 20% não é racional e não corresponde à prática do mercado. Ainda, os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, na medida em que compõem a formação do valor da operação estampada no faturamento, este sim a base de cálculo prevista em lei. Os descontos incondicionais serão assim tratados se concedidos na operação de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, e podem tanto representar redução do preço final dos produtos, como manter o mesmo preço total, mas com entrega adicional em mercadorias, a título de bonificação. Assim, bonificações em mercadorias concedidas nas operações de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, têm a mesma natureza dos descontos incondicionais, pois, apesar de diversas na forma de concessão dos Fl. 4636DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 descontos, ambos são redutores dos valores unitários dos produtos, entabulados nas operações de venda e não podem ser adicionados à base de cálculo das contribuições, na medida em que não integram o faturamento. DIFERENÇAS ENTRE EFD E VALORES DAS NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO FISCAL. MANTIDO A autoridade fiscal identificou diferenças entre os valores devidos de PIS e COFINS a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas em relação com os valores informados em EFD. A mera argumentação de inexistência de diferenças sem apontar o erro da acusação fiscal, subsidiadas por demonstrativos e escrita contábil e fiscal, não são capazes de afastar a acusação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 30/09/2015 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS COM DÉBITOS CONSTITUÍDOS EM OUTROS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO PENDENTES DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Não é possível refazer a apuração da não cumulatividade das contribuições computando-se os débitos constituídos em outros autos de infração pendente de análise de defesa administrativa. Isso porque, com a apresentação de defesa administrativa, instaura-se o processo administrativo e provoca a suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 151 do CTN. Assim, enquanto pendente de análise, o lançamento não pode ser considerado uma constituição definitiva do crédito tributário, tanto que não corre prazo de prescrição, que terá início apenas após decisão definitiva, nos termos do art. 174, do CTN. Apresentada a defesa administrativa, não há ainda liquidez e certeza do crédito tributário, nem mesmo sua exigibilidade, pois ainda pendente de análise e revisão administrativa. Só ao final, com a decisão definitiva de mérito e com a manutenção de parte ou total do lançamento, é que o crédito estará definitivamente constituído e, portanto, exigível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento para afastar a exigência referente a bonificação e compensação de ofício de débitos anteriores. Vencido o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior (Relator) que também deu provimento para acatar a comprovação de venda com fim especifico de exportação. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Liziane Angelotti Meira, quanto a manutenção da exigência referente as vendas ao exterior. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior – Relator Fl. 4637DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Trata-se de auto de infração para constituição do crédito tributário de PIS, fls. 4.395-4.420 no valor total de R$ 2.667.185,25 (com juros e multa), e auto de infração para constituição do crédito tributário de COFINS, fls, 4.421-4.446, no valor total de R$ 13.010.056,98 (com juros e multa). Ambos notificados em 28/12/2016 e são resultado do mesmo procedimento de fiscalização, contendo as mesmas acusações fiscais e mesma fundamentação (Relatório fiscal fls. 4.448 - 4.454), abaixo resumidas: a) Saídas falsamente faturadas como bonificações, resultando na insuficiência de PIS e COFINS nos valores de R$ 326.545,45 e R$ 1.554.983,67. respectivamente, no período de 01/2012 a 04/2015; b) Vendas para comerciais exportadoras, sem observância dos requisitos legais para o gozo da isenção das contribuições, resultando na insuficiência de PIS e COFINS nos valores de R$ 192.778,03 e R$ 912.194,12, respectivamente, no período de 01/2012 a 12/2015; c) Contribuições de PIS e COFINS declaradas a menor, nos valores de R$ 68.384,51 e R$ 313.312,16, respectivamente, no período de 10/2015 a 12/2015; d) Insuficiência de créditos nas apurações mensais de PIS e COFINS, nos valores de R$ 576.192,30 e R$ 2.904.025,21, respectivamente, referentes ao período de 01/2012 a 09/2015. Quanto à primeira acusação, saída com bonificação fraudulenta, assim fundamentou: Objetivando elucidar tamanhas bonificações, diligenciamos junto a um cliente da Cervejaria Malta, qual seja, a CLASSE A DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS DE MARÍLIA LTDA, onde constatamos a falsidade dos faturamentos como bonificações, conforme Termo de Diligência Fiscal, de 01/07/2016 (...) 1) a diligenciada determinava seu preço de revenda com a margem de 25% a 30% sobre o preço de compra; 2) para a definição do preço de compra em questão é necessário considerar os produtos que recebeu em bonificação. Relativamente à nota fiscal eletrônica nº 22.152, a diligenciada recebeu 126 caixas el77 bonificação, dentre as 420 caixas constantes da nota fiscal. Pagou por tal remessa a quantia de RS 11.902,60, que dividida pelo total de Fl. 4638DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 caixas, perfaz o preço de RS 28.33 a dúzia. Sobre tal valor (RS 28,33) aplica sua margem de lucro (25% a 30%), resultando no preço de revenda de RS 36,00 a caixa; 3) nas negociações com a Cervejaria Malta, não era discutida a quantidade de produtos que deveria receber em bonificação. A Cervejaria Malta apresentava sua tabela de preços, sem menção a bonificação; 4) certa vez, a diligenciada questionou informalmente o porque do faturamento da Cervejaria Malta discriminar bonificações e recebeu informação de que tratava-se de procedimento interno da fábrica, que não deveria ser levado em conta na negociação. Ou seja, o que a diligenciada deveria pagar pelas aquisições era o valor total da nota (que não continha as bonificações), que representa a quantidade de produtos recebida pelo preço constante da tabela de preços. (...) 6. Na realidade, o negócio entabulado entre a Cervejaria Malta e seu cliente Classe A, foi a venda de 420 caixas de cerveja (cada caixa contendo 24 unidades de garrafa de vidro retornável de 600 ml), ao preço comercial de R$ 28,33 a caixa, para pagamento em 21 dias, que totalizou o valor de R$ 11.902,64, com os tributos da operação. 7. Em tal faturamento a Cervejaria Malta criou a bonificação, destacando parte dos produtos (126 caixas) corno bonificação, e superfaturando no preço daquelas destacadas como vendas (294 caixas), o que resultou no preço de R$ 36,82 a caixa, perfazendo o valor de R$ 10.825,08 (=294 x 36,82), que, acrescidos do IPI (R$ 595,23) e do ICMS Substituição (R$ 482,33), perfaz o valor total de R$ 11.902,64, correspondente ao montante efetivo recebido na negociação. 8. Como visto, a bonificação não representa a efetiva negociação. Ela foi um artifício criado pela Cervejaria Malta, para não tributar tais saídas e defender a tese da não incidência do IPI, PIS e COFINS sobre bonificações. (...) 10. Apuramos as contribuições do PIS/COFINS sobre as falsas bonificações a partir das notas fiscais eletrônicas indicadas no Demonstrativo de fls. 4388 (arquivo não paginável), para as quais não houve valores informados de PIS/COFINS. Tal demonstrativo totaliza R$ 326.545,44 de PIS e R$ 1.554.983,65 de COFINS, no período de janeiro/2012 a abril/2015. 11. O fato de o sujeito passivo utilizar tal expediente (inserir falsas bonificações em notas fiscais eletrônicas) caracteriza a fraude, na medida em que trata-se de uma ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante das contribuições, e impõe a aplicação da multa duplicada de 75% para 150%, por força do disposto no parágrafo 1°, do artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007, além da formalização da Representação Fiscal Para Fins Penais, objeto do processo n° 13830.722420/2016-95. Quanto à acusação “b”, relacionada com as supostas remessas para comercial exportadora com fim específico de exportação, sustentou: 12. Nos anos de 2012 a 2015 a Cervejaria Malta promoveu vendas para comerciais exportadoras, localizadas em municípios fronteiriços (Guajará-Mirim/RO, Ponta Porá/MS, Guairá/PR, Corumbá/MS, e Brasiléia/AC), sem lançamento das contribuições PIS/COFINS, (...) 14. O sujeito passivo apresentou a documentação de fls. 2281/4107, que resume-se a cópias das notas fiscais por ele emitidas, cópias das notas fiscais de exportação emitidas pelas comerciais exportadoras. Memorandos de Exportação emitidos Fl. 4639DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 pelas comerciais exportadoras, que indica, entre outros, os números dos Despachos de Exportação registrados no Siscomex. Conhecimentos de Transporte Internacional, que indicam como local de coleta dos produtos o endereço das comerciais exportadoras e como local de entrega, o endereço do importador no estrangeiro. 15. Tais documentos não se prestam para comprovar o requisito para a isenção das contribuições na saída dos produtos do estabelecimento do sujeito passivo, face ao disposto na legislação. (...) 17. Portanto, o sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. 18. Apuramos as contribuições do PIS/COFINS sobre as vendas para as comerciais exportadoras com inobservância dos requisitos para a isenção, conforme demonstrativos de fls. 4389/4390 (arquivos não pagináveis), que totalizam R$ 192.778,03 de PIS e R$ 912.194,12 de COFINS. referente aos anos de 2012 a 2015. (grifei) Quanto à acusação “c”, declaração a menor do que o devido: 19. Relativamente aos três últimos meses de 2015, verificamos as seguintes diferenças entre PIS e COFINS destacados nas notas fiscais eletrônicas (eNF - demonstrativo às fls. 4154/4355) e o PIS e COFINS informados nas EFD-Contribuições (Escrituração Fiscal Digital-Contribuições): 20. O sujeito passivo foi intimado (fls. 4152/4153) a justificar tais diferenças sendo que até o presente momento não recebemos sua manifestação, impondo-se os presentes lançamentos. Quanto à acusação da alínea “d”, relacionado à insuficiência de crédito, afirmou que há discussões administrativas sobre crédito das contribuições, ainda em andamento, e que já precisam ser considerados, em síntese: 22. Intimado (Termo de Intimação Fiscal, de 27/07/2016, às fls. 4139/4141) a esclarecer tais lançamentos, o sujeito passivo informou (fls. 4142) tratarem-se de saldos de créditos de períodos anteriores. 23. Todavia, o sujeito passivo não tem créditos de períodos anteriores porque todos os seus créditos foram utilizados na apuração dos lançamentos dos Autos de Infração, objetos dos processos nºs 13830.720207/2011-34 (2006 a 2008) e 13830.720673/2014- 62 (2009 a 2011), adrede mencionados, conforme planilhas de fls. 4360/4385, extraídas daqueles procedimentos. 24. Assim, no cotejo mensal dos débitos apurados nas vendas menos os créditos básicos do período, restam débitos descobertos por créditos, nos totais de R$ 576.192,30 de PIS, Fl. 4640DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 e de R$ 2.904.025,21 de COFINS, relativamente ao período de 01/2012 a 09/2015, conforme Demonstrativos de fls. 4391/4394. 25. Relativamente aos meses 10/2015, 11/2015 e 12/2015 os créditos suplantaram os débitos declarados, sendo que os excessos de créditos foram aproveitados para reduzir os valores da infração mencionada no item anterior (contribuições declaradas a menor). Notificada do auto de infração, a contribuinte, inconformada, apresentou Impugnação, argumentando: - NULIDADE do auto de infração diante da grave precariedade da apuração, concluindo pela falsidade (fraude) das bonificações concedidas a partir de uma análise do depoimento de uma única cliente, aplicando sua conclusão para todas as operações praticadas pela Impugnante envolvendo bonificação; - no depoimento da única cliente ouvida não há nenhum indício da infração fiscal na diligência realizada e caberia à Fiscalização investigar todas as operações realizadas pela Impugnante; - a bonificação decorre de acordos comerciais entabulados com seus clientes; a descrição dos fatos e da suposta infração é totalmente desconexa da realidade fática. Ofensa do inciso III, do artigo 10, do Decreto 70.235/1972 e artigo 39 do Decreto 7.574/2011, bem como o artigo 2º, “caput” e parágrafo único, da Lei 9.784/199; - Considera ter havido “prejuízo ao exercício do direito de defesa da Impugnante, uma vez que não é claro qual é a base de cálculo considerada pela Fiscalização, cerceando o direito da Impugnante em questionar os números apresentados.” MÉRITO BONIFICAÇÃO - Argumentou que no mercado de bebidas frias, especificamente o de cerveja, a entrega de mercadorias em bonificação é parte fundamental dos acordos comerciais, razão pela qual representa porcentuais representativos das saídas de mercadorias; - As ilações da Fiscalização com relação ao porcentual das bonificações praticadas pela Cervejaria Malta, ao se referir às operações como “tamanhas bonificações”, ou ao comparar a evolução de tal porcentual ao longo dos anos, desconsideram as características específicas do mercado em que a Impugnante atua; - A Fiscalização denomina de “falsa” a entrega de mercadorias em bonificação, o que denominou de “bonificações faturadas”, subvertendo a operação verdadeiramente realizada, ao entender que uma venda de 294 caixas de cerveja a preço de R$ 36,82 com 126 caixas como bonificação, representaria a venda de 420 caixas a R$ 28,33 cada; - As bonificações estão na definição do “preço de compra”, compondo o preço da compra na contabilidade da compradora, sendo calculado o custo unitário pelo preço médio das mercadorias recebidas (somas das mercadorias pagas e das mercadorias dadas em bonificação); Fl. 4641DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 - Nas operações realizadas, com bonificação, a Impugnante vinculou as mercadorias vendidas àquelas dadas em bonificação (presente na mesma Nota Fiscal), sendo que em nenhum momento a Fiscalização contestou a natureza incondicional dos descontos concedidos por meio de bonificações, de modo a não incidir o PIS e a COFINS; - Bonificações em mercadorias nas operações de venda têm natureza de descontos incondicionais, devendo ser excluídas da base de cálculo das contribuições nos termos do art. 1º, § 3º, V, “a” da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003; - A multa qualificada deve ser afastada, porque não há fraude; em nenhum momento foi comprovado que as bonificações realizadas em todas as operações da Impugnante seriam “falsas”, ou seja, fossem caracterizadas como uma simulação, entendida como falta de conformidade intencional entre a vontade real e a declarada, com o intuito de enganar terceiros; - Em todas as Notas Fiscais emitidas e Declarações Fiscais apresentadas, a Impugnante foi clara em apontar a natureza das bonificações concedidas, inclusive com a utilização do CFOP adequado para identificar quais mercadorias foram vendidas, e quais mercadorias foram dadas em bonificação (CFOP’s 5.901 e 6.910); - Não há nos autos comprovação da conduta imputada à Impugnante, ou que o percentual dado em bonificação é incompatível com o mercado. A Fiscalização simplesmente mencionou que a prática adotada pela Impugnante era fraudulenta, e considerou que TODAS as mercadorias entregues em bonificação pela Impugnante seriam “falsas”, sem aprofundar seu trabalho de investigação. EXPORTAÇÃO - Em relação às exportações, afirmou que a Fiscalização limitou de maneira ilegal a expressão “fim específico de exportação”, entendendo ser necessária para o gozo da suspensão a comprovação de que as mercadorias tenham sido remetidas diretamente para o endereço do embarque de exportação ou para o endereço do recinto alfandegado, independentemente da ocorrência ou não da exportação; - Todos os documentos constantes nos autos comprovam a destinação das mercadorias para a venda ao exterior, sendo estes os documentos previstos no artigo 16 da IN SRF nº 28/1994 para o despacho de exportação (artigo 580 do Decreto nº 6.759/2009), incluindo os conhecimentos de transporte internacional; - A intenção da Impugnante em remeter as mercadorias para o “fim específico de exportação” é também evidenciada nas próprias Notas Fiscais, uma vez que no campo “Observações” consta o endereço do recinto alfandegado em que ocorrerá o Despacho de Exportação; - Caso não tenha ocorrido a exportação, o que não ocorreu no caso concreto, eventual responsabilidade do recolhimento do imposto em caso de ausência de exportação é da empresa comercial exportadora, conforme dispõe o artigo 231 do Decreto nº 6.759/2009; - Nos autos há provas de que promoveu a venda de seus produtos com o fim específico de exportação, mediante emissão de notas fiscais de venda constando como adquirente Fl. 4642DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 uma empresa comercial exportadora, trazendo todos os documentos que comprovam que a exportação efetivamente ocorreu. DECLARAÇÃO A MENOR - A suposta divergência entre notas fiscais eletrônicas e a EFD apenas surgiu porque a Fiscalização ignorou que as contribuições são apuradas sobre as alíquotas básicas e alíquota por unidade de medida de produto, declaradas no EFD; - A fiscalização desconsiderou as contribuições apuradas a alíquota diferenciadas e, por este motivo, que se constatou a alegada divergência entre a eNF e a EFD- contribuições. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITOS - Como a insuficiência de créditos afirmada pela fiscalização decorre discussões sobre crédito das contribuições no bojo do processo administrativo nº 13830.722207/2011-34, pugna pelo sobrestamento do presente processo, para que se aguarde o deslinde do anterior, uma vez que se encontra pendente de julgamento administrativo; - Ao desconsiderar a pendência de julgamento, a Fiscalização viola o artigo 151, inciso III, do CTN, que dispõe que interposição de defesa e/ou recurso administrativo no âmbito de processo administrativo tributário suspende a exigibilidade do credito; - Viola também os princípios de devido processo legal, contraditório e ampla defesa, uma vez que pressupõe que o julgamento definitivo será desfavorável ao contribuinte, o que enseja a nulidade do Auto de Infração neste ponto. Em 23/08/2017, a 2ª Turma da DRJ/REC proferiu o Acórdão 11-057.294, situado em fls. 4.534-4.554, para julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada, apenas para afastar a multa qualificada de 150% aplicada na acusação fiscal de bonificações fraudulentas, diante da ausência de provas de que houve a prática dolosa da fraude ou sonegação, mas mantendo o auto de infração na sua integralidade: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015 VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA INDUSTRIAL VENDEDORA. A isenção do PIS Faturamento e Cofins concedidas nas operações de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. Descumpridos tais requisitos e não comprovada a efetiva exportação, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. MULTA QUALIFICADA DE 150%. NOTAS FISCAIS EMITIDAS COM BONIFICAÇÃO NÃO ACORDADAS COM OS CLIENTES. RECEITA NÃO TRIBUTADA SOB A JUSTIFICATIVA DE SER DESCONTO INCONDICIONAL. Fl. 4643DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 EVASÃO. FRAUDE NÃO CARACTERIZADA. REDUÇÃO DA MULTA AO PATAMAR BÁSICO DE 75%. Infração apurada com base em informações fornecidas pela empresa, consistente em não tributação de receita correspondente aos valores de bonificações constantes de notas fiscais de saída, que para o emitente configurariam descontos incondicionais, apesar de assim não ter sido acordado com seus clientes, caracteriza-se como evasão. Não configurada a existência de fraude, descabe a qualificação da multa, cujo percentual é reduzido ao patamar básico de 75%. ALEGAÇÃO GENÉRICA DESACOMPANHADA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. Tratando-se de supostos erros cometidos pela fiscalização o ônus de apontá-los com clareza é do contribuinte, pelo que não se acolhe alegação genérica desacompanhada de provas, de que teriam desprezados no levantamento fiscal alíquotas diferenciadas que justificariam, segundo o contribuinte, valores declarados ao Fisco a menor em relação aos documentos fiscais. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE PROVA. DIREITO NEGADO. Cabe ao contribuinte comprovar créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins aproveitados extemporaneamente, sem o que o direito lhe é negado. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PER/DCOMP CORRESPONDENTE AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. Cada pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS e Cofins não-cumulativos deve se referir a único trimestre, correspondente ao de apuração dos créditos, nos termos da IN SRF 600, de 2005, e seguintes, de modo que para ressarcimento e compensação de créditos extemporâneos deve ser retificado o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) do trimestre de apuração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015 COFINS E PIS. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA INDUSTRIAL VENDEDORA. A isenção do PIS Faturamento e Cofins concedidas nas operações de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. Descumpridos tais requisitos e não comprovada a efetiva exportação, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. MULTA QUALIFICADA DE 150%. NOTAS FISCAIS EMITIDAS COM BONIFICAÇÃO NÃO ACORDADAS COM OS CLIENTES. RECEITA NÃO TRIBUTADA SOB A JUSTIFICATIVA DE SER DESCONTO INCONDICIONAL. EVASÃO. FRAUDE NÃO CARACTERIZADA. REDUÇÃO DA MULTA AO PATAMAR BÁSICO DE 75%. Infração apurada com base em informações fornecidas pela empresa, consistente em não tributação de receita correspondente aos valores de bonificações constantes de notas fiscais de saída, que para o emitente configurariam descontos incondicionais, apesar de assim não ter sido acordado com seus clientes, caracteriza-se como evasão. Não Fl. 4644DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 configuradaa existência de fraude, descabe a qualificação da multa, cujo percentual é reduzido ao patamar básico de 75%. ALEGAÇÃO GENÉRICA DESACOMPANHADA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. Tratando-se de supostos erros cometidos pela fiscalização o ônus de apontá-los com clareza é do contribuinte, pelo que não se acolhe alegação genérica desacompanhada de provas, de que teriam desprezados no levantamento fiscal alíquotas diferenciadas que justificariam, segundo o contribuinte, valores declarados ao Fisco a menor em relação aos documentos fiscais. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE PROVA. DIREITO NEGADO. Cabe ao contribuinte comprovar créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins aproveitados extemporaneamente, sem o que o direito lhe é negado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015 AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE REJEITADA. Não é nulo auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso voluntário, fls. 4.573-4.610, repisando todos os argumentos da impugnação, inclusive o sobrestamento do feito e os argumentos pelo reconhecimento das nulidades. Sobre a bonificação de mercadorias em operações de venda, apresentou jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos, no sentido de que têm a mesma natureza de descontos incondicionais, apresentando ainda a Solução de Consulta n.º 130, de 3 maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP, cujo entendimento é o mesmo, afirmando a exclusão das bonificações da base de cálculo do PIS. Quanto às divergências entre as NFe e EFD, acrescentou que as supostas divergências apontada pela fiscalização decorre do fato de que as contribuições não cumulativas ao PIS e à COFINS das competências de 10/2015 a 12/2015 foram apuradas de três maneiras distintas pela Recorrente: (i) a alíquota básica, (ii) a alíquotas diferenciadas e a (iii) alíquota por unidade de medida de produto, conforme consta na EFD-Contribuições da Recorrente. Afirmou que, ao contrário do entendimento da DRJ, a legislação que trata da apuração das contribuições ao PIS e da COFINS com alíquotas diferenciadas consta no enquadramento legal dos autos de infração, os quais citam os seguintes dispositivos artigos 14, 25, 26, 33, 34, da Lei n.º 13.097/2015. Além disso, as operações da Recorrente sujeitas a alíquotas diferenciadas pode ser facilmente verificada no sítio eletrônico do SPED, na parte relativa a EFD-Contribuições que contêm as Tabelas utilizadas na apuração das Contribuições ao o PIS e à COFINS, bem como a correspondente fundamentação legal. É o relatório. Fl. 4645DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 Voto Vencido Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e será conhecido. Os pontos controvertidos nos autos centram-se nas acusações de: a) Saídas falsamente faturadas como bonificações; b) Vendas para comerciais exportadoras, sem observância dos requisitos legais para o gozo da imunidade das contribuições; c) Contribuições de PIS e COFINS declaradas a menor, em razão de diferenças encontradas entre os valores informados na EFD em comparação com as NFe’s; d) Insuficiência de créditos nas apurações mensais de PIS e COFINS, pois já utilizados em outros processos administrativos. Há também argumentos pela nulidade do auto de infração em razão da não identificação da liquidez e determinação do crédito, em relação às bonificações, bem como a análise parcial e isolada de uma operação de venda com bonificação, presumindo-se e estendendo a conclusão para todas as operações de venda. Há também argumentos pelo sobrestamento do feito em razão da pendência de julgamento do processo administrativo nº 13830.722207/2011-34. Tais argumentos de nulidade serão tratados no mérito. MÉRITO REMESSAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO – COMERCIAL EXPORTADORA. A Constituição da República, em seu art. 149, veda a incidência de contribuições sobre receitas de exportações, estabelecendo imunidade tributária, o que impede a incidência de PIS e COFINS sobre a receita auferida com exportação de bens ou serviços. Em vista disto, as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 estabelecem a não incidência das contribuições sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior e esta não incidência também é aplicada ainda que a venda tenha sido efetuada para comercial exportadora, desde que seja com fim específico de exportação. (art. 5º, I e III da Lei 10637/2002 e art. 6º I e III da Lei 10.833/2003). Caso a pessoa jurídica, como a Recorrente, tenha realizado vendas para comerciais exportadoras com fim específico de exportação, as próprias leis acima referidas estabelecem que a comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica com o fim específico de exportação para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, no caso de a comercial exportadora não comprovar o seu embarque para o exterior, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora. Pois bem, no relatório fiscal, o agente fiscal afirmou que a Recorrente apresentou vasta documentação, fls. 2.281-4.107, contendo notas fiscais de exportação emitidas por comerciais exportadoras, despachos de exportação emitidas pelas comerciais exportadoras, Fl. 4646DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 memorandos de exportação e conhecimentos de transporte internacional, mas que tais documentos não se prestaram para comprovar o requisito para fruição da isenção das contribuições, qual seja, as mercadorias vendidas pela Recorrente sendo enviadas para o embarque de exportação ou recinto alfandegado. Ao contrário, o destino foi o endereço da própria comercial exportadora, verbis: 14. O sujeito passivo apresentou a documentação de fls. 2281/4107, que resume-se a cópias das notas fiscais por ele emitidas, cópias das notas fiscais de exportação emitidas pelas comerciais exportadoras. Memorandos de Exportação emitidos pelas comerciais exportadoras, que indica, entre outros, os números dos Despachos de Exportação registrados no Siscomex. Conhecimentos de Transporte Internacional, que indicam como local de coleta dos produtos o endereço das comerciais exportadoras e como local de entrega, o endereço do importador no estrangeiro. 15. Tais documentos não se prestam para comprovar o requisito para a isenção das contribuições na saída dos produtos do estabelecimento do sujeito passivo, face ao disposto na legislação. (...)17. Portanto, o sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Da análise da documentação, não é possível concordar com a fiscalização. Primeiro porque as notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente (Cervejaria Malta) estampam uma operação de venda para uma comercial exportadora, informando que se trata de uma operação de venda com fim específico de exportação, sem nenhum destaque de imposto, e que o destino das mercadorias é um recinto alfandegado. Segundo porque a comercial exportadora tão logo realizou as exportações, emitindo nota fiscal fazendo referência à nota fiscal de origem da mercadoria e registrando a exportação no SISCOMEX. Terceiro porque confundiu destinação física das mercadorias (recinto alfandegado) com o comprador da mercadoria (dados da comercial exportadora). Por amostragem, algumas destas operações foram analisada e a conclusão infirma a acusação fiscal: 1. A primeira nota fiscal juntada nesta sequência de documentos é nota fiscal de exportação nº 0043, fl. 2.281, emitida por RIO AQUIDABAN IMPORT E EXPORTADORA LTDA em 10/09/2012 no valor de R$ 47.171,12 sem destaque de IPI e ICMS, com CFOP 7.501 - "Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação". No campo de Informações Complementares, informa a NF.N.27081 emitida por CERVEJARIA MALTA LTDA CNPJ- 44.367.522./0005-25. Esta nota fiscal emitida pela CERVEJARIA MALTA a que fez referência se encontra em fls. 2.475, emitida na mesma data tendo como compradora a comercial exportadora AQUIDABAN. A remessa também sem destaque do IPI e ICMS, com CFOP 6.501 - "Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação", descrevendo a venda das mesmas mercadorias (produtos e quantidade). No campo informações complementares consta a informação RECINTO ALFANDEGADO; LA ADMINISTRACION NACIONAL DE NAVEGACION (TRECHO ILEGÍVEL) DE PEDRO JUAN CABA LLERO - DIRECCION DR, PRANCIA Y RUTA 5. O manifesto internacional de carga está situado em fl. 2.473 emitido em 11/09/2012, Fl. 4647DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 contendo as informações destas mercadorias e nota fiscal emitida pela comercial exportadora, contendo as informações do registro de exportação nº 12/6159017-001. 2. Na sequência, a segunda nota fiscal de exportação é a de nº 0200, fl. 2.289, emitida por D B DA SILVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA em 30/01/2012 no valor de R$ 49.420,80 sem destaque de IPI e ICMS, com CFOP 7.501 - "Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação". No campo de Informações Complementares, consta a informação "CERVEJARIA MALTA LTDA CNPJ: 44.367.522/0005-25 ESTADO: SP NOTA FISCAL: 22138 S-1 DE 27/01/2012". Esta nota fiscal emitida pela CERVEJARIA MALTA a que fez referência se encontra em fls. 2.292, emitida em 27/01/2012, tendo como compradora a comercial exportadora D B SILVA, também sem destaque do IPI e ICMS, com CFOP 6.501 - "Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação", descrevendo a venda das mesmas mercadorias (produtos e quantidade). No campo informações complementares consta a informação RECINTO ALFANDEGADO: PORTO ALFANDEGADO DE GUAJARA MIRIM - AV.BEIRA RIO, 632 - CENTRO-CEP.: 76850-000 GUAJARÁ MIRIM-RO. Em fls. 2.290 consta o comprovante de exportação nº 2120094378/3 emitido pela SISCOMEX, contendo a descrição desta nota fiscal, bem como o conhecimento de transporte internacional fluvial, fl. 2.291, também vinculado à nota fiscal da comercial exportadora e do comprovante de exportação do SISCOMEX, contendo as mesmas descrições de mercadorias e quantidade. 3. Nota fiscal de exportação nº 0195, fl. 2.294, emitida por D B DA SILVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA em 30/01/2012 no valor de R$ 49.420,80 sem destaque de IPI e ICMS, com CFOP 7.501 - "Exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação". No campo de Informações Complementares, consta a informação "CERVEJARIA MALTA LTDA CNPJ: 44.367.522/0005-25 ESTADO: SP NOTA FISCAL: 21860 S-1 DE 16/01/2012". Esta nota fiscal emitida pela CERVEJARIA MALTA a que fez referência se encontra em fls. 2.297, emitida em 16/01/2012, tendo como compradora a comercial exportadora D B SILVA, também sem destaque do IPI e ICMS, com CFOP 6.501 - "Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação". estampando a venda das mesmas mercadorias (descrição e quantidade). No campo informações complementares consta a informação RECINTO ALFANDEGADO: PORTO ALFANDEGADO DE GUAJARA MIRIM - AV.BEIRA RIO, 632 - CENTRO-CEP.: 76850-000 GUAJARÁ MIRIM-RO. Em fls. 2.295 consta o comprovante de exportação nº 2120059517/3 emitido pela SISCOMEX, contendo a descrição desta nota fiscal, bem como o Fl. 4648DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 conhecimento de transporte internacional fluvial, fl. 2.296, também vinculado à nota fiscal da comercial exportadora e do comprovante de exportação do SISCOMEX, contendo as mesmas descrições de mercadorias e quantidade. Memorando de exportação com as informações desta nota fiscal, DESPACHO DE EXPORTAÇÃO N° 2120059517/3, REGISTRO DE EXPORTAÇÃO N° 12/0048754-001 fl. 2.293. Da análise destas três primeiras notas fiscais de exportação juntada aos autos a partir das fls. 2.281, tem-se como comprovada a venda de mercadorias pela Recorrente com fim específico de exportação, bem como a efetiva exportação realizada pela comercial exportadora. Em vista disso, deve ser cancelado este ponto da autuação, sob pena de se fazer incidir as contribuições sobre operações de vendas de mercadorias para o exterior. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS NAS OPERAÇÕES DE VENDA A Autoridade administrativa, no relatório fiscal, afirmou que as bonificações de mercadorias concedidas não representam a efetiva negociação comercial, mas sim um artifício criado pela Recorrente, para não tributar tais saídas e defender a tese de não incidência do IPI, PIS e COFINS sobre bonificações. Perceba que em nenhum momento o agente fiscal discutiu se bonificação é ou não excluída da base de cálculo das contribuições por ter a mesma natureza de descontos incondicionais. A acusação fiscal é de fraude, considerando que as bonificações são falsas, apenas para burlar a tributação. E tal conclusão foi extraída da análise de uma nota fiscal de venda, de n° 22.152 emitida em 30/01/2012. Esta nota fiscal estampa uma operação de compra e venda de 420 caixas de cervejas ao preço de R$ 11.902,60, das quais 126 caixas foram dadas em bonificação. Questionando a adquirente destas mercadorias, a compradora informou que não negociava as bonificações, mas apenas a quantidade e o preço da operação de acordo com a tabela de preços, pagando pelo valor total da operação. Afirmou a fiscalização que as bonificações são falsas porque não foram acordadas com a compradora, acordando-se apenas o preço. Pelo preço de tabela da Recorrente, cada caixa de cerveja tem o preço de R$ 36,82, mas com as bonificações cada caixa saiu pelo preço de R$ 28,33, o que representaria um desconto de pouco mais de 20%, o que no entender da fiscalização é um desconto exagerado. Com isso, aplicou multa qualificada de 150% por fraude, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Pois bem, frise-se neste primeiro momento que o efeito de uma bonificação é justamente gerar um desconto no preço unitário do produto. É para isso que o desconto se presta, o importante é analisar o valor da operação, pois este é o montante entabulado pelas partes, sendo irrelevante para fins tributários se na formação do preço há bonificações ou se há descontos. Fl. 4649DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 Ademais, não foi apresentada pela autoridade fiscal nenhum estudo de mercado para afirmar que descontos de 20% são irracionais e estão fora do mercado, consistindo num artifício para burlar a tributação. Além de não haver esta prova, o Fisco ditar a condução dos negócios representa uma intervenção na livre iniciativa não autorizada pelo direito. Neste ponto, a própria r. decisão recorrida afastou a penalidade agravada diante da falta de comprovação da conduta dolosa na concessão da bonificação, não sendo possível a aplicação da multa qualificada em 150%. Afirmou que não houve ocultação ou tentativa de enganar o Fisco, pois todas as operações e bonificações foram declaradas, mas estranhamente falou em evasão, que nada mais é do que a burla por fraude e simulação: (...) restou configurada a hipótese de evasão (e não a infração dolosa autuada). Nem se tem a conduta dolosa apenas vislumbrada pela fiscalização, nem ocorreu simples elisão, já que o procedimento adotado pela contribuinte, de apurar e recolher a menor o PIS e a Cofins não cumulativos escorando-se em descontos bonificações, para tanto emitindo documentos fiscais que não retratam os negócios realizados, não encontra guarida na lei. A multa foi qualificada para o percentual de 150% com base no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n 11.488 de 2007. Como se sabe, o referido parágrafo remete às infrações dolosas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, Sem desprezar a gravidade da evasão praticada, penso que não ficou demonstrada, nesta seara tributária, infração dolosa. A prática adotada pela contribuinte pode mesmo ter alguma razão comercial, que não cabe investigar. Além do mais, a interpretação por ela almejada, de tratar os valores como descontos incondicionais se apoiando no art. 1º, § 3º, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não é de todo desarrazoada. Diante dessa justificativa, ainda que rejeitada, o dolo não restou configurado. No entanto, manteve o lançamento sobre as bonificações por entender que devem ser adicionadas ao valor de venda, na medida em que bonificações não são equiparadas aos descontos incondicionais. Este argumento sobre a natureza jurídica das bonificações não foi explorado pela fiscalização. Afirmou que a prática adotada pela contribuinte pode mesmo ter alguma razão comercial, que não cabe investigar, mas que não pode receber a interpretação por ela almejada, de tratar os valores como descontos incondicionais se apoiando no art. 1º, § 3º, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Também neste ponto, discordo da r. decisão a quo, afastando-se a incidência de PIS e COFINS, na medida em que bonificações em mercadorias concedidas nas operações de venda, sem nenhuma exigência de evento futuro e incerto, têm a mesma natureza dos descontos incondicionais, natureza esta já definida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos, Tema Repetitivo 144: TRIBUTÁRIO. ICMS. MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. ESPÉCIE DE DESCONTO INCONDICIONAL. INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÃO MERCANTIL. ART. 13 DA LC 87/96. NÃO-INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. (...) 2. A bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda. Dessa forma, o provador das mercadorias é beneficiado com a redução do preço médio de cada produto, mas sem que isso implique redução do preço do negócio. Fl. 4650DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 (STJ. REsp 1111156/SP, Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS. PRIMEIRA SEÇÃO. Data do Julgamento 14/10/2009 ) (grifei) O caso era de ICMS, mas o importante é a fixação da tese sobre a natureza jurídica das bonificações. Tanto que este entendimento também é aplicado ao IPI que, apesar da vedação na lei 4.502/1964 pela inclusão de valores descontados com descontos incondicionais do valor da operação, tem-se admitido a exclusão, como decidido no REsp 1.149.424, no sentido de que descontos incondicionais não integram a base de cálculo. A Corte Superior tem aplicado este precedente do ICMS ao IPI, afirmando que bonificações em mercadorias nas operações de venda têm a mesma natureza dos descontos incondicionais. Há inclusive julgados em que se afirmou ser possível a repetição do indébito da parcela do imposto calculado sobre o valor da bonificação, desde que respeitado o art. 166 do CTN, comprovando que não repassou o ônus econômico do tributo ao contribuinte de fato: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. IPI. DESCONTOS INCONDICIONAIS. RESTITUIÇÃO. FABRICANTE. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. ART. 166 DO CTN. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO-COMPROVAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. (...) 2. A fabricante (contribuinte de direito) somente é legitimada para pleitear a repetição dos valores pagos a título de IPI incidentes sobre operações realizadas como bonificações se demonstrar que assumiu o encargo financeiro do tributo, cumprindo a exigência do art. 166 do CTN. (STJ. AgRg no REsp 1240129/SC. Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN. SEGUNDA TURMA. DJe 09/09/2011) Pois bem, bonificação, muito difundidas no varejo como “pague 2 e leve 3” ou “dúzia de treze” nada mais é do que espécie de descontos incondicionais, na medida em que representa uma redução nos preços unitários dos produtos vendidos, formando-se, com isso, o valor total da operação. A bonificação em si mesma não precisa ser expressamente entabulada, bastando ser aceita pela parte compradora. Seu silêncio é parte da negociação. Assim, pegando-se o exemplo do relatório fiscal, acerca da diligência realizada com uma única cliente da Recorrente. Se a cliente pretendeu comprar 294 caixas de cervejas ao preço total de R$ 11.902,64 e, por este mesmo e exato preço, recebeu 420 caixas, constando na nota fiscal a informação de que 126 caixas foram dadas em bonificações, seu aceite faz parte da negociação e não pode ser ignorada pela fiscalização. A bonificação em mercadorias, em síntese, tem a mesma natureza dos descontos incondicionais, mas ao invés de reduzir o valor total da operação pela aplicação do desconto, mantém o mesmo valor, mas entrega uma quantidade maior de mercadorias, fazendo com que o custo unitário de cada produto seja reduzido, sem afetar o valor total da operação. Com isso, neste ponto da autuação, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 4651DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 DIFERENÇAS ENTRE EFD E VALORES DAS NOTAS FISCAIS Melhor sorte não tem a Recorrente neste ponto. A fiscalização apresenta com o relatório fiscal uma listagem de notas fiscais eletrônicas emitidas entre outubro/2015 até dezembro/2015 (fls. 4.154-4.355). As notas fiscais representam informações de venda com os respectivos destaques de PIS e COFINS, no entanto, o montante devido para estas contribuições informadas na EFD são substancialmente inferiores: A fiscalização intimou a Recorrente para prestar esclarecimentos (fls. 4.152- 5.153), mas não obteve resposta. Com isso, lançou a diferença. Na sua defesa, a Recorrente afirma que não há destaques de PIS e COFINS nas notas fiscais, e estas divergências entre as NFe e EFD, decorrem da própria apuração das contribuições, realizadas de três maneiras distintas pela Recorrente: (i) a alíquota básica, (ii) a alíquotas diferenciadas e a (iii) alíquota por unidade de medida de produto, conforme consta na EFD-Contribuições da Recorrente. Fl. 4652DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 Afirmou que, ao contrário do entendimento da DRJ, a legislação que trata da apuração das contribuições ao PIS e da COFINS com alíquotas diferenciadas consta no enquadramento legal dos autos de infração, os quais citam os seguintes dispositivos artigos 14, 25, 26, 33, 34, da Lei n.º 13.097/2015. No entanto, os valores informados na tabela acima, elaborados pela Recorrente, não coincidem, nem mesmo se aproximam, dos valores informados e calculados pela fiscalização. Assim, todos estes valores estão dissociados do levantamento fiscal e não infirmam a acusação. A partir da listagem das notas fiscais, por sua chave de acesso, é possível acessar todas as suas informações no site http://www.nfe.fazenda.gov.br/, onde é possível verificar os produtos vendidos, comprador, data, e demais informações valos de tributos destacados, como ICMS, PIS e COFINS. A Recorrente não apresentou a origem dos seus cálculos, nem mesmo uma conciliação das notas fiscais com sua escrituração contábil e fiscal (SPED), devendo ser mantida a infração. Neste ponto, acompanho a r. decisão recorrida, no sentido de que o ônus de provar erros que teriam sido cometidos pela fiscalização é da contribuinte, que deve apontá-los com clareza, evidenciar e quantificar os respectivos valores e comprovar o que alega. Fl. 4653DF CARF MF http://www.nfe.fazenda.gov.br/ Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 DA INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES Quando da lavratura do presente auto de infração, a Recorrente mantinha em sua escrituração um montante de créditos da não cumulatividade das contribuições. Intimada para prestar informações, a Recorrente informou (fls. 4142) tratarem-se de saldos de créditos de períodos anteriores. O agente fiscal afirmou, então, que a Recorrente não tem direito a tais créditos, simplesmente porque todos os seus créditos foram utilizados na apuração dos lançamentos dos Autos de Infração, objetos dos processos nºs 13830.720207/2011-34 (2006 a 2008) e 13830.720673/2014-62 (2009 a 2011), conforme planilhas de fls. 4360-4385, extraídas daqueles procedimentos. O que se percebe destes documentos é que o agente fiscal do presente auto de infração participou da lavratura dos autos de infração acima mencionados. No entanto, na época da lavratura do auto de infração do presente processo, discutido nestes autos, o agente fiscal não poderia ter considerado na composição dos créditos os valores de débito lançados nos autos de infração dos processos acima, na medida em que tais processos estavam em discussão administrativa decorrente da apresentação de impugnação administrativa, portanto, com a exigibilidade suspensa, pendente de análise para que se possa afirmar a constituição definitiva do crédito tributário. Nos termos da legislação vigente, o crédito tributário só estará definitivamente constituído após o término da discussão administrativa, momento em que, inclusive, terá início o prazo prescricional para a cobrança do crédito, nos termos do art. 174, do CTN. E o código tributário nacional assim definiu, afirmando que o prazo prescricional só tem início após a sua constituição definitiva, porque enquanto definitiva não for, não há crédito tributário para cobrança. O adjetivo “definitivo” não é o oposto de “provisório”, mas sim de “pendente”. Assim, uma vez realizado o lançamento de ofício, abre-se prazo para pagamento e para apresentação da impugnação administrativa. Esgotado o prazo sem defesa e sem pagamento, o crédito tributário estará definitivamente constituído. Apresentada a defesa administrativa, não há ainda liquidez e certeza do crédito tributário, pois ainda pendente de análise e revisão administrativa. Só ao final, com a decisão definitiva de mérito e com a manutenção de parte ou total do lançamento, é que o crédito estará definitivamente constituído. Considerar, por empréstimo, os montantes de tributo em discussão em processos administrativos autônomos ofende não apenas o art. 174 e 151, III do CTN, mas também o contraditório por presumir que os créditos lá lançados podem ser considerados definitivamente constituídos. Tanto isso não é verdade que a Fazenda Pública não pode nem iniciar a cobrança, tampouco o Ministério Público pode iniciar demanda criminal, nos termos da súmula vinculante nº 24 do STF. Pouco importa se algum tempo depois o contribuinte se viu derrotado naqueles processos autônomos; o que importa é que no momento da lavratura do presente auto de infração, isso não pode ser considerado pela fiscalização. Portanto, este ponto da acusação fiscal deve ser cancelado. Fl. 4654DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 Conclusão Diante do todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para dar parcial provimento, mantendo o lançamento apenas no que diz respeito às diferenças encontradas na EFD-Contribuições em relação às Notas Fiscais eletrônicas. (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Voto Vencedor Conselheiro Liziane Angelotti Meira, Redatora. A despeito da admiração e respeito extremos que tenho pelo Ilustre Relator, divirjo quanto ao provimento para acatar a comprovação de venda com o fim específico de exportação. Concordo com o Relator que a Constituição Federal estabeleceu, em seu art. 149, imunidade para as receitas de exportação de bens e serviços em relação à contribuição para o PIS e à COFINS. Continuo na mesma esteira do Relator quando afirma que as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 regulam a não incidência das contribuições sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior e esta não incidência ou imunidade deve ser aplicada inclusive se a venda for efetuada para comercial exportadora, desde que seja com fim específico de exportação. No entanto, para que se usufrua da imunidade, isenção ou benefício fiscal, mister que se cumpram estritamente as disposições legais, conforme se depreende das disposições do parágrafo único do art. 175 do Código Tributário Nacional. É necessário estrito cumprimento da lei e das denominadas “obrigações acessórias”, especialmente se a operação de exportação envolver terceiros, como as empresas comerciais exportadoras. As formalidades legais são imprescindíveis tanto para que se tenha direito à desoneração, por um lado, quanto, por outro, para permitir que o Fisco possa controlar a operação, os procedimentos e efetivamente verificar se a operação de exportação não somente aconteceu mas ocorreu na forma prescrita pela lei. Sabe-se que há dois tipos operações realizadas com empresas comerciais exportadoras: a) operações realizadas com empresas comerciais exportadoras (ECE), com o fim específico de exportação, estabelecidas na forma do Decreto-Lei nº 1.248/1972; Fl. 4655DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 b) operações realizadas com empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação, na forma do art. 39, I, da Lei 9.532/1997. No primeiro caso, trata-se de empresas comerciais exportadoras específicas, que cumprem regras rígidas que as autorizam a realizar operações determinadas. As regras são as constantes do art. 2º do Decreto-Lei nº 1.248/1972, a saber: I - estar registrada no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior e na Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda, respectivamente; II - estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e III - possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. As exigências são rigorosas com o intuito de garantir que somente empresas robustas e com condições de responder economicamente pelas suas atividades e eventuais ilícitos realizem as atividades indicadas (antecipação dos benefícios fiscais concedidos à exportação das mercadorias adquiridas no mercado interno desde que efetive a exportação no prazo de cento e oitenta dias, conforme art. 9º, caput, da Lei no. 10.833/2003). Desse modo, verifica-se que as exigências legais estão estreitamente ligadas à antecipação dos benefícios relacionados à exportação, ao controle desse benefício e também à condição da comercial exportadora para efetivamente fazer garantia às suas responsabilidades concernentes ao benefício fiscal gozado. Por sua vez, no caso das operações com comerciais exportadoras que não cumpram os requisitos do art. 2º do Decreto-Lei nº 1.248/1972, as empresas não estão autorizadas a receber as mercadorias e não dispõem do prazo legal de cento e oitenta dias para exportar. Nesta segunda situação, apesar da venda ser para a comercial exportadora, a mercadoria deve sair diretamente do vendedor, não para a comercial exportadora, mas para a zona primária - para o porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandengado. A lei não permite que a mercadoria tenha outro destino, ainda que intermediário. Questão de controle aduaneiro. Fica evidente que se trata de duas situações diversas. Não se está diante de mera burocracia ou de exigência evasiva que possa ser dispensada pela Administração Pública. Não pode a autoridade administrativa equiparar duas situações tão distintas, sob pena de comprometimento do controle fiscal, do interesse público. Nesse sentido, a Solução de Consulta da Cosit no 24, de 18 de janeiro de 2019, que sequer admite que haja paradas nesse transporte do vendedor para a zona primária a fim de coletar as mercadorias a serem exportadas em único veículo de carga. Colaciono a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI SUSPENSÃO. IMPOSTO. COMERCIAL EXPORTADORA. AQUISIÇÃO COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REMESSAS DIRETAS. Para fins de aplicação da suspensão do IPI de que trata o art. 39, inciso I, da Lei nº 9.532, de 1997, consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Assim sendo, a passagem desses produtos por diversos estabelecimentos fabricantes vendedores com o objetivo de a Fl. 4656DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-006.850 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.722419/2016-61 empresa comercial exportadora adquirente coletar, em único veículo de carga, todos os produtos adquiridos e assim os remeter, por sua conta e ordem, para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, não se enquadra no conceito de “remetidos diretamente” expresso no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, não podendo a empresa comercial exportadora, neste caso, adquirir os produtos com a suspensão do IPI em pauta. Dessarte, concluímos que cumprimento de requisito legal ou obrigação acessória no caso de isenção, imunidade ou outro benefício fiscal não é burocracia ou firula, mas exigência intrinsicamente relacionada ao controle fiscal. No presente caso, a Recorrente apresentou notas fiscais de exportação emitidas por comerciais exportadoras, despachos de exportação emitidos pelas comerciais exportadoras, memorandos de exportação e conhecimentos de transporte internacional, mas tais documentos não se prestaram para comprovar o requisito para fruição da isenção das contribuições; pois não se tratava de mercadorias vendidas pela Recorrente enviadas diretamente para o embarque de exportação ou recinto alfandegado. Isso porque o destino foi o endereço da própria comercial exportadora, conforme destacou o Relator e citamos novamente: 14. O sujeito passivo apresentou a documentação de fls. 2281/4107, que resume-se a cópias das notas fiscais por ele emitidas, cópias das notas fiscais de exportação emitidas pelas comerciais exportadoras. Memorandos de Exportação emitidos pelas comerciais exportadoras, que indica, entre outros, os números dos Despachos de Exportação registrados no Siscomex. Conhecimentos de Transporte Internacional, que indicam como local de coleta dos produtos o endereço das comerciais exportadoras e como local de entrega, o endereço do importador no estrangeiro. 15. Tais documentos não se prestam para comprovar o requisito para a isenção das contribuições na saída dos produtos do estabelecimento do sujeito passivo, face ao disposto na legislação. (...) 17. Portanto, o sujeito passivo não apresentou documentação comprobatória de que seus produtos vendidos para as comerciais exportadoras foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. A documentação apresentada revela que os produtos foram remetidos para o endereço das comerciais exportadoras. Diante do exposto, verifica-se que não houve comprovação da regular exportação, ou seja, não se comprovou a venda com o fim específico de exportação. Assim, propõe-se negar provimento ao Recurso Voluntário neste item. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 4657DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.900643/2016-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2015
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ELETRÔNICO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES COMO DCTF E SPED CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ERRO FORMAL ALEGADO.
Em caso de PER- Pedido de Restituição Eletrônica, por se tratar de pedido verificado eletronicamente por sistema automatizado, quando das alegações de defesa, onde se alega que o crédito surgiu de erro formal, a mera retificação de DCTF ou SPED CONTRIBUIÇÕES não são suficientes para comprovar o erro alegado, as alegações devem estar acompanhadas de documentação hábil e suficientemente clara para fundamentar o alegado, sendo este arcabouço comprobatório insuficiente para tal comprovação, o direito creditório não pode ser reconhecido.
Numero da decisão: 3301-007.035
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10840.900637/2016-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2015 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ELETRÔNICO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES COMO DCTF E SPED CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ERRO FORMAL ALEGADO. Em caso de PER- Pedido de Restituição Eletrônica, por se tratar de pedido verificado eletronicamente por sistema automatizado, quando das alegações de defesa, onde se alega que o crédito surgiu de erro formal, a mera retificação de DCTF ou SPED CONTRIBUIÇÕES não são suficientes para comprovar o erro alegado, as alegações devem estar acompanhadas de documentação hábil e suficientemente clara para fundamentar o alegado, sendo este arcabouço comprobatório insuficiente para tal comprovação, o direito creditório não pode ser reconhecido.
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RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES COMO DCTF E SPED CONTRIBUIÇÕES. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ERRO FORMAL ALEGADO. Em caso de PER- Pedido de Restituição Eletrônica, por se tratar de pedido verificado eletronicamente por sistema automatizado, quando das alegações de defesa, onde se alega que o crédito surgiu de erro formal, a mera retificação de DCTF ou SPED CONTRIBUIÇÕES não são suficientes para comprovar o erro alegado, as alegações devem estar acompanhadas de documentação hábil e suficientemente clara para fundamentar o alegado, sendo este arcabouço comprobatório insuficiente para tal comprovação, o direito creditório não pode ser reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10840.900637/2016-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 06 43 /2 01 6- 92 Fl. 162DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.035 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900643/2016-92 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018, e, por conseguinte, adoto neste relatório excertos do relatado do Acórdão nº 3301- 007029, de 24 de outubro de 2019, que lhe serve de paradigma. Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER ,de créditos de PIS NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO, transmitida eletronicamente pelo Sistema PER/DCOMP, disponível no sitio da Secretaria da Receita Federal na Internet. Os presentes autos foram formalizados para tratar manualmente o PER correspondente, tendo sido emitido o Despacho Decisório Eletrônico, exarado pela DRF/RIBEIRÃO PRETO, que indeferiu o pedido de restituição , por inexistência de crédito, em função de terem sido localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do requerente, não restando crédito disponível para restituição. A requerente foi cientificada do Despacho Decisório, apresentando manifestação de inconformidade. Remete-se ao relatório que compõe o Acórdão combatido, por economia processual e por bem descrever os fatos, sendo desnecessário sua transcrição. A DRJ/JUIZ DE FORA exarou o Acórdão de nº 09-64.563, que assim restou ementado: RESTITUIÇÃO. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório que denegou o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, alega : I – OS FATOS - narra os fatos já descritos II O DIREITO - Afirma a empresa de que o crédito objeto do pedido de restituição é legitimo, uma vez que na época de ocorrência do fato gerador do PIS e COFINS da competência objeto do indeferimento, a empresa incorreu em erro de fato ao calcular as referidas contribuições. - O Fl. 163DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.035 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900643/2016-92 erro de cálculo do PIS e COFINS, ensejou em pagamento indevido em sua totalidade, todavia quando do pedido de restituição, olvidou a empresa em realizar a retificação dos deveres instrumentais, o que apesar de realizado posteriormente quando da recepção do despacho decisório, não inviabiliza seu direito. - Ainda, na "manifestação de inconformidade", a empresa levou ao conhecimento dos julgadores as correções realizadas na DCTF e SPED (EFD) Contribuições, o que de fato não substanciou o diferimento do pedido de restituição, pela ausência de fundamentos legais e documentos suportes que comprovavam o direito creditório. - Ocorre que a empresa, tem como atividade a Incorporação de empreendimentos imobiliários; construção de edifícios; outras sociedades de participação, exceto holdings; serviços de engenharia, onde tem como principal receita aquelas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. Destarte, a legislação é clara quanto no inciso XX do artigo 10 da Lei 10.833/2003, "in verbis", quando determina que as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, continuam sendo tributados pelo regime cumulativo do PIS e da COFINS, previsto na Lei n° 9.718/1998 - Portanto, os recolhimentos realizados por meio de Documento de arrecadação a Receita Federal — DARF, com os códigos 5856 — COFINS não Cumulativo e 6912 — PIS não cumulativo, foram realizados indevidamente. - cita a Solução de Consulta DISIT/SRRF04 nº 4.029, de 2017 - Notório também expor, que a empresa apresenta receitas mensais conforme pode ser observado nos SPED (EFD) Contribuições e expresso tacitamente nos argumentos da Receita Federal do Brasil, porém não são informados "recolhimentos" no regime cumulativo, uma vez que, é rotina a totalidade do faturamento sofrer retenção na fonte do PIS e COFINS as alíquotas de 0,65% e 3% receptivamente, conforme artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 . JJ.2 – MÉRITO - Como empresa de construção civil que opera na administração de obras, e tendo como a maioria das receitas enquadrada no código "7.02 / 07.02.01 / 00070201 — Execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, conforme os documentos fiscais hábeis apensados ao recurso, em acordo ao inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, combinado com o inciso V do caput do artigo 15 da mesma lei, as mencionadas receitas devem ser tributados pelo PIS e COFINS no regime cumulativo, indiferente da obrigatoriedade da empresa em estar no Lucro Real, fato este justificar o pagamento indevido. Deste modo, com suas receitas tributadas no regime cumulativo, os recolhimentos de PIS e COFINS diferente deste cenário, são considerados como indevido e assim, objeto de Pedido de Restituição/Ressarcimento conforme previsto no inciso I do artigo 2° da Instrução Normativa RFB n° 1.717/2017. - Para fins comprovar as retenções, além dos documentos fiscais hábeis apensados ao recurso, demonstramos os Informes de Rendimentos das Fontes pagadoras, conforme relatório emitido pelo E-cac. Considerando os julgados mencionados no indeferimento da "manifestação de inconformidade", em que pese dever ser Fl. 164DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.035 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900643/2016-92 comprovado o direito creditório com documentos hábeis e idôneos, além da fundamentação legal que dá origem ao crédito, diante do erro formal cometido pela empresa quanto a apuração do PIS e da COFINS em 2015, apensamos como mencionado, os documentos fiscais idôneos, a comprovação da escrituração dos mesmos no Livro de Prestação de Serviço e demais informações suficientes para suportar quaisquer erros formais acometidos. Por meio dos argumentos e documentos apresentados, é certo que o pagamento realizado foi indevido, e desta forma deve ser restituído, não podendo um credito certo por direito ser indeferido por erro formal reconhecido III – CONCLUSÃO - À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, e realizado a restituição/ressarcimento a que lhe cabe de direito. Anexa ao recurso voluntário: procuração, notas fiscais de serviço que compõem a receita bruta da empresa, registros de notas fiscais de serviços prestados da construção civil, relatório de retenção na fonte de PIS e COFINS, memórias de cálculo, comprovante de arrecadação. . É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.035 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900643/2016-92 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3301-007029, de 24 de outubro de 2019, paradigma desta decisão: O recurso voluntário é tempestivo e está revestido dos requisitos legais de admissibilidade, portanto dele conheço. Trata-se de pedido de restituição eletrônico, onde, em verificação automática, o sistema PER/DCOMP, da Secretaria da Receita Federal, detectou a inexistência do crédito pleiteado, por todos os recolhimentos estarem vinculados a débitos confessados e m DCTF. Com bem dito pelo Ilustre Julgador da DRJ, a ora recorrente, para garantir o seu direito creditório, retificou a DCTF e seu SPED CONTRIBUIÇÕES, entretanto, praticou atitude contraditória, zerando a COFINS e a Contribuição ao PIS/PASEP devidas, mas mantendo débito de Contribuição Previdenciária incidente sobre a receita bruta. Adotamos os fundamentos da decisão da DRJ como razões de decidir: De plano, devemos observar que a interessada pleiteia a devolução de praticamente todo o valor originalmente devido sobre a referida contribuição social para o período de apuração constante no PER em análise. Em sua manifestação, a interessada afirma que apurou incorretamente a contribuição com base no regime de incidência não cumulativa, pois estaria sujeita à apuração pelo regime cumulativo. Ainda que a interessada demonstrasse que está sujeita à apuração pelo regime de incidência cumulativa da contribuição de cujo débito pleiteia a restituição, a alteração de alíquota, no caso, para menor, diminuiria o valor do débito, mas este continuaria existindo. O que se verificou, na prática, foi o fato de a contribuinte retificar as DCTF para reduzir todos os valores devidos a título de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins; o que, ainda, o fez após o protocolo da manifestação de inconformidade, mesmo tendo a oportunidade de fazê-lo previamente à análise do direito creditório pleiteado, conforme se depreende da Análise Preliminar do Direito Creditório, disponibilizada para o contribuinte em 24/12/2015.Simplesmente reduzir a zero os valores devidos dessas contribuições significa declarar que não houve exercício de atividade comercial para o período e que, portanto, não houve o registro de receita bruta. Tal Fl. 166DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.035 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900643/2016-92 fato não pode ser verdadeiro, uma vez que a própria manifestante declara, conforme RECIBO DE ENTREGA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL - CONTRIBUIÇÕES, por ela trazido aos autos, débito de contribuição previdenciária apurado sobre receita, apesar de, repise-se, reduzir a zero os valores dos débitos da Contribuição para o PIS e da Cofins. O fato de retificar as suas declarações após o recebimento do Despacho Decisório Eletrônico não seria tão grave caso a recorrente demonstrasse, pro documentação idônea, a sua alegação. Entretanto, em suas razões de defesa apresentadas na fase de recurso voluntário se contradiz mais ainda, junta notas fiscais de serviço onde constam apenas como descrição “prestação de mão de obra” sem identificar qual serviço está sendo executado. Outra contradição surge da análise dos documentos acostados aos autos: em seu estatuto social, a recorrente tem como atividades constantes da “CONSOLIDAÇÃO DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS” ás fls. 35 dos autos digitais, item III – OBJETO SOCIAL - a sociedade tem como objetivo a exploração do ramo de compra e venda de imóveis próprios, incorporação, participação, intermediação na compra e venda de imóveis, desmembramento e loteamento de terrenos, administração e consultoria de imóveis, como também a prestação de serviços de engenharia e construção civil e aluguel de máquinas e equipamentos para construção, entretanto a recorrente, em suas razões de recurso afirma que a empresa tem atividade a incorporação de empreendimentos imobiliários, construção de edifícios, outras sociedades de participação exceto holdings, serviços de engenharia onde tem como principal receita aquelas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. Diante destas contradições, haveria a recorrente, para comprovar sei direito creditório, carrear aos autos os contratos de empreitada ou subempreitada ou de execução por administração de obras de construção civil, além de notas fiscais de serviço onde se detalhassem os serviços prestados, para que suas receitas pudessem ser analisadas e enquadradas no regime cumulativo como pretende. A falta deste conjunto probatório apenas reforça a decisão da DRJ, em indeferir o pedido de restituição, pois realmente a recorrente não trouxe aos autos documentação hábil e idônea para comprovar o seu direito, uma vez que foi ela mesma quem alegou tal direito, ao transmitir o pedido de restituição. Fl. 167DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.035 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900643/2016-92 Correta, portanto, a DRJ ao esclarecer: Cabe ao caso o emprego da Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235, de 1972, que estabelece, em seu art. 36, que cumpre ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, o qual afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil1, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 373, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como “Art. 214. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação” prova a mera apresentação de DCTF retificadora, mormente quando a retificação se der após a ciência do despacho decisório, como no caso presente. Conclusão Diante de todo o exposto, NEGO provimento ao recurso e não reconheço o direito creditório pleiteado. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720859/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR ANUAL. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os depósitos efetuados na conta do Banco Rural de nº 880012345 nos valores de R$ 199.491,60 (em 12/11/2003) e R$ 208.178,89 (30/12/2003), bem como os depósitos realizados na conta do Banco Bradesco de nº 10014, discriminados na Tabela 01.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR ANUAL. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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FATO GERADOR ANUAL. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os depósitos efetuados na conta do Banco Rural de nº 880012345 nos valores de R$ 199.491,60 (em 12/11/2003) e R$ 208.178,89 (30/12/2003), bem como os depósitos realizados na conta do Banco Bradesco de nº 10014, discriminados na Tabela 01. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 59 /2 00 8- 59 Fl. 2150DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.788 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720859/2008-59 Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) - DRJ/BEL, que julgou procedente em parte lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2004, decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (fls. 713/756). O contribuinte impugnou a exigência (fls. 766 e ss), a qual foi parcialmente mantida no julgamento de primeiro grau, que admitiu as comprovações de origem relacionadas com a conta garantida HSBC, com o financiamento rural do Banco do Brasil, bem como parte das transferências entre contas de mesma titularidade, que ainda constavam da autuação. O acórdão exarado (fls. 2058/2095) teve a seguinte ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta depósito ou de investimento. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/02/2011 (fls. 2058 e ss), nos termos a seguir sintetizados, e que serão detalhados, no que necessário, na fundamentação do voto: - o lançamento sujeita-se a fato gerador mensal, portanto está decaído; - o princípio da motivação foi infringido porque o Fisco não avaliou de forma individualizada as provas e os créditos bancários supostamente omitidos, tendo ora utilizado metodologia individualizada, ora admitido toda a receita da atividade rural para diminuir dos créditos não comprovados; - seu pedido de diligência foi devidamente embasado na busca da verdade material, cabendo reiterá-lo; - o mútuo entre o recorrente e a empresa Benedito Mutran e Cia Ltda. não foi contemplado pela fiscalização, ao contrário do afirmado pela DRJ, até porque "o valor de R$ 755.558,56 só foi apresentado na impugnação"; - os créditos bancários do Banco Rural no valor de R$ 407.670,49 estão comprovados por documentos que ora apresenta como 'DOCS. X e XI', que se referem a operação de cédula de crédito bancário; - o fomento mercantil no valor de R$ 98.816,06 encontra-se atestado pelo 'DOC. XII' ora apresentado; - vários valores relativos à transferência entre contas de mesma titularidade, que discrimina, constam da lista de créditos não comprovados, diversamente do que entendeu a instância recorrida; - os recursos da atividade rural no valor de R$ 10.624.595,95, poderiam ser comprovados mediante a diligência requerida, e, caso se entendesse não estarem individualizados os créditos, deveria ser arbitrado o resultado da atividade à razão de 20%; - as parcelas do FNO BASA no valor de R$ 543.765,00 correspondem a crédito em favor do recorrente, conforme DOC. XIII que anexa ao auto de infração, cabendo protestar, ainda, por tempo adicional para apresentar documento complementar. Fl. 2151DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.788 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720859/2008-59 Nessa toada, peticiona, em 22/02/2011, "complementação ao item VI-5 do Recurso Voluntário protocolizado em 21.02.2011", item esse que corresponde aos créditos vinculados ao FNO. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Ainda que o contribuinte defenda ter havido decadência do lançamento por ser o fato gerador do imposto de renda mensal, a matéria já se encontra pacificada no âmbito do CARF, devendo ser refutada tal tese sem maiores delongas, com respaldo na seguinte Súmula, de observância obrigatória para os membros deste Colegiado, forte no art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Sendo a infração apurada atinente ao ano-calendário 2003, e havendo o recorrente sido cientificado da autuação em 18/12/2008, não há falar em decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Tampouco há que se cogitar de falta de motivação da autuação; os fundamentos de fato e de direito estão devidamente circunstanciados no Relatório Fiscal de fls. 717 e ss, devendo ser ponderado que a infração combatida foi apurada tendo como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Trata-se de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão, e o consequente fato gerador do imposto de renda pessoa física, a despeito do entendimento em sentido diverso trazido na peça recursal. E apesar de não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Destarte, intimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Por oportuno, explique-se que o abatimento das receitas da atividade rural do total de créditos sujeitos à comprovação de origem, promovido pela fiscalização, é medida que veio Fl. 2152DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.788 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720859/2008-59 em benefício do autuado, haja vista que traz em seu bojo o entendimento de que tais receitas transitaram pelas suas contas-correntes bancárias. Alguma mácula houvesse em tal proceder - já aceito pela jurisprudência do CARF, vide, ilustrativamente, o decidido no acórdão 9202-002.453 (j. 08/11/2012) - seria o caso não de se cogitar de nulidade por falta de discriminação, mas sim de providenciar a exclusão de tal abatimento, o que importaria em majoração do crédito tributário - situação a que se alude apenas a título argumentativo, tendo em vista o princípio de vedação ao 'reformatio in pejus'. Também sobressai como descabido o pedido de diligência formulado na decisão de primeira instância, então rejeitado, e renovado nesta segunda instância, pois os elementos para o esclarecimento e correta apreciação da causa já estão reunidos no processo, o qual se apresenta perante o julgador de segunda instância adequadamente instruído. Convém lembrar que a produção de provas com vistas a comprovar a origem dos créditos depositados em suas contas bancárias é ônus do contribuinte, tendo em vista a presunção legal estabelecida no art. 42 da lei nº 9.430/96, c/c art. 373, inciso I do CPC, cabendo-lhe sustentar a defesa de seu pedido com documentação hábil a fundamentar suas razões. No caso, caberia ao interessado, na qualidade de titular de conta corrente, ter procurado buscar, junto às correspondentes instituições financeiras em etapas anteriores do procedimento fiscal ou mesmo do contencioso, os borderôs de cobrança, documentos de parcelamento, etc., que agora demanda sejam obtidos em sede de diligência. Ressalte-se que o princípio da verdade material não serve de escusa para a inversão do ônus de prova firmado legalmente, tanto mais, repita-se, quando o momento processual apropriado já está precluso. De se rejeitar, portanto, o malfadado pedido de diligência. Passando ao mérito, o recorrente principia por alegar que parte dos mútuos que efetuou junto à empresa Benedito Mutran e Cia Ltda., e que comprovou quando da impugnação como 'DOC XIV', deveriam ter sido expurgados pela instância de piso. Trata-se de adução sem qualquer respaldo, pois pode ser verificado sem maiores dificuldades que os documentos que colacionou à impugnação como 'DOC XIV' (fls. 812 e ss ) tratam de empréstimos e movimentações que não compuseram, ao contrário do que diz o contribuinte, o montante dos depósitos sujeitos à comprovação de origem - Anexo I do auto, fls. 723 e ss. Na mesma linha, tem-se que os documentos 'DOC. XVI' da impugnação (fls. 905/907) e os documentos 'DOC. XII', anexo ao recurso voluntário (fls. 2024/2026), não possuem o condão de atestar que o valor de R$ 98.816,06 tem origem em operação de fomento mercantil com a DM Factoring. O 'DOC XVI' apenas indica terem vindo os valores em questão da factoring, mas não há documentação sobre a causa negocial que respaldou tais ingressos; e o 'DOC. XII' constitui-se apenas em cópia de página da internet que discorre sobre os serviços pretensamente prestados pela factoring, nada elucidando sobre as operações específicas sob análise. Diferentemente, tem-se que os documentos autenticados carreados às fls. 2117/2123 mostram-se hábeis a justificar a origem dos depósitos efetuados na conta do Banco Rural de nº 880012345 nas datas de 12/11/2003 (R$ 199.491,60) e 30/12/2003 (R$ 208.178,89) como sendo de liquidação de operações de empréstimo/desconto bancário, firmados com a Fl. 2153DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.788 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720859/2008-59 indigitada instituição - Cédulas de Crédito Bancário com vencimento em 13/01/2004 e 07/01/2004. Anote-se que, em que pese terem sido os documentos trazidos apenas em sede de recurso voluntário, como do seu exame é possível, com grau elevado de confiabilidade, comprovar a origem dos depósitos - sem adicional dilação probatória - admite-se, excepcionalmente, o seu reconhecimento para fins de justificação dos créditos questionados. Já no pertinente às alegadas transferências entre contas corrente de mesma titularidade, o reexame dos documentos coligidos quando da impugnação confere parcial razão à irresignação do contribuinte. Aparentemente, a decisão de primeiro grau não se deu conta que os depósitos discriminados às fls. 916 e ss, referentes a transferências do Banco Rural para a conta 10014 do Banco Bradesco, deram-se entre contas de mesma titularidade, e, ainda assim, compuseram a relação de créditos não comprovados no Anexo I do auto de infração, relação da qual deveriam ter sido expurgados pela autoridade lançadora. Sendo assim, deve ser reformado o acórdão combatido também nesse ponto, para fins de excluir do lançamento os créditos discriminados na Tabela 01 abaixo, efetuados no Banco Bradesco agência nº 02195, conta nº 10014: Tabela 01 - Transferências de mesma titularidade Data Valor (em reais) 21/10/2003 46.000,00 29/10/2003 23.500,00 11/11/2003 39.200,00 14/11/2003 12.000,00 21/11/2003 18.000,00 19/12/2003 89.000,00 22/12/2003 30.000,00 Requer o recorrente, ainda, sejam considerados os recursos da atividade rural que desenvolve, "que representa 99,5% de seus rendimentos tributários", considerando restarem comprovados R$ 10.624.595,95 com os documentos que anexou ("planilhas, contratos de leilão, notas e recibos de gado", etc). Não obstante, e conforme já bem explanado pela DRJ, caberia ao recorrente trazer a comprovação individualizada de cada depósito sujeito à justificação de origem, associando-os com a documentação que apresenta. Além de não o fazer, ao arrepio das claras prescrições do art. 42 da Lei nº 9.430/96, insiste em procurar imputar à fiscalização e às instâncias julgadoras ônus probatório que é de seu encargo, mediante a proposta reiterada de diligências, mais acima já refutadas. Fl. 2154DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.788 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720859/2008-59 Em outro giro, cogita ser aplicável ao seu caso, ainda que subsidiariamente, o art. 18 da Lei nº 9.250/95, que prevê o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de 20% da receita bruta da atividade rural no ano, em caso de falta de escrituração do livro-caixa. Nessa esteira, vislumbra poder aplicar tal percentual às receitas omitidas no ano-calendário, consoante cálculo que refere. Surpreende, pelo descabimento, tal pleito. Como repetido à saciedade, a infração imputada ao contribuinte tem seu fulcro legal no art. 42 da Lei nº 9.430/96, constituindo-se todos os depósitos não comprovados individualizadamente em omissão de rendimentos por presunção legal. Quando muito, é admitido o abatimento dos rendimentos ou receitas já declaradas ao Fisco, procedimento o qual, como mais acima narrado, já foi realizado pela autoridade lançadora. O contribuinte, em seu afã de minimizar o gravame fiscal que lhe onera, buscar 'fundir' duas prescrições legais com hipóteses de incidência bastante distintas, sem qualquer respaldo normativo. O precedente administrativo que cita, à guisa de exemplo da "farta jurisprudência a respeito", trata situação completamente diversa, na qual não havia sido comprovada a totalidade das receitas da atividade rural declaradas, e estava ausente livro-caixa. Sem razão, mais uma vez, o recorrente. Ao final, refere-se às "Parcelas do FNO BASA", que seriam vinculadas a liberações de recursos da Banco da Amazônia "em função de uma contrato de empréstimo sob a forma de FNO". No fito de assim o comprovar, trouxe o 'doc. XVIII' da impugnação (fls. 934 e ss), no qual consta como mutuário, conforme bem alertou a decisão hostilizada, pessoa física diversa do autuado, não se prestando, portanto, para os fins almejados pelo então impugnante. Em sede de recurso voluntário, anexa o DOC. XIII, no qual agência do BASA refere que mais tempo será necessário para reunir os comprovantes solicitados pelo recorrente. Expirado o prazo para interposição do recurso voluntário, o contribuinte junta a título de "complementação" do recurso (fls. 2128 e ss), consoante já mencionado no relatório, uma série de documentos que a seu ver, comprovam que os depósitos em questão teriam sido efetuados por pessoas físicas que teriam adquirido em leilão produção sua, e obtiveram financiamento FNO rural no BASA para essa compra, que teria sido paga ao recorrente. Ora, há que se firmar de pronto que a apresentação desses documentos revela-se completamente intempestiva, não havendo quaisquer motivos para que só quando da interposição do recurso voluntário o contribuinte tomasse iniciativa junto à instituição financeira de buscar os documentos comprobatórios de seu pretenso direito. Vale dizer que o rito do Decreto nº 70.235/72 não prevê a figura da "complementação" do recurso voluntário. Ademais, além de vários desses documentos serem de difícil leitura tendo em vista as cópias juntadas, não restam discriminadas e devidamente comprovadas as operações de venda em leilão referidas pelo recorrente, não se podendo tecer, com o mínimo de segurança, o liame entre a receita de atividade rural já declarada à RFB, e os depósitos em apreço, o que parece ser o intento do contribuinte. Inepta é assim a documentação anexada, ao menos para os fins que ele pretende. Quanto ao estorno aludido nessa manifestação extemporânea, não se conhece de tal adução por há muito tempo preclusa, nos termos já explicados. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os depósitos efetuados na conta do Banco Rural de nº 880012345 nos Fl. 2155DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.788 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720859/2008-59 valores de R$ 199.491,60 (em 12/11/2003) e R$ 208.178,89 (30/12/2003), bem como os depósitos realizados na conta do Banco Bradesco de nº 10014, discriminados na Tabela 01. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003207/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 14/03/2005 a 07/11/2005
RECURSO INTEMPESTIVO.
O Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição, constados da data da ciência postal da decisão DRJ, é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento.
REVISÃO ADUANEIRA. PENA DE PERDIMENTO. POSSIBILIDADE.
A procedimento de Revisão Aduaneira está previsto em lei, e pode ser executado dentro do prazo de cinco anos do registro da declaração, destinando-se à apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, e da exatidão das informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação. (Decretos-Lei nº 37/66 e 2.472/88)
SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. FORÇA PROBANTE DOS INDÍCIOS.
A simulação retrata um vício social do negócio jurídico. De maneira intencional, as partes orquestram uma ilusão negocial com a finalidade de induzir terceiros a erro. A prova direta representa, de forma imediata, a ocorrência do fato com implicações jurídicas. Já a prova indireta baseia-se na existência de outros fatos secundários (indícios) que, por indução lógica, levam à conclusão sobre a ocorrência ou não do fato principal de relevância jurídica. E para que ocorra a referida indução lógica, o quadro de indícios deve ser preciso, grave e harmônico entre si.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS.
Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros com fulcro na documentação acostada aos autos pela fiscalização, resta comprovada a interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, V, do Decreto-lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002.
MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO DO REAL ADQUIRENTE QUE CONCORREU PARA A PRÁTICA DA INFRAÇÃO.
Cabe ser mantida no polo passivo da autuação a empresa qualificada como a real adquirente das mercadorias importadas quando comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decreto-lei n.º 37/1966).
RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA CESSÃO DE NOME. SÚMULA CARF Nº 155
A multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não se confunde com a pena de perdimento do art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/76, o que afasta a aplicação da retroatividade benigna definida no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-007.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário da empresa LOGISTIC, por intempestivo, e negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa TEELEAP.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/03/2005 a 07/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. O Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição, constados da data da ciência postal da decisão DRJ, é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento. REVISÃO ADUANEIRA. PENA DE PERDIMENTO. POSSIBILIDADE. A procedimento de Revisão Aduaneira está previsto em lei, e pode ser executado dentro do prazo de cinco anos do registro da declaração, destinando-se à apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, e da exatidão das informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação. (Decretos-Lei nº 37/66 e 2.472/88) SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. FORÇA PROBANTE DOS INDÍCIOS. A simulação retrata um vício social do negócio jurídico. De maneira intencional, as partes orquestram uma ilusão negocial com a finalidade de induzir terceiros a erro. A prova direta representa, de forma imediata, a ocorrência do fato com implicações jurídicas. Já a prova indireta baseia-se na existência de outros fatos secundários (indícios) que, por indução lógica, levam à conclusão sobre a ocorrência ou não do fato principal de relevância jurídica. E para que ocorra a referida indução lógica, o quadro de indícios deve ser preciso, grave e harmônico entre si. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros com fulcro na documentação acostada aos autos pela fiscalização, resta comprovada a interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, V, do Decreto-lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO DO REAL ADQUIRENTE QUE CONCORREU PARA A PRÁTICA DA INFRAÇÃO. Cabe ser mantida no polo passivo da autuação a empresa qualificada como a real adquirente das mercadorias importadas quando comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decreto-lei n.º 37/1966). RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA CESSÃO DE NOME. SÚMULA CARF Nº 155 A multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não se confunde com a pena de perdimento do art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/76, o que afasta a aplicação da retroatividade benigna definida no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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O Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição, constados da data da ciência postal da decisão DRJ, é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento. REVISÃO ADUANEIRA. PENA DE PERDIMENTO. POSSIBILIDADE. A procedimento de Revisão Aduaneira está previsto em lei, e pode ser executado dentro do prazo de cinco anos do registro da declaração, destinando- se à apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, e da exatidão das informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação. (Decretos-Lei nº 37/66 e 2.472/88) SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. FORÇA PROBANTE DOS INDÍCIOS. A simulação retrata um vício social do negócio jurídico. De maneira intencional, as partes orquestram uma ilusão negocial com a finalidade de induzir terceiros a erro. A prova direta representa, de forma imediata, a ocorrência do fato com implicações jurídicas. Já a prova indireta baseia-se na existência de outros fatos secundários (indícios) que, por indução lógica, levam à conclusão sobre a ocorrência ou não do fato principal de relevância jurídica. E para que ocorra a referida indução lógica, o quadro de indícios deve ser preciso, grave e harmônico entre si. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros com fulcro na documentação acostada aos autos pela fiscalização, resta comprovada a interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, V, do Decreto-lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO DO REAL ADQUIRENTE QUE CONCORREU PARA A PRÁTICA DA INFRAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 32 07 /2 00 9- 94 Fl. 930DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Cabe ser mantida no polo passivo da autuação a empresa qualificada como a real adquirente das mercadorias importadas quando comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decreto-lei n.º 37/1966). RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA CESSÃO DE NOME. SÚMULA CARF Nº 155 A multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não se confunde com a pena de perdimento do art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/76, o que afasta a aplicação da retroatividade benigna definida no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário da empresa LOGISTIC, por intempestivo, e negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa TEELEAP. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata-se de Auto de Infração para a exigência de penalidade aduaneira (multa pela conversão da pena de perdimento) em relação às importações registradas pela LOGISTIC NETWORK TECHNOLOGY COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A (LOGISTIC) como por conta própria entre 14/03/2005 e 07/11/2005 (e-fl. 5). Sustenta a fiscalização que as operações seriam “SIMULADAS, com o objetivo de nacionalizar mercadorias, mantendo a compradora das mercadorias no exterior e real importadora a empresa TEELEAP oculta em todos os procedimentos, além da utilização de documentos ideológica e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas.” (e-fl. 5). As mercadorias importadas teriam como real importadora a empresa TEELEAP Fl. 931DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 TELECOMUNICAÇÕES S/A (TEELEAP), quem efetivamente as negociou no exterior e teria assumido financeiramente com as operações. Nas palavras da auditoria fiscal: Os documentos localizados na ação fiscal, que estão sendo apresentados como provas, demonstram que a TEELEAP foi a real COMPRADORA DAS MERCADORIAS NO EXTERIOR, REAL IMPORTADORA e como REAL ADQUIRENTE NO MERCADO NACIONAL, foi quem assumiu financeiramente todos os custos, já a LOGISTIC revestiu-se da qualidade de IMPORTADORA servindo de escudo e blindagem para essa REAL IMPORTADORA. (e-fl. 7) Como elementos de prova para demonstrar a interposição fraudulenta, a fiscalização indica a existência de notas fiscais de saída emitidas pela LOGISTIC, tendo a TEELEAP como destinatária das mercadorias, correspondências comerciais que ratificam o envolvimento das empresas (indicando os pedidos da TEELEAP de importação de mercadorias), planilhas de cálculo, preparadas pela LOGISTIC, indicando os custos das importações, desconto de 2,75% e os pagamentos recebidos e acertos de contas registram os gastos, valores recebidos, desconto de 2,75% e saldo apurado em cada importação. (e-fls. 34/35). Inconformadas, as empresas apresentaram Impugnações Administrativas, julgadas improcedentes pelo acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/03/2005 a 07/11/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (e-fl. 398) Intimada desta decisão em 23/01/2010 (AR - e-fl. 425), a empresa LOGISTIC protocolou Recurso Voluntário no dia 24/02/2010 (e-fls. 476-523). Por sua vez, a empresa TEELEAP foi intimada da decisão em 27/01/2010 (AR - e-fl. 423) e protocolou seu Recurso Voluntário no dia 22/02/2010 (e-fl. 426-473) na qual alega, em síntese: (i) a necessidade do auto de infração ser formalizado em processos distintos, por serem direcionados a sujeitos passivos distintos (TEELEAP E LOGISTIC) e a impossibilidade da revisão aduaneira, inexistindo previsão legal para a aplicação da pena de perdimento sobre mercadoria já desembaraçada. Afirma que a mercadoria vendida no mercado interno não autoriza o perdimento, garantido apenas para a mercadoria perdida ou extraviada (não localizada) ou para a mercadoria que pereceu, desapareceu ou foi roubada (consumida). Sustenta, ainda, a ausência de tipicidade, vez que por ser aplicada em sede de revisão aduaneira, não seria cabível a hipótese do art. 23, §1º, do Decreto-lei 1.455/1976, aplicável Fl. 932DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 somente para as mercadorias ainda não desembaraçadas. Quaisquer dúvidas relacionadas a aplicação desse dispositivo devem ser aplicada em favor do contribuinte na forma do art. 112 do CTN; (ii) a inexistência de interposição fraudulenta na hipótese, sendo que a Logistic atuou apenas como trading, por encomenda, mas não por conta e ordem, vez que realizou com recursos da própria Logistic, que assumiu o risco comercial da operação, sendo que os recursos não foram adiantados pela TEELEAP. Afirma a empresa que a operação era de “efetiva compra e venda de mercadorias importadas, mesmo que destinadas a encomendante predeterminado (TEELEAP)” (e-fl. 444); (iii) a impossibilidade de responsabilidade solidária da TEELEAP com fulcro no art. 95, V do Decreto-lei n.º 37/66, vez que não se trata de uma importação por conta e ordem de terceiros; (iv) a orientação do Ato Declaratório Interpretativo n.º 7/2002 respaldou a conduta adotada pela importadora LOGISTIC, considerando como importação própria aquelas importações para as quais constou como adquirente na fatura internacional (invoice), emitiu nota fiscal de entrada e de saída a título de compra e venda e contabilizou a entrada como compra e venda. Sustenta ainda a desproporcionalidade da multa aplicada; e (v) a ausência de falsidade ideológica, sendo passível de ser cometida apenas por ação, que não foi praticada pela TEELEAP, não havendo provas ou indícios da conduta delituosa; (vi) a aplicação da retroatividade benigna do art. 33 da Lei n.º 11.488/2007, devendo ser fixada em 10% do valor da operação acobertada. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. O Recurso Voluntário da empresa LOGISTIC é intempestivo, vez que apresentado após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias do art. 33 do Decreto n.º 70.235/72 1 . Intimada pela via postal com ciência em 23/01/2010 (e-fl. 425), sábado, o início da contagem do prazo começou no primeiro dia útil seguinte, segunda feira, 25/01/2010, na forma do art. 5º do referido Decreto 2 e do art. 66 da Lei n.º 9.784/99 3 , encerrando-se definitivamente em 1 "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." 2 "Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Fl. 933DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 23/02/2010. Assim, intempestiva a defesa apresentada no dia 24/02/2010 (e-fl. 476), que não cabe ser aqui conhecida. Por sua vez, a defesa apresentada pela empresa TEELEAP é tempestiva e cabe ser conhecida, adentrando a seguir em suas alegações. I – PRELIMINARMENTE - DA FORMA DE FORMALIZAÇÃO DO PROCESSO E DA REVISÃO ADUANEIRA Preliminarmente, sustenta a Recorrente pela necessidade do auto de infração ser formalizado em processos distintos, por serem direcionados a sujeitos passivos distintos (TEELEAP E LOGISTIC). Contudo, neste ponto bem se manifestou a r. decisão recorrida, evidenciando que a pretensão da empresa além de contrariar a expressão do art. 9º, §1º do Decreto n.º 70.235/72 implicaria na indevida duplicidade de lançamentos, estando correta a formalização em um único processo: Inicialmente cumpre esclarecer à interessada, empresa TEELEAP TELECOMUNICAÇÕES S/A., que o disposto o artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72 determina que devem ser lavrados autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade. No presente caso tem-se apenas a lavratura de um único auto de infração relativo a penalidade em comento. O § 1° esclarece que se forem lavrados autos de infrações (ou seja mais que um), estes poderão ser objeto de um único processo quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Note-se a referência expressa ao "caput deste artigo": Art. 9º- A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § l Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Grifos acrescidos) Quanto à sujeição passiva, é importante destacar que a empresa TEELEAP TELECOMUNICAÇÕES S/A. está autuada na condição de contribuinte solidária (fl. 02), assim, considerando os efeitos decorrentes da solidariedade, artigo 125 da Lei n° 5.172/66, não se vislumbra qualquer óbice à manutenção de um único auto de infração, visto que os efeitos decorrentes da solidariedade se traduzem na impossibilidade de repartir o crédito tributário entre os sujeitos passivos de um mesmo crédito tributário. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." 3 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia do começo e incluindo-se o do vencimento. § 1o Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2o Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do mês." Fl. 934DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Vale dizer, tem-se um único crédito tributário, consubstanciado num único auto de infração, ainda que os interessados respondam solidariamente: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I- o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. A eventual lavratura de outro auto de infração, como desejado pela interessada, relativo ao mesmo crédito tributário, aí sim acarretaria em nulidade, visto caracterizar a duplicidade de lançamento. Assim considerando o exposto, não se vislumbra a nulidade alegada. (e-fl. 404) Acresce-se que, em conformidade com a Súmula CARF n.º 71, todos os sujeitos que são arrolados como “responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade.” Com isso, a lavratura do Auto de Infração que atrai a responsabilidade solidária de mais de um sujeito sobre os mesmos motivos de fato e de direito deve ser discutido no mesmo processo. Trata-se de verdadeira hipótese de litisconsórcio passivo necessário, vez que a eficácia da decisão administrativa depende da válida intimação de todas as pessoas envolvidas com o Auto de Infração lavrado, em conformidade com o art. 114 do CPC/2015: Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes. Assim, afasta-se a alegação da Recorrente da necessidade de formalização segregada de processos administrativos em razão dos distintos sujeitos passivos. Ainda em sede de preliminar, sustenta a Recorrente que inexiste previsão legal para a aplicação da pena de perdimento sobre mercadoria já desembaraçada, sendo descabida a revisão aduaneira. Neste ponto, afirma que a mercadoria vendida no mercado interno não autoriza o perdimento, garantido apenas para a mercadoria perdida ou extraviada (não localizada) ou para a mercadoria que pereceu, desapareceu ou foi roubada (consumida). Nesse mesmo sentido, sustenta ainda a ausência de tipicidade, vez que por ser aplicada em sede de revisão aduaneira, não seria cabível a hipótese do art. 23, §1º, do Decreto-lei 1.455/1976, aplicável somente para as mercadorias ainda não desembaraçadas. Quaisquer dúvidas relacionadas à aplicação desse dispositivo devem ser aplicadas em favor do contribuinte na forma do art. 112 do CTN. Entretanto, essas alegações não merecem prosperar. Com efeito, o presente trabalho fiscal foi realizado dentro dos limites da revisão aduaneira autorizada pelo art. 54 do Decreto-lei n.º 37/1966 e pelos artigos 638 e 639 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 6.754/2009, vigente à época da lavratura da presente autuação: Decreto-lei n.º 37/1966 Fl. 935DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo DL nº 2.472/88) (grifei) Decreto n.º 6.754/2009 Art.638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de beneficio fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-Lei e 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 1988, art. 2º e Decreto-Lei 1.578, de 1977, art. 8º). §1ºPara a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. §2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-Lei e 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei n 2.472, de 1988, art. 2º); e 11-do registro de exportação. §3º Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifei) Nesse sentido, a identificação de eventuais penalidades, inclusive em decorrência da confirmação de causa de pena de perdimento de mercadorias, pode ser identificada tão somente após o desembaraço aduaneiro. Com efeito, a própria previsão da pena de perdimento do art. 23 do Decreto-lei 1.455/1976 prevê que não é apenas na conferência aduaneira que essa penalidade poderá ser aplicada. Isso porque, quando já desembaraçada a mercadoria, se a mercadoria foi posta em circulação no mercado interno e não puder ser apreendida, a pena de perdimento converte-se em multa correspondente a 100% do valor da mercadoria (art. 23, §§ 1º e 3º): Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (grifei) Fl. 936DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 E foi exatamente com fulcro nessa previsão legal que a fiscalização atuou no presente caso, vez que verificando que as mercadorias não poderiam ser apreendidas por já terem sido postas em circulação no mercado interno, a pena de perdimento foi convertida em multa. Veja-se que o dispositivo é claro em identificar as hipóteses de conversão da pena de perdimento em multa abrangendo inclusive os casos nos quais as mercadorias já tenham sido desembaraçadas e não mais estejam em recinto alfandegário. A interpretação da Recorrente quanto aos termos “não seja localizada ou que tenha sido consumida” da lei, excluindo as hipóteses de venda, extravio ou perda das mercadorias ocorridas após o desembaraço aduaneiro é demasiadamente restritiva e não encontra amparo na legislação aduaneira. Nesse sentido, afastam-se as alegações do Recorrente quanto à impossibilidade de revisão aduaneira. II – DO MÉRITO II.1 DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS Em sua defesa, a Recorrente TEELEAP sustenta a inexistência de interposição fraudulenta na hipótese, sendo que a LOGISTIC teria atuado apenas como trading, realizando as operações por encomenda, mas não por conta e ordem. Os recursos empregados eram da própria LOGISTIC, quem assumiu o risco comercial da operação, sendo que os recursos não foram adiantados pela TEELEAP. Afirma a empresa que a operação era de “efetiva compra e venda de mercadorias importadas, mesmo que destinadas a encomendante predeterminado (TEELEAP)” (e-fl. 444). Contudo, os elementos de prova anexados pela fiscalização não foram enfrentados frontalmente pela empresa, que reconheceu que seria uma encomendante predeterminado das mercadorias, quem negociava as mercadorias no exterior, como evidenciado pelos e-mails localizados pela fiscalização na sede da empresa LOGISTIC. Antes de adentrar especificamente no conjunto probatório do presente processo, importante primeiramente identificar o que se entende por negócio jurídico simulado e a distinção entre a prova direta e indireta. Tratam-se de definições muito bem traçadas pelo então Conselheiro Fábio Piovesan Bozza no Acórdão nº 2301-005.119, em voto abaixo reproduzido, a qual esta relatora já fez referência anteriormente no Acórdão 3402-006.831 de agosto/2019: "A simulação retrata um vício social do negócio jurídico, e não um vício de consentimento (as partes sabem muito bem o que querem e assim agem). De maneira intencional, as partes orquestram uma ilusão negocial com a finalidade de induzir terceiros a erro. O negócio simulado, desse modo, apenas aparenta preencher os requisitos de validade do negócio jurídico, quando, na verdade, não preenche, uma vez que as partes neutralizam os efeitos típicos do ato. O negócio simulado apresenta uma incompatibilidade consciente e intencional entre a causa abstrata e a causa concreta. Em outras palavras, há uma dissonância grave entre a função típica do negócio selecionado e o fim concreto almejado pelas partes. É o caso de uma compra e venda publicamente declarada em que as partes intencionalmente apenas encenam o pagamento do preço. Fl. 937DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 A prova da simulação consiste em demonstrar que o negócio jurídico em discussão é mera aparência ou dissimula uma relação jurídica de natureza diversa. Para tanto, é necessário provar uma situação fática existente, só que divergente da realidade da declaração, do negócio ou do sujeito dissimulado. O ideal é demonstrar a existência do acordo simulatório (causa simulandi) a fim de descortinar a cooperação entre os simuladores para a realização da maliciosa preordenação de uma aparência diversa da realidade. Tal tarefa, no entanto, não se apresenta de fácil execução, já que raras vezes essa prova será direta e estará consubstanciada num documento em que aflore claramente a intenção dos simuladores de enganar terceiros por meio de um negócio aparente. Por esse motivo, a simulação costuma ser provada pelo comportamento concludente das partes (ou seja, a atitude do agente que permite concluir acerca da respectiva intenção e dos efeitos jurídicos perseguidos). E isso geralmente acontece mediante a reunião de indícios. A produção de prova indireta deve ser baseada na existência de outros fatos (indícios) que, por indução lógica, levam à conclusão sobre a ocorrência do fato principal. A natureza da prova indireta, entretanto, sujeita-se a diferentes graus de crença. Por isso, o quadro de indícios deve ser preciso, grave e harmônico, isto é: (a) preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; (b) grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão; e (c) harmônico: com os indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação" (grifei). No presente caso, a fiscalização não localizou um contrato de importação por conta e ordem entre as empresas LOGISTIC e TEELEAP, que seria uma prova direta da operação. Contudo, levantou indícios para demonstrar essa relação e evidenciar que quem efetivamente procedia com as importações era a TEELEAP. Cumpre, portanto, avaliar se esse conjunto indiciário seria preciso, grave e harmônico. Os elementos probatórios considerados relevantes pela fiscalização para montar o conjunto indiciário para demonstrar a simulação foram os documentos apresentados à SRF pela LOGISTIC ou foram retidos no estabelecimento da LOGISTIC. Esses documentos foram sintetizados pela própria fiscalização no relatório fiscal, nos seguintes termos: Dos documentos e processos verificados, extraiu-se que a compradora de fato (real importadora) das mercadorias em questão foi a empresa TEELEAP, que interessada em maximizar os seus resultados, contratou os serviços da LOGISTIC, para a nacionalização das mercadorias, e agindo dessa forma, esses contribuintes, para atingir os seus objetivos, formularam a simulação desses negócios e prepararam todos os documentos registrando a LOGISTIC como importadora, deixando oculta a verdadeira adquirente das mercadorias a TEELEAP. Dessa forma, a TEELEAP interessada em nacionalizar e comercializar as mercadorias com o menor custo, e a LOGISTIC, interessada em se aproveitar dos benefícios financeiros do FUNDAP, resolveram correr os riscos, cabendo ao fisco unicamente identificar as irregularidades e punir os responsáveis pela infração. Fl. 938DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 No caso concreto as irregularidades foram comprovadas através de documentos que escancararam os procedimentos fraudulentos, esses documentos constaram nos processos relacionados (apresentados à SRF pela LOGISTIC) ou foram retidos no estabelecimento da LOGISTIC, conforme segue: a. Notas fiscais de saídas, emitidas pela LOGISTIC, tendo a TEELEAP como destinatária das mercadorias; b. Correspondências comerciais que ratificam o envolvimento das empresas; c. Planilhas de calculo, preparadas pela LOGISTIC, indicando os custos das importações, desconto de 2,75% e os pagamentos recebidos; d. Acertos de contas registram os gastos, valores recebidos, desconto de 2,75% e saldo apurado em cada importação. Esses acertos ratificam, de forma muito clara, que nunca existiu pagamento de uma fatura referente a uma compra especifica, o que houve foram acertos de custos (conta de chegar descontando os recebimentos) dos diversos processos de importação, onde a TEELEAP ainda recebeu desconto. Em todos os processos acima relacionados, ratificando o entendimento fiscal, a TEELEAP esta identificada em algum documento, indicando de forma muito clara que foi ela quem comprou as mercadorias no exterior. Esses bens foram nacionalizados de forma simulada pela LOGISTIC e vendidas no mercado nacional, igualmente de forma simulada como se a TEELEAP estivesse adquirindo essas mercadorias no mercado nacional, já nacionalizadas. (e-fls. 34/35) Fl. 939DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Com efeito, um primeiro indício relevante é que todas as notas fiscais emitidas pela LOGISTIC para a TEELEAP trazem as informações das declarações de importação firmadas pela empresa, com a data do desembaraço aduaneiro e o número de controle do processo de importação da LOGISTIC. Vejamos, por exemplo, a Nota Fiscal 5949 (e-fl. 118) emitida pela LOGISTIC em 17/03/2005, relacionada a 3.000 “Cable Modem MP SB5100 Motorola” importados por meio da DI 05/0261619-3 registrada em 14/03/2005 (e-fl. 95/109): Essa nota fiscal foi emitida no mesmo dia que as mercadorias teriam ingressado no estabelecimento da LOGISTIC pela nota fiscal de entrada 5948, em 17/03/2005 (e-fl. 117). Essa mesma situação ocorreu para as demais importações objeto da autuação. A fiscalização ainda anexou memórias de cálculo das notas fiscais emitidas pela LOGISTIC para a TEELEAP, evidenciando que o que estava sendo cobrado não era a compra de mercadorias, mas sim pela prestação de serviços de importação, segregando os valores de frete aéreo, seguro, comissão aduaneira etc. É o que se denota do documento denominado “acerto de contas” das e-fls. 138/139, relacionada à DI 05/0295625-3 registrada em 22/03/2005 (fatura comercial internacional n.º 20249): Fl. 940DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Observa-se que a nota fiscal de venda interna é diretamente vinculada à fatura comercial do exterior, com a relação de todas as despesas incorridas na importação, evidenciando uma relação comercial entre as empresas de prestação de serviço de importação. Esse documento foi igualmente localizado pela fiscalização para outras importações (vide, por exemplo, e-fls. 160 e 186) Esses indícios foram aliados aos e-mails localizados na empresa LOGISTIC que denotam que as orientações para a importação, e até mesmo o contato no exterior, era travado pela empresa TEELEAP. Pela relevância para compor o conjunto indiciário, reproduz-se abaixo o e-mail enviado por uma pessoa da TEELEAP em abril de 2005 indicando que teria pedido correções nas invoices (faturas comerciais internacionais) à XTEL, empresa exportadora das mercadorias (e-fl. 183): Fl. 941DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Outro e-mail, enviado pela mesma pessoa responsável da TEELEAP, indica que o carregamento de mercadorias é autorizado por ela para a LOGISTIC providenciar os trâmites da importação (e-fl. 184): Vislumbra-se, portanto, um conjunto indiciário preciso, grave e harmônico, com a identificação de uma relação entre as empresas TEELEAP e LOGISTIC não apenas de compra e venda de mercadorias importadas, mas de verdadeira prestação de serviço de importação realizado pela LOGISTIC em interesse da TEELEAP, por sua ordem e interesse. Tratam-se de elementos fáticos com uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão (grave) e que se mostram concordantes entre si e não contraditórios, convergindo para a mesma solução: a existência de interposição fraudulenta de terceiros. Sobre essas acusações, a Recorrente reconhece que a empresa LOGISTIC efetivamente atuava como sua trading, para realizar importações em seu interesse. O cerne da defesa da Recorrente é que essa importação teria sido por encomenda. Uma vez que não existia disciplina da importação por encomenda à época, a forma correta para a empresa proceder era como uma importação própria pela LOGISTIC. Contudo, esse entendimento não merece prosperar. Fl. 942DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Segundo o conceito identificado no art. 1º, parágrafo único da Instrução Normativa n.º 225/2002, antes da criação da figura da importação por encomenda entendia-se “por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado”. Assim, para caracterizar uma operação por conta e ordem bastava a realização da importação por uma pessoa (importador), em seu nome, em interesse de outra pessoa (adquirente). Por isso, inclusive, que a Declaração de Importação trazia as informações do “Importador” e do “Adquirente” em campos distintos. No presente caso, os elementos probatórios evidenciam que a LOGISTIC atuou como importadora em interesse da TEELEAP, caracterizando a importação por conta e ordem, razão pela qual deveria ter observado os procedimentos previstos na referida Instrução Normativa n.º 225/2002, que exige no art. 3º a identificação do adquirente nos documentos da importação, como aquela pessoa jurídica que encomendou a mercadoria importada. Além da DI, a TEELEAP deveria ter sido identificada na fatura comercial e no conhecimento de carga. Nos termos da disciplina da IN 225/2002, vigente à época 4 : Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entende-se por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Art. 4º Sujeitar-se-á à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: 4 Atualmente disciplinada pela Instrução Normativa n.º 1.861/2018. Fl. 943DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 I - inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decreto-lei nº 37, de 18 de novembro de 1966); II - ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, inciso V, do Decreto-lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002). Parágrafo único. A aplicação da pena de que trata este artigo não elide a formalização da competente representação para fins penais, relativamente aos responsáveis, nos termos da legislação específica (Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 e Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). (grifei) Em conformidade com o diploma normativo acima transcrito e o entendimento já veiculado por este Conselho 5 , na importação por conta e ordem de terceiros, a "trading" é uma mera intermediária, prestadora de serviços para a consecução da atividade de importar promovendo, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquirida por outra empresa. Diferencia-se, com isso, a figura do importador por conta e ordem, como a pessoa jurídica que promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação da mercadoria, da figura do adquirente da mercadoria, como a pessoa quem contratou o serviço do importador. A operação regular de importação por conta e ordem é realizada com recursos do próprio adquirente, mesmo que a importadora os antecipe para concretizar a importação. Assim, a origem dos recursos financeiros é do adquirente, identificado expressamente nos documentos da importação (fatura, DI etc.) A partir de 2006, o gênero “importações para terceiros” foi subdividido em duas espécies distintas: a importação por conta e ordem de terceiros, dita acima, e a importação por encomenda, por meio da qual a empresa importadora ("trading") adquire mercadoria junto ao exportador no exterior e providencia sua entrada no território nacional, com a posterior revenda ao encomendante. Para o importador, a operação tem os mesmos efeitos de uma importação própria. Na importação por encomenda, a importação é realizada com recursos próprios da importadora e a operação cambial para pagamento da importação é realizada exclusivamente em nome da importadora que a realiza. Assim, a “trading” está importando para destinatário certo, que determina o produto a ser importado, conforme consignado em contrato firmado entre as partes. Esta operação ainda não estava regulamentada à época de parte dos fatos envolvidos na presente autuação, tendo sido disciplinada a partir de 21/02/2006 pela Lei n.º 11.281/2006 e em 27/03/2006 pela Instrução Normativa n.º 634/2006. 6 Ambas as operações, portanto, se inserem em um gênero de importações realizadas em interesse ou para terceiros (ou seja, importador realiza a operação em interesse de um terceiro adquirente). A diferença principal entre a operação de conta e ordem da operação de encomenda é a utilização de recursos por parte do adquirente da mercadoria, sendo que na 5 A título exemplificativo, vide o Acórdão n.º 3302-001.995 da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção proferido no processo nº 12466.002272/2007-31 na sessão de 28/02/2013. 6 Atualmente disciplinada pela Instrução Normativa n.º 1.861/2018 Fl. 944DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 importação por encomenda o verdadeiro importador das mercadorias é a trading. Contudo, além da necessidade de ser identificado expressamente nas Declarações de Importação, necessário ainda que o encomendante seja previamente habilitado no SISCOMEX (IN SRF nº 455/2004). Nos termos originários da Instrução Normativa n.º 634/2006: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I - nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II - prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. (grifei) De forma sintética, diferencia-se as duas operações de importações de terceiros após fevereiro/2006: Importação por Conta e Ordem de Terceiros Importação por Encomenda "Trading" é intermediadora (prestadora de serviços) "Trading" é a real importadora Operação realizada com recursos do adquirente Operação realizada com recursos da "trading" Câmbio fechado pelo adquirente Câmbio fechado pela "trading" Contrato de importação por conta e ordem Contrato de importação por encomenda Nesse sentido, os recursos empregados na operação não eram considerados um critério relevante para caracterizar a importação por conta e ordem, ainda que fossem relevantes para atrair a presunção de interposição fraudulenta (quando, apesar da importação ser declarada como própria, o importador não tivesse os recursos para realizar a operação). Somente por meio da Lei n.º 11.281/2006 que a legislação passa a distinguir as operações realizadas em interesse de terceiros em razão dos recursos empregados, considerando a importação por conta e ordem como aquela realizada com recursos do adquirente e a importação por encomenda aquela realizada com recursos da própria importadora. Desta forma, com fulcro em um conjunto indiciário contundente acostado ao Auto de Infração, a fiscalização demonstrou que a empresa TEELEAP seria a real adquirente das mercadorias importadas pela LOGISTIC. A TEELEAP, portanto, foi ocultada como real compradora e responsável pela operação mediante simulação, configurando a hipótese de dano ao Erário prevista no art. 23, V do Decreto-lei n.º 1.455/1976, passível de punição com a pena de perdimento das mercadorias (§1º), convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da Fl. 945DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida (§ 3º). Na redação vigente à época da lavratura da autuação, transcrita no relatório fiscal: Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (grifei) Correta, portanto, a aplicação da pena de perdimento proposta pela fiscalização com fulcro no art. 23 do Decreto-lei n.º 1.455/1976. Aqui importante salientar que, ao contrário do que pretende a Recorrente, a fiscalização não fundamentou a autuação no §2º do art. 23 do Decreto-lei n.º 1.455/1976, relacionado à interposição fraudulenta presumida, para a qual seria necessário procedimento especifico por parte da Receita Federal para demonstrar a não comprovação de origem dos recursos. No presente caso, a fiscalização confirmou a interposição fraudulenta de terceiro, com a identificação clara do importador oculto (TEELEAP), camuflado pela documentação da importação que não refletiu a operação efetivamente realizada. Assim, ao contrário do que aduz a Recorrente, não foi relevante no presente caso a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos pela Recorrente como importadora ostensiva (LOGISTIC). Acresce-se ainda que, ao contrário do que pretende a Recorrente, o dano ou prejuízo ao erário decorre da expressa previsão legal do art. 23, V, do Decreto-lei n.º 1.455/1976, que indica que o dano ocorre quando da ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação de importação. De toda forma, a fiscalização buscou identificar a vantagem aferida na operação para a TEELEAP especificamente quanto ao recolhimento do IPI, por não ter sido equiparado a estabelecimento industrial. Essa alegação somente busca respaldar o interesse da TEELEAP na operação, não o dano que o erário teria sofrido. Desta forma, restou demonstrado nos autos que a efetiva importadora das mercadorias foi a empresa TEELEAP, quem negociou no exterior as mercadorias importadas pela importadora ostensiva LOGISTIC. Assim, confirma-se a simulação na documentação da importação das mercadorias que indicaram a empresa LOGISTIC como importadora própria, ocultando o real comprador das mercadorias e efetivo responsável pela operação de importação Fl. 946DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 (TEELEAP) e ocultando o valor da real transação realizada. A simulação foi vislumbrada em conformidade com o art. 167, §1º, II, do Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: (...) II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; (grifei) Não se adentra nessa seara tributária nos elementos penais para o ingresso de ação penal relacionada a falsidade ideológica da documentação da importação. Aqui somente se evidencia que há provas e indícios de simulação praticada pelas partes que ensejou na aplicação da penalidade: por parte da LOGISTIC por orientar a indicação nas faturas comerciais como importadora das mercadorias quando a TEELEAP verdadeiramente figurava nessa condição; e por parte da TEELEAP, que manteve essa orientação não obstante seja ela quem tratava diretamente com a exportadora no exterior. A materialidade da conduta e suas condições para a instauração do processo penal não é objeto deste processo, a ser travada na seara judicial própria. Importante ainda afastar a alegação da empresa em torno da orientação do Ato Declaratório Interpretativo n.º 7/2002. Afirma a Recorrente que a conduta da importadora LOGISTIC teria sido orientada pela própria RFB no referido ADI, considerando como importação própria aquelas importações para as quais constou como adquirente na fatura internacional (invoice), emitiu nota fiscal de entrada e de saída a título de compra e venda e contabilizou a entrada como compra e venda. Primeiramente, essencial evidenciar que, como evidenciado acima, as faturas emitidas pela LOGISTIC e as faturas internacionais não retrataram a realidade dos fatos: que a LOGISTIC prestou serviço de importação para a TEELEAP, verdadeira interessada na importação das mercadorias. Ademais, a orientação deste ADI não estava mais vigente à época das importações autuadas (2005). Com efeito, o ADI 07/2002 se refere à aplicação das disposições das Instruções Normativas n.º 75/2001 e 98/2001 que tratam do PIS e da COFINS na importação por conta e ordem de terceiros. Vejamos o seu exato teor: Art. 1º As disposições das Instruções Normativas nº 75, de 2001, e nº 98, de 2001, aplicam-se somente às operações em que a pessoa jurídica comercial importadora - empresa comercial importadora - atue apenas como prestadora de serviços. Parágrafo único. A empresa comercial importadora atua como prestadora de serviços somente na hipótese em que ela não adquira a propriedade das mercadorias importadas. Art. 2º Para que se caracterize a aquisição, pela empresa comercial importadora, da propriedade das mercadorias importadas, é suficiente que ocorra uma das seguintes hipóteses em que a referida empresa: I - conste como adquirente no contrato de câmbio; II - conste como adquirente na fatura internacional (invoice); III - emita nota fiscal de entrada ou de saída a título de compra ou venda; ou IV - contabilize a entrada ou a saída da mercadoria importada como compra ou venda. Fl. 947DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Parágrafo único. Na hipótese de a empresa não ter escrituração comercial regular, o aferimento da condição prevista no inciso IV far-se-á com base na natureza da operação efetivada, constante de notas fiscais. Contudo, as referidas instruções normativas foram revogadas pela já mencionada IN 247/2002, já vigente à época das importações realizadas no presente caso, que expressamente indicava, repita-se, que “entende-se por importador por conta e ordem de terceiros a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra” (art. 12, §1º, I, IN 247/2002). Os requisitos a que fazia referência do ADI n.º 7/2002 passaram a ser identificados nos artigos 86 a 88 desta Instrução Normativa, com o seguinte teor vigente à época: Art. 86. O disposto no art. 12 aplica-se, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I - contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II - os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; e III - a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. § 2º A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência das contribuições com base no valor da operação. Art. 87. Em virtude do disposto nos arts. 12 e 86, a pessoa jurídica importadora deverá: I - emitir, na data em que se completar o despacho aduaneiro das mercadorias, nota fiscal de entrada na qual deverão ser informados: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores constantes da fatura comercial, expressos em moeda estrangeira convertidos em reais pela cotação, para compra, divulgada pelo Banco Central do Brasil no dia anterior ao da emissão da nota fiscal de entrada; b) em linhas separadas, o valor de cada tributo incidente na importação; II - registrar na sua escrituração contábil, em conta específica, o valor das mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros, pertencentes aos respectivos adquirentes; III - registrar, no Livro Registro de Inventário, sob títulos específicos, as mercadorias referidas no inciso II, que ainda estiverem sob sua guarda na data do levantamento de balanço correspondente a encerramento de período de apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido; IV - emitir, na data da saída das mercadorias de seu estabelecimento, nota fiscal de saída tendo por destinatário o adquirente, na qual deverão ser informados: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores expressos em reais apurados de conformidade com o disposto na alínea "a" do inciso I, acrescidos do valor dos tributos incidentes na importação; Fl. 948DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 b) o destaque do valor do ICMS incidente na saída das mercadorias do estabelecimento da pessoa jurídica importadora, calculado de conformidade com a legislação aplicável. c) o IPI, calculado sobre o valor da operação de saída; e V - emitir, na mesma data referida no inciso IV, nota fiscal de serviços, tendo por destinatário o adquirente, pelo valor cobrado a título de serviços prestados para a execução da ordem emanada do adquirente. Parágrafo único. Na nota fiscal de serviços deverá constar o número das notas fiscais de saída das mercadorias a que corresponder os serviços prestados. Art. 88. Relativamente às importações por conta e ordem de terceiros, a pessoa jurídica importadora somente poderá emitir nota fiscal de saída das mercadorias tendo como destinatário o adquirente. Parágrafo único. Caso o adquirente determine que as mercadorias sejam entregues em outro estabelecimento, serão observados os seguintes procedimentos: I - a pessoa jurídica importadora emitirá nota fiscal de saída das mercadorias para o adquirente; e II - o adquirente emitirá nota fiscal de venda para o novo destinatário, com destaque do IPI, com a informação, no corpo da nota fiscal, de que a mercadoria deverá sair do estabelecimento da importadora, bem assim com a indicação do número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e do endereço da pessoa jurídica importadora. Assim, a referida ADI não estava vigente à época dos fatos geradores autuados, não se apresentando como uma orientação de conduta concreta da empresa importadora. Com isso, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário nestes pontos. II.2. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DA EMPRESA TEELEAP Neste item, a inconformidade da empresa TEELEAP se centra na impossibilidade de se atribuir responsabilidade solidária à ela por não ter ocorrido na hipótese a interposição fraudulenta. Contudo, a responsabilidade da importadora oculta pela infração cometida no caso da importação simulada realizada por conta e ordem encontra respaldo no inciso V do art. 95 do Decreto-lei n.º 37/1966, no qual se respaldou a fiscalização, nos seguintes termos: Art.95 - Respondem pela infração: (...) V - conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) (grifei) Em conformidade com o art. 94, §2º do Decreto-lei n.º 37/66, “salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. (grifei) Uma exceção a esta regra consta do art. 23, V do Decreto-lei n.º 1.455/76, aplicado no presente caso, por ser uma Fl. 949DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 hipótese que efetivamente atrai a subjetividade, o dolo, da conduta fraudulenta. Nas palavras da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402-003.443: Desse modo, a própria legislação aduaneira coloca que a responsabilidade pelas infrações é objetiva, a não ser que a própria lei traga regra em sentido diverso. Tendo sido qualificada pelo artigo 23, inciso V a conduta como dolosa, através da configuração de fraude ou simulação, para a tipificação da ocultação de terceiros e consequente pena de perdimento, estas não podem ser afastadas do tipo infracional em questão Contudo, no presente caso, inexiste a alegada boa-fé da TEELEAP ou uma suposta ausência de dolo. Como evidenciado pela fiscalização, a empresa era quem procedia com as negociações no exterior, somente orientando a LOGISTIC do momento para proceder com a importação, sem realizar o procedimento formalmente exigido pela Administração Pública para a nacionalização das mercadorias. Diante do exposto, cabe ser mantida a empresa TEELEAP no polo passivo da presente autuação. III – DA MULTA APLICADA: RETROATIVIDADE BENIGNA E PROPORCIONALIDADE Quanto a alegada desproporcionalidade ou confiscatoriedade da penalidade aplicada, ela não cabe ser aqui analisada em conformidade com a Súmula CARF n.º 2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A empresa sustenta, ainda, a aplicação da retroatividade benigna do art. 33 da Lei n.º 11.488/2007, devendo ser fixada em 10% do valor da operação acobertada. Ainda que o entendimento pessoal dessa relatora seja distinto 7 , cabe aqui aplicar por exigência regimental a previsão da Súmula CARF nº 155, segundo a qual: A multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não se confunde com a pena de perdimento do art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/76, o que afasta a aplicação da retroatividade benigna definida no art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Com isso, o entendimento que prevaleceu na Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF é no sentido de que a pena de perdimento e a multa do art. 33 da Lei n.º 11.488/2007 pela cessão de nome são penalidades distintas, não cabendo se falar em retroatividade benigna. Nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005 DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. 7 Já externado neste Conselho antes da edição da súmula aqui aplicada, como por exemplo no voto vencido proferido no Acórdão 3402-003.671, de 14/12/2016. O entendimento do Colegiado naquele acórdão prevaleceu na CSRF no Acórdão 9303-006.000, transcrito adiante. Fl. 950DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3402-007.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12466.003207/2009-94 Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76. Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas. (Número do Processo 11131.000177/2007-11 Data da Sessão 29/11/2017 Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Nº Acórdão 9303- 006.000 - grifei) Assim, cabe ser negado provimento ao Recurso Voluntário nestes pontos. IV – CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário da empresa LOGISTIC, por intempestivo, e negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa TEELEAP. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 951DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005535/2003-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-II
Data do fato gerador: 19/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista ausência da correta disposição legal infringida; de acordo com o art. 59, inc. II do Decreto 70,235/72, sem prejuízo da observância do art. 173, inc. II da Lei de n°5.172/66.
Recurso Voluntário Anulado.
Numero da decisão: 3201-000.469
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular o auto de lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O conselheiro Ricardo Paulo Rosa votou pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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DEFINITIVA Recorrente BASF SA Recorrida DM - SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Data do fato gerador: 19/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista ausência da correta disposição legal infringida; de acordo com o art. 59, inc. II do Decreto 70,235/72, sem prejuízo da observância do art. 173, inc. II da Lei de n°5.172/66. Recurso Voluntário Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular o auto de lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Ricardo Paulo Rosa votou pela conclusão. Vencidos os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes que anulavam por vício material. Illi.----, 17U__CAA_. C-45h_or JUDITH DO 1/.. MARCONDES ARMANDO — Presidente)RAt.'‘ i Processo n' 10314.005535/2003-48 83-C211 Acórdão n 3201-00A69 Fl 191 /- X eikl\nr—." M fr C HELEN 'TRAJANO D'AMORIM Relatora FORMALIZADO E 4 25 de junho de 2010. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 2 Processo ri' 10314.005535/2003-48 S3-C2T1 Acórdão n .° 3201-00,469 Fl. 192 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, às fls, 150/151 que transcrevo, a seguir: "Tratam os presentes autos de infração, Ils . 01/08, lavrados contra o contribuinte em epígrafe, de exigência do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados- Vinculado, da Multa de Oficio do II, e Juros de Mora do II., no valor de R$ 28,653,55, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. O contribuinte promoveu uma operação de exportação (RE 97/0776531-001) de 3 máquinas tintométricas automáticas, que haviam sido importadas em 1997., As referidas máquinas foram devolvidas pelo importador estrangeiro, sob a alegação de dificuldade na comercialização das mesmas., As mercadorias foram objeto da Declaração de Importação n" 02/1123972-5, de 19/12/2002, sem o pagamento dos tributos de importação, tendo o declarante alegado tratar-se de mercadoria sobre a qual não incide o Imposto de Importação, ao amparo do ar!. 88, inciso II, item 'e' do Regulamento Aduaneira Quando do desembaraço aduaneiro, o AFRFB informou tratar- se de mercadoria ,filande,sa e australiana, nacionalizadas em data anterior a sua exportação, ocorrida em 09/12/1997. A fiscalização constatou que ocorreu o pagamento do valor constante na fatura comercial da exportação definitiva, considerando concluída a operação de exportação e a correspondente desnacionalização das mercadorias; e, por conseqüência, entendeu exigível os tributos dessa importação (II e IPI-Vinculado), lavrando o presente auto de iqfração. Cientificado em 22/09/2003, fls. 01/05, o contribuinte, por seu procurador, ,f1s.. 81, apresentou sua Impugnação, _lis. 67/80, alegando que.: 1, exportou as três máquinas tintométricas amparadas no RE 97/0776531-001, anteriormente importadas da Finlândia e Austrália no ano de 1997 e nacionalizadas; 2, após a exportação a empresa importadora abandonou o mercado de tintas, devendo as mercadorias importadas; 3 Processo n° 10314.005535/2003-48 S3-C2T1 Acórdão ri 3201-00.469 F1 193 3- no ato do despacho de importação, a impugnante fez constar na DI, registrada em 19/11/2002, com fundamento no art. 88, II, 'e' do RA, enquanto que no auto de infração o auditor indicou como base legal o Decreto n 4,543/2002, inaplicável no caso por não se encontrar vigente, caracterizando vicio formal do lançamento; 4-no mérito, ocorreu isenção de impostos com base no art. 88, II, 'e', do RA, 5- as máquinas são novas, sem uso, conforme laudo; 6- a impugnante tinha que concordar com a devolução das máquinas, ainda que por motivo estranho a sua vontade; 7-a multa de oficio é incabível com amparo no ADN Cosit n° 10/97, e por desatender os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de seu caráter confiscatório 8- os juros de mora são descabidos e com base no art, 151, combinado com o art., 161 do CTN, a interposição de recurso suspende a incidência de juros, recordando que a constituição definitiva do crédito tributário, somente ocorre com o encerramento do processo administrativo; 9- a aplicação da taxa Selic é eivada de inconstitucionalidade. Requer a insubsistência da autuação com o cancelamento do lançamento, É o Relatório." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO TI rrQ 17/22.528, de 23/01/2008, proferida pelos membros da i n Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, às fis.149/156 cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Imposto sobre a Importação - Data do fato gerador: 19/12/2002 Ementa IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE EXPORTAÇÃO DEFINITIVA Mercadoria nacionalizada que foi exportada em caráter definitivo, quando de sua importação se caracteriza como desnacionalizada, sujeita ao pagamento dos tributos de importação.. Lançamento Procedente" O julgamento foi no sentido de manter o crédito tributário, tendo em vista que deixaram de ser recolhidos os tributos na data do registro da DI, portanto, essa operação de importação ficou sujeita não só a sua cobrança, mas também a aplicação da multa de oficio, na , hipótese ali prevista (falta de pagamento ou recolhimento) e juros de mora. Segundo a 4 Processo n° t0314.0055351200348 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.469 Fl 194 fiscalização houve exportação definitiva da mercadoria e essa mercadoria foi considerada estrangeira ao adentrar no Pais e não reimportação, O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, às fls. 160/179 e documentos às fls. 180/184, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira à fl. 189 (última). É o Relatório, 5 Processo n° 10314.005535/200348 S3-C2T1 Acórdão n° 3201-00.469 Fi 195 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratam os presentes autos de infração de exigência do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados-Vinculado, da Multa de Oficio do L1. e Juros de Mora do I.I., no valor de R$ 28.653,55. Versa o processo de importação de mercadorias, por serem consideradas estrangeiras, tendo em vista anterior operação de exportação, de acordo com o RE 97/0776531- 001 de 3 máquinas tintométricas automáticas, que tinham sido importadas em 1997. Essas máquinas foram devolvidas pelo importador estrangeiro, sob a alegação de dificuldade na comercialização das mesmas. As mercadorias foram objeto da Declaração de Importação if 02/1123972-5, de 19/12/2002, sem o pagamento dos tributos de importação, tendo o recorrente solicitado reimportação das mesmas, por tratar-se de mercadoria sobre a qual não incide o Imposto de Importação, ao amparo do art. 88, inciso II, item 'e' do Regulamento Aduaneiro/85, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Como relatado, a fiscalização constatou que ocorreu o pagamento do valor constante na fatura comercial da exportação, considerando concluída a operação de exportação e a correspondente desnacionalização das mercadorias, passando a exigir os tributos dessa importação (II e IPI-Vinculado), por considerar que as mercadorias tomaram-se estrangeiras Alega o recorrente, no entanto, que: "no ato do despacho de importação, a impugnante fez constar na DI, registrada em 19/11/2002, com fundamento no art. 88, II, 'e' do RA, enquanto que no auto de inflação o auditor indicou como base legal o Decreto n° 4.543/2002, inaplicável no caso por não se encontrar vigente, caracterizando vício .formal do lançamento,." Não obstante, o trabalho fiscal tenha sido conduzido com destacável zelo, no auto de infração persistem inconsistências como a correta disposição legal infringida; ou seja, no auto de infração consta como base legal o Decreto ri.° 4.543/2002, que não se encontrava vigente, à época; fato que compromete a validade do lançamento. Apesar da autoridade julgadora de primeira instância registrar o equívoco cometido quando da lavratura do Auto de Infração, a decisão recorrida mantém a exigência, em sua integralidade. Isso porque, segundo entende, a recorrente não teria sido prejudicada, posto que "contribuinte em sua Impugnação atacou sobre os fatos da exigência fiscal, sem qualquer demonstração de prejuízo ou que tenha acarretado cerceamento do direito de defesa." 6 Processo na 10314.005535/2003-48 S3-C2TI Acórdão n.' 3201410.469 Fl. 196 Discordo do arresto supra, vez que, em minha opinião, não se trata (somente) de cerceamento do direito de defesa da recorrente, mas de formalidade essencial ao lançamento fiscal, o qual constitui atividade administrativa plenamente vinculada (não só em relação às normas procedimentais, como também à apuração dos fatos e seu enquadramento legal). O artigo 142 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966), prevê: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do ,fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Assim, quando a forma do ato jurídico está prescrita em lei, sua legitimidade depende da observância dessa forma, sendo considerados inválidos os atos administrativos que não preencham os requisitos essenciais Por sua vez, o artigo 10 do Decreto n° 70,2.35/72 enumera os requisitos essenciais de validade do lançamento, a saber: Art. 10. O auto de 4-ação será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:. 1- a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; 1V - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O mesmo decreto explicita o que deve ser feito nestes casos: Art. 18. (..) § 3°. Quando, em exames posteriores, diligências ou puídas, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultarem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal • da exigência, será lavrado auto de inflação ou notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria mod¡ficada. \\..) 7 Processo n° 10314 005535/2003-48 S3-C2T1 Acórdão n ' 3201-00.469 Fl. 197 Conforme se verifica, somente é possível a alteração da fundamentação da base legal do auto de infração, mediante a confecção de novo auto de infração ou notificação de lançamento complementar. Destaco, ainda, o inciso IV como elemento fundamental à constituição do crédito tributário, por contemplar o pressuposto de direito (disposição legal infiingida) que caracteriza a motivação. Pois, por meio dele que o autuante demonstra a vinculação entre a matéria fática (fato imponível in concreto), constatada na ação fiscal, e a hipótese abstrata, constante da norma jurídica (hipótese de incidência tributária), Assim, a correta capitulação legal que demonstra o descumprimento da legislação, e enseja a lavratura do auto de infração, é elemento obrigatório, sem o qual, carece de um dos elementos de validade do lançamento por suscitar verdadeira preterição do direito de defesa. Entendo, pois, que o lançamento está eivado de vício de forma quando, entre outras circunstâncias, não observar os elementos indispensáveis à sua formação, previstos no artigo 100 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal-PAF), Transcrevo, ainda, o Parecer da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação- (COSIT) n° 09, de 03 de fevereiro de 1999, „ 20, Os requisitos formais do ato administrativo de lançamento aparecem no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, Se o ato não respeita referidas formalidades, não tem condições para produzir efeitos, ... „.,.. , ...„...,..,....„. 32. Firmada a premissa estatuída no item anterior, cunzpre-nos então abordai- a questão relativa ao prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, que deverá tomar como termo inicial o disposto no art,173, inciso II, do CTN, pelas razões a seguir.• 32.1 Faz-se necessário que não restem dúvidas quanto aos efeitos retroativos que a declaração da nulidade produz, bem assim quanto à inexistência da figura da anulabilidade dos atos administrativos. 33. O art,173, inciso II, do CTN estabelece,: Art,173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados.' I- (..) . II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (grilos do original). 8 Processo n" 10314.005535/200348 S3-C2T1 Acórdão n 3201-00.469 Fi 199 10
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Numero do processo: 13888.721035/2016-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/03/2016
AUDITOR FISCAL. MULTA. DECLARAÇÃO FALSA. COMPETÊNCIA.
O(A) Auditor(a) Fiscal da Receita Federal é competente para lavrar autos de infração de multas por falsa declaração ainda que os tributos principais estejam em fase de cobrança judicial.
AGRAVAMENTO. MULTA. DOLO.
Demonstrado atraso no conhecimento da ocorrência das circunstância materiais da forma de extinção do fato gerador (compensação) pela autoridade fazendária e redução do montante do tributo devido por ação livre consciente e reiterada (por cento e noventa vezes) da contribuinte, deve a multa ser agravada.
MULTA. PATAMAR DE 225%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para pronunciar-se acerca de violação do princípio Constitucional do não confisco.
ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÃO À LEI.
Ao apresentar cento e noventa declarações de compensação com créditos inexistentes para reduzir o valor dos tributos a pagar em espécie o administrador da Recorrente, em tese, fraudou a fiscalização tributária inserindo elementos inexatos, (...) em documento ou livro exigido pela lei fiscal (art. 1° inciso II da Lei 8.137/90), isto é, o administrador infringiu a Lei respondendo pela multa em questão, nos termos do artigo 135 inciso III do CTN.
Numero da decisão: 3401-007.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/03/2016 AUDITOR FISCAL. MULTA. DECLARAÇÃO FALSA. COMPETÊNCIA. O(A) Auditor(a) Fiscal da Receita Federal é competente para lavrar autos de infração de multas por falsa declaração ainda que os tributos principais estejam em fase de cobrança judicial. AGRAVAMENTO. MULTA. DOLO. Demonstrado atraso no conhecimento da ocorrência das circunstância materiais da forma de extinção do fato gerador (compensação) pela autoridade fazendária e redução do montante do tributo devido por ação livre consciente e reiterada (por cento e noventa vezes) da contribuinte, deve a multa ser agravada. MULTA. PATAMAR DE 225%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para pronunciar-se acerca de violação do princípio Constitucional do não confisco. ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÃO À LEI. Ao apresentar cento e noventa declarações de compensação com créditos inexistentes para reduzir o valor dos tributos a pagar em espécie o administrador da Recorrente, em tese, fraudou a fiscalização tributária inserindo elementos inexatos, (...) em documento ou livro exigido pela lei fiscal (art. 1° inciso II da Lei 8.137/90), isto é, o administrador infringiu a Lei respondendo pela multa em questão, nos termos do artigo 135 inciso III do CTN.
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MULTA. DECLARAÇÃO FALSA. COMPETÊNCIA. O(A) Auditor(a) Fiscal da Receita Federal é competente para lavrar autos de infração de multas por falsa declaração ainda que os tributos principais estejam em fase de cobrança judicial. AGRAVAMENTO. MULTA. DOLO. Demonstrado atraso no conhecimento da ocorrência das circunstância materiais da forma de extinção do fato gerador (compensação) pela autoridade fazendária e redução do montante do tributo devido por ação livre consciente e reiterada (por cento e noventa vezes) da contribuinte, deve a multa ser agravada. MULTA. PATAMAR DE 225%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para pronunciar-se acerca de violação do princípio Constitucional do não confisco. ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÃO À LEI. Ao apresentar cento e noventa declarações de compensação com créditos inexistentes para reduzir o valor dos tributos a pagar em espécie o administrador da Recorrente, em tese, fraudou a fiscalização tributária “inserindo elementos inexatos, (...) em documento ou livro exigido pela lei fiscal” (art. 1° inciso II da Lei 8.137/90), isto é, o administrador infringiu a Lei respondendo pela multa em questão, nos termos do artigo 135 inciso III do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 10 35 /2 01 6- 65 Fl. 3849DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.721035/2016-65 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório 1.1. Trata-se de auto de infração para aplicação de multa por falsa declaração em DCOMP, agravada pelo não atendimento à fiscalização e sujeição passiva solidária no valor total de R$ 17.654.203,19 (dezessete milhões, seiscentos e cinquenta e quatro mil e duzentos e três reais e dezenove centavos). 1.2. Para tanto, alega a fiscalização que a Recorrente utilizou um mesmo crédito de R$ 1.124.052,66 como base de 190 pedido de compensação que totalizam R$ 7.889.926,68 em débitos tributários. Ademais, afirma que o crédito da Recorrente é inexistente, eis que “já haviam sido indicados pela contribuinte para extinguir débitos por ela declarados com tributos com as mesmas características em DCTF” sendo que, em alguns pedidos de compensação a Recorrente foi intimada da incorreção de seu pedido porém “a interessada optou por não retificar os pedidos de compensação” e apresentou recursos a esta Corte apenas alegando nulidades, isto é, sem apresentar prova de seu direito creditório. 1.2.1. Assim, a fiscalização conclui que “é legítima a imputação de dolo (no mínimo, do tipo eventual) na conduta quando, de forma REITERADA, [a Recorrente] tenta modificar as características do fato gerador de modo a reduzir o montante a pagar – mediante a entrega de DCOMPs cujos créditos são inexistentes”. 1.2.2. Por fim, a fiscalização arrola como sujeito passivo solidário o senhor Rogério Moraes Batista, (forte no artigo 135 inciso III do CTN) único administrador da Recorrente e a pessoa que forneceu a procuração eletrônica para outras pessoas protocolarem os pedidos de compensação. 1.3. Apenas a Recorrente RMF apresentou Impugnação em que argumenta: 1.3.1. Os tributos devidos encontram-se em cobrança judicial, logo a Receita Federal é incompetente para exigir a multa; Fl. 3850DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.721035/2016-65 1.3.2. “Em nenhum momento a Recorrente almejou a simples suspensão dos débitos, apenas usufruiu da legislação que permite a compensação de créditos tributários, já que entende ser detentora dos créditos alegados”; 1.3.2.1. Se utilizou de entendimento da fiscalização que permite o pedido de compensação enquanto pendente de julgamento pedido de restituição; 1.3.3. A multa no patamar de 225% é confiscatória; 1.3.3.1. “A empresa deixou de atender intimação fiscal para prestar esclarecimentos, ocorre que por descuido as intimações fiscais não foram tratadas com o devido zelo, tendo em vista que os responsáveis acharam desnecessário respondê-las, uma vez que os débitos declarados nas Dcomps estão em cobrança, não fazendo qualquer sentido prosseguir na esfera administrativa, ainda mais quando estas compensações foram consideradas não declaradas por decisão judicial”. 1.3.3.2. Não restou demonstrada a falsidade da declaração; 1.3.4. “A atitude do Sr. Rogério não possui nenhum caráter ilícito, já que as compensações foram transmitidas conforme legislação e entendimento da Secretaria da Receita Federal, não restando configurada a tipificação do art. 135, do CTN”; 1.3.4.1. “Além disso, as compensações não foram homologadas e sequer houve uma fundamentação para a negativa, já que esta foi proferida de forma eletrônica, justificando assim a apresentação das manifestações de inconformidade, tendo em vista que toda decisão administrativa precisa ser motivada e fundamentada, conforme Lei nº 9.784/99”. 1.4. A DRJ de Ribeirão Preto manteve a autuação integralmente fundamentando sua decisão no seguinte: 1.4.1. “Sendo a atividade do auditor-fiscal uma atividade vinculada, [ante os fatos narrados pela fiscalização] não só os auditores tinham competência para lavrar o auto de infração, como tinham o dever funcional de fazê-lo; 1.4.2. A atuação da Recorrente no presente caso foi “dolosa, porque não se concebe como alguém que administra uma sociedade não tenha um bom controle de tudo o que a sua empresa tem a receber e a pagar, aí incluídos os débitos tributários definitivos e os créditos líquidos e certos (e.g., pagamentos porventura feitos a maior)”; 1.4.3. “A intenção de lesar acaba por ser facilmente desvelada pela reiteração e pelos altos valores indevidamente informados nessas declarações e nunca retificados”; 1.4.3.1. “Ao compensar débitos com créditos inexistentes, os controles da empresa (seja escrituração contábil, seja livro caixa) acusarão um excedente financeiro no final que, a depender do volume, será impossível de passar Fl. 3851DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.721035/2016-65 despercebido aos olhos do administrador, de que se tratou de uma redução indevida de obrigações tributárias”; 1.4.4. “Em relação à majoração da multa isolada de 150% para 225%, em virtude de não atendimento das intimações, a própria recorrente reconheceu no item II.c da impugnação, à fl. 3799, que não atendeu as intimações, razão pela qual foi correta a majoração da multa”; 1.4.5. “Acolher a alegação dos impugnantes [caráter confiscatório da multa] implicaria em declarar a inconstitucionalidade de Lei, o que é vedado em sede administrativa”; 1.4.6. “No presente caso, ficou caracterizada a conduta dolosa do agente [Rogério Moraes Baptista] em virtude da reiteração da conduta e do volume relativo aos valores envolvidos”. 1.5. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando as teses descritas em sede de Impugnação. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. A Recorrente alega INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL vez que os débitos tributários objeto de compensação estão em cobrança judicial. Em contraponto, a DRJ afirma que ante os fatos narrados é dever da autoridade fiscal lançar a multa de ofício agravada, ex vi artigo 142 Parágrafo Único do CTN. 2.1.1. Efetivamente, no presente processo não se exigem tributos e sim multa decorrente de apresentação de declaração de compensação com falsidade. Embora decorrente um tema de outro e ligados a um mesmo aspecto histórico, as hipóteses de incidência (e consequentemente, os fatos geradores) são distintas. Lá discute-se se houve ou não lucro, receita, faturamento, saída de produto industrializado etc. Aqui o tema é a tentativa de extinguir os débitos tributários por meio de compensação com falsas declarações. Portanto, o fato de existirem cobranças já em sede judicial não demonstra incompetência do fisco federal; pelo contrário, apenas reforça o dever de, no mínimo, investigar possíveis irregularidades. 2.2. A Recorrente alega ter cumprido fielmente os ditames legais em seu pedido – inclusive, com respaldo em Solução de Consulta da Receita Federal – logo, não há DOLO a tornar possível a incidência da multa em análise. 2.2.1. A DRJ afasta a alegação de inexistência de dolo nos termos já descritos em relatório, nomeadamente: Fl. 3852DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.721035/2016-65 1.4.2. A atuação da Recorrente no presente caso foi “dolosa, porque não se concebe como alguém que administra uma sociedade não tenha um bom controle de tudo o que a sua empresa tem a receber e a pagar, aí incluídos os débitos tributários definitivos e os créditos líquidos e certos (e.g., pagamentos porventura feitos a maior)”; 1.4.3. “A intenção de lesar acaba por ser facilmente desvelada pela reiteração e pelos altos valores indevidamente informados nessas declarações e nunca retificados”; 1.4.3.1. “Ao compensar débitos com créditos inexistentes, os controles da empresa (seja escrituração contábil, seja livro caixa) acusarão um excedente financeiro no final que, a depender do volume, será impossível de passar despercebido aos olhos do administrador, de que se tratou de uma redução indevida de obrigações tributárias”; 2.2.2. Ao fixar a base para o agravamento de 100% da multa de ofício, afirma o Fisco que há em tese, crime contra a ordem tributária, em especial por restarem configuradas no caso concreto ações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/74. Ademais, há novo agravamento em 50% por ter a Recorrente deixado de atender o fisco quando intimada. 2.2.3. Com a devida vênia, quer parecer que o artigo 73 da Lei 4.502/74 foi indicado por mero equívoco da fiscalização pois em momento algum se aventa conluio com terceiros. Pois bem, os tipos plasmados nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/74 têm como elementos em comum a execução típica (ação ou omissão dolosa) e a finalidade da ação (tendente a impedir ou retardar); divergem apenas quanto aos resultados típicos: i) sonegar (no que importa à resolução do presente caso) envolve retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, e ii) fraudar é modificar as características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante do imposto devido. 2.2.4. Os resultados típicos foram repisados algumas vezes no curso da fiscalização, i.e., houve atraso no conhecimento da ocorrência das circunstância materiais da forma de extinção do fato gerador (compensação) pela autoridade fazendária e redução do montante do tributo devido. Ambos os casos tipificaram-se por uma ocorrência no mundo fenomênico: cento e noventa declarações de compensação com créditos inexistentes para débitos sete vezes maiores. 2.2.5. Sobre o dolo, é certo que a doutrina clássica de direito penal (em especial na Alemanha) afasta a possibilidade de reconhecer ação dolosa de pessoa jurídica, por faltar a esta o elemento anímico. Assim, ROXIN leciona que “tampoco son acciones conforme al Derecho penal alemán los actos de personas jurídicas, pues, dado que les falta una sustancia psíquico-espiritual, no pueden manifestarse a sí mismas”(DP PG, fls. 258). 2.2.5.1. Em contraponto, JAKOBS (Tratado, fls. 220/1) aponta que a teoria do direito penal se afastou da teoria causal da ação para fixar a responsabilidade. É dizer, a doutrina clássica do direito penal - ao menos desde FEURBACH (e também ROXIN, fls. 308) - afasta o elemento psíquico-espiritual na análise do dolo da pessoa física, e o inclui quando trata de pessoa jurídica! Dolo, na clássica lição de WELZEL (DP PG, fls. 74/5) é a consciência do que se quer e a decisão de realiza-lo. Inclusive, o mestre de Bonn destaca que “El dolo, como mera decisión de un hecho es penalmente irrelevante, ya que el derecho penal no puede afectar el mero ánimo de obrar. Solamente cuando conduce al hecho real y lo domina, es penalmente relevante”, ou seja, o dolo se manifesta na ação e nela deve ser perscrutado. Fl. 3853DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.721035/2016-65 2.2.5.2. Acerca das ações e omissões imputadas à Recorrente bem discorreu a DRJ. A reiteração da conduta infracional (190 declarações), ainda que informado o equívoco por diversas vezes quer por este colegiado quer pelas DRJs e a inobservância dos controles contábeis da própria Recorrente – que certamente acusaram o erro – demonstram o conhecimento e vontade de praticar a ação. As consequências necessárias e inevitáveis da ação da Recorrente foram a redução artificial do montante a pagar dos débitos tributários e o retardamento do conhecimento da ocorrência deste montante, logo, há dolo direto imputável a ela e o agravamento é de rigor. 2.3. O caráter confiscatório da MULTA EM PATAMAR DE 225% é tema constitucional ao qual este Conselho está impedido de pronunciar-se, nos termos da Súmula CARF 2. Ademais, “a própria recorrente reconheceu no item II.c da impugnação, à fl. 3799, que não atendeu as intimações, razão pela qual foi correta a majoração da multa”, logo, inexistente qualquer outro tema de defesa, de rigor a manutenção da multa. 2.4. A fiscalização fundamenta a RESPONSABILIDADE DO SÓCIO no artigo 135 inciso III do CTN c.c. artigo 1° e artigo 2° da Lei 8.137/90 bem como artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Isto porque, o único administrador da Recorrente concedeu procuração a três pessoas em períodos diferentes para lançaram as DCOMP com informações falsas no sistema. 2.4.1. Como matéria de defesa a Recorrente tece os argumentos descritos no item 1.3.4 acima, a saber: 1.3.4. “A atitude do Sr. Rogério não possui nenhum caráter ilícito, já que as compensações foram transmitidas conforme legislação e entendimento da Secretaria da Receita Federal, não restando configurada a tipificação do art. 135, do CTN”; 1.3.4.1. “Além disso, as compensações não foram homologadas e sequer houve uma fundamentação para a negativa, já que esta foi proferida de forma eletrônica, justificando assim a apresentação das manifestações de inconformidade, tendo em vista que toda decisão administrativa precisa ser motivada e fundamentada, conforme Lei nº 9.784/99”. 2.4.2. Na escorreita lição de SCHOUERI (ao discorrer acerca da posição majoritária sobre o tema) para incidência da responsabilidade nos termos do artigo 135 do CTN faz-se necessária a presença de três aspectos: 1) ato praticado com excesso de poderes, infração a lei, contrato social ou estatutos, 2) o fato jurídico tributário e, 3) uma relação de causalidade entre ambos. 2.4.3. Destarte, para a responsabilização nos termos do artigo 135 inciso III do CTN não basta a infração a Lei é necessário “que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou tolerado a pratica de ato abusivo ou ilegal” (PAULSEN). É neste mesmo sentido, inclusive, a Jurisprudência Vinculante do Tribunal da Cidadania e do Egrégio Sodalício: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. Fl. 3854DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.721035/2016-65 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. (...) 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). (STJ - REsp 1101728 / SP – Temas 96 e 97) DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão-somente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 2.4.4. É evidente que, quando há ação direta do administrador no ato ilícito, do mesmo conjunto de fatos exsurge o fato gerador tributário e o fato gerador da responsabilidade tributária. E é justamente o caso dos autos. Em momento algum a Recorrente imputa a ação dolosa a terceiros (ainda que desconhecidos), limita-se a infirmar o dolo da ação. Ora, como dito no item anterior, a conduta comissiva é dolosa, em tese. Houve consciência na execução da ação e vontade de atingir os objetivos ilícios que, mutatis mutandis, são os mesmos descritos nos artigos 71 e 72 da Lei 9.430/96 (reduzir tributos). 2.4.4.1. Pormenorizadamente, ao apresentar cento e noventa declarações de compensação com créditos inexistentes para reduzir o valor dos tributos a pagar em espécie a Recorrente, em tese, fraudou a fiscalização tributária “inserindo elementos inexatos, (...) em documento ou livro exigido pela lei fiscal” (art. 1° inciso II da Lei 8.137/90). 2.4.4.2. Com o antedito, com a máxima vênia, afasta-se a incidência do artigo 2° da Lei 8.137/90, até porque, tal delito é formal (V. RHC 114513/SP), subsidiário ao descrito no artigo que lhe antecede. O artigo 2° da Lei 8.137/90 se contenta com o mero intuito de lesar os cofres públicos (EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp 1277044/ES), já o artigo 1° é delito material que exige o efetivo prejuízo e no caso este (prejuízo) restou cabalmente demonstrado. Fl. 3855DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.032 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.721035/2016-65 3. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento nos termos acima descritos. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 3856DF CARF MF
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