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Numero do processo: 10920.004414/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento.
INAPTIDÃO DO CNPJ. COMPETÊNCIA.
Está nos limites de competência da Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas à declaração de inaptidão do CNPJ.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
DECADÊNCIA. PROCEDÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
Nesse sentido, o recorrente comprovou ter havido pagamento do tributo, ainda que parcial. Assim, nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.com o novo art. 35 ou com o art. 35-A, todos da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso, deixando de conhecer a matéria de multa agravada, para, no mérito, dar parcial provimento ao recurso reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário nos períodos de apuração de 01/2004 a 08/ 2004, e determinar a aplicação da Súmula CARF 119.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foramlhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. INAPTIDÃO DO CNPJ. COMPETÊNCIA. Está nos limites de competência da Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas à declaração de inaptidão do CNPJ. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). DECADÊNCIA. PROCEDÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, o recorrente comprovou ter havido pagamento do tributo, ainda que parcial. Assim, nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 44 14 /2 00 9- 26 Fl. 116DF CARF MF 2 contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.com o novo art. 35 ou com o art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela INDÚSTRIA DE BORRACHAS NSO LTDA, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (5ª Turma da DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. Conforme relatório fiscal (fls. 35 e seguintes do processo), o AIAuto de Infração DEBCAD N°. 37.126.1678, foi lavrado para fins de constituição do crédito relativo Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10920.004414/200926 Acórdão n.º 2301005.614 S2C3T1 Fl. 3 3 às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores pagos a sócios e administradores, indevidamente contabilizados sob o título de “Adiantamento a Diretoria". O relatório do Acórdão recorrido (fls. 91, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: "Tratase de lançamento (Auto de Infração de DEBCAD n° 37.126.1678) de contribuições devidas pela sociedade empresária Indústria de Borrachas NSO Ltda, relativas a competências compreendidas no período de O1/2004 a 12/2005. Conforme o relatório fiscal de fls. 33 a 46, foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas a sócios e administradores escrituradas dissimuladamente em título contábil impróprio (foram escrituradas a débito da conta “1.1.02.004.0l ADIANTAMENTO A DIRETORIA”). A ocorrência da dissimulação, segundo a autoridade fiscal, encontrase comprovada pelas seguintes constatações: 2. Através da análise da escrituração contábil da Autuada, do período de 01/01/2004 a 31/12/2005, constantes dos Livros Diários n°s 67 a 78, foram constatados lançamentos de valores mensais, durante todo o período acima, escrituradas a débito da conta “l.1.02.004.01 ADIANTAMENTO A DIRETORIA No entanto as evidências, relatadas nos itens 2.1 o 2.4, nos levam a considerar que tais valores não se referem a meros adiantamentos, não sujeitos às contribuições previdenciárias, como sugere o título contábil utilizado. Mas que se referem, sim, a pagamentos de remuneração a diretores, lançadas dissimuladamente, em título contábil impróprio e sujeitos à incidência de contribuições: 2.1 No histórico contábil da ampla maioria dos lançamentos o termo utilizado é “Retirada Diretoria”, havendo outros lançamentos nos quais são mencionados os seguintes termos: “Retirada Diretor " e “Retirada nesta data. 2.2 Constam ainda das históricos contábeis, conforme Livro Razão (cópias em anexo, fornecida pela Autuada), em acréscimo aos termos citados no item acima, sempre entre parênteses, partes de nomes como: Paulo Kalef Sr. Mello, Roberto H. G. Ernst, Karla e diversas letras que. presumese que sejam iniciais de nomes, tais como: (S). (M, (K), (IR), (R), que coincidem com os nomes dos sócios e administradores Sarah Maria Ernst de Mello, Jose' Antonio Barcellos de Mello, Roberto Homero Graça Ernst, Milton Ernst de Mello, Karla Rosane Ernst de Mello Kalejf José António Barcellos de Mello Júnior, constantes do Relatório de Vínculos e Relatório de Representantes Legais, anexos. 2.3 Durante todo o período mencionado só foram lançados valores a débito da conta, não havendo quaisquer lançamentos a crédito, o que reforça as evidências de que os valores se referem Fl. 118DF CARF MF 4 a remunerações, pois o adiantamento presume um futuro pagamento, efetuandose o desconto dos valores antecipados, ocasião em que os valores adiantados seriam lançados a crédito da conta de “Adiantamento 2.4 O saldo devedor da conta “ADIANTAMENTO A DIRETORIA " em 01/01/2004 era de R$ 471.211,92 (quatrocentos e setenta e um mil, duzentos e onze reais e noventa e dois centavos) e em 31/12/2005 R$: 1.205.245,08 (Um milhão, duzentos e cinco mil, duzentos e quarenta e cinco reais e oito centavos), conforme comprovam as cópias do Livro Razão mencionadas no item 2.2. No entanto o valor do saldo acima, constante do Balanço Patrimonial em 31/12/2005, deixou de constar da contabilidade, a partir de 01/01/2006, sem a realização de quaisquer lançamentos que justifique a sua ausência. Simplesmente os valores da referida conta, constantes do Balanço encerrado em 31/12/2005, deixaram de constar no início do exercício seguinte sem a realização de quaisquer lançamentos de transferência ou lançamento a crédito em valor equivalente ao saldo devedor. O valor lançado importa o montante de R$ 349.134,63 (trezentos e quarenta e nove mil e cento e trinta e quatro reais e sessenta e três centavos), consolidado em 18/09/2009. Tendo em vista a configuração, em tese, do crime previsto no artigo 337 A, inciso I, do Código Penal, foi emitida representação fiscal para fins penais. Inconformada com o lançamento, a Autuada apresentou a impugnação de fls. 68 a 73, alegando, em síntese, 0 que se passa a expor. Aduziu que as contribuições exigidas relativas às competências 01/2004 a 08/2004 devem ser consideradas decadentes, visto que o prazo decadencial das contribuições sociais é regido pelo disposto no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional. Após seus argumentos em sede de impugnação não terem sidos acolhidos, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 103 e seguintes, aduzindo o seguinte: Decadência do direito de lançar as contribuições correspondentes aos períodos anteriores a setembro/2004, uma vez que deveria ter sido aplicado a tese do art. 150, §4º, do CTN, ao presente caso. A “retirada de diretoria" sob a forma de distribuição de lucros, a qual alega que não há incidência da contribuição social cota patronal; retroação da multa de mora de que trata o art. 35, da lei n° 8.212/91 com redação dada pela mp 449/08 e convertida na lei n° 11.941/09, em substituição a multa de mora do art. 35, II, da lei n° 8.212/91 com a redação revogada pelos instrumentos referidos. a falta de prova robusta para a aplicação da multa agravada. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10920.004414/200926 Acórdão n.º 2301005.614 S2C3T1 Fl. 4 5 Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. DELIMITAÇÃO DA LIDE EM FASE RECURSAL Em seu recurso a recorrente apresenta pedido que não é objeto do presente processo, qual seja: falta de provas para aplicação da multa agravada. Contudo, essa matéria não foi objeto de lançamento, sendo lavrado somente por não ter recolhido o valor devido. Assim, não conheço da matéria recorrida. Também não há preliminares a serem arguidas. Portanto, restam três matérias a serem apreciadas no mérito do presente processo: i) a decadência; ii) o mérito das autuações, as supostas distribuições de lucros como sendo remunerações, onde incidiriam as contribuições sociais individuais devidas; e iii) aplicabilidade da multa mais benéficia. Para deixar o voto ordenado, entendo ser mais prudente iniciar a análise do recurso pelo mérito pelas distribuições do lucros a incidência da contribuição previdenciária. DA REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (PRÓLABORE) E DAS DISTRIBUIÇÕES DE LUCROS A presente autuação se deu em razão da recorrente ter distribuído lucros em forma de suposto prólabore, não recolhendo em GFIP as contribuições sociais devida. A legislação vigente à época dos fatos geradores determina em seu art. 201, § 1°, do Decreto n° 3.048/99, o seguinte: "Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; § 1° São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9° do art. 214 e excetuado o lucro distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5°. O art. 201, §1º, acima transcrito, retira o lucro distribuído ao sócio do campo de incidência da contribuição social. No entanto, o mesmo dispositivo faz a ressalva de que deve ser observado o previsto no inciso II do §5º do mesmo artigo, que dispõe o seguinte: “ (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente Fl. 120DF CARF MF 6 regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específic a, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999). I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício.” A interpretação sistemática dos dispositivos citados, remete a compreensão do §1º do mesmo artigo 201, que faz remissão à regra esculpida no inciso II do §5º, para delimitar o que vem a ser considerado como remuneração auferida em empresas de forma geral, e não somente para tratar de sociedade civil específica. Do relatório fiscal retiro as seguintes informações: 2. Através da analise da escrituração contábil da Autuada, do período de 01/01/2004 a 31/12/2005, constantes dos Livros Diários N°s. 67 a 78, foram constatados lançamentos de valores mensais, durante todo o período acima, escriturados a débito da conta “1.1.02.004.01 ADIANTAMENTO A DIRETORIA". No entanto as evidências, relatadas nos tens 2.1 a 2.4, nos levam a considerar que tais valores não se referem a meros adiantamentos, não sujeitos às contribuições previdenciárias, como sugere o título contábil utilizado. Mas que se referem, sim, a pagamentos de remuneração a diretores, lançadas dissimuladamente em título contábil I impróprio e sujeitos à incidência de contribuições: 2.1 No histórico contábil da ampla maioria dos lançamentos o termo utilizado é “Retirada Diretoria", havendo outros lançamentos nos quais são \ mencionados os seguintes termos: `Retirada Diretor" e “Retirada nesta data". 2.2 Constam ainda dos históricos contábeis, conforme Livro Razão (cópias em anexo, fornecida pela Autuada), em acréscimo aos termos citados no item acima, sempre entre parênteses, partes de nomes como: Paulo Kalef, Sr. Mello, Roberto H. G. Ernst, Karla e diversas letras que, presumese que sejam iniciais de nomes, tais como: (S), (M), (K), (JR), (R), que coincidem com os nomes dos sócios e administradores Sarah Maria Ernst de Mello, José Antonio Barcellos de Mello, Roberto Homero Graça Ernst, Milton Ernst de Mello, Karla Rosane Ernst de Mello Kalef, José Antonio Barcellos de Mello Junior, constantes do Relatório de Vínculos e Relatório de Representantes Legais, anexos. 2.3 Durante todo o período mencionado só foram lançados valores a débito _da conta, não havendo quaisquer lançamentos a crédito, o que reforça as evidências de que os valores se Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10920.004414/200926 Acórdão n.º 2301005.614 S2C3T1 Fl. 5 7 referem a remunerações, pois o adiantamento presume um futuro pagamento, efetuandose o desconto dos valores antecipados, ocasião em que os valores adiantados seriam lançados a crédito da conta de “Adiantamento". 2.4 O saldo devedor da conta "ADIANTAMENTO A DIRETORIA" em 01/01/2004 era de R$: 471.211,92 (quatrocentos e setenta e um mil, duzentos e onze reais e noventa e dois centavos) e em 31/12/2005 R$: 1.205.245,08 (Um milhão, duzentos e cinco mil, duzentos e quarenta e cinco reais e oito centavos), conforme comprovam as cópias do Livro Razão mencionadas no item 2.2. No entanto o valor do saldo acima, constante do Balanço Patrimonial em 31/12/2005, deixou de constar da contabilidade, a partir de 01/01/2006, sem a realização de quaisquer lançamentos que justifique a sua ausência. Simplesmente os valores da referida conta, constantes do Balanço encerrado em 31/12/2005, deixaram de constar no início do exercício seguinte sem a realização de quaisquer lançamentos de transferência ou lançamento a crédito em valor equivalente ao saldo devedor. Já a recorrente, eu seu recurso alega o seguinte: "Os pagamentos lançados no Livro Diário, de que se reporto o Auditor Fiscal, não foram creditados aos diretores o título de remuneração pelo trabalho (próLabore), mos sim, como distribuição de lucros e, em conformidade com o ort. 201, § 1°, do Decreto n° 3.048/99: "Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: § 1° São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9° do art. 214 e excetuado o lucro distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5°." A único proibição quanto a distribuição de lucros esta explicitada no art. 52, da Lei n° 8.212, verbis: " Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: "I distribuir bonificação ou dividendo a acionista; II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Fl. 122DF CARF MF 8 Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento, atualizadas na forma prevista no Art. 34. " A questão ali vertida, porém, não se encaixa no caso da IMPUGNANTE, pois não tinha débitos para com a então Receita Previdenciária, no ano de 2004 e 2005. Nem se pode, na hipótese se invocar o Decreto n° 4.729/03, ao dar nova redação ao art. 20l, § 5°, do Decreto 3.048/99, ao enfatizar que o adiantamento de lucros ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício passou a ser base de contribuição previdenciária, porquanto na flagrante violação do principio da legalidade (art. l50, l, CF e 97, CTN). O fato é que sequer O Auditor Fiscal diligenciou no sentido de demonstrar inexistir lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores. A medido que se impõe é a improcedência dos lançamentos efetuados sob a nomenclatura de “adiantamento " à diretoria." Conforme entendimento da recorrente, o único impedimento para distribuir os lucros sem a incidência das contribuições sociais devidas seria em razão da empresa estar em débito com a seguridade social. Segundo ela, não haveria débito no período autuado. Entretanto, esse não é o objetivo do dispositivo citado pela contribuinte, uma vez que ele visa resguardar possíveis lucros para pagamento de dívidas, a exemplo da própria seguridade social. Dispositivo esse inteligente inclusive, frente às hipóteses de repasses a sócios e acionistas sem pagamentos de débitos contraídos pela empresa com a seguridade. De outro lado, entende a recorrente que toda e qualquer distribuição de lucro deveria ser considerada isenta da contribuição para a seguridade social. Entendimento esse que também compreendo estar equivocado. Se assim fosse, então seria simples realizar todos os pagamentos como "distribuição de lucros", e ficar à margem da tributação sem responder às obrigações legais decorrentes dos fatos geradores do tributo. Assim, para que o lucro distribuído não integre a base de cálculo da contribuição previdenciária, deverá estar efetivamente comprovada como tal pelos elementos da escrituração contábil. A operação deve, portanto, ser baseada em provas idôneas aos autos. Conforme o relatório fiscal citado acima, houve indícios carreados do repasse como pro labore disfarçado de distribuição de lucros. Enquanto esse é pago ao sócio em retribuição ao capital investido na sociedade, o prólabore corresponde à retribuição recebida pelo sócio em decorrência de um trabalho realizado para a empresa. Sobre a última operação é devida a contribuição social de 20% sobre a remuneração paga, conforme dispõe Lei n° 8.212/91, em seu art. 22: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, e' de: () Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10920.004414/200926 Acórdão n.º 2301005.614 S2C3T1 Fl. 6 9 iii vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditados a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços". Entendo que as provas que constituíram o auto de infração deveria ser rebatida pela contribuinte, e que faltaram informações contábeis que pudesse afastar o entendimento da fiscalização, a exemplo da quantidade de "retiradas" ou resgates dos valores que não ficou claro no relatório fiscal, mas que em análise das informações dessa operação, pode ser constatado que ocorreu por mais de uma ou duas vezes, em razão de todos os sócios e diretores mencionados no relatório, além não ter sido demonstrado pelo balanço, bem como alguma prova contratual da empresa que permitisse a retirada antecipada de lucros. Os elementos de provas dos próprios livros contábeis da recorrente (Livros Diários n°s 67 e 78, que constam também do processo principal, onde foram juntadas toda a documentação contábil da empresa ), conforme relatado pela autoridade fiscal, fazem prova contra a contribuinte, pois não registram nenhum lançamento contábil que demonstre que a conta “1.1.02.004.01 ADIANTAMENTO A DIRETORIA” discrimina valores relativos a distribuição de lucros. Esse mesmo entendimento constou da decisão a quo. Nesse sentido, é base de cálculo da contribuição previdenciária o valor pago aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, pois nessa operação deve ter a discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, ou quando tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. Portanto, verifico que não obrou a recorrente afastar em seu recurso as informações lançadas pelo fisco. DA DECADÊNCIA Aduz a recorrente que o processo foi parcialmente contaminado pelos efeitos da decadência, especificamente quanto aos períodos anteriores a setembro de 2004 (competência de 2004 até agosto de 2004). Pede a recorrente a aplicação do disposto no art. 150, § 4°, do CTN. A empresa tomou ciência da autuação em 21/09/2009 (fl. 03). O pedido também foi feito em sede de primeiro grau, tendo a DRJ de origem proferido o seguinte entendimento: (...) Da leitura do excerto do Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008 transcrito acima, e da análise dos autos, verificase que o prazo decadencial aplicável à presente autuação é o previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), já que o lançamento vertente foi efetuado devido a apuração, pela autoridade fiscal, da ocorrência de simulação (dissimulação no registro contábil de remuneração paga a contribuintes individuais). Fl. 124DF CARF MF 10 Com efeito, tendo em vista que a sociedade empresária Indústria de Borrachas NSO Ltda tomou ciência da presente autuação em 21/09/2009 (fl. 01), constatase que nenhuma exigência contida na presente autuação foi alcançada pela decadência. Portanto, segundo a DRJ, a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, decorreria da ocorrência de simulação do arcabouço contábil da empresa. Nesse quesito, possuo entendimento diverso da DRJ de origem. Contudo, de toda a autuação verifico que a fiscalização não debruçou sobre a questão do intuito de dolo, fraude ou conluio. A simples alegação de que a contribuinte realizaria esse ato para simular o repasse no meu entender não é suficiente a afastar a aplicação Isso porque a simples presunção de que haveria a simulação na distribuição de lucros, no sentido de não considerar prolabore para fins de recolhimento da Contribuição social, não pode servir de mera base para atrair o disposto no art. artigo 150, § 4°, do CTN. Verificase que nem multa agrava foi aplicada ao caso. A multa qualificada está prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Referidos dispositivos tratam das figuras da sonegação, fraude e conluio, nos seguintes termos: "Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". Em conteúdo didático, produzido pelo jurista Fábio Piovezan Bozza, que já foi Conselheiro deste Tribunal, verificase que: "dolo, fraude ou simulação, referese a um conjunto de vícios produzidos intencionalmente pelo contribuinte que, de máfé, cria uma situação falsa ou de mera aparência e inebria o julgamento do Fisco sobre uma relação tributária já existente, de modo a eliminála, reduzila ou postergála" (in Planejamento Tributário e Autonomia Privada. Série doutrina tributária v. XV. São Paulo: Quartier Latin, 2015, página 199). Na declaração de voto de fls. 99/100, a conselheira Leila Simone Monego, que foi acompanhada também pela Conselheira Zila Noeme Alvarenga de ALencar, se posicionara pelo seguinte: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10920.004414/200926 Acórdão n.º 2301005.614 S2C3T1 Fl. 7 11 "(...) No Relatório Fiscal, com efeito, a autoridade lançadora faz uma análise da movimentação da citada conta, apontando para a conclusão acima, da qual não divergimos, todavia, tocante ao evidente intuito de dolo, fraude ou de simulação, no presente caso constatase que a fiscalização não demonstrou exaustivamente a existência da exceção legal, tanto isso é verdade, que sequer houve a aplicação da multa agravada de 150% aplicável nos casos de evidente intuito de fraude , para fins de comparativo da multa mais benéfica (quadro de fl. 47). Entendo que a simulação do contribuinte requer fundamentação robusta, de que permita a comprovação de que realmente tenham sido usados artifícios para impedir o conhecimento da Administração Tributária acerca da existência e da natureza dos fatos geradores tributários". Grifei. Conforme se constata das fl. 66, houve recolhimento, ainda que parcial da contribuição, bem como das informações do processo principal (10920.004416/200915), que foram juntados os comprovantes de recolhimentos. Nas fls. 17 e seguintes do eprocesso se constata os recolhimentos, rubricas e períodos dos recolhimentos. O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Com isso, no presente caso verifico a possibilidade de atrair a aplicação do referido dispositivo do art. 150, §4º, do CTN. Portanto, os cincos seriam contados a partir dos fatos geradores, correspondentes a 01/2004 e competências seguintes, até 08.2004, já que com a regra interpretada pelo STJ teria se consumado o prazo decadencial no período mencionado, uma vez que a intimação ocorreu no período de 21/09/2009 (fl. 03). Assim, transcorridos os 5 anos decadenciais. De acordo com a Súmula CARF nº 99, "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Nessas circunstâncias, existindo recolhimento de contribuições, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica, devendo ser acatada a decadência dos períodos de janeiro de 2004 a agosto de 2004. Fl. 126DF CARF MF 12 MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA A autoridade fiscal, ao aplicar a multa assim descreveu: A nova Súmula CARF n.º 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Com isso, o novo mandamento põe fim à discussão da multa e retroatividade benigna, sendo, portanto, aplicada ao presente caso. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por CONHECER parcialmente do recurso, deixando de conhecer sobre a matéria de multa agravada, pelas razões expostas no voto, para no mérito dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência dos períodos de janeiro de 2004 a agosto de 2004, bem como para às exigências fiscais mantidas, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por aplicar a Súmula n.º 119 do CARF. É como voto. (assinado digitalmente) WESLEY ROCHA – Relator. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10920.004414/200926 Acórdão n.º 2301005.614 S2C3T1 Fl. 8 13 Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000177/2003-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1995
RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO, DECADÊNCIA
Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644:736-PE, em 6 de junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp 1.002.932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ, Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o direito á repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato
gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05. Com a não consumação da decadência os autos devem retomar à DRF de origem para a apreciação do mérito.
Numero da decisão: 1103-000.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para exame do mérito, vencidos os Conselheiros Jose Sérgio Gomes (Relator) e Gervásio Nieolau Recketenvald. Designado para
redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: José Sergio Gomes
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Corn a não consumação da decadência os autos devem retomar à DRF de origem para a apreciação do mérito. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para exame do mérito, vencidos os Conselheiros Jose Sérgio Gomes (Relator) e Gervásio Nieolau Recketenvald. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos termos do relatório e voto que integram o presente . julgad A INIO DA SILVA — Presidente JOS 'ER IO COMES — Relator SHIGUEO TARA IA Redator Designado MA EDITADO EM: 10 N V 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Jose Sergio Comes (conselheiro substituto), Marcos ShigUeo Takata, GerVilSiO Nicolau Recketcnvald, Hugo Correia Sotero, Eric Moraes de Castro e Silva. 2 Process° n" 13975 000177/200-91 si-C1T3 Acóvao n " 1103-00A53 H. 102 Relatório Ern foco recurso voluntário contra a decisão da 3" Turma de Julgamento da DR,' em Florianópolis/SC que negou provimento a solicitação de reforma do despacho decisório do Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC que, por sua vez, indeferiu a compensação de apontado saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurado pelo contribuinte no ano-calendário de 1995, com débitos da Contribuição Social sobre o Lucia Líquido (CSLL) afetos a estimativas (antecipações) dos meses de janeiro a março de 2003. A declaração de compensação foi protocolada em 13/05/2003, fazendo-se acompanhada de cópia do contrato social. Analisando-a, decidiu a Delegacia da Receita Federal em Blumenau pela ocorrência da decadência do direito de pleitear a restituição/compensação em vista de exaurido o prazo qüinqüenal ditado pelo artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), cujo inicio de contagem, em razão da contribuinte ter optado pelo regime de apuração pelo lucro real anual, se deu cm de . janeiro de 1996, inês seguinte ao encerramento do ano-calendário, conforme estipulado pelo artigo 5" da Instrução Normativa SRF n" 460, de 18 de outubro de 2004 Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade argüindo, em síntese, que o prazo prescricional para repetir tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, segundo entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de alguns Tribunais Regionais Federais, afoul recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 01-04988) Ãssini , como a Requerente *luau o recolhimento da CSLI, no ano de 1995, a homologaçiio tácita ocorreu .somente em 2000, e a pal Ill conta-se cinco anos para a prazo presclicional, ou seja, a prescriçao lid OCOITef somente em 2005., Aquela 3" Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto da decisão da autoridade -fiscal, isto 6, ratificou o entendimento de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de saldo negativo da CSLL extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de encerramento cio periodo de apuração, qual seja, o da extinção do crédito tributário, que se dá com o pagamento, consoante interpretação trazida pelo artigo 3" da Lei complementar n" 118, de 2005 Ciente do decisório ern 26 de novembro de 2007, if 50, a contribuinte apresentou em 26 do mês seguinte o recurso voluntário e documentos de fls. 51/98 colacionando julgados (inclusive deste Conselho) no sentido de ser decenal o prazo para repetição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Disconeu, também, acerca da inaplicabilidade das disposições da Lei Complementar n" 118, de 02 de fevereiro de 2005, por fern os princípios da segurança jurídica e da inetroatividade Ao final, requereu que lhe seja reconhecido o direito e homologada a compensação efetuada._ o relatório, em apertada síntese. 3 Voto Vencido Conselheiro JOSÈ SÉRGIO GOMES Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trinticho legal Assim sendo, dele tomo conhecimento Firm() entendimento de que ao formular o pedido de restituição indireta (compensação) em 13/05/2003 almejando a repetição de saldo negativo de CSLL ocorrente em 31/12/1995 a contribuinte já decaira do direito repetitótio, pois transcorrido o prazo quinquenal a que alude o artigo 168, I, do CM, cuja contagem se inicia na data do efetivo pagamento, modalidade extintiva do crédito tributário, e não da homologação do lançamento ditada pelo artigo 150, § 4" desse codex. O Código 'Tributário Nacional disciplina o direito à repetição do indébito tributário em conformidade com as regras que se seguem: "Art. 165 0 sujeito passivo tem di eito, independentemente de prévio pio/esta, é iestiluição total ou pareial do !libido, sia qual for a modalidade do sett pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do art 162, nos seguintes casos I cobrança ou pagamento espontâneo de tr ibuto indevido on maim que o devido em Mee da legislação ti.ibutál ia aplicável, ou da natureza ou cireunstáncias materiais do fato gel odor efetivamente ocoirido, t 168 0 direito c/c pleitectr a restituição extingue-se com decurso do piara c/c 5(cinco) anos, contados I nas hipóteses dos incisos 1 e II do at 165, c/a data c/a extinção do er édito ii ibutál lo, Embora o Superior Tribunal de justiça tenha sufragado a tese almejada pela defesa, no sentido de que dito marco é contado após os cinco anos fixadós para o Fisco homologar o lançamento a que alude o artigo 150 do CTN (a tese dos cinco mais cinco), impera o fato de que o legislador complemental veio lançar a pa de cal nesta questão, a ver pelo artigos 3" e 4' da Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2001 Referidos dispositivos assim se expressam: "Art 1.50 0 lançamento poi homologação, que ocorre quanto . aos tributos ctqa legislação ali ibua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem ptévio exame da autoridade ‘ administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autolidade, , tomando conhecimento da atividade assim e ve; eida pelo -', obi igado, expi essamente a homologa 4 JOSE ERGI Processo n`' 13975 000177/2003..91 SF-CIT3 Acniduin n " 1103-00.1 53 F1 103 I" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos tei mos deste artigo extingue o ci édito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento § 4" Se a lei não fixar plaza a homologação, será ele de cinco anos, a coil/a; da ocorrência do fato gerador, expli ado esse prazo rein que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou nulação " "Art 3,, Para efeito de interpretação do inciso I do art 168 da Lei n" .5172, de 25 de outubro de 1.966 - Código Dibutário Nacional, a extinção do crédito tributário OCOrre, no caso de tributo sujeito a lançamento poi homologação, no momenta do pagamento antecipado de que ti alit o § F do art 1.50 da referida Lei Art 4' Esta Lei entra ein vigor 120 ('cento e 14110 dias após .sua publicação, observado, quanto ao art. 3, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° .5 17.2, de .25 de (nimbi° de 1.966 - Código 7'ributário Nacional "(enfase acrescida)" Como visto, o artigo .3" fixa que o prazo pant a Fazenda Pública homologar lançamento derivado de pagamento antecipado não se confunde com o prazo, igualmente qüinqüenal, de contagem de decadência do direito de repetir Referida norma 6 suficientemente objetiva e não deixa dúvida quanto ao requisito temporal de admissibilidade do pedido de reconhecimento do direito creditório, estipulando que o contribuinte tern um prazo de cinco anos contados da data em que o pagamento configurou-se como indevido para formalizar a solicitação de sua restituição junto à unidade administrativa. Os pronunciamentos jurisprudenciais trazidos pela defesa, aos quais rendo respeito, têm força de lei somente entre as partes nos limites das lides e das questões decididas (CTN, art. 100). No que diz respeito à afirmativa de que o reconhecimento da decadência está amparada em legislação que fere institutos e princípios constitucionais e infraconstitucionais, cabe esclarecer que estas matérias não são oponíveis na esfera administrativa, pois o controle . jurisdicional da constitucion idade das leis compete exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciúrio Com J oes, VOTO pelo improvimento do recurso voluntririo 5 Voto Vencedor MARCOS SHIGUE0 TAKATA Peço vênia ao nobre relator, para dissenso quanto A questão do prazo decadencial para a repetição de indébito . Particularmente, minha interpretação é a de que o direito à repetição ou compensação de "pagamento" indevido (em gel:al, recolhimento indevido) ou a maior é fulminado pela decadência com o decurso de cinco anos da data do "pagamento" indevido ou a maior.. Isso porque o pagamento extingue a obrigação tributária, sob condição resolutiva. Alias, pagamento é forma de extinção de obrigação poi excelência. Embora o rut 150 do CTN use a expressão "pagamento antecipado", o próprio § 1" reconhece que se cuida de pagamento simples, ao reconhecer que se extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva da ulterior não homologação do pagamento (malgrado a literalidade fale em "ulterior homologação cio lançamento", evidente a erronia: o que resolve o pagamento é a ulterior não homologação). Como o CTN se aferra [1/2 indispensabilidade do lançamento, ele constrói a figura da homologação tácita do pagamento ao termo de cinco anos da ocorrência cio ,fato gerador. Mas, se o pagamento já extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva, o corolário lógico e inescapravel é o de que a chamada homologação tácita opera a decadência do direito de lançar. Isto 6, não ha mais como resolver o pagamento (que extingue a obrigação), corn o decurso de certo tempo ± a inércia da autoridade fiscalizadma: polo não ficar sem lançamento, na construção feita pelo CTN, chama-se a isso de homologação tácita, Não se pocky resolver o pagamento (que extingue a obrigação) é decair do direito de lançar; decadência que tern o mesmo suporte fatico da chamada homologação tácita. Pode-se, pois, dizer que essa tem como sua control:ace a decadencia. Exegese diversa corrompe lógica e o sentido do art. 150 do CTN Por outro lado, o STJ assentou a seguinte inteligência, por sua Corte Especial, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Intl ingência no Recurso Especial (Al nos ER.Esp) 644.736/PE, de 6/06/07 1 . 0 art. 3° da Lei Complemental 118/05 so pode ter eficácia prospectiva, porquanto não se trata de norma interpretativa, de modo que seu comando so é aplicável "sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência": após 120 dias da publicação da Lei Complementar 118/05, isto 6, a partir de 9/06/05 Nesses moldes, a segunda parte do art 4' da Lei Complementar 118/05 não passa pelo teste de validade.. E isso porque o ST E, em recurso extraordinário em face do "dccisum" prolatado nos autos dos EREsp 644 736/PE, reconheceu a ofensa ao art 97 da CE (principio da reserva de plenário), corn a consequente inconstitucionalidade daquele acórdão Dai a la Seção do ST1 impor o processamento, perante a Corre Especial do S11, de incidente de inconstitucionalidade do art 4" da Lei Complemental 118/05 4 Processo n" 13975 000177/2003-91 Si -Cl 13 Acórdiio a " 1103-00,153 FL 104 Ou seja, conforme a interpretação assentada pelo STI, por sua Corte Especial, no julgamento por unanimidade da AI nos ER.Esp 644„736/PE: a) sobre pagamentos indevidos antes de 9/06/05, permanece o entendimento de que o prazo "prescricional" para repetição de indébito tributário é de cinco anos mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamentos indevidos a partir de 9/06/05, o referido prazo "prescricional" é de cinco anos contados da data do pagamento indevido„ E a inconstitucionalidade foi declarada pelo órgão especial do STI, em conformidade com o art, 97 da CF 2, e em consonância corn a Súmula Vinculante n" 10 do Supremo Tribunal Federaf3 . Ainda, mais recentemente, a 1" Seção do STI _julgou, em sede de procedimento de recurso especial repetitivo, nos teimos do art 543-C do CPC, o REsp [002 932-SP, em 25 de novembro de 2009. No julgamento desse REsp afetado em procedimento de recurso repetitivo, consagrou-se derradeiramente a interpretação dada no julgamento da AI nos .EREsp 644 7..36/PE: a) sobre os pagamentos indevidos antes de 9/06/05,' o prazo "prescricional" para repetição de indébito tributário é de cinco mais cinco, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamento indevidos a partir de 9/06/05, o prazo "presericional é de cinco anos contados da data do pagamento, indevido Como já disse, não comungo com tal intelecção pelas razões adrede colocadas Entretanto, diante do julgamento do REsp L002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, forçoso se reconhecer a pacificação da matéria no STY Outrossim, v g , REsp 1„096,288-RS, julgado em 9/12/09, no Agravo Regimental (AgRg) no Agravo de Instrumento L056.899-SP, _julgado em 15/12/09, no AgRg no REsp 1,045 690-SP, julgado em 15/12/09, em todos esses .julgamentos se fez expressa remissão a interpretação consagrada no regime repetitivo no REsp 1,002,932/SP„ Embora discorde desse entendimento do STJ, em face do quadro posto curvo- me à afetação da interpretação do ST1, para reconhecer o prazo decadencial (ou "prescricional" como quer o ST.1) dos cinco mais cinco anos, limitado a cinco anos a contar da vigência da nova lei (Lei Complementar 118/05), Sob o manto dessas razões, reconheço inexistir a consumação do fenômeno decadenciaL 2 Art 97 Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público Sumula n" 10 Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de árgão fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em par te Nessa mdem de considerações, dou provimento ao recurso, para que os piesentes autos sejam devolvidos A DRF de origem para a apreciação do mérito o meu voto Sala de Sessões em 10 de março de 2010 MAR HI UE0 TAKATA 8
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000043/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 14ª Turma da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 07 .0 00 04 3/ 20 09 -1 0 Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16007.000043/200910 Resolução nº 3401001.588 S3C4T1 Fl. 727 2 indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados, referentes à COFINS, no que tange ao período compreendido entre janeiro de 2001 a janeiro de 2004. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de Cofins. Os recolhimentos foram efetuados pela empresa Green Veículos Comércio e Importação Ltda., que veio a ser sucedida pela Recorrente. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. Da Impugnação A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/01/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do § 1o do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de Recurso Extraordinário, e de repercussão geral, permanecem restritos às partes dos processos, tendo em vista a Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16007.000043/200910 Resolução nº 3401001.588 S3C4T1 Fl. 728 3 não edição dos atos que vinculariam a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Resolução do Senado Federal suspendo os efeitos daquele dispositivo legal, Súmula Vinculante do STF sobre a matéria, manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, nos termos da atual redação do §5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002). INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 653DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.910846/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA.
A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular.
A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1401-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.910652/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente GARRA ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA. A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular. A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.910652/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 08 46 /2 00 9- 90 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão de 1ª instância, proferida pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo excertos dos termos e fundamentos da decisão recorrida: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório [...]que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." O interessado, cientificado em [...], apresentou, em [...], manifestação de inconformidade [...]. Nesta peça, alega, em síntese, que: até outubro de 2003, recolheu a Contribuição Social sobre o Lucro Presumido utilizando o percentual de 12%; por cautela, a partir de novembro de 2003, alterou o percentual para 32%; a partir da MP nº 252/2005, voltou a utilizar o percentual de 12%, tendo acumulado crédito de pagamento a maior, conforme tabela, que foi utilizado para a quitação de tributos; a Receita Federal está exigindo multa para pagamento dentro do prazo; a DCTF foi transmitida em data anterior ao pedido de compensação, motivo pelo qual não foi encontrado o crédito; a DCTF foi retificada em 11/08/2009. É o relatório. Voto Tempestiva a manifestação de inconformidade, dela conheço. A teor do art. 170 do Código Tributário Naciona CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 4 3 liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Desde a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, àquele que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, compete declarar tal pretensão a esta Secretaria: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual consta informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados." O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Os débitos objeto de compensação não homologada devem ser exigidos com os acréscimos de multa e de juros de mora, por Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 5 4 expressa determinação legal (art. 38 da Instrução Normativa RFB 900/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/1996). O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. É o meu voto. Julgadora Maria de Lourde Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentando tabelas com os valores que entende devidos e compensados de vários tributos, diferenças entre os valores recolhidos (origem do eventual crédito), créditos e débitos atualizados, além de tabela comparativa processos de cobrança com a utilização de multa e juros de mora, tudo isto para arrematar com a mesma conclusão da impugnação apresentada: Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.061, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.910652/2009 94, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.061): "Tanto o Despacho Decisório quanto o acórdão proferido pela DRJ estão, considerando as informações do PER/DCOMP, corretos em suas decisões, uma vez que não houve a indicação precisa de eventual pagamento indevido, no caso de CSLL. De se dizer que processos desta natureza (PER/DCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 6 5 sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. No caso em questão, a Recorrente, alertada pelo decidido no Despacho Decisório que indeferiu seu pleito, apresentou uma DCTF retificadora onde ali repousariam, então, os valores que entende como devidos. A instância de piso não aceitou tal retificação: A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Em situações desta natureza, onde apenas o crédito pleiteado fora informado de maneira equivocada no PER/DCOMP, entendo que se pode aceitar a DCTF retificadora apresentada após o Despacho Decisório, mas, ressaltese, tratandose de uma situação pontual, onde, de plano, poderseia aferir a existência do direito creditório da Requerente. Mas não é o caso dos autos. De se mostrar. A Recorrente afirmou em sua Impugnação que sua forma de tributação era o lucro presumido, onde o IRPJ é apurado por trimestre, entretanto, "por opção do seu setor financeiro, recolhe antecipadamente ao final de cada mês", procedimento incorreto, pois vedada a apuração e o pagamento mensal do tributo devido (art.516 do RIR/99), aí incluída a CSLL. A Recorrente afirmou que recolhia, até outubro de 2003, a CSLL utilizando como base de cálculo o percentual de 12% da receita bruta e a partir daí até setembro de 2005, utilizou a base de cálculo da CSLL no percentual de 32%, por força do art.22 da Lei 10.684/2003, quando, então, voltou a Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 7 6 utilizar o percentual de 12%, agora em face da Medida Provisória nº 252/2005. Em seu entendimento teria recolhido a maior a CSLL relativa ao período compreendido entre novembro de 2003 a setembro de 2005, entretanto, não apresenta e nem fundamenta suas razões de existência do eventual direito creditório alegado em seu recurso. Pelo exposto, já seria o suficiente para lhe negar seu pleito, mas ainda há outros entraves que impedem ou permitam reconhecer qualquer sinal do eventual crédito nos moldes em que aventado pela Recorrente. Base de Cálculo da CSLL Lei 9.250/1995 Art.20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário. Em 2003, houve alteração do artigo supra, que teria motivado (?) a Recorrente ao recolhimento da CSLL utilizando o percentual de 32% como base de cálculo: Base de Cálculo da CSLL Lei 10.684, de 30 de maio de 2003 Art.22. O art.20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do parágrafo 1º do art.15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. De se ver o dispositivo supra citado, que excepcionou a utilização de percentual de 32%: Lei 9.250/1995 (art.15 com redação anterior à dada pela Lei 12.973/14) Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 8 7 Art.15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts.30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 2005. Parágrafo 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de : [...] III. trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (redação anterior a Lei nº 11.727, de 2008) [...] A Recorrente nem sabe dizer porque passou a utilizar o percentual de 32% na base de cálculo da CSLL. Seu Contrato Social nos dá uma pista, somente isto, desta mudança, pois ali consta em seu objeto social (cláusula terceira, Volume V1) a exploração das seguintes atividades: Se a Recorrente se utilizar de construção civil por empreitada, por exemplo, devese observar a aplicação dos materiais envolvidos, ou seja, se fornecidos pelo empreiteiro, fica sujeito ao percentual de 8% na apuração da base de cálculo do IRPJ, enquadrandose no caput do art.15 da Lei 9.249/95 e assim, o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL é de 12%. Serviços de desenho técnico especializados de arquitetura e engenharia, me parece que enquadramse em prestação de serviços em geral, passíveis, portanto, de utilização do percentual de 32% na base de cálculo da CSLL, mas, enfim, nada foi demonstrado pela Recorrente, que possui o exercício, pelo menos consta em seu Contrato Social, de mais de uma atividade, o que pode levar à utilização de percentuais diferentes da base de cálculo da CSLL: 32% sobre a receita bruta da atividade enquadrada no inciso III do parágrafo 1º do art.15 da Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 9 8 Lei 9.249/95 e de 12% sobre a receita bruta das demais atividades. Além desta ausência de fundamentação da razão de pedir, não há nos autos uma nota fiscal sequer que demonstrasse a natureza das atividades exercidas pela Recorrente. Diz a Recorrente ainda, em seu recurso voluntário, que, a partir de setembro de 2005, com a edição da Medida Provisória nº 252/2005, "voltamos a utilizar o percentual de 12% aplicado no cálculo da CSLL." A Medida Provisória nº 252, de 15 de junho de 2005 perdeu sua eficácia, tendo seu prazo de vigência encerrado em 13 de outubro de 2005, conforme Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 38, de 2005. Posteriormente foi editada uma nova MP, agora de nº 255, de 1° de julho de 2005, convertida na Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 que, naquilo que possa ter alguma alusão ao afirmado pela Recorrente seria o seguinte: Lei 11.196/2005 Capítulo VII DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Art.34. Os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 2005, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.15. ........................................................................................ .................................................................................. Parágrafo 4º. O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato." "Art.20. ......................................................................................... Parágrafo 1º. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4º (quarto) trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (tres) primeiros trimestres. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10783.910846/200990 Acórdão n.º 1401003.069 S1C4T1 Fl. 10 9 Parágrafo 2º. O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o parágrafo 4º do art.15 desta Lei." Depreendese da mencionada Lei que o percentual de 8% também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que "explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato", valendo o mesmo para fins de cálculo da CSLL. Nada mais do que isto, ficando sem sentido a afirmação da Recorrente, a seguir reproduzida: Por qualquer ângulo que se analise o pleito da Recorrente, verificase que não há um indício sequer de que a Recorrente possua o alegado crédito de CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720292/2007-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO.
Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos.
DÉBITO DECLARADO EM DCTF - CONFISSÃO DE DÍVIDA
O débito declarado em DCTF tem natureza de confissão de dívida, por tal prescinde de lançamento de ofício.
Recurso especial da contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-007.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos. DÉBITO DECLARADO EM DCTF - CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado em DCTF tem natureza de confissão de dívida, por tal prescinde de lançamento de ofício. Recurso especial da contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10630.720292/200712 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.916 – 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente CELULOSE NIPOBRASILEIRA S.A. CENIBRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos. DÉBITO DECLARADO EM DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado em DCTF tem natureza de confissão de dívida, por tal prescinde de lançamento de ofício. Recurso especial da contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 02 92 /2 00 7- 12 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10630.720292/200712 Acórdão n.º 9303007.916 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 284/276), admitido pelo despacho de fls. 325/329, contra o Acórdão 330100.660 (fls. 268/276), de 26/08/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. 0 ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos confessados em DCTF, ainda que sob compensação, são passíveis de cobrança, independentemente de lançamento de oficio, a teor do Decreto Lei n.° 2.124/84, art. 5°, § 1° e Sumula do STJ n°436. Recurso Voluntário Negado. Em suma postula o contribuinte a reforma do recorrido para que o saldo credor do IPI seja atualizado monetariamente até a data da compensação, e, subsidiariamente pede o cancelamento da exigência da parcela do débito não compensado "por falta de constituição válida do crédito tributário, tendo em vista que a DCOMP foi transmitida em data anterior à 31/10/2003". Em contrarrazões (fls. 331/343), a Fazenda requer que seja negado provimento ao recurso especial interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. O contribuinte postulou ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor de R$ 875.763,72, tendo sido reconhecido o valor de R$ 868.626,91. Aquele valor foi Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10630.720292/200712 Acórdão n.º 9303007.916 CSRFT3 Fl. 4 3 integralmente compensados com CSLL. Como o valor não foi suficiente para saldar este último tributo, o contribuinte recebeu aviso de cobrança para quitar o saldo não compensado (débito remanescente de R$ 7.136,81). No recurso sob nossa análise o contribuinte pede genericamente a atualização do valor ressarcido e entende que a RFB não pode cobra a parcela da CSLL não quitada pela compensação porque só poderia fazêlo de ofício porque a DCOMP foi transmitida antes de 31/10/2003. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC O contribuinte postula em seu recurso que seja aplicada a taxa SELIC desde o protocolo do pedido até a data da compensação. Vem se consolidando de forma majoritária nesta Turma da CSRF que só há que se falar em aplicação de taxa SELIC quando restar caracterizada a oposição estatal ao pedido de ressarcimento1. No caso em tela, do pleito total no valor histórico de R$ R$ 893.371,13, foi deferido o valor de R$ 763.978,51. Portanto, só há que se falar em oposição ao valor correspondente à diferença entre o pedido e o deferido. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. No âmbito das turmas de julgamento do CARF têm se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados referidos estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Dessa leitura, concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco ao aproveitamento de referidos créditos permite que seja reconhecida a incidência da atualização monetária pela aplicação da taxa Selic. Porém, para a incidência da correção que se pretende, há que existir, necessariamente, o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento, com causas de pedir diversas, temse que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto, somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima mencionadas. Porém, não é a hipótese dos autos, pois o contribuinte não litigou quanto à parte não reconhecida pelo Fisco. E quanto ao termo inicial para aplicação da taxa SELIC, dos repetitivos a que aludi o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Em consequência, manifestouse que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. 1 Nesse sentido Acórdão 9303006.999, julgado em 14/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10630.720292/200712 Acórdão n.º 9303007.916 CSRFT3 Fl. 5 4 Contudo, no presente caso, o contribuinte não se insurgiu contra o valor indeferido, portanto não há que se falar em atualização monetária de valor incontroverso. Assim, é de ser negado o recurso quanto a este tópico. VALOR COMPENSADO O contribuinte argui que a compensação foi anterior a nova redação do art. 74 que deu natureza de dívida a compensação (MP 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833/2003) . Dessa forma, entende que a parte do valor compensado da CSLL que restou em aberto só poderia ser objeto de cobrança desde que houvesse constituição de ofício desse valor. Embora, de fato, a DCOMP tenha sido anterior a norma referida, inconteste que o valor compensado foi declarado em DCTF. Portanto, como bem assentado no recorrido, o DecretoLei 2.124/84 aclarou que aquela declaração comunica a existência de crédito tributário, constituindose em confissão de dívida e sendo instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, não há necessidade de constituição de ofício desse valor. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte, mas nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10630.720292/200712 Acórdão n.º 9303007.916 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904526/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.683947/2009-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). Relatório. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão daTurma da DRJ/SPO, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dada a impossibilidade de retificação de ofício de inexatidão material verificada no preenchimento da Per/Decomp, desde que esteja pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 52 6/ 20 09 -0 1 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.904526/200901 Resolução nº 1401000.610 S1C4T1 Fl. 3 2 A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), visando compensar crédito supostamente decorrente de pagamento efetuado a maior a título de IRPJ, com débitos de IRPJ e CSLL apurados dentro do mesmo ano calendário. O Despacho Decisório não homologou a referida compensação, sob fundamento de que o crédito pleiteado pela Recorrente, por se tratar de estimativa de IRPJ, não poderia ter sido utilizado na compensação tributária. O crédito compensado referese a um pagamento de IRPJ, o qual foi considerado indisponível pela DERAT/SP por tratarse o crédito de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução de IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento de que uma vez demonstrada a inexistência de vedação legal (Lei n. 9.430/96) para a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, forçoso concluir que a Recorrente teria direito ao crédito integral objeto da DCOMP em questão e, consequentemente, homologação integral da compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Voto. Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401000.600, de 22/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.600): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme esclarece a Recorrente, no ano calendário em discussão, ela teria efetuado o pagamento de IRPJ apurado em um mês daquele ano, contudo, passado algum tempo, verificou que, na verdade, não haveria imposto algum a recolher naquele mês. Ao final do ano, em virtude das retenções sofridas e das antecipações pagas pela Recorrente, restou apurado saldo negativo de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.904526/200901 Resolução nº 1401000.610 S1C4T1 Fl. 4 3 IRPJ, o qual, de acordo com a legislação, poderia ser utilizado na compensação de outros tributos administrados pela RFB. No entanto, quando do preenchimento da DECOMP para a compensação do referido crédito com outros débitos relativos ao período de apuração seguinte, sustenta a ocorrência de erro no qual acabou optando equivocadamente pelo tipo de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior e não saldo negativo de IRPJ e procurou demonstrar que esse erro de preenchimento não seria a causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, especialmente pelo princípio da verdade material. Erro esse, que defende a recorrente poderia ser retificado de ofício, pois segundo ela a Declaração de Compensação é o instrumento hábil e suficiente paras a exigência de débitos indevidamente compensados. Diversamente do entendimento da decisão recorrida, entendo que restou caracterizado o erro de fato no preenchimento da DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado. Resta evidente que a informação prestada na DCOMP, quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do anocalendário em questão (declaração de ajuste anual), pois o pretenso crédito pleiteado do anocalendário discutido restou apurado pela contribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento indevido de estimativa mensal. Lembrese que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição de estimativa mensal recolhida em excesso, a partir da data do respectivo recolhimento, no caso de erro de fato comprovado na apuração da base de cálculo da estimativa mensal (erro quanto à apuração com base na receita bruta ou com balancete de suspensão/redução), ou seja, recolhimento que extrapolou, em completa dissonância em relação à base de cálculo demonstrada na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, que não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração do IRPJ – Estimativa Mensal que tivesse gerado recolhimento em excesso à revelia da base de cálculo de que trata a legislação de regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado na DCOMP. Como demonstrado, restou configurada a existência do erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP objeto dos autos (inexatidão material quanto à origem do crédito utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Reconhecido, caracterizado, o erro de fato no preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à informação do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.904526/200901 Resolução nº 1401000.610 S1C4T1 Fl. 5 4 liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado. Ou seja, o erro de fato no preenchimento dos dados do crédito na DCOMP, diversamente do entendimento da decisão recorrida, configura sim inexatidão material a que alude o art. 57 da IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido: LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazêlo a título de saldo negativo. Tratase de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do anocalendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. ACÓRDÃO: 1802002.532 Ademais, para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração de instância de julgamento quanto à análise de mérito do direito créditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário em questão, tornase necessário devolver os autos à primeira instância de julgamento, para que proceda análise de mérito do direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ. Por tudo que foi exposto, entendo possível afastar o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado e voto no sentido de converter os autos em diligência a fim de que a DRF de origem faça nova apreciação no que se refere ao direito creditório alegado para que se analise se além do pagamento reclamado para compensação havia também saldo negativo do imposto passível de aproveitamento naquele ano calendário. É como voto." Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.904526/200901 Resolução nº 1401000.610 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.903703/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 03 70 3/ 20 09 -7 5 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10983.903703/200975 Resolução nº 1201000.643 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, a título de estimativa mensal de IR ou de CSLL, não pode ser utilizado como crédito em compensação, pois esse valor só pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração a que se referir a estimativa, para fins de determinação do saldo a pagar ou do valor de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do mesmo período. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. Reclama que a negativa deuse com fundamento a restrição imposta por uma Instrução Normativa, norma secundária, que traz limitações indevidas ao direito do contribuinte, caracterizando injustiça fiscal e ferindo o Princípio da Razoabilidade. Relata que, na opção de tributação no regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais, pode ocorrer de o contribuinte efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal. O artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10983.903703/200975 Resolução nº 1201000.643 S1C2T1 Fl. 4 3 tributos e contribuições administrados pela RFB e no rol do § 3º do art. 74 não consta a limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade, portanto, não há óbice legal à compensação realizada. Assim, uma vez comprovado o recolhimento a maior, o direito à compensação é garantido pelo art. 74 mencionado. Anexa cópias das DIPJ's 2006/2005 e 2007/2006, que comprovam que no ano calendário 2005, ao final do período de apuração, com todas as compensações realizadas, ainda assim apresentava saldo negativo de () R$ 924.660,86 e de CSLL de () R$ 494.344,45; o mesmo ocorrendo em boa parte do anocalendário 2006. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.642, de 20/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.642): "2.1 Paradigma de lote. 12. Este processo nº 10983.908242/200927 foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos aos demais processos do lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: nº processo nº PER/Dcomp Data transmissão Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior Per Apur Data da arrecadaçã o 10983.903703/200975 37869.76998 28/10/2005 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.903848/200976 14576.04096 28/10/2005 (*) 10983.903847/200921 34936.56232 29/05/2006 (**) 10983.908238/200969 12079.09231 29/05/2006 2484 31/05/2005 30/06/2005 10983.908245/200961 23031.44220 29/05/2006 2362 28/02/2006 31/03/2006 10983.908399/200952 25266.25812 29/05/2006 (***) 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.908240/200938 05270.28894 29/05/2006 2484 31/01/2006 24/02/2006 10983.908242/200927 30111.93607 29/05/2006 2362 31/05/2005 30/06/2005 10983.908241/200982 23984.18321 29/05/2006 2484 28/02/2006 31/03/2006 10983.908239/200911 01348.47168 29/05/2006 2484 30/06/2005 29/07/2005 (*) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 15069.24782, de 28/09/2005 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10983.903703/200975 Resolução nº 1201000.643 S1C2T1 Fl. 5 4 (**) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 38158.77039, de 31/08/2005 (***) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 37869.76998, de 28/10/2005 13. Verificouse que os DD destes processos que compõem o lote são de teor idêntico; e o motivo para os Acórdãos DRJ considerarem as manifestações de inconformidade foi o mesmo. 2.2 Restituição/compensação. Estimativa mensal. Valor indevido ou a maior. 14. As IN SRF nº 460, de 2004 e nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinavam que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (Grifouse.) 15. A IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogou a IN SRF nº 600, de 2005: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10983.903703/200975 Resolução nº 1201000.643 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB nº 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. 16. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 17. Foi editada a Súmula CARF nº 84 (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1201000.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006.: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. 18. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 9101 00.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10983.903703/200975 Resolução nº 1201000.643 S1C2T1 Fl. 7 6 contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 19. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 Direito creditório. 20. O valor requerido se refere a estimativa mensal recolhida, mas que não foi objeto de verificação/confirmação pela Autoridade Administrativa; como a discussão se ateve ao direito ou não ao valor do crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, tampouco houve a análise visando confirmar o direito creditório requerido. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10983.903703/200975 Resolução nº 1201000.643 S1C2T1 Fl. 8 7 21. O contribuinte apresentou cópias das DIPJ referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, págs. 77/149, originais, entregues em 27/06/2006 e 25/06/2007, respectivamente. 22. Consta das DIPJ na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por Estimativa, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduzem os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 23. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 10 (dez) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2005 e 2006. 24. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's; assim como algumas das PER/Dcomp se referem a crédito objeto de PER/Dcomps referentes a ainda outros processos), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 25. Há necessidade de: a) analisar os valores confessados e pagos e/ou objetos de compensação das estimativas tidas como recolhidas indevidamente ou a maior, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; b) confirmar os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações que devem ser verificadas, se foram homologadas ou não; c) refazer as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas a maior quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; d) consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto verificar, ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; e) verificar se os saldos negativos anuais resultantes já não foram requeridos como direitos creditórios por meio de Per/Dcomps; f) emitir Parecer acerca do pedido constante dos PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10983.903703/200975 Resolução nº 1201000.643 S1C2T1 Fl. 9 8 compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passível de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. g) cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. h) Devolver o processo ao CARF, em seguida. 3 Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679796/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/02/2006
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO N° 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4°, e artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a _ fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor_ fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3302-006.354
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto)
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/02/2006 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO N° 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4°, e artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a _ fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor_ fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679796/200960 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/02/2006 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO N° 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4°, e artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a _ fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor_ fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 97 96 /2 00 9- 60 Fl. 96DF CARF MF 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto) Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico , emitido pela Delegacia de Administração Tributária cm São Paulo DERAT 03 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de COFINS, cod. dc arrecadação 5442, recolhido cm 03/02/2006. O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade dc fls. 06 a 20, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: Alega possuir “elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISimportação e COFÍNSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISimportação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.679796/200960 Acórdão n.º 3302006.354 S3C3T2 Fl. 3 3 estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1a Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade dó despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 10 de novembro de 2010, através do Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 1627.651, a 5ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu a Turma que: ü A análise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado; ü A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse débito, em DARF, no exato valor declarado cm DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez; ü Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF esses erros haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, observase que a imitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega; ü De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório; Fl. 98DF CARF MF 4 ü A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição c compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na análise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório; ü Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na; manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF; ü Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas; ü No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega, preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. A empresa TIM CELULAR S.A. foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 24 de dezembro de 2010, via Aviso de Recebimento (folhas 51). A empresa TIM CELULAR S.A. ingressou com Recurso Voluntário em 14 de janeiro de 2011, de folhas 52 à 68. Foi alegado em síntese que: ü Da carência de fundamentação do despacho decisório; ü Da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; ü Do escorreito procedimento de compensação realizado pela ora recorrente; DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo, sustandose quaisquer atos tendentes ao seguimento da cobrança dos valores objeto do PER/DCOMP em referência, até ulterior decisão definitiva em contrário, nos termos do artigo 151, III do Código Tributário Nacional c/c Decreto n’ 70.235/72, bem como a inscrição de seu nome no CADIN ou outro órgão de proteção ao crédito e, ainda, que seja declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação deste ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.679796/200960 Acórdão n.º 3302006.354 S3C3T2 Fl. 4 5 deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24 de dezembro de 2010, via Aviso de Recebimento (folhas 51). A empresa TIM CELULAR S.A. ingressou com Recurso Voluntário, em 14 de janeiro de 2011, às folhas 52. O Recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Da carência de fundamentação do despacho decisório; ü Da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; ü Do escorreito procedimento de compensação realizado pela ora recorrente; Passase à análise. Da carência de fundamentação do despacho decisório. É alegado nos itens 08 a 10 do Recurso Voluntário: 08. Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5a Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. 09. Com efeito, com o avanço da tecnologia tornouse quase essencial a comunicação eletrônica entre os órgãos públicos para promover, com eficiência e celeridade, os fins a que se destinam. Fl. 100DF CARF MF 6 10. Contudo, não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao princípio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial, in verbis: A afirmação não procede. Abaixo a tela do Despacho Decisório, às folhas 5: Como se percebe, consta do Despacho Decisório tanto a fundamentação quanto o enquadramento legal, ainda que de forma sintética. A análise eletrônica do despacho decisório demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF, não restando qualquer crédito para ser compensado. Nesse ponto, observese que a DCTF é declaração com atributo de confissão de dívida (§ 1° do art. 5° do Decretolei n° 2.124, de 1984), a qual, para ser desconstituída, também não prescinde da apresentação da competente escrituração e dos documentos que a acobertam. O mesmo se diga em relação a DCOMP que, a teor do art. 74, § 6°, da Lei n° 9.430, de 1996, constitui confissão de dívida. Assim, a prova requerida em favor da pessoa jurídica consiste nos fatos registrados na escrituração e comprovados por documentos hábeis, conforme art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). ” (destaques acrescidos) Como visto da legislação transcrita, a escrituração, por si só, ou seja, quando desacompanhada dos documentos a ela pertinentes, não é suficiente para comprovar os registros ali efetuados. Vejase a jurisprudência: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.679796/200960 Acórdão n.º 3302006.354 S3C3T2 Fl. 5 7 “REGISTROS CONTÁBEIS Devem ser amparados por documentos hábeis, quais sejam, aqueles que tem os requisitos e qualidades indispensáveis para comprovar os lançamentos contábeis e produzir os efeitos jurídicos, sendo insuficiente para comproválos simples declarações de técnico de contabilidade.” [1° CC Ac. 10320.008, DOU de 17/08/99] Ressaltese que o Código Tributário Nacional CTN, aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, prescreve a observância da guarda dos documentos que devem acobertar a escrituração, nos seguintes termos: “Art. 195 (omissis) Parágrafo único os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Nesse mesmo diapasão são as disposições constantes do art. 4° do Decreto lei n.° 486, de 3 de março de 1969, tomado como base legal do artigo 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): “Art. 4°. O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.” E também as disposições do art. 37 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Importante registrar que o tratamento do Pedido de Restituição transmitido pela contribuinte se deu de forma eletrônica, de modo que a verificação dos dados informados no respectivo PER/DCOMP (no caso, Pedidos de Restituição) foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais dados informados pela contribuinte à Receita Federal em outras declarações, bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos etc), resultando no Despacho Decisório em discussão. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a necessária verificação dessas informações no mesmo sistema e a sua validação, via de regra, através do mesmo mecanismo, no prazo de 5 (cinco) anos. Da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade Fl. 102DF CARF MF 8 É alegado nos itens 34 a 36 do Recurso Voluntário: 34. É evidente que quaisquer óbices oriundos de meras formalidades de origens acessórias não podem conduzir à desconsideração da existência de um procedimento tão relevante que busca, principalmente, o interesse do próprio Fisco, sob pena de se ferir os princípios da verdade real, da formalidade moderada e no mais da própria vedação ao enriquecimento ilícito, decorrente do pagamento de valores notoriamente indevidos. 35. Não bastasse o acima exposto, o lançamento dos débitos em decorrência da nãohomologação da compensação ora atacada atenta diretamente o Princípio da Proporcionalidade, o qual, como adverte a doutrina7, impõe uma estrutura de raciocínio precisa, segundo a qual a medida restritiva deve ser avaliada pelas três máximas seguintes: (1) a adequação (aptidão, idoneidade, pertinência) dos meios e medidas adotados para atingir determinado fim de interesse público, (11) a necessidade (exigibilidade) da medida, que não deve ultrapassar os limites indispensáveis à conservação do fim que se almeja (postulado do meio mais benigno, mais suave), e (111) a proporcionalidade em sentido estrito, ou seja, a justa medida, devendo a escolha do Para o deslinde da questão, invoco o PARECER NORMATIVO RFB/COSIT Nº 2 DE 28/08/2015: meio considerar o conjunto dos interesses em pauta, de modo que não haja uma restrição em medida excessiva (postulado da ponderação entre os ônus e benefícios causados). 36. Dessa forma, restando evidente a existência de créditos em favor da Recorrente, e do mero erro formal que lhe acometeu ao realizar os procedimentos compensatórios, deve ser plenamente acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, com o fim de homologarse na íntegra o pedido de compensação consubstanciado no PER/DCOMP atinente ao Despacho Decisório. Vale destacar que a exigência de retificação da declaração está expressa no artigo 147 do Código Tributário Nacional: Lei n ° 5.172, de 1966 (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2° Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.679796/200960 Acórdão n.º 3302006.354 S3C3T2 Fl. 6 9 Notese que, embora tratando de lançamento, o parágrafo que condiciona a admissão de retificadora à comprovação do erro presente em declaração anterior também se aplica aos casos em que se pretende a redução de tributo a pagar em DCTF e, com isso, desvincular pagamento à dívida anteriormente confessada. No caso dos autos, depreendese que a interessada pretende o reconhecimento de débito em valor divergente daquele confessado em DCTF, sem retificar a declaração em que utilizado o pagamento e sem apresentar documento algum comprobatório de seu direito de crédito, não só quanto ao montante do valor de recebimentos relativos a interconexão de redes a ser excluído, mas também quanto à existência de eventual medida judicial conferindo o direito à exclusão, dos referidos recebimentos, da base de cálculo da contribuição, dado que tal procedimento contraria o disposto na lei. Do escorreito procedimento de compensação realizado pela ora recorrente. É alegado nos itens 39 a 42 do Recurso Voluntário: Em busca do reconhecimento do direito ao crédito na forma declarada à Fiscalização mediante PER/DCOMP que, por uma fatalidade, não encontrou lastro nas DCTFs declaradas equivocadamente nos períodos alcançados pelo pedido de compensação, vem a ora Recorrente prestar os seguintes esclarecimentos a este E. Conselho. O PER/DCOMP em questão, transmitido em 19.12.2006 (DOC.02), contemplou a utilização de crédito apurado de COFINS recolhido em 03.02.2006, conforme DARF em anexo no valor de R$ 652.049,31 (seiscentos e cinquenta e dois mil, quarenta e nove reais e trinta e um centavos – DOC.03), para compensação de COFINS apurada no mês de novembro de 2006 no valor de R$ 145.485,04 (cento e quarenta e cinco mil, quatrocentos e oitenta e cinco reais e quatro centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.03.2010 (DOC.04), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame. Com efeito, o entendimento havido pelo v. Acórdão ora Recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações da ora Recorrente não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de ofício, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Isto posto, não tendo sido possível, ao apresentar a referida Manifestação de Inconformidade, efetuar a instrução da mesma com documentação acostada ao presente Recurso e, dada a sua fundamental importância para a comprovação do incontestável Fl. 104DF CARF MF 10 direito pleiteado pela Recorrente, e em total consonância com o princípio da verdade Material e da Legalidade Estrita, requerse a juntada da documentação anexa para que esta, em conjunto com as razões e fundamentos expostos no presente petitório e na Manifestação de Inconformidade, possam ser apreciadas por V.Sa. ao julgar este Recurso. Nos termos da legislação de regência, no âmbito da sistemática não cumulativa da COFINS, a regra de aproveitamento dos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos é sua utilização para desconto da contribuição devida no mês. Diante da impossibilidade de desconto, é cabível pleitear o ressarcimento ou proceder à compensação dos referidos créditos apenas se eles forem vinculados a receitas de exportação ou a receitas de venda no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Como salientado pelo Fisco, o § 4° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, determina que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes (neste item ver, também, os arts. 27 e 49 da IN RFB n° 1.300, de 2012). Ademais, no regime da nãocumulatividade e no tocante aos créditos extemporâneos, podese afirmar que: a) verificado o § 1° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, observase a determinação de que os créditos devem ser apurados por via da aplicação da alíquota sobre o valor dos bens adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, ou seja, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos de apuração, e isto com o fim de que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro período específico de geração do crédito; b) se exige a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). O ressarcimento/compensação de eventuais créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, devendo eles ser pleiteados em procedimentos repetitórios/compensatórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. Consoante exposto, a forma de apuração utilizada pela empresa, de fato, como afirma a Fiscalização, não encontra respaldo legal e impossibilita o controle de sua utilização, vez que não apropria o crédito no período em que incorreu, afirmando, anos depois, que dele não se utilizou na época devida. Os créditos devem ser apurados nos períodos em que incorridos e se não utilizados, podem ser utilizados em períodos posteriores ou objeto de ressarcimentos, ou seja, o crédito apurado e não descontado em um determinado mês poderá ser descontado em meses subsequentes. Dessa forma, se o contribuinte deixar de descontar créditos em relação a um mês, poderá utilizálo em meses subsequentes. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.679796/200960 Acórdão n.º 3302006.354 S3C3T2 Fl. 7 11 Transcrevese, como solução deste litígio, o entendimento que prevaleceu no Acórdão 3401003.542, de 09/06/2017, da relatoria do Eminente Relator Augusto Fiel Jorge Doliveira: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei n° 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".7 Nessa linha, a Lei n° 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão n° 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4o, e artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá Fl. 106DF CARF MF 12 por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3°, §1°, da Lei n° 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE n° 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.679796/200960 Acórdão n.º 3302006.354 S3C3T2 Fl. 8 13 Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3°, alínea f, da Instrução Normativa n° 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3°, §1°, da Lei n° 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso_foi apresentado, nem o valor que, foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei n° 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto n° 70.235/1972). De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei n° 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a Fl. 108DF CARF MF 14 compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915069/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
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INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 50 69 /2 00 9- 71 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10880.915069/200971 Acórdão n.º 3401005.469 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) indeferido por meio do Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa COSMED INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS E MEDICAMENTOS S.A. (sucessora de LABORATÓRIO AMERICANO DE FARMACOTERAPIA S.A.) que: (a) o montante demandado resulta de pagamento a maior, mas, por lapso, não foi retificada a correspondente DCTF; (b) em razão de ser do ramo de farmacêuticos e cosméticos, está sujeita tanto ao regime não cumulativo, quanto àquele previsto no art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha); (c) apesar de declarar em DACON o valor devido correto, com deduções, efetuou pagamento pelo valor total, apresentando DCTF retificadora, alocando parte do pagamento indevido ao PER/DCOMP constante no presente processo; e (d) privilegiar aspectos formais em detrimento do efetivo direito de crédito, além de contrapor decisões administrativas, enseja enriquecimento sem causa da União. Junta à manifestação a seguinte documentação pertinente: DACON, planilha de apuração de PIS/COFINS e DCTF. Requer, por fim, sejam as intimações feitas no endereço dos advogados, sob pena de nulidade absoluta. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08030.298. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivo, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”, reiterando que devem as intimações ser remetidas ao escritório de advocacia, sob pena de nulidade absoluta. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10880.915069/200971 Acórdão n.º 3401005.469 S3C4T1 Fl. 4 3 3401005.460, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690054/200995, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.460): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Sobre a demanda por intimação no endereço do advogado, “sob pena de nulidade absoluta”, destaquese que a intimação, nos processos tributários, como o presente, é regida pelo disposto no Decreto no 70.235/1972, que não contempla a intimação no endereço de advogado do contribuinte, tema que é assentado neste tribunal administrativo a ponto de recentemente ensejar a edição de súmula: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Expurgada essa discussão inicial do contencioso, resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10880.915069/200971 Acórdão n.º 3401005.469 S3C4T1 Fl. 5 4 relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403 002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito existe, e deriva do art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha). Para provar o alegado, junta tabelaresumo de receitas auferidas, DACON de setembro/2006, DARF de pagamento, planilha de apuração da base de cálculo, e DCTF retificadora referente a setembro/2006 datada de 09/12/2009. Por certo que tal documentação é insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, o que fez com que a instância de piso, diante da carência probatória, indeferisse o direito, chegando a sugerir o que deveria ter a demandante carreado aos autos: “Portanto, no presente caso, caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência. O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon (...), por si só não pode ser considerado como Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10880.915069/200971 Acórdão n.º 3401005.469 S3C4T1 Fl. 6 5 elemento de prova. Tanto a DCTF original quanto o Dacon foram apresentados tempestivamente, assim permanece a dúvida: em qual dos dois documentos foram informados os valores corretos? Daí porque, entendo que, no presente caso, o contribuinte deveria ter apresentado cópia de documentos da escrituração (livro Razão, por exemplo), para efetivamente demonstrar o erro supostamente cometido. Destarte, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da defesa, mantendose, pois, o despacho decisório da autoridade local que originou o presente litígio.” (grifo nosso) Até entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. No entanto, mesmo depois de ter seu pleito rechaçado na instância de piso, com a expressa revelação dos motivos pelos quais se entendeu haver carência probatória, com indicação exemplificativa da documentação que poderia provar o alegado, decidiu a recorrente manter postura inerte, de simplesmente endossar que possui o crédito, reproduzindo a manifestação de inconformidade, sem apresentar novos documentos, e acrescentando tópico no qual sustenta que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 E faltou com seu dever de colaboração duplamente a recorrente: primeiro, pelo pedido de crédito alçado em documentação que, por lapso, não corrigiu, nem comprovou, ao 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10880.915069/200971 Acórdão n.º 3401005.469 S3C4T1 Fl. 7 6 apresentar sua manifestação de inconformidade; e, segundo, por insistir em sua peça recursal na não comprovação, mesmo tendo a instância de piso indicado expressamente as razões do indeferimento e que documentos, exemplificativamente, deveria a postulante ter carreado aos autos. A demanda derradeira para “...provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário” opera como um desejo de, na segunda instância do contencioso administrativo, permitirse à empresa a apresentação de provas que ela própria tinha o dever de apresentar desde o início da contenda, sob pena de indeferimento do crédito, como aqui exposto, e opõese ao que reza o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, visto que não se está mais, no caso, diante de nenhuma das situações previstas em suas alíneas. Concluise, então, que a empresa postulante ao crédito efetivamente não se desincumbe de seu dever de comproválo, cabendo a este colegiado, consequentemente, a manutenção da decisão de piso, com a negativa do direito de crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18239.005439/2008-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2008
INÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. PRAZO PARA OPÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES NACIONAL.
No caso de início de atividade econômica a opção pelo regime do Simples
Nacional deve se dar no prazo de 10 (dez) dias da data em que ocorreu o
deferimento da última inscrição cadastral junto aos entes federativos,
respeitado, ainda, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da abertura
da empresa.
Numero da decisão: 1103-000.663
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSÉ SÉRGIO GOMES
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2008 INÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. PRAZO PARA OPÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES NACIONAL. No caso de início de atividade econômica a opção pelo regime do Simples Nacional deve se dar no prazo de 10 (dez) dias da data em que ocorreu o deferimento da última inscrição cadastral junto aos entes federativos, respeitado, ainda, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da abertura da empresa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 INÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. PRAZO PARA OPÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES NACIONAL. No caso de início de atividade econômica a opção pelo regime do Simples Nacional deve se dar no prazo de 10 (dez) dias da data em que ocorreu o deferimento da última inscrição cadastral junto aos entes federativos, respeitado, ainda, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da abertura da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18239.005439/200866 Acórdão n.º 110300.663 S1C1T3 Fl. 59 2 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 6ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ, a qual negou o pedido da contribuinte de revisão do ato de indeferimento de sua inclusão administrativa no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), ultimado em 15 de dezembro de 2009 pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de JaneiroRJ. Em 11 de agosto de 2008 a contribuinte aviou a petição de fls. 01/04 perante a autoridade fiscal jurisdicionante requerendo sua inclusão no regime especial, oportunidade na qual informou que, apesar de constituída desde 01/08/2007, somente em data de 01/08/2008 obteve sua inscrição cadastral perante o Governo do Estado do Rio de Janeiro, fato que lhe teria impedido de ser incluída no regime especial através do sistema dado o transcurso do prazo de 180 (cento e oitenta) dias de sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Argumentou que atende aos requisitos estipulados no artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006 (receita anual de microempresa igual ou inferior a R$ 240.000,00 ou de empresa de pequeno porte igual ou inferior a R$ 2.400.000,00), e que desde sua criação tencionou figurar no Simples Nacional, tanto que apresentou declaração simplificada de inatividade para o ano de 2007, não podendo ser prejudicada pela morosidade na entrega de sua inscrição estadual. Ainda, que seu requerimento estaria sendo protocolizado dentro do prazo de 10 (dez) dias a partir da inscrição estadual, legalmente fixado par realizar opção ao regime. Ao final, requereu sua inclusão com efeitos desde 01 de agosto de 2007, isto é, desde sua constituição. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de JaneiroRJ expediu o despacho decisório de fl. 20 consignando, inicialmente, que não consta nos registros fiscais nenhuma solicitação de opção para os anos de 2007 e 2008, mas somente para 2009, sendo esta regularmente deferida. Passo seguinte, indeferiu o pedido ao pressuposto de que, na condição de empresa em início de atividade, a contribuinte formalizou o requerimento quando ultrapassados 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante no CNPJ, fundamentando a negativa no artigo 7º, § 6º, da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade de fls. 22/28 onde argüiu que não havia como fazer a opção para os anos de 2007 e 2008 em razão do sistema da Receita Federal só permitir a inclusão após o deferimento da última inscrição cadastral do município ou estado. Aduziu que na primeira redação da Resolução CGSN nº 4 nada continha quanto ao prazo de 180 (cento e oitenta) dias e que este foi incluído por resolução do CGSN em 23 de novembro de 2007, quando já existente a contribuinte. Após reiterar as razões insertas no pedido originário registrou que uma das exigências contidas na Resolução anulou a outra, visto que o sistema não permite a opção antes de concedida a última inscrição e não permite a opção após passados 180 dias. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18239.005439/200866 Acórdão n.º 110300.663 S1C1T3 Fl. 60 3 O inconformismo foi admitido e analisado pela douta 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroRJ a qual entendeu, por unanimidade de votos, que a solicitação de opção ao Simples Nacional só teria sido manifestada em 20 de fevereiro de 2009, consoante demonstrativo de fl. 19, portanto muito tempo depois do limite. O Acórdão nº 1228.559 foi assim ementado: Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. REQUISITOS. É requisito de ordem formal e indispensável para o acolhimento da opção pelo Simples Nacional o cumprimento tempestivo das formalidades necessárias ao pleito. Ciente do decisório em 05 de março de 2010, fl. 35v., a contribuinte apresentou em 25 seguinte o recurso de fls. 36/45 argumentando que a decisão recorrida cometeu um equívoco na medida em que seu pedido de inscrição no Simples Nacional foi protocolado no dia 11 de agosto de 2008 e não em 20 de fevereiro de 2009, portanto, dentro dos dez dias após a última inscrição cadastral. Após reprisar suas razões originárias, requer inclusão no regime desde a data de sua constituição. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, registro que o documento de fl. 19 atesta que a contribuinte encontrase inscrita no regime do Simples Nacional desde 1º de janeiro de 2009, o que se deu por força de solicitação específica aviada pela internet em 20 de fevereiro daquele ano. Conseqüentemente, a questão posta a julgamento centrase na validade e eficácia de pretensão deduzida em meio físico anteriormente, em 11/08/2008, a fim do gozo do regime simplificado em períodos anteriores. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) baixou a Resolução nº 4, de 30 de maio de 2007, regulamentando a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). À época do pedido de fls. 01/04, vigoravam forma e o prazo para o exercício da opção pelo regime, assim instituídas pelo legislador delegado: “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18239.005439/200866 Acórdão n.º 110300.663 S1C1T3 Fl. 61 4 § 1º A opção de que trata o “caput” deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (.......................................................................................) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (........................................................................................) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo.” Negritos acrescidos Firmo convicção que os prazos em comento não são antagônicos ou excludentes, como pretendido pela defesa, mas sim, ao contrário, são congruentes. Com efeito, em se tratando de início de atividade econômica, o que afasta a regra geral que pontuou o último dia de janeiro do ano civil para o exercício da opção, há de ser obedecido o prazo de 10 (dez) dias, contados da inscrição cadastral junto aos governos municipal ou estadual, o último que ocorrer, para processamento e eficácia do pedido. Extraio o entendimento que o legislador levou em conta as dificuldades inerentes a inscrições cadastrais, ainda que arroladas entidades jurídicas classificadas de microempresas e empresas de pequeno porte albergadas pelo tratamento diferenciado e favorecido inclusive no tocante à inscrição e baixa (artigos 4º a 11 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006) e assim previu que o prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da inscrição no CNPJ ou da data de abertura nele constante, seriam suficientes para o interessado desvencilharse de eventuais empecilhos burocráticos. Portanto, o primeiro prazo só coexiste enquanto se dá o transcurso do segundo. No caso dos autos restou concluso que a empresa fora constituída em 1º de agosto de 2007 e somente em 1º de agosto de 2008 obteve a inscrição de contribuinte estadual perante o Governo do Rio de Janeiro (RJ). Apesar de trazer o pedido de inclusão no regime especial logo no décimo dias após esse último evento, fato é que o transcurso de um ano desde o início da atividade excedeu o segundo prazo legal. Igualmente restou concluso de que não há qualquer prova de que a autoridade estadual fora requerida contemporaneamente à inscrição na esfera federal (CNPJ), a ensejar a possibilidade de se laborar na tese de que a culpa na demora desse cadastro não cabe à contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18239.005439/200866 Acórdão n.º 110300.663 S1C1T3 Fl. 62 5 Outra linha da defesa diz respeito ao fato de que a norma impositiva do prazo de 180 (cento e oitenta) dias foi introduzida quando já existente a empresa. Realmente, o § 6º do artigo 7º da Resolução CGSN nº 4 veio ao mundo jurídico em 13 de novembro de 2007, por meio da Resolução CGSN nº 23. Assim, entendo que entre a constituição da empresa e o advento dessa resolução não há como contar o prazo nela previsto ante o princípio da irretroatividade das leis. Contudo, mesmo se aplicando a suspensão do prazo, o que equivaleria dizer que a contribuinte dispunha até a data de 12 de maio de 2008 para efetuar a opção pelo Simples Nacional, apurase que a iniciativa aviada em 11 de agosto de 2008 se deu quando já ultrapassados os cento e oitenta dias legais. Por fim, a mera entrega de declaração simplificada para o ano de 2007 não tem o condão de superar o óbice. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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