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Numero do processo: 19740.000054/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000
DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.
O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas.
Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543-C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP.
MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105
A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam.
Numero da decisão: 1402-003.197
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105 A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 54 /2 00 3- 91 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 417 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 418 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/RJO em sessão de 13 de dezembro de 2006 (fls. 281/285)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada perante aquela Turma Julgadora e manteve os lançamentos de CSLL, em Acórdão assim ementado Segundo a acusação, as infrações corresponderiam a, i) CSLL não recolhida ou recolhida e menor relativamente ao anocalendário/1999 e, ii) multa isolada por insuficiência de pagamentos de estimativas mensais do mesmo período. Inconformada, a recorrente acostou recurso voluntário (fls. 291/306) onde assenta ter manejado ação judicial contra a imposição da CSLL (Lei nº 7.689/1988) e que, sendo vencida na demanda, interpôs apelação ao E. TRF da 2ª Região oportunidade em que, 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 419 4 além de requerer a reforma da decisão de Piso, realizou depósitos judiciais que determinariam a suspensão da exigibilidade da contribuição, inclusive, no que interessa, os valores objeto da autuação (janeiro a dezembro de 1999). Em outra ponta, batese contra a imposição da multa isolada, por concomitância com a multa de ofício. Subindo ao Colegiado de 2º Grau, CARF, a então 3ª Turma Especial da 1ª Seção converteu o julgamento em diligência (fls. 387/388), determinando, dentre outras providências, que a unidade origem providenciasse: Baixado à jurisdição da recorrente, acostaramse informações e documentos (fls. 389/408) e foi elaborada informação conclusiva (fls. 409/413) da qual, ressaltese, a recorrente não foi cientificada para eventual manifestação . Os autos retornaram para julgamento, sendo distribuído a este Relator, pela extinção da Turma Especial. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 420 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Já foi atestada a tempestividade do Recurso Voluntário e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares. No mérito, a discussão cingese em verificar se efetivamente a recorrente era devedora do montante de R$ 25.887,63 a título de CSLL do anocalendário de 1999 e, como consequência, da multa isolada por insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais relativamente à mesma contribuição. A reprodução do AI (fls. 133), mostra o quadro: Assim discriminados (fls. 134): Fl. 420DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 421 6 Cabe, neste ponto, reproduzir a informação fiscal conclusiva da diligência (fls. 409/413), da qual, mais uma vez impende destacar, a recorrente não teve ciência: "Tratase de Diligência decorrente de solicitação da Terceira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), constante dos parágrafos finais do despacho de fls. 336/337, abaixo reproduzido: (...) Foram os dois primeiros itens atendidos pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (Dicat) por meio dos extratos anexados às fls. 338/342 e do despacho de fls. 350/352, cujo teor revela a vinculação indevida de créditos a débitos de CSLL relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000, em razão de os depósitos judiciais efetuados, mormente o de fls. 193 ( cópia às fls. 346), não acobertarem períodos posteriores a dezembro de 1998, em que pesem as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF e reiteradas em sede recursal. O quadro abaixo reflete a real situação desses débitos, desconsiderandose o citado depósito judicial: (...) Por tal motivo, foram exigidos por meio de auto de infração débitos decorrentes de multa pelo não pagamento dessas estimativas com base no demonstrativo de apuração da CSLL de fls. 24, apresentada pelo contribuinte no curso da ação fiscal, e confirmada pelos valores declarados na ficha 29 da DIPJ dos exercícios 2000 e 2001 (CSLL mensal por Estimativa), conforme quadro abaixo: (...) Por sua vez, a cópia da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ 2000) de fls. 64, na parte relativa ao cálculo da CSLL do ano de 1999 (ficha 30), registra, conforme reprodução abaixo, que o contribuinte se utilizou indevidamente do total dos valores mensais de estimativa declarados na ficha 29 (fls. 59/63), uma vez que, conforme mencionado acima, não houve valores pagos a titulo de CSLL. (...) Com efeito, ao refazer os cálculos sem o valor indevidamente deduzido, chegou o Auditor autuante ao resultado devido, a título de CSLL a pagar, no valor de RS 25.887,63, uma vez que, conforme descrito no termo de verificação e nos despachos de fls. 345 e 350/352 , repisese, os depósitos judiciais existentes somente suspendem débitos apurados até dezembro de 1998 porque a ação judicial somente abrange os fatos geradores até esse período. Por outro lado, a situação acima não foi aplicável a CSLL apurada em 31/ 12/2000, em face de a base de cálculo, ao Fl. 421DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 422 7 contrário de 31/12/1999, possuir valor negativo superior, em módulo, às estimativas declaradas em DIPJ (fls. 97). Concluindo, a análise dos autos revela que os débitos exigidos no auto de infração decorrem não somente da aplicação de multa isolada em função da falta de pagamento das estimativas, a titulo de CSLL, dos anoscalendário 1999 e 2000. mas também da constituição de crédito de CSLL relativo a 31/12/1999. por força da dedução indevida do valor correspondente às estimativas apuradas naquele ano, mas que não foram efetivamente pagas". Em sua defesa, alega a recorrente ter feito depósito judicial do montante citado (incluídos outros valores e períodos) e contesta a multa isolada por concomitância. Para isso, juntou cópia da ação judicial, do depósito feito nos autos e da planilha demonstrativa dos valores alocados ao processo no Tribunal Regional Federal. Pois bem, analisando os autos, penso que cabe razão à recorrente. Primeiro porque, ainda que as manifestações fiscais vindas ao processo fixem que a ação judicial diria respeito ao ano de 1998 e os autos de infração seriam pertinentes a 1999, pelo que "os depósitos judiciais existentes somente suspendem débitos apurados até dezembro de 1998 porque a ação judicial somente abrange os fatos geradores até esse período" (informação fiscal de diligência fls. 409/413), não vejo que este ponto possa impedir a contribuinte de efetuar depósitos de outros períodos, se entender necessário, pertinente, compulsoriamente ou por mera liberalidade. Confirase que a recorrente EFETIVAMENTE depositou valores que dizem respeito, dentre outros períodos, ao ano de 1999 justamente os que se encontram nos autos de infração . Vejase (fls. 379) o depósito e (fls. 380) os valores que se inserem dentro do montante depositado: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 423 8 Observese a reprodução em destaque dos meses de 1999: Ou seja, os R$ 25.887,64 (lançados a título de CSLL), estão integralmente depositados. Com isso, feito o depósito, mesmo que de ano diferente ao do pedido inicial da ação, fato é que a exigibilidade tornase suspensa, por força do artigo 151, II, do CTN. Nessa linha e aí se estampa o segundo ponto que me faz entender que razão cabe à recorrente houve a apresentação de DCTF (fls. 392/393) que, como não poderia Fl. 423DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 424 9 deixar de ser, identificou que os valores dos débitos declarados (os mesmos constantes nos autos de infração e, igualmente, os mesmos da planilha que discrimina os valores depositados), estariam com a exigibilidade suspensa. Ou seja, há depósitos dos valores questionados, há DCTF com iguais valores e, como consequência, a exigibilidade restou suspensa naquele momento. Desse modo, não vislumbro como possam os mesmos valores ser exigidos, via auto de infração, posto que, se improvida a ação judicial, o crédito tributário restaria adimplido pela conversão em renda dos montantes depositados. Insta mencionar que, como reconhecido de forma pacífica pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o depósito do montante integral de tributo, sujeito a lançamento por homologação, constitui o crédito tributário, equivalendose a um lançamento (confissão de dívida/lançamento de ofício). É o que se depreende do julgado do Superior Tribunal de Justiça STJ, cuja ementa trago abaixo: "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida.Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido." (STJ, Recurso Especial n.º 1.216.466/RS, Rel. Des. Conv. Diva Malerbi, Segunda Turma, DJe 04/12/2014 grifei) Em síntese, verificado o êxito do contribuinte, impõese a devolução total do montante, bem como dos acréscimos decorrente do tempo; ao contrário, constatado o fracasso, cabe transformálo em renda e extinguir o crédito tributário, conforme preceito do artigo 156, VI, do CTN, o que configura, em ultima análise, em verdadeiro lançamento por homologação, tornando, assim, desnecessário o lançamento de ofício pela autoridade fiscal em relação às importâncias depositadas. Esta matéria já foi analisada por este C. Turma (Ac. 1402001.570, de 07/03/2014), onde restou decidido que o depósito do montante integral equivale a confissão de dívida, sendo desnecessário o lançamento de ofício, como foi feito nos presentes autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, Fl. 424DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 425 10 razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. Recurso Voluntário Provido. Para finalizar, na mesma linha de raciocínio adotada neste voto, o STJ analisou o tema sob a égide do então art. 543C do CPC (“recurso repetitivo”), cujo entendimento pode ser visto, naquilo que interessa, na parte da ementa abaixo reproduzida: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. [...] 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. [...] (REsp 1.140.956/SP, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 24/11/2010, DJe 03/12/2010) Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e exonerar os lançamentos de CSLL no valor original de R$ 25.887,64. DA MULTA ISOLADA Sobre a multa isolada, sem maiores digressões, o tema está pacificado desde a edição da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com a vigência da referida Súmula, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Sendo os lançamentos de multa isolada aqui tratados pertinentes a períodos anteriores a 31/12/2006, cabe o cancelamento dos mesmos. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 19740.000054/200391 Acórdão n.º 1402003.197 S1C4T2 Fl. 426 11 Resumindo, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar as exigências imputadas. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 426DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720237/2015-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
EMBARGOS. OMISSÃO.
Verificada omissão a prejudicar a compreensão do alcance da decisão colegiada, cabe a correspondente integração via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento.
DIRETOR EMPREGADO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA.
Não havendo provas suficientes para atestar a ausência ou mitigação substancial da subordinação jurídica, prevalece para os diretores empregado o vínculo laboral tal como formalmente estabelecido.
Numero da decisão: 2202-004.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar a fundamentação do Acórdão nº 2402-005.872, embargado, sem efeitos infringentes, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO ABC BRASIL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 EMBARGOS. OMISSÃO. Verificada omissão a prejudicar a compreensão do alcance da decisão colegiada, cabe a correspondente integração via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento. DIRETOR EMPREGADO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. Não havendo provas suficientes para atestar a ausência ou mitigação substancial da subordinação jurídica, prevalece para os diretores empregado o vínculo laboral tal como formalmente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar a fundamentação do Acórdão nº 2402005.872, embargado, sem efeitos infringentes, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 37 /2 01 5- 52 Fl. 1480DF CARF MF 2 Relatório Tratase de alegação de omissão formulada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) face ao Acórdão nº 2402005.872 (fls. 1440/14633), exarado por esta 2ª Turma Dda 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento em 07/06/2017, cuja ementa transcrevese: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. PRINCÍPIO DA COERÊNCIA E DA VEDAÇÃO AO COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA. Frente ao princípio de vedação ao comportamento contraditório e dever de coerência a ser observado pela administração pública, deve o Fisco guardar harmonia na qualificação dos fatos relativos a relações jurídicas continuadas, salvo comprovada mudança das circunstâncias envolvidas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito do Fisco apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, que, no caso da contribuição previdenciária, aperfeiçoase ao final da competência a que se destina. PLR. COMISSÃO PARITÁRIA. AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. RECUSA SEM MOTIVOS PLAUSÍVEIS. 1. O Sindicato foi intransigente e, mesmo após cientificado e intimado, simplesmente se recusou a indicar um representante para participar da comissão paritária. 2. A recusa jamais poderia obstaculizar os direitos dos trabalhadores ao recebimento da PLR e, por consequência, servir de fundamento para a tributação. PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei 10101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. VALOR RECEBIDO A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO QUANDO DA RENÚNCIA A CARGO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O montante percebido a título de indenização por expresidente de sociedade anônima, face à cláusula de não concorrência e de confidencialidade quando da renúncia àquele cargo, não se consubstancia remuneração apta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201552 Acórdão n.º 2202004.712 S2C2T2 Fl. 1.481 3 JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88. Consoante enuncia a Súmula CARF nº 88, "A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". O dispositivo do acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria, dar lhe provimento parcial para excluir os Levantamentos PA e NC e, do levantamento PL, as parcelas que obedeçam a periodicidade estabelecida legalmente. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson (Relator), Waltir de Carvalho e Mário Pereira de Pinho Filho que davam provimento em menor extensão e o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo que mantinha o Levantamento NC. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Os embargos de declaração foram interpostos em 3/8/201 (fls. 1465/1467), com esteio no art. 65, § 1º, inciso III, do Anexo II do RICARF, sendo nele alegada omissão no julgado, nos seguintes termos: Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o pagamento de PLR a diretores decidiu por cancelar o auto de infração com base no “princípio da vedação às posturas contraditórias”, tendo em vista o fato de que na autuação tratada nos presentes autos a fiscalização entendeu serem os diretores estatutários, enquanto em ano anterior, em autuação diversa, a mesma unidade da RFB entendeu possuírem aqueles diretores relação de emprego com a autuada. Entendemos existir omissão no voto condutor quanto a este ponto, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o cancelamento do auto de infração em relação ao levantamento “Participação Administradores”, baseando se tão somente no “princípio da vedação às posturas contraditórias”. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele cancelamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. (...) Diante da relevância da omissão fazse mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o cancelamento da autuação em relação ao levantamento “Participação Administradores”. Fl. 1482DF CARF MF 4 Ressaltese que a ausência de fundamentação obstaculiza a interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional, uma vez que não é possível estabelecer divergência quando não é possível identificar os diplomas legais que dão fundamento a decisão. Destaquese que a manifestação da Turma é indispensável, sob pena de se violar o direito ao contraditório e à ampla defesa, bem como a interposição de eventual recurso cabível. (grifos do original) Mediante despacho de fls. 1471/1477, os embargos foram admitidos para apreciação pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Havendo sido o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN datado de 10/07/2017 (fl. 1618), e interpostos os embargos em 03/08/2017, resta evidente sua tempestividade, ante o disposto nos arts. 65, § 1º e 79, § 2º, do Anexo II do RICARF, c/c o § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. O despacho de admissibilidade, após transcrever trechos do voto condutor às fls. 1444/1446, assim afirmou (fls. 1475/1476): Conforme se observa na transcrição acima, de início, o presente voto cita a Súmula TST nº 269, que reconhece a suspensão do contrato de trabalho do empregado que passa a ocupar cargo de diretor, sem subordinação jurídica própria da relação de emprego. O voto aponta, também, que para o anocalendário de 2009 a fiscalização chegou a considerar tais diretores como empregados, mas que mudou de entendimento nos três anos seguintes, passando a considerálos como diretores estatutários. Diante desse quadro e com foco na segurança jurídica, o voto condutor faz crítica à mudança de entendimento da Administração Fazendária, invocando o princípio da vedação às posturas contraditórias. Aduz, ainda, que a fiscalização não teria uma "percepção inequívoca" sobre os fatos, deixando de estabelecer, de forma conclusiva, "se a vigência do vínculo de emprego" seria ou não meramente formal e se haveria subordinação, apontando que o contribuinte não deveria "suportar o ônus decorrente de tal comportamento contraditório ou indeciso" da fiscalização, razão pela qual afastou o lançamento referente à participação dos administradores nos lucros da empresa. Pois bem, antes de considerações outras, devemos ter em mente que o Recurso Voluntário não é interposto, diretamente, contra o lançamento, mas sim contra a decisão de primeira instância, segundo dispõe o art. 33 do Decreto 70.235/72. Sendo assim, compulsando a decisão a quo, constatase que o voto condutor daquela decisão, ao cotejar a legislação de regência com o Estatuto Social da instituição financeira em questão, firmou o entendimento de que os diretores são sim estatutários, nos seguintes termos: Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201552 Acórdão n.º 2202004.712 S2C2T2 Fl. 1.482 5 19. A Lei 8.212/91 dá a definição do tipo de contribuinte que é o diretor não empregado, que é a verdadeira qualidade, conforme comprovado pelo Fisco, na lavratura deste autodeinfração: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] 21. Considerandose as características delineadas no item 19 e os poderes ali descritos, os diretores objeto do presente auto não são empregados. Pondo uma pá de cal a qualquer dúvida sobre a real condição destes diretores, vejamos o Art. 22 do próprio Estatuto do Banco: Artigo 22 A Diretoria será constituída por 3 (três) a 41 (quarenta e um) Diretores, acionistas ou não, residentes no País, eleitos pelo Conselho de Administração, sendo 1 (um) Diretor Presidente, de 1 (um) até 8 (oito) Diretores VicePresidentes, até 2 (dois) Diretores Executivos, até 29 (vinte e nove) Diretores sem designação específica e 1 (um) Diretor de Relações com Investidores, permitida a cumulação de funções por um mesmo Diretor. [...] 24. Finalizando, a Instrução Normativa 971/09, da RFB, define o assunto em termos de interpretação efetivada pela Administração Tributária Federal: Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: XXVII o diretor empregado de empresa urbana ou rural, que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção de sociedade anônima, mantendo as características inerentes à relação de emprego; Art. 9º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual: d) o membro de conselho de administração na sociedade anônima ou o diretor nãoempregado que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito por assembleia geral dos acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, desde que não mantidas as características inerentes à relação de emprego; Fl. 1484DF CARF MF 6 § 3º O integrante de conselho ou órgão de deliberação será enquadrado, em relação à essa função, como contribuinte individual, observado o disposto no § 4º deste artigo e no caput do art. 13. 25. Extraise, da IN 971/09, que o diretor empregado é aquele contratado e não o eleito. Também que o diretor não empregado é aquele que não tem subordinação jurídica, elemento essencial na relação trabalhista propriamente dita. O próprio estatuto da empresa e as características operacionais apresentadas no relatório fiscal provam a certeza do auto neste ponto. (Grifos no original) Como se vê, a decisão de primeira instância tomou por base o quadro fático e a legislação correlata para considerar os diretores como estatutários, porém, a decisão ora embargada considerou tais diretores como empregados, tomando por base uma suposta incerteza nas conclusões da fiscalização e o fato da Administração Fazendária ter mudado o seu entendimento, a partir do anocalendário de 2010, ou seja, além de não apresentar razões consistentes quanto aos procedimentos da fiscalização, a decisão embargada não justificou a desconsideração das razões fáticas e jurídicas adotadas pela decisão a quo, restando, assim, evidenciada a omissão quanto à fundamentação, conforme apontada nos embargos. Entendese ter razão a embargante, pois a decisão embargada padece de certa obscuridade que pode sim, levar à conclusão de que tenha havido omissão nos fundamentos, refletindose inclusive na ementa do julgado. Cabe então ser suprida a omissão, de modo a que fique devidamente claro o alcance do acórdão, mediante as considerações a seguir expendidas, a serem acrescidas às já constantes do embargado. Nesse ponto, todo o esforço da fiscalização, bem como da decisão de primeiro grau, atémse a buscar, no estatuto da recorrente, passagens que convergiriam para amparar o entendimento de que tais diretores não seriam na verdade empregados. Nesse passo, traz (fls. 881/882), dentre outros, os seguintes excertos do estatuto, única prova documental em que se apóia tal posicionamento: Artigo 18 A Sociedade será administrada por um Conselho de Administração e por uma Diretoria, (composta pelo Comitê Executivo e Diretores Estatutários) (grifos nossos) (...) Artigo 22 A Diretoria será constituída por 3 (três) a 41 (quarenta e um) Diretores, acionistas ou não, residentes no País, eleitos pelo Conselho de Administração, sendo 1 (um) Diretor Presidente, de 1 (um) até 8 (oito) Diretores VicePresidentes, até 2 (dois) Diretores Executivos, até 29 (vinte e nove) Diretores sem designação específica e 1 (um) Diretor de Relações com Investidores, permitida a cumulação de funções por um mesmo Diretor. (...) Parágrafo 2°: Os temas que fugirem à competência do Comitê Executivo serão objeto de deliberação por toda a Diretoria. (grifos nossos) Parágrafo 11: Ao Diretor VicePresidente de Mercado de Capitais compete, dentre outras atribuições que lhe venham a ser estabelecidas: Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201552 Acórdão n.º 2202004.712 S2C2T2 Fl. 1.483 7 (b) coordenar, administrar, dirigir e supervisionar as atividades na área de mercado de capitais. (Grifos nossos) Parágrafo 12: Ao Diretor VicePresidente Comercial Corporate compete, dentre outras atribuições que lhe venham a ser estabelecidas: (b) coordenar, administrar, dirigir e supervisionar as operações de crédito com empresas não financeiras de grande porte (grifos nossos) Parágrafo 17: Compete aos Diretores Executivos, dentre outras atribuições que lhes venham a ser estabelecidas: (b) representar o Banco, na impossibilidade dos demais Diretores Vice Presidentes, ativa e passivamente em Juízo, podendo prestar depoimento pessoal e designar prepostos; (c) conduzir os negócios e serviços do Banco dentro das áreas de atuação que lhe forem atribuídas, particularmente quanto ao planejamento e desenvolvimento, administração, controles e atividades financeiras. (Grifos nossos) Artigo 23 A Diretoria, observadas as atribuições definidas neste Estatuto Social, as diretrizes e instruções fixadas pela Assembleia Geral e pelo Conselho de Administração, terá poderes de administração e gestão de negócios sociais, para a prática de todos os atos e a realização das operações que se relacionarem com o objetivo do Banco. (grifos nossos) Por seu turno, debruçandose sobre o mesmo documento, a autuada colheu as seguintes disposições estatutárias, visando defender tese diametralmente oposta, ou seja, de que tais diretores atuavam subordinados juridicamente ao diretor presidente e ao conselho de administração (fls. 935/936): Deveras, cabe ao Diretor Presidente, dentre outras atribuições, “dirigir a execução das atividades relacionadas com o planejamento geral do Banco” e “exercer supervisão geral das atividades da Diretoria”, conforme disposto no § 8º, do Artigo 22 do Estatuto Social de 20122: Parágrafo 8º: Compete ao Diretor Presidente, dentre outras atribuições que lhe tenham sido estabelecidas: (a) dirigir a execução das atividades relacionadas com o planejamento geral do Banco; (b) convocar e presidir as reuniões da Diretoria, orientando as atividades dos demais Diretores; (c) exercer a supervisão geral das atribuições da Diretoria; (d) propor ao Conselho de Administração o número de membros da Diretoria, indicandolhe, para eleição, os nomes dos Diretores; e (e) presidir e coordenar os trabalhos das diferentes áreas administrativas e negociais do Banco. Clara está, por conseguinte, a supremacia hierárquica Diretor Presidente sobre os demais diretores empregados. Por outro giro, está clara, nos próprios Estatutos, a subordinação dos diretores ao Diretor Presidente. Fl. 1486DF CARF MF 8 Contudo, diferentemente do que se constatou acima com relação ao Diretor Presidente, verificase no Estatuto Social do Recorrente que os outros Diretores não tais poderes de gestão. Um exemplo de que os demais diretores não possuem poderes de gestão se extrai do § 19 do já mencionado artigo 22 do Estatuto Social de 201213 do Recorrente, o qual trata dos diretores sem designação específica (condição da maioria dos diretores do Recorrente). Confirase: Parágrafo 19: Compete(m) aos Diretor (es) sem designação específica, dentre outras atribuições que lhe(s) venha(m) a ser estabelecida(s): (a) colaborar com os demais membros da Diretoria nas tarefas a eles atribuídas; (b) auxiliar os Diretores Executivos nas atividades que lhe forem atribuídas, respondendo pelas respectivas áreas onde atuarem; e (c) supervisionar o desenvolvimento dos trabalhos das equipes que atuarem sob sua responsabilidade. Vale observar que os diretores sem designação específica só atuam nas “tarefas”/“atividades” que lhes são atribuídas e que mesmo a supervisão destes diretores se referem a equipes que estão sob sua responsabilidade, ou seja, equipes que lhes foram atribuídas. Assim, constatase com um exame mais apurado dos Estatutos Sociais do Recorrente que todos os seus diretores, exceto o Diretor Presidente, são empregados. (grifos do original) Pois bem, o que ressalta é que, dependendo dos dispositivos que se extraia do Estatuto da autuada, é possível defender a tese de que existe subordinação jurídica dos diretores frente ao diretor presidente e ao Conselho de Administração apta a corroborar o vínculo formalmente estabelecido, como aduzido no recurso voluntário. Por sua vez outros artigos desse documento, como visto, são mais consistentes com a compreensão da autoridade fiscal de que esses mesmos diretores possuíam ampla margem decisória para administrar a empresa, a afastar o peso da indigitada subordinação. Vale consignar que o organograma da sociedade (fls. 930/931) parece indicar que os cargos de direção possuíam autonomia diferenciada conforme a posição hierárquica, ou seja, quanto mais elevada essa fosse, maior seria o grau de autonomia decisória. Sem embargo, notese que tal aspecto não foi objeto de aprofundamento na ação fiscal, o que não permite conclusões de maior vigor nesse aspecto. Não obstante, cumpre reiterar, conforme já exposto no julgamento do recurso voluntário, e comprovado pelo documento nº 7 juntado à impugnação (fls. 661/665), que a fiscalização em ano imediatamente anterior ao dos fatos geradores ora focados, mas analisando a mesma situação jurídica decorrente das relações continuativas previamente estabelecidas, asseverara no processo nº 16327.720131/201478 que o vínculo desses diretores com a recorrente era de natureza celetista, inclusive lançando as contribuições devidas a terceiros com base em tal compreensão. Portanto, em que pese o entendimento da decisão de primeiro grau, ante essas ponderações e aos elementos contraditórios mencionados, não se configuram os mencionados dispositivos colhidos do estatuto como prova suficiente para afastar, ainda que materialmente, o vínculo empregatício formalmente estabelecido entre os diretores e o banco em apreço, Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 16327.720237/201552 Acórdão n.º 2202004.712 S2C2T2 Fl. 1.484 9 atestado por vários documentos tais como contrato individual de trabalho, registro de empregados, cópias de carteira de trabalho, rescisão de contrato, etc, etc. Também vale referir, consoante levantado pela autuada e sequer mencionado na fundamentação da decisão da DRJ, que a RFB, na Solução de Consulta Cosit nº 368, de 18/12/2014 (de caráter vinculante para aquele órgão, exvi do art. 9º da IN RFB nº 1.396/13), já firmou o seguinte posicionamento acerca das questões no presente debatidas: “SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembléia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias.” (grifei) Em suma, à míngua de conjunto probatório suficientemente robusto em sentido contrário, prevalece na espécie a verdade material e formal predominantemente espelhada pelos documentos carreados aos autos, os quais caracterizam os diretores em tela como sendo empregados da recorrente, sujeitandose daí ao recolhimento das contribuições previdenciárias na condição de empregados, nos termos do art. 12, inciso I, alínea 'a', da Lei nº 8.212/91. E, tendo o levantamento PA "Participação Administradores" como pressuposto legal o entendimento de que esses diretores tratamse de contribuintes individuais, deve ser ele cancelado, confirmandose, nesse aspecto, a decisão embargada. Sendo assim, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos para fins de que os fundamentos acima expostos passem a integrar o Acórdão nº 2402005.872, sem efeitos infringentes, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1488DF CARF MF
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Numero do processo: 10437.721422/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38
A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96.
REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO.
Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, não merecem fé os registros contábeis e contratos formalizados quando evidente que a essência dos fatos administrativos não correspondem aos lançamentos contábeis e aos aspectos formais que revestiram as operações.
MULTA QUALIFICADA. ELEMENTO VOLITIVO NA CONDUTA DO AGENTE.
A identificação de conduta deliberada que objetiva levar a termo uma manobra da qual resulta registros contábeis que espelham operações fictícias e desconectadas da realidade, justifica a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-004.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, da base de cálculo do tributo lançado, os seguintes valores: (i) R$ 99.982,00 e R$ 20.000,00, que se referem a recursos movimentados entre contas de mesma titularidade; (ii) valores que foram considerados na base de cálculo do tributo lançado e que tenham sido indicados pelo contribuinte como recebidos da Jardim dos Ipês Participações e Comércio Ltda., a título de distribuição de lucros e dividendos; (iii) R$ 558,19, do Banco Itaú, indicado na Tabela 3 de fl. 1288, para o mês de julho de 2011; (iv) R$ 539,10, Banco Santander, em 03/05/2011; R$ 1.416,89 e R$ 502,28, Banco Bradesco, 22/06/2011 e 29/07/2011, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38 A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96. REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO. Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, não merecem fé os registros contábeis e contratos formalizados quando evidente que a essência dos fatos administrativos não correspondem aos lançamentos contábeis e aos aspectos formais que revestiram as operações. MULTA QUALIFICADA. ELEMENTO VOLITIVO NA CONDUTA DO AGENTE. A identificação de conduta deliberada que objetiva levar a termo uma manobra da qual resulta registros contábeis que espelham operações fictícias e desconectadas da realidade, justifica a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 14 22 /2 01 6- 11 Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.500 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, da base de cálculo do tributo lançado, os seguintes valores: (i) R$ 99.982,00 e R$ 20.000,00, que se referem a recursos movimentados entre contas de mesma titularidade; (ii) valores que foram considerados na base de cálculo do tributo lançado e que tenham sido indicados pelo contribuinte como recebidos da Jardim dos Ipês Participações e Comércio Ltda., a título de distribuição de lucros e dividendos; (iii) R$ 558,19, do Banco Itaú, indicado na Tabela 3 de fl. 1288, para o mês de julho de 2011; (iv) R$ 539,10, Banco Santander, em 03/05/2011; R$ 1.416,89 e R$ 502,28, Banco Bradesco, 22/06/2011 e 29/07/2011, respectivamente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário formalizado em face do Acórdão nº 1288186, de 13 de junho de 2017, exarado pela 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, fl. 1671 a 1691, que assim relatou a lide administrativa: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração do anocalendário de 2011 (fls. 1.312 a 1.325), com data de ciência em 07/12/16 (fls. 1.326, 1.327 e 1.338), relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Segundo o que consta nos autos, fls. 1.308 a 1.311, as contas correntes objeto de autuação foram: Banco do Brasil c/c 57676X, Safra c/c 20.5791, Itaú c/c 2426, Bradesco c/c 3007480 e Santander c/c 67224792. A conta no Itaú era solidária com a mãe do sujeito passivo, Srª Márcia Cacciatore, CPF 677.474.18868, fazendo com que os depósitos de origem não comprovada, daquela conta, tenham sido tributados na proporção de 50%, em respeito à norma tributária vigente. A genitora do contribuinte também foi intimada a comprovar a origem dos depósitos, como pode ser verificado às fls. 1.095, 1.096 e 1.100, tendo dito que tudo era de responsabilidade de seu filho, não possuindo nada a apresentar como prova da origem dos depósitos (fl. 1.101). É de se destacar que o Sr. José Eduardo da Costa Freitas (pai do contribuinte), a empresa Villanova Engenharia e Construções Ltda. e a sociedade Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S/A foram caracterizados como sujeição passiva solidária em respeito ao que dispõe o inciso I, do art. 124, do Código Tributário Nacional – CTN, cuja ciência do Lançamento se deu em 07/12/16, como pode ser observado nas fls. 1.328 a 1.336, 1.339, 1.341 e 1.342. Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.501 3 O crédito tributário lançado foi de R$ 29.679.863,82 já incluídos a multa de ofício de 75%, multa qualificada de 150% e os juros de mora. O enquadramento legal consta no Auto de Infração. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 1.256 a 1.311. As planilhas de depósitos bancários de origem não comprovada estão no citado Termo de Verificação Fiscal. Frisese que em razão dos supostos contratos de empréstimos simulados entre o autuado e o Sr. José Eduardo da Costa Freitas, a empresa Villanova Engenharia e Construções Ltda. e a sociedade Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S/A, parte dos depósitos bancários de origem não comprovada tiveram a multa qualificada, tudo de acordo com o que foi descrito e apurado no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal. Também foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais cujo processo é o de nº 10437.721494/201669. Em 29/12/16, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.347 a 1.379, alegando, em síntese, que: 1. De início o autuado procura esclarecer como se deu o procedimento fiscal, dando origem à autuação; 2. Do montante de depósitos no valor de R$ 37.187.511,89, R$ 33.592.411,92 dizem respeito a operações de mútuo entabuladas com seu pai, José Eduardo da Costa Freitas, que por sua vez recebeu a aludida quantia, a título de mútuo, das empresas Villanova Engenharia e Construções Ltda. e Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S/A. Segundo afirma a autoridade fiscal, as operações de mútuo em questão, embora registradas nas contabilidades das pessoas jurídicas, não seriam dignas de credibilidade e tampouco serviriam para demonstrar a origem dos recursos, daí porque haveria uma presunção de que não passariam os mútuos de "pano de fundo" para encobrir as receitas auferidas pelo impugnante sem o pagamento do imposto de renda, caracterizando fraude; 3. O restante, R$ 3.595.099,97 decorreriam de outros créditos cuja origem não teria igualmente sido comprovada, embora não se pudesse imputar a ocorrência de fraude; 4. Informa que R$ 193.615,68 foram imputados como valores omitidos em relação à sua mãe, Sra. Mareia Cacciatore, co titular da conta bancária no Banco Itaú e 50%, isto é, outros R$ 193.615,68 a fiscalização tratou a questão em outro processo administrativo nº 10.437721.421/201677, lavrando o Auto de Infração contra o contribuinte; 5. Entende que será demonstrado que nenhum imposto é devido e que não cometeu fraude alguma; 6. No anocalendário 2011, a empresa Villanova Engenharia e Construções Ltda., sociedade cuja grande parte das quotas pertence a seu pai, Sr. José Eduardo da Costa Freitas, estava Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.502 4 submetida a processo de concordata desde o ano de 2000, conforme documentação anexa (doc. 02); 7. Embora a referida empresa fosse economicamente "saudável", naquele período passou dificuldade para conseguir viabilizar os pagamentos de suas despesas e de seus fornecedores. Como a empresa estava impedida de participar de licitações, constituiu uma empresa subsidiária integral, a Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A para que pudesse dar continuidade às atividades da concordataria; 8. Em razão da demissão de funcionários, várias reclamações trabalhistas foram propostas contra a empresa sucessora e no bojo dos aludidos processos judiciais foram expedidas ordens de penhora e bloqueio de valores de suas contas, sucessora da concordataria, e de seu principal sócio, Sr. José Eduardo da Costa Freitas, o que impedia o pagamento regular de alguns fornecedores e que fossem honrados compromissos trabalhistas e tributários; 9. Em razão dessa dificuldade, a empresa Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A foi obrigada a encontrar meio para honrar seus compromissos, engendrando a seguinte sistemática: assim que as receitas decorrentes de sua atividade ingressavam em sua conta bancária, tratava de transferir boa parte para as contas bancárias do impugnante, evitando as penhoras. As importâncias transferidas eram contabilizadas como mútuo em favor da empresa concordataria que contabilizava a mesma importância enquanto mútuo em favor de Jose Eduardo da Costa Freitas e este mutuava a importância em favor de seu filho; 10. Na medida em que a Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A. necessitava de recursos para honrar os seus compromissos, o contribuinte depositava as correspondentes importâncias em nome da empresa, que, assim, realizava os pagamentos, sendo feitas as devidas contabilizações nas contas de mútuo das pessoas jurídicas. No final do ano de 2011, o total de recursos originários da Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A eram para ela devolvidos pelo impugnante que acabava por ceder suas contas bancárias para evitar que os bloqueios judiciais impedissem a empresa de seu pai honrar os compromissos; 11. Nas fls. 1.352 e 1.353, foram elaborados quadros para permitir uma visualização mais fácil do que ocorria (figuras 01, 02 e 03); 12. Embora seja possível reconhecer que tal procedimento até encontre oposição de um ou outro autor excessivamente ortodoxo e apegado ao formalismo do ponto de vista comercial, há de se destacar que tal prática não teria causado prejuízo a ninguém e tampouco representaria omissão de receita tributável; 13. Essa circulação incomum de recursos financeiros permitiu que o processo de concordata fosse devidamente cumprido Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.503 5 (exceto um – doc. 5), conforme docs. 03 e 04, podendo habilitar se novamente para o desempenho de suas atividades e sem que ninguém tenha sido prejudicado, principalmente o Erário, conforme doe. 06 que comprovaria a regularidade da concordataria atestada pela certidão conjunta da RFB/PGFN; 14. Às fls. 1.354 a 1.360, o autuado procura demonstrar que os referidos mútuos não se enquadrariam em acréscimo patrimonial do contribuinte e nem teria ocorrido o fato gerador do imposto de renda. Para tanto, também cita a legislação tributária, a Constituição Federal e entendimentos doutrinários; 15. Diz que um documento encartado na fl. 159 demonstraria que no dia 04/02/11 ingressou em uma das contas do impugnante a importância de R$ 355.600,00 e que o mesma teria sido devolvida nos dias seguintes ao depositante, conforme quadro à fl. 1.359; 16. Acredita que o fiscal teria se apressado com receio da decadência. Assim, não poderia prosperar a acusação de que os recursos depositados nas contas bancárias são de origem desconhecida e que a falta de comprovação da origem seria indutora de que o contribuinte teria engendrado artificioso sistema para enriquecer. Os extratos bancários indicariam que os valores recebidos teriam sido devolvidos em datas próximas; 17. Às fls. 1.360 a 1.364, o contribuinte almeja esclarecer que não teria ocorrido omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96, alegando que teria comprovado a origem e destinação dos depósitos em suas contas bancárias, por meio dos documentos juntados ao processo; 18. Anexa docs. 07 a 230 (já eram de conhecimento do auditor fiscal) que provariam, por amostragem, que os mútuos teriam existido, foram contabilizados, que os valores mutuados seriam decorrentes das receitas da Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A tendo sido tributados em 2011 e que os valores emprestados teriam retornado à empresa; 19. Cita decisões administrativas e entendimentos doutrinários no intuito de embasar os seus argumentos de defesa; 20. E se remanescesse à autoridade lançadora alguma dúvida da origem dos recursos (o que se admite apenas para efeito de argumentação), ainda assim nenhuma cobrança poderia ser feita contra o impugnante na medida em que figurando ele como interposta pessoa (através da qual circularam valores pertencentes à empresa Villanova), os rendimentos das receitas indiscutivelmente pertencentes à empresa haveriam de ser tributados na pessoa jurídica, conforme § 5º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96; 21. Às fls. 1.365 a 1.370, contesta a qualificação da multa de ofício. Diz que a própria fiscalização teve a oportunidade de examinar e constatar que os mútuos estavam contabilizados nas empresas; que tais operações foram informadas pelo Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.504 6 contribuinte e não descobertas ao acaso pelo trabalho do fiscal; que os negócios seriam inválidos na medida em que os recursos saíram de uma determinada empresa para as contas do impugnante, sem transitar pela conta da pessoa física do pai do impugnante; que a falta de registro público dos contratos de mútuo (inclusive entre pai e filho), significaria que os documentos seriam não oponíveis em relação ao Fisco e só produziriam efeitos entre as partes; 22. A fiscalização teria sido confusa ao qualificar a multa de ofício, não distinguindo falsidade, fraude, simulação, inidoneidade dos documentos e confusão patrimonial. Para tanto o contribuinte cita as fls. 26, 28 e 29 do Termo de Verificação Fiscal; 23. O Auto de Infração estaria afirmando que uma só conduta poderia implicar em tipificações diversas, como: fraude, simulação, etc. Não haveria que se cogitar em dolo por parte do autuado, pois o próprio contribuinte foi quem teria fornecido toda a documentação que comprovaria o mútuo que não foi aceito pela fiscalização; 24. Então, solicita o cancelamento da multa qualificada; 25. Os demais depósitos indevidamente considerados como de origem não comprovada somariam a importância de R$ 3.595.099,97, sendo que R$ 599.044,51 diriam respeito a dividendos recebidos na qualidade de sócio do empreendimento denominado Jardim dos Ipês Participações que teriam sido depositados na conta do impugnante por duas simples razões: o dinheiro pertence efetivamente ao contribuinte e o respectivo montante foi devidamente informado na declaração anual/informe de rendimentos; 26. Em 05/08/2015, foi apresentado à fiscalização (fls. 376 a 378) documentos relativos a este empreendimento, especialmente extratos bancários em que claramente seria possível identificar a fonte pagadora, como os exemplos em sua impugnação (fls. 1.371 e 1.372); 27. Ademais, teria apresentado ao Fisco o contrato social da referida empresa para demonstrar que era o titular do rendimento, bem como o informe de rendimentos, conforme fl. 227; 28. Seriam transferências de mesma titularidade os seguintes depósitos: dia 08/08, no valor de R$ 20.000,00, crédito no Santander e débito no Bradesco; no mesmo dia, no valor de R$ 34.597,02, crédito no Itaú e débito no Bradesco e no dia 23/08, no valor de R$ 99.982,00, crédito no Bradesco e débito no Itaú; 29. A fiscalização teria se equivocado ao considerar como receita omitida o total de R$ 14.332,88, pois teria apresentado às fls. 363 a 375 hollerites mensais e informes de rendimentos que comprovariam os valores recebidos da Villanova Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.505 7 Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A, conforme DIRF estampada na impugnação (fl. 1.374); 30. Também foram considerados como receitas omitidas os ingressos de pequena monta que representariam reembolsos de despesas, conforme fl. 397. Neste item, R$ 27.519,15 diriam respeito à reembolso de despesa que o impugnante teria feito com locação de campo de futebol no ano de 2011. O contribuinte teria demonstrado, com a documentação possível, que alugava em nome próprio e os participantes do time faziam reembolsos mensais em sua conta bancária para ressarcir o valor suportado por ele; 31. Segundo o contribuinte, em relação à locação de campo de futebol, os valores eram creditados com um número de centavos que identificava cada pagamento, sendo os valores depositados em dinheiro ou cheque, conforme e.mail e lista dos depositantes às fls. 398 a 402; 32. Havia reembolsos no total de R$ 3.047,20 ao longo do ano, relativos a despesas de almoço do contribuinte que teriam sido reembolsadas pela empresa Villanova e também reembolsos de despesas médicas ressarcidas pelo plano médico, conforme fls. 382 a 395; 33. Lançadas receitas omitidas que somaram R$ 2.474.004,41 durante todo o ano de 2011. Porém, a maior parte destes valores diriam respeito a empréstimos realizados por parentes em favor de seu pai, José Eduardo da Costa Freitas, que em razão dos bloqueios judiciais, em sua conta, manteve as importâncias nas contas do impugnante, que periodicamente sacava os recursos para a subsistência de seu pai; 34. Existiriam ingressos da ordem de R$ 322.572,80, ao longo do ano, que o contribuinte tem a convicção de que não configurariam receitatributável, não tendo logrado encontrar documentos que possam demonstrar a origem dos recursos; 35. Às fls. 1.378 e 1.379 o contribuinte requer diligência, perícia e sustentação oral nos termos lá apontados; 36. Finalizando, pede o cancelamento integral do Lançamento. Debruçada sobre os termos da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro exarou o Acórdão ora recorrido. em que exonerou parcela do tributo lançado com multa de ofício de 75% (R$ 6.574,36), lastreada nas conclusões que podem ser assim resumidas: (...) É de se frisar que não obstante o interessado ter sido intimado pela fiscalização, o contribuinte não apresentou documentos que justificassem os depósitos em dinheiro bem como aqueles que possuíam as seguintes nomenclaturas, por exemplo: DP CH PCA INT, DP CH SAF, TEDCRÉDITO EM CONTA, entre outros, como pode ser observado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 1.259. (...) Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.506 8 É preciso deixar claro que nos casos de empréstimo, existem dois pilares que sustentariam a materialidade do fato, ou seja, o contrato de mútuo registrado em cartório e a prova da efetiva transferência do numerário entre o mutuante e o mutuário, isto é, as partes envolvidas nas operações de mútuo alegadas pelo autuado. Entretanto, o contribuinte não satisfez as duas condições de prova, sendo impossível acatar a tese desenvolvida pela defesa. (...) Deve ser esclarecido que obviamente a escrituração contábil faz prova contra o sujeito passivo. Contudo, para que um livro contábil possa servir como justificativa em favor do contribuinte, não basta a sua simples escrituração, conforme fls. 1.410 a 1.548, mas que todos os dados lançados na contabilidade estejam fundamentados em provas materiais hábeis, o que não ocorreu no presente caso. Frisese que em nenhum momento o interessado logrou comprovar o efetivo empréstimo da empresa Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A para a empresa Villanova Engenharia e Construções Ltda., desta para Jose Eduardo da Costa Freitas (pai do contribuinte) e deste para Bruno Cacciatore da Costa Freitas (o sujeito passivo). (...) Cumpre destacar que a Lei não aceita que os depósitos sejam comprovados por amostragem, muito pelo contrário, caberia ao impugnante ter providenciado elementos de prova revestidos de toda formalidade para cada depósito a ser comprovado, com datas e valores coincidentes, o que em nenhum momento foi praticado. (...) No que concerne aos supostos dividendos recebidos pelo contribuinte, é necessário esclarecer que não há nenhum nexo de causalidade entre os dividendos alegados e os respectivos depósitos de origem não comprovada. Ocorre que o autuado sequer se dignou a apontar quais seriam os depósitos que representariam o recebimento dos dividendos. Por isso, o fato de o interessado ter declarado dividendos e possuir um informe de rendimentos (fl. 227), não foi suficiente para provar a origem dos depósitos que nem ao menos foram individualizados pelo sujeito passivo, tendo apenas citado alguns lançamentos bancários (fls. 1.371 e 1.372) sem qualquer documento com datas e valores equivalentes aos depósitos de origem não comprovada. (...) No que diz respeito ao depósito de R$ 34.597,02, o contribuinte tem razão, de acordo com o que consta nas fls. 145 e 1.294, cabendo retirar o crédito de R$ 17.298,51 (metade do depósito de R$ 34.597,02) do rol dos depósitos de origem não comprovada, pois a conta no Banco Itaú é em conjunto e por isso foi tributada apenas em cinquenta por cento. (...) Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.507 9 Analisandose os extratos bancários de fls. 131 a 154, o Termo de Verificação Fiscal de fl. 2.280, comprovante de rendimentos e contracheques de fls. 363 a 375, levandose em conta as nomenclaturas dos depósitos no Banco Itaú, “TEC 237.1568 Bruno C C FR” ou “TED S 104.4050 Bruno C C” e considerando que o contribuinte declarou em sua DAA de fls. 1.655 a 1.670 o valor de R$ 16.200,00 de rendimento tributável com previdência oficial de R$ 1.782,00 em face da empresa Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S/A, concluise que os depósitos de R$ 1.201,50 se referem ao trabalho assalariado cujo total foi de R$ 13.216,50 (11 meses de 1.201,50). Entretanto, o contribuinte apenas foi tributado em 50% daquele montante dos depósitos, pois a conta corrente é em conjunto, devendo, então, ser excluído o valor de R$ 6.608,25 do total das infrações tributárias. (...) Então, perante tudo que foi dito, restou caracterizado o intento doloso do contribuinte em se eximir do imposto devido, tendo em vista os fortes indícios que, em tese, configuram evidente intuito de fraude e simulação, cabendo manter a qualificação da multa. (...)A presente autuação se fundamenta em fatos e possui elementos de prova que não necessitam de diligência ou perícia para que o julgador possa formar o seu entendimento. Além das questões acima resumidas, outros valores foram individualmente contestados em sede de impugnação, mas todos os argumentos foram considerados improcedentes por falta de apresentação de elementos probatórios. Cientificados os envolvidos, conforme intimações contidas em fl. 1692 e ss, dentre as quais vale ressaltar a recebida pelo próprio autuado, em 26 de junho de 2017 (fl. 1705), que deu origem ao recurso voluntário de fl. 1712 a 1750, em que o contribuinte apresenta as razões que entende justificar o cancelamento integral da exigência ou a nulidade do Acórdão recorrido, com o consequente retorno dos autos à primeira instância. Os argumentos do recurso, basicamente, reiteram as alegações da impugnação e se fazem acompanhar de novos elementos probatórios, em particular um Parecer Técnico ContábilFinanceiro e seus apêndices (fl. 1753 e ss). É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender às demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. O recorrente inicia sua peça recursal traçando um histórico da imputação fiscal e do contencioso administrativo instaurado com a impugnação. A seguir, caminha Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.508 10 propriamente para apresentar suas razões, as quais serão aqui tratadas na mesma sequência em que apresentadas no recurso voluntário. Nulidade da Decisão Cerceamento de defesa. Alega o recorrente que a acusação fiscal de que os recursos depositados em suas contas bancárias seriam de origem desconhecida é totalmente descabida, já que os extratos bancários indicam que os valores recebidos foram devolvidos em datas próximas. E que tal operação se deu para facilitar a circulação de valores pertencentes à sociedade Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A., empresa de seu pai, tudo para evitar que inoportunas penhoras judiciais pudessem sacrificar de tal modo a saúde financeira da empresa a ponto de inviabilizar a continuidade de suas operações. Aduz que, aparentemente, a Autoridade Fiscal, diante da possibilidade de decair o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento, apressouse para concluir o procedimento fiscal sem analisar a fundo a circulação efetiva dos valores envolvidos. Afirma que, diferentemente do que afirma a Decisão recorrida, foi capaz sim de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, tanto a origem quanto a destinação dos recursos que circularam em suas contas bancárias. Que, ao contrário do que faz supor o Julgador de 1ª Instância, existe farta documentação demonstrando que a empresa Villanova Engenharia e Construções Ltda e seu principal sócio, o Sr. José Eduardo da Costa Freitas, estavam ainda com suas contas bancárias bloqueadas em razão de penhoras decorrentes de processos trabalhistas (todos liquidados por ocasião da fiscalização), razão pela qual cedeu suas contas bancárias para que, de maneira provisória, as receitas da empresa não ficassem bloqueadas por força das citadas penhoras. Sustenta que a documentação juntada com a defesa, doc 07 a 230, afasta a presunção legal de omissão de rendimento de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96, sendo suficiente para provar que os mútuos existiram; que foram devidamente contabilizados; que os valores mutuados decorrem de receitas da pessoa jurídica; e que tais valores retornaram à empresa. Sobre a afirmação da Autoridade Fiscal de que os mútuos não existiram de fato, já que os valores não transitaram pelas contas da Villanova Ltda e do Sr. Jose Eduardo, reconhece que é verdade, mas que há uma explicação lógica, pois, se o numerário passasse por tais contas, seria provável que fossem bloqueados Alega que, assim como mencionou na impugnação, embora grande parte da documentação tivesse sido apresentada no curso da ação fiscal, para que esta circulação pudesse ser "amarrada" no detalhe, para que pudesse demonstrar a coincidência em datas e valores, seria de suma importância a realização de perícia, que foi negada, o que revela a nulidade do Acórdão, por violar claramente preceito contido no art. 49 do Decreto 70.235/72. Afirma que houve, no caso, preterição do direito de defesa, na medida em que a perícia objetivava complementar o acervo probatório necessário para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos. E que, a despeito da nulidade da Decisão recorrida, não deixará de demonstrar todos os demais equívocos do Acórdão, em particular pela apresentação de perícia técnica que, além de examinar toda a documentação apresentada no curso da fiscalização, fez minudente trabalho de verificação da contabilidade das empresas Villanova Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.509 11 Engenharia e Construções Ltda e Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A, detendose, particularmente, aos registros de saídas de valores em favor do recorrente e o consequente retorno dos valores mutuados. Não prosperam as alegações recursais. A produção de provas periciais não é um instrumento processual que dependa exclusivamente de ser requerida por uma das partes do litígio, seja ele judicial ou administrativo, restando indispensável apenas no caso em que os autos não contenham os elementos necessários à formação da convicção do julgador. O Julgador de 1ª Instância administrativa manifestou seu entendimento de que é ônus do contribuinte apresentar elementos de prova para amparar seus argumentos, bem assim que a presente autuação se fundamenta em fatos e possui elementos de prova que não necessitam de diligência ou perícia para que o julgador possa formar o seu entendimento. Como se viu, o próprio autuado afirmou que, embora grande parte da documentação tivesse sido apresentada no curso da ação fiscal, para que o fluxo do numerário pudesse ser "amarrada" no detalhe e para que pudesse demonstrar a coincidência em datas e valores, seria de suma importância a realização de perícia. Ora, tal afirmação evidencia, inequivocamente, que o contribuinte não se desincumbiu de comprovar adequadamente a origem dos valores creditados em suas contas bancárias no curso da fiscalização, não o fazendo juntamente com a impugnação. Assim dispõe o Decreto nº 7.574/2011: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). §2º Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. Portanto, entendendo a Autoridade recorrida que há elementos nos autos suficientes à formação de sua convicção, o indeferimento do pedido de perícia não ofende ao pleno exercício do direito de defesa ou ao devido processo legal. Naturalmente, tal fato não impede o contribuinte de indicar eventuais conclusões equivocadas das Autoridades lançadora e julgadora, o que deve se dar no curso de sua impugnação ou recurso, instrumentos plenamente franqueados ao autuado. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.510 12 Mútuos Afirma o autuado que as operações de mútuo ocorreram entre a Villanova S.A. (subsidiária integral), Villanova Ltda (controladora) e José Eduardo, sócio majoritário da empresa controladora, já que estando a controladora em processo de concordata, tanto esta como o seu sócio majoritário tiveram suas contas bancárias bloqueadas. Assim, a forma encontrada pelas partes para manter a operação da subsidiária integral foi repassar diariamente as sobras financeiras para as contascorrentes do ora recorrente, que, por sua vez, devolvia os recursos conforme necessidade das empresas em honrar seus compromissos, evitandose, assim, o risco de se perder em razão das penhoras em nome da Villanova Ltda. Tanto seria essa a verdade que os mútuos não só existem como estão formalizados nas respectivas contabilidades. Ressalta que a contabilização dos mútuos objetivou atender a formalidades das estruturas societárias das empresas e evitar o bloqueio de valores para ficarem a disposição da Justiça do Trabalho. Alega que a Autoridade Fiscal e a Decisão recorrida pretendem não apenas a comprovação da origem do recurso, mas a coincidência de datas e dos valores mutuados, o que configuraria uma espécie de conciliação precisa, que corresponderia a uma denominada "prova impossível", já que, em razão dos motivos já expostos para manter a operação da empresa, não há como devolver em determinada data exatamente a mesma quantia recebida, mas que ao final do ano tudo aquilo que foi recebido pelo recorrente foi devolvido à pessoa jurídica, tudo conforme fluxo constante de planilha de fl. 1722. Sustenta que teve a oportunidade de esclarecer que todos os recursos transferidos da pessoa jurídica foram feitos pelo sistema bancário, por meio de cheques ou TED e que erros contidos nos extratos não podem levar à conclusão equivocada de que não tiveram origem nas pessoas jurídicas, isto porque outras provas corroboram tal transferência, como cópias de cheques, bem somo a contabilidade da PJ. Afirma que, ao contrário do que afirma a DRJ, a escrituração contábil faz prova tanto em favor da pessoa jurídica quanto em favor do recorrente, quando a escrituração não contenha vícios intrínsecos e extrínsecos. Neste ponto, abrese um parênteses nos argumentos do recurso para se afirmar que a DRJ não considerou que a escrituração contábil somente faz prova contra o contribuinte. O que o Julgador de 1ª Instância afirmou foi que, para servir como justificativa em favor do contribuinte, não basta sua simples escrituração, mas que todos os dados lançados estejam fundamentados em provas materiais, o que não teria ocorrido no presente caso. Assim, os argumentos do contribuinte se alinham às conclusões da DRJ, perfeitamente amparados no teor do art. 2261 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil). Retomando os argumentos da defesa, afirma o recorrente que o fisco não foi capaz de apontar vícios nos livros apresentados que pudessem afastar sua força probante. Ao tratar da conclusão da DRJ de que "sequer foi acostado ao processo algum contrato de empréstimo entre as pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo impugnante" 1 Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.511 13 afirma que é possível compreender que o Agente Fiscal e o Julgador de 1º grau se inclinem a interpretar a norma de forma a preservar a arrecadação e cumprir seu mister sem se importar com a justiça para o cidadão contribuinte. Que o que não se aceita é que se falte com a verdade para atingir tal propósito. Alega que a verdade é que o contrato de mútuo celebrado entre José Eduardo e o recorrente foi efetivamente apresentado e encontrase juntado ao processo em fl.234/235. Já o contrato entre José Eduardo e Villanova Construções Ltda, foi igualmente apresentado à fiscalização e consta de fl.259 a 262. Quanto à alegada necessidade de registro em cartório dos contratos de mútuo, alega que se trata de manifestação de vontade entre empresas do mesmo grupo e pessoas da mesma família, resultando desnecessário tal registro, já que em nada afeta a relação tributária estabelecida ou desnatura a prova apresentada. Sobre a conclusão da autoridade recorrida de que "não caberia à fiscalização demonstrar a ocorrência de acréscimo patrimonial do contribuinte, tendo em vista que a presunção legal por si só já basta para caracterizar a omissão de rendimentos", sustenta a defesa que, se assim fosse, não adiantaria intimar o contribuinte para apresentar documentos ou a defesa, já que a presunção legal já bastaria para caracterizar a omissão de rendimentos. Alega que o formalismo exagerado contraria a mais singela noção de justiça e vai de encontro aos preceitos contidos no art. 2º da Lei 9.784/992. Reafirma o que já teria expressado na peça impugnatória e que, aparentemente, não teria sido compreendido e apreciado corretamente pela decisão recorrida, que o lançamento não é peça de ficção apto apenas a albergar os aspectos formais da obrigação tributária. Que o julgador, embora pertencente aos quadros do Fisco, não está para apenas reproduzir o texto legal, desprezando as interpretações, a lógica, a doutrina, a jurisprudência e, especialmente à Constituição Federal. Alega que, consoante o art. 142 da Lei 5.175/66 (CTN), é dever da autoridade lançadora buscar a chamada verdade material, o que não teria sido observado no caso em tela, em que afastouse da verdade material apresentada pelo contribuinte para apegarse à presunção legal para lavratura do auto de infração, pela tributação de vultosos valores que teriam transitado pelas contas do autuado, ignorando que tais valores foram devolvidos à pessoa jurídica, sem que ficasse configurada a obrigação tributária do Imposto de Renda, com o efetivo acréscimo patrimonial do recorrente. Conclui atestando que não se trata de inversão do ônus da prova, mas da necessidade da busca da verdade material. Analisando os termos da imputação fiscal, cuja descrição dos fatos consta do Termo de Verificação Fiscal de fl. 1257 a 1290, é possível verificar as premissas em que se baseou a Autoridade Fiscal, bem assim as conclusões que levaram à exigência fiscal, que podem ser sintetizadas nos seguintes excertos: (...)... para comprovar a origem dos depósitos creditados em contas bancárias de sua titularidade, o(a) contribuinte deveria, não somente, comprovar uma efetiva movimentação financeira consistente na transferência de numerário entre remetente e 2 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.512 14 destinatário, mostrando sua procedência inequívoca de quem e de onde veio o dinheiro, como também, demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a que título veio este recurso, ou seja, o porquê, o motivo pelo qual este recurso ingressou em seu patrimônio. Somente adimplindo a essas indagações, fica caracterizada, por parte do(a) contribuinte, a comprovação da origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. (...) 2.1. JUSTIFICATIVAS APRESENTADAS PELO(A) CONTRIBUINTE Nas respostas às intimações encaminhadas pelo(a) contribuinte, no curso desta ação fiscal, constatouse que a maioria das alegações sobre origens dos depósitos bancários, apresentada à fiscalização, decorreriam de valores recebidos de empresas ligadas ao(à) fiscalizado(a), ou a seu pai, Sr. JOSÉ EDUARDO DA COSTA FREITAS, CPF N° 218.919.15800, com alegações de serem mútuos entre empresas, sem contudo, comprovar a natureza jurídica dessas alegações. (...) 2.2. DEPÓSITOS/CRÉDITOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS 2.2.1. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÕES, DEPOSITANTES NÃO IDENTIFICADOS E CRÉDITOS EM DINHEIRO Analisandose os documentos e/ou esclarecimentos apresentados pelo(a) contribuinte (conforme exemplos contidos nas folhas 03 a 13, 166 e 167 dos documentos apresentados em 05/08/2015), constatouse que existem depósitos/créditos, discriminados no Demonstrativo de Valores não Comprovados, que não foram alegadas nenhuma justificativa, ou anexados quaisquer documentos com vistas a comprovar a origem desses depósitos. Esta constatação decorreu do fato de que alguns dos depósitos/créditos intimados pela fiscalização, nas planilhas anexas ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 01/2015, não foram relacionados a nenhum documento, ou esclarecimento, ou apresentaram, no próprio histórico do lançamento bancário, procedências não vinculadas a quaisquer depositantes, ou são de depósitos/créditos em dinheiro. Assim, uma parte dos depósitos/créditos fiscalizados não apresenta em seus respectivos históricos de lançamentos a procedência dos recursos, discriminando, apenas, as informações genéricas DP CH PCA INT, DP CH SAF, TED CRÉDITO EM CONTA, DOCCRÉDITO EM CONTA CORRENTE, TEC DEP CHEQUE, DEPOSITO CHEQUE, DEP CC AUTO AT, TRANSF ENTRE AGENC CHEQUE, TRANSF ENTRE AGENC DINH, TRANSF AG DINH, DEPOSITO DINHEIRO, DP DINHEIRO, TEDT ELET DISP, entre outras, sem demonstração de qualquer vinculação com quaisquer documentos e/ou esclarecimentos apresentados à fiscalização. Ressaltase ainda, que o(a) contribuinte não apresentou documentação bancária (comprovantes de depósito bancário, cheques nominais, DOC, TED, etc), conforme intimado nos Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.513 15 Termos a ele(a) encaminhados, durante esta ação fiscal, de forma a sanar essa exigência de determinação de procedência dos depósitos bancários. Tais observações são de extrema importância, pois conforme discutido anteriormente, a comprovação das origens de depósitos bancários fica caracterizada pela demonstração, por parte do(a) contribuinte, do binômio procedênciamotivo desses depósitos/créditos. (...) 2.2.2. ALEGAÇÕES GENÉRICAS OU INCOMPLETAS Conforme consignado nos subitens seguintes deste Termo de Verificação Fiscal, e nos documentos apresentados, o(a) contribuinte se limitou a juntar ao processo apenas alguns documentos e/ou esclarecimentos, fazendo assim, alegações de forma genéricas e vagas, sobre as origens de alguns depósitos, os quais, por não terem suas origens comprovadas, na conformidade das prescrições legais, foram discriminados no Demonstrativo de Valores Não Comprovados, ou nos documentos apresentados. Assim, por exemplo, em alguns casos, como nas alegações apresentadas em 30/10/2014, o(a) contribuinte apenas juntou cópias de informes de rendimentos de empresas ligadas, ou um suposto contrato particular de mútuo com seu pai, sem contudo, apresentar indicações de vinculação desses documentos, com os respectivos depósitos bancários. Também alegou, genericamente, transferências bancárias provenientes de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, sem apresentar comprovação do motivo pelo qual estes teriam depositado valores diversos em suas contas bancárias, limitandose apenas a indicar a procedência desses recursos, sem informar, ou demonstrar, o porquê do ingresso destes em seu patrimônio. Nos documentos e esclarecimentos apresentados em 05/08/2015, às folhas 154 a 165, o(a) contribuinte, mais uma vez, limitouse a alegar genérica e vagamente sobre as origens de alguns depósitos em suas contas bancárias, e sequer juntou documentação bancária, ou hábil e idônea para fundamentar tais alegações, apenas informando às folhas 155 a 157, que se tratariam de supostos ressarcimentos de recursos efetuados por terceiros, ou cessões de valores, ou empréstimos que transitaram por suas contas bancárias. As declarações de terceiros e os emails apresentados, às folhas 154 a 165, não constituem documentação hábil e idônea para comprovar as origens dos depósitos bancários, e fundamentar as alegações apresentadas. As declarações carecem de verossimilhança, pois, supostamente, seriam negócios jurídicos entre o pai do contribuinte e terceiros, sem qualquer relação com o Sr, Bruno Cacciatore, ou motivo para que tais recursos transitassem por seu patrimônio, e além disso, referidos "empréstimos" sequer estão declarados nas DIRPFs 2011/2012 do(a) contribuinte, ou de seu pai. (...) Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.514 16 Dessa forma, referidas alegações foram verificadas por esta fiscalização, identificadas e analisadas nas observações dos documentos apresentados, e não consideradas como comprovação de origem para os respectivos depósitos bancários, conforme detalhado nos subitens a seguir. 2.2.2.1. TRANSFERÊNCIAS DE RECURSOS POR CONTA DE SUPOSTOS MÚTUOS Conforme relatado anteriormente, em 30/10/2014, o(a) contribuinte alegou, de forma genérica, por meio de um suposto "instrumento particular de abertura de crédito rotativo", que uma grande quantidade dos depósitos ocorridos em suas contas bancárias, totalizando o valor de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais), sem especificar quais depósitos, teriam como origens supostos "empréstimos" entre ele(a) (mutuário) e seu pai (mutuante), Sr. José Eduardo da Costa Freitas, CPF n°218.919.15800, sem apresentar, como subsídio dessas alegações, cópias de documentos bancários, demonstrando a procedência desses recursos, saindo do patrimônio do seu pai, e ingressando no seu, e sem apresentar documentação hábil e idônea adicional, para corroborar com este suposto instrumento particular apresentado. Adicionalmente, analisandose a DIRPF 2011/2012 (ND: 08/14.724.611) do(a) contribuinte, e a DIRPF 2011/2012 (ND: 08/31.525.801) do(a) seu pai, não há qualquer informação sobre este suposto empréstimo, denominado "instrumento particular de abertura de crédito rotativo", no valor total de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais), entre ambos contribuintes. Em 05/08/2015, o(a) contribuinte inovou suas alegações, acrescentando agora, que a maioria dos depósitos bancários ocorridos em suas contas bancárias seria oriunda de contratos de mútuos entre A) as empresas VILLANOVA ENGENHARIA E DESENVOLVIMENTO AMBIENTAL S/A, CPNJ n° 04.373.329/000159 (mutuante), e VILLANOVA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ n° 50.270.313/000138 (mutuária), controladas por seu pai, e B) José Eduardo da Costa Freitas, CPF n° 218.919.15800 (pai do(a) contribuinte mutuante), e VILLANOVA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ n° 50.270.313/000138 (mutuária). O primeiro suposto contrato totalizaria um mútuo de R$ 10.500.000,00 (dez milhões e quinhentos mil reais), e o segundo suposto contrato totalizaria um mútuo de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais). (...) Ressaltase que as contas bancárias fiscalizadas são de titularidade do Sr. BRUNO CACCIATORE DA COSTA FREITAS, CPF n° 289.922.26861, e que os depósitos ocorridos nessas contas não apresentam qualquer tipo de vinculação com esses supostos contratos de mútuo, seja pela não comprovação da procedência dos recursos, oriunda do mutuante, como no primeiro "empréstimo", seja porque nos dois últimos "empréstimos" o(a) contribuinte sequer é parte desses alegados negócios jurídicos. (...) Com efeito, é entendimento assente na esfera administrativa, inclusive no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que o empréstimo para ser aceito deve ser não só comprovado por Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.515 17 meio de documentação hábil e idônea da efetiva transferência do numerário, entre mutuante e mutuário, coincidente em datas e valores, como também compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo mutuante à data do empréstimo realizado. (...) Ou seja, o que se busca é a verdade real, de que esse numerário saiu do patrimônio do mutuante, e entrou no patrimônio do mutuário, e que findo o prazo pactuado do empréstimo, esses recursos tenham retornado para o patrimônio do mutuante, inclusive com seus acréscimos contratuais e legais, de forma que fique efetivamente caracterizada a ida e a volta dos recursos alegados como originados de mútuo, mais seus respectivos acréscimos contratuais e legais, tais como, juros, moras, multas, etc, descritos no item 3.2 dos alegados contratos padronizados. (...) Assim, para comprovar a origem dos depósitos alegados como oriundos de mútuo o(a) contribuinte deverá não somente comprovar a efetiva transferência de numerário entre supostos mutuante e mutuário, mostrando sua procedência inequívoca de quem e de onde veio o dinheiro, como também, demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, o que não ocorreu nesta fiscalização, a que título veio este recurso, ou seja, o porquê, o motivo pelo qual este recurso ingressou o seu patrimônio. Somente adimplindo a essas indagações, fica caracterizada, por parte do(a) contribuinte, a comprovação da origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. Dessa forma, a origem dos depósitos bancários ficaria caracterizada pelo binômio procedênciamotivo, devendo o(a) contribuinte comprovar que o numerário procede efetivamente de celebração de empréstimos alegados, em que ele(a) fosse parte, bem como, se o mútuo realmente existiu, ou seja, se o dinheiro foi e voltou, com os respectivos acréscimos contratuais e legais, sendo estas exigências, satisfeitas com a completa apresentação dos documentos hábeis e idôneos, citados neste item, fato este não demonstrado e comprovado pelo(a) contribuinte. A apresentação parcial e incompleta de documentos, sem os devidos esclarecimentos do(a) contribuinte explicando o ocorrido em suas contas bancárias (o motivo e a procedência de cada depósito), ou a apresentação de documentos inábeis e inidôneos, constitui mera alegação, tentando transferir para a Autoridade Fiscal o ônus de imaginar, deduzir ou inferir o que teria acontecido com o seu patrimônio, capacidade esta que somente ele(a) próprio(a) possui. Do exposto no corrente item, com relação à comprovação de origens de depósitos bancários, concluise que os instrumentos particulares de mútuo apresentados configuram uma documentação incompleta, inábil e inidônea, constituindo mera alegação do(a) contribuinte, a qual se contradiz com as informações nela contidas, quando analisadas isoladamente, e em conjunto com os demais documentos apresentados e obtidos pela Fiscalização, no máximo, permitindose inferir o que de fato teria ocorrido com parte de sua movimentação financeira, não satisfazendo, assim, as intimações de demonstração de procedência Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.516 18 e motivo sobre as origens dos créditos bancários questionados nesta ação fiscal. (...) 2.2.2.2. CONTABILIZAÇÃO DOS EMPRÉSTIMOS ALEGADOS (...) Analisandose esses supostos documentos contábeis parciais e incompletos apresentados às folhas 01 a 140, e confrontando os com os extratos bancários do(a) contribuinte, constatase que não é possível se estabelecer um vínculo entre as contas bancárias fiscalizadas e os lançamentos constantes nessas páginas, tendo em vista que esses supostos lançamentos contábeis informam movimentações de recursos entre patrimônios de terceiros, e não do(a) contribuinte fiscalizado. (...) No entanto, nos mesmos dias desses lançamentos e com os mesmos valores destes, ocorrem depósitos nas contas bancárias do fiscalizado(a), Sr. Bruno Cacciatore, sendo que nos extratos bancários deste, constatase diversas transferências bancárias, com procedência definida, nos respectivos históricos, que a movimentação bancária foi oriunda da empresa VILLANOVA S/A, e em outros lançamentos, apesar da procedência ser indefinida, constatase que também houve transferência bancária, e não transferência em espécie, conforme se infere das alegações, e desses supostos documentos contábeis apresentados. Dessa forma, referidos lançamentos contábeis não refletem a realidade dos fatos, pois se o dinheiro saiu de uma instituição financeira, via transferência bancária, diretamente para as contas bancárias do contribuinte, conforme os extratos fiscalizados, que são a base e a fonte desta ação fiscal, constatase uma contradição e uma impossibilidade lógica nessas alegações apresentadas pelo fiscalizado(a), de "passeio" do dinheiro pelas empresas VILLANOVA S/A, VILLANOVA LTDA, patrimônio do seu pai, ou outro qualquer, e depois, no mesmo dia, chegando, finalmente, nas contas bancárias fiscalizadas do(a) contribuinte, após um suposto saque na "boca do Caixa" da empresa VILLANOVA LTDA. (...) A despeito de existirem transferências de recursos registradas em documentação bancária, com valores e datas idênticos nos documentos apresentados, indicando a procedência e fluxo desses valores, isso por si só, não desobriga o(a) contribuinte de apresentar a contabilidade das entidades envolvidas, acompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê fundamento, de forma a demonstrar a natureza jurídica dessas transferências, ainda mais, considerando que as referidas entidades são empresas tributadas pelo lucro real, o que obriga a completa contabilização dos fatos que alterem seu patrimônio, bem como constitui elemento de prova para dar suporte às eventuais alegações realizadas. (...) Por todo o exposto, esta fiscalização não considerou a contabilidade apresentada pelo(a) contribuinte, e a obtida nos sistemas da Receita Federal do Brasil, como documentação hábil e idônea capaz de fundamentar as alegações de empréstimos Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.517 19 realizados, e consequentemente, comprovar as origens dos depósitos bancários fiscalizados. 2.2.2.3. PROLABORE OBS: Pleito já deferido pela DRJ, não constituindo matéria controvertida na presente análise. 2.2.2.4. LUCROS E DIVIDENDOS Outra alegação apresentada pelo(a) contribuinte foi a de um suposto pagamento de lucros e/ou dividendos da empresa ligada JARDIM DOS IPÊS PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 05.258.519/000198, conforme informado nas folhas 03 a 013, e 118 a 120 dos documentos encaminhados à fiscalização em 05/08/2015, sem contudo demonstrar as procedências e as naturezas jurídicas de tais depósitos com documentação bancária, bem como hábil e idônea. Além disso, o informe de Rendimento da empresa supramencionada, apenas declara um suposto valor total de rendimentos isentos e não tributáveis, pagos no anocalendário de 2011, sem contudo vincular este valor global com cada um dos diversos depósitos alegados nas planilhas das folhas 03 a 013, como sendo distribuição de lucros ou dividendos da empresa JARDIM DOS IPÊS. Ademais, não foi apresentada documentação hábil e idônea (contabilidade, contracheques mensais, documentos societários, etc.) para comprovar a natureza jurídica dessas alegações. (...) 2.2.2.5. LOCAÇÃO DE CAMPO DE FUTEBOL 0(A) contribuinte alegou às folhas 03 a 013, e 133 a 139, dezenas de pagamentos referentes a supostas locações de campo de futebol, sem contudo demonstrar as procedências e as naturezas jurídicas de tais depósitos com documentação bancária, bem como hábil e idônea. Dessa forma, referidas alegações foram verificadas por esta fiscalização, identificadas, e não consideradas como comprovação de origem para os respectivos depósitos bancários, haja vista a não demonstração da procedência e natureza jurídica destes, o que transformou os documentos apresentados em inábeis e inidôneos. 2.2.2.6. TRANSAÇÕES REALIZADAS COM AMIGOS E PARENTES 0(A) contribuinte alegou, genericamente, às folhas 03 a 013, e 154 a 165, dezenas de pagamentos referentes a supostas transações realizadas com amigos e parente, sem contudo demonstrar as procedências e as naturezas jurídicas de tais depósitos com documentação bancária, bem como hábil e idônea, mas juntando, apenas, meras declarações ou cópias de emails de terceiros, os quais não constituem documentação probatória para a comprovação de origem de depósitos bancários.. Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.518 20 Dessa forma, referidas alegações foram verificadas por esta fiscalização, identificadas, e não consideradas como comprovação de origem para os respectivos depósitos bancários, haja vista a não demonstração da procedência e natureza jurídica destes, o que transformou os documentos apresentados em inábeis e inidôneos. Somadas às conclusões fiscais acima, a penalidade de ofício foi qualificada, lançada no percentual de 150%, em razão do entendimento da Autoridade Fiscal sobre a ocorrência de dolo, fraude e simulação, mas apenas em relação aos depósitos que estariam relacionados às operação de mútuo. Ademais, o Sr. José Eduardo da Costa Freitas e as empresas Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S/A e Villanova Engenharia e Construções LTDA foram arroladas como responsáveis solidárias, por apresentarem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, inciso I da Lei 5.172/66 (CTN). O Julgador de 1ª Instância corroborou a maioria das conclusões da Autoridade lançadora. De fato, há questões que são incontestes, não merecendo maiores considerações na presente análise. Ao contrário do que afirma o recurso voluntário, não existiram as tais operações de mútuo. O que se deu foi uma ação deliberada para levar a termo uma manobra da qual resulta evidente dano aos detentores de créditos trabalhistas e à própria atividade jurisdicional promovida pela Justiça do Trabalho, conduta que, em tese, pode configurar fraude à execução, com a ressalva de que todos os envolvidos reconhecem o objeto da manobra, embora afirmem não terem causado prejuízos a ninguém. O contribuinte expressa em sua defesa, com todas as letras, que a contabilização dos mútuos objetivou atender a formalidades das estruturas societárias das empresas e evitar o bloqueio de valores para ficarem a disposição da Justiça do Trabalho. Assim, resta evidente que tem toda a razão as autoridades lançadora e julgadora, pois os tais "registros contábeis" espelham essa mesma operação fictícia e fraudulenta, que, longe de registrar os atos e fatos administrativos efetivamente ocorridos, apresenta indiscutível manipulação que compromete integralmente sua confiabilidade, não merecendo fé, sendo possível sua utilização exclusivamente em desfavor do contribuinte, nos exatos termos do que prevê o art. 226 do Código Civil, citado alhures. Desta forma, entendo que tanto os contratos de mútuo como os registros contábeis devem ser desconsiderados, inclusive os argumentos de defesa que encontram nestes dois elementos o lastro de sua validade. Quanto à alegação da defesa de que a Fiscalização e a DRJ pretendem identificar coincidência de datas e valores e que tal fato corresponderia a uma "prova impossível", não tem razão o recorrente. Afinal, estamos falando de quantias que são expressas em números, cujo controle pode e deve se dar nos detalhes, em particular em casos como estes, em que os valores envolvidos montam dezenas de milhões de Reais. Não é possível crer que alguém movimente quantia tão expressiva sem qualquer preocupação com controle efetivo, principalmente quando há que se prestar contas posteriormente. Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.519 21 Como bem pontuou a Decisão recorrida, não trata o presente de presunção de omissão rendimentos lastreada na verificação de acréscimos patrimonial a descoberto. O que se tem é a acusação fiscal de omissão de rendimentos decorrentes da falta de comprovação da origem de valores creditados em contacorrente bancária. Para tanto, a fiscalização não precisa demonstrar a ocorrência de acréscimo patrimonial, em particular em razão de que a tributação pelo imposto de renda se dá sobre a disponibilidade, econômica ou jurídica, de renda ou proventos de qualquer natureza, restando irrelevante saber o que foi feito com o recurso recebido. O tema em questão não merece maiores considerações, pois sobre ele este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Está correta a conclusão da defesa de que o lançamento não deve albergar apenas aspectos formais da obrigação tributária. Entretanto, equivocase ao tentar atribuir aos representantes do Fisco alguma medida de parcialidade. Ora, diante de tudo que se viu acima, em que o recorrente e os responsáveis solidários arrolados evidenciam um apego excessivo aos próprios interesses, simulando operações que não existiram para alcançar seus objetivos empresariais, os quais, ainda que exitosos, não justificam os meios empregados. No exercício da atividade relaciona à constituição do crédito tributário, de forma obrigatória e vinculada, nos termos do art. 142 da Lei 5.175/66 (CTN), é dever da autoridade lançadora verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo. No caso em comento, é inequívoco que caminhou bem a autuação, já que os elementos apresentados pelo contribuinte não contribuem para se chegar à verdade material, a qual não é exatamente a que se apresenta nos registros e documentos apresentados, mas na essência das operações de que resultaram a autuação. Depreendese da leitura do Relatório Fiscal produzido no curso da Fiscalização, que parte dos valores considerados omitidos tem origem identificada, mas não sua natureza, o que levou o Agente Fiscal a considerar como omissão de rendimentos. Neste ponto, convêm trazer à balha o teor do art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.520 22 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Grifouse. Como se vê, os valores cuja origem foram comprovadas no curso do procedimento fiscal deveriam ser submetidos às normas de tributação específicas às respectivas natureza, pois, havendo a comprovação da origem e não tendo sido computados tais rendimentos na base de cálculo do tributo, não mais há que se falar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o citado art. 42, mas de efetiva omissão de rendimentos. Não compartilho do entendimento de que a palavra "origem" constante do caput do art. 42 apresente significado mais abrangente do que efetivamente tem. Origem é o lugar de onde provém alguém ou alguma coisa, é a fonte, é a procedência. Parece evidente que o espírito da norma é evitar que o titular da movimentação financeira, que é quem teria a maior facilidade de indicar a fonte dos recursos, deixasse para o fisco toda a tarefa de identificar a origem dos créditos em suas contas bancárias. Assim, a lei inverteu o ônus da prova, atribuindo ao titular da conta bancária o dever de aclarar a origem dos valores. Feito isto, não há mais que se falar em presunção legal de omissão de rendimentos, devendo a tributação, se for o caso, considerar as normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Não obstante, a comprovação da origem não desobriga o contribuinte de comprovar a natureza dos rendimentos, em particular para que possa o Agente Fiscal aplicar as normas de tributação específicas. Tal obrigação está prevista no Decreto 3.000/99 (RIR), expressamente indicado no Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl. 4, e assim dispõe: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal. O mesmo Regulamento prevê, ainda: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): I arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração; II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.521 23 deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. Analisando o Auto de Infração e o Relatório Fiscal, de fl. 1317 e 1289, respectivamente, constatase que a Autoridade lançadora indicou expressamente a fundamentação legal do lançamento, apontando para o art. 42 da Lei 9.430/96, mas apontou, também, outros fundamentos, dentre os quais merece destaque os seguintes artigos do já citado Regulamento do Imposto de Renda: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Como se vê, os artigos acima constituem a regra geral de tributação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. Naturalmente, há rendimentos específicos que não são alcançados pela tributação do IR, com os expressamente elencados no art. 39 do mesmo regulamento, bem assim os que estão sujeitos a tributação diferenciada, a exemplo daqueles tributados exclusivamente na fonte, como os decorrentes de 13º salário ou de Participação nos Lucros ou Resultados. Contudo, tendo em vista que a regra, no caso de pessoa física, é a tributação na Declaração de Ajuste Anual, a necessidade de que o contribuinte demonstre não apenas a origem de seus rendimento é para que tenha a oportunidade de apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do Fisco constituir o crédito tributário mediante lançamento, demonstrando a natureza dos valores recebidos para que, sendo estes isentos, não haja qualquer incidência tributária ou, sendo estes submetidos à tributação diferenciada, sejam aplicadas as respectivas normas tributárias. Desta forma, ainda que o Agente fiscal tenha manifestado seu entendimento de que o lançamento se deu com base no art. 42 da Lei 9.430/96, o citado dispositivo trata da Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.522 24 incidência de normas específicas nos casos em que restar comprovada a origem do rendimento, o que evidencia a correção do procedimento fiscal ao indicar outros fundamentos para a exigência no corpo do Auto de Infração. Ainda que o autoridade lançadora manifeste entendimento divergente deste Relator em relação à sua interpretação da palavra "origem" no contexto da presunção legal em tela, ao final nossas conclusões são as mesmas, já que deve o contribuinte aclarar não apenas de onde veio o numerário, mas demonstrar a natureza do crédito, de modo que se possa aferir a regra tributária aplicável. Desta forma, pelo Princípio da instrumentalidade das formas, temos que a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com algum vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes, não se declara sua nulidade. Assim, não vislumbro mácula no lançamento que seja capaz de impor o reconhecimento de sua nulidade, já que não houve qualquer prejuízo ao recorrente, que, de tudo, foi cientificado e teve plenamente franqueada a possibilidade de demonstrar a natureza de tais rendimentos. Assim, neste tema, nego provimento ao recurso voluntário. Da transferência de recurso entre contas de mesma titularidade. Neste item o contribuinte questiona a tributação do valor de R$ 99.982,00, relativo a um TEDT ELET DISP, de 26/08/2011, e, ainda, do valor de R$ 20.000,00, TED DE DIFERENTE TITULARIDADE, de 08/08/2011, sob o argumento de que se tratam de movimentação entre contas de mesma titularidade. Ao contrário das conclusões do Julgador de 1ª Instância, tem razão o contribuinte. O valor de R$ 99.982,00 foi reconhecido pelo próprio Agente Fiscal como uma transferência entre contas de mesma titularidade (fl. 1291) e, ao mesmo tempo, integrou o a planilha de valores cujas origem não foram comprovadas (fl. 1297). Já o valor de R$ 20.000,00, foi movimentado pelo próprio autuado, entre contas mantidas no Bradesco, fl. 310, e Santander, fl. 217, na qual, embora haja a informação de que se trata de TED de Diferente Titularidade, indica expressamente o autuado como origem do crédito. Não obstante, integrou a planilha de valores cujas origem não foram comprovadas (fl. 1305). Assim, neste tema, dou provimento ao recurso voluntário para determinar a exclusão da base de cálculo do tributo lançado dos valores de R$ 99.982,00, relativo a um TEDT ELET DISP, de 26/08/2001 (fl. 1297), e, ainda, do valor de R$ 20.000,00, TED DE DIFERENTE TITULARIDADE, de 08/08/2011 (fl. 1305). Dividendos recebidos pelo Recorrente, tidos como "receita omitida" Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.523 25 Insurgese o contribuinte contra a decisão da DRJ que manteve a tributação de rendimentos decorrente de dividendos recebidos do Empreendimento Jardim dos Ipês Participações. Em fl. 377, a autoridade lançadora manifesta seu entendimento de que o contribuinte não provou a procedência dos valores recebidos a este título e que o informe de rendimentos apresentado indica um valor total, sem vinculálos aos diversos depósitos indicados em fl. 03 a 13. Sustenta, ainda, que não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a natureza jurídica dessas alegações, inclusive documentos societários da empresa. Em fl. 378, o contribuinte apresentou à Autoridade Fiscal comprovante de rendimentos emitidos pela empresa Jardins dos Ipês Participações e Comércio. A partir de fl. 249, consta planilha em que o contribuinte indica supostos créditos que seriam relativos aos valores recebidos do empreendimento Jardins dos Ipês. O citado comprovante de rendimentos indica a recepção de quantia, a título de lucros e dividendos, na ordem de R$ 604.950,15. No Apêndice 12, fl. 1938 a 1940, o contribuinte apresenta uma planilha indicando documentos que se constituem anexos contidos a partir de fl. 2056, dos quais merece destaque a cópia do razão analítico de fl. 2082, cujas informações, no conjunto com os demais documentos apresentados, apresentam verossimilhança que justificam acatar as alegações recursais. Assim, neste tema, dou provimento ao recurso voluntário para excluir os valores que foram considerados na base de cálculo do tributo lançado e que tenham sido indicados pelo contribuinte em fl. 1939/1940 como recebidos da Jardim dos Ipês Participações e Comércio Ltda, a título de distribuição de lucros e dividendos. Prólabores Recebidos pelo Recorrente, considerados indevidamente como Receita Omitidas Neste tema o contribuinte insurgese contra a conclusão do Julgador de 1ª Instância, que excluiu do lançamento os valores relativos aos rendimentos de prólabore recebido da empresa Villanova Engenharia e Desenvolvimento Ambiental S.A., mas o fez apenas em ralação a 11 dos 12 meses do ano de 2011, deixando de considerar o rendimento de R$ 1.116,38 relativo ao mês de junho. Ademais, questiona o fato de apenas a metade do falor comprovado ter sido excluída de tributação. O citado valor consta do Recibo de Pagamento de salário de fl. 369 e deve ter o mesmo tratamento dos demais meses, devendo, igualmente, ser excluído da base de calculo do tributo lançado. Naturalmente, pela metade do seu valor, já que a outra metade, foi atribuída à cotitular da conta bancária em tela e nos respectivos autos deve ser tratada. Assim, neste tema, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo lançado o valor de R$ 558,19, do Banco Itaú, indicado na Tabela 3 de fl. 1288, para o mês de julho de 2011. Reembolso de despesas com locação de campo de futebol Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.524 26 O recorrente questiona a conclusão da Decisão recorrida de que não teria sido juntado aos autos documentos bancários que pudessem comprovar a procedência dos depósitos, que embora alcance o montante de R$ 27.519,15, é relativo a inúmeros depósitos no valor aproximado de R$ 180,00. Afirma que o lançamento e o Julgador de 1ª Instância pecam por excesso, já que apresentou os extratos em que constam os valores em questão, deixando apenas de apontar um a um por entender que a perícia requerida o faria. Analisando os elementos contidos nos autos, em particular o que consta em fl. 397 a 402 , é possível identificar que o autuado pretendeu comprovar a origem de uma série de depósitos de pequenos valores com a apresentação de uma planilha em que indica as datas, o banco, os remetentes e valores de cada depósito. Junto a tal planilha, apresenta cópia de um email em que pessoas são convocadas/convidadas a participar de um jogo de futebol. Em fl. 134, a Autoridade lançadora afirmou que se tratavam de meras alegações, sem a efetiva comprovação de origem e natureza jurídica dos valores. Tal entendimento foi mantido pela DRJ. Entendo que a Decisão recorrida está correta. O contribuinte não comprova efetivamente nada, mas apenas junta um email enviado no mês de março de 2012, procurando amparar valores depositados no curso do ano de 2011. Ademais, os limites de que trata o incido II do § 3º do art. 42 da Lei 9.430/963 foram alterados pela Lei 9.481/97, mas só são aplicáveis se o somatório dos créditos de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassarem R$ 80.000,00. Ultrapassado tal limite superior, como o caso em tela, todos os créditos são considerados omitidos independentemente do valor. Assim, nada a prover neste tema. Reembolso de despesas feitas ao Recorrente pela empresa Villanova S/A e por SulAmérica Seguros. Analisando os documentos de fl. 384 a 395, é possível constatar que a própria Autoridade lançadora identificou que o crédito na conta do Banco Santander, em 03/05/2011, no valor de R$ 539,10, está informado nos extratos bancários como tendo origem na empresa SulAmérica, mas indica pagamentos a fornecedores, fl. 348. Não obstante, considerando o documento de fl. 395, entendo suficiente para acatar o pleito recursal nesta parte.. Em relação aos créditos supostamente oriundos da empresa Villanova S/A, o documento de fl. 384 indica que créditos registrados no Banco Itaú, foram devidamente acatados pela fiscalização, o que pode ser constatado em fl. 1291. Já em relação aos créditos da mesma empresa, mas registrados no Banco Bradesco, nos valores de R$ 1.416,89 e R$ 502,28, embora os extratos bancários apontem que os créditos decorrem de depósito ou transferência em dinheiro efetuado pelo próprio titular da conta (fl. 305 e 309), evidenciando modalidade de depósito incompatível com a forma de 3 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.525 27 pagamento indicada nos documentos de fl. 393 e 391, que aponta depósito em cheque, considerando a condição do autuado de evidente vínculo com tal PJ, bem assim que se o cheque for da mesma agência o efeito prático é que o depósito em cheque corresponde a um crédito em dinheiro, considerando, ainda, a irrelevância dos valores envolvidos, entendo que devem ser excluídos tais valores da base de calculo do tributo laçado. Por fim, há de se ressaltar que todos os valores indicados em fl. 384 foram acima tratados, remanescendo diferença para se alcançar o total indicado pela defesa que estaria relacionado à empresa Villanova (R$ 2.508,10) Desta forma, neste tema, dou parcial provimento ao recurso voluntário para determinar a exclusão da base de cálculo do tributo lançado dos seguintes valores: R$ 539,10, Banco Santander, em 03/05/2011; R$ 1.416,89 e R$ 502,28, Banco Bradesco, 22/06/2011 e 29/07/2011, respectivamente. Valores recebidos de parentes Afirma o recorrente que empréstimos realizados por parentes em favor do Sr. José Eduardo, mantidos em sua conta para saques periódicos para subsistência do mesmo, seu pai. Que tais operações de empréstimos corresponderiam à maioria do valor considerado omitido de R$ 2.474.004,41 e que os demais valores seriam relativos a rateios de despesas comuns de José Eduardo com seus irmãos, fatos que poderiam ser comprovados pela perícia requerida. Mais uma vez afirma que a opção de movimentar tais valores em sua conta bancária decorre da necessidade de evitar que penhoras trabalhistas inviabilizassem a continuidade da empresa. Alega que o bloqueio das contas de seu pai o obrigou a recorrer a empréstimos com amigos e parentes para sua subsistência pessoal ao longo de 2011 Sustenta o recorrente que, por se tratar de ajustes com parentes próximos, como irmãos e companheira, não haveria necessidade de formalização. Em fl. 418 e ss, o contribuinte apresentou à Fiscalização uma relação de nomes e eventos como Carnaval, galinhada, empréstimos da Yara Cássia Garcia, venda de aparelho celular, além de uma planilha em que relaciona tais eventos a créditos em suas contas bancárias. Ademais, junta uma Declaração de seu pai atestando que recebeu empréstimo de R$ 1.748.760,88 da Sra. Yara Cássia, sua cunhada, além de outra declaração de autoria da Sra. Isabel de Cássia Garcia, atestando que emprestou ao seu companheiro, Sr. José Eduardo, via conta bancária do autuado, o valor de R$ 700.000,00. Em fl. 417, a Fiscalização apresenta suas conclusões sobre tais documentos, afirmando que os argumentos são genéricos e que não foi apresentada documentação hábil e idônea que amparasse as alegações. Ora, não estamos falando aqui de valores irrisórios que podem ser retirados do bolso sem que reste algum registro que permita identificar o caminho do dinheiro. Estamos Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.526 28 diante de milhões de reais que, informalmente, tramitam para lá e para cá sem maior rigor e o contribuinte não consegue apontar inequivocamente a sua origem. Assim, considerando que a presunção de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96 impõe ao contribuinte a obrigação de comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, não tendo este apresentado elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, não há motivos para alterar o que foi decidido pela autoridade recorrida. Quanto à multa qualificada O recorrente afirma que a decisão recorrida limitouse a reproduzir dispositivos da legislação que estabelecem a aplicação de penalidade mais gravosa, basicamente amparada pela conclusão de que movimentações financeiras serviram para esconder a verdadeira origem dos recursos. Sustenta que as operações de mútuo efetivamente ocorreram e foram informadas diretamente pela autuado e não descobertas por acaso ou por força do trabalho investigativo do Agente Fiscal, já que toda a operações estavam registradas contabilmente. Afirma que a utilização de suas contas pessoais para evitar bloqueios na conta da pessoa jurídica e do Sr. José Eduardo não configurou prática reiterada ao longo do tempo, tendo ocorrido apenas em 2011, apenas com o objetivo de salvaguardar a saúde financeira da empresa que estaria sentenciada de morte caso as penhoras das ações trabalhistas não permitissem que os fornecedores pudessem ser pagos. Alega que a escrita fiscal das empresas está em boa ordem e que os valores mutuados foram efetivamente devolvidos. Afirma que apresentou um sem número de documentos no curso do procedimento fiscal e questiona como o Julgador de 1ª Instância pode entender que a verdadeira origem dos recursos foi escondida. Questiona, ainda, onde estaria o dolo, se foi o próprio contribuinte que apresentou os instrumentos de mútuo, reiterou e comprovou sua existência. Sustenta que os mútuos não serviram para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador e que está provado nos autos que os negócios de mútuo são verdadeiros e legítimos e serviram para viabilizar a circulação de recursos e para evitar a penhora, em uma estratégia de planejamento administrativoempresarial. Aduz que o Agente Fiscal não foi capaz de fazer qualquer prova de fraude e que agravou a penalidade simplesmente por imaginar que esta ocorreu. Resumidas as razões da defesa, por conta de tudo que consta no presente voto, em particular as considerações deste Relator em relação à conduta do contribuinte e dos solidários na intitulada estratégia de planejamento administrativoempresarial, que nada mais é que um arranjo doloso que dissimula a verdade real dos fatos. Não é crível que, mesmo afirmando a todo instante que a opção pela formalização dos tais mútuos tem o claro propósito de fraudar a execução trabalhista, o Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.527 29 contribuinte continue afirmando que os mútuos existiram e que foram devidamente escriturados. Não se nega que os aspectos formais dos instrumentos de mútuo não são essenciais para sua configuração, tanto que a Solução de Consulta Cosit nº 50/2015 estabelece que, para a configuração do mútuo, são irrelevantes os aspectos formais mediantes os quais a operação se materializa e a natureza da vinculação entre as parte, mas, por outro lado, afirma que: Mútuo é espécie do gênero empréstimo. Nos termos do art. 586 do Código Civil de 2002 (CC), no mútuo, uma parte cede a outra coisa fungível, tendo a outra parte a obrigação de restituir igual quantidade de bens do mesmo gênero e qualidade. Da mesma forma, valendome dos precedentes administrativos citados no próprio recurso, estes são claros ao prever que operação de mútuo de recursos financeiros se caracteriza por uma operação de crédito ou mesmo por mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outros recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, o fato do contribuinte ter identificado e registrado a transferência de valores como se mútuo fosse, não muda a natureza do que realmente está estampado na essência das operações, que não configuram operações de crédito. Assim, é inócua a afirmação reiterada de que os mútuos existiram e foram corretamente escriturados. Não houve mútuo e os registros contábeis mão merecem fé, pois serviram tão só para atender aos interesses dos envolvidos, deixando de lado os atos e fatos administrativos efetivamente ocorridos. Portanto, está claro que tais operações foram engendradas de forma voluntária e intencional e que dar uma roupagem de operação de crédito a algo que, em sua essência, nada tem a ver com operação de crédito, promovendo registros contábeis e formalizando instrumentos contratuais sabidamente inverídicos, constitui conduta que justifica a qualificação da penalidade de ofício, já que seus efeitos estão além daqueles relacionados às dívidas trabalhistas, alcançando, também, efeitos tributários. Desta forma, não identifico elementos para afastar as conclusões da Autoridade Fiscal, tampouco para indicar improcedência das conclusões da Decisão recorrida, o que impõe o não provimento do recurso neste tema. Desconsideração da jurisprudência e da orientação doutrinária. Insurgese o contribuinte contra a conclusão da Decisão recorrida sobre os efeitos de decisões administrativas em processos diversos, as quais não vinculariam o julgador de 1ª Instância. Sustenta que se fosse tão desimportante a jurisprudência e a doutrina para a tarefa de interpretar o Direito e orientar o julgador, talvez fosse melhor não permitir sequer o exercício do direito de defesa. Afirma que não há porque, em nome de um julgamento justo, sejam ignoradas decisões do CARF aplicáveis ao caso. Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 10437.721422/201611 Acórdão n.º 2201004.663 S2C2T1 Fl. 3.528 30 Como é de elementar conhecimento, a doutrina e a jurisprudência são fontes do Direito, mas constituem fontes secundárias, ao lado da analogia, os costumes e os princípios gerais do direito, ao passo que a lei corresponde à fonte primária. Assim, está correto o posicionamento externado pela autoridade a quo, já que as decisões exaradas pelo CARF ou mesmo decisões judiciais, ainda que reiteradas, não têm o condão de vincular o julgador administrativo, limitando seus efeitos às partes. Assim, nada a prover neste tema. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: excluir, da base de cálculo do tributo lançado, os valores de R$ 99.982,00, relativo a um TEDT ELET DISP, de 26/08/2001 (fl. 1297), e, ainda, do valor de R$ 20.000,00, TED DE DIFERENTE TITULARIDADE, de 08/08/2011 (fl. 1305); excluir os valores que foram considerados na base de cálculo do tributo lançado e que tenham sido indicados pelo contribuinte em fl. 1939/1940 como recebidos da Jardim dos Ipês Participações e Comércio Ltda, a título de distribuição de lucros e dividendos; excluir, da base de cálculo do tributo lançado, o valor de R$ 558,19, do Banco Itaú, indicado na Tabela 3 de fl. 1288, para o mês de julho de 2011; excluir, da base de cálculo do tributo lançado, os seguintes valores: R$ 539,10, Banco Santander, em 03/05/2011; R$ 1.416,89 e R$ 502,28, Banco Bradesco, 22/06/2011 e 29/07/2011, respectivamente. Independentemente do trâmite regular de eventual Representação Fiscal pra Fins Penais, a unidade responsável pela administração do tributo deve encaminhar cópia digitalizada do presente processo ao Ministério Público do Trabalho, para ciência dos fatos noticiados pelo contribuinte, em particular dos que se relacionam à ação deliberada para evitar o bloqueio de valores determinados pela Justiça do Trabalho, conduta que, em tese, pode configurar crime comum de fraude à execução. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 3528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720728/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALORES EXTINTOS POR PAGAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Mostra-se improcedente o lançamento que objetiva formalizar crédito tributário já extinto por pagamento, consoante demonstrado nos autos. Inteligência dos arts. 156, I do Código Tributário Nacional e 9º do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3401-005.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Diante da informação veiculada em sustentação oral de que a empresa é do grupo "AMBEV", declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Tiago Guerra Machado, sendo a votação efetuada com apenas sete conselheiros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Diante da informação veiculada em sustentação oral de que a empresa é do grupo "AMBEV", declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Tiago Guerra Machado, sendo a votação efetuada com apenas sete conselheiros.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALORES EXTINTOS POR PAGAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Mostrase improcedente o lançamento que objetiva formalizar crédito tributário já extinto por pagamento, consoante demonstrado nos autos. Inteligência dos arts. 156, I do Código Tributário Nacional e 9º do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 28 /2 01 0- 66Fl. 461DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Diante da informação veiculada em sustentação oral de que a empresa é do grupo "AMBEV", declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Tiago Guerra Machado, sendo a votação efetuada com apenas sete conselheiros. Relatório Alberga o presente processo lançamento para exigência de PIS/Pasep (R$ 1.267.564,43) e Cofins (R$ 5.829.967,68) decorrente de divergência apurada entre a escrituração e os valores declarados/pagos. O contribuinte apresentou impugnação onde sustentou equívoco no preenchimento do DACON apresentado, bem assim, apontou incorreções no levantamento realizado pela fiscalização, como incorreta aplicação das alíquotas das contribuições a produtos sujeitos a alíquota zero ou tributação diferenciada e a inclusão de produtos exportados na base de cálculo. O processo foi convertido em diligência para esclarecimentos, concluindo a autoridade fiscal, após as averiguações necessárias, que os valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins eram, respectivamente, R$ 77.990,76 e R$ 360.038,10. Cientificado, o contribuinte informou que os valores calculados pela diligência fiscal eram inferiores àqueles declarados e recolhidos, razão pela qual os autos de infração deveriam ser declarados insubsistentes. A DRJ Belém/PA acolheu a impugnação e exonerou os valores constituídos mediante decisão assim ementada: “LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO E JURÍDICO. IMPROCEDÊNCIA. Resulta improcedente o lançamento de ofício quando reste demonstrada, em sede de Diligência Fiscal, a ausência de substrato fático e jurídico para a respectiva exigência.” Dessa decisão foi interposto o recurso de ofício de que trata o art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Promovida a regular ciência do interessado, não houve manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator A remessa necessária preenche os requisitos para seu reexame, pelo que, dela conheço. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10283.720728/201066 Acórdão n.º 3401005.076 S3C4T1 Fl. 462 3 O relatado equívoco na apuração dos tributos lançados é inconteste, como reconhecido pelo Relatório de Diligência Fiscal (efls. 418/421): (...) A decisão sob reexame, por sua vez, confirma que os valores em destaque são inferiores àqueles declarados (DCTF) e já se encontram extintos por pagamento, verbis: “Desta feita, foram finalmente apuradas como devidas, após o desconto dos respectivos créditos, contribuições no montante de R$ 77.990,76 (PIS/Pasep) e R$ 360.038,10 (Cofins), como se vê no demonstrativo de fl. 422. Ocorre que o sujeito passivo confessou em DACON (fls. 56 e 57) e DCTF (fls. 59 e 60), a título de PIS/Pasep e Cofins devidas no mês de agosto/2005, os valores de R$ 351.974,87 e R$ 1.624.901,34, respectivamente. Constatase, pois, que os valores apurados na diligência levada a efeito pela autoridade fiscal, de R$ 77.990,76 (PIS/Pasep) e R$ 360.038,10 (Cofins), são inferiores àqueles já confessados em DACON e DCTF, de R$ 351.974,87 (PIS/Pasep) e R$ 1.624.901,34 (Cofins), também se verificando que tais montantes já foram devidamente extintos por intermédio de pagamentos efetivados em 15/09/2005 pelo sujeito passivo (conforme consta dos sistemas da RFB).” (destaque no original) À luz do art. 9º do Decreto nº 70.235/72, o auto de infração e a notificação de lançamento são instrumentos para exigência do crédito tributário e penalidade isolada, de maneira que, constatada a extinção do crédito tributário por pagamento, ex vi do art. 156, I do Código Tributário Nacional, antes do início do procedimento fiscal, não há que se falar em créditos exigíveis, revelandose improcedente o lançamento formalizado nessas circunstâncias. Logo, correta a decisão de primeiro grau administrativo que acolheu a reclamação do sujeito passivo, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 463DF CARF MF 4 Robson José Bayerl Fl. 464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720441/2012-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. CRITÉRIO. PERTINÊNCIA.
No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, serão admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços identificadas como insumos empregado nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Numero da decisão: 9303-007.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral, e vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. CRITÉRIO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, serão admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços identificadas como insumos empregado nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral, e vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. CRITÉRIO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, serão admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços identificadas como insumos empregado nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral, e vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 41 /2 01 2- 81 Fl. 12291DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3402002.669, de 24 de fevereiro de 2015 (efolhas 11.523 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Os encargos de depreciação de caminhões off road, incorporados ao ativo imobilizado e utilizados na produção de minérios, geram direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 12292DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 4 3 A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 11.565 e segs) diz respeito ao conceito de insumos para efeito de aplicação da legislação de regulamentação da Contribuição para o PIS/Pasep. Defende a aplicação dos critérios estabelecidos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ou, alternativamente, que, pelo menos, seja exigida a aplicação do bem/serviço no processo produtivo da empresa. Com esse fundamento, pede provimento ao recurso especial para manutenção das glosas dos créditos vinculados (i) aos gastos com serviços de prospecção e sondagem e (ii) aos custos com a depreciação de caminhões off road utilizados no transporte de produtos semiacabados das minas às usinas onde serão beneficiados. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 11.840 e segs) também diz respeito à formulação acerca do conceito de insumos para efeito de apropriação de créditos no sistema não cumulativo de apuração das contribuições. Requer a reversão das glosas de créditos vinculados aos gastos com (i) óleos combustíveis e lubrificantes; (ii) serviços de telecomunicação; (iii) serviços de manutenção; (iv) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; e (v) serviços portuários. Ao final, acrescenta genericamente que (...) É necessário, outrossim, sejam afastadas as demais glosas perpetradas pela fiscalização e ratificadas pela r. decisão recorrida. O Recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 11.612 e segs. O contribuinte apresentou contrarrazões, efls. 11703 e seg., ao recurso especial da Fazenda Nacional na qual pede o seu não conhecimento por desobediência do § 6º do art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Quanto ao mérito pede o seu improvimento. O Recurso especial do contribuinte foi parcialmente admitido, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 12.129 e segs e despacho de admissibilidade de agravo à efolhas 12.248 e segs. Fl. 12293DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 5 4 Foi dado seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte apenas em relação às glosas de créditos vinculados (i) aos combustíveis, lubrificantes e serviços de telecomunicação; (ii) aos serviços de manutenção (ao argumento de que não seria possível a tomada de créditos sobre serviços de manutenção de bens ativados); (iii) aos bens do ativo imobilizado e aos serviços de manutenção (ao argumento de que o escoamento da produção não comporia o processo produtivo) e (iv) aos serviços portuários. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 12.261 e segs. Requer que o recurso especial do contribuinte não seja admitido em relação a nenhum dos tópicos relacionados no parágrafo anterior e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. 1) Conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional O contribuinte, em contrarrazões, defende o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional alegando que não foi efetuado o cotejo analítico entre os acórdãos paradigmas e o recorrido, que seria uma exigência do § 6º do art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Sem razão o contraarrazoante. Da leitura do recurso especial da Fazenda Nacional sobresai que as divergências estão bem demonstradas e que é feito o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas com destaque em suas divergências. Esclarecese que não há forma determinada para esta demonstração, sendo que este relator entende que a forma adotada no recurso especial, atende ao disposto no § 6º do art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. 2) Conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte A seguir, a abordagem individualizada das matérias admitidas no recurso especial do contribuinte, em relação às quais a Fazenda, na qualidade de contrarrazoante, considerou não poderem ser admitidas. Fl. 12294DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 6 5 1 Combustíveis, lubrificantes e serviços de telecomunicação Segundo a Fazenda, não houve comprovação da divergência, pois a decisão recorrida teve por fundamento a ausência da necessária segregação da parcela de combustíveis e lubrificantes efetivamente utilizados em máquinas, equipamentos e veículos do processo produtivo, enquanto os paradigma concederam o crédito sob o fundamento de que o escoamento da produção até o porto pode ser considerada uma etapa do processo produtivo. Com a devida vênia, não assiste razão à contrarrazoante. A exigência de segregação contábil dos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo depende da interpretação que se dá à palavra insumos aplicados no processo produtivo ou mesmo do que possa ser considerado processo produtivo para efeito de aplicação da legislação das Contribuições. O recorrido interpretou de maneira mais restritiva o conceito e, assim, glosou os créditos por falta de segregação. Os paradigma, interpretaram de forma mais abrangente, incluindo o escoamento da produção até o porto no escopo das atividades compreendidas no conceito de insumos e, portanto, passíveis de creditamento, o que dispensaria a segregação. Pode até parecer que as conclusões a que chegaram os acórdãos confrontados não são passíveis de comparação, mas, sem dúvida, decorrem de uma divergência anterior de interpretação da legislação tributária. Vale o mesmo em relação aos serviços de telecomunicação. O excerto extraído do despacho de admissibilidade do recurso especial do contribuinte, reproduzido no corpo das contrarrazões, expressa com nitidez a sutileza que envolve a percepção do momento no qual a divergência é identificada. “Quanto aos gastos com serviços de telecomunicação, apesar de nenhum dos acórdãos indicados como paradigmas têlos abordado, em ambos, assentouse entendimento sobre o conceito de insumo mais amplo do que o admitido no acórdão recorrido para fins de crédito: no recorrido, insumos não abrangem custos relativos a etapas posteriores ao processo produtivo; nos paradigmas, gastos decorrentes de atividades posteriores ao processo produtivo se incluem no conceito de insumo.” Fl. 12295DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 7 6 Ou seja, a divergência encontrase na interpretação que é dada ao controvertido conceito de insumos. 2 Serviços de Manutenção A contrarrazoante assevera que Quanto à glosa referente aos serviços de manutenção (item 2), o recorrente não comprovou a semelhança fática entre as decisões cotejadas. Não ficou demonstrado que os paradigmas, à semelhança da decisão recorrida, trataram de máquinas e equipamentos de natureza duradoura, de ativação obrigatória, como era o caso da recorrente. O contribuinte, para demonstrar a divergência, argumenta que Em nenhum dos paradigma cogitouse questionar se o bem a que se referia o serviço de manutenção seria ativado ou não, como fez o acórdão recorrido. É que os serviços de manutenção ordinária não agregam valor novo ao bem do ativo e não aumentam sua vida útil. (...) De fato, os paradigma fazem menção, genericamente, a máquinas, equipamentos, ferramentais e os admitem em face do critério da essencialidade. Vejase o teor de uma das decisões colhidas como paradigma. Destacase inicialmente, em conformidade com o conceito de insumos adotado neste voto, que os gastos com a manutenção de equipamentos industriais, dado sua característica de essencialidade ao processo formativo da receita da recorrente, são passíveis de geração de crédito no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. A outra segue no mesmo sentido. A toda evidência, não há neles o enfrentamento das implicações contábeis desses gastos e decorrente critério de apropriação de créditos, se com base na depreciação dos bens ou no valor dos serviços. Fl. 12296DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 8 7 O recorrido negou o direito ao crédito porque considerou que os serviços de manutenção dos equipamentos agregam valor ao bem, deveriam ter sido ativados, e, por conseguinte, geram créditos calculados com base nos encargos de depreciação desses ativos. O paradigma, seguiu por outro caminho, decidiu à luz de uma interpretação bastante abrangente do conceito de insumos. É uma circunstância um tanto diferente do item anterior. Não há aqui uma discussão de fundo que se possa confrontar sobre o alcance do conceito de insumos. Esse fundamento encontrase apenas nos paradigma. O recorrido não negou o direito por força da restrição do conceito, mas porque o critério de apropriação do gasto foi indevido. Inobstante, é incontroverso que, ao tratar especificamente do direito de crédito nos gastos decorrentes de serviços de manutenção de equipamentos, uma decisão lançou mão de critérios de hermenêutica divergentes daqueles adotados pela outra decisão. Uma classificou todos os gastos, genericamente, como insumos, dispensando quaisquer formalidades contábeis, a outra só os reconheceu como passíveis de depreciação, nem cogitou da possibilidade de enquadrálos como insumos. Mais uma vez, há uma divergência acerca da interpretação do que seja o já tão debatido conceito de insumos. 3 Bens do ativo imobilizado e serviços de manutenção escoamento da produção Neste ponto, a contrarrazoante alega ausência de semelhança fática entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma. Segundo entende, a recorrente requer direito ao crédito por considerar tais gastos essenciais às atividades desenvolvidas pela empresa, situação que não é identificada no paradigma. Entendo, contudo, que a divergência tenha sido demonstrada pelas mesmas razões declinadas nos dois itens anteriores. O contribuinte explica o ponto no qual ela está situada. Com efeito, em diversos precedente do CARF foi deferida a tomada de créditos sobre encargos de depreciação e serviços relacionados ao escoamento da produção de indústrias, posto Fl. 12297DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 9 8 que compõem o processo produtivo em sentido amplo (...) (grifos no original) A leitura das transcrições dos excertos do paradigma colados no recurso especial denota que, mais uma vez, a divergência está situada na interpretação sobre o significado e a amplitude do vernáculo insumos. 4 Serviços Portuários Segundo a contrarrazoante, o acórdão nº 9303003069 não poderia servir como paradigma pelo fato de ter sido acatado com efeitos infringentes os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. Porém, já no despacho de admissibilidade, não foi aceito o acórdão nº 9303 003.069 como paradigma. Veja como dispôs referido despacho: (...) Entretanto, o primeiro acórdão indicado como paradigma, o de número 9303 003.069, não serve para comprovar a divergência. Nele, apesar de se decidir com base em conceito de insumo um pouco diferente do que aquele que amparou a decisão recorrida, foram aceitos para inclusão no cálculo do crédito da contribuição apenas os gastos com bens e serviços utilizados na fase agrícolaflorestal, ao final da qual se obtém produto que servirá de matériaprima para a fase propriamente industrial, e nesta fase, ao final da qual se obtém o produto final, celulose. Gastos com serviços portuários não poderiam gerar crédito à luz do entendimento que amparou o primeiro acórdão indicado como paradigma. Comprovada a divergência suscitada, com base apenas no Acórdão Paradigma 3402002.525 (PAF 11080.722727/200961), devese dar seguimento ao recurso em relação a esta matéria. (...) Por sua vez, conforme enfatizado no despacho de admissibilidade, o Acórdão nº 3402002.525 demonstra bem a divergência jurisprudencial, nesta matéria, com o acórdão recorrido. No recorrido não se acatou os créditos relativos aos serviços portuários, ao contrário do acórdão paradigma, o que fica claro com o seguinte trecho de sua ementa: PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Fl. 12298DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 10 9 Com base nos apontamentos precedentes, voto pelo conhecimento do recurso especial do contribuinte. Mérito Para todos os dispêndios que serão a seguir examinados, partese do pressuposto de que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Vejamos o que dispõe o art. 3º da Lei 10,833/2003, que cuida dos créditos da nãocumulatividade, e tem basicamente a mesma redação do art. 3º da Lei 10637/2002 que é relativa ao PIS. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 12299DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 11 10 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 12300DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 12 11 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Recurso Especial da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional requer a alteração da decisão recorrida, para que seja mantida a glosa dos créditos vinculados aos (i) serviços de prospecção e sondagem e (ii) sobre os custos com a depreciação de caminhões off road utilizados no transporte de produtos semiacabados das minas às usinas onde serão beneficiados. Com razão a Fazenda em relação aos serviços de prospecção e sondagem. Parece ser incontroverso nos autos que se trata de uma etapa anterior ao processo produtivo propriamente dito. Observese os fundamentos da decisão recorrida. Quanto aos serviços utilizados como insumo, a recorrente explica que para que se inicie a extração mineral, é necessária a realização de estudos e pesquisas bem como prospecção e sondagens. As glosas procedidas pelas Fiscalização, fundamentadas na consideração de que tais serviços não foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, merece reparos. (grifos acrescidos) O conceito de insumo que se adota é mais amplo do que aquele adotado na legislação do IPI e leva, necessariamente, em conta todo o processo produtivo desenvolvido pelo contribuinte. No caso da Vale, inclui as atividades típicas da extração mineral, tais como prospecção e sondagens (conta 353035009) e serviços Fl. 12301DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 13 12 de geologia (conta 353035010), cujas glosas devem ser revertidas. Tal como me posicionei nas decisões proferidas por meio dos acórdãos nºs 9303006.100, 9303006.099 , 9303006.098, 9303006.101 e outros, nos quais fui vencido, entendo que encargos dessa natureza, ligados a atividades realizadas em fase anterior ao início da fabricação do produto acabado não dão direito à apropriação de crédito por parte do contribuinte. O mesmo não se pode dizer em relação aos custos com a depreciação de caminhões off road utilizados no transporte de produtos semiacabados. As informações extraídas nos autos dão conta de que tratamse de gastos incorridos ao longo do processo de fabricação do produto acabado. A contestação da recorrente tem o seguinte teor. Da leitura do acórdão paradigma se conclui que a legislação não autoriza o creditamento de encargos de depreciação de quaisquer bens incorporados ao ativo imobilizado. O paradigma firmou o posicionamento de que a determinação do crédito prevista no inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, relativo aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, alcança apenas as máquinas e equipamentos destinados diretamente à industrialização e não os demais aplicados em outras atividades dos contribuintes. Ademais, firmou o posicionamento de que, consoante o disposto na Lei nº 10.865/2004, art. 31, a partir de agosto de 2004, os bens do ativo imobilizado somente geram créditos de PIS e COFINS não cumulativos, desde que adquiridos a partir de 01/05/2004. Contudo, como se disse, não há razões para crer que esses veículos não sejam utilizados no curso do processo produtivo. Outrossim, a restrição temporal a que se refere a Douta Procuradoria já foi observada pelo recorrido, se não vejamos. O contribuinte, já na Manifestação de Inconformidade, demonstrou cabalmente que os caminhões off road são utilizados no processo produtivo da mineração (ao contrário dos demais itens, que, segundo descrição do processo produtivo oferecido Fl. 12302DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 14 13 pela defesa, são empregados em etapas pósprodutivas), na 2ª etapa, denominada como Transporte. O crédito portanto subsumese no autorizativo do inc. VI combinado com o inc. II do § 1° do art. 3° da Lei de Regência, com a restrição imposta pelo art. 31 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. (grifos meus) Recurso Especial do Contribuinte Remanesce discussão acerca dos (i) combustíveis, lubrificantes e serviços de telecomunicação; (ii) serviços de manutenção; (iii) bens do ativo imobilizado e serviços de manutenção escoamento da produção; e (iv) serviços portuários. A própria fundamentação para admissão do recurso especial em confronto com os critérios de hermenêutica jurídica ora defendidos já são suficientes para tomada de decisão. Peço licença para reproduzir minha próprias palavras, linhas acima Segundo a Fazenda, não houve comprovação da divergência, pois a decisão recorrida teve por fundamento a ausência da necessária segregação da parcela de combustíveis e lubrificantes efetivamente utilizados em máquinas, equipamentos e veículos do processo produtivo, enquanto os paradigma assentaram entendimento de que o escoamento da produção até o porto pode ser considerada como uma etapa do processo produtivo e O recorrido negou o direito ao crédito porque considerou que os serviços de manutenção dos equipamentos agregam valor ao bem, deveriam ter sido ativados, e, por conseguinte, geram créditos calculados com base nos encargos de depreciação desses ativos. O paradigma, seguiu por outro caminho, decidiu à luz de uma interpretação bastante abrangente do conceito de insumos. e Fl. 12303DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 15 14 A leitura das transcrições dos excertos do paradigma colados no recurso especial denota que, mais uma vez, a divergência está situada na amplitude do conceito de insumos. A recorrente pretendia o reconhecimento de um conceito de produção/insumo mais amplo do que aquele que há muito foi adotado por este Relator e esclarecido no início do presente voto. Apenas combustíveis, lubrificantes e serviços de telecomunicação empregados no processo produtivo da empresa concedem direito de crédito. Não há comprovação nem alegação de que ocorreu a necessária segregação de tais gastos, restando impossível reconhecer o direito. No mesmo diapasão, o dito escoamento da produção, indubitavelmente, ocorre após o fim do processo de produção. E, por fim, afastada a possibilidade que os serviços de manutenção sejam classificados genericamente como insumos, impunhase a identificação desses dispêndios com o fito de atestar a regular apropriação dos créditos, ou sob o título de serviços empregados no processo produtivo ou como encargos de depreciação calculados sobre o valor do ativo. A recorrente, contudo, como já disse, entendia que tinha direito aos créditos com base em outra linha de argumentação, assim, não preocupouse em prestar tais esclarecimentos e/ou comprovar o que seria necessário. Por fim, negase também o crédito relativo aos serviços portuários, pois não se tratam de insumos utilizados no processo de produção, pois são dispêndios claramente efetuados com o produto já acabado. Também não se confundem com o conceito de frete na operação de venda. Assim, não há previsão legal para a apropriação destes créditos na apuração do PIS não cumulativo. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o recurso especial do contribuinte e no mérito, por negar lhe provimento. Voto também por conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por lhe dar parcial provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de prospecção e sondagem. Fl. 12304DF CARF MF Processo nº 16682.720441/201281 Acórdão n.º 9303007.069 CSRFT3 Fl. 16 15 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 12305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37094.000744/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006
Ementa:
EMBARGOS. OMISSÃO INSANÁVEL. ABSOLUTA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão quando eivado de vício insanável. Há vício insanável quando o acórdão formalizado não apresenta o relatório nem o voto condutor da decisão, gerando omissão absoluta quanto às razões para o desprovimento do recurso e, consequentemente, flagrante o cerceamento do direito de defesa do recorrente.
Numero da decisão: 2202-004.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para reconhecer a nulidade do acórdão embargado e, após a intimação dos interessados, determinar a redistribuição do processo para novo julgamento dos primeiros embargos, constantes às e-fls. 690/693.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006 Ementa: EMBARGOS. OMISSÃO INSANÁVEL. ABSOLUTA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão quando eivado de vício insanável. Há vício insanável quando o acórdão formalizado não apresenta o relatório nem o voto condutor da decisão, gerando omissão absoluta quanto às razões para o desprovimento do recurso e, consequentemente, flagrante o cerceamento do direito de defesa do recorrente.
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OMISSÃO INSANÁVEL. ABSOLUTA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão quando eivado de vício insanável. Há vício insanável quando o acórdão formalizado não apresenta o relatório nem o voto condutor da decisão, gerando omissão absoluta quanto às razões para o desprovimento do recurso e, consequentemente, flagrante o cerceamento do direito de defesa do recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para reconhecer a nulidade do acórdão embargado e, após a intimação dos interessados, determinar a redistribuição do processo para novo julgamento dos primeiros embargos, constantes às efls. 690/693. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 09 4. 00 07 44 /2 00 7- 17 Fl. 743DF CARF MF Processo nº 37094.000744/200717 Acórdão n.º 2202004.639 S2C2T2 Fl. 744 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo a DRJ negado provimento à Impugnação, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que foi julgado procedente pelo CARF. Intimada da decisão, a PGFN opôs Embargos de Declaração apontando omissão e contradição no acórdão proferido pelo Conselho. Proferida nova decisão, rejeitando os Embargos, a PGFN opôs novos embargos, que foram recebidos pela presidência da 2ª SEJUL, razão pela qual são incluídos em pauta. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 26/03/2007 foi lavrado o AI DEBCAD nº 37.048.4622 (fls. 12/577) para constituir crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias. Consta nos autos Relatório Fiscal (fls. 589/591). A Contribuinte protocolou Impugnação (fls. 605/618). A DRJ proferiu então o acórdão nº 187.602, de 23/08/2007 (fls. 623/628), no qual manteve integramente o crédito fazendário. Intimada em 17/09/2007 (fl. 351), e ainda inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 11/10/2007 (fls. 634/645). O CARF proferiu então o acórdão nº 230100.373, de 02/06/2009 (fls. 677/686), que deu provimento integral à defesa da Contribuinte e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Periodo de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. COISA JULGADA MATERIAL. INEXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Intimada, a PGFN opôs então Embargos de Declaração (fls. 690/693 e docs. anexos fls. 694/718), argumentando que houve omissão e contradição no acórdão proferido pelo CARF, uma vez que "o referido provimento judicial ação rescisória nº 3.206 decidiu que seria legal a cobrança do FUNRURAL. A única parcela do provimento que favorecia a Embargada seria no tocante à redução dos honorários advocatícios de sucumbência". Recebidos os Embargos de Declaração (fls. 721/722), eles foram levados a julgamento pela Turma, que proferiu o acórdão CARF nº 2302003.387, de 10/09/2014 (fls. 724/727), que restou assim ementado e acordado: Fl. 744DF CARF MF Processo nº 37094.000744/200717 Acórdão n.º 2202004.639 S2C2T2 Fl. 745 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 EMBARGOS. Descabe rediscussão de mérito por meio de embargos declaratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que busca rediscutir em sede de embargos o alcance da "coisa julgada material". Encaminhados os autos à PGFN, esta opôs novos Embargos de Declaração (fls. 729/734) argumentando que houve omissão no acórdão ora embargado uma vez "que o Relator AdHoc designado limitouse a reproduzir a conclusão constante na Ata do respectivo julgamento, impossibilitando às partes terem ciência dos argumentos que ensejaram o provimento do pedido da contribuinte". Os Embargos foram recebidos pela por despacho (fls. 739/741) da Presidência da 2ª SEJUL nos seguintes termos: O acórdão embargado, Acórdão nº 2302003.387 (efls. 724 a 727), resultou da apreciação dos primeiros embargos apresentados pela embargante (efls. 690 a 693) em face do Acórdão nº 230100.373 (efls. 677 a 686). Naqueles primeiros embargos, a embargante alegou, em síntese, que o acórdão embargado teria incorrido em contradição, pois teria adotado por fundamento uma decisão judicial transitada em julgado (ainda que tenha sido objeto de ação rescisória) que não se coadunaria com a hipótese dos autos. A decisão ora embargada não resolveu as questões dos primeiros embargos. Em verdade, nela não se encontram os seus fundamentos, onde teriam sido analisadas as questões levantadas nos primeiros embargos. Limitouse, o relator, a arguir que fora indicado ad hoc e que o conselheiro relator do (primeiro) acórdão embargado não havia deixado qualquer registro dos fundamentos da decisão constante em ata, concluindo seu voto assim: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi por rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que busca rediscutir em sede de embargos o alcance da "coisa julgada material". De acordo com o que estabelece o art. 65 do Anexo II do Ricarf, dá ensejo a embargos quando se omite ponto sobre o qual o julgador deveria se pronunciar É o relatório. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 37094.000744/200717 Acórdão n.º 2202004.639 S2C2T2 Fl. 746 4 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Outrossim, observase que no Despacho de Admissibilidade não há nenhuma ressalva quanto a parte não admitida, razão pela qual todo o embargo vem a análise e julgamento. Conforme o relatado, os Embargos apontam a ocorrência de omissão no acórdão recorrido em função de completa ausência de fundamentação, “impossibilitando às partes ter ciência dos argumentos que ensejaram o provimento do pedido do contribuinte” (fl. 732). Efetivamente, retornando ao acórdão CARF nº 2302003.387 (fls. 724/727), de 10/09/2014, que julgou os primeiros Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, constatase que o voto condutor se resumiu ao seguinte: “Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi por rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que busca rediscutir em sede de embargos o alcance da "coisa julgada material".” – fl. 727. Não havendo como compreender a decisão porquanto os seus fundamentos não foram publicados, concluise que há verdadeiro cerceamento do direito de defesa das partes. Efetivamente, ausente a fundamentação é impossível interporem Embargos Inominados para corrigir eventuais erros, por exemplo, ou mesmo Recurso Especial. Efetivamente, constatase que houve verdadeira nulidade. O relatório e o voto são partes indispensáveis do acórdão, nos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. A ausência desses elementos configura hipótese de cerceamento do direito de defesa do recorrente e, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, nulidade da decisão. In casu, não se pode afirmar que constam o relatório e o voto, vez que as suas razões não se encontram expostas no acórdão. Registrase, outrossim, que não se trata de mera irregularidade, incorreção ou omissão pontual, hipóteses elencadas no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, e que poderiam ser sanadas por meio de emendas para suprir as omissões. Motivo suficiente para tal conclusão é o Fl. 746DF CARF MF Processo nº 37094.000744/200717 Acórdão n.º 2202004.639 S2C2T2 Fl. 747 5 fato de que o colegiado que proferiu a decisão embargada foi extinto, como já esclareceu o Despacho de Admissibilidade do presente Embargo, não sendo possível no âmbito da presente análise, em outra turma com outros conselheiros, desvendar quais foram as razões de decidir ali esposadas. Em suma, impende reconhecer a nulidade do acórdão nº 2302003.387, de 10/09/2014 Nos termos do art. 59, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972, necessário, ainda, determinar a intimação das partes do resultado do presente acórdão e, subsequentemente, a redistribuição dos autos para novo julgamento dos Embargos de Declaração de fls. 690/693. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer a nulidade do acórdão embargado e, após a intimação dos interessados, determinar a redistribuição para novo julgamento dos primeiros embargos, constantes às efls. 690/693. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720170/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam juntados aos autos as peças relacionadas ao processo judicial.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assina do digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 3.146 1 3.145 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720170/201312 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.691 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 9 de maio de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS FUNRURAL E SENAR Recorrente JBS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam juntados aos autos as peças relacionadas ao processo judicial. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assina do digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (fl. 3047 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ proferido pela 9ª turma DRJ/RPO, Acórdão n. 1460.403, que indeferiu a Impugnação apresentada pela Contribuinte e manteve o Crédito Tributário Lançado, cuja Ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 17 0/ 20 13 -1 2 Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.147 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A empresa que resultar de fusão, transformação, incorporação ou cisão é responsável pelo pagamento das contribuições sociais previdenciárias devidas pelas empresas fusionadas, transformadas, incorporadas ou cindidas, até a data do ato da fusão, da transformação, da incorporação ou da cisão. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 8.540/92. ABRANGÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do artigo 1o da Lei nº 8.540/92, pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852 não alcança a contribuição devidas após a edição da Lei nº 10.256/2001. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constitui atribuição do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituir, mediante lançamento, o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, inexistindo limitação territorial para a sua atuação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal representa ato administrativo de natureza discricionária de controle e planejamento da atividade fiscal e de informação ao contribuinte, não gerando nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. PROCEDIMENTO FISCAL. FILIAIS. DESNECESSIDADE DE MPF ESPECÍFICO PARA CADA FILIAL. O procedimento fiscal se desenvolve junto ao sujeito passivo, assim entendida a pessoa jurídica em sua totalidade, não havendo necessidade de emissão de MPF específico para cada filial. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.148 3 A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. CIÊNCIA DE ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. REQUERIMENTO DE ENVIO AO PROCURADOR DA EMPRESA. INDEFERIMENTO. As notificações e intimações devem ser endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferindo o requerimento para remessa do ato para endereço diverso, indicado pelo procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme se observa nos autos, a Autoridade Fiscal, através do Mandado de Procedimento Fiscal lançou: * o DEBCAD 51.046.4254, crédito tributário referente à Contribuição Social deProdutor Rural Pessoa Física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural, destinada à Seguridade Social, devida pelo sujeito passivo JBS S/A (sucessora de Bertin S/A) na condição de subrogado da obrigação fiscal, referente de janeiro de 2009, na proporção de 2% da receita bruta da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; * o DEBCAD 51.046.4262, lançandose o crédito tributário referente à contribuições destinadas a terceiro – SENAR na proporção de 0,2% da receita bruta da comercialização da sua produção rural (gado bovino para abate) adquirida de produtores rurais pessoas físicas, para o período de apuração de janeiro de 2009; * o DEBCAD 51.046.4270, lançandose o crédito tributário referente à Contribuição Social do Produtor Rural Pessoa Física incidente sobre a receita bruta, proveniente da comercialização da sua produção rural, destinada à Seguridade Social, devida pelo sujeito passivo JBS S/A (sucessora de Bertin S/A), na condição de subrogado da obrigação fiscal, na proporção de 2% da receita bruta da comercialização da sua produção e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho, para o período de apuração que vai de fevereiro a dezembro de 2009; * o DEBCAD 51.046.4289, lançandose o crédito tributário referente à contribuições destinadas a terceiro – SENAR na proporção de 0,2% da receita bruta da comercialização da sua produção rural (gado bovino para abate) adquirida de produtores rurais pessoas físicas, para o período de apuração que vai de fevereiro a dezembro de 2009; Todos os DEBCAD´s foram lavrados em nome da JBS S/A, sucessora da Bertin S/A, que foi extinta em 31/12/2009 quando incorporada à JBS S/A. Tendo em vista que os dois primeiros DEBCAD, referentes ao período de janeiro de 2009, estão com depósito judicial comprovados nos autos n.º 2007.61.00.035188 6, Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.149 4 sua exigibilidade está suspensa, mantendose apenas o DEBCAD n.º 51.046.4270 e o DEBCAD n.º 51.046.4289. Desta forma, com o DEBCAD de n.º 51.046.4270 e o DEBCAD de n.º 51.046.4289, restou lançado o valor de R$ 231.642.910,96 (duzentos e trinta e um milhões seiscentos e quarenta e dois mil novecentos e dez reais e noventa e seis centavos), sendo: FUNRURAL: (i) principal: R$ 63.071.097,26, (ii) juros: R$ 22.759.009,58, (iii) multa: R$ 133.133.429,8; e, SENAR: (i) principal: R$ 6.006.771,19, (ii) juros: R$ 2.167.524,72, (iii) multa: R$ 4.505.078,41. A responsabilidade da Contribuinte no DEBCAD de n.º 51.046.4270 e no DEBCAD de n.º 51.046.4289 tem fundamentação legal para sua imposição nos termos do art. 30, IV da Lei 8.212/1991, ou seja, subrrogação na pessoa do adquirente (a Contribuinte JBS S/A) das Contribuições Sociais incidentes sobre a comercialização da produção rural por pessoas físicas. Para tanto, a Autoridade Fiscal juntou aos autos, das fls. 31 a 1551, planilhas pormenorizadas que identificam toda a carne para abate (produção) adquirida pela Bertin S/A durante o período apurado (de fevereiro de 2009 a dezembro de 2009). Observase, também, que na época, a Bertin S/A propôs demanda judicial para suspensão da exigibilidade do pagamento do imposto, autos 2007.61.00.0351886, que se encontram, até a presente data, sem trânsito em julgado (Autos no TRF 3 conclusos com Desembargador para verificação dos Embargos Infringentes, conforme consta no sítio eletrônico do TRF 3). Não há nos autos a cópia das principais peças desta demanda, há apenas menção da sua existência na Impugnação, no Recurso Voluntário, no DRJ e no Mandado de Procedimento Fiscal. Segundo sabese pelo Mandado de Procedimento Fiscal, no processo 2007.61.00.0351886, a Contribuinte depositou judicialmente as parcelas de imposto devido para a permanência da suspensão da exigibilidade, conforme planilha elaborada pelo Fisco no Termo de Constatação e Intimação Fiscal. Entretanto, por não haver comprovação do pagamento do período composto de fevereiro de 2009 até dezembro de 2009, a autoridade fiscal lançou o débito do DEBCAD de n.º 51.046.4270 e do DEBCAD de n.º 51.046.4289, em 2013, para que não houvesse a decadência. Nas fls. 2732, a Contribuinte apresentou Impugnação, julgada improcedente pela DRJ. Nas fls. 3047 a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, na qual pretende: 1) Preliminar Suspensão: aplicação do art. 1037, II do CPC, requer a suspensão do trâmite do processo, visto a multiplicidade de recursos extraordinários e especiais sobre a constitucionalidade do caso, inclusive aguardando desfecho da ação proposta pela própria Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.150 5 contribuinte nos autos 2007.61.00.0351886. A discussão travada nos autos referese à exigência (i) da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção e (ii) da contribuição destinada ao SENAR (art. 25 da Lei n° 8.212/1991 com as alterações posteriores da Lei n° 10.256/2001). Tais questões são, atualmente, matéria de Recursos Extraordinários cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no REXT 718.874 e 816.830, devendo o presente processo aguardar desfecho. 2) Preliminar Ilegitimidade: a Bertin S/A não recolheu o Tributo exigido na presente demanda administrativa por possuir, na época, decisão judicial que suspendia a exigibilidade dos créditos tributários durante o período de ocorrência dos Fatos Geradores. Nestes termos, a decisão que recebeu o Agravo de Instrumento no efeito suspensivo foi proferida em 18/07/2008 e que este somente foi extinto em razão da sentença de procedência, em 05/04/2010, sendo que durante todo o período de apuração a recorrente estava IMPOSSIBILITADA de reter e recolher a contribuição ao FUNRURAL. Apesar da Apelação da Recorrente ter sido recebida no duplo efeito (suspensivo e devolutivo) com a suspensão dos efeitos da sentença até o julgamento do Recurso de Apelação, é inquestionável que, durante o período de 18/07/2008 à 11/05/2011, a Bertin S/A possuía decisão judicial favorável, que a desobrigava do recolhimento da Contribuição ao FUNRURAL. Portanto, levandose em consideração que os valores das contribuições foram repassados aos produtores rurais, pois não foram retidos na Nota, a Contribuinte não poderia ter que suportar tal ônus. Inclusive, a SRF já se manifestou sobre o tema, nos termos da Solução de Consulta n° 01/2013, a qual determina: a) existindo medida liminar que impeça a empresa adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural adquirida, a RFB deve proceder ao lançamento do débito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em nome do produtor rural pessoa física ou segurado especial; 3) Preliminar Ilegitimidade da autoridade fiscal que procedeu o lançamento O auto de infração foi lavrado em face da Recorrente, reportandose a operações realizadas pela empresa Bertin S/A, incorporada por esta, ambas com sede na Cidade de São Paulo/SP. Portanto, a Autoridade Fiscalizatória de Araçatuba/SP, que foi a autoridade lançadora do crédito, não poderia lavrar o auto de infração em comento. Os Municípios de responsabilidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba – SP são: Andradina, Jales, Lins, Penápolis e Pereira Barreto, sendo que somente a Delegacia da Receita Federal do Brasil da Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP seria a autoridade competente para a lavratura do auto em tela. 4) Preliminar Cerceamento de defesa A incompetência demonstrada no tópico anterior também causou cerceamento de defesa, Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.151 6 vez que a unidade da RFB que promoveu a fiscalização e lavrou o auto de infração dista aproximadamente 600 quilômetros da sede da Contribuinte, o que dificultou o exercício de defesa; 5) Preliminar Nulidade.Falta de MPF para fiscalização das filiais. Nulidade do Auto de Infração, pois foi lavrado apenas contra a matriz, enquanto que deveria haver MPF para cada estabelecimento das filiais, com seus CNPJ específicos. 6) Responsabilidade Direta e Exclusiva dos Administradores da Época. O não pagamento das contribuições à época dos Fatos Geradores, aliado à declaração de que havia crédito a ser ressarcido, resta evidenciada a prática de infração à Lei e ao Estatuto Social da Bertin S/A pelos seus dirigentes da época, ensejando sua responsabilidade pessoal e exclusiva, nos termos do Art. 135, III, do Código Tributário Nacional, os quais deverão responder direta e exclusivamente com o crédito do presente Auto de Infração, excluída a Contribuinte JBS S/A da obrigação. 7) Argumento subsidiário. Necessidade, ao menos, de inclusão de responsáveis de forma solidária (art. 124, CTN) –subsidiariamente, requer a inclusão dos administradores e acionistas de BertinS/A à época dos Fatos Geradores como responsáveis solidários nos termos do art. 124 do CTN, ante a Representação para fins Penais distribuída em face aos administradores da Sucessora JBS S/A. 8) Do Descumprimento Do “Múnus” Atribuído à Autoridade Fiscal edas Informações Inverídicas Existentes no Termo de Verificação Fiscal. A Autoridade Fiscal não promoveu todo o esforço para obter informações junto aos “ex” administradores da Bertin S/A. Se a fiscalização tem elementos para intimar os referidos administradores a prestar esclarecimentos, requerer documentos e promover diligências “in loco” na busca de elementos para subsidiar o procedimento fiscal, é DEVER dela assim proceder, e não mera faculdade. Requerse a intimação dos administradores da Bertin S/A, à época dos fatos, a fim de que prestem esclarecimentos e apresentem documentos necessários à composição dos créditos ora discutidos, sob pena de se instar o Ministério Público para fins de apuração de eventual crime de prevaricação. 9) Ilegitimidade: ao reconhecer a declaração de inconstitucionalidade do art. 30 da Lei 8.212/91 (STF), a DRJ teria que, na mesma linha, admitir que a subrrogação prevista em tal artigo não foi trazida novamente pelo ordenamento pela Lei 10.256/2001. 10) Quanto à subrogação da contribuição destinada a terceiros em favor do serviço nacional de aprendizagem rural – DEBCAD 51.046.4289. A contribuição ao SENAR é devida. Porém, a responsabilidade tributária por subrrogação fica excluída, ante a ausência de previsão legal, conforme entendimento proferido pelo CARF, na 2ª Seção da 3ª Turma Especial no Processo nº 13603.723862/201217, Acórdão de nº 2803003.319, cujo Relator foi o Conselheiro Eduardo de Oliveira e o julgamento ocorrido em 14/05/2014. Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.152 7 11) Direito Intertemporal – Inconstitucionalidade do Artigo 25, I E II da lei n° 8.212/1991 – DEBCAD 51.046.4270 (FUNRURAL).Em que pese a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF dizer respeito à legislação anterior à Lei n° 10.256/2001, diverso dos presentes autos, as razões de decidir levam à aplicação do entendimento adotado pelos Ministros do STF naquele processo, ao presente caso. 12) Artigos 240 DA CF/88 E 62 da ADCT exigem mesmos moldes das contribuições para SENAI e SESI – DEBCAD 51.046.4289 – SENAR o artigo 6º da Lei nº 9.528/97 é flagrantemente inconstitucional por não respeitar a determinação contida no artigo 62 do ADCT, o qual somente permite a instituição de contribuição destinada ao SENAR nos mesmos moldes das destinadas ao SENAI e SESI, ou seja, a alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre as remunerações dos empregados de contribuinte pessoa jurídica; 13) Da Impossibilidade De “Sucessão” De Multa E Juros. A Recorrente não poderá ser responsabilizada pela Multa e Juros calculados, os quais deverão ser direcionados aos administradores da BertinS/A à época dos fatos – art. 132 CTN o incorporador responde pelos “tributos” relativos ao estabelecimento empresarial e não inclui multa e juros. Nas Fls. 3136, a PGFN tomou ciência, através de uma relação de processos prioritários, não se interessando em apresentar contrarrazões ao Recurso Voluntário. Nas fls. 3142, a Contribuinte apresenta petição, requerendo a suspensão do processo com base na Resolução do Senado n. 15/2017, que suspendeu a execução do art. 30, IV da Lei 8.212/1991. É o relatório. VOTO Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Admissibilidade Verificase nas fls. 3135 o reconhecimento pela Autoridade Fiscal da TEMPESTIVIDADE do Recurso Voluntário apresentado. Portanto, conheço do recurso e passo à análise do seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte JBS S/A, sucessora de Bertin S/A, referente ao DEBCAD de n.º 51.046.4270 e ao DEBCAD de n.º 51.046.4289, referente ao crédito lançado no valor deR$231.642.910,96 (duzentos e trinta e um milhões seiscentos e quarenta e dois mil novecentos e dez reais e noventa e seis centavos),exigido da Contribuinte como subrrogada na obrigação tributária, nos termos do Art. 30, IV da Lei 8.212/1991, alusivo de Contribuições Sociais incidentes sobre a comercialização da produção rural por pessoas físicas (FUNRURAL e SENAR) do período de apuração consistente entre fevereiro de 2009 até dezembro de 2009. Fl. 3162DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.153 8 Requer a Contribuinte a suspensão do presente julgamento, até a apreciação dos autos 2007.61.00.0351886 que se encontra em Segunda Instância, cuja discussão travada nos autos referese à exigência (i) da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção e (ii) da contribuição destinada ao SENAR (art. 25 da Lei n° 8.212/1991 com as alterações posteriores da Lei n° 10.256/2001), sendo que tais questões são, atualmente, matéria de Recursos Extraordinários cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no REXT 718.874 e 816.830, na qual, devese aguardar desfecho. Assim como, requer a preliminar de ilegitimidade, visto que a Bertin S/A não recolheu o Tributo exigido na presente demanda administrativa por possuir, na época, decisão judicial que suspendia a exigibilidade dos créditos tributários durante o período de ocorrência dos Fatos Geradores, decisão esta decorrente dos Autos 2007.61.00.0351886. Há o completo prejuízo deste Conselho em viabilizar o julgamento das matérias levantadas, visto que o processo 2007.61.00.0351886 se encontra mencionado diversas vezes, tanto pela Autoridade Fiscal no Mandado de Procedimento Fiscal, quanto que pela própria Contribuinte em suas defesas (Impugnação e Recurso Voluntário), entretanto não há uma cópia deste processo, sequer há cópia da petição inicial. Desconhece o objeto da ação 2007.61.00.0351886; desconhece se o objeto desta demanda é o mesmo da presente demanda administrativa; não há sequer a juntada dos comprovantes de depósitos judiciais que, em tese, teriam suspendido a exigibilidade do pagamento (há apenas menção pela Autoridade Fiscal). A Contribuinte afirma que IMPOSSIBILITADA de reter e recolher a contribuição ao FUNRURAL, visto que o Agravo de Instrumento foi recebido no efeito suspensivo em 18/07/2008, extinto em razão da sentença de procedência da demanda da Contribuinte em 05/04/2010, e que o recebimento da Apelação, apesar de ter sido no duplo efeito (suspensivo e devolutivo), é inquestionável que, durante o período de 18/07/2008 à 11/05/2011, a Bertin S/A possuía decisão judicial favorável, que a desobrigava do recolhimento da Contribuição ao FUNRURAL. Como pode este Conselho analisar o alegado sobre a impossibilidade ou não de a Contribuinte reter o recolhimento de FUNRURAL se não há a juntada nos autos da alegada ação judicial. Inclusive, se existe ação judicial que trata sobre o mesmo tema do presente procedimento fiscal, este Conselho seria impossibilitado de proferir qualquer julgamento de mérito, diante da Súmula CARF n. 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Portanto, diante da dúvida sobre o objeto da ação 2007.61.00.035188 6/SP, este Conselho resolveu em Converter o Julgamento em Diligência, para que a parte junte aos autos Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 15868.720170/201312 Resolução nº 2301000.691 S2C3T1 Fl. 3.154 9 as seguintes peças processuais da demanda judicial que tramita perante a Justiça Federal de São Paulo: a) Petição Inicial, Contestação, decisão do (in) deferimento da suspensão da exigibilidade; comprovantes de depósito judicial com referência ao tributo que dizem respeito; b) Agravo de Instrumento; decisão do Agravo; c) Sentença, recursos d) Acórdão, demais Recursos (Extraordinário ou Especial); e) Certidão de Objeto e Pé da demanda. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer e converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que sejam juntados aos autos as peças relacionadas ao processo judicial 2007.61.00.0351886/SP. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana MarteliFaisFeriato – Relatora. Fl. 3164DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.000047/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998
DECADÊNCIA. MULTA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
É de cinco anos o prazo decadencial para o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória e a contagem desse prazo deve ter início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 2201-004.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakau Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakau Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 159 1 158 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000047/200857 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.600 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente U&M MINERAÇÃO E CONSTRUÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998 DECADÊNCIA. MULTA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. É de cinco anos o prazo decadencial para o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória e a contagem desse prazo deve ter início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakau Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 00 47 /2 00 8- 57 Fl. 159DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 109/112) apresentado em face do Acórdão nº 0919.270, da 5ª Turma da DRJ/JFA (fls. 94/105), que considerou procedente o lançamento fiscal Debcad nº 37.027.5586, pela qual foram constituídos créditos tributários relativos a multa por ter deixado a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. O lançamento referese a descumprimento de obrigações acessórias no período de 01/1997 a 09/1998 e se aperfeiçoou pela ciência do sujeito passivo em 21/12/2007 (fl. 3). Em sede de impugnação (fls. 76/81), a empresa autuada alegou a decadência do lançamento e, sucessivamente, pediu a relevação da penalidade. A decisão de primeira instância administrativa manteve integralmente o lançamento e dela tomou ciência o sujeito passivo em 27/05/2008 (fl. 108). O recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 23/06/2008 (fls. 109/112) e nele foram reiterados os argumentos de impugnação. Neste Conselho, o julgamento do recurso foi convertido em diligência pela Resolução nº 2403000.126, da 3ª TO/4ª Câmara/2ª Seção (fls. 119/126), para que a unidade de origem prestasse esclarecimentos sobre o estabelecimento centralizador, o domicílio tributário e a realização de arrolamento de bens em face de filial. A resposta da fiscalização está no documento de fl. 144/145. Intimada acerca da diligência realizada, a empresa autuada não se manifestou (fl. 154). Retornando a este Colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública a esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Em homenagem ao princípio da economia processual, passo diretamente à análise da questão da decadência que é suficiente para resolver definitivamente a controvérsia contida nesse processo. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10640.000047/200857 Acórdão n.º 2201004.600 S2C2T1 Fl. 160 3 Nesse caso, tendo o Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarado a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, restou incontroversa a aplicação do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento das obrigações tributárias relativas a contribuições previdenciárias. Tratandose de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, a modalidade aplicável é, sem dúvida, o lançamento de ofício, cuja contagem segue a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN. Na hipótese em análise, o crédito tributário é referente ao descumprimento de obrigações acessórias nas competências compreendidas no período de 01/1997 a 09/1998. Assim, considerandose apenas o fato gerador mais recente (09/1998), o prazo para a constituição do crédito tributário teve início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, 01/01/1999, e encerrouse em 31/12/2003. O lançamento aperfeiçoouse pela ciência do sujeito passivo em 21/12/2007 (fl. 3), data na qual o prazo para sua realização já estava extinto pela decadência. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe dar integral provimento para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003911/2007-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. MULTA MORATÓRIA. JUROS. INOCORRÊNCIA DE ATRASO. ERRO FORMAL. NÃO CABIMENTO.
Comprovado que não houve efetivo atraso no recolhimento dos valores de imposto devidos, não há que se falar em multa moratória e juros. A alocação dos pagamentos em débitos de períodos equivocados é mero erro formal que pode ser sanado.
Numero da decisão: 1001-000.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ. MULTA MORATÓRIA. JUROS. INOCORRÊNCIA DE ATRASO. ERRO FORMAL. NÃO CABIMENTO. Comprovado que não houve efetivo atraso no recolhimento dos valores de imposto devidos, não há que se falar em multa moratória e juros. A alocação dos pagamentos em débitos de períodos equivocados é mero erro formal que pode ser sanado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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MULTA MORATÓRIA. JUROS. INOCORRÊNCIA DE ATRASO. ERRO FORMAL. NÃO CABIMENTO. Comprovado que não houve efetivo atraso no recolhimento dos valores de imposto devidos, não há que se falar em multa moratória e juros. A alocação dos pagamentos em débitos de períodos equivocados é mero erro formal que pode ser sanado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 39 11 /2 00 7- 10 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11610.003911/200710 Acórdão n.º 1001000.570 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório O presente feito tratase de Recurso Voluntário (fls. 80 a 81) interposto contra o Acórdão nº 1626.010, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 70 a 75), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. O presente feito já foi submetido à análise prévia da 3ª Turma Especial/1ª Seção deste CARF, que determinou a baixa dos autos para realização de diligência por meio da Resolução nº 180300.047 exarada em 04/10/2011. Neste esteio, por sua precisão na descrição dos fatos que conduziram o presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da resolução citada: " Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de impugnação a autuação eletrônica decorrente de auditoria interna em DCTF, de acordo com IN SRF n°s 45/98 e 77/98, que constatou pagamentos de IRPJ, código 2089, do anocalendário de 2003, após o vencimento (fls.24/25), sem o recolhimento da respectiva multa de mora e com juros de mora pagos a menor, consoante o demonstrativo consolidado no Anexo IV de fls.26. 0 presente lançamento de oficio exige o recolhimento de crédito tributário no valor total de R$1.333,78, com base na capitulação legal descrita no quadro 10 do auto de infração (fls.23), a saber: DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou em 03/05/2007 a impugnação de fls.01/05, acompanhada dos documentos de fls.06/28, alegando em síntese que: 1. 0 presente auto de infração foi lavrado eletronicamente e encontra se eivado de vício por não conter todos seus requisitos obrigatórios, conforme previstos nos incisos III e IV do art.10, do Decreto n° 70.235/72. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11610.003911/200710 Acórdão n.º 1001000.570 S1C0T1 Fl. 4 3 1.1. A descrição dos fatos, a disposição legal infringida e a capitulação da penalidade aplicável não foram dispostas de maneira clara e precisa, impedindo assim a reunido de elementos para a defesa da autuada. 2. 0 valor cobrado é indevido porque foi pago, conforme cópias dos comprovantes de pagamentos anexos. 2.1. Os débitos estão sendo analisados pela PGFN, por meio do pedido de revisão de débitos inscritos em Divida Ativa da União (envelopamento — lote n° 2005.0525A), conforme os documentos de fls.18/19. 2.2. Tendo em vista que perduram dúvidas sobre a exigibilidade dos valores cobrados e que existe pedido de revisão ainda pendente de apreciação por parte da Receita Federal para analisar os pagamentos realizados, requer a suspensão deste auto de infração até ulterior verificação da existência ou não dos débitos cobrados. DAS PETIÇÕES APRESENTADAS PELA CONTRIBUINTE Em 23/03/2010, a contribuinte apresentou a petição de fls.32/33, acompanhada dos documentos de fls.34/37, alegando em resumo que: 1. 0 presente auto de infração lavrado eletronicamente é decorrente do processo administrativo autuado sob o n° 10880.523585/200540 (pedido de revisão —envelopamento — referente aos exercícios de 2000 a 2004) e que posteriormente gerou a execução fiscal n° 2005.61.82.0260859. 1.1. Ocorre que a Receita Federal por meio do Oficio 405/2007 EQDAU reconheceu que a autuada comprovou os recolhimentos dos tributos antes da inscrição na Divida Ativa da Unido, recomendando seu cancelamento (fls.34/35). 1.2. Tendo em vista a perda do objeto da ação o juiz decidiu pela extinção da execução fiscal, o que resultou no arquivamento do feito (fls.36/37). 1.3. A impugnante requer o cancelamento do presente auto de infração, tendo em vista a perda do objeto pelo reconhecimento dos recolhimentos efetuados conforme o Oficio 405/2007 — EQDAU. Ainda, em 27/05/2010, a contribuinte apresentou a petição de fls.40/41, acompanhada dos documentos de fls.42/55, alegando em resumo que: 1. Os débitos que deram origem As cobranças do presente processo estão vinculados à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670 (processo de revisão— envelopamento), ainda pendente de julgamento. 1.1. Os mesmos débitos estão sendo cobrados por meio da execução fiscal n° 2006.61.82.0325214, conforme demonstrativo da PFN (fls.42/55), atualmente com a exigibilidade suspensa face ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. 1.2. A impugnante requer que seja extinta a exigência do presente processo.” Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11610.003911/200710 Acórdão n.º 1001000.570 S1C0T1 Fl. 5 4 A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada (fls. 57/62): “AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do Auto de Infração. PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pedido de revisão não suspende a exigibilidade do crédito tributário, pois não é considerado recurso administrativo nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Em realidade, corresponde apenas a uma provocação de revisão de oficio pela Administração, que, com fundamento no poder de rever seus próprios atos, procederá à nova verificação de um crédito já devidamente constituído.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Preliminarmente, face a atenção que requer o assunto, informa que os PA 01/04/2003 e PA 01/07/2003 estão vinculados à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670 (processo de revisão — Envelopamento), ainda pendente de julgamento, onde a impugnante apresenta provas do único débito que possui crédito de R$ 945,54 no 2° trimestre de 2003 e nada deve no 3° trimestre de 2003. b) Os referidos débitos exigidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através do processo n° 11610.003911/200710, a saber de R$ 771,22 e de R$ 543,89 respectivamente nos 1 ° meses do 2° trimestre e do 3° trimestre de 2003, referente a multas pagas a menor, e R$ 18,67 de juros pagos a menor no 1° mês do 3° trimestre de 2003, não só não são devidos, como a impugnante tem crédito no valor de R$ 945,54 referente a pagamento a maior no 2° trimestre de 2003, conforme comprovação por documentos juntados." Se convencendo da verossimilhança das alegações oferecidas pela Recorrente, a Turma encarregada pelo julgamento à época determinou que a autoridade fiscal confirmasse os dados e informações oferecidas pela Contribuinte. Cumprida a diligência, retorna o feito para julgamento por esta Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11610.003911/200710 Acórdão n.º 1001000.570 S1C0T1 Fl. 6 5 O exame de admissibilidade do presente recurso já foi realizado por ocasião do julgamento anterior, tendo sido o mesmo conhecido. Sem maiores considerações, concordo com o exame e passo à analise do mérito. Conforme já narrado no relatório, a controvérsia cerne do presente contencioso é a cobrança dos acréscimos legais de recolhimentos que teriam sido pagos em atraso. A Recorrente faz duas alegações: (i) que o débito que originou o presente litígio esta vinculado à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670, portanto o presente feito deveria ser sobrestado para aguardar o julgamento deste último; e (ii) os valores cobrados a títulos de acréscimos não são devidos vez que os tributos que deram origem a eles foram regularmente pagos tempestivamente. O primeiro ponto, quanto a possível dependência do resultado do processo administrativo n° 10880.536028/200670 para o deslinde do presente, foi magistralmente tratado pela Conselheira Selene Ferreira de Moraes, Relatora do presente feito por ocasião do último julgamento. Por concordar com suas conclusões e por economia processual, peço vênia para transcrever seus argumentos: " A recorrente alega que o débito objeto da presente autuação está vinculado à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670. Conforme extrato da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 46/49), nele estão sendo cobrados os seguintes débitos, relativos ao 2° e 3° trimestres de 2003: Os débitos de multa e juros isolados cobrados no presente processo são decorrentes dos recolhimentos abaixo: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11610.003911/200710 Acórdão n.º 1001000.570 S1C0T1 Fl. 7 6 No presente processo estão sendo cobrados apenas os acréscimos legais, ao passo que no processo n° 10880.536028/200670, está sendo exigido o imposto nos valores de R$ 7.790,26 e R$ 5.493,94. Não há identidade absoluta entre as duas cobranças, sendo perfeitamente possível fazer a análise do presente processo, independentemente do desfecho ou da decisão a ser proferida no processo n° 10880.536028/200670." Assim, das conclusões extraídas acima, evidenciase que não há real dependência entre os processos, logo não há óbice para a apreciação deste feito. Passo portanto à análise de mérito. O segundo ponto, foco central do mérito, se resume na confirmação das irregularidades que originaram os acréscimos de multa moratória e juros em tela. Em primeira análise, os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte parecem indicar que os débitos teriam sido quitados corretamente, contudo um erro formal no preenchimento das informações fiscais teriam induzido a fiscalização a erro. Destarte, para o acolhimento das pretensões da Recorrente se faz necessário a efetiva comprovação de que os débitos foram integralmente quitados dentro do prazo legal. Ciente desta circunstância, a ilustre Turma, responsável pelo primeiro julgamento no âmbito deste CARF, decidiu por determinar diligência à autoridade fiscal, nos seguintes termos: "No tocante ao mérito, é mister relacionar os recolhimentos que constam dos autos (fls. 17, 69, 71): No demonstrativo de fls. 72, relativo ao 3° trimestre de 2003, a recorrente afirma que efetuou os recolhimentos nas datas de vencimento. Ocorre porém, que apenas consta dos autos o recolhimento relativo à primeira quota, anexado às fls. 71. No presente processo estão sendo cobrados os acréscimos relativos à 2° quota, vencida em 28/11/2003. A análise dos elementos de prova dos autos nos leva a crer que a recorrente tem razão. No entanto, é necessário a juntada dos recolhimentos relativos às três quotas para ficar efetivamente demonstrada a improcedência do lançamento. Por isso, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: a) confirmação pela autoridade administrativa da existência e disponibilidade dos recolhimentos relativos às três quotas do IRPJ relativo ao 2° trimestre de 2003. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11610.003911/200710 Acórdão n.º 1001000.570 S1C0T1 Fl. 8 7 b) confirmação pela autoridade administrativa da existência e disponibilidade dos recolhimentos relativos às três quotas do IRPJ relativo ao 3° trimestre de 2003. c) dar ciência desta resolução à autuada, entregandolhe cópia;" Procedida a diligência nos termos determinados, a autoridade fiscal apresentou resposta às fls. 108 e 109 dos autos, nos seguintes termos: " (...) Através da análise desses extratos podese concluir: 1 – Os pagamentos da 2ª e 3ª quotas do IRPJ do 2º semestre de 2003 (recolhidos antes do vencimento) estão com alocações invertidas. Ou seja, o pagamento relativo ao vencimento em 08/03 está alocado no débito com vencimento em 09/03 e viceversa (conforme apontados nas telas as fls. 103 e 104). Portanto, a alocação do pagamento realizado em 30/09/2003 em débito com vencimento em 08/03 smj. gerou a multa de mora no valor originário de R$ 771,22 relativo ao 2º semestre de 2003. 2 O pagamento da 2ª quota do IRPJ do 3º semestre de 2003 com vencimento e recolhido em 28/11/2003 permanece com saldo praticamento não utilizado (está alocado apenas R$ 0,01), conforme tela a fl. 106. Enquanto que o pagamento com vencimento e recolhido em 30/12/2003 está alocado no débito com vencimento em 28/11/2003 (fl. 107) o que smj. gerou a multa de mora e o juros relativos ao 3º trimestre de 2003. (...)" (grifouse) Primeiramente, para que não haja equívocos, onde a autoridade fiscal escreveu "2º Semestre de 2003" e "3º Semestre de 2003", creio que pretendia dizer "2ª trimestre" e "3º trimestre" respectivamente. Da analise da resposta da diligência, temse que houve recolhimentos preenchidos com datas equivocadas o que levou os pagamento a serem alocados em débitos de competências anteriores as que estariam sendo quitadas, o que fez parecer que estes débitos teriam sido quitados a destempo. Ou seja, a inversão nas alocações fez parecer que em dois períodos o débito foi pago em atraso, enquanto em outro teria sido pago com antecedência. Contudo, uma vez reorganizada as alocações, todos os débitos restariam quitados normalmente. Em verdade, conforme constatou a diligência, em ambos os trimestres que geraram valores de multa moratória e juros por atraso nos pagamentos, na verdade tiveram sua quitação na data correta. Tratandose de mero erro formal na alocação dos pagamentos, que deve ser corrigido pela administração fazendária. Destarte, comprovado que não ocorreu a hipótese geradora da multa moratória e dos juros cobrados no presente procedimento fiscal, este deve ser revertido. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11610.003911/200710 Acórdão n.º 1001000.570 S1C0T1 Fl. 9 8 Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando a decisão de primeira instância para exonerar a Recorrente do pagamento dos créditos pretendidos. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000006/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação do COFINS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do COFINS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da COFINS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 06 /2 01 0- 99 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 298 2 exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 299 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ de piso (efls. 161 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, acompanhado de Declaração de Compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, no valor de R$ 129.136,26, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do segundo trimestre de 2006, após as deduções dos valores das contribuições a recolher. Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento, na apuração dos créditos, dos valores que seguem : a) por não consistirem de insumos, os valores referentes às aquisições (listadas no Anexo I) dos seguintes bens, assim classificados pelo auditor fiscal em função de sua natureza: a. material para embalamento e etiquetas; b.material para montagem de embalagem de transporte (bins); c. material de preparação para transporte da mercadoria; d.produtos para movimentação de cargas: pallet, recarga de gás, gás a granel GLP, entre outros; relata o auditor fiscal que em diligência à empresa, verificou que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e. material de construção; f. limpeza e desinfecção; g.partes e peças de automóvel; h.combustíveis: gasolina comum e óleo diesel; i. outros itens. b) por não consistirem de insumos, os valores referentes às aquisições (listadas no Anexo II) dos serviços de fretes de materiais diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa; c) as despesas declaradas como de contraprestação de arrendamento mercantil (listadas no Anexo III), por não ser possível atestar ser esta a real natureza jurídica do negócio; esclarece o auditor fiscal que, pelos contratos apresentados, Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 300 4 verificase que as despesas decorrem, de fato, de contratos de financiamento de equipamentos, haja vista o fato de os Valores Residuais Garantidos serem parcelados pelo mesmo período do contrato, o que denota que a empresa já estava efetivamente comprando, e não arrendando, o bem correspondente; d) os encargos com a depreciação com recursos florestais, que não estariam a sujeitos a depreciação, mas a exaustão tais como “implantação de maçã”, “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 HA, 65 HA etc) e “pomar” (Gala e macieira) em razão da falta de previsão legal de crédito (Anexo IV); e) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (listados no Anexo IV) que a autoridade fiscal considerou que não são utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Além das glosas de créditos acima indicadas, a autoridade fiscal verificou que a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, como segue: Manifestação de Inconformidade Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Em relação às embalagens alega, Na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos (vejase os valores expressivos glosados), motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos (Doc. 3). Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 301 5 Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 302 6 transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo (Doc. 4), o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 303 7 Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. (Negritos dos títulos do original; demais negritos do Relator). Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (efl. 159 e ss.), nos termos do voto do redator designado, vencida a relatora quanto a um único dos temas abordados (arrendamento mercantil que, nos Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 304 8 termos do voto do redator designado, manteve a glosa a este título por configurar um contrato de compra e venda e não um arredamento), cuja ementa possui a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento no regime nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social: além dos custos com bens e serviços tidos como insumos, somente dão direito a crédito as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo da Contribuição para O Financiamento da Seguridade Social, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 305 9 REGIME DA NÃOCQMULATIVIDADE. ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, geram direito a crédito, os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que tais bens estejam diretamente associados à prestação de serviços ou ao processo produtivo de bem destinado à venda. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário (efls. 210 e seguintes), basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova (item 5.1.1, efl. 216 e ss.), requerendo: b) Requer, pelos motivos de fato e de direito apresentados, a alteração/reforma da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal em Ioaçaba e Delegacia da Receita Federal de julgamento de Florianópolis / SC, e requer o deferimento total dos créditos apurados e pleiteados, objeto do Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o COFINS nãocumulativa, através do processo administrativo ng 10925.000006/201099 relativo ao 29 Trimestre de 2006, de créditos com operações do mercado interno, apurados sob o regime da nãocumulatividade, e que seja alterado/reformado o Despacho Decisório n° 696/2010 DRF/JOA de 13.08.2010, alterando o valor deferido e disponível de R$ 29.296,70 (vinte e nove mil duzentos e noventa e seis reais e setenta centavos) para o valor pleiteado e disponível de R$ 129.136,26 (cento e vinte e nove mil, cento e trinta e seis reais, e vinte e seis centavos); c) Requer a homologação total pleiteada, correspondente à Declaração de Compensação apresentada, com o deferimento das compensações efetuadas, totalizando R$ 129.136,26 (cento e vinte e nove mil. cento e trinta e seis reais, e vinte e seis centavos), dessa forma, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, na forma do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional, e declarando extintos os créditos tributários pela compensação, meio lícito previsto no artigo 156, do CTN: É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 306 10 Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012 (efl. 209), interpondo seu voluntário em 11/06/2012 (efl. 210), portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. À efl. 31 e ss. consta a Intimação SAORT 15.972, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, agora a partir da efl. 36, sobreveio a Intimação SAORT 16.122, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Já a partir da efl. 38 consta o Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF, mencionando: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo AuditorFiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 307 11 planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/201037 ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 308 12 g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda (efl. 47): Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 309 13 Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo (efl. 49): Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou (efl. 51): Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 310 14 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova (efls. 165 e ss.): (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime não cumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando (efls. 171 e ss.): Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 311 15 síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 312 16 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 313 17 despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 314 18 de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 315 19 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 316 20 Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402 004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 317 21 Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF, efl. 45); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF, efl. 46; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF, efl. 46; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, efl. 46, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 318 22 que só há o direito ao creditamento relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 319 23 Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 320 24 Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 321 25 contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 322 26 Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ deu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301 002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que a Postulante trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 323 27 A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime nãocumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10925.000006/201099 Acórdão n.º 3401005.018 S3C4T1 Fl. 324 28 Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 324DF CARF MF
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