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Numero do processo: 10840.900755/2008-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.512
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 07 55 /2 00 8- 33 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 74 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO) mediante o Acórdão n.º 1430.705, de 27/08/10 (efls. 49 a 55). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (IRPJ, apurados no anocalendário de 2004) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 9/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 9/2001, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais", nos termos do ADN Cosit n.º 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 75 3 Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderando o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. [...] A DRJ/RPO negou provimento à manifestação de inconformidade, pelo que o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/03/2011 (efls. 60 a 68), no qual contesta a decisão sob os seguintes argumentos, resumidamente: Não tem obrigação de manter contabilidade para provar o crédito, inclusive porque é optante pela apuração via lucro presumido, podendo escriturar somente o livro caixa; Só seria necessário apresentar as notas fiscais cujo percentual relativo ao lucro presumido seria 8 %, pois relativamente às outras o percentual foi aplicado acertadamente em 32 %; O Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 6, I, "a", não traz a exigência de que haja correlação entre notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída afetas à apuração do lucro presumido ao percentual de 8 % (referese ao ADN COSIT n.º 6/1997); O motivo real da decisão da DRJ teria sido a diferença entre a receita bruta que demonstravam os DARFs e a receita bruta indicada pelas notas fiscais apresentadas, e isso teria sido causado exclusivamente pela não consideração, em uma das notas fiscais, do valor de INSS retido, R$ 385,00, uma vez que a conclusão do acórdão recorrido menciona os outros processos nos quais foram homologadas as compensação a partir da identidade entre as referidas receitas brutas. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Mérito. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 76 4 Prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 1 a 5. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. Assim é a regra imposta pelos Códigos de Processo Civil de 1973 e atual, Leis n.º 5.869/73 e 13.105/2015: Lei n.º 5.869/73: (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Lei n.º 13.105/2015: (...) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A legislação prevê que o pagamento de tributos e contribuições efetuado a maior ou indevidamente pode ser objeto de compensação. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 77 5 alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória deste, contribuinte pleiteante, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe ao recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear, expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados nos livros contábeis/fiscais bem como dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, destacadamente os DARFs e extratos bancários, a DCTF retificadora e a fichas de apuração e demonstrativos da DIPJ, dentre outros documentos idôneos e hábeis, além de uma exposição clara e ordenada dos fatos e fundamentos do direito postulado, pelo contribuinte, na forma de demonstrativos, inclusive (se necessários). O recurso voluntário não se faz acompanhar dos elementos de prova suficientes para que a questão fosse associada a um efetivo erro de fato, com verossimilhança capaz de modificar a conclusão a que chegou a Turma recorrida. O recorrente somente se preocupa em justificar sua recusar em produzir as provas que seriam extraídas de sua escrita contábil (no seu caso, livro caixa), apoiandose no argumento de que como optante pelo lucro presumido estaria afastado da exigência de escrituração, e não haveria exigência legal para manutenção de contabilidade para comprovação de crédito. Relata ainda o recorrente que só faz sentido apresentar as notas fiscais cuja receita deveria sofrer a incidência do percentual de 8 % para cálculo do lucro presumido, uma vez que as outras consideraram corretamente o percentual de 32 %. Alega que a correlação exigida pela Turma recorrida entre as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de prestação de serviços às quais se pretende considerar alcançadas pelo percentual de 8 % não é exigência contida no Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 6/1997, I, "a". Que o motivo do desajuste no encontro de valores entre a receita mostrada pelas notas fiscais e a denotada pelo DARF pago se deve ao INSS retido na nota fiscal n.º 321, de R$ 385,00, e que, sendo esse o motivo real do não provimento da sua manifestação de inconformidade, demonstrada a origem da diferença a decisão de 1.ª instância deve ser reformada. É dizer, nada traz de novo em termos de prova, o que poderia sugerir algum exame sob a ótica da busca da verdade material. Limitase o recurso voluntário a se opor ao caráter essencial que a decisão de piso atribuiu às provas ausentes. Vejamos o teor do conclusão da DRJ/RPO a esse respeito, segundo o trecho a seguir destacado: [...] 3 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 78 6 Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. [...] (grifei). Percebese na fundamentação que não foi possível estabelecer comparação verossímil entre o IRPJ devido de fato no trimestre e aquele aventado pelo recorrente adstrito ao erro na apuração que aponta ter havido. Essa a razão por que o Acórdão recorrido não encontrou certeza e liquidez no crédito pretendido na DCOMP. Assim, ao contrário do que afirma o recorrente, não se faz suficiente a apresentação exclusiva das notas fiscais cujo percentual de lucro aplicado foi indevidamente 32 %, mas todo o conjunto de notas fiscais que compuseram a receita tributável do trimestre de interesse para apuração do DARF pago: 3.º trimestre de 2001. Também não há contradição com o ADN Cosit n.º 6/1997, pois que este trata da diferenciação dos percentuais relativamente aos serviços de construção por empreitada, em nenhum momento alcançando a discussão sobre os elementos hábeis para fazer prova de uma circunstância ou outra. Da mesma forma, afastase o que diz o recurso voluntário quando sugere que o motivo da decisão recorrida decorre da existência ou não da diferença de R$ 385,00, que foi identificado como referente a INSS retido na nota fiscal n.º 321. Não há exclusividade ligada a este item nas razões de decidir apontadas pela a 5.ª Turma da DRJ/RPO, como quer fazer crer o recorrente, e como acima se viu em contrário. Tampouco o fato de ser optante pelo lucro presumido o desobriga da escrituração do livro caixa, cujas cópias das folhas de interesse para os autos poderiam e deveriam ter sido juntadas. Dado que a apuração do IRPJ devido no trimestre é fator que, substancialmente, orientou a conclusão da Turma recorrida, descabe tratar com proeminência a diferença de R$ 385,00 flagrada na comparação das receitas correspondentes às notas fiscais e ao DARF, já que ainda que compatíveis os valores não seria esse aspecto capaz de suprimir a necessária avaliação do valor de IRPJ devido no período de apuração, 3.º trimestre de 2001. A prova do direito creditório pleiteado em DCOMP compete àquele que o alega possuir, e a compensação tributária, enquanto forma de extinção de crédito tributário prevista em lei, opera pelo encontro de contas entre créditos tributários e créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Em sentido contrário à homologação da compensação é de se registrar que o Despacho Decisório de efl. 6 amparouse nos dados constantes dos sistemas da RFB e o cruzamento destes com as informações extraídas das declarações entregues pelo próprio contribuinte recorrente. As cópias do livro registro de entradas, a planilha de cálculo de efl. 19 e o comprovante de arrecadação (DARF), embora pertinentes, revelamse insuficientes por si sós para confirmar o pagamento a maior que não fora reconhecido quando do Despacho Decisório que denegou a homologação da compensação, carecendo o recurso de material probante tal como os documentos já mencionados como exemplo: escrita contábil (livro caixa), extratos bancários, declarações completas etc. A precariedade das provas colacionadas e o relativismo Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 79 7 da resumida argumentação do recurso voluntário não constroem um conjunto inequívoco de provas que possa levar o CARF a considerar a possibilidade de busca de uma verdade material. Sequer houve a tempestiva retificação da DCTF relativa ao período de apuração a que corresponde o DARF que representaria pagamento a maior. Assim, resta configurado que o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito que entendia possuir, descumprindo a exigência do artigo art. 170 do Código Tributário Nacional CTN4 para o deferimento da compensação, sendo, portanto, correta a não homologação do PERD/COMP n.º 28337.78788.070404.1.3.046520. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.000043/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:25/06/2008
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 00 43 /2 01 1- 36 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.000043/201136 Acórdão n.º 3302006.206 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.578, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.000043/201136 Acórdão n.º 3302006.206 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.000043/201136 Acórdão n.º 3302006.206 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.000043/201136 Acórdão n.º 3302006.206 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.000043/201136 Acórdão n.º 3302006.206 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.000043/201136 Acórdão n.º 3302006.206 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000011/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
Ementa:
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO D RETENÇÃO.
Falta de comprovação da efetiva retenção do IRRF através de documentação legal hábil e idônea impede seu aproveitamento no ajuste anual do Imposto de Renda. RIR/99, Arts. 87, VI, 941 e 943 § 1º.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CTN - Artigo 100.
NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual.
Numero da decisão: 2202-004.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinatura Digital)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinatura Digital )
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO D RETENÇÃO. Falta de comprovação da efetiva retenção do IRRF através de documentação legal hábil e idônea impede seu aproveitamento no ajuste anual do Imposto de Renda. RIR/99, Arts. 87, VI, 941 e 943 § 1º. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CTN - Artigo 100. NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinatura Digital) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinatura Digital ) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO D RETENÇÃO. Falta de comprovação da efetiva retenção do IRRF através de documentação legal hábil e idônea impede seu aproveitamento no ajuste anual do Imposto de Renda. RIR/99, Arts. 87, VI, 941 e 943 § 1º. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CTN Artigo 100. NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinatura Digital) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinatura Digital ) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 00 11 /2 01 1- 11 Fl. 111DF CARF MF 2 Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 96/107), interposto contra o Acórdão nº 0127.245, proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA DRJ/BEL (efls 84/88), que julgou procedente o lançamento consolidado por Notificação de Lançamento, relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, o qual resultou na exigência de crédito tributário total no valor de R$ 278.982,32, sendo R$ 163.866,27 de Imposto de Renda Pessoa Física e o restante de multa proporcional e juros de mora, calculados até novembro de 2010. 2. O lançamento conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal presente na Notificação de Lançamento acima referida, uma vez que em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual DAA constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 170.660,62. 3. Consta ainda na Notificação de Lançamento que a Fonte Pagadora foi a pessoa jurídica MEIER AUTOMATIZAÇÕES LTDA, CNPJ:12.449.971/000100; que os comprovantes de rendimentos e respectivos IRRF apresentados pelo contribuinte foram de sua própria emissão (Recibo de Pagamento a Autônomo RPA); que o contribuinte devidamente intimado não apresentou o contrato de prestação de serviços celebrado com a fonte pagadora e que na Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF, apresentada pela empresa, constam os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte sem a retenção do IRRF. 4. Por bem descrever o litígio em pauta, transcrevo a seguir o Relatório do Acórdão proferido pela 4a Turma da DRJ/BEL, em suas partes primordiais (numeração de fls. cf. processo físico original): (...) A ciência do lançamento ocorreu em 08/12/2010 (fls. 72) e, em 03/01/2011, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 04/12, afirmando que apresentou a Autoridade Fiscal, quando intimado, a declaração do imposto de renda retido na fonte – DIRF da empresa tomadora de serviço – Meier Automatizações, onde constam os valores recebidos, exatamente conexos aos declarados. Ressalta que anexou também extratos bancários, onde foram efetuados os pagamentos pela empresa tomadora do serviço, com todos os valores inseridos na data e nos valores dos RPAS. Com exceção de um pagamento de valor de R$ 160.000,00 que consta um depósito em cheque de R$ 100.000,00. Alega que não localizou o contrato de prestação de serviços, tendo feito todas as tentativas possíveis de contato com a empresa, que não mais existe. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.000011/201111 Acórdão n.º 2202004.936 S2C2T2 Fl. 112 3 Entende que o contrato de prestação de serviços não é peça obrigatória na relação jurídica entre prestador e tomador, inclusive podendo ser realizado de forma verbal. Considera absurda a alegação de que não consta em DIRF o IRRF, pois no documento anexado aos autos é possível verificar a retenção do imposto. Transcreve decisão do STJ sobre o assunto e afirma que a jurisprudência dominante se posiciona no sentido de que a responsabilidade do contribuinte é excluída se há a comprovação de que a fonte pagadora reteve o imposto de renda, mesmo que não efetue o recolhimento. Requer a anulação do presente auto de infração. 5. Transcrevese a seguir o Voto proferido pela e. 4a. Turma da DRJ/BEL, em sua essência: Voto A impugnação é tempestiva, (...) motivo pelo qual dela tomase conhecimento (...). (...) O contribuinte afirma, em sua defesa, que uma vez efetivada a retenção do imposto pela fonte pagadora não pode ser responsabilizado pela falta de recolhimento do imposto. (...) Conforme legislação acima mencionada, constatase que é permitido deduzir, do imposto apurado, o valor do imposto retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, quando o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, não cabendo ao contribuinte a prova do recolhimento desses valores. Sobre o assunto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB já se manifestou no Parecer Normativo nº 01, de 24 de setembro de 2002, determinando que a responsabilidade pelo Imposto no caso de falta de recolhimento é da fonte pagadora dos rendimentos, conforme trecho a seguir transcrito: (transcreve o Parecer) A responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, cabendo apenas ao contribuinte oferecer corretamente o rendimento à tributação e compensarse do imposto retido, quando possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, foi constatado que o contribuinte nunca fez parte do quadro societário da empresa. Fl. 113DF CARF MF 4 Assim, no presente caso, caberia ao contribuinte comprovar que a fonte pagadora Meier Automatizações Ltda. efetivamente descontou, dos rendimentos que o contribuinte declarou ter recebido, o valor referente ao imposto de renda na fonte informado em sua declaração, não sendo sua a obrigação de comprovar o recolhimento desse imposto, mas a existência da retenção. Em sua defesa, o contribuinte anexa parte da declaração do imposto de renda retido na fonte DIRF 2006 da fonte pagadora, onde constam como beneficiários PF 1 e rendimentos tributáveis no valor de R$ 626.523,55 e IRRF de R$ 170.660,62. No citado documento, não consta nome do beneficiário pessoa física. Nos sistemas da Receita Federal, consta DIRF entregue pela fonte pagadora em questão, em nome do contribuinte, referente ao ano calendário de 2005, informando rendimentos tributáveis de R$ 626.523,55 com IRRF de R$ 0,00, assim como já relatado pela Autoridade Fiscal. Não consta dos autos qualquer comprovante de rendimentos, recibos de contrato de prestação de serviços ou outro documento que se comprove a efetividade da retenção do imposto informado em sua declaração. A Autoridade Fiscal informa, na descrição dos fatos e enquadramento legal da infração que os comprovantes de rendimentos e respectivos IRRF apresentados pelo contribuinte foram de sua própria emissão, não tendo apresentado contrato de prestação de serviços celebrado com a fonte pagadora. É de se ressaltar que, no presente caso, apesar de não ser obrigatória a existência de contrato de prestação de serviço, a sua apresentação demonstraria a relação de trabalho entre o contribuinte e a fonte pagadora, bem como os valores estipulados e a forma de pagamento. Concluise, assim, que, não existindo nos autos, nem nos sistemas da Receita Federal, documentos comprovando que a fonte pagadora Meier Automatizações Ltda. (CNPJ: 12.449.971/0000100), reteve do contribuinte o imposto no valor de R$ 170.660,62, deve ser mantida a glosa efetuada pela Autoridade Fiscal. (...) O interessado teve oportunidade, à luz do art. 15 do Decreto nº 70.235/72, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a infirmar os dados utilizados na efetivação do lançamento,no entanto, não o fez. As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Portanto, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.000011/201111 Acórdão n.º 2202004.936 S2C2T2 Fl. 113 5 Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo o crédito tributário apurado. 6. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/BEL por via postal em 29/01/2014 (efl. 95), e inconformado com a decisão apresentou Recurso Voluntário em 28/02/2014, sustentando, em síntese, que: o principal ponto em litígio concerne na apresentação da documentação referente à DAA ano calendário 2005; na DIRF fornecida pela empresa tomadora do serviço ao recorrente (em cópia de formulário, meio papel) constam os valores pagos a ele, exatamente como declarados em DAA; foram anexados os seus extratos bancários do Banco HSBC, conta corrente 0741046, agência 1276, como prova de que, os pagamentos efetuados correspondem exatamente com os valores inseridos nas RPAS, deduzido o valor correspondente ao IRRF; tais extratos sumiram do processo, e dessa forma protesta pela sua juntada em momento posterior a interposição do presente recurso, pois a sua obtenção junto à instituição financeira, demanda tempo maior do que o prazo legal para o ato; a Decisão afirma que não foi anexado o contrato de prestação de serviços entre o recorrente e a empresa tomadora dos serviços, mas alega que aquele foi efetivamente entabulado, porém o recorrente não localizou; referido documento não se torna peça obrigatória na relação jurídica entre prestador e tomador, nem tampouco para apuração da retenção do imposto, ademais, quando se invoca este tipo de documento como prova é rebatido pela Fazenda sob o argumento do disposto no art. 123 do CTN. a prova mais contundente apresentada pelo Recorrente é a DIRF da empresa tomadora dos serviços, onde embora não traga expresso o nome do recorrente, expressa claramente a retenção do imposto, nos exatos valores por ele declarados. o Acórdão combatido sustenta que nos sistemas da Secretaria da Receita só consta o pagamento, mas não a retenção na fonte, porém não se junta sequer uma cópia, e decisão fundada em mera referência não tem nenhuma validade; na falta de recolhimento pela empresa tomadora, a responsabilidade do contribuinte deverá ser excluída e os valores líquidos recebidos, conforme os extratos bancários apresentados, correspondem aos valores declarados deduzido o IRRF, o acórdão é fundamentado com base no Decreto n° 3.000 de 26/03/1999, art. 87, quando referido dispositivo é proveniente da Lei n° 9.250/95, art. 12; contudo tal dispositivo é nulo de pleno direito, pois a referida Lei foi promulgada com veto ao art. 12, IV, §2°, conforme veto anexado; e a jurisprudência entende que somente nos casos de ausência de retenção e recolhimento pela fonte pagadora, subsiste a obrigação do contribuinte pelo pagamento do tributo devido, o que não é o presente caso, pois houve retenção dos valores, mas não ocorreu o respectivo repasse (transcreve jurisprudência do STJ); 7. Por fim, requer que seja válida a compensação declarada e, por conseqüência, que seja declarada a total improcedência da Notificação de Lançamento. 8. É o Relatório. Voto Fl. 115DF CARF MF 6 Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator 9. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer, sendo ainda tempestivo. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal. Portanto dele conheço. 10. Em princípio, ao se analisar jurisprudência trazida aos autos, há que se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 11. Com isso, fica claro que as decisões judiciais ou administrativas, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas DRJ e pelo CARF. E mais, as decisões administrativas e judiciais não são normas complementares, como as tratadas pelo art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as novas decisões das Instâncias Julgadoras. 12. Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte, destaquemse os artigos 87, inciso IV, 941 e 943, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3000 de 26/03/99, vigente à época dos fatos: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei no. 9.250, de 1995, art. 12): (...) IV — o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a titulo de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2o. 0 imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7o, §§ 1o e 2o, e 8o, §1o (Lei no. 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55).(Grifei). Art. 941. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, deverão fornecer à pessoa física beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, quando for o caso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).(grifei) Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). (...) (Grifei) 13. Cristalino está na legislação acima citada que o IRRF somente poderá ser deduzido na DAA se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome. O Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.000011/201111 Acórdão n.º 2202004.936 S2C2T2 Fl. 114 7 contribuinte também não apresenta nenhum outro documento subsidiário que realmente comprove a efetiva existência da retenção, de forma hábil e idônea. 14. Destaquese que inócua é a referência ao veto de lei, uma vez que o artigo 12, inciso IV, transcrito pela DRJ em sua decisão, é vigente, uma vez que está presente no artigo 87 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3000 de 26/03/99, vigente à época dos fatos, e não se trata do citado artigo 12, IV, §2°, da Lei 9.250/95, realmente vetado. 15. Caberia ao contribuinte comprovar que a pessoa jurídica Meier Automatizações Ltda. efetivamente descontou, dos rendimentos que o contribuinte declarou ter recebido, o valor referente ao IRRF informado em sua declaração, restando ao contribuinte não a obrigação de recolhimento desse imposto, mas sim a comprovação da retenção do mesmo. 16. Em sua defesa, o contribuinte anexa parte da DIRF original 2006 da fonte pagadora, cópia de meio papel, entregue em 04/7/2006 (fl. 18), onde consta um beneficiário PF1 pessoa física e rendimentos tributáveis no valor de R$ 626.523,55 e IRRF de R$ 170.660,62. Mas no citado documento, não consta o nome do recursante nem de qualquer outra pessoa física. 17. Já nos sistemas da Receita Federal, consta DIRF retificadora entregue pela fonte pagadora em 20/10/2007, em nome do contribuinte, referente ao ano calendário de 2005, informando rendimentos tributáveis de R$ 626.523,55 com IRRF de R$ 0,00, assim como já relatado pela Autoridade Fiscal. Tal documento está acostado aos presentes autos à e fl. 52. Ao contrário do que alega o recursante, tal argumento da DRJ está provado e materializado nos autos. 18. Não constam dos autos quaisquer outros comprovantes de rendimentos, recibos de contrato de prestação de serviços ou documentos subsidiários que se comprovem a existência da retenção do imposto informado na DAA do contribuinte. 19. E no presente caso, apesar de não ser obrigatória a existência de contrato de prestação de serviço, a sua apresentação poderia demonstrar a relação de trabalho entre o contribuinte e a fonte pagadora, bem como os valores estipulados e a forma de pagamento, e subsidiar a comprovação da existência da retenção. 20. O contribuinte alegou ainda que foram anexados anteriormente extratos bancários como prova de que os pagamentos efetuados correspondem exatamente aos rendimentos com a dedução do IRRF, mas que tais extratos, em suas palavras, "sumiram do processo". 21. Dessa forma, solicitou sua juntada em momento posterior a interposição do presente recurso, pois a sua obtenção junto à instituição financeira demandaria tempo maior do que o prazo legal para a interposição do Recurso. Não houve, até o momento, pedido de apresentação de tais documentos, desde a data do protocolo do Acórdão. 22. Sobre tal solicitação devese dizer que o processo administrativo fiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo no prazo de impugnação, salvo nas hipóteses do § 4o, do art. 16, do Decreto n° 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 117DF CARF MF 8 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 23. Caso houvesse sido apresentado requerimento que realmente demonstrasse a ocorrência das situações ali mencionadas, caberia à autoridade julgadora, se configuradas as hipóteses, aceitar a prova trazida aos autos e considerálas no julgamento. Em caso contrário, como ocorre nos presentes autos, deve o julgamento ser procedido no estado em que se encontra o processo. 24. Dessa forma, sem comprovação da efetiva existência da retenção do IRRF, o Acórdão proferido é legítimo e o crédito tributário deve ser mantido. CONCLUSÃO 25. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinatura Digital) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000974/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o processo de pedido de ressarcimento de R$'58.68(),58 de crédito de PIS/Pasep não cumulativo (fls. 02/05) relativo ao 3° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .0 00 97 4/ 20 07 -6 9 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 194 2 trimestre de 2005, proveniente de operações no mercado interno (Per/Dcomp nº 10985.2I693.110406.1.1.l00816), apresentado em 11/04/2006. Às fls. 06/13, juntouse cópia do Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais relativo ao 3° trimestre de 2005. Às fls. 14/108, intimações fiscais (Intimação Saort n° 799/2007; Intimação Saort n° 838/2007; Intimação Saort nº 856/2.007; Intimação Saort n° 948/2007, Intimação Saort n° 1.029/2007, Intimação Saort nº 1.149/2007), comprovantes de entrega, cópia de MPF e cópias de documentos apresentados pela contribuinte (planilhas, notas fiscais, balancetes, etc). O Termo de Informação Fiscal de fls. 109/118, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Londrina, analisa o pleito e propõe o não reconhecimento do direito creditório. Com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 109/118, a Saort da DRF em Londrina emitiu, em 31/12/2007, o Parecer Saort/DRF/Lon n° 587/2007, que opina pelo indeferimento do pedido de ressarcimento. Acolhido o Parecer, na mesma data foi emitido o despacho decisório de fl. 122. Cientificada (fls. 123/124) em 07/01/2008, a contribuinte, em 06/02/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 125/142, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, discorre sobre a sua atividade, salienta que é tributada pelo lucro real, e informa que a “semente de algodão está tributada pelo PIS e Cofins à alíquota zero.” A seguir, fala sobre o pedido apresentado e pede a reforma do despacho decisório. Acrescenta, na sequência, que dada a nãocumulatividade regida pelas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 'realiza' créditos por entradas e débitos por saídas. Reclama da glosa relativa a alguns insumos e serviços e diz que “os insumos que supostamente não geram créditos guardam relação direta com a atividade principal da empresa e são imprescindíveis no processo de industrialização dos produtos da Reclamante. Ainda, tais insumos vem onerados pelo PIS e Cofins na cadeia produtiva." Afirma que o julgador incorreu em erro ao interpretar a definição de insumos fixada pela IN SRF n° 247, de 2002, na redação da IN SRF 358, de 2003, já que a norma “não deixa dúvidas que todo e qualquer bem, mercadoria, matériaprima, etc... e serviços, aplicado ou consumido do processo de fabricação é insumo e como tal deve ser considerado na base de créditos.” Nesse contexto, entende incorreta a exclusão, por exemplo, dos serviços de desratização, aquisição de ferragens e correias utilizadas nas máquinas, aquisição de combustíveis, etc. Tanto é assim, afirma, que o legislador preocupouse em esclarecer e definir o que da direito a credito no § 3° do art. 3° das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 195 3 Solicita a reinclusão dos valores glosados e o consequente ajuste da apuração dos saldos de créditos e débitos. Noutro tópico, diz que tem direito ao ressarcimento e que o pedido foi feito na forma da lei. Aduz que as operações com cooperados estão fora da incidência do PIS e da Cofins por determinação constitucional. Esclarece que por operar com cooperado e nãocooperado acumulou créditos em razão da nãoincidência, passíveis de ressarcimento. Questiona a interpretação fiscal de não enquadrar as operações com cooperados em qualquer uma das formas tributárias vigentes e conclui que “se uma receita é excluída da base de cálculo, sem qualquer ressalva quanto a sua tributação, notadamente está no campo da não incidência tributária." Insiste que as operações com cooperados geram direito à manutenção de créditos. A seguir, diz que os ajustes efetuados pelo agente fiscal nas proporções de créditos devem ser anulados, promovendose a reinclusão das notas fiscais excluídas na base de créditos. . Quanto aos débitos que estão sendo exigidos no processo n° 16366.003415/200715, diz que devem ter sua exigibilidade suspensa, posto que as glosas são indevidas. Transcreve o art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005 e chama a atenção para o disposto no inc. I do seu § 3º. Ao final, requer a reforma da decisão e o deferimento de seu pedido de ressarcimento. Pede, também, que se reconheça e determine a condição de receita sujeita a nãoincidência em relação operações realizadas com cooperados, e, ainda, que a manifestação seja vinculada ao auto de infração objeto do processo n° 16366003415/200719, dada a relação existente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0626.208, sessão de 19/04/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 0l/07/2005 a 30/09/2005 PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO, DESCONTO DO PIS/PASEP. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo 0 desconto do crédito correspondente da contribuição devida ao PIS/Pasep, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento. SERVIÇOS DIVERSOS. CRÉDITO. DESCONTO DO PIS/PASEP. Os serviços prestados por pessoas jurídicas, para que possam ser assim considerados, e permitir o desconto do crédito correspondente Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 196 4 da contribuição devida ao PIS/Pasep, devem ser aplicados diretamente sobre o produto em fabricação/beneficiamento. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE COOPERADOS. REMESSAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS NA COOPERATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As aquisições de insumos de cooperados e as remessas para cooperados configuram ato cooperativo, e atos dessa natureza não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não havendo, pois, previsão legal para a manutenção dos respectivos créditos de PIS pela Cooperativa de produção agropecuária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento do saldo credor da Contribuição nãocumulativa, de que trata o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e a impossibilidade de manutenção de créditos por cooperativa, vinculados às receitas de vendas tributadas à alíquota zero e à operações com cooperados (atos cooperativos). A recorrente é uma cooperativa central de produção agropecuária (congrega outras cooperativas associadas) que se dedica, nos termos de seu contrato social, à (i) prestação de serviços de beneficiamento de algodão em caroço às cooperativas filiadas, pelo qual cobra taxa de prestação de serviço; e (ii) comercialização de produtos adquiridos de associados e beneficiados. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à cooperativa de produção agropecuária a tomada de créditos nas aquisições de mercadoria para revenda, de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e art. 21 da Lei 10.865/2004. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 197 5 Enfrento primeiramente a matéria das glosas do crédito com bens e serviços não considerados insumos da atividade desenvolvida pela Coceal. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 198 6 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 000546926.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 199 7 apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente –desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de nãocumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 200 8 combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de essencialidade ou relevância com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça as etapas da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (processo produtivo ou prestação de serviços) e quais são os produtos finais elaborados ou o serviço prestado com os insumos, conforme identificados ou descritos nos documentos apresentados. Análise das glosas Na matéria, a fiscalização glosou os créditos apropriados em relação aos bens e serviços listados por entender que não são aplicados ou consumidos diretamente na produção/fabricação dos produtos da Cooperativa, conforme definição do inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/03, nem se enquadram em nenhuma outra hipótese legal geradora de crédito. Às folhas 104/105 estão sintetizados, por empresa fornecedora/prestadora, os bens e serviços glosados: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 201 9 A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direta ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço (insumos) participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a identificação desses insumos e sua participação no processo produtivo ou prestação do serviço. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 202 10 Pois bem, a posição adotada pelo Fisco e DRJ não encontram respaldo nas decisões deste Conselho. Não se exige o consumo ou desgaste do insumo quando diretamente em contato com o produto fabricado ou o serviço prestado. Ainda na fase do procedimento de análise do pedido de ressarcimento, em dois momentos a Coceal apontou que suas atividades são voltadas para atender demanda de cooperados e beneficiamento de insumos para vendas à terceiros. Na folha 31 há descrição sucinta da prestação de serviço para as cooperativas filiadas, em que beneficia o caroço de algodão e da venda de derivados do algodão para terceiros, que também passa pelas mesmas etapas quando do serviço prestado a cooperados. Na folha 43, a recorrente discorre acerca do beneficiamento do algodão, a produção de sementes, de caroços e de plumas. Evidenciase que desde o beneficiamento até o produto acabado há menção a etapas de análise laboratorial, testes agronômicos, tratamento químico, germinação, plantio, banho agrotóxico. Nos itens glosados há serviços de limpeza de sacos, de manutenção e desratização, além de bens (peças de máquinas e outros). No confronto entre determinados serviços tomados cujo créditos são glosados e a descrição das atividades econômicas da Cooperativa constatase certa correlação que pode apontar para a essencialidade ou relevância com o produto final vendido a terceiros não cooperados. Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, entendo a melhor solução para lide a conversão do presente julgamento em diligência para que: a) A unidade de origem proceda à intimação da contribuinte para que, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente: a1) Laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, ou outro regularmente qualificado, que descreva minuciosamente as etapas de obtenção do produto vendido a terceiros não cooperados, apontando para o bem ou serviço utilizado; a2) Comprovação, com documentação hábil e idônea, que os dispêndios com peças (e outros itens) e serviços empregados em bens do ativo imobilizado, inserido no processo produtivo, não foram incorporados ao custo do ativo, nos termos da legislação do Imposto de Renda. b) A unidade de origem manifestese sobre conteúdo do Laudo e documentos apresentados pela Contribuinte, se houver interesse e caso entenda necessário, com a elaboração de relatório, podendo, inclusive, solicitar novos documentos ou realizar diligências. c) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente manifestação, no prazo legal de 30 (trinta) dias, improrrogável. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 16366.000974/200769 Resolução nº 3201001.582 S3C2T1 Fl. 203 11 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.002090/2007-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOB. INCIDÊNCIA.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação tributária acessória, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Em conformidade com a legislação em vigor, não compete a este CARF pronunciar-se sobre constitucionalidade de norma tributária.
Aplicação da Súmula CARF nº 02.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não afasta a multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, sendo inaplicável o benefício previsto no art. 138 do CTN para supressão de multa por entrega extemporânea de DIMOB.
Aplicação da Súmula CARF n. 49
MULTA. SUPERVENIÊNCIA DE LEI COM PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A superveniência de lei com aplicação de penalidade menos severa do que a vigente na data da infração atrai a incidência do art. 106, II, c, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa.
Numero da decisão: 1002-000.530
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa, calculando-a na forma apresentada no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves Da Silva- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOB. INCIDÊNCIA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação tributária acessória, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com a legislação em vigor, não compete a este CARF pronunciar-se sobre constitucionalidade de norma tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não afasta a multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, sendo inaplicável o benefício previsto no art. 138 do CTN para supressão de multa por entrega extemporânea de DIMOB. Aplicação da Súmula CARF n. 49 MULTA. SUPERVENIÊNCIA DE LEI COM PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de lei com aplicação de penalidade menos severa do que a vigente na data da infração atrai a incidência do art. 106, II, c, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa.
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ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DIMOB. INCIDÊNCIA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação tributária acessória, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com a legislação em vigor, não compete a este CARF pronunciarse sobre constitucionalidade de norma tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não afasta a multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, sendo inaplicável o benefício previsto no art. 138 do CTN para supressão de multa por entrega extemporânea de DIMOB. Aplicação da Súmula CARF n. 49 MULTA. SUPERVENIÊNCIA DE LEI COM PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 20 90 /2 00 7- 31 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 16707.002090/200731 Acórdão n.º 1002000.530 S1C0T2 Fl. 81 2 A superveniência de lei com aplicação de penalidade menos severa do que a vigente na data da infração atrai a incidência do art. 106, II, “c”, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa, calculandoa na forma apresentada no voto do relator. (assinado digitalmente) Aílton Neves Da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por retratar os fatos com propriedade até o momento processual anterior ao do julgamento da Impugnação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/REC: CEPAS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. acima qualificada, foi autuada a recolher a Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) relativa ao anocalendário 2005, conforme Notificação de Lançamento de fls. 25. A contribuinte apresentou impugnação em 11/04/2008 (fls. 01 15), alegando, em síntese, o seguinte: a) a apresentação das declarações foi feito de forma espontânea, antes da prática de qualquer ato por parte da Receita Federal. Dessa forma, evidenciada a espontaneidade temse como consequência inexorável a exclusão da sua responsabilidade relativa à multa pelo atraso na entrega das DIMOB, nos termos do art. 138, do Código Tributário Nacional; b) a aplicabilidade do art. 138 do CTN, tanto às multas punitivas quanto às moratórias, é um ponto que deve ser realçado, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16707.002090/200731 Acórdão n.º 1002000.530 S1C0T2 Fl. 82 3 conforme o entendimento da jurisprudência administrativa e dos nossos tribunais, conforme ementas de acórdãos que transcreveu; c) a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que ofende o disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, que veda o confisco e proibe expressamente a utilização de tributo com efeito de confisco, sendo inegável que tal regra deve ser aplicável também às multas tributárias, tanto as moratórias como, no caso presente, a punitiva. Aqui, observase que a multa é maior que o valor das operações informadas nas DIMOB, representado pela venda de lote. Por fim, requereu seja acolhida e dado provimento à impugnação e cancelada a notificação fiscal. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 Declaração de Informações sobre atividades Imobiliárias DIMOB. Multa por Atraso na Entrega. Espontaneidade. Comprovada que a declaração foi entregue fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, é de se manter a multa aplicada. Irresignado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual reproduziu ipsis litteris os argumentos expendidos na Impugnação. Após análise do Recurso Voluntário, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1801000.322 – 1ª Turma Especial (efls. 11), para que a unidade de origem informasse qual foi o regime de tributação adotado pelo contribuinte no períodobase de incidência da multa, objetivando o reconhecimento do direito do Recorrente a sua redução por aplicação do instituto da retroatividade benigna de que trata o artigo 106 do CTN. Em atendimento à solicitação do órgão julgador, a Unidade de Origem informou que o contribuinte fez opção de apuração dos seus lucros pelo regime do Lucro Presumido em todas as declarações entregues por ele à Receita Federal do BrasilRFB, no período de 2004 a 2016 (efls. 65). Por motivo de extinção da Turma que proferiu o julgamento e determinou a realização de diligência e pelo fato de a conselheira designada para redação do voto vencedor não mais integrar o colegiado, os autos foram encaminhados a este relator em decorrência de novo sorteio. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 16707.002090/200731 Acórdão n.º 1002000.530 S1C0T2 Fl. 83 4 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Com o retorno dos autos após cumprida a diligência, passase a análise dos pontos discutidos no recurso. Preliminar Como preliminar de mérito, o Recorrente alega a inconstitucionalidade da multa por seu caráter confiscatório. Quanto a essa questão, observo que a decisão de 1a instância que rejeitou a argüição de inconstitucionalidade do Recorrente não merece qualquer reparo, eis que está em consonância com a jurisprudência deste CARF, consubstanciada na súmula nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se observa, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de ilegalidade ou constitucionalidade de leis tributárias, razão pela qual afasto esta Preliminar levantada pelo Recorrente. Mérito Quanto ao mérito, observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso na entrega da declaração e ao cálculo do valor da multa exigida, o que torna o fato incontroverso. A exemplo do que ocorreu em primeira instância, a defesa do Recorrente baseiase no instituto da denúncia espontânea, segundo o qual a multa em questão seria dispensada por ter havido a apresentação da DIMOB antes de qualquer procedimento fiscal. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 16707.002090/200731 Acórdão n.º 1002000.530 S1C0T2 Fl. 84 5 Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme consta de trechos do voto condutor do acórdão recorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlos e, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, adotálos, desde já, como razões de decidir: Quanto à alegação da impugnante de que apresentou espontaneamente as declarações e, portanto, não incidiria na penalidade por ser beneficiária do disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, que cuida da denúncia espontânea, igualmente não se lhe aplica, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, sendo que o mencionado dispositivo é endereçado à denúncia espontânea da obrigação principal. Nesse sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda: Multa Infração Regulamentar Denúncia Espontânea Não está a multa aplicada por desobediência a infração regulamentar amparada pela isenção fixada no artigo 138 do CTN, nos termos do decidido pelas duas Turmas do STJ (Ac. CSRF 0103.113, DOU de 24/09/2001). Nessa linha é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: vide, por exemplo, o REsp n° 190.388, 03/12/1998, 1ª Turma, rel. Min. José Delegado. Aduzo que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ainda com relação ao mérito, observo que o artigo 57, inciso I, da Medida Provisória 215835/01, que constituiu a base legal do lançamento da multa em questão, foi alterado pelas leis 12.766/2012 e 12.873/2013, e atualmente contém a seguinte redação (grifos nossos): Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última Fl. 84DF CARF MF Processo nº 16707.002090/200731 Acórdão n.º 1002000.530 S1C0T2 Fl. 85 6 declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) III (...) (...) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) (grifos nossos) A superveniência de leis novas (Leis nº 12.766/2012 e nº 12.873/2013) que preveem, para a mesma infração tributária, aplicação de penalidade menos severa do que a vigente na data da infração atrai a incidência do art. 106, II, “c”, do CTN, que consagra o princípio da retroatividade benigna em matéria de multa: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Diante desse quadro normativo, vêse que o valor da multa varia de acordo com o regime de apuração adotado no períodobase de sua incidência. No caso dos autos, a Unidade de Origem informou que o contribuinte fez opção de apuração dos seus lucros pelo regime do Lucro Presumido em todas as declarações entregues por ele à Receita Federal do BrasilRFB, no período de 2004 a 2016 (efls. 65). Considerando que a declaração entregue com atraso pelo Recorrente referese ao anocalendário de 2006 (efls. 15), claro está que a redução da multa deve ser feito de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 16707.002090/200731 Acórdão n.º 1002000.530 S1C0T2 Fl. 86 7 acordo com a previsão normativa constante da alínea "a" do Início I do artigo 57 da Medida Provisória 215835/01. Por isso, o lançamento da multa em questão foi recalculado conforme quadro abaixo: Valor da multa por mês em atraso (alínea "a" , I, art. 57, MP 215835/01) Número de meses ou fração em atraso Valor devido Crédito tributário constante da notificação de lançamento Crédito tributário a ser exonerado R$ 500,00 01 R$ 500,00 R$ 5.000,00 R$ 4.500,00 Para efeitos de aplicação da redução da multa prevista no § 3o do Inciso III do artigo 57 da Medida Provisória 215835/01, compete à Unidade de Origem verificar, no momento da execução do julgado, se houve procedimento de ofício anterior ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a notificação de lançamento de efl. 15. Dispositivo Pelo exposto, VOTO por rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade suscitada e, no mérito, por dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso para reduzir a multa. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.900633/2011-07
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.542
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 06 33 /2 01 1- 07 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 104 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 74) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo, apenso ao Processo n.º 10640.901312/201111 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 66/68), proferida em sessão de 20 de janeiro de 2014, consubstanciada no Acórdão n.º 1448.168, da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 03/04) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 01/04/2011 (efl. 02), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 24050.97008.040506.1.3.044565 (efls. 60/63), transmitido em 04/05/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO INTEIRAMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Despacho Decisório que homologou parcialmente Declaração de Compensação – DCOMP eletrônica, n.º 24050.97008.040506.1.3.044565, transmitida em 04/05/2006. Na fundamentação do ato, consta: (...). [transcreve despacho decisório efl. 02] Cientificada em 12/04/2011, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 29/04/2011, alegando, que de 08/2004 a 02/2005 efetuou pagamentos a Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 105 3 maior de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, e que a partir de 03/2005 iniciou a compensação dos créditos gerados. Apresenta relação dos valores devidos no período e dos valores pagos a maior e cita um REDARF que não teria sido analisado. Junta cópia da DIPJ e do Redarf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.320,28, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do crédito indicado no PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito objeto da irresignação e, por conseguinte, não homologando a compensação no limite do crédito objeto do inconformismo, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: De início, é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica: comparandose o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito com as confissões de débitos constantes de declarações da contribuinte, constatandose que o DARF de recolhimento informado na DCOMP estava integralmente utilizado para quitação de débitos declarados em DCTF e em outras Dcomps, não restando créditos suficientes para a compensação pleiteada. Cabe lembrar que os débitos, apresentados em DCTF e/ou em DCOMP, por expressa disposição legal (§§ 1.º e 2.º do art. 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13/06/1984 c/c § 1.º do art. 8.º da Instrução Normativa SRF n.º 255, de 11/12/2002 e art. 74, § 6.º da Lei n.º 9.430/1996, respectivamente), constituem confissão de dívida. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informa dispor de créditos gerados pelo pagamento a maior de vários tributos e vários períodos de apuração. Entretanto, na presente Dcomp, discutese apenas o crédito nela informado, no valor de R$ 4.987,81, que teria sido informado em Dcomp inicial, de n.º 39497.47456.040506.1.3.04 9993. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 106 4 Todavia, a Dcomp de n.º 39497.47456.040506.1.3.049993 foi objeto de análise e decisão no acórdão 1448.167, desta sessão de julgamento, onde concluiuse pelo não reconhecimento do crédito nela pleiteado. Segue trecho do acórdão: (...) na presente Dcomp, discutese apenas o crédito nela informado, no valor de R$ 4.987,81, que teria sido informado em Dcomp inicial, de n.º 24566.88913.040506.1.3.042820. Todavia, a Dcomp de n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 foi objeto de análise e decisão no acórdão, desta sessão de julgamento, onde concluise pelo não reconhecimento do crédito nela pleiteado. (...) Em face do exposto voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório pleiteado na Dcomp n.º 39497.47456.040506.1.3.049993. Em face do exposto, voto no sentido de julgar improcedente manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório pleiteado na Dcomp n.º 24050.97008.040506.1.3.04 4565. No recurso voluntário (efl. 74), em síntese, o contribuinte apresentou os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, inclusive denominou a petição de "manifestação de inconformidade". Em seguida, a Unidade de Origem notificou o contribuinte para sanar divergências contidas na petição recursal, pois a peça de defesa continha o nome de "manifestação de inconformidade" ao invés de "recurso voluntário" e não haviam sido anexados documentos de identificação pessoal que identifiquem o assinante, nem da procuração que o habilite a praticar atos extrajudiciais em nome da empresa (efl. 83). O contribuinte, atendendo a notificação, reapresentou o recurso com o nome de "recurso voluntário" (efl. 86) e juntou documentos. Em resumo, a tese de defesa, reiterada no recurso voluntário, é que o pagamento datado de 31/01/2005, no valor de R$ 779,38, "foi feito por engano em outro CNPJ, anexo xérox do Pedido de Retificação de DarfREDARF". Diz, ainda, que no período de 08/2004 a 12/2004 se apurar o débito destas competências se observará um saldo de R$ 166,50 para o primeiro trimestre de 2005. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 107 5 Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 1.320,28. Observo, ainda, que, pelo princípio do informalismo, o Recurso Voluntário (efl. 74) atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 21/05/2014, efls. 70/71, e protocolo recursal em 17/06/2014, efl. 74), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário (efl. 74). Por fim, quanto a petição do efl. 86, que sobreveio após notificação da Unidade de Origem para regularização processual, entendo que não deve ser conhecida por força da preclusão, uma vez que apresentada após o trintídio legal e já tendo sido apresentada a petição do efl. 74, com natureza jurídica de recurso voluntário. De toda sorte, o conteúdo da petição do efl. 86 é basicamente o mesmo da petição do efl. 74, sendo esta recebida tempestivamente e como recurso voluntário. Por conseguinte, o mérito do objeto destes autos será apreciado a seguir. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 108 6 Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, caracterizado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. Verificase que o suposto crédito de pagamento indevido ou a maior indicado no PER/DCOMP objeto desta lide já havia sido informado em outro PER/DCOMP, qual seja, n.º 39497.47456.040506.1.3.049993. Aqui nestes autos discute se apenas o crédito vindicado nos limites pleiteados (efls. 60/63). Por sua vez, o PER/DCOMP n.º 39497.47456.040506.1.3.049993 já havia sido informado em outro PER/DCOMP, qual seja, n.º 24566.88913.040506.1.3.04 2820. Por seu turno, o PER/DCOMP n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 já havia sido informado em outro PER/DCOMP, qual seja, n.º 15801.05562.030506.1.3.04 4509. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 109 7 A questão é que o crédito não se comprovou como líquido e certo, aliás o PER/DCOMP n.º 39497.47456.040506.1.3.049993 foi objeto de análise e decisão no Acórdão n.º 1448.167, da DRJ, não tendo sido reconhecido o crédito vindicado. A referida decisão foi mantida no julgamento do Acórdão n.º 1002000.544 desta sessão de julgamento do CARF (Processo n.º 10640.900632/201154). Por sua vez, de igual modo, o PER/DCOMP n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 foi objeto de análise e decisão no Acórdão n.º 1448.166, da DRJ, não tendo sido reconhecido o crédito vindicado. A referida decisão foi mantida no julgamento do Acórdão n.º 1002000.541 desta sessão de julgamento do CARF (Processo n.º 10640.900631/201118). No mais, neste último processo bem consta a alocação do PER/DCOMP n.º 15801.05562.030506.1.3.044509, efetivamente, inexistindo saldo. A fim de comprovar o crédito, o contribuinte alega que teria créditos de vários tributos. Na manifestação de inconformidade desenha o seguinte quadro (a despeito do PER/DCOMP trazer crédito de IRPJ): Ocorre que, não demonstra a comprovação do referido crédito. Ademais, o crédito constante no PER/DCOMP (R$ 1.320,28) é igual ao valor que é apontado como devido na defesa inicial (R$ 1.320,28), o que já demonstra equívocos e controvérsias quanto ao crédito vindicado. Se crédito existisse seria pela diferença entre o supostamente recolhido a maior e o valor declarado como devido. O crédito não seria igual ao valor declarado como o devido. Claramente não há certeza, nem liquidez no pleito do contribuinte. Os autos apontam que o crédito já foi alocado, pois já havia sido utilizado em outros PER/DCOMP's e em débito próprio do contribuinte. Desta forma, o PER/DCOMP objeto da lide não possui saldo disponível, por isso não se homologou a compensação. Temse, ainda, que pontuar que não consta nos autos cópia de decisão administrativa sobre o pedido de REDARF e, além disso, o REDARF foi protocolizado após a data de transmissão do PER/DCOMP, o que retira a liquidez e certeza do crédito vindicado. Noutro prisma, o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório de provar a existência do direito creditório, não infirma o argumento da alocação do crédito, isto é, não desconstitui a afirmativa de que o crédito já foi utilizado. O que se observa de concreto é a plena ausência de certeza e liquidez. Não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da recorrente. Em realidade, o sujeito passivo não infirma as razões da decisão recorrida. Não comprova qualquer erro in iudicando ou erro in procedendo. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 110 8 Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. A despeito dos argumentos postos no recurso, inexiste provas, mínimas que sejam, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. No que se refere aos argumentos da primeira instância, o contribuinte não os refuta adequadamente, inexiste base probatória nas razões recursais, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Da forma como foi vindicado o direito creditório apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez, este é o fato comprovado. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração e, consequente, comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Em suma, não há como comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito. A prova dos autos aponta a já utilização do crédito, tendo sido demonstrada a sua alocação, que não é refutado pelo recorrente a contento. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10640.900633/201107 Acórdão n.º 1002000.542 S1C0T2 Fl. 111 9 da legalidade. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10142.720796/2014-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/09/2013
RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
PIS/PASEP E COFINS - IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARBITRAMENTO DO PREÇO.
A fiscalização conclui que a operação de importação foi uma simulação para importação de PET em Flocos, apresentando descrição das mercadorias de forma diversa, alterando a classificação fiscal, na tentativa de burlar os controles aduaneiros. Correta a rejeição do preço declarado na DI.
Numero da decisão: 3001-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 23/09/2013 RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. PIS/PASEP E COFINS - IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARBITRAMENTO DO PREÇO. A fiscalização conclui que a operação de importação foi uma simulação para importação de PET em Flocos, apresentando descrição das mercadorias de forma diversa, alterando a classificação fiscal, na tentativa de burlar os controles aduaneiros. Correta a rejeição do preço declarado na DI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. PIS/PASEP E COFINS IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARBITRAMENTO DO PREÇO. A fiscalização conclui que a operação de importação foi uma simulação para importação de PET em Flocos, apresentando descrição das mercadorias de forma diversa, alterando a classificação fiscal, na tentativa de burlar os controles aduaneiros. Correta a rejeição do preço declarado na DI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 2. 72 07 96 /2 01 4- 63 Fl. 583DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração de n. 0145100/01381/14, lavrado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Mundo Novo/MS, na data de 18/09/2014, em face de REMPEL & PILATTI LTDA. EPP, segundo o qual se verificou a insuficiência do recolhimento do PIS e da COFINS, ambos na modalidade Importação, em decorrência da Declaração de Importação de n. 13/18646822, registrada, em 23/09/2013, perfazendo o montante de R$ 14.118,06 (quatorze mil cento e dezoito reais e seis centavos), sendo R$ 985,73 de contribuição ao PIS, acrescido de R$ 89,30 de juros de mora e R$ 1.478,60 de multa, e R$ 4.464,00 de COFINS, com R$ 404,43 de juros moratórios e R$ 6.696,00 de multa. Segundo a autoridade fiscal, a empresa autuada teria ocultado a real adquirente das mercadorias, qual seja a STEELPAPER BRASIL IND E COM DE FITAS ADESIVAS LTDA., bem como ambas teriam fraudando a operação de importação, utilizando unidade da Receita Federal do Brasil diversa da usual, alterando a classificação fiscal NCM e subvalorizando o preço de compra dos produtos. A autuação tem a seguinte fundamentação legal: “Arts. 1º, 3º, inciso I, 4º, inciso I, 5º, inciso I e 8º, inciso II, 13, inciso I, 19 e 20 da Lei n 10.865, de 30 de abril de 2004. Arts. 2º, 3º, 249 a 255, 542, 543, 545, 551, 564, 673, 675, inciso IV, e 768 do Decreto nº 6.759/09.”. As multas foram aplicadas com base no Art. 44, inciso I e §1º da Lei n. 9.430/96, com redação dada pelo Art. 14 da Lei n. 11.488/07. A autuada foi intimada para apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Impugnação da Rempel & Pilatti Ltda. EPP Em sede de impugnação, a contribuinte aduziu, primeiramente, a nulidade do auto de infração, afirmando que a mercadoria já havia sido desembaraçada quando foi iniciado o procedimento fiscalizatório que culminou na autuação, de modo que não poderia ser validado um processo pautado somente em alegações do Fisco. A seguir, alega que a operação se tratou de importação fracionada, prevista no art. 61 da Instrução Normativa n. 680/2006, tendo sido desembaraçadas em doze cargas diferentes sem que houvesse o levantamento de suspeita quanto ao que fora informado na Declaração de Importação. A impugnante prossegue dissertando sobre as modalidades de importação previstas na legislação aduaneira brasileira com o intuito de elucidar que não realiza internalização de mercadorias por encomenda e/ou por conta e ordem, de modo que não teria havido irregularidades em sua conduta. Ademais, informou que o fato de algumas vendas terem sido realizadas com prejuízo faz parte dos riscos da atividade comercial que pratica, não tendo como afirmar que se trataria de tentativa de encobrir o real adquirente das mercadorias importadas, como sustenta a autuação. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 584 3 Impugnação da Steelpaper Brasil Ind e Com de Fitas Adesivas Ltda. A outra empresa autuada apresentou impugnação, aduzindo equívoco na imputação, por parte da autoridade fiscal, da prática de irregularidades na aquisição das mercadorias, tendo em vista que a conduta do agente fazendário teria sido pautada exclusivamente em suposições, não havendo comprovação do suposto conluio que teria fraudado o sistema aduaneiro. Alegou que a empresa importadora Rempel & Pilatti Ltda. – EPP existe de fato e opera no ramo de importações, realizando diversos negócios com empresas estrangeiras no intuito de internalizar mercadorias, não sendo, portanto, “empresa de fachada” ou “empresa laranja”. Do mesmo modo, o negócio jurídico subsequente, qual seja a venda para a impugnante teria ocorrido dentro da legalidade. Ainda, afirmou ser correta a classificação fiscal NCM adotada pela importadora, tratandose as mercadorias de PET recicladas e não em sua forma primária, o que justificaria a classificação utilizada. DRJ/SPO As impugnações foram julgadas e receberam a seguinte ementa: Acórdão 1672.700 24ª Turma da DRJ/SPO Sessão de 11 de maio de 2016 Processo 10142.720796/201463 Interessado REMPEL & PILATTI LTDA. – EPP CNPJ/CPF 05.830.606/000178 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 23/09/2013 PIS/PASEP e COFINS IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Mercadoria importada composta por um único produto (um tipo de plástico), o que contraria a nota 7 do capítulo 39 da NCM. O produto em apreço é constituído de “recortes” de garrafas PET, “picadas”, conforme descrição informada na DI. Tais “recortes” ou pedaços de “garrafas picadas” enquadramse na definição de “formas primárias”, segundo o disposto na nota 6 do capítulo 39 da NCM. Acolhese o enquadramento no código 3907.60.00. ARBITRAMENTO DO PREÇO. A fiscalização conclui que a operação de importação em foco foi uma simulação orquestrada para importação de produtos (PET em Flocos), apresentando descrição das mercadorias de forma diversa, com outra classificação fiscal, na tentativa de burlar os controles aduaneiros exercidos pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Corretamente fundamentada a rejeição do preço declarado na DI. O lançamento encontra respaldo no artigo 86 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009). Impugnação Improcedente Fl. 585DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. O interessado foi autuado em face de recolhimento a menor de Pis/Pasep e Cofins. A “descrição dos fatos” do auto de infração (fls. 6 a 9 do "eprocesso") informa que a declaração de importação (DI) 13/18646822 foi submetida a procedimento de fiscalização, o qual concluiu que: a) Rempel & Pilatti Ltda. (REMPEL & PILATTI) cedeu seu nome e ocultou a empresa Steelpaper Brasil Ind. e Com. de Fitas Adesivas Ltda. (STEELPAPER). b) As empresas agiram em conluio em operação fraudulenta para importar mercadorias com valor inferior ao correto. O lançamento alcança a cifra total de R$ 14.118,06 (fl. 19). A atuação está lastreada no “Relatório de Conclusão de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro regido pela Instrução Normativa RFB nº 1.169/2011” (fls. 22 e ss.). O referido Relatório Fiscal aponta que houve classificação incorreta dos produtos importados (NCM correta é 3907.60.00) e falsa declaração do valor (correto é US$ 900/tonelada). REMPEL & PILATTI foi intimada em 26/9/2014 (fl. 351). STEELPAPER foi intimada em 23/9/2014 (fl. 171). REMPEL & PILATTI apresentou impugnação em 29/10/2014 (fls. 174 e ss.). Alega: 1. Adquiriu de empresa paraguaia 300 toneladas de “desperdícios e recortes de plásticos de polímeros de etileno de embalagem de garrafas pet, usadas, lavadas e picadas para reciclagem”. 2. A DI, na modalidade fracionada, foi parametrizada no canal vermelho de conferência. 3. Após 12 cargas terem sido conferidas e desembaraçadas, foi instaurado procedimento fiscal. 4. Foram lavrados 7 autos de infração e imputadas infrações à legislação aduaneira. Cita tópico 6 do Relatório Fiscal. 5. Os indícios e provas apontadas pela fiscalização não passam de ilações e deduções equivocadas. Não correspondem à verdade dos fatos. 6. Preliminarmente. O procedimento especial, instaurado com base na IN RFB 1.169/2011, é nulo, porque violou o artigo 3º da instrução normativa. As mercadorias já haviam sido desembaraçadas, não se encontrando mais sobre a jurisdição do titular da Inspetoria em Mundo Novo/MS, que decidiu sobre a instauração do procedimento. 7. Durante a conferência de 12 cargas, se houvesse constatação de indício de fraude, deveria ter sido encaminhado ao setor responsável, conforme Instrução Normativa RFB nº 680/2006, o que não ocorreu. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 585 5 8. Quando o procedimento especial foi instaurado não havia mercadoria, pois estava desembaraçada de forma fracionada. 9. Para instauração de procedimento especial deve haver fundadas suspeitas (Instrução Normativa RFB nº 1.169/2011, artigo 4º, inciso I). Suspeitas simples, sem fundamento, não podem ensejar o procedimento especial de fiscalização. Faz citação. Conclui que é nulo o procedimento e os autos de infração dele oriundos. 10. Do direito. A importação foi fracionada em 12 cargas, que foram conferidas e desembaraçadas. Em nenhum momento houve dúvidas sobre o fato de a mercadoria ser diferente da declarada. 11. O Relatório Fiscal faz afirmação inverídica de que durante os procedimentos de verificação física e documental a autoridade encontrou fortes indícios de irregularidades quanto a classificação fiscal, preço declarado e real adquirente (fls. 187 e 188). 12. Discorre sobre as modalidades de importação previstas na legislação aduaneira e sobre a ocultação do real adquirente. 13. Não ocorreu interposição fraudulenta no presente caso. Conforme notas fiscais em anexo, as mercadorias foram vendidas para STEELPAPER, CNPJ 81.111.239/000130, Sanpet Ind. e Com. de Plásticos Ltda., CNPJ 85.394.625/000138, e Sanplast Ind. de Plásticos Ltda., CNPJ 82.999.558/000197. 14. Não se pode imputar condutas que ensejam o perdimento de mercadoria sem outras provas que não sejam simples alegações. 15. Fraude documental. O produto foi corretamente classificado como desperdícios porque se tratam de resíduos provenientes da reciclagem de garrafas PET. 16. A empresa produtora PET PAR S/A informou que exporta apenas material processado de primeira linha, segundo exigências técnicas fornecidas por clientes importadores. Os desperdícios e dejetos provenientes do processo produtivo que não preenchem os requisitos de qualidade são vendidos no mercado interno paraguaio. 17. Esse produto, adquirido no mercado interno paraguaio, foi exportado pela empresa Agencia San Ramon e importado pela impugnante. 18. Sendo produto diverso do exportado por PET PAR e resíduo de baixa qualidade, seu preço é infinitas vezes inferior. 19. Durante 12 conferências físicas feitas por diversas autoridades fiscais nenhuma suspeita foi levantada quanto às mercadorias. 20. O enquadramento pleiteado pela fiscalização – 3907.60.00 – é incabível segundo a nota 1 das NESH do capítulo 39 (fl. 195). 21. Os desperdícios importados, para readquirirem a qualidade de plástico, terão que ser submetidos a influência exterior e serem suscetíveis de adquirir uma nova forma que conservarão após cessar tal influência (nota 1 do capítulo 39). Fl. 587DF CARF MF 6 22. Não procede a fiscalização liberar todas as cargas e, somente após a entrega das mesmas, levantar dúvidas sobre a correta classificação. O despacho deveria ter sido interrompido e coletada amostra para análise em laboratório credenciado. 23. A fiscalização desclassificou a mercadoria da NCM em que estava sendo importada e, com base na mesma premissa, concluiu que deveria ter o mesmo preço da que estava sendo exportada pela unidade de Foz do Iguaçu/PR. 24. Para arbitar o valor de mercadoria, é necessário instaurar o contraditório nos termos do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) — Decreto nº 1.355/1997 e IN SRF 327/2003. 25. Cita exigência feita no curso do despacho da DI 11/22270200, da REMPEL & PILATTI, na qual o fiscal constatou erro na classificação da mercadoria, que estva sendo importada como desperdícios de polímero de etileno (polietileno), mas na verdade tratavase de desperdícios de politereftalato de etileno (PET), proveniente da reciclagem de garrafas PET. O produto vem sendo importado há anos e as inúmeras autoridades aduaneiras, que nunca questionaram a classificação na NCM 3915, que consta de todos os documentos, inclusive no certificado de origem. 26. Discorre sobre a pena de perdimento. O fisco deve provar que houve ocultação, mediante fraude ou simulação. A fiscalização concluiu que as empresas agiram em conluio. A conclusão está fundada apenas em indícios. 27. A fiscalização concluiu que as empresas STEELPAPER, SANPET e SANPLAST seriam as verdadeiras responsáveis tão somente porque foram destinatárias da carga desembaraçada e revendida pela impugnante. 28. A empresa REMPEL & PILATTI está regularmente constituída e habilitada no Radar. Cita faturamento, lucro, afirma que é idônea e possui empregados (vide fls. 203 a 205). Se revendeu mercadorias com aparente prejuízo, explica que importa as mercadorias com prazo para pagamento e as revende à vista, o que lhe permite dispor de capital de giro. 29. Adquirindo mercadorias a prazo e revendendo à vista, a empresa consegue ter capital de giro, com curso menor que empréstimo bancário. 30. Pede que seja decretada a nulidade do procedimento especial instaurado e requer: a) seja julgado improcedente o auto de infração; b) a juntada de todos os documentos comprobatórios das alegações de impugnação; c) seja emprestada prova feita no processo 10142.720781/201403 (amostra do produto); d) que a Inspetoria de Mundo Novo/MS apresente todas as RVF (artigo 39 da IN SRF 380/2006) referentes às conferências físicas; e) que a Inspetoria de Mundo Novo/MS apresente as exigências feitas na DI 11/22270200, considerando que o impugnante não possui acesso após o desembaraço; f) seja desconsiderado o valor arbitrado. STEELPAPER apresentou manifestação em fls. 260 e ss. (protocolo em 22/10/2014). A peça trata tanto do presente processo (10142.720796/201463) quanto do 10142.720782/201440. Alega: 1. A autuação nº 0145100/01377/14 (doc. 02 – fls. 285 a 294 – processo 10142.720782/2014 40) foi fundamentada no artigo 23, V, do DecretoLei nº 37/1966 1.455/1976. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 586 7 2. A autuação nº 0145100/01381/14 (doc. 03 – fls. 296 a 316 – processo 10142.720796/2014 63) foi fundamentada no artigo 2º, III, da Lei nº 10.865/2014. 3. Não há qualquer indício de que a empresa importadora não exista de fato, não tenha condições financeiras ou se trate de “empresa de fachada” ou “laranja”. 4. A operação foi legal. Após importada pela REMPEL & PILATTI, a mercadoria foi comercializada para STEELPAPER. 5. Não houve simulação. 6. O processo de reciclagem não recupera sucata (NCM 3915), reconstituindo o produto em sua forma primária (NCM 3907). O raciocínio fiscal esbarra no conceito de reciclagem – Lei nº 12.305/2010, artigo 3º, inciso XIV (fls. 265 e 266). 7. A manifestante utiliza insumo de garrafas PET moídas em flocos com contaminação (NCM 3915) e resinas em forma primária (NCM 3907). 8. PET em forma pura possui valor de US$ 900/tonelada e o procedente de reciclagem valor de US$ 100/tonelada. 9. Não houve fraude. Faz citações. 10. Requer a anulação dos autos de infração. Os autos foram encaminhados à DRJ/São Paulo em 29/4/2015 (fl. 391) e distribuídos à 24ª turma. É o relatório. A DRJ rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração por ofensa aos arts. 3º e 4º, inciso I da IN 1.169/2011, entendendo que as autoridades aduaneiras agiram corretamente na realização de procedimento de fiscalização após o desembaraço das mercadorias. Quanto às matérias de mérito, entendeu que a classificação NCM correta é a adotada pela fiscalização de código 3907.60.00, bem como que a importadora REMPEL & PILATTI prestou informações falsas em suas DIs no tocante ao valor das mercadorias importadas, imputando preço muito abaixo do praticado pela sua fornecedora em outras situações idênticas, além de ter constatado que a empresa agiu em conluio com a STEELPAPER para fraudar o Fisco. Ademais, considerou que o lançamento encontra respaldo no art. 86 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6.759/2009). Firmou posição também no sentido de que a REMPEL & PILATTI prestouse a realização importações destinadas a STEELPAPER mediante negociação prévia entre as duas empresas. Isso posto, considerou improcedentes as impugnações, mantendo o crédito tributário. Recurso Voluntário da Steelpaper Brasil Ind e Com de Fitas Adesivas Ltda. Fl. 589DF CARF MF 8 Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: Classificação fiscal A recorrente alega, com base no art. 3º, inciso XIV da Lei n. 12.305/2010, que o processo de reciclagem praticado pela sua fornecedora não teria o condão de fazer retornar à sua forma primária as mercadorias de PET importadas, de modo que a classificação fiscal correta NCM seria a 3915 por ela adotada e não a 3907.60.00 imputada pela fiscalização e mantida pela DRJ. Nesse sentido, aduziu a nulidade do auto de infração por supostamente ter autuado a empresa com base em suposições quanto à classificação fiscal. Recurso Voluntário da Rempel & Pilatti Ltda. EPP Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: Nulidade da autuação A recorrente alega, preliminarmente, a nulidade a autuação por entender que o auto de infração teria sido lavrado por autoridade incompetente, não tendo o procedimento se enquadrado nos ditames da IN 1.169/2011 por ter sido realizado após o desembaraço das mercadorias importadas, que seria o momento de averiguar eventuais irregularidades. Importação na modalidade fracionada A recorrente aduz que realizou as importações na modalidade fracionada, conforme a previsão do art. 61 da IN 680/2006, tendo sido desembaraçadas em partes mediante a conferência física e documental por auditores fiscais diferentes, de modo que nenhum deles teria levantado suspeitas quanto à idoneidade dos procedimentos da recorrente. Ademais, argumento que não realiza importação por conta e ordem de terceiros nem por encomenda, pois não preenche os requisitos legais para tanto, tratandose de importadora por sua conta e ordem e totalmente sob seu próprio risco. Inexistência de fraude A contribuinte alega a inexistência de fraude documental como apontado pela autuação, defendendo para isso que informou em sua DI a classificação fiscal que entendia ser a correta, bem como o valor de compra das mercadorias ajustado com sua fornecedora, tratandose de desperdícios de PET, que precisariam ser submetidos a um novo processo de transformação para retornar a sua forma primária. Pena de perdimento das mercadorias A recorrente aduz que se as autoridades aduaneiras ao constatarem indícios de fraude ou simulação no processo de importação da empresa, deveriam ter instaurado o procedimento fiscalizatório que poderia resultar na penalidade de perdimento das mercadorias por ocasião da ocultação do real adquirente, de modo que não tendo assim procedido, o Fisco não poderia ter procedido posteriormente em tais suspeitas. Da regularidade da empresa Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 587 9 A contribuinte traz informações e ilustrações de suas operações desde o ano de 2003, destacando sua atuação no ramo de importações na modalidade simplificada e trazendo seus faturamentos anuais com o intuito de demonstrar suas atividades em outros ramos e sua idoneidade no mercado. Posteriormente, a empresa procedeu a juntada de decisões favoráveis em outros processos administrativos, pugnando pelo proferimento de decisão não conflitante com aquelas. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração n. 0145100/01381/14. Admissibilidade do Recurso A contribuinte STEELPAPER BRASIL IND E COM DE FITAS ADESIVAS LTDA foi notificada em 24.05.2016, conforme Aviso de Recebimento – AR de fls. 416/417, enquanto que a REMPEL & PILATTI LTDA – EPP foi notificada em 27.05.2016, conforme Aviso de Recebimento – AR de fls. 418/419, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a STEELPAPER BRASIL IND E COM DE FITAS ADESIVAS LTDA apresentou o competente Recurso Voluntário em 14.06.2016, conforme comprova o comprovante de protocolo da IRF – CURITIBA de fl. 421. Já a REMPEL & PILATTI LTDA – EPP protocolou seu Recurso Voluntário em 28.06.2016, conforme o comprovante de protocolo da IRF – GIA de fl. 471. Desse modo, os recursos apresentados são tempestivos ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Fl. 591DF CARF MF 10 Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de recursos voluntários apresentados em decorrência de decisão que julgou improcedentes as impugnações oferecidas, mantendose o crédito tributário no montante de R$ 14.118,06, sendo R$ 985,73 de contribuição ao PIS, acrescido de R$ 89,30 de juros de mora e R$ 1.478,60 de multa, e R$ 4.464,00 de COFINS, com R$ 404,43 de juros moratórios e R$ 6.696,00 de multa. Questionase, nesse julgamento, a ocorrência de conluio para a ocultação da real adquirente das mercadorias importadas e a utilização da classificação fiscal indevida propositalmente para o uso de valor inferior ao de mercado, resultando em fraude à tributação aduaneira. 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI As mercadorias objeto da importação não foram localizadas, conforme informações do importador e do real adquirente, em respostas aos termos de intimações SAFIA – Nº 21/2014 e SAFIA – Nº 25/2014, respectivamente. Em consequência disso, deflagrase a hipótese de incidência de PIS/COFINS Importação estabelecida no art. 2º, III da Lei nº 10.865/2004, abaixo transcrito: “Art. 2º. As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos; (...)” A Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, disciplina a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços. “Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. (...)” Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 588 11 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI A Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, disciplina a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços. “Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. (...)” MÉRITO Da manutenção dos fundamentos da decisão recorrida A decisão de primeira instância administrativa deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere a forma de correção dos valores ventilados neste PAF. Dispõe o artigo 57 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), in verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Transcrevo, assim, o voto da decisão recorrida, uma vez que deverá ser mantida pelos seus próprios fundamentos: Voto O interessado importou 300 toneladas de mercadoria assim descrita (fl. 22): Fl. 593DF CARF MF 12 “DESPERDICIOS E RECORTES DE PLASTICOS DE POLIMEROS E ETILENO DE EMBALAGEM DE GARRAFAS PET, USADA LAVADAS E PICADAS PARA RECICLAGEN COM A PROX. 528 BIG BAG” Preliminar de nulidade do procedimento fiscal REMPEL & PILATTI alega nulidade do procedimento por ofensa aos artigos 3º e 4º, inciso I, da IN 1.169/2011 (destaques meus): “Art. 3º A seleção das operações a serem submetidas ao procedimento especial previsto nesta Instrução Normativa poderá decorrer de decisão: I do chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) com jurisdição sobre o local onde se encontrar a mercadoria sob suspeita, ou de qualquer servidor por ele designado; e II da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), mediante direcionamento para o canal cinza de conferência aduaneira. Art. 4º O procedimento especial de controle aduaneiro previsto nesta Instrução Normativa será instaurado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) responsável mediante termo de início, com ciência da pessoa fiscalizada, contendo, dentre outras informações: I as possíveis irregularidades que motivaram sua instauração” As autoridades fiscais identificaram indícios de irregularidades quanto à classificação fiscal, ao preço e ao real adquirente, ensejando a instauração de procedimento especial de fiscalização (Instrução Normativa RFB nº 1.169/2011, artigo 2º, incisos I e IV). Ainda que o impugnante considere que tais indícios não seriam suficientes, entendo que foi observado o artigo 4º, inciso I, da IN 1.169/2011. As mercadorias já estavam desembaraçadas e fora da jurisdição da Inspetoria de Mundo Novo. Logo, incabível a instauração do procedimento especial em foco, conforme inciso I do artigo 3º, citado anteriormente. A característica fundamental dos procedimentos especiais é a retenção das mercadorias durante a fiscalização, posto que passíveis de aplicação da pena de perdimento (artigo 5º, caput, da IN 1.169/2011). As mercadorias não foram localizadas nem retidas pela fiscalização aduaneira. Portanto, o procedimento fiscal não se enquadrou nos ditames da IN 1.169/2011, o que, entretanto, não implica deduzir que seja nulo nem que deva ser considerado nulo o auto de infração em apreço. As autoridades aduaneiras, AuditoresFiscais da RFB, possuem competência legal para empreender ações fiscais relativas a mercadorias importadas, em todo o território nacional (vide Regulamento Aduaneiro, artigos 2º e 15). E está prevista no ordenamento jurídico a revisão aduaneira em face de mercadorias já desembaraçadas, conforme RA, artigo 638 (destaques meus): “DA REVISÃO ADUANEIRA Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 589 13 prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.” Assim, a autoridade aduaneira agiu corretamente em realizar procedimento de fiscalização após o desembaraço. Rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Da classificação fiscal O importador enquadrou a mercadoria no seguinte código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM): “3915 DESPERDÍCIOS, RESÍDUOS E APARAS, DE PLÁSTICOS. 3915.90.90 De outros plásticos” A fiscalização, por sua vez, imputa o enquadramento na posição 3907: “3907 POLIACETAIS, OUTROS POLIÉTERES E RESINAS EPÓXIDAS, EM FORMAS PRIMÁRIAS; POLICARBONATOS, RESINAS ALQUÍDICAS, POLIÉSTERES ALÍLICOS E OUTROS POLIÉSTERES, EM FORMAS PRIMÁRIAS. 3907.60.00 Poli(tereftalato de etileno)” O Relatório Fiscal que ampara o auto de infração esclarece os pontos em que se fundamenta a pretensão fiscal (fls. 35 a 38). Constatouse que a mercadoria importada é composta por um único produto (um tipo de plástico), o que contraria a nota 7 do capítulo 39 da NCM: “7. A posição 39.15 não compreende os desperdícios, resíduos e aparas, de uma única matéria termoplástica, transformados em formas primárias (posições 39.01 a 39.14). “O AuditorFiscal responsável pelo relatório argumenta que, segundo a fatura comercial, tratase apenas de garrafas PET, um único tipo de matéria, concluindo que a mercadoria não deveria estar na posição 3915. Citase (fl. 35): “Pela descrição das mercadorias na fatura comercial é possível constatar que o produto é composto por garrafas de PET – Poli (tereftalato de etileno). Fl. 595DF CARF MF 14 Em tempo, o polímero conhecido como PET possui, na verdade, a seguinte nomenclatura química oficial: polietilenotereflato, ou politereftalato de etileno, da qual origina sua sigla. Ele possui esse nome porque é um poliéster, isto é, um polímero formado por vários ésteres, que são produzidos por meio da reação entre o álcool etilenodiol (etilenoglicol) e o ácido tereftálico (ácido pbenzenodioico). Além disso, extraise, ainda, tanto da fatura comercial como da descrição das mercadorias declaradas na DI, que essas garrafas passam por processos industriais de picotagem e lavagem, deixandoas prontas para serem utilizadas em processo de reciclagem do plástico.” Consta do Relatório Fiscal, ainda (fl. 36) (destaques meus): “No caso em tela, há, claramente, processos aplicados para revitalização das garrafas PET, há moagem, lavagem, separação por cores, que fazem com que ganhem valor de mercado. Os produtos resultantes deste processo são os “flocos” de PET. Podem ser utilizados diretamente como matéria prima para a fabricação dos diversos produtos que o PET reciclado dá origem na etapa de transformação.” O AuditorFiscal arremata em fl. 38 (destaques meus): “Posto isto, já é possível concluir que as mercadorias objeto da importação são considerados pela legislação tributária como produtos industrializados, e que não poderiam ser classificadas na posição 39.15 da TEC, por se tratar de uma única matéria termoplástica e não por meros desperdícios de plástico. Dando continuidade à análise para chegarse à conclusão sobre a correta classificação fiscal das mercadorias; com o que já foi exposto foi possível constatar que tanto o texto da RGI nº 1 quanto o da nota nº 7 do capítulo 39 da TEC são absolutamente claros, ou seja, para efeitos legais, a classificação é determinada, principalmente, pelos textos das posições e, uma única matéria termoplástica não deve ser classificada na posição 39.15 da TEC.” A fiscalização conclui que o produto importado enquadrase como “formas primárias” e imputa sua classificação na NCM 3907.90.00. De fato, o produto em apreço é constituído de “recortes” de garrafas PET, “picadas”, conforme descrição informada na DI. STEELPAPER afirma que o produto se trata de flocos de garrafas PET moídas (com contaminação). Entendo que tais “recortes” ou pedaços de “garrafas picadas” enquadram se na definição de “formas primárias”, segundo o disposto na nota 6 do capítulo 39 da NCM (destaques meus): “6. Na acepção das posições 39.01 a 39.14, a expressão "formas primárias" aplicase unicamente às seguintes formas: a) Líquidos e pastas, incluindo as dispersões (emulsões e suspensões) e as soluções; b) Blocos irregulares, pedaços, grumos, pós (incluindo os pós para moldagem), grânulos, flocos e massas não coerentes semelhantes.” Já a nota 1 do capítulo 39 dispõe que (destaques meus): Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 590 15 1. Na Nomenclatura, consideramse "plásticos" as matérias das posições 39.01 a 39.14 que, submetidas a uma influência exterior (em geral o calor e a pressão com, eventualmente, a intervenção de um solvente ou de um plastificante), são suscetíveis ou foram suscetíveis, no momento da polimerização ou numa fase posterior, de adquirir por moldagem, vazamento, perfilagem, laminagem ou por qualquer outro processo, uma forma que conservam quando essa influência deixa de se exercer. Na Nomenclatura, o termo "plásticos" inclui também a fibra vulcanizada. Todavia, esse termo não se aplica às matérias consideradas como matérias têxteis da Seção XI. Essa nota não impede o enquadramento dos pedaços de garrafas PET no capítulo 39. É indubitável que o material de sua composição é um plástico. A própria nomenclatura alberga o “Poli(tereftalato de etileno)” (PET), na posição 3907, que pertence ao capítulo 39. O conceito de reciclagem estampado no artigo 3º, inciso XIV, da Lei nº 12.305/2010 não possui o condão de afastar as regras de classificação fiscal, as quais foram devidamente observadas no Relatório Fiscal em foco. A fiscalização e esta turma julgadora não estão vinculadas a enquadramentos fiscais adotados em importações anteriores. Ante o exposto, acolho o enquadramento no código 3907.60.00 da NCM: “3907 POLIACETAIS, OUTROS POLIÉTERES E RESINAS EPÓXIDAS, EM FORMAS PRIMÁRIAS; POLICARBONATOS, RESINAS ALQUÍDICAS, POLIÉSTERES ALÍLICOS E OUTROS POLIÉSTERES, EM FORMAS PRIMÁRIAS. 3907.60.00 Poli(tereftalato de etileno)” Rejeitamse, portanto, o enquadramento na posição 3915 e os respectivos argumentos apresentados pelas impugnantes. Do preço Embora as impugnantes aleguem que a mercadoria importada seja resíduo de baixa qualidade, com preço infinitamente menor que o de produto puro, a fiscalização apurou que o preço de US$ 100/tonelada é inverídico, conjugado com a falsa declaração do enquadramento tarifário, tema objeto do capítulo anterior deste voto. Foram pesquisadas operações de importação no código NCM 3907.60.00, em datas próximas à de registro da DI em pauta, com o mesmo país exportador e o mesmo produtor das mercadorias, a empresa PET PAR. Constatouse que o produto é valorado em US$ 900/tonelada. A fiscalização argumenta (fls. 41 e 42): “Em sendo assim, podese constatar, através de sistemas da RFB, que a PET PAR SA é exportadora habitual do produto para a STEELPAPER, esta figurando como importadora e adquirente de mercadorias em operações realizadas por conta própria. E em todas as operações citadas o preço do produto é de US$900,00 a tonelada. Estas operações da STEELPAPER são desembaraçadas na unidade da Receita Federal do Brasil em Foz do IguaçuPR, unidade compatível com logística de transporte, devido as Fl. 597DF CARF MF 16 proximidades da fabricante (localizada cerca de 15 km do ponto de fronteira entre Ciudad del Este/PY e Foz do Iguaçu/BR) e da adquirente, STEELPAPER. Ainda, a título ilustrativo, segue a descrição das mercadorias utilizada pela S TEELPAPER em suas operações: “52 TON POLI (TEREFTALATO DE ETILENO) EN FLOCOS FLAKES DE PET ...;” (NCM utilizada: 3907.60.00) Ou seja, em suas operações regulares a STEELPAPER utiliza a classificação fiscal – NCM e descrição das mercadorias de forma correta. Descrição, inclusive, que foi utilizada por ela em sua resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – SAFIA – Nº 25/2014 (ANEXO V).” Ante o exposto, a fiscalização conclui que a operação de importação em foco foi uma simulação orquestrada pelas duas empresas, em conluio, para que a STEELPAPER pudesse importar os mesmos produtos (PET em Flocos), apresentando descrição das mercadorias de forma diversa, com outra classificação fiscal, na tentativa de burlar os controles aduaneiros exercidos pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Constatouse que a empresa REMPEL & PILATTI instruiu a DI nº 13/18646822 com fatura comercial que amparava mercadoria diversa da que pretendia internalizar. A autoridade fiscal assevera que (fl. 42): “Fica nítida a percepção de que, apesar de os documentos apresentados pela fiscalizada aos órgãos públicos terem a forma de documentos verdadeiros, seu conteúdo é falso, foram emitidos de uma forma arquitetada com a finalidade de iludir as autoridades fiscais quanto à natureza das mercadorias. A conduta adotada pela empresa REMPEL & PILATTI enquadrase perfeitamente na tipificação de infração tributária disposta no art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/66, uma vez que a empresa utilizou documentos ideologicamente falsos na instrução da Declaração de Importação em tela. Tal conduta é, portanto, punível com a pena de perdimento das mercadorias.” E arremata suas constatações em fls. 43 e 44 (destaques meus): “Ainda, em consonância com as informações acima, a empresa produtora informada na DI é exportadora habitual do produto com a NCM correta (3907.60.00) a diversas empresas brasileiras da indústria de plástico, com valores de US$900,00 a tonelada. Fica evidente que a única razão para acrescentar um intermediário estrangeiro na operação é gerar documentos falsos para instruir um procedimento de importação, através de um fornecedor que não seja o fabricante do produto, e burlar os controles aduaneiros brasileiros. Conforme exposto acima, o fabricante do produto no Paraguai exporta o produto para a empresa STEELPAPER, estas operações são desembaraçadas pela unidade da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, fortalecendo as evidências de que a operação foi orquestrada, interpondo pessoas no país exportador e importador para gerar uma transação fictícia e fraudulenta.” É descabido arguir de ofensa ao Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), objeto do Decreto nº 1.355/1997. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 591 17 Os preços adotados no auto de infração são os de mercadorias importadas em data próxima, com mesma classificação fiscal, país de origem e fabricante (mercadorias idênticas – artigo 2 do AVA). Foi corretamente fundamentada a rejeição do preço declarado na DI 13/18646822, em face de sua falsidade. O lançamento encontra respaldo no artigo 86 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009): “Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: I fraude, sonegação ou conluio, quando não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação (Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001, art. 88, caput); e II ................................................................................. Parágrafo único. O arbitramento de que trata o caput será realizado com base em um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar” Falta credibilidade às alegações de que (i) a empresa produtora PET PAR exporta apenas material processado de primeira linha e (ii) os desperdícios e dejetos provenientes do processo produtivo, que não preenchem os requisitos de qualidade, são vendidos no mercado interno paraguaio. A logística em questão, caracterizada pela circulação, dentro do Paraguai, da mercadoria objeto da DI 13/18646822, bem como sua importação por parte de interposta pessoa, a empresa REMPEL & PILATTI, acobertando STEELPAPER, enseja a rejeição dos argumentos e alegações das impugnantes. Os argumentos da autoridade fiscal foram apresentados com propriedade e determinam o convencimento deste relator. Com efeito, a mercadoria encontra classificação fiscal correta no código NCM 3907.60.00, conforme tratado anteriormente, de sorte que a importação de mercadorias idênticas, do mesmo código NCM, mesmo fabricante, ao preço de US$ 900/tonelada, comprova que no presente caso tentouse ludibriar o fisco. É de se reconhecer o acerto das palavras da fiscalização: “a operação foi orquestrada”. Da real adquirente As impugnantes alegam que não houve interposição fraudulenta. Argumentam que REMPEL & PILATTI não é empresa laranja e que possui faturamento, lucro e empregados. Neste processo não se discute a imposição de penalidade em face da infração capitulada no artigo 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/1976. No entanto, quanto aos créditos constituídos neste processo, está em pauta a responsabilidade solidária de STEELPAPER em face do disposto no artigo 95, incisos I, V e VI, do DecretoLei nº 37/1966: Fl. 599DF CARF MF 18 “Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; .............................................................................................. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.” O Relatório Fiscal informa que REMPEL & PILATTI possui habilitação no Siscomex apenas para importações por conta própria e que não está habilitada para importar por conta e ordem de STEELPAPER. O Sr. Eder Antonio Pilatti, sócio da REMPEL & PILATTI, apresentou os seguintes esclarecimentos às autoridades aduaneiras (fl. 33): Tratadas das questões relativas à classificação fiscal e ao preço, nos tópicos anteriores deste voto, cumpre destacar o seguinte ponto do Relatório Fiscal (fls. 42 e 43): “Em tempo cabem mais algumas observações quanto à operação entre REMPEL & PILATTI e a STEELPAPER. Em entrevista durante a diligência fiscal, o Sr. Eder informa que suas cargas seguem diretamente para seus adquirentes, sem que sejam estocadas na REMPEL & PILATTI; As importações realizadas pela STEELPAPER através de operações por sua conta própria são desembaraçadas em Foz do Iguaçu PR e a PET PAR SA figura como fabricante e exportadora; Nas importações realizadas pela REMPEL & PILATTI como importadora e adquirente, que é o caso da DI em tela, há a figura do exportador “Agencia San Ramón”, localizado na cidade paraguaia de Saldo del Guairá, e figura do produtor paraguaio PET PAR SA; O trajeto completo entre o fabricante PET PAR SA e o real aquirente na operação, STEELPAPER, é acrescido em cerca de 34% se considerado o trajeto realizado em operações realizadas na unidade da RFB em Foz do Iguaçu Com as informações acima expostas é possível constatar que a operação realizada através da DI nº 13/18646822 se trata de uma simulação, fazendo com que a REMPEL & PILATTI figure como importadora e real adquirente das respectivas mercadorias, mas na realidade não é. O que se verifica é que a REMPEL & PILATTI fez previamente as negociações com a STEELPAPER e em conluio fizeram esta operação fraudulenta de forma intencional com objetivo de ludibriar os controles aduaneiros realizados pela RFB, além de sonegar tributos incidentes na importação. O preço praticado pela empresa fabricante do produto é de US$900,00, conforme exposto acima, tal valor representa 9 (nove) vezes maior do que o apresentado na fatura comercial utilizada para instruir a DI nº 13/18646822.” Ante o exposto, firmo a convicção de que REMPEL & PILATTI, independentemente de possuir um escritório, faturamento, lucro ou Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10142.720796/201463 Acórdão n.º 3001000.724 S3C0T1 Fl. 592 19 empregados, é uma empresa que se prestou a importar mercadorias destinadas a terceiro, STEELPAPER. Apesar de não ter havido (na DI) informação de que STEELPAPER seria a real adquirente e destinatária das mercadorias, a autação demonstra que houve negociações prévias nesse sentido. As palavras do sócio da REMPEL & PILATTI são claras: “fecha as negociações sem contrato ou qualquer documento por escrito e após vai em busca das mercadorias encomendadas (…). As mercadorias não são armazenadas na empresa, seguem diretamente aos seus clientes após liberações realizadas pela Receita Federal”. REMPEL & PILATTI, em sua impugnação, confirma a “venda” de mercadorias sem margem de lucro (vide Relatório Fiscal, fls. 47 a 50), mediante a aquisição “a prazo” e a revenda “à vista”. Esse aspecto confirma que a importação foi articulada com o posterior repasse da mercadoria a STEELPAPER. Rejeito as alegações de impugnação e acolho a imputação de que STEELPAPER é a real adquirente das mercadorias objeto do presente lançamento. Conclusão Em face do exposto neste voto, acolhemse o enquadramento tarifário imputado e os valores arbitados pela fiscalização. Rejeito os pedidos de anulação dos autos de infração. Desnecessários, para o presente julgamento, o empréstimo de prova feita em outro processo administrativo e a realização de diligência à Inspetoria de Mundo Novo/MS para apresentação de documentos relativos à conferência física de mercadorias e a exigências feitas em despacho aduaneiro. Voto: impugnações improcedentes; crédito tributário mantido. Dessa forma, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 601DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.729942/2014-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA.
A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.
Numero da decisão: 3002-000.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que a acatou. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Alan Tavora Nem - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA. A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.
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MULTA REGULAMENTAR. Recorrente ALLINK TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA. A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que a acatou. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 99 42 /2 01 4- 67 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1296.547 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a referida multa em razão do pedido de retificação (fls. 07/11) conforme relatório da 14ª Turma da DRJ/RJO (fls. 106/115), exarado nos seguintes termos: "Da autuação O presente processo é pertinente à notificação de lançamento de fls. 12/36, referente à multa regulamentar (não passível de redução) – código de receita DARF 2185, no valor de R$ 5.000,00. 2. Esclarece a Auditoria que: (...) 1. Fato OCORRÊNCIA Nº 001 – DATA DE REFERENCIA 09/07/2010 O Agente de Carga ALLINK TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ nº 86846847000379, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Máster MBL CE 151005107331476 a destempo em 09/07/2010 10:57:25, segundo o prazo previamente estabelecidopela Secretari da Receita Federal do Brasil – RFB, com registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico AgregadoHBL CE 151005110391808. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SUDU 1925112, pelo Navio M/V “CA HARRISSON”, em sua viagem 155S, com atracação registrada em 11/07/2010 06:42.Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 10000223333, Manifesto Eletrônico1510501298511, Conhecimento Eletrônico MásterMBL CE 151005107331476 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005110391808. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referencia em tempo inferiro a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaquese, ainda, que o Conhecimento Eletrônico Máster MBL CE 151005107331476 foi ncluido em 06/07/2010 09:57:37, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. DA ANTECIPAÇÃO DA ATRACAÇÃO (...) Com relação ao Navio “CAP HARRISON”, em sua viagem 155S, constatase que houve uma antecipação da data de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 4 3 atracação , inicialmente prevista para 11/07/2010 12:00, conforme estrato da escala juntado aos auto. É importante destacar que o prazo estipulado pelo Poder Público é prazo mínimo (...) Se o prazo mínimo exigido é dado com base na atracação de navios em portos nacionais e se esta depende de vários fatores que pode ocorrer, os transportadores devem cumprir a obrigação acessória o quanto antes e jamais deixar para a última hora, com base apenas em uma previsão que pode ser perfeitamente antecipada. Com efeito, a agencia de navegação responsável pelo registro do documento genérico máster – MBL o fez em 06/07/2010 09:57:37 (data da incluão do MBL CE 151005107331476), deixando ivre a desconsolidação a partir de então. Contudo embor tenha havido tempo hábil para o registro dos documentos agregados, a empresa autuada perdeu o prazo mínimo exigido, considerano no caso concreto a responsabilidade objetiva do responsável, para fins de cometimento de infrações à legislação administrativotributária (...) DO PRAZO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO No que tange ao prazo para prestação de informação, dispõe a IN RFB nº 800, de 2007, no artigo 22, verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: (...) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Conforme a norma estatuiu, o prazo mínimo permitido é de 48 horas anteriores à atracação no porto de destino. O agente de carga, que é um tipo de transportador, está obrigado a prestar informação sobre as cargas, informação esta lançada nos documentos eletrônicos existentes a partir da desconsolidação do conhecimento eletrônico máster (submaster), incluindose então seus conhecimentos eletrônicos house. A realização da desconsolidação deve ser feita até o limite das quarenta e oito horas que antecedem ao registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação. Se realizada após, o próprio sistema está programado para promover o bloqueio, impedindose o prosseguimento das operações de despacho aduaneiro. Este é o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referência, Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 5 4 observada à exceção de quando o CE genérico (MBL ou MHBL) tiver sido incluído a menos de duas horas de antecedência da atracação no porto de destino e desde que a desconsolidação seja concluída até duas horas após a inclusão do respectivo CE genérico, conforme preceitua a alínea "b", §3º, art. 64 do Ato Declaratório Executivo Corep n° 03, de 28 de março de 2008. CAPÍTULO VII DAS PENALIDADES POR INFORMAÇÃO APÓS OS PRAZOS Art. 64. Quanto às penalidades de que trata o art. 45, observado o art. 48, ambos da Instrução Normativa RFB no 800, de 2007: § 3o Nos CE ou item: I A penalidade não se aplica: (...) b) aos CE agregados quando o CE genérico tiver sido incluído a menos de duas horas de antecedência da atracação no porto de destino e desde que a desconsolidação seja concluída até duas horas após a inclusão do respectivo CE genérico. Da impugnação 3. De acordo com o documento anexado à fl. 41 dos autos, a autuada teve ciência da presente autuação em 30/01/2015 às 14:44:52 hs, por meio da abertura de sua caixa postal. 4. Foi apresentada a impugnação de fls. 43/70, apresentada em 25/02/2015. 5. Alegou a Impugnante que: (...) em atenção aos preceitos do art. 22, III da IN/SRF 800/07, i.e, “conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino”, a impugnante certificou junto à empresa de navegação Hamburg Sud, a data da Estimativa de Chegada (ETA – Estimated Time of Arrival) para o dia 18 de março de 2011, às 12:00 h (cf, Consulta de CEMercante). Assim, certa de que estava no prazo legal, a impugnante iniciou o processo de desconsolidação do CE no dia 16 de março de 2011 às 11:02 h. Todavia, para surpresa da impugnante, constatouse que o navio “M/V DE LA PLATA” antecipou em 09 horas, i.e., 18 de março de 2011, às 03:00 h, sua chegada no porto de destino, conforme apurado no sistema Mercante (doc. Junto). 6. A Impugnante colaciona decisão para demonstrar que a resposabilidade por infração da legislação tributária é objetiva, porém, essa objetividade afasta apenas o dolo, havendo necessidade de culpa para imposição da sanção. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 6 5 7. Entende a Impugnante que no caso em comento, a responsabilidade é excluída por fato de terceiro: antecipação da atracação por parte do Armador. 8. Assinala a Impugnante que o NVOCC no Brasil, para o exercício típico e exclusivo de desconsolidação de cargas no destino não desempenha o serviço em si de transporte, logo a IN/SRF 800/2007 jamais poderia equiparálo ao transportador. 9. Aduz a Impugnante que no caso dos autos, o atraso na prestação de informações se deu em função do NVOCC estrangeiro não ter encaminhado tais informações no prazo legal, o que impediu a Impugnante de prestar a questionada informação tempestivamente. Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 43/58), afastando a ilegitimidade de parte por concluir que "deve ser informado pelo agente de carga, considerandose como tal qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos", entendeu pela a não aplicabilidade da denúncia em espontânea no caso em concreto, sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "Alegação de falta de culpa pelo cometimento da infração. Descabimento. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro ou após o início de qualquer outro procedimento fiscal." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 127/149) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a nulidade do Auto de Infração tendo em vista que houve apenas a retificação de informações no SISCOMEX, b) a ilegitimidade passiva, c) a Prescrição intercorrente, d) a responsabilidade objetiva e, por fim, d) a denúncia espontânea. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 7 6 A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de retificar dados relativos ao conhecimento eletrônico MBL nº 151.005.107.331.476, de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Preliminar Ilegitimidade passiva Afirma o contribuinte que "o envio das informações relativas à desconsolidação do CE Master não dependeu da vontade da recorrente" concluindo que "a participação do agente de cargas na desconsolidação no destino é de mera representação – mandato –, no exercício exclusivo das atribuições próprias do NVOCC no exterior", contudo, entendo que deve ser afastada a preliminar suscitada pelo contribuinte, pois a sua responsabilidade está expressamente determinado no art. 37, § 1º do Decretolei nº 37/1966, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003). § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)." Por fim, este Conselho Administrativo, vem reconhecendo a responsabilidade do agente marítimo que por expressa determinação legal é o representante do transportador estrangeiro no país, e portando responsável solidário tributário, Nesse sentido, reproduzo a ementa manifestado no Acórdão nº 3002000.012 do Ilustre Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, exarado nos seguintes termos: "PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada." Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Preliminar Nulidade do Auto de Infração Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 8 7 II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). (grifado). Requer o contribuinte em sede de preliminar a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que "conforme se observa nos documentos de fls. 07/08 e 11, desde o início o auto de infração lavrado em face da recorrente traz como fato gerador da multa a retificação de informações" Ao analisar o caso concreto em testilha, entendo que assiste razão o contribuinte em seus fundamentos, conforme documentação de comprovação do registro no SISCOMEX (fls. 07/11). Portanto, entendo que restou comprovado nos autos que o presente caso trata de pedido de retificação de informação, e não de ausência de inserção da informação no sistema. Sendo assim, inaplicável ao presente caso a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Como pode ser compreendido o referido dispositivo legal versa sobre a ausência de prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela SRF. Não trata, portanto, da situação fática em que o contribuinte tenha transmitido a informação dentro do prazo e apenas retificado a informação transmitida fora dele. Em tais casos, não há subsunção do fato à norma, tornando a autuação, portanto, insubsistente. Sobre o assunto, assim se manifestou a Solução de Consulta COSIT nº 2/2016: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 9 8 A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007". (grifado). E, nesse mesmo sentido, vem decidindo este Conselho Administrativo Fiscal, a exemplo da decisão a seguir colacionada: "MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 2/2016". Dessa forma, acato a preliminar apresentada pelo contribuinte. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator em relação ao acatamento da preliminar de nulidade por ausência de tipificação legal, uma vez que o auto referese a prestação de informação fora do prazo e a recorrente teria solicitado apenas retificação. Compulsando os documentos extraídos do Siscomex Carga, constatase que o contribuinte apresentou informações incompletas em seu Recurso Voluntário. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.729942/201467 Acórdão n.º 3002000.498 S3C0T2 Fl. 10 9 O auto de infração precisa que a infração referese à desconsolidação do HBL 151005110391808, cujo prazo limite para ser informado seriam as 48 horas que antecedem a atracação. Como a chegada do navio foi registrada em 11.07.2010 às 06h42min, o interessado deveria ter prestado as informações até as 06h42min do dia 09.07.2010. Entretanto, como se pode observar nos dois fragmentos de tela de sistema abaixo reproduzidos, extraídos das fls. 9 e 10, o conhecimento agregado foi informado após o prazo definido pela Receita Federal, exatamente como apontado pela fiscalização. É fato que a recorrente também pediu uma retificação após a atracação, mas antes de requerer essa retificação já havia incorrido na perda de prazo para informar o HBL, motivo pelo qual mantenho a autuação em sua integralidade. Com essas considerações, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903471/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 182/198 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 168/175, a qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e consequentemente não homologar a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 47 1/ 20 10 -1 7 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.903471/201017 Resolução nº 2201000.341 S2C2T1 Fl. 229 2 O presente processo surgiu do processo das declarações de compensação n° 31377.94597.161106.1.3.040305 e 03888.83661.131206.1.3.046878, de pagamento de IRRF, código de receita 9453, relativo a 10/10/2006, no valor de R$ 36.500.000,00, com débitos de IRRF relativos a novembro e dezembro de 2006 (fls. 66/70 e 108/111). Conforme despacho de fls. 75, em 15/02/2011 foi anexado aos autos o processo n° 16327.903542/201073. Em 15/6/2010 a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes documentos e informações (fls. 126): • Esclarecer, detalhadamente, as circunstâncias que provocaram o suposto pagamento a maior, na importância de R$ 1.346.686,08. • Apresentar cópias simples, devidamente assinada pelo procurador da empresa, dos registros contábeis no livro Razão (analítico), que comprovem os registros do valor pago a maior, do valor efetivamente devido e do valor estornado, demonstrando os estornos ou lançamentos em conta crédito a recuperar do valor alegado como indevidamente recolhido (valores envolvidos nos registros do IRRF a pagar, código de arrecadação 945302, relacionados com o crédito acima). • Apresentar, detalhadamente, demonstrativo de cálculo dos juros remuneratórios do PA em tela, os nomes dos beneficiários, bem como indicar o país do beneficiários no exterior (juntar cópia de contrato de câmbio da remessa e outros documentos que julgar necessários para subsidiar a comprovação). • Explicar o motivo pelo qual existe um outro DARF (R$ 1.550.000,00) para pagamento de JCP residentes no exterior (R$ 1.465.627,54) declarado em DCTF para o mesmo período de apuração. • Apresentar cópia do contrato social/estatuto da empresa e suas alterações A empresa protocolou a resposta de fls. 127/128. Em 7/7/2010 a empresa foi novamente infimada (fls. 150) a apresentar os registros contábeis, do ano calendário de 2006, em arquivo digital, nas especificações técnicas estabelecidas pela legislação em vigor (ADE/COFIS n° 15/2001, com alterações dadas pelo ADE/COFIS n° 55/2009). A empresa apenas apresentou os mesmos documentos anteriormente juntados (fls. 154/175). Em 28/7/2010 foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos (fls. 159): As respostas apresentadas foram esclarecedoras, porém não lograram demonstrar as circunstâncias materiais envolvidas na geração do crédito pleiteado. A apresentação de documentação contábil foi insuficiente e inconclusiva para a finalidade de comprovar correlação dos valores e fatos geradores do indébito com aqueles do pagamento que se alega indevido. O contribuinte não comprava, mediante lançamentos contábeis completos (partidas e contrapartidas, conforme Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.903471/201017 Resolução nº 2201000.341 S2C2T1 Fl. 230 3 solicitado em intimações Diort), o valor efetivamente recolhido e os valores que considera devidos de IRRF JCP. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: a) Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 5/10/2006, a impugnante deliberou acerca do pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP aos seus acionistas, assumindo, por conseguinte, a obrigação da retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre o rendimento, sob os códigos de receita 5706 e 9453. b) Na atualidade, parece claro ao impugnante que a mera deliberação do pagamento de JCP e mero registro contábil em conta de provisão não representam ainda crédito a favor de seus acionistas, como já reconhecido em diversos julgados pelo CARF. c) À época, contudo, tinha a impugnante o justo receio de que assim não entenderia a fiscalização, razão pela qual, adotando uma prática de absoluto e extremo conservadorismo, optou por efetuar o recolhimento do IRRF em 10/10/2006, assumindo o fato gerador do JCP como ocorrido na data da deliberação da AGE. d) Ocorre que, em 10/10/2006, a informação precisa quanto à titularidade das ações da impugnante, tendo em vista o elevado número de acionistas residentes no exterior, ainda não havia sido informada pela BM&F. e) Objetivando cumprir tempestivamente a obrigação de IRRF, apurou o tributo com base na composição acionária mais recente de que tinha conhecimento (demonstrativo do sistema "Bradesco de Ativos Escriturais"), arredondando para mais este valor, efetuando em 10/10/2006 recolhimento no valor de R$ 36.500.000,00, sob o código 9453. f) Diante das informações fornecidas pela BM&F, a impugnante verificou o valor devido correspondia a R$ 35.153.313,92. g) Está equivocado o entendimento de que o crédito de IRRF objeto de restituição depende de demonstração de sua contabilização para ser considerado líquido e certo. h) O simples registro contábil não caracteriza a efetiva disponibilização econômica ou jurídica aos acionistas dos valores pagos à título de JCP e, portanto, não é elemento que individualmente configura o fato gerador do IRRF incidente sobre JCP pagos a acionistas. i) Constatase que é conferido aos registros contábeis natureza complementar no que se refere à caracterização do fato gerador do IRRF. Nesse mesmo sentido, em se tratando de Pedido de Restituição do mesmo tributo, o IRRF, os registros contábeis mantêm o mesmo papel secundário para efeitos de comprovação da existência do crédito. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.903471/201017 Resolução nº 2201000.341 S2C2T1 Fl. 231 4 j) A impugnante apresentou os registros contábeis do (i) pagamento do JCP, (ii) do recolliimento do IRRF em valor maior que o devido, e (iii) do reconhecimento do crédito de IRRF, de R$ 1.346.686,08. k) Todos os lançamentos estão devidamente descritos e explicados na planilha e documentos anexos, não existindo dúvidas acerca do efetivo lançamento contábil do IRRF e do crédito de IRRF recolhido a maior. 1) Requer a produção de prova pericial, formulando quesitos e indicando perito. m) No caso concreto, restará totalmente contrariado o princípio da moralidade se se negar à impugnante a devolução dos valores indicados. n) Restarão também violados os artigos 876 c/c 884, que vedam o locupletamento indevido, bem como o art. 5°, XXII, que assegura o direito de propriedade, o princípio da capacidade contributiva, e o art. 150, IV, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu pelo não reconhecimento do direito creditório que a interessada afirmava ter, conforme ementa abaixo (fl. 168): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 1 6 / 1 0 / 2 0 06 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 182/198, em que alegou, em apertada síntese: a) liquidez e certeza do crédito oriundo do recolhimento a maior de IRRF incidente sobre JCP pagos a residentes no país; b) contabilização dos lançamentos relativos à compensação efetuada pelo recorrente; c) necessidade de prova pericial; e d) o direito à devolução do indébito tributário. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.903471/201017 Resolução nº 2201000.341 S2C2T1 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. De acordo com a fiscalização e com a decisão recorrida, sem a apresentação dos registros contábeis, não haveria como comprovar a legitimidade do crédito. Por isso, a Recorrente apresentou, desde a Manifestação de Inconformidade, pedido de perícia, indicou o seu perito e formulou os seguintes quesitos: 1) Qual o montante de JCP pago pelo Impugnante a acionistas residentes no exterior em decorrência da deliberação aprovada na AGE de 05/10/2006? 2) Qual o valor de IRRF recolhido pelo Impugnante em 10/10/2006, relativo aos JCP pagos, código 9453? 3) Considerando a composição acionária em 05/10/2006, qual o correto valor devido a título de IRRF referente aos JCP pagos a acionistas residentes no exterior, conforme deliberado na AGE de 05/10/2006? Apesar de ter cumprido os requisitos para a produção de prova pericial, a decisão recorrida houve por bem indeferir o pedido formulado pela Recorrente sob os seguintes argumentos: A manifestante acredita ser necessária a realização de diligência, tendo formulado quesitos e indicado perito nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Os artigos 18 e 28 deste decreto assim dispõem: "Ari. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (...) Art. 28. Na decisão em que for Julgada questão preliminar será também Julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1 ° da Lei n° 8.748/93) A contribuinte, apesar de intimada, não anexou aos autos os elementos solicitados pela autoridade administrativa. Ora, a diligência não se destina a preencher as lacunas a defesa quanto à produção de provas de sua competência, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos serem considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.903471/201017 Resolução nº 2201000.341 S2C2T1 Fl. 233 6 Os quesitos formulados poderiam ter sido respondidos a partir da análise dos elementos solicitados pela autoridade administrativa. A escrituração contábil e fiscal é elemento de prova essencial, que está sob a guarda do contribuinte. Diante da falta de apresentação destes elementos, que poderiam ter sido anexados até na impugnação, entendo que não há motivos para deferir a diligência solicitada, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, devendo ser aplicada ao caso a regra do ônus da prova, conforme a seguir será demonstrado. Por outro lado, a decisão recorrida fundamentouse exatamente na falta da demonstração de sua contabilidade nos seguintes termos: Contrariamente ao alegado, não está equivocado o entendimento da autoridade administrativa de que o crédito de IRRF objeto de restituição depende de demonstração de sua contabilização para ser considerado líquido e certo. (...) Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Apesar de intimado em duas ocasiões, o sujeito passivo não apresentou os elementos contábeis explicitamente solicitados pela autoridade administrativa. Não há dúvidas sobre o recolhimento efetuado. No entanto, não é possível identificar claramente os lançamentos contábeis realizados, tal como afirmado pela autoridade administrativa. Nos extratos constam referências ao Razão (08/85 e 04/83) e menção a duas contas (1031 e 30007). No histórico dos lançamentos é feita a seguinte descrição: prov. desp. S/inc. CPMF. Pela descrição dos fatos contábeis narrados pela contribuinte deveríamos encontrar os lançamentos abaixo (valores ilustrativos). Notese que o exemplo é teórico porque não há informações sobre o sistema contábil adotado pela contribuinte. 1 Pela constituição da provisão para pagamento de JCP D Juros sobre o Capital Próprio (R)* 243.333.333,33 C Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC) 206.833.333,33 C IRRF a recolher* (PC) 36.500.000,00 •Adotamos alíquota de 15% só para exemplificar (36. 500.000,00/0,15). 2 Pelo pagamento do IRRF D IRRJ a recolher(PC) 36.500.000,00 C Caixa (AC) 36.500.000,00 3 Pelo pagamento do JCP D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC) 199.202.112,21* CCaixa (AC) 199.202.112,21 *(35.153.313,92/0,15)35.153.313,92 4 Pelo estorno do valor de .ICP estimado a maior (243.333.333,33 234.355.426,13) D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC) 7.631.221,12 D IRRF a recolher 1.346.686,08 C Juros sobre o Capital Próprio (R) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.903471/201017 Resolução nº 2201000.341 S2C2T1 Fl. 234 7 8.977.907,20 Talvez a conta 1031 registre as provisões com despesas de juros sobre o capital próprio; e a conta 3000/7 seja utilizada para contabilização do crédito a compensar de IRRF. No entanto, não é possível termos certeza, sendo que o histórico das transações prov. desp. S/inc. CPMF é pouco esclarecedor. Além disso, no extrato não se encontra a contrapartida dos lançamentos, havendo apenas menção ao número dos documentos (coluna documento). (...) No presente caso, o sujeito passivo não se desincumbiu de seu ônus, ou seja, não logrou sucesso ao comprovar, com base na documentação contábil, a liquidez e certeza do direito creditório. Logo, não há que se falar em ofensa a nenhum dos princípios elencados na manifestação de inconformidade. Ocorre que a decisão recorrida só afirma a necessidade da perícia, conforme requerido pela Recorrente desde a apresentação da manifestação de inconformidade. Sendo assim, converto o presente julgamento em diligência para que seja realizada a diligência requerida, com a apreciação do Relatório de revisão dos cálculos de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio" juntado às fls. 166/179 elaborado pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. Conclusão Diante do exposto converto o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909060/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO VINDICADO. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 90 60 /2 00 9- 21 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela autoridade jurisdicionante face a ausência de crédito disponível. Cientificada da decisão denegatória de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando o que segue: Preliminarmente requer a nulidade do Despacho Decisório que indeferiu a compensação, sob os seguintes argumentos: " o despacho decisório ora recorrido é absolutamente NULO por (i) cercear o direito de defesa do contribuinte, na medida em que não descreve adequadamente as irregularidades supostamente apuradas e busca conveniente inversão do ônus da comprovação (o que via de regra é um em dever do fisco e não do contribuinte), e (ii) não conter uma descrição adequada dos valores que poderiam ser devidos pela Requerente, em prejuízo do disposto nos incisos III e IV do artigo lº do Decreto n° 70.235/72, e nos artigos 113, § 10 , e 142 do Código Tributário Nacional ("CTN")". No mérito afirma que, em razão das atividades que pratica, realiza diversas operações estaduais que envolvem o pagamento do ICMS, pelo regime de substituição tributária. O art. 7º da Portaria CAT nº 17/99, bem como os artigos 269 e 270 do Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo (Decreto 45.900/2000) autorizam ao contribuinte se restituir do montante indevidamente pago do tributo. Nos anos de 2001 a 2003 a empresa procedeu ao creditamento do ICMSST, retido a maior pelo fornecedor, na compra de mercadorias, tendo em vista o diferencial de margem por ela efetivamente praticada e aquela utilizada pelo fornecedor para fins de cálculo do ICMSST, conforme atestam as anexas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA's). Com base no creditamento dos montantes de ICMSST (principal pago indevidamente, acrescido de juros), a Requerente ofereceu tais valores à tributação pelo(a) COFINS. Contudo, o ICMSST restituído pelo Fisco Estadual à Requerente não pode integrar a base de cálculo da COFINS: a um porque não configura receita do comerciante (mas sim do Estado) e, a dois, porque, não sendo o ICMS parte do faturamento próprio da empresa, não representa acréscimo patrimonial positivo, para fins de incidência do(a) COFINS. De acordo com o entendimento preponderante da doutrina, o termo receita corresponde a um fato que venha a modificar positivamente o patrimônio da pessoa jurídica. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 4 3 Em linhas gerais, o acréscimo patrimonial de uma pessoa jurídica ocorre com a incorporação de um novo direito, definido como tal pela norma jurídica, ao seu patrimônio. Em sendo assim, a princípio, poderseia dizer que a restituição de tributos configura receita para a pessoa jurídica que recebe tais valores. Contudo, por mais que seja caracterizado como um direito novo, a restituição de tributo pago indevidamente guarda intrínseca relação com um direito existente anteriormente no patrimônio da pessoa jurídica, qual seja, o caixa utilizado para efetuar o pagamento do tributo. Logo, em última análise, o direito à restituição nada mais é do que o próprio direito ao caixa utilizado para o pagamento do tributo, que já se encontrava incorporado ao patrimônio da sociedade. Poderseia equiparar a restituição de tributos pagos indevidamente a uma operação de mútuo, sendo o mutuário o Governo, enquanto o mutuante é a pessoa jurídica que tenha recolhido o tributo indevidamente. Como se sabe, em uma operação de mútuo, a devolução do valor do principal configura uma mera recomposição patrimonial. Assim, não há que se falar que a restituição de tributos recolhidos indevidamente é receita, já que lhe falta um dos elementos característicos do conceito de receita, qual seja, acréscimo patrimonial. O próprio legislador tributário já admite, ainda que não expressamente, que o ingresso de direito novo, vinculado a direito previamente existente com caráter de mera recomposição patrimonial, não configura receita. Tal entendimento estaria implicitamente previsto no artigo 30, §2°, II, da Lei 9.718/98 e no artigo 10, § 30, inciso V, alínea "b" da Lei n° 10.833/03. A Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/9a. Regido Fiscal, nos autos do Processo de Consulta nº 222/02 já se manifestou no sentido de que a mera restituição de tributos não é receita e, portanto, não está sujeita à incidência do PIS/COFINS. Também o Ato Declaratório Interpretativo nº 25, de 23/12/2003 manifestouse no sentido de que não há incidência de PIS e de COFINS sobre valores de tributos pagos indevidamente. Consequentemente, os pagamentos efetuados a esse título configuram crédito da Requerente, passível de compensação. Os valores relativos ao ICMSST restituídos à Requerente, cuja incidência tem por fundamento o disposto no artigo 155 caput, inciso II, e § 2° da CF/88, foram incluídos na composição da base de cálculo da aludida contribuição, como faz prova as GIA's anexadas a estes autos. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 5 4 O C. STF, recentemente, por entender que a matéria tem cunho constitucional, iniciou o julgamento da constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (Recurso Extraordinário n° 240785). O julgamento foi paralisado com 6 (seis) votos favoráveis aos contribuintes, nos quais se reconheceu que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS. Não sendo faturamento e nem receita, o valor do ICMS pago pelo contribuinte não representa medida de riqueza para fins de incidência de contribuição social instituída com fundamento no artigo 195, inciso I, alínea "b", da CF/88, antes ou depois da EC 20/98. Por esse motivo, a sua inclusão é indevida, uma vez que se está tributando algo que não carrega um signo presuntivo de riqueza para o contribuinte, mas representa uma receita apenas para o Estado. Assim, caso não seja reconhecido que a restituição de tributo indevidamente pago deva ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, a Requerente entende que, nos termos em que já reconhecido pela jurisprudência é indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições. Além disso, a não homologação das compensações pretendida pela Fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto dos referidos processos administrativos. Para que haja a exigência de multa e juros de mora, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento do crédito tributário. No caso, a empresa só estaria em mora se houvesse transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. Diante da Manifestação de Inconformidade, que suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, mesmo depois de findo o referido prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse em curso. Uma vez que a Requerente, ao proceder a compensação, observou todas as normas e atos normativos expedidos pelas Autoridades Fiscais, de acordo com o artigo 100, parágrafo único do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo "a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário". Por todo o exposto, requerse o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, a homologação integral procedimento e o consequente cancelamento da exigência, seguido do arquivamento do processo administrativo. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 6 5 Requer também, enquanto não houver julgamento final do Processo Administrativo, que os débitos compensados não obstem a expedição de CND conjunta da Receita Federal do Brasil/Procuradoria da Fazenda Nacional. Protesta provar, por todos os meios de prova admitidos, a total improcedência da decisão recorrida, inclusive pela posterior e oportuna juntada de documentos" (seleção e grifos nossos). O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão DRJ nº 02063.097. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.548, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.909051/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.548): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: I Preliminares I.1 Nulidade do Despacho Decisório Em sede de preliminares a Manifestante aduz a nulidade do despacho decisório combatido, por falta de descrição clara e precisa dos elementos que redundaram na não homologação da compensação efetuada, fato que lhe teria prejudicado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, além de macular o princípio da legalidade. O argumento não merece guarida. De início, importa destacar que o tratamento da DCOMP sob exame se deu de forma eletrônica. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 7 6 A partir da redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação eletrônica (DCOMP), na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato dessa declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de ulterior homologação. Nesses termos, ao contribuinte cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos informados em DCOMP e, à autoridade fazendária, compete a verificação e a validação dessas informações. Estando em conformidade, sobrevém a homologação do procedimento compensatório, confirmando a extinção dos débitos compensados; do contrário, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, a Contribuinte transmitiu a DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500 para compensar suposto crédito de COFINS (Código 2172) decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação (DARF), recolhido em 14/06/2002, no valor de R$ 6.154.433,30, como origem desse crédito. Como se cuida de tratamento eletrônico, a verificação dos dados informados pela Contribuinte em DCOMP realiza se de forma eletrônica, em cotejo com as demais informações por ela prestadas à RFB em outras declarações (DCTF, DACON, DIPJ, por exemplo), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc),e resulta num despacho decisório de homologação/não homologação/homologação parcial da compensação declarada. Do cotejo dessas informações, o despacho decisório resultou na não homologação da DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500, tendo em vista que, embora localizado nos sistemas da RFB o pagamento informado como origem do direito creditório, este se encontra integralmente utilizado na quitação de outros débitos da contribuinte, de forma que não existe saldo de crédito disponível para a compensação declarada na citada DCOMP. Equivale a dizer que, do exame das declarações apresentadas pela própria Interessada à Administração Tributária, é possível concluir pela inexistência de crédito passível de utilização na Dcomp ora analisada. Via de consequência, é de se reconhecer que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, vez que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 8 7 Portanto, clara está a motivação do ato administrativo guerreado, que reside nas próprias declarações e documentos produzidos pela Contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não havendo que se falar em intimação prévia, nem violação ao contraditório, ou cerceamento de defesa. A empresa foi devidamente cientificada do despacho decisório, lavrado por autoridade competente, com observância de todas as prescrições legais; tendolhe sido oportunizada a apresentação de defesa e a produção de provas, no prazo legal. Ademais, as razões suscitadas na peça de defesa demonstram amplo conhecimento dos motivos que levaram à não homologação do procedimento compensatório. (...) II Mérito II.1 Da não incidência do Pis e da Cofins sobre a Restituição de Tributos Pagos Indevidamente O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24/12/2003, que dispõe sobre a tributação de valores restituídos ao contribuinte pessoa jurídica, por força de sentença judicial em ação de repetição de indébito, prescreve: Art. 1º Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Art. 3º Os juros incidentes sobre o indébito tributário recuperado é receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep. (...)Do acima transcrito, verificase que o citado Ato Declaratório Interpretativo explicita claramente que não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Todavia, por configurarem receita nova, os juros incidentes sobre o indébito devem compor a base de cálculo das contribuições para o Pis/PASEP e da Cofins, bem como do IRPJ e da CSLL. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 9 8 Além disso, há que se observar o período de apuração sobre o qual a Requerente argúi a existência do direito creditório (Maio/2002). Nesse período de apuração, a exigência da Cofins era regida pela Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do art. 3º foi tido por inconstitucional, em decisão plenária do STF que reconheceu, inclusive, a repercussão geral da matéria (RE nº 585.235, Relator: Min. Cezar Peluso, Data de julgamento: 10/09/2008). Em função dos efeitos das decisões emanadas do STF foram editados, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN nº 294, de 2010, prevendo a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, nos casos em que os precedentes sobre determinados assuntos, divulgados por meio de listas atualizadas periodicamente, oriundos do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, forem julgados com base nos artigos 543B (repercussão geral) e 543C (repetitivos). E, da lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN, encontrase aquele objeto do RE nº 585.235, que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98. Portanto, resta atingido o objetivo pretendido no texto do art. 26A do Decreto 70.235/72, que trata da não aplicação, pelo julgador administrativo, de dispositivo legal declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, resguardando a Fazenda Nacional de futuros prejuízos quando da fase de execução fiscal do crédito tributário. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Não obstante o reconhecimento, em tese, do direito vindicado pela Interessada, é preciso examinar a certeza e a liquidez do crédito pretendido, à vista do que dispõe o art. 170 do CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (g.n) Os documentos trazidos à colação não são suficientes à comprovação do alegado. As Guias de Informação e Apuração do ICMS acostadas não se prestam a comprovar Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 10 9 que, no período requerido, os valores escriturados a título de ressarcimento do ICMSST (Cód. 007.19) compuseram, inequivocamente, a base de cálculo do(a) COFINS, como receitas. Tais documentos demonstram, somente, o quantum recuperado a título de ICMSST. Com efeito, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja, o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Nos termos do art. 333 do CPC, o ônus da prova cabe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Adaptandose essa regra ao Processo Administrativo Fiscal, constróise o seguinte raciocínio: por autor, deve ser identificado como a parte, na relação fisco contribuinte, titular de determinado direito, que toma a iniciativa de postulálo, mediante a adoção de algum procedimento; e por réu, a parte oposta, que apresenta resistência ao direito do autor. Nos casos de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, incumbe ao sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do crédito, posto que é dele a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp. De forma que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, caberá a ele o contribuinte , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao contribuinte, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do indébito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o direito creditório, visto que, sem tal evidenciação, o pedido fica inarredavelmente prejudicado. No caso, não tendo sido apresentadas pelo contribuinte provas inequívocas quanto à certeza e liquidez do direito creditório não se pode acatar o pedido. (...) Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 11 10 A Reclamante insurgese, também, contra a cobrança de acréscimos legais (multa e juros moratórios) aos débitos compensados, aduzindo não estar em mora, eis que a Manifestação de inconformidade apresentada teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos alvo da compensação. Neste ponto, releva esclarecer que o objeto do presente litígio é a não homologação das compensações declaradas na DCOMP nº 01940.15106.110205.1.3.041500, através do Despacho Decisório nº 821113075, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo. Não se trata de apreciação quanto à exigência de penalidades (ou mesmo quanto à cobrança dos débitos indevidamente compensados), mas apenas quanto ao não reconhecimento do direito creditório e à não homologação das compensações. (...) Nada obstante, merece esclarecer que os acréscimos moratórios decorrem da falta de recolhimento tempestivo do tributo devido, evidenciada a partir da não homologação das compensações efetuadas e têm por fundamento legal o art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Quanto aos juros de mora, estes são devidos mesmo que a manifestação de inconformidade tenha suspendido a exigibilidade dos créditos tributários compensados, conforme disposto no artigo 161 do CTN, que tem o seguinte teor: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. (destaque acrescido). Ademais, no caso específico de compensação, assim estabelece a IN 1.300/2012: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Sobre o requerimento para a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, cumpre ressaltar que o diploma processual tributário (Decreto nº 70.235/1972) dispõe, em seu art. 16, §4º, que a prova documental será apresentada na impugnação (no caso, na manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, sendo estipulado, no §5º, ainda, que a juntada de documentos após a Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 12 11 impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do §4º (alíneas essas que apresentam as exceções à regra de preclusão). Não havendo as exceções (fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos), ocorre a preclusão temporal e o contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Assim, caso queira o contribuinte apresentar provas em período posterior, poderá fazêlo desde que demonstre a ocorrência de uma das razões acima indicadas, sob pena de em assim não o fazendo, ter seu pleito de juntada indeferido. De qualquer forma, esta é questão a ser apreciada, concretamente, apenas quando do eventual encaminhamento ou produção de prova nova. À evidência, não é matéria a ser apreciada em tese" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10880.909060/200921 Acórdão n.º 3401005.559 S3C4T1 Fl. 13 12 creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente, que não logrou êxito em demonstrar a liquidez e a certeza do crédito vindicado. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 342DF CARF MF
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