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Numero do processo: 10480.722519/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
Multa Qualificada. Omissão de Receitas.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular), nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Roberto Massao Chinen e Carmen Ferreira Saraiva que mantinham a multa qualificada. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento em parte para reduzir a base de cálculo para apuração do Lucro Presumido.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos. LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. TRIBUTAÇÃO DE APOSTAS E PRÊMIOS. IRPJ E IRRF O IRPJ incide sobre o resultado da aplicação de coeficiente do lucro presumido sobre a receita bruta (total das apostas recebidas), enquanto o IRRF incide sobre os valores pagos a título de prêmios. A empresa que opera AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 19 /2 00 9- 97 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 as apostas é contribuinte de IRPJ em razão das receitas apuradas (no Lucro Presumido, a base de cálculo é a receita bruta), mas é responsável legal pelo recolhimento do IR incidente sobre os prêmios recebidos pelos terceiros, apostadores. São duas tributações com incidências, bases de cálculos e contribuintes distintos. Não há que se falar em tributação bis in idem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular), nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Roberto Massao Chinen e Carmen Ferreira Saraiva que mantinham a multa qualificada. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento em parte para reduzir a base de cálculo para apuração do Lucro Presumido. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a empresa epigrafada foram lavrados os Autos de Infrações para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor de R$ 762.459,42 (valores dos tributos e acréscimos legais – multa qualificada, 150%, mais juros), relativas aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, consoante lançamentos tributários consubstanciados às efls. 04 a 71 e Termo de Verificação Fiscal, efls 74 a 82, do qual transcrevo alguns trechos para o histórico do procedimento fiscal: “[...] Analisando o Contrato Social, lavrado em 06.09.93 e registrado na JUCEPE em 17.09.1993, bem como a Consolidação Simplificada datada de 18.10.2000, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 3 3 verificamos que o objetivo da sociedade é a exploração de brinquedos mecânicos e eletrônicos e administração de sorteios eventuais e permanentes. Consultando o sistema CNPJ da Receita Federal do Brasil verificamos que a fiscalizada apresentou as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica, em todos os anos objeto da presente ação fiscal pelo lucro presumido, sujeitandose ao recolhimento dos tributos federais com base no faturamento. Neste sentido, em 24.03.2009 foi a fiscalizada cientificada da lavratura do Termo de Constatação Fiscal n° 0001, anexo, intimandoa a informar a esta fiscalização a forma de apuração do faturamento da empresa, indicando quais os documentos que deram base aos lançamentos efetuados em seu livro caixa, bem como a apresentar a documentação de suporte aos citados lançamentos. Consultando o Sistema DCTF, verificamos que a fiscalizada apresentou as DCTF relativas aos períodos examinados, tendo sido declarados os tributos e contribuições apurados com base na receita bruta e acréscimos escriturados em seus livros contábeis. [...] Em atendimento ao Termo de Constatação Fiscal n° 0001, a fiscalizada encaminhou em 28.04.2009 o documento anexo, efetuando a entrega dos livros Razão n° 02, 03, 04 e 05 relativos aos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, bem como alguns documentos contábeis dos anos de 2004, 2005 e 2006. Analisando a documentação apresentada pela fiscalizada, constatamos que na pasta relativa ao ano de 2004 constam cópias de extratos bancários e mapas financeiros através dos quais a fiscalizada demonstra a apuração da receita. Constatamos ainda que, relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 2004, o valor do faturamento foi apurado tendo por base o relatório Controle de Máquinas Relatório Fechamento Todos os Representantes. Entretanto o referido relatório só está anexado ao mapa financeiro dos referidos meses de janeiro e fevereiro de 2004. Neste sentido foi a empresa acima identificada, intimada em 26.05.2009, nos termos dos artigos 927 e 928 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3000/99, a apresentar a esta fiscalização, todos os relatórios relativos ao controle de máquinas dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. [...] Em atendimento as mencionadas intimações fiscais, a fiscalizada encaminhou, através do documento anexo, os "Relatórios Controle de Máquinas Relatórios Fechamento Todos os Representantes", relativos aos períodos de: 1) Janeiro a dezembro de 2004; 2) Janeiro a dezembro de 2005; 3) Janeiro a dezembro de 2006; 4) Janeiro a setembro de 2007. Em 02.07.2009 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal anexo, cuja ciência ao sujeito passivo foi efetuada em 08/07/2009, constatando que após análise dos Relatórios de Fechamento Todos os Representantes, encaminhados pela fiscalizada, foi verificado que os valores das receitas contabilizados e declarados Fl. 491DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 pela empresa em sua DIPJ corresponderam à diferença entre as entradas de Máquinas e as Saídas de Máquinas. Neste sentido, foi a fiscalizada intimada a informar a esta fiscalização a natureza e a origem dos valores relativos às entradas de máquinas e as saídas de máquinas, apresentando a documentação correspondente. [...] Sobre a Receita Bruta Jogos de Azar, o Processo de Consulta n° 10/01 da SRRF/9a. Região Fiscal, publicado no Diário Oficial da União de 30.03.2001, dispõe: A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis abrange o valor total das apostas recebidas, independentemente da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL ser apurada com suporte no lucro real, presumido ou arbitrado. Os custos representados pelas apostas pagas à beneficiários não identificados devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real, dado não serem dedutíveis para esse fim. Dispositivos Legais: arts. 186; 224; 246; 249, inc.I; 251, caput e parágrafo único; 269; 274; 275; 279; 300; 304; 516, caput e parágrafos; 518; 519, § 1o e 531 do RIR/99; Decreto lei n° 406/68, com redação dada pelo art. 8o, item 60, letra "b", combinada com a letra "e", e item 79 da Lei Complementar n° 56/87; arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95; art. 29 da Lei 9430/96; arts. 2o e 3o da Lei 9718/98. [...] Voltando ao caso em tela e considerando que a fiscalizada não apresentou nenhum documento comprobatório de que as saídas de máquinas correspondessem às desistências dos apostadores e ainda que nem os valores das entradas de máquinas (supostos créditos dos apostadores) e nem os valores das saídas de máquinas (supostas desistências) foram contabilizados pela fiscalizada, ou seja, todos esses recursos foram mantidos à margem da escrituração, tendo sido contabilizadas apenas as diferenças entre elas, resta a conclusão de que as entradas de máquinas correspondem às apostas realizadas e que as mesmas configuram a receita da exploração da atividade de vídeoloteria no período, haja vista que as supostas desistências não foram comprovadas nem sequer contabilizadas. Por outro lado, considerando que a fiscalizada informou que as receitas escrituradas foram provenientes da exploração de vídeoloterias e que as informações de entradas e saídas de máquinas são provenientes do relatório de controle de máquinas, sendo as entradas de máquinas correspondentes aos créditos dos apostadores, as saídas de máquinas não têm como ser consideradas desistências, uma vez que não foi apresentado nenhum documento para sua comprovação. [...] Tendo em vista que a fiscalizada optou pela tributação com base no Lucro presumido, temos que a receita bruta para efeito de apuração do Lucro Presumido se refere às entradas de máquinas que correspondem ao valor total das apostas recebidas. Neste sentido foi elaborado por esta fiscalização o demonstrativo "DIFERENÇA DE RECEITA A TRIBUTAR", anexo, onde se encontram demonstrados o Total da Receita Bruta Auferida correspondente às Entradas de Máquinas, a Receita informada na DIPJ e a Diferença de Receita a Tributar, que será objeto de lançamento de ofício do IRPJ e tributação reflexa, para instruir a cobrança do crédito tributário correspondente. Falta de Recolhimento do IRFONTE incidente sobre os prêmios pagos. Pagamento a beneficiário não identificado. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 4 5 [...] 3INFRAÇÕES APURADAS Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização e oferecimento à tributação das receitas originárias de suas atividades, correspondentes aos valores intitulados "Entradas de Máquinas". Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados; 4PENALIDADES APLICADAS Tendo em vista os fatos acima mencionados, esta fiscalização verificou que a fiscalizada manteve à margem de sua escrituração, notadamente de seu livro caixa, grande parte das receitas originárias de suas atividades, correspondentes aos valores denominados "Entradas de Máquinas", nos anos de 2004 a 2007, bem como o registro dos pagamentos dos prêmios correspondentes as saídas de máquinas. Assim concluímos que os referidos valores foram mantidos à margem da tributação ao que parece com o fito de impedir o seu conhecimento pelo fisco federal e assim reduzir o pagamento de tributos/contribuições federais, o que pode vir a se consubstanciar em crime contra a ordem tributária, previsto nos incisos I e II do artigo 1o da Lei 8.137/90 e crime de sonegação fiscal, cujos procedimentos encontramse configurados na Lei 4.729/65, art. 1, incisos I e II. Constatamos ainda que a fiscalizada deixou de declarar e recolher o imposto de renda na fonte incidente sobre os pagamentos das premiações decorrentes das apostas realizadas através da exploração de vídeoloterias. [...]” Impugnados os lançamentos tributários, a Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE proferiu o Acórdão nº 11039.745, em 26/02/2013, mantendoos em sua integralidade – efls. 414 a 421. O aresto restou assim ementado: “INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. EXPLORAÇÃO JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis abrange o valor total das apostas recebidas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO É cabível a aplicação de multa qualificada (150%) quando se constata o evidente intuito de fraudar o fisco por parte do contribuinte, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 436 a 466, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) sofreu cerceamento de defesa, pois solicitou reabertura do prazo de impugnação, o que foilhe indeferido; obteve a devolução de livros e documentos fornecidos à fiscalização somente após o encerramento da ação fiscal (11/12/2009), em 17/12/2009, fato que lhe prejudicou o contraditório; por esta razão, em preliminar, requer a nulidade do processo administrativo fiscal e reabertura de prazo para oferecer a impugnação; b) a fiscalização considerou como matéria tributável a totalidade dos valores encontrados na relação “Entradas de Máquinas”, equivalente às apostas realizadas em máquinas de vídeos loterias cuja exploração restou comprovada à recorrente; da relação “Saída de Máquinas” concluiu serem os prêmios pagos aos apostadores exitosos e a coluna “Resultados” a diferença entre as apostas realizadas e os prêmios pagos (Resultados = apostas – prêmios); daí que, depreendese, a consideração dos valores totais de apostas e não do resultado apenas para efeitos de tributação de IRPJ resulta em uma tributação bis in idem, se considerada juntamente com a tributação de IRRF, efetuada sobre os mesmos valores de apostas, procedimento rechaçado pelo Sistema Tributário Nacional; c) os prêmios pagos aos apostadores estão sujeitos unicamente à tributação exclusiva na fonte, pela retenção de percentual sobre os seus valores, nos termos do artigo 676 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99); d) os prêmios pagos, portanto, são receitas daqueles que lhes auferem (terceiros apostadores) e constituem despesas para a recorrente; é incongruente considerar os prêmios pagos como receitas auferidas; adotandose o entendimento esposado no acórdão recorrido, ainda se a premiação fosse em valor superior ao das apostas, a recorrente ainda seria tributada, o que é absurdo, mesmo para as empresas que optam pelo Lucro Presumido; cita acórdãos administrativos para corroborar seu entendimento, doutrina sobre conceitos de receita, invoca o princípio da capacidade contributiva; requer a insubsistência das autuações por realizadas com critérios indevidos; e) insurgese contra a cominação da multa de ofício na forma qualificada, invocando a Súmula nº 14 editada então pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, ressaltando que houve simples apuração de omissão de receitas, sem a autoridade fiscal especificar as condutas que justificariam a qualificação da multa, no caso o evidente intuito de fraudar o fisco. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Leonardo Barbosa Cavalcanti, OAB/DF nº 30.630. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 26/04/2013, efls. 434; Recurso – 22/05/2013, efls. 436 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 5 7 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio erguese sobre três pontos. Em preliminar, sobre a nulidade do processo administrativo em virtude da recorrente só ter pleno acesso aos documentos que fundamentaram as autuações dias após ter sido cientificada dos lançamentos tributários, o que lhe acarretou prejuízo concreto ao exercício do contraditório e ampla defesa. No mérito, insurgese contra a base de cálculo considerada na autuação para a presunção do lucro – valor total de apostas realizadas, no caso atacando veemente os valores considerados a título de receita bruta (faturamento) auferida, em razão de valores embutidos neste conceito haverem sofrido tributação simultânea, exclusiva pela fonte pagadora (a própria recorrente) – valor dos prêmios pagos. I) Da Preliminar Não merece acolhida a argumentação da recorrente que sofreu dano irremediável ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa pela entrega posterior de documentos e livros, que somente foram liberados pela Polícia Federal dias após a ciência das autuações sofridas, na verdade seis dias. Porque, primeiramente, a entrega de tais documentos foi efetuada ainda dentro do prazo concedido para a feitura de sua impugnação. Em segundo, porque, como se pode observar, a entrega de tais documentos em nada modificou ou alterou as alegações da recorrente quanto aos fatos e infrações tributárias contra si impostas. Nem poderia, pois os presentes autos estão instruídos com cópias de toda a documentação, planilhas e fls. dos livros contábeis que embasaram os lançamentos tributários, em nada prejudicando o exercício de defesa da recorrente a devolução dos originais ou outros documentos que não serviram de fundamento para a apuração da matéria tributável. A norma processual em apreço admite, ademais, que haja aditamento à impugnação quando reste demonstrado a impossibilidade de apresentar provas do que se alega no momento oportuno, faculdade não exercitada pela recorrente. Dispõe o artigo 16, § 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 [...] Eis, pois, que o alegado cerceamento de defesa não se concretizou sob qualquer ângulo, condição necessária para que ensejasse a nulidade processual. Afasto a preliminar aventada. II) Do Mérito II.a) Da consideração da receita bruta A fiscalização considerou a título de receita bruta, base de cálculo para apurarse o lucro de forma presumida, o valor total das apostas evidenciado em relações informativas da exploração pela recorrente das máquinas de vídeo loterias, denominadas “Entradas”. A recorrente insurgese veemente contra este procedimento pois entende que os valores pagos a título de prêmios deveriam ser descontados, uma vez sofrerem tributação de IR na forma exclusiva e por retenção da fonte pagadora, ou seja, a própria recorrente. Salienta que a autuação pelo IRRF não recolhido foi realizada sobre os valores estampados em mesmas espécies de relações, sob codinome “Saídas”. Defende que, ainda havendo optado pelo regime de tributação da apuração do Lucro Presumido, há evidente bis in idem sobre a mesma base de cálculo. O raciocínio da recorrente está equivocado. O artigo 519 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) estabelece a base de cálculo para as pessoas jurídicas que optam pela apuração do lucro na forma presumida, remetendo ao art. 224 do mesmo diploma legal: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). [...] Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Os resultados, por conseguinte, das operações realizadas pelo optante ao regime de tributação do Lucro Presumido não é relevante, ainda que resultem em prejuízo à pessoa jurídica. Esta forma de opção para a apuração do lucro é vantajosa para as pessoas jurídicas que não possuem muitos custos (a serem deduzidos quando a apuração é realizada pelo Lucro Real) e evita a aplicação da alíquota do tributo diretamente sobre o lucro real, porém incide sobre o resultado da aplicação de determinado percentual, dependendo da atividade, da receita bruta. Daí decorre a presunção do lucro. E as deduções admitidas pela norma tributária são somente aquelas que o próprio art. 224 do RIR/99, em seu § único, determina: Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o Fl. 496DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 6 9 prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, pois, é vedado aos contribuintes pretenderem usar como base de cálculo para a aplicação do coeficiente (que já estima, presume, a receita líquida) sobre uma receita líquida calculada e não a bruta efetivamente auferida, ou faturamento, no caso em concreto, o valor total das apostas. Há que se lembrar, ainda, que a opção pela forma de apuração do lucro na forma presumida é irretratável para o anocalendário – art. 516, § 1ª do RIR/99: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). A jurisprudência administrativa tem se manifestado neste sentido. Colaciono a ementa do Acórdão nº 10707.7932, de 20/10/2004, ao julgado: IRPJ LUCRO PRESUMIDO O ingresso livre e espontâneo na sistemática do lucro presumido faz supor que o contribuinte conhece de antemão suas regras e que está disposto a abrir mão da apuração contábil em prol da simplicidade de presumir o lucro com base num percentual fixo da receita bruta, acrescido do resultado positivo das demais receitas e negócios. Não há previsão legal para dedução do lucro presumido dos resultados negativos em operações. E não há que se falar em bis in idem ao se deparar com as tributações pelo IRPJ incidente sobre o lucro presumido e o IR retido incidente sobre os prêmios pagos pela casa de apostas aos apostadores bem sucedidos em suas apostas. Vejase, os contribuintes das obrigações tributárias são diferentes. O IR retido pela recorrente incide sobre o rendimento (prêmio) auferido pela pessoa física, o apostador. Este é o contribuinte, responsável direto pela ocorrência do fato gerador – percepção de rendimento. Enquanto o IRPJ incide sobre o faturamento da empresa. A recorrente neste caso é a contribuinte do imposto, enquanto no caso do pagamento do prêmio é mera responsável pelo pagamento do IR pelo terceiro. A hipótese construída pela recorrente se contradiz claramente ao ser aplicada nos demais casos de pagamentos de pessoas jurídicas a pessoas físicas como no caso da relação trabalhista. Pelo seu raciocínio, as empresas que optam pelo lucro presumido deveriam descontar os pagamentos realizado aos seus empregados e cuja responsabilidade de reter os IR sobre os salários pagos também lhe compete. 2 https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 497DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 As hipóteses de incidência, bem como os contribuintes dos tributos são diferentes, para as obrigações de recolher IRPJ sobre o lucro presumido auferido pela recorrente (contribuinte) e reter o IR sobre os rendimentos (prêmios) auferidos por terceiros (apostadores), na qualidade de responsável tributária. Não houve bis in idem, portanto. Pelo ora discorrido, as ilações doutrinárias sobre o conceito de renda e os dois acórdãos administrativos invocados pela recorrente não têm o condão de afastar a aplicação das normas tributárias. II.b) Da aplicação da multa qualificada – 150% Para se avaliar o cabimento da qualificação da multa de oficio, mister é que se interprete o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 – atualmente ( art. 957, inciso II, RIR/1999): Art.957. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...] II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A despeito do entendimento esposado pela recorrente de que não incorreu em crime de sonegação, primeiramente cabe distinguir os ilícitos tributário e penal tributário. Para que o sujeito passivo da obrigação tributária seja penalizado com a multa de oficio qualificada é necessário que o evidente intuito de fraude seja detectado. Ocorre que o legislador, a fim de evitar dissensões doutrinárias, definiu na própria lei o que entende por evidente intuito de fraude lançando mão às figuras descritas em outra norma: nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Portanto, a imposição da multa qualificada decorre de conceituação legal e desta não pode fugir da aplicação, o Auditor Fiscal. Considerase, pela norma tributária, evidente intuito de fraude, lato sensu, as hipóteses descritas nos artigos a seguir transcritos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722519/200997 Acórdão n.º 1801001.680 S1TE01 Fl. 7 11 Observese que esta Lei também não é de natureza criminal, mas tributária, portanto não se pode cogitar do termo nela referido 'sonegação' como um crime. A propósito, as figuras delitivas vinculadas à supressão ou redução de tributo de forma dolosa, no aspecto penal, estão previstas na Lei n° 8.137 em vigor desde 1990 — Crimes contra a Ordem Tributária e as Leis que tratavam dos crimes de sonegação fiscal e da apropriação indébita já foram revogadas. Seguindo o raciocínio ora esposado, se a ação, ou omissão, do sujeito passivo se enquadrar numa das figuras descritas acima, por força de lei, o agente fiscal deve aplicar a qualificação da multa, não estando à sua escolha aplicar ou não a norma tributária. Reproduzo, mais uma vez, parte do Termo de Verificações Fiscais para explicar as conclusões sobre este tópico: 4PENALIDADES APLICADAS Tendo em vista os fatos acima mencionados, esta fiscalização verificou que a fiscalizada manteve à margem de sua escrituração, notadamente de seu livro caixa, grande parte das receitas originárias de suas atividades, correspondentes aos valores denominados "Entradas de Máquinas", nos anos de 2004 a 2007, bem como o registro dos pagamentos dos prêmios correspondentes as saídas de máquinas. Assim concluímos que os referidos valores foram mantidos à margem da tributação ao que parece com o fito de impedir o seu conhecimento pelo fisco federal e assim reduzir o pagamento de tributos/contribuições federais, o que pode vir a se consubstanciar em crime contra a ordem tributária, previsto nos incisos I e II do artigo 1o da Lei 8.137/90 e crime de sonegação fiscal, cujos procedimentos encontramse configurados na Lei 4.729/65, art. 1, incisos I e II. Constatamos ainda que a fiscalizada deixou de declarar e recolher o imposto de renda na fonte incidente sobre os pagamentos das premiações decorrentes das apostas realizadas através da exploração de vídeoloterias. (grifos não pertencem ao original) Há que se dissociar nestes autos a qualificação da multa de ofício aplicada em razão da omissão de receitas apuradas, que ensejaram as exigências ex officio de IRPJ e tributação reflexa (PIS, Cofins e CSLL) e a cominada em decorrência da ausência de retenção de tributos incidentes sobre os prêmios pagos a terceiros, os apostadores, no caso. Esta última será apreciada no processo administrativo fiscal formalizado, em separado, para a exigência do IRRF. No presente caso, a fiscalizada forneceu à fiscalização os relatórios que evidenciaram a receita omitida, bem como os livros contábeis, e respaldou a sua conduta no fato de entender que o valor da receita bruta a ser oferecida à tributação consistia na diferença apurada entre o valor das apostas e dos prêmios pagos. A fiscalização com base nestes dados tributou a receita omitida e não indicou elementos que pudessem vir a caracterizar o evidente intuito de fraude por parte da recorrente. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula nº 14 que deve ser aplicada no caso em apreço: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da Fl. 499DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Destarte, a multa de ofício aplicada nos lançamentos tributários deve sofrer a redução para o percentual regular de 75%. III) Da tributação reflexa – CSLL, PIS e Cofins As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. CONCLUSÃO Voto, por todo o exposto, em afastar a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício aplicada em 150% (qualificada) para 75% (regular). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 500DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13830.722239/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .7 22 23 9/ 20 12 -5 5 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13830.722239/201255 Resolução nº 2202000.512 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA., foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 07, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2008, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 8.133.075,60, relativo ao imóvel rural “Fazenda São José”, com área de 6.740,7 ha, NIRF 0.727.1220, localizado no município de Paraguaçu Paulista/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou as áreas efetivamente utilizadas para plantação com produtos vegetais e pastagens bem como deixou de comprovar o Valor da Terra Nua, razão pela qual esses itens foram alterados e efetuado o lançamento de ofício com base no art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificada do lançamento, por via postal, em 27/09/2012, conforme AR de fl. 282, a interessada apresenta impugnação de fls. 284 a 295, em 26/10/2012, onde alega, basicamente, que a área do imóvel correspondente a 5.880,6 ha, no ano de 2007, era utilizada com cultura de canadeaçúcar, conforme Contrato de Parceria firmado com a empresa Nova América Agrícola Ltda., e para justificar apresenta, nos autos, cópia do Instrumento Particular de Parceria Agrícola, Notas Fiscais de Entrada, Notas Fiscais de Saída de mercadorias, Laudo Agronômico de Comprovação da Exploração do Imóvel Rural; a área de 465,8 ha era utilizada com pecuária de acordo com o Contrato de Arrendamento firmado com Jorge Serodio, para a qual apresenta Demonstrativo do Movimento de Gado, entre outros documentos, que comprovam a altíssima produtividade do imóvel; concorda com o valor da terra nua considerado pela autoridade fiscal de R$ 3.000,00 por hectare; por último, requer perícia técnica, juntada de novos documentos e cancelamento da notificação de lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 Áreas de Produtos Vegetais/Pastagens. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, emitidos em nome do parceiro outorgado tenham vínculo com o imóvel em questão. Matéria Não Impugnada Valor da Terra Nua. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13830.722239/201255 Resolução nº 2202000.512 S2C2T2 Fl. 4 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido A autoridade de primeira instância entendeu por bem restabelecer a área de pastagens, tendo em vista o Demonstrativo do Movimento de Gado, à fl. 542 e Laudo Técnico de Comprovação de Exploração do Imóvel comprovam a área de pastagens e a quantidade de animais apascentados nela em 2007. Portanto, cabe restabelecer a glosa da área de pastagens efetuada pela fiscalização com respaldo na documentação citada, o que consequentemente altera o grau de utilização de 0,0% para 7,0%, mas a alíquota de cálculo e o crédito tributário permanecem inalterados. No que se refere ao Valor da Terra Nua, a autoridade afirmou que a mesma concordou com o valor lançado tendo em vista ter sido expressamente questionada essa parte do lançamento. Insatisfeita a contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. Destaquese os seguintes pontos: que o fazenda objeto da autuação agora pertence a AGROTERRENAS S/A TERRAS, isso por força do processo de cisão da empresa então chamada de NOVA AMERICA S/A – TERRAS pelo que, imperioso a retificação de polo. que restou demonstrado através do Comprovantes de Inscrição e Situação Cadastral que a Recorrente tem sua sede na Rodovia Miguel Deliberador, SP 421, Km 68, em Paraguaçu Paulista, justamente dentro da denominada Fazenda São José. que no instrumento particular de parceria agrícola restou comprovado que embora a parceria do recorrente aponte com exatidão suas inscrições legais consignou como sede como sendo na “Fazenda San Martin” ao invés na “Fazenda São José”, flagrante erro material, jamais antes detectado. que a autoridade julgadora não apreciou com o devido cuidado a documentação apresentada que comprovam a produtividade da Fazenda São José, assinalado em relatório próprio a efetiva quantidade de cana de açúcar apontada em cada nota fiscal e que teve sua produção na chamada Fazenda São José; que várias notas fiscais referemse a fazenda São Jose atestando a inquestionável produtividade do respectivo imóvel; que o Laudo técnico agronômico de comprovação de exploração do imóvel Fazenda São Jose trazido aos autos comprovam de forma categórica a utilização da área em questão. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13830.722239/201255 Resolução nº 2202000.512 S2C2T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão fundamental é a demonstração pelo recorrente da área de produção vegetal. A DRJ não acolheu os argumentos do recorrente por entender que nos autos consta contrato de parceria agrícola firmado com a empresa Nova América S/A – Agrícola e tendo por objeto os imóveis rurais denominados Fazenda São Martin, São José e outras, mas as Notas Fiscais carreadas aos autos não apresentam vínculo com o imóvel em questão. Complementa ainda que os Relatórios apresentados às fls. 565 a 584 não especificam o total de canadeaçúcar produzida em cada imóvel, apenas refletem uma situação geral da safra nos anos 2007 a 2009. Mantendo assim a glosa referente a esse item. Entretanto não há como ignorar que o recorrente traz aos autos laudo técnico de comprovação de exploração do imóvel rural Fazenda de São José, onde registra que a área da fazenda São José corresponde a 5.848,43 há, apresentando imagens do imóveis nos diferentes estágios no período de 2007 a 2009. Entendo que o aproveitamento das áreas declaradas como de produtos vegetais ou exploração extrativa deve ser amparado em documentação idônea que comprove sua efetiva utilização. Não é suficiente para a comprovação a exclusiva menção a tais áreas em laudo técnico ou relatório geral de produção que não vincule diretamente ao imóvel. Diante dos fatos, para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para intimar o recorrente a apresentar no prazo de 20 dias, documentos e provas adicionais que permitam elucidar de maneira clara que o os relatório apresentados referemse efetivamente a Fazenda São José, e não a Fazenda Sam Martin ou outras. Evidências adicionais que demonstrem a vinculação de uma produção diretamente com a Fazenda São José são fundamentais, para que não reste a dúvida que estamos considerando a produção de outra fazenda como sendo da Fazenda São José. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 625DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001490/2007-46
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO.
Caracterizado nos autos o erro de preenchimento de declaração de rendimentos, torna-se necessária a exclusão da parcela do rendimento já declarada pelo contribuinte.
GLOSA DO IRRF COMPENSADO.
Cancela-se a glosa do IRRF quando ficar constatada a correção dos valores informados a esse título na declaração de rendimentos revisada de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do IRRF e considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 442,06 (quatrocentos e quarenta e dois reais e seis centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Caracterizado nos autos o erro de preenchimento de declaração de rendimentos, torna-se necessária a exclusão da parcela do rendimento já declarada pelo contribuinte. GLOSA DO IRRF COMPENSADO. Cancela-se a glosa do IRRF quando ficar constatada a correção dos valores informados a esse título na declaração de rendimentos revisada de ofício. Recurso provido em parte.
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ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Caracterizado nos autos o erro de preenchimento de declaração de rendimentos, tornase necessária a exclusão da parcela do rendimento já declarada pelo contribuinte. GLOSA DO IRRF COMPENSADO. Cancelase a glosa do IRRF quando ficar constatada a correção dos valores informados a esse título na declaração de rendimentos revisada de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do IRRF e considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 442,06 (quatrocentos e quarenta e dois reais e seis centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 14 90 /2 00 7- 46 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, apurado em procedimento de revisão interna da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, em virtude da constatação das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos auferidos da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 14.735,00; e b) dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 442,05, referente à fonte pagadora INSS. O lançamento foi impugnado; em petição de fl. 01, na qual o contribuinte alegou, em síntese, que a “A respeito da cobrança do IRPF exercício 2005 anobase 2004, na qual o mesmo já foi pago no dia 23/02/2007, e também, venho inclusive pedir a anulação do lançamento efetuado”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) considerou a impugnação improcedente ao argumento de que: “Estando o AI de acordo com a legislação de regência, não se vislumbra, portanto, qualquer hipótese que implique a nulidade do lançamento. Sobre o pagamento que o contribuinte efetuou, referente ao imposto a pagar apurado em sua declaração de ajuste anual, apresentada em 26/11/2006, conforme Darf de fl. 06, esclareço ao interessado que o pagamento foi considerado nos cálculos do lançamento, conforme "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" de fl. 05. Cientificado em 11/02/2010, o interessado interpôs recurso voluntário em 10/03/2010, alegando, em síntese, que o valor considerado como omitido pelo lançamento referese ao pagamento do “plano Collor” que a Caixa Econômica Federal efetuou em 2004 e que não lhe teria enviado o respectivo comprovante de rendimentos. Por isso, informou em sua declaração de rendimentos o rendimento pago pela Caixa, mas com o CNPJ do INSS. Requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.001490/200746 Acórdão n.º 2802002.460 S2TE02 Fl. 76 3 O contribuinte alegou em sua impugnação que a cobrança de IRPF exigida já teria sido paga em 27/02/2007, conforme DARF que anexou às fls. 06. De seu exame, percebese que o alegado pagamento referese ao valor do imposto de renda a pagar, apurado na declaração de rendimentos retificadora nº 0737833673, transmitida em 26/11/2006, fls. 07 a 14, objeto de revisão fiscal. Desta, por sua vez, constatase que o contribuinte informou dois rendimentos que teriam sido recebidos de uma mesma fonte pagadora, Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, nos valores de R$ 22.614,19 e R$14.292,96, totalizando R$ 36.907,15, com retenção de imposto de renda na fonte nos valores de R$ 1.440,30 e R$ 442,05, respectivamente, totalizando R$1.882,35. A Notificação de Lançamento, fls. 03 a 05, considerou como omissão de rendimentos o valor de R$ 14.735,00, tendo sido compensado na apuração do respectivo imposto apurado o IRRF no valor de R$ 442,05. O exame preliminar desses dados de lançamento revela, de plano, que este último valor corresponde exatamente àquele que foi objeto de glosa pelo lançamento, motivada pela constatação de compensação a maior do IRRF informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora INSS. Por sua vez, o confronto desses dados de lançamento com a declaração de rendimentos que serviu de objeto para o exame fiscal, tal coincidência também se faz presente. À vista dessa coincidência de valores, a alegação do então impugnante de que a matéria lançada já teria sido objeto de pagamento passa a ser tornar uma hipótese coerente e possível, haja vista que, em procedimentos de auditoria fiscal, a experiência revela que coincidências de valores geralmente conduzem a uma provável duplicidade de processamento desses valores. A busca do fato que deu origem ao processamento de algum valor em duplicidade pode advir de eventual erro de preenchimento de declaração de rendimentos cometido pelo contribuinte. Confirmada tal situação de erro material, o lançamento de ofício do crédito tributário se torna passível de cancelamento. No caso tratado nos presentes autos, constatase que o valor de R$ 14.292,96 – consignado pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos como proveniente da fonte pagadora INSS – corresponde exatamente ao resultado da diferença entre valor que foi considerado como omitido pelo lançamento (R$ 14.735,00) e o valor de R$442,06 (equivalente ao imposto de renda retido na fonte pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal). Com resultado dessa constatação, podese concluir que o contribuinte, ao informar o rendimento auferido pelo seu valor líquido de IRRF, cometera erro material de preenchimento de declaração ao indicar o nome e o CNPJ da mesma fonte pagadora que havia informado na primeira linha do campo denominado RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS PELO TITULAR. Diante dessa circunstância e, com amparo no princípio da verdade material e no princípio da formalidade moderada dos processos administrativos, constatase dos autos que o contribuinte, de fato, cometera erro de preenchimento de sua declaração de rendimentos, uma vez que informara fonte pagadora diferente daquela que obtivera o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento. Por outro lado, uma vez constatado que o contribuinte não declarara o valor bruto do respectivo rendimento, tornase necessário que do valor da base de cálculo lançada (R$14.735,00) seja deduzida a importância de R$14.292,96 já declarada pelo contribuinte, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 porem como se correspondesse à fonte pagadora INSS. Dessa operação, chegase à conclusão que resta como matéria tributável a título de omissão de rendimentos somente a parcela R$442,06. Finalmente, importa ressaltar que, verificada a correção dos valores informados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual a título de IRRF, não há como prosperar a glosa efetivada pela Notificação Fiscal. Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do IRRF e considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 442,06 (quatrocentos e quarenta e dois reais e seis centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.927097/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.
São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional.
Numero da decisão: 3803-004.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e João Alfredo Eduão Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 102 1 101 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.927097/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.382 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (relator) e Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e João Alfredo Eduão Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 70 97 /2 00 9- 11 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 103 2 Relatório A autoridade administrativa por meio do Despacho Decisório nº 843134616, emitido em 07/07/2009, após analisar o PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte em 08/12/2006, verificou que o valor do crédito originalmente informado de R$ 17.747,01 (DARF, cód. 2172, arrecadação em 15/03/2002), fora integralmente utilizado na quitação de outros débitos próprios, não restando saldo credor para a realização da compensação declarada, sendo certo que este foi o motivo da não homologação. Em face disso, o contribuinte manifestou a sua irresignação para reafirmar a sua qualificação de instituição de ensino, sem fins lucrativos, como isenta ao recolhimento da Cofins, com fulcro nos arts. 13, III e 14, X, da MP nº 2.15835/01, vigente por força do art. 2o da EC nº 32/01, e que desenvolve as suas atividades em observância ao disposto no art. 12 da Lei nº 9.532/97, bem assim de acordo com os dispositivos contidos no seu estatuto social. Portanto, por essa razão, em homenagem aos princípios da legalidade e da estrita legalidade (CF/88, arts. 5o, II e 150, I), não poderia o Fisco exigir exação da pessoa jurídica isenta, que recolheu valores a título de Cofins indevidamente, e que realizou compensação respaldada nos artigos 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. Ao final requereu a homologação da compensação realizada. Conclusos foram os autos a julgamento pela 3a Turma da DRJ Curitiba/PR, em sessão realizada em 14/09/2011, que proferiu decisão por meio do Acórdão nº 0633.531, cujo entendimento encontrase sintetizado nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não será homologada a compensação quando constatada a inexistência do crédito pleiteado oriundo de pagamento a maior ou indevido. ISENÇÃO. MP Nº 2.15835/2001. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 104 3 contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente sob os seguintes argumentos: para a obtenção do referido benefício, deve a entidade atender as condições estabelecidas nas alíneas “a” a “e” do § 2º e no § 3º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, (a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; a interessada não trouxe provas capazes de demonstrar que atendeu as condições estabelecidas para o gozo da isenção, ou seja, não se encontra nos autos a comprovação de que as receitas são relativas às suas atividades próprias e de que cumpriu as condições estabelecidas no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Trouxe apenas o seu Estatuto Social, mas este não tem o condão de provar o alegado. a manifestante deve carrear aos autos todas as provas capazes de dar suporte às alegações feitas em sua peça de defesa, conforme previsão do art. 16, III e § 4º do Decreto n.º 70.235, de 1972; são receitas de atividades próprias das instituições a que se referem os arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, isentas da Cofins nos termos do art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835, de 2001, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Sujeitam se à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais. Por conseguinte, não se consideram próprias as receitas provenientes da prestação de serviços e/ou venda de bens, cujo caráter é eminentemente contraprestacional, nas quais atuam como qualquer agente econômico, bem como suas receitas financeiras, as quais constituem seu faturamento, tributável por força dos arts. 2º e 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. ... quando do processamento da Dcomp é feito um confronto entre as informações ali contidas com aquelas prestadas em DCTF, sendo que, no caso, não havia indicativo de pagamento Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 105 4 indevido ou a maior, pelo que é correta a conclusão contida no Despacho Decisório. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e reiterou minudentemente os termos aduzidos na exordial, ressaltando em favor de sua tese de defesa a jurisprudência dos Tribunais administrativo e judicial, para requerer o provimento do apelo e a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos à sua admissibilidade, dele conheço. Como visto as matérias devolvidas para apreciação por esta Corte estão relacionadas a questões de direito e de prova, conforme constatação por meio dos destaques efetuados nos recortes acima transcritos, que passo a examinar. Compulsando os autos constatouse que a recorrente havia disponibilizado elementos de prova, dentre eles verificouse que o seu estatuto social encontrase em observância com os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais ensejadores do benefício da isenção pretendida, conforme se depreende do contido nos artigos 1o, 3o, 12 e 19, neste encontrase assinalado, resumidamente, que: 1. É uma associação constituída por tempo indeterminado, sem fins econômicos, de caráter educacional; 2. A Associação não remunera nem distribui lucros, bonificações ou vantagens a qualquer título, para dirigentes, associados, membros do conselho fiscal e mantenedores, sob nenhuma forma ou pretexto...., e sua renda será integralmente aplicada em território nacional, na consecução e no desenvolvimento de seus objetivos sociais. 3. Os membros da diretoria executiva e conselho fiscal não perceberão nenhum tipo de remuneração, de qualquer espécie ou natureza, pelas atividades exercidas na SPEI (CNPJ 77.667.822/000155), dentre outras. (Grifei). A corroborar com contido no estatuto social, pelo menos em relação aos rendimentos percebidos, os diretores presidente e financeiro que o subscrevem, apresentaram suas declarações de ajuste anual relativa ao exercício de 2003 (IRPF), donde se constata que a fonte remuneradora dos mesmos tem o CNPJ diverso daquele correspondente à instituição de educação sem fins lucrativos SPEI. Verifiquese: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 106 5 Ademais disso há outros elementos materiais carreados aos autos pela interessada, os quais não foram examinados pelo juízo a quo,dentre os quais cumpre mencionar a DIPJ/2003, que informa em seus campos específicos dados atinentes à composição da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e da Cofins (Fichas 19A e 20A), da Ficha 30A que discrimina os elementos insertos no balanço patrimonial dessa instituição encerrado em 31/12/2002; e da Ficha 41, que informa a origem e aplicação de recursos e, finalmente, os rendimentos de dirigentes (imunes/isentos), além dos recibos correspondentes à entrega das declarações de ajustes de pessoa física anual simplificada ano de exercício 2003, que informam acerca do patrimônio, da renda e dos serviços prestados, além das fontes desses rendimentos. É a recorrente aduzindo suas razões acerca da existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito à pretensão do Fisco (CPC, art. 333, II). Não obstante as informações até então extraídas dos autos abrese aqui um parêntese para o registro de uma constatação a ser compartilhada com os pares, no que atine à disposição das peças processuais no sistema Eprocesso, todas elas inseridas de maneira apartada das demais, sem numeração e sem data da respectiva juntada aos autos, inclusive o estatuto social, já assinalado pelo juízo a quo.. Não há como prever que os elementos de prova tenham sido colacionados juntamente com a manifestação de inconformidade, ou se posteriormente com a interposição do recurso voluntário, ou mesmo quais delas o foram no primeiro, ou no segundo momento, o que sobremaneira põe em risco todo o esforço desenvolvido na apreciação da lide. A descrição deste cenário impossibilita a formação do convencimento do julgador, pois não há como se fazer uma análise adequada dos fatos, nem a fixação de um juízo de valor isento acerca dos fatos relevantes ou até os inexistentes. No mais passo à apreciação da questão de direito que é tão relevante quanto a análise de provas, inclusive exercendo precedência sobre esta, eis que o pronunciamento sobre o tema isenção certamente tenderá a influir na questão probatória. É que prevalecendo a tese de usufruto do beneplácito para a interessada o pagamento poderá se converter em indébito, em caso de a recorrente não ser contribuinte de outros tributos federais. OS INSTITUTOS JURÍDICOS DA IMUNIDADE E DA ISENÇÃO Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 107 6 A Constituição Cidadã, gênese da introdução das normas e regras de incidência tributária no nosso ordenamento jurídico, ao tratar do sistema tributário nacional, remeteu à lei complementar às questões atinentes à regulação das limitações ao poder de tributar e ao estabelecimento de normas gerais em matéria tributária, notadamente fazendoo por meio do seu artigo 146, II e III, ‘a’, respectivamente, tudo isto ante a relevância do papel da educação e das instituições de ensino, conforme dispõe o artigo 205 e seguintes da CF/88,cujo objetivo é a transferência de conhecimento. A isenção relacionada à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no plano constitucional, encontra amparo no artigo 195, § 7o, que dispôs que são isentas dessa contribuição as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Complementarmente, veio a Lei nº 5.712/66 (CTN), com status de complementar, a prescrever normas basilares sobre a isenção, cuja observância possibilita o usufruto desse beneplácito, através dos seus artigos 9o, IV, ‘c’, e 14, ao mesmo tempo limitando o poder de tributar mediante vedação aos entes políticos da cobrança de imposto sobre o patrimônio, a renda ou serviço das instituições de educação, sem fins lucrativos. No plano infraconstitucional, com o advento da Lei nº 9532/97, surgiram regras específicas direcionadas à imunidade da Cofins, expressamente vinculadas ao disposto no art. 150, VI, ‘c’, CF/88, a serem observadas pelas instituições de educação sem fins lucrativos, principalmente ao que se relaciona ao contido no § 2o e alíneas seguintes. É o que se depreende do disposto no seu art. 12, in verbis: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos.(Grifei). § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 108 7 e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Inferese do texto legal que a imunidade expressamente mencionada no artigo 12 da Lei nº 9.532/97 (de que trata o art. 150, VI, “c”, cf/88), tem como condição sine qua non à prestação de serviços colocados à população em geral, sem fins lucrativos, que constituam o objeto da instituição educacional, isto em complementação às atividades prestadas pelo Estado. Nessa situação não há exigência de contraprestação pelo beneficiário. As vedações expressas no inciso VI, “c”, do artigo 150 da CF/88, compreendem somente o patrimônio, a renda, e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Logo, smj, no que pertine ao sentido e alcance da aplicação da norma legal ao caso concreto sob exame, o enfoque a ser utilizado para o deslinde da querela devese pautar sobre a égide da imunidade, em razão da hipótese normativa descrita na Lei maior e das regras de não incidência tributária ordenadas no conseqüente, no âmbito constitucional. Fixada a premissa estabelecida no caput do artigo 12 desse mandamus, o beneplácito da exclusão do campo de incidência tributária estabelecido para a instituição de educação, sem fins lucrativos, faz surgir o dever imprescindível para a autoridade administrativa de verificação, de observância da regularidade do cumprimento dos requisitos obrigatórios estabelecidos para essa instituição, que estão relacionados no § 2o e alíneas desse artigo. A finalidade dessa verificação é constatação da existência de transgressão ou não pela usufrutuária às regras garantidoras da imunidade que lhe foi conferida. Isto porque a imunidade em questão abrange todos os impostos que possam reduzir o patrimônio, prejudicar as atividades ou os serviços típicos desenvolvidos por essa instituição, ou comprometer sua renda. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 109 8 De igual modo se dá o tratamento em relação a isenção. No sentido de preservar este benefício que lhe foi destinado a recorrente invocou os dispositivos contidos no artigo 14, III, da MP nº 2.15835/01, litteris: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...); X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...); III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Sobre os temas em apreço a decisão a quo se mostrou silente. AS RAZÕES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, é utilizada subsidiariamente nos julgamentos de processo administrativo fiscal, por força do disposto no seu art. 69, e o art. 50 deste mandamus estabeleceu que os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; ou imponham ou agravem deveres, encargos, ou sanções; ou quando decidam processos administrativos, dentre outras. De acordo com regras suso mencionadas deveria a autoridade coatora antes de trazer para o mundo jurídico o despacho decisório a ser refutado pelo sujeito passivo, terse utilizado para as suas pretensões, necessariamente, de um vasto conjunto de provas e somente após a “certeza” da subsunção do conceito do fato com o conceito da norma é que deveria ser possível a edição do tal documento administrativo. E não foi o que aconteceu efetivamente, pois a fiscalização não logrou evidenciar, de forma inconteste, a razão da perda da isenção em relação à Cofins. Portanto deve ser questionada a eficácia desse despacho decisório, por não haver cumprido com os pressupostos legais contidos no art. 50 da Lei nº 9.784/99. Portanto, repitase, caberia à autoridade administrativa decidir, inicialmente, se a interessada é imune ou se isenta, e depois disso, se ela está fazendo jus ao beneplácito, o que se dá pela via de utilização dos sistemas de dados da instituição administrativa, mediante as informações já fornecidas pela própria contribuinte, inclusive se a mesma remunera os seus dirigentes de forma adequada ou não, e se apresenta, regularmente, as suas declarações de ajuste anualmente da forma preconizada em lei. Para tanto não depende da audiência com o sujeito passivo. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 110 9 Optou o juízo hostilizado, nesta parte, simplesmente a justificar que a interessada não trouxe provas capazes de demonstrar que atendeu as condições estabelecidas para o gozo da isenção, pois não trouxe aos autos a comprovação de que as receitas são relativas às suas atividades próprias e de que cumpriu as condições estabelecidas no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, ora essa atribuição é da fiscalização, que dela procura se eximir transferindoa à recorrente. Noutra parte a decisão de primeira instância entendeu ser atividades típicas de entidades de ensino sem fins lucrativos aquelas decorrentes de contribuições , doações e subvenções por elas recebidas, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional, assertiva esta não condizente com os termos das leis mencionadas pela própria autoridade administrativa, como condicionantes ao usufruto da isenção. Nesse passo também entendeu que se sujeitam à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais.; Ora, como pode a autoridade administrativa aplicar tais conceitos ao caso concreto para descaracterizar o direito da recorrente à isenção, se no seu entendimento a recorrente por ocasião de sua manifestação de inconformidade sequer colacionou aos autos documentos probantes de sua condição de isenta, ressalvado o seu Estatuto social aventado na decisão de primeira instância, já que os demais elementos probantes foram dispostos no sistema Eprocesso como peças apartadas, e não foram apreciadas pelo juízo de primeira instância?. Ou será que apresentou todas as provas e apenas foi verificado o estatuto? Como aplicar os institutos do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 a este caso? Como poderia a autoridade administrativa supor que não havia indicativo de pagamento indevido ou a maior, se sequer havia se pronunciado acerca da isenção do sujeito passivo em relação à Cofins? A imunidade não está restrita apenas à renda decorrente do objeto social da entidade, porém de toda aquela auferida de forma regular, visando resguardar o seu patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação. A título exemplificativo, a corroborar com esta tese, transcrevese jurisprudência onde o Poder Judiciário ao apreciar recentemente mais uma questão atinente à imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c”, da Constituição Federal, assim se pronunciou: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DECIDIDOS MONOCRATICAMENTE. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO PREVISTO NO ART. 557, § 1º, DO CPC. INSTÂNCIA RECURSAL NÃO ESGOTADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 281/STF. DECISÃO QUE SE MANTÉM POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 1. O agravo é inadmissível quando interposto contra decisão suscetível de impugnação na via recursal ordinária. O esgotamento da instância é condição de acesso à via do apelo extremo. Precedentes: AI 670.775AgR, Rel. Min. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 111 10 CÁRMEN LÚCIA, 1ª Turma, DJe 17.4.2009 e AI 713.039AgR ED, Rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJe 25.9.2009. 2. Deveras, não foi interposto o agravo previsto no art. 557, § 1º, do CPC, contra decisão monocrática proferida nos embargos de declaração. 3. Incidência da Súmula n. 281/STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada . 4. In casu, o acórdão recorrido assentou: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL IMUNIDADE TRIBUTÁRIA INSTITUIÇÃO DEDICADA À ASSISTÊNCIA SOCIAL ARTIGO 150, VI, C DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ARTIGO 14 DO CTN LEI Nº 9532/1997 EXCLUSÃO DA IMUNIDADE DOS RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL AUFERIDOS EM APLICAÇÕES FINANCEIRAS VIGÊNCIA SUSPENSA. 1. A Constituição Federal assegura imunidade tributária às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, no que se refere à instituição de impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços relacionados às suas finalidades essenciais, desde que sejam cumpridos os requisitos contidos no art. 14 do CTN. 2. O parágrafo 4º do artigo 150 da Constituição, ao determinar que a imunidade concerne apenas ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com suas finalidades essenciais, não exclui os rendimentos decorrentes das aplicações financeiras que são vertidos aos objetivos da própria entidade, como ocorre com a renda auferida a partir das suas atividades assistenciais, ou mesmo da comercialização de seus bens. 3. A imunidade não é restrita apenas à renda decorrente do objeto social da entidade, mas sim toda aquela auferida de forma regular visando resguardar o seu patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação, como ocorre com as aplicações financeiras. 4. O art. 12, § 1º da Lei nº L. 9.532/97, lei ordinária, excluiu da imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. 5. Ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, que determina competir à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. 6. A imposição tributária também estaria tributando o patrimônio da entidade, o que é vedado pela Constituição Federal, porquanto as aplicações financeiras não têm a finalidade de auferir lucros, mas sim de resguardar o patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação. 7. O dispositivo teve sua vigência suspensa por força de decisão proferida em Medida Cautelar na ADIN nº 1802. 5. Agravo Regimental a que se nega provimento. (/ag.REG no AI 740.563/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 02/04/2013 http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 3678683.). Precedentes: AI 670775 AgR(1ªT) e AI 713039 AgRED(2ªT), dentre outros. (Grifei). Vêse por todo o exposto que o juízo de primeira instância não resolveu adequadamente a questão de direito posta à sua apreciação, eis que o deslinde da querela necessariamente passaria pela declaração ou não de imunidade/isenção, com repercussão no recolhimento da Cofins indevida, por conseguinte com influência no resultado a ser adotado no despacho decisório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 112 11 A CONCLUSÃO. DO DIREITO E DA PROVA. O ordenamento jurídico prescreve regras que indicam os caminhos que devem ser percorridos pela administração e pelo administrado, norteados pela aplicação de princípios dentre eles o da legalidade (art. 153, § 2º, da CF), o da imparcialidade que decorrente do art. 153, § 1º da CF, o da oficialidade, o do informalismo em favor do Administrado, o da Publicidade e o do devido processo legal. A lei descreve uma hipótese normativa e prescreve um comportamento (regra) a ser realizado pelo cidadão no mundo fenomênico (fato). A subsunção do fato à norma traz uma implicação intranormativa, fazendo surgir uma obrigação tributária, um sujeito ativo possuidor do direito subjetivo de exigir uma prestação e um sujeito passivo obrigado ao pagamento dessa prestação. O descumprimento da obrigação faz surgir uma norma individual e concreta direcionada ao sujeito passivo, desta feita sancionatória para exigência da exação ante o não cumprimento da obrigação. É exatamente sobre esta questão que deveria se debruçar a decisão de piso e não o fez, pelo menos satisfatoriamente. Vejamos. O juízo a quo sustentou que a entidade deveria atender às condições estabelecidas nas alíneas “a” e “e” do § 2º do artigo 12 da Lei nº 9.532/97, quais sejam: (a) não remunerar por qualquer forma seus dirigentes pelos serviços prestados; e (b) apresentar, anualmente, a declaração de rendimentos em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal. Aparentemente nos parece haver a recorrente atendido a estes dois pressupostos, pelo menos, é o que se depreende do conteúdo do estatuto social e das declarações de ajuste anual – DIRPF e da DIPJ. Igualmente se encontram as assertivas formuladas pela recorrente, que alega fazer jus à isenção, ao buscar os fundamentos de suas razões de defesa nos mesmos pressupostos legais utilizados pelas autoridades administrativas para condenála (artigos 13, III e 14, X, da MP nº 2.15835/01; artigo 12 da Lei nº 9.532/97). Há também o despacho decisório que informa acerca da existência de pagamento de Cofins realizado por meio de DARF. Nessa seara a autoridade administrativa não logrou demonstrar qual a irregularidade cometida pelo sujeito passivo, que resultou na perda da isenção, por conseguinte na não homologação da compensação declarada, pois adimplidas foram as duas condições elencadas na decisão de primeira instância. Logo, uma vez pautandose a recorrente pelo caminho que conduz à isenção nos termos de lei específica, e não preponderando à tese apresentada pela parte oponente, não há se falar em pagamento de Cofins, surgindo o direito à repetição do indébito e ao reconhecimento mediante à homologação da compensação declarada, de acordo com os textos legais retromencionados. No que atine à produção das provas temse que elas podem ser direta, indireta e presunção relativa ou absoluta. A sua construção passa por um processo lógico a partir do Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 113 12 fato conhecido, cuja existência é certa, para se inferir acerca do fato desconhecido, cuja existência é provável. Os conceitos, indícios e presunções são de uma complexidade que certamente mereceria a realização de um trabalho investigativo, pois a verdade material é a base de sustentabilidade do processo administrativo tributário, e provém da observação dos fatos, da investigação e da experiência obtida da análise aprofundada das evidências, não se resume a mera presunção constituída à base de indícios, que por si só, não têm o condão de fixar juízo de valor consistente, inconteste. Ante as circunstâncias constatadas durante a análise dos fatos e da legislação aplicável ao caso, quanto ao que se relaciona às provas disponibilizadas, é certo que nem todas foram objeto de apreciação pelo juízo a quo, bem assim restou demonstrada a impossibilidade de sua apreciação com isenção. Para suplantar a questão do ordenamento das provas nos autos e para que seja dada a oportunidade de o juízo de piso delas conhecer e se pronunciar a seu respeito, necessariamente deverá passar pela questão de direito, sendo uma ocasião para aquele órgão judicante se pronunciar a respeito da isenção já que não o fez. Isto posto pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem para que seja informado acerca dos documentos carreados aos autos e também acerca da imunidade/isenção tributária com vistas ao recolhimento da Cofins pela recorrente, oportunizandose a realização de um processo investigativo amplo, para também informar acerca das receitas percebidas e se há outros tributos federais a incidir em face da recorrente. Não sendo este o entendimento dos pares, excepcionalmente, sugiro pelo acolhimento das provas carreadas aos autos em homenagem ao princípio da verdade material, do informalismo e da razoabilidade. Neste sentido segue a jurisprudência majoritária do CARF, de cuja ementa transcrevese a parte que interessa à formação do juízo: IRPF – PROVA DOCUMENTAL – ADMISSIBILIDADE Em respeito aos Princípios da Ampla Defesa, da Verdade Material e da Informalidade do Processo Administrativo deve ser aceita e recebida a prova documental em qualquer fase do processo. Recurso provido (Acórdão 10247418, PAF 10410.006313/200354, Rel. Romeu Bueno de Camargo) Com estas observações e vencidas as demais possibilidades de ocorrências pugno pelo provimento do recurso interposto por tudo o que consta dos autos. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 114 13 De início, ressaltese que, no presente caso, não há que se arguir a aplicação da imunidade tributária, pois, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 19881, a imunidade ali prevista, que alcança também as instituições de educação sem fins lucrativos, se restringe aos impostos, não alcançando, por conseguinte, as contribuições sociais, nas quais se inclui a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Notese que a imunidade tributária prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal2, relativa à contribuição para a seguridade social, destinase apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, dentre as quais não se incluem as instituições de educação sem fins lucrativos. Resta perquirir, portanto, quanto a uma possível isenção, nos termos pleiteados pelo Recorrente, valendose da previsão contida no art. 14, inciso X, da Medida Provisória (MP) nº 2.15831/01, verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 133. Verificase do dispositivo legal que a isenção ali prevista se restringe às atividades próprias das entidades identificadas no art. 13 da mesma lei, dentre as quais se incluem as instituições de educação que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos, nos termos previstos no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Vêse que a lei faz o uso de um termo jurídico indeterminado, ou seja, de uma norma em branco, qual seja: atividades próprias das entidades de educação sem fins lucrativos, previsão essa que se constitui em uma norma aberta, a depender de aclaramento por parte do intérprete ou regulamentação para sua fiel execução. Uma norma aberta é aquela que contém um conceito aberto, conceito esse “que possui contornos semânticos flexíveis e impede a generalização das situações fáticas. 4” 1 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; 2 Art. 195 (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 3 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 115 14 De acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ) 5, “[deve] o magistrado se valer dos meios de interpretação colocados à sua disposição para adequar condutas, preencher conceitos abertos e, por fim, buscar a melhor aplicação da norma de acordo com a finalidade do diploma em que ela está inserida”. (grifei) A lei não define o termo “atividades próprias”, tarefa essa que veio a ser realizada, no âmbito federal, por meio da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, que assim delimitou o termo: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Salientese que, em conformidade com o art. 100, inciso I. do Código Tributário Nacional (CTN) 6, as instruções normativas, por se constituírem atos normativos expedidos por autoridade administrativa, são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, compondo a chamada legislação tributária7. Acredito que a lei, ao restringir o alcance da isenção às receitas das atividades próprias, buscou afastar qualquer interpretação de cunho universalizante, pois, se assim não fosse, teria dito melhor se tivesse se referido à receita bruta, conceito esse já assente nas normas contábeis, comerciais, fiscais, civis etc., como englobando a totalidade dos ingressos de recursos na contabilidade das pessoas jurídicas. A lei tributária, ao restringir a isenção às receitas próprias, deixou evidente a não abrangência de todas as receitas auferidas pela instituição, pois, se assim não fosse, ela estaria nomeando o fato gerador de uma contribuição valendose de um termo não utilizado na Constituição para definir a competência da União, o que vai de encontro ao disposto no art. 100 do CTN8. 4 Tribunal de Justiça do Paraná. Processo HC 4525842 PR 04525842, Relator(a): Carlos A. Hoffmann, j. 13/12/2007, Órgão Julgador: 4ª Câmara Criminal, Publicação: DJ: 7530. 5 HC 168610 / BA 2010/00637544, Relator(a) Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, j. 19/04/2012. 6 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; 7 CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 8 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 116 15 Não se pode perder de vista que, nos termos do art. 111, inciso II, do CTN9, a legislação tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, previsão essa válida e vigente, de observância obrigatória por parte da Administração Pública. Nesse sentido, conforme já havia apontado o relator a quo, são receitas de atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional, sujeitandose à incidência da contribuição as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços. Notese que o ato normativo restringe a isenção às receitas decorrentes de atividades destituídas de caráter contraprestacional, o que exclui as receitas oriundas da prestação de serviços. No Demonstrativo dos Resultados do Exercício trazido aos autos junto à peça recursal, consta que quase 100% das receitas percebidas pela instituição decorrem da prestação de serviços, situação essa que impede a sua inclusão no rol das receitas de atividades próprias. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região já decidiu em conformidade com a tese ora esposada nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ASSINATURA DO RECURSO COFINS ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS MP Nº 2.158/2001 ISENÇÃO IMPOSSIBILIDADE ATIVIDADES PRÓPRIAS DESPROVIDAS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL DIRETO REQUISITO IN Nº 247/02 LEGALIDADE. 1. (...) 2. A COFINS incide sobre o faturamento, assim entendido como a receita bruta obtida em função da comercialização de produtos e da prestação de serviços, sendo certo que a definição, o conteúdo e alcance do termo hão de ser hauridos do direito privado, segundo precisa dicção do art. 110 do CTN. 3. O E. STF assentou entendimento de haver identidade entre os conceitos de faturamento e receita bruta. 4. O faturamento corresponde às receitas advindas com as atividades que constituam objeto da pessoa jurídica, ou seja, a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, ou exclusivamente de serviços, de acordo a atividade própria da pessoa jurídica, se mercantil, comercial, mista ou prestadora de serviços, conforme se infere da exegese fixada pela Corte Constitucional. 5. A instituição de educação ou de assistência social prevista pelo art. 12 da Lei nº 9.532/97, mencionada pela MP nº 2.158/2001, é aquela "que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 9 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 3803004.382 S3TE03 Fl. 117 16 atividades do Estado, sem fins lucrativos". 6. A IN SRF nº 247/02 prevê no art. 47 como requisito para a isenção da COFINS que as receitas derivadas de "atividades próprias" sejam desprovidas de "caráter contraprestacional direto". 7. Precedente do Superior Tribunal de Justiça. (AMS 00067817120084036100, AMS APELAÇÃO CÍVEL – 312678, Relator: Desembargador Federal Mairan Maia, TRF3, Sexta Turma, j. 8/11/2012, Dt.publicação 22/11/2012) Grifei Diante do exposto, concluise pela inaplicabilidade da isenção às receitas auferidas pela instituição de educação, receitas essas decorrentes da prestação de serviços, cujo caráter contraprestacional é evidente, em razão do que voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2013 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 08/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.932846/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.207
Decisão: Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 32 84 6/ 20 09 -0 7 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10680.932846/200907 Resolução nº 1401000.207 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de pedido de compensação que foi julgado improcedente, por bem resumir a questao adoto o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 5.152.746,62. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 848543895 anexado à fl. 31, exarado aos 07/10/2009, que assim se manifestou: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período ". Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei no 5.172, de1966 (CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF NÃO HOMOLOGA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. Manifestação de Inconformidade O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/10/2009, conforme documento à fl. 79. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 10, onde, em síntese, argumenta: ▪ A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. ▪ Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de setembro/2006 no montante de R$ 26.813.883 , informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. ▪ Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ(estimativa mensal) para o período, "apurando uma nova estimativa de IRPJ no valor de R$21.661.137,10, que "acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$ 5.152.746,63 ".(grifo e negrito do original) ▪ A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. ▪ A autoridade fiscal não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. "Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10680.932846/200907 Resolução nº 1401000.207 S1C4T1 Fl. 4 3 homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)". Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n°9.430, de 1990”. Invoca os arts. T, e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada". Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. Argumenta que "a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês." Informa a retificação da DCTF, "tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário". Ressalta que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou "a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio. ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação". Em outra linha argumentativa, o manifestante "requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN". Destaca ainda que "na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional". Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante da manifestação de inconformidade apresentada o contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.80). Em face de tais argumentos, entendeu a 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, considerar improcedente a manifestação de inconformidade para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito não homologar a compensação em litígio neste processo, nos seguintes termos: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10680.932846/200907 Resolução nº 1401000.207 S1C4T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada, vem a recorrente, em face do referido acórdão, apresentar Recurso Voluntário perante o Conselho de Contribuintes. Analisando o que foi anteriormente exposto, verificase que a decisão recorrida abstevese de verificar a existência do suposto pagamento a maior efetuado pela contribuinte a título de recolhimento de estimativa sob o argumento que as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. Dessa forma, e considerando a observância ao princípio da verdade material, determina o retorno do processo para que seja verificado expressamente a ocorrência e ovalor efetivamente recolhido a maior pelo contribuinte. Após a referida verificação intimese o contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência. assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator De acordo: assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10435.720196/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO.
Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetem-se às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A questão sobre a exigibilidade da multa de oficio e dos juros de mora das instituições financeiras em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial pode ser cessada antes da realização da execução.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetem-se às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A questão sobre a exigibilidade da multa de oficio e dos juros de mora das instituições financeiras em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial pode ser cessada antes da realização da execução. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A questão sobre a exigibilidade da multa de oficio e dos juros de mora das instituições financeiras em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial pode ser cessada antes da realização da execução. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 01 96 /2 00 7- 81 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 122 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BANCO BANORTE S/A EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/04, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao imóvel denominado Fazenda Caraíbas (NIRF 5.179.8042), exercício 2005, no valor de R$ 6.214,26, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2007. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do ITR devido, em razão do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com valores extraídos de Laudo de avaliação emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.72/78, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/REC nº 1131.980, de 18/11/2010, fls. 84/94. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/03/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 97, o contribuinte apresentou, em 11/04/2010, recurso voluntário, fls. 99/109, onde suscita que a Notificação padece do vício da nulidade absoluta, dada a imputação da obrigação de pagamento de pena pecuniária por infração de leis e de juros de mora, parcela a cujo pagamento está a recorrente legalmente impedida. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 123 3 que a teor do disposto no art. 18, “d” e “f”, da Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974, a instituição financeira que se encontra sob o regime de liquidação extrajudicial está dispensada do pagamento da multa de ofício e dos juros de mora. É o Relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 124 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em nulidade do lançamento. Em relação à multa de oficio e aos juros de mora, o recorrente alega que pelo fato de se encontrar em regime de liquidação extrajudicial, os mesmos não poderiam ser exigidos, fundamentandose no art. 18, letras “d” e “f”, da Lei n° 6.024, de 13 de março de 1974. Segundo o art. 60 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a partir de 1° de janeiro de 1997, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, sendo certo que, relativamente à multa de oficio e aos juros de mora, aplicáveis às pessoas jurídicas, a legislação tributária não prevê nenhuma exceção para as empresas que se encontram em regime de liquidação extrajudicial. A Lei n° 6.024, de 1974, que dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, estabelece no artigo 18, letra “b”, citado pelo recorrente, sobre a não fluência de juros, enquanto não integralmente pago o passivo. A mesma Lei n° 6.024, de 1974, prevê no art. 19 que a liquidação extrajudicial cessará, se os interessados, apresentando as necessárias condições de garantia, julgadas a critério do Banco Central do Brasil, tomarem a si o prosseguimento das atividades econômicas da empresa (letra “a”) e, também, se decretada a falência da entidade (letra “d”). O DecretoLei n°7.661, de 21 de junho de 1945, dispõe no art. 23, parágrafo único, inciso III, que não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. E, também, a Súmula do Supremo Tribunal Federal n° 192, estabelece que não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 125 5 Ocorre que a Lei n° 6.024, de 1974, em seu art. 18, alínea “b”, dispõe sobre a não fluência de juros enquanto não integralmente pago o passivo e o DecretoLei n° 7.661, de 1945, art. 23, III, estabelece que não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração de leis penais e administrativas. Como se vê, a questão sobre a exigibilidade ou não das multas ou juros deve ser tratada na fase de execução. A Súmula 192 do STF dispõe sobre a nãoinclusão de multa fiscal, com efeito de pena administrativa, no rol de créditos habilitados, em processo de falência, a evidenciar que a matéria somente deve ser enfrentada na fase de execução. Com base nos mencionados arts. 18 e 19 da Lei n° 6.024, de 1974, art. 23, parágrafo único, inciso III, do DecretoLei n° 7.661, de 1945 e na Súmula do STF n° 192, evidenciase que a questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio e dos juros de mora das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. Destarte, não cabe ao julgador declarar indevida a aludida exigência de multa e juros, quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. Vale dizer que o entendimento acima exarado é corroborado pela seguinte decisão da Primeira Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão nº 0101000.774, de 14/12/2010: MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sob essa ótica, na ausência de previsão legal em sentido contrário, cabe a incidência de multa de ofício sobre tais empresas quando a irregularidade constatada assim o exigir. Assim, correta a aplicação da multa de oficio de 75% e a fluência de juros de mora sobre o crédito tributário constituído. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10435.720196/200781 Acórdão n.º 2102002.585 S2C1T2 Fl. 126 6 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10830.904648/2009-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor da receita financeira constante da sua escrita contábil e fiscal anexa aos autos nos termos, do voto do relator. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Relatório
Cuida-se o processo de pedido de restituição originado em crédito de COFINS recolhido indevidamente ou a maior, apurado no período de 31.05.2005, com o objetivo de extinguir débito de IRPJ no valor de R$ 31.277,40.
À fl. 02 está anexo o despacho decisório em face de Bombardier Recreational Products Brasil Ltda, CNPJ n° 02.666.299/0001-43 por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão.
Ocorre que a empresa Bombardier Recreational Products Motores da Amazônia Ltda, CNPJ n° 22.782.833/0001-94, apresentou a Manifestação de Inconformidade à fl. 01, que por sua vez não teve o mérito apreciado pela DRJ de Campinas, tendo em vista que esta decidiu às fls. 66 e seguintes, por meio de resolução, por encaminhar os autos para a DRF de Manaus, uma vez que aquela não era mais competente para decidir em razão da mudança do domicílio tributário do sujeito passivo.
À fl. 70 a DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foi utilizado na quitação de outros débitos da Recorrente.
Deste modo, à fl. 77 a Recorrente foi devidamente cientificada do despacho decisório acima mencionado e a RFB aceita como tempestiva a Manifestação de Inconformidade já apresentada à DRJ/Campinas à fl. 01, por intermédio da qual a contribuinte requer a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que retificou a DCTF para a exclusão da base de cálculo da COFINS de valores sujeitos à alíquota zero.
Assim, às fls. 79/82 foi exarado o Acórdão n.º 0124.406 da 3 ª Turma da DRJ/BEL, que teve lavrada a seguinte ementa:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/05/2005
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA.
O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratando-se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido
Analisando o acórdão acima prolatado, observa-se que este fundamentou o indeferimento do pedido de compensação nos efeitos jurídicos do art. 5º do Decreto-Lei n.º 2.124/1984. Sustentou que a DCTF tem o condão de constituir confissão de dívida, bem como que somente mediante a apresentação de prova contábil e fiscal incontestes é possível excluir o débito nela confessado.
O Recurso Voluntário foi apresentado às fls. 84/86 e suscita preliminar que na realidade se confunde com o próprio mérito, quando argumenta de que foram retificados o DACON e DCTF em razão de que possui direito a alíquota zero do PIS/COFINS com fundamento no Decreto n.º 5.442/2005, mas especificamente em relação às receitas financeiras.
Importante mencionar que o contribuinte confessa não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade os documentos fiscais e contábeis para fundamentar o seu direito, por compreender que a redação do Decreto n.º 5.442/2005 era suficiente para assegurar o deferimento do seu pedido.
Advoga em sua defesa que na DACON o valor da receita financeira foi alocado na linha 07, da ficha 07, quando o correto era na linha 13, sendo que à fl. 28 há a prova de que a DACON foi retificada para que fosse transferindo o valor de R$ 384.333,96 para a linha correta, ou seja, receitas isentas, com suspensão, ou sujeitas a alíquota zero.
Cumpre informar que somente no Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou às fls. 111/259, Livro de Saída e páginas do Livro Razão, por intermédio dos quais, segundo o seu entendimento, é possível apurar as receitas financeiras que foram oferecidas a tributação por equívoco e por fim requer o reconhecimento do seu direito creditório.
É o relatório.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor da receita financeira constante da sua escrita contábil e fiscal anexa aos autos nos termos, do voto do relator. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase o processo de pedido de restituição originado em crédito de COFINS recolhido indevidamente ou a maior, apurado no período de 31.05.2005, com o objetivo de extinguir débito de IRPJ no valor de R$ 31.277,40. À fl. 02 está anexo o despacho decisório em face de Bombardier Recreational Products Brasil Ltda, CNPJ n° 02.666.299/000143 por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 04 64 8/ 20 09 -8 4 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 105 2 quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. Ocorre que a empresa Bombardier Recreational Products Motores da Amazônia Ltda, CNPJ n° 22.782.833/000194, apresentou a Manifestação de Inconformidade à fl. 01, que por sua vez não teve o mérito apreciado pela DRJ de Campinas, tendo em vista que esta decidiu às fls. 66 e seguintes, por meio de resolução, por encaminhar os autos para a DRF de Manaus, uma vez que aquela não era mais competente para decidir em razão da mudança do domicílio tributário do sujeito passivo. À fl. 70 a DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foi utilizado na quitação de outros débitos da Recorrente. Deste modo, à fl. 77 a Recorrente foi devidamente cientificada do despacho decisório acima mencionado e a RFB aceita como tempestiva a Manifestação de Inconformidade já apresentada à DRJ/Campinas à fl. 01, por intermédio da qual a contribuinte requer a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que retificou a DCTF para a exclusão da base de cálculo da COFINS de valores sujeitos à alíquota zero. Assim, às fls. 79/82 foi exarado o Acórdão n.º 0124.406 da 3 ª Turma da DRJ/BEL, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/05/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Analisando o acórdão acima prolatado, observase que este fundamentou o indeferimento do pedido de compensação nos efeitos jurídicos do art. 5º do DecretoLei n.º 2.124/1984. Sustentou que a DCTF tem o condão de constituir confissão de dívida, bem como que somente mediante a apresentação de prova contábil e fiscal incontestes é possível excluir o débito nela confessado. O Recurso Voluntário foi apresentado às fls. 84/86 e suscita preliminar que na realidade se confunde com o próprio mérito, quando argumenta de que foram retificados o DACON e DCTF em razão de que possui direito a alíquota zero do PIS/COFINS com fundamento no Decreto n.º 5.442/2005, mas especificamente em relação às receitas financeiras. Importante mencionar que o contribuinte confessa não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade os documentos fiscais e contábeis para fundamentar o seu direito, por compreender que a redação do Decreto n.º 5.442/2005 era suficiente para assegurar o deferimento do seu pedido. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 106 3 Advoga em sua defesa que na DACON o valor da receita financeira foi alocado na linha 07, da ficha 07, quando o correto era na linha 13, sendo que à fl. 28 há a prova de que a DACON foi retificada para que fosse transferindo o valor de R$ 384.333,96 para a linha correta, ou seja, receitas isentas, com suspensão, ou sujeitas a alíquota zero. Cumpre informar que somente no Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou às fls. 111/259, Livro de Saída e páginas do Livro Razão, por intermédio dos quais, segundo o seu entendimento, é possível apurar as receitas financeiras que foram oferecidas a tributação por equívoco e por fim requer o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A questão controversa no presente processo administrativo fica adstrita a aferir se o contribuinte conseguiu ou não fazer prova de que cometeu erro no preenchimento da DCTF, mais especificamente em relação ao oferecimento a tributação da COFINS da receita de R$ 384.333,96, referente a receitas financeiras. O Decreto n.º 5.442/2005, determina que ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Em relação ao conceito de despesa financeira, o art. 373 do RIR/99, dispõe que devem ser consideradas despesas financeiras os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem as receitas financeiras e como tal deverão ser incluídas no lucro operacional. Com efeito, analisando os documentos acostados aos autos apenas no Recurso Voluntário, verificase que seus argumentos possuem fundamento jurídico, uma vez que realmente observando o DACON anexo à fl. 28, observase que de fato este foi retificado para que o valor de R$ 384.333,96 fosse transferido para a linha 13, destinada as receitas não tributadas pela COFINS, enquanto que na DACON original constava este valor na linha 7, ou seja, no espaço reservado para valores integrantes da base de cálculo do tributo. Outro aspecto importante na defesa, diz respeito ao Balancete Acumulado de Abril a Junho de 2005, anexo à fl. 143, por intermédio do qual se verifica que o R$ 384.333,96 está devidamente contabilizado como receita financeira. Assim, considerando que o Decreto n.º 5.442/2005 autoriza a Fazenda Nacional e o contribuinte a reduzir a zero as alíquotas das contribuições incidentes sobre as receitas financeiras e este demonstrou ter se equivocado no oferecimento destas receitas para a Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 107 4 tributação e ainda que em sua contabilidade há realmente o registro de valores correspondentes a estas receitas, então deve ser reconhecido o direito creditório, pois restou demonstrado o erro no preenchimento da DACON e DCTF. É verdade que o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, em princípio, limita a aplicação, no processo administrativo, do princípio da verdade material. Ainda assim, em que pese esta limitação normativa, atual jurisprudência do CARF tem se manifestado no sentido de atenuar esta regra, através de suas construções jurisprudenciais, o rigor da regra, visando assegurar que se alcance a principal finalidade que é garantir a legalidade da apuração do crédito tributário. Cumpre citar decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara. Turma Ordinária no Acórdão nº 20181496 do Processo 10920002509200310: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREENCHIMENTO DE DCTF. ERRO MATERIAL. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, há que se cancelar o lançamento, em nome do princípio da verdade material. Recurso voluntário provido. Em sua obra, Processo Administrativo Tributário, Lídia Maria Ribas trata do tema, registrando o seguinte: “Contrariamente ao que acontece no processo judicial, em que prevalece o princípio da verdade formal, no processo administrativo tributário, além de levar novas provas após a inicial, é dever da autoridade administrativa levar em conta todas as provas e fatos de que tenha conhecimento e até mesmo determinar a produção de provas, trazendoas aos autos, quando elas forem capazes de influenciar na decisão. (...) A importância do princípio da verdade material é enfatizada por Luís Eduardo Schoueri, que afirma ser força e base de todo o Estado de Direito, concluindo que “ o princípio da verdade material, conquanto decorrente do princípio da legalidade, é também exigência do princípio da igualdade”. (RIBAS, Lídia Maria e Lopes Rodrigues Ribas. Processo Administrativo Tributário. 2ª edição). Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Neste passo, voto para reverter o julgamento em diligência para que a DRF “certifique” se o valor de R$ 384.333,96, registrados nos documentos fiscais anexo à fl. 143, referese efetivamente a despesas financeiras a partir da análise dos documentos originais, visto que os documentos trazidos extemporaneamente pelo contribuinte não foram analisados pelo agente fazendário. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904648/200984 Resolução nº 3803000.285 S3TE03 Fl. 108 5 Ante o exposto, reverto o julgamento em diligência. Sala das sessões, 22 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11070.901371/2010-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Relatorio
Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito:
O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010-11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009.
No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 72.532,24, referente ao terceiro trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 04973.07211.131006.1.3.01-4100, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 167 a 179 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933525, das fls. 165.
O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 31.954,36 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância.
A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 183.
O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 354), conforme arrazoado das fls. 184 a 208, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 209 a 231, e instruído com os documentos de fls. 232 a 353, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).
Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO.
É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.
CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA.
Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora.
É o relatório.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010-11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 72.532,24, referente ao terceiro trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 04973.07211.131006.1.3.01-4100, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 167 a 179 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933525, das fls. 165. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 31.954,36 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 183. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 354), conforme arrazoado das fls. 184 a 208, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 209 a 231, e instruído com os documentos de fls. 232 a 353, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .9 01 37 1/ 20 10 -8 3 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 12 2 11070.001396/201085, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/201011, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 72.532,24, referente ao terceiro trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 04973.07211.131006.1.3.014100, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 167 a 179 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933525, das fls. 165. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 31.954,36 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 183. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 354), conforme arrazoado das fls. 184 a 208, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 209 a 231, e instruído com os documentos de fls. 232 a 353, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 13 3 É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório. VOTO O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como relatado acima, o Recorrente apresentou pedido de compensação, no qual pretendia quitar débitos administrados pela Receita Federal com créditos de IPI, oriundos da não cumulatividade do referido tributo. Ocorre que, ao analisar a autenticidade dos referidos créditos, a fiscalização acabou por identificar irregularidades na classificação de alguns bens de produção da Recorrente e, por isso, entendeu por bem lavrar dois autos de infração (Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011). E mais: a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do estabelecimento e, assim, absorveu parcialmente créditos de IPI indicados no pedido de compensação ora analisado, realizando a compensação de ofício com os créditos tributários constituídos. Com relação aos Autos de Infração, a Recorrente propôs ação anulatória de débito fiscal, que tramita perante a SubSeção Judiciária de Cruz Alta (RS), cujos autos, em Fl. 474DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 14 4 consulta realizada no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, encontramse conclusos para sentença. A Recorrente noticia que realizou o depósito judicial dos valores discutidos naquela medida judicial. Neste passo, entendo que não assiste razão à Recorrente. É que, como se verifica da análise dos autos, o pedido de compensação foi realizado no ano de 2006 e, até a lavratura dos autos de infração e, em especial, a reconstituição da escritura fiscal da Recorrente, os créditos indicados por ela no pedido de compensação eram suficientes para quitar os débitos ali apontados. Sabese que, no caso do IPI, a prioridade de quitação é, de fato, é referente aos débitos relativos à saída dos produtos, nos termos do disposto no art. 195 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época [art. 256 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010]. Ou seja, em regra, créditos de IPI devem quitar débitos de IPI. No presente caso, contudo, após acumular crédito de IPI e apurar débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a Recorrente transmitiu pedido de compensação, nos termos autorizados pela legislação em vigor. Os débitos de IPI só foram apurados posteriormente e em decorrência de autuação fiscal. Ou seja, à época da transmissão do pedido de compensação, o procedimento adotado pela Recorrente estava plenamente correto. Porém, o § 6º do art. 8o da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, dispõe o seguinte: § 6º Não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Tal disposição foi mantida, pelo art. 19 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30 de setembro de 2002, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, e pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 1.224, de 23 de dezembro de 2011. In verbis: Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ) Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no caput. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ). E, como se depreende dos autos, a Recorrente, por ter sido autuada nos Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, se encontrava na situação Fl. 475DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901371/201083 Resolução nº 3801000.536 S3TE01 Fl. 15 5 descrita no dispositivo supra citado, nos quais foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos do IPI objeto dos pedidos de ressarcimento/compensação. O requerente também impetrou a Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) no 2008.71.16.0004989, para discutir a classificação fiscal e a correspondente alíquota do IPI das plataformas para colheita de milho objeto das autuações sofridas nos citados Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011. De se destacar que tratase aqui de compensação de créditos de IPI, que possui regramento próprio, não se confundindo com o processo de compensação usualmente utilizado para outra espécie tributária. Vejase, inclusive, que os julgados trazidos pela Recorrente com precedentes que lhe seriam supostamente favoráveis, tratam da compensação de créditos de IRPJ e de CSLL, que possuem regramentos distintos daquele aplicável à compensação de créditos de IPI. Assim, seria inadequado promover o julgamento sem que antes houvesse decisão nos autos dos Autos de Infração mencionados, gerados pela desconstituição da escrita fiscal e erro de classificação. Uma vez analisado aqueles casos, e decidido pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência dos autos de infração, deve ser refeita novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haveria crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. Deste modo, converto o presente processo em diligência, e determino o retorno do presente processo à DRF de origem, para que aguarde o julgamento definitivo dos Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, de modo que caso as decisões proferidas sejam pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência total dos autos de infração, esta refaça novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haverá crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 476DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10840.001622/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
Numero da decisão: 3402-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de cana-de-açúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de canadeaçúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 16 22 /2 00 5- 30 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 296 2 (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). Relatório Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão combatido, in verbis: No presente processo foi proferido Acórdão nº 1432.174, de 17 de janeiro de 2011, tornado nulo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF através de decisão proferida no Acórdão 3402001539, de 06 de outubro de 2011, acolhendo preliminar de cerceamento de defesa solicitada pelo interessado em seu recurso voluntário, dispondo em sua parte final: “Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade, em especial, a possibilidade de aproveitamento dos créditos referentes ao valor do serviço de transporte dos materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida.” Tal voto foi decorrência do entendimento de que a alegação do interessado quanto ao creditamento das despesas de serviços de transporte de pessoas/mercadorias não foi devidamente tratada pela DRJ, no acórdão anulado, pois só tratou das despesas de combustível utilizado no referido transporte de pessoas/mercadorias. Passemos à análise do processo. Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não cumulativa, referente ao período de apuração maio/2005, no valor de R$ 383.679,82, fls.1/2. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 27/31, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito presumido da agroindústria para desconto das contribuições para o Cofins não cumulativo. Os valores dos créditos de Cofins não cumulativo apurados sobre aquisições de Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 297 3 canadeaçúcar de pessoa física e jurídica não são passíveis de compensação. Ressalta que, a partir do período de apuração agosto de 2004. os créditos relativos à agroindústria só podem ser utilizados para abater os débitos do Cofins não cumulativo, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não podem ser compensados ou ressarcidos, com base no disposto no art. 8º, § 3º, II, da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006. b) Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e no artigo 8º, inciso I, alínea “b” e “b1” e nos parágrafos 4º, item I, alínea “a”, e 9º, inciso I do mesmo artigo 8º da Instrução Normativa nº 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados à venda. Destaca que a empresa descontou crédito indevido sobre o valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, nos termos do disposto nos dispositivos acima citados. A partir das divergências encontradas, foram refeitos os cálculos do crédito da empresa, conforme planilha de fls. 26, onde foi apurado credito do interessado no valor de R$ 165.270,21 Através do Despacho Decisório de fls. 32/33, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor apurado na Informação Fiscal, que aprovou e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls. 45/76, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e, sobre as divergências encontradas, que geraram a glosa do valor pretendido, alega, em breve síntese, o seguinte: PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, “... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica “da etapa anterior” e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 298 4 Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, utilizandose do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, “... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de canadeaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA COMPENSAÇÃO Quanto à possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, para compensação com outros débitos, alega que está embasada nesse próprio dispositivo legal e no disposto no art. 5º, § 1º, II, da Lei nº 10.637, de 2002. Que o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 não pode ser afastado haja vista sua referência ao art. 3º das leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, sendo impossível “desvincular referido crédito dos dispositivos legais de ressarcimento com outros tributos federais”. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 299 5 Que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF nº 660, de 2006, sendo vedado a aplicação de norma retroativa a fim de vedar forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei nº 10.925, de 2004 em relação à possibilidade de utilização do crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão nº 1439.540, de 14 de dezembro de 2012, cuja ementa foi assim vazada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, considerando se esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL E DEMAIS DESPESAS DE TRANSPORTE DE PESSOAS OU MERCADORIAS, NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e as demais despesas com o transporte de pessoas ou mercadorias utilizadas em fases que não a fabricação do produto não podem ser consideradas como insumo, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 300 6 1) A recorrente faz jus ao aproveitamento de créditos referentes aos custos com combustíveis e com transporte de pessoas e de canadeaçúcar; e 2) É possível a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais que não seja a Cofins apurada na sistemática da nãocumulatividade; Termina sua petição recursal requerendo integral provimento de seu recurso para possibilitar a compensação/ressarcimento de todos os créditos discutidos nestes autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. CONCEITO DE INSUMO A pedra angular do litígio posta nos autos cingese na interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 69 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 301 7 de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 302 8 apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 303 9 razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 304 10 o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 305 11 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 306 12 a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 307 13 materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” Fl. 233DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 308 14 e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando aos autos, constato que as glosas efetuadas pelo Fisco foram relativas aos dispêndios havidos no transporte e plantio de canadeaçúcar. A Autoridade Fiscal entendeu que o combustível, o serviço de transporte de trabalhadores e o serviço de transporte da canadeaçúcar não se subsumiam ao conceito de insumo instituído pela Lei nº 10.822/2003. Tenho uma interpretação diferente para o caso, senão vejamos: A recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e álcool. Para a produção do açúcar e do álcool necessário se faz o corte, o carregamento e transporte da canadeaçúcar até o estabelecimento industrial para que nele, parque fabril, haja a transformação da matériaprima em produto final que será oportunamente comercializado. Portanto, na operação de fabricação de álcool e açúcar, o combustível para os veículos de transporte de pessoal e de canadeaçúcar, e os próprios serviços de transporte estão diretamente envolvidos no processo produtivo da empresa. Fato que possibilita o creditamento dos referidos custos. AGROINDÚSTRIA – RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO A lide passa necessariamente pelas irradiações das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o Fl. 234DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 309 15 PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos Fl. 235DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 310 16 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 311 17 Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Deste modo, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 312 18 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 313 19 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, a Lei nº. 12058, de 13 de outubro de 2009 aduziu importantes modificações no tema, a saber: a) Permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; b) Autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei nº. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direito concedidos pela Lei nº. 12058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Não se pode esquecer que o art. 106 do CTN autoriza a aplicação de lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da não cumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001622/200530 Acórdão n.º 3402002.164 S3C4T2 Fl. 314 20 Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria da Cofins em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pelo contribuinte deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustível, transporte de pessoal e de canadeaçúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na sistemática da não cumulatividade, bem como a utilização dos créditos para ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil É como voto. Sala das Sessões, em 22/08/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.000842/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/10/2001
IOF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE COMPENSAÇÃO DEFERIDA.
Deve ser cancelado o lançamento quando demonstrado nos autos que o crédito tributário lançado no auto de infração já havia sido objeto de compensação deferida em outro processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Vita Pedrosa, OAB/SP 240038. Ausência momentânea da conselheira Fábia Regina Freitas.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE COMPENSAÇÃO DEFERIDA. Deve ser cancelado o lançamento quando demonstrado nos autos que o crédito tributário lançado no auto de infração já havia sido objeto de compensação deferida em outro processo administrativo. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Vita Pedrosa, OAB/SP 240038. Ausência momentânea da conselheira Fábia Regina Freitas. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 42 /2 00 6- 93 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 406 2 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, adoto o relatório da DRJ/CampinasSP, abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, fls. 17/19, que constituiu contra a Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV, CNPJ 02.808.708/000107, na condição de sucessora de Indústria de Bebidas Antártica do Norte Nordeste S/A (sucedida), CNPJ 15.182.652/000161, o crédito tributário no valor de R$ 234.276,30, somados o principal, multa de oficio e juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal — I0F, fl. 14, parte integrante do Auto de Infração, a fiscalização aponta como razões da autuação: (i) A existência da informação de débito de I0F, no valor de R$ 93.000,00 e fato gerador ocorrido em 31/10/2001, em Pedido de Compensação formulado pela sucedida, tratado no processo administrativo n° 13502000412/0069; (ii) O indeferimento do citado pleito de compensação; (iii) A inexistência, até o momento da lavratura, de recolhimento e/ou confissão da divida pela sucedida. Cientificada em 09/05/2006, a contribuinte apresentou impugnação, fls.22/30, em 08/06/2006, na qual, em suma, alega que: 1. Sua condição de sucessora encontrase atestada no balanço patrimonial de incorporação datado de 31/10/2001; 2. A incorporada apresentou DIPJ de incorporação e promoveu a baixa do CNPJ nos cadastros da Receita Federal; 3. A Incorporada apresentou Pedido de Compensação no valor de R$ 93.000,00 (noventa e três mil reais), que gerou o processo administrativo de n° 10880.720092/200475, o qual se encontraria em fase de análise pelas equipes de restituição da Secretaria da Receita Federal; 4. 0 débito que originou o auto de infração contestado foi declarado, erroneamente, no CNPJ da empresa incorporadora, em DCTF retificadora do 4º trimestre de 2001, enviada em 31/05/2005; 5. A quantia cobrada no Auto de Infração é de responsabilidade da empresa incorporada, uma vez que o fato gerador ocorreu em 31 de outubro de 2001, e esse valor foi considerado no Balanço Patrimonial elaborado pela incorporada em 31 de outubro de 2001; 6. Esse valor de R$ 93.000,00 foi inserido na DCTF retificadora da incorporada em 07/06/2006, para regularizar essa pendência perante a Secretaria da Receita Federal. Em seguida, a impugnante pede a declaração de nulidade do Auto de Infração e emenda: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 407 3 Esse valor de R$ 93.000,00, relativo a 10F, foi calculado com base em Mútuo referente ao mês de Outubro de 2001. Para melhor orientar esse Ilustre Julgador, a impugnante anexou a essa peça impugnatória cópia de seu livro razão e planilha de base de cálculo do respectivo imposto (Anexo 7). De acordo com o disposto no artigo 4° do Decreto 2.219 de Maio de 1997, são considerados contribuintes do IOF as pessoas fisicas e jurídicas tomadoras de crédito(..) Ao julgar referida impugnação a DRJ/CampinasSP proferiu acórdão pela manutenção do lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CAMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/10/2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe A autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO. EFEITOS. A retificação de DCTF após a ciência de auto de infração sobre a matéria não é hábil para afastar os fundamentos da autuação, posto que já excluída a espontaneidade da contribuinte. Lançamento Procedente Não concordando com a citada decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 262/276, repetindo basicamente os mesmos argumentos da impugnação e acrescentando as seguintes informações, em resumo: que o Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 10615343 que reconheceu o direito a restituição do crédito do ILL, o qual ensejou a compensação de R$ 93.000,00 a título de IOF e que está sendo cobrado no presente processo de lançamento; que em atendimento ao citado acórdão, a Equipe de Análise de Processos de Imposto de Renda EQPIR da Receita Federal do Brasil em São Paulo, homologou as compensações relacionadas ao pedido de restituição de ILL, dentre elas, a compensação destes R$ 93.000,00; que trouxe a este processo o extrato do processo principal com a homologação expressa do débito do IOF, do período de apuração 11/2001 (leiase 31/10/2001), no valor de R$ 93.000,00; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 408 4 que ao contribuinte é incabível apresentar, neste recurso voluntário, suas razões de defesa, porquanto todos os fatos que dão sustentação ao equivoco apresentado pela recorrente, foram irrefutavelmente comprovados com os documentos acostados no presente processo e corroborados pela homologação do débito de R$ 93.000,00 realizada pela Equipe de Análise de Imposto de Renda EQUPIR da DRF de São Paulo. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 409 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais, por isto dele tomo conhecimento. Da análise dos elementos fáticos do presente processo, constato que indubitavelmente assiste razão ao contribuinte. Conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração e que contém a descrição dos fatos, fl. 28, a ação fiscal iniciou com representação fiscal decorrente da análise do processo 10880.720092/200475, propondo o lançamento do IOF em face de que este não teria sido regularmente declarado em DCTF. Dispõe ainda que o valor do IOF a ser lançado, R$ 93.000,00, é decorrente de pedido de compensação indeferido no processo nº 13502.000412/0069. Entre os elementos que a autoridade lançadora instruiu o presente auto de infração estão justamente o pedido de compensação, fl. 10, pelo qual é solicitado a compensação do valor de R$ 93.000,00 de débito de IOF do período de apuração de 31/10/2001, com créditos constantes do processo nº 13502.000412/0069. Portanto comprovado está que foi deste documento que o auditor retirou o valor do seu lançamento, pois referido saldo devedor não foi localizado na DCTF da empresa sucedida relativa ao 4º trimestre/2001. O auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal foram lavrados em 27/04/2006, sendo que o processo administrativo relativo ao pedido de compensação, processo nº 13502.000412/0069, foi julgado em 22/02/2006, antes portanto da lavratura do auto de infração, conforme ementa apresentada pelo contribuinte por ocasião da impugnação, fl. 178, e também no recurso voluntário, no qual juntou o inteiro teor do Acórdão nº 10615.343, fls. 318/336, que deu provimento parcial ao pleito do contribuinte. Este fato retira a validade da principal fundamentação do auto de infração, que é justamente a de que o seu pedido de compensação teria sido indeferido. Transcrevese abaixo este trecho do Termo de Verificação Fiscal: Considerando que o crédito a compensar da incorporada, de que trata o Processo n°: 13502.000412/0069 (fls. 02 a 04) , teve o seu pleito indeferido; Na execução da compensação autorizada pelo acórdão nº 10615.343, do Conselho de Contribuintes, no processo nº 13502.000412/0069, a Equipe de Análise de Processos de Imposto de Renda EQPIR da Receita Federal do Brasil em São Paulo, homologou as compensações relacionadas ao pedido de restituição de ILL, dentre elas, a compensação dos R$ 93.000,00, que é exatamente o IOF do período de apuração de 31/10/2001, objeto de lançamento no presente processo. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.000842/200693 Acórdão n.º 3301001.987 S3C3T1 Fl. 410 6 Todos os elementos analisados no presente processo vão ao encontro desta conclusão e demonstra que efetivamente houve erro material praticado pelo contribuinte no preenchimento das DCTF original e retificadoras. Erros materiais no preenchimento da DCTF não autorizam a manutenção de lançamento efetuado com base em premissas e elementos decorrentes destes mesmos erros. A verdade formal não deve prevalecer em detrimento da verdade material amplamente demonstrada e comprovada. Assim, diante das razões fáticas acima expostas, voto em dar provimento ao recurso voluntário, declarando o lançamento improcedente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 410DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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