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Numero do processo: 10880.937851/2017-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem.
Numero da decisão: 1302-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do julgamento até a decisão final dos processos que seriam prejudiciais ao reconhecimento do direito creditório pleiteado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem.
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APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do julgamento até a decisão final dos processos que seriam prejudiciais ao reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 78 51 /2 01 7- 51 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 206 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: Trata o presente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 125907045 (fls.146), exarado pela Derat/SP em 04/09/2017, que tinha como objeto o seguinte PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 207 3 Cientificada em 12/09/2017 (fls.147) da decisão, a interessada apresentou em 11/10/2017(fls.3) manifestação de inconformidade (fls.05/23), requerendo a reforma da decisão, alegando, em resumo e substância, que: o valor glosado pela autoridade da unidade de origem, de R$ 26.748.666,53, referente a parcelas de crédito das estimativas de IRPJ dos períodos de apuração(PA) de fevereiro a maio de 2011, foram quitadas por meio de Declarações de Compensação(DCOMP), compensações essas, no entanto, em discussão nos processos administrativos (i) n.º 12585.000.151/201001, (ii) n.º 12585.000.153/2010 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 208 4 92, (iii) n.º 10880.937.107/201242, (iv) n.º 12585.000.153/201092, (v) e (vi) n.º 10880.937.108/201297, (vii) n.º 10880.937.109/201231, e (viii) n.º 12585.000.154/20103, todos aguardando julgamento definitivo na esfera administrativa; em razão disso, teria direito a essas estimativas para compor o saldo em questão, posto que, se assim não for, estaria sendo penalizada duplamente, ou seja, pelo crédito negado e ao mesmo tempo sofrendo a cobrança das estimativas, acarretando indevido bis in idem; ainda em face da pendência de análise dos processos administrativos, solicita a apensação dos processos envolvidos; de forma subsidiária, caso se supere todos os argumentos trazidos, clama pela improcedência da cobrança das estimativas de CSLL e IRPJ de setembro de 2016 compensadas pelo PER/DCOMP 28530.99361.271016.1.3.020812, não homologado pela autoridade fiscal, em face da impossibilidade de se cobrar estimativas após o encerramento do anocalendário; os atos e termos deste processo sejam dirigidos ao seu procurador advogado em seu endereço comercial. Após análise das razões acima, a 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO, através do Acórdão n.º 1681.479, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado lastreado nos fundamentos abaixo aduzidos, litteris: O débito confessado em DCOMP, tendo em vista que se aplicam aos processos de indeferimento as mesmas regras dispostas no decreto nº 70.235, de 1972(PAF), está com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art.74, §§ 9º a 11 , da Lei nº 9.430, de 1.996, com a remissão ao inc. III do art.151 da Lei 5,172, de 1966(CTN), aliás, como já havia bem pontuado a manifestante na peça contestatória. Dessa forma, o prazo contido na intimação de ciência do despacho de indeferimento/não homologação para o pagamento do débito confessado é meramente informativo, no sentido, de que não impugnada a decisão, aí, sim, deverá ser efetuado o pagamento. Ocorrida a opção da requerente pela manifestação de inconformidade, não há que se falar em cobrança do débito e, portanto, descarto a alegada dupla penalização que a requerente invocou. Havendo, portanto, essa possibilidade legal de interposição de recurso voluntário ao Carf de eventual indeferimento do pleito, põe por terra, nesta esfera de julgamento(DRJ), a tese da requerente de duplo prejuízo. No entanto, por amor ao debate, examinemos a questão "a posteriori", sobre a possibilidade de enriquecimento ilícito do Fisco, que é em última análise o que alega a requerente quando diz que está sendo duplamente penalizada, não vislumbro o prejuízo alegado, pois se a mesma for derrotada definitivamente na esfera administrativa superior, a cobrança efetiva do débito ainda poderá ser impugnada, por revisão de ofício, a teor do próprio Parecer PGFN 88/14 citado pela requerente e da Súmula 82 do Carf, sobre o que não cabe aqui nos alongarmos mais. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 209 5 Por outro lado, mesmo considerando a posição semântica da empresa, de que, ao indeferir o crédito, estarseia fazendo uma cobrança indireta, de forma oblíqua, também não prospera tal assertiva. Em sua narrativa, a requerente tenta buscar analogia entre i) efeitos tributários de aplicação de competência de julgamento (indeferir/deferir) com ii) cobrança de débitos. Embora os dois se interrelacionem, legalmente são previstos em dispositivos legais próprios e independentes. Poderá haver o indeferimento sem a cobrança, em razão de suspensão de exigibilidade. Em suma, não há base legal para tal analogia, ficando apenas no campo semântico, e tendo em vista que o julgador está adstrito ao campo da legalidade, exorbita nossa competência fazer elucubrações semânticas onde a lei não permite. A questão central aqui, em que pese a requerente enveredar por tese de estar sofrendo dupla penalização, é verificar se o arcabouço legal de regência da matéria dá ou não, à contribuinte, o direito ao crédito das estimativas compensadas via DCOMP, mesmo não tendo sido homologadas. Nesse contexto, verificase que a requerente colacionou aos autos os entendimentos expendidos no Parecer PGFN/CAT 88/14, Solução de Consulta Interna Cosit n.º 18/06 e Súmula Carf nº 82, entre outros, invocados pela requerente na defesa de suas teses. Esclareçase, no entanto, que as Delegacias de Julgamento estão vinculadas à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), às normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei 8.112/1990), às Súmulas vinculantes do Carf e demais atos expedidos por órgão com menção expressa de vinculação, aprovados pelo Ministro da Fazenda, aos entendimentos da RFB expressos em atos normativos (art. 7º, inc,V, da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011), concluindose, portanto, que demais atos, bem como a jurisprudência, quer administrativa, quer judicial, não gozam de força vinculante. Adicionalmente, vale dizer que as Soluções de Consulta emitidas pela COSIT gozam de eficácia normativa somente aquelas emitidas a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013. Assim, os posicionamentos administrativos mencionados pela interessada não vinculam os agentes públicos da RFB. Não obstante isso, reconhecese, por óbvio, que esses entendimentos doutrinários, jurisprudenciais e aqueles contidos em atos expedidos sem força vinculantes são extremamente importantes, para erigir ou completar hermenêuticas, sem abstrairse, no entanto, da realidade contextual em que foram proferidos. Posto isso e tendo em vista que o direito aqui reclamado implicará em redução do saldo de imposto/contribuição é pertinente relembrar as regras de interpretação constantes na Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), porquanto isso determinará o tipo de interpretação a todo esse conjunto normativo sobre o assunto. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 210 6 (...) Ora, de pronto, inferimos que, existindo expressa decisão da autoridade fiscal não homologando as compensações, mesmo que pendente de recurso, não gozam os créditos pretendidos da liquidez e certeza exigidos pela legislação de regência. Não sendo homologadas as DCOMP, tais débitos não estão mais extintos sob condição resolutória, uma vez que foi implementada a condição(decisão de não homologação), passando o crédito, ao contrário do que a lei exige, a uma situação de precariedade, de instabilidade, a depender ainda de recurso administrativo favorável em instância superior. Caso a requerente seja vitoriosa em decisão definitiva, aí, sim, gozará o crédito da liquidez e certeza necessária para autorizarse a compensação. Assim sendo, nessa esfera administrativa(DRJ), há que se refutar a pretensão da interessada quanto ao direito de fruição ao crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, isto é: (i) A indevida glosa da estimativa compensada com créditos de exercícios anteriores – da CSI COSIT 18/06 encampada pelo PARECER PGFN/CAT 88/14 e seu efeito vinculante previsto na PORTARIA RFB 2.217/14 – da SÚMULA CARF n.º 82; (ii) Da necessidade de apensamento deste feito ao processo administrativo relacionado até julgamento definitivo – da prejudicialidade externa, e; (iii) Da impossibilidade de cobrança de estimativas após o encerramento do anocalendário. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. O crédito aqui discutido advém do saldo negativo da IRPJ apurado na DIPJ do anocalendário 2011, no montante de R$ 30.600.221,21, informado no PER/DCOMP demonstrativo de crédito nº 09767.70985.050814.1.6.028554 (fls.148/154). Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 211 7 O saldo credor em questão era composto pelas parcelas de imposto de renda retido na fonteIRRF e aquelas pagas a título de estimativas, não tendo sido reconhecidas pela autoridade a quo a parcela de R$ 26.748.666,53, relativa às estimativas de fevereiro a maio de 2011, o que reduziu o saldo credor para R$ 3.851.554,68. Vejamos o quadro abaixo: A decisão recorrida, menciona e transcreve excertos de Parecer da PGFN, que sinaliza que eventuais débitos de estimativas não seriam passíveis de inscrição em dívida ativa. Sem maiores delongas, destaquese de pronto que tal situação já atraiu jurisprudência consolidada dessa colenda Corte Administrativa. Resumindo, o entendimento exposto no acórdão recorrido foi no sentido de que não poderia ocorrer a compensação dos valores apontados como estimativas, enquanto não homologados. Essa não é, contudo, a melhor interpretação da legislação tributária nacional. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo que está discutindo o direito creditório de determinado valor compor o saldo negativo do IRPJ e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Neste sentido, caso o contribuinte tenha o seu recurso administrativo julgado improcedente e se torne inadimplente a posteriori, certamente ficará sujeito à competente Execução Fiscal do débito confessado e não pago. Daí a conclusão que, caso o contribuinte esteja discutindo o seu direito creditório perante o fisco (da estimativa) e não possa, seja antes, durante ou depois dessa discussão, compensar tal valor como parte integrante do seu ajuste anual de outro período de apuração, restará prejudicado em seu direito. Por outro lado, caso deixe de pagar a estimativa e também seja impedido de compensar o valor confessado como estimativa, será chamado a pagar um débito de um tributo que, ao final, fora apurado como indevido. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Interna (SCI) n. 18/2006: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 212 8 JURÍDICA IRPJ Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração da compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. 12.1 Por conseguinte, aos valores relativos às compensações não homologadas importa aplicar os procedimentos cabíveis estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, como abaixo exposto: 12.1.1 no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação da compensação, o contribuinte poderá recolher as estimativas acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais ou apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão; 12.1.2 não havendo pagamento ou manifestação de inconformidade, o débito relativo às estimativas deve ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida); 12.1.3 nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,aplicasse a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de janeiro de 2003; 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto decompensação não homologada. 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada." (grifos aditados) Conclusão Ante o exposto, julgo procedente o Recurso voluntário, homologando a compensação até o limite do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.937851/201751 Acórdão n.º 1302003.237 S1C3T2 Fl. 213 9 É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.725953/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 59 53 /2 01 2- 61 Fl. 699DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do ressarcimento relativo a crédito presumido PIS/Cofins da agroindústria, considerando que a aquisição de bovinos vivos, classificada no inciso III do § 3º do art. 8º da Lei 10.925/2004, fazia jus ao crédito presumido à alíquota de 35% e não de 60%. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, argumentando ser cabível o cálculo por meio da alíquota de 60%, tendo em vista tratarse de frigorífico, cujo produto final comercializado é de origem animal, conforme Solução de Consulta da 8ª Região Fiscal. Segundo o então Manifestante, a segregação do direito ao crédito presumido não podia se dar de acordo com o insumo por afrontar o comando do art. 8º da Lei 10.925/2004, pois se a lei desejasse fixar a alíquota de acordo com os insumos, teria citado a classificação correspondente, em particular, a de animais vivos. Cumpre destacar que a empresa obteve, em embargos de declaração, provimento no sentido de se aplicar a taxa Selic sobre os créditos passíveis de ressarcimento a partir do 1º dia subsequente ao término do prazo de 360 dias da formulação do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10056.113, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, no regime não cumulativo da contribuição (PIS/Cofins), a natureza do bem produzido pela empresa agroindustrial devia ser considerada na aferição do seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, sendo o cálculo do crédito efetuado a partir da alíquota correspondente ao insumo adquirido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.191, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 18186.725910/201285, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.191): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nos termos do despacho decisório (fls. 129138), a fiscalização alega que a alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei nº 10.925, de 2004 é de 35%, a saber: "18. O contribuinte tem por objeto social a “exploração de frigorífico abate de bovinos e preparação de carnes, desossa e subprodutos”. Enquanto tal, enquadrase no art. 5º, I, “a”, c/c art. 6º, I, da IN SRF nº 660, de 2006, no que concerne à produção de carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, classificadas no capítulo 2 da NCM, próprias e destinadas à alimentação humana ou animal. Portanto, faz jus ao crédito presumido de que trata esse dispositivo quando adquirir bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (“fabricação”) de carnes classificadas no capítulo 2 da NCM, para alimentação humana ou animal: i) de pessoas físicas residentes no Brasil; e, ii) de pessoas jurídicas, domiciliadas no Brasil, com a suspensão das contribuições, nos termos do art. 2º da mesma instrução normativa (art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004). 19. Esclareçase que os bovinos vivos são classificados no capítulo 1 da NCM, mais precisamente na posição 01.02. Sendo assim, o crédito presumido, no caso, deve ser calculado com base no inciso III do parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, na forma estabelecida no art. 8º, caput e § 1º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006, equivalente ao percentual de 35% das alíquotas do PIS/PASEP (35% X 1,65% = 0,5775%) e COFINS (35% X 7,6% = 2,66%). 20. Notese que a suspensão das contribuições, nos termos dos arts. 2º e 3º da IN SRF nº 660, de 2006, aplicase, no caso em questão, unicamente às aquisições feitas de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou que seja cooperativa de produção agropecuária, entendendose por atividade agropecuária a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, e por cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. Por sua vez, a Recorrente argumenta que o percentual para os créditos presumidos seria de 60%, para os produtos por ela adquiridos, nos termos da Lei nº 10.925/04. Requer, ainda, seja aplicado o artigo 106, do CTN, Fl. 701DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 5 4 considerando a alteração promovida pela Lei nº 12.865/2013, que acrescentou o §10º ao artigo 8º, da Lei nº 10.935/2004. Pois bem. Dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, com as alterações promovidas pela Lei nº 12.865/2013: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 702DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 6 5 III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o (Vide Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o (Vide Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Nos termos do inciso I, do § 3º, do artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, verificase que a alíquota de 60% está prevista para a aquisição de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Já o § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, os insumos adquiridos pela Recorrente devem ser considerados à alíquota de 60%. No presente caso, as aquisições realizadas têmse insumos de origem animal, carnes de bois abatidos, que são utilizados para a fabricação de mercadorias de origem animal (carne) e bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (fabricação) de carnes para alimentação humana ou animal, Fl. 703DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 7 6 devem ser considerado insumo utilizado no produto e, por consequência ser aplicado à alíquota de 60%. Ademais, razão assiste à Recorrente quanto a aplicação do artigo 106, do CTN. Isto porque, conforme preceitua o §10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, "para efeito de interpretação", logo, se trata de uma lei interpretativa, ela deve retroagir. Nesse sentido: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. (Acórdão 3301004277) *** CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. (Acórdão 3402004.904) Em resumo, deve incidir a alíquota de 60% para os produtos adquiridos pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas ao crédito presumido da Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos ao crédito presumido da Contribuição para o PIS. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 18186.725953/201261 Acórdão n.º 3302006.199 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para fazer incidir a alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13738.001520/2007-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
O contribuinte atendeu com documentação hábil e idônea o comando da r. decisão revisanda, nesta quadra, o recurso é provido.
Numero da decisão: 2002-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. O contribuinte atendeu com documentação hábil e idônea o comando da r. decisão revisanda, nesta quadra, o recurso é provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-18T15:11:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-18T15:11:27Z; Last-Modified: 2019-02-18T15:11:27Z; dcterms:modified: 2019-02-18T15:11:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-18T15:11:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-18T15:11:27Z; meta:save-date: 2019-02-18T15:11:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-18T15:11:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-18T15:11:27Z; created: 2019-02-18T15:11:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-02-18T15:11:27Z; pdf:charsPerPage: 1176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-18T15:11:27Z | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13738.001520/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.747 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente MARCUS JERONIMO PACHECO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. O contribuinte atendeu com documentação hábil e idônea o comando da r. decisão revisanda, nesta quadra, o recurso é provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 15 20 /2 00 7- 41 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13738.001520/200741 Acórdão n.º 2002000.747 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 58) contra decisão de primeira instância (fls. 49/54), que julgou improcedente impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF de fl. 36, em 19 de novembro de 2007, referente ao exercício 2004, anocalendário de 2003, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Suplementar (Sujeito à Multa de Oficio) 2.749,45 Multa de Oficio 75% (Passível de Redução) 2.062,08 Juros de Mora calculados até 30/11/2007 1.443,18 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (Não Passível de Redução) 0,00 Juros de Mora calculadas até 30/11/2007 0,00 Total do crédito tributário apurado 6.254,71 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2004, anocalendário de 2003, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Despesas Médicas glosa de dedução despesas médicas pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 8.000,00. Motivo da glosa: falta de comprovação das despesas ou por falta de previsão legal. Dedução Indevida de despesas com Instrução glosa de ,dedução de despesas com Instrução, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004 ano calendário 2003. Valor: R$ 1.098,00. Motivo da glosa: falta de comprovação das despesas. Os enquadramentos legais encontramse à fl. 36/38 e 40 autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 31, o impugnante foi cientificado da autuação em 03/12/2007. Em 21 de dezembro de 2007, apresentou impugnação (fl. 01), alegando ter apresentado no prazo todos os documentos solicitados, quando intimado. Surpreendeuse com a notificação, pois entendia haver sanado as pendências junto à Receita Federal. Identificou as glosas nas despesas médicas e instrução, mas, apenas anexou novamente os comprovantes (cópias de recibos e boletos bancários) que dispõe, entendendo não haver coerência nas glosas. Ressaltou que, na época, seus dois dependentes maiores de 21 anos e Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13738.001520/200741 Acórdão n.º 2002000.747 S2C0T2 Fl. 4 3 menores de 24, cursavam as faculdades Candido Mendes e Estácio de Sá; alegando que já havia enviado comprovação referente a ambos. Ao final, entende ter demonstrado a insubsistência e improcedência ação fiscal, pelo que requer o cancelamento da notificação e do débito fiscal reclamado. O julgamento do presente processo pela DEU/BrasíliaDF se dá em face da transferência de competência instituída pela Portaria RFB n° 1.023, de 30 de março de 2009, publicada no DOU em 02/04/2009. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA É lícito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas médicas, cabendo o ônus da prova ao contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação préescolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação; reconhecendo o débito em relação a despesa com instrução e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 30/09/2009 (fl. 55); Recurso Voluntário protocolado em 27/10/2009 (fl. 58), assinado pelo próprio contribuinte. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13738.001520/200741 Acórdão n.º 2002000.747 S2C0T2 Fl. 5 4 Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com Despesas de Instrução; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Diz o Sr. AFR, que as glosas ocorreram em razão da falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a sua dedução. A r. decisão revisanda, manteve o lançamento consubstanciado no auto de infração. Irresignado o contribuinte maneja recurso próprio, combatendo o mérito, trazendo documentos. A r. decisão fundamenta o voto condutor pelas seguintes razões: “Os documento das fls. 05 a 08 — Recibos s/n emitidos por Armando. Amâncio da Silva, CPF n° 029.652.65767 05 e CRP 05.24939, por atendimento psicológico, nos valores de R$ 400,00 cada, totalizando R$ 4.000,00, NÃO satisfazem a condição legal de fazer constar o nome do beneficiário do atendimento psicológico, além da falta de informação sobre o endereço onde foi prestado o serviço profissional.” “Os documentos das fls. 09 e 10 — Recibos números 62,68, 75 e 93, nos valores de R$ 1.200,00, R$ 1.200,00, R$ 1.000,00 e R$ 600,00, respectivamente, emitidos por Alessandra M.R. Lima de Oliveira, CPF n o 036.758.08755, CREPITO 24171F, NÃO satisfazem a condição legal quanto à informação do beneficiário do tratamento fisioterápico, o endereço da profissional, além do tipo de serviço fisioterápico prestado.”, O recorrente carreou aos autos a Declaração de fl. 59, onde a Dra. Armanda Amâncio da Silva, diz que os serviços profissionais foram prestados ao próprio recorrente e fornece o endereço do seu consultório, a informação prestada vem com firma reconhecida. Também trouxe a Declaração de fl. 65, onde a fisioterapeuta Alessandra M. R. Lima de Oliveira, afirma que seus préstimos foram feitos no paciente ora recorrente, discrimina seus serviços e traz seu endereço. Nesta quadra de entendimento razão assiste ao recorrente em seu apelo. PROVEJO. Relativamente a dedução indevida de despesas com instrução, o recorrente admite que cometeu um erro, admitindo o débito. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento para expungir da condenação as despesas médicas. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001037/2009-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador:22/04/2008
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.
É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB 800 de 2007.
Ainda que a vigência da norma tenha iniciado posterior ao fato a mesma norma previa aplicabilidade imediata dos prazos para prestação de informações no sistema aduaneiro.
Numero da decisão: 3003-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recuso voluntário, deixando de conhecer quanto a matéria da denúncia espontânea e pedido de relevação da pena e, no mérito, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador:22/04/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX. É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB 800 de 2007. Ainda que a vigência da norma tenha iniciado posterior ao fato a mesma norma previa aplicabilidade imediata dos prazos para prestação de informações no sistema aduaneiro.
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É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB 800 de 2007. Ainda que a vigência da norma tenha iniciado posterior ao fato a mesma norma previa aplicabilidade imediata dos prazos para prestação de informações no sistema aduaneiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recuso voluntário, deixando de conhecer quanto a matéria da denúncia espontânea e pedido de relevação da pena e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 37 /2 00 9- 81 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 110 2 Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório Adoto o relatório da Delegacia Regional, conforme constou no acórdão, por bem retratar o caso. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo “eprocesso”. Segundo relato da fiscalização e demais documentos constantes dos autos, a autuada requereu, em 07/07/2008, a retificação da classificação fiscal (NCM) da carga objeto do Conhecimento Eletrônico (CE) nº 150805057405492, Manifesto Eletrônico nº 1508500655963, transportada pelo navio ITAL FESTOSA, atracado no Porto de Santos em 22/04/2008. A retificação de ofício foi realizada em 16/07/2008. Observa que, nos termos dos artigos 22 e 50 da IN/RFB nº 800/2007, o transportador estava obrigado, no caso, a prestar as informações sobre a carga, lançadas nos documentos eletrônicos citados, até o registro da atracação da embarcação no porto, tanto que a partir desse momento o sistema não mais permite alterações. Como as informações exigidas somente foram prestadas 76 dias após a atracação da embarcação no Porto de Santos, a fiscalização aplicou a multa prevista pela alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº. 10.833/2003. Cientificada do lançamento em 06/03/2009 (fl. 39), a contribuinte apresentou impugnação em 19/03/2009 (fls. 40/62), alegando em síntese que: “na época do efetivo registro de manifesto de carga sob o nº 08/048.772 fora apresentada diante da receita federal competente sem qualquer indício de divergência ou similar desta, levando em consideração o prazo de contingência que pela autoridade responsável fora decretada e teve seu término em 07/06/2008 gostaríamos de salientar que a declaração de importação (DI) sob o nº 08/10786138 fora concluída/desembaraçada em conformidade aos quesitos fiscais bem como suas classificações (NCM) ...”. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 111 3 A impugnação foi julgada pelo acórdão Nº 1644.982 24ª Turma da DRJ/SP1, que negou provimento ao recurso nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/04/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. Aplicase a multa do artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, por retificação extemporânea de informação correspondente ao manifesto e respectivos conhecimentos eletrônicos. Ato contínuo, a empresa autuada apresentou recurso voluntário, tempestivamente, tendo como objeto do debate, em síntese: I Declaração de inconstitucionalidade do §2º, do artigo 33, do Decreto Nº. 70.235/1972, pelo Supremo Tribunal Federal. II Inaplicabilidade das multas objeto deste auto de infração, em razão do disposto no art. 50 da instrução normativa da RFB n. 800/2007. III Denúncia espontânea. IV Aplicação da relevação da pena imposta. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 112 4 Voto Conselheiro Márcio Robson Costa O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento em parte. I Da declaração de inconstitucionalidade do §2º, do artigo 33, do Decreto Nº. 70.235/1972, pelo Supremo Tribunal Federal. A recorrente alega a inaplicabilidade do §2º, do artigo 33, do Decreto nº. 70.235/1972, devido a sua inconstitucionalidade. A discussão acerca do tema restou superada, tendo em vista que com a declaração de inconstitucionalidade não consta mais no texto do referido decreto o §2º do artigo 33, bem como não houve nenhuma exigência para interposição do presente recurso. Assim, tornase dispensável maiores esclarecimento acerca deste argumento. II Da vigência do artigo 22 da IN SRF 800/2007 Cuidase de recurso voluntário no qual a recorrente sustenta ilegalidade da imposição de multa pela prestação intempestiva de informações no SISCOMEX. Afirma que, na época da infração, não era obrigada a cumprir o prazo estabelecido no artigo 22 da IN 800/2007 em razão das disposições do artigo 50 da mesma IN. Tratase de matéria com entendimento consolidado por este conselho, tendo em vista que na referida IN 800/2007, artigo 50, assim dispõe: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Entendese, assim, que ainda que os prazos referentes ao artigo 22 da descrita instrução normativa não estivessem vigentes, ao tempo dos fatos, em razão do disposto Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 113 5 no artigo 50, em que se postergou para 1ª de janeiro de 2009, a sua aplicabilidade, o parágrafo único e o inciso II, tratou das regras aplicáveis desde logo. Nesta esteira, não há ofensa ao princípio da vedação ao confisco em razão de período estabelecido de aplicação da norma, já que a incidência a partir de 1º de janeiro de 2009, diz respeito apenas aos prazos previstos no artigo 22 e não ao prazo do artigo 50, parágrafo único, I e II da IN 800/07. Nesse sentido, o relato da autoridade fiscal, que não foi impugnado pela recorrente, sendo incontroverso que as informações foram prestadas a destempo no SISCOMEX, considerando o disposto no parágrafo único do artigo 50, resta devida a aplicação da multa imposta. Outro não é o entendimento que prevalece neste órgão julgador: Processo 10711.721400/201151 Acórdão 3001000.347 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.(assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/11/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. A recorrente alega, ainda, que não deixou de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada e que não se enquadra na hipótese prevista na penalidade cominada, a teor do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei n°37/661, com redação dada pela Lei n° 10.833/03. O tipo infracional previsto no Decreto Lei n.° 37/66 é "deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Só por esta descrição já se percebe que as informações estabelecidas pela Receita Federal como necessária sobre veículo ou carga deverão ser fornecidas 1 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 114 6 impreterivelmente nos prazos estipulados pela Receita Federal por meio de suas Instruções Normativas. No que se refere aos prazos estabelecidos ao caso sob análise, a IN SRF 800 de 2007 dispõe que: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; (...) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e O parágrafo primeiro do artigo 45, ainda da referida IN, trata da sujeição do transportador, depositário e operador portuário à penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto Lei nº 37, de 1966, pelo descumprimento da prestação de informações sobre a carga transportada e prestação fora do prazo, in verbis: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. [...]. Nesse sentido, o julgado abaixo, do qual compactuo do mesmo entendimento, corrobora para consolidação do presente voto. "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 115 7 NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. (…)." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) A IN 800/2007 estabeleceu que as inclusões ou alterações feitas no Siscomex Carga fora do prazo determinado se igualam à ausência de informação tempestiva. Dessa forma, considerase que as alterações realizadas pela recorrente na informação do CE 150805057405492 configurase prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inserindose no tipo infracional previsto na alínea "e", do inciso IV, do art. 107, do Decreto Lei n°37/66. Razão pela qual, nego provimento ao recurso. III Impossibilidade de enfrentamento da matéria acerca da denúncia espontânea e da relevação da multa Inovação Recursal. O recurso que ora se discute traz no seu bojo matérias que não foram objeto de impugnação quando dada a oportunidade, sendo elas a denúncia espontânea e a relevação da multa. Deixo de conhecer de tais argumentos em razão da flagrante inovação recursal. Oportuno ressaltar o inconveniente de se apreciar tais questões, tendo em vista que não foram objetos de impugnação na instância anterior. Nesse sentido, os argumentos recursais apresentados em sede de recurso voluntário, reproduzidos neste relatório, evidenciam inovação da tese de defesa, já que apresentados somente nesta fase recursal, é o que revela a simples leitura das mencionadas peças defensivas, uma vez que não foi dado oportunidade de a instância de julgamento a quo apreciála, representando verdadeiro óbice, na medida em que importou em evidente impedimento de a Fazenda Nacional manifestarse na ocasião apropriada, maculando, por conseguinte, o princípio do contraditório. É defeso ao recorrente modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso administrativo, sob pena de violar o princípio da congruência e ofender aos preceitos ínsitos nos artigos 16 e 172 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem assim também, nos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, mormente quando falece razão para somente nesta ocasião aduzir tais novos argumentos e/ou questionamentos, na medida em que não há justa causa para respectiva inovação argumentativa, afrontando, desse modo, o princípio da dialeticidade recursal. Nesse sentido é o entendimento deste órgão julgador, senão vejamos: 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 116 8 Processo n.º 10073.900754/200827 Acórdão 3001000.223 RELATOR: Orlando Rtigliani Berri. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. SEDE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria em sede recursal fundamentada em argumentos díspares daqueles apresentados na fase de defesa administrativa anterior, pois viola o princípio da dialeticidade e suprime instância, exceção cabível apenas quanto àquelas de ordem pública, o que não é o caso nos autos sob exame. Compactua do mesmo entendimento o relator do acórdão n.º 1002000.159, proferido em 08/05/2018, conforme abaixo transcrito: Processo n.º 13679.000561/200924 EMENTA Assunto: Obrigações Acessórias. Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA É devida a multa por atraso na entrega de DCTF entregue após o prazo fixado na legislação. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em sede recursal, mas não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer a temática de denúncia espontânea por preclusão consumativa e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Diante do exposto deixo de conhecer dos argumentos de denúncia espontânea e relevação da penalidade, por estar preclusa a sua discussão, conforme motivos e fundamentos acima expressos. IV DISPOSITIVO Pelas razões acima expostas, restou configurado que o crédito tributário é devido e que a legislação foi corretamente aplicada. Sendo assim, voto para conhecer em parte do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento com base na fundamentação acima. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11128.001037/200981 Acórdão n.º 3003000.011 S3C0T3 Fl. 117 9 É o meu entendimento. Conselheiro Márcio Robson Costa Relator Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.693847/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/11/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.264
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/11/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 38 47 /2 00 9- 66 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.693847/200966 Acórdão n.º 3302006.264 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.466, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.693847/200966 Acórdão n.º 3302006.264 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.693847/200966 Acórdão n.º 3302006.264 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002369/2006-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 21/09/2001, 19/10/2001, 26/12/2001
COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DA MATÉRIA. PRESSUPOSTOS REGIMENTAIS. DESCUMPRIMENTO. NULIDADE
Importa nulidade da decisão, a análise por Colegiado de matéria cuja competência regimental seja de outra Seção de Julgamento.
Numero da decisão: 9202-007.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nulo o Acórdão 2401-005.054, de 12/09/2017, bem como os atos posteriores. Acordam, ainda, em declinar da competência para julgamento em favor da Primeira Seção.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 21/09/2001, 19/10/2001, 26/12/2001 COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DA MATÉRIA. PRESSUPOSTOS REGIMENTAIS. DESCUMPRIMENTO. NULIDADE Importa nulidade da decisão, a análise por Colegiado de matéria cuja competência regimental seja de outra Seção de Julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nulo o Acórdão 2401-005.054, de 12/09/2017, bem como os atos posteriores. Acordam, ainda, em declinar da competência para julgamento em favor da Primeira Seção. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1312; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.002369/200626 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.448 – 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria IRRF REMESSA AO EXTERIOR BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GK2 REPRESENTAÇÕES LTDA (Denominação atual de M A TANCREDI REPRESENTAÇÕES LTDA) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 21/09/2001, 19/10/2001, 26/12/2001 COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DA MATÉRIA. PRESSUPOSTOS REGIMENTAIS. DESCUMPRIMENTO. NULIDADE Importa nulidade da decisão, a análise por Colegiado de matéria cuja competência regimental seja de outra Seção de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nulo o Acórdão 2401005.054, de 12/09/2017, bem como os atos posteriores. Acordam, ainda, em declinar da competência para julgamento em favor da Primeira Seção. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 23 69 /2 00 6- 26 Fl. 350DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração à legislação do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, lavrado em 06/12/2006, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), relativo a fatos geradores do anocalendário 2001, em decorrência da constatação de remessa de moeda estrangeira ao exterior para pagamentos de beneficiários não identificados e/ou não comprovada a sua natureza/causa, que constituiu o crédito tributário no montante de R$776.010,37, incluídos o principal, a multa de oficio de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura. O procedimento fiscal teve origem no compartilhamento de material relativamente a contas mantidas no Merchant Bank de Nova York, Estados Unidos da América, obtidos a partir da quebra de sigilo fiscal no exterior, devidamente autorizado pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba. Durante a investigação realizada pelos órgãos federais brasileiros, apurouse a conexão entre os responsáveis pelas contas ali mantidas e outras contas administradas pela "Beacon Hill Services Corporation", cujos valores foram remetidos ao exterior através de esquemas fraudulentos, por meio de "laranjas" ("Caso Banestado"). De acordo com a autoridade tributária, apoiado na documentação enviada pelo Governo dos EUA, foram identificadas remessas de numerários ao exterior pela empresa fiscalizada, nos dias 21/09/2001, 19/10/2001 e 26/12/2001, em que aparecia como ordenante dos valores em dólares americanos destinados às empresas denominadas "Bell Micro Products Future Tech" e Santrade Internacional Inc.". No curso da fiscalização, a empresa alegou desconhecer os documentos no exterior, nunca ter mantido relações comerciais com aquelas companhias estrangeiras e que os valores movimentados não pertenciam a sua titularidade. Além disso, em que pese intimado, o autuado também não apresentou os seus livros fiscais e contábeis. A ciência da autuação se deu em 11/12/2006. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 12/09/2017, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401005.054 (fls. 334), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidas as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso.” O acórdão encontrase assim ementado: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10882.002369/200626 Acórdão n.º 9202007.448 CSRFT2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 21/09/2001, 19/10/2001, 26/12/2001 REMESSA AO EXTERIOR. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO SEM CAUSA. AUSÊNCIA DE PROVA DA AUTORIA DA REMESSA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Nas hipóteses de ocultação dos titulares das operações de remessas de recursos ao exterior, mediante a utilização de interpostas pessoas na administração de contas bancárias ali mantidas, cabe à autoridade fiscal demonstrar a condição de titular/ordenante da pessoa jurídica autuada através de um conjunto mínimo de elementos sérios e convergentes, os quais, ao final, ganhem força probante da sujeição passiva, não deixando margem a dúvidas sobre a autoria dos pagamentos realizados ou dos recursos entregues a beneficiário no exterior, sob pena de improcedência do lançamento tributário. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 17/10/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 13/11/2017, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 318). Em seu recurso visa a rediscussão da seguinte matéria: “remessa de moeda estrangeira ao exterior/beneficiários não identificados/não comprovação natureza”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 18/12/2017 (fls. 334), conforme acórdãos paradigmas nsº 2201000.484 e 9202 002.492. Em seu recurso alega que: · o auto de infração está fundamentado na presunção de rendimento tributável de que trata o art. 61, da Lei nº 8.981/1995, a seguir transcritos: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.” · Afirma que cabe ao Fisco somente demonstrar o fato definido na lei como necessário e suficiente à incidência do imposto, cabendo ao contribuinte a identificação do beneficiário e a comprovação da causa dos pagamentos, e portanto, a lei mencionada dispõe que uma vez verificada a remessa ao exterior, autorizado está o lançamento do imposto correspondente. · Conclui que a remessa ao exterior à beneficiário não identificado está sujeito ao lançamento de ofício; e apenas a apresentação de provas Fl. 352DF CARF MF 4 inequívocas é hábil a afastar a incidência do imposto, o que não foi apresentada no feito. · Diz que na hipótese vertente, houve inequívoca identificação do contribuinte M A Tancredi como responsável (ordenante), pela remessa de recursos ao exterior, creditados em nome de "Bell Micro Products Future Tech" e "Santrade Internacional Inc.", conforme documentos de transferência constante dos autos. · Ressalta que, compulsandose os autos, verificase a existência de ordem de pagamento, em que consta a identificação, como remetente ou ordenante, do contribuinte em epígrafe; e portanto, o mesmo foi devidamente intimado para comprovar a origem dos recursos movimentados no exterior, conforme demonstrado em cópia de 'wire transfers' fornecidas pela fiscalização onde a empresa aparecia como ordenante de remessas de quantias em dólar as empresas BELL MICRO PRODUCTS FUTURE TECH e SANTRADE INTERNATIONAL INC. Salienta que o contribuinte negou a conduta, apesar das inequívocas provas apresentadas. Cientificado do Acórdão nº 2401005.054, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 02/05/2018, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10882.002369/200626 Acórdão n.º 9202007.448 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 334. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Conhecimento O Recurso Especial ora sob análise visa à rediscussão da matéria: Remessa de moeda estrangeira ao exterior/beneficiários não identificados/não comprovação natureza, tendo como legislação interpretada de forma divergente o art. 61, § 3º, da Lei nº 8.891/1995, conforme apontado pelo recorrente O Acórdão Recorrido deu provimento ao recurso do contribuinte trazendo como fundamentos: Relatório (...) 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 127/131, que se exige o Imposto sobre a Renda incidente exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), relativo a fatos geradores do anocalendário 2001, em decorrência da constatação da remessa de moeda estrangeira ao exterior para pagamentos de beneficiários não identificados e/ou não comprovada a sua natureza/causa. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 133/141. 2.1 O procedimento fiscal teve origem no compartilhamento de material relativamente a contas mantidas no Merchant Bank de Nova York, Estados Unidos da América, obtidos a partir da quebra de sigilo fiscal no exterior, devidamente autorizado pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba. 2.2 Durante a investigação realizada pelos órgãos federais brasileiros, apurouse a conexão entre os responsáveis pelas contas ali mantidas e outras contas administradas pela "Beacon Hill Services Corporation", cujos valores foram remetidos ao exterior através de esquemas fraudulentos, por meio de "laranjas" ("Caso Banestado"). 2.3 De acordo com a autoridade tributária, apoiado na documentação enviada pelo Governo dos Estados Unidos da América, foram identificadas remessas de numerários ao exterior pela empresa fiscalizada, nos dias 21/09/2001, 19/10/2001 e 26/12/2001, em que aparecia como ordenante dos valores em dólares americanos destinados às empresas Fl. 354DF CARF MF 6 denominadas "Bell Micro Products Future Tech" e Santrade Internacional Inc". (...) Voto 7. Em síntese, a questão de fundo controvertida, que levou à tributação extraordinária com base na presunção de rendimento tributável de que trata o art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, eis que não identificado o beneficiário e/ou comprovada a causa dos pagamentos, resumese à condição de titular/ordenante da pessoa jurídica autuada relativamente às remessas de valores ao exterior. 8. Compulsando os autos, verifico que toda a acusação fiscal, quanto à sujeição passiva, está apoiada exclusivamente nos documentos de transferência de recursos acostados às fls. 106, 108 e 110. 8.1 Cuidamse de cópias de três formulários de transferência de dinheiro nos Estados Unidos da América, em que demonstrado que "Harber Corp. (RUBI)" determinou ordens de pagamento destinadas às companhias "Bell Micro Products Future Tech" e "Santrade Internacional Inc.". 8.2 Segundo o agente lançador, a prova da remessa ao exterior de valores em dólares americanos ordenada pela recorrente, M A Tancredi Representações Ltda, dáse pela identificação da seguinte informação expressamente consignada: "B/O: RUBI REF: M. A. TANCREDI", aposta no campo "Additional Details" do documento de transferência de recursos. 9. Pois bem. Conforme realçado pela decisão de piso, tais documentos estão inseridos num contexto mais amplo de investigação de força tarefa composta por diversos órgãos federais, a respeito de remessas irregulares de expressivos valores ao exterior por pessoas físicas e jurídicas nacionais, depositados de forma dissimulada em contas de instituições financeiras norteamericanas, conhecido como "Caso Banestado". 9.1 Sob o ponto de vista formal, os documentos são legítimos e verdadeiros, obtidos em nível de cooperação internacional com o Processo nº 10882.002369/200626 Despacho n.º s/nº S2C4T1 Fl. 4 4 Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América, com base em contas mantidas no Merchant Bank de Nova York e administradas por Maria Carolina Nolasco, norteamericana de origem portuguesa, cujo material foi compartilhado com a Receita Federal do Brasil mediante prévia anuência da Justiça Federal (fls. 8/32). 10. Todavia, a despeito das notórias informações de remessas irregulares de divisas feitas ao exterior por nacionais, utilizandose do mecanismo do dólarcabo ("Wire Transfer"), dentre elas via contas bancárias controladas por Maria Carolina Nolasco e mantidas nos Estados Unidos da América, Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10882.002369/200626 Acórdão n.º 9202007.448 CSRFT2 Fl. 5 7 entendo que, após avaliado o caso sob exame, não restou comprovada pelo agente fazendário a sujeição passiva da recorrente, em nível de certeza exigido para a imputação fiscal. 11. Reconheço, desde já, a complexidade atribuída à autoridade tributária no campo da prova, dado o propósito ilícito de ocultação dos titulares de tais tipos de operações de remessas de recursos ao exterior, mediante a utilização da figura de terceiros, o que torna, sem dúvida, dificultoso a obtenção da comprovação completa e perfeitamente identificável do remetente dos valores. Por outro lado, a PGFN traz paradigmas para demonstrar que em casos semelhantes, envolvendo o mesmo tipo de lançamentos, o colegiado entendeu de que a descrição do nome da empresa em documento de transferência de valores seria suficiente para caracterizar a sujeição passiva da empresa autuada, mantendo o lançamento. Para isso apresentou os paradigmas: Acórdão 220100.484 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 (...) PAGAMENTO SEM CAUSA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF. Não tendo sido comprovada a causa e/ou beneficiário da operação que deu origem aos pagamentos efetuados, correta a ação fiscal ao cobrar o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a base de cálculo ajustada, conforme determinado pela legislação. (...) Relatório (...) A infração apurada pela fiscalização foi decorrente de remessas de recursos ao exterior no episódio conhecido como "BEACON HILL", que transitaram em conta e subconta bancária no exterior (no Processo nº 10882.002369/200626 Despacho n.º s/nº S2C4T1 Fl. 5 5 "MERCHANTS DBT", em 2002 e no "LESPAN TBL", em 2002, 2003 e 2004, ambos em New York), nos valores totais de US$ 137.774,46 correspondentes a R$ 334.008,18, no ano calendário de 2002, no "MERCHANTS DBT", e no "LESPAN TBL", de US$ 167.473,33 correspondentes a R$ 574.125,80, no anocalendário de 2002, de US$ 137.057,36 correspondentes a R$ 436.128,67, em 2003, e de US$ 100.847,40 correspondentes a R$ 290.600,37, em 2004, cuja causa não foi comprovada e cujo beneficiário não foi identificado. (...) Conquanto o contribuinte alegue que não existem provas de que tenha ele realizado ordens de pagamentos, essa não é a verdade dos autos, uma vez que seu nome consta expressamente como ordenante de diversas transações especificada as fls. 14 a 66 (verso), para a conta 9008295 pertencente à MERCHANTS DBT Fl. 356DF CARF MF 8 (OUT) YORK NY e conta 6550845306, pertencente à LESPAN TBL/ NY. (g.n.) Acórdão 9202002.492 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O Fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu que está perfeitamente evidenciado nos autos. Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial, os valores relativos as remessas de recursos para o exterior. Recurso especial provido.” Voto: “Tratase de uma única remessa, no valor de US$ 50.000,00, cuja autuação foi desmembrada entre o contribuinte e sua esposa, Angela Maria Reis Cavalcante Freitas, atribuindose 50% para cada um. Esse Processo nº 10882.002369/200626 Despacho n.º s/nº S2C4T1 Fl. 6 6 processo é o de nº10580.010888/200662 e foi julgado nesta Segunda Turma em 08/11/2012, oportunidade em que foi prolatado o Acórdão 9202002.455. Nesse passo, relativamente ao acréscimo patrimonial apurado em junho de 2002, em função da remessa ao exterior, adoto o brilhante voto condutor, da lavra do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire, e passo à sua transcrição, como minhas próprias razões de decidir, promovendo as necessárias adaptações: (...) ‘No presente caso, em que pese que o contribuinte afirme não tem qualquer conhecimento sobre a empresa Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento ocorreu tendo por base em indícios, verificase nos autos, que o contribuinte juntamente com seu cônjuge, Sra. Ângela Maria Reis Cavalcante Freitas, foram ordenantes de uma remessa ao exterior, de U$$ 50.000 (cinqüenta mil dólares), fls. 26, para serem creditados na conta de YORK NY 100223703, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, fls. 27/34. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10882.002369/200626 Acórdão n.º 9202007.448 CSRFT2 Fl. 6 9 Ao contrário do que alega o contribuinte, em sede de Contra Razões, documento em que ele, juntamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. Com efeito, as provas contidas nos autos demonstram a participação do contribuinte na operação de remessa de dólar ao exterior, realizando significativa movimentação financeira, quando comparada aos rendimentos declarados, à margem do sistema financeiro nacional e sem a devida menção na declaração de imposto de renda. Ademais, há de se ressaltar que o objetivo da análise patrimonial é verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); a metodologia permite detectar se houve excesso de aplicações com relação as origens de recursos, situação que somente pode ser explicada pela omissão de rendimentos por parte do contribuinte; em outras palavras, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. No caso sob exame, como o contribuinte ordenou a remessa de US$ 50.000,00 (cinqüenta mil dólares americanos) em 11 de junho de 2002, juntamente com o seu cônjuge, Ângela Maria Reis Cavalcante Freitas, que também foi fiscalizada pela remessa acima explicitada, e ambos negaram a titularidade do referido valor, foi considerada pela fiscalização como sendo US$ 25.000,00 para cada um dos contribuintes. Destarte, a remessa de numerário para o exterior foi, então, considerada como aplicação de recursos do contribuinte e Processo nº 10882.002369/200626 Despacho n.º s/nº S2C4T1 Fl. 7 7 confrontadas com as fontes ou origens dos recursos comprovadas, para fins de apuração de variação –patrimonial, consoante os Demonstrativos de Evolução Patrimonial, tendo sido apurado acréscimo patrimonial a descoberto, o que evidenciou a omissão de rendimentos perante o Fisco. Salientese que, para comprovar a existência de acréscimo patrimonial por parte do contribuinte, a fiscalização elaborou demonstrativo em que comparou a cada mês o total de recursos disponíveis pelo mesmo, versus as aplicações destes recursos. A sistemática de se considerar a remessa ao exterior como aplicação de recursos está correta, eis que, por óbvio, a aplicação de recursos em uma conta bancária é, indubitavelmente, uma aplicação de recursos do contribuinte e, como tal, deve, necessariamente, estar amparada em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Fl. 358DF CARF MF 10 São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu direito, ou seja, demonstrar o excesso de gastos sobre a origem de recursos. E isto está perfeitamente evidenciado nos autos. Diante desse fato, compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Nesse contexto, a mera alegação de que não efetuou as operações apontadas pela fiscalização, desacompanhada de qualquer outro meio de prova, não é suficiente para elidir a tributação. Portanto, devem ser considerados como aplicações de recursos no demonstrativo de análise da evolução patrimonial os valores relativos às remessas de recursos para o exterior.’” Dessa forma, tratandose de lançamentos respaldados na mesma operação, com situações similares, entendo que resta demonstrada a divergência capaz de levar ao conhecimento do Recurso. Do Mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a tributação sobre Remessas de moeda estrangeira ao exterior/beneficiários não identificados/não comprovação natureza. Da competência. Contudo, embora não questionado diretamente, entendo existir um ponto crucial à continuidade da análise do presente processo. Tratase, na verdade, de tributação baseada no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 a Portaria MF Nº 329, publicada em 07/07/2017, sendo que, a competência para apreciar a matéria seria da 1ª SEJU. Dessa forma, a única solução viável é que a CSRF anule o acórdão da 2ª SEJUL Acórdão nº 2401005.054, bem como os atos posteriores, inclusive o Exame de Admissibilidade do RESP para que se dê o encaminhamento correto ao processo. Vejamos do que trata a matéria: Da Tributação do Imposto de Renda na Fonte Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10882.002369/200626 Acórdão n.º 9202007.448 CSRFT2 Fl. 7 11 for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Com fundamento no que dispõe o art. 2º, inciso III, do Regimento Interno do CARF vigente à época, entendo que a competência para o julgamento dos presentes autos é da 1ª Seção de Julgamento, como se extrai dos dispositivos abaixo transcritos: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos e ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL L); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017 Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julga r recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância qu e versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as in stituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações a cessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Portanto, tratam os presentes autos do IRRF reflexo ao IRPJ, a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa, o que resta cristalino não encontrase sobre a competência para apreciar da 2ª seção de julgamento. Fl. 360DF CARF MF 12 Desse modo, deve ser anulada a decisão de primeira instância, redistribuindo se os autos à Primeira Seção de Julgamento do CARF para reinclusão em lote e posterior sorteio, obedecendo a todo rito procedimental descrito no PAF. Registrese que ao ente público, bem como seus agentes, é permitido anular seus próprios atos quando identificados vícios ou erros em sua tramitação, desde que garantido a outra parte o direito a ampla defesa e ao contraditória, o que, no presente caso, mostrase respeitado com a devida ciência ao sujeito passivo e posterior encaminhamento à Seção de Julgamento competente, para que siga ao rito previsto no PAF e no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Súmula 473 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Conclusão Diante do exposto, voto declarar a nulidade do Acórdão nº 2401005.054, de 12/09/2017, bem como declinar da competência para 1ª Seção de Julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 361DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.902969/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir.
Numero da decisão: 3401-005.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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Cabível a homologação da compensação se o direito creditório declarado existir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta na Resolução CARF nº 3401000.500, de 26/06/2012, que converteu o julgamento em diligência para que a unidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 29 69 /2 01 0- 88 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10830.902969/201088 Acórdão n.º 3401005.785 S3C4T1 Fl. 538 2 de origem aguardasse o julgamento do Processo nº 10830.014190/201011, que trata do recolhimento do IPI a menor , cuja apuração se deu mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (saldo credor apurado conforme o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e IN SRF nº 33 de 1999), relativo ao 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 7.920.860,34, o qual foi formulado mediante a entrega de PER/Dcomp em 30/10/2008, ao qual foi vinculada uma declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em 31/10/2008 e em montante equivalente ao crédito postulado. A DRF em Campinas SP, todavia, acolhendo parecer emitido pelo seu Serviço de Fiscalização, não reconheceu nenhum valor a título de crédito, e, consequentemente, não homologou a compensação declarada. Na Informação Fiscal em que baseado o Despacho Decisório da DRF, observase que a glosa decorreu da constatação de “falta de lançamento do IPI”, o que, por sua vez, teria se originado no “uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando esses produtos/modelos”.(sic) Esclarece ainda a autoridade fiscal na sua informação que esse IPI recolhido a menor fora objeto de lançamento de oficio por meio de auto de infração autuado em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.014190/201011, cuja apuração se dera mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preliminarmente, pediu a unificação do presente processo àquele em que autuado o mencionado lançamento de ofício do IPI, sob o argumento de que, ocorrendo o cancelamento do auto de infração, a reconstituição de seu saldo credor e que implicou na glosa ora em discussão também deixaria de existir. Para tanto, invocou a aplicação da regra contida no § 2º do art. 29 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no inciso II do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008. Ad argumentandum, pediu, alternativamente, que se sobrestasse o julgamento do presente feito até que se tenha uma decisão quanto aos rumos do referido processo nº 10830.014190/201011. Quanto ao mérito, a interessada reproduziu os seus argumentos de defesa lançados na impugnação ao referido lançamento de oficio, os quais, em apertadíssima síntese, clamam pela nulidade da autuação por falha na busca da verdade dos fatos [ a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a inexistência de produtos comercializados sem o benefício da isenção fiscal de que trata a Lei 8.248/91], e, quanto ao mérito, Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10830.902969/201088 Acórdão n.º 3401005.785 S3C4T1 Fl. 539 3 que nenhum dos produtos/modelos escolhidos pelo Fisco para motivar a imputação [não inclusão na portaria ministerial para a fruição do benefício] deixou de constar do referido ato infralegal, de sorte que a reconstituição de sua escrita fiscal não poderia ser dada como certa. A 8a Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, todavia, considerou improcedentes os termos da Manifestação de Inconformidade. Para afastar a regra constante do inciso II, do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008, de que “Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II –...a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes;”, esclareceu a instância de piso que o referido processo nº 10830.014190/201011, que trata do auto de infração de IPI, “não decorreu da não homologação das compensações, como é o caso da multa isolada ou de glosas de créditos, ao contrário, a não homologação das compensação é que é decorrente do lançamento efetivado e da consequente diminuição do saldo credor de IPI, [...]”. Quanto ao pedido da interessada para a juntada ou anexação dos processos, alegou a DRJ não existir qualquer dispositivo legal a prever tais hipóteses, e, quanto ao pedido de sobrestamento, esclareceu não existir essa figura jurídica no processo administrativo tributário. No mérito, a instância de piso assim se manifestou, verbis: “[...]Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. [...]”E foi justamente invocando os termos da decisão que essa mesma 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP proferira no Acórdão nº 14032.958, de 22/03/2011, no bojo do referido processo administrativo nº 10830.014190/201011, ou seja, mantendo na íntegra no auto de infração, que a DRJ manteve as glosas e a não homologação das compensações tratadas no presente processo. No Recurso Voluntário a interessada, preliminarmente, suscitou a nulidade do “Despacho Decisório” (sic) [na verdade, pretendeu referirse ao Acórdão da DRJ, ora vergastado] sob o argumento de que não fora cientificada em tempo hábil [o fora em 06/05/2011] dos termos daquele Acórdão nº 14032.958, de sorte que sua defesa teria sido cerceada na medida em que não teve acesso aos fundamentos que, na verdade, foram utilizados para manter o indeferimento de seu pleito contido na Manifestação de Inconformidade. Esclareço eu que, na verdade, a Recorrente pediu um novo prazo para a apresentação de suas considerações, desta feita, levando Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10830.902969/201088 Acórdão n.º 3401005.785 S3C4T1 Fl. 540 4 em conta os termos do Acórdão da DRJ proferido no processo que versa sobre o auto de infração. A Recorrente insistiu na juntada dos processos [este e o do auto de infração], ou, alternativamente, no sobrestamento do presente julgamento até que se decida sobre os rumos da lide envolvendo o auto de infração, de modo a se evitar prejuízo de sua parte. Explica que esse prejuízo ocorreria no caso de obter uma decisão desfavorável neste processo, situação que o obrigaria ao recolhimento imediato dos débitos cuja compensação não fora homologada, e, de outra parte, caso futuramente venha obter uma decisão favorável no processo que trata do lançamento dos débitos do IPI, o que evidenciaria a improcedência das glosas dos créditos; assim, teria havido um locupletamento ilegal por parte do Fisco. A DRF Campinas, em 08/06/2015, devolveu o processo ao CARF sob a seguinte argumentação: A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o SOBRESTAMENTO do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. Em não havendo diligência a ser tomada a cabo por esta DRF, retornese ao CARF para, se julgado conveniente, seja feita a análise em conjunto do presente com o que lhe precede. Nesse ínterim o Processo nº 10830.014190/201011 foi julgado procedente conforme acórdão CARF nº 3201003.372, de 31/01/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo.conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Recurso Voluntário Provido Em resumo, as razões de decidir do acórdão citado foram: A teor do relatado tratase de processo que discute o benefício da isenção prevista na lei de informática a telefones celulares fabricados pela Recorrente. A Fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos apresentavam alterações nos seus Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10830.902969/201088 Acórdão n.º 3401005.785 S3C4T1 Fl. 541 5 modelos que desqualificavam a habilitação inicial, promovida pela Motorola junto aos órgãos públicos e formalizada na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. ... O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão crucial do presente processo foi a não existência de crédito para homologar as compensações declaradas, conforme explicado na Resolução que converteu o julgamento em diligência: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10830.902969/201088 Acórdão n.º 3401005.785 S3C4T1 Fl. 542 6 supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. Como relatei acima, a própria DRJ considerou que, verbis, “Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco”. Além disso, uma outra questão prejudicial suscitada pela Recorrente é, referindose aos procedimentos adotados pelo Fisco na auditoria fiscal que resultou no auto de infração, de que a autoridade fiscal teria incorrido em “patente falha na busca da verdade dos fatos”, e contra ou a favor desse argumento não é possível a este Relator apresentar considerações, haja vista a inexistência, neste processo, dos elementos e documentos necessários para tanto. Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Portanto concluído no julgamento do processo que trata da autuação fiscal pela correção das anotações efetuadas pela recorrente no Livro de IPI, e pela existência do crédito alegado é de se homologar as compensações declaradas, já que esse foi o único impedimento para tanto. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por dar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10830.902969/201088 Acórdão n.º 3401005.785 S3C4T1 Fl. 543 7 Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721763/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 76 3/ 20 15 -9 1 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 16682.721763/201591 Resolução nº 3302000.807 S3C3T2 Fl. 291 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 16682.721763/201591 Resolução nº 3302000.807 S3C3T2 Fl. 292 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16682.721763/201591 Resolução nº 3302000.807 S3C3T2 Fl. 293 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16682.721763/201591 Resolução nº 3302000.807 S3C3T2 Fl. 294 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000252/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0004232-59.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000253/2010-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000253/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 27 .0 00 25 2/ 20 10 -4 7 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13827.000252/201047 Resolução nº 1402000.777 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementando o ao final no que necessário: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, no período de apuração 31/07/2006, no valor de R$ 671.897,71, apresentado em formulário impresso, protocolizado em 30/03/2010. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram feitos os Redarfs, alterando o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito nas CDAs nº 80.6.05.04289770 e 80.2.07.00846342. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade para alegar que teria sido excluído do Paes indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13827.000252/201047 Resolução nº 1402000.777 S1C4T2 Fl. 4 3 para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Defendeu a nulidade da decisão, pois a execução fiscal nº 2005.61.09.0031397 não abrangeria a CDA nº 80.2.07.00846342, de modo que não haveria decisão judicial que embasasse o Redarf. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art.49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pela princípio da hierarquia das leis, de modo que o Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13827.000252/201047 Resolução nº 1402000.777 S1C4T2 Fl. 5 4 reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. A r. DRJ de Ribeirão Preto proferiu decisão que restou assim ementada: "ASSUNTO : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2006 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da lide importa em renúncia à apreciação da matéria na esfera administrativa. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido " A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta que embora haja uma relação de prejudicialidade entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança em que discute a legalidade da imputação dos créditos a diversas CDAs, não é possível vislumbrar uma relação de concomitância (e muito menos renúncia à esfera administrativa). Defende que embora o provimento do Mandado de Segurança culmine na liberação do crédito ora pleiteado, uma vez que cancelará a compensação de ofício realizada, a medida judicial não propiciará a restituição do montante à Recorrente. Além disso, caso remanesça o indeferimento neste processo administrativo, restará definitivamente obstado o direito da Recorrente reaver os valores do pagamento indevido, uma vez que já terá transcorrido o prazo prescricional para pleitear a devolução, restando a Recorrente impossibilitada de apresentar um novo pedido de restituição. Aponta jurisprudência do CARF em que se suspendeu o processo administrativo até o advento final do processo judicial. Requer, por fim, que os Conselheiros se posicionem quanto ao meio adequado à restituição do montante caso o MS culmine no cancelamento das compensações de ofício, uma vez que já terá transcorrido o prazo quinquenal para pleitear a restituição do crédito. É o relatório. V Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13827.000252/201047 Resolução nº 1402000.777 S1C4T2 Fl. 6 5 oto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.771, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000253 /2010 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.771): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: Havendo contencioso judicial para discutir a validade ou não da compensação de ofício ordenada por juízo de Execução Fiscal, não cabe a esta e. Câmara se manifestar quanto a contenda. Embora evidente a relação de prejudicialidade entre os dois processos, resta evidenciar se há concomitância para fins de aplicação da Súmula 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O presente processo administrativo tem por objeto a verificação da existência de crédito decorrentes de pagamentos indevidos de parcelas do Parcelamento da Lei 10.684/03 (PAES), realizados após a exclusão indevida da Recorrente por meio de DARFs com o código 7122, cujo valor originário é de R$ 668.663,70. Enquanto o processo judicial in casu busca afastar imputação do referido crédito para pagamento dos débitos constantes das CDAs 80.6.05.04289770 e 80.2.07.00846342, cobradas na Execução Fiscal nº 2005.61.09.0031397, conforme decisão exarada naquele processo. Resta evidente que não há coincidência de objetos, mas uma clara relação de prejudicialidade entre os processos. Pois, caso liberado o crédito na decisão judicia, o presente processo administrativo deverá ser julgado procedente,. Temos julgado pelo sobrestamento em casos de prejudicialidade, como a ilustra a ementa da decisão proferida no Processo Administrativo nº 13603.902729/201217, acórdão nº 1402 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13827.000252/201047 Resolução nº 1402000.777 S1C4T2 Fl. 7 6 003.351, relatoria do Conselheiro LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SOBRESTAMENTO Existindo discussão em outros processos administrativos sobre a compensação de estimativas que compõe o saldo negativo de IRPJ que se pretende compensar nos autos deste processo em epígrafe, resta caracterizada a prejudicialidade do pedido de compensação, devendo sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativo definitiva nos processos que tratam das compensações das estimativas. Isto posto, encaminho voto no sentido de sobrestarmos o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente processo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720319/2012-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2007 a 30/06/2007
JUROS MORATÓRIOS. MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 9303-007.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2007 a 30/06/2007 JUROS MORATÓRIOS. MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 03 19 /2 01 2- 21 Fl. 1681DF CARF MF 2 Trata o presente processo auto de infração (efls. 02 a 08) referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI apurado no período de 01/03/2007 a 30/06/2007, no valor de R$ 7.818.499,83, aí somados: principal de R$ 3.463.375,35, multa de ofício de R$ 2.597.531,54, e juros de mora (calculados até 30/03/2012) de R$ 1.757.592,94. A contribuinte teve ciência da autuação em 09/03/2012. A infração que deu azo à autuação foi haver recolhimento a menor de IPI, entre março e junho de 2007, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. A autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. O detalhamento das infrações encontrase na Informação Fiscal, às efls. 11 a 14. A empresa apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 133 a 156, em 10/04/2012. Já a 2ª Turma da DRJ/RPO, em 26/09/2012, no acórdão nº 1438.748, às efls. 1454 a 1465, apreciou a impugnação para considerála improcedente. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 21/02/2014, às efls. 1471 a 1500. Em apertada síntese, a contribuinte alega: a) não há obrigatoriedade legal de destacar o valor do frete na nota fiscal visando ao crédito presumido do IPI; b) no preço de venda dos produtos está computado o valor do frete com todas as despesas a ele referentes; c) foi demonstrada a segregação do valor do veículo e do frete computado no preço no registro das receitas de venda; d) o auto de infração carece de base legal para realização de lançamento de ofício relacionado ao alegado aproveitamento indevido dos créditos de IPI em discussão; e) igualmente carece de fundamentação legal a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada; e f) caso não seja provido o recurso, pleiteia a realizaçaõ de diligência para buscar a verdade dos fatos. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no acórdão nº 3402003.119, apreciou os recursos em 22/06/2016, às efls. 1514 a 1527, dando parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do julgado. Tal acórdão teve as seguintes ementas: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 10860.720319/201221 Acórdão n.º 9303007.912 CSRFT3 Fl. 1.682 3 Não incidem juros de mora sobre multa de ofício por ausência de previsão legal específica. O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (a) pelo voto de qualidade, negou se provimento quanto à questão dos fretes. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; e (b) por maioria de votos, deuse provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.. O redator do voto vencedor reverbera a tese da fiscalização de que há obrigatoriedade de destaque do valor do frete na nota fiscal afirmando ainda que os registros em sistemas informatizados da contribuinte não são documentos hábeis e idôneos para comprovação da efetividade do pagamento dos valores dos fretes . Já em relação os juros de mora sobre a multa de ofício, o relator afirma inexistir base legal para essa cobrança. Recurso especial da Fazenda Intimada do acórdão nº 3402003.119 em 11/07/2016 (efl. 1547), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 22/08/2016, às efls. 1548 a 1563. Naquele recurso, afirma que os acórdãos paradigmas nº 910101.191 e nº 920201.991, para situações fáticas similares, afirmam que a multa compõe o débito tributário sobre o qual incidem os juros de mora. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciou o recurso especial da Fazenda no despacho de efls. 1565 a 1567, dandolhe seguimento, por entender presentes o requisitos dos artigos 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Embargos de declaração da contribuinte Cientificada (efl. 1570) do acórdão nº 3402003.119 do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, em 20/02/2017, e, às efls. 1576 a 1582, em 23/02/2017, manejou embargos de declaração àquele acórdão. Alega omissão do aresto na análise de documentação comprobatória do valor dos fretes juntada já na impugnação, bem como contradição ao fundamentarse na falta de apresentação de documentação oficial. O Presidentesubstituto da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento no despacho de efls. 1586 a 1591, em 06/06/2017, analisou os embargos e o acórdão embargando, sem encontrar omissão ou contradição interna no acórdão e por isso o rejeitou, forte no § 3º do art. 65 do Anexo II do RICARF. Fl. 1683DF CARF MF 4 Recurso especial de divergência da contribuinte A contribuinte teve ciência (efl. 1596) do despacho de admissibilidade de seus embargos, em 19/06/2017, e interpôs recurso especial de divergência ao acórdão nº 3402 003.119, em 30/06/2017 (efl. 1601), às efls. 1602 a 1615. Foram apresentados como paradigmas os acórdãos nº 330100.567 e nº 3402 004.086. O primeiro paradigma indicaria a inclusão na base de cálculo do IPI do custo do frete, o que foi igualmente realizado pela contribuinte. Já o segundo paradigma afirma que a legislação, em momento algum, exige o destaque segregado na nota fiscal do valor do frete pago divergindo claramente do acórdão recorrido. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 1648 a 1652, analisou o recurso especial, concluindo que o aresto paradigma nº 3402 004.086 foi prolatado pela mesma Turma recorrida, desatendendo requisito do Anexo II do RICARF, não podendo ser admitido. Já o acórdão paradigma nº 330100.567 tratou de controvérsia distinta daquela do recorrido, não sendo demonstrada a divertgência. Cientificada (efl. 1656) do despacho em 21/08/2017, a contribuinte a ele interpôs o agravo de efls. 1660 a 1665, em 25/08/2017, com base no art. 71 do Anexo II do RICARF, sendo este agravo rejeitado pela Presidente da CSRF, no despacho de efls. 1669 a 1672, em 06/07/2018, por ausência de similitude fática entre o paradigma conhecido e o acórdão a quo. A contribuinte foi cientificada do resultado do despacho em 20/07/2018 (efl. 1677). É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Quanto ao mérito, essa matéria foi exaustivamente debatida na Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em todas as suas Turmas, havendo recente edição de súmula, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Pela inteligência do inciso VI do art. 45 do Anexo II do RICARF, as súmulas são de observação obrigatória aos conselheiros e, portanto, há que se dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradora. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para darlhe provimento. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 10860.720319/201221 Acórdão n.º 9303007.912 CSRFT3 Fl. 1.683 5 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1685DF CARF MF
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