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Numero do processo: 19515.002391/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA.
A receita de revenda de mercadorias deve ser levada ao resultado do período em que for realizada a respectiva operação, independentemente do efetivo recebimento do preço ajustado. Não se confunde com faturamento antecipado a revenda de mercadoria de propriedade da contribuinte, mesmo que ainda não tenha entrado fisicamente em seu estabelecimento.
Numero da decisão: 1201-000.681
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A receita de revenda de mercadorias deve ser levada ao resultado do período em que for realizada a respectiva operação, independentemente do efetivo recebimento do preço ajustado. Não se confunde com faturamento antecipado a revenda de mercadoria de propriedade da contribuinte, mesmo que ainda não tenha entrado fisicamente em seu estabelecimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002391/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 120100.681 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente JABUR COMERCIAL E IMPORTADORA DE PNEUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A receita de revenda de mercadorias deve ser levada ao resultado do período em que for realizada a respectiva operação, independentemente do efetivo recebimento do preço ajustado. Não se confunde com faturamento antecipado a revenda de mercadoria de propriedade da contribuinte, mesmo que ainda não tenha entrado fisicamente em seu estabelecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002391/200891 Acórdão n.º 120100.681 S1C2T1 Fl. 2 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme descrito no termo de verificação fiscal (fls. 109/115), a autoridade tributária acusa a contribuinte de haver omitido receitas no anocalendário de 2002, haja vista que as receitas informadas na DIPJ/2003 são inferiores às escrituradas. Sobre as diferenças encontradas a autoridade assim se manifestou: O resultado da venda de mercadorias para entrega futura deverá ser apropriado no exercício social de sua tradição, ainda que tenham sido recebidos adiantamentos por conta (Ac. 1º CC nº 103 07.878/87). (...) Há certa distinção entre faturamento antecipado e venda para entrega futura. No primeiro caso o bem ainda não foi produzido, enquanto que no segundo caso o bem já se encontra produzido. No faturamento antecipado o valor correspondente é contabilizado como receita de exercícios futuros, porque a empresa não tem custo incorrido. Na venda para entrega futura a receita deverá ser computada na apuração do lucro liquido do períodobase da operação, porque o bem já foi produzido e a vendedora passa a ser mera depositária. Ora, no caso em análise, não há que se falar sequer em entrega futura, uma vez que todas as mercadorias importadas no ano base de 2002 foram entregues, como comprovam as importações realizadas no ano de 2002 no montante de R$ 34.691.587,91 e tanto o estoque inicial do ano de 2002 como o estoque final deste mesmo ano zerados, de acordo com o Registro de Inventário e Declaração da DIPJ/2003, anobase de 2002. Ademais a ementa do AC. nº 0105.081/2004 da CSRF (DOU de 16/05/06) diz que constatada a inexistência de pagamento do imposto, em virtude de prejuízo fiscal, nos períodosbase subsequentes ao da redução indevida do lucro liquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir o imposto apurado no períodobase da infração com os respectivos acréscimos legais. O 1º CC tem decidido pacificamente que não tendo sido pago o imposto nos exercícios seguintes não se aplica a regra da postergação. De fato, a inexistência de lucro real positivo nos exercícios subseqüentes descarta a possibilidade da ocorrência de postergação do pagamento do imposto, conforme decidiu o 1º CC pelo Ac. nº 10308436/88 (DOU de 19/08/88) Tendo em vista a apuração de omissão de receitas no ano de 2002 (vide demonstrativo à fl. 17), o auditor lavrou os autos de infração do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL (fls. 116/142). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, pedindo ao final seja afastada a exigência, sob as seguintes alegações, em síntese (fls. 160/166): Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002391/200891 Acórdão n.º 120100.681 S1C2T1 Fl. 3 3 a) a recorrente operava da seguinte forma: adquiria produtos no exterior e, no ato do embarque, ao ser notificada pelo fornecedor que a mercadoria estava a caminho, imediatamente emitia uma nota fiscal de entrada correspondente e, na seqüência, efetuava a venda destes mesmos produtos, conforme comprova o demonstrativo em anexo; b) as vendas eram, portanto, realizadas sob o modelo do faturamento antecipado, ou seja, a empresa efetuava a venda de produtos que ainda não se encontravam em seus estoques; c) em assim sendo, contabilizava essas vendas como “receitas de exercício futuro”, bem como lançava os custos correspondentes na conta de “custos de exercício futuro”, reconhecendoos, para fins de tributação, apenas no momento da efetiva saída dos produtos aos adquirentes; d) esse procedimento justifica, inclusive, os saldos “zerados” no livro registro de inventário, uma vez que, no momento do embarque dos produtos no exterior emitiase a nota fiscal de entrada “virtual” daqueles produtos, bem como a respectiva nota fiscal de saída; e) admite que agiu incorretamente, uma vez que, a nota fiscal de entrada de produtos importados somente poderia ser emitida quando de seu efetivo recebimento, ou no momento do desembaraço aduaneiro. No entanto, tal equívoco não implica omissão de receitas. Apreciadas as razões de defesa, a DRJ de origem decidiu pela manutenção da exigência. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, repisando os argumentos expostos na impugnação, acrescidos dos seguintes: a) a decisão de primeiro grau manteve a exigência, mas por motivo diverso daquele em que se escorou a autoridade fiscal para realizar a autuação. De fato, o órgão a quo admitiu que realmente tratase de faturamento antecipado, mas manteve a exigência sob o argumento de que a disponibilidade da mercadoria consubstancia a tradição simbólica das mesmas, de modo a se considerar a entrada dos bens importados no estabelecimento da vendedora, e não a efetiva saída por ela promovida; b) tal equívoco tem efeitos nocivos à recorrente pois os valores relativos à contribuição para o PIS, Cofins e CSLL foram lançados com a respectiva multa em cada mês em que se verificou o desembaraço, ignorando o fato de que as vendas só se deram meses depois. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) De Preliminar de Nulidade da Decisão de Primeiro Grau Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002391/200891 Acórdão n.º 120100.681 S1C2T1 Fl. 4 4 A final de seu recurso a interessada pede seja anulada a decisão a quo, sob o fundamento de inovação. Pois bem, embora, de fato, tenha havido entre a autoridade lançadora e o órgão julgador de primeiro grau certa divergência acerca dos conceitos de faturamento antecipado e venda para entrega futura, não vislumbro inovação no acórdão recorrido. Observese que a fiscalização acusa a contribuinte de haver omitido receita de revenda de bens por ela adquiridos no exterior, vendas essas que a contribuinte registrava na conta “Receita de Exercícios Futuros” sob a alegação de se tratar de faturamento antecipado. O que a DRJ decidiu é que, ainda que se tratasse de faturamento antecipado, tal como alegado pela defesa, a omissão de receita ocorreu, haja vista que a empresa efetivamente recebeu as mercadorias importadas no ano de 2002. Não tendo o órgão de primeiro grau se afastado do exame dos fatos apurados pela fiscalização (omissão de receita ocorrida em vários meses do ano de 2002, e em determinados valores), nem invocado norma distinta da eleita pela auditoria, não há que se falar em inovação. Por outro lado está correta da interessada quando afirma que, adotada a interpretação da DRJ, no sentido de que a empresa passa a ter disponibilidade simbólica dos produtos importados no momento do desembaraço aduaneiro, a própria DRJ haveria que reconhecer alteração temporal nos fatos geradores da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL. No entanto, tal fato não é causa de nulidade da decisão de primeira instância, devendo ser corrigida, se for o caso, no exame do mérito do presente recurso. 3) Da Omissão de Receitas Importa ressaltar inicialmente que em momento algum a recorrente procurou demonstrar (e comprovar) as datas em que efetivamente teria oferecido à tributação as receitas de vendas registradas nos meses de abril a dezembro de 2002 na conta “Receita de Exercício Futuros”. De fato, a defesa limitase a alegar que nas datas apontadas pela fiscalização houve apenas faturamento antecipado, e não venda propriamente dita. Todavia, conforme alertado pela fiscalização, e ao contrário do alegado pela DRJ, o caso não é de faturamento antecipado. Pois se a própria recorrente admite que vende a mercadoria tão logo esta é embarcada pelo seu fornecedor no exterior, então é de se concluir que vende um bem que é de sua propriedade, ainda que este não se encontre em seu estabelecimento,. Seria faturamento antecipado se a contribuinte ainda não tivesse adquirido o bem junto a seu fornecedor, já que ninguém pode licitamente vender alguma coisa que não seja de sua propriedade. Sobre o assunto o Novo Código Civil assim estabelece: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002391/200891 Acórdão n.º 120100.681 S1C2T1 Fl. 5 5 Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Como se observa nas normas acima, o contrato de compra e venda traduzse na obrigação de uma parte transferir a outra a propriedade (domínio, nos termos do art. 481) de certa coisa, mediante o recebimento de certo preço em dinheiro. Ademais, o contrato de compra e venda reputase perfeito e acabado no momento em que as partes acordarem sobre a coisa e o preço. A efetiva entrega da coisa (tradição) e/ou o pagamento do preço pode ser dar em momento posterior à celebração do contrato. Esses são atos que visam ao cumprimento do contrato já celebrado, e não condição para a sua celebração. No caso doa autos a contribuinte adquiria mercadorias junto a seu fornecedor no exterior. Celebrado o contrato (ajuste sobre a coisa e o preço), as mercadorias passam à sua propriedade. O fato de tais mercadorias ainda não terem entrado em seu estabelecimento de modo algum impede que a contribuinte as revenda, conforme estabelece a lei civil. E, aliás, era exatamente isso que ela fazia, como reconhecido tanto na impugnação como no recurso. E se a empresa vendia as mercadorias e não oferecia as respectivas receitas à tributação, é caso de omissão de receitas. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900425/2009-47
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2143; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.900425/200947 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.355 – 1ª Turma Especial Sessão de 7 de março de 2013 Matéria Compensação Recorrente SÃO MARCO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 04 25 /2 00 9- 47 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 3 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0936.363, de 16/08/2011, da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 26/28) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Varginha/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico Trata o presente processo de Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente em: 1) 26/12/2006 (fls. 19/24) que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de janeiro de 2005 (recolhimento em fevereiro/2005), no valor original de R$ 16.707,73 (corrigido de R$ 16.874,81), para utilização na compensação de débito de estimativa de CSLL do mês de fevereiro de 2005, no mesmo valor do indébito informado; 2) 26/12/2006 (fls. 27/32) que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de fevereiro de 2005 (recolhimento em março/2005), no valor original de R$ 60.999,66 (corrigido de R$ 61.609,66), para utilização na compensação de débito IPI do mês de março de 2005, no mesmo valor do indébito informado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Varginha/MG, emitido em 18/02/2009 (fl. 33) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado sob a seguinte justificativa; “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 60.999,66. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 4 3 (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/03) na qual alega, a interessada, que teria direito ao indébito pois em janeiro de 2005 a estimativa calculada como devida com base em balanço de suspensão seria de R$ 60.999,66, mas que ao proceder ao recolhimento, em fevereiro de 2005, acabou por pagar o valor de R$ 77.707,39 e, assim, teria recolhido a maior/indevidamente, o valor de R$ 16.707,73 que, corrigido pela Selic, montaria em R$ 16.874,81. Da mesma forma, no mês de fevereiro de 2005, o valor da CSLL apurada como devida em balanço de suspensão teria sido de R$ 18.974,68. Utilizandose do valor recolhido a maior relativamente à estimativa de janeiro/2005, de R$ 16.874,81 para compensação com a estimativa apurada em fevereiro, deveria ter recolhido por meio de DARF apenas a diferença de R$ 2.099,87. Entretanto, teria recolhido em março/2005 um DARF de estimativa CSLL de fevereiro/2005, no valor de R$ 63.099,53, restando um recolhimento indevido ou a maior da CSLL de fevereiro no valor de R$ 60.999,66 que, com a correção pela Selic, passou a ser de R$ 61.606,66. Aduz, ainda, que como o recolhimento efetuado a maior foi indevido, não se caracterizaria como estimativa de CSLL devida e, nessas condições, teria direito ao seu aproveitamento em compensações com outros tributos. Pede, ao final, pela homologação da compensação pleiteada. Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que, nos termos das IN SRF 460/2004 e 660/2005, pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL não podem ser utilizados como indébito, em compensação, e somente podem ser aproveitados para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo (fls. 42/44). Notificada da decisão, em 30/10/2011, como demonstra a cópia do AR (fl. 50 processo digital) apresentou, a interessada, em 30/11/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz que como o recolhimento efetuado a maior foi indevido, não se caracterizaria como estimativa de CSLL devida e, nessas condições, teria direito ao seu aproveitamento em compensações com outros tributos assim que o recolhimento é considerado indevido, ou seja, na data do pagamento. Argumenta que o CTN, a Lei n º 9.430, de 1996 e a IN SRF n º 900/2008 não trariam qualquer vedação à utilização de recolhimentos a maior a título de estimativa como direito creditório para efeito de compensação. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 5 4 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento das autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada ano calendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 6 5 se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Entretanto, surgiram interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos, e a questão tende a ser pacificada neste órgão de julgamento, no sentido de ser possível a utilização de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em compensações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 7 6 à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 8 7 calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 9 8 Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 10 9 É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 11 10 Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 12 11 demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 13 12 § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 14 13 somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 15 14 suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar pagar a estimativa de CSLL relativa ao mês de fevereiro de 2005, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 60.999,66, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2005, já que as DCOMP foram formalizadas em dezembro de 2006. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pretendido e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900425/200947 Acórdão n.º 1801001.355 S1TE01 Fl. 16 15 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15563.000136/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal.
ICMS NÃO RECUPERÁVEL. INCLUSÃO NO CUSTO. LICITUDE.
A regra geral é que o ICMS recuperável na escrita fiscal não compõem o custo da mercadoria adquirida. No entanto, quando o produto adquirido for para consumo ou se tratar de vendas sem a incidência do ICMS, a aquisição da mercadoria com ICMS destacado deixará de ser recuperável uma vez que, ou não haverá saída de produtos ou esses produtos sairão do estabelecimento sem o destaque do imposto. Assim, é lícita a apropriação como custo dos créditos do imposto estornados pelo fisco estadual em razão da concessão de crédito presumido pelos Estados de origem das matérias-primas.
DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE.
Despesas incorridas com a realização de festa de confraternização de fim de ano dos funcionários não se enquadram na definição de despesas necessárias, estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1202-000.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa efetuada pelo fisco relativa aos créditos do ICMS registrados como despesa, nos montantes de R$5.743.168,42 e de R$2.746.580,69. Quanto à glosa da despesa de confraternização, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento nessa última parte.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. ICMS NÃO RECUPERÁVEL. INCLUSÃO NO CUSTO. LICITUDE. A regra geral é que o ICMS recuperável na escrita fiscal não compõem o custo da mercadoria adquirida. No entanto, quando o produto adquirido for para consumo ou se tratar de vendas sem a incidência do ICMS, a aquisição da mercadoria com ICMS destacado deixará de ser recuperável uma vez que, ou não haverá saída de produtos ou esses produtos sairão do estabelecimento sem o destaque do imposto. Assim, é lícita a apropriação como custo dos créditos do imposto estornados pelo fisco estadual em razão da concessão de crédito presumido pelos Estados de origem das matérias-primas. DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE. Despesas incorridas com a realização de festa de confraternização de fim de ano dos funcionários não se enquadram na definição de despesas necessárias, estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. ICMS NÃO RECUPERÁVEL. INCLUSÃO NO CUSTO. LICITUDE. A regra geral é que o ICMS recuperável na escrita fiscal não compõem o custo da mercadoria adquirida. No entanto, quando o produto adquirido for para consumo ou se tratar de vendas sem a incidência do ICMS, a aquisição da mercadoria com ICMS destacado deixará de ser recuperável uma vez que, ou não haverá saída de produtos ou esses produtos sairão do estabelecimento sem o destaque do imposto. Assim, é lícita a apropriação como custo dos créditos do imposto estornados pelo fisco estadual em razão da concessão de crédito presumido pelos Estados de origem das matériasprimas. DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE. Despesas incorridas com a realização de festa de confraternização de fim de ano dos funcionários não se enquadram na definição de despesas necessárias, estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a glosa efetuada pelo fisco relativa aos créditos do ICMS registrados como despesa, nos montantes de R$5.743.168,42 e de R$2.746.580,69. Quanto à glosa da despesa de confraternização, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 36 /2 00 9- 68 Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.218 2 Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto, que davam provimento nessa última parte. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o presente processo da lavratura de Autos de Infração para a exigência do IRPJ e da CSLL, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, pela taxa Selic, relativo ao ano calendário de 2005, em razão da constatação do registro de despesas/provisões consideradas indedutíveis pelo fisco. De acordo com a descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal e dos Autos de Infração, fls. 62 e seguintes, as irregularidades apuradas estão assim sintetizadas: Rubricas Glosadas IRPJ Valor (R$) Item do Auto de Infração (fls.69/70) A Provisão para o IRPJ 251.836,04 Item 001 Provisões Não Autorizadas B Provisão para a CSLL 84.194,08 Item 001 Provisões Não Autorizadas C Desp. Confraternização 60.975,84 Item 002 Despesas Indedutiveis D Desp. Contrib/Doação 4.599,27 Item 002 Despesas Indedutiveis. E Créditos ICMS 8.504.452,14 Item 002 Despesas Indedutiveis F Erro Resultado Adições 696.696,06 Item 003 Adições não computadas LR G Erro Resultado Exclusões 1.287.080,99 Item 004 Exclusões/Comp. não autoriz. TOTAL 10.889.834,42 Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.219 3 Rubricas Glosadas CSLL Valor (R$) Item do Auto de Infração (fls.75) A Provisão para o IRPJ 251.836,04 Item 001 Provisões Não Autorizadas B Provisão para a CSLL 84.194,08 Item 001 Provisões Não Autorizadas C Desp. Confraternização 60.975,84 Item 002 Despesas Indedutiveis D Desp. Contrib/Doação 4.599,27 Item 002 Despesas Indedutiveis. E Créditos ICMS 8.504.452,14 Item 002 Despesas Indedutiveis TOTAL 8.906.057,37 Em sua impugnação do IRPJ, de fls. 150 a 163, a autuada reconheceu, parcialmente, a procedência do trabalho fiscal relativo aos itens A, B, D, F e G acima listados. Assim, dos R$ 10.889.834,42 apurados pela fiscalização, R$ 2.324.406,44 constituem rubricas reconhecidas pela impugnante como corretamente lançados. Já em relação às rubricas C e E, a empresa apresentou as seguintes alegações, nos termos do que consta do relatório do Acórdão nº 1241.935 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1163 a 1184, que passo a adotar e transcrever, em parte: “Do Mérito Breves insumos acerca dos créditos de ICMS glosado pela Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro. 3.5. O Fiscal constatou irregularidade em lançamentos realizados pela impugnante, em 31/12/05, na conta "Outras Despesas Operacionais", Livro Razão n° 14, valores relativos a créditos acumulados de ICMS, que somados totalizam R$ 8.504.452,14. Tais créditos foram reconhecidos pela empresa como despesas operacionais dedutíveis, por se tratarem de créditos de ICMS glosados pelo Estado do Rio de Janeiro, ou seja, não convalidados pela Secretaria de Fazenda, conforme se infere do parecer/relatório anexo (doc. n° 05). 3.6. A Fiscalização Federal firmou o entendimento de que tais créditos devem ser considerados despesas indedutíveis para fins da apuração do Lucro Real daquele exercício de 2005, por não satisfazerem as condições de necessidade, normalidade e usualidade inerentes as despesas passíveis de dedução. 3.7. A impugnante é pessoa jurídica de direito privado que possui como objeto social, nos termos de seu Contrato Social (doc. n° 02), "a importação e exportação de produtos de origem animal, a comercialização de carnes e seus derivados, e quaisquer outras atividades comerciais, industriais ou agrícolas, (...)" e, na realização de seu objeto social, a quase totalidade das mercadorias produzidas são destinadas ao mercado exterior. 3.8. No exercício regular de suas atividades operacionais, adquire matéria prima (carne) de fornecedores localizados em diversos Estados da Federação e as utiliza em seu processo produtivo. Ao comprar a referida mercadoria, como contribuinte do ICMS, assume o ônus financeiro da operação (imposto devidamente destacado nas notas fiscais, de entrada, calculado à alíquota interestadual, referente a matéria prima adquirida em outros Estados da Federação (doc. n° 06) e se credita dos valores destacados, em observância ao principio da nãocumulatividade, nos termos do art. 155, § 2°, inciso I, da Constituição Federal/88. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.220 4 3.9. Por se tratar de empresa eminentemente exportadora, a Impugnante, por força do artigo 3°, inciso II, da Lei Complementar 87/96, fica impossibilitada de realizar os créditos de ICMS tomados nas aquisições internas, restando, portanto, poucas alternativas para viabilizar a sua recuperação, sendo todas elas burocráticas, morosas e, muitas vezes, obscuras (seja a partir de um pedido de ressarcimento, seja via pedido de autorização para a transferência dos créditos para terceiros). 3.10. Objetivando a recuperação de seus créditos acumulados de ICMS e objetivando dar maior celeridade aos seus pedidos de autorização para realizar a transferência de créditos para terceiros, a Impugnante solicitou a Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro que os aditassem. 3.11. Em março de 2005, o Auditor Fiscal do Estado exarou o Parecer denominado "Análise e ajustes dos saldos credores de exportação" por meio do qual analisou minuciosamente a legitimidade dos créditos de ICMS até então apurados pela empresa e, dentre outras conclusões, entendeu por bem glosar parte dos créditos apurados (R$ 5.743.168,42) por se tratar de créditos decorrentes de benefícios fiscais concedidos ilegalmente pelos Estados de origem da matéria prima adquirida (doc. n° 05). 3.12. De acordo com o Parecer, verificase que tais benefícios são considerados ilegais por não estarem amparados por convênios celebrados entre os Estados (CONFAZ), conforme determina a Lei Complementar 24/75, art 8º. 3.13 A Auditoria Fiscal do ICMS acabou por glosar os créditos decorrentes dos mencionados benefícios ilegais, num total de R$ 5.743.168,42, referente aos períodos de 09/2001 a 12/2004. 3.14. Considerando a orientação da Fiscalização Estadual de que tais créditos não deveriam ser sequer considerados como recuperáveis, principalmente após o advento do Decreto Estadual 39.885/06, a Impugnante ficou totalmente impossibilitada de lançar mão dos créditos acumulados de ICMS originários dos referidos benefícios ilegais, ficando obrigada a reconhecer como perda efetiva todos os créditos glosados pela Fiscalização Estadual (R$ 5.743.168,42), bem como aqueles acumulados posteriormente aos trabalhos de fiscalização Estadual (R$ 2.746.580,69), conforme se infere pela análise das Guias de Informação e Apuração do ICMS (2005) ora anexadas, por meio dais quais, comprovase a desconsideração por parte da própria impugnante daqueles créditos acumulados no ano de 2005, seguindo a determinação dada pela Fazenda Estadual (doc. n° 05). 3.15. Tais créditos somado totalizam os R$ 8.504.452,14, lançados como despesas operacionais dedutíveis pela Impugnante, porém desconstituídos pelo auto de infração. Impossibilidade de aproveitamento do crédito de ICMS, Despesa passível de dedução 3.16. O art. 289, § 3°, do Decreto n° 3.000/99 (RIR199), estabelece que “Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal”. 3.17. De acordo com a redação desse dispositivo e, utilizandose o exemplo dos autos, quando a Impugnante, num primeiro momento, adquire matéria prima para industrialização de seus produtos, o ICMS a princípio recuperável destacado na nota fiscal deve ser excluído do custo de aquisição da mercadoria. Logo, o montante do ICMS pago na aquisição de matéria prima deve ser lançado na conta própria de Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.221 5 imposto a recuperar, em conformidade com os lançamentos no Livro de Registro de Apuração do ICMS. 3.18. Ocorre que, num segundo momento, a Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro vedou expressamente a apropriação do crédito, impossibilitando a Impugnante a apropriação do crédito acumulado. 3.19. Ao se interpretar o dispositivo legal acima destacado "a contrário senso", verificase a absoluta aplicabilidade ao caso vertente, uma vez que os créditos de ICMS acumulados pela Impugnante sequer são passíveis de recuperação. Logo, só podem ser classificados como custo da mercadoria, nunca como "imposto a recuperar". Essa orientação, única consentânea com nosso Direito, já foi chancelada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ – Resp 1.011.531 – SC, Rel. Min José Delgado da Primeira Turma, D.j. 23/06/08). 3.20. Inteiramente aplicável ao caso o precedente citado. Como enfatizado, a Impugnante é empresa eminentemente exportadora e, ao realizar seu objeto social, a quase totalidade das mercadorias por ela produzidas são exportadas para o exterior, fazendo com que acabe acumulando, constantemente, créditos de ICMS. 3.21. Ressaltese, nesse ponto, que a jurisprudência apontada acima é ainda mais abrangente do que o caso em análise pois, naquele caso, a Fiscalização Estadual não havia se manifestado de forma categórica em relação a imprestabilidade do crédito de ICMS objeto da dedução na apuração do lucro real, tal como ocorreu com a Impugnante. 3.22. Nada mais razoável que os créditos, por não serem passíveis de recuperação, sejam deduzidos no momento da apuração do Lucro Real, posto que verdadeiro custo. Importa, então, ressaltar o principio da capacidade contributiva como referência maior para a interpretação e aplicação da norma tributária, invocandose também o postulado constitucional da razoabilidade, para, desta forma, afastar a aplicabilidade da limitação trazida pelo art. 289, § 3°, do RIR/99 ao caso concreto, posto que sua redação, da forma como estampada, não socorre a Fiscalização frente ao arcabouço fático que ora se comprova. 3.23. Em julgado cuja matéria discutida era semelhante, o então Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda deu provimento ao Recurso Voluntário interposto nos autos do PTA n° 155.138, para determinar a exclusão da tributação (dedução) das perdas apuradas em operações de cessão de direitos de créditos de ICMS. Verificase claramente que o Conselho entendeu por bem reconhecer a necessidade de se excluir da tributação as parcelas irrecuperáveis decorrentes das operações de transferência de crédito de ICMS, seja em virtude de glosa de desconto, seja por conta de um possível deságio, posto que manifestamente dedutíveis. 3.24. Por analogia, a inteligência do julgado supra se aplica perfeitamente ao caso vertente, uma vez que os créditos de ICMS da Impugnante glosados pelo Fisco Estadual do Rio de Janeiro são indubitavelmente irrecuperáveis, tal como ocorre com as perdas em decorrência da glosa de descontos ou do deságio nas operações de transferência de créditos daquele mesmo imposto. Logo, devem ser reconhecidos como despesas dedutíveis para fins de apuração do Lucro Real. Da dedutibilidade das despesas incorridas em confraternizações. 3.25. A Fiscalização desconsiderou o lançamento de R$ 60.975,84 realizado pela impugnante, a título de despesas de confraternização, como despesa dedutível, Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.222 6 na apuração do Lucro Real do exercício de 2005, em virtude de equivoco cometido pela Impugnante em sua escrituração contábil. 3.26. O Fiscal limitouse a confrontar as informações constantes do Livro Razão n° 14 da Contribuinte (fls.54 verso do PTA) com os registros constantes do respectivo LALUR n° 6 (fls. 58 do PTA), pelo que concluiu que do total de despesas incorridas com confraternizações (R$ 62.975,12), durante do ano de 2005, apenas R$ 1.999,28 foram reconhecidas como não dedutíveis. Assim, a Fiscalização glosou a diferença de R$ 60.975,84, considerada como dedutível pela Impugnante, e adicionoua na apuração do novo Lucro Real. 3.27. A Fiscalização não observou um fato singelo: o valor das despesas com confraternização reconhecido como dedutível pela impugnante, equivale a menos que 0,5% do total das despesas apuradas no anocalendário de 2005. A jurisprudência do Conselho.de Contribuintes é pacifica, como o Acórdão 103 – 22.314 do 1º Conselho de Contribuintes, no sentido de que, desde que razoáveis e realizadas com o objetivo de melhorar o ambiente de trabalho, as despesas incorridas em confraternizações serão consideradas dedutíveis para fins de apuração do IRPJ do período a que se refere. 3.28. Por serem consideradas absolutamente razoáveis, as despesas incorridas em confraternizações, sobretudo as despesas com festas de final de ano, pela ora Impugnante, são, dedutíveis para a apuração do IRPJ, pelo que não procedem as alegações da Fiscalização. 3.29. Visando demonstrar o seu direito, anexa a presente impugnação, cópia das respectivas notas fiscais e recibos decorrentes das referidas despesas (doc. no 07).” Na impugnação da CSLL, de fls. 657 a 669, a autuada reconheceu, parcialmente, a procedência do trabalho fiscal relativo aos itens A, B e D listados no demonstrativo anterior. Assim, dos R$ 8.906.057,37 apurados pela fiscalização, R$ 340.629,30 constituem rubricas reconhecidas pela impugnante como corretamente lançados. Já em relação às rubricas C e E, a empresa repete as mesmas alegações trazidas na impugnação do IRPJ, já relatadas acima. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1241.935 da DRJ/Rio de Janeiro I, mantendo integralmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E RECONHECIDA PELA IMPUGNANTE. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, consolidandose administrativamente os respectivos créditos tributários na esfera administrativa. GLOSA DE ICMS A RECUPERAR. Não cabe deduzir do lucro real de um determinado exercício, como despesas operacionais, valores de ICMS a Recuperar de diversos exercícios que foram ajustados pela Fiscalização Estadual. DESPESAS COM FESTA DE CONFRATERNIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.223 7 As despesas incorridas com a realização de confraternização, festas e almoços não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, o que implica considerálas indedutíveis na apuração do lucro real, com exceção das despesas com alimentação concedida a todos os empregados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido se resumem nos seguintes pontos, transcritos em parte do voto condutor: o somatório dos dois valores apontados na impugnação, 5.743.168,42 + 2.746.580,69 = R$ 8.489.749,11, não corresponde ao somatório dos dois registros contábeis que deram origem ao lançamento de R$ 8.504.452,14, motivo suficiente para não acatar as razões da Impugnante. o motivo principal para não acatar as razões apresentadas pela Impugnante consta do Relatório da Fiscalização Estadual – “Parte A”, onde se constata que a glosa de valores de “ICMS a recuperar” efetivada, num total de R$ 5.547.078,39, é a diferença entre a tabela I e a tabela II e se deu em decorrência de diversos equívocos cometidos pelo contribuinte no registro desses créditos, razão pela qual a fiscalização estadual recomendou a correção dos demonstrativos de saldo credor de exportação (fls. 291). dentre os equívocos nos lançamentos de valores de “ICMS a recuperar” apontados pela Fiscalização Estadual, está o valor de R$ 5.743.168,42, que a Impugnante afirma justificar o registro do livro Razão – Despesas operacionais, registro este que deu origem ao lançamento ora em julgamento. conforme relatado pela fiscalização estadual, se constata que o valor de R$ 5.743.168,42 é proveniente de créditos de ICMS decorrentes de benefícios não amparados em convênios celebrados na forma da Lei Complementar 24/75, que foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. considerando tal constatação, a fiscalização estadual, através de tabelas, demonstrou a carga tributária efetiva de cada fornecedor por unidade da federação, indicou o montante do valor a estornar por totalização anual e determinou que os acertos fossem feitos conforme consta das tabelas 9 a 15. assim, o montante do imposto destacado nas notas fiscais de compra deve ser contabilizado a débito de “ICMS a Recuperar” e o Imposto incidente sobre as vendas deve ser contabilizado a crédito da conta “ICMS s/ Vendas”, conta de ajuste da Receita Bruta, nos termos do que dispõe o art. 31 da Lei 8981/95 e itens 1 a 3 da Instrução Normativa SRF 51/78. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.224 8 o controle dos valores de ICMS deve ser efetivado em livros fiscais específicos. Para apuração dos valores de ICMS, o Valor da conta “ICMS s/ Vendas” será levado a crédito de “ICMS a Recolher”; sendo que o valor a ser recolhido ou a ser recuperado a título de ICMS será obtido através de lançamentos de absorção dos saldos de uma conta contra a outra, “ICMS a Recolher” x “ICMS a Recuperar”. Caso o valor a recolher seja maior que o valor a recuperar haverá um saldo na conta “ICMS a recolher” contabilizado no Passivo Circulante. Se o valor a Recuperar for maior haverá um saldo de “ICMS a Recuperar” no Ativo Circulante. dessa forma, constatase que os valores de ICMS não representam receitas e ou despesas, pois seus valores não transitam por contas de resultado, mas sim, contas patrimoniais. Se fossem receitas e ou despesas os saldos das contas no final do período de apuração teriam que ser levados para o Resultado do Exercício. Logo, estorno de valores lançados indevidamente na conta “ICMS a recuperar” não pode ser efetivado com lançamento em conta de despesa operacional e diminuir o Lucro Real. Por definição legal o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador. se, ao contabilizar os valores de “ICMS a recuperar”, a impugnante não observou os atos que regulam os casos de “créditos presumidos de ICMS”, não pode, no caso de glosa dos valores lançados indevidamente, pela fiscalização estadual, deduzilos como despesas operacionais de modo a reduzir o Lucro Real. a fiscalização estadual determinou que os acertos fossem feitos mês a mês, enquanto que o contribuinte, além diminuir indevidamente o lucro Real, o fez apenas no ano calendário de 2005, referente a fatos registrados indevidamente nos anoscalendário de 2001 a 2004, fato que, se fossem corretos, contraria o art. 41 da Lei n° 8.981/95 e o art. 344, do RIR/99, uma vez que tais dispositivos estabelecem que os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Logo, se fossem corretos tais lançamentos, os mesmos só poderiam repercutir efeitos no resultado de cada exercício. quanto às despesas de confraternização, não se discute a importância de se realizar uma festa de confraternização no ambiente de trabalho, nem tampouco a proporcionalidade dos gastos dessa natureza em confronto com a despesa total da empresa, mas tão somente o requisito de necessidade à atividade e à manutenção da fonte produtora. os gastos incorridos com festa de confraternização não se revestem das características exigidas pelo art. 299, § 1º do RIR/99, que define como necessárias “as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei 4506/64, art. 47, §1º)”. Logo, não podem ser deduzidos para efeito de apuração do lucro real, o que justifica a legitimidade da glosa procedida pela fiscalização e a formalização da exigência. nos termos do art. 17, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, os créditos tributários relativos às matérias não impugnadas ficam consolidados na esfera administrativa. Contra essa decisão, a autuada ingressou com recurso voluntário, de fls. 1190 e SS., repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.225 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, necessário deixar registrado que a recorrente reconhece, expressamente, na sua impugnação e no seu recurso (fls. 1192), como corretas as glosas de despesas relacionadas nos itens A, B, D, F e G, na apuração do IRPJ, e nos itens A, B e D, na apuração da CSLL, mencionadas nos quadros demonstrativos do relatório deste acórdão, não mais fazendo parte do litígio. Dessa forma, em relação à essas matérias não contestadas, devem ser consideradas definitivamente julgadas/constituídas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Restam em litígio as matérias referentes à glosa das despesas relativas à: i) créditos do ICMS considerados indevidos pela Fazenda Estadual; e ii) gastos com festas de confraternização. Passo ao exame das matérias que permanecem em discussão. Créditos do ICMS considerados indevidos A fiscalização procedeu na glosa das despesas originadas de créditos do ICMS, considerados indevidos pela fazenda estadual do Rio de Janeiro, por não satisfazer as condições de necessidade, normalidade e usualidade (fls. 63). O acórdão recorrido manteve a indedutibilidade dessa despesa na apuração do IRPJ e da CSLL sob o fundamento de que os valores de ICMS não representam receitas e/ou despesas, mas sim, transitam por contas patrimoniais. Logo, o estorno de valores lançados indevidamente na Conta “ICMS a recuperar” não pode ser efetivado com lançamento em conta de despesa operacional e, por conseqüência, diminuir o lucro. Por definição legal o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador. Ao contabilizar os valores de “ICMS a recuperar”, a empresa não teria observado os atos que regulam as hipóteses dos “créditos presumidos do ICMS”, não podendo, em razão da glosa efetuada pela fiscalização estadual, deduzilos como despesas operacionais (fls. 1179). Já a defesa alega que os créditos do ICMS se originam de aquisições de matériaprima de outros Estados da Federação. A fiscalizada creditouse integralmente do ICMS destacado na nota fiscal de aquisição. No entanto, pela sistemática dos créditos presumidos do ICMS, concedidos pelos Estados de origem aos fornecedores dessa matéria prima, a autuada deveria ter se creditado de apenas parte desse valor, motivo da glosa efetuada pela fiscalização estadual, a qual foi levada a despesa. Menciona que o equívoco do acórdão Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.226 10 recorrido foi o de considerar que o benefício fiscal do crédito presumido do ICMS beneficiaria a recorrente quando, na verdade, o impacto ocorre apenas nos fornecedores da fiscalizada. Traz o seguinte exemplo numérico do funcionamento da sistemática do crédito presumido do ICMS, o qual transcrevo em parte, para melhor entendimento, fls. 1195 e seguintes: “Para esclarecer a sistemática do crédito presumido, utilizaremos exemplos hipotéticos, assim como fez a julgadora de primeira instância.Trataremos, em primeiro lugar, da incidência de ICMS sem qualquer benefício fiscal: O contribuinte "A" promove a venda de uma matériaprima para a Recorrente, sendo o valor da mercadoria R$ 100,00 e a alíquota aplicável de 10%. Nessa situação, a Recorrente pagaria ao contribuinte "A" o montante de R$ 100,00 dos quais R$10,00 seriam escriturados como crédito de ICMS da Recorrente. Já a incidência do ICMS na qual os fornecedores são beneficiados pelo crédito presumido, se opera da seguinte forma: O contribuinte "A" (fornecedor) está localizado no Estado de Minas Gerais e a Recorrente no Estado do Rio de Janeiro. No caso em questão (crédito presumido) o contribuinte "A" vende a matériaprima para a Recorrente pelo valor de R$100,00 e destaca integralmente o ICMS, ou seja, cobra o valor de R$10,00 (R$ 100,00 x 10%) à título de ICMS. Sendo assim, a Recorrente arca com o valor de R$ 100,00 e se credita, como não poderia deixar de ser, de R$ 10,00 à título de ICMS, uma vez que esse foi o valor destacado. No entanto, no momento do pagamento do ICMS pelo contribuinte "A" (fornecedor), o Estado de Minas Gerais concede a ele um crédito presumido de ICMS de R$7,00, de tal forma que o contribuinte "A" paga efetivamente ao Estado de Minas Gerais a título de ICMS apenas R$3,00. Todavia, os Estados, para tentar coibir a chamada "guerra fiscal" penalizam os adquirentes das mercadorias (como é o caso da Recorrente) cujos fornecedores são beneficiados com o crédito presumido em seus estados de origem. Em razão disso, e a despeito da Recorrente ter suportado os R$10,00 reais de ICMS na sua compra (valor destacado na nota fiscal), o Estado do Rio de Janeiro determina à ela que estorne R$7,00 reais de ICMS e se credite apenas de R$3,00. Verificase, assim, que o benefício fiscal do crédito presumido não envolve as duas partes da operação. Vale dizer, a operação de circulação mercadoria firmada entre A (vendedores/fornecedores) e B (Recorrente) é, para efeito de aplicação do direito ao crédito por parte do adquirente, uma operação normal, uma vez que o ICMS é integralmente destacado e por ele pago quando a entrada da mercadoria. É por esse motivo que o benefício não consta das notas fiscais e sim dos documentos de arrecadação dos vendedores, pois são eles os únicos atingidos pelos benefícios.” Como se verifica da descrição acima, o valor do crédito do ICMS glosado pela fiscalização estadual, conforme exemplo numérico, foi de R$ 7,00, o qual foi levado a despesa pela fiscalizada e foi considerada indedutível pela fisco federal. De fato, compulsando os autos parece ser exatamente essa a situação a que se encontra a autuada. No momento da aquisição da matériaprima de outros estados da federação a fiscalizada arca com um ônus de R$ 10,00 a título de ICMS, que vem destacado na nota fiscal, mas no momento do registro do crédito desse imposto fica obrigada pela legislação do Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.227 11 ICMS do Estado aonde está estabelecida a autuada, a estornar R$ 7,00, que seria a benefício fiscal concedido pelo Estado de origem da matériaprima. Por seu turno, o relatório da fiscalização estadual, de fls. 252 a 256, comprova a situação descrita pela defesa em seu recurso. Apurou créditos indevidos a título de benefício fiscal do ICMS concedidos por outros Estados da federação, no montante de R$ 5.743.168,42, relativo aos anos de 2001 a 2004. Vejase a transcrição de parte do mencionado relatório: “3.2.1.2 — DOS CRÉDITOS LIMITADOS A CARGA TRIBUTARIA EFETIVA PRATICADA NOS ESTADOS DE ORIGEM DAS MERCADORIAS Dispõe a Lei 2.657/96, através do § 2°, "in fine", de seu art. 33, que os créditos de cada período são constituídos pelos valores do imposto relativo a operações ou prestações de que decorrerem as entradas de mercadorias no estabelecimento, inclusive a destinada a seu uso ou consumo ou ao ativo permanente, ou o recebimento de serviços de transporte interestadual e intermunicipal ou de comunicação, observadas as restrições previstas na legislação. (grifei). 0 art. 4° do Livro III do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto 27.427/00, no capitulo especifico da utilização de saldos credores acumulados decorrentes de exportação, assim se expressa: "Art. 4º — Nas entradas de mercadorias provenientes de outras unidades da Federação, o crédito do ICMS não poderá ser superior ao correspondente da carga tributária efetiva praticada no estado de origem com a mesma mercadoria." As unidades Federadas onde se localizam os remetentes de carne bovina, que, isoladamente, representa 75,16% da matéria prima utilizada pelo contribuinte, concedem benefícios fiscais (créditos presumidos) àqueles de tal forma que a carga tributária efetiva represente determinados percentuais sobre o valor da base de cálculo da operação (v.Tabela 6) Tais beneficios não estão amparados em convênios celebrados na forma da Lei Complementar 24/75, recepcionada pela Constituição Federal de 1988. Tal fato, por si só, já ensejaria a ineficácia do crédito fiscal atribuído ao estabelecimento recebedor da mercadoria nos termos do art. 8° desta Lei Complementar. Neste entendimento, os Estados do Ceará, Minas Gerais, Paraná; Rio de Janeiro; Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo celebraram o Protocolo ICMS 19/04, D.O.U., de 12/04/04, restringindo o crédito ao montante do valor "efetivamente" cobrado na origem. A "Tabela 6" a seguir, demonstra os dispositivos legais e a carga tributária efetiva praticada nas unidades Federadas remetentes: [...] Com estes parâmetros foi elaborada a "Tabela 7" onde se demonstra a carga tributaria efetiva de cada fornecedor por unidade da Federação e o montante do valor a estornar por totalização anual. [...]” Em relação à contabilização dos impostos nas aquisições de produtos, assim dispõe o art. 289 do RIR/99: Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.228 12 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. (destaquei) O valor do ICMS deve ser destacado do estoque quando a empresa for contribuinte deste imposto e a mercadoria se destinar à comercialização e/ou industrialização, porque ele será recuperado quando da venda (imposto nãocumulativo). Porém, quando a matériaprima se destinar ao consumo próprio da empresa ou os produtos por ela vendidos são isentos do ICMS, o valor desse imposto na aquisição passa a ser um ônus do adquirente, integrando o seu custo, porque deixa de ser recuperável. A interpretação, a contrário senso, do § 3º do art. 289 do RIR/99, vem exatamente ao encontro desse entendimento. Se os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal, como são os casos em geral do ICMS, não são incluídos no custo, significa dizer que os impostos não recuperáveis, no caso específico do ICMS que ora se analisa, se incluem no custo. Essa é uma decorrência lógica do funcionamento dos impostos não cumulativos. Se o imposto é recuperável, na sistemática de compensação entre os créditos e débitos na escrita fiscal, não haveria razão para o mesmo ser apropriado ao custo, justamente por ser um valor recuperável. No entanto, quando o produto adquirido for para consumo ou se tratar de vendas sem a incidência do ICMS, a aquisição da matériaprima com ICMS destacado deixará de ser recuperável uma vez que, ou não haverá saída de produtos ou esses produtos sairão do estabelecimento sem o destaque do imposto. No presente caso, tratase de empresa com receita de vendas originadas eminentemente da exportação dos seus produtos (DIPJ – fl. 7), que não sofrem a incidência do ICMS por força do art.155, § 2°, inciso X, letra “a”da Constituição Federal de 1988, combinado com o art. 3º, inciso II, da Lei Complementar 87/96: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.229 13 [...] § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] X não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (destaquei) Com relação ao valor a ser creditado do ICMS, a própria legislação tributária do Estado do Rio de Janeiro, no art. 4° do Livro III do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto 27.427/00, no capítulo específico da utilização de saldos credores acumulados decorrentes de exportação, determina que: “Nas entradas de mercadorias provenientes de outras unidades da Federação, o crédito do ICMS não poderá ser superior ao correspondente da carga tributária efetiva praticada no estado de origem com a mesma mercadoria.” Assim, nos termos do que determina o regulamento do ICMS, parece não haver dúvidas quanto à correção da glosa dos créditos efetuados pela fiscalização estadual. Vale dizer. Se o ICMS destacado é R$ 10,00 e a carga tributária praticada no Estado de origem da mercadoria, for R$ 3,00, o valor creditado no destino somente poderá ser R$ 3,00. Como a autuada se creditou de R$ 10,00, o fisco estadual glosou o valor de R$ 7,00. Cumpre consignar que o correto seria a recorrente ter apropriado os valores de ICMS glosados pela fiscalização estadual como “custo” das matériasprimas adquiridas e não como “despesas operacionais”. No entanto, o fato do ICMS glosado de ter sido contabilizado como “despesas operacionais” produz efeito equivalente na apuração do lucro tributável do IRPJ e da CSLL. O extinto Primeiro Conselho de Contribuinte já havia nesse mesmo sentido, conforme ementa do Acórdão nº 101.93845, sessão de 23 de maio de 2012, abaixo transcrito, em parte: IRPJ. SUPERAVALIAÇÃO DE COMPRAS. Uma vez demonstrada que os ovos produzidos na granja não tem incidência do ICMS, quando comercializado, é lícita a apropriação como custos o crédito do referido imposto incidente sobre compra de insumos e material de embalagem. Pelos motivos expostos, devese cancelar as glosas efetuadas pelo fisco federal, relativo às “despesas operacionais” originadas de créditos do ICMS glosados pela fiscalização estadual, nos montantes de R$ 5.743.168,42, relativo aos anos de 2001 a 2004, e de R$ 2.746.580,69, relativo ao ano de 2005. Gastos com confraternização Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.230 14 As despesas com festas de confraternização de funcionários, consideradas indedutíveis pela fiscalização, já foram objeto de apreciação por esta Turma de julgamento. Por unanimidade, em decisão proferida no Acórdão nº 120200.832, de 05 de julho de 2012, foi mantida a indedutibilidade desse tipo de despesa, nos termos do voto condutor da ilustre Conselheira Viviane Vidal Wagner, cujos fundamentos utilizados nas razões de decidir também adoto e passo a transcrever: “Nos termos da legislação do imposto de renda, as despesas operacionais, para serem consideradas legítimas, devem guardar natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora, tal como dispõem os arts. 277 e 299 do RIR/99: Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 11) [....]. [...] Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Desses dispositivos se depreende que, para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado tributável, são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade. São necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que secundários, desde que vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; são normais as despesas ordinariamente realizadas nas atividades e operações destinadas à manutenção da fonte produtora; e são usuais aquelas realizadas de maneira frequente ou habitual em determinado tipo de atividade ou operação. A partir da vigência da Lei nº 9.249, de 26/12/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, além de observar o disposto nos dispositivos do RIR/99 acima transcritos, as despesas consideradas como necessárias e passíveis de dedução são aquelas pagas ou incorridas na realização de transações ou operações praticadas em razão da atividade da empresa, observados critérios bem restritivos, como se vê do art. 13 da referida lei: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.231 15 I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores. V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.232 16 c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. Diante disso, cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem e atestem a dedutibilidade das despesas necessárias, normais e usuais à atividade da empresa. Em outras palavras, a dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. Do teor da legislação acima, notase que as despesas com alimentação dos empregados, referidas no §1º do mesmo artigo 13, foram excepcionalmente ressalvadas pelo legislador, após a vedação expressa das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores (art. 13, inciso IV). A possibilidade de dedução é concedida excepcionalmente, dado o caráter da alimentação como meio de subsistência do trabalhador. Nesse caso, estariam incluídas, por exemplo, as despesas com alimentação distribuídas através de valealimentação ou servida na própria empresa, as quais poderiam ser deduzidas na apuração do lucro real. Hipótese distinta são as despesas com alimentação ofertada esporadicamente em eventos festivos, como é o caso das despesas de confraternização objeto da glosa ora discutida, as quais não se enquadram como despesas necessárias, para fins de dedução do lucro real. Ademais, visto ser presumível que tais confraternizações englobem funcionários, sócios e administradores, admitirse a dedução integral dessas despesas seria admitir uma forma indireta de contornar a vedação legal prevista no inciso IV do art. 13 da Lei nº 9.249/95. [...] Quanto a essas despesas, alega a recorrente que se referem a viagens sorteadas como prêmios entre os funcionários, as quais seriam normais, usuais e necessárias, assim como as despesas com festas de confraternização, haja vista, por suas próprias palavras, “inseriremse no contexto das despesas realizadas com as festividades de final de ano”. Todavia, no presente caso, considerando o exposto anteriormente, não há dúvida de que os gastos com festas, brindes e prêmios caracterizam atos de evidente liberalidade, não restando comprovadas a necessidade, a normalidade e a usualidade da despesa em relação à atividade fim da empresa, para fins de dedutibilidade na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Em que pese existir jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes acatando a tese da dedutibilidade de certas despesas, desde que pudessem ser consideradas razoáveis, o entendimento mais recente desta Corte aponta para a impossibilidade de dedução, diante das normas legais acima referidas. Nesse sentido, cabe citar o acórdão nº 120100.439 da 1ª Turma ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de relatoria do ilustre Conselheiro Rafael Correia Fuso, julgado à unanimidade na sessão de 25 de fevereiro de 2011, cuja ementa dispõe: Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000136/200968 Acórdão n.º 1202000.944 S1C2T2 Fl. 1.233 17 LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL Despesas incorridas com a realização de confraternização de fim de ano não se enquadram na definição de despesas necessárias estabelecida pela legislação tributária, não sendo passíveis de exclusão da apuração do Lucro Real. Inteligência do disposto no artigo 299 do RIR/99 e artigo 13 da Lei n° 9.249/95. Assim, nessa parte, não cabe acatar a defesa apresentada pela recorrente, devendo ser negado provimento ao recurso.” Com base nos fundamentos da decisão acima transcrita, é de se negar o direito à dedutibilidade das despesas com festas de confraternização de fim de ano de funcionários para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar as glosas efetuadas pelo fisco federal, relativo aos créditos do ICMS que foram registrados como despesa, nos montantes de R$ 5.743.168,42 e de R$ 2.746.580,69. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13054.001681/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO.
Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis e lubrificantes quando não comprovado pela recorrente a sua utilização no processo produtivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3201-001.025
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos de combustíveis e lubrificantes, vencidos o relator e os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Otávio Carneiro Silva Corrêa, designada como relatora a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim; e, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário quanto às transferências de ICMS, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis e lubrificantes quando não comprovado pela recorrente a sua utilização no processo produtivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos de combustíveis e lubrificantes, vencidos o relator e os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Otávio Carneiro Silva Corrêa, designada como relatora a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim; e, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário quanto às transferências de ICMS, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIMredatora designada Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos decorrentes de PIS não cumulativo (exportação), referente ao primeiro trimestre de 2006. A empresa solicitou o valor de R$ 109.282,36 de ressarcimento através da transmissão de Perdcomp ("Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação"), efetuada em 15/03/2007, sob o n° 10518.44680.150307.1.1.083207. Também transmitiu declarações de compensação utilizando parte do valor. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO) reconheceu parcialmente o direito creditório e o ressarcimento pleiteado, no valor de R$ 101.449,70, e homologou as compensações, j á que estas não abarcam a totalidade do valor concedido. De acordo com os Despachos Decisórios DRF/NHO das fls. 72 e 84 e Relatório de Verificação Fiscal (fls. 66 a 71), a empresa não incluiu na base de cálculo da contribuição em comento as receitas com créditos de 1CMS transferidos a terceiros, conforme previsto na legislação citada, e apurou indevidamente créditos oriundos de combustíveis utilizados pela frota da empresa, por não se caracterizarem como insumo. Inconformada, em 03/11/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 89 a 137), onde discorda das glosas efetuadas. Entende que o ICMS destacado funciona como um redutor de custos, sendo registrado em conta de ativo, não existindo justificativa contábil para considerar sua transferência como receita. Anexa jurisprudência administrativa e judicial nesse sentido. Insurgese, também, contra a glosa de créditos oriundos da aquisição de combustíveis utilizados em sua frota de veículos, argumentando que os veículos são utilizados para transporte de materiais entre os estabelecimentos e de matériasprimas do fornecedor, bem como para o transporte de funcionários, atividades que reputa intrinsecamente vinculadas à atividade operacional e à exportação. Considera que restringir o direito ao crédito é negar o princípio da não cumulatividade. Cita jurisprudência administrativa (embora não conste dos anexos o Acórdão com o número citado). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/POA n.º 29.891, de 10/02/2011: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13054.001681/200813 Acórdão n.º 3201001.025 S3C2T1 Fl. 2 3 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE ICMS. Os valores recebidos em decorrência de transferência de créditos de ICMS a terceiros devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de I o de janeiro de 2009. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEL. Inexiste previsão legal para o cálculo de créditos de PIS sobre valores pagos a título de combustíveis utilizados pelos veículos da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A recorrente discute nos autos a tributação das transferências de ICMS e o direito ao crédito de COFINS sobre os combustíveis/lubrificantes utilizados na sua frota de veículos utilizados nas atividades da empresa. Das transferências de ICMS O crédito de ICMS não pode, em nenhuma hipótese, ser considerado como receita. As empresas, ao adquirirem matériaprima, material secundário e de embalagem, não consideram o valor do ICMS como despesa, mas sim como uma conta transitória em seu ativo, cujo valor será, ao final de cada período de apuração, abatido dos débitos pelas saídas, e, em havendo saldo credor, este se transferirá para o período ou períodos seguintes. Citamos como exemplo a aquisição de matériaprima no valor de R$ 1.000,00, cuja alíquota de ICMS é de 17%, sendo destacado na nota fiscal o ICMS no valor de R$ 170,00. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 Contabilmente a empresa lançará como custo da matéria prima adquirida o valor de R$ 830,00 (1.000,00 – 170,00), sendo que o valor do ICMS será lançado no ativo circulante como ICMS a Recuperar. Supondose que esta seja a única operação do período e considerandose que as saídas todas foram imunes em razão da exportação, a empresa apresenta no final do período um saldo credor de R$ 170,00. No período seguinte a empresa efetua a transferência deste saldo credor a outro contribuinte do estado, atendidas as normas vigentes para dita transferência. Esta operação, normalmente utilizada para pagamento na compra de matéria prima, é que a Receita Federal está considerando como receita e pretende que seja incluída na base de calculo do PIS e da COFINS. Dito valor não é receita, porque nunca foi despesa ou custo, é um crédito que nunca transitou pelas contas de resultado. Não há ingresso de valor na empresa, pois o valor do crédito de ICMS, que veio embutido no preço de aquisição da matériaprima, foi um “adiantamento” efetuado pela pessoa jurídica que, pela legislação vigente, poderá ser utilizado em determinadas condições. Quando transfere seus créditos para fornecedores, na forma da lei, a autora usa aqueles como 'moeda' de pagamento do débito que possui. Deixa de retirar dinheiro do caixa ou do banco, e transfere seus direitos, quitando conta que possuía frente ao fornecedor. Não há ingresso de dinheiro novo, pois o tributo recuperado passa para o caixa da mesma forma como se ela tivesse sido ressarcida do benefício/crédito pelo fisco. Mesmo que não adentrássemos no mérito contábil do tema, o crédito de ICMS decorrente da aquisição de insumos também não pode ser considerado como receita, pois este é apenas uma mera escrituração, não havendo qualquer ingresso material de recursos na autora, apenas o lançamento contábil e a respectiva escrituração nos livros fiscais, com vistas a compensar eventuais débitos decorrentes da saída de mercadorias tributadas por aquele imposto. Apesar de desnecessário, a própria Lei nº 10.833/2003 estabeleceu que créditos de tributos não são considerados como receita: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) Outro fator relevante reside no fato de que a transferência de créditos de ICMS para compra de insumos, por exemplo, não traduz ingresso de receita nova na empresa, mas mera cessão de crédito, um escambo, onde ocorre apenas a troca de uma moeda escritural por matéria prima. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13054.001681/200813 Acórdão n.º 3201001.025 S3C2T1 Fl. 3 5 O que se verifica, ao fim e ao cabo, é que a transferência de saldo credor de ICMS não pode ser tomada como hipótese de incidência do PIS e COFINS, pois não são classificados como receita. Este é o entendimento do CARF: Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20180505 do Processo 13005.000506/200533 Data 15/08/2007 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÃSNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 340101127 do Processo 11020.000801/200738 Data 09/12/2010 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da COFINS e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto estadual. apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. Como a concessão de um crédito escritural não se enquadra como produto da venda de bens e serviços, também por tal razão tais parcelas não poderiam ser incluídas na base de cálculo do PIS. Do crédito de PIS sobre os combustíveis e lubrificantes Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 6 A legislação do PIS é clara ao permitir o crédito sobre a compra de combustíveis. Entretanto, este direito não pode ser indiscriminado, mas, conforme exposto inicialmente, apenas pode ser creditado em relação aos utilizados diretamente na produção, afastados, assim, os gastos com carros de diretores, representantes comerciais etc. Assim, deve ser deferido o crédito de combustível ligado diretamente à produção da empresa. Voto vencedor Redatora Designada –Mércia Helena Trajano DAmorim Discordo do relator neste item, no decorrer da sessão de julgamento, houve dissenso quanto à possibilidade de creditamento da Recorrente quanto aos gastos com combustíveis e lubrificantes. Tendo inaugurado o voto divergente, coubeme à incumbência de redigir o voto vencedor, sendo o que passo a fazer. A Lei n° 10.637/2002 disciplinou diversos aspectos relacionados com matéria tributária, estabelecendo nova sistemática para apuração nãocumulativa da Contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), permitindo descontos de créditos calculados em relação a custos e despesas sobre as quais incidissem a mesma contribuição. Assim dispõe o art. 3º: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; O princípio da nãocumulatividade acontecerá na cadeia produtiva. Ou seja, a cada etapa, podese excluir da base de cálculo o que já foi recolhido anteriormente pela cadeia, ou seja, PIS/PASEP incidirá sobre o valor agregado nos diversos estágios produtivos e de comercialização. No entanto, nem tudo que seja custo, despesa ou encargo incorridos para a consecução do faturamento mensal, base de cálculo da Cofins, poderá ser considerado crédito a deduzir, pois, a admissibilidade de aproveitamento de créditos repousa necessariamente nos custos, despesas e encargos classificados nos incisos do art. 3º da lei mencionada. Com o intuito de regulamentar o dispositivo legal em questão, a Receita Federal do Brasil editou a IN 247/02, que conceitua “insumo” nos seguintes termos: IN SRF Nº 247/02 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13054.001681/200813 Acórdão n.º 3201001.025 S3C2T1 Fl. 4 7 (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” Além das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que compõe visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. No que diz respeito aos serviços, cabe dizer que o ato normativo, ao definir “insumo” como “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”, deu um caráter mais amplo ao conceito, uma vez que exigiu apenas que os mesmos fossem aplicados ou consumidos na industrialização, sem reproduzir a exigência de “ação direta” sobre o produto em fabricação, tal como havia feito com relação aos bens. Dessa forma, os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes da da Contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa, poderão gerar direito ao crédito, sendo exemplo os serviços contratados para a manutenção das máquinas de produção. Assim sendo, foi correta a glosa sobre combustíveis e lubrificantes, uma vez que é possível a utilização dessas despesas quando os tais produtos se caracterizarem como “insumo”, conforme definição acima exposta e que efetivamente haja comprovação dos gastos sobre os mesmos, o que não ocorreu ao caso. Por todo o exposto, entendo que não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis quando não comprovado pela recorrente a sua utilização no processo produtivo. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 8 Mércia Helena Trajano DAmorimredatora designada Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 15504.019838/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO DE INCENTIVO PRODUTIVIDADE. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto prêmio de incentivo produtividade, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.674
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitava a argüição da decadência, por aplicar o art. 173, I do CTN.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO DE INCENTIVO PRODUTIVIDADE. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto prêmio de incentivo produtividade, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Recurso Voluntário Provido.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO DE INCENTIVO PRODUTIVIDADE. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto prêmio de incentivo produtividade, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitava a argüição da decadência, por aplicar o art. 173, I do CTN. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15504.019838/200910 Acórdão n.º 2401002.674 S2C4T1 Fl. 313 3 Relatório FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA FUNDEP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 8a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0230.707/2011, às fls. 140/141, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais a título de prêmio/incentivo, em relação ao período de 02/2004 a 07/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 49/52. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/12/2009, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 2.009,45 (Dois mil e nove reais e quarenta e cinco centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora apurado com base nos valores nominais constantes das Notas Fiscais e Faturas de Prestação de Serviço emitidas pela empresa INCENTIVE PREMIER LTDA., devidamente elencadas naquele anexo, as quais foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal e confrontadas com os lançamentos contábeis do período. Informa, ainda, o fiscal autuante que constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados contribuintes individuais, por meio de cartão de premiação, pela empresa Incentive Premier Ltda., contratada para concessão de prêmio pela captação e negociação de projetos de interesse estratégico da Fundação. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 304/305, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, reitera as razões de fato e de direito suscitadas em sua peça inaugural, pugnando pelo acolhimento da decadência do crédito tributário ora lançado, uma vez transcorrido o prazo de 05(cinco) anos para sua constituição. Após breve delimitação do tema e relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo sua ilegitimidade passiva, por entender que a relação entre a empresa Incentive Premier e os profissionais por ela acionados na execução das referidas atividades não pode transferir, para a Recorrente, uma obrigação de recolhimento de contribuição previdenciária que não é dela. Em defesa de sua pretensão, infere que a exigência fiscal deveria recair sobre quem contratou e pagou tais profissionais, a Incentive Premier Ltda., mormente por inexistir na legislação de regência dispositivo que estabeleça a obrigação da pessoa jurídica contratante (ora recorrente) de serviços de outra empresa de recolher as contribuições previdenciárias dos consultores da contratada. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o Relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15504.019838/200910 Acórdão n.º 2401002.674 S2C4T1 Fl. 314 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do Código Tributário Nacional, restando decaída a exigência fiscal relativa aos fatos geradores ocorridos fora de referido lapso temporal. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15504.019838/200910 Acórdão n.º 2401002.674 S2C4T1 Fl. 315 7 ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15504.019838/200910 Acórdão n.º 2401002.674 S2C4T1 Fl. 316 9 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de salário indireto (prêmio), portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 17/12/2009, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da Autuação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram no período de 02/2004 a 07/2004, fora, portanto, do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência do feito. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 13976.000317/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS POR DEPENDENTE. A inclusão de dependente impõe a tributação dos rendimentos por ele auferidos na declaração do titular.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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A inclusão de dependente impõe a tributação dos rendimentos por ele auferidos na declaração do titular. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 03 17 /2 00 7- 45 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0631.332, proferido pela 5ª Turma da DRJ/CTA (fl. 22), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimentos referente à Caixa Econômica Federal, reduzindo o imposto devido para R$5.227,89. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Por meio do Notificação de Lançamento de fls. 10/13, exigese o crédito tributário de R$ 11.375,29, sendo R$ 5.519,58 de IRPF Suplementar, R$ 4.139,68 de multa de ofício de 75% e R$ 1.716,03 de juros de mora calculados até 31/05/2007. A revisão foi efetuada com fundamento nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871, 926, 992 todos do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (fl. 10). O lançamento, por sua vez, foi fundamentada nos art. I o a 3 o e §§ 8o e 9o da Lei 7.713/88; arts. I o a 3 o da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos do próprio declarante e de seus dependentes, constantes em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF/2004. O contribuinte apresentou tempestivamente impugnação de fls.01/03, onde solicita que seja autorizado a proceder a declaração retificadora, excluindo como dependente a esposa Ana do Rocio Passos e que os rendimentos auferidos por ela possam ser lançados na DIRPF/2005 em apresentação fora do prazo. Quanto aos rendimentos recebidos da Coop. de Trab. Méd. do Planalto Norte de Santa Catarina Ltda, reconhece a omissão. Porém, em relação aos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, informa que não constavam no "Informe de Rendimentos Financeiros Ano Calendário 2004 Imposto de Renda Pessoa Física" fornecido pela CEF (fls. 06). No entanto, em informação recebida junto à CEF constatouse que os rendimentos apresentados na DIRF/2004 referiamse à ação judicial relativa ao Empréstimo Compulsório na Aquisição de Veículos, o qual teve Imposto de Renda retido pela fonte pagadora e solicita que seja dado o tratamento tributário de "tributação exclusiva na fonte". Para tanto, apresenta o recibo de fls. 05 referente à Ação de Execução n° 2000.70.00.0184976. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte expressamente concorda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Ao incluir em sua declaração de ajuste dependentes que possuam rendimentos pessoais, o contribuinte deve incluir estes rendimentos somados aos seus próprios no campo relativo aos rendimentos tributáveis Fl. 39DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13976.000317/200745 Acórdão n.º 2101002.033 S2C1T1 Fl. 39 3 EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. ISENÇÃO. Não se caracteriza como rendimento tributável os valores auferidos a título de empréstimo compulsórios sobre a aquisição de veículos automotores, devendo ser informado como rendimento nãotributável na Declaração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF (fls. 34/36) reitera o pedido de exclusão da cônjuge Ana Cristina do Rocio Passos Raetsch da relação de dependentes e, consequentemente, dos rendimentos por ela auferidos no anocalendário de 2004. Argumenta que esta sempre apresentou declaração em separado, e que a fiscalização ao invés de notificálo para procede à regularização da situação, partiu diretamente para o lançamento e ofício do valor omitido, momento a partir do qual não pode mais realizar a alteração. Aduz que a inclusão de sua esposa como dependente é decorrente de um erro, e não da intenção deliberada de sonegar o imposto, que é muito superior ao que seria devido no caso da declaração em separado. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. Para o anocalendário de 2004, de acordo com a legislação tributária, podem ser dependentes, para efeito do imposto sobre a renda: 1 companheiro(a) com quem o contribuinte tenha filho ou viva há mais de 5 anos, ou cônjuge; (grifei) 2 filho(a) ou enteado(a), até 21 anos de idade, ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; 3 filho(a) ou enteado(a), se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, até 24 anos de idade; 4 irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, de quem o contribuinte detenha a guarda judicial, até 21 anos, ou em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; 5 irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, com idade de 21 anos até 24 anos, se ainda estiver cursando Fl. 40DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, desde que o contribuinte tenha detido sua guarda judicial até os 21 anos; 6 pais, avós e bisavós que, em 2004, tenham recebido rendimentos, tributáveis ou não, até R$ 12.696,00; 7 menor pobre até 21 anos que o contribuinte crie e eduque e de quem detenha a guarda judicial; 8 pessoa absolutamente incapaz, da qual o contribuinte seja tutor ou curador. No caso em exame, encontramse em litígio os rendimentos auferidos por Ana Cristina do Rocio Passos Raetsch, esposa do contribuinte, relacionada como sua dependente na Declaração de Ajuste anual do exercício de 2005. O recorrente afirma que a registrou em sua DIRPF/2005, equivocadamente, e que o procedimento correto seria excluir a dependente da declaração, em vez de somar os rendimentos por ela auferidos ao do declarante titular, sendo esta a solução mais justa e menos onerosa. Não procede tal argumento. A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos tributáveis é opção colocada à disposição dos cônjuges pela legislação tributária. O contribuinte deve avaliar se compensa incluir os rendimentos e deduzir as despesas com dependentes, instrução, despesas médicas, previdência privada etc. Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização em momento posterior constatou rendimentos omitidos, auferidos pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do imposto de renda. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato – é o que dispõe o artigo 136 do CTN. O recolhimento a menor do imposto devido e a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, são causas para a aplicação da multa de ofício em seu percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento). Nos termos do §1º do artigo 147 do Código Tributário Nacional, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, não cabe nesta fase do litígio a exclusão de dependente da DIRPF exercício 2005, anocalendário 2004. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 41DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13976.000317/200745 Acórdão n.º 2101002.033 S2C1T1 Fl. 40 5 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002616/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 03/08/2007 a 14/08/2007
DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NA IN/SRF Nº 228/2002. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração em razão do descumprimento do prazo previsto no art. 9º da IN/SRF nº 228/2002.
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INVESTIGAÇÃO PELO FISCO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
São lícitas as provas coligidas pelo Fisco à observância do disposto na Lei Complementar nº. 105/2001. Não constitui violação do dever de sigilo das operações processadas pelas instituições bancárias a prestação de informações às autoridades fiscais tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional, por tratarem-se de penalidades distintas.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele.
OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
O dano ao Erário é punido com a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, inclusive com interposição fraudulenta de terceiro, convertendo-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida.
LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Preliminares de nulidade do auto de infração rejeitadas. No mérito, recursos voluntários negados.
Numero da decisão: 3202-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer Castro de Souza .
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 03/08/2007 a 14/08/2007 DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NA IN/SRF Nº 228/2002. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração em razão do descumprimento do prazo previsto no art. 9º da IN/SRF nº 228/2002. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INVESTIGAÇÃO PELO FISCO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. São lícitas as provas coligidas pelo Fisco à observância do disposto na Lei Complementar nº. 105/2001. Não constitui violação do dever de sigilo das operações processadas pelas instituições bancárias a prestação de informações às autoridades fiscais tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional, por tratarem-se de penalidades distintas. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. O dano ao Erário é punido com a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, inclusive com interposição fraudulenta de terceiro, convertendo-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Preliminares de nulidade do auto de infração rejeitadas. No mérito, recursos voluntários negados.
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Recorrente BRASCOMPANY COMÉRCIO EXTERIOR LTDA E VERDAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 03/08/2007 a 14/08/2007 DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NA IN/SRF Nº 228/2002. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração em razão do descumprimento do prazo previsto no art. 9º da IN/SRF nº 228/2002. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INVESTIGAÇÃO PELO FISCO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. São lícitas as provas coligidas pelo Fisco à observância do disposto na Lei Complementar nº. 105/2001. Não constitui violação do dever de sigilo das operações processadas pelas instituições bancárias a prestação de informações às autoridades fiscais tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, desde que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 26 16 /2 01 0- 15 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, por trataremse de penalidades distintas. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. O dano ao Erário é punido com a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, inclusive com interposição fraudulenta de terceiro, convertendose em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Nas operações de importação na modalidade por conta e ordem de terceiro, o contribuinte do Imposto de Importação é o importador e o adquirente é responsável solidário. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Preliminares de nulidade do auto de infração rejeitadas. No mérito, recursos voluntários negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer Castro de Souza . Fl. 647DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 636 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 76.846,50, referente a multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que, ao se proceder à revisão da habilitação da empresa Brascompany Comércio Exterior Ltda para operar no Siscomex, foram revelados indícios de incompatibilidade entre os valores transacionados no comércio exterior e sua capacidade econômica e financeira. Submetida ao procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/2002, foram verificados, dos livros contábeis e fiscais e dos extratos e comprovantes de depósitos bancários e demais documentos apresentados, que as importações declaradas como sendo por conta própria eram, em verdade, importações realizadas com recursos de terceiros, os quais permaneceram ocultos na transação comercial, caracterizandoos como os reais adquirentes das mercadorias importadas. As etapas do processo de importação, de modo geral, ocorriam da seguinte forma: Terceiras empresas (as reais adquirentes) transferiam recursos antecipados para a Brascompany, que somente posteriormente iniciaria a operação de importação. Depois de receber os recursos, a Brascompany efetuava o pagamento de diversos dispêndios do processo de importação, tais como câmbio, tributos e taxas aduaneiros. A Brascompany procedia ao registro de declaração de importação por conta própria e depois realizava os registros contábeis, com base em notas fiscais de entrada. O registro da saída das mercadorias se dava, na maioria das vezes, no mesmo dia de emissão da nota fiscal de entrada ou poucos dias depois, com base em notas fiscais de saída, cujos destinatários, em sua maioria, eram as empresas que haviam antecipado os recursos. Na venda das mercadorias não havia pagamento, pois os recursos já haviam sido transferidos à Brascompany antecipadamente. A utilização de recursos de terceiro para realizar a operação de comércio exterior remete à presunção legal de que a operação é por sua conta e ordem, de acordo com do artigo 27 da Lei n° 10.637/2002. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Dessa forma, ficou caracterizada a simulação praticada pela Brascompany, ao registrar as operações de importação como próprias, a fim de permitir a ocultação dos reais adquirentes, mediante a interposição fraudulenta. O presente processo diz respeito às Declarações de Importação n° 07/10273783, 07/10516856 e 07/10830062. Todas as Declarações de Importação referidas foram registradas como se a importação fosse por conta própria da Brascompany. Os documentos fiscais, contábeis e bancários comprovam que os recursos utilizados na operação provieram da empresa Verdal Comércio, Importação e Exportação Ltda, que os transferiu à Brascompany antecipadamente à operação. A Brascompany utilizou os recursos da Verdal Comércio, Importação e Exportação Ltda para cumprir os compromissos da importação e, depois de importadas as mercadorias, foram a ela entregues e os ajustes contábeis realizados de forma irregular. Em razão dos recursos utilizados na operação de importação terem provindo da Verdal Comércio, Importação e Exportação Ltda, se caracterizou a importação por sua conta e ordem, conforme previsão do artigo 27 da Lei n° 10.637/2002. Restou caracterizada a ocultação do real adquirente (Verdal), com base em simulação na operação de importação e mediante interposição fraudulenta de terceiro. O terceiro oculto deixou, indevidamente, de ser equiparado a industrial para fins de apuração e recolhimento de imposto sobre produtos industrializados (IPI). Também se caracterizou a falsidade ideológica dos documentos instrutivos dos despachos aduaneiros, pois as faturas e demais documentos trazem como adquirente das mercadorias a Brascompany Comércio Exterior Ltda e não a Verdal Comércio, Importação e Exportação Ltda, adquirente de fato. Considerando que as mercadorias já haviam sido consumidas, foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigência da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. A empresa Verdal Comércio, Importação e Exportação Ltda foi autuada na condição de sujeito passivo solidário, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 03), em razão do disposto no Código Tributário Nacional, artigo 124, e artigos 32 e 95, do Decretolei n° 37/1966. Cientificada por via postal (AR fl. 350v), a interessada Brascompany Comércio Exterior Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 374 a 398 e 401 a 430, com os documentos de folhas 431 a 448 anexados. A impugnante faz as seguintes alegações, em síntese: O procedimento especial de fiscalização a que foi submetida ultrapassou o prazo previsto pela própria Receita Federal do Brasil nas normas que regem a matéria. Por essa razão o auto de infração é improcedente. A quebra de sigilo bancário da impugnante foi realizado com descumprimento dos requisitos da Lei Complementar n° 105/01, sendo obtidos indevidamente os dados de sua movimentação financeira, o que torna essas provas ilícitas. Não houve motivação para a quebra de seu sigilo bancário, sendo atacado seu direito constitucionalmente previsto. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 637 5 A multa de 100% prevista no art. 23, § 3º , do Decretolei n° 1.455/1976, não é possível de ser aplicada à impugnante, pois ao importador deve ser aplicada multa de 10% prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, se for o caso. Houve motivação incorreta, pois a descrição fática não condiz com a realidade e, portanto, o auto de infração é nulo. Isso porque somente ao suposto sujeito passivo oculto, verdadeiro adquirente da mercadoria importada, e não ao importador que teria cedido seu nome na operação, é aplicável o contido no § 3º do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976. Requer seja anulado o auto de infração ou, em caso contrário, seja reduzida a multa para 10%, como arguido. A autuada na condição de sujeito passivo solidário, Verdal Comércio, Importação e Exportação Ltda, foi cientificada por via postal (AR fl. 351v) e apresentou a impugnação tempestiva de folhas 352 a 365, com os documentos de folhas 366 a 372 anexados. A impugnante apresenta, em síntese, as seguintes alegações: Não foi empresa interposta, pois não realizou importação por conta e ordem. Pelo contrário, adquiriu mercadorias que imaginava serem do estoque da Brascompany. Agiu de boafé, pois, quando adquiriu as mercadorias, a fornecedora informou que estavam em estoque na filial da empresa em Porto Velho/RO, motivo pelo qual a entrega não poderia ser imediata e, para efetuar o carregamento, seria também necessário o pagamento de parte dos valores das mercadorias. Por essa razão realizou três depósitos na conta corrente da Brascompany, ou seja, a título de sinal antes de as mercadorias chegarem. A Brascompany não cumpriu com o prazo avençado e por esse motivo não mais adquiriu mercadorias da empresa. Somente agora fica ciente de que o motivo do atraso é porque as mercadorias não provieram de Rondônia, mas, sim, da China. Como não possuía habilitação, à época dos fatos, para realizar importações, buscou recompor seu estoque com mercadorias já nacionalizadas. Assim,comprou da Brascompany, que dizia têlas em seu estoque. Não assumiu nenhum risco da operação, pois a Brascompany realizou as importações por sua própria conta. Não pode ser penalizada, pois é adquirente de boafé, não cabendo responder como responsável solidária, pois não deu causa ao erro. Se a importadora Brascompany realizou irregularidades, a condenação e reparação de eventuais prejuízos não pode dela passar. Não tem como fiscalizar as atividades financeiras de outra empresa. O adquirente da mercadoria não é responsável pelo pagamento da pena de multa de 100% relativa à pena de perdimento. Não há que se falar em ocorrência de bis in idem quando da aplicação da multa de 100% do valor da mercadoria, referente ao perdimento, cumulativamente com a multa de 10% sobre o valor da operação. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Não praticou interposição fraudulenta e, portanto, não pode sofrer penalidade por infração que não cometeu. O artigo 32 do Decretolei n° 37/1966 citado pela fiscalização se refere a solidariedade em relação ao pagamento de imposto, todavia, o caso em tela trata de multa pecuniária de 100% do valor de mercadoria a qual foi aplicada pena de perdimento, por prática de infração administrativa, portanto, o dispositivo é inaplicável ao caso. Requer seja nulificado o auto de infração ou declarado improcedente.” A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedentes as impugnações (fls. 451/474), mantendo integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/08/2007 a 14/08/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/08/2007 a 14/08/2007 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/08/2007 a 14/08/2007 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas Fl. 651DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 638 7 pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestarse apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). AUSÊNCIA DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Constando do relatório fiscal e demais peças dos autos que a RMF foi emitida por agente competente e nas situações previstas na legislação, de forma a possibilitar ao contribuinte aferir a legalidade do procedimento administrativo, não há que se falar em nulidade do procedimento, ainda que não conste dos autos um relatório circunstanciando a hipótese que determinou a emissão da RMF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformadas, as autuadas apresentaram recurso voluntário perante este Colegiado, nos seguintes termos: a) Alegações de defesa apresentadas pela Brascompany (fls. 471/546): nulidade do auto de infração em razão de autoridade fiscal não haver cumprido o prazo estipulado na IN/SRF nº. 228/2002 para encerramento do procedimento especial de fiscalização previsto naquela normativa. Alega que, quando do oferecimento da impugnação, em 09/12/2010, a contribuinte encontravase sob procedimento há, aproximadamente, 545 dias, sem que este se houvesse finalizado. nulidade do auto de infração por ter sido fundamentado em prova ilícita, vez que a quebra do sigilo bancário deuse sem prévia autorização judicial. Afirma que “o § 1º do art. 145 da Constituição Federal, no que tange à quebra do sigilo bancário, não atribuiu nenhum poder especial à Administração Pública ou abrigou qualquer dispensa de buscar junto ao Judiciário autorização para afastar o direito constitucionalmente previsto do sigilo aos dados bancários, relacionados diretamente à intimidade e à vida privada das pessoas”. Aduz que o direito ao sigilo bancário é direito individual constitucionalmente assegurado; que a multa de 100% do valor aduaneiro, prevista no art. 23, §3º do Decretolei nº. 1.455/76, somente seria aplicável ao verdadeiro importador da mercadoria, ao “importador oculto”, e não ao importador que teria cedido seu nome na operação; a este importador, deveria ser aplicada a multa de 10% do valor da mercadoria, prevista no art. 33 da Lei nº. 11.488/2007; Ao final, pediu a nulidade do auto de infração e, subsidiariamente, a redução da multa para 10% do valor aduaneiro das mercadorias. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 b) Alegações de defesa apresentadas pela Verdal (fls. 626/632): nulidade do auto de infração por ter sido fundamentado em prova ilícita, vez que a quebra do sigilo bancário deuse sem prévia autorização judicial. Entende que o STF já decidiu pela inconstitucionalidade da lei que autoriza a quebra do sigilo bancário, pela Receita Federal, sem autorização judicial prévia; alega que em nenhum momento solicitou à Brascompany que realizasse a importação das mercadorias. Aduz que fez a aquisição de boafé e que não sabia que as mercadorias seriam importadas da China pela Brascompany, tendo acreditado que a empresa as possuía em estoque, na filial de Rondônia; alega que “a legislação brasileira protege o terceiro de boafé, que não pode responder por eventuais vícios aos quais não deu causa ou não tinha conhecimento” e que a Fiscalização utilizouse de meras suposições, não havendo qualquer prova de que tenha agido de máfé. Ao final, requereu o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais deles conheço. Passo a analisar, separadamente, cada uma das vertentes em que se fundamentaram os recursos. 1 Preliminarmente 1.1 Da Nulidade do Auto de Infração por descumprimento da IN/SRF nº 228/2002 Primeiramente, entende a contribuinte que o auto de infração seria nulo por ter sido lavrado em prazo superior àquele estabelecido na IN nº. 228/2002. Afirma que, quando do oferecimento da impugnação, em 09/12/2010, encontravase sob o procedimento especial previsto na normativa sem que este se houvesse finalizado. A IN/SRF nº. 228/2002, a qual dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, em seu art. 9º assim estabelece: Art. 9º O procedimento especial previsto nesta Instrução Normativa deverá ser concluído no prazo de noventa dias, contado da data de atendimento às intimações previstas no art. 4º. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 639 9 Parágrafo único. O titular da unidade da SRF responsável pelo procedimento especial poderá, em situações devidamente justificadas, prorrogar por igual período o prazo previsto neste artigo Logo de plano, portanto, verificase acertada a decisão proferida pela DRJ nesta parte, tendo em vista que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 11/11/2010, dentro do prazo estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal MPF para a execução daquele procedimento especial, qual seja, 22/12/2010, conforme consta à fl. 55, restando, portanto, cumprido o prazo previsto na normativa, posto que o MPF foi expedido em 24/08/2010. Demais disso, ainda que a ciência do Auto de Infração fosse em data posterior àquela consignada no MPF para a conclusão do procedimento especial, ainda assim tal fato não seria causa de nulidade da peça de autuação. O MPF tem caráter subsidiário em relação aos atos de fiscalização, vez que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, não podendo a autoridade fiscal deixar de exercêla diante da ocorrência do fato gerador do tributo, de forma que não possui o MPF, tampouco a IN nº. 228/2002, o poder de retirar da autoridade lançadora a competência a ela atribuída por lei. Por fim, dispõem os artigos 59 e 60 do Decreto nº. 70.235/1972, Art. 59. São nulos: a) Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; b) Os despachos e decisões proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa §§ omissis. Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ao teor desse dispositivo, as irregularidades que tornariam nulo o lançamento fiscal resumemse aos casos de atos e termos lavrados por servidor incompetente e aos de despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com cerceamento do direito de defesa. Afora as hipóteses retrocitadas, as demais irregularidades que possam vir a ocorrer no processo fiscal não acarretam nulidade do lançamento fiscal. Concluise, pois, diante das considerações acima expendidas, que a inobservância do prazo de 90 dias, estabelecido na IN nº. 228/2002, não constitui nenhuma das circunstâncias previstas no PAF como passíveis da decretação de nulidade do ato, não sendo cabível, portanto, acolher a preliminar de nulidade arguida. 1.2 Da Nulidade do Auto de Infração por Fundamentarse em Prova Ilícita Tanto a contribuinte Brascompany quanto a responsável solidária Verdal alegam que o auto de infração seria nulo em razão de fundamentarse em prova ilícita. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Entendem que a quebra do sigilo bancário procedida pelo Fisco, sem a prévia autorização judicial, violaria o direito constitucionalmente assegurada ao sigilo das informações bancárias. A responsável solidária Verdal entende, inclusive, que o STF já se manifestou pela inconstitucionalidade da Lei Complementar nº. 105/2001, e que isso importaria na aplicação do inciso I do parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, o qual assim estabelece: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (sublinhado não constante do original) Na verdade, a questão da constitucionalidade do fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, é matéria com repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, em 23/10/2009, e que, até o momento, encontrase sob a análise daquela Corte, sendo o leading case o RE 601.314, de Relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. Assim, por força do caput do art. 62 do RICARF, sob o fundamento de inconstitucionalidade, não há como se afastar a aplicação do art 6º da Lei Complementar nº. 105/2001, o qual dispõe: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Fl. 655DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 640 11 Art. 6º A autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Desta forma, a despeito do entendimento defendido pelas partes, não há como recusar a interpretação de que a Lei Complementar nº 105/01, que dispôs sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, previu expressamente a possibilidade de os agentes fiscais examinarem documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes às contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que (i) houvesse processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e (ii) tais exames fossem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente – o que se aplica, perfeitamente, ao caso ora sob análise. Rejeito, portanto, também esta preliminar de nulidade do auto de infração. 2 – Do Mérito 2.1 – Da Aplicação da Multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 Defende a Brascompany que a multa de 100% do valor aduaneiro, prevista no art. 23, §3º do Decretolei nº. 1.455/76, somente seria aplicável ao verdadeiro importador da mercadoria, ao “importador oculto” – no caso, a Verdal – e não ao importador que teria cedido seu nome na operação – no caso, a Brascompany. Alega que à contribuinte, em razão do princípio da retroatividade benigna do art. 106 do CTN, deveria ser aplicada apenas a multa de 10% do valor da mercadoria, prevista no art. 33 da Lei nº. 11.488/2007, vez que esta teria derrogado tacitamente a precitada multa do Decretolei nº. 1.455/76 em relação ao importador ostensivo. Entendo incabível o posicionamento da contribuinte Brascompany e defendo a possibilidade da aplicação concomitante de ambas as penalidades. Pareceme incongruente a idéia de que o legislador pretendeu excepcionar uma das condutas que configura a infração de dano ao Erário e imputarlhe penalidade mais branda em relação às demais condutas que caracterizam a mesma infração. Tanto jamais essa foi a intenção do legislador que o novo Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 6.759/2009) consignou no §3º do art. 727: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com Fl. 656DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3ºA multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Antes da Lei nº. 11.488/2007, à conduta de ceder o nome para acobertar o real importador da mercadoria cominava ao importador ostensivo a aplicação de duas sanções: (a) a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa no caso de sua não localização ou de ter sido consumida (com fundamento no §3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002); e (b) a proposição de inaptidão do CNPJ (com fundamento no art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN/RFB nº 748/2007). Após a edição da nova lei, substituiuse a propositura da inaptidão do CNPJ pela multa de 10% do valor da mercadoria, sem prejuízo, entretanto, da pena de perdimento anteriormente aplicável. O ato de ceder o nome para acobertar o real importador configura o cometimento das duas infrações, nas quais os bens jurídicos tutelados são distintos. Não há que se falar na ocorrência do bis in idem, vez que os bens jurídicos tutelados não se confundem: enquanto o art. 33 da Lei n.° 11.488/2007 objetiva tãosomente resguardar a integridade do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, coibindo o mau uso da inscrição no CNPJ pelas empresas, o art. 23, V, do DecretoLei n.° 1.455/76 visa proteger o próprio patrimônio da União. Isso porque a real importadora, de acordo com o inciso IX do art 9º do Decreto nº. 7.212/2010 (RIPI), caso tivesse figurado como adquirente das mercadorias no mercado interno em importação realizada por sua conta e ordem, seria considerada estabelecimento equiparado a industrial e, como tal, estaria sujeita ao recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que não ocorreu em virtude de ter omitido a realização da importação por conta e ordem, fazendose passar por simples comprador de mercadorias importadas. O reflexo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 sobre o inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.475/1976 foi muito bem enfrentada nos autos do processo nº. 10314.013716/200691, em voto proferido pelo i. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, o Conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, cujos fundamentos abaixo transcrevo e adoto como razão de decidir: “Matéria que recentemente tem sido trazida à consideração deste colegiado é o cabimento da aplicação retroativa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 20071 que, segundo defendido, teria derrogado tacitamente o inciso V do art. 23 do DL nº 1.455, de 19762, e , impondo penalidade mais branda à conduta descrita no ato derrogado, atrairia a aplicação do art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional3. 1 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). 2 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 657DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 641 13 Sustentase, equivocadamente, a meu ver, que, a partir da vigência do dispositivo novel, não mais seria possível aplicar a pena de perdimento às mercadorias alvo de operação maculadas pela ocultação das partes envolvidas. Tais conclusões, sinteticamente, estariam apoiadas na convicção de que, interpretandose tal dispositivo à luz do critério da mens legislatoris, chegarseia à conclusão de que a infração tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 corresponderia materialmente à capitulada no 23, V do Decretolei nº 1.455, de 1976, diferenciandose exclusivamente no que se refere à individualização do infrator, já que a contida no dispositivo mais recente teria como agente apenas o importador ou exportador ostensivo. A se configurar tal identidade, a aplicação concomitante de duas penalidades implicaria violação ao princípio constitucional do non bis in idem, dogmatizado no art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966. Apesar da convicção com que essa conclusão foi repudiada, inclusive em acórdãos de primeira instância alvo de recurso de ofício, a pena instituída no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 surgiu, efetivamente, como alternativa à declaração de inaptidão, nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Para se chegar a tal convicção, fazse necessário realizar uma análise da legislação que dispõe sobre a inaptidão da inscrição no (CNPJ), especialmente na hipótese em que se configura sua inexistência de fato. Diz o art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (grifei) Como se observa, a legislação tributária, na esteira do consignado no novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), em seu art. 9664, que distingue a pessoa jurídica da empresa, atribui consequências à inscrição da contribuinte que, apesar de regularmente constituída junto aos órgãos de registro e da obtenção de número de cadastro junto ao Fisco, não preenche as condições para seu enquadramento como “existente de fato”, ou seja, que detenha os meios para a realização das operações comerciais que declarou ter realizado. Importante relembrar os contornos desse elemento distintivo da empresa, assim sintetizado pela professora Rachel Sztajn5 Organização parece ser o elemento central, essencial, necessário e suficiente, para determinar a existência da empresa, porque gera o aparato produtivo estável, (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 4 Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 5 Teoria Jurídica da Empresa : Atividade Empresária e Mercados. São Paulo. Atlas, 2004, p. 129. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 estruturado por pessoas, bens e recursos, coordena os meios para atingir o resultado visado. Nessa esteira, diferenciando empresa de pessoa jurídica, esclarece o Des. Sérgio Campinho6: Da inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis resulta a presunção de se ter alguém dedicado a exercer atividade própria de empresário. É uma prova prima facie, mas que pode ser elidida por prova mais robusta em sentido contrário. Desse modo, se determinadas pessoas celebram contrato de sociedade, tendo por objeto o exercício de atividade própria de empresário, promovendo o arquivamento do respectivo instrumento na Junta Comercial, estará a sociedade, enquanto pessoa jurídica, constituída. Todavia, somente passará a ostentar a condição de empresária se efetivamente iniciar a exploração de seu objeto, abdicando da inatividade. Enquanto não entrar em operação o seu objeto, teremos a pessoa jurídica, a sociedade constituída, mas não uma sociedade empresária. Por outro lado, acerca dos efeitos da verificação da inexistência de fato, fixa o art. 82 da Lei 9.430, de 1996, responsável pela instituição desse status cadastral: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (grifei) Ou seja, da mesma forma em que, se verificado que a sociedade não reúne os elementos caracterizadores da empresa, perde a sua escrituração comercial a presunção estabelecida no art. 226 do mesmo Código Civil7, se não apresenta condições mínimas de funcionamento, seus documentos fiscais perdem o poder de provar, por si só, a realização de um serviço ou a comercialização da mercadoria. Evidentemente, a atribuição de tal status à inscrição impõe um ônus significativo para o sujeito passivo, de sorte que a sua aplicação em dissonância com o que preceitua a norma que a instituiu, mais do que ilegal, afronta os princípios, implícitos e explícitos, norteadores da atuação da administração pública, gizados na Constituição Federal de 1988. De fato, a pretexto de fazer uso da delegação contida no caput do já transcrito art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, fixou o Fisco no art. 37, III da Instrução Normativa SRF nº 200, de 13 de setembro de 20028: 6O Direito de Empresa à Luz do Novo Código Civil. Rio de Janeiro. Renovar, 2004, 4ª ed., pp.. 28 e 29. 7 Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 8 Redação idêntica à do art. 41, III da IN RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 642 15 Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: (...) III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; Seguindose tal ato ao pé da letra, bastaria que a pessoa jurídica cedesse seu nome uma única vez para que, apesar de possuir todos os meios para a realização de suas atividades, lhe ser atribuído o mesmo tratamento dispensado à pessoa jurídica que não reunia condições para enquadramento nos contornos do que a Lei Civil classificou de sociedade empresária. Além de desproporcional, tal dispositivo encontravase maculado de vício formal, pois foise muito além da delegação contida na lei que instituiu a inaptidão da inscrição, violando, por consequência, o princípio da legalidade, gizado no art. 379 da Carta Política de 1988. Com efeito, o já transcrito art. 81 somente autorizou o Ministro da Fazenda a disciplinar os termos e condições em que se dará a declaração de inaptidão, jamais a equiparar, por meio de presunção, a cessão do nome à inexistência de fato. Sabidamente, a instituição de tal ficção jurídica exigiria lei em sentido formal. Tal explicação é fundamental para que se estabeleça a verdadeira mens legislatoris que orientou a redação do recente art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, mais facilmente compreendida após sua leitura: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, a hipótese descrita no art. 33 da Lei nº 11.488 é exatamente a mesma do inciso III art. 37 da IN SRF nº 200, de 2002: ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações, com vistas ao acobertamento de determinada pessoa. Tal convicção é reforçada com a leitura do parecer que encaminha o projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória nº 351/2007 (PLV 13/2007), do qual resultou a Lei nº 11.488, de 2007, seu relator, que também responde pela autoria do 9 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte Fl. 660DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 dispositivo, faz a seguinte observação à proposta de redação do art. 35, posteriormente renumerado para 33, quando da conversão definitiva10: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.”(grifo nosso) Ora, tanto o âmbito de aplicação do dispositivo novel é a inaptidão cadastral que fez questão de inserir a ressalva do par. único: quem cede o nome, mas tem meios para a realização de sua atividade societária, sujeitase à multa de 10%. Caso contrário, à inaptidão cadastral. Essa é a adequação de que fala o legislador. Admitindo que a exegese baseada na mens legislatoris não fosse suficiente para demonstrar a ausência de sobreposição de infrações, não se poderia falar, no presente, de violação do princípio do non bis in idem, implícito no subsistema jurídicopenal norteado pela Constituição de 1988. Trazendo tal sobrenorma para o plano das regras jurídicas, diz o art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Duas ou mais infrações, portanto, devem dar ensejo a duas ou mais penalidades, salvo se tais infrações se revelarem idênticas. Tal identidade, como é cediço, não se revela exclusivamente pela semelhança ou unicidade da conduta. Ou seja, pelo menos no plano do direito aduaneiro, é legalmente possível que uma única ação viole mais de uma regra e seja apenada com mais de uma sanção. Para demonstrar esse raciocínio, relembro hipótese constantemente trazida a este Colegiado, materializada nas circunstâncias em que o sujeito passivo, ao se equivocar na informação do código da NCM comete duas infrações, uma que tutela a exatidão do recolhimento dos tributos incidentes na importação, capitulada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996 e outra que zela pela exatidão das informações prestadas na declaração, com vistas à efetividade do controle aduaneiro, capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Com efeito, a declaração inexata, quando o item declarado é a classificação fiscal, impõe a aplicação de duas penalidades diversas, eis que a mesma ação infringe mais de uma norma. Especificamente no âmbito do que se discute no presente recurso, a recorrente, ao ceder seu nome para a prática da atos por terceiros e, ao mesmo tempo, inserir informações falsas nas declarações prestadas ao Fisco, amparada em documento, no mínimo, ideologicamente falso, já que não reflete as partes envolvidas na transação comercial, infringe, igualmente, os dois dispositivos. Ou seja, assim como ocorre no plano do direito penal, é possível que, com uma única conduta, sejam violadas duas ou mais regras. 10 Disponível em http://www.camara.gov.br/sileg/integras/.pdf Fl. 661DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 643 17 No âmbito daquele ramo, aplicase a cláusula de aumento da pena prevista no art. 70 do Código Penal (Decretolei no 2.848, de 1940)11; no direito aduaneiro, cada uma das penalidades correspondentes à cada norma infringida, nos termos do já transcrito art. 99 do DL nº 37/66. Finalmente, tal convicção é reforçada quando se observa a regulamentação do art. 33 no recente Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Vejase o que diz o seu art. 727: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) §3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Não custa destacar que o parágrafo 3º acima transcrito possui conteúdo evidentemente interpretativo, a reclamar a aplicação do inciso I, do art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)12, máxime em função de que, no presente processo, não se discute a inclusão da multa recéminstituída. Forçoso é concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e, nessa condição poderiam ser aplicadas, concomitantemente, as penas a ela correspondentes a fatos que, a partir da entrada em vigor da lei nº 11.488, incidirem na hipótese descrita no seu art. 33. Nesse ponto, convém registrar pronunciamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região nos autos da AMS nº 2005.72.08.005166613: Tenho, no entanto, que a disposição acima citada não tem o condão de afastar a pena de perdimento, ou seja, não revogou o art. 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, no caso a HBB, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. 11 Art. 70 Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicamse, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 12 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 13 2ª Turma, Relator Des. Otávio Roberto Pamplona, publicado em 01/08/2007 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 18 Quanto à declaração de inaptidão do CNPJ, o parágrafo único do aludido artigo estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996", e que consiste, exatamente, na declaração de inaptidão do CNPJ. É dizer, realmente, quanto a essa declaração houve a vedação de aplicação dessa sanção na hipótese de importação em favor de terceiro oculto. Não obstante, tal penalidade não foi aplicada pelo auto de infração objeto desta impetração, tanto que está sendo objeto de apreciação em outro mandado de segurança, que tramita na 1ª Região, em decorrência de outro ato de outra autoridade fiscal, de modo que, no particular, a questão é de ser tratada no seio da aludida ação mandamental. Aliás, o explicitação constante do parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, vem ao encontro do se que disse anteriormente, no sentido de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Ao contrário, confirma a assertiva, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. (os destaques não constam do original) Não há que se falar, portanto em derrogação tácita. Nesse ponto, precisa é a lição de Carlos Maximiliano14 que, analisando tal modalidade de antinomia, conclui: “442 — Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente abrogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou, ao contrário, dilatao, estendeo a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos...” Com efeito, partindose do pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afasta a aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca da incompatibilidade entre os dispositivos, conforme sintetizou o renomado hermeneuta15: Em resumo: sempre se começará pelo Processo Sistemático; e só depois de verificar a inaplicabilidade ocasional deste, se proclamará abrogada, ou derrogada, a norma, o ato, ou a cláusula.(destaquei) 14 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., p. 292. 15 op. cit. p. 291. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 644 19 Ou seja, o esforço hermenêutico próprio da interpretação sistemática pressupõe a coerência do ordenamento e somente em situações excepcionais pode conduzir à conclusão da derrogação tácita da norma.” Destaquese, por último, que no mesmo sentido foi o julgado proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, nos autos do processo nº. 12466.002615/201062, onde figura como recorrente a mesma empresa Brascompany. 2.2 – Da Intervenção Fraudulenta de Terceiros Presumida e da Caracterização da Verdal como Real Importadora. Afirma a recorrente Verdal que em nenhum momento solicitou à Brascompany que realizasse a importação das mercadorias. Aduz que fez a aquisição de boafé e que não sabia que as mercadorias seriam importadas da China pela Brascompany, tendo acreditado que a empresa as possuía em estoque. Alega que “a legislação brasileira protege o terceiro de boafé, que não pode responder por eventuais vícios aos quais não deu causa ou não tinha conhecimento” e que a Fiscalização utilizouse de meras suposições, não havendo qualquer prova de que tenha agido de máfé. Com tais alegações, pretende a Verdal fazer crer que apenas ocorreu uma simples transação comercial de compra e venda no mercado interno, sem qualquer relação com atividades de importação. Acontece, porém, que as alegações de defesa trazidas pela Verdal carecem de falta absoluta de prova. No caso, as importações ocorreram sem que fossem utilizados recursos próprios da empresa Brascompany, mas sim recursos da empresa Verdal, restando caracterizada a presunção legal estabelecida no art. 27 da Lei nº. 10.637/2002: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Vejase como se realizava o esquema entre a Brascompany e as reais importadoras, conforme narrado pela autuação: “........................................................................................................................... A fiscalização, de posse dos Livros Contábeis e Fiscais da empresa, dos extratos bancários, comprovantes de depósitos e dos demais documentos apresentados pelas instituições financeiras, identificou lançamentos referentes às importações realizadas pela BRASCOMPANY, declaradas como por sua própria conta, mas que na verdade foram realizadas com recursos de terceiros. Esses terceiros, os quais permaneceram ocultos na transação comercial, são os reais adquirentes das mercadorias importadas. Foi, portanto, identificada infração que consistiu na prática de ocultação do sujeito passivo, do real comprador e responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 20 Terceiras empresas (as reais adquirentes) efetuavam transferência de recursos financeiros para as contas correntes de titularidade da BRASCOMPANY, que então efetuava o pagamento de variados dispêndios, dentre eles o pagamento de câmbio, de tributos devidos na importação e de taxas e serviços aduaneiros, referentes às operações de importação registradas de forma simulada. A simulação ocorria porque a BRASCOMPANY registrava as DIs Declarações de Importação como sendo operações por sua própria conta e risco. Após nacionalizadas, a BRASCOMPANY dava entrada das mercadorias em seus assentamentos contábeis, através de notas fiscais de entrada de sua própria emissão. O registro da saída das mercadorias se dava na maioria das vezes no mesmo dia de emissão da nota fiscal de entrada ou poucos dias depois, sendo feito através de notas fiscais de saídas, que tinham como destinatário a mesma empresa que havia transferido os recursos à BRASCOMPANY de forma antecipada. Na "venda" das mercadorias nacionalizadas, já não havia pagamento ou repasse de recursos financeiros por parte do destinatário das mercadorias, posto que os recursos haviam sido antecipadamente transferidos pelo "comprador" à BRASCOMPANY, para que a mesma pudesse suportar os dispêndios e dar o andamento ao processo de importação. ............................................................................................................................” Relata a Fiscalização, DI a DI, os fatos que demonstram a utilização de recursos da Verdal para a efetivação das importações realizadas em nome da Brascompany. Vejase o seguinte exemplo (fl. 37): “6.1 — DI n° 07/10273783 (Fls. 317 a 326) A VERDAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA efetuou depósito no valor de R$ 25.020,00 em 05/07/2007 (Documento n° 8192033) no Banco Bradesco, Agência 21970, conta 15.4792, de titularidade da BRASCOMPANY, fls. 324. No mesmo dia 05/07/2007, a BRASCOMPANY realizou a transferência de recursos do Banco Bradesco para uma outra conta de sua titularidade no Banco Rural, Ag. 0001, Conta n° 066213005, através de uma Transferência Eletrônica Disponibilidade (TED), no valor de R$ 24.760,00 (Documento n° 0005048), fls. 324, identificado no Extrato do Banco Rural sob o número 200010, fls. 325. Imediatamente, no mesmo dia 05/07/2007, foi feito o pagamento do câmbio referente a esta Declaração de Importação no valor de R$ 24.665,60 (Documento n° 073881), fls. 325. O depósito de R$ 25.020,00, em 05/07/2007 vinculase ao pagamento do Contrato de Câmbio n° 07/008788 no valor de R$ 24.665,60 (Documento n° 073881), em 05/07/2007, fls. 325. O Contrato de Câmbio citado referese ao pagamento antecipado ao exterior da DI n° 07/10273783, registrada em 03/08/2007, fls. 317, conforme a planilha "OPERAÇÕES EFETUADAS POR CONTA DA PRÓPRIA IMPORTADORA, COM CÂMBIO CONTRATADO PELA IMPORTADORA COM RECURSOS PRÓPRIOS", fornecida pela BRASCOMPANY, fls. 323. (...) Fl. 665DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002616/201015 Acórdão n.º 3202000.634 S3C2T2 Fl. 645 21 As mercadorias nacionalizadas na citada DI foram integralmente remetidas à empresa VERDAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, conforme Nota Fiscal de Venda n° 278, de 10/08/2007, fls. 326, conforme a planilha "OPERAÇÕES EFETUADAS POR CONTA DA PRÓPRIA IMPORTADORA, COM CÂMBIO CONTRATADO PELA IMPORTADORA COM RECURSOS PRÓPRIOS", fls. 323.” Nada trouxe a Verdal, tampouco a Brascompany, que refutasse as provas documentais coligidas pela Fiscalização, tampouco os fatos que foram narrados na autuação, não passando suas defesas de meras alegações sem fundamentos probatórios. Assim, existindo elementos nos autos que demonstram que a operação foi realizada por conta e ordem do adquirente informação que foi omitida nas declarações apresentadas e que não se encontravam estampadas nos documentos apresentados no despacho de importação, que informavam como adquirente pessoa jurídica diversa daquela que efetivamente realizou o negócio não há como deixar de caracterizar a situação fática demonstrada exatamente como aquela prevista no inciso V, §2º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976, sujeita às penalidades dos §§ 1º e 3º: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1ºO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (...) Por sua vez, a real adquirente das mercadorias importadas, a empresa Verdal, foi considerada responsável solidária, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, c/c o inciso V, do artigo 95 do Decretolei nº 37/66, com a redação introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, a saber: “Art. 95. Respondem pela infração: (...) V – conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por Fl. 666DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 22 sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” Salientese que, na responsabilização solidária determinada pela lei, não há qualquer critério subjetivo a ser sopesado, restando irrelevante a aquisição de boafé alegada pela Verdal. Nada há, portanto, que se reparar a autuação perpetrada. Pelo exposto, REJEITO as preliminares de nulidade do auto de infração suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 667DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 19515.000344/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS.
A falta de cobrança de encargos financeiros sobre crédito com outra pessoa jurídica, apontada como liberalidade, não pode constituir-se em nexo causal para glosa de encargos financeiros de empréstimo contraído anteriormente no exterior com o devido registro no Banco Central, uma vez que o Fisco não logra provar que o valor buscado no exterior foi repassado para a outra empresa sem a cobrança dos respectivos encargos financeiros.
Numero da decisão: 1301-001.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior E Carlos Augusto De Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. 1 A falta de cobrança de encargos financeiros sobre crédito com outra pessoa jurídica, apontada como liberalidade, não pode constituirse em nexo causal para glosa de encargos financeiros de empréstimo contraído anteriormente no exterior com o devido registro no Banco Central, uma vez que o Fisco não logra provar que o valor buscado no exterior foi repassado para a outra empresa sem a cobrança dos respectivos encargos financeiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 44 /2 00 7- 21 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior E Carlos Augusto De Andrade Jenier. Relatório Por bem descrever as circunstâncias contidas nos autos, adoto o relatório apresentado na decisão recorrida, quando destaca: Tratase de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 2.412.988,07 e multa isolada pela falta de recolhimento da contribuição social a base estimada em função da receita bruta e/ou balanços de suspensão ou redução, no valor de R$ 3.008.698,38, proporcionando um crédito tributário de R$ 8.871.535,49. Foram alcançados fatos geradores do anocalendário de 2002 e a ciência ao sujeito passivo ocorreu em 09 de março de 2007. As infrações arroladas para a lavratura do auto de infração estão descritas no termo de verificação fiscal de fls. 180/184, basicamente como seguem: Que a pessoa jurídica, conforme consta em sua contabilidade e nos documentos apresentados a fiscalização, captou no mercado internacional a quantia de US$ 150 milhões através de "notas" de sua emissão entre maio e junho de 1998. que tal operação, cujo objetivo era a obtenção de capital de giro para a empresa, foi devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil e teve por agente o West Merchant Bank Limited da Inglaterra e previa o prazo de oito anos para seu resgate, além da incidência de juros anuais variáveis de 11,75 a 12,50%. que a partir dessa data o contribuinte passa a contabilizar mensalmente os encargos de variação cambial e dos juros relativos a essa operação o que impacta de forma negativa os seus resultados. Por outro lado, o contribuinte através de instrumento particular de compra e venda de quotas, vende, em 28/09/2001, a totalidade das quotas que possuía no capital social da empresa Urbanizadora Montreal Ltda., CNPJ n° 01.316.196/0001 90, pafra Kanazawa Company, companhia estabelecida nas Ilhas Cayman, sua sócia até 30.01.2003. que o valor da venda foi de R$ 487.753.754,95 os quais deveriam ser pagos no dia 05/06/2002, não havendo qualquer referência a Variação Cambial ou juros sobre esse montante, ou ainda, a prestação de qualquer garantia por parte do comprador, ou ao menos a previsão de penalidades no caso de inadimplência. que em 05 de junho de 2002, em que deveria ser efetuado o pagamento, as contratantes, através de um instrumento particular de confissão de dívida, acordam que, tendo a Kanazawa Company pago parte de sua dívida, o saldo remanescente no valor de R$ 388.866.918,62 seria pago até 05 de junho de 2004, também sem previsão de incidência de juros e variação cambial. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000344/200721 Acórdão n.º 1301001.070 S1C3T1 Fl. 3 3 que em 05 de junho de 2004, firmaram um aditivo àquele instrumento particular, prorrogando a data de vencimento da dívida para 05/06/2006, agora com a incidência de juros moratórios capitalizáveis mensalmente e pagos apenas no vencimento da dívida, no valor de 6% e de 12% para o segundo ano. Conclui o auto de infração que se por um lado temos o contribuinte, a partir da venda de suas cotas da empresa Urbanizadora Montreal Ltda., credora de R$ 487.753.754,95 de uma companhia sediada nas Ilhas Cayman, crédito este que até 31/08/2004, não sofre qualquer incidência de juros ou ao menos atualização cambial, por outro lado, neste mesmo período, o contribuinte suporta elevada carga de juros e atualização cambial, incidentes sobre o empréstimo internacional agenciado pelo West Merchant Bank Liumited. Desta forma, foram desconsiderados os encargos pagos pelo empréstimo internacional que oneraram fortemente o contribuinte durante o período em questão, refletindo de forma negativa nos seus resultados e, conseqüentemente na apuração do lucro real e na base de cálculo da contribuição social. Observa ainda o Fisco que, como até 31/08/2004, o contribuinte não adotou, em relação ao valor de seus créditos os mesmos procedimentos de salvaguarda que foram adotados em relação aos seus débitos, como juros e atualização cambial e garantias evidentemente estes encargos não poderiam ser considerados para efeito de cálculo de seu IRPJ e CSLL. Informa o fisco que como esses encargos foram contabilizados mensalmente adotouse o seguinte procedimento: "a cada início de mês será comparado o valor do crédito do contribuinte (junto a Kanazawa, em US$), com o seu débito (pela emissão das notas, também em US$). Quando o valor daquele for superior ao deste, serão considerados integralmente desnecessários os encargos assumidos pelo contribuinte junto a seu credor. Por outro lado, quando o valor do crédito do contribuinte for inferior ao valor de seu débito, os encargos deste serão glosados na mesma proporção da relação crédito/débito". Foram elaboradas planilhas demonstrativas do reajustamento do lucro real a concepção do Fisco e exigida também a multa isolada. Ciente do lançamento em 09/03/2007, o contribuinte apresentou Impugnação ao mesmo em 10/04/2007, com as seguintes alegações em seu favor: O auto de infração ora atacado não imputa nenhuma irregularidade à operação. Muito pelo contrário, evidencia seu lastro econômico e anota o estrito cumprimento das obrigações acessórias perante a autoridade monetária. O empréstimo, portanto, é inquestionavelmente hígido e eficaz, apto a produzir efeitos jurídicos, e guarda relação direta com a atividade exercida pela Impugnante, já que destinado a fomentála. Transcreve o artigo 374 do RIR/99 para observar a sua dedutibilidade na apuração do lucro real. Que autorizada pela lei a dedução, na apuração do lucro real, das despesas financeiras e variações monetárias decorrentes do contrato de empréstimo, e não imputado ao negócio jurídico vício capaz de tolherlhe a eficácia, não há embasamento jurídico para a glosa dessas rubricas, uma vez que "Todo dispêndio feito pela empresa Fl. 315DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 ou toda obrigação assumida , para a aquisição de bens, serviços ou utilidades, deve ser considerado dedutível se for feito com o propósito de manter em funcionamento a fonte produtora dos rendimentos". Que não tem substância jurídica alguma o entendimento esposado pelo Auditor Fiscal no sentido de que a existência de crédito do contribuinte em face de terceiros, sem a incidência dos mesmos encargos contratados na operação de emissão de títulos no exterior, caracteriza desnecessidade do empréstimo, a autorizar a glosa das despesas financeiras e variações monetárias. O fato de não haver sido inicialmente pactuados encargos sobre o preço da venda na operação de venda da participação societária da Impugnante não autoriza, por si só, considerarse desnecessária a tomada de recursos no exterior. Que é fato que a tomada de empréstimo pelo contribuinte pessoa jurídica, para posterior repasse a partes relacionadas, sem encargos, tem sido rechaçada pelo Fisco, mas não é, em absoluto, a hipótese dos autos: (i) primeiro porque não há, sob o aspecto temporal, nenhuma vinculação entre as operações; a tomada de recursos ocorreu em maio de 1998 e a venda da participação societária que gerou o crédito em favor da Impugnante somente foi realizada em setembro de 2001; (ii) segundo porque a venda da participação societária não dependia, sob nenhum aspecto, da obtenção prévia de um empréstimo; não havendo nenhum repasse dos valores captados no exterior à empresa adquirente da participação societária; tratase de operações absolutamente diversas, com objetivos distintos, realizadas em momentos diferentes, e claramente sem nenhuma relação entre si. Requer o conhecimento da Impugnação e o seu provimento, para o fim de julgar insubsistente o Auto de Infração. De posse desses fatos, a douta autoridade de primeira instância, analisando as circunstâncias específicas dos autos, aponta pela procedência da impugnação, em acórdão que assim restara ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. A falta de cobrança de encargos financeiros sobre crédito com outra pessoa jurídica, apontada como liberalidade, não pode constituirse em nexo causal para glosa de encargos financeiros de empréstimo contraído anteriormente no exterior com o devido registro no Banco Central, uma vez que o Fisco não logra provar que o valor buscado no exterior foi repassado para a outra empresa sem a cobrança dos respectivos encargos financeiros. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 316DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000344/200721 Acórdão n.º 1301001.070 S1C3T1 Fl. 4 5 Tendo em vista a conclusão atingida, os valores de alçada e, ainda, a expressa determinação contida nas disposições do Art. 25, I do Decreto 70.235/72, vieram os autos em recurso de ofício para a análise desse conselho. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Estando presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso de ofício. A matéria tratada nos autos referese à apreciação de recurso de ofício, em decorrência da decisão proferida pela douta DRJ SalvadorBA que, apreciando as circunstâncias tratadas no auto de infração, reconhece a procedência da IMPUGNAÇÃO apresentada, desconstituindo, assim, integralmente, o lançamento efetivado. No pano de fundo da discussão mantida nos autos, verificase a indicação de efetivação de empréstimo pela contribuinte no anocalendário de 1998, com empresa a ela ligada (fato não concretizado, segundo aponta a decisão), havendo posteriormente, em 2001, a alienação de participações acionárias mantidas pela contribuinte na empresa URBANIZADORA MONTREAL LTDA para a empresa KANAZAWA COMPANY, instituição a ela ligada e situada nas Ilhas Cayman. A alegação originária da fiscalização fazendária decorre do fato de que na apontada contratação de empréstimo, não havia sido pactuada o pagamento de juros e atualização monetária, restando, portanto, desprotegido o contrato apontado, razão porque teria sido glosado o registro de despesas mantidos em sua contabilidade. Na análise dos termos da decisão recorrida, verificase que o entendimento da DRJ é estabelecido pela configuração de que os fatos apontados pela fiscalização – ocorridos em anos distintos e sem qualquer vínculo direto e específico , tratarseiam de fatos completamente dissociados e, inclusive, sem qualquer efeito para o fisco, uma vez que não havendo qualquer registro de repasse dos referidos montantes a outras empresas situadas no país, não se verificaria qualquer argumento para apontamento de eventuais prejuízos para a fazenda nacional nas referidas operações. Com espeque nas disposições apresentadas pelo art. 375 do RIR/99, destaca a DRJ que, ao contrário do que apontado pela fiscalização, apesar de não pactuados os parâmetros de juros e correção monetária no contrato de mutuo inicialmente formalizado, não se haveria falar em inexistência de parâmetros para a apuração do eventual lucro operacional, sendo relevante o destaque às disposições apresentadas que, inclusive, assim especificamente apontam: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluidas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 Parágrafo único — As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. A partir dessas considerações, aponta a douta autoridade julgadora de primeira instância pela inexistência de fundamentação para a mencionada glosa de despesas, tendo em vista que, conforme especificamente destacado, sendo as operações apontadas atividades completamente distintas e, ainda, inexistindo qualquer registro de repasse dos valores inicialmente contraídos a outras pessoas situadas no Brasil, inexistiria, na espécie, qualquer prejuízo o erário, sendo, portanto, descabida a glosa efetivada. Apenas a título de registro, é relevante ainda o fato de que não se encontra, nos autos, qualquer indicação de inadimplemento (total ou parcial) dos montantes relativos às estimativas apuradas, razão porque inexistiria qualquer fundamento – segundo aponta , para a manutenção da multa isolada de que tratam as disposições do art. 222 do RIR/99, o que não teria ainda, sequer, trazido aos autos. Diante dessas razões, tendo em vista a adequação dos fundamentos apontados pela decisão de origem, encaminho meu voto no sentido de entender irretocáveis as considerações trazidas pela DRJ, devendo, assim, ser efetivamente mantido o entendimento então exarado. Nesses termos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo, assim, a desconstituição do lançamento efetivado pela autoridade de primeira instância, nos termos e fundamentos ali, inclusive, especificamente relacionados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723683/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-000.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por ter sido apresentado intempestivamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Albertina Silva Santos de Lima Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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PEREMPÇÃO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por ter sido apresentado intempestivamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 36 83 /2 01 0- 55 Fl. 2889DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.723683/201055 Acórdão n.º 1102000.852 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade, e no mérito, considerou improcedente a impugnação para manter integralmente o crédito tributário relativo ao IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e COFINS do anocalendário de 2007. O lançamento decorreu de omissão de receita, caracterizada por (i) não escrituração de notas fiscais de vendas de mercadorias, (ii) passivo fictício e (iii) saldo credor de caixa. Também foi exigida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. O acórdão da Turma Julgadora contém as seguintes ementas: PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUISITOS ESSENCIAIS. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Suas eventuais falhas não implicam nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE VENDAS. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizase como omissão de receita a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.. Estendese ao lançamento decorrente a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. A ciência da decisão da Turma Julgadora se deu em 27/03/2012, e o recurso voluntário foi interposto em 08/05/2012. No recurso são discutidas as seguintes matérias: a) extrapolação do prazo de 120 dias para conclusão dos trabalhos, inexistindo prorrogação por escrito de mais 60 dias; Fl. 2890DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.723683/201055 Acórdão n.º 1102000.852 S1C1T2 Fl. 4 3 b) não aceitação de documentos como comprovação do passivo existente em 31/12/2007; c) correção contábil, após ação fiscal, por meio de estorno das contas de estoque a fornecedores. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Devese apreciar, inicialmente, a tempestividade do recurso, que é uma das condições para a sua admissibilidade. A ciência da decisão da Turma Julgadora se deu em 27/03/2012, e o recurso voluntário foi interposto em 08/05/2012. Transcrevese os arts. 33 e 35 do Decreto nº 70.235/72 : Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conforme dispõe o art. 33, acima transcrito, o recurso voluntário deve ser apresentado, dentro de trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. A ciência da decisão da Turma Julgadora se deu em 27/03/2012, e o recurso voluntário foi interposto em 08/05/2012. O prazo para a apresentação do recurso voluntário venceu em 26/04/2012. Do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por ter sido apresentado intempestivamente. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.723683/201055 Acórdão n.º 1102000.852 S1C1T2 Fl. 5 4 Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004068/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E SEGURADOS E NÃO REPASSADAS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. A alegação recursal no sentido de que as contribuições descontadas pela recorrente, de fato, foram recolhidas aos cofres públicos deve ser acompanhada de prova documental que a sustente. Uma vez que foram analisadas as GFIP’s apresentadas pela
recorrente, dele se verificando a omissão de pagamentos descontados em folha de pagamentos, aliado ao fato de que o contribuinte não comprovou o aludido pagamento, é de ser mantido o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E SEGURADOS E NÃO REPASSADAS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. A alegação recursal no sentido de que as contribuições descontadas pela recorrente, de fato, foram recolhidas aos cofres públicos deve ser acompanhada de prova documental que a sustente. Uma vez que foram analisadas as GFIP’s apresentadas pela recorrente, dele se verificando a omissão de pagamentos descontados em folha de pagamentos, aliado ao fato de que o contribuinte não comprovou o aludido pagamento, é de ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. A alegação recursal no sentido de que as contribuições descontadas pela recorrente, de fato, foram recolhidas aos cofres públicos deve ser acompanhada de prova documental que a sustente. Uma vez que foram analisadas as GFIP’s apresentadas pela recorrente, dele se verificando a omissão de pagamentos descontados em folha de pagamentos, aliado ao fato de que o contribuinte não comprovou o aludido pagamento, é de ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.004068/200916 Acórdão n.º 2401002.555 S2C4T1 Fl. 162 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo COLÉGIO SALESIANO NOSSA SENHORA AUXILIADORA, irresignado com o acórdão de fls. 141/147, que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.234.7282, por meio do qual foram lançadas contribuições sociais parte dos segurados incidentes sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais que lhe foram descontadas e não repassadas ao INSS. Consta do relatório fiscal que quando da aplicação da multa, para a competência de 07/2006 foi considerada como mais benéfica aquela decorrente das disposições da Lei 11.941/09, ao passo em que, para as demais competências foi considerada como mais benéfica a multa do art. 35 da Lei 8.212/91. O lançamento compreende as competências de 02/2004 a 13/2006, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 20/11/2009 (fls. 01). Em seu recurso sustenta que indigitado Auto de Infração, na competência de 2004, deixou de considerar que as contribuições descontadas dos segurados Celestina Correia da Silva, Marinalva Felipe Rocha, Edijane Pinheiro Oliveira, Javerson Helyu Cardoso, Cosme Santos Silva, Edenilson da Cruz Barreto, José Adelmo Navarro Caldas, Marília Vieira e Patrícia Nascimento foram devidamente declaradas em GFIP e recolhidas. Acrescenta que à exceção das contribuições descontadas dos segurados Amanda Santana e Maria Auxiliadora D. Conceição, de fato não haviam sido recolhidas, o que foi feito e comprovado ainda na fase da impugnação apresentada. Por fim, sustenta que as demais contribuições lançadas foram devidamente declaradas e recolhidas aos cofres público via rede bancária credenciada, motivo pelo qual deve ser anulada a autuação. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO A alegação recursal é no sentido de que foram devidamente recolhidas as contribuições descontadas da remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Tal requerimento somente poderá ser acatado, diante da existência de prova que fundamente a alegação. Da análise dos autos, depreendo que tal prova não consta dos autos, de modo que a conclusão não pode ser outra, senão pela manutenção do lançamento, uma vez que o recorrente não se elidiu no ônus de comprovar fato extintivo do direito de cobrança do Fisco. Nenhum documento comprobatório das alegações recursais fora juntado aos autos. Verificase que dos autos constam apenas documentos GFIP às fls. 125/140, cujos dados e recolhimentos informados, foram bem analisados quando do julgamento levado a efeito em primeira instância. Vejamos os fundamentos do v. acórdão no afastamento das alegações de impugnação que ora se repetem na interposição do presente recurso voluntário: Conforme telas extraídas do sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), no relatório Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo, e do sistema GFIPWEB, ora juntadas aos autos exclusivamente nas competências objeto do presente AI às fls. 125/140, não foram declarados em GFIP os seguintes segurados na categoria 13 (Contribuinte individual – Trabalhador autônomo ou a este equiparado, inclusive o operador de máquina, com contribuição sobre remuneração e trabalhador associado à cooperativa de produção): na competência 11/04, Celestina Correa da Silva, Marinalva Felipe Rocha e Edijane Pinheiro Oliveira; na competência 12/04, Javerson Helly Cardoso dos Santos, Cosme Santos Silva, Edenilson da Cruz Barreto, José Adelmo Navarro Caldas, Marília P. Nunes Vieira, Patrícia Nascimento de Lima; na competência 01/05, Luis Pereira da Silva, Anselmo dos Santos, Mario dos Passos, José Gleidson Morais e Marcos Antonio Costa. Consoante reconhece o próprio Autuado em sua impugnação, de fato não constam em GFIP os seguintes segurados: na competência 02/05, Genisson da Cunha Santos, na competência Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.004068/200916 Acórdão n.º 2401002.555 S2C4T1 Fl. 163 5 06/05, Carlos R. Yajima; na competência 08/05, Célio Eduardo S. Batista, Mario dos Passos e Antonio Carlos Pereira; na competência 09/05, Amanda O. Santana e M. Auxiliadora D. Conceição; na competência 10/05, Gilvan Santana; na competência 02/06, Alex dos Santos, Antonio Carlos dos Santos e Ricardo Rodrigues, na competência 06/06, Eneide Soares dos Santos, na competência 08/06, Edemilson Cruz, e na competência 12/06, Maria de Fátima Pedrosa. 12. As demais remunerações, cujas contribuições foram objeto de lançamento nos presentes autos, que constam do Relatório de Lançamento, fls. 40/43, também não foram declaradas em GFIP, consoante as já referidas telas. 13. O Impugnante não junta qualquer prova de que a remuneração dos segurados contribuintes individuais, cujas contribuições foram lançadas nos presentes autos, haviam sido declaradas em GFIP e todas as contribuições recolhidas foram apropriadas, conforme o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), às fls. 12/15. Assim, não há como prosperar a alegação de que os referidos segurados foram declarados em GFIP e suas contribuições devidamente recolhidas. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Igor Araújo Soares Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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