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Numero do processo: 10380.908964/2012-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado
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PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 64 /2 01 2- 76 Fl. 185DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 4ªTurma da DRJ/BSB: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 23110.83997.220611.1.3.042407, transmitida eletronicamente em 22/06/2011, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 05/11/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 30.248,63. Cientificado dessa decisão em 19/11/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/12/2012, manifestação de inconformidade à fl. 11 a 15, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte esclarece que teria cometido um equívoco no preenchimento da DCTF original referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Acrescenta a DCTF foi retificada após a data da entrega do PER/DCOMP objeto dos autos, de modo que não evidenciou a situação de prejuízo da empresa no período. Conclui que a DCTF, a DIPJ e o PER/DCOMP continham Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10380.908964/201276 Acórdão n.º 3001000.370 S3C0T1 Fl. 3 3 informações divergentes, o que acabou por ocasionar o indeferimento do crédito tributário pleiteado. Enfatiza que possui o crédito e, no intuito de comprovar seus argumento, anexa aos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, bem como documentos contábeis (Balancete de Verificação), que servem de prova do prejuízo fiscal apurado no período. Informa, também, que os dados declarados na a DIPJ do período, transmitida antes do recebimento do Despacho Decisório, estão corretos. Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realiza diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência do crédito decorrente de CSLL. No voto, a DRJ/Brasília informou que: (...) a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. E, finalmente, votou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. No Recurso Voluntário, a Recorrente, além de repetir as alegações da Manifestação de Inconformidade, atentou para duas questões: 1. A decisão da DRJ/BSB teria se equivocado porque (itens 10 e 11 do RV): A origem do crédito em discussão é COFINS e não CSSL, como consta na decisão recorrida: Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente Fl. 187DF CARF MF 4 processo seja devolvido a fim de que seja realizada diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência de crédito decorrente de CSLL. 2. A decisão da DRJ não teria feito a melhor aplicação do direito ao caso porque (itens 12 e 13 do RV): Conforme se infere da leitura do Acórdão ora guerreado, temos que o indeferimento sob análise fundamentouse na inexistência de provas suficientes que atestem a legitimidade da compensação realizada pela Recorrente por meio do n° 23110.83997.220611.1.3.42407. Todavia, entendemos que a decisão proferida não fez a melhor aplicação do direito à matéria sob análise, tendo em vista que o crédito utilizado pela Recorrente dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal, já que se trata de crédito decorrente de pagamento de DARF realizado em duplicidade, conforme será demonstrado a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, inclusive o limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente cabe a análise da alegação da Recorrrente de que houve equívoco na decisão da DRJ, ao confundir COFINS com CSLL. Verificase que na ementa do acórdão do tribunal a quo está claro o assunto: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS". No mesmo caminho, o relatório da 4ª Turma da DRJ/Brasília também se refere a "créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins". Pode, apenas ter ocorrido, um equívoco no final do relatório, quando da colocação da sigla CSLL em vez de COFINS. Entretanto, casos de contradição entre a decisão Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10380.908964/201276 Acórdão n.º 3001000.370 S3C0T1 Fl. 4 5 e seus fundamentos deveriam ser atacados no próprio tribunal a quo, por intermédio de Embargos de Declaração. O Recurso Voluntário não é o instrumento adequado para trazer à discussão eventual contradição na decisão da DRJ. De qualquer forma, pela leitura integral do acórdão percebese que, no caso, houve mero erro de digitação, incapaz de obscurecer o entendiemnto do leitor de que a decisão foi sobre assunto referente à COFINS. Assim, nessa questão, não cabe razão ao Recorrente. Quanto à "dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal" por parte do contribuinte, também entendo que não lhe cabe razão. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua defesa com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF): Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao Fl. 189DF CARF MF 6 sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9 º, § 3º). No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria havido um equívoco no preenchimento da DCTF entregue originalmente referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. A declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10380.908964/201276 Acórdão n.º 3001000.370 S3C0T1 Fl. 5 7 Finalmente, quanto ao pedido de diligência, cabe esclarecer que a realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, tais motivos são inexistentes, haja vista que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Assim, nos termos do art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência, por considerálo prescindível para o julgamento da lide. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721030/2009-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÕES DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO, TANTO NO NUMERADOR COMO NO DENOMINADOR, NA VIGÊNCIA DA PORTARIA MF nº 38/97, E EXCLUSÃO, EM AMBOS, SOB A ÉGIDE DA PORTARIA MF nº 64/2003.
Na determinação do Coeficiente de Exportação (relação entre a Receita de Exportação e a Receita Operacional Bruta do produtor exportador) utilizado para cálculo do Crédito Presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, as receitas de exportação de mercadorias simplesmente adquiridas de terceiros (ou seja, que não sofreram nenhum processo de industrialização) devem ser, (i) incluídas, tanto no numerador como no denominador, na vigência da Portaria nº 38/97, que se deu até 25/03/2003; e (ii) excluídas, tanto do numerador como do denominador, na vigência da Portaria nº 64/2003.
Numero da decisão: 9303-006.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÕES DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO, TANTO NO NUMERADOR COMO NO DENOMINADOR, NA VIGÊNCIA DA PORTARIA MF nº 38/97, E EXCLUSÃO, EM AMBOS, SOB A ÉGIDE DA PORTARIA MF nº 64/2003. Na determinação do Coeficiente de Exportação (relação entre a Receita de Exportação e a Receita Operacional Bruta do produtor exportador) utilizado para cálculo do Crédito Presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, as receitas de exportação de mercadorias simplesmente adquiridas de terceiros (ou seja, que não sofreram nenhum processo de industrialização) devem ser, (i) incluídas, tanto no numerador como no denominador, na vigência da Portaria nº 38/97, que se deu até 25/03/2003; e (ii) excluídas, tanto do numerador como do denominador, na vigência da Portaria nº 64/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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LEI Nº 9.363/96. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. EXPORTAÇÕES DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO, TANTO NO NUMERADOR COMO NO DENOMINADOR, NA VIGÊNCIA DA PORTARIA MF nº 38/97, E EXCLUSÃO, EM AMBOS, SOB A ÉGIDE DA PORTARIA MF nº 64/2003. Na determinação do Coeficiente de Exportação (relação entre a Receita de Exportação e a Receita Operacional Bruta do produtor exportador) utilizado para cálculo do Crédito Presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, as receitas de exportação de mercadorias simplesmente adquiridas de terceiros (ou seja, que não sofreram nenhum processo de industrialização) devem ser, (i) incluídas, tanto no numerador como no denominador, na vigência da Portaria nº 38/97, que se deu até 25/03/2003; e (ii) excluídas, tanto do numerador como do denominador, na vigência da Portaria nº 64/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 30 /2 00 9- 81 Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 666 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 578 a 586), contra o Acórdão 3302001.685, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 570 a 574), sob a seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 01/06/2000 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI N° 9.363/96. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS, SIMPLES REVENDA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA, EXCLUSÃO EM AMBAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Recurso Voluntário Provido. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 588 a 590), a PGFN defende, no que tange ao Coeficiente de Exportação (relação entre a Receita de Exportação e a Receita Operacional Bruta do produtor exportador) utilizado para cálculo do Crédito Presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, que “o valor das revendas de mercadorias ainda que não tenham sofrido qualquer processo de industrialização compõe a receita operacional bruta, quer tratese de produtos NT, quer tratese de mercadorias que foram adquiridas de terceiros para simples revenda, a premissa é a mesma: tais produtos não podem ser incluídos no montante das exportações utilizadas para compor a base de cálculo do benefício; embora integrem a receita bruta operacional, não integram a receita de exportação”. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 597 a 643), pugnando, em caráter preliminar, pelo não conhecimento do Recurso, por dois motivos (i) o primeiro acórdão paradigma teria sido reformado pela CSRF, inclusive antes do Exame de Admissibilidade; e (ii) o segundo não teria o condão de demonstrar a divergência, por “impossibilidade de cotejo fático e jurídico”. No mérito, pede “que o Auto de Infração seja definitivamente cancelado, à medida que se conclua que o conceito de receita operacional bruta, para fins de apuração do crédito presumido de IPI, abrange somente as receitas atinentes a operações com produtos industrializados pelo contribuinte” e suscita a “já consolidada jurisprudência do CARF e da CSRF” a seu favor. É o Relatório. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 667 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Para que possamos apreciar, tanto o conhecimento do Recurso Especial como o Mérito, mister se faz contextualizar aqui, inicialmente, a situação fática. Para tal, utilizome do Relatório do acórdão recorrido (que remete ao Relatório do acórdão da DRJ): Relatório “Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem resumir a contenda; Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de fl. 224 de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96 e a Portaria MF n° 38/97, no montante de R$ 1.734.189,33, relativo ao 2º trimestre de 2005. O pedido foi integralmente indeferido com base na informação fiscal de fls. 219/220, segundo a qual o saldo credor existente teria se originado em crédito extemporâneo, escriturado em junho/2005, decorrente do recalculo do crédito presumido do período de junho/2000 a dezembro/2003, no valor total de R$ 5.581.249,50. Entretanto, na análise do recalculo verificouse que a contribuinte utilizou na apuração o conceito de "Receita Operacional Bruta" trazida pelo art 3º, parágrafo 12, inciso I, da Portaria MF n° 64/2003. Tal fato levou a fiscalização a refazer os cálculos, concluindo por reconhecer um crédito de R$ 2.064.389,91, e por uma glosa de R$ 3.516.859,59. Por conseqüência, foi lavrado o auto de infração objeto do processo n° 10830.008341/200951, cuja cópia encontrase às fls. 212/217. Nele se constata que a contribuinte excluiu do cálculo da receita bruta os valores de revenda de produtos para o exterior, o que contraria o art. 3º, parágrafo 15, inciso I, da Portaria MF n° 38/97, vigente à época. Para a lavratura do referido auto de infração foi reconstituída a escrita fiscal, com a glosa de R$ 3.516.859,59, resultando em lançamento do imposto de R$ 1.782.661,27, e no presente processo, indeferimento do crédito de R$ 1.734.189,33. Regularmente cientificada, a contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade de fls. 228/235, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 668 4 1. Efetuou a apuração do crédito extemporâneo em junho/2005, baseandose na Portaria MF 64/2003, então vigente; 2. O valor das exportações decorrentes de produtos adquiridos para a revenda não é incluído na receita de exportação, mas também não pode ser incluído na receita operacional bruta, como pretende a fiscalização; transcreve em seu favor, jurisprudência administrativa.” Aí se vê então que: O indeferimento deste Pedido de Ressarcimento é decorrente de uma glosa da qual resultou a lavratura de um Auto de Infração objeto do Processo nº 10830.008341/200951, portanto "umbilicalmente ligado a este", e que está na Pauta de Julgamento desta mesma Sessão (assim, o resultado daquele interfere diretamente no deste); Tudo gira em torno da aqui mais que discutida questão da inclusão ou não, das receitas exportação de mercadorias adquiridas de terceiros, no numerador (receita de exportação) e no denominador (receita operacional bruta) do coeficiente utilizado para o cálculo do Crédito Presumido do IPI. Quanto ao conhecimento do Recurso, o contribuinte alega que o primeiro acórdão paradigma teria sido reformado pela CSRF o que o segundo não teria o condão de demonstrar a divergência. Concentremonos no segundo (nº 20402.250): Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Compõe a receita operacional bruta o valor das revendas de mercadorias ainda que não tenham sofrido qualquer processo de industrialização. No cálculo do incentivo somente são admitidas as compras de insumos, assim identificadas na escrituração fiscal do estabelecimento. Voto (também transcrito no Recurso Especial) No que tange ao primeiro ponto controvertido entendo com razão a r. decisão. O Ato Declaratório Normativo da SRF/COSIT nº 13, de 02.09.1998, em seu item “a”, definiu que não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, de que trata a Lei nº 9.363/96, o valor resultante das vendas para o exterior, de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo produtor exportador, integrando, entretanto, a receita operacional bruta. (artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363/96 e § 1º do art. 3º da Portaria MF nº 38/97). Grifei.” Perfeitamente está, assim, caracterizada a divergência jurisprudencial: Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 669 5 O acórdão recorrido diz que as mercadorias adquiridas de terceiros (que, portanto, não sofreram nenhum processo de industrialização pela atuada) devem ser excluídas, tanto do numerador, como do denominador; O acórdão paradigma diz que devem ser excluídas somente do numerador, exatamente o que a PGFN defende no seu Recurso Especial. Conheço, então do Recurso Especial. Passando à análise do mérito, o Auto de Infração foi decorrente da glosa de um crédito extemporâneo de IPI registrado na escrita fiscal relativo a um recálculo do Crédito Presumido do IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) apurado de junho de 2000 a dezembro de 2003. Vejamos o que prescreve a legislação, no que interessa à discussão: Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 670 6 Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Portaria MF nº 38/97 Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: (...) II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; Portaria MF nº 64/2003 (Publicada em 26/03/2003) Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá: (...) II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 671 7 I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; (...) Art. 13. Fica revogada a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997. Art. 14. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de outubro de 2002, em relação aos arts. 4º e 11; II a partir de 1º de dezembro de 2002, em relação ao § 14 do art. 3º; III na data de sua publicação, com relação aos demais artigos. Este assunto [composição do numerador (receita de exportação) e do denominador (receita operacional bruta) do coeficiente de exportação] já foi bastante debatido nesta Turma, estando a jurisprudência majoritária consolidada nos acórdãos que transcrevo a seguir: Jurisprudência da 3ª Turma da CSRF (na vigência da Portaria MF nº 38/97) Pacificouse que, tanto no numerador como no numerador do coeficiente de exportação, incluemse as exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, como bem demonstrado na Ementa de recente acórdão (decisão unânime) que trago a seguir, de relatoria do ilustre Conselheiro Demes Brito: Acórdão nº 9303006.036, de 30/11/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluemse na composição tanto da Receita de Exportação – RE, quanto da Receita Operacional Bruta – ROB. Ou seja, incluemse nos dois Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 672 8 lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador. Como razões de decidir, adoto, da mesma forma que no acórdão citado, do voto condutor de outro acórdão desta Turma – o de nº 9303005.172, de 17/05/2017, de relatoria do também ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: “1.3 Receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da relação RE/ROB. Tenho entendimento de que não é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, sobre as aquisições de produtos adquiridos pelo contribuinte e por ele exportados sem que tenha sido submetido a qualquer operação de industrialização. Isto em decorrência de falta de expressa previsão legal, uma vez que referido crédito tratase de um incentivo fiscal e sua concessão demanda a interpretação literal da lei concessiva. Porém, não é esta a matéria devolvida a esse colegiado. O que se discute é a possibilidade de inclusão das receitas decorrentes de exportação de produtos adquiridos de terceiros no coeficiente de exportação para fins do cálculo do crédito presumido. A Fazenda Nacional defende a sua não inclusão na "Receita de Exportação RE", numerador do referido coeficiente. Entendo que, na vigência da Portaria MF nº 38/97, as receitas decorrentes de exportação de mercadorias nacionais, aí incluídas a exportação de produtos revendidos (não industrializados pelo próprio contribuinte), compõem a Receita de Exportação (RE) e também a Receita Operacional Bruta (ROB). Isto, por disposição da própria Lei nº 9.363/96, que assim dispôs em seu art. 6º, in verbis: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fundamentado em tal dispositivo legal, o Ministério da Fazenda regulamentou o aproveitamento do crédito presumido de IPI na Portaria MF nº 38/97, que assim dispunha a esse respeito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 673 9 intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (...) Portanto resta evidente que ao adotar a expressão mercadorias nacionais, a norma abarcou tanto a exportação de produtos industrializados quanto os não industrializados. Da mesma forma, há que se deixar claro que o conceito adotado pela Portaria MF nº 38/97, no inc. I do § 15, é exatamente o previsto no Regulamento do Imposto de Renda, art. 279 do Decreto nº 3.000/99 ... Neste conceito estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Concluise então que as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo próprio contribuinte compõem tanto o numerador (RE) quanto o denominador (ROB)”. Jurisprudência da 3ª Turma da CSRF (na vigência da Portaria MF nº 64/2003) Decidiuse que, tanto no numerador como no numerador do coeficiente de exportação, excluemse as exportações de mercadorias adquiridas de terceiros, como demonstrado no recente acórdão que trago a seguir, cujo voto vencedor foi de relatoria do ilustre Andrada Márcio Canuto Natal: Acórdão nº 9303005.894, de 19/10/2017 (...) Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10830.721030/200981 Acórdão n.º 9303006.962 CSRFT3 Fl. 674 10 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Na vigência da Portaria MF nº 64/2003, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem as Receitas de Exportação (RE) para apuração do coeficiente de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI. Como razões de decidir, adoto excerto do referido voto vencedor: “Observase que a partir da vigência da Portaria MF nº 64/2003, houve uma mudança substancial no cálculo do coeficiente de exportação, passando a compôlo somente o resultado das operações com produtos industrializados pelo próprio contribuinte, alterandose os dois lados do coeficiente. Passou a ser uma relação entre a receita de produtos industrializados exportados (mercado externo) sobre a receita total com produtos industrializados pelo contribuinte (mercados interno e externo).” (grifouse) Assim, estamos diante da seguinte situação (no tocante ao Coeficiente de Exportação utilizado para cálculo do Crédito Presumido de IPI): 1) O acórdão recorrido conclui pela exclusão das exportações de produtos adquiridos de terceiros, tanto do numerador como do denominador; 2) A PGFN pugna, no seu Recurso Especial, pela exclusão desta parcela somente do numerador, mantendoa no denominador. 3) A jurisprudência desta Turma é no sentido de que: a) No período de vigência da Portaria 38/97 (até 25/03/2003), devem ser incluídas, tanto no numerador como no denominador; a) No período de vigência da Portaria 64/2003, devem ser excluídas, tanto do numerador como do denominador; À vista do exposto, em nenhum dos momentos abrangidos pela Fiscalização há convergência do entendimento desta Turma com o defendido pela PGFN, pelo que voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912281/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 81 /2 01 2- 54 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912281/201254 Acórdão n.º 3201003.809 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.654, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912281/201254 Acórdão n.º 3201003.809 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912281/201254 Acórdão n.º 3201003.809 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912281/201254 Acórdão n.º 3201003.809 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.724380/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITA
Caracterizam omissão de receita, os depósitos/créditos bancários, cuja origem não foi comprovada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade do lançamento.
SIGILO BANCÁRIO.
A obtenção de informações pelo fisco junto a instituições bancárias não constitui quebra de sigilo, nem meio ilícito de obtenção de provas, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente.
INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO.
Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicílio especial no processo administrativo.
MULTA QUALIFICADA.
Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, aplica-se a multa qualificada.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
As pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis.
Numero da decisão: 1402-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA Caracterizam omissão de receita, os depósitos/créditos bancários, cuja origem não foi comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações pelo fisco junto a instituições bancárias não constitui quebra de sigilo, nem meio ilícito de obtenção de provas, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicílio especial no processo administrativo. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, aplica-se a multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA As pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA Caracterizam omissão de receita, os depósitos/créditos bancários, cuja origem não foi comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações pelo fisco junto a instituições bancárias não constitui quebra de sigilo, nem meio ilícito de obtenção de provas, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicílio especial no processo administrativo. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, aplicase a multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 43 80 /2 01 3- 90 Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 815 2 As pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 816 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto apenas pelo responsável solidário Sr. Hissanobu Izu face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração (anocalendário 2008). O Auto de Infração trata de omissão de receita, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, constatada por meio de extratos bancários, onde constam depósitos sem origem comprovada. Foi aplicado multa qualificada e responsabilidade solidária as pessoas físicas: 1 Rainer Helmut Conradt na qualidade de procurador (administrador de fato) da autuada (art. 135, inciso III e art. 124, inciso I do CTN), Hissanobu Izu como beneficiário de parte dos valores/receitas omitidos da fiscalização (art. 124, inciso I do CTN) e Waldemir Garcia Gonzales na qualidade de sócio gerente de direito da Recorrente (art. 124, inciso I e art. 135, inciso III do CTN). No caso, segundo a fiscalização, o Sr. Hissanobu Izu utilizou a empresa Recorrente Tecnocon como interposta pessoa para se beneficiar com os valores relativos a receita omitida e exigida neste AI (art. 124, I do CTN). No mais, para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 549/564, foi efetuada diligência na empresa, decorrente da ação fiscal desenvolvida junto à empresa CORDEIRO LOPES & CIA LTDA (ali identificada) da qual resultou lavratura de autos de infração de IRPJ, reflexos e IRRF, por sonegação fiscal e pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, e identificada como interposta pessoa da empresa CASA VERRE IND E COM LTDA entre outras, e do sócio HUMBERTO VERRE. Foi apresentada denúncia crime ( apenso 4 do TVF) contra o Sr. Humberto Verre, os sócios da empresa CORDEIRO LOPES & CIA, por fraude em licitação e formação de quadrilha conforme detalhado no TVF. Consta do TVF, que a licitação visava a contratação de empresas para a fabricação, entrega, deposito, estocagem, guarda e fornecimento de placas e tarjetas identificatórias de veículos automotores e outros tracionados e prestação dc serviços de mão de obra para emplacamento, lacração e relacração, abrangendo todas as unidades de trânsito do Estado de São Paulo. No presente caso foi constatado que a empresa TECNOCOM recebeu recursos da empresa CORDEIRO LOPES, através de dois cheques nos valores de R$ 130.000,00 e R$ 200.000,00, emitidos, respectivamente, em 17/01/2008 e 25/02/2008. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 817 4 Durante a diligência na empresa TECNOCOM, que teve inicio em 19/10/2011, esta foi intimada e reintimada a apresentar a documentação hábil e idônea que justificasse o recebimento destes recursos. Após solicitar prorrogações no prazo de atendimento, se limitou a informar que os cheques não foram localizados nos registros da empresa. Em virtude da resposta insatisfatória apresentada, foi solicitado e emitido um novo Mandado de Procedimento Fiscal, instaurando o procedimento de fiscalização (MPF 08.1.90.00 2012006326). Foi lavrado o termo de intimação nº 2 que intimou a contribuinte a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente, conforme relação constante no Anexo 1 daquele termo. Além disso, cópia dos cheques, Ted(s) e transferências emitidos pela contribuinte relacionados no Anexo 2 daquele termo, debitados em sua conta corrente, informando os beneficiários daqueles recursos. Reintimado nos mesmos termos, não atendeu a solicitação sendo lavrado termo de embaraço à fiscalização. Transcorrido o prazo, sem atendimento, mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF) foram solicitados os documentos bancários não apresentados pela contribuinte, à instituição financeira Banco Bradesco S/A, na qual a empresa fiscalizada era titular de conta ali mantida. Após esse procedimento fiscal, a contribuinte apresentou para justificar sua movimentação financeira (depósitos no Bradesco), um contrato de mútuo datado de 15/11/2007, firmado entre ela e a empresa POLITRAN TECNOLOGIA E SISTEMAS LTDA, para operações ligadas ao seu objeto social, no qual a mutuante (POLITRAN) emprestaria à mutuaria ( TECNOCOM) a importância de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) a serem pagos mensalmente em conta bancária da mutuaria, com valor indefinido, conforme disponibilidade da mutuante, facultado o depósito mediante repasse de créditos a que a mutuante faz juz. As parcelas referentes à amortização do empréstimo seriam liquidadas através de prestação de serviços e/ou através de moeda corrente mediante (i) amortização antecipada com depósito de valores não definidos, oportunidade em que a incidência ou não de atualização monetária e juros seriam deliberados entre as partes por ocasião dos respectivos pagamentos; e (ii) através de pagamentos das despesas em nome do mutuante, tais como, folhas de pagamento, fornecedores, impostos, contas de água, luz, telefone e outras. O contrato teria vigência de 60 meses. Constatouse, ainda, que dentre os documentos encaminhados pelo banco encontrase uma procuração da empresa fiscalizada, assinada pelo seu sócio administrador Waldemir Carcia Gonzales, outorgando amplos poderes de gerência ao Sr Rainer Helmut Conradt tais como: comprar e vender artigos do seu ramo de comércio, celebrar e rescindir contratos, efetuar Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 818 5 pagamentos e recebimentos em geral, admitir e demitir funcionários, abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, inclusive assinar cheques emitidos pela empresa, representar a empresa perante órgãos públicos, bancos, clientes e fornecedores, receber intimações, impetrar ações judiciais, entre outros. O fisco analisou separadamente as entradas (débitos) e as saídas (créditos) lançados na conta contábil do Livro Caixa n° 1.1.1.02.001 0000011311 BANCO BRADESCO S/A. Quanto à analise das saídas, resultou a lavratura de auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte, de que trata o processo administrativo nº 19515.22749/201362. Analisando as entradas (lançamentos a débito na referida conta), inicialmente constatouse que todas as entradas escrituradas, em 2008, correspondem, em datas e valores, aos créditos lançados no extrato bancário da contacorrente n° 15.0320 (Bco Bradesco/Ag. 3504) de titularidade da empresa fiscalizada. O valor total destes créditos atinge o montante de RS 2.813.510,00. Estes lançamentos estão discriminados individualmente no Anexo 1 do TVF. Resumiuse no quadro a seguir, as fontes pagadoras identificadas destes recursos extraídos da contabilidade do contribuinte por ele apresentada e dos documentos bancários obtidos: [...] Na realidade aquele contrato de mútuo, nos termos em que foi redigido, abrangeria qualquer crédito efetuado na conta bancária da fiscalizada, pois assume que a origem dos recursos podem vir tanto da mutuante (POLITRAN) Como de qualquer outras fontes mediante repasses de créditos desta última. Não apresentou nenhum outro documento demonstrando a origem destes repasses de terceiros. Em suma, o contrato de mútuo apresentado não pode ser aceito como justificativa hábil e idônea dos créditos a comprovar. Tais depósitos, cuja origem não foi comprovada somaram mensalmente os valores abaixo demonstrados: [...] Tendo em vista que a contribuinte havia declarado como receita alguns valores, na DASN, constatouse a omissão de receita no total de R$ 2.374.783,30 no anocalendário de 2008. Diante do exposto foi lavrado o Auto de Infração que exige crédito tributário no montante de R$ 2.166.359,22 conforme abaixo discriminado: [...] Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 819 6 O lançamento teve fulcro nas disposições legais constantes nos respectivos Autos de Infração. Foram lavrados “Termos de Sujeição Passiva Solidária”, com as respectivas descrições dos fatos, contra as seguintes pessoas: 1) RAINER HELMUT CONRADT (tido como administrador de fato da TECNOCOM no período fiscalizado (arts. 124, I e 135, III); 2) WALDEMIR GARCIA GONZÁLES (sóciogerente, de direito, que emprestou o seu nome e o endereço de sua residência para terceiros utilizarem a empresa TECNOCOM para prática de infrações tributárias e que também se beneficiciou dos negócios desenvolvidos na empresa no período em questão (art. 124, I e 135, III); 3) HISSANOBU IZU (a empresa TECNOCON foi utilizada como interposta pessoa de terceiros beneficiários, entre eles o Sr. Hissanoburu Iso (art. 124, I do CTN). Outros detalhes importantes estão informados nos respectivos termos de sujeição passiva solidária. Foi dada ciência dos Autos de Infração ao sujeito passivo, em 03/12/2013. As pessoas retrocitadas também tiveram ciência dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária nessa mesma data, conforme os avisos de recebimento postal juntados aos autos. O Sr. HISSANOBU IZU ingressou em 23/12/2013 com a impugnação de fls. 657/683, na qual contestou o crédito tributário exigido nos autos de infração e a sujeição passiva solidária que lhe foi atribuída. Especificamente sobre o lançamento a que se refere este processo, alegou em suma: Dos fatos De acordo com a fiscalização, a autuada teria omitido o ingresso de 2 cheques e de outras receitas em seus cofres, no ano calendário de 2008, que totalizariam R$ 2.813.510.00 (dois milhões oitocentos e treze mil e quinhentos e dez reais), dos quais foram declarados apenas R$ 438.884,60 (quatrocentos e trinta e oito mil oitocentos e oitenta e quatro reais e sessenta centavos). O montante em questão, foi apurado mediante quebra de sigilo bancário da autuada “Tecnocom”, sem ordem judicial, porquanto intimada teria deixado de apresentar os documentos solicitados. Desnudada a movimentação bancária da autuada, fora esta novamente intimada a justificar os ingressos de recursos em sua conta corrente. A empresa alegou que seriam provenientes de um contrato de mútuo, datado de 15/11/2007 com a empresa POLITRAN TECNOLOGIA E SISTEMAS LTDA Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 820 7 no valor de R$ 6.000.000,00, no qual figurou como mutuário. Mas tal fato foi ignorado pela fiscalização. Nulidade do auto de infração por vício formal e lavratura de ato por pessoa incompetente. Defis comércio. Não basta, para a validade da exigência fiscal a quantificação do tributo devido e, conforme o caso concreto, da multa aplicável, como dispõe o art. 142 do CTN. É imprescindível, para a sua legitimidade, que todos os procedimentos tenham observado a forma prescrita e não vedada pela Lei. O procedimento fiscal ora impugnado, entretanto, além de apresentar diversas falhas cometidas durante a sua condução, que implicam no seu cancelamento por vicio de "forma" (em sua acepção ampla ou restrita), enquadrase, à perfeição, na hipótese de nulidade de que trata o artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, na medida em que lavrado por pessoa absolutamente incompetente e desprovida de qualquer jurisdição sobre os supostos contribuintes fiscalizados, merecendo, por este motivo, ser prontamente cancelado por vício formal. No âmbito federal, o procedimento administrativo de lançamento é especialmente disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72, dentro do qual é tratada boa parte das formalidades que lhe são peculiares. Seu capitulo III, por exemplo, discorre sobre as hipóteses de invalidade dos atos, termos trantando de verdadeiros vícios de forma. Sem prejuízo das demais formalidades inerentes à composição do crédito tributário, cuja observância é indispensável para a validade de todo o procedimento, estabelece o artigo 59 do referido Decreto que são nulos, portanto, que não admitem convalidação, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, assim como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Tratase de verdadeira norma cogente, direcionada à autoridade administrativa, que impõe o reconhecimento do invalidade do ato quanto praticado por pessoa que, por absoluta incompetência funcional, não poderia exercêlo, implicando no cancelamento do lançamento tributário por vício formal. Inferese que todos os procedimentos foram praticados por e sob o crivo do auditor fiscal vinculado especificametne à Divisão de Fiscalização Comércio – EQEA, no qual o procedimento fiscal foi colocado em prática. A área de atuação das Divisões de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, por sua vez, é disciplinada, de forma clara e específica, por meio da Portaria RFB n° 11.435, de 28 de dezembro de 2007, que em seu artigo 1 dispõe: Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 821 8 Art. 1º. As atividades relativas a procedimentos fiscais, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis/SPO). serão segregadas por área de especialização. § lº Para os fins do disposto neste artigo, as Divisões de Fiscalização da Defis/SPO observarão as seguintes áreas de ;especialização ; I Divisão de Fiscalização I (Difis l): indústria pessoas jurídicas classificadas nos códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) de 01113 a 36006 c 38319 a 38394. inclusive estabelecimentos equiparados a industriais; II Divisão de Fiscalização II (Difis 111; comercio pessoas jurídicas classificadas nos códigos da CNAE de 45I11 a 47903; III Divisão de Fiscalização III (Difis 111): serviço pessoas jurídicas classificadas nos códigos da CNAE 37011 a 38220. 39005 a 43991 e de 4911 6 a 99008; IV Divisão de Fiscalização IV (Difis IV): a) pessoas físicas; b) revisão de declarações/malha fiscal pessoa física. Tratase de norma dirigida à própria autoridade administrativa, revestida de aplicação cogente dentro de seu âmbito, ou seja, de observância obrigatória. A própria RFB, a fim de evitar irregularidades na autuação pública, objetivou especialização e setorização da fiscalização. A norma se refere aos CNAE(s) de 45111 a 47903, que englobam somente as atividades de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, comércio por atacado, exceto veiculos automotores, motocicletas e comércio varejista. Ao contrário disso, a empresa fiscalizada e autuada, "TECNOCOM", possui como atividade exclusiva (o que, inclusive, foi observado pelo próprio fiscal) a prestação dos serviços de que trata o código CNAE 82.99799 (Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente), não congregando, em seu bojo, quaisquer daqueles códigos que fazem parte das atribuições da DIFIS comércio. Assim, os autos de infração foram lavrados por pessoa incompetente, devendo ser anulados os autos de infração. Ausência de MPF instaurado em face o suposto responsável solidário. Corolário dos princípios Constitucionais da legalidade, moralidade e, sobretudo, publicidade, esculpidos do artigo 37 da Constituição Federal e que devem nortear a atuação da administração pública, o artigo 2º do Decreto 3.724/2001 dispõe Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 822 9 que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil somente terão início por força de ordem especifica, denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A emissão ao Mandado de Procedimento Fiscal, dotado de todos os elementos exigidos pela legislação, com a consequente ciência do sujeito passivo da respectiva obrigação tributária, cuja existência se pretende averiguar, é procedimento indispensável para a validade formal do lançamento. Ocorre, todavia, que não consta, no processo em tela, a emissão de qualquer Mandado de Procedimento Fiscal em nome do IMPUGNANTE, sendo certo que sua ciência quanto aos fatos acima trazidos somente ocorreu por meio de "Termos de Intimação Fiscal e, posteriormente, em razão do "Termo de Sujeição Passiva Solidária" que lhe fora enviado. Em consulta no sitio eletrônico da Receita Federal, mantido na internet, não foi possível encontrar qualquer Mandado de Procedimento Fiscal instaurado em face do IMPUGNANTE, nem mesmo vinculado ao "Código de Acesso" que consta do "Termo de Sujeição Passiva", anexo ao AIIM ora confrontado. Com efeito, o "Código de Acesso" aposto no mencionado "Termo de Sujeição Passiva" referese ao Mandado de Procedimento Fiscal instaurado em face da empresa "TECNOCOM", da qual o IMPUGNANTE jamais foi sócio ou representante legal. Além do mais, não há no Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00 2012006326, no qual se funda a fiscalização ora confrontada, qualquer menção ao IMPUGNANTE ou qualquer das empresas em que possui cotas sociais. No entanto o MPF deve conter obrigatoriamente, dentre outros requisitos, o nome e a identificação do sujeito passivo da obrigação. Porém isso não consta do MPF, sendo insustentável a manutenção do auto de infração. Quebra de sigilo bancário sem ordem judicial. Dentre as garantias constitucionais, figuram as esculpidas nos incisos X e XII, do art. 5º da Constituição Federal que dizem respeito à inviolabilidade do sigilo da correspondência etc., inclusive bancário. Tais princípios e garantias também se afiguram necessários para alizar a atuação estatal e, portanto da própria RFB. A administração pública, mesmo quando esforçada na constituição do crédito tributário deve respaldarse não só pela forma prescrita em Lei, mas pela observância aos princípios gerais, direitos, e garantias constitucionais. No que tange à quebra do sigilo bancário, epicentro da motivação no presente caso, entende o STF que a Lei nº 9.311 e LC 105/2011 devem se coadunar com a Constituição Federal. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 823 10 O lançamento ora confrontado desafia o posicionamento adotado pelo STF, pois encontrase calacada em movimentação financeira da autuada obtida a partir de solicitação efetuada pela própria RFB diretamente à instituição financeira, sem qualquer intervenção judicial. Assim, a formalização do crédito tributário foi promovida às margens da legalidade e dos princípios que devem nortear a autuação estatal. Não se discute a existência ou não de crédito, mas os procedimentos formais adotados para o seu lançamento. Havendo ilegalidade nos procedimentos adotados pelo Fisco, sua anulação é medida que se mostra obrigatória. Falta de motivação para a sujeição passiva Questionase as disposições contidas no art. 124 do CTN e a regra ali estampada, utilizada como motivação pela fiscalização para atribuir sujeição passiva ao impugnante. Questionase a lógica que o autuante entendeu existir entre os fatos por ele apurados, muitos dos quais presumidos, e a regra aplicada. O sujeito passivo da obrigação tributária, em regra, é a pessoa que está em conexão intima (relação de fato) com o núcleo (aspecto material) da hipótese de incidência tributária. Deve portanto, guardar estrita relação com a prática do fato gerador, ficando por isso, na contingência legal de ter o comportamento objeto da obrigação (pagamento), em detrimento do próprio patrimônio e em favor do sujeito ativo. O “interesse comum” não alberga o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Tratase na realidade de interesse jurídico direcionado à realização comum de um fato imponível da hipótese de incidência. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN é necessário que todos os devedores tenham interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. É preciso que o objeto desse interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. È necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante e interfira em sua esfera de direitos e deveres, e o legitima a postular em juízo em defesa de seu interesse. Não há no caso, qualquer comprovação desse suposto interesse jurídico. Nunca foi sócio da TECNOCOM , mas foi presumido que seria um dos principais beneficiários dos netócios desenvolvidos por essa empresa, sem qualquer critério legal ou técnico para fins de sujeição passiva tributária. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 824 11 Além do mais, os indícios apresentados pela fiscalização referemse à movimentação financeira da empresa autuada "TECNOCOM" para outras pessoas jurídicas, da qual o ora IMPUGNANTE é ou foi sócio, mas cujas personalidades jurídicas não se confundem. Vale registrar que além das pessoas jurídicas "IMAKED", "PROMOVEI" e “ECONAU", das quais o ora impugnante é ou foi sócio, sequer foram intimadas de toda essa controvérsia ora instaurada, não fazendo parte do lançamento tributário ora contestado. Nesse sentido, todas as intimações foram endereçadas diretamente à pessoa física do impugnante, inexistindo qualquer intimação pessoal das empresas com quem a autuada teria realizado as transações apontadas. Ou seja, o próprio fiscal, em suas motivações, confundese ao afirmar que o IMPUGNANTE teria sido o "maior beneficiário" das atividades realizadas pela autuada "TECNOCOM", ao passo que as supostas transações teriam ocorrido entre esta última e as empresas "IMAMED", "PROMOVEL" e "ECONAU". A única vinculação do IMPUGNANTE com a empresa autuada "TECNOCOM", portanto, referese ao fato daquele ser sócio, à época dos fatos imponíveis, das empresas "IMAMED", "PROMOVEI" e "ECONAU", com quem aquela mantinha relação comercial. Vale registrar, ademais, que além das empresas "IMAMED", "PROMOVEI." e "ECONAU", outras pessoas jurídicas e físicas também recebiam valores da autuada "TECNOCOM", fato este constatado pela própria fiscalização. Talvez em razão de outras relações comerciais também mantidas com aquela última. O fato da empresa "TECNOCOM" ter recebido valores da empresa "CORDEIRO LOPES" é alheio ao conhecimento da impugnante formalmente sócio da POLITRAN, mencionada na fiscalização, cujos poderes de gestão financeira sempre estiveram plenamente concentrados na mão do Sr. Rainer Helmut Conradt o que tampouco poderia implicar em sua sujeição passiva solidária. Na verdade foi vítima de crimes de estelionato, pois não teve conhecimento do repasse do dinheiro entre as empresa, nem do contato de mútuo firmado entre elas, conforme relatório subscrito pela Delegada de Policia, que conduziu as investigações no 96 distrito Policial desta capital. Os pressupostos repasses havidos entre as empresas Tecnocom e Politran não justificam a imputação de sujeito passivo solidário ao ora impugnante, porquento sua personalidade jurídica não se confunde com a desta última empresa. Assim, um a vez que inexiste comprovação quanto ao interesse jurídico e participação efetiva do impugnante nos fatos imponíveis praticados pela TECNOCOM e existe vício de motivação no lançamento, deve ser cancelado o crédito tributário. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 825 12 Falta de motivação aplicar multa qualificada Aproveitando os argumentos já delineados no tópico anterior, cumpre salientar o absoluto descabimento da aplicação de multa qualificada no caso vertente. Isto porque, para tanto seria necessário a efetiva comprovação de que o IMPUGNANTE, supostamente envolvido, teria agido mediante o emprego de dolo, fraude e/ou simulação, o que não se verifica, na espécie, onde o agente fiscal extraiu o contexto fático narrado de meras e apenas meras presunções. Inexistência de conduta criminosa. Cancelamento da representação fiscal Do conjunto fático acima tecido, ademais, extraise que o IMPUGNANTE não é sujeito passivo da tributação em debate, muito menos praticou qualquer ilícito penal contra a ordem tributária, nem de tal tipo de prática figurou como partícipe. Logo, o encaminhamento do termo de verificação fiscal para fins penais, pelo agente fiscal, mostrase abusivo e caracteriza mais um meio de represália contra o IMPUGNANTE, do que possui finalidade jurídica a .ver perseguida pelo Estado em utima ratio. Neste passo, a Constituição Federal a todos garante, nos ámbitos judicial e administrativo, o devido processo legal (art. 5°, inc. LIV) e também seus consectarios, dentre os quais estão o contraditório e a ampla defesa (art. 5o, inc. LV). Enquanto o primeiro deles traduz a ciência bilateral dos fatos com a oportunidade de rebate, o segundo preceito exprime todos os meios e recursos inerentes á defesa do acusado. E como de trivial sabença, para que ambos sejam efetivamente assegurados, toda e qualquer acusação estatal deve se fundar em imputações de fatos concretos, onde mister se faz a discriminação dos atos de cada um dos acusados. Isto porque, os acusados não se defendera da capitulação jurídica das ilegalidades a eles atribuídas, mas sim dos próprios fatos concretos que norteiam a acusação. Pedido Requer, a nulidade dos autos de infração em sua totalidade, por vício formal. Caso não reconhecido por vício formal , requer o cancelamento integral do lançamento tributário em relação à impugnante, inclusive a multa qualificada pela inexistência de sujeição passiva que o obrigue ao pagamento dos valores exigidos nos AI(s). Requer, ainda, a cassação imediata da representação fiscal para fins penais feita, pelo agente público, que considerou abusiva. Requer, finalmente, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 826 13 lançadas em nome dos patronos, no endereço contido na peça impugnatória. Quanto aos demais contribuintes considerados responsáveis solidários, esses não se manifestaram. Em seguida a DRJ de São Paulo, proferiu v. acórdão mantendo integralmente o Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA Caracterizam omissão de receita, os depósitos/créditos bancários, cuja origem não foi comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações pelo fisco junto a instituições bancárias não constitui quebra de sigilo, nem meio ilícito de obtenção de provas, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicílio especial no processo administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, aplicase a multa qualificada. Inconformado com o v. acórdão, apenas o responsável solidário Recorrente Hissanobu Izu interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 827 14 Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 828 15 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. Inicialmente, como apenas o responsável solidário Sr. Hinossobu Izo foi quem interpôs Recurso Voluntário, entendo que as alegações relativas ao mérito (argumentos para refutar a infração de omissão de receita propriamente dita) restaram definidas nos autos. A matéria que será analisada nos autos e neste julgamento do Recurso Voluntário, restringese em verificar se deve ou não ser mantida a responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, do Sr. Hinossubu Izu, restando a infração e a responsabilidade solidária das demais pessoas físicas mantidas, tendo em vista que não foi apresentado impugnação e recursos por estas partes envolvidas nos autos. 1 Em relação a alegação de incompetência para fiscalizar e lavrar AI da Unidade que fiscalizou a Recorrente. O Recorrente alegou que além de diversas falhas cometidas durante a ação fiscal, o procedimento fiscal implicaria em nulidade de que trata o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, pois o Auto de Infração teria sido lavrado por pessoa incompetente. Cumpre esclarecer que, não obstante a competência seja estipulada em normas para melhor administração da fiscalização, o Decreto nº 70.235, de 1972, no art. 9º, §§ 2º e 3º, assim determina: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Portanto não cabe alegar nulidade do auto de infração por incompetência de pessoa ou da unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF que lavrou o auto de infração, eis que a norma estende/prorroga a competência da autoridade fiscal que tiver conhecimento da infração tributária, mesmo na hipótese de ser de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 829 16 Cabe ainda registrar, que de acordo com o disposto no art. 59 do PAF, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, assim como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente, ou com preterição do direito de defesa, o que aqui não se verificou. Também, não se verificou qualquer nulidade formal no lançamento ocasionada pela inobservância do que dispõe o art. 10 da mesma norma. Os autos de infração em análise respeitaram as formalidades legais essenciais, informando a origem da autuação, com a capitulação legal clara e coerente com a descrição dos fatos dados como infringidos, a multa aplicada corresponde com o fundamento legal utilizado para a autuação. Ademais, foram acostados ao Auto de Infração o Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, os quais relataram todos os fatos e especificaram a infração apurada. Assim, entendo que estão presentes todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, nos termos do disposto no art. 9º do PAF. Salientese que tanto a empresa autuada, como os responsáveis solidários foram intimados de todos os atos praticados pela autoridade fiscal no curso da ação fiscal, de modo a terem perfeito conhecimento das provas juntadas aos autos, dos argumentos invocados, das medidas adotadas pela fiscalização, enfim, do curso do processo como um todo, tendo prazo de trinta dias para exercer o seu direito ao contraditório e ampla defesa. Portanto, deixo de acolher a preliminar de nulidade argüida pelo Recorrente. Ilegalidade do MPF: A contribuinte alegou que em consulta no sitio eletrônico da Receita Federal, mantido na internet, não foi possível encontrar qualquer Mandado de Procedimento Fiscal instaurado em face da empresa autuada, nem mesmo vinculado ao "Código de Acesso" que consta do "Termo de Sujeição Passiva". Quanto a essa alegação, verificase dos autos à fl. 4 o Mandado de Procedimento Fiscal expedido para fiscalização da autuada, com suas respectivas prorrogações. Além disso, cabe esclarecer, que o MPF é mero instrumento de controle administrativo, não interferindo na validade do lançamento, que decorre de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). A propósito, cito manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais a esse respeito: “NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.” (CSRF/0202.187, sessão de 23/01/2006) Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 830 17 Assim, ainda que o MPF contivesse falha, ou não se pronuncie a respeito dos responsáveis solidários, não há motivos para considerar nulo o lançamento decorrente da ação fiscal, eis que junto com a autuação, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva face as pessoas físicas ou jurídicas envolvidas nas operações que foram analisadas pelo trabalho de auditoria fiscal. Quebra do sigilo bancário: Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 831 18 administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Desta forma, entendo que tal alegação relativa a quebra de sigilo bancário deve ser afastada, eis que a jurisprudência das Cortes Superiores já se manifestaram no sentido de seu legitimidade. Da responsabilidade solidária do Hissonobu Izu, nos termos do artgio 124, inciso I do CTN. Ao ser questionado sobre os pagamentos recebidos da empresa autuada, o Recorrente não apresentou documentos para comprovar as operações bancarias e alegou que foi mantido nas empresas de forma irregular para que a empresa autuada e os outros sócios se aproveitassem do seu nome, sendo que determinado fato esta sendo investigado pela Policia. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 832 19 Entretanto, não traz aos autos qualquer prova ou argumento que possa elidir a aplicação de responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, inciso I do CTN. Conforme se constatou na ação fiscal, os sócios de direito do sujeito passivo a época dos fatos eram o Sr. Waldemir Garcia Gonzales e sua filha Deborah Roncada Garcia, conforme dados cadastrais no sistema CNPJ da RFB. O Sr Waldemir também era funcionário da empresa POLITRAN TECNOLOGIA E SERVIÇOS LTDA, que era administrada na época pelos Srs. Rainer Helmut Conradt e Hissanobu Izu. Ocorre que o Sr Hissanobu foi um dos principais beneficiários dos negócios desenvolvidos pela empresa TECNOCOM NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, no período fiscalizado, ao lado do Sr Rainer Helmut Conradt, dados os fatos apresentados a seguir: 1) Foram encaminhados pelo Banco Bradesco S/A, em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira (RMF), vários cheques, TEDs e DOCs, emitidos pela TECNOCOM, tendo como beneficiários as seguintes empresas onde o Sr Hissanobu constava, a época dos fatos, como sócio e responsável perante o CNPJ: ECONAU SERVIÇOS LTDA, IMAMED DIAGNÓSTICO MÉDICO LTDA e PROMOVEL PROMOTORA DE EVENTOS S/C LTDA. O montante total repassado para estas empresas foi de RS 514.575,41. Este valor equivale a cerca de 30% dos recursos repassados a terceiros pela empresa TECNOCOM no período; 2) No decorrer de diligência efetuada, o Sr Hissanobu foi intimado e re intimado a esclarecer a motivação destes repasses, porém se limitou a informar que não localizou os documentos referentes a estas operações. Acrescentou, ainda, que foi mantido em erro pelos sócios e representantes legais das empresas TECNOCOM, ECOSENA e INVERSORA MOONLICHT, para que dele fossem extraídas vantagens indevidas, fatos estes que estão sob investigação na Polícia, mediante instauração de inquérito policial nesta Capital; 3) Constatouse, ainda, que grande parte dos créditos/depósitos da conta corrente em questão (66%) tinham origem na empresa POLITRAN TECNOLOGIA E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 02.2S5.627/000119) e na sua controlada (com 99% de participação no Capital Social) EME CENTRAL OE SERVIÇOS OE COMUNICAÇÃO LTDA (09.253.393/000110). Identificamos que no decorrer do ano de 2008. conforme ficha cadastral da JUCESP. os administradores da empresa POLITRAN eram os Srs Rainer Helmut Conradt e Hissanobu Izu. sendo este último também sócio. Em suma, ficou comprovado, através de provas documentais a utilização da empresa TECNOCOM NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA como interposta pessoa de terceiros beneficiários entre eles o Sr HISSANOBU IZU que foi no decorrer do ano de 2008, beneficiário de significativos recursos repassados por ela para suas empresas, sem fornecer qualquer justificativa plausível para o recebimento destes pagamentos. Na época dos fatos, o Sr Hissanobu Izu, ao lado do Sr Rainer Helmut Conradt. era ainda administrador da empresa POLITRAN TECNOLOGIA E SERVIÇOS LTDA e da sua controlada EME CENTRAL DE SERVIÇOS 0E COMUNICAÇÃO LTDA, Que são a origem de grande parte dos créditos bancários depositados na conta corrente da TECNOCOM no período considerado. Tais fatos, revelam interesse comum que culminou na falta de recolhimento dos tributos devidos na sistemática do Simples. Portanto não cabe a alegação de inexistência de Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 833 20 interesse comum, devendo ser mantido o Termo de responsabilidade lavrado em nome de HISSANOBU IZU. Da multa qualificada aplicada ao Auto de Infração: Em relação a qualificação da multa, entendo que o Termo de Verificação Fiscal demonstrou os atos praticados pela empresa autuada para qualificar a multa ao percentual de 150%. O Auditor Fiscal demonstrou e comprovou os atos praticados com intuito de impedir e dificultar o conhecimento da fiscalização tanto dos fatos geradores, como de quem eram os reais sujeitos passivos que deveriam arcar com o recolhimento do imposto. Tal irregularidade que acarretou em redução ou falta de pagamento do imposto foi praticada em conjunto por todos os responsáveis solidários, utilizandose de empresas para dificultar o conhecimento da fiscalização dos fatos geradores. Assim, entendo estar correta a multa aplicada no importe de 150%, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996 que dispõe: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Lei nº 4.502, de 1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10880.724380/201390 Acórdão n.º 1402003.211 S1C4T2 Fl. 834 21 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Desta forma, restou demonstrado nos autos do processo, a ocorrência de fatos, que resultaram nas hipóteses contidas nos artigos da Lei n° 5.402, de 1964, e nesse caso, é correta a aplicação do percentual de 150% na exigência da multa de ofício. Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 834DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720361/2011-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-005.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente AGNALDO CHAISE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 03 61 /2 01 1- 72 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13982.720361/201172 Acórdão n.º 2401005.679 S2C4T1 Fl. 396 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, anocalendário 2008, tendo sido glosado o valor de R$ 202.943,67, indevidamente deduzido a titulo de Livro Caixa, por falta de comprovação e/ou previsão legal. A notificação é resultante da revisão parcial do lançamento de ofício, na qual a autoridade fiscal, após analise dos documentos e esclarecimentos apresentados, confeccionou e encaminhou ao contribuinte planilha especificando todos os documentos apresentados e os motivos das glosas efetuadas, com base nos seguintes critérios: pagamentos a terceiros sem vínculo empregatício; pagamentos cujos comprovantes não possuíam identificação do adquirente e/ou descrição do serviço prestado e despesas não comprovadas. O contribuinte apresentou impugnação, considerada tempestiva, alegando, em síntese: a) Embora todos os documentos que comprovavam as despesas lançadas no Livro Caixa tenham sido apresentadas, o lançamento de ofício foi mantido em quase sua totalidade. b) Despesas pagas a terceiros sem vínculo empregatício. Os valores lançados na declaração do contribuinte referemse a honorários advocatícios de sucumbência. Estes valores foram aceitos como receita passível de dedução no livrocaixa, todavia a quase totalidade das despesas lançadas foi glosada. São valores repassados para a pessoa dos advogados Reni Donatti, Claudiomiro Fillipi Chiela e Ricardo Carlos Ripke, que colaboraram com a sua experiência e conhecimento contábil e jurídico para a percepção da receita, além de serem seus sócios em firma de advocacia. Informa que o repasse obedeceu, em geral, a respectiva participação societária. O art. 75, I, do RIR não é fechado, podendo ser interpretado extensivamente para relações como a dos autos, societária e não trabalhista. Os valores repassados aos sócios contribuintes não se configuram como renda para fins de incidência do imposto por não configurarem acréscimo patrimonial. No caso dos advogados, é necessário atentar que é absolutamente comum e corriqueiro que se transite pela esfera jurídica destes profissionais valores que pertencem a outras pessoas, sejam clientes, sócios, peritos, tradutores ou auxiliares, que os ajudam na prestação dos serviços jurídicos, dentro ou fora dos autos judiciais. Colacionase doutrina, jurisprudência e invoca o art. 75, III, do RIR. A comprovação dos repasses aos demais advogados não se deu por simples recibo, haja vista que também há os comprovantes de depósitos nas contas dos favorecidos. Todas as transferências/repasses estão suficientemente demonstradas por documentação hábil e idônea, em anexo. b) Da glosa das despesas sem identificação do adquirente, sem identificação dos serviços. Todas as despesas estão identificadas e em geral se referem às despesas com cópia de processos ou de peças processuais específicas efetuadas nas varas federais ou estaduais, além de despesas para leitura e Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13982.720361/201172 Acórdão n.º 2401005.679 S2C4T1 Fl. 397 3 conferência de publicações. São necessárias à percepção das receitas e manutenção da fonte produtora (RIR, art. 75, III). Por estar domiciliado em Chapecó/SC, portanto distante do local onde transita a maioria dos processos que patrocina, é necessário a utilização serviços prestados pela OAB para fazer cópia de processos ou peças processuais. Em alguns casos, utilizase do auxílio de profissionais advogados com mais experiência para protocolo de algum ato processual, sendo a remuneração efetuada mediante deposito em conta corrente. Além de se dar tratamento inadequado às despesas, a fiscalização elaborou planilha falha por deixar de incluir despesas. c) Requer o reconhecimento da impugnação, o cancelamento do lançamento e a juntada de outros documentos que se fizerem necessários. Do Acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) Despesas pagas a terceiros sem vínculo empregatício. Da análise realizada na documentação acostada aos autos, constatase que as alegações do autuado não merecem ser acolhidas, haja vista que não foi possível identificar se o valor denominado de “honorários repassados” foram, de fato, transferidos aos favorecidos e se os mesmos efetivamente atuaram no processo, como afirma o contribuinte. b) Da glosa das despesas não comprovadas. O interessado alega que a planilha elaborada pelo Auditor deixou de incluir despesas lançadas em seu livro caixa e anexa aos autos diversos comprovantes de despesas (fls. 208 a 347). Do total glosado de R$ 10.765,49 por ausência de comprovação, o interessado apresentou comprovantes no montante de R$ 9.040,67, sendo que, desse total, deve ser restabelecido o valor de R$ 8.849,17, porquanto os comprovantes atenderam aos requisitos formais e materiais previstos na norma de regência para fins de dedutibilidade. c) Da glosa das despesas não comprovadas por meio de documentação hábil. Em sua defesa, o interessado reapresenta os documentos já apresentados à fiscalização sob alegação de que todas as despesas estão identificadas e que, em geral, referemse às despesas com alguns atos processuais e com cópia de processos ou de peças processuais específicas efetuadas nas varas federais ou estaduais. Após detida análise da documentação, não há reparos a serem feitos nessa parte do lançamento. Isso porque, para todos os exemplos a seguir demonstrados, os comprovantes apresentados impossibilitaram a analise da essencialidade do dispêndio e a possibilidade de se enquadrarem como uma despesa de custeio passível de dedução. Intimado em 26/03/2013, o contribuinte interpôs em 26/04/2013 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) O órgão julgador deixou de proporcionar ao recorrente efetiva oportunidade de influir no julgamento mediante produção de prova pericial, eis que fundouse na ausência de prova. A impugnação foi instruída com provas e, se a autoridade julgadora as entende insuficientes, deve abrir a Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13982.720361/201172 Acórdão n.º 2401005.679 S2C4T1 Fl. 398 4 instrução processual e não repelir as alegações de devesa com base na ausência de prova (Lei n° 9.789, de 1999, arts. 29). b) Conforme dito na impugnação, as despesas nominadas na planilha fiscal como pagamentos efetuados a terceiros sem vinculo empregatício, são valores repassados pelo contribuinte para a pessoa dos advogados Reni Donatti, Claudiomiro Filippi Chiela e Giselle Regina Spessatto; estes profissionais, além de advogados, são contadores e colaboraram com a sua experiência e conhecimento contábil e jurídico para a percepção da receita. Ademais, todos eram sócios, juntamente com o recorrente, na sociedade de advogados Chiela, Donatti, Chaise & Advogados Associados, o que, por si só, já demonstra a existência de vínculo entre os advogados e os processos. A distribuição dos valores obedeceu a respectiva participação societária. Em sua impugnação, o recorrente comprovou todos os repasses efetivados, lançados em seu livrocaixa, a titulo de honorários advocatícios. Além disso, o requerente foi fiscalizado também em relação ao anocalendário de 2007, processo administrativo 13982.720362/201117, onde o julgamento, na mesma data e mesma relatora, entendeu por excluir do crédito tributário lançado, valores cujos processos judiciais havia a juntada da procuração/substabelecimento em data anterior ao recebimento do respectivo alvará. Estranhamente, no presente caso, deixou a relatora de considerar, em seu voto, situação idêntica. Logo, esta câmara deve diligenciar ou requeira perícia, no sentido de considerar as deduções lançadas pelo requerente, tendo em vista a total comprovação de seus pagamentos, quando não, o que se admite apenas por argumentação, a necessária a juntada das procurações que demonstrem atuação de todos os advogados, a observância das já juntadas aos autos ou diligência para a busca da verdade material. Para o ano de 2004, os mesmos documentos foram aceitos, devendo ser observado o art. 100, III, do CTN. c) O arrazoado deve ser estendido para as demais glosas. Todas as despesas estão devidamente comprovadas e identificadas por recibos e comprovantes de depósito destinados a advogados ou às Subseções da OAB. A decisão rebate a forma, não o conteúdo, devendo prevalecer a dedução feita pelo contribuinte e corrigida a glosa fiscal. No despacho de encaminhamento, o órgão preparador destaca a intempestividade do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Conforme despacho de fls. 388, o órgão preparador acusa a intempestividade do recurso voluntário. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13982.720361/201172 Acórdão n.º 2401005.679 S2C4T1 Fl. 399 5 Considerandose a intimação postal na terçafeira dia 26/03/2013 (Aviso de Recebimento, fls. 372) e a interposição do recurso na sextafeira dia 26/04/2013 (fls. 373), o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo legal de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001324/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2202-004.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: WALTIR DE CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à multa acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 24 /2 00 7- 24 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11330.001324/200724 Acórdão n.º 2202004.492 S2C2T2 Fl. 126 2 Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase, no presente caso, de Auto de Infração lavrado em 23/08/2007 para constituir crédito tributário referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, períodos de apuração 01/01/1999 a 31/12/1999. O Contribuinte, cientificado da autuação em 23/08/2007, interpôs impugnação, levando a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I (DRJ/RJ01) a proferir o Acórdão nº 1217.527 10ª Turma DRJ/RJ01 (fls. 93/98), de 17/12/2007, onde os membros daquele colegiado julgaram improcedente a defesa apresentada. Em face do referido acórdão, o Contribuinte, irresignado, interpôs Recurso Voluntário de fls. 103/118, ora em julgamento. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo e adoto o relatório da DRJ de origem: "DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.115.7978 CFL 91 consolidado em 23/08/2007), lavrado contra a interessada, no montante de RS 1.195,13. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 12), a interessada apresentou GFIP em desconformidade com as formalidades especificadas no seu Manual de Orientação quando entregou em rede bancária GFIP única englobando fatos geradores de diversos estabelecimentos, o que constituiu infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 1o e 3o , da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. 3. A multa aplicada, foi apurada conforme previsto no artigos 92 e 102, da Lei 8.212/1991, combinado com os artigos 283, caput, § 3o , e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS n° 142/2007, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 13). 4. Não foram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa DA IMPUGNAÇÃO 5. A interessada manifestouse (fls. 20/60), alegando em síntese que: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11330.001324/200724 Acórdão n.º 2202004.492 S2C2T2 Fl. 127 3 Da decadência 5.1. O Código Tributário Nacional CTN prevê duas regras, uma geral, outra específica, acerca do prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar o lançamento (artigos 173 inciso I e 150 §4°); 5.2. A auditoria fiscal constatou que o impugnante elaborou GFIP única englobando fatos geradores de diversos estabelecimentos para o período fiscalizado de 01/1997 a 10/1999; 5.3. Desta forma podemos concluir que resta operada a decadência, uma vez que o lançamento foi realizado depois de mais de 10 (dez) anos (01/1997) e quase 08 (oito) anos (10/1999) da ocorrência do fato gerador; Da necessidade de Lei Complementar e da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991 5.4. Se a Constituição Federal de 1988 reservou à Lei Complementar a competência para disciplinar matéria atinente à decadência tributária e se a Lei 5.172/1966 (CTN), recepcionada como Lei Complementar, estabelece prazo decadencial de 05 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, e se as contribuições sociais são espécies de tributos, a Lei Ordinária 8.212/1991 não poderia ter cuidado da matéria, muito menos de forma diversa; 5.5. Em recentíssimo julgado, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, no julgamento do AI em Resp n° 616.348 MG (2003/02290040); 5.6. Requer sejam acolhidas as prejudiciais para reconhecer a decadência e a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, declarando nula a sanção imposta. 6. É o Relatório." Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte limitase a reafirmar que já se operou a decadência para a constituição do crédito tributário lançado no auto de infração combatido. É o relatório. Voto Conselheiro Waltir de Carvalho Relator O recurso voluntário é tempestivo, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11330.001324/200724 Acórdão n.º 2202004.492 S2C2T2 Fl. 128 4 Primeiramente, devese anotar que a presente lide está limitada apenas à questão da alegada ocorrência da decadência do direito do Fisco de proceder à constituição do crédito tributário relativo ao nãocumprimento da obrigação acessória do Contribuinte de entregar GFIP em conformidade com as formalidades do respectivo Manual de Orientação (CFL 91, Lei 8.212/1991, art. 32, IV, §§ 1º e 3º). Da decadência. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal (CF), o Supremo Tribunal Federal (STF) pode editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública nas esferas federal, estadual e municipal. Observese, inclusive, que o próprio RICARF (Portaria MF nº 343, de 2015) amoldouse a tal vinculação obrigatória, conforme previsto na alínea "a" do inciso II, § 1º do art. 62 de seu Anexo II. No tocante ao prazo decadencial do direito do Fisco de constituir as contribuições sociais previdenciárias, foi publicada, em 20/06/2008, a seguinte súmula do STF: Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No precedente representativo da Súmula, o RE nº 556.664, julgado em 12/06/2008, foi explicitado pelo relator Ministro Gilmar Mendes que "o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN, de exigir as contribuições da seguridade social". Portanto, o prazo decadencial que rege o lançamento dessas contribuições segue as normas insculpidas no Código Tributário Nacional (CTN), no § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos. No caso em tela, a autuação versa sobre fatos geradores compreendidos entre 01/1999 a 12/1999, e a ciência ao contribuinte do lançamento deuse em 23/08/2007 (fls. ). Adotamos a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que, havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser seguida, por força do disposto no artigo 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Contudo, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em homologação de pagamento, razão pela qual aplicase a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Sabendose que, no caso, o período verificado está compreendido entre 01/1999 a 12/1999 e que a ora recorrente foi intimada do Auto de Infração em 23/08/2007, Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11330.001324/200724 Acórdão n.º 2202004.492 S2C2T2 Fl. 129 5 verificase que estão decadentes as contribuições apuradas em sua totalidade, uma vez que anteriores a 12/2001. Portanto, quando lavrada a NFLD, já havia se escoado o prazo para o exercício do direito do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício. Por consequência, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário consubstanciado no presente processo, dandose provimento ao recurso voluntário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725761/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. INSTRUÇÃO.
A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas e instrução relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes, bem como de pensão judicial quando observados os requisitos legais e desde que devidamente comprovado pelo contribuinte.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE.
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A oferta voluntária de alimentos, paga por mera liberalidade, não é dedutível.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-004.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$ 400,00, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
(Assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. INSTRUÇÃO. A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas e instrução relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes, bem como de pensão judicial quando observados os requisitos legais e desde que devidamente comprovado pelo contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A oferta voluntária de alimentos, paga por mera liberalidade, não é dedutível. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$ 400,00, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson.
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DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. INSTRUÇÃO. A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas e instrução relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes, bem como de pensão judicial quando observados os requisitos legais e desde que devidamente comprovado pelo contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A oferta voluntária de alimentos, paga por mera liberalidade, não é dedutível. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$ 400,00, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 57 61 /2 01 3- 21 Fl. 180DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2012, ano calendário 2011, despesas médicas no valor de R$ 21.685,28; pensão alimentícia declarada como R$ 93.711,80 e despesas com instrução de R$ 1.890,00. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) Que as despesas médicas são do próprio contribuinte. Que os valores pagos a título de pensão alimentícia decorrem de decisão judicial e que as despesas com instrução obedecem ao limite previsto na legislação tributária. b) as despesas estão comprovadas pelos recibos anexados à Impugnação (fls. 02), sendo eles: comprovante de rendimentos (fls. 13); declaração de desconto em contracheques em favor de AMIL Assistência Médica Internacional (fls. 15); ofício 2052/2008, referente à desconto em folha de pagamento (fls. 16); ofício 2272/2006, referente à desconto em folha de pagamento (fls. 18); ofício 2614/2005, referente à desconto em folha de pagamento (fls. 20); c) Em manifestação de desconformidade, apresenta os seguintes documentos: recibo de instituição de ensino (fls. 44); recibo da ASBAI (fls. 45); comprovante de pagamento de congresso (fls. 46); recibos médicos (fls. 47/51); nota fiscal (fls. 52); sentença homologatória (fls. 53/55). d) Atendendo à Termo de Intimação Fiscal, apresenta os seguintes documentos: certidões de nascimento (fls. 97/98); petição de acordo de prestação de alimentos (fls. 99/101); sentença de homologação da prestação de alimentos (fls. 104/105); petição requerendo majoração de prestação de alimentos (fls. 106/107); petição de acordo da majoração de prestação de alimentos (fls. 108); sentença homologatória (fls. 113); petição requerendo expedição de ofício à fonte pagadora do contribuinte (fls. 116). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 39), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 REVISÃO DE OFÍCIO. TERMO CIRCUNSTANCIADO. DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12448.725761/201321 Acórdão n.º 2202004.519 S2C2T2 Fl. 181 3 O presente processo foi Revisto de Ofício pela Divisão de Fiscalização, conforme Termo Circunstanciado que deferiu parcialmente o pleito do contribuinte. GLOSA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO Poderão ser deduzidas da base de cálculo, os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, devidamente comprovadas, e respeitados os limites legais, efetuados a instituições de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. GLOSA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, estando limitada a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. GLOSA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. MAIORIDADE E CAPACIDADE DO ALIMENTANDO. DEDUÇÃO. Os valores pagos a filhos maiores, capazes, empresários e detentores de patrimônio não se caracterizam como pensão alimentícia e não poderão ser deduzidos como tal, pois não possuem a natureza de alimentos que visa assegurar o amparo e proteção daqueles que se encontram em situação debilitada. As despesas relativas a cursos de especialização são passíveis de dedução somente quando comprovadamente realizadas com cursos inerentes à formação profissional daquele com quem foram efetuadas. Não é passível de dedução a despesa realizada com inscrição em congresso, por falta de previsão legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 161/166), no qual requer a juntada de documentos já apresentados com a Impugnação e, em fase recursal, do recibo de fls. 171. É o relatório Fl. 182DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão recorrida manteve parcialmente a glosa das despesas com instrução com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, depreendese das informações constantes nos autos, que o contribuinte é médico de formação e assim sendo, a matrícula paga a um curso de CCD VALUATION (avaliação de empresas e ações), não poderá ser aceita como despesa com instrução paga a curso de pósgraduação. Da mesma forma, não poderá ser aceita a inscrição paga a curso de atualização em alergia, pois a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia não é instituição de ensino regularmente autorizada, pelo Poder Público, a ministrar educação superior. Finalmente, o valor pago à inscrição em congresso não pode ser deduzida como despesa com instrução, por falta de previsão legal. A dedução tributária dos gastos incorridos com instrução encontrase regulamentada pelo art. 81 do Decreto 3.000/99, que prescreve: Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §1 O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a transferência do excesso' individual para outra pessoa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §2º Não serão dedutíveis as despesas com educação de menor pobre que o contribuinte apenas eduque (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, inciso IV). §3º As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12448.725761/201321 Acórdão n.º 2202004.519 S2C2T2 Fl. 182 5 §4º Poderão ser deduzidos como despesa com educação os pagamentos efetuados a creches (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 7º). O Recorrente assevera que o curso de atualização em alergia, bem como em CCD Valuation, seriam, simultaneamente, “cursos técnicos e tecnológicos, de especialização, em nível de pósgraduação, voltados às expectativas de aprimoramento profissional e com caráter de educação continuada”, portanto, fazendo equivaler modalidades de ensino distintas e, principalmente, inaplicáveis no presente caso. Os cursos em questão não se tratam de “cursos técnicos”, uma vez que tal modalidade seja destinada a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos de ensino médio, e cuja titulação pressupõe a conclusão da educação básica de 11 anos (IN 15/2001, art. 41, §5º, I); Não se tratam de “cursos tecnológicos”, uma vez que tal modalidade corresponde a cursos de nível superior na área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico (IN 15/2001, art. 41, §5º, II); Poderseia cogitar, então, se tratar de “especialização”. Na hipótese, há de se analisar duas possibilidades: se se trata de especialização strictu sensu ou especialização latu sensu. Não se trata de especialização strictu sensu, uma vez que, conforme Resolução do Conselho de Educação Superior CNE/CES Nº 1, de 03 de abril de 2001, tal especialização se resume ao mestrado e doutorado. Vejase: Art. 1º Os cursos de pós graduação stricto sensu, compreendendo programas de mestrado e doutorado, são sujeitos às exigências de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento previstas na legislação. Por derradeiro, resta analisar se se trata de especialização latu sensu. A regulamentação de tal modalidade é feita pela Resolução CNE/CES nº 1, de 08 de junho de 2007. Dentre os requisitos para o reconhecimento enquanto especialização, como pretende o Recorrente, devem ser observados os seguintes requisitos: 1) Os cursos de pósgraduação devem ser oferecidos por instituições de educação superior devidamente credenciadas; 2) O corpo docente deverá ser constituído necessariamente por, pelo menos, 50% (cinqüenta por cento) de professores portadores de título de mestre ou de doutor, obtido em programa de pósgraduação stricto sensu reconhecido. 3) Os cursos devem ter duração mínima de 360 (trezentos e sessenta) horas; Fl. 184DF CARF MF 6 Tais requisitos se referem aos cursos presenciais. Por outro lado, em se tratando de curso a distancia, como assevera o Recorrente, há ainda de serem observados os seguintes requisitos, conforme a mesma resolução: 4) Os cursos de especialização em nível de pósgraduação a distância só poderão ser oferecidos por instituições credenciadas pela União, conforme o disposto no § 1º do art. 80 da Lei 9.394, de 1996; 5) Os cursos a distância deverão incluir, necessariamente, provas presenciais e defesa presencial de monografia ou trabalho de conclusão de curso; Uma vez que o Recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar qualquer indício de carga horária, credenciamento da instituição, a composição do corpo docente, realização de provas, não há como reconhecer as deduções pretendidas em relação à instrução em relação ao curso de CCD Valuation. Tampouco em relação ao curso de alergia em tela, já que não foi prestado por instituição de ensino. Por derradeiro, inexiste previsão legal de dedução de despesas com congresso. Com relação às despesas médicas, essas são tratadas pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 12448.725761/201321 Acórdão n.º 2202004.519 S2C2T2 Fl. 183 7 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos). A decisão recorrida manteve parcialmente a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: Conforme a legislação retro citada, concluise que não poderá ser aceito o recibo emitido por: JOÃO ALVES GRANGEIRO NETO (fl. 49), no valor de R$ 400,00, por não constar endereço do consultório do profissional. Fica mantida a glosa de R$ 400,00, pertinente ao profissional retro citado, restabelecendose o valor de R$ 3.750,00, pertinente aos demais recibos (fls. 47/48 e 50/52). A ausência de endereço do prestador de serviço não é razão suficiente para desconsideração do recibo médico, especialmente quando consta do referido recibo o número Fl. 186DF CARF MF 8 de inscrição no Conselho Regional de Medicina, bem como o CPF do prestador de serviço. Tais dados permitem que a referida ausência seja suprida pelos próprios cadastros da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido já se manifestou a Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal na resposta a Solução de Consulta Interna nº 7 COSIT datada de 18 de maio de 2015: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. A ausência de endereço nos recibos médicos é razão suficiente para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova das despesas médicas. Entretanto, isso não impede que outras provas sejam utilizadas evitando, assim, a glosa da despesa. Além disso, a autoridade administrativa poderá suprir, de oficio, a ausência do endereço do prestador do serviço, por meio de consulta aos sistemas informatizados da Secretária da Receita Federal do Brasil (RFB)(grifamos) Por fim, cumpre analisar a glosa das despesas com pensão alimentícia. A dedução tributária dos gastos incorridos com pensão alimentícia é tratada pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Nesse sentido, há de se destacar a súmula 98/CARF, qual seja: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da Fl. 187DF CARF MF Processo nº 12448.725761/201321 Acórdão n.º 2202004.519 S2C2T2 Fl. 184 9 obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifamos). A decisão recorrida reconheceu que não há na legislação qualquer restrição quanto ao beneficiário da pensão. Todavia, afirma que o Recorrente deveria provar a necessidade da pensão. Por fim, alega também que não foi comprovado nos autos que os valores pagos estavam amparados por decisão judicial. Entendo que a fiscalização não pode condicionar o direito à dedução ao preenchimento das condições estabelecidas para caracterizar a condição de dependente. A análise da legislação pertinente demonstra que tratase de deduções distintas. Com efeito, o artigo 8º, da Lei nº 9.250/95 aparta as deduções relativas à dedução com dependentes (alínea "c") das deduções com pensão alimentícia (alínea "f"). Ademais, quando a legislação pretendeu atrelar a dedução de uma determinada despesa à comprovação da dependência o fez expressamente, como, por exemplo, na dedução das despesas médicas e despesas com instrução. Nesse sentido, esclarecedora a decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara no Acórdão nº 2201003.406 julgado na sessão de 20/01/2017, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHO MAIOR DE 21 ANOS. CONDIÇÕES. A fiscalização não pode condicionar o direito à dedução da pensão alimentícia paga a filho, aos preenchimento das condições estabelecidas para caracterizar a condição de dependente. Merece transcrição, pela clareza com que aborda a questão, o voto vencedor da Conselheira Dione Jesabel Wasilewski: Este voto trata da possibilidade de dedução de pensão alimentícia paga a filho com mais de 21 anos e que não comprove curso em faculdade ou ensino técnico superior ou impossibilidade para trabalho ou para prover a própria mantença. As atividades legislativa e executiva são expressões do poder político do Estado, a primeira responsável pela edição de normas de caráter geral e abstrato que inovam na ordem jurídica e, a segunda, vocacionada a resolver os casos concretos de acordo com a ordem jurídica vigente. Mesmo o poder regulamentar conferido ao executivo deve ser exercido dentro dos estreitos limites impostos pelas leis, sendo pacífico o entendimento de que ele não é autorizado, sob pena de se configurar invasão de competência, a extrapolar essas fronteiras criando regras inovadoras. Fl. 188DF CARF MF 10 Se o poder regulamentar está contido pela rigidez desses contornos, que se dirá da atividade da Administração pública, já definida como aquela a quem compete aplicar a lei de ofício. Na hipótese em questão, a norma que confere ao contribuinte o direito à dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda tem a seguinte redação (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995): (...) Essas regras são diferentes daquelas relativas à dedução dos filhos como dependentes. Para cada uma dessas situações, dedução como dependente ou dedução de pensão alimentícia, existem condições legais próprias a serem atendidas, que expressam verdadeiros ônus para os contribuintes, mas são também expressões de direitos a serem respeitados pela Administração. Ao estender as regras criadas textualmente para as situações de dependência para as de dedução da pensão alimentícia, a Administração onera os contribuintes nesta situação de forma que extrapola os limites impostos pela investigação sintática (literalidade). E este é o critério fixado pelo Código Tributário Nacional como o adequado para a interpretação das normas dessa natureza (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 111), que tanto serve para limitar o exercício do direito, como para definir o ônus imposto como condição para ele. Ou seja, a literalidade da norma tanto serve para impedir a extensão, como a redução do seu significado. É certo que o CTN autoriza o emprego da analogia quando houver "ausência de disposição expressa" (art. 108, I), ressalvando que, do emprego da analogia, não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei (art. 108, § 1º). Mas, ao se indagar sobre a possibilidade de integração da norma, por analogia, no caso concreto em análise, não é possível superar nem o primeiro obstáculo estabelecido pelo CTN, pois, indubitavelmente, há norma específica regulando a matéria. A meu ver, criar condições que não podem ser extraídas do texto legal significar inovar no ordenamento jurídico, e inovar no ordenamento jurídico é legislar sobre direito tributário, atividade estranha à esfera de competência desse órgão. Isso não quer dizer que a administração está fadada a admitir as deduções a título de pensão alimentícia sem qualquer valoração do caso concreto. Pelo contrário, há um espaço a ser preenchido na verificação da adequação do caso concreto ao preceito geral e abstrato. Assim, para que haja o direito à dedução não basta, por exemplo, que haja um acordo homologado judicialmente. É necessário investigar quais foram as condições estabelecidas como pressupostos para sua validade e se essas condições ainda se mantém (aplicação da cláusula rebus sic stantibus). De forma que, se a pensão foi justificada pelo estado de desemprego involuntário, ou pelo fato do filho estar se dedicando à formação acadêmica, ou pelo casal estar separado de fato, ou por doença Fl. 189DF CARF MF Processo nº 12448.725761/201321 Acórdão n.º 2202004.519 S2C2T2 Fl. 185 11 do beneficiário da pensão ou de seu filho/cônjuge a exigir atenção integral daquele, pode ser feita a verificação da continuidade dessas condições como pressuposto de eficácia do acordo ou da sentença. (grifamos) Dessa forma, conforme exposto no voto acima transcrito, não se deve confundir a dedução com dependentes com aquela feita à título de pensão alimentícia. Além disso, é importante ressaltar que o pagamento em questão não decorre de mera liberalidade do Recorrente, mas de determinação judicial. Em face do exposto dou parcial provimento ao recurso para afastar a glosa das despesas médicas e com pagamento de pensão alimentícia. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia à ilustre Relatora a divergir em parte com seu voto, porém ocorre que meu entendimento é contrário ao seu em relação as dedução de pensão alimentícia judicial. Em relação a glosa das despesas médicas, manifesto meu voto em consonância com o proferido pela Conselheira Relatora. Pois bem. Verificase, no presente caso, que o motivo da glosa se deu em razão da fiscalização ter compreendido que a pensão alimentícia era paga por liberalidade pelo recorrente. Entendo que para eventuais repasses financeiros a filho maior de 24 anos de idade possam ser classificados como pensão alimentícia, necessário seria que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, nos termos do art. 1.695 do Código Civil. Desde modo, correta a decisão da DRJ de origem que manteve o lançamento, haja vista que este encontra respaldo no Código Tributário Nacional, visto que a pensão alimentícia devida em face das normas de Direito de Família é despesa dedutível do IR pessoa física para o alimentante, desde que cumpridos os requisitos em lei, em contrapartida, é passível de incidência do referido imposto para o alimentando. Ainda, importante apontar a jurisprudência em casos semelhantes ao ora em análise, cujas ementas já integraram o acórdão recorrido: “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA. Fl. 190DF CARF MF 12 A convivência harmoniosa da família, sob o mesmo teto, com a regular prestação do dever de assistência e de sustento, desautoriza a homologação de acordo de alimentos, máxime quando as circunstâncias narradas levam à conclusão de que, antes de qualquer outra pretensão, visase à obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora do cônjuge varão, com evidente prejuízo ao erário (APC 20040110640184, Relatora Desa. Carmelita Brasil, 2ª Turma Cível, julgado em 14/11/2005, DJ 24/01/2006, pág. 93).” “CIVIL. ACORDO DE ALIMENTOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. RECURSO IMPROVIDO. 1. Restando patenteado nos autos que o objetivo da alimentante se reveste do nítido desejo de benefício tributário, não deve o Judiciário homologar acordo de alimentos. 2. As acordantes informam que a filha cuida há vários anos da mãe, com quem gasta quase metade de seus rendimentos. Tal fato, mesmo que verídico, não enseja isenção do Imposto de Renda, mas, tãosomente, as reduções asseguradas a todos os contribuintes. 3. Recurso conhecido e improvido. (20050110996055APC, Relator SANDOVAL OLIVEIRA, 4ª Turma Cível, julgado em 22/11/2006, DJ 17/04/2007, pág. 124)”. “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. PAI E FILHA QUE VIVEM SOB O MESMO TETO. INTENÇÃO DE REGULARIZAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO MENSAL VOLUNTARIAMENTE DEFERIDA POR MEIO DE DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO PARA OBTENÇÃO DE DESCONTO NO IMPOSTO DE RENDA. HOMOLOGAÇÃO NEGADA. Não se vislumbrando as necessidades do alimentando, cuja filha, voluntariamente, paga alimentos ao pai, que com ela reside sob o mesmo teto, mas tãosomente a obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora, com evidente prejuízo ao erário, indeferese o pedido homologatório do acordo de alimentos. (20060111308808APC, Relator CARMELITA BRASIL, 2ª Turma Cível, julgado em 18/07/2007, DJ 14/08/2007, pág. 101)” “DIREITO CIVIL. EXCÔNJUGES. ACORDO DE ALIMENTOS. IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. É firme a jurisprudência no sentido de que tendo o acordo de alimentos objetivos meramente fiscais, não deve ser homologado, pois implicaria indevida dedução no cálculo do Imposto de Renda. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 12448.725761/201321 Acórdão n.º 2202004.519 S2C2T2 Fl. 186 13 2. Subjacente à homologação, está o acordo de vontades que haveria de servir à prevenção ou terminação de litígio (CC, art. 840), de modo que assim a transação somente pode referirse a direitos substanciais que admitam conflito de interesses. 3. Simples questões advindas de liberalidade não são passíveis de homologação judicial, até mesmo por falta de interesse jurídico dos interessados. 4. Recurso conhecido e improvido. (Processo: APC 20060111339348 DF, Relator(a): CARLOS RODRIGUES, Julgamento: 28/11/2007, Órgão Julgador: 2ª Turma Cível, Publicação: DJU 21/02/2008, pág. 1475)” Outro também não seria o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, preconizando que os alimentos são devidos "ao filho até a data em que vier ele a completar os 24 anos, pela previsão de possível ingresso em curso universitário" (STJ 4ª turma RESP 23.370/PR Rel. Min. Athos Carneiro v.u. DJU de 29/03/1993, p. 5.259). EXONERAÇÃO. ALIMENTOS. MAIORIDADE. ÔNUS . PROVA. Tratase, na origem, de ação de exoneração de alimentos em decorrência da maioridade. No REsp, o recorrente alega, entre outros temas, que a obrigação de pagar pensão alimentícia encerrase com a maioridade, devendo, a partir daí, haver a demonstração por parte da alimentanda de sua necessidade de continuar a receber alimentos, mormente se não houve demonstração de que ela continuava os estudos. A Turma entendeu que a continuidade do pagamento dos alimentos após a maioridade, ausente a continuidade dos estudos, somente subsistirá caso haja prova da alimentanda da necessidade de continuar a recebêlos, o que caracterizaria fato impeditivo, modificativo ou extintivo desse direito, a depender da situação. Ressaltouse que o advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos (Súm. n. 358STJ), mas esses deixam de ser devidos em face do poder familiar e passam a ter fundamento nas relações de parentesco (art. 1.694 do CC/2002), em que se exige prova da necessidade do alimentando. Dessarte, registrouse que é da alimentanda o ônus da prova da necessidade de receber alimentos na ação de exoneração em decorrência da maioridade. In casu, a alimentanda tinha o dever de provar sua necessidade em continuar a receber alimentos, o que não ocorreu na espécie. Assim, a Turma, entre outras considerações, deu provimento ao recurso. Precedente citado: RHC 28.566GO, DJe 30/9/2010. REsp 1.198.105RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 1º/9/2011. (grifouse) Portanto, deve ser mantida a glosa da dedução de pagamento a título de pensão alimentícia judicial. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$ 400,00. (Assinado digitalmente) Fl. 192DF CARF MF 14 Martin da Silva Gesto Redator designado Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721995/2017-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DEPENDENTE. MÃE.
Comprovada a relação de dependência, nos termos da legislação tributária, é de se restabelecer a dedução pleiteada.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes.
Numero da decisão: 2002-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento, determinando o restabelecimento da dedução da dependente (R$1.974,72), bem como das despesas médicas a ela concernentes, no valor de R$7.965,09.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DEPENDENTE. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIA JOSE SERRANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. DEPENDENTE. MÃE. Comprovada a relação de dependência, nos termos da legislação tributária, é de se restabelecer a dedução pleiteada. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, determinando o restabelecimento da dedução da dependente (R$1.974,72), bem como das despesas médicas a ela concernentes, no valor de R$7.965,09. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 19 95 /2 01 7- 94 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 19985.721995/201794 Acórdão n.º 2002000.216 S2C0T2 Fl. 86 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 31/37), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$4.295,32 para saldo de imposto a pagar de R$12.025,95. A notificação noticia deduções indevidas com dependente e de despesas médicas e com instrução. Impugnação Cientificada à contribuinte (fl.48), a NL foi objeto de impugnação, em 9/5/2017, à fl. 2/19 dos autos, na qual a contribuinte contesta parcialmente a exigência (fl.4), indicando a juntada de documentação comprobatória dos valores os quais quer ver restabelecidos. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgoua improcedente por deficiência da comprovação apresentada, em decisão assim ementada (fls. 52/58): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido comprovada a relação de dependente, mantémse a glosa da dedução apurada. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação idônea que atenda aos requisitos legais, sendo necessário comprovar tratarse de pagamentos relativos a tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes informados na Declaração de Ajuste Anual. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO E PARTE DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 19985.721995/201794 Acórdão n.º 2002000.216 S2C0T2 Fl. 87 3 Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 6/9/2017 (fl. 62), o contribuinte, em 22/9/2017 (fl. 65), apresentou recurso voluntário, às fls. 65/78, no qual alega, em síntese, que: os documentos apresentados para comprovação do parentesco possuiriam divergências ortográficas em relação ao nome da mãe. teria solicitado junto ao cartório a correção da ortografia no nome da mãe na certidão de nascimento, tendo sido lhe dado o prazo de 40 a 90 dias para atendimento. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.81). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 19985.721995/201794 Acórdão n.º 2002000.216 S2C0T2 Fl. 88 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio a ser aqui apreciado recai sobre a dependente Jesus Crespin Serrano, bem como a despesa médica a ela relativa. A recorrente informou a mencionada dependente sob o código 31, relativo a pais, avós e bisavós que, em 2012, tenham recebido rendimentos tributáveis ou não até R$19.645,31 (fl.22). A decisão de piso consigna que, da análise da documentação apresentada, não foi possível comprovar a relação de dependência: Na Declaração de Ajuste Anual, fls. 50, a Contribuinte informou como dependente no código 31 (Pais, avós e bisavós que, em 2012 tenham recebido rendimentos tributáveis ou não até R$ 19.645,32) Jesus Crispim Serrano e no código 22 (Filho ou Enteado Universitário até 24 anos) Diego Almeida Cintra e Silvio Almeida Cintra. A Contribuinte concordou com a glosa da dedução de dependente de Diego Almeida Cintra e Silvio Almeida Cintra, questionando apenas a dedução de dependente de Jesus Crispim Serrano. Foi apresentada Carteira de Identidade da Notificada, fls. 14, onde se identifica que são os pais da Contribuinte José Serrano e Maria de Jesus Serrano. Não foram apresentados documentos suficientes para comprovar que Jesus Crispim Serrano seria avô/avó da Contribuinte. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 19985.721995/201794 Acórdão n.º 2002000.216 S2C0T2 Fl. 89 5 Assim, pelos documentos apresentados não há como acatar a dependência de Jesus Crispim Serrano pleitada pela Contribuinte. Da leitura do recurso, depreendese que a senhora Jesus Crispim Serrano seria mãe da recorrente e que teria ocorrido erro por ocasião do registro de nascimento da recorrente. É de se acolher as alegações da recorrente. Embora a identidade da contribuinte aponte que ela é filha de José Serrano e Maria de Jesus Serrano (fl.6), assim como a certidão de nascimento juntada à fl.71, a recorrente junta uma nova certidão de nascimento à fl.76 na qual consta averbação para correção do nome de sua mãe. Dessa forma, cabe restabelecer a dependente, uma vez comprovada ser mãe da contribuinte, bem como as despesas médicas relativas a ela, no valor de R$7.965,09, conforme atesta o comprovante de fl.7 e conforme declarado (fl.25). Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, restabelecendo a dedução da dependente (R$1.974,72), bem como de despesas médicas a ela concernentes, no valor de R$7.965,09. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726724/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/04/2008 a 30/04/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Constatada a ocorrência de obscuridade na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear as incorreções.
Numero da decisão: 2401-005.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando a obscuridade apontada, alterar trechos do voto e do dispositivo do acórdão embargado, excluindo ou alterando as partes que fazem referência à PR concedida ao conselheiro Daniel Sledge Herbet.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Embargante SPAIPA S/A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/04/2008 a 30/04/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Constatada a ocorrência de obscuridade na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear as incorreções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando a obscuridade apontada, alterar trechos do voto e do dispositivo do acórdão embargado, excluindo ou alterando as partes que fazem referência à PR concedida ao conselheiro Daniel Sledge Herbet. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 67 24 /2 01 2- 96 Fl. 1770DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios opostos pelo contribuinte em face do Acórdão 2401003.881 (fls. 1.611/1.662), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/04/2008 a 30/04/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de pagamentos igualitários a todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE ACORDOS PRÓPRIOS INDIVIDUAIS PREVENDO REGRAS CLARAS E OBJETIVAS E METAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. MAIOR ESPECIFICIDADE EM RELAÇÃO A PARTE DOS EMPREGADOS. PREVISÃO E REMISSÃO AO ACORDO COLETIVO. VALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Resultados com base em Acordo Coletivo, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias, ainda que a contribuinte tenha instrumentalizado aludido regramento para parte dos empregados, ocupantes de cargos de gerência, diretoria e superintendência, em instrumentos individuais próprios, contendo regras claras e objetivas, metas e demais Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10980.726724/201296 Acórdão n.º 2401005.663 S2C4T1 Fl. 1.771 3 condições para o pagamento da verba, mormente quando fora devidamente informado aos beneficiários. Acrescentase que o próprio Acordo Coletivo firmado com o respectivo Sindicato previa a formalização de aludidos acordos próprios individuais para tais funcionários, tendo ocorrido, inclusive, remissão expressa nestes últimos ao instrumento negocial base, não havendo se falar em ausência de regras claras e objetivas, e metas, ou mesmo ausência de arquivamento no Sindicato, uma vez que referidos atos individuais encontravamse contidos na regra matriz da PR. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PAGAMENTOS DIFERENCIADOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA VEDAÇÃO LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA. De conformidade com o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o exclusivo pressuposto legal para afastar a tributação dos valores pagos aos empregados e dirigentes a título de Previdência Privada é a extensão à totalidade dos funcionários, inexistindo qualquer vedação legal para a concessão de valores distintos, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que não decorre do bojo da própria norma legal. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE ABERTA. ABRANGÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR N. 109/2001. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos termos da Lei Complementar n.º 109/2001, art. 68, as contribuições do empregador para planos de previdência privada instituído por entidade aberta não sofre a incidência de contribuições previdenciárias, ainda que o benefício não seja extensivo a todos os empregados e diretores da empresa. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada parcialmente improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de Fl. 1772DF CARF MF 4 ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi proferida nos seguintes termos: ACORDAM os membros do Colegiado, : I) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o levantamento PR, com exceção da PR concedida ao conselheiro Daniel Sledge Herbet, na condição de contribuinte individual, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negava provimento, II) Por maioria de votos , dar provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos PB e PP, tanto pela aplicabilidade da lei complementar 109 como pelo cumprimento da lei 8212/91, vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que davam provimento apenas consubstanciado na lei 8212/91. III) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao AIOAC n° 37.275.0311 Auto de Infração Código 68 para excluir do cálculo da multa , os fatos geradores excluídos das obrigações principais. IV) pelo voto de qualidade, dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. V) pelo voto de qualidade, negar provimento ao pedido de exclusão a multa de ofício imposta na competência 03/2008, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Os embargos foram admitidos para que fosse avaliada a obscuridade apresentada pela embargante, conforme razões a seguir transcritas: O V. Acórdão embargado deu provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto para excluir do lançamento o levantamento PR (Participação no Lucros), com exceção da PR concedida ao conselheiro Daniel Sledge Herbet, na condição de contribuinte individual. Em relação a este particular, também foi mantida a aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória. 2. Segundo o voto do relator, a parcela relativa aos pagamentos efetuados ao Sr. Daniel Sledge não fora objeto de recurso, razão pela qual seria necessária sua manutenção. Neste particular, vale a transcrição do trecho do voto: De início, convém registrar que o presente lançamento contempla, além dos segurados empregados, o pagamento de PPR para o conselheiro Daniel Sledge Herbet, na condição de contribuinte individual, razão do lançamento, por entender a fiscalização que a legislação de regência somente possibilita a Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 10980.726724/201296 Acórdão n.º 2401005.663 S2C4T1 Fl. 1.772 5 concessão de aludida verba para os empregados, não abarcando aquele segurado. Entrementes, referida questão não fora objeto de questionamento por parte da recorrente, o que nos conduz a concluir pela manutenção do feito relativamente àquele contribuinte individual. 3. Ocorre que, data vênia, a Embargante entende ter havido erro material quando da prolação da decisão recorrida, na medida em que os pagamentos efetuados ao Sr. Daniel Sledge não eram objeto de discussão nos presentes autos. 4. Em verdade, os “Discriminativos dos Débitos” constantes dos Autos de Infração nº 37.279.9515 e 37.279.9523 indicam apenas as rubricas (i) PP – Previdência Privada; (ii) PB – Previdência Conselheiro; e (iii) PR – Participação nos Resultados. 5. Não há nos Autos de Infração ou na decisão proferida pela DRJ qualquer menção à exigência de contribuição previdenciária paga ao Senhor Daniel Sledge – razão pela qual a Embargante entende obscuro o acórdão ora embargado. 6. A Embargante observa ainda que, na data de julgamento do presente processo administrativo, foi julgado o PA nº 10980.726726/201285, sendo que, apenas naquele caso houve discussão dos valores pagos ao Sr. Daniel Sledge. No entanto, os presentes autos não traziam tal discussão, razão pela qual são opostos os presentes embargos. 7. Diante disso, a Embargante requer o conhecimento e integral provimento destes Embargos de Declaração, a fim de que seja sanada a obscuridade apontada e, pois, reformado o acórdão para que se dê provimento total ao recurso, extinguindose a integralidade do Auto de Infração. Logo, segundo o Embargante, a decisão embargada é obscura, uma vez que manteve o lançamento referente aos pagamentos efetuados ao Sr. Daniel Sledge Herbert, por se tratar de contribuinte individual, porém, os pagamentos efetuados ao mesmo não chegaram a compor o objeto de discussão nos presentes autos. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Os embargos foram admitidos para sanar a obscuridade apontada pelo embargante e foram incluídos em pauta para que seja sanado o vício. Compulsando os autos, constatase que o presente processo diz respeito aos seguintes Autos de Infração (fls. 5 a 15): Fl. 1774DF CARF MF 6 DEBCAD nº 37.279.9515 – AIOP – Parte Patronal (20% e SAT) DEBCAD nº 37.279.9523 – AIOP – Terceiros DEBCAD nº 37.275.0311 – AIOA – GFIP (CFL 68) Tanto no DEBCAD nº 37.279.9515 quanto no DEBCAD nº 37.279.9523 foram lançados valores no Código de Levantamento “PR – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS” somente para a competência 03/2008, sendo que a base de cálculo para tais lançamentos (R$ 305.225,53) foi extraída da tabela de fls. 53/54, a qual relaciona segurados que receberam Participação nos Resultados (PR), no ano de 2008. Acontece, porém, que o Conselheiro Daniel Sledge Herbert não aparece nessa tabela, donde se conclui que o lançamento não abarcou valores pagos a este segurado, a título de PR. Cabe observar que o Relatório Fiscal, em seu item 7.3 (fl. 45), até menciona que o Conselheiro Daniel Sledge Herbert recebeu valores a título de PR, porém, segundo as tabelas de pagamento de PR de fls. 53/63, somente nos anos de 2010 e 2011 aparece o nome desse segurado, todavia, como visto, o lançamento em questão compreende apenas a competência 03/2008. Sendo assim, concluise que a turma se equivocou ao mencionar o lançamento de PR paga ao Conselheiro Daniel Sledge Herbert, já que tal pagamento não consta do lançamento. No voto vencido, à fl. 1.619, devem ser excluídos os seguintes parágrafos: Ressalta, por fim, que a empresa pagou PLR ao conselheiro Daniel Sledge Herbet, na condição de contribuinte individual, enquanto a legislação de regência somente possibilita aludida verba para os segurados empregados, o que ensejou a consideração de referido valor como salário de contribuição; [...] De início, convém registrar que o presente lançamento contempla, além dos segurados empregados, o pagamento de PPR para o conselheiro Daniel Sledge Herbet, na condição de contribuinte individual, razão do lançamento, por entender a fiscalização que a legislação de regência somente possibilita a concessão de aludida verba para os empregados, não abarcando aquele segurado. Entrementes, referida questão não fora objeto de questionamento por parte da recorrente, o que nos conduz a concluir pela manutenção do feito relativamente àquele contribuinte individual. À fl. 1.641, deve ser alterado o seguinte parágrafo: De: Mais precisamente, em observância ao decisório levado a efeito em relação as rubricas encimadas, impõese afastar a penalidade ora aplicada pertinente aos levantamentos PR, PB e PP, os quais foram considerados insubsistentes naquele Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10980.726724/201296 Acórdão n.º 2401005.663 S2C4T1 Fl. 1.773 7 lançamento principal, mantendo tão somente a multa relativamente à PR concedida ao conselheiro Daniel Sledge Herbet, na condição de contribuinte individual. Para: Mais precisamente, em observância ao decisório levado a efeito em relação as rubricas encimadas, impõese afastar a penalidade ora aplicada pertinente aos levantamentos PR, PB e PP, os quais foram considerados insubsistentes naquele lançamento principal. À fl. 1.650, deve ser alterado o seguinte parágrafo: De: Na esteira desse entendimento, em que pese à procedência parcial do lançamento em relação ao mérito, mantendose exclusivamente a PR do Conselheiro Daniel Sledge Herbet, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. Para: Na esteira desse entendimento, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. À fl. 1.655, deve ser alterada a conclusão do voto vencido, para: Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: 1) afastar a tributação dos valores pagos a título de Participação no Resultado e Previdência Privada; 2) excluir em parte, por decorrência lógica, a penalidade inscrita no AIOA nº 37.275.0311– Auto de Infração Código 68, na linha do decidido no mérito, determinando, ainda, o recálculo da multa aplicada neste Auto de Infração nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 3) excluir a multa de ofício imposta na competência 03/2008, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. O dispositivo do acórdão deve ser alterado para (parte destacada): ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento o levantamento PR, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negava provimento, II) Por maioria de votos , dar provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos PB e PP, tanto pela aplicabilidade da lei complementar 109 como pelo cumprimento da lei 8212/91, Fl. 1776DF CARF MF 8 vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que davam provimento apenas consubstanciado na lei 8212/91. III) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao AIOA n° 37.275.0311 Auto de Infração Código 68 para excluir do cálculo da multa , os fatos geradores excluídos das obrigações principais. IV) pelo voto de qualidade, dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. V) pelo voto de qualidade, negar provimento ao pedido de exclusão a multa de ofício imposta na competência 03/2008, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. CONCLUSÃO Sendo assim, os embargos devem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, para, sanando a obscuridade apontada, alterar trechos do voto e do dispositivo do acórdão embargado, excluindo ou alterando as partes que fazem referência à PR concedida ao conselheiro Daniel Sledge Herbet. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 1777DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.002758/96-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 09/01/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Não verificada a existência de vício, omissão/obscuridade no julgado, os Embargos de Declaração não devem ser acolhidos.
Numero da decisão: 9303-006.831
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duno. Declarou-se impedido, também, de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duno. Declarouse impedido, também, de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 27 58 /9 6- 17 Fl. 760DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 795 e 796), em face do Acórdão n.º 9303005.056 (fls. 720 a 739), com fulcro no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, buscando sanar os vícios de omissão e obscuridade existentes na decisão, que o Colegiado Recursal Especial teria concordado com o entendimento de mérito manifestado pela 2a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, por ocasião da prolação do acórdão nº 30237.247, no sentido da impossibilidade de mudança, pela DRJ, do enquadramento legal da multa do IPI. No entanto, objeta que a questão suscitada pela Procuradoria no momento da interposição do recurso especial era preliminar ao exame do mérito, e dizia respeito à possibilidade de a 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes examinar a legalidade da multa do IPI, já que o contribuinte contra ela não se insurgiu por ocasião da interposição do recurso voluntário. Alega que o ponto não foi abordado diretamente nem pelo acórdão n.º 9303 000.856 conforme identificado pelo primeiro embargante, nem pelo acórdão n.º 9303 005.056, ora embargado. Enfatiza que, conforme constou no recurso especial interposto, o contribuinte se conformou com a decisão da DRJ no que se refere à questão da multa do IPI, não tendo apresentado insurgência quanto ao ponto. Transcrevo os requerimentos finais da Fazenda Nacional, para maior clareza: “Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que os presentes embargos de declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para sanar a omissão apontada. E, caso o Colegiado conclua que a 2a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes ultrapassou os contornos da lide delineados pelo sujeito passivo ao se manifestar sobre matéria não ventilada no recurso voluntário, confira efeitos infringentes aos presentes embargos para dar provimento ao Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303006.831 CSRFT3 Fl. 761 3 recurso especial interposto pela União, reconhecendose a ocorrência de preclusão e, consequentemente, restabelecendose a exigência da multa de ofício do IPI, no valor originário de R$ 8.008,86.” A Embargante sustenta existir a ocorrência de omissão de pronunciamento a respeito de matéria expressamente posta em debate, qual seja, a possibilidade de, em sede de julgamento de recurso voluntário, apreciarse matéria que não foi devolvida à instância recursal. Compulsando os autos, fls. 664 a 667, verificouse que o RE fazendário, interposto com base no inc. I do art. 5º do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria nº 55, de 16 de março de 1998 – RICC, pugna pela cassação do Acórdão nº 30237.247, que teria apreciado e decidido sobre a exclusão da multa referente ao IPI por suposta alteração do enquadramento legal quando do julgamento do recurso voluntário, sem que ela tivesse sido prequestionada ou mesmo pleiteada pelo sujeito passivo então recorrente. Aduz que a “substancial” redução da multa, promovida pela DRJ/SP haveria de ter sido objeto de recurso de oficio, o qual não foi examinado pelo Conselho de Contribuintes, o que também nulificaria o Acórdão nº 30237.247. Por meio do Despacho nº 3020.113, de 14 de agosto de 2007, fls. 668 a 670, a então Presidente da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes admitiu o apelo, nos termos em que foi formulado. O Acórdão nº 9303000.856, ao apreciar as razões e as contrarrazões recursais, limitouse a ratificar o acórdão recorrido, razão pela qual foi embargado por membro do Colegiado. O Acórdão nº 9303005.053, a seu turno, apreciando esses aclaratórios, delimitou os vícios a serem analisados da seguinte forma (negritado na transcrição): “Em relação à omissão trazida nos embargos apresentados, sob a alegação de que a relatora originária invocou como fundamento do julgado as alegações de nulidade trazidas no recurso especial da Fazenda, quais sejam: (i) que a decisão no sentido de excluir a multa referente ao IPI não foi matéria questionada no recurso voluntário; (ii) que a DRJ reduziu Fl. 762DF CARF MF 4 substancialmente a multa de oficio, mas tal exoneração deveria ter sido objeto de recurso de ofício e não tendo o acórdão recorrido analisado o recurso de ofício, deve ser declarada sua nulidade; (iii) que o acórdão recorrido é ilegal, pois entende não ser possível a substituição da a penalidade aplicada por outra mais branda, mas deixa de adotar a providência que o colegiado entende cabível, qual seja, a devolução dos autos à unidade de origem para o lançamento da penalidade que entende cabível, conheço da omissão, considerado a íntegra do Recurso Especial interposto pela Fazenda.” As conclusões da análise dos vícios feitas por esta Relatora foram as seguintes: Em vista de todo o exposto, dou provimento aos embargos, com efeitos infringentes, para alterar: Parte do voto, que passa a ser o seguinte (as alterações estão grifadas): "Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Aprecio o Recurso interposto em nome da Fazenda Nacional e contrarrazões da contribuinte, ambos em boa forma. Por economia, considerando que esta Conselheira é parte do colegiado que julgou a matéria na instância a quo e não mudou de posição, adoto integralmente o acórdão 30237.247, decidido em 24 de janeiro de 2006, fls.. 629 a 646, que leio em plenário. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional, mantendo a exclusão da multa por falta de recolhimento do IPI, nos termos do voto vencedor do relator designado naquele acórdão da 2a Câmara do 3o Conselho de Contribuintes. Com esse voto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional Antonio Carlos Atulim " Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303006.831 CSRFT3 Fl. 762 5 • Ementa do acórdão da CSRF, passando a mencionar somente a parte referente à multa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/01/1995 MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento." • Resultado do julgamento da CSRF consignado na folha de rosto do acórdão e da ata da sessão de julgamento, passando a constar (as alterações estão grifadas): "Recurso Especial do Procurador Negado" "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial." É como voto. Os embargos de declaração da Fazenda Nacional foram admitidos nos termos do Despacho em Embargos de 15/08/2017 (fls. 754 a 759), por entender haver obscuridade no acórdão nº 9303005.056, nesses termos: “A mera leitura da parte dispositiva do voto, recém transcrita, permite concluir que a contrariedade à lei, suscitada no recurso especial fazendário não foi apreciada. Muito embora, no corpo do voto condutor do Acórdão nº 9303005.056, se tenham presumidos motivos para que o sujeito passivo não tivesse recorrido especificamente quanto à matéria, o fato é que Colegiado não decidiu categoricamente sobre a possibilidade de, em sede de julgamento de recurso voluntário, apreciarse matéria que não foi devolvida à instância recursal.” É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos AutranRelatora Conheço dos Embargos de Declaração interpostos pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois tempestivos e atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 764DF CARF MF 6 Inicialmente, vale ressaltar que no acordão recorrido, os membros pelo voto de qualidade, deram provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte para excluir a penalidade referente ao IPI. Sendo que a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando era a Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho, senão vejamos: No voto vencedor que tratou da multa assim dispôs: “VOTO VENCEDOR (EM PARTE) Conselheiro Luis Antonio Flora, Relator Designado No tocante As penalidades, verificase que relativamente ao Imposto de Importação a decisão recorrida, sob o argumento da retroatividade mais benigna, reduziu o seu percentual de 100% para 75% e, no tocante ao Imposto sobre Produtos Industrializados (multa qualificada), sob o mesmo argumento, reduziu o seu percentual de 300% para 75% (multa de oficio), conforme excerto da ementa abaixo transcrita: PENALIDADE. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. II Caracterizada a falta de recolhimento dos tributos devidos ocorre a aplicação do art. 4°, inciso I, da Lei n°8.218/91, com a redação do art. 44, inciso I da Lei N° 9.430/96, sob o amparo do art. 106, inciso II, letra "c" da Lei n°5.172/66 CTN. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303006.831 CSRFT3 Fl. 763 7 MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. IPI Descaracterizada a infração qualificada, não comprovada no processo, mas ocorrendo a falta de recolhimento do IPI, é cabível a multa do art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64 (art.364, inciso II do RIPI Decreto n° 87.981/82), com a aplicação mais benéfica do art. 461, inciso I do Decreto n° 2.637/ 98, e art.45 da Lei n° 9.430/96 (nova redação do art. 80, I, Lei nº 4.502/64), sob o amparo do art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/66 CTN. Destarte, permitome divergir da ilustre conselheira relatora quanto a manutenção da "redução" da multa qualificada, eis que ao meu ver, ao contrário do primeiro caso (multa de oficio do Imposto de Importação), houve alteração do enquadramento legal originariamente feito no lançamento. Com efeito, a multa qualificada foi lançada com base no art. 32, da Lei 8.218/91, que alterou o inciso III, da Lei 4.502/64, e isso em consonância com os ditames do inciso IV, do art. 10 do Decreto 70.235/72 (a disposição legal infringida e a penalidade aplicável). Portanto, a decisão recorrida ao descaracterizar a infração qualificada, porque não houve a comprovação de fraude, cancelou tal exigência. Todavia, a imputar A recorrente a multa de oficio (pela falta de recolhimento do imposto), que possui outra disposição legal, extrapolou a sua função de autoridade julgadora, passando, assim, a praticar ato privativo da autoridade preparadora. Em suma, a autoridade julgadora, ao arrepio da lei, alterou a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, porque "lançou" uma multa que não constava da autuação. 0 art. 142 do GIN é claro em dizer que compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento. 0 Decreto 70.235/72 faz clara distinção entre autoridade preparadora (que é o órgão encarregado pela administração do tributo) e a autoridade julgadora (que é Fl. 766DF CARF MF 8 o órgão responsável pelo julgamento). Ademais, de acordo com o art. 59 do PAF, o procedimento adotado pela autoridade julgadora é nulo de pleno direito, dada a ausência de tal competência. Esclareço que no caso da redução da multa de oficio do Imposto de Importação não houve a alteração da disposição legal, nem da penalidade. Neste caso, o que ocorreu foi apenas a redução do percentual da mesma disposição legal, alterada por lei. No caso do IPI ocorreu a desclassificação do inciso III para o inciso I do art. 80 da Lei 4.502/64, que estabelecem penalidades distintas. Em síntese, a autoridade julgadora retirou uma multa e cominou outra. Esclareço, ademais, que a autoridade julgadora pode valorar a pena, todavia, quando a lei permite e esta prevê aplicação de pena minima e pena máxima, o que evidentemente não é o caso. comum, em casos contrários ao que acontece neste processo, a autoridade julgadora entender que efetivamente restou comprovado fraude ou sonegação, e determinar o agravamento da exigência. Mas o agravamento é procedido pela autoridade preparadora que lavra (outro) auto de infração complementar oferecendo ao contribuinte todas as garantias processuais previstas no PAF. Ou seja, a autoridade julgadora, neste caso, não lança, simplesmente determina que se faça o lançamento (por quem de direito). Portanto, no caso de aplicação de multas que envolvam o intuito doloso, entendo que a fiscalização ao fazer o lançamento deve estar munida de prova inequívoca, pois o direito é prova. Na dúvida quanto as provas, ou diante de meros indícios, a prudência recomenda a aplicação da penalidade por falta de pagamento. Ante o exposto, peço venha, para dar provimento parcial ao apelo da recorrente para excluir da autuação a penalidade relativa ao IPI.” Diante do acordão acima, a Fazenda apresentou Recurso Especial: alegando as seguintes nulidades: (i) que a decisão no sentido de excluir a multa referente ao IPI não foi matéria questionada no recurso voluntário; (ii) que a DRJ reduziu substancialmente a multa de Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303006.831 CSRFT3 Fl. 764 9 ofício, mas tal exoneração deveria ter sido objeto de recurso de ofício e não tendo o acórdão recorrido analisado o recurso de ofício, deve ser declarada sua nulidade; (iii) que o acórdão recorrido é ilegal, pois entende não ser possível a substituição da a penalidade aplicada por outra mais branda, mas deixa de adotar a providência que o colegiado entende cabível, qual seja, a devolução dos autos à unidade de origem para o lançamento da penalidade que entende cabível, conheço da omissão, considerado a íntegra do Recurso Especial interposto pela Fazenda. O Recurso Especial foi distribuído a Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando, no entanto, Conselheira se aposentou antes da formalização e assinatura do acórdão que por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Entendo que tanto o acordão do Recurso Especial, quanto o acordão dos embargos trataram da mateira ventilada pela Fazenda Nacional, senão vejamos: Trechos do acordão do Recurso Especial: “Eis que nessa parte, a ementa aflorada está em conformidade com o voto vencedor prolatado pelo Conselheiro Luis Antonio Flora constante do acórdão recorrido (Acórdão 30237.247) pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidar, trago parte de seu voto (Grifos meus): “Portanto, a decisão recorrida ao descaracterizar a infração qualificada, porque não houve a comprovação de fraude, cancelou tal exigência. Todavia, a imputar à recorrente a multa de oficio (pela falta de recolhimento do imposto), que possui outra disposição legal, extrapolou a sua função de autoridade julgadora, passando, assim, a praticar ato privativo da autoridade preparadora. O que, analisando somente a ementa, poderíamos já entender que, em verdade, o que ocorreu na sessão de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais foi o acolhimento do fundamento expressado no Acórdão Fl. 768DF CARF MF 10 da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, com a negativa do provimento interposto pela Fazenda Nacional. Continuando a análise, remetendome ao voto do redator designado para formalizar a decisão acordada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, vê se claro que o redator adotou a integralidade do acórdão 3023.247, pois a conselheira original relatora desse processo não havia mudado de posição em relação ao julgado na 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, quando participava como presidente de turma. Nesse julgamento da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, recordo que a relatora original do Acórdão nº 9303000.856 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, presidia a sessão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes e naquele julgamento havia dado o voto de qualidade para se excluir a multa por falta de recolhimento do IPI, nos termos do voto vencedor redigido pelo Conselheiro Luis Antonio Flora. Tal informação é de suma importância para o elucidar da dúvida. Eis que, no voto do redator designado por formalizar o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, considerando que a relatora original não mais nos presenteava com sua presença no CARF, consta (Grifos meus): “Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Aprecio o Recurso interposto em nome da Fazenda Nacional e contrarrazões da contribuinte, ambos em boa forma. Por economia, considerando que esta Conselheira é parte do colegiado que julgou a matéria na instância a quo e não mudou de posição, adoto integralmente o acórdão 30237.247, decidido em 24 de janeiro de 2006, fls. 629 a 646, que leio em plenário. Assim sendo, voto por dar provimento parcial ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional, para acolher o lançamento, excluindo dele a parte relativa ao IPI, nos termos do voto vencedor do relator designado." Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303006.831 CSRFT3 Fl. 765 11 Com esse voto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim” “Nos termos do voto do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, notase que, em verdade, o que o redator ad hoc designado quis expor é de que o Colegiado da CSRF havia acordado em manter a exclusão da multa pela falta de recolhimento do IPI, NOS TERMOS DO VOTO VENCEDOR DO RELATOR DESIGNADO NO ÂMBITO DO JULGAMENTO DA 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, pois não poderseia alterar o enquadramento legal na 1ª instância administrativa (DRJ). Assevero que essa decisão da CSRF também se encontra em conformidade com o descrito na ementa do acórdão daquele Colegiado, conforme transcrito novamente: “[...] MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento.” Trechos do acordão dos Embargos: “Voto, quando o redator designado para redigir o acórdão da CSRF já que esclareceu em seus fundamentos que a decisão se direcionou pela exclusão do lançamento na parte relativa ao IPI – que seria por evidente da multa por falta de recolhimento do IPI (multa relativa ao IPI), além de ter adotado o entendimento do redator designado para elaborar o voto vencedor no julgamento realizado na 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes; O voto e o fundamento considerado pelo redator designado quando traz que: (i) a relatora original não alterou o seu posicionamento quanto a exclusão da multa por falta de recolhimento do IPI; (ii) devese excluir do lançamento Fl. 770DF CARF MF 12 a parte relativa ao IPI – lembrando que a única “parte” contestada do IPI é aquela que trata da multa em questão. Continuando, quanto às alegações de omissão trazidas nos embargos apresentados, quais sejam: · De que a relatora originária invocou como fundamento do julgado os mesmos argumentos lançados no acórdão recorrido, deixando de enfrentar as alegações de nulidade trazidas no recurso especial da Fazenda; · De que a decisão no sentido de excluir a multa referente ao IPI não foi matéria questionada no recurso voluntário; · De que a DRJ reduziu substancialmente a multa de ofício, mas tal exoneração deveria ter sido objeto de recurso de ofício e não tendo o acórdão recorrido analisado o recurso de ofício, deve ser declarada sua nulidade; · De que o acórdão recorrido é ilegal, pois entende não ser possível a substituição da penalidade aplicada por outra mais branda, e que deixa de adotar a providência que o colegiado entende cabível, qual seja, a devolução dos autos à unidade de origem para o lançamento da penalidade que entende cabível. Importante trazer que: O redator ad hoc para negar provimento ao recurso especial da fazenda fundamentou seu voto, por economia, adotando os fundamentos do voto vencedor proferido no acórdão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes – o que parece razoável já que a conselheira original relatora já havia se pronunciado sobre a matéria no processo e não havia alterado a sua posição; A decisão da DRJ de se imputar a multa por falta de recolhimento IPI não foi objeto de lançamento pela autoridade fazendária, o que também fica transparente no voto do acórdão da Delegacia (Grifos meus): “[...] Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303006.831 CSRFT3 Fl. 766 13 Ocorre que, em nenhum momento do processo, o AFRF autuante se manifestou expressamente na identificação daquelas figuras (sonegação, fraude ou conluio) no caso concreto, como também não especificou qual a qualificação para o agravamento da penalidade aplicada. Assim, pela ausência na autuação da indicação do fato qualificador da infração, o que inclusive evidencia o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, contrariando comando da Constituição Federal (art. 5°, inciso LV), parecenos cabível a aplicação da multa prevista no art. 364, inciso ll do RIPI(Decreto n°87.981/82, vigente à época), com a redação do novo RIPIDecreto n° 2.637/98, art. 461, inciso I, que tem como matrizlegal o art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Estaríamos diante do direito intertemporal, isto é, a lei incidindo sobre o fato que, concretizando sua hipótese de incidência, acontece durante o tempo em que é vigente.[...]” Dessa forma, é de hialina clareza que, nessa parte, houve excesso pela DRJ, quando imputou novo enquadramento – com multa de natureza diversa daquele que foi objeto do lançamento. Eis que afastou a multa qualificada por falta de requisitos (sonegação, fraude e conluio) para aplicar a multa por falta de recolhimento do IPI. O que, caso houvesse realmente tal pretensão, em respeito ao procedimento a ser observado no âmbito do processo administrativo, deveria essa autoridade devolver os autos à unidade de origem para o lançamento dessa nova penalidade. Em análise dos autos, infiro também que tal mudança de enquadramento com imputação de multa diversa pode ter causado confusão ao sujeito passivo, cerceando sua defesa, já que não estava contemplado em seu controle de contingências, a imputação dessa multa e na ementa do acórdão da DRJ constava no início da ementa menção à multa qualificada e em seu Fl. 772DF CARF MF 14 teor: “Descaracterizada a infração qualificada, não comprovada no processo [...]” O que, a meu sentir, já se justificativa a atitude de o sujeito passivo não ter trazido essa nova matéria (multa com novo enquadramento) em seu recurso voluntário. Sendo assim, ainda que conheça a existência de omissão incidental, vêse que o enchimento do vazio não provocaria efeitos modificativos.” Como a matéria foi decida conforme acima relatado, entendo que a intenção da Fazenda Nacional era no sentido de somente querer rediscutir a matéria. Em vista de todo o exposto, rejeito os Embargos de Declaração. É o meu voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 773DF CARF MF
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