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Numero do processo: 11040.500463/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração:01/04/1997 a 31/12/1997
DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS DE FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL.
Dispositivo legal não pode atingir fatos pretéritos, ocorridos antes da sua vigência (princípio da segurança jurídica/CF, art. 5º e XXXVI) e da irretroatividade da Lei Tributária (art. 105 do CTN).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 3101-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva e Monica Monteiro Garcia de lós Rios que nesse julgamento votou pelas conclusões.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS DE FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. Dispositivo legal não pode atingir fatos pretéritos, ocorridos antes da sua vigência (princípio da segurança jurídica/CF, art. 5º e XXXVI) e da irretroatividade da Lei Tributária (art. 105 do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva e Monica Monteiro Garcia de lós Rios que nesse julgamento votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 50 04 63 /2 00 5- 30 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11040.500463/200530 Acórdão n.º 3101001.317 S3C1T1 Fl. 4 2 Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 142 verso dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator José Dario Barcellos Pujol, nos seguintes termos: “Trata o presente processo de cobrança de débitos de Cofins informados em DCTF relativos aos períodos de 01 a 06 de 2000 inscritos em Dívida Ativa da União em 3 de fevereiro de 2005. Pela via judicial a empresa obteve o cancelamento das inscrições (o que foi, afinal, efetivado pela PFN Pelotas em 31/07/2007), sendo que o despacho que deferiu a medida liminar proferido na ação mandamental 2007.71.10.005058 9/RS (fls. 78/79). A decisão em sede de agravo de instrumento, proferida em 24/11/2005 (fls. 89) também determinou a suspensão da exigibilidade dos débitos, já que a manifestação de inconformidade estaria pendente de julgamento, provimento confirmado pelo TRF da 4 a Região. No caso, a manifestação de inconformidade tomada dentro do previsto no art. 74 da Lei 9.430/1996 não foi à apresentada no presente processo de cobrança, mas sim no processo 11040.000519/200470, recebida pela DRF Pelotas em 25/05/2004, na qual entre outras alegações de compensação, a empresa afirmou que os débitos de Cofins foram compensados com amparo no art. 66 da Lei 8.383/1991, com créditos de Finsocial, conforme teria informado na DCTF respectiva. Este outro processo foi juntado por anexação ao processo 11040.500462/200595, ante o imbróglio judicial, julgado conjuntamente com o presente. Em despacho decisório (fls. 123/124), a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat Pelotas não homologou a compensações informadas nas DCTF's, posto que os créditos já teriam sido atingidos pela prescrição, determinando a continuidade da cobrança do crédito tributário indevidamente compensado. Cientificada em 05/10/2009, tempestivamente, a empresa apresenta, em 30/10/2009, manifestação de inconformidade contra o indeferimento de seus procedimentos de compensação, alegando preliminarmente a nulidade do despacho decisório da DRF Pelotas, já que a competência para julgamento das manifestações de inconformidade contra compensações não homologadas é da Delegacia de Julgamento. No mérito, insurgese contra a prescrição de seus créditos após o prazo de cinco anos do pagamento, devendo ser considerado o prazo de dez anos contados da data do recolhimento indevido, consoante jurisprudência do STJ. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1024.580 de fls. 142 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2000 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11040.500463/200530 Acórdão n.º 3101001.317 S3C1T1 Fl. 5 3 Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação – Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. AUTOCOMPENSAÇÃO FINSOCIAL COM COFINS Após a vigência da IN SRF 32/1997 e antes da implementação da Declaração de Compensação (2002), compensações entre valores pagos a maior que o devido a título de Finsocial com valores devidos de Cofins somente se operacionalizavam através de requerimento para tal, inexistente no presente caso, sendo insuficiente apenas a informação em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em fls. 148 a 153 onde alega o seguinte: “De acordo com esse entendimento, as compensações feitas pela recorrente com amparo no disposto no art. 66, da L. 8.383191 — de créditos do Finsocial com débitos de Cofins — merecem ser homologadas, pois efetuadas dentro do prazo consagrado judicialmente de "cinco mais cinco" (cinco anos do fato gerador + cinco anos da homologação). Importante salientar que a não homologação das compensações havia sido cientificada à recorrente através do Termo de Intimação N° 00005377 (fls. 32), contra o qual foi apresentada, em 14/09/2004, a "manifestação de inconformidade" prevista no § 9° do art. 74, da L. 9.430/96. Incompreensível, por isso — além de supérfluo e extemporâneo —, o pronunciamento da DRFB/Pelotas a fls. 123/124: se a não homologação já havia sido comunicada ao contribuinte e tinha sido alvo de manifestação de inconformidade, o que cabia era o julgamento (pela autoridade competente) da inconformidade e não, novo pronunciamento sobre a não homologação. Até mesmo porque de há muito transcorrido o prazo previsto no § 4°, do art. 150, do CTN. Se for emprestada alguma validade ao referido despacho (como o fez a decisão recorrida, nos dois primeiros parágrafos do "voto" de fls. 142 'v°), não pode deixar de ser reconhecida a decadência do direito fazendário de rever, em 2009, compensações informadas em DCTF's apresentadas no ano de 2000. O único efeito que se pode atribuir ao despacho em comento foi o de explicitar o real motivo da não homologação das compensações: o transcurso de mais de 5 anos entre o surgimento do crédito e a sua utilização pelo contribuinte. Motivo, aliás, ressaltado na decisão recorrida, a fls. 143 ("O cerne do litígio a ser analisado no presente processo recai sobre o transcorrimento (sic) do prazo decadencial (ou prescricionals como entendem vários estudiosos"). Por isso também inaceitável a alusão constante do "voto" recorrido no sentido de que — se vencida a com aqueles devidos a título de contribuição para o financiamento da Seguridade Social – COFINS;” Finalmente requer: a reforma da decisão recorrida mediante o reconhecimento do seu direito às compensações injustamente não homologadas. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11040.500463/200530 Acórdão n.º 3101001.317 S3C1T1 Fl. 6 4 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase o presente processo de cobrança de débitos de Cofins informados em DCTF relativos aos períodos de 01 a 06 de 2000 inscritos em Dívida Ativa da União em 3 de fevereiro de 2005. Superada a questão da inscrição da divida por cancelamento por ordem judicial, restou à compensação efetuada pela Recorrente em DCTF que segundo o voto condutor da decisão recorrida, “O cerne do litígio a ser analisado no presente processo recai sobre o transcorrimento do prazo decadencial (ou prescricional, como entendem vários estudiosos).” Entendendo correta a decisão efetivada pela DRF jurisdicionante. Tal entendimento baseouse no entendimento que: nos termos do art. 168, I, do CTN, o direito de pleitear restituição/compensação de créditos contra o Fisco extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição dotada no Parecer PGFN/CAT 678, de 28 de maio de 1999. O referido ato emanado do órgão responsável pela representação judicial da Fazenda Nacional foi corroborado pelo Parecer PGFN/CAT/ 1538/99, de 28 de setembro de 1999, versando sobre o prazo para pleitear compensação/restituição de indébitos perante a Fazenda, cujo trecho conclusivo, atinente a presente lide, abaixo transcrevo: (...)” Entretanto, dele vou discordar à luz da dicção trazida pelo art. 3º. da norma que deixo de reproduzir por demais repetido nesse processo, que demarca a temática adstrita ao termo a quo para a contagem do quinquênio prescricional da restituição do indébito, conforme o art. 168, I, do CTN. Segundo Eduardo Sabbag (Direito Tributário p.155) “Como se notou, o art. 3º. da Lei Complementar n. 118/2005 pretendeu costear iterativa jurisprudência afeta ao prazo para restituição do tributo, denotando inequívoco desvio de finalidade, além de inafastável comportamento abusivo do legislador, que pretendeu invadir seara competencial alheia, no caso, a própria do Poder Judiciário”. A jurisprudência posicionouse contrariamente à feição interpretativa da Lei Complementar n.118/2005 a ponto de que do ponto de vista prático o prazo prescricional imposto pela LC n. 118/2005, passa a ser o seguinte: I – Relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da Lei Complementar n. 118/2005 (09.06.2005): o prazo para pleitear a restituição é de cinco anos, a contar da data do recolhimento do indevido; II – Relativamente aos pagamentos efetuados antes da vigência da Lei Complementar n. 118/2005 (09062005): o prazo para se pleitear a restituição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitado, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei complementar. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11040.500463/200530 Acórdão n.º 3101001.317 S3C1T1 Fl. 7 5 No caso específico a compensação foi feita antes da vigência da Lei Complementar n.118/2005 (0962005), ou seja, em 2000, logo, não se pode aplicar essa retroatividade da lei em prejuízo do contribuinte. (princípio da segurança jurídica/CF, art. 5º e XXXVI) e da irretroatividade da Lei Tributária (art. 105 do CTN). Outro aspecto a considerar da decisão recorrida está no seguinte trecho do voto condutor da decisão recorrida, ou seja: “Cabe ainda ressaltar que não há nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Pátrio. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através das guias de pagamento, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores...”. Nesse aspecto, cabe lembrar que a Recorrente procurou o amparo do judiciário para cancelamento de sua inscrição na dívida ativa de crédito correspondente, que esse processo só se transformou em processo de compensação para que a mesma compensação fosse analisada e homologada e que não foi dada a Recorrente qualquer oportunidade para apresentar essa liquidez e certeza de seus créditos, mas uma prematura cobrança através de execução fiscal. Porém, como a Recorrente, superou essa dificuldade com a juntada de demonstrativo e dos DARFs recolhidos em fls. 159 a 170, até por determinação judicial é necessário que os mesmos documentos sejam analisados pela administração antes de não reconhecer a compensação realizada pela Recorrente e possível constituição do crédito tributário se houver. Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar o impedimento da homologação das compensações relativas à prescrição não ocorrida pela irretroatividade da lei tributária, bem como determinar a devolução dos autos do processo ao órgão a quo para apreciar as demais questões de mérito em especial os documentos apresentados em fls 159 a 170. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11040.500463/200530 Acórdão n.º 3101001.317 S3C1T1 Fl. 8 6 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 23034.024021/2003-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2001
Ementa:
TERCEIROS -SALÁRIO EDUCAÇÃO
As atividades relativas ao planejamento, execução, acompanhamento e avaliação das atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência.
PRECLUSÃO TEMPORAL.
As razões e a documentação que poderiam comprovar a correção da falta não foram apresentadas em tempo hábil, se não o fez à época da autuação e nem à época da impugnação não há que se falar em apresentação de documentos em fase recursal.
A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 09/1998, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu aplicar-se ao caso o artigo 173, I do Código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2001 Ementa: TERCEIROS -SALÁRIO EDUCAÇÃO As atividades relativas ao planejamento, execução, acompanhamento e avaliação das atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. PRECLUSÃO TEMPORAL. As razões e a documentação que poderiam comprovar a correção da falta não foram apresentadas em tempo hábil, se não o fez à época da autuação e nem à época da impugnação não há que se falar em apresentação de documentos em fase recursal. A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FUNDO NACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO FNDE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2001 Ementa: TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO As atividades relativas ao planejamento, execução, acompanhamento e avaliação das atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. PRECLUSÃO TEMPORAL. As razões e a documentação que poderiam comprovar a correção da falta não foram apresentadas em tempo hábil, se não o fez à época da autuação e nem à época da impugnação não há que se falar em apresentação de documentos em fase recursal. A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 40 21 /2 00 3- 80 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 09/1998, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu aplicarse ao caso o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.024021/200380 Acórdão n.º 2302002.389 S2C3T2 Fl. 300 3 Relatório O presente processo referese ao Auto de Infraçãon.º 0001144/2003, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, pelo Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação,em 17/10/2003, referente a diferenças nas deduções efetuadas em relação ao número de alunos beneficiados na modalidade “Indenização de Dependentes”, relativas ao período de 02/1997 a 12/2001. Após a apresentação da defesa, Informação de fls. 129, propõe o deferimento parcial da impugnação, frente às retificações apresentadas pelo contribuinte. Decisão de 1ª Instância consubstanciada no Ofício n.º 2219/2004, de 08/10/2004, emitido pela SETAD/DCGEAR/DIROF/FNDE/MEC, retifica o crédito lançado no valor de R$ 136.144,16 (Cento e trinta e seis mil, cento e quarenta e quatro reais e dezesseis centavos) para R$ 16.086,40 (Dezesseis mil, oitenta e seis reais e quarenta centavos), fls. 139/140. Ainda inconformado, o contribuinte recorre da decisão, arguindo, em síntese: a) que a cobrança não procede em função dos ajustes efetuados nas competências seguintes; b) que no primeiro semestre de 1998, se olvidou de deduzir o valor relativo ao salário educação das guias do INSS e em 04/1998, promoveu o ajuste da parcela mensal correspondente a 34 bolsas, juntamente com aquelas do primeiro trimestre, o que acarretou o valor bastante superior ao previsto mensalmente; c) que em 05/1998, foi deduzido o valor integral do primeiro trimestre; d) que buscou compensar eventuais divergências nos meses seguintes, junta planilhas para comprovar; e) que o FNDE não considerou as deduções dos empregados Geminiano Moreira Ribeiro, cuja antiga empregadora não promoveu o correto cadastramento no sistema FNDE e Reinaldo Abrahão Paz, cujo pagamento ocorreu no nome da esposa e o FNDE não possibilita tal informação; f) que em nenhum momento glosou o FNDE e a dedução só foi efetuada porque o benefício foi devidamente repassado aos funcionários. Requer a improcedência das acusações. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O recurso foi encaminhado ao Conselho Deliberativo do FNDE, que o encaminhou à Procuradoria Federal FNDE, a qual emitiu o Parecer n.º 205/2007, fls. 262/264, se pronunciando pela competência da Receita Federal do Brasil em apreciar a matéria, frente ao disposto pela Lei n.º 11.457/2007. Desta forma, os autos foram encaminhados a este Colegiado. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.024021/200380 Acórdão n.º 2302002.389 S2C3T2 Fl. 301 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. Da Preliminar O débito do contribuinte juntou ao FNDE foi apurado com base nas avaliações realizadas nas informações prestadas ao Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental e referese a divergência de valores deduzidos e o número de alunos indicados pela sociedade empresária. As diferenças foram apuradas entre o primeiro semestre de 1997 e o segundo semestre de 2001 e o auto de infração lavrado em 08/10/2003, foi cientificado ao sujeito passivo através de registro postal em 17/10/2003. Embora não tenha sido arguida pela recorrente, por ser matéria de ordem pública, deve ser examinada a questão da decadência no período autuado. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.024021/200380 Acórdão n.º 2302002.389 S2C3T2 Fl. 302 7 No caso presente, como não há provas de que a recorrente tenha agido com dolo, praticado fraude ou simulação, e devido a existência de recolhimentos parciais, é de ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas da autuação as competências até 09/1998, inclusive: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Do Mérito Quanto às divergências apontadas, a recorrente em sua peça de defesa diz que houve erro na captação dos dados enviados, mas que não houve falta de pagamento e que não pode ser responsabilizado pelo erro na transmissão de dados, devendo a coordenação aceitar o reenvio das informações. Alega também, que a partir das reformulações do FNDE em 12/96, se olvidou de incluir funcionários nas relações, mas que eles constavam das folhas, apresentaram o atestado de escolaridade dos filhos e receberam o benefício. Todavia, não faz menção ao nome dos funcionários. A defesa foi examinada e a decisão de primeira instância reconheceu as informações prestadas pelo contribuinte e retificou parcialmente o débito lançado. Ocorre que por ora do recurso, a recorrente inovou em suas razões dizendo que buscou compensar divergências em meses subsequentes; que se olvidou de deduzir o valor relativo ao semestre semestre de 1998 e por isso nos meses de 04/1998 e 05/1998 promoveu aos ajustes, o que acarretou valor superior ao previsto e que deduções correspondentes aos pagamnetos efetuados ao segurados Geminiano Moreira Ribeiro e Reinaldo Abrahão Paz, não foram consideradas. Conforme já explanado na preliminar deste voto, as competências até 09/1998, foram excluídas da autuação, motivo pelo qual não deixou de me manifestar sobre o mérito da autuação nestas competências No que se refere às deduções que não teriam sido consideradas, relativamente as funcionários Geminiano Moreira Ribeiro e Reinaldo Abrahão Paz, entendo que o assunto não foi trazido por ora da defesa, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, conforme disposição do artigo 16 Decreto n.º 70.235/72, abaixo transcrita , in verbis: Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 DECRETO Nº 70.235 DE 6 DE MARÇO DE 1972 DOU DE 7/3/72 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) No caso em tela, os argumentos da recorrente são diversos dos apresentados na impugnação e não serão examinados frente à preclusão. Desta forma, não cabe a este Conselho acatar o pleito do recorrente porque as razões e a documentação que poderiam comprovar a correção da falta não foram apresentadas em tempo hábil, se não o fez à época da autuação e nem à época da impugnação não há que se Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.024021/200380 Acórdão n.º 2302002.389 S2C3T2 Fl. 303 9 falar em apresentação de documentos em fase recursal. Ademais, os documentos apresentados quando da defesa foram devidamente examinados e se prestaram a retificar o débito da recorrente. Não houve nos autos demonstração de exceção que ensejasse o recebimento das provas em fase recursal. Desta forma, precluso o direito da recorrente, haja vista que a essência da preclusão vem a ser a perda, extinção ou consumação do exercício de ato processual pela inércia da parte, no lapso de tempo prescrito por lei. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, devendo ser excluídas da autuação as competências até 09/1998, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.720732/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2007
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.944
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.720732/201041 Recurso nº 939.851 Voluntário Acórdão nº 220201.944 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria ITR Recorrente VALE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, VALE S.A., foi lavrado, em 12/04/2010, a Notificação de Lançamento nº 06101/00043/2010 (às fls. 01/04), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 554.222,61, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2007, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda João Pereira”, cadastrado na SRF, sob o nº 0.641.1339, com área declarada de 1.640,8 ha, localizado no Município de Congonhas/MG. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2007 incidentes em malha valor, inicious se com a intimação de fls. 05/06, exigindo se a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2007, a preço de mercado. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, no valor de R$: VTN para o Município 2.970,01. Por não constar dos autos a apresentação de nenhum documento de prova e no procedimento de análise e verificação das informações constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu alterar o VTN declarado de R$ 54.000,00 para R$ 4.873.192,41, com base no valor de R$ 2.970,01/ha indicado no SIPT para o citado município, com consequente aumento do VTN tributável e disto resultando o imposto suplementar de R$ 274.449,15, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontram se descritos às folhas 02 e 04. Cientificada do lançamento em 19/04/2010, fls. 67, a Impugnante, por meio de procuradores legalmente constituídos, doc. de fls. 26/28, protocolou em 18/05/2010, fls. 15, a impugnação de fls. 15/25, lida nesta Sessão, instruída com os documentos de fls. 29/66. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • apresenta um relato dos fatos que originaram a presente notificação de lançamento concluindo que a autuação fiscal não é de subsistir; • observa que a apuração do valor da terra nua, no caso em apreço, baseouse em critérios subjetivos, quais sejam, "os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria SRF n° 447 de 28.03.02", sistema este supostamente estabelecido com base no ordenamento do artigo 14 da Lei 9.393/96 para "fornecer Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.720732/201041 Acórdão n.º 220201.944 S2C2T2 Fl. 2 3 informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural"; • mostra o que dispõe os artigos 2º e 3º da Portaria SRF n° 447/02, concluindo que da leitura do supracitado dispositivo que o sistema utilizado pela Receita Federal do Brasil para arbitrar o valor do imóvel rural não possibilita ao contribuinte o acesso aos dados nele inseridos, de forma a inviabilizar lhe a discordância das informações levantadas e dos cálculos efetuados pelo Fisco; • pelo fato de não serem divulgados os parâmetros e diretrizes adotados pela Receita Federal do Brasil para o estabelecimento do quantum debeatur do Imposto Territorial Rural, fica o contribuinte à mercê da forma de apuração que melhor aprouver ao Fisco, que, como visto, não está adstrita aos contornos das Leis 8.629/93 e 9.393/96, restando patente a afronta ao princípio da estrita legalidade; • mostra o que determina, em seu artigo 14, a Lei 9.393/96; • informa que a Lei n.° 9.393/96 fez referência à redação original da Lei n.° 8.629/93 e transcreve o seu art. 12 e conclui que não há garantia de que os critérios tenham sido efetivamente observados quando da avaliação fiscal; • a utilização do SIPT, nos moldes em que é realizada, ampliou o leque de discricionariedade da Receita Federal do Brasil, possibilitando alterações constantes no sistema, através da “alimentação”, indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis), de forma a interferir nos critérios de quantificação tributária; • a outorga concedida à Receita Federal do Brasil, para proceder ao lançamento de ofício do tributo, nos casos especificados em Lei, por meio de "sistema por ela instituído", acabou por permitir que o órgão administrativo furte se de obedecer ao regramento estatuído na Lei; • nos termos do artigo 142 do C.T.N., a atividade de lançamento é vinculada ("a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória"); • não se pode perder de vista que todo e qualquer ato administrativo deve ainda se pautar pelos princípios da legalidade, que tem contorno específico na seara tributária (art. 150,1, Constituição da República C. R./88) e da motivação (art. 37, caput, CR/88); • a natureza vinculada do lançamento o sujeita à estrita observância da lei, especificamente, no caso, aos elementos que compõe a hipótese de incidência tributária; • nesse sentido, mostra lições do Prof. IVES GANDRA e ALBERTO XAVIER; • a utilização indiscriminada do Sistema de Preços de Terras SIPT, tal qual ocorre no caso em apreço, caracteriza flagrante cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que não lhe possibilita, repitase, o acesso às informações nele inseridas, utilizadas para lastrear o lançamento; • considerando que (i) não há garantias de que os critérios estabelecidospela Lei n° 8.629/1993 tenham sido efetivamente observados para a apuração do VTN no presente Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 caso; (ii) a "alimentação" indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis) no Sistema de Preços de terra SIPT interfere nos critérios de quantificação tributária; (iii) a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo ser regida pelos estritos contornos dos princípios da legalidade e da motivação, e (iv) não é disponibilizado ao contribuinte o acesso às informações lançadas no SIPT para o cômputo do valor da terra nua, caracterizando afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, é inconteste a nulidade da autuação vergastada; • neste mesmo sentido mostra decisões do E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA; • os valores apontados no Auto de Infração superam o montante que, efetivamente, representa o valor de mercado do imóvel, conforme se infere do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, realizado por profissionais especializados, contratados pela Impugnante; • o valor venal do imóvel objeto desta avaliação é R$ 1.661.615,05 (um milhão, seiscentos e sessenta e um mil, seiscentos e quinze reais e cinco centavos); • é assegurado ao contribuinte, nos termos do artigo 148 do CTN (transcreve o), o direito de contraditar este arbitramento, inclusive na esfera administrativa e mostra jurisprudência do E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA; • consistindo o Laudo de Avaliação do imóvel, em anexo, documento hábil a revelar o desacerto do arbitramento promovido pelo Fisco, e tendo em conta o disposto no aludido artigo 148, não há como prevalecer o montante do ITR estipulado no auto de infração referente a esta parcela, devendo, quando muito, prosseguir a cobrança com base no valor de mercado da terra nua, indicado no supracitado Laudo, em consonância com o disposto no artigo 12 da Lei n.°.8.629/93; • finalmente, requer a Impugnante seja julgada procedente a presente Impugnação, declarando se a insubsistência da autuação fiscal, ou, sucessivamente, seja reformulada a exigência fiscal, tendo em vista o valor de mercado do imóvel, informado no Laudo de Avaliação trazido aos autos, por ser medida de Direito e Justiça. Ressalva se que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referem se aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. A DRJ Campo Grande ao apreciar as razões da interessada, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado em conformidade com os princípios constitucionais vigentes, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.720732/201041 Acórdão n.º 220201.944 S2C2T2 Fl. 3 5 possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, momento oportuno para rebater as acusações e apresentar os documentos de provas respectivos, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exige se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, além de atender aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2007), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos, deve ter a ART devidamente anotada no CREA/MG, por se tratar de documento eminentemente técnico, de caráter obrigatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito o interessado interpõe recurso voluntário onde reiterando ponto descritos na impugnação. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A lançamento referese exclusivamente a alteração do VTN. Tendo em vista questão prejudicial, sem analisar as preliminares, passamos a apreciar a questão do arbitramento do VTN. Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.720732/201041 Acórdão n.º 220201.944 S2C2T2 Fl. 4 7 Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 09, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13768.000496/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RENDIMENTOS. APOSENTADORIA. REFORMA OU PENSÃO. ISENÇAO POR MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. Havendo a comprovação da patologia, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, há de ser reconhecida a isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 33.491,95, excluindo-os da base de cálculo do lançamento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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APOSENTADORIA. REFORMA OU PENSÃO. ISENÇAO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. Havendo a comprovação da patologia, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, há de ser reconhecida a isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 33.491,95, excluindoos da base de cálculo do lançamento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 04 96 /2 00 8- 57 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13768.000496/200857 Acórdão n.º 2801002.574 S2‐TE01 Fl. 158 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Para o sujeito passivo identificado no preâmbulo foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Vitória (ES), a Notificação de Lançamento de fls. 7/10, referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2006. A restituição apurada foi reduzida para R$ 706,13. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual retificadora entregue em 28/12/2007, quando foram alterados os dados nela informados, em razão da omissão de rendimentos de pessoa jurídica (ABW), omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos por moléstia grave e compensação indevida de imposto retido, nos valores de R$ 5.177,97, R$ 33.491,95 e R$ 8.342.57, respectivamente, conforme enquadramento legal e descrição dos fatos às fls. 8/9. Relativamente aos rendimentos indevidamente declarados como isentos, a autoridade lançadora anotou na descrição dos fatos que laudo médico emitido pelo SUS não atende às exigências legais para concessão do beneficio, pois o SUS não é uma instituição pública. Depois da ciência do lançamento, o sujeito passivo apresenta impugnação às fls. 1/3, na qual, inicialmente, faz remissão aos termos do lançamento. Alega que é portador de moléstia grave e o SUS é o Sistema Único de Saúde ligado ao atendimento médico da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para comprovar a moléstia grave, ressalta que anexa aos autos documentos envolvendo o procedimento do seu primeiro atendimento até o término da cirurgia a que foi submetido. Acrescenta que declarou como isentos os rendimentos recebidos de pessoa jurídica (ABW), no valor de R$ 5.177,97, considerados como omissão. Aduz, ainda, que tem direito à dedução de Previdência Privada/FAPI e ao restabelecimento da compensação de imposto retido, nos valores de R$ 8.342,57 e R$ 10.168,52, os quais incidiram sobre complementação de aposentadoria paga pela Fundação Banestes. Foram juntados aos autos os documentos de fls. 11/94. É o relatório.” Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13768.000496/200857 Acórdão n.º 2801002.574 S2‐TE01 Fl. 159 3 Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento ou à decisão administrativa, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e decorrentes do trabalho assalariado são tributáveis na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido” Doravante, o contribuinte apresentou recurso voluntário almejando a reforma da decisão de primeira instância, consoante os mesmos argumentos suscitados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conheço do Recurso, pois presentes os seus requisitos de admissibilidade. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado em face do Recorrente tendo em vista suposta omissão de receitas apurada no ano calendário 2005 (exercício 2006). Isso porque, na DIPJ apresentada no período o Recorrente declarouse portador de moléstia grave, consistente em cardiopatia grave, acarretando na isenção integral do tributo, nos termos do art. 39, inciso III, do RIR/99. A fiscalização, contudo, em um primeiro momento, desconsiderou a isenção sob o argumento de que não fora comprovada a moléstia através de laudo oficial. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13768.000496/200857 Acórdão n.º 2801002.574 S2‐TE01 Fl. 160 4 Não procede a constatação fiscal, na medida em que o documento juntado à fl. 13, fora emitido por médico integrante do SUS, sendo este serviço de saúde oficial mantido pelo Governo Federal. Ademais, a documentação complementar juntada ao processo não deixa dúvida quanto ao fato do Recorrente ser portador da cardiopatia grave. A própria decisão recorrida, por sua vez, reconhece que há comprovação, mediante laudo oficial, que o Recorrente é portador de problemas cardíacos, mas não reconhece a isenção sob o argumento de que as doenças previstas nos laudos médicos, identificadas mediante códigos CID, não indicavam precisamente tratarse de cardiopatia grave. Ocorre que a cardiopatia grave é o gênero no qual se inserem as doenças cardíacas identificadas pelos laudos médicos, de modo que deve ser desconsiderado o argumento desenvolvido na decisão recorrida. Portanto, comprovado através de laudo médico oficial que o Recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida a isenção tributária por ele pleiteada, inserta no art. 39, inciso III, do RIR/99. Diante do exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos no valor de R$ 33.491,95, excluindoos da base de cálculo do lançamento. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000813/2001-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1997
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. SUCESSÃO. SOCIEDADE DE AÇÕES TRANSFORMADA PARA QUOTAS. Incabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, salvo se
apurada antes do evento.
Recurso voluntário provido em parte.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-001.769
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 106-16.913, fazendo constar que ao recurso voluntário foi dado parcial provimento.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1997 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. SUCESSÃO. SOCIEDADE DE AÇÕES TRANSFORMADA PARA QUOTAS. Incabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, salvo se apurada antes do evento. Recurso voluntário provido em parte. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 10616.913, fazendo constar que ao recurso voluntário foi dado parcial provimento. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.000813/200146 Acórdão n.º 210101.769 S2C1T1 Fl. 201 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fls. 196/198) interposto em 01 de dezembro de 2010 contra o acórdão de fls. 187/192, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar a multa de ofício da autuação. O acórdão teve a seguinte ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Ocorrendo problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados, vez que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO – SUCESSÃO. SOCIEDADE DE AÇÕES TRANSFORMADA PARA QUOTAS Incabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, salvo se apurada antes do evento. Recurso voluntário provido.” Não se conformando, a União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração, pedindo seja sanada a contradição/obscuridade apontada, uma vez que a decisão atacada acolheu apenas um dos pedidos formulados pela contribuinte, mas fez constar do dispositivo a “procedência total do recurso”. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) em 01/12/2010, com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Fl. 417DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16327.000813/200146 Acórdão n.º 210101.769 S2C1T1 Fl. 202 3 Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. No presente caso, a Embargante pede seja sanada a contradição/obscuridade verificada no acórdão recorrido que, a despeito de ter acolhido apenas um dos pedidos do recurso voluntário, qual seja, de exclusão da multa de ofício aplicada, expressou na parte dispositiva que foi dado provimento integral a ele. Com efeito, a autuação concerne a Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre os rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, com fatos geradores ocorridos em 30/04/1996 e 29/05/1996, no valor de R$ 2.489.270,73, a título de principal, juros e multa de ofício de 75%, lançamento mantido pelo órgão de primeira instância. A contribuinte, em seu recurso voluntário, insurgiuse contra referida decisão, postulando fosse (i) reconhecida a completa nulidade do auto, (ii) subsidiariamente, o arquivamento dos autos, em virtude da improcedência da ação fiscal, ou, ainda, (iii) o afastamento da incidência da multa. De fato, do voto vencedor que embasou o acórdão contestado, é possível constatar que a então relatora, Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, afastou as preliminares de nulidade e, no mérito, afastou a incidência da multa de ofício aplicada, eis que, “à luz do artigo 132 do CTN, a responsabilidade da sucessora se limita aos tributos devidos pela sucedida até a data da sucessão, e, como o tributo não pode constituir sanção de ato ilícito, tendo a multa de ofício caráter de sanção, não pode passar da pessoa do sucedido para a pessoa do sucessor, salvo se, à época da sucessão, o crédito dela decorrente já estivesse devidamente constituído.” Ou seja, a procedência do recurso foi apenas parcial, e não total, como constou da parte dispositiva. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 10616.913, fazendo constar que ao recurso voluntário foi dado parcial provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10811.000288/2010-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2010
CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA IMPORTAÇÃO REGULAR.
Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria.
OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL.
A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.
RESPONSABILIDADE.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 1801-001.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: contrabando/descaminho
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2010 CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA IMPORTAÇÃO REGULAR. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 56 1 55 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10811.000288/201010 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.362 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de março de 2013 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente ADRIANO DA SILVA MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA IMPORTAÇÃO REGULAR. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 02 88 /2 01 0- 10 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 57 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 105, de 01.06.2010, com efeitos a partir de 01.11.2009, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, fl. 32 (inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Restou evidenciado que seis maços de cigarros da marca Eight de procedência do Paraguai foram encontrados no interior do estableceimento comercial sem prova de introdução regular no País. O procedimento de ofício é decorrente do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810700/00121/10, de 08.12.2010, lavrado contra a Recorrente por violação das medidas de controle fiscal relativas a fumo, cigarro, charuto de procedência estrangeira combinado com o perdimento de mercadoria, pelo porte e comercialização de tais produtos em seu estabelecimento formalizado no processo nº 10811.000045/201073, que se encontra findo na esfera administrativa e cujas cópias constam às fls. 0425. Cientificada em 19.08.2010, fl. 38, a Recorrente apresentou a impugnação em 20.08.2010, fl. 39, argumentando que a) Não exclusão do regime como optante pelo SIMPLES NACIONAL, pois estou passando por grande dificuldade por ser um estabelecimento de pequeno porte e estabelecido em um bairro periférico da cidade. b) O produto ora apreendido simplesmente era para consumo e uso próprio de meus familiares e jamais estava comercializando o mesmo, conforme pode observar na quantia localizada. c) Portanto peço o encarecidamente que seja mantido as condições determinadas pelo Regime atribuídos a Microempresas e Empresas de Pequeno porte. Termos em que P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.386, de 26.01.2012, fls. 4547: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 58 3 Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Notificada em 02.05.2012, fl. 51, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.05.2012, fl. 53, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que sua atividade principal é a comercialização de bebidas e que possía apenas “08 cigarros não utilizados de um maço que contém 20”. Em face do exposto, requer o cancelamento do presente processo. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra o ato de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. Os seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Tratase de ato, de cuja emissão é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. O Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 105, de 01.06.2010, foi emitido pela autoridade competente com efeitos a partir de 01.11.2009, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, qual 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 59 4 seja, seis maços de cigarro marca Eight de procedência do Paraguai encontrados no interior do establecimento comercial sem prova de introdução regular no País, fl. 32. Estes fatos estão comprovados nos autos mediante o Auto de Infração lavrado contra a Recorrente por violação às medidas de controle fiscal relativas a fumo, cigarro, charuto de procedência estrangeira combinado com o perdimento de mercadoria, pelo porte e comercialização de tais produtos em seu estabelecimento formalizado no processo nº 10811.000045/201073, que se encontra findo na esfera administrativa. O processo também está instruído com o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810700/00121/10, de 08.12.2010, protocolado no processo administrativo de nº 10811000.045/201073, e ainda com o Boletim de Ocorrência e Autoria Conhecida expedido pela Delegacia de Polícia Civil de Catanduna/SP datado de 14.06.2007 e cujas cópias constam às fls. 0425. Assim, os seis maços de cigarros da marca Eight de procedência do Paraguai que foram encontrados pelas autoridades públicas para fins de comercialização configuram o ilítico que lhe foi imputado. Ademais, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”2. Nesse sentido, restou configurado que a Recorrente não observou as determinações legais pertinentes à matéria e por esta razão está sumetido à consequência legal de sua conduta decorrente da prática do ato ilícito. A Recorrente, considerada pela legislação como possuidora ou detentora da mercadoria3, não demonstra o fato de que essa mercadoria era de tutilaridade de outrem, uma vez que lhe cabe o ônus de provar a falta de veracidade de fatos comprovados pelas autoridades públicas de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica. Ademais, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”4. Ainda a Súmula do CARF nº 90 expressamente determina que “caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria”. Nesse sentido, restou configurado que a Recorrente foi qualificada como sujeito passivo da obrigação5 e não observou as determinações legais pertinentes à matéria e por esta razão está sumetido à consequência legal de sua conduta decorrente da prática do ato ilícito. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o procedimento não poderia ter sido formalizado. A pessoa jurídica optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo 2 Fundamentação legal: art. 136 do Código Tributário Nacional. 3 Fundamentação legal art. 87 da Lei no. 4.502, de 30 de nevembro de 1964. 4 Fundamentação legal: art. 136 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal art. 121 do Código Tributário Nacional. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10811.000288/201010 Acórdão n.º 1801001.362 S1TE01 Fl. 60 5 administrativo fiscal6. Por esta razão foi exarado o ato de exclusão de forma regular. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10280.722277/2009-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção..
CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan, quanto aos serviços de remoção de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Lima, OAB/PA nº 9664 e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.. CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção.. CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan, quanto aos serviços de remoção de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Lima, OAB/PA nº 9664 e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 77 /2 00 9- 98 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento eletrônico da Cofins não cumulativa – exportação relativo ao 1º Trimestre de 2007, transmitido em 29/08/2007, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 14/04/2011, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologadas parcialmente as compensações declaradas. A fiscalização efetuou glosas relativas a bens aplicados como insumos no processo produtivo, que se encontram discriminados nas planilhas 10 e 10 A . Os fundamentos dessas glosas foram os seguintes: a) os produtos ou bens não são aplicados diretamente no processo produtivo; b) os produtos ou bens são classificados no ativo imobilizado; e c) o produto ou bem não se encontra descrito detalhadamente ou não apresenta informação sobre sua aplicação no processo produtivo. A fiscalização glosou serviços utilizados como insumos no processo produtivo, conforme planilhas 8 e 9. As glosas estão lastreadas no fato de os serviços não terem sido utilizados diretamente na produção dos bens vendidos e nem se referirem a serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção. A fiscalização glosou créditos aproveitados no período de 4 anos correspondendo a 1/48 do valor de aquisição do bem (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, § 14, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004), conforme planilhas 01 a 7B. Os fundamentos para essas glosas foram os seguintes: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações que não abrangidas pelo benefício legal. A fiscalização glosou créditos aproveitados no prazo de 12 meses, a partir da data de aquisição, calculados mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos e equipamentos novos relacionados em regulamento, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 e Decreto nº 5.988/2006, conforme planilha 7 – D. As motivações para essas glosas foram as seguintes: a) a data de aquisição do bem é anterior ao advento da criação do benefício; b) o direito ao crédito previsto no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 não se aplica a edificações; c) existem bens que não pertencem ao imobilizado ou não são empregados no processo produtivo; d) existem bens que não estão relacionados no Decreto nº 5.988/2006; e e) a aquisição do bem decorreu de venda equiparada a exportação, não gerando direito a crédito. Em sede de impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) o regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins adotou a técnica da base contra base e não a de imposto contra imposto, devendo ser aplicada a jurisprudência que considera insumo todos os elementos imprescindíveis para a produção de mercadorias ou para a prestação de serviços; b) disse que o art. 6º §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03 autoriza, no caso de exportação, a Fl. 586DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 10 3 tomada do crédito em relação a todos os custos e despesas que sejam vinculados à receita de exportação e não apenas aos insumos usados na produção da alumina; c) os gastos com serviços de transporte de lama vermelha, areia e crosta devem gerar crédito da contribuição porque se tratam de rejeitos decorrentes do processo industrial da alumina exportada pela recorrente; d) o mesmo raciocínio vale para os insumos óleo BPF, ácido sulfúrico, antiespumante, inibidor de corrosão e aditivo dispersante, pois além de terem utilidade direta no processo fabril da alumina, são insumos específicos dessa indústria; e) quanto às glosas de créditos decorrentes da aquisição de bens do ativo imobilizado, alegou que as soluções de consulta exaradas pela Superintendência da 8ª Região reconheceram o direito à tomada do crédito em relação a bens empregados na manutenção de máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda; f) ainda em relação à glosa do crédito sobre máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, alegou que seu direito emana do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2003 e do art. 1º, I e II, §§ 1º e 2º da IN 457/2004. Além disso, a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006 previram que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras; g) alegou cerceamento de defesa, pois a fiscalização também considerou que determinadas máquinas e equipamentos não seriam destinadas ao emprego na fabricação de produtos para venda. Entretanto, não houve indicação clara da razão pela qual e nem quais seriam os itens específicos que não fazem jus ao benefício, não permitindo à defesa compreender a razão da desconsideração de tais máquinas e equipamentos; e f) requereu perícia, com o fim de comprovar a aplicação direta dos bens e serviços glosados no processo produtivo da recorrente. A 3ª Turma da DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. Ficou decidido que só geram direito ao crédito das contribuições não cumulativas os insumos que sofram desgaste mediante ação direta do produto em fabricação. Quanto aos serviços, prevaleceu o entendimento de que somente serviços aplicados diretamente na linha de produção da empresa poderão gerar créditos, como por exemplo os serviços contratados para a manutenção das máquinas de produção. Manutenções em outros equipamentos da empresa que não façam parte da linha de produção não dão direito a crédito. Quanto à glosa da depreciação dos bens do ativo imobilizado, ficou decidido que existem bens que não são classificados no imobilizado e que os bens em relação aos quais foi aplicada a depreciação acelerada, não atendem aos requisitos legais para fruição do benefício. Foi rejeitada a alegação de cerceamento de defesa e considerado não formulado o pedido de perícia. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 15/09/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/10/2011 no qual não foi renovada a alegação de cerceamento de defesa e nem o pedido de perícia. No mérito, reprisou as alegações da manifestação de inconformidade e insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, sustentando a manutenção de todas as glosas. Quanto aos insumos, entende a Fazenda Nacional que só podem ser considerados os custos incorridos pelo contribuinte para realizar sua atividadefim, ou seja, os negócios jurídicos capazes de gerar sua receita principal. Gastos ligados à atividademeio não podem ser considerados insumos para fins de gerarem crédito das contribuições. Sustentou que ao contrário do alegado pela recorrente, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03 não autoriza a Fl. 587DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 tomada do crédito em relação a quaisquer custos apenas por se tratar de empresa exportadora. Disse que tanto a manifestação de inconformidade quanto o recurso voluntário foram omissos quanto ao processo de obtenção da alumina, impossibilitando, com isso, a necessária análise dos bens que de fato poderiam ser considerados insumos. O óleo BPF utilizado como fonte de energia térmica, foi glosado porque a Lei nº 11.488/2007 só autorizou o crédito a partir de 15/06/2007. O ácido sulfúrico, o aditivo dispersante, o inibidor de corrosão e o antiespumante não são aplicados diretamente no processo produtivo da alumina, representando meras despesas necessárias à manutenção e funcionamento ordinário da empresa. O contribuinte não contestou a glosa dos demais bens elencados nas planilhas que não foram considerados insumos, e ainda que o tivesse feito, melhor sorte não lhe assistira, uma vez que nenhum deles possui qualquer relação com a atividadefim. Quanto à glosa de serviços, a única contestação foi quanto ao serviço de remoção de rejeitos industriais, que não tem nenhuma aplicação direta no processo de produção da alumina, uma vez que realizados em momento posterior à obtenção do produto. No que tange às glosas de créditos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado, entende a Fazenda Nacional que o direito só existe em relação a máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção, o que não é o caso de equipamentos para restaurante, bebedouro, mesas, obras civis e outros bens do gênero que nada têm a ver com a produção da alumina. Quanto às glosas dos créditos tomados com base no art. 31 da Lei nº 11.196/05, entendeu a Fazenda que restaram comprovadas as irregularidades apontadas pela fiscalização. O contribuinte realmente aplicou o benefício sobre aquisições anteriores à data determinada pelo legislador, como por exemplo na compra de “equipamentos nacionais” da empresa Weir do Brasil Ltda, efetuadas em maio e junho de 2005; de bombas de ácido concentrado, da empresa Canberra Pumps Br. Ind. Com. Ltda em março de 2005 e de caldeira a óleo, da empresa Alstom Hydro Energia do Brasil, em julho de 2005. O contribuinte também tomou o crédito em relação a bens que não estavam relacionados no regulamento, como é caso de conexões, alinhamento de máquinas a laser, parafusos, junta flexível, roldana alinhadora, arruela lisa, carretéis de aço e suporte de mola. Também devem ser mantidas as glosas sobre bens que não integram o ativo imobilizado, como por exemplo, tela de projeção retrátil, armário alto, mini forno elétrico, antena, peças de madeira de lei, relógio de ponto, papel sulfite, câmera fotográfica, material de escritório e higiene. Foi rechaçada a alegação do contribuinte no sentido de que essas glosas foram integrais, pois as planilhas elaboradas indicam que foram parciais. As mesmas planilhas indicam o fundamento da glosa de cada um dos itens, possibilitando que a defesa tivesse o pleno conhecimento das razões de desconsideração dos bens. Concluindo seu arrazoado, a Fazenda Nacional pediu a manutenção das glosas com o desprovimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. As glosas efetuadas pela fiscalização se referem ao crédito tomado sobre: a) aquisições de bens e serviços que não seriam considerados insumos à luz da legislação; b) aquisições de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/03), como opção à regra geral de tomar o crédito sobre a despesa de depreciação Fl. 588DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 11 5 desses bens; e c) aquisições de máquinas, aparelhos e instrumentos com base no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 e seu regulamento. Inexistindo questões preliminares a serem resolvidas, passase direto ao exame das questões de mérito. DDAA GGLLOOSSAA DDEE BBEENNSS EE SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS.. No que tange aos bens e aos serviços, a questão consiste em estabelecer se eles podem ou não gerar créditos da contribuição, à luz do art. 3º, II da Lei nº 10.833/03. Em relação aos bens consignados nas planilhas 10 e 10 – A , a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas complementares baixadas pela Receita Federal, que, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação do IPI. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/03. Nesse passo, como bem apontou a defesa na sua manifestação de inconformidade, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é de imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é de base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos Fl. 589DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse Fl. 590DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 12 7 critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, analisandose a descrição do processo produtivo da recorrente, verificase que a matériaprima principal para a produção da alumina é um minério denominado bauxita. Segundo a referida descrição, é utilizado na produção o método de Bayer que oferece um rendimento na razão de 5:1, ou seja, são necessárias 5 toneladas de bauxita para produzir 1 tonelada de alumina. A grosso modo, a bauxita é moída e transformada em uma pasta que é cozida sob pressão. Depois disso passa por um processo de decantação onde a separação dos componentes é feita com areia. Na decantação são separados os sólidos insolúveis (underflow) do licor rico em alumina (overflow). O undeflow dará origem aos rejeitos industriais lama vermelha, areia e crosta e o overflow, após um processamento mais refinado, dará origem à alumina. A descrição do processo produtivo permite identificar que o óleo BPF é aplicado no processo produtivo como fonte de energia para a calcinação do hidrato; a areia é utilizada no processo produtivo como elemento filtrante e depois de tratada é descartada como rejeito industrial; a lama vermelha se origina do processamento do underflow e é descartada como rejeito industrial, após ser devidamente tratada; e o ácido sulfúrico é utilizado para desincrustar linhas e trocadores de calor, para neutralizar efluentes e para desmineralizar a água das caldeiras. Na descrição do processo produtivo não foi possível verificar onde são aplicados e nem a função desempenhada pelos produtos inibidor de corrosão, antiespumante e aditivo dispersante. Entretanto, a fiscalização consignou na planilha 10 que a função do aditivo dispersante é eliminar borras do óleo combustível pesado. O exame da planilha 10 revela que neste processo administrativo a fiscalização só glosou créditos decorrentes das aquisições de ácido sulfúrico, dos respectivos fretes e do óleo BPF. A motivação para a glosa dos fretes foi a mesma utilizada para o ácido, ou seja, o frete foi glosado porque o material transportado, sob a ótica da fiscalização, não tinha aptidão para gerar crédito da contribuição. A motivação para a glosa do óleo BPF foi que o direito ao crédito em relação à energia térmica só surgiu com o advento da Lei nº 10.488/2007. A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza. A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Relativamente ao óleo BPF, não se questiona que ele é aplicado no processo produtivo para calcinar o hidrato. O que se questiona é que sendo ele fonte de energia térmica, a previsão legal para a tomada de crédito só surgiu a partir de junho de 2007 com a publicação da Lei nº 11.488/2007. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Não há como se concordar com os argumentos lançados pela autoridade administrativa e nem pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, pois a interpretação acima é fruto de um equívoco que consiste em confundir a fonte da energia com a própria energia. Vejamos. É certo que a redação original do art. 3º, III, da Lei nº 10.833/03 só previa o crédito em relação à energia elétrica. Entretanto, o art. 3º, II, na mesma redação original, estabelecia o direito de crédito em relação a combustíveis, in verbis: “Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I – omissis...; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;” (Grifei) Com a nova redação do art. 3º da Lei nº 10.833/03, introduzida pela Lei nº 10.488/2007, o inciso III passou a prever o direito de crédito em relação à “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” A empresa, ao adquirir o óleo BPF, está adquirindo um combustível previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 e não a energia térmica que passou a ser prevista no inciso III a partir de junho de 2007. E isto é assim porque o óleo BPF para poder gerar o calor necessário à calcinação do hidrato, deve sofrer uma reação química com o oxigênio denominada combustão. É a combustão do combustível (óleo BPF), que se dá na presença do comburente (oxigênio presente na atmosfera), que gera a energia térmica necessária ao processo produtivo. O inciso III na redação da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito de crédito em relação à aquisição da energia e não em relação à fonte de energia. Eis aí o equivoco cometido pela fiscalização e pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional. Tratandose as aquisições de óleo BPF de aquisições de combustível e não de energia térmica, o crédito no trimestre em questão tem amparo no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 na redação vigente à época dos fatos, devendo ser revertida a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto aos demais bens descritos na planilha 10 – A, tidos pela recorrente como insumos, verificase que em sua maioria não são relacionados ao processo produtivo. Após a leitura da descrição do processo de fabricação da alumina, é de clareza vítrea que torneiras para jardim, ferramentas manuais, ferramentas intercambiáveis, trenas, tábuas de passar, lixeiras para a sala de RH, pilha alcalina AAA, bateria automotiva, etc, não são insumos aplicados no processo produtivo, não sendo aptos a gerarem créditos da contribuição. A mesma planilha relaciona alguns poucos bens que geram dúvidas quanto a integrarem ou não o custo de produção. Entretanto, a descrição do processo produtivo não permitiu identificar onde esses bens são aplicados e nem a função que desempenham. Estão nesta classe de produtos: a espuma de poliuretano e guarnição esponjosa, a roda cortadora para aço e ferro, disjuntores e transformador de comando. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 13 9 A fiscalização considerou que esses produtos não são insumos porque não se desgastam ou perdem suas propriedades físicas ou químicas mediante ação direta do produto em fabricação. Segundo o critério do Fisco, realmente tais produtos não são insumos aptos a gerarem créditos das contribuições, mas pelo critério do custo de produção, que vem sendo adotado pelo CARF, tais produtos poderiam ensejar a tomada do crédito, caso a recorrente tivesse apresentado algum elemento capaz de elidir a glosa efetuada. Caberia à recorrente ter comprovado na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário onde são aplicados e quais as funções desempenhadas pelos produtos, pois a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 a impugnação deve ser específica e vir acompanhada dos elementos de prova necessários ao convencimento do julgador. Tendo em vista, que não houve contestação específica em relação aos demais bens relacionados na planilha 10 – A e que os elementos existentes nos autos não permitem identificar nem a função e nem onde são aplicados aqueles produtos, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização. Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividade meio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. Relativamente aos demais serviços glosados na planilha 8, a descrição contida na planilha revela que tais serviços não estão relacionados ao processo produtivo ou não é possível saber onde são empregados. Não estão relacionados diretamente à obtenção da alumina os serviços de fornecimento de concreto usinado, palestras, manutenção de bicicletas, revisões efetuadas em veículos de passeio e assessoria técnico comercial nas compras de energia elétrica. Não se sabe onde são aplicados os seguintes serviços: serviços topográficos Fl. 593DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 diversas áreas da Alunorte, chave de impacto 1, manutenção de elevadores e manutenção de pequenas obras civis. Vale aqui a mesma razão utilizada para manter as glosas da planilha 10 – A: o contribuinte não apresentou impugnação específica (art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72) e nem demonstrou onde são aplicados os serviços relacionados na planilha 8 (exceto os serviços de remoção de rejeitos industriais, que foram referidos de forma indireta na descrição do processo produtivo). DDAA GGLLOOSSAA DDOOSS CCRRÉÉDDIITTOOSS TTOOMMAADDOOSS CCOOMM BBAASSEE NNOO AARRTT.. 33ºº,, §§ 1144 DDAA LLEEII NNºº 1100..883333//0044.. Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/03), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. Os valores dos produtos relacionados na planilha 1 foram glosados porque os bens ali descritos não foram aplicados na produção dos bens destinados à venda, como exige o art. 3º, VI, § 1º, III combinado com o § 14 da Lei nº 10.833/03. Compulsando essa planilha verificase que estão relacionados equipamentos de informática, móveis e utensílios, ferramentas para elétrica, ferramentas diversas, sobressalentes nacionais, instalações provisórias para construção de canteiros, sistema monitor de câmeras da fábrica, equipamentos para restaurante, melhorias para tratamento de efluentes, etc. Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/03 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota Corolla com transmissão automática, câmera digital Cybershot 5.1, material hospitalar, materiais elétricos diversos, entre outros. É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.722277/200998 Acórdão n.º 3403001.956 S3C4T3 Fl. 14 11 Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DDAA GGLLOOSSAA DDOOSS CCRRÉÉDDIITTOOSS TTOOMMAADDOOSS CCOOMM BBAASSEE NNOO AARRTT.. 3311 DDAA LLEEII NNºº 1111..119966//22000055.. Relativamente a essas glosas, o contribuinte alegou que a fiscalização glosou a totalidade do crédito tomado com base no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 porque não teria sido observada a periodicidade permitida pela lei e pelo crédito ter sido tomado em relação bens do imobilizado não empregados na produção da alumina. A insurgência da recorrente quanto a este tópico não tem fundamento. A uma porque como bem assinalado pela PFN nas contrarrazões, a glosa não foi integral. Foi glosado apenas o crédito decorrente dos bens relacionados na planilha 7 – D. A duas porque ao contrário do alegado, a fiscalização não questionou a periodicidade e nem a proporção adotada pelo contribuinte para a tomada do crédito. Foram respeitadas as frações de 1/48 e 1/12 adotadas pelo próprio contribuinte nas DACON, conforme se pode comprovar nas planilhas 7 A e 7 B (Crédito em 48 parcelas de maio/2004 a dezembro/2005) e planilhas 7 – C e 7 – D (crédito em 12 parcelas período janeiro/2006 a dezembro/2007). O DACON recalculado pela fiscalização consta da planilha 7G, onde se pode comprovar que a glosa foi apenas parcial. O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; N indica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCD indica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREB indica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo. Relativamente à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a apuração do crédito complementar e a homologação das compensações declaradas a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do domicílio do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 596DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000998/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DEDUÇÕES. GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS. PLANOS DE SAÚDE.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada.
Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas médicas nos montantes de R$2.025,82, R$3.261,68, R$1.485,54, R$1.802,40 e R$1.880,14, relativos aos anos-calendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS. PLANOS DE SAÚDE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as despesas médicas nos montantes de R$2.025,82, R$3.261,68, R$1.485,54, R$1.802,40 e R$1.880,14, relativos aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 186DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1748.690 (fl. 80), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. Conforme Termo de Constatação Fiscal à fls. 40/43, a ação fiscal originouse de apuração especial desenvolvida pela DRF São José do Rio Preto, diante do crescimento da ocorrência de deduções pleiteadas a título de despesas com planos de assistência médica e hospitalar, cujo recebimento foi negado, total ou parcialmente, pelas instituições informadas como beneficiárias dos pagamentos. O presente lançamento resultou do Procedimento Fiscal Revisão Interna n° 08.1.07.002010014538, em razão de informações prestadas por São Domingos Saúde Assistência Médica Ltda. CNPJ 00.636.975/000100 durante procedimento fiscal (fls. 29). Referida instituição informou pagamentos do contribuinte e seus dependentes em valores inferiores àqueles por ele declarados: Anocalendário declarado informado pelo plano 2004 3.600,00 148,00 2005 4.261,68 136,00 2006 6.285,54 226,76 2007 6.599,82 237,42 2008 4.722,44 191,94 Informa a autoridade fiscal lançadora que, em razão das informações prestadas pela citada instituição durante procedimento fiscal e da análise das DIRPF Declarações de Imposto de Renda apresentadas pelo contribuinte, ficou evidenciado que os pagamentos por ele declarados não correspondem à realidade, configurando a declaração de despesas inexistentes, impondose o lançamento de tributo correspondente e, tendo em vista o evidente intuito de fraude, acrescido de multa de ofício qualificada no importe de 150%, além dos juros de mora. Assim, a autoridade fiscal concluiu pela caracterização de infração configurada em dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente no ajuste anual, no presente caso por dedução indevida de despesas médicas. Em face das conclusões obtidas, foi também elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, de conformidade com a Portaria RFB n° 665/2008. Ao apreciar o litígio, instaurado com a impugnação às fls. 47/52, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004,2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária permite a dedução de despesas médicas, cabendo ao contribuinte comprovar que o encargo financeiro foi por ele assumido. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16004.000998/201022 Acórdão n.º 210101.811 S2C1T1 Fl. 2 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF o recorrente transcreve na sua peça recursal as Declarações de fls. 54/58, que devem ser consideradas, em razão de sua idoneidade. Para complementar a prova anteriormente apresentada, junta aos autos certidões de casamento e de nascimento dos filhos, declaração emitida pela empresa patronal, São Domingos S/A – Indústria Gráfica, referente ao desconto do plano de saúde, e descontos mensais nos contracheque dos anos de 2004 a 2008. O recorrente elaborou Demonstrativo com os efetivos pagamentos e reconheceu ter declarado a maior nas DIRPF dos anos de 2004 a 2008 os montantes de R$1.426,18, R$864,00, R$4.573,24, R$4.560,00 e R$2.650,36, respectivamente. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tãosomente, o pedido do contribuinte para que seja considerado os efetivos pagamentos ao plano de saúde São Domingos Saúde Assistência Médica Ltda, indicados nos Demonstrativos às fls. 103/104. Sobre as despesas médicas, o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe que: Art. 8o A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) §2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Inicialmente, cumpre ressaltar que as despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual têm por beneficiários o próprio autuado e respectivos dependentes declarados (esposa, mãe e dois filhos), consoante Certidões de Casamento e Nascimento às fls. 117/119. O contribuinte reconhece que pleiteou deduções a maior que o devido, conforme esclarece os Demonstrativos às fls. 103/104. Do exame das peças processuais, verificase que os contracheques apresentados pelo contribuinte, às fls. 121/182, comprovam o ônus financeiro do contribuinte dos valores por ele indicado nos Demonstrativos às fls. 103/104. Com efeito, os valores repassados pela fonte pagadora do autuado ao plano de saúde, informados nas Declarações às fls. 55/58, correspondem aos valores descontados nos contracheques do contribuinte. Desta forma, como os valores informados pelo plano de saúde São Domingos Saúde Assistência Médica Ltda à fiscalização (fl. 29) foram deduzidos na elaboração do Auto de Infração (Termo de Verificação Fiscal à fl. 43), devese restabelecer a despesa médica indicada na coluna “Vlr descontado na folha pagto. Contribuinte” do Demonstrativo à fl. 104. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer as com despesas médicas nos montantes de R$2.025,82, R$3.261,68, R$1.485,54, R$1.802,40 e R$1.880,14 relativos aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 189DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000082/2007-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2001 IRRF. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Recurso negado.
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SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O SÓCIO E A EMPRESA PELO IRRF NÃO RECOLHIDO AOS COFRES PÚBLICOS. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente GIOVANI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 72 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 6a. Turma da DRJ/SP2, de 21 de outubro de 2009 (fls. 26/28), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo assim, a exigência do crédito tributário, que em 28/11/2006, data da sua lavratura, totalizava R$ 8.617,70, sendo R$ 3.771,21 a título de imposto, R$ 2.828,40 de multa e R$ 3.018,09 de multa de mora. De acordo com o Auto de Infração (fl. 09), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, tendo em vista que o contribuinte, sócio da Indústria e Comércio de Máquinas Teform Ltda., não ter comprovado todos os recolhimentos do imposto de renda retido na fonte informado na DIRF. Consta no auto de infração, como infringido o inciso V do art. 12 da lei n.o 9.250/95. Na decisão recorrida, assim foram relatados os termos da impugnação: Em sede de preliminar, que o auto não demonstraria o, valor do tributo devido, da correção monetária, dos juros de mora, da multa e do total geral, e estaria, assim, eivado de vícios insanáveis; „ , ainda em sede de preliminar, argumenta que a multa de 75% teria sido abusiva, visto a estabilizaçao da economia brasileira; igualmente como questão Preliminar, não teria sido efetuada a diligência correta para apurar a valor eventualmente devido, que acarretaria inconstitucionalidade da exigência fiscal em discussão presente processo; ainda como prelimina,: o autuante não teria aguardado o prazo previsto em lei para que o autuado apresentasse a documentação comprobatória de sua ,regularidade fiscal, o que teria feito por ocasião 'da entrega da impugnação — teria havido; portanto, cerceamento do direito de defesa do autuado; já na análise do mérito alega que os DARFs acostados aos autos às fls. 13 a 18 demonstrariam que a empresa empregadora (denominada na peça impugnatória "notificada") teria recolhido tempestivamente os valores objeto da 'autuação; o fisco teria agido de forma a se locupletar à custa do patrimônio do autuado, pois teria sempre agido corretamente; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 73 3 que a notificação de lançamento estaria eivada de vícios insanáveis e pede pelo acolhimento da impugnação e conseqüente julgamento pela improcedência da autuação. A decisão recorrida afastou as preliminares e apreciou o mérito, mantendo a exigência fiscal, sob o argumento de que nem mesmo o total anual e os valores mensais coincidem, portanto, nada provando. A este colegiado, às fls. 33/37, reitera as razões expostas na impugnação, repetindo argumentação de que não há diferença a ser cobrada e os DARFs e documentos apresentados evidenciam a correção no cumprimento de suas obrigações fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. As preliminares levantadas pela Recorrente são descabidas e não merecem maiores considerações além daquelas constantes na decisão recorrida, uma vez que o auto de infração atende todas as formalidades legais, o valor da multa imposta conta com previsão legal e foram assegurados todos os meios de defesa, não havendo qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. No tocante ao mérito, entendo que a pretensão fiscal não deve prosperar. Com efeito, o valor de R$ 3.771,21 que está sendo exigido a título de imposto, é o apurado pelo Recorrente na DIRPF como devido, porém, confrontado ao final com os valores retidos na fonte, resulta numa restituição de R$ 2.994,63. Ocorre, que não obstante o Recorrente ser um sócio da fonte pagadora, o fato é que o valor declarado como retido na fonte, de R$ 6.765,84, consta no Informe de Rendimentos fornecidos pela empresa Indústria de Máquinas Teform Ltda., CNPJ 51.968.121/000162, que entregou à Receita Federal a obrigação acessória da DIRF (fl. 22), detalhando mês a mês o rendimento bruto e o valor retido na fonte, cuja somatória, representa o que foi levado para a apuração na declaração de ajuste. Destarte, entendo que os DARFs da pessoa jurídica juntados a este processo, a ele não dizem respeito, pois os recolhimentos devidos pela fonte pagadora, não estão aqui sendo questionados. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 74 4 Entendo que aqui deve ser apreciada a semelhança entre os valores constantes na DIRPF apresentada pelo Recorrente (fl.42), Informe de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fl. 46) e a DIRF a que está ela obrigada a entregar à Receita Federal (fl. 48). O fato da pessoa jurídica não ter cumprido com sua obrigação principal de recolher aos cofres da União o valor retido na fonte, mesmo do pagamento aos seus sócios/diretores, não transfere a eles, pessoas físicas, esta obrigação. O fundamento legal utilizado pela autoridade fiscal autuante para embasar o lançamento, qual seja, o inciso V do art. 12 da lei n.o 9.250/95, estabelece que do imposto apurado, poderão ser deduzidos “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo,” Destarte, constatada a apresentação da DIRF pela fonte pagadora, dela deve ser exigida a obrigação de recolher o imposto retido na fonte, com o emprego dos meios legais, seja na esfera administrativa ou judicial. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente Atilio Pitarelli Voto Vencedor Giovanni Christian Nunes Campos – redator designado do voto vencedor A discordância da maioria em face do relator se circunscreveu ao mérito da controvérsia, pois a corrente vencedora entendeu pela higidez do lançamento, como abaixo se mostrará. Antes de tudo, a fundamentação legal para a presente autuação se encontra no art. 723 do Decreto nº 3.000/99, abaixo transcrito: Art.723 do Decreto nº 3.000/99. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único.A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 75 5 Abaixo segue excerto da motivação da decisão recorrida, que manteve o lançamento (fl. 28): O impugnante afirma que os DARFs de fls. 13 a 18 comprovariam o recolhimento. tempestivo dos valores que foram objeto da autuação. Tal afirmação não procede. O valor de cada um dos DARFs é de R$ 668,40 e eles são em número de 6 (seis). .Já a DIRF que consigna o Valor declarado peio impugnante em sua D1RPF como sendo imposto retido na fonte contém 12 (doze) valores mensais de R$ 563,82 (fl. 22). Ou seja nem o total anual e muito menos os valores mensais coincidem. Os DARFs em tela nada provam, portanto. Assim sendo, carece de fundamento a afirmação de que o fisco teria se locupletado. Na linha acima, considerando que os sócios e acionistas controladores são responsáveis solidários pelo não recolhimento do imposto descontado na fonte, irretocável a glosa do IRRF na declaração do sócio quando a pessoa jurídica, fonte pagadora, não recolhe o IRRF aos cofres públicos. Como se vê na decisão recorrida, efetivamente o contribuinte não logrou comprovar que a empresa Indústria e Comércio de Máquinas Teform Ltda., da qual é sócio, fez os recolhimentos do IRRF devidos. Em grau de recurso, o contribuinte trouxe uma cópia da DIRF da empresa acima referida, do anocalendário 2001 (fls. 47 a 57), na qual se vê que o IRRF total montou R$ 25.286,87, e trouxe DARFs do período de apuração do anocalendário 2002 (fls. 58 a 60) e um recolhimento de ofício (fl. 61), todos feitos em 2007, bem como os mesmos recolhimentos (fls. 63 a 65) já rechaçados pela decisão recorrida. Ora, o presente lançamento se aperfeiçoou em 27/12/2006 (fl. 19), e qualquer pagamento feito pela empresa, referente ao IRRF, após o início da presente ação fiscal não poderia ser utilizado pelo contribuinte, como aqueles ocorridos em 2007, pois a espontaneidade da empresa também estava suspensa, na forma do art. 7º, I e § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (parte final do § 1º, abaixo destacada): Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ademais, o anocalendário da autuação se refere ao AC2001, ou seja, os pagamentos de IRRF oriundos do AC2002 (fls. 58 a 60) não podem ser utilizados para o ano Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13819.000082/200702 Acórdão n.º 210201.501 S2C1T2 Fl. 76 6 precedente, por óbvio. Quanto ao DARF referente ao lançamento de ofício (fl. 61), sequer se sabe a que período se refere, além de ter sido pago em 2007. Por último, rejeitase os pagamentos de fls. 63 a 65 pelas mesmas razões da decisão recorrida. Concluindo, vêse que o valor do IRRF constante na DIRFanocalendário 2001 (R$ 25.286,87) sobeja grandemente os valores principais dos DARFs acostados aos autos (obviamente que se deve comparar o valor da DIRF de IRRF com os valores principais dos DARFs, pois o valor constante na DIRF deveria ter sido pago no vencimento, sem cominações legais), ficando claro que agiu com acerto a autoridade autuante, pois, ao final, ficou patentemente demonstrada a insuficiência do recolhimento do IRRF pela empresa Indústria e Comércio de Máquinas Teform Ltda, no anocalendário 2001. Ante o exposto, no mérito, voto no sentido de manter o lançamento. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13982.001025/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2102-000.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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